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Numero do processo: 15940.000762/2010-43
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2006 a 30/11/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE GFIP. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
A empresa é também obrigada a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2006 a 30/11/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE GFIP. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A empresa é também obrigada a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
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NÃO COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE GFIP. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A empresa é também obrigada a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 07 62 /2 01 0- 43 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 133 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 134 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA IN LOCO em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fl. 17), a empresa deixou de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social (GFIP) na forma, prazo e condições estabelecidos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição, bem como de comprovar sua entrega nas competências 10/2006 a 11/2006. 3. O acórdão exarado em primeira instância restou ementado nos termos a seguir: “DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE GFIP. CFL 77. Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de apresentar ou apresentar fora do prazo a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (fls. 93/103). 4. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) a decisão de primeira instância está eivada de nulidade por não enfrentar satisfatoriamente as argumentações da recorrente, assim, há afronta a regra segundo a qual as decisões administrativas devem ser adequadamente motivadas e fundamentadas, conforme preceitua o art. 93, inciso X, da Constituição Federal; b) o auto de infração foi instruído apenas com relatórios elaborados pela própria fiscalização, inexistindo clareza e precisão na discriminação dos fatos geradores e dos períodos a que se refere, bem como da capitulação dos dispositivos legais infringidos; c) a ausência de análise da constitucionalidade de norma pelo julgador de primeira instância ofende a Constituição; d) a inconstitucionalidade do artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, pois o legislador infraconstitucional não possui competência para regular matéria tributária que não está prevista na Constituição; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 135 4 e) o veículo legislativo adotado para a elaboração da norma com base na qual se lavrou o auto de infração foi lei ordinária, configurando, assim, ofensa ao art. 195, §4º, da Constituição; f) não ocorrência do critério material da regra matriz de incidência tributária prevista no art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; g) superadas a alegações anteriores, dispõe a recorrente que eventual contribuição somente poderia recair sobre serviços ou atendimentos efetivamente realizados, sendo excluídas da base de cálculo as mensalidades. 5. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 136 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA 2. A recorrente, em seus argumentos, afirma que a decisão de primeira instância está eivada de nulidade por não enfrentar satisfatoriamente as argumentações da recorrente, assim, há afronta a regra segundo a qual as decisões administrativas devem ser adequadamente motivadas e fundamentadas, conforme preceitua o art. 93, inciso X, da Constituição Federal. 3. Dispõe ainda o contribuinte que, fl. 111: “(...) pautou a decisão que manteve a acusação fiscal basicamente na alegação de que não cabe ao julgador administrativo se pronunciar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma, bem como de que não teria razão e não procederiam os argumentos da defesa”. 4. Observase que razão não assiste a recorrente, posto que a ausência de apreciação de argumentos relativos à inconstitucionalidade possui amparo na súmula n.º 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal (CARF), como abaixo transcrito: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 5. Ademais, o Regimento Interno do CARF trata em seu artigo 62, parágrafo único, da vedação ao reconhecimento de inconstitucionalidade de dispositivo por esse Conselho, salvo nas hipóteses descritas abaixo: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 137 6 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” 6. No caso dos autos, entretanto, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. 7. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, verificase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. 8. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” 9. Assim, afasto a alegação de nulidade da decisão a quo. DA INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO 10. Aduz o contribuinte que o auto de infração não se apresenta de modo claro e preciso, razão pela qual pugna pela sua nulidade, pois ausente cópia dos documentos que levaram à conclusão das pretensas infrações, tais como notas e livros fiscais e contábeis, sendo instruído apenas com relatórios elaborados pela fiscalização. 11. Além disso, alega que a descrição dos fatos faz menção a documentos, relatórios e dispositivos legais desconexos entre si e isso trouxe fundadas dúvidas à recorrente acerca do específico teor da acusação, bem como da disposição legal aplicável. 12. Pelo que se depreende do relatório fiscal da infração, houve a devida descrição dos fatos, bem como restou demonstrado o dispositivo infringido e a multa aplicada, o que se torna suficiente para deixar clara a infração cometida, segue abaixo trecho do relatório fiscal que discriminou o objeto do auto: “Em ação fiscal desenvolvida na empresa ora autuada, ficou constatado que a mesma deixou de declarar à Secretaria da Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 138 7 Receita Federal do Brasil, através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, (documento declaratório instituído pelo artigo 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97 e redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009), na forma, prazo e condições estabelecidos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, bem como, de comprovar a sua entrega nas competências abaixo discriminadas, o que caracteriza infração ao artigo 32, Inciso IV e § 9º, da Lei n° 8.212/91, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com redação dada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009. (...) Foi aplicada a multa prevista no art. 32A, caput, inciso II e parágrafos 1º, 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela MP n° 449, d e 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 CTN, no valor de R$ 400,00.” 13. Observase, assim, que razão não assiste ao contribuinte, pois a ele foi transmitida a descrição da infração e a multa aplicada, sendolhe conferida a possibilidade de se valer do contraditório e da ampla defesa, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. 14. No que se referem as demais alegações do contribuinte, salientase que não houve insurgência expressa a respeito do mérito da autuação relativa a não apresentação de GFIP, também não houve provas capazes de afastar a exigência em questão para a desconstituição do crédito tributário. 15. E, superada a questão relativa à inconstitucionalidade, já tratada em tópico anterior, afastando a análise por esse Conselho das matérias nas quais consta o pedido de reconhecimento de inconstitucionalidade de artigo de lei, passo a análise do argumento de inocorrência do critério material da regra matriz de incidência tributária prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. 16. Sobre esse tópico, cumpre esclarecer que o auto de infração em comento tratase de obrigação acessória e não de obrigação principal, como defende o contribuinte em seu argumento a respeito da subsunção ao art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, desse modo, não prospera tal alegação. 17. Quanto ao pedido de sustentação oral, verificase que, conforme dispõe o Regimento Interno do CARF, em seu art. 58, II, “anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, sucessivamente: ao relator, para leitura do relatório; ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período.” Dessa forma, em momento oportuno será conferido o direito ao contribuinte de realizar sua sustentação oral. 18. Portanto, não afastada a obrigação acessória em questão, mantenho o crédito tributário tal como lançado. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 139 8 CONCLUSÃO 19. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10120.912398/2009-62
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 27630.97936.300408.1.3.049853, em 30.04.2008, fls. 11 14, utilizandose do pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código 5993, no valor original de R$28.909,27 em 30.12.2003 apurado pelo regime do lucro real anual. Esclarece que houve prejuízo fiscal ano final do anocalendário de 2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 12 39 8/ 20 09 -6 2 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912398/200962 Resolução nº 1801000.301 S1TE01 Fl. 64 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 1517, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 28.909,27 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 21.10.2009, fl. 19, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 03.11.2009, fl. 01, com os argumentos a seguir sintetizados. 1. DO FATO A não homologação do crédito deveuse a existência débitos vinculados ao crédito especificado na PER/DCOMP: 27630.97936.300408.1.3.049853, tal débito deveuse a erros encontrados na DCTF referente ao 4º Trimestre/2003, a qual foi devidamente retificada em 21/10/2009. 2. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Segue em anexo cópias do Despacho Decisório e Recibo da DCTF Retificadora. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB/DF nº 03 48.508, de 31.05.2012, fls. 2226: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912398/200962 Resolução nº 1801000.301 S1TE01 Fl. 65 3 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Notificada em 13.08.2012, fls. 32, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 12.09.2012, fls. 3544 e 62 ao argumento de que a atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta A improcedência teria se dado, pela decisão dos Nobres Julgadores de não admitir que a simples retificação da DCTF Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais fosse prova suficiente para constituição do crédito que se pretendia compensar via Per/DComp, e pela suposta preclusão de direitos de apresentação de nova prova documental, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto 70.235/1972. [...] Ora Excelências, porque nunca foi solicitado a Recorrente a apresentação de seus respectivos livros fiscais e contábeis comprobatórios dos fatos alegados (Balancetes de Suspensão e Redução, Lalur e DIPJ) se a retificação da DCTF foi considerada insuficiente pelo Fisco? Por que não buscar a verdade material? Tais livros fiscais e contábeis (Balancetes de Suspensão e Redução, Lalur e DIPJ) sempre existiram e dizem respeito ao que se alegou. Não seria admissível fazer valer da "força do Estado" motivo suficiente a configuração e homologação e lançamento de imposto que é indevido, pois já pago, e a maior. Não estamos falando de prova ilícita, ao contrário, de prova legal, aceitável, pertinente, e que somente ainda não teria sido produzida por absoluta falta de solicitação por parte do Fisco, que não pode fazer com que o Estado se locuplete de valores que não são seus por direito. [...] Em 30 de dezembro de 2003, a empresa efetuou pagamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$28.909,27 [...] através de DARF, código da receita 5993, proveniente da apuração do resultado do mês de novembro/2003, com base no Lucro Real regime de enquadramento tributário da Recorrente, como é atestado pelo relatório anexo aos autos. No entanto, apesar de que no mês em evidencia desta apuração (Maio/2003), a empresa ter apresentado valores a recolher de IRPJ e CSLL, devido ao regime de apuração por estimativa mensal, conforme consta do livro LALUR de nº 04, as folhas de nº 12, na verdade o resultado foi negativo. Para a certificação da alegação do resultado do exercício, fazse como prova, os seguintes registros: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912398/200962 Resolução nº 1801000.301 S1TE01 Fl. 66 4 a) Livro Diário de nº 18, onde foi registrado nas folhas de nº 643, na data de 31/12/2003, o prejuízo contábil no valor de R$746.856,70 (Setecentos e quarenta e seis mil, oitocentos e cinqüenta e seis reais e setenta centavos), onde se debitou a conta de nº 2.0.4.01.050002 ( Prejuízos Acumulados ), e creditouse a conta de nº 5.0.1.01.020001 (Apuração do Resultado); b) No Balanço Patrimonial, constante do Livro Diário de nº 18, as folhas de nº 649, registrado no grupo do Patrimônio Líquido, sob o titulo de Prejuízo do Período; c) Na Demonstração de Apuração do Resultado do Exercício DRE, constante do Livro Diário nº 18, nas folhas de nº 650, d) Na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ 2004, ano calendário 2003, enviada em 11/06/2004, registrada pela recepção do recibo de nº 01.85.27.14.7837, na ficha 06A, Demonstração do Resultado PJ em Geral (LR), página 05. . Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto, requer seja recebido o presente Recurso Voluntário, e ato continuo julgado procedente em todos os seus termos, tomando como base os documentos neste momento juntados aos autos (Diário Contábil de nº18, LALUR e DIPJ), para homologação da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 27630.97936.300408,1.3.049853, transmitida em 30 de abril de 2008 [...] relativos a Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, em atendimento ao Princípio da Verdade Material, que deve prevalecer nos processos administrativos tributários. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912398/200962 Resolução nº 1801000.301 S1TE01 Fl. 67 5 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912398/200962 Resolução nº 1801000.301 S1TE01 Fl. 68 6 A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) 5. Além disso, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 84 o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, que pode ser analisado, porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ do anocalendário de 2003. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anoalendário de 20036. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. No Lalur de 31.11.2003, fl. 45, estão registrados os seguintes valores, de acordo com a Tabela 1: Tabela 1 Cálculo do IRPJ por estimativa do mês de novembro de 2003 Descrição (A) Valores – R$* (B) Base de Calculo para o IRPJ 126.677,34 Imposto Normal Devido a alíquota de 15% 18.578,29 Adicional de IRPJ a 10% 10.667,73 ()Dedução Incentivo PAT 760,06 (=)Saldo a Pagar de IRPJ em Janeiro/2005 28.909,27 * Valores extraídos do Lalur anocalendário de 2003 página 12, ou seja. na fl. 45 dos autos. Pela análise do conjunto probatório produzidos nos autos verificase que, a Recorrente, ciente de todas as discrepâncias quantitativas discriminadas na decisão de primeira instância de julgamento, não produziu um conjunto probatório nos autos, já que o 5 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912398/200962 Resolução nº 1801000.301 S1TE01 Fl. 69 7 procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior7. Envidou, portanto, todos os recursos, em conformidade com as determinações normativas na busca verdade material e demonstrou pela análise do Livro Lalur, fl. 45 que IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código 5993, no valor original de R$28.909,27 em 30.12.2003, foi recolhido corretamente 89. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que a jurisdiciona verificar valor do saldo negativo de IRPJ declarado, bem como se a Recorrente solicitou restituição do saldo negativo do anocalendário total ou parcialmente em outro Per/Dcomp. Assim, a averiguação deve se ater se há outro pedido de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 para fins de exame da possibilidade de concessão ou não do valor correspondente ao pagamento do IRPJ sobre a base de estimativa pleiteado como saldo negativo. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá cotejar os dados constantes nos registros internos da RFB para como elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes10 . Ressaltese que esse mesmo crédito é objeto da Per/DComp nº 23351.03357.310308.1.3.041183, em 31.03.2008, fls. 1114, formalizada no processo nº 10120.912396/200973 (Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008). (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal e art. 18 do Decreto n. 70.235, 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 10 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10580.723518/2009-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ALIMENTAÇÃO
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
ALUGUEL DE CAMPO DE FUTEBOL.
Aluguel do campo de futebol, disponibilizado para lazer dos funcionários, pago mensalmente a uma pessoa jurídica, não representa remuneração pelo trabalho nem se caracteriza como salário de contribuição.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Caracterizada operação de venda de mercadoria, incabível a retenção referente à cessão de mão de obra.
RESSARCIMENTO DE DESPESAS COM TÁXI.
Não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária em relação às verbas pagas a título de reembolso de despesas realizadas por colaboradores que se utilizaram de táxi.
MULTA. RECÁLCULO.
Tratando-se de crédito não definitivamente julgado, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada.
Numero da decisão: 2403-001.985
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso para: 1) Por unanimidade de votos, determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos à alimentação. 2) Por unanimidade de votos, determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos á falta de retenção da empresa Sodexho. 3) Por unanimidade de votos, para o levantamento PRÉ-Prestadores de Serviços, excluir somente os valores lançados referentes a pagamentos ao senhor Adelário Nascimento. 4) Por maioria de votos, em determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos, ao aluguel do campo de futebol, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. 5) Por maioria, excluir o levantamento TAX-Transportadores Autônomos. Vencidos Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Carlos Mees Stringari (relator) Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto 6) Pelo voto de qualidade, em manter o lançamento HON- Honorários profissionais, Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto na distribuição dos lucros para sócios para Sócios da Sociedade em Conta de Participação. 7) Pelo voto de qualidade, manter o lançamento PLI - Pró Labore Indireto, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. 8) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a multa de ofício e recalcular a multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei 1.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari (relator). Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Marcelo Magalhães Peixoto
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ALIMENTAÇÃO Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ALUGUEL DE CAMPO DE FUTEBOL. Aluguel do campo de futebol, disponibilizado para lazer dos funcionários, pago mensalmente a uma pessoa jurídica, não representa remuneração pelo trabalho nem se caracteriza como salário de contribuição. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Caracterizada operação de venda de mercadoria, incabível a retenção referente à cessão de mão de obra. RESSARCIMENTO DE DESPESAS COM TÁXI. Não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária em relação às verbas pagas a título de reembolso de despesas realizadas por colaboradores que se utilizaram de táxi. MULTA. RECÁLCULO. Tratando-se de crédito não definitivamente julgado, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada.
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decisao_txt : Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso para: 1) Por unanimidade de votos, determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos à alimentação. 2) Por unanimidade de votos, determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos á falta de retenção da empresa Sodexho. 3) Por unanimidade de votos, para o levantamento PRÉ-Prestadores de Serviços, excluir somente os valores lançados referentes a pagamentos ao senhor Adelário Nascimento. 4) Por maioria de votos, em determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos, ao aluguel do campo de futebol, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. 5) Por maioria, excluir o levantamento TAX-Transportadores Autônomos. Vencidos Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Carlos Mees Stringari (relator) Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto 6) Pelo voto de qualidade, em manter o lançamento HON- Honorários profissionais, Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto na distribuição dos lucros para sócios para Sócios da Sociedade em Conta de Participação. 7) Pelo voto de qualidade, manter o lançamento PLI - Pró Labore Indireto, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. 8) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a multa de ofício e recalcular a multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei 1.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari (relator). Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Magalhães Peixoto Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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ALUGUEL DE CAMPO DE FUTEBOL. Aluguel do campo de futebol, disponibilizado para lazer dos funcionários, pago mensalmente a uma pessoa jurídica, não representa remuneração pelo trabalho nem se caracteriza como salário de contribuição. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Caracterizada operação de venda de mercadoria, incabível a retenção referente à cessão de mão de obra. RESSARCIMENTO DE DESPESAS COM TÁXI. Não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária em relação às verbas pagas a título de reembolso de despesas realizadas por colaboradores que se utilizaram de táxi. MULTA. RECÁLCULO. Tratandose de crédito não definitivamente julgado, aplicase o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. Recurso Voluntário provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 35 18 /2 00 9- 31 Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 2 Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso para: 1) Por unanimidade de votos, determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos à alimentação. 2) Por unanimidade de votos, determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos á falta de retenção da empresa Sodexho. 3) Por unanimidade de votos, para o levantamento PRÉPrestadores de Serviços, excluir somente os valores lançados referentes a pagamentos ao senhor Adelário Nascimento. 4) Por maioria de votos, em determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos, ao aluguel do campo de futebol, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. 5) Por maioria, excluir o levantamento TAX Transportadores Autônomos. Vencidos Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Carlos Mees Stringari (relator) Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto 6) Pelo voto de qualidade, em manter o lançamento HON Honorários profissionais, Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto na distribuição dos lucros para sócios para Sócios da Sociedade em Conta de Participação. 7) Pelo voto de qualidade, manter o lançamento PLI Pró Labore Indireto, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. 8) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a multa de ofício e recalcular a multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei 1.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari (relator). Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Magalhães Peixoto Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1527.628 da 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (AI), Debcad nº 37.169.6402, lavrado em 14.07.2009, para constituição do crédito tributário correspondente às contribuições sociais destinadas à Previdência Social, cota patronal, relativa ao período acima mencionado, no valor de R$ 1.110.762,61 (um milhão cento e dez mil, setecentos e sessenta e dois reais e sessenta e um centavos). Consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração (101 a 108) que as contribuições foram lançadas em observação ao disposto no art.22, incisos I, II e III, bem como no art. 30, inciso I, alínea b, todos da Lei nº 8.212, de 24/07/1991. Os valores declarados pela empresa como base de cálculo das contribuições previdenciárias constam do relatório "Consulta valores a recolher x valores recolhidos x Lançamento de débitos confessados", anexados ao presente processo. Durante a auditoria, algumas situações encontradas dificultaram o trabalho de levantamento dos fatos geradores, sendo a principal delas a existência de duas empresas funcionando no mesmo prédio, praticamente para a mesma finalidade, ou seja, o Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda, CNPJ 13.952.064/000134, ora auditada, e a empresa Cárdio Pulmonar Serviços Médicos Ltda, CNPJ 14.909.568/000134. Continua o Relatório: não foi observada na prática, pois foi verificada uma não observância do princípio contábil da Entidade na relação das duas empresas, principalmente na contabilização de custos, com o pagamento de serviços de uma empresa por outra. Isto pode ser observado no pagamento das empresas GOS Grupo Operacional de Segurança e da Sodexho Comercial da Bahia, de competência do Instituto, mais que serve a ambas as empresas. Além dessa não separação dos serviços, também em desobediência ao princípio da Entidade, uma empresa paga pelos serviços de outra, quando há deficiência de caixa de uma delas, em uma operação contábil incorreta, pois os documentos de uma são levados para a contabilidade da outra. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 4 O Relatório Fiscal ainda registra que na empresa os tributos federais com base no lucro são pagos pelo sistema de lucro presumido, que podem influenciar, em tese, no pagamento de outros tributos. Também foram encontrados pagamentos a outras empresas, como a IFQ Participações, de propriedade de um dos sócios do Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda, conforme extrato do livro Razão na conta nº 12354.1.1.01.13Despesas de Alimentação, e conta nº 1784 4.2.1.02.10 Outras Despesas. Por conta desses fatores e outros relativos ao não pagamento das contribuições previdenciárias, foi elaborada informação fiscal para a seção de “Programação, Acompanhamento e Controle da Ação Fiscal”, visando a inclusão da empresa Cárdio Pulmonar Serviços Médicos Ltda, CNPJ 14.909.568/000134, no rol das empresas a serem fiscalizadas. A auditoria optou pela não fiscalização conjunta das duas empresas. O Relatório Fiscal ainda ressalta que na Cárdio Pulmonar Serviços Médicos Ltda todos os médicos prestam serviço à empresa como sócios, com cotas variando de R$ 22,00 a R$ 140,00, para um capital inicial de apenas R$ 6.048,00, em 2006. Em uma análise por amostragem sócios com cotas na empresa no valor de RS; 140,00 têmse retirada de lucro acima de R$ 300 mil no ano. Com esse entendimento, o atendimento médico, atividade precípua da empresa, é colocado em uma empresa à parte, sendo todos os médicos, também sócios. Como na prática as duas empresas se comportam como uma só, verificase que a parte substancial da folha de pagamento, os médicos, são caracterizados como sócios, em tese, para o não pagamento de tributos da área previdenciária. Além disto, os médicos de ambas as empresas, recebem honorários relativos a serviços prestados, que também estão sujeitos à incidência de contribuições para a Previdência Social. Para fugir novamente a esta contribuição e ao Imposto de Renda Pessoa Física, a empresa tem entendido, incorretamente, que o pagamento de honorários médicos se confunde com o lucro, o que provoca o não recolhimento das contribuições previdenciárias e demais tributos, em relação aos pagamentos dos serviços prestados pelos médicos. Ressalta ainda o Relatório que em relação às sociedades civis de prestação de serviços de profissões regulamentadas, que é o caso da empresa Cárdio Pulmonar Serviços Médicos Ltda, CNPJ 14.909.568/000134, aplicase o disposto no § 5o do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, com a alteração advinda pelo Decreto 4729, de 09/06/2003. Dessa forma, no caso das sociedades civis, é necessário contabilizar distintamente o prólabore e a distribuição de lucros, pois não o fazendo desta forma, e distribuindo apenas lucros para os sócios, este lucro terá incidência de contribuição previdenciária sobre o valor total distribuído. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 4 5 Outros fatos encontrados durante a fiscalização foram o recebimento de recibos emitidos por pessoa jurídica, em vez de notas fiscais, como é o caso das empresas SSC Serviços e Soluções Contábeis, CNPJ 05.964.213/000157, JCL Telles Advocacia, CNPJ 34.434.803/000176 e WBL Sistemas, CNPJ 97.376.503/000106. A emissão de recibo em vez de NF pode ensejar, em tese, a omissão de receita, definida como crime pela Lei n° 8.137, de 27/12/1990. Além deste fato, empréstimos de mútuo entre a empresa e os funcionários para o pagamento de despesas com educação não foram devidamente assinados pela empresa e pelos funcionários, podendo ensejar a nulidade das operações, mesmo tendo sido escriturados contabilmente. Durante a auditoria, foram realizadas cinco diligências em empresas que prestam serviços ao Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia, como forma de subsidiar os trabalhos. Foram elas: Clinica Wellington Cunha Serviços Médicos Ltda, CNPJ 42.052.415/000159; José Carlos Carneiro Lima Soc. Simples Ltda, CNPJ 14.656.060/000171; Serviço De Reabilitação Intensiva Soc. Simples Ltda, CNPJ 34.234.757/000161. Com relação à obra de reforma e ampliação da estrutura física da instituição, como foi feito um contrato de empreitada total com a empresa PL Construtora Ltda, originando a criação de outro CEI, em nome desta última, foram verificados apenas se houve retenção no percentual de 11% nos pagamentos de mão de obra, conforme determina a lei. Verificamos o cadastramento do CEI 04.275.18619/78, em nome do Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda, sem recolhimentos e do CEI 31.590.05017/75 em nome da PL Construtora Ltda, onde foram recolhidas as retenções efetuadas. O primeiro CEI está com o cadastro incompleto, não permitindo verificar a possibilidade de se tratar de obra nova, reforma ou demolição além dos dados relativos à metragem. O art. 220 do Decreto no 3.048, de 06 de maio de 1999, disciplina este assunto. A partir da competência 03/2002, a empresa obteve liminar para o não recolhimento das contribuições para outras entidades e fundos relativas ao Serviço Nacional do Comércio, no percentual de 1,5% sobre a folha de pagamento, e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, no percentual de 1%, através do Mandado de Segurança n° 2002.33.00.004726, devendo recolher as contribuições em juízo. Através do DEBCAD 35.943.6242, já tinham sido cobradas as contribuições para estas duas entidades abrangendo o período de 03/2002 a 10/2005. Este débito encontrase com exigibilidade Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 6 suspensa até o trânsito em julgado do processo judicial, conforme Acórdão n° 1503.369. No período abrangido pela auditoria, de 01/2005 a 12/2006, a empresa informou em desacordo com o Manual do Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, o campo "Outras Entidades" com a informação 115. Esta informação abrange o recolhimento às entidades SESC e SENAC, nos " percentuais de 1,5% e 1%, gerando divergências entre o valor declarado e o valor pago. A partir da competência 12/2006 e até a competência 12/2008, a empresa passou a informar o campo "Outras Entidades" com a informação 067, que não compreende o recolhimento para o SESC/SENAC, de acordo com o capítulo IV Orientações específicas, item 7, mencionado anteriormente. Com a versão 8.4 do sistema SEFIP, com validade a partir da competência 11/2008, este entendimento foi alterado. Desta forma, a empresa foi comunicada para corrigir todas as GFIP informadas no campo "Outras Entidades", incorreto, de acordo com o manual do SEFIP. Como os pagamentos ao SESC e SENAT, durante o período da ação fiscal, de 01/2005 a 12/2006, foram declarados em GFIP, será confeccionada informação fiscal para o setor responsável pela cobrança de contribuições previdenciárias inadimplentes. De acordo com informações constantes do livro Razão, a empresa vem recolhendo judicialmente os valores relativos às contribuições para o SESC e SENAC. Os levantamentos com as contribuições devidas e não recolhidas pela empresa, relativos a esta auditoria, estão detalhados abaixo, com sua respectiva legislação. São eles: · ALM DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO, · BRE BOLSA RESIDÊNCIA EM ENFERMAGEM, · FUT ALUGUEL CAMPO DE FUTEBOL, · PLI PROLABORE INDIRETO, · PRÉ PRESTADORES DE SERVIÇO, · SDX RETENÇÃO SODEXHO DO BRASIL, · TAX TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS e · HON HONORÁRIOS PROFISSIONAIS. Devido às atividades desenvolvidas pela empresa, o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da capacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho é de 2% (dois por cento). O contribuinte não possui convênio com o Programa de Alimentação do Trabalho, solicitado através do Termo de Início da Ação Fiscal de 08/08/2008 e não apresentado. Esta Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 5 7 informação foi corroborada com dados do Ministério do Trabalho. A legislação previdenciária esclarece no parágrafo 9º, letra c, do art. 28, da Lei 8.212/1991, que somente não incidirá contribuição sobre a parcela de alimentação, se o fornecimento da mesma estiver de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador. O Relatório Fiscal enfatiza que a alimentação fornecida ao trabalhador possui expressão econômica pela sua habitualidade e costume e, com o tempo, o empregado passa a contar com estes acréscimos. A lei 6.321/76 foi instituída como incentivo fiscal, configurandose em verdadeira exceção e, a não ser nos moldes do PAT, todos os gastos com refeições integram o salário de contribuição. A Consolidação das Leis do Trabalho, em seu artigo 458, descreve, claramente o conceito de salário para todos os efeitos legais: Como se trata de um hospital, o contribuinte também possui despesas de alimentação dos seus pacientes, que não devem se confundir com a alimentação dos seus funcionários. Para isso, a empresa possui em sua contabilidade as contas de despesa: 4.1.1.02.07 – “Dietas Pacientes”, 4.2.1.01.16 – “Despesas de Alimentação” e 4.1.1.01.13 – “Despesas de Alimentação”. Na conta “Dietas Pacientes”, tanto durante o ano de 2005 quanto de 2006, aparecem pagamentos basicamente para as seguintes empresas: Nutrimaster Comércio de Produtos Nutricionais Ltda, CNPJ 04.410.951/000190; Tecnovida Comercial Ltda, CNPJ 01.884.446/000170; Nutrimec Produtos Nutricionais Ltda, CNPJ 13.722.574/000115; PSH Produtos e Serviços Hospitalares Ltda CNPJ 03.008.929/000155; Nutricional Produtos Hospitalares Ltda CNPJ 04.628.696/000156. Todos os pagamentos para estas empresas não foram computados no levantamento ALM Despesas com alimentação, por se tratar de despesas de alimentação com os pacientes. Na análise da documentação da contabilidade das contas 4.2.1.01.16 e 4.1.1.01.13, foram computados poucos lançamentos, e bastante esparsos, de notas fiscais classificadas como alimentação. Após julho/2006, começam a aparecer na conta 4.1.1.01.13 Despesas de alimentação, pagamentos a empresa Sodexho do Brasil Comercial Ltda. as notas fiscais da empresa Sodexho, de número 36267 a 36270, aparecem na contabilidade do Instituto Cardio Pulmonar da Bahia, em junho/2006, como sendo despesas da empresa Cardio Pulmonar Serviços Médicos Ltda, conforme extrato do livro Razão. Durante a auditoria, foi verificado que a empresa Sodexho do Brasil além de prestar serviço de alimentação para os pacientes da empresa, também presta serviço de alimentação para os Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 8 funcionários, tanto da Cárdio Pulmonar Serviços Médicos quanto do Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda, além de ter uma lanchonete funcionando no prédio para uso dos médicos, funcionários, pacientes e acompanhantes. Dessa forma, por não possuir convênio com o PAT, os valores pagos como auxílio alimentação ao trabalhador se tornam salário de contribuição, de acordo com a Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 28, I. Para evitar o lançamento de contribuições previdenciários dos valores pagos à contratada Sodexho referentes a dietas com pacientes, a empresa auditada forneceu uma tabela contendo as notas fiscais emitidas pela empresa Sodexho Comercial do Brasil Ltda, separando os valores pagos como alimentação aos funcionários dos valores relativos a pagamento de dietas aos pacientes. Sobre os valores desta tabela, foram cobradas as contribuições previdenciárias do levantamento ALM Alimentação, exclusivamente sobre os pagamentos como alimentação dos funcionários, por a empresa não apresentar convênio com o PAT. Em relação ao levantamento BRE Bolsa de residência em enfermagem, de acordo com o Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, art. 9º. Aqueles profissionais foram considerados como segurados obrigatórios da previdência social, contribuinte individual, nos termos do Inciso V, alínea “j” (daquele parágrafo), bem como do inciso X do parágrafo 15, com redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29/11/99. O Ministério da Saúde no Guia de Orientações para o enfermeiro residente, capítulo Normas e Diretrizes da Residência em Enfermagem, diz que o enfermeiro residente deverá comprovar, mensalmente, junto à fonte pagadora, os recolhimentos efetivados para a Previdência Social. O não cumprimento desta cláusula implica a suspensão do pagamento da bolsa." O Relatório Fiscal ainda registra que de acordo com o art. 17° da Medida Provisória n° 447, de 14 de novembro de 2008, que alterou o art. 4o da Lei n° 10.666, de 08 de maio de 2003, fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia vinte do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. Por esse entendimento o enfermeiro residente é caracterizado como contribuinte individual sujeito às mesmas regras do médico residente, devendo a empresa contratante pagar a parte patronal e reter a parte pessoal desse segurado. Até a Instrução Normativa MPS/SRP n° 20, de 11 de janeiro de 2007, ao falar da contribuição devida pelo médico residente, quando paga em desacordo com a lei, estende o termo para "médico residente ou o residente em área profissional da saúde", o que corrobora esse entendimento. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 6 9 O pagamento de aluguel de campo de futebol para lazer dos funcionários, cobrado através do levantamento FUT Aluguel de Campo de Futebol, caracterizase como vantagem pessoal não abrangida por legislação específica e como se trata de uma liberalidade da empresa é base de incidência para a Previdência Social, de acordo com o art. 214 do Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Da mesma forma, o pagamento de despesas pessoais dos sócios, como IPTU, seguro de vida e até mesmo presentes pessoais, discriminados no levantamento PLI Prólabore Indireto, caracterizamse como remuneração indireta, estando sujeito à contribuição para a Previdência Social, além de infringir o princípio da Entidade presente nas Normas Brasileiras de Contabilidade (art. 4o O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade). O levantamento PRE Prestadores de Serviço, relaciona o pagamento de prestadores de serviço caracterizados como contribuintes individuais de acordo com o Decreto 3.048, de 06/05/1999, Art. 201, com contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29/11/99. A empresa também é obrigada a descontar a contribuição pessoal dos contribuintes individuais que lhes prestam serviço, no percentual de 11%, de acordo com o art. 216 do Decreto 4.048, de 06/05/1999: O levantamento TAX Transportadores autônomos, referese basicamente aos pagamentos a motoristas de táxi constantes dos movimentos contábeis encontrados. Este levantamento está amparado no § 4o do art. 201 do Decreto 3.048, de 06/05/1999: Em relação aos pagamentos a empresa Sodexho Comercial do Brasil Ltda, levantamento SDX, também entendese que deveria haver retenção no percentual de 11% sobre o valor da nota fiscal, respeitado os descontos permitidos por lei. Fundamenta retenção no art 219 do RPS, em que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5o do art. 216. (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 9/06/2003) Ainda em relação ao instrumento da retenção, se reporta à Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, art. 146. Para este fim, a empresa Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda coloca à disposição as suas instalações físicas para preparo de refeições por pessoal da empresa Sodexho do Brasil Comercial Ltda, conforme discriminado em contrato, em anexo. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 10 A empresa Sodexho não efetuou o destaque da retenção, emitindo nota fiscal de venda de mercadoria, tentando descaracterizar o instrumento da retenção, o que não exclui a responsabilidade da empresa Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda, de fazêlo., nos termos dos arts. 146, 150, I e 151 da IN n° 3, de 14/07/2005. Como não houve separação do valor do material e da mão de obra nas notas fiscais emitidas pela empresa Sodexho do Brasil Ltda, o valor da retenção foi calculado pelo valor bruto da nota fiscal. O levantamento HON Honorários profissionais, referese ao pagamento aos sócios sobre serviços prestados como médicos. O Relatório fiscal menciona a confusão entre o prólabore decorrente do serviço prestado pelos sócios como médicos com a figura do lucro, não incidindo contribuição previdenciária nem imposto de renda. Dessa forma, tanto os honorários pagos aos sócios por serviços prestados quanto ao lucro contábil distribuído aos sócios no final do exercício ou como forma de antecipação, não estariam sujeitos às contribuições previdenciárias e demais tributos. Como esta interpretação está em desacordo ao art. 28, I, da Lei 8.212, de 24/07/1001, que define salário de contribuição, já mencionado anteriormente neste relatório, a empresa foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 3, de 03/02/2009 a informar a "relação de todos os pagamentos aos sócios, durante os anos de 2005 e 2006, identificando a origem do lançamento", o que não foi realizado. Dessa forma, todos os pagamentos aos sócios onde não foi possível cientificar de que se trata de distribuição de lucro foi relacionado a este levantamento. Ressaltese que durante o ano de 2006, segundo informações do balanço contábil deste ano, a empresa não distribuiu lucro, o que caracteriza todos os pagamentos aos sócios como honorários médicos. Uma análise conjunta dos créditos pagos aos sócios, conforme contrato social, revela a fragilidade dos pagamentos realizados aos sócios como lucro. Pela análise da12a alteração contratual, de 17 de junho de 2005 verificase que no caso do sócio Francisco Peltier Queiroz, por exemplo, suas cotas foram transferidas para a empresa IFQ Participações Ltda, CNPJ 01.988.557/000145, passando sua participação de 56,16% para 0,001%. Assim, os pagamentos para o sócio Francisco Peltier Queiroz a partir dessa data não podem ser caracterizados em nenhuma hipótese como lucro, porque a pessoa física Francisco Peltier Queiroz praticamente deixou de ser sócio do Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia, o que leva à conclusão de que os pagamentos foram relativos a honorários médicos. Da mesma forma temos o sócio José Carlos Carneiro Lima, que repassou as suas cotas para a empresa Patrimonial Seabra Lima Ltda, CNPJ 05.679.344/000192, ficando com apenas 0,001% das cotas das empresa Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 7 11 O critério de proporcionalidade de distribuição dos lucros de acordo com a quantidade de cotas de cada sócio está mencionada desde a constituição da sociedade, no Contrato Social, cláusula 10 Balanços e Resultados. Esta cláusula se manteve na alteração contratual de 14.01.1996, permanece na 10a alteração contratual, de 31.03.1998, nem foi revogada na 12a alteração contratual, de 17.05.2005, para uma possível adequação ao novo Código Civil, onde permanece a proporcionalidade. Como não houve uma proporcionalidade na distribuição dos lucros distribuídos pela empresa, evidenciase que entre os valores encontramse pagamentos relativos a honorários, conforme atestam os diversos documentos anexados ao presente processo. Sobre este assunto, a Lei 10.406, de 10.01.2002 (Código Civil), no seu artigo 1007, fala que salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. No entanto, pela analise das informações presentes no anexo I, verificase claramente que existem pagamentos aos sócios pelo exercício de honorários médicos. Em relação a este documento, verificase mais uma vez que a empresa descumpre dois princípios básicos da contabilidade, que é o da Entidade, ao pagar contas pessoais dos sócios, como cartões de crédito, mesmo descontando posteriormente dos honorários a serem recebidos. Pela análise do mesmo documento constante no anexo I, verificase que a empresa descumpre o princípio do "Registro pelo Valor Original" ao contabilizar os lançamentos pelo valor líquido, creditando aos sócios Antonio Carlos Moreira Lemos, por exemplo, o valor de R$ 15.381,64, em 23/08/2005, referente ao período de 21/07/2005 a 19/08/2005, englobando receitas de consultas, visitas e procedimentos médicos realizados pelos sócios, deduzindo despesas pessoais com cartão de crédito, telefone e aluguel de salas e somandose os valores relativos a dividendos. Esta operação, que deve se repetir para os demais pagamentos aos sócios e demais períodos identifica a existência de uma conta extra contabilidade da empresa, já que os valores não aparecem na contabilidade, conforme mencionado no item anterior. Somandose a isso, os valores considerados como receita (visitas, consultas, procedimentos médicos) não foram considerados como receita da empresa, mas exclusivamente como receitas dos serviços prestados pelo médico sócio. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 12 Assim, fica claro que essas receitas são pessoais, dos sócios e não da empresa. Para que se pudessem caracterizar esses pagamentos aos sócios como lucro, eles deveriam ser contabilizados como receitas da empresa, que deduzidas as despesas, geraria o lucro, o que não ocorreu. Dessa forma, a empresa confunde o termo honorário, que é a remuneração pelo exercício de uma profissão liberal, com o termo lucro, que é o retorno positivo de um investimento feito por um indivíduo nos negócios. Ao confundir honorário com lucro, a empresa provoca o não pagamento das contribuições previdenciárias e demais tributos sobre o recebimento de honorários pelos médicos. Verificouse também que as empresas IFQ Participações Ltda e Patrimonial Seabra Lima Ltda não receberam lucros antecipados durante o ano de 2005, após a sua entrada na empresa, em junho de 2005, o que torna incompatível o recebimento de lucro pelos sócios pessoas físicas a partir dessa data, já que não é possível distribuir lucro para os sócios pessoa física e não distribuir para os sócios pessoa jurídica. O Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda também celebrou contrato de sociedade com Carlos Gilberto Widmer, Luiz Eduardo Lago de Castro e Thati Seixas Lima Maia para a aquisição de um tomógrafo por estes últimos e aluguel ao primeiro. De acordo com a cláusula segunda, item 4, do contrato celebrado, "os sócios participantes, se e quando exercerem atividades de uso do equipamento, serão remunerados pelo valor de honorários estabelecido para o procedimento". Como a empresa também não forneceu a relação de pagamentos a estes sócios ostensivos, separando o que é o valor do aluguel do equipamento e o que é honorário, os pagamentos aos sócios do tomógrafo foram classificados como honorários. Ressaltese que a constituição da sociedade para uso do tomógrafo foi assinado em 24 de outubro de 2005, sendo que os pagamentos aos sócios iniciaramse em janeiro de 2005, ou até mesmo anteriormente, já que não foi analisada a documentação contábil anterior a 2005. O Relatório Fiscal ainda esclarece sobre a questão das multas. Durante o período da auditoria, houve uma alteração na legislação provocada pela edição da MP 449/2008, de 03/12/2008, que alterou o percentual da multa de ofício de 24% para 75% e extinguiu o Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória com código de Fundamentação Legal 68 (não declaração dos fatos geradores em GFIP) e inclusão dos artigos 32A e 35A na Lei n° 8.212/91, incluindo os Al CFL 77, entrega de GFIP em atraso, e CFL 78, entrega com omissões/incorreções relacionadas ou não a fatos geradores de contribuições previdenciárias. A MP 449/2008 foi convertida na lei n° 11.941/2008, de 27 de maio de 2009, mas por conta do princípio da retroatividade benigna estipulada pelo Código Tributário Nacional no art. 106, Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 8 13 incisso II, c, devese comparar a multa imposta pela legislação vigente à época do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente, aplicando a mais benigna, por competência. O valor e metodologia de cálculo do Al por descumprimento de obrigação acessória com CFL 68 estão discriminados no relatório com DEBCAD 37.169.6380, sendo que em todas as competências a empresa foi beneficiada com o limite máximo definido em lei, por competência, no valor de R$ 13.291,80. Dessa forma, comparandose as duas metodologias, verificase que para as competências 01/2005, 03/2005, 04/2005/ 05/2005, 06/2005, 07/2005, 08/2005, 09/2005, 02/2006, 03/2006, 04/2006, 05/2006 e 12/2006, a multa mais benéfica para o contribuinte é a definida na Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008. Da mesma forma, para as competências 02/2005, 10/2005, 11/2005, 12/2005, 01/2006, 06/2006, 07/2006, 08/2006, 09/2006, 10/2006, 11/2006, a metodologia adotada foi a anterior à publicação da MP n° 449, com multa de ofício de 24% mais o Auto de Infração por Obrigação Acessória no Código de Fundamentação Legal 68. Por conta da adoção do princípio da retroatividade benigna foram criados levantamentos espelhos, separando os levantamentos da com cobrança das contribuições previdenciárias pela metodologia anterior à MP 449/2008 e pela atual. Quanto ao levantamento SDX a multa aplicada foi sempre de 24% por não influir no cálculo do Al CFL 68 e pela empresa não ser obrigada a informar os dados em GFIP Em relação às contribuições para as outras entidades e fundos a multa aplicada foi de 24% para todo o período, por não influir no cálculo do CFL 68. A escrituração contábil que serviu de base para os lançamentos foi fornecida pela empresa através do Termo de Início da Ação Intimação Fiscal. O Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal foi desmembrado em três, constando, no primeiro as contribuições a cargo da empresa (DEBCAD 37.169.6402), no segundo as contribuições pessoais cargo dos segurados/contribuintes individuais (DEBCAD 37.169.6410) e no terceiro as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (DEBCAD 37.169.6429), conforme discriminado abaixo. Neste Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal relativa às contribuições patronais, estão relacionados os itens de pagamento 12 (Empresa), 13 (SAT/RAT), 14 (C. Ind/Adm/Aut) e 10 (Ret. Nota Fiscal). Durante o presente processo fiscal foram lavrados os Autos de Infração discriminados à fl. 79. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 14 Todos os valores relacionados aos levantamentos estão discriminados nos relatórios Discriminativo Analítico do Débito, Discriminativo Sintético do Débito, Relatório de Documentos Apresentados e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. Além dos dispositivos citados no corpo deste relatório, fundamentase também o presente crédito previdenciário pela legislação constante do relatório Fundamentos Legais do Débito. Para efeitos de anexação de documentos de prova foi designado o processo de DEBCAD 37.169.6402 como processo principal, ficando os demais processos como secundários. O contribuinte recebeu as segundas vias do Termo de Início da Ação Fiscal e Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. Em função da origem dos créditos tributários será feita Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Púbico Federal e Termo de Comunicação de Débitos. Não foi confeccionado Termo de Arrolamento de Bens devido à soma dos créditos tributários, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não exceder a trinta por cento do patrimônio conhecido, conforme Instrução Normativa SRF n° 264, de 20 de 20 de dezembro de 2002, no valor de R$ R$ 29.601.928,98, de acordo o Balanço Patrimonial de 31/12/2008. O contribuinte, cientificado do lançamento ora sob julgamento em 14 de julho de 2009 (fl.02), apresentou, em 12 de agosto de 2009 (fl.26), sua peça de impugnação, mediante instrumento acostado ao presente processo (fls. 26 a 45), alegando, em síntese, o seguinte: A Auditoria não levou em consideração a comprovação dos dados com base na escrituração contábil, conforme lançamentos em contrapartida na conta do Patrimônio Liquido – “Lucros Acumulados”. Nada no ordenamento jurídico obriga a remuneração dos sócios através de prólabore, em vez da possibilidade de assim fazêlo pela distribuição de lucros. Por outro lado, a não separação de tal pagamento na contabilidade não implica na sua desconsideração enquanto lucro distribuído e sua conseqüente caracterização como prólabore, até porque o procedimento classificatório é da essência da técnica contábil. O que ainda é mais verdadeiro no caso de empresas que optem pelo regime de lucro presumido, situação em que os dados comprobatórios da distribuição de lucros estariam nas declarações de rendimentos apresentadas pelos sócios (nos termos da ADN / Cosit nº 4, de 1996). Além disto, chama à atenção para a existência de uma Sociedade em Conta de Participação (SCP), que, a despeito de sua autonomia, não dispõe de personalidade jurídica própria. Salienta que A SCP, da qual a autuada é sócio ostensivo, não se confunde com aquela. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 9 15 As apurações de base de cálculo e dos tributos correspondente dãose, pois, separadamente ente a SCP e o sócio ostensivo. Estanha assim o lançamento fiscal em um único Auto de Infração, que traz inclusive implicações quanto à regra do sigilo fiscal. Antecipa, assim, o pedido de arquivamento do auto. A lei fiscal autoriza três formas não excludentes capazes de retribuir valores aos cotistas de sociedades. Uma é na forma de prólabore, a qual deve ter previsão no contrato social com estabelecimento de limites de pagamento, período, etc. A segunda é da remuneração do capital através da distribuição do lucro. A terceira são os juros sobre capital próprio que não comentaremos para não atrapalhar o cerne da questão. Praticamente todas as sociedades abandonaram a retribuição através do prólabore em razão da desoneração tributária determinada pela lei fiscal do imposto de renda, Lei n° 9.249, de 1995, que afastou da tributação o pagamento de lucros e dividendos. O discurso oficial de então, que perdura até a presente data, é que a sociedade é uma ficção do direito, é uma abstração, pois a tributação efetiva incide é sobre as pessoas naturais da sociedade com implicação direta na remuneração do investidor (sócio). O pressuposto da distribuição de lucro é a sua existência, os quais podem ser remanescentes de anos anteriores, de lucros contemporâneos ou do mesmo de período ainda não concluso. Sendo este último efetivo, pela via do balanço especial ou mesmo por estimativa. A apuração estimada de lucro, habilitado à distribuição, foi descrita e autorizada pela Receita Federal do Brasil quando interpretou dispositivo da lei em comento, determinou regras da apuração do lucro, através da Instrução Normativa n° 11, DE 1996, art. 51, parágrafos 2º, 3º e 4º. Do ato interpretativo oficial da autoridade tributária é possível afirmar que o lucro distribuído pode ser contábil ou estimado. Como se lê, o lucro sujeito à distribuição pelo critério estimado é o resultante da soma algébrica inserida no parágrafo segundo acima transcrito. De outro lado, o critério contábil decorre de reservas de lucros (lucros antigos, com ou sem destinação especificas) como também de lucros acumulados ou contemporâneos, e admite ainda lucros de período em curso, que chamou de "ainda que por conta de períodobase não encerrado". Por outro giro, a distribuição de lucro pode ser realizada em proporção diferente do percentual de participação de cada sócia no capital da sociedade. Essa possibilidade já é admitida pela Receita Federal em seus chamados "Perguntas e Respostas “editados na década passada. Ademais, o novo Código Civil, em seu art. 1007 assim autoriza o pagamento desproporcional. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 16 Eventual cláusula com estipulação em contrário à regra descrita no enunciado da norma é mera recomendação do enunciado, pois, como é sabido, nem todas as práticas e opções realizadas no mundo real das sociedades estão previstas em contrato. Ou seja, a efetividade da distribuição desproporcional sem resistência de qualquer sócio revela a concordância tácita, fato que supera a necessidade de cláusula expressa. A vontade dos cotistas pode definir critérios de distribuição de lucros não proporcionais à participação no capital social da sociedade com idêntica validade. A possibilidade de desproporção não fica atrelada a critério legal. Assim estabelecer que o sócio com determinado percentual de participação no capital esteja limitado a certa quantidade de lucro afrontaria o dispositivo do código civil, que não só permitiu como autorizou a desproporção. Como afirmado na inicial, não existe lei obrigando o pagamento de prólabore, esta é uma remuneração que depende apenas da vontade dos cotistas, desde que cumpridos determinados prérequisitos. Neste sentido, cita o caso da antiga "firma individual" para o qual foi editada a "Consulta Técnica n° 328, de 2003", na qual é dito que o titular seria contribuinte obrigatório do Regime Geral RGPS independentemente de retirada de prólabore. Da mesma forma, lembra a Consulta Técnica 605, de 2005, que não incluiu no rol dos segurados obrigatórios o empresário unipessoal (firma individual), no caso de não receber prólabore, podendo contribuir na qualidade de facultativo. Passa em seguida a discorrer sobre o levantamento "HON — Honorários profissionais", fazendo referência ao "Relatório Fiscal da Auditoria", que se reporta ao Auto de infração 37.169.6402, cujos temas estão dispostos nos parágrafos 19 a 22, páginas 4 e 5, e parágrafos 66 a 84, páginas 18 a 21. A Impugnante rechaça o lançamento lembrando a confusão com a "Cárdio Pulmonar Serviços Médicos Ltda”, enquanto a razão social da Impugnante é “Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia LTDA”. Mesmo assim, informa a apresentação do rol de empregados do Instituto, dentre eles, médicos que prestaram serviços nos anos de 2005 e 2006, na condição de empregado ou prestador de serviço e que não pertencem ao quadro societário da Impugnante. Também discorda do procedimento fiscal fundamentado na alegação de que não teriam sido apresentados documentos contábeis com a separação de prólabore e a distribuição de lucro, bem como do lançamento conseqüente: tributação de todos os valores como se prólabore fossem, com base no decreto 4.729, de 2003, que alterou o regulamento da Previdência Social, artigo 201. Ressalta que a Impugnante não é sociedade civil desde a alteração contratual n° 12, de junho de 2005, pois existe em seu quadro societário pessoa jurídica (vide Anexo III), assim como também não se enquadra no sucedâneo, a sociedade simples. A Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 10 17 tese fica robustecida pelo fato da impugnante recolher o ISS a Prefeitura Municipal de Salvador com base no faturamento, enquanto as sociedades civis recolhem em valor fixo em razão do numero de profissionais sócios. Por isso mesmo, na atualização com o novo código a sociedade foi convertida em "sociedade limitada empresária" Além da Impugnante não ser uma sociedade civil, ainda contesta o entendimento fiscal, lembrando que, em relação ao tema da antecipação de Lucro de exercício não iniciado, a Receita Federal do Brasil permite a distribuição de lucro antecipado, por conta de exercício em curso, conforme previsto na Instrução Normativa 11, de 1996, art. 51, § 3o, repisada no Ato Declaratório Normativo Cosit n°4, de 1996. Não existe no ordenamento jurídico, e mais especificamente, no sistema tributário qualquer restrição de pagamento de lucro em valores desproporcionais. Ao revés, o Código Civil, regula a matéria permitindo a desproporção. A expressão "salvo estipulação em contrário" é a autorizadora das sociedades distribuírem lucros desproporcionais ao Capital. Essa estipulação pode ser feita a cada resultado ou distribuição. E não precisa ser escrita em contrato, é suficiente a aquiescência da maioria ou de todos, como é o caso da Impugnante. Impossível é a sustentação de lançamento que diverge na essência: quer pelo destinatário do enunciado (sociedade civil, enquanto que a Impugnante é sociedade empresária), quer pela incompatibilidade quanto à conceituação fiscal do que seja prólabore ou lucro. Quanto à alegada falta de discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, a impugnante assevera que tal discriminação se encontra em sua escrituração contábil. Pois, os lançamentos pertinentes ao prólabore estão em contrapartida nas contas de despesas do grupo do resultado, enquanto que para os pagamentos a título de distribuição de lucros a contrapartida é a conta de "lucros e prejuízos acumulados". Além disto, os valores distribuídos a título de lucro também se confirmam nas declarações de ajuste anual dos sócios beneficiários (anexos juntados na defesa). Igualmente refuta o argumento de que não teria a Impugnante identificado a origem do lançamento, afirmativa incompatível com a informação dada pelo próprio autuante dando conta de que teve acesso aos registros contábeis. Neste sentido, para comprovar que o acesso aos registros contábeis foi suficiente, faz a juntada das contas do Razão que sintetizam a distribuição, as quais foram disponibilizadas no curso da fiscalização, da seguinte forma: ... Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 18 Reitera o equívoco do autuante em relação ao ano de 2006, vez que a Impugnante não distribuiu lucros no período, ressalvado os distribuídos para os sócios da SCP. Quanto ao referido ano de 2006 esclarece o ocorrido: · a Impugnante era devedora da Cárdio Pulmonar Serviços Médicos Ltda. (conta do passivo exigível — mútuo da Cárdio Pulmonar). E no ano de 2006, diversos pagamentos foram realizados a terceiros, por conta e ordem da Credora (Cárdio Pulmonar), para amortizar dívida da Impugnante; · por conta das amortizações, houve a entrega de numerário, sempre por conta e ordem do Credor, tendo como beneficiários alguns sócios do Credor, por isso, tais valores foram a débito da conta do passivo que registrava o mútuo. · portanto, a Impugnante não distribuiu lucros no ano de 2006. Houve, sim, amortização com entrega de numerário aos sócios da empresa Credora, por sua conta e ordem, ainda que se considere a existência de sócios comum ao Impugnante e a empresa Credora; · por outro lado, a Impugnante distribuiu lucro em 2005 e contabilizou os valores nas contas de Lucros acumulados (o que não ocorreu em 2005). Contesta também a afirmação do auditor de que os valores distribuídos a título de lucro, são, em sua ótica, rendimentos pessoais auferidos por aquelas pessoas (não contabilizados, por não serem receitas da empresa). Reitera, ainda com relação a este aspecto, que inexiste razão na autuação quanto a distribuição de lucros para as sócias IFQ Participações Ltda. e Patrimonial Seabra Lima Ltda. Põe em xeque a autuação ao afirmar que apesar da alteração contratual pela qual foram transferidas cotas sociais antes de titularidade das pessoas físicas dos médicos Francisco Peltier Queiroz e José Carlos Carneiro Lima para as mencionadas pessoas jurídicas por eles constituídas, os lucros continuaram (no período fiscalizado) a ser pagos às pessoas físicas. Destaca que no próprio relatório fiscal da auditoria consta a informação de que essas duas pessoas físicas continuaram como sócios da impugnante, em que pese a redução das suas respectivas participação societárias para 0,001% do capital social. Remanesceram, deste modo, na qualidade de sócios, pessoas físicas da impugnante, com direito a percepção de lucros. O que coloca em questão de qual seria o motivo da tributação na Impugnante se o caso se remete a rendimentos pessoais. Em conclusão a questão da distribuição de lucros tributada como prólabore, não é possível a manutenção do crédito tributário construído sob tamanho equivoco. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 11 19 Pois, uma atenta leitura dos argumentos e das peças contábeis juntadas é possível criar a convicção sobre a insubsistência dos autos de infração nesta parte. Quanto ao levantamento Alimentação, o auto de infração imputa à autuada suposto descumprimento de obrigação tributária com aplicação de multa, sob a alegação de que a mesma não teria declarado em GFIP valores concernentes à alimentação. Não se sustenta a tese do autuante, em razão da impugnante não estar conveniado ao PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, as despesas com alimentação compõem o salário pagos "in natura", passível de integração à remuneração, fato gerador da contribuição previdenciária. A Jurisprudência é pacífica e entende que não é obrigatório a empresa ser conveniada ao PAT para o fornecimento de alimentação aos seus funcionários, não compondo a remuneração. Cita jurisprudência sobre a matéria. Deste modo, o auto de infração veicula exigência tributária de forma contrária ao entendimento da jurisprudência dos tribunais superiores. O fato da impugnante não manter convênio com o PAT não descaracteriza a natureza jurídica do fornecimento de alimentação. Por conseguinte, não é cabível a exigência de declaração destes valores em GFIP, conforme entendimento do autuante. Relativamente ao levantamento “Bolsa residência em enfermagem”, a impugnante foi autuada sob o equivocado entendimento de que os valores pagos à títulos desta rubrica deveriam ter sido declarados em GFIP, com o pagamento da parte patronal e retenção da parte pessoal do residente. No caso da impugnante, a bolsa residência não se caracteriza como salário, possuindo caráter eminentemente ressarcitório e não remuneratório. Não se aplica o art. 9o, X, do decreto n.° 3.048/99, porque a referida norma legal inclui como segurado obrigatório da Previdência Social o "Médico Residente", enquanto que a hipótese em exame é de bolsa de residência em enfermagem. Por todos esses motivos, não é devida a contribuição exigida nem a obrigação de declaração em GFPI, muito menos, a multa aplicada. Vale observar que a impugnante possui quadro funcional composto por diversos profissionais em enfermagem com vínculo empregatício, em relação aos quais as contribuições devidas são corretamente pagas. O oferecimento de bolsa auxílio para enfermeiras em formação atende especificamente ao programa de desenvolvimento de educação profissional em parceira com núcleo de PósGraduação da Escola de Enfermagem da UFBA. A Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 20 impugnante oferece apenas 02 (duas) vagas por ano, para participantes que mantêm vínculos com a Instituição de Ensino citada, caracterizando a relação com a impugnante apenas como estágio profissional, fato que não gera nenhuma obrigação previdenciária. O programa de residência médica que gera obrigações previdenciárias desvincula o médico residente da Instituição de Ensino e o mantém, exclusivamente, vinculado à Secretaria de Saúde do Estado ou à Unidade Médico Hospitalar, caso completamente diferente da situação das enfermeiras "residentes" na unidade da impugnante. O trabalho realizado pelas estudantes de enfermagem não caracteriza "residência", mas sim um estágio complementar, pelo simples fato de ficar mantido o vínculo com a Instituição de Ensino Superior. A impugnante apenas oferece uma bolsa auxílio. Esta situação fática não gera obrigações previdenciárias. A impugnante não se utiliza deste programa para quaisquer finalidades ilícitas. Quanto ao levantamento relativo ao pagamento de aluguel de campo de futebol para lazer dos funcionários, a autuação entendeu que se trata de vantagem pessoal, sujeita a incidência de contribuição previdenciária, por suposta incidência do art. 214, do decreto 3.048/99. Novamente a autuação extrapola os limites legais. Não há qualquer correlação entre o pagamento de aluguel de campo de futebol para lazer dos empregados com a hipótese legal invocada no auto de infração O salário de contribuição, sob aspecto jurídico, abrange a remuneração direta ou indireta, inclusive sob a forma de utilidades, pelos serviços prestados ou pelo tempo à disposição ao empregador. No caso em comento, a impugnante pagou aluguel de campo de futebol, disponibilizandoo para eventual lazer de funcionários, familiares, amigos ou colaboradores da empresa, sem nenhuma vinculação com a contraprestação do trabalho. Para a caracterização jurídica de salário ou remuneração é indispensável o nexo causal entre o pagamento e o serviço prestado pelo empregado. Ainda que ocorra de forma indireta, a utilidade apenas se caracteriza como remuneração na medida em que se implementa pelo trabalho. O pagamento de aluguel de campo de futebol jamais pode ser classificado como remuneração e, por conseguinte, fato gerador de contribuição previdenciária. Não há qualquer controle ou obrigatoriedade no comparecimento à referida atividade de lazer e o intuito é meramente recreativo e de integração dos funcionários com seus familiares c amigos. Nem todos os funcionários utilizam dessa beneficie. Assevera o contribuinte que a autuação pelo pagamento de aluguel de campo de futebol dá o tom da linha de pensamento do autuante, com evidente exacerbação dos limites estabelecidos na legislação em vigor. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 12 21 Em relação ao pagamento de salário indireto aos sócios da impugnante (IPTU, seguro de vida e presentes pessoais), lembra o impugnante, a alegação do autuante de não procede. Em verdade, ocorreram adiantamentos posteriormente ressarcidos e apropriados na conta contábil antecipação de lucros (razão em anexo). Entende, portanto, que não foram esses valores pagos a título de salário indireto, vez que o ressarcimento se constitui como elemento irrefutável da inexistência de natureza salarial. Também impugna a inclusão no auto de valores relativos ao pagamento de prestadores de serviços / contribuintes individuais, nos termos do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, art. 201. Ressalta como incabível tal levantamento, vez que os documentos contábeis demonstram que não se tratam de segurados contribuintes individuais. Com relação à autuação que inclui valores referentes a recibos de pagamentos a motoristas de táxi, considerandoos fato gerador de contribuição a cargo da empresa, com base na suposta incidência do art. 201, § 4o, do decreto 3.048/99, entende como não aplicável ao caso presente a referida hipótese legal tendo em vista que a impugnante não pagou ou creditou a remuneração diretamente ao condutor autônomo do veículo. Esses valores foram reembolsados aos colaboradores que utilizaram eventualmente esses serviços autônomos de táxi. O caráter foi ressarcitório e não remuneratório. A regramatriz da incidência tributária pressupõe o pagamento direto da remuneração ao condutor de táxi, o que não ocorreu no caso em apreço. Assim, não é devida a contribuição exigida nem as multas aplicadas. Quanto ao levantamento “Sodexho Comercial do Brasil Ltda”, contesta a alegação do autuante de que a impugnante teria deixado de reter o percentual de 11% (onze pro cento) sobre o valor das notas fiscais emitidas pela Sodexho Comercial do Brasil Ltda. Explica o contribuinte que, conforme notas fiscais anexas, a Sodexho Comercial do Brasil Ltda. é responsável pelo fornecimento de refeições à impugnante, caracterizado pela entrega das refeições, conforme prescrições e descrições médicas e nutricionais. O objeto da relação jurídica é o fornecimento de produtos e não de serviços. O preço é composto por tabela que relaciona valores para cada item de refeição, sem remuneração por serviços. Quando da emissão das respectivas notas fiscais, a Sodexho Comercial do Brasil Ltda. descreve os produtos vendidos, com quantitativo e valor unitário, com o recolhimento de ICMS, pela circulação de mercadorias. A autuação é equivocada porque inaplicável o art. 219, invocado no item 60 do relatório de auditoria fiscal, na medida em que a impugnante não contratou serviços executados mediante sessão ou empreitada de mão de obra. Por outro lado, a incidência de Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 22 ICMS sobre o valor total da nota fiscal sinaliza para o enquadramento tributário do pagamento, sendo inaceitável bitributação sobre o mesmo fato gerador. Por estes motivos, entende a impugnante, é indevida a cobrança de contribuição previdenciária sobre os pagamentos relacionados no auto de infração, bem como respectivas multas. Não cabe qualquer penalidade neste sentido, até porque as multas aplicadas se encontram revogadas e não exigíveis. Afirma que a descrição do fato/evento, que resultou na aplicação da multa diz que a empresa apresentou documento com "dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”.Ou seja, a empresa teria deixado de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social as contribuições previdenciárias relacionadas no Auto de infração principal. O enquadramento legal da autuação é da Lei 8.212, de 1991 art. 32, inciso IV. O Auditor, portanto, aplicou multa revogada ou multa inexistente. Neste sentido, transcreve os art. 32, IV, parágrafos 2º, 9º e 10º e 11 e art. 32A, I, II, §§ 1º, 2º, I, II, § 3º, I, II da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei 11.941, de 2009. Como a Impugnante entregou a declaração a que se refere o inciso IV do art. 32, na hipótese de manutenção do auto de infração principal sobre a contribuição patronal, a multa aqui aplicável seria a prevista do art. 32 A, inciso I, ou seja, de R$ 20,00, por grupo de omissão ou incorreção na referida Declaração. Considerando que o autuante aplicou uma multa revogada (§4°, do art. 32 da Lei 8.212), bem como o fato de que o art. 79, da Lei 11.941, em seu inciso primeiro, revoga expressamente a multa aplicada, concluise que é nulo o auto de infração que aplica multa retirada do ordenamento jurídico pela revogação, principalmente quando a nova norma está em vigor na época do lançamento. Não é possível prosperar essa autuação e também não pode ser convertida na nova penalidade. Face ao exposto, requer a impugnante o acolhimento desta impugnação para que a Turma de Julgamento determine a nulidade ou o cancelamento do presente Auto de Infração, com o deferimento da preliminar ou improcedência do mérito da autuação, vez que o contribuinte cumpriu com suas obrigações perante o Fisco. Lembra que as parcelas não consignadas em folha de pagamento não têm natureza salarial. Ainda solicita da autoridade julgadora, no caso do insucesso da impugnação, minuciosa decisão acerca da tributação sobre a distribuição de lucros e da nulidade dos autos com multas acessórias revogadas, sob pena de desobediência ao preceito constitucional do direito a ampla defesa e da decisão administrativa motivada. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 13 23 Enfim, que pratique todos os atos, como de hábito, para que se alcance a verdadeira justiça. Pede a produção dos meios de prova admitas em direito, especialmente a prova documental. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: Alimentação: · O fato de fornecer alimentação in natura a seus funcionários afasta a incidência tributária, independentemente da inscrição no PAT. Residência de enfermagem: · A recorrente não tem em seus quadros residentes na área de enfermagem, mas estagiários; · Enfermeiros residentes não são segurados da previdência social; Aluguel de campo de futebol · Essa despesa não compõe o salário de contribuição; · Não é remuneração pelo trabalho, mas lazer dos funcionários e seus familiares. · Para a caracterização de salário ou remuneração é indispensável o nexo causal entre o pagamento e o serviço prestado. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 24 · O campo de futebol é disponibilizado aos funcionários, usufruindo aquele que quiser. Prólabore indireto · Não pagou despesas pessoais dos sócios. · Efetuava pagamentos por conta e ordem do sócio, efetuando o respectivo lançamento em conta do ativo, que viria a ser eliminado no encontro de contas com os lucros acumulados. Prestadores de serviço § Fiscal não apresentou comprovante de todos pagamentos, apresentou menos da metade. Vício. Nulidade. § Irrelevante não ter argüido a nulidade em sede de impugnação. § Contesta o valor. Transportadores autônomos · Os pagamentos foram feitos aos taxistas. Tiveram o fim de ressarcir os colaboradores que se utilizaram de táxi. · Caráter indenizatório. Sodexho Comercial do Brasil Ltda (falta de retenção) · Trata o contrato de fornecimento de produto (refeição), não de serviço, muito menos cessão de mão de obra. · O preço é composto por tabela que relaciona cada item de refeição, sem remuneração por serviço. · Quando da emissão das notas, a Sodexho descreve os produtos vendidos, com quantitativo e valor unitário, com destaque e recolhimento de ICMS. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 14 25 Distribuição de lucros e honorários médicos · Era devedor da Cardio Pulmonar Serviços Médicos Ltda. No ao 2006 efetuou diversos pagamentos a terceiros por conta e ordem do credor. · A existência de sócios comuns entre o credor e o recorrente não afasta a licitude do mútuo. · A disposição contida no artigo 1.007 do Código Civil não obriga que a desproporcionalidade da distribuição dos lucros esteja expressa nos atos constitutivos da empresa. A expressão “salvo disposição em contrário” não determina a forma dessa estipulação, se escrita ou proveniente do costume empresarial. · Os pagamentos feitos a não sócios referemse a aos lucros da Sociedade Em Conta de Participação que o recorrente constituiu com pessoas físicas. Multas · Legislação inaplicável. Nulidade. É o relatório Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 26 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. ALIMENTAÇÃO: A recorrente alega que o fato de fornecer alimentação in natura a seus funcionários afasta a incidência tributária, independentemente da inscrição no PAT. A fiscalização, com base no artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 considerou que a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ocorre que no final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 15 27 fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Entendo que se deva excluir do lançamento os levantamentos relativos à alimentação. RESIDÊNCIA DE ENFERMAGEM: A recorrente afirma que não tem em seus quadros residentes na área de enfermagem, mas estagiários e que bolsa auxílio de estágio não gera obrigação previdenciária. Abaixo ficará demonstrado que não cabe razão à recorrente. Documento apresentado à folha 531, emitido pela coordenadora do Curso de Especialização/Residência do Programa de PósGraduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia e endereçado à Coordenadora de Enfermagem do Hospital Cárdio Pulmonar, encaminha documentação das alunas que atuavam “sob a forma de residência”, “que receberão bolsa”. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 28 Também as folhas de pagamento da Cárdio Pulmonar, folhas 534 a 546, assim descrevem: “Função: RESIDENTE”. Com base tanto em documentos da escola quanto da recorrente, entendo que o trabalho era “residência” e não de “estágio”, portanto, correto o lançamento. ALUGUEL DE CAMPO DE FUTEBOL A recorrente alega que essa despesa não compõe o salário de contribuição; que não é remuneração pelo trabalho, mas lazer dos funcionários e seus familiares e que o campo de futebol é disponibilizado aos funcionários, usufruindo aquele que quiser. O acórdão recorrido fundamentou a manutenção do levantamento no artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99. Tal artigo estabelece o que se entende por salário de contribuição. Entendo que o aluguel do campo de futebol, disponibilizado para lazer dos funcionários, pago mensalmente a uma pessoa jurídica, não representa remuneração pelo trabalho nem se caracteriza como salário de contribuição. Entendo que os lançamentos referentes ao aluguel do campo de futebol devem ser excluídos. SODEXHO COMERCIAL DO BRASIL LTDA (FALTA DE RETENÇÃO) A recorrente alega que a tributação é improcedente visto que o contrato é de fornecimento de produto (refeição), não de serviço, muito menos cessão de mão de obra; o preço é composto por tabela que relaciona cada item de refeição, sem remuneração por serviço; quando da emissão das notas, a Sodexho descreve os produtos vendidos, com quantitativo e valor unitário, com destaque e recolhimento de ICMS. Entendo que cabe razão à recorrente. Entendo que a operação foi de venda de mercadoria. As notas fiscais especificam “desjejum, almoço, ceia, jantar, café, café com leite, suco, água mineral, lanche, copos descartáveis”, etc. Não percebo caracterizada a cessão de mão de obra. Entendo que os lançamentos referentes à falta de retenção da empresa Sodexho devem ser excluídos. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 16 29 TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS A recorrente alega que os pagamentos foram feitos aos taxistas. Tiveram o fim de ressarcir os colaboradores que se utilizaram de táxi e que tiveram caráter indenizatório. O lançamento está fundamentado no artigo 201 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, que estabelece a obrigação tributária quando houver remuneração paga a condutor autônomo Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: § 4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. Entendo que o serviço de transporte efetuado por condutor autônomo foi prestado para a empresa e entendo que tal situação constitui fato gerador conforme estabelecido na legislação acima apresentada. Entendo correto o lançamento. PRESTADORES DE SERVIÇO A recorrente contesta os valores lançados. O acórdão recorrido afirma que “os documentos contábeis demonstram que se trata de fato de segurados contribuintes individuais”. Quanto ao levantamento PRE Prestadores de Serviço, temse a improcedência da impugnação à inclusão no auto de valores relativos ao pagamento de prestadores de serviços / contribuintes individuais, nos termos do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, art. 201, vez que os documentos contábeis demonstram que se trata de fato de segurados contribuintes individuais. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 30 Após apreciação dos documentos apresentados , entendo por dar parcial razão à recorrente. Entendo que os valores lançados referentes a pagamentos ao senhor Adelário Nascimento, conforme documentos de folhas 958 e 1009, correspondem a pagamento à pessoa jurídica Assessoria e procuradoria de Documentação em Geral e, portanto, devem ser excluídos do levantamento. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E HONORÁRIOS MÉDICOS Este lançamento referese, segundo a fiscalização, a pagamento aos sócios relativo a serviços prestados como médicos e declarados como distribuição de lucros “a empresas entende, incorretamente, que os serviços prestados pelos sócios como médicos confundese com a figura do lucro”. A fiscalização informa ainda que “a empresa foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal nº 3, de 03/02/2009 a informar a “relação de todos os pagamentos aos sócios, durante os anos 2005 e 2006, identificando a origem do lançamento”, o que não foi realizado”, que a distribuição dos lucros foi desproporcional à participação dos sócios e que durante o ano 2006 a empresa não distribuiu lucro. A Lei 10.406, de 10.01.2002 (Código Civil), no seu artigo 1007, dispõe que, salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas; Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. O Contrato Social da empresa estabelece o critério de proporcionalidade de distribuição dos lucros de acordo com a quantidade de cotas de cada sócio (os contratos sociais estão inclusos no processo). Acórdão recorrido: convém ressaltar que o critério de proporcionalidade de distribuição dos lucros de acordo com a quantidade de cotas de cada sócio está mencionado desde a constituição da sociedade no Contrato Social, cláusula 10 Balanços e Resultados, cláusula que se manteve nas alterações contratuais de 14.01.1996, de Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 17 31 31.03.1998 (10a alteração contratual), nem foi revogada na de 17.05.2005 (12a alteração contratual), o que ocorreu com a adequação ao novo Código Civil; como não houve a esperada proporcionalidade na distribuição dos lucros distribuídos pela empresa, a auditoria considerou os pagamentos como relativos a honorários (prólabore), conforme atestam os diversos documentos anexados ao presente processo; Contrato Social (folha 208) VIII.3 – O sócio participa dos lucros e das perdas na proporção das suas respectivas cotas sociais. Como exemplo da distribuição desproporcional, cito que, em 11/2005, a empresa IFQ, proprietária de 57,70 % das cotas da Cárdio Pulmonar nada recebeu de distribuição de lucros, enquanto que Francisco Peltier Queiroz, com participação de 0,001%, recebeu R$ 36.567,81 e João de Souza ponde Neto, com 21,00% recebeu R$ 34.323,21. O Relatório Fiscal informa que no ano 2005, nada foi distribuído para as sócias pessoas jurídicas. da mesma forma, as empresas IFQ Participações Ltda e Patrimonial Seabra Lima Ltda, sócias da autuada a partir de 06/2005, não receberam lucros antecipados durante o ano de 2005, o que torna incompatível o recebimento de lucro pelos sócios pessoas físicas a partir dessa data, já que não é possível distribuir lucro para os sócios pessoa física e não distribuir para os sócios pessoa jurídica. Para os pagamentos feitos a não sócios , a alegação da recorrente é que referemse a aos lucros da Sociedade em Conta de Participação – SCP, que o recorrente constituiu com pessoas físicas. Com base nos documentos constantes do processo, verificase a existência de uma SCP onde a recorrente é a sócia ostensiva, com 55% e Carlos Widmer, Luiz Eduardo Lago de Castro e Thati Seixas Lima Maia são sócios participantes, cada um com 15%. O contrato prevê a distribuição dos resultados em igualdade entre os sócios pessoas físicas. Documento apresentado pela recorrente apresenta, no ano 2005 os 3 sócios com valores diferentes: Carlos Widmer = R$ 30.360,78 Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 32 Luiz Eduardo Lago de Castro = R$ 30.710,89 Thati Seixas Lima Maia = R$ 37.541,45 Também no ano 2006 os valores são diferentes. O contrato também previa que os sócios participantes, no exercício de suas atividades, quando usassem o equipamento seriam remunerados pelo valor dos honorários estabelecidos para o procedimento. Entendo que esses valores não correspondem ao lucro da SCP e sim aos honorários. Para o ano 2006, onde não houve distribuição de lucros, a alegação é de que era devedor da Cardio Pulmonar Serviços Médicos Ltda e que efetuou diversos pagamentos a terceiros por conta e ordem do credor. Inicialmente registro que durante a ação fiscal não houve apresentação dos documentos solicitados, conforme descrito acima. As provas apresentadas não convencem. Para fazer prova do mútuo, é apresentado o Livro 21, Razão consolidado para o ano 2006 da empresa Cardio Pulmonar Serviços Médicos Ltda. As folhas 1 a 6, são apresentas duas vezes,com informações distintas (folhas 905 a 910 e 912 a 917). Entendo correto o lançamento. PRÓLABORE INDIRETO O lançamento está baseado em pagamento de despesas pessoais tais como IPTU, seguro de vida e presentes pessoais. A recorrente alega que não pagou despesas pessoais dos sócios, apenas efetuava pagamentos por conta e ordem do sócio, efetuando o respectivo lançamento em conta do ativo, que viria a ser eliminado no encontro de contas com os lucros acumulados. A alegação não procede. O lançamento referese às competências 6, 7, 10, 11 e 12/2005 e 1 e 7/2006. Conforme demonstrado acima, os lucros são distribuídos de forma contrária ao estabelecido no contrato social e à legislação. Está comprovado o pagamento de despesas pessoais. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 18 33 Entendo procedente o lançamento. MULTAS A recorrente questiona a multa aplicada. O presente lançamento referese a fatos geradores acorridos no anos 2005 e 2006. A autuação foi consolidada em 07/2009. Em dezembro de 2008 a legislação acerca de multa foi alterada. Consta do Relatório Fiscal explicação e demonstrativo do cálculo da multa aplicada. Foi efetuada comparação, competência por competência, da multa segundo a regra vigente à época dos fatos geradores e segundo a nova sistemática (MP 449/2008 e Lei 11.491/2009) e prevaleceu a mais benéfica. Do resultado da comparação entre as duas metodologias, resultou que para as competências 01/2005, 03/2005, 04/2005/ 05/2005, 06/2005, 07/2005, 08/2005, 09/2005, 02/2006, 03/2006, 04/2006, 05/2006 e 12/2006, a multa mais benéfica para o contribuinte é a definida na Medida Provisória n° 449/2008; para as competências 02/2005, 10/2005, 11/2005, 12/2005, 01/2006, 06/2006, 07/2006, 08/2006, 09/2006, 10/2006, 11/2006, a metodologia mais benéfica foi adotada com base na legislação anterior à publicação da MP n° 449. Entendo correto o procedimento da fiscalização. CONCLUSÃO Voto por dar provimento parcial ao recurso, determinando a exclusão integral dos levantamentos relativos à alimentação, ao aluguel do campo de futebol, à falta de retenção da empresa Sodexho. Para o levantamento PRE – Prestadores de serviço, a exclusão parcial de valores, excluir somente os valores lançados referentes a pagamentos ao senhor Adelário Nascimento. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 34 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Redator designado PAGAMENTOS A TAXISTAS A autoridade fiscal efetuou o levantamento referente aos valores desembolsados a título de serviços de taxistas em razão da ausência de retenção das contribuições previdenciárias dos transportadores autônomos, nos termos do art. 201, § 4º, do Decreto nº. 3.048/99. Ocorre, contudo, conforme alegado pela Recorrente, os pagamentos realizados a título de transportes não foram feitos diretamente a motoristas de táxi, e sim a título de reembolso por despesas realizadas pelos colaboradores que se utilizaram de tais serviços. Portanto, não há que se falar em retenção quando o que se verifica é apenas o ressarcimento por despesas com táxi, verbas estas cujo caráter é patentemente indenizatório, razão pela qual não incide contribuição previdenciária. MULTA DE MORA E DE OFÍCIO Quanto ao entendimento do Conselheiro Relator, no que concerne à correta aplicação do cálculo da multa de mora efetuada pela autoridade fiscal, hei de discordar. O auditor consigna em seu relatório fiscal que o comparativo de multas foi realizado utilizandose dois parâmetros: a metodologia anterior à MP 449/2008 (multa de ofício de 24% juntamente com o Auto de Infração de descumprimento de obrigação acessória (art. 32, § 5º, da Lei nº. 8.212/91) com a metodologia posterior à referida medida (aplicação da multa de ofício de 75%). Contudo, constatase que o comparativo realizado merece reparos. Explica se. É que a MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 19 35 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 36 e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para excluir a rubrica dos transportadores autônomos, assim como excluir a multa de ofício até a competência de 11/2008 e recalcular a multa de mora, conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 1.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% . Marcelo Magalhães Peixoto Redator designado. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO
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Numero do processo: 10920.910086/2009-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PROVAS.
É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 2 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.910086/200907 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.438 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente COMERCIAL DE FERRAGENS MILIUM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PROVAS. É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição cumulado com declaração de compensação, transmitido em 15/12/2006. Por meio de despacho decisório, notificado ao contribuinte em 23/07/2009, a compensação não foi homologada. O motivo invocado pela autoridade administrativa foi que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 00 86 /2 00 9- 07 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 valor do DARF vinculado à compensação estava inteiramente alocado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou o contribuinte que sua contabilidade era terceirizada. O profissional contratado desconhecia na íntegra a legislação do PIS e Cofins e durante muito tempo efetuou recolhimentos a maior a contribuição. Tendo percebido o fato, a empresa recalculou os tributos indevidamente recolhidos e passou a compensálo com créditos vincendos. O preenchimento da DCTF e do DACON ocorria por conta do escritório contábil e por diversas vezes desconhecia o conteúdo das declarações apresentadas pelo contador à Receita Federal. A DRJ – Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade em julgado que recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente.” Regularmente notificado daquele acórdão em 29/11/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/12/2011, alegando, em síntese, o seguinte: 1) houve erro do contador em recolhimentos da contribuição efetuados em períodos anteriores, em razão do não aproveitamento de créditos legítimos aos quais tem direito, conforme demonstrado na planilha anexa; 2) o fato do contador não ter retificado previamente as DCTF e os DACON não obsta o seu direito à compensação; 3) a glosa efetuada pela autoridade administrativa é indevida, pois se havia dúvida quanto à legitimidade do crédito, poderia ter sido feita sua verificação por meio de procedimento de fiscalização; 4) os valores declarados em DCTF não são intocáveis e só se subsumem à condição de confissão de dívida quando efetivamente devidos; 5) invocou o princípio da verdade material e requereu o deferimento de diligência a fim de que reste comprovada a legitimidade da compensação efetuada. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Verificase que no caso concreto o despacho que não homologou a compensação está escorado na inexistência do crédito, pois o valor do DARF informado no PER/DCOMP está integralmente vinculado à quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.910086/200907 Acórdão n.º 3403002.438 S3C4T3 Fl. 3 3 Portanto, cabia ao contribuinte o ônus de comprovar a existência do indébito, a fim de elidir o referido despacho. O contribuinte alegou que efetuara recolhimentos indevidos, em razão de seu contador não ter descontado créditos legítimos da contribuição, os quais estariam demonstrados nas planilhas anexas ao recurso. Invoca, ainda, o princípio da verdade material para requerer diligência, a fim de que a fiscalização verifique a existência do indébito alegado. O art. 74, VI, § 7º da Lei nº 9.430/96 estabelece que no caso de não homologação da compensação declarada, o sujeito passivo será intimado a efetuar o pagamento em 30 dias, ressalvado o disposto no § 9º. O § 9º estabelece que é possível apresentar manifestação de inconformidade, enquanto que e o § 11 estabelece que a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário seguirão o rito do Decreto nº 70.235/72, que regula o Procedimento Administrativo Fiscal de determinação e exigência de créditos tributários. Por seu turno, o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação que lhe foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, assim estabelece: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...)” (Grifei) À luz do art. 16, III, do PAF, caberia ao contribuinte ter comprovado os alegados erros cometidos por seu contador, assim como as bases de cálculo das contribuições e os créditos que supostamente não teriam sido descontados por ocasião das apurações mensais. Por não ter trazido a prova da existência do indébito, não restou outra alternativa ao julgador de primeira instância, a não ser indeferir a manifestação de inconformidade. A defesa alegou que a falta de retificação das declarações não afasta o direito à compensação do que pagou a mais e invocou, no recurso voluntário, o princípio da verdade material para justificar a realização de diligência, a fim de que fosse aferida a existência do indébito. Realmente, a falta de retificação da DCTF e do DACON não suprime o direito de o contribuinte reaver eventual indébito por pagamento indevido. Entretanto, é ônus processual do contribuinte demonstrar a certeza e a liquidez do indébito alegado. As diligências se prestam para esclarecer dúvidas e obscuridades decorrentes da análise dos elementos de prova juntados aos autos pelas partes após terem se desincumbido do ônus processual de provar os fatos jurígenos do direito que alegam. Diligências não se prestam para produzir as provas que deveriam ter sido trazidas aos autos pelas partes no momento processual oportuno. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A regra do art. 16, III, do PAF é clara: cabe ao contribuinte a prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. A planilha apresentada com o recurso voluntário nada comprova, pois veio desacompanhada dos documentos contábeis hábeis a dar suporte aos números alegados. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 62DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10280.722422/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62-A do RICARF.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Cristiane Silva Costa.
Relatório
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62-A do RICARF. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Cristiane Silva Costa. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62A do RICARF. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Cristiane Silva Costa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 22 42 2/ 20 11 -5 5 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 05/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.722422/201155 Resolução nº 1302000.258 S1C3T2 Fl. 633 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/BEL, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais quando os lançamentos se pautaram nos Fl. 633DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 05/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.722422/201155 Resolução nº 1302000.258 S1C3T2 Fl. 634 3 pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicase no que couber o que foi decidido em relação àquele. Na apuração do crédito tributário, utilizouse a autoridade fiscal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, e as informações bancárias foram obtidas das instituições financeiras com base no art. 6º da LC nº 105/01, sendo este último dispositivo atacado na peça recursal, acoimado de inconstitucional. É o relatório. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 05/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.722422/201155 Resolução nº 1302000.258 S1C3T2 Fl. 635 4 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. A matéria posta em discussão (constitucionalidade da requisição de informações financeiras pelas autoridades tributárias sem autorização judicial, com base na LC 105/2001) foi objeto de reconhecimento de repercussão geral pelo STF no julgamento do RE 601.314. Tendo em vista que o mérito ainda não foi decidido pelo plenário da Corte Suprema, cabe aplicação no caso do art. 62A do RICARF, que determina o sobrestamento do processo, enquanto não decidido o mérito no STF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, diante dos fatos constatados, voto para sobrestar o julgamento do presente processo administrativo, nos termos do §2º do art.62A do RICARF, até que sobrevenha decisão de mérito do STF nos autos do RE 601.314. Sala das Sessões, 10 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 635DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 05/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13971.901881/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
Ementa:
SIMPLES - IPI - DIREITO AO CRÉDITO - INEXISTÊNCIA
Não gera direito a crédito os insumos adquiridos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Inteligência do §5o, artigo 5o da Lei 9.317/96 e artigo 118 do RIP/2002 (Decreto 4.544/02).
PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. RECURSO REPETITIVO STJ.
Os produtos intermediários que geram direito de crédito, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, conceituam-se como sendo aqueles que embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: : Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Ementa: SIMPLES - IPI - DIREITO AO CRÉDITO - INEXISTÊNCIA Não gera direito a crédito os insumos adquiridos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Inteligência do §5o, artigo 5o da Lei 9.317/96 e artigo 118 do RIP/2002 (Decreto 4.544/02). PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, conceituam-se como sendo aqueles que embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.901881/201022 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.239 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2013 Matéria IPI Recorrente TEKA TECELAGEM KUEHNRICH S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Ementa: SIMPLES IPI DIREITO AO CRÉDITO INEXISTÊNCIA Não gera direito a crédito os insumos adquiridos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Inteligência do §5o, artigo 5o da Lei 9.317/96 e artigo 118 do RIP/2002 (Decreto 4.544/02). PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, conceituamse como sendo aqueles que embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 18 81 /2 01 0- 22 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: : Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Tratase de pedido de eletrônico de restituição/ressarcimento (PerdComp no 21919.75100.151007.1.1.019651) de crédito básico de IPI, referente ao período de apuração do 3o trimestre de 2007, pleiteados nos termos do artigo 11 da Lei no 9.779/99. Por retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório de primeira instância administrativa, a saber: “Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de fls. 48/49 que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 158.993,90 referente ao 3º trimestre de 2007, pertencente à filial 0003, reconheceu a parcela de R$ 156.521,96, e, conseqüentemente, homologou as compensações vinculadas ao presente processo até o limite do crédito deferido. Conforme Informação Fiscal de fls. 50/52, o pleito foi parcialmente deferido pela autoridade administrativa, em razão de ocorrência de glosas de créditos considerados indevidos, referentes a aquisições de matérias primas junto a fornecedores optantes pelo Simples e de mercadorias que não integram o produto final e nem se consomem no processo produtivo. Inconformada com a decisão administrativa, a requerente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 02/14, instruída com os documentos de fls. 15/52, alegando, em síntese, que: 1. Conforme consulta formulada através do site da SRF, a empresa fornecedora em questão não era optante pelo Simples Nacional no período de emissão (28/06/2007) da nota fiscal, portanto, não pode proceder a glosa do crédito; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.901881/201022 Acórdão n.º 3302002.239 S3C3T2 Fl. 11 3 2. Apesar das empresas optantes do Simples não poderem destacar o imposto na nota fiscal, conforme cópia em anexo, na nota fiscal indicada pela fiscalização constou o valor do IPI, o qual foi incluído normalmente no custo das mercadorias. Quem arcou com o ônus financeiro do IPI destacado indevidamente foi a Teka, assim, nos termos da art. 166 do CTN, a ela compete a restituição de referidos valores. Além do mais, a empresa não teria como saber que tal empresa se enquadrava na condição de optante pelo Simples, não podendo ser penalizada pelo imposto não repassado à Fazenda; 3. A partir do momento em que o IPI é um tributo sujeito ao princípio da nãocumulatividade, surge para o contribuinte o direito de pagar este imposto apenas sobre o valor acrescido em cada etapa da cadeia de industrialização, e não sobre o valor dos próprios insumos, bens, produtos e serviços por ele adquiridos e utilizados; 4. Notase que, ao contrário do ICMS, o legislador constitucional não estipulou as restrições ao crédito em se tratando de produto isento. Assim sendo, mesmo que, de fato, não incidisse qualquer IPI no presente caso, ainda assim o crédito seria possível; 5. O lubrificante e as peças de máquinas utilizados na industrialização (pinça, esteira fibra, guarnições, pente e óleo) estão abrangidos no conceito de produto intermediário, porque, embora não se integrem ao novo produto, foram consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização destes, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, devendo ser incluídos no cômputo dos créditos do IPI; 6. Sem o óleo utilizado para lubrificar as máquinas, simplesmente não há como fabricar os produtos a serem comercializados, pois o maquinário não funciona. Ou seja, as atividades produtivas da empresa restam inviabilizadas sem a utilização deste produto; 7. Com relação às peças de máquinas (pinça, esteira fibra, guarnições e pente), a fiscalização não acatou o crédito mesmo tendo tais produtos contato direto com os insumos e produto final. As peças e partes de máquinas são consumidas pelo desgaste na produção, e sem os mesmos as atividades industriais da empresa não poderiam ser levadas a efeito; 8. Inclusive, este posicionamento de glosa do fisco mostrase contrário à orientação do STF, na qual conclui que o IPI, por exigência do princípio da não cumulatividade, é imposto que somente deve incidir sobre o valor agregado em cada nova operação industrial. Significa dizer, a condição à fruição do crédito é, não a utilização direta do insumo na industrialização do bem produzido pelo contribuinte, mas sim a agregação de valor aos insumos adquiridos pela empresa; Fl. 173DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 9. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em situações relativas a crédito presumido do IPI, perfeitamente aplicáveis ao caso em apreço, já reconheceu o direito ao crédito do IPI considerando como produtos intermediários, aqueles que forem consumidos no processo de industrialização. Por fim, requer a reforma do despacho decisório proferido.” Após analisar as razões trazidas pela Recorrente em sua impugnação, a 8a Turma da DRJ/RPO, proferiu o acórdão no 1434.911 (fls. 120/129), que restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos (insumos) de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. INSUMOS NÃO APLICADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO. De acordo com o art. 11 da Lei nº 9.779/99, somente os créditos decorrentes de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, podem ser objeto de ressarcimento. CRÉDITO GLOSADO. MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS. É correta a redução do valor de crédito de IPI, quando se constata créditos indevidos relativos a produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem no decorrer do processo de industrialização, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Irresignada, a Recorrente entendeu por bem apresentar recurso voluntário (fls. 132/167), por meio do qual reiterou os termos de sua impugnação, adicionando, em relação à questão da empresa que, pelos termos do v. acórdão estaria sim no SIMPLES em 28/06/07, que esta informação era sigilosa da Receita Federal, sendo que tomou todas as medidas possíveis para constatar o fato, tendo obtido, apenas, informação no sentido de que a empresa não era optante do SIMPLES. Este fato, em seu entender, seria suficiente para justificar seu direito ao crédito. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.901881/201022 Acórdão n.º 3302002.239 S3C3T2 Fl. 12 5 Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de ressarcimento de crédito de IPI glosado em virtude de (i) o insumo ter sido adquirido de empresa optante pelo SIMPLES e (ii) de os produtos: óleo lubrificante/ pinça/ esteira fibra/ guarnições/ pente; não poderem ser considerados como insumo por não terem tido contato direto com o produto final ou por comporem o maquinário da empresa. Passo a análise dos pontos em discussão. (i) Dos Insumos Adquiridos de Empresas Optantes do SIMPLES No tocante aos créditos decorrentes de compras de insumos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, não assiste razão à Recorrente. É cediço que a sistemática do SIMPLES é espécie de benefício fiscal por meio do qual os contribuinte sujeitamse a uma menor carga tributária. O recolhimento dos tributos é realizado por meio de alíquota única, e a receita repartida, por meio de determinados critérios, entre os entes tributantes. É hipótese de exceção de tributação. Por ser exceção, e do fato de os optantes do SIMPLES estarem fora do sistema ordinário de tributação, não se permite a concessão de crédito nos regimes regulares. Para exemplificar cito a Lei nº 9.317/96, que proíbe a transferência do crédito de IPI por empresa optante pelo SIMPLES, verbis: “Art. 5º... § 5º A inscrição no SIMPLES veda a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS”. A compreensão desta limitação é fácil, em troca do benefício fiscal de redução de alíquota, vedase o benefício fiscal da não cumulatividade. Neste aspecto também percebemos o Regulamento do IPI, implementado pelo Decreto nº 4.544/2002, que traz expressa vedação em seu artigo 118, vejamos: “Art. 118. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto.” É de sumária nitidez que a empresa mencionada no autos, por estar sujeita à carga tributária diferenciada e privilegiada à época da venda para a Recorrente, está impedida de transferir qualquer tipo de crédito de IPI. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Registro, ainda, que, a meu sentir, é irrelevante para esta conclusão, se a Recorrente entendia que a empresa não era optante do SIMPLES. Claramente não houve fraude ou má fé por parte da vendedora, no máximo poderseia alegar um mal entendido, e não há “direito adquirido” a crédito de ressarcimento. O que existe é o direito ao crédito em razão do preenchimento dos critérios objetivos previstos na lei. Logo, não é possível aproveitar o crédito decorrente dos insumos adquiridos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Registro que a avaliação da constitucionalidade dos dispositivos normativos citados não é de competência deste tribunal administrativo, razão pela qual deixo de apreciar alegações neste sentido. (ii) Dos Insumos Dos termos dos autos constatase a intenção da Recorrente em aproveitar crédito de IPI pelo uso de óleo lubrificante/ pinça/ esteira fibra/ guarnições/ pente. Em relação a este assunto, insumos que conferem crédito no sistema não cumulativo de IPI, vale lembrar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508) decidiu que os materiais consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os Fl. 176DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.901881/201022 Acórdão n.º 3302002.239 S3C3T2 Fl. 13 7 estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...]” Pareceme que a conceituação é clara. O produto intermediário, para ser insumo na sistemática não cumulativa do IPI, tem que ser consumido no processo de industrialização, mas não precisa se integrar ao produto final. De qualquer forma, resta clara a impossibilidade de compor o ativo permanente. No caso em análise, pela sua própria utilização, não tenho dúvidas de que: a pinça/ a esteira fibra/ as guarnições/ o pente compõe o maquinário da empresa e, conseqüentemente, seu ativo permanente. Logo, não é possível concederlhes crédito. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Por outro giro, temse o óleo lubrificante. Cristalino que é totalmente consumido no processo produtivo do produto final e que não compõe o ativo permanente. Assim e, uma vez que o Recurso Repetitivo do STJ prevê que o insumo que não integra o produto final deve gerar crédito, entendo pela possibilidade de crédito neste particular. Ante o exposto, conheço do presente recurso voluntário para o fim de DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para conceder crédito sobre o “óleo” adquirido pela Recorrente, reformando assim o v. acórdão recorrido. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 178DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 13133.000244/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2101-002.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 19/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 13 3. 00 02 44 /2 00 8- 94 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 51/53) interposto em 20 de maio de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), (fls. 41/45), do qual o Recorrente teve ciência em 18 de abril de 2011 (fls.50), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 29/34, lavrado em 04 de julho de 2007, em decorrência de Deduções Indevidas com Instrução, Médicas e Pensão Alimentícia Judicial, constituindose um imposto de renda suplementar no valor de R$ 7.550,41 mais cominações legais. A 3ª Turma da DRJ/BSA, por unanimidade, em sessão realizada no dia 23 de fevereiro de 2011, julgou procedente o lançamento, considerando matéria não impugnada as glosas de despesas médicas e com instrução, conforme prescreve o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. O acórdão teve a seguinte ementa: DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda, os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 51/53), onde pugna pelas validade das deduções. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 74, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é intempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13133.000244/200894 Acórdão n.º 2101002.231 S2C1T1 Fl. 76 3 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como se colhe dos autos, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 18 de abril de 2011, uma segundafeira, conforme Aviso de Recebimento – AR, fls. 50. Já o recurso, por sua vez, foi apresentado em 20 de maio de 2011, uma sextafeira, depois de ultrapassado o prazo de trinta dias do recebimento da decisão de primeira instância, que se esgotou em 30 de janeiro de 2008. Destarte, é forçoso concluir, pela intempestividade do recurso o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42, I, do Decretonº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10480.723896/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, conforme art. 35, parágrafo único, da Portaria RFB n.º 10.875/2007..
CERCEAMENTO DE DEFESA
O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à autuação.
O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO.
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos contribuintes individuais a seu serviço, a partir de 04/2003, descontando-as da respectiva remuneração.
MULTA
Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.724
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, em vista da interposição de ação judicial com idêntico pedido, e na parte conhecida negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, conforme art. 35, parágrafo único, da Portaria RFB n.º 10.875/2007.. CERCEAMENTO DE DEFESA O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à autuação. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos contribuintes individuais a seu serviço, a partir de 04/2003, descontandoas da respectiva remuneração. MULTA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 38 96 /2 01 1- 68 Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35 A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, em vista da interposição de ação judicial com idêntico pedido, e na parte conhecida negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.426 3 Relatório O presente processo referese aos Autos de Infração de Obrigação Principal, DEBCAD 37.218.6815, de contribuições previdenciárias referentes à cota do segurado e DEBCAD 37.218.6823, relativo à parte da empresa e SAT, incidentes sobre a remuneração de segurados, não declaradas em GFIP, mas apuradas nas folhas de pagamento do Município, no período de 01/2009 a 12/2009. Os fatos geradores referemse à remuneração paga a servidores ocupantes de cargo em comissão; contratados por prazo determinado, ocupantes de emprego público, regidos pela CLT e agentes políticos. O crédito foi consolidado em 22/06/2011 e cientificado ao sujeito passivo em 28/06/2011. Após a impugnação, Acórdão de fls. 1338/1349, julgou as autuações procedentes. Inconformado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) descumprimento do artigo 142 do CTN, porque há a ausência de base de cálculo aplicada, tornando o auto eivado de vício insanável; b) cerceamento de defesa porque não houve a individualização dos segurados que compõem a autuação, ocorrendo vício formal e o quantum devido foi apurado por aferição indireta e o levantamento por amostragem; c) que o crédito não é líquido e certo; d) que não é obrigada a reter e recolher a retenção do contribuinte individual, já que ele próprio tem este dever; e) que não dispõe do relatório de fatos geradores com as distorções apontadas pela Receita Federal do Brasil; f) que as bases de cálculo foram informadas a menor porque a RFB considera verbas indenizatórias , como abono, saláriomaternidade, auxíliodoença, adicional de férias, adicional de serviço extraordinário, horaextra, remuneração de cargo em comissão, etc, exigências que são descabidas; g) que ajuizou ação para expurgar da base de cálculo as verbas indenizatórias e a alíquota do SAT majorada Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 através do Decreto n.º 6.042/2007, que deve ser mantida 1%; h) que as ações judiciais devem ser respeitadas; i) que a multa aplicada é confiscatória e não obedeceu aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e capacidade contributiva; j) que é inaplicável a multa por ser órgão público; k) que deve ser aplicada a redução das multas, na forma como disposto pela MP 449/2008 e Lei n.º 11.941/2009, em função da retroatividade benigna. l) Requer a anulação dos débitos fiscais. É o relatório. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.427 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. Primeiramente é de se ver que a recorrente possui ações judiciais números 2009.83.000072464 e 2009.83.0000.72476, conforme já constou da decisão ora recorrida, relativas à majoração da alíquota do SAT de 1% para 2% a partir do Decreto n. 3.042/2007, e a verbas entendidas pela autuada como de natureza indenizatória, como abonos, salário maternidade, auxíliodoença, adicional de férias, adicional de serviço extraordinário, horaextra e remuneração de cargo em comissão. Em que pese a existência de ação judicial, esta somente acarretará a suspensão da exigibilidade do crédito nos casos de: · depósito integral da contribuição discutida judicialmente (art. 151, II, do CTN); · concessão de medida liminar em mandado de segurança (art. 151, IV, do CTN); · concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial (art. 151, V, do CTN). Em consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, onde tramitam as ações, ainda não há decisão definitiva a ser cumprida pelas partes. Também não há depósito judicial, não estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, II, do CTN). O artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. As decisões deste Poder sobrepõemse às decisões administrativas, pelo que, tendo sido proposta pela nautuada ação judicial na qual são discutidas as mesmas questões de mérito suscitadas em sua defesa administrativa, encerrandose o processo judicial, a decisão administrativa seria substituída pela sentença. Nesse sentido, ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver por objeto “idêntico pedido” sobre o qual versa o processo administrativo, em inteligência ao art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91 combinado com o art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e com o art. 35 da Portaria RFB 10.875/2007 “Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) “(sem grifos no original) “Art. 41 A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa renúncia ao contencioso regulado por este ato. Parágrafo único. Se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, o julgamento limitarseá à matéria diferenciada” (sem grifos no original) Considerase "idêntico pedido", para o efeito de renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, quando, na impugnação ou recurso, for deduzida a mesma matéria submetida à apreciação judicial, já que, a teor do princípio constitucional da unidade da jurisdição (art. 5º, XXXV, CRF/88) segundo o qual somente ao Poder Judiciário é atribuída a função de compor os conflitos de interesses com caráter de definitividade , é inócua qualquer discussão em sede administrativa, quando simultaneamente submetida ao crivo do Judiciário. Neste caso, a renúncia ao contencioso poderá, ou não, ensejar a cobrança imediata do crédito, a depender da existência de causa suspensiva de sua exigibilidade. Desta forma, constatase, através dos elementos constantes dos autos, que o pedido de declaração de inexistência da relação jurídicotributária entre as partes, no que concerne à exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre verbas tidas como indenizatória: abonos, saláriomaternidade, auxíliodoença, adicional de férias, adicional de serviço extraordinário, horaextra e remuneração de cargo em comissão, e alíquota de SAT 2%, constitui objeto tanto do pedido administrativo quanto do judicial, importando, assim, em renúncia ao contencioso administrativo. Vale ressaltar que a renúncia ao contencioso administrativo ocorre apenas em relação às matérias que constituem objeto tanto do pedido administrativo quanto do judicial, devendo o processo administrativo prosseguir em relação à matéria diferenciada. A Súmula n.º 01 do CARF trata do assunto: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No presente recurso também foi deduzida matéria distinta da discutida em juízo, (a nulidade do lançamento, a contribuição relativa ao contribuinte individual, o caráter confiscatório da multa e aplicação da retroatividade benigna para a multa), tendo o sujeito passivo direito ao contencioso administrativo para que seja apreciada a matéria diferenciada. Nada mais lógico, digase de passagem, pois a existência de ação judicial não deve prejudicar, ipso facto, o controle da legalidade dos atos administrativos, dentre os quais figura como espécie o lançamento tributário. Se assim não fosse, ficaria o sujeito passivo privado de Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.428 7 impugnar, por exemplo, eventual erro na base de cálculo do lançamento preventivo da decadência, quando tal questão não se confunde com o objeto da tutela jurisdicional. Pelo exposto, considerando que a renúncia caracteriza perda do objeto, não será discutida nesta esfera a matéria questionada em juízo, mas apenas a matéria distinta do processo judicial constante do recurso, conforme determinam o art. 126, §3º, da Lei nº 8.213/91, combinado com o art.. 35, da Portaria RFB n.º 10.875/2007. Quanto à tese de nulidade dos autos de infração, não confiro razão à recorrente, posto que não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Da mesma forma não prospera a argumentação de desrespeito ao Código Tributário Nacional, visto que, o art. 142 do CTN atribui competência privativa à autoridade administrativa para constituir os créditos, observandose as exigências de especificação do fato gerador, da matéria tributável, calculandose o montante devido e corretamente identificando se o sujeito passivo da obrigação. Todas as exigências foram atendidas pela autoridade notificante, a saber: Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.429 9 ocorrência do fato gerador : pagamento de remuneração aos segurados que prestaram serviço ao município. O salário de contribuição está discriminado no Discriminativo do Débito, fls.04/06 do DEBCAD 37.218.6815 e fls.18/24, do DEBCAD 37.218.6823. Relatório de Lançamentos, fls. 07/09 do DEBCAD 37.218.6815, e fls. 25/29, DEBCAD 37.218.6823 onde consta de forma discriminada a base de cálculo de cada levantamento: * Diferenças da Folha da Prefeitura em confronto com GFIP; * Folha de Pagamento do Fundo de Assistência Social não informada em GFIP; e * Pagamento do Fundo de Saúde não informado em GFIP. Às fls. 69/70, consta Planilha com os valores discriminados das folhas de pagamento, do que foi declarado em GFIP e as diferenças existentes. Também foram juntadas às fls. 181/1128 e 1172/1211, as folhas de pagamento e às fls. 71/110 as GFIP’s, sendo totalmente improcedente a alegação de vício insanável por falta de identificação de base de cálculo e cerceamento de defesa pela falta de identificação dos segurados, a uma porque todos os elementos que comprovam a existência do débito previdenciário foram identificados e juntados pelo Fisco. A duas, porque os documentos que basearam o lançamento foram elaborados pela própria recorrente que não pode alegar seu desconhecimento. Como já referido foi juntada planilha que discrimina as bases de cálculo e as diferenças apontadas. A falta de individualização dos segurados não se prestar a nulificar o lançamento, porque os dados levantados tiveram por base as folhas de pagamento da recorrente, onde constam os segurados e suas remunerações por ela informados. matéria tributável : a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que constituem base de incidência da contribuição previdenciária, por determinação legal, artigo 28, inciso I, e III, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.876/99; calcular o montante devido : o que está contido no Discriminativo do Débito, por competência, fls. 04/06 do DEBCAD 37.218.6815 e fls.18/24, do DEBCAD 37.218.682 3; identificar o sujeito passivo da obrigação: o Município está devidamente identificado às fls. 02 do DEBCAD 37.218.6815 e 16 do DEBCAD 37.218.6823; e seus responsáveis contam das fls. 39, no Relatório de Vínculos. Portanto, o direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição Federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da autuada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que forçosamente são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à autuação lavrada. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 52/59; que indicou os motivos da autuação; os fatos geradores estão devidamente descritos; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04/06, 07/09, 18/24,43/44. Os valores foram apurados em folhas de pagamento e GFIP’s, que são registros elaborados pela própria recorrente. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao autuado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia demonstrálo, pois teve oportunidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Não procede, portanto, o argumento de que é inexato o quantum devido. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O Fisco provou a existência do fato gerador, com base nos documentos elaborados pela própria recorrente, que não logrou demonstrar o contrário. A alegação da recorrente acerca da não obrigatoriedade da retenção da contribuição previdenciária do contribuinte individual, não procede conquanto a alíquota de 11%, relativa a parte do segurado, deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. Não é demais lembrar que o artigo 15, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, é taxativo ao afirmar que os órgãos da administração pública são equiparados à empresa, não havendo qualquer restrição quanto a aplicação do texto legal: Art.15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.430 11 não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional( grifei); Quanto à alegação de inaplicabilidade de multa moratória para o município em razão de ser órgão público, informo à recorrente que desde a edição do Decreto n.º 3.042/2007, tal assertiva não tem mais eficácia. A nova redação do parágrafo 9º do artigo 239, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.48/1999, dada pelo Decreto n.º 6.042/2007, que antes abrigava tal isenção, não deixa dúvidas de que as pessoas jurídicas de direito público estão sujeitas à incidência de multas moratórias por recolhimentos em atraso: §9oNão se aplicam as multas impostas e calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições, nem quaisquer outras penas pecuniárias, às massas falidas de que trata o art. 192 da Lei no 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões quando assegurada a isenção em tratado, convenção ou outro acordo internacional de que o Estado estrangeiro ou organismo internacional e o Brasil sejam partes. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, nos termos do artigo 35 A, da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, porque não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Com o advento da Medida Provisória n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, foi excluído do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente autuação, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.431 13 anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores está plenamente válido e eficaz, não foi enquinado de inconstitucionalidade, devendo ser aplicado pela autoridade fiscal. Sendo o período do débito de 01/2009 a 12/2009, totalmente dentro da vigência da MP 449/2008 e Lei n.º 11.941/2009, está correta a aplicação da multa moratória, sendo inócua a solicitação para aplicação da retroatividade benigna, porque conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 No caso presente, a lei prevista na prática do ato, ou seja na época da ocorrência dos fatos geradores, 01/2009 a 12/2009, já era a novel legislação traduzida na MP 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, sendo improcedente a argüição trazida pela recorrente quanto à retroatividade benigna, que aqui não se aplica. Quanto à inconstitucionalidade da multa por desrespeito a princípios constitucionais , como apontado pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Por derradeiro, ainda quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, é de se ver que não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, já que são indicadores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. São direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados e publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do Código Tributário Nacional. Portanto, quando há dispositivo legal que regule o ato, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Código Tributário. Por todo o exposto, Voto por conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida negarlhe provimento. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.723896/201168 Acórdão n.º 2302002.724 S2C3T2 Fl. 1.432 15 Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 23034.021550/2001-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2001
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA PARCIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS.
É nulo, por vício material, o auto de infração que não descreve satisfatoriamente o fato que o fundamenta.
No presente caso, parte do lançamento fiscal foi alcançada pela decadência quinquenal, pela disposição do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2803-002.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos de declaração para esclarecer que o débito tributário foi exonerado, tendo em vista a existência de vício material na lavratura do auto de infração. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. Sustentação oral Advogado Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos de declaração para esclarecer que o débito tributário foi exonerado, tendo em vista a existência de vício material na lavratura do auto de infração. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. Sustentação oral Advogado Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Eduardo de Oliveira.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2001 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA PARCIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. É nulo, por vício material, o auto de infração que não descreve satisfatoriamente o fato que o fundamenta. No presente caso, parte do lançamento fiscal foi alcançada pela decadência quinquenal, pela disposição do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos de declaração para esclarecer que o débito tributário foi exonerado, tendo em vista a existência de vício material na lavratura do auto de infração. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. Sustentação oral Advogado Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 15 50 /2 00 1- 60 Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.793 S2TE03 Fl. 1.844 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Eduardo de Oliveira. Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.793 S2TE03 Fl. 1.845 3 Relatório 1. Tratase de Embargos de Declaração opostos, tempestivamente, pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do CARF contra o Acórdão nº. 2803002.358 que, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para anular o lançamento fiscal. 2. Transcrevo a ementa da decisão embargada, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2001 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA PARCIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. É nulo o auto de infração que não descreve satisfatoriamente o fato que o fundamenta. No presente caso, parte do lançamento fiscal foi alcançada pela decadência quinquenal, pela disposição do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.” 3. Em suas razões de interposição dos Embargos Declaratórios, a Fazenda Nacional apontou a ocorrência de omissão no acórdão recorrido, em razão de ali não constar a natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento fiscal, se material ou formal. 4. Em análise de admissibilidade, este admitiuse o processamento dos Embargos de Declaração, nos termos do Despacho de fl. 1843, ratificado pelo Presidente desta 3ª Turma Especial. É o relatório. Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.793 S2TE03 Fl. 1.846 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. 1. Busca a Fazenda Nacional em sede de embargos de declaração “sejam conhecidos e providos os presentes embargos de declaração para que esse r. Colegiado complemente o acórdão de modo que fique expresso o tipo de vício que supostamente maculou o lançamento (se material ou formal)”. 2. De fato, conforme dispositivo do acórdão embargado os membros desse colegiado, por maioria de votos, decidiram dar provimento ao recurso apresentado pelo contribuinte, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que votou pela procedência das diferenças apuradas após o prazo decadencial. 3. Tal resultado foi proferido, tendo em vista que no presente caso, ao analisar detidamente os autos, verificouse a ausência de elementos essenciais para o lançamento ser consolidado, notadamente, a falta de motivação referente ao fato gerador e das circunstâncias que levaram ao lançamento do débito, isso por que a informação nº. 797/2004 (fl. 120) e a Notificação para Recolhimento de Débito (NRD), às fl. 122 – peças iniciais e que relatavam o fato gerador – limitamse a somente dizer que existe um débito relativo à contribuição do salárioeducação referente ao período de 01/1995 a 06/2001, com as seguintes discriminações (fls. 120/121): “a) a empresa efetuou depósitos judiciais referentes as competências 12/1997 a 11/1999, amparada pela liminar concedida no processo n.º 97.00529916, conforme planilha de cálculo fornecida pela empresa, f. 26. Para o período de 12/1999 a 07/2000 não foram apresentados comprovantes de depósitos judiciais nem guias de recolhimento da contribuição do salário educação (...). A diferença apurada em novembro de 1999, no valor de R$ 1.054,54; foi incluída no referido quadro. (...); b) verificamos divergências entre o valor depositado em 20/08/1999, referente ao período de 1997 a junho de 1999, e os valores levantados pela inspeção, atualizados para essa data, devido a não inclusão da multa (...); c) em 27/08/2001, a fim de comprovar o recolhimento regular do salárioeducação no período de 12/1999 a 07/2000, a empresa encaminhou cópias de guias de recolhimento do INSS e GFIP, às fls. 50 a 71. No entanto, em consulta ao sistema PLENUS do INSS, verificamos que o código de terceiros indicado para o recolhimento desse período foi o 114, não contemplando, assim, o salário educação, às fls. 108 a 111; d) quanto ao Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental (SME), a empresa não apresentou a totalidade das declarações, não comprovando, assim, as deduções realizadas. Apesar de ter enviado algumas declarações após a inspeção, às fls. 73 a 98, Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.793 S2TE03 Fl. 1.847 5 restam débitos nos seguintes semestres: 2º/1995, 1º e 2º/1996, 1º e 2º/1997, 2º/2000 e 1º/2001. (...).” 4. Assim, prevaleceu a necessidade de descrição do fato de forma satisfatória, pois esta deve permitir a perfeita compreensão dos fatos e os fundamentos de direito que em face dos mesmos levaram a autoridade a realizar o lançamento. 5. Tal mácula na constituição do débito tributário conforme a boa doutrina constitui vício material: “O vício referente ao requisito procedimental é sempre um vício formal. Não se deve, todavia, confundir: a deficiência de um ato jurídico consiste num vício material do próprio ato e num vício formal dos atos que o têm como requisito procedimental. O mesmo vício é, assim, formal e material, dependendo da perspectiva.” (MARTINS, Ricardo Marcondes. Efeito dos Vícios dos Atos Administrativos. São Paulo: Malheiros, 2008. p. 152) 6. Sendo os vícios materiais os que afetam o conteúdo – que por sua vez correspondem à norma que o ato veicula – fatalmente o lançamento terá que ser corrigido, para que se observe o princípio da legalidade. No entanto, os vícios formais decorrem de violações a normas instituídas como garantia. Assim, se existir o vício, mas não houver prejuízo, o ato será meramente irregular, o que significa dizer que a Administração não estará obrigada a corrigi lo. 7. Assim, após essas considerações, entendo que o vício no caso em análise tratase de vício material. CONCLUSÃO 8. Por todo o exposto, conheço e acolho os presentes embargos apresentados, para, nos termos do voto proferido, esclarecer que o débito tributário foi exonerado, tendo em vista a existência de vício material na lavratura do auto de infração. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10920.005217/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009
NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL.
O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder a ações fiscais ou constituir créditos tributários.
Numero da decisão: 3201-001.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em negar provimento ao recurso referente a multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial, e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso referente a multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. O Conselheiro Daniel Mariz Gudino redigirá Declaração de Voto.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
EDITADO EM: 10/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino (Vice-presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder a ações fiscais ou constituir créditos tributários.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME A TERCEIROS. MULTA. A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, está sujeira à multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder a ações fiscais ou constituir créditos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em negar provimento ao recurso referente a multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial, e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso referente a multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 52 17 /2 00 9- 24 Fl. 624DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 625 2 termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. O Conselheiro Daniel Mariz Gudino redigirá Declaração de Voto. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. EDITADO EM: 10/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino (Vicepresidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da decisão recorrida, segue abaixo a transcrição do relatório da instância a quo e da sua ementa, bem como as razões recursais: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 546.615,23 referente a multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial (R$ 2.869,84), multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários (R$ 28.698,48) e multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente (R$ 515.046,91). Depreendese do "Termo de verificação fiscal e de descrição dos fatos" que é parte integrante do auto de infração que: A importadora "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" registrou as Declarações de Importação n° 09/06530010 e n° 09/11294486, no período entre 25/05/2009 e 26/08/2009, declarando ser a importadora e adquirente das mercadorias por elas amparadas. Apenas no campo destinado a "Dados complementares" a interessada registrava que as importações tinham por encomendante a empresa "Manike Indústria Têxtil Ltda". Os documentos que instruíram os despachos de importação traziam como adquirente a "Manike Indústria Têxtil Ltda". A "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" registrou as Declarações de Importação sem apor no campo próprio o nome da adquirente das mercadorias, conforme determina a legislação, em especial a Lei n° 11.281/2006 e a Instrução Normativa SRF n° 634/2006, pelo fato de a adquirente "Manike Indústria Têxtil Ltda" estar impedida de importar por ter atingido o limite para o qual havia sido habilitada (habilitação simplificada para atuação no comércio exterior em Fl. 625DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 626 3 valor de pequena monta, prevista na Instrução Normativa SRF n° 650/2006). No período no qual o limite para realizar importações ainda não havia sido atingido, a "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" registrava as operações de importação na modalidade por conta e ordem da "Manike Indústria Têxtil Ltda". Atingido o limite, as operações passaram a ser registradas como se a "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" fosse a importadora e adquirente das mercadorias, ocultando a informação de que a real adquirente era a "Manike Indústria Têxtil Ltda". Depois que a "Manike Indústria Têxtil Ltda" voltou a possuir limite para importações, as operações voltaram a informar que ela era a adquirente das mercadorias. A simulação realizada propiciou a burla do controle aduaneiro da capacidade econômica da adquirente das mercadorias. A "Manike Indústria Têxtil Ltda" antecipava os recursos referentes as importações que a "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" registrou como sendo por sua própria conta, ou seja, os recursos utilizados nas operações provinham da "Manike Indústria Têxtil Ltda". Posteriormente a "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" realizava os lançamentos contábeis para ajustálos à modalidade de importação declarada. A simulação constatada determina a apreensão das mercadorias para a aplicação da pena de perdimento, nos termos do Decreto lei n° 1.455/1976, com as alterações da Lei n° 10.637/2002, regulamentada pelo artigo 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009. Entretanto, em razão de as mercadoria terem sido entregues a consumo, por ser a penalidade mais especifica aplicável, em face da impossibilidade material da aplicação da pena de perdimento, foi lavrada a multa equivalente ao valor comercial das mercadorias, prevista no artigo 704 do mesmo Regulamento Aduaneiro. A "omissão ou prestação de forma inexata ou incompleta de informação de natureza aduaneiratributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, qual seja, as informações estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para inclusão em campo próprio da DI, para a descrição detalhada da operação, da identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador e adquirente (comprador), por NCM (mercadorias com classificação fiscal distintas)" determinou a infração punível com a multa lavrada equivalente a um por cento do vaiar aduaneiro das mercadorias, prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001 c/c com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833/2003. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 627 4 Também foi lavrada a "multa de dez por cento do valor da operação pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários", prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. Regularmente cientificadas por via postal (AR's fl. 429v), não consta dos autos que a interessada "Manike Indústria Têxtil Ltda" tenha apresentado impugnação. A interessada "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" apresentou a impugnação tempestiva de folhas 432 a 472, com os documentos de folhas 473 a 511 anexados, na qual defende que: A fiscalização foi promovida de forma ilegal, pois perdurou por nove meses e envolveu indevidamente Declarações de Importação já desembaraçadas que não eram o escopo da investigação. Não há que se falar em ocultação do real importador ou cessão do nome da pessoa jurídica, pois a Impugnante jamais tentou ocultar o verdadeiro adquirente da pessoa jurídica em questão, qual seja, a empresa Manike. Ao contrário, praticou todos os atos necessários para que a operação de importação ocorresse de forma transparente para a Receita Federal. Não houve ocultação do adquirente, sendo que todos os documentos inclusive aqueles apresentados para o despacho aduaneiro (pedidos, faturas invoice e comerciais, conhecimentos de carga, packing lists) informam que as importações têm como adquirente das mercadorias a "Manike Indústria Têxtil Ltda". "Antes mesmo de iniciar as operações por encomenda, a Impugnante e a empresa Encomendante firmaram "Contrato de Importação por Encomenda", solicitando a vinculação dos CNPJs das duas empresas na Receita Federal, ocasião na qual foi apresentado uma via do seguinte contrato (doc. Anexo): ..." O importador não omitiu o CNPJ do encomendante no campo "adquirente por conta e ordem" da DI (como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora), mas sim, foi impedido de incluilo em razão de um problema operacional pelo Siscomex. Isso porque, ao incluir o CNPJ do encomendante no campo do adquirente por conta e ordem, o sistema analisa o limite de importações do adquirente. Todavia, na modalidade "por encomenda" os recursos empregados e o limite a ser analisado é o do importador, não do encomendante. A IN SRF n° 634/06 determina que o CNPJ do encomendante deve ser informado "em campo próprio". Todavia, como até hoje não há "campo próprio", o parágrafo único de seu artigo 3° recomendou que se indique o CNPJ do encomendante no campo do adquirente "por conta e ordem" e no campo "informações complementares" que se trata de uma importação "por encomenda". Essa situação acabou por gerar problemas de ordem operacional para o importador, como dito. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 628 5 Restou demonstrado que o importador estava impedido operacionalmente pelo sistema de indicar o CNPJ do encomendante no campo do adquirente por conta e ordem. Todavia não houve descumprimento do parágrafo único do artigo 3° da IN SRF 634/06, pois foram tomadas "todas as providências legais necessárias para operacionalização da importação para encomendante prédeterminado, quais sejam: formulou contrato de importação por encomenda com a Manike; vinculou o referido contrato na Receita Federal deixando cristalina a operação que iria se realizar, e, por fim; Informou no campo "Informações Complementares" da DI se tratar de importação por encomenda,..." A empresa D & A agiu na mais absoluta boafé, sendo que a não informação do CNPJ do encomendante no campo "adquirente por conta e ordem" da DI poderia ser, no maxim, tratada como mero equivoco, mas muito longe de se caracterizar fraude ou simulação do negócio que queria praticar, qual seja, a própria importação na modalidade "por encomenda".O erro poderia ser sanado com mera retificação da DI, cumulada, se fosse o caso, com a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, nos termos do art. 711, § 1°, I, do Regulamento Aduaneiro. Não houve nenhum intuito doloso ou fraude, pois os documentos que deveriam ser analisados pela fiscalização juntamente com os dados da Declaração de Importação, no procedimento de conferência aduaneira, sempre deixaram evidente que a adquirente das mercadorias era a empresa "Manike Indústria Têxtil Ltda". A norma exige apenas que o encomendante seja habilitado no Radar. Todavia, diferentemente do que entende a fiscalização, não há a exigência de que a habilitação seja na modalidade de "exclusivamente por encomenda", pois não há menção especifica a qualquer das modalidades. Como o limite a ser verificado é o do importador e não do encomendante, não havia qualquer restrição à realização das importações na modalidade por encomenda. Análise da IN SRF n° 650/06, artigo 2° leva â conclusão que, das submodalidades de habilitação simplificada, apenas aquela que se refere a comércio exterior de pequena monta é que apresenta limitações quanto a valores a serem importados. Portanto, "não pode prosperar qualquer alegação da autoridade fiscal no sentido de que o encomendante estaria "Impedido" de realizar a presente operação por ter seu "limite tomado", pois quando se tratar de importação por encomenda, não há o que se falar em "limite" de importação para o encomendante, mas tão somente para o importador ostensivo." No presente caso, a encomendante já havia utilizado seu limite para realizar importações próprias ou por sua conta e ordem. Todavia essa situação não lhe impedia de realizar importações por encomenda. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 629 6 A importação por encomenda se caracteriza pela aquisição de mercadorias importadas no mercado interno, sendo que essas mercadorias já vêm com o comprador prédeterminado quando sai do exterior. Assim, o encomendante é equiparado a industrial e se sujeita à tributação do IPI como constatou a fiscalização quando da análise das notas fiscais de saída, nas quais o imposto foi destacado e recolhido, não havendo nenhum lançamento por parte da fiscalização. A lei que criou essa modalidade de importação, Lei n° 11.281/2006, também não estabeleceu nenhuma restrição ou limite para as importações por encomenda. Apenas ressalvou que, caso os valores da encomenda sejam incompatíveis com o patrimônio liquido do encomendante, a Receita federal do Brasil pode exigir garantias para a liberação das mercadorias, ou seja, não há impedimento para a importação, apenas eventual exigência de garantia para entrega da mercadoria importada. A fiscalização confunde "lançamentos e pagamentos realizados em processos que as importações foram realmente realizadas na modalidade "por conta e ordem", com os do processo de importação realizados na modalidade "por encomenda" (Dis 09/06530010 e 09/011294486). Por esta razão, restam especificamente impugnados todas as conclusões acerca os lançamentos contábeis apresentados no relatório do Auto de Infração, devendo ser considerados os documentos anexos para a apuração dessas importações." (sic) A Lei n° 11.281/2006 "não impediu o importador de receber "sinal" ou "adiantamento" de seus clientes. O requisito legal necessário é que o importador possua "recursos próprios" (art. 11, § 3°), ou seja, "capacidade econômicofinanceira" para suportar a importação, o que é muito diferente." A lei não pode interferir nas práticas comerciais normais, tal como receber sinal ou antecipação de pagamento. E caso isso ocorresse se estaria diante de uma inconstitucionalidade por contrariar o disposto no art. 10 e art.170 da Constituição Federal. Ademais a D &A possuía plena capacidade de importação, pois à época dos fatos a estimativa para importações era da ordem de U$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil dólares), ou seja, é uma empresa fortemente consolidada no ramo do comércio exterior, longe de poder ser considerada "empresa laranja", "empresa fantasma" ou "empresa de fachada". Portanto, para se saber se as importações foram realizadas com recursos próprios do importador, devese se indagar se "caso não houvessem pagamentos antecipados a importadora teria conseguido realizar a operação?" Em nenhum momento a fiscalização investigou a capacidade financeira da importadora. "Em momento algum a autoridade fiscalizadora consegue comprovar, eficazmente, que foram feitos adiantamentos para a realização das importações, pois os valores remetidos à importadora Fl. 629DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 630 7 tratamse de pagamentos por operações já realizadas e não adiantamentos." Pelas razões expostas há que se "concluir pela não caracterização das infrações aplicadas, principalmente quanto à pena de perdimento por ocultação do encomendante da operação, vez que, de fato, não houve qualquer ocultação, muito menos intuito doloso ou tentativa de fraude ou simulação." Há nulidade por falta de competência da Autoridade Fiscal e pela inexistência de MPFF especifico para revisão aduaneira. A fiscalização teve nítido caráter externo e envolveu Declarações de Importação já desembaraçadas, fatos que obrigam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal especifico. O desatendimento à exigência determina a nulidade do procedimento, por vicio formal, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/1972. Houve abuso do poder fiscalizatório, pois o prazo de conclusão do procedimento fiscal foi excessivo, chegando a 268 dias, quando não deveria ultrapassar 90 dias e, se fosse o caso, ser prorrogado por, no máximo mais 90 dias caso houvesse justificativa. Portanto o auto de infração é nulo por vicio formal. Há incorreta adequação fática ao enquadramento legal, pois a fiscalização concluiu que as mercadorias deveriam ser apreendidas, porém, presumindo que tenham sido consumidas aplicou a multa do artigo 704 do Regulamento Aduaneiro. Todavia tal multa somente é aplicável para as mercadorias que entram no Pais sem que tenham sido submetidas aos controles aduaneiros, ou seja, ocultas, sem submissão ao despacho aduaneiro, o que não é caso, pois todas as mercadorias foram devidamente amparadas em Declarações de Importação. E ainda que se admitisse a adequação fática ao artigo 704, seu parágrafo único exclui expressamente sua aplicação "quando houver tipificação mais especifica no Regulamento Aduaneiro". Portanto, se a própria fiscalização concluiu que caberia a apreensão das mercadorias para aplicação da pena de perdimento, a multa em referencia não poderia ser aplicada. Dessa forma, há erra na penalidade aplicável, fato que determina a nulidade do auto de infração sem resolução do mérito. O consumo das mercadorias foi presumido pela fiscalização, ou seja, não houve comprovação dessa alegação. Portanto, a multa não pode ser aplicada, devendo, também por este motivo, ser anulado o auto de infração. Há ilegitimidade passiva, pois a pena de perdimento é sanção que visa punir o real adquirente da mercadoria e não o importador ostensivo. Por outro lado, o adquirente não pode responder pela multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 631 8 A fundamentação legal para aplicação da multa de 10% é nula, pois a fiscalização descreve que houve cessão de nome para operações de exportação, quando, em verdade não foi realizada nenhuma operação de exportação, mas unicamente importações. Ademais fundamenta a penalidade em dispositivo que trata de perdimento de moeda, completamente estranho aos fatos. Assim, por total desrespeito ao principio da legalidade e da ampla defesa, tendo em vista o evidente erro/ausência na fundamentação legal aplicada é nula a autuação. Todas as características das operações demonstram que se tratam de operações de importação na modalidade por encomenda, nos termos da Lei n° 11.281/2006, sendo as mercadorias de propriedade do importador, conforme preconiza o Ato Declaratório Normativo n° 7/2002, e posteriormente revendidas ao encomendante prédeterminado. Não houve ocultação do adquirente, tendo o importador plena capacidade financeira para suportar as operações que realizou. No máximo houve irregularidades meramente formais que não determinariam a aplicação da pena de perdimento. É aplicável ao caso o disposto no artigo 102 do Decretolei n° 37/1966, pois o importador declarou voluntariamente, em todos os documentos, que se tratava de importação por encomenda. Todos os tributos foram devidamente recolhidos, portanto aplicável a relevação da pena de perdimento preceituada no artigo 737 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 7.659/2009). Aplicável também o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, para aplicar unicamente, se for o caso, a multa prevista no artigo 711 do Regulamento Aduaneiro. A multa lavrada, prevista no artigo 704 do Regulamento Aduaneiro se refere ao valor comercial das mercadoria se foi calculada pela fiscalização com base nos valores da notas fiscais de saída. Todavia, ao caso se aplicaria, em tese, a conversão da pena de perdimento, prevista no parágrafo 1° do artigo 689 do RA, que equivale ao valor aduaneiro das mercadorias e não do valor das notas fiscais de saída. Requer sejam acatadas as preliminares de nulidade do auto de infração, no mérito seja cancelado o auto de infração. A decisão de primeira instância, proferida em Sessão de Julgamento de 28/1/2011 pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, considerou procedente em parte a impugnação, cancelando a multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente (R$ 515.046,91), conforme Acórdão cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 632 9 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Eventual irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma que a tipifica, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. IMPOSTO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, é responsável solidário pelo imposto de importação e responde conjunta ou isoladamente pela infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 21/2/2011, tendo protocolado seu recurso voluntário em 14/3/2011, no qual reitera os argumentos expostos na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Esclarecese, inicialmente, que o presente julgamento tem por objeto a multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial (R$ 2.869,84) e a multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários (R$ 28.698,48), não sendo analisada a aplicação da multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente (R$ 515.046,91) devido a mesma ter sido excluída pelo acórdão recorrido e não ser objeto de recurso de ofício. Desta forma, as alegações referentes à multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente não serão tratadas neste acórdão, por não se incluírem na lide. A recorrente sustenta a nulidade do lançamento por falta de competência da Autoridade Fiscal e pela inexistência de MPFF especifico para revisão aduaneira. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 633 10 Em relação ao tema, adoto aqui entendimento exposto no Acórdão nº 3101 000613, da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção do CARF, sessão de 2/2/2011, de lavra da ilustre Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, colecionado abaixo: Com o objetivo de apreciar a peça impugnatória, em sua vertente preliminar, passase a apresentar, como já tenho feito noutras assentadas, algumas considerações no sentido de aquilatar a natureza jurídica do mandado de procedimento fiscal – MPF, introduzido, pela vez primeira, por intermédio da Portaria SRF nº. 1.265, de 22 de novembro de 1999. De início, cabe assinalar que sobredita portaria sofreu alterações, bem como, posteriormente, foi revogada pela Portaria SRF nº. 3007, de 26 de novembro de 2001. Em seguida, a matéria foi tratada pela Portaria SRF nº. 6.087, de 21 de novembro de 2005. Atualmente, o tema é conduzido pela Portaria RFB nº. 11.371, de 12 de dezembro de 2007. Feito o registro histórico, passase aos fatos relacionados ao mandado de procedimento fiscal MPF. A Portaria nº. 1.265, de 22 de novembro de 1999, foi editada com o objetivo de dispor sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelecer normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela então Secretaria da Receita Federal – SRF. Em conseqüência, foi instituído o mandado de procedimento fiscal, o qual foi denominado pela norma administrativa como “ordem específica”, nos termos do seu dispositivo infra: “Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF” Num momento posterior, foi editado o Decreto nº. 3.724, de 10 de janeiro de 2001, com o objetivo de regulamentar o art. 6º, da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela então Secretaria da Receita Federal, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas. Nesse decreto, também, há a menção ao mandado de procedimento fiscal como ordem específica instauradora do procedimento fiscal, consoante § 2º, do art. 2º, daquele ato normativo. Cumpre realçar que o mandado de procedimento fiscal foi objeto de discussões díspares quanto à sua natureza jurídica, que ora era tida como instrumento que concede competência para o auditorfiscal realizar a fiscalização/diligência, como quer o impugnante, ora era tida como mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscalizadora. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 634 11 No entanto, referida questão encontrase atualmente pacificada, nos termos como se vê adiante. Interpretar o mandado de procedimento fiscal como instrumento que concede competência ao auditorfiscal para realizar a fiscalização equivale a afirmar que os autos de infração lavrados por auditorfiscal que não possua tal instrumento é ato administrativo lavrado por servidor incompetente, o que acarretaria sua nulidade, conforme estatuído pelo inciso I, do art. 59, do Decreto nº. 70.235/72. Uma vez estabelecido que a gênese normativa da competência é consubstanciada em lei, afastase, por certo, tal interpretação. Sobre o tema, assim ensina o professor Luciano Amaro: “O lançamento deve ser efetuado pelo sujeito ativo nos termos da lei, vale dizer, tem de ser feito sempre que a lei o determine, e sua consecução deve respeitar os critérios da lei, sem margem de discrição dentro da qual o sujeito ativo pudesse, por razões de conveniência ou oportunidade, decidir entre lançar ou não, ou lançar valor maior ou menor, segundo sua avaliação discricionária”(grifei) A obrigatoriedade do lançamento tributário emana do próprio código tributário nacional, conforme dispõe seu artigo 3º c/c caput e parágrafo único, do art. 142. Aludida obrigatoriedade erguese quando da ocorrência do fato jurígeno da obrigação, sendo outorgada à autoridade administrativa tal incumbência legal. Não é demais trazer à baila tais dispositivos: “Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível” (grifei) Dessa forma, a meu sentir, o MPF é um importante elemento da administração tributária, no entanto restrito ao campo gerencial e procedimental, ou melhor, é um elemento de controle administrativo da fiscalização, tendo como foco disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela RFB. E, consoante o princípio da hierarquia das normas, o qual dá supedâneo à unidade do ordenamento jurídico, ato subordinado à lei não pode a ela contraporse, sendolhe defeso contrariar, restringir ou ampliar suas disposições. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 635 12 Cumpre realçar, ainda, que o mandado de procedimento fiscal, conforme exposto, é instrumento criado por portaria e, posteriormente, previsto em Decreto. Assim, eventuais vícios relativos à esfera do MPF estão na órbita de meras irregularidades internas, não podendo, portanto, obstar a atividade regrada e obrigatória do lançamento tributário. As normas a que se referem os procedimentos de fiscalização visam ao delineamento de sua execução, perfazendo, assim, instrumento profícuo para a administração tributária. No entanto, quaisquer irregularidades quanto ao cumprimento de tais disposições não teriam o condão de afetar o correspondente crédito tributário formalizado. Cabe enfatizar, no que toca à existência do MPF, que a necessidade de cientificar o contribuinte da emissão do instrumento prendese, tãosomente, a questões relacionadas à segurança do sujeito passivo contra pseudoações fiscais que eventualmente possam ocorrer. Nesse passo, cuida de oferecer segurança ao contribuinte, pois lhe possibilita a confirmação, via internet, da origem da ação fiscal, da sua extensão e se está sendo executada por servidores da administração tributária. Portanto, com efeito, o MPF não atinge a competência impositiva dos auditoresfiscais, a qual há de subsistir em face de quaisquer atos voltados a atividades de controle, planejamento e execução das ações fiscais. Frisese que a competência para o lançamento tributário que detém a autoridade fiscal, hoje, no âmbito da RFB, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, tem origem, como não poderia deixar de ser, na lei. Vejamos o que estabelece o art. 6º, da Lei nº. 10.593, de 06/12/2002, com a nova redação dada pela Lei nº. 11.457/2007, in verbis: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...)” O texto legal acima define a competência do servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário. Posto isso, vale sublinhar que não por outra causa, aliás, que a jurisprudência administrativa, de forma remansosa, tem reputado, com acerto, que eventuais falhas relativas a disposições acerca do MPF não maculariam o auto de infração. Isso porque, também, o MPF sozinho não é suficiente para Fl. 635DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 636 13 demarcar o início do procedimento fiscal (“o procedimento fiscal tem início com: [...] o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto [...]” – Art. 7º, I, do Decreto nº. 70.235/72), o que demonstra o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização e implica que, conquanto presentes eventuais desvios associados ao MPF, estes não tornariam inválidos os trabalhos de fiscalização, nem dariam por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento. Nesse sentido, cito, por questões de síntese, excertos de ementas de julgados adiante colocados, visando dar suporte ao entendimento supra. “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A eventual falha formal existente em mandado de procedimento fiscal não implica em nulidade do auto de infração. O MPF é mero instrumento de controle formal da fiscalização. Não limita o lançamento fiscal, que é dever de ofício previsto no art. 142 do CTN” 2 (grifei). Processo nº 11618.003460/200228, Acórdão nº 20218873, Recurso nº 133824, Sessão de 12/03/2008, 2ª C. do Segundo Conselho. “PIS. AÇÃO FISCAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, além de ter apenas caráter administrativo de controle, razão pela qual não retira a competência da Fiscalização para agir e não restringe a exclusão da espontaneidade do contribuinte, inclui necessariamente a verificação da correta apuração da base de cálculo de todos os tributos e contribuições federais dos últimos cinco anos” 3 (grifei) Processo nº 11080.000984/200515, Acórdão nº 20180.402, Recurso nº 137.434, Sessão de 17/07/2007, 1ª C. do Segundo Conselho. “NORMAS PROCESSUAIS FALTA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO INEXISTÊNCIA A Portaria SRF nº. 1.265, de 1999, que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, em virtude do princípio da legalidade (CF, art. 5º, inc. II) e da hierarquia das leis, não se sobrepõe às disposições do Código Tributário Nacional CTN, às do Decreto nº. 70.235, de 1972, em especial às dos arts. 7º e 59, que versam, respectivamente, sobre o início do procedimento fiscal e sobre as hipóteses de nulidade do lançamento. (...) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele Fl. 636DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 637 14 instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta.” 4 (grifei). Processo nº 10120.004955/200112, Acórdão nº 10246.676, Recurso nº 136803, Sessão de 16/03/2005, 2ª C. do Primeiro Conselho Convém sublinhar que a matéria que transitou na decisão última teve como cerne recurso de ofício de decisão de 1ª instância que havia anulado o lançamento em face, exclusivamente, da ausência de MPF a amparar aquele procedimento fiscal. Tal tese foi prontamente rechaçada por aquela corte administrativa. Com efeito, verificase, no caso concreto, que o auto de infração resistido revestiuse das formalidades previstas nos artigos 9º e 10, do Decreto nº. 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº. 8.748, de 1993, não havendo incidido em quaisquer dos vícios que poderiam retirarlhe a validade. Outrossim, no que diz respeito ao procedimento fiscal, etapa que antecede o lançamento, constatase que a tese desenvolvida pelo impugnante cingese a uma linha interpretativa que, arraigada ao formalismo, orientase na direção da essencialidade da forma procedimental. Cumpre referir, pois, que o processo administrativo lato sensu, e não menos o procedimento de fiscalização, está subordinado, entre outros, aos princípios do formalismo moderado e da verdade material, que apontam no sentido da sucumbência das formalidades processuais ante o afloramento do seu objeto maior: o alcance da verdade. Por fim, registrese, por apropriado, que os atos normativos baixados pela RFB, por certo, vinculam a atuação de todos os servidores do órgão, entre os quais os julgadores das DRJ, consoante os termos do art. 7º, da Portaria MF nº. 58, de 17 de março de 2006, abaixo transcrito – que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ, verbis: “Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº. 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros” No entanto, como demonstrado, a portaria que rege o MPF não dispõe, e nem fazêlo poderia, sobre a competência exclusiva do AFRFB, posto que jungida à atuação da Lei nº. 10.593/2002, com as alterações provocadas pela Lei nº. 11.457/2007, tampouco acerca do processo administrativo fiscal, o qual, por seu turno, é regido pelo Decreto nº. 70.235/72, que detém status de lei ordinária. Dessarte, uma vez que a competência legal do auditorfiscal não descende do mandado de procedimento fiscal, nenhuma irregularidade que, eventualmente, possa nele existir tem o alcance de afetar a competência atribuída pela citada Lei nº. 10.593/2002 ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 638 15 Portanto, uma vez que as supostas irregularidades argüidas pelo impugnante carecem de potencial ofensivo a abalar a plena existência do crédito tributário em debate, tornase despiciendo investigar sua possível existência.” A recorrente defende ainda a nulidade do auto de infração no que se refere a multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007 em face de falta de capitulação legal aplicável à espécie. Em atenção ao alegado, o caput do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972 determina que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Segundo este dispositivo, são duas as hipóteses de nulidade relacionadas ao processo administrativo fiscal federal: a primeira corresponde a um pressuposto subjetivo de atos processuais, qual seja a incompetência funcional do emissor do ato; já a segunda se refere a um pressuposto processual das decisões administrativas, este com fundamento na CF/88, que exige respeito ao contraditório e a ampla defesa. Por conseguinte, considerase nulo o ato praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. No que tange à suposta falta de capitulação legal do lançamento, esclarecese que esta casa já possui entendimento consolidado de que o mero erro no enquadramento legal não é suficiente para inquinar o auto de infração quando os fatos estão suficientemente bem descritos, permitindo plenamente o livre exercício do direito de defesa. Nesse sentido: NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa (1ª Seção, 4ª Câm.,1ª TO. Ac. 1401000894,6/11/2012) NULIDADE. FALTA DE MOTIVO PARA IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSABILIZADOS SOLIDARIAMENTE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS LEGAIS DE MULTA QUALIFICADA. A ausência de motivo ou seu erro e não sua insubsistência fulmina o lançamento por vício substancial. Não há ausência nem erro de motivo seja para a multa qualificada, seja para a responsabilização solidária. Quanto a esta, inconfundível é a questão de fundo para a legitimidade passiva. O mero erro na capitulação legal não vitima o lançamento. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 639 16 (1ª Seção, 1ª Câm., 3ª TO, Ac. 1103000.819, 6/3/2013) NULIDADE. Erro ou omissão no enquadramento legal não dá causa à nulidade do lançamento se dele não decorrer concretamente cerceamento do direito de defesa e do contraditório, em especial, se a descrição fálica trouxer todos os aspectos relevantes para fins de incidência da regramatriz tributária. (1º CC, 3ª Cam, Ac. 10323.256, 7/11/2007) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pacífica a jurisprudência deste Conselho no entendimento de que a correta descrição dos fatos prevalece sobre eventual omissão ou erro na indicação do enquadramento legal, ainda mais quando a autuada rebate adequadamente os termos da acusação, indicados na descrição dos fatos. (1° CC., 2ª Câm., Ac. 10247.742,26/7/2006) No caso em tela, não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de que a recorrente registrou as Declarações de Importação n° 09/06530010 e n° 09/11294486, no período entre 25/05/2009 e 26/08/2009, nas quais declara ser a importadora e adquirente das mercadorias por elas amparadas, todavia a fiscalização entendeu que a real adquirente era a empresa "Manike Indústria Têxtil Ltda", fato que ensejou na aplicação da multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. Do exposto, temos que o enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da infração constatada, da base tributável apurada e do cálculo do valor da multa, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Observase ainda que a contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito. A autuação, desta forma, mostrase plenamente válida, razão pela qual rejeitase as arguições de nulidade do auto de infração. Ingressando nas questões de mérito, a multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários encontrase prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007: Lei n° 11.488/2007 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Fl. 639DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 640 17 Parágrafo único. A hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No presente processo, a recorrente foi autuada em relação as Declarações de Importação n° 09/06530010 e n° 09/11294486, nas quais declara ser a importadora e adquirente das mercadorias por elas amparadas. Os documentos que instruíram os despachos de importação, contudo, apresentam como adquirente a empresa Manike Indústria Têxtil Ltda. A recorrente, nestas DI, em contrariedade a Lei n° 11.281/2006 e a Instrução Normativa SRF n° 634/2006, informa apenas no campo destinado a "Dados complementares", que as importações tinham por encomendante a empresa Manike Indústria Têxtil Ltda. O fato de as Declarações de Importação omitirem no campo próprio o nome da adquirente das mercadorias impedia que Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex verificasse os dados da empresa adquirente para fins de análise fiscal. Este procedimento era assim efetuado pelo fato de a adquirente Manike Indústria Têxtil Ltda. estar impedida de importar por ter atingido o limite para o qual havia sido habilitada (habilitação simplificada para atuação no comércio exterior em valor de pequena monta, prevista na Instrução Normativa SRF n° 650/2006). Consta ainda do relatório fiscal que: No período no qual o limite para realizar importações ainda não havia sido atingido, a "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" registrava as operações de importação na modalidade por conta e ordem da "Manike Indústria Têxtil Ltda". Atingido o limite, as operações passaram a ser registradas como se a "D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda" fosse a importadora e adquirente das mercadorias, ocultando a informação de que a real adquirente era a "Manike Indústria Têxtil Ltda". Depois que a "Manike Indústria Têxtil Ltda" voltou a possuir limite para importações, as operações voltaram a informar que ela era a adquirente das mercadorias. Verificase ainda que a empresa Manike Indústria Têxtil Ltda antecipava os recursos referentes as importações que a recorrente registrou como sendo por sua própria conta. Em sendo estes os fatos em julgamento, claro está que a recorrente cedeu seu nome à empresa Manike Indústria Têxtil Ltda para a realização de importações de mercadorias (DI n° 09/06530010 e n° 09/11294486), ocultando o verdadeiro adquirente, fato que deixa as operações marcadas por ilegalidade óbvia, sancionável, como foi, na forma prevista. A multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial foi aplicada com fundamento no artigo 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, c/c o artigo 69, §§ 1° e 2°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003: Medida Provisória n°2.15835/2001 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 641 18 Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei n2 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Lei n° 10.833/2003 Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória n 2 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária h determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; (grifo nosso) A recorrente alega que foi impossibilitada de declarar corretamente por uma falha do Siscomex, que impedia que se incluísse o nome da real importadora no campo próprio, bem como a ausência na DI de um campo destinado à identificação da encomendante. Em atenção ao alegado, esclarecese que o Siscomex não permitia a inclusão do nome da real adquirente no campo próprio devido a esta já ter atingido o limite de operações permitidas, e não em decorrência de uma falha. Observase ainda que o parágrafo único do artigo 3° da Instrução Normativa n° 634/2006 determina expressamente que a informação referente à encomendante deve ser aposta no campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem: Fl. 641DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 642 19 Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado is identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Em sendo esta a situação em comento, claro está que a recorrente omitiu informação comercial obrigatória, qual seja o nome do real comprador das mercadorias, fato que configura a conduta descrita no artigo 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, c/c o artigo 69, §§ 1° e 2°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003. Correta, portanto, a imposição da multa. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Declaração de Voto Com toda a distinção que rendo ao ilustre relator, ouso dele discordar na medida em que os fatos narrados nos autos, bem assim os documentos que lhe dão suporte, conduzem ao entendimento de que a Recorrente jamais teve a intenção de acobertar o fato de a Manike Indústria Têxtil Ltda. ser a real adquirente das mercadorias importadas. Explicase. A Manike estava inicialmente habilitada no Sistema de Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros (Radar) sob a modalidade simplificada, quando, então, a Recorrente declarava regularmente as suas operações de comércio exterior. Quando a Manike excedeu ao limite para essa modalidade de habilitação, pleiteou a sua migração para a habilitação ordinária. Ocorre que tal migração é extremamente burocrática e demorada. Considerando, pois, que a Recorrente continuou a ser demandada pela Manike, e para evitar a interrupção das atividades da sua cliente, a Recorrente passou a declarar a importação em nome próprio, consignando, no campo de informações complementares das Declarações de Importação, o fato de que as mercadorias estavam sendo importadas sob a modalidade de importação por encomenda. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10920.005217/200924 Acórdão n.º 3201001.342 S3C2T1 Fl. 643 20 Convém registrar, ainda, que a Recorrente espontaneamente voltou a declarar as suas operações, de forma regular, quando a Manike conseguiu obter a habilitação ordinária do RADAR. Diante disso, é de se entender que a infração tipificada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, não se verificou no caso presente, eis que – repitase – não houve a intenção, por parte da Recorrente, de acobertar a Manike como real adquirente das mercadorias importadas. Ressaltese que a conduta adotada pela Recorrente não estava correta, pois a legislação prevê exatamente como deve ser declarada a importação por encomenda; por outro lado, parece ser excessiva a equiparação entre uma empresa que intencionalmente presta nome a terceiros para burlar a legislação aduaneira e outra que sempre declarou corretamente as suas operações de comércio exterior, e só não o fez, no campo próprio, durante um período curto de tempo, em razão das dificuldades de seu cliente para se reabilitar em outra modalidade do RADAR. É de se registrar que a informação equivocada que se prestou nas DI foram motivadas pela morosidade da própria Administração Pública em analisar e conceder à Manike a habilitação ordinária pleiteada e posteriormente concedida. A aplicação da letra fria da lei não permite que se faça tal distinção. Contudo, cabe ao julgador extrair a exceção do caso concreto, sob pena de a lei ser aplicada de maneira injusta e contrária aos seus objetivos. Por esses fundamentos, é que faço a presente declaração de voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Fl. 643DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 10/09/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO
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