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Numero do processo: 10930.904602/2012-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE.
Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por consequência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito.
INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE.A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório reclamado. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento os dados da escrita contábil/fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Mera alteração da DCTF, desacompanhada de provas, não é suficiente para fundamentar a alteração da base de cálculo do tributo que confere origem ao direito creditório. .
Numero da decisão: 1002-000.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por consequência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE.A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório reclamado. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento os dados da escrita contábil/fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Mera alteração da DCTF, desacompanhada de provas, não é suficiente para fundamentar a alteração da base de cálculo do tributo que confere origem ao direito creditório. .
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por consequência, a nãohomologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE.A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório reclamado. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento os dados da escrita contábil/fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Mera alteração da DCTF, desacompanhada de provas, não é suficiente para fundamentar a alteração da base de cálculo do tributo que confere origem ao direito creditório. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 46 02 /2 01 2- 32 Fl. 79DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Zedral Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo Relatório Tratase de Recurso Voluntário impetrado contra acórdão 1275.856 da 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro RJ (EFLS. 41/46), pelo qual foi julgado improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 12/17) que protestou contra o despacho (efls. 8) decidiu pela não homologação das compensações declaradas na PER/DCOMP 03488.93363.250712.1.3.043000. Decidiu a DRJ que a retificação da DCTF ocorrera após a ciência do despacho de não homologação da DCOMP. Além disso, afirma o Acórdão recorrido que, ainda que a DIPJ esteja em sincronia com a DCTF retificada, a DIPJ não é documento de confissão de dívida. Argumenta, citando o artigo 147 do CTN, que a retificação da DCTF deve estar acompanhado de documentação que embase a alteração no valor do débito: “No presente caso, observase que o interessado não trouxe à colação qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que evidencie o suposto erro na apuração da base de cálculo do IRPJ (opção pelo lucro real), o que justificaria o recolhimento do imposto em valor superior ao informado na DIPJ.” Assim, concluiuse o julgamento pelo não provimento do recurso. O Acórdão foi assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2010 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PROVA. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando visa a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.904602/201232 Acórdão n.º 1002000.757 S1C0T2 Fl. 80 3 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Irresignado, a recorrente impetra Recurso Voluntário (efls. 50/55). Inicialmente discorre sobre as diferenças entre procedimento administrativo e processo administrativo: "Não se pode confundir o Processo Administrativo Tributário com o Procedimento Administrativo Tributário, pois este procedimento é meramente informativo, tendo por finalidade preparar o ato do lançamento, ou seja, antecede o momento em que o Estado exator formaliza a pretensão tributária em face do contribuinte. O Processo Administrativo Fiscal tem por objeto a resolução de um conflito de uma matéria tributária, exercendo a administração o controle interno, o procedimento de controle e a verificação da legalidade dos atos realizados pelos contribuintes, perante o próprio Órgão. Após o lançamento fiscal, (formalização) é que pode ter lugar o Processo Administrativo Tributário, bastando para tanto que o contribuinte, formalize meios de impugnação administrativa formalmente, ou seja, formalizando sua resistência à pretensão fiscal." Após, afirma que o acórdão recorrido erra ao desconsiderar a DCTF retificadora, a qual teria ocorrido antes do lançamento tributário, o qual ocorreu, segundo seu entendimento, apenas após a protocolização da manifestação de inconformidade: Asseverase, então, que o acórdão ora recorrido incorre em grave equívoco ao desconsiderar a retificação da DCTF alegando ter o Recorrente retificado a mesma após a ciência do despacho decisório, estando uma vez esclarecido que o Processo Administrativo Tributário apenas se originou após o efetivo protocolo de petição datada do dia 14/02/2013, não existindo antes o lançamento tributário. E continua seus argumentos, afirmando que a DCTF retificadora, bem como a DIPJ seriam documentos hábeis à validar a retificação dos valores (dos débitos): Ademais, mesmo não sendo utilizado como base para o inicio de procedimento de fiscalização de lançamento a data do protocolo do Requerente, o que se admite apenas por amor ao debate, ainda assim seria incorreto não considerar a DIPJ e a DCTF como documentos que comprovem a retificação dos valores anteriormente informados. Afirma ainda que só tomou conhecimento do processo de cobrança após a ciência do acórdão da DRJ: Fl. 81DF CARF MF 4 Ademais, apenas agora com a ciência do ora acórdão i. contestado é que a Recorrente tomou ciência de um processo administrativo de cobrança dos débitos. FRISASE QUE EM NENHUM MOMENTOS A RECORRENTE FORA INTIMADA DE REFERIDO PROCESSO DE COBRANÇA. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido: Posto isto, Doutos Julgadores, requer a Recorrente pelo provimento do presente recurso, com a reforma integral do Acórdão ora recorrido e o conseqüente reconhecimento do direito ao aproveitamento integral do crédito com respaldo nas legislações e Precedentes Jurisprudenciais, mediante compensação, com a devida correção monetária, e juros SELIC. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Rafael Zedral Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Entendo que não assiste razão à recorrente. Não consta nos presentes autos nenhum documento que comprove, que de base, que justifique a redução do tributo na DCTF retificadora. O recurso voluntário protocolado pela recorrente, importante esclarecer, não faz qualquer referência às informações constantes da DCTF retificadora, ou da DCTF original, ou da PER/DCOMP objeto dos presentes autos administrativos. Não faz nenhuma referência ao valor do débito originalmente declarado em DCTF, nem ao valor informado na DCTF retificadora. Não faz referência sequer ao número da PER/DCOMP. Sua petição centrase exclusivamente na tese de que a DCTF poderia ter sido retificada até a data do protocolo da petição da manifestação de inconformidade. Por não fazer nenhuma menção a valores do débito (valor original e valor retificado), também não apresenta nenhum motivo para a própria retificação da DCTF. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.904602/201232 Acórdão n.º 1002000.757 S1C0T2 Fl. 81 5 Não apresenta, na sua manifestação de inconformidade, os registros contábeis que pudessem demonstrar o real valor do débito registrado em sua contabilidade. Ocorre que a DCTF tem efeito de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei n.º 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Os débitos informados podem ser objeto de cobrança administrativa e, caso não liquidados, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Mas a retificação da DCTF deve estar acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que comprovem o erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como estabelecido no §1º do art. 147 do CTN, in verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, não basta a mera transmissão de declaração DCTF retificadora para que reste comprovada as alterações na apuração da base de cálculo do tributo que daria origem ao crédito pleiteado. A retificação da declaração deve estar lastreada por dados da escrita contábil e fiscal do contribuinte e de documentação apta a lastrear os registros. Para retificar declaração com efeito de confissão de dívida, para alterar a base de cálculo do tributo que dá origem ao direito creditório, após a decisão administrativa que indeferiu o pedido com base em dados da declaração original, cabe a apresentação de documentação de suporte. Não basta simplesmente retificar a DCTF para se concretizar uma alteração na base de cálculo dos tributos. Há que se motivar, justificar, demonstrar com clareza as razões da alteração. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Rafael Zedral Relator Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.004806/2003-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000
REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA DO PIS E DA COFINS. NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO.
Não ocorrendo o fato gerador presumido no regime de substituição tributária, o pagamento efetuado é indevido e o valor pago deve ser restituído com a incidência de juros Selic.
Numero da decisão: 9303-008.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000 REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA DO PIS E DA COFINS. NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. Não ocorrendo o fato gerador presumido no regime de substituição tributária, o pagamento efetuado é indevido e o valor pago deve ser restituído com a incidência de juros Selic.
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NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. Não ocorrendo o fato gerador presumido no regime de substituição tributária, o pagamento efetuado é indevido e o valor pago deve ser restituído com a incidência de juros Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 48 06 /2 00 3- 61 Fl. 499DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — RICARF, aprovado pela Portaria MF n 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n°3101695, de 02/04/2011, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1999, 2000 RESTITUIÇÃO DE PIS E COFINS. CORREÇÃO PELA SELIC. Na forma do § 7° do artigo 150 da CF/1988 há incidência de juros equivalentes á taxa SELIC' sobre os valores relativos a restituição de PIS e COFINS recolhidos pela refinaria a titulo de substituição tributária, correspondentes a incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição pelo consumidor final, pessoa jurídica, de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente da distribuidora. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A recorrente suscita divergência em relação ao tratamento, dado pela decisão recorrida, de tratar o pleito como restituição de valores de PIS e COFINS recolhidos por substituição tributária e, em conseqüência, quanto ao reconhecimento da incidência da SELIC. O Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, às efls.493/494. A Contribuinte não apresentou contrarrazões ao Recurso. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Devidamente informado passo a decidir. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 11831.004806/200361 Acórdão n.º 9303008.939 CSRFT3 Fl. 500 3 Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Decido. In caso, tratase de pedido de restituição (fl. 01) de valores de PIS e COFINS, relativo aos períodos de 02/08/1999 a 31/01/2000 (fls. 15/18). Conforme consta do Despacho Decisório de fls. 246/257, o pedido da contribuinte foi deferido parcialmente, por entender a autoridade fiscal que: 1) a pessoa jurídica que adquire, diretamente da empresa distribuidora de combustíveis, óleo diesel para consumo próprio faz jus ao ressarcimento de PIS e COFINS recolhidos na refinaria, na condição de contribuinte substituto; e 2) não há previsão legal para que o valor a ser ressarcido seja acrescido de juros pela taxa SELIC. Com efeito, a decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito á correção pela SELIC da restituição de PIS e COFINS recolhidos pela refinaria a titulo de substituição tributária, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição pelo consumidor final, pessoa jurídica, de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente da distribuidora. A divergência posta em julgamento nesta E. Câmara Superior, diz respeito se cabe ou não a incidência de juros Selic sobre os valores pleiteados a título de devolução de pagamentos efetuados a título de PIS e Cofins incidentes na aquisição de combustíveis pelo consumidor final, no caso a Contribuinte. Sem embargo, a decisão de piso indeferiu o pleito da Contribuinte sob o argumento de falta de previsão legal para a incidência dos juros Selic no ressarcimento de tributos. Por sua vez, a Contribuinte defende que no caso não se trata de ressarcimento e sim de restituição. Na espécie, a substituição tributária do PIS e da Cofins consiste no pagamento antecipado dos tributos pelas refinarias de petróleo do tributo devido na etapa subseqüente pelos distribuidores e comerciantes varejistas. Esta cobrança antecipada está amparada no art. 150, § 7º da CF e nos dispositivos legais abaixo transcritos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Grifei) Lei 9.718/98: Fl. 501DF CARF MF 4 Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. (Grifei Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro. (Redação vigente à época dos fatos geradores de que trata o presente processo). Grifei. In caso a Contribuinte obteve o valor correspondente ao tributo reconhecido pela instância administrativa, justamente por ser consumidor final, nos termos das normas acima transcritas, portanto não ocorreu o fato gerador presumido. Contudo, a Autoridade Fiscal não reconheceu a incidência dos juros de mora com base na taxa Selic em decorrência do disposto no art. 6º da IN SRF nº 06/1999, uma vez que referido ato normativo tratou a situação como ressarcimento e não como restituição. Vejamos: Art. 6° Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora.(Grifei) (...) Neste sentido, a IN SRF de nº 06/1999 utilizou, de forma tecnicamente indevida, o instituto “ressarcimento”, pois a determinação constitucional foi no sentido de aplicar o instituto da “restituição”. Os fatos geradores de cada operação realizada pelos distribuidores e comerciantes varejistas é presumido e, portanto, podem não ocorrer de fato. Não ocorrendo o fato gerador, como no caso dos presentes autos, a norma constitucional acima reproduzida determina “a imediata e preferencial restituição da quantia paga”. Neste mesmo diapasão, o extinto Segundo Conselho de Contribuinte, e o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF, nos julgamentos dos Recursos Voluntários abaixo transcritos, firmaram entendimento de que os tributos pagos ao substituto tributário cujo fato gerador não venha a ocorrer posteriormente são passíveis de restituição e não ressarcimento, consoante determina o § 7º do art. 150 da Constituição da República. Vejamos: PIS/PASEP E COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos pagos ao substituto tributário cujo fato gerador não venha a ocorrer posteriormente são passíveis de restituição e não ressarcimento, consoante determina o § 7º do art. 150 da Constituição da República. Recurso provido. (Acórdão nº 20217.238 da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes de 28/07/2006. Relatoria da Conselheira Maria Cristina Roza da Costa). Fl. 502DF CARF MF Processo nº 11831.004806/200361 Acórdão n.º 9303008.939 CSRFT3 Fl. 501 5 Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/02/1999 a 28/06/2000 Ementa: REGIME DE SUBTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA DO PIS E DA COFINS. NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. Não ocorrendo o fato gerador presumido no regime de substituição tributária, o pagamento efetuado é indevido e o valor pago deve ser restituído com a incidência de juros Selic. Recurso provido. (Acórdão nº 20179.855 da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, de 07/12/2006 – Relatoria do Conselheiro Wálber José da Silva). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1999, 2000 RESTITUIÇÃO DE PIS E COFINS. CORREÇÃO PELA SELIC. Na forma do § 7º do artigo 150 da CF/1988 há incidência de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os valores relativos a restituição de PIS e COFINS recolhidos pela refinaria a título desubstituição tributária, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição pelo consumidor final, pessoa jurídica, de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente da distribuidora. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 3101695 da 1ª TO da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, de 8/4/2011 – Relatoria da Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro). Portanto, a Fazenda Pública recebeu tributo que não era devido, correta a sua restituição com incidência dos juros Selic nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 503DF CARF MF 6 Fl. 504DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.941829/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3301-006.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de pedido de formalizado por meio de PER/DCOMP, visando a compensar o valor do seu pretenso crédito de COFINS com outros débitos do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 94 18 29 /2 01 1- 55 Fl. 131DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.430 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941829/2011-55 A DCOMP foi analisada eletronicamente pelos sistemas de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que emitiu Despacho Decisório, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. O Despacho Decisório atesta que o a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, de maneira repetitiva e mencionando diversas informações alheias ao presente processo administrativo, discorda do despacho decisório, alegando, em apertada síntese, que: 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto Social; 5. Tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos. Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e deferir a restituição. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base no entendimento de que a compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Na decisão, foi ainda registrado que qualquer retificação posterior da DCTF deve- se fundar em documentação idônea, em especial a escrituração contábil, que justifique as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Quanto ao pedido de perícia e diligência, o Colegiado entendeu que estes se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde repisa as alegações manejadas na Manifestação de Inconformidade. Fl. 132DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.430 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941829/2011-55 É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 396, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 12448.941709/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.396): O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade afirmou que estaria isenta da COFINS, em razão da suas receitas estarem vinculadas a receitas próprias de sua atividade de associação civil sem fins lucrativos, nos termos do inciso X do art. 14 da MP 2.158-35/2001. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a restituição do indébito. Autorizar a restituição de créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega que suas receitas estariam isentas por tratar-se de associação civil sem fins lucrativos. Cabe ressaltar que a decisão da primeira instância negou provimento ao recurso da Recorrente, não por questões da existência da isenção para sociedade civis, mas, por questões fáticas, haja vista, que a Recorrente não apresentou documentos que pudessem confirmar que as suas receitas estariam vinculadas a atividades isentas, conforme consta do trecho abaixo, extraído da decisão recorrida. Inicialmente deve-se deixar claro que não há controvérsia em relação à questão da isenção da COFINS sobre as receitas derivadas das atividades próprias de associações civis definidas no art. 15 da Lei 9.532/97. O não reconhecimento do direito creditório se deu em virtude do crédito pleiteado pela impugnante ter sido integralmente utilizado para quitar débitos informados em sua DCTF. Contudo, apenas as receitas derivadas das atividades próprias não estão sujeitas a incidência da COFINS. Para que se possa afirmar que um determinado pagamento tenha sido efetuado a maior, é imprescindível que fique demonstrada e comprovada não só a efetivação do recolhimento, mas a base de cálculo correta e a contribuição efetivamente devida, permitindo a apuração de eventuais diferenças, a maior ou a menor. No presente caso, verifica-se que o interessado não retificou a Dctf do período correspondente. Por outro lado, limitou-se a juntar aos autos seus estatutos sociais, alegando que, devido a sua natureza jurídica, não estaria sujeito à incidência da contribuição. Não há, ademais, qualquer prova da liquidez e da certeza do direito creditório nem mesmo a demonstração de que houve o pagamento gerador do indébito que se pretende repetir por meio da compensação.(grifo nosso) A Recorrente interpôs recurso voluntário sem apresentar documentos que pudessem comprovar o crédito pleiteado, sob o argumento que caberia a autoridade fiscal buscar Fl. 133DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.430 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941829/2011-55 os documentos necessários. O trecho abaixo extraído do Recurso voluntário detalha os argumentos apresentados para não trazer os elementos comprobatórios. 3.6. Assim é que caberia à autoridade administrativa ter observado o Princípio da Verdade Real, bem como diligenciado nas dependências (escritório) do Recorrente no sentido de analisar a vultosa documentação contratual, escritas fiscais e contábeis, a fim de averiguar a proveniência de tal crédito, e não simplesmente abster-se de deferir o pedido de compensação, porque aparentemente o Recorrente não teria direito ao aludido crédito, sem qualquer fundamentação plausível para tanto. 3.7. Diz-se vultosa documentação, porque é inviável e também pouco prático e econômico anexar aos presentes autos cópias (que devem ser autenticadas, sob pena de não serem aceitas) de todos os contratos e comprovantes de pagamentos efetuados a favor do Recorrente, a fim de demonstrar que as receitas pertinentes sejam próprias do Instituto, bem como o reflexo disto tudo nos registros contábeis. Por isso, que uma diligência/perícia in loco é o meio mais prático e eficaz de esclarecer eventual dúvida da autoridade administrativa no que concerne a não só a esta DCOMP objeto do presente processo, mas a todas as demais que não foram homologadas em conjunto, em cujos processos também estão sendo apresentados os respectivos recursos voluntários. Entendo não assistir razão à Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 O Recurso traz o pedido para que sejam determinadas diligências para buscar as provas necessárias a alegação da Recorrente de possuir receitas isentas. Entendo não ser aplicável ao caso em tela a realização da diligência. A diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão, não se prestando a produção de provas, que devem ser apresentadas em sede de manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 134DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.430 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941829/2011-55 Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002725/2008-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecido o Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2002-001.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Auto de Infração (e-fls. 53/61) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF do ano calendário 2005. O lançamento decorre da apuração de Dedução Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas, Dedução Indevida de Pensão Judicial e Dedução Indevida de Despesa com Instrução. O contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 66/67) cujos argumentos foram resumidos no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 85/91). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 27 25 /2 00 8- 39 Fl. 119DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.303 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10320.002725/2008-39 O lançamento foi julgado procedente pela 1ª Turma da DRJ/FOR em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA-IRPF Ano-calendário: 2005 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Mantém-se a glosa das deduções quando não comprovadas nos autos com documentação hábil e idônea apresentada pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Cientificado do acórdão de primeira instância em 26/11/2008 (e-fls. 95), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 29/12/2008 (e-fls. 98/101) ratificando os valores informados em sua declaração conforme documentos já anexados. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Inicialmente, impõe-se analisar a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado. Do exame dos autos verifica-se que a ciência da decisão de primeira instância foi realizada através da Intimação nº 124 em 26/11/2008 (e-fls. 94/95), conforme previsto no art. 23 do Decreto 70.235/72. Impõe-se observar nesse ponto o disposto na Súmula CARF nº 9, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal, nos termos da Portaria MF nº 277 de 07/06/2018: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. De acordo com o art. 33, caput, do Decreto 70.235/72, o prazo para a apresentação de Recurso Voluntário é de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Por outro lado, extrai-se de seu art. 5º que os prazos são contínuos e devem começar e terminar em dias úteis, excluindo-se de sua contagem o dia do início e incluindo-se o dia do vencimento. Sendo assim, uma vez que a ciência da decisão de piso se deu, por via postal, em 26/11/2008, como já exposto, e que o Recurso Voluntário só foi apresentado em 29/12/2008, conforme carimbo da DRF/MA (e-fls. 98), não resta dúvida sobre a intempestividade do mesmo. O Despacho de Encaminhamento da RFB (e-fls. 118) confirma as referidas datas. Importa observar que o atendimento da preliminar de tempestividade é pressuposto necessário para que se instaure o contencioso administrativo e, conseqüentemente, sejam analisadas as questões relativas ao mérito do processo. Fl. 120DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.303 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10320.002725/2008-39 Em vista do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário por intempestividade. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.693270/2009-92
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a existência do crédito informado, há que se homologar a compensação declarada.
Numero da decisão: 1002-000.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva (Presidente) - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Marcelo Jose Luz de Macedo
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência do crédito informado, há que se homologar a compensação declarada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva (Presidente) - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Marcelo Jose Luz de Macedo
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COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência do crédito informado, há que se homologar a compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva (Presidente) - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Marcelo Jose Luz de Macedo Relatório Por reproduzir fielmente os fatos do processo, transcreve-se o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (“DRJ/RJO”) constante às fls. 52 do e-processo: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº de rastreamento 849869757 emitido eletronicamente em 23/10/2009, fl. 5, referente à declaração de compensação-Dcomp nº 17470.93296.300508.1.3.04-9207 transmitida com o objetivo de compensar o (s) débito (s) discriminado (s) na referida Dcomp com crédito de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código 2362, período de apuração 29/02/2008, no valor original na data de transmissão de R$ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 32 70 /2 00 9- 92 Fl. 90DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.790 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.693270/2009-92 18.171,21, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 27/03/2008 (R$ 41.941,14). 2. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito na Dcomp acima identificada, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na Dcomp. Assim, diante da inexistência do crédito, foi exigido do interessado débito de R$ 18.669,10 acrescido de encargos moratórios. 3. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 06/11/2009, conforme documento de fl. 7, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 8/9, em 04/12/2009, alegando, em síntese, erro no preenchimento da DCTF retificada em 21/10/2009. Em sessão de 13/03/2015, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, por unanimidade de votos. Segundo a DRJ/RJO (fls. 55 do e-processo): [...] verifica-se nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil-RFB que o pagamento no valor de R$ 41.941,14 foi integralmente computado na apuração do saldo negativo de IRPJ de 31/12/2008, no valor de R$ 57.827,54, demonstrado na Ficha 12ª (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real-PJ em Geral) da DIPJ/2009 e objeto de compensação na Dcomp nº 00172.30073.230710.1.3.02-0163 (fls.49/50). O Acórdão nº 12-73.885 recebeu a seguinte ementa (fls. 51 do e-processo): Fl. 91DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.790 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.693270/2009-92 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA. DEDUÇÃO NO AJUSTE ANUAL. UTILIZAÇÃO EM OUTRA DCOMP. CARACTERIZAÇÃO DE DUPLO APROVEITAMENTO. Incabível o aproveitamento, para fins de compensação, de crédito computado na formação do saldo negativo de IRPJ que já foi objeto de outra declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 61/68 do e- processo), alegando em síntese: É incontroverso que o contribuinte apurou crédito de R$ 18.171,21 decorrente de erro no preenchimento de DCTF, na qual se informou a título de estimativa mensal de IRPJ de fevereiro de 2008 o valor de R$ 41.941,14; O contribuinte recolheu por meio de DARF o valor de R$ 41.941,14 quando na verdade deveria ter recolhido tão somente R$ 23.769,92; A DCTF foi retificada – antes mesmo da intimação do Contribuinte quanto ao Despacho Decisório, ressalte-se –para fazer constar o valor correto de R$ 23.769,92; É equivocada a afirmação e que o crédito de R$ 18.171,21 teria composto em sua integralidade o saldo negativo de IRPJ transportado e utilizado no anos seguintes, através do PER/DCOMP nº 00172.30073.230710.1.3.02-0163, no valor de 57.827,54. Ao contrário do que se alega, o valor de R$ 41.941,14 não compôs o saldo negativo de IRPJ, mas apenas foi reportado na ficha Pagamentos da DIPJ; Para buscar a composição do saldo negativo de IRPJ é necessário analisar a Ficha 12-A, a qual informa que o saldo negativo de IRPJ de –R$ 57.827,54 deriva da subtração do imposto apurado de R$ 849.125,05 (15% + adicional de 10%), do imposto retido na fonte de R$ 39.321,97 e do imposto antecipado por estimativa ao longo do ano de R$ 867.630,62; O valor de estimativa declarado na Ficha 11 da DIPJ 2019 em fevereiro foi de R$ 23.769,92 (e não os R$ 41.941,14 que a Recorrente recolheu indevidamente e a decisão recorrida alega ter composto o saldo negativo); A Recorrente apurou estimativa mensal de IRPJ a recolher de R$ 27.518,59, porém utilizou seu crédito de R$ 18.171,21 para compensar parte desse débito referente a abril de 2008, recolhendo em guia DARF apenas a diferença de R$ 8.849,48; O crédito de R$ 18.171,21 foi utilizado para pagamento da estimativa de abril de 2008, apurada no valor total de R$ 27.518,59, mesmo valor reportado na Ficha 11, que foi utilizado para compor a soma de antecipações mensais pagas ao longo do ano-calendário de 2008, totalizando R$ 867.630,62; Na mesma ficha Pagamentos, reproduzida pela i. autoridade julgadora para sustentar que o valor de R$ 41.941,14 indevidamente recolhido pela Recorrente cosnta como “valor utilizado para compor o saldo negativo do período”, existe a informação do pagamento de estimativa mensal de apenas R$ 8.849,48 em abril de 2008 – que como se viu, é apenas o valor residual do imposto Fl. 92DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.790 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.693270/2009-92 pago em DARF após a utilização do crédito de R$ 18.171,21 para abater a estimativa de IRPJ apurada em abril no valor total de R$ 27.518,59. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, Relator. Tempestividade Como se denota dos autos, O Contribuinte acessou o teor dos documentos relacionados abaixo na data 04/12/2015 15:54h, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e-CAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos (fls. 58 do e-processo), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 30/12/2015 (fls. 61 do e-processo), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho. Mérito Da efetiva necessidade de demonstração de liquidez e certeza do crédito que se alega. Como muito bem colocado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, a matéria controversa nos autos é eminentemente fática, razão pela qual serão feitas inúmeras referências aos fatos relatados anteriormente. Para o deslinde do caso, é desnecessária qualquer discussão relacionada à origem, liquidez ou certeza do crédito de R$ 18.171,21, indicado pelo PER/DCOMP nº 17470.93296.300508.1.3.04-9207, sendo importante tão somente a identificação de eventual utilização o em duplicidade, como afirma a DRJ/RJO. Fl. 93DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.790 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.693270/2009-92 Pois bem, o contribuinte afirma que, em 27/03/2008, ao efetuar o pagamento da estimativa mensal referente ao mês fevereiro de 2008, recolheu um valor maior, devido a um erro no preenchimento da sua DCTF. Ao invés de pagar R$ 23.769,92, o contribuinte pagou R$ 41.941,14, o que acabou gerando um pagamento a maior de R$ R$ 18.171,21, que, por seu turno, foi utilizado para o pagamento da estimativa mensal referente ao mês de abril daquele mesmo ano de 2008. Para o mês de abril de 2008 o contribuinte apurou um imposto a pagar no montante de R$ 27.518,59, mas somente recolheu via DARF R$ 8.849,48, liquidando o saldo remanescente por meio do PER/DCOMP nº 17470.93296.300508.1.3.04-9207, em discussão nos autos: Fl. 94DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-000.790 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.693270/2009-92 Analisando o caso, a instância a quo entendeu que o contribuinte não poderia ter levado para a apuração saldo negativo de IRPJ de 31/12/2008 o montante integral de R$ 41.941,14, o que, de fato, faz todo o sentido. Ora, se foi pago um valor a maior de R$ 18.171,21 de maneira indevida, dando origem a um crédito tributário posteriormente utilizado em PER/DCOMP, de fato, o contribuinte não poderia considerar tal valor na formação do seu saldo negativo do período. A DRJ/RJO não levou em conta, todavia, o fato de que o crédito tributário teve origem em um pagamento a maior feito no ano-calendário 2008 e foi utilizado para o pagamento de um débito tributário desse mesmo ano de 2008. O contribuinte alerta para tal fato no corpo do seu Recurso Voluntário (fls. 66 do e-processo): Fl. 95DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-000.790 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.693270/2009-92 O contribuinte realmente tem razão. Não há que se falar em aproveitamento de crédito em duplicidade. O crédito tributário de R$ 18.171,21, objeto do PER/DCOMP nº 17470.93296.300508.1.3.04-9207, somente foi utilizado para a composição do saldo negativo de Fl. 96DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-000.790 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.693270/2009-92 IRPJ do período devido ao fato de ele ter sido utilizado para pagamento de um débito tributário de IRPJ do próprio período. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte para reconhecer o crédito tributário em discussão nos autos. (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.691991/2009-68
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 26/04/2005
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1002-000.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo Jose Luz de Macedo
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo Jose Luz de Macedo Relatório O relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (“DRJ/JFA”), constante às fls. 151 do e-processo, resume bem os fatos de maneira bastante sintética, razão pela qual é feita a sua transcrição integral: Trata o presente processo da Declaração Eletrônica de Compensação – Dcomp nº 41813.83933.171006.1.3.044668, com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$ 102.168,12, recolhido em 26/04/2005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 19 91 /2 00 9- 68 Fl. 349DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.755 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.691991/2009-68 Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Regularmente cientificado do Despacho Decisório, por via postal, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em breve síntese, que transmitiu DCTF retificadora que confirma o seu crédito e que o crédito informado na Dcomp. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente para não reconhecer o direito creditório pretendido. Reproduz-se abaixo a ementa do acórdão constante às fls. 150 do e-processo: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e passados mais de trinta dias, apresentou uma segunda defesa complementando aquela primeira. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, Relator. DA TEMPESTIVIDADE Após prolatado o acórdão de julgamento pela DRJ/JFA, foi gerada a INTIMAÇÃO 4576/2013 (fls. 154 do e-processo), abaixo reproduzida: Fl. 350DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.755 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.691991/2009-68 Já a efetiva ciência do contribuinte aconteceu com a entrega da referida intimação em 06/12/2013, o que se comprova pelo Aviso de Recebimento (“AR”) constante às fls. 155 do e-processo. A contar dessa data, o contribuinte dispõe de 30 (trinta) dias para interpor eventual recurso voluntário, consoante estabelece o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1971, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, tota.l ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Tendo em vista 06/12/2013 se tratar de uma sexta-feira, o início do prazo recursal se deu em 09/12/2013, segunda-feira, sendo o último dia do prazo 07/01/2014, terça feira. Analisando-se o que fora apresentado pelo contribuinte após a sua intimação do acórdão da DRJ/JFA, constata-se a apresentação de duas “peças de defesa” diferentes em momentos distintos. A primeira sendo o seu Recurso Voluntário apresentado em 02/01/2014 (fls. 199 do e-processo) e a segunda uma “petição inominada” apresentada em 03/02/2014 (fls.194 do e-processo). Como se vê, o Recurso Voluntário é tempestivo, posto apresentado dentro do prazo de trinta dias da intimação do acórdão, ao passo que a “petição inominada” foi apresentada após o esgotamento do referido prazo. Curiosamente, o Recurso Voluntário que foi apresentado primeiro somente foi juntado nos autos do processo administrativo eletrônico depois da “petição inominada”: Recurso Voluntário: Fl. 351DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.755 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.691991/2009-68 “Petição Inominada”: A constatação e identificação dessas duas peças de defesa é de suma relevância para o deslinde do caso, já que elas trazem documentação diversa. Por isso, é preciso estabelecer uma premissa: a documentação apresentada junto com a “petição inominada” após o prazo para interposição de recurso voluntário é válida, quer dizer, pode ser analisada? Sobre esse aspecto, é importante levar em consideração o disposto no artigo 16, mais precisamente nos seu parágrafos 4º e 5º do Decreto nº 70.235/1972, vejamos a sua redação: §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Fl. 352DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.755 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.691991/2009-68 Como se vê, a regra geral é que a prova documental deve ser sempre apresentada na primeira manifestação do contribuinte nos autos, salvo algumas exceções. É bem verdade que dentro destas exceções, esta Turma Julgadora tem entendido ser possível a apresentação posteriori em Recurso Voluntário de prova documental, privilegiando-se, assim. a verdade material e a boa instrução processual, sobretudo quando se trata de matéria de ordem pública, passível de reconhecimento de ofício, o que, aliás, sequer deveria ser objeto de questionamento. Todavia, analisando-se o caso posto em votação, vislumbram-se dois grandes problemas, (A) primeiro que não se trata de matéria de ordem pública e (B) segundo que a prova documental não veio acompanhada do Recurso Voluntário, mas em petição extemporânea apresentada após o próprio lapso temporal para apresentação de defesa. Logo, a pergunta que se faz é a seguinte: é possível admitir que enquanto em curso o processo administrativo o contribuinte possa fazer a juntada de todo o tipo de petição nos autos? Ao que parece, a resposta mais acertada deve ser negativa, caso contrário, não seriam necessários os prazos legais, tão imprescindíveis para a estabilização e uniformização dos procedimentos normativos. Assim, salvo se tratasse de matéria de ordem pública, a qual esta Turma deveria reconhecer até mesmo de ofício, não é possível que seja admitida a juntada de petição a destempo com novos argumentos e/ou documentos. Por tal razão, além da “petição inominada” às fls. 194/196, não serão analisados os documentos que a acompanham às fls 175/191 do e-processo. DA EFETIVA NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO QUE SE ALEGA Contra o acórdão da DRJ/JFA, o contribuinte se limitou a alegar basicamente que o seu direito é líquido e certo, o qual decorreria da IN nº 480/2004, cuja redação prevê a “retenção de 4,8% no Imposto de Renda nos pagamentos efetuados pelos órgãos da administração pública federal direta, autarquias e fundações federais, empresas públicas, sociedades de economia mista e demais pessoas jurídicas que menciona a outras pessoas jurídicas pelo fornecimentos de bens e serviços. (fls. 202 do e-processo)” Fl. 353DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-000.755 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.691991/2009-68 O contribuinte, todavia, esqueceu de refutar as principais alegações da DRJ/JFA, para a qual “constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião” e “a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório” (fls. 150 do e-processo). Os documentos constantes às fls. 204/346 do e-processo apresentados juntamente com o Recurso Voluntário são aqueles mesmos que já haviam sido apresentados em Manifestação de Inconformidade, que, como muito bem pontuado pela Autoridade Julgadora, são insuficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido. Em que pese o contribuinte alegar a existência do crédito e que teria, inclusive, realizado a retificação da sua DCTF, o que foi feito, ressalte-se, após ter sido cientificado do despacho decisório, tal alegação não se sustenta diante da falta de um mínimo lastro probatório. O contribuinte deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação do crédito. No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O artigo 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o artigo 36 da Lei nº 9.784/1999, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Todos esses dispositivos atuam em conjunto com o já mencionado artigo do Decreto nº 70.235/1972. Essa Turma Extraordinária possui precedentes nesse sentido a corroborar com todo o exposto, veja-se: NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Fl. 354DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-000.755 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.691991/2009-68 Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.(Processo nº 13888.903160/200962. Acórdão nº 1002000.605. Relator Ailton Neves da Silva. Sessão de 12/02/2019) DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. (Processo nº 18470.905746/201011. Acórdão nº 1002000.635. Relator Breno do Carmo Moreira Vieira. Sessão de 13/02/2019) Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito e assim não o fez, torna-se inviável o reconhecimento do crédito pleiteado nos autos, razão pela qual não existem motivos para a reforma do Acórdão da DRJ/JFA. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo Fl. 355DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003076/99-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/07/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Identificada obscuridade e/ ou omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento dos vícios identificados, mediante a prolação de um novo acórdão.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/07/1999
PIS. LANÇAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
A competência para julgamento de crédito tributário do PIS, constituído por meio de lançamento de ofício, para exigir a contribuição sobre o faturamento mensal da pessoa jurídica é da Terceira Seção de Julgamento do CARF.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO
A base de cálculo da contribuição sob o regime cumulativo é o faturamento mensal da pessoa jurídica, correspondente ao total de sua receita operacional bruta, excluídas as receitas expressamente elencadas na lei.
SUJEIÇÃO PASSIVA - Para os fatos geradores ocorridos anteriormente ao advento da Medida Provisória no 1.926, de 22/10/1999, a entidade desportiva detentora da autorização para exploração de sorteios destinados a angariar recursos para o fomento do desporto é a responsável pelas obrigações tributárias inerentes às receitas obtidas em jogos de bingo, ainda que a prestação de serviços de instalação, manutenção e administração estivesse a cargo de pessoa jurídica distinta.
Numero da decisão: 9303-009.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Presidente da 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, com efeitos infringentes, para anular o acórdão embargado, bem como em conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, dar-lhe provimento. Julgamento iniciado na reunião de Julho/2019.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1998 a 31/07/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada obscuridade e/ ou omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento dos vícios identificados, mediante a prolação de um novo acórdão. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1998 a 31/07/1999 PIS. LANÇAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. A competência para julgamento de crédito tributário do PIS, constituído por meio de lançamento de ofício, para exigir a contribuição sobre o faturamento mensal da pessoa jurídica é da Terceira Seção de Julgamento do CARF. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO A base de cálculo da contribuição sob o regime cumulativo é o faturamento mensal da pessoa jurídica, correspondente ao total de sua receita operacional bruta, excluídas as receitas expressamente elencadas na lei. SUJEIÇÃO PASSIVA - Para os fatos geradores ocorridos anteriormente ao advento da Medida Provisória no 1.926, de 22/10/1999, a entidade desportiva detentora da autorização para exploração de sorteios destinados a angariar recursos para o fomento do desporto é a responsável pelas obrigações tributárias inerentes às receitas obtidas em jogos de bingo, ainda que a prestação de serviços de instalação, manutenção e administração estivesse a cargo de pessoa jurídica distinta.
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OMISSÃO. Identificada obscuridade e/ ou omissão no acórdão embargado, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento dos vícios identificados, mediante a prolação de um novo acórdão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1998 a 31/07/1999 PIS. LANÇAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. A competência para julgamento de crédito tributário do PIS, constituído por meio de lançamento de ofício, para exigir a contribuição sobre o faturamento mensal da pessoa jurídica é da Terceira Seção de Julgamento do CARF. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO A base de cálculo da contribuição sob o regime cumulativo é o faturamento mensal da pessoa jurídica, correspondente ao total de sua receita operacional bruta, excluídas as receitas expressamente elencadas na lei. SUJEIÇÃO PASSIVA Para os fatos geradores ocorridos anteriormente ao advento da Medida Provisória no 1.926, de 22/10/1999, a entidade desportiva detentora da autorização para exploração de sorteios destinados a angariar recursos para o fomento do desporto é a responsável pelas obrigações tributárias inerentes às receitas obtidas em jogos de bingo, ainda que a prestação de serviços de instalação, manutenção e administração estivesse a cargo de pessoa jurídica distinta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 30 76 /9 9- 71 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 11065.003076/9971 Acórdão n.º 9303009.265 CSRFT3 Fl. 411 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Presidente da 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, com efeitos infringentes, para anular o acórdão embargado, bem como em conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento. Julgamento iniciado na reunião de Julho/2019. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados contra o Acórdão nº 9303 002.210, datado de 12/03/2018, proferido pela então 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 20179.554, de 24/08/2006, proferido pela 1ª Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuinte. O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, suscitando contrariedade à lei e ainda que a base de cálculo da contribuição para o PIS, para as empresas exploradoras da atividade de bingo, corresponde a 100,0% do valor arrecadado, conforme decidido em primeira instância. No julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional, o Colegiado, por maioria de voto, acordou em anular o processo a partir do acórdão da Câmara Baixa e determinou o encaminhamento dos autos para a Primeira Seção de Julgamento, em face da matéria, nos termos da ementa reproduzida abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1998 a 31/07/1999 INCOMPETÊNCIA. NULIDADE. É nula a decisão proferida pelo Segundo Conselho de Contribuintes, que tratou de exigência do PIS lastreada nos mesmos fatos que ensejaram infração à legislação do imposto de renda, cuja competência para julgamento era do então Primeiro Conselho de Contribuintes Processo Anulado." Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11065.003076/9971 Acórdão n.º 9303009.265 CSRFT3 Fl. 412 3 Os autos foram então encaminhados para a 1ª Seção de Julgamento para apreciação do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. No entanto, analisando os autos, a Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento opôs embargos de declaração contra o acórdão desta 3ª Turma da CSRF, suscitando obscuridade e/ ou omissão no julgado. Alega, em síntese, que as demais exigências formalizadas no mesmo processo não se referem a prática de infração à legislação, quanto ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mas sim à legislação que rege a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) que atribui à pessoa jurídica fiscalizada a condição de responsável tributária. Tanto foi assim que a exigência de IRRF, formalizada no mesmo procedimento fiscal, nos autos do processo administrativo nº 11065.003074/9946, foi decidida pela 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme acórdão nº 10247.882. Alegou ainda que, à época do julgamento, o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55/98, previa que o julgamento de recurso voluntário de decisão de primeira instância era no sentido de que os fatos dos quais também resultasse a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica, seria competência das Primeira, Terceira, Quinta, Sétima e Oitava Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, na forma do art. 7º, inciso I da Portaria MF nº 55/98; assim atrairiam para estas mesmas Câmaras a competência de julgamento dos lançamentos formalizados em procedimentos decorrentes ou reflexos de IRPF, IRRF, Contribuição ao PIS, Cofins e Finsocial, nos termos das alíneas "b" e "d" do mesmo art. 7º, inciso I. Já a incidência na fonte, exigida em procedimento autônomo, cuja competência de julgamento foi atribuída às Segunda, Quarta e Sexta Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes na forma do art. 7º, inciso II da Portaria MF nº 55/98, não atrairia, s.m.j., as demais exigências de contribuições formalizadas no mesmo procedimento fiscal. Assim, no presente caso, há obscuridade a ser esclarecida pela 3ª Turma da CSRF. Por meio do Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração às fls. 405e/409e a Presidente da CSRF admitiu os embargos interpostos pela Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Os embargos de declaração atendem aos pressuposto de admissibilidade; assim devem ser conhecidos. O acórdão embargado anulou o presente processo, a partir do acórdão da Câmara Baixa e determinou o encaminhamento dos autos para a 1ª Seção de Julgamento, sob o fundamento de que a competência para julgar a matéria em litígio, seria daquela Seção e não da 3ª Seção, por se tratar de lançamento decorrente da aplicação da legislação referente ao IRPJ, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 11065.003076/9971 Acórdão n.º 9303009.265 CSRFT3 Fl. 413 4 O Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55/98, assim dispunha: "Art. 7º Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, observada a seguinte distribuição: I às Primeira, Terceira, Quinta, Sétima e Oitava Câmaras: a) os relativos à tributação de pessoa jurídica; b) os relativos à tributação de pessoa física e à incidência na fonte, quando procedimentos decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica; c) os relativos à exigência da contribuição social sobre o lucro instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; e d) os relativos à exigência da contribuição social sobre o faturamento instituída pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e das Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes contribuições sociais para o PIS, PASEP e FINSOCIAL, instituídas pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, e pelo DecretoLei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, respectivamente, quando essas exigências estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica; II às Segunda, Quarta e Sexta Câmaras, os relativos à tributação de pessoa física e à incidência na fonte, quando os procedimentos sejam autônomos. Parágrafo Único. Na competência de que trata este artigo incluemse os recursos voluntários pertinentes a pedidos de: I retificação de declaração de rendimentos; II apreciação de direito creditório dos impostos e contribuições relacionados neste artigo; e (Redação dada pelo art. 2º da Portaria MF nº 1.132, de 30/09/2002) III reconhecimento do direito à isenção ou imunidade tributária. (destaques não originais) No presente caso, conforme se verifica do Relatório da Ação Fiscal às fls. 251e/257e, parte integrante dos autos de infração, as autuações foram: a) Imposto de Renda Retido na Fonte s/ prêmios; Fl. 413DF CARF MF Processo nº 11065.003076/9971 Acórdão n.º 9303009.265 CSRFT3 Fl. 414 5 b) Imposto de Renda Retido na Fonte s/ serviços de administração; e, c) PIS e COFINS. Consoante se verifica dos autos, não houve autuação por conta de infração à legislação do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, ou seja, do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). A contribuição para o PIS, lançada e exigida por meio do lançamento em discussão, não decorreu de infração relativa ao IRPJ e sim de infração à legislação dessa mesma contribuição, pelo fato de o contribuinte não ter pagado o valor devido sobre o faturamento mensal, mais especificamente, sobre as receitas operacionais decorrentes da prestação de serviços. Assim, a competência para o julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, objeto do presente processo, ao contrário do que foi decidido no acórdão embargado, é da 3ª Seção de Julgamento do CARF, conforme previsto no inciso III do art. 8º dos então Regimentos Internos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 55/1998, in verbis: "Art. 8. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar os recursos de ofício e voluntários de decisões de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: (...); III Contribuições para o Programa de Integração Social e de Formação do Servidor Público (PIS/Pasep) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando suas exigências não estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu par determinara a prática de infração a dispositivos legais do Imposto sobre a Renda; (...)." Portanto, demonstrado que a competência era do Segundo Conselho de Contribuintes, hoje Terceira Seção de Julgamento do CARF, anulase o acórdão embargado de nº 9303002.210, desta 3ª Turma da CSRF, restaurandose consequentemente, o acórdão da Câmara Baixa de nº 20179.554, e passase a análise e julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra aquele acórdão. O recurso especial da Fazenda Nacional atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em discussão nesta fase recursal se restringe à tributação pelo PIS das receitas de prestação de serviços auferidas pelo contribuinte. O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa transcrita na parte que interessa ao deslinde do litígio: " PIS. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. As entidades sem fins lucrativos, que tenham empregados assim definidos pela legislação trabalhista, contribuirão para o Fundo mediante a aplicação da alíquota de 1% sobre a folha de Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11065.003076/9971 Acórdão n.º 9303009.265 CSRFT3 Fl. 415 6 pagamento (Lei Complementar nº 2 7/70, art. 3 2, § 4º). Incabível a exigência da contribuição tendo como base de cálculo o faturamento, sem a comprovação de que a entidade não se reveste das condições necessárias para o enquadramento como entidade sem fins lucrativos. " A Fazenda Nacional defende a incidência da contribuição sobre o faturamento mensal, assim entendido, o total das receitas operacionais da pessoa jurídica, nos termos dos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, c/c o art. 61 da Lei nº 9.615/1998.. Segundo seu entendimento, o artigo 61 da Lei nº 9.615/1998, ao dispor que “os bingos funcionarão sob responsabilidade exclusiva das entidades desportivas” acarretaria responsabilidade tributária destas entidades, de modo que poderiam elas ser responsabilizadas pela falta de recolhimento de tributos da entidade contratada para a exploração comercial dos bingos. Alegou ainda que todos os ingressos, ainda que de entidade de natureza desportiva, integram a base de cálculo da contribuição ao PIS, inclusive o repasse de 7% da receita bruta da sala do bingo ou do bingo eventual a que fazem jus as entidades desportivas, nos termos dos artigos 1º, 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e classificação contábil adotadas para caracterizálas. Conforme se verifica do auto de infração, o lançamento teve como fundamento a Lei nº 9.718/1998, arts. 1º, 2º e 3º, que assim dispõem: "Art. 1º Esta Lei aplicase no âmbito da legislação tributária federal, relativamente às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de que tratam o art. 239 da Constituição Federal e a Lei Complementara nº 70, de 30 de dezembro de 1991, ao Imposto sobre a Renda e ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativos a Títulos ou Valores Mobiliários IOF. Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 415DF CARF MF Processo nº 11065.003076/9971 Acórdão n.º 9303009.265 CSRFT3 Fl. 416 7 II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (...). IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...). § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP." Já a Lei nº 9.615/98 (Lei Pelé), arts. 59 a 81, por sua vez, manteve a autorização para que as entidades desportivas explorassem os bingos e acresceu a possibilidade de contratação pelas entidades desportivas de empresas comerciais idôneas para administração das salas de sorteio na modalidade bingo. O fato dessa lei exigir certidão de quitação de tributos federais e da seguridade social da empresa comercial exploradora de bingos não afasta a responsabilidade das entidades desportivas traçada no art. 61 do mesmo diploma. Ademais, depreendese dos demais incisos do art. 63, dessa mesma lei, e do contido no artigo 64, que a documentação a ser apresentada, quando for o caso de a administração das salas de bingo ser entregue a empresa comercial, visa atestar a idoneidade da empresa, que configura motivo para negativa ou cassação da autorização para as entidades desportivas explorem bingo. "Art. 63. Se a administração da sala de bingo for entregue a empresa comercial, entidade desportiva juntará, ao pedido de autorização, além dos requisitos do artigo anterior, os seguintes documentos: (Revogado, a partir de 3111212001, pela Lei no 9.981, de 2000) I certidão da Junta Comercial, demonstrando o regular registro da empresa e sua capacidade para o comércio; II certidões dos distribuidores cíveis, trabalhistas e de cartórios de protesto em nome da empresa; III certidões dos distribuidores cíveis, criminais, trabalhistas e de cartórios de protestos em nome da pessoa ou pessoas físicas titulares da empresa; Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11065.003076/9971 Acórdão n.º 9303009.265 CSRFT3 Fl. 417 8 IV certidões de quitação de tributos federais e da seguridade social; V demonstrativo de contratação de firma para auditoria permanente da empresa administradora; VI cópia do instrumento do contrato entre a entidade desportiva e a empresa administrativa, cujo prazo máximo será de dois anos, renovável por igual período, sempre exigida a forma escrita. Art. 64. O Poder Público negará a autorização se não provados quaisquer dos requisitos dos artigos anteriores ou houver indícios de inidoneidade da entidade desportiva, da empresa comercial ou de seus dirigentes, podendo ainda cassar a autorização se verificar terem deixado de ser preenchidos os mesmos requisitos. Consoante os dispositivos legais citados e transcritos, a contribuição para o PIS é devida por todas as pessoas jurídicas, inclusive exploradoras de bingo, sobre o faturamento, assim entendido, o total de suas receitas operacionais decorrentes de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Da sujeição passiva Durante a vigência da Lei no 8.672/1993, a chamada Lei Zico, a responsabilidade tributária claramente repousava nas entidades de prática desportiva, únicas autorizadas a realizar sorteios de modalidade denominada bingo. O papel reservado às sociedades comerciais, eventualmente contratadas pelas entidades desportivas que assim o desejassem, era meramente acessório, qual seja, a administração da realização dos sorteios. Tal permissivo estava previsto no Decreto no 981/1993, ato infralegal que jamais teria o condão de deslocar a responsabilidade tributária da entidade desportiva para a sociedade comercial contratada. O panorama não mudou com a edição da Lei no 9.615/1998. A autorização para explorar o jogo de bingo continua prerrogativa da entidade desportiva. Esta pode ou não, dependendo de sua vontade, entregar a administração de sua sala de bingo a uma empresa comercial. Notese bem: não se transfere a titularidade do bingo, que continua sendo, sempre, da entidade desportiva. A contratação entre a Entidade e a Operadora não foge desta regra. O instrumento celebrado entre ambas determina que à contratada (a Operadora) cabe instalar, manter e administrar um bingo permanente. Notese que existe apenas uma prestação de serviços. A Operadora nunca teve autorização legal para explorar jogos de bingo, o que fazia era administrar o Bingo pertencente à Entidade. Conforme determina o art. 61 da Lei no 9.615/1998, já transcrito, a responsabilidade exclusiva pelo funcionamento dos bingos é das entidades desportivas, ainda quando a administração da sala esteja a cargo de empresa comercial. O texto da lei é muito claro e não comporta discussão. Enquanto vigente tal regra, a entidade esportiva, no que diz respeito às obrigações decorrentes da atividade de bingo, não pode fugir à sua Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11065.003076/9971 Acórdão n.º 9303009.265 CSRFT3 Fl. 418 9 responsabilidade, seja em face das obrigações de natureza civil, como fornecedores, empregados, etc.; seja em face das obrigações tributárias e das autoridades administrativas. E não se diga que o art. 61 da Lei no 9.615/1998 não abarca a responsabilidade tributária. Prova de que tal dispositivo tem caráter fiscal se encontra na Medida Provisória no 1.926/1999. Tal diploma veio a incluir um parágrafo único no artigo citado, retirando os tributos da esfera de responsabilidade da entidade desportiva. Ora, através de simples exercício hermenêutico chegase a conclusão que o novo parágrafo objetivou excepcionar a responsabilidade tributária geral antes prevista no caput. Por outro lado, não é possível transferir a responsabilidade tributária da Entidade para a Operadora. Eventual cláusula contratual que objetivasse tal deslocamento seria inválida. Haveria, nessa hipótese, de um lado o artigo 61 da Lei no 9.615/1998 atribuindo á impugnante a total responsabilidade pelo bingo e, de outro lado, uma convenção particular tentando derrogar a norma legal e transferindo o encargo dos tributos a uma empresa privada. Essa hipótese configuraria, sem dúvida, a situação prevista e vedada pelo artigo 123 do Código Tributário Nacional, verbis: “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” Mais ainda, a responsabilidade da Entidade não é afastada mesmo na hipótese dela não ter sido beneficiada pelas irregularidades, não ter tomado conhecimento delas ou não ter participado diretamente nos fatos. A atividade econômica em que se constitui o bingo tem como decorrência a incidência da contribuição. O fato da entidade ter ou não conhecimento de detalhes do funcionamento do negócio não altera sua responsabilidade. No que tange à responsabilidade por infrações, o art. 136 do CTN, prevê: “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” (sublinhei) Como se vê, o dispositivo põe em pé de igualdade para fins de responsabilidade por infrações, o agente – quem praticou os atos – e o responsável – que mesmo não tendo praticado os atos é o sujeito passivo da obrigação. Com relação a ambos, não vai se perquirir se a intenção é lesar o Fisco. Escrevendo à respeito do tema, Luciano Amaro1 diz: “Nas situações do art. 136 – em que se põe a figura do responsável a par da do agente (executor material) – podese falar na culpa ‘in vigilando’ ou culpa ‘in eligendo’: quem contrata um mau administrador ou mandatário ou preposto ‘responde’ pelos atos do representante eleito.” 1 in Direito Tributário Brasileiro, 5ª Ed., SP, Saraiva, 2000, p. 421. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11065.003076/9971 Acórdão n.º 9303009.265 CSRFT3 Fl. 419 10 Assim, tendo em vista que os fatos geradores aqui discutidos ocorreram antes que adentrasse ao nosso ordenamento jurídico as alterações promovidas pela Medida Provisória no 1.926/1999, não resta dúvida que todo ônus tributário é da Entidade. Em face do exposto, acolho os embargos de declaração opostos pela Presidente da 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, com efeitos infringentes, para anular o acórdão embargado, bem como em conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.003007/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2001
DÉBITO E CRÉDITO - VALORES COINCIDENTES
Não há possibilidade de considerar como crédito o valor do próprio débito que se pretende compensar. Contudo, tendo em vista que as antecipações correspondem à totalidade do valor devido, não há débito tributário em aberto.
DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO
O saldo de crédito negativo, como expectativa de direito, somente deve ser verificado quando o direito for efetivamente exercido.
Numero da decisão: 1401-003.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar o cancelamento dos débitos relativos a março, abril e maio de 2001. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves..
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Rodrigues Morgado, Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga. Ausente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2001 DÉBITO E CRÉDITO - VALORES COINCIDENTES Não há possibilidade de considerar como crédito o valor do próprio débito que se pretende compensar. Contudo, tendo em vista que as antecipações correspondem à totalidade do valor devido, não há débito tributário em aberto. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO O saldo de crédito negativo, como expectativa de direito, somente deve ser verificado quando o direito for efetivamente exercido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar o cancelamento dos débitos relativos a março, abril e maio de 2001. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves.. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Rodrigues Morgado, Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga. Ausente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 30 07 /2 00 8- 49 Fl. 260DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.564 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.003007/2008-49 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Cuida-se de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil em 10/06/2004, cadastrada sob n° 16792.73680.100601.1.3.02-5793, pela qual a contribuinte assinala compensação de dividas de antecipações em bases estimadas do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) dos meses de março a junho do ano de 2001, código de receita n° 5993, no valor de R$ 29.942,81, em face de crédito perante a Fazenda Nacional oriundo de saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no ano-calendário de 2001, na importância de R$ 42.775,48, fls. 05/08. Através da declaração retificadora n° 27085.76560.200307.1.7.02-1273, transmitida em 20/03/2007, excluiu-se a parcela da divida afeta ao mês de junho, do que remanesceu o débito fiscal na ordem de R$ 23.367,03, como também, alterou-se o valor do pretendido crédito à cifra de R$ 47.111,86, fls. 02/04. Em junho de 2008 a Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba-SP exarou o despacho decisório de fls. 21/26 não homologando a compensação declarada ao fundamento de inexistência de crédito a favor da contribuinte. Referido decisório consigna que no ano-calendário de 2001 foram comprovados recolhimentos mensais em bases estimadas na ordem de R$ 57.407,32 de IRPJ, diversamente do montante de R$ 103.517,75 alegado pela contribuinte. Assim, deduzindo-se aquele valor da quantia do imposto efetivamente apurado ao término do ano-calendário, e informado na Declaração de Informações Econômico-Fiscais (DIPJ) pela importância de R$ 56.405,89, a situação da contribuinte não mostra o saldo negativo pretendido. Registrou, ainda, que as antecipações atinentes aos meses de março, abril e maio daquele ano-calendário não poderiam ter sido extintas por compensação com o saldo negativo viria ser apurado somente ao final do próprio período, fato que é legalmente desautorizado e economicamente impossível, vez que, ao serem feitas as compensações, o saldo negativo não existia, pois o momento da sua apuração era posterior. Regularmente cientificada, a interessada ingressou com a tempestiva peça recursal de fls. 36/48, acompanhada dos documentos de fls. 49/55, solicitando a reforma do despacho decisório para que lhe seja homologada a compensação apresentada. Argumenta, em síntese, decadência do direito fiscal na constituição do crédito tributário; cerceamento do direito de defesa ante a ausência de intimação fiscal para prestação de esclarecimentos; lançamento de valores em duplicidade aos já compensados, o que caracteriza confisco e, por fim, que é indevida a cobrança de Fl. 261DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.564 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.003007/2008-49 multa moratória em razão da denúncia espontânea no momento em que fez a declaração, nos moldes do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Quando do julgamento na instância de origem, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto A Fazenda Pública. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. MARCO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE ENTREGA DE DECLARAÇÃO COM CUNHO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. A sistemática de lançamento denominada por homologação exige o pagamento antecipado do tributo, de sorte a incidir o beneficio (para o contribuinte) da antecipação do inicio da contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, assim previsto no § 40 do artigo 150 do Código Tributário Nacional, bem como, a inocorrência das hipóteses de dolo, fraude ou simulação. A declaração de compensação revela confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e, como tal, elemento de constituição do crédito tributário não havendo falar-se em decadência quando apresentada dentro do qüinqüênio legal. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. O recolhimento de tributo a destempo deve se fazer acompanhado do acréscimo de multa de mora, segundo ordenamento jurídico vigente, o qual também prevê a cobrança de oficio da parcela não solvida, integral ou complementarmente. O instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora quando o fato gerador do tributo encontra-se regularmente consignado nos livros comerciais e fiscais da contribuinte, ou então, quando a hipótese de incidência do tributo esteja retratada em documentos fiscais ou de compra e venda no caso de se tratar de microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas de escrituração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. Consubstanciam antecipações do imposto devido no encerramento do período anual de apuração as estimativas recolhidas nos meses civis do ano-calendário tomado em referência. Admite-se o adimplemento dessas obrigações mediante dedução de imposto retido por fontes pagadoras, compensações tributárias e compensação com saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, soando infundado falar-se em compensação com saldo negativo do próprio período em curso. Compensação não Homologada Apresentado o recurso, nenhuma nova informação foi apresentada. Este é o relatório. Fl. 262DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.564 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.003007/2008-49 Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga - Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Quanto à preliminar de decadência/prescrição, pretende a recorrente que os institutos sejam aplicados ao crédito que se pretende compensar, contudo tal instituto não atinge os créditos enquanto não há o pedido de compensação pelo Contribuinte. Se assim o fosse, bastaria aguardar o prazo de 05 anos para requerer a compensação de períodos anteriores sem que o fisco tivesse o poder/dever de verificar a legitimidade do crédito. O direito creditório é uma expectativa de direito que somente deve ser verificada quando o direito for efetivamente exercido, ou seja no momento da compensação. Nesse mesmo sentido temos a súmula CARF sobre ágio com a seguinte redação: Súmula CARF nº 116 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve-se levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança Assim como a utilização de supostas deduções de parcelas de ágio, onde existe uma expectativa de direito que somente será exercida nas condições ideais, temos também as bases negativas, que formam créditos a favor do Contribuinte mas que somente serão utilizados em determinado momento (quando a Pessoa Jurídica auferir lucro) que somente terá a sua contagem de prazo decadencial quando existir qualquer repercussão na apuração do tributo em cobrança. Assim, rejeitos as preliminares de prescrição e decadência arguidas no recurso voluntário. MÉRITO 01) CRÉDITO DO MESMO PERÍODO - POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO Quanto ao mérito, a recorrente pretendeu compensar saldo negativo de 2001, com o crédito formado no mesmo ano. Ou seja, pretende utilizar-se o recorrente de crédito inexistente, pois a base negativa que se pretende utilizar foi “teoricamente” formada com o próprio crédito que se pretende compensar. Assim, o saldo negativo de 2001, formado com a própria compensação (março, abril e maio), pretende compensar as parcelas que formaram o saldo negativo do mesmo período. Fl. 263DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.564 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.003007/2008-49 Por outro lado, considerando-se os pagamentos realizados no período, temos um IRPJ efetivamente pago de R$57.407,32 e um IRPJ devido de R$56.405,89, ou seja tem-se um saldo negativo de R$1.001,43. Assim, não há valor suficiente para se compensar. Em relação aos débitos em aberto de estimativa de março a junho de 2001, deve ser cancelada a cobrança tendo em vista que não há qualquer valor devido e sim um crédito de R$1.001,43 Ademais, não como se falar em denúncia espontânea, tendo em vista que não havia pagamento suficiente para formar o saldo negativo, tampouco compensa-lo. Nesse sentido, nego provimento as preliminares arguidas e dou parcial provimento ao recurso voluntário determinando o cancelamento dos débitos de março a maio de 2001. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900019/2014-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2010
NULIDADE. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO.
O despacho decisório que não homologou a compensação de indébito oriundo de pagamento indevido ou a maior, quando aponta que tal pagamento foi totalmente utilizado para quitar crédito tributário espontaneamente declarado pelo mesmo contribuinte, demonstra que o pagamento indicado não é indevido e não foi pago a maior. Tal fato é razão suficiente para fundamentar a não homologação da compensação, não havendo que se falar em carência de fundamentação.
Numero da decisão: 1201-003.062
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10665.901535/2013-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 NULIDADE. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. O despacho decisório que não homologou a compensação de indébito oriundo de pagamento indevido ou a maior, quando aponta que tal pagamento foi totalmente utilizado para quitar crédito tributário espontaneamente declarado pelo mesmo contribuinte, demonstra que o pagamento indicado não é indevido e não foi pago a maior. Tal fato é razão suficiente para fundamentar a não homologação da compensação, não havendo que se falar em carência de fundamentação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10665.901535/2013-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-09T13:36:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-09T13:36:18Z; Last-Modified: 2019-09-09T13:36:18Z; dcterms:modified: 2019-09-09T13:36:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-09T13:36:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-09T13:36:18Z; meta:save-date: 2019-09-09T13:36:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-09T13:36:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-09T13:36:18Z; created: 2019-09-09T13:36:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-09-09T13:36:18Z; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-09T13:36:18Z | Conteúdo => S1-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10665.900019/2014-00 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-003.062 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2019 Recorrente REAL COMERCIO INDUSTRIA DE COUROS E ARTEFATOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 NULIDADE. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. O despacho decisório que não homologou a compensação de indébito oriundo de pagamento indevido ou a maior, quando aponta que tal pagamento foi totalmente utilizado para quitar crédito tributário espontaneamente declarado pelo mesmo contribuinte, demonstra que o pagamento indicado não é indevido e não foi pago a maior. Tal fato é razão suficiente para fundamentar a não homologação da compensação, não havendo que se falar em carência de fundamentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10665.901535/2013-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 00 19 /2 01 4- 00 Fl. 51DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.062 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.900019/2014-00 Relatório REAL COMERCIO INDUSTRIA DE COUROS E ARTEFATOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida em relação à sua manifestação de inconformidade, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório a título de pagamento indevido ou a maior. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Contra essa decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância. Cientificado dessa última decisão, o contribuinte apresentou o presente Recurso Voluntário, por meio do qual propugna pela anulação do despacho decisório que não homologou a sua declaração de compensação, sobre o fundamento de alegada falta de motivação do ato administrativo decisório. É o relatório. Fl. 52DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.062 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.900019/2014-00 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1201-003.051, de 13 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10665.901535/2013-62, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201-003.051): O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O contribuinte apresentou declaração de compensação em que aponta indébito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A Administração Tributária não homologou essa compensação. No presente contencioso administrativo, o contribuinte vem afirmando que o despacho decisório está eivado de nulidade em razão de não ter apontado o fundamento para a não homologação de sua compensação. Compulsando os autos verifico que o referido despacho decisório não homologou a compensação declarada em razão de o pagamento apontado pelo contribuinte ter sido totalmente utilizado para quitar crédito tributário espontaneamente declarado pelo contribuinte, ou seja, o pagamento apontado não é indevido e não foi pago a maior. Entendo que tal fato é razão suficiente para fundamentar a não homologação ora combatida pelo contribuinte, pelo que afasto a alegada nulidade do despacho decisório. Destarte, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 53DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.722367/2014-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2011
Ementa:
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO DOS AUTOS PARA ANÁLISE DAS DEMAIS RAZÕES DE MÉRITO.
Afastada a decisão quanto à matéria que prejudicava a análise de razão recursal, devem os autos retornar à instância de competência originária de julgamento, para evitar a supressão de instância.
Numero da decisão: 3302-006.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
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RETORNO DOS AUTOS PARA ANÁLISE DAS DEMAIS RAZÕES DE MÉRITO. Afastada a decisão quanto à matéria que prejudicava a análise de razão recursal, devem os autos retornar à instância de competência originária de julgamento, para evitar a supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente de Autos de Infração para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, relativos ao período de junho a dezembro de 2011, por insuficiência de recolhimentos das contribuições, conforme colunas N e O do item 29 do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 23 67 /2 01 4- 36 Fl. 4624DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.610 2 Termo de Verificação Fiscal, após o abatimento de créditos lançados nos Dacons e após os lançamentos ocorridos no processo 13116.722236/201459. Informou, ainda, que a exclusão do ICMS da base de cálculo, obtida por medida judicial, foi lançada com exigibilidade suspensa e para prevenir a decadência, no processo 13116.722367/201436. Em impugnação, a recorrente alegou que a fiscalização desconsiderou as vendas efetuadas à ZFM, sujeitas à alíquota zero prevista no artigo 2º da Lei nº 10.996/2004 e que a recorrente recolheu, como substituta tributária, as revendas dos adquirentes, conforme artigo 65 da Lei nº 11.196/2005; erro na aplicação das alíquotas dos bônus sobre vendas, pois num primeiro momento aplicou as alíquotas de concentradas de 2% e 9,60%, mas excluiu os bônus sobre alíquotas de 1,65% e 7,60%, remanescendo parcelas de bônus sobre vendas contidas nos débitos lançados; subsidiariamente, a não tributação dos bônus sobre vendas; que o abatimento do PIS e Cofins sobre o ICMS incidente sobre as vendas foi calculado de forma errônea; a ausência de consideração das bases de cálculo reduzidas dos caminhões HD78, conforme os artigos 1º da Lei nº 10.485/2002; considerando todos os ajustes acima, não houve insuficiência de recolhimento, mas recolhimento a maior; a ilegalidade da cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. A DRJ converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal se pronunciasse sobre as alegações da impugnação e efetuasse os ajustes que entendesse pertinentes. Em cumprimento da diligência, a fiscalização não reconheceu a alíquota zero nas vendas destinadas a de Manaus (AM), Macapá (AP) e Boa Vista (RR), JiParaná (RO), Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO); reconheceu a exclusão das vendas de caminhões HD78; não reconheceu o cálculo equivocado sobre o bônus sobre vendas; reconheceu o equívoco quanto à exclusão de ICMS na base de cálculo. Em manifestação sobre a diligência, a recorrente pugnou, inicialmente, pelo cancelamento integral do lançamento, em decorrência da iliquidez e incerteza do lançamento, dadas os ajustes reconhecidos pela fiscalização. Caso não acatada, a recorrente pugnou pela aplicação da alíquota zero pelos seguintes motivos: não há amparo legal para de desconsiderar a aplicação da alíquota zero por descumprimento do requisito formal previsto no §5º do artigo 2º da Lei nº 10.996/2004, a exigência prevista no §4º do referido artigo 2º somente se aplica às Áreas de Livre Comércio e não à Manaus; a redução à alíquota zero também se aplica à Amazônia Ocidental. Além disso, informou ter havido erro material no reconhecimento da exclusão de base dos caminhões HD78; que parte do bônus sobre as vendas compõe o lançamento efetuado nos presentes autos; aquiesceu a redução do lançamento referente ao ajuste de exclusão do ICMS, realizado pela fiscalização. A Segunda Turma da DRJ em Brasília julgou a impugnação parcialmente procedente, acatando as conclusões da diligência, nos termos da ementa que abaixo transcreve se: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 Fl. 4625DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.611 3 ALEGAÇÃO DE NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA. A redução do montante do crédito tributário, decorrente do resultado de diligência determinada pelo órgão julgador, não implica nulidade dos lançamentos efetuados, nem qualquer ofensa ao art. 142 do CTN, na medida em que, expurgadas as parcelas que comprovadamente não estão sujeitas à incidência da Cofins e da contribuição para o PIS, os lançamentos contemplam a verificação da ocorrência do fato gerador, a determinação da matéria tributável, o montante dos tributos devidos, a identificação do sujeito passivo, bem assim a penalidade aplicável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. EXCLUSÕES INDEVIDAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Correto o procedimento de auditoria que promove o refazimento da base de incidência da Cofins e efetua o lançamento de ofício, em face da constatação, pela Fiscalização, de que o contribuinte excluiu, indevidamente, da base de cálculo desta contribuição parcelas a título de “bônus sobre vendas” e de vendas de mercadorias que não estão sujeitas à alíquota zero da Cofins. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento da Cofins constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à contribuição para o PIS. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Por ter ultrapassado o limite de alçada, a DRJ recorreu de ofício. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: 1. A nulidade do lançamento em razão de sua incerteza e iliquidez e da decisão recorrida, refutando a possibilidade de aperfeiçoamento por parte da autoridade julgadora; Fl. 4626DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.612 4 2. A nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação; 3. A aplicação da alíquota zero sobre as vendas para a ZFM, Amazônia Ocidental e Áreas de Livre Comércio, reprisando os fundamentos desenvolvidos em impugnação e na manifestação sobre o resultado da diligência; 4. A inclusão de parte bônus sobre as vendas no lançamento efetuado nos presentes autos e sua necessária exclusão; 5. A necessidade de correção de erro material nas vendas de bases reduzidas de HD78; 6. A ilegalidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício; Por seu turno, a PGFN apresentou contrarrazões, refutando os argumentos quanto às nulidades do lançamento e da decisão, à inaplicabilidade da alíquota zero nas vendas efetuadas à Amazônia Ocidental; a renúncia à discussão sobre a tributação dos bônus sobre as vendas por ter havido adesão ao PERT no processo 13116722.236/201459; a legalidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Das preliminares A primeira preliminar levantada pela recorrente é a nulidade do lançamento devido à sua iliquidez e incerteza, infringindo o artigo 142 do CTN. Sem razão, a recorrente. O CTN prevê, expressamente, a possibilidade de alteração do lançamento tributário no contencioso, conforme disposto no inciso I do artigo 145 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Assim, a impugnação do lançamento possibilita sua alteração, implicando a exclusão do crédito tributário constituído na medida exata do valores considerados indevidos, a partir do provimento das razões dos recorrentes, ainda que parciais. A tese do tudo ou nada proposta pela recorrente é expressamente afastada pelo artigo 145 do CTN. Fl. 4627DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.613 5 Destarte, o lançamento foi efetuado pela aplicação das alíquotas sobre as receitas de venda, que consiste no fato gerador das contribuições, a teor dos artigos 1º e 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. O Auditor Fiscal apurou os débitos segundo seu entendimento sobre as parcelas que o compõem, excluindo os valores que entendia cabíveis. Eventuais valores de exclusão que a recorrente defendeu, não considerados pela fiscalização, consistem na própria discussão e essência do contencioso e caso acatados pelos órgãos julgadores, implicará a exoneração do lançamento nos limites devidos, referentes às matérias providas. Por outro lado, as nulidades do lançamento ocorrem quando ausentes os requisitos legais para a lavratura do auto de infração, constantes do art. 101, ou quando lavrado por pessoa incompetente, conforme inciso I do artigo 592, ambos do Decreto 70.235/72: Constatase, porém, que não houve qualquer violação aos pressupostos legais para a lavratura do Auto de Infração, pois foi lavrado por pessoa competente, ou seja, auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, e contém toda descrição dos fatos, cálculo dos valores das contribuições devidas, dos juros e da multa de ofício e indicação dos enquadramentos legais, enfim, suficiente à compreensão pela recorrente, que a demonstrou ao impugnar o lançamento com robustez, deduzindo elementos de fato e de direito para infirmálo. A segunda preliminar pleiteada é a nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação. A recorrente alegou que a decisão recorrida se limitou a replicar o descrito no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, ignorando todos os argumentos trazidos pela recorrente e a análise da situação específica do caso em apreço e que teria infringido os incisos I, III, IV e V do parágrafo único do artigo 489 do CPC (Lei .13.105/2015) A recorrente se insurge especificamente contra a fundamentação da decisão quanto ao afastamento da alíquota zero nas vendas efetuadas à ZFM, à Amazônia Ocidental e à ALC e quanto à consideração de que parcelas dos bônus sobre vendas estejam incluídas no lançamento. 1 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. 2 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 4628DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.614 6 No que tange à aplicação da alíquota zero, a decisão recorrida fundamentou a análise adotando as razões do auditor fiscal no relatório de diligência, conforme transcrito abaixo: 1. DA ALEGADA DESCONSIDERAÇÃO DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM) Nesse tema, conforme bem demonstrou o auditor fiscal no relatório de diligência, não assiste razão à impugnante, Vejase (fls. 4411/4,414): [...] Transcreveu, então, os itens 7 a 20 do Relatório de Diligência, cujo conteúdo afasta a pretensão da recorrente pela aplicação do artigo 2º da Lei nº 10.996/2004, arguindo não se referir aos munícípios de Rio Branco (AC), JiParaná (RO) e Porto Velho (RO) e que o Decreto nº 288/1967 não contempla o benefício de vendas com alíquota zero, razões pelas quais não lhes pode ser aplicado a redução a zero; para os municípios de Manaus (AM), Macapá (AP) e Boa Vista (RR), aplicou o §5º do referido artigo 2º que exige a inserção da expressão "venda de mercadoria efetuada com alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins" com especificação do dispositivo legal, não constante nas notas fiscais; para os municípios de Macapá (AP) e Boa Vista (RR), aplicou a vedação existente no §4 do referido artigo 2º, no sentido de que a alíquota zero não se aplica quando as destinatárias estiverem sujeitas ao regime nãocumulativo das contribuições, o que era o caso. Ressaltou, ainda, que a recorrente efetuou o destaque de PIS e Cofins nas notas fiscais. A respeito dos bônus sobre vendas, assim fundamentou: "Com efeito, como bem destacou a autoridade fiscal, os valores do “bônus sobre vendas” não estão incluídos em nenhuma das notas fiscais de vendas emitidas. Não têm qualquer relação com as vendas praticadas pelo sujeito passivo. São valores transferidos para as concessionárias, diretamente, como demonstra a escrituração contábil no SPED (13811398). O que se constata é que a CAOA utilizou esses valores, sem previsão legal, como abatimento nas bases de cálculo dos débitos de PIS/COFINS. E estas reduções indevidas foram glosadas, em outros autos de infração, cujo crédito tributário é controlado no processo 13116722.236/201459, com as alíquotas de 1,65% (PIS) e 7,6% (COFINS). Rejeito, pois, as alegações da impugnante também quanto a este tema." Assim, pelo fato de não estarem incluídas nas notas, entendeuse que não possuíam relação com as vendas praticadas. Se o argumento é correto ou não, é questão de análise de mérito e eventual reforma da decisão, mas não de sua nulidade por cerceamento de defesa. Já concernente à infringência dos incisos I, III, IV e V do §1º do artigo 489 do NCPC (Lei nº 13.105/2015), transcrevese: Fl. 4629DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.615 7 Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; [...] III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; [...] Como visto, a decisão apenas adotou parte do relatório de diligência, com fulcro no §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/99, no qual estavam delineadas as razões para a não aplicação da alíquota zero do artigo 2º da Lei nº 10.996/2004 e da não inclusão da discussão dos bônus neste lançamento, fatos específicos deste lançamento. A recorrente, por sua vez, não explicou porque os incisos I, III e V foram infringidos, pois não indicou qual ato normativo foi indicado que não se refere à discussão, quais motivos se prestariam a qualquer decisão ou qual súmula foi invocada. Quanto ao inciso IV, salientase que a fundamentação suficiente da decisão recorrida afasta as demais pretensões deduzidas em sentido contrário, não autônomas, ainda que não explicitamente abordadas. Neste sentido, é o entendimento pacífico do STJ, como se observa nos seguintes julgados: Resp nº 879.944MG (2006/01814150): [...]8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Fl. 4630DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.616 8 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Resp nº 885.454DF (2006/01923977) 1. Não há que se falar em ofensa do art. 535 do CPC se o Tribunal de segundo grau resolveu a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. [...]EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.489.482 RS (2014/02694068): PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DE LEI INVOCADOS. SÚMULA 211/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS DO ART. 535 DO CPC. PRETENSÃO DE REEXAME E ADOÇÃO DE TESE DISTINTA. 1. Não são cabíveis os embargos de declaração cujo objetivo é ver reexaminada e decidida a controvérsia de acordo com tese distinta. 2. Não há falar em obscuridade e ausência de fundamentação no afastamento da alegada violação do art. 535 do CPC pela Corte de origem, pois, conforme explicitamente consignado no acórdão embargado, nos termos de jurisprudência do STJ, o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados, como ocorreu no caso em apreço. Aliás, o Superior Tribunal de Justiça, inclusive, já se posicionou quanto aos argumentos apresentados pelas partes, tendo como paradigma o Novo Código de Processo Civil, vide precedente: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." (STJ; 1ª Seção; EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 08.06.2016) Fl. 4631DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.617 9 Da mesma forma, tem trilhado a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme bem ilustra o julgamento realizado sob regime de repercussão geral, cujo enunciado da ementa segue transcrito: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral.3 (grifos não originais) Portanto, entendo que a decisão foi devidamente motivada e que, na realidade, o relator da decisão recorrida nada mais fez que aplicar o §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999, ao adotar e transcrever os fundamentos do relatório fiscal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Ademais, estes pontos foram, justamente, os atacados em recurso voluntário, demonstrando que a recorrente entendeu perfeitamente o conteúdo decisório, não havendo qualquer prejuízo a sua defesa. Todavia, embora afaste a nulidade em vista dos argumentos pleiteados em recurso voluntário, entendo que cabe razão à recorrente quanto à inclusão de parcelas de bônus sobre vendas no lançamento, o que implicará a nulidade da decisão por supressão de instância, como se demonstrará a seguir. Inicialmente, é necessária a análise do argumento trazido pela PGFN em contrarrazões quanto a renúncia à discussão da matéria de bônus sobre vendas. A PGFN informou que nos autos de nº 13116.722236/201459 a recorrente renunciou à discussão acerca do bônus sobre vendas por ter aderido ao PERT em conformidade com os artigos 5º da MP nº 783/2017 e artigo 8º da IN RFB nº 1711/2017, abaixo transcritos: Lei nº 13.496/2017, conversão da MP nº 783/2017: Art. 5o Para incluir no Pert débitos que se encontrem em discussão administrativa ou judicial, o sujeito passivo deverá 3 BRASIL. STF. PLENÁRIO. AI 791292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) Fl. 4632DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.618 10 desistir previamente das impugnações ou dos recursos administrativos e das ações judiciais que tenham por objeto os débitos que serão quitados e renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundem as referidas impugnações e recursos ou ações judiciais, e protocolar, no caso de ações judiciais, requerimento de extinção do processo com resolução do mérito, nos termos da alínea c do inciso III do caput do art. 487 da Lei no 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). § 1o Somente será considerada a desistência parcial de impugnação e de recurso administrativo interposto ou de ação judicial proposta se o débito objeto de desistência for passível de distinção dos demais débitos discutidos no processo administrativo ou na ação judicial. § 2o A comprovação do pedido de desistência e da renúncia de ações judiciais deverá ser apresentada na unidade de atendimento integrado do domicílio fiscal do sujeito passivo até o último dia do prazo estabelecido para a adesão ao Pert. § 3o A desistência e a renúncia de que trata o caput eximem o autor da ação do pagamento dos honorários. IN RFB nº 1711/2017: Art. 8º A inclusão no Pert de débitos que se encontrem em discussão administrativa ou judicial deverá ser precedida da desistência das impugnações ou dos recursos administrativos e das ações judiciais que tenham por objeto os débitos que serão liquidados, e da renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundem as referidas impugnações e recursos ou ações judiciais e, no caso de ações judicias, deverá ser protocolado requerimento de extinção do processo com resolução do mérito, nos termos da alínea “c” do inciso III do art. 487 do CPC. § 1º Será considerada a desistência parcial de impugnação e de recurso administrativos interpostos ou de ação judicial proposta somente se o débito objeto de desistência for passível de distinção dos demais débitos discutidos no processo administrativo ou na ação judicial. § 2º A comprovação do pedido de desistência de ações judiciais e da renúncia às alegações de direito deverá ser apresentada à unidade da RFB do domicílio fiscal do sujeito passivo até o último dia útil de novembro de 2017. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1762, de 21 de novembro de 2017) § 3º A desistência de impugnação ou de recursos administrativos deverá ser efetuada na forma do Anexo Único, a ser apresentado à RFB até o último dia útil do mês de novembro de 2017, em formato digital, devendo ser observado, no que couber, o disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.412, de 22 de novembro de 2013. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1752, de 25 de outubro de 2017) Fl. 4633DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.619 11 § 4º O disposto no § 3º aplicase inclusive à inclusão no pagamento à vista ou no parcelamento, de débitos informados na Declaração de Compensação (DCOMP) a que se refere o § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não homologada, hipótese em que o sujeito passivo deverá desistir da manifestação de inconformidade ou do recurso administrativo relativo ao crédito objeto da discussão.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1752, de 25 de outubro de 2017) § 5º Na hipótese prevista no § 4º, havendo pagamento parcial ou inclusão parcial de débitos no parcelamento, o sujeito passivo deverá informar à unidade da RFB de sua jurisdição a fração do crédito correspondente ao débito a ser incluído no parcelamento. § 6º A desistência e a renúncia de que trata o caput não eximem o autor da ação do pagamento dos honorários, nos termos do art. 90 da Lei nº 13.105, de 2015 CPC. Alega a PGFN que a renúncia nos autos do processo 13116.722236/201459 implica renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto, conforme artigo 78,§§2º e 3º do Anexo II do RICARF. Ocorre que a renúncia é vinculada aos débitos parcelados e ao recurso administrativo interposto no processo que contém referidos débitos, não podendo estender a renúncia a débitos, que, porventura, não estejam incluídos no parcelamento, ainda que o direito sobre os quais se funda recurso administrativo seja idêntico ao do recurso objeto da desistência. No caso, não há qualquer informação sobre o parcelamento de débitos deste processo, nem, por consequência, renúncia ao seu direito. Retornando à análise do bônus, a fiscalização e a decisão recorrida entenderam que, pelo fato de os bônus sobre vendas não estarem incluídos nas notas emitidas, não teriam qualquer relação com as vendas praticadas pelo sujeito passivo. Assim, lhes aplicou as alíquotas gerais de 9,25% (1,65% +7,60%), excluindo os débitos apurados do lançamento. A meu ver, o entendimento é equivocado. A recorrente pleiteou uma exclusão de base de cálculo de receitas, ou seja, uma operação matemática que ocorre antes da aplicação de alíquota, seja ela qual for. Verificase no Termo de Verificação Fiscal (efls. 1446 em diante) que as receitas autuadas foram sujeitas a três tipos de alíquotas 9,25% (1,65% + 7,60%), 11,60% (2% + 9,60%) e 13,10% (2,30% + 10,80%). As alíquotas de 11,60% e 13,10 % se referem à incidência concentrada na venda de veículos e autopeças, respectivamente, de que tratam os artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002. A recorrente afirma que o bônus sobre vendas, pelo montante, somente poderia estar incluído na linha de base de cálculo de 11,60% (alíquota concentrada para venda de veículos). Quanto a sua natureza, afirma na peça impugnatória, que o bônus é pago em razão do modelo e do volume de veículos licenciados ao referido revendedor, representando um desconto incondicional na venda de veículos aos revendedores. Subsidiariamente, caso não acatada a tese de desconto incondicional, a recorrente pediu a consideração como insumo, nos termos do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 4634DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.620 12 Aqui surge um problema quanto à apreciação da natureza do bônus sobre vendas. Se eventualmente, a tese da recorrente fosse acatada quanto à natureza de desconto incondicional, sua exclusão ocorreria na base de cálculo, conforme a alínea "a" do inciso V do §3º do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, abaixo transcritos: § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; Assim, os bônus deveriam se vincular às vendas efetuadas e, no caso, pelo montante dos bônus e pelas alegações feitas na impugnação, é plausível admitir que os bônus se vinculem, pelo menos em sua maior parte, às vendas sujeitas á alíquota de 11,60%, como alegado pela recorrente. Verificase no Termo de Verificação Fiscal que os bônus pagos em 09/2011 foram da ordem de 107 milhões de reais, ao passo que as receitas sujeitas a 9,60% foram da ordem de 2,6 milhões de reais, a 11,60% de 1,7 bilhão de reais e a 13,10% de 14 milhões de reais. Ora, um desconto incondicional de 100 milhões somente poderia incidir sobre receitas de, no mínimo (reduzindo ao absurdo) de 100 milhões. Portanto, na hipótese de acatada a tese do desconto incondicional, necessariamente, terseia que identificar sobre cada bônus pago, a qual receita efetivamente se vincularia, cuja maior parte, pelos montantes considerados, deveria estar vinculada às vendas de veículos, sujeitas á alíquota de 11,60%, conforme alegado pela recorrente. Assim, o litígio sobre o mérito da exclusão dos citados bônus comporia as razões de defesa e seu enfrentamento deveria ter sido realizado pela decisão recorrida, uma vez que os débitos lançados foram sobre todas as notas fiscais e com alíquotas concentradas, ao passo que os bônus foram excluídos mediante alíquotas gerais. Já o argumento subsidiário de se caracterizar o bônus como insumo seria estranho ao processo, uma vez que os créditos sobre tais insumos seria apurado às alíquotas gerais de 9,25%, valores estes que foram excluídos dos débitos totais e lançados no processo 13116.722236/201459. Assim, em termo quantitativos, não haveria parcelas de bônus contidas neste lançamento que pudessem ser alegadas como natureza de insumos, mas somente como descontos incondicionais, já que até o limite das alíquotas de 9,25%, os montantes foram tratados em outro processo. Remanesce tão somente a discussão sobre a natureza dos bônus como descontos incondicionais, matéria esta que não foi abordada na decisão recorrida, embora tenha sido alegada em impugnação como razão de defesa. A decisão recorrida entendeu que o lançamento não abarcava o litígio relativo ao bônus sobre as vendas, que estaria restrito ao processo nº 13116.722236/201459, conforme excerto abaixo: "O que se constata é que a CAOA utilizou esses valores, sem previsão legal, como abatimento nas bases de cálculo dos débitos de PIS/COFINS. E estas reduções indevidas foram glosadas, em outros autos de infração, cujo crédito tributário é controlado no processo 13116722.236/201459, com as alíquotas de 1,65% (PIS) e 7,6% (COFINS)." Fl. 4635DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.621 13 Na realidade, a menção à utilização dos bônus sem previsão legal como abatimento revelase mero obiter dictum, uma vez que a própria decisão entendeu que o litígio estava sendo discutido em outro processo. Assim, toda a argumentação efetuada pela recorrente sobre a natureza de desconto incondicional e seu reflexo tributário no item II.3.1 Do Bônus sobre a Venda de veículos Pago Pela Impugnante às Concessionárias Autorizadas não foi analisada. Destarte, entendo necessário o retorno dos autos à DRJ para elaboração de novo acórdão, de forma a exaurir sua competência originária prevista no artigo 25, inciso I do Decreto nº 70.235/19724 e ao disposto no artigo 315 do referido decreto, quanto à natureza do bônus sobre as vendas como desconto incondicional, evitando a supressão de instância. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 4 Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Vide Decreto nº 2.562, de 1998) (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) 5 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Fl. 4636DF CARF MF Processo nº 13116.722367/201436 Acórdão n.º 3302006.575 S3C3T2 Fl. 4.622 14 Fl. 4637DF CARF MF
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