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Numero do processo: 13807.723271/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ O ANO-BASE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
Numero da decisão: 2201-004.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do tributo mediante a aplicação das tabelas e alíquotas vigentes em cada mês de referência.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ O ANO-BASE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ O ANOBASE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do tributo mediante a aplicação das tabelas e alíquotas vigentes em cada mês de referência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 72 32 71 /2 01 1- 64 Fl. 76DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 67/72., interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), de fls. 51/60, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, decorrente de Rendimentos Recebidos Acumuladamente no anocalendário 2008. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 50.095,78 (cinquenta mil, noventa e cinco reais e setenta e oito centavos), já incluídos os juros e a multa. Conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 16), referido lançamento decorrera da seguinte infração: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 121.156,93, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 4.362,62. CNPJ/CPF Nome da Fonte pagadora 00.360.305/000104 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL CPF Beneficiário Rendimento Infor. Em Dirf Rendimento Declarado Rendimento Omitido IRRF Retido em Dif IRRF Declarado IRRF s/ Omissão 49099663820 121.156,93 0,00 121.156,93 4.362,62 0,00 4.362,62 Complementação dos Fatos Rendimentos líquidos provenientes de ação precatória no valor de R$121.156,93 (R$145.420,60 + R$4.362,62 R$28.626,29) Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fl. 2/14 em 23/12/2011. · Solicita prioridade com base no Estatuto do Idoso. · Para evitar a omissão do referido rendimento, o contribuinte lançou o valor líquido de R$ 141.057,98 no campo "RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEL" e o pagamento realizado para os advogados no campo "PAGAMENTO E DOAÇÕES EFETUADOS". · Recebeu rendimendos do INSS de forma acumulada, por via judicial. Os valores recebidos acumuladamente deverão ser calculados mês a mês, de acordo com as tabelas relacionadas a cada período. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13807.723271/201164 Acórdão n.º 2201004.616 S2C2T1 Fl. 77 3 · Os juros moratórios recebidos na ação judicial não devem compor a base de cálculo do imposto de renda. · Fundamenta seu direito na arguição de inconstitucionalidade nº 2002.72.000434O/SC, na Ação Civil Publica n 1999.51.00.0037100/SP, no Parecer PGFN/CAT nº 815/2010 e na IN nº 1127 de 02/2011. · Cita a jurisprudência. Da Decisão da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 51): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE CAIXA. A tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, inclusive quando se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, é feita pelo regime de caixa, aplicandose as tabelas e alíquotas vigentes no anocalendário em que os rendimentos foram efetivamente entregues ao contribuinte. JUROS DE MORA. AÇÃO JUDICIAL Os juros de mora calculados sobre rendimentos tributáveis recebidos em ação judicial integram a base de cálculo do imposto de renda por expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, matéria reservada ao Poder Judiciário. JURISPRUDÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas no litígio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os julgadores de primeira instância decidiram que a autuação estava correta, sendo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas alegações. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ, apresentou o recurso voluntário de fls. 67/72. Fl. 78DF CARF MF 4 Em sede de Recurso Voluntário, reafirmou os argumentos da impugnação, rebatendo os argumentos postos na decisão de primeira instância, alegando em apertada síntese: a) reiterou a preliminar arguída em sede de impugnação; b) irretroatividade da lei tributária; c) retroatividade benigna por ato não definitivamente julgado. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Da análise das questões postas em sede de Recurso Voluntário, verificase que devese dar provimento ao recurso. Explico. Impropriedade da utilização do regime de caixa O Recurso Voluntário interposto pela autuada ainda merece ser provido, tendo em vista o regime adotado, qual seja, adotouse o regime de caixa, quando na realidade, deveria ser adotado o regime de competência. Este entendimento constou do Acórdão nº 2301005.257, proferido pela 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, de relatoria de José Bento Sobrinho, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 12A, §2º, DA LEI N. 7.713/88. POSSIBILIDADE. Os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte têm natureza de despesa necessária à aquisição dos rendimentos. Não há possibilidade de separar o trabalho do advogado entre o esforço para aferimento de rendimentos tributáveis ou não tributáveis na mesma ação judicial. Assim, os honorários Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13807.723271/201164 Acórdão n.º 2201004.616 S2C2T1 Fl. 78 5 devem ser considerados dedutíveis até o limite do valor dos rendimentos tributáveis recebidos. Os rendimentos recebidos de forma acumulada e tributados integralmente quando do efetivo recebimento, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, em sua redação original: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Com o advento da Lei nº 12.350, de 2010, que introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1998: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) O dispositivo acima transcrito definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social. De fato, não pairam mais dúvidas obre a aplicação do novel dispositivo para os exercícios posteriores a 2010, ante a clareza da redação. Ocorre que, para os recursos recebidos até o anocalendário 2009, o Acórdão da CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, restou assim ementado: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática stabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Anteriormente, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido nos Recursos Especiais REsp 1.470.720 e REsp n1.118.429, ambos julgados sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.470.720 1. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba Fl. 80DF CARF MF 6 acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por fim, temos o julgamento do Recurso Extraordinário 614406RS, pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Resolução nº 2802000.134, e o referido Recurso Extraordinário foi julgado, sob rito do artigo 543B do CPC, que reafirmou o entendimento de que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, nos exercícios envolvidos, "in verbis": RE 614.406 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Sendo assim, nos termos do artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ devem ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante de todo o exposto, voto no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Juros de mora recebidos em condenações judiciais Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13807.723271/201164 Acórdão n.º 2201004.616 S2C2T1 Fl. 79 7 Com relação ao questionamento sobre os juros de mora recebidos em condenações judiciais sob o argumento de que eles teriam natureza indenizatória, servindo apenas para corrigir o valor da moeda. Apesar da indignação do Recorrente, se os valores são tributáveis, os juros também serão tributados. Vejamos o que dispõe o art. 43 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) XI pensões, civis ou militares, de qualquer natureza, meios soldos e quaisquer outros proventos recebidos de antigo empregador, de institutos, caixas de aposentadoria ou de entidades governamentais, em virtude de empregos, cargos ou funções exercidos no passado; (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único). Como consta na transcrição acima, a matriz legal desse dispositivo é o art. 16 da Lei n° 4.506/1964, cujo parágrafo único reproduzo a seguir: Art. 16. (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo. No mesmo sentido dispõe o art. 55, XIV, do Decreto n° 3.000/1999: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Fl. 82DF CARF MF 8 (...) Vêse no caput desse artigo a menção a outra base legal pertinente à nossa análise. Tratase do art. 3°, § 4°, da Lei n° 7.713/1988: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Diante da farta legislação citada, resta patente que devem ser tributados os juros. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial, ao recurso voluntário, cancelando parcialmente o crédito tributário lançado no auto de infração objeto da presente lide. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001612/2009-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE.
O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
Numero da decisão: 9202-007.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10215.720255/2008-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10215.720255/2008-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10215.720255/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 16 12 /2 00 9- 69 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13609.001612/200969 Acórdão n.º 9202007.000 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão de Recurso Voluntário, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 NULIDADE AUTORIDADE INCOMPETENTE PETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA MUDANÇA DE MOTIVO DETERMINANTE INOCORRÊNCIA. Conforme art. 59 do Decreto nº 70.235/72, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Além do cerceamento á defesa, a mudança do motivo determinante pode ser causadora de nulidade dos atos administrativos. Não havendo qualquer dessas causas, deve ser afasta a arguição de nulidade do feito. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, omissão de rendimento. MULTA AGRAVADA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Indevido o agravamento de multa quando a própria inércia do contribuinte (i) é pressuposto para aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9430/96 e (ii) não impediu ou dificultou a constituição do crédito tributário. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13609.001612/200969 Acórdão n.º 9202007.000 CSRFT2 Fl. 4 3 EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE SÚMULA CARF Nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário parcialmente provido. O referido Recurso Especial foi admitido, por meio do Despacho de Admissibilidade, para rediscutir a decisão recorrida que descartou a possibilidade de agravamento da multa de ofício, quando a inércia do contribuinte é pressuposto para aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, e não impede ou dificulta a constituição do crédito tributário. Já os paradigmas consideraram ser aplicável o agravamento da penalidade, sem qualquer ressalva, bastando para isso o desatendimento às intimações fiscais. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) é cediço que a norma ao determinar o agravamento não exige demonstração de prejuízo para a imposição do percentual ali discriminado; b) é de evidência solar que a norma pretende punir o contribuinte que não colabora com o Fisco, consubstanciando materialização do princípio da igualdade; c) efetivo prejuízo não é elemento do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Não exige a norma a demonstração da ocorrência do efetivo prejuízo, muito menos que essa demonstração seja realizada pela Fazenda Pública; d) não se pode confundir a existência de presunções legais com a penalidade que é aplicada em razão da inércia do contribuinte em atender às intimações do Fisco no prazo assinado; e) cabível, portanto, o agravamento da multa, devendo prevalecer o entendimento exarado nos acórdãos paradigmas, uma vez que se mostra correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, razão pela qual o lançamento deve ser mantido e o acórdão recorrido reformado. Após a ciência do Contribuinte do teor do Acórdão de Recurso Voluntário e da interposição pela PGFN de Recuso Especial contra o referido Acórdão, foi aberto prazo para o oferecimento de Contrarrazões, mas o sujeito passivo quedouse inerte. É o relatório. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13609.001612/200969 Acórdão n.º 9202007.000 CSRFT2 Fl. 5 4 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.997, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 10215.720255/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.997): "Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os pressupostos de admissibilidade. Conforme narrado, a matéria controvertida, objeto do Recurso Especial sob análise, referese ao agravamento da multa de ofício aplicada, quando há omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada (art. 42 da Lei n.º 9.430/1996). Para a maioria dos julgadores do Acórdão recorrido, a referida presunção legal de omissão de rendimentos transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos, dispensando o fisco de provar o fato alegado, razão pela qual inexiste pertinência no agravamento da multa por desatendimento às intimações, pois tal ausência de colaboração não dificulta a constituição do crédito tributário. Por outro lado, a Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta que não se pode confundir a existência de presunções legais com a penalidade que é aplicada em razão da inércia do contribuinte em atender às intimações do Fisco no prazo assinado, inexistindo a exigência legal de efetivo prejuízo para o agravamento da multa. Consoante se extrai do relato fiscal, o Contribuinte não respondeu ao Termo de Intimação que determinou a comprovação da origem dos depósitos recebidos em suas contas correntes, concretizandose a presunção de omissão de receitas descrita no art. 42 da Lei n.º 9.430/96. Também, em decorrência do não atendimento da intimação, o imposto apurado foi acrescido da multa de embaraço à fiscalização, definida no inciso I, § 2º, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13609.001612/200969 Acórdão n.º 9202007.000 CSRFT2 Fl. 6 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...). § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; (...). Com a interpretação finalística da norma regente do tema, depreendese que a possibilidade de agravamento da multa decorre da necessidade de desestimular o comportamento do fiscalizado que se mostre incompatível com a nobreza e imperiosidade das atividades desenvolvidas pela administração tributária, em obediência ao dever de colaboração. Contudo, quando há descumprimento da intimação por parte do Contribuinte, na hipótese específica da aplicação da presunção legal de omissão de rendimentos, no que se refere à demonstração da origem dos depósitos bancários, tal conseqüência mostrase tão gravosa ao contribuinte que o agravamento da multa perde o sentido. Assim, a própria presunção se perfaz em instrumento hábil a desestimular a conduta do sujeito passivo de não colaborar com o fisco, transferindo para ele o ônus da prova, de modo que a omissão de rendimentos, por si só, quando não elidida, consubstanciase em exigência mais severa que o próprio agravamento. Portanto, diante de uma única conduta, ausência de atendimento à intimação fiscal para comprovação da origem dos depósitos, estariam sendo aplicadas duas penalidades: inversão do ônus da prova com a presunção legal de omissão de rendimentos e o agravamento da multa, o que seria, de fato, desarrazoado. Ao meu ver, tendo em vista que não há hierarquia entre princípios, o princípio da legalidade deve ser ponderado com o princípio da razoabilidade, da proporcionalidade e, também, do interesse público, pois a União não tem interesse em invadir a esfera patrimonial do sujeito passivo, de forma desarrazoada, mas sim de arrecadar os tributos devidos e desestimular condutas contrárias ao serviço de arrecadação. Ora, se a simples presunção legal atende ao interesse da Fazenda, não há razão jurídica para a aplicação do agravamento da multa, inclusive, por inexistir prejuízo algum à fiscalização, nesse caso, já que resta afastado o ônus de demonstrar a constituição do crédito. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13609.001612/200969 Acórdão n.º 9202007.000 CSRFT2 Fl. 7 6 Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660353/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.754
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660353/201209 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.754 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 53 /2 01 2- 09 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660353/201209 Acórdão n.º 3401004.754 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660353/201209 Acórdão n.º 3401004.754 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660353/201209 Acórdão n.º 3401004.754 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660353/201209 Acórdão n.º 3401004.754 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660353/201209 Acórdão n.º 3401004.754 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660353/201209 Acórdão n.º 3401004.754 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914220/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 20 /2 01 2- 21 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914220/201221 Acórdão n.º 3201003.861 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 077.928, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914220/201221 Acórdão n.º 3201003.861 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914220/201221 Acórdão n.º 3201003.861 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914220/201221 Acórdão n.º 3201003.861 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.720232/2015-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2015
OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO.
É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção.
Numero da decisão: 1001-000.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1362; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.720232/201501 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.582 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 06 de junho de 2018 Matéria Indeferimento de Opção SIMPLES Recorrente CLINICA DE FISIOTERAPIA REABILITAR S/S LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 02 32 /2 01 5- 01 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13851.720232/201501 Acórdão n.º 1001000.582 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 40 a 68) interposto contra o Acórdão nº 0370.138, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 30 a 34), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do indeferimento, constante do “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fl. 04 (data de registro em 12/02/2015), que não acatou a solicitação de opção pelo Simples Nacional formalizado pelo contribuinte em 05/01/2015. A opção foi indeferida em virtude de existir o débito inscrito em Dívida Ativa da União (ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN) a título de IRPJ (código 3551) nº de inscrição 8021104529306, constante do processo nº 13851.500617/201112; o qual não se encontrava com a exigibilidade suspensa, com fundamento no inciso V, artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Cientificada dessa pendência a pessoa jurídica interessada teve protocolada em 24/02/2015 a manifestação de inconformidade de fls. 02/03 protestando, em síntese, que o débitos estão sendo objeto de pedido de revisão protocolado em 18/12/2012. Apresenta documentos e solicita o seu enquadramento no Simples Nacional. " Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13851.720232/201501 Acórdão n.º 1001000.582 S1C0T1 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) O litígio é decorrente do ato de indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2015 em virtude da existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União que o contribuinte integralmente contesta. Não assiste razão à empresa manifestante. A Lei Complementar nº 123, de 2006, estabelece em seu artigo 17, inciso V, condição impeditiva para recolher tributos na sistemática do Simples Nacional a existência de débitos: Lei Complementar nº 123/2006 Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Consoante o que dispõe a Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, tal impedimento era passível de regularização, desde que tal regularização se desse no mesmo prazo concedido para fazer a opção pelo Simples Nacional: Resolução CGSN nº 94/2011 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13851.720232/201501 Acórdão n.º 1001000.582 S1C0T1 Fl. 5 4 Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (...) Excepcionalmente para o ano de 2015 o prazo para regularização das pendências motivadoras dos indeferimentos da opções dos contribuintes pelo Simples Nacional encerrouse em 06/02/2015, conforme notícia a seguir transcrita assinada pela SecretariaExecutiva do Comitê Gestor do Simples Nacional no sítio do Simples Nacional (http://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/Noticias/NoticiaCompleta.aspx?id=14 bb352c3e654ba2ba7620de6d004f01): Prazo de opção pelo Simples Nacional termina hoje, 30 de janeiro 30/01/2015 Os pedidos de opção pelo Simples Nacional para empresas em atividade, com validade para 2015, poderão ser feitos até às 23h59m do dia 30/01/2015, horário de Brasília. Eventuais pendências junto à Receita Federal do Brasil não impedem a formalização do pedido de opção, mas referidas pendências devem ser resolvidas até o dia 06/02/2015, sob pena de causar o indeferimento do pedido. Não há necessidade de o contribuinte comparecer às unidades de atendimento da Receita Federal. A maior parte das pendências pode ser resolvida pela Internet, a exemplo dos pedidos de parcelamento. Importante destacar que o pedido de parcelamento, para ser deferido, deve ter a primeira parcela paga até dois dias antes do prazo final para regularização. Ou seja, na hipótese de parcelamento, o valor da entrada deve ser pago até o dia 04/02/2015. As multas relativas à GFIP que se enquadrem na hipótese de anistia, em face do disposto nos artigos 48 a 50 a Lei nº 13.097/2014, não impedirão, por si só, o deferimento do pedido de opção. O resultado final da opção será divulgado dia 13 de fevereiro de 2015, no item Simples – Serviços > Opção > Acompanhamento da formalização da opção pelo Simples Nacional. SECRETARIAEXECUTIVA DO COMITÊ GESTOR DO SIMPLES NACIONAL Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13851.720232/201501 Acórdão n.º 1001000.582 S1C0T1 Fl. 6 5 No caso em exame, pelas telas de fls. 24 a 26, retiradas dos sistemas internos da PGFN (consulta em 09/03/2015), constatase que, na data limite de 06/02/2015 permitida pela legislação que rege o Simples Nacional para o contribuinte regularizar as pendências que impediram a sua inclusão nesse regime de apuração a partir do ano de 2015, o débito inscrito em Dívida Ativa da União a título de IRPJ (código 3551) nº de inscrição 8021104529306, relacionado no “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fl. 04, encontravase como devedor (em aberto) na situação de “ATIVA NÃO AJUIZÁVEL EM RAZÃO DO VALOR”. Em face da alegação apresentada na defesa no sentido de que a empresa teria formulado pedido de revisão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, que nos autos não constam quaisquer elementos que efetivamente comprovem o erro de fato alegado. Ademais, é oportuno salientar que ainda que a empresa tivesse efetivamente formulado pedido de revisão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, por si só, não teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, a teor do que dispõe o artigo 151 da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional). Código Tributário Nacional Suspensão do Crédito Tributário SEÇÃO I Disposições Gerais Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Assim, uma vez que efetivamente o débito a título de IRPJ (código 3551) nº de inscrição 8021104529306 inscrito em Dívida Ativa da União, o qual motivou o indeferimento da opção do contribuinte pelo Simples Nacional para o ano de 2015, não foi regularizado até a data limite de 06/02/2015 permitida pela legislação, correto o indeferimento do pedido de inclusão nessa sistemática de apuração. (...)" Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13851.720232/201501 Acórdão n.º 1001000.582 S1C0T1 Fl. 7 6 Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722538/2016-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
REVERSÃO DE PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS - CONDIÇÕES
As únicas condições exigíveis para se permitir a exclusão de receitas de reversão de provisões não dedutíveis são a adição das despesas necessárias a sua constituição ao lucro líquido de período passado e a posterior reversão contábil destas mesmas provisões, conforme entendimento adotado pela própria Receita Federal, inferível a partir da Solução de Consulta Disit de nº 118.
IRPJ/CSLL. GLOSA DE EXCLUSÕES INDEVIDAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO.
Constatadas exclusões indevidas na apuração do IRPJ/CSLL, concernentes a valores dedutíveis em períodos de apuração anteriores, correta a glosa.
IRPJ/CSLL. GLOSA DE REVERSÃO DE PROVISÕES.
A glosa de excesso de reversão de provisões não dedutíveis deve ser feita individualmente, e não pelo confronto do saldo total das reversões com o saldo da conta e m que tais provisões são controladas.
Numero da decisão: 1302-002.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário; e, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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IRPJ/CSLL. GLOSA DE EXCLUSÕES INDEVIDAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. Constatadas exclusões indevidas na apuração do IRPJ/CSLL, concernentes a valores dedutíveis em períodos de apuração anteriores, correta a glosa. IRPJ/CSLL. GLOSA DE REVERSÃO DE PROVISÕES. A glosa de excesso de reversão de provisões não dedutíveis deve ser feita individualmente, e não pelo confronto do saldo total das reversões com o saldo da conta e m que tais provisões são controladas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário; e, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 25 38 /2 01 6- 05 Fl. 2738DF CARF MF Processo nº 13603.722538/201605 Acórdão n.º 1302002.903 S1C3T2 Fl. 2.739 2 (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de autos de infração lavrados em desfavor do recorrente, por meio do qual se lhe exigiu o pagamento de créditos tributários afeitos ao IRPJ e a CSLL devidos no anocalendário de 2011. Do que se extrai do TVF de efls. 16/41, as autuações teriam lastro em duas infrações pretensamente apuradas: a) reversão (e exclusão) extemporânea de despesas não dedutíveis (adicionadas forçosamente ao lucro líquido por força de autuações fiscais lavradas nos PAs de nos 16327.001658/200428 IRPJ e 16327.001661/200441 CSLL , respectivamente); b) excesso de exclusão de provisões não dedutíveis, constatado a partir da comparação entre o total de provisões adicionadas desde 1995 até o ano de 2011, e de valores das preditas provisões revertidas e excluídas até o ano de 2011. Quanto a infração descrita em "a", acima, resumidamente, a empresa teria questionado, nos idos de 2000, a exigência da contribuição para o PIS e da COFINS, e obtido decisão judicial para suspender a exigibilidade destas exações; especificamente em relação à CSLL, reconheceu as despesas concernentes às contribuições retro, deixando, contudo, de adicionálas ao lucro líquido por entender inaplicáveis, à predita contribuição sobre o lucro líquido, os preceitos da Lei 9.249/95, art. 13, I. Quanto ao IRPJ, teria deduzido despesas concernentes, apenas, às provisões constituídas para suportar os juros relativos aos mencionados tributos, sem adicionálas ao lucro líquido. Nos idos de 2004 a recorrente foi autuada pela Receita Federal justamente em razão da não adição, ao lucro líquido, dos valores das exações então questionadas (tributos e provisões para pagamento de juros, quanto a CSLL, e somente as provisões para pagamento de juros, quanto ao IRPJ), cujos créditos foram quitados por meio dos benefícios descritos na Lei 11.941/09, apenas em 2011. Paralelamente, em 2005, a empresa desistiu da ação originariamente proposta para questionar o PIS/COFINS e, naquele mesmo ano, e também no ano de 2008, quitou os respectivos créditos tributários. E aqui centrase o problema porque este, de acordo com a Fiscalização, seria o momento correto para que o contribuinte promovesse a exclusão dos valores concernentes aos tributos com exigibilidade suspensa e às provisões forçosamente adicionadas ao lucro Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 13603.722538/201605 Acórdão n.º 1302002.903 S1C3T2 Fl. 2.740 3 líquido em razão das autuações constantes dos PAFs de nos 16327.001658/200428 e 16327.001661/200441, já tratados anteriormente. A recorrente, no entanto, promoveu tal exclusão somente por ocasião do pagamento dos créditos tributários relativos à CSLL e ao IRPJ, autuados nos PAs retro, no ano de 2011 (como dito anteriormente), procedimento que, pela D. Auditoria Fiscal, não encontraria respaldo legal. Já quanto a infração descrita "b", objetivamente, a Autoridade Lançadora somou todos os valores de provisões adicionadas desde o ano 1995 até o ano de 2011 e, igualmente, somou todos os valores excluídos do lucro líquido a tal título, considerando o mesmo período (1995 a 2011); semelhante exercício matemático culminou com a constatação de um saldo "devedor" de aproximadamente R$ 103.000.000,00, o qual foi autuado (glosado) no ano de 2011. O contribuinte, regularmente cientificado das autuações acima descritas, opôs a sua impugnação administrativa que foi parcialmente acolhida pela DRJ/Ribeirão Preto, justamente para afastar a exigência concernente à infração descrita "b" por entender que, conquanto possível a análise de fatos pretéritos com repercussão em apurações futuras (argumento suscitado pelo contribuinte sob a alegação de decadência), a fiscalização teria incorrido em impropriedade, resumida a partir do seguinte trecho extraído do acórdão ora combatido: Registrese, mais uma vez, que o valor tributado nos autos de infração R$ 103.987.820,48 – referese ao saldo a maior na conta de exclusões de reversão de provisões não dedutíveis, comparada ao saldo das adições dessa mesma natureza. Evidenciase que Fiscalização tributou esse saldo não comprovado à semelhança do que é feito quando apurase “passivo fictício” ou “saldo credor de caixa”, ocorre que a tributação de tais irregularidades tem amparo em presunção legal (art. 281 do RIR/99). Todavia, salvo melhor juízo, inexiste previsão legal para dar tratamento similar a saldos não comprovados em outras contas contábeis, considerados irregulares pela Fiscalização. Assim, considerando que as reversões do ano de 2011 estão justificadas e corretas, eventuais irregularidades somente podem ter ocorrido nos anos de 2010 ou anteriores, que já estavam atingidos pela decadência à época da ciência do auto de infração. No que tange à infração descrita em "a", a DRJ partilhou do entendimento fiscal, mantendo, pois, intocada, a autuação. Como o acolhimento dos argumentos do contribuinte quanto ao "excesso de exclusões" importou na exoneração de crédito tributário em montante superior ao limite de alçada previsto pela Portaria/MF de nº 63/2017 (já vigente à época da prolação do predito acórdão), o órgão a quo recorreu de ofício à este CARF. O contribuinte, por sua, vez, foi intimado do resultado do julgamento em 08/05/2017 (conforme termo de ciência eletrônico de efls. 2.722), tendo interposto o seu recurso voluntário em 02/06/2017 (tal qual se extrai do termo de solicitação de juntada de documentos à efls. 2.723). Em suas razões de insurgência, digase, a recorrente basicamente sustentou. que o momento correto para a exclusão de despesas com tributos e juros com exigibilidade suspensa seria aquele em que se observasse a extinção dos efeitos da recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, em que a Auditoria Fiscal teria, forçadamente, adicionado tais despesas ao lucro líquido. Fl. 2740DF CARF MF Processo nº 13603.722538/201605 Acórdão n.º 1302002.903 S1C3T2 Fl. 2.741 4 Para explicitar o seu entendimento, o contribuinte lembra que os ditos "efeitos da recomposição das bases de cálculo" não se operaram de imediato (com a lavratura dos AIs autuados nos PAFs de nos 16327.001658/200428 e 16327.001661/200441), já que se opôs a eles, num primeiro momento, mediante impugnação administrativa; e, antes mesmo que a exigibilidade dos créditos ali estampados pudesse ser verificada, parcelouos por meio da Lei 11.941, tendoos quitado quando da respectiva consolidação, no ano de 2011. Salvo melhor juízo, a instituição financeira assevera, objetivamente, que os efeitos da aludida recomposição, somente teriam se concretizado, justamente, com a quitação do valor das exigências fiscais descritas nos aludidos PAs. Por fim, assevera que enquanto não observados os ditos e repisados "efeitos da recomposição da base de cálculo" do IRPJ e da CSLL, eventual exclusão das despesas com provisões para pagamento de tributos e juros com exigibilidade suspensa, com reversão das adições forçosamente impostas pelo Fisco, encerraria uma redução indevida do lucro tributável, justificando, assim, a sua conduta, premendo, neste particular, pelo cancelamento da autuação também quanto a este ponto. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de cabimento, razão pelo qual dele tomo conhecimento. Também conheço do recurso de ofício, já que o valor exonerado (cerca de R$ 33.000.000,00), conforme planilha de efls 2.718, constante da parte final do acórdão recorrido, ultrapassa o limite de alçada preconizado pelo art. 1º da Portaria/MF 63/17. I Do recurso voluntário. II.1 Prefacialmente. Nos termos do art. 41 da Lei 8.981/95, os impostos e contribuições suportados pelas empresas (tirante aqueles cujo ônus econômico recaia sobre o consumidor final) são dedutíveis do lucro real, ressalvadas, entretanto, as exceções constantes de seus parágrafos. Ao que nos interessa, chamo a atenção do Colegiado às regras constantes do caput (dedutibilidade dos tributos) e do § 1º: § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. Vale o destaque: o caput do preceito acima estabelece a obediência ao regime de competência para a apropriação das despesas afeitas ao pagamento dos tributos nele descritos; este artigo, contudo, não trata das provisões para pagamento destas "despesas", que, inicialmente, são regradas pelo art. 13, I, da Lei 9.249/96, cujo teor transcrevo a seguir: Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 13603.722538/201605 Acórdão n.º 1302002.903 S1C3T2 Fl. 2.742 5 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. Este, inclusive, foi o preceito utilizado para fundamentar as autuações constantes dos PAs de nos 16327.001658/200428 e 16327.001661/200441 que, com espeque, também, na regra encartada no art. 249, I, impuseram a adição das aludidas despesas e provisões ao lucro líquido da empresa no anocalendário de 2004 (tanto para o IRPJ, em relação a provisão concernente aos juros, quanto para a CSLL, no tocante aos impostos e contribuições com exigibilidade suspensa e provisões para pagamento dos respectivos juros). O que torna relevante a referência ao art. 41 da Lei 8.981 que fiz anteriormente é que, como afirmei, as provisões, mormente as indedutíveis, e, por certo, as medidas que devem ser adotadas para tornálas neutras, do ponto de vista fiscal (mediante controle no LALUR), não se sujeitam à mesma regra de competência despendida para com as despesas e custos operacionais. Com efeito, se, via de regra, as provisões são indedutíveis, não são, por certo, consideradas despesas operacionais da entidade; por esta razão, a sua reversão, ao menos que ela não tenha sido adicionada ao lucro líquido em momento anterior, também não será considerada receita da atividade econômica. Nesta esteira, diferentemente das despesas operacionais ou mesmo dos custos (que se sujeitam à regra de competência), a exclusão do lucro liquido fiscal de determinada receita de reversão de provisão não está ligada ao pagamento (ou exigência) da obrigação para a qual ela foi constituída; está vinculada, tão só, à sua reversão e, esta reversão, vejam bem, não tem, na lei, um momento específico definido para ser realizada. Por tal razão, inclusive, ha posicionamento da própria receita federal elencando como pressupostos para a exclusão das receitas de reversão de provisões indedutiveis, apenas, a ocorrência da sua adição ao lucro líquido no passado e sua posterior reversão contábil. Neste sentido, confirase a Solução de Consulta Disit de nº 118/10: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: PROVISÃO. REVERSÃO. A exclusão da base de cálculo do IRPJ, do valor da reversão de provisão não dedutível, depende da existência de uma despesa (contrapartida da provisão) que foi adicionada ao lucro líquido no passado e de sua reversão contábil em período posterior, momento no qual é admitida a sua exclusão do lucro real.DISPOSITIVOS LEGAIS: Legais: DecretoLei Nº 1.598/1977, artigo 6º, §§ 2º e 3º e RIR/1999, artigo 392, II. ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL EMENTA: PROVISÃO. REVERSÃO. Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração estabelecidas para o Imposto sobre Fl. 2742DF CARF MF Processo nº 13603.722538/201605 Acórdão n.º 1302002.903 S1C3T2 Fl. 2.743 6 a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ.DISPOSITIVOS LEGAIS: IN SRF Nº 390/2004, artigos 3º, 38 e 39. Situação diferente, lado outro, diz respeito ao tributos com exigibilidade suspensa; a regra, aqui, aplicável não é a do art. 13, I, da Lei 9.249, mas, isto sim, aquela já tratada linhas acima, qual seja, o art. 41, e §1 º, da Lei 8.981/95. E, quanto a estes, digase, prevalece a regra de competência, não só em razão do caput do art. 41, retro, mas, também, dos preceitos explícitos constantes do art. 247, § 2º, do RIR. Objetivamente, uma vez adicionado ao lucro líquido fiscal o valor concernente a tributo com exigibilidade suspensa, a sua exclusão, por certo, deverá ocorrer no momento em que cessar a causa da suspensão de sua exigibilidade, dado estarmos tratando, aqui, de despesas dedutíveis. As duas distinções quanto ao tratamento previsto na lei em relação às despesas e às provisões é, de fato, relevantíssima porque, analisando os autos, é possível identificar uma premissa fática, até aqui, ignorada1: a) o contribuinte deixou de adicionar ao lucro líquido dos anoscalendários de 1999 a 2002 o valor das próprias contribuições, e não, apenas, as despesas com eventuais provisões para pagamento destas exações; b) quanto aos juros, aí sim, deixou de adicionar apenas as despesas para constituição de provisões para suportálos. E aqui é de se chamar particular atenção para a planilha de efls 313 em que o próprio contribuinte, em resposta ao TIP de efls. 137/140, ao apresentar a demonstração da formação das bases de cálculo do IR e da CSLL de 2011, deixa extreme de dúvidas que, enquanto as provisões para pagamento de juros (concernentes aos créditos tributários de PIS e COFINS) constavam de contas contábeis devidamente identificáveis e foram, de fato, objeto de reversão, os valores concernentes ao montante principal das exações questionadas nos idos de 1999 a 2002 não foram objeto de escrituração contábil, nem tampouco de provisão (ou, quiçá, de qualquer reversão) tendo sido mantidas em controle "extra contábil": 1 E não só pelo D. Auditor Fiscal, pela DRJ e pelo próprio Recorrente, mas, inclusive, pelas autoridade administrativas que lavraram as autuações constantes dos PAs de nº 16327.001658/200428 e 16327.001661/200441. Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 13603.722538/201605 Acórdão n.º 1302002.903 S1C3T2 Fl. 2.744 7 Apresento minhas escusas por não reproduzir, em sua totalidade, a citada planilha2, mas, ao que nos interessa, está suficientemente claro que os valores concernentes às contribuições, adicionadas forçosamente ao lucro liquido da empresa por meios das autuações realizadas nos idos de 2004, foram objeto de controle, tão só, no LALUR, não tendo sido objeto nem de escrituração contábil, nem tampouco de provisionamentos. Assim, a sua dedução no anocalendário de 2011 foi feita com base nos preceitos do art. 41 da Lei 8.981/95 e não por força dos preceitos do art. 13, I, da Lei 9.249. A identificação destas duas situações impõe a análise separada delas já que, como dito acima, à cada uma aplicamse regras tributárias distintas. II.2 Da glosa de exclusões pretensamente indevidas II.2.a Quanto a dedução das provisões para pagamento de juros devidos em decorrência de tributos com exigibilidade suspensa. A constituição de provisão não imposta por lei é, não só por determinação também legal, mas por simples indução lógica, neutra do ponto de vista fiscal. Mormente porque tais provisões são resultado de orientações e normas contábeis que objetivam garantir o equilíbrio econômico das entidades e não, por certo, qualquer tipo de efeito ou, mesmo, vantagem fiscal. O fato é que a neutralidade acima aposta, somada às considerações apresentadas no tópico anterior, deve nortear as próprias verificações fiscais; melhor dizendo, 2 Tive que recortála para que pudesse anexála a este voto num tamanho que permitisse identificar e, objetivamente, ler os dados relevantes para este julgamento. Fl. 2744DF CARF MF Processo nº 13603.722538/201605 Acórdão n.º 1302002.903 S1C3T2 Fl. 2.745 8 se pela ciência contábil seria de prudente alvitre a reversão da provisão no momento em que observado o implemento do evento futuro ou, mesmo, a extinção da respectiva obrigação, do ponto de vista eminentemente fiscal, o que importa é, por suposto, a preservação da predita neutralidade. Daí as conclusões apresentadas na Solução de Consulta 118 reproduzida anteriormente, sendo de se admitir como válida a exclusão da receita proveniente da reversão de provisões quando observado os dois pressupostos tratados na predita Solução, quais sejam: a) a adição, no passado, das despesas para constituição da provisão ao lucro líquido tributável da entidade; b) a posterior reversão contábil desta mesma provisão. Quanto a adição, não há duvidas... ela foi feita pela própria Receita Federal por ocasião da lavratura dos PAs de nos 16327.001658/200428 e 16327.001661/200441; já no que toca às reversões, estas estão suficientemente demonstradas seja pela planilha já mencionada anteriormente, seja pelos lançamentos contábeis extraíveis do balancete analítico (efls. 337) e, ainda, os documentos trazidos com a impugnação, restando comprovados os requisitos que, me parecem, são os únicos exigíveis à autorizar a exclusão dos valores relativos à tais provisões. Aqui, portanto, entendo, equivocaramse tanto a autoridade Fiscal, como a DRJ, até, porque, misturaram as regras concernentes à dedução de despesas com tributos com exigibilidade suspensa, com aquelas que se ocupam, exclusivamente, das provisões não dedutíveis, sendo de se dar provimento ao apelo individual, pelo menos, neste ponto. II.2.b Exclusão de tributos com exigibilidade suspensa discussão que afeta apenas o auto de infração relativo à CSLL. Aqui, permissa venia, igual sorte não atende ao recorrente. Como já demonstrado e alardeado anteriormente, estamos diante de exclusão de valores concernentes à tributos cujas despesas foram adicionadas anteriormente ao lucro líquido justamente porque, até então, eram inexigíveis, aplicandose, à espécie, os preceitos do art. 41 da Lei 8.981 e, também, tal qual já adverti, do art. 247, § 2º, do RIR. Ou seja, diferentemente da situação anotada quanto as provisões não dedutíveis, os tributos com exigibilidade suspensa estão, sim, sujeitos ao regime de competência; e, em se tratando de despesas cuja dedução esteja condicionada à extinção da obrigação nos termos do art. 156 do CTN, ou à cessação da causa de suspensão da exigibilidade, estes dois eventos são, a meu sentir, determinantes quanto ao momento de sua apropriação. As despesas não são, por certo, neutras do ponto de vista fiscal e, por isso mesmo, não podem ser postergadas para períodos posteriores, sem observância dos preceitos do já citado art. 247, § 2º do RIR: § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 13603.722538/201605 Acórdão n.º 1302002.903 S1C3T2 Fl. 2.746 9 adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte. E, vale dizer, o argumento do contribuinte de que foi conservador ao excluir estes valores do lucro líquido apenas em 2011, conquanto se preste para justificar o momento escolhido em relação à reversão das provisões tratadas no subtópico anterior, no que toca às despesas aqui versadas, não pode prevalecer.] Ora vamos, a alegação de que a dedução antes do pagamento das exações encerraria um bis in idem a favor do contribuinte é, quando menos, incompleta... como bem pontuou a DRJ, eventual sucesso na discussão administrativa que se seguiu à lavratura dos autos de infração concernentes ao IRPJ e a CSLL nos idos de 2004 teria, obrigatoriamente, que encerrar efeitos fiscais no momento em que concluído o julgamento: O procedimento correto seria efetuar as exclusões no momento em que tais encargos passaram a ser dedutíveis, repito, tal qual apontado e demonstrado pela Fiscalização. Por seu turno, os efeitos de um posterior êxito, ou desistência/pagamento, dos litígios nos processos 16327.001661/200441 e 16327.001658/200428 deveriam ser reconhecidos também nas datas dos eventos, considerandose que as exclusões já haviam sido realizadas no momento adequado. 3 Em linhas gerais, tivesse o contribuinte se apropriado das preditas despesas em 2005 e 2008 e, a posteriori, e hipoteticamente, tivesse obtido uma decisão favorável que lhe reconhecesse o direito de não tributálas, caberialhe as readicionar ao lucro líquido para, assim, evitar o suscitado bis in idem. Seja como for, o fato é que tais despesas estão sujeitas à regra de competência e, por isso, devem ser apropriadas dentro do período de apuração em que se observar os requisitos necessários ao seu aproveitamento. Neste ponto, destarte, não discordo nem das conclusões fiscais, nem do que decidiu a DRJ, ainda que, quanto a fundamentação legal, haja, de fato, um equivoco (o momento da dedução, no caso, como já dito repetidas vezes, é definido pelos arts. 41 da Lei 8.981 e 247 do RIR, não pela Lei 92.49). II.3 Conclusão parcial. A luz do exposto procedem, em parte, as alegações do recorrente ainda que apenas em relação às glosas concernentes às reversões de provisões para pagamento de juros devidos em decorrência de créditos tributários com exigibilidade suspensa. III Do recurso de ofício. O objeto deste recurso cinge ao cancelamento, pela DRJ, da infração consistente num pretenso "excesso de exclusões de reversões de provisões não dedutíveis" em que a fiscalização, retroagindo ao ano 1995, somou todas as provisões adicionadas ao lucro liquido da empresa e comparou tal soma ao valor total de reversões de provisões não dedutíveis 3 Trecho do voto condutor do acórdão recorrido encontrado em fls. 18 do citado aresto. Fl. 2746DF CARF MF Processo nº 13603.722538/201605 Acórdão n.º 1302002.903 S1C3T2 Fl. 2.747 10 adicionadas ao longo deste mesmo período (1995 a 2011). Abaixo, vejase o quadro comparativo utilizado pela Fiscalização para justificar a autuação: Basicamente, digase, esta é toda a motivação fática deduzida pela D. Auditoria para justificar a autuação pelo aludido "excesso de exclusões"... a soma das exclusões ao longo de quase de 20 anos é inferior à soma das adições neste mesmo período, fato que permitiu, à fiscalização presumir que semelhante excesso seja: a) resultado efetivamente, e tão só, de provisões não dedutíveis; b) que não houve qualquer fato ou ato que justificasse a sua não adição ao lucro líquido; c) que semelhante excesso, ainda que existisse, pudesse ser lançado, todo ele, no ano de 2011, quando, em verdade, e em princípio, as exclusões realizadas neste último ano estariam todas justificadas no balancete já referido linhas acima. Ora, a par de ignorar, por completo, toda a documentação e argumentação trazida pelo contribuinte, em que, inclusive, afirma que parte das exclusões era definitiva e não afeita à qualquer adição anterior, o fato é que cabia à fiscalização, quando menos, se debruçar sobre cada exclusão e cada adição, individualizadamente e ano a ano. E esta conclusão, diga se, é a mesma a que chegou a DRJ, conforme se extrai do trecho abaixo reproduzido: Por certo, a Fiscalização deveria ter analisado individualmente as reversões realizadas no ano de 2011 e apontando aquelas consideradas insubsistentes, solicitando à impugnante a devida comprovação. Fl. 2747DF CARF MF Processo nº 13603.722538/201605 Acórdão n.º 1302002.903 S1C3T2 Fl. 2.748 11 (...) Registrese, mais uma vez, que o valor tributado nos autos de infração R$ 103.987.820,48 – referese ao saldo a maior na conta de exclusões de reversão de provisões não dedutíveis, comparada ao saldo das adições dessa mesma natureza. Evidenciase que Fiscalização tributou esse saldo não comprovado à semelhança do que é feito quando apurase “passivo fictício” ou “saldo credor de caixa”, ocorre que a tributação de tais irregularidades tem amparo em presunção legal (art. 281 do RIR/99). Todavia, salvo melhor juízo, inexiste previsão legal para dar tratamento similar a saldos não comprovados em outras contas contábeis, considerados irregulares pela Fiscalização. Da forma como apurado o crédito, a D. Auditoria, ha um só tempo, tornouo ilíquido e desrespeitou a regra encartada no art. 142 do CTN por não exaurir a matéria fática, contrariando, outrossim, o próprio princípio da verdade material. Diante disso, não há como discordar da DRJ. IV Conclusão final. A luz de todo o exposto, voto por negar provimento recurso de ofício e por dar parcial provimento ao recurso voluntário a fim de cancelar, integralmente, a exigência da parte relativa às exclusões de reversão de saldos de provisões para pagamento de juros incidentes sob tributos com exigibilidade suspensa. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 2748DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725253/2016-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS (STF). REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apura-se o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2014, relativamente a diferenças de aposentadoria paga por entidade de previdência complementar, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO DIFERENÇA DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO DECORRENTES DE RESCISÃO OU PERDA DO EMPREGO. INCIDÊNCIA.
Os juros de mora recebidos em ação trabalhista, incidentes sobre as verbas remuneratórias tributáveis, deverão ser oferecidos à tributação, quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. (STJ Resp 1.227.133/RS repetitivo
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF N° 73.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Numero da decisão: 2401-005.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto de Renda devido quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência) e afastar a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier. Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS (STF). REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apura-se o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2014, relativamente a diferenças de aposentadoria paga por entidade de previdência complementar, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO DIFERENÇA DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO DECORRENTES DE RESCISÃO OU PERDA DO EMPREGO. INCIDÊNCIA. Os juros de mora recebidos em ação trabalhista, incidentes sobre as verbas remuneratórias tributáveis, deverão ser oferecidos à tributação, quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. (STJ Resp 1.227.133/RS repetitivo MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF N° 73. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2011; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725253/201635 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.617 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria IRPF Recorrente JOSE AMERICO RAMOS LEITE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS (STF). REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apurase o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário de 2014, relativamente a diferenças de aposentadoria paga por entidade de previdência complementar, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO DIFERENÇA DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO DECORRENTES DE RESCISÃO OU PERDA DO EMPREGO. INCIDÊNCIA. Os juros de mora recebidos em ação trabalhista, incidentes sobre as verbas remuneratórias tributáveis, deverão ser oferecidos à tributação, quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. (STJ Resp 1.227.133/RS repetitivo MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF N° 73. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 52 53 /2 01 6- 35 Fl. 106DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto de Renda devido quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência) e afastar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier. Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10580.725253/201635 Acórdão n.º 2401005.617 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório JOSE AMERICO RAMOS LEITE, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 9a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão nº 0271.596/2017, às efls. 79/87, que julgou procedente em parte a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, sujeitos a tributação exclusiva na fonte, em relação ao exercício 2012, conforme peça inaugural do feito, às fls. 43/53, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 13/06/2016, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, com o seguinte complemento: Não se aplica a tributação exclusiva aos rendimentos recebidos acumuladamente quando pagos por entidade de previdência complementar. Devem ser declarados como rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, discorrendo acerca da incidência de imposto de renda sobre rendimentos acumulados à luz do Recurso Especial nº 614.406/RS para afirmar que o tema já foi amplamente debatido tanto na esfera judicial quanto na administrativa já tendo sido solucionado pela Nota PGFN/CRJ nº 981/2015, por meio da qual esclareceu, na forma do artigo 2º, §2º, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014 que os rendimentos recebidos acumuladamente sem fazer qualquer restrição quanto a sua natureza deveriam ser submetidos à regra do artigo 12A da Lei 7.713/88; Acrescenta ainda que a solução administrativa é diversa do entendimento da autoridade lançadora estando, inclusive a Secretaria da Receita Federal do Brasil impedida de constituir o crédito impugnado em razão de a Nota 981/2015 atrair o §4º do artigo 19 da Lei 10.522/2002. Cita o artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF para asseverar que tal dispositivo deve ser aplicado de forma reflexa às decisões de primeira instância; O lançamento contraria a decisão judicial, pois a verba apurada ainda que decorrente de previdência complementar estaria enquadrada no artigo 12A da Lei 7.713/88; Haveria contrariedade à Súmula 73 do CARF na medida em que o suposto erro foi causado por incorreções no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, razão pela qual a multa de ofício não deve prevalecer. Ainda destaca que os rendimentos foram declarados, mas o que ocorreu foi um reenquadramento jurídico porque não houve falta de declaração; Afirma que os juros moratórios correspondem à parcela indenizatória e não atraem a tributação; Recorda o artigo 12A da Lei 7.713/88 e o Parecer Cosit nº 1/2002 para observar que ao tempo em que a DIRPF foi auditada não se apurou imposto devido, pelo que Fl. 108DF CARF MF 4 sequer existe a compensação apontada e a Notificação não esclarece a quantificação do valor lançado referente a esta infração. Daí afirma que há preterição do direito de defesa por ausência de motivação explicita, bem como ofensa a diversos princípios constitucionais. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 13/06/2016, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, com o seguinte complemento: Não se aplica a tributação exclusiva aos rendimentos recebidos acumuladamente quando pagos por entidade de previdência complementar. Devem ser declarados como rendimentos recebidos de pessoa jurídica. DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE REGIME DE COMPETÊNCIA O contribuinte discorre acerca da incidência de imposto de renda sobre rendimentos acumulados à luz do Recurso Especial nº 614.406/RS para afirmar que o tema já foi amplamente debatido tanto na esfera judicial quanto na administrativa já tendo sido solucionado pela Nota PGFN/CRJ nº 981/2015, por meio da qual esclareceu, na forma do artigo 2º, §2º, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014 que os rendimentos recebidos acumuladamente sem fazer qualquer restrição quanto a sua natureza deveriam ser submetidos à regra do artigo 12A da Lei 7.713/88; Acrescenta ainda que a solução administrativa é diversa do entendimento da autoridade lançadora estando, inclusive a Secretaria da Receita Federal do Brasil impedida de constituir o crédito impugnado em razão de a Nota 981/2015 atrair o §4º do artigo 19 da Lei 10.522/2002. Cita o artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF para asseverar que tal dispositivo deve ser aplicado de forma reflexa às decisões de primeira instância; O lançamento contraria a decisão judicial, pois a verba apurada ainda que decorrente de previdência complementar estaria enquadrada no artigo 12A da Lei 7.713/88; Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. O art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, estabelecia que para os rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anoscalendário anteriores ao do seu recebimento, a incidência do Imposto sobre a Renda ocorria no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, subtraído o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive advogados: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10580.725253/201635 Acórdão n.º 2401005.617 S2C4T1 Fl. 4 5 Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Entretanto, o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, acrescido pela Medida Provisória (MP) nº 497, de 27 de julho de 2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, alterou a sistemática de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, a partir de 28 de julho de 2010, correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (...) Como se observa do texto de lei, tais rendimentos acumulados passaram a serem tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, submetidos à tabela progressiva do Imposto sobre a Renda. Porém, a novel sistemática de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente tinha um alcance limitado, não atingindo qualquer verba recebida pelo beneficiário. De fato, a incidência da tributação exclusivamente na fonte e em separado dos demais rendimentos aplicavase exclusivamente a duas hipóteses, quais sejam: a) rendimentos do trabalho; e b) rendimentos provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municipios. Acontece que em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada no dia 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, redator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, o Plenário da Corte concluiu pela invalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no que tange à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, previstos na Carta Política de 1988. Com efeito, afastando o regime de caixa, o Tribunal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a Fl. 110DF CARF MF 6 utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme ementa abaixo: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como visto, a exigência de que o imposto incidirá no mês da percepção dos valores, sobre o total de rendimentos acumulados, aplicandose a tabela progressiva vigente no mês desse recebimento, foi considerada em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. Esse entendimento da Corte Suprema deverá ser reproduzido no âmbito deste Conselho. Neste diapasão, no tocante aos rendimentos tributáveis omitidos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, relativos ao anocalendário de 2014, decorrentes de complementação de benefício previdenciário pago por entidade de previdência complementar, a incidência do imposto sobre a renda ocorre no mês de recebimento ou crédito, porém o cálculo deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos percebidos, realizandose o cálculo de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. DOS JUROS Quanto à alegação de que os juros possuem natureza indenizatória e por isso não atraem a incidência do imposto de renda os argumentos trazidos pela defesa não tem o condão de desconstituir a incidência tributária. A Lei 7.713/88 assim dispõe: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10580.725253/201635 Acórdão n.º 2401005.617 S2C4T1 Fl. 5 7 O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, trata da matéria nos artigos a seguir transcritos: Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único). Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; (...) O conceito de renda e proventos está definido no artigo 43 do Código Tributário Nacional – CTN, Lei 5.172/1966: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (...) Ademias, no julgamento do Recurso Especial (REsp) n° 1.227.133/RS, de 28/09/2011, na sistemática do recurso repetitivo, redator para o acórdão Ministro César Asfor Rocha, na qual se assentou que sobre os juros moratórios legais, vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, não há incidência do imposto sobre a renda. A ementa do julgado, após julgamento dos embargos de declaração, restou assim redigida: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA Fl. 112DF CARF MF 8 INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Acontece que a decisão foi melhor explicitada no REsp n° 1.089.720/RS, julgado em 10/10/2012, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, que levando em consideração o decidido no REsp n° 1.227.133/RS, aclarou e sintetizou a posição da 1.ª Seção do STJ quanto às regras de isenção dos juros moratórios. Seguem transcritos excertos da ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. (...) 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.° 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 3.1. Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10580.725253/201635 Acórdão n.º 2401005.617 S2C4T1 Fl. 6 9 dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88. 3.2. O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale ". (grifouse) No mesmo sentido versa o item 3 da NOTA/PGFN/CRJ/N° 1582/2012, in verbis: Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, com a finalidade de subsidiar a aplicação, por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Parecer PGFN CDA nº 2025/2011, encaminhase a presente nota, correspondente ao Recurso Especial nº 1.089.720/RS, que teve a precípua finalidade de esclarecer o julgado no Resp n. 1.227.133/RS. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, procedese à delimitação do tema decidido no Recurso Especial acima mencionado. 3. Estabeleceu o Superior Tribunal de Justiça, da conjugação do julgado no Resp n. 1.227.133/RS –representativo de controvérsia – com o Resp n. 1.089.720/RS, ambos julgados pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, que em regra incide IRPF sobre os juros de mora, excepcionalmente, o tributo será afastado quando: i) os juros de mora decorrem do recebimento em atraso de verbas trabalhistas decorrentes da perda do emprego , independentemente da natureza destas (se remuneratória ou indenizatórias), pagas no contexto da rescisão do contrato de trabalho, em reclamatória trabalhista ou não (art. 6, V, da Lei n.7.713/88) ou; ii) os juros de mora decorrem do recebimento de verbas principais que não acarretem acréscimo patrimonial ou que são isentas ou não tributadas (em razão da regra de que o acessório segue o principal). Para tanto no julgado restou elaborado o seguinte quadro elucidativo: (...) Fl. 114DF CARF MF 10 2.Verbas remuneratórias: 2.1. Verbas remuneratórias isentas (não incide o IR sobre os juros de mora); 2.2. Verbas remuneratórias não isentas: 2.2.1. Pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (não incide o IR sobre os juros de mora); 2.2.2. Pagas fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (incide o IR sobre os juros de mora). A referida Nota tem fundamento nas disposições do Parecer PGFN CDA nº 2025/2011, cuja alínea“b” do parágrafo 176, atribui efeito vinculante a toda a Administração Tributária, vejamos: 176. Por todo o exposto, analisada a repercussão das hipóteses de dispensa de impugnação judicial consignadas no art. 1º da Portaria PGFN nº 294, de 2010, sobre as atividades de inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, extraemse as seguintes conclusões: (...) b) Sendo assim, com a publicação do ato declaratório do PGFN, após a competente aprovação pelo Ministro da Fazenda, terseá a vinculação de toda a Administração Tributária (RFB e PGFN), que não mais poderá constituir créditos tributários relacionados à matéria objeto do ato declaratório e nem inscrevêlos em dívida ativa da União, cumprindolhe, ainda, rever ex officio os lançamentos e as inscrições já efetuados, com o seu conseqüente cancelamento. (...) No caso, temse juros de mora recebidos acumuladamente em complemento de previdência. Ou seja, os rendimentos em questão não forma pagos no contexto da rescisão do contrato de trabalho, conforme se verifica dos documentos judiciais acostados ao presente processo. Tratase, na realidade, de valores correspondentes à complementação de aposentadoria relativamente à Fundação Petrobrás de Seguridade Social. A verba principal recebida, sobre a qual incidiram os juros, tiveram a incidência do imposto de renda, conforme verificado pelo acórdão da DRJ. Logo, pela regra de que o acessório segue o principal, os juros devem submeterse à incidência do imposto de renda, por força da regra geral disposta no art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64. Por todo o exposto, impossível acolher o pedido de exclusão dos juros e correção monetária da base de cálculo. DA MULTA DE OFÍCIO Haveria contrariedade à Súmula 73 do CARF na medida em que o suposto erro foi causado por incorreções no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, razão pela qual a multa de ofício não deve prevalecer. Ainda destaca que os rendimentos foram declarados, mas o que ocorreu foi um reenquadramento jurídico porque não houve falta de declaração; Observando a planilha do Tribunal Regional do Trabalho da 5° Região, fl. 14, consta a indicação de IRPF isento, conforme art. 12A da Lei 7.713/88. Restando evidente que o contribuinte incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10580.725253/201635 Acórdão n.º 2401005.617 S2C4T1 Fl. 7 11 Desse modo, afasto a penalidade aplicada, conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, também já enunciada em súmula, de observância obrigatória, conforme art. 72 do Regimento Interno do CARF: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda devido quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência) e afastar a multa de ofício, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901053/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 53 /2 01 1- 51 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 11040.901053/201151 Acórdão n.º 3302005.442 S3C3T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela H W FERNANDES E CIA LTDA contra o Acórdão n. 0950.368 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, assim ementado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO DE PAGAMENTO PARA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Deve ser confirmado o despacho decisório de homologação parcial de compensação quando demonstrado que, do pagamento informado, não resulta saldo disponível para confirmar o crédito declarado. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DCOMP. INCOMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Falece competência às Delegacias de Julgamento para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a Turma não reconheceu a pretensão da Recorrente por entender que inexiste crédito a ser compensado. A pretensão central da Recorrente é reverter despacho decisório não homologou a compensação declarada na DCOMP n. 36413.30105.291007.1.3.043678. Em sua manifestação de inconformidade fl. 10 o contribuinte alega que o crédito utilizado na DCOMP nº 36413.30105.291007.1.3.043678, referese à valores indevidamente recolhidos entre os anos de 2005 e 2006, período no qual equivocadamente os débitos da empresa foram apurados e recolhidos sob a forma do lucro presumido, quando na verdade deveriam ter sido incluídos no Simples Nacional. Admite, ainda, a existência de eventual erro de preenchimento do DCOMP, razão pela qual requer prazo para análise e correção. Quando do julgamento do Acórdão recorrido a Turma entendeu que no ano calendário de 2005, a interessada apresentou Declaração pelo Simples, sendo assim, neste período faz jus ao direito creditório sobre os valores recolhidos fora dessa sistemática. Entretanto o DARF informado na DCOMP já foi parcialmente utilizado em compensações anteriores não sendo possível a retificação da Declaração de Compensação em tempo de julgamento administrativo. Declarou ainda a instância a quo não deter competência para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Em recurso voluntário – fls. 43/44 – o contribuinte alega que recolheu tributos sob o regime do lucro presumido entre 2005 e 2006 por não ter sido informado sobre sua inserção no SIMPLES. Quando teve ciência do fato pagou a multa por declaração em atraso e entregou declaração simplificada, nos termos do Simples Nacional. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11040.901053/201151 Acórdão n.º 3302005.442 S3C3T2 Fl. 56 3 Ao fim, requer o sujeito passivo “bem como achamos complexa a vossa comunicação de indeferimento, entendemos que para um melhor compreensão da nossa parte, a Receita Federal deveria nos fornecer uma conta corrente ou algo em que constasse, onde forma utilizados os valores que recolhemos indevido, ou pelo menos a informação que estes valores ora cobrado não foram compensado porque naquele tipo de contribuição já não tinha saldo para mais aquele valor, mas que em contra partida em outro imposto recolhido sobre determinado valor, pois como já nos reportamos tratava se de um valor bem superior”. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Cumpre ressaltar que é patente a boa fé do contribuinte e a presença de elementos indicadores da existência de recolhimentos indevidos, porque pagos sob o regime incorreto de apuração. Contudo, ainda que haja indícios do direito creditório, não detém esta Corte poder para alterar os dados equivocadamente inseridos pelo contribuinte na Declaração de Compensação. Detendo apenas competência para analisar os dados informados pelo contribuinte e decidir pela existência ou não do direito creditório. Tendo em vista que a homologação da compensação de débito tributário, nos termos do §1º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, depende exclusivamente da comprovação da existência de certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não há como homologar compensação cujo crédito não seja nesses termos confirmado. A compensação de tributos é, basicamente, um encontro de contas onde cabe ao contribuinte provar que detém o crédito que pretende compensar com os valores por ele devidos e que, por essa razão, nos termos do disposto no artigo 74, da Lei 9.430/96, c/c o art. 170 do CTN, faz jus compensação pretendida. Portanto, não tendo sido comprovada nos autos a certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não resta a este tribunal outra decisão que não a manutenção do acórdão recorrido. Conforme dispõe o regimento interno deste colegiado em seu artigo 1º1, aos conselheiros cabe analisar os valores e documentos acostados aos autos, e, assim, julgar os 1 Art.1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.901053/201151 Acórdão n.º 3302005.442 S3C3T2 Fl. 57 4 recursos que lhes são apresentados. Neste caso, incumbe aos conselheiros desta Turma apenas a decisão acerca da confirmação ou não do direito creditório utilizado na compensação pretendida. Ocorre que o recorrente não trouxe aos autos qualquer documento capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, não se podendo reconhecer a existência de tal direito. No caso em estudo, o contribuinte apresentou várias declarações de compensação cuja homologação foi negada, sendo cada uma delas tratada em um processo administrativo distinto, conforme tabela/resumo abaixo. DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS Nº DCOMP APRESENTADA DCOMP INICIAL PROCESSO ADMINISTRATIVO ORIGEM DO CRÉDITO (DARF) 2 DÉBITO 29531.44582.291007.1.3.046560 15560.25031.291007.1.3.040430 11040.901048/201148 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 02.2005 62,77 02921.59675.291007.1.3.044312 13703.81870.291007.1.3.040938 11040901049/201192 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 04.2005 237,98 06813.30975.291007.1.3.040397 02782.67723.291007.1.3.048786 11040901050/201117 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 54,13 30624.33604.291007.1.3.044584 37260.89442.291007.1.3.046187 11040901051/201161 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 286,20 36413.30105.291007.1.3.043678 20569.87623.291007.1.3.045162 11040901053/201151 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 09.2005 270,68 07870.23376.291007.1.3.046716 36413.30105.291007.1.3.043678 11040901054/201103 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 308,81 35821.57117.291007.1.3.049705 07870.23376.291007.1.3.046716 11040901055/201140 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 57,21 35023.93042.301007.1.3.042367 22218.77856.291007.1.3.043173 11040901062/201141 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 01.2006 849,29 TOTAIS R$ 17,10 R$ 2.127,07 Conforme se percebe pela análise da tabela acima, a recorrente utilizou o mesmo pagamento como origem de todos os pedidos de compensação efetuados. O DARF apontado como origem do crédito foi relativo a um recolhimento de PIS, referente ao mês 02/2005, no valor de R$17,10, sendo este insuficiente para compensar qualquer um dos débitos apontados individualmente, máxime para compensar todos os débitos em conjunto. Resta evidente, portanto, que de fato ouve erro de preenchimento das DCOMP´s não homologadas. Contudo, conforme dito alhures, não cabe a este julgador proceder a retificação de tais declarações. Ademais, o reconhecimento do direito creditório, nos autos de processo administrativo, depende da comprovação documental da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. A falta das cópias dos DARF´s e dos respectivos comprovantes, pagos fora do regime simplificado de apuração quando neste já estava inserido o contribuinte, comprometeu totalmente a análise da liquidez do crédito alegado, impossibilitando o reconhecimento do direito creditório em discussão neste PAF. Diante do exposto, tendo em vista a falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito alegado, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) 2 As informações sobre o DARF indicado como origem do Crédito, foram retiradas de cada um dos despachos decisórios que não homologaram as respectivas Declarações de Compensação. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.901053/201151 Acórdão n.º 3302005.442 S3C3T2 Fl. 58 5 Diego Weis Junior Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000393/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. CONTRADIÇÃO. PROVIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma.
Em se verificando a contradição interna no acórdão lançado, voto e conclusão, consoante o dispositivo e ementa, devem ser acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes, a fim de que se possa trazer claridade ao julgado, mesmo que com isso contenha efeito modificativos da decisão, pois presentes os requisitos admitidos em direito para o seu acolhimento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, § 4º, DO CTN. PERÍODO DEVIDO.
Aplica-se o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Hipóteses essas que afastam a aplicação do art. 150, §4º, do CTN.
Assim, deve ser registrado o período adequado decaído com base na aplicação dos dispositivos citados, não devendo ultrapassar, por lógica, período e competência não abrangida pela decadência, tendo o prazo quinquenal do art. 173, inciso I, do CTN, observado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-005.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.064, de 16/07/2014, registrar que a Turma decidiu pela decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário do período de competência exclusivamente de novembro de 2001, e não de dezembro 2001, bem como para corrigir, na ementa, os períodos registrados para 11/2001 a 07/2006, a qual passa a integrar a decisão anterior, mantendo-se os demais temas do dispositivo.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, João Bellini Júnior e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. CONTRADIÇÃO. PROVIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Em se verificando a contradição interna no acórdão lançado, voto e conclusão, consoante o dispositivo e ementa, devem ser acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes, a fim de que se possa trazer claridade ao julgado, mesmo que com isso contenha efeito modificativos da decisão, pois presentes os requisitos admitidos em direito para o seu acolhimento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, § 4º, DO CTN. PERÍODO DEVIDO. Aplica-se o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Hipóteses essas que afastam a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Assim, deve ser registrado o período adequado decaído com base na aplicação dos dispositivos citados, não devendo ultrapassar, por lógica, período e competência não abrangida pela decadência, tendo o prazo quinquenal do art. 173, inciso I, do CTN, observado. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.064, de 16/07/2014, registrar que a Turma decidiu pela decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário do período de competência exclusivamente de novembro de 2001, e não de dezembro 2001, bem como para corrigir, na ementa, os períodos registrados para 11/2001 a 07/2006, a qual passa a integrar a decisão anterior, mantendo-se os demais temas do dispositivo. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, João Bellini Júnior e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator
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CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. CONTRADIÇÃO. PROVIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Em se verificando a contradição interna no acórdão lançado, voto e conclusão, consoante o dispositivo e ementa, devem ser acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes, a fim de que se possa trazer claridade ao julgado, mesmo que com isso contenha efeito modificativos da decisão, pois presentes os requisitos admitidos em direito para o seu acolhimento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, § 4º, DO CTN. PERÍODO DEVIDO. Aplicase o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Hipóteses essas que afastam a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Assim, deve ser registrado o período adequado decaído com base na aplicação dos dispositivos citados, não devendo ultrapassar, por lógica, período e competência não abrangida pela decadência, tendo o prazo quinquenal do art. 173, inciso I, do CTN, observado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 03 93 /2 00 7- 11 Fl. 3583DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301004.064, de 16/07/2014, registrar que a Turma decidiu pela decadência do poderdever de constituir o crédito tributário do período de competência exclusivamente de novembro de 2001, e não de dezembro 2001, bem como para corrigir, na ementa, os períodos registrados para 11/2001 a 07/2006, a qual passa a integrar a decisão anterior, mantendose os demais temas do dispositivo. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, João Bellini Júnior e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Fazenda Nacional contra Acórdão de Recurso Voluntário e de Ofício, chancelado pelo n.º 2301004.064, proferido em 16 de julho de 2014, pelo colegiado da 1ª Turma, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de julgamento, que negou provimento ao recurso de ofício e parcial provimento ao voluntário, contendo a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/03/2003 DECADÊNCIA. SUMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, § 4º DO CTN. Aplicase o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. VEDAÇÃO. NECESSIDADE DE APROVEITAMENTO DOS RECOLHIMENTOS EFETUADOS. Se a fiscalização constata que formalmente há duas empresas, mas que substancialmente há apenas uma, na apuração das contribuições devidas por esta considerando o novo enquadramento devem ser levantados todos os fatos geradores ocorridos e, não havendo vedação legal, devem ser aproveitados os recolhimentos efetuados, sob pena de haver enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. ENQUADRAMENTO. AGROINDÚSTRIA. A agroindústria, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, deve recolher as contribuições previdenciárias incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Fl. 3584DF CARF MF Processo nº 17460.000393/200711 Acórdão n.º 2301005.483 S2C3T1 Fl. 3 3 SIMULAÇÃO. PROVA. A aparência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a provocar uma ilusão, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se aparenta, dáse simulação. O fisco comprovou a criação de uma empresa com objetivo de separar operações de produção rural e, assim, modificar o correto enquadramento fiscal da empresa autuada. MULTA. RETROATIVIDADE. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte". A Fazenda Nacional opõe embargos de declaração apontando contradição no acórdão proferido, onde transcrevo as principais motivações do referido embargos, segundo o despacho de admissibilidade: " Sustenta a embargante que há contradição no julgado, uma vez que o voto condutor ao negar provimento ao recurso de ofício, o qual devolvia matéria relativa à decadência, em que pese adotar a tese esposada na decisão recorrida, isto é, pela aplicação do artigo 173, inciso I do CTN, concluiu pela decadência somente do mês de 12/2001. (...) Constatase pela decisão da DRJ, objeto de Recurso de Ofício, que, ao contrário do consignado no acórdão recorrido, reconheceuse a decadência parcial, mantendose o lançamento incólume a partir da competência 12/2001, inclusive, conforme se verifica do trecho seguir transcrito: Voltando agora à questão preliminar da decadência, concluo que foram trazidos pela fiscalização todos os elementos necessários para demonstrar a ocorrência de simulação, em perfeita correspondência com a figura prevista nos artigos 149, VII e 150, § 4o do Código Tributário Nacional. Deste modo, há que ser operada a decadência contandose o prazo de 05 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos moldes do artigo 173, I da citada Lei Complementar. Como o crédito tributário foi constituído em 30/03/2007, isso significa reconhecer a improcedência do lançamento relativamente ao período que vai de 05/1997 a 11/2001, mais a competência 13/2001. Oportuno esclarecer que como a obrigação de pagar as contribuições referentes aos fatos geradores ocorridos em dezembro vencem apenas em janeiro do ano seguinte, o crédito constituído relativo à competência 12/2001 não foi alcançado pela decadência. Assim, salvo melhor juízo, se a decisão da DRJ foi mantida por este Colegiado, deverseia reconhecer a decadência para o período Fl. 3585DF CARF MF 4 anterior a dezembro de 2001, e não para reconhecer a decadência somente do mês de 12/2001. Outrossim, por oportuno, salientase que os períodos de apuração indicados na ementa e no Relatório do voto condutor, são diversos, podendo ser corrigidos, quando da retificação da contradição apontada nestes Embargos de Declaração, a fim de que seu conteúdo reste completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para eventual interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. Por fim, pede a embargante seja reconhecido e seja dado provimento ao recurso para sanar os vícios contidos por contradição. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator Os embargos são tempestivos. Portanto, dele conheço. Passo a analisar o mérito. Os artigos 64 e 65, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015). assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciarse a turma". Os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que excepcionalmente pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. Como se sabe, “a contradição que autoriza o acolhimento dos aclaratórios é aquela interna, havida entre a fundamentação e o dispositivo ou entre fragmentos da decisão embargada, e não o descompasso entre a conclusão adotada pelo Tribunal e o entendimento apresentado pela parte” (Inq. 4106 ED, Rel. Min. Alexandre de Moraes, 2ª Turma, DJ 19/02/2018). Fl. 3586DF CARF MF Processo nº 17460.000393/200711 Acórdão n.º 2301005.483 S2C3T1 Fl. 4 5 Nesse sentido, o motivo específico dos embargos foi quanto ao período que a Turma entendeu ter ocorrido a decadência. No voto do relator consta "somente a decadência de 12/2001", cujo instituto (decadência) também teria sido reconhecida pela DRJ de origem. Já a embargante alega que o período estaria equivocado, e que teria ficado de fora a competência de novembro de 2001, pois ao declarar a decadência, inclusive nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, deveria ter sido determinado o período anterior e não para a competência de dezembro como votou o relator, já que o período de apuração do auto de infração é de 11/2001 a 07/2006, e o crédito fiscal teria sido constituído em 30/03/2007. Nesse sentido, a regra aplicável ao presente caso é a do art. 173, inciso I, do CTN. Isso porque, conforme consta do relatório fiscal e do voto da DRJ de origem, bem como do voto proferido por este Conselho, a contribuinte teria pago as parcelas referente ao tributo no período autuado, sendo, contudo, constado simulação, o que afastaria a incidência do disposto no art. 156, parágrafo 4º, do CNT, onde o prazo decadencial ocorreria em a partir do fato gerador de cada competência. Superada a questão, resta então saber quando a contribuinte teria sido intimada do auto de infração. Para isso, verificase que o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF com a ciência do diretor da empresa ocorreu em 30.03.2007, conforme se constata da fl. 90 do eprocesso. Com a aplicação do dispositivo proferido em Acórdão de julgamento em segunda instância, houve a decadência somente da competência de 11.2001 e não a de 12.2001. Como pode se verificar do voto proferido pelo relator de primeira instância nas fls. 3.517 e seguintes do eprocesso, a decadência acolhida foi justamente para o período ratificado em segunda instância, sendo, contudo, com possível erro no registro do voto. Inclusive, podese notar uma interpretação no sentido de que o relator ad quem ao proferir o voto teria intenção de colocar a decadência de novembro de 2001, e não de dezembro de 2001, uma vez que a décima terceira parcela também não foi citada no seu voto como acolhida, sobre o prisma da decadência. Cabe destacar que a discussão sobre a aplicação dos dispositivos do CTN, 173 ou 156 do CTN estariam preclusas e já decididas, uma vez que consta como coisa julgada pelo colegiado, não cabendo mais discussão sobre o tema, ao menos perante essa Turma. Por fim, cabe mencionar que, como identificado pela embargante, há também erro na ementa quanto ao período de apuração transcrito e registrado, onde constam as competências de 01/10/1999 a 31/03/2003, quando na verdade, como já dito, o período de apuração do auto de infração é de 11/2001 a 07/2006, após as retificações em primeira instância e demais andamentos processuais, uma vez que o auto teria discuto competências anteriores. Assim, os embargos devem ser acolhidos para sanar os vícios apontados em recurso, trazendo assim maior clareza ao julgado proferido. CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por DAR PROVIMENTO aos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para sanar os vícios Fl. 3587DF CARF MF 6 contidos de erro material no Acórdão de n.º 2301004.064, proferido em 16 de julho de 2014, para constar que a Turma decidiu pelo reconhecimento da decadência do período de competência exclusivamente de novembro de 2001, e não de dezembro 2001, bem como para corrigir na ementa referente aos períodos registrados para 11/2001 a 07/2006, a qual passa a integrar a decisão anterior, mantendose os demais temas do dispositivo. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 3588DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721845/2011-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 18 45 /2 01 1- 77 Fl. 445DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): Fl. 446DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 448DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 6 5 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 7 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 8 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, Fl. 451DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 9 8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 452DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 10 9 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 453DF CARF MF
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