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Numero do processo: 10907.721728/2013-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/08/2012
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126.
Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
RESPONSABILIDADE. FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. BOA FÉ. IRRELEVÂNCIA.
A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do Decreto-Lei 37/1966.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE.
Aplica-se o Princípio da Retroatividade Benigna aos casos não definitivamente julgados, quando a legislação deixe de definir o ato como infração, de acordo com o art. 106, II, "a", do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3002-000.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. RESPONSABILIDADE. FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. BOA FÉ. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do DecretoLei 37/1966. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. Aplicase o Princípio da Retroatividade Benigna aos casos não definitivamente julgados, quando a legislação deixe de definir o ato como infração, de acordo com o art. 106, II, "a", do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 17 28 /2 01 3- 41 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10907.721728/201341 Acórdão n.º 3002000.648 S3C0T2 Fl. 100 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1294.862 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. No caso concreto, foi impingida a referida multa por ter a recorrente pedido a retificação dos dados informados após a atracação do navio vindo do exterior. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou Impugnação (fl. 33/41), a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, por Acórdão (fl. 54/58) que restou dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. Em seqüência, irresignada com a referida decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 71/94, basicamente, tecendo os seguintes argumentos jurídicos em sua defesa: Boa fé e ausência de prejuízo à fiscalização e ao Erário Público e ocorrência da denúncia espontânea. É o relatório, em síntese. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10907.721728/201341 Acórdão n.º 3002000.648 S3C0T2 Fl. 101 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão cingese na autuação fiscal por ter a recorrente, supostamente, deixado de prestar a devida informação, no prazo legal, dos dados de desconsolidação da carga chegada ao Porto de Paranaguá, pois o registro do pedido de retificação das informações do CE ocorreu somente em 20/08/2012 (fl. 05), ou seja, após o prazo mínimo de 48h antes da atracação do navio, conforme o disposto no art. 22, III, da Instrução Normativa RFB nº 800/2007. Desta forma, ficando sujeita a penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . Iomissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário. Em seu Recurso Voluntário, a contribuinte asseverou que não houve embaraço à fiscalização e nem dano ao Erário Publico, portanto, não pode ser penalizada. Ademais, a ora recorrente também argumenta que agiu de boa fé e que sua conduta não implicou em nenhum prejuízo à Fazenda Nacional. Colaciona doutrina e jurisprudência que, em tese, sustenta suas afirmações. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10907.721728/201341 Acórdão n.º 3002000.648 S3C0T2 Fl. 102 4 Por oportuno, vale relembrar que, conforme o § 2º do art. 94, do DecretoLei 37/1966, a responsabilidade por infrações aduaneiras independem da intenção ou culpa do agente e da extensão de seus efeitos: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifo nosso) Com efeito, a simples mora no cumprimento da obrigação acessória de prestar as devidas informações sobre a desconsolidação da carga infringe o disposto na legislação e, ademais, prejudica o controle aduaneiro e, por conseqüência, os interesses nacionais, conforme o disposto no art. 237 da Constituição Federal: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Dessa maneira, tratandose de responsabilidade objetiva, não assiste razão à recorrente nessas argumentações Seguindo em seu Voluntário, a recorrente alega que, no caso concreto, embora de forma extemporânea, sem culpa, as informações foram prestadas no SISCOMEX antes do despacho aduaneiro e antes do procedimento administrativo, que culminou com o lançamento, assim, estando a situação fática se subsumindo às hipóteses legais para a aplicação do benefício da denúncia espontânea. O instituto da denúncia espontânea no Direito Tributário, assim como os seus semelhantes em outros ramos do Direito, visa incentivar o infrator se auto corrigir, através do reconhecimento voluntário do ilícito e da reparação do bem jurídico violado. Contudo, algumas infrações não são passíveis de serem beneficiadas pela denúncia espontânea. Quando a mera conduta do agente é definidor do núcleo do tipo da Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10907.721728/201341 Acórdão n.º 3002000.648 S3C0T2 Fl. 103 5 infração, estamos diante desse caso. Em outras palavras, quando a simples ação ou omissão do agente configurar o ilícito, não há possibilidade jurídica de se reparar o dano cometido. No caso das obrigações acessórias autônomas, em regra, essa situação se configura. Podemos dizer que é, justamente, o atraso no cumprimento de obrigação acessória o exemplo mais contundente desse tipo de infração. Uma vez que, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido cumprida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Considerandose que, como no caso dos presentes autos, a obrigação acessória autônoma descumprida pelo transportador ou pelos seus representantes consiste no dever de o sujeito passivo informar os dados sobre a desconsolidação da carga à Aduana no prazo estabelecido, a simples falta da prestação tempestiva dessas informações já configura a infração e a impossibilidade física do retrocesso temporal impede sua reparação. Por outro lado, se admitíssemos a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea aos casos de infrações decorrentes do atraso na entrega de declarações ou da prestação de informações, estaríamos diante de um paradoxo lógicojurídico, o qual tornaria morta a letra da lei. Nesse sentido, me socorro do entendimento do Ilustre Conselheiro Jose Fernandes do Nascimento manifestado no Acórdão 310200.988, do qual extraio o seguinte excerto: "De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10907.721728/201341 Acórdão n.º 3002000.648 S3C0T2 Fl. 104 6 Nesse mesmo sentido, vem se manifestando a jurisprudência de nossos tribunais, conforme se infere da seguinte ementa: MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) Nessa esteira, a Súmula CARF nº 49 preceitua a não aplicabilidade da denúncia espontânea em casos análogos de cumprimento de obrigação acessória de forma extemporânea: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ademais, esclareçase que, com o advento da MP 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, o instituto da denúncia espontânea não passou a alcançar as penalidades de natureza tributária e administrativa, caso em comento. Creio que a legislação supra não alterou o impedimento racional da aplicação do instituto da denúncia espontânea aos casos de cumprimento extemporâneo de obrigação acessória e alinhome ao entendimento do Douto Desembargador Rômulo Pizzolatti manifesto no voto condutor do Acórdão já mencionado: A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10907.721728/201341 Acórdão n.º 3002000.648 S3C0T2 Fl. 105 7 Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Por fim, manifestandose especificamente sobre o tema ora tratado, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros em seus julgamentos, conforme art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Por conseqüência do desenvolvimento lógicojurídico esposado ao longo do voto, considero inaplicável ao caso concreto o instituto da denúncia espontânea, pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. Embora não tenha sido objeto de argumentação específica na peça recursal, a motivação para a lavratura do presente Auto de Infração, isto é, um pedido de retificação de dados após a chegada da embarcação, tendo sido prestadas as informações iniciais tempestivamente, merece uma melhor análise. Em realidade, à época dos fatos, vigia o § 1º, do art. 45 da Instrução Normativa SRF º 800/2007: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. ......................................................................................................... (grifo nosso) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10907.721728/201341 Acórdão n.º 3002000.648 S3C0T2 Fl. 106 8 Dessa forma, percebese que, de acordo com o citado dispositivo, a alteração das informações já apresentadas, retificação, realizada após o prazo inicial, também se subsumia à tipificação contida na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. Entretanto, há que se considerar que, com o advento da Instrução Normativa RFB nº 1.473/2014, o art. 45 da IN RFB 800/07 foi revogado e, por conseqüência, a partir de então, o pedido de retificação dos dados informados passou a não configurar mais hipótese de aplicação da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37/1966. Por outro lado, temos que o Princípio da Retroatividade Benigna encontrase esculpido no art. 106, do Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifo nosso) É cediço que deve ser adotada a legislação que se encontrava em vigor na data da ocorrência da infração. Não obstante, em se tratando de penalidade pelo cometimento de infração, devese observar o Princípio da Retroatividade Benigna, quando a conduta tida como indevida deixar de ser tratada como infração ou, ainda, na hipótese da penalidade imposta ser reduzida, caso que o menor valor passaria a ser o devido. Cumpre esclarecer que, no caso ora analisado, ou seja, o de alteração das informações prestadas pelo agente após o prazo mínimo estabelecido na legislação, a imposição fiscal se sustentava, tão somente, no art. 45, § 1º da IN 800/2007. Sem entrarmos na discussão sobre a legalidade desse dispositivo infralegal, ao estender aos casos de retificação o disposto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei nº 37/1966, há que se reconhecer que, uma vez tendo sido formalmente revogado aquele dispositivo, não há como se sustentar a imposição desta penalidade aos processos não definitivamente julgados, por aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10907.721728/201341 Acórdão n.º 3002000.648 S3C0T2 Fl. 107 9 Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, exonerando na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720009/2006-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA E QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. RETENÇÕES NA FONTE. OFERTA À TRIBUTAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA. RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE DECLARAÇÕES SEM PROVAS CORRESPONDENTES. IMPROCEDÊNCIA.
É ônus do contribuinte a prova da existência e da quantificação do crédito pretendido, devendo refutar as constatações das Autoridades Fiscais que fundamentaram a denegação da compensação.
Os documentos, sem valor contábil ou fiscal, unilateral e incidentalmente produzidos pelo contribuinte para demonstrar seu direito ou ilustrar suas alegações, não guardam, per si, valor probante, devendo ser acompanhados de documentos hábeis e idôneos que, precisamente, corroborem o seu teor e conclusões.
A simples e objetiva demonstração de retificação de DCTF e DACON, desacompanhada de provas, após a prolatação de despacho decisório e a apresentação de manifestação de inconformidade, não basta para a dar ensejo à homologação da compensação pretendida em DCOMP.
Numero da decisão: 1402-003.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone, substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA E QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. RETENÇÕES NA FONTE. OFERTA À TRIBUTAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA. RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE DECLARAÇÕES SEM PROVAS CORRESPONDENTES. IMPROCEDÊNCIA. É ônus do contribuinte a prova da existência e da quantificação do crédito pretendido, devendo refutar as constatações das Autoridades Fiscais que fundamentaram a denegação da compensação. Os documentos, sem valor contábil ou fiscal, unilateral e incidentalmente produzidos pelo contribuinte para demonstrar seu direito ou ilustrar suas alegações, não guardam, per si, valor probante, devendo ser acompanhados de documentos hábeis e idôneos que, precisamente, corroborem o seu teor e conclusões. A simples e objetiva demonstração de retificação de DCTF e DACON, desacompanhada de provas, após a prolatação de despacho decisório e a apresentação de manifestação de inconformidade, não basta para a dar ensejo à homologação da compensação pretendida em DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 09 /2 00 6- 07 Fl. 975DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 976 2 (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone, substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Fl. 976DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 977 3 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 865 a 912) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Florianópolis/SC (fls. 850 a 859) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 827 a 837), mantendo integralmente o r. Despacho Decisório (fls. 786 a 821), que homologou apenas parcialmente o crédito de IRPJ e CSLL pleiteado pela Contribuinte, por meio de DCOMPs (fls. 1 a 281). Em suma, as compensações sob análise são referentes a crédito formado por saldo negativo, apurado no anocalendário de 2005 pela Recorrente, formado por IRRF e estimativas mensais. Confirase nos quadros abaixo as DCOMPs objeto do presente processo: Fl. 977DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 978 4 Os débitos objeto das DCOMP descritas no quadro acima são os seguintes: (fls. 787 a 788) Fl. 978DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 979 5 Doravante, adotase o preciso e completo relatório da DRJ a quo, que também pormenoriza o conteúdo do r. Despacho Decisório (Parecer SAORT) que inaugurou a contenda: Em análise do pleito, a autoridade recorrida proferiu o Despacho Decisório de f. 560, no qual reconheceu, em parte, o direito creditório pleiteado, nos seguintes montantes: Além disso, indeferiu os Pedidos de Cancelamento de nºs 06754.07259.310708.1.8.026379 e 36095.00765.310708.1.8.02 8414. No Parecer Saort/DRF/Blumenau n° 27212008, consta, em síntese, a seguinte fundamentação: DA COMPENSAÇÃO Como será exposto em item especifico ("DA INSTRUÇÃO DO PROCESSO .), a Intimação Fiscal n° 292/08, às fls. 406/407, foi expedida em 30/06/2008, com ciência da contribuinte em 03/07/2008 ("AR" à fl. 408). Em 03/07/2008, portanto, configurouse o marco temporal correspondente à intimação inicial para apresentação de documentos probatórios das compensações efetuadas pela interessada tendo em vista a vinculação das mesmas aos créditos pleiteados no processo em epígrafe. Conforme já registrado, entretanto, a requerente transmitiu os Pedidos de Cancelamento de 06754.07259.310708.1,8.026379 e 36095.0065.310708.1.8.028414 em 31/07/2008; agiu, pois, de forma intempestiva, uma vez que não tomou em consideração o marco temporal mencionado no parágrafo anterior, 03/07/2008. Por conseguinte, nos termas do parágrafo único do artigo 62 da IN SRF n° 600/2005, há que se indeferir os Pedidos de Cancelamento de nºs 06754.07259310708.1.8.026379 e 36095.00765.310708.1.8.018414, persistindo a análise das DCOMP relacionadas, às fls. 89/108 e 157/164. [...] DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) [...] Conforme registrado no PER/DCOMP de n°1053034282.1101.7.022803, à fl. 04, e na DIPJ 2006, à fl. 329, à fl. 329, a interessada informa ter havido retenção de IRPJ pela fonte pagadora de CNPJ 07.712535/000134, Bunge Fl. 979DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 980 6 Alimentos Participações Ltda., com código de receita 3426 (Aplicações Financeiras de Renda Fixa), no montante de R$ 1.416.316,66. [...] Para que a pretensão da interessada pudesse ser acolhida, seria necessária a comprovação inequívoca da retenção de IR na fonte no valor alegado; a pesquisa realizada no sistema SIEF/DIRF, entretanto, confirma apenas a retenção referente ao período 1212005, no valor de R$ 723.013,97, como se pode verificar pela tela de consulta à fl. 382. [...] Contudo, trazidos os documentos previstos em lei, ainda persiste a necessidade de se comprovar o devido oferecimento dos respectivos rendimentos financeiros à tributação na apuração do lucro real. [...] Neste contexto, emitiuse a Intimação Fiscal n° 357/08, de 12/08/2008, à fl. 615, com ciência da requerente na mesma data; Cá a reprodução do quesito contido nesta Intimação: "Apresentar cópias autenticadas dos extratos do Livro Razão nos quais constem os lançamentos das receitas das aplicações financeiras correspondentes aos 1RRF que integram os saldos negativos pleiteados no mencionado processo; apresentar cópias autenticadas dos termos de abertura e encerramento do Livro em tela." Em 22/08/2008, a interessada apresentou um CD (Compact Disk) contendo, segundo a mesma, "o razão das contas de receitas financeiras nas quais constam os lançamentos das receitas decorrente (sic) de aplicações financeiras correspondentes (sic) ao (sie) IRRF que integram o saldo negativo do anocalendário de 2005." Os extratos do Livro Razão não foram apresentados; o arquivo digital enviado, "Razão conta receitas financeiras — 5900 953.xls", não relacionou as receitas financeiras de forma adequada; houve referência a apenas uma conta contábil ("CD_CONTA_CONTÁBIL 953"; "NM CONTA_COlVTABIL V.M S/ADTO MP2). Não foi possível, pois, a constatação da efetiva oferta à tributação dos receitas financeiras que propiciaram as retenções de IR. Considerandose o atendimento inadequado ao quesito da Intimação Fiscal n° 357/08, a contribuinte foi novamente interpelada por meio da Intimação Fiscal n° 447108, de 22/09/2008, à fl. 617, com ciência da interessada em 25/09/2008 ("AR" à fl. 618). Os extratos do Livro Razão, novamente, não foram apresentadas. Por meio do quesito encerrado no item 1.3 da Intimação Fiscal n° 447/08, solicitouse: Fl. 980DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 981 7 "planilha eletrônica que identifique os lançamentos das receitas das aplicações financeiras correspondentes aos IRRF que integram os saldos negativos requeridos no processo em epígrafe." É de se destacar o fato de que a interessada fora previamente cientificada dos efeitos decorrentes do nãoatendimento aos quesitos da Intimação Fiscal no 447/08, nos termos do trecho abaixo transcrito: "O atendimento integral no prazo citado no 'caput' desta Intimação, dos quesitos acima formulados, é de caráter obrigatório para fins de análise do pleito. Caso a presente Intimação não seja cumprida integralmente no prazo estipulado, os créditos relativos aos quesitos acima serão não reconhecidos, nos termos do art. e da Instrução Normativa SRF n°600, de 28/12/2005." A contribuinte, contudo, não atendeu à Intimação em tela, e tampouco apresentou pedido de prorrogação do prazo concedido (10 dias). [...] Diante do exposto, considerandose que caberia á interessada apresentar os documentos necessários à comprovação do seu direito à restituição e de sua certeza e liquidez para fins de compensação, efetuouse a glosa integral do montante de 1RRF deduzido no anocalendário 2005 e informado na D1PJ 2006. Em outras palavras, foram glosados os montantes de IRRE utilizados na linha 07 da ficha 11 (IR mensal por estimativa), RS 2.951236,67, e na linha 13 da ficha 12A (IR sobre o lucro real), R$ 1251467,89. DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA [...] A dedução de IRRF na apuração do IR mensal por estimativa, no montante de R$ 2.953.236,67. já foi analisada Logo, do total deduzido a titulo de IR mensal por estimativa, RS 60,757.767,47, informado na linha 17 da ficha 12A da D1PJ 2006, à fl. 311, resta a comprovação da importância de R$ 57.804.530,80, correspondente às estimativas de IR apagar. [...] Débito IRPJ 01/2005. A contribuinte apurou IR a pagar em janeiro no valor de R$ 8.149.441.33. [...] A interessada assinalou a compensação do valor de RS 2.947.783,90 com saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, indicando o PERDCOMP de n° 37669.38365.300908.1.3.02 5777. Este pedido eletrônico. todavia, corresponde ao saldo Fl. 981DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 982 8 negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2007, conforme extrato à 620. Logo, o crédito utilizado nem sequer existia à época da apuração da estimativa mensal de IRPJ. Eis o que dispõe um excerto da "Ajuda" do PGD PER/DCOMP 3.3: "Ficha Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores" (...) A ficha "Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores" deverá ser preenchida com os dados relativos à(s) estimativa(s) mensal(is) de IRPJ apurada(s) no período a que se refere asa/do negativo deIRPJ objeto do Pedido Eletrônico de Restituição ou da Declaração de Compensação, conforme informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), que foi(ram) total ou parcialmente compensada(s) pela pessoa jurídica com o saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores." (grifouse) A instrução é clara: nesta ficha, só existe possibilidade de compensação com "saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores"; não há pois, que se argüir factível a compensação com saldo negativo apurado em períodos posteriores. Portanto, neste caso, não há que se falar em existência de credito liquido e certo capaz de extinguir aparecia de R$ 2.947.783,90 do débito IRPJ 01/2005. Inconformada com o Despacho Decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de f. 659 a 669, na qual alega, em síntese, que: Dos pedidos de cancelamento O pedido de cancelamento não pode ser indeferido, posto que o procedimento adotado pela impugnante foi espontâneo, na medida em que o valor referente à compensação cancelada, na verdade, já estava declarado e foi compensado imediatamente com outro crédito, tendo em vista as retificadoras transmitidas. Da glosa do valor de IRRF no valor de R$ 693.302,97 Não pode a requerente ser prejudicada por erros e equívocos cometidos pela fonte pagadora na apresentação de sua DIRF, até mesmo de falta de recolhimento do tributo informado; Não pode o Sr. AFRFB confundir o fato de serem empresas do mesmo grupo econômico, na medida que tem administração diferentes a até mesmo sedes distintas. Cada uma tem suas responsabilidades fiscais e devem responder por isto. Dos valores de IRRF no valor de R$ 2.953.236,67 (IR mensal por estimativa) e de R$ 3,253.467.89 (IR/Lucro Real) Fl. 982DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 983 9 Inicialmente, cabe ponderar que a impugnante não recebeu, ou houve extravio, da Intimação n° 447108 (f. 617/618), razão pela qual não teve conhecimento que permitisse atender a intimação; Independentemente deste fato, verificase da planilha constante no CD anexado, a informa4o referente às contas contábeis dos lançamentos das receitas financeiras oferecidas à tributação do IRPJ, extraídas do Livro Razão já acostados (vide Termo de Anexação de Objeto às f. 621) aos presentes autos como reconhecido pelo Sr. AFRFB, bem como os demais documentos em atendimento à Intimação n° 292/08 às E 410/511 (cópia LAL1JR), 5121562 (cópia Livro Diário), 563/599 (Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte) e 602/609 (Declaração relativa às retenções de IR no anocalendário 2005) e 610 (Declaração relativa às retenções de IR no anocalendário 2005); O referido CD contém três planilhas, sendo uma relativa ao "Rendimento Bruto X Razão", uma das "contas de receita" e a última da "Composição dos Informes de Rendimento", que podem ser aferidos através dos documentos e arquivos constantes dos autos; A planilha "contas receitas" demonstra claramente que todas as receitas foram levadas ao resultado, contendo as respectivas contas contábeis demonstradoras de que os mesmos foram oferecidos à tributação, inclusive, com excedente, confirmadas pela planilha "Composição dos Informes de Rendimentos" e relativa ao "Rendimento Bruto X Razão". Da compensação do valor de R$ 2.947.78190 do débito IRPJ 01/2005 com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 O entendimento não pode ser indeferido, posto que inexiste fundamentação legal para a não homologação da compensação levada a efeito pela impugnante, notadamente porque à época vigia a IN SRF 600/05, e em seu art. 26 e parágrafos não há a vedação invocada pelo Sr. AFRFB. Do crédito_para compensação do débito de IRRI do período de apuração abril/2006 conforme DCOMP 13292.40584.100908.1.7.023649 Considerando o acima exposto, havia saldo negativo suficiente para quitar a obrigação tributária, tornandose sem efeito a homologação parcial, transformandoa em total. Devidamente encaminhado os autos à 3ª Turma de Julgamento da DRJ/FNS, foi proferido o v. Acórdão ora recorrido, rejeitando totalmente a Manifestação de Inconformidade apresentada, ementado da seguinte forma: Fl. 983DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 984 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO. IRRF. COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ demanda, entre outros requisitos, a demonstração de que o imposto retido levado à dedução na sua apuração, corresponde a rendimento que foi regularmente oferecido à tributação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS DE VALIDADE. A compensação pressupõe, para além da existência de créditos liquidas e certos, a observância dos requisitos regulamentares. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, basicamente repisando as mesmas alegações de sua primeira defesa, abrangendo as matérias referentes à improcedência da denegação do crédito referente ao IRRF, da compensação da estimativa de janeiro de 2005 com saldo negativo do anocalendário de 2007 e da impropriedade da negativa do cancelamento de duas das suas DCOMPs. Distribuído o feito a este Conselheiro, a contenda foi objeto de julgamento em sessão de fevereiro de 2018, desta mesma C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, onde decidiuse pela prejudicialidade da matéria referente à quitação de débitos de 2007 com crédito originado em 2005, proferindose o v. Acórdão nº 1402002.915 (fls. 915 a 932), no qual determinouse a prolatação de novo despacho decisório complementar (e, eventualmente, em caso de recurso, novo acórdão complementar pela DRJ a quo), nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 984DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 985 11 Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DÉBITO VENCIDO DE PERÍODO ANTERIOR À FORMAÇÃO DO CRÉDITO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF RETIFICADORA E COMPENSADO COM VALOR DE SALDO NEGATIVO APURADO POSTERIORMENTE. LEGALIDADE. É plenamente lícita a utilização de crédito oriundo de saldo negativo de anocalendário posterior para quitar débito vencido de período anterior à sua formação, declarado por meio de DCTF retificadora, apresentada após sua devida apuração. SOFTWARE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INSTRUÇÕES DE UTILIZAÇÃO E AJUDA. FERRAMENTA DESPROVIDA DE NATUREZA DE VEÍCULO NORMATIVO E DISPOSIÇÕES QUE NÃO AFIGURAM REGRA JURÍDICA. As instruções contidas nos softwares da Receita Federal do Brasil, dirigidas ao seus usuários para auxiliálos e esclarecer procedimentos de preenchimento de declarações, não têm natureza de norma ou regra jurídica de qualquer hierarquia, não podendo fundamentar proibições ou limitações a direito dos contribuintes previsto em Lei e efetivamente regulado por normativos infralegais. (...) Diante disso, deve ser afastado a conclusão de que não há que se falar em existência de crédito liquido e certo capaz de extinguir a parcela de R$ 2.947.783,90 do débito IRPJ 01/2005, reformando se as decisões proferidas nesse feito. Contudo, a adoção desse fundamento para a negativa à compensação pretendida pela Contribuinte (mantida pelo v. Acórdão) acarretou na rejeição sumária da utilização do crédito, sem qualquer investigação da sua formação ou análise de procedência quantitativa. Dessa forma, também é medida jurisdicional correta no presente caso a determinação de retorno dos autos à Unidade Local para que se analise e confirme a procedência do crédito utilizado na DCOMP nº 37669.38365.300908.13025777, uma vez confirmada a possibilidade legal de se utilizar o saldo negativo do ano calendário de 2007 para quitar estimativa mensal de 2005, declarada por DCTF retificadora. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer a legalidade da utilização de crédito oriundo de saldo negativo de anocalendário posterior (2007), para quitar débito vencido de período anterior à sua formação (2005), declarado por meio de DCTF retificadora, transmitida posteriormente. Fl. 985DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 986 12 Devem os autos retornar à Unidade Local para que seja prolatado r. Despacho Decisório complementar, exclusivamente no que tange à estimativa de janeiro de 2005, referente à procedência de parcela do crédito no valor de R$ 2.947.783,90, relativo à compensação efetuada pela DCOMP nº 37669.38365.300908.13025777 para quitarlhe parcialmente. Havendo a homologação total dessa parcela de R$ 2.947.783,90 pela Unidade Local, os autos devem retornar a este E. CARF para o julgamento das demais matérias do Recurso Voluntário. No caso de negativa total ou parcial da homologação da compensação em questão pela Unidade Local, fica facultado à Contribuinte apresentar nova Manifestação de Inconformidade, exclusivamente sobre tal tema, que deverá ser julgada pela DRJ a quo, por meio de Acórdão complementar. Havendo a homologação total dessa parcela pela DRJ, os autos devem retornar a este E. CARF para o julgamento das demais matérias do Recurso Voluntário. No caso da rejeição total ou parcial da nova defesa da Contribuinte pela DRJ, também deve serlhe aberto prazo para a apresentação de complementação de Recurso Voluntário, antes de ser retomado o presente julgamento. Em face de tal determinação, foi prolatado o r. Despacho Decisório nº 207/2018 (fls. 962 a 968), de natureza complementar, homologandose integralmente a compensação referente a DCOMP 16821.43399.111208.1.7.028841, transmitida em 11/12/2008 (número da DCOMP Retificada: 37669.38365.300908.1.3.025777, transmitida em 30/09/2008), através da qual a contribuinte em epígrafe buscou a compensação de débito de estimativa de IRPJ, relativo ao período de apuração janeiro/2005, no valor de R$ 2.947.783,90, único objeto daquele r. decisório complementar. Intimada a Contribuinte (fls. 969) e não havendo interesse recursal, os autos retornaram para este Conselheiro votar as matérias prejudicadas anteriormente, como determinado. É o relatório. Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Fl. 986DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 987 13 O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como se observa, agora, uma vez superada a controvérsia sobre a não homologação da compensação de parte do saldo a pagar de IRPJ (estimativa mensal) referente ao mês de janeiro de 2005, valendose a Contribuinte de crédito oriundo de saldo negativo do anocalendário de 2007 para tanto, o objeto residual da presente demanda resumese precisamente: 1) à suposta ausência de comprovação de oferta à tributação dos rendimentos objeto de incidência do IRRF que formou o saldo negativo do anocalendário de 2005; 2) ao indeferimento do cancelamento das DCOMPs n° 09779.64583.140306.1.3.027058 e 09996.55355.141206.1.3.028697, sob os números de cancelamento 06754.07259.310708.1.8.026379 e 36095.00785310708.1.8.02841. Em relação à primeira matéria, o r. Despacho Decisório entendeu que, não obstante presente a comprovação das retenções efetuadas pelas respectivas Fontes Pagadoras, não houve a prova necessária da oferta à tributação dos rendimentos correspondentes. Frisese que a rejeição não se fundamentou na ausência de autenticação dos documentos, como mencionado no Apelo da Parte pleiteante. Ao seu turno, diante da insurgência da Contribuinte por Manifestação de Inconformidade, a DRJ a quo firmou entendimento de que, ainda que a Defesa acoste planilhas, com teor que respalda o direito invocado, não há a devida prova de seu teor com documentação fiscal e contábil adequada. Confirase: Agora, em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente juntou aos autos CD contendo três planilhas. Todavia, não há como aferir a veracidade dos valores apresentados sem haver alguma comprovação dos lançamentos no Livro Razão. É preciso ressaltar que os registros digitais em CD constituem prova, desde que amparados em documentos hábeis (cópias autenticadas da escrituração, extratos bancários de rendimentos de aplicações financeiras, etc.). No caso em questão, tal documentação não restou apresentada, nem em parte. Ou seja, nada de relevante foi acrescentado ao que já havia sido apresentado à fiscalização. Fl. 987DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 988 14 As cópias do livro Diário acostadas durante a fiscalização possuem somente balanços patrimoniais, e as cópias do LALUR por também apresentar somente valores totalizados, não permitem aferir a regularidade da tributação. Deste modo, a recorrente, mais uma vez, não logrou cumprir o seu ônus probatório. Em seu Recurso Voluntário, a Parte alega que existem diversos documentos de sua contabilidade acostados aos autos (fls. 7 e de 15 a 30), bem como os próprios Informes de Rendimentos também validariam suas planilhas. Acrescenta que o que efetivamente comprova a retenção e [a] utilização dos valores pelo contribuinte são os comprovantes das Fontes Pagadores. Pois bem, primeiro devese esclarecer que a prova da retenção distinguese da prova da oferta à tributação dos rendimentos e quantias correspondente a essa oneração sofrida na origem, por meio da Fonte Pagadora. Certamente, a prova da efetiva retenção é necessária, mas não basta para a confirmação de certeza e liquidez do crédito utilizado, sendo correta a exigência da comprovação de oferta à tributação, por meio hábil e inequívoco. Analisando as fls. 07 e 15 a 30, assim como a demais documentação apresentada pela Contribuinte quando intimada para tanto, temos que todas estas folhas (consideradas pela numeração digital ou manual) são parte de uma das DCOMPs transmitidas, sob debate neste processo. Supondo que tal menção seria referente à numeração própria do r. Despacho Decisório, tal r. decisum não se confunde com prova contábil e tampouco há lá qualquer afirmação ou registro que confirme as alegações trazidas, ou mesmo o teor das Planilhas apresentadas. Frisese que o v. Acórdão sequer tem 30 folhas, não se tratando de tal documento a referencia procedida no Apelo. Em relação à Parte A do LALUR e aos trechos do Livro Diário (balanços) (fls. 413 a 709), apresentados antes mesmos do r. Despacho Decisório original, temos que são totalmente procedentes a afirmação e a conclusão da DRJ a quo de que tais documentos não trazem o registro específico e individual das aplicações e rendimentos correspondentes às retenções de IRRF presentes nos informes, não sendo, assim, possível o necessário cotejo para a validação do crédito. Dessa forma, ainda que as Planilhas elaboradas unilateralmente pela Recorrente tragam o encontro dos valores submetidos à retenção com o imposto comprovadamente retido, atestando a sua presença na composição do resultado tributável, tal elemento, isoladamente apresentado, não prestase como prova de certeza e liquidez do crédito empregado na compensação. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 989 15 Nesse sentido, deve ser mantido o v. Acórdão recorrido nesse ponto. No que tange ao indeferimento do cancelamento das DCOMPs n° 09779.64583.140306.1.3.027058 e 09996.55355.141206.1.3.028697, sob os números de cancelamento 06754.07259.310708.1.8.026379 e 36095.00785310708.1.8.02841, entendeu a DRJ a quo que a recorrente não aponta as provas do que alega, e o pedido de cancelamento de DCOMP não é permitido quando formalizado após intimação apresentação de documentos comprobatórios da compensação, conforme previsto expressamente no parágrafo único do art. 62, da Instrução Normativa SRF n°600/2005. Ao seu turno, no Apelo ora sob análise, alegase, em suma, que, em face da negativa do cancelamento das DCOMPs, promoveuse em 17/07/2009 e 20/07/2009, a retificação da DCTF e da DACON correspondentes aos débitos objeto das referidas de DCOMPs, de modo que não houvesse mais conflito. Acosta cópia de tais retificações (fls. 889 a 912). Na sequência, partindo de tal premissa factual, passa a argumentar que a conseqüência do não cancelamento das DCOMP's é, senão outro, a consideração das mesmas como válidas e homologadas, o que comprova o cumprimento da obrigação do pagamento dos tributos relacionados na declaração. É ilógico considerar válida uma compensação e cobrar o valor do imposto! Não há qualquer amparo legal na cobrança exarada, cabendo assim, a reforma do acórdão da DRJ/FNS a fim de cancelar tal exigência. Traz como arrimo jurisprudencial acórdão da DRJ de Campinas/SP no qual entendeuse que, se confessado os débitos em DCTF antes do início da fiscalização, o Auto de Infração correspondente deve ser cancelado. Primeiro temos aqui que o julgado trazido se refere a matéria de Direito e circunstância fática totalmente diversa daquelas apresentadas no presente feito, sendo irrelevante para o feito, tratando o julgamento de Autuação fiscal e não compensação e de DCTF transmitida antes do início dos trabalhos da fiscalização o que não ocorreu também no presente caso. Não obstante, além de conter pouca dialeticidade recursal nos argumentos da Recorrente, notase que esta não mais pugna pelo cancelamento das DCOMPs em questão, mas, sim, por sua homologação. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402003.709 S1C4T2 Fl. 990 16 Além do questionável cambio total de pretensão, de modo que não se requer mais o cancelamento de tais DCOMPS, mas, sim, sua homologação, o simples argumento objetivo e isolado de que, após do r. Despacho Decisório e da própria apresentação da Manifestação de Inconformidade, procedeuse à ratificação de DCTF e DACON, não basta para confirmar o crédito pretendido e justificar, isoladamente, a homologação compensação dos débitos. Não há qualquer demonstração de procedência de tal pretenção, muito menos provas da motivação factual para a sua retificação, devendo se considerar que, logo anteriormente, em termos processuais, a própria Contribuinte defendia seu cancelamento. Além disso a alegação de que se foi negado cancelamento da referida DCOMP, logo, a compensação lá pretendida seria válida, sendo mandatória sua homologação pela Fazenda Pública, não possui qualquer base legal, vez que a comprovação de certeza e liquidez do crédito utilizado é sempre devida e necessária, não existindo tal simplória relação de procedência da compensação com a negativa de cancelamento da DCOMP. Posto isso, deve ser igualmente mantido o v. Acórdão recorrido nesse ponto. Diante do exposto, voto por negar provimento às matérias remanescentes do Recurso Voluntário, considerando que a matéria e o crédito tratado no Despacho Decisório nº 207/2018 já foi objeto de homologação pela D. Unidade Local, restando fora do Apelo agora apreciado. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 990DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.721220/2012-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2012
PRAZO DE 360 DIAS. LEI Nº 11.457/2007. PRAZO IMPRÓPRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA.
O prazo de 360 dias, estabelecido na Lei nº 11.457/2007, trata-se de um prazo impróprio, isto é, fixado na lei apenas como parâmetro para a prática do ato, tendo em vista que não foi estabelecida qualquer sanção na hipótese de seu descumprimento. O ato praticado além do prazo impróprio é válido e eficaz, não tendo, portanto, o condão de encerrar o trâmite processual.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11.
Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2012
RESPONSABILIDADE. FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. IRRELEVÂNCIA.
A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do Decreto-Lei 37/1966.
MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126.
Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmento do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2012 PRAZO DE 360 DIAS. LEI Nº 11.457/2007. PRAZO IMPRÓPRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. O prazo de 360 dias, estabelecido na Lei nº 11.457/2007, trata-se de um prazo impróprio, isto é, fixado na lei apenas como parâmetro para a prática do ato, tendo em vista que não foi estabelecida qualquer sanção na hipótese de seu descumprimento. O ato praticado além do prazo impróprio é válido e eficaz, não tendo, portanto, o condão de encerrar o trâmite processual. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11. Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2012 RESPONSABILIDADE. FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do Decreto-Lei 37/1966. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Voluntário Negado.
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LEI Nº 11.457/2007. PRAZO IMPRÓPRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. O prazo de 360 dias, estabelecido na Lei nº 11.457/2007, tratase de um prazo impróprio, isto é, fixado na lei apenas como parâmetro para a prática do ato, tendo em vista que não foi estabelecida qualquer sanção na hipótese de seu descumprimento. O ato praticado além do prazo impróprio é válido e eficaz, não tendo, portanto, o condão de encerrar o trâmite processual. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11. Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2012 RESPONSABILIDADE. FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do DecretoLei 37/1966. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 12 20 /2 01 2- 01 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11128.721220/201201 Acórdão n.º 3002000.643 S3C0T2 Fl. 187 2 MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmento do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 12095.183 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.721220/201201 Acórdão n.º 3002000.643 S3C0T2 Fl. 188 3 "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira.." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO) julgou a Impugnação improcedente, por Acórdão dispensado de ementa, conforme o disposto na Portaria RFB nº 2.724/2017. Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (104/124), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, aduzindo os seguintes argumentos: Preclusão do direito de a Fazenda constituir definitivamente o crédito tributário, cumprimento da obrigação acessória, ocorrência da denúncia espontânea e falta de proporcionalidade e razoabilidade na imposição da multa. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11128.721220/201201 Acórdão n.º 3002000.643 S3C0T2 Fl. 189 4 Inicialmente, a ora recorrente aduziu a ocorrência da preclusão do direito de a Fazenda Pública constituir definitivamente o crédito tributário contestado, por descumprimento do prazo obrigatório de 360 dias, previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, para a emissão de decisão em processos administrativos fiscais. Além disso, a contribuinte alegou que seria cabível a aplicação do parágrafo único do art. 173 do Código Tributário Nacional, o que também acarretaria a perempção do direito fazendário, uma vez que a decisão da Delegacia de Julgamento foi proferida em prazo superior a 360 dias, contados a partir do protocolo da impugnação e que, se contados desde a lavratura do Auto de Infração, teríamos um lapso temporal superior a seis anos. Essa demora configuraria ofensa aos princípios constitucionais da eficiência, dignidade da pessoa humana e da segurança jurídica. De pronto, afirmese que não assiste razão à contribuinte quanto à aplicabilidade do art. 173, parágrafo único, do CTN ao caso concreto. A doutrina e a jurisprudência pátrias são firmes quanto a possibilidade do transcurso do prazo decadencial somente em período anterior ao momento da lavratura do Auto de Infração. Uma vez tendo ocorrido o lançamento do crédito tributário, não há que se falar mais em decadência, pois o direito da Fazenda Pública já se encontra exercido. A partir daí e enquanto perdurar o julgamento de eventuais recursos interpostos, a exigibilidade do crédito tributário se encontra suspensa e, por conseqüência, o prazo prescricional só começa a correr quando o crédito tornarse exigível. Nesse ponto, ressaltese, por oportuno, que não se aplica o instituto da prescrição intercorrente a processos administrativos fiscais, conforme teor da Súmula CARF nº 11, cujo efeito vinculante foi atribuído pela Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Quanto ao art. 24 da Lei nº 11.457/2007, é cediço que tal comando legal inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Entretanto, a referida regra, embora tenha estabelecido um prazo para emissão de decisões administrativas, não fixou quaisquer sanções ou penalidades à administração tributária pelo seu descumprimento, muito menos estabeleceu como conseqüência a extinção do processo ou a preclusão, decadência ou prescrição de seu poder/dever. Com efeito, podese afirmar que o prazo fixado pelo art. 24 da Lei nº 11.457/2007 se constitui no que a doutrina convencionou nomear como prazo impróprio. Esses prazos são aqueles fixados aos órgãos do judiciário ou da administração, que a ausência de observância não gera conseqüência processual. São prazos, por exemplo, a serem observados pelo juiz, serventuários, escrivãs, assim como muitos dos concedidos ao Ministério Público, quando atua como fiscal da lei, onde a sua inobservância, apesar de não acarretar o que se chama de desvalia em matéria processual e, tampouco, preclusão, acarreta aos responsáveis por sua não observância possíveis sanções administrativas, conforme a análise do caso concreto e justificativa aplicável. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.721220/201201 Acórdão n.º 3002000.643 S3C0T2 Fl. 190 5 Assim sendo, não pode prosperar as alegações da contribuinte no sentido de ver reconhecida a preclusão do direito da Fazenda Pública. Seguindo em seu Voluntário, a recorrente alegou que o agente de navegação promoveu, em tempo hábil, a inclusão das informações devidas perante o sistema fiscalizador da Receita Federal Brasileira, assim, a mesma não sofreu nenhum tipo de dificuldade seja para fiscalização, seja para apuração de créditos destinados ao erário. Alegou ainda que, mesmo que de forma extemporânea, prestou as informações sobre a desconsolidação da carga e, por isso, a aplicação da penalidade afrontou os Princípios Constitucionais da Razoabilidade, da Proporcionalidade, da Moralidade e, principalmente, da Segurança Jurídica. Essas alegações de inconstitucionalidade são repisadas na peça recursal, quando da alegação de afronta ao Princípio da Vedação ao Confisco pela multa imposta, e serão tratadas em conjunto no presente voto. Primeiramente, afirmemos que não houve contestação sobre a ocorrência do registro extemporâneo das informações de desconsolidação da carga, fato que ensejou a presente autuação, portanto, essa questão resta incontroversa. Quanto a essas argumentações, também não assiste razão a recorrente. Vale lembrar que, conforme o § 2º do art. 94, do DecretoLei 37/1966, a responsabilidade da ora recorrente por seu ato, descumprimento do prazo para prestar as informações sobre a desconsolidação da carga, independia da sua intenção ou culpa e da extensão dos efeitos causados por ele: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; ......................................................................................................... (grifo nosso) Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11128.721220/201201 Acórdão n.º 3002000.643 S3C0T2 Fl. 191 6 Com efeito, a simples mora no cumprimento da obrigação acessória de prestar as devidas informações sobre a desconsolidação da carga infringe o disposto na legislação e, além disso, prejudica o controle aduaneiro, pois impede a adequada preparação da atividade fiscalizatória e, por conseqüência, também prejudica os interesses nacionais, conforme o disposto no art. 237 da Constituição Federal: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Ademais, analisando os documentos acostados aos autos, não se verifica qualquer situação que efetivamente pudesse afastar a responsabilidade da contribuinte por ter informado a destempo os dados de desconsolidação da carga. Quanto às alegações de afronta aos Princípios Constitucionais Princípios da Razoabilidade, da Proporcionalidade, da Moralidade, da Segurança Jurídica e da Vedação ao Confisco, melhor sorte não cabe à recorrente. Subsumindose seu ato à previsão legal para aplicação da penalidade, não há como se vislumbrar qualquer afronta à Lei ou à Princípio Constitucional, por outro lado, não se pode olvidar que a atividade administrativa de lançamento é plenamente vinculada e obrigatória, de acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da multa, justamente, por ofensa aos Princípios citados, impõese relembrar que o julgamento administrativo trata da aplicação da legislação tributária como apresentada no sistema jurídico. Dessa maneira, a norma válida e eficaz, assim entendida a promulgada e publicada, dotada de presunção de correção formal e material, não pode ser desconsiderada pelo julgador. Nesse sentido, dispõe o art.62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.721220/201201 Acórdão n.º 3002000.643 S3C0T2 Fl. 192 7 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo ao Poder Judiciário. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois o julgador não pode delas tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco, de desproporcionalidade, de irrazobilidade ou da não individualização da pena seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Em consonância com esse ditame, vejamos o teor da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, não tomo conhecimento das alegações de inconstitucionalidade da multa prevista no art. 107, IV, e, do Decretolei n.º 37/1966 e de sua aplicação ao caso concreto. Por fim, a contribuinte alegou que, caso se admitisse que ela teria infringido a legislação aduaneira, eventual responsabilidade a ela atribuída teria sido excluída pela denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional e do art. 102, §§ 1º e 2º, do DecretoLei nº 37/1966. O instituto da denúncia espontânea no Direito Tributário, assim como os seus semelhantes em outros ramos do Direito, visa incentivar o infrator se auto corrigir, através do reconhecimento voluntário do ilícito e da reparação do bem jurídico violado. Contudo, algumas infrações não são passíveis de serem beneficiadas pela denúncia espontânea. Quando a mera conduta do agente é definidor do núcleo do tipo da infração, estamos diante desse caso. Em outras palavras, quando a simples ação ou omissão do agente configurar o ilícito, não há possibilidade jurídica de se reparar o dano cometido. No caso das obrigações acessórias autônomas, em regra, essa situação se configura. Podemos dizer que é, justamente, o atraso no cumprimento de obrigação acessória o exemplo mais contundente desse tipo de infração. Uma vez que, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido cumprida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Considerandose que, como no caso dos presentes autos, a obrigação acessória autônoma descumprida pelo transportador ou pelos seus representantes consiste no dever de o sujeito passivo informar os dados sobre a desconsolidação da carga à Aduana no Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11128.721220/201201 Acórdão n.º 3002000.643 S3C0T2 Fl. 193 8 prazo estabelecido, a simples falta da prestação tempestiva dessas informações já configura a infração e a impossibilidade física do retrocesso temporal impede sua reparação. Por outro lado, se admitíssemos a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea aos casos de infrações decorrentes do atraso na entrega de declarações ou da prestação de informações, estaríamos diante de um paradoxo lógicojurídico, o qual tornaria morta a letra da lei. Nesse sentido, me socorro do entendimento do Ilustre Conselheiro Jose Fernandes do Nascimento manifestado no Acórdão 310200.988, do qual extraio o seguinte excerto: "De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." Nesse mesmo sentido, vem se manifestando a jurisprudência de nossos tribunais, conforme se infere da seguinte ementa: MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11128.721220/201201 Acórdão n.º 3002000.643 S3C0T2 Fl. 194 9 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) Nessa esteira, a Súmula CARF nº 49 preceitua a não aplicabilidade da denúncia espontânea em casos análogos de cumprimento de obrigação acessória de forma extemporânea: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ademais, esclareçase que a recorrente alega que, com o advento da MP 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, o instituto da denúncia espontânea passou a alcançar as penalidades de natureza tributária e administrativa, caso em comento. Contudo, creio que a legislação supra não alterou o impedimento racional da aplicação do instituto da denúncia espontânea aos casos de cumprimento extemporâneo de obrigação acessória e alinho me ao entendimento do Douto Desembargador Rômulo Pizzolatti manifesto no voto condutor do Acórdão já mencionado: A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11128.721220/201201 Acórdão n.º 3002000.643 S3C0T2 Fl. 195 10 Por fim, manifestandose especificamente sobre o tema ora tratado, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros em seus julgamentos, conforme art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Como conseqüência do desenvolvimento lógicojurídico esposado ao longo do voto, considero inaplicável ao caso concreto o instituto da denúncia espontânea, pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 195DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.907949/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.691
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CESUSC COMPLEXO DE ENSINO SUPERIOR DE SANTA CATARINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito resultante de pagamento indevido ou a maior de PIS/Cofins. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, visto que estes já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando créditos disponíveis, conforme o DARF discriminado no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 07 94 9/ 20 09 -1 6 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.907949/200916 Resolução nº 3201001.691 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que efetuou pagamento a maior da contribuição, sendo que utilizou este crédito para compensação com débitos de outros tributos; b) que havia crédito original, na data da transmissão da DCOMP, em montante suficiente para efetivar a compensação declarada, acreditando que o despacho decisório tenha indeferido o pleito pelo fato da empresa ter se equivocado na DCTF original, onde teria informado valor da contribuição maior que o efetivamente devido; c) que retificou a DCTF corrigindo a informação (conforme documento em anexo), pelo que será possível identificar a existência do crédito e a validade do PER/DCOMP transmitido. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.684, de 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10983.904405/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10983.907949/200916 Resolução nº 3201001.691 S3C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.684): "Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente ao recolhimento a maior de tributos. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que após a apuração e recolhimento do tributo calculado, verificou que incorreu em erro no preenchimento de sua DCTF e DACON, acarretando em recolhimento a maior. Descreve os valores declarados e aqueles efetivamente devidos, visando a demonstrar o alegado recolhimento a maior. Esclarece que verificado o erro a partir da intimação do despacho decisório, providenciou a retificação da DCTF original. Foram anexadas à Manifestação de Inconformidade cópias das declarações mencionadas e do Razão Consolidado do Período A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a Manifestação apresentada ao argumento de que a posterior retificação da DCTF não tem o condão de validar o crédito postulado, uma vez que este deveria estar disponível ao contribuinte antes da apresentação do PER/DComp: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a DCOMP apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP e até mesmo posteriormente à emissão e intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa acrescenta à documentação as cópias do Termo de abertura e encerramento do livro diário e cópias do período em exame. Na hipótese dos autos, entendo não ter ocorrido não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que a Fiscalização, apegandose a aspectos formais relacionados às declarações prestadas pelo contribuinte, deixou de examinar as alegações de erro pelo contribuinte e a documentação pertinente apresentada. Discordo, contudo, do posicionamento adotado pela Autoridade Julgadora. A alegação de erro na prestação de informações pelo sujeito passivo pode e deve ser verificada no curso do processo administrativo fiscal, que, como é cediço, preza pela verdade material dos fatos. Erro não é fato gerador de obrigação tributária. Ainda que concorde ser inviável a retificação da DCTF após o despacho decisório, tal fato não impede a comprovação do erro em sede de procedimento administrativo de revisão do crédito tributário, como o presente. Por óbvio que a alegação de erro deve vir acompanhada da documentação pertinente, e isso se verifica na hipótese dos autos. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10983.907949/200916 Resolução nº 3201001.691 S3C2T1 Fl. 5 4 Quanto ao fato de ter sido juntada documentação adicional em sede de Recurso Voluntário, tenho que, na hipótese dos autos, tal circunstância não impede a sua apreciação. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Nesse contexto, em que o Despacho Decisório não esclarece os elementos necessários para sua contradição, e que os elementos exigidos pela decisão recorrida foram trazidos, ao menos aparentemente, no Recurso Voluntário, entendo que há abrigo na dialética processual, artigo 16 do Decreto 70.235/72 PAF, para consideração das provas trazidas, atento ao princípio da verdade material. Além disso, o Parecer Cosit 2/2015 orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Assim, e com base no artigo 291, combinado com artigo 16, §§4º e 6º2, do PAF, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos documentos apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respectivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário que visam à comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento." 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10983.907949/200916 Resolução nº 3201001.691 S3C2T1 Fl. 6 5 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação do equívoco que alega ter cometido. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado CONVERTEU O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte junto à Manifestação de Inconformidade e ao Recurso Voluntário, que visam comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720779/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SUMULA CARF Nº 122. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA), para efeito de exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDA A MESMA FINALIDADE.
Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA no prazo de seis meses após a entrega da DITR/2003.
Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentado Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta emitido pela Delegacia Estadual do IBDF.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO LAUDO TÉCNICO. NÃO SUBSTITUI O ADA.
O laudo técnico não supre a falta da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para excluir as áreas de preservação permanente da incidência da tributação do ITR.
Numero da decisão: 2202-005.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a glosa da área de 475,56 ha declarada como área de preservação permanente, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson. - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SUMULA CARF Nº 122. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA), para efeito de exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDA A MESMA FINALIDADE. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao IBAMA no prazo de seis meses após a entrega da DITR/2003. Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentado Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta emitido pela Delegacia Estadual do IBDF. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO LAUDO TÉCNICO. NÃO SUBSTITUI O ADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 79 /2 00 7- 22 Fl. 137DF CARF MF 2 O laudo técnico não supre a falta da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para excluir as áreas de preservação permanente da incidência da tributação do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a glosa da área de 475,56 ha declarada como área de preservação permanente, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 0418.897 proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS), a qual julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário correspondente ao Imposto Territorial Rural ITR, exercício 2003, acrescido da multa e dos juros de mora, totalizando o valor de R$ 67.780,07, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Areia Branca, com área total de 752,3 ha., NIRF 26796422, localizado no município de Mirim Doce/RS. (108/113 e 119/126). Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/CGE (fl. 109) mencionou o seguinte: Contra a interessada supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 04, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do exercício 2003, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 67.780,07, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Areia Branca, com área total de 752,3 ha., NIRF 26796422, localizado no município de Mirim Doce/RS. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou a área de preservação Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13971.720779/200722 Acórdão n.º 2202005.020 S2C2T2 Fl. 138 3 permanente e o VTN declarados na DITR/2003, o que justificou a glosa dessa área e a alteração do VTN para o valor apurado no laudo técnico apresentado em atendimento à intimação. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 05 a 55. Regulamente intimada do lançamento, a contribuinte apresentou Impugnação que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ/CGE (fls. 108/113). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da apreciação do caso em tela, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS julgou procedente o lançamento, conforme ementa a seguir transcrita (fls. 108): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas e cumprimento de exigências legais de entrega do ADA ao Ibama, no prazo previsto na legislação tributária, e de averbação da reserva legal junto ao Registro de Imóveis Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A DRJ/CGE analisou os documentos apresentados pela contribuinte e não os acatou, para efeito de exclusão da base de cálculo, entendendo que faltou apresentar tempestivamente o Ato Declaratório Ambiental ADA com as respectivas áreas declaradas, nos seguintes termos (fl. 112): Em razão da entrega intempestiva do ADA ao Ibama, não é possível afastar da tributação a área de preservação permanente declarada no Exercício em questão, assim como não é possível deferir pedido de retificação dos dados declarados, como pretendido pela interessada, para afastar da tributação área superior à declarada na DITR/2003 e no ADA de 2007. Destaquese, ainda, que não constou desse ADA informação sobre área de reserva legal e que a área pretendida a esse título é superior à averbada junto ao Registro de Imóveis. Do Recurso Voluntário Fl. 139DF CARF MF 4 A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ/CGE, em 23/11/2009, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 118) apresentou, em 15/12/2009, recurso voluntário (fls. 119/126). Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/CGE, alegando que não há necessidade do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para excluir da base de cálculo do ITR as áreas classificadas como Área de Preservação Permanente (APP) e como Área de Reserva Legal (ARL), para tanto, a contribuinte citou legislação correlata bem como ementas de decisões do STJ (fls. 124/125) e, em síntese, alegou que: É proprietária de um imóvel rural denominado Areia Branca com 752,3 hectares, no município de Mirim Doce e para efeito do cálculo do ITR, sempre foi considerado 500 hectares como área de preservação permanente. "Apesar de constar do Registro de Imóveis a existência de área de preservação permanente e de reserva legal, o cálculo do imposto foi realizado pela autoridade fazendária como se estas áreas inexistissem!!" "Para esclarecer definitivamente a área do imóvel, a requerente contratou o engenheiro Heiko Budag, inscrito no CREA/SC 63.9973 que constatou a seguinte distribuição das áreas do imóvel (conforme laudo em anexo): Do laudo realizado por profissional competente, constatase que, somadas as áreas de preservação permanente e de reserva legal, temse a área de 603,25 hectares, ou seja, ainda maior do que aquela declarada anteriormente!!" "Apresentada a impugnação ao auto de infração fiscal, a 1ª Turma da DRJ/CGE decidiu pela manutenção do crédito tributário exigido sob o fundamento de que "para a exclusão do área do incidência do ITR no exercício ora tratado, o contribuinte deveria protocolar o ADA no IBAMA, ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio, no prazo de até 6 (seis) meses contado, a partir do término do prazo fixado o para a entrega da declaração". "Contudo, como se demonstrará a seguir, para a exclusão do base de cálculo do ITR de área de preservação permanente, não há necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA (..)" Nas suas alegações argumentou ainda que: "por outro lado, cumpre referir que não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e conseqüente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do §7° do art. 10 da Lei n° 9393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes." Do Pedido Ao final, a recorrente requer (fl. 126): À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado e o lançamento de ITR do exercício de 2003 uma vez que desconsiderada a área não tributável de 603,25 hectares (área de preservação permanente e área de reserva legal) do imóvel de propriedade da requerente. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13971.720779/200722 Acórdão n.º 2202005.020 S2C2T2 Fl. 139 5 Documentos apresentados No curso da ação fiscal e quando da contestação do lançamento tributário, a contribuinte apresentou cópias de diversos documentos, destacando os seguintes: a) Certidão do imóvel com matrícula nº 13.012, referente ao livro nº 2 e à folha 01, emitida pelo Registro de Imóveis e Hipotecas da Comarca de Taió/SC com o registro da averbação da área de reserva legal (fls. 36/39 e 101/102); b) Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta celebrado com o IBDF em 18/05/1982 (fls. 54/55 e 103); c) Termo de Manutenção de Floresta Manejada celebrado com o IBAMA em 16/05/1990 (fls. 58/59 e 104); d) Laudo técnico emitido por profissional de engenharia com a descrição das áreas destinadas a preservação ambiental e a atividades de pastoreio (fls. 92/100); e) Recibo de entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) referente ao exercício de 2007, no qual declara área de 504,64 ha como área de preservação permanente, com data de entrega de 25/10/2007 (fl. 35). É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O deslinde da questão contida nos presentes autos exige que se decida sobre a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA, dentro do prazo legal, para efeito de exclusão da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR das áreas correspondentes à área de preservação permanente APP e à área de reserva legal ARL. O ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é um imposto de apuração anual e que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano, nos termos da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. No tocante à exclusão das áreas de preservação ambiental da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, cabe observar os requisitos estipulados para tal exoneração, previstos no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, com a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos Fl. 141DF CARF MF 6 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Assim, ao analisar a composição da base de cálculo para apuração do ITR nos termos do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir que podem ser excluídas da tributação as áreas protegidas e de interesse de proteção ambiental, como APP e ARL, quando atendidos os requisitos exigidos na referida lei. Dessa forma, notase que as áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal nos termos do art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e do art.. 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) da Lei nº 4.771/65, pelas limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal, podem ser excluídas da apuração do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do referido imposto. Por isso, para o deslinde da questão, fazse necessário estabelecer as diferenças, para o caso da desoneração do tributo, existentes entre área de preservação permanente APP e área de reserva legal ARL, uma vez que as referidas áreas impactam diretamente no cálculo do ITR, especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e a necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA, bem como se preencheram os requisitos legais e formais para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR. Área de Preservação Permanente APP De acordo com o artigo 2º da Lei nº 4.771/65, para que a área pleiteada se enquadrasse como área de preservação permanente, bastava apenas que estivesse localizada nos espaços definidos naquele artigo, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da mesma lei nº 4.771/65, para as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização. Todavia, para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos na Lei nº 4.771/65, a contribuinte deveria, obrigatoriamente, apresentar o ADA ao IBAMA dentro do prazo normativo, nos termos do parágrafo 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981 (com redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000). Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13971.720779/200722 Acórdão n.º 2202005.020 S2C2T2 Fl. 140 7 imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000). Do mesmo modo, o Decreto nº 4.382 de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, no inciso I, parágrafo 3º, art. 10, também tratou da obrigatoriedade de apresentar o ADA para efeito da exclusão da área tributável das áreas correspondentes à de preservação permanente. Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); (grifo não faz parte do original). No que tange ao Ato Declaratório Ambiental, o qual deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados ao ITR, podese afirmar que é um documento de cadastro junto ao IBAMA das áreas de interesse ambiental que integram o conjunto do imóvel rural e que possibilita ao Proprietário Rural reduzir o Imposto Territorial Rural – ITR, com a exclusão da área de Preservação Permanente APP da base tributária, efetivamente protegida e informada no Documento de Informação e Apuração DIAT/ ITR. À vista disso, entendo que a contribuinte não atendeu aos requisitos legais, quando deixou de apresentar o ADA, no prazo definido pelas normas regulamentares, para efeito de desoneração do ITR/2003, em relação a totalidade da área de preservação permanente APP declarada na DITR, pois, a entrega do ADA, para efeito da desoneração do ITR, é uma determinação legal , conforme § 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938/81 e inciso I, do parágrafo 3º, art. 10, do Decreto nº 4.382/2002. Além do mais, o fato de apresentar nos autos o recibo de entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) referente ao exercício de 2007, no qual declara área de 504,64 ha como área de preservação permanente, com data de entrega de 25/10/2007 (fl. 35), não se presta a atender ao que se exige para o exercício de 2003, porque foi entregue após o início da ação fiscal (fls. 82/83). Fl. 143DF CARF MF 8 Por outro lado, notase que com base nos documentos apresentados, cópia da certidão emitida pela Cartório de Registro de Imóveis (fls. 36/37 e 101/102) bem como no termo lavrado pelo órgão ambiental IBDF (fl. 103), foi possível verificar que houve duas averbações de área com interesse de preservação ambiental, gravadas na condição de preservação permanente, conforme dados extraídos para a Tabela 1. Ressalvando apenas que a área averbada no registro (AV213012) está em metros quadrados e foi convertida para hectares na proporção de 10.000 m2 para 1 ha. Tabela 1: Áreas averbadas preservação permanente Identificação Data averbação Área Ha Termo Autos AV113012 15/04/1996 29.08 0 folha 36 AV213012 15/04/1996 114,56 IBDF folha 36/37 103 Fonte: Certidão do Cartório do Registro de Imóveis (fls. 36/39 e 103) Das áreas gravadas como preservação permanente, percebese que a área de 114,56 ha averbada no registro AV213012, em 15/04/1996, teve como base o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta emitido pela Delegacia Estadual do IBDF em 18/05/1982 (fl. 103). Dessa forma, entendo que o Termo emitido pelo IBDF, atestando que no imóvel existe uma área de 114,56 ha, correspondente à preservação permanente, permite concluir que a contribuinte Otília Machado Poffo faz jus à exclusão de tal APP da base de cálculo do ITR, visto que o referido Termo emitido pelo IBDF é mais consistente do que o ADA, pois não se trata de mera informação, mas de reconhecimento efetivo da existência de 114,56 ha de APP. Neste aspecto, para corroborar o fundamento para tal decisão de reconhecer a área de 114,56 ha como preservação permanente, cabe citar o acórdão nº 920201.933 proferido pela 2ª turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, que assim se pronunciou: No caso em tela, apesar de não possuir esse documento específico, o sujeito passivo possui declaração de órgão ambiental, emitida muito antes do fato gerador, que atesta que o imóvel está inteiramente inserido em área de preservação permanente. Assim, há que se concluir que o documento apresentado é mais consistente do que aquele exigido pela lei, pois não se trata de mera informação para que o órgão ambiental verifique que o imóvel possui área de preservação permanente, mas de reconhecimento do fato pelo órgão. Nesse sentido, entendo que a exigência legal foi atendida por documento diferente do nela previsto, mas que cumpre de forma mais completa a intenção do legislador. Acrescentando ainda a ementa do referido Acórdão, a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO TEMPESTIVAMENTE. POSSIBILIDADE DE Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13971.720779/200722 Acórdão n.º 2202005.020 S2C2T2 Fl. 141 9 SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDE À MESMA FINALIDADE. Para ser possível a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentada declaração, expedida pelo Instituto Estadual de Florestas IEF antes do exercício fiscalizado, de que o imóvel estava totalmente abrangido em área de preservação permanente definida por decreto estadual, documento mais consistente do que aquele exigido pela lei, pois já traz o reconhecimento da área pelo órgão ambiental. Recurso Especial do Procurador Negado. Assim sendo, entendo que a contribuinte Otília Machado Poffo faz jus à exclusão da base de cálculo do ITR de 114,56 ha referente à área de preservação permanente, com base no Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta emitido pela Delegacia Estadual do IBDF em 18/05/1982 (fl. 103). Área de Reserva Legal ARL (Área de Utilização Limitada) No caso da Área de Reserva Legal (utilização limitada), para efeito de sua caracterização com o objetivo de desoneração do ITR, cabe observar o contido no §4º e no §8º do art. 16 da Lei nº 4.771/65, código florestal, que determina, além da exigência do interesse de proteção ambiental, os seguintes requisitos; a) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda b) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Dito isso, passouse a analisar os autos, com o objetivo de verificar a existência de Área de Reserva Legal, nos termos estabelecidos pela Lei nº 4.771/65. Assim, com base nos documentos apresentados, cópia da certidão emitida pela Cartório de Registro de Imóveis (fls. 37/38 e 101/102) bem como no termo lavrado pelo órgão ambiental IBAMA (fl. 104), foi possível verificar que houve uma averbação de área com interesse de preservação ambiental, na condição de utilização limitada, conforme dados extraídos para a Tabela 2. Tabela 2: Averbação de área para reserva legal Identificação data averbação Área Ha Termo Autos AV513012 15/04/1996 361,00 IBAMA folhas 37/38 e 104 Fonte: Certidão do Cartório do Registro de Imóveis (fls. 36/39 e 104) Da análise do registro que consta da averbação da citada certidão (fls. 37/38) realizada em conjunto com o Termo emitido pelo IBAMA (fl. 104), foi possível verificar a existência de uma área de 361,0 ha, gravada como de utilização limitada e que necessita de autorização do IBAMA para realização do manejo sustentado, como descrito na Tabela 2. No caso desta área de 361,0 ha averbada no registro (AV513012), gravada na condição de utilização limitada e que necessita de autorização do IBAMA para realização Fl. 145DF CARF MF 10 do manejo sustentado, entendo que se trata de reserva legal, pois foram preenchidos os requisitos definidos para tal caracterização, conforme entendimento esposado pelo disposto nos §2º e §8º do artigo 16 da Lei nº 4.771/65. Isto posto, percebese que no imóvel rural da contribuinte, no ano de 1996, antes do fato gerador do ITR/2003, já existia uma área de 361,0 ha averbada no registro de imóveis a título de reserva legal, mas que a DRJ/CGE manteve o lançamento exclusivamente em função da falta de apresentação do ADA. Todavia, de acordo com a Súmula CARF nº 122, o cumprimento dos requisitos formais da referida averbação da reserva legal supre a necessidade de apresentação tempestiva do ADA. SUMULA CARF Nº 122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual faltade apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Dessa forma, entendo que deve ser excluída da base de cálculo do ITR exercício de 2003, a área de 361,0 ha correspondente à reserva legal, tendo em vista que houve averbação no registro público de imóveis da respectiva área antes de ocorrência do fato gerador e também pelo que determina a Súmula CARF nº 122. Do Laudo Técnico A contribuinte argumentou que ao apresentar o laudo técnico comprovou a existência de reserva legal com área de 365,28 ha. (143,64 ha. de floresta nativareserva legal e 221,64 ha. de floresta nativa destinada a reserva legal) e de preservação permanente, enquadradas no art. 2º da Lei n.° 4.771/1965, com área de 237,97 ha., totalizando 603,25 ha. de áreas pleiteadas neste processo para exclusão da base de cálculo do ITR (fls 92/97). Entretanto, com base nos documentos apresentados nos autos (fls. 36/39 e 103/104) verificouse que foi comprovada a existência de uma área equivalente a 114,56 ha correspondente à preservação permanente e uma área de 361,0 ha correspondente à reserva legal, totalizando uma área total de 475,56 ha passível de exclusão da base tributável do ITR. Portanto, de acordo com os documentos acostados aos autos (fls. 36/39 e 103/104) bem como pela análise realizada neste voto, em relação a cada ponto da APP e da ARL, observo que da área requerida no laudo técnico, como passível de exclusão da base tributável do ITR, já foi acatada uma área total de 475,56 ha correspondente ao somatório da área de 361,0 ha referente à reserva legal e uma área de 114,56 ha referente à preservação permanente. Assim, no tocante a área de 127,69 ha remanescente (603,25 475,56 = 127,69), decorrente da diferença entre a área requerida no laudo técnico (603,25 ha) e a área confirmada nos documentos apresentados (475,56 ha), entendo que a contribuinte não faz jus à exclusão de tal área da base de cálculo do ITR, pois extrapolou a área declarada na DITR/2003 (área declarada e glosada 500,0 ha, fl. 04). Além disso, para efeito de comprovação da área remanescente de 127,69 ha, cabe observar que a apresentação apenas do laudo técnico não supre a entrega tempestiva do ADA, uma vez que, para efeito de exclusão da referida área remanescente de 127,69 ha (preservação permanente), a contribuinte obrigatoriamente deveria ter apresentado o ADA dentro do prazo normativo, conforme determina o parágrafo 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938 de 31 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13971.720779/200722 Acórdão n.º 2202005.020 S2C2T2 Fl. 142 11 de agosto de 1981 (com redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000), ou, se fosse o caso, poderia ter comprovado por meio de documento emitido por órgão ambiental oficial atestando a existência da respectiva área, como realmente fez para as outras áreas acatadas (fls. 103/104). Assim, não se acata o referido laudo para efeito de considerar a área de preservação permanente de 127,69 ha (603,25 475,56 = 127,69) como área passível de exclusão da base tributável do ITR/2003. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a glosa da área de 475,56 ha declarada como área de preservação permanente. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.940158/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.762
Decisão:
Resolvem os membros Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão do colegiado a quo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório para indeferir o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 15 8/ 20 11 -4 2 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.940158/201142 Resolução nº 3402001.762 S3C4T2 Fl. 3 2 Regularmente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, requerendo seja homologada a declaração de compensação em razão da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Em síntese, o Recurso Voluntário apresenta os seguintes argumentos: i) A Recorrente apurou crédito tributário de COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, apresentando PER/DCOMP para compensar débitos nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. ii) A compensação não foi homologada em razão de alegada inexistência de crédito, o que não está correto, uma vez que a Receita Federal pode averiguar a existência de "outras receitas/receitas financeiras" contabilizadas pela contribuinte, por meio das declarações apresentadas regularmente. iii) O crédito pleiteado de COFINS decorre da indevida inclusão das receitas financeiras na base de cálculo dessa contribuição. Apresentou planilha e documentos contábeis; iv) A ampliação da base de cálculo da COFINS conferida pela Lei nº 9.718/98 é inconstitucional, devendo ser garantido o direito do contribuinte recolher a referida contribuição nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, ou seja, incidente sobre o faturamento e não sobre a totalidade das receitas, sendo que a decisão proferida pelo STF no Recurso Extraordinário nº 585.235, na sistemática de repercussão geral, deve ser reproduzida pelo CARF no processo em epígrafe. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.760, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.940156/201153, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3402001.760): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso A Recorrente pede para que seja homologada a declaração de compensação em razão da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e a aplicação do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.940158/201142 Resolução nº 3402001.762 S3C4T2 Fl. 4 3 Para tanto, fundamenta pela repercussão geral conferida ao RE nº 585.235 do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. O despacho decisório (Rastreamento nº 015078664) de fls. 1 a 4 não homologou a compensação por considerar que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação daqueles informados no PER/DCOMP nº 33350.56231.050209.1.7.041073. Em Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 15 a Contribuinte havia esclarecido que o crédito tem por origem a declaração da inconstitucionalidade em referência, surgindo o crédito tributário oponível ao Fisco referente à COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 509,41 (quinhentos e nove reais e quarenta e um centavos), o qual foi utilizado no PER/DCOMP com atualização pela Taxa Selic, totalizando R$ 915,41 (novecentos e quinze reais e quarenta e um centavos). No acórdão recorrido, a DRJ/CTA reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos termos declarados em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do julgamento ao RE 585.235, porém concluiu pela falta de comprovação do crédito pleiteado, conforme abaixo transcrito: De acordo com o § 5º do artigo acima transcrito, em matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de julgamento, realizado nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, devem todas as unidades da Secretaria da Receita Federal, incluídas as Delegacias de Julgamento, após expressa manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), reproduzir o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito. No presente caso, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, manifestandose sobre o julgamento proferido pelo STF no RE 585.235, delimitou a matéria ali decidida nos seguintes termos: “O PIS/Cofins deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/Cofins as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira).” Apesar desse entendimento, o pedido não pode ser acatado. Isso porque não existem provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente aos recolhimentos confirmados. De fato, em sua manifestação a contribuinte, sem apresentar qualquer prova material, simplesmente afirma: (...) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.940158/201142 Resolução nº 3402001.762 S3C4T2 Fl. 5 4 Entretanto, essas informações, por si sós, não fazem prova do direito creditório alegado. Ora, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o valor que teria sido recolhido a maior, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem que o pagamento foi efetuado considerando as receitas financeiras. E essa comprovação deve ser feita, a princípio, com base na escrituração fiscal e contábil da empresa e/ou em documentos fiscais que reflitam tratarse de receitas que escapem à incidência da contribuição. Com efeito, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, apresentando comprovação que possa ao menos demonstrar o direito creditório perseguido. Da análise dos autos, constatase que a Recorrente instruiu o Recurso Voluntário com os documentos de fls. 62 a 68, referentes à planilhas, Declaração e Balancete de Verificação, bem como DARF recolhido e Consulta Comprot. Impera esclarecer que, não restando dúvidas quanto ao mérito do pedido (inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998), como ocorre neste caso e, demonstrado pela Contribuinte um indício de prova do direito creditório perseguido, cabe a conversão do julgamento em diligência para que sejam analisados os documentos apresentados com o Recurso Voluntário, possibilitando acurado levantamento que irá influenciar na decisão deste Colegiado. Com isso, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: i) Analise o PERD/COMP nº 33350.56231.050209.1.7.041073 com base nos documentos que instruíram o Recurso Voluntário, intimando a Recorrente para apresentar notas fiscais emitidas, escritas contábil e fiscal e outras comprovações que se fizerem necessárias para verificação da composição da base de cálculo adotada pela Contribuinte, aplicando a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos termos da decisão proferida em julgamento ao RE 585.235 pelo Supremo Tribunal Federal; ii) Elabore Relatório Conclusivo com a manifestação da fiscalização acerca do resultado da diligência, com a apuração dos valores devidos e os recolhidos, com a discriminação de eventual recolhimento a maior em razão do alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; iii) Proceda à intimação da Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.940158/201142 Resolução nº 3402001.762 S3C4T2 Fl. 6 5 Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: i) Analise o PERD/COMP com base nos documentos que instruíram o Recurso Voluntário, intimando a Recorrente para apresentar notas fiscais emitidas, escritas contábil e fiscal e outras comprovações que se fizerem necessárias para verificação da composição da base de cálculo adotada pela Contribuinte, aplicando a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos termos da decisão proferida em julgamento ao RE 585.235 pelo Supremo Tribunal Federal; ii) Elabore Relatório Conclusivo com a manifestação da fiscalização acerca do resultado da diligência, com a apuração dos valores devidos e os recolhidos, com a discriminação de eventual recolhimento a maior em razão do alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; iii) Proceda à intimação da Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902504/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador:31/12/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-006.240
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador:31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 25 04 /2 01 1- 18 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13502.902504/201118 Acórdão n.º 3402006.240 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, em razão do sistema da Receita Federal apurar que o pagamento em questão foi utilizado integralmente para quitar débitos. Tempestivamente, a manifestante alegou que, na data em destaque recolheu o IPI a maior, porém, ao tomar ciência do Despacho Denegatório constatou que não mais poderia retificar a respectiva DCTF, por ter sido ultrapassado o prazo de cinco anos. Diante disso requer a retificação de ofício, o reconhecimento do direito creditório e a homologação dos débitos que declarou. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14042.354, que firmou entendimento de que é ônus processual da interessada fazer prova dos fatos constitutivos de seu direito, o que não ocorreu no caso em apreço. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.237, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13502.902501/201184, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.237): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13502.902504/201118 Acórdão n.º 3402006.240 S3C4T2 Fl. 0 3 7. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado eletronicamente da decisão guerreada em 05 de julho de 2013 (sextafeira), o que seu deu pela ciência por decurso de prazo, já que o contribuinte não promoveu a abertura do email encaminhado em sua caixa postal. Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 08 (oito) de julho de 2013 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 06 (seis) de agosto de 2013 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto mediante postagem por correio efetuada em 07 (sete) de agosto de 2013 (quartafeira) (fl. 35), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto. Dispositivo 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000783/2002-46
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO RECURSAL.
DESCUMPRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
É de trinta dias o prazo para a apresentação de recurso voluntário das decisões de primeira instância administrativa.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2101-000.165
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA do SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo.
Matéria: IPI- ação fsical - auditoria de produção
Nome do relator: GUSTAVO KELLY ALENCAR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO RECURSAL. DESCUMPRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. É de trinta dias o prazo para a apresentação de recurso voluntário das decisões de primeira instância administrativa. Recurso não conhecido.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13973.000783/2002-46 Recurso n° 141.743 Voluntário Acórdão n° 2101-00.165 — 1" Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2009 Matéria IPI Recorrente KOHLBACH MOTORES LTDA. Recorrida DRJ EM RIBEIRÃO PRETO - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI - Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO RECURSAL. DESCUMPRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. É de trinta dias o prazo para a apresentação de recurso voluntário das decisões de primeira instância administrativa. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA / I a TURMA ORDINÁRIA do SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempesti . -N , , - -, • MARCOS C41•IDO / Presidente < /:-/--.1------i----e/GU A OSLL ALENCAR Relat o Processo n° 13973.000783/2002-46 S2-C ITI Acórdão n.° 2101-00.165 Fl.. 105 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Tereza Martinez López. Relatório Trata-se de pedido de compensação de débitos de IPI e IRRF, com créditos de IPI oriundos de ação judicial, autuado com o número 2000.72.01.003218-1. O contribuinte indica que a origem do crédito é o processo n. 13973.000353/2002-24, que na verdade é um processo que resultou da reunião de pedidos de compensação, sendo certo que a real origem do crédito é o processo n. 13973.000370/2001-81, cujo pedido foi indeferido, estando aguardando julgamento na DRJ em Porto Alegre/RS. A DRJ em Joinville/SC indefere o pedido dos presentes autos, consoante o despacho decisório proferido no processo gerador dos créditos, de n. 13973.000370/2001-81, onde se indeferiu a compensação pelo fato da ação judicial somente ter permitido a escrituração, na conta gráfica do IPI, dos créditos relativos às entradas desoneradas do tributo, não permitindo a compensação com outros tributos, e pelo fato da referida decisão judicial ainda não ter transitado em julgado. Assim, indeferido o pedido de restituição informado como origem do credito, descabe a homologação da compensação informada. É apresentada manifestação de inconformidade, onde se alega que mesmo que não haja reconhecimento judicial dos créditos as INs SRF 21/97 e 33/99 permitem a compensação, e que o artigo 170-A do CTN é inconstitucional. Por fim, afirma que os créditos encontram-se com a exigibilidade suspensa. Remetidos os autos à DRJ em Ribeirão Preto /SP é o indeferimento mantido, pelo fundamento de que é vedada a compensação à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. É apresentado recurso voluntário, onde se repisa os argumentos da manifestação de inconformidade anteriormente apresentada. É o Relatório. Voto Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator Verifico pelo AR de fls. 51 que a intimação da decisão recorrida se deu em 05/10/2006, quinta-feira, o que faz o trintídio legal para a interposição de Recurso esgotar-se em 04/10/2006, sábado, prorrogando seu dies ad quem para o próximo dia útil, 06/11/2006, segunda-feira. Outrossim, verifico às fls. 55 que o recurso foi apresentado em 07/11/2006, terça feira, o que o toma intempestivo. 2 Processo n° 13973.000783/2002-46 S2-CIT1 - Acórdão n.° 2101-00.165 Fl. 106 Assim, com fulcro no artigo 33 do Decreto 70.235/72, não conheço do recurso. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2009 1_\11j jG AV I19\, (-ALENCAR 3
score : 1.0
Numero do processo: 10580.731825/2013-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2011
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE.
Incabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, quando não estiver suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM GFIP. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. LANÇAMENTO FISCAL.
Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, não tendo havido a comprovação, pelo sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, da certeza e liquidez dos créditos por ele aí declarados, não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, pela fiscalização, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas em virtude deste procedimento do contribuinte.
RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (artigo 62 do RICARF) quando do trânsito em julgado das decisões, o que não se verificou até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014.
ALÍQUOTA RAT. DIFERENÇA.
A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), possui alíquota variável (1%, 2% ou 3%), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau e risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme classificação na tabela Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE, vigente à época dos fatos geradores.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. GRATIFICAÇÃO EVENTUAL E GRATIFICAÇÃO MOTORISTA.
As parcelas não integrantes do salário-de-contribuição estão disciplinadas em rol taxativo no § 9° do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de terço de férias e gratificações. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos.
CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE.
Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente volta-se a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é consequência da inadimplência do contribuinte.
MULTA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL.
Deve ser afastada a penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando ficar constatado que houve erro no enquadramento legal.
Numero da decisão: 2201-004.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso de ofício para, na parte provida, restabelecer a multa isolada de 150%. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares argüidas e no mérito por maioria em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão da multa por descumprimento de obrigação acessória CFL 38. Vencidas a conselheira (relatora) Débora Fófano e a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício - Redator Designado
(assinado digitalmente)
Débora Fófano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. Incabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, quando não estiver suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM GFIP. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. LANÇAMENTO FISCAL. Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, não tendo havido a comprovação, pelo sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, da certeza e liquidez dos créditos por ele aí declarados, não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, pela fiscalização, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas em virtude deste procedimento do contribuinte. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (artigo 62 do RICARF) quando do trânsito em julgado das decisões, o que não se verificou até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014. ALÍQUOTA RAT. DIFERENÇA. A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), possui alíquota variável (1%, 2% ou 3%), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau e risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme classificação na tabela Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE, vigente à época dos fatos geradores. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. GRATIFICAÇÃO EVENTUAL E GRATIFICAÇÃO MOTORISTA. As parcelas não integrantes do salário-de-contribuição estão disciplinadas em rol taxativo no § 9° do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de terço de férias e gratificações. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE. Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente volta-se a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é consequência da inadimplência do contribuinte. MULTA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. Deve ser afastada a penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando ficar constatado que houve erro no enquadramento legal.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. Incabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, quando não estiver suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM GFIP. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. LANÇAMENTO FISCAL. Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, não tendo havido a comprovação, pelo sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, da certeza e liquidez dos créditos por ele aí declarados, não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, pela fiscalização, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas em virtude deste procedimento do contribuinte. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 18 25 /2 01 3- 72 Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 672 2 contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (artigo 62 do RICARF) quando do trânsito em julgado das decisões, o que não se verificou até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014. ALÍQUOTA RAT. DIFERENÇA. A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), possui alíquota variável (1%, 2% ou 3%), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau e risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme classificação na tabela Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, vigente à época dos fatos geradores. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. GRATIFICAÇÃO EVENTUAL E GRATIFICAÇÃO MOTORISTA. As parcelas não integrantes do saláriodecontribuição estão disciplinadas em rol taxativo no § 9° do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social. Entendese por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de terço de férias e gratificações. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE. Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente voltase a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é consequência da inadimplência do contribuinte. MULTA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. Deve ser afastada a penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando ficar constatado que houve erro no enquadramento legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso de ofício para, na parte provida, restabelecer a multa isolada de 150%. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares argüidas e no mérito Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 673 3 por maioria em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão da multa por descumprimento de obrigação acessória CFL 38. Vencidas a conselheira (relatora) Débora Fófano e a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em Exercício Redator Designado (assinado digitalmente) Débora Fófano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório Cuidase de Recurso de Ofício (fl. 568) e Voluntário (fls. 592/631) interpostos contra decisão no Acórdão nº 1277.577 da 12ª da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (DRJ/RJO) de fls. 567/586, a qual julgou a impugnação procedente em parte com manutenção parcial do crédito tributário consolidado no presente processo administrativo, compreendendo os seguintes autos de infração: a) DEBCAD nº 51.051.2402, corresponde ao lançamento que agrega as contribuições previdenciárias da parte patronal, decorrentes das diferenças de alíquotas entre o RAT AJUSTADO e o valor declarado em GFIP, no período de 04/2010 a 13/2011, no valor original de R$ 1.442.563,72, acrescido de juros e multa de mora, a serem calculados na data do pagamento (fls. 02/08), que foi mantido integralmente; b) DEBCAD nº 51.051.2429 referente às glosas de compensações previdenciárias efetuadas indevidamente no período de 06/2010 a 08/2011, valor original de R$ 2.420.397,47, acrescido de juros e multa de mora, a serem calculados na data do pagamento (fls. 09/14), que foi mantido integralmente; c) DEBCAD nº 51.051.2437, correspondente à multa isolada no valor original de R$ 3.630.596,21 (fls. 15/18), que foi integralmente exonerado; e d) DEBCAD nº 51.051.2453, referente à multa pela falta apresentação de livros ou documentos relacionados às contribuições previdenciárias (CFL 38), no valor original de R$ 17.173,58 (fl. 19), que foi mantido. Do relatório fiscal (fls. 23/45) foram extraídos os seguintes pontos constantes no Acórdão elaborado pela 12ª Turma da DRJ/RJO (fls. 569/570): "(...) AI nº 51.051.2402 Diferença de SAT Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 674 4 2.1. foram utilizadas as alíquotas SAT de 3% na competência 04/2010 e 2% nas competências 05/2010 a 13/2011 sem a aplicação dos coeficientes FAP de 1,6353% e 1,8553% para os anos de 2010 e 2011, respectivamente, o que resultaria no RAT ajustado de 4,9059% e 5,5659%, conforme memória de cálculo do item “5.1” (fls. 33/34); AI nº 51.051.2429 Glosa de Compensação Indevida; 2.2. foram efetuadas compensações indevidas no período de 06/2010 a 08/2011, relativas às rubricas: aviso prévio indenizado, salário maternidade, primeiros 15 dias de afastamento do auxíliodoença e auxílio acidente de trabalho, férias, férias indenizadas e adicional de 1/3, todas retroativos aos últimos 10 anos; 2.3. a glosa ocorreu por ter a empresa efetuado as compensações antes do trânsito em julgado das sentenças proferidas nos processos judiciais por ela ajuizados, inobservando o disposto no art. 170A do CTN, por ter utilizado valores de períodos prescritos; e em razão da inexistência de importâncias a compensar; 2.4. a empresa também não forneceu à fiscalização o detalhamento das compensações efetuadas, conforme exigido através do TIPF, tendo disponibilizado apenas uma planilha cujos valores não coincidem com os valores compensados em GFIP, impossibilitando saber qual a competência inicial e final, qual a origem e composição das rubricas integrantes e que parte do saldo de uma rubrica ou competência foi transferida de um para outro período; 2.5. embora nas competências 09/2005 a 04/2010 a empresa tenha informado que existiam créditos a compensar, a planilha do item “4.4” do Relatório Fiscal (fls. 32) evidencia a inexistência de tais créditos, uma vez que os recolhimentos em GPS foram inferiores ao declarado em GFIP; AI nº 51.051.2453 – Código de Fundamentação Legal – CFL 38 2.6. o contribuinte foi autuado no CFL 38 por não ter apresentado, após formal intimação através do TIPF: i) cópia de todas as petições e decisões judiciais que autorizaram a compensação de créditos previdenciários; e ii) memória de cálculo detalhada das compensações de créditos previdenciários efetuadas no período de apuração, indicando a origem, os motivos e as datas dos fatos geradores e das compensações realizadas; (...)" Da Impugnação O Recorrente apresentou sua Impugnação em 10/01/2014 (fls. 467/513), cujo resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ, adotase, para compor parte do presente relatório (fls. 570/574): "(...) Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 675 5 Nulidade do TIPF 3.1. o TIPF foi recebido em 21/05/2012 e encerrado em 17/05/2012 (04 dias antes do seu próprio início), o que denota evidente fraude com o intuito de anulálo, justificando a reabertura de fiscalização já encerrada; 3.2. diante do fato acima, requer seja encaminhada cópia do TIPF para a Polícia Federal e Ministério Público para apuração de eventual crime; Ilegitimidade Passiva da Sócia Pessoa Física 3.3. conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária, a sócia Sra. Arlette Maron Magalhães foi arrolada como responsável solidária sem que tivesse havido qualquer das condutas do art. 135 do CTN; 3.4. a glosa de compensação decorre de mera divergência de interpretação da legislação tributária, não havendo conduta dolosa que enseje a aplicação do art. 135 do CTN; Revisão Desmotivada do Lançamento 3.5. foi intimada do TIPF em 21/05/2012 a apresentar esclarecimentos acerca das compensações declaradas em GFIP no período de 2010 a 2011 (doc. 04), tendose encerrado a fiscalização sem qualquer cobrança (doc. 05); ou seja, a DRF Salvador homologou a atividade do contribuinte de apurar e recolher antecipadamente o tributo, operandose o lançamento; 3.6. o encerramento do MPF sem a constituição do crédito tributário é a última etapa do procedimento de lançamento por homologação expressa; 3.7. a revisão de ofício do lançamento deve ser motivada por uma das hipóteses descritas no art. 149 do CTN; 3.8. não obstante, foi instaurado novo MPF (doc. 06), recebido em 31/10/2013, com o mesmo objeto do anterior, qual seja, obter informações das compensações do período de 2010 a 2011; 3.9. o Auditor não indicou no relatório fiscal o fundamento legal para a revisão do lançamento anterior, inquinando o Auto de Infração de vício material insanável, na medida em que desatendida a exigência do art. 50, VIII, da Lei 9.784/99; 3.10. ademais, o Auditor carece de competência funcional para revisar de ofício o lançamento sem a indicação do dispositivo legal autorizador da revisão, atraindo o disposto no art. 59 do PAF; Falta de Descrição dos Fundamentos do Lançamento 3.11. houve infringência aos arts. 12, II, e 39, III, do Decreto 7.574/11, uma vez que “as ponderações trazidas nos Autos de Infração (...) deixam de pormenorizar a relação descrevendo precisamente o fato que encetou a incidência dos débitos de contribuições sociais”; Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 676 6 3.12. de acordo com o parágrafo primeiro do art. 50 da Lei 9.784/99, a motivação é pressuposto de validade do ato administrativo; Falta de Identificação da Origem dos Créditos Compensados 3.13. o Auditor não identificou corretamente a origem do crédito tributário motivador da compensação; 3.14. o relatório fiscal diz que a compensação decorre das rubricas “aviso prévio indenizado, salário maternidade, primeiros 15 dias de afastamento anteriores à concessão de auxílio doença, férias, férias indenizadas e adicional de um terço de férias”, no entanto, os documentos apresentados no curso da ação fiscal mostram que se tratam, na verdade, das rubricas “terço constitucional de férias, gratificação eventual, gratificação motorista, bem como do RAT recolhido a maior após a correta análise da atividade preponderante; 3.15. a autoridade lançadora limitouse a examinar no sítio do TRF da 1ª Região a existência de diversas ações judiciais propostas pela empresa as quais nada têm a ver com as compensações efetuadas e, a partir daí, apurar a origem das rubricas compensadas; 3.16. a planilha do item “4.4” do relatório demonstra a conduta duvidosa do Auditor, pelos seguintes motivos: i) os valores nela apontados não foram objeto de autuação, quando poderiam ter sido caso fossem devidos; ii) tais números não foram identificados nos documentos entregues à fiscalização, uma vez que não foram objeto do TIPF, tendo sido identificados através dos sistemas da RFB (doc. 06); iii) os referidos valores foram devidamente quitados, razão pela qual aqueles referentes ao ano de 2010 não foram objeto de autuação; 3.17. a empresa possui certidão positiva com efeito de negativa válida, emitida pela RFB, referente a estas contribuições previdenciárias (doc. 11); 3.18 apesar de não ter sido autuada em relação aos valores da planilha do item “4.4” do relatório, esclarece que: i) os débitos do período de 09 a 13/2005 foram parcelados através da LDC nº 35.690.7600, com deferimento em 21/02/2006 (processo nº 60.333.6582), e quitados nas suas respectivas datas de vencimento; as supostas diferenças encontradas nas competências 01 a 04/2010 se referem a valores depositados em juízo (doc. 12); 3.19. sem qualquer respaldo legal o Auditor exigiu por meio do TIPF (doc. 06) a entrega das planilhas de compensação em formato excel; 3.20. não existindo determinação legal em contrário, a empresa pode manter os documentos no formato que achar mais conveniente e melhor atenda às suas políticas internas de segurança da informação e compliance, pelo que não há como alegar o não atendimento do TIPF por essa razão; Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 677 7 3.21. a desconsideração das informações sob a justificativa de ter sido apresentada planilha em formato “pdf” ao invés de “xls” é absurda e desmotivada; 3.22. todos os dados que comprovam a origem dos créditos compensados constam das planilhas entregues em formato “pdf”; Atividade Preponderante e Alíquota RAT 3.23. a partir do que preceitua a Súmula STJ nº 351, elaborou estudo acerca da aferição de sua atividade preponderante, levando em consideração a possibilidade de individualização por estabelecimento, concluindo que a atividade preponderante corresponde a de consultoria em gestão empresarial (CNAE 70204/00), classificada como de risco leve até final de 2009 (1%) e médio a partir de 2010 (2%), conforme Anexo V do RPS; 3.24. no entanto, o Auditor ignorou o enquadramento, e considerou como preponderante a atividade constante do cartão de CNPJ, cuja alíquota é de 3%, sem demonstrar a metodologia utilizada ou o eventual equívoco cometido pela empresa; 3.25. o Auditor omitiu os fundamentos que o levaram a entender que a empresa havia se equivocado na aplicação da alíquota SAT, utilizando apenas o trecho do relatório transcrito às fls. 491 para justificar sua decisão, o que cerceou o direito de defesa da empresa, impedindoa de contrapor os fundamentos do lançamento; 3.26. em nenhum momento a fiscalização questionou a atividade econômica preponderante da empresa, apesar desta ter lhe apresentado, independentemente de solicitação, os estudos realizados para definir sua condição (doc. 09); 3.27. em conformidade com a Súmula 351 do STJ e com o Parecer PGFN/CRJ 2120/11, a empresa passou a apurar a alíquota do RAT por estabelecimento com CNPJ, e não pela empresa como um todo (doc. 13); 3.28. a atividade preponderante não se identifica, necessariamente, com a atividade informada, por exemplo, no cartão do CNPJ, conforme Solução de Consulta nº 32, de 09 de abril de 2009; 3.29. o método utilizado pela empresa na apuração da alíquota RAT em nenhum momento foi refutado pela fiscalização, que negligenciou as informações prestadas; 3.30. ao aplicar o método, a empresa identificou que a atividade preponderante de seus estabelecimentos era a atividade do CNAE 7020.4/00 (atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica), de risco leve e alíquota de 2% (doc. 09); Decisão Judicial Suspensiva da Exigibilidade do FAP 3.31. encontrase amparado por decisão liminar, confirmada em sentença,que lhe assegura absterse da aplicação do índice FAP, nos termos do art. 151, incisos IV e V, do CTN (doc. 14); Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 678 8 3.32. o Auditor não solicitou informações sobre o FAP, restringindose a requerer cópias das ações judiciais que autorizavam a compensação, conforme informado no item “3.2” do relatório; Natureza das Rubricas Compensadas 3.33. a desoneração da gratificação eventual e da gratificação motorista são legais e se fundamentam no item “7” da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91; 3.34. a desoneração do terço constitucional de férias se justifica ante a figura da nãoincidência, porquanto se trata de um plus de caráter indenizatório, pago de forma eventual, e que não se destina a retribuir o trabalho prestado, citando precedentes do STF e STJ; 3.35. a 1ª Seção do STJ já consolidou entendimento, por meio de Recurso Repetitivo, de que essa rubrica não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, vinculando o CARF e todas as instâncias inferiores; 3.36. o crédito de RAT decorre da aplicação retroativa do reenquadramento da atividade preponderante da empresa, cuja alíquota correspondente passou de 3% para 1% entre 2005 e 2009 e 2% a partir de 2010; Inaplicabilidade do Art. 170A do CTN 3.37. o Auditor fundamentou a glosa com base no art. 170A do CTN, porém os créditos utilizados pela empresa não são objetos dos mandados de segurança identificados pela autoridade lançadora; 3.38. o crédito decorrente do ajuste do RAT corresponde a R$ 1.335.727,45, ou seja, 59,06% do total compensado, sendo que a empresa não ajuizou qualquer medida judicial para convalidar o procedimento; 3.39. os Mandados de Segurança nºs 02230118.2010.4.01.3300 e 02230203.2010.4.3300, discutem, respectivamente, a desoneração do 13º salário, adicional noturno e horas extras, sendo que os créditos decorrentes dessas rubricas não foram utilizados pela empresa, conforme item 3.V.a; 3.40. o Mandado de Segurança nº 2230385.2010.4.01.3300 discute a desoneração, dentre outras rubricas, do terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e quinze primeiros dias que antecedem o auxílio doença, no entanto, a identidade do objeto desse MS e os créditos utilizados na compensação não gera a incidência do art. 170A do CTN, uma vez que a ordem judicial não alcança o período do crédito utilizado, mas sim período anterior; 3.41. os primeiros cinco anos foram recuperados por compensação espontânea; e os últimos cinco anos, em razão da insegurança da tese dos “cinco mais cinco”, foram objeto da citada ação judicial, razão pela qual o art. 170A não atinge a totalidade da compensação (os cinco primeiros anos), mas apenas os créditos discutidos no MS; Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 679 9 Multa por Falsidade na Declaração 3.42. aplicouse a multa de 150% sem qualquer prova ou indício de materialidade do crime de sonegação; 3.43. não houve qualquer falsidade nas declarações transmitidas pela empresa, nem tampouco sonegação ou fraude, eis que ausente o elemento do dolo em suas ações; 3.44. houve tão somente divergência de interpretação entre o contribuinte e o Auditor; 3.45. nos assentamentos contábeis e documentos apresentados não há qualquer intenção de esconder os fatos; muito pelo contrário, todos os documentos solicitados foram entregues à fiscalização; 3.46. conforme jurisprudência pacífica da DRJ e do CARF, o dolo deve ser comprovado para que se aplique a multa agravada (acórdão nº 1260.359 da 10ª Turma da DRJRJ 1 e acórdão nº 110300.460 da 1ª Seção do CARF); 3.47. a multa deve ser reduzida para 75% do valor do principal; 3.48. é vedada a aplicação concomitante das multas de mora e de ofício, consoante decisões proferidas pelo CARF nos Recursos Voluntários nºs 157.478 e 118.707; Multa por Omissão na Entrega de Documentos 3.49. os documentos supostamente omitidos foram as cópias das petições e decisões judiciais que autorizavam a compensação e a correspondente memória de cálculo, detalhada em formato Excel, indicando a origem, os motivos e as datas dos fatos geradores e das compensações realizadas; 3.50. no entanto, consoante já exposto, as compensações não decorrem de decisões judiciais, pelo que não há qualquer peça processual a ser apresentada; e as planilhas com as memórias de cálculo foram disponibilizadas em formato “pdf”, não possuindo amparo legal a exigências das mesmas em formato “xls”, desde que o seu conteúdo atenda ao solicitado pela fiscalização; (...)" Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou parcialmente procedente a impugnação, conforme ementa abaixo (fls. 567/586): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2011 RESPONSABILIZAÇÃO DO SÓCIOADMINISTRADOR. ART. 135 DO CTN. A responsabilização pessoal do sócio da pessoa jurídica, com base no art.135 do CTN, se refere apenas às obrigações Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 680 10 tributárias resultantes dos atos ilícitos praticados e desde que estes sejam imputáveis ao terceiro responsável. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PLANILHA COM MEMÓRIA DE CÁLCULO. A falta de apresentação da planilha com a memória de cálculo das compensações efetuadas ao longo do período fiscalizado impossibilita a homologação por parte da autoridade fiscal do tributo apurado pelo sujeito passivo, legitimando a glosa dos valores compensados. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VERBAS EVENTUAIS E ABONOS. As verbas eventuais e os abonos somente não integrarão o salário de contribuição quando houver disposição expressa de lei nesse sentido. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. A imposição da multa isolada de 150% no caso de compensação indevida de contribuição previdenciária somente será cabível quando houver prova da falsidade na declaração e do dolo específico de suprimir ou reduzir o tributo devido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Do Recurso de Ofício Com o reconhecimento da improcedência e por conseguinte exoneração do lançamento no AI nº 51.051.2437, referente à multa isolada de 150% e a exclusão do pólo passivo da relação jurídica da sócia administradora ARLETTE MARON DE MAGALHÃES, houve a interposição de Recurso de Ofício. Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ em 20/07/2015, conforme despachos de fls. 589/590, apresentou o recurso voluntário de fls. 592/631, em 19/08/2015, pedindo seu provimento integral a fim de declarar totalmente insubsistente a cobrança das contribuições previdenciárias lançadas de ofício, consubstanciadas nas autuações remanescentes, extinguindo, assim, os Autos de Infração DEBCAD n° 51.051.2402, 51.051.2429 e 51.051.2453, com seu imediato cancelamento. Este recurso compôs lote sorteado para esta relatora em sessão pública. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Débora Fófano Relatora DO RECURSO DE OFÍCIO Preliminarmente, o recurso de ofício preenche as condições de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 681 11 Em virtude da exoneração total do crédito tributário constante da DEBCAD nº 51.051.2437, referente à multa isolada de 150% e exclusão do pólo passivo da relação jurídica a sócia administradora ARLETTE MARON DE MAGALHÃES, foi interposto recurso de ofício. Deste modo, analisarseá o fundamento do acórdão que culminou com a exoneração do crédito, qual seja, a improcedência da aplicação de multa isolada, diante da hipótese de nulidade absoluta, aliada à falta de comprovação pela autoridade lançadora, com provas robustas, da falsidade da declaração e o dolo específico por parte do agente. Responsabilização da Sócia Pessoa Física Em relação ao sujeito passivo solidário a fiscalização não demonstrou de forma clara e precisa a sua participação efetiva e dolosa no sentido de agir para a prática das condutas elencadas no relatório fiscal (fl. 43) e no Termo de Sujeição Passiva Solidária (fl. 263/267) em relação à Seguridade Social. Deveria a autoridade fiscal efetuar o lançamento da solidariedade passiva com base no artigo 124 do CTN relacionando uma das situações de seus incisos I ou II e combinado com o artigo 135, III do CTN, comprovar a situação ali especificada. Contudo a autoridade fiscal deixou de fundamentar a responsabilidade solidária fazendo apenas em relação ao artigo 135 do CTN que trata da responsabilidade pessoal de terceiros. Mesmo que assim fosse, a situação elencada no inciso III do artigo 135 do CTN "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos", não restou devidamente comprovada pela fiscalização. Isto posto, não merece reparo a decisão recorrida neste aspecto. Da Multa Isolada Na decisão recorrida, o juízo a quo decidiu pelo cancelamento da multa isolada sob os seguintes argumentos: i) a fundamentação do lançamento foi feita de forma genérica, limitandose a autoridade lançadora a reproduzir dispositivos legais que embasam a penalidade; ii) a falta de motivação do lançamento impossibilitando o direito de defesa pelo contribuinte; e iii) a alegação de que existe forte jurisprudência no CARF no sentido de que a imposição da multa isolada de 150% não poderá se ancorar na simples ilegitimidade do procedimento compensatório, sendo necessário que se configure o dolo específico por parte do agente em suprimir ou reduzir o valor da contribuição previdenciária devida mediante a inclusão de informações falsas em GFIP. Por fim concluiu o voto do seguinte modo (fl. 585): "(...) Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 682 12 58. Muito embora a falta de motivação conduza à nulidade do ato administrativo, entendo que, no mérito, o lançamento também não se sustenta pelos motivos acima, motivo pelo qual há de se aplicar no caso sob exame o disposto no § 3º do art. 59 do Decreto 70.235/72, a seguir transcrito: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)" Nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa, uma vez que o contribuinte foi cientificado regularmente do feito e, segundo prevê a legislação relativa ao processo administrativofiscal, conseguiu apresentar com precisão todos os argumentos de sua defesa. Ante o exposto, enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível a pretendida nulidade, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Consta no relatório fiscal que o contribuinte interpôs diversas ações judiciais visando obter a não tributação e respectiva compensação das contribuições previdenciárias incidentes sobre diversos fatos geradores (fls. 29/30): "(...) II – DOS PROCESSOS JUDICIAIS 2.1. O contribuinte ingressou com diversas medidas judiciais visando obter a não tributação e respectiva compensação das contribuições previdenciárias incidentes sobre diversos fatos geradores, conforma (sic) abaixo resumido: a) Processo 002230118.2010.4.01.3300 – Mandado de Segurança Requereram os Impetrantes a concessão de medida liminar para eximirse das contribuições previdenciárias incidentes sobre o 13º salário, assim como da extensão do prazo de prescrição para 10 (dez) anos. O pedido de liminar foi indeferido e mesmo após a interposição de agravo de instrumento e recurso de apelação os pedidos foram julgados improcedentes – sendo considerado constitucional o prazo prescricional de 5 (cinco) anos e a gratificação natalina considerada como integrante da folha de salários, sujeitandose, portanto, à incidência de contribuição previdenciária – conforme acórdão datado de 14 de setembro de 2012 da Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso da Oitava Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. b) Processo 002230203.2010.4.01.3300 – Mandado de Segurança Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 683 13 Requereram os Impetrantes a concessão de medida liminar objetivando o reconhecimento da não incidência da contribuição previdenciária do empregador sobre os valores creditados ao empregado a título de adicional por trabalho noturno e por horas extras, autorizando a compensação de todos os valores recolhidos a maior nos últimos 10 (dez) anos com tributos vincendos, pedindo ainda que fosse determinado a suspensão da exigibilidade do crédito tributário eventualmente lançado por conta destas exclusões e que a autoridade coatora se abstivesse de praticar qualquer ato direcionado a sua cobrança. Estes mesmos pleitos foram requeridos no Mandado de Segurança nº 2243982.2010 que foi indeferido e a ação julgada extinta sem julgamento do mérito, diante da inadequação da via utilizada, sendo, entretanto, por parte dos Impetrantes, objeto de Apelação, a qual, após o seu prosseguimento normal, teve ao final o pedido de liminar, após a análise do mérito, sido indeferido. Foi interposto agravo de instrumento contra a decisão denegatória da medida liminar, sendo, todavia, mantida a decisão. Em sentença datada de 26 de fevereiro de 2012 – e que consta erradamente do texto assinado pela Juíza Federal Titular da 6ª Vara Federal da Justiça Federal de 1ª Instância da Bahia, Dra. Rosana Noya Alves Welbel Kaufmann, como sendo 26 de fevereiro de 2016 – a prescrição acatada como válida foi de 5 (cinco) anos e o mérito – não incidência de contribuições previdenciárias sobre horas extras e adicional noturno – foi considerado improcedente e denegada a segurança com a conseqüente extinção do processo, com o julgamento do mérito. c) Processo 2230385.2010.4.01.3300 – Mandado de Segurança Requereram os Impetrantes a concessão de medida liminar objetivando o reconhecimento da não incidência da contribuição previdenciária do empregador sobre os valores creditados ao empregado a título de aviso prévio indenizado, salário maternidade, auxíliodoença, férias, férias indenizadas e adicional de 1/3, autorizando a compensação de todos os valores recolhidos a maior nos últimos 10 (dez) anos com tributos vincendos, tendo sido deferida, em parte, a liminar. Desta decisão foram interpostos agravos de instrumento pelos Impetrantes e Impetrado. Foi negado provimento ao agravo de instrumento dos Impetrantes e o Ministério Público Federal informou que não se manifestaria sobre o objeto da ação, por estar ausente o interesse público que assim o justificasse. Quanto às férias indenizadas – de acordo com o art. 28, § 9º, “d” e “e”, “6” da Lei nº 8.212/91, não integram o salário de contribuição às importâncias recebidas a título de férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional, assim como aquelas recebidas a título de abono de férias, na forma dos artigos 143 e 144 da CLT a Magistrada informou que “não se justifica o pedido formulado na inicial, uma vez que não foi comprovado que o impetrado, contrariando o referido dispositivo legal, vem cobrando a contribuição previdenciária sobre as referidas verbas.” Em sentença datada de 30 de abril de 2012, a Juíza Federal da 1ª Vara/BA, Dra. Arali Maciel Duarte, determinou: “revogo a decisão de fls. 125/128 e CONCEDO EM PARTE A Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 684 14 SEGURANÇA, declarando: 1) o direito das impetrantes de não recolherem a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos seus empregados durante os quinze primeiros dias do auxíliodoença ou do auxílioacidente e sobre o adicional de 1/3 de férias (o normal, ou seja, o referente às férias gozadas); 2) o direito da impetrante de proceder a compensação dos valores recolhidos indevidamente com os seus débitos vencidos e/ou vincendos de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive as contribuições previdenciárias, após o trânsito em julgado desta sentença, em razão do disposto no art. 170A do CTN, observando a prescrição decenal até a data em que entrou em vigor a Lei Complementar nº 118/2005 (09.06.2005) e a prescrição qüinqüenal para os recolhimentos efetivados após a referida vigência. Em face do que foi acima decidido, determino: a) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, IV, do CTN, em relação à contribuição previdenciária incidente sobre as parcelas indicadas no item 1 do dispositivo desta sentença; b) que o impetrado se abstenha de exigir da impetrante o pagamento da referida contribuição.”(destacamos) Desta sentença foram interpostos recursos de Apelação ao Tribunal Regional Federal (TRF) por ambas as partes, os quais ainda não foram julgados. Assim sendo, ainda não ocorreu o trânsito em julgado deste processo. 2.2 A compensação das contribuições previdenciárias efetuadas pelo contribuinte foram glosadas pela RFB por não ter sido observado o disposto na sentença judicial em relação ao Art. 170A do CTN, ou seja, as compensações só poderiam ser feitas após o trânsito em julgado da sentença, o que, efetivamente, não havia ocorrido na época das compensações. Assim dispõe o dispositivo legal citado: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (destaques no original) 2.3. Além da não observância, pela empresa, do trânsito em julgado da decisão judicial, o contribuinte efetuou compensações utilizando valores inclusive de períodos prescritos ou de inexistência de importâncias a compensar, conforme explicitado nos itens subsequentes e constantes das planilhas fornecidas pela empresa. Além do mais, o contribuinte, mesmo intimado a prestar as informações necessárias, corretas e pertinentes não as forneceu no prazo legal – e nem fora dele – de tal forma que, pela análise realizada, concluise que todos os valores compensados no período de junho/2010 a agosto/2011, são indevidos e por este motivo foram glosados pela RFB, com a aplicação das penalidades legais cabíveis.(grifos nossos) (...)" Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 685 15 A decisão judicial reconhece que o artigo 170A do CTN é aplicável ao caso da autuada, ou seja, somente seria possível efetuar compensações após o trânsito em julgado da ação, o que não ocorreu até hoje tendo em conta a suspensão/ sobrestamento do processo por decisão do Tribunal Superior Repercussão Geral (STF). Assim, o contribuinte somente poderia valerse do instituto da compensação de tais valores após a conclusão dos mesmos serem indevidos. Na dicção do § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991, com alterações pela Lei nº 11.941, de 2009, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, ele estará sujeito à multa de 150% (vide abaixo): "Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)." O legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem mencionar a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. No caso concreto o contribuinte descumpriu a decisão judicial ao proceder compensação sobre valores de contribuições objeto de ação judicial ainda não transitada em julgado, indicando tal conduta em nítida falsidade de declaração ao informar na GFIP crédito na verdade inexistente, resultando na conseqüente diminuição da contribuição devida. Notese que a aplicação da multa isolada não foi fundamentada apenas na compensação de valores questionáveis em juízo, mas especialmente na ausência de comprovação do efetivo recolhimento indevido, uma vez que, segundo descrito no relatório fiscal, o contribuinte efetuou compensações utilizando valores de períodos prescritos ou de inexistência de importâncias a compensar. À vista do exposto, deve ser dado provimento ao Recurso de Ofício neste ponto. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões pela qual deve ser conhecido. Os pontos atacados são os seguintes: Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 686 16 I. Preliminares: Nulidades Material e Formal a) Reabertura desmotivada de fiscalização encerrada (fls. 595/599) e b) Ausência de descrição dos fatos e fundamentos que justificaram os lançamentos (fls. 599/609): II. Mérito a) Ilegalidade do Lançamento (fls. 609/628); b) Impossibilidade de Cobrança Concomitante da Multa de Mora e da Multa de Ofício (fls. 628/629); e c) Da Inaplicabilidade da Multa por Omissão na Entrega de Documentos (fls. 629/630). Desta forma, analisarseá os argumentos do Recorrente em cada um dos fundamentos acima aduzidos. Preliminares: a) Reabertura Desmotivada de Fiscalização Encerrada Na época dos fatos, vigia no âmbito da Receita Federal do Brasil a Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 20111, que em seus artigos 2º e 3º estabeleciam os conceitos em relação aos procedimento fiscal de fiscalização e de diligência: "CAPÍTULO I DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Art. 2º Os procedimentos fiscais no âmbito da RFB serão instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e deverão ser executados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, observada a emissão de: I Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; e II Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD), para realização de diligência. Art. 3º Para fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; e II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, 1 Dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 687 17 inclusive para atender exigência de instrução processual. (grifos nossos) Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração, a notificação de lançamento ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive por meio digital." Deste modo, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD) nº 05.1.01.002012003781, emitido em 15/05/2012, com a descrição sumária de verificação de compensação/restituição previdência (fl. 552), o auditor responsável pelo procedimento mediante solicitação formalizada no Termo de Início de Procedimento Fiscal, lavrado em 18/05/2012, solicitou: a) esclarecimentos por escrito e documentos comprobatórios da origem dos valores compensados pela empresa relativos as contribuições previdenciárias do período de apuração de 01/2010 a 12/2011; e, b) contrato social e dados dos sócios, administradores e contadores (fls. 545/546). O procedimento de diligência foi encerrado após o atendimento, conforme relatado pelo contribuinte e informação constante no referido MPFD. Por sua vez, o procedimento de fiscalização teve início somente em 31/10/2013, com a lavratura e ciência ao contribuinte do Termo de Início de Procedimento Fiscal referente ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) nº 05.1.01.00 201300940 (fls. 554/555). Assim sendo, por se tratarem de procedimentos distintos (diligência e fiscalização) não há como acolher as alegações do Recorrente. b) Ausência de Descrição dos Fatos e Fundamentos que Justificaram os Lançamentos Conforme já relatado anteriormente, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela não há que se falar em preterição do direito de defesa, uma vez que ao contribuinte regularmente cientificado do feito, conseguiu apresentar com precisão todos os argumentos de sua defesa, sendo incabível a pretendida nulidade, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Assim sendo, não se identifica cerceamento no direito de defesa, dado que os argumentos e documentos de prova estão sendo reexaminados, suprindo dessa forma, eventual omissão da 1ª instância de julgamento. Mérito No tocante ao mérito, o Recorrente invoca os seguintes pontos: a) Ilegalidade do Lançamento Neste ponto foram apresentados praticamente os mesmos argumentos da impugnação, aduzindo que o Auditor Fiscal não observou com exatidão as seguintes premissas: Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 688 18 i) A existência de decisão judicial que autoriza a Recorrente a absterse de aplicar o índice de FAP; ii) Estudo realizado pela Recorrente para aferir a sua atividade preponderante nos termos do que impõe a Súmula nº 351 do STJ, de modo a individualizála por estabelecimento, e iii) A real origem dos créditos tributários compensados pelo Recorrente. Isto posto, analisarseá as justificativas do contribuinte em cada um dos fundamentos acima aduzidos. De acordo com relatório fiscal (fls. 23/24): "(...) a origem aos lançamentos fiscais se referem às contribuições previdenciárias decorrentes de diferenças de alíquotas de Risco Ambiental do Trabalho (RAT AJUSTADO) no período de 04/2010 a 13/2011, bem como compensações efetuadas indevidamente pelo contribuinte no período de 06/2010 a 08/2011, relativas aos seguintes fatos geradores: aviso prévio indenizado, salário maternidade, primeiros 15 (quinze) dias de afastamento do auxíliodoença e auxilio acidente do trabalho, férias, férias indenizadas e adicional de 1/3 e todos retroativos aos últimos 10 (dez) anos. 1.2. As diferenças de RAT decorreram do fato do contribuinte ter utilizado a alíquota do RAT de 3% (três por cento) na competência 04/2010 e 2% nas competências 05/2010 a 13/2011, sem aplicar o Fundo Acidentário de Prevenção (FAP) que era de 1,6353% e 1,8553%, respectivamente, nos anos de 2010 e 2011, que resultaria no RAT AJUSTADO de 4,9059% e 5,5659%, nesta mesma ordem, nos anos referidos. 1.3. As compensações declaradas em GFIP foram efetuadas pelo sujeito passivo com base em ações judiciais impetradas visando a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os fatos geradores mencionados no item 1.1. e resumidas em item específico adiante. (...)" Em relação à infração constante da DEBCAD nº 51.051.2402, referente à aplicação do RAT e FAP, o Recorrente alega que foi adotada a alíquota básica de SAT de 3% e não de 2% informada na GFIP. O acórdão recorrido apenas ratificou a alíquota de SAT declarada em GFIP, afirmando que "as diferenças de RAT decorreram exclusivamente da falta de aplicação do FAP". Ocorre que se a autuação estivesse levando em conta apenas a diferença de FAP o valor do principal a ser lançado seria de R$ 690.248,35, conforme demonstrado tabela de fl. 612. Em que pese as alegações do Recorrente, na Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas), do Anexo V do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 19992, com 2 Aprova o regulamento da Previdência Social, e dá outras providências. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 689 19 redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009, consta para as Atividades de televisão aberta, CNAE 60217/00, a alíquota de 3%. Como informado e demonstrado no quadro de fls. 33/34 do relatório fiscal, o contribuinte utilizou a alíquota SAT de 2% nos meses de 05/2010 a 13/2011, quando a correta para a sua atividade era de 3%. Assim sendo, a "DIFERENÇA NÃO DECLARADA EM GFIP" apontada no referido quadro (meses de 05/2010 a 13/2011) corresponde ao valor de 1% na alíquota do SAT, acrescida do FAP de 1,6353 para os meses de 05/2010 a 13/2010 e de 1,8553 a partir de 01/2011 até 13/2011. No mês 04/2010 a diferença apontada corresponde somente ao FAP 1,6353. Quanto ao argumento de que se encontrava amparado por decisão judicial suspensiva da exigibilidade do FAP, o pedido liminar requerido pela empresa, nesse particular, foi indeferido pelo Juízo da 12ª Vara Federal da Bahia em razão da ausência do periculum in mora (item 9 da referida decisão de fl. 461). No tocante às compensações previdenciárias foram glosadas as realizadas pelo Recorrente entre 01/2010 e 12/2011, fundamentado na: i) indisponibilidade dos créditos, porque objetos de ações judiciais sem sentença transitada em julgado; ii) inexistência dos créditos, porque não demonstrados pelo Recorrente: e iii) utilização de créditos prescritos. No relatório fiscal (fls. 27/28) foi informado que o contribuinte ingressou com diversas medidas judiciais visando obter a não tributação e respectiva compensação das contribuições previdenciárias incidentes sobre diversos fatos geradores. Dos três mandados de segurança impetrados pela empresa, somente no processo nº 2230385.1010.4.01.3300 o contribuinte obteve decisão favorável em relação ao aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias, tendo o juiz condicionado a compensação à observância do artigo 170 A do CTN. O Recorrente alega que a origem e existência dos créditos utilizados nas compensações não se sustentam em ações judiciais mas na identificação de pagamentos a maior de contribuições previdenciárias no período compreendido entre 08/2005 a 06/2010. Neste período pagou contribuições previdenciárias sobre o 1/3 constitucional de férias, gratificação eventual e gratificação motorista e contribuição para o RAT com alíquota de 3%, inobstante sua atividade preponderante indicar até dezembro de 2009, alíquota de 1% e a partir de janeiro de 2010, alíquota de 2%. Juntou ao presente, planilha com o cotejo entre o crédito apurado e os valores compensados em GFIP (fls. 650/654). Importante ressaltar que não há qualquer tese definitiva (transitada em julgado) firmada pelo STJ ou STF em sede de recursos repetitivos ou repercussão geral, respectivamente, sobre o tema envolvendo a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias, valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento por motivo de doença e aviso prévio indenizado foram, de fato, decididos pelo STJ através do REsp 1230957/RS. Contudo, tal decisão encontrase suspensa por decisão da VicePresidência do STJ em razão do Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida (RE 593068 e RE 565.160/SC). Quanto ao saláriomaternidade e saláriopaternidade decidiuse pela incidência da contribuição previdenciária. Neste sentido, orientação consubstanciada na Nota PGFN/CRJ nº 640/2014, a seguir transcrita: "(...) II Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 690 20 Quinze primeiros dias de afastamento do trabalho do segurado anteriores ao auxíliodoença: 8. O STJ entendeu que não haveria incidência de contribuição previdenciária no período dos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho do segurado anteriores ao auxílio doença. Conforme se depreende do voto do Ministro Mauro Campbell, relator do RESP nº 1.230.957/RS, entendeuse que, não obstante, nesse período, haja pagamento pelo empregador, a importância não se destinaria a remunerar o trabalho e, dessa forma, não se enquadraria na hipótese de incidência da exação, a qual exige que se trate de verba de natureza remuneratória. 9. Em relação a este ponto, não se irá incluir o tema em lista de dispensa de contestar e recorrer, uma vez que ainda não está definida, no âmbito do STF, a questão da repercussão geral da matéria. Com efeito, o Plenário Virtual da Corte, no Recurso Extraordinário (RE) nº 611.505/SC, da relatoria do Ministro Ayres Britto, teria rejeitado a repercussão geral da matéria, considerando que ela estaria restrita à análise de norma infraconstitucional. Ocorre que a União (Fazenda Nacional), nos autos do referido recurso, manifestou sua irresignação em face de tal decisão, ante o fato de não ter sido atingido, no julgamento do leading case apontado, o quorum constitucional previsto no art. 102, §3º, da Constituição Federal, de 08 (oito) Ministros exigido para se decretar a inexistência de repercussão geral de temas constitucionais. 10. Assim, em que pese o STJ, no Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado na forma do art. 543C do CPC, tenha assentado que não haveria incidência de contribuição previdenciária sobre o afastamento dos quinze primeiros dias, por considerar que se trataria de verba de natureza indenizatória, não é possível a inclusão da matéria na lista prevista no inciso V do art. 1º da Portaria PGFN nº 294/2010. III Aviso Prévio Indenizado 11. De acordo com o STJ, no RESP nº 1.230.957/RS, ao aviso prévio indenizado não seria possível conferir caráter remuneratório, porque consistiria em meio de reparação de um dano e não para retribuição do trabalho. Todavia, pende, no STF, o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 565.160/SC, com repercussão geral reconhecida, cuja decisão poderá reverter o entendimento do STJ. 12. Isso porque, no referido recurso extraordinário, é possível que se aborde a questão da natureza do saláriodecontribuição, na discussão do alcance da expressão folha de salários contida no art. 195, I, da CF/88, considerado o instituto abrangente da remuneração e, a depender das conclusões de tal julgado, pode se superar o entendimento do STJ. Salientase, inclusive, que a alegação da União (Fazenda Nacional), no RESP 1.230.957/RS, envolvia o conceito do saláriodecontribuição, com base no instituto da remuneração e da previsão contida no art. 201, §º 11 da Constituição Federal. 13. É relevante, ainda, mencionar que Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 691 21 eventual decisão no RE nº 593.068/SC, também com repercussão geral reconhecida, embora verse sobre a incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração de servidores públicos vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), também pode ter impacto na decisão do STJ acerca do aviso prévio indenizado. Constatamse, inclusive, decisões do STF no sentido ora afirmado. 14. Nesse contexto, não é possível a inclusão da matéria na lista prevista no inciso V do art. 1º da Portaria PGFN nº 294/2010. IV Terço constitucional de férias 15. Ainda no RESP nº 1.230.957/RS, o STJ decidiu pela não incidência de contribuição previdenciária quanto ao adicional de um terço referido às férias indenizadas, bem como no caso das férias gozadas. Em relação às férias indenizadas, não há a exação, com base no art. 28, §9º, “d”, da Lei nº 8.212/91; já quanto às férias gozadas, o STJ, partindo da premissa de que o STF teria firmado a orientação de que o terço constitucional de férias possuiria natureza compensatória/indenizatória, a partir de precedentes do STF que se referiam a servidores sujeitos ao Regime Próprio dos Servidores Públicos (RPPS), não haveria ganho habitual a ensejar a tributação. 16. A Corte Superior considerou, assim, que a importância paga a título de terço constitucional de férias gozadas não se destina a retribuir serviços prestados, tampouco configura tempo à disposição do empregador, de modo que não se enquadraria no disposto no art. 22, I, “d” da Lei nº 8.212/1991, nem se amoldaria no conceito de saláriodecontribuição do empregado previsto no art. 28, I, da Lei nº 8212/1991. 17. Todavia, como o entendimento do STJ, em relação à contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias dos empregados, derivaria de orientação do STF relativamente à exação sobre o terço constitucional de férias dos servidores públicos e, tendo em vista que o RE nº 593.068 teve sua repercussão geral reconhecida, justamente para tratar dessa questão, verificase que a matéria ainda não está pacificada, de maneira que também não é possível a inclusão do tema na lista prevista no inciso V do art. 1º da Portaria PGFN nº 294/2010. (...)" Em virtude do exposto, por tais decisões não possuírem o caráter da definitividade, tendo em vista que ainda não se operou o trânsito em julgado, os eventuais recolhimentos de contribuições incidentes sobre o aviso prévio indenizado, salário maternidade, terço constitucional de férias e quinze primeiros dias que antecedem o auxílio doença não podem ser considerados indevidos, pois não estão revestidos de liquidez e certeza. Somente as férias indenizadas vencidas, simples, em dobro ou proporcionais, pagas na rescisão (remuneração + adicional de 1/3) não têm incidência da contribuição previdenciária. Apesar do Recorrente alegar ser isenta a gratificação eventual e gratificação motorista amparada no item 7, alínea "a", § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212, de 1991, também Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 692 22 afirma que tal gratificação não é paga aos motoristas do Recorrente, mas aos colaboradores que assumem eventualmente esse ofício. Não resta dúvida o caráter contraprestacional de tais verbas, se amoldando ao conceito de salário de contribuição previsto no artigo 28, inciso I da Lei nº 8.212, de 1991: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...)" Insurgese o Recorrente alegando serem legitimas as compensações que abarcaram os créditos consubstanciados com RAT/SAT recolhidos com alíquota de 3% quando a atividade preponderante indicar até dezembro de 2009, alíquota de 1% e a partir de janeiro de 2010, alíquota de 2%. Inicialmente merece deixar registrado que são os seguintes os dispositivos legais e normativos que regem a matéria: artigo 22, inciso II da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com redação dada pela Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998; artigo 202, parágrafos 1º ao 6º e artigo 202A (acrescentado pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro 2007, com redação do Decreto nº 6.957, de 09 de setembro 2009) do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999; artigos 2º e 4º do Decreto nº 6.957, de 09 de setembro de 2009; artigo 72 da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, com alterações posteriores; Ato Declaratório PGFN nº 11, de 2011; Solução de Consulta Interna Cosit nº 1, de 2014 e Solução de Consulta nº 49 Cosit de 19 de fevereiro de 2014. Conforme já informado anteriormente na Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas), do Anexo V do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 19993, com redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009, consta para as Atividades de televisão aberta, CNAE 60217/00, a alíquota de 3%. Em que pese as alegações e apesar de ser ônus do contribuinte nos termos do artigo 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil)4, com a impugnação foi apresentada apenas cópia do parecer jurídico5 (fls. 206/237 e 365/396), incluindo o demonstrativo com título de "créditos SAT Televisão Bahia Ltda" (fls. 238/239 e 3 Aprova o regulamento da Previdência Social, e dá outras providências. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) 5 Parecer facultativo que possui caráter meramente opinativo, sendo que as recomendações sugeridas pelo parecerista não vinculam a Administração Pública. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 693 23 397/398) e relações trazendo, dentre outras, informações de lotação, matrícula, cargo, CNAE e quantidade de pessoas, sem contudo, conter a(s) data(s)/período(s) (fls. 240/253 e 399/412). Com o recurso foi apresentada planilha com o cotejo entre o crédito apurado e os valores compensados em GFIP (fls. 650/654). Todavia não foram apresentados as relações mensais contendo as informações dos funcionários em relação às competências a que se referem as compensações, nos termos do disposto no artigo 72, II, § 1º da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, com alterações promovidas pela Instrução Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010. Por possuir apenas um CNPJ e mais de uma atividade econômica, deve prevalecer, como preponderante, aquela que tem o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, não devendo ser considerados os segurados empregados que prestam serviços em atividadesmeio, para a apuração do grau de risco, assim entendidas aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, tais como serviços de administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, vigilância, dentre outros, conforme disposto no artigo 72, II, § 1º, "b" da referida Instrução Normativa. Vale ressaltar que nas relações apresentadas da lotação e quantitativo de funcionários alocados por rótulos de linha (CNAE) totaliza o montante de 404, incluindo aí segurados que prestam serviços auxiliares (p. ex. motoristas, auxiliar de serviços, motoqueiro, recepcionista, auxiliar administrativo, etc). À vista do exposto, também neste ponto, votase por negar provimento ao recurso. b) Impossibilidade de Cobrança Concomitante da Multa de Mora e da Multa de Ofício A multa de mora é consequência da inadimplência, do não recolhimento dos valores devidos no tempo e na forma regular, conforme disposição da Lei nº 9.430, de 1996. Já a multa isolada é aquela punitiva, aplicada de ofício pelo fisco, em face do descumprimento de obrigações por parte do contribuinte e tem por objetivo punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. Não é a aplicação de multas sobre a mesma base que configuram o bis in idem, mas sim a igualdade das condutas puníveis. Como as penalidades decorrem de práticas delitivas distintas, uma conduta não depende da outra. Pelos motivos, não cabe razão ao Recorrente uma vez que as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas que afetam bens jurídicos diferentes. Em decorrência, por não merecer reparo deve ser mantido o acórdão da DRJ em relação à esta infração. c) Da Inaplicabilidade da Multa por Omissão na Entrega de Documentos O motivo da aplicação da multa decorreu do fato da empresa não ter apresentado todas as petições e decisões judiciais que autorizavam a compensação e a correspondente memória de cálculo, detalhada em formato Excel, indicando a origem, os motivos e as datas dos fatos geradores e das compensações realizadas. De acordo com o comando do §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212, de 1991, base do lançamento: Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 694 24 "Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)." Ou seja, do referido dispositivo extraise o entendimento de que a simples apresentação deficiente enseja a aplicação de penalidade cabível. No caso concreto, tanto na impugnação, consoante relatório da DRJ/RJO, quanto no recurso, o contribuinte ataca com veemência o fato de a fiscalização ter exigido a planilha em formato “xls”, alegando que não há suporte legal que ampare tal exigência e que a compensação foi realizada espontaneamente pelo Recorrente, não sendo decorrente de decisão judicial. Vale reproduzir a parte do referido relatório da DRJ/RJO (fl. 585): "(...) Multa de Obrigação Acessória – CFL 38 59. Por fim (fls. 40), a motivação do AI nº 51.051.2453 foi a falta de apresentação dos documentos abaixo: 7.2.1. Cópia de todas as petições e decisões judiciais que autorizaram a compensação de créditos previdenciários; e 7.2.2. Memória de cálculo detalhada – em formato/extensão EXCEL (xls) – das compensações de créditos previdenciários efetuadas no período de apuração, indicando a origem, os motivos e as datas dos fatos geradores e das compensações realizadas. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 695 25 60. Em sua defesa o contribuinte ataca com veemência o fato de a fiscalização ter exigido a planilha acima em formato “xls”, alegando que não há suporte legal que ampare tal exigência. Entretanto, conforme já oportunamente tratado, a empresa sequer disponibilizou a planilha com as informações requisitadas, isto é, com a memória de cálculo das compensações efetuadas no período do lançamento. Vale repetir que o conteúdo das planilhas de fls. 302/303 e 304/363 não atende a exigência do TIPF. (grifos nossos) 61. No que concerne às decisões judiciais que teriam autorizado parte dos valores compensados, o próprio contribuinte, no item 87 de sua impugnação, às fls. 489, aduz que a autoridade lançadora recorreu ao sítio eletrônico do TRF da 1ª Região para obter informações a respeito das ações ajuizadas pela empresa autuada, o que, salvo prova em contrário, confirma a não apresentação das peças processuais no curso da ação fiscal. (...)" Conforme relatado no Acórdão da DRJ, em relação às decisões judiciais que teriam autorizado parte dos valores compensados, as informações foram obtidas pela autoridade lançadora no sítio eletrônico do TRF da 1ª Região. Quanto à memória de cálculo detalhada das compensações efetuadas a empresa não disponibilizou as informações requisitadas. Portanto, o motivo pelo qual foi aplicada a multa acessória CFL 38 foi a não apresentação das informações solicitadas e não, como aduz o recorrente, a falta de apresentação da planilha no formato/extensão EXCEL (xls). Por não merecer reparo deve ser mantida a decisão recorrida neste ponto. Conclusão Em razão do exposto, votase por CONHECER e DAR provimento parcial ao Recurso de Ofício para, na parte provida, restabelecer a multa isolada de 150%. Quanto ao Recurso Voluntário rejeitar as preliminares arguidas e no mérito NEGARLHE provimento nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Débora Fófano Relatora Voto Vencedor Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Redator Designado Peço vênia para divergir do voto da nobre Relatora, tão somente quanto a aplicação da penalidade por descumprimento da obrigação acessória. Depreende se dos autos que a autoridade fiscal lançadora aplicou a multa prevista no CFL 38, decorrente do fato de empresa não ter apresentado todas as petições e decisões judiciais que autorizavam a compensação e a correspondente memória de cálculo, detalhada em formato Excel, indicando a origem, os motivos e as datas dos fatos geradores e das compensações realizadas. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 696 26 Todavia, entendo que o fundamento legal para embasar o descumprimento da obrigação acessória em tela foi escolhido incorretamente pela autoridade fiscal, isto porque o CFL 38 tem como hipótese de incidência a não exibição de livros e documentos relacionados diretamente com as contribuições sociais previdenciárias. A conduta de não prestar esclarecimentos à Fiscalização, está tipificada como infração à legislação previdenciária no CFL 35. Destarte, havendo erro no enquadramento legal, deverá o Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória ser julgado improcedente, merecendo provimento o recurso voluntário quanto a este tocante. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35464.001137/2007-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO PARCIAL.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal importa renúncia às instâncias administrativas, não havendo, destarte, de se conhecer do recurso voluntário em face das matérias discutidas judicialmente, sem prejuízo, todavia, das demais matérias que não foram objeto de discussão judicial.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DESCONFORME COM A LEI. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei n. 10.101/2000, integra o salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições.
APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2402-007.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por maioria de votos, negar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior, que deu provimento ao recurso na parte conhecida. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO PARCIAL. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal importa renúncia às instâncias administrativas, não havendo, destarte, de se conhecer do recurso voluntário em face das matérias discutidas judicialmente, sem prejuízo, todavia, das demais matérias que não foram objeto de discussão judicial. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DESCONFORME COM A LEI. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei n. 10.101/2000, integra o salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO PARCIAL. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal importa renúncia às instâncias administrativas, não havendo, destarte, de se conhecer do recurso voluntário em face das matérias discutidas judicialmente, sem prejuízo, todavia, das demais matérias que não foram objeto de discussão judicial. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DESCONFORME COM A LEI. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei n. 10.101/2000, integra o saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuições. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 11 37 /2 00 7- 93 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 249 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por maioria de votos, negarlhe provimento. Vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior, que deu provimento ao recurso na parte conhecida. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 208/215) em face do Acórdão n. 16 23.441 11ª. Turma da DRJ/SP1 (efls. 179/199) que julgou improcedente a impugnação (e fls. 57/70) e manteve o lançamentos consolidado em 26/02/2007 e constituído em 05/03/2007 (efl. 54), consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 37.081.3065 valor total de R$ 54.419,81 P.A 01/02/2004 a 29/02/2004 (efls. 02/15) com fulcro nas contribuições devidas pela empresa e não recolhidas em épocas próprias ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS), ao Seguro de Acidentes do Trabalho SAT e a Terceiros (FNDE), atinentes ao período abrangido pelas competências 02/2004 conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 16/23. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 57/70) em 19/03/2007, julgada improcedente pela DRJ/SP1, nos termos do Acórdão n. 16 23.441 (179/199), com o entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 250 3 Cientificada do teor do Acórdão n. 1623.441 (179/199) em 16/07/2010 (efl. 204), a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (efls. 208/215) na data de 13/08/2010, enfrentando os lançamentos em sua totalidade, sumarizados no pedido abaixo transcrito: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 251 4 Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 208/215) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Inicialmente, é oportuno destacar que a Recorrente reitera, perante a segunda instância, alegação já consignada em sede de impugnação (efls. 57/70), que discute judicialmente as contribuições ao FNDE e SAT, conforme ações protocolizadas sob n. 1999.03.9907ó9130 (FNDE) e n. 1999.61.00.0198271 (SAT). Em decorrência de diligência promovida pela autoridade fiscal (efls. 132/134), atendendo a solicitação da DRJ/SP1 (Despacho n. 0061/2007 11ª. Turma da DRJ/SPOI data 13/09/2007 efls. 123/129), a Recorrente informou que as ações judiciais protocolizadas sob n. 1999.03.9907ó9130 e n. 1999.61.00.0198271 transitaram em julgado com desfecho a ela desfavorável (efls. 136/139). O resultado da referida diligência encontrase consolidado no Relatório de Encerramento de Diligência de efls. 140/142. Desta forma, resta caracterizada a concomitância de instâncias administrativa e judicial, não havendo assim de se conhecer do Recurso Voluntário (efls. 208/215) em face das contribuições ao FNDE e ao SAT, nos termos do Enunciado n. 1 de Súmula CARF: Fl. 251DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 252 5 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Outrossim, também não há de se conhecer das alegações da Recorrente com relação à representação para fins penais, uma vez que falece competência ao CARF para o mister, forte no Enunciado n. 28 de Súmula CARF, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Nessa perspectiva, a presente lide restringese às alegações da Recorrente em face das contribuições destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS). Muito bem. A autuação em litígio decorre do Levantamento PLR PARTICIPACAO NOS LUCROS PLR FPAS: 6120 Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) Competência: 02/2004: Ao apreciar a impugnação (efls. 57/70), a instância de piso assim se pronunciou, no essencial: [...] Assim, para que a parcela relativa à Participação nos Lucros/Resultados não integre o salário de contribuição, por força do inciso XI do artigo 7° da Constituição Federal e alínea “j” do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei 8.212/91, deve a empresa cumprir as exigências da legislação específrca._gue. no caso. é a Lei n.'~' 10.101. de 19/12/2000. [...] Desta forma, não há que se falar que a verba em análise não conteria os elementos caracterizadores do salário/remuneração. Isto porque a incidência de contribuição previdenciária só restará afastada quando os pagamentos a titulo de PLR obedecerem à lei específica. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 253 6 Destaquese que nada impede que a empresa outorgue a seus empregados verbas a título de PLR sem observar os pressupostos estabelecidos na legislação especifica (Lei n.° 10.101/00). Contudo, neste caso, estes pagamentos caracterizamse como verba integrante do salário de contribuição destes empregados. Durante a auditoria fiscal, ao examinar a documentação da empresa, verificouse que consta do resumo das folhas de pagamento, e lançamentos no Livro Razão, competência 02/2004, o pagamento de participação nos lucros e resultados a segurados empregados, como descrito nos itens 7 e 8 do Relatório Fiscal. Estes pagamentos não foram considerados pela Notificada como salário de contribuição de contribuições previdenciárias e de Terceiros. Entretanto, da análise dos tennos da Convenção Coletiva de Trabalho (cópia às fls. 23, e 78/94 DOC. 08), foram constatados dispositivos que contrariam os requisitos estabelecidos pela legislação específica, no caso, a Lei n° l0101/2000, que estabelece no seu artigo 2°, parágrafo 1°, que “dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e obietivas quanto à fixacão dos direitos substantivos da participação, e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado.” A referida Convenção prevê o pagamento de PLR, sendo que em 8/02/2004 seria paga uma parcela de R$ 100,00 para os motoristas e trabalhadores que receberem R$ 850,01 ou mais, e R$ 50,00 para quem recebe menos de R$ 850,01. A empresa foi devidamente intimada, por mais de uma vez, através de TIAD's (fls. 34/37), mas não conseguiu demonstrar a quantificacão dos resultados e o alcance dos objetivos propostos. E, tendo sido apresentado somente a citada Convenção Coletiva de 2003, temse que não foi atendida a legislação especifica sobre o assunto, visto que: · Não tem, como instrumento decorrente da negociação, a definição de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo; · Não estabelece critérios e condições tais como índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa ou programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Não basta a existência de Acordo ou Convenção Coletiva discíplinando a Participação nos Lucros ou Resultados. O Acordo ou a Convenção Coletiva são instrumentos de negociação e previsão de direitos, mas nunca podem alterar a disciplina que a Lei previamente traz, em relação a um determinado instituto. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 254 7 O conhecimento da Lei, inescusável que é, contorna a atividade tanto do empregador quanto dos trabalhadores, de modo que se os mesmos quiserem estipular a Participação nos Lucros e Resultados da empresa, não tributável, devem estipular condições que se afinem aos postulados da Lei, no caso, a Lei 10.101/00. No presente caso, o pagamento de valores fixos a titulo de PLR, desvinculados de qualquer programa de metas, ou indice de desempenho da empresa, não atende às exigências da Lei n° 10101/2000, uma vez que valores pagos independentemente do atingimento de qualquer meta ou resultado não poderão servir como incentivo à produtividade. É pertinente indagar como o programa da empresa, sem critério algum, poderá servir como incentivo à produtividade, como detemina o artigo 1° da Lei n° 1010/2000. O funcionário já sabe de antemão quanto irá receber, independentemente do atingimento de qualquer lucro ou resultado? Havendo prejuízo na empresa, não se poderá pretender distribuir uma coisa inexistente os lucros o que mostra que, para sua distribuição é preciso que estes tenham existido, caso contrário não poderá haver a referida participação. Desta forma, ao não obedecer aos critérios da Lei, o pagamento aos segurados empregados, na forma como foi efetuado pela Notificada, perdeu as características de participação nos lucros ou resultados e, assumiu a característica de prêmio , integrando o conceito de remuneração para fins de incidência das contribuições previdenciárias, e das contribuições a Outras Entidades Terceiros, inclusive as contribuições ao Salário Educação. [...] De outra banda, a Recorrente discorda dos argumentos da instância de piso nos seguintes termos: Ao tratar de Participação nos Resultados, a Convenção Coletiva de Trabalho (efls. 80/98) limitase às seguintes assertivas: Fl. 254DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 255 8 Pois bem. A CF/88 instituiu entre os direitos sociais dos trabalhadores a possibilidade de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, desvinculando estas parcelas da sua remuneração, a teor do art. 7°., XI. Assim, uma vez estabelecido que a parcela relativa à participação nos lucros ou resultados não integra a remuneração do trabalhador, o referido dispositivo constitucional afastou, por consequência, a incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 195, I, alínea "a", da CF/88 sobre tais valores. Alinhandose ao comando constitucional, a Lei n. 8.212/1991 estabeleceu, em seu art. 28, § 9°., alínea "j", que a participação nos lucros ou resultados da empresa não integra o saláriodecontribuição. A regulamentação da participação nos lucros ou resultados é objeto da Lei n. 10.101/2000, que conferiu eficácia à previsão constitucional consignada no art. 7°., XI, in fine. O art. 2°. da Lei n. 10.101/2000 enumera os principais procedimentos a serem observados para a participação nos lucros ou resultados, verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) Fl. 255DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 256 9 II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4o Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) I a empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação; (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) Por sua vez, o art. 3°. da referida lei determina as condições para efetivação da distribuição dos lucros, inclusive o tratamento tributário a ser conferido, bem assim a sua periodicidade, verbis: Fl. 256DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 257 10 Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. § 4o A periodicidade semestral mínima referida no § 2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. § 5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual. (Redação dada pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual. (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 6º Para efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada, com base na tabela Fl. 257DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 258 11 progressiva constante do Anexo. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 6o Para efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada com base na tabela progressiva constante do Anexo. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 7º Na hipótese de pagamento de mais de uma parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no ano calendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 7o Na hipótese de pagamento de mais de 1 (uma) parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no anocalendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 8º Os rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 8o Os rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 9º Considerase pagamento acumulado, para fins do § 8º, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um anocalendário. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 9o Considerase pagamento acumulado, para fins do § 8o, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um anocalendário. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado Fl. 258DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 259 12 judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais rendimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais rendimentos. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 11. A partir do anocalendário de 2014, inclusive, os valores da tabela progressiva anual constante do Anexo serão reajustados no mesmo percentual de reajuste da Tabela Progressiva Mensal do imposto de renda incidente sobre os rendimentos das pessoas físicas. (Incluído dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) Da leitura sistêmica dos arts. 2°. e 3°. da Lei n. 10.101/2000, concluise que os principais pilares de legitimidade de um plano de participação nos lucros ou resultados são: i) intervenção do sindicato e participação dos empregados na negociação do plano; ii) existência de regras claras e objetivas para distribuição dos valores; iii) momento do arquivamento do acordo; e iv) periodicidade do pagamento de parcelas referentes à participação nos lucros ou resultados. Na espécie, resta constatado, sem muito esforço cognitivo, que a Convenção Coletiva de Trabalho (efls. 80/98) não contempla regras claras e objetivas para distribuição dos valores pactuados a título de participação nos resultados, vez que apenas define valores a serem pagos (por faixa salarial), número de parcelas (02) e data de pagamento (1ª. parcela até 31/12/2003 e 2ª. parcela até 28/02/2004). Não há qualquer menção a índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Outrossim, não consta dos autos qualquer informação quanto ao momento do arquivamento da referida Convenção na entidade sindical dos trabalhadores, no termos do art. 2°., § 2°., da Lei n. 10.101/2000. Da não observância das regras estabelecidas na Lei n. 10.101/2000, na forma acima caracterizada, resta desnaturada a verba paga a título de PLR, afastandose assim o abrigo da imunidade conferida pelo art. 7°., XI, da CF/88, bem assim o disposto no art. 28, § 9°., alínea "j", da lei n. 8.212/1991, incidindo, destarte, as contribuições previdenciárias conforme apurado pela autoridade lançadora, não havendo reparo a fazer na decisão recorrida. Com relação às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança da SELIC como taxa de juros e sua substituição pela taxa de 1% ao mês, tratase de matéria já consolidada neste CARF, objeto dos Enunciados n. 2, 4, 5 e 108 de Súmula CARF, dispensandose maiores considerações: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 260 13 Enunciado n. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Enunciado n. 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Enunciado n. 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Enunciado n. 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário (efls. 208/215), para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 260DF CARF MF
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