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Numero do processo: 10650.900781/2012-85
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO - INDEFERIMENTO - IMÓVEL EM CONDOMÍNIO - SUJEIÇÃO PASSIVA
Considerando que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título (CTN artigo 31 e artigo 4º da Lei nº 9.393/96) e que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (artigo 124 do CTN) as áreas em condomínio devem ser declaradas em sua totalidade durante o tempo em que o imóvel for mantido indiviso.
Numero da decisão: 2002-000.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO - INDEFERIMENTO - IMÓVEL EM CONDOMÍNIO - SUJEIÇÃO PASSIVA Considerando que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título (CTN artigo 31 e artigo 4º da Lei nº 9.393/96) e que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (artigo 124 do CTN) as áreas em condomínio devem ser declaradas em sua totalidade durante o tempo em que o imóvel for mantido indiviso.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 07 81 /2 01 2- 85 Fl. 350DF CARF MF 2 Relatório Pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e declaração de compensação Trata o presente processo de pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e declaração de compensação (efls. 14 a 16), relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sob alegação da contribuinte de pagamento a maior. Despacho decisório O despacho decisório de efls. 265 a 273 assim decidiu: a) anular o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações realizados eletronicamente pelo SIEF/PERDCOMP em 28/03/2013 e 29/03/2013, respectivamente, por ocasião do processamento da DCOMP nº 22878.62271.230312.3.044849; c) não reconhecer o direito creditório pleiteado por MARIA PROSERPINA GOMES AFONSO, CPF: 005.585.70607, no valor originário de R$ 937,33 (Novecentos e trinta e sete reais e trinta e três centavos) correspondente a parte do pagamento efetuado a título de ITR, exercício 2007 devido pelo imóvel rural “Fazenda Bom Jardim” (Nirf nº 2.199.0310) informado na DCOMP nº 22878.62271.230312.3.044849; d) declarar a inexistência dos débitos declarados na DCOMP 42864.06602.270212.2.3.049026, relativos a Multa por atraso na entrega de declaração das DITR’s Exercícios 2007 a 2010 , vinculados aos imóveis rurais Nirfs 8.011.3869 e 8.011.3923, inscritos indevidamente no Cafir; d) cancelar a DCOMP 22878.62271.230312.3.044849, por ausência total de objeto. 28. Nos termos do Decreto nº 70.235/72 com as alterações posteriores e art. 77 da IN RFB nº 1.300/2012 c/c item 56 a 58 do Parecer Normativo Cosit nº 08, de 03/09/2014 cabe apresentação de manifestação de inconformidade contra a presente decisão no prazo de 30 (trinta) dias, dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Manifestação de Inconformidade O despacho decisório foi objeto de manifestação de inconformidade apresentada às efls. 278 a 302 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10650.900781/201285 Acórdão n.º 2002000.425 S2C0T2 Fl. 351 3 considera que o Despacho Decisório nº 124 2016/DRF/UBB/MG/SAORT, de 13.10.2016, objeto do Processo nº 10650.720197/201671, utilizado como suporte para a Decisão impugnada, foi apresentada Manifestação de Inconformidade, ainda, pendente de julgamento, fato este que, por si só, é suficiente para anular a Decisão ora contestada, haja vista os princípios da ampla defesa e do contraditório previstos no art. 5º, LV, da Constituição da República; requer o efeito suspensivo da Manifestação de Inconformidade, nos termos do art. 151, III, do CTN; considera que a Autoridade Fiscal entendeu equivocadamente que o imóvel pertence simultaneamente a mais de uma pessoa, por tratarse de um condomínio, porque ele se institui pela inscrição do correspondente título no Registro de Imóveis e, por esta forma, também, se extingue, sem o que a coisa continua indivisa; contesta o entendimento, contido no Despacho, sobre a existência do condomínio, ante o fato de que as Escrituras de Doação, quando das alterações efetuadas nas DITR de 2007 a 2010, ainda não estavam registradas no Cartório competente, o que impediria as alterações, transcrevendo excerto da Decisão; entende que o equívoco da Decisão é flagrante, a começar pelo fato de que, com o falecimento da usufrutuária Isméria dos Santos Junqueira, em 17.05.2003, a totalidade do imóvel passou a ser usufruída por uma única pessoa, a Srª Electa dos Santos Junqueira Filha e, a partir daí, não há mais condomínio na área doada; entende, também, haver outro equívoco, porque, como pode ser observado na Escritura de Doação, os imóveis doados foram divididos e delimitados, passando a posse aos diferentes donatários, desde o falecimento da última usufrutuária, em 04.04.2005, e, desta forma, não há que se falar em propriedade ou posse comum; comenta que o condomínio ordinário ou tradicional pode ser instituído pela aquisição conjunta de imóvel, por doação a dois ou mais titulares, por circunstâncias eventuais ou acidentais como a distribuição de herança, a doação de um determinado bem realizado a duas ou mais pessoas, a adjudicação de parte de um imóvel por um credor, além da dissolução da sociedade conjugal, posto que desfeita a comunhão de bens, sobrevém o condomínio entre os excônjuges até a efetiva partilha; transcreve excerto de Doutrina, que diz: terseia condomínio “quando a mesma coisa pertence a mais de uma pessoa, cabendo a cada uma delas igual direito, idealmente, sobre o todo e cada uma das partes”, para mencionar que se trata de uma propriedade simultânea e concorrente, de modo que todos são donos ao mesmo tempo (por isso é simultâneo) e todos Fl. 352DF CARF MF 4 podem usar a coisa toda (por isso é concorrente), dentro dos limites da convivência harmônica; destaca que condomínio significa existir mais de um titular exercendo o domínio ou posse sobre a coisa, sendo que, cada um, proprietário ou titular de uma parte ideal, não delimitada e diz que, no caso, ocorreu exatamente ao contrário, ou seja, não houve aquisição conjunta de um mesmo bem, tampouco há direito de cada um dos ocupantes sobre o todo e cada uma das partes, já que a doação foi feita com divisão préestabelecida; considera que não há o que se falar que o condomínio de imóvel somente se instituiu e se extingue por inscrição no registro de imóveis; observa que, normalmente, a propriedade comum é resultado de: a) herança deixada em favor de vários herdeiros; b) aquisição em conjunto; c) término de relacionamento matrimonial e d) doações feitas a mais de uma pessoa e, para tanto, não há necessidade de inscrição no registro de imóveis, posto que ele, nos termos do art. 1.245 do Código Civil, visa à transferência da propriedade; diz que, se a Escritura Pública não estiver registrada no Cartório de Registro de Imóveis, a transferência da propriedade não ocorreu efetivamente, já que o registro confere oponibilidade em relação a terceiros (eficácia erga omnes); salienta que, havendo acordo de vontade entre os condôminos capazes (no caso, as doadoras), a qualquer tempo é possível formalizarem, por instrumento público, a divisão inter vivos, extinguindo o estado de comunhão, independente de registro, para que tenha validade; doadoras são falecidas de longa data; acentua que, estando os imóveis titulados (Escrituras de Doação) a contribuintes individuais, inexistindo, pois, indivisão, não há que se falar em declaração somente por um dos titulares, na condição de condômino declarante e, assim, a interpretação contida na Decisão, com base no art. 39 do decreto nº 4.382/2002, não pode ser acatada; ressalta que o caso ora analisado não se trata de um único imóvel rural indiviso titulado a várias pessoas, pois é exatamente o contrário, ou seja, diferentes imóveis divididos e titulados a pessoas distintas e, desta forma, a alteração de dados cadastrais efetuada nas DITR de 2007 a 2010, atende ao disposto no art. 22, IX, da IN/RFB nº 1.467/2014; menciona que, conforme o art. 4º da Lei nº 9.393/1996, contribuinte do ITR não é só o proprietário, podendo ser o possuidor e os contribuintes donatários, na época das alterações, eram possuidores; considera que, de todo o lado que se examina a questão chegase à conclusão de que a Decisão não merece subsistir, havendo que ser reformada; Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10650.900781/201285 Acórdão n.º 2002000.425 S2C0T2 Fl. 352 5 A manifestação de inconformidade foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 31/05/2017, no acórdão 03075.285, às efls. 308 a 316, julgou à unanimidade, o pleito improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 18/07/2017 às efls. 323 a 343 no qual traz os mesmos fundamentos exarados na manifestação de inconformidade, já transcritas neste relatório. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 19/06/2017, efls. 319, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 18/07/2017, efls. 323, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Em apertada síntese, os presentes autos tratam de pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e declaração de compensação requerido pela contribuinte sob alegação de pagamento a maior de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Frente ao pedido, houve homologação automática das PER/DCOMP apresentadas pela contribuinte, que, posteriormente foi objeto de revisão de ofício pela fiscalização, que constatou a inexistência de direito creditório. O despacho decisório nº 017/2017 analisou a vasta documentação apresentada pela contribuinte e assim concluiu: 26. Analisando os fatos e fundamentos acima, concluise que nos exercícios de 2007 a 2010 referido imóvel, com área total de 2.743,39 has, pertencia aos condôminos Isméria dos Santos Junqueira (20,59%) e Electa dos Santos Junqueira Filha (79,41%) e que as áreas de 253,37 e 404,61 has, recebidas em doação pela interessada somente vieram a constituirse em unidades distintas, passíveis de inscrição no Cadastro de Imóveis Rurais (Cafir), após o registro do desmembramento do mesmo, ocorrido em 13/04/2016 (fls. 116 a 139). A decisão foi mantida pela DRJ, que ratificou o não reconhecimento o direito creditório da contribuinte, considerando o fato gerador do ITR como ocorrido em 01/01/2007, sendo que o imóvel em comento só fora desmembrado em 13/04/2016, como se vê: Fl. 354DF CARF MF 6 No caso, o fato gerador do ITR ocorreu em 01.01.2007, para o imóvel de NIRF nº 2.199.03101, objeto do crédito pleiteado na DCOMP, conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 9.393/1996, surgindo nessa data a obrigação tributária principal, que tem como objeto o pagamento do tributo, nos termos do dispositivo legal anteriormente transcrito. (...) Isso porque, na data da ocorrência do fato gerador, em questão, o proprietário do imóvel era o condomínio formado pelas Senhoras Isméria dos Santos Junqueira e Electa dos Santos Junqueira Filha, representado por seus Espólios, posto que falecidas, respectivamente, em 17.05.2003 e 04.04.2005. (...) O imóvel somente foi desmembrado em 6 (seis) glebas distintas, em 13.04.2016, quando o imóvel de NIRF nº 2.199.03101, passou a ter a área de 7,1 ha, ainda, de propriedade das Senhoras Isméria dos Santos Junqueira e Electa dos Santos Junqueira Filha e as demais glebas aos sucessores de Isméria dos Santos Junqueira. Dentre essas seis glebas, duas passaram a pertencer ao requerente, uma com área de 253,3 ha (NIRF nº 8.011.3869) outra de 404,6 ha (NIRF nº 8.011.3923), e são objeto dos débitos, de 2007 a 2010, relativos a multas por atraso na entrega das DITR, da DCOMP. Para entrar no objeto da lide necessária se faz análise se, em 01/01/2007, data do fato gerador do ITR (artigo 1º, da Lei nº 9.393/96), o imóvel estava devidamente dividido e individualizado ou se tratavase de verdadeiro condomínio pro indiviso, sendo que, posteriores análises tributárias dependem da aferição das definições, conteúdos e alcance dos institutos, conceitos e formas do direito privado, como preleciona o artigo 110 do CTN: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Nelson Rosenvald e Cristiano Chaves de Farias ensinam (Curso de Direito Civil Reais, edição 2012, editora Juspodium, pp. 681): No condomínio tradicional, não há elisão ao princípio da exclusividade, eis que, pelo estado de indivisão do bem, cada um dos proprietários detém a fração ideal do todo. Há uma pluralidade de sujeitos (proprietários) em um dos pólos da relação jurídica. Isto é, como estas pessoas ainda não se localizaram materialmente por apenas possuírem cotas abstratas, tornamse donos de cada parte e do todo ao mesmo Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10650.900781/201285 Acórdão n.º 2002000.425 S2C0T2 Fl. 353 7 tempo. Mesmo quando atue isoladamente, o condômino exercitará o domínio da integralidade e não apenas na proporção de sua fração. É o que se extrai do artigo 1.314 do Código Civil de 2002, Lei nº 10.406/02: Art. 1.314. Cada condômino pode usar da coisa conforme sua destinação, sobre ela exercer todos os direitos compatíveis com a indivisão, reivindicála de terceiro, defender a sua posse e alhear a respectiva parte ideal, ou gravála. Parágrafo único. Nenhum dos condôminos pode alterar a destinação da coisa comum, nem dar posse, uso ou gozo dela a estranhos, sem o consenso dos outros. Ainda, de acordo com os autores: O condomínio, encarado no seu aspecto objetivo, em relação à coisa, chamase indivisão, ou seja, é o estado em que se encontra uma coisa sobre a qual várias pessoas têm direitos concorrentes. O condomínio, sob o aspecto subjetivo, em relação aos titulares do direito, denominase comunhão, ou seja, ocorre quando determinado direito pertence simultaneamente a várias pessoas. Comunhão pro indiviso é a que perdura de fato e de direito, permanecendo a coisa em estado de indivisão perante os condôminos, porquanto estes ainda não se localizaram, cada qual, per se, na coisa. Comunhão pro diviso só existe de direito, não de fato, pois cada condômino já se localiza numa parte certa e determinada da coisa. Exercem sobre a sua fração concreta todos os atos de proprietário singular, tal como se a gleba já fosse partilhada, com aprovação tácita e recíproca. (...) A coisa comum pode ser divisível ou indivisível. Se divisível, não havendo acordo ou sendo incapaz um dos cotitulares , qualquer condômino pode exigir sua divisão judicial, independentemente do tamanho de sua cota ou da posição dos demais proprietários, caso não tenham ele avençado que permaneça indivisa por tempo não superior a 05 (cinco) anos, passível de mais uma prorrogação por idêntico período (art. 1320, §1º, do CC) Fl. 356DF CARF MF 8 De fato, em determinado momento os condôminos podem entender que a permanência temporária da indivisão resultará em proveito econômico geral. Assim, estabelecida convencionalmente a indivisão por intermédio de escritura pública no caso do art. 108 do CC , o acordo prevalecerá não apenas entre as partes, como também perante a terceiros que venham adquirir a fração ideal de qualquer dos comunheiros. Ilustrativamente, seria aplicável se quatro pessoas fossem coproprietários de um terreno rural ou de terreno urbano não edificado. Nesse exemplo, no caso de desfazimento do condomínio, o imóvel poderia ser fracionado junto ao cartório de imóveis, observados os limites mínimos, requisitos e formalidades legais, resultando em quatro partes iguais. Cada um dos antigos coproprietários seria o único titular de seu terreno (correspondente a 25% do original). (grifos nossos) De acordo com o artigo 108 do CC/02 mencionado na citação retro: Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. Desta forma, no caso de imóveis de valor superior a 30 (trinta) salários mínimos, a simples lavratura da escritura, sem que tenha sido levada a registro no respectivo cartório de registro de imóveis, produz efeitos apenas entre as partes. O registro é condição sine qua non para produção de efeitos erga omnes (contra todos), inclusive perante o Fisco. Assim, a propriedade do bem imóvel se dá com o registro do título translativo no Registro de Imóveis, pela redação do artigo 1245 do CC/02: Art. 1.245. Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. § 2o Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. Somese a legislação civil, a Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015/73), no artigo 167, elenca todas as situações que necessitam de registro no Cartório de Imóveis. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10650.900781/201285 Acórdão n.º 2002000.425 S2C0T2 Fl. 354 9 Ainda, pelo artigo 123 do CTN, as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Ademais, considerando que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título (CTN artigo 31 e artigo 4º da Lei nº 9.393/96) e que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (artigo 124 do CTN), correta a interpretação dada pela DRJ, motivo pelo qual mantenho a decisão de piso pelos seguintes fundamentos: A despeito de o requerente ter carreado aos autos a Escritura Pública de Doação, às fls. 43/60, de 24.03.2003, na qual as Senhoras Isméria dos Santos Junqueira e Electa dos Santos Junqueira Filha figuram como doadoras da “nua propriedade de uma parte do referido imóvel aos donatários, que são filhos, neto e sobrinhos”, como consta às fls. 45 e, também, no excerto da Escritura constante no Despacho Decisório de fls. 268, entre os quais figura como donatário o requerente, certo é que esse documento não é hábil para comprovar que o imóvel, na data do fato gerador em questão (1º.01.2007), havia sido desmembrado e que eventuais glebas desmembradas eram de propriedade dos donatários, incluindo o requerente, isso porque o condomínio formado pelas doadoras, representado pelos seus respectivos Espólios, não deixa de ser o proprietário do imóvel, não obstante entendimento contrário do requerente, enquanto não realizado o desmembramento do imóvel no Cartório de Registros de Imóveis. Salientese que a Escritura de Doação nada mais é que um contrato entre vivos, lavrado em ato no Cartório de Notas, uma formalização de negócio jurídico, que permite que se providencie a transferência do imóvel para o nome do donatário e, portanto, não tem o condão de efetuar a tradição do imóvel, posto que a tradição, no caso dos bens imóveis, é solene, consistindo na forma pela qual a pessoa adquire a propriedade da coisa, que só ocorre com o registro do título translativo no Registro de Imóveis, nos termos do art. 1.245 do Código Civil Lei nº 10.406/2002. No caso, tal desmembramento somente ocorreu em 13.04.2016, às fls. 139, como dito anteriormente, e só nessa data o imóvel de NIRF nº 2.199.03101, do qual se pretende o crédito na Fl. 358DF CARF MF 10 DCOMP, passou a ter a área total de 7,1 ha, mantida a propriedade, em condomínio, em nome das Senhoras Isméria dos Santos Junqueira e Electa dos Santos Junqueira Filha, doadoras das demais glebas desmembradas. Quanto a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o CTN prevê: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Na mesma linha segue o Decreto nº 70.235/72: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, só há qualquer exigência do crédito tributário findado o processo administrativo fiscal. Diante do exposto, conheço do Presente Recurso voluntário para, no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10650.900781/201285 Acórdão n.º 2002000.425 S2C0T2 Fl. 355 11 Fl. 360DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.903444/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-004.551
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente TOYOTA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 34 44 /2 00 8- 91 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13819.903444/200891 Acórdão n.º 3201004.551 S3C2T1 Fl. 3 2 convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (.) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: (...) transmitiu o (...) PER/DCOMP (...) pelo qual pleiteou a homologação de compensação, valendose de créditos de contribuições recolhidas a maior em decorrência da não dedução de vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Em termos práticos, a decisão ora combatida afirma que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente usado para quitação de débitos do contribuinte. Não é o que mostra, contudo, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, (...), apresentada pela Manifestante (...). Da análise de tal documento, podese concluir, em absoluto, que há crédito suficiente para a compensação formalizada na PER/DCOMP em questão (.). Ante o exposto, a não homologação da compensação não merece prosperar em hipótese alguma, eis que comprovada a existência do crédito da Manifestante. Caso V. Sas. não entendam dessa forma, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Manifestante, desde já, esclarece a legalidade, regularidade e tempestividade das informações prestadas a esta Secretaria. Ao encaminhar, originalmente, o PER/DCOMP em questão, todos os valores informados pela Manifestante já eram Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13819.903444/200891 Acórdão n.º 3201004.551 S3C2T1 Fl. 4 3 absolutamente condizentes com a realidade, ou seja, a Manifestante, àquela altura, já detinha todos os créditos pleiteados. Os créditos da Manifestante, decorrentes de pagamento a maior por não dedução em vendas para a Zona Franca de Manaus, SEMPRE existiu (sic) e, agora, ainda mais, resta plenamente demonstrado na DCTF da Manifestante, ora anexada. A Manifestante, portanto, jamais causou qualquer prejuízo ao erário público, ao compensar valores com créditos dos quais dispunha integralmente. Assim, não bastasse a regularidade da compensação, que deve ser plenamente homologada, nunca houve mora ou infração da Manifestante, motivo pelo qual a cobrança de multa e juros apresentada no despacho decisório é igualmente descabida. Caso entendam V. Sas. que há alguma irregularidade no caso, nem mesmo mero erro de fato poderia ser cogitado, entendimento que, aliás, ocasionaria verdadeiro enriquecimento ilícito da Unido Federal. A DRJ/Campinas/SP, por meio do Acórdão 0529.590, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 EMENTA: DESPACHO ELETRÔNICO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA POSTERIOR. O despacho decisório eletrônico fundase nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A inexistência do crédito informado nas declarações justifica a nãohomologação, sendo que a retificação de tais declarações posteriormente à emissão do despacho eletrônico não o invalidam. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. No Recurso Voluntário, a empresa reforça a invocação do princípio da verdade material, e reitera que a DCTF retratava a condição de liberação do pagamento indevido. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13819.903444/200891 Acórdão n.º 3201004.551 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.544, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 13819.903407/200883, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.544): "O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório foi cientificado ao contribuinte em 21/08/2008, e a DCTF retificadora foi transmitida em 08/09/2008, portanto, depois da ciência do Despacho Decisório. Portanto, o débito no valor integral do Darf foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído, passível de posterior homologação. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Vigia, então, a Instrução Normativa RFB 786/2007: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquiv oBinario=0 II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13819.903444/200891 Acórdão n.º 3201004.551 S3C2T1 Fl. 6 5 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao ano calendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. Verificandose a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 11. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Estando o crédito tributário formalmente constituído pela DCTF original, e o Fisco agindo em consonância com o que foi formalmente constituído, para que se pudesse retificálo – o crédito tributário após o procedimento de ofício, seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova, e respectivos lastros documentais (nfs, contratos, etc). Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13819.903444/200891 Acórdão n.º 3201004.551 S3C2T1 Fl. 7 6 Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373, I do CPC4. Caso a DCTF ativa (original ou retificadora) estivesse com os valores que alega a recorrente, a compensação poderia ser sido auditada, para eventual prova de sua inconsistência, e para conferir o crédito. Em outras palavras, o Fisco tem o dever de averiguar I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13819.903444/200891 Acórdão n.º 3201004.551 S3C2T1 Fl. 8 7 e comprovar apenas o que for diferente daquilo que foi declarado pelo contribuinte. Após o procedimento de ofício, que agiu em conformidade com o que estava declarado, a contraprova, o ônus probatório, no caso de restituição/compensação, passa ao contribuinte. Dado que a DCTF ativa tinha o valor total do Darf de pagamento, a compensação foi negada por comparativo eletrônico. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1705 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16624.001201/2006-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004
CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N.º 01.
Nos termos da Sumula CARF n.º 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 9303-007.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N.º 01. Nos termos da Sumula CARF n.º 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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RENÚNCIA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N.º 01. Nos termos da Sumula CARF n.º 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 12 01 /2 00 6- 21 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 16624.001201/200621 Acórdão n.º 9303007.623 CSRFT3 Fl. 262 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte BAREFAME INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS LTDA (efls. 228 a 236), com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3801001.107 (efls. 01 a 008, reproduzido às efls. 214 a 221) proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2012, no sentido de não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância da discussão com processo judicial (Súmula CARF n.º 01). O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF). Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Não resignada com a decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 228 a 236) alegando divergência jurisprudencial quanto à aplicação da Súmula CARF n.º 01, defendendo que o presente caso não se amolda ao enunciado da respectiva súmula. Para comprovar o dissenso de interpretações, colacionou como paradigma o acórdão n.º 3202 000.324. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 16624.001201/200621 Acórdão n.º 9303007.623 CSRFT3 Fl. 263 3 Nos termos do despacho s/n.º (efls. 247 a 250), foi dado seguimento ao recurso especial da Contribuinte, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no teor do voto do Acórdão paradigma n.º 3202000.324, quanto à aplicação da Súmula CARF n.º 01. Cientificada a Fazenda Nacional (efl. 252), não foram apresentadas contrarrazões. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Da Concomitância No mérito, cingese a controvérsia à análise da existência de concomitância entre as discussões nas esferas administrativa e judicial. A controvérsia dos presentes autos tem origem em pedido de restituição, protocolado em 21/08/2006, no valor de R$ 150.402,02, correspondente a recolhimentos feitos a titulo de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, relativos aos períodos de apuração de fevereiro/99 a janeiro/2004. A Contribuinte fundamenta o seu pleito na inconstitucionalidade do art. 3º, inciso I, da Lei n.º 9.718/98, informando que a matéria foi submetida ao Poder Judiciário, Fl. 270DF CARF MF Processo nº 16624.001201/200621 Acórdão n.º 9303007.623 CSRFT3 Fl. 264 4 tendo obtido decisão judicial que lhe foi desfavorável nos autos do mandado de segurança n.º 1999.61.00.0209153. Em razão do trânsito em julgado da decisão, a Contribuinte ajuizou ação rescisória n.º 2006.03.00.0084736, perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, objetivando rescindir a decisão proferida no mandado de segurança e, por conseguinte, não mais recolher o PIS e a COFINS nos termos do art. 3º, inciso I da Lei n.º 9.718/98 com alargamento da base de cálculo. Informa que em 12 de abril de 2012, a mencionada Ação Rescisória foi acolhida pelo seu relator, o Juiz Federal convocado Rubens Calixto, não tendo ainda ocorrido o seu trânsito em julgado. A Recorrente justifica a formulação do pleito de restituição no intuito de suspender ou até mesmo interromper o prazo prescricional de restituição do indébito. No despacho decisório (efls. 123 e seguintes), o pedido de restituição foi indeferido em razão da concomitância dos processos na esfera judicial e administrativa, sendo que a opção pela via judicial encerra a lide administrativa em definitivo. Em sede de julgamento da manifestação de inconformidade, não foi reconhecido o direito creditório igualmente em razão da existência de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, nos termos do Acórdão n° 0523.532 lª Turma da DRJ/CPS (efls. 199 e seguintes). Interposto recurso voluntário, sobreveio acórdão (efls. 01 a 08, reproduzido às efls. 214 a 221), ora recorrido, que não conheceu do recurso voluntário, pois a Recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria que é objeto do presente processo. Nesse seguir, por meio de recurso especial, pretende a Contribuinte ver revertida a decisão que aplicou a concomitância entre o processo judicial e administrativo, com base em divergência jurisprudencial. Com relação à ação rescisória, a Recorrente sustenta que: [...] No que tange à Ação Rescisória n. 2006.03.00.0084736, seu desiderato era a rescisão de acórdão lavrado em manifesta contrariedade à pacificada jurisprudência do C. Supremo Tribunal e à literalidade de disposição legal (eficácia constitutivonegativa), aresto esse tecido nos autos de Mandado de Segurança, ação essa de caráter mandamental. Em notória disparidade em relação ao objeto da Rescisória em apontada, o Pedido de Restituição em testilha visa à devolução de valores indevidamente recolhidos, de modo que, se urn pleito análogo tivesse sido formulado perante o Poder Judiciário, a eficácia preponderante dessa Ação Judicial seria manifestamente condenatória (repetição de indébito). [...] Não se comunga da conclusão da Contribuinte de que não haveria a identidade entre os objetos da ação rescisória e deste processo administrativo. O objeto das ações, judicial e administrativa, é exatamente o mesmo: a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, Fl. 271DF CARF MF Processo nº 16624.001201/200621 Acórdão n.º 9303007.623 CSRFT3 Fl. 265 5 da Lei n.º 9.718/98. No âmbito da ação rescisória, com a desconstituição da decisão desfavorável do mandado de segurança, o resultado será a declaração de inconstitucionalidade; no âmbito administrativo, busca ver repetidos valores recolhidos a maior, justamente com fundamento na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Conclusão que fica evidenciada, ainda, pela transcrição dos pedidos veiculados no mandado de segurança, cuja decisão desfavorável pretende a Contribuinte seja desconstituída, mediante ação rescisória. O pedido deuse nos seguintes termos: [...] Face a todo o exposto, pelas razões de fato e de direito aqui narradas, onde se prova ser pacífico na legislação, doutrina e jurisprudência entendimento da inconstitucionalidade da norma legal ora acatada, ou seja, a Lei n° 9.718/98 e considerando o direito liquido e certo da Impetrante, requer a mesma que se digne V. Exa. ordenar, LIMINARMENTE, se abstenha a Autoridade coatora de exigir o recolhimento da contribuição ao PIS e à COFINS nos moldes preconizados pela Lei antes referida, continuando a efetuar o recolhimento de tais contribuições nos moldes da Lei Complementar nº 7/70 com as alterações da Lei Complementar nº 17/83 e da Lei Complementar nº 70/91, respectivamente, não impondo sanções à Impetrante até o deslinde da questão. [...] Assim, aplicase ao caso a Súmula CARF n.º 01: Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15463.721090/2016-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
A despesa de pensão alimentícia é cabível quando comprovado todos os requisitos de dedutibilidade.
Numero da decisão: 2002-000.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. A despesa de pensão alimentícia é cabível quando comprovado todos os requisitos de dedutibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. A despesa de pensão alimentícia é cabível quando comprovado todos os requisitos de dedutibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 10 90 /2 01 6- 71 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15463.721090/201671 Acórdão n.º 2002000.654 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 88/89) contra decisão de primeira instância (fls. 74/76), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DRF RJ I) emitiu em nome do contribuinte acima identificado Notificação de Lançamento (fls. 44/49) referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2014, anocalendário 2013, porque detectadas deduções indevidas a título de pensão alimentícia judicial e/ou escritura pública (R$ 28.850,99) e de despesas médicas (R$ 200,00). Apurouse imposto de renda suplementar de R$ 8.002,77. O contribuinte, notificado do lançamento, apresenta impugnação (fls. 40/41) e reafirma a regularidade do pagamento de pensão alimentícia, inclusive alimentos provisionais em decorrência de decisão judicial (divórcio consensual), bem como das despesas médicas glosadas, de R$ 250,00 (fl. 60), porque despesas próprias. Anexa diversos documentos, inclusive atestado médico, de 25/05/2016 (fl. 59), declaração da Cassi de participantes dependentes (fl. 53), ficha de dependente da Cassi (fls. 56/57) e ficha de beneficiários da Previ (fl. 54). O resumo da decisão revisanda está condensado na ementa do seguinte julgamento: PENSÃO ALIMENTÍCIA. ADMISSIBILIDADE. A despesa relativa a pensão alimentícia é cabível quando comprovado todos os requisitos de dedutibilidade. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 15463.721090/201671 Acórdão n.º 2002000.654 S2C0T2 Fl. 4 3 O contribuinte foi cientificado em 09/03/2018 (fl. 83); Recurso Voluntário protocolado em 05/04/2018 (fl. 88), assinado pelo próprio contribuinte. O contribuinte responde nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. b) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFR, que a glosa deduzida a título de Pensão Alimentícia se deu por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal. Relativamente a glosa de Despesas Médicas, se deu por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal. A r. decisão primeira, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo a glosa referente a pensão alimentícia e, expungindo da condenação parte da glosa referente a despesas médicas. Irresignado, o recorrente combate a r. decisão revisanda, apenas no que diz respeito ao título de “pensão alimentícia”. Alega o recorrente fato novo, juntando decisão judicial que foi amparada por atestado médico, comprovando que o alimentando é incapacitado para a vida laborativa. A ação judicial, trazida aos autos, tem como objeto a Restauração de autos nos termos do art. 712 do CPC, ou seja, continuidade da ação de separação de 1984. Entende este relator, de igual forma que a r. decisão revisanda: não existe prova de qualquer procedimento de interdição de incapaz, anexada ao processo. É louvável a atitude do recorrente, mas entendo que a pensão alimentícia é paga por mera liberalidade. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11522.001534/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2001 a 30/11/2004
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica.
Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço formam um grupo econômico, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302.001.359
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 30/11/2004 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço formam um grupo econômico, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi – Relatora. EDITADO EM: 06/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva,Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11522.001534/200765 Acórdão n.º 230201.359 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente notificação, lavrada em 28/11/2006 e cientificada ao sujeito passivo acima identificado em 23/04/2007, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, declaradas em GFIP, no período de 02/2001 a 11/2004. O relatório fiscal de fls. 91/103, diz que ação fiscal foi instaurada em cumprimento a Mandado de Busca e Apreensão contra a empresa Frigorífico Margem Ltda., que desempenhava suas atividades no endereço da notificada, sendo apreendidos documentos das empresas Frigorífico Novo Milênio Ltda (recorrente), Frigorífico Margem e O. A. Ribeiro assim como dos sócios, concluindose que se tratava de grupo econômico, conforme descrito nas fls 93 e 94 do citado relatório, pela comprovada interligação das atividades empresariais e gerenciais. O crédito foi apurado através das folhas de pagamento, holerites, GFIP’s, informações constantes do CNIS e GPS. As integrantes do grupo econômico foram cientificadas da lavratura da NFLD, conforme termos de fls. 146 a 155. Após a impugnação da notificada e das solidárias, que argüiram o cerceamento de defesa por não terem tomado conhecimento do teor da notificação, Acórdão de fls. 342/346, julgou o lançamento procedente. Inconformadas as solidárias apresentaram recurso, onde trazem as razões a seguir expostas. O.A.Ribeiro, foi cientificado do Acórdão, através de registro postal, à fl.370, em 22/01/2008, apresentando recurso tempestivo em 20/02/2008, fls. 375 a 440, onde argúi: a) a inexigibilidade do depósito recursal; b) o cerceamento de defesa porque os documentos que poderiam comprovar os recolhimentos foram apreendidos pela justiça; c) a ilegitimidade passiva, porque já tinha se retirado da sociedade; d) que embora ainda fizesse parte do quadro societário, quando da constituição do crédito, os adquirentes assumiram todo o passivo, inclusive as obrigações previdenciárias; e) que nunca existiu grupo econômico, que é pessoa jurídica independente de outras. Requer o provimento do recurso para reconhecer a ilegitimidade passiva e que seja oficiado o Juízo da 3ª Vara Federal para que disponibilize os documentos, reabrindo prazo para impugnação. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Ney Agilson Padilha Frigorífico Margem, foi cientificado do Acórdão de fls. 342/364, em 22/01/2008, fl.369, apresentou recurso em 13/03/2008, fls.446/445, arguindo: a) inexigibilidade do depósito recursal; b) que apenas arrendou o local do Frigorífico Novo Milênio; c) que nunca houve direção comum, que o relacionamento era pouco amigável e truculento; d) que a retomada do imóvel alugado se deu sem autorização; e) cerceamento de defesa porque os documentos não foram enviados pelo correio; f) que quando do encerramento do procedimento fiscal já tinha alienado suas cotas para GM Rio Bonito Participações Ltda.; g) que foi ilegalmente incluído como sujeito passivo;. Requer a nulidade da NFLD por estar eivada de nulidade na identificação do responsável eleito, pela exiguidade do prazo de defesa e indisponibilidade de documentos. Alternativamente, requer a improcedência do lançamento pela inexistência de grupo econômico e exclusão de sua responsabilidade porque alienou sua participação societária. Mauro Suaiden e Geraldo Antonio Prearo Frigorífico Margem Ltda. foram cientificados do Acórdão de fls. 342/364 em 22/01/2008, fls. 371 e 373, e apresentaram recurso em 18/04/2008, fls.547/552, arguindo: a) a nulidade da decisão recorrida porque não teve conhecimento do procedimento fiscal, estando os autos em localidade distinta do seu domicilio; b) cerceamento de defesa; c) que não teve conhecimento do porque da constituição do grupo econômico; d) que não sabe a origem e os fundamentos do levantamento; e) que os documentos de constituição do crédito devem ser disponibilizados pelo fisco. Requer o acolhimento do recurso com o cancelamento do lançamento por cerceamento de defesa, pela não cientificação do mesmo, ou a exclusão da responsabilidade tributária dos recorrentes. O devedor principal, Frigorífico Novo Milênio, não apresentou recurso. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11522.001534/200765 Acórdão n.º 230201.359 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora Da Admissibilidade Os recursos interpostos por Ney Agilson Padilha, Mauro Suaiden e Geraldo Antonio Prearo, pelo Frigorífico Margem são INTEMPESTIVOS, razão pela qual deles não se deve tomar conhecimento. Cientificados os sujeitos passivos do Acórdão de fls. 342/364, em 22/01/2008, fls.369,371 e 373, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 23/01/2008, fruindo até 21/02/2008. Entretanto, os recurso foram interpostos apenas em 13/03/2008 e 18/04/2008, conforme documentos de fls. 446 e 547, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto por não conhecer dos recursos, por falta de requisito para sua admissibilidade. O recurso interposto pelo solidário O.A. Ribeiro, cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente a tempestividade, documento de fls. 370 e 375, motivo pelo qual conheço do recurso e passo a examinálo. Das Preliminares Quanto ao depósito recursal, tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n ° 256/2009 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do art. 126 da Lei n ° 8.212. Embora não tenha sido argüida pela recorrente, deve ser examinada de ofício matéria de ordem pública como a decadência. A Notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 23/04/2007. Quanto aos solidários, não consta dos autos o retorno dos AR’s, somente a guia de remessa das correspondências à fl.104. Todavia, como as impugnações foram apresentadas antes da data de 23/04/2007, temse que todos foram cientificados e tomouse tal data como termo para a contagem da decadência, de acordo com o disposto pela Portaria MPS N.º 520, de 19/05/2004, que regulava o Contencioso Administrativo Fiscal no âmbito do INSS, à época da lavratura da notificação e trazia no seu artigo 33,§3º e §4º, que quando da solidariedade o prazo da intimação será contado a partir da ciência do último coobrigado: Art. 33 (...) § 3º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11522.001534/200765 Acórdão n.º 230201.359 S2C3T2 Fl. 4 7 a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Ademais, nos termos do artigo 145, do Código Tributário Nacional, o que delimita o marco temporal da ocorrência ou não da decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário é a data em que o contribuinte é cientificado do ato de lançamento: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I. impugnação do sujeito passivo; II. recurso de ofício; III. iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149. Também sobre o assunto, faço referência a ementa de acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região: “Ementa: .... I. O crédito tributário constituise com o lançamento, e este, na hipótese, reputase ocorrido quando da regular notificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, consoante a dicção dos arts. 142 e 145 do CTN ....” (TRF2ª Região. AC 2001.02.01.0169076/RJ. Rel.: Des. Federal Valmir Peçanha. 4ª Turma. Decisão:04/06/02. DJ de 16/09/02, p. 181.) Assim, é de se observar que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar, em regra, o art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso em questão, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, uma vez que comprovadamente a recorrente procedeu a recolhimentos previdenciários parciais, relativos ao crédito lançado nesta notificação: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11522.001534/200765 Acórdão n.º 230201.359 S2C3T2 Fl. 5 9 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tomandose por base a data da cientificação do último sujeito passivo, em 23/04/2007, devem ser excluídas do lançamento as competências até 03/2002. Quanto ao questionamento de cerceamento de defesa devido a apreensão de documentos pela Justiça Federal, o que impediu o recorrente de apresentar os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias, entendo ser inócuo, posto que a fiscalização explicita que os valores lançados referemse a diferenças e foram apurados com base nas folhas de pagamento e demais documentos elaborados pela notificada, nas GFIP’s que contém informações também declaradas pela empresa, em confronto com as Guias de Recolhimento GPS, que foram devidamente abatidas dos valores devidos. Portanto incabível a tese de cerceamento de defesa, por estarem os documentos apreendidos, porque os recolhimentos efetuados pela recorrente já foram devidamente aproveitados, conforme o RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, fls.46 a 66. Do Mérito A notificação teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS. As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento Quanto à caracterização do grupo econômico, o relatório fiscal complementar foi detalhado ao especificar a existência e configuração do mesmo, fls. 46/56; já que os sócios administradores são os mesmos nas três empresas, durante todo o período, os empregados foram transferidos de uma para outra, a movimentação financeira entre elas é usual, possuem o mesmo endereço, mesmo ramo de atividade, os pagamento aos sócios são efetuados numa ou noutra empresa, sendo que, por economia processual, transcrevo parte do citado relatório, que bem constata a existência do grupo econômico: CONSTATAÇÃO DO GRUPO ECONOMICO NOVO MILÊNIO 1.3.1. A empresa em tela "Frigorífico Novo Milênio Ltda" foi constituída em 22/01/2001, composta 2 dois sócios Osvaldo Alves Ribeiro e Carlos Celso Medeiros Ribeiro, esse, filho do primeiro, com o objeto social do ramo de Frigorífico de abate de bovinos. 1.3.2. Inicialmente no mesmo endereço e com a mesma atividade comercial, havia a Firma Individual O.A. RIBEIRO, de propriedade do Sr. OSVALDO ALVES RIBEIRO, constituída desde 10/12/96, cujas atividades foram até janeiro/2001, onde essa efetuou a transferência de seus empregados para a nova empresa constituída no item 1 acima, conforme comunicação ao Ministério do Trabalho e Emprego em 16/02/2001, onde a partir daí suas atividades de abate passaram ser feitas em nome da nova empresa. 1.3.3. O "Frigorífico Novo Milênio Ltda" funcionou de 02/2001 a julho/2004, onde em 01/08/2004, arrendou seu parque industrial para a filial do Frigorífico Margen Ltda, cnpj 25.068.875/004224, transferindo seu quadro de empregados para a arrendatária, que funcionou até 12/2005, posteriormente em 01/2006 vindo a assumir a empresa precursora das atividades O. A. Ribeiro, conforme informações obtidas junto a Delegacia Federal do Ministério da Agricultura e AbastecimentoSIF do Estado do Acre. 1.3.4. Em 01/12/2004, ocorreu o Mandado de Busca e Apreensão, onde à época funcionava a empresa do Frigorífico Margen Ltda'; 1.3.5. Em 20/11/2005, os srs. Osvaldo Alves Ribeiro e Carlos Celso Medeiros Ribeiro retiraramse da sociedade transferindo a empresa aos srs. Adalberto Coelho Dias e João Carlos da Costa Oliveira. 1.3.6. Cabe aqui ressaltar que logo após a alteração do quadro societário a empresa paralisou suas atividades operacionais, onde a partir de 01/2006 reativou as atividades na firma individual O.A. Ribeiro. 1.3.7. Tratase de uma situação inusitada, pois a empresa assumida pelos novos sócios possivelmente hoje já não possui mais patrimônio, encontravase sob ação fiscal, com possibilidade débitos de grande monta junto ao INSS. De fato, há inúmeras evidências na citada alteração do quadro societário que apontam para uma simulação. 1.3.8. Os sócios fundadores da empresa, srs. Osvaldo Alves Ribeiro e Carlos Celso Medeiros Ribeiro, são pessoas conhecidas e atuantes nos ramos da indústria frigorífica, transporte e Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11522.001534/200765 Acórdão n.º 230201.359 S2C3T2 Fl. 6 11 da pecuária. Estes senhores são os proprietários do Frigorífico Novo Milênio Ltda, conforme detalhado no relatório, e são detentores de vistoso patrimônio conhecido. Por outro lado, os sócios que assumiram a empresa são pessoas modestas e despojadas de capacidade financeira para gerir empreendimentos de tal envergadura. 1.3.9. No Cadastro Nacional de Informações — CNIS consta que o sr. Adalberto Coelho Dias laborou como empregado na função de marceneiro para Microempresa, Firma Individual, "Antonio PastroME.", CNPJ 03.866.437/000109 de 02/06/2003 a 01/12/2003 com salário médio de R$551,00 1.3.10. O sr. João Carlos da Costa Oliveira, conforme Cadastro Nacional de Informações — CNIS, também laborou como empregado para "Cerâmica Santo André Ltda.", CNPJ 33.006.073/000140 de 01/03/1993 a 28/09/1993, na função de Serventepercebendo remuneração média de 01 salário mínimo e posteriormente contratos de pequenos períodos que não chegam a um mês. 1.3.11. Ressaltese que a situação é deveras singular e insinuante, pois em uma empresa são empregados com baixa remuneração e na outra situação são proprietários de uma empresa paralisada com passivo tributário desmesurado. 1.3.12. Outro fato que denota ter havido uma mera simulação na alteração contratual efetuada em 20/11/2005, está na continuidade do negócio pois em 01/2006 voltou as atividades na empresa precursora O.A. Ribeiro. 1.3.13. Diante de tais evidências, claro está que os senhores Adalberto Coelho Dias e João Carlos da Costa Oliveira limitaramse a ceder seus nomes e assinaturas na alteração do contrato social. O intento da referida manobra é tão somente desvincular os nomes dos sócios Osvaldo Alves Ribeiro e Carlos Celso Medeiros Ribeiro de uma empresa paralisada e carregada de dívidas tributárias. Esta trama ardilosa visa alcançar determinado fim, qual seja, preservar o patrimônio pessoal daqueles sócios que de fato geriram e mantiveram administrativa e financeiramente o empreendimento, tornando improfícua qualquer tentativa de cobrança judicial dos débitos acumulados junto ao INSS. Ao contrário do que afirma a recorrente a solidariedade do grupo econômico está prevista expressamente na lei previdenciária, art. 30, inciso IX da Lei n º 8.212 de 1991: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; (Ver § 4º do art. 2º da Lei nº 9.719/98) Pelo exposto, não procede o argumento da recorrente de que não há nos autos prova da existência de grupo econômico. O relatório fiscal foi detalhado ao especificar a existência e configuração do grupo econômico. Há comunhão de sócios e objetivos sociais nas diversas empresas, houve utilização em comum de empregados entre as empresas integrantes do grupo. Há atuação de empresas na mesma unidade, utilizandose da estrutura do grupo. A representação em comum das empresas. Ocorreu movimentação financeira entre as diversas sociedades integrantes do grupo, por meio de pagamento de despesas de outras sociedades integrantes do grupo. Pelo exposto, a fiscalização demonstrou de fato a existência do grupo econômico. Mesmo porquê o grupo é caracterizado pela manutenção das personalidades jurídicas autônomas, apenas operacionalmente é que há a comunhão de recursos materiais e de pessoal. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Há caracterização do grupo econômico, conforme art. 2º, parágrafo 2º do DecretoLei n ° 5.452 (CLT). § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. A fiscalização é competente para aplicar os dispositivos da Lei n ° 8.212. Nesse sentido o art. 30, inciso IX dessa lei pode e deve ser aplicado pela fiscalização ao realizar suas atividades. Portanto, correta a identificação dos sujeitos passivos como responsáveis solidários. Voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do levantamento as competências até 03/2002, inclusive, devido à extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 12DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10410.902556/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE DEMONSTRAR A LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer prova ou ser indício do direito creditório.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprovar sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.404
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso por força da falta de interesse recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE DEMONSTRAR A LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer prova ou ser indício do direito creditório. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprovar sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado
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É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer prova ou ser indício do direito creditório. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprovar sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso por força da falta de interesse recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 25 56 /2 00 9- 19 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10410.902556/200919 Acórdão n.º 3302006.404 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do pedido de restituição (PER) e de não homologação da compensação declarada (DComp), pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte informou que, quando do envio do PER/DComp, ainda não havia sido corrigida a informação atinente ao crédito empregado na compensação declarada em DCTF, declaração essa retificada posteriormente, mas antes da ciência do despacho decisório, conforme podiase verificar das cópias da DCTF e do Dacon retificadores trazidos aos autos. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1133.436, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade, sustentando, ainda, que a DCTF retificadora transmitida após o PER/DComp era suficiente para comprovar seu direito e invocando o princípio da verdade material. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente trouxe aos autos demonstrativo de cálculo e cópia de parte de um documento denominado Razão Analítico. É o Relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.400, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10410.902552/200922, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.400): A presente controvérsia gravita em torno do direito da Recorrente à compensação de créditos que afirma possuir com a União Federal em razão de supostos recolhimentos de tributos a maior. Isto porque a Recorrente, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que negou o seu direito ao crédito por ela pleiteado não trouxe aos autos qualquer elemento de prova Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10410.902556/200919 Acórdão n.º 3302006.404 S3C3T2 Fl. 4 3 capaz de demonstrar a origem do referido crédito, à exceção da DCTF e da DACON retificadoras. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. Contudo, não é esta a realidade dos Autos. Quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não juntou documentos comprobatórios ou indiciários do seu direito. Este colegiado possui o entendimento consolidado no sentido de que o momento da apresentação de provas ou indícios é da apresentação do Recurso Voluntário. Isto porque a aferição do direito a um crédito não leva em consideração apenas a declaração do Contribuinte, mas principalmente o fato gerador, que por sua vez é materializado a partir das provas da sua ocorrência no mundo fenomênico. Em outras palavras, não basta que a Contribuinte afirme que recolheu valor a maior, sendo necessário que ela demonstre, por meio de provas idôneas, especialmente documentação contábil e notas fiscais, qual era o valor devido para que, comparado com o valor já recolhido, seja possível calcular o montante do crédito. Esta prova, por ser constitutiva do direito de quem requer o crédito, é um ônus do contribuinte, neste caso a Recorrente, segundo a distribuição preconizada pela legislação processual civil e pelo Decreto 70235/72. Efetivamente, não foi oportunamente juntado aos autos qualquer documento de seus registros contábeis que permitisse à autoridade fiscal, e a este Colegiado, aferir a veracidade de suas alegações, à exceção de um demonstrativo da Receita Cumulativa (efls. 116) e uma página do Livro Razão (efls. 117), todos trazidos apenas com o Recurso Voluntário. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando oportunamente os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram o direito pleiteado. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos. Neste sentido salientou a DRJ. "Consignese, por oportuno, que a eventual devolução à DRF de Origem, para realização de diligência/perícia determinada de ofício no sentido de produção de provas do indébito tributário, cujo ônus processual é da contribuinte, sem que esta, principal interessada na questão, tenha anexado aos autos sequer uma única prova que revelasse, ainda que fragilmente, a pertinência do direito reivindicado, importaria, num contexto global e diante de um possível efeito multiplicador, em indesejável acúmulo de processos junto às Delegacias da Receita Federal Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10410.902556/200919 Acórdão n.º 3302006.404 S3C3T2 Fl. 5 4 do Brasil para solução de aspectos em relação aos quais a principal interessada se quedou inerte. Tal procedimento, prejudicaria sobremaneira a celeridade da tramitação dos demais processos administrativos nos quais, em linha oposta, a parte interessada tenha atuado com diligência e dinamismo na defesa de seus interesses." Interessante destacar que apesar da Recorrente haver alegado, em seu Recurso Voluntário, que possui o direito de retificar a DCTF, ainda que passados anos do envio da original, tal direito foi expressamente reconhecido pela DRJ. Esta matéria recursal, por carecer de sucumbência, sequer pode ser conhecida por este colegiado. E quanto as provas trazidas apenas quando da interposição do Recurso Voluntário, este Colegiado possui entendimento de que o momento correto para a produção de provas é a “manifestação de inconformidade”. Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de conhecer parcialmente do Recurso e na parte conhecida negar provimento ao Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer parcialmente do recurso por força da falta de interesse recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário.. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914654/2008-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO.
O prazo para o contribuinte retificar de DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
Numero da decisão: 1001-001.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO. O prazo para o contribuinte retificar de DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO. O prazo para o contribuinte retificar de DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 46 54 /2 00 8- 73 Fl. 144DF CARF MF 2 Tratase de Declarações de Compensação 18981.64634.200404.1.3.048560 (efls. 07/11), de 30/01/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (CSLL 4° Trim. / 2003) com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (4° trimestre do anobase de 2002). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 783808035 (efl. 02), que analisou as informações e reconheceu que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 12/13) na qual alegou que declarou em DCTF original valor do débito de CSLL equivocado, motivandose, assim, a retificação das respectivas DCTF (em 02/07/2008). Requereu também que fosse retificada a Per/Dcomp referente ao Despacho Decisório recorrido e retificadas as DCTF'S do 1° Trim/2003 ao 4° Trim/2003 pelo motivo da alteração quanto ao crédito compensado. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 16 24.589 7ª Turma da DRJ/SP1, efl. 47/61). A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, por entender que a intenção de retificar a declaração não pode ser reconhecida em sede de contencioso administrativo e que as DCTFs retificadoras, noticiadas na manifestação de inconformidade do contribuinte, foram transmitidas em 02/07/2008, portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores correlatos ao IRPJ apurado no 3° trimestre do ano calendário 2002: denotase que a intenção de retificar a declaração não pode ser reconhecida para fins de alteração das informações reportadas na DCOMP original, haja vista que a pretensão motivouse a destempo, ou seja, manifestada imediatamente após a ciência da decisão administrativa, circunstância que indica descumprimento de requisito preliminar firmado pelo art. 57 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005. De outra parte, ante o exame simultâneo das alegações inerentes às alterações das informações prestadas por intermédio das DCTF correlatas ao 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2002, fica patente que o interessado transmitiu as DCTF retificadoras extemporaneamente, uma vez que somente levou a efeito após o decurso do prazo decadencial admitido para que o contribuinte adotasse as providências necessárias visando promover correções de débitos regularmente confessados perante a Administração Tributária Federal. Retomando a situação fática tratada nos autos, evidenciase que as DCTF retificadoras, noticiadas na manifestação de inconformidade do contribuinte, foram transmitidas em 02/07/2008 (fls. 27 e 31), portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores correlatos a CSLL apurado no 3° trimestre do ano calendário 2002, visando flagrante intuito de incitar, a destempo, a desoneração de parcela do imposto pago e regularmente confessado por intermédio da DCTF do respectivo períodobase, assim, produzindo, de forma inoportuna e ilegítima, a constituição do saldo credor reivindicado no pleito em discussão. (...) Cientificada em 08/04/2010 (efl. 62), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 07/05/2010 (efl. 63), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e complementa que não operou a decadência, acreditou que não seria necessário comprovar aquilo que já era de conhecimento do Fisco Federal, pois o seu pleito estava escorado nas exatas informações que estavam processadas no próprio sistema de controle da RFB e requer diligência: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.914654/200873 Acórdão n.º 1001001.101 S1C0T1 Fl. 145 3 há de se esclarecer que a retificação das DCTF do 1°, 2°, 3° e 4° Trimestres/2002 foram aceitas pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (doc. 03), tornando incompetente a DRJ para analisar o seu deferimento. Caso o Nobre Colegiado entenda por necessário à busca da verdade material, certamente determinará a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora ratifique a validade da DCTF retificadora, a qual está ativa no sistema da RFB. Ao tema, há de se considerar que, por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o ora Recorrente acreditou que não seria necessário comprovar aquilo que já era de conhecimento do Fisco Federal, pois o seu pleito estava escorado nas exatas informações que estavam processadas no próprio sistema de controle da RFB. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. O § 10 do art. 74 da Lei 9.430/71 estabelece que da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Quanto ao pedido para que a PER/DCOMP seja retificada adiro aos fundamentos da decisão de primeira instância, pois retificação de PERDCOMP incluise na competência da DRF, e não matéria do contencioso administrativo. Acrescento que, conforme demonstrado na decisão de piso, mesmo as informações e documentos fiscais trazidos junto com a manifestação de inconformidade não se mostraram capazes de confirmar o direito creditório pleiteado. Isto porque sob este enfoque, importa frisar inclusive, que não basta que o interessado se limite a comprovar se houve ou não os pagamentos indevidos ou a maior do imposto reportado no curso do processo, ou mesmo restringirse a assegurar a lidimidade da apuração do crédito declarado na DCOMP, mas, também, deixar patente a constituição e a disponibilidade da importância pretensamente paga a maior, devendo apoiarse em demonstração comparativa, detalhada e lastreada nos livros fiscais e comerciais exigidos pela legislação tributária. A respeito da alegada decadência do direito do contribuinte de modificar as informações prestadas por intermédio das DCTF correlatas ao 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2002, constato que as DCTF retificadoras foram apresentadas em 02/07/2008 cabendo razão à decisão de primeira instância, visto que o "prazo para o contribuinte retificar sua DCTF (que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida) coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN". Por fim, ao contrário daquilo que alega o requerente, é importante ressaltar que os elementos carreados na manifestação de inconformidade por si só não perfazem prova suficiente da presença de erro de fato na elaboração da DCTF, tendo em conta que não possuem o condão de suprir prova documental que abrigue a alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva da imposto. Este CARF tem consignado que em tema de restituição e compensação cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2a) a Fl. 146DF CARF MF 4 oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anos calendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pelo postulante da manifestação de inconformidade, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade de eventual saldo negativo de IRPJ declarado. Observo que o recorrente tenta trazer a esta segunda instância (CARF) documentos no intuito de provar seus créditos. Mas, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Desta forma indefiro também o pedido de diligência. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.901766/2009-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado por meio de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3002-000.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Alan Tavora Nem (relator), na qual foi acompanhado pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem (relator) e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deram provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante pela unidade de origem quando da execução do julgado. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Alan Tavora Nem - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Alan Tavora Nem (relator), na qual foi acompanhado pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem (relator) e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deram provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante pela unidade de origem quando da execução do julgado. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Alan Tavora Nem - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
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CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado por meio de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Alan Tavora Nem (relator), na qual foi acompanhado pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem (relator) e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deram provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante pela unidade de origem quando da execução do julgado. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 17 66 /2 00 9- 61 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11060.901766/200961 Acórdão n.º 3002000.551 S3C0T2 Fl. 3 2 Larissa Nunes Girard – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Alan Tavora Nem Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 32/34 dos autos: "Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório Eletrônico (DDE) emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria que não homologou a compensação declarada, uma vez que não foi confirmada a existência do direito creditório apontado pela interessada na declaração prestada. A interessa contesta, tempestivamente, o Despacho Decisório, afirmando possuir direito creditório disponível no período, porém teria informado na DCTF do 1º semestre de 2005 valor incorreto do débito. Informa que efetuou a retificação da referida declaração." Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: "DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO DE NÃOHOMOLOGAÇÃO. INEFICÁCIA. DCTF retificada após ciência da decisão, que não homologa compensação declarada, não é causa para sua reforma, pois a comprovação da disponibilidade de crédito é aferida no momento da decisão exarada pela autoridade competente. PAGAMENTO A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Tendo o pagamento constante do DARF ao qual foi atribuído o crédito utilizado no PER/DCOMP sido vinculado para extinguir débito confessado em DCTF, inexiste saldo remanescente a compensar." Uma vez intimado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 68/74) oportunidade em que repisou as razões desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, bem como trouxe novos documentos fiscais (fls. 89/155) que dariam sustentação probatória ao crédito vindicado. É o breve relatório. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11060.901766/200961 Acórdão n.º 3002000.551 S3C0T2 Fl. 4 3 Voto Vencido Conselheiro Alan Tavora Nem Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, pretende o contribuinte, através do seu Recurso Voluntário, ver reformada a decisão recorrida, para fins de reconhecer o seu direito creditório, com a consequente homologação do pedido de compensação apresentado. Primeiramente, insta destacar que o despacho denegatório da compensação perpetrada pautouse pelo fato do crédito utilizado pelo contribuinte ter sido utilizado para saldar outro débito, ou seja, pelo fato do crédito apontado pelo contribuinte já ter sido utilizado previamente. Ciente deste despacho, o contribuinte retificou a DCTF sobredita e em sua manifestação de inconformidade, relatou que a origem do pedido de compensação decorria de pagamento a maior de COFINS realizado no período do 1º semestre de 2005, tendo anexado aos autos, naquela oportunidade, DCTF retificadora (fls. 20). De início, é válido observar que, a DRJ deixou de deferir o pleito do contribuinte, por entender que "a interessada alega erro no valor declarado em DCTF afirmando que retificou esta declaração. Entretanto, tal retificação ocorreu em data posterior (20/05/2009) à ciência do despacho (04/05/2009) que não homologou a compensação declarada", concluindo que "DCTF retificada após ciência da decisão, que não homologa compensação declarada, não é causa para sua reforma, pois a comprovação da disponibilidade de crédito é aferida no momento da decisão exarada pela autoridade competente", conforme sua ementa. Em seu Recurso Voluntário, então, no intuito de afastar o argumento da DRJ e comprovar o seu direito creditório, o contribuinte anexou aos autos os seguintes documentos: (i) Cálculo do PIS e da COFINS; (ii) Faturas Energia Elétrica; (iii) Faturas Despesa Aluguel; (iv) Relação dos Produtos Vendidos (Faturamento) Matriz e Filial; (v) Razão de COFINS a Recuperar; (vi) Razão das compras de mercadorias; (vii) Razão dos lançamentos COFINS a pagar, (viii) Razão apropriação despesas aluguel e energia elétrica Matriz e Filial, (ix) Razão dos lançamentos Faturamento, (x) Razão dos lançamentos débito COFINS (despesa), (xi) Registro (resumo) de Entradas e saídas Matriz e Filial e, por fim (xii) Resposta de Consulta e Material sobre legislação que deu base para efetuar o cálculo. Contudo, considerando que, após o envio da DCTF retificadora, a unidade de origem não chegou a apreciar o direito creditório em comento (repisese que a DCTF retificadora foi transmitida após o despacho decisório, o que impossibilitou a análise da DRF acerca da regularidade da correção ali realizada), entendo que os autos deverão ser remetidos à repartição competente, para que esta se manifeste expressamente acerca da certeza e liquidez do crédito tributário em comento. Por oportuno, é válido mencionar que a legislação pátria não impõe qualquer impedimento para que a DCTF seja retificada após a transmissão da DCOMP ou do despacho Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11060.901766/200961 Acórdão n.º 3002000.551 S3C0T2 Fl. 5 4 decisório, nem afasta da DCTF retificadora o seu efeito natural de substituir a DCTF originalmente apresentada. Sobre os efeitos da DCTF retificadora, tragase à colação o art. 18 da MP nº 2.18949/2001, bem como o art. 11 da Instrução Normativa nº 903/2008, in verbis: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. *** Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. Da leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase que o caso concreto aqui analisado (procedimento eletrônico de não homologação da compensação pleiteada em razão da não localização de créditos suficientes) não se encontra dentre as hipóteses expressamente previstas na legislação em que a retificadora não surtirá efeitos. Logo, inferese que os efeitos da DCTF retificadora em tal caso, desde que validamente comprovadas as alterações ali inseridas, serão os mesmos da DCTF originalmente transmitida. Consolidando o entendimento acima disposto, oriundo da legislação que rege a matéria, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015 assim dispôs: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11060.901766/200961 Acórdão n.º 3002000.551 S3C0T2 Fl. 6 5 PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11060.901766/200961 Acórdão n.º 3002000.551 S3C0T2 Fl. 7 6 A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014." Do transcrito acima, extraise que a limitação trazida pela legislação para fins de admissão de DCTF retificadora tendente à homologação de pedidos de compensação é de que esta retificadora esteja em linha com o princípio da verdade material, correspondendo aos valores corretamente registrados nos registros contábeis/fiscais da empresa, e que não esteja divergente de outras declarações apresentadas pelo contribuinte, a exemplo da DIPJ e Dacon. Ou seja, mesmo após o despacho decisório, é possível que a DCTF retificadora atinja os seus efeitos de substituir a original, desde que os valores ali retificados correspondam à realidade dos fatos. Em tal caso, é cediço que a comprovação há de ser realizada pelo contribuinte, visto que incumbe a ele o ônus probatório no caso de pedido de compensação. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso dos presentes autos, verificase que o contribuinte, observando a sua obrigação processual, trouxe aos autos elementos probatórios que, ao menos à primeira vista, apresentamse aptos a demonstrar o seu direito creditório. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11060.901766/200961 Acórdão n.º 3002000.551 S3C0T2 Fl. 8 7 Sendo assim, uma vez anexada ao presente processo, tal comprovação há de ser apreciada por este órgão de julgamento, caso contrário, estarseia admitindo enriquecimento indevido por parte da União, em detrimento do princípio da verdade material. Acontece que tal análise não chegou a ser realizada no caso concreto ora apreciado pela unidade de origem, visto que a DCTF retificadora ainda não havia sido transmitida quando do despacho decisório. Sendo assim, entendo que este Conselho deverá baixar o presente processo em diligência, para que a DRF analise e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Diante do acima exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, no sentido de que os autos sejam remetidos à unidade de origem para que esta analise e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Dessa forma, vencido na proposta de diligência passo à analise do mérito. Mérito O Acórdão da DRJ aduz que "a interessada alega erro no valor declarado em DCTF afirmando que retificou esta declaração. Entretanto, tal retificação ocorreu em data posterior (20/05/2009) à ciência do despacho (04/05/2009) que não homologou a compensação declarada". Sendo assim, como o contribuinte apresentou nos autos em sede de Recurso Voluntário a prova dos fatos alegados. Conforme dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que o ônus da prova incumbe ao autor (no caso em tela ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Portanto, como é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo, é evidente a indispensabilidade da demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo (origem e quantificação) que, como demonstrado e expressamente dispõe o art. 373, I da lei adjetiva (aplicável subsidiariamente ao PAF), incumbe ao autor do PER, assim como as respectivas retificações dos auto lançamentos e dos respectivos registros fiscais (DCTF, Dacon etc), razões pelas quais, entendo que merece reparo a decisão recorrida, cuja fundamentação se baseia na inexistência do suposto crédito exatamente pela ausência da demonstração ou comprovação do direito creditório alegado. Pelo o exposto, vencido na proposta de diligência no mérito voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para fins de reconhecer o direito creditório, condicionada à confirmação do montante pela unidade de origem quando da execução do julgado. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11060.901766/200961 Acórdão n.º 3002000.551 S3C0T2 Fl. 9 8 É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Voto Vencedor Conselheira Larissa Nunes Girard – Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do conselheiro relator sobre a possibilidade de iníciarse a produção de provas quando o processo encontrase para julgamento em segunda instância. Diante da não homologação de sua declaração de compensação, a recorrente limitouse a apresentar a retificação da DCTF e do Dacon, sem qualquer documentação probatória para amparar a redução do débito tributário promovida por meio da retificação da DCTF, declaração que representa confissão de dívida perante a Receita Federal, e sem qualquer explicação sobre a natureza da alteração promovida (se mero erro de preenchimento, se erro no cálculo da contribuição, se discordância sobre interpretação legislativa, etc.). Tendo compreendido, após a segunda decisão denegatória, que a mera retificação de declarações, desacompanhadas das razões e provas sobre as quais se funde o direito não era suficiente, a recorrente traz aos autos, pela primeira vez, explicações e provas documentais. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Como já mencionado pelo conselheiro relator em seu voto, a compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, e a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. O Decreto nº 70.235/1972 definiu o momento e a forma para a produção de provas no processo administrativo fiscal, nos seguintes termos: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11060.901766/200961 Acórdão n.º 3002000.551 S3C0T2 Fl. 10 9 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Incontestável que a situação destes autos não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por consequência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11060.901766/200961 Acórdão n.º 3002000.551 S3C0T2 Fl. 11 10 como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303006.241, pela pertinência no presente caso: Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte. (grifado) Pelo o exposto, uma vez não caracterizada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, concluo por precluso o direito de produzir provas e não conheço da documentação juntada aos autos. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário por ausência de demonstração do direito ao crédito. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11060.901766/200961 Acórdão n.º 3002000.551 S3C0T2 Fl. 12 11 É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000395/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
PREVIDÊNCIA PRIVADA. INEXISTÊNCIA DE AMPLITUDE DE COBERTURA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Integra o salário de contribuição o valor pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar em desacordo com a legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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INEXISTÊNCIA DE AMPLITUDE DE COBERTURA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o salário de contribuição o valor pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar em desacordo com a legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 16095.000395/200834, em face do acórdão nº 0524.577, julgado pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), em sessão realizada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 95 /2 00 8- 34 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16095.000395/200834 Acórdão n.º 2202004.827 S2C2T2 Fl. 242 2 13 janeiro de 2009, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, correspondendo às contribuições devidas pelo contribuinte individual, não retidas e não repassadas à Seguridade Social durante o período 01/01/2004 a 31/12/2006. Informa, a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil — AFRFB, que não foram considerados como passíveis de incidência de contribuição previdenciária os valores pagos ao sócio NASCIMENTO GONÇALVES na forma de previdência complementar privada, benefício não estendido a todos os empregados da ROLOTIPO. Acrescenta: 6. Entende esta fiscalização que os valores pagos ao sócio da empresa na conta contábil 3.1.1.002.00048 a título de PREVIDÊNCIA PRIVADA EMPRESARIAL, devam ser considerados Prólabore. 6.1. O contrato da Previdência Privada Empresarial foi feito com a BRASILPREV PREVIDÊNCIA PRIVADA S/A e consta como participantes os filhos do Sr. Nascimento Gonçalves, sócio da empresa em questão: DOUGLAS GONÇALVES, MARIA ROSA GONÇALVES E FERNANDO GONÇALVES. Referido crédito, consolidado em 23/06/2008, importava em R$35.748,34 (trinta e cinco mil setecentos e quarenta e oito reais e trinta e quatro centavos), já incluídos aí os juros de mora e a multa automática incidentes sobre o débito originário. Em 04/08/2008 a empresa apresentou impugnação, onde, em síntese alega que o sócio não recebeu qualquer valor, isto 6, as prestações foram pagas diretamente a BRASILPREV PREVIDÊNCIA PRIVADA S/A, em débito na conta do Banco do Brasil S/A e que a qualquer momento a empresa pode reavêlo, pois o plano é opcional: de investimentos ou de aposentadoria. Pondera que essa despesa deveria ser considerada como distribuição de lucros, pois, desde 1992 os pagamentos aos sócios são feitos a título de Retiradas de Lucros, para ratificar seu entendimento cita o artigo 662 do Regulamento do Imposto de Renda. Assegura que, pela classificação contábil do documento, não houve prejuízo aos cofres públicos, uma vez que a empresa é optante pelo Lucro Presumido e recolhe todos os tributos — Federal, Estadual e Municipal — com base na legislação vigente. Ainda, que durante os exercícios fiscalizados não houve (?) retiradas a título de Retiradas Pro Labore, conf Docs. Ne's de 03 a 31, e sim Retiradas de Lucros. Acredita que o artigo 214, § 9°, XV do Decreto 3.048, de 06/05/1999 e os artigos 9° e 438 da CLT referemse a dirigente Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16095.000395/200834 Acórdão n.º 2202004.827 S2C2T2 Fl. 243 3 ou empregados e o valor ora discutido não foi pago a nenhum desses dois entes. Transcreve a definição de dirigente e sócio. Infere que: Os empregado (sic) já recebem cesta básica, seguro saúde, refeições, PLR e outros benefícios que os filhos dos sócios não recebem, será que isso é discriminar, os filhos dos sócios em benefício aos empregados? E claro que não é, uma coisa não tem nada a ver com a outra, uns tem vínculo empregatício, outros não. Relaciona as atividades dos três filhos e indica que somente o Sr. Douglas Gonçalves é empregado da ROLOTIPO, inclusive, relaciona o valor total, por ano, das contribuições recolhidas como contribuinte individual e, acrescenta caso o mérito seja desfavorável à Impugnante, solicita que os recolhimentos acima sejam considerados para fins de recálculos. Informa que, aposentado, recebe hoje R$1.136,86, quando 0 correto seria R$3.800,00, por isso, resolveu providenciar uma Previdência Privada para seus filhos. Deduz que o equívoco foi do contador que classificou em conta de despesa o lançamento que deveria ter sido lançado a débito de Contas Correntes Sócio ou distribuição de lucros. Discorre a respeito que como se realizou o procedimento fiscal para concluir que a empresa, durante a fiscalização, esteve sempre sob pressão psicológica e que: No final da fiscalização, na sua saída, salvo melhor juízo, deixou transparecer não gostar de empresas que pagam seus compromissos tributários em dia e cumpre com todas as obrigações acessórias, e não levando em consideração que o sócio Sr. Nascimento Gonçalves é um idoso com mais de 70 anos. É o relatório” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 189/196, no qual reitera as alegações trazidas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De forma geral, aos valores pagos a título de previdência privada complementar, não integram o salário de contribuição, por força do art. 202, §2°, da CF/88, desde que os valores sejam pagos na forma prevista em lei, no caso, a Lei n° 8.212/91, art. 28, § 9°, 'p', in verbis: CF/88 Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação Fl. 243DF CARF MF Processo nº 16095.000395/200834 Acórdão n.º 2202004.827 S2C2T2 Fl. 244 4 ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20. De 1998) 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998). Lei n°8.212/91 Art. 28 (...) §9° Não integram o Salário de Contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT. (grifouse) Cumpre ressaltar que esse dispositivo está em perfeita consonância com o que determina o artigo 16 da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar, confira: Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. §1°. Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. (grifouse) Conforme cópias de folhas do Razão da empresa, juntadas pela Fiscalização, como da cópia referente ao Movimento do Livro Caixa, acostada pela defesa, que efetivamente foi a empresa quem despendeu a verba para o pagamento da mensalidade devida à BRASILPREV. Porém, a informação contida nos autos, não deixa dúvida de que os beneficiários são os filhos do sócio administrador Nascimento Gonçalves, fato ratificado pela contribuinte. Portanto, verificase que o plano de benefícios referente a previdência complementar não foi estendido a todos os empregados da contribuinte, razão pela qual não merece reparos o lançamento fiscal. Ocorre que, conforme referido pela DRJ de origem, a Lei Complementar nº 109/01 dispõe que os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados, e mais, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Assim, agiu corretamente a Auditora ao considerar como prólabore o pagamento de previdência complementar ao Sr. Nascimento Gonçalves. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 16095.000395/200834 Acórdão n.º 2202004.827 S2C2T2 Fl. 245 5 Ademais, quanto ao pedido da contribuinte para reclassificação dos valores como distribuição de lucros, ao invés de prólabore, carece de provas. Não demonstrou a contribuinte que tais valores seriam em verdade distribuição de lucro e que, por algum erro, foram utilizados para pagamento de previdência complementar dos filhos do sócio Nascimento. Verificase nos autos que a contribuinte fez os pagamentos de previdência complementar, sem, contudo, recolher os tributos incidentes, estando correto o lançamento, portanto. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 245DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910846/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.413
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Recorrente BRADESCO S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 08 46 /2 01 1- 78 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.910846/201178 Acórdão n.º 3201004.413 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de COFINS, com lastro em pagamento efetuado indevidamente ou a maior que o devido, segundo informado no PER/Dcomp. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio de despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que antes do pleito ser indeferido deveria ter sido intimado a prestar esclarecimentos, pois o Pedido de Restituição seria referente à parcela do alargamento da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, implementada pela Lei nº 9.718/98 e julgada inconstitucional pelo STF. Afirmou que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins nos Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840. Alegou que seria corretora de títulos e valores mobiliários, e que o PIS e a Cofins incidiriam sobre suas principais receitas, ligadas ao seu objeto social e que seriam receitas de serviços prestadas a terceiros, como receitas de comissões de corretagem e administração de fundos de investimento. Argumentou que as receitas decorrentes de operações com recursos próprios, quando não haveria intermediação financeira, estariam excluídas do conceito de prestação de serviços. Defendeu que o conceito de faturamento não seria alterado em função do objeto social da empresa e que o STF teria reconhecido que o PIS e a Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços. Argumentou que não haveria qualquer identidade entre tal conceito de faturamento e sua atividade principal. Ressaltou que qualquer empresa auferiria receitas financeiras em função do fluxo de caixa. Afirmou que a questão estaria sendo apreciada pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 609.096 e que por tal motivo, o presente processo também deveria ser sobrestado, conforme os arts. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Concluiu requerendo a procedência da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento do Pedido de Restituição. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.875, de 23/01/2017, assim ementado: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.910846/201178 Acórdão n.º 3201004.413 S3C2T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/09/2000 SOCIEDADE CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Como o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento de processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em síntese, que devia ter sido intimada para apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999) e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. No mérito, traz as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16327.910846/201178 Acórdão n.º 3201004.413 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.399, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.910834/201143, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.399): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou e teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, apurada em maio de 2000, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Em sua primeira peça de defesa, alega que devia ter sido intimada a apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999), e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. Com efeito, sabese que a só falta de retificação da DCTF, notadamente quando feita após a prolação do Despacho Decisório, não obsta o reconhecimento crédito, desde que venha acompanhada de informações e/ou documentos necessários à comprovação do valor reclamado. Não há, todavia, a necessidade da intimação prévia, quando a repartição fiscal já detém as informações necessárias à apreciação do pedido. Aplicável aqui, por analogia, a Súmula CARF nº 46, segundo a qual "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vejam que o § 4º do art. 3º da Instrução Normativa IN RFB nº 900, de 2008, citado pela Recorrente em seus recursos, referese aos documentos mencionados no parágrafo anterior, que trata, especificamente, de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o qual deverá apresentar à RFB o instrumento que respalda a sua representação: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.910846/201178 Acórdão n.º 3201004.413 S3C2T1 Fl. 6 5 Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 3º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à RFB procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 4º Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. (g.n.) Tratase de situação específica, não extensível a todos os casos. No mérito, vemos que a Recorrente, uma corretora de títulos e valores mobiliários (CTVM), pretende dar tratamento tributário diverso a suas receitas, conforme trabalhe com recursos próprios ou de terceiros. Argumenta que, como típica prestadora de serviços, não presta serviços a ninguém quando aplica recursos seus, de modo que a receita daí decorrente não pode ser tributada pelo PIS/Cofins. No passado, chegamos a adotar posição semelhante, mas hoje, depois de melhor meditar sobre o tema, colocamonos entre os que defendem que, na sistemática cumulativa (aqui aplicável!), a receita bruta de vendas de mercadorias e da prestação de serviços – o faturamento, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 – corresponde àquela originária da atividade típica da empresa. A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16327.910846/201178 Acórdão n.º 3201004.413 S3C2T1 Fl. 7 6 semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Fl. 168DF CARF MF Processo nº 16327.910846/201178 Acórdão n.º 3201004.413 S3C2T1 Fl. 8 7 Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 16327.910846/201178 Acórdão n.º 3201004.413 S3C2T1 Fl. 9 8 Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, Fl. 170DF CARF MF Processo nº 16327.910846/201178 Acórdão n.º 3201004.413 S3C2T1 Fl. 10 9 ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao Fl. 171DF CARF MF Processo nº 16327.910846/201178 Acórdão n.º 3201004.413 S3C2T1 Fl. 11 10 determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tãosomente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, referese, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕESFINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16327.910846/201178 Acórdão n.º 3201004.413 S3C2T1 Fl. 12 11 bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, porém, a Recorrente também aufere receitas decorrentes da aplicação de seus próprios recursos, daí defender que, nesta hipótese, não haveria prestação de serviços. Bem, se há ou não prestação de serviços, isso nos parece de nenhuma importância para o deslinde da questão, visto que, na acepção que vimos de dar, o faturamento de uma instituição financeira, como uma corretora de títulos e valores mobiliários, corresponde a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, pouco importando se derivou da aplicação de recursos próprios ou de terceiros. Nesse contexto, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere a Recorrente. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio para expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válido apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." (...)1 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto apresentada no acórdão do processo paradigma por manifestar entendimento que restou vencido, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Todavia, sua íntegra consta do Acórdão 3201004.399 (processo 16327.910834/201143). Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16327.910846/201178 Acórdão n.º 3201004.413 S3C2T1 Fl. 13 12 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 174DF CARF MF
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