Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.003728/2003-72
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/07/2000
Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO ANTERIORMENTE INCLUÍDO NO REFIS. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode ser objeto de lançamento de ofício débito incluído anteriormente no Refis, por se constituir confissão irretratável de dívida.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 201-80599
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Walber José da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200709
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1997 a 31/07/2000 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO ANTERIORMENTE INCLUÍDO NO REFIS. IMPOSSIBILIDADE. Não pode ser objeto de lançamento de ofício débito incluído anteriormente no Refis, por se constituir confissão irretratável de dívida. Recurso de ofício negado.
turma_s : Primeira Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 19515.003728/2003-72
anomes_publicacao_s : 200709
conteudo_id_s : 4111167
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 201-80599
nome_arquivo_s : 20180599_138112_19515003728200372_003.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : Walber José da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 19515003728200372_4111167.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2007
id : 4839634
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:07:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806494253056
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-03T19:49:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-03T19:49:25Z; Last-Modified: 2009-08-03T19:49:25Z; dcterms:modified: 2009-08-03T19:49:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-03T19:49:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-03T19:49:25Z; meta:save-date: 2009-08-03T19:49:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-03T19:49:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-03T19:49:25Z; created: 2009-08-03T19:49:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-08-03T19:49:25Z; pdf:charsPerPage: 1349; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-03T19:49:25Z | Conteúdo => MF - SEGUNDO CONSELHO DE COMTRIBUINTES CONFERE COr.: O ORIGINAL O CCOVCO I Brasília, VS o i Fls. 354 Barbosa Mat: &na 91745 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 19515.003728/2003-72 Recurso n° 138.112 De Oficio oxasvooma Matéria Cofins e PIS di Ora.bo-selo"d°,,,, outce,"—, • • Acórdão n° 201-80.599 omicado 111 000 Sessão de 20 de setembro de 2007 Recorrente DRJ EM CAMPINAS - SP Interessado Transvipa Transporte Vila Prudente Ltda. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1997 a 31/07/2000 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO ANTERIORMENTE INCLUÍDO NO REFIS. IMPOSSIBILIDADE. Não pode ser objeto de lançamento de oficio débito incluído anteriormente no Refis, por se constituir confissão inelutável de divida. Recurso de oficio negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. efUo-cci2a. liutto-ou'revo .0. SEF MARIA COELHO MARQUES President- k WALBE: JOSÉ DA S LVA Relato Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o Conselheiro Antônio Ricardo Accioly Campos. .• Processo n.° 19515.003728/2003-72 ME - SEGUNDO CONSE1.1- , 0 DE commautwes ccovcot CONFERE COM 0 CR1G1NALAcórdão n.° 201-80.599 Fls. 355 Banira. 0_3 g 08 suo atuna • mat.: Siape 91745 Relatório Trata o presente de recurso de oficio interposto pela 1' Turma de Julgamento da DRJ em Campinas - SP, que cancelou crédito tributário de PIS e de Cofins incluído no Refis e indevidamente incluído também nos autos de infração de fls. 17/31 e 165/177, nos termos do Acórdão n9 05-14.843, de 10/10/2006 (fls. 311/317), cuja ementa abaixo transcrevo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/1997 a 31/07/2000 Ementa: LEGALIDADE. Cumpre a toda Administração Pública aplicar a Lei de oficio, sem resvalar para juízos sobre sua constitucionalidade. PROVA. MOMENTO DE SUA APRESENTAÇÃO. O contribuinte deve trazer prova de natureza documental junto à sua impugnação, pena de preclusã o. DECLARAÇÃO DE DIVIDA. Provado nos autos que parte da exigência decorreu de equívoco de processamento eletrônico, que, indevidamente, expurgou valores já declarados no âmbito do PGD- Refis, não subsiste a autuação ao espaço da alegação de diferença entre o tanto quanto escriturado e o respectivamente declarado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/07/2000 Ementa: LEGALIDADE. Cumpre a toda Administração Pública aplicar a Lei de oficio, sem resvalar para juízos sobre sua constitucionalidade. PROVA. MOMENTO DE SUA APRESENTAÇÃO. O contribuinte deve trazer prova de natureza documental junto à sua impugnação, pena de preclusão. DECLARAÇÃO DE DIVIDA. Provado nos autos que parte da exigência decorreu de equívoco de processamento eletrônico, que, indevidamente, expurgou valores já declarados no âmbito do PGD- Refis, não subsiste a autuação ao espaço da alegação de diferença entre o tanto quanto escriturado e o respectivamente declarado. Lançamento Procedente em Parte". A parte mantida no Acórdão contestado não foi paga e nem objeto de recurso voluntário, conforme despacho de E. 348. O recurso de oficio foi distribuído a este Conselheiro-Relator na sessão do dia 14/08/2007, conforme despacho de fl. 351. É o Relatório. • . Processo n." 19515.003728/2003-72 CCO2/C01I" Acórdão n. • 201-80.599 ME - SEGUelgoDiOC 00EORENIScEolirJ00ERCIONNT ALRIBUINTES Fls. 356 . 0 .1.- / De? •Brasitia. s iso ,.... artesa Voto. ma: sapo 91745 Conselheiro 'WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator . O recurso de oficio atende aos requisitos legais e dele conheço. A lide versa sobre a inclusão, no auto de .infração, de débitos de PIS e de Corais anteriormente incluídos no parcelamento Refis, portanto, são débitos já confessados pela empresa de forma irretratável, não havendo que ser objeto de lançamento de oficio. Correta a decisão recorrida. Débito anteriormente declarado pela contribuinte no parcelamento Refis não pode ser objeto de lançamento de oficio. Por esta razão, ratifico os fundamentos da decisão recorrida e, conseqüentemente, nego provimento ao recurso de oficio. Sala das Ses "es, em 2 de setembro de 2007. WALBER OSÉ DA SILVA iliti ,„„ I .; ali is • \- . . . . . . .. , Page 1 _0142300.PDF Page 1 _0142500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 18470.901824/2011-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2000
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE AVIADA NO TRINTÍDIO LEGAL. TEMPESTIVIDADE.
Revela-se tempestiva a manifestação de inconformidade aviada nos trinta dias da data do recebimento da decisão da autoridade fiscal que indeferiu o direito creditório e compensação postulados.
Restituição dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para análise do mérito.
Numero da decisão: 1103-000.650
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para devolver os autos à DRJ de origem para enfrentamento do mérito.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE AVIADA NO TRINTÍDIO LEGAL. TEMPESTIVIDADE. Revela-se tempestiva a manifestação de inconformidade aviada nos trinta dias da data do recebimento da decisão da autoridade fiscal que indeferiu o direito creditório e compensação postulados. Restituição dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para análise do mérito.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 18470.901824/2011-99
conteudo_id_s : 5251101
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1103-000.650
nome_arquivo_s : Decisao_18470901824201199.pdf
nome_relator_s : JOSE SERGIO GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 18470901824201199_5251101.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para devolver os autos à DRJ de origem para enfrentamento do mérito.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
id : 4876541
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806501593088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.901824/201199 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110300.650 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2012 Matéria IRPJ Declaração de Compensação Recorrente SÃO MARCOS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE AVIADA NO TRINTÍDIO LEGAL. TEMPESTIVIDADE. Revelase tempestiva a manifestação de inconformidade aviada nos trinta dias da data do recebimento da decisão da autoridade fiscal que indeferiu o direito creditório e compensação postulados. Restituição dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para análise do mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para devolver os autos à DRJ de origem para enfrentamento do mérito. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Hugo Correia Sotero. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18470.901824/201199 Acórdão n.º 110300.650 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Em foco recurso voluntário contra decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJI no Rio de JaneiroRJ que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório da II Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de JaneiroRJ, o qual não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontado saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2000 e, consequentemente, deixou de homologar a compensação inserta na declaração de compensação (Dcomp) transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil em data de 13 de setembro de 2006 visando extinguir débito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurada em dezembro de 2003. Analisando a declaração de compensação concluiu a II Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de JaneiroRJ que seria improcedente o apontado saldo negativo de IRPJ em razão de não terem sido confirmadas as retenções na fonte informadas na composição daquele saldo credor. Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade prevista no artigo 74, § 7º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, argumentando que o saldo negativo postulado seria legítimo na medida em que as retenções na fonte foram efetuadas por Eduardo Bier Industrial e Comercial de Produtos Alimentícios Ltda, inscrita no CNPJ nº 00.066.130/000127, as quais derivam do recebimento de numerário a título de multa de rescisão de contrato de aluguel. Ainda, que a responsabilidade pelo recolhimento dessas retenções é da fonte pagadora, consoante mansa e pacífica jurisprudência judicial e administrativa. Aquela 2ª Turma de Julgamento não admitiu o inconformismo ao pressuposto de intempestividade, consignando que a contribuinte teria tomado ciência do despacho decisório em data de 11 de abril de 2001 e somente em 12 de maio seguinte aviou a manifestação de inconformidade, portanto, após o prazo legal de 30 (trinta) dias. A contribuinte apresentou recurso voluntário em 17 de agosto de 2011 no qual aduz, logo no preâmbulo, que o mesmo é tempestivo na medida em que tomou ciência da decisão recorrida em 19/07/2011, consoante “doc. 2”, que se constitui numa tela dos Correios noticiando que o objeto nº RA406991636BR fora entregue nessa data. Fustiga o entendimento da Turma Recorrida argumentando que fora intimada do despacho decisório que não homologou a compensação em data de 13 de abril de 2011 e não em 11 daquele mês, sendo que a aposição desta última data devese a erro exclusivo do funcionário dos Correios. Passo seguinte, reproduziu imagem do histórico do objeto nº RF916027297BR, emitida pelos Correios, onde consta que a data de entrega teria ocorrido em 13 de abril, mesma em que o funcionário saiu para fazêla, restando impossível a intimação ser recebida antes da saída para sua entrega. Relata, mais, que compareceu na Secretaria da Receita Federal e obteve cópia de documento emitido por este Órgão (doc. 6) confirmando cabalmente a data de entrega da intimação do despacho no dia 13/04/2011. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18470.901824/201199 Acórdão n.º 110300.650 S1C1T3 Fl. 3 3 Ao final, requer o provimento do recurso para declarar a tempestividade da impugnação e remessa dos autos à primeira instância para que seja proferido novo julgamento com análise do mérito e, em caráter sucessivo, acaso restar concluso a viabilidade de suas razões por este Colégio, o provimento do recurso para reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação. Não consta dos autos o comprovante de ciência do acórdão lavrado pela douta turma recorrida (Acórdão nº 1238.036, de 29 de junho de 2011). É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual. Quanto ao aviamento da peça de defesa tenhoa como ocorrente no prazo legal, nada obstante faltar nos autos o “aviso de recebimento”. É que a intimação do acórdão recorrido, expedida pela autoridade preparadora sob nº 029/2011, deuse em data de 12/07/2011, portanto, contemporânea ao rastreamento nº RA406991636BR trazido pela recorrente e que aponta postagem em 15/07/2011 e entrega em 19/07/2011. Além disso, a contribuinte juntou cópia do envelope da correspondência a ela remetido e no qual consta os números da intimação e rastreamento citados. Assim sendo, tomo conhecimento do recurso. O despacho decisório, emitido em 01/04/2011 por meio eletrônico, enuncia que seu número de rastreamento é 916027297. Já a imagem do “histórico do objeto” fornecida pelos Correios e trazida pela Recorrente não deixa margem de dúvidas que a correspondência afeta a este número de rastreamento fora entregue em data de 13/04/2011, mesma, aliás, constante do extrato da Receita Federal denominado de “SCC – Comunicação – Histórico da Comunicação”, igualmente trazido pela defesa. Conseqüentemente, reputase tempestiva a manifestação de inconformidade (equivocadamente denominada de impugnação pela defendente) aviada em 11 de abril de 2011. O mérito, neste estágio processual, não pode ser discutido, pois caracterizaria supressão de instância. Com tais razões, VOTO pelo provimento do recurso, seguindose o retorno dos autos à digna Turma Recorrida para análise do mérito. documento assinado digitalmente Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18470.901824/201199 Acórdão n.º 110300.650 S1C1T3 Fl. 4 4 José Sérgio Gomes Fl. 160DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 12689.001104/2004-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 19/11/2003
REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. ALTERAÇÃO INCABÍVEL.
Tendo sido concedido o regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo em decisão administrativa definitiva, proferida sob o rito do processo administrativo federal da Lei nº. 9.784/99, não é cabível, sob o rito do processo administrativo fiscal, pretender-se a alteração do regime concedido.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior e Rodrigo Cardozo Miranda declararam-se impedidos. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Liliana Iglesias Bautista, OAB/BA nº. 15.621.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 19/11/2003 REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. ALTERAÇÃO INCABÍVEL. Tendo sido concedido o regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo em decisão administrativa definitiva, proferida sob o rito do processo administrativo federal da Lei nº. 9.784/99, não é cabível, sob o rito do processo administrativo fiscal, pretender-se a alteração do regime concedido. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 12689.001104/2004-61
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5242186
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3202-000.708
nome_arquivo_s : Decisao_12689001104200461.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 12689001104200461_5242186.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior e Rodrigo Cardozo Miranda declararam-se impedidos. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Liliana Iglesias Bautista, OAB/BA nº. 15.621. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
id : 4842248
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806527807488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 151 1 150 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12689.001104/200461 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.708 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2013 Matéria II. REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. REIMPORTAÇÃO. Recorrente BRASKEM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 19/11/2003 REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. ALTERAÇÃO INCABÍVEL. Tendo sido concedido o regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo em decisão administrativa definitiva, proferida sob o rito do processo administrativo federal da Lei nº. 9.784/99, não é cabível, sob o rito do processo administrativo fiscal, pretenderse a alteração do regime concedido. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior e Rodrigo Cardozo Miranda declararamse impedidos. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Liliana Iglesias Bautista, OAB/BA nº. 15.621. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 11 04 /2 00 4- 61 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por bem descrever os fatos que deram causa ao lançamento de ofício, transcrevo parte da Descrição dos Fatos contida no Auto de Infração: “O importador submeteu a despacho de importação, através das Declarações de ImportaçãoDI de número 03/10136665 e 03/10137084, dois conjuntos rotativos completos (rotor), número de série 509E427BD1, órgão principal e parte integrante da Turbina GBT 1501, modelo DRX931152101, série n° 152101; e número de série 509E538BY1, órgão principal e parte integrante da Turbina GBT 1601, modelo DRV425152102, série n° 152102, respectivamente. Os conjuntos rotativos completos acima citados foram exportados através das Declarações de Exportação de n° 2020756688/7 e 2020255010/9 e vinculadas aos processos nº 12689.000879/200257 e 10509.000096/200219, respectivamente. Foram exportados sob o Regime Aduaneiro Especial de Exportação Temporária para Aperfeiçoamento Passivo, conforme petições nas fls. 01 de ambos os processos. Em 13/12/2002, processo n° 12689.000879/200257, o importador solicitou uma reavaliação do pedido de concessão do regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, formulado à fl. 01 e concedido, para pedido de concessão do regime de exportação temporária. A solicitação de alteração de regime referida foi indeferida pela Alfândega do Porto de Salvador e em recurso à Superintendência da 5ª Região Fiscal, sendo ouvida a DIANA, foi igualmente indeferida (cópias dos Despachos Decisórios anexadas). Em 12/12/2003, o contribuinte foi intimado a apresentar em ambos os processos o COEFICIENTE DE RENDIMENTO DA OPERAÇÃO de ACORDO COM O ARTIGO 8°, INCISO IV e § único da PORTARIA 675/94, exigência de Diploma Legal que rege o instituto de Exportação Temporária para Aperfeiçoamento Passivo. Em 02/03/2004, depois de reiteradas solicitações de prorrogação da intimação, o interessado se mostrou incapaz de atender ao solicitado. Em seguida, 25/03/2004, formulouse solicitação de Laudo de Assistência Técnica, junto ao Sr. Aristóteles Mário Souza Araújo. As conclusões dos Laudos e sua informação complementar, cópias anexadas a este Auto de Infração, no meu entendimento, corroboram Decisões reiteradas da Alfândega do Porto de Salvador, DIANA e Superintendência, de que as operações em causa se tratam do REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO na modalidade de beneficiamento. (...) Ocorre que o importador, de forma equivocada, elaborou as Declarações de Importação DI´s como simples operações de Exportação Temporária para conserto, reparo ou restauração, redundando em recolhimento menor que o devido de Imposto de Importação II e Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Fica patente o equívoco cometido pelo importador, ao elaborar as declarações de importação de n° 03/10136665 e 03/10137084 com três adições colocando os Rotores, peça principal, com alíquota zero em uma delas e as partes e peças beneficiadas com alíquotas e classificações específicas nas outras duas adições. Em realidade, conforme rege a legislação, o importador deveria elaborar as DI referidas, com uma única adição e uma única classificação fiscal – NCM 8406.90.00 (Nomenclatura Comum do Mercosul). Esta classificação fiscal deveria ser a do Rotor, inclusive com seu Valor Aduaneiro de transação. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.001104/200461 Acórdão n.º 3202000.708 S3C2T2 Fl. 152 3 O cálculo dos Tributos Aduaneiros, por sua vez, de acordo com o art. 12 da Portaria 675/94 e art. 408 do Decreto 4.543/02, deveria ter como base de cálculo o Valor Aduaneiro Total da Importação = Rotor + Partes e peças beneficiadas Valor do Rotor constante nas respectivas Declarações de Exportações DDE'sde n° 2020756688/7 e de n° 2020530969/0(cópias dos extratos anexas), já que o importador não forneceu o preço de um Rotor novo se este estivesse sendo importado do mesmo país em que se deu a operação de aperfeiçoamento (ver ,demonstrativo da base de cálculo do Imposto de Importação em folha anexa ao Auto). Sendo assim, cobrase a diferença de imposto, apurada em face de tal incorreção, somado aos acréscimos legais devidos” A DRJFortaleza/CE julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte (fls. 55/76), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fato gerador: 19/11/2003 PRODUÇÃO DE PROVA. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. O protesto genérico pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos não produz efeitos no processo administrativo fiscal. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Em caso de obtenção de provas por meio de diligências ou perícias, estas devem ser expressamente solicitadas, especificando o seu objeto e atendendose os requisitos previstos em lei, sob pena de considerarse não formulado o pedido. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Fato gerador: 19/11/2003 EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. CARACTERIZAÇÃO. A remessa ao exterior de produtos, em perfeito estado, para serem submetidos a operação de aperfeiçoamento, da qual decorre agregação de valor, com a finalidade de aumentar a capacidade de outro equipamento, caracterizase como beneficiamento, submetendose às regras relativas ao Regime Aduaneiro Especial de Exportação Temporária para Aperfeiçoamento Passivo. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. É legítima a aplicação do Regime Aduaneiro Especial de Exportação Temporária para Aperfeiçoamento Passivo, instituído pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 675/1994. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. RETORNO DA MERCADORIA. IMPOSTO DE Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 IMPORTAÇÃO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CÁLCULO. Para fins de tributação, quando do reingresso, ao País, de mercadoria objeto de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, devese deduzir, do montante dos tributos incidentes sobre o produto, o valor dos tributos que incidiriam, na mesma data, sobre a mercadoria objeto da exportação temporária, se esta estivesse sendo importada do mesmo país em que se deu a operação de aperfeiçoamento. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. OBEDIÊNCIA A NORMAS LEGAIS. LOCUPLETAMENTO ILÍCITO. INEXISTÊNCIA. Tendo a Administração Pública aplicado as normas legais atinentes a regime aduaneiro especial, não cabe falar em ilegalidade ou locupletamento ilícito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 139/147), alegando, em síntese: que, no caso, não se configura a hipótese de beneficiamento, vez que o rotor não sofreu qualquer alteração, tendo sido apenas reajustado para que trabalhasse em uma potência maior. Afirma que o referido reajuste do rotor não se configura como beneficiamento, pois, para que este se caracterize, é necessária a modificação ou o aperfeiçoamento do produto, o que não ocorreu no caso; para ratificar tal fato, temse que os laudos elaborados pelos engenheiros credenciados pela Receita Federal afirmam que o rendimento dos rotores permaneceu constante após o suposto beneficiamento; que as turbinas foram dimensionadas, originalmente, para atender a potência superior àquela utilizada inicialmente pela recorrente, mas que, desde a instalação da turbina, a empresa poderia ter utilizado a sua capacidade máxima de geração de potência, ou seja, a potência, que supostamente representaria o beneficiamento alegado pelo Fisco, já é inerente ao equipamento; que os projetos dos rotores, após serem objeto do serviço no exterior, continuaram os mesmos, sem qualquer alteração ou modificação que resultasse em melhora, tanto que não há coeficiente de rendimento na operação em questão; que não houve qualquer modificação ou beneficiamento do rotor, visto que este apenas foi reconfigurado/reprogramado para que permitisse à turbina gerar uma potência maior, tendo em vista que, durante anos, operou numa potência abaixo da máxima prevista para o equipamento; que, para que haja conserto/reparo, não é necessária a existência de um defeito que impeça o funcionamento correto do equipamento, mas sim que este deixe de exercer a sua função de maneira devida – como no caso em questão, em que o componente foi ajustado de modo a permitir ao equipamento gerar mais potência, para que atendesse às necessidades da empresa; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.001104/200461 Acórdão n.º 3202000.708 S3C2T2 Fl. 153 5 que não houve qualquer agregação da valor no rotor, bem como não foi aumentada a sua potência para aumento de capacidade de outro equipamento, vez que não houve alteração no coeficiente de rendimento do equipamento; e que, desta forma, os rotores objeto do regime de exportação temporária não foram objeto de beneficiamento, mas sim de conserto/reparo/restauração, pelo que seria aplicável o conteúdo normativo constante do art. 409 do Decretolei nº. 4.543/2002. Ao final, requereu a reforma da decisão de primeira instância, a fim de que sejam canceladas as autuações. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Trata a lide de Autos de Infração lavrados em 17/08/2004, contra a empresa BRASKEM S/A, para exigência da diferença do Imposto de Importação e IPIvinculado que deixou de ser recolhida, bem como acréscimos legais, no valor total de R$ 337.866,62. Conforme asseverou a autoridade julgadora administrativa a quo, cingese o cerne do litígio em se saber se as importações efetuadas por meio das DI 03/10136665 e 03/10137084 referemse a reimportações relativas ao regime de Exportação Temporária para Aperfeiçoamento Passivo, conforme alega o Fisco, ou se se referem a reimportações relacionadas a Exportação Temporária para conserto, reparo ou restauração, conforme alega a recorrente. Em sede de recurso voluntário aduz a querelante que a exportação temporária do rotor se deu apenas para reajustamento deste, a fim de viabilizar a sua operação em potência máxima, e que tal fato não configuraria operação de beneficiamento, visto que o rotor não sofreu qualquer alteração, não tendo sido a ele agregado qualquer valor. Entendo que na esfera deste processo administrativo não cabe mais tal discussão. Isso porque o Regime de Exportação Temporária para Aperfeiçoamento Passivo foi requerido pela própria contribuinte, em 15/07/2002, nos autos do processo 12689.00879/200257, e, nos termos em que foi solicitado, foi assim concedido (fl. 16). Nos autos daquele processo administrativo, em 13/12/2002, a Braskem solicitou a reavaliação da concessão do regime, para que fosse transmutado do Regime de Exportação Temporária para Aperfeiçoamento do Passivo para o Regime de Exportação Temporária para conserto/reparo/restauração (fls. 17/18), tendo sido o pedido indeferido por meio de Despacho Decisório proferido pelo Sr. Inspetor da Alfândega do Porto de Salvador/BA, em 12/03/2003, tendo em vista que a mercadoria já tinha sido desembaraçada em 02/10/2002, não sendo mais viável a verificação da procedência das informações prestadas pela interessada posteriormente ao embarque da mercadoria para o exterior (fls. 20/21). Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Do Despacho Decisório a contribuinte apresentou recurso, nos termos do processo administrativo federal da Lei nº. 9.784/99, tendo sido expedido Despacho Decisório pela Superintendente Adjunta da 5ª Região Fiscal, aprovando o Parecer SRRF05/Diana n° 26/2003, o qual manifestou o entendimento de que a operação realizada no rotor exportado se caracterizaria como beneficiamento, mantendose, assim, a concessão do Regime de Exportação Temporária para aperfeiçoamento passivo nos seguintes termos: “No mérito, descabe a alegação da recorrente de que o bem fora enviado para reparo. O art. 4 ° do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto 4.544/2002, define a operação de beneficiamento, verbis: Art. 4º. Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3 °, parágrafo único, e Lei n. ° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46,parágrafo único): I – a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem);" 16. O aperfeiçoamento do rotor, melhorando seu desempenho, é um beneficiamento, como tal enquadrado no regime de aperfeiçoamento passivo, conforme 17. Sendo assim, o enquadramento do pleito como exportação temporária para aperfeiçoamento passivo é correto e irreparável, mesmo antes da edição do novo Regulamento Aduaneiro, em dezembro de 2002. ............................................................................................................................” Entendo que este CARF não tem competência para mudar o regime especial de exportação temporária que foi concedido administrativamente à contribuinte. Isso porque, tendo sido a matéria levada à consideração da autoridade administrativa, sendo proferida decisão definitiva no âmbito da Administração Federal de que a operação se enquadra no Regime de Exportação Temporária para aperfeiçoamento passivo, pretende a recorrente rever a matéria que já foi decidida definitivamente sob o rito da Lei nº. 9.784/99, não se prestando o processo administrativo fiscal para tanto. Caberia à recorrente, neste processo administrativo fiscal, insurgirse quanto ao lançamento somente em relação a matéria que não foi objeto da decisão definitiva administrativa já proferida. Não tendo sido suscitada nenhuma questão senão quanto à natureza do regime especial concedido, não há como atenderse ao pleito da recorrente. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.001104/200461 Acórdão n.º 3202000.708 S3C2T2 Fl. 154 7 Irene Souza da Trindade Torres Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10320.001543/2005-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Verificada a omissão sobre o termo de início de fiscalização para fins de reconhecimento da espontaneidade do sujeito passivo, impõe-se a acolhida dos embargos declaratórios. LEI Nº 3.470/58.
MULTA DE MORA. TERMO INICIAL DO PRAZO. O marco inicial para a contagem do prazo de que trata o art. 19 da Lei nº 3.470 de 1958 é a ciência do termo de início de fiscalização. Somente com o pagamento do crédito tributário constituído até o vigésimo dia após a ciência do termo em questão é que se pode pretender o afastamento da multa de ofício.
Numero da decisão: 3201-001.035
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para re-ratificar o acórdão embargado, passando a conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Verificada a omissão sobre o termo de início de fiscalização para fins de reconhecimento da espontaneidade do sujeito passivo, impõe-se a acolhida dos embargos declaratórios. LEI Nº 3.470/58. MULTA DE MORA. TERMO INICIAL DO PRAZO. O marco inicial para a contagem do prazo de que trata o art. 19 da Lei nº 3.470 de 1958 é a ciência do termo de início de fiscalização. Somente com o pagamento do crédito tributário constituído até o vigésimo dia após a ciência do termo em questão é que se pode pretender o afastamento da multa de ofício.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10320.001543/2005-06
conteudo_id_s : 5242912
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-001.035
nome_arquivo_s : Decisao_10320001543200506.pdf
nome_relator_s : DANIEL MARIZ GUDINO
nome_arquivo_pdf_s : 10320001543200506_5242912.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para re-ratificar o acórdão embargado, passando a conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4842566
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806540390400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1731; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.001543/200506 Recurso nº 168.756 Embargos Acórdão nº 3201001.035 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PIRIPIRI CONSTRUÇÕES LTDA Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Verificada a omissão sobre o termo de início de fiscalização para fins de reconhecimento da espontaneidade do sujeito passivo, impõese a acolhida dos embargos declaratórios. LEI Nº 3.470/58. MULTA DE MORA. TERMO INICIAL DO PRAZO. O marco inicial para a contagem do prazo de que trata o art. 19 da Lei nº 3.470 de 1958 é a ciência do termo de início de fiscalização. Somente com o pagamento do crédito tributário constituído até o vigésimo dia após a ciência do termo em questão é que se pode pretender o afastamento da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para reratificar o acórdão embargado, passando a conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 20/07/2012 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Também participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Fábio Miranda Coradini e Wilson Sampaio Sahade Filho. Ausente momentaneamente a Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras. Ausentes justificadamente a Conselheira Mercia Helena Trajano D’Amorim e os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional por entender que o Acórdão nº 320100.858 (fls. foi omisso quanto aos efeitos do termo de início de fiscalização, ou seja, o colegiado o ignorou ao reconhecer a espontaneidade que justificou a aplicação da multa de mora no pagamento extemporâneo relativo à competência de 11/2001. Apenas para rememorar o caso em breve síntese, o contribuinte reconheceu receitas com base no regime de caixa, e não de competência. Conseqüentemente, não se declarou devedor e deixou de recolher a contribuição para o PIS corretamente. A autuação fiscal não tardou a ocorrer e em sua impugnação o contribuinte alegou ter efetuado pagamentos integrais com acréscimos moratórios. A justificativa para tanto foi o art. 19 da Lei nº 3.470 de 1958, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835 de 2001, segundo o qual o contribuinte tem o prazo de 20 (vinte) dias para prestar informações necessárias ao lançamento de ofício ou para efetuar o pagamento do crédito tributário constituído, e de 5 (cinco) dias se as informações . Após o julgamento desfavorável por parte da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Fortaleza (CE), o contribuinte reiterou os seus argumentos em sede de recurso voluntário ao qual foi dado parcial provimento para manter o crédito tributário, excluindo apenas os valores referentes à competência de 11/2001. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Os embargos atendem aos pressupostos de admissibilidade razão pela qual deles tomo conhecimento. Com base na nova redação do art. 19 da Lei nº 3.470 de 1958, dada pela Medida Provisória nº 2.15835 de 2001, o colegiado entendeu que o caso analisado seria uma hipótese excepcional ao parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional, tal como é o caso do art. 47 da Lei nº 9.430 de 1996, que mantém os efeitos da espontaneidade mesmo após iniciada a ação fiscal. A diferença entre o art. 19 da Lei nº 3.470 de 1958 e o art. 47 da Lei nº 9.430 de 1996 é que o primeiro diz respeito a débitos não declarados e o segundo, a débitos declarados. Em ambos os casos, todavia, dáse ao sujeito passivo o direito de efetuar o pagamento do crédito tributário sem a multa de ofício, desde que isso ocorra até o vigésimo dia após a data da ciência do termo de início de fiscalização. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10320.001543/200506 Acórdão n.º 3201001.035 S3C2T1 Fl. 2 3 Convém ressaltar que essa conclusão já havia sido apresentada no acórdão embargado. Confirase: Como o sujeito passivo da obrigação tributária sempre pode efetuar o recolhimento do crédito tributário uma vez constituído em processo de lançamento de ofício, a lógica revela que, se o fizer no prazo de vinte dias a contar do início da ação fiscal, terá direito a extinguir o crédito tributário mediante o pagamento do principal, da multa de mora e dos juros. Qualquer outra leitura desse dispositivo tornaria a sua existência redundante. No caso concreto, de fato, a ciência do termo de início de fiscalização ocorreu no dia 25/05/2005. Ocorre que, por um lapso de compreensão quanto à realidade dos fatos, a premissa adotada pelo relator do acórdão embargado foi de que o início da fiscalização teria ocorrido somente em 20/06/2005. Revendo a questão com a devida atenção, fazse necessário reformular as conclusões do voto proferido pelo relator no julgamento do recurso voluntário da Interessada. Isso porque, para que pudesse se valer do art. 19 da Lei nº 3.470 de 1958, a Interessada deveria ter efetuado o pagamento do crédito tributário constituído até 14/06/2005, fato que ocorreu somente em 22/06/2005. Com efeito, o marco inicial para a contagem do prazo de que trata o art. 19 da Lei nº 3.470 de 1958 é a ciência do termo de início de fiscalização. Somente com o pagamento do crédito tributário constituído até o vigésimo dia após a ciência do termo em questão é que se pode pretender o afastamento da multa de ofício. Ante o exposto voto por acolher os embargos de declaração, prestandolhes efeitos modificativos para reratificar o Acórdão nº 320100.858, passando a conhecer do recurso voluntário e lhe negar provimento. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 284DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10315.720432/2009-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.379
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 15/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10315.720432/2009-97
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5244922
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-001.379
nome_arquivo_s : Decisao_10315720432200997.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE LUIZ BORDIGNON
nome_arquivo_pdf_s : 10315720432200997_5244922.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon - Relator. EDITADO EM: 15/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4855593
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806599110656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2118; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 75 1 74 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.720432/200997 Recurso nº 915.296 Voluntário Acórdão nº 3801001.379 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de julho de 2012 Matéria COFINS NÃOCUMULATIVA/RESSARCIMENTO Recorrente RUSSAS PETRÓLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 04 32 /2 00 9- 97 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 15/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720432/200997 Acórdão n.º 3801001.379 S3TE01 Fl. 76 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte, supra qualificado, no qual pretende se utilizar de créditos relativos às contribuições PIS/Pasep e Cofins, tendo por base o disposto no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. A DRF Juazeiro do Norte/Ce emitiu Despacho Decisório, fls. 10/19, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e, conseqüentemente, não homologando a compensação. Dentre os fundamentos do referido despacho decisório, destacamse os seguintes trechos: (...) Destarte, o contribuinte não efetua qualquer recolhimento de PIS e COFINS com relação às receitas provenientes das mercadorias em relação as quais pretendem creditar. Ora, o creditamento, nos casos em que na saída das mercadorias incide alíquota zero, traduzse em isenção, para a qual seria necessária disposição de lei expressa e específica nesse sentido como determina o art. 176 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Ora, permitir que se credite pela aquisição das mercadorias sujeitas ao regime de alíquotas diferenciadas concentradas (e por isso mesmo tributadas à alíquota zero por ocasião da percepção da receita de venda), equivale a permitir que se recupere todo o montante recolhido pelo fabricante a título das contribuições em tela, desonerando completamente a circulação econômica daquelas mercadorias. Desta forma o regime de alíquotas diferenciadas concentradas transformarseia em uma desoneração total da cadeia de produção e circulação dos produtos e mercadorias por ele abrangidos. (...) Cientificado do despacho em 14/09/2009, fls. 20, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 14/10/2009, fls. 21/31, contrapondose ao despacho decisório, com base nos argumentos a seguir sintetizados. Inicialmente, destaca que até 31 julho do ano de 2004, os produtos sujeitos a tributação monofásica ficaram excluídos do regime nãocumulativo de incidência do PIS e da COFINS, previsto nas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 4 permanecendo, dessa forma, sob a tributação estabelecida na Lei n° 9.718/98. Posteriormente, com o advento da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, cujos efeitos se iniciaram a partir de 10 de agosto de 2004, as vendas dos produtos ora sob enfoque foram inseridas no rol das receitas das atividades sujeitas ao regime da não cumulatividade para cálculo do PIS e da COFINS. Desse modo, em virtude da lógica tributacional da novel sistemática, restou evidenciado que as pessoas jurídicas sujeitas ao regime nãocumulativo tem direito a "constituir créditos" de PIS e da COFINS às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre determinados custos e despesas vinculados a atividade operacional das pessoas jurídicas vinculadas ao regime da nãocumulatividade, inclusive bens adquiridos para revenda, desde que anteriormente submetidos à incidência das contribuições mencionadas, por ocasião das saídas promovidas pelo fornecedor. Alega que, até então havia expressa vedação a apuração dos créditos sobre os bens para a revenda, nos termos do art. 30,1, b, da Lei 10.833. Todavia, se por um lado, nessa época, negavase a possibilidade de crédito sobre os bens de tributação monofásica que eram adquiridos para revenda, por outro, em virtude da sistemática da nãocumulatividade, era permitido, assim como ainda o é, o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados a venda desses produtos, tal como, por exemplo, a energia elétrica, encargos com a locação de prédios e equipamentos. Nesse particular, afirma que a Refeita Federal do Brasil já se pronunciou sobre o tema, consoante a solução de consulta da DISIT SRRF10aRF (ementa transcrita pela defesa). Com efeito, a partir de agosto de 2004, com a edição da Lei n° 11.033/2004, entende que o direito ao crédito oriundo das aquisições de bens para a revenda foi conferido também ao regime monofásico, onde se concentra a tributação numa fase e se reduz a zero a tributação das saídas das demais fases. Ressalta que o aludido dispositivo da Lei n° 11.033/2004, não fez qualquer menção nem tampouco restringiu a possibilidade de manutenção dos créditos apenas em relação a determinados produtos ou atividades, sendo assim considerada como norma geral para o sistema, possibilitando a utilização dos créditos em quaisquer situações, desde que os mesmos estejam vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS. Destarte, com base no artigo mencionado, firma o entendimento da total possibilidade do creditamento sobre aquisições de veículos novos, autopeças, pneus novos e câmarasdear de borracha. Tanto é assim que, no sentido de regulamentar a utilização de tais créditos, foi editada a Lei 11.116/2005. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720432/200997 Acórdão n.º 3801001.379 S3TE01 Fl. 77 5 Frente ao exposto, no entender da impugnante, com o advento da Medida Provisória n° 206/2004, posteriormente convertida na Lei n.° 11.033/04, a vedação ao creditamento constante nos artigos 3o , I, b, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 foi revogada, fato esse que possibilita a apuração de credito por parte dos contribuintes tributados sob a sistemática do monofásico. Reforçando seus argumentos a defesa transcreve o entendimento dos professores Sacha Calmon Navarro Coelho e Helenilson Cunha Pontes. Em seguida, transcreve soluções de consulta da Receita Federal, que entende serem favoráveis a sua tese. Alega, ainda, que em 03.01.2008 foi editada a Medida Provisória n° 413/2008, que proibiu expressamente o aproveitamento, por distribuidores e varejistas de produtos sujeitos à tributação monofásica de créditos relativos às suas aquisições de bens para revenda a partir de 10 de maio de 2008, acrescentando os §§ 14 e 22 aos arts. 30 da lei 10.637/02 e art. 30 da lei 10.833/03. Desse modo, entende que o Governo Federal ao vedar expressamente o creditamento a partir de 01/05/2008, tacitamente, admitiu a sua existência no período anterior compreendido entre 09/08/2004 e 30/04/2008. Por outro lado, antes da vigência dos supramencionados dispositivos da Medida Provisória, o próprio Governo Federal adiou o termo inicial de vigência, que somente passariam a vigorar "a partir do 10° dia do mês subseqüente ao dia da publicação do ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecendo os termos, condições e prazos de que trata o art. 13”. Entretanto, em 23/06/2008, no momento da conversão da referida MP 413/08 em Lei, o Congresso Nacional não convalidou a vedação do crédito oriundo das aquisições sujeitas a tributação monofásica, haja vista que a Lei de conversão da 11.727/2008 nada versa sobre a matéria, suprimindo, dessa forma, os dispositivos da MP 413 vedavam o crédito. Desse modo, tendo em vista que os arts. 14 e 15 da Medida Provisória 413/2008 jamais entraram em vigor, conclui que não há outra conclusão a não ser a de que o direito ao crédito proveniente das aquisições dos produtos sujeitos ao regime monofásico nunca foi extinto do ordenamento jurídico. A Delegacia de Julgamento em Fortaleza proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 6 REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. COMERCIANTE VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. CRÉDITOS. A receita bruta decorrente das vendas de gasolina, óleo diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP) e álcool auferida por comerciante varejista está sujeita à incidência da Cofins à alíquota zero, estando expressamente vedada a apuração de créditos da contribuição em relação à aquisição desses produtos. Observada essa vedação, não há impedimento à manutenção de outros créditos vinculados a essas vendas, autorizados pela legislação para a atividade comercial, admitida sua compensação ou ressarcimento nos casos previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 54 a 65, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720432/200997 Acórdão n.º 3801001.379 S3TE01 Fl. 78 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS NãoCumulativa, fls. 02/04, referente ao 1º Trimestre de 2009, no valor de R$ 134.066,49. Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio varejista de combustível, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Desse modo, necessário se faz trazer a lume a legislação de regência. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) X no art. 23 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de Fl. 81DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 8 aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) § 1oA. Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2o, 5oA e 11 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2o .............................................................. § 1o ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720432/200997 Acórdão n.º 3801001.379 S3TE01 Fl. 79 9 pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foi instituído pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltase, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do Pis/Pasep e Cofins é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 10 definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou nãocumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) O regime diferenciado de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720432/200997 Acórdão n.º 3801001.379 S3TE01 Fl. 80 11 diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da recorrente no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente a revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º , §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades não cumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da nãocumulativa. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 tem natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 12 revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da recorrente ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720432/200997 Acórdão n.º 3801001.379 S3TE01 Fl. 81 13 Declaração de Voto Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso. A questão posta é sobre a possibilidade ou não dos contribuintes que operam com produtos sujeitos ao regime monofásico de contribuição do PIS e COFINS. Para entender o pleito, vejo como necessária uma análise da evolução legislativa sobre o tema e busca daí a melhor forma de sua aplicação, vejamos. As contribuições citadas (Pis e Cofins) foram inseridas no regime não cumulativo de apuração após a publicação das leis 10.627/02 e 10.833/03 respectivamente. Pelos referidos normativos, estava criado o regime nãocumulativo de apuração das contribuições, obrigatório para os contribuintes optantes pelo lucro real, porém fora do referido regime operações realizadas com os produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração. Ou seja, com a edição das normas citadas, passamos a ter concomitantemente o regime cumulativo de apuração, o regime nãocumulativo e o regime monofásico. Acontece que com a edição da lei 10.865/04 houve uma significativa alteração no sistema posto, pois pela referida legislação os produtos revendidos pela Recorrente passaram a integrar também o regime nãocumulativo, ou seja, o que antes era tratado pelo legislador como dois regimes distintos, passou a ser uma operação mista, onde o contribuinte sujeito ao recolhimento concentrado (monofásico) também teria o direito de creditamento através regime nãocumulativo. Ou seja, a partir de agosto de 2004, quando entrou em vigência a lei 10.865/04, houve uma mudança no regime monofásico que passou a beneficiar os contribuintes que operam com mercadorias sujeitas a sua sistemática. Tal benefício foi corroborado posteriormente pela lei 11.033/04 que em artigo 17 reconhece o referido crédito, cito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Não bastasse, o artigo 16 da lei 11.116/05 novamente confirma o crédito e disciplina a sua utilização, inclusive possibilitando o seu uso para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cito: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 14 final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vale citar que o artigo supracitado não só reconhece a existência do crédito, como a sua data de início, 09/08/2004, ou seja, início da vigência da lei 10.865/04. O referido crédito e seu aproveitamento chegou inclusive a ser regulamentado no âmbito da Receita Federal, através da IN 600/05, que em seu artigo 42 assim dispunha: Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência; ou II aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (Retificada no DOU de 27/01/2009, pág. 11) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 34. (...) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720432/200997 Acórdão n.º 3801001.379 S3TE01 Fl. 82 15 § 5º O saldo credor acumulado, na forma do inciso II do caput e do § 4º, no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser utilizado para compensação a partir de 19 de maio de 2005. § 6º A compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III do caput e o § 4º somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestrecalendário. § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. Importante ressaltar que a IN 600/05 permaneceu inalterada e reconhecendo o direito ao crédito, como posto, até a edição da IN 900/08, ou seja, durante 3 (três) anos a própria administração reconheceu e admitiu a cumulação das sistemáticas de apuração – monofásico e nãocumulatividade. Finalmente, a meu sentir para por uma pá de cal sobre o assunto, foi publicada a MP 413/08 que em seus artigos 14 e 15 alterava as leis 10.637/02 e 10.833/03 para impedir a utilização do crédito de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração, a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal, no que se refere à vedação instituída, ou seja, reconhecendo a validade dos créditos em períodos anteriores. O referido dispositivo foi derrubado no Congresso Nacional sendo convertida a MP 413 na Lei 11.727/08 sem tais disposições, ou seja, mantendo na íntegra o direito ao creditamento. A tentativa de revogação ao direito de crédito foi novamente levada a efeito pelo Poder Executivo na edição da MP 451/08 e novamente os dispositivos que vedavam a utilização do crédito não foram aprovados no processo de conversão da MP na Lei 11.945/09. Ou seja, no meu entendimento, é fato que o Congresso Nacional, Poder responsável pela edição das leis em nosso país, reiterou por diversas vezes seu entendimento de que há o direito ao crédito no caso em análise. Portanto como aplicadores das normas, entendo que não é possível o afastamento deste direito, senão mediante alteração legislativa, o que, como dito, foi buscado por duas vezes e não foi admitido pelo Poder Legislativo. Portanto, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979282/2009-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2005
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2005 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10880.979282/2009-10
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5245417
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.643
nome_arquivo_s : Decisao_10880979282200910.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10880979282200910_5245417.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
id : 4858794
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806631616512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2108; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.979282/200910 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802001.643 – 2ª Turma Especial Sessão de 7 de maio de 2013 Matéria PERDCOMP Recorrente TRANSPORTADORA GATAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2005 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 82 /2 00 9- 10 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de IRPJ— cód. 2089, no montante de R$83,23,ocorrido em 31/10/2005, com débito próprio de COFINS — cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 22/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que homologou parcialmente a compensação declarada por insuficiência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o ,¢ único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRP1 Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tornado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a titulo de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 33263.92055.141105.1.2.044604, relativo ao período de apuração jul/2005. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979282/200910 Acórdão n.º 1802001.643 S1TE02 Fl. 3 3 Nesse período, conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a RS 6.935,70, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SP1) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.329, de 27 de outubro de 2010 (fls.13/16), cientificado ao interessado em 15/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.13): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador:31/10/2005 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 35381.28127.221105.1.3.042365 (fls.01/02), transmitido em 22/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 85,61, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ no valor de R$ 83,23, código – 2089; Período de Apuração: 30/09/2005; Data de Arrecadação: 31/10/2005. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fls.07/08), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fls.08/09), uma relação de conhecimentos de transporte relativos ao período de apuração de julho/2005 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 6.935,70. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (IRPJ, código 2089) foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo do IRPJ relativo período de apuração de julho/2005, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). Fl. 33DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979282/200910 Acórdão n.º 1802001.643 S1TE02 Fl. 4 5 No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo do IRPJ relativo período de apuração de jul/2005, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo do IRPJ do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2006 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação de conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo do IRPJ relativo período de apuração de julho/2005. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979282/200910 Acórdão n.º 1802001.643 S1TE02 Fl. 5 7 No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 22/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000072/2009-35
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS CONFORME DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA.
A autoridade fiscal através de sua atividade pode se utilizar de todos os meios próprios para proceder ao lançamento, servindo o processo administrativo fiscal para tornar o mesmo definitivo. Os sistemas da Receita Federal como o SIAFI/VENDAS podem servir de base para a autoridade fiscal proceder ao lançamento quando o contribuinte não demonstrar através de notas fiscais e outros documentos próprios, após solicitado, suas atividades e faturamento. Neste caso, cabe ao contribuinte contra-arrazoar com provas o equívoco da autoridade, sob pena de o lançamento restar confirmado, por força do art. 333, II do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 1802-001.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS CONFORME DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA. A autoridade fiscal através de sua atividade pode se utilizar de todos os meios próprios para proceder ao lançamento, servindo o processo administrativo fiscal para tornar o mesmo definitivo. Os sistemas da Receita Federal como o SIAFI/VENDAS podem servir de base para a autoridade fiscal proceder ao lançamento quando o contribuinte não demonstrar através de notas fiscais e outros documentos próprios, após solicitado, suas atividades e faturamento. Neste caso, cabe ao contribuinte contra-arrazoar com provas o equívoco da autoridade, sob pena de o lançamento restar confirmado, por força do art. 333, II do Código de Processo Civil.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 12897.000072/2009-35
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5243020
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.486
nome_arquivo_s : Decisao_12897000072200935.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCIEL EDER COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 12897000072200935_5243020.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
id : 4842593
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806658879488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 322 1 321 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12897.000072/200935 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.486 – 2ª Turma Especial Sessão de 5 de dezembro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ E REFLEXOS Recorrente PRIMETECH INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS CONFORME DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA. A autoridade fiscal através de sua atividade pode se utilizar de todos os meios próprios para proceder ao lançamento, servindo o processo administrativo fiscal para tornar o mesmo definitivo. Os sistemas da Receita Federal como o SIAFI/VENDAS podem servir de base para a autoridade fiscal proceder ao lançamento quando o contribuinte não demonstrar através de notas fiscais e outros documentos próprios, após solicitado, suas atividades e faturamento. Neste caso, cabe ao contribuinte contraarrazoar com provas o equívoco da autoridade, sob pena de o lançamento restar confirmado, por força do art. 333, II do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 72 /2 00 9- 35 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 12897.000072/200935 Acórdão n.º 1802001.486 S1TE02 Fl. 323 3 Relatório Tratam os presentes de infração imputada à ora recorrente, por suposta omissão de receitas e insuficiência de recolhimento ao SIMPLES, resultando no lançamento de ofício via Auto de Infração, exigindo o IRPJSimples com reflexos em CSLLSimples, PIS Simples, COFINSSimples e INSSSimples, além da Multa Independente – Simples. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, aproveitome do Relatório proferido pela 15a Turma da DRJ/RJ1, através do Acórdão n° 1239.861, constante às fls. 249/251v: Trata o presente processo de exigência fiscal formulada ao interessado acima identificado, inscrito no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Micros e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, pela Delegacia de Fiscalização no Rio de Janeiro RJ, por meio dos autos de infração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ/SIMPLES, referente ao anocalendário de 2005, de fls. 59/89, no valor de R$ 22.922,37, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/SIMPLES, de fls. 81/89, no 'valor de R$ 22.922,37, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido –CSLL/SIMPLES, de fls.90/98, no valor de R$ 36.706,17, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS/SIMPLES, de fls. 99/107, no valor de R$ 73.412,34 e da Contribuição para a Seguridade Social – INSS/SIMPLES, de fls. 108/116, no valor de R$ 147.701,99, todos acrescidos, ainda, da multa de oficio no percentual de 75%, sobre o principal e de juros de mora. Além do auto de infração, As fls. 117/119, da multa regulamentar pela falta de comunicação da exclusão da empresa do Sistema do Simples, no valor de R$ 5.299,87. ENQUADRAMENTO LEGAL IRPJ Art. 24 da Lei n° 9.249/95, arts. 2°, § 2°, 3°, §1°, alínea "a", 5°, 7°, §1°, 18, da Lei n° 9.317/96; art. 3° da Lei n° 9.732/98; arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. PIS Art 3°, alínea "b" da Lei Complementar n° 07/70 c/c art. 1°. § único da Lei Complementar n° 17/73 e arts. 2°, inciso I, 3° e 9° da Medida Provisória n° 1.249/95 e suas reedições; art 2°, § 2°, 3°, §1°, alínea "b", 5°, 7°, §1°, 18, da Lei n° 9.317/96. Art. 3° da Lei n° 9.732/98. CSLL Art. 1° da Lei n° 7.689/88; arts 2°, § 2°, art. 3°, § 1°, alínea "c", 5°, 7°, § 1°, 18 da Lei n° 9.317/96; art. 3° da Lei n° 9.732/98. COFINS Art.1° da Lei Complementar n° 70/91; arts 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "d", 5° , 7°, § 1° e art. 18 da Lei n° 9.317/96; art. 3° da Lei n° 9.732/98. INSS Arts 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "f, 5°, 7°, § 1°, e 18, da Lei n° 9.317/96; Art. 3° da Lei n° 9.732/98. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 DESCRIÇÃO DOS FATOS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. Conforme o Termo de Constatação Fiscal (doc. fls. 50), os lançamentos estão fundamentados em omissão de receitas, levando em consideração a apuração de discrepâncias (diferenças) existentes entre os valores declarados na DIRPJ Simples referente ao exercício de 2006 ano calendário de 2005 e as informações constantes da base de dados SIAFI/VENDAS da RFB, conforme planilha de fls.51/56 (grifei). Informa ainda o referido termo, que o Livro Caixa do interessado referente ao ano calendário de 2005, foi escriturado em partidas mensais tituladas de "receita/mês". Embora intimado em 11/08/2008, às fls. 21, não apresentou a planilha indexada por fornecedor contendo as informações tais como nota fiscal, data, valor e data do pagamento, conforme resposta, às fls. 24, deixando também, de apresentar as notas fiscais emitidas para as empresas relacionadas na planilha anexada a intimação de fls. 26/44, conforme resposta em 07/11/2008 (f1.45), onde consta cod. banco, número da agência e conta corrente, referente aos pagamentos realizados. A receita bruta acumulada do ano calendário de 2005, apurada pela fiscalização, ultrapassou os limites estabelecidos na legislação, enquadrandose na situação excludente prevista no artigo 9° da Lei n° 9.317/96. Em face do exposto, foi aplicada a multa pela não comunicação de exclusão do Simples (fls 117/119). INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A insuficiência de recolhimento dos tributos e contribuições deveuse a reclassificação de alíquotas, em virtude de que a receita bruta auferida pelo interessado extrapolou aquela declarada, por força da omissão de rendimentos verificada. Regularmente cientificado em 05/02/2009, respectivamente às (fls. 60, 82, 91, 100, 109), das autuações referentes ao IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e INSS apresenta o interessado em 04/03/2009, impugnação (fls. 144/158), alegando em síntese que: [...] A recorrente, suscitou em sede de impugnação preliminar de nulidade, por ter assinado o Auto de Infração pessoa que não tinha poderes contratualmente para fazêlo, argüindo ainda que a composição de valores constantes do auto de infração tiveram origem no sistema interno da Receita Federal (SIAF/VENDAS), impossibilitando seu contraditório. Reforçou ainda, que tal sistema não pode representar a verdade material, que não houve o trabalho investigativo e a prova por meio de notas fiscais de que aqueles faturamentos de fato existiram. Incita que houve discrepância no regime utilizado Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 12897.000072/200935 Acórdão n.º 1802001.486 S1TE02 Fl. 324 5 (caixa/competência) e o constante da autuação e que os valores considerados tributáveis não são no todo faturamento. Junta livro Diário e Razão a fim de comprovar sua receita, requerendo que tais documentos sirvam de base para a fiscalização, sob pena de afronta à “atividade vinculada” de que trata o art. 142 do Código Tributário Nacional. Ocorre que a turma julgadora entendeu pela improcedência da impugnação, conforme Ementa às fls. 248: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do Decreto n° 70.235/1972. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora pode indeferir a realização de diligência quando entendêla desnecessária, em razão dos documentos acostados aos autos. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE NOTAS FISCAIS. DADOS COLHIDOS DO SIAFI. A falta de resposta e/ou justificativas plausíveis às intimações dirigidas ao interessado buscando esclarecimentos sobre as divergências apontadas entre os dados obtidos pelo SIAFI e a escrituração/DPJSI autoriza o reconhecimento da existência de receitas omitidas INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Apurada omissão de receitas alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas às diferenças lançadas. MULTA PELA FALTA DE COMUNICAÇÃO DA EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA DO SIMPLES. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE OS TRIBUTOS NÃO RECOLHIDOS. Cabível é a aplicação concomitante da multa de oficio pela falta de recolhimento dos tributos devidos no Simples e da multa isolada pela falta de comunicação da exclusão obrigatória do regime, em razão do fato de a receita omitida haver excedido o Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 limite legal. Tratandose de penalidade por falta do cumprimento de obrigação acessória, tornase perfeitamente aceitável a concomitância das ditas penalidades. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a manutenção da exigência, da qual tomou ciência em 18/11/2011, apresentou Recurso Voluntário em 09/12/2011, onde suscita em apertada síntese: que o sistema SIAF/VENDAS não pode servir de base para a exigência, devendo a autoridade através de trabalho investigativo apurar o que realmente serviu como faturamento, em sendo o caso, intimando seus clientes a apresentarem as notas fiscais, dada sua impossibilidade de têlo feito, sob pena de ilegalmente imputar aos contribuintes uma inversão do ônus da prova, incumbindo a estes provar suas atividades de tributação, dado o caso não representar uma presunção de omissão de receitas; alega que preencheu equivocadamente sua Declaração como Regime de Caixa, mas que seus livros Diário e Razão comprovam ter realizado a contabilização de suas receitas como Regime de Competência, e, portanto, tributação com base nas vendas e não nos recebimentos. Que a autoridade fiscal impropriamente no lançamento de ofício utilizou a equação “Recebimento dos clientes (Relação SIAF/VENDAS) – Vendas Declaradas = Omissão de Receita”, que configura indeterminação da matéria tributável de que trata o art. 142, do Código Tributário Nacional e; que houve uma indevida apuração da base de cálculo, ao considerar que as receitas do SIAF/VENDAS não foram deduzidas das receitas declaradas de vendas e serviços, indicadas pela própria autoridade fiscal, fato que enseja no mínimo, o ajuste da base tributável. Ao final, pede pela anulação da decisão da DRJ. É o relatório do essencial. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 12897.000072/200935 Acórdão n.º 1802001.486 S1TE02 Fl. 325 7 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O recurso voluntário interposto é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade. Dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, o lançamento de ofício substanciase em suposta omissão de receitas tributáveis, apurados através do cruzamento de informações entre o declarado pelo contribuinte através de Declaração do SIMPLES e o constante nos sistemas da Receita Federal através do sistema SIAF/VENDAS. Para melhor organizar as razões deste voto, utilizo a seguir os tópicos na ordem em que elencadas no Recurso Voluntário interposto. Da documentação utilizada como prova para o lançamento A autoridade fiscal seguindo seu roteiro de fiscalização deparouse com as divergências alhures, requerendo as respectivas explicações do contribuinte, conforme se extrai das efls. 24 e 29, e, após a não prestação das informações requeridas, assim se explicou a recorrente (efls. 48): [...] Item 01 – As notas fiscais solicitadas ainda não foram localizadas. [...] Assim, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Constatação (efls. 53): [...] 02. A contribuinte, embora intimada para tanto, não apresentou planilha indexada de seus clientes, conforme resposta de 02/10/2008; 03. A contribuinte informou não ter localizado as Notas Fiscais emitidas para as empresas relacionadas na planilha anexada à intimação fiscal recebida pela contribuinte em 08/11/2008, conforme resposta datada de 13/11/2008; [...] Fl. 328DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Ora, como se observa, a autoridade fiscal solicitou diversas vezes para que lhe fosse apresentada documentação que comprovasse sua receita declarada. Porém, tal documentação não foi apresentada. Assim, utilizandose dos meios disponíveis, a saber, do sistema SIAF/VENDAS, procedeu ao lançamento. Neste aspecto, assim reclama a recorrente (efls. 155): De imediato, a lmpugnante (sic) vem insurgirse contra tal procedimento, pois apesar de deduzir que o Sistema SIAF/VENDAS referese a vendas ou recebimentos realizados por contribuintes, efetivamente não tem como se defender adequadamente já que se trata de um sistema interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil ao qual não tem acesso. Desta forma, como poderia a Impugnante fazer uso de seus direitos fundamentais, uma vez que um dos princípios reguladores do Processo Administrativo Fiscal, que decorre do art 5°, inciso LV da Constituição Federal de 1988, é o Contraditório, ou seja, contradizer as alegações que pesam contra si, e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes? [...] Vejam ilustres julgadores, os valores constantes do sistema Interno da Receita Federal do Brasil, em especifico o SIAF/VENDAS, no máximo deveriam servir como indicio para basear os trabalhos da Fiscalização, e nunca, jamais, como certeza de que os mesmos representam a verdade absoluta do cometimento de alguma irregularidade por parte do contribuinte.(Grifos no original) Ora, o processo administrativo fiscal é que se presta a definir o lançamento tributário. Neste sentido, o auto de infração não é uma verdade absoluta, mas permite o contraditório para que o contribuinte comprove, em sendo o caso, o equívoco da autoridade fiscal em seu lançamento total ou parcialmente. Neste instrumento, portanto, deveria o contribuinte por meio de documentação idônea comprovar a contrario sensu, que a pretensão fiscal está equivocada, juntando todos os meios disponíveis e assim utilizandose da “ampla defesa”. Contudo, a recorrente não demonstra em nenhum momento nem comprova com a certeza que se espera, que seu faturamento espelha aquilo que realmente declarou à Receita Federal, através da obrigação acessória. Não junta notas fiscais, nem extratos e sequer preenche a planilha requerida pela fiscalização de forma a permitila solicitar aos seus clientes os respectivos documentos fiscais. Dessa forma, não se pode sucumbir ao reclamo da recorrente, sendo inválida sua alegação constante no recurso às efls. 297: No caso vertente, uma vez que as notas fiscais não foram apresentadas, fato alheio à vontade da Recorrente, deveria então a fiscalização intimar seus clientes que certamente constam do Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 12897.000072/200935 Acórdão n.º 1802001.486 S1TE02 Fl. 326 9 sistema SIAF/VENDAS a apresentar as notas fiscais bem como os pagamentos das mesmas para, aí sim, de posse de todos os elementos probantes, efetuar, se for o caso, de forma adequada o lançamento. Ou seja, se a empresa utiliza o regime de competência, cotejar as notas fiscais com o faturamento declarado e, na hipótese de a empresa utilizar o regime de caixa, comparar os recebimentos com as receitas declaradas. O fisco sequer deuse ao trabalho de intimar pelo menos um cliente para realizar uma amostragem em busca da verdade dos fatos, optando por efetuar o lançamento de uma forma mais rápida e cômoda, para não dizer simplória, porém totalmente imprópria, equivocada desprovida de consistência. Por estas razões, o indício inicialmente levantado pelo Auto de Infração resulta em definição, quando não observa a câmara julgadora provas suficientemente capazes de ilidir o lançamento. Também não se pode sucumbir à alegação de que houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte, nem que a fiscalização careceu na constituição de sua prova ou ainda, que houve uma ilegal inversão no ônus da prova em desfavor do contribuinte. Isto porque, deveria o contribuinte, já que refuta o faturamento levantado pela fiscalização, comprovar por meios idôneos que o referido sistema SIAF/VENDAS não refletia a “verdade dos fatos”, atendendo assim ao disposto no art. 333, II, do Código de Processo Civil – Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973: Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Ressaltase que a autoridade fiscal comprovou por seus meios a base de seus dados e utilizouse de sua competência legal estabelecida pelo art. 142 do Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – para proceder ao lançamento. Ademais, deveria a recorrente manter sua documentação em ordem, pois esta serve para que a fiscalização quando tiver interesse, proceda à sua atividade de homologação e lançamento tributários. Portanto, não procede a alegação da recorrente de que o lançamento de ofício afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa, da impessoalidade, da razoabilidade e da moralidade, nem da verdade material, tendo o lançamento respeitado aos ditames do art. 142 e seguintes do Código Tributário Nacional. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Da comprovação da utilização do regime de competência A recorrente reconhece equívoco na informação constante de sua Declaração Simplificada, quando “flegou” a opção Regime de Caixa, pedindo para que fosse prezado o princípio da verdade material, de que utiliza em verdade o Regime de Competência. Ocorre que a não comprovação de sua receita efetiva perante à fiscalização coloca em xeque não somente a informação constante da declaração simplificada, mas também os livros diário e razão apresentados, eis que não refletem os dados e informações constantes da atividade da autoridade fiscal, o que, conforme acima, se mostrou consolidado. Assim, como matéria decorrente do tópico anterior, é de se manter o lançamento na forma em que realizado pela autoridade fiscal, sobretudo por não ter comprovado efetivamente através das notas fiscais e nem dos extratos bancários os efetivos valores faturados, de forma a permitir a adoção do regime de competência que defende ter utilizado. Da apuração indevida da base tributável A recorrente alega que sua receita declarada não foi devidamente abatida dos valores levantados pela autoridade fiscal, pelo que a base tributável merecia pelo menos ser ajustada. Neste tópico, verificase às efls 54/59 que a autoridade fiscal promoveu o abatimento das diferenças levantadas a título de “receita de vendas” dos valores declarados, com o objetivo único de demonstrar aquilo que estaria classificando como omissão de receitas, a saber, aquilo que não estava na parte declarada pela recorrente. Ato contínuo, o respectivo Auto de Infração apurou também insuficiência de recolhimentos do tributo apurado, conforme consta às efls. 87: 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDOS COM BASE NA APLICAÇÃO DAS ALÍQUOTAS DO "SIMPLES" SOBRE A RECEITA BRUTA DECLARADA NA RESPECTIVA PJSI. Fato Gerador Val. Tributável ou Multa(%) Contribuição 28/02/2005 R$ 22,84 75,00 31/03/2005 R$ 58,64 75,00 30/04/2005 R$ 60,10 75,00 31/05/2005 R$ 69,74 75,00 30/06/2005 R$ 154,36 75,00 31/07/2005 R$ 161,35 75,00 31/08/2005 R$ 190,32 75,00 30/09/2005 R$ 134,70 75,00 31/10/2005 R$ 191,19 75,00 30/11/2005 R$ 219,87 75,00 31/12/2005 R$ 144,46 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 331DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 12897.000072/200935 Acórdão n.º 1802001.486 S1TE02 Fl. 327 11 Art. 3°, alínea "b" da Lei Complementar n° 7/70 c/c art. 1°, parágrafo único da Lei Complementar n° 17/73 e arts. 2°, inciso I, 3° e 9°, da Medida Provisória n° 1.249/95 e suas reedições; art. 5° da Lei n° 9.317/96. Art. 3° da Lei n° 9.732/98. Assim sendo, a receita declarada foi abatida para fins de lançamento da exigência fiscal, contudo não poderá ser abatida para determinação da alíquota aplicável para calcular o montante exigido, uma vez que a determinação da alíquota aplicável deverá ser considerada como receita total do contribuinte, declarada e omitida. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 332DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13951.000108/2002-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DO RECURSO REPETITIVO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62-A DO RICARF. Nos termos do 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, considerando a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 993.164/MG, a Lei 9.363/96 permite que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, sejam incluídas as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF. Consoante decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.035.847/RS, sob a sistemática do recurso repetitivo, o crédito referente a ressarcimento se sujeita à atualização monetária, tendo como termo inicial para sua fluência a formalização do requerimento, quando então poderia considerar-se em mora a Fazenda Nacional, e o termo final, a data de sua efetiva utilização, seja pela compensação, seja pela liquidação em espécie. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-001.618
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DO RECURSO REPETITIVO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62-A DO RICARF. Nos termos do 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, considerando a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 993.164/MG, a Lei 9.363/96 permite que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, sejam incluídas as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF. Consoante decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.035.847/RS, sob a sistemática do recurso repetitivo, o crédito referente a ressarcimento se sujeita à atualização monetária, tendo como termo inicial para sua fluência a formalização do requerimento, quando então poderia considerar-se em mora a Fazenda Nacional, e o termo final, a data de sua efetiva utilização, seja pela compensação, seja pela liquidação em espécie. Recurso voluntário provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13951.000108/2002-75
conteudo_id_s : 5250587
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.618
nome_arquivo_s : Decisao_13951000108200275.pdf
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 13951000108200275_5250587.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4872323
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806772125696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2334; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13951.000108/200275 Recurso nº 501.192 Voluntário Acórdão nº 340301.618 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2012 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA MOURÃOENSE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DO RECURSO REPETITIVO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62A DO RICARF. Nos termos do 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, considerando a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 993.164/MG, a Lei 9.363/96 permite que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, sejam incluídas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. Consoante decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.035.847/RS, sob a sistemática do recurso repetitivo, o crédito referente a ressarcimento se sujeita à atualização monetária, tendo como termo inicial para sua fluência a formalização do requerimento, quando então poderia considerarse em mora a Fazenda Nacional, e o termo final, a data de sua efetiva utilização, seja pela compensação, seja pela liquidação em espécie. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Versa este processo sobre pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, de que trata a Lei nº 9.363/96, referente ao 4º trimestre/2001. A DRF Maringá/PR deferiu parcialmente o crédito requerido e homologou a compensação até o limite reconhecido, glosando as aquisições de não contribuintes das contribuições para em epígrafe. Em manifestação de inconformidade o contribuinte asseverou o direito de crédito sobre a integralidade das aquisições, inclusive de pessoas físicas e cooperativas, bem assim, a atualização monetária com base na taxa selic, citando jurisprudência administrativa e judicial para fundamentar seu pleito. A DRJ Ribeirão Preto/SP julgou improcedente o recurso ao argumento de impossibilidade de cômputo, no crédito presumido em tela, de aquisições não oneradas pelas contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, bem assim, da inexistência de previsão legal para correção monetária de créditos a ressarcir. Em recurso voluntário, com alguma variação, o contribuinte repete a argumentação anteriormente deduzida. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13951.000108/200275 Acórdão n.º 340301.618 S3C4T3 Fl. 2 3 Tocante à possibilidade de inclusão de aquisições não oneradas pelo PIS/Pasep e Cofins no cálculo do benefício regido pela Lei nº 9.363/96, em diversas oportunidades manifesteime no sentido que seu art. 1º teria garantido às empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais um crédito presumido do IPI, como ressarcimento de aludidas contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Por este motivo, inclusive, não vislumbrava qualquer ilegalidade na IN SRF 23/97, haja vista que a vedação lá consubstanciada seria mera decorrência lógica desta interpretação, não havendo inovação indevida do ordenamento. Destarte, a incidência das exações sobre as aquisições seria pressuposto inarredável para fruição do crédito presumido em tela, o que sabidamente não ocorre com as compras efetuadas de pessoas físicas, que não compõem o universo de sujeição passiva das exações. Entendo eu que o adjetivo “presumido” constante da redação legal diz respeito não à sua incidência, que vem contemplada como exigível no preceito, mas sim em relação às etapas da cadeia produtiva sujeitas às contribuições cumulativas que se pretende ressarcir, isto é, a presunção recai sobre a quantidade de “vezes” que serão ressarcidas as contribuições que gravam a cadeia econômica. Na hipótese o legislador optou por considerar duas etapas, sem maiores indagações acerca de setores econômicos específicos, tanto assim que o somatório das alíquotas dos tributos em epígrafe, à época da publicação da legislação de regência do crédito, equivalente a 2,65% (2% da Cofins e 0,65% do PIS/Pasep), correspondia ao coeficiente legal de 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos percentuais). Assim, a presunção de que tenha havido alguma espécie de incidência de PIS/Pasep e Cofins ao longo da cadeia de produção, mesmo nas aquisições de matériasprimas de pessoas físicas, reflexo da cumulatividade destes tributos, não poderia prevalecer sobre o texto de lei, que é expresso neste sentido, verbis: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” (destaquei) Demais disso, tratandose o crédito presumido de clara renúncia fiscal, subsumirseia à categoria dos benefícios desta mesma natureza, de modo que sua interpretação deveria ser literal e restritiva, ex vi do art. 111 do Código Tributário Nacional. Contudo, não foi este o entendimento firmado pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça que, em sede de recurso repetitivo, assim julgou a matéria, por intermédio do REsp 993.164/MG, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO Fl. 898DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” Com o advento do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, através de seu art. 62A, Fl. 899DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13951.000108/200275 Acórdão n.º 340301.618 S3C4T3 Fl. 3 5 houve textual previsão de observância, por parte de suas Turmas julgadoras, dos precedentes do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça julgados sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, respectivamente, a repercussão geral e o julgamento de recursos repetitivo. Neste diapasão, com a ressalva da opinião pessoal, referida apenas a título de obter dictum, considerando que aludido aresto reflete posicionamento definitivo1, as aquisições glosadas pela Unidade preparadora devem ser restabelecidas, em respeito à decisão em epígrafe. Também em relação à atualização monetária do direito creditório reconhecido, tinha firme opinião quanto ao seu descabimento, por entender que a atualização monetária, como fenômeno econômico, exigiria lei específica para sua inserção no mundo jurídico, sob pena de usurpação de competência do Poder Legislativo, demais disso, não sendo o ressarcimento espécie de restituição de tributo, não se lhe aplicaria as disposições do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, todavia, como dito alhures, com a edição do novo regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09 e alterações, a questão ganhou outro enfoque. Nesta trilha, em pesquisa à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal foi encontrado um semnúmero de decisões monocráticas julgando a matéria, por todos o RE 653.342, de lavra da Min. Carmem Lúcia, cuidando de fatos assemelhados, que passo a reproduzir: “1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE SOCIEDADES COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO FORMADA INCLUSIVE PELO FATURAMENTO RESULTANTE DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO PELO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO EM CASO DE NEGATIVA ADMINISTRATIVA OU ATRASO INJUSTIFICADO NO DEFERIMENTO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO. TERMO INICIAL DA ATUALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC EM RELAÇÃO AOS CRÉDITOS PRESUMIDOS OUTORGADOS NAS VIAS ADMINISTRATIVAS E JUDICIAL. VERBA HONORÁRIA. ART. 20 DO CPC .1. A Lei 9.363/96 permite que na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI seja incluída as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e pessoas físicas, as quais não estão sujeitas ao pagamento da COFINS e da contribuição ao PIS. Hermenêutica em consonância com os métodos interpretativos gramatical, lógico, sistemático, histórico e finalístico. Precedentes do STJ e desta Corte. 2. Na apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI, em consonância com uma interpretação histórica, finalística e o teor do disposto na Lei 9.363/93, a receita de exportação abrange inclusive o faturamento resultante do produto não tributado pelo IPI (N/T na tabela do IPI TIPI) e de produtos que não tenham sido objeto de industrialização pela empresa exportadora. Precedentes desta Corte. 3. A correção monetária sobre valor a ser 1 Em consulta à página virtual do STJ (www.stj.jus.br 22/03/2012) verificouse a interposição de recurso extraordinário. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 restituído a título de crédito presumido do IPI, à semelhança dos créditos escriturais, tãosomente é possível quando houver negativa administrativa ou mesmo atraso injustificado no deferimento do pedido administrativo. 4. O ressarcimento em espécie, a ser realizado pela Administração Fazendária, dos créditos presumidos do IPI, outorgados tanto na via administrativa como na via judicial, devem ser corrigidos pela taxa SELIC, por analogia à regra correspondente à forma de atualização monetária prevista para a repetição do indébito e a compensação das dívidas tributárias da Fazenda Nacional com o contribuinte, consoante o disposto no § 4º do art. 39 do da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995. 5. É viável o afastamento dos limites de 10% e 20%, definidos no § 3º do art. 20 do CPC, quando for vencida a Fazenda Pública, naquelas causas onde não houver condenação, nas de valor inestimável, desde que a observância do critério dos percentuais mínimos e máximos resultar em valor ínfimo ou exorbitante, ante a exigência de adequação da aludida verba sucumbencial ao grau de zelo profissional, ao lugar da prestação do serviço, à natureza e complexidade da causa, ao trabalho realizado pelo advogado e ao tempo exigido para o seu serviço. Interpretação em consonância com a regra do § 4º do art. 20 do CPC” (fl. 696, grifos nossos). 2. A Recorrente afirma que o Tribunal a quo teria contrariado os arts. 2º, 5º inc. II, e 153, § 3º, da Constituição da República. Argumenta que “não se pode equiparar (…) a restituição ou a compensação de tributos pagos a maior com o mero ressarcimento de créditos de IPI. Naqueles, ocorre devolução de valores pagos indevidamente, incidindo a correção monetária prevista no art. 66 da Lei n. 8.383/91 e/ou art. 74 da Lei n. 9.430/96; no ressarcimento de créditos presumidos, ao contrário, não há pagamento indevido, configurando tal instituto, em realidade, um benefício fiscal, sendo descabida, porque não prevista em lei, a incidência da correção monetária” (fl. 785). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. O acórdão recorrido se assentou ter havido “negativa administrativa ou atraso injustificado no deferimento do pedido administrativo” (fl. 696) do Recorrido, o que não pode ser reavaliado em sede extraordinária. Pela jurisprudência do Supremo Tribunal, é devida correção monetária dos créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI se houver resistência ilegítima da Fazenda Pública à sua utilização pelo contribuinte. Nesse sentido: “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. 1. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA CONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 282 E 356 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 2. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. RESISTÊNCIA INDEVIDA DA FAZENDA À UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO: INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. 3. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS (SÚMULA 279). PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (RE 644.916AgR/DF, de minha relatoria, Primeira Turma, DJ 22.9.2011, grifos nossos). “AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE IPI. INDEVIDA OPOSIÇÃO DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. I – A jurisprudência desta Corte firmouse no sentido de que, nos casos em que se reconhece a ilegítima resistência do Estado em possibilitar o aproveitamento dos créditos do IPI e do ICMS, os respectivos créditos devem ser atualizados Fl. 901DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13951.000108/200275 Acórdão n.º 340301.618 S3C4T3 Fl. 4 7 monetariamente. Precedentes. II – Agravo regimental improvido” (AI 820.614AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Primeira Turma, Dje 4.3.2011 – grifos nossos). “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEFINIÇÃO DO ÍNDICE, PERÍODO, MONTANTE. QUESTÕES INFRACONSTITUCIONAIS OU QUE DEPENDEM DE PROVA. CRÉDITO ESCRITURADO EXCEDENTE. CORREÇÃO INDEVIDA. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA DO ESTADO EM RECONHECER CRÉDITOS EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. SITUAÇÃO DIVERSA. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. EMBARGOS ACOLHIDOS PARCIALMENTE. I Discussão sobre definição do índice de correção monetária, período de incidência e fixação do valor devido. Questões infraconstitucionais ou que dependem da análise de provas. II Correção monetária. Créditos escriturais excedentes. Questão constitucional. Correção monetária indevida. Benefício fiscal que só pode ser concedido pelo Poder Legislativo. Inexistência de ofensa aos postulados da não cumulatividade e da isonomia. III Correção monetária. Créditos escriturais não utilizados no tempo devido por ilegítima resistência do Estado. Questão constitucional diversa do item anterior. Correção monetária devida durante o período de oposição do Estado. IV Entendimentos aplicáveis ao ICMS e ao IPI. V Embargos de declaração acolhidos parcialmente para, mantendo a parte dispositiva do acórdão, sanar os vícios alegados” (RE 411.861AgRED, Rel. Min. Ricardo Lewsandowski, Primeira Turma, Dje 25.6.2010, grifos nossos) . “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA DO ESTADO. INCIDÊNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. Incide correção monetária no período em que se reconheceu ilegítima a resistência do Estado em possibilitar o aproveitamento dos créditos mencionados. Precedentes. Agravo regimental improvido” (AI 783.603AgR, Rel. Min. Eros Grau, Segunda Turma, Dje 14.5.2010, grifos nossos). 5. Nada há a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal).” (destaques no original) É certo que se poderia indagar acerca da validade deste julgado para os fins do art. 62A, haja vista que não se trata de decisão plenária, como exige o preceptivo, todavia, a mesma percepção é compartilhada pelo Superior Tribunal de Justiça que, através do REsp 1.035.847, julgado em 25/11/2009 sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, com trânsito em julgado em 10/03/2010, assim se manifestou: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Aliás, neste mesmo sentido o próprio Resp 993.164/MG adrede referido. Em conclusão, na esteira dos argumentos estampados e da jurisprudência colacionada, deve ser admitida a atualização do valor a ser ressarcido pela taxa selic, não porém a partir da apuração, pois até então a Fazenda Nacional não estaria em mora, por assim dizer, mas sim, como marco inicial, o protocolo do pedido administrativo, pois desde então poderseia configurar o obstáculo no reconhecimento do direito, seja pela oposição de ato estatal, seja pela inação em prontamente examinar o pleito, até a data da utilização por compensação ou, no caso de ressarcimento em espécie, até a sua efetivação. Com estas considerações, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 903DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13951.000108/200275 Acórdão n.º 340301.618 S3C4T3 Fl. 5 9 Fl. 904DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002193/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.193
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10925.002193/2009-10
conteudo_id_s : 6469705
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3302-000.193
nome_arquivo_s : 330200193_10925002193200910_201203.pdf
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 10925002193200910_6469705.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4863894
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806776320000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 973 1 972 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.002193/200910 Recurso nº s/n Resolução nº 330200.193 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente LACTICÍNIOS TIROL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 RELATÓRIO Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 817 a 872 (eProcesso)) apresentado em 25 de abril de 2011 contra o Acórdão no 0723.331, de 25 de fevereiro de 2011, da 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 795 a 813), cientificado em 28 de março de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de PIS dos períodos de 2º trimestre de 2008, considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2008 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ANÁLISE DO CRÉDITO. A utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins, apurados na sistemática da nãocumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do DACON, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo DACON. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ANOCALENDÁRIO: 2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois Fl. 974DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.002193/200910 Resolução n.º 330200.193 S3C3T2 Fl. 974 3 de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete, em interpretação literal da legislação, somente dará direito a crédito o frete contratado relacionado a uma “operação de venda”, não gerando crédito, portanto, o frete relacionado ao mero deslocamento dos produtos acabados do estabelecimento industrial até o estabelecimento distribuidor da empresa, onde, então, ocorrerá a efetiva venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente os que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As partes e peças adquiridas para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte A declaração de compensação foi transmitida em 24 de dezembro de 2008, e não homologada de acordo com o termo de fls. 14 a 32. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, não cumulativa, no valor de R$ 719.789,16, decorrentes de operações no mercado interno não tributadas, em razão de vendas efetuadas com alíquota zero, não incidência, isenção ou suspensão da contribuição, que remanesceram ao final do segundo trimestre de 2008, após as Fl. 975DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Termo de Verificação Fiscal Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisições de bens para revenda: foram excluídos os valores referentes às aquisições de insumos ou mercadorias sujeitas à alíquota zero, os quais não dão direito a crédito, como: adubos, sementes, semens, defensivos agropecuários (TIPI 38.08), produtos químicos orgânicos (Cap. 29 da TIPI), vacinas, entre outros; (b) aquisições de bens não enquadrados como insumos: foram excluídos os valores das notas fiscais de aquisição de materiais não enquadrados como insumos, mas correspondentes a despesas gerais, necessárias as operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à Cofins. Conforme o relato fiscal os materiais são: a) Material de Embalagens e Etiquetas: caixas de papelão, filme stretch, bobina lisa encolhível, entre outros. Em diligência a empresa, no dia 17 de dezembro de 2009, verificouse que as embalagens apresentadas como cx""s, filmes e etc são utilizadas no acondicionamento pa¬ra transportes das mercadorias; b) Aquisição de produtos com alíquotas zero: Citrato de sódio, nisina, lenha e produtos químicos; c) Peças em geral: Adaptador, adesivo, bucha, broca, correia, cotovelo, disjuntor, joelho, lâmpada, mangueiras, parafuso, pilha, porta, retentor, rolamentos, e etc; d) Material de Construção: Cimento, brita, tijolo, areia, arame, tinta acrílica, ferragem, e etc; e) Conservação e limpeza: Acido nítrico, soda liquida, detergente, e etc; f) Outros itens: boné, avental, botas, luvas, cadeado, grama, desratização e etc; (c) aquisições de serviços não enquadrados como insumos – valores excluídos da “Linha 03 Serviços utilizados como insumos”: dos serviços listados no Anexo III, foram excluídos os valores referentes a vários serviços descritos que não se agregam ao produto; na sua maioria são serviços gerais como: manutenção das instalações da industria, desratização, entre outros. Também foram glosados os valores constantes na memória de cálculo apresentada pela empresa referente a vários fretes que não podem ser classificados como insumos que geram crédito; foram glosados os valores referentes a fretes na aquisição de insumos, fretes na venda de mercadorias, frete entre estabeleci¬mentos da empresa Lacticínios Tirol (coleta/produção e produção/venda) e o frete entre a empresa de armazenagem (queijo) e a volta do produto a empresa; Fl. 976DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.002193/200910 Resolução n.º 330200.193 S3C3T2 Fl. 975 5 (d) frete na operação de venda – valores excluídos da “Linha 07 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda”: relata a Autoridade Fiscal que a memória de cálculo apresentada pela requerente não contemplam as informações solicitadas por meio da Intimação Saort; não foi informado o campo número da Nota Fiscal de Saída, emitida pela Lacticínios Tirol, referente a cada frete na operação de venda. Conclui que, em face disto, restou totalmente prejudicada a análise do direito de crédito sobre as despesas com o frete na operação de vendas, devido a impossibilidade de correlação entre a nota fiscal de venda e o seu respectivo frete de venda. Relata, ainda, que foi solicitado por amostragem algumas notas fiscais que compõem o referido frete na operação de vendas e que dentre as cópias apresentadas, verificamse notas fiscais de frete na aquisição de insumos, frete na venda de mercadorias e frete entre estabelecimentos da empresa Lacticínios Tirol; acrescenta que não há previsão legal para o creditamento em relação aos valores de fretes entre estabelecimentos da empresa. (f) depreciação de bens do Ativo Imobilizado: foram glosados valores referentes a encargos de depreciação/amortização sobre bens adquiridos anteriormente a 01/05/2004, correção monetária do imobilizado, aquisição de bens usados, veículos de transportes, veículos da administração, e máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda; outro motivo de glosa, diz respeito a não apresentação de cópias de documentos referentes a alguns bens informados, solicitados por meio de Intimação Saort. Além das glosas acima a Autoridade Fiscal realizou ajuste nos valores referentes ao crédito presumido – Atividade agroindustrial. Em relação a tal ajuste relata que os valores creditados referentes às aquisições no período foram alocados indevidamente no campo do Mercado Interno Não Tributado, o que geraria o direito de ressarcimento do referido montante, entretanto conforme a literalidade do art. 8º da lei 10.925/2004, o mesmo só dá direito a deduções da própria contribuição, sendo assim o valor informado no campo referente ao Mercado Interno Não Tributado foi zerado e trans¬ferido para o Mercado Interno Tributado. Manifestação de inconformidade 1. A contribuinte, inicialmente, alega ilegalidade das glosas procedidas pela Autoridade Fiscal em face da ofensa ao Princípio da Não Cumulatividade, “termo utilizado pelo § 12, do art. 195 da CF/88”. Nesse sentido, argumenta que, como a contribuição para o PIS e a Cofins, a teor das leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, incidem sobre “o total das receitas auferidas pela pessoa Jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, seus respectivos créditos também devem ser calculados sobre os custos e despesas gerais necessários à obtenção das receitas e não somente sobre insumos e bens adquiridos para revenda, sob pena de tornar tais contribuições cumulativas, ainda que em parte, numa “clara infração ao art. 111 do CTN”. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 2. Quanto à glosa dos valores relativos a bens adquiridos para revenda, os quais se submetem à tributação pela alíquota zero dessa contribuição, informa que o desconto de créditos se deu por equívoco, motivo pelo qual não se opõe à glosa destes valores. Todavia, diz que, da mesma forma, cometeu equívoco quando da revenda destes produtos, incluindoos na base de cálculo do débito das contribuições. Assim, argumenta que “seria ilógico admitirse a glosa dos créditos na aquisição sem que fosse efetuado o respectivo ajuste na base de cálculo dos débitos, motivo pelo qual deve ser revista a decisão atacada neste ponto”. 3. Contesta as glosas dos valores referentes aos bens e serviços utilizados como insumos argumentando que os dispositivos legais que tratam da possibilidade de desconto de créditos referemse a insumos em sentido amplo, sem quaisquer restrições. Bens utilizados como insumos 4. Segue contestando as glosas dos valores referentes a aquisição de embalagens para transporte dizendo que “Os itens glosados pela fiscalização (caixas de papelão, bobinas lisas termo encolhível, rótulos, entre outros)” aplicados ao final do processo de industrialização consistem de embalagens de apresentação, não podendo ser considerados como embalagens utilizadas apenas para o transporte. Explica que o processo de acondicionamento ao qual o leite e seus produtos derivados são submetidos possui o objetivo de promover o produto através de sua apurada apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade. A fim de demonstrar o que defende traz fotos das referidas embalagens. Em que pese esta alegação, argumenta ainda: que as embalagens, mesmo que possam ser consideradas como utilizadas apenas para transporte de produtos industrializados são insumos consumidos na fase final da industrialização (acondicionamento), ou seja, utilizados na linha de produção; que tais embalagens não são passíveis de reutilização, e oneram o custo final do produto, da mesma forma que a matériaprima; que a legislação que trata da contribuição para o PIS e da Cofins não faz distinção entre as “embalagens de apresentação” e as “embalagens para transporte”, não cabendo, portanto, à fiscalização desconsiderar as disposições normativas, impondo restrições ao desconto de créditos sobre as aquisições de embalagens destinadas ao transporte, quando a lei não o fez; que a distinção entre embalagem de apresentação e para transporte, estabelecida no caput do art. 6º Regulamento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002, é válida somente “Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto” e não pode ser transposta para o âmbito da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins. 5. A interessada contesta a glosa dos valores de aquisição de citrato de sódio e de nisina defendendo que tais produtos, enquanto “estabilizante de proteína utilizado nos produtos UHT e também no doce de leite” e “conservante utilizado em requeijão”, são produtos utilizados como insumo na elaboração e ou beneficiamento de laticínios. Segue argumentando que a lenha, que, informa, ser utilizada como fonte de combustível para alimentação de caldeiras utilizadas no seu processo industrial, também consiste de insumo para efeito de cálculo de créditos relativos à contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.002193/200910 Resolução n.º 330200.193 S3C3T2 Fl. 976 7 Argumenta, ainda, que a Autoridade Fiscal classifica tais produtos como tributados à alíquota zero, contudo, sem indicar o dispositivo legal em que se baseia. Em relação ao citrato de sódio e à nisina, aduz que tais produtos, que embora estejam classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, não se sujeitam à alíquota zero prevista no Decreto n° 5.821 /2006, pois não encontramse relacionados nos Anexos I e II do referido diploma legal. Lista no Doc. 08 todas as aquisições destes produtos em relação às quais pugna pelo reconhecimento do direito de crédito. 6. Quanto à glosa de valores relativos às aquisições de peças em geral – os quais lista como “(adaptador, adesivo, bucha, broca, correia, cotovelo, disjuntor, joelho, lâmpada, mangueiras, parafuso, pilha, porta, retentor, rolamentos, etc)” , sob o argumento de que tais bens não se enquadram no conceito de insumos, inicialmente a contribuinte alega que a Autoridade Fiscal “não aponta com exatidão todos os bens glosados sob este fundamento e sequer quantifica o montante dos créditos glosados, prejudicando o direito de defesa do Contribuinte”. A seguir diz que, não obstante, pode constatar que foram glosadas da base de cálculo dos créditos valores decorrentes da aquisição de materiais de manutenção de máquinas e equipamentos de sua linha de produção, conforme lista em planilha que traz em anexo – Doc. 10. Segue, então, argumentando que referidos materiais destinamse à manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de laticínios, com o objetivo de garantir que a sua linha de produção opere com o nível de desempenho desejado, proporcionando, ao final, produtos de qualidade. Acrescenta que a possibilidade de desconto de créditos sobre os materiais de manutenção está amparada pelo art. 3º, inciso II da Lei n° 10.833/2003 e pelo art. 8º, § 4º, inciso I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF n° 404/2004 e menciona a Solução de Consulta n° 27, de 02 de dezembro de 2008, da DISIT 03 e a Solução de Consulta n° 30, de 26 de janeiro de 2010, da DISIT 09. 7. Contesta a glosa dos valores com aquisição de combustível e lubrificantes alegando que dentre os valores glosados constam aquisições de óleo diesel, óleo de xisto e de gás ultrasystem, que são insumos adquiridos em grandes quantidades (a granel) para consumo no processo de fabricação de laticínios. Demonstra, por meio do quadro abaixo transcrito, a função exercida por estes produtos no processo produtivo, vejase: PRODUTO DESCRIÇÃO / APLICAÇÃO Óleo diesel Utilizado como combustível dos geradores de energia que são acionados quando ocorre a queda/falta de energia, nos horários de pico e consumo de ponta, bem como quando o consumo atinge a demanda contratada, substituindo a energia elétrica adquirida das concessionárias usuais (CELESC). Utilizado, também, como combustível nas caldeiras destinadas à geração de vapor de água, o qual, por sua vez é empregado para elevação da temperatura do leite e seus derivados em diversas fases do processo produtivo. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Óleo de Xisto Utilizado como combustível nas caldeiras destinadas a geração de vapor de água, o qual, por sua vez, é empregado para a elevação da temperatura do elite e seus derivados em diversas fases do processo produtivo. Gás Ultrasystem Utilizado como combustível das empilhadeiras, que por sua vez são utilizadas em diversos setores de seu parque fabril (tais como: produção, expedição e almoxarifado). Menciona que além dos produtos acima referidos, houve a glosa indevida sobre as aquisições de óleos e lubrificantes, que por serem utilizados em máquinas e equipamentos da produção, consistem de “insumos essenciais à movimentação de máquinas e equipamentos e, consequentemente, ao adequado funcionamento e operação do seu parque fabril”. A Recorrente junta em anexo planilha demonstrativa das aquisições de combustíveis e lubrificantes (Doc. 12) e, também, cópia das notas fiscais (Doc. 13), por amostragem. Conclui que a utilização dos produtos acima demonstra sua finalidade e sua condição de insumo, o que lhe garante o direito ao desconto de créditos de suas aquisições, como determina a Lei n° 10.833/2003, art. 3º, II. Argumenta que não há na lei qualquer vedação restringindo o desconto dos créditos da contribuição sobre as aquisições de insumos de combustíveis e lubrificantes. E, no caso específico do óleo diesel, utilizado em substituição à energia elétrica adquirida das concessionárias usuais, defende que, mesmo que seja considerado como despesa, deve integrar a base de cálculo dos créditos em face do disposto no art. 3º, inciso III da Lei n° 10.833/2003, que prevê que “... a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:... III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei n° 11.488. de 2007)”. 8. A contribuinte contesta ainda a glosa de aquisições de outros insumos os quais lista em sua Manifestação de Inconformidade e no Doc 14, a esta anexado. Alega que, ao contrário do que afirma a Autoridade Administrativa, os produtos listados configuramse como insumos aplicados na fabricação de laticínios, portanto, próprios das indústrias de laticínios, eis que se agregam ao produto final fabricado. Serviços utilizados como insumos 10. No tópico de sua Manifestação de Inconformidade em que trata dos serviços utilizados como insumo, a interessada, inicialmente, defende que dentre os valores glosados que constam do Anexo III do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal existem serviços que são utilizados como insumo, tais como “manutenção industrial (da caldeira, centrífuga de leite, empilhadeiras, etc), resfriamento do leite, dentre outros utilizados no processo produtivo”. Quanto aos serviços gerais, argumenta: que não há como se negar o caráter de “insumo” dos serviços utilizados, eis que são serviços intrínsecos à sua atividade, utilizados em seu processo produtivo; que não há dúvidas que constituem custo de aquisição de insumos, aumentando o custo de produção e contribuindo para a formação do preço do produto e, consequentemente, da receita; que a contribuição incidiu na prestação desse serviço à Recorrente, restando que a Fl. 980DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.002193/200910 Resolução n.º 330200.193 S3C3T2 Fl. 977 9 vedação ao respectivo crédito consistiria em ofensa ao princípio da nãocumulatividade; que o legislador não vedou o direito ao desconto de créditos da contribuição sobre os serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda; que não pode a fiscalização desconsiderar as disposições legais e normativas, impondo restrições ao desconto de créditos sobre as aquisições de serviços utilizados como insumos, quando a lei não o fez. Em relação aos custos com serviços de frete diz: que os custos com fretes na aquisição de insumos devem ser “informados na base de cálculo dos bens utilizados como insumo”; que os fretes de transferências de matériaprima entre os estabelecimentos da própria empresa (pontos de coleta do leite e a indústria), “caracterizamse como insumos do processo produtivo”; que os fretes entre a indústria (produção) e os pontos de venda integram a operação de venda. Defende, então, que o direito ao aproveitamento dos créditos decorrentes dos custos com esses fretes, além dos custos com frete na operação de venda, encontrase assegurado por lei e que, portanto, a inclusão de tais valores na linha do Dacon própria para informar serviços utilizados como insumos tratase de mero equívoco, o qual não pode obstar a manutenção dos créditos a que tem direito. Os demais argumentos em defesa dos serviços de frete excluídos da linha 03 do Dacon não serão aqui minudentemente relatoriados, em face daquilo que se declarará no voto deste acórdão. Serviços de frete na operação de venda 11. Em relação aos fretes nas operações de venda, alega que, conforme consta do termo fiscal, em atendimento a Intimação SAORT, apresentou cópia de notas fiscais, o que é reconhecido pela própria Autoridade, comprovando as aquisições dos serviços de fretes. Conclui, então, que a Autoridade Fiscal, apesar de reconhecer a existência das mencionadas notas fiscais, promoveu a glosa do valor informado a título de frete nas operações de venda, desconsiderando, inclusive, os valores das notas fiscais que já se encontravam anexadas ao presente processo. Aqui novamente, defende que o direito ao aproveitamento de créditos sobre os valores dos fretes na aquisição de insumos, fretes de transferências de matériaprima entre os estabelecimentos da própria empresa (pontos de coleta do leite e a indústria) está assegurado em lei e argumenta que a inclusão indevida de tais valores na linha do Dacon própria para informar fretes na venda tratase de mero equívoco, que não pode obstar a manutenção dos créditos a que tem direito. Os demais argumentos em defesa dos serviços de frete excluídos da linha 07 do Dacon não serão aqui minudentemente relatoriados, em face daquilo que se declarará no voto deste acórdão. Já em defesa do direito ao aproveitamento de créditos sobre os valores dos fretes entre a indústria (produção) e os pontos de venda, cabe relatar que a contribuinte alega que os custos com tais fretes consistem de despesas de venda, pois a operação é realizada com esse propósito (de venda) e que o ônus é por ela suportado. Aduz que a despesa de frete na venda pode ocorrer de forma direta, quando os produtos vendidos são remetidos diretamente para o estabelecimento do Fl. 981DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 10 adquirente, ou de forma indireta, como é o caso, quando os produtos são remetidos do estabelecimento produtor para os pontos de venda. E diz que “O envio do produto final para os ponto de venda é uma etapa essencial à sua comercialização, sem o qual não seria possível fornecê los às mais diversas e longínquas regiões do país”. Encargos de Depreciação 12. Em relação à glosa dos encargos de depreciação, inicialmente, a interessada diz que não pretende discutir a glosa dos bens adquiridos anteriormente a 01/05/2004, dos bens usados, dos veículos da administração, da correção monetária do imobilizado e outros bens, por concordar que não são utilizados em sua linha de produção. No entanto, entende indevida a glosa relativa a uma parcela dos bens que, conforme alega, além de serem utilizados no processo produtivo, são indispensáveis ao mesmo, conforme é possível constatar da descrição de sua aplicação/destinação constante da planilha (Doc. 16) e das respectivas imagens que anexou ao presente processo (Doc. 17). Defende que, de acordo com o parecer normativo nº 7, de 23 de julho de 1992, da Coordenação do Sistema de Tributação – CST definiu quando uma máquina ou equipamento é utilizado no processo industrial, para fins de fruição de benefícios fiscais na esfera do imposto de renda e IPI , consideramse utilizados na produção as máquinas e os equipamentos ""empregados na produção industrial, em contraposição aos de utilização comercial ou de uso doméstico"". Conclui, então, que como os bens indicados são máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda (e não para fins comerciais ou domésticos), e foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, dão direito a crédito, já que preenchem todos os requisitos legais a sua concessão. Diante disso, defende que não pode a Autoridade Fiscal, “sem qualquer amparo técnico, glosar os créditos sob a singela alegação de que os equipamentos e máquinas apresentadas pela Recorrente nos pedidos administrativos não são utilizados na produção de seus bens destinados à venda”. Requer que seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade e reformado o Despacho Decisório. No recurso, a Interessada inicialmente esclareceu as glosas que foram mantidas pela Primeira Instância: Bens utilizados como insumos: embalagens de apresentação, embalagens de transporte, materiais de reposição (pelas em geral), combustíveis e lubrificantes e outros insumos. Serviços utilizados como insumos: fretes e serviços. Despesas de armazenagem e frete na operação de venda: fretes. Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Preliminarmente, alegou que a desconsideração dos documentos apresentados ofenderia os princípios da verdade material e da ampla defesa. Em relação às embalagens de apresentação, alegou que o acórdão teria posto “em dúvida a existência efetiva das aquisições de embalagem de apresentação, fato até então inquestionável”. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.002193/200910 Resolução n.º 330200.193 S3C3T2 Fl. 978 11 A seguir, apresentou considerações sobre o princípio da verdade material e tratou do princípio da não cumulatividade e do conceito de insumo, tratando, na sequência, do direito de crédito em relação às embalagens de transporte, às embalagens de apresentação consideradas como de transporte, peças em geral (material de reposição adquiridos para máquinas de envase, equipamentos de processamento e máquinas centrífugas), combustíveis e lubrificantes, outros produtos (amônia para geração de frio e usada na refrigeração), serviços gerais, serviços de frete (fretes na aquisição de insumos, entre postos de coleta e produção, na venda, entre a produção e os pontos de venda), despesas de armazenagem e frete nas operações de venda e encargos de depreciação de bens do ativo permanente. Em alguns processos, houve glosa de material de limpeza e conservação, tendo a Interessada contestado as glosas. Por fim, abordou a tributação indevida de revendas de produtos de alíquota zero, que representariam erro na apuração da base de cálculo. É o relatório. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 12 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, devese esclarecer que as considerações efetuadas abaixo representam o entendimento particular do relator e não o entendimento consolidado da Turma, nem dos conselheiros que a compõem. Conforme dispõe o Regimento Interno do Carf, as considerações efetuadas em resolução devem ser objeto de nova deliberação no julgamento do recurso e, por tais motivos, na requisição da diligência, deve ser considerada a exigência de esclarecimentos de todos os Conselheiros, de forma a possibilitar o julgamento de todas as matérias que constam do recurso. Nesse contexto, há que se observar, inicialmente, que as leis que tratam de PIS e Cofins não cumulativos trazem diversas exclusões específicas e, genericamente, no art. 3º, II, tratam dos insumos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Referido dispositivo referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. De outro, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. A condição, expressamente ditada pelo texto legal, é de que o bem ou serviço seja insumo, mas não qualquer insumo, uma vez que o dispositivo especifica claramente que deva ser utilizado na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Em outras palavras, há uma diferença conceitual entre insumo de produção e insumo utilizado na produção, uma vez que o termo “produção” adquire significados diversos Fl. 984DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.002193/200910 Resolução n.º 330200.193 S3C3T2 Fl. 979 13 em cada expressão. Insumo de produção é insumo utilizado “para produzir”, enquanto que “insumo utilizado na produção” é insumo empregado no processo de produção. Tal disposição, singela e bastante clara, restringe drasticamente as pretensões de interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado dispositivo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Em segundo lugar, os insumos precisam ser utilizados na produção, vale dizer, devem fazer parte do processo produtivo. Em relação às ofensas ao princípio da nãocumulatividade, há que se esclarecer que, no caso de PIS e Cofins, tratavase de contribuições essencialmente cumulativas no âmbito constitucional. Quando criadas, houve um aumento de alíquotas, mas a nãocumulatividade não era a prevista na constituição em relação ao IPI e ICMS, nem a relativa a novos tributos da competência residual da União. Tratase de uma nãocumulatividade prevista em lei e, dessa forma, não sofre limitações constitucionais quanto às restritas hipóteses de creditamento. O § 12 do art. 195 da Constituição Federal, criado pela Emenda Constitucional n. 42, de 2003, explicitou a possibilidade de a lei manter as duas formas de exigência das contribuições (cumulativa e não cumulativa), definindo os setores de atividade econômica sujeitos à não cumulatividade, mas as regras da não cumulatividade já estavam determinadas nas leis. Em relação aos bens adquiridos para revenda sujeitos a alíquota zero, objetos de creditamento indevido pela Interessada, o acórdão de primeira instância considerou não ser possível acolher a alegação de que também teriam sido incluídos na apuração dos débitos os valores da contribuição devidos nas saídas, por se tratar de direito de crédito e não de apuração de débito. Entretanto, na realidade, não se trata de apuração de créditos das contribuições pura e simplesmente, mas de crédito assim entendido o saldo credor apurado no trimestre, decorrente do confronto entre créditos e débitos da contribuição. Nesse contexto, por óbvio, a inclusão indevida de débitos na apuração do saldo implica a redução do saldo credor e, por conseguinte, a do direito de crédito. Portanto, se de um lado é devida a glosa dos créditos nas entradas de tais produtos, também devem ser estornados os débitos lançados nos períodos, de forma que se apure o saldo credor efetivo. Quanto ao material de embalagem, a discussão é ampla, abrangendo o direito de crédito sobre embalagem de transporte e erro na apuração da glosa por inclusão de embalagens de apresentação. A primeira questão é jurídica e a segunda é matéria de fato. Os custos embalagem de apresentação geram direito de crédito no âmbito do IPI, sendo irretorquivelmente considerados insumos utilizados na produção. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 14 Entretanto, a Fiscalização atestou que, “Em diligência a empresa, no dia 17 de dezembro de 2009, verificouse que as embalagens apresentadas como caixas de papelão, filme stretch, bobina lisa encolhível, entre outros, são utilizadas exclusivamente para o transporte das mercadorias”. O acórdão de primeira instância não discorda da possibilidade de creditamento do material de embalagem em relação a PIS e Cofins, mas condiciona, segundo entendimento oficial, que tal material de embalagem sofra “alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado”. Tal restrição, típica da legislação do IPI, nem lá se aplica às embalagens, pois é regra aplicável, na verdade, ao que se considerariam produtos intermediários. No caso de embalagens de apresentação, que se incorporam ao produto fabricado, não há dúvida de que se trata de insumos utilizados na produção, pois o produto somente pode ser considerado completamente produzido depois de embalado. No caso das embalagens de transporte, tratase de custos de transporte e não de custo de produção, representando custo pósprodução, que não geram, conforme já esclarecido anteriormente, créditos. Quanto à questão específica do erro na classificação de embalagens de apresentação como embalagens de transporte, a primeira instância considerou que “As imagens mostram embalagens que comportam quantidades superiores às usualmente vendidas no varejo e não contêm indicações promocionais destinadas à valorização do produto consistem de, em sua maioria de caixas de papelão pardo ou branco sem qualquer acabamento especial ou rotulagem de função promocional e que objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional.” Entretanto, reconheceu que parte das embalagens constantes das imagens apresentadas poderiam ser classificadas como de apresentação, mas não poderiam ser admitidas por falta de prova. Nesse caso, cabe realização de diligência para que a Interessada possa efetivamente demonstrar tratarse de embalagens de apresentação. Quanto às peças “em geral”, que se referem a “adaptador, adesivo, bucha, broca, correia, cotovelo, disjuntor, joelho, lâmpada, mangueiras, parafuso, pilha, porta, retentor, rolamentos etc.”, a Primeira Instância demonstrou que não houve inexatidão na fundamentação, restando esclarecido que se trata de material de “manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de laticínios, com o objetivo de garantir que a sua linha de produção opere com o nível de desempenho desejado, proporcionando, ao final, produtos de qualidade”. Muito embora o acórdão tenha novamente adotado o conceito de produto intermediário da legislação do IPI, tais despesas e custos referemse a manutenção e reposição de peças para manutenção. Portanto, não se trata de despesas e custos diretamente relacionados à produção ou que diretamente se incorporam ao custo e despesa do produto. Não se trata de insumo de produção, não se enquadrando no conceito descrito no início do presente voto. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.002193/200910 Resolução n.º 330200.193 S3C3T2 Fl. 980 15 Entretanto, à vista de não ser tal posição de consenso, é preciso que se discrimine quais dessas partes e peças são empregadas em manutenção da produção e quais se referem a máquinas e equipamentos que não se encontram na produção da empresa. Em relação aos combustíveis e lubrificantes, a Primeira Instância concluiu o caber razão à Interessada, exceto em relação ao gás Ultrasystem, tendo considerado que, “enquanto consumido para movimentação das empilhadeiras e não em máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo, não se incorporam ao bem produzido.” Vale lembrar que, no julgamento do recurso n. 159.548, de que foi relator o Conselheiro Walber José da Silva, a Turma decidiu o seguinte: COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins nãocumulativos. Em seu voto, o relator esclareceu o seguinte: No caso concreto, não vejo como negar o crédito sobre o gás (GLP) usado em empilhadeira e o lubrificante para máquinas porque estes equipamentos (máquinas e empilhadeira) são usados no processo de produção de artefatos de madeira. Poderseia questionar que a empilhadeira não é equipamento usado na fabricação de artefatos de madeira. No entanto, pelo que disse a recorrente, no que concordo, este equipamento é usado para a movimentação de matériaprima dentro da empresa, indispensável e integrante do processo produtivo. O fato de também ser usada para movimentar produtos acabados, ao meu ver, não excluir o direito ao crédito. Quanto ao lubrificante, não houve glosa neste período. Se houvesse, teria a recorrente direito ao crédito porque o mesmo é usado na manutenção de máquinas deve ter o mesmo tratamento das peças de reposição que, inquestionavelmente, geram direito a crédito. É caso semelhante ao dos presentes autos, em que as empilhadeiras são utilizadas nas etapas de manipulação do produto dentro da linha de produção, constituindose, assim, insumo de produção. Cabe, aqui, realização diligência para verificar o uso de tais produtos. Em relação aos demais produtos, a Primeira Instância considerou parte deles como insumos utilizados na produção, discordando do reconhecimento daqueles que não se agregariam aos produtos fabricados. Tratase da amônia para geração de frio e usada na refrigeração, em relação ao que a Primeira Instância novamente considerou não ter havido prova de seu uso no processo produtivo. Necessário, portanto, realizar diligência para verificar onde a amônia é utilizada. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 16 Quanto aos serviços gerais, a questão também é de prova, como ressaltou a Primeira Instância: A interessada, defende que dentre os valores glosados que constam do Anexo III existem serviços que são utilizados como insumo, tais como “manutenção industrial (de empilhadeira, de equipamentos de queijaria, de caldeira, do setor de produtos UHT, etc), resfriamento do leite, reforma do equipamento queijomatic, dentre outros, utilizados no processo produtivo”. E passa a defender o direito ao desconto de créditos da contribuição sobre os serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. De início, digase que não se discute que consistem de insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Todavia, a interessada, como se viu, não indicou todos os serviços que constam do Anexo III que entende aplicados diretamente a seu processo produtivo e, de outro turno não laborou, nem mesmo em relação aos serviços que cita, no sentido de explicar do que consistiriam e em que fase ou setor de seu processo produtivo estes se aplicariam, razão pela qual resta prejudicada a análise do crédito pretendido em razão de ser impossível aferir a natureza destes serviços. Portanto, não havendo como concluir que os serviços sejam aplicados diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda, estes não podem ser tidos como insumo, a teor do conceito de insumo que já se firmou no item 1.2 deste voto. Nesse caso, também é preciso realizar diligência, para demonstrar se os serviços sejam aplicados diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda. No tocante aos serviços de frete, tratase de transferências de matériaprima entre os estabelecimentos da própria empresa (pontos de coleta do leite e a indústria). Portanto, tratase de questão de direito, a ser examinada no julgamento do recurso. Em relação aos fretes nas operações de venda, a análise do direito restou prejudicada em função do não fornecimento dos números das notas fiscais pela Interessada. A análise por amostragem demonstrou haver frete na aquisição de insumos e entre estabelecimentos da empresa. Nessa matéria, seria preciso que a Interessada efetuasse demonstrativo, informando cada uma das modalidades de frete (vendas, aquisição e entre estabelecimentos), razão pela qual deverá ser objeto de diligência, especialmente para que a Interessada tenha a oportunidade de provar a existência de fretes em operações de vendas. Quanto aos encargos de depreciação, como previsto expressamente na Lei nº 11.196, de 2005, somente as máquinas, equipamentos e outros bens “adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviço” é que geram créditos de depreciação. Anteriormente à referida lei, não havia previsão legal para creditamento. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.002193/200910 Resolução n.º 330200.193 S3C3T2 Fl. 981 17 A Interessada, entretanto, requereu a manutenção dos créditos, relativamente à depreciação de “edificações e benfeitorias” nos termos do art. 3º, VII, da Lei n. 10.833, de 2003. Alega tratarse de aquisição de mãodeobra e bens utilizados no processo produtivo. A Primeira Instância relatou que a Lei n. 10.865, de 2004, restringiu o direito de crédito, ficando condicionados ao seguinte: “(a) os bens incorporados ao ativo imobilizado devem ser aqueles envolvidos diretamente com o processo produtivo; “(b) para períodos de apuração até julho de 2004, os bens do ativo imobilizado geram créditos, independentemente das datas de suas aquisições; “(c) para períodos de apuração a partir de agosto de 2004, os bens do ativo imobilizado geram créditos, desde que adquiridos a partir de 1º de maio de 2004.” Nesse contexto e considerando as provas juntadas aos autos, a Primeira Instância admitiu o creditamento em alguns casos. Entretanto, considerou que o fato de não informar, nos demais casos, os valores na linha 11 da Dacon, “temse que o equívoco de inserir custos com depreciação de edificações em linha imprópria do Dacon prejudica totalmente o reconhecimento, em sede de análise de Manifestação de Inconformidade, de eventuais créditos a que tenha direito a esse título.” Não se pode concordar com tal requisito, uma vez que o erro não prejudica a análise, embora a torne mais trabalhosa. De toda forma, cabe à Interessada demonstrar a composição e origem dos valores, devendo prestar os devidos esclarecimentos na diligência a ser realizada. Finalmente, em relação ao crédito presumido na aquisição de leite “in natura” (processo 2189), a Interessada poderá apresentar as notas fiscais que demonstrem o direito alegado. À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Fiscalização intime a Interessada a comprovar ou demonstrar as questões expressamente suscitadas anteriormente sublinhadas no texto do voto. Após, a Fiscalização deverá lavrar termo de conclusão, do qual dará ciência à Interessada para apresentar resposta no prazo de trinta dias, seguindo as disposições do Decreto n. 7.574, de 2011. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 989DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000612/2003-18
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999
PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO.
Aplica-se à cooperativa de crédito a legislação da contribuição para o PIS relativa às instituições financeiras.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE SUSPÉNSÃO DE EXIGIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A multa de ofício somente pode ser excluída do lançamento na hipótese de haver suspensão de exigibilidade à época da ação fiscal.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 201-81238
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200807
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. Aplica-se à cooperativa de crédito a legislação da contribuição para o PIS relativa às instituições financeiras. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999 MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE SUSPÉNSÃO DE EXIGIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A multa de ofício somente pode ser excluída do lançamento na hipótese de haver suspensão de exigibilidade à época da ação fiscal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 19740.000612/2003-18
anomes_publicacao_s : 200807
conteudo_id_s : 4107488
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 201-81238
nome_arquivo_s : 20181238_139587_19740000612200318_011.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça
nome_arquivo_pdf_s : 19740000612200318_4107488.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2008
id : 4839711
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:07:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045806782611456
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-05T14:56:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-05T14:56:56Z; Last-Modified: 2009-08-05T14:56:56Z; dcterms:modified: 2009-08-05T14:56:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-05T14:56:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-05T14:56:56Z; meta:save-date: 2009-08-05T14:56:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-05T14:56:56Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-05T14:56:56Z; created: 2009-08-05T14:56:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2009-08-05T14:56:56Z; pdf:charsPerPage: 1621; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-05T14:56:56Z | Conteúdo => •- • - - - - 9..6 f) .; _—_ CCO21C01 ns. 347 hiárew. Cc .t. Ma Sh :i A ' ..ï'i:njX SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1. PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 19740.000612/2003-18 Recurso n• 139.587 Voluntário MF-Seguntio Conselho de Cenvibuintes de ¡MIO Matéria PIS/Pasep dirri 04512‘Ofici1 Acórdão a° 201-81.238 autma. 2, • Sessão de 02 de julho de 2008 Recorrente COOPERATIVA DE CRÉDITO SUL DO ESPÍRITO SANTO - SICOOB SUL (atual denominação de Cooperativa de Crédito Rural Cachoeiro do Itapemirim - Sicoob Cachoeiro) Recorrida DRJ no Rio de Janeiro - RJ • ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. Aplica-se à cooperativa de crédito a legislação da contribuição para o PIS relativa às instituições financeiras. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999 MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A multa de oficio somente pode ser excluída do lançamento na hipótese de haver suspensão de exigibilidade à época da ação fiscal. • JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selia para títulos federais. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 3/4117tki _ - SF.9. 1 • r, ‘,17;:f2.2-214TES Processo n°19740.000612/2003-18 *.:‘ • • • • CCO2C01 Acórdão n.•201-81.238 691/4(0 Og • CO Fls. 348 M : • ;••l it 1 ACORDAM osMembros da PRIMElliA— CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça (Relator), Ivan Allegretti (Suplente), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral a advogada da recorrente, Dra. Letícia Fernandes de Barros, OAB-MG 79.562. Á • • e 0.0000tCe% . I s SE A MARIA COELHO MARQUES Presidente JO — T IP • FRANCISCO • Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva e Mauricio Taveira e Silva. 2 •• Processo n• 19740.00061212003-18 CCO2/C01 Acórdão n.• 201 -81.233 Fls. 349 ' • '4€0 14 02 PS, Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 276/298, vol. II) contra o v. Acórdão DRJ/RJOI n2 12-12.942, de 21/12/2006, constante de fls. 232/240 (vol. II), exarado pela 12 Turma da DRJ no Rio de Janeiro - RJ, que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar procedente o lançamento original de PIS (MPF n2 0716600/00124/03 - fls. 123/128, vol. I), notificado em 28/11/2003 (fl. 128), no valor total de R$ 11.277,89 (PIS: R$ 4.496,29; juros de mora: R$ 3.409,42; multa proporcional. R$ 3.372,18), que acusou a ora recorrente de falta de recolhimento do PIS em razão de diferenças apuradas no período de 28/02/99 a 31/10/99. Em razão desses fatos a d. Fiscalização considerou infringidos os arts. 3 2, §§ 22 e 32, da LC n2 7/70; 22 e 32 da Lei n2 9.718/98, com as alterações da MP n2 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da MP n2 1.858/99 e suas reedições, e ainda exigíveis a multa de 75%, capitulada no art. 44, inciso I, da Lei n2 9.430/96, e juros à taxa Selic, nos termos do art. 61, § 32, da Lei n2 9430/96. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. Decisão de fls. 232/240 (vol. II), exarada pela 12 Turma da DRJ no Rio de Janeiro - RJ, houve por bem julgar procedente o lançamento original de PIS, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: "ASSUNTO: COlVTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. • Aplica-se à cooperativa de crédito a legislação da contribuição para o PIS relativa às instituições financeiras. Lançamento Procedente". Em suas razões de recurso voluntário (fls. 276/298, vol. II) a ora recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1 2 instância na parte em que a manteve, tendo em vista: a) que a decisão recorrida afrontaria o disposto na Lei n 2 5.764/71, que se aplica a todo o seguimento cooperativista, independente das atividades praticadas; b) que as cooperativas de crédito, por norma do Conselho Monetário Nacional, não pode praticar atos de captação ou concessão de recursos, atos próprios, com terceiros, ou seja, pessoas não associadas, e que o Egrégio STJ tem mantido entendimento de que não incide o PIS sobre o ato cooperativo praticado pelas cooperativas, em matéria geral, seja qual for o tipo de atividade, posto que a Lei Cooperativista não as distingue, mas, sim, regulamenta; e c) a inexigibilidade da multa e dos juros à taxa Selic. É o Relatório. W"" • 3 _- - ' • Processo n• 19740.000612/200348 CCO2C01 Acórdão n.• 20141.238 Fls. 350 • ['',' • ; I .. 4 02 et Múmia er:st . . 3 Garcia 11.14 . , - Voto Vencido Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso voluntário (fls. 276/298, vol. II) reúne as condições de admissibilidade e merece ser provido para reformar a r. decisão ora recorrida. A matéria já se encontra pacificada na jurisprudência da l a Seção do Egrégio STJ, que já proclamou definitivamente a não incidência do PIS e da Cofins sobre atos cooperativos, ao judicioso entendimento de que, no caso de ato cooperativa, não existe lucro, receita ou faturamento aptos para servir de base irnponivel às referidas contribuições sociais, tal como se pode ver das seguintes e elucidativas ementa: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATOS COOPERATIVOS. 1. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.'s 357.950/4 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e n.° 346.084-6/PR, do Ministro limar Galvtio, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e á COFINS, promovida pelo § I°, do artigo 3°, da Lei n.° 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 2. Os atos normativos e exegese jurisprudencial descaracterizam as cooperativas de crédito como entidades bancárias assemelhadas, a saber: (Resolução 3.106/2003 BACEN, restringiu as atividades das cooperativas de crédito somente com cooperados, limitando-as à prática de atos cooperados; Circular BACEN 3.238)2004, que, ao estabelecer o Plano Contábil do Sistema Financeiro Nacional - COSIF, e aduzir à centralização financeira como sendo autêntico ato cooperativo, atesta, jurídico-contabilmente, a efetiva prática destes atos pelas cooperativas de crédito; Resolução 2.788/2000 CMN, que, ao permitir que somente as cooperativas centrais de crédito participem acionariamente de bancos, e como forma de viabilizar sua atividade, o que por si os diferencia; Parecer PGF7V/CPA I.088/99,que concluiu pelas diferenças estruturais e funcionais existentes entre as sociedades cooperativas de crédito e os bancos, obstando, assim, que aquelas atuassem como órgãos arrecadadores federais, posto não ostentarem natureza de agência ou posto bancário; RR 5.919/I988.2-SP, ReL Min. Ermes Pedro Pedrassani, DJU 25.08.1989; RR 214.732/1995.3-MG, élgict Rel. Min. Armando de Brito, DJU 16.05.1997). 401.... 4 _ mr: - A dr • • -r • 71T .RIBUI. N do '• • Processo e19740.000612/2003-18 CCO2/C01 • Acórdão n.° 201-81.238 X 0 6 (:)3_ F15.351 . ..;„a G4rcia v“t " 01 71d.: 3.Deveras, a er 5.764/71, mercê e posterior a o ercado de Capitais, é especial em relação à mesma. Art. 2°, ff 2°, da LICC. Lex generalis convive com a lex specialis. 4. No campo da exação tributária com relação às cooperativas, a fl aferição da incidência do tributo impõe distinguir os atos cooperativos através dos quais a entidade atinge os seus fins e os atos não cooperativos; estes extrapolantes das finalidades institucionais e geradores de tributação; difirentemente do que ocorre com os primeiros. Precedentes jurisprudenciais. 5.A cooperativa prestando serviços a seus associados, sem interesse negociai, ou fim lucrativo, goza de completa isenção, porquanto o fim da mesma não é obter lucro, mas, sim, servir aos associados. 6.Os atos cooperativos stricto sensu não estão sujeitos à incidência do PIS e da COFINS, porquanto o art. 79 da Lei 5.764/71 (Lei das Sociedades Cooperativas) dispõe que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 7.Não implicando o ato cooperativo em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, a revogação do inciso I, do art. 6°, da LC 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS sobre os atos cooperativos. O parágrafo única do art. 79, da Lei 5.764/71, não está revogado por ausência de qualquer antinomia 8.A Lei 5.764/71, ao regular a Política Nacional do Cooperativismo, e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, prescreve, em seu art. 79, que constituem 'atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais', ressalva, todavia, em seu art. 111, as operações descritas nos arts. 85, 86 e 88, do mesmo diploma, como aquelas atividades denominadas 'não cooperativas' que visam ao lucro. Dispõe a lei das cooperativas, ainda, que os resultados dessas operações com terceiros 'serão contabilizados em separado, de molde a permitir o cálculo para incidência de tributos (art. 87). 9. É princípio assente na jurisprudência que: 'Cuidando-se de discussão acerca dos atos cooperados, fumou-se orientação no sentido de que são isentos do pagamento de tributos, inclusive da Contribuição Social sobre o Lucro'. (Min. Milton Luiz Pereira, Resp 152.546, DJU 03/09/2001, unânime) 10.A doutrina, por seu turno, é uníssona ao assentar que pelas suas características peculiares, principalmente seu papel de representante dos associados, os valores que ingressam, como os decorrentes da conversão do produto (bens ou serviços) do associado em dinheiro ou crédito nas de alienação em comum, ou os recursos dos associados a serem convertidos em bens e serviços nas de consumo (ou, neste último caso, a reconversão em moeda após o fornecimento feito ao associado), não devem ser havidos como receitas da cooperativa. 4Saki 5 _ _ _ ME - D2 CONITRIBUIN • : •• ' CRIGiNALProcesso n• 19740.000612/2003-18 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-81.238 E. 24 oe o9 fls. 352 MJia (2r.st,a;a Garcia mu: 01 17 5 n)2 11. Incidindo oTJrr7tOflNS7cYb • • ita bruta, impõe-se aferir essa definição à luz do art. 110 do CM, que veda a alteração dos conceitos do Direito Privado. Consectariamente, faturamento é o conjunto de faturas emitidas em um dado período ou, sob outro aspecto vernacular, é a soma dos contratos de venda realizados no período. Conseqüentemente, a cooperativa, posto não realizar contrato de venda, não se sujeita à incidência do PIS ou da COFINS. 12. Outrossim, a Primeira Seção, no julgamento do REsp 591298/MG, Relator para o acórdão o Ministro Castro Meira, sessão de 27 de outubro de 2004, firmou o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não são passíveis de incidência tributária, uma vez que a captação de recursos e a realização de aplicações no mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados, constituem atos cooperativos. 13. Agravo regimental desprovido." (cf. Acórdão da 1 ! Turma do STJ • • no AgRg no REsp n2 823.934-MG, Reg. ri9 2006/0042684-8, em sessão de 23/10/2007, rel. Min. Luiz Fwc, publ. in DJU de 22/11/2007, p. 193) "TRIBUTÁRIO - PIS - LEI 9.718/98 - COOPERATIVA DE CRÉDITO - INCIDÊNCIA SOBRE ATOS COOPERADOS. 1. A LC 70/91, ao instituir a COFINS, deixou expressa a não- incidência sobre os atos cooperativos. 2. O 81P, na ADC 01/DF, considerou a LC 70/91 substancialmente como lei ordinária quanto à instituição da contribuição, porque o art. 195, I, CF não exigiu o status de lei qualificada para saí 3. Igual raciocínio não pode ser estendido para a questão do tratamento dispensado às cooperativas, porque para estas há exigência de lei complementar (art. 146, III, 'c', CF). 4. O ato cooperado, por não ter caráter mercantil, não gera faturamento. 5. Tese pacificada pela Primeira Seção desta Cone Superior, no julgamento do REsp 616.219/MG, em 27/10/2004, e, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, concedida medida cautelar para afastar a aplicação do art. 3°, § I° da Lei 9.718/98 na cobrança de COFINS e PIS das sociedades cooperativas (AC-QO 1.224/MG). 6. Não incidência confirmada pelo art. 30, da Lei 11.051, de 29/12/2004. 7. Recurso especial provido." (cf. Acórdão da 2s• Turma do STJ no REsp n2 784996-SC, Reg. n2 2005/0162431-6, em sessão de 25/09/2007, rel. Min. Eliana Calmon, publ. in DJU de 08/10/2007, p. 248) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 53.5 DO CPC. SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CRÉDITO. COFfiVS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO-INCIDÊNCIA. Ao ‘,/, 6 _ _ _ _ • - • 4-~ MF -SEGUIDO co :caHO DE CONTRIBUINTES • c-- MU. Processo n" 19740.0006122003-1. Er- co 1 CCO2/031 Acém% n.° 20141.233 Fls. 353iC Marc,. Cr.:).::1.1 ,2 coroa Mai !sue: 01 ri • 4 I. O Tribunal de origem analisou a questão legal suscitada nos • embargos de declaração. Não-ocorrência de omissão. 2. A verificação, no âmbito desta Corte, de eventual omissão pelo Tribunal a quo na análise de matéria constitucional importaria na usurpação da competência reservada ao STF. 3. Os atos cooperativos não geram faturamento ou receita para a sociedade cooperativa. Ausência de base imponível para a Cofins. Não-incidência pura e simples. Já os atos não cooperativos revestem- se de nítida feição mercantil e geram receita à sociedade, razão pela qual devem ser tributados. 4. Toda a movimentação financeira das sociedades cooperativas de crédito constitui ato cooperativo. 5. O artigo 6°, 1, da LC 70/91, apesar de utilizar a expressão 'são isentas; veicula uma regra de cunho eminentemente explicativo e declaratório, e não constitutivo de direitos, descabendo falar em revogação. 6. O art. 146, iLl 'c', da Constituição da República coloca sob reserva de lei complementar regra que disponha sobre o 'adequado tratamento tributário 'a ser dispensado ao ato cooperativo. 7. Recurso especial improvido." (cf. Acórdão da 22 Turma do STJ no REsp n2 803893-MG, Reg. n2 2005/0197817-3, em sessão de 12/12/2006, Ministro Castro Meira, DJU de 01/02/2007, p. 451) "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONCESSÃO DE EFEITOS INFRINGEN7ES. I. Embargos de declaração opostos pela COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE DIVINOPOLIS LTDA. E OUTRAS em face de acórdão que reconheceu a isenção de COFINS aos atos cooperativos, destes excluídos os rendimentos de aplicações financeiras. Alegam as embargantes que a jurisprudéncia do STJ tem estendido a isenção a todos os atos praticados pelas cooperativas. 1. No julgamento dos REsps n's 616219/MG e 59I298/MG, afetados à l a Seção, esta Cone Superior uniformizou posicionamento no sentido de que: - 'o ato cooperativo não gera (aturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. 1nexiste, portanto, receita que possa ser titularizada pela cooperativa e, por conseqüência, não há base imponivel para o PIS. Já os atos não cooperativos geram (aturamento à sociedade, devendo o resultado do exercicio ser levado à conta •14114especifica para que possa servir de base à tributação (art. 87 da Lei n.° 5.764/71); - toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no IkN1/4"/ 7 - - - - - - -"C ,W.VrES • Processo n° 19740.000612/2003-18 C'1.:1 s 02 Og CCO2A:01 Acórdão n.• 20141.238 N. 354 • . mercado, constitui ato cooperativo, circunstância a impedir a incidência da contribuição ao PIS. Salvo previsão normativa em sentido contrário (art. 86, parágrafo único, da Lei n." 5.764/71), estão as cooperativas de crédito impedidas de realizar atividades com não associados; - atualmente, por força do art. 23 da Resolução BACEN n" 3.106/2003, as cooperativas de crédito somente podem captar depósitos ou realizar empréstimos com associados. Assim, somente praticam atos cooperativos e, por conseqüência, não titularizam faturamento, afastando-se a incidência do PIS. A reunião em cooperativa não pode levar à exigência tributária superior à que estariam submetidos os cooperados caso atuassem isoladamente, sob pena de desestImulo ao cooperativismo; - qualquer que seja o conceito de faturamento (equiparado ou não a receita bruta), tratando-se de ato cooperativo típico, não ocorrerá o fato gerador do PIS por ausência de materialidade sobre a qual possa incidir essa contribuição social.' 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes, para excluir da incidência da COELVS todos os atos cooperativos praticados pela embargante, inclusive os relativos às aplicações financeiras." (cf. Acórdão da le Seção do STJ nos EDcl no REsp n2 625.607-MG, Reg. n2 2003/0222311-9, em sessão de 22/02/2006, rel. Min. José Delgado, publ. in DJU de 13/03/2006, p. 174; no mesmo sentido dentre inúmeros cf. Acórdãos da P Turma: no AgRg no Ag II! 755.013-PR, Reg. n2 2006/0057178-6, em sessão de 06/06/2006, rel. Mia José Delgado, publ. in DJU de 22/06/2006, p. 186; nos EDcl no AgRg no REsp n2 777.939-MG, REg. n2 2005/0144715-8, em sessão de 06/04/2006, rel. Min. Francisco Falcão, publ. in DJU de 04/05/2006, p. 143; cf. também Acórdãos da r Turma no AgRg no REsp n2 779.861- MU, Reg. n2 2005/0149131-0, em sessão de 08/11/2005, rel. Min. Castro Meira, publ. in DJU de 05/06/2006, p. 251; e no REsp 112 387.172-M, Reg. /12 2001/0142973-7, em sessão de 14/03/2006, rel. Min. João Otávio de Noronha, publ. in DJU de 25/04/2006, p. 105, etc.) Versando o lançamento excogitado sobre exigências de PIS sobre atos tipicamente cooperativos ocorridos no período de 28/02/99 a 31/10/99, que se acham fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, tal como proclamado pela jurisprudência do Egrégio STJ na interpretação do mesmo direito federal ora controvertido, pelas mesmas razões expendidas nos v. arestos retrocitados e tão bem sintetizadas em suas ementas, impõe-se a reforma da r. decisão recorrida, proclamando-se a ilegalidade do lançamento que pretendeu tributar os referidos atos cooperativos, para conformá-lo com a jurisprudência prevalente do Poder Judiciário. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para reformar a r. decisão recorrida e, na esteira da jurisprudência do STJ retromencionada, cancelar as exigências de PIS, multa e juros moratórios, contidas no lançamento, em face darn Isit!,1/4X -1 8 — ._.—.—...,_ --- — — .—. ...._ - MF - SECti!CC.: C0 .̀: ',."'s: :" Processo n°19740.000612/2003-18 CZ.-1.. :-; . .. ; :,., 1, . t CCOMOIAcórdão n.° 201-81.238 Er .,-.. 241 1 '1, Fls. 3551 e..........".. 44 ---- não incidência do PIS sobre ato cooperativo e da inexistência de base irnponível para o PIS ' unissonamente proclamadas por aquela Egrégia Corte Superior de Justiça. — É como voto.— Sala das Sessões, em 02 de julho de 2008. gfilm ~010ettl•tiCdr FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA LIE nel 9 . . -— - : Processo n° 19740.000612/2003-18 Mi: - BrGljt IDO CC . h: I .3 CONTRIBUINTESI CCO2/C01 Acórdão n.• 201-81.238 Fls. 356 91.0 I o g a Márcia C>:;r,i:stiuti::,:::S.--"Hi CiarL Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator-Designado Descabe razão à interessada em relação à nulidade do lançamento, urna vez que, conforme ressaltado pela primeira instância, inexiste obscuridade no relatório fiscal, que foi claro na descrição dos fatos que levaram à lavratura do auto de infração. A interessada alegou, no recurso, que o referido Acórdão teria afrontado a Lei n2 5.764, de 1971. O eminente Relator, seguindo o entendimento da interessada, mencionou acórdão do Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual a Lei n 2 5.764, de 1971, seria especial em relação à lei de "Mercado de Capitais", o que impossibilitaria a equiparação das cooperativas de crédito a entidades financeiras. Entretanto, o método de solução de conflito aparente de normas previsto na antiga Lei de Introdução ao Código Civil considera que a "lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das existentes, não revoga nem modifica a lei anterior" (art. 2 2, § 22). Portanto, a não revogação da lei anterior ocorreria somente se a nova estabelecesse disposições "a par das existentes", o que não ocorre no caso em exame. Conforme esclarecido no Acórdão de primeira instância, o tratamento dado às cooperativas de crédito, ainda mais à vista das disposições do art. 192 da Constituição, não poderia ocorrer "a par" das disposições existentes, uma vez que se referia especificamente às próprias cooperativas de crédito. Nesse contexto, as disposições da Lei n 2 8.212, de 1991, art. 22, § 1 2, são claras quanto a abranger as cooperativas de crédito, sendo correta a fundamentação adotada pelo Acórdão de primeira instância em relação à Lei n 2 9.718, de 1998, art. 32, I, que não foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins (Recursos Extraordinários n 2s 357.950 e 358.273). As limitações às atividades das cooperativas de crédito são irrelevantes, porquanto o tratamento dado às cooperativas de crédito pela legislação não é condicional. Adoto, no mais, os fundamentos do Acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1 2, da Lei n2 9.784, de 1999. Em relação à multa de oficio, em razão de não ter havido depósito judicial nem declaração integral dos valores em DCTF, não pode ela ser excluída. Em relação à Selic, a Súmula n2 3 deste 22 Conselho de Contribuintes diz o seguinte: 1/u,1 10 _ _ _ — - ,—. 9r- — ‘ *"--- -:-'mi: sr c--tr.::::- ----------- ot, t.-------------Rt. auiffies - -- o . ;:-, it.!: • : , .,. : -. , Processo n° 19740.00061212003-18 1:;:-. :• .,__ )4 L_ P 5 Co CO32/C0 I Acórdão n.°201-81.238 Fls.357 - Márcia Crt: ;.1,,r.“: 'arca Mal Sm;... é.:ii2 "É cabível a cõbrança e juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela , Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos r-Ll federais." À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 02 de julho de 2008. difr • 7OJOSE NIO FRANCISCO ki\li1/4j , 11 ; . ..---- Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022200.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1 _0022400.PDF Page 1 _0022500.PDF Page 1 _0022600.PDF Page 1 _0022700.PDF Page 1 _0022800.PDF Page 1 _0022900.PDF Page 1
score : 1.0
