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Numero do processo: 11030.002122/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
Ementa:
NULIDADE. Rejeição de nulidade por não haver ofensa ao art. 59 do Decreto no 70.235/72.
SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. A aplicação de recursos na construção de imóvel em terreno da entidade, com venda de unidades autônomas para instalação de consultórios médicos complementares às suas atividades, não é causa suficiente para a suspensão da imunidade tributária. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS. A retribuição de serviços executados por terceiros, no estabelecimento da entidade e com o uso equipamentos de sua propriedade, ainda que calculada com base em percentual dos valores recebidos pelo hospital em face dos pacientes que usufruíram de tais serviços, não é suficiente para caracterizar a distribuição de resultados da entidade e justificar a suspensão da imunidade tributária.
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1101-001.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do ato de suspensão da imunidade; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à suspensão da imunidade em razão da incorporação imobiliária, vencida a Relatora Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri; e, 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à suspensão da imunidade em razão da remuneração de serviços de terceiros, vencida a Relatora Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: NULIDADE. Rejeição de nulidade por não haver ofensa ao art. 59 do Decreto no 70.235/72. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. A aplicação de recursos na construção de imóvel em terreno da entidade, com venda de unidades autônomas para instalação de consultórios médicos complementares às suas atividades, não é causa suficiente para a suspensão da imunidade tributária. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS. A retribuição de serviços executados por terceiros, no estabelecimento da entidade e com o uso equipamentos de sua propriedade, ainda que calculada com base em percentual dos valores recebidos pelo hospital em face dos pacientes que usufruíram de tais serviços, não é suficiente para caracterizar a distribuição de resultados da entidade e justificar a suspensão da imunidade tributária. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário.
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Rejeição de nulidade por não haver ofensa ao art. 59 do Decreto no 70.235/72. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. A aplicação de recursos na construção de imóvel em terreno da entidade, com venda de unidades autônomas para instalação de consultórios médicos complementares às suas atividades, não é causa suficiente para a suspensão da imunidade tributária. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS. A retribuição de serviços executados por terceiros, no estabelecimento da entidade e com o uso equipamentos de sua propriedade, ainda que calculada com base em percentual dos valores recebidos pelo hospital em face dos pacientes que usufruíram de tais serviços, não é suficiente para caracterizar a distribuição de resultados da entidade e justificar a suspensão da imunidade tributária. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do ato de suspensão da imunidade; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à suspensão da imunidade em razão da incorporação imobiliária, vencida a Relatora Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri; e, 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à suspensão da imunidade em razão da remuneração de serviços de terceiros, vencida a Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 21 22 /2 00 3- 51 Fl. 839DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 813 2 Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 814 3 Relatório O processo no 11030.002122/200351 trata da suspensão da imunidade tributária do Hospital de Caridade de Erechim, a seguir referida como HCE, já qualificada nos autos. O procedimento fiscal foi iniciado em 09 de junho de 2003, através da ciência de Mandado de Procedimento Fiscal — Diligência no 10104002003000689 (fl.01). A Notificação Fiscal (fls. 03 a 16) relata os fatos motivadores da exclusão, a seguir relatados em síntese: · O HCE é definido, em seu estatuto social (fls. 27 a 47), como uma sociedade civil filantrópica, de direito privado e de assistência social na área da saúde, sem fins lucrativos, com seus atos constitutivos registrados no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas de Erechim, RS, tendo as seguintes finalidades: · Prestar assistência à saúde, no limite de suas possibilidades, a todos que o procurarem, no sentido de proteger a família, a maternidade, a infância, a adolescência e a velhice, sem qualquer tipo ou espécie de distinção; · Desenvolver atividades educacionais ou de saúde, para formação de profissionais; · Promover a integração dos diversos profissionais da área da saúde ao mercado de trabalho; · Oportunizar ações de prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas portadoras de Deficiência; · Realizar atividades beneficentes, de assistência social, em favor dos desvalidos, crianças desamparadas e adolescentes carentes. Os fatos que motivaram a suspensão da imunidade foram a incorporação imobiliária e distribuição de parte de suas rendas. Relativamente ao primeiro motivo, a incorporação imobiliária, consta da Notificação que: 4.1.1 Tratase de incorporação imobiliária realizada pela Notificada, registrada no Cartório de Registro de Imóveis de Erechim em 06 de dezembro de 2000, para construção do edifício "Centro Clínico Hospital de Caridade de Erechim CCHC", sobre o imóvel de matrícula n° R.1/42.950, de propriedade da Notificada, destinada a consultórios médicos e a serviços dentro da atividade médica, conforme cópia do Registro da Incorporação Imobiliária (fls. 85 a 98). Fl. 841DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 815 4 4.1.2 A incorporação compreende segundo e primeiro subsolos, com garagens, elevadores, escada, dependências de serviços, bambas d'água, reservatório inferior de água,transformador de eletricidade, etc. Pavimento térreo, composto por recepção para acesso de clientes e profissionais, elevadores, escada, sanitários públicos e para deficientes físicos, salas para serviços de apoio, ligações com o hospital, etc. Doze pavimentos, do 1o ao 12o pavimento, com acessos, circulação, elevadores, escada, sanitários públicos e seis conjuntos de salas (por pavimento) para consultórios e um banheiro para cada unidade, totalizando 72 (setenta e dois) conjuntos de salas. 4.1.3 A elaboração do projeto ocorreu no ano de 1999 e o início das obras civis ocorreu no mês de maio de 2000, com previsão de término, com entrega das chaves aos adquirentes das referidas salas, em dezembro de 2003. 4.1.4 A Notificada (incorporadora) projetou construir o edifício cujas unidades e respectivas frações de terreno serão alienadas pelo sistema de preço reajustável, determinado pelo CUB/SINDUSCON/RS, com área de construção global de 8.587,75m 2 , a um custo global orçado de R$ 3.641.747,19 (três milhões, seiscentos e quarenta e um mil, setecentos e quarenta e sete reais e dezenove centavos), conforme quadro III avaliação do custo global da construção e do preço por m 2, às fls. 99, sendo que os investimentos efetuados no período, fls. 161 a 190, e os valores recebidos dos adquirentes de salas, fls. 161 e 191 a 228, foram: Consta na Notificação que os valores recebidos dos adquirentes de salas – Conta Financiamento para incorporações – Passivo, foram: 1999 2000 2001 2002 Total Valor R$ 0,00 529.778,41 641.946,19 734.945,40 1.906.670,00 4.1.5 Os documentos examinados (fls. 85 a 228) e os esclarecimentos prestados evidenciam que a incorporação efetuada tem por finalidade a construção, pela Notificada, de imóveis destinados ao uso de médicos e prestadores de serviços dentro da atividade médica. 4.1.6 Há que se registrar que os objetivos sociais, constantes do estatuto social da Notificada (fls. 27 a 47), não indicam e nem poderiam indicar, a atividade de Fl. 842DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 816 5 incorporação de imóveis como atividade fim, haja vista tratarse de atividade estritamente comercial, realizada por sociedades imobiliárias. 4.1.7 Por outro lado, comparando os valores investidos com os valores recebidos dos adquirentes de salas, conforme tabelas acima e docs. fls. 161 a 228, verificase a existência de descompasso entre os investimentos e os ingressos de receitas das vendas. Dessa forma, fica evidenciada e comprovada a aplicação de recursos da Notificada em atividade não essencial especificada no estatuto social. 4.1.8 Devese ressaltar que, sendo a imunidade de caráter subjetivo, não poderá abranger alguns rendimentos e deixar de fazêlo em relação a outros da mesma beneficiária. Dessa forma, o exercício de atividades que caracterizem o desvirtuamento dos fins que justificaram a sua criação e a concessão do benefício fiscal, implica a perda desse benefício em relação a todas as receitas obtidas pela Notificada. • 4.1.9 Verificase, assim, que a alienação de imóveis de propriedade da Notificada, através da incorporação imobiliária, caracteriza a prática de atividade comercial não eventual, típica de sociedades imobiliárias, o que a desqualifica como pessoa jurídica beneficiária da imunidade instituída pelo artigo 150, VI, c, § 4o da Constituição Federal, por infração aos arts. 14, inciso II, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 12, § 2o , alinea "b", e § 3o da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. O segundo motivo para causa de suspensão da imunidade foi distribuição de parte de suas rendas. Nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, o HCE manteve contrato com as empresas: Clínica Radiológica Kozma e Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda, para a prestação de serviços médicos especializados e responsabilidade técnica em radiologia geral, mamografia, ultrasonografia, tomografia computadorizada, ecografia, e outros métodos de diagnóstico por imagens atuais ou a serem desenvolvidos. O HCE apresentou em 15/10/2003 a relação dos principais equipamentos e aparelhos que foram instalados no CDI – Centro de Diagnóstico por Imagem (fl. 299). Em visita às dependências físicas do HCE constatouse que, no caso concreto, os aparelhos e equipamentos de propriedade do HCE, alguns deles importados com isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI vinculado à importação, estavam sendo utilizados, pela empresa Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda., pessoa jurídica de direito privado, com fins lucrativos, que funcionava no mesmo prédio do Hospital, mais especificamente na área denominada como Centro de Diagnóstico por Imagem — CDI. Em atendimento ao Termo de Intimação n. 001/000689, de 16/10/2003, o HCE apresentou os documentos e as informações solicitadas (fls. 21 a 26; 230 a 368 e 374 a 477), entre os quais os seguintes contratos: a) Contrato de Prestação de Serviços Médicos em Radiologia, Mamografia, Tomografia Computadorizada e Ecografia, firmado em 04 de abril de 2000, com a Clínica Radiológica Kozma, inscrita no CNPJ sob o n. 90.169.061/000170, rescindido em 31 de dezembro de 2001 (fls. 349 a 355); b) Contrato de Prestação de Serviços Médicos em Radiologia, Mamografia, Tomografia Computadorizada e Ecografia, firmado em 1° de janeiro de 2002, com a empresa Alto Uruguai Diagnóstico Por Imagem Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 04.228.867/000150, rescindido em 30 de abril de 2003 (fls. 356 a 362), e c) Contrato de Prestação de Serviços e Responsabilidade Técnica, firmado em 1o de maio de Fl. 843DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 817 6 2003, com a empresa Alto Uruguai Diagnóstico Por Imagem Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 04.228.867/000150 (fls. 363 a 368), este ainda em vigência à época da notificação. Consta à fl. 13 da notificação que objeto dos referidos contratos, conforme cláusulas primeira e segunda, é a prestação de serviços médicos especializados e responsabilidade técnica em radiologia geral, mamografia, ultrasonografia, tomografia computadorizada, ecografia e outros métodos de diagnóstico por imagens atuais e ou a serem desenvolvidos, prestados única e exclusivamente na área física do Hospital, mais especificamente na área denominada Centro de Diagnóstico por Imagem – CDI, havendo uma divisão dos lucros obtidos com os exames realizados com a utilização dos aparelhos e equipamentos de propriedade da notificada. A notificação faz constar também que: 4.2.7 Conforme disposição da cláusula quarta dos contratos firmados, na prestação dos serviços especializados, será respeitada a isenção técnica dos profissionais designados pela Clínica Kozma e não haverá qualquer tipo de subordinação, pessoalidade ou vínculo da contratada em relação à Notificada. 4.2.8 Já o item "b" da cláusula sétima, prevê como obrigação da Notificada, entre outras: disponibilizar área física, equipamentos, utensílios e materiais específicos à radiologia, mamografia, ecografia e tomografia. 4.2.9 Os pagamentos pelos serviços prestados serão apurados, mensalmente, da seguinte forma: 50% (cinqüenta por cento) da diferença apurada entre o montante das receitas referentes aos exames, e o montante dos custos e despesas incorridas no mês. É o que diz a cláusula décima terceira do contrato, reproduzida a seguir: "Cláusula décima terceira: Os valores referentes ao pagamento dos serviços prestados no âmbito do presente contrato serão apurados da seguinte forma: 1) Serão apurados mensalmente os valores faturados pelo HCE, referentes aos exames praticados no período, considerando as respectivas tabelas (privadas e de convênios); 2) Serão abatidas destes valores as despesas referentes a: Pessoal próprio do HCE, Técnicos de RX, serviços de terceiros realizados no CDI, material de expediente fornecido pelo HCE, energia elétrica, água, telefone, material de consumo fornecido pelo HCE, filmes e contrastes fornecidos pelo HCE, rateios de administração do HCE, rateios de administração de materiais do HCE, manutenção fornecida pelo HCE, sanificação fornecida pelo HCE, lavanderia fornecida pelo HCE, esterilização de materiais fornecidos pelo HCE, assim como valores que o HCE vier a despender na execução do presente contrato. 3) Do montante apurado no item 1 será subtraído o montante apurado no item 2 (supra mencionados), e sobre o valor encontrado será aplicado o percentual de 50%". A fiscalização conclui: “a) Quem fez/faz uso dos bens é a empresa Clínica Radiológica da Cidade Passo Fundo Ltda., CNPJ n° 90.169.061/000170, no período de 04 de abril de 2000 até 31 de dezembro de 2001, e a empresa Alto Uruguai Diagnóstico Por Imagem Ltda., CNPJ n ° 04.228.867/000150, no período a partir de 1o de janeiro de 2002. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 818 7 b) A Clínica Radiológica de Passo Fundo Ltda., teve, e a Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda., continua tendo, participação nos lucros obtidos com os exames realizados com a utilização dos aparelhos e equipamentos, participação esta devidamente comprovada pelas Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pelas empresas e pelos demonstrativos de faturamento mensais emitidos pela Notificada (fls.374 a 477). 4.2.11 No período compreendido entre junho de 2000 e 31 de dezembro de 2001, foram distribuídos à Clínica Radiológica de Passo Fundo Ltda., o valor total de R$ 557.580,96 (quinhentos e cinqüenta e sete mil, quinhentos e oitenta reais e noventa e seis centavos), sendo o valor de R$ 158.819,53 (cento e cinqüenta e oito mil, oitocentos e dezenove reais e cinqüenta e três centavos), relativos à participação nos resultados auferidos no Centro de Diagnóstico por Imagem CDI no período de junho a dezembro de 2000 e o valor de R$ 398.761,43 (trezentos e noventa e oito reais, setecentos e sessenta e um reais e quarenta e três centavos), relativos ao período de janeiro a dezembro de 2001, conforme tabela abaixo e planilha anexa contendo a demonstração mensal dos valores distribuídos (fls. 369 a 371).” (...) 4.2.12 No período de janeiro a dezembro de 2002, foram distribuídos à empresa Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda., o valor de R$ 572.004,70 (quinhentos e setenta e dois mil, quatro reais e setenta centavos), à título de participação nos resultados auferidos pelo CDI, conforme tabela abaixo e planilha anexa contendo a demonstração mensal dos valores distribuídos (fls. 372 a 373). 4.2.13 Tal conduta contraria o disposto no inciso I do artigo 14, da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e no art. 12, § 3 2 da Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Por não estar observando os requisitos previstos na legislação tributária para o gozo do beneficio da imunidade o HCE foi notificado da suspensão dos benefícios, em cumprimento ao disposto no parágrafo 1o, do artigo 32, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitando a entidade à suspensão da imunidade de tributos federais de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150, da Constituição Federal, relativamente aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, em vista a prática das seguintes infrações: a) INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA Art. 14, inciso II, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); Art. 12, § 2o , alinea "b", e § 3o da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; b) DISTRIBUIÇÃO DE PARTE DE SUAS RENDAS Art. 14, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); Art. 12, § 3° da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997. O HCE foi notificado em 26/11/2003 (fl.16) e contestou a notificação fiscal (fls. 554 –582). Inicialmente discorre sobre a missão Institucional do HCE e explica que se trata de uma sociedade civil filantrópica de direito privado, sem fins lucrativos, voltada à assistência social, predominantemente na área da saúde, e tratandose de um hospital comunitário, por décadas tem sido reconhecido e, de fato, utilizado pelos usuários dos seus Fl. 845DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 819 8 serviços, habitantes da região Alto Uruguai, que abrange mais de cinqüenta municípios, num raio de cem quilômetros. Apresenta as seguintes razões, em síntese relatadas: · Assevera que ao longo dos anos, temse formalmente apresentado (declarado) perante os órgãos fazendários federais, estaduais e municipais. · Informa que sem qualquer tipo de colaboração dos poderes públicos e graças à vontade das lideranças mais representativas da sociedade e à dedicação dos seus dirigentes (não remunerados) que suas instalações foram restauradas, os equipamentos obsoletos substituídos, métodos de gestão adequados foram implantados, médicos especialistas foram contratados, funcionários foram treinados e motivados. · Afirma que, desde sua fundação, ocorrida há mais de 60 anos, o HCE cumpre suas finalidades institucionais. · Alega que a documentação está regular, e que esta conclusão se extrai à vista das declarações feitas pelos próprios Agentes Fiscais, no sentido de que: “ a escrituração foi (é) processada de forma regular; os documentos comprobatórios dos registros encontramse arquivados em boa ordem; os dirigentes não percebem remuneração; as declarações anuais foram apresentadas; os tributos retidos sobre os rendimentos pagos ou creditados bem como a contribuição social retida dos empregados foram recolhidos; as obrigações acessórias decorrentes foram cumpridas; no Estatuto Social, está assegurada a destinação de seu patrimônio à outra instituição que atenda às condições paga gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de enceramento de atividades, ou a órgão público.” · Informa que o cometimento das eventuais falhas ou ocorrências descritas nos subitens 5.1 e 11 do "Termo de Diligência Fiscal", por serem fortuitas e/ou de responsabilidade dos beneficiários dos pagamentos, foram (ou podem ser) sanadas através da tributação integral dos rendimentos na declaração dos mesmos (beneficiários dos rendimentos), não interferindo, portanto, no 'status' jurídico da contestante. · Reafirma que diante do cumprimento dos requisitos acima enumerados, atestado pelos próprios Agentes Fiscais, lógico é concluir que o HCE atendeu (e atende) as condições estabelecidas nos artigos 9° e 14 do CTN, para o exercício do direito à imunidade tributária. No item relativo à inconsistência dos motivos de “direito” que embasam o procedimento fiscal, a contribuinte assim se manifestou: · Alega que como uma sociedade civil filantrópica de direito privado, sem fins lucrativos, prestadora de assistência social predominantemente na área da saúde está conformidade com o estabelecido no artigo 150, VI, V, da Carta Magna, enquadrase como entidade que dispõe do direito subjetivo da imunidade tributária, desde que "atendidos os requisitos da lei" . · Ressalta que de acordo com o artigo 146, inciso II, da Lei Maior, a competência para a regulação das questões atinentes às "limitações constitucionais ao poder de tributar" foi atribuída exclusivamente à lei complementar. Conseqüentemente, a fixação dos "requisitos de lei" mencionados no final da alínea 'c' retrocitada, só pode ser fixada em Lei Complementar, e não ordinária e que a incumbência (regulamentadora) foi executada pelos Fl. 846DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 820 9 artigos 9° e 14 do Código Tributário Nacional (CTN), que, anteriormente, restou demonstrado que o HCE cumpre integralmente. · Reclama que no item 3.6 da "Notificação Fiscal", os Agentes Fiscais manifestaram o entendimento de que a partir de 1° de janeiro de 1998, a Lei n° 9.532/97, nos seus artigos 12 e 13, acrescentou "outras condições para o gozo da imunidade". As referidas "outras condições', não estão explicitadas na 'Notificação Fiscal", estando elas mencionadas no "Relatório de Diligência Fiscal", tais como: a) existência do 'Certificado (ou Registro) de Fins filantrópicos; b) a aplicação de 20% da receita bruta em gratuidades, exigências estas previstas na Lei n° 8.212/91 e no Decreto n° 2.536/98 e que por trilharem um caminho não delineado pela Constituição, o entendimento fiscal mostrase inconsistente, é juridicamente inócuo. · Alega que o regramento da imunidade só pode ser implementado através de Lei Complementar (CF/88, art. 146, II), não podendo o legislador comum, extrapolando sua competência, estabelecer outras condicionantes e que Lei Ordinária não pode criar/suprimir isenções envolvendo fatos e/ou entes abrangidos pelo instituto da imunidade. · Fundamenta com a transcrição de excertos de ensinamentos da lavra de Ayres F. Barreto/Paulo Ayres Barreto e Sacha Calmon Navarro Coelho. · Refuta a necessidade do 'Certificado de Fins Filantrópicos' e da 'aplicação de 20% da receita bruta em gratuidade', apontada pelos Agentes Fiscais como condição para o gozo da "isenção" das contribuições à COFINS, CSLL e INSS cota patronal. Afirmando que a erroneidade da concepção (ou pretensão) fiscal exsurge de uma simples leitura conjugada dos artigos 149, § único, e 195 da CF/88, e ainda do art. 56 do ADCT. Interpretandoos de forma harmônica e sistemática, verificase que os mesmos caracterizam as contribuições como tributos, enquadrandoas, portanto, no regime jurídicotributário de todos os demais. Fundamenta nos ensinamentos de Ives Gandra Martins. Passa à exposição de motivos sobre a inconsistência dos motivos de fato que embasam o procedimento fiscal e inicia a demonstração da inexistência da incorporação imobiliária como prática comercial, um dos motivos da proposta de suspensão da imunidade tributária, com os seguintes argumentos: · Que apesar de estar formalmente constituída como pessoa jurídica exploradora de serviços, como muitas outras, o seu elemento diferencial repousa na razão de ser, no sentido finalístico da sua existência, qual seja, a de operar em benefício de outrem, no caso, a comunidade do município e região nos quais está inserido e que todos seus atos devem ser vistos sob este prisma, ou seja, sem intuito de lucro, ainda que, aparentemente, apresentem a mesma roupagem dos negócios empresariais. Coleciona doutrina. · Diz que a eleição do motivo causador da imunidade, o evento da incorporação imobiliária, é aleatório. · Afirma que se “na realização das 'diligências' o funcionamento hospitalar tivesse sido examinado na sua inteireza, e, mais, se fossem coerentes com a ótica procedimental que balizou a lavratura da "Notificação", os Agentes Fiscais teriam constatado que o HCE não teria praticado apenas uma "atividade comercial não eventual", e sim muitas outras. Seriam elas a atividade de hotelaria, a venda de remédios, o aluguel de salas (cirúrgicas, recuperação), de equipamentos variados, etc. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 821 10 Em sentido estrito, tais operações não se configuram como atividades diretamente vinculadas à saúde. Conseqüentemente, não apenas o HCE, mas todos os hospitais equipararseiam a empresas comerciais e/ou prestadoras de serviços com fins lucrativos.” Explica os motivos da edificação do Centro Clínico do HCE: · Que na década de 19902000, quando a atual diretoria assumiu suas funções, o HCE apresentava sérias deficiências, inclusas aí a ausência de espaço físico, o obsoletismo dos equipamentos, a carência de médicos especialistas aliada ao comodismo dos antigos, o amadorismo gerencial, e, na esteira deste, a desorganização e a má prestação de serviços e com base num "Planejamento Estratégico" formulado por especialistas em administração hospitalar (vide ANEXO 8),. · Na busca de um maior e melhor aproveitamento do espaço físico, o 'lay out' do hospital foi redesenhado adequado aos novos equipamentos e aos novos critérios funcionais estabelecidos de acordo 'Plano Diretor' no ANEXO 1. Continua esclarecendo que : “Todavia, continuou a faltar espaço, principalmente para colocar, senão no interior, mas junto ao hospital, os cerca de 30 novos médicos contratados. Releva, aqui, observar que a Região do Alto Uruguai riograndense é formada de pequenas cidades, cujas atividades, porém, estão predominantemente centradas na agricultura. Logo, como medida de bom senso, impunhase que na busca de atendimento médicohospitalar, os pacientes (principalmente os de fora da cidade e agricultores) não tivessem que efetuar múltiplos deslocamentos. A idéia inicial de ampliar lateral ou verticalmente as instalações existentes mostrou se financeiramente inviável, não só em face da impossibilidade de paralisar o atendimento hospitalar, como também em função dos elevados custos financeiros. Em face destes e doutros fatores, surgiu a idéia de construção do 'Centro Clínico'. Primeiramente, em algum terreno contíguo ao do HCE, tentativa esta que se mostrou infrutífera seja porque a vizinhança do hospital é formada por proprietários de casas com pequenos lotes, quase todos invendíveis, seja porque, noutra direção, existe uma área de preservação permanente (vide croqui no ANEXO 2). A solução encontrada foi, então, de aproveitar parte do terreno disponível do próprio hospital, contíguo ao prédio antigo, e nele construir um prédio com 62 salas, destinadas a consultórios e outros serviços médicos, sendo as partes inferiores destinadas ao próprio HCE (auditório para 140 pessoas, sala de aula para 50 pessoas, sala de reuniões para 15 pessoas. salas de apoio (recepção, estar), farmácia, lancheria, foyer, etc (vide plantas baixas no ANEXO 3). • Assim decidido, e sabedora de que não poderia contar minimamente com qualquer tipo de apoio estatal (União, Estado e Municipios, a Direção iniciou a penosa busca de financiamentos. Com esse afã, foram procurados o BRDE, o BNDS, bancos estatais, bancos particulares, eventuais benfeitores, 'et caterva'. O resultado foi infrutífero. Foi daí que surgiu a idéia de, num processo compartilhado, obter os recursos necessários junto aos interessados na ocupação das salas a serem edificadas, atingindo, com isso, quatro objetivos: contar com os recursos necessários para realizar a construção; não despender os elevados encargos financeiros então praticados; não suportar os custos de manutenção das salas utilizáveis por terceiros; Fl. 848DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 822 11 oferecer um serviço centralizado, próximo, interligado, a todos os pacientes necessitados de atendimento médicohospitalar, principalmente aos residentes fora da cidade ou do município. A título de esclarecimento, cabe destacar que, refletindo uma prática de mercado, o financiamento das salas adquiridas pelos (médicos) interessados, foi calculado em parcelas reajustáveis pelo CUB. De se observar que os descompassos existentes entre os valores recebidos e os despendidos pelo HCE no período da construção não tem relevância de ordem tributária.” · Afirma que o registro da incorporação imobiliária no Cartório de Imóveis de Erechim foi efetuado no estrito cumprimento da legislação reguladora da atividade imobiliária. Estando distante do cunho meramente lucrativo. Transcreve doutrina como conclusão: “7.1.6 Conclusão Em face da plena aplicabilidade ao caso, a título conclusivo, a contestante transcreve o seguinte comentário de Ayres F. Barreto/Paulo A. Barreto, assim expresso: "Já no que concerne às instituições de educação e de assistência social, transparece clara a preocupação subjetiva do constituinte. Em outras palavras, erigiuse a imunidade tendo em vista um sujeito que é chamado ao mundo do direito com a precípua vocação de exercer determinadas atribuições realizadoras de valores constitucionalmente prestigiados. Essas entidades não buscam as atividades lucrativas, mas sim as receitas e, a partir delas, as rendas que as atividades lucrativas podem ensejar, tendo em vista o benefício de suas finalidades. Na verdade , a Constituição parte do pressuposto de que tenham rendas. A propósito, não conhecemos quem negue que o desempenho destas atividades e sobretudo seu incremento possa ser possível sem a obtenção de rendas. É que obter rendas não só é necessário, mas é desejável juridicamente. Nada tem de repugnante. Pelo contrário, a simples presença no texto constitucional da imunidade para essas entidades já mostra ser desígnio constitucional claro que elas obtenham rendas, empreguem seu patrimônio e desempenhem serviços tendo em vista este objetivo que, por sua vez, irá suportar, custear financeiramente aquelas finalidades realizadoras de valores constitucionalmente prestigiados. Destarte, se tais entidades têm imóveis, não é bom que eles fiquem ociosos. Se têm terrenos, é altamente desejável que os explorem, direta ou indiretamente, com estacionamentos ou qualquer outra forma. Se têm prédios, é bom que os aluguem, desde que fortaleçam suas finanças. (...). Suas finalidades são constitucionalmente queridas. E só são realizáveis com recursos financeiros. E esses recursos financeiros não existiriam se as entidades não alugassem, não prestassem serviços, não auferissem rendas. Rui Barbosa já dizia: quem quer os fins, quer os meios. Se a Constituição quer os fins, quer as rendas que os tornem possíveis. (Grifou se). O que a Constituição protege são os fins consistentes na liberdade do exercício do culto religioso, na prestação da educação e no oferecimento de assistência social aos carentes e desvalidos. O que a Constituição veda é a distribuição de "lucros" (melhor seria superavits). Fl. 849DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 823 12 Para alcançar seus objetivos, essas entidades podem (em rigor têm que) possuir e manter bens imóveis ou imóveis; devem ter superavit para a cobertura das despesas necessárias à consolidação e à expansão dos investimentos e das suas atividades; e para tanto, precisam auferir receitas de qualquer natureza. Foi por ter idêntica interpretação que o Supremo Tribunal Federal assentou: "A renda obtida pelo SESC na prestação de serviços de diversão pública, mediante a venda de ingresso de cinema ao público em geral, e aproveitada em suas finalidades assistenciais, está abrangida na imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c, da Carta Republicana" (RE 116.188 4). Parece claro ser do espírito da Constituição que essas entidades tenham bom patrimônio, para suportar solidamente o custeio das suas atividades. As rendas serão sempre intributáveis, ainda que representada por títulos financeiros, direitos, créditos. Não pode prevalecer a tese restritiva de que o patrimônio incrementado por ganhos de capital possa ser tributado. A Constituição não discrimina a espécie de renda. Também não estabelece o destino da renda. Proíbe tãosó a distribuição de lucros. Inexistindo distribuição, qualquer restrição é indevida, por inconstitucional". Continua a argumentação sobre a inexistência da transferência do uso de equipamentos, que alega ser um dos motivos da autuação da lide, e argúi que: A transferência do uso de equipamentos para uma empresa prestadora de serviços com fins lucrativos de um ecógrafo e de um sistema de tomografia computadorizada importados ao abrigo da 'isenção', está deferida pelo fato de o HCE tratarse de entidade de assistência social. A contribuinte afirma que as cópias dos contratos de fls. 363/368 mostram que inexiste qualquer estipulação contratual prevendo a transferência da posse (uso) dos equipamentos, seja a título de aluguel, seja de comodato, ou sob outra forma qualquer. Que se mostra evidente a posse e o uso exclusivo dos equipamentos pelo HCE. E que esta é a conclusão que se impõe lendo as cláusulas constantes do contrato: “• da cláusula segunda, onde está previsto que "Os serviços serão prestados única e exclusivamente na área física do HCE, mais especificamente nas dependências destinadas ao serviço de diagnóstico por imagem"; • da cláusula sétima, onde estão discriminadas as obrigações do HCE, tais como: "a) Colocar à disposição do serviço o corpo funcional destinado à secretaria, recepção e limpeza, bem como técnicos em radiologia e de enfermagem ..."; b) Disponibilizar área física, equipamentos, utensílios e materiais específicos à radiologia, mamografia, ecografia e tomografia; c) Efetuar a manutenção, substituição e instalações técnicas necessárias para o pleno funcionamento dos serviços ora avençados; d) Repassar nas datas respectivas os valores referentes à prestação dos serviços" • da cláusula décima, onde consta que "De igual sorte, serão de inteira responsabilidade do HCE o controle e o recolhimento, bem como pagamento de todos os impostos, taxas, contribuição de melhoria ou emolumentos que incidam ou venham a incidir sobre o presente contrato, e afeitos a sua atividade"; • da cláusula décima terceira, onde está expresso no item 1, que "Serão apurados mensalmente os valores faturados pelo HCE, referentes os exames praticados no período, considerando as respectivas tabelas (privadas e de convênio)"; e, Fl. 850DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 824 13 no item 2, estar a seu encargo suportar os custos/despesas com "Pessoal próprio do HCE, Técnicos de RX, serviços de terceiros realizados no CD1, material de expediente fornecido pelo HCE, energia elétrica, água, telefone, material de consumo fornecido pelo HCE, filmes e contrastes fornecidos pelo HCE, rateios de administração do HCE, manutenção fornecida pelo HCE, sanificação fornecida pelo HCE, lavanderia fornecida pelo HCE, esterilização de materiais fornecidos pelo HCE, assim como valores que o HCE vier a despender na execução do presente contrato". Acrescenta que na cláusula primeira está claramente estabelecido que o mesmo "...possui como objeto a prestação de serviços médicos em radiologia, mamografia, tomografia computadorizada e ecografia, na sede do HCE, a todo e qualquer convênio ou atendimento que o HCE tenha celebrado ou que venha celebrar". Argumenta que, no seu todo, os serviços retrocitados foram (são) disponibilizados à população exclusivamente pelo HCE, que, para tanto: “ destinou e preparou com elevados custos uma parte das suas dependências (espaço físico) para a instalação do "Centro de Diagnóstico por Imagem CDI", visitado pelos Agentes Fiscais (vide ANEXO 4); contratou (como empregados) diversos técnicos em radiologia, com a função precípua de operar os equipamentos, ou seja, realizar fisicamenteos exames atinentes aos retrocitados equipamentos (vide ANEXO 5); contratou (também como empregados) vários outros funcionários para atuarem no setor ("CDI % tais como enfermeiras, atendentes, secretárias, etc (vide ANEXO 6); contratou uma empresa prestadora de serviços atuante nos ramos da radiologia, tomografia, ecografia, etc. (vide fls. 363/368), para executar a interpretação dos filmes e gráficos e a emissão dos laudos concernentes aos exames processados pelos seus técnicos em radiologia (do HCE), tarefas estas de competência exclusiva de médicos especializados e habilitados junto à Sociedade Brasileira de Radiologia (SBR). Em adição, aduz que: Mostrase evidente, portanto, que agindo sem um maior conhecimento de causa, os Agentes Fiscais confundiram o todo com a parte. Melhor explicitando, a Contestante quer dizer que os mesmos não atentaram para o fato de que, no todo, a oferta, pelo HCE, dos serviços em referência envolve não só os equipamentos em si, mas, também, as instalações apropriadas, além da mãode obra de uma variada gama de profissionais (técnicos em eletricidade, eletrônica, segurança do trabalho, radiologia, enfermeiros, atendentes, secretários, etc), dentre eles se sobressaindo como uma das partes mais importantes os médicos com a missão funcional já relatada (interpretar chapas radiográficas, gráficos, emitir os respectivos laudos, etc.). Fazendo uma analogia, no presente caso, o uso dos equipamentos do CDI pela empresa contratada (na pessoa dos médicos) ocorre da mesma forma que, em todos os hospitais, outros médicos (profissionais liberais ou cooperativados), se utilizam da parafernália das salas de cirurgia, dos centros de tratamento intensivo, etc. de propriedade dos hospitais. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 825 14 Alude aos gráficos que compõem o ANEXO 7 que demonstram o número de profissionais envolvidos na execução das rotinas procedimentais do Centro de Diagnóstico por Imagem CDI. Invoca a ótica gramatical na leitura do contrato. Assim, no texto retro transcrito, consta que o seu objeto está centrado na prestação de serviços médicos. Ressalta, que semanticamente, o adjetivo " médicos " restringe o alcance da locução, delimitando a competência executória dos serviços para uma determinada classe de profissionais (médicos), sendo destes também exigido, como condição necessária, estarem habilitados e inscritos no Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR)e na Sociedade Gaúcha de Radiologia (SGR). Conclui que “o Fisco agiu infundadamente não só ao confundir o serviço de radiologia no seu todo, com a sua parte mais especializada, esta executada por profissionais médicos, como, também, ao distorcer a natureza (objeto) dos serviços pactuados, por observar o conteúdo semântico e finalístico dos vocábulos expressos no contrato”. Acrescenta outros aspectos que devem ser considerados, como os motivos pelo quais a empresa de radiologia foi contratada: Além dos expostos, outros aspectos do contrato devem ser objeto de consideração. O primeiro repousa no fato de que na contratação restrita dos SERVIÇOS MÉDICOS retrocitados, de acordo com o estabelecido na cláusula oitava, a empresa contratada (através de seus profissionais) assumiu apenas a responsabilidade técnica (cláusula quinta) pelos laudos emitidos. Nada mais. O segundo assentase no fato de que a cláusula sexta subordinou à empresa contratada a executar os serviços mediante o pleno cumprimento,dentre outras estipulações, das normas internas e regulamentos do HCE, sendo equivocada a dedução fiscal de que a mesma (empresa contratada) teria autonomia administrativa, como, também, de que, pura e simplesmente, teria havido a transferência do uso dos equipamentos. Por se considerar relevante, abrese, aqui, um parêntesis para tornar conhecida a forma e os motivos que levaram a instituição a contratar os serviços da empresa "Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda". No ano de 1996, quando os atuais Conselho de Administração • e Corpo Diretivo, sem qualquer remuneração, assumiram suas funções, o Hospital de Caridade de Erechim, em situação falimentar, encontravase prestes a fechar suas portas. Tanto é verdade que as pessoas deslocavamse a Passo Fundo, distante 80 quilômetros, para realizar consultas ou exames mais especializados. Diziase ocorrer uma procissão diária rumo àquela cidade ... Diante dos clamores da comunidade regional, foi, então, buscada a recuperação do hospital. Com esse afã, imensos esforços foram desenvolvidos no sentido de reestruturar e modernizar suas partes física, gerencial, tecnológica, o corpo clínico, pessoal de apoio, etc.. Tudo isso foi (está) formalmente condensado no documento Fl. 852DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 826 15 intitulado "Plano Estratégico Metas Estratégicas & Operacionais ", cuja cópia compõe o ANEXO 8. No que tange aos serviços de diagnóstico por imagem, de um lado, o equipamento existente era obsoleto, inconfiável, e, de outro, os profissionais contratados estavam não só desatualizados, mas numericamente incapazes de atender a demanda, gerando incontáveis reclamações tanto do corpo médico, quanto da população em geral (vide ANEXO 9). A busca da solução ocorreu com as concomitantes providências para adquirir novos equipamentos e contratar novos profissionais. Aqueles (equipamentos) são os identificados e adquiridos nas condições referidas pela fiscalização. Já em relação aos profissionais médicos, as primeiras providências foram tomadas no sentido de manter a empresa até então contratada ('Clínica Radiológica E. J. Gollin Ltda'), exigindolhe, porém, melhorias na qualidade, assiduidade e permanente disponibilidade, exigências estas que, não atendidas, deram origem a desentendimentos, à denúncia (ruptura) do contrato, e ao surgimento de pendengas judiciais, ainda em tramitação. De qualquer forma, uma vez desfeito o contrato anterior, muitos contatos foram feitos no sentido de atrair eventuais interessados com o perfil desejado pelo HCE, tendo os mesmos se mostrado infrutíferos por três motivos: a negativa de muitos estabeleceremse na cidade (pequena, sem atrativos culturais, de clima frio, etc); a exigência de uma vantajosa compensação financeira, à época não suportável pela instituição, a possibilidade de os eventuais contratados não se adaptarem à cidade e/ou ambiente de trabalho, criando sérios problemas de continuidade na prestação de serviços (exames) essenciais à preservação da vida. Resultou daí, então, o uso da alternativa da contratação inicial de uma empresa (Clínica Radiológica de Passo Fundo) operante nas áreas em referência, sediada em Passo Fundo, que passou a assegurar a presença constante, no HCE, de profissionais habilitados a atender a demanda destes tipos de exames e de expedir os competentes laudos. De se ver, pois, que a contratação de pessoa jurídica para executar os serviços de interpretação dos exames e emissão dos respectivos laudos, não ocorreu apenas em conformidade com a liberdade de contratar, mas visou, sobretudo, atender uma imperiosa, inadiável e permanente necessidade das comunidades do Alto Uruguai riograndense. Afirma que inexiste a previsão contratual de distribuição de lucros, de acordo com o citado: “ 7.3.1.1 Cláusulas sétima e décima terceira do contrato Na cláusula sétima (item d), como urna das obrigações assumidas pelo HCE, consta o dever de "Repassar nas datas respectivas os valores referentes à prestação dos serviços” Já na cláusula décima terceira, está indicado que "Os valores referentes ao pagamento dos serviços prestados no âmbito do presente contrato...." Fl. 853DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 827 16 Das disposições contratuais supratranscritas, verificase haver uma constante indicação de remuneração por serviços prestados. Nada, pois, foi formalmente pactuado a título de distribuição/ divisão/participação nos lucros. 7.3.1.2 Cláusula décima terceira do contrato Na cláusula décima terceira, a pactuação da forma de pagamento dos serviços foi (está) assim prevista: "Cláusula décima terceira: Os valores referentes ao pagamento dos serviços prestados no âmbito do presente contrato serão apurados da seguinte forma: 1) Serão apurados mensalmente os valores faturados pelo HCE, referentes os exames praticados no período, considerando as respectivas tabelas (privadas e de convênios); 2) Serão abatidas destes valores as despesas referentes a: "Pessoal próprio do HCE, Técnicos de RX, serviços de terceiros realizados no CDI, material de expediente fornecido pelo HCE, energia elétrica, água, telefone,material de consumo fornecido pelo HCE, filmes e contrastes fornecidos pelo HCE, rateios de administração do HCE, manutenção fornecida pelo HCE, sanificação fornecida pelo HCE, lavanderia fornecida pelo HCE, esterilização de materiais fornecidos pelo HCE, assim como valores que o HCE vier a despender na execução do presente contrato". 3) Do montante apurado no item 1 será subtraído o montante apurado no item 2 (supra mencionados), e sobre o valor encontrado será aplicado o percentual de 50%". Afirma que a previsão contratual estipula a remuneração variável, que este sistema coexiste com a remuneração fixa, sendo descabido o entendimento fiscal de qualificar os respectivos pagamentos como 'distribuição de lucros' Os pressupostos legais para a ocorrência do fenômeno da 'distribuição de lucros' aconteça, é necessário que, antes, os mesmos (lucros) sejam apurados através do balanço (demonstrativo) de resultados. Ainda, argumentando sobre a hipótese de que os pagamentos dos serviços prestados (valores fixos e variáveis) correspondessem a lucros distribuídos, faz as seguintes indagações: “ concordaria a prestadora de serviços em disponibilizar seus profissionais médicos junto ao HCE, ficando sua remuneração dependente da apuração de lucros pelo hospital? OBS.: de acordo com as cópias dos "Demonstrativos de Resultado" que compõem o ANEXO 10, houve prejuízo(deficit) nos anos de 1998 (R$ 774.685,62), de 1999 (R$ 588.166,77), de 2000 (R$ 441.628,84), de 2002 (R$ 137.162,61), sendo apurado resultado positivo apenas no exercício de 2001 (R$ 315.683,61) nessa mesma linha da raciocínio, concordaria a prestadora de serviços, como empresa com fins lucrativos, realizar exames gratuitos a pessoas necessitadas (vide cláusula oitava, 'b', do contrato), sem a garantia de uma retribuição mínima (a remuneração fixa)? Indubitavelmente, uma resposta positiva afrontaria a lógica, impondose concluir que o procedimento fiscal é, também, ilógico. Observação: a título ilustrativo, a Impugnante informa que em 2001 e 2002 foram executados gratuitamente, respectivamente, 481 e 442 exames radiológicos, 59 e 182 tomografias.” Fl. 854DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 828 17 Discorda de que houve distribuição de lucros e afirma que o fato de a empresa prestadora de serviços, de um lado, ter emitido notas fiscais de prestação de serviços, e, de outra parte, o HCE ter elaborado demonstrativos de faturamento mensais, não autorizam, abstratamente, concluir que se está diante de hipótese de distribuição de lucros. Concluindo, discorre sobre os pressupostos legais para a ocorrência do fenômeno da ‘distribuição de lucros’, aduzindo que legalmente, é necessário que haja apuração através de demonstrativos de resultados, que houve o lucro. Diz que é o que preconiza a legislação contábil, quanto a fiscal, esta última prevê o uso da presunção para efeitos de imposto de renda, mas sempre computando a totalidade das operações de conteúdo econômico dentro de um determinado período. Pede a improcedência da notificação fiscal e o reconhecimento do direito à imunidade tributária do que o HCE dispõe desde a sua fundação. A Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Passo Fundo (RS) julgou improcedente as alegações apresentadas pela entidade em relação às irregularidades indicadas na Notificação, e declarou no DESPACHO DECISÓRIO DRF/PFO, de 27 de setembro de 2004, SUSPENSO o gozo da imunidade tributária, prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal, relativamente aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, pelo Hospital de Caridade de Erechim, CNPJ n° 89.428.718/000197, face a violação ao disposto nos arts. 14, incisos I e II, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1996 (CTN) e 12, parágrafos 2o, "b" e 3°, da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997 (fls. 687 a 697). Foi lavrado o Despacho Decisório DRF/PFO, de 27 de setembro de 2004 publicado ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/PFO N° 299 de 27 de setembro de 2004. na Seção 1 do Diário Oficial da União n. 188, quarta feira, 29 de setembro de 2004 (fls. 698 699) cuja ciência ocorreu em 06/04/2005 (fl.701). Inconformado, em 06/05/2005, o HCE apresenta impugnação (fls. 706 a 729) onde afirma que as razões alicerçadoras do `Despacho Decisório' em tela são as mesmas que orientaram o procedimento fiscal, tendo em vista que o "Despacho" em lide apenas condensa o que foi explanado nos retrocitados "atos fiscais", em seguida, a Impugnante transcreve a contestação apresentada ao Delegado Regional da SRF, pedindo à Turma Julgadora dessa DRJ que o examine na integralidade como sendo parte integrante deste ato impugnatório. No pedido, acrescenta que fica patente que o Ato Declaratório de suspensão da imunidade corporifica um ato inconsistente, e, sobretudo, ilegal e pede que seja declarada a improcedência dos procedimentos que determinaram sua expedição, e, concomitantemente, o reconhecimento do direito à permanência na condição de entidade tributariamente imune. Concomitantemente à impugnação, o HCE impetrou Mandado de Segurança n° 2005.71.04.0042858 (fls. 739 a 751). Em 07/06/2005 foi concedida liminar, nos seguintes termos (fls. 737738v): “DEFIRO A MEDIDA LIMINAR nos termos em que pleiteada, determinando à autoridade apontada como coatora que processe o recurso administrativo interposto pelo impetrante, atribuindolhe efeito suspensivo, com todas as conseqüências legais decorrentes (abstenção de efetuar lançamentos e/ou cobranças enquanto não resolvida a questão da imunidade).” Fl. 855DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 829 18 Em atendimento à determinação judicial, a impugnação do HCE foi julgada pela 2° Turma da DRJ/STM em Sessão de 22 de setembro de 2006, que não acolheu os argumentos do HCE trazidos na impugnação, de acordo com o constante no voto a seguir reproduzido: Voto Da regulamentação da imunidade Alegou a impugnante que a regulamentação das condições para o gozo da imunidade prevista no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF, não poderia ser realizada por lei ordinária, mas somente por lei complementar. Salientase, inicialmente, que esse tipo de discussão não pode afetar a convicção do julgador da esfera administrativa, pois, como se sabe, a autoridade administrativa não pode negar a vigência nem a eficácia da lei. Aliás, nesse aspecto, cumpre ressaltar que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar alegações de inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. No âmbito desse julgamento administrativo, cabe tão somente verificar se o ato praticado pelo agente do Fisco está ou não conforme a legislação tributária, sem emitir juízo de legalidade ou constitucional idade das normas jurídicas que embasaram o ato, tendo em vista a vinculação à lei, a que está submetido o servidor da administração tributária. Essa vinculação do servidor da administração tributária somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Este, aliás, é o entendimento manifestado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (Parecer PGFN/CRE/N.° 948, de 02 de julho de 1998) acerca da disposição contida no Decreto n.° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Ademais, a cláusula "atendidos os requisitos da lei" contida no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal não se destina a regular a eficácia da norma, pois esta é plena. Visa estabelecer os contornos jurídicos, as características das entidades beneficiárias da imunidade tributária, não havendo impedimento ao seu tratamento por lei ordinária, conforme decisão preliminar adotada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) n° 1.8023, que se encontra pendente de julgamento do mérito, conforme se constatou em recente consulta à página da internet do Supremo Tribunal Federal. Salientase que o STF, ao deferir em parte o pedido de Medida Cautelar na mencionada ADIn, em sessão plenária realizada em 27 de agosto de 1998, rejeitou a argüição de que todos os dispositivos da Lei n° 9.532, de 1997 que regulamentam as condições fixadas na Carta Magna são inconstitucionais, conforme se verifica em sua ementa: EMENTA: I Ação direta de inconstitucionalidade: Confederação Nacional de Saúde: qualificação reconhecida, uma vez adaptados os seus estatutos ao molde legal das confederações sindicais; pertinência temática concorrente no caso, uma vez que a categoria econômica representada pela autora abrange entidade de fins não lucrativos, pois sua característica não é a ausência de atividade econômica, mas o fato de não Fl. 856DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 830 19 destinarem os seus resultados positivos a distribuição de lucros. II. Imunidade tributária (CF, art. 150, VI, c, e 146, II): “instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei ": delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, a intermediação da lei complementar e da lei ordinária: análise, a partir dai, dos preceitos impugnados (L. 9.532197, arts. 12 a 14): cautelar parcialmente deferida. 1. Conforme precedente no STF (RE 93.770, Munoz, RTJ 1021304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete a lei ordinária, no tocante à imunidade tributaria considerada, e à fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado a lei complementar. 2. À luz desse critério distintivo, parece ficarem incólumes à eiva da inconstitucionalidade formal argüida os arts. 12 e § 2° (salvo a alínea J) e 3, assim como o parág. único do arl. 13; ao contrário, e densa a plausibilidade da alegação de invalidez dos arts. 12, § 2, f, 13, caput, e 14 e, finalmente, se afigura chapada a inconstitucionalidade não só formal mas também material do § 1 ° do art. 12, da lei questionada. 3. Reserva à decisão definitiva de controvérsias acerca do conceito da entidade de assistência social, para o fina da declaração da imunidade discutida como as relativas à exigência ou não da gratuidade dos serviços prestadas ou a restritas e das organizações de previdência privada: matérias que, embora não suscitadas pela requerente, dizem com a validade do art. 12, caput, da L. 9.532197 e, por isso, devem ser consideradas na decisão definitiva, mas cuja delibação não é necessária à decisão cautelar da ação direta. Como visto, os dispositivos das leis ordinárias constantes do enquadramento legal utilizado como base para a suspensão da imunidade da impugnante continuam em vigor,não podendo o servidor da administração tributária lhes negar aplicação. Da suspensão da imunidade O Ato Declaratório Executivo DRF/PFO n° 29, de 27 de setembro de 2004 declarou suspensa a imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF, em face da violação pelo HCE das disposições contidas nos artigos 14, incisos I e II, do CTN e 12, • parágrafos 1°, alínea "b" e 3°, da Lei n° 9.532, de 1997. Os dispositivos mencionados no ato declaratório como infringidos pelo HCE têm a seguinte redação: CTN Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do art. 9° é subordinado à observáncia dos seguintes requisitas pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a titulo de lucro ou participação no seu resultado: II — aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; Lei n° 9.532, de 1997 Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 831 20 § 2° Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] b) aplicar integramente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; [...] § 3o Considerase entidade sena fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998) Portanto, dois foram os motivos que levaram à suspensão da imunidade do HCE: a prática de atividades imobiliárias, que resultaram na aplicação de recursos em atividades não decorrentes de seus objetivos institucionais; e a distribuição de parcela de suas rendas, em decorrência da fixação de uni percentual do resultado para a remuneração de serviços contratados de outras pessoas jurídicas. Nenhum outro dispositivo, além dos constantes do ato declaratório, foram citados pela autoridade tributária como infringidos pela impugnaste para suspender a imunidade tributária, motivo pelo qual reputase desnecessária a análise dos argumentos que discorrem sobre exigências que constariam de outros dispositivos e que teriam sido mencionadas eis documentos lavrados pela fiscalização. Em relação à realização de incorporação imobiliária, alegou a impugnante que é uma entidade que não tem objetivo de lucro, embora exerça outras atividades comerciais não eventuais, que são praticadas por todos os estabelecimentos hospitalares, que, se prevalecer o entendimento do "Despacho Decisório", também determinariam que nenhum desses estabelecimentos poderia gozar de imunidade tributária. A esse respeito, deve ser considerado que o exercício das demais atividades elencadas pela impugnante, referentes à internação de pacientes, fornecimento de medicamentos, utilização de salas cirúrgicas e de recuperação e equipamentos, são diretamente utilizados pela impugnante para a prestação dos serviços a que se destina, sendo, portanto, compatíveis com a finalidade da instituição. Entretanto, o mesmo não se pode dizer em relação à aplicação de recursos na realização de incorporação imobiliária, já que esta atividade não visa a manutenção de seus objetivos institucionais, por ser estranha às finalidades do HCE, constantes do seu Estatuto Social (fls. 28 e 29), pois se trata de atividade de cunho comercial, já que parte do prédio construído se destinou a ser alienado, atividade essa que, obviamente, não pode ser admitida para uma entidade de assistência social que goze de imunidade tributária. Portanto com o exercício da atividade de incorporação imobiliária, ficou caracterizada a aplicação de recursos em atividade estranhas à manutenção dos seus objetivos institucionais, o que implica violação ao disposto no art. 14, inciso II, do CTN e ao art. 12, § 2o alínea "b" e § 3% da Lei n° 9.532, de 1997. Em relação ao segundo motivo determinante da suspensão da imunidade do HCE, verificase que a remuneração dos serviços médicos especializados prestados nas instalações do HCE, pela empresa Clínica Radiológica Kozma, nos anos de 2000 e 2001 e pela empresa Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda., a partir de 2002, com o uso de equipamentos e funcionários do HCE, era remunerado apenas com uma parcela variável correspondente a 50% do resultado obtido com os Fl. 858DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 832 21 mencionados serviços, conforme previsto na cláusula décima terceira dos contratos de prestação de serviços (fls. 352 e 359), resultado esse obtido após serem deduzidas das receitas oriundas dos serviços prestados os custos e despesas a eles inerentes. Poderseia interpretar como simples remuneração por serviços Prestados por terceiros, se os serviços contratados fossem remunerados em valor fixo, ou proporcional aos serviços prestados, quando, então, terseia somente a remuneração dos serviços, sem participação nos resultados da atividade, entretanto, não foi o que ocorreu no caso do HCE. A remuneração a terceiros, representada pela metade do resultado obtido com a atividade de prestação de serviços de diagnóstico por imagens, caracteriza a distribuição de parcela das rendas do HCE e constitui infração ao disposto no art. 14, inciso I, do CTN e art. 12, § 3°, da Lei n° 8.532, de 1997. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de se indeferir a solicitação da impugnante, mantendose o Ato Declaratório que suspendeu a imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF. Foi exarado o acórdão 186.040 (fls. 763 a 770), cuja ementa transcrevese a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.CONSTITUCIONALIDADE. O servidor da administração tributária não pode negar aplicação a dispositivo legal em vigor, sob a alegação de que é inconstitucional ou ilegal, por não ser de sua competência tal juízo. INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A aplicação de recursos em atividades incompatíveis com a finalidade institucional e a distribuição de parte das rendas de instituição de caráter assistencial justifica a suspensão da imunidade tributária. Em 20/12/2006 o HCE foi cientificado da decisão de 1a instância (AR fl. 772) e em 10/01/2007 apresentou recurso voluntário onde aponta as razões do recurso e coleciona doutrina e jurisprudência (fls. 777 a 804). Descreve os fatos e afirma que ao praticarem seus respectivos atos, tanto os Agentes Fiscais, o Delegado da Receita Federal de Passo Fundo, como a 2a Turma da DRJ/STM, nada mais fizeram do que seguir as orientações emanadas da administração tributária. Na identificação do procedimento fiscal, transcreve partes do procedimento fiscal que resultaram na suspensão da imunidade. Na identificação dos objetivos institucionais e da situação formal/documental do HCE, repete as razões já trazidas na contestação e impugnação. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 833 22 Na afirmação das inconsistências das razões de direito que embasaram a manutenção da suspensão da imunidade, transcreve a fundamentação do acórdão recorrido e reitera os argumentos trazidos no item 7 da impugnação, solicitando o reexame da decisão. “7. A INCONSISTÊNCIA DOS MOTIVOS 'DE DIREITO' QUE EMBASAM O PROCEDIMENTO FISCAL Inicialmente, cumpre reiterar que de acordo com o definido no seu estatuto social (cópia de fls. 27/47), o HCE caracterizase como uma sociedade civil filantrópica de direito privado, sem fins lucrativos, prestadora de assistência social predominantemente na área da saúde. Nessa condição, em conformidade com o estabelecido no artigo 150, VI, V, da Carta Magna, enquadrase como entidade que dispõe do direito subjetivo da imunidade tributária, desde que "atendidos os requisitos da lei" _ A esse respeito, cabe ser ressaltado que de acordo com o artigo 146, inciso 11, da Lei Maior, a competência para a regulação das questões atinentes às "limitações constitucionais ao poder de tributar" foi atribuída exclusivamente à lei complementar. Conseqüentemente, a fixação dos "requisitos de lei" mencionados no final da alínea V retrocitada, só podem ser fixados em lei complementar, e não ordinária. No caso, esta incumbência (regulamentadora) foi executada pelos artigos 9° e 14 do Código Tributário Nacional (CTN), que, anteriormente, restou demonstrado que o HCE cumpre integralmente. Acontece, todavia, que no item 3.6 da "Notificação Fiscal", os Agentes Fiscais manifestaram o entendimento de que a partir de 1° de janeiro de 1998, a Lei n° 9.532/97, nos seus artigos 12 e 13 (que transcrevem), acrescentou "outras condições para o gozo da imunidade". As referidas "outras condições', não estão explicitadas na Notificação • Fiscal", estando elas mencionadas no "Relatório de Diligência Fiscal" (incompreensivelmente não juntado aos autos), como: a) a existência do 'Certificado (ou Registro) de Fins filantrópicos; b) a aplicação de 20% da receita bruta em gratuidades, exigências estas previstas na Lei n° 8.212/91 e no Decreto n° 2.536/98. Data venia, por trilhar um caminho não delineado pela Constituição, o entendimento fiscal mostrase inconsistente, é juridicamente inócuo. Isto porque, resumindo o que já foi dito: a) o regramento da imunidade só pode ser implementado através de lei complementar (CF/88, art. 146, II), não podendo o legislador comum, extrapolando sua competência, estabelecer outras condicionantes; b) lei ordinária não pode criar/suprimir isenções envolvendo fatos e/ou entes abrangidos pelo instituto da imunidade. Nesse sentido, releva, aqui, consignar os ensinamentos de Aires F. E. Barreto/Paulo A. Barreto, quando afirmam: "O legislador constitucional, ao conferir à lei complementar a função de regular as limitações constitucionais ao poder de tributar, buscou manter a coerência da ordem jurídica e a eficácia do seu comando, evitando abusos que pudessem restringir o gozo da imunidade. Fosse possível estabelecer os requisitos para o gozo da imunidade, por intermédio de lei ordinária, estaríamos diante do caos. Isto porque cada ente tributante União, Estados, Distrito Federal e Municípios buscaria fixar as condições para o usufruto da imunidade constitucional. Cada uma dessas inúmeras leis (isto para não falar nos atos infralegais que se seguiriam) estabeleceria critérios e condicionantes os mais dispares para reger a matéria. Como não existe hierarquia entre as leis ordinárias dos diversos entes políticos, seria difícil precisar qual preceito deveria ser Fl. 860DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 834 23 obedecido. Instalarseia, de vez, nesse campo, total desordem no ordenamento jurídico brasileiro". (Imunidades Tributárias: Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar '1 São Paulo, Dialética, pp. 30131). Importante, também, é transcrever o entendimento que Sacha Calmon Navarro Coelho manifesta acerca da impossibilidade de os requisitos para o gozo da imunidade serem fixados em lei ordinária, ao dizer: "Não é nem poderia ser lei ordinária. A uma, porque a imunidade, restrição ao poder de tributar da União, dos Estados e dos Municípios, ficaria à mercê da vontade dos próprios destinatários da restrição, se lhes fosse dado regulála pela lei ordinária. Seria transferir ao legislador ordinário das ordens parciais, poder permanente de emenda à Constituição. Sim, porque na medida em que por lei ordinária pudessem variar as condições para a fruição da imunidade, poderiam até mesmo frustrála. Assistiríamos ao absurdo de ver um valor posto numa Constituição rígida, para garantir certas categorias de pessoas contra a tributação, vir a ser manipulado, justamente, por aqueles a quem se proíbe o poder de tributálas... (Comentários à Constituição de 1988, 6a ed Rio de Janeiro, Forense, pp. 349/350). Do exposto, resulta evidente a inaplicabilidade, ao caso, das disposições de leis ordinárias (leis 9.532/97, 8.212/91) que os Agentes Fiscais tomaram como fundamento do procedimento fiscal em pauta. Ainda dentro dessa linha de raciocínio, urge refutar a alegada necessidade do "Certificado de Fins Filantrópicos' e da 'aplicação de 20% da receita bruta em gratuidade', apontada pelos Agentes Fiscais como condição para o gozo da "isenção" das contribuições à COFINS, CSSL e INSScota patronal. A erroneidade da concepção (ou pretensão) fiscal exsurge de uma simples leitura conjugada dos artigos 149, § único, e 195 da CF/88, e ainda do art. 56 do ADCT. Interpretandoos de forma harmônica e sistemática, verificase que os mesmos caracterizam as contribuições como tributos, enquadrandoas, portanto, no regime jurídicotributário de todos os demais. Tendose presente, então, que as contribuições sociais são tributos, que a regulamentação da imunidade tributária deve ser feita por lei complementar (CTN, art. 14), que leis meramente ordinárias não podem estabelecer restrições ao campo imunitório, só resta concluir pelo descabimento da exigência das condicionantes supracitadas, como pressupostos para o exercício do direito à imunidade . Por seu caráter sumamente esclarecedor, a contestante passa a transcrever alguns excertos do parecer emitido por Ives Gandra da Silva Martins, sob o título “Imunidades de Contribuições Sociais. Art. 195, § 7o , da Constituição Federal – Perfil constitucional do conceito de "Entidade Beneficente de Assistência Social” na área da saúde. Exigência de finalidade não lucrativa e não de filantropia. Impossibilidade de a legislação infraconstitucional restringir o alcance desse conceito" (in 'Temas de Direito Público, Edit. Juarez Oliveira, São Paulo, pp. 123/142), assim expressos: "Nosso estatuto supremo, ao definir o sistema tributário, estabelece certas desonerações, ora levando em conta o destinatário (subjetivas), ora bens (objetivas), para o fim de preservar valores que, por serem inerentes ao perfil de Estado adotado no país – o Estado Democrático de Direito, devem ser defendidos contra a forma usual de arbítrio, que é a cobrança de tributos. A tais desonerações constitucionalmente previstas, dáse o nome técnico de imunidades tributárias, cuja natureza jurídica, para boa parte da doutrina, é o de verdadeiras limitações à competência impositiva dos entes tributantes. (...) Fl. 861DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 835 24 Com a superveniência da Constituição federal de 1988, outorgouse às entidades beneficentes de assistência social, em norma definidora de típica hipótese imunidade, uma expressiva garantia de índole tributária em favor dessas instituições civis. (...). A finalidade que inspirou a instituição da desoneração em tela foi, sem dúvida, estimular a sociedade a colaborar com o Poder Público no atendimento de necessidades básicas da sociedade, suprindo as insuficiências do organismo estatal. Com efeito, embora em seu art. 194, I, o estatuto supremo assegure a universalidade do atendimento, por parte do Estado, às ações pertinentes à seguridade social, estava o constituinte ciente de que dificilmente poderia o organismo estatal, de imediato, prestar a todos, de forma direta, essa assistência. (...), Com efeito, ao referirse a entidades de algum modo ligadas à seguridade social, a lei maior utilizase de 3 conceitos distintos o que é particularmente nítido, em se tratando de entidades que exercem atividades pertinentes à saúde a saber: o de entidade sem fins lucrativos , o de entidade filantrópica e o de entidade com fins lucrativos. (...) Para definir o conteúdo de cada um desses conceitos, cumpre distinguir entre tipo de interesse que envolve essas entidades e modo de satisfazêlo. De acordo com o tipo de interesse, a entidade pode perseguir um interesse próprio ou um interesse de outrem. (...) Buscam interesses de outrem, aquelas que atuam em benefício de alguém que não a própria entidade ou os que a integram. É o caso das entidades sem fins lucrativos, que, como não visam a um interesse próprio, e sim alheio, são entidades beneficentes, na medida em que agem "em benefício de". (...). Entidades cuja atividade se desdobra no dispêndio patrimonial em beneficio de outrem, são as entidades filantrópicas, pois filantropia é manifestação de caridade. Mas o fato de não estar fazendo caridade não significa que a entidade não esteja agindo em beneficio de outrem. Para tanto, basta que não esteja agindo no interesse próprio. Em resumo, portanto, podese dizer que beneficente e gênero que abrange duas espécies: a) a filantropia, modo de beneficência que envolve a caridade; e b) a atuação sem fins lucrativos e no interesse de outrem. Dai ser possível concluir que toda entidade filantrópica é beneficente , mas nem ,c toda entidade beneficente é filantrópica. (...). Quanto às que desempenham atividades do setor de saúde , a amplitude desse conceito de beneficência é bem explicitado no § V do art. 199 da Constituição Federal, pondo em relevo dois aspectos fundamentais para a interpretação do § 7" do art. 195 da Constituição Federal, a saber: a) que tal conceito não ostenta conteúdo idêntico ao do conceito de "entidade filantrópica", sendo mais amplo e abrangente este; e,b) que, tanto as entidades filantrópicas como as entidades sem fins lucrativos revestemse da mesma relevância e merecem o mesmo tratamento,... . À luz dessa norma, é imperioso concluir, mormente no que diz respeito à saúde, que, para a Constituição, imune de contribuições sociais é aquela entidade que seja beneficente, ou seja, atue em benefício de outrem. Para tanto, não exige a filantropia. Basta tratar se de entidade sem fins lucrativos. (...). Fl. 862DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 836 25 Diante disso, a imposição por legislação infraconstitucional do requisito da filantropia para que a entidade se repute "beneficente de assistência social", tem, na verdade, o intento de interferir no conceito de entidade beneficente , e estreitálo em relação ao que está definido constitucionalmente. ( ... ). Reportandose á problemática da gratuidade, o citado jurista leciona: "( ... ). art. 1o da Lei n. 9.732, de 11 de dezembro de 1998, (cuja eficácia se encontra suspensa por liminar concedida na ADIn n. 2.028, conforme anteriormente mencionado), modificou o inciso III do art. 55 da Lei n. 8.212191 e acrescentoulhe os §§ 3% 4" e 5°, atribuindolhe a seguinte redação: 'Art. 55. Fica isenta das contribuições sociais de que tratam os arts. 22 e 23 desta lei a entidade beneficente de assistência social que atenda cumulativamente: (...). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência. Resulta claro que o art. 55 da Lei n. 8.212191, tanto na redação original, quanto na que lhe deu o art_ P' da Lei n. 9.732/98, está pretendendo estabelecer o conceito de entidade beneficente de assistência social, O QUE NÃO CABE À LEI, porque a Constituição já o faz. Está, ademais, restringindo o conceito constitucionalmente esculpido, O QUE AGRIDE A LEI MAIOR. 0 dispositivo legal não está atendendo ao que estabelece o art. 14 do Código Tributário Nacional, e sim desbordando da função meramente reguladora da "lei" a que faz menção o § 7 do art. 195 da Constituição Federal. (...). Para que tal requisito da gratuidade pudesse ser exigido como condição de gozo da imunidade , necessário seria que o próprio texto constitucional fosse alterado,para expressamente prevêlo o que certamente implicaria tornar inócuo o dispositivo, já que dificilmente alguma entidade particular teria condições de prestar exclusivamente serviços assistenciais inteiramente gratuitos. ( ... ). Assim procedendo, o legislador desbordou de sua competência, incorrendo em, desvio de poder, vicio que também pode manifestarse no exercício da atividade legislativa". Reitera os argumentos aduzidos no item 7 da impugnação e diz que o correto é item 8. Com relação à inconsistência das razões de fato que embasaram a manutenção da suspensão da imunidade, trazidas no item 7, a recorrente insurgese contra a decisão a quo, com os seguintes argumentos já trazidos no item 8 da impugnação, apresentados a seguir de forma sintética, onde aduz que inexiste a prática comercial da “incorporação imobiliária” e distribuição de suas rendas. a) Aponta para o para o objetivo finalístico da entidade; b) Que todos os seus ativos devem ser visto sem o intuito de lucro, sob o prisma finalístico, ainda que aparentemente apresentem a mesma roupagem dos negócios empresariais; c) Que a eleição, pela fiscalização, da incorporação imobiliária como causador da suspensão foi aleatória; Fl. 863DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 837 26 d) Que o HCE teria praticado muitas outras atividades, como hotelaria, venda de remédios, aluguel de salas (cirúrgicas, recuperação), de equipamentos variados, etc e que estas operações, em sentido estrito, não se configuram como atividades diretamente vinculadas à saúde e que não apenas o HCE mas todos os hospitais equipararseiam a empresas comerciais e/ou prestadoras de serviços com fins lucrativos; e) Que a edificação do Centro Clínico HCE, visou suprir as deficiências existentes em meados de 19902000 quando a diretoria assumiu suas funções, como carência de médicos especialistas, amadorismo gerencial, desorganização e má prestação de serviços. Explicando os motivos da edificação do Centro Clínico, aponta: a) Que as mudanças foram feitas com base no planejamento estratégico formulado por especialistas em administração hospitalar e buscando um melhor aproveitamento do espaço físico o hospital foi redesenhado, porém continuou a faltar espaço para alocar os 30 novos médicos contratados. Cita anexos 1 e 8. b) Surgiu a idéia da construção do Centro Clínico e face a carência de terrenos, a solução encontrada foi o aproveitamento do terreno disponível do próprio hospital, contíguo ao prédio antigo e nele construir um prédio com 62 salas, destinadas a consultórios e outros serviços médicos, sendo as partes inferiores destinadas ao próprio HCE (auditório para 140 pessoas, sala de aula para 50 pessoas, sala de reuniões para 15 pessoas, salas de apoio (recepção, estar), farmácia, lancheria, foyer etc. Cita as plantas baixas no anexo 3. c) Face a carência de apoio estatal (União, Estado ou Município) a direção foi em busca de financiamento que resultou infrutífera, surgindo a idéia de num processo compartilhado, obter os recursos necessários junto aos interessados na ocupação de salas a serem edificadas, atingindo com isto quatro objetivos, a saber: i) contar com os recursos necessário para realizar a construção; ii) não despender os elevados encargos financeiros praticados iii) não suportar os custos de manutenção das salas utilizáveis por terceiros; iv) oferecer um serviço centralizado, próximo, interligado, a todos os pacientes necessitados de atendimento médicohospitalar, principalmente aos residentes fora da cidade ou município. d) Refletindo uma prática do mercado, o financiamento das salas adquiridas pelos médicos interessados foi calculado em parcelas reajustáveis pelo CUB. e) Que o registro da incorporação foi efetuado no estrito cumprimento da legislação reguladora da atividade imobiliária, estando distante do cunho meramente lucrativo que foi visualizado pelos fiscais. f) Que inexiste estipulação contratual prevendo a transferência do uso para uma empresa prestadora de serviços com fins lucrativos, de um ecógrafo Fl. 864DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 838 27 e de um sistema de tomografia computadorizada importados ao abrigo de isenção. Cita as clausulas, 2a, 7a, 10a 13a do contrato. Alega inexistência da transferência do uso dos equipamentos pelas empresas prestadoras de serviços, aduzindo que: a) inexiste no contrato de fls. 363 a 368 estipulação contratual prevendo a transferência do uso dos equipamentos. Transcreve cláusulas do contrato e afirma que houve uma interpretação errônea do mesmo, visualizando uma situação hipotética, falsa, formando com isto um juízo infundado, que não pode prosperar. b) tratase de um contrato é de prestação de serviços médicos e que todos os serviços foram disponibilizados à população exclusivamente pelo HCE que para tanto, preparou parte de suas dependências para a instalação do “Centro de Diagnóstico por Imagem – CDI”, contratou empregados (técnicos em radiologia, enfermeiras, atendentes, secretárias) e contratou uma empresa prestadora de serviços atuante nos ramos de radiologia, tomografia, ecografia (fls. 363/368) para executar a interpretação dos filmes e gráficos e a emissão dos laudos dos exames processos; c) Esclarece que a oferta dos serviços pelo HCE, envolve não só os equipamentos, mas as instalações apropriadas, empregados (técnicos em eletricidade, eletrônica, segurança do trabalho, radiologia, enfermeiros, atendentes, secretários, etc), e os médicos com a missão funcional de interpretar chapas radiográficas, gráficos, emitir os respectivos laudos, etc); d) Alega que o fisco confundiu os serviços de radiologia no seu todo, com a sua parte mais especializada, executada por profissionais médicos, como também distorceu a natureza (objeto) dos serviços pactuados. e) Afirma que a empresa contratada assumiu apenas a responsabilidade técnica pelos laudos emitidos, previsto na cláusula 5a do contrato. f) Lembra os motivos pelos quais a empresa “Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda” foi contratada, aduzindo que em 1996, ao assumir a administração do hospital, os atuais conselho de Administração e Corpo Diretivo se depararam com a situação em que os habitantes de Erechim se deslocavam 80 km até Passo Fundo para realizar consultas e exames especializados. Que em vista do quadro falimentar, obsolescência de material e dificuldades para atrair médicos para a cidade, a alternativa utilizada por a contratação de uma empresa denomina Clínica Radiológica de Passo Fundo, que assegurou a presença no HCE de profissionais especializados para executar os serviços de interpretação dos exames e emissão dos respectivos laudos. g) A contratação de pessoa jurídica para executar os serviços de interpretação dos exames e emissão dos respectivos laudos não ocorreu apenas em conformidade com a liberdade de contratar, mas visou, Fl. 865DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 839 28 sobretudo, atender a uma imperiosa, inaudível e permanente necessidade das comunidades do Alto Uruguai. Relativamente à “distribuição de lucros”, alega que segundo motivo considerado pelo agente fiscal como determinante para a perda da isenção, é infundado, pois inexiste previsão contratual de distribuição de lucro, cita as cláusulas 7a e 13a do Contrato com a empresa de radiologia. Conclui : “Do exposto inferese que a remuneração pactuada nada tem a ver, não se equipara a uma divisão de lucro, correspondendo, isto sim à fixação de uma remuneração variável calculada com base no diferencial entre os ingressos brutos deduzidos dos custos/despesas desse setor hospitalar. Todavia, dito sistema de remuneração (variável) não é exclusivo, único, por sempre ter coexistido com a estipulação de uma remuneração fixa, garantidora de uma retribuição mínima. Esta é a realidade que se extrai dos ‘Demonstrativos de Faturamento’ de fls. 402/461, juntados aos autos pela própria fiscalização. Mostra também que em raciocínio contrário, admitindose a hipótese fiscal de que os pagamentos por serviços prestados correspondessem a lucros distribuídos, e faz as seguintes indagações: a) concordaria a prestadora de serviços em disponibilizar seus profissionais médicos junto ao HCE, ficando sua remuneração dependente da apuração de lucros do hospital? Mostra que houve apuração de resultado positivo apenas em 2001. b) concordaria a prestadora de serviços, como empresa com fins lucrativos, realizar exames gratuitos e pessoas necessitadas (vide cláusula oitava ‘b’ do contrato), sem a garantia de uma remuneração mínima (a remuneração fixa)? Diz que o hospital executou gratuitamente em 2001 e 2002, 481 e 442 exames radiológicos e 59 e 182 tomografias, respectivamente aos anos. Discorda que a referida empresa tem participação nos lucros obtidos com os exames realizados pelos equipamentos importados e que a emissão de notas fiscais de serviços de um lado, e de outra o HCE ter elaborado demonstrativos de faturamento mensais não autorizam concluir que se está diante de hipótese de distribuição de lucros e que para tanto seria necessário apurar lucros através do balanço de resultados. Em seguida passa a contraditar especificamente o ato decisório e rebater as premissas, consideradas por ela, inconsistentes, utilizadas pelo julgador, de que a aplicação de recursos na construção do edifício de salas de atendimento e de consultórios representa uma atividade estranha à entidade, com os seguintes argumentos: Contraditando especificamente o ato decisório, a Recorrente apresenta as seguintes ponderações: a) — Relativamente ao fenômeno `incorporação imobiliária' Fl. 866DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 840 29 No seu `voto', o Sr. Relator faz uso de premissa inconsistente ao alegar que a aplicação de recursos na construção do edificio de salas de atendimento e de consultórios representa uma `atividade estranha' à entidade. Isto porque: os recursos desembolsados destinaramse à ampliação do ativo imobilizado da própria instituição, atendendo uma necessidade urgente de espaço físico para atendimento dos doentes da região; os recursos obtidos com a venda de parte das salas serviram, de fato e parcialmente, para garantir à conclusão do prédio, observado que nenhum órgão governamental, banco oficial ou privado concordaram em financiar o empreendimento, as eventuais sobras de recursos advindas das vendas de parte dos consultórios, foram regular e exclusivamente utilizados nos serviços prestados pelo HCE , coexistindo o imaginado `desvio dos objetivos institucionais'; a averbação no registro imobiliário representou um mero cumprimento da legislação imobiliária. b) — Relativamente ao fenômeno `distribuição de lucro' No seu `voto', o Sr. Relator faz uso de alegação infundada ao aventar que a remuneração dos `serviços médicos' prestados pela empresa terceirizada deveriam ser `em valor fixo ou proporcional aos serviços prestados'. Isto porque: a entidade tem a prerrogativa constitucional de, gerencialmente, adotar a forma de remuneração que, com segurança, melhor atenda seus interesses; o Fisco (em geral) não dispõe de competência legal/funcional para fixar critérios remuneratórios, notadamente para regrar o instituto da imunidade; os critérios de remuneração parcial de apenas um dos muitos serviços prestados pela entidade , não materializa o fenômeno da `distribuição de lucros', o qual pressupõe a realização de balanços patrimoniais e financeiros abrangendo todas as operações econômico/financeiras da entidade. c) Manifestação jurisprudencial sobre o tema Instado a apreciar em grau de recurso urn dissenso equivalente a este, o Conselho de Contribuintes resolveu o litígio nos moldes resumidos na ementa a seguir transcrita. Acórdão n° 107 07197 Sessão de 11.06.2003 PRINCÍPIO DA LIVRE CONCORRÊNCIA — INOCORRÊNCIA. A suspensão da imunidade sob o argumento de que a atividade desenvolvida pela entidade imune ofende o princípio da concorrência, no presente caso, não pode prosperar. À luz de entendimentos do Supremo Tribunal Federal, inclusive alguns do próprio Conselho de Contribuintes, e de grande parte da doutrina, se cumpridos os requisitos estabelecidos pelo art. 14 do CTN, não há que se impedir a fruição da imunidade, Fl. 867DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 841 30 pois, como afirmado pelo Ministro Sydney Sanches, citado por Ruy Barbosa Nogueira, "A instituição de assistência social não está proibida de obter lucros ou rendimentos que podem ser e são, normalmente, indispensáveis à realização dos seus fins. O que elas não podem é distribuir lucros. Impõeselhes o dever de aplicar os rendimentos `na manutenção dos seus objetivos institucionais"'. Ademais, se a atividade desenvolvida tem por finalidade auxiliar a cobrir o déficit da atividade principal da entidade imune, não é correto retirar, pura e simplesmente, a imunidade somente com o argumento em tese de que estaria ferido o principio da livre concorrência. A ofensa a este deve ser provada e não apenas alegada, sob pena de agredirse a supremacia constitucional.” Conclui requerendo a declaração de nulidade e/ou a improcedência do lançamento, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal. Este é o relatório. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 842 31 Voto Vencido Conselheira MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI O Recurso é tempestivo. Dele conheço. O Ato Declaratório Executivo DRF/PFO n° 29, de 27 de setembro de 2004 declarou suspensa a imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF, em face da violação pelo HCE das disposições contidas nos artigos 14, incisos I e II da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); e 12, parágrafos 1°, alínea "b" e 3°, da Lei n° 9.532, de 1997. Os dispositivos mencionados são: CTN Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do art. 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitas pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a titulo de lucro ou participação no seu resultado: II — aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; Lei n° 9.532, de 1997 Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 2° Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: 1••] b) aplicar integramente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; 1.1 § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. ( Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998 ) Nenhum outro dispositivo relativo à suspensão foi citado no ato declaratório, motivo pelo qual deixase de analisar eventuais alegações trazidas em recurso que versem sobre demais dispositivos não vinculados neste ato. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 843 32 Preliminarmente cabe analisar pedido de nulidade trazido ao recurso. O ato declaratório foi emitido em conformidade com o art. 172 do RIR/99 dispõe: Art. 172. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, e Lei n º 9.532, de 1997, art. 14). § 1 º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da Constituição não está observando requisito ou condição previstos no arts. 169 e 170, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando, inclusive, a data da ocorrência da infração (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 1 º ). § 2 º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 2 º ). § 3 º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 3 º ). § 4 º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2 º sem qualquer manifestação da parte interessada (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 4 º ). § 5 º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 5 º ). § 6 º Efetivada a suspensão da imunidade (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 6 º ): I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7 º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 7 º ). § 8 º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 8 º ). § 9 º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 9 º ). O decreto 70.235/72 por sua vez dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 870DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 844 33 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo Não vislumbrando hipótese de ofensa ao citado artigo, rejeito as preliminares de nulidade. Passando às demais alegações trazidas em recurso, a contribuinte alegou que a regulamentação das condições para o gozo da imunidade prevista no art. 150, inciso IV alínea “c” da CF só poderia ser realizada por Lei Complementar e não por Lei Ordinária. Sobre este ponto não é possível ao julgador administrativo deixar de aplicar norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico pátrio, ainda que alegada eventual inconstitucionalidade ou ilegalidade do dispositivo, conforme dispõe o artigo 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, a Súmula CARF n° 2 e entendimento manifestado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (Parecer PGFN/CRE/N. 948/1998) acerca da disposição contida no Decreto n. 2.346 de 10 de outubro de 1997. A suspensão ocorreu por dois motivos: a prática de atividades imobiliárias, que resultaram na aplicação de recursos em atividades não decorrentes de seus objetivos institucionais; e a distribuição de parcela de suas rendas, em decorrência da fixação de um percentual do resultado para a remuneração de serviços contratados de outras pessoas jurídicas. Relativamente ao primeiro motivo, apesar de o HCE ter alegado que é uma entidade que não tem objetivo de lucro, embora exerça outras atividades comerciais não eventuais também praticadas por todos os estabelecimentos hospitalares e que, se prevalecer o entendimento do "Despacho Decisório", também determinariam que nenhum desses estabelecimentos poderia gozar de imunidade tributária, entendo que fazse desnecessária a análise dos argumentos que discorrem sobre outros possíveis motivos de suspensão ou alegações não relacionadas com os motivos constantes do Despacho Decisório. Entendo que a aplicação de recursos na realização de incorporação imobiliária não visa a manutenção de seus objetivos institucionais, por ser estranha às finalidades do HCE que constam no seu Estatuto Social (fls. 28 e 29), pois se trata de atividade de cunho comercial. Art. 2o O Hospital de Caridade tem as seguintes finalidades: • I Prestar assistência à saúde, no limite de suas possibilidades, a todos que o procurarem, no sentido de proteger a família, a maternidade, a infância, a adolescência e a velhice, sem qualquer tipo ou espécie de distinção. II Desenvolver atividades educacionais ou de saúde, para formação de profissionais. III Promover a integração dos diversos profissionais da área da saúde ao mercado de trabalho. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 845 34 IV Oportunizar ações de prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas portadoras de deficiência. V Realizar atividades beneficentes, ele assistência social, em favor dos idosos, crianças desamparadas e adolescentes carentes. Sobre a incorporação imobiliária a Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, dispõe: Art. 28. As incorporações imobiliárias, em todo o território nacional, regerseão pela presente Lei. Parágrafo único. Para efeito desta Lei, considerase incorporação imobiliária a atividade exercida com o intuito de promover e realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou conjunto de edificações compostas de unidades autônomas, (VETADO). Art. 29. Considerase incorporador a pessoa física ou jurídica, comerciante ou não, que embora não efetuando a construção, compromisse ou efetive a venda de frações ideais de terreno objetivando a vinculação de tais frações a unidades autônomas, (VETADO) em edificações a serem construídas ou em construção sob regime condominial, ou que meramente aceite propostas para efetivação de tais transações, coordenando e levando a têrmo a incorporação e responsabilizandose, conforme o caso, pela entrega, a certo prazo, preço e determinadas condições, das obras concluídas. Parágrafo único. Presumese a vinculação entre a alienação das frações do terreno e o negócio de construção, se, ao ser contratada a venda, ou promessa de venda ou de cessão das frações de terreno, já houver sido aprovado e estiver em vigor, ou pender de aprovação de autoridade administrativa, o respectivo projeto de construção, respondendo o alienante como incorporador. Art. 30. Estendese a condição de incorporador aos proprietários e titulares de direitos aquisitivos que contratem a construção de edifícios que se destinem a constituição em condomínio, sempre que iniciarem as alienações antes da conclusão das obras. (...) (grifos nossos) Art. 31. A iniciativa e a responsabilidade das incorporações imobiliárias caberão ao incorporador, que sòmente poderá ser: a) o proprietário do terreno, o promitente comprador, o cessionário dêste ou promitente cessionário com título que satisfaça os requisitos da alínea a do art. 32; b) o construtor (Decreto número 23.569, de 111233, e 3.995, de 31 de dezembro de 1941, e Decretolei número 8.620, de 10 de janeiro de 1946) ou corretor de imóveis (Lei nº 4.116, de 27862). c) o ente da Federação imitido na posse a partir de decisão proferida em processo judicial de desapropriação em curso ou o cessionário deste, conforme comprovado mediante registro no registro de imóveis competente. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011) Fl. 872DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 846 35 § 1º No caso da alínea b, o incorporador será investido, pelo proprietário de terreno, o promitente comprador e cessionário dêste ou o promitente cessionário, de mandato outorgado por instrumento público, onde se faça menção expressa desta Lei e se transcreva o disposto no § 4º, do art. 35, para concluir todos os negócios tendentes à alienação das frações ideais de terreno, mas se obrigará pessoalmente pelos atos que praticar na qualidade de incorporador. § 2º Nenhuma incorporação poderá ser proposta à venda sem a indicação expressa do incorporador, devendo também seu nome permanecer indicado ostensivamente no local da construção. § 3º Tôda e qualquer incorporação, independentemente da forma por que seja constituída, terá um ou mais incorporadores solidàriamente responsáveis, ainda que em fase subordinada a período de carência, referido no art. 34. O registro da incorporação ( fls. 85 a 98) mostra que o registro foi feito por exigência da Lei no 4.591/64, supra citada: "INCORPORAÇÃO" Conforme Requerimento datado de 18 de Outubro de 2.000, acompanhado da documentação exigida pela Lei número 4.591/64, o proprietário descrito nesta Matrícula, ou seja, o "Hospital de Caridade de Erechim", construirá sobre o imóvel descrito nesta Matrícula UM EDIFÌCIO, que se denominará: "CENTRO CLÍNICO HOSPITAL DE CARIDADE DE ERECHIM", destinado à consultórios médicos e à serviços dentro da atividade médica. Cujas Unidades são assim Individualizadas. (...) Tipo Jurídico: A Incorporadora projeta construir o edifício cujas unidades e respectivas frações de terreno serão alienados pelo sistema de preço reajustável, determinado pelo CUB/SINDUSCON/RS ou outro indexador oficial, de acordo com a Lei 4591/64. De acordo Com o Custo Global da construção o Edifício será de R$ 3.641.747,19 (TRÊS MILHÕES, SEISCENTOS E QUARENTA E UM MIL, SETECENTOS E QUARENTA E! .SETE REAIS E DEZENOVE CENTAVOS). ERECHIM, 06 de DEZEMBRO de 2.000 Às fls. 143 a 156 está acostado o documento de ESPECIFICAÇAO, INSTITUIÇÃO E CONVENÇÃO DO CONDOMÍNIO DO CENTRO CLÍNICO DO HOSPITAL DE CARIDADE, cujo teor, transcrevese em parte, para argumentação das razões de decidir: (...) o Incorporador esta construindo o Centro Clinico Hospital de Caridade, de conformidade com o projeto e plantas aprovadas pela Prefeitura Municipal de Erechim possuindo uma área total de 9.637,76 m2 (nove mil seiscentos e trinta e sete metros e setenta e seis centímetros quadrados ) e dispor parceladamente o edificio em apreço, por quanto o mesmo foi construído sob a forma de unidades isoladas' entre si Fl. 873DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 847 36 identificadas' cada uma das unidades autônomas por designação especial e numérica, para. efeito de especificação pela presente minuta e na melhor forma de direito resolve como de fato resolvido tem, nos termos da lei 4.591 de 14 de Dezembro de 1964 regulamentada pelo Decreto 55.815 de 08 de Março de 1965 e de mais legislação pertinente em vigor, construir, dividir, especificar e estabelecer a sua convenção de condomínio do mencionado edifício sob o regime de copropriedade por Planos horizontais, fazendo pela forma que se: 1 — DA DESTINAÇAO O Centro Clínico Hospital de Caridade tem sua destinação para consultórios na área da saúde. Portanto, o edifício foi construído para ser em parte alienado. Vejamos texto da Notificação Fiscal (fl. 12): Concluise não foi uma atividade de construção para uso próprio e venda posterior. Nesta atividade de incorporação imobiliária, restou comprovado pelos auditores fiscais que houve violação ao disposto no art. 14, inciso II do CTN e art. 12, §2o alínea “b” e 3o da Lei no 9.532/1997. Lei n. 9532/1997 Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (...). § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; Fl. 874DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 848 37 c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. Lei nº 5. 172, de 25 de Outubro de 1966 (CTN) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; (grifos nossos) A contribuinte cita o Acórdão 107.07197 de 11.06.2003, que ora transcrevo: IMUNIDADE — SUSPENSÃO — ATIVIDADE DESENVOLVIDA QUE FERE O PRINCÍPIO DA LIVRE CONCORRÊNCIA — INOCORRÊNCIA. A suspensão da imunidade sob o argumento de que a atividade desenvolvida pela entidade imunidade ofende o princípio da livre concorrência, no presente caso, não pode prosperar. À luz de entendimentos do Supremo Tribunal Federal, inclusive alguns do próprio Conselho de Contribuintes, e de grande parte da doutrina, se cumpridos os requisitos estabelecidos pelo art. 14 do CTN, não há que se impedir a fruição da imunidade, pois, como afirmado pelo Ministro Sydney Sanches, citado por Ruy Barbosa Nogueira, "A instituição de assistência social não está proibida de obter lucros ou rendimentos que podem ser e são, normalmente, indispensáveis à realização dos seus fins. O que elas não podem é distribuir os lucros. Impõeselhes o dever de aplicar os rendimentos 'na manutenção dos seus objetivos institucionais'. Ademais, se a atividade desenvolvida tem por finalidade auxiliar a cobrir o deficit da atividade principal da entidade imune, não é correto retirar, pura e simplesmente, a imunidade somente com o argumento em tese de que estaria ferido o principio da livre concorrência. A ofensa a este deve ser provada e não apenas alegada, sob pena de agredirse a supremacia constitucional Sobre o tema, no mesmo sentido, Aires Barreto e Paulo Ayres Barreto ensinam que: Fl. 875DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 849 38 "É amplo, pois, o sentido da cláusula 'rendas relacionadas com as finalidades essenciais'. Desde que licitas, pouco importa de onde provenham as rendas das instituições. Não é a fonte emanadora das rendas que está em questão. O que o texto constitucional exige é aplicação nos objetivos institucionais. A cláusula voltase, destarte, para os fins em que aplicadas as rendas e não para suas origens." (Imunidades tributárias: limitações constitucionais ao poder de tributar. São Paulo: Dialética, 1999, p. 47). No entanto, não foram trazidas pela contribuinte provas de que o resultado do empreendimento foi aplicado no objetivo institucional do HCE. Confirmase assim, a decisão de 1a Instância. Em relação ao segundo motivo determinante da suspensão da imunidade do HCE, por infração ao inciso artigo 14, inciso I do CTN, verificase que a remuneração dos serviços médicos especializados prestados nas instalações do HCE, pela empresa Clínica Radiológica Kozma, nos anos de 2000 até 31/12/2001, quando foi rescindido, e pela empresa Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda., a partir de 2002, com o uso de equipamentos e funcionários do HCE, era remunerado apenas com uma parcela variável correspondente a 50% do resultado obtido com os mencionados serviços, conforme previsto na cláusula décima terceira dos contratos de prestação de serviços (fls. 352 e 359), resultado esse obtido após serem deduzidas das receitas oriundas dos serviços prestados os custos e despesas a eles inerentes. O contrato com a Clinica Radiológica Kozma, está datado de 04/04/2000 (fls. 349 a 345), tendo sido assinado pelo dr. Paulo Sergio Bonfiglio Osório, representante legal da Clinica. Transcrevese a seguir as cláusulas 1a, 13a e 14a dos citados contratos. Cláusula primeira — O presente contrato possui como objeto a prestação de serviços médicos em radiologia, mamografia, tomografia computadorizada e ecografia, na sede do HCE, a todo e qualquer convênio ou atendimento que o HCE tenha celebrado ou que venha celebrar. Cláusula segunda Os serviços serão prestado única e exclusivamente na área física do HCE, mais especificamente nas dependências destinadas ao serviço de diagnóstico por imagem. (...) Cláusula décima terceira: Os valores referentes ao pagamento dos serviços prestados no âmbito do presente contrato serão apurados da seguinte forma: 1) Serão apurados mensalmente os valores faturados pelo HCE, referentes os exames praticados no período, considerando as respectivas tabelas (privadas e de convênios), 2) Serão abatidas destes valores as despesas referentes a: Pessoal próprio do HCE, Técnicos de RX, serviços de terceiros realizados no CDI, 1 material de expediente fornecido pelo HCE, energia elétrica, água, telefone, material de consumo fornecido pelo HCE, filmes e contrastes fornecidos pelo HCE, rateios de Administração do HCE, rateios de administração de materiais do HCE, manutenção fornecida pelo HCE, sanificação fornecida pelo HCE, lavanderia Fl. 876DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 850 39 fornecida pelo HCE, esterilização de materiais fornecidos pelo HCE, assim como os valores que o HCE vier a despender na execução do presente contrato. 3) Do montante apurado no item 1 será subtraído o montante apurado no item 2 (supra mencionados), e sobre o valor encontrado será aplicado o percentual de 50%. Cláusula décima quarta — A partir do décimo dia do mês subseqüente, após o encerramento do faturamento e da apuração dos valores referentes a despesas mensais, será enviado pelo HCE a Kozma relatório com o detalhe dos cálculos, devendo ser verificados os valores lançados assine como os conceitos no setor contábil do HCE, por parte da Kozma. Realizado este controle, a Kozma procederá a assinatura do relatório concordando com os valores, e o HCE procederá o pagamento até o 40 ° dia do mês subseqüente ao da competência. (grifo nosso) O contrato com Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda, firmado a partir de 01/01/2002(fl. 356 a 361), teve por representante legal o dr. Aldo Paza Júnior e contém as mesmas cláusulas com o mesmo teor. Cláusula primeira — O presente contrato possui como objeto a prestação de sei – viços médicos em radiologia, mamografia, tomografia computadorizada e ecografia, na sede do HCE, a todo e qualquer convênio ou atendimento que o HCE tenha celebrado ou que venha celebrar. Cláusula segunda Os serviços serão prestado única e exclusivamente na área física do HCE, mais especificamente nas dependências destinadas ao serviço de diagnóstico por imagem. Cláusula décima terceira: Os valores referentes ao pagamento dos serviços prestados no âmbito do presente contrato serão apurados da seguinte forma: 1) Serão apurados mensalmente os valores faturadas pelo HCE, referentes os exames praticados no período, considerando as respectivas tabelas (privadas e de convênios); 2) Serão abatidas destes valores as despesas referentes a: Pessoal próprio do HCE,Técnicos de RX, serviços de terceiros realizados no CDI, material de expediente fornecido pelo HCE, energia elétrica, água, telefone, material de consumo fornecido pelo HCE, filmes e contrastes fornecidos pelo HCE, rateios de Administração do HCE, rateios de administração de materiais do HCE, manutenção fornecida pelo HCE, sanificação fornecida pelo HCE, lavanderia fornecida pelo HCE, esterilização de materiais fornecidos pelo HCE, assim como os valores que o HCE vier a despender na execução do presente contrato. 3) Do montante apurado no item. 1 será subtraído o montante apurado no item 2 (supra mencionados), e sobre o valor encontrado será aplicado o percentual de 50%. Cláusula décima quarta — A partir do décimo dia do mês subseqüente, após o encerramento do faturamento e da apuração dos valores referentes a despesas mensais, será enviado pelo HCE a Kozma relatório com o detalhe. das cálculos, Fl. 877DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 851 40 devendo ser verificados os valores, lançados assim como os conceitos no setor contábil do HCE, por parte da Kozma. Realizado este controle, a Kozma procederá a assinatura do relatório concordando com Os valores, e o HCE procederá ao pagamento até o 400 dia do mês subseqüente ao da competência. (grifo nosso) Vale ressaltar que apesar de o segundo contrato ter sido firmado com a Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda, há diversas cláusulas que tratam da Kozma, como mostram os excertos aqui transcritos. O contrato com a Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem foi rescindido em 30 de abril de 2003 (f. 362). O HCE alega que tratase apenas de remuneração e que não é apenas variável “por sempre ter coexistido com uma remuneração fixa, garantidora de uma retribuição mínima. Esta é realidade que se extrai dos ‘Demonstrativos de Faturamento’ de fls. 402/461, juntados aos autos pela própria fiscalização” Compulsando os autos, às folhas citadas pela contribuinte, verificase que constam nos demonstrativos de faturamento mensal, o faturamento total, os custos totais e a sobra, havendo em seguida uma divisão deste resultado. A tabela abaixo mostra os valores mensais garantidos e valor mensal realizado, apurando diferenças e saldos pagos, a maior ou a menor que o valor garantido. A alegação de que havia uma remuneração fixa e uma parte variável não foi provada. O que se pode constatar pelos demonstrativos é que poderia, hipoteticamente, haver uma pactuação prévia de valores a serem pagos e que os resultados mensais confirmariam ou não este valor, como mostram a planilha de fl. 403, mas os termos contratuais vão noutro sentido. O que se pode constatar é que os valores calculados para pagamento às empresas contratadas possuem uma relação direta com resultados da unidade na parte relativa aos serviços de Tomografia, mamografia, radiologia, ultrasonografia, etc, normalmente conhecidos por “serviços de imagem”, conforme demonstrado nas planilhas 369 a 371, que mostram os valores de faturamento de serviços de tomografia, mamografia, radiologia, ultrasonografia e os respectivos custos, da sobra, a participação das empresas Kozma e posteriormente a Uruguai Diagnostico por Imagem, é de 50% do valor das sobras nos seguintes valores: Ano 2000 – R$158.819,53; Ano 2001 – R$398.761,43; Ano 2002 – R$572.004,70. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 852 41 A contribuinte também traz algumas indagações em seu recurso para justificar os pagamentos feitos às empresas contratadas: a) Concordaria a prestadora de serviços em disponibilizar seus profissionais médicos junto ao HCE, ficando sua remuneração dependente apenas de lucros pelo hospital? b) Concordaria a prestadora de serviços, como empresa com fins lucrativos, realizar exames gratuitos a pessoa necessitadas (vide cláusula oitava ‘b’ do contrato), sem a garantia de uma retribuição mínima (a remuneração fixa)? Entendo que estas perguntas são apenas a título de reforço argumentativo, não cabendo resposta a este julgador, pois trata da relação hospital/contratados. As instituições de educação e as entidades beneficentes de assistência social, sem fins lucrativos, gozam de imunidade tributária por força do art. 150, VI, "c", da Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988, transcritos: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei". O parágrafo quarto do mesmo artigo constitucional restringe o alcance da imunidade estabelecendo que esta somente compreende o patrimônio, a renda e os serviços vinculados às finalidades essenciais da entidade imune, in verbis: § 4o As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas ". Portanto, existe condição essencial para o gozo da imunidade, qual seja, o atendimento aos requisitos da lei. Recepcionada pela Carta Magna no que diz respeito ao aspecto em discussão, a Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 9o , explicita: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – (...); II – (...); III –(...); IV cobrar imposto sobre: a) (...); b) (...); Fl. 879DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 853 42 c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) d) (...) § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. § 2º O disposto na alínea a do inciso IV aplicase, exclusivamente, aos serviços próprios das pessoas jurídicas de direito público a que se refere este artigo, e inerentes aos seus objetivos. Portanto, a remuneração a terceiros, representada pela metade do resultado obtido com a atividade de prestação de serviços de diagnóstico por imagens, caracteriza a distribuição de parcela do resultado do HCE e constitui infração ao disposto no art. 14, inciso I, do CTN e art. 12, § 3°, da Lei n° 9.532, de 1997. Até 31 de dezembro de 1997, os requisitos para que uma entidade beneficente de assistência social pudesse ser enquadrada na regra de imunidade de impostos, resumiamse àqueles enumerados no art. 14 da Lei no 5.172, de 1966 (CTN), com a alteração introduzida pela Lei Complementar no 104, de 10 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao art. 14, I “ I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a titulo de lucro ou participação no seu resultado” (texto anterior),que dispõe, verbis: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Por fim, a partir de 1o de janeiro de 1998, por força da edição da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, foram acrescentadas aos requisitos supracitados outras condições para o gozo da imunidade, conforme se lê no art. 12 desta Lei, dispondo o seguinte: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os Fl. 880DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 854 43 serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. ( Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998 ) (...) Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na Fl. 881DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 855 44 determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. A matéria em questão diz respeito à imunidade condicionada, portanto, é imprescindível que a instituição possua meios e documentos suficientes a demonstrarem o total e inteiro cumprimento das exigências legais, bem assim, que possa apresentálos quando solicitados pelas autoridades fiscais competentes, com vistas à comprovação do exato enquadramento e o direito do gozo da imunidade tributária. A imunidade tem como pressuposto a execução do fim público, a ausência de intuito lucrativo e a generalidade na prestação do serviço. Diante disso, não há dúvidas que cabe à instituição comprovar que atende as determinações legais para enquadrarse como uma entidade imune. É importante frisar que basta a violação de um dos dispositivos da Lei para ensejar a suspensão da imunidade. Contudo, dispõe o § 5º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, que a suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da inobservância dos requisitos legais para fruição. Nessas condições, a falta de documentação de que os recursos obtidos foram empregados integralmente na entidade, bem assim, a presença inegável de fortes e substanciais indícios e provas de que houve o aproveitamento indevido na utilização dos recursos da recorrente, revelam exatamente a existência de desvios. Cumpre ressaltar que os robustos elementos acostados ao processo confirmam as irregularidades que foram detalhadas na Notificação Fiscal e que foram sinteticamente discriminados no relatório do presente voto. Assim, o ônus de produzir a prova em contrário cabia à recorrente. Somente ela poderia demonstrar que atendia as condições para caracterizarse como imune, o que não fez. Todo o conjunto de elementos constantes no processo aponta, sempre, de acordo com a Notificação Fiscal, no sentido de que efetivamente está justificado o acerto do procedimento de suspensão da imunidade da ora recorrente tendo em vista que foram descumpridos os requisitos legais essenciais para a fruição da imunidade, fatos que se tornaram relevantes, tendo em vista que a entidade não logrou apresentar provas documentais em contrário, suficientes a elidir a imputação. A contribuinte teceu também alegações a respeito de transferência no uso de equipamentos. Deixo de apreciar as alegações e outras eventuais trazidas no recurso em virtude das razões que fundamentam o voto estarem esclarecidas Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, entendo que não há reparos a serem feitos na decisão recorrida e voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI – Relatora Fl. 882DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 856 45 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Entendo que, no presente caso, não estão presentes justificativas suficientes para a suspensão da imunidade da entidade em epígrafe. Como relatado, o primeiro motivo que ensejou a suspensão foi a prática de incorporação imobiliária, que resultou na aplicação de recursos em atividades não decorrentes de seus objetivos institucionais. Por certo, como dito na Notificação para Suspensão da Imunidade, o estatuto social da entidade não indica, e nem poderia indicar, a atividade de incorporação de imóveis. Contudo, ao desenvolvêla, a entidade teria destinado recursos àquela atividade, considerada não essencial, na medida em que a comparação entre os valores investidos com os valores recebidos dos adquirentes de salas, conforme tabelas acima e docs. fls. 161 a 228 revelaria descompasso entre os investimentos e os ingressos de receitas das vendas. Neste contexto, a alienação de imóveis de propriedade da Notificada, através da incorporação imobiliária, caracterizaria a prática de atividade comercial não eventual, típica de sociedades imobiliárias, o que a desqualifica como pessoa jurídica beneficiária da imunidade. O mencionado descompasso verificouse porque nos períodos de 1999 a 2002 os valores recebidos dos adquirentes de salas teria sido inferior aos valores aplicados na construção do imóvel. Este, por sua vez, além dos 72 (setenta) e dois conjuntos de salas, localizadas do 1o ao 12o pavimento do imóvel construído, também contaria, em seu pavimento térreo, com recepção para acesso de clientes e profissionais, elevadores, escada, sanitários públicos e para deficientes físicos, salas para serviços de apoio, ligações com o hospital, etc, além de dois subsolos com garagens e outras instalações, os quais poderiam ser de uso do hospital, como alegado em sua defesa: A solução encontrada foi, então, de aproveitar parte do terreno disponível do próprio hospital, contíguo ao prédio antigo, e nele construir um prédio com 62 salas, destinadas a consultórios e outros serviços médicos, sendo as partes inferiores destinadas ao próprio HCE (auditório para 140 pessoas, sala de aula para 50 pessoas, sala de reuniões para 15 pessoas, salas de apoio (recepção, estar), farmácia, lancheria, foyer, etc (vide plantas baixas no ANEXO 3). Além disso, e mais importante, observo que a entidade foi intimada a demonstrar, apenas, o fluxo financeiro nos períodos de 2000 a 2002, nos termos abaixo (fl. 19): 14. Informar, por escrito, data de início das obras e valor dos investimentos feitos para a construção do Edificio do Centro Clínico Hospital de Caridade, em cada um dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, juntando cópia das folhas do livro razão onde estão registradas as contas representativas dos investimentos feitos; 15. Informar, por escrito, valor efetivamente recebido em cada um dos anos calendário de 2000, 2001 e 2002, por conta das vendas de unidades do Edificio do Centro Clínico Hospital de Caridade; Fl. 883DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 857 46 De outro lado, porém, como exposto pela própria autoridade fiscal à fl. 09, a elaboração do projeto ocorreu no ano de 1999 e o início das obras civis ocorreu no mês de maio de 2000, com previsão de término, com entrega das chaves aos adquirentes das referidas salas, em dezembro de 2003. Portanto, não está demonstrado nos autos se outros pagamentos foram feitos pelos adquirentes das salas em períodos subseqüentes, e qual o retorno final obtido em razão do investimento feito pela entidade, mormente tendo em conta sua assertiva no sentido de que houve reajustamento dos valores aplicados na construção: A título de esclarecimento, cabe destacar que, refletindo uma prática de mercado, o financiamento das salas adquiridas pelos (médicos) interessados, foi calculado em parcelas reajustáveis pelo CUB. De se observar que os descompassos existentes entre os valores recebidos e os despendidos pelo HCE no período da construção não tem relevância de ordem tributária. Destaco que à fl. 560 e seguintes do processo administrativo nº 11030.002382/200831 foram juntados, por ocasião da diligência requerida pela autoridade julgadora de 1a instância, compromissos de compra e venda referentes às mencionadas salas construídas pela entidade, e neles está estipulada a atualização da dívida a partir do mês anterior ao vencimento da primeira parcela. E, dentre os compromissos de compra e venda, há documentos cujo vencimento de 35 (trinta e cinco) parcelas mensais devidas pela aquisição das salas têm início em 05/04/2002 (fl. 781 e 794 do processo administrativo nº 11030.002382/200831), corroborando a possibilidade de a entidade ter recebido parcelas da construção depois de 31/12/2002. Acrescento, ainda, que, se as mencionadas partes inferiores do edifício permaneceram sob a propriedade da entidade, os custos proporcionais àquela parcela deveriam ser excluídos dos cálculos do esperado retorno financeiro em razão da construção de salas vendidas a terceiros. Quanto ao fato de a incorporação imobiliária não ser essencial e caracterizar atividade comercial, importa ter em conta que, se o terreno da entidade fosse vendido para construção da mesma unidade imobiliária por terceiros, e o recurso obtido destinado aos seus objetivos institucionais, o desvio cogitado para suspensão da imunidade inexistiria. Assim, o descumprimento dos requisitos legais para a imunidade centrase no fato de a incorporação imobiliária ter se destinado à construção de imóveis vendidos a terceiros e, sob esta ótica, é preciso distinguir que estes terceiros, nos termos da Convenção de Condomínio à fl. 143, somente poderiam ser consultórios na área da saúde, ou, mais especificamente nos termos do seguinte dispositivo (fl. 148): Artigo 4o É permitido o uso das salas para consultórios nas especialidades de Medicina, Odontologia, Psicologia, Fisioterapia e Nutrição, desde que devidamente registrado em seu Conselho de Classe. Não será permitido a instalação de Prestação de Serviços que venha a competir com o Hospital. Destaco, ainda, a justificativa operacional apresentada pela entidade: Todavia, continuou a faltar espaço, principalmente para colocar, senão no interior, mas junto ao hospital, os cerca de 30 novos médicos contratados. Releva, aqui, observar que a Região do Alto Uruguai riograndense é formada de pequenas cidades, cujas atividades, porém, estão predominantemente centradas na agricultura. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 858 47 Logo, como medida de bom senso, impunhase que na busca de atendimento médicohospitalar, os pacientes (principalmente os de fora da cidade e agricultores) não tivessem que efetuar múltiplos deslocamentos. Frente a estas considerações e a partir dos elementos contidos nos autos não se pode dizer que a entidade estava exercendo atividade comercial com os benefícios da imunidade, mas sim buscando meios para ampliar seus serviços, e em princípio sendo ressarcida pelos investimentos nas instalações que não seriam utilizadas por ela própria, mas que ainda assim apresentavam evidente correlação com as atividades por ela exercidas. Entendo, por tais razões, que para demonstrar o descumprimento do requisito expresso no art. 14, inciso II do CTN, não basta a prova de aplicação de recursos em atividade distinta daquela à qual a entidade se destina essencialmente. É necessário demonstrar que os recursos da entidade foram aplicados em outra atividade que não mantém relação com seus objetivos institucionais. E, no presente caso, não está provado que a construção do centro clínico em nada favoreceria a entidade, e especialmente que recursos da entidade foram aplicados no referido empreendimento em seu prejuízo, ou mesmo com a obtenção de lucro. Por fim, observo que os resultados das atividades desenvolvidas pela entidade imune são, presumidamente, aplicados em seus objetivos institucionais, afinal não se pode partir do princípio de que a entidade está descumprindo a lei. Assim, a prova de que houve desvio deve ser produzida pelo Fisco e, no presente caso, como disse, não foram demonstrados os efeitos financeiros globais da incorporação imobiliária realizada pela entidade. O segundo motivo que ensejou a suspensão da imunidade consiste na distribuição de parcela de suas rendas, em decorrência da fixação de um percentual do resultado para a remuneração de serviços contratados de outras pessoas jurídicas. O art. 14, inciso I do CTN estipula que as entidades não podem distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado. Por sua vez, nas operações questionadas pelo Fisco, vislumbro mera remuneração de serviços prestados por terceiros, ou seja, pagamento de despesas e não de lucro ou participação no seu resultado. O fato de se determinar a remuneração das clínicas que realizavam os serviços de diagnóstico a partir de uma parcela variável correspondente a 50% do resultado obtido com os mencionados serviços, depois de deduzidas as despesas a eles inerentes, somente evidencia que a entidade valiase de uma técnica para atualizar o preço dos serviços pagos no mesmo compasso em que reajustado o preço dos serviços cobrados dos pacientes. Tais cálculos revelavam, ao final, que excluídos os custos do serviço, o profissional que os executou era remunerado com 50% do valor remanescente, e a entidade permanecia com os outros 50%, em retribuição aos equipamentos que, segundo a Fiscalização, foram adquiridos com os benefícios da imunidade. Não há qualquer demonstração, nos autos, de que a contratação direta pela entidade de profissionais para a realização das atividades assim remuneradas ensejaria um desembolso inferior àquele efetivado. Além disso, inexiste acusação no sentido de que os titulares das clínicas poderiam manter algum vínculo com os dirigentes da entidade, de modo a facilitar o desvio de recursos. Por fim, nada evidencia que os equipamentos utilizados pelas clínicas assim remuneradas tenham se destinado a exames em favor de terceiros, que não os pacientes do hospital. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 859 48 Os equipamentos adquiridos com os benefícios da imunidade seriam, de qualquer forma, operados por algum profissional e resultariam em imagens que teriam de ser interpretadas por algum especialista. Assim, o fato de estes profissionais e/ou especialistas serem remunerados com base em percentual dos valores recebidos pela entidade em razão dos correspondentes exames não é motivação suficiente para a conclusão de que houve distribuição de resultados do hospital. Se tais pagamentos apresentavamse dentro dos limites de normalidade para este tipo de serviço, e restava ao hospital parcela equivalente como remuneração do investimento em equipamentos para serviços dos quais necessitava para realização de suas atividades essenciais, não vislumbro ofensa aos requisitos legais para manutenção dos benefícios da imunidade. Por fim, registro que o fato de os contratos apresentarem inexatidões materiais, ou possíveis erros de escrita, não é suficiente para subsistência da acusação fiscal, mormente se nada foi dito acerca da eventual destinação dos pagamentos a outros beneficiários. Diante do exposto, superadas as preliminares na forma exposta pela I. Relatora, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar os dois motivos apresentados para suspensão da imunidade, e assim restabelecêla. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 886DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10120.722662/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2011
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DE FINALIDADE.
Não se sustenta a preliminar de nulidade, pois o Fisco realizou o trabalho de verificar a ocorrência do fato gerador e, primordialmente, determinar a matéria tributável no seu respectivo quantum de modo a precisar, exatamente, os valores devidos pelo sujeito passivo a título de tributo, que por si só as GFIPs analisadas não seriam suficientes.
MULTA AGRAVADA
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro.
Numero da decisão: 2301-003.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes acompanhou a votação por suas conclusões. Declarações de votos: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Declarações de votos: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2011 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DE FINALIDADE. Não se sustenta a preliminar de nulidade, pois o Fisco realizou o trabalho de verificar a ocorrência do fato gerador e, primordialmente, determinar a matéria tributável no seu respectivo quantum de modo a precisar, exatamente, os valores devidos pelo sujeito passivo a título de tributo, que por si só as GFIPs analisadas não seriam suficientes. MULTA AGRAVADA Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes acompanhou a votação por suas conclusões. Declarações de votos: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 26 62 /2 01 1- 92 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 2 Adriano Gonzales Silvério Relator. Declarações de votos: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes. Relatório Tratase de Autos de Infração DEBCAD nºs 37.338.8195 e 37.338.8209, sendo que o primeiro se refere à glosa de compensações de contribuições previdenciárias lançadas indevidamente nas GFIP e o segundo oriundo da aplicação de multa isolada, em decorrência da compensação indevida, por ter sido entregue GFIP contendo informação falsa . O relatório fiscal narra que: “A auditoria constatou na documentação quando da fiscalização, o fato do contribuinte declarar indevidamente valores no campo “compensação” na GFIP, o que diminui ou suprimiu a contribuição previdenciária devida, que configura, EM TESE, a infração penal tipificada no art. 297, inciso III do parágrafo terceiro, do DecretoLei nº 2.848 de 07/12/1940 – Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983 de 14/07/2000.” Relata ainda que: “Intimado através do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, a indicar e apresentar a documentação suporte probatória das compensações efetuadas: Memória de calculo, Planilha, GPS com recolhimentos indevidos, e outros, o contribuinte no prazo estabelecido não apresentou os documentos probatórios solicitados, mas apresentou como justificativa para as compensações efetuadas no período já citado a seguinte documentação: Escrituras Publicas Declaratórias de Cessão de Direitos de Créditos e Contrato Particular de Cessão Parcial de Ativos e de Prestação de Serviços de Técnicos Especializados, em anexos, amos em cópias autenticadas pelo Cartório Segundo Tabelionato de Notas de JataíGO.” Ressalta também que: “Nas Escrituras Publicas o contribuinte figura como outorgado cessionário de apólice de títulos da dívida publica emitidos por decreto do estado de Pernambuco nr. 393 de 06/04/1935 e decreto federal nr. 196 de 21/06/1935, e como outorgante cedente, terceiro que não a empresa Estrela, figurando como detentora do ativo citado consubstanciado nos autos da ação ordinária processo nr. 2001.35.00.00.0068982, da terceira vara da Justiça Federal em Goiás. Através do contrato de cessão e serviços de empresa de consultoria o mesmo utiliza parcela de crédito atualizada da apólice, conforme descrito nas escrituras, para efetivar as compensações de tais créditos com as contribuições previdenciárias devidas pela empresa, declarandoas na GFIP. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA Processo nº 10120.722662/201192 Acórdão n.º 2301003.147 S2C3T1 Fl. 3 3 Além disso, registra que: “Em consulta ao sítios da Justiça Federal em Goiás e Tribunal Regional Federal da Primeira Região constatamos que o referido processo encontrase em tramitação na justiça, portanto não possuindo decisão transitado em julgado, que conforme o art. 170 A do Código Tributário Nacional – CTN transcrito abaixo, veda a compensação de tributo antes desta etapa do processo. Também, nesta consulta confirmamos que o contribuinte, a empresa Estrela Dist. de Eletrodomésticos Ltda., não figura no pólo ativo da ação, conforme as escrituras apresentadas já revelavam. Diante dessa autuação, o sujeito passivo, regularmente intimado, apresentou impugnação alegando em síntese: i) nulidade do lançamento de ofício, pois, uma vez glosada a compensação, caberia ao fisco apenas exigir o crédito tributário confessado em GFIP; ii) ilegalidade na realização dos trabalhos fiscais, por terem sido realizados foram do domicílio do sujeito passivo; iii) improcedência da aplicação da multa, já que não restou comprovada a infração de falsidade. A 14ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro julgou a impugnação improcedente, mantendo, assim, o crédito tributário. Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos expedidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço Nulidade do lançamento de ofício Sustenta a recorrente que o lançamento seria nulo, haja vista que os valores apurados teriam sido declarados em GFIP e, portanto, o presente ato seria desnecessário. Divirjo da tese alegada haja vista que na presente NFLD a fiscalização, como fica evidente no Relatório Fiscal não se restringiu a apurar valores confessados em GFIP. Pelo contrário, lavrou a Notificação atendendo exatamente aos ditames do artigo 142 do Código Tributário Nacional que estabelece: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Isto porque cotejou os valores confessados pelo sujeito passivo em GFIP com os valores arrolados em Folhas de Pagamentos, apropriando, de acordo as prioridades, valores pagos em GPS. Inclusive, como se pode verificar no Relatório de Lançamentos, há montantes Fl. 606DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 4 apurados a título de contribuição previdenciária que foram averiguados diretamente da folha de pagamentos e não das GFIPs. Ademais, no caso de compensação, o trabalho do Fisco não se resumiu apenas aos débitos declarados em GFIP, mas sim em analisar todo o procedimento de encontro de contas, analisando os requisitos de liquidez e certeza dos créditos, a fim de verificar a possível ocorrência da extinção do crédito tributário, a teor do artigo 156, inciso II, do CTN. Esses fatos revelam a meu ver que o Fisco realizou o trabalho de verificar a ocorrência do fato gerador e, primordialmente, determinar a matéria tributável no seu respectivo quantum de modo a precisar, exatamente, os valores devidos pelo sujeito passivo a título de tributo, que por si só as GFIPs analisadas não seriam suficientes. Atendeu assim o artigo 37 da Lei nº 8.212/91 que a época dos fatos dispunha: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” Ademais, registro que o procedimento da fiscalização e formalização do lançamento cumpriu todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, razão pela qual não vejo qualquer prática irregular ocorrida no momento da notificação que pudesse ensejar a nulidade da NFLD em questão. Nesse sentido, transcrevese a redação dos citados dispositivos legais, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” “Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do notificado; II – o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III – a disposição legal infringida, se for o caso; Fl. 607DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA Processo nº 10120.722662/201192 Acórdão n.º 2301003.147 S2C3T1 Fl. 4 5 IV – a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O sujeito passivo foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. “Art. 23. Farseá a intimação: I – pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.535, de 10.12.1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III – por edital, quando resultarem improficuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)” A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade. “Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993).” Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Pelo exposto, não acolho a preliminar suscitada. Multa isolada No mérito, insurgese o recorrente apenas contra a aplicação da multa no percentual de 150%, por entender que a D. fiscalização não teria logrado em provar a falsidade na declaração GFIP, de modo a fazer incidir a regra prevista no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, Fl. 608DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 6 antes de ser alterado pela Lei nº 11.941/2009. Nesse diapasão, transcrevese a redação original do invocado dispositivo: “Art. 89. "Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” Da simples leitura do artigo supramencionado, não há qualquer dúvida de que, no caso de prestação de informação falsa na declaração da GFIP, o contribuinte fica, por fazer o artigo acima reproduzido remissão ao inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, sujeito à multa isolada de 75%, a qual é aplicada em dobro, por conta da gravidade da infração. Analisando a função social dessa norma, verificase que ela tem por finalidade inibir, aplicando multa elevada, a prática infracional de prestação de informações equivocadas, com o claro intuito de reduzir a carga tributária, o que inevitavelmente acarreta lesão direta aos cofres públicos. Pois, especificamente no caso de compensação, o contribuinte deixa de desembolsar valores a título de pagamento do tributo, por possuir créditos contra a Fazenda Pública. Assim, se na GFIP, o sujeito passivo insere na declaração ser possuidor de direito crédito e essa informação não corresponder à realidade dos fatos, sem dúvida, constitui clara hipótese do artigo supra. A falsidade a que se refere o artigo em debate, está atrelada a ideia de que a informação prestada na declaração deve necessariamente não só corresponder à verdade dos fatos, mas também estar estritamente amparada por lei. E é justamente isso que ocorre no caso dos autos, pois, examinando a natureza do crédito, o qual o recorrente se diz detentor, além de não se tratar de crédito de natureza tributária, não possuir a liquidez e certeza exigidas pelo artigo 170 do CTN. Em seu trabalho fiscal, o Auditor constatou, após intimar o recorrente, que o crédito objeto de compensação é oriundo de apólice de títulos da dívida pública emitidos por decreto do estado de Pernambuco nº 393 de 06/04/1935 e de decreto federal nº 196 de 21/06/1935, os quais lhe foram outorgados por cessão de crédito. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA Processo nº 10120.722662/201192 Acórdão n.º 2301003.147 S2C3T1 Fl. 5 7 Com efeito, segundo apurado pelo fiscal, os mencionados títulos, na época em que ocorreu compensação, estavam sendo objeto do processo judicial nº 2001.35.00.0068982, o que por si só já demonstra clara distorção do fato do recorrente poder utilizar esse crédito na compensação. Ou seja, pelo artigo 170A do CTN, o recorrente, diante do fato verídico de que o processo ainda não se encontrava transitado em julgado, estava terminantemente proibido de efetuar o encontro de contas. Assim, ao se declarar detentor de direito creditório, sem que, com isso, sequer tenha sido encerrado o processo judicial, acabou por prestar informação na GFIP não correspondente com a realidade dos fatos, isto é, declarou com certo e líquido o crédito, questionado na esfera judicial. Daí porque, configura a prestação de informação inverídica, pois o recorrente deu como certo e líquido o crédito sem a chancela final do Poder Judiciário. Embora o recorrente tivesse sentença favorável, sobre esta decisão judicial ainda cabia Recurso de Apelação, o qual foi interposto pela União. Após a distribuição desse recurso, foi proferido acórdão dandolhe provimento, para declarar a prescrição dos títulos da dívida pública, conforme se verifica da respectiva decisão exarada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EMITIDOS NO INÍCIO DO SÉCULO XX. PRELIMINARES AFASTADAS. PRESCRIÇÃO RECONHECIDA. 1. Não há que falar em inconstitucionalidade do DecretoLei n. 263/67, por vício de origem, em razão de ter estabelecido, em seu art. 3º, a extinção da dívida decorrente de Títulos da Dívida Pública, se não resgatados no prazo ali fixado, tendo em vista que o Poder Executivo estava autorizado a legislar sobre finanças públicas por meio de decretolei, nos termos do art. 9º, § 2º, do Ato Institucional n. 04, de 07.12.66. O mesmo se diga em relação ao DecretoLei n. 396/68, que prorrogou o prazo de apresentação dos títulos para resgate, com base na autorização dada pelo art. 2º, § 1º, do Ato Institucional n. 05, de 13.12.68. 2. Os referidos Decretosleis não regularam, em termos gerais, sobre prescrição ou decadência, mas, tãosó, sobre aspecto essencial dos mesmos títulos, qual seja, o prazo de resgate dos títulos, que se encontra, também, inserido no âmbito das finanças públicas. 3. A prescrição da dívida decorrente do resgate dos títulos da dívida pública e do pagamento dos respectivos juros está prevista no art. 60 da Lei nº 4.069/62, que estabeleceu o prazo de cinco anos para os interessados reclamarem o seu pagamento, de forma que, os créditos que a autora alega possuir contra a União Federal encontramse atingidos pela prescrição. 4. O § 3º do art. 30 da Medida Provisória n. 1.238/95, porque suprimido do texto antes de sua apreciação pelo Congresso Nacional, não tem aptidão para ressuscitar a validade dos títulos emitidos no início do século XX e já atingidos pela prescrição, uma vez que às Medidas Provisórias não se aplica o disposto no Fl. 610DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 8 art. 4º, § 1º, da Lei de Introdução ao Código Civil, diante do que dispõe o § 3º do art. 62 da Constituição Federal de 1988. 5. Apelações da UNIÃO, do BNDES, do BACEN e do INSS providas, em parte. 6. Remessa oficial provida.” (Processo nº 200135000068982) De acordo com o andamento processual, sobre esta decisão foram interpostos recursos os quais aguardam julgamento perante os Tribunais Superiores, o que revela falsidade na informação não só em relação à situação jurídica de certeza e liquidez do crédito compensado, como também quanto à ocorrência do trânsito em julgado. Importante registrar que os créditos, objeto da compensação, foram cedidos ao recorrente pelos autores da citada ação judicial por meio de Escrituras Públicas de cessão de créditos. Nessas escrituras, o recorrente afirma estar ciente de que há litígio sobre o “crédito” a ser utilizado. Ademais, em compensações realizadas no ano de 2008 já havia sido prolatado o v. acórdão do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o qual reformou a sentença, declarando prescritos os créditos. Verificase, assim, que as informações inseridas em GFIP naquela época não condiziam, em nada, com a realidade. Em conclusão, não há dúvida de que, da análise do conjunto probatório, houve, in casu, prestação de informação falsa, enquadrando, portanto, na regra prevista no artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER O RECURSO e NEGAR LHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. Apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio contrário ao douto relator, e dou provimento ao recurso voluntário, nos termos que se seguem. 2. Segundo consta no relatório fiscal (ff. 16 a 21), a multa referente às competências 12/2008 a 03/2011 foi majorada pelo fato de o contribuinte ter realizado indevidamente a compensação de contribuições previdenciárias, apresentando a declaração em GFIP com falsidade. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA Processo nº 10120.722662/201192 Acórdão n.º 2301003.147 S2C3T1 Fl. 6 9 3. Além disso, consta que foi emitida a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, uma vez que haveria, em tese, infração penal tipificada no art. 297, III, § 3º do Código Penal, diante da suposta prática de atos de falsidade de documento público, configurando fraude contra a Fazenda Pública. 4. O contribuinte, todavia, insurgese contra a matéria, afirmando que não incorreu em qualquer ato que pudesse resultar da majoração da multa de 75% prevista no artigo 44 da Lei 9.430, de 1996. Entendo que razão assiste ao contribuinte. 5. Isso porque, embora a empresa tenha realizado compensação de débitos previdenciários por meio dos créditos da dívida pública, reconheço que esta ação, por si só, não permitiria dizer que houve a intenção de falsificar a declaração em GFIP. 6. Esta questão é crucial, pois apenas se poderia majorar a multa se houvesse a comprovação de intuito doloso, uma vez que o art. 35A, da Lei 8.212, dispõe: “nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44, § 1º da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. 7. E, segundo o mencionado parágrafo da Lei 9.430/1996, é asseverado que “o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”, texto esse que exige expressamente a forma dolosa na conduta do contribuinte. 8. Por sua vez, dispõem os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 sobre sonegação, fraude e conluio, in verbis: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” 9. Conforme se depreende da legislação, para a qualificação da multa, é necessária a conduta dolosa por parte do agente. Ensina a Doutrina que “dolo ocorre quando o Fl. 612DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 10 indivíduo age de máfé, sabendo das consequências que possam vir a ocorrer, e o pratica para de alguma forma beneficiarse de algo”. Assim, para a ocorrência de dolo deve haver a intenção de burlar a lei, enganando o próximo em proveito próprio ou alheio. 10. Além disso, a legislação tributária exige a efetiva comprovação do ato por parte do agente fiscalizador, o que, no meu entendimento após compulsar os autos, não ocorreu. A propósito, transcrevo o disposto no §10, do ar. 89, da Lei 8.212/91 e inciso IV, do art. 149, do CTN: “Lei 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” ........................................................................................ “Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória;” 11. Assim, como não observei no presente caso nenhum dos trazidos na legislação supratranscrita, entendo que não há de se falar em qualificação da multa aplicada. Esse também é o posicionamento deste CARF, consoante Súmulas 14 e 25: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA Processo nº 10120.722662/201192 Acórdão n.º 2301003.147 S2C3T1 Fl. 7 11 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” 12. Dessa forma, na ausência de comprovação pela Receita de falsidade na declaração apresentada pelo contribuinte, tenho como certo que a multa de ofício a ser aplicada no caso ora em análise é de “75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata” (inciso I, artigo 44, da Lei nº 9.430/96). CONCLUSÃO 13. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, afastando a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva, Apresentamos nossas considerações a respeito do tema da multa isolada nos casos de compensação de créditos que não eram líquidos e certos. Multa de 150% nos casos de compensação. O que aqui pretendemos discutir são os requisitos para aplicação do §10º do art. 89 da Lei 8212/91 que transcrevemos: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Fl. 614DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 12 Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) Em geral, alguns aplicadores adotam nesses casos como premissa a necessidade de dolo na falsidade, bem como entendeu que o caso se submetia ao art. 35A da Lei 8.21/91, in verbis: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) Se o caso estava regido pelo art. 35A, todas as determinações do art. 44 deveriam ser obedecidas, inclusive aquelas do §1º do art. 44 que exigia existência de dolo de fraude, sonegação ou conluio para os casos de aplicação da multa duplicada. Discordamos de ambas as premissas. Começamos pela segunda. O art. 35A é uma determinação geral para os lançamentos de ofício, prescrevendo que estes sigam o art. 44 da Lei 9.430/96. Porém para o caso de compensação, a mesma lei 8.212/91 traz norma especial determinando qual penalidade aplicar quando houver compensação indevida com falsidade de declaração. Tratandose de aparente conflito de normas, como se sabe, deve prevalecer a lei específica – lex specialis, para o caso. Portanto, é inaplicável ao caso de compensação indevida de contribuições previdenciárias com falsidade de declaração o art. 35A da Lei 8.212/91. A remissão que o §10º do art. 89 da Lei 8.212/91 faz ao art. 44 da Lei 9.430/96 é apenas para adotar o mesmo percentual do inciso I do dispositivo. Apenas isso. Afastada a ideia da necessidade de aplicação integral do art. 44 da Lei 9.430/96 ao caso, devemos analisar se o §10º do art. 89 da Lei 8.212/91 exige dolo para a falsidade. Facilmente se observa que o dispositivo não exige dolo ou faz menção à Lei 4502/64. Exigese apenas a falsidade de declaração como infração. Sendo infração tributária, esta se submete à regra geral do art. 136 do CTN que determina que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, ou seja, independe de dolo. Assim, não temos que averiguar a intenção do agente em praticar a falsidade de declaração, mas apenas se esta foi praticada. Apesar de o Direito Tributário não exigir, genericamente, em suas infrações a presença do dolo, o que marca uma das diferenças em relação ao do Direito Penal, podemos buscar naquele ramo do Direito a noção da falsidade em si, dissociada do elemento doloso. Tomamos a lição de Guilherme de Souza Nucci (Código Penal Comentado, São Paulo: Editora do Tribunais, 2007, p. 972) sobre a falsidade prevista no art. 299 do CP(falsidade ideológica): Fl. 615DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA Processo nº 10120.722662/201192 Acórdão n.º 2301003.147 S2C3T1 Fl. 8 13 A introdução de algo não correspondente à realidade compõe a falsidade ( ex.: incluir na carteira de habilitação que no motorista pode dirigir qualquer veículo, quando sua permissão limitase aos automóveis de passeio) e a inserção de declaração não compatível com a que se esperava fosse colocada compõe outra situação.” Assim, falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse declarado. O que se esperava de um crédito que o contribuinte utiliza para compensar créditos tributários da União? Esperase aquilo que o CTN exige: que seja líquido e certo. É esse o comando do art. 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Só existe direito creditório compensável se este for líquido e certo. Um crédito oriundo de um pagamento tido como indevido por tese jurídica bastante contestada judicialmente não é líquido e certo. Só haverá liquidez e certeza depois do transito em julgado da respectiva ação judicial ou depois que a Fazenda Pública reconhecer o crédito administrativamente. Nenhuma das situações ocorreu no caso. O CTN veda, inclusive, a compensação de créditos referentes a ações ainda não transitadas em julgado. O que dizer de créditos baseados em tese jurídicas não acatadas pelo Poder Judiciário em ação própria do interessado? A realidade jurídica da recorrente era a não existência de créditos líquidos e certos. Ao declarar que os possuía, declarou fato falso, fato diverso da realidade jurídica. Fez declaração contendo informação diversa da que se esperava, uma vez que se esperava que só declarasse a compensação de créditos líquidos e certos. Ainda que não existam provas de que foi feita tal declaração falsa com dolo, a lei não exige o dolo, como já demonstramos. Como já dissemos, as infrações tributárias não exigem, em regra, a investigação da intenção do agente, conforme previsão do art. 136 do CTN. Não havendo expressa menção no texto legal da necessidade de caracterização do dolo, como é o caso presente, devemos aplicar a regra geral das infrações tributárias, ou seja, não podemos exigir dolo. Estando a infração caracterizada nos moldes exigidos pela lei, correta a aplicação da multa de 150%, pois ficou comprovada a falsidade de declaração apresentada pelo sujeito passivo. No caso em epígrafe, o Relator observou que “não há dúvida de que, da análise do conjunto probatório, houve, in casu, prestação de informação falsa”, o que resulta manutenção da multa isolada aplicada. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 14 Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, em sintonia com o Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 617DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905120/2012-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 20 /2 01 2- 79 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905120/201279 Acórdão n.º 3801002.902 S3TE01 Fl. 58 2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905120/201279 Acórdão n.º 3801002.902 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905120/201279 Acórdão n.º 3801002.902 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905120/201279 Acórdão n.º 3801002.902 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905120/201279 Acórdão n.º 3801002.902 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905120/201279 Acórdão n.º 3801002.902 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10865.900345/2008-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900345/200812 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 1802000.438 – 2ª Turma Especial Data 11 de fevereiro de 2014 Assunto IRPJ Recorrente CARGILL SPECIALTIES INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 00 34 5/ 20 08 -1 2 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem (DRF Limeira/SP). Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.594, às fls. 36 a 43: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 06/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 4 3 Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulado o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, afirmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 47 a 64, com os argumentos abaixo: DOS FATOS em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 5 4 DA PROVA inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; é imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO DO CRÉDITO PLEITEADO a Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do anocalendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 (vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; a Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; inclusive, remanesceu em favor da Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; o crédito utilizado pela Recorrente é liquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 6 5 diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; a D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a conseqüente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no ano calendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; o saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ anocalendário 2001; assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do ano calendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; o saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a conseqüente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 7 6 a decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que no ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D. Autoridade Fiscal; exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); e nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; DO PEDIDO a Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Este é o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 13/05/2004, na qual utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente ao IRPJ no anocalendário de 2001. O PER/DCOMP indica como origem do crédito um recolhimento realizado em 31/07/2002 com o código 2362, relativamente à estimativa mensal de junho/2001, no valor total de R$ 6.978,99 (rubrica principal com acréscimos moratórios). A negativa da Delegacia de origem foi motivada pelo fato de o recolhimento gerador do crédito já ter sido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ), ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. E nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, afirmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Na atual fase de recurso voluntário, a Contribuinte discrimina vários outros processos de PER/DCOMP que abordam o mesmo crédito, ou seja, o saldo negativo de IRPJ em 2001, no valor de R$ 140.283,14, conforme apurado em sua DIPJ. A Contribuinte, em resumo, argumenta: que em obediência ao princípio da verdade material, é necessário o conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001); que apesar de ter informado nos PER/DCOMP o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 9 8 que a análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF, demonstra que todos os recolhimentos mensais por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, e que é certo que as informações declaradas na DIPJ do ano calendário 2001 encontramse homologadas, ainda que tacitamente. Para comprovar suas alegações, a Contribuinte apresenta cópias dos DARF recolhidos ao longo de 2001, cópia parcial da DIPJ com as fichas relativas às estimativas mensais e à apuração final do IRPJ, cópia do LALUR, e cópia parcial de um Balancete Analítico com os saldos das contas de impostos a recuperar e a compensar em 31/12/2001. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento mencionou que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação que pudesse caracterizar a existência de saldo negativo de IRPJ em 2001, a ser restituído ou compensado. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 10 9 Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos DARF recolhidos ao longo de 2001, cópia parcial da DIPJ com as fichas relativas às estimativas mensais e à apuração final do IRPJ, cópia do LALUR, e cópia parcial de um Balancete Analítico com os saldos das contas de impostos a recuperar e a compensar em 31/12/2001. A DIPJ indica que a Contribuinte apurou prejuízo em 2001, e que o saldo negativo de R$ 140.283,14 foi formado por recolhimentos a título de estimativas mensais (R$ 94.292,00) e retenções na fonte (R$ 45.991,14). O fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, realmente não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte apurou prejuízo no período (como vem alegando), os pagamentos antecipados a título de estimativa passam a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 11 10 As considerações da Recorrente sobre a contagem da decadência para fins de homologação de direito creditório também merecem comentários. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram. No plano da verificação da “existência” de pagamento a ser restituído/ compensado, corresponda ele a DARF no ajuste ou na estimativa, a retenção na fonte, ou mesmo a compensação com outro indébito, não há que se falar em blindagem do direito creditório por decurso de prazo. Com efeito, a fluência do tempo pode sim homologar procedimentos, tornar definitivos os critérios e as interpretações utilizados na aplicação do direito etc., mas não tem o condão de fazer existir o que não aconteceu. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela Recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório, sem uma análise de sua efetiva existência. Nesse passo, cabe registrar que os elementos apresentados ainda não permitem concluir sobre a certeza e liquidez do alegado saldo negativo de IRPJ em 2001, no valor de R$ 140.283,14. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2001; 2) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2001; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2001; o valor das retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 12 11 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16004.001059/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE.
Mantém-se o lançamento fundamentado em informações bancárias obtidas segundo procedimento que seguiu estritamente o que foi estabelecido na Lei Complementar nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/01 uma vez que o CARF não é competente para se pronunciar sobre sua inconstitucionalidade.
MULTA QUALIFICADA.
Mantém-se a aplicação da multa qualificada quando restar comprovada a conduta fraudulenta, com vistas a reduzir ou suprimir tributo.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA.
Em face da decisão contida no REsp nº 973.333-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. PESSOA FÍSICA. CONFUSÃO PATRIMONIAL.
Inexiste a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN, quando não são carreados aos autos elementos que consubstanciem a prova concreta de que a pessoa física apontada como responsável tributária tenha se beneficiado de uma confusão patrimonial estabelecida com a empresa contribuinte capaz de caracterizar o interesse comum.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1102-001.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, e dar parcial provimento ao recurso apresentado pelo Sr. BENTO GONÇALVES NETO, para cancelar o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado com fundamento no art. 124, I, do CTN, ressalvado-se o direito da Fazenda Nacional de, se o caso, redirecionar contra ele eventual execução fiscal proposta contra a contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no art. 135, III, do CTN, e na legislação processual vigente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Responsabilidade tributária. Recorrente BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA e responsável tributário Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal de omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada tem caráter relativo, por isso, inverte o ônus da prova. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006 SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. Mantémse o lançamento fundamentado em informações bancárias obtidas segundo procedimento que seguiu estritamente o que foi estabelecido na Lei Complementar nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/01 uma vez que o CARF não é competente para se pronunciar sobre sua inconstitucionalidade. MULTA QUALIFICADA. Mantémse a aplicação da multa qualificada quando restar comprovada a conduta fraudulenta, com vistas a reduzir ou suprimir tributo. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.333SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. PESSOA FÍSICA. CONFUSÃO PATRIMONIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 10 59 /2 00 9- 61 Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.802 2 Inexiste a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN, quando não são carreados aos autos elementos que consubstanciem a prova concreta de que a pessoa física apontada como responsável tributária tenha se beneficiado de uma confusão patrimonial estabelecida com a empresa contribuinte capaz de caracterizar o interesse comum. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, e dar parcial provimento ao recurso apresentado pelo Sr. BENTO GONÇALVES NETO, para cancelar o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado com fundamento no art. 124, I, do CTN, ressalvadose o direito da Fazenda Nacional de, se o caso, redirecionar contra ele eventual execução fiscal proposta contra a contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no art. 135, III, do CTN, e na legislação processual vigente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso, ressalvo, entretanto, as eventuais indicações contidas nos trechos transcritos. Tratase de recursos voluntários interpostos por BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA e responsável tributário contra acórdão proferido pela 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto que concluiu pela procedência parcial dos lançamentos efetuados e pela manutenção da responsabilidade atribuída. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.803 3 Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/São José do Rio Preto – SP, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anos calendário de 2004 a 2006, totalizaram o valor de R$ 2.045.105,06. Tal autuação foi fundamentada no arbitramento do lucro. Sobre as infrações foram aplicadas multas qualificadas. Ademais, foi atribuída sujeição passiva solidária à pessoa física BENTO GONÇALVES NETO. Da autuação: Em seu relatório, a decisão recorrida assim transcreveu o feito fiscal: Intimado do início da ação fiscal, o contribuinte apresentou, dentre outros documentos, o Livro Registro de Entradas, relativo ao ano de 2004, no qual constatou a autoridade autuante o registro de várias compras feitas junto da empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA (doravante apenas DISTRIBUIDORA). Relata a autoridade autuante que, segundo investigações realizadas pela Polícia Federal no âmbito da “Operação Grandes Lagos”, apurouse que o Sr. Valder Antônio Alves, conhecido como “Macaúba”, é o titular de fato e de direito da DISTRIBUIDORA. Esta empresa, segundo apurado, fornece notas fiscais “frias” a diversas empresas que atuam no ramo de industrialização de carnes, e, por conta das irregularidades apuradas, teve o respectivo CNPJ declarado inapto, mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO JOSÉ DO RIO PRETO nº 53/2008, com efeitos a partir de 01/01/1999, tornando inidôneos os documentos por ela emitidos desde então. Intimado, por diversas vezes, a apresentar diversos livros de escrituração obrigatória, dentre os quais os livros Diário e Razão ou livro Caixa dos anos de 2004, 2005 e 2006, o contribuinte não logrou apresentar os elementos solicitados. O contribuinte também foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ingressados em suas contas bancárias, no período de 2004 a 2006. Em sua resposta, o contribuinte apenas afirma que os depósitos efetuados nas contas bancárias são oriundos, em parte, das receitas próprias da empresa, informando que não possui Livro Diário do período e que os livros fiscais disponíveis já foram entregues. Esclareceu, ainda, que, por ser varejista, com vendas muito retalhadas, e ser empresa de pequeno porte, não tem como vincular cada venda com o respectivo depósito bancário. Na ação fiscal realizada perante a DISTRIBUIDORA, no âmbito da “Operação Grandes Lagos”, várias provas foram colhidas, dentre as quais destacam se arquivos eletrônicos referentes às notas fiscais por ela emitidas, arquivos esses que continham inclusive uma tabela com os códigos dos reais proprietários e vendedores da carne. Nessa tabela, o código “3” representa “Bento”, designação utilizada para fazer referência à BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA. Dos referidos arquivos da DISTRIBUIDORA foram extraídos dados das notas fiscais com o código “3”, sendo encontradas 55 notas fiscais de compra emitidas no período de 16/09/2004 a 31/1/2005. Com base nas informações constantes dessas Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.804 4 notas fiscais, alguns dos supostos clientes e fornecedores foram selecionados e intimados a prestar esclarecimentos sobre as operações, de fato, praticadas. O Sr. Ademar Antonio de Toledo, criador de suínos, informou que os contatos telefônicos por ocasião da venda foram mantidos com pessoa conhecida como “José ou Bento”, no telefone (17) 2312005, sendo os pagamentos realizados em dinheiro ou cheques. O Sr. Wilson Xavier Ferreira informou, primeiramente, que os compradores eram Jaqueline Cássia Ceron e seu marido José e, posteriormente, que os compradores eram Bento Gonçalves Neto e José Helio Gomes Siqueira, que eram contatados pelo telefone nº (17) 32276288, na Rua Espanha, 593, São José do Rio Preto. A KATAYAMA ALIMENTOS LTDA informou que as transações comerciais foram efetuadas diretamente com o proprietário da DISTRIBUIDORA, “Sr. Bento”, que assim se identificava, e o seu telefone para contato era (17) 3227 6288. Afirmou que o Sr. Bento se apresentou em uma ocasião na sede dela e que realizou outras transações comerciais em nome da BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA. Esclareceu, ainda, que os pagamentos eram efetuados por meio de cheques emitidos pela BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA. O Sr. Áureo de Fátima Manzano informou que o contato comercial era feito somente com o Sr. Bento Gonçalves Neto, por meio do telefone (17) 32776288, sendo este o comprador dos suínos, que realizava pessoalmente os pagamentos em cheques e em dinheiro, vindo até a residência do vendedor. Conclui a autoridade autuante que as respostas obtidas na “circularização” revelam que a BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA, a fim de acobertar suas operações, se valia de notas fiscais “frias” emitidas pela DISTRIBUIDORA, permanecendo oculto ao Fisco e suprimindo, fraudulentamente, os tributos devidos. Os depósitos bancários de origem não comprovada foram reputados receitas omitidas, com base na regra inscrita no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Tendo em conta a falta de apresentação dos documentos e livros da escrituração comercial e fiscal ou do livro Caixa, e com fundamento no art. 530, III, do RIR/1999, o lucro do contribuinte foi arbitrado com base a receita bruta conhecida. Também sobre as receitas apuradas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada foram lançados a CSLL, o PIS e a COFINS. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada (150%), tendo em vista a ocorrência de evidente intuito de fraude por parte do contribuinte, configurado, sobretudo, pela utilização reiterada de notas fiscais “frias”, emitidas pela DISTRIBUIDORA, para acobertar suas operações comerciais. Afirma a autoridade que o Sr. Bento Gonçalves Neto é o maior sócio e o efetivo administrador da BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA, sendo o principal beneficiário do resultado financeiro obtido por esta empresa, inclusive o decorrente das operações acobertadas por notas fiscais “frias” emitidas pela DISTRIBUIDORA. Relata a autoridade autuante, ainda, que o Sr. Bento, juntamente com sua esposa, doou três imóveis de sua propriedade para suas filhas menores, Alana Fachin Gonçalves e Aline Fachin Gonçalves, doação essa ocorrida em outubro de 2008, vale dizer, após o início do procedimento fiscal, que se deu em 28/08/2008. Além disso, o Sr. Bento também vendeu outros dois imóveis em outubro de 2008. Esses Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.805 5 negócios jurídicos, conclui a autoridade autuante, revelam a intenção do Sr. Bento de dificultar ou impedir a satisfação do crédito tributário pela Fazenda Nacional. Diante desses fatos, foi atribuída ao Sr. Bento Gonçalves Neto, com base no art. 124, I, do CTN responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, tendo em conta o interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. Das impugnações: A empresa contribuinte e a pessoa física apontada como responsável solidária apresentaram impugnações. O relator da decisão recorrida assim transcreveu o conteúdo dessas impugnações: No recurso apresentado pela BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA são deduzidas as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Os tributos lançados (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) sujeitamse a lançamento por homologação, razão pela qual o prazo decadencial é regulado pela regra inscrita no art. 150, § 4º, do CTN, vale dizer, é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Tendo em conta que a ciência dos autos de infração lavrados ocorreu em 19/12/2009, decaiu o direito de constituir os créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL para os três primeiros trimestres de 2004, e, para o PIS e a COFINS, a decadência atingiu os meses de janeiro a novembro de 2004. Caracteriza afronta ao art. 43 do CTN a qualificação de depósitos bancários de origem não comprovada como receitas omitidas. A falta de comprovação da origem dos depósitos deve ser tomada apenas como elemento indiciário, sendo necessários outros elementos de prova para a que tais valores sejam reputados renda. Devese comprovar a ocorrência de acréscimo patrimonial, não bastando a verificação de simples circulação de valores pelas contas bancárias. Afirma o impugnante que muitos dos depósitos reputados pela autoridade autuante como receitas omitidas são decorrentes de empréstimos e transferências entre contas da mesma titularidade, além de haver casos de devolução de cheques. Cita alguns exemplos de cheques devolvidos cujos depósitos foram considerados na autuação como valores efetivamente ingressados nas contas correntes. Apresenta, também exemplos de transferências entre contas bancárias de mesma titularidade, alegando que a autoridade autuante, ao computar tais depósitos entre as receitas omitidas, não observou o disposto no § 3º do art. 287 do RIR/1999. Finalmente, aduz que o depósito no valor de R$ 15.879,91, datado de 04/03/2004, creditado na conta mantida junto ao Banco Mercantil, é proveniente de operação de empréstimo. Conclui que os equívocos apontados podem ser aferidos a partir da consulta aos extratos bancários, não requerendo nenhum outro elemento de prova. Alega que a autoridade autuante não excluiu da suposta omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada os valores declarados em DIPJ. A aplicação de multa qualificada (150%) não foi devidamente motivada, razão pela qual o ato é nulo. A falta de comprovação da origem de alguns depósitos bancários não significa a intenção de fraudar o recolhimento de tributos acaso Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.806 6 devidos. As receitas omitidas foram apuradas a partir de presunção e a fraude não se presume, devendo ser provada, conforme assentado na Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Não houve comprovação do dolo. Os fatos relatados pela autoridade autuante atinentes à assim denominada “Operação Grandes Lagos” não repercutiram na matéria tributável levada em consideração na lavratura dos autos de infração, de modo que tais fatos não podem ser invocados como causa para a qualificação da multa. A falta de apresentação da escrituração contábil foi a causa para arbitramento dos lucros, e por conseguinte não pode servir de fundamento para a qualificação da multa. No montante que serviu de base para o arbitramento do lucro está incluído o valor declarado e sobre os créditos tributários apurados a partir desse valor não pode ser aplicada multa qualificada. A multa, se devida, deve ser reduzida a 75%, tal como previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, pois houve apenas falta de apresentação da escrituração contábil. Os lançamentos reflexos de PIS, CSLL e COFINS devem ter o mesmo destino do lançamento principal (IRPJ). A autoridade autuante deveria descontar os valores recolhidos a título de PIS, CSLL e COFINS. Por fim, pede o cancelamento dos autos de infração lavrados. Na impugnação apresentada pelo Sr. Bento Gonçalves Neto são invocados os argumentos a seguir sintetizados: A imputação de responsabilidade solidária carece de fundamentação, violando o disposto no art. 5º, LV, da Constituição Federal e os arts. 2º, VII e VIII, e 50, I, II e § 1º, da Lei nº 9.784/1999. Dos relatos da autoridade autuante relacionados à “Operação Grandes Lagos” não resultaram débitos apurados contra a empresa da qual o impugnante é sócio, de modo que não pode se inferir desses fatos que ele obteve qualquer benefício nas operações. Da constatação de doação de imóveis ás filhas menores do impugnante não se infere que este tenha interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. Não há prova nos autos da prática pelo impugnante de atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN. Tampouco há prova de que o impugnante tenha sido beneficiado pelas supostas infrações, razão pela qual não há que se falar em interesse comum, na dicção do art. 124, I, do CTN. Ao contrário, o patrimônio do impugnante decresceu no período. A autoridade autuante, ao imputar responsabilidade solidária ao impugnante, confundiu a pessoa jurídica com a pessoa física integrante do quadro societário daquela. Assevera que, nos termos do art. 1052 do Código Civil, é descabida a responsabilização do quotista de sociedade empresária limitada pelas obrigações sociais da empresa. Afirma que a desconsideração da personalidade jurídica das sociedades, a fim de alcançar o patrimônio dos sócios, somente é admitida em casos excepcionais. Aduz que o mero interesse nos lucros da empresa não autoriza a aplicação do art. 124, I, do CTN, sendo indispensável a comprovação do interesse na relação jurídica privada subjacente ao fato jurídico tributário, prova essa que não consta dos autos. Tece o impugnante extensas considerações acerca do princípio da legalidade, citando farta doutrina e jurisprudência Afirma que a imputação de responsabilidade solidária ao sócio pelos tributos devidos pela pessoa jurídica requer a comprovação de fraude ou outras práticas ilícitas, previstas nos arts. 135 e 137 do CTN. É da Administração a carga da prova da vinculação do impugnante com os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, conforme prescreve o art. 142 do CTN e o art. 924 do RIR/1999. Não há nos autos prova de que o impugnante foi beneficiado pelas supostas irregularidades apontadas nos autos de infração lavrados Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.807 7 contra a empresa. A autoridade autuante trouxe alegações sem comprovação, imputando responsabilidade tributaria por pura presunção. Ao final, requer o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Da decisão recorrida: A já mencionada 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 1440.488, de 26 de fevereiro de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência parcial do feito fiscal. Como consequência da alegação de que a apuração efetuada pela autoridade autuante incluía cheques devolvidos, transferências entre contas de mesma titularidade e operações de empréstimos, bem como não teriam sido compensados valores espontaneamente recolhidos de CSLL, PIS e COFINS, a DRJ converteu o julgamento em diligência para que unidade de origem elaborasse nova apuração considerando as circunstâncias alegadas. Dessa diligência, resultou, então, uma nova apuração que reduziu uma pequena parte do total do crédito tributário exigido (fls. 1435 a 1600). Intimado a manifestarse acerca das conclusões da diligência, dentre novas considerações a respeito dos cheques devolvidos e das transferências entre contas, a empresa impugnante inovou ao frisar a impossibilidade de acesso pelo Fisco às informações bancárias protegidas pelo sigilo de dados sem a devida autorização judicial. Diante da nova apuração e da nova manifestação da empresa, a DRJ excluiu da base de cálculo dos tributos lançados mais alguns valores de cheques devolvidos e de transferências entre contas da mesma titularidade. Contudo, não acolheu as demais alegações contidas nas impugnações apresentadas. Na parte que interessa, assim figurou a ementa do referido julgado: DECADÊNCIA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RECEITAS CHEQUES DEVOLVIDOS TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Nos casos em que ficar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial obedece a regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Nos termos do art. 42 da Lei nº9.430/1996, são presumidas receitas omitidas as importâncias correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte. Na apuração das receitas omitidas, excluemse os cheques devolvidos e as transferências entre contas de mesma titularidade, quando comprovados pelo contribuinte. A utilização de notas fiscais “frias” para ocultar as respectivas operações é causa bastante para a qualificação da multa (150%). A prova da participação ativa do sóciogerente na prática das infrações tributárias, inclusive com utilização de notas fiscais “frias”, bem como a demonstração de que transferiu, após o início da ação fiscal, o patrimônio particular a terceiros para ocultálo de eventuais exigências tributárias, caracterizam interesse comum nos fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, dando respaldo à imputação de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.808 8 Dos recursos voluntários: Além de repetir muito do que foi alegado na impugnação, a empresa autuada adicionou em seu recurso voluntário novos argumentos especificamente direcionados contra as razões de decidir do voto condutor do acórdão recorrido. Resumidamente, foram deduzidas as seguintes alegações: a) A DRJ não concordou com a decadência porque fixou a contagem do prazo no artigo 173, I, do CTN. No entanto, o suposto comportamento doloso foi rechaçado pela Justiça Federal, que acolheu parecer do próprio Ministério Público Federal, arquivando os autos do Processo nº 000258484.2010.403.6106. b) Houve quebra do seu sigilo bancário sem autorização judicial para tanto. A posição da jurisprudência, tanto do STJ, como do STF é contrária à tese do sigilo bancário por autoridade administrativa. Cita decisões neste sentido. c) A qualificação de depósitos bancários de origem não comprovada como receitas omitidas deve ser tomada apenas como elemento indiciário (repete o que já foi alegado na impugnação). Contesta a opinião da decisão recorrida sustentando que o ônus da prova, mesmo nos casos de presunções legais, é da autoridade lançadora. d) A fiscalização utilizouse de prova emprestada da operação da Polícia Federal como único meio de prova para fundamentar a multa qualificada. No entanto, os autos do inquérito policial instaurado em razão da propalada “Operação Grandes Lagos” foram arquivados porque, após o início daquela operação, pouco (ou quase nada) foi acrescido às investigações (processo nº 2006.61.24.0003631). Se as autoridades competentes para apurar o “esquema fraudulento” concluíram pelo arquivamento dos autos, como pode a autoridade autuante afirmar que houve crime e manter a multa agravada? Fraude não se presume. Ao final, requer a reforma da decisão recorrida e o cancelamento das autuações fiscais ou, se assim não for, que haja a desqualificação da multa aplicada e o reconhecimento da decadência de parte do crédito tributário. O presente processo foi, então, encaminhado para o CARF e distribuído para minha relatoria. Considerando que foi detectada ausência de citação do responsável solidário acerca da decisão da 1ª instância e a possibilidade do julgamento ser sobrestado em razão da alegada quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, na sessão de 09 de julho de 2013, por meio da Resolução nº 1102000.167, esta Turma acolheu minha proposta de conversão do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa: (i) juntasse aos autos a comprovação da autorização judicial para a quebra do sigilo bancário mencionada no Termo de Constatação; (ii) no caso de a autorização judicial ter sido promovida com a amplitude suficiente para abranger todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas na “Operação Grandes Lagos”, juntasse a comprovação de que a empresa contribuinte estaria incluída nessa amplitude; Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.809 9 (iii) promovesse a ciência da empresa contribuinte sobre os elementos eventualmente juntados na diligência para que esta, querendo, se manifestasse; (iv) promovesse a ciência do responsável solidário sobre o resultado do julgamento proferido na 1ª instância e sobre os elementos eventualmente juntados na diligência para que este, querendo, apresentasse recurso voluntário. O processo retornou com os seguintes elementos: Quanto aos itens (i) e (ii), a unidade de origem informou (fls. 1773) que não houve autorização judicial para a quebra do sigilo bancário. O nome da empresa fiscalizada e o de seu sócio administrador não constavam das determinações judiciais para fiscalizar, tampouco das de quebra do sigilo bancário, no bojo da chamada “Operações Grandes Lagos”. O motivo que levou à abertura da fiscalização que redundou na presente autuação foi a verificação, quando se desenvolvia os trabalhos envolvendo a mencionada operação, de que a empresa autuada também havia sido cliente da maior empresa “noteira” descoberta na operação (a DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA). Ademais, foi constatado também que sua movimentação financeira era incompatível com as receitas declaradas. Por isso, as Requisições de Movimentação Financeiras (RMF) foram amparadas apenas na Lei Complementar nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/01. Quanto ao item (iii), a empresa não se manifestou. Quanto ao item (iv), a pessoa física apontada como responsável solidário apresentou seu recurso voluntário no qual, basicamente, repetiu o que foi alegado na impugnação. Adicionou, entretanto, o mesmo argumento trazido no recurso voluntário da empresa autuada segundo o qual a fiscalização teria se utilizado de prova emprestada que não teria sido suficiente para iniciar a ação penal na justiça federal. Requer, ao final, o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.810 10 Inicialmente, cumpre informar que a possibilidade de sobrestamento do julgamento por tratar de acesso a dados bancários, pelo Fisco, sem autorização judicial, aventada no voto condutor da Resolução nº 1102000.167, foi superada pela superveniente edição da Portaria MF nº 545, de 18/11/2013, a qual revogou os §§ 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Assim, nada mais impede o prosseguimento do julgamento. Quanto à alegação, propriamente dita, de que não poderia ser aceita a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, é de se ressaltar que a unidade de origem esclareceu que as RMF foram emitidas com amparo no que dispõem a Lei Complementar nº 105/2001 e o Decreto nº 3.724/01. Alegações de inconstitucionalidade acerca dessas disposições não podem ser apreciadas por este Colegiado. É que a atuação administrativa deve ser pautada pelas normas estabelecidas pela lei. A competência desta Casa está circunscrita a verificar os aspectos legais dessa atuação. Quanto a isso, vale a pena transcrever o que dispõem o artigo 62 do Anexo II do RICARF e a Súmula CARF nº 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (grifei) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, cumpre enfatizar a exigência regimental para que os julgados desta Casa observem os entendimentos sumulados. É o que está determinado no artigo 72 do Anexo II do RICARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim, se o acesso às informações bancárias seguiu estritamente o que foi estabelecido pela legislação que regulamenta o assunto (contra isso a recorrente nada opôs), não há o que se invalidar no procedimento da fiscalização. Quanto à alegação de que os depósitos bancários de origem não comprovada só podem ser aceitos como elemento indiciário, está totalmente equivocada a visão da recorrente. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.811 11 O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 determina que: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Portanto, a presunção legal autoriza que o fato indiciário (depósitos bancários de origem não comprovada) seja equiparado ao fato presumido (omissão de receitas). A presunção contida na lei tem caráter relativo. Por isso, inverte o ônus da prova. Caberia, então, à recorrente afastar a verificação da ocorrência do fato indiciário (comprovando a origem dos depósitos bancários). Mas, isso, não foi feito. Pelas mesmas razões antes expostas, que tocam à competência regimental do CARF, não há como este Colegiado se pronunciar sobre a alegação de que a presunção legal erigida pela lei, por algum motivo, teria extrapolado o conceito constitucional de renda contido no artigo 43 do CTN. No tocante à não exclusão dos valores declarados em DIPJ da omissão de receita apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a recorrente não tem o que reclamar. Apesar de não ter apresentado qualquer prova na qual se pudesse inferir que a receita declarada estava incluída na movimentação bancária que foi objeto da fiscalização (poderia ter circulado em contas bancárias não verificadas ou como dinheiro em espécie), a empresa foi beneficiada pelo fato de a autuação ter compensado os tributos recolhidos espontaneamente na apuração do crédito tributário lançado. Ou seja, não há que se excluir os valores declarados em DIPJ porque eles já estão considerados na receita omitida e os correspondentes tributos recolhidos serviram para a compensação. Nada obstante, em minha opinião, a fiscalização poderia até ter sido mais rigorosa porque inexiste a convicção dessa relação de pertinência. A receita declarada poderia ter sido independentemente incluída na base para o arbitramento. No que diz respeito à qualificação da multa, a recorrente sustenta que não houve a prova da fraude. Segundo suas alegações, a única prova utilizada para fundamentar a multa qualificada, qual seja, a prova emprestada da “Operação Grandes Lagos”, teria sido refutada com o arquivamento do inquérito policial pelas autoridades competentes para apurar o “esquema fraudulento”. Nada obstante, o Termo de Constatação que fundamentou a lavratura dos autos de infração é suficientemente claro para se concluir que as informações enviadas à Receita Federal por conta da mencionada Operação não constituíram a única prova utilizada pela fiscalização para a qualificação da multa. Sobre isso, o trecho a seguir transcrito (fls. 1345 Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.812 12 a 1348) descreve o resultado das circularizações efetuadas junto a terceiros que, de alguma forma, negociaram com a empresa autuada no período fiscalizado: A "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.", CNPJ 68.195.072/000175, também esteve sob ação fiscal em razão da demanda externa da Justiça Federal motivada pelas investigações da Policia Federal no âmbito da Operação Grandes Lagos (Processos Administrativofiscais no 16004.001247/2007 28 e no 16004.001818/200813), que revelam que a "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda." 6, na verdade, uma distribuidora de notas fiscais. No bojo da citada ação fiscal, obtivemos os arquivos eletrônicos referentes às notas fiscais emitidas pela "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.", inclusive uma tabela com os códigos dos reais proprietários e vendedores da carne; nesta tabela o código "3" representa "Bento", e como se verá a seguir, tratase realmente de "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." (fls. 919921). A partir desses arquivos eletrônicos, fizemos uma extração de dados das notas fiscais com o código "3" e encontramos 55 (cinquenta e cinco) notas fiscais de compra, referentes ao período de 16/09/2004 a 31/12/2005. Nesse período de 2004 e 2005 anoscalendário abrangidos por este procedimento fiscal , verificamos que o somatório dessas notas fiscais de compra em 2004 é de R$226.314,00 (duzentos e vinte e seis mil, trezentos e catorze reais) e em 2005 é de R$263.405,00 (duzentos e sessenta e três mil, quatrocentos e cinco reais) (fls. 922). Com base nesses arquivos eletrônicos da "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.", CNPJ 68.195.072/000175, foram então selecionados, por amostragem, diversos supostos clientes e fornecedores de "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." (código "3" nos rodapés das notas), e submetidos a procedimento de auditoria denominado circuiarização. Relatamos a seguir as respostas de terceiros que confirmaram terem feito negócios com o senhor Bento, mesmo tendo aceitado notas fiscais de emissão da "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda". Em resposta a Termo de Intimação Fiscal lavrado no dia 17/09/2008, Ademar Antonio de Toledo, CPF 032.319.09104, agricultor e criador de suínos domiciliado em Matão (SP), informou que os contatos telefônicos, nas ocasiões em que vendia suínos, eram feitos com a pessoa conhecida por "José ou Bento", no telefone (17) 2312005; que os transportes foram realizados por conta e risco do comprador; que os pagamentos eram feitos à vista, em dinheiro ou cheques, pelo condutor do veiculo utilizado no transporte. O intimado também apresentou diversos documentos que respaldam suas declarações, incluindose aí várias notas fiscais de entrada de emissão da "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.", nas quais se vê o código "3" no centro do rodapé (fls. 923957). Essas verificações sugerem que Ademar Antonio de Toledo era, de fato, fornecedor de suínos para abate de "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." e que este último se valia de notas fiscais emitidas pela "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda." para acobertar sua operação comercial, permanecendo assim oculto ao fisco e suprimindo, fraudulentamente, os tributos devidos sobre sua operação (Lei nº 8.137/1990, Artigos 1º e 2º). Em resposta a Termo de Intimação Fiscal lavrado no dia 17/09/2008, Wilson Xavier Ferreira, CPF 060.466.43899, informou que primeiramente os compradores eram Jaqueline Cássia Ceron e seu marido José e posteriormente os compradores eram Bento Gonçalves Neto e Jose Helio Gomes Siqueira, telefone no (17) 3227 6288, Rua Espanha, 593, em São José do Rio Preto; que os transportes eram feitos Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.813 13 por conta dos compradores e que quando as compras eram feitas pelo senhor Bento ou José, o caminhão utilizado tinha a placa BWY9660 e era dirigido por uma pessoa conhecida por Junior; que os pagamentos eram feitos parte à vista (em dinheiro) e parte a prazo, sendo que nos pagamentos a prazo eram usados cheques de terceiros (fls. 958985). O intimado também apresentou quinze notas fiscais de entrada de emissão da "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.", nas quais se vê o código "3" no centro do rodapé (fls. 971985). Essas verificações comprovam que Wilson Xavier Ferreira era, de fato, fornecedor de suínos para abate de "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." e que este último se valia de notas fiscais emitidas pela "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda." para acobertar sua operação comercial, permanecendo assim oculto ao fisco e suprimindo, fraudulentamente, os tributos devidos sobre sua operação (Lei no 8.137/1990, Artigos 1º e 2º). Em resposta a Termo de Intimação Fiscal lavrado no dia 17/09/2008, Katayama Alimentos Ltda., CNPJ 47.765.979/000152, apresentou sua resposta informando o seguinte (fls. 9861007): 1 As transações comerciais foram efetuadas diretamente com o proprietário da "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.", Sr. Bento, que assim se identificava/intitulava, e o seu telefone para contato era (17)32276288. 2 O Senhor Bento se apresentou para a declarante na única ocasião em que esteve na sede desta, como empresário proprietário de várias empresas no ramo do COMÉRCIO VAREJISTA DE CARNES, sendo certo que realizou com a declarante outras transações comerciais em nome da empresa BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA, CNPJ 53.443.727/000100, tendo sempre honrado todas as suas obrigações. 3 Uma única vez o comprador esteve na sede da empresa, por ocasião da primeira transação comercial. 4 As transações eram feitas por telefone. 5 A compradora retirava os produtos na sede da vendedora, com transporte próprio, conforme se constata das inclusas notas fiscais, donde se constata que o transporte é por conta do destinatário. 6 O local de abate era o Frigorifico Remuro Ltda ME em Nova Granada. 7 Recebia por suas vendas praticamente à vista, com prazo de apenas uma semana para recebimento. 8 Os pagamentos eram efetuados pelos motoristas dos caminhões no ato da retirada dos produtos na sede da declarante. 9 Nenhum comprovante era fornecido pelos compradores nos atos dos pagamentos; os motoristas levavam a nota fiscal e os produtos. 10 Os pagamentos eram efetuados através de cheques, todos eles emitidos pela empresa "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda.". O intimado apresentou descrição detalhada de cada cheque emitido por "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." na sequência de sua resposta. A "Katayama Alimentos Ltda." apresentou também cópias dos seguintes elementos: Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.814 14 1 seis notas fiscais de saída de sua emissão tendo como destinatário a "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda."; 2 seis cheques emitidos por "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." em favor da "Katayama Alimentos Ltda."; 3 dois comprovantes de depósito/transferência para conta corrente em favor da "Katayama Alimentos Ltda.". A resposta da "Katayama Alimentos Ltda." comprova que ela era, de fato, fornecedora de animais para abate de "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." e que este último se valia de notas fiscais emitidas pela "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda." para acobertar sua operação comercial, permanecendo assim oculto ao fisco e suprimindo, fraudulentamente, os tributos devidos sobre sua operação (Lei no 8.137/1990, Artigos 1° e 2°). Em resposta a Termo de Intimação Fiscal lavrado no dia 17/09/2008, Aureo de Fatima Manzano, CPF 973.842.67820, afirmou que (fls. 10081016): 1 o contato era feito somente com o Sr. Bento Gonçalves Neto, telefone (17) 3227 6288; 2 que o comprador era o Sr. Bento Gonçalves Neto, telefone (17) 32276288; 3 as vendas eram feitas somente por telefone; 4 os pedidos eram realizados verbalmente, nunca por escrito; 5 os transportes foram feitos por conta do comprador; 6 os suínos foram destinados para abate no Frigorifico Remuro, em Nova Granada, SP; 7 os recebimentos foram a prazo; 8 os pagamentos sempre foram feitos pelo Sr. Bento Gonçalves Neto, que vinha até a residência do vendedor; 9 não recebia nenhum comprovante no ato dos pagamentos; 10 os pagamentos eram feitos em cheques e dinheiro. O intimado também apresentou cinco notas fiscais de produtor de sua emissão, todas de venda e tendo como destinatário a "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda." (fls. 10121016). A resposta de Aureo de Fatima Manzano ao termo de intimação fiscal comprova que ele era, de fato, fornecedor de suínos para abate de "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." e que este último se valia de notas fiscais emitidas pela "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda." para acobertar sua operação comercial, permanecendo assim oculto ao fisco e suprimindo, fraudulentamente, os tributos devidos sobre sua operação (Lei n° 8.137/1990, Artigos 1° e 2°). Como se vê, além das informações que tinham sido obtidas no âmbito da “Operação Grandes Lagos” e fornecidas à Receita Federal, a fiscalização reuniu um conjunto Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.815 15 de provas que confirmam a utilização, por parte da empresa autuada, de notas fiscais emitidas pela empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA. Com base nisso, a conduta foi considerada fraudulenta, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, e enquadrada em uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, ensejando, portanto, a qualificação da multa aplicada conforme o disposto no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Tudo isso ficou bem esclarecido no mencionado Termo de Constatação (fls. 1352 e 1353). Portanto, não há como concordar com a recorrente quando argumenta que não houve motivação para a qualificação da multa. Ao invés de se apegar aos resultados de inquéritos policiais e processos judiciais movidos contra terceiros, deveria refutar as provas reunidas contra si no presente processo administrativo. Não obstante, nada foi feito neste sentido, nem na impugnação, nem no recurso voluntário. Consequentemente, entendo que deva ser mantida a multa qualificada. Com isso, a questão da decadência já pode ser enfrentada. Sobre o tema, a matéria está disciplinada no § 4º do artigo 150 do CTN, verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (grifei) (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Com efeito, entendo que a “atividade” exercida pelo sujeito passivo obrigado a antecipar o pagamento é a característica marcante dessa modalidade de lançamento chamado “por homologação”. Assim, o que se homologa é a atividade concernente à apuração de eventual crédito tributário sujeito à extinção. Independe, portanto, da existência de efetivo pagamento, até porque muita das vezes ele poderá não ser necessário, seja porque não é apurado crédito tributário ou porque existe crédito a favor do sujeito passivo que poderá ser aproveitado numa compensação. Nesse sentido, qualquer que seja o tributo, se ele for sujeito a essa sistemática denominada “lançamento por homologação”, o prazo decadencial de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação da atividade de apuração do crédito tributário efetivada pelo sujeito passivo, corresponderia ao mesmo prazo que dispõe o Fisco para o lançamento de ofício de eventuais diferenças não pagas e/ou declaradas. Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.816 16 Porém, constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a ressalva é expressa. Nessa hipótese, a regra do prazo decadencial para o Fisco efetuar o lançamento de ofício deslocase para aquela prevista no artigo 173, I, do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Para os fatos geradores ocorridos durante um determinado anocalendário, esse prazo inicial é contado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. Contudo, quanto aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro, o primeiro dia em que o lançamento pode ser efetuado é justamente o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Portanto, nesses casos, o prazo inicial passa a ser contado a partir de 1º de janeiro do ano subsequente. No entanto, esse meu entendimento não pode prevalecer neste julgamento. Isso porque o artigo 62A do Anexo II do RICARF dispõe que as decisões proferidas pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidos nos julgamentos do CARF. Vejase seu teor: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A questão da decadência foi objeto de decisão do STJ, na referida sistemática, no REsp nº 973.333SC, com a relatoria do Ministro Luiz Fux. Foi o seguinte a ementa dessa decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.817 17 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733 SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Portanto, o início do prazo decadencial para o Fisco promover o lançamento de ofício, nos casos de tributos sujeitos à sistemática dos denominados “lançamentos por homologação”, restou assim configurado: Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.818 18 1. Se ocorrer dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) 2. Se não ocorrer dolo, fraude ou simulação: a. Se houver pagamento (ou declaração): data da ocorrência do fato gerador (artigo 150, § 4º, do CTN) b. Se não houver pagamento (ou declaração): primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) Voltando ao presente caso, importa notar que houve qualificação da multa decorrente de conduta dolosa qualificada no espectro dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Portanto, devese aplicar ao caso a hipótese do artigo 173, I, do CTN, a contagem do prazo iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Então, na situação mais crítica para o Fisco, relativamente aos fatos geradores anteriores a 31/12/2004, o início do prazo decadencial deve ser contado a partir de 1º de janeiro de 2005. Como a ciência dos autos de infração foi efetivada em 19/12/2009, os lançamentos correspondentes são legítimos. Por fim, quanto à responsabilidade tributária, a pessoa física apontada como sujeito passivo solidário alega que a imputação carece de fundamentação. Não haveria prova nos autos de que tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, nos termos do artigo 135, III, do CTN. Tampouco, haveria prova de que tenha sido beneficiado pelas supostas infrações, razão pela qual não haveria que se falar em interesse comum, na dicção do artigo 124, I, do mesmo CTN. Além disso, sustenta que para aplicação deste último dispositivo seria indispensável a comprovação do interesse na relação jurídica privada subjacente ao fato jurídico tributário, prova essa que não consta dos autos, e não o mero interesse nos lucros da empresa. Sem embargo, a conduta dolosa praticada pelo Sr. BENTO GONÇALVES NETO, sócio (com participação de 99% no capital) e administrador da empresa autuada, foi efetivamente demonstrada pelas provas reunidas pela fiscalização. Isso possibilitou a qualificação da multa e poderia caracterizar o ilícito reclamado no artigo 135, III, do CTN. É que a as condutas tipificadas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, de fato, configuram uma hipótese de infração de lei. Todavia, verifico que a autoridade fiscal não recorreu a este dispositivo para enquadrar a responsabilidade tributária. Sua fundamentação deuse por intermédio do conceito de interesse comum contido no artigo 124, I (cf. Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 1358 a 1360). O interesse comum é um conceito indeterminado que exige construção jurisprudencial. De imediato, impõese a consagrada interpretação segundo a qual ocorre tal hipótese quando duas ou mais pessoas se instalam no mesmo lado da relação obrigacional escolhido pelo legislador para a configuração da sujeição passiva tributária (exemplo clássico dos coproprietários de um imóvel em relação ao IPTU). Além disso, o STJ cristalizou o Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.819 19 entendimento de que o fato de haver empresas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária (AgRg no REsp nº 1.102.894, AgRg no Ag nº 1.055.860, REsp nº 834.044, REsp nº 1.001.450). Portanto, em situações semelhantes, há que se demonstrar algo mais do que a mera pertinência dentro do grupo econômico. Entendo que caracterizase também o interesse comum quando é constatada a existência de pessoas diretamente beneficiadas por recursos financeiros ou patrimoniais fornecidos pelo contribuinte. No caso de pessoas jurídicas, normalmente essa situação vem acompanhada de uma ligação umbilical entre atividades aparentemente independentes, marcada pela confusão patrimonial, vinculação gerencial e coincidência de sócios administradores. No caso de pessoas físicas, normalmente há a apropriação direta dos recursos da empresa contribuinte, marcada pela obtenção de empréstimos ou usufruto de bens desprovidos de maiores formalidades. Essas pessoas não possuem apenas o interesse mediato no resultado econômicofinanceiro das atividades da empresa contribuinte, como é o que ocorre, de regra, com qualquer pessoa que regularmente pertença ao quadro societário de uma empresa. Têm também o interesse imediato e comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (a receita, o lucro). Isso porque se beneficiam dessas situações jurídicas diretamente, dispensando a regular distribuição de lucros, por obra da confusão patrimonial estabelecida entre suas esferas pessoais e a da empresa contribuinte. Nada obstante, no presente caso, não foram carreados aos autos elementos que consubstanciem a prova concreta de que a pessoa física apontada como responsável tributário tenha se beneficiado de uma confusão patrimonial estabelecida com a empresa contribuinte capaz de caracterizar o interesse comum. Não há na descrição dos fatos contida no Termo de Constatação Fiscal (fls. 1341 a 1356) a referência a qualquer situação que impute ao Sr. BENTO GONÇALVES NETO a apropriação direta dos recursos da empresa. A menção ao fato de que o recorrente teria efetuado a doação e alienação de imóveis após o início do procedimento fiscal pode até ser uma conduta capaz de a ele serem movidas ações cautelar fiscal e de fraude à execução, mas não configura uma das situações previstas na lei que permite a atribuição da responsabilidade tributária. Portanto, diante da equivocada qualificação, dentre as hipóteses possíveis, da atribuição da responsabilidade tributária, entendo que o Termo de Sujeição Passiva Solidária deva ser cancelado. Nada obstante, permanece o direito da Fazenda Pública de atribuir a responsabilidade tributária, em sede de execução fiscal, com base no artigo 135, III, do CTN. Pelo exposto, nego provimento ao recurso apresentado pela empresa contribuinte e dou parcial provimento ao recurso apresentado pelo Sr. BENTO GONÇALVES NETO para cancelar o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado com fundamento no artigo 124, I, do CTN, ressalvandose o direito da Fazenda Nacional de, se for o caso, redirecionar contra ele eventual execução fiscal proposta contra a empresa contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no artigo 135, III, do CTN, e na legislação processual vigente. É como voto. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.820 20 Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 19515.000610/2011-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/02/2011
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. OBRIGATORIEDADE.
O descumprimento de obrigação tributária acessória constitui fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.167
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento de obrigação tributária acessória constitui fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 10 /2 01 1- 01 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa descumpriu as regras estabelecidas no art. 32, III e parágrafo 11, da lei nº 8.212/91 c/c o art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, deixando de apresentar todos os documentos, informações e esclarecimentos necessários à fiscalização. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 06 de fevereiro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/02/2011 AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. O Auto de Infração (AI) que se encontra revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, pode ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação previdenciária a não apresentação, por parte da empresa, de documentos, informações e esclarecimentos solicitados pelo Fisco, no interesse do mesmo. Art. 32, III, da Lei 8.212/91. JUROS. TAXA SELIC. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DURANTE O TRÂMITE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1º do art. 161. Não cabe ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei ordinária validamente inserida no ordenamento pátrio. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, regra que comporta exceções desde que expressa em lei. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 4 3 PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia deve ser apreciado levandose em consideração a matéria de fato ou a razão de natureza técnica do assunto, cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Caso contrário, deve ser indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O Processo Administrativo Fiscal é composto pelo DEBCAD 37.315.0326, tendo em vista que a Autuante entendeu ter havido o descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, III e parágrafo 11, com a redação da MP N. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 25.05.2009, combinada com o art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, uma vez que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 159), não houve a apresentação de todos os documentos, informações e esclarecimentos necessários à fiscalização. O Auto de Infração impugnado e ora recorrido, decorre da autuação contida no Processo Administrativo Fiscal nº 19515.004023/201000, tratandose, portanto, de tributação reflexa. No Termo de Verificação Fiscal – fl. 159/160 dos autos, parte integrante dos Autos de Infração lavrados, a Autuante, relata os motivos que o levaram a constituir o crédito tributário impugnado e ora recorrido. A recorrente, inconformada com a autuação que lhe foi imposta, impugnou os autos de infração lavrados apresentando suas razões de fato e de direito – conforme os documentos de fls. 168 a 172 dos autos, com a juntada de cópia da impugnação interposta nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.004023/201000 – fls. 207 a 234 dos autos. Em seu voto, a digna Julgadora – Relatora rebate as considerações de fato e de direito da Recorrente no que pertine a imputação dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, a sua não imputação durante o trâmite do processo administrativo fiscal, a produção de novos argumentos, provas e perícias que se fizessem necessárias. Senhores e ínclitos Conselheiros do CARF, e em especial, o digníssimo Conselheiro Relator de uma de suas Turmas e Câmaras, estes os fatos contidos nestes autos que a Recorrente contesta, aduzindo ao que já foi amplamente noticiado em sua exordial Fl. 284DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 5 4 impugnatória que, requer, seja considerada como parte integrante deste Recruso, e pelas razões de fato e de direito a seguir expendidas. Há que se concluir que o auto de infração lavrado, tem estreita conexão com o auto de Infração objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.004023/201000, porquanto todos tiveram sua origem na ação fiscal desenvolvida pela determinação contida no mesmo Mandado de Procedimento Fiscal. Desta forma, ainda que houvesse algumas impropriedades quanto à conexão dos referidos processos, conforme alegado pela JulgadoraRelatora, o fato, em homenagem a verdade material do todo ocorrido, é de que a autuação constituindo o crédito tributário questionado decorre de supostas infrações ocorridas nos autos do processo administrativo que ensejou a autuação impugnada e objeto do Acórdão ora recorrido. Ante os fundamentos constantes das considerações preliminares, resta indubitável que a autuação fiscal impugnada e ora recorrida tem a sua origem no conjunto dos procedimentos administrativos fiscais retro mencionados, tratandose, portanto, de tributação reflexiva e, assim, deve ser considerada. Com o devido respeito a ilustre JulgadoraRelatora do Acórdão ora recorrido, em sua explanação singularmente deixou de observar prescrições legais supervenientes que dão pleno amparo ao cidadão/contribuinte de protestar pela solicitação de diligência, perícia e juntada de documentos antes da decisão do feito em 1ª instância administrativa. Ainda que não sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas no recurso ora interposto, o que se admite somente para fins de argumentação, os juros moratórios incidentes sobre o crédito tributário constituído deve fica limitado ao percentual de 1% (um por cento) ao mês. A taxa SELIC não pode ser aplicada. Ante todo o exposto e relatado, a recorrente comparece perante essa instância de julgamento, requerendo que: Se acolha no mérito as razões de fato e de direito expendidas nesta exordial recursal, declarandose a improcedência da autuação impugnada e ora recorrida; Se mantido o lançamento, ainda que parcialmente, se afaste a cobrança dos juros moratórios com base na Taxa SELIC; Sucessivamente, requer que não incida os juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde a data da protocolização desta impugnação até decisão final deste contencioso na esfera administrativa. Protesta, finalmente, com base no disposto na Lei nº 9.784/99, art. 2º, 3º, III e 69, pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Não apresentadas as contrarrazões. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 6 5 É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Consta nos autos que a empresa deixou de prestar à fiscalização todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do sujeito ativo da obrigação tributária. Em seu recurso o contribuinte alega conexão deste com outro processo, bem como sustenta que no acórdão recorrido, a ilustre relatora deixou de observar prescrições legais supervenientes que dão pleno amparo ao contribuinte de protestar pela solicitação de diligência, perídia e juntada de documentos antes da decisão do feito em 1ª instância administrativa. Alega também que os juros moratórios incidentes sobre o crédito tributário devem ficar limitados ao percentual de 1% (um por cento) ao mês e que a taxa SELIC é indevida. Ao contrário das alegações da recorrente, é perceptível que o julgador a quo observou claramente as prescrições legais atinentes à matéria, não restando qualquer mácula que possa mudar o rumo da decisão recorrida. No que diz respeito aos juros moratórios, também sem razão o contribuinte. In casu, aplicase diretamente a Súmula CARF nº 4, de observância obrigatória para os membros do CARF. Pela conduta, a empresa infringiu o inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c/c o inciso III do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Com efeito, as alegações contidas no recurso manejado pelo contribuinte não merecem prosperar, tendo em vista que no procedimento fiscalizatório observouse corretamente as determinações do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 8 7 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não se pode perder de vista que o assunto ora em debate diz respeito à obrigação tributária descumprida. Neste ponto, prevalecerá os comandos do art. 113 do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem como objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. Da simples leitura dos dois artigos do CTN acima descritos, resta amplamente evidenciado que o trabalho realizado pela autoridade administrativa, por ocasião do lançamento realizado em desfavor do contribuinte, encontrase totalmente em consonância com o ordenamento jurídico Pátrio, não havendo, in casu, qualquer mácula capaz de alterar a realidade fática. O descumprimento de obrigação acessória, portanto, constitui fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. Em situação como essa, o contribuinte não pode alegar desconhecimento da legislação. Ele é, portanto, o único responsável pela infração cometida. De outra parte, não se pode perder de vista que a responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro, portanto, que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 9 8 A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. A autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. Destarte, não vislumbro no recurso aviado pelo contribuinte qualquer possibilidade de alterar o lançamento, bem como a correta decisão proferida pelos julgadores da primeira instância administrativa. Mantenho, pois, o lançamento em sua forma originária. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904106/2012-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 41 06 /2 01 2- 95 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 64 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 65 3 art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 66 4 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 67 5 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 68 6 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 69 7 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 70 8 I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 71 9 bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 72 10 II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 73 11 desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 74 12 § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 75 13 Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 76 14 É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 77 15 imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 78 16 COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 79 17 AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 80 18 De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. 1 ADC n° 18/DF Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 81 19 Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, a contribuição para o PIS não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VII do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 82 20 Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13839.720505/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - II. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. REFLEXOS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINS-IMPORTAÇÃO. REVISÃO DE LANÇAMENTO. CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO NA NESH E NA TIPI. ALÍQUOTAS DE II, IPI, PIS E COFINS IMPORTAÇÃO - ERRO DE DIREITO - IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO - ARTS. 145, 146 E 149 DO CTN - SÚMULA 227 DO ANTIGO TFR - PRECEDENTES DO STJ E STF.
O erro na classificação do produto na TIPI ou na NESH e o decorrente erro de alíquota nos tributos incidentes na importação, por traduzirem erros de direito, não autorizam a revisão dos autolançamentos anteriores sujeitos à homologação (arts. 145, 146 e 149 do CTN), para a adoção de um novo critério jurídico de interpretação da Lei ou de ato normativo, como é o caso da TIPI e da NESH, que consubstanciam atos normativos (de caráter geral e abstrato) oriundos do Poder Executivo que elencam e classificam os produtos industrializados cuja saída enseja a tributação, correlacionando as alíquotas aplicáveis (art. 100, inc I do CTN).
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - II. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. REFLEXOS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINS-IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REVISÃO DE LANÇAMENTO. CIRCUITOS INTEGRADOS ELETRÔNICOS MONOLÍTICOS NÃO MONTADOS.
A classificação fiscal adequada para os circuitos integrados eletrônicos monolíticos de memória, não montados, ainda que se apresentem sob a forma de disco (wafer) ainda não cortado, é na Posição NCM 8542.32.10. Não se mostra adequada a classificação na Posição NCM 8542.32.9 (Outros), quando os circuitos integrados eletrônicos de memória não se apresentem montados.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-002.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral Dra. Raquel Novais OAB/SP 76649.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - II. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. REFLEXOS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINS-IMPORTAÇÃO. REVISÃO DE LANÇAMENTO. CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO NA NESH E NA TIPI. ALÍQUOTAS DE II, IPI, PIS E COFINS IMPORTAÇÃO - ERRO DE DIREITO - IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO - ARTS. 145, 146 E 149 DO CTN - SÚMULA 227 DO ANTIGO TFR - PRECEDENTES DO STJ E STF. O erro na classificação do produto na TIPI ou na NESH e o decorrente erro de alíquota nos tributos incidentes na importação, por traduzirem erros de direito, não autorizam a revisão dos autolançamentos anteriores sujeitos à homologação (arts. 145, 146 e 149 do CTN), para a adoção de um novo critério jurídico de interpretação da Lei ou de ato normativo, como é o caso da TIPI e da NESH, que consubstanciam atos normativos (de caráter geral e abstrato) oriundos do Poder Executivo que elencam e classificam os produtos industrializados cuja saída enseja a tributação, correlacionando as alíquotas aplicáveis (art. 100, inc I do CTN). IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - II. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. REFLEXOS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINS-IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REVISÃO DE LANÇAMENTO. CIRCUITOS INTEGRADOS ELETRÔNICOS MONOLÍTICOS NÃO MONTADOS. A classificação fiscal adequada para os circuitos integrados eletrônicos monolíticos de memória, não montados, ainda que se apresentem sob a forma de disco (wafer) ainda não cortado, é na Posição NCM 8542.32.10. Não se mostra adequada a classificação na Posição NCM 8542.32.9 (Outros), quando os circuitos integrados eletrônicos de memória não se apresentem montados. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral Dra. Raquel Novais OAB/SP 76649. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta.
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IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. REFLEXOS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINSIMPORTAÇÃO. REVISÃO DE LANÇAMENTO. CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO NA NESH E NA TIPI. ALÍQUOTAS DE II, IPI, PIS E COFINS IMPORTAÇÃO ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ARTS. 145, 146 E 149 DO CTN SÚMULA 227 DO ANTIGO TFR PRECEDENTES DO STJ E STF. O erro na classificação do produto na TIPI ou na NESH e o decorrente erro de alíquota nos tributos incidentes na importação, por traduzirem erros de direito, não autorizam a revisão dos autolançamentos anteriores sujeitos à homologação (arts. 145, 146 e 149 do CTN), para a adoção de um novo critério jurídico de interpretação da Lei ou de ato normativo, como é o caso da TIPI e da NESH, que consubstanciam atos normativos (de caráter geral e abstrato) oriundos do Poder Executivo que elencam e classificam os produtos industrializados cuja saída enseja a tributação, correlacionando as alíquotas aplicáveis (art. 100, inc I do CTN). IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. REFLEXOS NA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINSIMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REVISÃO DE LANÇAMENTO. CIRCUITOS INTEGRADOS ELETRÔNICOS MONOLÍTICOS NÃO MONTADOS. A classificação fiscal adequada para os circuitos integrados eletrônicos monolíticos de memória, não montados, ainda que se apresentem sob a forma de disco (“wafer”) ainda não cortado, é na Posição NCM 8542.32.10. Não se mostra adequada a classificação na Posição NCM 8542.32.9 (“Outros”), quando os circuitos integrados eletrônicos de memória não se apresentem montados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 05 05 /2 01 2- 25 Fl. 3417DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral Dra. Raquel Novais OAB/SP 76649. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho– Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta. Fl. 3418DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.418 3 Relatório Trata este processo de Autos de Infrações decorrentes de Revisão Aduaneira, os quais constituem de ofício crédito tributário relativo a Imposto de Importação – II, Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, PIS Importação e COFINS Importação, no valor total de R$116.961.929,39 (cento e dezesseis milhões, novecentos e sessenta e um mil, novecentos e vinte e nove reais e trinta e nove centavos), relativamente às importações levadas a cabo pelo contribuinte no período compreendido entre 01.01.2007 a 31.12.2011. A descrição dos fatos que motivaram o lançamento e a fiscalização que antecedeu a autuação, dá conta de que a autoridade fiscal entendeu como sendo equivocada a Classificação Fiscal adotada pelo contribuinte nas importações do produto descrito como “wafer” bolacha / lâmina de silício de circuito integrado de memória, na Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM 8542.32.10, com alíquotas de tributos incidentes na importação II (0 %), IPI (2 %), PIS/PASEP (1,65 %) e COFINS (7,6 %), conforme mostrado na Tabela 1constante do Relatório Fiscal. Além disso, o sujeito passivo foi titular dos benefícios fiscais decorrentes do REPETRO (entre 30.01.2007 e 27.11.08) e posteriormente passou a ser beneficiário de Regime Especial junto ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores PADIS, pelo que houve redução a zero das alíquotas do IPI e das contribuições ao Pis e CofinsImportação, para o produto importado pelo contribuinte sob o pálio da errônea Classificação NCM 8542.32.10, importando em falta de pagamento de tributos. Entendeu a autoridade autuante que a Classificação Fiscal adequada aos produtos eram aquelas ditadas pelas Posições NCM 8542.32.91 (lâminas de silício “wafer” para circuito integrado de memória FLASH) e 8542.32.99 (lâminas de silício “wafer” para circuito integrado de memória Dinâmica DDR), pelo que acabou revisando todas as importações levadas a efeito pelo sujeito passivo, exigindo os tributos devidos no Desembaraço Aduaneiro, acrescidos de multa de ofício e juros pela SELIC. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 23/02/2012, conforme assinatura contida nos próprios Autos de Infrações de fls. 1702 e seguintes (numeração eletrônica), o contribuinte protocolou sua Impugnação e documentos que foram juntados às fls. 1713 e seguintes (numeração eletrônica), em 23/03/2012, alegando em resumo que: Inicialmente, faz um histórico das atividades e das importações efetivadas pela empresa, que realizou centenas de importações das quais algumas foram parametrizadas em canal amarelo e vermelho, sendo que neste último caso, em duas oportunidades (DI 09/13116470, de 28/09/2009 e DI 10/05784894, registrada em 09/04/2010), foi determinado pela Fiscalização a elaboração Laudo Técnico por profissional credenciado, os quais concluíram estar correta a classificação adotada pelo contribuinte, sendo então deferidos os desembaraçados dos produtos importados com aceitação da Classificação por ela adotada. Do mesmo modo, a partir de fevereiro de 2011 as importações passaram a ser parametrizadas em Fl. 3419DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 canais amarelo e vermelho em função do PADIS que lhe concedera benefício fiscal. Que mesmo após a revisão aduaneira, a empresa continuou a importar, tendo realizado mais 32 operações das quais 29 foram em canal amarelo e 03 em canal vermelho, sendo que a Administração continuou acatando a Classificação indicada pelo importador. Finalmente, ainda a guisa de histórico, a Impugnante discorre que a Fiscalização embora tenha afirmado em seu TVF que estaria se baseando em informações técnicas e respostas apresentadas pelo contribuinte, na realidade em momento algum teria solicitado esclarecimentos técnicos sobre o produto em questão, nem à empresa ou perante técnicos habilitados, e mesmo tendo em sua posse os Laudos Técnicos pertinentes, entendeu por alterar a classificação fiscal e lavrar o lançamento. Após, argui: Preliminarmente: impossibilidade de alteração do critério jurídico, fundado nos argumentos de que a empresa já havia procedido há centenas de desembaraços aduaneiros, sendo que mais de 500 deles passaram pelo canal amarelo ou vermelho, com conferência aduaneira e ainda, em dois desses casos com solicitação de Laudos Técnicos que acataram a Classificação adotada pelo importador, sendo, portanto, vedada a alteração de critério jurídico, especialmente por auditorfiscal que não tem competência para contrariar o posicionamento de outro auditor fiscal, de igual hierarquia, mas que está responsável pelo processo de desembaraço. Que além disso, ao pleitear o benefício do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores PADIS, apresentou a Classificação adotada em suas operações, a qual foi acatada lhe sendo deferido o Regime Especial. Assim, aduz violação aos arts. 146 e 149, do CTN. No mérito, discorre sobre a análise técnica do produto, trazendo entendimentos de profissionais da área no afã de demonstrar que o produto importado consistiria em “circuitos integrados monolíticos de memória não montados”, à base de silício, adquiridos pela Impugnante sob a forma de “wafer”, este último (“wafer”) que pode apresentarse em estado nu ou processado, ou seja, submetidos aos processos de dopagem e difusão/fotolitografia, a partir dos quais passam a ser individualizáveis. Após isso, ainda prescindem de ser identificados e separados os funcionais daqueles imprestáveis, circuito por circuito (a partir do “wafer map”, fornecido pelo fornecedor de acordo com suas necessidades), para que tornemse passíveis de corte e individualização, para em seguida serem encapsulados (montados, através da aposição de invólucro protetor ao circuito integrado), para fins de comercialização. Diante desta forma de análise técnica, afirma que os insumos importados são os “circuitos integrados” não cortados e não montados, sendo o wafer meramente a “embalagem”, o meio que contém em si os circuitos integrados (microplaquetas), esses sim adquiridos como insumo, sendo que o wafer nu, isoladamente, é totalmente sem utilidade para a empresa, pois que o que lhe interessa são os referidos circuitos integrados sob a forma de microplaquetas. Afirma, portanto, ter havido impropriedade técnica na interpretação da autoridade fiscal, ao entender que os “circuitos integrados não montados” seriam apenas os circuitos que estiverem sob a forma de microplaquetas (“chips”) já cortados, de modo que o fato da empresa ter importado as microplaquetas sob a forma de wafer, porém “não cortados”, impediria a classificação como “não montados”, importando em alterar sua natureza para Fl. 3420DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.419 5 tornarem o produto em outro diverso dos circuitos integrados monolíticos “não montados”, permitindose, assim, lhe classificar em “Outros”. Deste modo, afirma que os produtos por ela importados tem posicionamento específico na Classificação NCM 8542.32.10, pois que os circuitos integrados monolíticos de memória são“não montados”, ainda que “não cortados” e embora possam apresentarse sob a forma de “wafer”, eis que contém a mesma essência e funcionalidade, não sendo, portanto, necessário ou correto socorrerse da Classificação genérica que referese à “Outros”, pois que não aplicável quando há classificação “mais específica”do produto em si. Ainda argui a impossibilidade de exigência e requer o afastamento de multa de mora e juros no caso em concreto, com fulcro no art. 100, do CTN; Finalmente, discorre sobre a impossibilidade requerendo o afastamento da incidência dos juros pela SELIC sobre a Multa de Ofício. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), houve por bem em considerar improcedente a Impugnação do contribuinte, proferido Acórdão nº. 1645.996, de 24 de abril de 2013, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 05/03/2007 RECOF Semicondutores. Classificação incorreta de lâminas de silício “wafer” para circuito integrado de memória no código NCM 8542.32.10. Classificação fiscal correta no código NCM 8542.32.9. Em momento algum a [sic] a fiscalização procedeu com a modificação de critérios jurídicos. A ação fiscal se baseia em erro de fato atribuído ao importador que elegeu uma classificação fiscal indevida. A NESH ao se referir a posição NCM 8542 é categórica em estabelecer uma tripla divisão. “Wafers” não fazem parte dos circuitos integrados monolíticos não montados. Possuem assim classificação fiscal no código NCM 8542.32.9. O entendimento da fiscalização sobre a classificação fiscal dos “wafers” não desobedece o que estabelece o Anexo III do Decreto n° 6.233/2007. Em apertada síntese a DRJ acima rejeitou a preliminar suscitada, de impossibilidade e incompetência de/para a modificação de critério jurídico, aos fundamentos da indisponibilidade do interesse público e da vinculação da atividade administrativa, entendendo viável a revisão do lançamento de ofício quando existe erro imputável ao sujeito Fl. 3421DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 passivo e desde que não esteja esgotado o prazo de revisão aduaneira de 05 anos previsto no art. 570, do Regulamento Aduaneiro. No mérito, entendeu como correta a classificação apontada na fiscalização, ao fundamento de que a NESH prevê três divisões para a Posição NCM 8542 (montados, não montados e sob a forma de discos “wafer”, já cortados), pelo que entendeu que o procedimento do contribuinte de importar circuitos sob a forma wafer “não cortados”, impediria a classificação na Posição NCM 8542.32.10, devendo prevalecer a NCM 8542.32.9 (atinente a “Outros”), afirmando que a Classificação adotada pela fiscalização não colide com o Anexo III, do Decreto nº 6.233/2007, que prevê estar incluso no benefício do PADIS os circuitos integrados sob a forma de disco (wafer) não cortados, afirmando que no caso em concreto o que se discute é o fato de referidos circuitos serem “não montados”, que não alberga a Classificação adotada pelo importador. Ao final, ainda rejeitou os pleitos de afastamento de juros e multa com fundamento no art. 100, do CTN, por entender devese aplicar o art. 44, da Lei nº 9.430/96 e o art. 161 do CTN; assim como quanto a SELIC sobre a multa, por não poder ser afastada por força de lei e por não deter competência para abordar argumentos de inconstitucionalidade. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da Decisão da DRJ/SP1, que foi disponibilizada no endereço digital em 02/05/2013, por meio consulta ao Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) realizada em 03/05/2013 (Fls. 3094 – numeração eletrônica), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 31/05/2013 (fls. 3096/3239 – n.e.), repisando os argumentos trazidos em sua Impugnação, apenas dandolhes o sentido de contraposição também aos fundamentos contidos na decisão recorrida, sendo que, por amor à brevidade e síntese, deixase de novamente reproduzilos. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, numerado eletronicamente até a folha 3241 (três mil, duzentos e quarenta e um), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 3422DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.420 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo dele, portando, se tomar conhecimento. A análise acurada dos autos dá conta de que a questão central da controvérsia reside em aquilatar a Classificação Fiscal adequada para os Circuitos Integrados Monolíticos de Memória importados pelo sujeito passivo por meio das DI´s listadas nos Autos de Infração, no período de 2007 a 2011, para então, aquilatar se está correta a Classificação Fiscal que a Autoridade Fiscal atribuiu, em sede de revisão aduaneira, como sendo nas Posições NCM 8542.32.91 (lâminas de silício “wafer” para circuito integrado de memória FLASH) e 8542.32.99 (lâminas de silício “wafer” para circuito integrado de memória dinâmica DDR). Sustenta a Recorrente que os produtos importados são circuitos integrados monolíticos de memória, importados sob a forma de disco (“wafer”), não cortados e não montados, sendo o “wafer” uma placa de silício que pode se apresentar no estado “nu”, ou então, já processado, o que é feito através de processo de dopagem e difusão/fotolitografia, a partir do qual passam a ser as microplaquetas individualizáveis. Após isso, ainda prescindem de ser identificados e separados os funcionais daqueles imprestáveis, circuito por circuito (a partir do “wafer map”, enviado pelo fornecedor de acordo com suas necessidades), para que tornemse passíveis de corte e individualização, para em seguida serem encapsulados (montados, através da aposição de invólucro protetor ao circuito integrado), para fins de comercialização. Portanto, afirma a Recorrente que importa regularmente os Circuitos Integrados e não os “wafers” em si, sendo tais circuitos “não montados” e não cortados , tendo informado em todas as suas operações de importações realizadas desde o início de suas atividades (2005), a Classificação Fiscal na Posição NCM 8542.32.10 (Circuito Integrado Monolítico de Memória “não montado”, à base de silício), e, mesmo após a lavratura do lançamento, continua a empregar a mesma Classificação e tem logrado desembaraçar os produtos importados, mesmo com parametrização em canais amarelo ou vermelho. Por sua vez, a autoridade autuante e a decisão recorrida, entenderam por bem manter a autuação ao fundamento de que, no texto da NESH para a Posição 8542, existem três categorias de circuitos integrados monolíticos, a saber: 1º) Montados, isto é, já providos das suas conexões, encapsulados ou não nos seus invólucros de metal, de cerâmica ou de plástico. Estes invólucros podem ter, por exemplo, a forma de cilindros ou de paralelepípedos; 2º) Não montados, isto é, sob a forma de microplaquetas (chips), frequentemente retangulares, em geral de alguns milímetros de lado; 3º) Sob a forma de discos (wafers),ainda não cortados em microplaquetas (chips). Fl. 3423DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 Consequentemente, por considerar que os produtos importados pela Recorrente o foram “sob a forma de discos (wafers)”, bem como por não terem sido “cortados” em microplaquetas, a Fiscalização não os enquadrou por entender inadequado o enquadramento na Posição NCM 8542.32.10, feito pelo contribuinte, entendendo que esta posição seria restrita aos “não montados”, deslocando, assim, a Classificação Fiscal para a situação do item 9, subitens 91 (NCM 8542.32.91) e 99 (NCM 8542.32.91). Com efeito, o cerne da controvérsia reside em perquirir se o fato de terem sido importados sob a forma de “wafers” (01) e ainda não cortados (02), desloca a Classificação Fiscal para as Posições 8542.32.91 (“Dos tipos RAM estáticas (SRAM) com tempo”) e 8542.32.99 (“Outros”), de modo a excluir a Classificação dos circuitos integrados monolíticos de memória na Posição NCM 8542.32.10, ante ao fato de que em sua descrição consta o termo “não montado” (Posição NCM 8542.32.10: Circuitos integrados eletrônicos Memória “Não montados”). Além disso, arguiu a Recorrente preliminar de improcedência do lançamento ante à impossibilidade de alteração de critério jurídico, de modo que estaria o lançamento contrariando o art. 146, do CTN. Bem como, em sede de pedido sucessivo, pleiteou o afastamento dos juros e das multas, com espeque no art. 100, do CTN, bem como, também em ordem sucessiva, da SELIC sobre a multa de ofício. Assim sendo, focalizados os pontos sob controvérsia, tanto em ordem preliminar, quanto ao mérito em si, e, se o caso, em sede sucessiva, passo a abordagem de cada uma das questões, separadamente. I.Preliminarmente: Impossibilidade de mudança de critério jurídico e nulidade do lançamento por ofensa ao art. 146, do CTN. Por se tratar de questão posta como preliminar, da qual se poderá inclusive tornar despicienda a análise do acerto (ou não) da Classificação Fiscal apontada pela Fiscalização no caso em análise, enfrento inicialmente a argumentação suscitada pela Recorrente relativamente à impossibilidade de mudança de critério jurídico, em respeito ao art. 146, do CTN. Sustenta a Recorrente que desde que iniciou suas atividades (em 2005), realiza a importação de Circuitos Integrados Monolíticos em Memória “Não Montado”, que vêm sob uma base em silício (“wafer”), sendo que sempre procedeu a Classificação Fiscal dos produtos na Posição NCM 8542.32.10. Até a lavratura dos Autos de Infração tinha efetivado cerca de 1.200 (mil e duzentos) processos de importação, sempre empregando a citada classificação, sendo que entre tais importações, a maioria foi parametrizada no “canal verde”, porém, que houveram alguns “canais amarelos” e também “vermelhos”, e, ainda, por duas ocasiões a autoridade fiscal lastreou o desembaraço aduaneiro em Laudo Técnico que analisou o produto importado, tendo respaldado a classificação empregada pelo contribuinte. Afirma ainda que após 2011, quando passou a ser titular de Regime Especial do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores PADIS, realizou praticamente 500 importações que passaram pelos “canais amarelo ou vermelho”, com conferência documental e conhecimento do produto fisicamente, em si, sendo que sempre foram despachados os produtos importados, acatando a Classificação Fiscal atribuída pela Recorrente. Fl. 3424DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.421 9 Além disso, a propósito do benefício do PADIS, afirma que ao pleitear o tratamento tributário em questão, que foi indicado qual produto que era importado e respectiva Classificação, e os técnicos do MDIC entenderam por enquadrar o produto importado como titular do Regime diferenciado, inclusive com conhecimento da classificação atribuída pela Recorrente. A partir destas razões de fato e respectivos fundamentos, entende que não seria possível a mudança de critério jurídico por uma autoridade fiscal de igual hierarquia que aquela que efetivamente deferiu os desembaraços aduaneiros, havendo falta de competência para referido ato de “reclassificação” do produto importado, em ofensa ao art. 149, do CTN, além de caracterizar indevida mudança de critérios jurídicos que não poderiam produzir efeitos retroativos, sob pena de afrontar ao preceito contido no art. 146, do CTN. De fato, tenho que assiste razão à Recorrente no que diz respeito aos efeitos que o lançamento em análise produziria, independentemente de se aquilatar se a Classificação Fiscal indicada pela autoridade autuante tem ou não procedência em face da análise técnica do produto em questão. E isto porque, tenho que cada uma das Declarações de Importações que foram levadas a efeito pela Recorrente no período de 2007 e 2011, equivalem a um “lançamento por homologação”, de modo que, sendo deferido o desembaraço sob a parametrização no “canal verde”, referida atividade por parte da Autoridade fiscal acaba deixando precária a homologação expressa da atividade de lançamento realizada pelo importador. No entanto, ao ser parametrizada em “canal amarelo”, com conferência documental, ou em “canal vermelho”, com conferência documental e física do produto importado, essa atividade da autoridade fiscal aduaneira representa uma homologação expressa da parte documental do lançamento do contribuinte (“canal amarelo”) ou também da parte física do produto importado (“canal vermelho”). Deste modo, havendo essa homologação do “autolançamento” efetivado pelo importador, em nível físico do produto importado, por parte da autoridade competente, temse que fixouse um critério jurídico que vincula o importador e a administração tributária, inclusive respaldando as importações anteriores, de produtos iguais. E este critério jurídico quanto aquela classe de produtos importados, pode sim ser alterado, porém apenas quando baseado em erro de fato quanto ao produto, e não quando há erro de direito, e, ainda, apenas com efeitos posteriores, nunca retroativos, segundo dicção do art. 146, do CTN, in verbis: “Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.” Embora a decisão recorrida da DRJ/SP1 tenha firmado que referido dispositivo apenas aplicarseia em caso de decisão administrativa ou judicial, tenho que o dispositivo alberga textualmente a modificação introduzida através de atividade “de ofício” da autoridade administrativa competente, que no caso, é a auditor fiscal responsável pelo desembaraço aduaneiro, e, também, aquele responsável pela revisão aduaneira. Fl. 3425DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 10 Deste modo, se na revisão aduaneira a autoridade competente entender ter havido erro quanto ao emprego de critério jurídico (classificação fiscal contida na TIPI) aos fatos concretos e correspondentes bases de cálculo, este somente poderá produzir efeitos “ex nunc”, ou seja, apenas a partir desta nova interpretação que se lhe atribua a autoridade administrativa competente, pois que tratarseia de um “erro de direito” e não em erro de fato. Evidentemente que o emprego pelo importador de meios e ardis fraudulentos que levem à alteração da descrição do real produto importado, materializando falsidade quanto ao mesmo, por informar produto diverso daquele objeto da DI, será sempre passível de revisão aduaneira e de autuação com efeitos retroativos, pois que, no caso, tratarseá de “erro de fato”, inerente ao produto importado. Diferente se mostra o “erro” quanto a Classificação Fiscal do produto descrito e declarado pelo sujeito passivo, vindo a retratar divergências quanto à interpretação das TIPI ou da NESH, que pacificamente veiculam normas jurídicas e traduzem se em regras de fixação de “critérios jurídicos”, submissos, portanto, ao preceito do art. 146, do CTN. Mas o caso dos autos encerra uma realidade prática diferente de quaisquer possibilidades de erro de fato ou de fraude na Classificação Fiscal atribuída pela Recorrente, sendo relevante destacar que houveram importações realizadas pela empresa, com emprego da mesma Classificação, que foi objeto de parametrização no “canal vermelho”. Extraíse da DI nº 09/13116470, com registro realizado em 28.09.2009 (fl. 1978) e da DI nº 10/05784894, registrada em 09.04.2010 (fl. 1997), que as mesmas teriam sido submetidas a conferência, em virtude de dúvidas geradas a partir de informações apostas pelo fornecedor Samsung, a qual motivou a elaboração de dois Laudos Técnicos por peritos credenciados pela Receita Federal (docs. Acostados às fls. 1991 a 1996 e 2010 e 2021). Do Laudo Técnico emitido pelo Engenheiro Boris Largmann, endereçado ao Setor de Controle Aduaneiro da Inspetoria da Receita Federal em Campinas, houve a conclusão seguinte: “Após as devidas análises técnicas foi possível constatar que as descrições detalhadas das mercadorias para despacho NÃO apresentam divergências estando em conformidade com a descrição apresentada, e enquadramento técnico realizado pela importadora SMART MODULAR TECHNOLOGIES IND DE COMP ELETR.” (fl. 2012). Além disso, a importação do produto em questão, para as atividades da Recorrente, foi objeto de pleito de Regime Tributário especial no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores – PADIS, instituído pelos arts. 1º a 11 da Lei nº 11.484, de 31 de maio de 2007, e aprovado pelo Decreto nº 6.233/2007, no qual foi informada a natureza do produto, das atividades da Recorrente a partir do referido produto como “insumo”, sendo indicada a Classificação Fiscal por ela empregada como sendo na Posição NCM 8542.32.10 (conforme indicação à fl. 2057), sendo que foi deferido o benefício fiscal através da Portaria nº 931, de 05.11.2010 (fl. 2967 e 2968). Estes episódios envolvendo o produto importado pela Recorrente, por certo que leva a convicção de que havia pleno conhecimento por parte das autoridades fazendárias da Classificação Fiscal empregada pela empresa importadora, lhe sendo dado analisar diversas vezes o produto em si, seu processo produtivo e demais características, sendo em todas elas acatado o posicionamento na TIPI/NCM empregado pela mesma. Por certo que diante disso não poderia haver, de parte da Recorrente, dúvidas no emprego da Classificação que sempre adotou, de modo que é previsível que estivesse segura do critério contra si empregado pelo Poder Público. Fl. 3426DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.422 11 Deste modo, independentemente do (des)acerto da Classificação Fiscal indicada pela Autoridade Fiscal para o caso da revisão aduaneira objeto de análise neste processo administrativo, é certo que ela representa modificação de critério jurídico com relação aquele empregado até então pela autoridade fiscal aduaneira, responsável pelas conferências realizadas tanto em documentos como também em produtos importados, inclusive com a disponibilidade de Laudos Técnicos respectivos. Não se trata, portanto, de mudança de critério fático e sim jurídico. Nesta linha de fundamentação, peço vênia para invocar parte de voto da lavra do ilustre Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça, por ocasião do julgamento do Processo nº 10314.002287/200898 (Acórdão nº 3402001.972), nos seguintes termos: “(...) Com efeito, desde logo verifico que os pretextos invocados nos lançamentos excogitados de COFINS e PIS devidos na importação para justificar a sua pretensão à revisão de auto lançamentos sujeitos à homologação – suposto “erro na classificação” e conseqüentes “erros de alíquota” do II e IPI incidentes na importação traduzem na realidade erros de aplicação das normas aos fatos e valores oferecidos à tributação, ou seja, um erro de direito que não autoriza a revisão do lançamento, pois está na lei (arts. 145, 146 e 149 do CTN) e proclama a Jurisprudência há muito pacificada (v. Ac. STF nº. RE nº 104.226SC in RTJ 113/908), que o erro de direito no lançamento anterior não autoriza a sua revisão, que portanto não pode ser promovida para a adoção de um novo critério de interpretação da Lei ou de ato normativo, tal como recentemente proclamado pelo E. STJ e se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: ´TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. AUTUAÇÃO POSTERIOR. REVISÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. SÚMULA 227/TRF. PRECEDENTES. “Á mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento” (Súmula 227 do TFR). A revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico, vedada pelo CTN. O lançamento suplementar resta, portanto,motivado por erro de direito. (Precedentes: Ag 918.833/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 11.03.2008; AgRg no REsp 478.389/PR, Min. HUMBERTO MARTINS, DJ. 05.10.2007, REsp 741.314/MG, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ. 19.05.2005; REsp 202958/RJ, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, DJ 22.03.2004; REsp 412904/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 27/05/2002, p. 142; Resp n° 171.119/SP, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ em 24.09.2001). Fl. 3427DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 12 Recurso Especial desprovido´. (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 1.112.702SP, Reg. nº 2008/01053272, em sessão de 20/10/09, Rel. Min. Luiz Fux, publ. in DJU de 06/11/09) Nessa ordem de ideias, se não bastasse a expressa disposição do art. 100, inc. I do CTN, a Jurisprudência do STJ também já assentou que a TIPI, tal como a NESH consubstancia “ato normativo (de caráter geral e abstrato) oriundo do Poder Executivo que elenca e classifica os produtos industrializados cuja saída enseja a tributação pelo IPI, correlacionando as alíquotas aplicáveis, de acordo com os critérios da essencialidade e especificidade, (...).” (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no AgRg no REsp nº 644600RS, Reg. nº 2004/00324897, em sessão de 07/10/08, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, publ. in DJU de 04/11/08). Na mesma linha, cabe também citar entendimento do STJ, nos seguintes termos: “o artigo 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente à situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores’. (Leandro Paulsen, in Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 8ª ed., Ed. Livraria do Advogado, Porto Alegre, 2006, pág. 1.086)” (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 810565SP, REg. nº 2006/00085950, em sessão de 11/12/07, Rel. Min LUIZ FUX, publ. in DJU de 03/03/2008) Com efeito, tendo havido o emprego retroativo de critério jurídico modificado pela autoridade administrativa apenas por ocasião do lançamento tributário objeto dos Autos de Infração em análise neste PAF, resta induvidoso que o crédito tributário decorrente é fruto de modificação de critério jurídico, o que, no entanto, não pode produzir efeitos retrospectivos, na dicção do art. 146, do CTN. Ante o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar suscitada para determinar o cancelamento do crédito tributário em discussão, por ofensa ao art. 146, do CTN. II.No mérito: Análise da Classificação Fiscal empregada na Revisão Aduaneira. Em sendo o caso se vir a ser superada a preliminar, restando particularmente vencido nesse aspecto, passo a análise das razões de mérito que sustentam o lançamento tributário, que deve dirigirse à análise da Classificação Fiscal do produto em si, para com isso, se perquirir se aquela apontada pela Autoridade Fiscal está correta, mantendose o lançamento, ou se estiver incorreta (mesmo que não coincida com a Posição atribuída pela Recorrente), ter seá que cancelar o lançamento em questão. Neste sentido, devese desde já destacar o fato de que a autoridade autuante, ao desenvolver os trabalhos de revisão aduaneira, não valeuse de nenhum estudo técnico, mais Fl. 3428DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.423 13 precisamente um Laudo confeccionado por profissionais credenciados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que pudesse amparar suas conclusões, as quais baseiamse, consequentemente, unicamente na interpretação feita pela própria autoridade (e respaldada pela DRJ/SP1), no tocante à aplicabilidade da NESH ao produto em questão. Além disso, outro ponto que pode ser fundamental para o enfrentamento da questão, reside no fato de que por se tratar de revisão aduaneira, relativamente a procedimento encerrado em 2012 envolvendo importações de produtos que ingressaram no território nacional no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2011, as análises jamais estiveram baseadas concretamente nos produtos efetivamente nacionalizados, por questão física, obviamente. Disto decorre que quaisquer provas que se pudesse produzir, seja pela Recorrente, seja pela Autoridade Fiscal, colheria como amostras produtos atualmente importados, sem se poder efetivar o cotejo com o efetivo produto que adentrou ao país nos anos anteriores. Daí porque esta Turma negou provimento ao Recurso de Ofício relativo ao Processo nº 15165.002600/201087, em sessão 27/02/2013, de minha Relatoria, cuja Ementa restou assim redigida: “Assunto: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de Apuração: 11/04/2008 a 17/03/2010 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO PRODUTO. PROVA TÉCNICA. INDISPENSABILIDADE. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Tratandose de reclassificação fiscal que exija análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela interessada e à aplicação das regras de classificação fiscal, incumbindolhe o ônus da prova que atestem, através de elementos técnicos, que a classificação atribuída pela Administração deva prevalecer àquela empregada pelo contribuinte. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do lançamento.” Desta realidade emerge incontestável que terseá que basearse nas declarações da Recorrente, que não nega que os produtos importados sempre foram os mesmos, e continuam a ser idênticos ainda que após a lavratura do lançamento, e que foi nesta assertiva que a autoridade autuante se pautou para aplicar retroativamente a interpretação que atingiu na revisão aduaneira. Deste modo, não poderia a autoridade fiscal afirmar que o produto seria diverso daquele apresentado pela Recorrente, objeto dos desembaraços aduaneiros e constante dos Laudos Técnicos (fls. 1991 a 1996 e 2010 e 2021), apresentados para fins de atender à solicitação efetivada ao longo da conferência em “canal vermelho” levada a efeito em relação a DI nº 09/13116470, com registro realizado em 28.09.2009 (fl. 1978) e a DI nº 10/05784894, registrada em 09.04.2010 (fl. 1997). Fl. 3429DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 14 Com efeito, a análise que deve ser efetivada neste processo, é a mesma que foi efetivada pela autoridade aduaneira quando deferiu o desembaraço aduaneiro após solicitar e receber os referidos Laudos Técnicos. E isto porque, repitase, a autoridade autuante não solicitou a elaboração de um Laudo Técnico específico para sustentar a reclassificação fiscal, enquanto que a Recorrente, por seu turno, além dos mencionados Laudos Técnicos apresentados à Fiscalização na ocasião do desembaraço das DI´s acima referidas, trouxe ainda outros Laudos que respaldam a Classificação por ela adotada. Com efeito, analisando o Laudo Técnico apresentado à Administração, da lavra do Engenheiro Israel Geraldi, em data de 05/10/2010, acostado às fls. 1991 a 1996, extraise o seguinte: (...) Os dispositivos em análise são claramente circuitos integrados eletrônicos monolíticos, “não montados”, na forma de “wafers” com função de Memória. Quanto a forma de apresentação devemos salientar que um circuito integrado pode se apresentar nas seguintes formas: “Montado”: Já provido das suas conexões elétricas aos pinos externos (´pads´ já soldados aos pinos do circuito) e encapsulado dentro de um invólucro, normalmente cerâmico; “Não montado”: ainda não provido das suas conexões elétricas aos pinos externos nem encapsulado dentro de um invólucro. Os circuitos “não montados” podem se apresentar, ainda, em duas formas diferentes, a saber: “Wafers”, que correspondem ao conjunto de circuitos iguais, ainda não individualizados; “Microplaquetas”, que correspondem aos circuitos já individualizados (´serrados´). Portanto, em relação à característica de montagem, os circuitos podem se apresentar apenas de duas formas: “não montados” ou “montados”, sendo que os “não montados” podem se apresentar na forma de “microplaquetas” ou de “wafer”. (...) Determinação da classificação fiscal aplicável segundo a TEC NCM: Tendo elucidado o aspecto referente à característica de um circuito apresentado sob a forma de “wafer”, vamos partir para a definição da classificação. (...) Os componentes analisados se apresentarem na forma de “wafer”, forma esta como já vimos anteriormente pertence à classe dos “não montados”, levanos a classificar os componentes importados na posição/item/subitem 8542.32.10. Conclusão: Tendo sido os dispositivos perfeitamente caracterizados em termos de aplicação, princípio de funcionamento e finalmente de Fl. 3430DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.424 15 sua forma de apresentação, e procedendo com a análise das Regras Gerais Interpretativas e notas do capítulo 85, podemos concluir, com segurança, que o código NCM correto para a classificação dos produtos analisados é: 8542.32.10. Também contemporâneo às importações objeto da Revisão Aduaneira, também é mister proceder a análise do Laudo Técnico, da lavrado Engenheiro Boris Largmann e encaminhado à RFB, acostado às fls. 2010 a 2021, extraise o seguinte: “(...) Os produtos acima mencionados utilizaram na sua base estrutural de um dispositivo semicondutor, conhecido como “Wafer” virgem, e que após uma série de aplicações de dióxido de silício (Si02), fotolitografia, aplicação de máscaras e metal para integrar as conexões, o Wafer deixou de ser “virgem” e não apresenta mais as características de simples dispositivo semicondutor, portanto em sua massa já existem os circuitos integrados. Os produtos em analise são circuitos integrados monolíticos, ainda não cortados e não montados em que os elementos do circuito (diodos, transistores, resistências, condensadores, indutâncias, etc.) foram criados e existem essencialmente em sua massa e superfície do wafer. (...) Após as devidas análises técnicas foi possível constatar que as descrições detalhadas das mercadorias para despacho NÃO apresentam divergências estando em conformidade com a descrição apresentada, e enquadramento técnico realizado pela importadora SMART MODULAR TECHNOLOGIES IND DE COMP ELETR.” (fl. 2012 e 2013). Assim sendo, os laudos apresentados por ocasião do desembaraço aduaneiro das DI´s citadas, em 2009 e 2010, indicaram que a Classificação adequada dos produtos concretamente analisados naquela nacionalização, deveriam ser posicionados na NCM 8542.32.10. Embora não se podendo afirmar que esta Classificação aplicase para todas as importações havidas, passadas ou futuras, é certo que também não há discordância entre o contribuinte e a administração que sempre se trataram dos mesmos produtos, em face do que, apenas resta concluir que efetivamente os produtos analisados devem ser classificados na Posição indicada nos Laudos Técnicos analisados em sede de “canal vermelho”. A recorrente trouxe aos autos, ainda, um Laudo Técnico elaborado pelo Doutor PhD em Engenharia Elétrica pela Universidade de Princeton, Professor da UNICAMP, que efetivou análise de todo o processo produtivo da empresa e das amostras por ela apresentadas, cabendo destacar para os seguintes quesitos: 02. Queira V.Sa. identificar o produto circuito integrado eletrônico de memória sob análise, importado pela SMART, especificando sua natureza, forma e aplicação. O circuito integrado eletrônico de memória importado pela SMART corresponde às memórias DRAMs e FLASH RAMs, conforme descrito no item 01 acima, na forma de “wafer de Fl. 3431DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 16 silício”, o que é essencialmente um conjunto de várias microplaquetas (chips) de memória não montadas. (...) 09. Considerando a definição das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”) de circuito integrado não montado, qual seja “sob a forma de microplaquetas (chips), frequentemente retangulares, em geral de alguns centímetros de lado”, queira V.Sa. confirmar se o produto importado pela SMART pode ser considerado como circuito integrado de memória não montado. Sim, o produto importado pela SMART pode ser considerado um circuito integrado de memória não montado. 10. Como se sabe, existem circuitos integrados eletrônicos monolíticos montados e não montados. Queira V.Sa. informar se existe uma terceira categoria de circuitos integrados eletrônicos monolíticos. Circuitos integrados eletrônicos monolíticos somente podem se apresentar como montados ou não montados, não existindo uma terceira categoria. (...) 11. De acordo com as especificações técnicas do circuito integrado sob análise, queira V.Sa. informar qual a categoria acima mencionada ele estaria enquadrado. O circuito integrado eletrônico monolítico de memória, como importado pela SMART é considerado, dentro da área de Microeletrônica como não montado, uma vez que somente após sua separação do wafer, wiring e encapsulamento, o circuito pode ser considerado como montado. O fato de ele estar presente, ainda não cortado, na superfície de um wafer não o define como estando montado no wafer, de acordo com utilização deste termo dentro da área de Microeletrônica. Seria equivalente a dizer que uma lâmpada estaria montada a uma caixa contendo outras 100 lâmpadas, antes desta ser retirada da caixa e efetivamente montada no soquete de um lustre.”(fls. 1828 e 1839). Até este ponto, o Laudo do perito da Unicamp demonstrou que o produto pode ser considerado “não montado”, mesmo que se apresente sob a forma de wafer (disco) não cortado, o que leva a necessidade de interpretar se, havendo duas características essenciais (“não montado” e “não cortado”), derivaria uma outra classificação possível para os circuitos integrados monolíticos, sendo que neste sentido, o mesmo Perito afirmou o seguinte: 14. Considerando a resposta ao quesito anterior no tocante a possibilidade de existência de circuito integrado montado de forma outra que não aquela montagem em superfície (SMD), queira V.Sa. esclarecer a sua essência, aplicação e função e confirmar se é adequada a classificação desse específico produto na posição 8542.32.9 (91 ou99) da TEC, Queira, ainda, apresentar as principais diferenças desse produto em relação ao circuito integrado eletrônico de memória objeto de análise e importado pela SMART, se existentes. A microplaqueta (chip) objeto desta análise, e importada pela SMART, pode ser montada de várias outras formas conforme Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.425 17 descrito na resposta ao quesito 13, não nos parecendo adequado a classificação deste item na posição 8542.32.2 (SMD) da referida tabela. Além disto, como a microplaqueta (chip) é importada sob a forma não montada, seguindo a resposta ao quesito 11, a sua classificação como 8542.32.9 é tampouco adequada. O interessante, portanto, é que neste quesito, a partir das análises técnicas realizadas, assim como pelo conhecimento profundo do segmente, o Perito rechaça a possibilidade de classificação fiscal dos referidos circuitos integrados eletrônicos de memória, na Posição 8542.32.9, que segundo afirma não contempla a microplaqueta importada sob a forma “não montada”. Daí emerge o desamparo, sob o ponto de vista da “perícia técnica”, da classificação adotada pela autoridade autuante. Por seu turno, o Laudo Técnico emitido pelo Departamento de Engenharia e de Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – USP (fls. 1840 a 1872), pelo Professor Ferdinando Luiz Cavallante, respondendo ao mesmo Quesito 14, acima transcrito, conclui: 14.Considerando a resposta ao quesito anterior no tocante a possibilidade de existência de circuito integrado montado de forma outra que não aquela montagem em superfície (SMD), queira V.Sa. esclarecer a sua essência, aplicação e função e confirmar se é adequada a classificação desse específico produto na posição 8542.32.9 (91 ou99) da TEC, Queira, ainda, apresentar as principais diferenças desse produto em relação ao circuito integrado eletrônico de memória objeto de análise e importado pela SMART, se existentes. RESPOSTA: Na montagem através de furos (thougthole technology), os terminais existentes nos circuitos eletrônicos montados são inseridos em orifícios perfurados de cartões de circuito impressos e soldados em pads existentes no lado oposto do cartão. De acordo com essa característica, não sendo um circuito não montado, nem um circuito montado próprio para montagem em superfície de acordo com a TEC estes circuitos seriam corretamente classificados na posição 8542.32.9 (outros), sendo 8542.32.91 para memórias FLASH e 8542.32.99 para memórias DRAM. A diferença básica entre estes dois produtos reside no fato de que os wafers são constituídos por microplaquetas não montadas. No wafer elas não estão providas das conexões elétricas entre os contatos elétricos das microplaquetas através dos pads ao redor de seu perímetro e os contatos elétricos do substrato onde se localizam os terminais internos dos condutores externos. E é somente a partir desta etapa que as microplaquetas assumem a condição montada. Ou seja, a Escola Politécnica da USP, após explicar a diferença entre os circuitos classificados na posição 8542.32.9 (“Outros”), que foi adotada como correta pela Fiscalização, é taxativa ao diferenciálos dos circuitos integrados de que trata os presentes autos, de modo a “infirmar” a classificação empregada pela Administração neste lançamento. E afirma que a diferença fundamental está no fato que as classificações empregadas pela autoridade fiscal tratam de circuitos integrados para memórias montadas, enquanto que o Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 18 produto importado pela recorrente inegavelmente é “não montado”, sendo essa a filigrana que distingue os produtos classificados pelo fiscal daqueles de fato tomados como importados. Emerge desta avaliação técnica, portanto, que a classificação apontada na autuação não reflete os produtos importados, porque não se aplicam a circuitos integrados “não montados”. Em outro Laudo Técnico (fls. 1873 a 1899), agora da lavra dos Professores Dr. Antonio Carlos Seabra, Titular do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos, e Dr. Nilton Itiro Morinoto, Coordenador da Divisão de Microeletrônica do Laboratório de Sistemas Integráveis, ambos da Escola Politécnica da USP, igualmente oferecem os seguintes ensinamentos de ordem técnica: 14.Considerando a resposta ao quesito anterior no tocante a possibilidade de existência de circuito integrado montado de forma outra que não aquela montagem em superfície (SMD), queira V.Sa. esclarecer a sua essência, aplicação e função e confirmar se é adequada a classificação desse específico produto na posição 8542.32.9 (91 ou99) da TEC, Queira, ainda, apresentar as principais diferenças desse produto em relação ao circuito integrado eletrônico de memória objeto de análise e importado pela SMART, se existentes. A TEC estabelece três opções de classificação para circuitos integrados eletrônicos monolíticos de memórias: 8542.32.10Não montadas 8542.32.2Montadas próprias para montagem em superfície (SMD) 8542.32.9Outras Uma vez que a classificação em memórias montadas e não montadas é mutuamente excludente, a classificação 8542.32.9 (Outras) não se aplica para a distinção entre memórias montadas ou não montadas. A classificação 8542.32.9 (Outras) se aplica para distinção entre “próprias para montagem em superfície (SMD)” ou “não próprias para montagem em superfície (SMD)”. Nesse sentido cabe observar que as subclassificações 8542.32.21 e 8542.32.91 utilizam a mesma descrição “Dos tipos RAM estáticas (SRAM) com tempo de acesso inferior ou igual a 25 ns, EPROM, EEPROM, PROM, ROM e FLASH” e para não criar inconsistências os itens 8542.32.2 e 8542.32.9 devem ser mutuamente excludentes. Desta leitura novamente se extrai que a Classificação empregada pela fiscalização destinase a circuitos integrados eletrônicos que já sejam “montados”, distinguindoos em função da aptidão de serem aplicáveis (ou não) na montagem em superfície SMD, sendo que em qualquer hipótese não se aplicará na classificação que tenha como produto um circuito integrado “não montado”. Com efeito, tenho que, de um lado, a ausência de prova técnica por parte da Fiscalização, e de outro lado, a existência de provas através de Laudos Técnicos emitidos por centros tecnológicos científicos respeitáveis no país, levam a conclusão de que os produtos analisados não se enquadram na classificação atribuída pela Fiscalização, já que eles referem se a circuitos integrados eletrônicos monolíticos já montados. Isso, por si só, já é suficiente Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.426 19 para infirmar a classificação atribuída, e, consequentemente, cancelar o lançamento que está nela lastreado. Porém, não responde a classificação que o produto em si, importado, efetivamente possui. E aqui, cabe reprisar que a Recorrente afirma que desde que iniciou suas atividades (em 2005), realiza a importação de Circuitos Integrados Monolíticos em Memória “Não Montados”, que vêm sob uma base em silício (“wafer”), o qual é assim veiculado pois que este referido “wafer” serve para efetivar a proteção dos circuitos integrados (microplaquetas) nele “impressos”, mas que já traz consigo todas as características essenciais do insumo por ela adquirido. Opta, então, por trazer as microplaquetas por meio do disco (“wafer”), para melhor proteção do produto no transporte e manuseio, sendo que recebe do fornecedor o “wafer map” (mapa do wafer/disco), que permite identificar no disco respectivo, quais e quantos “circuitos integrados” (microplaquetas) estão funcionais, de modo a separálos dos imprestáveis (danificados). Até poderia optar por importar os circuitos integrados já cortados, ou seja, apenas os “funcionais”, porém, como se tratam de produtos muito susceptíveis a danos, sempre preferiu realizar a importação dos circuitos integrados no disco, para então, já no seu processo produtivo e através das informações contidas no “wafer map”, efetivar o “corte”, para posteriormente iniciar o processo de montagem das microplaquetas. Ou seja, é inegável que os produtos importados são circuitos integrados de memória ainda “não montados”, embora também não sejam ainda “cortados”, sendo esta atividade própria do processo produtivo da Recorrente. Vimos, pelos Laudos citados, que o fato de serem importados microplaquetas sob a forma de discos (“wafers”) ainda “não cortados”, não os distingue dos circuitos integrados eletrônicos de memória “não montados”. Ambos, por óbvio, trazem consigo o atributo de serem “não montados”. O fato de não serem cortados, neste sentido, apenas reforça a classificação na posição “não montado”, pois que soa óbvio que para ser “montado”, deverá submeterse ao processo de “corte”, que é feito a partir do “wafer map”, para seguir ao processo que culminará no encapsulamento, e, assim, passar a ser considerado “montado”. Quanto a correta classificação do produto pela Recorrente, apenas a título ilustrativo reportase ao Laudo Técnico do Perito da UNICAMP, que em resposta ao Quesito 15, ainda pontua: 15. Com base nas respostas dos quesitos precedentes, poderia V.Sa. concluir que é correto o enquadramento dos circuitos integrados eletrônicos de memória objeto de análise, importados pela SMART sob a forma de discal ou wafers, na classificação fiscal NCM 8542.32.10, aplicável a circuitos integrados eletrônicos de memória não montados? Queira V.Sa. fundamentar sua resposta. Considerandose que, para o caso do objeto em análise, que: (a) o wafer por si só é um conjunto de circuitos integrados eletrônicos de memória (vide resposta ao Quesito 6); (b) todos os circuitos integrados eletrônicos de memória de um wafer possuem exatamente a mesma funcionalidade (vide resposta ao Quesito 12); Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 20 (d) circuito integrado de memória em forma de wafer possui exatamente as mesmas funcionalidades que um circuito int3grado eletrônico de memória já separado (cortado) do seu wafer, ainda não montado; (vide resposta ao Quesito 12) (e) após os circuitos serem separados do seu wafer, o wafer deixa de existir (vide resposta ao Quesito 6); (f) um circuito integrado eletrônico de memória presente em um wafer, não pode ser considerado montado no wafer, de acordo com o conceito de montagem usado na área de Microeletrônica (vide resposta ao Quesito 11); (g) na área de Microeletrônica, um circuito é considerado montado apenas depois que ele é incapsulado (vide resposta aos Quesitos 10 e 11); , podese concluir que os circuitos integrados eletrônicos de memória objeto de análise, importados pela SMART sob a forma discal ou wafers estão corretamente enquadrados dentro da classificação 8542.32.10. Esta conclusão, que é uníssona nos demais Laudos, também ratifica a conclusão dos Laudos Técnicos entregues à Fiscalização quando da conferência efetivada pela autoridade aduaneira por ocasião da análise da DI nº 09/13116470, com registro realizado em 28.09.2009 (fl. 1978) e da DI nº 10/05784894, registrada em 09.04.2010 (fl. 1997), antes já mencionados. Logo, se o “wafer” já é considerado um circuito integrado eletrônico de memória “não montado” (conforme os Laudos), o fato de ser “não cortado” não apenas reforça a classificação empregada pelo importador – que é quem efetiva o “corte” para viabilização da etapa de montagem/encapsulamento , como também serve para afastar a classificação “residual” efetivada nas Posições referentes à “Outros”, que são referentes a circuitos integrados eletrônicos “montados”. Finalmente, esta conclusão acaba coincidindo com o que prevê o Anexo III, do Decreto nº 6.233/2007, que regulamenta o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores – PADIS, instituído pelos arts. 1º a 11 da Lei nº 11.484, de 31 de maio de 2007, da qual a Recorrente tornouse titular através da Portaria nº 931, de 05.11.2010 (fl. 2967 e 2968).Referido Anexo III, prevê que: ANEXO III (Redação dada pelo Decreto nº 7.600, de 2011) Insumos para emprego nas atividades vinculadas aos produtos finais Circuitos integrados sob a forma de discos (wafers) ainda não cortados em microplaquetas (chips) 8542.31.10 8542.32.10 8542.33.20 8542.39.20 A leitura do Anexo III, acima, na parte que diz respeito ao insumo empregado nas atividades relativas ao PADIS, deixa expresso que são beneficiados os circuitos integrados sob a forma de wafers “não cortados” que são classificados na Posição 8542.32.10, deixando claro que o Executivo pretendeu atingir com o beneplácito fiscal os circuitos integrados eletrônicos “não montados”, pois que indicou a Posição destacada. Cabe frisar que essa interpretação também decorre do fato de que, dentre as classificações citadas no Anexo III, a Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13839.720505/201225 Acórdão n.º 3404002.294 S3C4T4 Fl. 3.427 21 Posição 8542.31.10 diz respeito a circuitos integrados eletrônicos de controladores e processadores; a Posição 8542.33.20 aplicase a circuitos integrados eletrônicos de amplificadores; e a Posição 8542.39.20 está dirigido a outros circuitos integrados eletrônicos. Deste modo, apenas resta a Posição NCM 8542.32.10 para os circuitos integrados eletrônicos não cortados, pois que, à toda evidência, essas microplaquetas ainda estão na forma “não montada”. Consequentemente, a Classificação utilizada pela Fiscalização não representa os circuitos integrados eletrônicos monolíticos “não montados”, mas referemse a outros circuitos “montados”, o que já é suficiente para o cancelamento do lançamento em questão. Apesar disto, temse que os produtos sob análise não tem sua classificação deslocada para a posição “Outros” pelo fato de ser “não cortados”, já que este estado do produto está compreendido no atributo “não montado”, de modo que classificamse efetivamente na Posição NCM 8542.32.10. III.Pedidos Sucessivos: Exclusão de Juros e Multa, conforme art. 100, do CTN; e Afastamento dos Juros sobre a Multa. Tais pedidos, diante do provimento do Recurso, ficam com análise prejudicada. IV.Dispositivo: Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 2/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006452/2007-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROVAS. UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS.
A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
A autoridade administrativa não possui competência para apreciar arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas, segundo o procedimento legislativo apropriado, gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em sentido contrário, com efeito erga omnis, emanada do Poder Judiciário.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA.
A prestação de informações à RFB, pelas instituições financeiras, não constitui quebra de sigilo bancário, mas transferências de dados a serem mantidos sob a proteção do sigilo fiscal.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Uma vez formalizada o lançamento com base em omissão de receita, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizá-la, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Anocalendário: 2004
CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplica-se a mesma decisão do principal.
Numero da decisão: 1802-002.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Impedida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que participou do processo fiscalizatório como Delegada.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Vice-Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PROVAS. UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas, segundo o procedimento legislativo apropriado, gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em sentido contrário, com efeito erga omnis, emanada do Poder Judiciário. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A prestação de informações à RFB, pelas instituições financeiras, não constitui quebra de sigilo bancário, mas transferências de dados a serem mantidos sob a proteção do sigilo fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Uma vez formalizada o lançamento com base em omissão de receita, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizá-la, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplica-se a mesma decisão do principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Impedida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que participou do processo fiscalizatório como Delegada. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Vice-Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas, segundo o procedimento legislativo apropriado, gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em sentido contrário, com efeito erga omnis, emanada do Poder Judiciário. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A prestação de informações à RFB, pelas instituições financeiras, não constitui quebra de sigilo bancário, mas transferências de dados a serem mantidos sob a proteção do sigilo fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 64 52 /2 00 7- 14 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 37 2 Uma vez formalizada o lançamento com base em omissão de receita, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizála, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Impedida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que participou do processo fiscalizatório como Delegada. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão VicePresidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Tratase de impugnação a lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls 16/22), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls 24/31), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls 32/38), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls 39/45) e da Contribuição para a Seguridade Social – INSS (fls 44/50), todos com fatos geradores no ano de 2004, totalizando o montante de R$ 304.005,59, já acrescidos dos juros moratórios e da multa de ofício (75%). 2. Conforme descrição dos fatos contida nos autos de infração, submetido ao sistema simplificado de pagamento dos tributos e contribuições federais (Simples), o contribuinte incorrera nas seguintes infrações fiscais no ano de 2004: (I) OMISSÃO DE RECEITA, legalmente presumida a partir de depósito bancário de origem não comprovada, conforme Termo de Constatação às fls 53/63; (II) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, decorrente da alteração de percentuais utilizados pelo contribuinte no cálculo do Simples sobre a receita declarada. 3. Cientificado da pretensão fiscal em 10.07.2007 (fl 206), o contribuinte apresentou impugnatória em 08.08.2007 (fls 207/213), requerendo a improcedência dos lançamentos, ante a incorreta interpretação ou aplicação da presunção de omissão de receita, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e a consideração em duplicidade de depósitos bancários resultantes de transferências entre contas do mesmo titular ou decorrentes de cheques depositados e posteriormente liberados. 4. O impugnante solicitou a realização de perícia contábil, nomeando o seu assistente e indicando quesitos a serem respondidos. 5. Em 10 de março de 2011, o julgamento foi convertido em diligência, a fim de que a Unidade Local verificasse a existência de depósitos computados em duplicidade na apuração das receitas omitidas (fls 222/223). 6. Exarado o relatório de diligência fiscal (fls 225/226), contra o qual nada deduziu o impugnante (fl 227). 7. É o relatório.” A DRJ em Fortaleza (CE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 39 4 Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Uma vez formalizada a omissão de receita com base na presunção legal, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizála, demonstrar que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Impugnação Improcedente” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 17/07/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 16/08/2012, onde argui e requer em apartada síntese: a) a impossibilidade de quebra de sigilo bancário pela Receita Federal; b) a impossibilidade de presunção de omissão de receita fundada em depósito bancário de origem não comprovada. Este é o Relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase o processo administrativo em que a fiscalização imputou a Recorrente uma omissão de receitas, decorrente de valores depositados em conta bancária para os quais não houve qualquer comprovação de sua origem através de documentos hábeis e idôneos. No Recurso Voluntário a Recorrente se limita a alegar: 1. a ilegalidade da obtenção dos dados bancários, via Requisição de Movimentação Financeira (RMF); 2. a impossibilidade de presunção de omissão de receita fundada em depósito bancário de origem não comprovada. Como se observa a Recorrente em momento algum entra no mérito dos depósitos bancários não comprovados, mas apenas e tão somente em preliminares de cerceamento do dreito de defesa e da impossibilidade de quebra do sigilo bancário por parte da Receita Federal. A Recorrente alega a ilegalidade/inconstitucionalidade da Requisição da Movimentação Financeira (RMF). De acordo com o entendimento externado em sua defesa a Administração Tributária não pode requisitar diretamente à instituição financeira a movimentação bancária do contribuinte, seguindo o entendimento que somente o Poder Judiciário poderia determinar que a instituição financeira fornecesse os extratos bancários considerados quando do lançamento fiscal. Não tendo havido esse permissivo, o lançamento deveria ser invalidado em razão da ilegalidade da prova em que se fundamentou. A Lei Complementar nº 105, de 2001, reza que a Administração Pública pode solicitar informações amparadas pelo sigilo fiscal às instituições financeiras: “Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 41 6 Art. 2º O dever de sigilo é extensivo ao Banco Central do Brasil, em relação às operações que realizar e às informações que obtiver no exercício de suas atribuições. (...) Art. 3º Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário, preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes, que delas não poderão servirse para fins estranhos à lide. (...) Art. 4º O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, nas áreas de suas atribuições, e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as informações e os documentos sigilosos que, fundamentadamente, se fizerem necessários ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais. (...) Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) § 5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Com efeito, no caso em tela, por expressa disposição contida na Lei Complementar nº 105, de 2001 art. 1º, § 3º, VI , a prestação de informações, pelas instituições financeiras às autoridades fazendárias, não constitui violação do dever de sigilo. A esse respeito: “a) Acórdão Nº 10248998, de 23/04/2008 – 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 42 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUEBRA INDEVIDA DO SIGILO BANCÁRIO INOCORRÊNCIA A Lei Complementar nº 105, de 2001, e o Decreto nº 3.724, também de 2001, permitem à autoridade administrativa requisitar informações às instituições financeiras, nos casos em que especifica. Pressupõese que os princípios constitucionais estejam nelas contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis.” b) Acórdão nº 10517389, de 04/02/2009 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda “REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentálas espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal.” c) Acórdão nº 0400.456, de 13/12/2006 – Câmara Superior de Recursos Fiscais “SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Fisco podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. “ No que diz respeito a suposta inconstitucionalidade na obtenção dos extratos bancários, as considerações aventadas pela impugnante somente poderiam ser direcionadas ao Poder Judiciário, que detém a competência para a apreciação da constitucionalidade do dispositivo legal que deu azo ao lançamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). À Administração Pública, falece competência para o julgamento da matéria considerada, visto que o contencioso administrativo não se presta ao questionamento da constitucionalidade das normas jurídicas inseridas no ordenamento jurídico nacional de forma válida e eficaz, uma vez que a própria Carta Magna reservou dita atribuição ao Poder Judiciário. Aos julgadores administrativos cumpre observar as disposições contidas nas normas formalmente inseridas no ordenamento jurídico, sendolhes vedada eventual apreciação quanto a sua validade. É o que determina o Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal PAF) artigo 26A: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 43 8 fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”. Assim sendo, pretensas inconstitucionalidades de leis, que não tenham sido decretadas com efeito erga omnes pelo Poder Judiciário, não podem ser apreciadas na esfera administrativa, que se limita ao cumprimento das determinações legais. Essa matéria já está sumulada no próprio Conselho, de modo que me reporto a Súmula 2 a seguir transcrita: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A presunção de omissão de receitas também está calcada em texto legal, senão vejamos a Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, com as modificações introduzidas pela Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997, art. 4º, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 44 9 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002).” O texto legal estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Com isso, basta à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na contacorrente do contribuinte para que haja a presunção de omissão de receitas tributáveis. Assim, a Lei n° 9.430, de 1996, art 42, estabelece a presunção de que ocorreu o fato gerador, sempre que o contribuinte não conseguir comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária. Desse modo, havendo indícios de depósitos bancários não comprovados, cabe a autoridade fazendária intimar o sujeito passivo para que demonstre sua origem, sob pena de caracterização de omissão de receitas com o lançamento dos créditos tributários Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Processo nº 10380.006452/200714 Acórdão n.º 1802002.166 S1TE02 Fl. 45 10 Nesse sentido cito julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao proferir o acórdão nº 0105.312, de 21 de setembro de 2005: “OMISSÃO DE RECEITA – DEPÓSITO BANCÁRIO – LANÇAMENTO EM DEPÓSITO BANCÁRIO – PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO O lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósito bancário de origem não comprovada somente tem lugar a partir do anocalendário de 1997, por força do disposto no art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim como o questionamento anterior, essa matéria também encontrase sumulada por esse Conselho, senão vejamos: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Diante do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar suscitada e no mérito NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Numero do processo: 10435.001469/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS.
Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2302-002.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1731; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10435.001469/200956 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.696 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2013 Matéria Recurso Intempestivo Recorrente LOURIVAL JOSE DA SILVA ESPOLIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 14 69 /2 00 9- 56 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001469/200956 Acórdão n.º 2302002.696 S2C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 37.227.2487, lavrado em 06/07/2009, em face de LOURIVAL JOSE DA SILVA ESPOLIO, no valor de R$ 771.742,59 (setecentos e setenta e um mil, setecentos e quarenta e dois reais e cinqüenta e nove centavos), referente às contribuições previdenciárias da parte patronal e SAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2006 a 12/2008. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 181 e seguintes, entretanto, a autuação foi mantida pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, às fls.294/304, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRÍAS. PROCEDIMENTO FISCAL. INTIMAÇÕES. REGULARIDADE. As intimações perpetradas pelo auditor autuante no desenvolvimento do procedimento fiscal foram efetuadas de forma regular. Qualquer prejuízo que porventura tenha suportado o autuado, deuse por culpa in eligendo ou irt vigilando, de responsabilidade exclusiva do mesmo. As Lei 9.784/1999 e 5.869/1973 aplicamse ao Processo Administrativo Fiscal apenas de forma subsidiária, enquanto o Regulamento do Estado da Paraíba sequer subsidiariamente se aplica ao caso concreto. RECOLHIMENTOS EFETUADOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. Constitui obrigação de quem alega fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do lançamento, proválos. CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. PRONUNCIAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de normas. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. As penalidade aplicadas obedeceram à legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, respeitando a retroatividade benigna provocada pela posterior vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Impugnação Improcedente Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001469/200956 Acórdão n.º 2302002.696 S2C3T2 Fl. 4 3 Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte interpôs, em 13/04/2011, Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 309/345, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: a) A intimação da conclusão da fiscalização é nula, uma vez que foi realizada a pessoa que não detinha poderes para tal ato. b) Também nulo é o Auto de infração por ausência de requisitos essenciais para sua validade e constituição, qual seja, a indicação da fundamentação legal da autuação. c) Outra causa de nulidade do Auto de Infração é o cerceamento de defesa promovido em razão de não constar, na autuação, a alíquota e a base de cálculo utilizadas. d) O crédito está parcelado, nos termos da lei n° 11.941/2009. e) A Recorrente está sendo bitributada pelo mesmo fato gerador, visto que recolheu as contribuições previdenciárias no prazo. f) A cobrança do SAT é inconstitucional, por ferir o princípio da legalidade, uma vez que a lei 8.212/91 não trata dos conceitos básicos relativos ao fato gerador do tributo, e o princípio da isonomia, além de afrontar os arts. 154, I e 195, parágrafo 4º, da CF/88, que exige lei complementar para a instituição de contribuições para custeio da seguridade social. Ademais, o Poder Executivo não pode, por ato próprio, aumentar a sua alíquota. g) A multa é nula, em razão de terem sido aplicadas concomitantemente a multa de ofício (75%), as multas referente às CFL 67 e 68 e a multa de mora. h) A multa não observa os princípios da tipicidade, proporcionalidade e da razoabilidade. i) A penalidade imposta possui caráter confiscatório. j) É possível aos tribunais administrativos apreciar a inconstitucionalidade das normas. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade A ora Recorrente tomou ciência do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, no dia 03/03/2011, e apresentou seu Recurso Voluntário em 13/04/2011. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001469/200956 Acórdão n.º 2302002.696 S2C3T2 Fl. 5 4 Todavia, o art. 33, da Lei 70.235/75, diz que o prazo para a apresentação do referido Recurso é de 30 dias, contados a partir da ciência da decisão pelo contribuinte, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desta feita, se a ciência da decisão deuse em 03/03/2011, o fim do prazo para a apresentação do Recurso ocorreu em 02/04/2011. Sendo assim, se a ora Recorrente apresentou suas razões em época posterior à data supramencionada (13/04/2011), temos que o Recurso em referência se encontra intempestivo, tornando, portanto, incabível sua apreciação por este Conselho. Da Conclusão Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por ser este, intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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