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Numero do processo: 15586.720070/2016-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2011 a 31/08/2014
PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO
Há necessidade de comprovação do interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador para que se aplique as disposições constantes do artigo 124, I, do CTN. Tal comprovação se consubstancia na demonstração, pelo Fisco, de que o solidário praticou atos que se subsumiram ao critério material da regra matriz de incidência do tributo que se analisa.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PRÓ-LABORE.
As importâncias pagas aos sócios registradas como distribuição de lucros mas que configurem retribuição do trabalho prestado devem ser consideradas pagamentos a título de pró-labore, incidindo sobre elas a contribuição previdenciária social.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A aplicação da multa de ofício decorre do cumprimento da norma legal.
Apurada a infração, é devido o lançamento da multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-004.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Dr. José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento. Quanto à imputação de responsabilidade solidária, restaram vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), José Alfredo Duarte Filho e Douglas Kakazu Kushiyama, que afastavam à responsabilidade do recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO Há necessidade de comprovação do interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador para que se aplique as disposições constantes do artigo 124, I, do CTN. Tal comprovação se consubstancia na demonstração, pelo Fisco, de que o solidário praticou atos que se subsumiram ao critério material da regra matriz de incidência do tributo que se analisa. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PRÓLABORE. As importâncias pagas aos sócios registradas como distribuição de lucros mas que configurem retribuição do trabalho prestado devem ser consideradas pagamentos a título de prólabore, incidindo sobre elas a contribuição previdenciária social. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício decorre do cumprimento da norma legal. Apurada a infração, é devido o lançamento da multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Dr. José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento. Quanto à imputação de responsabilidade solidária, restaram vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), José Alfredo Duarte Filho e Douglas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 70 /2 01 6- 97 Fl. 730DF CARF MF Processo nº 15586.720070/201697 Acórdão n.º 2201004.488 S2C2T1 Fl. 3 2 Kakazu Kushiyama, que afastavam à responsabilidade do recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 15586.720081/201677, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação formalizada pelo sujeito passivo solidário mantendo integralmente os termos do lançamento fiscal em que se exige crédito tributário, referente à contribuição da empresa prevista no artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, incidente sobre a remuneração paga sob a forma de lucros distribuídos no período de 03/2011 a 08/2014, além de multa de ofício de 75%, nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário da empresa Clinic Center S/S LTDA, CNPJ 10.826.184/000105, administrada por Valdecir Arrivabeni, CPF 493.191.83791, até a sua extinção, em 02/02/2015. Em 30/06/2015, data posterior à baixa da empresa, formalizouse procedimento fiscal através do qual se constatou que os pagamentos efetuados sob a forma de distribuição de lucros ao sócioadministrador e aos demais sócios configuravam, na realidade, remunerações vinculadas à prestação de serviços, mais especificamente, aos plantões trabalhados pelos sócios, todos médicos. Ainda segundo o relatório, no caso de lançamentos futuros efetuados após a extinção da personalidade jurídica da empresa, a responsabilidade deve ser atribuída aos administradores dos períodos dos respectivos fatos geradores (arts. 4º, 5º e 9º da Lei Complementar nº 123/2006), bem como àqueles com interesse comum nas situações que constituíram o fato gerador da obrigação principal (art. 124, inc. I da Lei nº 5.172/1966). A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo solidário, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual mantevese a responsabilidade do sujeito passivo solidário com base no interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, conforme previsto no caput, § 4º e §5º da Fl. 731DF CARF MF Processo nº 15586.720070/201697 Acórdão n.º 2201004.488 S2C2T1 Fl. 4 3 Lei Complementar nº 123/2006 e no inc. I do art. 124 do Código Tributário Nacional (lei nº 5.172/1966). Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado.” É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 15586.720081/201677, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Henrique de Oliveira, dignos Relator e Redator designado da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018. Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Voto Vencido "Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário preenche os requisitos para sua admissibilidade e portanto o conheço. Conforme consta do relatório fiscal houve a constituição do crédito tributário após encerramento da empresa Clinic Center S/S LTDA, CNPJ 10.826.184/000105, e que foi administrada por Valdecir Arrivabeni, CPF 493.191.83791, até a sua extinção, em 02/02/2015. Houve a lavratura de termo de sujeição passiva solidária em face do recorrente com base nos termos do artigo 9ºcaput, § 4º e §5º da Lei Complementar nº123/2006 e no inc. I do art. 124 do Código Tributário Nacional (lei nº 5.172/1966): Lei Complementar nº 123/2006 Art. 9º O registro dos atos constitutivos, de suas alterações e extinções (baixas), referentes a empresários e pessoas jurídicas em qualquer órgão dos 3 (três) âmbitos de governo ocorrerá independentemente da regularidade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas, principais ou acessórias, do empresário, da sociedade, dos sócios, dos administradores ou de empresas de que participem, sem prejuízo das responsabilidades do Fl. 732DF CARF MF Processo nº 15586.720070/201697 Acórdão n.º 2201004.488 S2C2T1 Fl. 5 4 empresário, dos titulares, dos sócios ou dos administradores por tais obrigações, apuradas antes ou após o ato de extinção. (...) § 4º A baixa do empresário ou da pessoa jurídica não impede que, posteriormente, sejam lançados ou cobrados tributos, contribuições e respectivas penalidades, decorrentes da falta do cumprimento de obrigações ou da prática comprovada e apurada em processo administrativo ou judicial de outras irregularidades praticadas pelos empresários, pelas pessoas jurídicas ou por seus titulares, sócios ou administradores. § 5º A solicitação de baixa do empresário ou da pessoa jurídica importa responsabilidade solidária dos empresários, dos titulares, dos sócios e dos administradores no período da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Código Tributário Nacional Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Ocorre que, a solidariedade definida pelo art. 9º §§ 4º e 5º da referida Lei 123/2006 são aplicadas tão somente às empresas que estão sob o regime do Simples Nacional e, na espécie, não houve a comprovação por parte da fiscalização de que a empresa que foi baixada estivesse no referido regime especial de tributação. Inclusive a aferição da responsabilidade pelos termos do art. 124, I do CTN não restou comprovada pela fiscalização, sendo apenas indicado como fundamento da solidariedade o fato que o registro do distrato acarreta a extinção da personalidade jurídica da sociedade e a responsabilidade tributária caberá aos sócios. Impende ressaltar, que nos casos de sujeição passiva solidária, cabe ao Fisco promover a prova e relatar os fatos de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal que vincule o sujeito passivo solidário, não sendo possível o interesse meramente econômico e financeiro no resultado ou no proveito da situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitua o fato gerador. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso para afastar a responsabilidade solidária do recorrente no lançamento. Caso vencido na preliminar acima, no mérito, entendo que o recurso não merece prosperar. Com efeito pelo Relatório Fiscal, ficou comprovado pela autoridade lançadora que os pagamentos intitulados como distribuição de lucros eram, na realidade, remuneração decorrente de serviços prestados, quando demonstrou que vários médicos recebiam, mensalmente, valores a título de distribuição de lucros quando nem sequer figuravam no contrato social como sócios e não possuíam qualquer vínculo empregatício com a autuada, além de que as escalas de plantões indicadas, provam a sua relação direta entre as escalas e a distribuição de lucros com base em valor/hora para remuneração desses plantões, Fl. 733DF CARF MF Processo nº 15586.720070/201697 Acórdão n.º 2201004.488 S2C2T1 Fl. 6 5 recebendo os médicos adiantamentos de lucros exclusivamente em decorrência de sua atividade laboral nos plantões, longe portanto, de ser distribuição a título de lucros. Quanto à multa de ofício resta mantida, pois as razões recursais se debruçam apenas em relação ao princípio do não confisco, aplicandose nesse caso os termos da Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator" Voto Vencedor "Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Em que pesem os argumentos e a logicidade jurídica do eminente Relator, ouso, com a devida vênia, dele discordar somente quanto à responsabilidade solidária imputada. Explico. Segundo a Autoridade Fiscal, o Recorrente é responsável solidário posto que tem interesse comum no fato gerador, como se pode inferir do seguinte excerto do Relatório Fiscal: (...)" Em que pese haver a menção a Lei Complementar nº 123/06, fica patente ao longo do relatório da imputação pelo Fisco, da responsabilidade solidária que tal argumento é complementar à verificação do interesse comum no fato gerador, fato este comprovado ao longo do relato feito pela Autoridade Lançadora. Recordemos outros pontos do mencionado relatório: Linhas adiante nova explicitação: Fl. 734DF CARF MF Processo nº 15586.720070/201697 Acórdão n.º 2201004.488 S2C2T1 Fl. 7 6 Ora, patente a motivação fiscal ao imputar, segundo as normas explicitadas pelo CTN, a responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído: Há nítido interesse comum no fato gerador da obrigação tributária por parte do coobrigado. Explico. Como dito pelo ínclito Relator, o auto de infração em discussão foi lavrado em razão da incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de 'distribuição de lucros', que, na visão do Fisco, são verdadeira remuneração pelo trabalho prestado, uma vez que decorrem de serviços médicos realizados em plantões, pelo Recorrente. A relação laboral apresenta nítido caráter bilateral, ou seja, a prestação de serviços pessoal é prestada por alguém em benefício de outrem. Ao recordarmos que a Constituição Federal, por meio do artigo 195, outorga competência para que o legislador institua um tributo incidente sobre a remuneração paga à pessoa física, pelo trabalho prestado, qualquer que seja o vínculo existente entre o tomador e trabalhador, e que tal tributo, contribuição social nos dizeres da Carta da República, deve ser suportado pelo empregador e também pelo trabalhador, tornase inequívoco o interesse comum, entre o tomador e a pessoa prestadora de serviços no fato gerador trabalho remunerado. Por amor à clareza, reitero: há interesse comum quanto às contribuições sociais previdenciárias, entre trabalhador e tomador de serviços, por expressa disposição constitucional, quanto ao fato gerador trabalho remunerado. Não é outra a posição da doutrina. Paulo de Barros Carvalho, no clássico Curso de Direito Tributário (Ed. Saraiva, 14ª ed., pag. 311), discorrendo sobre o tema, esclarece que o interesse comum no fato gerador: "Vale, sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributário, como por exemplo, na incidência de IPTU em que duas ou mais pessoas sejam proprietárias do mesmo imóvel" Fl. 735DF CARF MF Processo nº 15586.720070/201697 Acórdão n.º 2201004.488 S2C2T1 Fl. 8 7 Logo, forçoso reconhecer a procedência da responsabilidade solidária imputada. Tal constatação, nos leva, por via de consequência, afastar peremptoriamente as demais alegações recursais sobre o tema. Quanto a esse aspecto, invoco o contido no art. 489 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015), no seguinte dispositivo: "Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (grifouse)" Neste caso, tendo sido adotado como premissa que a imputação da responsabilidade solidária se deu com base no artigo 124, I, do CTN, e tendo ocorrido a demonstração, pela Autoridade Lançadora, do interesse comum no fato gerador, os demais argumentos apresentados pela recorrente não seriam "capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador". Ademais, o julgador não é obrigado a fundamentar o voto em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, conforme precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA). “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) Fl. 736DF CARF MF Processo nº 15586.720070/201697 Acórdão n.º 2201004.488 S2C2T1 Fl. 9 8 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revela se inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n.799.509 AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Nesse mesmo caminho, a doutrina distingue entre enfretamento suficiente e enfretamento completo na análise das questões delineadas em peça de defesa. O julgador será, em regra, obrigado a enfrentar os pedidos, as causas de pedir e os fundamentos de defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. Assim, em que pese o julgador deva enfrentar e decidir a questão colocada à sua apreciação, basta para tanto que contenha a decisão fundamentos suficientes para justificar a conclusão estabelecida na decisão proferida (Araken de Assis, Manual dos recursos, nota 66.2.1.3, p. 591. 2 ed. São Paulo, RT, 2008)." CONCLUSÃO Diante do exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso quanto à exclusão da responsabilidade solidária imputada. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 737DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720087/2016-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2011 a 31/08/2014
PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO
Há necessidade de comprovação do interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador para que se aplique as disposições constantes do artigo 124, I, do CTN. Tal comprovação se consubstancia na demonstração, pelo Fisco, de que o solidário praticou atos que se subsumiram ao critério material da regra matriz de incidência do tributo que se analisa.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PRÓ-LABORE.
As importâncias pagas aos sócios registradas como distribuição de lucros mas que configurem retribuição do trabalho prestado devem ser consideradas pagamentos a título de pró-labore, incidindo sobre elas a contribuição previdenciária social.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A aplicação da multa de ofício decorre do cumprimento da norma legal.
Apurada a infração, é devido o lançamento da multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-004.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Dr. José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento. Quanto à imputação de responsabilidade solidária, restaram vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), José Alfredo Duarte Filho e Douglas Kakazu Kushiyama, que afastavam à responsabilidade do recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO Há necessidade de comprovação do interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador para que se aplique as disposições constantes do artigo 124, I, do CTN. Tal comprovação se consubstancia na demonstração, pelo Fisco, de que o solidário praticou atos que se subsumiram ao critério material da regra matriz de incidência do tributo que se analisa. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PRÓLABORE. As importâncias pagas aos sócios registradas como distribuição de lucros mas que configurem retribuição do trabalho prestado devem ser consideradas pagamentos a título de prólabore, incidindo sobre elas a contribuição previdenciária social. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício decorre do cumprimento da norma legal. Apurada a infração, é devido o lançamento da multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Dr. José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento. Quanto à imputação de responsabilidade solidária, restaram vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), José Alfredo Duarte Filho e Douglas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 87 /2 01 6- 44 Fl. 834DF CARF MF Processo nº 15586.720087/201644 Acórdão n.º 2201004.494 S2C2T1 Fl. 3 2 Kakazu Kushiyama, que afastavam à responsabilidade do recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 15586.720081/201677, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação formalizada pelo sujeito passivo solidário mantendo integralmente os termos do lançamento fiscal em que se exige crédito tributário, referente à contribuição da empresa prevista no artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, incidente sobre a remuneração paga sob a forma de lucros distribuídos no período de 03/2011 a 08/2014, além de multa de ofício de 75%, nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário da empresa Clinic Center S/S LTDA, CNPJ 10.826.184/000105, administrada por Valdecir Arrivabeni, CPF 493.191.83791, até a sua extinção, em 02/02/2015. Em 30/06/2015, data posterior à baixa da empresa, formalizouse procedimento fiscal através do qual se constatou que os pagamentos efetuados sob a forma de distribuição de lucros ao sócioadministrador e aos demais sócios configuravam, na realidade, remunerações vinculadas à prestação de serviços, mais especificamente, aos plantões trabalhados pelos sócios, todos médicos. Ainda segundo o relatório, no caso de lançamentos futuros efetuados após a extinção da personalidade jurídica da empresa, a responsabilidade deve ser atribuída aos administradores dos períodos dos respectivos fatos geradores (arts. 4º, 5º e 9º da Lei Complementar nº 123/2006), bem como àqueles com interesse comum nas situações que constituíram o fato gerador da obrigação principal (art. 124, inc. I da Lei nº 5.172/1966). Fl. 835DF CARF MF Processo nº 15586.720087/201644 Acórdão n.º 2201004.494 S2C2T1 Fl. 4 3 A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo solidário, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual mantevese a responsabilidade do sujeito passivo solidário com base no interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, conforme previsto no caput, § 4º e §5º da Lei Complementar nº 123/2006 e no inc. I do art. 124 do Código Tributário Nacional (lei nº 5.172/1966). Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado.” É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 15586.720081/201677, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Henrique de Oliveira, dignos Relator e Redator designado da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018. Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Voto Vencido "Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário preenche os requisitos para sua admissibilidade e portanto o conheço. Conforme consta do relatório fiscal houve a constituição do crédito tributário após encerramento da empresa Clinic Center S/S LTDA, CNPJ 10.826.184/000105, e que foi administrada por Valdecir Arrivabeni, CPF 493.191.83791, até a sua extinção, em 02/02/2015. Houve a lavratura de termo de sujeição passiva solidária em face do recorrente com base nos termos do artigo 9ºcaput, § 4º e §5º da Lei Complementar nº123/2006 e no inc. I do art. 124 do Código Tributário Nacional (lei nº 5.172/1966): Lei Complementar nº 123/2006 Art. 9º O registro dos atos constitutivos, de suas alterações e extinções (baixas), referentes a empresários e pessoas jurídicas em Fl. 836DF CARF MF Processo nº 15586.720087/201644 Acórdão n.º 2201004.494 S2C2T1 Fl. 5 4 qualquer órgão dos 3 (três) âmbitos de governo ocorrerá independentemente da regularidade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas, principais ou acessórias, do empresário, da sociedade, dos sócios, dos administradores ou de empresas de que participem, sem prejuízo das responsabilidades do empresário, dos titulares, dos sócios ou dos administradores por tais obrigações, apuradas antes ou após o ato de extinção. (...) § 4º A baixa do empresário ou da pessoa jurídica não impede que, posteriormente, sejam lançados ou cobrados tributos, contribuições e respectivas penalidades, decorrentes da falta do cumprimento de obrigações ou da prática comprovada e apurada em processo administrativo ou judicial de outras irregularidades praticadas pelos empresários, pelas pessoas jurídicas ou por seus titulares, sócios ou administradores. § 5º A solicitação de baixa do empresário ou da pessoa jurídica importa responsabilidade solidária dos empresários, dos titulares, dos sócios e dos administradores no período da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Código Tributário Nacional Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Ocorre que, a solidariedade definida pelo art. 9º §§ 4º e 5º da referida Lei 123/2006 são aplicadas tão somente às empresas que estão sob o regime do Simples Nacional e, na espécie, não houve a comprovação por parte da fiscalização de que a empresa que foi baixada estivesse no referido regime especial de tributação. Inclusive a aferição da responsabilidade pelos termos do art. 124, I do CTN não restou comprovada pela fiscalização, sendo apenas indicado como fundamento da solidariedade o fato que o registro do distrato acarreta a extinção da personalidade jurídica da sociedade e a responsabilidade tributária caberá aos sócios. Impende ressaltar, que nos casos de sujeição passiva solidária, cabe ao Fisco promover a prova e relatar os fatos de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal que vincule o sujeito passivo solidário, não sendo possível o interesse meramente econômico e financeiro no resultado ou no proveito da situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitua o fato gerador. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso para afastar a responsabilidade solidária do recorrente no lançamento. Caso vencido na preliminar acima, no mérito, entendo que o recurso não merece prosperar. Com efeito pelo Relatório Fiscal, ficou comprovado pela autoridade lançadora que os pagamentos intitulados como distribuição de lucros eram, na realidade, remuneração decorrente de serviços prestados, quando demonstrou que vários médicos recebiam, mensalmente, valores Fl. 837DF CARF MF Processo nº 15586.720087/201644 Acórdão n.º 2201004.494 S2C2T1 Fl. 6 5 a título de distribuição de lucros quando nem sequer figuravam no contrato social como sócios e não possuíam qualquer vínculo empregatício com a autuada, além de que as escalas de plantões indicadas, provam a sua relação direta entre as escalas e a distribuição de lucros com base em valor/hora para remuneração desses plantões, recebendo os médicos adiantamentos de lucros exclusivamente em decorrência de sua atividade laboral nos plantões, longe portanto, de ser distribuição a título de lucros. Quanto à multa de ofício resta mantida, pois as razões recursais se debruçam apenas em relação ao princípio do não confisco, aplicandose nesse caso os termos da Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator" Voto Vencedor "Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Em que pesem os argumentos e a logicidade jurídica do eminente Relator, ouso, com a devida vênia, dele discordar somente quanto à responsabilidade solidária imputada. Explico. Segundo a Autoridade Fiscal, o Recorrente é responsável solidário posto que tem interesse comum no fato gerador, como se pode inferir do seguinte excerto do Relatório Fiscal: (...)" Em que pese haver a menção a Lei Complementar nº 123/06, fica patente ao longo do relatório da imputação pelo Fisco, da responsabilidade solidária que tal argumento é complementar à verificação do interesse comum no fato gerador, fato este comprovado ao longo do relato feito pela Autoridade Lançadora. Recordemos outros pontos do mencionado relatório: Fl. 838DF CARF MF Processo nº 15586.720087/201644 Acórdão n.º 2201004.494 S2C2T1 Fl. 7 6 Linhas adiante nova explicitação: Ora, patente a motivação fiscal ao imputar, segundo as normas explicitadas pelo CTN, a responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído: Há nítido interesse comum no fato gerador da obrigação tributária por parte do coobrigado. Explico. Como dito pelo ínclito Relator, o auto de infração em discussão foi lavrado em razão da incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de 'distribuição de lucros', que, na visão do Fisco, são verdadeira remuneração pelo trabalho prestado, uma vez que decorrem de serviços médicos realizados em plantões, pelo Recorrente. A relação laboral apresenta nítido caráter bilateral, ou seja, a prestação de serviços pessoal é prestada por alguém em benefício de outrem. Ao recordarmos que a Constituição Federal, por meio do artigo 195, outorga competência para que o legislador institua um tributo incidente sobre a remuneração paga à pessoa física, pelo trabalho prestado, qualquer que seja o vínculo existente entre o tomador e trabalhador, e que tal tributo, contribuição social nos dizeres da Carta da República, deve ser suportado pelo empregador e também pelo trabalhador, tornase inequívoco o interesse comum, entre o tomador e a pessoa prestadora de serviços no fato gerador trabalho remunerado. Por amor à clareza, reitero: há interesse comum quanto às contribuições sociais previdenciárias, entre trabalhador e tomador de serviços, por expressa disposição constitucional, quanto ao fato gerador trabalho remunerado. Não é outra a posição da doutrina. Paulo de Barros Carvalho, no clássico Curso de Direito Tributário (Ed. Saraiva, 14ª ed., pag. 311), discorrendo sobre o tema, esclarece que o interesse comum no fato gerador: "Vale, sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributário, como por exemplo, na incidência de IPTU em que duas ou mais pessoas sejam proprietárias do mesmo imóvel" Logo, forçoso reconhecer a procedência da responsabilidade solidária imputada. Tal constatação, nos leva, por via de consequência, afastar peremptoriamente as demais alegações recursais sobre o tema. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 15586.720087/201644 Acórdão n.º 2201004.494 S2C2T1 Fl. 8 7 Quanto a esse aspecto, invoco o contido no art. 489 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015), no seguinte dispositivo: "Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (grifouse)" Neste caso, tendo sido adotado como premissa que a imputação da responsabilidade solidária se deu com base no artigo 124, I, do CTN, e tendo ocorrido a demonstração, pela Autoridade Lançadora, do interesse comum no fato gerador, os demais argumentos apresentados pela recorrente não seriam "capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador". Ademais, o julgador não é obrigado a fundamentar o voto em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, conforme precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA). “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revela se inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n.799.509 AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração Fl. 840DF CARF MF Processo nº 15586.720087/201644 Acórdão n.º 2201004.494 S2C2T1 Fl. 9 8 DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Nesse mesmo caminho, a doutrina distingue entre enfretamento suficiente e enfretamento completo na análise das questões delineadas em peça de defesa. O julgador será, em regra, obrigado a enfrentar os pedidos, as causas de pedir e os fundamentos de defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. Assim, em que pese o julgador deva enfrentar e decidir a questão colocada à sua apreciação, basta para tanto que contenha a decisão fundamentos suficientes para justificar a conclusão estabelecida na decisão proferida (Araken de Assis, Manual dos recursos, nota 66.2.1.3, p. 591. 2 ed. São Paulo, RT, 2008)." CONCLUSÃO Diante do exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso quanto à exclusão da responsabilidade solidária imputada. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 841DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.903187/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 87 /2 00 9- 20 Fl. 55DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10725.903155/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10725.903187/200920 Acórdão n.º 1402003.384 S1C4T2 Fl. 3 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 57DF CARF MF 4 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.353, de 15/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903155/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.353): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10725.903187/200920 Acórdão n.º 1402003.384 S1C4T2 Fl. 4 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado Fl. 59DF CARF MF 6 em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10725.903187/200920 Acórdão n.º 1402003.384 S1C4T2 Fl. 5 7 A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. Fl. 61DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.976046/2012-39
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2007
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1003-000.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 60 46 /2 01 2- 39 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10880.976046/201239 Acórdão n.º 1003000.309 S1C0T3 Fl. 274 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 255/257) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 08, que não homologou a compensação constante da DCOMP 20247.75261.271010.1.3.043372 (folhas 03/07), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. No acórdão a quo, a nãohomologação por ausência de crédito no DARF informado foi mantida tendo em vista a constatação de que a contribuinte, após tomar ciência do referido despacho decisório, retificou a DCTF, reduzindo o valor do débito, sem juntar, no entanto, qualquer documentação comprobatória do valor correto do débito de CSLL que, retificado, geraria o crédito pleiteado no referido DARF. A recorrente, às folhas 264/271, alega, em síntese: I Que "de acordo com os documentos acostados aos presentes autos, é evidente o direito creditório da recorrente e, por consequência lógica, à compensação dos créditos de CSLL com os débito de IRPJ", "em que pese o argumento do julgador no sentido de que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório"; II Que "a DCTF retificadora cotejada em conjunto com os demais documentos apresentados pela recorrente comprovam, ao fim e ao cabo, o direito à compensação"; III Que "o próprio acórdão afirma que a retificação da DCTF reduzindo o valor do débito, torna disponível para restituição o valor do DARF"; IV Que "o argumento de que a retificadora está desacompanhada de documentação hábil suficiente para demonstrar o direito a compensação, não merece prosperar sob qualquer ângulo que se analise a presente demanda, pois a recorrente foi diligente ao juntar todos os documentos necessários para comprovar seu direito quando da apresentação da manifestação de inconformidade"; V Que "é de se concluir, pois, que a decisão ora rechaçada ignorou praticamente a íntegra da documentação colacionada e, consequentemente, a argumentação articulada, para baseada apenas na retificadora, decidir pela improcedência da manifestação de inconformidade"; VI Que deve ser buscada a verdade material dos fatos e, apesar de "toda a documentação e explicações necessárias já tenham sido disponibilizadas às doutas autoridades no curso do processo", e a documentação apresentada ser "suficientemente clara e eficiente para comprovar a existência de pagamento a maior realizado pela recorrente e utilizado como crédito na PER/DCOMP, sendo este líquido e certo", requer, caso se entenda necessário, "a conversão do julgamento em diligência, para verificação e constatação de todos os argumentos aqui destacados, com uma análise mais detalhada da documentação contábil e fiscal da recorrente". Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10880.976046/201239 Acórdão n.º 1003000.309 S1C0T3 Fl. 275 3 A documentação acostada aos autos pela contribuinte por ocasião da impugnação consistiu em cópias do despacho decisório recorrido, da DCOMP em questão, da DCTF retificadora, do DARF correspondente ao recolhimento, da DACON correspondente ao período e contrato social. Junto ao Recurso Voluntário, a recorrente não acostou qualquer documentação adicional. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. A recorrente argumenta como se tivesse acostado aos autos documentação contábil e fiscal comprobatória da veracidade da retificação efetuada em DCTF. No entanto, nada acostou aos autos além de cópias de declarações, que, por óbvio, nada provam. O requerimento da conversão do julgamento em diligência, caso se entenda necessário, não deve ser acolhido, já que, no desenrolar do presente processo administrativo, a contribuinte se utilizou do trabalho das instâncias julgadoras instituídas e teve as devidas oportunidades de acostar a documentação necessária aos autos, mas não o fez. O argumento de que "o próprio acórdão afirma que a retificação da DCTF reduzindo o valor do débito, torna disponível para restituição o valor do DARF" ignora a necessidade de dar respaldo legal ao procedimento operacional efetuado pela contribuinte e descrito no referido voto, que é exatamente o que se discute no presente processo. No mais, resta, ao concordar com as razões de decidir do acórdão de piso, transcrevêlas no que se considera relevante e adotandoas no presente voto: É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela legislação. A retificação da declaração, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independente de autorização pela autoridade administrativa. Ocorre que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. No caso em questão o contribuinte não juntou nenhuma documentação que comprove a veracidade do valor retificado do débito, que supostamente teria gerado o crédito pleiteado no referido DARF. Apenas retificou a DCTF. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10880.976046/201239 Acórdão n.º 1003000.309 S1C0T3 Fl. 276 4 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar a compensação declarada. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.002406/2005-72
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA.
Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada que deixar de ser efetuado no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real optante pelo pagamento do tributo em cada mês.
Numero da decisão: 1003-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada que deixar de ser efetuado no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real optante pelo pagamento do tributo em cada mês.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% por falta de recolhimento de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada que deixar de ser efetuado no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real optante pelo pagamento do tributo em cada mês. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0109, com a exigência do crédito tributário no valor de R$7.933,68, a título de multa de ofício isolada por falta de recolhimento de Contribuição obre o Lucro Líquido (CSLL) determinada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 24 06 /2 00 5- 72 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 19647.002406/200572 Acórdão n.º 1003000.270 S1C0T3 Fl. 211 2 sobre a base de cálculo estimada com base no lucro real no mês de março do anocalendário de 2000. Consta na Descrição dos Fatos e no Enquadramento Legal: Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados gerando falta de pagamento da Contribuição Social, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. [...] Art. 2° e §§, da Lei nº 7.689/88; Art. 28 da Lei nº 9.430/96; Art. 6° da Medida Provisória no 1.858/99 e suas reedições. Arts. 29, 30, 43, 44, § 1 °, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 e art. 841 do RIR/99. No Termo de Encerramento de Ação Fiscal está registrado, fls. 1023: 3.2 FALTA DE PAGAMENTO DA CSLL DEVIDA POR ESTIMATIVA MENSAL MULTA ISOLADA DE 75% 23. No ano calendário de 2000, a empresa apresentou declaração IRPJ com a forma de tributação pelo Lucro Real Anual (vide cópia da DIN, nos anexos — DOCUMENTO 05), tendo apurado a CSLL devida por estimativa mensal com base nos balanços/balancetes de suspensão/redução, e, no período 03/2000, apurou valor devido positivo da estimativa, no entanto, deixou de efetuar o referido pagamento. 24. Nos termos do que trata o inciso IV do parágrafo 1° do artigo 44 da Lei 9.430/1997, a falta do pagamento da CSLL devida por estimativa submete a empresa à cobrança da multa de 75% sobre o valor dessa contribuição; que será cobrada por esta fiscalização, a saber: Período de Apuração CSLL Devida p/Estimativa Valor CSLL Paga/Compensada CSLL Estim. Não Paga/Compensada Multa Isolada 75% 03/2000 R$10.578,24 R$0,00 R$10.578,24 R$7.933,68 Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1121.346, de 11.01.2008, efls. 145153: NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento Fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 19647.002406/200572 Acórdão n.º 1003000.270 S1C0T3 Fl. 212 3 Indeferese o pedido de perícia quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. [...] MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais da CSLL, calculadas com base em estimativa. O nãorecolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. [...] FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA ISOLADA. Por força do princípio da retroatividade benigna, deve ser reduzido para 50% o percentual da multa isolada exigida em face do nãorecolhimento das estimativas mensais da CSLL. Lançamento Procedente em Parte [...] Desta forma, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, R da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), devese reduzir o percentual da multa isolada para 50%. [...] Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, considerar procedente em parte o lançamento, para reduzir a multa para R$ 5.289,12. Notificada em 29.05.2008, fl. 183, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 12.06.2017, fls. 158172, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Em relação especificamente ao Auto de Infração com a exigência do crédito tributário título de multa de ofício isolada por falta de recolhimento de Contribuição obre o Lucro Líquido determinada sobre a base de cálculo estimada, diz que: Com efeito, no julgamento realizado pela 3º Turma da DRJ/REC , há expressa afirmação que "O presente processo respeita exclusivamente ao lançamento de multa isolada em face do nãorecolhimento da CSLL calculada por estimativa, razão pela. qual não serão aqui apreciadas, :por estranhas à lide, questões suscitadas na defesa em relação a outras matérias." Ora Doutos Julgadores, no presente caso a multa isolada aplicada no AI é decorrente da falta de recolhimento, falta de recolhimento essa que foi justificada, inclusive, sobre a referida justificativa foi requerido a realização de perícia, técnica para comprovar as alegações da Recorrente, perícia essa que foi negada pelo acórdão recorrido, ou seja, no julgamento de primeira instância houve apenas a análise da aplicação da multa, sem levar em consideração se há ou não base de cálculo que suporte a autuação da Recorrente, sendo que a aplicação da multa é acessória dependente do resultado da autuação principal. Logo, no presente caso, o acórdão recorrido é nulo de pleno direito, já que o mesmo jamais poderia ser lavrado de forma isolada, sem levar em consideração a autuação principal, a qual é suporte para a aplicação de multas. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 19647.002406/200572 Acórdão n.º 1003000.270 S1C0T3 Fl. 213 4 Doutos Julgadores o direito constitucional da ampla defesa da Recorrente foi suprimido, já que não é possível fazer o , julgamento de forma isolada do AI referente aplicação de uma multa, uma vez que a multa é' acessória do principal, no caso a conduta do contribuinte, sendo .necessário a reunião dos processos administrativos para julgamento simultâneo, inclusive, porque na peça de Impugnação os assuntos foram tratados de forma completa, já que estão interligados., Senão vejamos o pedido de perícia constante da peça de Impugnação: [...] Na verdade, a perícia técnica que foi requerida pela Recorrente é um direito seu e não uma faculdade do julgador de primeira instância, já que o ônus de provar os corretos lançamentos é do contribuinte, não podendo o julgador apenas supor que há incorreções que supostamente está riam sujeitas à punição através da aplicação de pesadas multas. Doutos Julgadores, não é possível a manutenção do acórdão recorrido, já que demonstrado de forma cabal que a Recorrente fez a alegação dos fatos, do direito e ainda pugnou pela produção de prova pericial,' atendendo assim o contido no art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Inicialmente, cabe ressaltar que acórdão ora recorrido padece de vício de ilegalidade, na medida em que, como ato administrativo vinculado que é, deve obediência às determinações previstas em lei para sua validade, dentre elas, o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório. [...] Sendo assim, os atos administrativos, como são os atos de lançamento, encontramse jungidos ao disposto na só podendo ser adotados na hipótese de ocorrerem no plano fático as circunstancias que a própria lei estabelece como necessárias ao exercício da competência atribuída. No caso concreto o julgamento de primeira instância desprezou o pedido de perícia da. Recorrente e fez o julgamento isolado do AI que apenas tratou da aplicação de multa isolada, sendo certo que a multa isolada é aplicada a conduta tipificada, onde no presente caso a suposta conduta tipificada não foi analisada pelo Relator, conforme afirmação expressa no acórdão ora recorrido. Porém, ao atribuir veracidade a multa isolada, sem fazer a análise da conduta do contribuinte que foi passíve1 de aplicação da multa, os julgadores de primeira instância incorreram em erro grave. Assim, o acórdão recorrido ao apontar o crédito tributário reclamado (multa isolada), não procedeu de maneira precisa, evidenciando, dessa forma, a despreocupação com a análise mais apurada da realidade dos contribuintes tornando se mais fácil imputar e.deixar que o contribuinte saia à caça da prova de seu Direito. A retro citada situação é atentatória ao direito constitucional de ampla defesa da Recorrente (inciso LV do artigo 5º da Carta Magna), o que deve culminar em sua nulidade. [...] Observase assim que os dispositivos constitucionais acima transcritos são suficientemente claros ao incluir entre as garantias individuais o direito a ampla defesa em processos administrativos, consagrandoo como direito fundamental e, por conseqüência, dandolhe absoluta e irrestrita força contra qualquer ato arbitrário. [...] Fl. 213DF CARF MF Processo nº 19647.002406/200572 Acórdão n.º 1003000.270 S1C0T3 Fl. 214 5 Dessa forma, clara está a falta por parte da fiscalização do cumprimento do dever de, exaustiva e imparcialmente, buscar a verdade dos fatos, configurandose a referida autuação em verdadeiro desrespeito ao Estado de Direito. Assim, deve o acórdão ora recorrido ser rechaçado de plano, visto que foi frontalmente ferido o direito constitucional da ampla defesa e do contraditório da ora Recorrente. Outrossim, o Relator de forma muito sucinta afirmou que a questão era simples, apenas deveria ser apurado se houve recolhimento da CSLL por estimativas, entretanto, não admitiu a perícia no sentido de apurar a CSLL devida e ainda seu pagamento, agindo diferente quando a Recorrente alegou que não existe no mundo jurídico a Lei n° 9.430/97 onde o mesmo alega que "erros na invocação da norma infringida não ensejam à nulidade", entretanto, não admite um possível equívoco da Recorrente no preenchimento de uma DCTF, o que certamente seria detectado pela perícia técnica. Portanto, temos dois pesos e duas medidas, uma é utilizada quando há imprecisões do Sr. Fiscal Autuante e outra quando se trata do contribuinte, em síntese se há equívoco pelo Fisco é um lamentável equívoco, entretanto, se o equívoco for por parte do contribuinte é considerada uma conduta dolosa passível de punição com aplicação de pesadas multas. Diante do exposto a Recorrente ratifica as sua razões de Impugnação, razões essas quer não foram objeto de análise no julgamento de primeira instância. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: Diante de tudo que já foi exposto, pede a recorrente a reforma do julgado a quo, para que o presente Auto de Infração seja julgado totalmente improcedente, visto a total inconsistência de seus termos, com a determinação de arquivamento do processo e a anulação da respectiva cobrança. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente apresenta argumentos de natureza diversa ao Auto de Infração com a exigência do crédito tributário título de multa de ofício isolada por falta de recolhimento de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 19647.002406/200572 Acórdão n.º 1003000.270 S1C0T3 Fl. 215 6 Na condução da relação processual, o ordenamento jurídico dotou o Conselheiro de poderes cabendolhe adotar o princípio dispositivo da ação no qual deve prestar a tutela jurisdicional nos limites que a Recorrente requereu primitivamente e nos casos e nas formas legais. A legislação processual obrigao a que se contenha dentro da relação jurídica processual tal como foi configurada no ato administrativo vestibular, estando adstrito, não necessariamente aos fatos alegados pela parte no curso do processo, mas sim ao que foi originalmente objeto do lançamento no processo, ou seja, no limite da lide. Essa é uma exigência da teoria da substanciação adotada pelo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, em que o limite de proposição deve relacionarse ao pedido inicial e à causa de pedir, esta se referindo ao conjunto de fundamentos de fato e de direito que justificam o pedido1. Assim, esta decisão fica adstrita ao lançamento de multa isolada em face do não recolhimento da CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O auto de infração foi lavrado por servidor competente e revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal2: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 1 Fundamentação legal: art. 2º e art. 131 do Código de Processo Civil, art. 14, art. 25 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 48 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 1º do Anexo I da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (Regimento Interno do CARF). 2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 19647.002406/200572 Acórdão n.º 1003000.270 S1C0T3 Fl. 216 7 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas3. O de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos4. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela Recorrente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do Auto de Infração. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes de suspensão ou redução devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). Privilegiando o princípio da verdade material, consta no enunciado da Súmula CARF nº 93 que "a falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa". 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 19647.002406/200572 Acórdão n.º 1003000.270 S1C0T3 Fl. 217 8 A aplicação das multas de ofício isoladas pressupõe falta dos recolhimentos de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada, ainda que o sujeito passivo tenha sido apurado prejuízo fiscal para o IRPJ e base de cálculo negativa para a CSLL, no ano calendário correspondente5. A apuração das insuficiências de recolhimentos de IRPJ e de CSLL para fins de determinação da base de cálculo das multas de ofício isoladas foi levada a efeito a partir do cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e aqueles confessados na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF). Sobre a matéria tem cabimento transcrever as seguintes normas vinculantes sobre a matéria: Súmula CARF nº 82 Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 93 A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 104 Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. No Termo de Encerramento de Ação Fiscal está registrado, fls. 1023: 3.1. DEDUÇÃO A MAIOR DOS VALORES DE CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA 17. No preenchimento da linha 38 (CSLL Mensal Paga por Estimativa) da ficha 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) da sua declaração IRPJ do anocalendário de 2000 (ND 0983868), a empresa deduziu da CSLL o valor de R$10.578,24; 18. Nos trabalhos de auditoria realizados por esta fiscalização não foi encontrado para o anocalendário de 2000 nenhum pagamento a título de CSLL 5 Fundamentação Legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 19647.002406/200572 Acórdão n.º 1003000.270 S1C0T3 Fl. 218 9 Mensal por Estimativa. A empresa na ficha 16 da DIPJ/2001, anocalendário 2000, informou ter apurado no mês de março/2000 CSLL a pagar no montante de R$ 10.578,24 é Base de Cálculo Negativa da CSLL para os demais meses. Entretanto, conforme os sistemas da Receita Federal, não consta nenhum pagamento, bem como não foi informado na DCTF do contribuinte esse débito (Estimativa Mensal da CSLL do mês de Março); 19. Em 17/11/2004 a empresa foi intimada comprovar o pagamento da CSLL mensal por estimativa referente ao mês de março/2000, não apresentando nenhum documento comprobatório do aludido pagamento; 20. Em 17/12/2004 15 a empresa foi reintimada, entretanto não logrou atender ao solicitado; 21. Assim, procedemos à glosa da dedução indevida da CSLL a título de "CSLL Mensal Paga por Estimativa" no valor de R$10.578,243 22. Tendo a empresa informado na sua DIPJ/2001 CSLL a Restituir/Compensar no montante de R$ 10.578,24, será lavrado por esta fiscalização Auto de Infração específico com redução de valores a Restituir/Compensar da CSLL, resultando para o anocalendário de 2000 crédito zero de CSLL. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal, o que não ocorreu nos autos. Está registrado no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1121.346, de 11.01.2008, fls. 145153, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Dos Limites do Litígio 7. O presente processo respeita exclusivamente ao lançamento de multa isolada em face do nãorecolhimento da CSLL calculada por estimativa, razão pela qual não serão aqui apreciadas, por estranhas à lide, questões suscitadas na defesa em relação a outras matérias. Da Preliminar de Nulidade 8. Argúi a impugnante a nulidade do lançamento em razão de suposto cerceamento do direito de defesa. Acerca do tema, assim dispõe art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF): [...] Fl. 218DF CARF MF Processo nº 19647.002406/200572 Acórdão n.º 1003000.270 S1C0T3 Fl. 219 10 9. De observar que, na dicção do preceptivo, o cerceamento do direito de defesa tem relação com despachos e decisões, e não com os atos administrativos de lançamento. Estes são impugnáveis na forma da legislação em vigor, garantindose, assim, a observância dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. 10. O exame dos autos evidencia que não se caracterizou nenhuma das situações arroladas no supracitado dispositivo, inexistindo dúvidas quanto à competência da autoridade lançadora, nem havendo que se falar em preterição do direito de defesa em se tratando de atos administrativos de lançamento. Estes são impugnáveis na forma da legislação em vigor, garantindose, assim, a observância dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. 11. Também não se constata nenhum vício de forma no lançamento, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto n° 70.235, de 1972, estando cristalina e minuciosamente demonstrados no processo a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo à impugnante conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. 12. No que toca especificamente ao enquadramento legal, encontrase consignado no auto de infração o art. 44, § 1°, IV,da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que prevê: [...] 13. No Termo de Encerramento de Ação Fiscal, a Lei n° 9.430 achase mencionada duas vezes (11. 14). Numa delas, seguida do ano 1996. Na outra, acompanhada do ano 1997. É nesta última menção que se prende a impugnante, alegando que a Lei n° 9.430/97 não existe no nosso ordenamento jurídico. 14. O argumento não se sustenta. Primeiro, porque, como já dito, a norma está rigorosamente anotada no auto de infração. Depois, porque só há uma Lei de de 9.430 no ordenamento jurídico nacional. [...] Do Mérito 17. A impugnante não trouxe questionamentos de mérito, salvo para afirmar que a autoridade fiscal não considerou a incorporação de outras empresas pela autuada e o correto recolhimento dos valores, como comprovariam os anexos à defesa. Entretanto, não disse o propósito de tais alegações, não esclareceu ou sequer sugeriu quais os efeitos na espécie, nem muito menos trouxe qualquer prova dos recolhimentos cuja falta implicou o discutido lançamento. 18. Há que se considerar, todavia, que a Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, deu nova redação ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, reduzindo o percentual da multa isolada para 50%, conforme art. 14, que se reproduz: "Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2º nos incisos I, II e III. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (...) Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19647.002406/200572 Acórdão n.º 1003000.270 S1C0T3 Fl. 220 11 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 22 desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. 19. Desta forma, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), devese reduzir o percentual da multa isolada para 50%. Do Pedido de Perícia [...] Dispõe o art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972: [...] 21. Relativamente à CSLL, a única questão formulada pela impugnante foi: "houve dedução sem recolhimento de CSLL ( ... ) ou apenas ocorreram problemas de apuração do autuante ou de escrituração da defendente?. 22. Ora, não há nada a desvendar na perícia que não haja sido respondido neste voto. A questão em litígio é: houve ou não houve recolhimento da CSLL apurada por estimativa? A resposta é negativa, porquanto, como já visto, não trouxe a defesa nenhum comprovante dos pagamentos. Ademais, que problemas teria ocorrido na autuação ou na escrituração que não foram deduzidos na impugnação? É de recordar o mandamento contido no art. 16 do Decreto d 70.235, de 1972, que prescreve: [...] 23. Deve, assim ser indeferido o pedido de perícia, por prescindível ao julgamento da lide. 24. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, considerar procedente em parte o lançamento, para reduzir a multa para R$ 5.289,12. A alegação de boafé por não ter causado qualquer prejuízo ao Erário, não tem qualquer influência no presente lançamento de ofício, uma vez que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso6. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar 6 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19647.002406/200572 Acórdão n.º 1003000.270 S1C0T3 Fl. 221 12 sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade7. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 221DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903098/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2002
DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-005.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 30 98 /2 00 9- 17 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13888.903098/200917 Acórdão n.º 3301005.379 S3C3T1 Fl. 108 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 80 a 92) interposto pelo Contribuinte, em 5 de outubro de 2010, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 (fls. 70 a 75), de 4 de agosto de 2010, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 4 a 16). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP). O valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 30/11/2002. Por intermédio do despacho decisório de fl. 8, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) foi alocado para o débito declarado conforme Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) apresentada pela própria contribuinte. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 01/07, na qual alega, em síntese,que: I. A contribuinte auferiu na competência em questão receitas constituídas de "outras receitas", receitas essas que juridicamente não estavam sujeitas à incidência de PIS e Cofins, dada a irregularidade do art. 3° da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento para fins de incidência de PIS e Cofins; II. O dispositivo em questão ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da Cofins, passando a considerar faturamento "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Tal dispositivo violou flagrantemente o art. 146 e o 154 da Constituição Federal, além de violar o art. 110 do Código Tributário Nacional, alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado; III. De acordo com a doutrina, faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13888.903098/200917 Acórdão n.º 3301005.379 S3C3T1 Fl. 109 3 IV. Concluiu que, como o Supremo Tribunal Federal, por seu pleno, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de calculo do PIS e da Cofins, por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, devendo ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Apresentou várias ementas de decisões do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) sobre a inconstitucionalidade do art. 3° da Lei 9.718/98; V. Ao final, requereu que seja dado provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de que se reconheça a existência do direito ao crédito e conseqüentemente à compensação. Diante da decisão proferida pela DRJ o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.903098/200917 Acórdão n.º 3301005.379 S3C3T1 Fl. 110 4 Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Adminstração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.903098/200917 Acórdão n.º 3301005.379 S3C3T1 Fl. 111 5 A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13888.903098/200917 Acórdão n.º 3301005.379 S3C3T1 Fl. 112 6 todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará lo ao pagamento efetuado. A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13888.903098/200917 Acórdão n.º 3301005.379 S3C3T1 Fl. 113 7 Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 10508.720648/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos que visam à correção de contradição no acórdão anterior, corrigindo-se o texto para, sem efeitos infringentes, esclarecer a contradição.
Numero da decisão: 1401-003.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para acolhê-los, sem efeitos infringentes, tão somente para sanar a contradição apontada, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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CONTRADIÇÃO ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos que visam à correção de contradição no acórdão anterior, corrigindose o texto para, sem efeitos infringentes, esclarecer a contradição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para acolhêlos, sem efeitos infringentes, tão somente para sanar a contradição apontada, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 06 48 /2 01 3- 71 Fl. 18890DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401003.060 S1C4T1 Fl. 18.891 2 Relatório Reproduzo o relatório constante do despacho de admissibilidade dos embargos no que tange à análise a ser realizada. O processo tem origem em ação fiscal em que a fiscalização concluiu que o contribuinte teria omitido receitas e teria deduzido despesas não comprovadas, nos anos 2008, 2009 e 2010. Em consequência, foram lavrados autos de infração (fls. 17583) para exigir IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem como juros de mora e multa de ofício qualificada (150%). No mesmo procedimento, foram apontados como responsáveis tributários as seguintes pessoas: HERBERT MOREIRA DIAS e VALDEANA MEIRA SOUTO DIAS (fls. 17560). Instaurado o contencioso administrativo, a decisão de primeira instância deu parcial provimento às impugnações, exonerando parte do crédito tributário exigido, o que deu ensejo a recurso voluntário (fls. 18723). O julgamento do recurso voluntário foi levado a efeito por meio do acórdão ora embargado pela Fazenda Nacional, pelo qual o colegiado deu parcial provimento ao recurso, para exonerar a qualificação da multa de ofício. O referido acórdão adotou a seguinte ementa (fls. 18850): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO PROCESSUAL E BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. Improcedente a alegação de quebra de sigilo processual e bancário do contribuinte quando se verifica que o contribuinte foi regularmente intimado de todos os termos no curso do procedimento fiscal e a autuação lastreouse em elementos fornecidos pelo próprio contribuinte e que não foram retirados de documentos fornecidos por instituições financeiras. NULIDADE, FALTA DE INTIMAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA, CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Improcedente a arguição de nulidade por cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente representado por mandatário, o qual tem ciência de todos os termos do procedimento fiscal e quando o contribuinte apresenta sua impugnação também de forma regular, através de advogado, que exerce plenamente a sua defesa. INSUBSISTÊNCIA DAS GLOSAS. IMPROCEDÊNCIA. Comprovandose que. em sede de julgamento foi determinada a realização de diligência na qual foram analisados os documentos apresentados pelo impugnante e que refletiram na redução da autuação, improcede o pedido de insubsistência das glosas pela não consideração dos documentos apresentados. Fl. 18891DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401003.060 S1C4T1 Fl. 18.892 3 ARBITRAMENTO DO LUCRO. INEXISTÊNCIA. Improcede alegação de improcedência do lançamento quando se comprovada que no procedimento de fiscalização a apuração do lucro foi realizada sob a sistemática do lucro real. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. Não se constatando a existência de fato específico que demonstre a realização de atos caracterizadores das hipóteses dos arts. 72 a 74, da Lei n° 4.502/64. improcede a aplicação da qualificação da multa. PARTICIPAÇÃO EM GRUPO ECONÔMICO. PROCEDÊNCIA. Comprovado nos autos que a atuação dos imputados decorria de uma ação de um grupo econômico, com comprovação robusta, mantémse esta acusação. Após essa decisão, o processo foi enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional em 03/05/2018 (fls. 18876), para ciência. Por força do §9º do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, presumese a ciência trinta dias após essa data. O processo retornou ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 05/06/2018 (fls. 18883), com os embargos de declaração de fls. 18877, razão pela qual o recurso é considerado tempestivo, conforme o art. 65, §1º, do RICARF. Os embargos de declaração contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis apenas quando estas contiverem obscuridade, contradição ou omissão, nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. O embargante opõese ao referido acórdão em face de alegada contradição e obscuridade localizada na exoneração da qualificação da multa de ofício. O embargante afirma que a fundamentação da decisão embargada sobre a qualificação da multa de ofício indica a manutenção da exacerbação da penalidade enquanto o dispositivo determina a sua exoneração, conforme o seguinte excerto (fls. 18881): Assim, muito embora a ementa, o acórdão e a conclusão final do voto proferido pelo Relator estejam em sintonia, vislumbrase que essa conclusão não guarda consonância com os fundamentos expostos no voto condutor a respeito. As contradições verificadas no voto condutor do acórdão ora embargado prejudicam sua clareza e unidade, rendendo ensejo, além do vício da contradição, também ao vício da obscuridade. Fl. 18892DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401003.060 S1C4T1 Fl. 18.893 4 Não é possível depreender a partir dos fundamentos do voto condutor, qual foi de fato o entendimento da Turma. Ora, o voto parece concordar com o posicionamento da fiscalização ao exasperar o percentual de aplicação da penalidade, ora parece considerar os termos do lançamento como insuficientes para manter a qualificação da multa. Como visto, os termos do voto são inconciliáveis entre si. O próprio voto contém em si proposições e conclusões totalmente incompatíveis entre si. Transcrevese o voto condutor do acórdão, no trecho correspondente à análise da qualificação da multa de ofício (fls. 18873): Acerca da qualificação da multa vejamos o que informa a fiscalização em sua autuação. 8 QUALIFICAÇÃO DA MULTA Tendo restado caracterizado o evidente intuito de fraude e a pratica reiterada de sonegação fiscal, conforme definido nos arts. 68, 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 30 de novembro de 1964, a multa aplicável a esta infração é a prevista no art. 44, § 1o da Lei n° 9.430/96. Analisandose o lançamento realizado verificase que o lançamento decorreu de glosa de despesas não comprovadas, diferença de estoques de encerramento do ano 2008 e de abertura do ano 2009 e. por fim. lançamentos incorretos a crédito da conta caixa. Pela análise das infrações cometidas podese constatar a existência de infrações à legislação tributária decorrentes de ação intencional tendente a reduzir a imputação tributária. Notese que não se trata de um simples equívoco cometido pela empresa, mas sim atos intencionais de indevida redução da tributação, como, por exemplo os lançamentos realizados a crédito da conta de caixa. No TVF a fiscalização consegue demonstrar cabalmente que os sócios reais da empresa são diferentes dos sócios que constam nos contratos sociais, no entanto este fato não implica, sem maiores comprovações, que os atos praticados por estes estariam caracterizados como atos de fraude ou sonegação, posto que não houve análise da realização dos atos irregulares para benefício específico de alguém. Por estas razões, e por entender a prática dos atos de evidente intuito de redução indevida da tributação, juntamente com a tentativa de ocultar os reais proprietários da empresa com vista a não se responsabilizarem pelas intencionais infrações cometidas, voto no sentido de manter a qualificação da multa aplicada. Ao final, o dispositivo do acórdão foi assim redigido (fls. 18874): Fl. 18893DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401003.060 S1C4T1 Fl. 18.894 5 Por rodo o exposto voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO apenas para excluir a qualificação da multa imposta. Verifico que a proclamação da decisão, no início do acórdão, indica a exoneração da qualificação da multa de ofício por unanimidade, ou seja, conforme o voto do relator. Entendo que assiste razão ao embargante, na medida em que o relator declara seu voto pela manutenção da qualificação da multa de ofício ("voto no sentido de manter a qualificação da multa aplicada") e apresenta fundamentação coerente com essa conclusão, conforme a transcrição acima. Contudo, no final do seu voto, o relator dispõe que a referida qualificação será exonerada ("DAR PARCIAL PROVIMENTO apenas para excluir a qualificação da multa imposta"). A contradição passível de embargos é aquela encontrada entre a decisão embargada e seus fundamentos, nos termos do caput do já referido artigo 65 do RICARF. Na espécie, a decisão embargada determinou a exoneração da qualificação da multa de ofício, em oposição aos fundamentos e à conclusão do voto condutor. Destarte, acolho os embargos de declaração em tela para que a Turma Julgadora solucione a contradição apontada, em conformidade com o artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF). É o relatório. Colocados nestes termos a admissão dos embargos, estes foram encaminhados para julgamento por esta Turma a fim de serem sanadas a irregularidades apontadas. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Os embargos são tempestivos e preenchem os requisitos legais, assim deles tomo conhecimento. Em relação à contradição entre o teor do que foi relatado no voto, onde era apresentado o entendimento que seguis no sentido de manter a qualificação da multa e o que consta na ementa do julgado, que segue no sentido de exonerar a qualificação, verificamos que o despacho de admissibilidade entendeu corretamente a situação e a contradição suscitadas pela Procuradoria. Assim, passemos a nos posicionar. Fl. 18894DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401003.060 S1C4T1 Fl. 18.895 6 Da revisão das anotações da ata de julgamento, verifiquei que minha opinião refletida no texto do acórdão foi modificada quando dos debates sobre o caso. Em verdade, o que aconteceu no presente caso, como acontece em inúmeros autos de infração é que os valores informados pela empresa ao fisco estadual eram diferentes dos valores informados ao fisco federal. Assim iniciaramse os trabalhos de fiscalização baseados em operação realizada pela SEFAZ/BA e foram constatadas pela fiscalização diferenças dos valores das receitas, foram realizadas glosas de despesas e apontadas diferenças de caixa. No entanto, conforme foi destacado pelos colegas no momento do julgamento, não foram apontados atos concretos a qualificar uma das hipóteses dos arts. 72, 73 e 74 da Lei nº 4.502/64. As ações da empresa são apresentadas de forma genérica sem a individualização de condutas tipificadoras específicas. Além disso, foi considerado que o fiscal sequer apontou os elementos que o conduziram à qualificação no item específico do TVF. Foi este o ponto que me levou, na ocasião do julgamento, a rever o ponto de vista. Por essas razões, e suprindo a contradição apontada, passo a apresentar os motivos que devem passar a ser considerados para a exoneração da qualificação da multa de ofício no acórdão nº 1401002.295, de 13 de março de 2018. "Da Qualificação da Multa de Ofício Iniciemos com a integral descrição dos motivos que levaram a fiscalização à qualificação da multa de ofício. Conforme se demonstra a fiscalização, apesar dos inúmeros indícios da ocorrência de irregularidades, não se deu ao trabalho de indicar que atos específicos levaram ao seu convencimento de que ocorreram as hipóteses de qualificação da multa de ofício. Inobstante a existência de diversas condutas que podem ser identificadas no TVF que podem conduzir à conclusão de que a empresa incorreu em uma das hipóteses dos arts. 72, 73 e 74 da Lei nº 4.502/64, entretanto, em se tratando de um procedimento acusatório, a fiscalização deveria, por obrigação, indicar que condutas ensejaram à qualificação da multa. Observase que no presente caso o auto tratou de omissões de receitas, glosa de despesas, saldo credor de caixa, infrações essa obtidas da escrituração do contribuinte e da comparação das informações prestadas ao fisco estadual. Ora, tais ocorrências se demonstram em inúmeros autos de infração que são lavrados diariamente. Assim, para que se possa qualificar as condutas com vistas à imposição da multa qualificada é necessário, antes de mais nada, identificálas individualmente. Fl. 18895DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401003.060 S1C4T1 Fl. 18.896 7 Este foi o problema apontado por colegas quando do julgamento do recurso e que levaram à mudança de opinião deste relator no sentido que, em não existindo a indicação pormenorizada dos atos praticados que podem ser tipificados nas normas dos arts. 72, 73 e 74 da Lei nº 4.502/64. Por isso, mesmo considerando que existiam no TVF diversas informações que poderiam conduzir à tipificação da penalidade, o fato de o TVF não ter pormenorizado estes atos, apenas indicando, com simplicidade franciscana, que o contribuinte incidiu nas hipóteses de qualificação dificultou a defesa do contribuinte e deixou de apresentar a acusação forma em relação à qualificação da multa. Por estas razões, adotando o entendimento de meus colegas de turma, considero que o TVF não apresentou a acusação acerca dos atos praticados que levaram à qualificação da multa, razão pela qual, entendo que não pode ser mantida a qualificação da forma como acusada pela fiscalização. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso neste ponto para excluir a qualificação da multa de ofício." Por todo o exposto, e tendo sido apresentada a solução quanto à contradição apontada no acórdão, acolho os embargos de declaração para sanar a contradição apontada, apresentando a correta fundamentação do voto que culminou na exoneração da qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 18896DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688668/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/2002
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor.
REMISSÃO DE DÉBITOS
Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 3302-005.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/10/2002 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
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INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 86 68 /2 00 9- 15 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.688668/200915 Acórdão n.º 3302005.936 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Sinteticamente, sustenta a inconstitucionalidade da COFINS recolhida em razão de no período estar em vigor a Súmula STJ n. 276 e entender que a exigência da contribuição sobre sociedades uniprofissionais seria indevida até 17 de setembro de 2008, quando admite que tributo finalmente teve sua constitucionalidade declarada pelo STF, quando do julgamento da ADI 4071. Sobreveio então o julgamento da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1631.129. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, por meio do qual suscitou os argumentos já submetidos à DRJ, enfatizando a inconstitucionalidade da exação bem como a existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.688668/200915 Acórdão n.º 3302005.936 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.932, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.932): "O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual o admito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se passar à análise do mérito. O cerne da controvérsia é deveras interessante, não é de competência deste colegiado, mas sim do Poder Judiciário, contudo merece ser mencionada para a devida contextualização da matéria em discussão: Tratase da à possibilidade ou não de uma lei formalmente complementar, contudo materialmente ordinária, ser revogada por uma lei ordinária. Da solução desta polêmica decorre a tributação, ou não, das sociedades uniprofissionais, isentadas da COFINS pela Lei Complementar n. 70/91, mas que a referida isenção foi revogada pela Lei Ordinária n. 9.430/96. Na tentativa de pacificar a matéria, no dia 14.05.2003 o STJ editou a Súmula n. 276 que dispunha que "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado". Contudo, no julgamento do RE 377.457/PR e RE 381.964/MG o STF admitiu a constitucionalidade da revogação da Lei Complementar (materialmente ordinária) pela Lei Ordinária e a Súmula STJ 276, o que na prática chancelou a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS desde a entrada em vigor da Lei Ordinária n. 9.430/96. Em que pese o fato da enorme insegurança jurídica promovida pela alteração jurisprudencial, por força da SÚMULA CARF N. 02 a este Colegiado é vedado apreciar eventual inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor. Em relação à exigência da COFINS sobre as sociedades uniprofissionais, este Colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que deve ser reconhecida a isenção para sociedade civil prestadora de serviços profissionais em período anterior à publicação da Lei 9.430/96, sendo irrelevante o regime tributário que esta adote para fins do Imposto de Renda, conforme prevê a Súmula 276 do STJ, como se aduz do Acórdão n. 9303 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.688668/200915 Acórdão n.º 3302005.936 S3C3T2 Fl. 5 4 002.036 proferido no Recurso Especial n. 15374.002049/0063, de relatoria da Ilma. Conselheira Nanci Gama, julgado em 10 de julho de 2012. Contudo, os valores tratados nos presentes autos dizem respeito a período posterior, no qual encontrase em vigor legislação que determina a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso. Neste sentido vale destacar que a declaração da constitucionalidade da revogação pelo STF, por ter natureza declaratória, possui efeitos ex tunc, ou seja, retroagido à data da entrada em vigor da norma revogante. Estando a atividade da Recorrente na região de incidência de norma fiscal impositiva, não há de se reformar a decisão atacada, que nega direito ao crédito tributário pretendido pela Recorrente. Em relação ao argumento da existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009, também é certo que a concessão ou o reconhecimento da remissão não é matéria de competência da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, razão pela qual deve ser mantida a r. decisão atacada. Pelos motivos já expostos é de se negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.722332/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de concedido pelo Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 2202-004.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Redatora ad hoc.
.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de concedido pelo Decreto nº 70.235/1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio- Redatora ad hoc. . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de concedido pelo Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Redatora ad hoc. . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 23 32 /2 01 1- 81 Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10920.722332/201181 Acórdão n.º 2202004.689 S2C2T2 Fl. 1.033 2 convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de acórdão inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário de Contribuições Sociais Previdenciárias. Intimada, a Contribuinte protocolou impugnação. A DRJ manteve integralmente o crédito tributário. Inconformada, interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 28/10/2011 foram lavrados os autos de infração DEBCAD nº 51.010.2824, referente à multa do CFL 38 (fl. 37); DEBCAD nº 51.010.2832, referente à multa do CFL 30 (fl. 38); DEBCAD nº 51.010.2840, referente à multa do CFL 59 (fl. 39); DEBCAD nº 51.010.2875, referente ao crédito do tributo (fls. 40/57). Consta nos autos Relatório Fiscal (fls. 8/33 e docs. anexos fls. 3/7, 34/36 e 58/818). Intimada em 22/11/2011 (fls. 37/40), a Contribuinte protocolou impugnações individualizadas para cada DEBCAD em 21 e 22/12/2011 (fls. 822/841, 882/898, 910/928 e 940/956). Analisando a defesa, a DRJ proferiu o acórdão nº 1264.767, de 14/04/2014 (fls. 967/977), no qual manteve integralmente o crédito tributário e que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. PRESENTE. INEXISTÊNCIA DE FATO. PRESUNÇÃO SIMPLES. POSSIBILIDADE. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. O Fisco pode utilizarse de presunção a fim de demonstrar a ocorrência de fato tributariamente relevante, baseandose em regras de experiência acerca do que geralmente acontece no mundo fenomênico. A lei não pode prever todos os fatos indiciários a fim de positiválos como enunciado de presunção absoluta ou relativa. Caracterizase o grupo econômico quando, além do parentesco e do controle societário, o conjunto de indícios e elementos fáticos demonstra que as empresas combinavam recursos e esforços para a consecução de objetivos comuns, sob direção única e coordenada, portanto, atuavam economicamente como grupo. Há solidariedade entre as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondendo pelas obrigações Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10920.722332/201181 Acórdão n.º 2202004.689 S2C2T2 Fl. 1.034 3 decorrentes da lei de custeio da previdência social, por expressa disposição legal, bem como pela comprovação do interesse comum na situação que constitua fato gerador. Constatada a ocorrência de simulação, consubstanciada na utilização de empresa inexistente de fato, a fim de obter exclusivamente a redução da carga tributária, é lícita a deconsideração do negócio jurídico e o arbitramento das contribuições devidas. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. RECUSA. INFRAÇÃO. A apresentação de livros e documentos é dever instrumental, cuja infração não depende do descumprimento concomitante das obrigações principais e enseja a aplicação de penalidade pecuniária. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTOS. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUITES INDIVIDUAIS. OMISSÃO. INFRAÇÃO. Demonstarada pela fiscalização a ocorrência de remuneração dos segurados empregados e contribuinte individuais, impõese a aplicação de penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória de incluir os trabalhadores nas folhas de pagamentos. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. DESCONTO EM FOLHA. AUSÊNCIA. INFRAÇÃO. Demonstrada pela fiscalização a ocorrência de remuneração dos segurados empregados e contribuinte individuais, impõese a aplicação de penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória de arrecadar a contribuição a cargo dos mesmos, mediante desconto da remuneração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 29/04/2014 (fls. 992), e ainda inconformada, a Contribuinte 06/06/2014 protocolou recurso voluntário em 06/06/2014 (fls. 995/1.022) argumentando, em síntese, · Que o lançamento se sustenta em presunção simples, o que é indevido; · Que não ocorreu simulação nem grupo econômico; · Que, não havendo grupo econômico, não pode ser imposta a responsabilidade solidária; e · Que, subsidiariamente, deve ser aplicada a retroatividade benigna para que seja imposta a multa doa art. 32A da Lei nº 8.212/1991, menos onerosa do que aquela vigente à época dos fatos, de sorte que não pode Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10920.722332/201181 Acórdão n.º 2202004.689 S2C2T2 Fl. 1.035 4 ser aplicada a multa de 75%, vez que essa só foi inserida no ordenamento após os fatos geradores, e que esta contrária aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Os presentes autos foram apensados ao processo nº 10920.722323/201191 (fl. 820). É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Redatora ad hoc Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência desta Conselheira Conforme se observa do relatório fiscal, a Contribuinte foi intimada do resultado do julgamento em 29/04/2014 (fl. 992). Efetivamente, a intimação ocorreu pela abertura dos arquivos disponibilizados em sua caixa eletrônica. Esse é o marco inicial para a contagem do prazo recursal, nos termos do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10920.722332/201181 Acórdão n.º 2202004.689 S2C2T2 Fl. 1.036 5 c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) Nessa linhas, é intempestivo o recurso da Contribuinte, vez que protocolado em 06/06/2014 (fl. 995, ou seja, após o prazo de 30 (trinta) dias concedido pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Registrase que o recurso não trata da questão da tempestividade. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio (voto de Dilson Jatahy Fonsenca Neto) Fl. 1037DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.728764/2016-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
OPERAÇÃO DE MUTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. PRESENÇA DE CONTRATOS DE MÚTUO. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO FORMAL DE CONTA-CORRENTE.
É devida a cobrança do IOF sobre as operações de mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas não financeiras integrantes do mesmo grupo econômico, com base em contratos de mútuo apresentados. A alegação de contrato de conta-corrente não é suficiente para afastar a tributação disposta em lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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PRESENÇA DE CONTRATOS DE MÚTUO. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO FORMAL DE CONTACORRENTE. É devida a cobrança do IOF sobre as operações de mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas não financeiras integrantes do mesmo grupo econômico, com base em contratos de mútuo apresentados. A alegação de contrato de contacorrente não é suficiente para afastar a tributação disposta em lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 87 64 /2 01 6- 37 Fl. 4698DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.691 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 4195 a 4211) interposto pelo Contribuinte, em 17 de novembro de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 14 70.309 (fls. 4166 a 4177), de 25 de setembro de 2017, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a Impugnação (fls. 3613 a 3633) apresentada. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 30 a 67), parte integrante do auto de infracã̧o lavrado em 12/12/2016 (fls. 02 a 29), o contribuinte acima identificado foi fiscalizado em relação ao IRPJ, CSLL e IOF, em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento de obrigações tributárias, que abrangeu fato gerador ocorrido nos anoscalendário de 2012 a 2014. Relata a Autoridade Fiscal que a fiscalizada, Companhia Agro Industrial de Goiana, firmou com o Banco BVA empréstimo bancário no valor de R$ 70.700.000,00, por meio de quatro cédulas de crédito bancário emitidas na data de 05/01/2012. Pelos registros contábeis, foi lançado a débito o valor de R$ 11.027.927,40 na conta “Despesas bancárias”, com histórico de “Comissão de Estruturação”. Conforme Autoridade Fiscal, para justificar e comprovar essa despesa, foi apresentada apenas uma “proposta de estruturação” que supostamente teria sido firmada com a empresa de nome BVA Servico̧s. Conclui que “apesar de o extrato bancaŕio apresentado pelo sujeito passivo demonstrar ter havido um crédito em sua conta de apenas R$ 58.323.787,10, não foi apresentado qualquer comprovação do pagamento do valor de R$ 11.027.927,40, ou do seu efetivo destinatário”. Acrescenta que essa proposta não comprova a despesa e a sua dedutibilidade, pois não tem assinaturas das partes e não houve a comprovação de efetivo pagamento à BVA Servico̧s. Ademais, o valor de R$ 11.027.927,40 representa 15,6% do total do mútuo realizado com o BVA, não havendo justificativa em se pagar tal montante apenas por uma intermediaçaõ, além dos custos inerentes ao financiamento propriamente dito, o que consistiria em mera liberalidade da fiscalizada. Por esse motivo, tal montante de R$ 11.027.927,40 foi glosado da apuração do lucro real, incidindo IRPJ e CSLL, além de IRRF (Art. 674 do RIR/99). Relata ainda a Autoridade Fiscal que nos anoscalendário de 2012, 2013 e 2014, a empresa contabilizou como despesas financeiras, os juros de empréstimos tomados com empresas interligadas, limitandose a informar que utilizou a Taxa SELIC para Fl. 4699DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.692 3 apuração dessas despesas. Afirma que os contratos firmados entre a fiscalizada e suas interligadas possuem cláusula expressa onde são estipulados juros de 6% ao ano, e que, por mera liberalidade, a contribuinte registrou juros pela taxa Selic, tratandose de despesas não necessárias e, portanto, não dedutíveis e sujeitas à glosa na apuração do lucro real. De modo semelhante e tal como previsto em todos os contratos de mútuo firmados em que a empresa fiscalizada é mutuante, apurou a fiscalização a existência, nos anoscalendário de 2012, 2013 e 2014, de receitas financeiras relativas a juros ativos com empréstimos realizados em favor de empresas interligadas, cuja parte não declarada foi considerada omissão de receitas de juros e lançada em auto de infração. Em outra infração apurada, a Autoridade Fiscal relata que houve integralização de capital social na Indústria de Sacos de Papel S/A Isapel, no valor de R$ 898.422,84, sem considerar o valor efetivo do custo do bem. Eventuais ganhos nessas operações deveriam ser levados à tributação no momento da subscrição através da entrega do bem, procedendo a Autoridade ao lançamento de ofício sobre este ganho de capital. Afirma também que houve integralização de capital social na mesma empresa Isapel, com a entrega do Engenho Palha, no valor de R$ 6.998.824,84. Porém, tal bem possuía o valor contábil de R$ 6.831.044,42, ocorrendo um registro de reavaliação de bem integrante do ativo sem a conta de reserva de reavaliação. Ademais, a empresa esclareceu que considerou o valor do imóvel de R$ 7.000.000,00, com base em laudo de avaliação, e lançou um prejuízo de R$ 1.175,16. Desse modo, foi glosado o valor de R$ 168.955,58 (R$ 1.175,16 de dedução indevida somado a R$ 167.780,42 de ganho de capital não declarado). Na última infração apontada, verifica que houve exclusão indevida do valor de R$ 229.654.151,88 da apuração do lucro real decorrente de desapropriações de terras, infringindo a legislação vigente que determina a classificação como ganhos ou perdas de capital dos resultados apurados na desapropriação, já que o fato não se enquadra na disposição contida no 184, § 5° da Carta Magna (reforma agrária e indenização através de títulos da dívida agrária). No que interessa ao presente processo administrativo – tributação do IOF (fls. 55 a 67), já que o julgamento das infrações referentes ao IRPJ e a CSLL é realizado em outro processo administrativo (PA no 10480.728867/201605), a Autoridade Fiscal aduz que a empresa fiscalizada efetuou diversos mútuos financeiros com empresas ligadas, mas não foram encontrados valores declarados em DCTF ou mesmo recolhimentos através de DARF efetuados pela Fiscalizada a título de IOF. Com base nos contratos de mútuo apresentados, bem como nos recibos de amortização ou recibos de empréstimos referentes a adiantamento de recursos do FINOR, elaborou planilha demonstrando se houve ou não apresentação do contrato ou do recibo de amortização. Ao analisar os lançamentos contábeis da fiscalizada, excluiu da incidência os valores referentes a amortização de dívidas. Com base nos arts. 3o e 7o do Decreto no 6.306/2007, calculou o valor para cada contrato, detalhados no demonstrativo do “Cálculo do IOF Operação de crédito realizadas por meio de conta corrente com valor do principal e prazo definido no contrato de mútuo”. Fl. 4700DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.693 4 Alega ainda que quatro dos mútuos firmados não foram objeto de contrato com prazo determinado, mas a Fiscalizada apresentou recibos assinados pelos mutuários. Também com base no art. 7o do diploma supracitado, a Autoridade Fiscal calculou o seu valor, para cada contrato, conforme planilha anexada. Por fim, ao mencionar a desapropriação ocorrida em 16/02/2012, com a subsequente quitação de ICMS devido por algumas de suas empresas interligadas na transação ocorrida com a Fiscalizada e o Estado de Pernambuco, aduz que parte do valor corresponderia a mútuos realizados entre a Fiscalizada e empresas interligadas, sem prazos para restituição desses valores. Assim, calculou o valor para cada contrato, conforme planilha anexada. Em consequência das divergências acima, o contribuinte foi intimado a pagar a diferença de tributo apurada, juros de mora e multa de 75% sobre os tributos de IOF apurados e não recolhidos, totalizando R$ 19.488.521,41. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 3613 a 3633) e juntou documentos (fls. 3634 a 4128 e 4154 a 4155). Alega, em suma, que as operações de crédito registradas não possuem natureza de mútuo simples, mas sim de um conta corrente contábil entre pessoas interligadas, situação essa que deveria ter sido verificada pela Autoridade Fiscal em nome da verdade material. Para verificar a correção de suas operações, contratou a empresa Tax Accounting Auditoria e Consultoria Tributária, que elaborou Laudo Pericial Contábil, onde constam os valores adequados que devem ser assumidos no processo em questão. Nessas contas patrimoniais da fiscalizada ocorre o registro de diversas operações, de débito e crédito, de dinâmica sucessiva e constante, configurando relação creditícia entre as partes envolvidas, que pertencem a um mesmo grupo econômico. Afirma que os contratos de mútuo foram formalizados apenas para fins de controle interno, e não guardam relação com os procedimentos operacionais e contábeis adotados pela sociedade, sendo que a Autoridade Fiscal não diligenciou corretamente, na busca da verdade real. Havendo simples conta corrente contábil entre a impugnante e suas coligadas, defende que não há se falar em incidência de IOF, ante a falta de disposição legal para tanto, já que o art. 13 da Lei 9.779/99 se refere a mútuo entre pessoas jurídicas, nada dispondo sobre o contrato de conta corrente, institutos diversos, vedada a aplicação de analogia. Assevera a Impugnante que, ainda que possível tributar a conta corrente, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários, com incidência da alíquota de 0,0041%, conforme alínea "a", do art. 7°, do Decreto n° 6.306/2007. Ainda, na composição da base de cálculo do tributo há valores que não configuram substantivamente o dito mútuo, mas foram incluídos pela Autoridade Fiscal: Transferências entre Contas Contábeis, Encargos Financeiros, Estornos e Instrumentos Particulares. Defende, por fim, que a exclusão da base de cálculo de um elemento que nela ilegalmente estava incluído é vício material, citando a doutrina e alguns julgados administrativos sobre o tema, requerendo a anulação do auto de infração por vício material. É o relatório. Fl. 4701DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.694 5 Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recursos Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1470.309 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2012, 2013, 2014 OPERAÇÃO DE MUTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. PRESENÇA DE CONTRATOS DE MÚTUO. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO FORMAL DE CONTACORRENTE. É devida a cobrança do IOF sobre as operações de mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas não financeiras integrantes do mesmo grupo econômico, com base em contratos de mútuo apresentados. A alegação de contrato de contacorrente não é suficiente para afastar a tributação disposta em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte, por intermédio do Recurso Voluntário, requer (fls. 4210): DOS PEDIDOS Diante do acima exposto, requer: a) O conhecimento do presente recurso voluntário, por preencher seus requisitos legais de admissibilidade; b) No mérito, a reforma do acórdão da DRJ, para que seja julgado improcedente o lanca̧mento promovido pela autoridade fiscal, uma vez que as operações consideradas na base de cálculo consubstanciamse em típico contrato de conta corrente contábil entre coligadas e que, por ausen̂cia de previsão legal, estão à margem da tributação pelo IOF; c) Subsidiariamente ao pedido acima, requer o reconhecimento da nulidade por vício material do lançamento consubstanciado no Auto de Infração ora recorrido, em virtude de ter a autoridade autuante violado o disposto no art. 142 do CTN, por qualificar erroneamente os fatos, tendo se desincumbido de seu dever de investigação para alcançar o princípio da verdade material, considerando um conta corrente contábil como se diversos mútuos fossem; d) Subsidiariamente aos pedidos acima, requer a reforma do acórdão da DRJ para que seja declarada a improcedência do auto de infração em virtude do erro de capitulação legal da imputacã̧o, haja vista a diferença na metodologia de cálculo do Fl. 4702DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.695 6 IOF sobre contratos de mútuo e sobre conta corrente contábil entre coligadas, afrontando assim, o art. 142 do CTN; e) Subsidiariamente aos demais pleitos acima, requer a reforma do acórdão da DRJ para que seja reformado o auto de infração, considerandose como corretos os cálculos apresentados no laudo pericial contábil fiscal anexos à impugnação. Alega o Contribuinte, subsidiariamente no último item, que seja reformado o auto de infração tendo em vista que os cálculos na apuração do IOF estão incorretos, e, que para tanto requer que seja considerado o laudo pericial contábil apresentado quando da Impugnação, bem como, do adendo ao laudo pericial da Tax Accounting: Auditoria & Consultoria Tributára (fls. 4220 e seguintes) em que concluem e sugerem: Ao término de nossos trabalhos, certificamos que os valores que estão apresentados no “Quadro VII – Cálculo do IOF Apurado” presente no Laudo Pericial Contábil e reproduzido a seguir na forma do quadro II, devem ser considerados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ou até mesmo, sugerimos que seja realizada uma nova diligência na empresa para que se averigue os fatos até aqui explanados, sempre com a luz do conceito da essência sobre a forma. Considerando os fatos e os argumentos formulados no Recurso Voluntário, entendo correta a decisão ora recorrida sobre todos os 4 itens do recurso. Cito o voto da decisão como razões para decidir (fls. 1652 a 1659): A impugnação foi apresentada com observância dos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dela conheço. A defesa da Impugnante de que a natureza das operações tributadas pela Autoridade Fiscal é de conta corrente contábil, em vez de mútuo, não encontra fundamento legal. Inicialmente, verificase que o fundamento legal para a imposição fiscal foi regularmente enquadrada no art. 2º, inciso I, e art. 3º do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, que abaixo transcrevo: “Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras (Lei nº 5.143, de 20 de outubro de 1966, art. 1º); b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring) (Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15, § 1º, inciso III, alínea “d”, e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 58); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13); (...) Fl. 4703DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.696 7 Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1º Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7º e 10 do art. 7º; VII na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. § 2º O débito de encargos, exceto na hipótese do § 12 do art. 7º, não configura entrega ou colocação de recursos à disposição do interessado. § 3º A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei nº 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1º, inciso I); II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 58); III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13).” (grifei) Da leitura dos dispositivos acima, concluise que o IOF incide nas operações de mútuo entre pessoas jurídicas, independente de serem elas coligadas ou não, em respeito ao princípio da legalidade e no cumprimento do dever de lançamento, vinculado e obrigatório, nos termos do art. 142 do CTN. A alegação de que os contratos de mútuo apresentados na fase de fiscalização (fls. 776 a 3510) foram formalizados apenas para fins de controle interno, não guardando Fl. 4704DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.697 8 relação com os procedimentos operacionais e contábeis adotados pela sociedade, não merece prosperar. A uma, porque a apresentação dos diversos contratos de mútuo que embasaram as operações foi espontânea, em atendimento às intimações realizadas pela Autoridade Fiscal, conforme consta das respostas do fiscalizado às fls. 559 a 602. Não pode agora, após a lavratura do auto de infração e em evidente afronta ao princípio venire contra factum proprium, alegar que “as operações creditícias registradas nestas contas não possuem natureza de mútuo simples, mas sim, de um conta corrente contábil entre pessoas interligadas”. Todas as afirmações anteriores da autuada conduziam no sentido da existência de mútuo entre as empresas, e tais operações são constatadas pela apresentação espontânea dos contratos de mútuo. Nesse sentido, não merece amparo a alegação de que a Autoridade Fiscal não diligenciou corretamente, na busca da verdade real. Houve sim a diligência e, apresentados os documentos pertinentes à operação realizada, a Autoridade Fiscal procedeu à autuação. Em segundo lugar, a Impugnante utilizouse dos mesmo contratos de mútuo, que agora diz não terem validade, para deduzir de sua contabilidade despesas financeiras com juros de empréstimos tomados com empresas interligadas. Não só registrou os juros, como também utilizouse de taxas superiores às firmadas nos contratos de mútuo. Do mesmo modo, a fiscalização apurou a contabilização de receitas financeiras relativas a juros ativos com empréstimos realizados em favor de empresas interligadas em valores inferiores aos estabelecidos nos contratos de mútuos, lançando a omissão de receitas de juros em auto de infração. Ou seja, a Impugnante utilizouse dos contratos de mútuo para compor sua contabilidade, apropriandose dos juros e aproveitandose para deduzir despesas a maior e declarar receitas a menor, e agora, em sede de impugnação, defende que não houve mútuo, mas sim o denominado instituto jurídico da conta corrente. Ainda assim, a contacorrente contábil entre empresas interligadas, defendida pela Impugnante e pela empresa de consultoria por ela contratada, além de não restar comprovada por contratos específicos assinados pela Impugnantes e pela outra parte, não encontra respaldo legal para a não tributação. É que a disponibilização de numerário entre empresas, caso realizada por contrato específico e contabilizada de modo correto, ainda assim tem a natureza de contrato de mútuo pela legislação vigente. Não podem as negociações entre particulares serem opostas à Fazenda Pública, nem pretender utilizarse de nome diverso de um instituto jurídico com a finalidade de esquivarse da tributação. Tal ato ensejaria desrespeito ao princípio da igualdade tributária, já que todos os contribuintes que praticam a atividade de mútuo, qualquer que seja a denominação dada, inclusive o contacorrente, contribuem para arrecadação de impostos. Além disso, em breve pesquisa a doutrinadores civilistas respeitáveis, verificase discussão sobre a inconstitucionalidade de mútuo quando praticado na ausência de instituições financeiras, mas não há discussão sobre a possibilidade de tal espécie contratual (contacorrente entre empresas) como não sujeito à tributação, ficando restrita tal teoria a alguns estudiosos, na tentativa de justificar operações já efetuadas sem o suporte legal necessário e sem o pagamento dos tributos devidos. Fl. 4705DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.698 9 Nesse sentido também a IN nº 907, de 09 de janeiro de 2009: “Art. 7º O IOF incidente sobre operações de crédito concedido por pessoas jurídicas não financeiras, de que trata o art. 13 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma. § 1º O imposto de que trata o caput tem como: I contribuinte, o mutuário, pessoa física ou jurídica; II fato gerador, a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do mutuário; e III base de cálculo, o valor entregue ou colocado à disposição do mutuário. § 2º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês. § 3º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente em que fique definido o valor do principal, a base de cálculo será o valor de cada principal entregue ou colocado à disposição do mutuário. § 4º O imposto incidirá às alíquotas previstas no § 2º do art. 6º. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1543, de 22 de janeiro de 2015) § 5º É responsável pela cobrança e pelo recolhimento do IOF a pessoa jurídica mutuante. § 6º O imposto deve ser recolhido ao Tesouro Nacional até o 3º (terceiro) dia útil subseqüente ao decêndio da cobrança, sob os códigos de receita 1150, se o mutuário for pessoa jurídica, e 7893, se o mutuário for pessoa física.” As decisões mais recentes das turmas do CARF alinhamse para acordarem a legalidade do IOF sobre o mútuo entre coligadas ou sobre operações de conta corrente, se for o nome dado a essa operação, conforme ementas abaixo colacionadas, de modo exemplificativo: MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS COLIGADAS. INCIDÊNCIA DO IOF. Nos termos da legislação em vigor, incide o IOF nas operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas coligadas, na modalidade de mútuo de recursos financeiros.( Nº Acórdão 3402004.129; Relator CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO; Data da Sessão 23/05/2017) IOF. MÚTUO FINANCEIRO. GRUPO ECONÔMICO. A realização de operações de mútuo entre empresas do mesmo grupo econômico não impede a incidência do IOF sobre tais operações, por conservarem, mutuante e mutuário, a sua personalidade, nos termos do artigo 266 da Lei nº 6.404/76. Recurso Voluntário Negado.Crédito Tributário Mantido.(Nº Acórdão 3402 004.112; Relator CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO; Data da Sessão 23/05/2017) IOF. MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO FORMAL. Fl. 4706DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.699 10 POSSIBILIDADE. É devida a cobrança do IOF sobre as operações de mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas não financeiras integrantes do mesmo grupo econômico, ainda que não exista instrumento contratual que ampare tal operação, desde que os registros ou lançamentos contábeis, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos financeiros à disposição de terceiros. (Nº Acórdão 3302004.154; Relator DOMINGOS DE SA FILHO; Data da Sessão 22/05/2017) IOF. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. COLIGADAS. O art. 13 da Lei nº 9.779/99, amparado no art. 63, I e art. 66 do CTN, prescreve a incidência do IOF sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, conforme as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Não há óbice na tributação pelo IOF das pessoas jurídicas não financeiras, sendo de nenhum valor a afirmação de que o mútuo celebrado entre empresas coligadas, para fins apenas empresariais, é sem caráter especulativo. (Nº Acórdão 3301 003.956; Relator SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO; Data da Sessão 26/07/2017) No mesmo sentido é a única decisão do STJ sobre o tema: TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas" e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. 2. Recurso especial não provido.( REsp 1239101 / RJ; Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES; Data do Julgamento 13/09/2011) O voto do relator Ministro Mauro Campbell é elucidativo: mesmo que houvesse contrato de contacorrente entre as empresas coligadas (o que, frisese, não ocorreu no presente caso, pois há contratos de mútuo anexados pela própria Impugnante, à exceção de quatro dos mútuos firmados, que não foram objeto de contrato com prazo determinado), o IOF é devido: “O contrato de abertura de crédito que a recorrente celebra estabelece que a controladora disponibiliza créditos às controladas, que poderão utilizálos total ou parcialmente. A remuneração do capital emprestado são os juros sobre o capital da controladora disponibilizado às controladas. Nesse sentido, não resta dúvida que as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas, com a previsão de concessão de crédito, são verdadeiras operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, na medida em que, em todos os casos, é disponibilizado numerário de forma imediata para pagamento futuro a depender do saldo existente.” Com a aplicação literal do dispositivo legal para a tributação ao caso, não há que se falar em utilização de analogia para a tributação da Impugnante. O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua Fl. 4707DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.700 11 colocação à disposição do interessado, bastando a ocorrência do fato gerador e a ausência de declaração pelo contribuinte (ou declaração a menor ou a maior, dependendo de ser receita ou despesa, no presente caso), para a autuação fiscal. Em relação ao erro na apuração do valor do tributo, verificase que a Autoridade Fiscal dividiu a tributação das operações de crédito (quando a Impugnante era mutuante) em duas partes: 1 com o valor do principal e os prazos para amortização definidos (fls. 59 e ss. do Relatório). Tributou, assim, com a base de cálculo e a alíquota descritas no art. 7º, inciso I – b, parágrafos 1º e 15 do Decreto nº 6.306/07, e considerou o fato gerador conforme inciso II do parágrafo 1º, e o parágrafo 3º da mesma lei (fls. 3582 a 3601); 2 com o valor do principal definido e os prazos para amortização indefinidos (fls. 61 e ss. do Relatório), já que quatro dos mútuos não foram objeto de contrato com prazo determinado, mas foram assinados recibos pelos mutuários e a Fiscalizada informou que a vinculação ocorria apenas quanto ao montante da dívida. Tributou, assim, com a aplicação da alíquota diária sobre o principal multiplicado por 365, sem prejuízo da alíquota de 0,38% sobre o montante, aplicando o art. 7º, inciso Ib, parágrafos 14 e 15 do Decreto nº 6.306/07. A Impugnante, partindo da premissa que houve tributação sobre a conta corrente, insurgese indevidamente pelo método utilizado pela Autoridade Fiscal, pugnando pela utilização da alínea “a” do inciso I do art. 7º. Vejamos o dispositivo aplicável em ambos os casos: Art. 7º) A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0082%; (Redação dada pelo Decreto nº 8.392, de 2015) b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; 2. mutuário pessoa física: 0,0082% ao dia; (Redação dada pelo Decreto nº 8.392, de 2015) (...) Fl. 4708DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.701 12 §1º O IOF, cuja base de cálculo não seja apurada por somatório de saldos devedores diários, não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias, acrescida da alíquota adicional de que trata o § 15, ainda que a operação seja de pagamento parcelado. (Redação dada pelo Decreto nº 6.391, de 2008) (...) §15. Sem prejuízo do disposto no caput, o IOF incide sobre as operações de crédito à alíquota adicional de trinta e oito centésimos por cento, independentemente do prazo da operação, seja o mutuário pessoa física ou pessoa jurídica. (Incluído pelo Decreto nº 6.339, de 2008). (...) Tal insurgência não se sustenta, visto que a Autoridade considerou de fato a existência de mútuo entre as empresas coligadas e, para isso, utilizouse dos contratos apresentados pela empresa. A alínea “a” do artigo 7º se aplica “quando não ficar definido o valor do principal”, o que não se subsume ao caso em análise. Basta atentarse para a divisão em duas partes efetuada para a apuração do valor do tributo, narrada logo acima: 1 com o valor do principal e os prazos para amortização definidos; 2 com o valor do principal definido e os prazos para amortização indefinidos. Com base nas expressas cláusulas definindo os valores da parte principal, não pode ser aceito o argumento de que a fiscalização deixou de levar em consideração a dinâmica ínsita à operação de conta corrente, a qual consiste no movimento de mútua compensação dos lançamentos a crédito e a débito. Como se denota dos contratos de mútuo pactuados pela Impugnante (fls. 776 a 3510), a cláusula primeira dos contratos havidos sempre estabeleceu o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário. Como visto acima, quando o valor do principal é definido, é sobre esse valor que incide a tributação do IOF. Por outro lado, quando inexistente o contrato de mútuo, foram tributados os valores dos recibos apresentados, já que assim indica o teor da resposta da empresa à intimação, conforme item 2 logo acima. Agiu, portanto, corretamente a Autoridade Fiscal ao aplicar o art. 7º, inciso Ib, parágrafos 14 e 15 do Decreto nº 6.306/07, inexistindo razão à Impugnante nesse sentido. Ainda defende a Impugnante que na composição da base de cálculo do tributo há valores que não configuram substantivamente o dito mútuo, mas foram incluídos pela Autoridade Fiscal: Transferências entre Contas Contábeis, Encargos Financeiros, Estornos e Instrumentos Particulares, conforme Anexo IV do Laudo Pericial. Inexistentes as referências individuais a cada valor que entende indevido, é necessário acessar o Laudo Pericial aludido (fls. 3656 a 4128) para verificar se qualquer há relação com os valores levantados pela Autoridade Fiscal. No Laudo pericial, a empresa de auditoria limitase a indicar às fl. 3665 os mesmos rasos argumentos indicados na Impugnação, abaixo transcritos em sua íntegra: “4. EVENTOS NÃO RELACIONADOS COM MÚTUOS Fl. 4709DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.702 13 Como reportamos no tópico anterior, a contas contábeis autuadas alem de operações com natureza creditícia financeira registra diversos outros eventos (cujo o histórico não corresponde a "importância que entregamos nessa data" ou "recebido para seu crédito"), quais sejam: a) Transferências entre Contas Contábeis; b) Encargos Financeiros; c) Estornos; e d) Instrumentos Particulares. No ANEXO IV desse Laudo Pericial Contábil demonstramos de forma analítica a composição dos eventos descritos anteriormente, bem como inserimos por amostragem a cópia dos documentos comprobatórios competentes. Por fim, no caso de estornos de lançamentos indevidos e de transferências entre contas contábeis, por se tratarem de procedimentos internos, os próprios registros contábeis comprovam essa situação e foram verificados e validados durante nossos trabalhos.” Porém, em consulta ao Anexo IV (fls. 3771 a 3802), verificamos que a Impugnante simplesmente juntou uma tabela com valores, sem relacionálos com os valores levantados pela Autoridade Fiscal que, ao contrário, o fez em detalhado relato do fatos, com fundamentação jurídica pertinente e válida. A Impugnante sequer juntou qualquer documento que comprovasse que tais lançamentos em tabela são idôneos ou tem relação com o procedimento contábil da empresa. Tal defesa equivale a juntar certa quantidade de documentos, sem qualquer conexão lógica, e defender que se tratam de provas do direito alegado. Simples juntada, sem relacionálos aos fatos contestados, é o mesmo que não juntar. Inexistindo vícios no lançamento da Autoridade Fiscal, não há que se discutir sobre anulação do auto de infração. Ante o exposto, voto pelo improcedência impugnação apresentada pela contribuinte Companhia Agro Industrial de Goiana, mantendose os créditos tributários em sua íntegra. De fato, entendo que não mereça prosperar o entendimento do Contribuinte de que os contratos de mútuo autuados pela Fiscalização sejam “de uma conta corrente contábil entre pessoas interligadas”, até porque se verifica que o Contribuinte utilizou “dos mesmos contratos de mútuo, que agora diz não terem validade, para deduzir de sua contabilidade despesas financeiras com juros de empréstimos tomados com empresas interligadas. Não só registrou os juros, como também utilizouse de taxas superiores às firmadas nos contratos de mútuo”, conforme define o Acórdão ora recorrido. Portanto, tendo em vista a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de manter o entendimento consubstanciado no Acórdão ora recorrido, negando provimento ao Recurso Voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 4710DF CARF MF Processo nº 10480.728764/201637 Acórdão n.º 3301005.566 S3C3T1 Fl. 4.703 14 Fl. 4711DF CARF MF
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