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Numero do processo: 10882.908524/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966.
O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.627
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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AÇÃO JUDICIAL. Recorrente CIDADE DE DEUS COMPANHIA COMERCIAL DE PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 85 24 /2 00 9- 62 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10882.908524/200962 Acórdão n.º 3301004.627 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que impetrou o Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0023490 com o objetivo de recolher a contribuição ao PIS na forma prevista na Lei Complementar nº 7, de 1970, qual seja, tributo calculado à razão de 5% sobre o valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. A liminar pleiteada não foi deferida, mas a decisão de primeira instância foi reformada em sede do agravo de instrumento interposto ao TRF da 3ª Região, decidindose favoravelmente à recorrente. Sustenta que houve erro de fato no recolhimento promovido, na modalidade conhecida como PISrepique e PISdedução. Os valores devidos decorrem da aplicação da alíquota de 5% sobre o valor da estimativa do IRPJ incidente em 15% sobre a receita bruta. Todavia, cada recolhimento foi indevidamente calculado com base em 5% do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – Lucro Real provisionado. Percebido o erro de fato, declarou a compensação objeto do Despacho Decisório combatido. Como, na DCTF original, não ficou evidenciado o recolhimento a menor, noticía ter transmitido DCTF retificadora na qual informou que, do débito apurado a título de PIS, parte estaria extinto por pagamento e o restante estaria com exigibilidade suspensa. Informa que, em 27/11/2007, a tutela concedida foi cassada, o que o levou a promover, dentro do prazo previsto no artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996, o recolhimento da diferença entre as contribuições previstas na Lei nº 10.637, de 2003, e a Lei Complementar nº 7, de 1970. Requer que a DCTF retificadora seja efetivamente processada e que o despacho decisório combatido seja reformado, homologandose a compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão nº 05035.796, sob fundamento de que o pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10882.908524/200962 Acórdão n.º 3301004.627 S3C3T1 Fl. 4 3 repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte: Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual a Recorrente apresenta suas razões organizadas nos seguintes tópicos, que serão detidamente analisados no voto: 1 EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DIREITO À COMPENSAÇÃO; 2 INAPLICABILIDADE AO CASO DO ARTIGO 170a DO CTN, COMO JÁ RECONHECIDO PELO CARF. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10882.908524/200962 Acórdão n.º 3301004.627 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.611, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900038/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.611): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. 1 EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DIREITO À COMPENSAÇÃO Informou a Recorrente que efetuou recolhimento a maior no período de apuração de junho de 2003, deixando de aplicar liminar que lhe era favorável. Apresenta a seguinte tabela: E concluiu que "não resta dúvida de que houve recolhimento a maior no montante de R$ 321.541,27, para o período originário do crédito." Conforme observouse na decisão de piso, para o contribuinte do IRPJ pelo lucro real, no ano de 2003, a norma legal que disciplinava as contribuições para o PIS era a Lei nº 10.637, de 2002. Esta lei instituiu o regime nãocumulativo do PIS. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10882.908524/200962 Acórdão n.º 3301004.627 S3C3T1 Fl. 6 5 No entanto, em mandado de segurança impetrado, a Recorrente requereu que fosse submetida à sistemática da arrecadação do PIS em sua modalidade PISrepique e PISdedução, na forma estabelecida pelo artigo 3º da Lei Complementar nº 7, de 1970. A Recorrente não obteve liminar, mas o o TRF da 3ª Região lhe concedeu a tutela antecipada. Essa tutela foi revogada com a sentença judicial de primeira instância, publicada em 26/10/2007 (conforme extrato constante da decisão recorrida) Posto isto, considerando tudo o mais que dos autos consta, ausentes os pressupostos legais, DENEGO A SEGURANÇA requerida. Honorários advocatícios indevidos nos termos da Súmula n.º 512, do Egrégio Supremo Tribunal Federal. Comuniquese a Excelentíssima Senhora Desembargadora Federal Relatora do Agravo de Instrumento n.º 2003.03.00.0007108, a respeito do teor desta decisão. Após o trânsito em julgado, convertamse os depósitos judiciais em receita a favor da União Federal.Custas e demais despesas ex lege.P. R. I. Oficiese. O contribuinte não logrou êxito em sua apelação, visto que a decisão recorrida foi mantida em 16/10/2008, pelo Tribunal competente (conforme extrato constante da página 67): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECEPÇÃO, ART. 239 CF. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO VIA DE LEI ORDINÁRIA. LEI 10.637/02. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. APELAÇÃO DA IMPETRANTE IMPROVIDA. I – A contribuição ao PIS foi expressamente recepcionada pelo art. 239 da CF, a ela não se opondo as restrições constantes dos arts. 154, I e 195, §, 4º da mesma Carta. (STF ADIN MC 14170/ DF, Rel. Min. Octávio Gallotti, Pleno, v. u., j. 02/08/99). II – A contribuição ao Pis pode ser validamente alterada por lei ordinária, não se tratando de contribuição social nova. Ausente hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, mas sim reserva material posta na CF (art. 146) III – Constitucionalidade da Lei 10.637. O tratamento diferenciado no que pertine à alíquotas e bases de cálculo em razão da diversidade quanto às atividades econômicas desenvolvidas pelos contribuintes encontra respaldo no próprio Texto Constitucional, art. 195, §§ 9º e 12. IV – Precedentes (TRF – 3ª Região, AG nº 2003.03.00.0110618, Rel. Des. Fed. Fábio Prieto, j. 16/11/05, p. DJU 08/03/06; TRF – 4ª Região, AMS nº 2005.72.08.0045630, Rel. Des. Fed. Vivian Josete Pantaleão Caminha, j. 13/12/06, p. de 30/04/07; TRF – 2ª Região, AC nº 2003.51.01.0037080, Rel. Des. Fed. Alberto Nogueira, j. 05/09/06, p. DJU 16/11/06) Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10882.908524/200962 Acórdão n.º 3301004.627 S3C3T1 Fl. 7 6 V – Apelação improvida. A decisão desfavorável à Recorrente transitou em julgado em 02/07/2010, segundo informação obtida na página eletrônica do TRF da 3ª Região, o que levou à baixa definitiva dos autos em 10/08/2011. Portanto, verificase que, mesmo no interregno de tempo em que havia liminar favorável à Recorrente, ainda não era ela titular de crédito líquido e certo e não podia, portanto, efetuar a compensação. Em resumo, a Recorrente deixou de recolher nos termos da decisão judicial (tutela antecipada) e recolheu em montante que correspondia ao entendimento do Fisco. Segundo a Recorrente tal recolhimento a maior se deu por "erro de fato". 2 INAPLICABILIDADE AO CASO DO ARTIGO 170A DO CTN, COMO JÁ RECONHECIDO PELO CARF. Defende a Recorrente que a vedação do art. 170A do CTN referese a fatos passados, a pagamentos objeto de ação judicial, ao passo que seu caso se refere ao recolhimento de PIS no transcurso da ação, tendo por objeto efeitos futuros de uma decisão judicial, nos seguintes termos: Ou seja, não se pode aplicar a vedação do art. 170A do Código Tributário Nacional, criada para impedir que contribuintes compensem antes do trânsito em julgado créditos apurados em períodos anteriores e decorrentes de pagamentos indevidos ou seja, crédito já extinto por pgamento indevido utilizado para quitar tributos devidos em períodos posteriores a situações em que e a "compensação" diz respeito à apuração da base de cálculo e, portanto, à constituição do crédito tributário. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela decisão judicial e, mesmo que houvesse, esse direito somente poderia operar seus efeitos após o trânsito em julgado de sentença favorável à Recorrente, fato que não ocorreu, ou melhor, houve decisão transitada em julgado desfavorável à Recorrente. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Colacionase ainda disposição análoga do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ao permitir a compensação de crédito discutido judicialmente apenas após o trânsito em julgado da decisão judicial: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10882.908524/200962 Acórdão n.º 3301004.627 S3C3T1 Fl. 8 7 II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; (grifouse) Conforme se concluiu na decisão recorrida: No caso concreto, mesmo não pretendendo agir deste modo, o contribuinte acabou por pagar tributo com exigibilidade suspensa. Como a validade do tributo estava em discussão, o crédito do contribuinte não pode ser considerado certo, não sendo, por conseguinte, passível de compensação nos termos do artigo 170 do CTN." Situação semelhante, asseverase na decisão recorrida, ocorre com o depósito judicial, o qual, uma vez efetivado em valores suficientes para garantir a extinção do crédito em eventual vitória do Fisco, não pode ser objeto de restituição até o encerramento da lide judicial, nos termos do § 2º do artigo 32 da Lei nº 6.830, de 1980: § 2º. Após o trânsito em julgado da decisão, o depósito, monetariamente atualizado, será devolvido ao depositante ou entregue à Fazenda Pública, mediante ordem do Juízo competente. A planilha juntada aos autos que trata das parcelas que compõem o valor recolhido de R$ 28.846.704,12 indica que o crédito com exigibilidade suspensa relativo ao período de apuração 06/2003 restou recolhido. Deste modo, se recolhimento a maior houve, ele teria ocorrido, quando muito, em 27/11/2007, não em 15/07/2003. Correto, portanto, despacho decisório que considerou não liberado o PIS Dessarte, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10882.908524/200962 Acórdão n.º 3301004.627 S3C3T1 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 10435.720495/2015-25
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora informe qual foi a data de protocolo do recurso voluntário e esclareça qual foi a data da ciência do acórdão da DRJ e ainda para que anexe cópia inteiramente legível do documento de fl. 44.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora informe qual foi a data de protocolo do recurso voluntário e esclareça qual foi a data da ciência do acórdão da DRJ e ainda para que anexe cópia inteiramente legível do documento de fl. 44. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 35 .7 20 49 5/ 20 15 -2 5 Fl. 47DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de IRPF1 nos seguintes valores (fl. 9): Rubrica Valor em reais Imposto 12.965,63 Multa de ofício 9.724,22 Juros de mora 2.213,23 Total à época 24.903,08 As bases do lançamento foram: Natureza Valor Descrição dos fatos Rendimentos recebidos acumuladamente2 37.429,21 Lançamento de rendimentos tributáveis omitidos, recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, conforme DIRF prestada pela Caixa Econômica Federal (fl. 10) Glosa de dedução de dependentes 9.873,60 Glosa do valor correspondente à dedução com dependente, por falta de comprovação da relação de dependência (fl. 11) Glosa de despesa de instrução 4.531,35 Glosa do valor deduzido a título de despesa com instrução, por falta de comprovação. Comprovantes apresentados referemse a pessoas para as quais não foi comprovada a relação de dependência (fl. 12) Glosa de despesa médica 843,00 Comprovou apenas a despesa médica no valor de R$ 1.215,24 referente ao Fundo Financeiro de Aposentadorias e Pensões dos Servidores (fl. 14) Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fls. 3 e 6) e tempestividade, haja vista que a contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 12/02/2015 (fl. 18) e protocolou sua peça no dia 25/02/2015 (fl. 2), dentro do prazo de 30 dias3 portanto. Impugnação Em sua impugnação a contribuinte questiona tãosomente o RRA4 de R$ 37.429,21 e concorda, expressamente, com as demais infrações (fl. 2 e ss). Para o RRA, alega 1 Imposto de Renda Pessoa Física 2 RRA 3 Art. 15 do Decreto 70.235/72 4 Rendimentos Recebidos Acumuladamente Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10435.720495/201525 Resolução nº 2002000.023 S2C0T2 Fl. 4 3 que o único rendimento que recebeu de PJ decorrente de ação trabalhista foi referente ao processo 02816198800206009, ocorrido em 17/03/2010, através do alvará de autorização 011739/10 e declarado em seu IRPF/2011. Declara ainda que não está discutindo judicialmente a matéria objeto deste processo e pede prioridade na análise em razão do art. 69A, I, da Lei 9.784/99. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: alvará de autorização (fl. 4); planilha (fl. 5); RG e CPF da contribuinte (fl. 6); termo de recepção de requerimento (fl. 7) Decisão de 1ª instância A DRJ5 julgou a impugnação improcedente (fl. 32 e ss) porque em consulta aos sistemas informatizados verificou que na Dirf6 da Caixa Econômica (fl. 30) a informação de pagamento de R$ 37.429,21 à recorrente em maio de 2012 a título de rendimento decorrente de decisão da Justiça do Trabalho continua inalterada. Entende que caberia à contribuinte solicitar retificação da Dirf, uma vez que alega que o único rendimento recebido referente ao processo citado ocorreu em 17/03/2010, confirmada a sua inclusão na declaração de 2011/2010. O alvará e a planilha apresentados não são provas suficientes para comprovar que nenhum outro pagamento foi feito à impugnante. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 40). Contudo, apesar de haver despacho declarando a tempestividade do recurso (fl. 46), não consta dos autos registro da data de protocolo do recurso voluntário e também não está clara a data da ciência do acórdão da DRJ (fl. 38), o que impossibilita a realização do juízo de admissibilidade neste ponto. Considerando que, em última instância, o juízo de admissibilidade compete ao órgão julgador, necessário se faz que a unidade preparadora informe a data de protocolo do recurso voluntário e a data da ciência do acórdão de primeira instância para o deslinde da questão. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 40), em síntese, a contribuinte alega que o único valor que recebeu referente a este processo foi em 2010 o qual foi declarado na DIRPF/2011, não tendo havido qualquer outro recebimento decorrente desta ação trabalhista, ou de qualquer outro processo até a presente data. A Caixa Econômica errou ao informar tal pagamento como ocorrido em 2012, quando o correto seria 2010. 5 Delegacia da Receita Federal de Julgamento 6 Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10435.720495/201525 Resolução nº 2002000.023 S2C0T2 Fl. 5 4 Assim pede que o Carf aguarde o atendimento da Caixa ao mandado da vara trabalhista para que informe quais valores foram pagos a interessada em decorrência desta ação trabalhista. Pede ainda a suspensão da cobrança até a apresentação da informações solicitadas pelo judiciário, e após isso, pede o total deferimento da referida impugnação, com base nas alegações apresentadas e docs em anexo, cancelandose o débito fiscal. Documentos do recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: RG e CPF da contribuinte (fl. 41); alvará de autorização (fl. 42); planilha (fl. 43); ofício da Justiça do Trabalho (fl. 44) parcialmente ilegível; despacho da Justiça do Trabalho (fl. 45). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade Conforme acima demonstrado, não é possível fazer o juízo de admissibilidade no que tange à tempestividade, assim necessário se faz converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora informe qual foi a data de protocolo do recurso voluntário e esclareça qual foi a data da ciência do acórdão da DRJ e ainda para que anexe cópia inteiramente legível do documento de fl. 44, haja vista que não é possível ler integralmente a cópia que consta dos autos. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora informe qual foi a data de protocolo do recurso voluntário e esclareça qual foi a data da ciência do acórdão da DRJ e ainda para que anexe cópia inteiramente legível do documento de fl. 44. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000193/2004-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EXCLUSÃO SIMPLES
Ano calendário: 2002
SIMPLES. VEDAÇÃO OPÇÃO.
Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa, se a receita bruta global ultrapassar o limite determinado pela lei.
VERDADE MATERIAL. EFICÁCIA.
O princípio dá verdade material vincula a administração a tomar decisões com base nos fatos verdadeiramente praticados pelo contribuinte, permitido inclusive que se corrija fatos inveridicamente postos. No caso a documentação juntada pelo recorrente não traz os esclarecimentos necessários que
comprovariam a inexistência do fato excludente.
Recurso Voluntário Negado.
Sem Crédito em Litígio.
Numero da decisão: 1301-001.023
Decisão: Acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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VEDAÇÃO OPÇÃO. Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa, se a receita bruta global ultrapassar o limite determinado pela lei. VERDADE MATERIAL. EFICÁCIA. O princípio dá verdade material vincula a administração a tomar decisões com base nos fatos verdadeiramente praticados pelo contribuinte, permitido inclusive que se corrija fatos inveridicamente postos. No caso a documentação juntada pelo recorrente não traz os esclarecimentos necessários que comprovariam a inexistência do fato excludente. Recurso Voluntário Negado. Sem Crédito em Litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório O Contribuinte foi excluído de oficio do Simples a partir do dia 01/01/2002, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 461.506, de 7 de agosto de 2003, pela ocorrência de situação excludente. A data da opção pelo Simples foi 01/01/1997, e a situação excludente foi pelo fato do sócio/titular participar de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2001 ter ultrapassado o limite legal. Data da ocorrência: 31/12/2001. Ciente da decisão em 27/08/2003 apresentou, em 17/09/2003, Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples, na qual argumenta basicamente o seguinte: que NÃO TEM MAIS PARTICIPAÇÃO NA EMPRESA DE CNPJ 82.984.253/000101, DESDE O ANO DE 2000. que as quotas foram recebidas de herança de seus pais, e foram vendidas e transferidas aos demais sócios participantes, mas na ocasião não foi providenciada a alteração contratual. por esse motivo está providenciando a exclusão de sua participação no contrato social da mesma, e providenciará as demais alterações cadastrais necessárias, tendo já solicitado ao Contador da Empresa. pelo exposto não há porque prevalecer a sua exclusão do SIMPLES, uma vez que participando somente das empresas acima relacionadas, a receita bruta global não ultrapassou o limite legal. A 4ª Turma da DRJ/BH por unanimidade de votos indeferiu a solicitação da impugnante, alegando em síntese que: preliminarmente, cumpre examinar o pedido de apresentação de novas provas. Ora, assim estabelece o Decreto n° 70.235, de 1972 (sem destaques no original): “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. § 40 A prova documental será apresentada na impugnação, recluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada à impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a. contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5°A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se Fl. 54DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13962000193/200412 Acórdão n.º 1301000.023 S1C3T1 Fl. 2 3 demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior:” diante do acima transcrito, verificase que já se esgotou o prazo para a interessada oferecer novas provas, não tendo ela comprovado a ocorrência de alguma das situações excepcionais listadas no § 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, logo, tal pleito deve ser indeferido, ficando prejudicado o pedido de que intimações neste sentido sejam encaminhadas a seu procurador. a Lei n.° 9.317, de 1996, ao dispor sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e instituir o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, estabeleceu: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: LX _ cujo titular ' ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2°; Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar seá: II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subsequente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9'; (redação vigente de 28 de julho de 2001 a 15 de junho de 2005) §3° A exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.” no caso em exame, a interessada admite a participação em outras empresas, alegando que seu sócio havia cedido, já em 2000, seus direitos em uma das participações referidas no ADE de n° ADE 461.506. Ao mesmo tempo, admite que tal cessão não havia sido devidamente formalizada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (JUCESC), apresentando, como prova de sua efetividade, apenas a cópia do Fl. 55DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 instrumento particular de fls. 8 e 9, as reproduções de cheques bancários de fl. 10 e a cópia da DIRPF de seu titular. cumpre observar que porém que se trata de declaração retificadora, apresentada em 8 de outubro de 2004, que alterou o valor total dos bens de direitos em 2000, reduzindoos de R$ 222.249,50 para R$ 213.590,50 (ou seja, uma diferença de exatos R$ 8.659,00). Logo, esta declaração não pode ser aceita como prova em favor da interessada. quanto ao valor probante dos documentos de fls. 8 a 10, cumpre recordar o que determina o Código Civil, instituído pela Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002): “CAPÍTULO I Da Sociedade Simples Seção 1 Do Contrato Social Art. 997. A sociedade constituise mediante contrato escrito, particular ou público [...]. Art. 998. Nos trinta dias subseqüentes à sua constituição, a sociedade deverá requerer a inscrição do contrato social no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede. Art. 999. [..] Parágrafo único. Qualquer modificação do contrato social será averbada, cumprindose as formalidades previstas no artigo antecedente. Da Sociedade Limitada [...] Art. 1.053. A sociedade limitada regese, nas omissões deste Capitulo, pelas normas da sociedade simples.” a alienação a que alude à interessada não se conforma com o disposto no Código Civil e, por conseguinte, não goza de força probante neste julgamento. Por outro lado, no que tange à data de inicio dos efeitos da exclusão, cumpre examinar o disposto na Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal n° 250/2002, que estabelece: “Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: . IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2°, observado o disposto no art. 3'; Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 20;” Fl. 56DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13962000193/200412 Acórdão n.º 1301000.023 S1C3T1 Fl. 3 5 Intimada em 20/04/2009 o Contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 20/05/2009, alegando basicamente os mesmos argumentos utilizados em sede de impugnação, aduzindo ainda o seguinte: que a decisão da DRJ entendeu ser imprestável a Declaração de IRPF juntada aos autos para comprovar a alienação das cotas da sociedade empresária que ensejaram a exclusão do Simples, pelo fato de a mesma ser retificadora apresentada apenas no ano de 2004, além do que o contrato de Compra e Venda e Cessão de Direitos e a fotocópia dos cheques recebidos não possuiriam força probatória suficiente para a reforma da decisão administrativa. primeiramente, cumpre salientar a possibilidade de juntada ao processo administrativo fiscal de documentos após o prazo impugnatório, sob pena de restar caracterizado o cerceamento de defesa, conforme jurisprudência extraída do Conselho de Contribuintes. ao contrário do decidido na Primeira Instância, ressaltase que o Recorrente firmou contrato de cessão das quotas sociais relativas à empresa Triunfo CNPJ 82.984.253/000101, na data de 18/10/2000, conforme consta no contrato de fls. 0809. tal circunstância é corroborada pelos cheques emitidos à ordem do Recorrente para pagamento da referida transação, juntados às fls. 10, além da Declaração do Imposto de Renda, que, apesar de retificadora, em momento algum restou contestada pelo Fisco, e, portanto tem a mesma validade que a declaração originária. não há que se desconsiderar as informações constantes na Declaração Retificadora do Imposto de Renda, de que a alienação das quotas sociais anteriormente pertencentes ao Recorrente à empresa Triunfo, na data de 18/10/2000. o fato de que a alteração contratual perante a JUCESC ter sido firmada apenas em 2003, e levada a registro em 2004 por si só não interfere na verdade dos fatos, sendo o registro perante o órgão comercial mera formalidade. os cheques datados do ano de 2000, emitidos para pagamento da transação efetivada entre a empresa Recorrente e a empresa Triunfo corroboram que a alienação das quotas se deu no ano de 2000. que o decurso de tempo entre a alienação e o registro se deu em decorrência de desentendimentos entre os então sócios da empresa Triunfo. ressaltase que os instrumentos de Compra e Venda de Cessão de Direitos societários produzem efeitos imediatamente à assinatura. mutatis mutandi, extraise da ementa do AGREsp 507.767/RS que, em sede de execução fiscal, são oponíveis embargos de terceiro em decorrência de contrato de compra e venda celebrado anterior ao ajuizamento, ainda que este não tenha sido levado à registro perante o cartório imobiliário: Fl. 57DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 ‘PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA DESPROVIDO DE REGISTRO. SÚMULA N° 84 DO STJ. CONTRATO CELEBRADO ANTES DO AJUIZAMENTO DA EXECUÇÃO. FRAUDE À EXECUÇÃO NÃO CONFIGURADA. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS. PRINCÍPIO DA SUCUMBÊNCIA. I 'É admissivel a oposição de embargos de terceiro fundados em alegação de posse advinda de compromisso de compra e venda de imóvel, ainda que desprovido do registro' (Súmula n° 84,STJ). II Comprovandose que o compromisso de compra e venda foi celebrado antes do ajuizamento da execução fiscal, ainda que o registro seja posterior, o contrato é suficiente para provar a posse, admitindose os embargos de terceiro para ser afastada a constrição incidente sobre o imóvel em comento. [...]. (AGREsp 507.767MS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJU de 20.10.2003). Desta feita, com relação ao caso em debate, tratamento diferente não se pode dar, já que além da formalização do contrato em data anterior, constam nestes autos prova do efetivo pagamento da referida transação, ou seja, os três cheques de fl. 10, demonstrando o pagamento parcelado no prazo de 30, 60 e 90 dias. Ora, a efetiva transferência das quotas sociais não ocorreu quando da sua inscrição perante a JUCESC, porquanto o contrato de compra e venda passou a produzir efeitos a partir da sua assinatura, ou seja, no ano de 2000. Nesse sentido, colhese da jurisprudência pátria: [...1 CESSÃO DE AÇÕES E QUOTAS SOCIAIS QUE TRADUZIU, EM ESSÊNCIA, CONTRATO DE COMPRA E VENDA. COMPRA E VENDA. PACTO QUE SE APERFEIÇOA NO INSTANTE EM QUE ESTIPULANTE E OBLATO ACORDAM NA COISA E NO PREÇO. PAGAMENTO DO PRECO, TEMÁTICA PERTINENTE À EXECUÇÃO (E NÃO À CONSTITUIÇÃO) DA AVENÇA. (TJSC AC 2008.0102676 3a CDCiv. Rela Desemba Maria do Rocio Luz Santa Ritta DJ 17.10.2008) APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA E ATIVA. REJEITADAS. ASSOCIAÇÃO. PREVISÃO NO CONTRATO DE COMPRA E VENDA. FUNDO DE PROMOÇÃO. DEVER DOS SÓCIOS. PREVISÃO NO ESTATUTO DOS LOJISTAS. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. [...] 2 Quanto à alegada ilegitimidade passiva da apelante, tendo em vista a falta de sua anuência expressa para tomála sócia da entidade. Verifico, igualmente, não caber razão à apelante. Ora, o Fl. 58DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13962000193/200412 Acórdão n.º 1301000.023 S1C3T1 Fl. 4 7 Contrato Particular de Compra e Venda firmado entre o Shoppinq Aldeota e Sandra Maria Furtado é ato jurídico válido, passando a produzir seus efeitos no momento da sua assinatura entre os contratantes. [...]. (TJCE – AC 2003.0001.2509 7/0 1 a C. Civ. Re/. Desemb. Ernani Barreira Porto – DJ 19.08.2008) É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Relator Guilherme Pollastri Gomes da Silva O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque, dele conheço. Como se observa dos autos, a discussão gira em torno da data do desligamento da participação do Recorrente na empresa Triunfo CNPJ 82.984.253/000101. Alegou a DRJ para justificar a exclusão que não podia aceitar a apresentação de novas provas, que era imprestável a Declaração de IRPF retificada em 2004, juntada aos autos para comprovar a alienação das cotas da sociedade empresária que ensejaram a exclusão do Simples, e que o contrato de Compra e Venda e Cessão de Direitos e a fotocópia dos cheques recebidos não possuiriam força probatória suficiente para a reforma da decisão administrativa. Primeiramente, em observância aos principios da verdade material, da ampla defesa e da informalidade do Processo Administrativo, especialmente no caso de empresas optantes pelo SIMPLES, aceito a juntada de documentos após o prazo impugnatório, sob pena de restar caracterizado o cerceamento de defesa. De fato, o § , 4°, do art. 16, do Decreto n° 70.235/72 estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. No entanto, a aplicação dos princípios da ampla defesa, da verdade material e da informalidade do processo administrativo tem o condão de mitigar o dispositivo legal supracitado. O princípio dá verdade material vincula a administração a tomar decisões com base nos fatos verdadeiramente praticados pelo contribuinte, permitido inclusive que se corrija fatos inveridicamente postos. Inúmeras são as decisões dos Conselhos de Contribuintes em que se privilegia a busca da verdade material, sempre objetivando descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador ou o motivo excludente, contemplandose, assim, a legalidade da tributação/exclusão. Porém no caso em tela, a meu ver, a documentação juntada pelo recorrente não traz os esclarecimentos necessários à formação de minha convicção que comprovam a inexistência do fato excludente que originou o fato gerador objeto do presente lançamento. Coaduno com a decisão de Primeira Instância, uma vez que não restou comprovado que o Recorrente firmou contrato de cessão das quotas sociais relativas à empresa Triunfo CNPJ 82.984.253/000101, na data de 18/10/2000, já que o contrato de fls. 0809 só foi autenticado pelo 2º Oficio de Notas em outubro de 2004 quando também retificou a DIRF de 2000. Tal circunstância ainda é corroborada, quando o Recorrente apresenta os três cheques emitidos pela TRIUNFO, à ordem do Recorrente para pagamento da referida transação conforme previsto na clausula `DO PREÇO` daquele contrato, ao invés das fotocópias microfilmadas que comprovariam a efetivação do negócio com os depósitos dos mesmos na conta corrente do Recorrente. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13962000193/200412 Acórdão n.º 1301000.023 S1C3T1 Fl. 5 9 Portanto tendo a alteração contratual sido formalizada somente em 2004, sendo a Declaração do Imposto de Renda retificadora, e os três cheques de R$ 4.000,00, emitidos pela TRIUNFO não terem sido comprovadamente compensados nas respectivas datas de emissão não há como se aceitar as argumentações do Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntario, mantendo o ato de exclusão do contribuinte do referido sistema de tributação. È como voto. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 14/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10932.000201/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/01/2007
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 02 01 /2 00 9- 96 Fl. 1241DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10932.000201/200996 Acórdão n.º 2202004.402 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1243DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10932.000201/200996 Acórdão n.º 2202004.402 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1245DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10932.000201/200996 Acórdão n.º 2202004.402 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1247DF CARF MF
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Numero do processo: 13748.001668/2008-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA
Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1302-002.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
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PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de recurso interposto em relação ao acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, posto que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 16 68 /2 00 8- 48 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13748.001668/200848 Acórdão n.º 1302002.748 S1C3T2 Fl. 3 2 alegado pagamento indevido foi utilizado para amortização do saldo devedor do parcelamento PAES. O presente processo cuida de Declaração de Compensação apresentada em formulário de papel, por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior. O crédito em questão é relativo a pagamento realizado em 27/02/2004, sob o código de receita 7122 (Parcelamento Lei nº 10.684/03 Demais pessoas jurídicas). O Despacho Decisório, com base em Parecer do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o pagamento invocado estaria integralmente apropriado ao parcelamento realizado pelo sujeito passivo, sob o amparo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), conforme demonstrativos constantes do processo. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, limitandose a argumentar que, no ato de ciência da nãohomologação, não lhe foram fornecidas cópias dos documentos que comprovariam a alocação do pagamento invocado aos débitos parcelados no PAES, de modo que estaria impossibilitado o exercício da ampla defesa e do contraditório. Foram, então, facultadas ao sujeito passivo vistas e cópias do presente processo e aberto o prazo para aditamento da manifestação de inconformidade. O sujeito passivo apresentou aditamento, sustentando que os documentos indicados no Parecer que propôs a nãohomologação das compensações não indicariam os débitos a que teriam sido alocados o pagamento pleiteado. Segundo alegou, tal indicação seria necessária para a confirmação de que o crédito não teria sido alocado a débitos excluídos do parcelamento, por ocasião de pedidos de revisão apresentados, quando da consolidação. A decisão de primeira instância, por unanimidade, não homologou a compensação, uma vez que o pagamento alegado pelo sujeito passivo teria sido integralmente utilizado para a amortização dos débitos incluídos no PAES. Frisou aquela decisão que a "alocação das cotas do parcelamento PAES é feita no débito total consolidado e não em cada tributo devido, como entende o interessado". Regularmente cientificado do Acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso, no qual reitera a necessidade de ter acesso ao contacorrente discriminado do parcelamento especial, sob a mesma fundamentação de que seria preciso verificar se não houve a alocação de pagamentos a débitos já excluídos do parcelamento, e de verificar as migrações ocorridas entre os parcelamentos especiais. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13748.001668/200848 Acórdão n.º 1302002.748 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.745, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13748.001501/200887, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento realizado em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Nos presentes autos, o crédito utilizado nas compensações tem origem no pagamento realizado em 27/02/2004, também no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.745), adequandoa ao caso concreto: I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 31 de maio de 2010, tendo apresentado seu Recurso em 16 de junho de 2010, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso VII, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação referente a pagamento efetuado, em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Não há qualquer demonstrativo que esclareça a razão de a Recorrente entender que o citado pagamento é indevido ou maior que o devido, de forma a ensejar a restituição/compensação. As únicas alegações da Recorrente são no sentido de que não constaria do processo um contacorrente detalhado que mostrasse a que débitos os pagamentos realizados no âmbito do referido parcelamento estariam alocados. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13748.001668/200848 Acórdão n.º 1302002.748 S1C3T2 Fl. 5 4 Como bem registrado no Parecer que embasou a não homologação da compensação e na decisão de primeira instância, consta do processo o demonstrativo de todos os pagamentos que foram alocados ao parcelamento formalizado pelo sujeito passivo, em um total de R$ 371.449,99, dentre os quais se inclui aquele que embasa a Declaração de Compensação de que trata o presente processo. A par disso, consta do processo extrato da conta do parcelamento em questão, por meio do qual se constata que os débitos incluídos no parcelamento perfizeram um total de R$ 1.969.178,74 (após o ajuste do valor original, que era de R$ 6.342.752,70). Fica patente, portanto, a inexistência de qualquer direito creditório e o acerto da decisão a quo. Como bem pontuado no Acórdão da DRJ, a discussão invocada pela Recorrente, que diz respeito ao detalhamento dos débitos incluídos e amortizados no PAES, deve ser tratada no âmbito do processo de acompanhamento do citado parcelamento. Tal discussão, contudo, não valida, de qualquer modo, o crédito que fundamentou a compensação declarada, já que inegável que os pagamentos efetuados no âmbito do PAES foram utilizados para a amortização parcial dos débitos nele consolidados. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. Por cautela, antes da cobrança do valor indevidamente compensado, deveser verificar se a cobrança do mesmo débito não está sendo/foi realizada em outro processo administrativo, como apontado na decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001434/2003-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face de acórdão proferido pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que assim relatou o feito: O processo administrativo, posteriormente ao seu protocolo, foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos irão pautarse na numeração estabelecida no processo eletrônico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 01 43 4/ 20 03 -4 0 Fl. 3437DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.438 2 O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento de crédito presumido do IPI, com fundamento na Lei nº 9.363/96, referente ao 3º trimestre de 2002 e no valor de R$ 713.718,02, a ser utilizado nas compensações dos débitos vinculados ao presente processo. O Despacho Decisório de fls. 185/186, com base na Informação Fiscal de fls. 178/183, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 17.336,09, e, conseqüentemente, homologou as compensações declaradas até o limite do crédito ora reconhecido. Em síntese, os motivos expostos para o deferimento parcial do pedido de ressarcimento foram os seguintes: 1. Quanto ao custo das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, foram incluídos indevidamente pela contribuinte, no montante das aquisições de insumos, os seguintes valores: a) custo de canadeaçúcar adquirida de Produtores Rurais (Pessoas Físicas), não contribuintes de PIS/PASEP e COFINS; b) IPI incidente sobre as Notas Fiscais de compras; c) custo de insumos adquiridos de Cooperativas de Produtores; d) aquisições de serviços aplicados na produção, porém não incluídos nos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; e) RS 111.980,24 que corresponderia ao valor do estoque final de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos, que teria sido excluído na apuração do benefício relativo ao ano de 2001. A contribuinte cometeu o mesmo erro quanto ao valor excluído na apuração relativa ao quarto trimestre de 2002 (R$ 732.259,30), pois excluiu da base de cálculo do benefício o valor dos insumos em estoque em 31/12/2002 e não o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos; f) apuração incorreta da quantidade de matérias matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (insumos) utilizados na produção, pois não considerou os estoques iniciais e finais do período; apenas computou os valores das aquisições, em desacordo com o disposto no parágrafo 7° do artigo 3o da Portaria MF n° 38, de 27/02/1997; 2. Quanto ao valor da Receita de Exportação: a) a empresa não efetuou exportações diretas no ano calendário de 2002, tendo realizado suas exportações por intermédio das empresas Cargill Agrícola S/A, CNPJ 60.498.706/000904, Alcotra do Brasil Exportação e Importação Ltda, CNPJ 01.313.834/000290, Candura do Brasil comércio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 03.852.434/000108, Usati S/A Refinadora de Açúcar, CNPJ 04.399.600/000206, SUCDEN do Brasil Ltda, CNPJ 00.308.337/000160, as filias da empresa E D & F Man Brasil S/A, CNPJ 35.829.068/000677 e 35.829.068/000243, e Usinas Itamarati S/A, CNPJ 15.009.178/000170, não enquadradas como Empresas Comercial Exportadora (Trading Company), constituída na forma preconizada pelo Decretolei nº 1.248/72, mas sim uma empresa comercial exportadora comum. A legislação em vigor do benefício no Fl. 3438DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.439 3 referido período contemplou as exportações diretas e as efetuadas por empresa comercial exportadora, definida no Decretolei n° 1.248/72. Foram admitidas na apuração do benefício as exportações efetuadas através das empresas Sab Trading Comercial Exportadora S/A, CNPJ 42.354.274/000129, Satco Trading S/A, CNPJ 01.811.229/000250, e Nova América S/A – Trading, CNPJ 02.992.296/000108; b) foram incluídos, indevidamente, no valor das exportações, os acréscimos decorrentes de Variação Cambial, que não podem ser considerados na apuração do benefício, pois são contabilizados como Receitas Operacionais; 3. Quanto à Receita Operacional Bruta: o montante da receita foi ajustado tendo em vista que os valores das Exportações sofreram modificações; 4. Quanto à atualização monetária dos valores solicitados com a utilização dos juros Selic, não há qualquer previsão legal para a atualização monetária dos valores a serem ressarcidos; 5. Com base nos valores da receitas, estoques, custos, etc, calculados nos demonstrativos de fls. 124/177, procedese à apuração do benefício acumulado no 3o trimestre do ano 2002 através do "DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO ANO DE 2002", de fl. 178, onde se pode verificar que o valor apurado do crédito presumido acumulado no 3º trimestre de 2002 é igual a R$ 27.160,30. Subtraindose, do valor apurado, o montante de R$ 9.824,21, correspondente ao valor do crédito presumido apurado no 2º trimestre de 2002, concluise que a empresa tem direito ao benefício no valor de R$ 17.336,09. Regularmente cientificada, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 212/228, instruída com os documentos de fls. 229/2.344, alegando, em resumo, o que segue: a) Por mais que a autoridade administrativa por seu despacho decisório insista na exclusão dos valores de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas bem como adquiridos de cooperativas, na base de cálculo do beneficio do crédito presumido, temse que a legislação é clara quanto possibilidade da sua inclusão, não cabendo ao interprete restringir onde o legislador o fez. Aliás, não é demais rememorar que a IN SRF nº 23/97, mais especificamente seu artigo 2º, parágrafo 2º, nunca veio a regulamentar o art. 1º da Lei 9.363/96, haja visto que inexiste na referida norma última citada qualquer restrição ao benefício do crédito presumido. É importante ainda destacar que é entendimento pacífico da possibilidade do benefício do crédito presumido, mesmo em se tratando de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, é o que se verifica em diversas ementas do 2a Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda; b) O valor de R$ 111.980,24 que corresponderia ao valor de matérias primas, produtos intermediários e de materiais de embalagens, valor esse glosado pelos fundamentos da informação fiscal, não reflete em nada sobre o resultado do crédito de ressarcimento do benefício fiscal, posto que mesmo excluindo esse valor da base de cálculo do crédito presumido de IPI, verificarseá que o valor do crédito presumido resta Fl. 3439DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.440 4 inalterado. Por outro lado, ao inverso dos fundamentos apresentado pela informação fiscal, a impugnante provou e demonstrou à fiscalização que o valor de R$ 111.980,24, permaneceu em estoques na data de 31/12/2001, conforme se verifica da memória de cálculo juntada (doc. I); c) Inversamente do que fundamenta a informação fiscal, a impugnante atendeu a legislação quando excluiu do valor do benefício o valor de R$ 111.980,24. Aliás, tal informação resta comprovada conforme se verifica de resposta apresentada à fiscalização em 15/01/2008, sendo, inclusive, citado à época o amparo legal, mais especificamente a IN SRF n° 490/2004. Assim, não há em que se falar em comprometimento de toda apuração do crédito presumido; d) No que se refere à impossibilidade da inclusão na base de cálculo do benefício os valores dos produtos exportados pelas empresas Cargill Agrícola S.A, CNPJ 60.498.706/000904, SUCDEN do Brasil Ltda, CNPJ 00.308.337/000160, Alcotra do Brasil Exportação e Importação Ltda, CNPJ 01.313.834/000290, Candura do Brasil comércio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 03.852.434/000108, e Usati S/A Refinadora de Açúcar, CNPJ 04.399.600/000206, comercializados pela impugnante, em que pese fundamentação apresentada pela informação fiscal, é de ser visto que outras empresas que não estejam especificamente dentro dos requisitos previstos pelo art. 2o do Decreto n° 1.248/72, de fato, podem realizar operações de exportação equiparadas as Trading Company, bastando que realizem operações mercantis de exportação e que estejam inscritas no SISCOMEX, até porque se assim não fosse não haveria necessidade da Lei Complementar 87/96, mais especificamente em seu art. 3º, parágrafo único, inciso I, prever que equiparam operações de exportação as comercializações de mercadorias destinadas ao exterior por empresas comerciais exportadoras, inclusive Trading; e) Não há em que se falar em exclusão dos valores relativos à variação cambial, porquanto como propriamente dito pela informação fiscal, a impugnante emitiu Nota Fiscal de complemento de vendas para o mercado externo, tratamse, assim, de venda a comercial exportadora, não deixando tais valores de serem complementos dos valores das mercadorias exportadas; f) Quanto à correção monetária dos valores relativos ao beneficio fiscal, não há que discordar quanto à reposição de seu valor, haja visto que tal entendimento já se encontra sedimentado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, como pode ser verificado nos seguintes acórdãos: CSRF 0202.212, CSRF 0201.626 e CSRF 0201.688. g) Ao final, conclui que inexiste qualquer justificativa jurídica para manutenção do Despacho Decisório, sendo imperiosa a declaração de homologação dos valores compensados, mormente pelas provas dos autos pelas quais demonstram as exportações dos produtos pelas empresas exportadoras e ser remansosa a interpretação da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda quanto inclusão de matérias primas, produtos intermediários e materiais de Fl. 3440DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.441 5 embalagens de pessoas físicas bem como cooperativas no cálculo do benefício. Em 28/08/2012, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO proferiu a Resolução nº 1.641, de fls. 2352/2355, baixando o processo em diligência fiscal para que a Delegacia de origem verificasse se as vendas para as empresas comercias exportadoras cumpriram os requisitos do artigo 2º, § 1º, II, da IN nº 23/97, ou seja, se foi cumprido o fim específico de exportação, cuja definição está no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532/97 (“Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”). Em caso de comprovação do fim específico de exportação das vendas para a empresa comercial exportadora, revisasse o cálculo do crédito presumido do 3º trimestre do ano de 2002, acatando como receita de exportação os valores comprovados. A autoridade fiscal realizou a diligência requerida e elaborou Informação Fiscal de fls. 3346/3350, concluindo que a empresa Viralcool “não apresentou quaisquer conhecimentos de transporte ou outro tipo de prova para comprovar que as mercadorias foram realmente remetidas diretamente para os estabelecimentos constantes das observações contidas nos documentos fiscais e nas planilhas de exportação entregue ao Fisco. Por este motivo, entendemos que não há que se modificar a apuração fiscal, tendo em vista que a diligenciada não apresentou documentos fiscais hábeis e idôneos para comprovar o efetivo ingresso dos produtos nos estabelecimentos relacionados em seu demonstrativo.” Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou os documentos anexados ao arquivo não paginável de fl. 3354, encaminhando relatórios de notas fiscais de exportação emitidas no 3º trimestre de 2002 e cópia das notas fiscais que comprovariam que os produtos vendidos foram realmente remetidos diretamente para as empresas comerciais exportadoras. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Fl. 3441DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.442 6 Diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. Não geram direito ao crédito presumido, as vendas para empresas comerciais exportadoras quando não restar comprovada a saída dos produtos com o fim específico de exportação nos termos da legislação do IPI. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Sendo o julgamento administrativo coarctado pelos balizamentos postos por atos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, devese adotar o disposto no Ato Declaratório nº 14, de 2011, da PGFN, que dispensa a apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN SRF nº 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n° 9.363/1996. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido A procedência parcial do pedido foi no sentido de acatar a possibilidade do cômputo das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas na base do crédito presumido do IPI, no entanto, negar o direito ao benefício, pois o valor das exportações no período com direito ao beneficio é igual a zero. Fl. 3442DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.443 7 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Argumenta que finalizadas as diligências e informações fiscais, apresentou arquivos anexados ao arquivo não paginável de fl. 3354, da mesma forma, apresentou relatórios de controles de estoque e notas fiscais para comprovar que as mercadorias foram remetidas diretamente para as empresas comerciais exportadoras. Afirma que a comprovação das exportações foi feita pela apresentação de diversos documentos. Em primeiro exame do feito, esta Turma Julgadora optou por converter o feito em diligência nos seguintes termos (Resolução nº 3201000.624, de 26 de janeiro de 2016): Versa o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, com fundamento na Lei nº 9.363/96, referente ao 3º trimestre de 2002 no valor de R$ 713.718,02, a ser utilizado nas compensações dos débitos vinculados ao presente processo. Através do Despacho Decisório de fls. 185/186, com base na Informação Fiscal de fls. 178/183, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 17.336,09, e, conseqüentemente, homologou as compensações declaradas até o limite do crédito ora reconhecido. Através da Resolução de n° 1.641, de 28/08/2012, provocada pela própria DRJ/RPO, o processo baixou em diligência, para que, nos termos abaixo: § 2° Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Em caso de comprovação do fim específico de exportação das vendas para a empresa comercial exportadora, deverá ser revisado o cálculo do crédito presumido do 3º trimestre do ano de 2002, acatando como receita de exportação os valores comprovados. Encerrada a instrução processual, a contribuinte deverá ser intimada do resultado da diligência, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para que se manifeste. Em resposta, às efls. 3346/3350, consta a informação fiscal (em 10/07/2014) que: 5. Em atendimento à intimação fiscal, a empresa entregou à fiscalização os documentos de fls. 2360 e 2364, encaminhando ao Fisco um relatório de notas fiscais de exportação (inserido às fls. 2361/2363) e documentos (notas fiscais mãe e de remessa, memorandos de exportação, BL e RE) que comprovariam as exportações efetivadas nos períodos de apuração do segundo e terceiro trimestres do ano de 2002 (cópias parciais anexadas às fls. 2365/3328). 6. O relatório de notas fiscais de exportação apresentado pela VIRALCOOL contém os valores das receitas de exportação inseridas no cálculo do crédito presumido de IPI. Verificamos que os montantes Fl. 3443DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.444 8 utilizados na apuração da contribuinte foram extraídos das Notas Fiscais emitidas de Venda Para Entrega Futura, cujos dados estão transcritos abaixo. quadro 7. As notas fiscais de faturamento, assim como as notas fiscais de remessas correspondentes (inseridas, parcialmente, às fls. 2365/3328) contêm em seu corpo a indicação de onde os produtos vendidos pela empresa deveriam ter sido entregues. 8. A VIRALCOOL, no entanto, não apresentou quaisquer conhecimentos de transporte ou outro tipo de documento para comprovar que as mercadorias foram realmente remetidas diretamente para os estabelecimentos constantes das observações contidas nos documentos fiscais e nas planilhas de exportação entregue ao Fisco. Por este motivo, entendemos que não há que se modificar a apuração fiscal, tendo em vista que a diligenciada não apresentou documentos fiscais hábeis e idôneos comprobatórios do efetivo ingresso dos produtos nos estabelecimentos relacionados em seu demonstrativo. 9. Entretanto, como se trata de um processo com direito à ampla defesa, devemos contar com a possibilidade de a contribuinte apresentar referidos documentos em sua manifestação à DRJ, após tomar ciência desta Informação Fiscal. 10. Assim sendo, efetuamos verificações fiscais na documentação apresentada pela contribuinte e constatamos que os dados dos locais de entrega constantes dos documentos fiscais contidos na planilha elaborada pela empresa, transcritos no item 6 acima, de uma forma geral coincidem com as anotações contidas no corpo dos documentos fiscais de venda para entrega futura e das remessas correspondentes. Observamos, entretanto, a existência de notas fiscais de remessas atreladas à Nota Fiscal de Venda para Entrega Futura de nº 58.843 que contêm em seu corpo como local de entrega tanto o estabelecimento Transportes Lisot Ltda, de CNPJ 62.859.525/000568, que consta na planilha da VIRALCOOL, quanto a empresa Servicargo – Serviços de Assessoria Portuária Ltda, de CNPJ 85.273.332/000364 (vide os documentos inseridos às fls. 2657/2808). 11. Por outro lado, independentemente da comprovação do efetivo ingresso nos estabelecimentos elencados pela VIRALCOOL em seus demonstrativos, efetuamos pesquisas e coletas de informações junto à DIANA da Superintendência da 8ª Região Fiscal (SP) (vide os documentos inseridos às folhas 3329/3345), para se constatar se os estabelecimentos identificados nas notas fiscais de remessas de produtos (descritos na planilha inserida no item 6) eram, à época das respectivas exportações, recintos alfandegados. 12. Constatamos que os estabelecimentos União Terminais e Armazéns Gerais, de CNPJ 50.280.387/000406, Teaçu Armazens Gerais S/A, de CNPJ 01.865.099/000157, Cia Auxiliar de Armazéns Gerais, de CNPJ 61.145.488/000300, Santos Brasil S/A, de CNPJ 02.084.220/000257, e Cosan Operadora Portuária, de CNPJ 71.550.388/000223 se caracterizavam como recintos alfandegados à época dos fatos geradores contemplados neste processo. Fl. 3444DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.445 9 13. Entretanto, não foram encontradas nas relações de recintos alfandegados as empresas Transportes Lisot Ltda, de CNPJ 62.859.525/000568, Embalex Transp. e Serv. Ltda, de CNPJ 66.554.494/000164, Servicargo – Serviços de Assessoria Portuária Ltda, de CNPJ 85.273.332/000364, Armazéns Gerais Fassina S/A, de CNPJ 44.611.234/000655, ENAR Emp. Nação de Arm. Gerais Ltda, de CNPJ 80.575.459/002368 e ENAR Com.Serv. Marítimos Ltda, de CNPJ 01.013.999/000257 e 01.013.999/000338. O estabelecimento Armazéns Gerais Fassina S/A era cadastrado na Receita Federal como REDEX Permanente (Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação), caracterizado como recinto não alfandegado, conforme o disposto na Instrução Normativa SRF 114, de 31 de dezembro de 2001. Os demais não tinham qualquer tipo de controle por parte da Receita Federal do Brasil. (grifamos) 14. Dessa forma, em caso de a VIRALCOOL apresentar os documentos comprobatórios do efetivo ingresso nos estabelecimentos das empresas União Terminais e Armazéns Gerais, de CNPJ 50.280.387/000406, Teaçu Armazens Gerais S/A, de CNPJ 01.865.099/000157, Cia Auxiliar de Armazéns Gerais, de CNPJ 61.145.488/000300, Santos Brasil S/A, de CNPJ 02.084.220/000257, e Cosan Operadora Portuária, de CNPJ 71.550.388/000223, entendemos que as informações contidas nesta Informação Fiscal são suficientes para se revisar o cálculo do crédito presumido do 3º trimestre do ano de 2002, acatando como receita de exportação os valores efetivamente comprovados. Observei que o contribuinte foi cientificado em 17/07/2014, a se manifestar sobre o resultado da Informação Fiscal. Em resposta, a empresa apresentou o documento anexado ao arquivo não paginável de fl. 3354 (documento recebido em 02/10/2014 e o mesmo contém muitas páginas, denominado como resposta do contribuinte). Diante desses fatos relatados acima, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para a unidade de origem: informar se o documento de efl. 3354 (arquivo magnético) já foi analisado, bem como considerado na informação fiscal; em caso negativo, e se diante de toda a documentação apresentada pela empresa comprovase, de fato, as exportações no caso; tendo em vista argumento da recorrente,ao afirmar em que pese a fundamentação da decisão recorrida, a exigência de apresentação do conhecimento de transporte para chancelar o crédito presumido do IPI sobre as operações com as comerciais exportadoras é ignóbil, contrariando o direito líquido e certo do contribuinte; logo a questão reside na ocorrência ou não das exportações, se os produtos foram ou não foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, o que a mesma afirma que fez por meio de notas fiscais apresentadas; enfim, que sejam observadas essas notas fiscais;e prestar os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão. Fl. 3445DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.446 10 Após a efetivação da diligência, cientifique o contribuinte dos fatos da mesma, se quiser se manifestar, no prazo de 30 dias e retornem os autos para prosseguimento no julgamento. Em resposta ao Relatório, a Recorrente insiste na desnecessidade de apresentação de conhecimentos de transporte para se comprovar a efetiva exportação das mercadorias, aduzindo que a diligência solicitada não foi realizada nos exatos termos em que requerido por este CARF. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. Conforme relatado, a discussão nos presentes autos centrase primordialmente no direito ao ressarcimento de crédito prêmio do IPI previsto na Lei nº 9.363/96, utilizado para a compensação dos débitos vinculados ao presente processo (compensação). Dispõe o art. 1º da citada Lei nº 9.363/96: Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos7, de 7 de setembro de 1970,8, de 3 de dezembro de 1970, e70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. A Delegacia da Receita Federal de julgamento além de indeferir o ressarcimento pleiteado em razão da natureza dos créditos apropriados pela Recorrente, entendeu que não foi devidamente comprovado a realização das exportações Portanto, ainda que fosse possível apropriar crédito de IPI sobre despesas incorridas (como no caso das aquisições de Pessoas Físicas e Cooperativas), uma vez não comprovadas as exportações, não haveria crédito passível de ressarcimento. Assim, o primeiro questionamento a ser solucionado diz respeito à comprovação de que a Recorrente se enquadra na condição de empresa exportadora e da necessária comprovação das exportações realizadas no período fiscalizado. Na Informação Fiscal de fl. 179 e seguintes, o lançamento foi assim fundamentado: 2.1 A empresa não efetuou exportações diretas até o terceiro trimestre do ano calendário de 2002, tendo realizado suas exportações por intermédio das empresas: a) Cargill Agricola S/A, CNPJ 60.498.706/000904, Alcotra do Brasil Exportação e Importação Ltda, CNPJ 01.313.834/000209, c) Candura do Brasil Comércio Importação e Exportação e Exportação Ltda, CNPJ 03.852.434/000108, d) Usati S.A Refinadora de Açúcar, CNPJ 04.399.600/000206, e) Sucden do Brasil Ltda, CNPJ n° 00.308.337/000160, 0 as filiais da empresa E D & F Man Brasil S/A, Fl. 3446DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.447 11 de CNPJ 35.829.068/000677 e 35.829.068/000243, g) Usinas Itamarati S/A, CNPJ 15.009.178/000170; h) Sab Trading Comercial Exportadora S A, CNPJ 42.354.274/000129, i) Satco Trading S/A, CNPJ 01.811.229/000250 e j) Nova América S.A. Trading, CNPJ 02.992.296/000108. 0 Fisco intimou as referidas empresas (documentos de fls. 55/114) a comprovar que se encontravam enquadradas como Empresa Comercial Exportadora (Trading Company), constituída na forma preconizada pelo Decretolei n° 1.248 de 29/11/1972, apresentando documentação comprobatõria de tal condição. Em resposta às intimações fiscais, as empresas informaram o quanto segue: as empresas mencionadas nos itens "a", "b", "c" e "g" informaram que não se encontravam enquadradas, como Empresa Comercial Exportadora (Trading Company), constituída na forma preconizada pelo Decretolei n° 1.248 de 29/11/1972; apesar de regularmente intimada, a empresa mencionada no item "d" deixou de apresentar qualquer manifestação, não comprovando, conseqüentemente, a condição de comercial exportadora nos termos do Decretolei n° 1.248 de 29/11/1972; a empresa citada no item "e" informou que se encontrava inscrita apenas no REI (Registro de Exportadores e Importadores), não atendendo, portanto, aos preceitos do Decretolei n° 1.248 de 29/11/1972; as empresas descritas no item "f" comprovaram o enquadramento como Trading Company a partir da data de 28/12/2006, ou seja, não estavam enquadradas no ano de 2002. Apenas o estabelecimento Matriz, de CNPJ 35.829.068/000677, estava enquadrado como Trading Company a partir de 01/01/2002; as empresas Sab Trading Comercial Exportadora S A, Satco Trading S/A e Nova América S.A. Trading encontravamse enquadradas como Trading Company. A legislação em vigor do beneficio no referido período contemplou as exportações diretas e as efetuadas por empresa comercial exportadora, definida no Decretolei n° 1.248 de 29/11/1972. Segundo o disposto no artigo 1° da Lei n° 9.363/96, combinado com o seu parágrafo Ulna), a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Ind ustrializados, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior (grifamos). O parágrafo 15, do artigo 3° da Portaria MF n° 38/97, bem como o artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 23/97, conceituaram "receita bruta de exportação" como sendo o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação, de mercadorias nacionais (grifamos). O conceito de empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação foi estabelecido através do Decret&lei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, que, em seu artigo 22, relacionou os requisitos mínimos que devem ser satisfeitos para que uma empresa seja Fl. 3447DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.448 12 considerada empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação, quais sejam: I Registro especial na Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as Kb es com direito a voto; III Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. Assim, sendo, somente as exportações efetuadas através das empresas Sab Trading Comercial Exportadora S A, Satco Trading S/A e Nova América S.A. Trading podem ser incluídas na base de cálculo do beneficio, conforme o "DEMONSTRATIVO DAS EXPORTAÇÕES EFETUADAS ATRAVÉS DE TRADING COMPANY", anexado as fls. 165. Logo, a inexistência de exportações pela Recorrente decorreu da conclusão de que as duas empresas adquirentes das mercadorias com o fim específico de exportação não podem ser consideradas comercial exportadoras por não cumprirem os requisitos do art. 2º do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972. A DRJ, ao analisar o feito, afastou o argumento acima (necessidade de as empresas comerciais exportadoras cumprirem os requisitos do art. 2º do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972) e, portanto, determinou que a Delegacia de origem verificasse se as vendas realizadas "cumpriram os requisitos do artigo 2º, § 1º, II, da IN nº 23/97, ou seja, se foi cumprido o fim específico de exportação, cuja definição está no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532/97", transcrevendo o citado dispositivo: § 2° Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Do Relatório Fiscal elaborado por ocasião da diligência solicitada pela DRJ se extraem os seguintes trechos: 5. Em resposta à referida intimação fiscal, a VIRALCOOL apresentou o documento anexado às fls. 641/642, por meio do qual encaminhou a esta fiscalização os seguintes documentos/demonstrativos e informações: 5.1. Relação das notas fiscais de venda para entrega futura contendo as informações solicitadas (fls. 643/646); 5.2. Cópias da notas fiscais de venda para entrega futura e de “outras saídas” e/ou “simples remessa” correspondentes (anexamos ao processo, às fls. 647/943, apenas as cópias das notas fiscais cujos produtos foram remetidos para os estabelecimentos não caracterizados como recintos alfandegados); 5.3. Cópias dos memorandos de exportação e Bill of Lading (BL). Fl. 3448DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.449 13 6. A contribuinte encaminhou também ao Fisco, por meio do documento de fls. 944, planilha contendo os dados das notas fiscais de remessa para o recinto alfandegado (fls. 945/949) e cópias digitalizadas dos contratos de venda para exportação, firmados com as empresa comerciais exportadoras (arquivos magnéticos anexados ao documento de fls. 950). (...) 8. As notas fiscais de faturamento, assim como as notas fiscais de remessas correspondentes (inseridas, parcialmente, às fls. 647/943) contêm em seu corpo a indicação de onde os produtos vendidos pela empresa deveriam ter sido entregues. 9. A VIRALCOOL, no entanto, não apresentou quaisquer conhecimentos de transporte ou outro tipo de documento para comprovar que as mercadorias foram realmente remetidas diretamente para os estabelecimentos constantes das observações contidas nos documentos fiscais e nas planilhas entregues ao Fisco. Por este motivo, entendemos que não há que se modificar a apuração fiscal, tendo em vista que a diligenciada não apresentou documentos fiscais hábeis e idôneos comprobatórios do efetivo ingresso dos produtos nos estabelecimentos relacionados em seu demonstrativo. Interessante observar que, no curso da diligência fiscal, a Autoridade não intimou a Contribuinte para apresentar mais documentos além daqueles já existentes nos autos, afirmando, apenas, que "como se trata de um processo com direito à ampla defesa, devemos contar com a possibilidade de a contribuinte apresentar referidos documentos em sua manifestação à DRJ, após tomar ciência desta Informação Fiscal". Ou seja, a Fiscalização transferiu à DRJ o dever de analisar documentação a ser apresentada pela Recorrente no intuito de comprovar a realização das exportações. O acórdão proferido pela DRJ, após realização da diligência, chegou à seguinte conclusão: Assim, na hipótese de solicitação administrativa, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente, ou seja, a empresa deve provar o que alegou em sua impugnação: que as vendas para as empresas comerciais exportadoras cumpriram o fim específico de exportação. (...) Tal circunstância não restou comprovada no processo, não há qualquer indicação de que os produtos vendidos a empresas comerciais exportadoras foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente. (...) Portanto, nas vendas para empresas comerciais exportadoras que houve a perda da característica legal do que é considerado “fim específico de exportação”, as mesmas não podem ser consideradas como receita de exportação utilizada na determinação do cálculo do crédito presumido de IPI. Fl. 3449DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.450 14 Logo, com base no Relatório Fiscal e no acórdão recorrido, temse que a razão de as exportações terem sido tidas por não comprovadas é a ausência de apresentação dos conhecimentos de transporte que confirmem a remessa física das mercadorias para recinto alfandegado. Essa mesma Turma Julgadora, na primeira análise do feito, determinou nova análise das provas existentes nos autos. Isso porque, como mencionado acima, a diligência foi realizada apenas com base nas provas já existentes nos autos, conferindo à DRJ o dever de analisar quaisquer outros documentos a serem apresentados pelo contribuinte. E, de fato, após a diligência realizada, foram juntados diversos documentos pela Recorrente. E, pelo acórdão DRJ, não restou claro se estes foram apreciados por ocasião do julgamento. Nesse sentido, em sede de Resolução, requereuse, expressamente: informar se toda a documentação apresentada já foi analisada, bem como considerada na informação fiscal; A resposta a este questionamento foi a seguinte: 6. Em primeiro lugar, informamos que todos os documentos processos já foram devidamente analisados, pois tinham sido apresentados anteriormente pela contribuinte durante o procedimento fiscal. Correspondem, basicamente, a notas fiscais de “simples remessa” de produtos da VIRALCOOL para a(s) empresa(s) comercial(is) exportadora(s). Além disso, esta Turma requereu que fosse expressamente respondido pela Autoridade Lançadora se os documentos apresentados comprovam se a exportação efetivamente ocorreu, independentemente da apresentação ou não dos conhecimentos de transporte: em caso negativo, e se diante de toda a documentação apresentada pela empresa comprova se, de fato, as exportações no caso; tendo em vista argumento da recorrente,ao afirmarem que pese a fundamentação da decisão recorrida, a exigência de apresentação do conhecimento de transporte para chancelar o crédito presumido do IPI sobre as operações com as comerciais exportadoras é ignóbil, contrariando o direito líquido e certo do contribuinte; logo a questão reside na ocorrência ou não das exportações, se os produtos foram ou não foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, o que a mesma afirma que fez por meio de notas fiscais apresentadas; enfim, que sejam observadas essas notas fiscais; Em resposta, a Autoridade Lançadora insiste no argumento de que a Recorrente não comprovou que "os produtos que constam nas notas fiscais efetivamente saíram de seu estabelecimento e que de fato entraram no(s) estabelecimento(s) da(s) empresa(s) comercial(is) exportadora(s)". Notase, pelo exposto, que a diligência requerida por esta Turma Julgadora não foi realizada pela Autoridade Lançadora, que, ao revés, limitouse a fazer juízo de valor Fl. 3450DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.451 15 relativamente às provas apresentadas, insistindo que apenas os conhecimentos de transporte (não apresentados) é que fariam prova da remessa física das mercadorias. Com a devida vênia, a diligência solicitada é clara no sentido de que o levantamento solicitado à Fiscalização seja feito com base nas notas fiscais apresentadas pela Recorrente e demais documentos juntados aos autos (planilhas; contratos de venda para exportação firmados com as empresas comerciais exportadoras; relação das Notas Fiscais de venda para entrega futura contendo as informações solicitadas e cópia dos memorandos de exportação e Bill of Lading (BL).) Em outras palavras, com todo respeito ao entendimento fiscal, caberá ao CARF, quando do julgamento de mérito da questão, avaliar se as notas fiscais emitidas pela Recorrente serão ou não suficientes para comprovar as saídas com fim específico de exportação, ou se a apresentação dos conhecimentos de transporte são imprescindíveis. Contudo, para que se possa firmar tal convencimento, é preciso que a Autoridade Lançadora avalie, de acordo com as informações que se podem extrair apenas das Notas Fiscais emitidas e demais documentos juntados aos autos, se os produtos "foram ou não foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado". Ou seja, o que se quer saber é se essa informação consta ou não das Notas Fiscais, independentemente de comprovação de que estas mercadorias circularam fisicamente, o que, de fato, só seria possível mediante a análise dos Conhecimentos de Transporte emitidos. Assim, reiterase: se diante de toda a documentação apresentada pela empresa comprova se, de fato, as exportações no caso; tendo em vista argumento da recorrente,ao afirmarem que pese a fundamentação da decisão recorrida, a exigência de apresentação do conhecimento de transporte para chancelar o crédito presumido do IPI sobre as operações com as comerciais exportadoras é ignóbil, contrariando o direito líquido e certo do contribuinte; logo a questão reside na ocorrência ou não das exportações, se os produtos foram ou não foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, o que a mesma afirma que fez por meio de notas fiscais apresentadas; enfim, que sejam observadas essas notas fiscais; Ademais, esclareço que o levantamento fiscal deve se dar com base nas Notas Fiscais e demais documentos existentes nos autos (planilhas; contratos de venda para exportação firmados com as empresas comerciais exportadoras; relação das Notas Fiscais de venda para entrega futura contendo as informações solicitadas e cópia dos memorandos de exportação e Bill of Lading (BL)), independentemente da inexistência dos respectivos Conhecimentos de Transporte, especialmente confrontando as datas das operações e a vinculação dos memorandos de exportação com as vendas realizadas e desconsideradas pela Fiscalização. Esclareço que a Fiscalização poderá intimar o contribuinte para que apresente os demonstrativos solicitados (planilha de confronto devidamente indexada aos documentos). Alem disso, deverá a Fiscalização explicitar as razões pelas quais eventualmente venha a negar força probante aos documentos listados, novamente, especialmente quanto aos memorandos de exportação apresentados. Fl. 3451DF CARF MF Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201001.326 S3C2T1 Fl. 3.452 16 Ao final, seja concedida vista à Recorrente acerca das conclusões fiscais obtidas, no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 3452DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.720851/2009-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
Conforme o §15 do art. 67 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, "não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente". No caso, a admissibilidade do recurso especial só pode buscar embasamento no primeiro paradigma apresentado, já que o segundo paradigma foi totalmente anulado em razão da incompetência regimental do órgão que o preferiu, e, portanto, tal decisão não pode servir para a comprovação da divergência jurisprudencial suscitada pela recorrente. O entendimento pela manutenção da responsabilidade tributária no caso do paradigma válido não dá base para que se defenda o restabelecimento da responsabilidade tributária nos presentes autos. A caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui, porque o acórdão paradigma examinou a questão da responsabilidade tributária num contexto bastante diferente daquele analisado pelo acórdão recorrido. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-003.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Viviane Vidal Wagner, que conheceram parcialmente do recurso, apenas em relação ao segundo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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(Responsáveis solidários: JOÃO BATISTA GARDINGO, ANTÔNIO FÁBIO GARDINGO, SEBASTIÃO GARDINGO, CARLOS HENRIQUE GARDINGO, GARDINGO TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CAFEEIRA SÃO JOÃO LTDA., TRANSPORTADORA GAIVOTA LTDA. E ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA.) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Conforme o §15 do art. 67 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, "não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente". No caso, a admissibilidade do recurso especial só pode buscar embasamento no primeiro paradigma apresentado, já que o segundo paradigma foi totalmente anulado em razão da incompetência regimental do órgão que o preferiu, e, portanto, tal decisão não pode servir para a comprovação da divergência jurisprudencial suscitada pela recorrente. O entendimento pela manutenção da responsabilidade tributária no caso do paradigma válido não dá base para que se defenda o restabelecimento da responsabilidade tributária nos presentes autos. A caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui, porque o acórdão paradigma examinou a questão da responsabilidade tributária num contexto bastante diferente daquele analisado pelo acórdão recorrido. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 08 51 /2 00 9- 56 Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Viviane Vidal Wagner, que conheceram parcialmente do recurso, apenas em relação ao segundo paradigma. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à imputação de responsabilidade solidária a terceiros. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1401001.181, de 09/04/2014, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiu excluir a responsabilidade tributária das pessoas (físicas e jurídicas) que menciona. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. A simples exclusão de um responsável solidário do pólo passivo não constitui motivo suficiente para ensejar a reapreciação desta matéria por parte do CARF. INDÍCIOS CONVERGENTES. PROVA INDICIÁRIA. Na presunção legal, a lei defere à autoridade administrativa o poder de, diante de determinados requisitos, inverter o ônus da prova e impor, ao contribuinte, o dever de comprovar a inexistência da relação ou da obrigação jurídicotributária. Nesse sentido, a Autoridade Fiscal, amparada pela presunção legal, está desobrigada da comprovação do fato jurídico tributário. Basta apontálo e presumilo, observados os requisitos previstos na lei. Noutro norte, a presunção decorrente da conjugação de indícios coerentes, certos e convergentes é aceita, pela jurisprudência administrativa, como prova do fato jurídico tributário. Nesse sentido, cabe à Autoridade Fiscal, diante da impossibilidade de conhecimento direto do fato jurídico tributário, diligenciar em torno da identificação de elementos coerentes que, num contexto de análise global, permitam a afirmação da existência do fato Fl. 2334DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 4 3 jurídico. Identificada a fragilidade de indícios, ou ausentes a coerência direta entre os mesmos, deve ser afastada a existência do fato, por ausência de decorrência lógica entre os elementos de fato e a conclusão acerca da existência do fato jurídico tributário. GRUPO ECONÔMICO. O simples fato de comprovação de que várias empresas pertencem ao mesmo grupo econômico não permite que a todas elas se impute ou se atribua, umas às outras, responsabilidade tributária. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, pela sua 1ª Seção, para quem "o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN" (AgRg no Ag 1392703/RS). Não é a constatação de existência de grupo econômico que irá ensejar a responsabilização tributária de uma empresa pelos débitos da outra; mas sim a estreita vinculação operacional que ensejou o nascimento da obrigação tributária em uma delas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias que conheciam e negavam provimento. Em relação ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I Por unanimidade de votos, deram provimento para excluir a responsabilidade de Paulo Sérgio Martins Miranda; II Por maioria de votos, deram provimento para excluir a responsabilidade tributária de João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo, Carlos Henrique Gardingo, Gardingo Trade Importação E Exportação Ltda, Cafeeira São João Ltda e Transportadora Gaivota Ltda. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Em seu recurso especial, a PGFN afirmou que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente ao tema da responsabilidade tributária. Para o processamento do recurso, ela desenvolveu os seguintes argumentos: DOS FATOS insurgese a União (Fazenda Nacional) em face de acórdão da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF que não conheceu do recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: “II Por maioria de votos, deram provimento para excluir a responsabilidade tributária de João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo, Carlos Henrique Gardingo, Gardingo Trade Importação E Exportação Ltda, Cafeeira São João Ltda e Transportadora Gaivota Ltda”; DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL Fl. 2335DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 5 4 o Colegiado a quo entendeu que não ficou demonstrada a fundamentação jurídica da responsabilidade tributária de João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo, Carlos Henrique Gardingo, Gardingo Trade Importação E Exportação Ltda, Cafeeira São João Ltda e Transportadora Gaivota Ltda, conforme trecho do voto vencedor do acórdão recorrido: [...]; em suma, no voto vencedor do acórdão recorrido, afastouse a responsabilidade tributária, por ter sido ínfima a parcela que cada responsável auferiu, bem como por entender não configurada a individualização das condutas dos imputados responsáveis; contudo, ao não admitir que o art. 124, inc. I do CTN e art. 135, inc. do CTN fossem adotados como fundamento da responsabilidade solidária das pessoas físicas e jurídicas apontadas, a e. Turma a quo divergiu dos acórdãos 1301001.644 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária e do 20311.329, os quais, analisando caso análogo ao dos autos, entenderam pela responsabilidade solidária de pessoas físicas e jurídicas que se utilizaram de pessoa jurídica para fugir da tributação, a demonstrar o interesse comum, com base no art. 124, inc. I do CTN c/c art. 135, inc. III; nos casos divergentes, verificouse a omissão de receitas tributáveis pela pessoa jurídica autuada e a incompatibilidade econômica dos sócios formais com a movimentação financeira da autuada, sendo despicienda a demonstração da parcela que cada sócio administrador auferiu; segundo os acórdãos paradigmas, em similitude ao apurado nestes autos, comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. Além disso, demonstrado de forma inequívoca que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas e identificados os sócios de fato, devem os mesmos ser arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído a teor dos artigos 124, I e 135, III, do CTN; seguem as ementas dos acórdãos paradigmas: Acórdão nº 1301001.644 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTAS PESSOAS. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e/ou jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre essas pessoas que se beneficiaram do ilícito. Acórdão nº 20311329 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTASDEFERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo Fl. 2336DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 6 5 fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. para melhor esclarecer o entendimento divergente, seguem trechos dos acórdãos paradigmas: [...]; diversamente da e. Turma a quo, os acórdãos divergentes entenderam que comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN; ademais, é válido transcrever trechos do voto vencido do acórdão recorrido que apontam os fatos ensejadores da responsabilidade tributária: [...]; assim, diante do interesse comum na constituição do fato gerador, os acórdãos paradigmas corretamente imputaram a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, I c/c art. 135, inc. III do CTN; dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO. o art. 124, I, do CTN prescreve: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” da leitura deste dispositivo podemos extrair que, quando duas ou mais pessoas estiverem ligadas por interesse comum ao fato gerador darseá a solidariedade legal, o que ficou evidenciado nos autos pelo interesse comum da sócia majoritária nos resultados do empreendimento; a jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que as pessoas, as quais possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, são consideradas como solidárias para fins tributários: Ementa:.... I. As pessoas que têm interesse comum na situação que se constitui fato gerador da obrigação principal estão obrigadas solidariamente. II. Nos moldes do CTN, art. 124, a hipótese legal diz respeito à ligação do terceiro de modo direto, por força de interesse jurídico ou econômico, à situação prevista como fato gerador da obrigação tributária Fl. 2337DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 7 6 (TRF4ª Região. AC 1999.04.01.0027885/RS. Rel: Des. Federal Márcio Antônio Rocha. 2ª Turma. Decisão: 04/05/00. DJ de 19/07/00, pp. 154/155.) os imputados responsáveis tributários supracitados tinham interesse comum nos negócios da Comercial Agrícola Ponto Forte, uma vez que, conforme demonstrado, em maior ou menor grau, dela se beneficiaram. Pareceme claro, então, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN), que, no final das contas, são as receitas e os lucros, dolosamente omitidos; portanto, configurouse a solidariedade nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, a qual coexiste com o art. 135, inc. III do CTN, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. nesse sentido, citese entendimento da DRJ de origem: “A constituição e uso da Comercial Agrícola Ponto Forte como empresa para ocultar vultosos valores tributáveis dos quais se beneficiaram outras pessoas jurídicas e físicas, com a utilização de pessoa interposta, denota que o não recolhimento de tributos resultou de ação dolosa. Lembro que a omissão de receitas é da ordem de centenas de milhões de reais, no período de dois anos. A contribuinte teve movimentação financeira de mais de R$ 440 milhões e declarou à SEFMG ter realizado mais de R$ 425 milhões em operações de saída de café, embora nenhum valor tenha sido declarado ou pago ao Fisco Federal. Já a interposição de pessoas tem por fim eximir da cobrança dos tributos não recolhidos dolosamente pela pessoa jurídica os verdadeiros sócios e beneficiários de seu lucro. Ademais, a necessidade de dissolução regular visa à normal estruturação da sociedade, tanto em termos de gestão quanto de responsabilidade patrimonial. A introdução de sócio "laranja" na pessoa jurídica ofende essa normalidade, configurando uma dissolução irregular em seu sentido latu sensu. Ressalto que a intimação enviada para o endereço da Comercial Agrícola Ponto Forte foi devolvida pelos correios (fl. 83) e que a fiscalização não encontrou registro de ligação de água ou contas de água, eletricidade e telefone, tampouco registro de empregados, em seu nome. Tais circunstancias permitem a responsabilização nos termos do art. 135, III, do CTN.” Fl. 2338DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 8 7 a jurisprudência administrativa tem admitido a sujeição passiva dos administradores como responsáveis, quando demonstrado, como no presente caso, sua participação direta na prática das infrações: (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas acobertados por terceiras pessoas ("laranjas') que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias. (Ac. 10196.147, de 23/05/2007, Rd Cons. Sandra Maria Faroni). DO PEDIDO em face do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja reformada, nesses pontos, a decisão recorrida. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 25/02/2016, deu seguimento ao recurso, fundamentando essa decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Suscitou a digna representante da Fazenda Nacional, nos termos do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno, que compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. A decisão recorrida tem a seguinte ementa (efls. 1943/1944): [...]; Para compreensão da decisão recorrida, quanto aos fatos consta do Relatório de Auditoria Fiscal (efls. 53/92), parte integrante dos autos de infração, as seguintes constatações narradas pela fiscalização da RFB, em síntese: [...]; Inconformada com a decisão a quo na parte que restou vencida, ou seja, quanto ao afastamento da responsabilidade solidária imputada pelo fisco, a Fazenda Nacional, nas razões do recurso especial, suscitou divergência jurisprudencial, argumentando: [...]; Para processamento do seu recurso especial, a Fazenda Nacional indicou os seguintes paradigmas: [...]; Com base nesses paradigmas, portanto, a Fazenda Nacional pediu a reforma do acórdão recorrido, na parte atinente aos responsáveis solidários. Do cotejo entre as ementas e os votos condutores dos acórdãos paradigma e recorrido, verificase a similitude fática e que o tratamento jurídico foi diferenciado. Os acórdãos paradigma indicados, em situação fática análoga do acórdão recorrido, entenderam: Fl. 2339DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 9 8 a) pela responsabilidade solidária de pessoas físicas e jurídicas que se utilizaram de pessoa jurídica para fugir da tributação, a demonstrar o interesse comum, com base no art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN; b) que a omissão de receitas tributáveis pela pessoa jurídica autuada e a incompatibilidade econômica dos sócios formais com a movimentação financeira da autuada, revelam poder de mando, de gestão, de administração fraudulenta, dos responsáveis solidários, sendo desnecessária a demonstração da parcela econômicofinanceira que cada sócio administrador, de fato, auferiu em proveito próprio; que comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outras pessoas jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugir da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. Além disso, demonstrado de forma inequívoca que a sociedade foi formalmente constituída por interpostas pessoas e identificados os sócios de fato, devem os mesmos ser arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído a teor dos artigos 124, I e 135, III, do CTN. Concluise, portanto, que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional (tempestividade, legitimidade, e comprovada a divergência de interpretação da lei tributária) de que tratam os artigos 67 e 68, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. Os sujeitos passivos que vinham se defendendo no curso do processo foram intimados do Acórdão n° 1401001.181, do recurso especial da PGFN e do despacho que deu seguimento a esse recurso. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DE ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. Em 30/03/2016, o sujeito passivo Armazéns Gerais São João foi intimado do Acórdão n° 1401001.181, do recurso especial da PGFN e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e em 04/04/2016, ele apresentou embargos de declaração, alegando que o referido acórdão continha omissão em sua parte dispositiva, "por aparente erro material por ocasião da redução a termo do resultado, tendo deixado de constar o nome da Embargante dentre aqueles que tiveram a sua responsabilidade decotada". PETIÇÃO DE ROBERTO PEREIRA FARIA Em 29/03/2016, o sujeito passivo Roberto Pereira Faria foi intimado do Acórdão n° 1401001.181, do recurso especial da PGFN e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e em 13/04/2016, ele apresentou petição requerendo que seu nome fosse excluído da lista de responsáveis solidários pelo crédito tributário objeto deste processo administrativo, tendo em visa que: 1 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento deferiu a impugnação do peticionante (Roberto Pereira Faria) e afastou a sua responsabilidade; Fl. 2340DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 10 9 2 O Recurso de Ofício interposto contra esta decisão não foi conhecido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Acórdão 1401 001.181 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária; 3 O Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional não se insurge contra o não conhecimento do recurso de ofício e consequente manutenção da decisão pelo afastamento da responsabilidade do peticionante (Roberto Pereira Faria), tendo esta decisão se tornado definitiva. CONTRARRAZÕES DOS SUJEITOS PASSIVOS PESSOAS FÍSICAS Em 30/03/2016, os sujeitos passivos João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo e Carlos Henrique Gardingo foram intimados do Acórdão n° 1401001.181, do recurso especial da PGFN e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e em 13/04/2016, eles apresentaram conjuntamente e tempestivamente contrarrazões ao recurso especial da PGFN, argumentando: DA INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA o Recurso Especial interposto pela PGFN não merece ser admitido por esta e. Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) (e não há impedimento a que esta e. CSRF decida pela inadmissibilidade do recurso, independentemente deste ter sido admitido originalmente pelo i. Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF), por ser patente a ausência de similaridade fática entre o v. acórdão recorrido e aqueles apontados como paradigma, além de ter sido indicado como paradigma pela Procuradoria da Fazenda Nacional acórdão que já havia sido anulado por esta e. CSRF ao tempo da interposição do recurso fazendário o que impõe o não conhecimento do Recurso Especial, por inobservância aos requisitos de admissibilidade; a pretensa divergência invocada pela PGFN não se faz presente in casu, pois os fatos analisados no acórdão recorrido e naqueles apontados pela PGFN como paradigmas são muito distintos e foram estes fatos (e não a interpretação da lei) que fundamentaram a conclusão do v. acórdão recorrido; deveras, conforme se depreende da fundamentação levada a efeito pela própria PGFN para justificar a pretensa divergência jurisprudencial no caso em apreço (conforme excertos transcritos supra), a conclusão pela manutenção da responsabilidade nos v. acórdãos paradigmas pautouse na constatação de que aqueles a quem foi imputada a responsabilidade solidária eram os proprietários de fato da contribuinte autuada; no v. acórdão recorrido, contudo, diante dos fatos comprovados nos autos, a e. Turma concluiu que os ora Recorridos não eram proprietários de fato da empresa autuada, não sendo os indícios arrolados pela fiscalização suficientes para concluirse pela imputação da responsabilidade, mormente ao terse em conta que os Recorridos comprovaram nos autos que todos os valores que receberam da empresa autuada (valores estes que correspondem a parcela ínfima dos valores movimentados pela empresa) têm origem lícita em operações de venda de café, as quais foram devidamente declaradas em suas respectivas DIRPF. Vide, neste sentido, o seguinte excerto da ementa do v.acórdão recorrido: [...]; Fl. 2341DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 11 10 a decisão no v. acórdão recorrido pautouse essencialmente em questões de fato, e de prova, tendo concluído que os indícios apontados pela fiscalização não eram convergentes e contundentes o bastante para autorizar a conclusão de que os ora Recorridos detinham controle de fato da empresa autuada ou dela se beneficiaram; ao contrário do que afirma a d. PGFN em suas razões recursais, não houve afastamento do disposto nos arts. 124, I e 135 do CTN. Pelo contrário, o v. acórdão recorrido afirma expressamente que este dispositivo é apto a atrair a responsabilidade solidária, mas conclui que no caso dos autos não há indícios suficientes para concluirse que os ora Recorridos seriam os proprietários de fato da empresa autuada ou teriam dela se beneficiado; neste sentido, vide a seguinte passagem do v. acórdão recorrido: [...]; diante da ausência de aplicação pelo v. acórdão recorrido de critério jurídico distinto daquele adotado nos paradigmas invocados pela PGFN, resta patente a inadmissibilidade do recurso fazendário. Nesse sentido, os seguintes precedentes deste e. CARF: [...]; ademais, os v. acórdãos recorridos apreciaram situações fáticas muito distintas daquelas analisadas no v. acórdão recorrido, o que inviabiliza o reconhecimento de divergência apta a viabilizar a via recursal especial; com efeito, cumpre destacar já de início que o Acórdão 20311.329 da 3ª Câmara do extinto 2° Conselho de Contribuintes, apontado pela Procuradoria da Fazenda Nacional como paradigma em seu recurso especial, não tem validade como precedente para fins de interposição de Recurso Especial, pois foi anulado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste e. CARF em sessão realizada em 30/06/2008 (vide Acórdão 0203.235 inteiro teor em anexo, doc. n° 03) e, portanto, não reflete posicionamento vigente à época da apresentação do Recurso Especial fazendário o que é suficiente, de per se, para a inadmissão do recurso interposto pela PGFN, conforme reiterados precedentes desta e. CSRF; não bastasse o exposto supra, a União não demonstrou em seu recurso a existência de divergência jurisprudencial apta a viabilizar a admissão de recurso especial, não tendo os acórdãos por ela arrolados como paradigmas conferido à lei interpretação divergente daquela constante do v. acórdão recorrido, mas sim analisado situação fática muito distinta daquela apreciada nos autos em apreço; o primeiro acórdão invocado como paradigma pela d. PGFN consiste no Acórdão 1301001.644 3ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, no qual decidiuse pela manutenção da responsabilidade imputada a exsócio de uma pessoa jurídica, o qual era o sócio da empresa à época dos fatos que ensejaram a dívida fiscal, por entenderse que ele se beneficiou do esquema de sonegação. Nesse sentido, é conferir o seguinte cotejo analítico: [...]; a situação fática discutida no precedente invocado pela fiscalização é em tudo distinta daquela apreciada nos autos em epígrafe, haja vista que: 1 no acórdão apontado como paradigma, aquele a quem foi imputada responsabilidade era exsócio da empresa autuada e era o seu sócio ao tempo dos fatos que ensejaram a autuação, ao passo que no acórdão recorrido as Fl. 2342DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 12 11 pessoas em favor das quais se afastou a imputação de responsabilidade jamais figuraram no quadro societário da empresa autuada; 2 no acórdão apontado como paradigma, concluíse pela existência de provas suficientes de que a pessoa à qual foi imputada a responsabilidade se beneficiou do esquema de sonegação, ao passo que no caso destes autos o v. acórdão recorrido declara expressamente que não há provas ou sequer indícios adequados para se concluir que os Recorridos se beneficiaram indevidamente da empresa autuada, pois foi comprovada nos autos a origem lícita e declarada de todos os valores recebidos pelos Recorridos da autuada (valores estes que eram decorrentes de operações de venda de café, devidamente declaradas em IRPF). como se vê, é patente a ausência de similaridade fática no caso em exame, o que impede a admissão do Recurso Especial fazendário, a teor da iterativa jurisprudência desta e. CSRF, ilustrada pelos seguintes precedentes: [...]; o segundo acórdão invocado como paradigma pela PGFN em seu recurso especial, por sua vez, sequer pode ser invocado como paradigma, posto tratarse de acórdão que já fora anulado por esta e. CSRF ao tempo do ajuizamento do recurso especial, conforme julgamento realizado em 30/06/2008, em data anterior à apresentação do recurso fazendário (vide, neste sentido, o Acórdão 0203,235, cujo inteiro teor segue em anexo doc. 03); acerca da impossibilidade de acórdão reformado ou anulado figurar como precedente para fins de recurso especial, é conferir os seguintes precedentes deste e. CARF: [...]; não bastasse, ainda que se adentre o cotejo analítico entre o aludido Acórdão 20311.329 (apesar de ele já ter sido anulado, em data anterior à interposição do Recurso Especial pela PGFN), o caso é de não conhecimento do recurso fazendário, por ser patente a ausência de similaridade fática entre os julgados; o aludido acórdão paradigma trata de situação na qual foi mantida a responsabilidade tributária imputada a terceiros por ter sido comprovado nos autos que estes terceiros eram os reais proprietários da empresa, cujos negócios teriam sido realizados a seu mando e em seu benefício, sem que tenha sido apresentada qualquer justificativa para os benefícios percebidos. No aludido acórdão invocado como paradigma, consta expressamente que as partes não infirmaram as provas e indícios apontados pela fiscalização, tendo inclusive afirmado que não possuíam transações comerciais com a empresa autuada, apesar de terem recebido dela recursos. Vejase o cotejo analítico: [...]; as situações fáticas são de todo distintas, pois no precedente invocado como paradigma foi apontada no acórdão recorrido a ausência de provas que infirmassem aquelas produzidas pela fiscalização e os terceiros que receberam valores da empresa autuada afirmaram não ter com ela qualquer relação comercial que justificasse os valores por eles recebidos, ao passo que no v. acórdão recorrido foi atestado justamente o oposto, a saber, que as provas trazidas aos autos pelos ora Recorridos infirmam os indícios apontados pela fiscalização, especialmente por demonstrar que os valores recebidos pelos Recorridos têm origem em transações comerciais lícitas e declaradas; Fl. 2343DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 13 12 nesse contexto, resta clara a ausência de similaridade fática e de divergência também em relação ao segundo paradigma invocado pela União; por fim, a par do exposto supra, o Recurso Especial fazendário deve ser inadmitido, ainda, por não ter atacado todos os argumentos utilizados no v. acórdão recorrido para lastrear a decisão por afastar a responsabilidade imputada aos ora Recorridos, não tendo nas razões fazendárias sido apontadas razões para afastarse o entendimento de que a fiscalização não procedeu à adequada individualização das condutas imputadas aos responsabilizados (o que é suficiente para a manutenção do v. acórdão recorrido). Diante da não insurgência da União e tampouco demonstração de divergência em face de argumento autônomo e suficiente para a conclusão adotada no v. acórdão recorrido, impõese, por mais este motivo, a inadmissão do recurso especial fazendário. Neste sentido, o seguinte precedente deste e. CARF: [...]; clara, assim, por todo o exposto, a inadmissibilidade do Recurso Especial interposto pela PGFN; RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. DAS RELAÇÕES COMERCIAIS ENTRE A AUTUADA E OS RECORRIDOS. conforme se depreende dos autos em epígrafe, os ora Recorridos foram apontados como responsáveis solidários pelos créditos fiscais lançados contra a empresa Comercial Agrícola Ponto Forte Ltda. por ter entendido a Fiscalização que eles seriam os supostos beneficiários dos recursos auferidos pela empresa, tendo este entendimento se pautado especialmente na constatação de pagamentos realizados pela empresa autuada em favor dos ora Recorridos; ocorre que, conforme demonstrado e comprovado nos autos em epígrafe, todos os valores recebidos pelos ora Recorridos da autuada tiveram origem em vendas de café por eles realizadas em favor da autuada (operações estas que foram devidamente declaradas nas respectivas DIRPF dos Recorridos), não tendo os Recorridos recebido nenhum benefício da empresa autuada, mas apenas o pagamento de mercadoria a ela vendida; com efeito, a relação estabelecida entre os ora Recorridos e a empresa autuada é simplesmente comercial, consistindo em operações de compra e venda de café. Os Recorridos, na qualidade de produtores rurais, tão somente venderam café para a empresa autuada; diante da comprovação da origem lícita dos valores recebidos pelos ora Recorridos da autuada, os quais consistem na contraprestação devida por força da venda de café, resta patente o equívoco em se invocar estes pagamentos como indício de que os Recorridos seriam os proprietários de fato da empresa autuada; embora seja de fato possível se extrair conclusões de provas indiciárias (ou seja, partirse de fatos conhecidos para se concluir pela ocorrência de um fato presumido), estas provas têm que ser robustas o bastante para autorizar a conclusão pretendida: as premissas (fatos conhecidos) devem ser seguras e guardar relação de coerência e pertinência com a conclusão nelas pautada fato presumido, não sendo este o caso dos autos, no qual as premissas em que se pautou a fiscalização não autorizam a conclusão adotada; Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 14 13 como se vê, sopesandose o real cenário fático em relato, e considerandose que não há procurações, assinaturas, nada que efetivamente comprove qualquer beneficio ou envolvimento dos Recorridos na administração da empresa fiscalizada, senão pagamentos de café vendido (cujas receitas auferidas foram devidamente declaradas nas DIRPF dos Recorridos), os argumentos apresentados pela Fiscalização não são suficientes para caracterizar a sujeição passiva solidária da impugnante nos termos do artigo 124 do CTN; a autuação e, sobretudo, a imputação de responsabilidade pelo pagamento de tributos e severas penalidades com base em presunções não lastreadas em prova suficiente afrontam o ordenamento jurídico estabelecido; nessa ordem de ideias, o ônus da prova é da autoridade fiscal, ex vi o decretolei n° 1.598/1977: [...]; ora, no caso dos autos, a autoridade fiscal procedeu à gravosa acusação de suposta interposição de pessoa e imputou a sujeição de solidária passiva tributária sem elementos de prova ou, ao menos, robustos indícios de que os Recorridos seriam os verdadeiros donos ou beneficiários da suposta receita omitida pela empresa autuada e, lado outro, mesmo os poucos indícios apontados pela fiscalização foram infirmados pela prova produzida nos autos pelos ora Recorridos, que demonstraram a origem lícita de todos os recursos que receberam da autuada (recursos estes advindos da venda de café, e devidamente declarados em DIRPF); nesse ponto, cumpre esmiuçar a relação estabelecida entre a autuada e cada um dos Recorridos, a fim de demonstrar a inadequação da conclusão adotada pela fiscalização. É o que se demonstra a seguir; conforme consta do Relatório Fiscal, a autuada efetuou o pagamento de várias contas pessoais dos Recorridos, tais como contas de água, luz, telefone e tributos, além de efetuar diversas transferências bancárias durante o período de 2004 a 2007. Desde já, esclareçase que a opção eleita pelo pagamento de contas pessoais dos Recorridos como forma de quitação dos valores a eles devidos por força da venda de café decorre estritamente da relação comercial estabelecida junto à Comercial Agrícola Ponto Forte, tendo se optado por esta via porque ela evitaria a cobrança da CPMF (que, de acordo com a EC n° 42, teve prorrogado seu prazo de incidência até 31 de dezembro de 2007); assim, foi estabelecida uma conta corrente entre a autuada e os Recorridos, sendo que, eventuais pagamentos decorrentes da relação comercial existente entre as partes, ao invés de serem creditados diretamente em contas bancárias, fazendo incidirse a CPMF, eram realizados mediante a quitação de contas de terceiros, abatendose, assim o quantum devido pela autuada aos Recorridos. O restante, obviamente, era creditado nas contas bancárias dos Recorridos, conforme identificado pela própria fiscalização; demais disso, conforme já demonstrado nos autos e destacado no v. acórdão recorrido, toda a receita auferida pelos Recorridos, abarcandose as contas de terceiros quitadas e os valores creditados em contas bancárias, está lastrada em notas fiscais de venda de café e foi devidamente declarada em suas respectivas Declarações de IRPF, porquanto decorreram estritamente da relação comercial estabelecida entre eles e a Autuada. Isso porque, conforme podese conferir pelas notas fiscais de compra de café já carreadas aos autos em anexo ao memorial dos ora Recorridos, as quais foram emitidas pela autuada a cada um dos Recorridos Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 15 14 entre o período de 2004 a 2007, os valores identificados pela fiscalização como "benefícios" correspondem, na verdade, ao pagamento do café vendido; para melhor elucidar esse ponto, vejamos detidamente a relação de valores de notas e receita auferida por cada Recorrido: [...]; importante frisar, ainda, que as receitas decorrentes da venda de café dos Recorridos para a empresa autuada foram escorreitamente por eles declaradas em suas respectivas Declarações de Imposto de Renda e oferecidas, à época, e oferecidos à tributação. Confirase exemplos: [...]; nesse espeque, cotejandose os valores declarados pelos Recorridos (DIRPF) e os pagamentos feitos pela empresa autuada aos mesmos, é fácil constatar que, das atividades rurais estabelecidas pelos Recorridos, apenas uma pequena parcela foi proveniente de venda à autuada. Vejase, a título ilustrativo, o total das receitas de atividade rural dos Recorrentes, oportuna e devidamente declaradas, e o percentual dessas receitas pagas pela empresa Autuada: [...]; se tivessem os Recorridos ardilosa e criminosamente constituído a empresa autuada mediante a utilização de "laranjas", como equivocadamente presumiu a fiscalização, certamente a utilizariam para não pagar imposto; ora, digno de nota que: 1 os Recorridos declararam integralmente a venda de seu café, ofereceram tais valores à tributação e pagaram o respectivo tributo, como demonstram suas respectivas DIRPF (já homologadas, ainda que tacitamente, pela fiscalização); 2 não é razoável concluir que os Recorridos constituiriam uma empresa, mediante "laranjas", para venderlhe apenas pequena parcela de sua produção, sobretudo tendo declarado suas receitas integralmente e pagado os correlatos impostos; 3 não podem os Recorridos, por terem evitado a realização do fato gerador da CPMF e terem tido algumas de suas contas pagas diretamente pela empresa autuada (compradora de seu café), serem responsabilizados pelo enorme e surreal passivo fiscal exigido no AI sub examine; e 4 por fim, os Recorridos receberam, insistase, em pagamento do café vendido para a autuada, apenas 0,74% de sua movimentação, valor insignificante para quem a teria utilizado de forma fraudulenta. noutro ponto, a Fiscalização acusa que a receita bruta da autuada, no período autuado, corresponde a R$ 425.216.168.66, apresentando, em seguida, uma série de números e tabelas que representariam os supostos "benefícios" dos Recorridos (os quais, repitase, referemse ao pagamento de café por eles vendido à autuada) através de transferências bancárias e pagamentos de contas de terceiros. Vejase: [...]; como poderiam ser os Recorrentes os verdadeiros beneficiários de toda a receita da autuada a ponto de serem apontados como responsáveis pelo débito tributário se o Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 16 15 que aferiram por força das relações comerciais estabelecidas (e devidamente documentadas) representa ínfimos 0.74% do total do faturamento? não bastasse isso, se considerarmos os benefícios individuais apontados esparsamente pela Fiscalização, referentes aos anos de 2005 e 2006, atribuídos a cada um dos ora Recorrentes e comparando estes valores com o total do faturamento encontrado, notase que estes representam um percentual insignificante em face do montante total. Vejase: [...]; resta evidente que a Fiscalização, uma vez encontrando o que entendeu como indícios de utilização fraudulenta da empresa autuada pelos Recorridos, optou por concentrarse nos valores transferidos em benefício dos mesmos, frisese, tudo decorrente de estrita relação comercial, deixando de atentarse para o destino dos 99,26% restantes do suposto faturamento; ora, dúvida fundamental que paira sobre o caso em lume é: se os recorridos eram os efetivos gestores da autuada. conforme o fisco equivocadamente concluiu, onde foram parar os 99,26% do faturamento da empresa fiscalizada? demais disso, e conforme já elucidado nas linhas pretéritas, a fiscalização deixou também de considerar a possibilidade de relações comerciais lícitas e regulares entre as empresas e produtores do ramo do café, as quais foram devidamente informadas em suas declarações à RFB (DIRPF atividades rurais declaradas e tributadas), e registradas em notas fiscais, preferindo não intimar os ora Recorridos a apresentarem documentação que respaldasse todas as transações financeiras encontradas; ressaltese que, apesar de investigar minuciosamente todos os extratos bancários da empresa autuada, a fiscalização somente encontrou o percentual de 0,74% do valor global do suposto faturamento da autuada como destinado aos Recorridos, os quais, como já demonstrado, dizem respeito a operações normais de negócios efetuados entre eles, igualmente às que a autuada realizou com dezenas, quiçá centenas, de outros terceiros que não se encontram no processo, provavelmente em valores muito mais expressivos (recordese, a fiscalização não fez circularização e não identificou 99,26% da movimentação financeira da Autuada); conforme se vislumbra claramente nos autos, a autoridade fiscal procedeu à gravosa acusação de suposta interposição de pessoa e imputou a sujeição solidária passiva tributária sem elementos de prova ou, ao menos, robustos indícios de que os Recorridos eram os verdadeira donos ou beneficiária da suposta receita omitida pela empresa autuada. Assim, outra consequência não pode haver senão o cancelamento da presente exigência, na linha do que restou decidido pelo v. acórdão recorrido; DOS EQUÍVOCOS NO ENQUADRAMENTO LEGAL ab initio, esclareçase que a incerteza da fiscalização é tão flagrante que ela nem sequer foi capaz de mencionar se os Recorridos estão enquadrados no artigo 135, III, no artigo 124, I ou artigo 137, I, todos do CTN. Senão, vejase recortes extraídos do "Relatório Fiscal": [...]; ora, ou está a se tratar de responsabilidade de terceiro (artigo 135, III do CTN), ou solidariedade por interesse comum (artigo 124, I do CTN) ou responsabilidade pessoal (artigo 137, I do CTN). Nesse espeque, decerto que essa multiplicidade de Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 17 16 fundamentos configura cerceamento do contraditório e do direito à ampla defesa, na medida em que impossibilita os Recorrentes de se defenderem do argumento produzido pelo Fisco; DA AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO (ART. 135, III DO CTN). o Código Tributário Nacional (art. 135, III) reconhece os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas como pessoalmente responsáveis por créditos tributários de uma sociedade quando estes dão causa a obrigações tributárias em razão de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto; no lançamento tributário que ora se aprecia, não há a comprovação de nenhum dos dois requisitos, qual seja, não se demonstra a condição de diretor, gerente ou representante dos Recorridos, nem mesmo se comprova a atuação dos supostos responsáveis com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, de modo que não há como se atribuir responsabilidade sob tal fundamento; inicialmente, cabe observar que a própria fiscalização sequer demonstrou de forma clara e convicta qual a condição que atribui a cada um dos Recorridos, ora se referindo a eles como gerentes, ora como diretores ou ainda como representantes, demonstrando o total desconhecimento acerca da situação objeto de análise; destacase que o reconhecimento da condição de diretor, gerente ou representante é questão objetiva que, de maneira alguma, pode ser identificada em razão de meras presunções. Nesse sentido, o Fisco não apresentou qualquer documento capaz de comprovar que os Recorridos exerceram a administração da empresa fiscalizada, atestandose tão somente a existência de uma relação comercial de venda de café pelos Recorridos à empresa autuada; ademais, ainda que se comprovasse a condição de gerente, diretor ou representante, o que não foi feito, seria necessário demonstrar ainda a realização de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, o que também não restou demonstrado. Nesta linha, o próprio Superior Tribunal de Justiça já reconheceu, em jurisprudência consolidada em Súmula e em Recurso Repetitivo, que não basta comprovar o inadimplemento tributário da empresa, é preciso demonstrar os atos que deram causa a este inadimplementos extrapolando poderes e a legislação; DA AUSÊNCIA DE SOLIDARIEDADE POR INTERESSE COMUM (ART. 124, I DO CTN). o Código Tributário Nacional (art. 124, I) reconhece a aplicação de solidariedade perante obrigação tributária em que exista interesse comum de pessoas na situação que constituiu seu fato gerador; conforme noticiado nas linhas pretéritas, a fiscalização declarou a solidariedade dos Recorridos partindo da premissa (frisese, equivocada!) de serem eles os verdadeiros beneficiários do faturamento da empresa autuada, e, por isso, teriam interesses econômicos comuns na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal vale dizer, o não pagamento do tributo dela decorrente , beneficiandose diretamente; Fl. 2348DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 18 17 é de se observar, contudo, que a solidariedade tributária tratada no artigo 124 do CTN decorrerá somente diante da existência de um mesmo interesse jurídico do responsabilizado na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou por expressa designação em lei; assim, para que um fato possa se subsumir à norma contida no aludido artigo, é preciso que os contribuintes figurem no mesmo polo da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato jurídico imponível. Admitir a integração no polo passivo da relação jurídica de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação, tal com in casu, fere a lógica jurídicotributária. É o que leciona a doutrina abalizada acerca do tema: [...]; corroborando este entendimento, o STJ sustenta que a solidariedade somente pode ser reconhecida quando o fato gerador é realizado conjuntamente pelas partes interessadas: [...]; nesse sentido, conforme exemplificado a seguir, a jurisprudência uníssona do CARF exige a comprovação do interesse comum por parte do Fisco: [...]; nesta linha, ressaltase que a jurisprudência do CARF tem reconhecido que para a identificação da solidariedade por interesse comum, seria necessária a prova da existência de "sócios de fato", com poderes outorgados por procuração para gerir negócio formalmente registrado em nome de "laranjas": [...]; a situação que ora se apresenta não atende, contudo, estes requisitos, uma vez que os Recorridos jamais exerceram qualquer poder como sócios (de fato ou de direito) da autuada, mantendo com ela tão somente uma relação comercial; neste sentido, a tese do Fisco deve ser completamente rechaçada, pois não se apresentou prova de ligação entre a autuada e os Recorridos; DA AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE PESSOAL POR INFRAÇÕES (ART. 137, I DO CNT). a fiscalização procurou ainda atribuir aos Recorridos a responsabilidade por infrações, em razão de disposição do Código Tributário Nacional (art. 137, I) que determina a responsabilidade pessoal do agente em relação às infrações conceituadas como crimes ou contravenções; não há, contudo, nos autos qualquer documento que comprove que os Recorridos realizaram atos caracterizados como crime ou contravenções, mesmo porque eles sequer eram responsáveis por qualquer tributo ou ato da obrigada tributária, com a qual mantinham tão somente uma relação comercial; o que se demonstrou, repitase, foram apenas as realizações de pagamentos e depósitos decorrentes de estrita relação comercial, cujos valores, inclusive, foram devidamente declarados nas DIRPF's dos Recorridos; assim, não havendo a comprovação de crime ou contravenção, bem como a comprovação de que os Recorridos tenham concorrido para a realização de tais atos, não há que se sustentar a responsabilidade pessoal dos Recorridos por eventuais infrações; Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 19 18 DA AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. o fisco sustenta ainda a existência de utilização de interpostas pessoas na autuada em benefício dos Recorridos, mas não apresenta qualquer documento que demonstre a relação ou ainda a atribuição de poderes de representação ou para assinatura em nome dos Recorrentes. Assim, a alegação de que os Recorridos administravam o negócio não passa de mera suposição, sem qualquer comprovação; é fato notório que a utilização de interpostas pessoas em uma sociedade é exercida com a atribuição de poderes a um procurador, como forma de resguardar os efetivos donos do negócio. Neste sentido, a existência de documento atribuindo poderes é requisito indispensável para a caracterização da interposição de pessoas, conforme atesta a jurisprudência: [...]; clara, assim, por mais este motivo, a necessidade de manutenção do v. acórdão recorrido no ponto em que afastou a responsabilidade dos ora Recorridos pela dívida discutida no processo administrativo em epígrafe; DO PEDIDO por todo exposto, os Recorridos, esperando que esta Colenda Corte esteja atenta à moralidade e à legalidade dos processos administrativos federais, como sempre esteve, requer: (i) que não seja conhecido o Recurso Especial da PGFN, em virtude da ausência dos seus pressupostos de admissibilidade; (ii) subsidiariamente, se adentrado o mérito, que seja desprovido o Recurso Especial, mantendose o v. acórdão recorrido no ponto em que julgou procedentes os recursos voluntários dos Recorridos; sucessivamente, caso se decida pela reforma da r. decisão recorrida (o que se admite apenas em atenção ao princípio da eventualidade), deve ao menos ser determinado o retorno dos autos à 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste e. CARF, para que possa ser apreciada a questão atinente à inadequação da penalidade aplicada em desfavor dos ora Recorridos (questão tida por prejudicada em razão do provimento no mérito do recurso dos ora Recorridos). PETIÇÃO DE PAULO SÉRGIO MARTINS DE MIRANDA Em 06/04/2016, o sujeito passivo Paulo Sérgio Martins de Miranda foi intimado do Acórdão n° 1401001.181, do recurso especial da PGFN e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e em 13/04/2016, ele apresentou petição requerendo a exclusão de seu nome do rol dos responsáveis solidários, com o seguinte argumento: Conforme Acórdão 1401001.181 4ª Câmara /1ª Turma Ordinária, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os membros do colegiado, "I Por unanimidade de votos, deram provimento para excluir a responsabilidade de Paulo Sérgio Martins Miranda". O Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional não inclui insurgência contra este tópico do acórdão, tendo a União se insurgido apenas contra a seguinte parte do Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 20 19 acórdão "II Por maioria de votos, deram provimento para excluir a responsabilidade tributária de João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo, Carlos Henrique Gardingo, Gardingo Trade Importação E Exportação Ltda, Cafeeira São João Lida e Transportadora Gaivota Ltda". Portanto, a decisão pela exclusão da responsabilidade de Paulo Sérgio Martins de Miranda tornouse definitiva. CONTRARRAZÕES DOS SUJEITOS PASSIVOS PESSOAS JURÍDICAS Em 30/03/2016, os sujeitos passivos Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda., Cafeeira São João Ltda., Transportadora Gaivota Ltda. e Armazéns Gerais São João Ltda. foram intimados do Acórdão n° 1401001.181, do recurso especial da PGFN e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e em 13/04/2016, eles apresentaram conjuntamente e tempestivamente contrarrazões ao recurso especial da PGFN, argumentando: INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. POSSIBILIDADE DE REEXAME DA ADMISSIBILIDADE PELA CSRF. inicialmente, é importante consignar que o exame positivo de admissibilidade proferido pelo Douto Presidente da Quarta Câmara da 1ª Seção não impede que a matéria seja novamente apreciada por esta Colenda Turma da CSRF no momento do julgamento do recurso; ou seja, data venia, o exame da admissibilidade do recurso não se esgota com o despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da Câmara e pode ser revisitado pelo Colegiado na ocasião do julgamento do recurso; aliás, o reexame é salutar, pois prestigia o princípio da colegialidade, no qual a decisão tomada por um órgão colegiado goza de maior legitimidade, e aperfeiçoa o exame proferido monocraticamente pelo Presidente da Câmara; tal prerrogativa vem sendo exercida, reiteradamente, por esta c. CSRF, inclusive na vigência do recente RICARF, conforme pode ser observado nos precedentes transcritos a seguir: [...]; sendo assim, verificada a possibilidade de reexame dos pressupostos para o conhecimento do recurso especial, passase a demonstrar os argumentos que conduzirão ao não conhecimento do presente recurso; INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL: NÃO INDICAÇÃO DAS PEÇAS PROCESSUAIS EM QUE SE DEU O PREQUESTIONAMENTO (ART. 67, §5° DO RICARF). consoante se demonstrará várias são as questões que impedem, de acordo com a legislação, a admissão do recurso especial ora combatido. Todas elas, aliás, são, data venia, facilmente constatáveis, porquanto perceptíveis através do mero cotejo entre os requisitos de admissibilidade impostos pelo RICARF e o recurso apresentado pela PGFN; Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 21 20 inicialmente, devese apontar que o regimento interno do CARF impõe requisitos que deverão ser observados para a interposição de recurso especial para a CSRF, entre eles, que a parte recorrente indique expressamente as peças processuais em que houve o prequestionamento da matéria recorrida: [...]; contudo, observandose o recurso especial apresentado, vêse que em momento algum a Recorrente se desincumbiu do ônus de apontar as peças processuais nas quais supostamente teria ocorrido o prequestionamento da matéria aventada na peça recursal; logo, como o RICARF impõe que o Recorrente demonstre o prequestionamento, indicando as pecas processuais nas quais ele teria ocorrido, e não tendo a PGFN se ocupado dessa tarefa, não deve o recurso especial do douto procurador ser conhecido, nos termos da jurisprudência firmada no âmbito desta CSRF, inclusive já na vigência do novo RICARF: [...]; NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL: ACÓRDÃO APONTADO COMO PARADIGMA ANULADO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. outro ponto que inviabiliza o processamento do recurso especial e, com vênias, foi totalmente negligenciado pela decisão que o admitiu é a inexistência de acórdão divergente; a PGFN apontou como divergência o acórdão n° 20311329, prolatado no PAF n° 13603.002854/200334; em tal acórdão, concluiuse pela possibilidade de responsabilização solidária, em razão da comprovação da fraude. Isso, por si só, já afastaria a divergência, já que, nesse processo, não há prova de fraude, consoante se demonstrou; no entanto, há outra razão pela qual o recurso especial não deve ser conhecido, qual seja, a anulação da decisão apontada como paradigma pela Câmara Superior de Recursos Fiscais; isto é através do acórdão n° 0203.235, no mesmo PAF n° 13603.002854/200334, na sessão de 30 de junho de 2008 a CSRF anulou a decisão apontada como paradigma, por ter sido proferida por órgão incompetente para julgar a matéria veiculada naqueles autos: [...]; isto é, quando apresentado o recurso especial, já não existia o acórdão apontado como paradigma, anulado que havia sido em 30/06/2008; desta feita, diante da inexistência de divergência, não há como conhecer o recurso especial, consoante remansosa jurisprudência desta CSRF: [...]; INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL: AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA (ART. 67, §8° DO RICARF). o regimento interno do CARF considera, ainda, como requisito fundamental ao conhecimento do recurso especial, a demonstração analítica da divergência pelo Recorrente: [...]; Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 22 21 quer dizer, se o recurso especial é fundado numa suposta divergência de interpretação da lei tributária entre a turma que julga o acórdão recorrido e outra turma do CARF, é dever da Recorrente demonstrar pormenorizadamente a alegada divergência; deveria a Recorrente, por conseguinte, primeiramente, demonstrar que os fatos debatidos no acórdão paradigmático se assemelham aos deste processo. Posteriormente, demonstrada a semelhança fática, caberia à Recorrente indicar precisamente em que pontos houve divergência na interpretação da norma; contudo, neste recurso especial, a Recorrente nem ao menos tenta demonstrar a divergência. Vêse, ao contrário, que as razões recursais em momento algum realiza esse necessário cotejo analítico entre decisão recorrida e acórdão apontado como paradigma, limitandose à mera transcrição parcial de ementas; desta feita, a Recorrente optou pelo caminho mais fácil e formalmente inadequado, já que a simples transcrição de parte dos acórdãos apontados como paradigmas, sem a necessária contextualização fática e demonstração concreta da divergência, torna inadmissível o recurso especial, nos termos da jurisprudência desta c. CSRF: [...]; sendo assim, também porque a Recorrente sequer se deu ao trabalho de tentar demonstrar analiticamente a divergência, limitandose à transcrição parcial de precedentes e trechos descontextualizados do acórdão, não deve ser conhecido o recurso especial ora combatido; INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL: AUSÊNCIA DIVERGÊNCIA ENTRE OS ACÓRDÃOS RECORRIDOS E OS "PARADIGMAS" (ART. 67, §8° DO RICARF). o recurso manejado pela PFN não deve ser conhecido por faltar seu principal pressuposto de cabimento: uma divergência analiticamente demonstrada; pois bem, lendose o recurso especial, vêse que, para forçar a admissibilidade recursal, numa frágil tentativa de provocar equívoco no órgão julgador, a PGFN distorce a conclusão do acórdão recorrido, para aproximálo faticamente do paradigma, tratando como se em ambos tivesse havido a constatação de fraude: [...]; aproximação dos fatos que não passa de um equívoco, pois, como já se viu, não houve fraude neste paf, especialmente no que diz respeito aos Recorridos, a fraude somente ocorreu nos casos julgados que foram objeto dos acórdãos utilizados como supostos "paradigmas"; essa, aliás, seria a única forma de a douta PGFN ver admitido o recurso especial, levando o órgão julgador a incorrer em equívoco, pois a constatação de fraude (repita se, que não ocorreu neste PAF) foi elemento decisivo para a responsabilidade tributária nos casos julgados nos "paradigmas"; quer dizer, analisando o inteiro teor do acórdão colacionado como paradigma, verificase que os acórdãos apresentados como "paradigmáticos" não guardam similitude fática com este caso dos autos; Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 23 22 no caso concreto, a fiscalização incluiu as Recorridas como responsáveis tributárias por entender que elas participaram de operações fraudulentas, beneficiandose de supostas omissões de receitas da empresa fiscalizada; mas, ao se pormenorizar a decisão recorrida nestas contrarrazões (item II.2), viuse que, após analisar toda a farta documentação trazida aos autos, o CARF entendeu que não ficou provada a situação fraudulenta imputada pela fiscalização às recorridas: [...]; já os acórdãos apontados como paradigmas pela PGFN partiram de premissas fáticas completamente distintas, pois, neles, ao contrário deste caso, o CARF entendeu que havia prova da fraude, conforme consta na própria decisão que admitiu o recurso especial: [...]; isto é, a própria transcrição dos acórdãos "paradigmáticos" atesta que não houve a divergência na interpretação, mas sim resultados diferentes decorrentes de conjuntos fáticos probatórios diversos; ou seja, neste PAF, o que se tem é exatamente o oposto da divergência. Há, isso sim, uma identidade na interpretação da legislação pelas decisões recorrida e "paradigmáticas"; vale dizer, tanto o acórdão recorrido quanto o paradigma interpretam a lei da mesma maneira, pois ambos condicionam a responsabilidade à prova da fraude: [...]; nessa trilha, na falta de divergência na interpretação da lei, o recurso especial não pode ser conhecido, haja vista que o acórdão "paradigmático" manteve a responsabilidade a partir de fatos e provas distintos destes autos: [...]; DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. DO ÔNUS DA PROVA PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE A TERCEIROS. primeiramente, é importante consignar que a imputação de responsabilidade às empresas terceiras, que apenas tiveram relação comercial com a autuada, está baseada em meras ilações desprovidas de conjunto probatório; ora, tendo em vista que a acusação de hipotética responsabilidade não configura presunção legal, bem assim por se tratar de acusação da prática de crime, é indiscutível que o ônus da prova é da autoridade fiscal, ex vi o DecretoLei n° 1.598/1977: [...]; o Decreto n° 7.574/2011, que consolidou todas as regras que regulamentam o processo administrativo tributário federal, expressamente estabeleceu que: [...]; como se vê claramente nos autos, a autoridade fiscal procedeu à gravosa acusação de suposta interposição de pessoa e imputou responsabilidade criminal aos Recorridos sem elementos de prova ou, no mínimo, robustos indícios, de que os Recorridos eram os verdadeiros donos ou beneficiários da suposta omissão de receita da empresa autuada; Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 24 23 ao considerar a questão, a decisão recorrida firmou entendimento que a prova indiciária somente pode ser admitida com um conjunto robusto apto a autorizar uma conclusão incontestável (fl. 1.963): [...]; analisando os supostos indícios trazidos pela fiscalização, vêse que esta não se desincumbiu de mostrar efetivamente em que, onde, quando, exatamente as Recorridas praticaram fatos de administração. Portanto, não podem sequer ser considerados como meros indícios suficientes para demonstrar nada; ressaltese que em casos de fraude é preciso demonstrar exatamente cada conduta, afinal o dolo não pode ser imputado genericamente; peguese o exemplo das referências bancárias: [...]. outro exemplo da precariedade e fragilidade dos supostos indícios da autuação: [...]; ademais, o que a fiscalização trouxe, na verdade, com os "esclarecimentos" colhidos, apesar do longo tempo e profundas investigações, repisese, foi que todos apontavam para uma única pessoa física, como mentor e gestor: [...]; enfim, se mergulharia no reino da insegurança jurídica se ser alvo de alusões, sem outras provas, pudesse gerar e fundamentar uma autuação, especialmente, quando há citação nominal de um terceiro que nem mesmo foi alvo de investigação fiscal; logo, a imputação de responsabilidade somente poderia ocorrer se a prova indiciária conduzisse a certa absoluta da prática do fato apto a ensejar o vínculo de responsabilidade; DA RELAÇÃO ENTRE A AUTUADA E AS RECORRIDAS. utilizando os dados constantes do Relatório Fiscal da autuação, depreende se que os supostos benefícios imputados às empresas e pessoas relacionadas ao Grupo Gardingo representam percentual ínfimo diante do suposto faturamento da autuada encontrado pela fiscalização através de informações fornecidas pela empresa autuada à Fazenda Estadual; a Fiscalização acusa que a receita bruta da autuada corresponde a R$ 425.212.157,66 e apresenta uma série de números e tabelas que afirma representarem benefícios dos Recorrentes e outros obtidos através de transferências bancárias e pagamentos de contas de terceiros; repisese, apenas, o ínfimo percentual de 2,04°/o deste valor está vinculado aos supostos responsáveis solidários e, mesmo assim, todos justificados por realização de negócios legítimos entre eles e a autuada. Deste, apenas, 1,38% diz respeito às pessoas jurídicas ora Recorridas; o curioso é observar que ao somar benefícios individuais apontados esparsamente pela Fiscalização, referentes aos anos de 2005 e 2006, atribuídos a cada um dos ora recorridos e comparando estes valores com o total do faturamento encontrado, notase que estes representam um percentual quase insignificante em face do montante total. Vejase: [...]; Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 25 24 isso não significa, porém, que os benefícios acima descritos foram obtidos mediante gestão da empresa autuada, mas sim de relações comerciais normais e corriqueira no mercado de café da região; aparentemente, a Fiscalização tendo encontrado o que entendeu como indícios de hipotética ligação entre a Fiscalizada e o Grupo Gardingo optou por concentrarse nos valores transferidos em benefício dos Recorridos e deixou de atentar para o destino e quem são os beneficiários dos 97,96 % restantes do suposto faturamento; deixou também a fiscalização de considerar a possibilidade de relações comerciais lícitas e regulares entre as empresas e empresários do ramo do café, inclusive informadas em registros contábeis, declaradas à RFB, registradas em notas fiscais e tributadas por todos do grupo Gardingo, (conforme provas e documentos juntados aos autos), optando por não intimar os Recorridos a apresentarem documentação que respaldasse as transações financeiras encontradas; na ocasião do julgamento, foram anexadas amostras de notas fiscais que atestam as relações comerciais entre as empresas do Grupo Gardingo que justificam as transferências bancárias realizadas em seu favor; infelizmente as Recorridas não têm acesso aos extratos bancários e registros contábeis da empresa fiscalizada, mas há no caso concreto uma dúvida fundamental: onde foram parar os 97,96% do faturamento da empresa fiscalizada??? alertese, que houve acesso da fiscalização a todo movimentação bancária da empresa autuada. Portanto, era possível identificar todos os destinatários e beneficiários dos valores depositados e do total tido como omitido que, repitase, apenas 1,38% foi destinado às Recorridas; repisese, apesar de investigar minuciosamente todos os extratos bancários da empresa autuada a douta fiscalização somente encontrou o percentual de 1,38% do valor global do suposto faturamento da autuada como destinado às pessoas jurídicas, os quais, como ficou provado, diz respeito a operações normais de negócios efetuados entre eles, igualmente às que a autuada realizou com dezenas de outros terceiros que não se encontram no processo e estes em volume expressiva e visivelmente maior; é importante indagar porque outros terceiros que tiveram movimentação financeira muito maior com a autuada não foram responsabilizados também? TRANSPORTADORA GAIVOTA para comprovar as relações comerciais entre a empresa fiscalizada e a Transportadora Gaivota, foi apresentado um relatório de prestações de serviço da Transportadora Gaivota para Comercial Agrícola Ponto Forte Ltda., com seus respectivos destinatários dos transportes e valor das mercadorias transportadas; além disso, foram apresentadas duas tabelas, uma para o ano de 2005 e outra de 2006, onde cada serviço de transporte tem suas informações discriminadas e, em seguida, notas fiscais correspondentes; Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 26 25 os mesmos documentos atestam que Comercial Agrícola Ponto Forte Ltda. (autuada) realizou operações comerciais com outras empresas em valor, inclusive, muitas vezes superioras realizadas com as recorridas; portanto, todos os valores recebidos pela Transportadora Gaivota decorreram da remuneração pela prestação de serviços de transporte efetivamente realizado, o que afasta, por completo, qualquer indício de responsabilidade; indagase novamente, porquê os outros beneficiários de montante muitas vezes superior não foram dados como solidários também? ou seja, além de não existir qualquer elemento individualizado para imputação da responsabilidade, a própria pessoa jurídica comprovou a natureza da sua relação comercial com a empresa autuada e o motivo do recebimento dos valores apontados pela fiscalização como único fundamento para a responsabilização; ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO para comprovar a relação comercial existente entre a empresa autuada e os Armazéns Gerais São João, foi juntada a relação de todas as notas fiscais de prestação de serviços nos anos de 2005 e 2006, o que confirma a origem dos valores recebidos por meio de transferência bancária; além disso, foi apresentada tabela demonstrativa com cotejo de todos os valores dos serviços prestados em cada ano, reforçando ainda mais todo conjunto probatório apresentado; GARDINGO TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO para comprovar as relações comerciais entre Gardingo Trade e Comercial Agrícola Ponto Forte Ltda., foi apresentado o relatório de aquisições de café e respectivos fornecedores da Gardingo Trade, com o número de sacas e valores correspondentes das aquisições dos anos de 2005 e 2006; notese que Gardingo Trade adquiriu café de diversos outros fornecedores em valores tão expressivos quanto aos das aquisições de Comercial Agrícola Ponto Forte Ltda. as notas fiscais estão à disposição e não foram juntadas em razão de seu volume; e mais, foi apresentada uma tabela com as aquisições de café de Comercial Agrícola Ponto Forte Ltda., e tabela com as operações desfeitas que ensejaram devoluções pelo fornecedor de valores antecipados pelo adquirente do café; no tocante à alegação de realização de indevido adiantamento à autuada, a pessoa jurídica apresentou declarações do Centro de Comércio de Café de MG e do Centro de Comércio de Café do RJ, informando que é comum no mercado de café a ocorrência de adiantamento para entrega futura; além das operações de compra informadas, ocorreram também outras operações de compra de café em que houve o pagamento de adiantamento de valores (R$ 1.556.000,00), sendo que em seguida a negociação foi desfeita em virtude da impossibilidade Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 27 26 do fornecedor Comercial Agrícola Ponto Forte Ltda. em entregar o café adquirido na data acordada; em decorrência do desfazimento das negociações acima relacionadas, e em vista do pagamento ter sido feito através de adiantamento, os valores correspondentes foram ressarcidos à GARDINGO TRADE, através de depósitos efetuados em sua conta corrente, conforme demonstrativo constante nos autos; com base em todos esses elementos probatórios, a decisão recorrida afastou por completo a responsabilidade das pessoas jurídicas, conforme pode ser observado a seguir (fls. 1.9701.971): [...]; DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE PREVISTA NO INCISO I DO ART. 124 DO CTN. a Fazenda Nacional, no seu recurso especial, aponta como fundamento para reforma da decisão recorrida a aplicação do art. 124, inciso I e o art. 135, inciso III, ambos do CTN; para tanto, faz a singela afirmação de que os responsáveis possuíam interesse comum porque se beneficiaram de parte do valor omitido pela empresa autuada (fl.1.991): [...]; como sabido, a solidariedade no direito não se presume, necessitando de previsão normativa e de prova cabal para que possa ser configurada; aliás, no direito tributário, onde ainda vigora o princípio da legalidade estrita, essa máxima possui total relevância; nesse sentido é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: [...]; pois bem, a denominada responsabilidade tributária por interesse comum está prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional que assim dispõe: [...]; o Código Tributário Nacional já descreve a situação jurídica onde será possível a responsabilidade tributária, sendo seu núcleo fundamental a expressão "interesse comum na situação que constitua o fato gerador"; esse será o principal requisito para impor a responsabilidade solidária às pessoas com fundamento no art. 124, inciso I, do CTN; embora exista previsão no CTN para imposição da responsabilidade, é preciso verificar como isso ocorrerá e, principalmente, a quem compete demonstrar o preenchimento dos requisitos legais, mediante justificativas fáticas, jurídicas e, principalmente, com base em lastro probatório; bem por isso, a Fazenda Nacional, ao imputar responsabilidade tributária às pessoas, não pode invocar meros indícios ou presunções, de maneira que se exige prova do interesse comum quanto ao fato gerador; Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 28 27 a maior dificuldade encontrada pelo aplicador do direito é estabelecer o conteúdo da referida norma jurídica, no sentido de justificar a sua aplicação nos procedimentos de lançamento de ofício; a primeira conclusão a que se chega é que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador não pode ser equivalente à prática de um ato ilícito (evento); ora, interesse comum tem relação com a atuação de um terceiro na situação que constitua a materialidade de uma obrigação tributária e se beneficie da concretização do fato gerador; e a materialidade, por óbvio, não pode ser um ato contrário ao direito positivo; por isso, incabível a construção de um liame obrigacional, baseado no art. 124, inciso I, quando a sua hipótese está lastreada na ocorrência de evento ilícito praticado pelo terceiro, pois essa hipótese está prevista em outro dispositivo do próprio CTN; outro ponto que deve pautar a demarcação do conteúdo semântico do texto normativo reside no fato de que a situação que constitua o fato gerador da obrigação principal se confunde com a própria materialidade do tributo; já o interesse comum não pode ser equiparado a um simples interesse econômico, social ou político, mas sim um interesse jurídico, formalizado ou não, na materialidade do tributo. Estando o texto situado em um documento jurídico, a ausência de um predicado (exemplo: político, social, moral, etc), capaz de ampliar o seu alcance, deve limitar o intérprete ao seu alcance imediato, que é o jurídico; a advertência é pertinente, pois a leitura isolada dos enunciados do artigo 124 pode levar à interpretação de que a solidariedade aplicase em todos os casos em que houver interesse meramente de fato na situação (v.g., interesse econômico, moral, social), ampliando em demasia a possibilidade de as autoridades fiscais atribuírem a pessoas alheias ao fato jurídico tributário a condição de devedor solidário. Na verdade, a adoção de tal interpretação representaria a subversão das prescrições constitucionais que regulam a competência tributária e limitações ao poder de tributar do Estado; por outro lado, o interesse comum não pode ser representado por posições antagônicas de pessoas em uma mesma relação jurídica. Numa operação de compra e venda, não há interesse comum entre o comprador e vendedor na realização da materialidade do tributo, no caso circulação de mercadoria, mas sim na conclusão de uma transação comercial que é uma relação jurídica entre pessoas privadas e que tem objeto diferente da relação tributária; logo, a responsabilidade tributária, em virtude do interesse comum na ocorrência do fato gerador da obrigação principal, demanda um interesse jurídico e não meramente fático, econômico, social, além de necessitar que as pessoas partícipes do fato jurídico tributário não estejam em situação oposta à relação negocial; na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a solidariedade tributária, prevista no art. 124, inciso I, do CTN ocorre "quando os sujeitos estão na mesma relação obrigacional. Deve ocorrer interesse comum das pessoas que participam da situação que origina o fato gerador"; Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 29 28 com isso, não pode a Fazenda Nacional, indiscriminadamente, aplicar o artigo 124, inciso I, sob pena de subverter toda a ordem jurídica e as normas constitucionais que regulam a competência tributária e limitações constitucionais ao poder de tributar; de pronto, cabe indagar como se pode imputar "interesse comum" em todas as operações de uma empresa com terceiros cujo valor de suas relações econômicas com aquela, se consideradas em relação a cada um dos Responsáveis não ultrapassa 0,71% do suposto faturamento encontrado? no máximo, só a título de argumento, poderseia exigir os tributos relativos à parte dos valores relativos às operações entre as empresas, jamais sobre o volume total da receita da autuada. Sobre o remanescente não existe qualquer interesse comum; repitase, enquanto outros terceiros tiveram com a autuada um montante de operações e transações com valores muito mais significativos, consoante provas anexas; aliás, como dito, o fato de os recorridos se relacionarem comercialmente com a empresa executada não é elemento que permite a responsabilização por interesse comum, especialmente quando existiam muitos outros na mesma condição inclusive com movimentação financeira muito maior; também, neste sentido vem decidindo esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: [...]; como bem tem decidido os doutos membros deste Egrégio CARF, para que haja a solidariedade, mister se faz a prova da ligação dos terceiros e de que estes são representados por "laranjas", consoante se pode ver: [...]; portanto, podemos concluir que para caracterização da responsabilidade tributária estabelecida no art. 124 do CTN, é dever da Fazenda Nacional a prova da ocorrência do interesse jurídico e o respectivo benefício que surge a partir da existência de direitos comuns entre pessoas situadas no mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário; DA INEXISTÊNCIA DE HIPÓTESE DE RESPONSABILIDADE PREVISTA NO INCISO III DO ART. 135 DO CTN. noutro giro, a Fazenda Nacional também aponta o art. 135, inciso III, como fundamento para atribuição de responsabilidade tributária. O curioso é que, no entendimento da recorrente, a responsabilização seria uma consequência lógica: [...]; ou seja, na visão da recorrente, reconhecida a responsabilidade por interesse comum, a aplicação do art. 135 do CTN seria uma mera coexistência; o art. 135 do CTN contempla a seguinte redação: [...]; segundo o dispositivo legal, na hipótese de ocorrência de excessos de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, a responsabilidade tributária pelo pagamento dos tributos decorrentes desses atos é transferida do contribuinte (sujeito passivo da obrigação tributária) para o responsável, tais como: mandatários, gestores, sócios gerentes; Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 30 29 como se vê, estamos em face de uma regra matriz de responsabilidade tributária que não se confunde com a regra matriz de incidência de qualquer tributo. Tem sua estrutura própria, partindo de um pressuposto de fato específico, sem o qual não há espaço para a atribuição de responsabilidade; logo, o pressuposto de fato para a incidência da norma de responsabilidade é a prática de atos, por quem esteja na gestão ou representação da sociedade, com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos e que tenham implicado, se não o surgimento, ao menos o adimplemento de obrigações tributárias; no entanto, a jurisprudência dos Tribunais Superiores vem destacando que os ilícitos, a serem praticados pelos sócios e gestores para fins de caracterização da responsabilidade tributária, não se confundem com o simples inadimplemento de tributo por força do risco do negócio; feitas as considerações gerais sobre a hipótese de responsabilidade tributária estabelecida no art. 135 do CTN e a impossibilidade de haver responsabilização pelo mero inadimplemento do crédito tributário, passase a analisar a situação fática dos recorrentes; de início cumpre observar que a constatação de quem são os diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas não é objeto de presunção legal, portanto, não se pode afirmar que alguém ocupa qualquer destas posições, muito menos para imputar responsabilidade tributária, baseandose em frágeis indícios, como ocorreu no presente caso; o mais estranho é perceber que apesar de diante dos mesmos fatos, quais sejam, serem beneficiários de transferências bancárias e pagamentos de contas pessoais, diferentes pessoas foram consideradas algumas como integrantes da direção de fato da empresa fiscalizada e outras como gerentes ou representantes a expressão "ou" consta no relatório fiscal, o que demonstra a total imprecisão e a incerteza da autuação; a fiscalização não traz nenhuma prova de que quaisquer dos responsabilizados, entre eles as Recorrentes, tenham praticado atos de direção, gerência ou administração da empresa fiscalizada; não há procurações, assinaturas, nada que efetivamente comprove qualquer benefício, vínculo ou envolvimento das recorrentes na administração da empresa fiscalizada; este também é o entendimento desse Egrégio Conselho: [...]; CONCLUSÃO por todo exposto, as Recorridas, esperando que essa Colenda Corte esteja atenta à moralidade e à legalidade dos processos administrativos federais, como sempre esteve, requer: a. que não seja conhecido o Recurso Especial da PFN, em virtude da ausência dos seus pressupostos de admissibilidade; b. ou, subsidiariamente, se adentrado o mérito, que seja desprovido o Recurso Especial, uma vez que o Acórdão recorrido aplicou corretamente a legislação de regência e está de acordo com a jurisprudência do CARF. Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 31 30 JULGAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO APRESENTADOS POR ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO . Após a apresentação das petições e contrarrazões acima mencionadas, houve o julgamento dos referidos embargos de declaração apresentados por Armazéns Gerais São João Ltda. O julgamento dos embargos se deu por meio do Acórdão nº 1401001.877, de 17/05/2017, que complementou o acórdão anterior (Acórdão nº 1401001.181), nos seguintes termos: Embargante ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada a omissão no acórdão recorrido, que deixou de mencionar o nome da embargante dentre os sujeitos passivos que tiveram sua responsabilidade excluída, devem ser acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para incluir o nome da embargante no rol dos responsáveis tributários cuja responsabilidade foi excluída pelo acórdão 1401001.181. Os sujeitos passivos foram intimados desse novo acórdão (Acórdão nº 1401 001.877), que complementou o anterior (Acórdão nº 1401001.181). Na sequência, o processo foi encaminhado à PGFN (em 01/09/2017), para que ela também tomasse ciência do Acórdão nº 1401001.877, e o referido órgão apresentou em 06/09/2017 petição com a finalidade de "ratificar o recurso especial interposto às fls. 1973/1990, para que se restabeleça a responsabilidade solidária excluída em grau de recurso voluntário, inclusive a da pessoa jurídica ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA, cuja exclusão, objeto de registro específico no acórdão nº 1401001.877, tem os mesmos fundamentos impugnados no apelo especial ora ratificado". É o relatório. Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 32 31 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2005 e 2006. Em síntese, o Relatório de Auditoria Fiscal (efls. 53/92) informa: que a empresa fiscalizada (Comercial Agrícola Ponto Forte) se declarou inativa no anocalendário 2005, que estava omissa em relação a 2006, e que neste período ela teve um elevadíssimo movimento de mercadorias e também um elevadíssimo movimento financeiro; que a referida empresa declarou para Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEFMG) ter realizado R$ 425.212.157,66 (quatrocentos e vinte e cinco milhões, duzentos e doze mil, cento e cinqüenta e sete reais e sessenta e seis centavos) em operações de saída de café para Minas Gerais e outros estados, em 2005 e 2006; e que os arquivos da SRF apontam que a referida empresa teve movimentação financeira de R$ 194.428.877,84 em 2005 e R$ 247.840.804,00 em 2006, sem nenhum tributo declarado ou recolhido aos cofres da União. Foi constatado também que os sócios formais da pessoa jurídica eram interpostas pessoas. Assim, diante do volume das receitas auferidas pela empresa, da omissão de informações à Receita Federal, da utilização de interpostas pessoas, e de uma série de outras constatações que estão mencionadas no referido relatório, foi aplicada a multa qualificada de 150%. Essas mesmas circunstâncias também justificaram a imputação da responsabilidade pelos débitos tributários a 14 pessoas (entre pessoas físicas e jurídicas), além da própria pessoa jurídica autuada. O Relatório de Auditoria Fiscal apresenta informações para cada uma dessas 14 pessoas, e ao listar os seus nomes também especifica os dispositivos legais utilizados para embasar o vínculo de responsabilidade tributária atribuído a cada uma delas: 1. JOAQUIM MACHADO CARVALHO, CPF 613.549.10834, residente à Rua Dr. Alípio Goulart, no 303, apto 304, Serra, Belo Horizonte/MG — Pessoalmente Responsável — (Art. 135, III c/c Art. 124, I da Lei 5.172/66 — CTN); 2. ELAINE DA SILVA, CPF 052.778.79650, com endereço cadastral à R. Eloi Ubirajara, n° 95, Bairro Santo Antônio, Manhumirim/MG — Pessoalmente Responsável — (Art. 135, III c/c Art. 124, I da Lei 5.172/66 — CTN); Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 33 32 3. ROBERTO PEREIRA FARIA, CPF 142.479.25687, com endereço profissional à Rua Julio Bueno, no 37, Centro, Manhuaçu/MG — Pessoalmente Responsável — (Art. 135, III c/c Art. 124, I da Lei 5.172/66 — CTN); 4. JOÃO BATISTA GARDINGO, CPF 202.461.96653, com endereço à Av. São João, 106, Ap. 202, Centro, Matipó/MG — Pessoalmente Responsável — (Art. 135, III c/c Art. 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 — CTN); 5. ANTÔNIO FÁBIO GARDINGO, CPF 200.665.03604, com endereço à Av. São João, 106, Centro, Matipó/MG — Pessoalmente Responsável — (Art. 135, III c/c Art. 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 — CTN); 6. SEBASTIÃO GARDINGO, CPF 153.207.90600, com endereço à Av. São João, 106, Ap. 101, Centro, Matipó/MG — Pessoalmente Responsável — (Art. 135, III c/c Art. 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 — CTN); 7. CARLOS HENRIQUE GARDINGO, CPF 215.365.62653, com endereço à Av. São João, 106, Centro, Matipó/MG — Pessoalmente Responsável — (Art. 135, III c/c Art. 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 — CTN); 8. HERACLITO PACHECO, CPFs 072.717.36697 e 267.134.20630, RG M720505, com endereço à rua Benedito Ribeiro Lins, 267, Bairro Todos os Santos, Manhuaçu/MG —Pessoalmente Responsável — (Art. 135, III c/c Art. 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 — CTN); 9. JOSÉ ROBERTO FÉLIX, CPF 638.243.02691, com endereço cadastral à Rua Cinco, SN, Exposição, Manhuaçu/MG — Pessoalmente Responsável — (Art. 135, III c/c Art. 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 — CTN); 10. PAULO SÉRGIO MARTINS DE MIRANDA, CPF 825.015.64634, com endereço cadastral à Rua Benonimo Mendes Barbosa, 65, Bairro Exposição, Matipó/MG —Pessoalmente Responsável — (Art. 135, III c/c Art. 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 — CTN); 11. ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA, CNPJ 22.394.696/000110, localizada Rodovia Fernão Dias, KM 700, Três Corações/MG Responsável Solidário (Art. 124, I c/c 134, III da Lei 5.172/66 CTN); 12. GARDINGO TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 00.681.184/000100, localizada à Av. Sao Joao, 106, Sala 05, Centro, Matipó/MG Responsável Solidário (Art. 124, I c/c 134, III da Lei 5.172/66 CTN); 13. CAFEEIRA SÃO JOÃO LTDA, CNPJ 16.812.331/000166, localizada à Rua João Moreira Bastos, 148, Loja A, Centro, Matipó/MG Responsável Solidário (Art. 124, I c/c Art 134, III da Lei 5.172/66 CTN); 14. TRANSPORTADORA GAIVOTA, CNPJ 01.265.904/000101, localizada à Av. São João, 106, Sala 06, Centro, Matipó/MG Responsável Solidário (Art. 124, I c/c 134, III da Lei 5.172/66 CTN). Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 34 33 Após a ciência da autuação fiscal, houve apresentação de impugnação por parte dos seguintes sujeitos passivos: Paulo Sérgio Martins de Miranda e Roberto Pereira Faria; e Armazéns Gerais São João Ltda., Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda., Cafeeira São João Ltda. e Transportadora Gaivota, e seus sócios João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo e Carlos Henrique Gardingo. A decisão de primeira instância administrativa manteve o crédito tributário lançado, afastou a responsabilidade tributária de Roberto Pereira Faria e manteve a responsabilidade tributária das demais pessoas físicas e jurídicas incluídas no pólo passivo da autuação. Em razão do afastamento da responsabilidade tributária de Roberto Pereira Faria, considerando ainda os valores da autuação fiscal, houve recurso de ofício. Houve também apresentação de recurso voluntário pelos seguintes sujeitos passivos: Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda., Armazéns Gerais São João Ltda., Cafeeira São João Ltda., Transportadora Gaivota Ltda., João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo e Carlos Henrique Gardingo; e também por Paulo Sérgio Martins de Miranda. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, decidiu: não conhecer do recurso de ofício; afastar a responsabilidade de Paulo Sérgio Martins Miranda (por unanimidade de votos); e afastar a responsabilidade de João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo, Carlos Henrique Gardingo, Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda, Armazéns Gerais São João Ltda., Cafeeira São João Ltda. e Transportadora Gaivota Ltda. (por maioria de votos). Nesse contexto, e até esse momento processual, a autuação fiscal subsistiu integralmente para a própria contribuinte (Comercial Agrícola Ponto Forte Ltda.) e para os responsáveis Joaquim Machado Carvalho, Elaine da Silva, Heráclito Pacheco e José Roberto Félix (ou seja, para os cinco sujeitos passivos que não apresentaram peças de defesa no presente processo). Nessa fase de recurso especial, a PGFN pretende ver restabelecido o vínculo de responsabilidade tributária de João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo, Carlos Henrique Gardingo, Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda., Armazéns Gerais São João Ltda., Cafeeira São João Ltda. e Transportadora Gaivota Ltda. Antes de adentrar na apreciação do recurso especial, cabe registrar que são procedentes os requerimentos apresentados nessa fase processual por Roberto Pereira Faria e Paulo Sérgio Martins de Miranda, no sentido de que seus nomes sejam excluídos do rol dos responsáveis tributários. A responsabilidade de Roberto Pereira Faria foi excluída na primeira instância administrativa, e o recurso de ofício em relação a isso não foi conhecido pelo CARF, de modo que essa exclusão de responsabilidade se tornou mesmo definitiva no presente processo. Já a responsabilidade de Paulo Sérgio Martins de Miranda foi excluída na segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), e essa parte da decisão não foi objeto Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 35 34 do recuso especial da PGFN, de modo que ela também se tornou definitiva no presente processo. Retomando o exame do recurso especial da PGFN, cabe registrar que as contrarrazões apresentadas conjuntamente por João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo e Carlos Henrique Gardingo suscitam várias preliminares de não conhecimento do recurso especial; e que as contrarrazões apresentadas conjuntamente por Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda., Cafeeira São João Ltda., Transportadora Gaivota Ltda. e Armazéns Gerais São João Ltda. também trazem preliminares de não conhecimento do recurso especial. Revisando o despacho de exame de admissibilidade que foi por mim mesmo aprovado anteriormente, constato que o recurso especial da PGFN não deveria ter sido admitido. Para a comprovação da divergência jurisprudencial, a PGFN apresentou dois paradigmas, o Acórdão nº 1301001.644 e o Acórdão nº 20311.329. Ocorre que o Acórdão nº 20311.329, exarado pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em 20/09/2006, realmente foi anulado pelo Acórdão nº 02 03.235, proferido pela Segunda Turma da CSRF em 30/06/2008, e publicado no site eletrônico do CARF em 20/07/2011. O recurso especial da PGFN foi apresentado em 06/10/2015, data bem posterior à publicação do Acórdão nº 0203.235, que anulou o paradigma em questão. Essa anulação se deu porque o Segundo Conselho de Contribuintes foi considerado incompetente para julgar o recurso voluntário apresentado no processo correspondente. A informação atual do site do CARF é que o recurso voluntário encontrase distribuído para a "1ª TO3ªCÂMARA3ªSEÇÃOCARFMFDF", na fase "para relatar". Conforme o §15 do art. 67 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, "não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente". O que se tem é que o Acórdão nº 20311.329 foi totalmente anulado em razão da incompetência regimental do órgão que o preferiu, e, portanto, essa decisão não pode mesmo servir para comprovação de divergência jurisprudencial. Nesse contexto, a admissibilidade do recurso especial só pode buscar embasamento no primeiro paradigma, ou seja, no Acórdão nº 1301001.644. O problema desse outro paradigma, entretanto, reside no fato de ele ter examinado a questão da responsabilidade tributária num contexto fático muito distinto daquele analisado pelo acórdão recorrido. No caso do acórdão recorrido, a identificação dos responsáveis ora em questão está embasada em aspectos que podem ser assim resumidos: constatação de que a empresa autuada realizou pagamentos de contas pessoais desses responsáveis; de que ela fez transferências bancárias para essas pessoas; de que alguns desses responsáveis já foram responsabilizados também por outras empresas de compra e venda de café que estavam em Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 36 35 nome de interpostas pessoas; de que alguns destes responsáveis também respondem ação penal por falsidade ideológica perante a Justiça Federal; e de uma série de outros elementos que evidenciariam uma vinculação da empresa autuada com as empresas do grupo Gardingo e seus sócios dirigentes. O voto vencedor que orientou o acórdão recorrido trouxe inicialmente considerações sobre prova indiciária, para dizer que "a admissão de prova indiciária deve ser feita com a devida fundamentação que conduza à conclusão incontestável de que os elementos trazidos aos autos são suficientes a subsidiar a autuação fiscal". E, nesse passo, adentrou na análise dos elementos do TVF no que diz respeito à responsabilidade tributária. É importante destacar alguns fundamentos do voto vencedor do acórdão recorrido, que motivaram o afastamento da responsabilidade das pessoas que menciona. De acordo com a referida decisão: a simples comprovação de que várias empresas pertencem ao mesmo grupo econômico não permite que a todas elas se impute ou se atribua, umas às outras, responsabilidade tributária; embora a Comercial Agrícola Ponto Forte Ltda. tenha movimentado centenas de milhões de reais nos anos fiscalizados, mais precisamente a quantia de R$ 425.212.157,66, cada um dos responsáveis foi beneficiado com uma parcela ínfima quando comparada ao valor que se discute nos autos; foram identificados pagamentos de contas diversas e transferências bancárias que beneficiaram os recorrentes na monta de R$ 3.268.514,85, que perfaz uma porcentagem em torno de 0,7%, muito pequena em relação o total da receita da empresa fiscalizada; quando o auto de infração apura uma omissão de centenas de milhões de reais, o total imputado aos responsáveis não representa indício forte suficiente para concluir que eles sejam os verdadeiros beneficiados dos negócios fraudulentos, haja vista que existe uma lacuna muito grande entre a receita da fiscalizada e os benefícios auferidos pelos recorrentes; foi apontado como indício que contas de pessoas físicas eram pagas nas contas da empresa autuada. Não se nega que isso é um indício. No entanto, a defesa dos responsáveis alegou que existiam relações comerciais entre os responsáveis e a contribuinte, comprovadas por meio de farta documentação, e que em se tratando de município do interior e que no período havia a incidência da CPMF, era comum as pessoas evitarem transferências bancárias como forma de fugir à incidência da contribuinte. Ainda, os valores relacionados a estes pagamentos são proporcionalmente irrisórios; com relação aos depósitos realizados nas contas dos responsáveis, referidos valores podem ser indícios. No entanto, mais uma vez, os responsáveis demonstraram possuir relação comercial com a contribuinte que, pelos valores globais das notas fiscais apresentadas, equivalem aos pagamentos realizados em cada período; Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 37 36 mas o contra indício mais forte apresentado pelos responsáveis referese a demonstração de que os valores por eles recebidos são proporcionalmente baixos se comparados à receita bruta da contribuinte, e que os valores recebidos foram oferecidos à tributação; não existem provas, ou sequer indícios suficientes capazes de subsidiar a tese de que os recorrentes são responsáveis tributários pelo crédito constante no auto de infração, de maneira a ter por prejudicada a aplicação dos artigos 121, 124 e 135 do CTN; o trabalho de fiscalização da autoridade fazendária inclui como sujeitos passivos 14 pessoas, naturais e jurídicas, sem ao menos individualizar os motivos, ou apontar os fatos que ensejam a responsabilidade de cada um deles quanto ao crédito tributário lançado; não se pode fazer responsabilização por atacado, devendo cada um dos responsáveis ter a sua situação analisada individualmente, com indicação das provas que permitem sua inclusão no pólo passivo, bem como o elemento que permite a aplicação da norma de responsabilidade. O Acórdão paradigma nº 1301001.644, por sua vez, também examinou situação em que houve ocultação de vultosos valores tributáveis, com a utilização de pessoas interpostas. Mas naquele caso a manutenção da responsabilidade da pessoa que era sócio administrador da empresa à época dos fatos geradores autuados (anocalendário 2008) se deu com o reforço dos seguintes elementos: o sócioadministrador (Bruno Rodrigues), na tentativa de se eximir de suas responsabilidades, transferiu posteriormente a pessoa jurídica para interpostas pessoas; o sócioadministrador não apresentou nenhum documento que comprovasse o recebimento ou cobrança dos valores referentes à transferência da sociedade; constatouse que a pessoa que teria adquirido as costas do sócio administrador Bruno Rodrigues, e que acabou ficando como sócio unipessoal da pessoa jurídica, era uma pessoa que apresentava desde criança deficiência mental e paralisia cerebral com comprometimento cognitivo, que foi morador de rua, etilista e, conforme registrado em atestado médico, paciente com invalidez permanente. Vêse que esse contexto fático é bem distinto daquele examinado pelo acórdão recorrido. Entendo que é perfeitamente possível comprovar divergência jurisprudencial mesmo quando está em questão aspectos de prova. A divergência nessas circunstâncias normalmente se dá quando uma decisão entende que a prova de um fato depende de um determinado elemento/aspecto, e outra decisão entende que a prova desse mesmo tipo de fato não depende do referido elemento/aspecto. Não estou me referindo aqui a reexame de prova, e sim à qualificação jurídica dos fatos. Mas para isso, deve haver semelhança nos contextos fáticos examinados. Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 38 37 O problema é que os contextos fáticos examinados pelas decisões cotejadas são mesmo bem diferentes. No caso do paradigma, a responsabilidade foi imputada a pessoa que era formalmente o sócioadministrador da pessoa jurídica à época dos fatos autuados, enquanto que no acórdão recorrido, a responsabilidade ora questionada foi imputada a pessoas que não tinham vínculo formal com a empresa autuada. Aliás, a primeira e grande questão enfrentada pelo acórdão recorrido era justamente verificar se realmente havia, e qual era o tipo de vínculo entre os responsáveis e a empresa autuada (para fins de identificar os dirigentes de fato). Em seu recurso especial, a PGFN alega que "no voto vencedor do acórdão recorrido, afastouse a responsabilidade tributária, por ter sido ínfima a parcela que cada responsável auferiu, bem como por entender não configurada a individualização das condutas dos imputados responsáveis". Ela também alega que nos casos divergentes, a responsabilidade foi mantida em situações semelhantes, considerandose "despicienda a demonstração da parcela que cada sócio administrador auferiu". Mas as questões sobre o volume da parcela que cada responsável auferiu, e sobre a individualização das condutas dos imputados responsáveis, não servem para traçar um paralelo entre o acórdão recorrido e o paradigma. Isto porque tais aspectos nem mesmo foram examinados no paradigma. E não foram, não porque o paradigma os considera irrelevantes para tratar de responsabilidade tributária, mas simplesmente porque não eram matéria controversa naquele caso. Com efeito, não havia que se falar em necessidade de individualização de conduta no paradigma, porque lá a responsabilidade foi imputada a uma única pessoa (a pessoa que era o sócioadministrador formal da empresa à época dos fatos autuados). E a comprovação da condição de sócioadministrador também não dependia de qualquer proporção entre os valores auferidos pelo responsável e o faturamento da empresa autuada, porque essa informação constava do contrato social da empresa. No contexto do acórdão recorrido, as questões sobre o volume da parcela que cada responsável auferiu, e sobre a individualização das condutas dos imputados responsáveis, estavam totalmente voltadas para se identificar quem eram os verdadeiro dirigentes da empresa autuada. E esse tipo de questão não fazia sentido no caso paradigma, porque lá o responsável era o próprio sócioadministrador formalmente constituído. O contexto comum às decisões cotejadas, referente à conduta de se omitir informações da Receita Federal, e não recolher tributos utilizando (prévia ou posteriormente) o artifício da interposição de pessoas, não é suficiente para a comprovação da divergência jurisprudencial no presente caso. Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 39 38 Isto porque o acórdão recorrido tratou de uma questão anterior à verificação da conduta ensejadora da responsabilidade tributária, e distinta das que foram enfrentadas no acórdão paradigma. Antes de tratar da "conduta" do responsável (sócioadministrador), o acórdão recorrido teve que enfrentar questionamento sobre a própria existência e o tipo do vínculo entre os responsáveis e a empresa autuada (questões que dizem respeito à identificação dos verdadeiros dirigentes da empresa). E a conclusão foi de que não restou comprovado um vínculo que pudesse ensejar a responsabilidade tributária (nem para os recorrentes pessoas físicas, nem para os recorrentes pessoas jurídicas). De acordo com as conclusões do acórdão recorrido, não se conseguiu comprovar que os sócios dirigentes das empresas do grupo Gardingo eram os verdadeiros donos/administradores da empresa autuada. E o entendimento defendido no acórdão paradigma não serve para responder esse tipo de questão/pergunta, porque lá nem havia dúvida nesse sentido. Naquele caso, o vínculo de responsabilidade foi imputado ao próprio sócioadministrador da pessoa jurídica, formalmente constituído. Pelos fundamentos constantes do acórdão paradigma, não dá para dizer que ele manteria a responsabilidade tributária em situação semelhante à que foi examinada pelo acórdão recorrido. A caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui, porque o acórdão paradigma examinou a questão da responsabilidade tributária num contexto bastante diferente daquele analisado pelo acórdão recorrido. Independentemente do que se possa entender sobre o conjunto probatório produzido nos presentes autos em relação à responsabilidade tributária das pessoas em questão, exame que se esgotou no julgamento em segunda instância, o que é relevante destacar nesse momento é que o recurso especial é recurso de cognição restrita, não configurando uma terceira instância para puro reexame de prova, quando não está em questão a qualificação jurídica dos fatos. E a falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Nesse passo, não comprovada a divergência jurisprudencial a partir dos paradigmas apresentados, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2370DF CARF MF Processo nº 10630.720851/200956 Acórdão n.º 9101003.606 CSRFT1 Fl. 40 39 Fl. 2371DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.002536/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de diplomas legais vigentes.
ALEGAÇÕES DE CERCEAMENTO DE DEFESA.FALTA DE CLAREZA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbrando nos autos a alegada falta de clareza do termo de verificação fiscal, rejeita-se a nulidade suscitada.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. OPERAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO. VENDAS NÃO ESCRITURADAS.
Mantém-se o lançamento se não elididas as diferenças positivas entre os valores constantes de extratos de operações de vendas com cartões de crédito e os valores de receita declarados/escriturados.
Numero da decisão: 1402-003.290
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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CREEK COMÉRCIO E CONFECÇÕES LTDA.ME. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de diplomas legais vigentes. ALEGAÇÕES DE CERCEAMENTO DE DEFESA.FALTA DE CLAREZA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbrando nos autos a alegada falta de clareza do termo de verificação fiscal, rejeitase a nulidade suscitada. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. OPERAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO. VENDAS NÃO ESCRITURADAS. Mantémse o lançamento se não elididas as diferenças positivas entre os valores constantes de extratos de operações de vendas com cartões de crédito e os valores de receita declarados/escriturados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 25 36 /2 00 8- 44 Fl. 649DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 18471.002536/200844 Acórdão n.º 1402003.290 S1C4T2 Fl. 650 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, que julgou IMPROCEDENTE a impugnação do contribuinte acima mencionado, ora recorrente. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração relativos aos Simples Federal, referente a fatos geradores corridos no anocalendário de 2005, acrescidas de multa de ofício simples e mais os encargos moratórios de atualização. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 249.063,20, entre principal, multa e juros corrigidos até julho/2008. Em essência, decorreram de valores recebidos via cartão de crédito, conforme informações obtidas junto às administradoras via DECRED Declaração de Operações com Cartões de Crédito, que foram cotejados com os valores declarados em PJSI, o que ensejou o lançamento fiscal das diferenças apuradas, mantida a recorrente na condição de optante do SimplesFederal. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentaram a autuação fiscal: No Auto de Infração do IRPJSimples (fls.178/180), as infrações foram descritas e capituladas assim: 001 – OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃOESCRITURADAS ORIUNDAS DE VENDAS/REPASSES VIA CARTÕES DE CRÉDITOS Valor apurado relativamente à venda através de cartões de crédito (vide Anexos I, II e III e Tabela C) não escriturada, conforme detalhamento no Termo de Verificação, Constatação e de Encerramento de Fiscalização, anexo ao presente auto de infração. Enquadramento legal: art.24, da Lei nº 9.249/1995; arts. 2º, 3º, § 1º, alínea “a”, 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/1996; art. 3º, da Lei nº 9.732/1998; arts.186, 188 e 189, do RIR/1999. 002 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Receitas não escrituradas conforme detalhamento no Termo de Verificação, Constatação e de Encerramento de Fiscalização. Valor apurado relativamente à venda através de cartões de crédito (vide anexos I, II e III e Tabela C) não escrituradas, conforme detalhamento no Termo de Verificação. Fl. 651DF CARF MF 4 Enquadramento legal: art. 5º, da Lei nº 9.317/1996, c/c art. 3º, da Lei nº 9.732/1998; arts.186 e 188, do RIR/1999. No Termo de Verificação, Constatação e de Encerramento de Fiscalização (doravante apenas Termo de Verificação), às fls.167/175, sob o título “IV. Legislação de Regência Complementar ao Auto de Infração”, consta ainda a seguinte base legal: arts.287, 806, 807, 55, 83, 849 do RIR/1999; arts. 1º, 4º e 5º, da Lei nº 11.307/2006; art. 44 da Lei nº 9.430/1996. A base legal da exigência de juros e de multa de ofício consta às fls.196/197 (IRPJSimples), 207/208 (PISSimples), 216/217 (CSLLSimples), COFINS (fls.225/226) e INSS (fls.234/235). No sobredito Termo Verificação, às fls.167/175, lêse: a) o interessado, do ramo do comércio varejista de artigos do vestuário e complementos, está submetido ao Simples; b) através de dados do Dossiê Integrado verificouse que a receita bruta declarada pelo interessado era inferior à “Declaração de Operações do tipo Repasses com Cartão de CréditoMovimentação Financeira”; c) não tendo, o interessado, atendido às intimações para apresentar “os comprovantes de pagamentos relativamente aos Cartões de Créditos por eles beneficiado a título de vendas de bem”, foram emitidas Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMFs à Companhia Brasileira de Meios de Pagamento Visanet (fls.46/47), à Redecard S/A – Redecard (fls.139/140) e à ao Banco Bankpar S/A – Bankpar (fls.155/156); d) em atendimento às RMFs, Bankpar, Redecard e Visanet enviaram a esta Secretaria os extratos de fls.50/163, cujos valores foram resumidos pelo autuante nos Anexos I (Bankpar), Anexo II (Redecard) e Anexo III (Visanet), abaixo reproduzidos, Anexos dos quais o interessado, como se vê às fls.165/166, tomou ciência pessoal (em 18.08.2008, por meio de Rosangela Gomes, a mesma signatária da impugnação, desde já se observa); Quadro II – (Anexo I/III, às fls.165/166) Anexo I Anexo II Anexo III Extratos de Operações com Cartão de Crédito Extratos de Operações com Cartão de Crédito Extratos de Operações com Cartão de Crédito Mês BankPar S/A Redecard S/A Visanet TOTAL Jan 36.664,78 61.387,10 102.228,44 200.280,32 Fev 25.008,33 68.472,92 88.724,08 182.205,33 Mar 20.388,07 60.333,60 93.909,59 174.631,26 Abr 13.132,78 58.487,80 73.265,96 144.886,54 Mai 13.997,81 50.146,80 78.750,62 142.895,23 Jun 12.855,35 58.581,60 92.828,44 164.265,39 Jul 16.042,25 59.901,90 98.171,88 174.116,03 Ago 19.311,54 58.317,60 93.936,16 171.565,30 Set 18.874,89 42.535,70 69.683,70 131.094,29 Out 15.282,35 46.489,40 79.462,40 141.234,15 Nov 15.557,86 49.505,50 74.818,84 139.882,20 Dez 16.170,40 168.994,60 261.216,14 446.381,14 223.286,41 783.154,52 1.206.996,25 2.213.437,18 Fl. 652DF CARF MF Processo nº 18471.002536/200844 Acórdão n.º 1402003.290 S1C4T2 Fl. 651 5 e) do confronto entre a receita bruta declarada e o total de vendas com cartão de crédito (última coluna do quadro acima), “restou incontroversa a evidência de operações com cartões de crédito” (...), abarcando as verbas mensais do faturamento haurido por essa modalidade”, e resultou a base de cálculo da imputação de omissão de receitas, conforme Tabela C, às fls.171, abaixo reproduzida: Quadro III (Tabela C, às fls.171) Demonstrativo Mensal da Receita Operacional Meses Escriturada Cartão de Crédito Receita Omitida Jan 145.572,32 200.280,32 54.708,00 Fev 101.174,71 182.205,33 81.030,62 Mar 90.653,00 174.631,26 83.978,26 Abr 123.562,56 144.886,54 21.323,98 Mai 77.010,93 142.895,23 65.884,30 Jun 57.920,95 164.265,39 106.344,44 Jul 78.246,35 174.116,03 95.869,68 Ago 96.745,58 171.565,30 74.819,72 Set 80.424,60 131.094,29 50.669,69 Out 71.773,40 141.234,15 69.460,75 Nov 52.992,08 139.882,20 86.890,12 Dez 87.121,03 446.381,14 359.260,11 total 1.063.197,51 2.213.437,18 1.150.239,67 Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Ciente da exigência, o interessado apresentou a impugnação às fls.282/311, na qual, relativamente à quebra de sigilo, diz que: a) a teor do art. 5º, incisos X e XII, da Constituição em vigor, o Fisco agiu de forma ilegal ao quebrarlhe o sigilo bancário; b) a quebra do sigilo, viável apenas em face de interesse superior, requer autorização judicial, e, mesmo assim, viola garantia constitucional; c) é imoral a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001; d) ainda que a Lei Complementar nº 105/2001 autorizasse a quebra do sigilo bancário, tal regra só teria valor em caso de apuração de crimes fiscais; e) “no MS 21.729, o Ministro Carlos Velloso entendeu que, como o direito protegido possui status constitucional, sua violação não poderá ser efetuada por quem não tenha o dever de imparcialidade” (fls.285/293). O interessado afirma que o Termo de Verificação não atende aos requisitos de clareza e congruência, inerentes à motivação, não esclarece a que “efetivamente se referem os valores indicados nos Anexos I, II e III, porque ora o autuante afirma que tais valores se referem a faturamento, ora que se referem a repasses financeiros; todavia, “faturamento e repasse das operadoras de cartões jamais podem se confundir, pois representam situações completamente distintas”, o que, por si só já seria motivo para a anulação do lançamento. Fl. 653DF CARF MF 6 Alega que a fiscalização considerou os valores relacionados nos Anexos I e II como “repasses efetuados pelas operadoras de cartões, ou seja, valores efetivamente recebidos pela impugnante”, mas que, “ao examinarmos os extratos da operadora REDECARD S/A constatase que os valores referemse a vendas efetuadas e não aos recebimentos, como afirma o ilustre auditor”. Aduz que “o Anexo I referese a valores repassados pelas operadoras de cartões; o Anexo II referese aos valores das vendas efetuadas, e a fiscalização afirma que todos os valores referemse a repasses financeiros, de sorte que “ficou configurada uma completa miscelânea, o que vem demonstrar que estamos, de fato, diante de uma VERDADEIRA LOUCURA”. Afirma que “é de fundamental importância ressaltar que os extratos recebidos em anexo ao Termo de Intimação Fiscal nº 6, às fls.164 do processo, não espelham os valores relacionados no Anexo III”, conquanto “os extratos recebidos pela Impugnante, que ora são anexados à presente peça impugnatória (doc.5) não refletem os valores utilizados pelo Fisco”, sendo “realmente difícil a qualquer contribuinte se manifestar e consequentemente, exercer seu direito constitucional de defesa diante de tamanha incongruência”. Alega que, “na árdua tarefa de tentar desvendar a pretensão do Fisco”, solicitou cópia dos autos e “efetivamente, não conseguiu entender se os valores lançados na coluna crédito ou débito dos extratos em questão se referem a repasses financeiros ou a vendas efetuadas”, ou seja, os extratos em tela não informam a que se referem os valores lançados, “ficando, uma vez mais a impugnante, impossibilitada de exercer o seu direito de defesa”. Diz que desconhece: a) se os valores utilizados na suposta omissão se referem a vendas ou a repasses financeiros; b) a razão de o fiscal, em relação aos valores dos extratos, ter considerado ora repasses, ora vendas; c) o porquê de terem sido considerados os valores dos extratos anexados às fls.50/138, e não os dos extratos que anexa (documento 5); d) o porquê de o fiscal afirmar que os valores se referem a repasses, quando os valores do Anexo II (Redecard), segundo os extratos (documento 6), se referem a vendas com cartões de crédito e débito. Sustenta que “jamais recebeu qualquer relação discriminando diariamente o repasse dos recursos financeiros por parte das operadoras de cartões de crédito, sendo impossível entender se “o Fisco pretendeu considerar os valores referentes às vendas informadas nos extratos dos cartões de crédito ou os valores referentes aos repasses financeiros, ou aos dois”. Fala que, à falta de descrição clara e minuciosa dos fatos, e do dispositivo legal que teria infringido, o seu direito de defesa foi totalmente cerceado, impedindoo de conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, implicando nulidade do ato. Acrescenta que o fisco considerou como presunção de omissão de receita a falta de comprovação da origem dos recursos que possibilitaram os repasses financeiros, mas que não entende em que tipo de presunção de omissão de receitas estaria enquadrado, a fim de exercer o seu direito de defesa. Sustenta que a fiscalização não pode promover lançamentos sem elementos suficientes, sob pena de ferir os princípios da estrita legalidade tributária e da tipicidade cerrada, e que não existe previsão legal para “presunção de omissão de receitas decorrente da falta de comprovação da origem dos recursos que possibilitaram os repasses financeiros efetuados por operadoras de cartões de crédito”. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 18471.002536/200844 Acórdão n.º 1402003.290 S1C4T2 Fl. 652 7 Aduz que o princípio da tipicidade foi ignorado porque a suposta infração apontada não se enquadra entre as presunções de omissão de receita previstas nos artigos 281 a 287 do RIR/1999. Afirma que, para parte da suposta receita omitida, a fiscalização partiu do princípio de que usava o regime de caixa, pois confronta o recebimento (Bankpar) com a receita declarada, quando, no caso efetivo, o correto seria confrontar as vendas efetivas com as vendas declaradas, já que adota o regime de competência. Alega que se o Fisco tivesse usado o regime correto, não encontraria divergência, porém, o Fisco fez uso dos dois regimes, conquanto utilizou “recebimento dos cartões (Bankpar) + Vendas com Cartões (Redecard) + Vendas ou recebimentos (Visa) – Vendas declaradas”. Diz que o Fisco não poderia ter ignorado a opção pelo regime de competência expressa em sua Declaração, e que, ao confrontar receitas declaradas com recebimentos, o fiscal misturou o “regime de competência com regime de caixa”, de forma que “os valores levantados pelo Fisco não têm, absolutamente, nada a ver com nada, em relação à apuração de eventual presunção de omissão de receitas”. Sustenta que, para provar a sua lisura, deve “esclarecer que as receitas foram contabilizadas pela emissão das notas ou cupons fiscais, lançadas por ocasião das vendas na conta 60003 – Vendas Realizadas, conforme “cópia do livro Diário já anexada ao processo pela fiscalização, às fls.24”. Diz que, caso a autoridade julgadora entendesse necessário, um simples confronto entre as notas fiscais e os cupons emitidos seria suficiente para comprovar o critério de reconhecimento de receitas que utilizou e, que a sua contabilidade reflete o registro de suas receitas com base no faturamento mensal, pelo regime de competência e não pelo regime de caixa. Requer a anulação integral dos autos de infração. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu por dar negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Na fase que antecede o lançamento não cabem alegações de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não provada violação às disposições do artigo 142 do CTN, tampouco às dos artigos 10 e 59 do PAF, rejeitamse as alegações de nulidade. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Fl. 655DF CARF MF 8 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. As alegações desprovidas de prova não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. A requisição pelo Fisco de informações às instituições financeiras está autorizada em lei, independe de autorização judicial e preserva o sigilo bancário. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. OPERAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO. VENDAS NÃO ESCRITURADAS. Mantémse o lançamento se não elididas as diferenças positivas entre os valores constantes de extratos de operações de vendas com cartões de crédito e os valores de receita declarados/escriturados. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: a alegação de quebra ilegal de sigilo bancário não prospera, pois está fundado em legislação aplicável ao caso, principalmente a Lei Complementar nº 105/2001. Não haveria que se discutir no âmbito administrativo o controle da constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001;; a alegação de cerceamento do direito de defesa não prospera, pois é a impugnação que instaura o litígio, e se houve o cumprimento das normas pertinentes à autuação fiscal, principalmente o art. 142 do CTN, não há que se falar é óbices à defesa da recorrente; quanto a alegação de estar impossibilitado de elaborar defesa, porque não entende que lhe estão sendo exigidos valores de vendas ou de repasses, é descabida. A relação entre a administradora do cartão não se confunde com a relação de compra e venda, e no auto de infração consta vendas através de cartões de crédito; quanto a alegação de que os valores dos documentos 5 e 6, que junta à impugnação não refletem os valores utilizados pelo Fisco, não procede, pois não embasaram a autuação fiscal; quanto a alegação de que os fatos não foram descritos de forma clara e minuciosa é improcedente, pois a linguagem do mesmo está simples, inequívoca e direta: Fl. 656DF CARF MF Processo nº 18471.002536/200844 Acórdão n.º 1402003.290 S1C4T2 Fl. 653 9 foram efetuadas vendas através de cartões de crédito, e, para tais vendas, o interessado não comprovou a correspondente escrituração; quanto a alegação de presunção não erigida em lei e de incompatibilidade do enquadramento legal, não prospera, pois há os artigos devidos para caracterização do auto de infração, quais sejam o art. 5ª da Lei nº 9.317/1996 e art. 24 da Lei nº 0.249/1995; quanto a alegação de desrespeito ao regime de reconhecimento de receitas, descabese, pois fora ofertado oportunidades de manifestar a respeito dos valores recebidos das administradoras de cartões de crédito, e não o fez. E não demonstra que teriam efeitos diferentes se se apropriasse pelo regime de competência estes valores. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 22/03/2010, a recorrente apresentou recurso voluntário em 115/04/2010, ou seja, tempestivamente. Na sua peça recursal, praticamente repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: preliminares: quanto a quebra ilegal de sigilo bancário e quanto ao cerceamento de direito de defesa por conta da falta de clareza e congruência do TVF; no mérito: impossibilidade de defesa, pois não sabia se estava sendo exigido com base em vendas ou repasses; documentos 5 e 6 que não são os que constam nos autos como base da autuação; fatos não descritos de forma clara e minuciosa; e o desrespeito ao regime de reconhecimento de receitas. É o relatório. Fl. 657DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário apresentado foi tempestivo, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre autos de infração de impostos e contribuições sob a sistemática de recolhimento do SimplesFederal, e decorrem de valores apurados via informações das administradoras de cartão de crédito, inicialmente apresentados via DECRED, que foram cotejados com suas receitas declaradas, e ocorreu a autuação fiscal da diferença identificada. Durante o procedimento fiscal foi intimado a justificar os valores, o que não o fez. Por conseguinte foi autuado em R$ 249.063,20 (impostos+multa+juros), sendo aplicada a multa de ofício simples. Na peça impugnatória entende que houve ilegalidade e inconstitucionalidade ao quebrarlhe o sigilo bancário, e também falta de clareza e incongruência no termo de verificação fiscal, em que neste fala em repasses efetuados pelas operadoras de cartões, mas as planilhas são de vendas efetuadas. Não recebeu qualquer relação discriminando o repasse de recursos financeiros. Alega falta de descrição clara e minuciosa e do dispositivo legal infringido. Não entende o caso como enquadrado: presunção de omissão de receitas. Os valores repassados foram apurados pelo regime de reconhecimento de receitas de caixa, enquanto utiliza o de competência, e se tivesse usado o regime correto, não haveria divergências. A instância a quo rejeitou as preliminares, e no mérito, rebateu cada ponto arguido pela agora recorrente, mantendo integralmente o auto de infração. Na peça recursal repisa a mesma linha argumentativa e tópicos da sua peça impugnatória, sem nada agregar além de excertos da decisão a quo. Das questões suscitadas na peça recursal Preliminar alegação de quebra ilegal do sigilo bancário Na sua peça recursal, a recorrente remete e reitera integralmente suas alegações expostas na peça impugnatória. Ali diz que a quebra do sigilo bancário só seria possível em casos de crimes fiscais, e mediante autorização judicial, e seriam inconstitucionais a Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, e o Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 18471.002536/200844 Acórdão n.º 1402003.290 S1C4T2 Fl. 654 11 Contudo, abstraindo a questão de inconstitucionalidade, há previsão legal para o acesso às informações bancárias, nos termos da Lei Complementar nº 105/2001. Também a Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, e o Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 (este, regulamentando o art. 6º da Lei Complementar nº. 105, de 2001). Assim, cumpridos os ritos preconizados nestes ditames legais, não nenhuma ilegalidade ou inconstitucionalidade cometida. Contudo, se a discussão suscitada recair sobre a constitucionalidade destas normas, afastase das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, apesar de contemplar quase metade da sua peça impugnatória questão da constitucionalidade (ou não) da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, ora remetida na peça recursal, NÃO SE CONHECE DESTA PARTE ALEGADA. Preliminar alegação de falta de clareza e congruência do TVF, acarretando cerceamento de defesa Alega a recorrente que faltou clareza e congruência no termo de verificação fiscal, insurgindose contra a terminologia usada de repasses financeiros/recebimentos, e que hora são afirmados como faturamento/vendas. Contudo, compulsando os autos, ao ler a peça acusatória, não verifico nenhuma impropriedade, pois estão claras as imputações aplicadas. A confusão da recorrente talvez esteja na questão dos repasses financeiros que foram os valores recebidos por ela das administradoras de cartão de crédito, que também, se não for comprovado o contrário pela mesma, são faturamento e/ou vendas da mesma. De qualquer forma, o que está sendo autuado são os valores das vendas via cartões de crédito da recorrente, com base em informações prestadas pelas administradoras de cartão de crédito, descontados os valores declarados pela mesma. Valores esses que transitaram entre a instituição financeira e a recorrente. Não vislumbrei nenhuma falta de clareza e congruência como alegado, tanto que a mesma se defendeu de maneira bem ampla do que lhe foi imputado. Destarte, REJEITO A PRELIMINAR SUSCITADA. Fl. 659DF CARF MF 12 Do mérito a) alegação de impossibilidade de defesa, pois não saberia se os valores exigidos era sobre vendas ou repasses A recorrente, já um tanto repetitivamente, se insurge quanto a terminologia aplicada, entre vendas ou repasses. Como já dito anteriormente, há duas relações em questão a relação da recorrente com a administradora do cartão de crédito, e a relação da recorrente com seus clientes. Os valores recebidos da administradora de cartão de crédito são repasses que denotam suas vendas. A infração imputada no auto de infração inclusive é Receitas não escrituradas oriundas de vendas/repasses via cartões de crédito. Aqui, eventualmente, e muito eventualmente, os repasses das administradoras de cartão de crédito podem não necessariamente configurar receita de um determinado contribuinte, como na hipótese de se estar usando o cadastro ou máquina de outra empresa comercial. Por isso que a autoridade fiscal comumente intima o contribuinte para se manifestar dos valores recebidos das administradoras de cartão de crédito, cabendo a este (o contribuinte) fazer prova de que determinados valores não são seus. Contudo, é consabido que praticamente a totalidade dos valores repassados é decorrente de transações comerciais anteriores, pagas pelo consumidor/cliente via cartão de crédito a um empreendimento negocial. Tal valor vai ser pago para a administradora de cartão de crédito, e após reter uma comissão variável de 1% a 5%, dependendo de critérios de mercado, vai repassar o valor para o empreendimento negocial. No caso concreto, tais situações repasse ou venda se confundem, até prova em contrário, como já exposto acima. Relendo o termo de verificação fiscal, não identifico em nenhum momento a confusão alegada pela recorrente. Inclusive, nos termos inícios deste termo, nas tabelas A e B, quando menciona os montantes das Decreds, a autoridade fiscal autuante fala em extrato de operações com cartão de crédito. Como não houve a justificativa excludente da presunção legal de receita de tais valores, a autoridade fiscal passou a tratálos como receita operacional, já que se tratava de operações com vendas via cartões de crédito vide tabela C do termo de verificação fiscal demonstrativo mensal da receita operacional bases tributáveis. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. b) alegação de que documentos 5 e 6 apresentados na impugnação que seriam distintos do considerados na autuação fiscal Fl. 660DF CARF MF Processo nº 18471.002536/200844 Acórdão n.º 1402003.290 S1C4T2 Fl. 655 13 Alega a recorrente, relembrando tema alegado na sua peça impugnatória, que os extratos recebidos em anexo ao termo de intimação nº 06 (documento 5 da peça impugnatória) não espelhavam os valores relacionados no anexo III que embasaram o lançamento. Bem como, o documento 6 da peça impugnatória que envolveria os repasses financeiros das operadoras de cartões de crédito, enquanto os valores discriminados no anexo II (Redecard), segundo os extratos (doc. 06), se referem claramente a vendas com cartões de credito e débito. Tal alegação se confunde com o alegado no tópico anterior, e também, então, já foi rebatido na decisão a quo. Contudo, passo a analisar procurando ter a menor interferência com o ali decidido, detendome essencialmente ao alegado e ao encontrado nos autos. O termo de intimação fiscal nº 06 citado pela recorrente (fls. 267 e segs.) versa sobre a comprovação da origem dos valores recebidos via administradoras de cartão de crédito, no caso as instituições financeiras Banco Bankpar S/A, Redecard e Visanet. Nesta intimação fiscal, a autoridade fiscal autuante apõe os anexos I a III, em que consta o título Extratos de Operações com cartão de crédito, sendo um anexo para casa instituição financeira, em que agrega mensalmente os valores recebidos pela recorrente de cada uma. Nesta intimação fiscal a autoridade fiscal autuante entregou também cópia referente à íntegra dos extratos das operações entregues pelas instituições em atendimento à requisição de informações sobre movimentação financeira conforme consta nos autos. Ou seja, os anexos a este termo de intimação fiscal citados pela recorrente são os valores totais por mês de valores repassados por cada instituição financeira por conta das suas operações com cartão de crédito, e se não comprovados de outra forma, passaram a ser considerados como receitas da recorrente na fundamentação do valor autuado do termo de verificação fiscal. Os anexos, após serem replicados no termo de verificação fiscal, agora já na condição de valores receitas da mesma, integram tabela C que são os totais com cartões de crédito no demonstrativo mensal da receita operacional bases tributáveis. Nesta tabela, há um comparativo entre o que foi escriturado e declarado pela recorrente e a receita apurada, sendo a diferença autuada nos autos de infração constantes no presente processo administrativo. Cabe ressaltar: o que está sendo autuado é a diferença entre os valores apurados pelos anexos previamente intimados, que redundaram num total anual de R$ 2.213.437,18, ao qual foi excluído o montante de R$ 1.063.197,51 que escriturado e declarado, remanescendo um montante anual de receita omitida de R$ 1.150.239,67. Absolutamente nada diferente disso é encontrado nos autos. A recorrente se insurge que os valores intimados no termo de intimação fiscal nº 06 são distintos do autuado mas claro que seriam. Ali (na intimação fiscal nº 06) constava o total dos valores das administradoras de cartões de crédito, e aqui (na autuação fiscal) consta a diferença do total repassado considerado como receita e o que já foi declarado pela recorrente na declaração anual). Ou seja, repitase, a autoridade administrativa autuante até excluiu deste montante os valores declarados, autuando apenas a diferença. Fl. 661DF CARF MF 14 Então, não procede em nenhum momento as alegações da recorrente, que já foram rebatidas na decisão a quo de forma bem detalhada, ao qual resumo no presente voto. Destarte, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. c) alegação dos fatos não descritos de forma clara e minuciosa no TVF Insurgese a recorrente contra a decisão a quo, que buscou alegar na sua peça impugnatória que o termo de verificação fiscal estaria ambíguo, e esta rebateu que a linguagem da descrição dos fatos é simples, inequívoca, direta e não comporta qualquer ambiguidade. Como já exposto nos tópicos anteriores, tal matéria já está sedimentada que não vislumbrei nada do alegado pela recorrente, sendo o caso resumido a uma autuação fiscal com base nos valores recebidos das instituições financeiras que não houve justificativa que não seriam receitas, descontados os valores escriturados e declarados. O enquadramento legal está correto nos autos de infração, pois há citação ao art. 24 da Lei nº 9.249/1995, que fala que verificada a omissão de receita (...). A recorrente, repitase, não elidiu nenhuma das vendas relacionadas nos extratos dos cartões de crédito, o que ficou caracterizada a omissão de receitas. Isto está bem detalhado na descrição dos fatos que seria o termo de verificação fiscal. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item no recurso voluntário. d) alegação de desrespeito ao regime de reconhecimento de receitas Alega a recorrente quanto ao regime de contabilização, a forma de apuração da base tributável foi totalmente equivocada; pois se vale do regime de competência para apurar suas receitas, e o correto seria apurar as vendas dos cartões também pelo regime de competência para haver o devido confronto de valores. A recorrente concentra boa parte da sua peça recursal nesta questão, repisando em conjunto matérias já alegadas e abordadas nos tópicos anteriores. A autoridade julgadora a quo, condutora da decisão do v. acórdão recorrido, rechaçou tal alegação, além de outras justificativas, entendeu que não houve comprovação desta alegação na sua peça impugnatória, além de não ter atendido as intimações fiscais para esclarecer tal ponto no transcorrer do procedimento fiscal. Adicionalmente, informa que o histórico do lançamento contábil indica que todas as vendas foram realizadas imediatamente, o que, a princípio, igualaria os efeitos de ambos os regimes de reconhecimento de receitas. Numa análise material, repisando o que já foi comentado anteriormente no presente, e compulsando os autos e os elementos trazidos pela recorrente durante o procedimento fiscal e nas suas peças impugnatória e recursal, relembro que: a recorrente foi instada durante o procedimento fiscal a apresentar suas operações com as administradoras de cartões de crédito, e silenciou; Fl. 662DF CARF MF Processo nº 18471.002536/200844 Acórdão n.º 1402003.290 S1C4T2 Fl. 656 15 a autoridade fiscal teve que emitir solicitação de emissão de requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF), às quais responderam; após consolidar os valores, intimou a recorrente a justificar os valores recebidos, a qual igualmente silenciou; com isso procedeu às autuações fiscais, com base nas informações prestadas pelas administradoras de cartões de crédito, excluindo os valores que a recorrente declarou espontaneamente. Em sede de impugnação, a recorrente se insurge contra os valores autuados, alegando que não poderiam ter sido considerados pelo regime de caixa. Como já relatado, tais questões foram rechaçadas no v. acórdão recorrido, por falta de comprovação desta alegação e que os efeitos são parecidos. Na sua peça recursal, novamente, e com muito maior ênfase, se apega a tal questão do regime adotado para considerar as receitas nos demonstrativos das administradoras de crédito apresentados no transcorrer do procedimento fiscal. Cotejando os elementos acima, vislumbro que foi ofertado à recorrente oportunidade de manifestar durante o procedimento fiscal a respeito da diferença, silenciando. Poderia então tentado comprovar sua tese que se se adotasse o regime de competência nos valores omitidos, não haveria diferenças, mas não o fez. E apesar de alegado, também não o demonstra na sua peça impugnatória, e novamente suscita, apenas com alegações de que o método estaria errado na autuação fiscal na sua peça recursal. Neste caso, fica praticamente impossível à autoridade fiscal apropriar como quer a recorrente, pelo regime de caixa, ou seja, quando foi efetuada a venda, e pelo seu total, a apropriação da receita. Os valores estão decompostos em parcelas, na maioria, e quando parcelados, em 3 ou 4 parcelas, ou seja, o grau de interferência no montante apurado sofreria muito baixa oscilação, e muito menos resolveria e explicaria a diferença entre o declarado de R$ 1.063.197,51 e o total apurado de R$ 2.213.437,18. Além de ser uma tarefa muito difícil ser executado unilateralmente pela autoridade fiscal autuante, a qual a recorrente silenciou neste processo, até poderia ter beneficiado a mesma, pois postergou em alguns meses parcelas de receitas. Caso a autoridade fiscal autuante tivesse conseguido e adotado o critério de competência para apropriar os valores repassados em foco, a base de cálculo seria quantificada de modo um pouco diferente, sem dúvida, pois em alguns meses seria em valor inferior, contudo em outros, seria superior. De qualquer modo, persistiria a significativa diferença entre as receitas declaradas e a apuradas pela autoridade fiscal. O próprio art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que deu suporte a verificação dos extratos bancários no caso concreto, tem dispositivo que abarca tal questão no seu §1º: (...) § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (...) Fl. 663DF CARF MF 16 Destarte, alegar que tal critério adotado (o qual era praticamente o único disponível) deveria caracterizar a improcedência do crédito tributário lançado é navegar exclusivamente em benefício seu silêncio e sua omissão de receitas. Como dito em latim, nemo auditur propriam turpitudinem allegans, ou seja, questão já principiológica, ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. Conclusão: Voto por conhecer, REJEITAR a preliminar suscitada, e NEGAR PROVIMENTO do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 664DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720550/2013-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. CUSTEIO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre o custeio agrícola da produção da matéria-prima utilizada na produção dos produtos fabricados e vendidos, tais como custos incorridos no preparo da área explorada, com oficina mecânica para manutenção e consertos de tratores, colheitadeira, caminhões e implementos agrícolas, transportes de insumos utilizados na lavoura e da sua produção, despesas com cargas, descargas e transbordos e outras ligadas ao custeio e transporte da cana-de-açúcar.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO.
Dada a correlação entre as normas que regem as contribuições, aplicam-se na íntegra as mesmas ementas e conclusões do PIS à Cofins.
Numero da decisão: 9303-006.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. CUSTEIO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre o custeio agrícola da produção da matéria-prima utilizada na produção dos produtos fabricados e vendidos, tais como custos incorridos no preparo da área explorada, com oficina mecânica para manutenção e consertos de tratores, colheitadeira, caminhões e implementos agrícolas, transportes de insumos utilizados na lavoura e da sua produção, despesas com cargas, descargas e transbordos e outras ligadas ao custeio e transporte da cana-de-açúcar. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO. Dada a correlação entre as normas que regem as contribuições, aplicam-se na íntegra as mesmas ementas e conclusões do PIS à Cofins.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. CUSTEIO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre o custeio agrícola da produção da matériaprima utilizada na produção dos produtos fabricados e vendidos, tais como custos incorridos no preparo da área explorada, com oficina mecânica para manutenção e consertos de tratores, colheitadeira, caminhões e implementos agrícolas, transportes de insumos utilizados na lavoura e da sua produção, despesas com cargas, descargas e transbordos e outras ligadas ao custeio e transporte da canadeaçúcar. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO. Dada a correlação entre as normas que regem as contribuições, aplicamse na íntegra as mesmas ementas e conclusões do PIS à Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 50 /2 01 3- 71 Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3402003.041, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para reverter as seguintes glosas e exonerar as parcelas correspondentes da autuação: · Aquisições da atividade agrícola de Óleo Diesel, oxigênio, acetileno, depreciação e material de manutenção; · Locação dos seguintes bens: empilhadeira, serra clipper p/piso, equipamento de telefonia, pá carregadeira, motoniveladora, colheitadeira, colhedoras de cana, transbordo, máquina, máquina e transbordo, máquina esteira, retroescavadeira e tratores; e sob a rubrica armazenagem: os serviços de transbordo. Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando que: · O Colegiado a quo afastou o raciocínio empregado pela fiscalização, de tal modo que “a atividade agrícola também integra o processo produtivo da agroindústria para fins de aproveitamento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, assim devem ser revertidas as glosas correspondentes, da atividade agrícola para uso industrial – na produção de açúcar, álcool e energia, e Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 4 3 consequentemente ser exoneradas tais parcelas do auto de infração.” (fl. 1.604); · O acórdão embargado, embora acolhendo a tese defendida pela Embargante em seus fundamentos, de que faz jus à reversão das glosas promovidas pela fiscalização fazendária na “fase agrícola” de suas atividades, salvo melhor juízo, restou omisso em relação à expressa menção dos centros de custos “agrícolas” em que as glosas deveriam ser revertidas. Em Despacho às fls. 1661 a 1663, os Embargos de Declaração foram rejeitados em caráter definitivo, pois a alegação de omissão foi considerada improcedente. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · A maior parte dos créditos aproveitados a título de insumos de PIS e Cofins são custos e despesas referentes à fase agrícola – cultivo, produção, transporte, etc – e essas são etapas de sua própria complexa cadeia produtiva, sendo incorreta a premissa adotada pela fiscalização fazendária de segmentar o processo produtivo; · A atividade agroindustrial de usinagem de açúcar e álcool desenvolvida pelo sujeito passivo, para efeitos de direito creditório de PIS e Cofins na aquisição de insumos, compreende todos os custos e despesas empregados em qualquer das etapas de sua cadeia produtiva – desde o plantio da canadeaçúcar até a destilaria do álcool ou a produção e açúcar); · No caso dos autos devem ser revertidas todas as glosas dos insumos vinculados aos centros de custo agrícola, por integrarem e comporem, necessariamente, o processo produtivo das atividades agroindustriais. São os centros de custos agrícolas cujas glosas devem ser revertidas: 03.02.03 – oficina mecânica – caminhões; 03.02.04 – oficina mecânica – implementos; 03.02.05 – oficina mecânica – tratores; Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 5 4 03.02.06 – oficina mecânica – colhedeiras; 03.02.08 – oficina mecânica – volante; 03.02.16 – oficina elétrica agrícola; 03.03.01 – comboio; 03.03.06 – transporte de cana; 03.03.08 – caminhão bombeiro; 03.03.11 – tratores (leve); 03.03.12 – tratores (médios); 03.03.12 – tratores (pesados); 03.03.14 – motoniveladora; 03.03.15 – carregadora de cana; 03.03.16 – e. roboque canavieiro; 03.03.18 – colheitadeiras cana; 03.03.19 – descarregamento de cana; 03.03.19 – descarregamento de cana; 03.03.20 – caminhão prancha; 03.03.22 – implementos de preparo; 03.03.23 – implementos de plantio; 03.03.24 – implementos de tratos; 03.03.25 – transbordo de cana; 03.03.28 – dolly; 03.03.29 – transport. De insumo/prod.agrícola. Requer, assim, que: · Seja considerado nulo o acórdão recorrido para o fim de os autos retornarem para julgamento, de modo a se especificar os centros de custos agrícolas, cujas glosas devem ser revertidas; · Subsidiariamente, requer seja admitido e conhecido o recurso para considerar legítimo o aproveitamento de crédito de PIS e Cofins, revertendose as glosas em relação aos centros de custos agrícolas, posto que já julgada indevida a segmentação das atividades da recorrentes promovidas pela autoridade fazendária. Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 6 5 Em Despacho às fls. 1751 a 1756: · Não foi dado seguimento em relação a discussão acerca da “Decisão citra petita e limitação cognitiva da matéria recursal”; · Foi dado seguimento em relação à matéria “Indevida segmentação das atividades da recorrente”. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que a pretensão não merece ser acolhida, considerando a Solução de Consulta 29 SRRF3/Disit – que esposa que “tanto atividades agrícolas como a atividade de transporte de matériasprimas, seja este realizado entre diferentes núcleos dentro do estabelecimento e as instalações fabris nele localizadas, seja entre diferentes estabelecimentos da empresa, em nada se confundem com a atividade de fabricação de açúcar e de álcool, isto é, com as operações fabris das quais se originam tais mercadorias.” É o relatório. Voto Vencido Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Eis o irretocável exame que consta despacho de admissibilidade elaborado pelo nobre ex conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri e ratificado pelo ilustre colega de turma Andrada Márcio Canuto Natal: “[...] (ii) Indevida segmentação das atividades da recorrente. Nesta matéria a Recorrente alega que “embora acolhendo os argumentos recursais de que indevida a segmentação das atividades da Recorrente em agrícola, industrial e comercial, para efeitos de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS, na parte dispositiva trouxe como consequência Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 7 6 somente a exoneração de alguns centros de custos relacionados ao âmbito agrícola”. Deste modo, aduz que os Acórdãos nº 3403002.824 e 3401002.890, ao considerarem indevida a segregação das atividades das empresas, decidiram de forma distinta ao que restou assentado no Acórdão recorrido. Observese que embora a Recorrente tenha citado como paradigma o Acórdão nº 3401002.890, efetivamente apresentou cópia (fls. 1716/1742) e transcreveu trechos em sua argumentação no recurso (fl. 1686) do Acórdão nº 3301002.270. Assim, consideramos este último como paradigma, juntamente com o de nº 3403002.824. Vejamos as ementas dos paradigmas indicados: Acórdão nº 3403002.824 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matériaprima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Fl. 2049DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 8 7 REGIME NÃO CUMULATIVO. INCLUSÃO DE CUSTOS E DESPESAS. O art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03 e o art. 27 da IN 900/08 não garantem aos contribuintes o direito à inclusão de todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora no cálculo dos créditos do regime nãocumulativo. CRÉDITOS. CUSTOS INCORRIDOS NO CULTIVO DE EUCALIPTOS. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose configuram custo de produção e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Acórdão nº 3301002.270 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIAPRIMA. POSSIBILIDADE. Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, separando a produção da matériaprima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda. (...) De fato, verificase que restou decidido no acórdão recorrido que os insumos pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços dariam direito à crédito das contribuições, verbis: Do conceito de insumo adotado neste Voto: Atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 9 8 Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) A tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar como parâmetro para o conceito de insumo o custo de produção, quando não haja vedação nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º dessas Leis integrarem o custo de produção, esse critério oferece maior segurança jurídica tanto ao Fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Contudo, na parte dispositiva do voto restringiu a reversão das glosas e a exoneração das parcelas correspondentes a apenas três rubricas (itens a, b e c, transcritos linhas acima). Em sentido contrário, nos paradigmas apresentados as Turmas julgadoras entenderam que, sendo considerada “agroindústria” a atividade de industrialização da matériaprima de produção própria, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa industrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio (atividade agrícola) e em industrialização propriamente dita, de modo a expurgar do cálculo dos créditos os custos incorridos na fase agrícola da produção. Confiramse trechos do voto condutor do acórdão nº 3403002.824: Conforme se verifica nos autos, a fiscalização não só adotou o conceito de insumo estabelecido para o IPI, por meio das instruções normativas da Receita Federal; mas também seccionou a atividade do contribuinte em duas etapas: a produção da matériaprima (madeira) e a extração da celulose (produto final industrializado a ser exportado). Ao assim proceder a fiscalização acabou por considerar como "produção" apenas a etapa industrial do processo produtivo, como se Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 10 9 estivesse analisando um processo de ressarcimento de IPI, esquecendose de que os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 utilizam os termos "produção" e "fabricação". Os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime não cumulativo, se referem a bens e serviços utilizados na “produção ou fabricação” de bens ou produtos destinados à venda. (...) Por seu turno, o verbo "fabricar" denota "transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Ao utilizar verbos com significados diferentes ligados pelo conectivo "ou", os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação aos processos de fabricação; aos processos de produção, que englobam atividades não industriais, e também aos processos produtivos mistos que envolvam aquelas duas atividades das quais resultem um bem ou um serviço que seja destinado à venda. Isto porque a partícula “ou” foi empregada com valor semântico inclusivo. Quisesse o legislado excluir de forma deliberada a atividade mista (produção e fabricação), teria empregado no art. 3º, II, a expressão “ou...ou” (“ou produção ou fabricação”). No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matéria prima (fabricação) por meio do processo industrial descrito nos recursos apresentados neste processo. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. Assim sendo, entendo que foi dada interpretação divergente dada à legislação tributária entre Turmas ou Câmaras do CARF, nos termos do que dispõe o art. 67 do Regimento Interno do CARF. Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 11 10 Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada.” Em vista do exposto, resta conhecer o recurso especial interposto pelo sujeito passivo em relação à matéria admitida em despacho, qual seja, discussão acerca da “Indevida segmentação das atividades da recorrente” – para que, possa se definir se há ou não direito ao crédito de PIS e Cofins sobre os custos de: 03.02.03 – oficina mecânica – caminhões; 03.02.04 – oficina mecânica – implementos; 03.02.05 – oficina mecânica – tratores; 03.02.06 – oficina mecânica – colhedeiras; 03.02.08 – oficina mecânica – volante; 03.02.16 – oficina elétrica agrícola; 03.03.01 – comboio; 03.03.06 – transporte de cana; 03.03.08 – caminhão bombeiro; 03.03.11 – tratores (leve); 03.03.12 – tratores (médios); 03.03.12 – tratores (pesados); 03.03.14 – motoniveladora; 03.03.15 – carregadora de cana; 03.03.16 – e. roboque canavieiro; 03.03.18 – colheitadeiras cana; 03.03.19 – descarregamento de cana; 03.03.19 – descarregamento de cana; 03.03.20 – caminhão prancha; 03.03.22 – implementos de preparo; 03.03.23 – implementos de plantio; 03.03.24 – implementos de tratos; 03.03.25 – transbordo de cana; 03.03.28 – dolly; 03.03.29 – transport. De insumo/prod.agrícola. Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 12 11 Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 13 12 Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 14 13 É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 15 14 recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 16 15 Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 17 16 · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 18 17 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 19 18 Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 20 19 Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 21 20 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 22 21 Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ apreciou, em sede de repetitivo, o REsp 1.221.170 – e trazendo, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 23 22 Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, é de se recordar que os itens passíveis de discussão são os relativos aos centros de produção. Ou seja, se fazem parte das atividades do sujeito passivo e se os itens questionados são essenciais à atividade do sujeito passivo. Ora, consta do Contrato Social: “Art. 2º. A Sociedade tem por objeto social: (i) Exploração de atividade rural, produção e comercialização de açúcar, álcool, canadeaçúcar e seus derivados e geração, fornecimento e comercialização de energia elétrica; (ii) Prestação de serviços na intermediação e/ou agenciamento de bens e insumos relacionados à atividade de produção e comercialização de açúcar, álcool, canadeaçúcar e álcool e seus derivados, geração de energia elétrica e outros, bem como na área de produção de canadeaçúcar e álcool; (iii) Prestação de serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita; (iv) Exploração de pecuária e o desenvolvimento de experiências genéticas visando aprimoramento de rebanhos; (v) Comercialização de combustíveis e lubrificantes e prestação de serviços correlatos; (vi) Armazenagem de açúcar, álcool e seus derivados e grãos, sob o regime de armazéns gerais e depósitos próprios, arrendados e/ou comodato e emissão de conhecimento de depósitos e “warrants”; (vii) Secagem, limpeza, conservação, desinfecção, pesagem, distribuição e execução de todos os serviços previstos no Decreto nº 1.102/1903; (viii) Cultivo e comercialização de mudas de canadeaçúcar e de árvores nativas destinadas a reflorestamento; (ix) Comércio atacadista de cereais e leguminosas beneficiados; Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 24 23 (x) Importação e exportação para uso próprio, comércio em geral por atacado e a varejo, ou industrialização, de açúcar e álcool, bem como de todos os seus derivados e sucedâneos; e (xi) Participação em outras sociedades, nacionais e estrangeiras. Vêse que a atividade do sujeito passivo inclui, entre outros, a exploração de atividade rural, produção e comercialização de açúcar, álcool, canadeaçúcar e seus derivados e geração, fornecimento e comercialização de energia elétrica – impossível, assim, afastar ou segmentar a atividade para desconsiderar os itens como essenciais à sua atividade. A lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as suas atividades – sendo duas ou mais, desde que observados e literalmente trazidos em seu objeto social – o que é o caso do sujeito passivo, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola), sob argumento de que seria insumo de insumo. Naquela atividade de exploração de atividade rural não seria insumo de insumo, mas efetivo insumo que irá ser utilizado naquela atividade do sujeito passivo. Vêse que a cadeia de produção do álcool/ açúcar abrange todas as fases, conforme glorifica o objeto social – não podendo ser ignorados os insumos utilizados em cada etapa de produção, inclusive no cultivo. A atividade agroindustrial de usina de açúcar e álcool desenvolvida pela contribuinte, para efeitos de direito creditório de PIS e COFINS na aquisição de insumos, temse que todos aqueles destinados à utilização em qualquer das etapas de sua cadeia produtiva (desde o plantio da canadeaçúcar até a destilaria do álcool ou a produção de açúcar), geram direito ao crédito em sua totalidade, pois todas as destacadas atividades e itens contribuem para a formação de sua receita de PIS e COFINS, advinda da venda de açúcar e álcool. Sendo essenciais e pertinentes à sua atividade. Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 25 24 Tanto é assim que o próprio TRF 5 (080284194.2014.4.05.8300) firmou tal entendimento: “Ocorre que, no caso da Usina, a atividade do cultivo da cana integra sua cadeia de produção, conferindo a qualidade de insumo aos combustíveis e lubrificantes usados estritamente no maquinário aproveitados nessa atividade, que integra o processo produtivo da agroindústria em questão.” Frisese também a decisão da 3ª Turma do TRT da 15ª Região que entendeu que as atividades de plantio, colheita e transporte da canadeaçúcar não podem ser separadas da produção de álcool e açúcar, já que são partes fundamentais de todo o processo – Processo 000099489.2013.5.15.0079. Traz como fundamento: Uma usina de açúcar e álcool não sobreviveria no mercado altamente competitivo do setor se dependesse exclusivamente da matéria prima de fornecedores. Há inúmeras variáveis no processo de produção desses bens – açúcar e álcool – que depende da época propícia para o plantio, do cultivo adequado e, principalmente, da colheita no momento ótimo, em que se verifica, por exemplo, o melhor estágio de maturação do produto. Vejase a complexidade apenas desse último item: O processo de maturação da canadeaçúcar pode ser definido como o processo fisiológico que envolve a formação de açúcares nas folhas e seu deslocamento e armazenamento no colmo. (...) Para determinar se a canadeaçúcar encontrase no ponto de maturação utilizase o refratômetro de campo, aparelho que fornece a porcentagem de sólidos solúveis do caldo (chamado de brix), que está ligado ao teor de sacarose da canadeaçúcar. Após esta medição, é feita uma análise laboratorial. A maturação da canadeaçúcar se dá da base do colmo ao seu ápice. A planta imatura apresenta uma grande diferença nos teores de sacarose entre os extremos de seus colmos. Portanto, o critério Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 26 25 utilizado para estimar a maturação pelo refratômetro de campo é o índice de maturação (IM), que fornece a relação entre os dois teores (...) (...)Por isso mesmo, as usinas de açúcar e álcool jamais deixaram de cultivar cana em suas próprias terras ou em propriedades arrendadas.” Ademais, as quantidades de matéria prima necessárias à manutenção das suas atividades ininterruptas não permitem que uma usina de açúcar e álcool se sujeite a adquirir unicamente matéria prima de terceiros, sob risco sofrer colapso em sua produção. [...]” Entendo, assim, que os centros de custos agrícolas integram a sua cadeia de produção, o que, por conseguinte, entendo que os itens abaixo devem ser passíveis de constituição de crédito de PIS e Cofins: 03.02.03 – oficina mecânica – caminhões; 03.02.04 – oficina mecânica – implementos; 03.02.05 – oficina mecânica – tratores; 03.02.06 – oficina mecânica – colhedeiras; 03.02.08 – oficina mecânica – volante; 03.02.16 – oficina elétrica agrícola; 03.03.01 – comboio; 03.03.06 – transporte de cana; 03.03.08 – caminhão bombeiro; 03.03.11 – tratores (leve); 03.03.12 – tratores (médios); 03.03.12 – tratores (pesados); 03.03.14 – motoniveladora; 03.03.15 – carregadora de cana; 03.03.16 – e. roboque canavieiro; 03.03.18 – colheitadeiras cana; 03.03.19 – descarregamento de cana; 03.03.19 – descarregamento de cana; 03.03.20 – caminhão prancha; 03.03.22 – implementos de preparo; Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 27 26 03.03.23 – implementos de plantio; 03.03.24 – implementos de tratos; 03.03.25 – transbordo de cana; 03.03.28 – dolly; 03.03.29 – transport. De insumo/prod.agrícola. Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento das contribuições sociais para o PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade, previsto nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 28 27 O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto a possibilidade de aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins, sob o regime não cumulativo, sobre gastos incorridos com o custeio agrícola da canadeaçúcar e sua colocação no pátio da indústria, ou seja, sobre os gastos com oficina mecânica para conserto e manutenção de: caminhões; implementos; tratores; colhedeiras; bem como sobre despesas com: oficina mecânica volante; oficina elétrica agrícola; comboio; transporte de cana; caminhão bombeiro; tratores (leves); tratores (médios); tratores (pesados); motoniveladora; carregadora de cana; reboque canavieiro; colheitadeiras de cana; descarregamento de cana; caminhão prancha; implementos de preparo; implementos de plantio; implementos de tratos; transbordo de cana; dolly; e, transporte de insumo para a produção agrícola, todos contabilizados no "centro de custos". O acórdão recorrido manteve as glosas do créditos apurados sobre tais custos e despesas sob o fundamento de que tais gastos não se enquadram no conceito de insumo da atividade industrial do contribuinte e sim constituem gastos da sua atividade agrícola. Em seu recurso especial, o contribuinte insiste no aproveitamento de créditos sobre tais gastos alegando que constituem insumos do seu processo produtivo. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento sobre os custos incorridos com insumos, em relação ao PIS e à Cofins, ambos têm basicamente a mesma redação: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 29 28 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 16004.720550/201371 Acórdão n.º 9303006.876 CSRFT3 Fl. 30 29 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos incorridos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. No presente caso, incorridos com a produção de açúcar e álcool combustível. Note que os diplomas legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. É incontroverso que os gastos incorridos com o custeio agrícola da canade açúcar, num sistema econômico verticalizado, como o do contribuinte, são necessários para a produção da matériaprima e, consequentemente, dos produtos industrializados. Contudo, são custos/despesas decorrentes de sua atividade agrícola a não da sua atividade industrial. É uma fase de gastos anteriores ao início do processo de industrialização do açúcar e do álcool. Assim, por se tratar de gastos (custos/despesas) que não integram o custo dos produtos industrializados pelo contribuinte, as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa, ou seja, sobre o custeio agrícola da produção da canadeaçúcar (centro de custos), citados e discriminados neste voto, devem ser mantidas. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2072DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.007269/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2007
RECURSO PEREMPTO.
A perempção impede a apreciação do recurso pelo Colegiado. Cientificada da decisão de primeira instância, a interessada apresentou Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a destempo, ou seja, transcorridos mais de trinta dias daquela data. Ofensa ao art. 33 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 1301-000.526
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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A perempção impede a apreciação do recurso pelo Colegiado. Cientificada da decisão de primeira instância, a interessada apresentou Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a destempo, ou seja, transcorridos mais de trinta dias daquela data. Ofensa ao art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, André Ricardo Lemes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Fl. 37DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.007269/200743 Acórdão n.º 130100.526 S1C3T1 Fl. 35 2 CLEUSA DE FÁTIMA OLIVEIRA ME, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0220.576, de 06/01/2009, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito Contra o interessado acima identificado, foi lavrado a Notificação de Lançamento de fl. 03, para formalizar exigência de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES (DSPJ), referente ao Exercício de 2007, anocalendário de 2006, no valor de R$200,00. Como enquadramento legal citouse: art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 20 de dezembro de 2004. A data de vencimento da multa ocorreu em 18/07/2007, conforme documento de fl. 03. Em 05/06/2007, foi protocolada a impugnação de fls. 01/02, na qual argumenta que por meio de seu contador, tentou transmitir, em 31/05/2007, a partir das 19:10h, a DSPJ/2007 e o servidor da Secretaria da Receita Federal do Brasil não disponibilizou/respondeu a conexão com a rede internet. Em síntese, aponta, os seguintes pontos de discordância: – em tempo algum negligenciou o prazo determinado na legislação vigente; – não é justo que o contribuinte seja penalizado quando não houve culpa integral do descumprimento da obrigação acessória que depende do acesso ao sistema eletrônico; – a declaração foi transmitida antes de completar 12 (doze) horas do horário de encerramento previsto na legislação. Demonstrada a insubsistência e improcedência do lançamento, requer que seja acolhida a presente impugnação. A 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0220.576, de 06/01/2009 (fls. 18/20), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2007 Multa por Atraso da DSPJ. A apresentação da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples (DSPJ) pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Ciente da decisão de primeira instância em 09/04/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 24, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/05/2009 conforme carimbo de recepção à folha 25. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.007269/200743 Acórdão n.º 130100.526 S1C3T1 Fl. 36 3 No recurso interposto (fls. 25/26), após historiar os fatos, por sua ótica, a interessada aduz as seguintes razões: 11.1 — PRELIMINAR Há de considerarse que em momento algum a recorrente agiu de má fé ou demonstrou interesse em descumprir_ a obrigação de fazer algo determinado em Lei, urna vez que demonstra mediante folha impressa e anexada nos autos, que fez inúmeras tentativas de transmitir a DSPJ e não obteve êxito. Fato este que pode ser considerado para comprovar a boa fé da recorrente. 11. 2 — MÉRITO Diante do exposto, a recorrente se vê no direito de insistir com a verdade dos fatos, e entende que não é justo ser penalizado quando não houve culpa integral no descumprimento da obrigação acessória que depende do acesso ao sistema eletrônico interligado entre o contribuinte e o órgão receptor. Anexa cópia xérox da página exibida em 31.05.2007 quando na tentativa de transmissão. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A primeira questão a ser enfrentada é quanto à tempestividade ou não do recurso voluntário apresentado. Compulsando os autos, verifico que, para dar ciência à impugnante da decisão de primeira instância, valeuse a Autoridade Administrativa da via postal. À fl. 24 encontro aviso de recebimento com data de recebimento 09/04/2009, quintafeira. Fora de dúvidas, portanto, que essa é a data a ser considerada para fins de ciência. Ao ser entregue a correspondência no endereço cadastral do contribuinte ocorreu a regular ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 23, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 39DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.007269/200743 Acórdão n.º 130100.526 S1C3T1 Fl. 37 4 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Acerca dos prazos recursais, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. [...] Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] A contagem do prazo recursal deve iniciar no primeiro dia útil seguinte. À data de ciência foi dia 09/04/2009, quintafeira. Considerandose que a sextafeira, 10/04/2009, foi feriado nacional (sextafeira santa), o marco inicial deve ser a segundafeira seguinte, dia 13/04/2009, e o prazo recursal esgotouse com o decurso de trinta dias, em 12/05/2009, terça feira, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. O recurso voluntário (protocolo de recepção à fl. 25) apresentado em 14/05/2009, quintafeira, é intempestivo, e não deve ser conhecido por este colegiado. Observo, ainda, que a recorrente afirma (fl. 25) que teria tomado ciência da decisão de primeira instância em 14/04/2009, mas essa alegação não pode ser acolhida, diante da evidência do Aviso de Recebimento que consta à fl. 24, recebido, datado e assinado pela própria Sra. Cleusa, titular da empresa individual interessada neste processo. Pelo exposto, meu voto é no sentido de não conhecer do recurso voluntário, eis que interposto fora do prazo legal. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 40DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.007269/200743 Acórdão n.º 130100.526 S1C3T1 Fl. 38 5 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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