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Numero do processo: 10209.000261/2004-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 10/05/1999
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. Informações suficientes para caracterizar a operação e supridas por outros documentos.
As informações disponibilizadas atendem às exigências previstas no artigo 2º da Resolução 232.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 10/05/1999
Ementa: FATURA COMERCIAL – Multa por ausência dos requisitos:
A verdade material ficou aclarada com a juntada da cópia de fax da Invoice 605930 de 28/04/99. O artigo 425 impõe regras voltadas para o “exportador”.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3101-000.654
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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CERTIFICADO DE ORIGEM. Informações suficientes para caracterizar a operação e supridas por outros documentos. As informações disponibilizadas atendem às exigências previstas no artigo 2º da Resolução 232. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/05/1999 Ementa: FATURA COMERCIAL – Multa por ausência dos requisitos: A verdade material ficou aclarada com a juntada da cópia de fax da Invoice 605930 de 28/04/99. O artigo 425 impõe regras voltadas para o “exportador”. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges e Henrique Pinheiro Torres. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Fl. 179DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10209000261/200489 Acórdão n.º 3101654 S3C1T1 Fl. 2 2 Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 94 a 97 dos autos emanados da decisão DRJ/FOR, por meio do voto do relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar, nos seguintes termos: “Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de ofício, no percentual de 75%, bem como da multa prevista no art. 106, inciso V, do Decretolei nº 37/1966, vigente à época dos fatos, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 93.242,64, objeto do Auto de Infração fls. 02/09. 2. Segundo a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação de no 99/03662238, registrada em 10/05/1999, utilizou a redução de 80% da alíquota do imposto de importação, fixada em 9%, no Nono Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº. 27 (ACE27), conforme Decreto de execução nº. 1.381/95, firmado entre Brasil e Venezuela, na importação de 1.437,388 tonelada métrica de Propano, NCM 2711.12.10. 3. Esclarece a Fiscalização, quanto à operação, o seguinte: a) não há correspondência entre o Certificado de Origem ALD 990506964, fls. 24 e a Fatura Comercial PIFSB490/99, de 14/06/1999, emitida pela Petrobras International Finance Company (Pifco), situada nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI; b) o Certificado de Origem apresentado teve sua emissão anterior à fatura comercial que instruiu a declaração, quando deveria ser na mesma data ou dentro de sessenta dias seguintes à emissão da fatura, importando na desconsideração do Certificado de Origem; c) o certificado de origem não faz menção à Fatura Comercial PIFSB490/99 que instruiu o despacho de importação, mas faz referência à fatura comercial da PDVSA PETROLEO Y GAS, S.A nº 605930 e ao país exportador, Venezuela, no entanto, consta como exportadora na Declaração de Importação a empresa Pifco, situada nas Ilhas Cayman; d) nesta operação está evidente a intervenção de um terceiro país não membro da ALADI, no entanto as disposições da Resolução 232 não se aplicam ao caso pois não há interveniência de um operador nos termos da citada resolução; e) o Valor Unitário na condição de venda da Mercadoria foi declarado a menor em relação à Fatura Comercial PIFSB490/99; Fl. 180DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10209000261/200489 Acórdão n.º 3101654 S3C1T1 Fl. 3 3 f) inexistência na Fatura, nº PIFSB490/99, fls. 23, dos elementos essenciais de validação de Fatura, conforme estabelece o artigo 425, alíneas “a”, “h”, “i” e “m” do Regulamento Aduaneiro – RA, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1995. 4. Diante dos fatos, destaca a fiscalização “...cobrase a diferença do imposto de importação devido, apurado face do não reconhecimento da redução do imposto, somado aos acréscimos legais devidos”. 5. Às fls. 10/14 descreve minudentemente a fiscalização toda a situação fática dos autos, concluindo: 6. “...concluise, que tanto a Fatura Comercial PIFSB490/99, como o Certificado de Origem ALD 990506964 não atendem às normas de origem estatuídas na legislação pertinente, não se constituindo em documentos hábeis para assegurar a pretendida redução tarifária...Além disso, a operação comercial entre Venezuela – Ilhas Cayman – Brasil, realizadas pelas empresas PDVSA – PFICO – PETROBRAS, respectivamente, caracterizando a interveniência de terceiro país não membro do acordo, no entanto descaracteriza a participação de um operador, na forma prevista na legislação pertinente, impedindo o gozo de preferências tarifárias em razão da origem acordadas no âmbito da ALADI. Sendo assim, a operação realizada pelo contribuinte deve receber tratamento de importação comum...”.(sic). 7. Cientificado do lançamento em 03/05/2004, conforme fls. 01, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 25/05/2004 a impugnação de fls. 38/50 nos seguintes termos: 7.1. inicialmente se reporta aos fatos que ensejaram a ação fiscal; 7.2. esclarece a operação comercial em foco, ou seja, Petróleo Brasileiro S.A – PETROBRAS, através de empresa integrante de seu grupo econômico, a Petrobras International Finance Company (Pifco), sediada nas Ilhas Cayman, adquiriu normal propano, produzido na Venezuela, junto à PDVSA – Petróleo e Gás S/A, empresa sediada no mesmo país, com redução de 80 % da alíquota do Imposto de Importação, com base no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE27), conforme Decreto de execução nº 1.381/95; 7.3 – destaca ainda que o envolvimento das três empresas na operação comercial gerou a expedição de duas faturas comerciais, sendo a primeira, emitida pela PDVSA e destinada à PFICO e, a segunda, PIFSB, expedida pela PFICO para a Petróleo Brasileiro S.A – PETROBRAS. Esclarece que a última fatura que instruiu a declaração de importação, fez referência expressa à fatura comercial originária (PDVSA) e ainda que o Certificado de Origem emitido pela PDVSA também faz referência à mesma fatura comercial; 7.4. a operação comercial acima explicitada é conhecida por triangulação comercial que consiste numa prática internacional comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; 7.5 defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI, tanto que a Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro (COANA), no uso de sua competência regimental expediu a NOTA COANA/COLAD/DITEG nº 60/97, em 19/08/1997, de modo que a própria SRF através da COANA entendeu que a triangulação comercial não afastava a preferência tarifária prevista em Fl. 181DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10209000261/200489 Acórdão n.º 3101654 S3C1T1 Fl. 4 4 acordo internacional mesmo antes da resolução 232, entendimento que está em consonância com as normas contidas na resolução 78/87 e Acordo 91/89, aprovados pelos Decretos nºs 98.874/90 e 98.836/90 e com o próprio objetivo da ALADI, que é implementar de forma gradual e progressiva um mercado comum latinoamericano, caracterizado principalmente pela adoção de preferências tarifárias e pela eliminação de restrições nãotarifárias; 7.6 – ressalta que a impugnante procedeu em sua atividade realizando comércio com a Venezuela, país integrante da ALADI, utilizandose de suas subsidiárias, no caso a PFICO, sediada nas Ilhas Cayman, na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, ao contrário do que afirmou a fiscalização; 7.7 a PFICO, sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com sua revenda, inclusive o transporte da mercadoria ocorreu diretamente da Venezuela para o Brasil, como demonstram o Certificado de Origem e o Conhecimento de Embarque; 7.8 – a própria Receita Federal não prevê procedimento específico a ser seguido no despacho nos casos de triangulação comercial, por isso a PFICO consta como “exportadora” na DI e apenas a fatura emitida por ela foi apresentada no despacho de importação; 7.9 ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, enfatizando que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos; 7.10 – nesse sentido traz à colação os dispositivos da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional que regem o citado imposto bem como respeitável doutrina; 7.11 o alegado descumprimento dos requisitos previstos no art. 425 do Regulamento Aduaneiro está vinculado à questão da falta de previsão de procedimento específico para os casos de triangulação comercial, pois na ausência de norma específica, o importador apresentou somente uma fatura, mas diligenciou para que no corpo desse documento fossem anotados os números do certificado de origem e da fatura originária; 7.12 o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador e, no caso, a PIFCO atuou na qualidade de simples operadora; 7.13 invoca o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13 de 10/09/2002, destacando os artigos 100, I e 106, I, ambos do Código Tributário Nacional – CTN, a fim de seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96; 7.14 – tendo sido o CTN recepcionado pela Constituição Federal, argúi que a instituição de taxa de juros diferente daquela prevista no § 1º, do artigo 161 do CTN, somente pode ocorrer através de lei complementar, o que não aconteceu no caso da aplicação da SELIC, que decorre da Lei Ordinária nº 9.065/95; 7.15 – ademais a ilegalidade não está apenas na forma da instituição da SELIC, como taxa de juros, mas também na sua essência, uma vez que não foi instituída para remunerar a mora, assim requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros moratórios; 7.16 – tendo a taxa SELIC a característica de taxa de remuneração de capital investido, quando o Fisco aplica a taxa SELIC sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo Fl. 182DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10209000261/200489 Acórdão n.º 3101654 S3C1T1 Fl. 5 5 como agente financeiro, equiparando a relação tributária a uma operação de financiamento, o que carece de sustentação legal; 7.17 – reconhece que declarou um Valor Unitário na Condição de Venda (VUCV) menor do que aquele indicado na Fatura Comercial PIFSB490/99, no entanto ressalta que recolheu a diferença com aplicação da alíquota reduzida, por força do ACE27; 7.18 Ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente protestando o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a documental ora apresentada.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0810.482 de fls. 92 e 93 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/05/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/05/1999 MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Incabível a exigência da multa de ofício capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, quando a mercadoria se encontra corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, em consonância com Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA FORMAL DAS LEIS. FORO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DO MÉRITO. O processo administrativo está adstrito à observação do cumprimento da legislação vigente, sendo o mesmo inaplicável à análise de questões atinentes a supostas incongruências formais existentes no texto legal ou no processo legislativo. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/05/1999 Ementa: FATURA COMERCIAL Comprovado nos autos que a Fatura Comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, tornase cabível a exigência da penalidade pecuniária. Lançamento Procedente em Parte” Fl. 183DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10209000261/200489 Acórdão n.º 3101654 S3C1T1 Fl. 6 6 Irresignando , o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho – CARF (fls. 115 a 145), onde alega em suma o seguinte: I – Preliminarmente – alega que a matéria, ora versada, encontrase pacificada na E 3º Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas de acórdãos colacionados de fls. 117 a 120 dos autos, com decisões amplamente favoráveis à Recorrente. Portanto, requer seja aqui observado o mesmo posicionamento decisório , igualmente improcedente o lançamento objeto da presente lide, sobretudo quanto a matéria tratada nos recursos supra citados. II – Dos autos; II – Das Penalidades; III – Introdução – as multas impostas não podem prosperar; IV – Da impossibilidade da perda da redução tarifária por erros formais de preenchimento do certificado de origem – suposta divergência entre o certificado de origem e o acordo comercial; V – Contrariedade à Orientação Sistêmica do Órgão Central da S.R.F; VI – Descumprimento do art. 10 da Resolução 78; “ Em nenhuma hipótese o país importador deterá os trâmites de importação; VII – As Importações de Petróleo e seus Derivados no País; VIII – Os acordos de redução tarifária; IX – Erronia inversão lógiconormativa pretendida pelo fisco, que seu próprio órgão central e a câmara superior de recursos fiscais rejeitam; X – Conclusão A Recorrente acredita na jurisprudência firme que estava adotando o então 3º Conselho de Contribuintes, requerendo considerar como parte integrante do presente recurso todas as asserções insertas na peça de impugnação, reiterando todos os seus termos. Ainda, que o Auto de Infração seja declarado nulo e /ou insubsistente por sua flagrante ilegalidade, ou cancelado por sua manifesta improcedência. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. A decisão recorrida, decidiu, por maioria de votos, na forma do relatório e voto, em JULGAR PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, para: Fl. 184DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10209000261/200489 Acórdão n.º 3101654 S3C1T1 Fl. 7 7 a) CONSIDERAR DEVIDO: a.1) o Imposto de Importação no valor de R$ 35.777,87, acrescido dos encargos legais cabíveis, nos termos da legislação aplicável; a.2) a multa regulamentar no valor de R$ 12,67. b) EXONERAR a multa no percentual de 75%, no valor de R$ 26.833,40. Aplicação do ADN SRF nº. 13, de 10 de setembro de 2002. Ficaram vencidos os julgadores Francisco José Barroso Rios e Luís Carlos Maia Cerqueira que votaram pela procedência em parte do lançamento para manter apenas a multa regulamentar no valor de R$ 12,67. Deixouse de Recorrer de Ofício do referido Acórdão, em virtude de o crédito Tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada previsto no artigo 2º da Portaria do Ministro da Fazenda nº. 375, de 07/12/2001. No Recurso Voluntário a Recorrente apresenta preliminar, que acato como mérito da questão analisada. No mérito, corroboro com trechos dos votos dados em separado, que por bem analisar a questão dos autos eu aqui transcrevoos: “Notese que, no campo “observaciones” do Certificado de Origem nº. ALD 990506964 (fls. 24), é informada a data da expedição do BL (14/04/1999) e o navio transportador (ULLSWATER), dados que coincidem com as informações contidas no Conhecimento de fls. 22, que está consignado à Petrobras Internacional Finance Company, empresa que expediu a invoice que instruiu a DI (fatura nº. PIFSB490/99 – fls. 23). Além disso, no referido BL consta que o produto seria entregue em porto brasileiro (“Para ser entregado em el puerto de: BRAZIL”), comprovando que a mercadoria fora destinada diretamente da Venezuela para o Brasil. Importante destacar que, como o caso presente não se enquadra na hipótese de emissão de certificado de origem depois da expedição da fatura por operador de terceiro país (o Certificado de Origem foi emitido antes da fatura da PIFCO), o campo destinado às observações do citado certificado não necessitaria sequer ser preenchido, conforme explicitado na segunda parte do item 2º da Resolução nº. 232 (que alterou o Acordo 91), devendo a interessada, todavia, apresentar uma declaração juramentada que justifique a operação. Reproduzo, abaixo, o disposto no item 2º da Resolução nº. 232. SEGUNDO Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma Fl. 185DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10209000261/200489 Acórdão n.º 3101654 S3C1T1 Fl. 8 8 declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. (grifo nosso) Mesmo não sendo obrigatório o preenchimento do campo do Certificado de Origem destinado às observações, é fato que, no referido campo, foi consignado o nome do navio transportador e a data da expedição do BL, estando este consignado à PIFCO (ver fls. 22), que, por sua vez, expediu a fatura relativa à operação de destino (fls. 23). Com efeito, no campo do certificado de origem em evidência – repetindo, se obrigatório fosse seu preenchimento –, faltaria anotar a razão social do operador do terceiro país e o seu correspondente domicílio. Não obstante, entendo que tais particularidades não seriam suficientes para descaracterizar a operação, uma vez que são facilmente supridas pelos outros documentos que instruem os autos (BL, fatura expedida pelo operador), além da própria Declaração de Importação objeto da lide, onde está consignado que o domicílio da PIFCO é na cidade de Georgetown, em Gran Cayman Ilhas Cayman (ver fls. 29). Em suma, entendo que os dados informados no certificado de origem, na fatura comercial expedida pela PIFCO (que contempla também informações concernentes ao Certificado de Origem e à fatura original emitida pela empresa venezuelana), no conhecimento de embarque, e nas demais peças que instruem os autos, são suficientes para caracterizar uma triangulação comercial no âmbito da ALADI, faltando apenas examinar a justificativa para a realização da operação em tela, exigida através da apresentação de declaração juramentada. Conforme citado, o artigo 2º da Resolução nº 232 da ALADI, em sua segunda parte, prescreve que, se na ocasião da expedição do certificado de origem ainda não se conhecer o número da fatura comercial emitida pelo operador do terceiro país, “[...] o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação”. Essas informações, como ressaltado, constam de toda a documentação que instruiu a DI. Não se tem notícia de que a Secretaria da Receita Federal tenha estabelecido uma forma específica para a citada declaração, de sorte que não se pode exigir do contribuinte mais do que esteja prescrito na legislação Tributária. Mesmo assim, consta às fls. 34/36 expediente remetido pela autuada à Alfândega no Porto de Belém onde o sujeito passivo esclarece os motivos e a natureza da operação de triangulação comercial envolvendo duas subsidiárias da empresa, dentre elas, a Petrobras International Finance Company. Segundo informa a empresa, para fins de atender a exigências do Banco Central relativas à liquidação dos contratos de câmbio na data do cumprimento da obrigação (vencimento das faturas), e não mais em data futura, como anteriormente permitido, a PETROBRAS passou a se utilizar de uma companhia subsidiária para fazer o financiamento internacional, adquirir o petróleo e derivados no mercado internacional e, posteriormente, os revender à própria PETROBRAS em prazo compatível com a realidade do ciclo operacional da empresa. Essa companhia subsidiária passou a se utilizar das linhas de crédito anteriormente obtidas pela PETROBRAS, mas em vista da rejeição inicial deste modelo pelo mercado internacional, a própria PETROBRAS foi obrigada a iniciar a cadeia operacional para, só depois, revender o produto à subsidiária e adquirilo posteriormente, conforme esquema representativo contido no expediente da autuada: Fl. 186DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10209000261/200489 Acórdão n.º 3101654 S3C1T1 Fl. 9 9 Fornecedor à Petrobras à Brasoil à Petrobras Com o passar do tempo, a autuada passou a adotar o modelo onde a aquisição do produto era realizada diretamente pela sua subsidiária, conforme assevera textualmente: Com o decorrer do tempo, após intenso trabalho de marketing e oferecimento de garantias formais pela Petrobras quanto ao cumprimento das obrigações pela Brasoil, posteriormente pela Petrobras International Finance Company, as seguintes cadeias comercial (sic) passaram a ser efetivadas: Fornecedor à Petrobras International Finance Company à Petrobras Fornecedor à Braspetro Oil Services à Petrobras A cadeia envolvendo a Petrobras International Finance Company – PIFCO é justamente o modelo que caracteriza a transação de importação de derivados de petróleo objeto da lide. A admissibilidade desse tipo de triangulação comercial pelo Regime de Origem da ALADI, associado aos documentos já analisados acima, são plenamente suficientes para caracterizar o vínculo existente entre a fatura original emitida pela PDVSA (fornecedor), o Certificado de Origem e a fatura expedida pela PIFCO, conforme já asseverado, de sorte que não há nenhuma razão para descaracterizar a redução tarifária que beneficia as negociações realizadas no âmbito do ACE27. Em conclusão, está plenamente demonstrado nos autos que o produto importado provém, de fato, da Venezuela, país signatário do ACE27, firmado no âmbito da ALADI, tendo sido atendidas, pelos argumentos acima elencados, as exigências prescritas pela citada Associação.” (trechos do voto em separado do Auditor Fiscal da Receita Federal Sr. Francisco José Barroso Rios de fls. 106 a 108). No mesmo sentido é o, também, voto em separado de fls. 109 e 110 do julgador Auditor Fiscal Luis Carlos Maia Cerqueira, que destaco apenas alguns trechos: “Da análise das peças processuais, percebese que a expedição do certificado de origem ocorreu em 05/05/1999, enquanto que a fatura comercial da PIFCO somente veio a ser emitida em 14/06/1999, ou seja, no momento da expedição do certificado de origem ainda não era conhecido o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país. Logo, desnecessário era o preenchimento do campo “observações”, cabendo, pois, a apresentação de declaração juramentada. Acontece que, inexiste norma que defina a forma da referida “declaração juramentada”, pelo que, diante de tal lacuna, é razoável considerar o conjunto de informações que permeiam a situação, de modo a assegurar a verdade material. Neste sentido, o artigo 2º ora transcrito referese à aludida declaração de modo a dar maior praticidade à operação, ou seja, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo “observações” correspondente do certificado não deverá ser preenchido, e nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10209000261/200489 Acórdão n.º 3101654 S3C1T1 Fl. 10 10 Notese que a “declaração juramentada” poderá ser confeccionada pelo próprio importador e deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Ora, no caso presente, temos que, muito embora não tenha sido apresentada uma “declaração juramentada”, percebese que consta na própria Declaração de Importação (declaração oferecida à administração aduaneira correspondente) a indicação de que o exportador é a PIFCO e que seu domicílio situase nas Ilhas Cayman (fls. 20). Ademais, dentre os documentos que instruem a DI, consta uma via da fatura comercial emitida pela PIFCO (fls. 23), onde, obviamente, consta o seu número e a data de sua emissão. Neste documento consta também o número e data de emissão do certificado de origem que ampara a operação de importação, além da indicação da fatura comercial emitida pelo produtor situado na Venezuela. Ao serem disponibilizadas as informações que deveriam constar na referida “declaração juramentada”, entendo estarem atendidas, materialmente, as exigências previstas no artigo 2º da Resolução 232. Acrescentese ainda, que a impugnante, por meio da correspondência UM REMAN/CMB 019/02 (fls. 3436) esclareceu à autoridade aduaneira as razões e a forma da operação realizada, o que, do ponto de vista teleológico, e, em observância à verdade material, entendo como justificado o fato, atendendo, pois, o propósito da norma em destaque. Com efeito, considerando a nova sistemática adotada pela impugnante, e por tudo até aqui exposto, entendo que a operação de importação em comento atende às regras de certificação de origem, sendo, pois, cabível a redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE 27), firmado entre o Brasil e a Venezuela.” No mesmo sentido, do voto que aqui vai construindose, aplicase as decisões da E.3º Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujas ementas de acórdão foram colacionadas nos autos em fls. 117 a 120 pela Recorrente, que deixo de repetilas, mas podendo ser lidas em sessão se necessário. Quanto a última exigência fiscal mantida pela decisão recorrida, ou seja, “multa por ausência dos requisitos da fatura comercial”, no valor de R$ 12,67 foi sustentada pelo voto condutor de fls. 102 a 104 que concluiu o seguinte: “A cópia do documento anexado às fls.23, demonstra a ausência dos elementos de inclusão obrigatória, conforme taxativamente citados na descrição dos fatos, tal qual dispõe o art. 425 do Regulamento Aduaneiro. Nesse diapasão, não há reparos no feito fiscal, visto que a legislação tributária foi corretamente aplicada ao caso concreto.” Ocorre, que a acusação fiscal inicial é de que a Recorrente não cumpriu as exigências estabelecidas no artigo 425, alínea “a”, “h”, “i” e “m” do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, que estão vinculadas à questão da falta de previsão de procedimento específico para os casos de triangulação comercial, o que fez a Recorrente apresentar somente uma fatura, por ocasião do despacho aduaneiro, mas diligenciou para que no corpo desta fatura fossem anotados os números do Certificado de Origem e da fatura originária correspondentes. Fl. 188DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10209000261/200489 Acórdão n.º 3101654 S3C1T1 Fl. 11 11 Contudo, para maior clareza ou para sanar de vez qualquer dúvida sobre esse processo, a verdade material é imprescindível e, portanto, deve o presente julgamento ser convertido em diligência para que a repartição de origem intime a Recorrente a trazer aos autos cópia da original fatura emitida pela empresa PDVSA (fornecedora) relacionada ao caso. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Relatório Complementando o relatório anterior, foi realizada a diligência nº. 0217600.2010001070 para cumprimento da RESOLUÇÃO Nº. 310100.073 desse Conselho, que conforme relatório de diligência de fls. 173, a empresa recorrente, apresentou, através de comunicado TRIBUTÁRIO/REGI/NOPA009/2010, cópia de fax da Ìnvoice 605930 de 28/04/99 conforme fls. 172 referente a fatura original emitida pela PVSA referente ao Processo 10.209.000261/200489 DI nº 99/03662238. É o relatório final. VOTO Contudo, complementando o voto já iniciado, entendo que com a realização da diligência, a verdade material imprescindível nesse processo ficou estabelecida e, portanto, reside razão a Recorrente, pois, o artigo 425 impõe regras voltadas para o “exportador” e, no caso a PFICO participou da importação na qualidade de simples “operadora”. Diante de todo o exposto, voto pelo PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO pela improcedência da exigência do imposto e multa de que trata esse processo. É como voto. Relatora: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Fl. 189DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.970533/2009-26
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO DA DIPJ. NECESSÁRIA.NÃO SUFICIENTE.
A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas. Exegese da Súmula CARF 92.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 1003-000.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO DA DIPJ. NECESSÁRIA.NÃO SUFICIENTE. A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas. Exegese da Súmula CARF 92. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
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INFORMAÇÃO DA DIPJ. NECESSÁRIA.NÃO SUFICIENTE. A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas. Exegese da Súmula CARF 92. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 05 33 /2 00 9- 26 Fl. 209DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 1242.629, de 5 de dezembro de 2011 da 7ª Turma da DRJ/RJ 1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 37160.12935.070109.1.3.042873 em 07/01/2009, efls. 36, utilizandose do crédito relativo a Pagamento Indevido ou a Maior de estimativa mensal de IRPJ relativo ao período de apuração encerrado em 31/10/2008. Por bem retratar os fatos até o momento processual anterior ao julgamento da Manifestação de Inconformidade e por economia processual, transcrevo e adoto o relatório contido no acórdão a quoe complementado mais adiante: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 37160.12935.070109.1.3.042873, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito – Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ Data de Arrecadação : 28/11/2008 Valor Original do Crédito Inicial : R$ 31.500,00 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 31.444,13 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 31.444,13 O crédito teria origem no DARF recolhido em 28/11/2008, de IRPJ (código 5993), no valor de R$ 380.681,28, e já teria sido informado na DCOMP inicial de nº 16715.35015.191208.1.3.049840. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 08, nº de rastreamento 848617023, o julgamento teve a seguinte fundamentação: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 31.444,13. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 15374.970533/200926 Acórdão n.º 1003000.670 S1C0T3 Fl. 209 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima Identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP” Ainda segundo o Despacho Decisório, o DARF estaria totalmente utilizado para liquidar débito de IRPJ, código 2362, do PA 31/10/2008, no valor de R$ 380.681,28. Enquadramento Legal: art. 165 e 170 do CTN, art. 74 da Lei nº 9.430/96. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 20/10/2009, fls. 07. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 18/11/2009, fls. 10/18, alegando: alega a tempestividade. pretende a utilização de crédito decorrente de pagamento a maior a título de estimativa mensal de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do mês de outubro de 2008, a fim extinguir, mediante compensação, débito de PIS referente ao período de dezembro de 2008, no valor histórico de R$ 32.432,10, que acrescido de multa e juros monta R$ 41.308,76. transmitiu DIPJ/2009 informando débito de estimativa de IRPJ do mês de outubro/2008 no montante de R$ 349.181,27, mas recolheu R$ 380.681,28, apurando crédito de R$ 31.500,00. o crédito foi inicialmente utilizado na DCOMP nº 16715.35015.191208.1.3.049840, para compensação de débito de IRRF do mês de novembro/2008, no valor de R$ 57,00, e o restante para compensação do PIS do mês de dezembro/2008, por meio da presente DCOMP nº 37160.12935.070109.1.3.042873. incompreensíveis as razões que levaram a não homologação da compensação, posto que líquido o crédito que se pretende compensar e legítima a compensação realizada dentro dos ditames legais. supõe que o Fisco utilizou o entendimento de que o crédito é decorrente de estimativa mensal, sendo aplicado o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005. os valores pagos em montante excedente ao apurado na estimativa mensal não são computados para o cálculo do ajuste anual, tendo natureza de indébito tributário, conforme artigo 165, I do CTN, podendo ser compensado a partir do mês seguinte ao do pagamento. traz jurisprudência do então Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. esclarecida a origem do crédito, bem como o correto procedimento adotado, temse imperiosa a homologação da compensação declarada. Fl. 211DF CARF MF 4 requer, ainda, que seja recebida a manifestação de inconformidade nos termos do §11º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96." A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Transcrevo parte do voto do r. acórdão que embasou a decisão de não reconhecimento do direito creditório pleiteado: "Em que pese a interessada alegar que apresentou a Declaração de Informações Econômicos Fiscais do anocalendário de 2008 DIPJ/2009, informando que o débito de estimativa de IRPJ do mês de outubro seria de R$ 349.181,27, ela também declarou na Declaração de Créditos e Débitos Federais – DCTF, fls. 152, que o valor devido para o mesmo período seria de R$ 380.681,28, quitado pelo pagamento que daria origem ao crédito." Também a DRJ informou que caberia a Recorrente a apresentação de documentação hábil e idônea, dentre as quais os livros contábeis e fiscais. Vejase: "Por fim, considerando a divergência dos valores informados na DIPJ/2009 e DCTF do 4º trimestre/2008, caberia à interessada a comprovação de que o valor devido de IRPJ do mês de outubro/2008 seria de R$ 349.181,27, com apresentação de documentação hábil e idônea, e os livros contábeis e fiscais". Cientificada do acórdão em 20/04/2012 (efl. 162), irresignada a Recorrente apresentou recurso voluntário em 22/05/2012 (efls. 164174), no qual repisa as alegações já prestadas em sede de manifestação de inconformidade, reafirmando que a DCTF fora encaminhada com erro, relativamente ao débito de estimativa mensal de IRPJ do PA 31/10/2008, no valor de R$ 380.681,28. O correto, segundo a Recorrente seria o valor que foi informado na DIPJ do exercício 2009, no valor de R$ 349.181,27. Alega que um mero erro formal na DCTF não deve prevalecer em relação a verdade material, que no presente caso, segundo a Recorrente, seria representada pelo valor indicado na DIPJ. Apresentou jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Apresenta ainda outros julgados, através dos quais pretende embasar o seu entendimento de que é possível a utilização de recolhimentos a maior de estimativas, indevidamente recolhidas pelos contribuintes, no mesmo anocalendário. A Recorrente requer, a fim de que não pairem dúvidas a respeito do valor correto de estimativa do PA outubro de 2008, a conversão do julgamento em diligência, a fim de apurar efetivamente qual o valor devido a título de estimativa. Requer ao final que seja reconhecido o direito ao crédito pleiteado e homologada a compensação levada a efeito pela Recorrente utilizando crédito de pagamento a Fl. 212DF CARF MF Processo nº 15374.970533/200926 Acórdão n.º 1003000.670 S1C0T3 Fl. 210 5 maior de estimativa de IRPJ de outubro de 2008 para pagamento de estimativa de novembro de 2008 e que seja determinada a imediata supensão da exigibilidade dos créditos em discussão. É o relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Há que se registrar que o que está a ser analisado nesta fase recursal é o direito a repetição do indébito originado, segundo a Recorrente, em pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ do PA outubro de 2008. A Recorrente fiase apenas na informação prestada na DIPJ para comprovação do seu direito ao crédito. A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas. Esse o entendimento pacificado neste Colegiado, conforme súmula vinculante abaixo transcrito: Súmula CARF nº 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Concluise portanto que não é possível confirmar o direito líquido e certo de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior apenas com informação contida na DIPJ, eis que não tem natureza jurídica de tributo lançado. Constato que a Recorrente limitouse a repisar os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, acrescentando que um mero erro formal na DCTF não deve prevalecer em relação a verdade material, que no presente caso, segundo a Recorrente, seria representada pelo valor indicado na DIPJ. A alegação de erro formal nessa instância recursal dever vir acompanhada de documentos incontestes quanto ao fato, documentos esses já referidos no acórdão combatido, tais como livros contábeis e fiscais e outros documentos hábeis e idôneos, aptos a comprovar inequivocamente o erro alegado. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prová lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 213DF CARF MF 6 I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Com efeito, o ônus de provar o direito ao suposto crédito, incumbe a Recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto 70.235/72: (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase: a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Quanto a questão da diligência e perquirição de provas e aplicação do princípio da busca da verdade material, não cabe imputar à autoridade administrativa o dever de pesquisar e encontrar créditos disponíveis para extinguir seus débitos declarados. Tal situação caracterizaria a inversão do ônus da prova, o que não se admite no presente caso. As diligências não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Quando a essa questão, oportuna e apropriada a transcrição de parte do voto proferido pelo I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001.000.545 de. 17/10/2018, verbis: (...) Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 15374.970533/200926 Acórdão n.º 1003000.670 S1C0T3 Fl. 211 7 Prosseguindo um pouco mais, podese dizer ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis e suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal o mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. Quanto a solicitação para suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em face da não homologação da compensação pleiteada, registrese que não vislumbro que tenha sido aventada nos autos a interrupção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário aqui discutidos. Assim, por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 215DF CARF MF 8 Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900602/2008-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO.
O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C, do CPC (comando previsto no art. 62-A do Anexo II do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso em tela, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Somente com a vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
INOVAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Ocorre nulidade do Despacho Decisório Eletrônico quando se efetua a inovação de fundamentos jurídicos delineados desde o início do PAF, o que representaria clara circunstância de cerceamento de defesa. Não é possível edificar inovações jurídicas objetivando a manutenção de autuações, razão pela qual não caberia ao CARF formular eventuais análises fora da moldura legal, outrora definida nos limites apreciativos do PAF.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 1002-000.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do CPC (comando previsto no art. 62A do Anexo II do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso em tela, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Somente com a vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. INOVAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Ocorre nulidade do Despacho Decisório Eletrônico quando se efetua a inovação de fundamentos jurídicos delineados desde o início do PAF, o que representaria clara circunstância de cerceamento de defesa. Não é possível edificar inovações jurídicas objetivando a manutenção de autuações, razão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 02 /2 00 8- 10 Fl. 316DF CARF MF 2 pela qual não caberia ao CARF formular eventuais análises fora da moldura legal, outrora definida nos limites apreciativos do PAF. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 130 à 140) interposto contra o Acórdão n° 1627.762, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP1 (efls. 121 à 131), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo não homologação da compensação pretendida. Por representar inequívoca acurácia com os fatos, adoto o Relatório produzido pelo Acórdão da DRJ: O presente processo versa acerca de DCOMP eletrônica n° 24330.47799.270404.1.3.025309 (fls. 1/9), transmitida em 27/04/2004, cuja formalização visou declarar a compensação de débitos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com crédito proveniente de saldo negativo do mesmo imposto, atinente ao anocalendário de 1998, conforme segue: Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10880.900602/200810 Acórdão n.º 1002000.685 S1C0T2 Fl. 160 3 A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico Rastreamento n° 754.359.952, de 20/03/2008 (fl. 10), conforme abaixo detalhado, exarado em sede da Delegacia de Administração Tributária de São Paulo/SP (DERAT/SP), segundo o qual restou decidido NÃO HOMOLOGAR a compensação consignada na respectiva DCOMP eletrônica, tendo em vista a constatação de que se encontrava extinto o direito de utilização do saldo negativo reportado na aludida declaração de compensação em virtude do decurso de prazo de 5 (cinco) anos entre a data de transmissão da PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo: (...) Regularmente cientificado do aludido Despacho Decisório, por via postal, em 07/04/2008 (fls. 14 e 116/117), o contribuinte protocolou manifestação de inconformidade em 30/04/2008 (fls. 15/20), acompanhada dos documentos de fls. 21/106, através da qual submete seus argumentos de fato e de direito objetivando contestar as conclusões firmadas na decisão administrativa, quais sejam em síntese: 1) Inicialmente, após breve relato dos fatos, protesta que o despacho decisório merece ser reformado, porquanto depreende que o prazo decadencial para a realização da compensação é de 5 (cinco) anos contados da data de entrega da declaração, não sendo possível determinar se ocorreu pagamento a maior que o devido, ainda que os pagamentos sejam efetuados com base em balancetes. Nesse sentido, fundamenta suas conclusões avocando ementas de decisões proferidas no âmbito do Conselho de Contribuintes, bem como destacando excerto de redação prevista Fl. 318DF CARF MF 4 no art. 168 do CTN, art. 6° da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 e do art. 858, §1° do RIR/99; 2) Realça que o prazo de entrega da correspondente Declaração de Informações Econômicofiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ/1999) encerrouse em outubro de 1999, porém, ainda que fosse no mês de abril de 1999, o prazo prescricional não teria sido alcançado, tendo em vista que a declaração de compensação foi protocolada no curso deste período; 3) Ante o exposto, discrimina os documentos carreados à manifestação de inconformidade e, depreendendo restar demonstrada a insubsistência c improcedência do indeferimento da homologação das compensações realizadas com fundamento em saldo negativo do imposto apurado no períodobase de 1998, requer o pleno acolhimento da manifestação de inconformidade. Ato continuo, a autoridade preparadora encaminha os autos à DRJ/SP1 para julgamento da manifestação de inconformidade. É o relatório. Por seu turno, o mérito da indigitada Decisão de piso restou consubstanciado nos seguintes argumentos principais: A requerente submete para apreciação da autoridade julgadora suas argumentações contrárias às conclusões exaradas no Despacho Decisório eletrônico Rastreamento n° 754.359.952, de 20/03/2008 (fl. 10), que resultaram na negativa de reconhecimento do crédito pleiteado, oriundo de crédito proveniente de saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) atinente ao anocalendário de 1998, ora reclamado na manifestação de inconformidade, conforme exposição consignada no relatório do presente acórdão. Preambularmente, antes de adentrar ao exame das alegações de mérito interpostas pelo interessado, cumpre instar que a compensação é forma de extinção do crédito tributário prevista no art. 156, inciso II, da Lei 5.172, de 25/10/1966 (CTN), cuja faculdade de aplicação deste instituto, a titulo de fruição de um direito, estabelece como premissa que o crédito reclamado pelo sujeito passivo esteja dotado de certeza e liquidez, consoante preceito definido no caput do art. 170, caput, do CTN, in verbis: "Art. 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". (destacouse). Assim sendo, depreendese que o art. 170 do CTN firma que o exercício do direito de compensação somente poderá ser realizado pelo contribuinte em conformidade com a lei que disciplinar tal faculdade e, (a) se forem atendidas as condições fixadas pela norma especifica, ou as condições cuja estipulação a lei delegue As autoridades administrativas competentes; e, ainda, (c) sob as garantias estipuladas pelo diploma legal. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10880.900602/200810 Acórdão n.º 1002000.685 S1C0T2 Fl. 161 5 Nesse contexto, o advento do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, alterada pelas redações dadas pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002, e art. 17 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, instituiu a matriz legal que preceitua as condições e garantias concernentes à compensação de créditos do sujeito passivo com débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), segundo corroboram os excertos, abaixo reproduzidos, cujos termos norteiam as formalidades e prazos de homologação da compensação declarada: (...) Cabe inferir, por conseguinte, que à autoridade administrativa compete examinar se as importâncias que o interessado alega possuir atendem às premissas e prazos firmados pelo diploma legal, sendo de incumbência do contribuinte, evidenciar a concretude do direito de fruição do credito reivindicado, assim, evidenciando a certeza e liquidez do aludido crédito, baseando se nos pressupostos legais firmados no caput do art. 170 do CTN combinado com o art. 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Passando a analisar as ponderações reportadas na manifestação de inconformidade, cumpre realçar, exordialmente, que a tributação do IRPJ apurado com base na opção pelo Lucro Real coadunase com a modalidade de lançamento por homologação, cuja disposição legal vertente a data de extinção do crédito tributário encontra fundamento nos preceitos firmados no art. 150, caput e §§1° e 4° do CTN, in verbis: (...) Dessa forma, nos exatos termos do referido diploma legal, o pagamento antecipado extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento, operandose, portanto, a extinção no momento em que efetuado o pagamento, sendo que a homologação apenas vem confirmar a definitividade da extinção do crédito ocorrida com o pagamento antecipado, em observância à condição expressamente resolutiva firmada em Lei. Em suma, interpretandose de forma sistemática o teor dos ditames estabelecidos nos arts. 150, 156, 165 e 168 do CTN, poderseá concluir que o direito pleitear a restituição de impostos e contribuições pagos a maior estão passíveis de decadência em cinco anos contados da extinção do crédito tributário. Neste cenário, os tributos sujeitos ao lançamento por homologação consideramse extintos com o pagamento antecipado do imposto, assim, amparando o inicio da contagem do prazo decadencial e produzindo todos os efeitos legais que lhe são próprios, sob a condição resolutória da autoridade competente aprovar a legitimidade e suficiência do recolhimento efetuado pelo contribuinte, em relação ao correspondente crédito tributário confessado na forma da legislação aplicável. Fl. 320DF CARF MF 6 Ante o exposto, compete acentuar que a orientação legal quanto à matéria já está devidamente pacificada no âmbito administrativo pelo Parecer PGFN/CAT n. ° 1.538, de 18/10/1999 e pelo Ato Declaratório SRF n. ° 96, de 30/11/1999, cujos excertos seguem abaixo transcritos, através dos quais se depreende que não se admite possibilidade de dissensões acerca do prazo para interpor pleito conexo a compensação tributária: (...) Nesse sentido, cabe elucidar que admissão no ordenamento jurídico dos arts. 3° e 4° da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005, sobrevieram corroborar a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 do CTN, bem como seus efeitos legais em relação aos atos ou fatos pretéritos: "Art. 3° Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1" do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 32, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional." (destacouse) Desse modo, sob uma primeira perspectiva, inferese que o pagamento antecipado extingue o crédito tributário, sendo que, a principio, seria a partir dele que se estabeleceria o marco inicial para fins de contagem do prazo qüinqüenal que delimita a faculdade do exercício de fruição do crédito pleiteado. Nesse compasso, conquanto as alusões e considerações trazidas aos autos por intermédio da manifestação de inconformidade, assim corno os pressupostos legais supracitados, impende registrar, por seu turno, que em relação à apuração do IRPJ das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de tributação com fundamento no Lucro Real Anual, o fato gerador do tributo se perfaz no encerramento do exercício financeiro, mais precisamente, no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, conforme disposto no §3° do art. 2° da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Sob esta óptica, impende firmar, portanto, que o momento da apuração do saldo negativo do imposto determina, analogamente, o termo inicial para contagem do prazo previsto no art. 168, caput, do CTN, bem como o parâmetro temporal a ser observado pelo contribuinte para levar a efeito a compensação de tributos administrados pela Administração Tributária Federal, mediante utilização do crédito declarado na forma da legislação de regência. Por esta forma, o decurso de prazo para o exercício da faculdade de compensação de créditos tributários, por meio de aproveitamento de saldo negativo do IRPJ, está intrinsecamente adstrito à data em que se aperfeiçoou o fato gerador da obrigação tributária principal. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10880.900602/200810 Acórdão n.º 1002000.685 S1C0T2 Fl. 162 7 Particularmente ao caso em apreço, o marco para contagem do prazo decadencial inaugurouse a partir da data de encerramento do exercício financeiro, em conformidade com os arts. 150 § 4°, e 165, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN) combinado com o firmado no §3° do art. 2° c/c art. 28 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, conseqüentemente, denotando a representação deste interstício conforme quadro abaixo: Destarte, ante as circunstâncias supra pormenorizadas, compete ratificar as inferências expressas no aludido despacho decisório, concluindose que, na data de transmissão da PER/DCOMP, o interessado não dispunha da prerrogativa de exercer a faculdade de compensar o saldo negativo do IRPJ integrante da lide, assim, ficando patente a decadência do direito de pleitear a compensação do débito veiculado na DCOMP associada ao litígio. (...) Ante o exposto, impõese não acolher as argüições que refutam declaração de decadência do direito de pleitear a compensação correlata ao saldo negativo apurado no anocalendário de 1998, bem como manter inalterado os efeitos da decisão circunstanciada no despacho decisório. O Recurso Voluntário, em sua essência, reitera os argumentos expostos na exordial defensiva, pelo que vale colacionar os principais excertos: Apurado o saldo negativo de 1RPJ em 28/10/1999, poderia o mesmo ser objeto de compensação ou restituição por um prazo de cinco anos, ou seja até outubro de 2004. Assim sendo, em 27/04/2004, antes de transcorrer cinco anos da apuração do saldo negativo informado na D1PJ/99, o contribuinte, através da PER/DCOMP n.° 24330.47799.270404.1.3.025309, requereu a compensação do referido saldo negativo com antecipações de IR do ano base 2003. Ocorre que, equivocadamente, referido pedido de compensação não foi homologado pela autoridade administrativa, não restando outra alternativa sendo a apresentação de manifestação de inconformidade, que também, equivocadamente, foi julgada improcedente. Senão vejamos: Os Ilustres julgadores que tiveram por bem indeferir a manifestação de inconformidade do contribuinterecorrente, fundamentaram sua decisão argumentando que decadência do Fl. 322DF CARF MF 8 direito ã compensação do "pagamento" a maior se opera ao cabo de cinco anos contados da data do pagamento,dizendo assim determina o CTN e demais artigos de Lei aplicáveis 'à espécie. Desconsideram, toda as decisões administrativas proferidas pelo Conselho de Contribuintes, em casos como o presente, dizendo sem qualquer validade as jurisprudências administrativas, dado sua completa ineficácia normativa. Mas, a decisão ora recorrida, não merece prosperar posto que, tanto o Código Tributário Nacional , como as decisões administrativas inseridas nesta defesa, demonstram que no caso dos presentes autos existe o direito a compensação do contribuinte, já que como dispões o artigo 168 do Código Tributário Nacional "o direito de pleitear a restituição extingue se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário". Com efeito, a compensação por ser uma modalidade de restituição aplicase o mesmo prazo. Tratandose de compensação de IRPJ como é o caso presente o prazo prescricional de cinco anos é contado da entrega tempestiva da Declaração de Informação da Pessoa Jurídica D1PJ, porque, no lucro real anual, os pagamentos mensais são efetuados por estimativa, como antecipações do devido na declaração. Os pagamentos mensais não extinguem os créditos tributários antes da entrega da (DIPJ). Pois, sem a entrega da (DIPJ) não é possível determinar se houve pagamento a maior que o devido, ainda que os pagamentos sejam efetuados com base nos balancetes. A compensação do tributo só é possível após a entrega da DIPJ, consoante se verifica também do artigo 6° da Lei n.° 9.430/96, bem como do RIR/99 Art. 858 1.° inciso II), abaixo transcritos: (...) Finalmente, e apenas a titulo de curiosidade, ainda que o prazo de Declaração de Informação da Pessoa Jurídica DIPJ 1999 não tivesse sido prorrogado até outubro de 1999 e o prazo fatal fosse Abril/99. Ainda, assim, o prazo prescricional não teria alcançado o contribuinte, já que a PER/COMP foi protocolada em Abril de 2004, conforme se vê de todos os documentos constantes dos autos do processo fiscal administrativo e juntados pelo contribuinte recorrente por ocasião de sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10880.900602/200810 Acórdão n.º 1002000.685 S1C0T2 Fl. 163 9 Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Da aplicação da Lei Complementar 118/2005 Sabese que prazo para homologação da compensação se inicia na data da entrega da declaração de compensação. Transcorridos 5 anos dessa entrega, a compensação se dá de pleno direito, homologada tacitamente. Ou seja, o crédito alusivo ao tributo que era devido e que se pretendia quitar com crédito do contribuinte considerase, a partir daí, inexigível, extinto por compensação. Outrossim, em nenhum momento o art. 74 da Lei n.º 9.430/96 veda a investigação da composição do direito creditório que o Contribuinte pretenda usar para compensar seus débitos, ou lhe atribui submissão a qualquer prazo derrogatório. Muito ao contrário, dada a relevância da constatação da efetividade e da exatidão do crédito com o qual se pretende compensar débitos tributários, a lei privilegia as verificações necessárias para sua comprovação: Lei n.º 5.172/66 (CTN): (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) (GN) Por assim ser, percebese que o exame da "construção" de um direito creditório alegado, seja ele consequência de saldo negativo ou de outro tipo, não importa revisão de lançamento efetuado. Particularmente no caso de saldo negativo, cabe, entre outras medidas, verificar o imposto devido durante o ano e as quitações correspondentes, para, com foco no final do ano calendário, identificar se houve ou não excesso de pagamentos/compensações em relação ao imposto devido. Até aqui não há o que falar a respeito de lançamento tributário ou de sua revisão. Outrossim, o Acórdão de piso (que é datado de 12 de novembro de 2010) adota a percepção de aplicabilidade do lustro quinquenal, quando da análise da Lei Complementar 118/2005. Contudo, a jurisprudência do CARF é pacífica quanto à contagem do prazo de prescrição decenal (tese do "5 + 5") àqueles casos em que a restituição é formulada antes de 09 de junho de 2005, situação que se amolda ao caso ora sob exame. Para tanto, cito o teor do Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 9101003.453, de 06 de março de 2018, Rel. Cons. Rafael Vidal de Araújo, o qual expõe com precisão o assunto: Fl. 324DF CARF MF 10 A contribuinte suscitou divergência de interpretação da legislação tributária em relação à decisão que considerou decaído/prescrito o direito creditório por ela reivindicado em Pedido de Restituição apresentado em 01/06/2001, antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005. Ela busca a reforma do acórdão recorrido, para que prevaleça o entendimento de que o prazo prescricional para os pedidos de restituição/compensação formulados antes do advento da LC n° 118/05 é de 10 (dez) anos, e não de 5 (cinco) anos, como entendeu o acórdão recorrido. O direito creditório pleiteado no referido Pedido de Restituição (fl. 01) corresponde a saldo de CSLL recolhida a maior no ano calendário de 1995. Esse pedido de restituição estava acompanhado de um Pedido de Compensação (fl. 02). Entretanto, em momento posterior, a contribuinte apresentou petição solicitando o cancelamento desse pedido de compensação (fls. 67/68), de modo que o crédito ficasse disponível para oportunamente ser utilizado. A divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas cinge se à questão do prazo para os contribuintes pleitearem restituição de direito creditório. Não deixo de perceber que a contribuinte registra seu inconformismo com o acórdão recorrido, tratandoo também como uma questão preliminar de seu recurso especial. Contudo, as questões por ela suscitadas, atinentes ao art. 62A do antigo RICARF e à Súmula CARF n° 91, configuram o próprio mérito do recurso especial, e é nessa seara que elas devem ser examinadas. Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621 Rio Grande do Sul, Relatora Exma. Ministra Ellen Gracie, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.269.570 Minas Gerais, Relator Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Tese dos 5 + 5. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10880.900602/200810 Acórdão n.º 1002000.685 S1C0T2 Fl. 164 11 O referido acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) restou assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 326DF CARF MF 12 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Segue a ementa do mencionado acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foi prolatado após a decisão do STF: DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10880.900602/200810 Acórdão n.º 1002000.685 S1C0T2 Fl. 165 13 ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (Grifos no original) O entendimento acima foi inclusive sumulado por este Tribunal Administrativo conforme a seguir: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Como a reivindicação do direito creditório ocorreu em 01/06/2001, antes portanto de 09/06/2005, a contribuinte se enquadrava na sistemática do prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição do tributo pago indevidamente ou a maior. Nessa data de 01/06/2001, ela poderia reivindicar indébitos relacionados a fatos geradores ocorridos até 01/06/1991, que não haveria decadência/prescrição do direito creditório. No caso, o direito creditório reivindicado é proveniente de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1995 (fato gerador ocorrido em 31/12/1995), e, assim, ele não estava atingido pela decadência/prescrição na data de apresentação do pedido de restituição (em 01/06/2001). Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso especial da contribuinte, para afastar a negativa em relação ao pedido de restituição de fl. 01, que estava fundamentada na decadência/prescrição do direito creditório, devendo os autos retornarem à DRF de origem (DRF/Belo Horizonte) para nova decisão sobre o pleito em questão. (GN) Portanto, notase que a compensação por saldo negativo foi efetuada dentro do prazo decenal, razão pela qual, com fulcro na Súmula CARF n° 91 retromencionada, merecia ser analisada. Por outro lado, destaco que o único móvel jurídico ab ovo utilizado para negar o direito do Contribuinte foi justamente o transcurso do lustro quinquenal, vejase: Fl. 328DF CARF MF 14 Logo, tendo em vista a inaplicabilidade do único preceito jurídico utilizado no indeferimento da homologação creditória, tornase imperativo decretar a nulidade do Despacho Decisório, reconhecendose por completo a compensação pleiteada. Quanto ao mais, destaco que não é possível edificar inovações jurídicas objetivando a manutenção de autuações, razão pela qual não caberia à esta e. Turma Extraordinária formular eventuais análises fora da moldura legal outrora definida nos limites apreciativos do PAF. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, dar lhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 329DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.727769/2016-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.637
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 77 69 /2 01 6- 13 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10166.727769/201613 Acórdão n.º 3302006.637 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.682. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10166.727769/201613 Acórdão n.º 3302006.637 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.727769/201613 Acórdão n.º 3302006.637 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.727769/201613 Acórdão n.º 3302006.637 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.727769/201613 Acórdão n.º 3302006.637 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.902248/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado por meio do qual solicita o reconhecimento de um direito creditório, referente à COFINS, para fins de sua compensação com débitos próprios. O Despacho Decisório constante dos autos, emitido de forma eletrônica, não homologou a compensação pleiteada, sob o fundamento de não haver crédito disponível para tanto, pelo fato de o pagamento informado no DARF correspondente haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 02 24 8/ 20 14 -1 7 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10805.902248/201417 Resolução nº 3302001.023 S3C3T2 Fl. 3 2 Anteriormente à emissão do referido Despacho Decisório, foi disponibilizada ao contribuinte a Análise Preliminar do Direito Creditório, no sítio da RFB, com a informação de que, no caso de inconsistências constatadas na referida Análise, ser a ele concedido o prazo de 45 dias a contar dessa disponibilização, para o seu saneamento, através da transmissão de PERDCOMP retificador, ou ainda de outras declarações retificadoras, como DCTF, DIPJ, Dacon, Redarf, DIRF, etc. Contra a referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alegou basicamente o seguinte: Através de auditoria em seus controles internos, constatou a ocorrência de pagamento a maior da COFINS do período de apuração em questão, tendo apresentado pedido de compensação do referido crédito, através de PERDCOMP retificador, desacompanhado, porém, da retificação das demais Declarações que compõem sua obrigação acessória – como DACON e DCTF, nas quais o débito devido da referida contribuição social foi declarado com erro. Somente após o recebimento do Despacho Decisório em comento, procedeu à retificação das declarações DACON e DCTF, conforme anexadas aos autos, e nas quais fez refletir o valor a menor devido a título de COFINS, como origem de seu direito creditório, cuja liquidez e certeza restaria então comprovada. Assim, a Defendente requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, entendendo não restar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assentou ainda, o colegiado a quo, ser ônus do contribuinte a comprovação documental do direito creditório informado em declaração de compensação. Intimado da decisão a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação e aduz que a decisão de primeira instância trouxe os fatos e razões novas que merecem ser contrapostos, tais como a insuficiência da apresentação da DCTF e da DACON retificadoras para provar o direito da recorrente, daí porque no recurso voluntário traz balancete de verificação que discrimina as contas tributadas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.015, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10805.902245/201475, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10805.902248/201417 Resolução nº 3302001.023 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.015):. "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Sem embargo de a recorrente não ter trazido todas as provas necessárias à comprovação do seu direito na manifestação de inconformidade, houve um esforço nesse sentido, com a apresentação da DCTF e da DACON retificadoras. Agora em recurso voluntário, o balancete de verificação e as explicações produzidas demonstram continuação do esforço de comprovar seu direito, todavia surgiu apenas verossimilhança do direito da recorrente, notase que as provas trazidas aos autos são documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte, e não foram alvo de inspeção pela auditoriafiscal. Nesse diapasão, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronuncie se, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 281DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.917238/2008-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número06 33.701, da 3ª Turma da DRJ/CTA, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, da Delegacia da Receita Federal, que concluiu AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 72 38 /2 00 8- 07 Fl. 40DF CARF MF 2 pela não homologação da compensação declarada na PER/DCOMP n° 04501.80299.2814004.1.7.045729. Transcrevo, a seguir o relatório: A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 20/11/2008 (fls. 04), e apresentou, em 18/12/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 13, veiculando as alegações adiante reproduzidas: “I – OS FATOS A requerente efetuou compensação de débitos tributários através de PER/DCOMP cujo número identificador é 04501.80299.281004.1.7.045729, as quais não foram homologadas tendo como argumentação a de inexistência de crédito, conforme despacho decisório de número 804825138 respectivamente, datados de 07/11/2008, com ciência tomada pelo contribuinte em 02/12/2008. II – O DIREITO A requerente após análise do referido Despacho Decisório, verificou a ocorrência de erro de fato no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) anocalendário 2002, sob nº original 27.90.55.72.96 e Per/Dcomp nº 04501.80299.281004.1.7.045729, as quais ainda não foram devidamente corrigidas através da DCTF retificadora e sob e Per/Dcomp Retificador por motivos do Receitenet não esta se adequando (Problema que estamos resolvendo junto ao Fisco Paralelamente). Com a regularização das informações prestadas a Receita Federal, se esclarece as situações do discriminado nos PER/DCOMP’s comprovando a legalidade dos créditos utilizados e os documentos em anexo provam a verdade.” Em sustentação ao alegado, a contribuinte juntou o Instrumento de constituição de sociedade de advogados de fls. 1416; documento da OAB relativo ao contrato social da contribuinte (fls. 17); alteração do contrato social (fls. 18); requerimento ao Cartório de Registro de Títulos e Documentos (fls. 19); contrato social de fls. 2021. Cientificada em 17/10/2011 (fl 28), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 09/11/2011 (fl 29) Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente argumenta que: 2. Com efeito, a Manifestação de Inconformidade deveria ter sido integralmente provida na medida em que a Recorrente, após análise do referido Despacho Decisório de não homologação da compensação, verificou a ocorrência de Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10980.917238/200807 Acórdão n.º 1001001.230 S1C0T1 Fl. 3 3 erro de fato no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) ano calendário 2002 sob n.° original 27.90.55.72.96. A Recorrente, de modo diligente, reviu a conduta equivocada através da DCTF retificada em 12/08/2008, sob n.° 41.18.68.72.31. Com a regularização das informações prestadas a Receita Federal, se esclarece as situações discriminadas nos PER/DCOMP's comprovando a legalidade e origem dos créditos utilizados. De modo que, sem delongas, merece total provimento o presente Recurso Voluntário, eis que a retificação noticiada e comprovada não foi levada em consideração por parte do V. Acórdão recorrido, principalmente no que diz respeito à efetiva demonstração da origem e suficiência dos créditos compensados. Conclui, pedindo provimento ao seu recurso. A DRJ assim decidiu: Como se viu, esta contribuinte apresentou o PER/DCOMP nº 04501.80299.2814004.1.7.045729, alegando haver recolhido, mediante o DARF discriminado às fls. 08, a importância de R$ 1.340,32, e que tal recolhimento era indevido, razão pela qual pleiteava o reconhecimento do direito creditório respectivo, para ser utilizado na compensação dos débitos discriminados às fls. 0910. Conforme se vê no Despacho Decisório, a Administração não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações, por não haver confirmado a existência, nos sistemas informatizados da SRFB, do recolhimento apontado como indevido. Em assim sendo, cabia à contribuinte, ao manifestar inconformismo contra o não reconhecimento do direito creditório, comprovar a existência do recolhimento que descreveu. Contudo, a contribuinte nada comenta a respeito. Afirma apenas que verificou cometimento de erro no preenchimento de DCTF e neste PER/DCOMP, os quais se propõe a resolver no futuro, e acrescenta que, quando regularizar as informações, restará esclarecida as situações do discriminado no PER/DCOMP, comprovando a legalidade do crédito utilizado. Nada esclareceu, e menos ainda comprovou, portanto, a contribuinte. Nenhuma evidência tendente a confirmar a efetividade do recolhimento alegado foi produzida. Logo, a manifestação de inconformidade deve ser julgada improcedente. Entendo como correta a decisão da DRJ, e peço a devida vênia para a ela aderir, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF, a qual transcrevo, parcialmente: A recorrente, no caso, admite um erro no preenchimento da DCTF que é reconhecidamente, uma confissão de dívida. Portanto, somente com a sua retificação é que é possível à Receita Federal reconhecer o novo débito, se e quando for o caso. Afirma ter feito a correspondente retificação, mas, não a anexou como prova, nem qualquer outro documento contábil que pudesse demonstrar de forma cabal o seu erro. Fl. 42DF CARF MF 4 Temos, então, as situações descritas no art. 16, e parágrafos, do Decreto 70.235/72, a seguir: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Ademais, conforme dispõe o artigo 170, do Código Tributário Nacional CTN, há que se ter certeza quanto à liquidez e certeza do crédito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.grifei) Vêse que a recorrente não tomou essas providências, apenas fez as suas alegações, porém, sem a apresentação de provas o que não proporciona concluir sobre a certeza do seu alegado crédito. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10980.917238/200807 Acórdão n.º 1001001.230 S1C0T1 Fl. 4 5 Fl. 44DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000548/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
Numero da decisão: 2402-007.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
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E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 VALETRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de valetransporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 05 48 /2 00 8- 43 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 14041.000548/200843 Acórdão n.º 2402007.079 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuidase de Recurso Voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa que julgou procedente o lançamento de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre verbas pagas pela empresa, a título de "Vale Transporte", a segurados obrigatórios do RGPS, conforme discriminado no relatório fiscal. Irresignado, o Contribuinte apresentou impugnação administrativa em resistência ao lançamento em tela, a qual se houve por julgada improcedente pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Devidamente cientificada da susocitada decisão, a Impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário pugnando, ao fim, pela improcedência do lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o excerto de interesse do voto condutor proferido pelo Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno Relator da decisão paradigma suso citada, o qual versa especificamente sobre a matéria de mérito que permeia o acima referenciado Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1 Do Conhecimento do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 14041.000548/200843 Acórdão n.º 2402007.079 S2C4T2 Fl. 4 3 [...] 3 Do Mérito Inicialmente, é oportuno destacar que o art. 28, § 9°, alínea "f", da Lei nº 8.212/1991, estabelece que a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria, não integra o salário de contribuição. O valetransporte foi instituído pela Lei nº 7.418/85 e regulamentado pelo Decreto nº 95.247/87, definindo um paradigma procedimental no qual o empregador fornecerá os vales a seus empregados para utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal/interestadual, excluídos os serviços seletivos e os especiais. De se observar que a exclusão do valetransporte do saláriode contribuição pressupõe o seu fornecimento de acordo com a legislação, sob pena de incidência de contribuição previdenciária. No que pertine à natureza indenizatória do valetransporte, é oportuno resgatar o estabelecido no Parecer PGFN/CRJ nº 189/2016, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda DOU de 29/03/2016: Parecer PGFN/CRJ nº 189/20 [...] 5. Não obstante, o Pleno do STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP (não submetido ao rito do art. 543B do CPC), em 10/03/2010, firmou o entendimento de que é inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em espécie, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o beneficio natureza indenizatória. De acordo com a Corte Suprema, ao admitirse que o valetransporte possa ter a sua natureza alterada pelo fato de ser pago em dinheiro importaria em relativizar o curso legal da moeda. Sendo assim, considerou que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de valetransporte afrontaria a Constituição em sua totalidade normativa. Eis a ementa do julgado: (grifei) EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o beneficio de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse beneficio ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de Fl. 262DF CARF MF Processo nº 14041.000548/200843 Acórdão n.º 2402007.079 S2C4T2 Fl. 5 4 moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido e padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório e qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a titulo de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10103/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) 6. Em sequência, no julgamento de Embargos de Declaração,o STF, utilizando a técnica da declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, fez constar da conclusão do acórdão embargado a proclamação da "inconstitucionalidade da aplicação do art. 5° do Decreto n° 95.247/87 e do art. 4°, caput, da Lei n° 7.418/85 como fundamentos para a incidência de contribuições previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte aos trabalhadores", sem qualquer modificação, portanto, do teor da deliberação anterior. [...] Na esteira do supra citado Parecer, a PGFN editou o Ato Declaratório nº 004/2016 determinando que nas ações judiciais fundadas no entendimento de que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia considerando o caráter indenizatório da verba. No mesmo diapasão seguiu a Secretaria da Receita Federal do Brasil consoante o entendimento consolidado na Solução de Consulta Cosit nº 146, de 27 de setembro de 2016, sumarizado na ementa abaixo: Solução de Consulta Cosit nº 146/2016 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 14041.000548/200843 Acórdão n.º 2402007.079 S2C4T2 Fl. 6 5 A não incidência da contribuição está limitada ao valor pago em dinheiro estritamente necessário para o custeio do deslocamento residênciatrabalho e viceversa, em transporte coletivo, conforme prevê o art.1º da Lei nº 7.418, de 1985. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, de 2002, art. 19, inciso II e §4º, Ato Declaratório nº 4, de 31 de março de 2016, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Súmula AGU nº 60, de 8 de dezembro de 2011. No mesmo sentido segue a Súmula nº 89 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 89 A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Nessa perspectiva, considerandose a natureza indenizatória do valetransporte, são procedentes as alegações da Recorrente, impondose o cancelamento do lançamento em apreço, não havendo que se falar de remuneração indireta a atrair a incidência de contribuições previdenciárias. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 264DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.904917/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Verificada contradição ou omissão no acórdão embargado, cumpre acolher os embargos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-005.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Verificada contradição ou omissão no acórdão embargado, cumpre acolher os embargos, sem efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1353; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 397 1 396 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.904917/201116 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301005.858 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2019 Matéria AUTO DE INFRACAO IPI Embargante EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Verificada contradição ou omissão no acórdão embargado, cumpre acolher os embargos, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 49 17 /2 01 1- 16 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10840.904917/201116 Acórdão n.º 3301005.858 S3C3T1 Fl. 398 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do despacho de embargos: Tratase de embargos de declaração manejados em tempo hábil pelo contribuinte, em face do Acórdão proferido por este colegiado, sob os pressupostos regimentais da obscuridade e da omissão. Segundo a embargante, houve obscuridade no Acórdão porque enquanto a conclusão da relatora foi no sentido de negar provimento ao recurso, na folha de rosto do Acórdão constou que o recurso não fora conhecido pelo colegiado. Segundo a embargante, houve omissão na fundamentação do voto da relatora, uma vez que existindo decisão judicial transitada em julgado, deixou de constar o motivo pelo qual esta não prevaleceu no caso concreto. A decisão embargada teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Recurso Voluntário Negado Os embargos de declaração foram aceitos para "quanto à obscuridade aferida entre a conclusão da relatora e o resultado consignado na folha de rosto" e foram rejeitados nos demais aspectos. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais foram admitidos em relação à obscuridade aferida entre a conclusão da relatora e o resultado consignado na folha de rosto. Afirma, a Embargante, que o Acórdão em pauta contém obscuridades cujos esclarecimentos são essências ao correto desfecho do processo e conclui: Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10840.904917/201116 Acórdão n.º 3301005.858 S3C3T1 Fl. 399 3 A razão assiste à Recorrente. Realmente houve um erro entre o relatório, a votação e o resultado consignado. Transcrevo integralmente o voto da decisão embargada: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de de julgamento simultâneo do processo no 0611000/639/11 (na verdade, este é o número do Mandado de Procedimento Fiscal), cumpre anotar que os processos conexos estão sendo julgamos neste mesma sessão, a saber: 13603.724419/201174 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904913/201120 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904915/201119 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904916/201163 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904917/201116 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904918/201152 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904919/201105 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904920/201121 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904921/201176 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904922/201111 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904923/201165 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904924/201118 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904925/201154 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904926/201107 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904927/201143 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904928/201198 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904929/201132 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904930/201167 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10840.904917/201116 Acórdão n.º 3301005.858 S3C3T1 Fl. 400 4 A Recorrente alegou que o fato de possuir tutela antecipada na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 lhe garante o não destaque do IPI nas notas fiscais, a não escrituração destes valores no livro de apuração de IPI e o conseqüente saldo credor nele apurado para ressarcimento, ou seja, que tem o direito líquido e certo ao ressarcimento em discussão. Defende, nesse sentido, inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005, e o seu direito de destacar o IPI em suas notas fiscais de saída, em decorrência da ação judicial. Cabe, contudo, colacionar o art. 20 da IN mencionada (que regulava a matéria na época): Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Importante também transcrever o artigo que exige, mesmo para o caso de decisão judicial definitiva, a habilitação do crédito: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10840.904917/201116 Acórdão n.º 3301005.858 S3C3T1 Fl. 401 5 V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela sentença judicial não definitiva. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10840.904917/201116 Acórdão n.º 3301005.858 S3C3T1 Fl. 402 6 De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Conforme se destacou na decisão recorrida, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. No entanto, este direito, não respaldava o ressarcimento, que era expressamente vedado pelo art. 20 da IN SRF nº 600, de 2005 (disposição idêntica encontrase vigente no art. 42 da IN RFB nº 1717, de 2017). Dessa forma, adotase o entendimento da decisão recorrida de que somente é permitido o ressarcimento do imposto após a utilização dos créditos de IPI escriturados pelo contribuinte na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados, além de ser vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Portanto, a matéria discutida na ação judicial altera o valor do saldo de IPI apurado nos trimestres em referência e, consequentemente, correto o procedimento do Fisco que refez a escrita fiscal, incluindo os débitos discutidos judicialmente, para calcular o real saldo (devedor/credor) dos trimestres analisados. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa por falta de habilitação do crédito. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Quanto à informação juntada pela Recorrente de que houve trânsito em julgado em seu favor na Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100, não há efeito direto sobre o presente processo administrativo. Não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10840.904917/201116 Acórdão n.º 3301005.858 S3C3T1 Fl. 403 7 a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Tendo em consideração o voto transcrito, proponho que seja alterado o resultado do julgamento para o seguinte: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Dessarte, voto no sentido de acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.723002/2015-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
EXCESSO DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS POR APROVEITAMENTO EM AUTUAÇÃO FISCAL REFERENTE A PERÍODOS ANTERIORES.
Mantém-se a autuação por excesso de compensação de bases negativas de CSLL quando confirmada a autuação fiscal que as aproveitou em períodos anteriores.
Numero da decisão: 1201-002.887
Decisão: Vistos, discutidos e relatados os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso, por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 EXCESSO DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS POR APROVEITAMENTO EM AUTUAÇÃO FISCAL REFERENTE A PERÍODOS ANTERIORES. Mantém-se a autuação por excesso de compensação de bases negativas de CSLL quando confirmada a autuação fiscal que as aproveitou em períodos anteriores.
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decisao_txt : Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.723002/201573 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.887 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS Recorrente VALE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 EXCESSO DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS POR APROVEITAMENTO EM AUTUAÇÃO FISCAL REFERENTE A PERÍODOS ANTERIORES. Mantémse a autuação por excesso de compensação de bases negativas de CSLL quando confirmada a autuação fiscal que as aproveitou em períodos anteriores. Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) – Presidente (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 30 02 /2 01 5- 73 Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 16682.723002/201573 Acórdão n.º 1201002.887 S1C2T1 Fl. 3 2 Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Trata o presente processo de autuação fiscal por excesso de utilização de bases negativas de CSLL para compensação no ano de 2010. No que importa para este julgamento, transcrevo excertos do relatório fiscal: [..]o contribuinte foi intimado, através do Termo de Intimação n° 01, a apresentar a apuração dos saldos de Base de Calado Negativa da CSLL e de sua utilização nos anoscalendario de 2008 a 2010. Em sua resposta, o contribuinte apresentou cópias autenticadas do Lalur dos anos 2008 a 2010. Nestas, fica demonstrada a constituição e utilização de Base de Calado Negativa no valor de RS 126.754.831,84, constituída em 2008 e utilizada integralmente no primeiro trimestre de 2009. E também é demonstrada a constituição da Base de Cálculo Negativa no valor àe RS 3.334.762.090,07 no quarto trimestre de 2009 e sua utilização, também integral, em 2010. Entretanto, estes últimos registros não encontram respaldo nos registros de acompanhamento da Receita Federal do Brasil Esta divergência é facilmente identificada e explicada pela ausência de lançamento, nos registros fiscais do contribuinte, dos efeitos dos lançamentos efetuados através de Auto de Infração que são o objeto do Processo Administrativo Fiscal n° 16682.720.193/201431. Através deste, o contribuinte teve sua Base de Cálculo Negativa de CSLL, no quarto trimestre do anocalendário de 2009, reduzida de RS 3.334.762.090,07para RS 3.318.027.768,26, diminuindo o saldo negativo em RS 16.734.321,81, provocando por sua vez um excesso na compensação de Base de Cálculo Negativa no anocalendário de 2010 no mesmo valor. Dos trabalhos de auditoria anteriormente descritos, verificamos que foi cometido descumprimento à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme dispositivos legais abaixo reproduzidos. Lei 9.065/95 Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser condensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 3 1 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subsequentes, observado o limite Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 16682.723002/201573 Acórdão n.º 1201002.887 S1C2T1 Fl. 4 3 máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. O registro da infração pode ser encontrada às fls. 67: Contra o lançamento, a ora recorrente interpôs Impugnação, cujos termos extraio do relatório do acórdão de primeira instância: A contribuinte tomou ciência do lançamento em 14/12/2015. por meio de preposto (fls. 113 e 114). Inconformada, a interessada apresentou, em 12/01/2016 (fl. 116), a impugnação de fls. 118 a 150. por meio da qual contesta a exigência fiscal, com as razões de fato e de direito a seguir. Depois de discorrer acerca da ação fiscal e das respostas às intimações contra si lavradas, a impugnante destaca que toda a autuação decorre do uso supostamente indevido da parcela de base de cálculo negativa de R$ 16.734.321.81 (dezesseis milhões, setecentos e trinta e quatro mil. trezentos e vinte e um reais e oitenta e um centavos), formada no quarto trimestre de 2009. cujo glosa foi formalizada no Processo Administrativo Fiscal (PAF)n° 16682.720.193/201431. A defendente alega que o processo acima referido sequer teve seu Recurso Voluntário julgado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). motivo pelo qual não há que se falar em constituição definitiva do crédito. Segundo a contribuinte, a infração constante do PAF n° 16682.720.193/201431 não configura lançamento de tributo nem penalidade, mas "atonorma que veicula dever instrumental de retificação da base de cálculo negativa apurada no quarto trimestre de 2009." E prossegue, aduzindo que " o Auto de infração não visa à cobrança de tributo ou Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 16682.723002/201573 Acórdão n.º 1201002.887 S1C2T1 Fl. 5 4 penalidade, mas à veiculação do dever de retificar a escrita fiscal para reduzir estoque de base de cálculo negativa da CSLL". Nesse contexto, a contribuinte entende que. estando suspensa a exigibilidade do crédito veiculado no lançamento referente ao 4o trimestre de 2009. o dever jurídico de retificação da escrita fiscal para excluir* a parcela da base negativa glosada pelo Fisco resta suspenso, não podendo ser exigido, motivo pelo qual não poderia ter sido lavrado o presente auto de infração. A partir desse ponto, as argumentações da impugnante estão dirigidas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em face da apresentação de impugnações e recursos. Cita e transcreve artigos do CTN e do Decreto n° 70.235/72, além de doutrina, de julgados administrativos e judiciais, com foco na questão da constituição definitiva do crédito tributário, para justificar seus argumentos no sentido de somente após a contribuinte ter sido notificada de decisão administrativa, da qual não caiba mais recurso, seria possível a lavratura do presente auto de infração. Subsidiariamente, a contribuinte questiona a aplicação retroativa dos efeitos do ajuste na base de cálculo negativa da CSLL. pois entende que. tendo sido notificada do auto de infração somente em 12/03/2014 (processo n° 16682.720.193/201431). o cálculo dos juros não poderiam ter como data base o dia 31/03 2011. Defende que a autoridade fiscal, ao assim proceder, pretendeu reestruturar os registros contábeis da impugnante, relativamente a períodos anteriores aos da data em que foi lavrado o auto de infração, em afronta a diversos princípios constitucionais e legais, notadamente o da segurança jurídica. Questiona, assim, a aplicação da disciplina do art. 144 do CTN nos casos de prejuízos fiscais ou base de cálculo negativa da CSLL. concluindo que os juros de mora podem ser cobrados somente a partir* do último marco temporal, ou seja. a partir de 12/03/2014 (processo n° 16682.720.193/201431). A Impugnação foi julgada improcedente conforme acórdão DRJ assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.IMPOSSIBILIDADE. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não havendo previsão legal para o sobrestamento de lançamento de ofício entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 16682.723002/201573 Acórdão n.º 1201002.887 S1C2T1 Fl. 6 5 Anocalendário: 2010 JUROS DE MORA. INÍCIO DA FRUIÇÃO. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador e, para efeito de exigência de juros de mora, a partir de janeiro de 1997, a incidência se dá a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento do tributo. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. No âmbito administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, nem se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. O Recurso Voluntário, em síntese, reitera as alegações feitas na Impugnação. O processo foi sobrestado para julgamento em conjunto com o processo nº 16682.720.193/201431. É o relatório. Voto Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Preliminar Tendo constatado que a infração fiscal ora em julgamento foi objeto de autuação em duplicidade, instruída no processo nº 16682.721535/201511, reconheci a nulidade do lançamento naqueles autos, tendo em vista ter aquela ciência sido dado em data posterior à deste processo. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 16682.723002/201573 Acórdão n.º 1201002.887 S1C2T1 Fl. 7 6 Por conseguinte, julgo regular, em caráter preliminar, a cobrança de que trata este processo. Mérito Neste processo, a Recorrente foi autuada em 12 de março de 2014, referentemente ao ano de 2010, por não possuir saldo de bases negativas de CSLL para efetuar as compensações que fizera. A causa do esgotamento das bases negativas foi o fato de terem sido aproveitadas em procedimento fiscal levado a efeito para o ano anterior, 2009. Por ter impugnado aquela autuação, alega a recorrente, em síntese, que não poderia ter sido autuada para o ano posterior por falta de saldo de bases negativas para as compensações que efetuara enquanto não houvesse decisão de mérito naquele outro processo. Vejo que a questão suscitada diz respeito aos efeitos da suspensão da exigibilidade do crédito em virtude de impugnação em um de dois processos quando há relação de prejudicialidade externa entre eles. Ocorre que tal questão deve ser dada por superada, em razão de ter sido julgado improcedente, nesta mesma sessão de julgamento, o recurso voluntário interposto no outro processo, tendo sido confirmado, assim, a compensação indevida de bases negativas da CSLL no ano de 2010, objeto da presente autuação fiscal. Subsidiariamente, alegou a Recorrente que os juros de mora cobrados tiveram como termo 31/03/2011, isto é, a data de vencimento da CSLL relativa ao período de apuração de 2010. Em seu entender, deveriam ter tido como marco temporal a data de 12 de março de 2014, quando foi dada a ciência da autuação referente ao ano de 2009, em outro procedimento fiscal. Ao proceder diversamente, a presente autuação teria, em seu entender, atentado contra diversos princípios constitucionais e legais, em especial o da segurança jurídica. Isto porque alega ter efetuado a compensação de boa fé em 2010, não tendo tido como prever a lavratura de auto de infração, quatro anos depois, modificando seus registros pretéritos de 2009. A este respeito, tenho a dizer que os juros de mora não são penalidade, mas apenas a cobrança pelo uso dos recursos financeiros pelo contribuinte os quais, a rigor, encontravamse vencidos desde 31/03/2011. O fato de ter ou não como prever a autuação fiscal da forma como ela se deu não tem qualquer consequência ou relevância para o cálculo dos juros. Portanto, justa a sua incidência a partir desta data, nos termos do art. 61, §3º, da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 16682.723002/201573 Acórdão n.º 1201002.887 S1C2T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Fl. 1118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000010/2008-52
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que davalhe provimento. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 00 10 /2 00 8- 52 Fl. 121DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2003, anocalendário de 2002, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 20.158,57. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 29.785,00, especialmente pela falta de comprovação de pagamento solicitada pelas autoridades fiscais. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que a lei não exige comprovar a efetividade do pagamento das despesas médicas mediante cheques, recibos de depósitos, ordem bancária, etc, e não é permitido fazer interpretação extensiva a fim de prejudicar o contribuinte. A lei seria clara ao afirmar que na falta de documentação poderá o contribuinte indicar o cheque nominativo para comprovar o pagamento, o que, no caso, tornouse desnecessário, uma vez que esta impugnante apresentou os recibos comprobatórios referentes a tratamentos médicos de si mesma e de sua mãe (dependente). Alega que não foram considerados os recibos apresentados por esta impugnante. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => de acordo com o Termo de Intimação à fl. 71, exigiuse da contribuinte a comprovação do efetivo pagamento (cópia de cheque, ordem bancária, recibo de depósito etc) de determinados beneficiários. Em atendimento, informou a contribuinte que "a maioria dos pagamentos realizava em espécie ". => Depreendese, do que fora exaustivamente demonstrando através da citação e transcrição de diversas normais que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. => Dadas as quantias mensais envolvidas, é pouco provável que tais pagamentos, acaso ocorridos, tenham sido realizados em moeda corrente, como quer fazer crer a requerente. E se o foram, em remota possibilidade, poderia a interessada ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. => Vale registrar, a título argumentativo, que a situação constante da DIRPF/2003, à fl. 67, não se revela factível com o que, de forma mediana, poderia se esperar, pois, a contribuinte registrou despesas médicas na monta de R$ 29.785,00, ou seja, cerca de 60,00% de seus rendimentos líquidos declarados, aí incluída a variação patrimonial, sem se olvidar de outros gastos que certamente ocorreram durante o anocalendário de 2002. => Finalmente, em virtude de toda a explanação anterior, reconsiderou como dedução de despesas médicas o valor de R$ 155,00 (85,00 + 70,00). Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que não é possível manter a glosa por presunção da autoridade fiscal, eis que os recibos teriam sido devidamente apresentados e estariam claros. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10680.000010/200852 Acórdão n.º 2001001.216 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Fl. 123DF CARF MF 4 A Recorrente apresentou recibos com valores que somam uma quantia relevante, o que fez com que a autoridade fiscal, dentro do seu dever legal, solicitasse comprovação de pagamento. Vale dizer, dadas as quantias mensais envolvidas, entendeu a DRJ que seria pouco provável que tais pagamentos, acaso ocorridos, tenham sido realizados em moeda corrente, como quer fazer crer a requerente. E se o foram, em remota possibilidade, poderia a interessada ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. Ou seja, restou claro que a autoridade fiscal ficou com dúvidas acerca da dedutibilidade de tal despesa por motivos claramente exposados. No entanto o contribuinte, ao invés de tentar produzir provas fáticas da existência da despesa, como por exemplo, apresentar extratos bancários que pelo menos demonstrassem saques de quantia semelhantes em datas próximas aos recibos emitidos, simplesmente refutou as dúvidas com meras alegações. Ademais, registrou a decisão a quo, apenas a título argumentativo, que a situação constante da DIRPF/2003, à fl. 67, não se revela factível com o que, de forma mediana, poderia se esperar, pois, a contribuinte registrou despesas médicas na monta de R$ 29.785,00, ou seja, cerca de 60,00% de seus rendimentos líquidos declarados, aí incluída a variação patrimonial, sem se olvidar de outros gastos que certamente ocorreram durante o ano calendário de 2002 Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10680.000010/200852 Acórdão n.º 2001001.216 S2C0T1 Fl. 4 5 A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação clara, objetiva e inequívoca tanto da autoridade fiscal como da DRJ, entendo, que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantida a glosa de despesas médicas conforme decisão a quo. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
