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Numero do processo: 13708.001055/2007-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/06/2003 a 10/08/2003
TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA MORATÓRIA INDEVIDA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, tal qual ocorre no caso em tela, e por força do artigo 62-A do RICARF, aplica-se ao caso a decisão proferida pelo STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp nº 1.149.022/SP.
Numero da decisão: 3403-001.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: Raquel Motta Brandão Minatel
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/06/2003 a 10/08/2003 TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, tal qual ocorre no caso em tela, e por força do artigo 62-A do RICARF, aplica-se ao caso a decisão proferida pelo STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp nº 1.149.022/SP.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim - Presidente Raquel Motta Brandão Minatel Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan.
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O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, tal qual ocorre no caso em tela, e por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp nº 1.149.022/SP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 10 55 /2 00 7- 04 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico (fls. 25/26), lavrado em 07/03/2007, unicamente para cobrança da multa de mora referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), dos decêndios 02 e 03 – Junho/2003; 01, 02 e 03 – Julho/2003; e, 01 – Agosto/2003, declarados em DCTF, que teriam sido pagos em atraso só com acréscimo dos juros, porém sem a multa moratória. A Recorrente tomou ciência do Auto de Infração em 04/04/2007 (fls. 37) e apresentou Impugnação (fls. 1/6), em 04/05/2007, tida como tempestiva, na qual, em suma, alegou ser o Auto de Infração improcedente, uma vez que teria desconsiderado a denúncia espontânea praticada por ela, tendo em vista que fora providenciado o pagamento do tributo em atraso de forma espontânea e antes de iniciada qualquer tipo de fiscalização por parte da Fazenda Nacional, o que a eximiria de qualquer responsabilidade, tendo em vista o estatuído pelo artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Citou diversas decisões que respaldariam esse entendimento, tanto judiciais quanto administrativas, ressaltando “que as multas fiscais, por serem sempre punitivas, mesmo quando aplicáveis nos casos de atraso no pagamento de tributos, são excluídas pela denúncia espontânea”. Inobstante as razões de Impugnação da Recorrente, a autoridade fazendária julgou a Impugnação improcedente, conforme se constata no acórdão n.º 0931.301, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), fls. 41/44, e manteve integralmente o crédito tributário. Restou consignado na decisão que a multa moratória não possui caráter punitivo, já que se destina a “compensar a Fazenda Pública pelo atraso no pagamento do que lhe é devido”. A Recorrente, por sua vez, tomou ciência da decisão prolatada em primeira instância pela DRJ em 07/01/2011, conforme se constata no Aviso de Recebimento (AR) de fls. 47 e, irresignada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 49/56) em 07/02/2011. Em suas razões de recurso voluntário a Recorrente repisou exatamente os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação. Citou para reforçar seus argumentos os doutrinadores Sacha Calmon Navarro Coelho e Luciano Amaro trazidos pela Recorrente, já que para tais autores a multa moratória é sim penalidade, o que, no seu entender, tornaria imperiosa sua exclusão em caso de denúncia espontânea. Por fim, relacionou julgados administrativos e judiciais que reforçariam sua tese e requereu, ao final, pelo provimento do Recurso Voluntário, pelo cancelamento do Auto de Infração e, consequentemente, pela extinção do crédito tributário constituído em seu desfavor. Em suma, é o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13708.001055/200704 Acórdão n.º 3403001.669 S3C4T3 Fl. 103 3 Voto Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora. Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Mérito Conforme se depreende do relatório, trata o presente do inconformismo da Recorrente contra Acórdão da DRJ de Juiz de ForaMG que manteve a exigência relativa à multa de mora decorrente de tributo pago em atraso com acréscimo apenas dos juros moratórios, e que segundo demonstrado pelo contribuinte teria ocorrido o instituto da denúncia espontânea, através do pagamento do IPI, dos decêndios 02 e 03 – Junho/2003; 01, 02 e 03 – Julho/2003; e, 01 – Agosto/2003, todos ainda dentro do ano de 2003, com a posterior declaração ao Fisco, via DCTF retificadora com a posterior declaração ao fisco (via DCTF). A denúncia espontânea, importante instituto presente no campo do Direito Tributário, está prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional e, quando caracterizada, produz o efeito de impedir que o contribuinte seja penalizado, por multa de natureza punitiva ou moratória, quando antes de qualquer iniciativa do Fisco ultima o pagamento do tributo, com apenas a incidência dos juros moratórios1. Podese dizer, noutros termos, que a denúncia espontânea retira o caráter ilícito da conduta do contribuinte representada pela falta de pagamento do tributo e/ou encargos decorrentes da mora, desconstituindo a infração. Sob minha ótica, a matéria não comporta maiores digressões, pois já está pacificada, tanto na Câmara Superior de Recursos Fiscais, como no Superior Tribunal de Justiça, e por isso, entendo que a decisão recorrida merece reforma, pois a denúncia espontânea está configurada por meio do pagamento do tributo em atraso com o acréscimo dos juros e antes da declaração ao Fisco ou qualquer procedimento administrativo de cobrança, sendo plenamente aplicável ao caso o instituto contido no art. 138 do CTN. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Raquel Motta Brandão Minatel 1 Acórdão da 1ª Turma do STJ no ADRESP nº 499652SC, publicado no DJ em 21/03/2005; Acórdão da 2ª Turma do STJ no RESP nº 642474SC, publicado no DJ em 14/02/2005. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
score : 1.0
Numero do processo: 15374.913621/2008-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 12/07/2004
Ementa:
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PROVA.
A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstância constantes dos autos. Na ocasião adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA.ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa caba a verificação da existência desse direito mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita a homologação.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3803-003.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Rrelator. Vencido(s) o(s) conselheiros Belchior Melo de Sousa e Alexandre Kern, que negaram provimento.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 26/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 12/07/2004 Ementa: MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PROVA. A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstância constantes dos autos. Na ocasião adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA.ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa caba a verificação da existência desse direito mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita a homologação. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Rrelator. Vencido(s) o(s) conselheiros Belchior Melo de Sousa e Alexandre Kern, que negaram provimento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN - Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues
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PROVA. A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstância constantes dos autos. Na ocasião adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendêlas necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA.ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa caba a verificação da existência desse direito mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita a homologação. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Rrelator. Vencido(s) o(s) conselheiros Belchior Melo de Sousa e Alexandre Kern, que negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 36 21 /2 00 8- 40 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues Relatório Por descrever de forma objetiva e didática os fatos e elementos contidos nos autos a permitir a sua compreensão peço vênia aos pares para adotar o relatório do acórdão recorrido. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 21699.94775.120704.1.3.045100, em 12/07/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 12/07/2004, a título de Cofins com débito(s) de IRPJ e CSLL relativo a junho de 2004, no valor original de R$ 3.195,64. A Derat/RJO, por meio do despacho decisório de fl. 10, não reconheceu o direito creditório pleiteado, em virtude da não localização do pagamento informado nos sistemas de controle da RFB e em conseqüência, não homologou a compensação declarada. Cientificada do despacho e da cobrança dos débitos declarados na DComp, a interessada inconformada apresentou a manifestação de inconformidade de fl(s). 11 a 61, na qual alegou: Que identificou erroneamente o crédito como de PIS, quando na verdade tratase de crédito de CSLL; Que o tributo CSLL, que titula o crédito pretendido não se origina de DARFs pagos, mas sim de apuração contábil de créditos no período de 1999 a 2002, com valor apurado, em 31/12/2002, de R$ 16.764,04, passíveis de utilização para abatimento de tributos administrados pela Receita Federal. Por este motivo o DARF informado não foi encontrado nos sistemas. O erro material no preenchimento decorreu da inexperiência no uso das versão iniciais do programa e também da ausência de "filtros” no programa, que impedissem informações incorretas; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913621/200840 Acórdão n.º 3303003.642 S3C3T3 Fl. 8 3 Que os créditos de CSLL existiam na contabilidade da empresa à época da transmissão da declaração e ainda hoje estão disponíveis. Os demonstrativos e documentos contábeis comprobatórios da origem dos créditos estão disponíveis para qualquer autoridade fazendária que os requeira; Na seqüência, fls. 10 a 27, transcreve texto sobre o desconto de créditos na apuração da CSLL; a íntegra da Instrução Normativa SRF n° 390, de 30 de janeiro de 2004; texto acerca de aspectos da não cumulatividade do PIS e da Cofins veiculados na Lei n° 10.833/2003; roteiro de procedimentos acerca da restituição de tributos pagos indevidamente. Ao fim, requer provimento ao recurso de forma que seja cancelado o débito fiscal reclamado. Conclusos foram os autos remetidos para julgamento pela 4a Turma da DRJ/FJ2 que, em sessão realizada em 21/09/2010, proferiu decisão por meio do acórdão nº 13 31.399, cuja ementa transcrevese adiante: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Data do fato gerador: 25/04/2006. IMPUGNAÇÃO À COBRANÇA. APRECIAÇÃO. DRJ NÃO TEM COMPETÊNCIA. Não se inclui dentre as atribuições das DRJ a apreciação de impugnação à cobrança dos débitos vinculados aos créditos cujos valores não foram reconhecidos. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido. Em suas razões de decidir o voto condutor do acórdão entendeu que a compensação declarada não decorre de pagamento indevido ou a maior e não se origina do crédito de Cofins, mas de suposto crédito de CSLL passível de ressarcimento. Igualmente entendeu ser inadmissível a hipótese de retificação do Per/Dcomp, eis que tal procedimento destinase apenas a correção de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do documento. O aresto concluiu pela inexistência de litígio em relação ao crédito informado, para julgar não conhecida a manifestação de inconformidade. Ciente do teor do acórdão retromencionado em 10/11/10, por meio de AR (fl. 126), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 06/12/10 (fl. 77/124), conforme atesta o protocolo do órgão preparador, na ocasião reiterando de forma minudente as mesmas razões de defesa contidas na exordial quais sejam: argüição de erro material na transcrição de dados para o computador, pois o suposto crédito de Cofins seria na verdade crédito de CSLL (registrados na contabilidade da empresa e disponíveis para uso atualmente, posto que não utilizados), que não se originava em DARF’s pagos, porém de descontos de créditos na apuração de CSLL decorrente da Lei nº 11.051/04, que instituiu o desconto de créditos na apuração de CSLL, PIS e Cofins não cumulativo para pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, na razão de Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 25%, sobre a depreciação contábil de máquinas e equipamentos novos adquiridos até 1o/10/04 e 31/12/05, destinado ao ativo imobilizado e empregados no processo industrial do adquirente. Ao final requer seja autorizada a retificação da declaração de compensação, acrescidos de juros de mora e de multas legais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo. O deslinde da querela circunscrevese à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. O contribuinte pretendeu compensar suposto crédito de PIS/PASEP, com débitos próprios por meio de declaração de compensação transmitida em 12/07/04, entretanto o DARF probante da existência do crédito correspondente não foi localizado nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil, por conseguinte não foi confirmada a existência do crédito, não sendo a respectiva DComp homologada, consoante consta do despacho decisório. A Recorrente em suas razões de defesa buscou justificar o imbróglio alegando a existência de erro material quando da transcrição dos dados para o computador da empresa por ocasião da transmissão da DComp, quando esclareceu que o crédito, diversamente do informado nesta DComp, teria como origem descontos de créditos na apuração de CSLL, decorrente da Lei nº 11.051/04 (registrados na contabilidade da empresa e disponível para uso atualmente, posto que não utilizado), que instituiu o desconto de créditos na apuração de CSLL, PIS e Cofins não cumulativo para pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, na razão de 25%, sobre a depreciação contábil de máquinas e equipamentos novos adquiridos até 1o/10/04 e 31/12/05, destinado ao ativo imobilizado e empregados no processo industrial do adquirente. Os documentos que acompanharam a manifestação de inconformidade (contrato social, documento do sócio representante e despacho decisório), não dão sustentação aos argumentos expendidos na exordial. O aresto recorrido entendeu que a compensação declarada não decorre de pagamento indevido ou a maior, e não se origina de crédito de Cofins, mas de suposto crédito de CSLL passível de ressarcimento, concluindo pela inexistência de litígio em relação ao crédito informado. Ou seja, a contribuinte ao manifestar o seu inconformismo contra o despacho decisório se limitou a formular assertivas com o intuito de justificar as falhas cometidas na transmissão da DComp, entretanto não logrou demonstrar por meio de documentos hábeis e idôneos a existência do crédito de CSLL, oportunamente, também não o fazendo por ocasião da interposição do recurso voluntário. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913621/200840 Acórdão n.º 3303003.642 S3C3T3 Fl. 9 5 Cumpre observar, ainda, que o tema “existência de crédito de CSLL”, não foi objeto de deliberação na instância a quo, restando prejudicada a sua apreciação em sede recursal por restar precluso o exame desta matéria. É inconteste que o contribuinte transmitiu eletronicamente DComp em face de crédito alegado. Neste sentido a autoridade fiscalizadora, no cumprimento do dever legal, após verificar a existência de fato impeditivo/extintivo ao reconhecimento do crédito informado na DComp, decidiu por não homologálo. De acordo com o disposto no art. 333 do CPC, subsidiariamente utilizado no julgamentos de processos administrativos fiscais, que trata do ônus probante, caberia ao contribuinte, então, por ocasião da manifestação de inconformidade, apresentar todos os elementos materiais probantes do alegado às autoridades julgadoras do feito em vista a desfazer o erro cometido e à pacificação da lide. Entretanto, restou demonstrado nos autos pelo próprio contribuinte que tal medida não foi adotada mesmo em sede de recurso. Ademais os documentos colacionados aos autos não são o bastante para atestar a certeza e liquidez do crédito, notadamente porque não discrimina minudentemente acerca dos créditos de CSLL alegados. O art. 29 do Dec. Nº 70.235/72 estabelece que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Para tanto, deverá indicar na sentença os motivos que lhe formaram o convencimento (CPC, art. 131). Nesta parte, por se encontrar escorreito, o aresto recorrido não merece reparo. Infere, ainda, dos elementos contidos nos autos que o recorrente não laborou para demonstrar, de maneira inconteste, que os seus argumentos corresponderiam à realidade dos fatos, e com isso, sensibilizar a autoridade administrativa à revisão do ato de homologação da declaração de compensação. Ademais, o contribuinte ao admitir a existência de erro de fato, não procedeu à retificação da DCTF e da DIPJ, pelo menos nada existe nos autos a este respeito, tampouco, em momento algum impugnou as assertivas formuladas como razões de decisão do aresto hostilizado, notadamente de que não há litígio em relação ao crédito informado. Logo, não há controvérsia a ser apreciada. Resumidamente, não basta alegar, é necessário demonstrar o direito argüido, e isto não ocorreu nos autos. In casu, não há como adequar o provimento da jurisdição à causa de pedir. Ante o exposto deixo de conhecer o recurso voluntário interposto. É assim que voto. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Declaração de Voto Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913621/200840 Acórdão n.º 3303003.642 S3C3T3 Fl. 10 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 15374.913621/200840 Interessada: CAVALLO AÇOS ESPECIAIS LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica o recorrente intimado a tomar ciência do Acórdão no 3803003.642, de 24 de novembro de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 24 de novembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13836.000305/00-69
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/1995
IRPF - PDV - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do IRPF, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
Numero da decisão: 9900-000.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora.
EDITADO EM: 22/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio PereiraValadão.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora. EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio PereiraValadão.
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DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do IRPF, formalizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 6. 00 03 05 /0 0- 69 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio PereiraValadão. Relatório Em sessão plenária da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi julgado, em 04/11/2008, o Recurso Especial do Procurador de nº 104148.631, exarandose o Acórdão CSRF/0401.104, assim ementado: DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — PDV— DECADÊNCIA AFASTADA. O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário — PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou em 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. Recurso Especial do Procurador Negado. Cientificada do acórdão em 15/04/2009, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, o Recurso Extraordinário de fls. 124 a 139, indicando como paradigma o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte. O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em juízo de admissibilidade, deu seguimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por meio do Despacho de fls. 141/142. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13836.000305/0069 Acórdão n.º 9900000.451 CSRFPL Fl. 155 3 Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional alega, em síntese, que o termo inicial para a contagem do prazo para o contribuinte pleitear a restituição é a data de extinção do crédito tributário, que ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. Cientificada do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, a contribuinte ofereceu, tempestivamente, as contrarazões de fls. 144 a 151, reiterando os argumentos contidos nas peças de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, registrese que o Recurso Extraordinário não está previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009). Entretanto, como no presente caso o acórdão recorrido foi prolatado antes de 30/06/2009, o Recurso Extraordinário deve ser processado de acordo com o rito previsto no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007), nos termos do artigo 4º do RICARF. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição de Imposto de Renda incidente sobre rendimentos recebidos a título de incentivo pela adesão a Programa de Demissão Voluntária (PDV). O acórdão recorrido aplica o prazo de cinco anos contados da data da publicação da Instrução Normativa SRF nº 165, de 1998. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicada a regra extraída da combinação dos arts. 165, I; 168, I e 150, § 1º, todos do CTN, que determina a contagem do prazo para restituição de indébito a partir do pagamento indevido. Conforme o artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação (como é o caso do Imposto de Renda Pessoa Física), para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, antes de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13836.000305/0069 Acórdão n.º 9900000.451 CSRFPL Fl. 156 5 Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em síntese, os contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Assim, no caso em apreço, como a contribuinte protocolou seu pedido de restituição em 06/11/2000, e a retenção objeto do pedido se refere ao anocalendário de 1995, com fato gerador em 31/12/1995, concluise que esse valor é passível de restituição. Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Extraordinário, interposto pela Fazenda Nacional, para AFASTAR a decadência e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10148.001138/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES. DEDUÇÃO.
Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. Ressalva-se, ainda, a hipótese de sentença judicial expressa determinando o pagamento de alimentos após a maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre interessados.
DESPESAS MÉDICAS FIXADAS, A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA, EM ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DEDUÇÃO.
A dedução das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, pagas a título de pensão alimentícia para pessoas maiores de 21 anos e que não estejam cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau até 24 anos, só é possível quando estas estejam incapacitadas física ou mentalmente para o trabalho, porquanto, nestas hipóteses, preencheriam as condições necessárias para se qualificarem como dependentes. Ressalva-se, ainda, a hipótese de sentença judicial expressa determinando o pagamento das despesas médicas após a maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre os interessados.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO.
A dedução de despesas com instrução, não pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual, deve ser feita por intermédio de retificação da declaração anteriormente apresentada, antes da notificação do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com pensão alimentícia judicial no valor de R$ 18.412,50. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão para restabelecer também despesas com instrução no valor (limite legal) de R$ 2.592,29.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis Ausente, ainda, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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FILHOS MAIORES. DEDUÇÃO. Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. Ressalvase, ainda, a hipótese de sentença judicial expressa determinando o pagamento de alimentos após a maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre interessados. DESPESAS MÉDICAS FIXADAS, A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA, EM ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, pagas a título de pensão alimentícia para pessoas maiores de 21 anos e que não estejam cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau até 24 anos, só é possível quando estas estejam incapacitadas física ou mentalmente para o trabalho, porquanto, nestas hipóteses, preencheriam as condições necessárias para se qualificarem como dependentes. Ressalvase, ainda, a hipótese de sentença judicial expressa determinando o pagamento das despesas médicas após a maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre os interessados. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. A dedução de despesas com instrução, não pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual, deve ser feita por intermédio de retificação da declaração anteriormente apresentada, antes da notificação do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 8. 00 11 38 /2 00 9- 51 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10148.001138/200951 Acórdão n.º 2801002.728 S2TE01 Fl. 132 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com pensão alimentícia judicial no valor de R$ 18.412,50. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin que davam provimento parcial ao recurso em maior extensão para restabelecer também despesas com instrução no valor (limite legal) de R$ 2.592,29. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis Ausente, ainda, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 50.436,18, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, referente ao exercício de 2009, os seguintes fatos: omissão de rendimentos do trabalho, no valor de R$ 12.387,90; dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 87.280,00, em razão da não apresentação dos comprovantes de pagamento; dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 6.933,39, em razão da não apresentação dos comprovantes de gastos com plano de saúde. O interessado apresentou a impugnação de fls. 02/05 deste eprocesso, instruída com os documentos de fls. 06/94, por meio da qual alegou, em síntese, que: Discorda especificamente das glosas de pensão alimentícia e de despesas médicas. De acordo com o processo n° 0701040966387, da 1ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de Uberaba/MG, homologado em 29/12/2004, ficou obrigado a pagar a excônjuge, mensalmente, o valor de R$ 2.080,00, corrigidos anualmente pela TR. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10148.001138/200951 Acórdão n.º 2801002.728 S2TE01 Fl. 133 3 A pensão devida aos seus quatro filhos foi estipulada em 15 salários mínimos, excluída a condição de reverter à cônjuge Virago quando os mesmos se formassem, casassem ou fossem morar com o pai. Pagou, em 2008, à excônjuge Maria Marta Cardoso Hueb, o total de R$ 26.567,46, e aos seus filhos Cristiano Cardoso Hueb e Felipe Cardoso Hueb, a título de pensão alimentícia, o valor de R$ 18.412,50 para cada um, devidamente comprovado por recibos e cheques que lista na peça impugnatória, os quais foram objeto de pedido de cópia junto às instituições financeiras. Portanto o valor da pensão alimentícia a ser deduzido deve ser ajustado para R$ 63.392,46. Em relação às despesas médicas, ficou responsável pelo pagamento do plano de saúde da excônjuge e dos filhos do casal, conforme acordos homologados, devendo ser restabelecido o valor de R$ 6.933,39. Também por força de acordos homologados ficou responsável pelo pagamento de despesas escolares dos filhos até o término da faculdade, devendo ser considerado, para efeito de dedução, o valor máximo permitido pela legislação (R$ 2.592,29), em relação aos pagamentos feitos à Fundação Educacional para o Desenvolvimento das Ciências Agrárias, referentes ao filho Cristiano. Ao fim, refaz o demonstrativo de apuração de imposto devido, resultando em imposto suplementar no valor de R$ 7.970,57. A impugnação foi julgada procedente em parte para: a) eximir o contribuinte do pagamento de R$ 8.202,22, referente ao IRPF suplementar, bem como da multa e demais acréscimos legais; b) manter o valor de R$ 11.137,39, referente ao IRPF suplementar, sujeito à multa de oficio de 75% e aos juros de mora devidos na data do efetivo recolhimento; c) determinar à unidade local a imediata cobrança da parcela sobre a qual não resultou litígio, no valor de R$ 649,35 do IRPF suplementar e acréscimos legais respectivos. Cientificado da decisão de primeira instância em 07/11/2011 (fl. 126), o interessado interpôs, em 06/12/2011, o recurso de fls. 128/129. Nas razões recursais aduz que: Os valores de pensão pagas aos filhos Gustavo e Cristiano foram desconsiderados, respectivamente, por ter o primeiro atingido a maioridade e por não ter sido feito depósito bancário para o segundo. Em relação ao filho Gustavo, o acordo homologado judicialmente não estipulou limite de idade. O depósito em conta corrente da excônjuge, para o filho Cristiano, foi estipulado em função da idade de 14 anos do alimentando, à época do acordo. Em 2008, quando seu filho contava com 23 anos e era universitário, os pagamentos foram feitos diretamente a ele, como fazem prova os recibos anexados, onde ficam explícitos que os valores se referem à Pensão Alimentícia determinada em acordo homologado judicialmente, conforme prevê o art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999, já transcrito na decisão recorrida. Comprovados os pagamentos de pensão alimentícia em cumprimento de acordo homologado judicialmente, é de se admitir a dedução do valor de R$ 36.825,00, pagos aos alimentandos Gustavo e Cristiano; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10148.001138/200951 Acórdão n.º 2801002.728 S2TE01 Fl. 134 4 Não concorda com a exclusão dos pagamentos relativos ao plano de saúde dos demais filhos, visto que tais pagamentos foram estabelecidos no acordo homologado, sem determinação de prazo de validade. A própria legislação transcrita na decisão também não estipula limites, devendo ser admitido o valor de R$ 3.674,60; Discorda, por derradeiro, da exclusão dos gastos com instrução, ainda mais quando se fala em parte não litigiosa, sendo que os mesmos foram devidamente questionados na impugnação, dentro do conjunto "Pensão Alimentícia". Devidamente comprovados, e por se tratarem de Pensão Alimentícia pleiteada tempestivamente, tais gastos devem ser restabelecidos (R$ 2.592,29). Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O Recorrente se insurge contra as glosas relativas aos valores pagos a título de pensão alimentícia aos filhos Gustavo e Cristiano, no valor de R$ 36.825,00 (R$ 18.412,50 para cada um), e de despesas médicas realizadas com os filhos Gustavo, Denis e Luciana, no valor de R$ 3.674,60, além da não inclusão das despesas com instrução de seu filho Cristiano, no valor de R$ 2.592,29. GLOSA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA A doutrina brasileira identifica, de maneira uniforme, duas modalidades de obrigações alimentares a que estão sujeitos os pais em relação aos filhos. A primeira, decorrente do pátrio poder (atualmente poder familiar), sujeita os pais ao dever de sustento, guarda e educação dos filhos durante a menoridade. Seu fundamento encontrase no art. 1.566, IV, do atual Código Civil CC/2002, cujo teor é o seguinte: Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: (...) IV – Sustento, guarda e educação dos filhos; Com a maioridade pode surgir obrigação alimentar dos pais em relação aos filhos, porém de natureza diversa, fundada nos arts. 1.694 e 1.695 do CC/2002. Essa obrigação, que deriva da relação de parentesco, diz respeito aos filhos maiores que não estão em condições de prover a sua própria subsistência. Não obstante ambas as modalidades terem título jurídico radicado expressamente no Livro IV do CC/2002, todo ele dedicado ao Direito de Família, não se pode emprestar a simplicidade de uma interpretação literal ao art. 4º, II, da Lei nº 9.250/1995, que autoriza a dedução, da base de cálculo do imposto de renda, das importâncias pagas a título de Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10148.001138/200951 Acórdão n.º 2801002.728 S2TE01 Fl. 135 5 pensão alimentícia, em face das normas do Direito de Família, para permitir que deduções a esse título se perpetuem ad aeternum. A solução que melhor se coaduna com os princípios informadores do Direito Tributário pode ser extraída de uma interpretação sistemática das normas do Direito Civil e dos arts. 4, II e 35, III, § 1º, ambos da Lei nº 9.250/1995, assim descritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) Art. 35.Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Os dispositivos transcritos, em conjunto com as normas do Direito de Família estabelecidas no CC/2002, admitem a interpretação de que as deduções de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda devem se restringir aos valores pagos a esse título durante o período do dever de sustento (até a maioridade), além de casos especialíssimos, como o dos filhos maiores inválidos e dos filhos maiores até 24 anos de idade que estiverem cursando o ensino superior ou escola técnica de segundo grau. É que a invalidez não propicia a exoneração do encargo alimentar pela aquisição da maioridade, eis que a necessidade de recebimento dos alimentos não deriva, neste caso, da faixa etária, mas sim do estado precário de saúde do alimentando. Por outro lado, a dedução de pensão alimentícia paga a filhos estudantes maiores, de até 24 anos de idade, justificase pelo dever de educação dos filhos, imanente ao poder familiar, sem o condão de transmudar o dever de sustento em obrigação alimentar perpétua. Nessa linha de raciocínio, somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10148.001138/200951 Acórdão n.º 2801002.728 S2TE01 Fl. 136 6 até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. Ressalvase, ainda, a hipótese de sentença judicial expressa determinando o pagamento de alimentos após a maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre interessados. Assim, deve ser mantida a glosa de pensão alimentícia relativa ao filho Gustavo, que contava, em 2008, com 27 anos de idade, haja vista não haver comprovação de sua incapacidade para o trabalho. Em relação ao filho Cristiano, o acórdão recorrido manteve a glosa de pensão alimentícia no valor de R$ 18.412,50, sob o fundamento de que tais valores não foram depositados na conta corrente do cônjuge virago, conforme acordado na ação de separação consensual homologada pela 1ª Vara de Família da Comarca de Uberaba/MG. Apesar de o acordo homologado judicialmente ter determinado que os valores pagos ao cônjuge virago, a título de pensão alimentícia, também fossem depositados em conta corrente (fl. 17), o acórdão recorrido restabeleceu a glosa relativa a tais valores, que foram comprovados mediante a apresentação dos recibos de fls. 34/45. Não é razoável manter a glosa dos valores pagos a título de pensão alimentícia ao filho Cristiano e restabelecer a glosa dos valores pagos à exesposa, se em ambos os casos havia previsão, no acordo homologado judicialmente (fls. 16/17), de depósito em conta corrente e a comprovação se deu, nos dois casos, por intermédio de recibos. O fundamento utilizado na decisão de piso, para manter a glosa da pensão alimentícia do filho Cristiano, que à época tinha 23 anos e cursava o ensino superior, não encontra amparo, a meu ver, na legislação tributária que rege a matéria (Lei nº 9.250/1995, art. 4º, II e art. 35, III e § 1º, transcritos acima). Ademais, os recibos acostados aos autos em fls. 48/59, relativos aos valores pagos a título de pensão alimentícia ao filho Cristiano, atestam o cumprimento daquilo que foi estipulado no acordo homologado judicialmente (o pagamento de 3,75 salários mínimos por mês). Assim, entendo que deva ser restabelecido o valor de R$ 18.412,50, pago a título de pensão alimentícia ao filho Cristiano Cardoso Hueb. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Consta do acórdão recorrido que os filhos Luciana, Denis e Gustavo nasceram, respectivamente, em 18/01/1978, 24/04/1980 e 30/05/1981. Assim, no ano calendário de 2008 contavam com 30, 28 e 27 anos. A dedução de despesas médicas com alimentandos sofre as mesmas limitações que a dedução de despesas médicas efetuadas com dependentes que não recebem pensão alimentícia. Significa dizer que a dedução de tais despesas se restringe aos alimentandos que preencham os requisitos para se qualificarem como dependentes perante a legislação do imposto de renda, muito embora não possa o alimentante considerálos em sua declaração de ajuste anual na referida condição (como dependentes). Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10148.001138/200951 Acórdão n.º 2801002.728 S2TE01 Fl. 137 7 Em outras palavras: a dedução das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, pagas a título de pensão alimentícia para pessoas maiores de 21 anos e que não estejam cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau até 24 anos, só é possível quando estes estejam incapacitados física ou mentalmente para o trabalho, porquanto, nesta hipótese, preencheriam as condições necessárias para se qualificarem como dependentes. Ressalvase, ainda, a hipótese de determinação judicial expressa de pagamento das despesas médicas após a maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre interessados. Em reforço: a existência de acordo homologado judicialmente estabelecendo a obrigação de alimentos, abrangendo despesas médicas, não tem o condão de propiciar ao declarante livre dedução das parcelas pagas a esse titulo por tempo indeterminado, pois que isto significaria financiamento público de gastos privados não autorizados em lei. Desta forma, merece ser mantida a glosa relativa aos pagamentos de despesas médicas (plano de saúde) dos filhos Luciana, Denis e Gustavo, haja vista que, no caso sob análise, nenhum deles preenchem os requisitos para revestirem a condição de dependentes perante a legislação do imposto de renda. DESPESAS COM INSTRUÇÃO A dedução de despesa com instrução do alimentando Cristiano Cardoso Hueb não foi pleiteada na Declaração de Ajuste Anual do Recorrente (fl. 92). A inclusão de qualquer despesa dedutível deve ser feita antes da notificação do lançamento, por intermédio de retificação da declaração anteriormente apresentada, sob pena de desvirtuamento da finalidade do processo administrativo fiscal. CONCLUSÃO Face ao exposto, conheço do recurso e voto por darlhe provimento parcial, a fim de que seja restabelecido o valor glosado de R$ 18.412,50, referente aos pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia a Cristiano Cardoso Hueb. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 13976.000879/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PAGAS SOBRE A FOLHAS DE SALÁRIOS. PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO A TÍTULO DE AGROINDÚSTRIA. INEXISTÊNCIA DE PRODUÇÃO RURAL PRÓPRIA INDEFERIMENTO. Para que a pessoa jurídica venha a ser enquadrada como agroindústria deve restar evidenciado que ela industrializa produção rural própria, e que referida produção própria, nos termos do art. 22-A, da Lei 8.212/91. Uma vez que a recorrente não cumpre tal requisito, como restou demonstrado, inclusive, em diligência fiscal realizada, o pedido de restituição merece ser indeferido. Precedentes.
PERICIA. REALIZAÇÃO. INDEFERIMENTO. O pedido para a realização de perícia deve ser indeferido quando a mesma se torna desnecessária para o deslinde da demanda, sobretudo, quando, no caso dos autos, a recorrente cessou o exercício de suas atividades.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO A TÍTULO DE AGROINDÚSTRIA. INEXISTÊNCIA DE PRODUÇÃO RURAL PRÓPRIA INDEFERIMENTO. Para que a pessoa jurídica venha a ser enquadrada como agroindústria deve restar evidenciado que ela industrializa produção rural própria, e que referida produção própria, nos termos do art. 22A, da Lei 8.212/91. Uma vez que a recorrente não cumpre tal requisito, como restou demonstrado, inclusive, em diligência fiscal realizada, o pedido de restituição merece ser indeferido. Precedentes. PERICIA. REALIZAÇÃO. INDEFERIMENTO. O pedido para a realização de perícia deve ser indeferido quando a mesma se torna desnecessária para o deslinde da demanda, sobretudo, quando, no caso dos autos, a recorrente cessou o exercício de suas atividades. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 08 79 /2 00 8- 70 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13976.000879/200870 Acórdão n.º 2401002.642 S2C4T1 Fl. 416 3 Relatório Tratase de pedido de restituição formulado por INTERCONTINENTAL INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA protocolado em 05/11/2008, por intermédio do qual busca a recorrente ver reconhecido o seu direito em repetirse de valores pagos indevidamente a título das contribuições do art. 22, incisos I e II, recolhidas na qualidade de indústria, os quais deveriam ter sido recolhidos na forma do art. 22A também da Lei 8.212/91, por entender tratarse de agroindústria. O pedido compreende os pagamentos indevidos no período de 01/2005 a 02/2007. Consta dos autos que todos os pagamentos que sustenta a recorrente ter efetuados constam do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. O despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição formulado apontou que: “o relatório de diligencia fiscal instruída através do processo 10920.001444/201014 de 23/04)2010; às folhas 10 e seguintes consigna que no período de 03/2001 a 02/2007, a requerente não utilizou matéria prima de sua produção rural em seu processo produtivo e sempre adquiriu a madeira précortada, seca e classificada de outras pessoas jurídicas, como restou amplamente demonstrado através das notas fiscais de fornecedores às folhas 18 a 126. Fato, igualmente confirmado junto aos empregados administrativos remanescentes desse período. No mesmo sentido, no período acima, verificouse que a contabilidade não consigna nenhum registro de departamento ou setor rural.” Logo, em tendo sido considerado que a recorrente não industrializa produção rural própria em alguns períodos e em outros, apesar de fazêlo, não possui departamentos voltados à produção rural, seu pedido veio a ser indeferido. O v. acórdão de primeira instância (fls. 372) igualmente fundado nas razões de decidir do r. despacho decisório julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Em seu recurso sustenta a necessidade de reforma do v. acórdão recorrido, na medida em que possui todos os requisitos necessários ao seu enquadramento como agroindústria, especialmente pelo fato de que restou reconhecido que no período objeto do requerimento esta industrializou produção rural própria, mesmo que em pequenas quantidades, o que lhe garante o enquadramento pretendido já que a legislação não impõe limite mínimo de industrialização de produção própria, mas apenas que esta exista. Acrescenta que sempre possuiu trabalhadores na área rural, sendo equivocado o fundamento lançado seja no resultado da diligência fiscal, seja nas decisões já proferidas nos Fl. 417DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 autos no sentido de que estes, mesmo que em pequeno número, somente estivessem presentes na empresa no período de 03/2007 a 12/2007. Defende que a lei não faz qualquer exigência da contratação de trabalhadores na área rural para o seu reconhecimento como agroindústria. Por fim, requer a produção de prova pericial para que sejam respondidos os questionamentos a seguir, nomeando como assistente o Sr. Islon José Schroeder: a) a partir de que data começaram a ser efetuados os debastes de reflorestamentos de propriedade da recorrente? b) Qual o destino a que foi dado a madeira? c) Havia funcionários que cuidavam da área de reflorestamento, desde quando? d) As toras produzidas eram destinadas a recorrente e a terceiros? e) Havia industrialização destas toras e tábuas? Os móveis eram destinados à industrialização? Sem contrarrazões da PGFN, subiram os autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13976.000879/200870 Acórdão n.º 2401002.642 S2C4T1 Fl. 417 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO O recurso é tempestivo, merecendo conhecimento. Sem preliminares MÉRITO Conforme já relatado, tratase de pedido de restituição fundado na assertiva de que a recorrente, ao efetuar os recolhimentos de contribuições previdenciárias a seu cargo, o fez sobre a folha de salários, quando, em verdade, entende que o deveria ter feito na condição de agroindústria, de acordo com o art. 22A da Lei 8.212/91. Há de se ressaltar que com o protocolo do pedido veio a ser realizada diligência fiscal nos autos do processo administrativo n. 10920.001444/201014, apensado ao presente e que fora criado especificamente para o fim da apuração da efetiva condição da recorrente, se de agroindústria, ou se de indústria, como pela própria era declarado em GFIP. Inicialmente cumpre apontar que na realização da diligência, assim apontou o fiscal que a conduziu: Nessa ocasião constatouse que a empresa encontravase com as suas atividades industriais paralisadas desde 31.08.2008 e que no local estava ativo apenas um escritório onde trabalham o supracitado procurador e duas empregadas administrativas, cuja atividade concentravase no gerenciamento do passivo residual da empresa e na reorganização do seu imóvelsede, visando a sua locação a terceiros. Ou seja, as atividades sejam de produção rural própria ou de terceiros, não mais são realizadas na localidade, motivo pelo qual, a meu ver se torna, desde já, desnecessária a realização da perícia requerida no recurso voluntário, na medida que a fiscalização sequer poderá, neste momento, ter acesso ou mesmo fazer a devida apuração das condições do implemento do enquadramento da recorrente como agroindústria. Ainda na análise dos fundamentos constantes da diligência fiscal, há de se apontar que a fiscalização, também da análise da documentação contábil, chegou às seguintes conclusões, utilizadas nas decisões já tomadas nos autos para o indeferimento do pedido de restituição: 2. NO PERÍODO ATÉ 03/2001 A 02/2007 1.1. Conforme esclarecido acima, no período de 03/2001 a 02/2007 a empresa não declarou ser agroindústria, além disso, analisada a contabilidade da empresa e consultado os Fl. 419DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 empregados administrativos remanescentes desse período ainda hoje na empresa, verificouse que a empresa não utilizou matériaprima própria de origem rural em seu processo produtivo nesse período, pelo contrario, nessa fase a empresa sempre adquiriu junto à terceiros a matéria prima rural (madeira) que necessitou (doc 1 anexo, fornecido pela própria empresa); 1.2. nesse período a contabilidade da empresa não apresenta departamento ou setor rural. 2. NO PERÍODO ATÉ 03/2007 A 12/2007 2.4. No caso sob exame, a empresa possuía uma área de reflorestamento de pinus no. período fiscalizado, entretanto somente começou o seu corte no ano de 2007, conforme informação da empresa, descrição em notas fiscais e plano de manejo apresentação IBAMA em 02/2007 2.5. Não obstante a empresa dispusesse de reflorestamento em condições de corte, nesse período a empresa continuou adquirindo de terceiros madeira necessária à sua produção, conforme registros contábeis nas contas do razão 1010020701010100128, 1010020701010100007, 101002070101 0100003, 1010020701010300000, entre outras (DOC. 3, relação de notas de compra de madeira); 2.7. Da análise da planilha, extraise que no período de 03/2007 a 12/2007, a empresa utilizou 12,94% de matéria prima rural própria em seu processo produtivo. 2.8. no período fiscalizado foi verificado que a empresa possuiu três estabelecimentos ativos, entretanto, nenhum desses estabelecimentos possuía departamentos, setores ou quaisquer divisões específicos de atividades rurais 2.9. Analisado as GFIP's apresentadas pela empresa, verificase que a mesma nesse período declarou que possuía apenas trabalhadores no setor industrial (FPAS 833), nenhum no setor rural (FF'AS 604) 2.11. Analisa a folha de pagamento da empresa, no período de 03/2007 a 12/2007, foi verificado que a que nesse período a empresa teve apenas três empregados ligados a atividade primária e que a remuneração desse pessoal representou em média apenas 0,95% do total da massa salarial da empresa no período, conforme planilha abaixo: 3. No período até 01/2008 a 08/2008 3.1. analisada a contabilidade da empresa, verificouse que a empresa, embora dispusesse, não utilizou matériaprima rural própria, pelo contrário, vendeu para terceiros os toros retirados de sua propriedade e adquiriu no mercado placas e laminados de madeira para a utilização em seu processo produtivo. Resta claro, que a todo o momento, até 02/2007, a recorrente não possuía industrialização de produção própria, valendose, exclusivamente, da industrialização de matéria prima adquirida de terceiros. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13976.000879/200870 Acórdão n.º 2401002.642 S2C4T1 Fl. 418 7 Ao ver da fiscalização, para o enquadramento como agroindústria, é condição sine qua non a industrialização de produção rural própria, entendimento com o qual compartilho, por ser a única interpretação consoante com as disposições do art. 22A, da Lei 8.212, que a toda evidência exige para o enquadramento a existência de produção rural própria. Confirase o dispositivo: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Pois bem, considerandose que o pedido de restituição de contribuições compreende as competências de 01/2005 a 02/2007, resta evidente que nessa época, em momento algum, a recorrente industrializava produção própria, conforme conclusões da diligência fiscal realizada. Logo, diante da jurisprudência já firmada por este Eg. Conselho, não vislumbro a possibilidade de enquadrar a recorrente como agroindústria, de modo que não merece guarida o pedido de restituição formulado. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 421DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000331/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO REMANESCENTE. PRÉVIO RECONHECIMENTO DO DIREITO EM PROCESSO ANTERIOR. NOVO PEDIDO DESNECESSÁRIO.
Quando o direito creditório for reconhecido em um primeiro processo de pedido de ressarcimento e o crédito não for totalmente utilizado, não há necessidade de um novo pedido de ressarcimento do crédito remanescente.
Numero da decisão: 3401-001.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
Presidente
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas De Assis E Angela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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PRÉVIO RECONHECIMENTO DO DIREITO EM PROCESSO ANTERIOR. NOVO PEDIDO DESNECESSÁRIO. Quando o direito creditório for reconhecido em um primeiro processo de pedido de ressarcimento e o crédito não for totalmente utilizado, não há necessidade de um novo pedido de ressarcimento do crédito remanescente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 03 31 /2 00 9- 87 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas De Assis E Angela Sartori. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento da COFINS não cumulativa dos três primeiros trimestres de 2004 (fls. 03/11), transmitidos em 15/08/2008. A Delegacia de origem indeferiu o pedido, sob fundamento de que os créditos pleiteados já tinham sido objeto de outros processos administrativos (fls.177/179). A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 187/187), mas a DRJ em FortalezaCE indeferiu, ao prolatar acórdão (fls.270/272) com a seguinte ementa: “PEDIDO DE RESSARCIMENTO. RETIFICAÇÃO. Não se conhece do pedido de ressarcimento retificador de anterior solicitação de mesma natureza e período de apuração, que já foi objeto de decisão proferida pela Unidade Local. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido.” A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 09/04/2012 (fl.275) e interpôs Recurso Voluntário em 02/05/2012 (fls.277/281), com as alegações resumidas abaixo: 1 O presente pedido objeto deste processo não se trata de retificação, mas sim de pedido de crédito remanescente, Fl. 308DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10325.000331/200987 Acórdão n.º 3401001.865 S3C4T1 Fl. 308 3 do qual tem o direito já reconhecido pela autoridade fiscal na primeira vez que pediu o ressarcimento. 2 O crédito reconhecido no outro processo, no qual foi pedido o ressarcimento, não foi totalmente utilizado; 3 O direito de pleitear o crédito extinguese somente em cinco anos. Ao fim, a Recorrente pediu o provimento do Recurso Voluntário, a fim de que seja reformado o acórdão da DRJ e reconhecido o direito ao crédito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pede ressarcimento da COFINS nãocumulativa de períodos já analisados em outros processos administrativos, razão que levou ao indeferimento deste novo pedido. Assim, o cerne da questão consiste na possibilidade de ressarcimento de períodos já analisados. Conforme informação constante no Termo de Verificação Fiscal, mas precisamente na fl. 178, o crédito relativo ao primeiro trimestre de 2004 já foi analisado nos processos nºs 10325.000404/200426, 10325.000290/200414, 10325.000312/200446, 10325.000398/200415, 10325.000399/200451, 10325.000432/200443, 10325.000476/2004 73 e 10325.000941/200476, pelos quais foi reconhecido o direito creditório para esse período no valor de R$ 1.079.367,19 (um milhão, setenta e nova mil, trezentos e sessenta e sete reais e dezenove centavos). Na mesma folha, existe a informação de que o segundo trimestre de 2004 foi analisado nos processos nºs 10325.000612/200425, 10325.001021/200475, Fl. 309DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 10325.000875/200434, 10325.000779/200496, 10325.000765/200472,10325.000717/2004 84, 10325.000681/200439, 10325.000614/200414 e 10325.000564/200475, resultando no reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 2.524.096,18 (dois milhões, quinhentos e vinte e quatro mil, noventa e seis reais e dezoito centavos). Ainda na mesma folha da informação fiscal, consta a informação de que o terceiro trimestre de 2004 foi analisado nos processos nºs 10325.000067/200558, 10325.001022/200410, 10325.001218/200412, 10325.000069/200547, 10325.000137/2005 78 e 10325.000172/200597, cujo direito creditório foi reconhecido no montante de R$ 2.950.642,20 (dois milhões, novecentos e cinqüenta mil, seiscentos e quarenta e dois reais e vinte centavos). Em suma, é fato incontroverso o direito creditório já reconhecido da seguinte forma: 1o Trimestre de 2004: R$ R$ 1.079.367,19 (um milhão, setenta e nove mil, trezentos e sessenta e sete reais e dezenove centavos).; 2o Trimestre de 2004: R$ 2.524.096,18 (dois milhões, quinhentos e vinte e quatro mil, noventa e seis reais e dezoito centavos); 3o Trimestre de 2004: R$ 2.950.642,20 (dois milhões, novecentos e cinqüenta mil, seiscentos e quarenta e dois reais e vinte centavos). Da leitura do Recurso Voluntário da Recorrente, notase que o objetivo não é a nova análise do crédito, mas apenas a declaração do crédito já reconhecido. Uma vez reconhecido o crédito e não ultrapassado o prazo prescricional, não há na legislação qualquer impedimento ao seu aproveitamento em outro processo. Diante dessa conclusão, resta saber se, do crédito já reconhecido, qual o valor já utilizado e qual o valor remanescente, para saber se restam créditos suficientes para homologar as compensações pleiteadas. Conforme fls. 134/147, os créditos do 1o trimestre de 2004 foram utilizados para homologar as compensações constantes nos processos 10325.000290/200414, 10325.000312/200446, 10325.000398/200415, 10325.000399/200451, 10325.000432/2004 43, 10325.000476/200473 e 10325.000941/200476, que totalizavam R$ 894.588,98. Como o total do crédito reconhecido no primeiro trimestre foi de R$ 1.079.367,19, restou a ser Fl. 310DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10325.000331/200987 Acórdão n.º 3401001.865 S3C4T1 Fl. 309 5 aproveitado um crédito no valor de R$ 184.778,21 (cento e oitenta e quatro mil, setecentos e setenta e oito reais e vinte e um centavos). Em relação ao 2o trimestre de 2004, as informações estão constantes nas fls. 148/161. Segundo as informações dessas folhas, os créditos do 2o trimestre foram utilizados nas compensações constantes nos processos 10325.001021/200475, 10325.000875/200434, 10325.000779/200496, 10325.000765/200472,10325.000717/200484, 10325.000681/2004 39, 10325.000614/200414 e 10325.000564/200475, as quais totalizavam R$ 2.859.915,31. Como para o 2o trimestre foi reconhecido o direito creditório no valor de R$ 2.524.096,18, o valor das compensações apresentadas ultrapassou o valor do crédito, de modo que não restou saldo, razão que leva ao indeferimento do ressarcimento referente ao 2o trimestre de 2004. No tocante ao 3o trimestre de 2004, segundo as informações constantes nas fls. 162/163, os créditos estavam relacionados a compensações dos processos nºs 10325.001022/200410, 10325.001218/200412, 10325.000069/200547, 10325.000137/2005 78 e 10325.000172/200597, cujo total era R$ 1.460.819,66. Como o valor do crédito reconhecido foi R$ 2.950.642,20, restou um saldo de R$ 1.489.822,54 (um milhão, quatrocentos e oitenta e nove mil, oitocentos e vinte e dois reais e cinqüenta centavos). Portanto, a Recorrente tem em seu favor os seguintes créditos remanescentes: restou a ser aproveitado um crédito no valor de R$ 184.778,21 (cento e oitenta e quatro mil, setecentos e setenta e oito reais e vinte e um centavos), referente ao 1o trimestre de 2004; e R$ 1.489.822,54 (um milhão, quatrocentos e oitenta e nove mil, oitocentos e vinte e dois reais e cinqüenta centavos), relativo ao 4o trimestre de 2004, o que totaliza R$ 1.674.600,75 (um milhão, seiscentos e setenta e quatro mil e seiscentos reais e setenta e cinco centavos). Da leitura do Recurso Voluntário da Recorrente, notase que o objetivo não é a nova análise do crédito, mas apenas a declaração do crédito já reconhecido. Uma vez já reconhecido o crédito pleiteado, não há razão para uma nova declaração de direito creditório, haja vista a matéria já ter sido discutida em outro processo. O máximo que poderia haver era um pedido de compensação ou restituição para aproveitamento do crédito já reconhecido, o que não é caso. Portanto, não tem como se conhecer mais uma vez um direito creditório já reconhecido. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 312DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 13681.000246/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 07/05/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALÁRIO MATERNIDADE. FUNCIONÁRIA CONTRATADA EM ESTADO GRAVÍDICO. PRESUNÇÃO DE FRAUDE AO INSS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. RESTITUIÇÃO PROCEDENTE. Uma vez que o pedido de restituição de salário maternidade veio acompanhado de documentação idônea, que ao contrário das presunções adotadas pela fiscalização, apontam pela legalidade da contratação da funcionária, bem como da existência fática do contrato de trabalho, o simples e isolado fato de ser a única funcionária da empresa e de ter sido contratada em estado gravídico, não possuem o condão de configurar a caracterização de fraude de modo a beneficiar-se o requerente da restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 07/05/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALÁRIO MATERNIDADE. FUNCIONÁRIA CONTRATADA EM ESTADO GRAVÍDICO. PRESUNÇÃO DE FRAUDE AO INSS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. RESTITUIÇÃO PROCEDENTE. Uma vez que o pedido de restituição de salário maternidade veio acompanhado de documentação idônea, que ao contrário das presunções adotadas pela fiscalização, apontam pela legalidade da contratação da funcionária, bem como da existência fática do contrato de trabalho, o simples e isolado fato de ser a única funcionária da empresa e de ter sido contratada em estado gravídico, não possuem o condão de configurar a caracterização de fraude de modo a beneficiar-se o requerente da restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido.
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SALÁRIO MATERNIDADE. FUNCIONÁRIA CONTRATADA EM ESTADO GRAVÍDICO. PRESUNÇÃO DE FRAUDE AO INSS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. RESTITUIÇÃO PROCEDENTE. Uma vez que o pedido de restituição de salário maternidade veio acompanhado de documentação idônea, que ao contrário das presunções adotadas pela fiscalização, apontam pela legalidade da contratação da funcionária, bem como da existência fática do contrato de trabalho, o simples e isolado fato de ser a única funcionária da empresa e de ter sido contratada em estado gravídico, não possuem o condão de configurar a caracterização de fraude de modo a beneficiarse o requerente da restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 1. 00 02 46 /2 00 7- 96 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13681.000246/200796 Acórdão n.º 2401002.780 S2C4T1 Fl. 257 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por PAULINO PEREIRA DA SILVA, em face de acórdão que manteve que denegou se pedido de ressarcimento de salário maternidade, recolhido em favor da funcionária Rosimeire Maria de Jesus Santos Silva O indeferimento do pleito deuse em razão de que as instâncias a quo entenderam não haver nos autos prova suficiente a demonstrar que a funcionária Rosimeire efetivamente trabalhava para o recorrente. Os motivos adotados pelo v. acórdão de primeira instância para o indeferimento do pedido foram os seguintes: Ademais, existem outros indícios que associados levam a crer que a inclusão da segurada gestante na folha de pagamento visava tão somente a obtenção indevida dos benefícios previdenciários: a) a funcionária Rosimeire Maria de Jesus Santos Silva foi contratada em 3/1/2005 (fls.49 e 56) e conforme Certidão de fl.10, o nascimento de sua filha, Maria Vitória Santos Silva, ocorreu dia 23/6/2005. Portanto, quando da sua admissão, a mesma já se encontrava grávida. Nesse ponto, destacamos que não importa se a segurada é ou não filha do empregador. A contratação de qualquer segurada, quando gestante, configura, em tese, simulação para fins de obtenção de benefício previdenciário. No caso em tela, o fato de a segurada ser filha do Sr.Paulino Pereira da Silva só prova que, ao ser contratada, o mesmo já tinha ciência de sua gravidez. A admissão da empregada grávida configura uma situação inusitada, visto que é paradoxal o fato de uma empresa que está necessitando de funcionário contratar alguém que em breve terá que se ausentar por longo período, sem contar os encargos adicionais a que está sujeita a sociedade com o fundo de garantia, férias e outros durante o período em que a segurada encontrase afastada. b) a Sra. Rosimeire Maria de Jesus Santos Silva foi a única empregada da empresa no período de sua contratação. c) não há registro algum e nenhum recolhimento no Sistema Informatizado da RFB Conta Corrente da empresa (fl.35) referente a comercialização da produção rural. Diante do exposto, os indícios constantes dos autos, todos reunidos, em uma montagem lógica, permitem formar convicção de que os procedimentos adotados pelo requerente serviram de artifício para que a gestante Rosimeire Maria de Jesus Santos Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Silva, filha do empregador, recebesse indevidamente os benefícios previdenciários O pedido compreende as competências de 05/2005 a 09/2005, tendo sido protocolizado em 17/09/2007. Em seu recurso, esclarece que trouxe aos autos prova suficiente do vínculo empregatício da funcionãria Rosimeire, bem como para comprovar o ressarcimento dos valores recolhidos a título de salário maternidade. Acresce que é pífio o argumento que constou no voto no sentido de que a inclusão da segurada como empregada quando estava grávida visava a geração de benefício indevido indevido. Defende que no ato da contratação desconhecia a condição de gravídica da funcionária, sendo que a Constituição Federal veda qualquer tipo de discriminação à funcionária grávida. Finaliza argumentando que não há que se falar em simulação na contratação da funcionária, admitida para o cargo de serviços gerais, visando a obtenção de vantagem indevida em desfavor da Previdência Social, pois a trabalhadora de fato laborou para o recorrente, vez que, à época este estava em período de colheita de safra. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13681.000246/200796 Acórdão n.º 2401002.780 S2C4T1 Fl. 258 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, tratase de recurso no qual visa a parte interessada o ressarcimento de valores pagos a título de salário maternidade para a funcionária Rosimeire. Até o presente momento, o pedido veio a ser indeferido sob o argumento da ausência de prova do vínculo de emprego da funcionária com o recorrente, tendo o v. acórdão de primeira instância entendido que o caso, em verdade era de simulação, pois não seria crível que o recorrente tenha contratado funcionária de boa escrita, grávida, para exercer atividades em sua propriedade rural. Aos autos foram juntados o atestado de nascimento do filho da funcionária, o seu cartão de vacinação, livro de registro de empregados, GFIP´s relativas ao período, atestado médico solicitando o afastamento da funcionária no período da licençamaternidade, atestado admissional, ficha de salário família, certidão de nascimento da funcionária, cópia de sua carteira de trabalho, guias de pagamento do período, TRCT, e cópias dos contracheques da funcionária. Todos os documentos, ao revés das conclusões adotadas pelo v. acórdão recorrido, a meu ver demonstram, a toda evidência, prova contundente da admissão e do vínculo da funcionária Rosemeire com o recorrente. As alegações constantes no acórdão de primeira instância são meras presunções aventadas para o indeferimento do pleito, em total contrariedade ao conjunto probatório constante dos autos, o qual, em momento algum, pode nos levar a conclusão da ocorrência de simulação na contratação da funcionária para fins de obtenção de vantagem indevida em desfavor do INSS. Simplesmente, não existem motivos que fundamentem tal assertiva, mas ao contrário, constam nos autos provas das alegações constantes no recurso voluntário. Ainda sobre o assunto destaco ser muito comum a contratação de funcionárias grávidas, inclusive, ainda, em situações que tal condição é ocultada do empregador. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Ante todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15504.017276/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1999
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 72 76 /2 00 9- 70 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.017276/200970 Acórdão n.º 2401002.919 S2C4T1 Fl. 445 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo acima identificado contra o Acórdão n.º 0225.965 da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG), fls. 109/116, a qual considerou procedente em parte a impugnação apresentada contra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.077.2105, excluindo, por decadência, as competências de 05 a 11/1998. De acordo com o relatório fiscal, o lançamento foi efetuado em substituição à NFLD 36.612.4517, de 30/04/2004, julgada nula por vicio de formal através do Acórdão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS/4a Câmara n° 656/2005, de 18/04/2005. O crédito sob discussão foi lançado no sujeito passivo acima por responsabilidade solidária pelas contribuições previdenciárias (patronal e segurados) não adimplidas pela empresa IRMÃOS MENEZES ENGENHARIA CONSTRUÇÕES E MONTS. LTDA.,CNPJ 38.718.524/000195, que lhe prestou serviços mediante cessão de mão de obra. O saláriodecontribuição foi obtido por aferição indireta, com base nas notas fiscais emitidas em nome da autuada pela sua prestadora, no período maio de 1998 a janeiro de 1999. Apenas a empresa autuada interpôs recurso, fls. 138/161, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) para que se possa aferir a procedência do lançamento fazse necessária a juntada de todas as peças do processo relativo à NFLD n.º 35.612.4517, até porque na decisão recorrida são feitas menções a documentos do referido processo; b) a própria decisão da DRJ reconhece que os diretores não têm responsabilidade pelo crédito, portanto, não poderá no futuro haver redirecionamento de execução fiscal contra essas pessoas; c) não houve negativa da recorrente em apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, posto que foram exibidas folhas de pagamento e guias de recolhimento da prestadora relativas ao período do crédito; d) o lançamento não poderia ser refeito, posto que a NFLD foi nulificada por vício material insanável; e) o fisco não poderia deixar de relacionar os empregados da prestadora, cujas remunerações deram ensejo à apuração; f) o fato de terem sido apresentados os documentos da contratada, mesmo que genéricos, deveria desencadear uma maior investigação para que se verificasse se o débito lançado de fato existe; g) de acordo com o § 5.º do art. 150 do CTN, quando da lavratura da NFLD nulificada, a decadência já havia se operado para as contribuições lançadas; Fl. 446DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 h) o fisco não conseguiu demonstrar que os serviços prestados à recorrente foram na modalidade de cessão de mão de obra; i) os documentos juntados nos autos da NFLD que originou a presente a presente autuação comprovam que todas as contribuições previdenciárias foram recolhidas, em separado ou em conjunto, mas recolhidas, não cabendo a tributação em duplicidade, o bis in idem, enfim, o enriquecimento sem causa; j) o fato da recorrente não ter cumprido a obrigação acessória de exigir as folhas e guias específicas não pode dar origem a tributo; h) a elucidação dos fatos que ensejaram a autuação depende de perícia técnica; Ao final, pede o cancelamento da lavratura, seja pela decadência ou pela improcedência dos argumentos lançados pelo fisco para justificar a autuação. É o relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.017276/200970 Acórdão n.º 2401002.919 S2C4T1 Fl. 446 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, é necessário que se verifique o transcurso do prazo decadencial já quando da lavratura da NFLD original. Verificase dos autos que o lançamento ocorreu em 30/04/2004. A empresa em seu recurso afirma que na defesa contra a NFLD original apresentou folhas de pagamento e guias genéricas que comprovariam a inexistência do débito. Todavia, como não foram acostadas ao presente processo os documentos que instruíram os autos anteriores, não há como se confirmar diretamente a existência dos recolhimentos. No entanto, há um dado lançado no voto condutor do acórdão que anulou a NFLD n.º 35.612.4517, que nos deixa à vontade para concluir pela existência de recolhimentos ainda que feitos de forma genérica pelo prestador. Vejamos o que disse o Relator, fl. 81/86: “A Tomadora de Serviços (ACESITA S.A.) apresentou defesa tempestiva de fls. 35 a 55. A ACESITA colaciona aos autos documentos enviados pela prestadora de serviços: GRPS e folhas de pagamento que, segundo a mesma, demonstram que as contribuições sociais foram devidamente recolhidas. A Prestadora de Serviços, mesmo intimada, se limitou a apresentar declaração de que não efetuou recolhimento em guia específica, mas o fez de forma genérica e junta aos autos uma série de GRPS (fls. 161). (...) Assim, em que pesem todos os esforços desprendidos pela tomadora de serviços e pela prestadora de serviços não há como elidir a responsabilidade solidária da tomadora apenas com a apresentação das guias e folhas de pagamento genéricas, posto que a lei é cristalina e somente reconhece o recolhimento efetuado em guias especificas a partir da respectiva folha de pagamento dos segurados que prestaram os serviços descritos nas notas fiscais.” Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, posto que há evidências de que foram apresentadas guias de pagamento em nome prestadora de serviços correspondentes ao período do crédito. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade também as competências até 12/1998 e 01/1999, haja vista que a data do lançamento é 30/04/2004. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.017276/200970 Acórdão n.º 2401002.919 S2C4T1 Fl. 447 7 Conclusão Voto pelo provimento do recurso, ao reconhecer a decadência para todas as competências lançadas. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 450DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11080.006729/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS-ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO.
Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no valor de R$ 8.231,46.
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 10/09/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no valor de R$ 8.231,46. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Relator. EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontramse elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no valor de R$ 8.231,46. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 67 29 /2 00 7- 48 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11080.006729/200748 Acórdão n.º 2102002.160 S2C1T2 Fl. 11 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 20 a 23: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 08/09, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física no valor de R$ 2.166,30, multa de ofício no valor de R$ 1.624,72 e juros de mora no valor de R$ 715,52 totalizando R$ 4.506,54, calculados até 31/07/2007, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. A autoridade lançadora informa às fls. 09 que procedeu à glosa de despesas médicas no valor de R$ 10.721,52. Embora devidamente intimado, o contribuinte não comprovou a despesa com o Hospital Parque Belém e em relação ao plano de saúde “Sener Saúde” foram excluídos os valores relativos a srª Auxilia Oliveira e Freitas. O notificado apresentou impugnação, de fls. 01/05, primeiro concordando com a parte da glosa relativa a despesa com o plano de saúde. Quanto a glosa da despesa com o Hospital Parque Belém disse que a legislação não exige a apresentação da forma de pagamento. Deve apenas ser comprovada a despesa com os comprovantes originais, devendo ter a comprovação do beneficiário. Consta às fls. 18, cópia do DARF no valor de R$ 679,35, acrescidos de juros e multa, relativos a parte em que o contribuinte concorda com a glosa, remanescendo o valor do imposto equivalente a R$ 1.486,96 (valor principal). É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que o recibo apresentado, fl. 12, não seria prova suficiente para desconstituir o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 COMPROVAÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. A dedução das despesas médicas está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 27 a 31, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, insistindo que o recibo do Hospital Parque Belém no valor de R$ 8.231,46 é idôneo e atende a legislação vigente. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11080.006729/200748 Acórdão n.º 2102002.160 S2C1T2 Fl. 12 3 Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. DESPESAS MÉDICAS Discutese nesse processo glosas de despesas médicasodontológicas. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Desta forma, temse que no caso de deduções da base de cálculo do imposto de renda, que é o caso das despesas médicas, o ônus da prova da efetividade de tais despesas é do contribuinte, que se beneficia da dedução. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11080.006729/200748 Acórdão n.º 2102002.160 S2C1T2 Fl. 13 4 Nesse sentido, passemos a analisar a despesa glosada e a respectiva prova apresentada no processo. Hospital Parque Belém, Valor de R$ 8.231,46. Bem, a prova apresentada é o recibo emitido pelo Hospital à fl. 12, contendo identificação completa da Pessoa Jurídica e identificação nominal do contribuinte, além da descrição do serviço prestado. A Fiscalização procedeu o lançamento unicamente pela falta de comprovação do pagamento sem apontar qualquer indício que o recibo seria inidôneo, fl. 09. Considerando as formalidades intrínsecas de um Recibo emitido por Pessoa Jurídica e a facilidade de verificação da sua veracidade, o que poderia ter sido feito junto ao emitente, entendo que o recibo é o suficiente para a prova que se busca. Assim sendo, voto por restabelecer esta despesa. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000028/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO.
O saldo credor trimestral decorrente de crédito presumido da Cofins, apurado sobre aquisições de pessoas físicas, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição apurada e devida mensalmente, inexistindo amparo legal para o seu ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos dos votos do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Acompanhou o julgamento o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC 22.912.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Andréa Medrado Darzé Relatora.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Adão Vitorino de Morais Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O saldo credor trimestral decorrente de crédito presumido da Cofins, apurado sobre aquisições de pessoas físicas, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição apurada e devida mensalmente, inexistindo amparo legal para o seu ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O saldo credor trimestral decorrente de crédito presumido da Cofins, apurado sobre aquisições de pessoas físicas, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição apurada e devida mensalmente, inexistindo amparo legal para o seu ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos dos votos do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Acompanhou o julgamento o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC 22.912. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Possas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Andréa Medrado Darzé – Relatora. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 28 /2 00 8- 10 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em São Paulo I que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por entender que o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/04 somente poderá utilizado para desconto dos valores das respectivas contribuições. A ora Recorrente apresentou Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) da COFINS não cumulativa, referente ao 2º trimestre de 2006. Para a verificação da procedência dos créditos objeto do pedido de ressarcimento, foi efetuada diligência junto à empresa. Com base no resultado da diligência, foi proferido Despacho Decisório, no qual restou assentado que: (i) o saldo credor do PIS/PASEP e da COFINS, apurado nos termos das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 e o art. 15 da Lei n° 10.865/2004, quando vinculado às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência dessas contribuições, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Todavia, os créditos vinculados às vendas tributadas no Mercado Interno somente podem ser utilizados para dedução das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS apuradas no regime de incidência não cumulativa. (ii) o crédito presumido proveniente de atividade agroindustrial, tratado no art. 8° da Lei nº 10.925/2004, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Por conta disso, foram refeitos os cálculos apresentados pelo contribuinte e pela fiscalização, concluindose pelo ressarcimento parcial, conforme planilha que junta. Contra esta decisão, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: (i)os produtos comercializados pela Manifestante estão sujeitos à alíquota zero, desde 26/07/04, em face da edição da Lei nº 10.925/04; (ii)apenas uma pequena parte da produção da Manifestante é tributada no mercado interno. Com efeito, a parcela tributada de suas vendas representa aproximadamente 5% do total produzido, sendo que os 95% remanescentes estão submetidos à venda beneficiada com alíquota zero; (iii)por conta disso, tem créditos acumulados de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS relativos às aquisições dos insumos adquiridos para utilização em sua produção; (iv)neste contexto, vedar a Manifestante de ressarcir ou a compensar tais importes é tornar o PIS/PASEP e a COFINS parcialmente cumulativos, o que contraria o desiderato perseguido pelas próprias Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000028/200810 Acórdão n.º 3301001.666 S3C3T1 Fl. 104 3 (v)ao promover uma incidência não cumulativa da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, o texto constitucional fez referência a instituto jurídico já existente no direito pátrio. Portanto, sua regulamentação por lei ordinária deve observância aos limites conceituais, não lhe sendo concedido o poder de chamar qualquer sistemática de apuração de tributos de não cumulativa; (vi)inutilizar o aproveitamento dos créditos é violar a Constituição Federal, que, ao permitir a instituição das referidas contribuições, impôs a elas a adoção do preceito da não cumulatividade como forma de assentar uma justiça fiscal adequada. Portanto, outorgar um crédito parcial é o mesmo que autorizar que o tributo seja apenas parcialmente não cumulativo, ferindo diretamente o texto constitucional. (vii)com relação à vedação ao direito de crédito de contribuição para o PIS/PASEP e de COFINS relativamente ao crédito presumido das atividades agroindustriais, o Legislador Federal previu, por meio do art. 16 da Lei nº 11.116/05, a possibilidade de compensar referido crédito acumulado ao final de cada trimestre com débitos próprios, vencidos e vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, ou de se proceder ao pedido de ressarcimento do mesmo. (viii)a Lei nº 11.033/04, em seu art. 17, estabelece que "as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações". (ix)cumpre salientar que, ao contrário do que foi afirmado no Despacho Decisório, inexiste na Lei nº 10.925/2004 qualquer vedação para utilização do crédito presumido de PIS/COFINS por meio de compensação, sendo o entendimento esposado no Despacho Decisório construído a partir de meras determinações infralegais. (x)todavia, instruções normativas e atos declaratórios interpretativos exarados pelo próprio fisco não criam direitos assim como também não impõe deveres novos ao contribuinte, não previstos em lei. (xi)a Receita Federal reforçou seu entendimento contrário à compensação e ao ressarcimento do crédito presumido por intermédio da IN SRF nº 636, revogada pela IN SRF nº 660/06, dispondo ambas sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre a utilização do crédito presumido decorrente das aquisições desses produtos. (xii)a IN SRF nº 660/06, ao estabelecer a vedação ao aproveitamento do saldo credor decorrente do crédito presumido das contribuições em evidência, via compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal ou ressarcimento em espécie, extravasou sua competência, incorrendo em patente violação ao principio da hierarquia das leis. (xiii)o principio constitucional da estrita legalidade (art. 150, I, da CF/88) exige que somente o Poder Legislativo pode impor norma matriz tributária, pormenorizando em sua plenitude todos os seus elementos, sendo vedado, pois, ao Executivo estabelecer restrições, como ocorre no caso em concreto, em que se delimita a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 4 (xiv)o posicionamento da Administração também viola o disposto nos artigos 3 e 97 do CTN. A DRJ em São Paulo I julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS NO MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO. Nas vendas no mercado interno, o ressarcimento de créditos é permitido apenas em relação aos dispêndios vinculados a operações efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Os créditos relacionados a demais receitas no mercado interno podem ser aproveitados exclusivamente para dedução da contribuição apurada. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/20045 somente poderá utilizado para desconto dos valores das respectivas contribuições, sendo afastada a hipótese de ressarcimento em dinheiro ou a compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé, Relatora. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se resume à possibilidade de o contribuinte se ressarcir/compensar (i) o crédito básico da Contribuição ao PIS acumulado em face das vendas no mercado interno sujeitas à alíquota zero, bem como (ii) o crédito presumido da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/04. Pois bem. A atividade da Recorrente consiste na industrialização e comercialização de alguns cereais, em especial, o arroz e o feijão. Após a edição da Lei n° 10.925/04, a receita bruta de venda no mercado interno desses produtos está sujeita à alíquota zero da Contribuição para o PIS e da COFINS. Por conta disso, a Recorrente vem acumulando saldo credor de Contribuição ao PIS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/02, o qual pretende ressarcir no presente pedido. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000028/200810 Acórdão n.º 3301001.666 S3C3T1 Fl. 105 5 Conforme bem pontuado pelo despacho decisório, a presente matéria é regulada pelo art. 16 da Lei 11.116/05, que assim dispõe: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Da simples leitura do referido texto legal, inferese que o saldo credor de Contribuição ao PIS e da COFINS apurado nos termos do princípio da não cumulatividade, acumulado em virtude do disposto no art. 17 da Lei 11.033/04, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Já o referido art. 17, estabelece o seguinte: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em estreita síntese, o que referidos dispositivos legais, em conjunto, determinam é que o saldo credor de Contribuição ao PIS e da COFINS apurado nos termos do princípio da não cumulatividade, acumulado em virtude da manutenção dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas Contribuições, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Ou seja, acumulando saldo credor de Contribuição ao PIS ou da COFINS em face da venda de mercadorias com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas Contribuições – seja qual for a razão da “exoneração” tributária – autorizase o contribuinte a requerer o seu ressarcimento ou compensação. A presente matéria foi regulamentada pela IN SRF nº 900/08, a qual confirma a amplitude e o alcance da autorização legal relativa à compensação/ressarcimento do crédito acumulado dessas contribuições: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto Fl. 465DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 6 de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestre calendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. § 1º À empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação é vedado apurar créditos vinculados a essas aquisições. § 2º O disposto neste artigo não se aplica a custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação de produtos ou de prestação de serviços, nas hipóteses previstas no art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. § 3º O disposto no inciso II do caput aplicase aos créditos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e à Cofins Importação apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 4º O disposto no inciso II do caput não se aplica às aquisições, para revenda, dos seguintes produtos: I gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; II óleo diesel e suas correntes; III gás liquefeito de petróleo (GLP), derivado de petróleo ou de gás natural; IV querosene de aviação; V biodiesel; VI álcool hidratado para fins carburantes; VII produtos farmacêuticos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006: a) 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56; b) 30.04, exceto no código 3004.90.46; c) 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.30.1, 3006.30.2 e 3006.60.00; VIII produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00 da TIPI; Fl. 466DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000028/200810 Acórdão n.º 3301001.666 S3C3T1 Fl. 106 7 IX máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da TIPI; X pneus novos de borracha da posição 40.11 e câmarasdear de borracha da posição 40.13 da TIPI; e XI autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores. § 5º A vedação referida no § 4º não se aplica à pessoa jurídica fabricante das máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da Tipi que apure a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins no regime de nãocumulatividade, a qual poderá descontar créditos relativos à aquisição, para revenda, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, e alterações posteriores, podendo ainda darlhes a mesma utilização prevista no caput deste artigo, se incorrer nas hipóteses previstas nos seus incisos I e II. A transcrição foi longa, mas oportuna. Com efeito, a IN SRF nº 900/08 deixa bastante evidente a autorização para pedir de ressarcimento do crédito acumulado de Contribuição ao PIS e da COFINS decorrente da venda de mercadorias com alíquota zero, seja ela realizada no mercado externo ou no interno. Nem legislador, nem Receita Federal fez qualquer ressalva relativa ao destino das vendas para efeito de assegurar a manutenção do crédito ou mesmo de autorizar o ressarcimento. Pelo contrário, usaram sempre os termos “venda” e “vendedor” – não exportação e exportador – não cabendo ao intérprete reduzir seu campo de abrangência, como o fez a DRF e a DRJ, apenas para alcançar as operações dirigidas ao mercado externo. Diante de disposições tão claras não há espaço para dúvida: o art. 17 da Lei nº 11.033/04 assegura à Recorrente a manutenção dos créditos vinculados às operações de venda com isenção e o art. 16 da Lei nº 11.116/05 lhe autoriza a pedir o ressarcimento dos créditos acumulados em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/04. Ocorre que no caso concreto a insurgência do contribuinte não se dirige a este ponto, cujo direito ao crédito fora reconhecido pela fiscalização. O que pretende é se ressarcir do crédito básico acumulado nas saídas tributas. Ora, como vimos a lei autoriza o ressarcimento apenas nos casos de saldo credor de crédito básico acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, o que não é o caso. Por conta disso, não merece reforma a decisão neste ponto. Vale ressaltar, que a presente controvérsia não interfere na quantificação do crédito, haja vista que, como bem colocado pela decisão recorrida a totalidade dos créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno, apurados pela fiscalização, foi aproveitada para dedução da contribuição devida no período, não havendo saldo remanescente para ser ressarcido. Quanto aos créditos presumidos da agroindústria (art. 8º, § 6°, da Lei n° 10.925/04), alega a Recorrente que deveria ser reconhecido o direito à sua compensação/ressarcimento, uma vez que tal vedação seria manifestamente ilegal, vez que Fl. 467DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 8 inauguralmente prescrita no Ato Declaratório Interpretativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil nº 15/2005. Pois bem. A Lei n° 10.925/04 se resumiu a assegurar o crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Já o ADI SRF nº 15/2005 prescreveu que o valor do crédito presumido referido no art. 1° não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei n° 10.637, de 2002, art. 5º, § 1°, inciso II, e § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, art. 6, § 1°, inciso 11, e § 2°, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Ocorre que, como regra, o veículo introdutor de comandos inaugurais e autônomos no sistema de direito positivo há de ser sempre a lei em sentido formal (artigo 5°, II, CF). Essa máxima, conquista do Estado Democrático de Direito, afasta a possibilidade de se cogitar o estabelecimento de direitos e deveres senão em decorrência da manifestação de vontade do povo, concretizada em comandos legais. Ao dispor sobre o princípio da legalidade, nos ensina Paulo de Barros Carvalho: Também explícito em nosso sistema — art. 5.º, II — esse princípio assume o papel de absoluta preponderância. Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Efunde sua influência por todas as províncias do direito positivo brasileiro, não sendo possível pensar no surgimento de direitos subjetivos e de deveres correlatos sem que a lei os estipule. Como o objetivo primordial do direito é normar a conduta, e ele o faz criando direitos e deveres correlativos, a relevância desse cânone transcende qualquer argumentação que pretenda enaltecêlo. A diretriz da legalidade está naquela segunda acepção, isto é, a de norma jurídica de posição privilegiada que estipula limites objetivos. (Curso de direito Tributário, Ed. Saraiva, 22ª edição, 2010, p. 199) Neste ponto, é importante esclarecer que para este doutrinador os Atos Declaratórios Interpretativos se amoldam à definição do conceito “legislação tributária”, presente no art. 96, do CTN. A despeito disso, não se lhes autoriza introduzir direitos ou deveres novos no sistema, vez que se trata de veículos normativos secundários, estando por esta razão, subordinados ao que estabelece a lei. Sua função se resume a complementar as leis, não contrariálas ou substituílas. Esta conclusão pode ser extraída do próprio trecho transcrito na decisão recorrida: Tirante as leis, os decretos e, entre as normas complementares, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas e as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa (art. 100, I e II), que são instrumentos introdutórios, primários ou secundários, no ordenamento positivo brasileiro, todos os outros, tratados e convenções internacionais, bem como as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas e os convênios que entre si celebram a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, esses últimos, na qualidade de normas complementares, são vazios de força jurídica vinculante, não integrando o complexo normativo. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000028/200810 Acórdão n.º 3301001.666 S3C3T1 Fl. 107 9 Ciente das confusões interpretativas que a redação do art. 96 do CTN poderia causar, por colocar lado a lado, instrumentos introdutórios primários e secundários, acrescenta Paulo de Barros Carvalho: Insere o legislador, no mesmo quadro, indiscriminadamente, atos normativos inaugurais, como as leis, ao lado dos tratados e convenções internacionais, que valem na ordem jurídica interna se e somente se acolhidos no conteúdo de decreto legislativo, como tivemos oportunidade de ver. Coloca, ombro a ombro, instrumentos introdutórios primários com entidades que não podem ser tidas sequer como instrumentos primários de introdução de regras tributárias. E, como se não bastasse, faz referência expressa às normas complementares e, dentro delas, às práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas e aos convênios que entre si celebram a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. (Curso de direito Tributário, Ed. Saraiva, 22ª edição, 2010, p. 109) A jurisprudência dos Tribunais Superiores também é pacífica no sentido de que as normas regulamentares, como é o caso dos Atos Declaratórios Interpretativos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não podem inovar: LEI 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS DESNECESSIDADE DE DECRETO REGULAMENTADOR. AUTOAPLICABILIDADE. VIGÊNCIA. (...) 3. No que concerne à contribuição sobre a folha de salários, a Lei 8.212/91 não tem sua eficácia subordinada à vigência de Decreto Regulamentador, já que trouxe a definição de todos os aspectos do fato gerador. Qualquer inovação trazida pela norma regulamentar, importaria violação ao princípio da legalidade estrita. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido. (REsp 470198 / RS; Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 31.05.04, p. 180 – destacouse) Tecidas essas considerações e tendo em vista Ato Declaratório Interpretativo não é lei nem pode ser a ela equiparada, merece acolhida a insurgência da Recorrente no sentido de que a disposição do art. 2º da ADI SRF nº 15/05 poderia servir de fundamento jurídico para a não homologação da compensação declarada. Pelo exposto, voto por dar PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 10 Discordo da Ilustre Relatora quanto ao direito de a recorrente se ressarcir de créditos presumidos da Cofins sobre aquisições de pessoas físicas. O crédito presumido da Cofins, apurado sobre custos com aquisições de insumos de pessoas físicas residentes no País, foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, §§ 5º, 6º e 12, que assim dispunha: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 050400, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00. 18.03, 1804.00.00, 1805.00,00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 6º Relativamente ao crédito presumido referido no § 5º: I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do caput do art, 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (...). § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 12. Relativamente ao crédito presumido referido no § 11: § 12. Relativamente ao crédito presumido referido no § 11: I o valor das aquisições que servir de base para cálculo do crédito presumido não poderá ser superior ao que vier a ser Fl. 470DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000028/200810 Acórdão n.º 3301001.666 S3C3T1 Fl. 108 11 fixado, por espécie de produto, pela Secretaria da Receita Federal SRF; e II a Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para regulamentálo.” Esta mesma lei estabelece, no § 4º do art. 3º, que o crédito, em geral, não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. As opções de compensação e/ ou ressarcimento não foram previstas. Posteriormente, todos aqueles parágrafos (5º, 6º, 11 e 12) foram revogados pela Lei nº 10.925, de 23/7/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004, literalmente: “Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: (...); e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...).” No entanto, essa mesma Lei restaurou o crédito presumido da Cofins, assim dispondo: “Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 12 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (destaque não original) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...); § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: (destaque não original) I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal.” O ressarcimento e/ ou a compensação de créditos da Cofins não aproveitados, segundo a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, I, e § 2º, beneficia apenas o saldo credor trimestral de créditos decorrentes de exportações de mercadorias, assim dispondo: “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000028/200810 Acórdão n.º 3301001.666 S3C3T1 Fl. 109 13 § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” A compensação de créditos de Cofins decorrentes de operações internas, envolvendo custos de aquisições de insumos no mercado interno e externo e vendas para o mercado interno, somente passou a ser permitida para o saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.8333, de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, conforme estabelece a Lei nº 11.116, de 18/5/2005, art. 16, literalmente: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” O que a legislação tributária garante é a manutenção dos créditos da Cofins, básicos e presumidos, decorrentes de operações (vendas) efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência desta contribuição, conforme previsto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, literalmente: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Fl. 473DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 14 Ora, segundo os dispositivos legais citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da Cofins somente pode ser utilizado para dedução da própria contribuição apurada mensalmente. Inexiste amparo legal para a compensação e/ ou ressarcimento de saldo credor trimestral desta contribuição. O ressarcimento/compensação beneficia somente o saldo credor trimestral de créditos decorrentes de exportações e do crédito básico normal, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116, de 18/5/2005, citado e transcrito anteriormente. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais – Relator Designado. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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