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Numero do processo: 10283.721435/2012-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
SUBFATURAMENTO. MATERIALIDADE NÃO COMPROVADA.
Não há falar em subfaturamento do valor da transação quando a fiscalização deixa de aduzir aos autos provas de que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3403-003.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao recurso de ofício.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 SUBFATURAMENTO. MATERIALIDADE NÃO COMPROVADA. Não há falar em subfaturamento do valor da transação quando a fiscalização deixa de aduzir aos autos provas de que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas. Recurso de Ofício Negado.
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MATERIALIDADE NÃO COMPROVADA. Não há falar em subfaturamento do valor da transação quando a fiscalização deixa de aduzir aos autos provas de que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao recurso de ofício. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 14 35 /2 01 2- 68 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de autos de infração com ciência pessoal do contribuinte em 19/10/2012, lavrados para exigir os tributos incidentes sobre operações de comércio exterior cujos fatos geradores ocorreram em 31/12/2008, 31/12/2009 e 31/12/2010 e também a multa do art. 633, I, do Regulamento Aduaneiro, em razão do subfaturamento das operações. Segundo o relatório fiscal de fls. 28 a 34, a fiscalização constatou um concluio entre a empresa ora fiscalizada e os fornecedores no exterior NOVATECH, EVOLIS, MEG TEC, NEWCENTURY, E GLOBALVISION. Segundo a fiscalização, em pesquisas no sistema DW Aduaneiro, essas empresas só teriam efetuado exportações para a ora autuada e todas elas, com exceção da EVOLIS, pertencem ao Sr. Edson A Mendes. Além disso, os bens adquiridos dessas empresas, representam 95% das aquisições da autuada. Através de dados colhidos na internet verificouse que a empresa promoveu a importação de produto cujos preços declarados pelo importador são muito inferiores aos preços efetivamente praticados no mercado internacional, se comparados com mercadorias idênticas. Diante da impossibilidade de valorar as importações pelo valor da transação, uma vez que a Sonsun, ora autuada, não apresentou os documentos comprobatórios que deram lastro às declarações de importação, foi aplicado o método do valor de transação em vendas a compradores não vinculados de mercadorias idênticas ou similares, onde foram pesquisadas listas de preços de importadores e de exportadores. Em sede de impugnação, a defesa alegou, em síntese, nulidade por falta de motivação e violação dos princípios da verdade material e da não utilização de tributo com efeito de confisco. Por meio do Acórdão 25.736, de 13/06/2013, a 2ª Turma da DRJ Fortaleza julgou a impugnação procedente e cancelou o lançamento, em face da fiscalização não ter comprovado o subfaturamento. Houve interposição de recurso de ofício pela presidenta daquele colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso de ofício preenche o requisito formal de admissibilidade, uma vez que o valor exonerado pela 2ª Turma da DRJ Fortaleza superou em cerca de 14 vezes o limite de alçada. Conforme se verifica nos autos, o cerne da autuação é a acusação de subfaturamento, cuja definição legal se encontra no art. 633, I do Regulamento Aduaneiro de 2002, como sendo a diferença entre o preço declarado e aquele efetivamente praticado na importação ou o que for arbitrado pela fiscalização. No caso concreto, como bem apontou a DRJ não ficou clara qual a metodologia de cálculo do valor aduaneiro que a fiscalização pretendeu aplicar. Isto porque, no plano da descrição fática, ao mesmo tempo em que alegou a existência de concluio entre o importador e os exportadores, informou o fisco que aplicou a regra do valor de transação em vendas a compradores não vinculados de mercadorias idênticas ou similares, onde foram pesquisados listas de preços de importadores e exportadores. Por seu turno no enquadramento legal, invocou como sustentáculo da autuação os arts. 82 a 86 do RA/2002 e os arts. 86 e 88 da MP 2.15835. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.721435/201268 Acórdão n.º 3403003.190 S3C4T3 Fl. 5 3 Ora, no caso de fraude e concluio, deve ser aplicado o comando do art. 88 da MP nº 2.15835/2001 e nada mais. A fiscalização alegou que chegou à conclusão de que houve concluio e subfaturamento, a partir de pesquisas efetuadas na internet e no sistema DW Aduaneiro. Contudo, como bem apontou a decisão de primeira instância, esses documentos não foram anexados aos autos, não permitindo aferir a veracidade das acusações da fiscalização. Não se pode comprovar que houve concluio e nem que os preços declarados nas DI pela Sonsun são inferiores aos praticados por outros importadores de produtos semelhantes. Por fim, o cotejo das planilhas de fls. 35 a 67 com os documentos de fls. 82 a 194, revela que a apuração do débito foi feita com base em catálogo do fabricante que contém "preços sugeridos". Ora, o art. 633, I, do RA/2002 define subfaturamento como sendo a diferença entre o preço declarado e aquele efetivamente praticado ou arbitrado pela fiscalização. Embora a fiscalização tenha narrado que aplicou a regra do valor de transação em vendas a compradores não vinculados de mercadorias idênticas ou similares, na verdade utilizou como base de comparação o "preço sugerido" nos catálogos pelo fabricante, que não se confundem com o preço praticado em transações com produtos similares efetuadas por outros importadores. Portanto, o que a fiscalização provou neste processo é que o preço declarado pelo contribuinte em suas importações, é inferior aos preços sugeridos pelos fabricantes em seus catálogos e não que o preço declarado pela Sonsun foi inferior ao praticado por outros importadores em operações com produtos semelhantes. Não tendo sido comprovado o subfaturamento, tal como definido no art. 633, I, do RA/2002, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício para ratificar e manter o acórdão de primeira instância por seus próprios e jurídicos fundamentos. Antonio Carlos Atulim Fl. 385DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001454/2005-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DA CSLL.
O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento das bases de cálculo da COFINS, promovido pelo § 1o do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, reconhecendo a repercussão geral do tema. O deságio obtido em operações de cessão de crédito relativos à aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de terceiros para amortização de juros e multas de débitos fiscais incluídos no REFIS, não integram a base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3101-001.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Rodrigo Mineiro Fernandes- Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
EDITADO EM: 22/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DA CSLL. O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento das bases de cálculo da COFINS, promovido pelo § 1o do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, reconhecendo a repercussão geral do tema. O deságio obtido em operações de cessão de crédito relativos à aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de terceiros para amortização de juros e multas de débitos fiscais incluídos no REFIS, não integram a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente Luiz Roberto Domingo Relator EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 14 54 /2 00 5- 85 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que manteve o lançamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com fundamento na Lei n° 9.718/98, por entender que os deságios obtidos nas operações de cessão de crédito relativos à aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de terceiros para amortização de juros e multas de débitos fiscais incluídos no REFIS, não integraram a base de cálculo da contribuição. Os fundamentos da manutenção do auto de infração estão consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2000 BASE DE CÁLCULO. A partir da vigência da Lei n° 9.718 de 27/11/1998, a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, sendo permitidas somente as exclusões determinadas em lei. ALARGAMENTO DA BASE DE CALCULO. DECISÕES JUDICIAIS. A Lei n° 9.718/1998 constitui norma legal regularmente editada segundo o processo legislativo estabelecido, tem presunção de legitimidade e vige enquanto não for afastada do sistema jurídico brasileiro; eventuais decisões do Poder Judiciário acerca do alargamento da base de cálculo do PIS, proferidas incidentalmente, beneficiam apenas as partes das respectivas ações. COFINS. BASE DE CALCULO. ALÍQUOTA. A base de cálculo e a alíquota de tributos e contribuições decorrem de disposições de lei, as quais não podem ser afastadas pela autoridade administrativa. REFIS. PREJUÍZOS FISCAIS. BASES DE CALCULO NEGATIVAS DE CSLL. TERCEIROS. AQUISIÇÃO. DESÁGIO. RECEITA. O deságio, obtido na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de Contribuição Social sobre Lucro Liquido CSLL de terceiros para liquidação de multas e juros moratórios no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS, constitui receita que integra a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS. FATO GERADOR. 0 fato gerador da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS ocorre no momento em que a receita é auferida pelo sujeito passivo, independentemente, de quando sejam utilizados os recursos a ela vinculados. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13971.001454/200585 Acórdão n.º 3101001.685 S3C1T1 Fl. 279 3 TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. MULTA DE OFÍCIO. CAPITULAÇÃO LEGAL. COFISCO. INEXISTÊNCIA. Estando a multa aplicada prevista em lei, não há o que Cogitar, em âmbito administrativo, a respeito de confisco. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.235/1972. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. 0 Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento administrativo interno de planejamento e controle da atividade fiscal, não tendo implicação sobre a competência da autoridade fiscal. A eventual falta de emissão ou descumprimento de seus requisitos regulamentares não acarretam a nulidade do lançamento. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma legal regularmente editada. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em síntese que, com a declaração de inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, pelo RE 324.6674, o auto do infração deve ser revisto para exclusão das receitas que não atendem à “noção de faturamento referida no art. 195, I, da Constituição da República, na redação anterior da EC 20/98, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC 20/98 não teve o condão de validar legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” conforme decidido pelo STF. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do recurso por atender aos pressupostos de admissibilidade. O ponto fulcral da lide é verificar se a COFINS incide sobre outras receitas que não decorram do faturamento, em especial, O deságio obtido em operações de cessão de crédito relativos à aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de terceiros para amortização de juros e multas de débitos fiscais incluídos no REFIS. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 O Supremo Tribunal Federal reputou tal alargamento da base de cálculo como inconstitucional, reconhecendo a repercussão geral do tema, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG, em 10/9/2008, tendo por relator o Ministro Cezar Peluso, que restou assim ementado: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Rel. Min. CEZAR PELUSO, j. 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO. DJe227 pub. 28112008) O art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Os registros contábeis relativos aos ganhos com o deságio obtido em operações de cessão de crédito relativos à aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de terceiros para amortização de juros e multas de débitos fiscais incluídos no REFIS, constituem receitas do ponto de vista contábil, mas não podem ser confundidas com o conceito de faturamento nos termos do RE 585.235, uma vez que não decorre da venda de bens e serviços da atividade operacional da pessoa jurídica. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar a incidência da COFINS sobre o deságio obtido em operações de cessão de crédito relativos à aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de terceiros para amortização de juros e multas de débitos fiscais incluídos no REFIS, por força da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e do art. 62A do RICARF. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 281DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 10825.902157/2012-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS.
A partir do advento do art. 23, I e II, a, da Medida Provisória nº 1.858-6, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. A partir do advento do art. 23, I e II, “a”, da Medida Provisória nº 1.8586, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.15835/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 21 57 /2 01 2- 73 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp em 30/11/2009, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a exigência da contribuição ao PIS foi restabelecida sob a égide da CF/88, notadamente nos termos do art. 2o, II, da Lei 9.715/98, sendo um ano após expressamente revogada em relação às entidades sem fins lucrativos, por meio da MP 1.85810/99, com a atual redação conferida pelo art. 93 da MP nº 2.15835/01, ainda assim algumas cooperativas permaneceram obrigadas ao recolhimento da contribuição ao PIS sobre a folha de salário, em vista de regra específica prevista no § 1º, do art. 2º, da Lei nº 9.715/98; (ii) a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos. Explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13; (iii) ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; (iv) ainda que a redação do art. 15 da MP2.15835 seja genérica em relação às sociedades cooperativas e, portanto, não excetue as cooperativas de trabalho médico, isso não permite a conclusão de que essas cooperativas estariam entre as compreendias no alcance desse dispositivo, como também concluiu as autoridades fiscais, nos termos do art. 28 da IN SRF nº 635/06; (v) conclui aduzindo que se as sociedades cooperativas médicas não se sujeitam às Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902157/201273 Acórdão n.º 3803005.829 S3TE03 Fl. 12 3 exigências da contribuição ao PIS com base na folha de salários de seus empregados e, portanto, todo o recolhimento realizado a esse título deve ser entendido comore colhimento a maior ou indevido e, logo, passível de ser recuperado. Requereu, ainda, a reforma do julgado de primeira instância, a procedência integral da declaração de compensação, com vista a legitimidade do crédito tributário e o reconhecimento da extinção dos débitos compensados no PER/DECOMP. A decisão prolatada pela 14ª Turma da DRJ/RPO, de 11/09/13 (fls. /) por meio do Acórdão nº 1444.647, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, para manter o crédito tributário exigível, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE. Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão adotou o pressuposto de que : (a) “Nos termos da regra consolidada na atual MP nº 2.15835, de 2001, a tributação das sociedades cooperativas segue a tributação das demais pessoas jurídicas em geral, calculando o PIS de acordo com o faturamento. No entanto, caso a cooperativa realize determinadas operações que não sofrem a incidência do PIS com base no faturamento, deverá, conforme disposição inscrita no art. 15, §2º, I da MP nº 2.15835, de 2001, apurar o PIS com base na folha de salários. Nesse caso, portanto, a cooperativa sujeitase cumulativamente à tributação com base no faturamento e com base na folha de pagamentos”. Consubstanciouse ainda no art. 13 da referida MP, e nos arts. 36 da MP 66/02; no art. 1º da MP nº 101/02, convertida na Lei nº 10.767/03; no art. 32 do Dec. 4.524/02 e nos arts. 9º e 33 da IN SRF nº 247/02. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 De acordo com os dispositivos mencionados não prevalece a tese de que as sociedades cooperativas outras que não de produção agropecuária, eletrificação rural, de crédito e de transporte rodoviário, estariam fora do alcance do PIS sobre a folha de salários. E assim, nos períodos em que tenha procedido à exclusão das sobras líquidas da base de cálculo da contribuição, o PIS sobre a folha de pagamentos deve ser recolhido. Situação essa em que o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada na primeira instância administrativa, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito creditório, no caso, a de que não efetuou a exclusão em foco. No que se relaciona ao aspecto do elemento material de prova extraise excertos que sintetizam o posicionamento adotado pela decisão em questão, adiante: “Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejando os com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia.” De acordo com o Termo de Ciência por decurso de prazo, a data de disponibilização na caixa postal da contribuinte da decisão contida no Acórdão nº 1444.647, foi em 20/09/2013. Com isso a data da ciência se deu em 05/10/2013. O Termo de Solicitação de Juntada de recurso voluntário foi registrada pela repartição preparadora em 01/11/13. Ciente da decisão contida no acórdão retromencionado a contribuinte irresignada, em sede de recurso voluntário, reiterou de forma minudente acerca das razões de defesa apresentadas na exordial. Ressaltou que a MP 2.15835/01, em seu artigo 13, explicitou quais os tipos de entidades que se sujeitavam à contribuição ao PIS, calculada sobre a folha de salários, bem assim que as sociedades cooperativas não foram contempladas, de acordo com o elenco formulado nesse artigo, como o foram às Organizações das Cooperativas – OCB e as Organizações estaduais de Cooperativas, nos termos do inciso I, do art. 13, da MP nº 2.158 35/01, que não se identifica com as sociedades cooperativas propriamente ditas. Mencionou que na mesma senda segue o § 2º e incisos I a IV, do art. 15 dessa MP, eis que as cooperativas de trabalho médico não praticam as operações descritas nesses incisos do confuso enunciado do referido artigo da MP correspondente. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902157/201273 Acórdão n.º 3803005.829 S3TE03 Fl. 13 5 Aduziu ademais disso que o art. 28 da IN SRF 635/06 identifica quais sociedades cooperativas se sujeitam à incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, ou seja, as sociedades sujeitas às exclusões previstas no art. 15 da MP 2.15835/01,bem assim que a resposta à Consulta 290/07 ratifica este entendimento. Requer ao final o integral provimento do recurso, protestando pela apresentação de memoriais e sustentação oral das razões aduzidas. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Duas foram às questões devolvidas para apreciação pelo Tribunal ad quem, a saber: (i) a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pela Recorrente; e (ii) a tributação das sociedades cooperadas de trabalho médico pelo PIS. O exame acerca da primeira questão resta prejudicado, eis que nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo foi colacionado aos autos, com o fim de corroborar as assertivas formuladas na exordial, ou mesmo no apelo sob exame, o que se faz em respeito aos dispositivos contidos no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caput e § 4º. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Resta, então, o enfrentamento da questão relacionada à tributação das sociedades cooperadas pelo PIS. O hodierno ordenamento jurídico tem a sua gênese na Constituição Cidadã de 1988. O seu artigo 146, III, ‘C’, dispõe que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais Fl. 161DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 me matéria de legislação tributária, especialmente sobre: adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. A Lei nº 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas, por meio do seu artigo 4º, já havia atribuído à definição legal de “cooperativas”, como sendo: Art. 4º. As cooperativas são sociedades de pessoas, como forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...); VII – retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral. Adiante, no caput e no parágrafo único do artigo 79 do mesmo mandamus, adveio a definição e a funcionalidade de “atos cooperativos”. Em outras palavras são tais atos jurídicos que criam, mantém ou extinguem relações cooperativas, não implicando, necessariamente, em atos de mercado. Acerca da tributação do PIS e da COFINS, inicialmente, foi a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, considerada isenta por força do disposto no caput e inciso I do art. 6º, da LC nº 70/91, instituidora da Cofins. Entretanto, com o advento da MP nº 1.8586/99, por meio de seu artigo 23, foram os incisos I e III do artigo 6º da LC nº 70/91, revogados. Ocorre que essa revogação se manteve por meio da MP nº 66/02 e também pela Lei nº 10.637/02, por meio dos seus artigos 1º e 2º, que atualmente regula esta matéria (cobrança do PIS/PASEP, cuja base de cálculo é o valor do faturamento). Do mesmo modo ocorreu com o PIS, cujas cooperativas estão sujeitas ao pagamento desse tributo, seja sobre a folha de salários, mediante a aplicação de alíquota de 1% sobre a folha de pagamento mensal de seus empregados. A outra forma de tributação incide sobre a receita bruta, mediante a alíquota de 0,65% (a partir de 01/11/1999, data fixada pelo Ato Declaratório SRF nº 88/99), com exclusões da base de cálculo prevista pela MP 2.11327/01, ou mesmo de acordo com a MP 107, com as exclusões da base de cálculo, de acordo com o disposto também no artigo 15 da MP 2.113 27/01. Por força do contido na Lei nº 10.637/02, a partir de 01/12/02, a alíquota do PIS foi majorada para 1,65%. Destarte, por meio da MP 107/03, de 10/022003, a alíquota do PIS que houvera sido majorada, retorna ao seu valor original de 0,65%, inclusive para as sociedades cooperativas. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902157/201273 Acórdão n.º 3803005.829 S3TE03 Fl. 14 7 Foi a partir da MP nº 2.11329, de 27/03/01, DOU de 28/03/01, de suas reedições e alterações posteriores, até a MP 2.15835/01, através de suas disposições que se tornou possível para as sociedades cooperativas a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, de valores mencionados no artigo 15 desta MP, isto uma vez observado o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. Portanto, a base de cálculo para as contribuições para o PIS e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento, correspondente à receita bruta. A respeito da exclusão de valores da base de cálculo do PIS e da Cofins das cooperativas vale mencionar as disposições da MP nº 101/02, litteris: Art. 1º. As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração de Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º. Omissis. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Portanto, seja sob a ótica da MP nº 2.15835/01, ou segundo os dispositivos contidos na MP nº 101/02, posteriormente convertida na Lei 10.767/02 e, observados o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, o que se percebe nitidamente, é a possibilidade de exclusão de elementos da base de cálculo do PIS e da Cofins, para as sociedades cooperativas. Confirase: Art. 1° Esta Lei aplicase no âmbito da legislação tributária federal, relativamente às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de que tratam o art. 239 da Constituição e a Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, ao Imposto sobre a Renda e ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativos a Títulos ou Valores Mobiliários IOF. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001). Fl. 163DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...); § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). (Grifei). De outra parte assim se pronunciou a Solução de Consulta COSIT nº 06, de 8 de novembro de 2010 (ação judicial): EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. O Poder Judiciário, aqui representado pelos Tribunais Superiores, também não se omitiu quando provocado a se pronunciar a respeito da tributação do PIS/PASEP e da Cofins, senão vejamos: O Julgamento da Questão no STJ – Sistemática do Recurso Repetitivo: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 MG (2009/02107185) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902157/201273 Acórdão n.º 3803005.829 S3TE03 Fl. 15 9 PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : COOPERATIVA DOS INSTRUTORES DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL E PROMOÇÃO SOCIAL RURAL LTDA COOPIFOR ADVOGADO : CAMILA COLARES SANTANA E OUTRO(S) DECISÃO (...) impõese, da mesma forma, a submissão do presente apelo extremo como representativo da controvérsia atinente à incidência da contribuição destinada ao PIS e da COFINS sobre a receita oriunda de atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas, à luz do disposto no artigo 79, parágrafo único, da Lei 5.764/71, a fim de se prevenir eventual óbice de conhecimento. (...) Brasília (DF), 24 de fevereiro de 2010. A discussão realizada pelo Supremo Tribunal Federal ainda não chegou a termo, entretanto o reconhecimento da repercussão geral a respeito do tema ora sob exame, já ocorreu. Confirase: REPERCUSSÃO GERAL EM RE N.672.215CE RELATOR: MIN. JOAQUIM BARBOSA EMENTA: TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DA COFINS, DA CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL E DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SOBRE O PRODUTO DE ATO COOPERADO OU COOPERATIVO. DISTINÇÃO ENTRE “ATO COOPERADO TÍPICO” E “ATO COOPERADO ATÍPICO”. CONCEITOS CONSTITUCIONAIS DE “ATO COOPERATIVO”, “RECEITA DE ATIVIDADE COOPERATIVA” E “COOPERADO”. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. VALORES PAGOS POR TERCEIROS À COOPERATIVA POR SERVIÇOS PRESTADOS PELOS COOPERADOS. LEIS 5.764/1971, 7.689/1988, 9.718/1998 E 10.833/2003. ARTS. 146, III, c, 194, par. ún., V, 195, caput, e I, a, b e c e § 7º e 239 DA CONSTITUIÇÃO. Tem repercussão geral a discussão sobre a incidência da Cofins, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”. Discussão que se dá sem prejuízo do exame da constitucionalidade da revogação, por lei ordinária ou medida provisória, de isenção, concedida por lei complementar (RE 598.085RG), bem como da “possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.158 33, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de1998” (RE 599.362 RG, Rel. Min. Dias Toffoli). Como visto ainda não se vislumbra nos textos normativos, nem jurisprudenciais, a hipótese de isenção ou de não incidência tributária para as cooperativas. Tampouco de distinção entre cooperativas de trabalho médico, de crédito, enfim, entre as demais modalidades de sociedades cooperativas. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Concluise, por conseguinte que, do texto legal, onde o legislador não faz distinção, não cabe ao operador do direito fazêlo, tampouco ao intérprete da lei. O PIS sobre a folha de pagamento constitui uma obrigação tributária principal devida por todas as entidades sem fins lucrativos, classificadas como Isentas, Imunes ou Dispensadas, e calculado sobre a folha de pagamento de salários, à alíquota de 1%. Quanto ao requerido pela Recorrente, no sentido de que o PIS/folha de pagamento não é cabível, portanto poderia ser compensado com tais débitos, considero inadequado o seu pedido. Isto porque ao manifestar o seu inconformismo a ora Recorrente destacou que a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13. Tema este reiterado no recurso voluntário. Há um equívoco nas assertivas formuladas pela Recorrente quanto à revogação da exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, pela MP nº 2.158 35/01. Diversamente, com o advento dessa medida provisória tornouse concreta a possibilidade de exclusão de elementos previstos na legislação de regência, da base de cálculo do PIS e da Cofins, isto em conformidade com o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. E mais, a Recorrente foi além ao mencionar que ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; O fato de o art. 28 não relacionar expressamente a sociedade cooperativa de trabalho médico dentre aquelas cujo fato gerador para o PIS/PASEP incide sobre a folha de salários no percentual de 1%, não autoriza o contribuinte a dela se eximir, como se imune ou isenta fosse, o que não corresponde ao disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, posto que as deduções permitidas em lei, se faz em observância desses dois artigos suso citados. O rol das exclusões mencionados no art. 15 da MP 2.15835/01, aplicável ao caso em comento, não é exaustivo, ou mesmo conclusivo, como também não o é aquele constante do artigo 28 da IN SRF nº 635/06, DOU de 17/04/2006, e ambos ensejam a incidência do PIS/Folha. Isto posto oriento o meu voto pelo não provimento do recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões em 25 de março de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902157/201273 Acórdão n.º 3803005.829 S3TE03 Fl. 16 11 Relator Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13609.001023/2002-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
CRÉDITO PARCELADO
O pedido de desistência tendo em vista o parcelamentos dos débitos mantém o valor de ressarcimento/compensação reconhecido originalmente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CRÉDITO PARCELADO O pedido de desistência tendo em vista o parcelamentos dos débitos mantém o valor de ressarcimento/compensação reconhecido originalmente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 10 23 /2 00 2- 12 Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13609.001023/200212 Acórdão n.º 3801004.173 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI relativo ao 4° trimestre do anocalendário de 1998, como ressarcimento das contribuições do PIS/PASEP e COFINS no valor de R$ 7.785,61, fl. 64. Foram procedidos exames circunstanciados nos livros e documentos fiscais pertinentes as operações geradoras do IPI referido crédito, com vistas a verificar a correção dos valores apurados e a regularidade formal da documentação básica exigida, conforme a legislação de regência. A Fiscalização apurou o crédito presumido, excluindose as aquisições do mercado externo da base de cálculo. O. total de créditos fictos glosados foi de R$ 830.802,08 (oitocentos e trinta mil, oitocentos e dois reais e oito centavos). Além disso, a fiscalização glosou alguns estornos realizados pela Contribuinte. Com base no acima exposto, a Fiscalização efetuou a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte (fls.1.423/1.425), creditando os valores de crédito presumido efetivo no primeiro decendio do mês seguinte ao da apuração. Entretanto, o contribuinte teve glosas de outros créditos de IPI, conforme se pode ver pelo citado Relatório de Auditoria Fiscal. Assim, ao se reconstituir a escrita fiscal do contribuinte verificou se que não havia saldo de credito presumido a ressarcir, pois todo o credito presumido creditado foi utilizado para compensar com o IPI devido nas operações do mercado interno. A reconstituição da sua escrita fiscal efetuada pelos agentes fiscais de rendas gerou o auto de infração que está em discussão no Processo n° 13609.001179/200376. Apresentada manifestação de inconformidade a recorrente contesta a reconstituição da escrita fiscal e todas as glosas realizadas. A DRJ de Santa Maria/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO. SUSPENSÃO O sobrestamento do julgamento administrativo até o pronunciamento definitivo da administração em outro processo não tem previsão no diploma processual tributário federal. ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13609.001023/200212 Acórdão n.º 3801004.173 S3TE01 Fl. 4 3 Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI BASE DE CÁLCULO A fabricação e a exportação de produtos não tributados pelo Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI (NT) não dá direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins. Solicitação Indeferida. Apresentado Recurso Voluntário a Recorrente reprisa a argumentação quanto a impropriedade das glosas e requer: Primeiramente, a RECORRENTE requer que os Processos Administrativos nºs 13609.001023/200212 (Pedido de Ressarcimento) e 13609.001080/2002 93 (Pedido de Compensação), fiquem SOBRESTADOS até o trânsito em julgado administrativo do Proc. Adm. nº 13609.001179/200376, pela relação jurídica entre esses processos administrativos. A RECORRENTE requer ainda que os débitos compensados no Processo Administrativo nº 13609.001080/200293 fiquem com sua exigibilidade suspensa até transito em julgado do referido processo administrativo. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento integral de seu pleito, a RECORRENTE requer que seja acolhida o presente RECURSO VOLUNTÁRIO para o fim de reformar o despacho decisório N° 096/2006, de modo a ser integralmente deferido o seu "Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI" Processo Administrativo n° 13609.001023/200212, e conseqüentemente seja deferido (homologado) o Pedido de Compensação Processo Administrativo n° 13609.001080/200293. Tendo esse conselheiro sido designado ad hoc essa turma converteu o julgamento em diligência para os fins de que fosse devolvido o presente processo à DRF de origem para que se aguardasse a decisão final do processo administrativo nº 13609.001179/200376, por esse Conselho, juntandose cópia da decisão nesse processo. O processo voltou de diligência com a informação de que a contribuinte desistiu do recurso voluntário do processo n.º 13609.001179/200376 para incluir os débitos no parcelamento especial. É o que importa relatar. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13609.001023/200212 Acórdão n.º 3801004.173 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Como se verificou do resultado da diligência a Requerente efetuou o pedido de parcelamento do valor total relativo ao Processo n.º 13609.001179/200376 de modo que os créditos lá discutidos não foram reconhecidos. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. Tendo a parte desistido de discutir a validade do crédito, esse se tornou definitivamente ilíquido de modo que o improvimento do recurso é a única medida possível, o pedido de desistência tendo em vista o parcelamentos dos débitos mantém o valor de ressarcimento/compensação reconhecido originalmente, implicando na manutenção da reconstituição da escrita fiscal. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15504.730612/2012-79
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. APLICAÇÃO DA REGRA CONTIDA NO ART. 17. DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. § 2º DO ART. 229 DO DECRETO Nº 3.048/99.
A falta de contestação específica da matéria objeto do lançamento, como é o caso dos autos, atrai, necessariamente, a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70235, de 1972.
O inconformismo do contribuinte de que a autoridade fiscal é incompetente para descaracterizar o pagamento de remunerações de contribuintes individuais, sócios de empresas prestadoras de serviços, bem como os valores pagos a sócios da empresa autuada, relativo a contratos de mútuo, caracterizando-os como pagamentos a segurados empregos, não merece prosperar.
O que a fiscalização fez, efetivamente, foi desconsiderar os vínculos pactuados, enquadrando as pessoas envolvidas nas contratações promovidas pelo contribuinte como segurado empregado, tudo em conformidade com a regra estabelecida no § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. APLICAÇÃO DA REGRA CONTIDA NO ART. 17. DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. § 2º DO ART. 229 DO DECRETO Nº 3.048/99. 1. A falta de contestação específica da matéria objeto do lançamento, como é o caso dos autos, atrai, necessariamente, a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70235, de 1972. 2. O inconformismo do contribuinte de que a autoridade fiscal é incompetente para descaracterizar o pagamento de remunerações de contribuintes individuais, sócios de empresas prestadoras de serviços, bem como os valores pagos a sócios da empresa autuada, relativo a contratos de mútuo, caracterizandoos como pagamentos a segurados empregos, não merece prosperar. 3. O que a fiscalização fez, efetivamente, foi desconsiderar os vínculos pactuados, enquadrando as pessoas envolvidas nas contratações promovidas pelo contribuinte como segurado empregado, tudo em conformidade com a regra estabelecida no § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 06 12 /2 01 2- 79 Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730612/201279 Acórdão n.º 2803003.517 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730612/201279 Acórdão n.º 2803003.517 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente aos seguintes levantamentos: FP, FP1 e FP2 – contribuição a terceiros incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados apuradas através do confronto folha de pagamento GFIP. De acordo com o acórdão recorrido, para os levantamentos anteriormente descritos, o contribuinte não apresentou contestação específica, o que os tornaram incontroversos. Além dos levantamentos descritos no parágrafo anterior, constam os seguintes: FO e FO2 – remuneração paga a trabalhadores que prestaram serviços à autuada com todos os requisitos de segurado empregado, embora tivessem sido formalizados de contratos com pessoa jurídica interposta. De acordo com o Relatório Fiscal, o AI em discussão (DEBCAD 37.334.987 5) diz respeito a crédito tributário referente ao período de novembro de 2007 a dezembro de 2008, relativo a contribuições a outras entidades e fundos / terceiros. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 12 de setembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. RECONHECIMENTO DO SEGURADO EMPREGADO. O reconhecimento da figura de “segurado empregado”, para fins de fiscalização, arrecadação e lançamento de contribuições previdenciárias, se insere nas atribuições legais do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e independente do exame pela Justiça Trabalhista. CONFIGURAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS Comprovada a existência dos requisitos do conceito legal, o trabalhador é considerado segurado empregado, incidindo as contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga ou creditada, sendo incapaz de mascarar esta relação jurídica, a existência de contratos formalizados com pessoa jurídica interposta. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. Não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AOS PROCURADORES. INDEFERIMENTO. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730612/201279 Acórdão n.º 2803003.517 S2TE03 Fl. 5 4 Não pode ser acolhido o pedido de que o endereçamento dos avisos, intimações e notificações ao contribuinte seja feita aos seus procuradores em razão de a legislação determinar que tais comunicações sejam efetuadas no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço postal, eletrônico, ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A fiscalização lavrou contra a ora Recorrente o presente Auto de Infração para o lançamento e consequentemente a cobrança de suposto crédito tributário de contribuições destinadas à seguridade social não declarada em GFIP, relativas à parte patronal e a diferença de contribuição. Conforme consta no relatório fiscal que integra o auto de infração, a presente exigência referese a supostos débitos de contribuições previdenciárias destinadas relativas à parte patronal devida pela empresa e a contribuição destinada ao RAT, que a fiscalização entendeu serem incidentes sobre as remunerações pagas aos prestadores de serviços da empresa nas seguintes situações (i) contribuintes individuais, caracterizados como empregados; (ii) sócios de empresas prestadoras de serviços que foram caracterizados como empregados e (iii) os valores recebidos pelos sócios da empresa autuada em contratos de mútuos foram considerados como remuneração. Na impugnação ao AI, a ora Recorrente preliminarmente suscitou a nulidade do lançamento, tendo em vista (i) a incompetência da DRF para descaracterizar contratos de prestação de serviços autônomos e de pessoas jurídicas com a consequente caracterização de relação de emprego e (ii) o vício insanável da autuação face a ausência de correlação lógica entre os valores lançados por aferição indireta e a base de cálculo utilizada para apuração dos supostos créditos tributários. No mérito, a recorrente impugnou (i) o fato de a autuação fiscal ter se baseado em meras presunções; (ii) o lançamento e a cobrança das contribuições destinadas á seguridade social em duplicidade e (iii) a ilegalidade e a inconstitucionalidade das multas e juros aplicados no caso. A presente autuação não merece subsistir, uma vez que os fundamentos de fato e de direito que a embasaram são completamente dissonantes da realidade e baseados em meras presunções, bem como pela ofensa à ordem jurídica vigente aos Princípios da Administração relativo às multas e juros aplicados. Como já referido, a autuação fiscal foi baseada em presunções. Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730612/201279 Acórdão n.º 2803003.517 S2TE03 Fl. 6 5 Tendo em vista que a Fiscalização da DRF/BH não comprovou a existência dos vínculos empregatícios presumidos ou que os valores que foram transferidos para os sócios da Recorrente eram remunerações, baseando o auto de infração somente em suposições e presunções, não resta dúvida de que a presente autuação deverá ser cancelada. Houve ofensa à ordem jurídica vigente, bem como aos princípios da administração, relativo às multas e aos juros aplicados. Diante dos fundamentos postos acima, requer seja recebido e devidamente processado o presente Recurso Voluntário, posto que preenchidos os seus requisitos legais, atribuindose efeito suspensivo, devendo ao final serlhe dado provimento para reformar o acórdão recorrido, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do AI discutido, com a consequente exoneração do crédito tributário exigido. Requer, também, seja a Recorrente devidamente intimada da data de julgamento do presente Recurso, protestandose, desde já, pela produção da oportuna sustentação oral, sob pena de nulidade. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730612/201279 Acórdão n.º 2803003.517 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Inicialmente, indefiro o pedido de intimação requerido pelo contribuinte, com fulcro no parágrafo único do art. 55 do RICARF. No que diz respeito à preliminar de nulidade do lançamento em razão da incompetência da DRF para descaracterizar contratos de prestação de serviços autônomos e de pessoas jurídicas com a consequente caracterização de relação de emprego, sem razão o contribuinte. De outra parte, a autuação (lançamento) objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado contém todos os elementos essenciais à sua validade, conforme descrito no at. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade. Ademais, restou amplamente evidenciado que o contribuinte não contestou plenamente a matéria objeto do lançamento. Em seu recurso, ele se ateve apenas a questões genéricas, como: A presente autuação não merece subsistir, uma vez que os fundamentos de fato e de direito que a embasaram são completamente dissonantes da realidade e baseados em meras presunções, bem como pela ofensa à ordem jurídica vigente aos Princípios da Administração relativo às multas e juros aplicados. Como já referido, a autuação fiscal foi baseada em presunções. Tendo em vista que a Fiscalização da DRF/BH não comprovou a existência dos vínculos empregatícios presumidos ou que os valores que foram transferidos para os sócios da Recorrente eram remunerações, baseando o auto de infração somente em suposições e presunções, não resta dúvida de que a presente autuação deverá ser cancelada. Houve ofensa à ordem jurídica vigente, bem como aos princípios da administração, relativo às multas e aos juros aplicados. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730612/201279 Acórdão n.º 2803003.517 S2TE03 Fl. 8 7 A falta de contestação específica da matéria objeto do lançamento, como é o caso dos autos, atrai, necessariamente, a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70235, de 1972, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O inconformismo do contribuinte de que a autoridade fiscal é incompetente para descaracterizar o pagamento de remunerações de contribuintes individuais, sócios de empresas prestadoras de serviços, bem como os valores pagos a sócios da empresa autuada, relativo a contratos de mútuo, caracterizandoos como pagamentos a segurados empregos, não merece prosperar. O que a fiscalização fez, efetivamente, foi desconsiderar os vínculos pactuados, enquadrando as pessoas envolvidas nas contratações promovidas pelo contribuinte como segurado empregado, tudo em conformidade com a regra estabelecida no § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99, in verbis: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) § 2º. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Realizada a fundamentação legal de forma correta, o enquadramento dos prestadores de serviços se amoldou perfeitamente às disposições do art. 12, I, a, da Lei nº 8.212/91, como acertadamente demonstra o acórdão recorrido. Os fundamentos necessários para a desconsideração do vínculo pactuado constam do acórdão recorrido, não se caracterizando como meras suposições / presunções como pretende o sujeito passivo. Portanto, a manutenção do lançamento é medida que se impõe. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730612/201279 Acórdão n.º 2803003.517 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009950/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2007
DECADÊNCIA.
Tendo em vista haver pagamento antecipado, a análise do prazo decadencial deve sujeitar-se às imposições normativas do art. 150, §4º do CTN. Súmula nº 99 do CARF.
Recurso de Ofício IMPROVIDO
Crédito Tributário MANTIDO PARCIALMENTE.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, pela fluência do prazo decadencial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente da Turma
Juliana Campos de Carvalho - Relatora
Numero da decisão: 2302-003.276
Decisão: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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Tendo em vista haver pagamento antecipado, a análise do prazo decadencial deve sujeitarse às imposições normativas do art. 150, §4º do CTN. Súmula nº 99 do CARF. Recurso de Ofício IMPROVIDO Crédito Tributário MANTIDO PARCIALMENTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, pela fluência do prazo decadencial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente da Turma Juliana Campos de Carvalho Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 99 50 /2 00 7- 71 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 Relatório Referese o auto de infração a cobrança de contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados contratados (cota patronal e a parte dos segurados não retida), destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no período de 01/2002 a 03/2007, no valor de R$ 11.085.291,62 (onze milhões, oitenta e cinco mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e dois centavos). Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 61/64, constituíram os fatos geradores as remunerações pagas aos empregados contratados para o Programa de Saúde Família, contidas nas Ordens de Pagamento apresentadas pelo contribuinte em meio digital (padrão não MANAD), nas folhasde pagamento e nas GFIP do período. Acrescenta o auditor que foram considerados todos os recolhimentos constantes das GPS e os créditos lançados em LDC e NFLD, conforme DAD e RDA anexos. Aduziu, ainda, que a omissão verificada no registro de qualquer empregado, contribuinte individual ou trabalhador avulso em folhadepagamento ou em GFIP, configura, em tese, o ilícito tipificado no art. 337A do Código Penal (sonegação de contribuição previdenciária). Intimado, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 73/97), de forma tempestiva. Encaminhados os autos para julgamento, os membros da DRJ/BSA, visando à preservação do princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, converteram o julgamento em diligência, determinando a intimação do auditor para que se manifestasse sobre os fatos narrados pelo contribuinte. Sendo confirmada a problemática do CD, determinou que o agente previdenciário providenciasse a entrega de todos os relatórios e discriminativos integrantes da presente NFLD ao contribuinte, observandose as disposições do art. 662, §6º da Instrução Normativa INSS/DC — nº 003, de 14/07/2005, com reabertura do prazo para Impugnação (Despacho de 08/02/2008 — fls. 244/245). Às fls. 250 consta o Ofício de nº 0359/2008/GAB/DRF/GOI encaminhando ao Sr. Prefeito cópias das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito — NFLDs n°s. 37.093.6388, 37.093.6396, 37.093.6418, 37.093.6426 e 37.093.6442, bem como, TEAF — Termo de Encerramento de Ação Fiscal, resultante da ação fiscal realizada junto a Prefeitura Municipal — C.N.P.J. 25.107.525/000151. Cópia do AR à fls. 316. De acordo com as informações de fls. 570/571, em atendimento ao despacho de fls. 244/245, foram entregues ao contribuinte todos os relatórios e discriminativos constantes na presente NFLD, (fls. 252 a 569) e, observando o contido no § 6° do Art. 662, da Instrução Normativa INSS/DC 003 de 14/07/2005, foi entregue o ofício ao Sr. Delegado Fiscal de Goiânia, (fls. 250), ao Prefeito Municipal de Senador Canedo, Sr. Vanderlan Vieira Cardoso, enviado por via postal conforme n° RC 23602193 5 BR. Além disso, foi entregue também um CD acompanhado de cópia do recibo de entrega de Arquivos Digitais onde consta o código de Identificação do arquivo, (35f7fec53ce25cd7aab190ec 5f9d7ff4), (fls. 251), contendo planilhas com relação dos empregados do Programa de Saúde Familiar — PSF, constando nomes dos empregados, competência em que houve pagamento, valores pagos e histórico do pagamento. Foi anexado ao processo, cópia do recibo da entrega dos Arquivos Digitais citados acima. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 10120.009950/200771 Acórdão n.º 2302003.276 S2C3T2 Fl. 215 3 Em relação ao vício insanável alegado pelo Impugnante, aduziu a autoridade previdenciária que o não encaminhamento inicial do oficio ao poder público municipal, nos termos do art. 662, §6°, da IN/003/2005, não constituiria vício insanável por ter sido corrigido o erro e não lhe ter causado qualquer prejuízo, considerando o Princípio da Instrumentalidade das Formas e dos Atos Processuais (art. 55 da Lei n° 9.784/99). Não consta intimação do sujeito passivo para manifestarse sobre a resposta do notificante às fls. 570/571. Ao retornar o processo para a DRJ/BSA, os membros da 5ª Turma, considerando a alegação do Impugnante no sentido de que a fiscalização não teria comprovado a existência da relação de emprego entre os profissionais de saúde e o Município de Senador Canedo então contratados como contribuintes individuais (profissionais liberais) conforme contratos de prestação de serviços juntados por amostragem (fls. 114/241) e ressaltando que no Relatório Fiscal não houve menção específica dos elementos caracterizadores do vínculo empregatício dos segurados cuja remuneração gerou as contribuições lançadas na presente NFLD, foi novamente convertido o julgamento em diligência para que a autoridade fazendária examinasse não só as referidas alegações, como também, os contratos anexados por amostragem (fls. 114/241) pelo Impugnante, elaborando, ao final, Relatório Fiscal complementar discriminando os pressupostos do vínculo empregatício verificados entre os prestadores de serviço ora questionados e a Prefeitura Municipal de Senador Canedo. (fls. 578/581). Tendo em vista o ofício de nº 0359/2008/GAB/DRF/GOI (fls. 250), o contribuinte apresentou nova impugnação (fls. 584/650). Em resposta à 2ª diligência solicitada às fls. 578/581, foi elaborado relatório complementar às fls. 660/661. Após intimação (fls. 662), o contribuinte apresentou nova manifestação às fls. 664/670. Às fls. 659/665 uma nova manifestação foi apresentada pelo sujeito passivo. Voltando os autos para julgamento (fls. 674/691), a DRJBrasília/DF manteve parcialmente o crédito tributário sob as seguintes razões: a) Que o Órgão Público é equiparado à empresa, nos termos do art. 15. I, da Lei n.° 8.212/91; b) Que em relação aos vícios processuais, dandose cumprimento à 1ª diligência fiscal determinada por esta 5ª Turma de Julgamento, todas as falhas foram devidamente saneadas, com o reenvio dos relatórios e discriminativos integrantes da presente NFLD ao notificado, por meio de oficio expedido pelo Sr. Delegado Regional, e, ainda, tendo sido reaberto o prazo para impugnação; c) Que por ter sido constatado o pagamento parcial das parcelas e considerando o prazo decadencial de cinco anos para a constituição do crédito tributário, contados do fato gerador, consoante estabelecido no §4º do art. 150 do CTN, impõese a retificação do presente lançamento para excluir as competências de 01/2002 a 09/2002. d) Que uma vez caracterizados os pressupostos do segurado empregado, são devidas as contribuições previdenciárias pertinentes à relação de emprego; Fl. 755DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 e) Que as contribuições sociais arrecadadas em atraso estão sujeitas à incidência dos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, de caráter irrelevável. f) Que o Decreto n° 6.042, de 12/02/2007, dando nova redação ao §92 do art. 239 do RPS, restabeleceu a obrigatoriedade de aplicação da multa moratória às pessoas jurídicas de direito público; g) Que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, em vista da exoneração do valor em quantia superior ao previsto no art. 1º da Portaria MF nº 03/08, foram os autos reencaminhados de ofício para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para reexame da matéria. Intimado em 31/03/2009 (fls. 703), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário em 28/04/2009 (fls. 708/722). Posteriormente, foram os autos incluídos na pauta de julgamento. Na oportunidade, os membros da 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, decidiram, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida negarlhe provimento, mantendo inalterado o crédito tributário exigido (fls. 726/743). Em decorrência da ausência de pronunciamento a respeito do Recurso de Ofício, nos termos do art. 1º, da Portaria MF03, de 03/01/2008, retornaram os autos para julgamento. Eis o relatório. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 10120.009950/200771 Acórdão n.º 2302003.276 S2C3T2 Fl. 216 5 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Tratase de auto de infração lavrado em face do Município por ter deixado de recolher as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados (não retidas) e pela empresa (parte patronal) destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no valor de R$ 11.085.291,62 (onze milhões, oitenta e cinco mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e dois centavos). No Julgamento a quo, a DRJ aplicou o disposto no art. 150, §4º do CTN e, por isso, excluiu as parcelas 01/2002 a 09/2002. O prazo decadencial foi objeto de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008. Na ocasião, por unanimidade de votos, foram declarados inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 os quais autorizavam a Seguridade Social constituir seus créditos no lapso de 10 (dez). Deste julgamento resultou a publicação da Súmula Vinculante nº 08. De acordo com o art. 103A da Constituição Federal/88, regulamentado pela Lei n° 11.417/06, com a publicação da mencionada Súmula, em 20.06.2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar o conteúdo normativo ali inserido. Desse modo, o prazo para a Seguridade constituir o crédito tributário foi reduzido ao lapso temporal de cinco anos tal qual exposto no Código Tributário Nacional, vide: "Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).” “Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Fl. 757DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” As contribuições previdenciárias, assim como toda e qualquer obrigação tributária, uma vez não recolhidas dentro de certo período de tempo (cinco anos), serão exigidas pelo órgão fazendário no prazo decadencial previsto no art. art. 173, inciso I, do CTN no caso de não haver o recolhimento antecipado: "Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" No entanto, havendo pagamento parcial, a contagem do prazo qüinqüenal deverá ocorrer nos termos do art. 150, §4º do CTN, alterando, com isso, o dies a quo. De acordo com esta norma a contagem do prazo decadencial iniciase com a data do fato gerador, vejamos: "Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." No caso em análise, o Julgador ao consultar o sistema AGUTA (de arrecadação) constatou haver recolhimentos antecipados pela empresa incidentes sobre as folhasdepagamento de segurados a seu serviço (fls. 682). Desse modo, a análise do prazo decadencial deve sujeitarse às imposições normativas do art. 150, §4º do CTN. Eis a aplicação da Súmula nº 99 do CARF. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 10120.009950/200771 Acórdão n.º 2302003.276 S2C3T2 Fl. 217 7 Com efeito, tendo em vista a ciência pelo contribuinte em 10/10/2007, temse que, de fato, decaiu o direito de o Fisco Previdenciário promover qualquer lançamento relativo aos fatos geradores anteriores a 09/2002, inclusive esta, devendo tais competências serem excluídas do lançamento. Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Ofício para NEGARLHE PROVIMENTO, excluindo do lançamento as competências 01/2002 a 09/2002. É como voto. Sala das Sessões, 18 de Julho de 2014 Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 759DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
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Numero do processo: 19647.003835/2003-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002
LEI VIGENTE. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
As instâncias administrativas não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 LEI VIGENTE. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As instâncias administrativas não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário provido em parte.
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VALORES RECOLHIDOS NO SIMPLES. Para fins de determinação dos valores a serem lançados de oficio, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos eventuais pagamentos efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 LEI VIGENTE. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As instâncias administrativas não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 38 35 /2 00 3- 03 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2000 a dezembro de 2002, no valor de R$ 95.912,08, incluídos juros e multa proporcional. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração, às fls. 12 a 16, para exigência de créditos tributários, referentes aos anos calendários de 2000 a 2002, adiante especificados: (...) Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação do SIMPLES, do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração, o autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: 1) A empresa optou, com efeitos a partir de 01/01/1999, pela tributação através do sistema integrado — SIMPLES, como micro empresa. 2) Com base no Livro de Apuração do ICMS apresentado em resposta ao Termo de Intimação Fiscal a fiscalização apurou as receitas brutas mensais do ano calendário de 1999. Ficou constatado que a empresa ultrapassou, no ano calendário de 1999, o limite de receita bruta para permanência no SIMPLES, pois obteve receita bruta total de R$ 1.881.542,60, quando o limite do sistema integrado é R$ 1.200.000,00. 3) Constatou também o autuante que a contribuinte informou na Declaração Anual Simplificado do ano calendário de 1999 valores de receita bruta inferiores aos constantes do Livro de Apuração do ICMS. A contribuinte foi intimada, através do Termo de Constatação Fiscal a justificar tais diferenças e não apresentou resposta. Assim, a fiscalização procedeu a autuação por INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, dos meses de janeiro a dezembro de 1999, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COF1NS E INSS) formalizados no PROCESSO N° 19647.003833/200341. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.003835/200303 Acórdão n.º 3202001.169 S3C2T2 Fl. 309 3 4) Como a pessoa jurídica não efetuou a exclusão do SIMPLES, foi expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Recife o Ato Declaratório Executivo n° 95 de 17/10/2003 (DOU de 20/10/2003), à fl. 85, efetuando a exclusão da empresa do sistema integrado, com efeitos a partir de 01/01/2000. 5) De acordo com o art. 16 da Lei n° 9.317/1996 a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas. No presente caso, como a contribuinte não efetuou os pagamentos, nos anos calendários de 2000 a 2002, pelo lucro estimado ou pelo lucro presumido, não optando por estas formas de tributação, ficando sujeito a tributação pelo lucro real trimestral. A contribuinte foi intimada a apresentar sua escrita contábil e fiscal que possibilitaria a apuração do lucro real nos anos calendários de 2000 a 2002, porém esta informou que não possuía tais livros. A fiscalização procedeu para estes anos calendários à tributação do IRPJ e da CSLL utilizando as regras do Lucro Arbitrado. Autos de infração constantes do PROCESSO N° 19647.0038321200381. 6) Também decorrente da exclusão da empresa a partir de 01/01/2000 a contribuinte ficou sujeita aos recolhimentos da COFINS e da Contribuição para o PIS como as demais pessoas jurídicas. A fiscalização constatou a falta de recolhimento destas contribuições e constituiu os autos de infração da COFINS — PROCESSO Na' 19647.0038341200351 e da CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS — PROCESSO N° 19647.0038351200309. 7) Na apuração do IRPJ/CSLL/COFINS/PIS, dos anos calendários de 2000 a 2002, não foram considerados os recolhimentos efetuados pela sistemática do SIMPLES, por ausência de previsão lega!, restando a contribuinte a opção de formalizar o pedido de restituição/compensação a DRF jurisdicionante. 8) O fiscal autuante efetuou Representação Fiscal para Fins Penais no PROCESSO N° 19647.003836/200340. Neste processo consta a infração relatada no item 6 — FALTA DE RECOLHIMENTO DA COF1NS, fatos geradores de 01/2000 a 12/2002. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, as fls. 94 a 112, na qual questiona integralmente o auto de infração, alegando em síntese o seguinte: 1 — PRELIMINAR DE NULIDADE. Alega a contribuinte que teve seu direito de defesa cerceado, pois o autuante descreve inúmeros dispositivos legais infringidos Fl. 310DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 e a citação de um amontoado de dispositivos legais demonstra o propósito da fiscalização em prejudicar o contribuinte. 2—MÉRITO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO/ VALORES NÃO COMPENSADOS E EXIGIDOS À MAIOR ACRESCENDO O VALOR DA MULTA E DOS JUROS. Afirma a impugnante que nos autos de infração, efetuados pela fiscalização, não foram considerados, para efeito de apuração dos impostos e contribuições devidos, os valores recolhidos pela empresa no SIMPLES. Alega que o art. 66 da Lei n° 8.383/1991 permite a compensação dos valores recolhidos sem qualquer restrição. A falta desta compensação ensejou na cobrança a maior dos impostos e contribuições, acrescidos da multa e dos juros. A contribuinte relaciona, às fls. 96 e 97, os quadros demonstrativos dos valores recolhidos de 2000 a 2002. 3— MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. Às fls. 100 a 103, reclama a contribuinte da aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, pois considera inconstitucional por caracterizar confisco contra o patrimônio da empresa. 4 — UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC COMO FATOR DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. Às fls. 98 a 100, contesta a contribuinte à aplicação da Taxa SELIC como juros de mora em matéria tributária, pois considera inconstitucional tal aplicação. 5— IN DUBIO PRO REO. Requer a contribuinte à aplicação do art. 112 do CTN. Finaliza a contribuinte requerendo diligência, perícia e a juntada posterior de provas. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SPI n.º 7.476, 21/02/2004 (fls. 191/203), assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. Tendo sido excluída de ofício do sistema integrado, através de ato declaratório executivo, o contribuinte que optar de não apresentar impugnação contestando tal exclusão estará definitivamente excluído. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.003835/200303 Acórdão n.º 3202001.169 S3C2T2 Fl. 310 5 A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS. Apurados, através de procedimento de ofício, valores devidos da Contribuição para o PIS, que não haviam sido declarados ou confessados pela contribuinte é procedente a autuação, com a aplicação da multa de ofício. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS INDEVIDOS. Os pagamentos efetuados pela sistemática do SIMPLES, quando a empresa foi excluída de ofício retroativamente, são indevidos e para sua restituição/compensação devem seguir os tramites da IN SRF n° 210 de 2002. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA (TAXA SELIC) — INCONSTITUCIONALIDADE. A cobrança em auto de infração da multa de ofício e dos juros de mora (calculados pela TAXA SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura, que, em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal, que declare sua inconstitucionalidade. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário de fls. 207 e ss, por meio do qual repisa os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Constatou a fiscalização que a Recorrente ultrapassara, no ano calendário de 1999, o limite de receita bruta para a permanência no regime simplificado de pagamento de tributos federais, o chamado Simples Federal. A análise foi feita a partir do cotejo entre os valores informados na Declaração Anual Simplificada e nos registrados Livro de Registro de Fl. 312DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Apuração do ICMS – RAICMS, quando, então, se verificou que os declarados o foram em valores inferiores aos de fato apurados. Noticiam os autos que a decisão que consubstanciou a exclusão da Recorrente do Simples Federal – objeto de outro processo – não foi impugnada, de modo que se tornou definitiva na esfera administrativa. Portanto, o litígio que nos cabe apreciar diz apenas com o auto de infração destinado a exigir o PIS, com seus acréscimos legais (multa proporcional e juros de mora). Preliminarmente, alega a Recorrente cerceado o seu direito de defesa, ao fundamento de que se teria indicado no lançamento “um amontoado de dispositivos legais”, sem que se especificassem as infrações, o seu fundamento legal e o fundamento legal da penalidade. Entretanto, a citação de vários dispositivos legais afigurase necessária para expressar todos os aspectos que envolvem o fato jurídicotributário (material, subjetivo, quantitativo, espacial e temporal) objeto do lançamento. Assim, o seu registro, no campo próprio, concorre para viabilizar, não para macular, o direito de defesa do contribuinte autuado, permitindolhe conhecer, em sua plenitude, as razões da autuação. Não fora isso o bastante, a própria defesa da Recorrente comprova que bem entendeu a controvérsia. Se não contestou o fato da declaração a menor dos valores de receita efetivamente auferidos, é porque ou não quis, ou não tinha mesmo como fazêlo, daí que se limitou a suscitar a nulidade do lançamento, o não aproveitamento dos valores recolhidos sob o regime simplificado, a inconstitucionalidade da multa de ofício e dos juros de mora, além de suplicar a aplicação da regra insculpida no art. 112 do CTN. É de se inferir, portanto, a preliminar de nulidade. No que respeita às razões de mérito, a Recorrente, com efeito, tem direito à redução, nos valores lançados, daqueles apurados e recolhidos sob o regime simplificado. Hoje esse tema está completamente superado na esfera administrativa, tanto que a própria fiscalização já o vem fazendo há muito. No CARF, exemplificase com as seguintes ementas de decisões: COMPENSAÇÃO SIMPLES Para fins de determinação dos valores a serem lançados de oficio, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos eventuais pagamentos efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES (CARF, PRIMEIRA SEÇÃO, 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 19100.051, de 11/12/2008). COMPENSAÇÃO DARF/SIMPLES Para fins de determinação dos valores a serem lançados de oficio, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos eventuais pagamentos efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Acórdão n.º 10516.664, de 13/09/2007). Fl. 313DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19647.003835/200303 Acórdão n.º 3202001.169 S3C2T2 Fl. 311 7 A exigência da multa de ofício e dos juros moratórios decorre de lei cuja incompatibilidade com a Constituição Federal não pode ser apreciada por este colegiado (Súmula n.º 2 do CARF). Roga a Recorrente, ainda, a aplicação da interpretação mais favorável da norma tributária. No entanto, esquecese de que somente se admite tal possibilidade quando existe dúvida, hesitação, quanto ao verdadeiro sentido de certa norma jurídica. É dizer, quando o aplicador da norma se encontra entre duas ou mais construções exegéticas igualmente possíveis, aí, sim, poderseia falar em aplicação do princípio consubstanciado na parêmia in dubio pro reo – situação que, obviamente, não se configura no presente caso, como restou demonstrado. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para determinar a redução, nos valores lançados, daqueles recolhidos sob o regime simplificado (Simples Federal). É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 314DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10865.900857/2008-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/01/2001
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. PROVA.
As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, a; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, a; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-003.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/01/2001 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, a; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, a; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2404; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 481 1 480 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900857/200871 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.559 – 2ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria PIS/PASEPCOMPENSAÇÃO Recorrente INDÚSTRIA CERÂMICA FRAGNANI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/01/2001 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃOINCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 08 57 /2 00 8- 71 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900857/200871 Acórdão n.º 3802003.559 S3TE02 Fl. 482 2 (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/01/2001 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. As bonificações em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Dispositivos legais: arts. 2º e 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998; e IN SRF nº 51, de 03/11/1978. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão de bonificações na base de cálculo das contribuições. Após a conversão do julgamento em diligência, a DRJ entendeu que a documentação apresentada pelo contribuinte seria insuficiente para o reconhecimento do direito. Isso porque as bonificações não constaram da nota fiscal de venda dos bens, tendo sido objeto de nota fiscal própria, o que impede a exclusão da base de cálculo, à medida que não poderiam ser consideradas descontos incondicionais. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900857/200871 Acórdão n.º 3802003.559 S3TE02 Fl. 483 3 O Recorrente, nas razões de fls. 442 e ss., alega que, embora as bonificações tenham sido objeto de nota fiscal separada, as mesmas eram emitidas conjuntamente às notas fiscais de venda, de forma sequencial, o que comprovaria a sua vinculação às operações de venda e a incondicionalidade do desconto concedido. Sustenta que as bonificações tanto podem ser concedidas mediante abatimento do preço ou com entrega de mercadorias em quantidade superior à paga pelo comprado, como na hipótese dos autos. Aduz não ter havido o recebimento de qualquer valor decorrente das notas fiscais de bonificação. Requer, assim, o conhecimento e provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 30/03/2010 (fls. 441), interpondo recurso tempestivo em 28/04/2010 (fls. 442). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900857/200871 Acórdão n.º 3802003.559 S3TE02 Fl. 484 4 REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da Fl. 484DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900857/200871 Acórdão n.º 3802003.559 S3TE02 Fl. 485 5 verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte apresentou como prova da liquidez e da certeza do direito de crédito as notas fiscais de bonificação. A DRJ, entretanto, após a Fl. 485DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900857/200871 Acórdão n.º 3802003.559 S3TE02 Fl. 486 6 conversão do julgamento em diligência, entendeu que tais documentos seriam insuficientes porque a nota fiscal em separado, sem vínculo com outra nota de venda de produto que lhe daria suporte, não caracteriza o desconto incondicional concedido. Entendo, no entanto, que as notas fiscais, mesmo isoladas ou emitidas em separado, são suficientes para a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito, porque denotam claramente que se trataram de bonificação. Cumpre considerar que há, na verdade, dois tipos de bonificação: as bonificações vinculadas e as desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço de venda e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto (condição), têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. Nesse sentido, cumpre destacar o entendimento da Solução de Consulta nº 130, de 3 de maio de 2012, da SRRF 8ª Região Fiscal/SP (D.O.U. de 26.06.2012): “Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de Fl. 486DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900857/200871 Acórdão n.º 3802003.559 S3TE02 Fl. 487 7 doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.” Registrese ainda o Acórdão nº 3802002.410, decidido por unanimidade pela Turma, em sessão de 27 de fevereiro de 2014: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.” A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação1. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, as notas fiscais, mesmo isoladas, são suficientes para a demonstrar a liquidez e a certeza do direito, sobretudo quando descrevem claramente a natureza da operação. 1 Isso não significa que todos as bonificações vinculadas à operações de venda devam ser concedidas na mesma nota fiscal. Há casos em que, mesmo em operações subsequentes, a bonificação redutora de custo de aquisição pode estar vinculada a uma ou mais vendas anteriores. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900857/200871 Acórdão n.º 3802003.559 S3TE02 Fl. 488 8 Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos do processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 488DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10950.724081/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTENTE
Inexiste, na sistemática própria do Processo Administrativo Fiscal Federal, a obrigatoriedade de cópia ao contribuinte. Sem a específica apresentação de qualquer óbice efetivamente oposto ao desenvolvimento da defesa pelo contribuinte, descabe a argüição genérica de nulidade.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
Restando a autuação fundada no desenvolvimento de atividade fraudulenta pelos agentes representantes da contribuinte, descabe a aplicação do Art. 150, parágrafo quarto do CTN, dando lugar à aplicação da sistemática apresentada pelas disposições do Art. 173 daquele mesmo diploma.
NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. INEXISTÊNCIA.
No curso do procedimento de fiscalização - fase inquisitória - não há obrigatoriedade de o Fisco intimar o contribuinte acerca dos procedimentos realizados ou prestar quaisquer esclarecimentos aos contribuintes no tocante ao processamento de suas declarações, podendo proceder às autuações diretamente, desde que tenha elementos de prova e convicção para tanto.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR DE FATO.
Estando devidamente comprovado nos autos que o recorrente (responsável tributário) agiu como efetivo e verdadeiro administrador de fato da empresa, escudando-se pela utilização de interpostas pessoas, regular se apresenta a sua responsabilização, a partir do que expressamente previsto no art. 135, inciso III do CTN.
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ARBITRAMENTO DO LUCRO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há que se falar em tributação não cumulativa de PIS e COFINS quando estamos diante de pessoa jurídica submetida ao arbitramento do lucro
Numero da decisão: 1301-001.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Ausente justificadamente Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente Luiz Tadeu Matosinho Machado (Conselheiro Substituto). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente em exercício), Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Conselheiro Substituto).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTENTE Inexiste, na sistemática própria do Processo Administrativo Fiscal Federal, a obrigatoriedade de cópia ao contribuinte. Sem a específica apresentação de qualquer óbice efetivamente oposto ao desenvolvimento da defesa pelo contribuinte, descabe a argüição genérica de nulidade. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Restando a autuação fundada no desenvolvimento de atividade fraudulenta pelos agentes representantes da contribuinte, descabe a aplicação do Art. 150, parágrafo quarto do CTN, dando lugar à aplicação da sistemática apresentada pelas disposições do Art. 173 daquele mesmo diploma. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. INEXISTÊNCIA. No curso do procedimento de fiscalização - fase inquisitória - não há obrigatoriedade de o Fisco intimar o contribuinte acerca dos procedimentos realizados ou prestar quaisquer esclarecimentos aos contribuintes no tocante ao processamento de suas declarações, podendo proceder às autuações diretamente, desde que tenha elementos de prova e convicção para tanto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR DE FATO. Estando devidamente comprovado nos autos que o recorrente (responsável tributário) agiu como efetivo e verdadeiro administrador de fato da empresa, escudando-se pela utilização de interpostas pessoas, regular se apresenta a sua responsabilização, a partir do que expressamente previsto no art. 135, inciso III do CTN. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ARBITRAMENTO DO LUCRO. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em tributação não cumulativa de PIS e COFINS quando estamos diante de pessoa jurídica submetida ao arbitramento do lucro
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Ausente justificadamente Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente Luiz Tadeu Matosinho Machado (Conselheiro Substituto). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente em exercício (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente em exercício), Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Conselheiro Substituto).
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Responsabilidade de sócio Recorrente LAIOLA DE SOUZA & MARTINS LTDA ME e Outro Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTENTE Inexiste, na sistemática própria do Processo Administrativo Fiscal Federal, a obrigatoriedade de cópia ao contribuinte. Sem a específica apresentação de qualquer óbice efetivamente oposto ao desenvolvimento da defesa pelo contribuinte, descabe a argüição genérica de nulidade. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Restando a autuação fundada no desenvolvimento de atividade fraudulenta pelos agentes representantes da contribuinte, descabe a aplicação do Art. 150, parágrafo quarto do CTN, dando lugar à aplicação da sistemática apresentada pelas disposições do Art. 173 daquele mesmo diploma. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. INEXISTÊNCIA. No curso do procedimento de fiscalização fase inquisitória não há obrigatoriedade de o Fisco intimar o contribuinte acerca dos procedimentos realizados ou prestar quaisquer esclarecimentos aos contribuintes no tocante ao processamento de suas declarações, podendo proceder às autuações diretamente, desde que tenha elementos de prova e convicção para tanto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR DE FATO. Estando devidamente comprovado nos autos que o recorrente (responsável tributário) agiu como efetivo e verdadeiro administrador de fato da empresa, escudandose pela utilização de interpostas pessoas, regular se apresenta a sua responsabilização, a partir do que expressamente previsto no art. 135, inciso III do CTN. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ARBITRAMENTO DO LUCRO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 40 81 /2 01 3- 84 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 2 Não há que se falar em tributação não cumulativa de PIS e COFINS quando estamos diante de pessoa jurídica submetida ao arbitramento do lucro Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Ausente justificadamente Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente Luiz Tadeu Matosinho Machado (Conselheiro Substituto). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente em exercício), Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Conselheiro Substituto). Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 10950.724081/201384 Acórdão n.º 1301001.614 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tendo em vista a clareza e a completude do relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, reproduzoo aqui, destacando: A contribuinte acima qualificada foi autuada da lavratura dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para exigência de créditos tributários referentes ao ano calendário de 2008 (fls. 265/297), adiante especificados: Às fls. 245/264 consta o Termo de Verificação Fiscal, onde é relatado como se desenvolveu o procedimento levado a efeito contra a empresa. Esclarece o autor do feito que considerando que o sujeito passivo não se manifestou acerca das intimações da fiscalização, lavrouse no dia 09/08/2011 Termo de Constatação Fiscal, no qual se registraram os seguintes fatos: 1) a constatação de que as informações prestadas pelo sujeito passivo à Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná, em GIA/ICMS (Guia de Informação e Apuração do ICMS), indicam que o sujeito passivo exerceu suas atividades operacionais (até setembro/2008), promovendo saídas relativas a operações/prestação de mercadorias/serviços, representativas, em princípio, de faturamento; 2) a ausência da prestação de qualquer informação nesse sentido à Receita Federal; 3) a ausência da apresentação de DIPJ, DACON e DCTF, uma vez que o sujeito passivo não era optante pelo Simples Nacional; 4) que considerando que o sujeito passivo não apresentou qualquer livro, elemento ou esclarecimento objeto da intimação, as importâncias relativas às saídas pertinentes a operações/prestações de mercadorias/serviços serão consideradas base de cálculo dos tributos incidentes e, por conseguinte, receitas omitidas; 5) não tendo optado por qualquer regime de tributação em relação ao anocalendário de 2008, sujeitarseia ao Lucro Real como forma de apuração do IRPJ e da CSLL referentes aos respectivos períodos de apuração, contudo não vindo o sujeito passivo a apresentar os Livros Diário e Razão Contábil, a apuração dos referidos tributos darseá pelo regime do lucro arbitrado; 6) os valores da receita bruta, representativos de omissão de receitas, configurarão base de cálculo para apuração das contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Os elementos de prova coligidos no decorrer da ação fiscal importaram na constatação de irregularidades nos valores oferecidos à tributação, no anocalendário de 2008, como a seguir exposto. Omissão de Receitas Declaradas ao Fisco Estadual: Conquanto o sujeito passivo estivesse omisso no que concerne à apresentação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), dos Fl. 402DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 4 Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) e das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativos ao anocalendário de 2008, verificouse que o sujeito passivo comunicava à Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná as suas receitas de vendas, por meio da GIA/ICMS (Guia de Informação e Apuração do ICMS), obtidas por intermédio do sistema CELEPAR. Intimado e reintimado, o sujeito passivo e seus representantes não apresentaram quaisquer documentos hábeis e idôneos que pudessem refutar a veracidade dos valores declarados à Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná, conforme descrição detalhada do procedimento fiscal, contida no item "03. DA FISCALIZAÇÃO" do presente termo. Assim sendo, considerouse como Receita Bruta a soma dos campos 31 (valor das saídas de mercadorias e de serviços para o Estado) e 33 (valor das saídas de mercadorias e de serviços para outros Estados), constantes da GIA/ICMS.... Do Arbitramento dos Lucros; Tendo em vista que embora regularmente intimado e reintimado o sujeito passivo deixou de apresentar os livros e documentos da escrituração fiscal e contábil para que fosse possível verificar o efetivo resultado da empresa, impõese a tributação com base no Lucro Arbitrado, conforme preceitua o inciso III do artigo 530 combinado com o inciso I do artigo 845, ambos do Decreto 3.000 de 26 de março de 1.999 RIR/99. Considerouse como Receita Bruta Conhecida, Base de Cálculo do Lucro Arbitrado, a omissão constatada pela fiscalização, demonstrada no subitem 04.1. (Omissão de Receitas Declaradas ao Fisco Estadual). O total de receitas omitidas representa, ainda, a base de cálculo para a apuração da CSLL, do PIS/Pasep e Cofins, em conformidade com o disposto no art. 24, §2°, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 que estabelece que o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para os respectivos lançamentos de ofício. Da Interposição Fraudulenta e da Sujeição Passiva Solidária Diante dos documentos e provas carreados aos autos, ficou evidenciada a situação em que se tentava manter a identidade do sócioadministrador e proprietário do sujeito passivo, Celso Moreira, encoberta pela figura de terceiros, de forma a prejudicar os interesses da Fazenda Pública, quando da realização financeira do crédito tributário devido, caracterizando uma interposição fraudulenta. Deve, portanto, CELSO MOREIRA (inscrito no CPF sob n° 673.231.62904) responder solidariamente pelos tributos e contribuições apurados em razão das infrações constatadas pela fiscalização, em conformidade com o art. 124, inciso I, c/c o art. 135 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Da Multa Qualificada O artigo 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, assevera que sonegação fiscal é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Nesta linha o artigo 72 da mesma lei conceitua fraude como toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 10950.724081/201384 Acórdão n.º 1301001.614 S1C3T1 Fl. 4 5 características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir seu pagamento. Assim, no presente procedimento fiscal, constatouse a constituição do sujeito passivo em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de transferirlhes fraudulentamente a responsabilidade tributária e penal pelas infrações cometidas. Portanto, face o evidente intuito de sonegação e fraude, revelados na vontade consciente e desejada de lesar a Fazenda, causandolhe prejuízos, de acordo com as definições contidas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, combinados com o comando legal plasmado no artigo 44, inciso I, e seu §1°, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicarseá a multa de 150% (cinto e cinquenta por cento) sobre o montante dos tributos apurados. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária contra CELSO MOREIRA, inscrito no CPF sob n° 673.231.62904 (fls. 298/299). O presente lançamento ensejou também a Representação Fiscal para fins penais, por meio do processo nº 10950.724114/201396, em razão de que os fatos relatados tipificam, em tese, “Crime contra a Ordem Tributária”, previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8;137, de 27 de dezembro de 1990. Devidamente notificado em 08/07/2013 (fls. 301), o sujeito passivo solidário CELSO MOREIRA apresentou, por meio de seu procurador nomeado às fls. 329, as suas razões de defesa em 07/08/2013 (fls. 310/328), alegando, após a narrativa dos fatos, as seguintes preliminares: a) a nulidade dos lançamentos por cerceamento do direito de defesa, haja vista que não recebeu em 08/07/2013, data em que foi cientificado do auto de infração, cópia de todos os documentos que embasaram a autuação. Isso somente aconteceu em 25/07/2013, após protocolar pedido de cópias, tendo assim acesso aos autos de forma integral. Tendo em vista que sem os documentos obtidos em 25/07/2013 não seria possível dar nenhum passo na defesa, porquanto não havia como aferir as razões do lançamento fiscal e da sujeição passiva feitos pela fiscalização, o contribuinte teve reduzido seu prazo de defesa de 30 dias para apenas 13 dias, fato que evidentemente lhe cerceou o direito de defesa. Além disso, tendo em vista que os outros contribuintes, também autuados, têm assegurado efetivamente 30 dias para se defenderem, há aqui também nulidade por agressão ao princípio da isonomia. Ressalta, ainda, que a única intimação que recebeu foi para fazer manifestação sobre a procuração e a conta corrente, não sendo intimado para manifestarse previamente em relação á movimentação de mercadorias; b) a decadência dos créditos tributários referentes ao anocalendário 2008, pois se tratam de tributos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º, do CTN), cujo prazo se extingue em cinco anos da ocorrência do fato gerador. Assim, considerando que o lançamento fiscal ocorreu em 02/07/2013, logo, todo e qualquer lançamento fiscal, cujos fatos geradores sejam anterior a 02 de julho de 2008 restam fulminados pela decadência, conforme previsto no Código Tributário Nacional. No presente caso, estariam decaídos os lançamentos do primeiro e segundo trimestres de 2008; c) a nulidade dos lançamentos por falta de intimação do sujeito passivo ao qual se declarou a sujeição passiva, haja vista que somente em 06/09/2012, a Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 6 recorrente foi notificada para apresentar esclarecimentos sobre a procuração e a movimentação bancária realizada junto ao Banco Itaú S/A. Contudo, não teve nenhuma outra notificação prévia de sua inclusão no pólo passivo, de forma que, querendo, pudesse interagir no processo, que fosse em relação aos sócios que lhe outorgaram a procuração, que fosse em relação à forma de apuração do resultado apresentada. Quanto ao mérito alegou: a) Inexistência de responsabilidade do recorrente: Conforme documento de fls. 73/75, no dia 20 de junho de 2007, a empresa, através de procuração pública outorgou poderes para o Recorrente, para que este pudesse movimentar conta bancária. Digase que o único objetivo da procuração, verdadeiramente era este. Abrir uma conta corrente em nome da empresa, de forma que enquanto realizasse o embarque dos couros adquiridos e processados pela empresa, fosse efetuando os pagamentos. É de conhecimento público que todos os cartórios de notas, possuem modelos previamente confeccionados de procurações, assim, quando uma pessoa ou empresa procura um tabelionato, com o objetivo de outorgar procuração a outra pessoa, de imediato se busca o modelo que é "adequado" ao pedido das partes, e então "lavrase" em poucos minutos a procuração. Tal fato é incontestável, e para tanto basta observar que a procuração outorgada pela empresa em beneficio do Recorrente traz os seguintes poderes: "fazer ressalva e assinar o Manifesto Internacional de Cargas MIC;" "representála também junto aos Correios e Telégrafos, transportadoras, armazéns gerais, estradas de ferro e outros meios de transportes;" Oras, não se pode duvidar que a procuração, ou melhor dizendo o modelo utilizado era préexistente no Cartório de notas de Apucarana Paraná. Outro fato de maior importância, é que o Outorgado, ora Recorrente não estava presente no momento da Outorga da Procuração. A procuração não foi lavrada sob minuta, enfim, não há qualquer prova ou indício de prova que a procuração fora lavrada com o propósito de transferir a administração da empresa para o Recorrente. Destacase, que ao ser intimado para prestar esclarecimento sobre a procuração e movimentação financeira realizada, o Recorrente de plano narrou os fatos como verdadeiramente aconteceram, e mais, não limitouse apenas a negar qualquer participação na empresa, como ainda demonstrou sua condição financeira, seu padrão de vida, fazendo juntar os documentos de fls. 217/222 dos autos. Porém, como não fosse suficiente, neste momento o Recorrente junta seu extrato bancário do ano de 2008, no qual demonstra sua movimentação financeira, restando provado que enquanto simplesmente trabalhava para a empresa autuada, tinha em sua conta corrente saldo devedor, buscando por diversas vezes financiamento bancário na modalidade de crédito pessoal para fazer frente aos seus compromissos. Não se pode querer afirmar que uma pessoa que tivesse em suas mãos, verdadeiramente, a movimentação e a propriedade de mais de dois milhões e quatrocentos mil reais, estaria buscando junto ao Banco Bradesco, crédito Fl. 405DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 10950.724081/201384 Acórdão n.º 1301001.614 S1C3T1 Fl. 5 7 pessoal no valor de R$ 3.000,00 (três mil reais) como o realizado em 02 de setembro de 2008. Para responsabilizar o Recorrente pelos Tributos supostamente gerados e não pagos pela empresa autuada, o Agente fiscal utilizouse das previsões dos artigos 124, " I " e 135 do Código Tributário Nacional. Como demonstrado não se pode falar em interesse comum do Recorrente na situação que constituiu o fato gerador, eis que não participava da sociedade empresarial, figurando como mero procurador. Como já demonstrado, embora o agente fiscal responsável pela finalização da autuação entenda pela participação como administrador da empresa, tal fato não resta configurado, especialmente pelo confronto entre a vida particular do Recorrente, com as movimentações da empresa para o qual prestou serviços. De outro lado, o artigo 135 do Código Tributário Nacional, traz em seu caput a expressa previsão de que a responsabilidade é pessoal dos agentes citados nos seus incisos, desde que comprovadamente os mandatários tenham praticado atos com EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Com base na previsão do Código Tributário Nacional, perguntase: Qual foi o ato praticado pelo recorrente que tenha sido realizado com excesso de poderes, que infringiu a Lei, o contrato social ou o estatuto da empresa? Por acaso, assinar cheque é ato contrário a Lei? Emitir transferências bancárias, é ato contrário à Lei? Abrir uma conta corrente, quando se tem procuração outorgada pela empresa, é ato contrário à Lei? Evidentemente que os atos praticados pelo Recorrente estavam e encontramse dentro dos poderes que lhe foram conferidos por instrumento de procuração, e mais, os atos praticados não excedem poderes, estatutos, ou infringem a lei. Neste sentido já decidiu o Tribunal Regional Federal da 4a Região no julgamento do processo 2002.04.01.0355841/SC. Conjugandose as situações, em que não se observa qualquer proveito da suposta movimentação bancária da empresa autuada pelo Recorrente, fato este que afasta qualquer possibilidade de vinculação do Recorrente com a participação societária ou com o interesse na sociedade, e ainda, a inexistência da prática de atos contrários à Lei, estatutos sociais ou excesso de poderes, para jogar por terra o redirecionamento da responsabilidade tributária realizada neste processo. Assim pedese pela exclusão do Sr. Celso Moreira, da responsabilidade pelos tributos lançados uma vez provado inexistir qualquer justificativa ou razão de direito para sua manutenção no pólo passivo do lançamento tributário. b) do limite da responsabilidade: O artigo 135, em seu caput, é claro ao definir que a responsabilidade se dá em relação aos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 8 No caso em comento, a Receita Federal identificou que o Recorrente participou na abertura e movimentação da conta corrente mantida em nome da empresa autuada junto ao banco Itaú S/A. dos documentos juntados, restou demonstrado que a movimentação no período foi de R$ 2.495.481,82 (dois milhões quatrocentos e noventa e cinco mil quatrocentos e oitenta e um reais e oitenta e dois centavos). Logo, não se pode olvidar que qualquer base de cálculo para o cálculo de tributos em relação ao Recorrente não pode ser superior à movimentação bancária, posto inexistir qualquer prova material de participação do Recorrente na administração da empresa, senão o fato de ter sido constituído procurador com poderes para movimentação da conta bancária referida. Assim, em ultima análise, se mantida a responsabilidade do Recorrente, que os valores sejam calculados com base nos valores movimentados na conta corrente do Banco Itaú, na forma como apresentada, respeitandose o instituto da decadência tributária. c) Da necessidade de apuração do resultado e cálculo do PIS e COFINS pela sistemática do lucro real e aplicação das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 – não cumulatividade: Considerando a não manifestação da empresa no processo administrativo fiscal, o Agente responsável pelo lançamento utilizou do cálculo dos tributos pela sistemática do lucro arbitrado. Contudo, como demonstrado preambularmente, o Recorrente em tempo algum foi notificado de sua inclusão no pólo passivo, senão após a lavratura do auto de infração. Em respeito ao devido processo legal, por certo que este deveria ter sido intimado de forma antecipada, podendo assim, após sua integral participação no processo, utilizar inclusive da prerrogativa de buscar a apresentação da contabilidade trabalhando junto aos sócios e contadores da empresa, de forma a apurar o resultado efetivo da empresa, bem como em relação às contribuições para o PIS e COFINS. De análise das guias de apuração do ICMS entregues pela Autuada para o Estado do Paraná, documentos que dão base para o lançamento, fica demonstrada a compra e venda de mercadorias. Assim, é possível, sem maiores esforços, o levantamento e apuração do débito de PIS e COFINS e ainda do Resultado das operações, conforme tabela abaixo: Assim, de simples análise dos números da empresa, números estes apresentados pela própria fiscalização, e a míngua de qualquer intimação para o sujeito passivo ora Recorrente, por certo que deve ser admitida a apuração do resultado pelo sistema do Lucro Real, e a apuração do PIS e COFINS pela sistemática da não cumulatividade das contribuições. Desta forma, requer a aplicação da apuração do resultado na forma como segue na planilha anexa. Em caso de ser o entendimento que os lançamentos devem obedecer as normas do Conselho de Contabilidade, requer a devolução dos autos em diligência, de forma que o Recorrente possa viabilizar, ainda que pelas informações constantes dos autos, a escrita fiscal e contábil, com demonstração das apurações de resultado e contribuições sociais. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 10950.724081/201384 Acórdão n.º 1301001.614 S1C3T1 Fl. 6 9 Analisando os termos da impugnação apresentada (exclusivamente pelo responsável tributário), concluiu então a douta DRJ de origem pela PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 Lançamento. Nulidade. Requisitos Legais Presentes. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. Cerceamento do Direito de Defesa. Fase Procedimental. Caráter Inquisitório. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal, durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. Decadência do Direito de Lançar. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, iniciase a contagem do prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Cerceamento de defesa Auto de Infração. Constante do auto de infração uma correta descrição dos fatos, desnecessária a entrega ao contribuinte da cópia de todos os documentos que compõem os autos do processo administrativo, a menos que haja solicitação específica ao órgão preparador. IRPJ. Arbitramento do Lucro. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. Prova Indiciária. Sujeição Passiva Solidária. Legítima a prova indiciária, também chamada de presuntiva, quando indícios fartos, graves, precisos e convergentes evidenciam que a pessoa jurídica possuía interpostas pessoas em seu quadro social e que o real beneficiário dos rendimentos era um terceiro, que administrava a empresa por meio de procuração, legitimamente considerado devedor solidário. Autuação Reflexa: PIS, Cofins, Contribuição Social. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Fl. 408DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 10 Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, para: a) CONSIDERAR NÃO IMPUGNADO o lançamento em relação ao contribuinte LAIOLA DE SOUZA & MARTINS LTDA ME, CNPJ: 08.487.329/000130; b) CONSIDERAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO do sujeito passivo solidário CELSO MOREIRA, CPF nº 673.231.62904. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Regularmente intimado o responsável impugnante dos termos do v. acórdão de fls., por ele foi então interposto, em 23/12/2013, o seu respectivo Recurso Voluntário, onde, redargüindo todas as mesmas questões antes apresentadas em sua impugnação, pretende a reforma do julgamento de primeira instância, e, com isso, a desconstituição do lançamento, nos termos ali então apontados. É o que aqui se tem a relatar. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 10950.724081/201384 Acórdão n.º 1301001.614 S1C3T1 Fl. 7 11 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso interposto, dele conheço. Após destacar e repetir todas as circunstâncias fáticas que envolveram o lançamento na presente vertente, destaca a contribuinte que, apesar das considerações trazidas pela r. decisão recorrida, manteve ela todos os argumentos anteriormente apresentados em sua impugnação, por entender, no caso, não ter sido a ela conferido o regular tratamento. Passemos aqui, então, à análise dos fundamentos do recurso, nos tópicos, inclusive, por ele próprio apresentados: PRELIMINARES DE MÉRITO Da nulidade por cerceamento do direito de defesa Sob o primeiro ponto de seu recursos, sustenta a contribuinte que seria nula a autuação realizada, tendo em vista que, não lhe tendo sido apresentada a cópia integral do Processo Administrativo Fiscal quando da intimação do lançamento, teria sofrido ela então efetivo cerceamento do direito de defesa, impedindo, assim, a continuidade do feito. Em que pese todas a insurgência apresentada, entretanto, penso que não assiste razão à recorrente, sobretudo porque, ao contrário do que pretende fazer entender, inexiste nas disposições da específica norma de regência do Processo Administrativo Fiscal Federal (Decreto 70.235/72), qualquer obrigação de entrega ao contribuinte de cópia integral dos autos do processo fiscal. Aliás, pelo que se verifica, o que pretende a recorrente é a imposição de uma interpretação forçada das disposições daquele diploma normativo – especificamente pela redação contida em seus artigos 9o e 15o – tentando fazer crer que ali residiria, então, o fundamento para a alegada nulidade. Ora, pela simples leitura dos referidos dispositivos verificase, sem qualquer sombra de dúvidas, a inexistência de dever dos agentes da fiscalização em entregar à contribuinte a cópia integral dos autos do processo quando de sua intimação, não se podendo assim, de forma alguma, concluir pela nulidade pretendida. Ademais, mesmo que assim não fosse, mesmo que eventualmente se verificasse a existência de qualquer comando formal que impusesse a obrigatoriedade de entrega das referidas cópias quando da formalização da intimação (o que de fato inexiste em nosso ordenamento jurídico pátrio), eventualmente não observada pelos agentes da fiscalização, não se imporia, por si só, a nulidade do lançamento, tendo vem vista, inclusive, o que expressamente disposto no art. 59 daquele mesmo diploma legal que, a esse respeito, assim inclusive destaca: Art. 59. São nulos: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 12 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso específico da suposta apresentação de intimação sem a cópia dos autos do processo administrativo fiscal, sustenta a contribuinte que teria ela tido “cerceado o seu direito de defesa”, especificamente porque, tendo que ter acesso aos autos na repartição fiscal, teria dela sido “aglutinado” parte de seu trintídio legal, residindo aí, então, a nulidade pretendida. Ora, a argumentação da contribuinte, na verdade, expõe a ausência de fundamento de sua pretensão, sobretudo porque, conforme por ela própria reconhecido, ela pretendeu a cópia na repartição fiscal, tendo obtido êxito em sua pretensão, em tempo, inclusive, mais que suficiente para a preparação de sua defesa, em absolutamente nada lhe sendo impedido de considerar, sobretudo porque, como se verifica, inclusive, as mesmas e idênticas razões apresentadas em sua impugnação, são agora, novamente, aduzidas em seu Recurso Voluntário. Assim, apesar de todos os esforços, inexiste, nos autos, qualquer indício de suposto cerceamento ao direito de defesa, seja por inexistir o dever legal de entrega de cópias dos autos do PAF quando da intimação do lançamento, ou ainda qualquer óbice irregularmente oposto ao acesso das informações contidas nos autos do processo na respectivas repartição fiscal, sendo certo e completamente induvidoso, no presente caso, a inexistência de qualquer nulidade a ser aqui então eventualmente reconhecida. Afasto, assim, a preliminar de nulidade apontada. Da Decadência Além da nulidade pelo apontado (suposto) cerceamento do direito de defesa – aqui já inclusive devidamente superado , aduz ainda a recorrente a ocorrência de decadência (parcial) em relação aos fatos tributáveis apontados, sobretudo porque, sendo os tributos submetidos às regras do Art. 150, par. 4o do CTN (Lançamento por homologação), e, considerando que o lançamento fora efetivado no dia 02/07/2013, estariam, portanto, efetivamente extinto todos os créditos tributários decorrentes de fatos ocorridos antes do dia 02/07/2008. Analisando as circunstâncias contidas nos autos, verificase que, na análise da decisão exarada pela DRJ, fundamentase o afastamento das disposições do mencionado Art. 150, par. 4o do CTN e, por conseqüência, a apuração da decadência a partir da regra geral contida nas disposições do Art. 173 do CTN, especificamente, na configuração da existência de atividade fraudulenta dos sujeito passivo/responsável, tendo em vista as circunstâncias fáticas especificamente apreciadas nos presentes autos. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 10950.724081/201384 Acórdão n.º 1301001.614 S1C3T1 Fl. 8 13 Em suas razões, a recorrente destaca, insistentemente, a inexistência de qualquer “ato” que se possa alcunhar como “fraudulento”, tendo em vista que a movimentação de conta bancária, promovida com a específica existência de mandato, não se configuraria em quaisquer das hipóteses apresentadas pelas disposições dos artigos 124 e 135 do CTN. A análise das circunstâncias fáticas apresentadas pela contribuinte neste tópico, com toda a certeza, guarda integral relação com o mérito ulteriormente aqui discutido, sendo certo que, conforme adiante restará devidamente comprovado, ao contrário do que afirma a recorrente, as autoridades da fiscalização promoveram a regular apuração e indicação dos atos praticados pelos referido Sr. CELSO MOREIRA, sendo legítima, portanto, a aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN. Diante dessas razões, afasto também a preliminar relativa à decadência suscitada. Da nulidade por falta de intimação do sujeito passivo ao qual se declarou a Sujeição Passiva Neste tópico, a recorrente afirma que seria nulo o lançamento, tendo em vista que o responsável tributário não teria sido intimado no início do desenvolvimento da ação fiscal, não tendo podido participar dos atos praticados pelos agentes da fiscalização, o que, a princípio, representarlheia, também, cerceamento ao direito de defesa. Essa questão é já recorrente neste Conselho, inexistindo controvérsias a seu respeito. Pela sistemática própria do Processo Administrativo Fiscal, a fase contenciosa somente é instaurada a partir da apresentação da impugnação pelo sujeito passivo, sendo certo que, em relação a todos os fatos anteriormente realizados, estáse no desenvolvimento de atividade efetivamente inquisitória, não se havendo falar, absolutamente, em qualquer “contraditório” ou “ampla defesa”, até porque, até então, sequer se haveria falar em “acusação”. A atividade inquisitória, preparatória do lançamento, desenvolvida pelos agentes da fiscalização, encontra seu fundamento de validade nas disposições do Art. 142 do CTN, que, em relação à ação fiscal, assim, inclusive, especificamente estabelece: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A jurisprudência do CARF, a esse respeito, é uníssona. Vejamos: Número do Processo 19679.011717/200555 Contribuinte HBO BRASIL LTDA Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO / RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Fl. 412DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 14 Relator(a) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Nº Acórdão 2102002.320 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício para restabelecer os juros de mora exonerados pela decisão recorrida. No tocante ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, acordam em REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. . Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Período de apuração: 01/01/2000 a 01/11/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSAMENTO DAS DECLARAÇÕES. FALTA DE INTIMAÇÃO. FASE INQUISITÓRIA. NÃO HÁ NULIDADE. No processo administrativo fiscal, os princípios do contraditório e da ampla defesa estão presentes na fase impugnatória, no momento em que se instaura o litígio. No curso do procedimento de fiscalização fase inquisitória não há obrigatoriedade de o Fisco intimar o contribuinte acerca dos procedimentos realizados ou prestar quaisquer esclarecimentos aos contribuintes no tocante ao processamento de suas declarações, podendo proceder às autuações diretamente, desde que tenha elementos de prova e convicção para tanto. MULTA ISOLADA. ART. 44 LEI Nº 9.430/1996. RETROATIVIDADE BENIGNA PARA SUPRESSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada de ofício de 75% por pagamento em atraso desacompanhado da multa de mora, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, foi suprimida do texto legal pela MP 303/2006, que perdeu a eficácia, mas manteve sua validade quanto às relações jurídicas constituídas durante sua vigência. Assim, aplicase retroativamente para excluir a multa de ofício isolada, por força do art. 106, II, ‘c’ do CTN c/c art. 62, § 11 da CF. MULTA E JUROS DE MORA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Aplicase à multa e juros de mora o prazo decadencial quinquenal, previsto no art. 173, I, para o Fisco constituir o crédito tributário. JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). IRRF. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. ARTIGO 543C, DO CPC. ART. 62A DO ANEXO II DO RECARF. Caracteriza a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, mas antes da respectiva declaração e de qualquer procedimento do Fisco. Decorrência do Art. 62A do RICARF, segundo o qual as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STJ, bem como pelo Supremo Tribunal Federal, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas nos atos do CARF. Recurso de Ofício Parcialmente Provido e Recurso Voluntário Negado O Art. 14 do Decreto 70.235/72 é claro quando aponta: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Em face dessas considerações, completamente infundada, verificase, é a argüição da suposta nulidade do lançamento, sobretudo porque, como se verifica, inexiste qualquer fundamento legal para impor, no caso, a obrigatoriedade de observância do pretendido “contraditório”, antes na efetivação do lançamento e, no caso, a competente apresentação de impugnação pelo contribuinte/responsável, nos termos, inclusive, expressamente apontados pelo Art. 14 do Decreto 70.235/72. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 10950.724081/201384 Acórdão n.º 1301001.614 S1C3T1 Fl. 9 15 Com essas considerações, rejeito também a argüição de nulidade apontada. NO MÉRITO Da responsabilidade do recorrente Ultrapassadas todas as questões preliminarmente apontadas, verificase que, conforme antes indicado, passa o recorrente a sustentar, no caso, a impossibilidade legal de imputação, a seu desfavor, de responsabilidade pelos créditos tributários constituídos, sobretudo ante a impossibilidade de configuração das hipóteses dos Art. 124, inciso II e Art. 135, inciso III, ambos do CTN. Inicialmente, é relevante destacar que, conforme tenho reiteradamente afirmado, penso, pessoalmente, que as disposições do Art. 124 do CTN tratam, na verdade, de normas gerais relativas aos contornos possíveis da constituição da sujeição passiva tributária, absolutamente em nada se confundindo ou se aproximando da hipótese de responsabilização de terceiros, o que, inclusive, encontra expresso e próprio regramento pelo ordenamento jurídico pátrio a partir da aplicação das disposições dos artigos 134 e 135 do CTN. Pois bem. Analisando a questão fática apresentada nos autos, relevantes se mostram as considerações trazidas quando da lavratura do correspondente Termo de Verificação Fiscal, que, especificamente a respeito dos atos praticados pelo Sr. CELSO MOREIRA (recorrente), assim então aponta (Fls. 256): “05. DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA E DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A partir de agora, analisarseá a atuação e participação de Celso Moreira (CPF no 673.231.62904), procurador, sócioadministrador de fato e proprietário do sujeito passivo. Celso Moreira nunca fez parte do quadro societário do sujeito passivo de acordo com o Contrato Social e suas Alterações. Contudo, Celso Moreira possuía procuração lavrada no 1o Serviço Notarial de Apucarana (PR) em 20/06/2007 (doc. 74 e 75), outorgada pelo sujeito passivo, sendo este representado por Edmilson Batista de Souza (Sócioadministrador à época da outorga da procuração, conforme Primeira Alteração Contratual, assinada em 27/04/2007 e registrada na Junta Comercial do Paraná em 07/05/2007), com ‘validade por prazo INDETERMINADO na qual lhe foram conferidos os mais amplos e diversos poderes. Munido de tal procuração, Celso Moreira dirigiuse, no dia 04/07/2007 (exatos 14 dias após a outorga da procuração), à agência 0236 do Banco Itaú S/A, localizada na cidade de Umuarama (PR), e abriu a conta de no 764601. Esse fato é cabalmente comprovado, conforme documentos apresentados pelo Banco Itaú S/A em atendimento à RMF (Requisição de Informação de Movimentação Financeira). Nas duas folhas do documento denominado “Proposta de Abertura de Conta Universal Itaú PJ e de Contratação de Produtos e Serviços – Segmento Varejo” (doc. Fls. 157 a 158), embora estejam indicados os nomes dos sócios Fábio José Monteiro e Edmilson Batista de Souza nos campos destinados aos dados dos sócios/cotistas/controladores/adminsitrador(es), quem assina uma das folhas é o Gerente da Agência do Banco Itaú S/A, Valdecir Puerari, e na outra quem assina é o procurador do sujeito passivo, Celso Moreira. Em outra folha da “Proposta de Abertura de Conta Universal” (Doc. Fls. 161), no qual há um quadro intitulado de “DECLARAÇÃO / AUTORIZAÇÃO DA EMPRESA”, e que exige a “ASSINATURA DOS REPRESENTANTES LEGAIS DO CLIENTE NOMEADOS NO DOCUMENTO DE CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA”, e que deveria, portanto, ser assinado por um dos sócios constantes do Contrato Social, verificase que quem assinou foi o Fl. 414DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 16 procurador, Celso Moreira. Nessa mesma folha, em outro quadro designado de “DECLARAÇÃO DOS DEVEDORES SOLIDÁRIOS”, o próprio procurador, Celso Moreira, se responsabiliza como devedor solidário “por todas as obrigações assumidas pelo Cliente”. Verificase ainda em outra folha da proposta de Abertura de Conta Universal (Doc. Fls. 160), em quadro nomeado de “REPRESENTANTES LEGAIS / PROCURADORES DA EMPRESA AUTORIZADOS A MOVIMENTAR A CONTA” que a única pessoa autorizada a, isoladamente, na qualidade de procurador, abrir/encerrar contas, emitir e endossar cheques, autorizar/retirar talões de cheques, solicitar extratos/saldo de contas, emitir títulos, emitir instrução sobre títulos, avalizar/endossar/aceitar título, contrair empréstimos, contratar convênios e serviços, outorgar procuração, autorizar débitos em conta, é Celso Moreira, o procurador do sujeito passivo. Observar que, segundo esse documento, nem mesmo os sócios de direito (Fábio José Monteiro e Edmilson Batista de Souza) à época da abertura da conta bancária estavam autorizados a movimentála, bem como não há qualquer prova de que participaram do processo de abertura da conta. A fim de espancar quaisquer dúvidas a respeito de quem de fato movimentava a conta bancária de titularidade do sujeito passivo, constatouse, na amostragem de cheques de valor superior a R$ 10.000,00 requisitada ao Banco Itaú S/A por meio de RMF, que TODOS os cheques emitidos no ano calendário de 2008 foram assinados pelo procurador, Celso Moreira. (...) Em que pese as alegações do procurador, Celso Moreira, as provas materiais coligidas pela fiscalização comprovam indubitavelmente que o procurador agia como autêntico sócioadministrador e proprietário do sujeito passivo. Conforme documentação apresentada pelo Banco Itaú S/A (doc. Fls. 160), a única pessoa autorizada a movimentar isoladamente e exclusivamente, a conta corrente no 764601, mantida na agência 0236, era o procurador, Celso Moreira (...) (...) Conforme se depreende do quadro acima, foram realizadas 919 (novecentos e dezenove) débitos na conta do sujeito passivo no anocalendário de 2008, no valor total de R$ 2.495.481,82 (dois milhões, quatrocentos e noventa e cinco mil, quatrocentos e oitenta e um reais e oitenta e dois centavos) e que obrigatoriamente tiveram autorização do procurador Celso Moreira, sem a qual a instituição financeira não as efetivaria. É importantíssimo mencionar que mesmo após a alteração do quadro societário do sujeito passivo, realizada por meio da Segunda Alteração do Contrato Social (registrada na Junta Comercial em 28/03/2008) em que o sócioadministrador Edmilson Batista de Souza (que outorgou poderes a Celso Moreira) se retirou da sociedade, o procurador, Celso Moreira, continuou a emitir e assinar os cheques, conforme se comprova pela cópia dos cheques emitidos em 31/03/2008 (valor R$ 13.333,34), de 02/04/2008 (valor R$ 16.875,82) e 17/09/2008 (03 cheques no valor de R$ 12.000,00 cada um). Este fato comprova que as alterações no quadro societário ocorriam somente documentalmente, pois na prática, o procurador, Celso Moreira, permanecia na gerência dos recursos financeiros do sujeito passivo. Não se tratava, por conseguinte, de mero procurador que, ocasionalmente e em certos atos, substituía os proprietários de uma empresa e que, eventualmente, emitia ou assinava alguns cheques, como tenta fazer acreditar em suas alegações. Celso Moreira era, pelo que se pode depreender dos documentos obtidos pela fiscalização, o sócio administrador e proprietário do sujeito passivo, já que TODAS as operações bancárias deveria, isolada e exclusivamente, passar por seu crivo. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 10950.724081/201384 Acórdão n.º 1301001.614 S1C3T1 Fl. 10 17 Diante dos documentos e provas acima apontados, ficou evidenciada a situação em que se tentava manter a identidade de sócioadministrador e proprietário do sujeito passivo, Celso Moreira, encoberta pela figura de terceiros, de forma a prejudicar os interesses da Fazenda Pública, quando da realização financeira do crédito tributário devido, caracterizando um interposição fraudulenta. (...)” (Grifos e destaques nossos) A análise dos fatos apontados, com toda a certeza, devem aqui ser considerados em sua exclusiva conformação jurídica, sendo certo que, a princípio – e, mais uma vez, conforme temos a tempos sustentado , a simples existência de procuração da empresa (ou de seus sócios) a qualquer determinado agente não impõe, por si só, a possibilidade de sua responsabilização tributária. Para que a responsabilização seja possível, é fundamental a análise dos atos especificamente praticados pelo agente, e, em cada caso, objetivamente analisados os contornos próprios neles contidos, identificandose, efetivamente, a existência dos contornos próprios autorizadores da responsabilização tributária. Pois bem. No presente caso, conforme aqui se verifica, os agentes da fiscalização, ao debruçaremse sobre os fatos indiciários apontados, efetivamente comprovaram que o que aqui efetivamente se verifica é a constituição de efetiva e verdadeira atuação fraudulenta pelo indigitado “procurador”, que, na verdade, pelos atos praticados, tratavase, sim, em verdadeiro “Administrador de Fato” da empresacontribuinte, realizando inúmeros atos e, no caso, utilizandose da ardilosa prática da interpostas pessoas, com o fim exclusivo de verdadeiramente encobrir a atuação ilícita por ele praticada. O recorrente tenta se defender, destacando as suas dificuldades financeiras pessoais, o que, com todas vênias, sequer merece aqui se apreciado, sobretudo porque, no caso, nenhuma relação possuem com a discussão aqui tratada. O recorrente, em suas razões, questiona: “Com base na previsão do Código Tributário Nacional, perguntase: Qual foi o ato praticado pelo recorrente que tenha sido realizado com excesso de poderes, que infringiu a Lei o contrato social ou estatuto da empresa? Por acaso assinar cheque é ato contrário a Lei? Emitir Transferências Bancárias, é ato ´contrário à Lei? Abrir uma conta corrente, quando se tem procuração outorgada pela empresa, é ato contrário à Lei? Ora, aqui não se trata de mera discussão retórica. Os atos mencionados, praticados sob o manto da suposta regularidade (sobretudo em face da existência da apontada “procuração”), quando analisados no conjunto, desnudam a atuação do recorrente que nunca fora a de simples “mandatário”, especialmente porque, apesar de especificamente intimado para tanto, nunca, e em momento algum, apresentou qualquer comprovação da “prestação de contas” aos seus respectivos “mandantes”. Na verdade, com a analise promovida pelos agentes da fiscalização, o que se verifica no caso é que o recorrente não era, nem nunca foi, apenas “procurador” da empresa ou Fl. 416DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 18 de seus sócios. Na verdade, ele sempre foi o gestor direto das atividades realizadas, tentando, a todo custo, garantir a sua intangibilidade patrimonial a partir da utilização de “laranjas” e efetivas atuações fraudulentas, o que, definitivamente, aqui não se pode de forma alguma admitir. Por essas razões, entendo como perfeitamente legítima, no presente caso, a responsabilização tributária promovida pelos agentes da fiscalização (e mantida pela r. decisão recorrida), sobretudo por verificar, no caso, a perfeita e adequada submissão dos fatos narrados às hipótese especificamente prevista nas disposições do Art. 135, inciso III do CTN. Além da discussão quanto à responsabilização tributária em si, relevante ainda destacar que a contribuinte sustenta, no caso, a possível limitação do quantum a lhe ser exigido, sustentando que somente poderia ser responsabilizada pelos atos praticados, limitandose a base da exigência ao máximo indicado pelos agentes da fiscalização a respeito das movimentações financeiras por ele intermediadas no ano de 2008. Ocorre que, ao contrário do que sustenta o recorrente, a indicação dos valores apontados e dos atos praticados tem como objetivo, especificamente, a demonstração de sua imediata e pessoal intervenção na administração da empresa, sendo certo que, considerado como “Administrador de fato” da empresa (não apenas da conta bancária), perfeitamente legítima se apresenta a responsabilização pelos créditos tributários inadimplidos, sendo, portanto, completamente descabida a sua pretensão de limitação, da forma como apresentada. Na verdade, a operação “contrária à lei” indicada pelo caput do Art. 135 do CTN, no presente caso, não é considerada apenas em relação à movimentação dos valores na referida conta bancária, mas sim, iniludivelmente, pela “fraude” pela utilização de interpostas pessoas (“laranjas”), pretendendo encobrir, ardilosamente, a sua participação direta no controle de TODAS as atividades da empresa. Apenas para que não restem dúvidas: restando, no caso, efetivamente demonstrada a atuação do recorrente como efetivo e verdadeiro “Administrador de Fato” da pessoa jurídica no período analisado, é ele, sim, responsável por todos os atos praticados, e, no caso, os tributos devidos e inadimplidos em relação ao período fiscalizado, nos termos então especificamente apontados no lançamento efetivado. Por essa razão, rejeito, portanto, todas as ponderações de mérito aduzidas pelo recorrente na pretensão de desconstituição e/ou limitação de sua responsabilidade tributária no presente feito. Da inaplicabilidade do regime nãocumulativo do PIS e da COFINS no lançamento por arbitramento Em razão última de suas considerações, o recorrente argui ainda a necessidade de ajuste no lançamento efetivado, especificamente porque deveria ser aplicado, em relação à contribuinte, a sistemática da nãocumulatividade na apuração das contribuições do PIS e da COFINS, o que, acaso tivesse ele tido a oportunidade de participar da fase inquisitória, poderia então ter atuado junto aos “representantes da empresa”, possibilitando assim a apuração pelo lucro real e, no caso, o adequado levantamento dos registros correspondentes. Ocorre que, antes de quaisquer considerações, novamente, conforme restou apontado pelos agentes da fiscalização, a empresacontribuinte não foi localizada, nem tampouco os seus “supostos” sócios, não havendo – nem mesmo quando questionado ao Fl. 417DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 10950.724081/201384 Acórdão n.º 1301001.614 S1C3T1 Fl. 11 19 responsávelrecorrente –, qualquer apresentação de livros e registros fiscais que pudessem embasar as análises respectivas. Nessas circunstâncias, conforme aqui antes então já apontado, perfeitamente regular se apresenta a imposição da responsabilidade tributária, bem como, também, o lançamento por arbitramento, da forma como apontado, sendo certo que, nessas circunstâncias, completamente inaplicável se apresenta a sistemática da nãocumulatividade, conforme se verifica, inclusive, das expressas disposições do Art. 10 da Lei 10.833/2003, que, sobre esse assunto, especificamente, assim então expressamente destaca: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Destaque nosso) Assim, restando válida a apuração do crédito tributário a partir do arbitramento realizado, completamente inaplicável a pretensão de apuração de montantes do PIS e da COFINS a partir da sistemática da nãocumulativa, inclusive, por expressa determinação legal. Esse entendimento, conforme se verifica, além de pacífico na jurisprudência deste CARF, conforme se verifica, inclusive, no auspicioso voto da lavra do eminente Conselheiro Dr. Wilson Fernandes Guimarães, que assim já se pronunciou: Número do Processo 13603.003202/200741 Contribuinte RECICLAR LIGAS LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 04/11/2009 Relator(a) Wilson Fernandes Guimarães Nº Acórdão 130200106 Tributo / Matéria IRPJ AF lucro arbitrado Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de apresentação da escrituração e respectiva documentação de suporte autoriza o arbitramento do lucro. No caso vertente, ainda que se desconsidere o fato de os elementos carreados ao autos mostraremse insuficiente para comprovar a ocorrência de fato alheio à vontade da contribuinte não foram adotadas as providências requeridas pela legislação de regência para noticiar o roubo ou furto, motivo pelo qual o arbitramento deve ser mantido. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCO ESTADUAL. UTILIZAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos do disposto no art. 125 do DecretoLei n° 5,844, de 1943, os órgãos da Administração Pública Estadual são obrigados a auxiliar a Fiscalização Federal, prestando informações e esclarecimentos Fl. 418DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 20 que lhes forem solicitados, cumprindo ou fazendo cumprir as disposições previstas em lei e permitindo aos funcionários, devidamente autorizados, colher quaisquer elementos necessários à execução dos procedimentos fiscais. EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Alegação, desprovida de documentação de suporte, não constitui prova do fato noticiado. Não obstante, a destinação de produtos para empresas, que se supõe seja no mercado interno, que resultarão em operações subseqüentes de exportação, não caracterizam, regra geral, venda para o exterior. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ARBITRAMENTO DO LUCRO. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em tributação não cumulativa de PIS e COFINS quando estamos diante de pessoa jurídica submetida ao arbitramento do lucro. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. Presente hipótese legal autorizadora, a autoridade fiscal deve promover o lançamento com base no arbitramento do lucro. A tributação com base no lucro presumido impõe o exercício de opção por parte do contribuinte, nos termos preconizados pela legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. À autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, a fiel observância da lei. Exorbita â competência das autoridades julgadoras a apreciação acerca da magnitude da penalidade aplicada, restandolhes, tãosomente, verificar a conformidade do ato praticado com a norma de regência. JUROS SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. (Grifos nossos) Em face dessas considerações, por entender perfeitamente válida a apuração dos créditos tributários a partir da sistemática do arbitramento dos lucros, completamente inaplicável, verificase, é a sistemática de apuração dos decorrentes valores devidos a título de contribuições para o PIS e a COFINS pela sistemática da nãocumulatividade, devendo ser assim, conforme determinam as expressas disposições do caput do Art. 10 da Lei 10.833/2003, ser mantida a apuração pela sistemática cumulativa, nos termos em que então efetivados. Conclusão Em face de todas essas considerações, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, mantendo, assim, em todos os seus termos, o lançamento efetivado e, ainda, a responsabilidade tributária aqui considerada. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 419DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 10950.724081/201384 Acórdão n.º 1301001.614 S1C3T1 Fl. 12 21 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10935.906198/2012-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2007
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 61 98 /2 01 2- 91 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2007 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906198/201291 Acórdão n.º 1802003.165 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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