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Numero do processo: 10783.917604/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Consideram-se isentas da incidência de PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Para fins de geração de créditos de PIS no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
Numero da decisão: 3301-006.198
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer que as vendas dos produtos da recorrente tiveram como destino a exportação, e afastar a glosa referente as despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de refrigeração vinculadas a equipamentos do processo produtivo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ITALO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO - ITABRASCO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideram-se isentas da incidência de PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos de PIS no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer que as vendas dos produtos da recorrente tiveram como destino a exportação, e afastar a glosa referente as despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de refrigeração vinculadas a equipamentos do processo produtivo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 76 04 /2 01 1- 41 Fl. 830DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.198 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917604/2011-41 Relatório Trata o presente processo pedido de ressarcimento de PIS não-cumulativo exportação, formulada por meio de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação Eletrônica (PER/DCOMP). Todavia, a DRF jurisdicionante, após analisar o direito creditório do contribuinte, no entanto, deferiu apenas parte do montante pleiteado. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual inicialmente, pleiteia a impugnação total do Despacho Decisório por vício formal de falta de motivação (não explicitação da narrativa dos fatos constantes no processo de nº 15586.001626/2010-57). Por outro lado alega imunidade das contribuições sociais nas operações de vendas de pelotas de minério de ferro para o exterior; não-incidência das contribuições sociais nas operações de vendas para o exterior; isenção de PIS nas operações de vendas de pelotas para o exterior; remessa direta para exportação – passagem do produto por pátio pertencente ao próprio remetente não pode ser considerada circulação ou remessa. Em sua defesa, destaca ainda a existência de recente decisão administrativa federal (processo administrativo nº 15586.001586/2010-43) para caso idêntico, com acolhimento da defesa aqui apresentada no sentido de isenção das vendas com fins específicos de exportação. Adicionalmente, aduz a ocorrência de equívoco no preenchimento do CFOP das notas fiscais que retratavam as operações de vendas com fim de exportação (irrelevância para descaracterizar a real natureza da operação ante a observância do princípio da verdade material e da prevalência da substância); e indevida desconsideração do crédito decorrente de serviços que teriam sido usados indiretamente no processo produtivo do requerente. Requereu, ainda, a realização de perícia, apresentando quesitos. Por seu turno, a DRJ decidiu, iniciamente, pela realização de diligência, tendo por objetivo: i) a juntada de elementos probatórios aos autos, incluindo termos, intimações, planilhas, demonstrativos, notas fiscais, informação fiscal, detalhamento das compensações; ii) a verificação das vendas consideradas como realizadas no mercado interno pela fiscalização, face à alegação da contribuinte de que teriam tido destino específico de exportação, tendo em vista os documentos juntados na impugnação. Como resultado, foram juntados aos autos os documentos expressamente solicitados e informação fiscal detalhando as razões das glosas efetuadas. Instada a manifestar-se sobre o resultado da diligência, a autuada voltou a defender-se, alegando que o aglomerado de minério de ferro seria remetido diretamente do estabelecimento industrial do requerente para embarque com destino ao exterior ou para recintos alfandegados da VALE S/A, sendo que a tradição da mercadoria ocorreria no momento do embarque, não havendo transmissão jurídica. Sustenta que somente poderia emitir a nota fiscal/fatura quando a mercadoria possuísse destino certo ao exterior, isto é, após o embarque da mercadoria para exportação. Observa que o pátio da VALE S/A seria área alfandegada desde 2002, conforme o Ato Declaratório nº 132, e que seria através dos memorandos de exportação que o requerente registraria os dados de exportação da mercadoria. Fl. 831DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.198 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917604/2011-41 Acrescenta que nas notas fiscais de venda haveria indicação expressa do “fim específico de exportação” a demonstrar a veracidade dos negócios jurídicos entabulados. Defende, outrossim, que teria havido apenas um equívoco cometido tanto pelo requerente, quanto pela VALE S/A, no registro do CFOP. E que a VALE S/A teria confeccionado cartas declarando que não se creditou de PIS/Cofins nas aquisições da ITABRASCO das mercadorias de minério de ferro aglomerado (pelotas). Ao final, requer que seja reconhecido o seu direito creditório nos exatos termos da decisão proferida pela 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, da 3ª Seção do CARF, no bojo do processo administrativo nº 15586.001626/2010-57, uma vez que o processo cuida das mesmas partes, mesmos fatos, abarcando o mesmo período, e, principalmente, tratando do mesmo crédito utilizado no PER/DCOMP sub examine, com o sentido de dar provimento integral à manifestação de inconformidade apresentada, homologando o PER/DCOMP e, de conseguinte, anulando os supostos débitos em virtude de seu não acolhimento pela unidade de origem. Diante das conclusões e alegações apresentadas ao final da diligência, a DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade. No acórdão prolatado, manifestou-se o entendimento de que existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade. Registrou-se, igualmente, que a base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. Por outro lado, no que tange aos elementos apresentados pelo contribuinte como comprobatórios de vendas realizadas para exportação, analisados em diligência juntada aos autos, entendeu-se que restou constatado não serem suficientes para a devida comprovação do alegado e do direito creditório requerido. Por fim, concluiu-se que a alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, certeza e liquidez, não é suficiente para reformar o montante apurado no Despacho Decisório. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, onde repisa as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.192, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.900911/2011-93, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.192): O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Fl. 832DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.198 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917604/2011-41 A discussão presente no processo trata de identificar se as operações da Recorrente configuram exportação que estariam isentas do PIS e da COFINS e glosas realizadas pela Fiscalização referente a serviços prestados à Recorrente. A previsão constitucional da imunidade para as vendas ao exterior consta do art. 149, § 2º. "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) II - incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) III - poderão ter alíquotas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 3º A pessoa natural destinatária das operações de importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)" A previsão da isenção da COFINS consta do art. 14, incisos II, VIII, IX da MP nº 2.158- 35, de 24 de agosto de 2001. “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I - dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II - da exportação de mercadorias para o exterior; III - dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV - do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 833DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc41.htm#art149%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc41.htm#art149%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art149%C2%A72ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.198 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917604/2011-41 V - do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI - auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro - REB, instituído pela Lei n o 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII - de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei n o 9.432, de 1997; VIII - de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto-Lei n o 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX - de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;(grifei) X - relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1 o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2 o As isenções previstas no caput e no § 1 o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I - a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II - a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007 III - a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3 o da Lei n o 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Verifica-se que a informação da remessa das mercadorias para recinto não alfandegado estão dentre os motivos da exigência fiscal. Dai conclui-se que se comprovado que as mercadorias foram remetidas a recinto alfandegado da CVRD, posição que é sustentada pela Recorrente. A matéria já é conhecida deste Conselho e já foi enfrentada em outros julgamentos tanto da Recorrente como de outras empresas que atuam na mesma forma e no mesmo local produzindo pelotas de ferro vendidas a CVRD. Em diversos outros processos este conselho tem firmado o entendimento da comprovação da remessa das pelotas de ferro para o exterior e aplicando a isenção do PIS e da COFINS para estas operações. O julgado a seguir, traz decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de matéria semelhante que decidiu por considerar comprovadas as operações de exportação de pelotas de ferro. Processo nº 15586.001586/2010-43 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.233 – 3ª Turma Sessão de 11 de agosto de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS E COFINS Recorrente CIA NIPO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO NIBRASCO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008 Fl. 834DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9432.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9432.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9432.htm#art11 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9432.htm#art11 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1248.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11508.htm#art28 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8402.htm#art3 Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.198 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917604/2011-41 VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. Na auditoria realizada na Recorrente, referente ao mesmo período considerado no presente processo, foi lavrado auto de infração para exigências do PIS e da COFINS, sobre as mesmas alegações constantes do presente recurso, o auto de infração, controlado no Processo Administrativo 15586.001626/2010-57 foi objeto de impugnação que julgado pela primeira instância concordou com as alegações da Recorrente e confirmou a destinação das pelotas de ferro para o exterior. A decisão da DRJ foi objeto de recurso de ofício que foi negado por este Conselho. Processo nº 15586.001626/2010-57 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3403003.299 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2014 Matéria PIS E COFINS Recorrentes CIA ITALO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO ITABRASCO - FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VENDAS NO MERCADO INTERNO. TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Exclui-se do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições ao PIS e COFINS apurado sobre receitas comprovadamente oferecidas à tributação pelo contribuinte nos DACON. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE OFÍCIO. A diferença a maior entre as bases de cálculo apuradas de ofício aquelas informadas nos DACON, sujeita-se à exigência por meio de lançamento de ofício. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Exclui-se da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS os valores recebidos a título de transferência onerosa de créditos do ICMS. Precedentes do STF, RE 606.107. Repercussão geral. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Por concordar com a posição adotada no voto vencedor da decisão da Delegacia de Julgamento, peço vênia, para incluir o trecho do acórdão que trata a matéria e fazer dele também as minhas razões de decidir. Fl. 835DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.198 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917604/2011-41 Receita decorrente das vendas de produtos à Vale S/A - fim específico de exportação: Passemos então ao exame das demais operações, representadas pelas notas fiscais de vendas de minério de ferro aglomerado (pelotas), que segundo alega a impugnante correspondem a vendas realizadas com fim específico de exportação. Inicialmente cumpre registrar que a questão levantada já foi analisada por esta Turma em outros processos em nome da Itabrasco, relativos a pedido de ressarcimento/declaração de compensação referentes a períodos de apuração diversos. No julgamento destes processos, esta Turma entendeu que as alegações da empresa interessada não haviam sido devidamente comprovadas e, em conseqüência, firmou o entendimento de que as vendas efetuadas pelo contribuinte à CVRD não se caracterizavam como operações de venda com fim específico de exportação, nos termos definidos pela legislação que rege a matéria. No entanto, nos presentes autos, novos elementos foram apresentados, capazes de levar à conclusão diversa, como veremos a seguir. O entendimento da autoridade autuante, exposto no Termo de Verificação de Infração se baseou resumidamente em três pontos: a) o CFOP utilizado nas notas fiscais de venda emitidas pelo contribuinte e no registro das entradas de produtos pela Vale S/A caracterizam operações de venda no mercado interno; b) as vendas efetuadas à Vale S/A são registradas na contabilidade da empresa vendedora em conta correspondente à venda no mercado interno; e c) os produtos vendidos foram entregues, segundo declaração da Vale S/A, no pátio da Itabrasco (área não alfandegada), não se enquadrando, portanto, na definição de venda com fim específico de exportação dada pela IN SRF 247/2002, Lei 9.532/1997 e Decreto 1.248/72. Note-se que não há nos autos qualquer controvérsia quanto/a nao incidência das contribuições em tela sobre as receitas de venda efetuada com fim específico de exportação, uma vez que os lançamentos de ofício não se fundamentaram na negativa de reconhecimento pela autoridade autuante, da hipótese de exclusão do campo de incidência tributária expressamente prevista na legislação que rege o PIS e a Cofins, mas sim na falta de comprovação de que as operação realizadas pudessem ser consideradas como venda com fim específico de exportação. Isto porque o fim específico de exportação não é caracterizado pela simples intenção das partes (vendedor e comprador), mas sim pela observância de determinados requisitos que, em conjunto, comprovem a natureza da operação realizada. Ou seja, para fazer jus ao benefício fiscal o contribuinte deve manter escrituração fiscal capaz de espelhar devidamente a operação realizada, as notas fiscais emitidas não devem conter informações contraditórias que gerem dúvidas sobre a operação de fato ocorrida, os produtos vendidos devem ser remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora e deve haver a comprovação da efetiva exportação, pela comercial exportadora adquirente. No caso em análise, o contribuinte trás em sua defesa, entre outros, os seguintes documentos: contrato de venda de pelotas; memorandos de exportação emitidos pela Vale S/A; cartas de correção das notas fiscais de venda; declarações da Vale S/A atestando que as pelotas adquiridas da Itabrasco foram todas exportadas e que não se creditou do PIS e da Cofins sobre estas aquisições. Com relação ao uso de código de classificação fiscal indevido nas notas fiscais de venda, a impugnante supre a falha ocorrida juntando aos autos em fls. 930 a 966, cartas de correção para cada nota fiscal referente a venda de minério de ferro aglomerado (pelota) emitidas com a informação complementar referente à remessa com fim específico de exportação e sem destaque de ICMS. Referidas cartas de correção foram encaminhadas e recebidas pela Vale S/A, e nelas a empresa emissora comunica a alteração do CFOP anteriormente utilizado para Fl. 836DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.198 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917604/2011-41 o código 5.501 (remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação). Vale mencionar que a regularização de erro na emissão de nota fiscal mediante utilização de carta de correção é procedimento previsto no Regulamento do ICMS no Estado do Espírito Santo, no artigo 635-A. Ainda com relação ao uso indevido de CFOP, afirma a autoridade autuante no Termo de Verificação de Infração que em diligência realizada junto à Vale S/A, verificou que em muitos casos, as compras junto à Itabrasco foram escrituradas nos Livros Registro de Entradas do estabelecimento adquirente como aquisições no mercado interno, com CFOP 1.102. No entanto, a constatação da situação descrita anteriormente neste voto, qual seja, a existência de notas fiscais tratadas pela autuada como venda com fim específico de exportação (com informação complementar de remessa com fim de exportação e sem incidência de ICMS) e de notas fiscais tratadas como venda no mercado interno (sem informação complementar e com destaque de ICMS) explica, ao menos em parte, o fato apontado. É que confrontando as cópias dos Livros Registrq de Entradas da Vale S/A (fls. 317/412) com as cópias das notas fiscais de venda emitidas pela Itabrasco (fls. 170/308) observa-se que de todas as operações alegadas pela autuada como de venda com fim específico de exportação, realizadas no período de três anos (janeiro de 2006 a dezembro de 2008), apenas três encontram-se na situação descrita pela fiscalização. São elas as notas fiscais de n°s 0604, 0671 e 0707, emitidas, respectivamente em 31/10/2006, 31/01/2007 e 27/03/2007 (fls. 195, 209 e 2016 e registro em fls. 336, 344 e 346). Todos os demais registros com CFOP 1.102, assinalados nos livros da Vale, se referem às operações assumidas pela empresa como de venda no mercado interno e, portanto, em relação a estas, os registros de entrada dos produtos na Vale foram efetuados com o código correto. Relativamente às aquisições de minério de ferro aglomerado (pelotas) decorrentes de operações alegadas pela autuada como de venda com fim específico de exportação, com exceção das três notas fiscais citadas, todas foram escrituradas corretamente pela Vale S/A com o código 1.501, correspondente à entrada de mercadoria recebida com o fim específico de exportação, apesar do uso indevido do código CFOPjias notas fiscais de venda emitidas pelo contribuinte. O contribuinte também apresenta com a impugnação os Memorandos de Exportação emitidos pela Vale S/A (fls. 671 a 692) demonstrando a vinculação das notas fiscais de venda da Itabrasco com a posterior exportação dos produtos pela Vale. Memorando de exportação é documento exigido pela legislação estadual, criado com o objetivo de estabelecer controle das operações com mercadorias contempladas com a desoneração do ICMS nas vendas de mercado interno com o fim específico de exportação. Esse documento deve ser emitido pelo exportador e entregue ao fabricante/fornecedor acompanhado de uma cópia do Conhecimento de Embarque e do Comprovante de Exportação, do extrato completo do RE (com todos os campos devidamente preenchidos) e da Declaração de Exportação, de acordo com o Convênio ICMS n° 113, de 13/12/96 e alterações. (O referido Convênio foi revogado pelo Convênio ICMS n° 84, de 25/09/09, que entrou em vigor em 29/09/09 com efeitos a partir de 01/11/09). Nos Memorandos de Exportação apresentados pela autuada constam todos os dados relativos à exportação efetuada, destacando-se o número e data do Conhecimento de Embarque, o país de destino da mercadoria, dados referentes à nota fiscal emitida pela empresa exportadora, número, data de registro e data de averbação do Registro de Exportação, bem como número e data do Despacho de Exportação. Verifica-se, ainda, que a empresa autuada figura nos Memorandos de Exportação na qualidade de remetente com o fim específico de exportação, sendo possível identificar o número e data das notas fiscais emitidas pela Itabrasco, quantidade da mercadoria adquirida, valor e quantidade Fl. 837DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.198 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917604/2011-41 exportada no mês. Os memorandos apresentados, portanto, confirmam a vinculação das notas fiscais ali relacionadas com a exportação das mercadorias promovida pela Vale S/A. Constata-se, assim, que todas as vendas contestadas pela autuada como de operação com fim específico de exportação representadas pelas notas fiscais de venda e notas fiscais complementares constam dos Memorandos de Exportação apresentados, comprovando-se, desta forma, a efetiva exportação. Outra irregularidade apontada pela fiscalização se refere ao local de entrega das pelotas de minério de ferro, que, segundo informação fornecida pela Vale S/A por ocasião da diligência realizada, ocorreu no pátio da Itabrasco, local não alfandegado. Para contestar este ponto, a impugnante junta aos autos o Contrato de Venda de Pelotas entre a Itabrasco e a CVRD e aditivos (fls. 644/663). Verifica-se em todos os aditivos firmados a partir de junho de 2002 que a cláusula que estabelece a entrada em vigor e a duração do contrato está sempre vinculada ao embarque dos produtos. Abaixo transcreve-se a cláusula do aditivo n° 4 (fl. 649), referente ao período de janeiro a setembro de 2002, cujos termos se repetem nos posteriores aditivos anexados aos autos: ENTRADA EM VIGOR E DURAÇÃO "5.1 - O presente contrato é válido de 24 de fevereiro de 2000 até 30 de setembro de 2002 e as condições definidas no presente Aditivo retroagem os seus efeitos a Io de janeiro de 2002 e são válidas até o pagamento do último embarque relacionado ao período acima. Por força disso, o presente aditivo substitui e prevalece sobre os termos e condições previamente acordados çntrjé as PARTES através do Aditivo n" 3, datado de 28 de fevereiro de 2002. " Entendo, assim, que os termos do contrato demonstram que o compromisso assumido pelas partes de compra e venda de minério de ferro está condicionado ao embarque dos produtos para o exterior. Ainda que se considere a possibilidade de ocorrência da situação descrita pela autuada na qual as pelotas vendidas transitam pelo estabelecimento da Vale S/A antes de serem encaminhadas para embarque nos navios, tal hipótese não é suficiente para descaracterizar a venda com fim específico de exportação, uma vez que os pátios para estocagem de minério de ferro e pelotas administrados pela Vale S/A é recinto alfandegado, de acordo com o ADE/SRRF07 n" 320 de 14/09/2006. Dessa forma, entendo que as cartas de correção das notas fiscais em conjunto com os Memorandos de Exportação são elementos suficientes para comprovar que as vendas foram efetuadas com o fim específico de exportação. Por esta razão, devem ser excluídos dos lançamentos os valores abaixo relacionados, correspondentes às vendas efetuadas com o fim específico de exportação: Quanto aos créditos referentes aos insumos alegados pela Recorrente, considerando a decisão do STJ no REsp nº 1.221.170/PR, a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF e o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, que confirmou a aplicação dos critérios de essencialidade e relevância para apuração dos créditos do PIS e da COFINS não cumulativos, conforme a sua ementa transcrita abaixo. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o "critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço": a.1) "constituindo elemento estrutural e inseparável do processo Fl. 838DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.198 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917604/2011-41 produtivo ou da execução do serviço"; a.2) "ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência"; Com estas premissas as despesas administrativas e eventos, publicidade, despesas advocatícias, alimentação, assessoria tributária e financeira e gastos com seguros não estão associados ao processo produtivo da Recorrente e portanto, não podem gerar créditos das contribuições. As despesas referentes a serviços de topografia e projetos de controle ambiental são exigências legais e dentro da visão de essencialidade e relevância para o processo produtivo. Quanto as despesas de refrigeração de equipamentos utilizados no processo produtivo por estarem vinculadas ao processo produtivo, estão aptas a auferir créditos das contribuições não cumulativas. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer que a venda das produtos da Recorrente tiveram como destino a exportação e afastar a glosa referente as despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de refrigeração vinculadas a equipamentos do processo produtivo. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer que as vendas dos produtos da Recorrente tiveram como destino a exportação, e afastar a glosa referente as despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de refrigeração vinculadas a equipamentos do processo produtivo. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 839DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13106.720009/2014-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL. CRÉDITO PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO.
O crédito presumido de PIS/Pasep calculado sobre a venda de álcool, de que trata a Lei 12.859/2013, só pode ser aproveitado na dedução da referida contribuição.
LEI 12.859/2013. CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO.
A possibilidade de ressarcimento ou compensação do § 7º do art. 1º da Lei 12.859/2003 contempla apenas o saldo de créditos de PIS/Pasep apurado na forma do art 3º da Lei 10.637/2002, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e comercialização de álcool, o que não inclui as aquisições de álcool para revenda.
REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não cumulatividade deve-se aplicar o rateio proporcional entre as receitas tributadas pelas contribuições no regime cumulativo e não cumulativo. haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3301-006.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para alterar o critério de rateio utilizado no cálculo dos créditos concedidos das contribuições.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL. CRÉDITO PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO. O crédito presumido de PIS/Pasep calculado sobre a venda de álcool, de que trata a Lei 12.859/2013, só pode ser aproveitado na dedução da referida contribuição. LEI 12.859/2013. CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. A possibilidade de ressarcimento ou compensação do § 7º do art. 1º da Lei 12.859/2003 contempla apenas o saldo de créditos de PIS/Pasep apurado na forma do art 3º da Lei 10.637/2002, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e comercialização de álcool, o que não inclui as aquisições de álcool para revenda. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não cumulatividade deve-se aplicar o rateio proporcional entre as receitas tributadas pelas contribuições no regime cumulativo e não cumulativo. haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei 10.833/2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para alterar o critério de rateio utilizado no cálculo dos créditos concedidos das contribuições. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL. CRÉDITO PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO. O crédito presumido de PIS/Pasep calculado sobre a venda de álcool, de que trata a Lei 12.859/2013, só pode ser aproveitado na dedução da referida contribuição. LEI 12.859/2013. CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. A possibilidade de ressarcimento ou compensação do § 7º do art. 1º da Lei 12.859/2003 contempla apenas o saldo de créditos de PIS/Pasep apurado na forma do art 3º da Lei 10.637/2002, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e comercialização de álcool, o que não inclui as aquisições de álcool para revenda. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 10 6. 72 00 09 /2 01 4- 16 Fl. 573DF CARF MF 2 Na determinação dos créditos da não cumulatividade devese aplicar o rateio proporcional entre as receitas tributadas pelas contribuições no regime cumulativo e não cumulativo. haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para alterar o critério de rateio utilizado no cálculo dos créditos concedidos das contribuições. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o processo de contestação contra o Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o ressarcimento pleiteado pela empresa em epígrafe. A pessoa jurídica tem atividade principal no ramo de produção de álcool e açúcar, bem como de comercialização e importação de produtos relacionados à cadeia do álcool. A interessada apresentou Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno, de que trata o art. 1º, § 7º da Lei nº 12.859, de 2013, apresentado em formulário em 26/06/2014, onde pleiteia o ressarcimento de créditos que diz terem sido obtidos no 4º TRIMESTRE DE 2013, no valor de R$ 948.313,54 (fl. 02). Com referência no crédito, foram apresentadas declarações de compensação (fls. 17), cujo resumo dos documentos (crédito e débitos) é colacionado abaixo: Fl. 574DF CARF MF Processo nº 13106.720009/201416 Acórdão n.º 3301006.439 S3C3T1 Fl. 3 3 O Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal descreve o procedimento realizado e as conclusões obtidas, o que envolve também outros trimestres objeto da verificação (fls. 286 a 306). Adiante, o Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Marília (DD DRF/MRA Saort nº 2016/229), no relatório e fundamentação de sua decisão, referenda e sistematiza as conclusões obtidas, especificamente sobre o trimestre objeto do presente processo. A forma do pedido é aceita, em função da impossibilidade de transmissão eletrônica. Constatouse uma irregularidade na apuração dos créditos: créditos apurados a maior em relação a duas Notas Fiscais de aquisição de álcool, em desacordo com a opção dos fornecedores e com o valor devido da contribuição pelos mesmos (§§ 13 e 14 do art. 5º da Lei 9.718/1998, com redação das Leis 11.727/2008 e 12.859/2013), importando uma glosa de R$ 9.836,74 relativamente ao mês de outubro de 2013. De qualquer modo, constatouse que o pedido de ressarcimento incluiu créditos de mercado interno decorrentes das aquisições de álcool, para revenda, que podem ser usados para desconto das contribuições, por força de Lei, mas não para ressarcimento e compensações. Dessa forma, os valores de aquisição de álcool foram desconsiderados na apuração do valor a ressarcir. Então, os valores passíveis de ressarcimento foram reapurados, considerando apenas os créditos a que se refere o § 7º do art. 1º da Lei 12.859/2013, ou seja, os créditos básicos (energia elétrica, aluguéis, arrendamento, depreciações, armazenagem e transporte) correspondentes às vendas no mercado interno de álcool (§ 7º do art. 1º da Lei 12.859/2013). Da apuração fiscal, resultou o valor passível de ressarcimento de R$ 274.726,78. O Despacho Decisório conclui pelo reconhecimento e deferimento parcial do ressarcimento pleiteado e homologação parcial das compensações, até o limite do crédito reconhecido de R$ 274.726,78. O contribuinte foi cientificado da decisão em 09/05/2016, através de acesso aos documentos no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC). Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 08/06/2016 (fls. 355/393) e argúi pela sua tempestividade. Fl. 575DF CARF MF 4 De início, ressalta que o pedido está fundado no art. 1º da Lei 12.859/2013, que legitima o procedimento adotado pela interessada. Aponta existência de relação de prejudicialidade e necessidade de reunião dos julgamentos com os processos administrativos que menciona, também decorrentes de PIS/Pasep ou Cofins nãocumulativos e cujos motivos que ensejaram o parcial deferimento foram os mesmos. Aduz que a interpretação fiscal estabelece uma distinção entre as mercadorias para revenda, porém, a regramatriz é apenas uma, qual seja, o art. 3º, I, da Lei 10.637/2002, independentemente de tratarse da mercadoria álcool ou não. A Lei 12.859/2013, em seu art. 1º, § 7º, textualmente se refere, não só aos custos, despesas e encargos vinculadas à produção de álcool, mas também àquelas vinculadas à comercialização. A revenda é uma das espécies de atos de mercancia envolvendo o álcool. Alega que o Governo Federal criou um programa de estímulo para os agentes integrados da cadeia do álcool no Brasil. Cita a exposição de motivos da MP 613/2013, que veio a ser convertida na Lei 12.859/2013, para evidenciar os objetivos de estímulo à cadeia em questão e redução dos preços do produto. A interpretação restritiva resultaria em acúmulo dos créditos presumidos, que não poderiam ser aproveitados, tendo como consequência a inexistência dos benefícios indutores almejados para o setor. A interpretação da autoridade fiscal viola os princípios da segurança jurídica, que decorre, no caso, das próprias raízes da criação da norma, consubstanciada na exposição de motivos. Ressalta que, em função das medidas, os agentes da cadeia do álcool foram estimulados a produzir, importar e comercializar, contendo os seus preços. Entende que, uma vez reconhecido no Despacho Decisório que os produtores e importadores de álcool, como a requerente, estão inseridos na apuração nãocumulativa do PIS/Pasep e da Cofins, não seria cabível interpretar que outro dispositivo legal está a mitigar a nãocumulatividade. Assim é que aponta a manifestante: Consequentemente, o simples fato de o artigo 5º, parágrafo treze, da Lei nº 9.718/98, também prever a possibilidade de aproveitamento de créditos do “PISNão Cumulativo” e da “COFINSNão Cumulativa” sobre “custo de aquisição de álcool para revenda” não os afasta de sua origem e sustentação no art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, onde, insistase, está o regramento geral do regime da não cumulatividade para a “Contribuição ao PIS” e a “Cofins”, aos quais a D. Autoridade Fiscal se refere como créditos básicos. Afirma que a aquisição de álcool para fins de revenda não pode ser apartada como modalidade extraordinária. Tais aquisições estão abarcadas pelos custos, despesas e encargos vinculados à comercialização de álcool. A partir de junho de 2008, com a MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008, passou a ser possível a apuração de crédito na aquisição de álcool para revenda, especificando o § 16 do art. 4º da Lei 9.718/1998, com sua nova redação, que a restrição do art. 3º, I, "b", das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 não se aplicariam à hipótese. Ainda, a própria IN RFB 1.300/2012 não contém ressalvas. Se insurge também, a manifestante, contra o método de proporcionalidade das receitas de venda de álcool. Inexistindo fundamento legal para a proporcionalidade aplicada, deveria ter sido feita a apuração a partir da documentação contábil Fl. 576DF CARF MF Processo nº 13106.720009/201416 Acórdão n.º 3301006.439 S3C3T1 Fl. 4 5 apresentada pela requerente. Mesmo que eventualmente aceita a aferição por proporção de receitas, alega que os cálculos não estariam corretos. Cita o mês de setembro ( com a ressalva de que o mesmo se refira ao Terceiro Trimestre de 2013) para indicar que as receitas das vendas não tributadas também deveriam ser excluídas da proporcionalidade, obtendo o percentual de 93,33%, diferente do de 72,26% considerado. Do Pedido Por fim, requer seja reconhecido e homologado, integralmente, o pedido de ressarcimento. Adicionalmente, no quanto se refere aos cálculos da proporcionalidade dos créditos, embora entenda não ser aplicável, caso o seja requer a consideração somente dos valores relacionados às vendas tributadas no mercado interno, conforme demonstrado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL. CRÉDITO PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO. O crédito presumido de PIS/Pasep calculado sobre a venda de álcool, de que trata a Lei 12.859/2013, só pode ser aproveitado na dedução da referida contribuição. LEI 12.859/2013. CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. A possibilidade de ressarcimento ou compensação do § 7º do art. 1º da Lei 12.859/2003 contempla apenas o saldo de créditos de PIS/Pasep apurado na forma do art 3º da Lei 10.637/2002, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e comercialização de álcool, o que não inclui as aquisições de álcool para revenda. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. O crédito passível de ressarcimento decorrente de custos, despesas e encargos comuns vinculados à produção e comercialização de álcool, deve ser apurado pelo rateio proporcional entre receitas de vendas de álcool e receita bruta total. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando a nulidade parcial da decisão da DRJ quanto a matéria que considerou não impugnada a matéria referente aos itens A2, A3 e A4 do despacho decisório, determinando o prosseguimento da cobrança referente à estas matérias. No restante do recurso repisa as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade. Fl. 577DF CARF MF 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Pede a Recorrente em sede preliminar, que seja anulada a decisão da DRJ quanto a matéria que considerou não impugnada a matéria referente aos itens A2, A3 e A4 do despacho decisório, alegando que a manifestação de inconformidade conteria uma alegação geral de pedido de homologação dos créditos e portanto, toda a matéria estaria submetida à discussão do processo administrativo fiscal. A decisão da DRJ, detalhou os motivos para considerar a matéria referentes aos ajustes dos itens A2, A3 e A4. A glosa de créditos nas aquisições de álcool já foi objeto de ajuste no decorrer do procedimento fiscal, em relação aos valores comprovados pela empresa, resultando ao final o valor de R$ 63.186,25. Este, por sua vez, não foi objeto de contestação específica, restando definitivo no âmbito administrativo O art. 17 do Decreto 70.235/72 determina o critério a ser utilizado para delimitar as matérias submetidas ao litígio administrativo . Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A legislação exige a impugnação especifica das matérias que o contribuinte quer ver discutidas administrativamente. Aquelas matérias que não foram expressamente contestadas, não fazem parte do litígio administrativo Consultando a manifestação de inconformidade não existe questionamento especifico, quanto aos ajustes realizados pela Autoridade Fiscal, que foram detalhados nos itens A2, A3 e A4 do despacho decisório. Assim, entendo, correta a decisão da DRJ que considerou preclusa os ajustes realizados no despacho decisório. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 13106.720009/201416 Acórdão n.º 3301006.439 S3C3T1 Fl. 5 7 Quanto a alegação de nulidade da decisão da DRJ, por ter determinado a separação dos valores para prosseguimento das cobranças, não assiste razão à Recorrente, o procedimento da DRJ esta de acordo com as regras do Decreto 70.235/72. Ao decidir que parte do despacho decisório não foi submetido ao litígio administrativo, correto o prosseguimento administrativo para cobrança dos débitos que não foram objeto de contestação especifica na manifestação de inconformidade. CRÉDITO PRESUMIDO NA PRODUÇÃO E IMPORTAÇÃO DE ÁLCOOL Em que pese o extenso arrazoado do recurso, discutindo as formas de interpretação do arcabouço legislativo referente aos créditos presumidos. Entendo que a matéria precisa ser enfrentada a luz da interpretação objetiva da legislação. O art. 1º da Lei 12.859/2013, define o alcance dos créditos presumidos e a que tipos de operações e empresas é permitido. Art. 1º A pessoa jurídica importadora ou produtora de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) poderá descontar das referidas contribuições, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o volume mensal de venda no mercado interno do referido produto O art. 1º deixa claro que os créditos presumidos aplicamse unicamente a empresas produtoras e importadoras de álcool. Pela simples leitura do artigo é possível identificar que os créditos presumidos estão vinculados somente às atividades de produção e/ou importação. Assim, estão fora do creditamento operações referentes a revenda de álcool adquirido no mercado interno. UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS Segundo ponto a esclarecer é quanto a possIbilidade de ressarcimento ou compensação dos créditos presumidos com outros tributos administrados pela Receita Federal ou se os créditos presumidos podem ser utilizados para reduzir o montante devido do PIS. Novamente vamos rever o artigo 1º da art. 1º da Lei 12.859/2013, que define claramente que os créditos presumidos somente podem ser utilizados para reduzir os valores devidos da própria contribuição, como se extrai do artigo em comento: "poderá descontar das Fl. 579DF CARF MF 8 referidas contribuições, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o volume mensal de venda no mercado interno do referido produto". A redação do artigo 1º é cristalina ao limitar a utilização dos créditos presumidos à redução das contribuições devidas em cada período de apuração. A Recorrente argumenta que o § 7º do art. 1º da Lei 12.859/2013, permitiria a utilização do crédito presumido para ressarcimento e compensação de outros tributos administrados pela RFB. O parágrafo está assim redigido. § 7º Durante o prazo de que trata o § 1º , o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado pelas pessoas jurídicas de que trata o caput , na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de álcool, inclusive para fins carburantes, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, poderá ser objeto de: (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 2014) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. O parágrafo 7º, ao meu sentir, não é uma exceção as determinações do artigo 1º quanto a limitação de utilização dos créditos presumidos somente podem ser utilizados para reduzir o valor devido da própria contribuição. As determinações do citado parágrafo tem o condão de esclarecer que os créditos previstos no art. 3º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, créditos básicos na apuração das contribuições não cumulativas e o art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que trata do PISImportação e CofinsImportação, podem ser utilizados para ressarcimento, ou seja, os créditos referentes aos custos para a produção do álcool e a sua comercialização para aquelas empresas produtoras e as despesas referentes a importação e comercialização das empresas importadoras. Aqui, em nenhum momento, podese inferir que estamos discutindo créditos presumidos, mas, somente créditos básicos previstos para apuração das contribuições não cumulativas. Assim, resta claro que as empresas produtoras e/ou importadoras de álcool carburante possuem direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS, previsto no art. 1º da Lei 12.859/2013, podendo utilizar estes créditos somente para reduzir o valor devido destas mesmas contribuições. Quanto aos valores referentes às despesas para a produção e a importação de álcool, que não tratase de crédito presumido, mas, créditos básicos, podem ser utilizados para compensação/ressarcimento. Com estas premissas e voltando a discussão nos autos, a Autoridade Fiscal procedeu a análise do pedido de compensação/ressarcimento da Recorrente, glosando os valores referentes aos créditos presumidos, sob o arrimo que somente poderiam ser utilizados para reduzir o valor do PIS e da COFINS e para o restante dos créditos, que tem origem em Fl. 580DF CARF MF Processo nº 13106.720009/201416 Acórdão n.º 3301006.439 S3C3T1 Fl. 6 9 despesas da recorrente referentes aos créditos básicos, diante da ausência de separação destes despesas referentes à produção e comercialização de álcool e demais atividades da empresa, como a produção de açúcar, procedeu a um cálculo proporcional entre a receita total e a receita de vendas para aplicar o percentual das despesas a serem consideradas para efeito de ressarcimento. CRITÉRIO DE RATEIO PARA RESTITUIÇÃO DE CRÉDITOS BASICOS A Recorrente além da discussão referente a possibilidade de ressarcimento dos créditos presumidos, também traz alegações contra o rateio proporcional realizado pela Autoridade Fiscal para calcular o montante de créditos básicos, que podem ser utilizados para ressarcimento. O despacho decisório utilizou como critério a proporção das vendas de álcool sobre a receita bruta para apurar o valor do crédito referente as operações de álcool, como pode ser visto, do trecho abaixo, extraído do despacho decisório. Repetimos que os créditos a que se referem o § 7º do artigo 1º da Lei 12.859, de 2013, correspondem a créditos básicos (energia elétrica, aluguéis, arrendamento, depreciações, armazenagem, e transporte), vinculados às receitas tributadas no mercado interno, proporcionalmente às vendas de álcool. Por isso, compilamos as vendas de álcool e elaboramos o demonstrativo da proporção de vendas de álcool sobre a receita bruta. Aplicamos a proporção das vendas de álcool aos créditos básicos apurados, resultando no crédito passível de ressarcimento de R$ 576.004,85 de PIS, conforme tabelas abaixo: Pede a Recorrente, que seja considerado para efeito de rateio o valor referente a venda de produtos tributados e não sobre a receita bruta, conforme alega em seu recurso voluntário. Ao justificar a aplicação do rateio a decisão de piso, traz o argumento que a receita dos produtos isentos não podem ser excluídos, tendo em vista, que o contribuinte possui outras atividades e não é possível identificar se os custos e insumos utilizados para o crédito também seriam usados para a produção e comercialização destes produtos. Concordo plenamente com a afirmação do julgador de piso, não é possível identificar em quais custos estariam sendo utilizados as despesas referentes aos insumos, entretanto, da mesma forma que não é possível identificar se as despesas referentes aos créditos foram utilizados em produtos de alíquotas zero, o oposto, também pode ocorrer, ou seja, existir custos que não são utilizados nos produtos isentos e estariam sendo indevidamente reduzidos. É fato, que o caminho ideal é apuração especifica dos custos individualizados para o álcool carburante, entretanto, diante da impossibilidade da identificação destes custos a aplicação de rateio se torna impositiva, entretanto, entendo que mesmo para estes casos é necessário buscar parâmetros objetivos para o rateio e preferencialmente que estejam previstos Fl. 581DF CARF MF 10 na legislação tributária. Ao tratar dos créditos básicos o art. art. 1º, § 7º da Lei nº 12.859/2013, de forma especifica vincula estes créditos a apuração prevista no art. 3ª da Lei 10.833/3003. O art. 3º, § 8º da Lei 10.833/2003 define os critérios de rateio para apuração da COFINS não cumulativa. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. A legislação que trata dos créditos básicos da contribuições determina os critérios de rateio proporcional a ser utilizado, considerando as receitas de COFINS não cumulativa e Cumulativa, o que determina a ser utilizado as receitas referentes as operações que sofrem a incidência destas contribuições para efeito de rateio. Considerando a norma especifica de rateio para a COFINS não cumulativa, entendo como correto a aplicação dos critérios previstos na Lei nº 10.833/2003, com a utilização das receitas referentes aos produtos que sofrem a incidência das contribuições. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso para altera o critério de rateio, com a aplicação das regras previstas no art. 3ª , §§ 8º e 9º da Lei 10.833/2003, que consideram para rateio somente a receita dos produtos sujeitos a incidência destas contribuições. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 13106.720009/201416 Acórdão n.º 3301006.439 S3C3T1 Fl. 7 11 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 583DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.902866/2015-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2012 a 30/11/2012
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.291
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 28 66 /2 01 5- 25 Fl. 71DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma de decisão de primeira instância para que seja declarada a nulidade do despacho decisório por haver sido proferido com ausência de fundamentação e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.261, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.901009/201427. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.261): "A Recorrente acusa o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, por ausência de fundamentação, uma vez que este não teria indicado as razões da inexistência de crédito disponível. Ora, verificase que a referida decisão deixou de homologar a compensação pelo fato de o valor do DARF ter sido integralmente alocado à quitação de outro débito. Este fundamento era suficiente para a negativa, sobretudo porque, como a própria Recorrente veio a informar na Manifestação de Inconformidade, a DCTF só fora retificada Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10865.902866/201525 Acórdão n.º 3401006.291 S3C4T1 Fl. 3 3 posteriormente e o DACON também, de sorte que os sistemas da Receita Federal não dispunham de outra informação que não aquela constante do DCTF original. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade do despacho decisório por carência de fundamentação, visto que analisou acertadamente o direito creditório à luz da circunstância fática vigente à época, que incluía a confissão do débito em DCTF no seu valor original.. Ademais, a posterior retificação da DCTF com o fito de reduzir o valor do débito não tem, per si, o condão de comprovar o direito creditório da Recorrente se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que suportem as alterações realizadas. Em se tratando de pedidos de compensação/ressarcimento, o ônus probatório incumbe ao postulante, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) "“CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a Fl. 73DF CARF MF 4 respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.” (Acórdão 3401005.460 – paradigma, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2018) Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente veiculou genericamente a alegação de ter se valido de uma base de cálculo ampliada para o PIS/COFINS, com a inclusão de receitas que não comporiam o faturamento, o que ensejara a retificação da DCTF, sem carrear aos autos qualquer documentação que comprove o alegado, desejando transferir à fiscalização o ônus de perscrutar a origem do crédito pleiteado. No presente Recurso Voluntário, limitase à alegação de nulidade do despacho decisório, mesmo ciente de que o mesmo foi proferido antes da retificação que promovera na DCTF, o que já se refutou, silenciando quanto à origem e quantificação do crédito. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10865.902866/201525 Acórdão n.º 3401006.291 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.906532/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.069
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 06 53 2/ 20 12 -2 1 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13819.906532/201221 Resolução nº 3402002.069 S3C4T2 Fl. 3 2 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). (...) Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário afirmando que a razão pela qual procedeu com a redução do valor da COFINS a pagar no período decorre: (i) da isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte internacional de cargas; (ii) do direito de aproveitar 100% (cem por cento) dos créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e, por fim: (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas. Afirma que traz a documentação fiscal e contábil suporte do crédito pleiteado. Caso não entenda pela suficiência da documentação, requer a conversão do processo em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.050, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906514/201240. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.050): "Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e da DCTF antes da transmissão do PER para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes destes documentos fiscais, em conformidade com o art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional CTN. Buscando respaldar o seu crédito, o contribuinte anexou aos autos balancete analítico, razão analítico de algumas contas contábeis e planilhas elaboradas pelo sujeito passivo que demonstrariam o crédito. Contudo, observese primeiramente que as planilhas elaboradas pelo sujeito passivo não fazem uma clara diferenciação entre as informações que foram declaradas originariamente na DCTF e no DACON, comparativamente com as informações que foram retificadas. O contribuinte apenas apresentou quais informações estariam respaldando sua declaração retificadora, sem deixar claro o que foi modificado. No Recurso Voluntário, a empresa afirma que a modificação se refere (i) a isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13819.906532/201221 Resolução nº 3402002.069 S3C4T2 Fl. 4 3 internacional de cargas; (ii) créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas seca e automóveis. Contudo, o balancete analítico e o razão não detalham estas operações que foram postas em discussão no Recurso Voluntário. Com efeito, a única conta contábil relevante para a presente discussão que foi discriminada no razão contábil é a conta 3121009 (seguros transp. carga seca efl. 204), inexistindo detalhamento semelhante para a conta de seguros de transporte de automóveis. Quanto às receitas de prestação de serviço de transporte internacional, observase que o balancete analítico não segrega o valor correspondente à receita de prestação de serviço de transporte internacional. Os valores de receita de prestação de serviços estão todos agrupados em uma única conta contábil (4111002 efl. 127): Para demonstrar que a empresa auferiu receitas desta natureza, essencial que sejam apresentados documentos que confirmem a prestação de serviço internacional, dentre os quais o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário (CRT), o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro (MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio. Quanto ao crédito de empresas do SIMPLES Nacional, os valores dos fretes estão todos englobados em contas de "Fretes e Carretos Pessoa Física" e "Fretes e Carretos Pessoas Jurídicas", sem uma segregação específica das empresas que seriam optantes pelo SIMPLES. O razão analítico igualmente não faz qualquer distinção específica (efls. 192): Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13819.906532/201221 Resolução nº 3402002.069 S3C4T2 Fl. 5 4 Para ao menos respaldar as suas alegações, importante que o contribuinte comprove que as operações de frete se relacionam ao SIMPLES Nacional, evidenciando que efetivamente foram concretizadas operações com estas empresas no mês em questão. Seria relevante que o contribuinte apresentasse um levantamento exemplificativo de prestadores, evidenciando que seriam optantes pelo SIMPLES Nacional previsto na Lei Complementar n.º 126/2006. Assim, uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON e DCTF retificadores), acompanhado de documentos contábeis que confirmariam ao menos em parte suas alegações (em especial quanto às despesas de seguro de carga seca), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que possam confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13819.906532/201221 Resolução nº 3402002.069 S3C4T2 Fl. 6 5 (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926653/2016-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/06/2012
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 53 /2 01 6- 38 Fl. 49DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.926653/201638 Acórdão n.º 3401006.381 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 51DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.926653/201638 Acórdão n.º 3401006.381 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 53DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13051.720199/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.038
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para que a duplicidade de pedidos de ressarcimento e compensação reconhecida eletronicamente seja aferida pela Unidade de Origem, mediante análise dos valores efetivamente pleiteados na unidade. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que negavam provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que negavam provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos de COFINS Não-Cumulativa – Exportação, de que trata o art. 6º, § 2º da Lei nº 10.833, de 2004, pleiteado pela empresa em epígrafe por meio do PER (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso). Não há informação de compensações declaradas com referência no crédito. A DRF de origem indeferiu o pedido, emitindo Despacho Decisório no qual foi consignado que se trata de pedido em duplicidade. No referido despacho, aponta-se o número de outro PER/DCOMP referente ao mesmo crédito. Como fundamento para a decisão é indicada a seguinte base legal: parágrafo 7º do art. 21 e Parágrafo 2º do art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 51 .7 20 19 9/ 20 11 -0 1 Fl. 268DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.038 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720199/2011-01 Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, onde, preliminarmente, pugna pela nulidade do Despacho Decisório, que estaria eivado de vício formal insanável. Aponta que dito Despacho Decisório não veio acompanhado da devida fundamentação motivacional, mas apenas apontaria as supostas infrações cometidas pela Manifestante. Faltariam a exposição dos elementos de convicção, dos elementos fáticos e do motivo da inexistência de crédito. Concluiu que teria ocorrido cerceamento de defesa e colaciona doutrina, que entende corroborar seu raciocínio. Nesse trilhar, aponta ainda nulidade do procedimento por erro na capitulação legal. Faz um arrazoado sobre a validade do ato processual administrativo tributário, defendendo que o Despacho Decisório, para ser válido e eficaz, deve conter os requisitos fundamentais: agente capaz, forma prescrita ou não defesa em lei e objeto lícito. Aponta equívoco referente à tipificação do "enquadramento legal", ao indicar o parágrafo 7o do Art. 21 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, o qual trata sobre créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, que não guardaria relação com a suposta exigência descumprida. Aduz que, pelo erro cometido pela autoridade tributária (omissão da legislação que substanciaria a suposta irregularidade cometida no PER com a indicação de dispositivos imprecisos), haveria carência de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da suposta duplicidade do pedido de ressarcimento em questão, dificultando o exercício de seu direito de defesa, importando em vício que acarreta a nulidade do Despacho Decisório. Argumenta que a capitulação legal é elemento essencial para a validade do Despacho Decisório, sob pena de cercear o direito de defesa do contribuinte. Traz julgados do Egrégio Conselho de Contribuintes que coadunam com suas alegações. No mérito, destaca, inicialmente, a correção do Pedido de Ressarcimento complementar de créditos. Argumenta que, apesar de serem referentes ao mesmo período, tratar-se-ia de pedidos diferentes. Acrescenta que no procedimento administrativo inexiste a figura da coisa julgada. Por fim, observa que enquanto não transcorrido o prazo prescricional para requerer créditos decorrentes da atividade da empresa, não estaria ela ofuscada pela decisão administrativa do pedido anterior. Relata que a apuração dos créditos no pedido original foi feita com a utilização do método "Base na Proporção da Receita Bruta Auferida", com base nos artigos 3º, § 7º e § 8º das Leis n.° 10.833/03 e 10.637/02, conforme se depreende do DACON. No entanto, narra que efetuou um trabalho de revisão fiscal com recálculo dos créditos de COFINS Não-Cumulativa – Mercado Interno no período, referente ao rateio proporcional da receita bruta auferida, alterando os percentuais dos créditos passíveis de ressarcimento, mas que não foram alvos do outro pedido. Alega que havia inserido "receitas" das vendas, oriundas da comercialização de bens e mercadorias referente a atos cooperados, no primeiro pedido de ressarcimento de COFINS Não-Cumulativa. Então, ao recalcular a totalidade das receitas, desconsiderando as vendas referentes aos atos cooperados, conforme previsto em lei, chegou-se a um novo percentual de receitas para o mercado interno e exportação. Demonstra o recálculo por meio de um exemplo prático. Fl. 269DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.038 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720199/2011-01 Argumenta que, constatado o erro no percentual outrora empregado, verificou-se, por conseguinte, que a empresa havia requerido valor a menor, razão pela qual, dentro do prazo prescricional, fez pedido referente apenas à parcela que ficou de fora do outro pedido, por ser a única forma de haver ressarcido os valores decorrentes de tais créditos apurados após o trabalho de revisão fiscal, já que entende que as operações com cooperados não configuram receitas. Traz acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assevera que a IN RFB 900/08, em seu art. 77, não permite que o contribuinte efetue a retificação do pedido de ressarcimento após a decisão administrativa. Então, como possui valores passíveis de ressarcimento que foram levantados no recálculo, apresentou novo pedido, já que não havia outra forma de pleitear a diferença. Por fim, destaca que referido pedido "complementar" não se trata de aumento de crédito, mas de realocação do rateio proporcional dos créditos passíveis de ressarcimento e que acarretaram no pedido "complementar". Da correção monetária ao pedido de ressarcimento Defende que a demora no reconhecimento do crédito implica que se proceda à devida correção pela Selic desde a data do protocolo do pedido a fim de reparar a mora e o poder aquisitivo do crédito. Pugna pela devida correção dos créditos pela taxa SELIC, desde a data dos seus protocolos, em conformidade com o art. 39, § 4.° da Lei n° 9.250/95 e com a Súmula n° 411 do STJ. Do Pedido Requer, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório face às irregularidades apontadas e, no caso de não acolhimento do pedido anterior, no mérito, a reforma do Despacho Decisório uma vez que o PER analisado trata-se de pedido complementar de crédito, o qual deve ser acrescido da devida correção monetária pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento/compensação. Por seu turno, a DRJ julgou a impugnação improcedente. Irresignado, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302-001.028, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13051.720137/2011-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 270DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.038 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720199/2011-01 Ressalte-se que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302-001.028). Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Entende o relator que o PER 20432.67773.270409.1.1.11-1894 objeto dos autos deve ser caracterizado como um pedido de retificação do pedido original nº 02927.65081.251006.1.1.11-3372, que trata do mesmo trimestre do tributo, sendo que a norma que regulamenta o pedido de ressarcimento só permite sua retificação antes de qualquer decisão administrativa, nos termos do art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente na época dos fatos. Entende, ainda, que como já havia decisão administrativa sobre o pedido de ressarcimento original, quando do protocolo do pedido de retificação, que a retificação do PER original por força do impeditivo normativo não deve surtir efeitos. Entretanto, respeitosamente não concordo com as assertivas explicitadas pela i. relator, na medida em que inexiste no ordenamento jurídico pátrio qualquer restrição ao direito contribuinte de efetuar novo pedido de ressarcimento que tenha por objeto o mesmo trimestre de tributo já pedido anteriormente, desde que não haja similitude de créditos e que seja respeito o prazo prescricional para o exercício do direito de ressarcimento. Ora, entendo ser totalmente aceitável que ao contribuinte seja concedido o direito de rever seus lançamentos e, ultrapassado o prazo de retificar o pedido original previsto na IN 900/2008, realize novo de pedido de ressarcimento. No caso dos autos, a Recorrente afirmou tratar-se de pedidos de ressarcimento diferentes, decorrente de recálculo dos créditos de PIS/COFINS não cumulativo que modificou o percentual de rateio do mercado interno não-tributado e mercado de exportação. Ou seja, o primeiro pedido foi realizado em valor ao menor do que aquele efetivamente devido, fato este que motivou a apresentação de pedido complementar. Ao que parece estamos diante de dois pedidos distintos, o original e o complementar, que tem em comum o fato de se referirem ao mesmo trimestre do tributo. E, em se tratando de pedidos distintos, o limite para o exercício do direito ao pedido complementar é o prazo prescricional para o exercício do direito ao ressarcimento e, não do prazo de retificação previsto na IN 900/2008. Contudo, não obstante a Recorrente tenha carreado documentos para comprovar suas alegações, faz necessário que a fiscalização apure se há similitude dos créditos apresentados nos PER nº s 20432.67773.270409.1.1.11-1894 e 02927.65081.251006.1.1.11-3372, intimando, para tanto, à Recorrente para apresentar documentos que entender necessário à conclusão da diligência. O fundamento para o indeferimento foi por duplicidade de pedido, aparentemente, calcado na identidade do trimestre, do tributo e do tipo de crédito "Cofins Não- Cumulativa" - Mercado Interno. A base legal foram os artigos 21, §7º e 28, §2º da IN RFB nº 900/2008, a saber: Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. [...]§ 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. Fl. 271DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.038 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720199/2011-01 Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. [...]§ 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação De início, entendo que o requisito de que cada pedido corresponda a um trimestre não implica a consequência contrária, ou seja, que cada trimestre corresponda a um único pedido. Esta possibilidade, inclusive está expressa no artigo 22 da referida instrução normativa, ao permitir a existência de pedido de ressarcimento residual relativo a créditos objeto de pedidos anteriores. Art. 22. O saldo credor passível de ressarcimento relativo a períodos encerrados até 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedido de ressarcimento ou Declaração de Compensação apresentados à RFB até 31 de março de 2007, bem como os relativos a trimestres encerrados após 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedidos de ressarcimento ou Declaração de Compensação formalizados mediante a apresentação de petição/ declaração em meio papel entregues à RFB a partir de 1º de abril de 2007, somente poderá ser ressarcido ou utilizado para compensação após apresentação de pedido de ressarcimento do valor residual. Assim, admito não haver incompatibilidade inerente entre a possibilidade de apresentar um pedido de ressarcimento relativo a um mesmo período e da mesma natureza já pedidos. Porém, é necessário entender que a instituição de sistemas eletrônicos e travas operacionais são plausíveis, de modo a possibilitar análises céleres e identificação de possíveis situações caracterizadoras de pedidos de ressarcimentos indevidos. Inclusive a regra de impossibilidade de retificação de PER após o despacho decisório é plausível, pois não faria sentido retroagir processualmente para inovar um pedido para o qual já houvesse decisão administrativa, com litígio eventual já delimitado. Todavia, ao interpretar que a instrução normativa, concluindo pela impossibilidade de PER complementar, estar-se-ia implementando um novo prazo prescricional, qual seja, a emissão de despacho decisório. Sabe-se que tal prescrição está contida no Decreto 20.910/32, cujo artigo 1º dispõe: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Contudo, ao admitir que cada trimestre seja realizado por apenas um pedido, sem possibilidade de complementação, acaba por resultar em estabelecimento de novo prazo prescricional para que o contribuinte exerça o direito ao ressarcimento de créditos. Assim, ainda que o contribuinte dispusesse de anos para pedir o ressarcimento, após a emissão do despacho decisório, qualquer valor ainda não pedido, seja por qualquer motivo, tornar-se-ia prescrito, já que impossível qualquer retificação ou apresentação de PER complementar. Como ficaria o direito do contribuinte se eventuais créditos somente fossem reconhecidos em ato normativo emitido pela própria RFB posterior a pedidos já decididos, mas antes de escoado o prazo do Decreto nº 20.910/32, tal qual o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que estabeleceu novo conceito de insumos para efeito da não-cumulatividade das contribuições? Entendo que a IN não pretendeu a alteração deste prazo. Conforme já exposto, a retificação de PER é vedada após a emissão de despacho decisório e nesta vedação residem motivos de ordem processual e mesmo de eficiência da análise eletrônica de Fl. 272DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.038 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720199/2011-01 PER/DCOMPS. Todavia, o contribuinte não apresentou uma retificadora, mas um novo PER do mesmo período, tributo e tipo de crédito, que o sistema presumiu como duplicidade dos pedidos. Porém, tal presunção de indeferimento não se verifica, pois o pedido, em princípio, não está em duplicidade, em vista das alegações e documentos apresentados. A presunção de duplicidade ocorreu em função apenas do período, tributo e da natureza do crédito, mas não dos valores pleiteados, o revela um critério da Administração para o tratamento eletrônico, mas que pode não corresponder à verdade material dos pedidos, nem pode servir para a configuração de novo prazo prescricional. Assim, voto no sentido de afastar a presunção de duplicidade reconhecida eletronicamente, para que tal duplicidade seja aferida pela análise dos valores efetivamente pleiteados pela unidade de origem. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por afastar a presunção de duplicidade e converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para que órgão de origem avalie a duplicidade de pedidos de ressarcimento e compensação reconhecida eletronicamente, mediante análise dos valores efetivamente pleiteados na unidade de origem. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12670.002113/2008-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
O Recurso Especial deve ser conhecido quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, evidenciando-se interpretação divergente relativamente ao mesmo arcabouço jurídico-normativo, atendidos os demais pressupostos.
IRPF. COMPENSAÇÃO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS EMITIDO PELA FONTE PAGADORA. CONTRIBUINTE PERTENCENTE AO QUADRO SOCIETÁRIO
A prova da retenção é o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, salvo se houver fortes indícios contra o documento apresentado. No caso em apreço o fato de estar em análise a comprovação de recolhimento da própria sócia da empresa, por si só, já demonstra sua responsabilidade pelo mesmo, não podendo esta se eximir do recolhimento alegando a própria torpeza.
Numero da decisão: 9202-007.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes (relatora), que não conheceu do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Redatora Designada
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. O Recurso Especial deve ser conhecido quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, evidenciandose interpretação divergente relativamente ao mesmo arcabouço jurídiconormativo, atendidos os demais pressupostos. IRPF. COMPENSAÇÃO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS EMITIDO PELA FONTE PAGADORA. CONTRIBUINTE PERTENCENTE AO QUADRO SOCIETÁRIO A prova da retenção é o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, salvo se houver fortes indícios contra o documento apresentado. No caso em apreço o fato de estar em análise a comprovação de recolhimento da própria sócia da empresa, por si só, já demonstra sua responsabilidade pelo mesmo, não podendo esta se eximir do recolhimento alegando a própria torpeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes (relatora), que não conheceu do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 67 0. 00 21 13 /2 00 8- 00 Fl. 100DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício e Redatora Designada (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2802002.354, proferido pela 2ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase notificação de lançamento de fls. 3/14, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2004, que constatou a infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 1.429,78, referente à fonte pagadora Lagos Porto Ltda., CNPJ n.° 05.112.449/000165, da qual a contribuinte faz parte do quadro societário, sem o devido recolhimento, incidindo em malha fiscal no programa DIRF x DARF, pelo que foi devidamente intimada, mantendose omissa. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 01/12. A DRJ/SDR, às fls. 48/53, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 58/62. A 2ª Turma Especial de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 68/74, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 NULIDADE. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Nos procedimentos de revisão interna de declaração de rendimentos é dispensada, por expressa disposição normativa, a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 12670.002113/200800 Acórdão n.º 9202007.717 CSRFT2 Fl. 10 3 IRPF RETIDO NA FONTE E NÃO RECOLHIDO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No caso de IRRF retido e não recolhido pela fonte pagadora serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. IRPF. COMPENSAÇÃO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS EMITIDO PELA FONTE PAGADORA. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. CONTRIBUINTE PERTENCENTE AO QUADRO SOCIETÁRIO COMO RAZÃO ÚNICA DA GLOSA. INOVAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA DE DOLO. A prova da retenção é o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, salvo se houver fortes indícios contra o documento apresentado. O fato de ser sócio da empresa, por si só, não autoriza o lançamento, tal como ocorreu no caso concreto. É vedado ao órgão julgador alterar a fundamentação do lançamento. Recurso voluntário provido. Às fls. 76/80, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: 1. IRPF Ajuste/glosa IRRF/Carnê leão compensação de imposto de renda retido na fonte, no caso de não recolhimento pela fonte pagadora da qual a contribuinte é sócia administradora. No acórdão paradigma, assim como nos autos, houve a glosa de IRRF por falta de seu recolhimento pela fonte pagadora da qual o contribuinte é representante legal. Embora analisem casos idênticos, os acórdãos confrontados decidiram de forma diversa, uma vez que enquanto o acórdão recorrido afastou a glosa de compensação indevida de IRRF, na hipótese de falta de recolhimento pela fonte pagadora da qual o contribuinte é sócio administrador, o paradigma a manteve. A propósito, o precedente indicado adota o mesmo entendimento firmado pela DRJ no presente processo, quando ratifica a glosa do IRRF, com fundamento no art. 723 do Decreto nº 3000/1999, que atribui responsabilidade solidária aos sócios administradores pelo crédito decorrente do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 87/90, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: IRPF Ajuste/glosa IRRF/Carnêleão compensação de imposto de renda retido na fonte, no caso de não recolhimento pela fonte pagadora da qual a contribuinte é sócia administradora. Cientificado à fl. 95, o Contribuinte mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. Fl. 102DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido DO CONHECIMENTO Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 87/90, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: IRPF Ajuste/glosa IRRF/Carnêleão compensação de imposto de renda retido na fonte, no caso de não recolhimento pela fonte pagadora da qual a contribuinte é sócia administradora. Contudo, observo que a razão de decidir do acórdão recorrido não foi a possibilidade ou não da sócia administradora fazer prova da retenção para fins de compensar o IRRF apontado nos holerites, ao contrário, ele afirma que até concorda com voto vencido, mas que a decisão não pode inovar no lançamento. Desse modo, o acórdão recorrido não se restringe ao fato de ser a contribuinte sóciaadministrativa, mas ao fato da inovação do lançamento, uma vez que o levantamento no auto de infração não levou a qualidade de sócia em conta para lavratura do auto, apontando tão somente para falta de comprovação, a qual restou devidamente provada nos autos. Assim, compulsando o paradigma não se pode afirmar que há divergência entre os colegiados, requisito este fundamental ao conhecimento do presente recurso. Diante do exposto, deixo de conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. DO MÉRITO Tratase notificação de lançamento de fls. 3/14, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2004, que constatou a infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 1.429,78, referente à fonte pagadora Lagos Porto Ltda., CNPJ n.° 05.112.449/000165, da qual a contribuinte faz parte do quadro societário, sem o devido recolhimento, incidindo em malha fiscal no programa DIRF x DARF, pelo que foi devidamente intimada, mantendose omissa. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 12670.002113/200800 Acórdão n.º 9202007.717 CSRFT2 Fl. 11 5 O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: IRPF Ajuste/glosa IRRF/Carnêleão compensação de imposto de renda retido na fonte, no caso de não recolhimento pela fonte pagadora da qual a contribuinte é sócia administradora. Consta da DESCRIÇÃO DOS FATO E ENQUADRAMENTO LEGAL da Notificação de Lançamento, fls. 14, que foi o “IRRF glosado em face da fonte pagadora, da qual a contribuinte faz parte do quadro societário, deixou de efetuar o devido recolhimento, incidindo em malha fiscal no programa DIRF X DARF, pelo que foi devidamente intimada, mantendose omissa”. Para o acórdão recorrido o fato da Contribuinte ser sócia administradora da fonte pagadora não permite que ela faça comprovação da retenção como os demais empregados, nos seguintes termos: Portanto, para que a contribuinte possa deduzir o IRRF na declaração de rendimentos tornase indispensável que ele possua o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. A responsabilidade tributária pelo pagamento do tributo retido, por sua vez, é da fonte pagadora, não podendo ser transferida ao beneficiário do rendimento. Contudo, o caso analisado nos presentes autos, a força probante desse comprovante de retenção fica limitada diante da constatação de ser a própria contribuinte sócia administradora da fonte pagadora emitente de tais comprovantes, conforme relatório extraído dos sistemas da Secretaria da Receita Federal, fls. 41/42. Nesse caso, afigurase o instituto da solidariedade assim definido no art. 723, do RIR/1999: Por se constituir a pessoa responsável pelo recolhimento do imposto descontado na fonte, na condição de responsável solidária, nos termos do art. 723, do RIR/1999, adiante transcrito, fica clara a necessidade da apresentação dos respectivos comprovantes de recolhimentos, para que a contribuinte possa se beneficiarse da compensação pretendida:Tal argumento é de origem moral, não estando previamente descrito no texto da norma. O voto vencedor do acórdão recorrido pautou seu posicionamento em questão diversa: A prova da retenção é o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, salvo se houver fortes indícios contra o documento apresentado. Frisese que o documento emitido eletronicamente prescinde de assinatura, nos termos do art. 8º da IN SRF nº 120/2000. Fl. 104DF CARF MF 6 Discutese nesses autos se esse documento poderia ter sua força probante afastada pelo fato de o recorrente ter sido sócio administrador. Em tese seria possível, mas o fato de ser sócio da empresa, por si só, não autoriza o lançamento, tal como ocorreu no caso concreto. Vejamos a fundamentação do lançamento: Processo nº 12670.002113/200800 Acórdão n.º 2802002.354 S2TE02 Fl. 71 7 “IRRF glosado em face da fonte pagadora, da qual a contribuinte faz parte do quadro societário, deixou de efetuar o devido recolhimento, incidindo em malha fiscal no programa DIRF X DARF, pelo que foi devidamente intimada, mantendose omissa”. (fls. 14) É vedado ao órgão julgador alterar a fundamentação para a responsabilidade solidária do sócio administrador. Ademais, a responsabilidade do administrador pelo não recolhimento do tributo retido não se confunde com a do contribuinte pessoa física, se não foi adequadamente elidida a presunção de idoneidade da retenção, mormente quando o Superior Tribunal de Justiça tem entendido que a responsabilidade dos sóciosadministradores requer a comprovação do dolo, nessa toada verificase que o documento que indica a situação de sócio administrador aponta a inclusão em 03/04/2008 de outra administradora (fls. 41), época em que se deu a fiscalização, na qual a pessoa jurídica supostamente teria quedado omissa em prestar informações, o que ilustra a importância de aferirse o quanto estatuído no contrato social no que tange à responsabilidade de cada administrador. Todavia, entendo que a decisão de turma ordinária não deve prosperar. Embora na questão do conhecimento eu tenha me posicionado pelo não conhecimento, no mérito entendo que o Recurso da Fazenda Nacional merece prosperar. Isso por que embora o acórdão recorrido tenha o entendimento de que a glosa da fiscalização não se referiu pontualmente a qualidade de sócia da contribuinte, da análise mais apurada do mesmo podemos observar que o motivo da glosa na malha fina foi justamente esse. Desse modo, tomando como base a norma tributária/previdenciária e a responsabilidade da empresa na arrecadação fiscal, cujo espírito da norma prevê aplicação do principio da solidariedade, não se pode relevar a falta de pagamento Em face ao exposto, não conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 12670.002113/200800 Acórdão n.º 9202007.717 CSRFT2 Fl. 12 7 Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora Designada Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No caso do acórdão recorrido, foi glosado o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) pleiteado na Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física, tendo em vista que o respectivo valor não fora recolhido, sendo que a Contribuinte fazia parte do quadro societário da fonte pagadora. Intimada, a Contribuinte não atendeu à Intimação da Fiscalização. Confira se o voto vencedor do acórdão recorrido: "A prova da retenção é o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, salvo se houver fortes indícios contra o documento apresentado. Frisese que o documento emitido eletronicamente prescinde de assinatura, nos termos do art. 8º da IN SRF nº 120/2000. Discutese nesses autos se esse documento poderia ter sua força probante afastada pelo fato de o recorrente ter sido sócio administrador. Em tese seria possível, mas o fato de ser sócio da empresa, por si só, não autoriza o lançamento, tal como ocorreu no caso concreto. Vejamos a fundamentação do lançamento: “IRRF glosado em face da fonte pagadora, da qual a contribuinte faz parte do quadro societário, deixou de efetuar o devido recolhimento, incidindo em malha fiscal no programa DIRF X DARF, pelo que foi devidamente intimada, mantendose omissa”. (fls. 14) É vedado ao órgão julgador alterar a fundamentação para a responsabilidade solidária do sócio administrador. (...)" (gifei) Assim, no caso do acórdão recorrido, resta claro que o posicionamento do Redator Designado é no sentido de que a motivação da autuação, qual seja, o fato de a Contribuinte ser sócia da fonte pagadora, por si só, não retiraria a força probante do comprovante de retenção na fonte. Para demonstrar a divergência quanto a tal posicionamento, a Fazenda Nacional indicou como paradigma o Acórdão nº 19400.157, cuja situação é idêntica ao Fl. 106DF CARF MF 8 acórdão recorrido, nos pontos essenciais que demonstram o dissídio jurisprudencial. Confirase o relatório e voto do paradigma: "AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 11 a 16, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 16.258,30, acrescido de multa de oficio e juros de mora. A autuação decorreu de glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), por ausência de comprovação do recolhimento." (grifei) Como se pode constatar, tal como no caso do acórdão recorrido, a autuação limitouse a consignar a ausência de comprovação do respectivo recolhimento, sem adentrar na questão da responsabilidade solidária do sócio. Não obstante, no acórdão recorrido tal fato não impediu o Colegiado de manter a exigência, com base na responsabilidade solidária, por ser o beneficiário do rendimento responsável pela fonte pagadora, sem exigirse qualquer outro requisito. Divergiu, assim, do posicionamento do acórdão recorrido, para o qual esse fato, por si só, não lograria motivar o lançamento. Confirase o voto condutor do paradigma: "Cumpre observar, inicialmente, que o interessado consta como representante da pessoa jurídica Associação Brasileira de Extrat. e Refinadores de Sal ABERSAL, na época de ocorrência do fato gerador (extrato do sistema IRPICONS/2002, fls. 40). (...) Vêse, portanto, que o contribuinte, na qualidade de representante da pessoa jurídica, tinha o dever de determinar o recolhimento do imposto retido. Não o fazendo, sujeitouse à responsabilidade que se efetivou com o lançamento da glosas da retenção na Declaração de Ajuste Anual. Ante a responsabilidade solidária, é inócuo protestar pela formalização da exigência em nome da fonte pagadora." Destarte, no caso do acórdão recorrido, embora tenha sido registrado que o órgão julgador não poderia alterar a fundamentação da autuação para responsabilidade solidária do sócio administrador, ficou claro que o provimento do recurso não se deu com base nesse fundamento e sim porque, para o Redator Designado, a condição de sócio da fonte pagadora, por si só, não autorizaria o lançamento, e esta fora efetivamente a motivação da exigência, por ele próprio reconhecida, conforme trecho acima destacado. Já no caso do paradigma, a motivação da autuação foi tão somente a falta de recolhimento do IRRF, também sem menção a solidariedade, o que não impediu o órgão julgador de aplicála, por tratarse de responsável pela fonte pagadora, ausente qualquer outra exigência. Caracterizada, assim, a divergência interpretativa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, acompanhando a Relatora, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 107DF CARF MF Processo nº 12670.002113/200800 Acórdão n.º 9202007.717 CSRFT2 Fl. 13 9 Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900594/2014-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 05 94 /2 01 4- 50 Fl. 92DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.312 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900594/2014-50 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 93DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.312 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900594/2014-50 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 94DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.312 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900594/2014-50 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 95DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.312 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900594/2014-50 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 96DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.312 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900594/2014-50 Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.720133/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. Saneia-se a omissão verificada, decidindo-se a questão não solucionada no acórdão embargado.
ERRO DE SOMA. AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO. Deve-se corrigir o erro de soma, no acórdão embargado, ajustando-se as base de cálculo dos tributos contaminadas pelo erro.
Numero da decisão: 1301-002.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e acolher a omissão apontada, para saná-la; e acolher e sanar o erro de cálculo apontado, com efeitos modificativos, nesta parte, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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OMISSÃO NO ACÓRDÃO. Saneiase a omissão verificada, decidindose a questão não solucionada no acórdão embargado. ERRO DE SOMA. AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO. Devese corrigir o erro de soma, no acórdão embargado, ajustandose as base de cálculo dos tributos contaminadas pelo erro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e acolher a omissão apontada, para sanála; e acolher e sanar o erro de cálculo apontado, com efeitos modificativos, nesta parte, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 01 33 /2 01 1- 81 Fl. 3411DF CARF MF 2 Trata o presente de embargos de declaração opostos por DOMIMAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, tendo por objeto os acórdãos nºs 1301001.437 e 1301 001.879, prolatados por esta Primeira Turma nas sessões de julgamento realizadas em 12 de março de 2014 e 19 de janeiro de 2016, respectivamente. Expliquese que a prolação do acórdão nº 1301001.437 decorreu do julgamento de recurso voluntário interposto no dia 31 de maio de 2011, às fls. 698/720 [numeração eletrônica, fls. 1.022/1.044]. Ocorre que, depois da baixa do autos para execução do citado acórdão pela autoridade local, percebeuse, no âmbito da DRF da jurisdição da recorrente, que a decisão proferida por esta Turma era omissa, quanto à tributação da CSLL, do PIS/PASEP e da COFINS, motivo por que, em despacho às fls. 2.665/2.666 [numeração eletrônica], expediuse comunicado a este Colegiado para informar a omissão e requerer a manifestação "inconteste" sobre os efeitos do julgado em relação àquelas contribuições. Ao tomar ciência do despacho acima mencionado, conforme fls. 2.782/2.783 [numeração eletrônica, fls. 2.667/2.668], a Presidência desta Turma deliberou no sentido de convertêlo em embargos de declaração "para fins de explicitação dos valores que devem ser excluídos das bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS". Em sessão do dia 19 de janeiro de 2016, ao julgar os embargos de declaração antes referidos, a Primeira Turma da 3ª Câmara da Primeira Seção prolatou o acórdão nº 1.301 001.879, sanando a omissão, ao entendimento de que o acórdão nº 1301001.437 não discriminara, com clareza suficiente, a matéria tributável a ser excluída, o que dificultava ou até mesmo impossibilitava a execução da decisão por ele veiculada. Todavia, em 23 de dezembro de 2011, a recorrente juntara aditivo ao recurso voluntário interposto em 31 de maio do mesmo ano. Pelo aditivo, pretendiase anexar, como de fato foram anexados, 567 folhas com fitasdetalhe do caixa, fornecidas pelo Banco do Brasil; cópia de sentença proferida em processo judicial instaurado com vistas à obtenção de provimento judicial que condenasse o Banco do Brasil a fornecer cópias de fitasdetalhe do caixa à recorrente; relação de depósitos identificados como DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO, referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007 (PLANILHA 1); resumo da PLANILHA 1 (PLANILHA 2); cópias de extratos da conta bancária nº 7.893X, no Banco do Brasil, agência nº 28681, e da conta no mesmo Banco, de nº 107.8933, agência nº 03522. As fitasdetalhe do caixa, reunidas no aditivo, destinavamse à comprovação da origem dos ingressos de recursos financeiros em conta bancária do Banco do Brasil, registrados com o histórico "DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO", nos extratos bancários. Acrescenta a embargante, no mesmo aditivo, que já havia anexado cópias de 17 fitasdetalhe de caixa na peça impugnatória, com a intenção de comprovar que os recursos registrados sob o antedito histórico tinham origem justificada em outra conta bancária da própria recorrente. A esse respeito, declara ainda que, quase diariamente, emitia cheques de contas no Banco do Brasil para, em parte, pagar duplicatas e outros títulos, enquanto outra parte do mesmo total de cheques era depositado em outras contas da própria emitente. Esses depósitos em outras contas com recursos oriundos de descontos de cheques no caixa do próprio banco, por motivo de controle interno do Banco do Brasil, eram registrados nos extratos bancários com o histórico "DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO". No citado aditivo, a embargante relata que explicara à Fiscalização que o Banco do Brasil negavase a entregar cópias das fitasdetalhe do caixa. Diz também que pode comprovar que a primeira solicitação ao Banco do Brasil para esse fim foi feita, em caráter de urgência, mediante a correspondência recepcionada pela instituição financeira no dia Fl. 3412DF CARF MF Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301002.172 S1C3T1 Fl. 3.412 3 20/01/2011. Somente depois de discussões acaloradas foi possível obter as 17 fitasdetalhe que anexara à impugnação para comprovar a efetividade e a legalidade das operações (sic). Para não deixar dúvidas sobre seu empenho em obter as fitasdetalhe de caixa, anexa ao aditivo cópia de correspondência recepcionada pelo Banco do Brasil em 12/04/2011, com a solicitação do fornecimento de cópias das anteditas fitas; cópia da resposta dada pelo Banco do Brasil em 13/05/2011, negando o pedido em face do sigilo bancário; cópia da petição inicial da ação cautelar de exibição de documentos protocolada em 27/05/2011, na Justiça Estadual do Paraná; cópia das 17 fitasdetalhe já cometadas. Finalmente, a recorrente aduz, no aditivo, que o juiz da Vara Cível da Comarca de Maringá julgou procedente a ação de exibição de documentos, em novembro de 2011, determinando ao Banco do Brasil a apresentação, nos autos, no prazo de 30 dias, das cópias de fitasdetalhe de caixa especificadas pela autora (a embargante), com a revelação do valor, da data e da destinação. Em face do exposto, a embargante assinala que os acórdãos precitados foram omissos quando deixaram de apreciar o aditivo ao recurso e as provas nele anexadas. Tal fato emprestaria fundamento ao pedido de que se saneie a omissão apontada, com a consequente exclusão dos valores de R$ 4.597666,32 e R$ 11.095.250,39, nos anoscalendário de 2006 e 2007, respectivamente. Ademais, a embargante alude a erro de cálculo quando da soma dos depósitos relacionados à conta nº 53.1220 do Banco Itaú, pois o resultado correto é de R$ 814.989.40, enquanto o relator considerou R$ 1.549.458,83, registrado na planilha à fl. 622 [numeração eletrônica], anotando que a diferença decorre de um erro de soma na planilha que relaciona os depósitos do mês de maio, provavelmente por falha da fórmula da planilha excel. Diante disso, requer que se resolva tal questão com os presentes embargos, para excluir da base tributável a importância de R$ 735.469,43. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Estes embargos já foram acolhidos “para fins de apreciação pela Turma Julgadora”, consoante despacho do então Presidente, à época, Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, à fl. 3.408. Em 19/03/2010, a embargante tomou ciência das exigências formuladas pelo Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 02/05 [numeração eletrônica, fls. 04/06], dentre as quais os extratos bancários das contas correntes, de poupança e de aplicações financeiras nas seguintes instituições financeiras: Banco do Brasil; Caixa Econômica Federal; HSBC Bank Brasil — Banco Múltiplo; Cooperativa de Poupança e Crédito dos Pequenos Empresários, Microempresários e Microempreendores da Região de Maringá Sicoob Metropolitano, Banco Nossa Caixa, Banco Safra, Itaú Unibanco, Banco Bradesco, Banco do Estado de São Paulo — Banespa, Banco Santander, Banco ABN AMRO Real, Unibanco União de Bancos Brasileiros e Banco Itaú. Fl. 3413DF CARF MF 4 Em 01/04/2010, à fl. 90 [numeração eletrônica, fl. 92], a embargante requereu prorogação de prazo por trinta dias, alegando dificuldades geradas pelas instituições financeiras. Prorrogação concedida conforme o solicitado. Em 27/04/2010, à fl. 108 [numeração eletrônica, fl. 110], solicitou nova prorrogação de prazo por mais 30 dias. Na mesma data, fez a entrega de extratos de contas bancárias descritas à fl. 110 [numeração eletrônica, fl. 112]. No dia 28/04/2010, lavrouse o Termo de Prorrogação de Prazo, concedendo 15 dias adicionais, à fl. 111 [numeração eletrônica, fl. 113]. Em 29/04/2010, a embargante entregou outra parte dos extratos bancários solicitados pelo Termo de Início do Procedimento Fiscal, conforme relação de fls. 112 [numeração eletrônica, fl. 114]. Em 07/05/2010, a embargante entregou extratos de outras contas, à fl. 113 [numeração eletrônica, fl. 115]. Em decorrência da falta de apresentação de alguns extratos bancários, foram emitidas Requisição de Informações Financeiras em nome do Banco do Brasil, Banco Santander, Nossa Caixa e Banco Itaú, de fis. 114 a 124 [numeração eletrônica, fls. 116/124]. Em 16/09/2010, às fls. 125/126 [numeração eletrônica, fls. 127/128], intimouse a embargante a “comprovar a origem dos recursos creditados (depósitos, transferências, etc...) em contas correntes bancárias em nome da fiscalizada, conforme demonstrativos às fls. 130/775 [numeração eletrônica]. Em 04/10/2010, a embargante solicitou prorrogação por 30 dias, alegando dificuldades geradas pelas instituições financeiras, à fl. 461 [numeração eletrônica, fl. 776]. Em 16/11/2010, a embargante entregou planilhas que comprovariam a origem de parte dos recursos creditados em contas bancárias, à fls. 464/465 [numeração eletrônica, fl. 779/780]. Na mesma data, solicitou nova prorrogação do prazo, por mais 30 dias, “em consequência do enorme volume de informações exigidas no Termo de Intimação Fiscal” e da “falta de interesse e de responsabilidade das instituições financeiras, em fornecer com rapidez os comprovantes exigidos pela Secretaria da Receita Federal [...].” Em 15/12/2010, a embargante fez a entrega do outros documentos referentes à movimentação bancária, à fl. 505 [numeração eletrônica, fl. 820]. Às fls. 537/564 [numeração eletrônica, fls. 853/864], Demonstrativos dos Créditos Justificados – Planilha nº 01”, com a relação dos depósitos cuja origem não restou comprovada, elaborada pela Fiscalização. Por fim, em 26/01/2011, apurouse omissão de receitas, caracterizada por créditos em contas correntes bancárias em nome da fiscalizada sem comprovação de suas origens, a teor do Termo de Verificação do Procedimento Fiscal às fls. 572/573 [numeração eletrônica, fls. 888/889]. Na impugnação às fls. 632/641 [numeração eletrônica, fls. 949/958], com entrada na repartição fiscal em 28/02/2011, expôs que os depósitos na contas correntes do Banco do Brasil, identificados como "DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO", não são nada mais que operações corriqueiras, “onde (sic) se emite um cheque que tem como beneficiária a própria emitente”. Ou seja, “este cheque é debitado na conta bancária como se fosse pago na Fl. 3414DF CARF MF Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301002.172 S1C3T1 Fl. 3.413 5 boca do caixa e o dinheiro, que não chega sair do banco, é utilizado de imediato para fazer os pagamentos que o beneficiário do cheque indicar (duplicatas, depósitos em outras contas no Banco do Brasil daprópria beneficiária, etc.), podendo, inclusive, eventual saldo (troco) ser sacado para suprimento de caixa, encerrando assim a operação bancária.” Mais adiante, ainda na impugnação, salientou que utiliza com freqüência desse procedimento, concentrando assim vários pagamentos, depósitos e transferências bancárias em um único cheque. Neste caso, a origem dos recursos que deu suporte para os depósitos bancários é facilmente justificada e comprovada pelo extrato bancário da conta em que o cheque foi debitado (pago). A outra forma de comprovar é mais complicada porque, na maioria das vezes, o banco cria restrições para fornecer ao cliente cópia da "FICHA DETALHE DO CAIXA", onde fica registrada a memória de cálculo de cada sessão de atendimento (operação). É exatamente este o caso da Impugnante, que solicitou cópias da FITA DETALHE DO CAIXA dessas operações, em caráter de urgência, conforme correspondência anexa, recepcionada pelo Banco do Brasil em 20/01/2011, mas que se recusa a entregar oficialmente as provas solicitadas alegando sigilo bancário.” (grifei) Já no arrremate, na peça impugnatória, a embargante mencionou que “a Receita Federal pode, se quiser, quebrar o sigilo bancário e obter as fitas de todas as operações, assim como fez para conseguir os extratos bancários que utilizaram para lavratura dos Autos de Infração impugnados.” (grifei) Antes disso, explicou que obteve cópias de algumas fitas detalhe, após acalorados debates com o banco, que se recusava a fornecêlas. No julgamento da impugnação, precisamente na parte em que se apreciou a questão relacionadada à eficácia probatória das fitasdetalhe reunidas, assim se manifestou a relatora, às fls. 659/691 [numeração eletrônica, fls. 1011/1013]: “59. Outra coisa que o contribuinte solicita na peça de defesa é que sejam apreciados os documentos que intitula como sendo FITA DETALHE DO CAIXA, as quais se encontram às f1s.664680. 60. Eis o que alegou na impugnação: "Na FITA DETALHE DO CAIXA do dia 19/07/2006 consta a emissão do cheque no valor de R$ 40.000,00 da conta n° 7.893X, cujo recurso foi utilizado para fazer dois depósitos na conta n" 16.2884, um de R$ 22.000,00 e outro de R$ 18.000,00, exatamente como consta nos extratos das respectivas contas." 61. Mais adiante, prossegue: "Na FITA DETALHE DO CAIXA do dia 31/07/2006 consta a emissão de dois cheques da conta n° 7.893X, no valor total de R$ 54.000,00, e que parte do recurso foi utilizado para fazer dois depósitos na conta n° 16.2884, um de R$ 28.300,00 e outro de R$ 20.095,00, da forma como aparece nos extratos bancários". Ressaltamos, que neste caso o Banco suprimiu da FITA DETALHE DO CAIXA os pagamentos que totalizaram R$ 5.605,00, alegando sigilo bancário porque no documento aparecia o nome de outras pessoas. A sessão foi encerrada com recebimento de R$ 54.000,00; pagamentos R$ 54.000,00 e saldo R$ 0,00. 62. Tais alegações não merecem prosperar e explicase porque (sic). Por primeiro como a própria defesa sustenta, os documentos intitulados FITA DETALHE DO CAIXA, juntados às fls. 664681, Fl. 3415DF CARF MF 6 foram obtidos informalmente, posto que, segundo alega, o banco se recusou fornecer tais informações oficialmente, à desculpa do sigilo bancário (fl.637 IR dos autos). Por segundo, a peça de defesa menciona a conta corrente n° 7.893X, sem, no entanto, explicitar a qual banco nem a que agência pertence, fato que compromete a análise de qualquer razão de defesa apresentada. A interessada sustenta que desta conta teriam saído valores para suprir a conta corrente no 16.2884, também de sua titularidade, e mais, os documentos juntados aos autos não possuem qualquer assinatura ou identificação de quem os forneceu, sequer um carimbo ou ofício de encaminhamento. Muito menos a chancela do banco. 63. Contudo, num esforço para dar uma resposta aos questionamentos da impugnante, vamos admitir que a tal conta corrente no 7.893X pertence ao Banco do Brasil, mais especificamente da Agência 28681, já que esta informação consta da planilha de fls. 644663, montada pela contribuinte. 64. Assim, analisando a primeira alegação de que um cheque da conta no 7.893X da Ag. 28681, datado de 19/07/2006, comprovaria a origem de dois depósitos ocorridos na conta 16.288 4, da mesma agência, não merece prosperar, uma vez que inexiste justificativa plausível para o banco desdobrar um único cheque que lhe é apresentado na boca do caixa, a fim de proceder a dois depósitos no mesmo dia, na mesma hora e para a mesma correnlista. Outro detalhe que impede a consideração dos mencionados documentos é o fato de ali não constar o número do cheque objeto da operação, impedindo que se realize qualquer confrontação. Aliás, essa também foi a prática adotada pela defesa. Embora tente justificar alguns dos valores questionados ao argumento de que teriam origem em transferências, via cheques, cfetuadas entre suas próprias contas, esquivasc de fazer vinculação a um cheque específico nem traz cópia do documento que teria servido de base para a operação. 65. E mais, qual é a justificativa de emitir um cheque para suprir outra conta da contribuinte na mesma instituição e na mesma agência se a simples emissão de um TED ou mesmo de um DOC surte o mesmo efeito, sem a necessidade de a empresa "gastar" suas folhas de cheque? 66. Como a conta corrente n° 7.893X da Ag. 28681 não se encontra discriminada no item 23, questionouse a autoridade fiscal qual a razão ao que ele respondeu que: Essa é uma conta cuja movimentação (créditos) serve, apenas para transferência de valores entre as contas da impugnante, por isso não constou dos demonstrativos sendo que os extratos encontramse nos anexos. 67. E complementou: Os débitos nestas contas e com créditos em outras contas da empresa com datas e valores coincidentes foram consideradas. As transferências em parcelas não foram consideradas por falta de documentos que identificassem a efetiva movimentação conforme alegado. No caso não há sigilo bancário, pois a fiscalizada teria que ter a posse dos documentos quitados e que deveriam estar escriturados nos livros. 68. Assim, ante todo o exposto voto por desconsiderar os documentos apresentados uma vez que os mesmos não preenchem Fl. 3416DF CARF MF Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301002.172 S1C3T1 Fl. 3.414 7 os requisitos básicos para sua aceitação. Outras razões não foram apresentadas.” Vêse, pois, que, a relatora desconsiderou os documentos apresentados pela então impugnante, em consonância com as razões de decidir acima retratadas. Como já foi dito, em 31/05/2011, a embargante interpôs o recurso voluntário, quando, entre os temas discutidos, discorreu contra o acórdão da DRJ com os seguintes argumentos, às fls. 710/715 [numeração eletrônica, fls. 1.034/1.039]: “Conforme já foi dito anteriormente, em resposta à intimação fiscal lavrada durante a ação fiscal, a Recorrente esclareceu e comprovou através dos extratos bancários (mesma prova utilizada para a atuação) que os recursos utilizados nestas operações tiveram como origem cheques de sua emissão sacados contra outra conta de sua titularidade. Conforme consta dos Demonstrativos de Créditos Justificados de fls. 541 a 567, o Auditor Fiscal simplesmente rejeitou os esclarecimentos e as provas apresentadas, grafando ao lado da descrição de cada depósito a expressão: "não comprovado". Na impugnação, esclarecemos que se trata de uma operação bancária corriqueira, onde se emite um cheque que tem como beneficiária a própria emitente. Este cheque é debitado na conta bancária como se fosse pago na boca do caixa e o dinheiro, que não chega sair do banco, é utilizado de imediato para fazer os pagamentos que o beneficiário do cheque indicar (duplicatas, depósitos em outras contas da própria beneficiária, etc.), podendo, inclusive, eventual saldo (troco) ser sacado para suprimento de caixa, encerrando assim a operação bancária. Por questões de ordem interna, o Banco do Brasil costuma identificar os depósitos feitos nestas condições com o histórico "DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO". A recorrente utiliza com freqüência desse procedimento, concentrando assim vários pagamentos e transferências bancárias em um único cheque. Neste caso, a origem dos recursos que deu suporte para os depósitos bancários é facilmente justificada e comprovada pelo extrato bancário da conta em que o cheque foi debitado (pago), ou seja, com o mesmo extrato bancário que serviu de prova para autuação. Como o Auditor Fiscal não havia se pronunciado sobre os motivos que levaram a concluir pela rejeição dos esclarecimentos e das provas apresentadas durante a ação fiscal, e para que não ficasse nenhuma dúvida quanto à verdade material dos fatos, anexamos na peça impugnatória cópia de 17 (dezessete) FITA DETALHE DE CAIXA, para comprovar de outra forma (reforço da prova) o que já havíamos esclarecido e provado, que os recursos utilizados nestas operações tiveram como origem cheques de nossa emissão sacados contra outra conta de nossa titularidade. Explicamos ainda, que houve resistência por parte do Banco do Brasil contra o fornecimento de cópia das "FITA DETALHE DO Fl. 3417DF CARF MF 8 CAIXA", onde fica registrada a memória de cálculo de cada sessão de atendimento (operação). A primeira solicitação de cópia das FITA DETALHE DO CAIXA foi feita, em caráter de urgência, conforme correspondência anexada à Impugnação, recepcionada pelo Banco do Brasil em 20/01/2011, que se recusou a entregar oficialmente as provas solicitadas alegando sigilo bancário. Depois de alguns debates acalorados e sob ameaça de recorrer ao Poder Judiciário, conseguimos negociar com o banco a entrega informal de cópia de algumas dessas fitas, que anexamos à Impugnação, para comprovar, também dessa forma, a efetividade e a legalidade das operações realizadas. Na FITA DETALHE DO CAIXA do dia 19/07/2006 consta a emissão do cheque no valor de R$ 40.000,00 da conta nº 7.893X, cujo recurso foi utilizado para fazer dois depósitos na conta nº 16.2884, um de R$ 22.000,00 e outro de R$ 18.000,00, exatamente como consta nos extratos das respectivas contas. Verificase ainda, que no encerramento da sessão de atendimento aparece totalizado: os recebimentos (REC: 40.000,00); os pagamentos (PAG: 40.000,00) e o saldo da sessão (SALDO SESSÃO: 0,00). Como visto, na FITA DETALHE DE CAIXA encontrase registrada a memória de cálculo de cada sessão de atendimento (operação). Através dela podese identificar perfeitamente o cheque utilizado e sua efetiva destinação . Por isso resolvemos fazer a solicitação ao Banco do Brasil a fim de espancar qualquer dúvida a respeito destas operações. Por fim, solicitamos que a Receita Federal quebrasse o sigilo bancário para obter as fitas de todas as operações, assim como fez para conseguir os extratos bancários que utilizaram para lavratura dos Autos de Infração impugnados. Como visto, houve um esforço muito grande da nossa parte no sentido de reforçar a prova do que já havíamos esclarecido e provado durante a ação fiscal. Entretanto, para nossa surpresa, parece que a Ilustre Relatora do Voto condutor do Acórdão contestado não entendeu muito bem essa questão, deixando transparecer em suas alegações (itens 62 a 72) uma clara falta de vontade para examinar as FITA DETALHE DE CAIXA anexadas à Impugnação, com muita luta e desgaste. A Ilustre Relatora também não entendeu muito bem o fato de que competia exclusivamente ao Auditor Fiscal o ônus de produzir a contraprova de que os cheques sacados tiveram destinação diferente daquelas indicadas pela Recorrente, em seus esclarecimentos prestados no decorrer da ação fiscal. Neste particular, a Relatora comete outro equivoco quando rejeitou a diligência requerida alegando que a contribuinte pretendia "deslocar para o Fisco a atribuição de ilidir o que fora presuntivamente apurado e por determinação legal a ela compete", uma vez que a diligência visava exclusivamente a busca da verdade material dos fatos ocorridos, para suprir uma deficiência do lançamento, em face do Auditor Fiscal não ter produzido a contraprova que exclusivamente a ele competia. Fl. 3418DF CARF MF Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301002.172 S1C3T1 Fl. 3.415 9 o Entretanto, para que não haja dúvidas quanto ao nosso empenho em obter as FITA DETALHE DE CAIXA, anexamos a este Recurso, cópia dos seguintes expedientes: a) Cópia de nova correspondência recepcionada pelo Banco do Brasil em 1210412011 solicitando cópias das "Fita Detalhe de Caixa"; b) Cópia da resposta dada pelo Banco do Brasil em 13/05/2011 negando formalmente nossa solicitação em face do alegado sigilo bancário; c) Cópia da Petição Inicial da Ação Cautelar de Exibição de Documentos, protocolizada em 27/05/2011, na Vara Cível da Comarca de Maringá PR; d) Cópias das 17 Fita Detalhe de Caixa, apresentadas informalmente pelo Banco do Brasil, desta vez, acompanhadas dos respectivos extratos bancários. Ante o exposto, pedese e espera que sejam excluídos da tributação os valores dos depósitos identificados como CHEQUE BB LIQUIDADO, num total de R$ 4.593.014,68 e R$ 10.861.666,20, nos anoscalendário de 2006 e 2007, respectivamente, relacionados nos Demonstrativos I e II, anexos deste Recurso. Se este não for o entendimento deste Colegiado, requeremos ainda: (i) a realização de diligência determinando que a Receita Federal obtenha as FITA DETALHE DE CAIXA iunto ao Banco do Brasil; ou, (ii) Alternativamente, a suspensão do julgamento deste processo até a decisão do processo judicial.” No julgamento do recurso voluntário, tais foram as palavras do ilustre relator, Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, às fls. 886/888 [numeração eletrônica, fls. 1.210 /1.212], ao tratar da eficácia probatória dos elementos juntados aos autos até a impugnação, consistentes nas chamadas fitasdetalhe: “Em primeiro lugar, rejeitase o argumento da Recorrente de que, no caso, seriam aplicáveis as disposições do parágrafo primeiro do art. 845 do RIR/99, vez que, aqui, não se trata de impugnação de esclarecimento prestado, mas, sim, de ausência de comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, da origem de recursos que ingressaram nas contas bancárias da fiscalizada. Tratase, pois, de ausência de admissibilidade da prova, eis que, para os fins propostos (comprovação da origem dos créditos bancários), ela deveria vir acompanhada de documentos hábeis. Relativamente aos depósitos identificados como DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO, esclarece a Recorrente que “os recursos utilizados nestas operações tiveram como origem cheques de sua emissão sacados contra outra conta de sua titularidade”. Para ela, “o auditor tinha a obrigação de produzir prova concreta de que o cheque sacado teve destinação diferente daquela indicada pela Recorrente, devendo, ainda, neste caso, justificar os motivos que levaram a concluir pelo não acolhimento do esclarecimento prestado e da prova apresentada.” Na linha do sustentado no ato recorrido, a Recorrente busca com tal argumentação transferir para a autoridade fiscal o dever de Fl. 3419DF CARF MF 10 comprovação, isto é, alega e exige que a referida autoridade demonstre que o fato alegado não ocorreu. À evidência, tal pretensão não pode ser acolhida. Cabe frisar que a decisão recorrida declina de forma expressa as razões pelas quais não acolheu as explicações apresentadas em sede de impugnação (fitasdetalhe obtidas informalmente; ausência de indicação das contas bancárias envolvidas; impossibilidade de aferição em virtude de informações incompletas; falta de plausibilidade na realização das alegadas operações, entre outras). Entre outros documentos, a Recorrente aportou ao processo planilhas denominadas: ANEXO I – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007/BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 7.893X e AG. 03522 = CONTA 107.8933 (fls. 722/747); ANEXO II – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007/BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 8.1655 e AG. 03522 = CONTA 108.1659 (fls. 748/757); ANEXO III – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007/BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 9.6121 e AG. 03522 = CONTA 109.6125 (fls. 758/760); ANEXO IV – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007/BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 16.2884 e AG. 03522 = CONTA 116.2888 (fls. 761/775); ANEXO V – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 = COMPLEMENTO/BANCO DO BRASIL = AG. 28681= CONTA 7.893X e AG. 03522 = CONTA 107.8933 (fls. 776/777); ANEXO VI – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 = COMPLEMENTO/BANCO DO BRASIL = AG. 03522 = CONTA 108.1659 e AG. 03522 = CONTA 116.2888 (fls. 778); cópia do que se supõe sejam fitasdetalhe e de extratos bancários (fls.791/847); e planilhas demonstrativas dos DEPÓSITOS CHEQUE BB LIQUIDADO (fls. 848/859). Com o devido respeito, a documentação acima discriminada em nada colabora para confirmar a assertiva trazida na peça recursal. No caso, penso que a contribuinte deveria, ao menos, trazer ao processo pronunciamento de representante da instituição financeira explicando a operação referenciada na peça de defesa (DEPOSITO CHEQUE BB LIQUIDADO), acompanhado, ainda que por amostragem, de documentos relativos às transações que envolveram os valores movimentados. A simples apresentação de planilhas e extratos, à evidência, não constitui elemento hábil à comprovação pretendida. Fl. 3420DF CARF MF Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301002.172 S1C3T1 Fl. 3.416 11 Em convergência com o decidido em primeira instância, descarto também a possibilidade de a Receita Federal, em substituição à fiscalizada, diligenciar junto ao Banco do Brasil em busca de comprovação para as alegações trazidas em sede de recurso. Penso não restar dúvida de que, no caso, a Recorrente já deveria estar de posse da referida documentação, de modo que lhe fosse possível apresentála em resposta à eventual ação fiscalizadora. Diante da absoluta falta de previsão legal, rejeito, também, o pedido de suspensão do julgamento referenciado na peça recursal. Não se pode negar que a decisão prolatada no âmbito da competência recursal, quando do julgamento do apelo contra a decisão de primeiro grau, nada mencionou sobre as peças juntadas pela embargante às fls. 2.686/3.362, mediante o aditivo de fls. 2.674/2.684. Com efeito, a Turma poderia e deveria fazêlo, diante da circunstância de que o ingresso do aditivo e seus anexos aos autos é anterior ao julgamento do recurso voluntário. Por outro lado, também é inegável que a juntada de todo o volume documental trazido à colação anexado ao aditivo ultrapassou o lapso temporal fixado no artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: “Art. 16 .... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)” Não se deve admitir que a alegada demora para o fornecimento das fitasdetalhe, por parte da instituição financeira, seja motivo de força maior e, como tal, causa determinante da aceitação dos documentos anexados ao aditivo. Em primeiro lugar, impende pôr em foco que a perda de prazo para a juntada de provas documentais pode decorrer da negligência do recorrente que atue em desrespeito ao dever de guardar e preservar livros e demais documentos relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do que prescreve o artigo 264 do RIR/1999, verbis: "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º)." (grifei) Desde o momento em que a embargante julgou conveniente a adoção da alegada sistemática de emitir mais de um cheque para compor determinada soma a ser Fl. 3421DF CARF MF 12 aplicada, em parte, no pagamento de dívidas e, em outra parte, no depósito do restante em outras contas correntes, cabialhe a atitude zelosa de guardar as provas indispensáveis à transferência de recursos financeiros, mormente diante do déficit de credibilidade que recai sobre a afirmativa da realização da prática aludida, como destacaram os relatores da DRJ, no julgamento da impugnação, e no CARF, no julgamento do recurso voluntário. Consoante o parágrafo único do artigo 393 do Código Civil em vigor, o evento de força maior verificase no fato necessário cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Fato necessário é aquele que, sendo inescapável a qualquer atitude diligente, dá causa à impossibilidade de cumprimento da obrigação. A apresentação intempestiva dos documentos anexados ao aditivo não tem como fato necessário a demora de resposta pelo banco, porque os efeitos da demora – a intempestividade – eram evitáveis, se a embargante tivesse sido diligente a partir do momento em que adotou as práticas que ela mesma qualificou como “operações corriqueiras”. Para tanto, bastaria conservar planilhas, demonstrativos e outros meios respaldados por documentos bancários para, (i) além de revelar o esquema que alega ter engendrado com o fim de transferir recursos entre contas de depósito, realizar pagamentos e efetuar saques de numerário, (ii) também comprovar a origem dos valores movimentados. Assim, já acolhidos os embargos, saneiase a omissão apontada nos acórdãos nº 1301001.437 e 1301001.879, decidindose no sentido de não se admitir a juntada dos documentos de fls. 2.686/3.362, anexados ao aditivo de fls. 2.674/2.684. Quanto ao erro de cálculo na soma dos depósitos relacionados à conta nº 53.1220 do Banco Itaú, cumpre reconhecer a procedência do pleito, porquanto o resultado correto é de R$ 814.989.40. Entretanto, é preciso considerar que o autuante inseriu na tabela de fl. 130 [numeração eletrônica] a importância de R$ 1.548.458,83, relativamente ao total do crédito a comprovar para o mês de maio/2016, malgrado tenha descrito à fl. 622 [numeração eletrônica] que tal importância atingira a cifra de R$ 1.549.458,83. Assim, impõese a justa redução da base de cálculo dos tributos abaixo, tendo em vista o cômputo do indevido acréscimo da diferença entre R$ 1.548.458,83 e R$ 814.989,40, que é igual a R$ 733.469,43. Portanto, as bases de cálculo do IRPJ e da CSSL, correspondentes ao segundo trimestre de 2006, devem ser ajustadas (ambas) ao valor de R$ 12.057.030,25. Por sua vez, as bases de cálculo do PIS/PASEP e COFINS, correspondentes ao maio de 2006, devem ser ajustadas (ambas) ao valor de R$ 3.880.442,37. É como voto. (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Relator Fl. 3422DF CARF MF Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301002.172 S1C3T1 Fl. 3.417 13 Fl. 3423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.729185/2015-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 85 1 84 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.729185/201593 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.704 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2017 Matéria IRPF moléstia grave Recorrente CEZAR CORREA PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 91 85 /2 01 5- 93 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10166.729185/201593 Acórdão n.º 2202003.704 S2C2T2 Fl. 86 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF (fls. 33/37), relativa ao ano calendário 2013, exercício 2014, por omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, no valor de R$ 191.562,36, declarados como isento pelo contribuinte sob a justificativa de ser portador de moléstia grave. A Solicitação de Retificação de Lançamento foi indeferida (fls. 39/40), em razão do contribuinte, apesar de ter comprovado ser portador de moléstia grave (neoplasia maligna) desde 13/08/2010, receber proventos da reserva remunerada, os quais não estão abrangidos pela isenção legal. Na impugnação (fls. 03/04 e 06/13), o contribuinte alegou que o valor dos rendimentos apurados na omissão é isento do imposto de renda, por se referir a proventos da reserva remunerada, que é uma condição de inatividade no militarismo, recebidos por portador de moléstia grave. Menciona a legislação aplicável à matéria e decisões dos tribunais para amparar o pedido de isenção e junta os documentos de fls. 05 e 14/22. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF), às fls. 47/51, entendeu comprovada a condição de portador de moléstia grave (conforme documento de fls. 20/21), mas julgou improcedente a impugnação por serem os rendimentos provenientes de reserva e a isenção se aplicar apenas sobre aposentadoria, reforma ou pensão. Inconformado, o sujeito passivo interpôs o recurso voluntário de fls. 59/64, acompanhado dos documentos de fls. 65/80, reafirmando, em síntese, que o militar transferido para a reserva remunerada é considerado inativo e, assim, passível de ser beneficiado com a isenção do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10166.729185/201593 Acórdão n.º 2202003.704 S2C2T2 Fl. 87 3 Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, conforme Lei nº 7.713/1998 e Súmula CARF nº 63, a seguir: Lei nº 7.713/1988 : Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Súmula CARF Nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (destaquei) Na situação em análise, a autoridade lançadora e a DRJ já reconheceram que o contribuinte é portador de moléstia grave, com base na Ata da de Inspeção de Saúde emitida pela Junta Médica de Saúde do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (fls. 21 e 70), que atesta neoplasia maligna (CID C43.5 = melanoma maligno do tronco), desde 13/08/2010. Também foi reconhecido que os rendimentos considerados omitidos são provenientes de reserva, tendo em vista a publicação da transferência do contribuinte para a reserva remunerada em 12/06/2007 (fls. 16/17). A controvérsia reside na possibilidade dos valores recebidos em face da reserva remunerada serem passíveis da isenção prevista no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 8.813/88. Nesse sentido, a súmula nº 63 do CARF, acima transcrita, evidencia que a referida isenção também se aplica aos rendimentos oriundos da reserva remunerada. Assim, tendo em vista que, nos termos do art. 45, VI, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela MF nº 343/2015, as súmulas do CARF devem ser observadas pelos seus conselheiros, é necessário reconhecer o direito à isenção do contribuinte neste caso. Dessa forma, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10166.729185/201593 Acórdão n.º 2202003.704 S2C2T2 Fl. 88 4 (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 88DF CARF MF
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