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Numero do processo: 10768.008689/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
Ementa:
EMBARGOS. OMISSÃO. Embargos acolhidos para sanar a omissão revelada no acórdão proferido por este Colegiado, no tocante a inexatidão apontada pelas Embargantes.
Numero da decisão: 1301-002.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar a omissão revelada para determinar que a autoridade de origem aloque os pagamentos de R$ 41.753.724,18 na quitação integral do parcelamento objeto deste processo.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Ângelo Abrantes Nunes, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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OMISSÃO. Embargos acolhidos para sanar a omissão revelada no acórdão proferido por este Colegiado, no tocante a inexatidão apontada pelas Embargantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar a omissão revelada para determinar que a autoridade de origem aloque os pagamentos de R$ 41.753.724,18 na quitação integral do parcelamento objeto deste processo. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Ângelo Abrantes Nunes, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 86 89 /2 00 9- 49 Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10768.008689/200949 Acórdão n.º 1301002.613 S1C3T1 Fl. 2.183 2 Relatório Cuida o presente processo de pedido de parcelamento ou pagamento à vista de débitos, nos termos do art. 3º da Medida Provisória nº 470/09, com a regulamentação dada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 9/09 e Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 12/10. A Embargada ingressou com Manifestação de Inconformidade (fls. 1329/1343) e as petições fls. 1070/1085 e 1395/1417, a qual foi julgada improcedente pela 8ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1863/1905), o qual contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Ademais, em 20/04/2016, a Embargada apresentou nova petição (fls. 1944/1954), na qual informa a existência de legislação superveniente relativa à matéria (Lei 13.043/2014) e a quitação saldo remanescente do parcelamento depois de realizada a inclusão dos débitos do processo administrativo fiscal n° 16682.720452/201181 no parcelamento da Lei n° 12.865/2013. Este colegiado, por meio do acórdão n° 1301002.152, deu provimento ao recurso voluntário, por meio do acórdão n° 1301002.152, a fim de que o saldo remanescente do parcelamento possa ser quitado com os benefícios previstos na referida Medida Provisória no prazo de 30 dias, a contar da intimação da última decisão administrativa no PAF nº 16682.720452/201181. Contra decisão, a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (2084/2087) para que seja sanada a omissão e a obscuridade verificada no v. acórdão embargado. Em despacho às fls. 2091/2092 os embargos foram admitidos com amparo nas disposições do no artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno. Contra o acórdão de embargos de nº 1301002.282 proferido por este Colegiado (fls. 2093/2096), a contribuinte, ora Embargante, propôs Embargos de Declaração para sanar a omissão decorrente da ausência de indicação sobre qual pagamento referese a quitação do parcelamento MP nº 470/09. Insta salientar que a unidade preparadora opôs também embargos de declaração (fls. 2104/2107) apontando o suposto mesmo equívoco. Em novo despacho às fls. 2177/2181, foi acolhido a alegação de omissão trazida pela embargante, a qual deve ser sanada, bem como acolhido de forma supletiva os embargos opostos pela unidade preparadora, uma vez que ambos tratam do mesmo suposto equivoco . É o relatório. Passo a decidir. Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 10768.008689/200949 Acórdão n.º 1301002.613 S1C3T1 Fl. 2.184 3 Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator Primeiramente, impende destacar que os embargos de declaração são cabíveis quando for constatada obscuridade, omissão a decisão e os seus fundamentos, ou quando há inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, nos termos dos artigo 65 e 66, do Anexo II, do Regimento Interno. Os embargos de declaração e os embargos inonimados são tempestivos, portanto, deles conheço. A questão central que ensejaram os presentes embargos diz respeito ao equívoco cometido pelo voto condutor, em que foi indicado o valor de R$ 102.562.811,28, em vez do valor de R$ 41.753.724,18 que foi o valor efetivamente pago para a quitação do saldo do parcelamento relativo ao programa veiculado pela MP 470/09. Isso porque, o primeiro pagamento no valor de R$ 102.562.811,28 diz respeito a desistência do PAF nº 16682.720452/201181, enquanto que o segundo é relativo ao saldo do pagamento do programa veiculado pela MP 470/09. Tal questão deve ser sanada, a fim de deixar claro que o saldo restante do parcelamento o qual a contribuinte recolheu, por meio de algumas DARFs é o valor de R$ 41.753.724,18 (fl. 1877), em consonância com as DARF's juntadas aos autos às fls. 1504 a 1512. Assim, conforme explanado e comprovado em sede dos presentes embargos, o saldo de parcelamento veiculado pela MP 470/09, objeto do presente processo, no valor integral de R$ R$ 41.753.724,18 encontrase quitado. Ante todo o exposto, conheço dos embargos e, no mérito, doulhes provimento para sanar a omissão revelada para determinar que à autoridade de origem aloque tais pagamentos no importante de R$ 41.753.724,18 na quitação integral do parcelamento, objeto desse processo. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 10768.008689/200949 Acórdão n.º 1301002.613 S1C3T1 Fl. 2.185 4 Fl. 2185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720114/2007-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-003.181
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para restabelecer o valor da terra nua declarado. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que mantinha o arbitramento.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para restabelecer o valor da terra nua declarado. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que mantinha o arbitramento. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 01 14 /2 00 7- 09 Fl. 248DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1217.12346.5K12. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Em desfavor do contribuinte Barra Velha Agropecuária Ltda foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/05, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2003, relativo ao imóvel denominado Fazenda Barra Velha, localizado no município de Correntina BA, com área total de 18.122,6 ha, cadastrado na SRF sob o n° 3.648.9603, no valor de R$ 585.359,98 (quinhentos e oitenta e cinco mil trezentos e cinqüenta e nove reais e noventa e oito centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/11/2007, perfazendo um crédito tributário total de R$ 1.385.839,74 (um milhão trezentos e oitenta e cinco mil oitocentos e trinta e nove reais e setenta e quatro centavos). No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2003 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do ITR Devido, fl. 04, a fiscalização apurou a seguinte infração: a) subavaliação do Valor da Terra Nua — VTN. A alteração do Valor da Terra Nua — VTN, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 02/03, decorreu da falta de comprovação do valor declarado. Daí considerouse os valores constantes do SIPT Sistema de Preços de Terra, instituído através da Portaria SRF nº 447 de 28/03/02, para o município de Correntina, conforme extrato anexo. Não concordando com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 20/111, em 11/01/2008, assim resumida pelo juízo a quo: I Preliminarmente: que é proprietária dos imóveis rurais Fazenda Barra Velha, Nirf 3.648.9603, Fazenda Santa Beatriz, Nirf 3.146.2405, e Fazenda Pedrinha II, Nirf 2.866.2407, com área total de 37.862,5040 hectares, localizados no Município de Correntina Bahia. Requer a unificação dos Autos de Infração supra mencionados para um único processo de n° 10540.720114/200709, tendo em vista que os referidos imóveis rurais são contíguos e devem ser considerados como uma única propriedade de acordo com o estabelecido no art. 1°, §2° da Lei n° 9.393, de 1996; II que fundamentada nos arts, 5° 15, 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pelas Leis n° 8.748/93 e 9.532/97, vem impugnar, num único processo, (n° 10540.720114/200709) os Autos de Infração ITR exercício 2003; III que devido ao erro de preenchimento das declarações do ITR ora contestadas e omissão da apresentação de Laudo Técnico a requerente sofreu uma cobrança suplementar. Vale esclarecer que não só houve erro de preenchimento no Diat como também no DIAC daqueles exercícios, uma vez que em 15 de março de 2002 os imóveis objetos dos presentes Autos de Infração foram alienados através do Compromisso Particular de Compra e Venda para Paulo Massayoshi Mizote. Sendo assim, as declarações deveriam ter sido elaboradas em nome do novo adquirente dos imóveis a partir de 2002, inclusive; Fl. 249DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1217.12346.5K12. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10540.720114/200709 Acórdão n.º 2102003.181 S2C1T2 Fl. 249 3 IV que hoje seria irrelevante requerer a alteração dos dados declarados no Diac uma vez que em 01/02/2007 a Barra Velha Agropecuária Ltda também foi adquirida por Paulo Massayoshi Mizote, conforme demonstrado na nona alteração contratual da sociedade dessa empresa; V que solicita doravante os imóveis unificados sejam considerados com a denominação de Fazenda Barra Velha cadastrada com o Nirf 36489603, com área total de 37.862,5040 hectares; VI que houve erro quanto ao preenchimento das declarações uma vez que foram omitidas as áreas que compõem o imóvel tais como: de preservação permanente, de reserva legal, ocupadas com benfeitorias, de pastagens, bem como o efetivo pecuário existente no imóvel; VII que o item 7.3 do Laudo Técnico classificou e discriminou urna área de 1.842,1326ha em preservação permanente; VIII que conforme o demonstrativo no Laudo Técnico, 9.846,3ha de cobertura florestal está impedida de ser explorada, tendo em vista que o art. 16 e alíneas da Lei n° 4.771/65 vem restringir o desmatamento. Significa dizer que o fato dessa área não estar enquadrada nos moldes da legislação pertinente no que concerne à sua averbação no RGI, continua impedida de ser explorada por força desse preceito legal; IX transcreve ementas de Acórdão do Conselho de Contribuintes; X que recentemente foi protocolizado o Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama, unificando suas áreas para um único Nirf 3.648.9603; XI que o item 7.1 do Laudo Técnico define uma área de 2..102,0553ha em pastagem nativa. Durante o ano de 2002 as áreas de pastagem foram cedidas em comodato, onde foram apascentadas 5.364 cabeças de gado; XII que também foi classificada no item 7.4 do Laudo Técnico uma área de 72,Oha ocupadas com benfeitorias, sob forma de cercas e estradas internas do imóvel; XIII que requer a retificação da declaração nos seguintes itens: Área Total do Imóvel 37 862,5ha; Áreas Ocupadas com Benfeitorias 72,0ha; Área de Preservação Permanente 1.842,1ha; Área de Reserva Legal 9.846,3ha; Área de Pastagem Nativa 26.102,1ha Fl. 250DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1217.12346.5K12. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento (Acórdão 1126.974 – fls. 118/138). Em seu apelo ao CARF (fls. 148/165) a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O crédito apurado no lançamento em exame resultou da alteração pela fiscalização do valor da terra nua informado pela contribuinte em sua DITR do exercício de 2003, com base no VTN médio por hectare informado no Sistema de Preços de Terras (SIPT). Contudo, o VTN apurado no SIPT não utilizou a metodologia prevista em lei, posto que foi elaborado tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel, sem considerar a aptidão agrícola das áreas do imóvel rural. De fato, o § 2° do artigo 8° da Lei n° 9.393, de 1996, dispõe que o VTN deve refletir o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR. A autoavaliação do valor da terra nua a preço de mercado efetuada pelo contribuinte em sua DITR está sujeito à fiscalização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, caso verificada a subavaliação, com base na tabela SIPT, será procedida a correção do valor declarado, conforme disposto no art. 14, abaixo transcrito: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Como se vê, por força do estabelecido no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das unidades federadas ou dos municípios. Confira se a transcrição do referido artigo, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.18356, de 2001: Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as Fl. 251DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1217.12346.5K12. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10540.720114/200709 Acórdão n.º 2102003.181 S2C1T2 Fl. 250 5 terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Analisandose o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir que o levantamento do VTN, levando em conta a média dos VTNs constantes nas DITRs, não tem suporte legal, pois o arbitramento do valor da terra nua com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola. De fato, consta à fl. 12 (Tela SIPT CONSULTA) que o VTN foi calculado sem aptidão agrícola, e esta forma de valoração do VTN não atende às normas legais para se proceder o arbitramento do VTN. No Estado de Direito deve sempre imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa conforme estabelecido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário. Ora, se a fixação do VTN não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTN adotado para proceder o arbitramento não é legítimo. Neste sentido é uníssona a jurisprudência deste CARF: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. APLICAÇÃO DE VTN POR APTIDÃO. MAJORAÇÃO DO VALOR AUTUADO. REFORMATIO IN PEJUS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 252DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1217.12346.5K12. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Existência, nos autos, de informação quanto VTN por aptidão agrícola, mas cuja aplicação ensejaria majoração do valor autuado. Sendo vedado a reformatio in pejus, há de ser considerado para fins de cálculo do VTN o valor declarado originariamente pelo contribuinte. Precedentes. (Acórdão 2202002.001, de 18/09/2012, relatora Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga). Do Acórdão de nº 9202003.419, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em votação unanimidade realizada em 22/10/2014, colhese o seguinte aresto: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. Nos termos do artigo 14, §1º, da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola. Recurso especial negado. O voto condutor do referido Acórdão, redigido pelo i. Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, expressa o mesmo entendimento manifestado por este Colegiado em outros julgados. Confirase: No presente caso, conforme bem observou o relator do acórdão recorrido, “o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde está localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls. 06, é calculado sem aptidão agrícola” (efl.157). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Por fim, reportome aos artigos 2º e 53 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que estabelecem normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração Pública (obediência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência), e que impõe a anulação dos seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade. Confirase: Art. 2oA Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 253DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1217.12346.5K12. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10540.720114/200709 Acórdão n.º 2102003.181 S2C1T2 Fl. 251 7 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (...) Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Fl. 254DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1217.12346.5K12. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 No mesmo diapasão, o enunciado da Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal (STF) assentou que a Administração pode anular seus atos quando contenham vícios que os tornam ilegais. Confirase: A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Tais disposições estão calcadas nos princípios da legalidade, moralidade e eficiência administrativa. Neste ponto, convém ressaltar que outros recursos da mesma contribuinte que transitaram por este CARF, sob as mesmas circunstâncias, foram providos, considerando a ilegalidade no arbitramento do VTN, sendo certo que a manutenção do crédito tributário na esfera administrativa, pelo fato de tal questão não ter sido contestada pela defesa, não impede que o interessado ingresse em Juízo pedindo anulação do lançamento fiscal, com ônus de sucumbência para a Fazenda Nacional, além do prejuízo à eficiência do Estado que mobilizará recursos humanos e materiais para, ao final, ainda ter prejuízo financeiro. Sobre o controle da legalidade do lançamento tributário, confirase a ementa do Acórdão nº 9202002.904, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão realizada em 12 de setembro de 2013: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. De conformidade com os artigos 2º e 53 da Lei n° 9.784/1999, a Administração deverá anular, corrigir ou revogar seus atos quando eivados de vícios de legalidade, o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde a multa de ofício aplicada no lançamento não encontra sustentáculo na legislação de regência. A atividade judicante impõe ao julgador a análise da legalidade/regularidade do lançamento em seu mérito e, bem assim, em suas formalidades legais. Tal fato, pautado no princípio da Legalidade, atribui a autoridade julgadora, em qualquer instância, o dever/poder de anular, corrigir ou modificar de ofício o lançamento, independentemente de se tratar de erro de fato ou de direito, sobretudo quando se referir à matéria de ordem pública (ilegalidade/irregularidade do lançamento), hipótese que se amolda ao caso vertente. Em face ao exposto, diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências determinadas pela legislação de regência, voto por cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 255DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1217.12346.5K12. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10540.720114/200709 Acórdão n.º 2102003.181 S2C1T2 Fl. 252 9 Fl. 256DF CARF MF Documento de 9 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1217.12346.5K12. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 26/11/2014 11:28:00. Documento autenticado digitalmente por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 26/11/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 01/12/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP01.1217.12346.5K12 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0824E30919DFB2D05B1B114F48E2EA7637A129A5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10540.720114/2007-09. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13804.002840/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Ocorre a homologação tácita das compensações requeridas no lapso de 5 (cinco) anos a partir da solicitação.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Ocorre a homologação tácita das compensações requeridas no lapso de 5 (cinco) anos a partir da solicitação. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado
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AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Ocorre a homologação tácita das compensações requeridas no lapso de 5 (cinco) anos a partir da solicitação. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 28 40 /2 00 5- 16 Fl. 626DF CARF MF 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do saldo credor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social.(Cofins), relativo a receitas de exportações apurado no regime de incidência nãocumulativa, no valor de R$ 20.940.120,53, referente ao primeiro trimestre de 2005, conforme pedido de fl. 1. Com relação ao crédito postulado, foram apresentadas posteriormente várias Declarações de Compensação (DCOMP) informando diversas compensações desse crédito com débitos de vários tributos, conforme processo anexado a este. Segundo os autos, o pedido foi protocolizado junto à Delegacia de Administração Tributária em São PauloSP (Derat), mas a análise do pleito foi transferida DRF/AraçatubaSP por ordem do Superintendente Substituto da Receita Federal do Brasil na 8° Regido Fiscal, conforme portaria de fls. 32 e 33. Ainda segundo os autos, a interessada, em 13/10/2009 (fls. 47 a 49), foi intimada, para subsidiar a análise do pleito, a apresentar os arquivos contábeis e fiscais digitais, na forma Fl. 627DF CARF MF Processo nº 13804.002840/200516 Acórdão n.º 3201003.145 S3C2T1 Fl. 3 3 especificada pela fiscalização, bem assim deixar A disposição da fiscalização diversos livro e documentos. Como não houve resposta, os AFRFB responsáveis pela análise se dirigiram A sede da empresa, em 11/11/2009, para cobrar o atendimento das intimação, sendo recebidos pelo procurador da empresa, que alegou ainda não dispor da documentação requerida. Na oportunidade, a interessada foi reintimada a apresentar os elementos solicitados anteriormente, conforme fls. 50 e 51. Como também não houve resposta, em 27/11/2009, novamente os AFRFB estiveram na sede da empresa, onde, mais uma vez, o seu procurador alegou ainda não dispor da documentação requerida. Desta feita, foi lavrado auto de embaraço à fiscalização, de fls. 52 a 54. Portanto, a fiscalização não reconheceu os créditos do período em virtude da não apresentação dos documentos e esclarecimentos na forma solicitada, conforme termo de constatação fiscal de fls. 55 a 62. Sendo assim, a DRF/AraçatubaSP, por meio do despacho decisório de fls. 138/139, indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações vinculadas ao pedido. Foram também lavrados autos de infração constituindo o crédito tributário relativo as contribuições não recolhidas em virtude da glosa dos créditos descontados pela contribuinte no trimestre em questão, formalizados no processo nº 15868.000008/201023. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 144 a 165, onde, preliminarmente, requer a anulação do despacho decisório, porquanto não foi observado pela fiscalização o local indicado no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para realização dos trabalhos, que seria no endereço da empresa, em São Paulo, e não em Araçatuba. Ressalta também a impugnante que o fato, de várias intimações terem sido assinadas apenas por um dos AFRFB também desobedeceria ao MPF, que não permite atuação individual de um dos auditoresfiscais nele contidos. Quanto à transferência de competência interdelegacias, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o Mandado, a teor do art. 6° da Portaria RFB n 2 11.371, de 2007. Argumenta que o despacho decisório também seria nulo porquanto somente o Delegado da Derat teria competência para prolatar decisão relativa à requerente, conforme disposto no art. 57 da Instrução Normativa (IN) RFB n 2 900, de 2008, que não autoriza a modificação da competência para emissão de despacho decisório relativo a reconhecimento de direito creditório. Alega ainda que a impossibilidade de delegação de poderes também está prevista na Lei nº 9.784, de 1999, arts. 13 e 100. Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da citada Lei nº 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Afirma que os próprios auditores reconheceram a entrega dos documentos e arquivos digitais, mas em vez de analisarem o Fl. 628DF CARF MF 4 material e solicitarem eventuais esclarecimentos em prazo razoável, simplesmente emitiram um parecer negando o pleito. Sendo assim, confirma sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais, que estão à disposição da fiscalização em seu estabelecimento. Afirma ainda que houve erro e falta de motivação e de legislação para o indeferimento do pleito da recorrente, pois isso só seria possível caso a contribuinte não possuísse efetivamente o direito ao ressarcimento. Mas, segundo ela, a negativa ocorreu porque houve falta de razoabilidade por parte dos AFRFB, que consideraram que ela não tinha nenhum direito, o que não pode ser admitido, pois que não poderia exercer sua atividade sem adquirir insumos, já que é uma das maiores empresas do seu ramo de atividade. Assim, a fiscalização deveria ter continuado as diligências no estabelecimento da contribuinte e não ter realizado um levantamento fiscal precário, que não levou em consideração todos os seus documentos. Aduz também que houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram apresentados os motivos do indeferimento do pedido, haja vista que os auditores contestaram apenas pequenos elementos componentes do seu direito creditório, não contestando os demais, prejudicando a ampla defesa. Argumenta que o despacho decisório deve ser reformado considerando a intenção de postulante fornecer os documentos, assim competiria aos AFRFB realizar novas diligências uma vez que não há justificativas para a nãoapresentação desses documentos. Assim, isso acarretaria a nulidade do procedimento por ofensa ao principio da verdade material. Em relação ao que ela denomina mérito, argúi que o despacho em análise deve ser reformado porquanto a postulante possui o direito ao ressarcimento dos créditos da Cofins reclamados, como comprovam os documentos existentes em seu estabelecimento, mas que não os está anexando ao presente "por serem em grande quantidade", e anexa uma planilha e alguns documentos que demonstrariam as aquisições ocorridas e o direito ao crédito postulado. Alega que o seu direito ao ressarcimento não pode ser contestado porque já teria transcorrido o prazo qüinqüenal de homologação do direito, de cinco anos, previsto no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 74 da Lei n' 9.430, de 1996. Postula também a aplicação da taxa do Selic como juros moratórios, a teor do art. 39, § 4°, da Lei n' 9.250, de 1995. Reclama também que o despacho decisório não deferiu as compensação já homologadas tacitamente, conforme previsão do art. 74, § 5°, da Lei nº 9.430, de 1996. Requer a realização de perícia e diligência para se constatar a existência do direito creditório, nomeando perito e listando os quesitos que deseja ser respondidos, à fl. 163. Haja vista a existência de grande quantidade de documentos, esclarece que a perícia deverá ser feita no estabelecimento da contribuinte. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 13804.002840/200516 Acórdão n.º 3201003.145 S3C2T1 Fl. 4 5 Solicita o cancelamento do despacho decisório combatido e o reconhecimento do direito creditório por esta DRJ ou, alternativamente, a prolação de nova decisão pela DeratSP ou ainda, caso se considere que a autoridade contestada seja competente para tanto, que esta prolate novo despacho decisório após novas verificações fiscais. Requer ainda a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto das compensações informadas em DCOMP. Por fim, solicita que o patrono da requerente também seja intimado de todas as decisões referentes ao presente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento as alegações da Recorrente, mantendo integralmente o despacho decisório. A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. 0 postulante de direito credit6rio deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário pedindo o cancelamento da decisão da DRJ, alegando que não foram apreciadas no acórdão a incompetência dos auditores, o fato dos documentos da empresa estarem a disposição da Fiscalização e o levantamento fiscal precário realizado pela Autoridade Fiscal. No restante do recurso repisa as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Fl. 630DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente, por tratar de questão preliminar, merecem análise as alegações contra a decisão da DRJ sobre a falta de enfrentamento dos argumentos da impugnação e de cerceamento do direito de defesa. Quanto a estas matérias não merece prosperar o recurso. A auditoria dos pedidos de compensação e a lavratura do auto de infração foram realizadas dentro das normas legais e atendeu todos os requisitos previstos na legislação para a formalização do lançamento tributário, apreciando todas as provas apresentadas pela Recorrente, descrevendo todos os procedimentos adotados e os fundamentos e motivações para a exigência fiscal. Sendo o contribuinte intimado do teor das conclusões do trabalho fiscal e do Auto de Infração, apresentando impugnação e posteriormente recurso voluntário, portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou qualquer vício que ensejaria a nulidade do procedimento. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa. Todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido Processo Administrativo Fiscal. Quanto a alegação que não teria sido enfrentado na decisão da primeira instância as matérias referente a incompetência dos Auditores Fiscais. A decisão de piso enfrentou em diversos pontos a matéria quando tratou das alegações de irregularidades no MPF e ainda tratou especificamente da competência dos Auditores Fiscais para realização do procedimento fiscal, conforme se verifica no trecho abaixo extraído do voto condutor da decisão da DRJ. Portanto, também não se justifica a alegação da requerente de que somente o Delegado da Derat teria competência para prolatar decisão referente a seu pedido, pois o superintendente regional pode transferir as competências e atribuições entre as unidades da RFB de sua jurisdição, como aconteceu no caso em questão com a edição da Portaria IV 34, de 2008, a fls. 32 e 33. Assim, não procede a alegação da ausência de enfrentamento da matéria pela decisão da primeira instância. Quanto a alegação que os AuditoresFiscais lotados na Unidade da Receita Federal na cidade de Araçatuba não teriam competência para a constituição do Crédito tributário, em razão de supostas irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Entendo que também nesta matéria não assiste razão ao recurso Para elucidar o assunto, transcrevo o art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, que confirma a competência do AuditorFiscal da Receita Federal para elaborar e proferir decisões acerca de pedidos de restituição de tributos federais. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 13804.002840/200516 Acórdão n.º 3201003.145 S3C2T1 Fl. 5 7 “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; “ O questionamento sobre as limitações ao poder do AuditorFiscal da Receita Federal impostas pelo Mandado de Procedimento Fiscal, não trazem melhor sorte a Recorrente. O Mandato de Procedimento Fiscal foi instituído pelo Receita Federal como um instrumento administrativo não tendo o condão de servir de limitador do trabalho fiscal. O conhecimento das atividades envolvidas na fiscalização é feito por meio de Intimações e outros documentos com ciência do fiscalizado, sendo o Auditor Fiscal a autoridade competente para o lançamento e quaisquer documentos lavrados pelo Auditor Fiscal de forma conjunta ou isolada possui todos os requisitos de legalidade necessários para produzir seus efeitos no ordenamento jurídico. No mesmo entendimento ora exposto, caminha o voto do e. conselheiro Walber José da Silva, emitido no Acórdão nº 3302.00.60 da Terceira Seção do CARF, que peço vênia para incluir e fazer parte das minhas razões de decidir. O MPF foi disciplinado pela Portaria SRF 1.265/1999, com as alterações incluídas pelas Portarias SRF nº 1.614/2000, nº 407/2001, nº 1.020/2001, compilada na Portaria nº 3.007/2001 e, atualmente, na Portaria SRF nº 6.087/2005. O referido mandado consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal do Brasil para que seus auditores executem as atividades fiscais, Fl. 632DF CARF MF 8 tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, o MPF um instrumento interno de planejamento e gerência das atividades de fiscalização, praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão ou prorrogação, não têm o condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado, conforme determinação expressa do art. 16 da Portaria SRF 6.087/2005, abaixo reproduzido: Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso lido artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto. Cabe ressaltar, no que toca à ciência do MPF, que a necessidade de cientificar o contribuinte da existência do instrumento prendese tão somente a questões relacionadas à segurança do sujeito passivo contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Contudo, tratandose os eventuais vícios relativos ao uso do MPF de meras irregularidades formais, sabese que estas, quando supríveis, não podem elidir a atividade regrada e obrigatória do lançamento de oficio. Nesse sentido, é importante reproduzir a Lei n2 9.784/1999, art. 55, que assim preconiza: "Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração". Por sua vez, o Decreto d 70.235/1972, art. 60, é redigido nos seguintes termos: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Fl. 633DF CARF MF Processo nº 13804.002840/200516 Acórdão n.º 3201003.145 S3C2T1 Fl. 6 9 É imprescindível destacar que o regramento acerca do Mandado de Procedimento .Fiscal não se sobrepõe à atividade vinculada e obrigatória a que.. estão submetidos os agentes tributários. A obrigatoriedade do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional, constatada irregularidade cometida pelo sujeito passivo da obrigação tributária, deflui do Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142, §único, conforme transcrição a seguir. "Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". "Art.142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, (..)Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Ainda no que diz respeito ao MPF, ressaltese que tem se sedimentado nos extintos Conselhos de Contribuintes, entendimento no mesmo sentido, isto é, sendo o MPF instrumento de mero controle administrativo, eventuais irregularidades em sua emissão ou utilização não têm o condão de macular o auto de infração. Citamse as seguintes ementas extraídas do repertório daquele tribunal: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. (Ac. 1° CC n°10706820, sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Martins Valero) NULIDADE 1NOCORRÊNCL4 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Ac. 1° CC n° 10807079, Sessão de 22/08/2002, Relator Luiz Alberto Cava Maceira) Fl. 634DF CARF MF 10 MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Ac. n° 10514070, Sessão de 19/03/2003, Relator Nilton Pess) PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário (Ac. n°10612941, Sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Antonio de Paula). NORMAS PROCESSUAIS VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. Recurso de oficio provido, determinando que, ultrapassada a preliminar de nulidade do lançamento, deve a autoridade julgadora a quo continuar o julgamento do mesmo quanto ao seu mérito (Ac. n° 20176449, Sessão 19/09/2002, Relator Gilberto Cassui)” Ainda consta do recurso, a alegação que as conclusões da fiscalização estariam ferindo princípios constitucionais. Quando a esta matéria, este colegiado não pode se manifestar, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Quanto a alegação de homologação tácita dos pedidos de compensação, nos termos bem detalhados na decisão da primeira instância, a Declaração de Compensação mais antiga foi apresentada em 10/08/2005 e a ciência do despacho decisório ocorreu em 26/02/2010, prazo inferior aos 5 (cinco) anos previstos para a homologação tácita. Portanto, não procede a alegação da Recorrente quanto a homologação tácita. Com relação ao mérito da lide, a recorrente teceu apenas argumentos genéricos, alegando que o trabalho da auditoria foi superficial e baseouse em indícios e não fatos. Analisando os termos de verificação fiscal que constam do processo, observase que a autoridade autuante detalhou todos os procedimentos fiscais adotados durante a fiscalização. A observação do procedimento adotado pela Fiscalização mostra as diversas intimações e pedidos de esclarecimentos e mesmo diante de todas as tentativas, a Recorrente não apresentou os documentos e as informações necessárias à comprovação dos créditos alegados. Diante de todos estes procedimentos e intimações, a não apresentação de esclarecimentos não pode ensejar, como deseja a recorrente, a definição do trabalho como Fl. 635DF CARF MF Processo nº 13804.002840/200516 Acórdão n.º 3201003.145 S3C2T1 Fl. 7 11 superficial e baseado apenas em indícios. A fiscalização atuou de forma diligente e dentro dos procedimentos legais. A recorrente, apesar de todo o tempo decorrido, não apresentou os documento ou esclarecimentos necessários durante o trabalho de fiscalização ou mesmo quando apresentou a impugnação ou o recurso voluntário. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 636DF CARF MF 12 Fl. 637DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.905316/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.071
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1902; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 185 1 184 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.905316/201113 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.071 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de setembro de 2017 Assunto CONTRIBUIÇÕES. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 05 31 6/ 20 11 -1 3 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10280.905316/201113 Resolução nº 3402001.071 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10280.905316/201113 Resolução nº 3402001.071 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10280.905316/201113 Resolução nº 3402001.071 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10280.905316/201113 Resolução nº 3402001.071 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Fl. 207DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720483/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI.
Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010.
Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.224
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010. Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010. Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 04 83 /2 01 5- 31 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10865.720483/201531 Acórdão n.º 3201003.224 S3C2T1 Fl. 3 2 CONCAP RECUPERAÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PNEUS CONCHAL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito do IPI. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório, revisor de ofício do despacho anteriormente emitido, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e, consequentemente, não homologando as compensações declaradas, pelo fato de ter sido constatado, em ação fiscal, que o estabelecimento não se caracterizava como industrial ou a ele equiparado. De acordo com a Fiscalização, pelo fato de as operações de restauração de pneus usados serem executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, as operações do Recorrente enquadravamse nas exclusões do conceito de industrialização previstas no art. 5º, inciso XI, do RIPI/2010 (Lei nº 4.502/1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I), conforme ilustrado pela Solução de Consulta nº 62/2009SRRF/6ª RF/DISIT, tendo em vista que o artigo 254, inciso I, alínea “e’, do Regulamento citado determina que deve ser estornado o crédito decorrente das aquisições tributadas pelo IPI que forem empregadas nas operações de conserto, restauração, recondicionamento ou reparo previstas no inciso XI. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante requereu a homologação das compensações, a suspensão da exigibilidade/devolução do numerário e o direito de provar o alegado por todos meios de prova admitidos em direito, alegando o seguinte: a) preliminarmente, a existência de divergência entre a Solução de Consulta nº 62/2009SRRF/6ª RF/DISIT, utilizada pela Fiscalização, e as Soluções de Consulta nº 188/2008, 242/2007 e 245/2007, que consideram como industrializadas as operações encomendadas ao contribuinte, na medida que tais atividades não se realizam no âmbito da residência do preparador ou em oficina, conforme o art. 5º, inciso V, conjugado com o art. 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”, todos do RIPI/2002; b) a Administração deveria ter apresentado consulta à Cosit para sanar a divergência de interpretação da norma, por se tratar de ato vinculado, sem o que não se tem por fundamentado o Despacho Decisório, uma vez que a Receita Federal reconhecera que o fato de o serviço em questão ser tributado pelo ISS é irrelevante para determinar a incidência do IPI; c) o Despacho Decisório Revisor fere os princípios constitucionais da segurança jurídica, da irretroatividade tributária e do direito adquirido, pois a primeira Declaração de Compensação apresentada havia sido devidamente fiscalizada e as compensações expressamente homologadas; d) a Fiscalização distorceu a aplicação da legislação, bem como das Soluções de Consulta, ao descaracterizar a industrialização exercida sobre produto usado, deteriorado ou inutilizado, a ser renovado ou restaurado, pois, somente se descaracterizaria a industrialização se o interessado estivesse consertando pneus que ainda possuíssem vida útil, como numa borracharia, pois há diferenças técnicas entre pneu recauchutado e, sobretudo, remoldado, conforme classificação na TIPI; d) a sua atividade é de indústria, sendo assim caracterizada na escrituração fiscal e reconhecida pelo Ibama, Cetesb, Coama, Receita Federal, Secretaria de Estado da Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10865.720483/201531 Acórdão n.º 3201003.224 S3C2T1 Fl. 4 3 Fazenda e pelas diversas bandas de pneus, na medida em que a recapagem altera significativamente o uso do pneu, aperfeiçoandoo para consumo; e) quanto à exclusão do conceito de industrialização previsto no art. 5º, inciso V, conjugado com o art. 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”, todos do RIPI/2002, afirma que não se enquadra na definição legal de oficina, tanto pela quantidade de empregados, como pelo alto consumo de energia elétrica, conforme documentos que junta. Nos termos do Acórdão nº 14058.687, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no direito de a Administração revisar seus próprios atos, observado o prazo decadencial de cinco anos, e no fato de não se caracterizar como industrialização a atividade de recauchutagem ou regeneração de pneus efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, o que afasta o direito ao ressarcimento nos termos previstos no art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Em seu recurso voluntário, o Recorrente repisa os mesmos argumentos da peça impugnatória exceto a legitimidade do procedimento de revisão de ofício do despacho decisório original , destacandose, ainda, o seguinte: 1. irrelevância do destinatário do produto para a incidência do IPI nos casos de recauchutagem; 2. a regramatriz de incidência tributária do imposto sobre produtos industrializados; 3. o reconhecimento da atividade industrial da recorrente por outros órgãos governamentais; 4. princípio da isonomia: as diferenças técnicas entre o pneu recauchutado e e o remoldado; 5. divergência entre as Soluções de Consulta da RFB: 38/2009, 22/2009, 188/2008. 242/2007 e 245/2007; 6. a industrialização por encomenda por usuário final. Consultas no âmbito da Fazenda Paulista: 562/2010 e 395/2009; 7. a atividade vinculada no âmbito da RFB e a necessidade de edição de Solução de Divergência; 8. o reconhecimento da RFB que recapagem é industrialização mesmo que encomendada por usuário final: Solução de Consulta Disit/SRRF 08 nº 14/2013; 9. o reconhecimento como indústria de recapagem independente de figurar na Lei Complementar n° 116: Parecer n° 18/2013; 10. homologação expressa do PER/DCOMPs n°s 21075.74956.231209.1.1.018760 e 25529.47001.290811.1.5.019293. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10865.720483/201531 Acórdão n.º 3201003.224 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, aplicandoselhe, portanto, o decidido no Acórdão 3201003.217, de 26/10/2017, proferido no julgamento do processo nº 10865.720478/201528, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.217): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Ressaltase que questão versada na manifestação de inconformidade e decidida no acórdão recorrido não fora repisada neste recurso recaindolhe, portanto, a preclusão, a saber: a legitimidade do procedimento de revisão de ofício que resultou no cancelamento da restituição indevida realizada no Pedido de Ressarcimento o Despacho Decisório do presente processo. De outra banda, matéria não questionada na manifestação de inconformidade e suscitada no recurso voluntário, à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.23572 (PAF), não será enfrentada, a saber, a irrelevância da natureza do encomendante da recapagem, se consumidor final ou usuário, para a incidência do IPI Em que pese a recorrente aduzir novas razões de defesa em sua peça recursal, a matéria cujo contraditório fora instaurado na manifestação de inconformidade cingese tãosomente decidir quanto à adequação ao conceito de industrialização, para fins de tributação de IPI, e o corresponde direito ao crédito de que trata o art. 11 da lei nº 9.779/99, a atividade de recapagem de pneus usados, encomendados por pessoas jurídicas não comerciantes do produto. O ponto de divergência entre Fisco e contribuinte reside na fundamentação legal e em soluções de consulta no âmbito da RFB para afirmar ou infirmar a subsunção da atividade de recapagem de pneus usados ao conceito de industrialização. A legislação em que recai a discórdia é a Lei nº 4.502/1964, regulamentada à época dos fatos pelo Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010: Art.5o Não se considera industrialização: (...) V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; (...) Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10865.720483/201531 Acórdão n.º 3201003.224 S3C2T1 Fl. 6 5 XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem como o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações(Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); (...) Art. 7º Para os efeitos do art. 5º: (...) II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. O Fisco que não se fundamenta na Solução de Consulta nº 62 SRRF/6ª Região, pois afirma que os argumentos nela expostos apenas corroboram os seus entende que a atividade exercida pela contribuinte encontrase fora do alcance da incidência do IPI por expressa exclusão do conceito prescrita no art. 3º, parágrafo único, inciso I da Lei nº 4.502/1964, reproduzido no art. 5º, inciso XI do Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010. Importa salientar que a fiscalização não afirmou que a atividade não se trata de industrialização, somente que a legislação do IPI não a considera para efeitos de sua tributação. Transcrevo o excerto que dirige o raciocínio da autoridade fiscal: 5 Em tese, se a atividade descrita em “4” se amoldasse puramente ao conceito de industrialização, o contribuinte estaria apto ao pedido de ressarcimento. Ocorre que há exceções à regra, e o contribuinte se enquadra perfeitamente a essas exceções (excludentes do conceito de “industrialização”) existentes na legislação que regulamenta o IPI, como veremos a seguir. 6 A solução de consulta nº 62/2009, da DISIT SRRF/6ª RF, cuja ementa, a seguir copiamos, vem corroborar nosso entendimento (...) A recorrente assevera que sua atividade exercida sobre os pneus usados é uma industrialização assim considerada à luz de toda a legislação do IPI, com supedâneo na Constituição Federal, transitando pelo CTN e Regulamentos e, inclusive, nas Soluções de Consultas da Receita Federal que menciona. No tocante às exclusões previstas nos incisos do art. 5º do RIPI, aduz que a descrição das características da operação preconizada no inciso V a faz permanecer compulsoriamente no campo de incidência do Imposto, pois que somente se aplica se cumulativamente atender ao disposto nas alíneas "a" e "b" do inciso II do art. 7º do RIPI/2010, o que não é o seu caso. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10865.720483/201531 Acórdão n.º 3201003.224 S3C2T1 Fl. 7 6 Infrutífera toda a argumentação da recorrente no sentido de incluir sua operação no conceito de industrialização por entender que não atende aos requisitos de exclusão do conceito pertinente à situação descrita no inciso V do art. 5º do RIPI, exclusivamente em relação à segunda parte, que dispõe o local e quem realizará a atividade. A interpretação da recorrente é equivocada. Primeiro, porque parte da premissa errônea de que a recapagem de pneus usados, e as atividades assemelhadas de recuperação ou remoldagem, é operação de industrialização a ser tributada pelo IPI e, segundo, por conceber que é tributada em razão de não reunir duas das condições de exclusão do conceito de industrialização, quais sejam, seu trabalho não é preponderantemente profissional nem realizado em oficina, como entende requerer a literalidade do inciso II do art. 7º do RIPI/2010. A operação de recapagem para encomendante consumidor ou usuário não se enquadra na exclusão do inciso V e o motivo não se deve ao local de realização residência ou oficina nem à inexistência de preponderância de trabalho profissional. Em verdade, o motivo primeiro e suficiente à referida exclusão devese à atividade de recapagem não se constituir um "preparo de produto", expressão que se encontra fora da materialidade do fato gerador do IPI. Conforme o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa1, preparo é o mesmo que preparação, esta definida como "medida ou ação preliminar para a efetuação de qualquer coisa". Em síntese, a primeira parte do inciso V do art. 5º do RIPI "o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário ..." caracterizase uma atividade preliminar efetuada em qualquer produto constituindose uma etapa antecedente à outra, posterior, que será executada (esta possivelmente tributada pelo IPI). Optou o legislador pela não incidência do IPI nesta etapa antecedente (o preparo), servindose de um inciso/artigo isolado na legislação o V do 5º do RIPI para discipliná la. Não por coincidência, impende analisar a aparição do termo "preparo" na legislação do IPI, em especial no trato das hipóteses de incidência e nãoincidência. Constatase que "preparo" não é utilizado em qualquer das ações/operações consideradas industrialização no RIPI (art. 4º e incisos), mas que exsurge em 05 (cinco) ocorrências do termo no art. 5º que trata de atividades ou situações que estão fora do alcance da incidência, por exclusiva vontade do legislador: nos incisos I, II, III, V e XI (restrita a utilização em partes e peças) do art. 5º do RIPI. Firmado nesses fundamentos entendo que a recapagem de pneus usados encomendada por consumidor ou usuário final, à luz do art. 5º, incisos V do RIPI/2010, não se insere no campo de incidência do IPI. Contudo, e também corretamente aplicado pela fiscalização à situação dos autos, o dispositivo legal que retira a operação praticada pelo contribuinte da incidência do IPI é o inciso XI, do art. 5º do RIPI, em razão de sua especificidade e alcançar mais precisamente a atividade 1 HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 2.289. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10865.720483/201531 Acórdão n.º 3201003.224 S3C2T1 Fl. 8 7 (restauração e o recondicionamento), o produto (pneu usado), a aplicação (destinado ao uso) e o beneficiário da operação (encomendante é terceiro que não comercializa o pneu usado). Neste mesmo sentido tenho por consolidada a posição deste Conselho acerca a exclusão do conceito de industrialização das operações que visam a recuperação de pneus usados por encomenda de consumidor final, não comerciante do produto. Eis os acórdãos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECONDICIONAMENTO OU RENOVAÇÃO DE PRODUTOS USADOS. INOCORRÊNCIA. Na caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI, o recondicionamento ou a renovação de produtos usados, quando não se destinem à revenda pelo encomendante. INCIDÊNCIA DO IPI. RECAUCHUTAGEM DE PNEUS USADOS SOB ENCOMENDA POR CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE. A atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus usados quando efetuada por encomenda direta do proprietário, na condição de consumidor final, não se enquadra na definição de operação de industrialização, o que a exclui do conceito de operação de industrialização e do campo de incidência do IPI. DIREITO DE CRÉDITO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. O estabelecimento não contribuinte do IPI, por não realizar operação de industrialização, não faz jus a crédito do imposto pago na aquisição de insumo tributado aplicado na industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para não homologação do respectivo procedimento compensatório. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 3102002.240. Processo nº 13609.000614/200345. Sessão de 24/07/2014, decisão unânime. Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10865.720483/201531 Acórdão n.º 3201003.224 S3C2T1 Fl. 9 8 RECAUCHUTAGEM OU RECAPAGEM DE PNEUS PARA CONSUMO DE DESTINATÁRIO ENCOMENDANTE. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, temse como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002. Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto. O regime da nãocumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao tributo incidente sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega. (Acórdão 3802002.878. Processo nº 13609.000536/200389. Sessão de 23/04/2014, decisão unânime. Rel. Cons. Mércia Helena Trajano D´Amorim) Consoante os argumentos ante expostos, percebese inócua a discussão sobre a prevalência de uma solução de consulta sobre outra, vez que as respostas aos consulentes têm fundamentos diferentes, umas com base no inciso V, outras no XI, ambos do art. 5º do RIPI/2010. Ainda em relação às soluções de consultas no âmbito da RFB nenhum efeito é produzido e conferido à recorrente pois não foi a consulente. As consultas no âmbito do fisco Estadual tratam do ICMS, matéria estranha à presente lide e, igualmente, não produz qualquer efeito na esfera dos tributos federais. As discussões atinentes à legislação do ISS que confrontam as materialidades do tributo municipal com as do IPI são periféricas e não resolvem a presente lide. Também despiciendos todos os demais argumentos de discussão para considerar tributadas pelo IPI a atividade realizada pela recorrente, pois assentada alhures os fundamentos para a sua exclusão do conceito de industrialização nos termos do art. 5º, inciso XI do RIPI/2010. Conclusão Por fim, se a recorrente não era contribuinte do IPI na operação, certamente, ela não podia se creditar do valor imposto pago na aquisição de insumos utilizados na atividade de recapagem de pneus usados com base no art. 11 da Lei 9.779/99, que se aplica apenas aos estabelecimento industriais ou equiparados que praticam fatos geradores do IPI, o que não era o seu caso. Por essas razões, acertada a decisão do Fisco em cancelar o ressarcimento do valor pago (...). Diante do exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10865.720483/201531 Acórdão n.º 3201003.224 S3C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.722122/2013-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1001-000.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 21 22 /2 01 3- 11 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 18470.722122/201311 Acórdão n.º 1001000.254 S1C0T1 Fl. 47 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 14ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1245.746, de 25/04/2012 (efls. 35/39), objetivando a reforma do referido julgado. Em 03/01/2013, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 25/02/2013 (efl. 14), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito com a Secretaria da Receita Federal de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Lista de Débitos 1)Débito: 391789031 2)Débito: 391789040 Débito inscrito em Dívida Ativa da União (ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional), cuja exigibilidade não está suspensa. Lista de Débitos 1)Débito Código da Receita : 8822 Nome do Tributo: SIMPLES Número do Processo: 10768205147200416 Número da Inscrição: 7040402742491 Data da Inscrição : 12/08/2004 2)Débito Código da Receita: 8822 Nome do Tributo: SIMPLES Número do Processo: 18208109921200831 Número da Inscrição: 7041200724059 Data da Inscrição : 18/05/2012 A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, argumentando que efetuou a quitação imediata dos débitos mediante a emissão de guia de GPS (anexada) e que não há motivos que impeçam a mudança de tributação. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, não foram pagos ou parcelados, dentro do Fl. 47DF CARF MF Processo nº 18470.722122/201311 Acórdão n.º 1001000.254 S1C0T1 Fl. 48 3 prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no anocalendário de 2013, é correta o indeferimento do pedido de inclusão do contribuinte nesse regime. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 27/03/2014 (quintafeira), conforme Aviso de Recebimento à efl. 38, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 29/04/2014 (terçafeira), conforme carimbo no documento (efls. 41). É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: "Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Acerca da Eficácia e Execução das Decisões, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] No presente caso, a data de ciência foi dia 27/03/2014 (quintafeira). Considerandose que o decurso de trinta dias ocorreu no sábado, dia 26/04/2014, o marco final deve ser a segundafeira seguinte, dia 28/04/2014. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 18470.722122/201311 Acórdão n.º 1001000.254 S1C0T1 Fl. 49 4 Tendo em vista que o recurso somente foi apresentado no dia 29/04/2014 (terçafeira), portanto, um (01) dia após o vencimento, o recurso voluntário é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. Neste sentido, tendo em vista o não cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 49DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.902419/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.239
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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PROVA DO INDÉBITO. Recorrente TOTAL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 24 19 /2 00 9- 24 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10660.902419/200924 Acórdão n.º 9303005.239 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380302.076, de 7 de novembro de 2011, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A discussão dos presentes autos tem origem em PER/DCOMP apresentada para compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Cofins. A DRFVarginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do Contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado do CARF, por unanimidade de votou, negou provimento ao recurso, em face da falta de retificação da DCTF e da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2001 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10660.902419/200924 Acórdão n.º 9303005.239 CSRFT3 Fl. 4 3 É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido. Suscitou divergência quanto à necessidade de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP, apresentando, como paradigmas, os acórdãos 3302001.805 e 3302001.797. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestandose pelo não provimento do recurso especial, para manter o v. acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.226, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10660.902282/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.226): Da Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigmas os Acórdãos 3302 001.805, nº 3302001.797 e nº 140200.926, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal. Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.902419/200924 Acórdão n.º 9303005.239 CSRFT3 Fl. 5 4 solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilsutre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento, pelas razões que serão consignadas no presente voto vencedor. O mérito do recurso especial cingese à necessidade (ou não) de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP referente aos valores envolvidos na compensação, bem como ser ônus da Autoridade Fiscal a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.717/2017, atualmente em vigor. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Além disso, alega que tendo sido transmitidas as declarações obrigatórias pelo Sujeito Passivo, o dever de buscar outros documentos que eventualmente entenda necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito é do julgador administrativo. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.902419/200924 Acórdão n.º 9303005.239 CSRFT3 Fl. 6 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10660.902419/200924 Acórdão n.º 9303005.239 CSRFT3 Fl. 7 6 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e processo 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ter sido explicitado o entendimento para manutenção da glosa das compensações, pois, além de não ter havido prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado na compensação pela Contribuinte, por meio de documentos fiscais, não foi transmitida a DCTF retificadora prévia e espontaneamente ao despacho decisório, conforme autorizado pelo art. 10 da IN SRF nº/2004, vigente à época. Segundo a decisão combatida, tivesse a Contribuinte apresentado a DCTF retificadora, seria transferido para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Nesse sentido, é a disposição do art. 373 do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10660.902419/200924 Acórdão n.º 9303005.239 CSRFT3 Fl. 8 7 nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. A providência só poderá ocorrer mediante decisão devidamente fundamentada. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para essa comprovação. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724367/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. VALOR DE ALIENAÇÃO. PASSIVO PENDENTE.
Não configura acréscimo patrimonial e, portanto, não integra o ganho de capital a parcela do valor da alienação que tenha sido destinada, por expressa previsão contratual, a pagamento de passivos pendentes da participação societária alienada.
Numero da decisão: 2201-003.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 17/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 17/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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VALOR DE ALIENAÇÃO. PASSIVO PENDENTE. Não configura acréscimo patrimonial e, portanto, não integra o ganho de capital a parcela do valor da alienação que tenha sido destinada, por expressa previsão contratual, a pagamento de passivos pendentes da participação societária alienada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 17/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 43 67 /2 01 1- 80 Fl. 485DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, fl. 03 a 09, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário consolidado conforme resumo abaixo: CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO Imposto 419.541,90 Juros de Mora (calculado até 08/2011) 151.238,30 Multa Proporcional (75%) 314.656,41 TOTAL 885.436,61 Analisando as informações contidas na Descrição dos Fatos de fl. 05/06, constatase que, na Ação Fiscal, constatouse omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa. No Termo de Verificação Fiscal de fl. 10 a 26, constam os motivos de convencimento da Autoridade lançadora, a saber: 1) que o procedimento foi instaurado com objetivo particular de verificar a ocorrência de ganho de capital na alienação das quotas sociais da empresa Brumafer Mineração Ltda, CNPJ 16.565.897/000130; 2) que a análise dos documentos apresentados pelo contribuinte em resposta a intimação permitiu constatar a assinatura, em 31/08/2007, de Contrato Promissório de Cessão e Transferência de 100% das Quotas Sociais, a partir de 10/04/2008, caso os adquirentes efetuassem pagamento integral da primeira parcela do ajuste nesta mesma data; 3) que, em razão do não cumprimento do prazo para pagamento integral da primeira parcela, a alienação teria ocorrido em 28/06/2008; 4) que, em 10/04/2008, foi efetuado o pagamento, em cheque, depositado em conta corrente aberta para este fim de titularidade de Evandro Toledo e Antônio Carlos de Castro Toledo, no valor de R$ 8.384.503,08, já deduzidos descontos efetuados pela adquirente, sendo acordado entre os herdeiros e sócios que primeiramente seriam liquidados compromissos assumidos pela Brumafer Mineração Ltda na gestão dos sócios retirantes; 5) que o autuado, pelo pagamento de sua participação na sociedade, 21%, recebeu os seguintes valores: 6) que o valor total da alienação foi fixado em US$ 33.000.000,00, liquidados da seguinte forma: Fl. 486DF CARF MF Processo nº 15504.724367/201180 Acórdão n.º 2201003.946 S2C2T1 Fl. 485 3 6.1) US$ 1.598.295,15 pagos no ato da assinatura do instrumento de cessão, 01/08/2007; 6.2) uma parcela de US$ 6.000.000,00 em 10 de abril de 2008; 6.3) uma parcela de US$ 6.000.000,00 em 10 de outubro de 2008; 6.4) uma parcela de US$ 4.401.704,85 em 10 de abril de 2009; 6.5) uma parcela de US$ 12.000.000,00, cujo vencimento coincidiria com a renovação de licenças ambientais, legais e judiciais necessárias ao pleno funcionamento da Brumafer Mineração, então impedida de explorar e comercializar minério de ferro em razão de decisão judicial; 6.6) uma parcela de US$ 3.000.000,00 para liquidação do passivo tributário, fiscal, trabalhista, previdenciário e cível da Brumafer Minerações, que seria levantado por diligência prévia, realizada por empresa contratada em comum acordo entre as partes, no período de 01/08/2007 a 10/04/2008 (datas dos pagamentos 6.1 e 6.2); 6.7) que além da apuração do passivo citado no item precedente, a diligência prévia faria o levantamento dos ativos de minério de ferro, avaliaria os recursos e reservas minerais, bem assim direitos, deveres e obrigações decorrentes de Termos de Ajustamento de Conduta; 7) que os pagamentos seriam efetuados em moeda nacional, considerando o câmbio vigente no dia anterior à data do pagamento, mediante TED em conta indicada pelos cedentes, sendo a primeira parcela (item 6.1), depositada em conta de titularidade da Brumafer. 8) que ao final da diligência prévia, caso o valor apurado fosse superior aos RS$ 3.000.000,00 reservados para tal (item 6.6), o excesso identificado seria descontado da parcela de US$ 12.000.000,00 (item 6.5). Ainda assim, não sendo este suficiente, seriam descontadas das parcelas vincendas em ordem inversa das dadas de pagamento. 9) que a MSA Mineração Serra Azul Ltda, adquirente, foi intimada a prestar informações e o cotejo destas com aquelas apresentadas pelo fiscalizado, considerando ainda Termos Aditivos formalizados, permitiu identificar a forma e a finalidade dos pagamentos efetuados, a saber: Fl. 487DF CARF MF 4 10) que a parcela indicada no item 6.5, no valor de R$ 12.000.000,00 ainda encontravase pendente de pagamento; 11) que o capital social da empresa alienada era de R$ 36.000,00, dos quais 21% eram detidos pelo ora fiscalizado; 12) que, embora o sujeito passivo defenda que a alienação tenha ocorrido em 28/06/2008, a data efetiva foi 31/08/2007, data da assinatura Contrato de Cessão, que conta com cláusula de irrevogabilidade e irretratabilidade, já que o adquirente pagou a primeira parte do sinal em 27/08/2007, conforme planilha contida no item 09; 13) que o ganho de capital foi apurado a partir do montante pago pela MSA Mineração aos adquirentes, seja por pagamentos efetuados diretamente aos sócios retirantes, seja através da liquidação do passivo da Brumafer; 14) que a aplicação do percentual detido do capital social pelo ora fiscalizado resultou nos valores abaixo discriminados: Fl. 488DF CARF MF Processo nº 15504.724367/201180 Acórdão n.º 2201003.946 S2C2T1 Fl. 486 5 15) que o sujeito passivo acusa o recebimento de R$ 2.880.252,85, não considerando para fins de apuração do ganho de capital os valores repassados pela adquirente para pagamento do passivo da Brumafer; 16) que ao não considerar os valores recebidos para pagamento dos passivos da Brumafer como preço da alienação, o contribuinte deseja que o Estado arque solidariamente com os riscos do seu negócio, imputando à Fazenda Pública ônus que somente cabem a quem se presta a desenvolver atividade empresarial se dispondo a assumir os riscos empresariais tanto pelos sucessos quanto pelos fracassos; 17) que não há de se confundir pessoa física com pessoa jurídica, sendo tais passivos de responsabilidade da PJ, evidenciando mera liberalidade contratual entre as partes atribuir o ônus do pagamento dos passivos diretamente pela adquirente; 18) que entendimento contrário permitiria a absurda situação em que uma pessoa física utilize despesas de pessoas jurídicas como dedução no cálculo do seu Imposto de Renda, situação que faria o seu cômputo em duplicidade; 19) que o ganho de capital e o respectivo imposto de renda foram assim calculados: 20) no cálculo acima foram considerados recolhimentos efetuados pelo contribuinte, aplicandose multa de ofício de 75% sobre o imposto suplementar. Fl. 489DF CARF MF 6 Ciente do lançamento em 29/09/2011, conforme fls. 2 e 26, inconformado, o sujeito passivo apresentou a impugnação de fl. 256 a 267, na qual pontuou: que o auto de infração não aponta a realidade factual obtida da análise da evento econômico ocorrido, violando os princípios da vinculação, da verdade material, da fundamentação, da legalidade, da eficiência e da moralidade, resultando em ato inválido. que o valor antecipado pela MSA Mineração para pagamento do passivo da empresa Brumafer não pode servir de base de cálculo do ganho de capital, uma vez que o referido montante seria descontado do negócio realizado; que mesmo que tal desconto não estivesse expresso no Contrato de Cessão, este não representaria qualquer acréscimo ao patrimônio do impugnante, já que o numerário em questão serviu ao pagamento de débitos contraídos pela Brumafer e não pelos seus exsócios, configurando responsabilidade da pessoa jurídica; que o entendimento da fiscalização é uma aberração jurídica a medida que impõe ao contribuinte uma dívida que não contraiu; que sendo os valores objeto da autuação destinados ao pagamento do passivo da Brumafer, estes não podem ser considerados como ganho de capital da ora impugnante; que requer perícia, que poderia constatar que os pagamentos efetuados foram efetivamente utilizados no pagamento do passivo da empresa alienada, confirmando que não houve omissão de ganhos de capital; por fim, requer que os advogados e procuradores sejam intimados dos atos processuais no endereço que indica. Debruçada sobre os termos da Impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Juiz de Fora/MG, julgou a impugnação improcedente, fl. 430 a 457, lastreada nas razões que podem ser assim resumidas: (...) Da leitura do Termo de Verificação Fiscal e da peça impugnatória do interessado verifico, conforme ressaltou o próprio defendente, que o objeto de discordância entre a Agente Fiscal e o ora Impugnante é relativo aos valores recebidos para pagamento do passivo da empresa alienada. (...) Ainda, a despeito de o interessado ressaltar que seria efetuado "due diligence" para apuração do passivo apurado, conforme previsto no "Contrato Promissório de Cessão e Transferência de Quotas", não foi trazido o resultado da diligência prévia, e o mais importante, reitero, não foi comprovada a dedução de qualquer importância quando do recebimento dos demais créditos contratuais recebidos pelo interessado. Pelo até aqui exposto, resta não comprovada a alegação do interessado de que o valor de US$ 3,000.000,00 (três milhões de dólares norteamericanos), foi decotado do valor do negócio realizado. Por outro lado, o impugnante também defende a tese de que "ainda que não estivesse expresso no contrato que o valor destinado ao pagamento do passivo da empresa Brumafer seria Fl. 490DF CARF MF Processo nº 15504.724367/201180 Acórdão n.º 2201003.946 S2C2T1 Fl. 487 7 descontado do valor do negócio (Cessão das Quotas da Brumafer), tal valor de maneira alguma poderia servir de base de cálculo do ganho de capital do ora Impugnante na alienação de suas quotas da referida empresa". Isso porque, acresce o autuado, "não houve, em relação a tal valor, qualquer acréscimo ao patrimônio do Impugnante, uma vez que o montante em questão foi utilizado única e exclusivamente para quitação de débitos da empresa Brumafer, conforme demonstra claramente a documentação anexa". (...) No presente caso, a despeito da contrariedade passiva, não há dúvida de que a tributação do ganho de capital, nos termos da legislação tributária acima transcrita, deve se dar pelo valor total do negócio. As cláusulas contratuais destinando parte do valor recebido para pagamento dos passivos da empresa alienada Brumafer Mineração Ltda, em nada altera a situação que constitui o fato gerador do imposto. Apenas, após receber o rendimento – ganhos de capital obtidos na alienação de ações ou quotas –, o beneficiário deulhe destinação conforme estipulado em convenção particular, utilizandoa para liquidação do passivo tributário, fiscal, trabalhista, previdenciário e cível (pagamento de credores), da BRUMAFER MINERAÇÃO LTDA. Essa partição, todavia, dáse posteriormente à ocorrência do fato gerador, o qual não é por ela afetado. (...) O fato de os sócios da Brumafer terem feito um acordo para quitação do passivo tributário da Brumafer, aproveitando, assim, o crédito a ser recebido para quitar dívidas da pessoa jurídica que seria alienada, não os eximem da condição de sujeitos passivos prevista no art. 121, parágrafo único, inciso I, do CTN, uma vez que a relação pessoal e direta com o fato gerador, qual seja, a percepção da renda, por parte do(s) requerente(s), não foi desconstituída. Assim, o acordo firmado com a Mineração Serra Azul Ltda. não pode ser oposto para excluir o interessado da condição de sujeito passivo da obrigação de declarar a integralidade dos rendimentos recebidos decorrentes da alienação das quotas societárias, para o fim de apuração do ganho de capital. Também no campo da legislação civil, noto que segundo o disposto no parágrafo único do art. 1003 do Código Civil, "Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinham como sócio". Assim, não restaria cessada a responsabilidade civil dos sócios cedentes das quotas, mesmo com as convenções particulares estipuladas no Contrato Promissório de Cessão e Transferência de Quotas Sociais. Da apresentação de provas. Pedido de Diligência. Pedido de Perícia. Fl. 491DF CARF MF 8 (...) Quanto à juntada de documentação comprobatória, noto que o momento oportuno para sua apresentação é por ocasião da impugnação, sob pena dos argumentos de defesa tornaremse meras alegações e da ocorrência da preclusão deste direito a posteriori, conforme dispõe o art. 15, do Decreto n° 70.235, de 1972, in verbis:(...) Quanto ao pedido de perícia, esta tornase necessária somente quando a prova do fato dependa de conhecimento especial de técnico, o que não é o caso. A demonstração pode ser efetuada pela juntada de documentos aos autos. Friso que a realização de perícia só é necessária quando o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso. Na situação em exame são todas questões que se encontram dentro do campo de conhecimento da autoridade julgadora e somente a ela compete decidir sobre a matéria. Da intimação ao advogado (...)Assim, caso o contribuinte fosse intimado, via postal, no endereço de seu advogado, tal ato não acarretaria qualquer efeito jurídico de intimação, pois estaria em desconformidade com o artigo 23, inciso II e §§ 3° e 4°, do Decreto n° 70.235/1972. Ciente do Acórdão da DRJ em 26 de novembro de, conforme AR de fl. 465/466, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 468 a 480, com o qual busca desconstituir a exigência fiscal lastreado, em síntese, nas mesmas razões expressas em sede de impugnação. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. PRELIMINAR. O recorrente pleiteia a realização de perícia, que poderia constatar que os pagamentos efetuados foram efetivamente utilizados no pagamento do passivo da empresa alienada. Assim dispõe o art. 18 do Decreto nº 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 492DF CARF MF Processo nº 15504.724367/201180 Acórdão n.º 2201003.946 S2C2T1 Fl. 488 9 Como se viu no Relatório supra, a lide gravita em torno da questão de se considerar valor da alienação o montante que serviu para quitação de passivo de sociedade alienada. A autoridade fiscal não se insurge contra a utilização efetiva do recurso recebido na alienação para pagamento de obrigações pendentes, pelo contrário, afirma que se trata de mera liberalidade entre as partes envolvidas. Assim, os elementos nos autos são suficientes para se concluir pela procedência ou não da imputação fiscal, razão pela qual indefiro o pedido de perícia. MÉRITO Como bem definido no julgamento de 1ª Instância Administrativa, o objeto de discordância entre a Agente Fiscal e o ora Impugnante é relativo aos valores recebidos para pagamento do passivo da empresa alienada Os documentos juntados aos autos evidenciam uma operação de alienação de participação societária em que foram ajustados valores totais, dentre os quais foram destacados montantes que seriam utilizados para fazer face a passivos pendentes da empresa alienada. No Contrato de Cessão, fl. 52/65, restou estabelecido que haveria um levantamento prévio dos passivos e dos ativos. Estabeleceu, ainda, a forma de pagamento aos alienantes e de bloqueio de valores suficientes ao saneamento das pendências identificadas. O Termo de Verificação, conforme citado no relatório supra, é claro ao lastrear a imputação fiscal no fato do contribuinte não ter considerado, na apuração do ganho de capital que levou a termo, valores que foram utilizados para pagamento do passivo da sociedade alienada, a Brumafer. Entendeu a Autoridade lançadora que a forma de cálculo utilizada pelo contribuinte indicaria seu desejo de dividir o ônus do risco empresarial com o Estado, imputando à Fazenda um encargo que só cabe a quem deseja desenvolver atividade empresarial, o qual deveria assumir sozinho o sucesso e o fracasso do empreendimento. Afirma o Agente Fiscal que não se pode confundir pessoa física com jurídica, concluindo que o pagamento das pendências de responsabilidade da PJ evidencia mera liberalidade entre as partes. Por sua vez, o Julgador de 1ª Instância alega que não foi comprovado pelo interessado que o valor de US$ 3.000.000,00 (três milhões de dólares norteamericanos), foi descontado do valor do negócio realizado. A autoridade recorrida conclui que, a despeito da contrariedade passiva, não há dúvida de que a tributação do ganho de capital, nos termos da legislação tributária acima transcrita, deve se dar pelo valor total do negócio. Segue afirmando que o acordo entre os sócios e a adquirente para quitar dívidas da pessoa jurídica alienada não exime os alienantes da condição de sujeitos passivos da obrigação tributária. Fl. 493DF CARF MF 10 Por fim, o Julgador sustenta que, segundo o disposto no parágrafo único do art. 1.003 do Código Civil, "Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinham como sócio". Assim, não restaria cessada a responsabilidade civil dos sócios cedentes das quotas, mesmo com as convenções particulares estipuladas no Contrato Promissório de Cessão e Transferência de Quotas Sociais. O recorrente, além das razões já expressas no curso do Relatório, reitera o equívoco cometido no lançamento fiscal ao se considerar como valor da alienação a parcela do preço ajustado destinada à quitação de obrigações da empresa alienada, cujo valor inicial não foi estipulado por acaso, mas mensurado a partir de informações que ainda se mostravam pendentes de detalhamento. Sustenta que os valores recebidos que se destinavam à quitação de passivo da empresa alienada não podem ser considerados como rendimento bruto, uma vez que não ensejam a percepção de renda. Alega que para que fique caracterizada a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, deve estar comprovado o recebimento pelo contribuinte dos valores pactuados. Passase à manifestação deste Relator. Competência da União, nos termos do inciso III do art.153 da CF/88, o Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza tem sua regra matriz no art. 43 do CTN, o qual prevê, expressamente, que seu fato gerador é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, de rendas ou de proventos de qualquer natureza: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.” Dando ainda maior ênfase à vinculação entre a ocorrência do fato gerador e a aquisição da disponibilidade, a Lei 7.713/89 previu que, no caso de pessoas físicas, o imposto de renda é devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos. Além disso dispôs que integra o rendimento bruto o ganho de capital auferido no mês, que é a diferença positiva entre o valor da alienação e custo de aquisição, conforme se vê abaixo: Lei 7.713/89 Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de Fl. 494DF CARF MF Processo nº 15504.724367/201180 Acórdão n.º 2201003.946 S2C2T1 Fl. 489 11 aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. Em fl. 254 é possível identificar a informação na Declaração de Bens e Direitos do custo da participação societária alienada, sendo certo que os mesmos não são avaliados, na Declaração de Rendimentos da Pessoa Física, pelo método da equivalência patrimonial, mas registram apenas o valor histórico de aquisição. Ocorre que, no curso das atividades empresariais, o valor efetivo representativo dessa participação societária sofre alterações positivas e negativas, que vão se acumulando no seio da Pessoa Jurídica até que, no momento da alienação, incide a tributação sobre o acréscimo patrimonial identificado pela diferença positiva entre o valor da transmissão e do custo do bem alienado. Caso a diferença seja negativa, não há que se falar em tributação, já que não constitui acréscimo patrimonial passível de tributação pelo Imposto sobre a Renda, pois não teria ocorrido a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza. Não se mostra adequado o entendimento da Autoridade lançadora de que o risco empresarial é exclusivamente daquele que se aventura em tal atividade. Afinal, o país não tem como avançar em seus indicadores econômicos ou sociais, bem assim no cenário global, se o Estado fecha os olhos à sorte das empresas, que configuram um dos esteios da economia, gerando empregos, renda e riqueza, beneficiando não apenas aos seus sócios, mas a toda coletividade, direta ou indiretamente. Assim é que, o mero nascimento dos passivos ora em discussão, antes mesmo de serem efetivamente pagos, configuram dispêndios que sensibilizam, para menos, o montante devido de tributo apurado na PJ. Por sua vez, não sendo pago dentro do período de sua ocorrência, tais dispêndios são inseridos no campo negativo do patrimônio e lá permanecem até que existam recursos para honrálos ou até que os seus sócios decidam integralizar recursos novos capazes de extinguir tais obrigações pendentes. No caso de integralização de valores, estes teriam reflexos meramente permutativos no patrimônio da pessoa física, deixando de se apresentar como uma disponibilidade, por exemplo, e passando a integrar o custo de aquisição da participação societária. Assim, o que se identifica dos elementos juntados aos autos, é que a Brumafer Mineração enfrentava severas dificuldades financeiras e operacionais, estando inclusive com suas atividades interrompidas, resultando no interesse de seus sócios em promover a alienação das respectivas participações, o que se deu com a disposição da MSA Mineração Serra Azul de levar os negócios da Brumafer à frente. Na definição de preços, naturalmente, é avaliado o patrimônio da empresa alienada, lembrando que patrimônio é o conjunto de bens, direitos e obrigações vinculado a uma pessoa ou a uma entidade. A Lei nº 10.406/2002, Código Civil, prevê, em seu art. 91, que constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico. Portanto, considerando os reflexos das obrigações pendentes de pagamento na negociação em curso, temos que quatro seriam as possibilidades para fechamento do negócio diretamente entre a MSA e os sócios da Brumafer: Fl. 495DF CARF MF 12 1) a MSA assumiria o passivo da Brumafer e consideraria o custo de tais obrigações na estipulação do valor (líquido) a ser pago aos sócios. Assim, o ganho de capital seria calculado sobre o valor líquido recebido por cada sócio alienante; 2) a MSA pagaria um valor global com a quitação prévia pelos sócios retirantes, mediante aporte de recursos, das obrigações pendentes. Assim, a tributação sobre eventual ganho de capital, da mesma forma, não incidiria sobre o valor equivalente ao passivo pendente, já que, com o aporte de recursos, este passaria a compor o custo de aquisição do investimento anulando na mesma medida a tributação eventualmente incidente sobre o valor da alienação; 3) a MSA ingressaria no quadro societário da Brumafer, aportando valores que fossem suficientes à liquidação das pendências, com diluição da participação societária dos antigos sócios. Após, compraria a participação de cada sócio, cenário em que eventual ganho de capital seria calculado pela diferença entre o valor líquido recebido e o custo de aquisição; 4) as partes fixariam um valor global para o negócio, com previsão expressa de que parte do montante a ser pago seria utilizada para quitação do passivo pendente. No caso em tela, a opção escolhida pelas partes equivale a última possibilidade acima, mas não altera a natureza da operação. Não é porque se tenha optado por uma ou outra forma que a essência do ajuste restará alterado. Neste caso não se identifica disponibilidade econômica ou jurídica de bens ou direitos de qualquer natureza, passível de incidência de Imposto de Renda, na parte relativa ao montante utilizado para quitação do passivo da empresa alienada. Em relação a tais valores, não há diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição. Tais valores não se confundem com despesas, mas obrigações patrimoniais da pessoa jurídica. Tampouco sua liquidação com recursos dos sócios pessoas físicas configura ofensa ao princípio contábil da entidade, naturalmente se observadas as formalidades legais para tal. Impossível atribuir o pagamento de tais obrigações à mera liberalidade das partes, em particular por que: quem compra considera a obrigação pendente de pagamento na definição do valor que está disposto a pagar pelo novo negócio; já quem se retira da sociedade, como bem lembrado pela decisão a quo, responde solidariamente com o adquirente, por até dois anos depois de averbada a modificação do Contrato Social, perante a própria sociedade e terceiros pelas obrigações que tinha como sócios, nos termos do § único do art. 1003 do Código Civil. É possível que as condições operacionais e financeiras de uma empresa apresentem resultado negativo reiteradamente até que sua equação patrimonial resulte em um valor negativo, situação em que pode ocorrer a transferência da sociedade sem que os sócios recebam um único centavo pela cessão de sua parte, ou mesmo ainda precisem aportar algum recurso só para que consigam alienar sua participação pelo preço justo. Assim, vêse que os reflexos do passivo de uma empresa geram impacto negativo, ainda que indiretamente, no patrimônio dos sócios e o seu pagamento, mediante ajuste em alienação que o estabeleça, apenas elimina tal impacto, não importando acréscimo patrimonial efetivo capaz de ensejar tributação do Imposto sobre a renda. Quanto à afirmação da DRJ de que não restou comprovado pelo interessado que o valor de US$ 3.000.000,00 (três milhões de dólares norteamericanos), foi descontado do valor do negócio realizado, em nada contribui para a lide em curso, pois a Autoridade Fiscal elencou Fl. 496DF CARF MF Processo nº 15504.724367/201180 Acórdão n.º 2201003.946 S2C2T1 Fl. 490 13 expressamente os pagamentos que identificou e não se manifestou sobre a suposta não comprovação, não podendo o Julgador administrativo transbordar os limites na lide em sua análise. Por outro lado, a planilha que serviu de base para se chegar aos valores de ganho de capital omitidos, além de acusar os pagamentos que tiveram a finalidade de pagar o passivo da Brumafer, também relacionou os valores que tiveram a finalidade de pagar aos sócios, cuja correção não foi questionada pelo Recorrente. Assim, entendo que os argumentos recursais são procedentes, devendo ser excluídos do ganho de capital apurado pela fiscalização todos os pagamentos listados no item 1.10 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 17 e 18), que tenham tido a finalidade de pagar passivo da Brumafer Minerações Ltda. Por fim, em relação ao pedido para intimações aos seus procuradores, não há nada a prover, já que os atos processuais são levados aos conhecimento do contribuinte em seu domicílio tributário, tudo nos termos do art. 23 do Decreto 70.235/72. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, dou provimento ao recurso voluntário para determinar o recálculo do tributo devido, com a exclusão do montante apurado de ganho de capital dos valores que tiveram a finalidade de pagar o passivo pendente da Brumafer Minerações Ltda, naturalmente, mantendose o aproveitamento do pagamento efetuado pelo contribuinte. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 497DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.723858/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
DESCARACTERIZAÇÃO DE SOCIEDADE COOPERATIVA.INOCORRÊNCIA.
Não implica descaracterização da sociedade e nem em nulidade o fato de o auto de infração tributar os resultados da cooperativa, tidos pelo fisco como oriundos de atos não cooperativos, em contraponto à tese de defesa de que se originaram apenas de atos cooperativos e, por conseguinte, conforme o raciocínio da recorrente, fora do campo da incidência.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS E PESSOA JURÍDICA.
Correto o procedimento do Fisco em arrolar, como sujeitos passivos solidários e obrigadas em relação ao crédito tributário constituído, as pessoas físicas e jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, na forma do que dispõe o artigo 124, I, do CTN.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, da qual decorreu a qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial submete-se à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
Reportando-se os fatos geradores ao ano-calendário de 2007 e tendo os lançamentos sido cientificados em 02/10/2012, inexistente a decadência suscitada pela impugnante.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. SEGREGAÇÃO DOS VALORES. OBRIGATORIEDADE.
Os valores oriundos da prática de atividades regulares das cooperativas, o seja, os atos eminentemente cooperativos, estão fora do campo de incidência do IRPJ, contrariamente às demais receitas advindas dos chamados atos não cooperativos, os quais se sujeitam à imposição tributária. Cabe ao contribuinte o ônus de registrar separadamente tais valores em sua contabilidade, sob pena de sujeitar-se à tributação sobre a totalidade das receitas auferidas.
PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARBITRAMENTO. CABIMENTO.
Correto o arbitramento procedido pela Autoridade Fiscal quando o contribuinte, optante pelo regime do Lucro Real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal ou ainda quando tal escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
PROVA EMPRESTADA. UTILIZAÇÃO.
Disponibilizadas às partes as provas chamadas emprestadas e tendo sido permitido à fiscalizada e aos sujeitos passivos solidários inteiro acesso a elas, podendo exercer o direito de ampla manifestação sobre as mesmas, improcedente o reclamo sobre uma possível utilização indevida de provas e documentos trazidos de outros processos.
PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. NÃO CABIMENTO.
Descabe o pedido de sobrestamento do julgamento dos autos em razão de Repercussão Geral, tendo em vista que, na forma do que dispõe o Regimento Interno do CARF, a concretização desta possibilidade exige determinação expressa para a suspensão do feito, hipótese não verificada no caso presente.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS.
Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes.
Numero da decisão: 1301-002.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: i) Por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e as preliminares de nulidade, e, em relação ao mérito da exigência, negar provimento aos recursos voluntários; (ii) por voto de qualidade, negar provimento quanto ao pedido de não incidência de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felicia Rothschild. Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto designado redator do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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Constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, da qual decorreu a qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial submete-se à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Reportando-se os fatos geradores ao ano-calendário de 2007 e tendo os lançamentos sido cientificados em 02/10/2012, inexistente a decadência suscitada pela impugnante. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. SEGREGAÇÃO DOS VALORES. OBRIGATORIEDADE. Os valores oriundos da prática de atividades regulares das cooperativas, o seja, os atos eminentemente cooperativos, estão fora do campo de incidência do IRPJ, contrariamente às demais receitas advindas dos chamados atos não cooperativos, os quais se sujeitam à imposição tributária. Cabe ao contribuinte o ônus de registrar separadamente tais valores em sua contabilidade, sob pena de sujeitar-se à tributação sobre a totalidade das receitas auferidas. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. Correto o arbitramento procedido pela Autoridade Fiscal quando o contribuinte, optante pelo regime do Lucro Real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal ou ainda quando tal escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. PROVA EMPRESTADA. UTILIZAÇÃO. Disponibilizadas às partes as provas chamadas emprestadas e tendo sido permitido à fiscalizada e aos sujeitos passivos solidários inteiro acesso a elas, podendo exercer o direito de ampla manifestação sobre as mesmas, improcedente o reclamo sobre uma possível utilização indevida de provas e documentos trazidos de outros processos. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. NÃO CABIMENTO. Descabe o pedido de sobrestamento do julgamento dos autos em razão de Repercussão Geral, tendo em vista que, na forma do que dispõe o Regimento Interno do CARF, a concretização desta possibilidade exige determinação expressa para a suspensão do feito, hipótese não verificada no caso presente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes.
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Não implica descaracterização da sociedade e nem em nulidade o fato de o auto de infração tributar os resultados da cooperativa, tidos pelo fisco como oriundos de atos não cooperativos, em contraponto à tese de defesa de que se originaram apenas de atos cooperativos e, por conseguinte, conforme o raciocínio da recorrente, fora do campo da incidência. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS E PESSOA JURÍDICA. Correto o procedimento do Fisco em arrolar, como sujeitos passivos solidários e obrigadas em relação ao crédito tributário constituído, as pessoas físicas e jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, na forma do que dispõe o artigo 124, I, do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, da qual decorreu a qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Reportandose os fatos geradores ao anocalendário de 2007 e tendo os lançamentos sido cientificados em 02/10/2012, inexistente a decadência suscitada pela impugnante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 38 58 /2 01 2- 63 Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.693 2 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. SEGREGAÇÃO DOS VALORES. OBRIGATORIEDADE. Os valores oriundos da prática de atividades regulares das cooperativas, o seja, os atos eminentemente cooperativos, estão fora do campo de incidência do IRPJ, contrariamente às demais receitas advindas dos chamados atos não cooperativos, os quais se sujeitam à imposição tributária. Cabe ao contribuinte o ônus de registrar separadamente tais valores em sua contabilidade, sob pena de sujeitarse à tributação sobre a totalidade das receitas auferidas. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. Correto o arbitramento procedido pela Autoridade Fiscal quando o contribuinte, optante pelo regime do Lucro Real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal ou ainda quando tal escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. PROVA EMPRESTADA. UTILIZAÇÃO. Disponibilizadas às partes as provas chamadas “emprestadas” e tendo sido permitido à fiscalizada e aos sujeitos passivos solidários inteiro acesso a elas, podendo exercer o direito de ampla manifestação sobre as mesmas, improcedente o reclamo sobre uma possível utilização indevida de provas e documentos trazidos de outros processos. Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.694 3 PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. NÃO CABIMENTO. Descabe o pedido de sobrestamento do julgamento dos autos em razão de Repercussão Geral, tendo em vista que, na forma do que dispõe o Regimento Interno do CARF, a concretização desta possibilidade exige determinação expressa para a suspensão do feito, hipótese não verificada no caso presente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303 002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: i) Por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e as preliminares de nulidade, e, em relação ao mérito da exigência, negar provimento aos recursos voluntários; (ii) por voto de qualidade, negar provimento quanto ao pedido de não incidência de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felicia Rothschild. Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto designado redator do voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.695 4 Relatório COOP DE PROFESSORES E AUX DE ADMIN ESCOLAR COOPESCOLA E OUTROS, já qualificados nos autos, recorrem da decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) DRJ/CPS, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, para indeferir o pedido de perícia e manter integralmente o crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no valor total de R$16.888.692,12, relativo ao anocalendário 2007. Do Lançamento Tratase de auto de infração para lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (fls. 955/1.001), cumulados de juros e multa qualificada, lavrado contra COOP DE PROFESSORES E AUX DE ADMIN ESCOLAR COOPESCOLA E OUTROS, em razão da omissão de receita por presunção legal, depósitos bancários de origem não comprovada, com base nos arts. 3º da Lei 9.249/95, art. 42 da Lei 9.430/96 e art. 533 do RIR/99. Foram apresentados Termos de Sujeição Passiva Solidária contra: a) Abetec Assoc. Brasileira de Educação e Tecnolog (fls. 1007/1008), nos termos do art. 124, I, do CTN; b) Áurea Pires do Rio Penteado (fls. 1009/1010), nos termos do art. 135, III, do CTN; e c) Raul Armando Gennari Filho (fls. 1011/1012), nos termos dos arts. 124, I e 135, III, do CTN. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, (fls. 931/954), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram: i) que, “a ação fiscal foi motivada pelo fato do contribuinte “Cooperativa de Professores e Auxiliares de administração Escolar Coopescola” (...) ter movimentado, no decorrer de 2007 (...) valores (créditos/depósitos) da ordem de R$ 48.907.717,42, tendo informado em sua Declaração de Informações EconômicoFinanceiras (...) uma receita declarada de R$ 1.083.841,84, incidindo, portanto, nos parâmetros da operação Movimentação Financeira Incompatível”: A empresa é pessoa jurídica de direito privado, sob a forma de Sociedade Cooperativa de Serviços, e teria como objeto social a congregação dos integrantes do magistério, auxiliares de administração escolar e demais funções necessárias à gestão, operação e administração das atividades educacionais em todos os seus níveis da educação infantil aos cursos superiores e de pósgraduação, passando pelo fundamental I e II, médio, educação profissional, bem como cursos extracurriculares, proporcionandolhes condições para o melhor exercício de suas atividades. Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.696 5 Em respostas às intimações, explicou que a Cooperativa não presta serviços ao cliente (aluno), mas sim os cooperados, na condição de autônomos, que portanto, é mero agente, e age em nome dos cooperados. Que promove a venda dos serviços, que serão prestados pelos próprios cooperados, e que as receitas são distribuídas aos cooperados na proporção dos serviços prestados. Que a cooperativa presta serviços a seus associados cooperados, arregimentando alunos, agrupando vários prestadores de serviços para organizadamente conseguirem a formação regular. Importante ressaltar também, que o Sindicato dos Professores de São Paulo formalizou denúncia ao Ministério Público do Trabalho, asseverando que a COOPESCOLA favorecia a burla da legislação do trabalho no Colégio Paulista (COPI), entidade mantida pela segunda ré, através de intermediação de mãodeobra de professores e auxiliares de ensino. Foi instaurado procedimento, em que foi revelada a existência de vínculo empregatício, com completa ausência de traços cooperativistas. Inclusive, com provas testemunhais de que os trabalhadores, efetivamente, não possuem qualquer orientação quanto ao cooperativismo, sendo mera mão de obra explorada. Depreendeuse que houve a indevida intermediação de mãodeobra por parte da cooperativa, em benefício da empresaré, que se utilizava da primeira para alcançar os fins que não alçou como empresa. A ação foi julgada parcialmente procedente, tendo a Cooperativa e a Abetec sido condenadas e dentre outras penalidades a absterse de contratar terceiros, sob formas fraudulentas de contrato, bem como declarouse o vínculo empregatício dos laboristas e da empresa tomadora. Intimada a explicar as diferenças entre os valores contabilizados como receita R$1.182.751,74 e o total de ingressos na conta de R$48.170.614,94 conforme balancetes mensais, respondeu que: Que: Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.697 6 Que: Continua o TVF, ainda que: Com relação aos aluguéis, explicou que: Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.698 7 Sendo que na contabilidade, na conta ALUGUEL A PAGAR LINS, com contrapartida a conta 21125520051 CRÉDITOS DE TERCEIROS, constam os seguintes lançamentos: Quanto à natureza de cooperativa, tece: A contabilidade apresentada foi desconsiderada, nos seguintes termos: Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.699 8 Dessa forma, em razão da impossibilidade de utilização do lucro real apurado pelo contribuinte, o lucro foi arbitrado, e nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, dos valores creditados nas contas correntes de R$48.907.717,42, foram desconsiderados os valores de empréstimos e financiamentos, transferências entre contas de mesma titularidade, estornos, cheques devolvidos, restando um valor de R$34.858.615,11, sujeitos à comprovação de origem, conforme quadro abaixo: Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.700 9 Entretanto, restou incomprovada a origem desses valores, servindo de base para lançamento de ofício. Utilizouse ainda dos lançamentos reflexos e também dos valores declarados em DCTF. Acerca da qualificação da multa manifestouse da seguinte forma: Com relação à sujeição passiva segue: No mesmo sentido com relação às pessoas físicas Aurea Pires do Rio Penteado e Sr. Raul Armando Gennari. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato das Impugnações, de fls. 1.026/1.277 e 1.278/1.527: a) da impossibilidade de arbitramento; b) da impossibilidade de presunção; c) da impossibilidade de utilização de prova emprestada; Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.701 10 d) da inaplicabilidade da multa de ofício qualificada; e) da decadência do direito de lançar; f) do sobrestamento do feito até decisão definitiva do STF; g) Dos atos cooperativos praticados pelo contribuinte; Em julgamento realizado em 18 de junho de 2013, a 4ª Turma da DRJ/CPS, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0540.832, assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2007 DESCARACTERIZAÇÃO DE SOCIEDADE COOPERATIVA.INOCORRÊNCIA. Não implica descaracterização da sociedade e nem em nulidade o fato de o auto de infração tributar os resultados da cooperativa, tidos pelo fisco como oriundos de atos não cooperativos, em contraponto à tese de defesa de que se originaram apenas de atos cooperativos e, por conseguinte, conforme o raciocínio da recorrente, fora do campo da incidência. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS E PESSOA JURÍDICA. Correto o procedimento do Fisco em arrolar, como sujeitos passivos solidários e obrigadas em relação ao crédito tributário constituído, as pessoas físicas e jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, na forma do que dispõe o artigo 124, I, do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, da qual decorreu a qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Reportandose os fatos geradores ao anocalendário de 2007 e tendo os lançamentos sido cientificados em 02/10/2012, inexistente a decadência suscitada pela impugnante. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. Fl. 2701DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.702 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. SEGREGAÇÃO DOS VALORES. OBRIGATORIEDADE. Os valores oriundos da prática de atividades regulares das cooperativas, o seja, os atos eminentemente cooperativos, estão fora do campo de incidência do IRPJ, contrariamente às demais receitas advindas dos chamados atos não cooperativos, os quais se sujeitam à imposição tributária. Cabe ao contribuinte o ônus de registrar separadamente tais valores em sua contabilidade, sob pena de sujeitarse à tributação sobre a totalidade das receitas auferidas. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. Correto o arbitramento procedido pela Autoridade Fiscal quando o contribuinte, optante pelo regime do Lucro Real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal ou ainda quando tal escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. PROVA EMPRESTADA. UTILIZAÇÃO. Disponibilizadas às partes as provas chamadas “emprestadas” e tendo sido permitido à fiscalizada e aos sujeitos passivos solidários inteiro acesso a elas, podendo exercer o direito de ampla manifestação sobre as mesmas, improcedente o reclamo sobre uma possível utilização indevida de provas e documentos trazidos de outros processos. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. NÃO CABIMENTO. Descabe o pedido de sobrestamento do julgamento dos autos em razão de Repercussão Geral, tendo em vista que, na forma do que dispõe o Regimento Interno do CARF, a concretização desta possibilidade exige determinação expressa para a suspensão do feito, hipótese não verificada no caso presente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.703 12 INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Os ora recorrentes, devidamente cientificados do acórdão recorrido, apresentaram recursos voluntários tempestivos (fls. 2.284/2.370, 2.375/2.467, 2.472/2.563 e 2.568/2.660), onde repetem os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, principalmente nos seguintes tópicos: I Preliminarmente: a) Nulidade da decisão; b) Impossibilidade de utilização de prova emprestada; c) Da decadência do Direito de lançar; d) Do vício insanável dos lançamentos quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial; II Do Mérito: a) Da Constituição da Cooperativa, sua regularidade, do Ato Cooperativo, dos Atos praticados pela Recorrente; b) Não incidência da tributação sobre o valor autuado; IRPJ e CSLL, PIS e COFINS; c) Da impossibilidade de Arbitramento; d) Da impossibilidade de presunção; e) Da Inaplicabilidade da Multa de Ofício Qualificada; f) Da impossibilidade de Exigir Juros de mora sobre a multa de ofício; g) Do sobrestamento do feito até decisão definitiva do STF no RE 672.215. Em 12/04/2017, recebi os presentes autos, por sorteio. É o relatório. Fl. 2703DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.704 13 Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte e os responsáveis solidários foram cientificados do teor do acórdão da DRJ/CPS e intimados ao recolhimento dos débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em 22/07/2013, 13/08/2013, 12/08/2013 e 15/08/2013 (fls 2.263/4, 2.668/2.670, 2.280/1 e 2.282/3), e apresentaram em 20/08/2013, recursos voluntários, juntados às fls. 2.284/2.370, 2.375/2.467, 2.472/2.563 e 2.568/2.660, tempestivamente, portanto deles conheço. Inicialmente, cabe destacar que os recursos apresentados pelo contribuinte e pelos três responsáveis solidários, em que pesem encontraremse fisicamente segregados, cada qual com o seu recurso voluntário, o conteúdo formal é praticamente o mesmo, diferenciando se apenas no que se refere à questão da responsabilidade solidária em si. Ademais, no que tange às preliminares alegadas, bem como ao mérito, são iguais os argumentos, de tal forma que procederei na análise conjunta, segregando no momento adequado ao se tratar das responsabilidades. Das Preliminares 1) Da Nulidade da Decisão Alegam os recorrentes que a decisão recorrida padece de nulidade por não analisar todos os argumentos e que caiu em contradição, possuindo falhas em sua fundamentação, o que acarretou em preterição do direito de defesa dos recorrentes, sendo assim, nula. No caso em tela, não vejo qualquer um dos requisitos que dariam ensejo a declaração de nulidade da decisão recorrida. Ademais, este contém, dentre outros requisitos formais, o relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicaria na invalidade da decisão, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, vejo que a própria decisão trouxe trecho relevante de decisão do STJ, que copio abaixo: “[...]. Negativa de prestação jurisdicional não configurada. Livre apreciação da prova. Fundamentação suficiente. 2. O julgador não está obrigado a emitir pronunciamento acerca de todas as provas produzidas nos autos, tampouco acerca de todos os argumentos lançados pelas partes. Permitese que o julgador dê prevalência às provas e aos fundamentos que sejam suficientes à formação de sua convicção, desde que motivadamente. [...].” (SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Ac. de 16.12.2010 no AgRAI nº 123547, rel. Min. Aldir Passarinho Junior.) Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.705 14 Também, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a anulação da decisão a quo: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. De igual forma, da leitura da decisão recorrida fica clara a linha adotada para embasamento, não verifico contradição, questões de mérito serão analisadas adiante. Assim, deixo de conhecer desta preliminar argüida. 2) Da impossibilidade de utilização de prova emprestada Alegam os recorrentes da impossibilidade de utilização por parte do Fisco de provas utilizadas na Ação Civil Pública que tramitou perante o Tribunal Regional do Trabalho, em que o contribuinte foi parte, já que pertencente a outra esfera do direito e porque a ação foi encerrada mediante acordo homologado. A decisão a quo entendeu que as provas emprestadas, no caso em tela, fazem parte de um conjunto probatório indissociável em que todos os litigantes, de um modo ou outro, encontramse vinculados. Ademais, de se ressaltar que tais provas serviram de balizamento inicial, e todos os recorrentes tiverem oportunidades de se manifestarem. Em que pese a argumentação de se trata de esferas diversas do direito, importante ressaltar que tratam de importante questão, qual seja a atuação da contribuinte como Cooperativa. No entanto, verificase da análise dos autos, que o lançamento não ocorreu apenas com base em tais provas advindas da outra esfera do direito, mas serviu de base e Fl. 2705DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.706 15 posteriormente, a própria fiscalização carreou provas próprias, que ao final culminou com o auto de infração e termos de sujeição passivas. Assim, também deixo de acolher esta preliminar. 3) Da decadência do direito de lançar (análise ao final) 4) Do vício insanável dos lançamentos quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial; Alegam os recorrentes que o auto de infração foi lavrado de forma irregular, pois se basearam em quebra de sigilo bancário sem autorização legal. Entendo não ter razão os recorrentes, pelos motivos a seguir. Isso porque o Supremo Tribunal Federal julgou recentemente essa matéria em sede de Repercussão Geral. O julgamento se deu no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, na sessão plenária do dia 24.02.2016, publicada em no DJe nº 37/2016 (em 29.02.2016), e decidiu por maioria de votos a seguinte: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. ” Ademais, transcrevo o dispositivo legal que permite o acesso à movimentação financeira pela Fisco, o art 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim também o entendimento da Profa. Maria Rita Ferragut1: "O sigilo bancário não é absoluto, e, no que diz respeito ao aspecto fiscal, deve ceder ao interesse público de obter informações que possam se configurar relevantes a tipificar indícios de prática do fato jurídico tributário. A interpretação do direito à privacidade, na forma ora proposta, 1 As provas e o direito Tributário, pág. 110. Fl. 2706DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.707 16 garante tanto a eficácia na produção de provas tributárias, quanto a concretização da legalidade e da igualdade. Os benefícios parecem, portanto, muito maiores que a prevalência cega e absoluta da privacidade." Dessa forma, correto o procedimento fiscal embasado em dispositivo legal em plena vigência. 5) Do Mérito Tratase da glosa por omissão de receitas em razão de depósitos bancários de origem não comprovada. Através da análise de todos os extratos bancários e conciliação da movimentação bancária, verificouse que o valor total creditado nas contas correntes foi de R$48.907.717,42, desconsiderados valores creditados a títulos de empréstimos, estornos, cheques devolvidos, restou como sujeito à comprovação de origem o valor de R$34.858.615,11. Em razão da não comprovação por parte do contribuinte, os mesmos valores serviram de base para o lançamento, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, os depósitos e/ou créditos de origem não comprovadas são considerados rendimentos omitidos no mês de sua efetivação. A Fiscalização, em razão da precariedade da documentação contábil apresentada, desconsideroua, já que infringiu legislação comercial/fiscal, relatando, inclusive que a atividade da cooperativa é na realidade exploração da atividade educacional prestada a alunos, e consiste claramente em atividade de mercado, tendo em vista que o aluno procura a instituição de ensino e não determinado professor. Ficando clara, também, a utilização da Cooperativa pela STE/Brasil Informática (atual Abetec responsável solidária), para operacionalizar as atividades do Colégio Paulista (COPI), evidenciado pela contabilidade da empresa. Destacou, ainda, a Fiscalização que apesar da denominação de Cooperativa, ela não nasceu para prestar serviços ao cooperados, e sim, a prestação de serviços aos alunos interessados. Assim como, evidenciado que o princípio da livre adesão não era respeitado nos moldes legais, já que a entrada e saída dos professores não poderiam ser livres, já que esta não funcionava pelo prestação de serviços a pessoas dos seus cooperados, mas sim pela prestação da atividade educacional como um todo, ou seja, dependiam do número de alunos, de salas, capacidade técnica e necessidades diversas, podendo ser desligado a qualquer tempo. Ademais, verificouse pela escrituração contábil que a suposta Cooperativa, instituição mantenedora do COPI, perante os órgãos responsáveis (Secretaria da educação e MEC), transferia mensalmente à empresa STE Empreendimentos (atual ABETEC), proprietária da marca perante o INPI, diversos valores, à título de Aluguel de equipamentos e instalações, ficando clara a transferência de atividades para um empresa denominada Cooperativa, com o intuito de ocultar os recursos financeiros movimentados em conta corrente bancária, e segundo, aproveitarse dos favores legais concedidos a ele. Já os recorrentes, de início, explicam no que consiste a sua atividade, sua regularidade societária. Fl. 2707DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.708 17 Que desde 1996 a recorrente assumiu o fundo de comércio das instituições de ensino FIAP e COPI e explorar tais marcas, passando a gerir os serviços educacionais prestados pelos cooperados (professores e auxiliares), passando a receber as mensalidades escolares pagas pelos alunos das instituições. Após, apura e distribui os resultados na proporção de cada cooperado. Dessa forma, a Recorrente prestava serviços aos seus cooperados, sendo aquela a receita dos cooperados. Informou, ainda, que a Cooperativa foi mantenedora do COPI em 2007, e quem prestou os serviços aos clientes (alunos) não foi a Cooperativa, mas os próprios cooperados na condição de autônomos. E que tais recebimentos são de terceiros e não da Cooperativa. Intimado a apresentar a documentação contábil, como a receita contabilizada, discriminada por cliente, bem como contratos, composição dos valores repassados aos cooperados, com conta contábil e nome do cooperado, bem como se a empresa possui sede própria, caso contrário valor dos aluguéis, contrato e comprovantes. Informou que a taxa de administração é a receita da Cooperativa, que representa 10% dos valores recebidos pelos cooperados, valor que foi declarado em DIPJ, daí a diferença nos valores. A informação contábil apresentada foi considerada imprestável, já que optante pelo lucro real, apenas apresentou o balancete de dezembro, deixando de apresentar os balancetes mensais, e intimada a reescriturar, não atendeu a intimação, de tal forma que o lucro foi arbitrado, nos termos do art. 530 do RIR/99. Cabe destacar, portanto, o cerne da questão, qual seja, se os atos praticados pelo contribuinte refletem sua condição de Cooperativa, nos termos legais. As sociedades cooperativas estão reguladas pela Lei 5.764/71, que instituiu o regime jurídico das cooperativas. O art. 111 dessa norma prevê que serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os art. 85 e 86 e 88 da mesma lei. Especificamente quanto ao art. 86, temos o seguinte: Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Ou seja, a lei não impede que as cooperativas prestem serviços a terceiros, não associados. E continua o art. 87: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos art. 85 e 86, serão levados à conta "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão Fl. 2708DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.709 18 contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Assim, os atos cooperativos, que nos termos do art. 79, são aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos seus objetivos sociais, estas receitas não são tributáveis. Nesse sentido, trechos do Ac. 9303003.267, da 3a Turma da CSRF: “(...) Como as sociedades cooperativas visam, através do esforço conjunto dos cooperados, oferecer bens e serviços para o exercício da atividade econômica, sendo que as sobras do exercício devem ser repartidas entre os cooperados, proporcional às operações realizadas pelo associado, necessariamente, deveriam haver algumas operações com terceiros (mercado), pois do contrário ficariam sem sentido os preceitos destas normas. Nestas operações com terceiros, a sociedade teria apenas a posse temporária dos valores, que somente transitariam por sua contabilidade para controle interno, não havendo como tributá los, por falta de legitimidade passiva, pois, a despeito de não configurar receita bruta, tais valores sequer configuram receita da cooperativa, mas sim do cooperado. Então, para a consecução dos objetivos sociais da sociedade cooperativa seria necessário que o ato cooperativo não fosse somente ato/negócio entre ela e seus associados (ato fim), mas também inclua alguns atos/negócios com terceiros não cooperados (ato meio).” E assim, concluindo: “(...) A isenção do ato cooperativo se aplicaria também aos atos meio (...), revelando que: “(...) estes são essenciais à realização dos atos fim e não vão além do que cada associado, individualmente, poderia oferecer a terceiros sem a intermediação da cooperativa” Ou seja, conforme menciona o próprio recorrente, que a Cooperativa apenas presta serviços aos cooperados, estão perfeitamente em consonância ao mencionado na norma. Entretanto, voltandose ao caso concreto, verificase que o pagamento das mensalidades pelos alunos à cooperativa eram repassadas à Abetec, na forma de aluguéis, empresa aquela efetiva mantenedora de instituições de ensino privadas, configurandose em verdadeira fraude e simulação de atos que formalmente se chamam de cooperativos, mas que de fato demonstram o mote comercial existente. Isso é o que o TVF trouxe: Fl. 2709DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.710 19 Ainda, em outro trecho: Ademais, conforme já mencionado anteriormente, o próprio Recorrente informa que em razão do COPI e FIAP passarem por dificuldades financeiras e não gerarem mais lucros aos sócios, o Sr. Raul Gennari Filho decidiu encerrar as atividades educacionais e locar os imóveis onde essas unidades educacionais se encontravam, no entanto, para impedir o fechamento das instituições, os empregados propuseram ao sr. Raul que eles se reunissem em cooperativa para dar continuidade aos serviços educacionais prestados. E assim propuseram a criação da Cooperativa e decidiram que esta iria ser locatária dos prédios de titularidade do sr. Raul e assim, em 1996 a atividade econômica foi transferida à Cooperativa, por meio de assunção ao fundo de comércio das mencionadas instituições de ensino e cessão da exploração das marcas FIAP e COPI. Fl. 2710DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.711 20 Ou seja, diversas vezes, verificamos a presença da atividade comercial, empresarial praticada, contrariando os requisitos do cooperativismo. Reconhece também o recorrente que a relação com a Abetec decorre do negócio mencionado, já que ela era a antiga mantenedora do Colégio e a cooperativa a substituiu, transferindo também a licença de uso da marca para permitir a continuidade da prestação de serviços. Por derradeiro, trechos da Ação Civil Pública processo trabalhista 00540200604502007 da 45ª Vara do Trabalho de São Paulo, movida pelo Ministério Público do trabalho, em que pese terem findado em acordo judicial, esclarecem diversas atividades praticadas pela Cooperativa, tendo inclusive a oitiva dos professores cooperados, que demonstraram a existência do vínculo trabalhista, determinando, inclusive, que a cooperativa registre o contrato de empresa com anotações na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) de todos os trabalhadores do Colégio Paulista e FIAP. Assim, no meu entender, fartas provas nos autos de que os atos praticados pela Cooperativa na realidade tinham caráter eminentemente empresarial e comercial. Não só esse fato, mas também a forma de atuação da recorrente, que transformandose em cooperativa, realizou diversos repasses à antiga mantenedora, descaracterizandoa como tal. Ressaltese, novamente, que o inquérito de ordem cível trabalhista, que embora tenha tratado especificamente de fatos ocorridos em 2005, mas a forma de atuação pelos outros anos, assim como nesse aqui tratado. Aqui podendose citar inclusive a existência de outro processo tributário administrativo, relativo ao ano de 2003, que tratou de igual matéria. Ou seja, verificase a forma de atuação da recorrente. Ademais, seguese à análise da contabilidade, que também não era feita nos moldes previstos pela legislação fiscal, e até mesmo o que a lei 5.764/71 determina, segregandose as receitas advindas dos não cooperados. Alegam os recorrentes acerca da impossibilidade de se arbitrar o lucro. Ora, conforme se verifica dos autos, diante da imprestabilidade da contabilidade apresentada, o recorrente foi intimado a reescriturar conforme a norma, porém não o fez, cabendo, dessa forma ao Fisco o arbitramento, nos termos legais. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Fl. 2711DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.712 21 I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Alegam os recorrentes da impossibilidade da manutenção da autuação baseada em presunção legal, por violação aos princípios da legalidade, segurança jurídica e razoabilidade. Tal entendimento já foi superado desde o advento da Lei nº 9.430/96, art. 42, que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo legal pela norma citada torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Aqui esclareçase que os recorrentes foram diversas vezes intimados e reintimados a apresentar documentos ou a justificar as operações e movimentações, porém, em razão da premissa errônea adotada ao não segregar as receitas decorrentes dos atos não cooperativos não logrou êxito em justificálas. Fl. 2712DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.713 22 Aqui também, aplicável o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal (Carf) acerca da questão, consolidado na Súmula 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Dessa forma, nos termos da lei, caberia ao contribuinte a comprovação, detalhada, com datas e valores, da origem dos valores que entraram em sua conta corrente, e a partir daí informar o que já foi tributado ou não. Os recorrentes não lograram comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. A justificativa sempre foi a de que as contabilizações estavam corretas. Aplicação da Multa Qualificada No que se refere à aplicação da multa qualificada, verificase plenamente aplicável ao caso em tela. Em que pese a existência da Súmula CARF 14: em que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Justamente pela forma de atuação dos recorrentes, utilizandose da simulação, criando a figura da Cooperativa a fim de se aproveitar de benefícios de diversas raízes, especificamente tributárias, verificase o evidente intuito doloso. A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, constante do dispositivo que qualifica a multa de ofício, na Lei nº 9.430, de 1996, caracterizou: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato Fl. 2713DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.714 23 gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art . 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplicase, no grau correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. (Vide DecretoLei nº 34, de 1966) (Grifou se.) Assim, no meu entender cabível a multa qualificada já que caracterizado o dolo, no evidente intuito de sonegação da recorrente. Da incidência dos juros sobre a multa Alega a recorrente que não se pode aplicar os juros moratórios sobre a multa lançada de ofício, por falta de expressa previsão legal. Entendo que assiste razão à recorrente. Nos termo do art. 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ou seja, na forma do §3º do art. 61, incidem os juros moratórios sobre os débitos de que trata o caput, tributos e contribuições, mas não sobre as multas de ofício. Fl. 2714DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.715 24 Não há essa previsão legal, pois se assim fosse, o legislador teria assim previsto. O que se prevê aqui é a multa de mora prevista no §2º, sobre os débitos indicados. Da mesma forma, temos no Código Tributário Nacional, em seu art. 161: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A norma determina a incidência de juros de mora sobre o crédito tributário não pago, sem prejuízo das penalidades cabíveis. O crédito tributário é o tributo ou obrigação tributária, e assim, não se constitui em sanção de ato ilícito, nos termos do art. 3º do CTN, e sobre ele incide os juros e as penalidades e não se incluindo neles. Dessa forma, neste item dou provimento ao Recurso. Do Sobrestamento do feito até decisão definitiva do STF Pugnam os recorrentes pelo sobrestamento do feito até que seja proferia decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário RE 672.215/CE. Disse a decisão recorrida, que nos autos em trâmite no STF tratamse da forma de tributação das cooperativas, dos valores por ela recebidos e sua segregação entre aqueles oriundos de suas atividades cooperativas e as demais verbas. E no caso discutido nestes autos tratase da natureza dos valores recebidos pela autuada são ou não oriundos de sua atividade e não a forma de tributação, já que se efetivamente oriundos da atividade cooperativa estariam abrigados pela não incidência. De fato, pela análise no site do STF: Tema 536 Incidência de COFINS, PIS e CSLL sobre o produto de ato cooperado ou cooperativo. Relator: MIN. ROBERTO BARROSO Leading Case: RE 672215 Há Repercussão? Sim Ver descrição [+] Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, XVIII; 146, III, c; 194, parágrafo único, V; 195, caput, e I, a, b e c e § 7º; e 239 da Constituição Federal, a possibilidade de lei dispor sobre a incidência, ou não, de COFINS, PIS e CSLL sobre o produto de ato cooperado ou cooperativo em face dos conceitos constitucionais relativos ao cooperativismo: “ato cooperativo”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”. [] Assim, diante da diversidade da matéria tratada aqui nos autos, que após análise minuciosa entendi não se tratar de atos cooperativos, não há que se falar em sobrestamento do feito. Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.716 25 Da decadência Segundo os recursos voluntários, em razão dos tributos lançados estarem sujeitos ao lançamento por homologação, sendo o contribuinte optante pelo regime do lucro real trimestral, e que os fatos geradores ocorreram no anocalendário de 2007, e a ciência do lançamento se deu em 02/10/2012, estariam decaídos os três primeiros trimestres do ano calendário de 2007 com relação ao IRPJ e CSLL aos meses de janeiro a setembro de 2007, com relação ao PIS e à COFINS, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Entretanto, de se enfatizar que no caso em tela, em razão da aplicação multa qualificada, em razão da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial desloca se para a regra determinada no art. 173, I do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, também a Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Assim, conforme se verificou na discussão do mérito, diante da conduta dolosa do contribuinte, aplicável o art. 173, I do CTN, e não o previsto no §4º do art. 150 do CTN, não havendo o que falar em decadência parcial daquelas competências. Da Responsabilidade Solidária Sr. Raul Armando Gennari, Sra. Aurea Pires do Rio Penteado e ABETEC Assoc. Brasileira de Educação e Tecnolog Foi emitido o termo de sujeição passiva contra as três pessoas acima mencionadas, nos termos do art. 124 e/ou art. 135 do CTN. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.717 26 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Os responsáveis solidários requerem a sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária. O Sr. Raul alega que a fiscalização não logrou êxito na comprovação de qualquer correlação entre a sua conduta e os débitos lhe imputados, já que ele apenas era o presidente da Abetec. (art. 124, I e 135, III) A Sra Áurea alega que a fiscalização não logrou comprovar que a ela tenha agido com excesso de poderes ou contra a lei. (art. 135, III) A Abetec (art. 124, I) alegou que não houve a comprovação do interesse comum. Ora da análise dos fatos feita acima, verificamos a intensa participação e benefício comum dos responsáveis acima indicados. Todos eles diretamente ligados em um modus operandi próprio, criando a suposta empresa cooperativa, transacionando valores, omitindoos da contabilidade e não os tributando. Levando benefício ilegal àquelas pessoas, que tinham um fim único de sonegação fiscal. A Abetec era quem efetivamente recebia os valores auferidos pela suposta Cooperativa. O Sr. Raul era quem detinha a participação societária da Abetec e ao final tinha o interesse no benefício fiscal com atuação direta. Assim como a Sra. Áurea, que atuava com presidente da cooperativa. Os três engendraram toda a máquina com o objetivo de se beneficiar fiscalmente, aproveitandose da Cooperativa. Ainda que seja atribuída a responsabilidade pessoal àqueles discriminados no referido inciso do art. 135 do CTN, permanece incólume a responsabilidade da contribuinte autuada, não se desfigurando o dever jurídico daquelas pessoas elencadas no art. 135 que tenha agido com infração à lei, contrato social ou estatutos. Ademais, ainda que a mera falta de recolhimento do tributo não constitua, por si só, a ilicitude visada pelo legislador, necessitandose a demonstração do dolo daquele a quem ela é atribuída. Dessa forma, pela manutenção das três pessoas como responsáveis solidários. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para afastar os juros sobre a multa. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.718 27 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado Tenho a incumbência do voto vencedor, em relação à incidência dos juros sobre a multa de ofício. DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é Fl. 2718DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.719 28 interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. Fl. 2719DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.720 29 A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: Fl. 2720DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.721 30 JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, Fl. 2721DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.722 31 DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Cumpre esclarecer ainda que as três turmas da Câmara Superior, em decisões recentes, vêm confirmando a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício (Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400). Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme se observa na ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990 PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Ressaltase ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de reduções superiores às fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja, visto sob outro enfoque, reafirmouse o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as multas de mora e de ofício. Tal exegese pode ser observada no REsp 1.492.246/RS (Rel. Fl. 2722DF CARF MF Processo nº 10882.723858/201263 Acórdão n.º 1301002.561 S1C3T1 Fl. 2.723 32 Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e no REsp 1.510.603–CE (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015), em relação ao qual transcrevese a seguir sua ementa: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. 11.941/2009. REMISSÃO DE MULTA EM 100%. DESINFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DOS JUROS DE MORA. PARCELAS DISTINTAS. PRECEDENTE. 1. "Em se tratando de remissão, não há qualquer indicativo na Lei n. 11.941/2009 que permita concluir que a redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício estabelecida no art. 1º, §3º, I, da referida lei implique uma redução superior à de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora estabelecida nos mesmo inciso, para atingir uma remissão completa da rubrica de juros (remissão de 100% de juros de mora), como quer o contribuinte " (REsp 1.492.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015.). 2. Consequentemente, a Lei n. 11.941/2009 tratou cada parcela componente do crédito tributário (principal, multas, juros de mora e encargos) de forma distinta, de modo que a redução percentual dos juros moratórios incide sobre as multas tão somente após a apuração atualizada desta rubrica (multa). Recurso especial provido. REsp 1.510.603–CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015. Isso posto, voto por manter tal exigência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 2723DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001155/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. A mera correção de erro material não gera a nulidade da decisão proferida por ausência de intimação do Acórdão corrigido.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO ADMINISTRATIVO DE JULGAMENTO.
O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário.
PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa.
JUROS DE MORA. SELIC.
Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006, 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IPI. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, é devida, por decorrência, a exigência do IPI correspondente e dos respectivos consectários legais, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. ALÍQUOTA MAIS ELEVADA.
No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à consequente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utiliza-se a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido.
Numero da decisão: 1301-002.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade do lançamento, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Bianca Felícia Rothschild, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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INOCORRÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. A mera correção de erro material não gera a nulidade da decisão proferida por ausência de intimação do Acórdão corrigido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO ADMINISTRATIVO DE JULGAMENTO. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 11 55 /2 00 9- 15 Fl. 6897DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.898 2 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006, 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IPI. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, é devida, por decorrência, a exigência do IPI correspondente e dos respectivos consectários legais, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à consequente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade do lançamento, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Fl. 6898DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.899 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Bianca Felícia Rothschild, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 6899DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.900 4 Relatório GME GARÇA MOTORES ELÉTRICOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância (Acórdão 1428.236) que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Tratase de exigência reflexa de IPI decorrente de lançamento de IRPJ em razão de suposta omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) encontrase formalizada no processo 11444.000773/200930. Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi constatado, nos anos de 2006 e 2007, falta de lançamento do imposto sobre produtos industrializados (IPI) caracterizada pela saída do estabelecimento de produto sem emissão de nota fiscal, bem como falta de recolhimento ou recolhimento a menor do IPI, conforme valor apurado nos livros Registro de Apuração do IPI (Raipi). Essas constatações decorreram de apuração de omissão de receitas, no lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) e reflexos, objeto do processo nº 11444.000773/200930. Conseqüentemente, foi lavrado o auto de infração de fls. 2/30, para exigir o crédito tributário do IPI decorrente das receitas omitidas, legalmente consideradas como vendas sem emissão de notas fiscais, e o que deixou de ser recolhido, nos seguintes termos: Imposto: R$ 15.952.618,40 Juros de mora: R$ 4.680.070,18 Multa proporcional: R$ 12.722.662,16 Total do crédito tributário: R$ 33.355.350,74 Enquadramento legal: Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002) – , arts. 24, II, 34, II, 122, 123, I, “b”, e II, “c”, 127, 130, 131, II, 138, 199, 200, IV, 202, III, e 448, § 2o; Lei nº 8.383 , de 30 de dezembro de 1991, art. 52, I; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42; Lei nº 10.833, de 24 de dezembro de 2003, arts. 42 e 43, e Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Notificada do lançamento em 17/11/2009, conforme autos de infração, a interessada, por seu representante legal, ingressou, em 17/12/2009, com a impugnação de fls.784/824, alegando, em suma: Preliminar Fl. 6900DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.901 5 O auto de infração é nulo, tendo em vista ter sido efetivado com base em provas obtidas por meios ilícitos, em face da inconstitucionalidade dos dispositivos legais em que a Receita Federal o fundamentou para ter acesso a documentos bancários protegidos pelo sigilo de dados e pela intimidade do contribuinte. A quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa sem a autorização do judiciário mitiga os direitos e garantias individuais estabelecidos pela Constituição Federal (CF), art. 5o, X e XII, fazendo ruir todo trabalho realizado, uma vez que os meios de obtenção de prova assim concebida são ilícitos, por ferirem o chamado Estatuto do Contribuinte. A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, foi introduzida no nosso ordenamento jurídico com o objetivo de dispor sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, autorizando o seu art. 6o o acesso irrestrito da Fazenda Nacional às informações do contribuinte fiscalizado, mitigando o direito ao sigilo bancário, a despeito do texto da CF. Tanto a LC nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, bem como a Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, que instituiu a CPMF, não encontram fundamento de validade na CF. O inciso X (assim como o XII) do art. 5o da CF é dispositivo autoaplicável, nos termos do § 1o e independe de lei inferior a procederlhe a regulamentação. E mais, de acordo com o art. 60, § 4o, IV, da CF, é cláusula pétrea, insuscetível de ser alterado sequer por emenda constitucional, quanto mais por um legislador inferior. A LC nº 105, de 2001, padece de vício insanável de constitucionalidade, pelo que não pode regular validamente e instaurar qualquer liame obrigacional, porquanto em desarmonia com a CF. Ainda que prevalecendo a possibilidade de o Fisco Federal quebrar unilateralmente o sigilo bancário do contribuinte, estará sendo amesquinhado o princípio do contraditório e ampla defesa, de que fala a CF, art. LV, porque a União, aproveitandose de informações sigilosas para outra finalidade, que é a de vasculhar a intimidade da impugnante, mesmo sabendo que eventuais apontamentos bancários não significam renda. Mesmo para os que entendem que o sigilo bancário não é absoluto, a relatividade desse direito somente poderia ocorrer excepcionalmente, para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, a ainda sob a reserva da jurisdição, ou seja, sempre dependerá de decisão judicial. A LC nº 105, de 2001, na parte que dispõe e confere poderes à Receita Federal para quebrar o sigilo bancário, constitui ato abusivo frente ao princípio da legalidade, da inconstitucionalidade da delegação de atribuições, competência e poderes, resultando em abuso de direito no exercício de atos administrativos, pelo seu exercício irregular. A quebra do sigilo bancário há de se submeter à prévia autorização judicial, entendimento que se harmoniza com as disposições do art. 38 da Lei nº 4.595, de 1964, e do art. 2o da CF/1988, portanto a LC nº 105, de 2001, é flagrantemente inconstitucional. É entendimento pacificado no Primeiro Conselho de Contribuintes de que simples depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto sobre a renda, uma vez que os mesmos, por si só, não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, ora fato gerador da aludida obrigação tributária. O Fisco Federal, na sanha de cada vez mais auferir receitas tributárias, despreza até mesmo os limites objetivos traçados pela Súmula 182 do TFR. Fl. 6901DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.902 6 A empresa impugnante movimentava em suas contas bancárias valores afetos a operações comerciais de outra empresa do mesmo grupo econômico, qual seja MD Indústria Eletrônica Ltda. – ME, necessárias em razão da disponibilidade de crédito bancário da impugnante e da referida empresa. Estas questões foram decididas internamente e poderão ser comprovadas por perícia técnica que está sendo realizada na empresa, cuja prova não foi juntada em razão do prazo exíguo de trinta dias para a confecção da impugnação , mas requereu sua juntada posterior. Caso seja indeferido o pedido de juntada posterior, que o julgamento seja convertido em diligência para a feitura e/ou acompanhamento de perícia técnica cuja finalidade será de demonstrar que a impugnante movimentou receitas de outra empresa em suas contas. Mérito O fiscal apurou determinado valor a título de base de cálculo do IPI e aplicou a alíquota de 20% (vinte por cento) como se a empresa fabricasse apenas um produto, no entanto ela fabrica inúmeros produtos cujas alíquotas são menores que aquela, o que já denota que o trabalho possui vícios insanáveis, pois constitui valores irreais ao aplicar alíquota no maior percentual. Caso a autuação permaneça, o contribuinte está pagando por débito irreal, superior a sua capacidade contributiva, ofendendo a CF, art. 145, § 1o. Os valore autuados compreendem montantes da aplicação de multa prevista na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 80 e § 6o, II, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Confrontandose a definição de multa punitiva com o conteúdo do § 2o, evidente que ela se amolda com precisão ao conceito de punitiva, visto que tem o escopo de punir o infrator, sendo a infração “o não atendimento de intimação”. No entanto, essa multa deve obedecer a parâmetros, a limites, ou seja, deve estar revestida por certos contornos que atinjam a função social a que veio. Uma multa excessiva, ultrapassando o razoável para dissuadir ações ilícitas e para punir os transgressores, caracteriza, de fato, uma maneira de burlar o dispositivo constitucional que proíbe o confisco. Não é o fato de existir lei que autoriza a exigência de multa que denota sua constitucionalidade. A lei pode ser inconstitucional, como é o caso, o que desautoriza a cobrança de multa. A Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe que os atos administrativos deve ser norteados pelos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Os atos administrativos que não sigam tais diretrizes são fadados ao fracasso, como ocorre no caso em supedâneo. Isto porque a multa aplicada não se mostra razoável nem proporcional. O Supremo Tribunal Federal (STF) tem entendido ser pertinente seja estipulada a multa em 30%, valor considerado razoável, enquanto os Tribunais Regionais Federais entendem que o percentual adequado a ser estipulado é o de 20%. Entende ainda que o percentual de 20% é deveras elevado e deve ser reduzido para 2%. Tanto é assim que recentemente a Lei nº 9.298, de 1º de agosto de 1996, acrescentou um parágrafo ao art. 52, que reza que as multas de mora Fl. 6902DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.903 7 decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser superiores a esse percentual. Outra ilegalidade que se verifica no lançamento diz respeito à utilização da Taxa Selic para o débito. A Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, afronta diversos princípios constitucionais, entre eles o princípio da legalidade tributária, da anterioridade, da indelegabilidade de competência tributária. Não há previsão legal do que seja a Taxa Selic. A lei apenas manda aplicá la, sem indicar nenhum percentual, delegando indevidamente seu cálculo a ato governamental, que segue as naturais oscilações do mercado financeiro, mas sempre com adrede interferência do Banco Central. Ainda que se admitisse a existência de lei ordinária criando regularmente a Taxa Selic para fins tributários, interpretandose o Código Tributário Nacional (CTN), art.161, § 1o, chegaríamos à conclusão de que é permitido à lei ordinária fixar o percentual de juros em patamar igual ou inferior ao estabelecido no CTN, que é de um por cento ao mês. Se desejasse superar esse limite, teria o legislador que se valer do mesmo instrumento legislativo usado primeiramente, qual seja, lei complementar. Não se pode desprezar o art. 193, § 3o, da CF/1988, a ditar que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12% (doze por cento) ao ano. Ainda que se trate de norma de eficácia limitada ou contida, de caráter programático, ela estabelece um dever para o legislador ordinário e condiciona a legislação futura, com a consequência de serem inconstitucionais as leis ou atos que com ela conflitem. Caso seja feita comunicação para o Ministério Público, o que se procede mediante a Representação Fiscal para fins Penais, o seu encaminhamento somente poderá ocorrer depois de encerrado o processo administrativo. Requereu: a) seja deferida a juntada de laudo contábil posterior, que comprovará que a movimentação bancária não é somente da empresa impugnante, sendo parte de empresa do mesmo grupo econômico; b) caso entenda pela negativa do solicitado anteriormente, seja o julgamento convertido em diligência para o mesmo fim; c) seja julgado totalmente improcedente o lançamento; d) se este não for o entendimento, que a multa aplicada seja reduzida. Foi proferido o Acórdão nº 1427.358, de 28 de janeiro de 2010, fls.895 910, o qual, por conter erro de fato na tabela referente ao IPI cujos valores foram declarados definitivos, foi devolvido a esta Turma de Julgamento para apreciação (fls.913914). Analisando a impugnação apresentada, o colegiado a quo julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 07 de junho de 2010 (fl. 954), apresentando recurso voluntário em 29 de junho de 2010 (fls. 955999). Além de reafirmar os termos de sua impugnação, a recorrente argui a nulidade do auto de infração em razão de não ter sido intimado do acórdão 1427.358 revisado pelo acórdão recorrido. Aduz que tal fato, em razão do cerceamento de seu direito de defesa, geraria nulidade latente. É o relatório. Fl. 6903DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.904 8 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, assinado por procurador devidamente habilitado. Dessa forma, preenchidos os pressupostos legais para sua admissibilidade, dele conheço. 1 PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Argumenta a recorrente que o auto de infração seria nulo em razão de seu cerceamento de direito de defesa por não ter sido cientificado de decisão da DRJ que foi revisada antes de sua ciência. Aduz que, na realidade, jamais foi cientificado daquela primeira decisão, o que caracterizaria nulidade latente do lançamento. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Analisando o ocorrido, constatase que não há qualquer prejuízo à recorrente, pois a fundamentação das duas decisões são absolutamente as mesmas, tendo ocorrido tão somente erro de cálculo quanto ao crédito tributário que seria definitivo em razão da impugnação apresentada. E não haveria qualquer razão para cientificar o contribuinte de ato Fl. 6904DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.905 9 administrativo revisado antes da ciência ao interessado. Tratase, na realidade, de ato que não se perfectibilizou justamente pela ausência de ciência. Além disso, ainda que houvesse alguma nulidade, essa jamais afetaria o lançamento em si. De todo modo, preenchidos os requisitos dos art. 9º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e ausentes as hipóteses previstas no art. 59 desse mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade. Desse modo, rejeito a arguição de nulidade do lançamento. 2 MÉRITO Tratandose de auto de infração reflexo, baseado nos mesmos elementos de prova, adoto o fundamento do voto condutor do acórdão 1101000.840 para justificar a manutenção da infração de omissão de receita: Em sede de preliminar, a Postulante alega a nulidade da decisão recorrida, pois não foi intimada do teor do primeiro acórdão proferido pela DRJ, posteriormente revisto. Não assiste razão a Recorrente. A substituição do Acórdão proferido em 28/01/2010 pelo Acórdão de 01/04/2010 se deu em virtude de mero erro material quanto ao valor da CSLL apurada sem a multa e os juros. Vale mencionar que não houve alteração do conteúdo da decisão proferida restando o teor do Acórdão revisor exatamente igual ao anteriormente exarado. Seguem as planilhas constantes dos Acórdãos e objeto de revisão: Acórdão de 28/01/2010 (proc. fl. 916) ANO TRIMESTRE VALOR 1 6.648,15 2 143.462,43 2006 3 149.045,41 4 166.463,61 1 156.833,50 2 179.988,55 2007 3 179.494,79 4 202.293,33 TOTAL 1.179.229,77 Acórdão de 01/04/2010 (proc. fl. 940) ANO TRIMESTRE VALOR 1 4.432,10 2 95.641,62 2006 3 99.363,61 4 110.975,74 1 104.555,67 2 119.992,37 2007 3 116.329,86 4 134.862,22 Fl. 6905DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.906 10 TOTAL 786.153,19 A mera correção de erro material não gera a nulidade da decisão proferida por ausência de intimação do Acórdão corrigido. Como é sabido, a Administração pode rever a qualquer tempo os seus atos para corrigir eventuais erros, inclusive erros materiais. Neste panorama, é meu entendimento que não há que se falar em cerceamento do direito de defesa da Postulante vez que o conteúdo e fundamentação dos Acórdãos é o mesmo, verificandose apenas a correção de erro material. Ainda em preliminar, a Recorrente questionou a possibilidade de quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem a devida autorização do Poder Judiciário. De acordo com o discorrido no Termo de Início do Procedimento Fiscal (proc. fls. 92 a 94), a Autoridade Fiscalizadora teve ciência da movimentação financeira da contribuinte por meio das informações prestadas pelas instituições financeiras nos termos do art. 11, §§ 2º e 3º da Lei nº 9.311/96. Lei 9311/96 Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (...) § 2º As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. Fl. 6906DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.907 11 Diante de tais informações, instaurouse procedimento administrativo sendo solicitado à Recorrente a apresentação de extratos de suas contas bancárias, o que não foi atendido. Em face à negativa do contribuinte em apresentar tais comprovantes, a autoridade fiscalizadora expediu RMF com fundamento tanto na Lei Complementar nº 105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01. Portanto, a autoridade fazendária se valeu de dispositivos legais plenamente em vigor em nosso ordenamento para ter acesso à movimentação financeira da Postulante. Vale mencionar que a constitucionalidade ou não de tais dispositivos não pode ser aferida por órgãos administrativos, o que incluiu este Colegiado. Neste sentido há inclusive súmula desse Egrégio Conselho, vide: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De posse das informações prestadas pelas instituições financeiras por meio de RMFs, a fiscalização constatou a incompatibilidade entre a receita declarada e os valores constantes em mencionadas contas, o que caracteriza a presunção de omissão de receita nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É importante ressaltar que tal presunção pode ser ilidida pelo contribuinte mediante a apresentação de documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos. Até o presente momento, nenhum documento foi apresentado com tal fim. Verificouse apenas manifestação da Recorrente alegando que movimenta valores de outra empresa do grupo econômico e rogando por juntada de perícia técnica comprobatória do alegado, o que também não foi se verificou. É fato que meras alegações não comprovadas não afastam a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ante o silêncio da Recorrente, a autoridade lançadora arbitrou o lucro com base nos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, bem como nas divergências apuradas entre os valores escriturados nos RAIPI e os declarados/pagos. Urge salientar que a Recorrente em nenhum momento contestou o arbitramento, a omissão de receitas ou mesmo o valor dos tributos lançados. Fl. 6907DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.908 12 Apenas se opôs quanto à omissão de receita com base em depósitos bancários, sem, no entanto fazer prova dos valores questionados. Foram aplicadas multas nos percentuais de 75% para infração de omissão de receitas de depósitos bancários de origem não comprovada, e de 150% referentes à incompatibilidade entre as receitas apuradas na escrituração contábil da Recorrente e os montantes declarados/pagos. A Recorrente apenas refutou o percentual aplicado, pois entende inconstitucional por afronta ao Princípio do Não Confisco, não havendo qualquer manifestação contrária à cominação das multas. Os percentuais aplicados pela Autoridade Lançadora estão previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96 nos incisos I (75%) e I c/c § 1º (150%). Tendo em vista que tais penalidades estão devidamente fundamentadas em legislação tributária plenamente em vigor, como já mencionado neste voto, ao teor da súmula nº 2 deste Conselho Administrativo, não compete este colegiado se manifestar sobre a constitucionalidade ou não das normas que compõem o ordenamento jurídico pátrio. Este mesmo raciocínio é fundamento para a aplicação da taxa Selic. A Recorrente entende que tal taxa é inconstitucional. Este Colegiado possuiu súmula que determina a aplicação da Selic de forma que a mesma não pode ser afastada pela autoridade fazendária, confirase: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, quanto ao requerimento da Postulante para que a Representação Fiscal para Fins Penais somente seja encaminhada ao Ministério Público após o encerramento deste processo administrativo, não é competência dos órgãos administrativos a análise de tal Representação, tratandose o seu encaminhamento ao órgão competente de atividade plenamente vinculada. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, mantendose a exação dos créditos tributários em análise. 3 DAS ALEGAÇÕES ESPECÍFICAS À EXIGÊNCIA DE IPI Aduz a recorrente que a aplicação da maior alíquota de produtos industrializados e saídos do estabelecimento industrial do contribuinte (20%) não poderia prevalecer, uma vez que industrializa diversos produtos, sujeitos a alíquotas distintas (0%, 10%, 15% e 20%). Argumenta que o procedimento correto seria a aplicação individualizada das alíquotas por produtos, o que não levado em consideração pela autoridade fiscal autuante, implicando a nulidade do lançamento por vício na constituição do crédito tributário. Fl. 6908DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.909 13 Não assiste razão à recorrente. A aplicação da alíquota de 20%, sobre a omissão de receita apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, está em absoluta sintonia com o disposto no RIPI/2002 (vigente à época dos fatos geradores em questão), em seu art. 448 (§1º). Vejase sua redação: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). §1ºApurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) §2ºApuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1º. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) (destaques na transcrição) Portanto, a autoridade fiscal, ao utilizar a maior alíquota dos produtos fabricados pelo contribuinte sobre a receita omitida tão somente aplicou a literalidade de dispositivo regulamentar e legal que trata a matéria. Os argumentos atinentes à razoabilidade do critério, bem como outros afetos à constitucionalidade das normas em questão são matérias que fogem da competência desta Corte Administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 21. Desse modo, não há reparos a se fazer em relação à exigência de IPI. 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 6909DF CARF MF Processo nº 11444.001155/200915 Acórdão n.º 1301002.693 S1C3T1 Fl. 6.910 14 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a arguição de nulidade do lançamento, e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 6910DF CARF MF
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