Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,163)
- Segunda Câmara (27,788)
- Primeira Câmara (25,081)
- Segunda Turma Ordinária d (16,974)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,917)
- Primeira Turma Ordinária (15,574)
- Segunda Turma Ordinária d (15,488)
- Primeira Turma Ordinária (15,372)
- Primeira Turma Ordinária (15,338)
- Segunda Turma Ordinária d (14,081)
- Primeira Turma Ordinária (12,847)
- Primeira Turma Ordinária (12,091)
- Segunda Turma Ordinária d (12,086)
- Quarta Câmara (11,512)
- 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (11,175)
- Quarta Câmara (82,948)
- Terceira Câmara (64,562)
- Segunda Câmara (53,095)
- Primeira Câmara (17,704)
- 3ª SEÇÃO (15,917)
- 2ª SEÇÃO (11,175)
- 1ª SEÇÃO (6,730)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (118,724)
- Segunda Seção de Julgamen (111,224)
- Primeira Seção de Julgame (73,663)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,858)
- Câmara Superior de Recurs (37,418)
- Terceiro Conselho de Cont (25,941)
- IPI- processos NT - ressa (4,994)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,054)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,858)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,236)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,744)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,068)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,335)
- HELCIO LAFETA REIS (3,250)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,194)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,817)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,595)
- WILDERSON BOTTO (2,539)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,385)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,803)
- 2019 (30,948)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,876)
- 2012 (23,621)
- 2023 (22,462)
- 2014 (22,374)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,837)
- 2025 (16,303)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,017)
Numero do processo: 13819.901109/2008-59
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/04/2000
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão de primeira instância motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 28/04/2000
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR.
Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
Numero da decisão: 1002-000.617
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/04/2000 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão de primeira instância motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 28/04/2000 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13819.901109/2008-59
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970605
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1002-000.617
nome_arquivo_s : Decisao_13819901109200859.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANGELO ABRANTES NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 13819901109200859_5970605.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7649612
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660411994112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 413 1 412 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.901109/200859 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.617 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente THOMAS GREG & SONS GRÁFICA E SERVIÇOS, INDÚSTRIA E COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/04/2000 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão de primeira instância motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/04/2000 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 11 09 /2 00 8- 59 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 13819.901109/200859 Acórdão n.º 1002000.617 S1C0T2 Fl. 414 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS (DRJ/POA) mediante o Acórdão n.º 1049.562, de 10/04/2014 (efls. 372 a 374). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] A contribuinte apresentou PER/Dcomp em 12/03/2004, com vistas a compensar os débitos nela discriminados com crédito no valor original de R$34.485,88, oriundo de pagamento indevido ou a maior. Em 09/05/2008, a autoridade administrativa, por meio de Despacho Decisório eletrônico, não reconheceu o direito creditório, afirmando que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (fl. 07). A ciência da decisão acima referida ocorreu em 20/05/2008 (fl. 10). Em 12/06/2008, a contribuinte apresentou petição (fls. 1117), na qual afirmou, em síntese, ter cometido erro no preenchimento da declaração de compensação, na qual constou o valor originário recolhido sem qualquer atualização respeitante aos Fl. 414DF CARF MF Processo nº 13819.901109/200859 Acórdão n.º 1002000.617 S1C0T2 Fl. 415 3 juros, adiantamentos e compensações posteriores; refere que possuiu crédito suficiente para abarcar as compensações realizadas e que há erro tão somente na obrigação acessória da entrega da declaração. Solicitou que seja acolhida a manifestação de inconformidade, reconhecido seu crédito e homologada a compensação. [...] A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, argumentando que o art. 57 da IN SRF n.º 600/2005 não permitia retificação da DCOMP após a ciência do Despacho Decisório, pelo contribuinte, que a atualização monetária do pagamento dito indevido ou a maior fora feita através do programa gerador do PER/DCOMP, e que havia débito declarado em DCTF vinculado ao referido pagamento, o que motivou o contribuinte pleiteante a interpor recurso voluntário, em 15/09/2015 (efls. 379 a 388), no qual alega, em síntese, que: a) Incorreu em erro ao preencher a DCOMP com valor do pagamento indevido/a maior de R$ 34.485,88 sem proceder à atualização monetária na forma dos demonstrativos que traz anexados; b) Tinha saldo a seu favor maior que o valor R$ 34.485,88, apurado nos anos calendário 2000 a 2004, conforme consta nos documentos que juntou aos autos; c) A DRJ/POA não teria conhecido da manifestação de inconformidade, deixando de analisar as alegações ali apostas. Por fim, pede pela nulidade da decisão recorrida, por nova análise das decisões que não homologaram a compensação, e pela suspensão da exigibilidade do débito correspondente. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 13819.901109/200859 Acórdão n.º 1002000.617 S1C0T2 Fl. 416 4 1. Preliminar de nulidade da decisão recorrida. Possibilidade de correção do erro formal ocorrido. O recorrente pugna pela nulidade do Acórdão n.º 1049.562, da DRJ/POA, de 10/04/2014, porque no seu entender haveria a possibilidade da correção do erro formal ocorrido, e teria então a Turma Julgadora da DRJ deixado de analisar as razões da manifestação de inconformidade. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure ou se impulsione o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As decisões das DRJs e do CARF, como atos administrativos, devem estar revestidas dos atributos que lhes conferem validade. Para que produza efeitos que vinculem o administrado, o ato administrativo deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. As autoridades tributárias responsáveis pelo julgamento de 1.ª instância agiram em cumprimento com o dever de ofício, e com zelo e dedicação as atribuições afetas ao cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o ato decisório, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.3 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente, da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional4. Ao contrário do que aponta o recurso voluntário, a manifestação de inconformidade foi, sim, conhecida, tendo sido objeto de julgamento, como denotam a ementa e o texto do voto, no corpo do acórdão recorrido. O desenvolvimento das razões de decidir não deixa dúvida relativamente aos fundamentos daquela decisão: 1) O art. 57 da IN SRF n.º 600/2005 não permite retificação da DCOMP após a ciência, pelo contribuinte, do Despacho Decisório; 2) Que, ao contrário do que afirma o contribuinte na manifestação de inconformidade, o valor informado como crédito foi atualizado de R$ 34.485,88 para R$ 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 4 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 13819.901109/200859 Acórdão n.º 1002000.617 S1C0T2 Fl. 417 5 58.205,27 (efl. 3); e 3) Houve débito declarado em DCTF vinculado ao referido pagamento, e que isso difere bastante da hipótese de erro no preenchimento da declaração. Logo, é de se concluir que as alegações contidas na manifestação de inconformidade foram, sim, analisadas pela 1.ª Turma Julgadora da DRJ/POA. Assim, o Acórdão da 1.ª TURMA/DRJ/POA n.º 1049.562, de 10/04/2014, e fls. 372 a 374, contém todos os requisitos legais, o que lhe confere existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que está instruído com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. Não obstante, a maneira como foram enfrentadas as questões na peça de defesa denota compreensão da fundamentação e da base legal correlata que ensejaram a não homologação expressa na decisão recorrida, não havendo qualquer indicativo de lesão aos princípios da ampla defesa e do contraditório. 2. Mérito. Ônus probatório. Liquidez e certeza do crédito nos procedimentos de compensação de tributos. De início, faz bastante sentido reproduzir alguns trechos do recurso voluntário, abaixo, para que seja confirmado que o núcleo da contestação ali exposta é que teria havido erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois não teriam sido considerados na composição de seu crédito atualizações de juros, adiantamentos e compensações posteriores, e que este erro deveria ser objeto de nova análise: [...] 3. Em 12/06/2008, a Recorrente apresentou petição em sede de Manifestação de Inconformidade, no qual afirmou, em síntese, ter cometido erro no preenchimento da declaração de compensação, eis que teria constado o valor originário recolhido sem qualquer atualização quanto aos juros, adiantamentos e compensações posteriores, mas que havia crédito suficiente para abarcar as compensações realizadas, e que havia apenas erro na obrigação acessória da entrega da declaração, razão pela qual o pleito deveria ser acolhido, com o reconhecimento do crédito e homologada a compensação. (grifo no original). 4. Todavia, não foi esse o entendimento da 1ª Turma da DRJ/POA, [...] [...] 7. Ora Srs. Julgadores, [...] a Recorrente possuía sim crédito em seu favor de valor mais do que suficiente para efetuar o pagamento do débito indicado na PER/DCOMP, via compensação, na forma prevista no artigo 170, do Código Tributário Nacional, como se verifica da planilha que instruiu a manifestação de inconformidade, apta a comprovar de modo inequívoco a existência de crédito líquido e certo em favor da Contribuinte. (grifei aqui). 8. Ocorre que, quando do preenchimento da Declaração de compensação, via PER/DCOMP, por lapso, a Impugnante acabou por informar que tinha saldo a seu favor de valor equivocado. Pois bem, naquela oportunidade, isto é, em 12.03.2004, a Impugnante informou que possuía crédito em seu favor no valor de R$ 34.485,88, quando em verdade possuía saldo favorável total à época de valor mais Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13819.901109/200859 Acórdão n.º 1002000.617 S1C0T2 Fl. 418 6 do que suficiente para suportar o pagamento da compensação. Referido saldo favorável foi apurado nos períodos compreendidos entre 2000 a 2004, como se verifica da acostadas aos Autos (sic). (grifos no original). [...] 13. Embora, num primeiro momento, tenha ocorrido erro no preenchimento de declaração de compensação, buscou a contribuinte retificálos na interposição das manifestações de inconformidade apresentadas. 14. Por conseguinte, sendo indiscutível que a não homologação da compensação decorreu exclusivamente do erro no preenchimento do documento eletrônico, merecem ser anuladas as decisões que não homologaram as compensações em exame, devendo ser devolvidas às declarações de compensação à autoridade fiscal para nova análise, com a devida correção do erro formal relativo ao valor dos créditos compensáveis. (grifei aqui). [...] 16. Nesse sentido, vale ressaltar, a jurisprudência pátria vem entendendo ser perfeitamente possível admitir a hipótese de que as decisões que não homologaram as compensações em exame devem ser à autoridade fiscal para nova análise (sic), com a devida correção do erro formal relativo ao valor dos créditos compensáveis quando buscou a contribuinte retificálos na interposição das manifestações de inconformidade, como se depreende da seguinte ementa, em situação absolutamente idêntica à presente: (grifei). TRIBUTÁRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. APRECIAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. ANULAÇÃO DOS DESPACHOS. CABIMENTO. 1. A análise dos documentos demonstra que os pedidos de compensação (...) (grifei). [...] Antes de mais nada, é bom que se diga que o caráter inequívoco da confirmação do seu crédito, que o recorrente entende estabelecido pela planilha que foi acostada aos autos acompanhando o recurso voluntário — e que entende justificar a devolução do processo para que a autoridade fiscal proceda a nova análise do erro formal —, não se faz amparar por qualquer documento probatório que dê base aos dados contidos na planilha elaborada pelo próprio recorrente. Outra observação inicial importante é a de que o julgado colacionado ao corpo do recurso voluntário já traz no início de sua ementa o elemento condicionante que é o contexto probatório, particular para cada caso concreto, o que não caracteriza, de jeito algum, "(...) situação absolutamente idêntica à presente", como afirma o recorrente. Aliás, pelo contrário, é o que diferencia os casos. Deve restar consignado ainda que o julgado colacionado no recurso voluntário indiscutivelmente não traz qualquer semelhança com as decisões de observância obrigatória pelo CARF de que trata o § 2.º do art. 62, do Anexo II, da Potaria MF n.º 343/2015 (RICARF). Fl. 418DF CARF MF Processo nº 13819.901109/200859 Acórdão n.º 1002000.617 S1C0T2 Fl. 419 7 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. O pedido de compensação de que trata este processo encontrase em efls. 2 a 6, e data de 12/03/2004. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior5. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender alegando ausência de provas, pois essas provas do direito creditório são de produção obrigatória dele, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas, embora tenha tido o recorrente oportunidades para tal, visto que não foram juntadas às peças de defesa administrativa impetradas. Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações6. Cabe no processo administrativo a aplicação dos arts. 333, do CPC, e 373 do NCPC. Não há oposição deste relator à razoabilidade da busca da verdade material no processo administrativo. Isso não afasta, porém, a observação obrigatória da minúcia adstrita aos pedidos de compensação de tributos: o ônus da prova do direito creditório alegado é do contribuinte: Lei n.º 5.869/73 (CPC): (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Lei n.º 13.105/2015 (NCPC): (...) Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) A necessidade de se apurar a liquidez e certeza do crédito alegado em pedido de compensação decorre do texto legal do art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN): 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 6 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13819.901109/200859 Acórdão n.º 1002000.617 S1C0T2 Fl. 420 8 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei). Dado que a questão da nulidade pugnada pelo recorrente já fora analisada no item "1" deste voto, será dada atenção à pretensão do recurso quanto à devolução dos autos para que seja providenciada nova análise dos créditos compensáveis sob a influência do erro de preenchimento apontado. A propósito, a leitura do recurso voluntário permite concluir que ali se noticia erro de preenchimento do PER/DCOMP, conquanto o recorrente ora se refira a erro no PER/DCOMP, ora erro na DCTF. Diante dos elementos contidos no processo, não há razão para que se examine a possibilidade de remessa para que a autoridade fiscal refaça análise do PER/DCOMP em face do erro de preenchimento alegado em recurso voluntário. Embora o CARF não faça mais juízo absoluto a respeito da impossibilidade de retificação ou avaliação de noticiado erro de preenchimento da DCOMP após a ciência, pelo contribuinte, do Despacho Decisório (art. 57 da IN SRF n.º 600/2005), é preciso que nos autos sejam juntadas provas robustas na direção da verossimilhança que justifique tal retificação/reavaliação. Vale bastante a leitura dos artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n.º 70.235/72. A leitura associada permite concluir pela realização de diligências somente quando houver dúvida razoável que possa ser sanada pela medida, e quando se demonstrar necessária sua providência, não para sanar ausência de produção de prova de responsabilidade do contribuinte que pretende compensar tributos, provas das quais já tinha a posse ou acesso, e para as quais o termo limite para apresentação seria o momento da interposição da manifestação de inconformidade. Sequer foi juntado ao recurso voluntário material probante nessa linha, que pudesse suscitar dúvida capaz de contextualizar a circunstância processual sob a necessidade de busca de uma verdade material. Decreto n.º 70.235/72: (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 13819.901109/200859 Acórdão n.º 1002000.617 S1C0T2 Fl. 421 9 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (...) (grifei). Registro que falase aqui em diligência que possa ser solicitada por esta Turma Julgadora, tão somente, uma vez que não consta dos pedidos inseridos no recurso voluntário. O que o recorrente traz como material probante se resume a uma planilha elaborada por ele próprio e cópias das páginas do PER/DCOMP. O conjunto probatório referente às argumentações de defesa deveria conter cópias de sua escrita contábil/fiscal com os lançamentos que compuseram os valores de IRPJ apurados, pagos, compensados etc., registros das receitas e das apurações de resultado, cópias das DIPJs, DCTFs e DARFs correspondentes aos períodos de interesse (anos calendário 200 a 2004), documentos bancários (extratos, comprovantes de pagamento) e/ou outros que pudessem contribuir para evidenciar o erro alegado e, consequentemente, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Tudo isso já se encontrava em posse do recorrente ao tempo da manifestação de inconformidade, ou a seu alcance. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 13819.901109/200859 Acórdão n.º 1002000.617 S1C0T2 Fl. 422 10 Em que pese tudo acima, ainda que expirado o prazo legal para apresentação das provas (§ 4.º do art. 16 do Dec. n.º 70.235/72), a conjuntura de eventuais novas provas trazidas com substancial verossimilhança que apontassem com muita solidez para a racionalidade dos argumentos contidos no recurso voluntário, ou seja, para que se confirmasse o erro de preenchimento do PER/DCOMP, poderia talvez ensejar diligência na busca de uma verdade material. Em favor do conhecimento e valoração dos elementos probatórios segundo estas circunstâncias descritas, alinhamse diversos julgados do CARF, como ilustra um deles: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora. (Acórdão n.º 1803000.765, 3.ª Turma Especial, 02/04/2011). Todavia, dado que o retorno dos autos para a Unidade Preparadora (DRF ou equivalente) teria tão somente o propósito de permitir àquela unidade solicitar ao recorrente as informações que este já poderia e deveria ter juntado aos autos, ultrapasso a medida da diligência por entendêla, neste caso, desnecessária. Aos órgãos julgadores não é dada competência para proceder auditoria, direta ou indiretamente. O certo é que o crédito pretendido pelo recorrente na forma como indicado na PER/DCOMP fora utilizado integralmente para quitar débito do mesmo período, informado em DCTF, deixando o recurso voluntário de demonstrar a existência do alegado crédito excedente que supriria o valor do débito que foi, segundo o recorrente, compensado com crédito cujo valor teria sido erroneamente declarado. É de se registrar que a cobrança do referido débito indicado no PER/DCOMP já se encontra sob o que dispõe o art. 151, III, do CTN, e assim perdurará desde que haja recurso pendente. Pelas razões expostas, não há contexto de provas capaz de retificar o Despacho Decisório de efl. 7, que vincula o pretenso crédito a débito confessado pelo próprio contribuinte recorrente. Por fim, no que ser refere a atualização por juros do valor do crédito pleiteado pelo recorrente, tão alardeada no seu recurso voluntário, é preciso consignar concordância com as conclusões da decisão recorrida a respeito: está mais do que claro que a atualização do crédito indicado no PER/DCOMP foi realizada, conforme demonstra a página 2 do referido PER/DCOMP, n.º 16000.34039.120304.1.3.042909, efl. 3 deste processo. Nada foi apresentado no recurso voluntário em termos de contestação das normas que regem os cálculos e parâmetros utilizados pelo programa PER/DCOMP na atualização dos créditos, tampouco, como já dito, em termos de comprovação dos valores constantes da planilha anexa ao referido recurso. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13819.901109/200859 Acórdão n.º 1002000.617 S1C0T2 Fl. 423 11 Por tudo analisado, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. Fl. 423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.724952/2011-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 18/01/2008
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
(Súmula CARF nº 103).
Numero da decisão: 2401-006.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausentes as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 18/01/2008 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula CARF nº 103).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10469.724952/2011-30
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5983937
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.127
nome_arquivo_s : Decisao_10469724952201130.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 10469724952201130_5983937.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausentes as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7686607
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660442402816
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-03T02:13:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-04-03T02:13:39Z; Last-Modified: 2019-04-03T02:13:39Z; dcterms:modified: 2019-04-03T02:13:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-04-03T02:13:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-04-03T02:13:39Z; meta:save-date: 2019-04-03T02:13:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-03T02:13:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-04-03T02:13:39Z; created: 2019-04-03T02:13:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-04-03T02:13:39Z; pdf:charsPerPage: 1350; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-04-03T02:13:39Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 257 1 256 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.724952/201130 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2401006.127 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2019 Matéria IRPF GANHO DE CAPITAL PERMUTA DE IMÓVEIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ÁLVARO ALBERTO TRINDADE DOS SANTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 18/01/2008 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula CARF nº 103). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausentes as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 49 52 /2 01 1- 30 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10469.724952/201130 Acórdão n.º 2401006.127 S2C4T1 Fl. 258 2 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pela Presidente da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), em face da decisão administrativa consubstanciada no Acórdão nº 0440.785, de 23/05/2016, cujo dispositivo considerou a impugnação procedente, com exoneração integral do crédito tributário. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 245/248): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 PERMUTA DE IMÓVEIS. EXCLUSÃO NA DETERMINAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. Para efeito de exclusão na determinação de ganhos de capital equiparamse às permutas, as operações quitadas de compra e venda terreno, seguidas de confissão de dívida e escritura pública de dação em pagamento de unidades imobiliárias construídas ou a construir e o terreno objeto da operação de compra e venda seja, até o final do anocalendário seguinte ao em que esta ocorrer, dado em hipoteca para obtenção de financiamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Extraise do Auto de Infração que o lançamento referese a crédito tributário apurado de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) em decorrência de ganho de capital na alienação de imóvel, no anocalendário de 2008 (fls. 02/17). A ciência da autuação se deu em 30/06/2011, por via postal, tendo o sujeito passivo apresentado impugnação no prazo legal (fls. 156/158 e 160/177). O colegiado de primeira instância decidiu pela improcedência do lançamento fiscal, por entender que o contribuinte realizou operação equivalente à permuta de imóveis, em 18/01/2008, para a qual a legislação excluiu a tributação do ganho capital (art. 121, do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. A pessoa física foi cientificada da decisão de piso por via postal em 16/06/2016, porém não consta nos autos manifestação sobre a matéria (fls. 250/253). É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10469.724952/201130 Acórdão n.º 2401006.127 S2C4T1 Fl. 259 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Formalizado na própria decisão, o recurso de ofício foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dado que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. Há dois anos, no entanto, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União de 10/02/2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Segundo o novel ato administrativo, o recurso de ofício deverá ocorrer sempre que a decisão de primeira instância exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2,5 milhões. A respeito da aplicação do limite de alçada no tempo, por tratarse de norma processual, consolidouse o entendimento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) da sua aplicação imediata aos processos em curso, em detrimento ao regramento vigente à época da interposição do recurso de ofício. Tal posição consta do enunciado da Súmula nº 103: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Compulsando os autos, verifico que o total do lançamento originário, composto do imposto, juros e multa, é equivalente a R$ 2.463.803,19 (fls. 02/03). Em consequência, o valor desonerado pela decisão de piso, para fins de avaliação do juízo de admissibilidade do recurso de ofício, é inferior ao patamar mínimo de R$ 2,5 milhões. Logo, não conheço do recurso de ofício, por falta de previsão legal, tendo em conta o limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 63, de 2017. Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000761/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2007
PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
A ocorrência de decadência de parte do lançamento não acarreta na nulidade total do lançamento.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Não deve ser conhecida a matéria inovada em recurso voluntário que não havia sido objeto de impugnação, tendo sido consumada a preclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Ronnie Soares Anderson. Ausentes os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A ocorrência de decadência de parte do lançamento não acarreta na nulidade total do lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Não deve ser conhecida a matéria inovada em recurso voluntário que não havia sido objeto de impugnação, tendo sido consumada a preclusão. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16004.000761/2010-41
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5984791
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-004.915
nome_arquivo_s : Decisao_16004000761201041.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 16004000761201041_5984791.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Ronnie Soares Anderson. Ausentes os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Andréa de Moraes Chieregatto.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7687923
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660445548544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1482; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 405 1 404 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000761/201041 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.915 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente UNIDOS AGRO INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A ocorrência de decadência de parte do lançamento não acarreta na nulidade total do lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Não deve ser conhecida a matéria inovada em recurso voluntário que não havia sido objeto de impugnação, tendo sido consumada a preclusão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Ronnie Soares Anderson. Ausentes os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 61 /2 01 0- 41 Fl. 405DF CARF MF Processo nº 16004.000761/201041 Acórdão n.º 2202004.915 S2C2T2 Fl. 406 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 16004.000761/201041, em face do acórdão nº 1453.796, julgado pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 25 de setembro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização em nome do sujeito passivo acima identificado, por meio do Auto de Infração DEBCAD nº 37.300.1479 no valor de R$ 8.480,55, consolidado em 29/11/2010, referente às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos e devidas pela empresa. Constituíram fatos geradores das contribuições lançadas os valores despendidos na aquisição de produtos alimentícios para fornecimento de cestas básicas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, no período de 03/2005 a 03/2007, sem que a empresa estivesse inscrita no PAT, e apurados com base na contabilidade (Levantamento “CB1 Cesta Básica”). O sujeito passivo apresentou impugnação aos autos de infração, na qual alega e requer, em suma, o seguinte: Decadência Quando a impugnante foi notificada deste lançamento, em 06/12/2010, já se encontrava decadente o crédito previdenciário relativo ao período de 03/2005 até 12/2005, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, segundo o qual se opera a homologação tácita após cinco anos da ocorrência do fato gerador (Transcreve ementas de decisões do STJ e do CARF). Nulidade do Lançamento Ao se exigir valores já extintos pela decadência, o lançamento não identificou corretamente o montante do tributo devido, estando assim em descordo com o que determina o artigo 142 do CTN, razão pela qual deve ser julgado nulo. Pedido Requer o reconhecimento da decadência do crédito relativo ao período de 03/2005 a 12/2005, e, por conseguinte, a nulidade do lançamento, por ofensa ao artigo 142 do CTN. Requer que todas as intimações e avisos sejam feitos no endereço da impugnante, bem como no endereço de seus procuradores. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 16004.000761/201041 Acórdão n.º 2202004.915 S2C2T2 Fl. 407 3 É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação, manifestandose a respeito da decadência e da multa aplicada, mantendo em parte o crédito tributário exigido, excluindo os valores lançados nas competências 03/2005 a 11/2005, em razão do reconhecimento da decadência. Irresignada com o Acórdão, em Recurso Voluntário apresentado em 20 de maio de 2015, o contribuinte requereu a parcial reforma do Acórdão, para que fosse declarado: (i) nulo o Auto de Infração DEBCAD nº 37.300.1479, em razão de decadência de parte dos débitos em cobrança; (ii) a exclusão dos valores correspondentes à contribuição destinadas a terceiros sobre os valores despendidos com a aquisição de produtos alimentícios para fornecimento de cestas básicas aos seus segurados empregados independentemente da inscrição no PAT, de acordo com o Ato Declaratório RFB nº 03/11. Em impugnação, a contribuinte, em suma, havia requerido o reconhecimento da decadência dos débitos relativos às competências de março a dezembro de 2005, bem como que fosse declarado nulo o Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Delimitação da lide. Compreendo que a matéria suscitada somente em recurso voluntário deve ser tratada como não impugnada, não podendo ser analisada por esta instância julgadora, pois já consumada a preclusão. Por tais razões, deixo de conhecer o recurso quanto ao pedido de a exclusão dos valores correspondentes à contribuição destinadas a terceiros sobre os valores despendidos com a aquisição de produtos alimentícios para fornecimento de cestas básicas aos seus segurados empregados independentemente da inscrição no PAT, de acordo com o Ato Declaratório RFB nº 03/11 2. Alegação de nulidade em razão da decadência parcial do lançamento. Não acarreta, em relação a parte do lançamento não objeto de reconhecimento da decadência, a sua nulidade, em razão do reconhecimento pela instância julgadora a quo de que o lançamento estaria decaído em parte. Neste caso, somente aquilo que foi reconhecido como decaído é que se afasta do lançamento, permanecendo a lide em relação Fl. 407DF CARF MF Processo nº 16004.000761/201041 Acórdão n.º 2202004.915 S2C2T2 Fl. 408 4 a parte em que não houve reconhecimento da decadência, sem qualquer afronta ao art. 142 do CTN. Deste modo, deve ser rejeitada a preliminar suscitada, também aqui tratada como mérito do recurso. Conclusão. Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 408DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002252/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/07/1993 a 31/03/1996
DCOMP. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. PRAZO PRESCRICIONAL.
O prazo para a compensação mediante apresentação Dcomp de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução.
Numero da decisão: 3302-006.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/07/1993 a 31/03/1996 DCOMP. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo para a compensação mediante apresentação Dcomp de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.002252/2008-43
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5988667
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.719
nome_arquivo_s : Decisao_13896002252200843.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
nome_arquivo_pdf_s : 13896002252200843_5988667.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7697876
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660457082880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.002252/200843 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.719 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Recorrente CAMPARI DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/1993 a 31/03/1996 DCOMP. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo para a compensação mediante apresentação Dcomp de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 22 52 /2 00 8- 43 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13896.002252/200843 Acórdão n.º 3302006.719 S3C3T2 Fl. 3 2 Transcrevo e adoto como parte de meu relato o relatório do acórdão da DRJ/RPO nº 1464.368, da 5ª Turma, proferido na sessão de 20 de fevereiro de 2017: Trata o presente processo das Declarações de Compensação de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, decorrente do processo judicial nº 94.03.0793228, transmitidas através dos PER/Dcomps nº 12724.78291.150703.1.3.572630 (R$ 652.878,8) e 36125.11245.041103.1.3.573302 (R$ 8.427,1). A ação judicial nº 94.03.0793228 contestava o recolhimento do PIS nos moldes dos Decretosleis nº 2.445/88 e 2.449/88. A DRF Barueri não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações, através do despacho decisório de fls. 166/173, pois a ação judicial teria transitado em julgado em 26/06/1996, mas o primeiro PER/Dcomp teria sido transmitido apenas em 15/07/2003, ou seja, após decorridos mais de cinco anos do trânsito em julgado, de modo que o direito estaria prescrito, nos termos do art. 168, inc. II do Código Tributário Nacional. A autoridade ressaltou que mesmo que as compensações tivessem sido transmitidas dentro do prazo de cinco anos, não haveria direito creditório, pois aplicada a decisão judicial (que não abordou a questão da semestralidade), não foi apurado direito creditório, conforme demonstrativos de fls. 155/165. Cientificado do despacho em 14/07/2008 (fl. 174), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 205/212, em 11/08/2008, para alegar que o prazo prescricional previsto no art. 168, inc. I do CTN, somente teria início após o decurso de cinco anos, previsto no art. 150, §4º, do mesmo Código. De tal modo, alegou que o prazo prescricional mais remoto teria início apenas em julho/1998 (julho/1993 + cinco anos), e que o STJ já teria decidido que a segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005 somente seria aplicável aos pleitos formulados a partir de junho de 2005. No que tange à semestralidade, alegou que o STJ teria pacificado sua aplicação, e que o 2º Conselho de Contribuintes teria editado a Súmula nº 11, determinando que a base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7/70 seria o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Como a ação judicial nº 94.03.0793228 não teria abordado essa questão, a autoridade administrativa teria o dever de aplicála. Concluiu, para requerer o provimento de seu recurso, alegando direito à homologação das compensações. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13896.002252/200843 Acórdão n.º 3302006.719 S3C3T2 Fl. 4 3 A decisão da DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade da contribuinte, por entender ter havido a ocorrência de prescrição do direito de compensar o créditos decorrente de decisão judicial definitiva, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/1993 a 31/03/1996 DCOMP. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo para a compensação mediante apresentação Dcomp de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimada da decisão acima, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. O inconformismo contra a r. decisão de piso esta circunscrito na pesquisa quanto a existência da prescrição do direito da recorrente de compensar créditos tributários reconhecidos em mandado de segurança 91.07226144, que questionou ac constitucionalidade do recolhimento do PIS na forma dos Decretosleis 2.445 e 2.449 e da Lei Complementar 7/70. Para a recorrente a questão da semestralidade relacionada ao recolhimento do PIS teria sido analisada quando da decisão judicial, por essa razão, para a análise da prescrição de se direito ao crédito, deveria ser levada em conta a data de seu fato gerador. O trânsito em julgado do mandado de segurança deuse em 26/06/1996, conforme demonstrado nos autos, sendo cento que os pedidos de restituição/compensação foram protocolados em 15/07/2003 e 04/11/2003. Entendo que tal premissa não pode ser aceita para presente discussão. Em que pese ter a recorrente alegado não ter discutido a questão da semestralidade do recolhimento da contribuição no mandado de segurança, a decisão transitada Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13896.002252/200843 Acórdão n.º 3302006.719 S3C3T2 Fl. 5 4 em julgado que afastou a constitucionalidade dos Decretosleis 2.445 e 2449, não deixa claro que a matéria não teria sido analisada. No que diz respeito ao tema da decisão judicial, entendo que não pode a Administração modificar decisão judicial, mormente aquelas transitadas em julgado, conforme aquela apontada no presente processo. Vale lembrar que o pedido de restituição está lastreado pela informação de decisão transitada em julgado e não na restituição de crédito recolhido indevidamente ou a maior, nas outras circunstâncias previstas pela legislação pertinente. Nesse sentido, entendo que as alegações trazidas pela recorrente não dever prosperar. Estamos diante de pedido de restituição/compensação solicitado em virtude de decisão transitada em julgado que trouxe a inconstitucionalidade dos decretos acima mencionados, levada a apreciação inclusive da CSRF, tradizida no acórdão n. 9303002033, vejamos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. INTERPRETAÇÃO AMPLIATIVA. IMPEDIMENTO. A autoridade Administrativa está impedida de dar interpretação ampliativa ou alargar o alcance de decisão proferida pelo Poder Judiciário para assegurar direitos não reconhecidos na tutela jurisdicional. PRAZO PRESCRICIONAL. INDÉBITO. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARF. A restituição/compensação de tributos recolhidos indevidamente é de 5 anos contados da data do trânsito em julgado da sentença judicial que reconheceu o direito. No caso de indébito reconhecido judicialmente, o prazo contase em 5 anos a partir do trânsito em julgado. Parecer Normativo COSIT nº 11/2014: O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. No presente momento é válido observarmos parte dos apontamento discutidos no Parecer Normativo mencionado: Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13896.002252/200843 Acórdão n.º 3302006.719 S3C3T2 Fl. 6 5 CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL 6. Verificandose como ocorre o procedimento de compensação de créditos decorrentes de ação judicial transitada em julgado na via administrativa, cabe analisar o prazo prescricional para assim proceder. Notese que a Lei nº 9.430, de 1996, no seu art. 74, a despeito de dispor sobre tal forma de compensação, nada disse sobre o prazo prescricional para apresentar a Dcomp decorrente da ação judicial, apenas prevendo o prazo para a Fazenda Nacional homologála ou não. 6.1. Cabe separar duas situações distintas: (i) o pedido de restituição, ressarcimento e Declaração de Compensação, requerendo o reconhecimento do indébito pela própria Administração Pública; (ii) a declaração de compensação em que o reconhecimento daquele crédito do contribuinte deuse na via judicial. Na primeira circunstância, o que se requer é que a RFB analise o mérito da lide, quer dizer, se procede ou não aquele pedido ou se existe ou não o alegado crédito. Na segunda, a RFB simplesmente vai cumprir a sentença transitada em julgado, devendose analisar as questões formais (o que inclui eventual ocorrência de prescrição daquele crédito) e o quantum debeatur, no caso das sentenças ilíquidas. Mas é bom ressaltar que a regramatriz que gerou o direito ao crédito surgiu com a sentença transitada em julgado. 6.2. Na primeira circunstância, não há dúvida quanto ao prazo decadencial para interpor o pedido administrativo de restituição/ressarcimento ou apresentar a Declaração de Compensação: cinco anos contados da extinção do crédito tributário a ser restituído, ressarcido ou compensado, ou da reforma de decisão condenatória, consoante dispõe o art. 168 do CTN: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 6.3. Na segunda, entretanto, não há prazo expresso na legislação. O prazo do art. 168 do CTN (ou do art. 169, a depender do caso) é o prazo para interpor a ação judicial. O que se analisa aqui é o prazo prescricional após a ação judicial que gera um crédito decorrente de tributo federal em favor de um contribuinte, vale dizer, o prazo prescricional para extinguir o débito do Fisco. Não há que se falar em extinção de crédito tributário ou anulação de ação condenatória de que trata o art. 168 do CTN. Entretanto, como a lei que disciplinou a forma de Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13896.002252/200843 Acórdão n.º 3302006.719 S3C3T2 Fl. 7 6 compensação de créditos decorrente de ação judicial (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) não dispôs sobre essa contagem (assim como fez com o prazo para homologação de cinco anos da Dcomp), cabe ao intérprete fazêlo. 7. A tese de imprescritibilidade não pode prevalecer. Em prol da segurança jurídica, no direito tributário e processual tributário sempre há prazos extintivos para realizar um direito, pretensão ou ação, seja por parte do contribuinte, seja por parte da Administração Pública. A tese de imprescritibilidade estaria eivada de inconstitucionalidade, tendo em vista que a Constituição Federal traz expressamente os escassos casos em que ela ocorre. 8. Resta, portanto, com fulcro no inciso I do art. 108 do CTN, utilizar a analogia. Existem duas opções: aplicação do art. 168 do CTN ou do Decreto nº20.910, de 1932. 8.1. Quanto ao art. 168 do CTN, ele é taxativo quanto às hipóteses para sua aplicabilidade, em que o dies a quo é necessariamente a extinção do crédito tributário ou a anulação de uma decisão condenatória. 8.2. A outra opção é a utilização do Decreto nº20.910, de 1932, já que ele tem um espectro bastante amplo, principalmente quando dispõe da sua aplicabilidade para qualquer dívida passiva da União. 8.3. Tal discussão fica um pouco prejudicada, pois ambos os dispositivos trazem o prazo de cinco anos. O que resta dúvida é acerca da contagem desse prazo. 9. Na linha do item 6.1, a restituição do indébito pode se dar mediante processo administrativo em que a própria Administração reconhece o indébito em favor do contribuinte (o que inclui a homologação de Declaração de Compensação), ou somente após ação judicial transitada em julgado (interposta após negativa de ação administrativa ou diretamente). O contribuinte deverá respeitar os prazos dos arts. 168 e 169 do CTN para assim proceder, seja em que instância for. 9.1. Na via administrativa, é o despacho decisório (ou acórdão que deu provimento a recurso) que defere a restituição, que reconhece o direito do sujeito passivo, a despeito de ter efeito condenatório à própria Fazenda Nacional. Reconhecido o direito, a Fazenda Nacional, depois de eventual compensação de ofício, evidentemente tem o dever de dar cumprimento àquela sua decisão, o que é feito de ofício. 9.2. O caso aqui tratado é em relação ao indébito que foi constituído por uma sentença transitada em julgado, cujo prazo do art. 168 ou 169 do CTN foi respeitado para sua interposição. Entretanto, ao contrário do indébito reconhecido administrativamente, o judicial demanda algumas formalidades extras, como a interposição de sua execução (separação entre ação de conhecimento e de execução ainda existente nas ações contra a Fazenda Nacional), inexistente evidentemente em Fl. 305DF CARF MF Processo nº 13896.002252/200843 Acórdão n.º 3302006.719 S3C3T2 Fl. 8 7 âmbito administrativo. Para a circunstância de ação reconhecendo crédito do contribuinte decorrente de tributo federal, a lei ordinária, como já visto, criou a possibilidade de o contribuinte realizar compensação em âmbito administrativo. A celeuma objeto do presente Parecer Normativo apenas ocorre por existência de lacuna na Lei nº9.430, de 1996, e não no CTN. Mas tal opção não altera a natureza jurídica dessa compensação, que nada mais é do que forma de execução da sentença transitada em julgado. 10. Segundo o STJ, "a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que é de cinco anos, contados a partir do trânsito em julgado da sentença condenatória, o prazo prescricional para a propositura da ação executiva contra a Fazenda Pública, em conformidade com a Súmula n. 150/STF”. (Resp 1.248.517/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 9/6/11). Logo, não há razoabilidade em conceder prazos distintos para os casos em que a mera “execução” da sentença transitada em julgado se dê via ação judicial para pagamento por precatório ou via administrativa por compensação. Desse modo, o prazo para apresentar uma Dcomp é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença ou da homologação da desistência da execução contra a Fazenda Nacional. (...) 13. Enquanto não houver alteração na legislação ou no procedimento de controle desses créditos por parte da RFB, a interpretação contida nesse Parecer Normativo é a que prevalece no âmbito da RFB. Conforme podemos observar do acima exposto, o caso em comento, não está incluído na tese dos 5 + 5, pois diz respeito a matéria discutida em ação judicial. Assim, o prazo para repetição do indébito é de 5 anos, contados do trânsito em julgado da decisão que lhe reconheceu o direito ao indébito. No presente caso, o prazo final para protocolo do pedido de restituição/compensação seria 26/06/2001. Os pedidos de restituição/compensação foram transmitidas em 15/07/2003 e 04/11/2003, portanto posterior à data final para exercer o seu direito. Desta forma, não há como serem atendidas as alegações da recorrente, devendo persistir na negativa do direito creditório pleiteado, mantendose a r. decisão de piso. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13896.002252/200843 Acórdão n.º 3302006.719 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722492/2013-49
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÕES MATERIAIS.
Uma vez confirmadas as inexatidões materiais no Acórdão nº 9101-003.581, de 09/05/2018, os embargos inominados devem ser acolhidos para os devidos esclarecimentos, e também para a substituição da parte dispositiva do referido acórdão, que passa a conter a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, (i) em relação à multa qualificada, por unanimidade de votos, e (ii) em relação à decadência, por maioria de votos, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra (relator), que não conheceu dessa parte. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araujo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos em que admitido, e no mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Quanto ao recurso da Fazenda Nacional, votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araujo".
Numero da decisão: 9101-004.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para fins de solucionar as inexatidões materiais contidas no Acórdão nº 9101-003.581, de 09/05/2018, prestando os devidos esclarecimentos e determinando ainda nova redação para sua parte dispositiva.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÕES MATERIAIS. Uma vez confirmadas as inexatidões materiais no Acórdão nº 9101-003.581, de 09/05/2018, os embargos inominados devem ser acolhidos para os devidos esclarecimentos, e também para a substituição da parte dispositiva do referido acórdão, que passa a conter a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, (i) em relação à multa qualificada, por unanimidade de votos, e (ii) em relação à decadência, por maioria de votos, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra (relator), que não conheceu dessa parte. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araujo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos em que admitido, e no mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Quanto ao recurso da Fazenda Nacional, votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araujo".
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.722492/2013-49
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5989693
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-004.059
nome_arquivo_s : Decisao_19515722492201349.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 19515722492201349_5989693.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para fins de solucionar as inexatidões materiais contidas no Acórdão nº 9101-003.581, de 09/05/2018, prestando os devidos esclarecimentos e determinando ainda nova redação para sua parte dispositiva. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7698118
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660460228608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2106; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.722492/201349 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9101004.059 – 1ª Turma Sessão de 12 de março de 2019 Matéria INEXATIDÃO MATERIAL Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado VICTOR MANUEL PACHECO ARENAS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÕES MATERIAIS. Uma vez confirmadas as inexatidões materiais no Acórdão nº 9101003.581, de 09/05/2018, os embargos inominados devem ser acolhidos para os devidos esclarecimentos, e também para a substituição da parte dispositiva do referido acórdão, que passa a conter a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, (i) em relação à multa qualificada, por unanimidade de votos, e (ii) em relação à decadência, por maioria de votos, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra (relator), que não conheceu dessa parte. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araujo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos em que admitido, e no mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Quanto ao recurso da Fazenda Nacional, votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araujo". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para fins de solucionar as inexatidões materiais contidas no Acórdão nº 9101003.581, de 09/05/2018, prestando os devidos esclarecimentos e determinando ainda nova redação para sua parte dispositiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 92 /2 01 3- 49 Fl. 3756DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101004.059 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de embargos inominados interpostos pela Fazenda Nacional, visando sanar alegadas inexatidões materiais que estariam presentes no Acórdão nº 9101003.581, proferido por este colegiado na sessão de 09/05/2018. O acórdão embargado apresenta a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. PROCEDÊNCIA. A prática reiterada, durante todo o anocalendário de 2008, de omitir valores relevantes de receitas auferidas, apuradas conforme movimentações financeiras em contas bancárias mantidas à margem da escrituração contábil, caracteriza a conduta dolosa e justifica a imputação da multa qualificada. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo decadencial deslocase para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de conduta dolosa, conforme a Súmula CARF nº 72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, (i) por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; (ii) por unanimidade de votos, acordam em negar provimento em relação à decadência. Acordam, ainda, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, (i) em relação à multa qualificada, por unanimidade de votos e, (ii) em relação à decadência, por maioria de votos, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que não conheceu dessa parte. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Fl. 3757DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101004.059 CSRFT1 Fl. 4 3 Para o processamento dos embargos, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: ao ensejo, a Fazenda Nacional requer a retificação das inexatidões materiais, nos termos do art. 66 do RICARF, contidas no acórdão: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, (i) por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; (ii) por unanimidade de votos, acordam em negar provimento em relação à decadência. Acordam, ainda, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, (i) em relação à multa qualificada, por unanimidade de votos e, (ii) em relação à decadência, por maioria de votos, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que não conheceu dessa parte. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.” compulsando o voto do Relator, Conselheiro Gerson Macedo Guerra, verificase que sua conclusão foi no sentido de conhecer parcialmente do recurso especial interposto pelo contribuinte (apenas quanto à multa qualificada), sendo que no acórdão constou que o referido recurso foi conhecido integralmente, em votação unânime; também consta no acórdão que, em votação unânime, foi negado provimento ao recurso interposto pelo contribuinte quanto à decadência. Ocorre que: (i) nos termos do voto do Relator, o recurso não foi conhecido quanto a essa matéria; (ii) não consta que o Relator foi vencido nesse ponto; (iii) não consta voto vencedor quanto ao conhecimento e negativa de provimento em relação à decadência; de modo geral, a redação do dispositivo do acórdão não reflete com clareza o posicionamento do Colegiado. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional se insurgiu em face do (des)agravamento da multa de ofício (112,5%) e não quanto à multa qualificada, nem quanto à decadência, como sugerem os subtópicos (i) e (ii) acrescidos após referência ao recurso fazendário. Esses tópicos foram questionados pelo contribuinte; logo, fazse necessário retificar os trechos acima destacados do acórdão, diante das inexatidões materiais apontadas acima, nos termos do art. 66 do RICARF. Os embargos foram admitidos e encaminhados ao colegiado, conforme o despacho exarado em 12/12/2018 pela Presidente da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às efls. 3751/3754. É o relatório. Fl. 3758DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101004.059 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço dos embargos, porque eles preenchem os requisitos para a sua admissibilidade. O acórdão embargado realmente contém inexatidões materiais que precisam ser sanadas. De fato, a redação do dispositivo do acórdão não refletiu com clareza o posicionamento do Colegiado. Cabe esclarecer que o posicionamento do Conselheiro Gerson Macedo Guerra, relator do caso nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi no sentido de conhecer parcialmente do recurso especial interposto pelo contribuinte (apenas quanto à multa qualificada). Sua decisão foi de não conhecer do recurso especial do contribuinte na parte relativa à decadência. Em síntese, quanto ao recurso especial do contribuinte, o relator ficou vencido em relação ao mérito da questão sobre a multa qualificada; ficou vencido em relação à preliminar de não conhecimento da questão sobre a decadência; e, depois de vencido na matéria preliminar, também ficou vencido no mérito sobre a decadência. Coube a mim a elaboração do voto vencedor em relação a esses pontos. Cabe também esclarecer que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional realmente tratou da questão relativa ao agravamento da multa de ofício, e não de questões sobre a multa qualificada e a decadência (que foram objeto do recurso especial do contribuinte). A decisão do colegiado foi no sentido de confirmar a exclusão da multa agravada, ficando vencida apenas a Conselheira Viviane Vidal Wagner em relação a esse aspecto. O voto vencedor por mim proferido foi bem explícito em afirmar que "a mesma fraude que ensejou a qualificadora, também ensejou o afastamento da decadência, tendo em vista a aplicação do prazo previsto no art. 173, I, do CTN, e não o do art. 150, §4º, ambos do CTN"; que "conforme a Súmula CARF nº 72, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de conduta dolosa"; e que "não há portanto nenhum reparo a ser feito no acórdão recorrido. A multa qualificada deve mesmo ser mantida, e a alegação de decadência, rejeitada". Assim, não há dúvidas de que houve negativa de provimento do recurso especial do contribuinte, tanto em relação à multa qualificada, quanto em relação à decadência. O que faltou dizer no referido voto vencedor é que a divergência em relação ao relator não dizia respeito apenas à aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, mas também à preliminar de não conhecimento do recurso especial do contribuinte, na parte relativa à decadência, assim como ao próprio mérito dessa matéria. Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101004.059 CSRFT1 Fl. 6 5 Faço, então, o devido esclarecimento. A divergência quanto ao não conhecimento de parte do recurso especial do contribuinte devese ao fato de que a decisão de segunda instância administrativa vinculou diretamente sua decisão sobre decadência à multa qualificada: DECADÊNCIA O recorrente pleiteia a aplicação da regra decadencial estabelecida no art. 150 do CTN para todos os tributos objeto dos autos de infração por estarem sujeitos ao lançamento por homologação. Para a solução da lide transcrevo o art. 150 do CTN: [...]; Observese que o direito do Fisco constituir lançamentos de ofício nos tributos sujeitos aos lançamentos por homologação é de cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, entretanto, o § 4º acima transcrito excepciona dessa regra os lançamentos de ofício em que forem constatadas a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Caso sejam constatados a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, a seguir citado: [...]; No presente processo restou comprovada a ocorrência da conduta dolosa do contribuinte, conforme acima demonstrado no item do recurso que analisou a qualificação da multa, devendo portanto ser aplicada a regra do art. 173, inciso I. Assim, se a decisão de segunda instância vinculou diretamente essas matérias (uma como conseqüência da outra), o recurso especial do contribuinte que ataca as duas matérias, embora focando em uma delas multa qualificada, pode perfeitamente ser admitido como apto a produzir efeitos também em relação à decadência, nada impedindo que o julgador venha posteriormente defender entendimento diferente sobre essa vinculação de matérias (como fez o próprio relator do caso), mas isso já em relação ao julgamento de mérito, e não para fins de negar a admissibilidade do recurso. Em razão disso, o recurso especial do contribuinte foi conhecido em relação às duas matérias (multa qualificada e decadência), vencido o relator nessa preliminar de não conhecimento de parte do recurso. O mérito sobre a questão da multa qualificada está bem explicitado no meu voto que consta do acórdão embargado, vencido também o relator em relação a esse ponto. E no mérito da questão sobre a decadência, novamente divergi do relator, entendendo que "a mesma fraude que ensejou a qualificadora, também ensejou o afastamento da decadência, tendo em vista a aplicação do prazo previsto no art. 173, I, do CTN, e não o do art. 150, §4º, ambos do CTN"; que "conforme a Súmula CARF nº 72, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de conduta dolosa"; e que "não há portanto nenhum reparo a ser feito no acórdão recorrido. A multa qualificada deve mesmo ser mantida, e a alegação de decadência, rejeitada". Fl. 3760DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101004.059 CSRFT1 Fl. 7 6 Desse modo, ACOLHO os presentes embargos inominados para fins de solucionar as inexatidões materiais contidas no Acórdão nº 9101003.581, de 09/05/2018, prestando os esclarecimentos acima e determinando ainda que sua parte dispositiva passe a conter a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, (i) em relação à multa qualificada, por unanimidade de votos, e (ii) em relação à decadência, por maioria de votos, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra (relator), que não conheceu dessa parte. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araujo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos em que admitido, e no mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Quanto ao recurso da Fazenda Nacional, votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araujo". Em síntese, CONHEÇO e ACOLHO os presentes embargos, sem efeitos infringentes, para fins de solucionar as inexatidões materiais contidas no Acórdão nº 9101 003.581, de 09/05/2018, prestando os devidos esclarecimentos e determinando ainda nova redação para sua parte dispositiva. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3761DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13977.000231/2003-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
NORMAS PROCESSUAIS. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO VIA DCTF. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, com autorização judicial ainda que precária, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprovado.
Numero da decisão: 3402-006.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões considerando o trânsito em julgado favorável ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 NORMAS PROCESSUAIS. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO VIA DCTF. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, com autorização judicial ainda que precária, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprovado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13977.000231/2003-89
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5973581
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.284
nome_arquivo_s : Decisao_13977000231200389.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 13977000231200389_5973581.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões considerando o trânsito em julgado favorável ao contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7657390
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660483297280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 115 1 114 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13977.000231/200389 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.284 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria Auto de Infração DCTF Recorrente TERCILIO MARCHETTI INDUSTRIA E COMERCIO DE AUTOPEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 NORMAS PROCESSUAIS. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO VIA DCTF. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, com autorização judicial ainda que precária, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprovado”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões considerando o trânsito em julgado favorável ao contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 7. 00 02 31 /2 00 3- 89 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13977.000231/200389 Acórdão n.º 3402006.284 S3C4T2 Fl. 116 2 Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis, até aquela fase processual: Trata o presente processo da impugnação ao lançamento constante no Auto de Infração de fls. 6 e 7, integrado pelos demonstrativos de fls. 8 a 14, o qual exige da interessada retro identificada o pagamento da importância de R$ 87.655,41, a titulo de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, referente aos quatro trimestres do anocalendário 1998, acrescida da multa de oficio de 75% e dos juros de mora. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a autuação deuse em virtude da falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme consta no Anexo III — Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar. Conforme Anexo I — Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados, temse que, em face da falta de comprovação do processo judicial n° 96.200.22297, não se confirmaram as vinculações informadas pela contribuinte (compensação sem DARF — outros — PJU) nas retro mencionadas DCTF. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1 e 2, instruída com os documentos de fls. 3 a 18, fundamentandose nas razões sintetizadas a seguir. Inicialmente, informa que foi detentora de um crédito originado pelo pagamento a maior do FINSOCIAL, reconhecido judicialmente (processo n° 96.200.22297), tendo procedido a compensação de seu crédito com débitos da COFINS; que são verdadeiras as informações nas DCTF, pelo que não procede a ocorrência de "processo judicial não comprovado". Afirma, ainda, que a IN SRF n° 32, de 1997, convalidou a compensação do FINSOCIAL com a COFINS. Diante disso, requer que seja conhecida a presente impugnação e, conseqüentemente, seja anulado o Auto de Infração. Ao prestar a Informação Fiscal de fls. 74 a 76, a autoridade competente da DRF/BLUMENAU manifestase pela procedência parcial do lançamento, haja vista que os créditos da interessada não foram suficientes para quitar os débitos, permanecendo exigível a parcela de R$ 646,53 relativa ao PA 09/1998 e integralmente o débito relativo ao PA 10/1998. Por meio do acórdão nº 0715.154, de 13 de fevereiro de 2009 (fls. 93 a 95), a 4ª Turma da DRJ Florianópolis, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento efetuado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13977.000231/200389 Acórdão n.º 3402006.284 S3C4T2 Fl. 117 3 AUTO DE INFRAÇÃO. DCTF. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS A COMPENSAR: Para que seja possível a compensação créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos. Lançamento Procedente Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.107 a 113), alegando, em síntese: I) Modificação do critério jurídico adotado no lançamento (falta de comprovação do processo judicial indicado na DCTF); II) Violação aos artigos 170 e 170A do CTN, visto que a compensação independeria de autorização administrativa e trânsito em julgado; III) Desnecessidade da comprovação da existência de liquidez e certeza do crédito; IV) Que a compensação foi regular e legal. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Conforme relatado, tratase de Auto de Infração eletrônico de COFINS, relativo a revisão de DCTF referente ao anocalendário 1998, com a acusação de falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, e ocorrência "Proc. jud. não comprova". A DRJ manteve o lançamento efetuado por entender que, mesmo confirmandose a existência do processo judicial n° 96.200.22297 informado nas DCTF, à época em que tais declarações foram apresentadas (30/04/1998, 04/08/1998, 03/11/1998 e 29/01/1999), não havia transitado em julgado a sentença judicial que reconheceu o direito creditório da interessada, o que s6 veio a ocorrer em 21/06/1999. A Recorrente alega a modificação do critério jurídico adotado no lançamento, visto que consta expressamente como fundamento do Auto de Infração a falta de comprovação do processo judicial indicado na DCTF; a violação aos artigos 170 e 170A do CTN, visto que Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13977.000231/200389 Acórdão n.º 3402006.284 S3C4T2 Fl. 118 4 a compensação independeria de autorização administrativa e trânsito em julgado; a desnecessidade da comprovação da existência de liquidez e certeza do crédito; e que a compensação processada seria regular e legal. O tema é recorrente neste Conselho. Tratase da velha discussão de Auto de Infração eletrônico, com a informação “Proc. Jud. não comprova”. As decisões deste Conselho, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, majoritariamente apontam no sentido de se considerar improcedente o lançamento com fundamentação “proc. jud. não comprova”, quando for comprovada a existência do processo judicial informado na DCTF e quando houver decisão, ainda que precária, autorizando a compensação: NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprovado”. (Acórdão 9303006.675, sessão de 12 de abril de 2018, relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovada a existência do processo judicial informado na DCTF, e que nele houve decisão autorizando a realização de depósitos judiciais para a suspensão da exigibilidade do PIS, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. (Acórdão 9303003.307, sessão de 25 de março de 2015, relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres) COMPENSAÇÃO VIA DCTF Se na data da compensação o contribuinte levoua a cabo com créditos embasados em vigente decisão judicial, embora precária, deve a Administração aceitala, apenas certificandose da liquidez e certeza dos créditos utilizados na compensação. Isso porque a decisão judicial, no caso, é anterior a vigência da LC 104/2001, que trouxe ao CTN o art. 170A. (Acórdão 9303007.491, sessão de 16 de outubro de 2018, relator Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire) Foi o que ocorreu no presente caso. Ainda que não houvesse o trânsito em julgado do processo 96.200.22297 informado nas DCTF, havia autorização judicial à época da declaração, ainda que precária, para que o sujeito passivo efetuasse a compensação. Não se trata de exigir o Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13977.000231/200389 Acórdão n.º 3402006.284 S3C4T2 Fl. 119 5 trânsito em julgado, conforme determina o artigo 170A do CTN, que veio ao mundo jurídico com a edição da Lei Complementar 104/2001. Reproduzo excerto do voto condutor do acórdão 9303007.491, da lavra do i.Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que adoto como minhas razões de decidir no presente caso: “Pois bem, o fundamento da autuação foi que o contribuinte prestara uma informação inexata. Contudo, efetivamente, o contribuinte detinha na data da declaração uma antecipação de tutela que lhe conferia a possibilidade de compensar com outros tributos os valores pagos de PIS/faturamento com espeque nos malfadados DL 2.445 e 2.449. E, de fato, à época ainda não havia o art. 170A do CTN, que veio ao mundo jurídico com a LC 104 somente em 2001. Assim, se na época havia uma decisão judicial que permitia a compensação, à Administração, à época, só restava obedecêla. Portanto, entendo, com base na legislação regente à época dos fatos, que foi legítima a compensação e não podemos concluir, como no lançamento, que o processo judicial não estava comprovado ("Proc. jud não comprova"). Assim, deve ser dado provimento parcial ao recurso do contribuinte, declarandose a improcedência do lançamento de COFINS (débito compensado). Contudo, a competência para a homologação é da autoridade local, que deve certificarse da liquidez e certeza dos créditos compensados para só então chancelala.” Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.900064/2013-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir.
A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo.
Em que pese a superioridade de eventual decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se ela não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas.
É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa da impugnante, que não era parte da ação judicial de mesmo objeto.
Nulidade da decisão recorrida
Aguardando nova decisão
Numero da decisão: 3402-006.382
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo. Em que pese a superioridade de eventual decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se ela não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas. É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa da impugnante, que não era parte da ação judicial de mesmo objeto. Nulidade da decisão recorrida Aguardando nova decisão
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10315.900064/2013-45
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5984901
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.382
nome_arquivo_s : Decisao_10315900064201345.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10315900064201345_5984901.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7688703
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660486443008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.900064/201345 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.382 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria MANDADO DE SEGURANÇA Recorrente PAU BRASIL VEICULOS E PECAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo. Em que pese a superioridade de eventual decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se ela não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas. É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa da impugnante, que não era parte da ação judicial de mesmo objeto. Nulidade da decisão recorrida Aguardando nova decisão Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 00 64 /2 01 3- 45 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10315.900064/201345 Acórdão n.º 3402006.382 S3C4T2 Fl. 0 2 determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Versam os autos sobre PER/DCOMPs que restaram indeferidas/não homologadas, consoante razões constantes no Despacho Decisório que instrui os autos. Insatisfeita com esta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que não foi conhecida pelo colegiado a quo, sob o argumento de que a matéria estaria sendo discutida no mandado de segurança coletivo nº 2008.34.00.0011699 (nova numeração 0001162.69.2008.4.01.3400). Cientificada dessa decisão (acórdão nº 08035.443), a interessada apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese: Nos termos da Súmula nº 629 do STF, a impetração de mandado de segurança coletivo prescinde de autorização de seus associados, o que significa que esses não estão obrigados a aproveitar os benefícios obtidos na possível decisão favorável concedida no processo ajuízado pela associação, podendo, inclusive, ajuizar demanda individual própria. O período abrangido pelos créditos concedidos no processo judicial da Assobrav não é o mesmo do crédito por aquela pleiteado administrativamente, como destacou o AuditorFiscal, razão pela qual não há vinculação entre o processo administrativo e o mandado de segurança. Portanto, a alínea "c" do Ato Declaratório nº 03/96 não se aplica ao caso, devendo o recurso ser recebido e conhecido. A recorrente está sujeita à alíquota zero de PIS/Cofins sobre as receitas decorrentes de suas vendas de veículos e peças, dentro do regime de incidência monofásica ao qual está submetido, conforme disposto na Lei nº 10.833/2003, de forma que tem direito ao aproveitamento de créditos pelas suas aquisições de veículos e peças para revenda, nos termos do art. 16 da MP nº 206/2004 e do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10315.900064/201345 Acórdão n.º 3402006.382 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.362, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10315.720660/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.362) "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Importa verificar se teria havido a concomitância do presente processo administrativo com o mandado de segurança coletivo nº 000116269.2008.4.01.3400, distribuído na 17ª Vara Federal em Brasília, impetrado pela Associação Brasileira de Distribuidores Volkswagen Assobrav em face do Secretário da Receita Federal do Brasil. A questão do encerramento da discussão no âmbito administrativo quando a matéria seja submetida à apreciação judicial foi tratada nos seguintes dispositivos legais: Decretolei nº 1.737/79: Art 1º (...) (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Lei nº 6.830/80: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10315.900064/201345 Acórdão n.º 3402006.382 S3C4T2 Fl. 0 4 de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. [negritos da Relatora] A matéria foi objeto da Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Pelo que se depreende dos textos em negrito dos dispositivos acima, a renúncia ou desistência do litígio administrativo somente resta caracterizada quando a ação judicial é proposta pelo contribuinte ou sujeito passivo ou, no mínimo, integre o seu pólo ativo como litisconsorte, o que é bastante razoável, eis que a contribuinte, quando opta pela via judicial, já é sabedora da previsão de caracterização de renúncia ou desistência do seu recurso administrativo. Por certo, a contribuinte não poderia perder o direito à discussão administrativa em face da opção de outrem pela via judicial. No mais, tratandose de normas que excepcionam a regra geral de que o administrado tem direito ao devido processo legal no âmbito administrativo, é certo que não poderia haver interpretação extensiva ou ampliativa dessa exceção. Considerando, no entanto, a regulamentação um pouco dúbia dada pelo art. 87 do Decreto nº 7.574/20111, que parece abrigar a mera existência de ação judicial com o mesmo objeto, convém prosseguir um pouco mais na análise da matéria. Sobre a questão da identidade entre os objetos dos processos administrativo e judicial, o Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27/08/2014, veicula o seguinte entendimento: 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº 3, de 1996, a Súmula nº 1 do CARF e a Portaria MF nº 341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos 1 Decreto nº 7.574/2011: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10315.900064/201345 Acórdão n.º 3402006.382 S3C4T2 Fl. 0 5 procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2º da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10315.900064/201345 Acórdão n.º 3402006.382 S3C4T2 Fl. 0 6 pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1º e 2º, do CPC; e Súmula nº 1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. Assim, o entendimento que prevalece na Receita Federal é no sentido de que deve ser dado ao instituto da concomitância tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10315.900064/201345 Acórdão n.º 3402006.382 S3C4T2 Fl. 0 7 No caso, embora não conste nos autos a petição inicial do referido mandado de segurança coletivo, a fim de que se possa cotejar os pedidos e causas de pedir dessa ação judicial com aqueles do presente processo, podese analisar, de imediato, a questão de a impetrante do mandado de segurança não ser a própria recorrente, mas uma entidade da qual ela é associada. Sobre o conceito de parte e substituição processual, Humberto Theodoro Júnior2, nos ensina que: (...) Assim para Liebman, "são partes do processo os sujeitos do contraditório instituído perante o juiz (os sujeitos do processo diversos do juiz, para os quais este deve proferir o seu provimento". Parte, portanto, em sentido processual, é o sujeito que intervém no contraditório ou que se expõe às suas consequências dentro da relação processual. (...) Em regra a titularidade da ação vinculase à titularidade do pretendido direito material subjetivo, envolvido na lide (legitimação ordinária). Assim, "ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico" (NCPC, art. 18). Há, só por exceção, portanto, casos em que a parte processual é pessoa distinta daquela que é parte material do negócio jurídico litigioso, ou da situação jurídica controvertida. Quando isso ocorre, dáse o que em doutrina se denomina substituição processual (legitimação extraordinária), que consiste em demandar a parte, em nome próprio, a tutela de um direito controvertido de outrem. (...) (...) Uma consequência importante da substituição processual, quando autorizada por lei, passase no plano dos efeitos da prestação jurisdicional: a coisa julgada formase em face do substituído, mas, diretamente, recai também sobre o substituído. A regra, porém prevalece inteiramente na substituição nas ações coletivas de consumo. Nestas, as sentenças benéficas fazem coisa julgada para todos os titulares dos direitos homogêneos defendidos pelo substituto processual (CDC, art. 103, III). O insucesso, porém, da ação coletiva não obsta as ações individuais, a não ser para aqueles que tenham integrado o processo como litisconsortes (CDC, arts. 94 e 103, §2º). Nesse último caso, a coisa julgada impede a repropositura da ação coletiva, mas não o manejo de ações individuais 2 THEODORO JR., Humberto. Curso de Direito Processual Civil Teoria geral do direito processual civil, processo de conhecimento e procedimento comum. v. 1. 58. ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2017, p. 270/273. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10315.900064/201345 Acórdão n.º 3402006.382 S3C4T2 Fl. 0 8 com o mesmo objeto visa pela demanda coletiva. Dizse que a pretensão individual nunca será a mesma formulada coletivamente, ou seja: o direito difuso ou coletivo nunca se confunde com o direito individual de cada um dos indivíduos interessados. Mesmo no caso dos direitos individuais homogêneos, o que se discute, coletivamente, é apenas a tese comum presente no grupo de cointeressados. Nunca ficará o indivíduo privado do direito de demonstrar que sua situação particular tem aspectos que justificam a apreciação da ação individual. (...) Com relação especificamente ao mandado de segurança coletivo, esclarece Sergio Ferraz3 que: "(...) a entidade comparece não em representação, mas em defesa dos interesses ou direitos de seus filiados. Há, pois, legitimação direta, extraordinária (substituição processual), nãointermediada, para agir. Por isso, aqui não se há de cogitar de autorização expressa, mandato etc. (...)"4. Prossegue o autor: "(...) a legitimação coletiva não exclui a individual, ainda que sobre o mesmo tema versado no writ coletivo (...). Tampouco invocável, aqui, a excludente de litispendência, eis que, no eventual ajuizamento de mandado de segurança individual e coletivo contra o mesmo ato coator, pertinente a mesma constrição, não está estritamente configurado o requisito da identidade dos autores (...)". Dessa forma, no presente caso, não se verifica a identidade entre as partes do processo administrativo fiscal e do mandado de segurança coletivo, razão pela qual não há que se falar em concomitância entre o presente processo e o referido mandado de segurança. Nesse sentido já foi decidido por este CARF, conforme ementas abaixo transcritas: Acórdão nº 3402004.614– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 20017 Relator: Carlos Augusto Daniel Neto ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. 3 FERRAZ, Sergio. Mandado de Segurança. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 73/77. 4 Vide Súmula do STF nº nº 629, nos seguintes termos:"A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes". Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10315.900064/201345 Acórdão n.º 3402006.382 S3C4T2 Fl. 0 9 A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acórdão n° 9101001.216 — 1ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2011 Relator: Antonio Carlos Guidoni Filho Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercícios: 1998, 2000, 2002 Ementa: PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. É impróprio falarse em afronta ao principio da unicidade de jurisdição neste caso, pois o sistema jurídico admite a coexistência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual), sendo que, via de regra, aplicarseá ao contribuinte aquela proferida no processo individual. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. Recurso Especial do Procurador Negado. Ademais, não se poderia sequer alegar relação de prejudicialidade entre os processos, eis que, pelo que consta no sítio do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o mandado de segurança coletivo já transitou em julgado com resultado desfavorável à associação impetrante. Dessa forma, em consonância com o disposto no art. 59, II do Decreto nº 70.235/725, entendo que deve ser declarada a 5 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10315.900064/201345 Acórdão n.º 3402006.382 S3C4T2 Fl. 0 10 nulidade da decisão recorrida para que outra seja proferida com a análise de mérito dos argumentos da impugnante, que não é parte na ação judicial. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722916/2017-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11516.722916/2017-87
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5976205
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-000.962
nome_arquivo_s : Decisao_11516722916201787.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11516722916201787_5976205.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7665826
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660491685888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 929 1 928 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.722916/201787 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.962 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de fevereiro de 2019 Assunto Solicitação de diligência Recorrente BRF S. A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente de Autos de Infração para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, relativos ao período de julho a dezembro de 2012, por não oferecimento à tributação de subvenção de créditos presumidos de ICMS, reclassificação fiscal de carnes temperadas, kits, pãodequeijo, produtos de pastelaria, coxinhas, empadas e sanduíches, produtos com Código de Situação Tributária CST e descrição omissos não oferecidos à tributação, deslocando a situação tributária de alíquota zero ou suspensão para tributação às alíquotas gerais. Em impugnação, a recorrente alegou preliminar de nulidade do Auto de Infração por ofensa ao artigo 142 do CTN. No mérito, defendeu que a subvenção de créditos presumidos de ICMS não configura receita e refutou a reclassificação fiscal dos produtos, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 22 91 6/ 20 17 -8 7 Fl. 942DF CARF MF Processo nº 11516.722916/201787 Resolução nº 3302000.962 S3C3T2 Fl. 930 2 exceto pãodequeijo. Porém, quanto a este último, ainda que correta a reclassificação fiscal, o novo código também garantiria alíquota zero; defendeu, ainda, que deveria ser cancelado o lançamento no caso de CST e descrição omissos, pelo fato de a fiscalização não ter buscado a verdade material A Quarta Turma da DRJ em Florianópolis julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 30/11/2012, 31/12/2012 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, via de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições; ressalvada, a partir de vigência Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 30/11/2012, 31/12/2012 PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, via de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições; ressalvada, a partir de vigência Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 30/11/2012, 31/12/2012 PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. COMPROVAÇÃO DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte, quando intimado para tanto, levar ao conhecimento da fiscalização todas as características das mercadorias e insumos utilizados na produção de produtos os quais entenda que sejam sujeitos à alíquota zero devido à sua classificação na NCM. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 30/11/2012, 31/12/2012 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias NESH estabelecem o alcance e o conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo SH, pelo que devem ser obrigatoriamente observadas para que se realize a correta classificação de mercadoria. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 11516.722916/201787 Resolução nº 3302000.962 S3C3T2 Fl. 931 3 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. ORDEM DE APLICAÇÃO. A primeira das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGISH prevê que se determina a classificação de produtos na NCM de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e, quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. CARNE. CLASSIFICAÇÃO. Toda a carne temperada, exceto se apenas com sal, deve ser classificada no Capítulo 16. BOLSA TÉRMICA. CLASSIFICAÇÃO A “bolsa térmica” reutilizável que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, não consistindo de uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que acondiciona, deve ser classificada na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. MASSA PARA PÃO DE QUEIJO. CLASSIFICAÇÃO. A massa para “pão de queijo”, em se tratando de preparação alimentícia de farinhas, na forma de pasta crua e congelada, para a preparação de produtos de padaria, que já é vendida modelada na forma do produto final, deve ser classificada na posição 1901.2000. TORTAS. CLASSIFICAÇÃO. A classificação mais adequada para “torta” não é na posição 19.02, notadamente devido à forma de preparação e apresentação dos produtos dessa posição, mas na posição 19.05, conforme item 10 da NESH da posição. SANDUÍCHES PRONTOS. CLASSIFICAÇÃO. A classificação mais adequada para “sanduíche pronto” não é na posição 19.02, notadamente devido à forma de preparação e apresentação dos produtos dessa posição, mas na posição 16.02, conforme Regra 3, item X, exemplo 1. COXINHA DE FRANGO. EMPADA. CLASSIFICAÇÃO. A classificação mais adequada para “coxinha de frango” não é na posição 19.02, notadamente devido à forma de preparação e apresentação dos produtos dessa posição, mas na posição 16.02, conforme Nota 1a) do Capítulo 19, Nota 2 do Capítulo 16 e os textos da posição 16.02 e da subposição 1602.32, considerando a RGIHI nº 6. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 944DF CARF MF Processo nº 11516.722916/201787 Resolução nº 3302000.962 S3C3T2 Fl. 932 4 Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas na impugnação, além de inovar quanto à ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe delimitar a lide, no sentido de não conhecer a matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, uma vez que não foi expressamente contestada em impugnação, revelandose preclusa sua dedução apenas em recurso voluntário, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Em preliminar, a recorrente alegou a nulidade do lançamento, pelo fato de a fiscalização não ter se pautado em laudo técnico para efetuar as reclassificações fiscais, de forma contrária à opinião de dois laudos técnicos apresentados pela recorrente, pois que há necessidade de haver laudos técnicos para se fundamentar as classificações fiscais dos produtos, ou seja, é requisito indispensável. Não havendo laudo técnico, teria a fiscalização infringido o artigo 142 do CTN, desclassificando mais de 200 produtos sem reclassificálos, invertendo o ônus da prova para a recorrente. Quanto à necessidade de haver laudo técnico para se efetuar a classificação fiscal das mercadorias, tal alegação não é procedente. A classificação fiscal é efetuada pela aplicação das Regras Gerais Interpretativas para o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (RGISH), constantes do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71/1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409/1988, com posteriores alterações aprovadas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por força da competência que lhe foi delegada pelo art. 2º do Decreto nº 766/1993, bem assim como das Regras Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tarifa Externa Comum (TEC) e da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados (TIPI) e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 7.212/2010: Art.16.Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para InterpretaçãoRGI, Regras Gerais ComplementaresRGC e Notas ComplementaresNC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, integrantes do seu texto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art.17.As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de MercadoriasNESH, do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das Posições e Subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, Fl. 945DF CARF MF Processo nº 11516.722916/201787 Resolução nº 3302000.962 S3C3T2 Fl. 933 5 Posições e de Subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). E a atividade de efetuar a classificação fiscal de produtos não se considera aspecto técnico a ser veiculado em laudo pericial, mas sim atividade inserida na competência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, conforme disposto no §1º1 do artigo 30 do Decreto nº 70.235/1972 e no inciso XIX do artigo 15 do Anexo I do Decreto nº 7.482/2011 (revogado pelo Decreto nº 9.003/2017), vigente à época dos fatos: Art.15.À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete::: [...]XIXdirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, inclusive representando o País em reuniões internacionais sobre a matéria;; Destarte, a classificação fiscal que possa ser efetuada apenas com base na aplicação das Regras Gerais de Interpretação e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado prescinde da existência de laudos periciais, o que, por óbvio, não invalida sua necessidade em casos que se discutam aspectos técnicos (os quais, como já explicado, não se referem à interpretação das regras de classificação fiscal), como a composição química dos produtos ou suas propriedade físicoquímicas. Todavia, esta apreciação, no caso concreto, se confunde com o mérito e será analisada adiante. No que tange à inversão do ônus da prova, devese ter em mente que o fato gerador das contribuições nãocumulativas é o auferimento de receitas e sujeitas às alíquotas gerais de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,6% para a Cofins, a teor do disposto nos artigos 1º e 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A sujeição à alíquota zero é regra de exceção à regra geral, assim, como as normas que condicionam as saídas com suspensão. Cabe, à recorrente, o ônus de provar que as vendas de seus produtos se enquadram nas regras excepcionais, uma vez que qualquer receita, bastando ser auferida, deveria compor a base tributável às alíquotas gerais. Destarte, se a fiscalização demonstra que a classificação fiscal utilizada pela recorrente não permite o enquadramento das vendas nas regras de alíquota zero ou suspensão, então cabe a tributação na regra geral, podendo inclusive utilizar alíquota mais elevada, se ocorrer a situação prevista nos §§ 2º, 4º, 5º e 6º do artigo 24 da Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. [...]§ 2o O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da 1 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 11516.722916/201787 Resolução nº 3302000.962 S3C3T2 Fl. 934 6 Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. [...]§ 4o Para a determinação do valor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep, na hipótese de a pessoa jurídica auferir receitas sujeitas a alíquotas diversas, não sendo possível identificar a alíquota aplicável à receita omitida, aplicarseá a esta a alíquota mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse ao recolhimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, calculadas por unidade de medida de produto, não sendo possível identificar qual o produto vendido ou a quantidade que se refere à receita omitida, a contribuição será determinada com base na alíquota ad valorem mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o Na determinação da alíquota mais elevada, considerarseão: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – para efeito do disposto nos §§ 4o e 5o deste artigo, as alíquotas aplicáveis às receitas auferidas pela pessoa jurídica no anocalendário em que ocorreu a omissão; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – para efeito do disposto no § 5o deste artigo, as alíquotas ad valorem correspondentes àquelas fixadas por unidade de medida do produto, bem como as alíquotas aplicáveis às demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Esclareçase, ainda, que a fiscalização efetuou a reclassificação dos produtos indicando, com as informações que se dispunha, as posições da NCM que, por si só, excluíam as vendas dos referidos produtos da alíquota ou suspensão. Portanto, afasto a preliminar arguida. No mérito, passo à análise da tributação das subvenções decorrentes de créditos presumidos de ICMS. A Lei Complementar nº 160/2017 dispôs em seus artigos 9º e 10 que os incentivos e benefícios fiscais relativos ao ICMS passam a ser considerados subvenções para investimento, se atendidos os requisitos e condições estabelecidos na referida lei, nos termos abaixo: Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: ‘Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são Fl. 947DF CARF MF Processo nº 11516.722916/201787 Resolução nº 3302000.962 S3C3T2 Fl. 935 7 considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados.’ (NR) Art. 10. O disposto nos§§ 4oe 5odo art. 30 da Lei no12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto naalínea ‘g’ do inciso XII do § 2odo art. 155 da Constituição Federalpor legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3odesta Lei Complementar. O artigo 30 da Lei nº 12.973/2.014 passou à seguinte redação: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere oart. 195A da Lei no6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para:(Vigência) I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1oNa hipótese do inciso I docaput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2oAs doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1oou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3oSe, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser Fl. 948DF CARF MF Processo nº 11516.722916/201787 Resolução nº 3302000.962 S3C3T2 Fl. 936 8 constituída como parcela de lucros nos termos docaput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4oOs incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto noinciso II docaputdo art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo.(Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5oO disposto no § 4odeste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. Assim, a partir das disposições legais do artigo 30 da Lei nº 12.973/2014 e do artigo 10 da LC nº 160/2.017, os incentivos/benefícios fiscais de ICMS são considerados subvenções para investimento, desde que atendam às exigências de registro e depósito de que tratou o artigo 3º da LC nº 160/2.017, bem como dos requisitos e condições tratados no artigo 30 da Lei nº 12.973/2.014. Em cumprimento do artigo 8º da LC nº 160/2017, foi aprovado o Convênio ICMS nº 190/2017, de 15/12/2017, que especificou os benefícios fiscais compreendidos na cláusula primeira, dentre eles o crédito presumido, inserido no inciso V do §4º da referida cláusula e as condições de depósito e registro dos atos normativos e concessivos dos incentivos e benefícios fiscais, conforme cláusulas abaixo: Cláusula primeira Este convênio dispõe sobre a remissão dos créditos tributários, constituídos ou não, decorrentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais, relativos ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, instituídos, por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, bem como sobre a reinstituição dessas isenções, incentivos e benefícios fiscais ou financeirofiscais, observado o contido na Lei Complementar nº 160, de 7 de agosto de 2017, e neste convênio. § 1º Para os efeitos deste convênio, as referências a “benefícios fiscais” consideramse relativas a “isenções, incentivos e benefícios fiscais ou financeirofiscais, relativos ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS”. § 2º Para os efeitos deste convênio, considerase: I atos normativos: quaisquer atos instituidores dos benefícios fiscais publicados até 8 de agosto de 2017; II atos concessivos: quaisquer atos de concessão dos benefícios fiscais editados com base nos atos normativos de que trata o inciso I deste parágrafo; Fl. 949DF CARF MF Processo nº 11516.722916/201787 Resolução nº 3302000.962 S3C3T2 Fl. 937 9 III registro e depósito: atos de entrega pela unidade federada, em meio digital, à Secretaria Executiva do CONFAZ, de relação com a identificação dos atos normativos e concessivos dos benefícios fiscais e da correspondente documentação comprobatória, assim entendida os próprios atos e suas alterações, para arquivamento perante a Secretaria Executiva do CONFAZ. § 3º O disposto neste convênio não se aplica aos benefícios fiscais instituídos por legislação estadual, nos termos do art. 15 da Lei Complementar nº 24, de 7 de janeiro de 1975, e pelo art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, ambos com fundamento no art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT da Constituição Federal. § 4º Para os fins do disposto neste convênio, os benefícios fiscais concedidos para fruição total ou parcial, compreendem as seguintes espécies: I isenção; II redução da base de cálculo; III manutenção de crédito; IV devolução do imposto; V crédito outorgado ou crédito presumido; VI dedução de imposto apurado; VII dispensa do pagamento; VIII dilação do prazo para pagamento do imposto, inclusive o devido por substituição tributária, em prazo superior ao estabelecido no Convênio ICM 38/88, de 11 de outubro de 1988, e em outros acordos celebrados no âmbito do CONFAZ; IX antecipação do prazo para apropriação do crédito do ICMS correspondente à entrada de mercadoria ou bem e ao uso de serviço previstos nos arts. 20 e 33 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996; X financiamento do imposto; XI crédito para investimento; XII remissão; XIII anistia; XIV moratória; XV transação; XVI parcelamento em prazo superior ao estabelecido no Convênio ICM 24/75, de 5 de novembro de 1975, e em outros acordos celebrados no âmbito do CONFAZ; XVII outro benefício ou incentivo, sob qualquer forma, condição ou denominação, do qual resulte, direta ou indiretamente, a exoneração, dispensa, redução, eliminação, total ou parcial, do ônus do imposto devido na respectiva operação ou prestação, mesmo que o cumprimento da obrigação vinculese à realização de operação ou prestação posterior ou, ainda, a qualquer outro evento futuro. Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por Fl. 950DF CARF MF Processo nº 11516.722916/201787 Resolução nº 3302000.962 S3C3T2 Fl. 938 10 legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar Fl. 951DF CARF MF Processo nº 11516.722916/201787 Resolução nº 3302000.962 S3C3T2 Fl. 939 11 da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Cláusula sexta Os atos normativos e os atos concessivos relativos aos benefícios fiscais que não tenham sido objeto da publicação, do registro e do depósito, de que trata a cláusula segunda, devem ser revogados até 28 de dezembro de 2018 pela unidade federada concedente. Cláusula sétima Fica instituído o Portal Nacional da Transparência Tributária, disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ, onde devem ser publicadas as informações e a documentação comprobatória dos atos normativos e dos atos concessivos relativos aos benefícios fiscais, reservado o acesso às administrações tributárias dos Estados e do Distrito Federal. § 1º Juntamente com a documentação comprobatória dos benefícios fiscais, cada unidade federada deve prestar as informações referidas no caput, e mantêlas atualizadas, em formato a ser definido pela Secretaria Executiva do CONFAZ, por meio de Despacho do Secretário Executivo, devendo conter os seguintes dados: I espécie do ato normativo, tais como: lei, decreto, portaria, resolução; II número e a data do ato normativo e das suas alterações; III data de publicação do ato normativo no diário oficial da unidade federada declarante; IV especificação do enquadramento dos benefícios fiscais previstos nos incisos I a V da cláusula décima; V espécie do ato concessivo, tais como: lei, decreto, portaria, resolução, termo de acordo, protocolo de intenção, regime especial, despacho, autorização específica; VI número do ato concessivo, se houver; VII data do ato concessivo, se houver; VIII data da publicação do ato concessivo no diário oficial, se houver; IX Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ do estabelecimento beneficiário; X razão social do contribuinte beneficiário; XI especificação do benefício fiscal, conforme § 4º da cláusula primeira; XII operações e prestações alcançadas pelos benefícios fiscais; Fl. 952DF CARF MF Processo nº 11516.722916/201787 Resolução nº 3302000.962 S3C3T2 Fl. 940 12 XIII segmento econômico, atividade, mercadoria ou serviço cujo benefício fiscal foi alcançado; XIV termo inicial de fruição do ato concessivo; XV termo final de fruição do ato concessivo. § 2º A cada alteração dos benefícios fiscais, devem ser atualizadas as informações previstas nos incisos do § 1º desta cláusula junto à Secretaria Executiva do CONFAZ até o último dia útil do mês subsequente ao da publicação do ato normativo ou concessivo que os instituiu, concedeu, alterou ou revogou. Destarte, entendo necessário a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal proceda às seguintes providências: 1. Intimar a recorrente a comprovar o registro das subvenções em reserva de lucros e as demais condições estabelecidas no artigo 30 da Lei nº 12.973/2014; 2. Oficiar à Administração Tributária da unidade federada fiscal sobre o cumprimento das exigências de registro e depósito da documentação comprobatória dos atos normativos e concessivos, observados os prazos dispostos nas cláusulas do Convênio ICMS nº 190/2017 e a publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária no sítio eletrônico do CONFAZ. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência nos termos acima mencionados, com elaboração de relatório fiscal ao final, abrindo prazo de trinta dias para manifestação da recorrente nos termos do parágrafo único do artigo 352 do Decreto nº 7.574/2011, com posterior retorno dos autos a esta Câmara. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 2 Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei no 9.784, de 1999, art. 28). Fl. 953DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.901606/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. RETIFICAÇÃO.
Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.901608/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13609.901606/2014-71
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5993322
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-002.865
nome_arquivo_s : Decisao_13609901606201471.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13609901606201471_5993322.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.901608/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7706213
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660504268800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.901606/201471 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201002.865 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2019 Matéria DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente MG MIX CONCRETO E ARGAMASSA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13609.901608/201460, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 16 06 /2 01 4- 71 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13609.901606/201471 Acórdão n.º 1201002.865 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório MG MIX CONCRETO E ARGAMASSA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 12.089190, pela DRJ Rio de Janeiro I, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 39.215,94 a título de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2012 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO NÃO COMPROVADO. É improcedente a alegação de pagamento indevido ou a maior, fundamentada em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos capazes de comprovar o erro cometido. Cientificado dessa última decisão, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, por meio do qual faz as seguintes considerações: i) o contribuinte apurou prejuízos fiscais em todos os quatro trimestres de 2012; ii) a correspondente DCTF, em que é apontado imposto devido, foi apresentada com erro, mas foi retificada; iii) a decisão recorrida não admitiu a retificação da DCTF, por ter sido apresentada após o despacho decisório da DRF, o que viola o princípio da verdade material; iv) a sua DIPJ 2012 demonstra que não houve imposto a pagar no período em questão; v) o artigo 832 do RIR/99 autoriza a retificação da DCTF laborada pelo contribuinte; Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13609.901606/201471 Acórdão n.º 1201002.865 S1C2T1 Fl. 4 3 vi) o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 2015, autoriza a retificação da DCTF, mesmo após a ciência do despacho decisório que não homologou a DCOMP. Com isso requer a reforma de decisão recorrida, para que seja homologada a compensação declarada. É o relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.863, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13609.901608/2014 60, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.863): O contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 26/07/2017 (fls. 42) e apresentou o seu recurso voluntário em 24/06/2017, dentro do prazo recursal. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O contribuinte apresentou declaração de compensação em que aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ devido no 3º trimestre de 2012, no valor de R$ 57.621,46. A Administração Tributária verificou que o pagamento estava totalmente utilizado, conforme os débitos declarados pelo contribuinte (DCTF). No presente contencioso administrativo, o contribuinte alega que errou ao declarar, em DCTF, imposto devido no 3º trimestre de 2012. Informa que realizou a retificação daquela declaração, após a ciência do despacho decisório da DRF, com fundamento do princípio da verdade material, no artigo 832 do RIR/99 e no Parecer Normativo Cosit nº 02, de 2015. O contribuinte, ao apresentar sua manifestação de inconformidade (fls. 2), fez juntar uma DCTF retificadora de setembro de 2012, com IRPJ zerado, e o comprovante de arrecadação de IRPJ para o terceiro trimestre de 2012, em valor superior ao pleiteado na DCOMP. Diante dessa documentação, a decisão de piso foi no sentido de não considerar os efeitos da DCTF retificadora, por imposição da legislação e por considerar insuficientes as provas apresentadas pelo interessado. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13609.901606/201471 Acórdão n.º 1201002.865 S1C2T1 Fl. 5 4 Junto ao presente recurso voluntário, o interessado acrescentou aos autos a sua DIPJ 2013, que aponta prejuízo fiscal no terceiro trimestre de 2012 (fls 78). Verifico que, na data da apresentação da presente DCOMP, o contribuinte tinha apresentado duas declarações à Administração Tributária, DIPJ e DCTF, que conflitavam no que diz respeito ao valor devido de IRPJ no terceiro trimestre de 2012. Com isso, a Administração Tributária não homologou a compensação sem que o contribuinte tenha sido intimado para que sanasse o conflito. O contribuinte sanou o conflito após a ciência do despacho decisório ora combatido, retificando a correspondente DCTF para que ficasse de acordo com a DIPJ e apresentou manifestação de inconformidade, mas esta foi considerada improcedente. Entendo que, em um nível inicial de cognição, a DIPJ original, tempestivamente apresentada, em que é apontado prejuízo fiscal, é prova relevante de que houve pagamento indevido de IRPJ, de forma que a rejeição sumária da manifestação de inconformidade não é o caminho para encontrar o melhor direito. Havendo a impossibilidade de se realizar a retificação da DCTF e, assim, persistindo dúvida sobre a certeza do direito creditório, penso que uma diligência fiscal seria a medida a ser adotada. Todavia, o recorrente demonstra que não existia tal impossibilidade, pelo contrário, a retificação da DCTF é uma necessidade, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 2, de 2015, cuja ementa inicia assim: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF original ou retificadora que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6o do art. 9o da IN RFB n° 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13609.901606/201471 Acórdão n.º 1201002.865 S1C2T1 Fl. 6 5 restrições impostas pela IN RFB n° 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. Não havendo impedimento para a retificação realizada pelo contribuinte e havendo concordância entre os dados apresentados na nova DCTF e na DIPJ original, apontando inexistência de IRPJ a pagar no terceiro trimestre de 2012, entendo que o direito creditório pleiteado é certo e a compensação deve ser homologada. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito pleiteado e homologar a compensação em tela. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito pleiteado e homologar a compensação. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13895.000431/2007-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) ateste conclusivamente, à luz dos documentos apresentados no recurso voluntário, e em outros considerados necessários, se o recorrente é estabelecimento industrial, ou apenas equiparado, bem como se o recorrente se trata de indústria aeronáutica e/ou oficina especializada em reparo e manutenção de aeronave; (ii) cientifique a recorrente a respeito das conclusões ao demandado no tópico anterior, intimando-a a se manifestar, caso queira, sobre o resultado das análises efetuadas, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) esgotado esse prazo, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lazaro Antonio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13895.000431/2007-75
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5983094
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-001.807
nome_arquivo_s : Decisao_13895000431200775.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 13895000431200775_5983094.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) ateste conclusivamente, à luz dos documentos apresentados no recurso voluntário, e em outros considerados necessários, se o recorrente é estabelecimento industrial, ou apenas equiparado, bem como se o recorrente se trata de indústria aeronáutica e/ou oficina especializada em reparo e manutenção de aeronave; (ii) cientifique a recorrente a respeito das conclusões ao demandado no tópico anterior, intimando-a a se manifestar, caso queira, sobre o resultado das análises efetuadas, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) esgotado esse prazo, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7680309
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660521046016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 468 1 467 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13895.000431/200775 Recurso nº 01Voluntário Resolução nº 3401001.807 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de fevereiro de 2019 Assunto DRAWBACK SUSPENSÃO AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SOBRAER SONACA BRASILEIRA AERONÁUTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) ateste conclusivamente, à luz dos documentos apresentados no recurso voluntário, e em outros considerados necessários, se o recorrente é estabelecimento industrial, ou apenas equiparado, bem como se o recorrente se trata de indústria aeronáutica e/ou oficina especializada em reparo e manutenção de aeronave; (ii) cientifique a recorrente a respeito das conclusões ao demandado no tópico anterior, intimandoa a se manifestar, caso queira, sobre o resultado das análises efetuadas, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) esgotado esse prazo, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 95 .0 00 43 1/ 20 07 -7 5 Fl. 468DF CARF MF Processo nº 13895.000431/200775 Resolução nº 3401001.807 S3C4T1 Fl. 469 2 Relatório Trata o presente caso de Autos de Infração lavrados em 10/10/2007, com ciência pessoal em 24/10/2007, para cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados na Importação (IPI Importação), Pis/Pasep Importação e Cofins Importação, tributos suspensos devido à utilização do regime aduaneiro especial de Drawback Suspensão, no valor total de R$ 278.403,78. A descrição dos fatos consta do próprio corpo dos Autos de Infração, às fls. 02/30, nos seguintes termos: Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES NECESSÁRIAS À PERMANÊNCIA NO REGIME DE DRAWBACK O importador submeteu ao regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão, todas as mercadorias constantes nas DIs indicados na relação abaixo. Posteriormente o importador protocolizou requerimento, por meio dos processos também indicados abaixo, renunciando à permanência neste regime, nos termos do inciso II, artigo 342 do RA. (...) Ocorre que, apesar do compromisso assumido na ocasião do registro das respectivas DIs de recolher todos os tributos suspensos em caso de não cumprimento das exigências previstas nos Atos Concessórios, o importador/requerente apenas recolheu o II suspenso, não recolhendo o IPI, PIS e COFINS. O contribuinte, irresignado, apresentou Impugnação em 16/06/2009, às fls. 731/747, nos seguintes termos: A IMPUGNANTE é pessoa jurídica regularmente constituída, que se dedica ao desenvolvimento de projetos, industrialização, reparo, armazenagem e comercialização de produtos inerentes à indústria aeroespacial, especialmente a fabricação de fuselagens para utilização em aeronaves. Salutar informar que a IMPUGNANTE é reconhecida como indústria aeronáutica pelo Instituto de Fomento Industrial IFI, vinculado ao Comando da Aeronáutica, conforme demonstrado nos documentos anexos, os quais comprovam, para efeito do Convênio ICMS n° 75/1991, tal reconhecimento. (...) Como se observa, a IMPUGNANTE importa insumos sob o amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback. Posteriormente há a industrialização dos seus produtos (fuselagens) e posterior exportação, Fl. 469DF CARF MF Processo nº 13895.000431/200775 Resolução nº 3401001.807 S3C4T1 Fl. 470 3 a qual, todavia, não ocorre pela via convencional, ou seja, os produtos não saem fisicamente do país. A IMPUGNANTE valese, em função das condições já explanadas, de exportação amparada por outro Regime Especial, a qual, in casu, operase por meio da utilização do incentivo às exportações denominado DAC Depósito Alfandegado Certificado. Por meio do DAC a IMPUGNANTE, para fins fiscais, cambiais e creditícios, esgota sua atividade de venda com a exportação. A mercadoria disponibilizada no recinto do DAC não mais lhe pertence, sendo que sua propriedade è atribuída ao comprador no exterior, o qual, dentro do período de vigência deve adotar alguma das alternativas legalmente previstas. Ocorre que a proprietária das mercadorias abrigadas no DAC é empresa estrangeira (SONACA BÉLGICA) e esta comercializa os produtos de sua propriedade admitidos no DAC diretamente com a empresa EMBRAER S/A, a qual, após realizar a importação das mercadorias (a partir do DAC), industrializa a aeronave e promove a exportação. (...) Por derradeiro, vale destacar que a IMPUGNANTE não utiliza a submodalidade do Drawback denominada INTERMEDIÁRIO por força de contratos internacionais, bem como pelas vantagens apresentadas, no caso, pelo DAC em relação ao Drawback Intermediário. Todavia, em qualquer dos casos, o produto da IMPUGNANTE é sempre destinado ao exterior. (...) f) Drawback Suspensão e Penalidades Considerando o exaurimento do prazo de 30 (trinta) dias posteriores ao vencimento do Ato Concessório de Drawback, caso, em sede de procedimento fiscal regular, eventual discrepância seja verificada pelo Fisco, poderseia aplicar penalidades. Ocorre que, no caso da legislação pertinente ao Drawback, não tipificação infracional especifica para o inadimplemento do Regime e, consequentemente, não há penalidade especifica. Neste passo, é comum a verificação de imposições generalizadas de sanção por parte do Fisco, tal como a imposição da multa de oficio (75% setenta e cinco por cento) trazida pela Lei n° 9.430/1996. Esta multa de ofício não é compatível com os casos de inadimplemento de Drawback e mesmo que fosse somente seria possível após 30 (trinta) dias após o vencimento do Ato Concessório , visto que tal dispositivo (Lei 9.430/1996) não foi e não é endereçado para os casos de Drawback, feriando, desta forma, os princípios constitucionais da Legalidade e Tipicidade. A Lei 9.430/1996 não foi dirigida aos tributos incidentes no comércio exterior. Ademais, no caso de Drawback não há falta ou insuficiência do recolhimento dos tributos (conforme determina a Lei acima). Neste sentido: Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13895.000431/200775 Resolução nº 3401001.807 S3C4T1 Fl. 471 4 (...) DA "SUSPENSÃO" DO IPI (LEI 10.637/2002) (...) A Lei 10.637/2002 prevê incentivos fiscais vinculados ao desenvolvimento da atividade exportadora, bem como de alguns específicos setores da economia nacional, tais como o automobilístico e o aeronáutico, segmento este da IMPUGNANTE. Dispõe a Lei: (...) Como se observa, o legislador entendeu que o segmento aeronáutico é de grande importância para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico do pais, de modo a, nos termos da Lei 10.637/2002, isentar o lPl sobre as saídas internas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, bem como suas importações. A IMPUGNANTE e e era à época das importações constantes do Auto de Infração ora impugnado beneficiária do incentivo trazido pela Lei em comento. A IMPUGNANTE é fabricante de produtos classificados no capítulo 88 da TIPI, em especial de fuselagens, as quais são destinadas, principalmente, para as aeronaves da empresa brasileira EMBRAER S/A. Os produtos fabricados pela IMPUGNANTE são classificados na posição 8803.30.00 (Partes dos veículos e aparelhos das posições 88.01 ou 88.02 outras partes de aviões ou de helicópteros). Neste sentido, a IMPUGNANTE fazia e faz jus ao benefício ora mencionado. Destarte, além do beneficio trazido pelo Drawback, em relação ao IPI, a IMPUGNANTE também era beneficiada pela “isenção” criada por meio da Lei n° 10.637/2002. Não obstante, vale mencionar que não há óbice para a conjugação das benesses trazidas tanto pelas normas de Drawback quanto pela Lei retro citada. Ambas possuem naturezas distintas, pois, enquanto o primeiro privilegia a exportação o segundo estimula a indústria aeronáutica brasileira. DA ALÍQUOTA 0% PIS/PASEP E COFINS No mesmo sentido da legislação acima tratada no tocante ao IPI, o legislador federal também entendeu ser pertinente desonerar a tributação das Contribuições denominadas PIS/PASEPImportação e COFINS Importação, para empresas que atuam no segmento aeronáutico. Ocorre que, diferentemente do modelo utilizado pela lei n° 10.637/2002, o legislador, no tocante às Contribuições em comento, Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13895.000431/200775 Resolução nº 3401001.807 S3C4T1 Fl. 472 5 atribuiu alíquota 0% (zero por cento) para operações de importação realizadas pelo segmento aeronáutico. Dispõe a Lei n° 10.865/2004 (com alterações): (...) A IMPUGNANTE, como já mencionado, industrializa seus produtos, especialmente a fuselagem, os quais são destinados à fabricação de aeronaves. Neste sentido, ela faz jus à aplicação das alíquotas de 0% (zero por cento) tipificadas pela Lei n° 10.865/2004. As importações realizadas pela IMPUGNANTE e constantes das Declarações de Importação arroladas no Auto de Infração ora impugnado foram contempladas pela redução tarifária acima mencionada. ANEXO II REDUÇÕES DE BASE DE CÁLCULO (Relação a que se refere o artigo 51 deste regulamento) Artigo 1° (AERONAVES, PARTES E PEÇAS) Fica reduzida a base de cálculo do imposto incidente em operação interna ou interestadual com os produtos a seguir indicados de forma que a carga tributária resulte no percentual de 4% (guatro por cento) (Convênios ICMS75/91, com alteração do Convênio ICMS32/99, e ICMS5/99, cláusula primeira, IV, 9): (...) A exemplo do IPI (Lei 10.637/2002), não há óbice para aplicação conjunta da redução tarifária (0% zero por cento) promovida pela Lei n° 10.865/2002 e o beneficio trazido pelo Drawback. (...) DO RGT A Regra Geral de Tributação para produtos do setor aeronáutico, concebida no âmbito do MERCOSUL, foi inserida em nosso ordenamento jurídico por meio do Dec. 2.376/1997 e permanece ainda em meio ao sistema brasileiro. Tratase a RGT de outra norma que estimula o segmento aeronáutico, todavia, por meio da redução a 0% (zero por cento) do Imposto de Importação incidente sobre mercadorias importadas em acordo com os requisitos estabelecidos na Regra. A IMPUGNANTE também faz jus a tal redução, a qual também convive harmoniosa e legalmente com o beneficio trazido pelo Regime de Drawback. (...) DOS FATOS (...) Ocorre que, após a fabricação dos produtos previstos nos Atos Concessórios, com utilização das mercadorias importadas sob amparo Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13895.000431/200775 Resolução nº 3401001.807 S3C4T1 Fl. 473 6 do Regime de Drawback, a IMPUGNANTE se viu surpreendida por uma solicitação inusitada que partiu diretamente da EMBRAER. Os produtos da IMPUGNANTE deveriam, em obediência ao modelo por ela adotado, ser exportados para sua matriz na Bélgica, a empresa SONACA. Tais exportações, conforme aduzido, seriam cursadas sob amparo da modalidade Depósito Alfandegado Certificado (DAC) e posteriormente comercializadas pela SONACA com a empresa brasileira EMBRAER, a qual iria retirar os produtos do DAC, industrializar (montar nas aeronaves por ela produzidas) e, finalmente, exportálas. A situação inusitada a que nos referimos ocorreu em função de um problema no prazo de produção das aeronaves da EMBRAER, a qual se viu obrigada, para não comprometer os seus prazos de exportação, a adquirir diretamente as mercadorias da IMPUGNANTE, e não indiretamente pela via do DAC. Tal circunstância obrigou a IMPUGNANTE a fornecer os produtos diretamente no mercado interno, ao invés de exportálas via DAC, conforme previsto. Ocorre que, com o fornecimento direto para EMBRAER, acreditou a IMPUGNANTE que ela deveria promover o recolhimento dos tributos devidos em função da não realização da exportação direta. Os tributos devidos, portanto, foram recolhidos espontaneamente pela IMPUGNANTE, a qual, sem qualquer necessidade decorrente da legislação, também espontaneamente, os apresentou para a IMPUGNADA. Ocorre que a IMPUGNANTE somente recolhera o imposto de importação, conforme destaca a IMPUGNADA no Auto de Infração. Os demais tributos, isto é, o IPI, o PlS/PASEPimportação e a COFINSimportação, não foram recolhidos em função das demais benesses (IPI => Lei n° 10.637/2002 / PIS/COFINS => Lei n° 10.865/2004) que contemplavam as importações da IMPUGNANTE, independentemente do Drawback. Ademais, vale ressaltar, que por força da RGT, boa parte do Imposto de Importação recolhido espontaneamente não era devido, o que enseja, por força do recolhimento indevido, a restituição deste tributo. Além da RGT, a IMPUGNANTE poderia ter considerado que os produtos por ela fabricados foram incorporados às aeronaves da EMBRAER e destinados por esta ao exterior, o que, por força da essência do Regime de Drawback exportação, atenderia ao escopo precípuo dos seus compromissos assumidos por ocasião da abertura dos Atos Concessórios. (...) DA DEFESA PROPRIAMENTE DITA E DO DIREITO a) Da exportação indireta Preliminarmente, esclarece a IMPUGNANTE que o Auto de Infração não deve prosperar, tendo em vista que seus produtos, industrializados a partir das mercadorias importadas sob Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13895.000431/200775 Resolução nº 3401001.807 S3C4T1 Fl. 474 7 amparo do Regime de Drawback, foram devidamente exportados pela empresa EMBRAER. Conforme mencionado, o Drawback pressupõe a realização de exportações, sendo irrelevante, nos casos em que não há prejuízo para a Fazenda Nacional o descumprimento de eventuais formalidades em decorrência de caso fortuito ou força maior. Neste sentido, pedimos vênia para, novamente, trazer à apreciação o seguinte julgado: (...) Como se verifica, tratase de importante mecanismo de estímulo às exportações. No caso em apreço, se a IMPUGNANTE tivesse se valido da operação especial denominada DRAWBACK INTERMEDIÁRIO a comercialização no mercado interno para a EMBRAER teria sido suficiente para evitar o Auto de Infração, visto que os produtos foram incorporados em aeronaves exportadas. Todavia, mesmo que não tenha se valido do Drawback Intermediário, o Fisco deve reconhecer que suas mercadorias foram destinadas ao exterior e que, excepcionalmente, o rigor formal não deve ser considerado. (...) Não obstante, mesmo que sejam consideradas legítimas pelos ilustres julgadores, devem ser reformadas, tendo em vista que para seu cálculo devem ser considerados o IPI (se devido) sem o acréscimo promovido pelo Imposto de Importação (nos casos em que cabe a RGT) e sem o acréscimo do tributo autuado para o Ato Concessório (20050288954) que não se encontrava e não se encontra vencido. (...) Em nosso entendimento, o IPI, multa e juros não deveriam, portanto, prevalecer, visto que a empresa, indiretamente promoveu as exportações. Não sendo, entretanto, este o entendimento dos ilustres julgadores, deverá ser revisto ao Auto de Infração no sentido de excluir as Declarações de Importação vinculadas ao Drawback não vencido e modificado em relação a base de cálculo decorrente da exclusão do Imposto de Importação por força da RGT. Também não sendo esta a interpretação, deverá ser modificado por força da redução da base de cálculo após a aplicação da RGT. A 2ª Turma da DRJSão Paulo II (DRJSP2), em sessão datada de 10/05/2011, exarou o Acórdão nº 1750.615, às fls. 306/319, assim ementado e acordado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/01/2006, 13/02/2006, 16/02/2006, 20/02/2006 SOLUÇÃO DE CONSULTA. DECISÃO VINCULANTE. Enquanto prevalecer o entendimento exarado em Solução de Consulta, regularmente editada pelo órgão competente da SRF, devese acatar as interpretações ali manifestadas. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13895.000431/200775 Resolução nº 3401001.807 S3C4T1 Fl. 475 8 SUSPENSÃO do IPI prevista no art. 29 da Lei n2 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com redação dada pelo art. 25 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, não alcança as operações realizadas por estabelecimento importador que tenha sido equiparado a industrial por força do inciso I do art. 4º da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, regulamentado pelo inciso I do art. 9º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do IPI Ripi/2002). (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COF1NS Data do fato gerador: 25/01/2006, 13/02/2006, 16/02/2006, 20/02/2006 ALÍQUOTA ZERO. PEÇAS E COMPONENTES IMPORTADOS PARA EMPREGO EM REPARO E MANUTENÇÃO DE AERONAVE CLASSIFICADA NA POSIÇÃO NCM 88.02. Para adotar a alíquota zero de Cofins na importação de peças e componentes para emprego no reparo e manutenção de aeronave da posição 88.02 NCM, o importador, oficina especializada em reparo e manutenção de aeronave, deve cumprir os requisitos e condições para a comprovação do direito à isenção de II na importação desses produtos. (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/01/2006, 13/02/2006, 16/02/2006, 20/02/2006 ALÍQUOTA ZERO. PEÇAS E COMPONENTES IMPORTADOS PARA EMPREGO EM REPARO E MANUTENÇÃO DE AERONAVE CLASSIFICADA NA POSIÇÃO NCM 88.02. Para adotar a alíquota zero de Contribuição para o PIS/Pasep na importação de peças e componentes para emprego no reparo e manutenção de aeronave da posição 88.02 NCM, o importador, oficina especializada em reparo e manutenção de aeronave, deve cumprir os requisitos e condições para a comprovação do direito à isenção de II na importação desses produtos. (...) Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, conforme demonstrado no Voto. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJSP2 em 17/05/2011 (conforme AR a fl. 326), apresentou Recurso Voluntário contra a decisão em 16/06/2011, às fls. 327/342, nos seguintes termos: DO DIREITO 16. Em que pese os argumentos e fundamentos trazidos pela RECORRIDA na decisão ora combatida, o Auto de Infração deve ser julgado improcedente em sua totalidade, vez que, conforme demonstrado na impugnação e corroborado com o presente recurso, o Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13895.000431/200775 Resolução nº 3401001.807 S3C4T1 Fl. 476 9 crédito tributário extraído em face da RECORRENTE deve ser extinto por meio de decisão administrativa que anule o lançamento efetuado. (...) 25. A RECORRENTE, pelas razões a seguir expostas, fazia jus à suspensão do IPI, nos termos da Lei n° 10.637/2002 de forma independente ao Drawback. Senão vejamos. 25.1. O art. 29 da sobredita lei assim dispõe: (..) 25.3. Nesse passo, com o devido respeito, não se aplicam ao caso as considerações fornecidas pela RECORRIDA quando do julgamento em primeira instância (doc. 06), ou seja, as Soluções de Consulta utilizadas pela RECORRIDA para fundamentar a decisão de mantença do crédito tributário lançado não se subsumem ao benefício pleiteado pela ora RECORRENTE. 25.4. As Soluções de Consulta utilizadas como paradigma pelo fisco orientam no sentido de que o "tratamento suspensivo" previsto pelo art. 29, da lei n° 10.637/2002 não contempla as saídas promovidas por estabelecimento equipado a industrial, visto ser imprescindível a realização de industrialização de produtos. 25.5. Como já demonstrado, a RECORRENTE não é empresa equiparada a industrial, mas sim indústria efetiva, o que pode ser comprovado pelos documentos acostados ao presente recurso. 25.6. Ademais, vale destacar que RECORRENTE destinou produtos industrializados para o mercado interno e não materiais no estado em que foram importados. Isso pode ser constado pela análise das cópias das Notas Fiscais de venda para a EMBRAER (doc. 07), bem como dos respectivos "certificados de conformidade" (doc. 08). 25.7. Além da análise dos documentos mencionados nos itens anteriores, a RECORRENTE apresenta, com o presente, outros documentos que corroboram com a tese ora defendida, tais como fotos dos produtos fabricados e fluxos de produção, os quais evidenciam o processo industrial de fabricação dê material aeronáutico (doc. 09). 26. No que tange ao direito à alíquota zero para o PIS/PASEP Importação e COFINSImportação: 26.1. A Lei n° 10.865/2004, que trata do tema, assim dispunha à época dos fatos: (...) 26.2. Já o Decreto 5.171/2004 assim dispõe: (...) 26.3. O acórdão ora questionado, data vênia, se equivocou ao apreciar a impugnação apresentada, visto que a Turma Julgadora entendeu, incorretamente, que a ora RECORRENTE deveria, na condição de Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13895.000431/200775 Resolução nº 3401001.807 S3C4T1 Fl. 477 10 oficina especializada em reparo, revisão ou manutenção de aeronave classificada na posição 88.02 da NCM, apresentar contrato de prestação de serviços, indicando o proprietário ou possuidor da aeronave, bem como estar homologada pelo órgão competente do Ministério da Defesa. 26.4. A RECORRENTE não é oficina especializada, mas sim, como já demonstrado, indústria aeronáutica, a qual importou insumos e os submeteu à operação de industrialização, conforme se observa dos documentos anexos (docs. 07, 08 e 09). 26.5. Desta forma, para usufruir da alíquota zero das contribuições em comento, a RECORRENTE deveria atender aos requisitos previstos no inciso II, do parágrafo 4°., do art. 4°. , do Decreto n° 5.171/2004, de modo que não seria necessário comprovar a posse ou propriedade da aeronave e estar homologada por órgão do Ministério da Defesa. 26.6. Não obstante, cumpre destacar que a RECORRENTE possui Certificado de Conformidade, expedido por órgão do Ministério da Defesa (doc. 10). Tal atestado confere conformidade para as atividades industriais da RECORRENTE, especialmente para montagens de estruturas aeronáuticas. 26.7. Ademais, a Solução de Consulta n° 10/2011 (Disit 8), resultante de processo de consulta instaurado pela ora RECORRENTE, esclarece o entendimento exarado nos itens anteriores: Vejamos: (...) 26.8. Como se verifica da Solução de Consulta n° 10/2011, as importações realizadas pela RECORRENTE faziam jus à alíquota 0% das contribuições, visto que se destinaram à montagem de estruturas aeronáuticas nos termos da legislação pertinente. (...) 29. Por fim, a título meramente argumentativo, vale destacar que ao final os produtos comercializados no mercado interno — para a EMBRAER — foram incorporados aos aviões produzidos por tal empresa, os quais foram destinados ao exterior, o que, além de demonstrar que não houve dano ao erário, confirma que, mesmo que indiretamente, os objetivos do Drawback foram cumpridos. É o relatório. Voto Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares, Relator Conforme exposto no Relatório, a autuação teve por fundamento o inadimplemento de Atos Concessórios do regime especial de Drawback Suspensão. O Fl. 477DF CARF MF Processo nº 13895.000431/200775 Resolução nº 3401001.807 S3C4T1 Fl. 478 11 contribuinte recolheu, espontaneamente, apenas os valores suspensos do Imposto de Importação (II), enquanto os demais tributos incidentes na importação, IPI, Pis e Cofins, foram constituídos através de Auto de Infração. Em sua Impugnação, o contribuinte apresenta um grupo de 5 (cinco) informações que são essenciais para a solução da controvérsia e que precisam ser analisados: 1) alegou que é pessoa jurídica regularmente constituída, que se dedica ao desenvolvimento de projetos, industrialização, reparo, armazenagem e comercialização de produtos inerentes à indústria aeroespacial, especialmente a fabricação de fuselagens para utilização em aeronaves. 2) afirma que é fabricante de produtos classificados no capítulo 88 da TIPI, em especial de fuselagens, as quais são destinadas, principalmente, para as aeronaves da empresa brasileira EMBRAER S/A. Assim, era, à época das importações, beneficiária do incentivo de suspensão do IPI trazido pela Lei nº 10.637/2002, em seu art. 29, § 1º, inciso I, alínea b. 3) da mesma forma, era beneficiária de alíquota 0% (zero) para o PIS e para a Cofins, com base no art. 8º, § 12, incisoVII, da Lei n° 10.865/2004. 4) afirma que tais benefícios são perfeitamente compatíveis com o Drawback, ou seja, mesmo tendo se comprometido ao quanto estipulado nos atos concessórios, ainda continuava se enquadrando nas condições legais estipuladas para se valer dos benefícios acima indicados. 5) além de tudo, afirma também que, caso tivesse se valido da operação especial denominada DRAWBACK INTERMEDIÁRIO, a comercialização no mercado interno para a EMBRAER teria sido suficiente para evitar o Auto de Infração, visto que os produtos foram incorporados em aeronaves exportadas. A DRJSP2, no entanto, exarou decisão negando o pedido de suspensão do IPI, alegado que tal beneficio não é aplicável a estabelecimentos que sejam apenas equiparados a industrial. Quanto à utilização da alíquota zero para o PIS e para a Cofins, a decisão afirma que, para oficina especializada em reparo e manutenção de aeronave aplicar a alíquota zero, é necessário estar homologada pelo órgão competente do Ministério da Defesa e apresentar à autoridade aduaneira o contrato de prestação de serviços de reparo e/ou manutenção em cuja execução empregará as peças e componentes, o qual deve conter a indicação do proprietário ou possuidor da aeronave. Afirma, tendo em vista não ter a interessada trazido aos autos documentos que comprovassem os benefícios pleiteados, deve prevalecer, também, o lançamento em relação a tais contribuições. O contribuinte, em seu Recurso Voluntário, alegou que não é empresa equiparada a industrial, mas sim indústria efetiva, o que pode ser comprovado pelos documentos acostados ao presente recurso. Afirma que destinou produtos industrializados para o mercado interno e não materiais no estado em que foram importados. Isso poderia ser constado pela análise das cópias Fl. 478DF CARF MF Processo nº 13895.000431/200775 Resolução nº 3401001.807 S3C4T1 Fl. 479 12 das Notas Fiscais de venda para a EMBRAER (doc. 07), bem como dos respectivos "certificados de conformidade" (doc. 08). Em relação ao improvimento do pedido de utilização de alíquota zero para o PIS e a Cofins, afirmou que não é oficina especializada, mas sim, como já demonstrado, indústria aeronáutica, a qual importou insumos e os submeteu à operação de industrialização, conforme se observa dos documentos anexos (docs. 07, 08 e 09). Nesse contexto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, voto por converter o presente feito em diligência, para que sejam adotadas as seguintes providências: (i) ateste conclusivamente, à luz dos documentos apresentados no recurso voluntário, e em outros considerados necessários, se o recorrente é estabelecimento industrial, ou apenas equiparado, bem como se o recorrente se trata de indústria aeronáutica e/ou oficina especializada em reparo e manutenção de aeronave; ii) cientifique a recorrente a respeito das conclusões ao demandado no tópico anterior, intimandoa a se manifestar, caso queira, sobre o resultado das análises efetuadas, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) esgotado esse prazo, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares Relator Fl. 479DF CARF MF
score : 1.0
