Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,163)
- Segunda Câmara (27,788)
- Primeira Câmara (25,081)
- Segunda Turma Ordinária d (16,974)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,917)
- Primeira Turma Ordinária (15,574)
- Segunda Turma Ordinária d (15,488)
- Primeira Turma Ordinária (15,372)
- Primeira Turma Ordinária (15,338)
- Segunda Turma Ordinária d (14,081)
- Primeira Turma Ordinária (12,847)
- Primeira Turma Ordinária (12,091)
- Segunda Turma Ordinária d (12,086)
- Quarta Câmara (11,512)
- 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (11,175)
- Quarta Câmara (82,948)
- Terceira Câmara (64,562)
- Segunda Câmara (53,095)
- Primeira Câmara (17,704)
- 3ª SEÇÃO (15,917)
- 2ª SEÇÃO (11,175)
- 1ª SEÇÃO (6,730)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (118,724)
- Segunda Seção de Julgamen (111,224)
- Primeira Seção de Julgame (73,663)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,858)
- Câmara Superior de Recurs (37,418)
- Terceiro Conselho de Cont (25,941)
- IPI- processos NT - ressa (4,994)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,054)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,858)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,236)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,744)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,068)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,335)
- HELCIO LAFETA REIS (3,250)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,194)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,817)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,595)
- WILDERSON BOTTO (2,539)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,385)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,803)
- 2019 (30,948)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,876)
- 2012 (23,621)
- 2023 (22,462)
- 2014 (22,374)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,837)
- 2025 (16,303)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,017)
Numero do processo: 10183.720913/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO. AJUSTES NO PREÇO. EQUÍVOCO NA DATA DE VALORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SANEAMENTO.
O ajuste no valor pago com base em índice conhecido somente após a tradição da mercadoria, conforme disposição contratual, só pode ser calculado a partir do momento desse conhecimento, não havendo como ser considerado devido antes desse marco temporal.
CONTABILIDADE. ESTORNOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE RECEITAS. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Comprovado que a autoridade fiscal considerou apenas os lançamentos a crédito das contas contábeis que configurariam receitas não declaradas, sem atentar para os lançamentos realizados a débito das mesmas contas, a título de estornos ou transferências entre contas, fica evidenciada a improcedência do lançamento fiscal.
EMPRÉSTIMOS. MÚTUO A EMPRESAS LIGADAS. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não restando comprovada a obtenção de recursos por meio de empréstimos e o repasse a pessoas ligadas por meio de mútuo, com juros mais favoráveis, conforme apontado pela autoridade fiscal, é improcedente o lançamento fiscal que glosa despesas financeiras por considerá-las desnecessárias.
PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA.
Aplica-se a autuação do PIS, da COFINS e da CSLL as conclusões relativas ao lançamento do IRPJ, dada a relação de causa e efeito existente entre elas.
PIS. COFINS. SUSPENSÃO RESTRITA DA TRIBUTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO NO CASO CONCRETO.
Não restou comprovado o cabimento da suspensão da tributação do PIS e da COFINS, restrita à destinação específica da cana-de-açúcar comercializada pelo contribuinte. Todavia não se sustentado a matéria tributável correspondente, não subsiste as autuações correlatas.
Numero da decisão: 1302-003.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO. AJUSTES NO PREÇO. EQUÍVOCO NA DATA DE VALORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SANEAMENTO. O ajuste no valor pago com base em índice conhecido somente após a tradição da mercadoria, conforme disposição contratual, só pode ser calculado a partir do momento desse conhecimento, não havendo como ser considerado devido antes desse marco temporal. CONTABILIDADE. ESTORNOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE RECEITAS. NÃO CONFIGURAÇÃO. Comprovado que a autoridade fiscal considerou apenas os lançamentos a crédito das contas contábeis que configurariam receitas não declaradas, sem atentar para os lançamentos realizados a débito das mesmas contas, a título de estornos ou transferências entre contas, fica evidenciada a improcedência do lançamento fiscal. EMPRÉSTIMOS. MÚTUO A EMPRESAS LIGADAS. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não restando comprovada a obtenção de recursos por meio de empréstimos e o repasse a pessoas ligadas por meio de mútuo, com juros mais favoráveis, conforme apontado pela autoridade fiscal, é improcedente o lançamento fiscal que glosa despesas financeiras por considerá-las desnecessárias. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplica-se a autuação do PIS, da COFINS e da CSLL as conclusões relativas ao lançamento do IRPJ, dada a relação de causa e efeito existente entre elas. PIS. COFINS. SUSPENSÃO RESTRITA DA TRIBUTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO NO CASO CONCRETO. Não restou comprovado o cabimento da suspensão da tributação do PIS e da COFINS, restrita à destinação específica da cana-de-açúcar comercializada pelo contribuinte. Todavia não se sustentado a matéria tributável correspondente, não subsiste as autuações correlatas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10183.720913/2013-21
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5955772
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.208
nome_arquivo_s : Decisao_10183720913201321.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10183720913201321_5955772.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7586119
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416703008768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 58; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.334 1 1.333 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.720913/201321 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302003.208 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2018 Matéria IRPJ Recorrentes GUANABARA AGRICOLA LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO. AJUSTES NO PREÇO. EQUÍVOCO NA DATA DE VALORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SANEAMENTO. O ajuste no valor pago com base em índice conhecido somente após a tradição da mercadoria, conforme disposição contratual, só pode ser calculado a partir do momento desse conhecimento, não havendo como ser considerado devido antes desse marco temporal. CONTABILIDADE. ESTORNOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE RECEITAS. NÃO CONFIGURAÇÃO. Comprovado que a autoridade fiscal considerou apenas os lançamentos a crédito das contas contábeis que configurariam receitas não declaradas, sem atentar para os lançamentos realizados a débito das mesmas contas, a título de estornos ou transferências entre contas, fica evidenciada a improcedência do lançamento fiscal. EMPRÉSTIMOS. MÚTUO A EMPRESAS LIGADAS. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não restando comprovada a obtenção de recursos por meio de empréstimos e o repasse a pessoas ligadas por meio de mútuo, com juros mais favoráveis, conforme apontado pela autoridade fiscal, é improcedente o lançamento fiscal que glosa despesas financeiras por considerálas desnecessárias. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase a autuação do PIS, da COFINS e da CSLL as conclusões relativas ao lançamento do IRPJ, dada a relação de causa e efeito existente entre elas. PIS. COFINS. SUSPENSÃO RESTRITA DA TRIBUTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO NO CASO CONCRETO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 09 13 /2 01 3- 21 Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.335 2 Não restou comprovado o cabimento da suspensão da tributação do PIS e da COFINS, restrita à destinação específica da canadeaçúcar comercializada pelo contribuinte. Todavia não se sustentado a matéria tributável correspondente, não subsiste as autuações correlatas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ/SPO, complementandoo ao final: 1. Trata o presente processo de lançamentos de oficio de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ (R$0,00), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (R$0,00), Contribuição para o PIS/PASEP (R$528.293,26) e Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (R$2.433.350,80), no valor total de R$2.961.644,06, considerados tributo, multa de oficio de 75% e juros de mora, calculados até fevereiro de 2015. Houve compensação do valor tributável com saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL. (fls. 03/29) 2. As infrações verificadas pela Fiscalização foram três (Relatório Fiscal às fls. 32/40): 2.1. Omissão de Receitas de Vendas de Cana de Açúcar em decorrência da aplicação do índice de Açúcar Total Recuperável (ATR), publicado pela ConsecanaSP (Conselho dos Produtores de CanadeAçúcar e Álcool do Estado de São Paulo) ao final do ano safra (Anexos I, V, VII e VIII) 2.1.1. Enquadramento legal: Art. 3° da Lei n° 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.336 3 2.2. Receitas Operacionais Escrituradas e não Declaradas referentes à Atividade Geral, decorrentes da Revenda de Material de Almoxarifado para Empresa do Grupo e da Revenda de Materiais em Geral no Mercado Interno (Anexos II, III, IV, VI e XIII). 2.2.1. Enquadramento legal: Art. 3° da Lei n° 9.249/95; arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, 277, 278, 279 e 280 do RIR/99. 2.3. Despesas Financeiras não Necessárias em razão de pagamento de encargos financeiros de empréstimos obtidos no mercado financeiro e repassados integralmente em forma de mútuos às pessoas ligadas, sem cobrança ou reconhecimento de qualquer valor a título de juros (receita financeira), conforme Anexos IX, X e XI. 2.3.1. Enquadramento legal: Art. 3° da Lei n° 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99. 3. Os autos foram encaminhados, conforme despachos de fls. 732/733. A Impugmante apresentou sua defesa (fls. 484/494), alegando em síntese que: Conforme consta do Auto de Infração, a impugnante foi autuada em decorrência de: 1) Omissão de receitas de vendas e serviços. "Omissão de receita caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização, apurada conforme relatório fiscal" Receitas escrituradas e não declaradas / receitas operacionais escrituradas e não declaradas. 2) "Receitas operacionais escrituradas e não declaradas referente à Atividade Geral, decorrente da Revenda Material de Almoxarifado p/ Empresa do Grupo e Revenda de Materiais em Geral Mercado Interno, vez que a soma das receitas informadas na DIPJ e Planilha de Apuração da Contribuinte foi de R$ 5.792.683,72, no entanto, a Receita apurada pela fiscalização soma R$ 8.736.429,97(Revenda de Material Almoxarifado p/ Empresa do Grupo R$ 4.357.984,27 Anexo II e Revenda de Materiais em Geral Mercado Interno R$ 4.378.445,70 Anexo III e sintetizados no Anexo VI apurado assim um valor não declarado para fins de IRPJ e CSLL de R$ 2.943.746,25 Anexo XIII conforme demonstrado no relatório fiscal anexo." 3) Custos, despesas operacionais e encargos. "Despesas financeiras não necessárias às atividades operacionais da contribuinte, adicionada no valor R$ 5.214.847,24, proveniente de pagamento de encargos financeiros de empréstimos obtidos no mercado financeiro e repassados integralmente em forma de mútuos às pessoas ligadas, sem cobrança ou reconhecimento de qualquer valor a título de juros (receita financeira), evidenciados nos anexos." Item 1 do Auto de Infração A Impugnante tem como atividade principal produção de canadeaçúcar e realizou operação com canadeaçúcar em caule. No Estado de Mato Grosso, não existe associação do tipo COSECANA, para formação de preço de canadeaçúcar, sendo que a impugnante utiliza como referência o CONSECANA SP (Conselho dos Produtores de CanadeAçúcar e Álcool do Estado de São Paulo) que é uma associação formada por representantes das indústrias de açúcar e álcool e dos plantadores de canadeaçúcar, que tem como principal objetivo zelar pelo relacionamento entre ambas as partes. E criou um sistema de pagamento da canadeaçúcar pelo teor de sacarose, com critérios técnicos para avaliar a qualidade da canadeaçúcar entregue pelos plantadores Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.337 4 às indústrias e para determinar o preço a ser pago ao produtor rural. O valor da canadeaçúcar se baseia no chamado Açúcar Total Recuperável (ART), que tem adoção voluntária. Item 2 do Auto de Infração Não houve receita de R$2.943.746,25, pois tratase de transferência de uma conta de receita para outra conta de receita e estornos, para melhor classificação contábil. Item 3 do Auto de Infração A impugnante não fez captação a título de empréstimo, porque todos os financiamentos estão vinculados com bens, ou seja, financiamento de bens via Finame, e também não tem caixa suficiente para adquirilos a vista. Ocorre que o auto de infração se encontra eivado de vicio insanável o que obsta, portanto, a produção de quaisquer efeitos. Primeiro item do Auto de Infração Omissão de receitas de vendas e serviços, receitas não contabilizadas. Salientamos que não existe preço de mercado dentro do Estado, a impugnante utiliza como referência o Consecana/SP Conselho dos Produtores de CanadeAçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo. Todavia, fato é que a Impugnante vem realizando venda de canade açúcar em caule, com o preço divulgado pelo Consecana/SP, com base de ART (açúcar total recuperável) ou qualidade da canadeaçúcar. Nesse sentido, totalmente improcedente a autuação com base na omissão de receitas utilizando um gênero não correspondente às regras existentes. Foram emitidas as documentações fiscais na forma acima, visto que atende a todos os requisitos exigidos pela legislação tributária: a) por existência de contratos de compra e venda; b) os negócios foram realizados de acordo com regra existente na contratação. O fisco não pode exigir o preço final da canadeaçúcar que ocorrem no mês de abril de cada ano ou seja abril de 2010 (art.20, do regulamento "Consecana"). A impugnante não contabilizou os preços futuros da referida venda por não ter o preço final no encerramento do exercício. Neste caso não há omissão de receita, quando a fiscalização não logra demonstrar cabalmente a existência da omissão, baseandose em mera presunção. No que se refere à presunção os valores não foram contabilizados como receitas, pelo fato de não existir o preço final (abril/2010), tal como alegado pelo autuante em seu relatório, somandose ao fato em que nenhum valor foi recebido por esta alegada falta de faturamento, ou seja: a impugnante não recebeu valor representativo deste faturamento alegado sem têlo contabilizado para assim caracterizar omissão de receitas. No presente caso, o que se verifica é um Auto de Infração por arbitramento de omissão de receita, que caracteriza abuso do fisco, ao extrapolar os critérios não previstos na legislação. Quanto ao uso da referência Consecana, tratase de adesão facultativa, não é meio empregado para concretizar o lançamento a que se refere o Auto de Infração objeto desta impugnação, são absolutamente inidôneos (sic), o autuante não demonstrou a regra vigente, baseouse em futuros possíveis resultados (receitas). Não há embasamento legal para o lançamento, nem consequentemente para a constituição do crédito (receita), no presente caso, já que o lançamento feito no Auto de Infração não guarda conformidade com as expressas previsões legais. Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.338 5 Tanto é que a autuada, ao proceder às verificações, constatou, através de anexos do auto de infração, que utilizou preços médios finais, tal como alegado pelo autuante em seu relatório, o que também não procede, visto que, como sabido, a legislação relativa a atividade rural prevista IN SRF n° 257/2002, não permite que se faça ajuste de preço de canadeaçúcar, sem previsão legal ou contratual. (TABELAS COMPARATIVAS À FL. 487) A fiscalização utilizou ART médio final, divulgado pelo Consecana /SP de abril de 2010 R$ 0,3492 deduzindo 6% = R$ 0,3282, isso está citado no relatório de fiscalização. Em outras palavras, em 31/12/2009 não existia futura publicação de abril de 2010, por esse fato, mostrase que é inexistente o ART médio do final de abril de 2010, porque o ano calendário termina em 31/12/2009, período sob fiscalização. Nesta análise, este é o primeiro erro de fato que se apresenta e pudemos verificar os equívocos cometidos pela fiscalização, ao não conhecer que o período base é 01/01/2009 a 31/12/2009, tratase do Exercício de 2009 e apresentouse, em seu entendimento o ART futuro de 04/2010 totalmente absurdo e inexistente na data final do período fiscalizado. Assim sendo, mais uma vez falhou o atuante, em decorrência do não conhecimento da sistemática do faturamento (receita) de canadeaçúcar. Neste caso, não há razões válidas que caracterizem omissão de receitas, visto que esse ART médio é reconhecido como receita somente no mês de abril de 2010, por esse fato deve considerar as regras utilizadas pela impugnante, qual seja o ART divulgado para o fim de cada mês. Item 2 do Auto de Infração a infração com base nas receitas de revenda de materiais que teriam deixado de ser declaradas na DCTF e na DIPJ também deve ser considerada improcedente, tendo em vista que o fato se trata de estorno de lançamento que anula o crédito e de transferência entre contas contábeis de receita. Notese, ainda, que tal omissão não existe, conforme anexo à defesa e ao qual se reporta. Sendo assim, em havendo duas contas de receitas, corrigiu lançamento indevido para adequar, não havendo alteração de resultado, porque o que ocorreu foi a transferência de lançamento para a segunda conta debitando a primeira conta, por esse fato não há que falar em omissão na declaração DCTF e DIPJ, simplesmente pela transposição do valor para a conta adequada sem formação de nova receita de revenda de materiais. Os erros de lançamento contábeis foram corrigidos mediante retificação de lançamento através de estorno, mecanismo legal de escrituração que é utilizado quando ocorre a duplicidade ou lançamento indevido de um mesmo fato contábil ou por erro de lançamento para corrigir o valor anteriormente registrado. Assim, abaixo demonstrase que não houve omissão de receita, para comprovar, elaboramos demonstrativo através do Livro Fiscal de Saídas e Livro de Apuração (em anexo doc. 2 e 3). (TABELAS ÀS FLS. 489/490) O primeiro erro de fato verificado ocorreu no levantamento da fiscalização, assim demonstramos os lançamentos e débitos não demonstrados pela fiscalização, que se refere ao estorno de lançamento e de transferência: (TABELAS ÀS FLS. 490/491) Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.339 6 Totalizando no valor de R$2.943.746,31 os débitos conforme quadros acima demonstrados. Em decorrência do estorno de lançamento acima (débito), a fiscalização somou somente os créditos conforme anexo II e III, deixou de reconhecer os débitos referentes estorno de lançamento e de transferência. Mais uma vez falhou a fiscalização que não considerou a transferência da conta 31103001 Revenda Material em geral para a conta 31303001 Revenda Material Almoxarifado, que são contas do mesmo gênero, isso significa que são contas de receitas operacionais. São esses os erros de fato, cometidos pela fiscalização, que pudemos vislumbrar que não houve omissão de receita, não teria sentido, portanto, considerar somente os créditos, os débitos não foram reconhecidos conforme atesta o anexo II e III do auto de infração. Certo é que o valor da autuação deve ser líquido e certo, o que neste caso não ocorreu, e devese considerar o estorno de lançamento e transferência, para que se apure o faturamento real. O valor do crédito apurado pelo fisco não se comprova, porque se trata de desconsideração de normas contábeis e fiscais. Para elucidar a contabilização a impugnante confrontou com o levantamento feito pela fiscalização, e será necessário tecer algumas explicações: a) Conforme levantado pelo Livro Fiscal de Saídas e Livro de Apuração de ICMS acima demonstrado; b) Confrontando que foi com livro fiscal e com balancete mensal acima demonstrado; c) Por fim confrontando com o balancete mensal e com o auto de infração, d) Para comprovar anexo documento 05 a 12. *1º Em decorrência do estorno de lançamento de R$ 232.561,60 (débito), a fiscalização somou os créditos, deixou de reconhecer esse lançamento que são os estornos de lançamentos o que, por esse fato o fisco alterou o resultado. ** 2º Tratase de transferência da conta 31103001 para a conta 31303001, e a fiscalização desconsiderou os débitos dessa conta. Por esse motivo o fisco alterou o resultado. Item 3 do Auto de Infracão baseouse, a fiscalização, em meros indícios, no sentido de que a autuada "teria" dado empréstimo a controladas, coligadas e associadas, sem a cobrança de juros, e que não houve reconhecimento de nenhuma receita financeira. Segundo consta do "Relato da Infração" enunciado pelo AuditorFiscal, a lavratura do auto de infração impugnado se deu em razão da verificação do suposto fato de empréstimos a controladas, coligadas com empréstimos obtidos no mercado financeiro, abaixo demonstrado: (TABELA À FL. 492) Para comprovar que não houve aumento de financiamento em anexo DOC. 13 balanços financeiro de 31/12/2008 e 31/12/2009, que houve uma redução. Neste caso, não houve acréscimo de empréstimos obtidos no mercado financeiros como relatou a fiscalização, a maior parte é financiamento de Finame Agrícola para financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos agrícola realizado em anos anteriores ao fiscalizado. A fiscalização adicionou no "LALUR" as despesas financeiras por meio de levantamento fiscal, sendo a referida adição descabida, por ter utilizado Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.340 7 critério que não prospera pois, tratase em sua maior parte de juros de financiamento FINAME, capital de giro e de partes relacionadas. De fato, a fiscalização baseouse em meros indícios pois, utilizouse de um critério incompleto, falho, insuficiente, visto que os empréstimos bancários contraídas pela empresa foi de Capital de Giro, para pagar as parcela do Finame e, conforme expresso em diversas partes desta impugnação, os saldos de mútuos realizados são efetivamente baixas de faturas de vendas de cana inadvertidamente contabilizados naquela conta de mútuos, de natureza comercial, sem características de empréstimos a coligadas sobre quaisquer formas. Neste caso, a empresa captou um único recurso de instituição financeira durante ano 2009 que foi de R$ 2.364.300,02 do Banco Rodo bens, tanto é verdade que não existiram outros empréstimos, cabe ao fisco comprovar se outras captações de instituições financeiras houveram (sic). O que ocorreu, de fato, é que a impugnante sempre foi devedora de sua cliente associada e tais passivos foram destinados por esta para futuro aumento de capital, abaixo demonstrado: (TABELAÀ FL. 493) Não teria sentido, portanto, juros passivos adicionados (sic) (LALUR) pelo fisco, para comprovar a destinação anexo doc. 14. Para comprovar que os juros passivos são dedutíveis em anexo no doc. 14 a relação mês a mês, que comprova que são juros necessários. Para comprovar as alegações referente aos juros passivos, do Anexo XII, do Auto de Infração, que não houve empréstimo com recursos de instituições financeiras, demonstrado no anexo doc. 15, novamente utilizouse de um critério incompleto e falho: a) não considerou os estornos dos débitos; b) considerou como capitação de recursos os juros sobre impostos e encargos sociais provisionados; c) não considerou juros recebidos ou cobrados pelos empréstimos a partes relacionadas. A fiscalização alegou (7ue os juros passivos são desnecessários às atividades, em anexo doc. 16, para elucidar que os juros passivos são necessários, segue: a) partes relacionadas tem juros ativos de R$2.352.090,47 e juros passivos de R$2.606.042,43; b) juros provisionados às instituições financeiras foram capital de giro e Finame de R$1.171.142,71; c) juros pagos a instituição financeira modalidade Leasing de R$234.777,09; d) juros pagos e recuperados dos fornecedores referentes alugueres de (R$1.023.934,40); e) juros pagos a fornecedores de tecnologia de R$111.094,13; f) juros sobre encargos sociais pagos ou provisionados de R$252.668,45; g) juros pagos por atraso fornecedores de R$427,26 e h) o resultado final entre os juros ativos menos juros passivos, é de apenas (R$1.000.127,20) e não R$5.214.847,24 alegada no item 3. 2º AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Diante do exposto em itens anteriores, não houve lucros não tributados haja vista que a impugnante possui e demonstra possuir prejuízos fiscais suficientes para cobrir estes propensos aumentos de resultados por "omissão de receitas", razão pela qual não há que falar em contribuição social sobre o lucro líquido e ainda incidência imposto de renda a contemplar em DCTFs e DIPJ. 3º AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL e OAUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS As vendas de canadeaçúcar estão contempladas com a suspensão de Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.341 8 PIS/Cofins conforme artigo 11, Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008, foi transformada na Lei n° 11.727/2008, vigente na época do fato gerador, não havendo fundamentos legais para esta cobrança. " Art. 11. Fica suspensa a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins na venda de canadeaçúcar, classificada na posição 12.12 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, efetuada para pessoa jurídica produtora de álcool, inclusive para fins carburantes. § 1° É vedado à pessoa jurídica vendedora de canadeaçúcar o aproveitamento de créditos vinculados à receita de venda efetuada com suspensão na forma do caput deste artigo. § 20 Não se aplicam as disposições deste artigo no caso de venda de canadeaçúcar para pessoa jurídica que apura as contribuições no regime de cumulatividade." Logo, tais normas determinam a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e Cofins da venda de canadeaçúcar e inclusive o preço final, e assim são descabidas a cobrança em razão da fundamentação acima descrita. PEDIDO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose os débitos fiscais reclamados. 4. A Impugnante apresentou suas alegações e após análise dos autos restaram algumas questões a serem esclarecidas em diligência pela Fiscalização. Os quesitos formulados, infração a infração, foram os seguintes: I Omissão de Receita de Vendas a) Providenciar a juntada do contrato de comercialização de canadeaçúcar citado no Relatório da Fiscalização. b) Explicitar claramente qual a regra contratual e a prática efetiva com relação à comercialização de canadeaçúcar adotada pela Impugnante. c) Demonstrar, para os doze meses do ano (inclusive os meses para os quais o ajuste com o preço médio de abril beneficiaria o contribuinte), com totalização anual, as duas formas de apuração de preço (efetiva e contratual). d)Trazer aos autos os documentos e comunicações entre a Impugnante e a Usina que comprovem que o ajuste com o preço médio final, divulgado em abril, foi dispensado entre as partes. e) Há alguma prova de que houve pagamento ou contraprestação no montante apontado pela Fiscalização na autuação? E de que as Usinas Itamaraty teriam deduzido o valor autuado (anualizado) em sua apuração do lucro líquido? f) Em que momento deveria ser oferecido o excedente de receita, decorrente do ajuste se o preço devido com base no ART médio final, disponibilizado em abril g) Houve valor excedente a ser recebido pela Impugnante, considerandose o valor ajustado em todos os meses? II — Receitas Operacionais Escrituradas e não Declaradas O contribuinte alega que parte dos valores lançados na conta 311030001 teriam sido estornados ou transferidos para outra conta de receita operacional (31303001), não configurando omissão de receita (vide demonstrativos de fls. 487/492). Confirmar essa informação pela análise da escrituração e documentação de suporte. Se a resposta for favorável ao Impugnante recalcular os valores mantidos e exonerados, justificando, por meio da elaboração de relatório conclusivo. Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.342 9 III Despesas Financeiras não Necessárias A conta autuada é conta representativa de mútuo com coligadas? Os valores constantes dessa conta contábil são relativos a mercadorias faturadas que já teriam que ter sido pagas, estando vencidas? Como e quando foram liquidados esses valores? Houve intervalo significativo entre sua escrituração e a efetiva liquidação, ou este período é meramente decorrente de questões operacionais para se providenciar a liquidação? Justificar. IV PIS E COFINS Suspensão da Incidência A Impugnante alega que as vendas de canadeaçúcar estariam contempladas com a suspensão de PIS/Cofins conforme artigo 11 da Lei n°11.727, de junho de 2008, abaixo transcrito: Art. 11. Fica suspensa a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na venda de canadeaçúcar, classificada na posição 12.12 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, efetuada para pessoa jurídica produtora de álcool, inclusive para fins carburantes. Art. 11. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na venda de canadeaçúcar, classificada na posição 12.12 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. (Redação dada pela Lei n° 12.844, de 2013) § 1º É vedado à pessoa jurídica vendedora de canadeaçúcar o aproveitamento de créditos vinculados à receita de venda efetuada com suspensão na forma do caput deste artigo. § 2º Não se aplicam as disposições deste artigo no caso de venda de canade açúcar para pessoa jurídica que apura as contribuições no regime de cumulatividade. Afirma, a Defendente, não haver fundamento legal para a cobrança de PIS/Cofins que se baseou na omissão de receita na venda de canadeaçúcar, já que tais normas determinariam a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive o preço final. Verificase a necessidade de a Fiscalização responder se o referido artigo se aplica à situação verificada nos autos, haja vista a previsão legal de condições para a aplicação da suspensão nele prevista, como, por exemplo, com relação ao produto efetivamente vendido e o comprador. V Quesito Geral Ao final deve ser elaborado relatório conclusivo com relação a cada uma das infrações, com as considerações que se fizerem necessárias, devendo ser recalculado o auto de infração, no caso de eventual proposta de exoneração, com abertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação do contribuinte, e devolução dos autos para prosseguimento do julgamento. 5. A Autoridade Fiscal, por meio do documento de fls. 737/755, informou o seguinte: Os esclarecimentos solicitados foram elencados na mesma ordem das infrações imputadas. Dessa forma esta fiscalização responderá os itens um a um, conforme abaixo: I Omissão de Receita de Vendas. Este item foi desdobrado em sete subitens, enumerados de "a "a "g". a) Providenciar a juntada do contrato de comercialização de canadeaçúcar citado no Relatório da Fiscalização. Segue anexo, o Instrumento Particular de Contrato Compra e venda de canade açúcar, firmado entre a Autuada e afirma Usina Itamarati S/A. Registrese que, conforme esclarecido em diversas oportunidades, vide informações prestadas pelo Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.343 10 contribuinte, a Usina Itamarati é detentora de 99% do capital social da autuada. Ademais, é a única compradora da produção e proprietária das terras onde são cultivadas as canasdeaçúcar. b) Explicitar claramente qual a regra contratual e a prática efetiva com relação à comercialização de canadeaçúcar adotada pela impugnante. As regras contratuais estão todas listadas no supra citado contrato, anexo, esclarecidos no Relatório Fiscal, nos Autos de Infrações e pela própria fiscalizada. Em relação ao preço de venda da canadeaçúcar a ser pago, a regra está prevista no item 4.1.1 ao 4.1.5, abaixo. Transposição fiel do Contrato, anexo, itens citados, que constam das intimações fiscais: (4.1.1) No cálculo do preço deverá ser considerado o "mix" de produção do ano safra do Estado de São Paulo. (4.1.2) Os preços médios praticados no Estado de São Paulo durante o ano safra, para cada um dos produtos finais a serem divulgados pelo CONSECANA SP até 10 de abril de cada ano. (4.1.3) A participação expressa em forma percentual, do custo médio da matéria prima no custo médio de cada um dos produtos, conforme disposto nos artigos 9 a 11 do Anexo II do Regulamento do CONSECANASP, e/ou circulares especificas a respeito desse assunto. (4.1.4) A quantidade de ATR (Açúcar Total Recuperável) entregue pela VENDEDORA durante a safra. (4.1.5) Ao preço assim obtido será aplicado um deságio de 6% (seis por cento) sobre valor da CONSECANA SP. (a) O deságio supra estabelecido é em decorrência da Cessão das terras que a COMPRADORA cedeu à VENDEDORA em Comodato, conforme contrato firmado entre as partes em 31 de março de 2007. Registrase que por três oportunidades durante a ação fiscal o sujeito passivo prestou informações referente ao preço da canadeaçúcar pratica e suas regras. Listado fielmente abaixo, extraído do arquivo informações prestadas pelo contribuinte, acostado aos Autos: I) Informação prestada em 23/02/2012. DA METODOLOGIA DE FORMAÇÃO DO PREÇO FINAL DA CANADE AÇÚCAR O preço da canadeaçúcar, na lavoura, acompanhou a valorização do açúcar e do etanol. O aumento da demanda por esses produtos, no mercado interno e externo, provocou essa alta de preços em comparação ao ano 2008. O critério utilizado para formação de preço é o da CONSECANA/SP (Conselho dos Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo) que é uma associação formada por representantes das indústrias de açúcar e álcool e dos plantadores de canadeaçúcar, que tem como principal responsabilidade zelar pelo relacionamento entre as partes que utilizam essa regra em todo Brasil. Para isso, o conselho criou um sistema de pagamento da canadeaçúcar pelo teor de sacarose, com critérios técnicos para avaliar a qualidade da canadeaçúcar entregue pelo plantador à indústria e para determinar o preço a ser pago ao produtor rural. Pelo sistema, o valor da canadeaçúcar se baseia no chamado Açúcar Total Recuperável (ATR), que corresponde à quantidade de açúcar disponível na matériaprima subtraída das perdas no processo industrial, e nos preços do açúcar e etanol vendidos pelas usinas no mercado interno e externo. O valor total devido pela unidade industrial ao produtor de canadeaçúcar será Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.344 11 apurado, ao final do ano safra. Essa regra da CONSECANA, determina que o estabelecimento industrial pagará ao produtor, a título de adiantamento, no mês subsequente a entrega da canade açúcar no campo ou na esteira baseado no preço estimado. De fato, o único comprador de canadeaçúcar em caule é a empresa USINAS ITAMARATI S.A. que tem produção de álcool etílico carburante e açúcar de cana, também é quotista da empresa. Podese extrair das informações prestadas pelo menos quatro pontos objetivos: a) que a autuada adota na formação de preço os critérios estabelecidos pela ConsecanaSP; b) pelo sistema ConsecanaSP, o valor da canadeaçúcar se baseia no chamado Açúcar Total Recuperável (ATR); c) o valor devido pela unidade industrial compradora ao produtor de canadeaçúcar será apurado ao final do ano safra; d) para quem utiliza essa regra, a ConsecanaSP determina que o estabelecimento industrial pagará ao produtor a título de adiantamento, no mês subsequente à entrega da canadeaçúcar com base em um valor estimado. No contrato de compra e venda de canadeaçúcar, item 2.1.3, está à resposta para o resumo da letra "c", ou seja, o início e o final do ano safra. Texto fiel do Contrato. (2.1.3) Como base inicial, as safras pertinentes a este contrato terá seu início em abril e término em novembro de cada ano de contrato. No início do ano, as datas de início e fim da safra deverão ser informadas peia COMPRADORA à VENDEDORA. Tal período poderá ser ajustado a critério exclusivo da COMPRADORA, em função de suas necessidades operacionais, sendo a VENDEDORA informada com a necessária antecedência de tal evento. Quanto ao resumo da letra "d", ou seja, durante ao ano calendário, no mês subsequente à entrega da canadeaçúcar, será feito adiantamento a preço estimado. Ora quem faz um adiantamento a preço estimado, pressupõe ajuste no final do ano safra. Nesse sentido esta fiscalização intimou a autuada, conforme intimação já acostada, para esclarecer os ajustes realizados e sua contabilização. Em resposta à intimação, a autuada presta a seguinte informação, também já acostada aos Autos (arquivos informações e esclarecimentos prestados pelo contribuinte), 2) Informações datada de 05/04/2012, Fielmente Transposta abaixo, documento acostadas nos Autos, "Informação Esclarecimentos Contribuinte I", especialmente o item "7": ESCLARECIMENTOS ITEM 4 O CONSECANASP (Conselho dos Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de S. Paulo) é uma associação formada por representantes das indústrias de açúcar e álcool e dos plantadores de canadeaçúcar, que tem como principal responsabilidade zelar pelo relacionamento entre as partes. Para isso, o conselho criou um sistema de pagamento da canadeaçúcar pelo teor de sacaroses, com critérios técnicos para avaliar a qualidade da canadeaçúcar entregue pelos plantadores às indústrias e para determinar o preço a ser pago ao produtor rural. O sistema tem adoção voluntária. Pelo sistema, o valor da canadeaçúcar se baseia no chamado Açúcar Total Recuperável (ATR), que corresponde à quantidade de açúcar disponível na matériaprima subtraída das perdas no processo industrial, e nos preços do Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.345 12 açúcar e etanol vendidos pelas usinas nos mercados interno e externo. A diretoria do CONSECANASP é composta por cinco representantes da ORPLANA (Organização dos Plantadores de Cana da Região CentroSul do Brasil) e cinco da ÚNICA, com o mesmo número de suplentes. O conselho conta ainda com uma Câmara Técnica (CANATEC), que assessora a diretoria nas questões técnicas e econômicas, constituída por seis representantes da ORPLANA e seis da ÚNICA. Não há contrato de assessoria e nenhum ato de filiação entre a empresa Guanabara agrícola Ltda. e a CONSECANA, simplesmente são utilizados os índices e preços que são publicados livremente no site da Instituição, que porventura é o que rege a maioria dos mercados no Brasil e funciona como um índice referencial que as partes contratantes (comprador e vendedor da cana) ajustam mensurar o valor de comercialização da cana de açúcar. Este fator é de utilização voluntária e pode ser adotado para qualquer negociação no país. Exceção ao FAPUR da Universidade Rural do Rio de Janeiro que também publica índices que costuma ser adotado por produtores daquela região, exclusivamente. Item 7 Esclarecemos que não há ajuste preço no final de safra, pois utilizamos os preços fixados pela CONSECANA em cada mês de 2009 para emitir o faturamento, não gerando complemento e nem devolução de valor no fechamento de safra. Não paira dúvida a esta fiscalização de que não houve ajuste no final da safra, nem complementação ou devolução, portanto, não seria possível e nem necessário solicitar novos esclarecimentos em relação data, mês e valores ajustados. Ora se a autuada não fez ajuste e tendo utilizado um ATR menor que o fixado pela ConsecanaSP, logo existe uma diferença que foi exatamente, esse procedimento em fez esta fiscalização (sic). O contribuinte encaminhou 3 (três) planilhas de apuração do faturamento, todas estão acostadas aos Autos, são elas os Anexos 1 Contribuinte, Anexo II Contribuinte e Anexo III Contribuinte, no Anexo I Contribuinte, a autuada demonstra nota por nota fiscal, período por período, mês a mês o valor do seu faturamento, sem a aplicação da redução de 6% em fazia jus em razão do estatuído no item 4.15 do Contrato de Compra e Venda firmado com a controladora Usina Itamarati S/A, concluindo que os valores ali demonstrados são os mesmos contabilizados. Já no Anexo II Contribuinte, a autuada demonstra as mesmas informações, ou seja, nota por nota fiscal, período por período, mês a mês o valor do seu faturamento, aplicando a redução de 6% a que fazia jus face ao estatuído no item 4.15 do Contrato de Compra e Venda firmado com a controladora Usina Itamarati S/A, concluindo pela comparação entre os valores do faturamento apurados com a redução foram sempre inferiores aos valores contabilizados. Enquanto na terceira planilha, Anexo III Contribuinte, também acostadas nos Autos, nela a autuada informa o controle da entrada ou entrega de cana de açúcar, mostrando as mesmas informações constantes dos Anexos I e II Contribuinte, sobre a ótica da compradora, a controladora. Não pode haver dúvida de que os valores de produção constantes dos três Anexos listados e acostados, e os valores contabilizados representam o faturamento da autuada, sobre a sua ótica. No entanto, por ter a autuada optado pelo sistema da ConsecanaSP, deve fazer o ajuste da produção entregue, com base no ATR divulgado pela ConsecadaSP em seu Site, em abril de cada, nos termos dos itens 4.1.1 a 4.15, do contrato, anexo firmado entre a fiscalizada e a sua controladora Usina Itamarati SIA. Diante desses fatos narrados, a fiscalização buscou, Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.346 13 inclusive por orientação da autuada, conforme abaixo, no Site da Entidade, a tabela com os valores divulgados até abril do ano safra, também acostado aos Autos e mais uma vez anexos. 3) Informações Prestadas pela Autuada em 21/06/2012 Acostadas Informações Prestadas Contribuinte II Item 2 Faturamento Esclarecimentos sobre a metodologia de utilização do Preço Médio Acumulado Consecana SP e demais considerações: O contrato de fornecimento de canadeaçúcar firmado entre a Guanabara Agrícola e Usinas Itamarati SA. teve como atrativo principal a especialização em empresas específicas das atividades industrial e agrícola de forma a permitir a evolução continua dos processos. Notese que diferentemente do relacionamento com os demais fornecedores de cana, a proprietária das terras é a Usinas Itamarati e a Guanabara além desta possui outras situações de parcerias agrícolas todas voltadas para a produção cujo cliente único é a Usinas. Neste contrato, na cláusula 4.1.5, item (a) estabelecese um deságio de 6% sobre o valor cobrado da cana por força das terras. Nas demais cláusulas estabelecese de fato, corno referência mais adequada ao apreçamento da cana, as divulgações do principal organismo nacional de pesquisa e estatística do setor baseado em São Paulo CONSECANA. As divulgações de índices e estatísticas daquele organismo são utilizadas por praticamente todo o setor nacional com raras exceções como o Rio de Janeiro. O índice, contudo é divulgado sempre no início do mês seguinte ao da ocorrência do cálculo médio e, para fins de faturamento, convencionouse internamente a utilizar o do mês anterior ao do faturamento que obrigatoriamente tem que ocorrer até o último dia do mês. E o anual é publicado até o dia 10 de abril de cada ano safra fechado. Para fins de praticidade e de forma compensatória a Guanabara Agrícola fatura contra a Usinas Itamarati as quantidades de ATR apuradas fornecidas pelo valor da tabela disponibilizada no site da Consecana do mês imediatamente anterior que pode ser maior ou menor do que a do mês em tela. Contudo, não aplica neste momento o deságio de 6% o que, via de rega, não reduz o valor do faturamento mensal. E de forma compensatória a este procedimento, abre mão de eventual valor complementar/redutor que pode acontecer quando do fechamento de cada Ano Safra. E, independentemente de ser uma negociação entre partes independentes, leva em conta um referencial de mercado respeitando, contudo, as nuanças desta relação com vantagens e desvantagens entre as partes numa negociação com terceiros que se compensam na forma que vem sendo cobrada. A fiscalização pode comprovar pelos arquivos fornecidos com a formação mensal do faturamento que os preços ATR utilizados (tabelas em anexo) seguiram sempre a regra definida acima de utilizar a do mês anterior conhecida apenas no início do mês seguinte, sem o desconto do deságio contratado, e, como dito no parágrafo anterior, dispensando eventual complemento/desconto pelo apreçamento anual publicado em 10 de abril de cada ano. Permitanos a douta fiscalização que concluamos que, a cada mês, o faturamento foi sempre relativamente maior do que a aplicação da tabela na forma preconizada, principalmente pela não redução da aplicação de deságio de 6% não levando a prejuízos e vantagens para nenhuma das partes envolvidas, não havendo, portanto indícios de omissão de receita a qual até mesmo, salvo por erro de fato, não teria razões de ser praticada, p porque a Guanabara Agrícola é Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.347 14 controlada integral (100%) da Usinas Itamarati e um valor a menor ou a maior retorna sempre na mesma proporção para a Controladora. Como dito na resposta e esclarecimentos número 1 acima, as duas empresas bem como o grupo econômico como um todo está trabalhando em flagrante prejuízo em suas operações por força das contingências do mercado deste setor de atividade e da crise financeira de 2008 que ainda impacta o setor (redução da área plantada, tratos culturais reduzidos, preços em depressão, pressão dos custos de salários e insumos, etc.). Por tratarse de informações públicas e nacionais, conforme esclarece a autuada, esta fiscalização, baixou do Site da ConsecanaSP, a tabela divulgada em abril de 2010, para ajuste da safra de 2009. Essa tabela esta acostada nos Autos, sob a denominação de "Tabela de ATR Publicação ConsecanaSP", nela está estampada que o ATR médio da safra de 2009/2010 é 0,3492. Esta fiscalização com base nessa informação, garantindo ao direito da autuada da dedução de 6% a título de compensação pelo uso da terra da compradora, nos termos do Item 4.15 do Contrato de Compra e Venda firmado entre a fiscalizada e a firma Usina Itamarati S/A, realizou o recalculo do faturamento da autuada, utilizando as mesmas informações prestada pela fiscalizadas constantes dos Anexos I, II e III Contribuinte, acostados aos Autos, agora com ATR Médio de abril de 2010 divulgado pela ConsecanaSP, devidamente Ajustado com dedução de 6%, conforme já esclarecido. Dessa forma foi elaborado o Anexo VII Demonstrativo do Faturamento canadeaçúcar, com a ATP ajustado com a redução de 6% (passou de 0,3492 para 0,3282 ainda foi elaborado por esta fiscalização o Anexo V, Demonstrativo do Valor do ART, nele está demonstrado o ajuste do ATR e a diferença que corresponde à omissão de receita), nele está demonstrado, nota por nota fiscal, período de emissão por período de emissão, mês a mês, utilizando todas as informações de produção prestada e demonstrada pela autuada nos Anexos I, II e III Contribuinte já discorridos, os valores do faturamento mensal apurado. Esse valor foi comparado com o valor do faturamento contabilizado e demonstrado no Razão, acostado aos Autos Anexo 1 Razão da Conta de Receita Operacional, os valores contabilizados também constam dos Balancetes Mensais do Razão Acostados aos Autos. Dessa feita, as informações constantes do Anexo VII Demonstrativo de Faturamento Canade Açúcar esta respondido os quesitos do Item 1 Omissão de Receita de Vendas, alínea "c", ou seja, o item seguinte, inclusive nele está o comparativo entre os valores efetivamente contabilizados e os valores apurados pela fiscalização: c) Demonstrar, para os doze meses do ano (inclusive os meses para os quais o ajuste com o preço médio de abril beneficiaria o contribuinte), com totalização anual, as duas formas de apuração de preço (efetiva e contratual). Pelo princípio da competência, a canadeaçúcar entregue em 2009 deve ser faturado, independente de acordo entre particular (... que não pode ser oposto a Fazenda Pública, nos termos do CTN.... ) e realizado compondo o resultado de resultado do ano calendário de 2009, como a autuada não realizou nenhum ajuste, complemento ou estorno, etc, no ano calendário 2009, em razão do ATR publicado em abril de 2010 era maior que o utilizado pela autuada para reconhecer o faturamento, conclui esta fiscalização em relação à Omissão de Receita, relativa a diferença de ATR, não foi tributada nem pelo IRPJ, nem pela CSLL e nem pela contribuição ao PIS e COFINS. d) Trazer aos autos os documentos e comunicações entre a Impugnante e a Usina que comprovem que o ajuste com o preço médio final, divulgado em abril, foi Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.348 15 dispensado entre as partes. A autuada, conforme esclareceu, não fez nenhum ajuste, estorno ou complemento referente à diferença de preço, por outro lado, o Contrato firmado entre a vendedora e compradora de canadeaçúcar, já citado não fez nenhuma alusão para a possibilidade de dispensa do comprimento. O contribuinte não reconheceu a diferença como receita, ganho e nem compõe o resultado do ano calendário de 2009. e) Há alguma prova de que houve pagamento ou contraprestação no montante apontado pela Fiscalização na autuação? E de que as Usinas Itamaraty teriam deduzido o valor autuado (anualizado) em sua apuração do lucro líquido? Não foi verificado na firma Usina Itamarati S/A o pagamento do valor pactuado no contrato, mesmo porque a realização da receita depende apenas do fato gerador dela que é a entrega da canadeaçúcar, pouco importando o pagamento para se constituir fato gerador tributário, em observância ao regime de competência, entretanto, na autuada é evidente de que esta não reconheceu como receita o valor pactuado no contrato de compra e venda de canadeaçúcar relativo a diferença de ATR. Vale ainda dizer que a única informação externa para validade dos negócios entre a autuada e sua única compradora e controladora Usina Itamarati S/A é a regra estabelecida pela ConsecanaSP que alegam adotar, o resto, mas parece um grande negócio entre pessoas vinculadas, pois, a única compradora da produção de canadeaçúcar é a controladora com 99% do capital social, detém a propriedade da totalidade das áreas de terras em que são cultivadas a canade açúcar e as duas atuam na mesma área territorial. f) Em que momento deveria ser oferecido o excedente de receita, decorrente do ajuste se o preço devido com base no ATR médio final, disponibilizado em abril de 2010? As legislações comerciais e tributárias contemplam o princípio da competência como regra para reconhecer as receitas e despesas e as exceções não se enquadram ao caso. Deveria ser oferecida a tributação no momento da sua realização ou na data que se conheceu o índice real, através de ajustes. Dessa forma as receitas pertencem ao exercício em que elas foram realizadas. Entende por exercício ou momento da realização, tratandose de transações envolvendo bens móveis que é o caso, a realização deve ocorrer no momento da tradição, ou seja, no momento da entrega do bem. Ao contrário disso é omitir ou postergar receita e distorcer o resultado do exercício. g) Houve valor excedente a ser recebido pela Impugnante, considerandose o valor ajustado em todos os meses? Sim, o valor excedente é o valor omitido, apurado e demonstrado mês a mês, conforme demonstrado no Anexo VII e sintetizado, no Anexo VIII, no entanto, as diferenças, ocorreram apenas entre os meses de maio a dezembro do supra citado ano calendário. II Receitas Operacionais Escrituradas e não declaradas. O contribuinte alega que parte dos valores lançados na conta 311030001 teriam sido estornados ou transferidos para outra conta de receita operacional (31303001), não configurando omissão de receita (vide demonstrativos de fls. 487/492). Confirmar essa informação pela análise da escrituração e documentação de suporte. Se a resposta for favorável ao Impugnante recalcular os valores mantidos e exonerados, justificando, por meio da elaboração de relatório conclusivo. Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.349 16 As Receitas Operacionais Escrituradas e não Declaradas foram demonstradas no Anexo II, acostado aos Autos, qual seja o Razão da Conta 311030001. A alegação de que esse valor teria sido estornado ou transferido para outra conta é facilmente comprovada pela escrita contábil, conta do razão com todas as partidas e contrapartidas. Foi acostado de fito aos autos, por esta fiscalização, no tocante à Conta 311030001, somente os créditos que comprovam as receitas. Neste momento acostamos, a referida conta do razão, as partidas a créditos e as contrapartidas a débito, onde pode ser verificado, que não prosperam as alegações da autuada, de que os valores a créditos foram estornados e/ou transferidos para outra conta de receita anulando os créditos. Não há histórico de estorno e os lançamentos que podem representar transferências soma, conforme resumo a importância de apenas R$2.735.831,10 entre os meses de junho a dezembro, e ao final de exercício o saldo acumulado da conta de receita, na importância de R$4.288.602,29 foi encerrado contra a conta de resultado, no entanto, não foi oferecido à tributação, conforme ficou demonstrado, no Auto de Infração e no Relatório Fiscal. III Despesas Financeiras não Necessárias A conta autuada é conta representativa de mútuo com coligadas? Os valores constantes dessa conta contábil são relativos a mercadorias faturadas que já teriam que ter sido pagas, estando vencidas? Como e quando foram liquidados esses valores? Houve intervalo significativo entre sua escrituração e a efetiva liquidação, ou este período é meramente decorrente de questões operacionais para se providenciar a liquidação? Justificar. Nos autos de infrações, nas intimações fiscais e relatório fiscal todos integrantes dos Autos está bastante claro que a conta autuada é de mútuos entre pessoas ligadas. As tentativas de justificativas da contribuinte não têm nenhuma guarida na escrita contábil, a não ser se desprezar os registros contábeis utilizado por ela para controlar o patrimônio e apurar o resultado e tomar como lastros para os registros as ilações da autuada. Senão, vejamos o Anexo IX Razão da Conta Empréstimos Partes Relacionadas, inclusive com históricos, onde se verifica os suprimentos da controlada através de empréstimos, nele não se vislumbra, adiantamentos ou negócios operacionais, entre as pessoas ligadas. Não se registra contabilmente negócios usuais entre pessoas ligadas no Ativo Realizável a longo prazo. As baixas dos mútuos, através de créditos na conta Parte Relacionadas, conforme Razão da Conta em anexo, equivalente às liquidações dos mútuos, nele estão identificados, como em qualquer escrita contábil, pelos créditos na supra citada conta, conforme históricos se vê pagamentos de despesas, pagamentos de obrigações, pagamentos de juros, baixa de empréstimos, transferências financeiras via rede bancária, transferências entre contas, etc. Anexo, aos Autos, a Conta do Razão 12301Partes Relacionadas, Controladas, Coligadas e Associadas, exatamente igual aos Balancetes do Razão apresentados, inclusive assinados pela autuada, onde fica claro o movimento de mútuos. Carece de qualquer lógica as ilações da autuada no sentido de que os registros a débitos na Conta 12301 Partes Relacionadas são decorrentes de encontros de contas de pessoas ligadas. Ora, ao realizar uma venda a autuada contabiliza em conta a receber/cliente, ou seja, faz um débito na conta Cliente e um crédito na conta de receita, a primeira é conta patrimonial e a segunda conta de resultado. No recebimento de uma venda, se faz a baixa na conta cliente, creditando e, tendo como contrapartida da uma entrada no caixa ou banco, debitando. É inimaginável que alguém faz uma venda, ao invés de receber o direito Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.350 17 da venda, faz uma transferência financeira ao devedor, não é possível de aceitar esse argumento. Não é compreensível o credor de mercadoria fazer adiantamento ao devedor, ao contrário é verdadeiro. Esse fato está comprovado no Anexo IX Razão da Conta Empréstimos Partes Relacionadas e na Conta do Razão Partes Relacionadas, neste foram segregadas apenas os movimentos a créditos, correspondentes às baixas dos mútuos, ambos acostado aos Autos. As despesas financeiras não necessárias, embora já devidamente demonstradas, Anexo IX Empréstimos Concedidos, Anexo X Empréstimos Obtidos no Mercado Financeiros e Anexo )51 Demonstrativo das Despesas não Necessárias, no auto de infração e no relatório fiscal, ainda esclareço, conforme Razão das contas Capital de Giro n°.22201000, Finame Curto Prazo n°. 21201001 e Finame Longo Prazo n°. 22201001, a autuada tomou no mercado financeiro, a título de empréstimos (Capital de Giro, Finame Curto Prazo e Finame Longo Prazo), o valor de R$56.195.961,66, por outro lado, a contribuinte concedeu no mesmo ano calendário, a título de empréstimos a suas partes relacionadas, o valor de R$56.727.869,03, ou seja, todo o valor emprestado foi repassado as suas partes relacionadas, a custo zero, pois não houve cobrança de juros. Destarte, os empréstimos obtidos no mercado financeiro geraram uma despesa financeira, conforme Razão da Conta n°. 46103 Despesas Financeiras Passivas, no valor de R$18.889.064,62, no entanto, depois de segregadas as despesas apenas com juros, conforme demonstrado no anexo XI Razão Juros Sobre Financiamentos/Despesas Financeiras, somou a importância de R$5.214.847,24, esse valor é que foi considerado despesas financeiras não necessárias. O cálculo das despesas financeiras não necessárias, este (sic) demonstrativo no Anexo XII Demonstrativo das Despesas Financeiras não Necessárias. Por fim, acredito não ser necessário justificar os procedimentos, nem responder pontualmente as perguntas formuladas, uma vez que as infrações foram apuradas com base nas informações contábeis da autuada que estão devidamente comprovadas nos Autos e complementadas na diligência. Segue, anexo, em complemento aos Anexos constantes dos Autos, o Razão da Conta n°. 22201000 Capital de Giro (LP), n°. 22201001 Finame (LP), 21201001 Finame (CP), onde fica evidente o volume de financiamentos obtidos que foram repassados e que geraram as despesas financeiras não necessárias às atividades da autuadas, portanto, glosadas. IV PIS E COFINS Suspensão da Incidência A Impugnante alega que as vendas de cana de açúcar estariam contempladas com a suspensão de PIS/COFINS conforme artigo 11 da Lei n° 11.727, de junho de 2008, abaixo transcrito: "Art. 11. Fica suspensa a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na venda de cana de açúcar, classificada na posição 12.12 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, efetuada para pessoa jurídica produtora de álcool, inclusive para fins carburantes. Art. 11. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins np venda de cana de açúcar, classificada na posição 12.12 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. (Redação dada pela Lei n° 12.844, de 2013)]. § 1º É vedado á pessoa jurídica vendedora de cana de açúcar o aproveitamento de créditos vinculados à receita de venda efetuada com suspensão na forma do caput deste artigo. § 2° Não se aplicam as disposições deste artigo no caso de venda de canade Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.351 18 açúcar para pessoa jurídica que apura as contribuições no regime de cumulatividade." Afirma, a Defendente, não haver fundamento legal para a cobrança de PIS/Cofins que se baseou na omissão de receita na venda de canadeaçúcar, já que tais normas determinariam a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive o preço final." A suspensão da incidência do Pis e da Cofins sobre a venda de canadeaçúcar, não é estanque, geral e irrestrito conforme interpretou a autuada, exceto a partir da edição da lei n°. 12.844, de 2013. A venda da canadeaçúcar ficou suspensa das contribuições para o Programa de Integração Social PIS, do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e também da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, independentemente de sua destinação, somente a partir da MP 613/2013, convertida na lei n°12.844, de 19 de julho de 2013. Portanto, somente com a publicação da Lei n°. 12.844, de 19 de julho de 2013, resultado da conversão da Medida Provisória n° 609, 2013, cujo artigo 29 resolve o problema da tributação da canadeaçúcar pelas contribuições sociais COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) e PIS (Programa de Integração Social), garantindo a "suspensão do pagamento das citadas contribuições sobre qualquer operação de venda de canadeaçúcar, por produtor rural organizado como pessoa jurídica, independentemente da destinação dada pela indústria adquirente (produção de açúcar, etanol ou qualquer outro produto). Referida lei, ainda, em seu artigo 11, § 1°, determina que é vedado ao produtor rural pessoa jurídica aproveitar os créditos de PIS e COFINS relacionados com a receita da venda da cana, assim como, no § 2°, do mesmo artigo, diz que o produtor rural pessoa jurídica que recolher as contribuições pelo regime cumulativo (regime de apuração do imposto de renda pelo lucro presumido, por exemplo) continuará com sua canadeaçúcar sendo tributada pelas contribuições PIS/COFINS. Fazendo um cotejo entre a Lei n°10.925/2004, a Lei n° 12.839/2013 (resultado da conversão da Medida Provisória n° 609/2013) e a Lei n° 12.844/2013 (resultado da conversão da Medida Provisória n. 610/2013), levando se em consideração os tempos de vigência de cada uma, podese definir os seus efeitos nos seguintes períodos: a) Anterior a 08/03/2013 cana oriunda de produtor rural pessoa jurídica como insumo de quaisquer açúcares gozava da suspensão da incidência das contribuições PIS/ COFINS (art. 9º, Lei nº 10.925/2004), inclusive essa foi a interpretação dada na Solução de Consulta nº 107, de 11 de abril de 20011, Ementa abaixo transcrita; Entre 08/03/2013 (publicação da MP n° 609/2013) a 09/07/2013 (dia anterior da publicação da conversão da MP 609 na Lei n° 12.839/2013) cana de produtor rural pessoa jurídica utilizada como insumo na produção de açúcar branco (NCM 1701.99.00) sofreu tributação de PIS/COFINS; c) Entre 10/07/2013 (publicação da Lei n° 12.839/2013) a 18/07/2013 (dia anterior à publicação da conversão da MP n° 610 na Lei 12.844/2013) toda cana oriunda de produtor rural pessoa jurídica utilizada para quaisquer açúcares sofre tributação de PIS/COFINS; d) A partir de 19/07/2013 (publicação da Lei n° 12.844/2013) toda cana de produtor rural pessoa jurídica goza de suspensão da incidência de PIS/COFINS, Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.352 19 com exceção àqueles produtores que apuram as contribuições sob o regime cumulativo. "SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 107 de 28 de Abril de 2011 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: SUSPENSÃO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. CANADEAÇÚCAR. A pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, assim considerada a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2° da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990, deve aplicar a suspensão da contribuição para o PIS/Pasep de que trata o art. 9° da Lei n° 10.925, de 2006, nas vendas de canadeaçúcar, classificada na posição 12.12 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), destinada à industrialização de produtos destinados alimentação humana classificados nos códigos 1701.11.00, 1701.99.00 e 1702.90.00 da NCM, efetuadas para pessoas jurídicas que exerçam atividade agroindustrial, assim entendida a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 660, de 2006, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2° da Lei n° 8.023, de 1990, desde que tais pessoas jurídicas adquirentes sejam tributadas pelo lucro real e empreguem o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de açúcares classificados nos códigos NCM antes citados. Para efeito da suspensão da contribuição na forma descrita, a pessoa jurídica vendedora de canadeaçúcar deve exigir, e a pessoa jurídica adquirente deve fornecer declaração informando o destino que será dado a tal insumo. De posse de tal declaração à pessoa jurídica vendedora fica obrigada a efetuar a venda da cana de açúcar com suspensão da contribuição. Fonte: Receita Federal do Brasil, Disit 08" Dessa forma, como interessa apenas a lei vigente durante o ano calendário de 2009, nesse período a suspensão, conforme se pode interpretar literalmente o art. 11 da Lei n°. 11.727/2008 em sua redação original, a suspenso do Pis e da Cofins aplicase apenas em relação à venda de canadeaçúcar, quando o produtor, pessoa jurídica, vende para a indústria na proporção da sua produção de álcool, inclusive carburante. Isto importa que a vendedora de canadeaçúcar, além de consignar essa situação na Nota Fiscal, tenha declaração expressa da compradora, indicando que tributa pelo lucro real, regime não cumulativo do Pis e Cofins e a proporção da canadeaçúcar destinada à produção de álcool, açúcar, etc. A única notícia que se tem da destinação da produção, está no documento denominado Mapa de Custo de Produção, Anexo a esta informação, na qual consta uma planilha nominada "Plano da Safra 2009/2010", em que se projeta a destinação o da canadeaçúcar para produção de álcool e açúcar. Portanto, os elementos que permitiam a suspensão das contribuições ao Pis e a Cofins não foram demonstrados pela fiscalizada em nenhum momento, razão pela qual, o lançamento não carece de correção ou reparo. Por fim, não foi dado ciência à fiscalizada nem foi reaberta prazo para contestação, em razão de não ter sido proposta nenhuma alteração no lançamento e nem foram acostados documentos que não sejam de conhecimento da autuada. É a informação fiscal. Segue, em anexo a esta informação fiscal, os seguintes documentos: 1 Instrumento Particular de Contrato Venda e Compra de Cana de açúcar, firmado entre a Usina Itamarati S/A e a Autuada. 2 Anexo I Diligência Razão da Conta de Revenda de Mercadoria. Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.353 20 3 Razão da Conta 21201001 Empréstimo Finame (CP). 4 Razão da Conta 22201001 Finame (LP). 5 Razão da Conta 22201000 Capital de Giro (LP). 6 Razão Despesas Financeiras Passiva Com Histórico. 7 Razão da Conta Partes Relacionadas, com contrapartida, histórico e Segregados os créditos que representam as baixas dos mútuos. 8 Mapa de Custo de Produção. Foi dada ciência do relatório da Fiscalização, tendo a lmpugnante manifestando se nos seguintes termos: GUANABARA AGRÍCOLA LTDA., pessoa jurídica de direito privado anteriormente qualificada nos autos do processo em epígrafe (Doc. 02), atualmente em trâmite perante está Delegacia Receita Federal do Brasil, por suas advogadas que ao final subscrevem (DOC.01), vem respeitosamente à presença de Vossa Senhoria, em cumprimento à intimação recebida em 15,05,20154, expor e requer o quanto segue: O presente processo decorre da lavratura de Autos de Infração e Imposição de Multa para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS com base em supostas infrações conforme esclarecido pelo agente fiscal: (i) omissão de receitas de vendas de canadeaçúcar para a Usinas Itamarati S/A no ano de 2009, em razão de não ter aplicado o índice de Açúcar Total Recuperável (ATR), publicado pela CONSECANA Conselho dos Produtores de CanadeAçúcar e Álcool do Estado de São Paulo ao final do ano safra (abril do ano subsequente); (ii) ausência de escrituração e declaração de receitas operacionais decorrentes, da Revenda de material de Almoxarifado para empresa do Grupo de Materiais em Geral no Mercado Interno (Anexos II,III, VI e XIII do Auto de Infração e Imposição de Multa lavrado); e (iii) Adição de Despesas Financeiras não necessárias à atividade operacional da empresa no valor de R$5.514.847,24 consoante demonstrado nos Anexos IX, X, XI e XII do AIIM lavrado. Isto porque, a Impugnante teria no mesmo ano de 2009 obtido empréstimos financeiros no mercado com a incidência de juros e concedido igualmente empréstimos às empresas coligadas, entretanto sem a cobrança de juros, não justificando, portanto, a necessidade de obtenção dos respectivos empréstimos. Devidamente notificada do lançamento de oficio em questão, a Requerente apresentou sua competente impugnação administrativa pretendendo o cancelamento do Auto de Infração e Imposição de Multa lavrado com base nos seguintes argumentos: (i) não há omissão de receita referente à canadeaçúcar no anocalendário de 2009, na medida em que o preço da cana foi calculado de acordo com os índices fornecidos pela CONSECANA para os meses de 2009; (ii) em razão do princípio da competência, a fiscalização não pode exigir no próprio ano calendário de 2009 eventual diferença decorrente do ajuste final devido e apurado no mês de abril de 2010, mormente considerando que o índice o reconhecimento e tributação do ajuste apenas pode ser exigido no anocalendário de 2010; (iii) não há que falar em ausência de declaração em DCTF e DIPJ das receitas de revenda de material de Almoxarifado para o anocalendário de 2009, uma vez que se trata na realidade de estorno de lançamento contábil que anula o Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.354 21 crédito e igualmente de mera transferência entre contas contábeis de receita, a qual não denota a existência de nova receita a ser levada ã tributação; e (iv) as despesas financeiras que foram deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL decorrem, em sua maior parte, do empréstimo firmado junto ao FINAME AGRÍCOLA em anos anteriores a 2009, que foi utilizado para a compra de maquinário. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São PauloSPO converteu em diligência o julgamento da Impugnação Administrativa apresentada para que a fiscalização tributária esclareça alguns pontos suscitados pela Impugnante, mormente (i) quanto ao momento de reconhecimento do ajuste final da cana de – açúcar (ii) se efetivamente os valores não declarados em DCTF e DIPJ decorrem de estorno ou transferência para outra conta de receita operacional; (iii) se ao caso aplicase a suspensão da incidência do PIS e da COFINS; e (iv) se as despesas financeiras em análise decorrem de conta representativa de mútuo com coligadas e se os valores lançados na conta autuada referemse a mercadorias faturadas que já teriam sido pagas estando vencidas. O Sr. Agente Fiscal, por sua vez, em cumprimento à determinação da Delegacia de Julgamento em São Paulo elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 737/755, no qual aduz, em apertada síntese, que (i) independentemente do momento em que o ajuste final deve ser reconhecido contabilmente, no caso concreto ele não foi realizado pela Impugnante e, portanto, não restam dúvidas de que a diferença de receita decorrente deste ajuste não foi contabilizada e nem levada a efeito para fins de tributação do PIS e da COFINS; (ii) a suspensão da incidência do PIS e da COFINS não se aplica à hipótese dos autos; (iii) não prospera a alegação de que os montantes de revenda de material de almoxarifado não foram declarados por decorrerem de estornos ou transferências efetuados pela Impetrante para outras contas de receita, uma vez que na Conta Razão não constam os valores "a débito", mas apenas os créditos e iv) sendo a Usinas Itamarati a parte compradora na relação jurídica, não se justifica o recebimento por ela de qualquer valor relativo à venda de canadeaçúcar realizado pela Impugnante. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal em São Paulo determinou que a Impugnante fosse notificada a manifestarse, no prazo de 30 dias, sobre a Diligência Fiscal realizada, sendo que em 15.05.2015 ela foi intimada pela DRF em Cuiabá, por correio. Nestes termos, com o fim de atender a expedida pela Receita Federal em Cuiabá a Impugnante comparece aos autos para prestar suas considerações à Diligência Fiscal realizada. Vejamos. I DA OMISSÃO DAS RECEITAS DE VENDAS DE CANADEAÇÚCAR DO ANOCALENDÁRIO DE 2009. II.1 Do Correto Momento em que a Diferença de Receita Decorrente do Ajuste do Preço Final da CanadeAçúcar deve ser Contabilizada e Tributada. Consoante denotam os fatos narrados, a fiscalização tributária apurou suposta omissão de receitas de venda de canadeaçúcar para o anocalendário de 2009 em razão de a Impugnante não ter procedido o ajuste final da canadeaçúcar, nos termos como determinado pelo CONSECANA e pelo próprio contrato firmado com a empresa Usinas Itamarati SIA, que é a adquirente do produto. Quando da realização da Diligência Fiscal determinada pela Delegacia da Receita Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.355 22 Federal de Julgamento em São Paulo, o D. Agente Fiscal acrescentou que o excedente de receita decorrente do ajuste de preço deve sofrer tributação no momento de sua realização ou na data que se conheceu o índice real, através dos ajustes, em aplicação do princípio da competência. Em que pese o acerto do D. Agente Fiscal em estabelecer que a diferença de receita apurada ao final da safra da canadeaçúcar deve ser levada à tributação em Abril de 2010 quando o índice real da ATR é divulgado , na prática, ele continuou a aplicar indevidamente para o anocalendário de 2009 o índice ATR de abril de 2010, cujos efeitos apenas deveriam repercutir no próprio ano de 2010. Assim, a diferença de receita eventualmente apurada no final da safra de 2009 deve ser contabilizada e tributada apenas em abril de 2010, ou seja, no momento em que o índice real e final é conhecido, não havendo que se falar em omissão de receita, como abaixo será demonstrado. Vejamos: Inicialmente convém rememorar que a Impugnante adota o critério de formação de preço da canadeaçúcar que foi estabelecido pelo CONSECANA/SP (Conselho dos Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo), que é uma associação formada por representantes das indústrias de açúcar e álcool e dos produtores de canadeaçúcar, em razão de inexistir no Estado do Mato Grosso um Conselho com a mesma função. O CONSECANA tem o objetivo precípuo de estabelecer as diretrizes básicas a serem adotadas pelos produtos de canadeaçúcar, de açúcar e álcool com o fim de uniformizar o padrão de qualidade a ser considerado, os preços por tonelada praticados e a forma de pagamento, garantindose assim confiabilidade e equidade neste ramo mercantil (ex vi dos artigos 1° a 3° do Regulamento) (Doc. 03). Pois bem. O CONSECANA desenvolveu um sistema de pagamento de canade açúcar pelo teor de sacarose, com critérios técnicos para avaliar a qualidade da canadeaçúcar entregue pelos plantadores às indústrias e para determinar o preço por tonelada a ser praticado. Com base nesta sistemática, o valor da canadeaçúcar tem como base o Açúcar Total Recuperável (ATR) que corresponde a quantidade de açúcar disponível na cana de açúcar subtraída das perdas no processo industrial (isto, é, o quantum recuperável no processo industrial), nos termos do que dispõem os artigos 8° e 9° do "Sistema CONSECANA" (Doc. 03). Como a canadeaçúcar possui um longo período de safra e seu preço total apenas pode ser aferido com efetividade ao final da mesma, o CONSECANA com o fim de operacionalizar a venda desta commoditie consignou o pagamento de antecipações mensais pelos adquirentes da canadeaçúcar, com base no preço médio provisório do quilograma da ATR que é mensalmente divulgado pela referida associação, vejamos: "Artigo 15 Durante o anosafra, o CONSECANASP divulgará, até o último dia útil de cada mês, o preço médio provisório do kg de ATR do mês e o acumulado até o mês. Parágrafo 1°. O preço médio acumulado do kg do ATR será calculado com base na média ponderada dos preços médios efetivamente praticados dos produtos derivados da canadeaçúcar nos meses já transcorridos do anosafra. Parágrafo 2° A média ponderada a que se refere o parágrafo anterior será feita com base: I na curva de velocidade de comercialização dos produtos derivados da canade açúcar traçada com base nas últimas três safras e, Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.356 23 II no mix de comercialização dos produtos derivados da canadeaçúcar, projetado para o anosafra no Estado de São Paulo. Parágrafo 3°. A curva de velocidade de comercialização será traçada com base nas vendas realizadas nas últimas três safras cujo peso de cada uma é determinado na seguinte proporção: I 50% para a última safra; II 30% para a penúltima safra; III 20% para a antepenúltima safra. Parágrafo 4° O mix de comercialização para o Estado de São Paulo será estimado pela CANA TECSP, antes do início da safra, com base nas projeções de produção para o ano safra. Parágrafo 5° O CONSECANASP divulgará, juntamente com o preço do kg do ATR, os preços ponderados dos produtos derivados da canadeaçúcar com base no mix de comercialização. Artigo 16 O preço médio acumulado do kg do ATR de que trata n artigo anterior servirá como referência para o faturamento e para o cálculo dos adiantamentos (parcela do valor faturado) que a unidade industrial pagará ao produtor de cana deaçúcar, na forma do Anexo II deste Regulamento", (negritos e grifos acrescidos). No final de cada safra, o CONSECANA divulga até o 100 dia do mês subsequente os preços finais do quilograma a de ATR por produto, a fim de que seja possível obter o preço total do açúcar a ser cobrado dos adquirentes da mercadoria. No momento da divulgação do preço final, o que para a canadeaçúcar ocorre no mês de abril do ano subsequente ao início da safra, o produtor no caso a Impugnante fica obrigado a proceder ao ajuste final, aplicando o índice divulgado no final da safra sobre o montante total de tonelada fornecida ao adquirente para obter o valor efetivo da canadeaçúcar devido. Depois da apuração do valor total e efetivo devido em cada um dos meses do período de safra utilizandose do índice divulgado em abril do ano subsequente, o produtor deve efetuar o abatimento das antecipações já pagas com base no preço médio provisório. Seguem abaixo os trechos extraídos no Manual CONSECANA que bem evidenciam o procedimento para apuração do preço final da canadeaçúcar: Art. 19 Ao final do anosafra, o CONSECANASP divulgará até o 10° dia do mês subsequente: I a curva real de velocidade de comercialização e o mix final efetivo de comercialização dos produtos derivados de canadeaçúcar, ambos relativos ao período da safra terminada no Estado de São Paulo; II os preços médios ponderados finais dos produtos que integram o 'mix' de comercialização das unidades industriais para o Estado de São Paulo; III os preços finais do kg de ATR por produto, calculados com base na curva real de velocidade de comercialização dos produtos derivados da canadeaçúcar; IV o preço médio final do kg de ATR do Estado de São Paulo, calculado com base no mix final de comercialização efetivo. Art. 20 O preço final devido ao produtor pela cana entregue durante o período de moagem será apurado ao final do anosafra, na forma do Anexo II deste Regulamento, com base: I nos preços médios finais do kg de ATR dos produtos que compõem o mix de comercialização do Estado de São Paulo; Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.357 24 II no mix de produção da unidade industrial; III no mix de comercialização da unidade industrial; IV na quantificação total de ATR entregue pelo produtor de canadeaçúcar. Art. 21 Apurado o preço final, procederseá ao ajuste com base nos adiantamentos efetuados ao longo da safra. Art.22 – Quaisquer modificações nas regras estabelecidas no Anexo II deste Regulamento deverão ser adotadas, pelos produtores optantes do sistema CONSECANASP, 5 (cinco) dias úteis após a data da divulgação, salvo determinação diversa da Diretoria", (negritos e grifos acrescidos). Dessa operação, pode resultar uma diferença de receita de venda de canade açúcar que deve ser paga pelo adquirente da mercadoria e cujo montante deve ser levado pelo produtor da cana à efeito de tributação no momento do ajuste, que se dá no mês de abril do ano subsequente, em obediência ao princípio da competência delineado no artigo 177 da Lei nº 6.404/76: Lei nº 6.404/76: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) considera o regime de competência pressuposto básico para a elaboração das demonstrações contábeis, de forma que sua observância é imprescindível para a validade do lançamento contábil seja a título de receita ou de despesa, vejamos: "A fim de atingir seus objetivos, demonstrações contábeis são preparadas conforme o regime contábil de competência. Segundo esse regime, os efeitos das transações e outros eventos são reconhecidos quando ocorrem (e não quando caixa ou outros recursos financeiros são recebidos ou pagos) e são lançados nos registros contábeis e reportados nas demonstrações contábeis dos períodos a que se referem. As demonstrações contábeis preparadas pelo regime de competência informam aos usuários não somente sobre transações passadas envolvendo o pagamento e recebimento de caixa ou outros recursos financeiros, mas também sobre obrigações de pagamento no futuro e sobre recursos que serão recebidos no futuro." Aliás, o próprio D. Agente Fiscal expressamente consignou em seu Relatório de Diligência Fiscal que a tributação da receita deve ocorrer no momento da sua realização ou na data em que se conheceu o índice real, através de ajustes. (quesito “ f” – fls.747) Ocorre que, embora o D. Agente Fiscal tenha definido com acerto a regra para reconhecimento das receitas, ele acabou por aplicar equivocadamente ao caso, o entendimento de que a tributação deve ser dar no momento da entrega da canade açúcar, uma vez que a receita se realiza com a tradição da mercadoria. Todavia, imprópria é a conclusão do D. Agente Fiscal, na medida em que ao caso a única hipótese possível de ser aplicada para fins de reconhecimento da diferença de receita advinda do ajuste É O MOMENTO EM QUE SE CONHECEU O ÍNDICE REAL DA ATR, QUE SE DEU APENAS EM ABRIL DE 2010. Com efeito, todos os valores eventualmente apurados a maior a título de receita em razão da realização do ajuste final do preço da canadeaçúcar em abril de 2010 devem ser obrigatoriamente contabilizados e levados à tributação pela Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.358 25 Impugnante somente em Abril de 2010, não repercutindo qualquer efeito jurídico no anocalendário de 2009. De forma que não remanesce controvérsia quanto ao momento de reconhecimento da diferença de receita decorrente da realização do ajuste final do preço, que se dá em abril de 2010 no caso em análise. A este propósito, convém ressaltar que o D. Agente Fiscal não questiona a qualquer momento a regularidade dos lançamentos efetuados pela Impugnante relativos as receitas que contabilizadas mensalmente no ano de 2009 como antecipação do preço final de venda da canadeaçúcar. Até porque, tais lançamentos foram realizados em plena consonância tanto como o regramento descrito pelo CONSECANA, como igualmente nos exatos termos do quanto pactuado entre a Impugnante e Usinas Itamarati S/A (que é a adquirente do açúcar). Neste sentido, insta esclarecer que a Impugnante e a Usinas Itamarati S/A celebraram contrato particular de venda e compra de canadeaçúcar consignando as mesmas diretrizes estabelecidas pelo CONSECANA para fins de cálculo do preço de venda da cana, especialmente que preço final será obtido no mês de abril do ano subsequente ao início da safra e que o índice a ser utilizado para sua formação é ATR divulgado pelo CONSECANA SP. Em realização ao pactuado, também restou consignado que a Usinas Itamarati S/A promoveria a antecipação do pagamento do preço finai da canadeaçúcar adquirida considerandose os índices mensais de ATR divulgados pelo CONSECANA. A única diferença existente em relação à regra geral prevista pelo CONSECANA referese ao deságio de 6% calculado sobre valor praticado pelo referido conselho, concedido em razão da Usinas Itamarati S/A ser proprietária das terras utilizadas pela Impugnante para a produção da canadeaçúcar, como a seguir evidenciam os trechos extraídos do contrato em questão que seguem abaixo transcritos: (4) CLAUSULA QUARTA DO PREÇO E CONDIÇÕES DE PAGAMENTO (4.1) O preço devido pela COMPRADORA e VENDEDORA, referente à canade açúcar objeto deste contrato será aquele apurado ao final de cada anosafra, a partir da metodologia estabelecida no Anexo II do Regulamento do CONSECANA SP, que as partes declaram conhecer e respeitar, com adaptações às condições especificas para o estado de Mato Grosso, que as partes reconhecem e acatam, conforme a seguir estabelece: (4.1.1) No cálculo do preço deverá ser considerado o "mix" de produção anosafra do Estado de São Paulo. (4.1.2) Os preços médios praticados no Estado de São Paulo durante o anosafra, para cada um dos produtos finais, a serem divulgados pelo CONSECANASP até 10 de abril de cada ano. (4.1.3) A participação expressa em forma percentual do custo médio da matéria prima no custo médio de cada um dos produtos, conforme disposto nos artigos 9 a 11 do Anexo II do Regulamento do CONSECANASP, e/ou circulares especificas a respeito desse assunto. (4.1.4) A quantidade de ATR (Açúcar Total Recuperável) entregue pela VENDEDORA durante a safra. (4.1.5) Ao preço assim obtido será aplicado um deságio de 6% (seis por cento) sobre o valor da CONSECANA SP. (a) O deságio supra estabelecido é em decorrência da Cessão das terras que a Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.359 26 COMPRADORA cedeu à VENDEDORA em Comodato, conforme contrato firmado entre as partes de 31 de março de 2007. Contudo, a concessão do deságio no cálculo do preço de venda da canadeaçúcar não altera as demais diretrizes aplicáveis na formação do referido preço, sendo, pois, primordial a observância tanto dos índices ATR divulgados em cada período, como também o exato momento de realização do ajuste final e do conhecimento de seus efeitos jurídicos para fins de tributação, seja pelo PIS, COFINS ou de forma indireta pelo IRPJ e CSLL. Portanto, seja com base no Manual CONSECANA SP ou no contrato firmado entre a Impugnante e a Usinas Itamarati S.A que replica exatamente os termos das diretrizes daquele Conselho é indubitável que a diferença de receita eventualmente apurada no ajuste final do preço da canadeaçúcar pela aplicação do índice ATR publicado em abril de 2010 somente deve ser contabilizada e levada a efeito para fins de tributação no próprio ano calendário de 2010, sendo vedado pelo princípio da competência o seu reconhecimento no ano de 2009. E outro entendimento não poderia haver, diante da impossibilidade fática de se aplicar no anocalendário de 2009 índice ATR inexistente, uma vez que o ATRF final apenas é divulgado em momento posterior ao encerramento do ano calendário de 2009, qual seja, abril de 2010. Assim o ajuste final da canadeaçúcar em hipótese alguma poderá produzir efeitos no próprio anocalendário de 2009, e, portanto, não poderia ser objeto desta autuação que tem como escopo exclusivamente os eventos ocorridos durante o anocalendário de 2009. Eventual exigência relativa a contabilização e tributação das receitas de vendas supostamente devidas em razão da aplicação do índice ATR de abril de 2010 deve ser formalizada pela lavratura de lançamento de oficio próprio, sendo vedado ao D. Agente Fiscal imputar tal infração no bojo do auto de infração ora combatido. Destarte, se o ajuste final do preço da canadeaçúcar realizado no ano de 2010 apenas produz efeitos no anocalendário de 2010, não subsiste a alegação de omissão de receita para o anocalendário de 2009 relativo ao referido evento. Consequentemente, o item 1 do auto de infração e imposição de multa deve ser cancelado referente à "omissão de receita de vendas de canadeaçúcar". II .2 Da Suspensão do PIS e da COFINS na Venda de CanadeAçúcar Na remota hipótese de se concluir que a diferença da receita de venda decorrente do ajuste final do preço da canadeaçúcar deve ser tributada no anocalendário de 2009, o que se admite apenas a título de argumentação, mesmo assim a presente autuação não deve prosperar. Isto porque, ao contrário do alegado pelo D Agente Fiscal em SPI1 Relatório de Diligência Fiscal, a venda da canadeaçúcar sujeitase sim à suspensão do PIS e da COFINS. nos termos do artigo 11 da Medida Provisória n° 413/2008 que foi convertida na Lei n° 11.727/2008, vigente à época dos fatos geradores objetos deste auto de infração e imposição de multa: "Art. 11. Fica suspensa a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na venda de canadeaçúcar classificada na posição 12.12 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM efetuada para pessoa jurídica produtora de álcool, inclusive para fins carburantes. § 1° É vedado à pessoa jurídica vendedora de canadeaçúcar o aproveitamento de créditos vinculados à receita de venda efetuada com suspensão na forma do caput Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.360 27 deste artigo. § 2° Não se aplicam as disposições deste artigo no caso de venda de canade açúcar para pessoa jurídica que apura as contribuições no regime de cumulatividade". (negritos e grifos acrescidos). Consoante denotam as disposições do supracitado artigo 11 da Lei n° 11.727/2008 em sua redação original, a suspensão do PIS e da COFINS apenas alcançava as vendas efetuadas para pessoa jurídica produtora de álcool, inclusive para fins carburantes. Vejase que hipótese legal acima descrita se amolda exatamente ao caso concreto, na medida em a Usinas Itamarati S/A tem como atividade principal a produção de álcool, conforme evidenciam os trechos extraídos de seu Estatuto Social que seguem abaixo colacionados (Doc. 04): "Artigo 3. A sociedade tem por objeto: a) a produção, comercialização. exportação e importação de álcool, açúcar e derivados destes: b) a exploração e comercialização de cana de açúcar e de culturas intercalares compatíveis, e demais atividades agrícolas e pastoris, em terras próprias e de terceiros, arrendadas ou exploradas em regime de parceria, além da produção e comercialização de produtos derivados de cana de açúcar; c) a produção, comercialização, importação e exportação de insumos agrícolas e ração animal; d) a prestação de serviços técnicos relacionados com as atividades citadas; (.)" (negritos e grifos acrescidos). Acrescentese ainda que o artigo 11 da Lei n° 11.727/2008, mesmo em sua redação original, não previa qualquer outra condição ou restrição à aplicabilidade da suspensão para as vendas de canadeaçúcar. De forma que, se a venda foi efetuada para pessoa jurídica produtora de álcool, como ocorreu no caso em questão, resta evidente que o requisito legal para a fruição da suspensão da exigência do PIS e da COFINS foi devidamente preenchido e, por conseguinte, não há que se falar na inaplicabilidade das disposições do artigo 11 da Lei n° 11.727/2008, como pretendeu fazer entender o D. Agente Fiscal em seu Relatório de Diligência Fiscal. Ora, se a norma instituidora da suspensão não estabeleceu qualquer outra restrição ou condição que não seja a destinação da venda para a produção de álcool, não cabe ao interprete da norma, assim o fazer, sob pena de afronta às disposições do artigo 111 do Código Tributário Nacional, cujo teor segue abaixo transcrito: Art. 111 Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Se mais não bastasse, insta salientar que as alterações promovidas pela Lei n° 12.844/2013, na realidade, vieram tão somente ampliar o alcance da suspensão do PIS e da COFINS para toda e qualquer venda de canadeaçúcar, independente da sua destinação. Em outras palavras, as leis posteriores que trataram da suspensão do PIS e da COFINS para a venda de canadeaçúcar ampliaram a hipótese legal que se restringia a venda destinada para a produção de álcool. Aliás, o próprio D. Agente Fiscal afirma expressamente em seu Relatório de Diligência Fiscal que antes do advento da Lei n° 12.844/2013 a suspensão da exigência do PIS e da COFINS apenas ocorria se a venda da canadeaçúcar fosse Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.361 28 destinada para a produção de álcool. Todavia, o D. Agente Fiscal em qualquer momento demonstra e comprova que a venda realizada pela Impugnante não se enquadra na hipótese contida no artigo 11 da Lei nº 11.727/08 em sua redação original, limitando se a descrever o alcance de cada uma das normas que disciplinam a suspensão da exigência do PIS e da COFINS no período das respectivas vigências. Vejase, inclusive, que a jurisprudência colacionada é favorável à aplicação da suspensão do PIS e da COFINS na hipótese em que há venda de canadeaçúcar destinada à produção de álcool por pessoa jurídica, exatamente como ocorre no caso concreto. Destarte, diante destas considerações e evidências, não restam dúvidas de que as vendas realizadas pela Impugnante para a Usinas Itamarati S.A. fazem jus a suspensão da exigência do PIS e da COFINS prevista no artigo 11 da Lei n° 11.727/08 em sua redação original. Por consequência desta suspensão, não há que se falar na exigência do PIS e da COFINS sobre as receitas de venda de canadeaçúcar no caso concreto, sendo, premente o cancelamento do lançamento de oficio em questão. II.3 Da Suposta Ausência de Declaração em DCTF e DIPJ das Receita de Revenda de Material de Almoxarifado. Consoante denota o auto de infração e imposição de multa lavrado, o D. Agente Fiscal afirma que a Impugnante teria deixado de declarar em DCTF e na respectiva DIPJ do anocalendário de 2009 parte das receitas operacionais decorrentes da Revenda de Material de Almoxarifado para empresa do Grupo e da Revenda de Materiais em Geral no Mercado Interno. A Impugnante, quando da apresentação de sua competente defesa, esclareceu que não há que se falar na ausência de declaração em DCTF e DIPJ das receitas de revenda de material de Almoxarifado para o anocalendário de 2009, uma vez que se trata na realidade de estorno de lançamento contábil que anula crédito igualmente de mera transferência entre contas contábeis de receita, a qual não denota a existência de nova receita a ser levada a tributação. Acrescentou a este respeito, que a fiscalização tributária apenas considerou em sua análise os lançamentos a "crédito" que foram efetivados nas contas do Razão relativas à Revenda de Material de Almoxarifado para Empresa do Grupo. E, por esta razão, concluiu equivocadamente pela ausência de escrituração destas receitas. O D. Agente Fiscal, por sua vez, em seu Relatório de Diligência Fiscal afirma que na Conta Razão 31103001 foram considerados também os lançamentos a débito que foram realizados pela Impugnante, mas que mesmo assim, não identificou histórico de estorno e os lançamentos que poderiam representar transferências que somem o montante de R$2.735.831,10. E, consequentemente, entendeu por bem manter a infração fiscal imputada à Impugnante também em relação a esta rubrica. Todavia, razão não assiste à fiscalização, como será abaixo demonstrado: Primeiramente, insta esclarecer que tanto para os estornos como para as transferências realizadas pela Impugnante existem sim lançamentos "a débito" e "a crédito" no mesmo montante de valor, os quais, individualmente, acabam por anular o efeito jurídico da primeira operação realizada, justificando, assim, a não escrituração destas receitas peia Impugnante. Apesar de o D. Agente Fiscal alegar que não há histórico contábil dos estornos e Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.362 29 das transferências efetivadas pela Impugnante, de fato, os próprios lançamentos efetivados nos Livros Razão respectivos DENOTAM CLARAMENTE a existência destes lançamentos contábeis e, principalmente, que tais lançamentos não ensejaram o surgimento de receita nova a impingir a obrigatoriedade de declaração em DCTF e em DIPJ pela Impugnante. Notase inclusive que os estornos realizados pela Impugnante estão lastreados de documentação hábil a suportar tais lançamentos, como, por exemplo, pelas notas de faturamento e os seus respectivos atos de cancelamento. Para correta compreensão dos fatos ocorridos, a priori, convém esclarecer que as receitas de revenda de material de almoxarifado foram inicialmente contabilizadas na conta Razão 31303001 "a débito" consoante identificado pelo próprio D. Agente Fiscal tanto no curso da fiscalização, como em seu Relatório de Diligência Fiscal. Em momento posterior, as vendas inicialmente contabilizadas na conta 31303001 foram canceladas, como comprovam os documentos anexos (Doc. 05) e, por consequência, a Impugnante promoveu o estorno das receitas relativas a tais vendas, a fim de anular os seus efeitos contábeis e jurídicos, mediante lançamento "a crédito" na conta Razão 11201000 (contas a receber no mercado interno) ou na conta Razão 11203000 (Cliente Controlada/Coligadas Mercado Interno) A este respeito, insta salientar que um lançamento "a crédito" na conta 11201000 ou na conta 11203000 corresponde em muitas das vezes a mais de um lançamento a "débito" na conta 31303001. Entretanto, a soma de todos os lançamentos "a débito" efetivados no mesmo período na conta 31303001 totaliza exatamente o montante que foi lança Impugnante na conta 11201000 ou na conta 11203000 a título de estorno; n que pode ser aferido sem esforço, por simples operação aritmética de soma destes valores. Para ilustrar o alegado, colacionase abaixo exemplos práticos desta operação, vejamos: Por fim, acrescentese que os estornos efetivados pela Impugnante e que foram objeto de análise pela fiscalização correspondem a R$232.561,60 (duzentos e trinta e dois mil, quinhentos e sessenta e um reais e sessenta centavos) e encontramse todos descritos no Razão que segue anexo (Doc. 05). Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.363 30 Diante destas evidências, resta evidente a legitimidade do procedimento adotado pela Impugnante quanto ao estorno das vendas canceladas, não havendo que se falar que os lançamentos por ela promovidos ensejaram o surgimento de receita nova que devesse ser registrada e declarada para fins de tributação. Com efeito, o entendimento perfilhado pela fiscalização tributária em sentido contrário não deve prosperar, por clara ausência de suporte fático e legal. E melhor sorte não assiste à fiscalização em relação as transferências realizadas pela Impugnante, na medida em que para estas operações também existem lançamentos no Razão tanto a débito" como a "crédito", no mesmo montante. De forma que as transferências em questão tiveram o condão de anular os efeitos gerados pela operação inicialmente reportada no Razão pela Impugnante. A este propósito, imperioso apontar que tais transferências foram efetivadas com a finalidade de corrigir os lançamentos inicialmente realizados em conta menos especifica pela Impugnante. Como se denota dos lançamentos contábeis efetivados, os valores lançados na conta de Revenda de Material em Geral (31103001) foram transferidos pela Impugnante para, a conta Revenda de Material (31303001), a qual também é uma conta de receita operacional, todavia, mais específica que a primeira. Vejase que a transferência operacionalizada pela Impugnante não gerou a contabilização de uma nova receita, constituindose apenas de uma correção quanto ao tipo de receita operacional a que se refere o lançamento. Ora, esta correção deuse com o fim de ajustar as nomenclaturas utilizadas e os grupos de receita adotados pela Impugnante em sua contabilidade, e, portanto, este procedimento não gera a obrigação de nova declaração em DCTF ou DIPJ Até porque, todos esses valores já foram devidamente declarados em momento anterior, quando a primeira contabilização foi efetivada pela Impugnante. Para melhor evidenciar o alegado, segue abaixo espelho dos lançamentos promovidos no Razão a título destas transferências, as quais totalizam o montante de R$ 2.711. 184,65 (dois milhões, setecentos e onze mil, cento e oitenta e quatro reais e sessenta e cinco reais) (Doc. 06). Nestes termos, verificase com clareza que o procedimento adotado pela Impugnante quanto às transferências também é correto e não importou em apuração ou lançamento de nova receita a obrigar a Impugnante a promover nova declaração em DCIF ou em DIPJ. Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.364 31 Consequentemente, o item II do auto de infração e imposição de multa deve ser integralmente cancelado, por inexistir ausência de declaração em DCTF ou em DIPJ das receitas relativas à revenda de materiais de almoxarifado para o ano calendário de 2009. II.4 Das Despesas Financeiras deduzidas pela Impugnante Consoante amplamente demonstrado na impugnação Administrativa, as despesas financeiras apuradas durante o procedimento de fiscalização e que são objeto de auto de infração e imposição de multa decorrem, em sua maior parte, dos financiamentos obtidos junto ao FINAME AGRICOLA em anos anteriores a 2009 financiamentos obtidos junto ao FINAME AGRÍCOLA em anos anteriores a 2009 (Doc. 07), para fins de possibilitar a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas. O ÚNICO EMPRÉSTIMO tomado no ano de 2009 pela Impugnante foi o de R$2.364.300,02 (dois milhões, trezentos e sessenta e quatro mil, trezentos reais e dois centavos), captado junto ao Banco Rodobens. Inexistindo novos financiamentos junto ao FINA ME AGRÍCOLA e tampouco outros empréstimos. De forma que não prospera a alegação tecida pelo D. Agente Fiscal em seu Relatório Fiscal de que a Impugnante teria emprestado no mercado financeiro o montante de R$56.195.961,66, no ano calendário de 2009 e que este valor teria sido emprestado posteriormente para Parte Relacionada, a saber: Usinas Itamarati S.A. Na realidade, os lançamentos contábeis efetivados pela Impugnante nas contas 21201000, 21201001, 22201000 e 22201001 e que foram considerados pelo D. Agente Fiscal em sua análise (Anexo XI do auto de infração e imposição de multa) não apresentam registros de novos empréstimos para o ano de 2009, mas tão somente deflagram a transferência entre as contas de passivo de longo e curto prazo, bem como estornos e reversão de juros contabilizados. Todavia, o D. Agente Fiscal mais uma vez considerou apenas os lançamentos "a crédito" existentes nas contas 21201000, 21201001, 22201000 e 22201001, e, por conseguinte, CONCLUIU EQUIVOCADAMENTE QUE AS TRANSFERÊNCIAS, ESTORNOS E REVERSÃO DE JUROS EFETIVADAS PELA IMPUGNA1VTE DENOTARIAM NOVOS EMPRÉSTIMOS. OUE SOMADOS MONTAM EXATAMENTE O VALOR DE RS 56.195.961.66 IDENTIFICADO NO RELATÓRIO FISCAL Vejase que as operações realizadas pela Impugnante não geraram a contabilização de novos empréstimos no montante de R$56. 195.961,66, constituindose apenas de correção quanto ao too da conta utilizada (Doc. 08). E tanto assim o é que, para todos os lançamentos efetuados, há partidas tanto "a débito" como "a crédito", que acabam por anular o efeito jurídico da operação inicialmente realizada, como comprova o espelho do Razão das contas 21201000, 21201001, 22201000 e 22201001 que foi elaborado pelo D. Agente Fiscal e posteriormente acostado aos autos sob a rubrica de Anexo IX. Para ilustrar o alegado, colacionase abaixo exemplos práticos desta operação, vejamos: Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.365 32 Destarte, diante destas evidências não remanescem dúvidas quanto: i) à inexistência de novos empréstimos, a exceção do valor de R$2.364.300,02 (dois milhões, trezentos e sessenta e quatro mil, trezentos reais e dois centavos), captado junto ao Banco Rodobens; e (ii) que as despesas financeiras reconhecidas pela Impugnante e que foram deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2009 referemse, em sua maior parte, aos financiamentos tomados junto ao FINAME AGRÍCOLA obtido no ano de 2007 que foram utilizados pela Impugnante para a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas. Com efeito, se os empréstimos captados junto ao FINAME AGRÍCOLA pela Impugnante foram utilizados em sua maior parte para o fomento de sua própria atividade e para o pagamento de outros financiamentos anteriores, é evidente que as despesas financeiras Ouros) deles decorrentes são necessárias à consecução de seu negócio, qual seja, o plantio de canadeaçúcar e a comercialização desta. Neste mesmo sentido, o artigo 299 do RIR/99 é expresso ao definir como necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização de suas operações mercantis, vejamos: Art. 299 São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506, de 1964. art. 47, §1°). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2°) § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Consequentemente, se as despesas financeiras em questão são necessárias à Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.366 33 consecução das atividades da Impugnante legítima é a dedução destes valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e, portanto, a glosa promovida pelo D. Agente Fiscal via lançamento de oficio deve ser afastada. Uma vez esclarecido que a Impugnante não tomou empréstimos no ano calendário de 2009 no montante total de R$56.195.961,66, passemos à análise da suposta alegação tecida pelo D. Agente Fiscal de que a referida empresa teria empréstimo para a Usinas itamarati SM no importe de R$ 56. 727.869.03. Pois bem. Ao contrário do sustentado pelo D. Agente Fiscal em seu Relatório de Diligência Fiscal, a Impugnante não concedeu empréstimo no valor de R$56.727.869,03 para a Usinas Itamarati S.A (que é parte relacionada à Impugnante) no anocalendário de 2009. Na realidade, o montante de R$56. 727.869,03 referese á soma dos valores faturados em 2009 pela Impugnante para a Usinas Itamarati e que não foram pagos por esta última. Para correta compreensão dos fatos, esclareçase que inicialmente os valores faturados para a Usinas Itamarati SIA em razão da venda da canadeaçúcar foram contabilizados pela Impugnante na conta receitas de clientes, na medida em que as faturas eram mensalmente emitidas. Todavia, como a Usinas Itamarati S/A não promoveu o pagamento dos valores faturados em razão da venda da canadeaçúcar, a Impugnante promoveu a transferência dos valores faturados para Usinas Itamarati e inicialmente lançados na conta "receitas de clientes" PARA A CONTA CORRENTE DE EMPRÉSTIMO (MÚTUO) 12301000. (ex vi do Anexo IX do Auto de Infração Imposição de Multa lavrado). Exemplificando o alegado, podemos citar os lançamentos efetuados no dia 31/05/2009, "a débito", na conta 12301000 no montante de R$14.009.971.79 e no dia 30/06/2009, também "a débito" na mesma conta do Razão no valor de R$18.662.802.27, os quais correspondem exatamente aos valores faturados no período para a Usinas Itamarati e que não foram efetivamente pagos por ela para a Impugnante. Situação está que ensejou o equivocado entendimento adotado pelo D.Agente Fiscal de que estes montantes correspondem a mútuo (empréstimo) concedido pela Impugnante à Parte Relacionada, quando na realidade referemse exatamente aos valores devidos pela Usinas Itamarati S.A à Impugnante em razão da venda de cana de açúcar que foi promovida em cada um dos meses do ano calendário de 2009. Com efeito, a despeito do entendimento perfilhado pelo D. Agente Fiscal é indubitável que os valores constantes no saldo da conta de mútuo referemse efetivamente aos valores faturados para a Usinas /imanai S.A. e que não foram por ela pagas. Vejase que o D. Agente Fiscal apesar de questionar a legitimidade do procedimento adotado pela Impugnante quanto ao lançamento dos valores faturados e não pagos, não logrou êxito em demonstrar que tais montantes seriam efetivamente empréstimo, limitandose a pautar seu entendimento em meras ilações e presunções. Contudo, as presunções no âmbito do direito tributário não encontram amparo legal. Ora, os registros contábeis dos contribuintes têm presunção relativa de veracidade, servindo de prova em seu favor. Cabe ao fisco demonstrar que tais registros são inverídicos ou inconsistentes, nos termos do que preceituam os Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.367 34 artigos 923 e 924 do RIR/99 que sequem abaixo transcritos: "Art. 923 A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n. 1.598, de 1997, art. 9. Parágrafo 1°)". “ Art. 924 Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” Todavia, o D.Agente Fiscal não logrou êxito em infirmar os lançamentos contábeis promovidos pela Impugnante e tampouco em comprovar que efetivamente os montantes constantes da conta corrente de mútuo correspondem a empréstimo e não aos valores faturados e não pagos. Portanto, não deve prosperar o entendimento da fiscalização de que a Impugnante concedeu à parte relacionada empréstimo no montante de R$56.727.869,03, sendo premente o cancelamento da exigência fiscal imputada em relação à esta rubrica. Quanto à parcela do empréstimo captado junto ao Banco Rodobens no ano calendário de 2009 e que foi transferida à Usinas Itamarati S/A, insta tecer os seguintes esclarecimentos. Primeiramente insta consignar que a Impugnante e a Usinas Itamarati S/A são partes integrantes do Grupo Itamarati, como reconhecido pela própria fiscalização tributária. A Impugnante firmou em 2004 contrato de conta corrente com a Usinas Itamarati, estabelecendo a possibilidade destas empresas de se utilizarem de uma linha de crédito entre si, onde qualquer delas poderia ceder parte deste crédito quando devidamente solicitado na forma estabelecida pelo contrato. É o que denota os trechos abaixo transcritos que foram extraídos do referido instrumento contratual (Doc. 09): 1. As PARTES, por este instrumento, formalizam o CONTRATO DE CONTA CORRENTE, mediante a utilização de uma linha de crédito no valor de até R$40.000.000,00 (quarenta milhões), reconhecendo a MUTUÁRIA eventuais débitos já contabilizados pela MUTUANTE até esta data. 1.1 A liberação de quaisquer quantias pela MUTUANTE à MUTUÁRIA, em razão deste contrato, darseá mediante solicitação da MUTUÁR IA, com antecedência mínima de 05 (cinco) dias. 1.2 A solicitação de liberação de quantias deverá ser feita de acordo com a Cláusula 9 deste Contrato, e deverá estar devidamente assinada pelos representantes legais da MUTUÁRIA, obedecendo a forma e os poderes que lhe são conferidos pelo respectivo instrumento de mandato. 1.3 Qualquer atraso decorrente do fornecimento incompleto, pela MUTUÁRIA à MUTUANTE, das informações necessárias para liberação do crédito implicará no aumento do prazo de disponibilização dos recursos por quantos dias forem os dias de atraso no fornecimento completo e correto destas informações. Este contrato foi posteriormente renovado no final do ano de 2009, com as mesmas cláusulas e termos, com alteração apenas no limite da linha de crédito, que passou a ser de R$120.000.000,00 (cento e vinte milhões de reais). A causa dessas operações firmadas com base em Contrato de Conta Corrente não reside na fé que uma sociedade tem no cumprimento da promessa de devolução deste pela outra sociedade, como ocorre em uma operação de crédito. A causa que enseja a realização da referida operação é a obrigação de cooperação, com um fim útil. Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.368 35 E foi exatamente com base neste contrato, que; em 30.04.2009, a Impugnante cedeu para a Usinas Itamarati S/A parte do empréstimo que ela tomou do Banco Rodobens no importe de R$2.241.263,00 , a fim de que esta coligada pudesse honrar com suas obrigações fiscais, haja vista a grande dificuldade financeira que vem enfrentando, o que a impede, inclusive, de obter financiamento diretamente junto às instituições financeiras. O lançamento desta operação foi efetivado na conta Razão 12301000 Partes Relacionadas Usinas Itamarati que foi acostado aos autos pelo D. Agente sob a rubrica de Anexo IX. Assim a concessão deste crédito para empresa coligada pertencente a um mesmo grupo deve ser entendida como uma operação para manutenção regular de suas atividades, na medida em que a possível "quebra" da empresa coligada ou mesmo um prejuízo sofrido por aquela poderá impactar diretamente no patrimônio do grupo. OS JUROS DEVEM SER COBRADOS Por esta razão retirou de seu capital próprio e realizou o repasse (empréstimo), tudo para garantir seus interesses e manter a solidez da Guanabara Agrícola Ltda. (ora Impugnante) que teria prejuízos graves na hipótese de "quebra" da coligada, mormente considerando que a Usinas Itamarati é a maior adquirente do açúcar que ela produz. Desta forma, os recursos captados em empréstimos (Impugnante e Instituição financeira) foram, em parte, utilizados para investimentos de risco, ou seja, investimento na coligada que se encontrava na iminência de sofrer prejuízo ou “ quebrar”, situação que se concretizada causaria graves prejuízos à Impugnante ( Guanabara Agricola Ltda).Situação está que se encontra amparada pela jurisprudência , senão vejamos: “Processo 1308.000762/200151 Recurso 159.333 Acordão 110200.076 – 1ª Câmara/ 2ª Turma ordinária Sessão de 05 de novembro de 2009 Matéria IRPJ Recorrente BBV SERVIÇOS E NEGÓCIOS LTDA Recorrida 1ª TURMA DA DRJ DE SÃO PAULO Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário:1997 Ementa: IRPJ ENCARGOS FINANCEIROS DE EMPRESTIMOS DEDUTIBILIDADE. Se os recursos captados em empréstimos são utilizados regularmente em investimentos de risco, os encargos financeiros com aqueles incorridos caracterizam – se como despesas necessárias, consideradas, portanto, como dedutíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. A contrário senso, somente seriam aceitos como dedutíveis juros relativos a recursos captados em empréstimos se bem aplicados pela empresa e quando assim classificados pelos agentes fiscais, com base em critério subjetivo, que não merece prosperar. Ora, adentrar nesta seara implica evidentemente em concordarmos que a administração da empresa poderá ser efetuada pelo fisco federal, que é quem pode determinar quais as operações que a empresa pode fazer com os recursos captados para aceitar como dedutível as despesas com juros. A administração da empresa cabe aos seus administradores, sócios ou quem assumiu tal encargo, mais jamais ao Fisco. Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.369 36 Outrossim, a operação ora sob análise pode ser entendida como uma subcapitalização que, por diversas vezes, o Conselho de Contribuintes concluiu que as despesas decorrentes desta operação são dedutíveis, por inexistir regra que limite a dedutibilidade dos encargos financeiros havidos no exercício contábil. Vejamos trecho do voto proferido no acórdão n° 10196.053: "Processo n° 16327.001484/200401 Recurso n° 149.841 De Oficio e Voluntário Matéria IRRI E OUTRO EXS: DE 2000 a 2002 Acórdão n° 101 96.053 Sessão de 28 de março de 2007 Recorrentes 7" TURMA/DRJSÂO PAULO SP. I e COLGATE PALMOLIVE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. (..) No mais, as opções de financiamento utilizadas pela controlada no exterior não ferem em nada a legislação tributária, principalmente porque não temos no Brasil qualquer regra de limitação de dedutibilidade de encargos de financiamento pelo próprio sócio com relação à denominada "thin capitalization" ou subcapitalização, como ocorre no EEUU (no máximo 3 de financiamento do sócio para I de capital), ou no México (1,5 de financiamento para I de capital). Querer utilizarse do conceito da subcapitalização para limitar a dedutibilidade de encargos com empréstimo contraído da controladora no exterior, seria o mesmo que antes da legislação sobre preços de transferência, limitarse a dedutibilidade de custos na importação, sem qualquer critério legal, ou pior, glosandose integralmente o valor dos encargos. Ademais, os valores creditados ou remetidos em quitação do empréstimo têm regramento próprio quanto à sua tributação, sobre o total, sem deduções, fato que não é negado nem pela própria fiscalização. (...) Ex positis, considerando (I) a efetividade do empréstimo contraído, (2) a natureza exclusiva de condução das operações no Uruguai em razão de objetivo do vendedor, (3) a inexistência de regra jurídica especifica para limitação de dedutibilidade em casos de subcapitalização, (4) a possibilidade jurídica de uma empresa nacional contrair empréstimos de sua controladora no exterior e (5) a tributação dos encargos desse empréstimo no momento do crédito ou pagamento, voto no sentido de dar provimento ao recurso." Não obstante, o também antigo Conselho de Contribuintes, atualmente denominado, CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconhece Expressamente que os repasses efetuados para as empresas ligadas podem ter legítimo propósito negocial e que neste caso as despesas incorridas são tidas como dedutíveis. É o que denota trecho extraído do voto condutor proferido no acórdão de n° 10196.242 de 05/07/2007 que segue abaixo transcrito: (...). De fato, o repasse do empréstimo tomado no exterior pode estar embasado em legítimo propósito empresarial. Pode ser que a Recorrente tenha maiores condições de obter o empréstimo no exterior, e se ela o faz e repassa os valores obtidos a empresa ligada, em condições mais onerosas e tributando as receitas correspondentes, não há como considerar que as despesas são indedutiveis por desnecessárias. As despesas foram necessárias à obtenção das receitas tributadas", (negritos e grifos acrescidos) (Processo n° 13808.001514/200125. Acórdão 10196242). Vejase que a hipótese descrita pelo Conselho de Contribuintes para autorizar a dedutibilidade das despesas decorrentes de repasse de empréstimo à coligada amoldase exatamente ao caso concreto. Isto porque, como já apontado alhures, a transferência do empréstimo tomado pela Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.370 37 Impugnante para a Usinas Itamarati S/A apenas e tão somente se deu, em virtude desta última não ter condições de obter financiamento diretamente das instituições bancárias, por não possuir crédito no mercado em razão das dificuldades financeiras que vem enfrentando. (PROVA) Não obstante, ao contrário do alegado pelo D. Agente Fiscal em seu Relatório de Diligência Fiscal, a Usinas Itamarati promoveu sim o pagamento de juros em razão do empréstimo cedido pela Impugnante, como evidenciam os lançamentos constantes do Anexo IX do Auto de Infração e Imposição de Multa. Para melhor evidenciar o pagamento dos juros, a Impugnante colaciona abaixo exemplos desta operação: (...) O que vem a deflagrar com clareza que o repasse do empréstimo tomado pela Impugnante possui legitimo propósito empresarial, a justificar a dedução das despesas financeiras decorrentes. Nestes termos, é evidente que o procedimento adotado pela Impugnante quanto ao abatimento das despesas financeiras em questão é legítimo e encontra amparo legal e igualmente na própria jurisprudência da Corte Administrativa. Com efeito, o lançamento de oficio ora combatido também deve ser cancelado quanto a este ponto. Estas são as considerações que Impugnante deseja efetuar quanto ao Relatório de Diligência Fiscal que foi elaborado pelo D. Agente Fiscal integrante da Delegacia da Receita Federal em Cuiabá, sendo que nesta oportunidade reitera todos os demais argumentos de fato e de direito trazidos à lume em sua impugnação administrativa que foi protocolada em 22.03.2013. Após a análise das razões de impugnação, bem como das informações coletadas em diligência, a Primeira Instância administrativa julgou pela parcial procedência do recurso, exonerando a recorrente do pagamento de parte do crédito tributário lançado, conforme denota a ementa do Acórdão nº 1676.833 4ª Turma da DRJ/SPO: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO. AJUSTES NO PREÇO. EQUÍVOCO NA DATA DE VALORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DESANEAMENTO. O ajuste no valor pago com base em índice conhecido somente após a tradição da mercadoria, conforme disposição contratual, só pode ser calculado a partir do momento desse conhecimento, não havendo como ser considerado devido antes desse marco temporal. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO E DECLARAÇÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS DECORRENTES DA REVENDA DE MATERIAL DE ALMOXARIFADO PARA EMPRESA DO GRUPO E DA REVENDA DE MATERIAIS EM GERAL NO MERCADO INTERNO. Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.371 38 Não restando comprovado que os valores lançados a créditos foram estornados e/ou transferidos para outra conta de receita, anulando os créditos, mantémse a autuação dos valores encerrados a conta de resultado, mas não oferecidos à tributação. JUROS. MÚTUO. EMPRESAS LIGADAS. DESNECESSIDADE. Não são necessárias as despesas de juros oriundas de empréstimo cujos valores sejam repassados de uma forma ou de outra como mútuo a empresas ligadas. Não se pode pretender contabilizar o custo financeiro dessas operações, em respeito ao princípio da entidade, não importando a forma de contabilizar as operações, uma vez que os mútuos foram repassados sem ônus financeiro algum. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase a autuação do PIS, da COFINS e da CSLL as conclusões relativas ao lançamento do IRPJ, dada a relação de causa e efeito existente entre elas. PIS. COFINS. SUSPENSÃO RESTRITA DA TRIBUTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO NO CASO CONCRETO. Não restou comprovado o cabimento da suspensão da tributação do PIS e da COFINS, restrita à destinação específica da canadeaçúcar comercializada pelo contribuinte. Todavia não se sustentado a matéria tributável correspondente, não subsiste as autuações correlatas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado Da decisão acima, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em relação à parte em que restou vencida (ou seja, redução do saldo de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa do período – da atividade geral e rural), apenas reiterando as razões expostas na Resposta à Intimação recebida em 15/05/2015 (fls. 931/960). Por sua vez, quanto ao crédito tributário exonerado em primeira instância, a DRJ/SPO recorreu de ofício, não tendo havido requisição dos autos para apresentação de contrarrazões pela PGFN conforme Despacho de Encaminhamento de fl. 1333. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.372 39 Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa Relator Face à exoneração do crédito tributário pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). Do recurso de ofício O presente processo trata de três infrações apuradas pela Fiscalização: Infração 01 Omissão de Receitas de Vendas de Cana de Açúcar em decorrência da aplicação do índice de Açúcar Total Recuperável (ATR), publicado pela ConsecanaSP (Conselho dos Produtores de CanadeAçúcar e Álcool do Estado de São Paulo) ao final do ano safra (Anexos I, V, VII e VIII); Infração 02 Receitas Operacionais Escrituradas e não Declaradas referentes à Atividade Geral, decorrentes da Revenda de Material de Almoxarifado para Empresa do Grupo e da Revenda de Materiais em Geral no Mercado Interno (Anexos II, III, IV, VI e XIII); Infração 03 Despesas Financeiras não Necessárias em razão de pagamento de encargos financeiros de empréstimos obtidos no mercado financeiro e repassados integralmente em forma de mútuos às pessoas ligadas, sem cobrança ou reconhecimento de qualquer valor a título de juros (receita financeira), conforme Anexos IX, X e XI. Como bem relatado acima, partindo da análise de alguns pontos suscitados pela interessada, a DRJSPO converteu em diligência o julgamento da Impugnação Administrativa apresentada, fixando pontos controvertidos em relação a cada uma das infrações. As questões levantadas pela DRJ foram de precisão cirúrgica, de forma que o esclarecimento das mesmas outorgou segurança à decisão alcançada pela Turma Julgadora “a quo”, independentemente do posicionamento da autoridade fiscal. Com relação aos esclarecimentos fornecidos pela Fiscalização, destacamse alguns excertos do Auto de Infração (fls. 737/755) que denotam o entendimento utilizado pela fiscalização na autuação em relação à Infração 01, vejamos: “Os esclarecimentos solicitados foram elencados na mesma ordem das infrações imputadas. Dessa forma esta fiscalização responderá os itens um a um, conforme abaixo: I Omissão de Receita de Vendas. Este item foi desdobrado em sete subitens, enumerados de "a " a "g". (...) Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.373 40 b) Explicitar claramente qual a regra contratual e a prática efetiva com relação à comercialização de canadeaçúcar adotada pela impugnante. As regras contratuais estão todas listadas no supra citado contrato, anexo, esclarecidos no Relatório Fiscal, nos Autos de Infrações e pela própria fiscalizada. Em relação ao preço de venda da canadeaçúcar a ser pago, a regra esta prevista no item 4.1.1 ao 4.1.5, abaixo. Transposição fiel do Contrato, anexo, itens citados, que constam das intimações fiscais: (4.1.1) No cálculo do preço deverá ser considerado o "mix" de produção do anosafra do Estado de São Paulo. (4.1.2) Os preços médios praticados no Estado de São Paulo durante o anosafra, para cada um dos produtos finais a serem divulgados pelo CONSECANA SP até 10 de abril de cada ano. (4.1.3) A participação expressa em forma percentual, do custo médio da matériaprima no custo médio de cada um dos produtos, conforme disposto nos artigos 9 a 11 do Anexo II do Regulamento do CONSECANASP, e/ou circulares especificas a respeito desse assunto. (4.1.4) A quantidade de ATR (Açúcar Total Recuperável) entregue pela VENDEDORA durante a safra. (4.1.5) Ao preço assim obtido será aplicado um deságio de 6% (seis por cento) sobre valor da CONSECANA SP. (a) O deságio supra estabelecido é em decorrência da Cessão das terras que a COMPRADORA cedeu à VENDEDORA em Comodato, conforme contrato firmado entre as partes em 31 de março de 2007. (...) 2) Informações datada de 05/04/2012, Fielmente Transposta abaixo, documento acostadas nos Autos, "Informação Esclarecimentos Contribuinte I", especialmente o item "7": Não paira dúvida a esta fiscalização de que não houve ajuste no final da safra, nem complementação ou devolução, portanto, não seria possível e nem necessário solicitar novos esclarecimentos em relação data, mês e valores ajustados. Ora se a autuada não fez ajuste e tendo utilizado um ATR menor que o fixado pela ConsecanaSP, logo existe uma diferença que foi exatamente, esse procedimento que fez esta fiscalização (sic). O contribuinte encaminhou 3 (três) planilhas de apuração do faturamento, todas estão acostadas aos Autos, são elas os Anexos I Contribuinte, Anexo II Contribuinte e Anexo III Contribuinte, no Anexo I Contribuinte, a autuada demonstra nota por nota fiscal, período por período, mês a mês o valor do seu faturamento, sem a aplicação da redução de 6% que fazia jus em razão do estatuído no item 4.15 do Contrato de Compra e Venda Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.374 41 firmado com a controladora Usina Itamarati S/A, concluindo que os valores ali demonstrados são os mesmos contabilizados. Já no Anexo II Contribuinte, a autuada demonstra as mesmas informações, ou seja, nota por nota fiscal, período por período, mês a mês o valor do seu faturamento, aplicando a redução de 6% a que fazia jus face ao estatuído no item 4.15 do Contrato de Compra e Venda firmado com a controladora Usina Itamarati S/A, concluindo pela comparação entre os valores do faturamento apurados com a redução foram sempre inferiores aos valores contabilizados. Enquanto na terceira planilha, Anexo III Contribuinte, também acostadas nos Autos, nela a autuada informa o controle da entrada ou entrega de cana de açúcar, mostrando as mesmas informações constantes dos Anexos I e II Contribuinte, sobre a ótica da compradora, a controladora. Não pode haver dúvida de que os valores de produção constantes dos três Anexos listados e acostados, e os valores contabilizados representam o faturamento da autuada, sobre a sua ótica. No entanto, por ter a autuada optado pelo sistema da ConsecanaSP, deve fazer o ajuste da produção entregue, com base no ATR divulgado pela ConsecanaSP em seu Site, em abril de cada, nos termos dos item 4.1.1 a 4.15, do contrato, anexo firmado entre a fiscalizada e a sua controladora Usina Itamarati S/A. Diante desses fatos narrados, a fiscalização buscou, inclusive por orientação da autuada, conforme abaixo, no Site da Entidade, a tabela com os valores divulgados até abril do ano safra, também acostado aos Autos e mais uma vez anexos. (...) 3) Informações Prestadas pela Autuada em 21/06/2012 – Acostadas Informações Prestadas Contribuinte II (...) Por tratarse de informações públicas e nacionais, conforme esclarece a autuada, esta fiscalização, baixou do Site da Consecana SP, a tabela divulgada em abril de 2010, para ajuste da safra de 2009. Essa tabela esta acostada nos Autos, sob a denominação de "Tabela de ATR Publicação ConsecanaSP", nela esta estampada que o ATR médio da safra de 2009/2010 é 0,3492. Esta fiscalização com base nessa informação, garantindo ao direito da autuada da dedução de 6% a título de compensação pelo uso da terra da compradora, nos termos do Item 4.15 do Contrato de Compra e Venda firmado entre a fiscalizada e a firma Usina Itamarati S/A, realizou o recalculo do faturamento da autuada, utilizando as mesmas informações prestada pela fiscalizadas constantes dos Anexos I, II e III Contribuinte, acostados aos Autos, agora com ATR Médio de abril de 2010 divulgado pela ConsecanaSP, devidamente Ajustado com dedução de 6%, conforme já esclarecido. Dessa forma foi elaborado o Anexo VII Demonstrativo do Faturamento canadeaçúcar, com a ATP ajustado com a redução de 6% (passou de 0,3492 para 0,3282 ainda foi elaborado por esta fiscalização o Anexo V, Demonstrativo do Valor do ART, nele está demonstrado o ajuste do ATR e a Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.375 42 diferença que corresponde à omissão de receita), nele está demonstrado, nota por nota fiscal, período de emissão por período de emissão, mês a mês, utilizando todas as informações de produção prestada e demonstrada pela autuada nos Anexos I, II e III Contribuinte já discorridos, os valores do faturamento mensal apurado. Esse valor foi comparado com o valor do faturamento contabilizado e demonstrado no Razão, acostado aos Autos Anexo I Razão da Conta de Receita Operacional, os valores contabilizados também constam dos Balancetes Mensais do Razão Acostados aos Autos. (...) f) Em que momento deveria ser oferecido o excedente de receita, decorrente do ajuste se o preço devido com base no ATR médio final, disponibilizado em abril de 2010? As legislações comerciais e tributárias contemplam o princípio da competência como regra para reconhecer as receitas e despesas e as exceções não se enquadram ao caso. Deveria ser oferecida a tributação no momento da sua realização ou na data que se conheceu o índice real, através de ajustes. Dessa forma as receitas pertencem ao exercício em que elas foram realizadas. Entende por exercício ou momento da realização, tratandose de transações envolvendo bens móveis que é o caso, a realização deve ocorrer no momento da tradição, ou seja, no momento da entrega do bem. Ao contrário disso é omitir ou postergar receita e distorcer o resultado do exercício. (...)” (grifos aditados) Pois bem. Dos excertos acima, constatase o seguinte: (i) a fiscalização reconhece que deve fazer o ajuste da produção entregue, com base no ATR divulgado pela ConsecanaSP em seu site, em abril de cada ano; (ii) a autoridade fez o levantamento do valor excedente (omitido) em relação ao valor ajustado em todos os meses do anocalendário 2009, com o ATR médio divulgado pela ConsecanaSP em abril de 2010; (iii) a autoridade fiscal reputa que o momento da realização das receitas e despesas em questão coincide com o momento da tradição. Destarte, resta claro que para a quantificação da obrigação tributária correspondente ao período apurado (2009), a fiscalização levou em conta os preços da cana de açúcar a partir de um índice (Açúcar Total Recuperável – ATR) que foi publicado no ano seguinte (2010). Disso, temse que, para a fixação do critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária, a fiscalização utilizou um critério inexistente à época do período de apuração (2009). Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.376 43 Neste ponto, a DRJSPO é precisa ao afirmar que, se no anocalendário 2009 ainda não existia um índice a ser utilizado, não seria possível cobrar, a não ser de forma provisória estimada. A decisão recorrida esclarece que: “(...)os ajustes não poderiam ter sido imputados em momento anterior ao da apuração dos índices necessários para tanto, na forma contratada, valendo, para a data da tradição, os índices provisórios existentes, à ocasião. Mas o acerto vale para e no momento futuro, se houver causa para tanto”. (fl. 44, do Acórdão nº 1676.833DRJ/SPO; fl. 1263 do e processo) Ora, sabese que a base de cálculo guarda íntima relação com a hipótese de incidência, podendo confirmála, ou mesmo, infirmála. Isto porque a base de cálculo (localizada no consequente da norma tributária), juntamente com a alíquota, quantifica a obrigação tributária. Esta obrigação (formada no consequente da norma), por óbvio, deve guardar conformidade, e não apresentar quaisquer incoerências, com o antecedente da norma tributária. Assim, o crédito tributário deve guardar em si o “DNA” do fato jurídico que lhe deu origem, ou seja, a partir da quantidade de grandeza tributável serão revelados os critérios materiais, espaciais e temporais que lhe deram origem, não podendo haver qualquer incoerência entre estes. Logo, se na quantificação da obrigação tributária estão presentes índices inexistentes em um determinado período, então, podese concluir que aquele crédito tributário cobrado não diz respeito àquele período. In casu, ao quantificar o crédito tributário, a autoridade fiscal utilizou um índice inexistente no período fiscalizado gerando, a partir disso, uma diferença de valores que causou a autuação por omissão de receitas. No entanto, devese ter claro que o índice utilizado pela autoridade fiscal, por não ter relação com o período apurado, não poderia ser cobrado neste procedimento fiscal. A base de cálculo não reflete um critério pertinente ao anocalendário 2009, mas sim ao ano calendário 2010, quando foi publicado o índice ATR utilizado para a formação dos preços que quantificaram a base tributável distinta da declarada. Sendo assim, o crédito tributário cobrado, da forma como quantificado, referese a uma obrigação tributária do anocalendário 2010, e não do anocalendário 2009, sendo, portanto, correta a decisão recorrida quanto à parte exonerada. Conforme o exposto acima, não carece de reparos a decisão recorrida quanto a exoneração de pagamento do crédito tributário relativo à omissão de receita. Do recurso voluntário Por preencher os requisitos de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Feitas estas considerações relativas ao Recurso de Ofício, e sendo certo que todas as razões postas pela interessada à apreciação deste Conselho por meio do Recurso Voluntário já foram apreciadas e julgadas, com acerto, pela Primeira Instância Administrativa, Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.377 44 adoto as razões de decidir da DRJ, nos termos do §3, do art. 57 do RICARF, conforme transcrição abaixo: OMISSÃO DE RECEITAS.TRIBUTAÇÃO. AJUSTES NO PREÇO. EQUÍVOCO NA DATA DE VALORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SANEAMENTO. 6. A autuação tem como uma de suas razões o fato de a Impugnante ter celebrado contrato com a empresa que cedeu a fazenda na qual se explora canade açúcar, o qual não foi cumprido em seus estritos termos. 7. A Cláusula Quarta do contrato estipula o seguinte a respeito do preço e condições de pagamento: 8. A alegação da Impugnante de que não teria havido favorecimento não foi comprovada. E o contrato não foi cumprido pelas partes, no tocante aos ajustes nele previstos, sem motivação comercial que justificasse. 9. Por outro lado, é veraz o argumento de que a Fiscalização determinou a data de ocorrência do Fato Imponível, ou sua valoração, em momento equivocado, deixando de imputar a liquidez e a certeza necessárias para os valores lançados, o que não restou corrigido mesmo após a diligência. Se inexiste um índice, a Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.378 45 ser utilizado, não é possível cobrar, a não ser de forma provisória estimada, sujeitandose as partes a ajustes quando determinado o índice em momento futuro. 10. Ou seja, os ajustes não poderiam ter sido imputados em momento anterior ao da apuração dos índices necessários para tanto, na forma contratada, valendo, para a data da tradição, os índices provisórios existentes, à ocasião. Mas o acerto vale para e no momento futuro, se houver causa para tanto. 11. Sobre a questão, cabe invocar o disposto no art. 9º da Lei 9.718/1998 e art. 375 do RIR/1999: Lei nº 9.718/1998: Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. Decreto nº 3.000/1999: Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º). (destaque da transcrição) 12. Ou seja, os eventuais ganhos, deveriam ter sido tratados como receitas financeiras e tributadas no momento de seu auferimento, quando da aplicação do índice da Consecana. 13. Não ocorreu simples erro de cálculo, mas aviltamento à higidez necessária do crédito tributário lançado, nesse item. A regra matriz de incidência possui diversos aspectos e, no presente caso, necessitaria maiores correções. 14. Em sendo o interesse público prejudicado, cabe a firmeza no sentido de possíbilitar ajustes, dentro do prazo decadencial e respeitando o direito à ampla defesa, no âmbito do Processo Administrativo Tributário, sem deixar espaço à inovações, na outra mão. 15. Correto o contribuinte quanto à data da apropriação do ganho decorrente da aplicação do índice médio, que deveria ter sido em abril. Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.379 46 16. Não é cabível, por essas razões, o lançamento, na parcela que cuidaria da incorreta determinação do preço da canadeaçúcar. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO E DECLARAÇÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS DECORRENTES DA REVENDA DE MATERIAL DE ALMOXARIFADO PARA EMPRESA DO GRUPO E DA REVENDA DE MATERIAIS EM GERAL NO MERCADO INTERNO. 17. A Impugnante argúi que não teria ocorrido em ausência de declaração em DCTF e DIPJ das receitas de revenda de material de Almoxarifado para o anocalendário de 2009, mas sim estorno de lançamento que anula o crédito e igualmente de mera transferência entre contas contábeis de receita, a qual não denotaria a existência de nova receita a ser levada à tributação. 18. O Auditor Fiscal responsável pelo lançamento, assim se posiciona sobre as questões levantadas na diligência promovida: II Receitas Operacionais Escrituradas e não declaradas. O contribuinte alega que parte dos valores lançados na conta 311030001 teriam sido estornados ou transferidos para outra conta de receita operacional (31303001), não configurando omissão de receita (vide demonstrativos de fls. 487/492). Confirmar essa informação pela análise da escrituração e documentação de suporte. Se a resposta for favorável ao Impugnante recalcular os valores mantidos e exonerados, justificando, por meio da elaboração de relatório conclusivo. As Receitas Operacionais Escrituradas e não Declaradas foram demonstradas no Anexo II, acostado aos Autos, qual seja o Razão da Conta 311030001. A alegação de que esse valor teria sido estornado ou transferido para outra conta é facilmente comprovadas pela escrita contábil, conta do razão com todas as partidas e contrapartidas. Foi acostado de fato aos autos, por esta fiscalização, no tocante à Conta 311030001, somente os créditos que comprovam as receitas. Neste momento acostamos, a referida conta do razão, as partidas a créditos e as contrapartidas a débito, onde pode ser verificado, que não prosperam as alegações da autuada, de que os valores a créditos foram estornados e/ou transferidos para outra conta de receita anulando os créditos. Não há histórico de estorno e os lançamentos que podem representar transferências soma, conforme resumo a importância de apenas R$2.735.831,10 entre os meses de junho a dezembro, e ao final de exercício o saldo acumulado da conta de receita, na importância de R$4.288.602,29 foi encerrado contra a conta de resultado, no entanto, não foram oferecido à tributação, conforme ficou demonstrado, no Auto de Infração e no Relatório Fiscal. (destaque da transcrição) 19. Ou seja, em que pese a aparente lógica da alegação apresentada pela Impugnante, esta não se sustenta frente à análise promovida pela Fiscalização. Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.380 47 20. Deve permanecer a autuação, nesse tópico. JUROS. MÚTUO. EMPRESAS LIGADAS. DESNECESSIDADE. 21. Frente a afirmativa de que os juros devidos nas operações de empréstimo seriam desnecessários, pois seriam repassados a empresas ligadas, pretende a Impugnante demonstrar que não seria esse o seu caso. 22. A lógica apresentada para lastrear a contabilização é mais confusa do que a acusação denota à primeira vista, mas não modifica a razão de ser da autuação, nesse item. 23. Ora, uma empresa que empresta milhões e milhões de reais (não importa de inicialmente a entrega se deu na forma de matériaprima, canadeaçúcar) a uma empresa ligada, não pode deixar de se lembrar que deve tributar as operações com cuidados e esmero especiais, pois não é essa sua atividade fim, nem a determinação dos juros isenta, por motivos óbvios. Afirmar que a canadeaçúcar entregue pela empresa ligada se transforma em mútuo, como se fosse usual tal operação e que se assim não fosse ocorreria a falência da outra empresa, não afasta a necessidade de tributar a operação corretamente. Alegouse que efetuouse os valores da conta de receita (venda canadeaçúcar), para conta de mútuo da empresa ligada. 24. A ação de excluir os valores da conta de receita é incorreto, pois os exclui de regular tributação, uma vez que não receber o pagamento da parceira comercial não significa que haveria o direito de não os tributar. A escrituração teria que se dar de outra forma. 25. Todavia, a narrativa da Impugnante evidencia que há uma ausência de tributação dos juros relativos a essas operações, por parte da Impugnante. 26. Assim, manifestouse a Autoridade Administrativa Fiscal, em sede de diligência solicitada: III Despesas Financeiras não Necessárias A conta autuada é conta representativa de mútuo com coligadas? Os valores constantes dessa conta contábil são relativos a mercadorias faturadas que já teriam que ter sido pagas, estando vencidas? Como e quando foram liquidados esses valores? Houve intervalo significativo entre sua escrituração e a efetiva liquidação, ou este período é meramente decorrente de questões operacionais para se providenciar a liquidação? Justificar. Nos autos de infrações, nas intimações fiscais e relatório fiscal todos integrantes dos Autos estão bastante claro que a conta autuada é de mútuos entre pessoas ligadas. As tentativas de justificativas da contribuinte não têm nenhuma guarida na escrita contábil, a não ser se desprezar os registros contábeis utilizado para por ela para controlar o patrimônio e apurar o resultado e tomar como lastros para os registros as ilações da autuada. Senão, vejamos o Anexo IX Razão da Conta Empréstimos Partes Relacionadas, inclusive com históricos, onde se verifica os suprimentos da controlada através de empréstimos, nele não se Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.381 48 vislumbra, adiantamentos ou negócios operacionais, entre as pessoas ligadas. Não se registra contabilmente negócios usuais entre pessoas ligadas no Ativo Realizável a longo prazo. As baixas dos mútuos, através de créditos na conta Parte Relacionadas, conforme Razão da Conta em anexo, equivalente às liquidações dos mútuos, nele estão identificados, como em qualquer em qualquer escrita contábil, pelos créditos na supra citada conta, conforme históricos se vê pagamentos de despesas, pagamentos de obrigações, pagamentos juros, baixa de empréstimos, transferências financeiras via rede bancária, transferências entre contas, etc. Anexo, aos Autos, a Conta do Razão 12301 Partes Relacionadas, Controladas, Coligadas e Associadas, exatamente igual aos Balancetes do Razão apresentados, inclusive assinados pela autuada, onde fica claro o movimento de mútuos. Carece de qualquer lógica as ilações da autuada no sentido de que os registros a débitos na Conta 12301 – Partes Relacionadas são decorrentes de encontros de contas de pessoas ligadas. Ora, ao realizar uma venda a autuada contabiliza em conta a receber/cliente, ou seja, faz um débito na conta Cliente e um crédito na conta de receita, a primeira é conta patrimonial e a segunda conta de resultado. No recebimento de uma venda, se faz a baixa na conta cliente, creditando e, tendo como contrapartida da uma entrada no caixa ou banco, debitando. É inimaginável que alguém faz uma venda, ao invés de receber o direito da venda, faz uma transferência financeira ao devedor, não é possível de aceitar esse argumento. Não é compreensível o credor de mercadoria fazer adiantamento ao devedor, ao contrário é verdadeiro. Esse fato esta comprovado no Anexo IX Razão da Conta Empréstimos Partes Relacionadas e na Conta do Razão Partes Relacionadas, neste foram segregadas apenas os movimentos a créditos, correspondentes às baixas dos mútuos, ambos acostado aos Autos. As despesas financeiras não necessárias, embora já devidamente demonstradas, Anexo IX Empréstimos Concedidos, Anexo X Empréstimos Obtidos no Mercado Financeiros e Anexo XII Demonstrativo das Despesas não Necessárias, no auto de infração e no relatório fiscal, ainda esclareço, conforme Razão das contas Capital de Giro n°.22201000, Finame Curto Prazo n°. 21201001 e Finame Longo Prazo n°. 22201001, a autuada tomou no mercado financeiro, a título de empréstimos ( Capital de Giro, Finame Curto Prazo e Finame Longo Prazo), o valor de R$56.195.961,66, por outro lado, a contribuinte concedeu no mesmo ano calendário, a título de empréstimos a suas partes relacionadas, o valor de R$56.727.869,03, ou seja , todo o valor emprestado foi repassado as suas partes relacionadas, a custo zero, pois não houve cobrança de juros. Destarte, os empréstimos obtidos no mercado financeiro geraram uma despesa financeira, conforme Razão da Conta n°. 46103 Despesas Financeiras Passivas, no valor de R$18.889.064,62, no entanto, depois de segregadas as despesas apenas com juros, conforme demonstrado no anexo XI Razão Juros Sobre Financiamentos/Despesas Financeiras, somou a importância de R$5.214.847,24, esse valor é que foi considerado despesas financeiras não necessárias. O cálculo das Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.382 49 despesas financeiras não necessárias, este demonstrativo no Anexo XII – Demonstrativo das Despesas Financeiras não Necessárias. Por fim, acredito não ser necessário justificar os procedimentos, nem responder pontualmente as perguntas formuladas, uma vez que as infrações foram apuradas com base nas informações contábeis da autuada que estão devidamente comprovadas nos Autos e complementadas na diligência. Segue, anexo, em complemento aos Anexos constantes dos Autos, o Razão da Conta n°. 22201000 Capital de Giro ( LP), n°. 22201001 Finame (LP), 21201001 Finame (CP), onde fica evidente o volume de financiamentos obtidos que foram repassados e que geraram as despesas financeiras não necessárias às atividades da autuadas, portanto, glosadas. (destaques da transcrição) Pelos fatos contabilizados trazidos pela Fiscalização, fica evidente o pareamento entre os valores totais emprestados e tomados, e do outro lado outro lado, a não sustentação dos argumentos da Impugnante. Não houve comprovação de que ocorreu cobrança e consequente oferecimento de juros à tributação relativamente aos mútuos da Impugnante para com a empresa ligada. Por essas razões, mantémse a autuação que considera desnecessária a despesa com juros sobre empréstimos tomados e de uma forma ou de outra repassados à empresa ligada. PIS. COFINS. SUSPENSÃO RESTRITA DA TRIBUTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO NO CASO CONCRETO, DO DIREITO. No que se refere à afirmação da suposta suspensão da cobrança do PIS e do COFINS relativamente às operações da Impugnante, a Fiscalização, inquirida, vem afirmar que a norma invocada não tinha, à época dos fatos, alcance necessário para proteger a empresa dos tributos devidos, posto que era restrita quando da destinação do canadeaçúcar para pessoa jurídica produtora de álcool, inclusive para fins carburantes. A Impugnante não foi capaz de comprovar que as operações tributadas atendiam a essa condição no período autuado, não merecendo, pois, prosperar as argüições de defesa no que tange o PIS e a COFINS. No tocante ao assunto, a Autoridade Administrativa Fiscal Diligenciante assim se manifestou: A única noticia que se tem da destinação da produção, esta no documento denominado Mapa de Custo de Produção, Anexo a esta informação, na qual consta uma planilha nominada “Plano da Safra 2009/2010", em que se projeta a destinação da canadeaçúcar para produção de álcool e açúcar. Ou seja, em sendo indeterminada a destinação da canadeaçúcar apenas na forma inicialmente incentivada na norma, não é cabível o gozo do benefício fiscal na situação em apreço. Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.383 50 Conclusão Diante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício e voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa Voto Vencedor Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado Acompanho integralmente o Relator, quanto à decisão relativa ao Recurso de Ofício. No tocante ao Recurso Voluntário, todavia, peço vênia para divergir, pelas razões a seguir expostas: INFRAÇÃO 2: AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE RECEITAS Parte da autuação fiscal se refere a suposta ausência de declaração por parte do sujeito passivo de receitas operacionais provenientes de "Revenda de Material de Almoxarifado para empresa do Grupo" e de "Revenda de Material em Geral no Mercado Interno", infração descrita no Relatório Fiscal de fls. 32 a 40, nos seguintes termos: A Recorrente sustenta a inexistência de qualquer ausência de declaração, uma vez que os lançamentos contábeis apontados pela Fiscalização decorreriam de estornos ou transferências entre contas, não representando a apuração de novas receitas. Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.384 51 Das transferências entre contas Em primeiro lugar, a alegação é que, para parte dos lançamentos a crédito da conta contábil 31303001 que compuseram a autuação, existiriam lançamentos a débito de mesmo montante, que anulariam os primeiros e que não teriam sido considerados pela autoridade fiscal. Segundo a Recorrente, dos valores lançados na conta 31103001 Revenda de Material em Geral, R$ 2.711.184,56 teriam sido transferidos para a conta 31303001 Revenda de Material de Almoxarifado, por ser esta mais específica. O equívoco decorreria do fato, que, inclusive, teria sido reconhecido pela autoridade fiscal, de terse considerado apenas os lançamentos a crédito das referidas contas contábeis, sem atentar para os lançamentos realizados a débito. De fato, a análise dos Anexos II (fls. 47 a 70) e III (fls. 71 a 88) do Relatório Fiscal revela que para se chegar ao valor que teria sido auferido pelo sujeito passivo, a título de receita correspondente as duas cotas contábeis referidas, o responsável pelo procedimento fiscal se limitou a somar os lançamentos a crédito registrados em tais contas. Tal fato é explicitado, ainda, no ANEXOS VI (fl. 94), VIA (fl. 95), VIIIB (fl. 104), VIIIC (fl. 105) e VIIIE (fl. 107). Os Balancetes Analíticos do sujeito passivo (fls. 242, 283, 293 e 303) corroboram os valores de receita por ele reconhecidos, em relação aos meses de junho, outubro, novembro e dezembro de 2009. Do mesmo modo, o Razão da conta 31303001 de fls. 796 e 797, juntado aos autos por ocasião da Diligência Fiscal, registra as transferências provenientes da conta 31103001, nos montantes alegados e o saldo final reconhecido pelo sujeito passivo: Fica, assim, evidenciado o equívoco cometido na constituição do crédito tributário, que desconsiderou as transferências de valores entre as referidas contas contábeis, no montante de R$ 2.711.184,65. Dos estornos por cancelamento de vendas A Recorrente aponta, ainda, que a autoridade fiscal desconsiderou os estornos por cancelamento de vendas registradas nas contas contábeis 31303001 Revenda Material Almox. p/emp. Grupo e 31103001 Revenda de Material em Geral, no total de R$ 232.561,60. Na Diligência realizada, a autoridade fiscal afirma inexistir "histórico de estorno" na conta contábil 31303001 que respalde a alegação da Recorrente. Deixa de tratar, porém, dos lançamentos a débito apontados pela Recorrente e que, apesar de não possuírem em seu histórico referência a estornos, correspondem a anulação Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.385 52 de registros de direitos na Conta 1120100 Contas a Receber Mercado Interno (CP) e 11203000 Clientes Controladas/Coligadas Mercado Interno (CP), as mesmas que eram debitadas por ocasião do registro das vendas, conforme se constata nos lançamentos a seguir, extraídos do Razão de fls. 771 a 797 juntado pela própria autoridade responsável pela Diligência. Os lançamentos acima totalizam R$ 69.381,98, e encontram correspondência nos totais registrados nos balancetes de fls. 223, 232 e 242. Ocorre que, segundo alegado pelo sujeito passivo, há outros lançamentos semelhantes, no montante de R$ 163.179,62, a débito da conta contábil 31103001 (cujo Razão deixou de ser juntado na Diligência realizada), e discriminados pelo sujeito passivo à fl. 1.069 e igualmente com correspondência nos balancetes de fls. 252, 263, 283 e 302. Deste modo, entendo comprovada a íntegra dos estornos alegados, no montante de R$ 232.561,60, que, somados ao total de transferências anteriormente comprovadas, perfazem o somatório de R$ 2.934.746,25, reputado pela autoridade fiscal como receitas não declaradas. Comprovada, portanto, a improcedência da acusação, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, quanto a este ponto. Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.386 53 INFRAÇÃO 3: DESPESAS FINANCEIRAS NÃO NECESSÁRIAS Outra parte do lançamento se refere à adição de despesas financeiras reputadas desnecessárias. A descrição no Relatório Fiscal (fls. 32 a 40) é realizada do seguinte modo: Os Anexos a que se refere o referido Relatório são assim identificados (com o registro do evidente erro no título do último Anexo que é XII, em lugar de XI): Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.387 54 A Recorrente contesta, contudo, as alegações, com base nos seguintes argumentos: a) os montantes de empréstimos existentes em sua contabilidade se referem a anos anteriores, e dizem respeito a financiamentos do tipo FINAME, para a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas; b) não realizou financiamentos no ano de 2009, no montante apontado na autuação fiscal, mas apenas R$ 2.364.300,02, para capital de giro e pagamento das parcelas do FINAME; c) os valores lançados a título de mútuo são baixas de faturas de venda de cana, indevidamente contabilizadas na referida conta; d) sempre foi devedora de sua cliente associada e os passivos foram destinados para futuro aumento de capital. Aponta equívocos na apuração realizada, nos seguintes termos: A Diligência realizada corroborou as informações constantes do Relatório Fiscal, conforme fls. 748 a 750, de modo que o Acórdão recorrido manteve o lançamento. Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.388 55 Dos supostos empréstimos contraídos O exame do ANEXO X ao Relatório fiscal (fls. 119 a 134) revela que, de fato, para chegar ao valor apontado como empréstimos contraídos pela Recorrente, no ano de 2009, a autoridade fiscal considerou apenas parte dos lançamentos realizados nas contas contábeis 21201001 FINAME (CP), 21201000 Capital de Giro (CP), 22201001 FINAME (LP) e 22201000 Capital de Giro (LP) (neste caso, apenas os lançamentos a crédito). Os Razões das referidas contas juntados por ocasião da Diligência (fls. 798 a 805 e 917) repete o mesmo equívoco. Tal fato foi constatado pela Recorrente, que o apontou na manifestação quanto às conclusões da Diligência (fls. 949 a 960), em que consignou: (...) Assim, a Recorrente alega que estaria comprovada a inexistência de novos empréstimos no ano de 2009, no montante apontado, e, ainda, que os empréstimos constantes em sua contabilidade se referiam a anos anteriores e estavam vinculados à sua atividade produtiva, de modo que o pagamento de juros a eles relativos seriam plenamente necessários e, portanto, dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Os documentos juntados às fls. 1.075 a 1.196 comprova os empréstimos FINAME contraídos pela Recorrente, no ano de 2007. Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.389 56 A observação do Razão da conta 21201001 FINAME (CP), à fls. 798 a 802, revela um saldo inicial de R$ 2.610.744,81 e um saldo final de R$ 143.666,33, apesar dos créditos totais de R$ 26.071.946,93. Do mesmo modo, a observação do Razão da conta 22201001 FINAME (LP), à fls. 803 a 805, revela um saldo inicial de R$ 8.518.837,20 e um saldo final de R$ 8.518.837,20, apesar dos créditos totais de R$ 22.591.778,28. Além disso, nos referidos Razões, constatase a existência de lançamentos de transferências entre as referidas contas, como alegado pela Recorrente: Ademais, o histórico dos lançamentos revela explicitamente que, em sua maioria, não se referem a novos empréstimos, mas à apropriação de juros e provisão de juros. Já o Razão da Conta 22201000 Capital de Giro (LP), de fl. 917, revela um lançamento de captação de empréstimo, no montante de R$ 2.890.795,22, e demais lançamentos relativos a estornos, todos no valor de R$ 67.227,80, indicativo de se referirem a juros, como sustentado pela Recorrente. Por todo o exposto, é evidente o equívoco cometido pela autoridade fiscal na apuração do montante que teria sido captado a título de empréstimos e verossímil a justificativa apresentada pelo sujeito passivo. Dos empréstimos à Usinas Itamaraty Quanto ao valor de R$ 56.727.869,03, segundo a Recorrente, não corresponderia a empréstimos a pessoa ligada, mas a registro de valores faturados para a Usinas Itamaraty e não pagos. Esclarece, quanto a este ponto: Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.390 57 A observação do referido Anexo IX (fls. 108 a 118) corrobora apenas em parte a justificativa apresentada pela Recorrente. Há vários lançamentos com histórico "ENC. CONTAS CLIENTE 2894 / FORNECEDOR 3000772", compatível com a transferência a que ela se refere. Há, contudo, vários lançamentos onde o histórico se refere explicitamente a empréstimos. Mais uma vez, porém, a autoridade fiscal apresentou o Razão apenas com parte dos lançamentos (desta vez, apenas os débitos), de modo que a análise mais completa fica prejudicada. É possível, entretanto, observar lançamentos a débito da conta de ativo 12301000 Part. Relac. Usinas Itamaraty S/A (LP) relativos a juros, o que vai de encontro à tese da autoridade fiscal de que a Recorrente não exigia juros das pessoas jurídicas ligadas. O embasamento do Fisco é que não há registro de receitas financeiras. Em justificativa apresentada no curso da Diligência determinada pela DRJ (fls. 909), a Recorrente detalha o funcionamento do sistema de contacorrente mantido com tais pessoas jurídicas: O demonstrativo a que se refere o sujeito passivo se encontra à fl. 915, onde são apontados relacionamentos com diversas pessoas ligadas. De todo o exposto, é possível corroborar a decisão recorrida apenas em relação à constatação de impropriedade por parte da Recorrente de, segundo sua justificativa, transferir a crédito de conta de Ativo, os valores de receitas não quitadas por pessoas jurídicas ligadas. Ora tal operação anula a receita e o crédito da Recorrente, fazendo com que tais ingressos sejam subtraídos da tributação. Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 10183.720913/201321 Acórdão n.º 1302003.208 S1C3T2 Fl. 1.391 58 Tal constatação, porém, deveria ter ensejado por parte da autoridade fiscal o lançamento com base na omissão de receitas, o que não ocorreu. Quanto à acusação fiscal, de desnecessidade das despesas com juros entendo não restar demonstrada. Para provar tal fato, a autoridade fiscal deveria ter comprovado que os juros dos empréstimos contraídos (observese que ela nem mesmo provou tais empréstimos) seriam superiores aos juros dos mútuos realizados às pessoas ligadas. O que não ficou demonstrado nos autos. Deste modo, entendo improcedente o lançamento também quanto a este tópico, de modo que voto por dar PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário, para cancelar integralmente o crédito tributário. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 1391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002980/2009-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-007.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10930.002980/2009-84
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5958957
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.457
nome_arquivo_s : Decisao_10930002980200984.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10930002980200984_5958957.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7595502
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416740757504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10930.002980/200984 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.457 – 2ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTUNI PEREIRA DE ABREU ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 29 80 /2 00 9- 84 Fl. 172DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2102000.097, proferido pela 2ª Turma / 1ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito tributário de R$ 6.706,99 a título de Imposto Suplementar, R$ 5.030,24 de Multa de Ofício (75%) e acréscimos legais correspondentes, proveniente da revisão da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física anoexercício 2007 (DIRPF 2007), com fulcro na omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva percebidos do INSS, conquistados em decorrência do comando judicial exarado no processo judicial nº 200370010005710, proposto na Justiça Federal em Londrina, que importaram em R$ 40.577,98. A autoridade lançadora considerou como compensação devida na apuração do mencionado imposto, e não declarada pelo Impugnante, o valor de R$ 1.217,34 de Imposto de Renda Retido (IRRF). O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 23/26. A DRJ/SDR, às fls. 67/70, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 72/92. Em 17/10/2010 aquela Turma do CARF resolveu, considerando o reconhecimento pelo STF de existência de repercussão geral da matéria consoante Tema 128, sobrestar o julgamento nos termos do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF então vigente. Com a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A daquele Regimento Interno pela Portaria Ministério da Fazenda nº 545/2013, sem respaldo quedou o sobrestamento do feito, que foi redistribuído a este Conselheiro. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 115/125, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para fins de cancelar a exigência. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10930.002980/200984 Acórdão n.º 9202007.457 CSRFT2 Fl. 10 3 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS. A dedução de honorários advocatícios do total de rendimentos recebidos em virtude de ação judicial requer não só a comprovação do pagamento, mas também a juntada de documentos que possibilitem estabelecer o vínculo entre esse pagamento e ação judicial que levou à percepção do rendimento. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Às fls. 127/138, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: IRPF – Rendimentos recebidos acumuladamente – forma de tributação. A Câmara a quo, no acórdão recorrido, expressou entendimento segundo o qual a exigência deve ser cancelada, pois entende que o imposto de renda deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406. De outro lado, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nos paradigmas, entendem que deve haver a aplicação das tabelas e alíquotas vigentes à época do adimplemento, ou seja, a exigência deve ser recalculada. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 142/146, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: IRPF Ajuste/omissão de rendimentos Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA): regime de caixa versus regime de competência. Cientificado à fl. 151, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 154/164, fundamentando, no mérito, os argumentos trazidos anteriormente e pela decisão recorrida. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito tributário de R$ 6.706,99 a título de Imposto Suplementar, R$ 5.030,24 de Multa de Ofício (75%) e acréscimos legais correspondentes, proveniente da revisão da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física anoexercício 2007 (DIRPF 2007), com fulcro na omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva percebidos do INSS, conquistados em decorrência do comando judicial exarado no processo judicial nº 200370010005710, proposto na Justiça Federal em Londrina, que importaram em R$ 40.577,98. A autoridade lançadora considerou como compensação devida na apuração do mencionado imposto, e não declarada pelo Impugnante, o valor de R$ 1.217,34 de Imposto de Renda Retido (IRRF). O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: IRPF Ajuste/omissão de rendimentos Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA): regime de caixa versus regime de competência. Na decisão recorrida, deuse provimento ao recurso do Contribuinte, para cancelar o lançamento, devido à impossibilidade de refazimento do lançamento na atual fase processual. Da análise do tema, observo que não assiste razão a Fazenda Nacional, pois o referido lançamento não pode prosperar. Isso porque o art. 12 da Lei nº 7.713/88 teve sua constitucionalidade afastada. O referido dispositivo legal que era utilizado para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido, teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nª 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da Repercussão Geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, vejamos: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10930.002980/200984 Acórdão n.º 9202007.457 CSRFT2 Fl. 11 5 De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica de dispositivo legal, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que deve ser cancelado, visto que, que utilizou fundamento legal inválido. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado Como bem relatado, a matéria em discussão cingese ao exame da possibilidade de recálculo do tributo devido, originalmente lançado com base no regime de caixa, em sede de contencioso administrativo, ante as decisões do STJ, no REsp 1.118.429/SP, e do STF, no RE 614.406/RS, que firmaram o entendimento de que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF deve ser calculado considerandose as bases de cálculo e alíquotas conforme as competências a que se referem os rendimentos. A sucessão dos fatos relevantes é a seguinte: 1) Em 25/05/2009 foi lavrada a Notificação de Lançamento objeto do presente processo; 2) Em 24/03/2010 o Superior Tribunal de Justiça – STJ proferiu o Acórdão no REsp. nº 1.118.429/SP, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. Fl. 176DF CARF MF 6 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. 3) Em 23/10/2014 o Supremo Tribunal Federal proferiu decisão no RE nº 614.406, assim ementado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. 4) Em 04/04/2017 foi proferido o acórdão de recurso voluntário, cuja decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo, que davam provimento parcial no sentido de que o crédito tributário fosse recalculado de acordo com o regime de competência. Entendeu a Relatora, corroborando o entendimento esposado pelo acórdão recorrido, por manter a decisão quanto à improcedência do lançamento, por entender não ser possível o recálculo do imposto. Apesar das bem articuladas razões da Relatora, divirjo desse entendimento. Com a devida vênia, penso que essa conclusão parte de premissa equivocada: a de que a atividade de julgamento administrativo deve se limitar a confirmar ou infirmar o lançamento na sua totalidade, sem a possibilidade de alteração deste, numa interpretação, a meu juízo, isolada e superficial do artigo 142 do CTN. Essa conclusão simplesmente ignora o comando dos artigos 145 e 146 do mesmo CTN os quais vale ressaltar, integram o capítulo II do Código sob o título “Constituição do Crédito Tributário”, que têm a seguinte redação: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I – Impugnação do sujeito passivo; II – Recurso de ofício; III – Iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previsto no artigo 149. (Destaquei) Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fatos geradores ocorridos posteriormente à sua introdução. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10930.002980/200984 Acórdão n.º 9202007.457 CSRFT2 Fl. 12 7 Ora, se o lançamento pode ser alterado nos casos de impugnação do sujeito passivo, tal alteração somente pode ser realizada pela autoridade julgadora administrativa, limitada essa alterabilidade, em relação a um mesmo sujeito passivo, apenas pela impossibilidade de introdução de novos critérios jurídicos. Digase, a propósito, que a alterabilidade do lançamento nos casos de sua inconformidade parcial com as normas do direito positivo, é amplamente reconhecida pela doutrina, com lastro exatamente na interpretação dos artigos 145, 146 e 149 do CTN. Paulo de Barros Carvalho, por exemplo, diz sobre o ponto: Por alterabilidade do lançamento não devemos nos cingir tão só às circunstâncias da nulidade absoluta ou da nulidade relativa (anulabilidade). Ocasiões há em que o lançamento sofre alterações que agravam a exigência anteriormente formalizada. No quadro das condições estipuladas, o direito positivo brasileiro assegura ao interessado o direito de impugnar a pretensão tributária consubstanciada no ato de lançamento. E o Código Tributário Nacional contempla a matéria da alterabilidade, estatuindo, no art. 145, que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I) impugnação do sujeito passivo; II) recurso de ofício; III) iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149 [...].(CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário – 23 ed. – São Paulo : Saraiva, 2011. p. 497/498) Também Eurico Marcos Diniz de Santi, corroborando o mesmo entendimento, assim se manifesta sobre a alterabilidade do lançamento: A alterabilidade do atonorma de lançamento podese dar pela edição de outro atonorma que lhe substitua, invalidando implicitamente o atonorma anterior, ou podese dar mediante a expressa invalidação do atonorma anteriormente praticado. Pressupõe, portanto, competência administrativa para rever o atonorma, o que implica de outra parte, a competência para invalidálo. Estas normas de competência são aquelas que determinam, de forma genérica e abstrata, quais os supostos e as correspectivas consequências para se proceder a invalidação do atonorma de lançamento. Como o assunto requer certa precisão de conceito e de linguagem, convencionaremos denominar como regramatriz de invalidação do atonorma de lançamento às normas de competência para editar atonorma administrativo invalidador. A regramatriz de invalidação do atonorma de lançamento, regra de estrutura, defluem, no Código Tributário Nacional, dos arts. 145, 146 e 149. (SANTI, Eurico Marco Diniz. 2 ed. – São Paulo : Max Limonad, 2001. p. 255) No caso sob análise, o lançamento referese a rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão em processo judicial trabalhista, tendo sido o imposto apurado em conformidade com a norma em vigor à época da autuação – art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988 – que previa que o imposto seria devido no mês do recebimento. Confirase: Fl. 178DF CARF MF 8 Lei nº 7.713, de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento ou crédito, sobre a totalidade dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessários ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Tal dispositivo estabelecia apenas um dos critérios de apuração do imposto devido, com implicação direta no valor deste: com base no regime de caixa. Tanto é assim que o STJ, ao interpretar o dispositivo, e o STF, ao declarar sua inconstitucionalidade, em momento algum afirmaram a não incidência do imposto. E se é assim, o efeito vinculante de tais decisões aos órgãos julgadores administrativos não impõe, em absoluto, a necessidade de declaração da nulidade do lançamento, mas apenas de afastar o critério segundo o qual o imposto deve ser apurado segundo o regime de caixa. Como referido acima, o art. 145, I, do CTN, combinado com as normas que regem o processo administrativo fiscal, confere aos órgãos julgadores administrativos, quando provocados pela impugnação do sujeito passivo, competência para promover a necessária alteração do lançamento quando, dando razão ao sujeito passivo, entender que o mesmo está em desconformidade com as normas de incidência. E, com ainda mais razão, quando a decisão deste órgão administrativo está vinculada a algum comando que imponha uma específica interpretação, como neste caso. No presente caso, vale repisar, a controvérsia cingiase à definição do critério de apuração, se com base no regime de caixa ou no regime de competência. Diante da afirmação de que o procedimento adotado pela fiscalização, que apurou o imposto com base no regime de caixa, foi irregular, compete à autoridade julgadora, no dizer de Eurico De Santi, alterar o atonorma de lançamento mediante a edição de outro atonorma. Nada que justifique, em casos como este, em que há apenas desconformidade parcial do ato com os requisitos instituídos pelo Direito Positivo, e quando esta for sanável mediante correção, a nulidade do lançamento. Realizar essa correção é um dos misteres da autoridade julgadora administrativa. Por tudo o que foi dito acima, o cancelamento total do lançamento por suposta violação ao art. 142 do CTN carece de consistência jurídica. A um, porque o art. 142 do CTN descreve o procedimento do lançamento e não os seus requisitos de validade; a dois, porque o art. 145, I do próprio CTN prevê a hipótese de alterabilidade do lançamento pela autoridade julgadora administrativa, o que tem como pressuposto lógico a possibilidade da imperfeição do lançamento realizado pela autoridade lançadora. Ante esses pressupostos, a afirmação da impossibilidade de se alterar o lançamento em razão de as decisões dos tribunais superiores impactarem no se critério quantitativo não se sustenta. Por fim, ressalto que a posição ora esposada, com estes e outros fundamentos, tem prevalecido neste Colegiado. Cito, como exemplo, os Acórdãos nºs. 9202004.518, Sessão de 26/10/2016, 9202005.357, Sessão de 25/04/2017, 9202006.415, Sessão de 29/01/2018 e 9202006.706, Sessão de 18/04/2018. Com não há outras questões a serem analisadas senão a da possibilidade ou não de cálculo do imposto segundo o regime de caixa, é desnecessário o retorno do processo para a Câmara a quo. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10930.002980/200984 Acórdão n.º 9202007.457 CSRFT2 Fl. 13 9 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para que seja recalculado o imposto devido mediante aplicação das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (regime de competência). (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000227/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:21/09/2006
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.229
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador:21/09/2006 RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11128.000227/2010-15
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5954975
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.229
nome_arquivo_s : Decisao_11128000227201015.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11128000227201015_5954975.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7584695
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416743903232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.000227/201015 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.229 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador:21/09/2006 RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 02 27 /2 01 0- 15 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11128.000227/201015 Acórdão n.º 3302006.229 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento da restituição relativa a PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada, por falta de apresentação de documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro recolhido indevidamente, consoante o art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Segundo a Fiscalização, o referido crédito tributário recolhido quando do registro da DI poderia ter sido compensado pelo importador, nos termos da legislação de regência, independentemente de autorização da Receita Federal RFB. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que o crédito apurado não podia ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, tratandose de uma exceção legal que não proporcionava segurança jurídica para se requerer a compensação sem prévia concordância do Fisco, tendo em vista o entendimento da Fiscalização quanto à necessidade de comprovação da assunção econômica do encargo. Segundo o então Manifestante, não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que previa o importador como contribuinte, não era cabível a alegação do Auditor Fiscal de que seria devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda segundo ele, mesmo que se entendesse válida a discussão acerca da assunção do encargo financeiro, essa só se justificaria em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada, inexistindo fato gerador de PIS/Pasep e Cofins relativos a uma importação não ocorrida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07033.511, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentandose também na necessidade de prova de assunção do encargo financeiro dos tributos, com apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrassem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11128.000227/201015 Acórdão n.º 3302006.229 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.205, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11128.000042/201191, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.205): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11128.000227/201015 Acórdão n.º 3302006.229 S3C3T2 Fl. 5 4 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11128.000227/201015 Acórdão n.º 3302006.229 S3C3T2 Fl. 6 5 “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em conta corrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela nãocumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11128.000227/201015 Acórdão n.º 3302006.229 S3C3T2 Fl. 7 6 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/200842 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11128.000227/201015 Acórdão n.º 3302006.229 S3C3T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito apurado referente ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955517/2008-99
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a Recorrente comprove os valores indicados às fls. 75/77 e ainda que a DRF de origem junte as DIRF, DARF e DCTF referentes às compensações das estimativas. Vencido o Conselheiro Sérgio Abelson que votou por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Sérgio Abelson.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.955517/2008-99
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5961974
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.037
nome_arquivo_s : Decisao_10880955517200899.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 10880955517200899_5961974.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a Recorrente comprove os valores indicados às fls. 75/77 e ainda que a DRF de origem junte as DIRF, DARF e DCTF referentes às compensações das estimativas. Vencido o Conselheiro Sérgio Abelson que votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Sérgio Abelson.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
id : 7610532
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416747048960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 154 1 153 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.955517/200899 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1003000.037 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Ordinária Data 18 de janeiro de 2019 Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente BROOKLIN PERFURACAO E FIXACAO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a Recorrente comprove os valores indicados às fls. 75/77 e ainda que a DRF de origem junte as DIRF, DARF e DCTF referentes às compensações das estimativas. Vencido o Conselheiro Sérgio Abelson que votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Sérgio Abelson. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº DCOMP eletrônica n° 23762.832l5.080107.1.7.024948 (fls. 9/25), transmitida em 08/01/2007, cuja formalização visou retificar a PER/DCOMP n° 27884.26727.170904.1.3.026150, bem como declarar a compensação das estimativas mensais do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), com crédito proveniente de saldo negativo do mesmo tributo atinente ao anocalendário de 1999. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 55 51 7/ 20 08 -9 9 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.955517/200899 Resolução nº 1003000.037 S1C0T3 Fl. 155 2 A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico Rastreamento n° 808.284.897, de 24/11/2008 (fl. 1), exarado em sede da Delegacia de Administração Tributária de São Paulo/SP (DERAT/SP), segundo o qual restou decidido não homologar a compensação consignada na respectiva DCOMP eletrônica, tendo em vista a impossibilidade de confirmação da apuração do crédito, vez que a importância informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não encontrou correspondência com o montante do saldo negativo informado na declaração de compensação. A Recorrente protocolou manifestação de inconformidade em 30/12/2008 (fls. 26), acompanhada dos documentos de fls. 27/39, reiterando o pedido de homologação da compensação declarada na DCOMP em litígio. Por sua vez, a 7ª Turma da DRJ/SPI julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa Acórdão nº 1626.471, às fls. 7484, abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO. A insuficiência de apresentação de prova inequívoca hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos, acarreta a manutenção dos efeitos da decisão administrativa que resultou na negativa da homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 30.09.2010, às fls. 86, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário em 28.10.2010, às fls. 87/100, requerendo a reforma da decisão recorrida, e, para tanto alegou que: a) restou amplamente demonstrado e comprovado que a Recorrente fora intimada unicamente a esclarecer a eventual divergência consistente entre o valor do saldo negativo do IRPJ informado na DIPJ e na PER/DCOMP original e retificadora, tanto que o Termo de Intimação contemplou expressamente no título: “irregularidade no Preenchimento de PER/DCOMP"; b) contrariamente ao afirmado na decisão recorrida, a Recorrente não foi orientada ou mesmo intimada, a produzir prova quanto à formação do saldo negativo de IRPJ utilizado na compensação informada em DCOMP, revelando a evidente nulidade da referida decisão; Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.955517/200899 Resolução nº 1003000.037 S1C0T3 Fl. 156 3 c) deveria ser determinada a realização de diligência com vistas a dar oportunidade à Recorrente para manifestarse acerca da questão, vez que o sistema informatizado não reconhece nada, tendo em vista a divergência de valores (Despacho Decisório de fl. 01). É o Relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Conforme mencionado no relatório, na DCOMP originalmente transmitida (fls. 46 a 6l), o saldo negativo informado foi de R$ 23.205,66 (igual ao da DIPJ fls. 63 a 72), a divergência aparecendo na soma dos valores de Imposto de Renda Retido na Fonte e pagamento/compensação de estimativas, enquanto na DCOMP constou R$ 23.205,66, na DIPJ o valor é de R$ 27.483,52. Assim, como procedimento prévio, por causa dessa divergência, foi emitido em 07.12.2006 o Termo de Intimação, fls. 43, para que a Recorrente sanasse a irregularidade, cuja notificação se deu em 15.12.2006, conforme fls. 44. Tentando atender à dita intimação de fls. 43, a Recorrente transmitiu uma DCOMP retificadora, porém cometendo um novo erro: apontou o valor de R$ 27.483,52 como sendo o saldo negativo de IRPJ, pois informou um "crédito original na data da transmissão" de R$ 23.205,66. Contudo, o sistema informatizado não reconhece nenhum valor, ante a divergência já explicada e conforme constou no Despacho Decisório de fl. 01. O que parece é que a Recorrente não compreendeu corretamente a forma de preencher a DCOMP, nem tampouco as intimações que lhe foram dirigidas. Em meu sentir, fica claro que, em verdade, a pretensão da Recorrente era utilizar como direito creditório exatamente o valor do saldo negativo de IRPJ constante na DIPJ da Recorrente DIPJ, de R$ 23.205,66, tanto é que há essa afirmação em sua manifestação de inconformidade. Provavelmente, se a declaração de compensação tivesse sido analisada por um Auditor Fiscal, e não de maneira totalmente eletrônica, certamente isso teria sido levado em conta, e a auditoria se concentraria na própria formação do saldo negativo de R$ 23.205,66. Como isso não foi feito, a motivação o fundamento para a negativa de homologação da compensação foi expressamente delineado como a impossibilidade de se confirmar a apuração do crédito devido à divergência entre DIPJ e DCOMP, ou seja, o mérito da compensação não foi analisado. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.955517/200899 Resolução nº 1003000.037 S1C0T3 Fl. 157 4 Ocorre que essa questão da divergência entre DCOMP e DIPJ foi superada, restando a ser ainda realizada a apreciação da formação do saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 23.205,66, bem como de sua disponibilidade. Para isso, entendo ser necessária a realização de uma diligência pela autoridade competente, dando oportunidade à Recorrente de se manifestar sobre os resultados, de maneira a garantirlhe o contraditório, como inclusive, constou na Declaração de Voto de fls. 85, vez que foi aberta divergência neste tocante. Sendo assim, em observância ao disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, voto em converter o julgamento na realização de diligência para que: 1) a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil jurisdicione a Recorrente a comprovar os valores indicados as fls. 75/77; 2) a DRF de origem junte DIRF, DARF e DCTF referentes às compensações das estimativas Ademais, a autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial verificar a formação do saldo negativo de R$ 23.205,66, comprovando, se for o caso, de forma, inequívoca a liquidez e certeza do valor de direito creditório pleiteado, de maneira a fornecer, assim, elementos nos autos que permitam o julgamento do procedimento da compensação. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.910588/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/04/2004
PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO-CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública - art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 3401-005.490
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 30/04/2004 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO-CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública - art. 170 do CTN.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.910588/2012-11
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5954364
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.490
nome_arquivo_s : Decisao_10980910588201211.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10980910588201211_5954364.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7583209
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416749146112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1521; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.910588/201211 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.490 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2018 Matéria PER/DCOMP (DDE) PIS/COFINS Recorrente COMBUSPAR COMERCIO DE COMBUSTIVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/04/2004 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃOCUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 05 88 /2 01 2- 11 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.910588/201211 Acórdão n.º 3401005.490 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o PER/DCOMP indicando como crédito pagamento indevido ou a maior de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório, por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que “... apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. E para comprovar o alegado, anexa planilha demonstrativa de cálculo que embasou o pedido. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado), e por não haver direito a crédito das contribuições (PIS e COFINS) nas operações de distribuição de combustíveis, na sistemática da nãocumulatividade. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, na qual sustenta, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida, sob o argumento de que esta se equivocou ao concluir que a recorrente atua, exclusivamente, no ramo de comercialização de produtos submetidos ao regime monofásico de tributação, e que, por tal razão, não apreciou os verdadeiros motivos que geraram o crédito ora pleiteado. No mérito, defendeu a existência do direito creditório derivado da comercialização de peças de veículos, cigarros, produtos de higiene pessoal, artigos de tabacaria, etc., os quais se encontram incluídos no regime nãocumulativo. Ao final, pugnou pela nulidade da decisão combatida e, subsidiariamente, pela reforma do acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.489, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.910586/201221, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.489): "A recorrente interpôs Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.910588/201211 Acórdão n.º 3401005.490 S3C4T1 Fl. 4 3 Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no prazo de 30 dias, de acordo com a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, a qual é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele tomase conhecimento. Defende a recorrente que o acórdão ora se equivocou ao concluir que a recorrente atua exclusivamente no ramo de comercialização de produtos submetidos ao regime monofásico de tributação, motivo pelo qual julgou pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Conforme relatado, a recorrente em sua Manifestação de Inconformidade se limitou em alegar que “apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins relativo ao período de janeiro a junho de 2004, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. O acórdão recorrido foi claro ao afirmar que: Conforme manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte alega haver efetuado pagamento a maior de PIS e Cofins, dos períodos de janeiro a junho de 2004, por não utilizar os créditos permitidos pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (o art. 15 desta Lei estende a aplicação de dispositivos ao PIS/Pasep). Contudo, não determina e tampouco discrimina a que se referem os aludidos créditos, se decorrentes de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade. Tampouco a planilha apresentada menciona essa origem, discriminando apenas os valores dos aludidos créditos de cada período. [...] Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, além de outros elementos de prova. Diante do exposto não há razões para cassar o acórdão guerreado, uma vez que apreciou e fundamentou a improcedência da Manifestação de Inconformidade. Quanto ao argumento de que o acórdão recorrido concluiu que a recorrente atua exclusivamente no “comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes” e que a comercialização de tais produtos não é onerada pelas contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, motivo pelo qual não há Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.910588/201211 Acórdão n.º 3401005.490 S3C4T1 Fl. 5 4 razão para que a aquisição destes produtos gere crédito desta contribuição, não merece prosperar. Após apontar a carência probatória, o acórdão recorrido menciona que: De qualquer maneira, tendo em vista que o objeto social principal da contribuinte, segundo a Cláusula Terceira de seu Contrato Social, é o comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes, cabe lembrar a legislação de regência que determinou a forma de tributação incidente sobre essa atividade econômica. Deste modo, percebese que o acórdão recorrido em momento algum afirma que a recorrente atua exclusivamente no “comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes”, apenas complementa sua fundamentação no sentido de que o “objeto social principal da contribuinte” é a exploração destas atividades, e que estas não geram crédito. Ressaltase, que em momento algum a recorrente, na Manifestação de Inconformidade, informa a origem do aludido crédito, se decorrente de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade. Por tais razões, não merece amparo a preliminar arguida. No mérito, a recorrente sustenta a existência do aludido credito, o qual deriva da comercialização de peças de veículos, cigarros, produtos de higiene pessoal, artigos de tabacaria, etc., os quais se encontram incluídos no regime nãocumulativo. Pois bem. Conforme relatado e também mencionado quando da análise da preliminar arguida, a recorrente simplesmente alegou possuir crédito de R$ 1.561,32, pois “apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins relativo ao período de janeiro a junho de 2004, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. Ademais, não informa a origem do aludido crédito, se decorrente de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade, assim como não anexa aos autos documentos capazes de demonstrar seu direito creditório. É de bom grado ressaltar que cabe ao contribuinte comprovar a existência do crédito que pretende utilizar para compensar com o débito, art. 373, I, do CPC, e à Administração Tributária verificar e validar o referido crédito. Por conseguinte, confirmado o direito creditório, sobrevém a homologação, a qual extingue os débitos objeto da compensação. Assim, para Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.910588/201211 Acórdão n.º 3401005.490 S3C4T1 Fl. 6 5 que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. Oportuno mencionar também que, nos termos do art. 170 do CTN, a compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/84, e Instruções da RFB que dispõem sobre a DCTF). Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.909418/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.909418/2011-01
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953178
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.423
nome_arquivo_s : Decisao_16327909418201101.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16327909418201101_5953178.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7579310
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416753340416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 151 1 150 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.909418/201101 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.423 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria PIS. RESTITUIÇÃO Recorrente BANCO BRADESCO BBI S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 94 18 /2 01 1- 01 Fl. 151DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Relatório A interessada apresentou pedido de restituição do PIS, com origem no mês de maio de 2000. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/05/2000, no valor de R$ 34.819,44, transmitida através do PER/Dcomp nº 42531.44571.150605.1.2.040004. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 106, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 20/12/2011 (fl. 102), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/14, em 19/01/2012, para alegar que antes do pleito ser indeferido, o contribuinte deveria ter sido intimado a prestar esclarecimentos, já que o Pedido de Restituição seria referente à parcela referente ao alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, implementada pela Lei nº 9.718/98 e considerada inconstitucional pelo STF. Afirmou que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins nos Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840. Defendeu que o conceito de faturamento não seria alterado em função do objeto social da empresa e que o STF teria reconhecido que o PIS e a Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços. Argumentou que não haveria qualquer identidade entre tal conceito de faturamento e sua atividade principal. Ressaltou que qualquer empresa auferiria receitas financeiras em função do fluxo de caixa. Afirmou que a questão estaria sendo apreciada pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 609.096 e que por tal motivo, o presente processo também deveria ser sobrestado, conforme os arts. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16327.909418/201101 Acórdão n.º 3201004.423 S3C2T1 Fl. 152 3 Alternativamente, caso as receitas financeiras de instituições financeiras fossem entendidas como receita de prestação de serviços, pleiteou o deferimento parcial do pleito, argumentando que as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios ou de terceiros não deveriam compor a base de cálculo do PIS e da Cofins, quando não houvesse intermediação financeira. O interessado alegou que além de auferir receitas decorrentes da prestação de serviços bancários, praticaria operações de interesse próprio, como aplicação de seu capital de giro e do capital de terceiros, remuneração de depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. Tais operações não estariam incluídas no conceito de faturamento e não integrariam a base de cálculo do PIS e da Cofins. Concluiu, para requerer a procedência da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento do Pedido de Restituição. É o relatório. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1463.150, de 30/09/2016 (fls. 112 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência das contribuições ao PIS e Cofins sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais típicas. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, distinguindose do interesse do seus sócios. DEPÓSITO COMPULSÓRIO. RECEITA OPERACIONAL. O depósito compulsório rentável é uma fonte permanente de receita da instituição financeira e, como tal, é tratase de receita operacional, tanto quanto as operações de crédito, não fazendo sentido isentar a instituição financeira do ganho obtido com a Fl. 153DF CARF MF 4 remuneração destes depósitos que, ademais, envolve recursos de clientes depositados no banco. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento de processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 126 e ss., por meio do qual repete as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou e teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, apurada em maio de 2000, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16327.909418/201101 Acórdão n.º 3201004.423 S3C2T1 Fl. 153 5 pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Em sua primeira peça de defesa, alega que devia ter sido intimada a apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999), e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. Com efeito, sabese que a só falta de retificação da DCTF, notadamente quando feita após a prolação do Despacho Decisório, não obsta o reconhecimento crédito, desde que venha acompanhada de informações e/ou documentos necessários à comprovação do valor reclamado. Não há, todavia, a necessidade da intimação prévia, quando a repartição fiscal já detém as informações necessárias à apreciação do pedido. Aplicável aqui, por analogia, a Súmula CARF nº 46, segundo a qual "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, Fl. 155DF CARF MF 6 julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16327.909418/201101 Acórdão n.º 3201004.423 S3C2T1 Fl. 154 7 a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou Fl. 157DF CARF MF 8 entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.909418/201101 Acórdão n.º 3201004.423 S3C2T1 Fl. 155 9 na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do Fl. 159DF CARF MF 10 imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tãosomente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, referese, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.909418/201101 Acórdão n.º 3201004.423 S3C2T1 Fl. 156 11 instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, E DJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕESFINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se Fl. 161DF CARF MF 12 depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, a Recorrente é um banco – uma instituição financeira cujo objeto social é a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de investimento, de crédito, financiamento e investimento, e crédito imobiliário), inclusive câmbio de administração de valores mobiliários, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor (Estatuto às fls. 17 e ss.). Assim, todas as receitas originárias da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social, compõem a base de cálculo do PIS, não importando se derivem da aplicação de recursos próprios (como aplicação de seu capital de giro) ou de terceiros. Nesse contexto, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere a Recorrente, o que inclui os juros sobre o capital próprio decorrentes Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.909418/201101 Acórdão n.º 3201004.423 S3C2T1 Fl. 157 13 da participação no patrimônio líquido em outras sociedades e a remuneração dos depósitos compulsórios, porquanto auferidas no exercício de suas atividades empresariais. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio para expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válido apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 163DF CARF MF 14 Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Possuo muitos entendimentos convergentes com o do nobre colega relator e Presidente desta Turma de julgamento, mas neste caso em concreto, venho por meio desta declaração de voto apresentar entendimento divergente com relação à inclusão das receitas provenientes das aplicações de recursos próprios na base de cálculo das contribuições. A presente lide administrativa fiscal encontrase em situação semelhantes à julgada no Acórdão de n.º 3201003.264, precedente desta Turma de julgamento. Em razão desta equivalência temática, deve possuir a mesma conclusão: a não inclusão da receitas provenientes das aplicações de recursos próprios na base de cálculo das contribuições. Em razão dos exposto, transcrevo as razões de decidir e fundamentos legais do mencionado precedente: "Ou seja, foi exposto o entendimento de que a receita de venda de serviços, de acordo com o conceito de "faturamento" aceito no Supremo Tribunal Federal STF, em relação aos bancos deve abranger as receitas financeiras decorrentes das atividades desenvolvidas no mercado financeiro, por configurarem serviços financeiros. Esta é uma conclusão que não trata das receitas financeiras resultantes de aplicações com recursos próprios, porque esta se trata de uma exceção lógica direta da conclusão das decisões, uma vez que não pode ser considerada "receita operacional", como pode ser verificado em trecho do próprio Estatuto do Banco em fls 296 dos autos, transcrito em print screen a seguir: O objeto social registrado no Estatuto do Banco é o trabalho financeiro por meio de carteiras operacionais autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, atividade que não se assemelha à aplicação de recursos próprios para a obtenção de receitas financeiras. O conceito de "carteiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil", está diretamente ligado ao objetivo de promover o desenvolvimento sócioeconômico e não à obtenção de receitas financeiras da aplicação de recursos próprios. O objeto social do banco está somente ligado à prestação dos serviços à sociedade como um todo, e não à aplicação de recursos próprios. Não há nada expresso neste sentido. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.909418/201101 Acórdão n.º 3201004.423 S3C2T1 Fl. 158 15 No mundo fático, empresas ou instituições que são criadas somente para a obtenção de receitas financeiras decorrentes de aplicações de recursos próprios, não são empresas usuais (se é que existem), visto que não seria possível uma empresa obter recursos próprios, sem possuir uma outra atividade que gere receitas, decorrentes de alguma atividade de prestação de serviços, de comércio ou de indústria. Desse modo, toda empresa ou instituição que aplica recursos próprios e aufere receita financeira decorrente disto, necessariamente irá possuir uma outra atividade que gere receita, seja decorrente da prestação de serviços, da comercialização ou industrialização. De forma lógica, nenhuma empresa ou instituição, seja um banco ou não, tem a obrigação e sequer a necessidade de prever em seu objeto social a seguinte atividade: aplicação de recursos próprios para obtenção de receitas financeiras. Realidade societária que permite concluir que nenhuma receita financeira decorrente da aplicação de recursos próprios pode ser caracterizada como uma receita operacional. Porque, de operacional, nada tem esta atividade. Logo, por força das atribuições concedidas aos Conselheiros deste nobre Conselho, é importante reconhecer a omissão e obscuridade assim como é importante analisar se estas poderiam reformar o decidido ou não, cabendo aos Conselheiros exporem suas convicções sobre a concessão ou não dos efeitos infringentes. Antes mesmo de expor se haverá a necessidade de conceder efeitos infringentes, mister se faz colocar os fatos e fundamentos que levam à convicção de que receitas financeiras resultantes de aplicações com recursos próprios deveriam ser excluídas da base de cálculo da COFINS por não se tratarem de "receitas operacionais". Por se tratar de "receita financeira" resultante de aplicações com recursos próprios, o contribuinte estaria exercendo o mesmo direito concedido às instituições não financeiras e demais contribuintes, sem distinção: o direito de excluir da base de cálculo do COFINS as "receitas financeiras". O STF é claro em permitir esta exclusão da base de cálculo conforme julgamento do RE 548.422 AgR / RJ do STF, no seu parágrafo sexto: "6. As passagens em destaque revelam uma distinção conceitual sutil, mas que pode ser expressiva quanto aos reflexos. Um exemplo disso é a receita proveniente de aplicações financeiras. Caso fosse adotada a definição proposta pela instância ordinária, incidiria a Cofins sobre tal verba. Por outro lado, adotado o conceito até então vigente na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, parcela de tal natureza seria, em tese, excluída da base econômica da contribuição." Fl. 165DF CARF MF 16 A única hipótese que permitiu que as autoridades administrativas admitissem que as instituições financeiras não podem excluir da base de cálculo as "receitas financeiras", é a de que instituições financeiras prestam serviços financeiros e esta seria uma hipótese clara de base de cálculo para incidência de COFINS de acordo com o conceito de "faturamento" aceito pelo Supremo Tribunal Federal STF (faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços). Vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Tal premissa utilizada pelas r. autoridades administrativas que negaram o direito creditório para o contribuinte logicamente não se aplicam às "receitas financeiras" resultante de aplicações com recursos próprios, pois estas são "receitas financeiras" que qualquer pessoa jurídica ou física pode obter se aplicar seus recursos próprios e este direito está expressamente garantido pelo RE 548.422 AgR / RJ do STF mencionado acima. Sobre as "receitas financeiras" operacionais das instituições financeiras ficou claro o entendimento das decisões a quo, inclusive expresso que estão incluídas na base de cálculo da COFINS aquelas "receitas financeiras" provenientes das aplicações com recursos de terceiros, de clientes. São as situações em que o banco aufere "receita financeira" ao realizar o serviços de empréstimo bancário, pois os clientes pagam os juros e para estas situações as instituições financeiras cobram tarifas e portanto se trata de uma prestação de serviço. Uma "receita financeira" operacional, resultante de uma prestação de serviço. Mas quais são os recursos próprios das instituições financeiras? O embargante deixa claro quais são em seu recurso voluntário, são aqueles recursos constantes do Patrimônio Líquidos Obrigatório, conforme disposições constantes no Acordo de Basiléia e originalmente na Resolução do Banco Central do Brasil BACEN n.º 2.099/94. O contribuinte alega que para a aplicação dos recursos próprios não há cobrança de tarifas, não há recursos de terceiros ou qualquer relação de consumo, para fins do Código de Defesa do Consumidor. Este recursos próprios são aplicados, investidos e geram "receitas financeiras" não operacionais. Em análise da Resolução 2.099/94, vigente a época e portanto aplicável ao caso, conforme Anexo II, verificase que há um limite mínimo deste patrimônio líquido, um capital realizado de sete milhões de reais, à época. Acontece que ao verificar a fórmula de cálculo deste Patrimônio Líquido na própria Resolução, é possível verificar que este é 0,08 % do APR, sendo APR = resultado de aplicações do ativo circulante mais resultados de aplicações do ativo permanente. Portanto, para que seja concedido efeito infringente aos Embargos, com o objetivo de reconhecer direito creditório, é Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.909418/201101 Acórdão n.º 3201004.423 S3C2T1 Fl. 159 17 importante que fique claro que, do ativo circulante, serão considerados como recursos próprios somente o dinheiro em caixa que não seja de origem de terceiros, que não tenha conexão com serviços prestados ou tarifas cobradas pela instituição financeira. Em adição, por "receitas financeiras" de aplicações de recursos próprios entendese serem aquelas receitas resultantes das aplicações dos recursos próprios do Patrimônio Líquido (com as exceções acima e nos moldes da Tabela do Anexo IV da Resolução BACEN 2.099/94 ) e aquelas receitas resultantes das aplicações do Lucro Líquido da instituição financeira. Por fim, durante esta sessão, a Turma sugeriu que ficasse claro que, em razão de todos o exposto, inclusive no relatório, foi possível verificar que não há concomitância ou coisa julgada em âmbito judicial (Mandado de Segurança nº 2007.85.00.0058359, fls. 493/499), visto que o objeto de discussão não é a incidência da Cofins sobre as receitas advindas das aplicações de recursos próprios, assim como não ficou definido no âmbito judicial quais seriam as receitas operacionais ou não para as instituições financeiras. Da mesma forma, esta Turma de julgamento sugeriu que fosse citado como precedente recente a decisão proferida no âmbito da Câmara Superio de Recursos Fiscais, Acórdão CSRF 9303005051. CONCLUSÃO. Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 165 do CTN e em observação ao decidido no M.S. 2007.85.00.0058359 e decisões do STF, votase para que os Embargos de Declaração sejam ACOLHIDOS e PROVIDOS para sanar a obscuridade constante nas decisões a quo sobre a exclusão das "receitas financeiras" decorrentes de aplicações de recursos próprios da base de cálculo da COFINS e conseqüentemente reformar parcialmente o Acórdão 3403003.413 – 4.ª Câmara / 3.ª Turma Ordinária, proferido em 12 de Novembro de 2014, considerando também os fundamentos do Acórdão 3403003.375, para que seja reconhecido o direito creditório do contribuinte relativo aos pagamentos indevidos resultantes de base de cálculo declarada inconstitucional, excluídas desde já da base de cálculo do COFINS as "receitas financeiras" de aplicações de recursos próprios. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima." Fl. 167DF CARF MF 18 No mesmo sentido, com respaldo de precedente da CSRF, é importante transcrever a declaração de voto proferida pelo ex Presidente Substituto desta Turma, o nobre colega e conselheiro Winderley Morais Pereira: "Conselheiro Winderley Morais Pereira A presente declaração esclarece a posição por mim adotado no julgamento do presente processo, que decidiu por afastar a incidência das contribuições sobre as receitas financeiras próprias da Recorrente, acompanhando a posição adotada pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9303005.051, que foi assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros." Neste caminho transcrevo a seguir o voto vencedor do Conselheiro Charles de Mayer Castro, que adotei como fundamentação para prolatar o meu voto no presente julgado. "Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator Com a devida vênia, discordo do il. Relator. Com efeito, entendemos que a razão está com o relator do voto vencido, o Conselheiro Rosaldo Trevisan. O que temos aqui é uma ação judicial em que se reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo preconizado no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, afastando, de conseguinte, a incidência da Cofins sobre as “receitas financeiras”. Contudo, conforme nele brilhantemente exposto, não há, nas decisões judiciais nela prolatadas, qualquer pronunciamento a respeito do que venham a ser, afinal, as tais “receitas financeiras” para uma instituição financeira – mesma natureza da Recorrente. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 16327.909418/201101 Acórdão n.º 3201004.423 S3C2T1 Fl. 160 19 Reconhecida, no bojo da ação judicial transitada em julgado, a inconstitucionalidade do alargamento, a Cofins passou a incidir apenas sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços e da venda de mercadorias – as chamadas "receitas operacionais" –, que inequivocamente incluem, no caso das instituições financeiras, as receitas decorrentes da intermediação financeira, ainda que assim contabilizada. A Cofins não incide, porém, sobre aquelas receitas cuja origem é a aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros, as quais, conforme destacou o relator do voto vencido, a própria fiscalização entendeu como receita financeira, não como receita operacional, como também lá ressaltado. Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial, também para excluir a glosa de crédito em relação às receitas provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros." Winderley Morais Pereira Assim, para fins de liquidação do que deve ser excluído da base de cálculo, basta que a Receita Federal observe a Resolução Bacen vigente à época das apurações e determine, em analogia, oq ue foi determinado no mencionado precedente: "...por "receitas financeiras" de aplicações de recursos próprios entendese serem aquelas receitas resultantes das aplicações dos recursos próprios do Patrimônio Líquido (com as exceções acima e nos moldes da Tabela do Anexo IV da Resolução BACEN 2.099/94 ) e aquelas receitas resultantes das aplicações do Lucro Líquido da instituição financeira." Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para também excluir da base de cálculo das contribuições as receitas financeiras provenientes das aplicações de recursos próprios. Declaração de voto proferida. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.002517/00-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário:1997
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 2201-004.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário:1997 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13707.002517/00-29
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5959483
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-004.941
nome_arquivo_s : Decisao_137070025170029.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 137070025170029_5959483.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua intempestividade. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
id : 7598192
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416761729024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1512; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 330 1 329 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13707.002517/0029 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.941 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2019 Matéria IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTES Recorrente MARIA ANGELICA FERREIRA DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:1997 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão de sua intempestividade. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 25 17 /0 0- 29 Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13707.002517/0029 Acórdão n.º 2201004.941 S2C2T1 Fl. 331 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 325/327, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro II /RJ, de fls. 301/311 a qual julgou procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 7/15, lavrado em 8/5/2000, relativo ao anocalendário de 1997, sem constar nos autos data da ciência do RECORRENTE da lavratura do auto de infração. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado: por: (i) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica com vínculo empregatício; (ii) dedução indevida com dependentes; (iii) dedução indevida com instrução; e (iv) dedução indevida de IR retido na fonte, alterando a declaração de imposto a restituir de R$ 27,29 para imposto a pagar de R$ 1.330,31, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75% Nos termos do demonstrativo de infrações (fls 9/11), o crédito foi apurado pois o contribuinte recebeu, no anocalendário, rendimentos da FESP e da Prefeitura do Rio de Janeiro não declarados. Além disso, foram glosadas deduções indevidas a título de despesa com instrução, com menor pobre sem guarda judicial e com imposto de renda retido na fonte. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de efls. 3/5 em 1º/9/2000. Em síntese, alegou que houve um acordo informal com a FESP para não declarar os valores recebidos, alegou que não recebeu os valores da prefeitura do rio de janeiro e que a declaração de imposto de renda foi elaborada por terceiros, razão pela qual pode ter havido um erro com as deduções. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ no Rio de Janeiro II /RJ julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (301/311): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72.. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13707.002517/0029 Acórdão n.º 2201004.941 S2C2T1 Fl. 332 3 Demonstrado que o contribuinte efetivamente não ofereceu à tributação os rendimentos lançados como omitidos, cabe a infração. DEDUÇÃO. DESPESAS COMPROVADAS. As despesas comprovadas são dedutiveis até o limite previsto na legislação. Lançamento Procedente em Parte No caso, a DRJ entendeu que a contribuinte comprovou parcialmente as despesas com instrução glosadas pela autoridade fiscalizadora e reestabeleceu a dedução no valor de R$ 1.533,40. Quanto aos demais argumentos, a autoridade julgadora manteve o lançamento por seus próprios fundamentos. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 10/3/2008, conforme AR de fls.318, apresentou o recurso voluntário de fls. 323/327 em 14/4/2008. Em suas razões, aduz que houve equivoco da prefeitura do Rio de Janeiro, que apresentou declarações relacionadas a outro contribuinte. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário não merece ser conhecido pois é intempestivo. De acordo com os arts. 5º e 33 do Decreto n° 70.325/72, que regula o processo administrativo no âmbito federal, o prazo de 30 (trinta) dias para a interposição de Recurso Voluntário é contínuo, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o do vencimento. Os prazos se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que tramite o processo ou deva ser praticado o ato. No caso concreto, a RECORRENTE teve ciência do acórdão recorrido no dia 10/3/2008 (segundafeira) conforme AR de fls.318; Ocorre que, de acordo com o registro de protocolo, de fl. 325 dos autos, o presente recurso somente foi interposto em 14/4/2008 (segundafeira), depois de já Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13707.002517/0029 Acórdão n.º 2201004.941 S2C2T1 Fl. 333 4 transcorridos mais de 30 dias contados da intimação do contribuinte, sendo, portanto, manifestamente intempestivo o recurso. Esclareço que o prazo para a interposição do recurso findou em 9/4/2008 (quintafeira). A RECORRENTE atesta à fl. 323 que por motivo da greve dos fiscais, acreditou que os prazos deveriam ser revistos. Contudo, não atentou para o fato de que os prazos não estavam suspensos e que somente no CAC Madureira recebeu informações que tinha perdido o prazo para emissão de recurso voluntário que era até o dia 9 de abril. Não há como superar a questão apontada pela contribuinte sem abrir margem para o cometimento de ilegalidades. Ela própria, por mera liberalidade, acreditou que o prazo estaria suspenso sem buscar informações concretas a respeito. Seguindo o procedimento do Decreto n° 70.325/72, bem como a jurisprudência deste Conselho, o recurso intempestivo não deverá ser objeto de conhecimento. A decisão transcrita a seguir serve como exemplo desse entendimento: “ASSUNTO: SIMPLES Anocalendário: 2002 Ementa: INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. (Recurso nº 158.682; processo 10510.000945/200629; 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, julgado em 17/10/2008.” CONCLUSÃO Isto posto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade, devendo ser mantida a decisão da DRJ de origem. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.906133/2015-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2013
RESTAURANTES E ASSEMELHADOS. MASSAS ALIMENTÍCIAS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL.
A redução a zero da alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins sobre as massas alimentícias da posição 19.02, prevista no inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes e assemelhados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad votaram pelas conclusões entendendo pela falta de provas.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/2013 RESTAURANTES E ASSEMELHADOS. MASSAS ALIMENTÍCIAS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL. A redução a zero da alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins sobre as massas alimentícias da posição 19.02, prevista no inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes e assemelhados. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10783.906133/2015-70
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5965924
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.517
nome_arquivo_s : Decisao_10783906133201570.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10783906133201570_5965924.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad votaram pelas conclusões entendendo pela falta de provas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
id : 7625973
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416765923328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.906133/201570 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.517 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SÁ CAVALCANTE COMESTÍVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2013 RESTAURANTES E ASSEMELHADOS. MASSAS ALIMENTÍCIAS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL. A redução a zero da alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins sobre as massas alimentícias da posição 19.02, prevista no inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes e assemelhados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad votaram pelas conclusões entendendo pela falta de provas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 61 33 /2 01 5- 70 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10783.906133/201570 Acórdão n.º 3302006.517 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, alegando que aufere receita de venda de massas alimentícias classificadas na posição 19.02, com alíquota reduzida a zero pelo inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004 e receita de venda de águas, cerveja de malte, cerveja sem álcool e refrigerantes, sujeita à alíquota zero pela Lei nº 10.833/2003 e que, por alguma falha, não retificou a DCTF antes do despacho decisório, fazendoa apenas após a ciência do referido e juntandoa na impugnação. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14065.034, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e a certeza do crédito pleiteado e considerando que a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação não supria a referida comprovação. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando a nulidade do PAF por violação do devido processo legal, ante a ausência de diligência fiscal para se comprovar o direito creditório. No mérito, reiterou que auferiu receitas de venda de massas alimentícias sujeita à alíquota zero, requerendo diligência, ao final, para análise da documentação juntada aos autos. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.509, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10783.906125/201523, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.509): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente pede a nulidade do PAF pelo fato de a autoridade julgadora não ter determinado, de ofício, a realização de diligências, conforme artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10783.906133/201570 Acórdão n.º 3302006.517 S3C3T2 Fl. 4 3 Todavia, não assiste razão à recorrente. O Decreto nº 70.235/72 dispôs sobre as nulidades em seu artigo 59, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso, o despacho decisório foi fundamentado na utilização integral do crédito para extinguir débitos espontaneamente declarados, cuja retificação ocorreu apenas posteriormente à ciência do despacho decisório. Já quanto à não realização da diligência, não há obrigatoriedade por parte do julgador em determinálas, mas, sim, faculdade, quando entender necessárias. O artigo 29 do referido decreto esclarece: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, a faculdade está inserta dentro da livre convicção do julgador na apreciação da prova, ou, no caso, de sua ausência, já que a retificação da DCTF pressupõe a prova inequívoca da ocorrência de erro de fato, conforme §3º1 do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, mencionada na decisão atacada, ônus do qual a recorrente não se desincumbiu, pois nada apresentou em manifestação de inconformidade. Salientase, inclusive, que nem a própria recorrente requereu a realização de diligência. Destarte, afasto a preliminar arguida. No mérito, a recorrente pleiteou a redução a zero sobre as receitas de massas alimentícias de que trata o inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, abaixo transcrito: Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (Vigência) (Vide Decreto nº 5.630, de 2005) [...] XVIII massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da Tipi. (Incluído pela Lei nº 12.655, de 2012) A posição 19.02 possui o seguinte texto na TIPI: 19.02 Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras 1 § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10783.906133/201570 Acórdão n.º 3302006.517 S3C3T2 Fl. 5 4 substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado. 1902.1 Massas alimentícias não cozidas, nem recheadas, nem preparadas de outro modo: 1902.11.00 Que contenham ovos 0 1902.19.00 Outras 0 1902.20.00 Massas alimentícias recheadas (mesmo cozidas ou preparadas de outro modo) 0 1902.30.00 Outras massas alimentícias 0 1902.40.00 Cuscuz 0 As NESH para a referida posição assim identificam estes produtos: As massas alimentícias da presente posição são produtos não fermentados, fabricados com sêmolas ou farinhas de trigo, milho, arroz, batata, etc. Estas sêmolas ou farinhas (ou mistura de ambas) são, em primeiro lugar, misturadas com água e depois amassadas de forma a obterse uma pasta, na qual se podem incorporar outros ingredientes (por exemplo: produtos hortícolas finamente picados, sucos ou purês de produtos hortícolas, ovos, leite, glúten, diástases, vitaminas, corantes e aromatizantes). A massa, em seguida, é trabalhada (por exemplo, por passagem à fieira e corte; laminagem e recorte; compressão; moldagem ou aglomeração em tambores rotativos) no intuito de se obterem formas específicas e predeterminadas (por exemplo, tubos, fitas, filamentos, conchas, pérolas, grânulos, estrelas, cotovelos e letras). No decurso desse trabalho, pode adicionarse uma pequena quantidade de óleo. Em geral, a essas formas corresponde o nome do produto acabado (por exemplo, macarrão, talharim, espaguete, aletria). Para facilidade de transporte, de armazenagem e de conservação, em geral, estes produtos são dessecados antes da comercialização. Quando secos, tornamse quebradiços. Esta posição compreende também os produtos frescos (isto é úmidos ou por secar) e os produtos congelados, por exemplo, os nhoques frescos e os ravioles congelados. As massas alimentícias desta posição podem ser cozidas, recheadas de carne, peixe, queijo ou de outras substâncias em qualquer proporção, ou preparadas de outra forma (apresentadas como pratos preparados, contendo outros ingredientes, tais como produtos hortícolas, molho, carne). O cozimento tem por objetivo amolecer as massas, conservandolhes a forma original. As massas recheadas podem ser inteiramente fechadas (por exemplo, ravioles), abertas nas extremidades (por exemplo, canelones) ou, ainda, apresentarse em camadas sobrepostas, tal como a lasanha. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10783.906133/201570 Acórdão n.º 3302006.517 S3C3T2 Fl. 6 5 Esta posição abrange também o “couscous”, que é uma sêmola tratada termicamente. O “couscous” desta posição pode ser cozido ou preparado de outra forma (com carne, produtos hortícolas e outros ingredientes, tal como o prato completo que leva o mesmo nome). Percebese que a redução a zero é referente a produtos industrializados e não a refeições preparadas em restaurantes. Destacase que o preparo de alimentos em restaurante ou similares não caracteriza produto industrializado, a teor do artigo 5º do Decreto nº 7.212/2010, abaixo transcrito: Art.5o Não se considera industrialização: Io preparo de produtos alimentares, não acondicionados em embalagem de apresentação: a)na residência do preparador ou em restaurantes, bares, sorveterias, confeitarias, padarias, quitandas e semelhantes, desde que os produtos se destinem a venda direta a consumidor; ou b)em cozinhas industriais, quando destinados a venda direta a pessoas jurídicas e a outras entidades, para consumo de seus funcionários, empregados ou dirigentes; IIo preparo de refrigerantes, à base de extrato concentrado, por meio de máquinas, automáticas ou não, em restaurantes, bares e estabelecimentos similares, para venda direta a consumidor (DecretoLei no 1.686, de 26 de junho de 1979, art. 5o, § 2o); A recorrente, por sua vez, é rede varejista das franquias conhecidas BOB´s e SPOLETO. Assim, as massas comercializadas nestes locais são refeições ali preparadas e não consistem em produtos industrializados e estão fora do campo de incidência do IPI. A redução a zero, ao mencionar as massas alimentícias da posição 19.02 objetivou a redução dos produtos da indústria alimentícia e não das refeições elaboradas em restaurantes, bares e similares. A Solução de Consulta nº 4/2018 apreciou o tema, concluindo com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS RESTAURANTES. CARNES, PEIXES E MASSAS ALIMENTÍCIAS.ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL. A redução a zero da alíquota da Cofins, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 1998; Lei nº 10.833, de 2003; Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP RESTAURANTES. CARNES, PEIXES E MASSAS ALIMENTÍCIAS.ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL. A redução a zero da alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 1998; Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º. Os fundamentos da solução esclarecem o tema, razão pela qual os adoto de forma complementar e os transcrevo abaixo: 10. Conforme se constata, o caput do artigo 1º da Lei nº 10.925, de 2004, transcrito, reduz a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno daqueles produtos citados em seus incisos. Então, para que um contribuinte Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10783.906133/201570 Acórdão n.º 3302006.517 S3C3T2 Fl. 7 6 faça jus à referida redução de alíquotas, no caso de venda no mercado interno, é necessário que o mesmo aufira renda a partir da venda dos produtos mencionados em algum dos incisos do caput do artigo 1º da Lei nº 10.925, de 2004. 11. Porém, pelo conteúdo da presente consulta podese inferir que a consulente não atende a esta condição, ou seja, ela não efetua a venda de massas alimentícias, carnes bovina, suína, ovina, caprina e de aves, ou tampouco de peixes in natura. 12. A interessada afirma exercer a atividade de Hotelaria, não fazendo menção a nenhuma outra atividade, secundária. No Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, está cadastrada apenas a atividade econômica de Hotéis, não sendo informado igualmente nenhuma outra atividade secundária. 13. Ademais, a consulente diz que: “quando comercializa esses produtos nas dependências dos seus restaurantes aos seus hóspedes (consumidores finais), tem o direito de aplicar a alíquota 0% (zero por cento) incidente sobre essas receitas nos termos do art. 1º, incisos XVIII, XIX, e XX da Lei nº10.925/2004” (sem o destaque no original). 14. Dessa forma, depreendese que a interessada não realiza a venda dos produtos citados nos incisos XVIII, XIX e XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, mas na verdade, realiza o preparo desses alimentos em seus restaurantes, para oferecer refeições a seus hóspedes. E essas refeições é que são vendidas pela interessada, não aqueles alimentos. 15. Ora, os restaurantes não se dedicam à compra e revenda de carnes, peixes, massa alimentícias, ou quaisquer outros produtos de origem animal ou vegetal utilizados no preparo das refeições. Adquiremnos para usálos como ingredientes na preparação de novos bens, que são as refeições fornecidas a seus clientes. Essas refeições não guardam identidade ou sequer semelhança com os produtos adquiridos, que são apenas ingredientes empregados no preparo das refeições. 16. Portanto, os restaurantes são consumidores finais das massas alimentícias, das carnes bovina, suína, ovina, caprina, de aves, e de peixes empregados na preparação de refeições vendidas a seus clientes e, por isso, não fazem jus à redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. 17. Diferentemente do que ocorre, por exemplo, em um açougue ou em um supermercado, não é razoável presumir que o cliente de um restaurante, especialmente um restaurante localizado dentro de um hotel, irá procurar esse estabelecimento a fim de adquirir os produtos listados pela consulente. 18. Corrobora o entendimento aqui expendido, o texto da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 609, de 08 de março de 2013, convertida na Lei nº 12.839, de 09 de julho de 2013, que incluiu os incisos XIX e XX, dentre outros, ao texto do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004 (sem os destaques no original): Excelentíssima Senhora Presidenta da República, Tenho a honra de submeter à apreciação de Vossa Excelência projeto de Medida Provisória que reduz a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a importação de produtos que compõem a cesta básica. 2. São notórias a representatividade e importância social para toda a população brasileira dos produtos que compõem a cesta básica, notadamente para a parcela mais vulnerável economicamente. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10783.906133/201570 Acórdão n.º 3302006.517 S3C3T2 Fl. 8 7 3. Daí a constante preocupação do Governo Federal com a produção nacional, com os sistemas de distribuição da produção, e, evidentemente, com o nível e com a variação de preços dos referidos produtos. (...) 5. Todavia, nos últimos meses, uma complexa conjugação de adversidades econômicas nacionais e internacionais tem ocasionado elevação do preço dos produtos em voga, fragilizando a população mais pobre e pressionando os índices inflacionários. 6. Em razão disso, mostrase necessário, entre outras medidas, reduzir ainda mais a carga tributária incidente na comercialização de produtos que compõem a cesta básica, o que se propõe seja operacionalizado pela redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e sobre a receita decorrente da venda no mercado interno de tais produtos. (...) 19. Fica evidente que a intenção do legislador foi a de reduzir a carga tributária incidente sobre os produtos de gêneros alimentícios, de higiene pessoal e de limpeza doméstica que compõem a cesta básica, e não a de reduzir a tributação incidente sobre as refeições comercializadas por restaurantes. 20. Dessa forma, a redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, não alcança as receitas de venda de refeições auferidas pela consulente em seus restaurantes. As receitas obtidas nestas operações devem integrar a base de cálculo das referidas contribuições nos termos da legislação que rege a matéria, principalmente, a Lei nº 9.718, de 27 de novembro 1998, para receitas sujeitas à cumulatividade das aludidas contribuições, e as Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para as receitas sujeitas à não cumulatividade. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18490.720158/2015-85
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 18490.720158/2015-85
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5961108
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.370
nome_arquivo_s : Decisao_18490720158201585.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 18490720158201585_5961108.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7605254
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416777457664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18490.720158/201585 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.370 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ALBINO F SANTOS & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 49 0. 72 01 58 /2 01 5- 85 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 18490.720158/201585 Acórdão n.º 1003000.370 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1152.793, de 29 de abril de 2016, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP nº 10468.69763.130710.1.3.046375, em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484, período de apuração 08/081980. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 2.799,73, seria decorrente de pagamento indevido relativo ao DARF de valor R$ 3.162,80, recolhido em 27/10/2009. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 241, de 15/04/2015, às fls. 09 e 10, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação fundamentando o seguinte: O presente processo trata da Declaração de Compensação (DCOMP) no 10468.69763.130710.1.3.046375 (fls. 02/06), por meio da qual o contribuinte compensa débito com crédito proveniente de Pagamento Indevido ou Maior, sob o código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, discriminado à fl. 04. À fl. 07, constatase que a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, foi localizado o pagamento, mas integralmente utilizado para amortização de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP(...):. Diante do exposto, com base nas informações e documentos constantes deste processo e no uso da competência estabelecida pelo art. 302, inciso VI, da Portaria MF nº 203/2012, DOU de 17/5/2012, c/c a delegação prevista no art. 3°, III da Portaria DRF/BEL nº 107/2012, DOU de 22/8/2012 resolvo: a) NÃO RECONHECER o direito creditório correspondente a pagamento indevido ou a maior, código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, no valor original de R$ 2.799,73, por inexistência de crédito; b) NÃO HOMOLOGAR a compensação pretendida na DCOMP no 10468.69763.130710.1.3.046375; c) DETERMINAR A COBRANÇA do débito confessado na DCOMP acima mencionada, uma vez que a DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para cobrança dos débitos nela declarados, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996. A contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade e defendeu o seguinte: (i) que efetuou pagamento indevido CSLLEstimativa (2484), referente ao mês de outubro de 2004, no valor de R$ 2.799,73, via DARF, através de parcelamento Fl. 78DF CARF MF Processo nº 18490.720158/201585 Acórdão n.º 1003000.370 S1C0T3 Fl. 4 3 PEPAR (Proc. 10280901293/200864) e posteriormente sendo quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 27/10/2009, sendo esse pagamento indevido compensado através do PER/DCOMP nº 10468.69763.130710.1.3.046375; (ii) pelo exposto, requereu a improcedência da cobrança e a homologação da compensação pleiteada. A DRJ/REC analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXISTENTE Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que repetiu os argumentos e provas acostados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que o crédito em análise foi gerado em razão de pagamento indevido de parcela relativa a CSLL (2484), referente ao mês de outubro de 2004, no valor de R$ 2.799,73. Contudo, afirma que teria efetuado o pagamento do citado valor indevidamente, via DARF, e que foi posteriormente quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 27/10/2009. A PER/DCOMP apresentada pela Recorrente de nº 10468.69763.130710.1.3.046375 (fls. 2 a 6), informa ser o crédito originado a partir do DARF, CSLL, código de receita 2484, com vencimento em 30/10/2009, no valor de R$ 3.162,80. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 18490.720158/201585 Acórdão n.º 1003000.370 S1C0T3 Fl. 5 4 A Autoridade administrativa, ao analisar a liquidez e certeza do crédito, identificou, através do Despacho Decisório (fls. 09 e 10), que o DARF informado no PER/DCOMP como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débito do processo nº 10280.901293/200864, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. A DRJ, ao analisar as informações da manifestação de inconformidade e confrontar com as informações constantes nos sistemas da RFB, verificou o seguinte: a contribuinte apresentou, em 18/04/2008, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2005 –, relativa ao anocalendário de 2004, onde consta, no período de Outubro/2004, na FICHA 16 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA , CSLL a pagar no valor apurado de R$ 8.003,03: a contribuinte apresentou, em 02/09/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Retificadora relativa a Outubro/2004, onde consta no período CSLL cód. 2484 no valor apurado de R$ 8.003,03, com saldo a pagar de R$ 2.799,74: Por essa razão, a contribuinte formalizou o Processo nº 10280.901293/200864 com pedido de parcelamento, por meio do qual quitou o débito de CSLL, cód. 2484, do período de apuração outubro/2004, no valor originário de R$ 2.799,73 (mesmo valor informado na DCTF),(...): Verificase que tanto a Impugnante quanto a Autoridade Fiscal somente se referiram ao Processo nº 10280.901293/200864, sendo justamente nesse processo onde se encontra vinculado o DARF no valor de R$ 3.162,80, recolhido em 27/10/2009. A Impugnante reconheceu a existência desse processo e não apresentou outros dados que supostamente caracterizassem pagamento em duplicidade de CSLL, cód. 2484, no período de apuração outubro/2004. Constatase, portanto, que a Autoridade Fiscal procedeu corretamente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado.. Assiste razão à DRJ. Não há nos autos informações ou provas que pudessem corroborar as alegações de pagamento em duplicidade realizado pela contribuinte. Pelas informações constantes no processo, o DARF está alocado no processo de nº 10280.901293/200864 e o parcelamento informado foi realizado para quitar o débito de CSLL do período. Não há outros documentos nos autos que suportem a alegação de pagamento em duplicidade. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como foi realizado o pagamento em duplicidade e nem traz documentos que possam corroborar a tese ventilada nas defesas. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 18490.720158/201585 Acórdão n.º 1003000.370 S1C0T3 Fl. 6 5 A Lei nº 11.941/2009 alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que especificados na citada norma. A Recorrente, contudo, não informou se estava enquadrada nos requisitos da Lei, nem juntou qualquer documento que comprovasse ter havido a remissão no caso concreto, fato que também não foi identificado pelas autoridades administrativas que instruíram o processo. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/REC. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.925961/2012-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.925961/2012-12
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5964075
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.010
nome_arquivo_s : Decisao_10680925961201212.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VINICIUS GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 10680925961201212_5964075.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. Marcos Antonio Borges - Presidente. Vinícius Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7618170
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051416793186304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 950; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.925961/201212 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3003000.010 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Data 23 de janeiro de 2019 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente CMB CONSTRUTORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 25 96 1/ 20 12 -1 2 Fl. 997DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório O processo versa sobre declarações de compensações eletrônicas (DCOMP), vide fls. 384 a 419, pelas quais a recorrente pretendeu extinguir débitos próprios, utilizando, para tanto, créditos decorrentes de pagamentos atinentes ao PIS/PASEP, supostamente feitos em valores superiores aos devidos, pois seguiram as normas inscritas nos Decretosleis nºs. 2.445 e 2449, ambos de 1998. Consta dos autos que a recorrente conseguiu o afastamento dos referidos instrumentos legais por meio de decisão definitiva, tendo a decisão afirmado o direito à utilização dos créditos de PIS em procedimentos de compensação. Em análise às declarações de compensação transmitidas, foi exarado despacho decisório à fl. 383, reconhecendo parcialmente o direito creditório do contribuinte, tendo, então, sido homologada parcialmente a DCOMP nº. 25723.51003.090909.1.7.542750, restando não homologadas as demais declarações de compensação, cujos supostos créditos eram decorrentes dos aludidos pagamentos a maior de PIS. Em sede de impugnação (manifestação de inconformidade), a recorrente contestou da seguinte forma a decisão recorrida: A ora manifestante, CMB CONSTRUTORA LTDA., ajuizou a ação n° 1999.38.00.0359609, que tramitou perante a 8ª Vara Federal de Belo Horizonte MG, requerendo a restituição do PIS recolhido na forma dos DecretosLeis n° 2.445/88 e 2.449/88, bem como a restituição do PIS recolhido na forma da MP 1.212/95. Quando da prolação da sentença no referido processo, o MM. Juiz de primeira instância entendeu por bem deferir parte dos pedidos da CMB CONSTRUTORA LTDA., ou seja, deferir somente a compensação dos valores indevidamente recolhidos, a título de contribuição para o PIS, calculada nos moldes dos Decretosleis 2.445 e 2.449/88, nos seguintes termos: "Pelo exposto, julgo parcialmente procedente o pedido, para declarar o direito de as autoras compensarem os valores indevidamente recolhidos, a título de contribuição para o PIS, calculada nos moldes dos Decretosleis 2.445 e 2.449/88, com parcelas vincendas da mesma exação e com demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, limitado o indébito aos valores representados pelos comprovantes de arrecadação apresentados nos autos, cujos originais devem ficar à disposição da Fazenda Nacional" (grifamos e negritamos) Diante do trânsito em julgado das decisões judiciais proferidas na referida ação, a CMB CONSTRUTORA LTDA. apresentou toda a documentação necessária ao deferimento da compensação de seus créditos referentes ao PIS recolhido indevidamente nos moldes dos Decretosleis 2.445 e 2.449/88, no período de JULHO/88 a SETEMBRO/95, conforme planilhas anexadas às fls. 20/22 e DARFs juntados às fls. 24/56 dos autos processo judicial 1999.38.00.0359609, cuja cópia integral está sendo juntada à esta manifestação. Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10680.925961/201212 Resolução nº 3003000.010 S3C0T3 Fl. 4 3 Em 05/03/2008, esta Douta Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, através do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário Secat, proferiu a seguinte decisão: "1. Tratase o presente processo de Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, protocolado nesta Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, em 26 de fevereiro de 2008. 2. O interessado apresentou a documentação de fls. 01 a 10, e alega, em síntese, que é detentor do Direito Creditório de PIS no valor de R$ 32.935,01 (doc. de fl. 01), tendo em vista a decisão proferida nos autos da Ação Ordinária n° 1999.38.00.0359609/MG, transitada em julgado em 29 de novembro de 2006, que lhe declarou o direito de compensar os valores pagos indevidamente a título de PIS recolhidos nos moldes dos Decretosleis nº 2.445/88 e 2.449/88, no período compreendido entre julho/88 e setembro/95, com parcelas vencidas e vincendas do PIS e de quaisquer outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.(...) 5. O interessado comprovou todas as exigências contidas no citado dispositivo (IN 600/2005), com vista a demonstrar ser detentor de direito creditório decorrente de decisão judicial transitada em julgado, pelo qual defiro o presente pedido. 6. Esclareçase que esse deferimento, necessariamente, não implica na homologação da compensação. 7. Após ciência deste despacho decisão interessa, enviese este processo a DRF/BHE/Seort/Eqrestpj, para as devidas providências." (grifamos e negritamos) Em novembro de 2012, esta Douta Delegacia da Receita Federal do Brasil, enviou uma carta intimando a CMB CONSTRUTORA LTDA. a apresentar alguns documentos, o que foi prontamente atendido em 05/12/2012, conforme cópias em anexo. Contudo, em 18/01/2013, a CMB CONSTRUTORA LTDA. recebeu uma correspondência, onde, de forma totalmente equivocada, sem qualquer fundamentação ou apontamento plausível e indo de encontro à decisão judicial transitada em julgado, a Auditora Fiscal, Sra. Regina Célia Batista Cordeiro, homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP: 25723.51003.090909.1.7.542750, e não homologou a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 40884.290931.070409.1.3.543737, 22467.32542.201108.1.3.547292, 32449.10171.230109.1.3.544067, 34978.11427.191208.1.3.541663, 16911.68125.240409.1.3.547648, 01223.39811.090909.1.7.542936. Ora ilmo. Delegado, como se pode constatar na documentação em anexo, em total consonância com às decisões transitadas em julgado no processo judicial 1999.38.00.0359609, a CMB CONSTRUTORA LTDA. requereu a compensação de seus créditos referentes ao PIS recolhido indevidamente nos moldes dos Decretosleis 2.445 e 2.449/88, no período de JULHO/88 a SETEMBRO/95, comprovados pelos DARFs juntados às fls. 24/56 dos autos do referido processo judicial, o que demonstra a total desobediência da decisão, ora Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10680.925961/201212 Resolução nº 3003000.010 S3C0T3 Fl. 5 4 contestada, a uma decisão judicial transitada em julgado, devendo a mesma ser reformada, homologando integralmente a compensação dos créditos da manifestante, sendo esta uma questão de LEGALIDADE, DIREITO e JUSTIÇA. A 16ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu decisão, negando provimento à manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1990 a 30/09/1995 DCOMP. Créditos de PIS. Ação Judicial. Correto o Despacho Decisório que apurou o direito creditório em estrita conformidade com a decisão judicial transitada em julgado e, consequentemente, homologou em parte as declarações de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reforçando alguns argumentos apresentados em sua impugnação, tendo juntado demonstrativo onde compara sua apuração do crédito de PIS com aquela apuração feita pela RFB, e contestando os argumentos da decisão recorrida, conforme excertos reproduzidos a seguir: É o relatório. Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10680.925961/201212 Resolução nº 3003000.010 S3C0T3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. O presente litígio se resume à divergência concernente à apuração dos créditos de PIS, reconhecidos judicialmente, e utilizados, como visto, em diversas declarações de compensação, as quais foram não homologadas. Segundo o acórdão recorrido, o Despacho Decisório que apurou o direito creditório está em estrita conformidade com decisão judicial, tendo considerado, de forma correta, os débitos e créditos do PIS do período abrangido pela decisão. A decisão recorrida assinala, ainda, que a determinação do indébito, segundo consta da sentença, deveria levar em conta apenas os comprovantes de arrecadação (DARF) carreados aos autos e que a diferença entre os cálculos da recorrente e aquele realizado pela RFB deveria estar no fato de que a apuração da autoridade fiscal levou em consideração débitos do PIS/Repique relativos aos anos de 1990, 1992, 1993, 1994 e 1995, não considerados pela recorrente. Por sua vez, em Recurso Voluntário, a recorrente sustenta que a divergência entre seus cálculos e aqueles realizados pelo Fisco não está na consideração dos débitos de PIS/Repique, mas no fato de que o despacho decisório da RFB não levou em consideração os créditos dos DARF´s atinentes aos períodos e apuração compreendidos entre setembro de 1990 a março de 1993, e entre abril de 1995 a outubro de 1995. Compulsando o demonstrativo de apuração dos créditos DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO às fls. 334/335 , base do despacho decisório da RFB para a não homologação das declarações de compensação ora analisadas, verificase que não tem razão a recorrente quando afirma que a autoridade administrativa deixou de considerar, em seus cálculos, os DARF´s compreendidos entre setembro de 1990 a março de 1993, e entre abril de 1995 a outubro de 1995. Analisando o referido demonstrativo, verificase que a apuração ali encetada compreende o período de setembro de 1990 a outubro de 1995. Entretanto, observase que a apuração não levou em consideração os recolhimentos de PIS dos períodos de outubro a dezembro de 2002.Tais períodos deveriam ser considerados, ao menos prima facie, na apuração fiscal, tendo em vista que os documentos de arrecadação às fls. 43/44, relativos aos períodos de outubro a dezembro de 2002. Comparando o demonstrativo de apuração elaborado pela autoridade fiscal e aquele apresentado pela recorrente, às fls. 492 a 494, percebese que há outras divergências nos cálculos de créditos. Tomando o período de outubro de 1991, por exemplo, constatase que o valor recolhido apurado pela fiscalização foi de Cr$ 53.259,58, enquanto que o valor apurado pela recorrente totalizou Cr$ 63.340,77. Em outro exemplo, tomando o período de apuração de Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10680.925961/201212 Resolução nº 3003000.010 S3C0T3 Fl. 7 6 setembro de 1992, observase que a fiscalização considerou recolhimento de Cr$ 330.239,14, enquanto que a planilha da recorrente traz um valor de Cr$ 457.122,37. Divergência também pode ser vista na apuração atinente ao período de 06/1993, no qual os cálculos da recorrente faz constar recolhimento de Cr$ 1.889.423,22, concordando com o DARF à fl. 47, enquanto que o demonstrativo fiscal apresenta o valor de Cr$ 6.500.183,46. Observese, ainda, que o demonstrativo da recorrente levou em consideração os débitos de PIS/Repique considerados pela fiscalização, mas, ainda assim, há considerável discrepância entre as apurações do Fisco e da recorrente. Em face das divergências apontadas e levando em consideração que a recorrente apresentou documentos robustos a fim de demonstrar seu pleito, à luz do princípio da verdade material, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem tome as seguintes providências: 1. Confrontar as apurações realizadas pela recorrente (fls. 492 a 494) e pela autoridade fiscal (fls. 334/335), em face dos documentos de arrecadação às fls. 30 a 62, da decisão judicial e dos índices de correção nela fixados, identificando eventuais erros na apuração realizada pelo fisco e pela recorrente por exemplo: qual a razão da apuração fiscal não ter considerado os recolhimentos dos períodos de outubro a dezembro de 2002? Os documentos de arrecadação não foram confirmados no sistema? 2. No caso de apuração fiscal incorreta, realizar nova apuração dos créditos da recorrente, levando em consideração os critérios e índices determinados na decisão judicial, os DARFs às fls. 30 a 62, assim como eventuais débitos do período de apuração. O novo demonstrativo de créditos deverá trazer todas as explicações necessárias, de modo que fiquem claros todos os critérios e índices adotados. 3. Caso haja documento de arrecadação cujo recolhimento não foi confirmado pelos sistemas da RFB, verificar a consistência do recolhimento, adotando todos os procedimentos pertinentes à confirmação de sua arrecadação, analisando, ainda, sua disponibilidade para as compensações realizadas. 4. Elaborar relatório com demonstrativo e parecer conclusivo acerca da suficiência de eventuais créditos provenientes de nova apuração para a extinção dos débitos integrantes das declarações de compensação transmitidas, juntando todos os documentos e elementos necessários para suportar o parecer. 5. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Vinícius Guimarães Relator Fl. 1002DF CARF MF
score : 1.0
