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Numero do processo: 11020.001231/2005-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
PIS/COFINS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
A observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-006.126
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Recorrente PRIME LUMBER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PIS/COFINS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. A observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 12 31 /2 00 5- 31 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11020.001231/200531 Acórdão n.º 9303006.126 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3801001.529, que decidiu por não reconhecer o direito ao creditamento das contribuições não cumulativas (PIS e COFINS) sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpõe o presente Recurso. Requer a reforma do acórdão recorrido para que seja reconhecido o crédito pleiteado, uma vez que os valores relativos aos fretes de transferência estão contemplados no artigo 3º, inciso II e IX, da lei nº 10.833/03. O recurso foi admitido mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.110, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001230/200597, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.110): Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11020.001231/200531 Acórdão n.º 9303006.126 CSRFT3 Fl. 4 3 "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, a discussão posta a esta E. Câmara Superior, diz respeito exclusivamente ao direito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não cumulativos, sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Sem embargo, a decisão recorrida negou provimento ao recurso voluntário, por entender de que seria impossível o creditamento das contribuições não cumulativas (PIS e COFINS) sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, por não se relacionar com operação de venda. Para melhor compreensão dos fatos, verifico que a Contribuinte é uma sociedade que se dedica à industria e ao comércio , exercendo também atividade de exportação de madeira. Nada obstante, verifico que os fretes relacionados a transferência entre filiais, ocorrem em razão da Contribuinte possuir unidades produtivas em diversas localidades do Brasil, embora, para se fazer a exportação necessita transferir as mercadorias para as filiais localizadas junto aos portos de Paranaguá, Itajaí e Rio Grande. A transferência se faz necessária para a formação de lotes para a exportação (venda). Há também uma unidade produtiva destinada ao mercado interno, localizada distante do mercado consumidor, no município de Bom Jesus, interior do Estado do Rio Grande do Sul, desta unidade as mercadorias são transferidas para a matriz localizada em Caxias do Sul, de onde são feitas as vendas, uma vez que a matriz está localizada próxima do mercado consumidor. Dessa forma, os fretes de transferência ocorrem unicamente por questão de logística. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303005.116, de 17 de maio de 2017, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, de Relatoria da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11020.001231/200531 Acórdão n.º 9303006.126 CSRFT3 Fl. 5 4 O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF nº 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11020.001231/200531 Acórdão n.º 9303006.126 CSRFT3 Fl. 6 5 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11020.001231/200531 Acórdão n.º 9303006.126 CSRFT3 Fl. 7 6 produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11020.001231/200531 Acórdão n.º 9303006.126 CSRFT3 Fl. 8 7 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11020.001231/200531 Acórdão n.º 9303006.126 CSRFT3 Fl. 9 8 Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11020.001231/200531 Acórdão n.º 9303006.126 CSRFT3 Fl. 10 9 Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS NºS 10.637/2002 E 10.833/2003 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: ∙ Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11020.001231/200531 Acórdão n.º 9303006.126 CSRFT3 Fl. 11 10 devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento". Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Contribuinte, para reconhecer o direito ao crédito de COFINS sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para reconhecer o direito ao crédito das contribuições não cumulativas sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727894/2012-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS COM TODOS OS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA.
Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa, se os fatos descritos, bem assim os fundamentos legais em que se assentam o procedimento fiscal, não contêm qualquer óbice à apresentação dos argumentos de defesa.
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso.
MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2
Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO.
Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO.
Mantem-se a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma.
Numero da decisão: 1001-000.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS COM TODOS OS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA. Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa, se os fatos descritos, bem assim os fundamentos legais em que se assentam o procedimento fiscal, não contêm qualquer óbice à apresentação dos argumentos de defesa. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2 Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantem-se a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma.
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ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS COM TODOS OS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA. Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa, se os fatos descritos, bem assim os fundamentos legais em que se assentam o procedimento fiscal, não contêm qualquer óbice à apresentação dos argumentos de defesa. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2 Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 78 94 /2 01 2- 91 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10166.727894/201291 Acórdão n.º 1001000.034 S1C0T1 Fl. 84 2 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantemse a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Brasília (DF), mediante o Acórdão nº 0351.066, de 28/02/2013 (efls. 48/54), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento (efl. 23) com a exigência do crédito tributário no valor de R$45.000,00 a título de multa de ofício isolada por nove (09) meses de atraso na entrega em 13/08/2012 do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT), do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 30/11/2011. O lançamento teve o seguinte enquadramento legal: Arts. 16 da Lei nº 9.779/99; 57, inciso I, da Medida Provisória 215835/01; art. 2º da Instrução Normativa RFB 967/09. Em homenagem à economia processual, adotarei parte do Relatório constante no referido Acórdão de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrevêlo: Inconformada com a presente exigência fiscal, a autuada apresentou impugnação ao lançamento arguindo a nulidade da Notificação de Lançamento por não atender aos requisitos do art. 11 do Decreto 70.235/72, além do fato da exigência fiscal, criada a partir de março de 2011, aplicarse retroativamente a todo o ano de 2011. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10166.727894/201291 Acórdão n.º 1001000.034 S1C0T1 Fl. 85 3 Nesse sentido, discorre: “Por outro lado, ao não indicar o preceito legal em que se baseou, mas indicar uma Norma Legal não aplicável ao caso, a IN 967/09, que fora alterada e a regra impositiva substituída por outra, o lançamento fiscal cerceou a defesa, e ainda é nulo por vício formal e material, porque deixou de indicar o preceito legal aplicável ao caso. Pela instrução indicada na norma legal não havia obrigação da empresa para a apresentação e, portanto, a multa é indevida e ilegal, incidindo nas nulidades do ar. 59, II, do Decreto 70.235/72.” Observa que a apresentação do FCONT era obrigatória, conforme IN RFB 967/2009 e 970/2009, apenas quando houvesse a situação da empresa ter procedido a lançamento contábil com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária em vigor no dia 31/12/2007, conforme exigência do RTTRegime Tributário de Transição. A exigência da apresentação do FCONT para quaisquer situações surgiu apenas com as alterações promovidas pela IN RFB nº 1.139, de 28/03/2011. Considerando o princípio da anualidade, as obrigações principal e acessória somente podem ser exigidas a partir do exercício seguinte ao de sua instituição ou alteração. No caso, com o FCONT apresenta informações para período anual, a norma editada em março de 2011 somente poderia vigorar para fatos geradores a partir de 2012. Ressalta que a multa em questão não foi criada por lei, sendo que a art. 16 da Lei nº 9.779/99 diz apenas que a Receita Federal poderá criar obrigações acessórias, entendendo ser necessária uma norma legal específica, conforme preceitua a própria Constituição federal em seu art. 5º, inciso II. Assim o ato é nulo de pleno direito, porque não atende ao que a legislação fiscal determina para sua natureza, infringindo preceitos de ordem pública (art. 37 da Constituição Federal) e princípios claros de Direto Tributário. No mérito alega, em síntese; que apresentou a Controle Fiscal Contábil de TransiçãoFCont em atraso, porém espontaneamente, conforme disciplinado no art. 138 do CTN. Nesse sentido, cita doutrinadores e vasta jurisprudência. Discorre sobre as infrações de natureza continuada, e registra que: “No caso presente, o fato gerador tributário constituise apenas um fato gerador conforme indicado na Notificação, qual seja, “a falta de apresentação no prazo do FCONT.” [...] A aplicação de várias multas como realizado neste Auto de Infração, uma para cada mês de atraso, contraria o Direito Pátrio, merecendo sua nulidade.” Destaca as dificuldades para preenchimento do FCONT, erros nas versões dos programas geradores de declaração e de validações eletrônicos disponibilizados. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10166.727894/201291 Acórdão n.º 1001000.034 S1C0T1 Fl. 86 4 Por fim, ressalta a onerosidade excessiva do valor da multa, ante a vedação da utilização de tributo como forma de confisco, de acordo com art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerando que empresa entregou suas Declaração do Imposto de Renda da Pessoa JurídicaDIPJ pelo critério do lucro real, e que efetuou a entrega da escrituração Fcont de forma espontânea, ou seja, antes de qualquer procedimento de ofício, julgou procedente em parte o lançamento, com a redução da multa, conforme parte final do voto, a seguir transcrita: Desta forma, por força do disposto no artigo 106, inciso II, letra “c”, do Código Tributário NacionalCTN, a lei nova aplicase a ato ou fato não definitivamente julgados quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Como a interessada apresentou sua última Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ (fls.47) apurando lucro real, deve a multa objeto do presente processo ser ajustada para o montante de R$ 13.500,00, previsto na alínea “b”, do inciso I, do art. 57 da Medida Provisória 2158 35/ 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766/2012, e com a redução prevista no parágrafo 3º do mesmo artigo, resultando no montante de R$ 6.750,00. Eis a ementa do Acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura de auto de infração, não há que se falar em violação ao princípio do contraditório, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantemse a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10166.727894/201291 Acórdão n.º 1001000.034 S1C0T1 Fl. 87 5 normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Lei nova que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática aplicase a ato ou fato não definitivamente julgado. Redução da multa em função da nova redação da legislação. Ciente da decisão de primeira instância em 26/07/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 58, a recorrente apresentou recurso voluntário em 20/08/2013 (efls. 59/79), conforme carimbo de recepção à efl. 59. No recurso interposto, a recorrente apresenta os argumentos apresentados em sede de primeira instância. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Tratase de uma repetição dos argumentos apresentados em sede de primeira instância. Estes argumentos foram fundamentadamente afastados, pelo que peço vênia para Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10166.727894/201291 Acórdão n.º 1001000.034 S1C0T1 Fl. 88 6 transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento ao disposto no §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Preliminarmente não há que se falar em nulidade do lançamento quando todos os requisitos previstos no art. 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/19972, foram observados na ocasião da lavratura do auto de infração, verbis: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Além disso, o art. 59 do referido decreto, que regula o Processo Administrativo Fiscal, enumera os casos que acarretam a nulidade do lançamento, verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Registrase que a preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura da notificação de lançamento, sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada, como no caso. E mais, o impugnante articulou perfeitamente a sua defesa, não demonstrando qualquer dúvida quanto ao ilícito fiscal que lhe foi imputado. No presente caso, não foi negado ao contribuinte o direito de discordar com a autuação. De fato, com a apresentação da impugnação ao lançamento, conhecida e ora analisada, foi dado ao requerente a oportunidade de defenderse e mais, foilhe também garantido o direito de ter suas razões analisadas pelo órgão revisor. Dessa forma, não se observando as hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, e estando o lançamento revestido dos elementos exigidos pelo art. 142 do código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), rejeitamse a preliminar de nulidade argüida pelo interessado. No entanto, a recorrente questionou a decisão da DRJ, nos seguintes pontos: Primeiro, alega que "A impugnação apresentou algumas deficiências na Notificação do Lançamento fiscal, especialmente na capitulação legal da legislação que foi aplicada na autuação, no entanto, a r. decisão a quo não levou em consideração essa situação, que sem sombras de dúvidas implica num cerceio de defesa". Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10166.727894/201291 Acórdão n.º 1001000.034 S1C0T1 Fl. 89 7 Este ponto foi questionado pela recorrente em relação ao mérito e será objeto de análise mais adiante. Segundo, alega que a decisão, ao afirmar que não existe o cerceio de defesa, "contraria frontalmente os princípios de Direito da Administração, com supedâneo no art. 37 da Constituição Federal e que foi regulamentado na Lei n° 9.784/99, disciplinando o Processo Administrativo Federal". E acrescenta: Portanto, cercear a defesa não é somente aquelas apontadas na decisão ora recorrida, mas qualquer outra que tolhe do contribuinte a informação necessária à sua ampla defesa e do contraditório. São princípios do Direito. Nesse aspecto, o procedimento fiscal é deficiente e nulo de pleno direito, conforme foi fundamento na Impugnação e que será demonstrado em outros pontos do presente recurso. A recorrente não apontou, objetivamente, quais as outras questões que foram deficientes na autuação ("...cercear a defesa não é somente aquelas apontadas na decisão ora recorrida, MAS QUALQUER OUTRA..."). Tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, alegou suposta deficiência nas exigências do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, o que foi objeto de análise da DRJ e não merece reparos. Dessa forma, não se observando as hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, e estando o lançamento revestido dos elementos exigidos pelo art. 142 do código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), REJEITO A PRELIMINAR de nulidade argüida pelo interessado. Com relação à lide propriamente dita, com os mesmos os argumentos apresentados em sede primeira instância, a recorrente alega dificuldades para preenchimento do FCONT; ilegalidade e irretroatividade da norma, não obrigatoriedade de entrega da FCONT, infração continuada, espontaneidade do contribuinte e onerosidade excessiva da multa. No tocante ao instituto da denúncia espontânea, sustentando ser o mesmo plenamente aplicável à hipótese de que se trata, é de se ressaltar que, embora a contribuinte tenha apresentado espontaneamente a declaração antes de qualquer atividade administrativa da fiscalização, entendese que, mesmo nesses casos a aplicação da multa permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, verbis: Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Ou seja, a exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração se refere à multa de ofício relativa à obrigação principal, qual seja, aquela decorrente da falta Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10166.727894/201291 Acórdão n.º 1001000.034 S1C0T1 Fl. 90 8 de pagamento do tributo, não alcançando a obrigação acessória. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega a destempo (após o prazo legalmente estabelecido), nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Se a obrigação tributária principal não for adimplida, ai sim, a penalidade de ofício aplicada apresenta relação direta com o fato gerador da obrigação principal. Por fim, a acrescentar, em relação ao instituto da denúncia espontânea, tema que versa os autos, suscitado pela recorrente, é respaldado por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº. 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. A seguir, insurgese a recorrente contra os valores das multas aplicadas, contra a onerosidade excessiva da multa, que por isto estaria ferindo os princípios da razoabilidade, da finalidade, da proporcionalidade e do não confisco tributário. Por sua ótica, esses montantes teriam efeito confiscatório, afrontando assim o inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Assim reza o dispositivo constitucional invocado pela recorrente (grifo não consta do original): Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV utilizar tributo com efeito de confisco; [...] Por pertinente, reproduzo abaixo o artigo 3º da Lei nº 5.172/1966 (CTN) (grifo não consta do original): Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ora, desde que tributo não é sanção de ato ilícito, conforme dispõe o CTN, fica patente a distinção entre tributo e multa, esta, sim, de natureza punitiva. E a vedação constitucional invocada se refere tão somente a tributo. Quanto à multa ora em discussão, inaplicável a limitação constitucional do poder de tributar trazida pela recorrente. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10166.727894/201291 Acórdão n.º 1001000.034 S1C0T1 Fl. 91 9 E para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, deve ser trazida à colação a Súmula nº. 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 2 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em inconstitucionalidade de lei. Quanto aos demais questionamentos, temse que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A multa em análise encontra fundamentação legal no artigo 16 da Lei nº 9.779, de 1999, e no art. 57, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835 de 2001, com a redação vigente à época, abaixo reproduzidos: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.” Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados;” Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113 do Código Tributário Nacional). As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal (art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional). Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10166.727894/201291 Acórdão n.º 1001000.034 S1C0T1 Fl. 92 10 Sobre a matéria, a Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007, estendeu às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras e ao critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício, alterando a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e a Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela referida Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007. O RTT terá eficácia até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. Será optativo nos anoscalendário de 2008 e 2009 e obrigatório a partir do anocalendário de 2010, inclusive para a apuração do IRPJ apurado com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Para fins da escrituração contábil os registros contábeis que forem necessários para a observância das disposições tributárias relativos à determinação da base de cálculo do imposto de renda e, também, dos demais tributos, quando não devam, por sua natureza fiscal, constar da escrituração contábil, ou forem diferentes dos lançamentos dessa escrituração, serão efetuados exclusivamente em (a) livros ou registros contábeis auxiliares; ou (b) livros fiscais (art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). O Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) decorre, basicamente, do Regime Transitório de Tributação (RTT) e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real, as quais dependem de escrituração contábil e, por conseguinte, estão obrigadas à entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD). A Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009, instituiu o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares no art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Esse controle é uma escrituração das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária. A Instrução Normativa RFB, nº 949, de 16 de junho de 2009, que regulamenta o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, em sua redação original, determinava que: Art. 2º As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil, para apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. [...]Art. 7º Fica instituído o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares previstos no inciso II do § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10166.727894/201291 Acórdão n.º 1001000.034 S1C0T1 Fl. 93 11 Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. Art. 9º O FCONT deverá ser apresentado em meio digital até às 24 (vinte e quatro) horas (horário de Brasília) do dia 30 de novembro de 2009, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado no dia 15 de outubro de 2009, no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, no endereço Parágrafo único. Para a apresentação do FCONT é obrigatória a assinatura digital mediante utilização de certificado digital válido. Por sua vez, a Instrução Normativa RFB nº 967, de 15 de outubro de 2009, que aprova o programa Validador e Assinador da Entrega de Dados para o Controle Fiscal Contábil de Transição – FCONT, em seu art. 2º, assim estabelece: Art. 1º Fica aprovado o Programa Validador e Assinador da Entrada de Dados para o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCont), de que tratam os arts. 7º a 9º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009. § 1º Os dados a serem apresentados por intermédio do Programa consistem em lançamentos referentes aos mesmos fatos, mas considerando critérios diferenciados, são eles: I lançamentos realizados na escrituração contábil para fins societários, que devem ser expurgados; e II lançamentos considerando os métodos e critérios contábeis aplicáveis para fins tributários, que devem ser inseridos. [...] Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10166.727894/201291 Acórdão n.º 1001000.034 S1C0T1 Fl. 94 12 § 2º Partindose da escrituração contábil para fins societários, expurgados e inseridos lançamentos conforme os incisos I e II do § 1º pode ser gerado o FCont definido no art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009. § 3º No caso da pessoa jurídica que tenha adotado a Escrituração Contábil Digital (ECD), nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787, de 19 de novembro de 2007, a escrituração contábil para fins societários, referida no § 2º, será a própria ECD. § 4º No caso da pessoa jurídica que não tenha adotado a ECD e esteja sujeita à apresentação do FCont, a apresentação da escrituração contábil para fins societários fica condicionada à intimação por parte da autoridade fiscal. Art. 2º O FCont será transmitido anualmente ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a utilização de aplicativo de que trata o art. 1º, disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. [...] Art. 5º A apresentação dos dados a que se refere o art. 1º também será exigida da Pessoa Jurídica que se encontre na situação prevista no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1139, de 28 de março de 2011) Verificase que nos anoscalendário de 2008 e de 2009, a pessoa jurídica que não adotasse os critérios contábeis instituídos pela Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007, que alterou a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, estava dispensada de fazer o FCONT, porque ainda que adotasse o regime de tributação com base no lucro real não era optante pelo RTT, já que o FCONT destinase obrigatória e exclusivamente àquela sujeita cumulativamente ao lucro real e ao RTT. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. Inferese que a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2010, apresentada pela Recorrente espontaneamente consigna expressamente o regime de tributação com base no lucro real e a opção pelo RTT como o exercício de sua faculdade de escolha. O FCont assim tornouse de entrega obrigatória, porque a Recorrente cumulativamente apresentou a DIPJ pelo regime do lucro real e fez opção pelo RTT. O prazo de entrega do FCont para o anocalendário de 2010 foi alterado para 30.11.2011, conforme Instrução Normativa RFB nº 1.164, de 13 de junho de 2011. A não apresentação do FCONT nos prazos fixados na legislação ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, das multas previstas no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10166.727894/201291 Acórdão n.º 1001000.034 S1C0T1 Fl. 95 13 Como se observa, a legislação tributária estabelece que o descumprimento das obrigações acessórias exigidas, nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999 (dentre as quais se insere a não apresentação da escrituração FCONT), até o prazo fixado para a sua entrega, gera multa de R$5.000,00 por mêscalendário de atraso ou fração (posteriormente alterada para R$1.500,00, pela Lei nº 12.766/2012). Isto significa a aplicação de uma multa de R$1.500,00 que se acumula com periodicidade mensal. A intenção do legislador é forçar a entrega da declaração o quanto antes, cominando multa que é majorada a cada mês (para cada mês de atraso somase uma nova multa). Logo, depreendese, que a multa prevista no art. 57, inciso I, da MP nº 2.158 35, de 2001, deve ser aplicada cumulativamente a cada mêscalendário que decorrer sem a entrega de declaração. Assim, tendo a sido o Controle Fiscal Contábil de Transição – FCONT previsto desde 2009 e a multa sido lançada com fulcro em bases legais e normativas vigentes à época da notificação de lançamento, portanto, não havendo que se falar em retroatividade da norma. Também não procede a alegação da não obrigatoriedade de entrega da FCONT, conforme exposto acima e transcrição de excerto da legislação, feita pela própria recorrente em sua peça postulatória (IN n° 1.139, de 28.03.2011, art. 8º, § 4º), verbis: A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2o. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.139, de 28 de março de 2011). (grifo no original) Temse, ainda, que nos estritos termos legais, o procedimento fiscal está em conformidade com o princípio da legalidade, a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Por todo o exposto acima, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.904269/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 26/05/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 26/05/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 69 /2 01 2- 69 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.904269/201269 Acórdão n.º 1302002.417 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 14991.01332.050511.1.3.046000, teria origem em pretenso pagamento indevido de CSLL (código de arrecadação:2372) ocorrido em 26/05/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 13/06/2013 (AR de fls. 67/68), tendo interposto o seu recurso voluntário em 26/06/2013 (doc. de fl. 70). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.904269/201269 Acórdão n.º 1302002.417 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL (código de arrecadação:2372) ocorrido em 26/05/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.904269/201269 Acórdão n.º 1302002.417 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904269/201269 Acórdão n.º 1302002.417 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904269/201269 Acórdão n.º 1302002.417 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.904269/201269 Acórdão n.º 1302002.417 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10825.904269/201269 Acórdão n.º 1302002.417 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720362/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as reclamatórias trabalhistas juntadas aos autos do processo principal 10670.720364/2011-31 e eventual ajuste da base de cálculo do lançamento, assim como sobre a formação da base de cálculo do lançamento e informe sobre a existência de recolhimentos de contribuições previdenciárias. Vencidos os conselheiros relator, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Andrea Brose Adolfo.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo Presidente em exercício e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni, Andrea Brose Adolfo.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as reclamatórias trabalhistas juntadas aos autos do processo principal 10670.720364/201131 e eventual ajuste da base de cálculo do lançamento, assim como sobre a formação da base de cálculo do lançamento e informe sobre a existência de recolhimentos de contribuições previdenciárias. Vencidos os conselheiros relator, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo – Presidente em exercício e Redatora designada (assinado digitalmente) Wesley Rocha redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni, Andrea Brose Adolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .7 20 36 2/ 20 11 -4 2 Fl. 9937DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 197 ___________ Relatório Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado relator AD HOC para fazêlo. Assim, passo a consignar o relatório deixado pelo conselheiro Relator. Tratase de recurso voluntário interposto pela Coteminas S/A contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/Belo Horizonte), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. A fiscalização lavrou autos de infração com o intuito de exigir da ora Recorrente o recolhimento de multa por ter sido constatada a entrega da GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, a regra contida no art. 32, inc. IV, §5º da Lei nº 8.212/91. Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela DRJ/Belo Horizonte. A ementa do acórdão encontrase assim redigida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação previdenciária. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO A totalidade dos rendimentos devidos, a qualquer título, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, destinados a retribuir o trabalho, integram o saláriodecontribuição, ressalvadas apenas as parcelas expressamente excluídas de tributação pela legislação previdenciária.. HORA EXTRA DEVIDA. INCIDÊNCIA. A hora extra devida pela empresa a seus empregados, integra o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO CUMULADA COM A NÃO INFORMAÇÃO EM GFIP DO SEU FATO GERADOR. AFERIÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Na hipótese de ausência de recolhimento da contribuição previdenciária cumulada com a não informação em GFIP do seu fato gerador, a aferição da multa mais benéfica ao contribuinte será feita através do cotejo da soma das multas previstas nos revogados artigos 32, §5º e 35, II da Lei 8.212/91, em relação à sanção pecuniária do art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações referidas nos citados dispositivos da legislação pretérita, e Fl. 9938DF CARF MF Processo nº 10670.720362/201142 Resolução nº 2301000.670 S2C3T1 Fl. 198 3 que, agora, na nova ordem jurídica, encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Ainda irresignada, a Recorrente apresenta recurso voluntário, arguindo essencialmente a matéria de defesa do lançamento principal: (a) a decadência dos lançamentos relativos a 01/2006 e 02/2006, nos termos do art. 150, §4º do CTN; (b) a inexistência de horas extras devidas aos empregados, nos termos da CLT ou de convenções coletivas de trabalho; (c) além de não terem sido reconhecidas como devidas, as alegadas horas extras não constam da folha de salários nem decorrem de condenação judicial, sendo fruto de cálculos realizados pelas autoridades fiscais, com base nos valores de remuneração e na duração da jornada de trabalho de alguns empregados do turno da noite; (d) na verdade, referida verba constitui mera expectativa de direito e só será devida pela Recorrente depois de reconhecida pela Justiça do Trabalho, a quem cabe zelar pelo correto recolhimento das contribuições previdenciárias; (e) ainda que as horas extras fossem devidas, o respectivo cálculo pelas autoridades fiscais estariam incorretos; (f) o subsídio concedido para a compra de gêneros alimentícios em supermercados conveniados é feito por liberalidade e não possui feição contraprestacional, faltandolhe habitualidade; além disso, uma parte do benefício é custeada pelo próprio empregado; (g) o subsídio para aquisição de material escolar igualmente não tem natureza contraprestacional, faltandolhe habitualidade; (h) a aplicação da retroatividade benigna relativamente à multa lançada de ofício está incorreta, devendo ser revista. Em 10/09/2014, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência (acórdão nº 2301000.463) para que o Recorrente apresentasse todas as reclamações trabalhistas promovidas pelos empregados, bem como as Portarias das Delegacias do Trabalhos e acordos e convenções coletivas, todas vigentes à época dos fatos geradores. Ato contínuo, a Recorrente procedeu à juntada dos documentos. A fiscalização não se manifestou sobre o teor das reclamações trabalhistas, nem do seu efeito sobre o lançamento, uma vez que o acórdão nº 2301000.463 não solicitou tal providência. Após, os autos retornaram a este CARF para retomada do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Fl. 9939DF CARF MF Processo nº 10670.720362/201142 Resolução nº 2301000.670 S2C3T1 Fl. 199 4 Conselheiro Wesley Rocha Relator Ad hoc na data da formalização. Inicialmente, cumpre esclarecer que, em razão do Conselheiro Fábio Piovesan Bozza ter renunciado ao mandato que lhe conferia, fui designado como relator ad hoc para formalização do presente voto. Assim, passo a registrar o voto já consignado. Assim, a intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 29/06/2012 e o recurso voluntário foi interposto em 24/07/2012. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Nos debates havidos durante a sessão pública, foi suscitada a necessidade de conversão do presente julgamento em diligência, com o objetivo de dirimir questões fáticas necessárias à análise do recurso voluntário. No entanto, manifesteime pela desnecessidade da referida diligência, por vislumbrar que o recurso voluntário já estaria maduro para ser julgado. A seguir, apresento minhas razões especificamente quanto à matéria da diligência, deixando de me manifestar quanto às demais. Horas Extras – Verba Não Paga Nem Creditada, mas Lançada pela Fiscalização O art. 22, I da Lei nº 8.212/91 determina a incidência de contribuição previdenciária patronal sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título. Ao interpretar tal dispositivo, as autoridades fiscais entenderam que estariam autorizadas a exigir tributo sobre determinadas verbas trabalhistas (horas extras) não pagas ou não creditadas, mas supostamente devidas pela Recorrente com base na legislação trabalhista. Por seu turno, a Recorrente arguiu que a referida verba, além de não ter sido paga, creditada ou reconhecida em folha de salário ou em qualquer outro documento, sequer seria devida nos termos da legislação trabalhista, das convenções coletivas de trabalho e também das próprias manifestações das autoridades trabalhistas. Não obstante o substancioso trabalho de auditoria realizado, entendo que a interpretação das autoridades fiscais não está de acordo com o sistema constitucional tributário brasileiro. Isso porque a prerrogativa constante da lei para exigir as contribuições sociais em comento advém da competência outorgada pela Constituição Federal de 1988. E o respectivo art. 195, inc. I, alínea “a” permite à mencionada lei obrigar o empregador, a empresa ou a entidade a ela equiparada a pagar contribuição social sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Os contornos da manifestação de riqueza sobre a qual poderá recair contribuição social já foram delineados pelo próprio constituinte: a remuneração do trabalho “paga” ou “creditada” pelo empregador, pela empresa ou pela entidade a ela equiparada. Não cabe à legislação ordinária ampliar tal campo de incidência, muito menos ao intérprete. Fl. 9940DF CARF MF Processo nº 10670.720362/201142 Resolução nº 2301000.670 S2C3T1 Fl. 200 5 Consequentemente, o preceito da Lei nº 8.212/91, que permite a incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração “devida”, não pode ser interpretado livremente, desapegado dos parâmetros fixados pelo art. 195, inc. I, alínea “a” (remuneração “paga” ou “creditada”), sob pena de extrapolar a competência outorgada pelo constituinte. E ao interpretar a Lei nº 8.212/91 conforme a Constituição Federal, chegase à conclusão de que a expressão “remuneração devida” deve ser entendida como uma derivação da “remuneração paga” ou da “remuneração creditada”. Isto é, a incidência da contribuição previdenciária depende de a remuneração: (a) ou já ter sido liquidada pela empresa, ainda que não declarada em folha de pagamento (pagamento, crédito em conta corrente etc.); (b) ou já ter sido declarada em folha de pagamento pela empresa, ainda que não liquidada (crédito que gera o efeito jurídico de atribuição do direito de recebimento pelo credor). Vêse, pois, que a riqueza capturada pela contribuição previdenciária não está na conclusão da prestação do serviço ou mesmo no nascimento do direito à percepção da remuneração. Para desencadear a incidência tributária, exigese um ato de disponibilidade da remuneração por parte da empresa (pagamento ou crédito). Em decorrência do exposto, as autoridades fiscais não possuem atribuição para exigir contribuição previdenciária sobre verbas que não foram pagas nem creditadas pela empresa aos empregados. Isso não significa que verbas pagas ou creditadas, mas não tributadas pela empresa, não possam ser requalificadas pelas autoridades fiscais, diante de determinado contexto fático. Assim, o pagamento de verba considerada indenizatória e não tributável pela empresa pode ser requalificada como verba remuneratória e tributável pela fiscalização, se as circunstâncias fáticas assim o permitirem. No caso dos autos, as horas extras apontadas pela fiscalização não foram nem pagas nem creditadas pela Recorrente. Também não foram reclamadas judicialmente pelos empregados (e se o foram, o acórdão recorrido já reconheceu não assistir atribuição à fiscalização para o lançamento, mas sim à Justiça do Trabalho). Portanto, o fato gerador da contribuição previdenciária – pagamento ou crédito de remuneração do trabalho –não ocorreu. O Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 569.056 (repercussão geral), em que foi relator o Min. Menezes Direito, realizado em 11/09/2008, adotou o entendimento de que o fato gerador das contribuições previdenciárias, decorrentes das sentenças proferidas pela Justiça do Trabalho, é o pagamento ou o crédito da remuneração devida ao trabalhador, pelo serviço prestado, nos termos do art. 195, inc. I, alínea “a” da Constituição Federal. Naquela ocasião, foi discutido se a Justiça do Trabalho teria competência para executar contribuições previdenciárias decorrentes meramente do reconhecimento judicial do vínculo de trabalho, sem que a respectiva sentença houvesse condenado o empregador ao pagamento de verbas salariais. Fl. 9941DF CARF MF Processo nº 10670.720362/201142 Resolução nº 2301000.670 S2C3T1 Fl. 201 6 A ementa desse julgado é a seguinte: Recurso extraordinário. Repercussão geral reconhecida. Competência da Justiça do Trabalho. Alcance do art. 114, VIII, da Constituição Federal. 1. A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, VIII, da Constituição Federal alcança apenas a execução das contribuições previdenciárias relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir. 2. Recurso extraordinário conhecido e desprovido. E do voto do Min. Menezes Direito, colhese o seguinte enxerto: O que os arts. 3º da Lei nº 7.787/89 e 22 da Lei nº 8.212/91 estabelecem é a alíquota (20%) e a base de cálculo da contribuição previdenciária (total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados). O fato gerador não é determinado de forma inequívoca, mas das duas possíveis bases de cálculo é possível extrair duas hipóteses de incidência: o pagamento das remunerações aos segurados e o creditamento das remunerações aos segurados. Em verdade, a conclusão a que chegou a decisão [referência à decisão recorrida, correspondente ao RESP nº 419.667/RS] no sentido de que o fato gerador é a própria constituição da relação trabalhista inova em relação ao que foi previsto na lei e até na Constituição. Segundo o inciso I, a', do art. 195, a contribuição social do empregador incide sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, com ou sem vínculo empregatício' (grifouse). Ora, seja semanal, quinzenal ou mensal, a folha de salários é emitida periodicamente, e periodicamente são pagos ou creditados os rendimentos do trabalho. É sobre essa folha periódica ou sobre essas remunerações periódicas que incide a contribuição. E por isso ela é devida também periodicamente, de forma sucessiva, seu fato gerador sendo o pagamento ou creditamento do salário. Não se cuida de um fato gerador único, reconhecido apenas na constituição da relação trabalhista. Mas tampouco se cuida de um tributo sobre o trabalho prestado ou contratado, a exemplo do que se dá com a propriedade ou o patrimônio, reconhecido na mera existência da relação jurídica. Como sabido, não é possível, no plano constitucional, norma legal estabelecer fato gerador diverso para a contribuição social de que cuida o inciso, I, a' do art. 195 da Constituição Federal. O receio de que, sendo nosso sistema de previdência social contributivo e obrigatório, a falta de cobrança de contribuição nas circunstâncias pretendidas pelo INSS não pode justificar toda uma argumentação que para atingir seu desiderato viole o art. 195 da Constituição e ainda passe ao largo de conceitos primordiais do Direito Processual Civil, como o princípio da nulla executio sine titulo, e do Direito das Obrigações, como os de débito e responsabilidade (Schuld und Haftung) que, no Direito Tributário, distinguem Fl. 9942DF CARF MF Processo nº 10670.720362/201142 Resolução nº 2301000.670 S2C3T1 Fl. 202 7 virtualmente a obrigação do crédito tributário devidamente constituído na forma da lei. Com base nas razões acima deduzidas, entendo não merecer reparo a decisão do Tribunal Superior do Trabalho no sentido de que a execução das contribuições previdenciárias está no alcance da Justiça Trabalhista quando relativas ao objeto da condenação constante das suas sentenças, não abrangendo a execução de contribuições previdenciárias atinentes ao vínculo de trabalho reconhecido na decisão, mas sem condenação ou acordo quanto ao pagamento de verbas salariais que lhes possam servir como base de cálculo. Este CARF também já teve oportunidade de se manifestar a respeito, por meio do acórdão 2403002.076 e rechaçar a cobrança de contribuições previdenciárias sobre horas extras JORNADA SUPLEMENTAR NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Em não havendo o pagamento de remuneração à título de horas extras, não há ocorrência de fato gerador, logo não há que se falar em incidência de contribuições sobre tais verbas. Em suma, a Receita Federal, dentro da sua atribuição de fiscalização das contribuições previdenciárias, pode exercer juízo de valor sobre verbas pagas ou creditadas, diante do contexto fático encontrado em suas auditorias1. Mas não pode, previamente à ocorrência do fato gerador das mencionadas contribuições, afirmar se determinada verba seria ou não devida, sob pena de usurpar a competência da Justiça do Trabalho. Por esses motivos – e por não vislumbrar necessidade de diligência – cancelo a exigência fiscal nessa parte. É o voto. Foi assim que o Conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (Assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Ad Hoc na data da sua formalização. Voto Vencedor Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora designada 1 Nesse sentido, vale mencionar o art. 229, §2º do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99): Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Fl. 9943DF CARF MF Processo nº 10670.720362/201142 Resolução nº 2301000.670 S2C3T1 Fl. 203 8 Verifico que há nos autos questões que podem ensejar a cobrança em duplicidade de contribuições previdenciárias, isto porque, conforme documentação acostada, alguns empregados, cujos salários de contribuição foram incluídos na autuação, estariam ingressando perante a Justiça do Trabalho para que fosse reconhecido o direito às horas extras não pagas contemporaneamente. Assim, para que não ocorra o enriquecimento sem causa da União, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora se manifeste sobre: a) as reclamatórias trabalhistas juntadas aos autos do processo principal 10670.720364/201131 e eventual ajuste da base de cálculo do lançamento; b) sobre a formação da base de cálculo do lançamento; e c) a existência de recolhimentos de contribuições previdenciárias para fins de aplicação da regra decadencial apropriada. Após, dêse ciência ao contribuinte, para, querendo, manifestarse em 30 dias. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora designada Fl. 9944DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13769.720304/2013-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
ERRO MATERIAL. ACOLHIMENTO
Embargos de declaração acolhidos apenas para corrigir mero erro material de ofício sem efeitos infringentes, uma vez que o erro não traz nenhum prejuízo a embargante em vista que os fundamentos do voto são claros quanto ao ponto embargado.
Numero da decisão: 2201-003.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos para, sanando a inexatidão material apontada, sem atribuir-lhe efeitos infringentes, corrigir de ofício o Acórdão nº 2201-003.538, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 ERRO MATERIAL. ACOLHIMENTO Embargos de declaração acolhidos apenas para corrigir mero erro material de ofício sem efeitos infringentes, uma vez que o erro não traz nenhum prejuízo a embargante em vista que os fundamentos do voto são claros quanto ao ponto embargado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos para, sanando a inexatidão material apontada, sem atribuir-lhe efeitos infringentes, corrigir de ofício o Acórdão nº 2201-003.538, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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ACOLHIMENTO Embargos de declaração acolhidos apenas para corrigir mero erro material de ofício sem efeitos infringentes, uma vez que o erro não traz nenhum prejuízo a embargante em vista que os fundamentos do voto são claros quanto ao ponto embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos para, sanando a inexatidão material apontada, sem atribuir lhe efeitos infringentes, corrigir de ofício o Acórdão nº 2201003.538, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 11/10/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 9. 72 03 04 /2 01 3- 80 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13769.720304/201380 Acórdão n.º 2201003.932 S2C2T1 Fl. 215 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Embargos de Declaração de fls. 208/209 opostos pela PGFN com o fito de corrigir “obscuridade” ocorrido no V. Acórdão de nº 2201003.538 de fls. 200/207 dos autos assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS LEGAIS CONDICIONANTES PARA A DEDUÇÃO. ATENDIMENTO. DEDUTIBILIDADE. O direito à dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família está condicionado à comprovação de dois requisitos: existência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública que obrigue o Recorrente a pagar pensão; e ocorrência do pagamento. São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, respeitadas as disposições expressas da decisão. DECISÕES ADMINISTRATIVAS ANTERIORES. PROCESSOS COM O MESMO OBJETO DEMANDADOS CONTRA O MESMO CONTRIBUINTE. DECISÕES TERMINATIVAS DE MÉRITO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DA PROMOÇÃO DE NOVAS DEMANDAS. Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. As questões resolvidas na esfera administrativa, por decisão definitiva, não podem ser novamente discutidas no mesmo âmbito, de modo que, Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13769.720304/201380 Acórdão n.º 2201003.932 S2C2T1 Fl. 216 3 por analogia, considerase a ocorrência de coisa julgada administrativa. Inteligência do artigo 337, § 3º, do CPC c/c oartigo 42 do Decreto nº 70.235/72. 2 A embargante alega nos embargos: 1 Tanto a ementa quanto o seguinte trecho invocam o artigo 337, par. 3o, do NCPC/2015, verbis: O Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/72 (“Regulamento do Processo Administrativo Fiscal”), dispõe no seu artigo 337, § 3ºque: “Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado.”, que é o que se verifica no presente caso. 2. Ocorre que o artigo 337, par. 3o não trata sobre o tema da COISA JULGADA, mas, sim, sobre LITISPENDÊNCIA, surgindo daí, a OBSCURIDADE. Vejamos, litteris: § 3o Há litispendência quando se repete ação que está em curso. 3. Ao que tudo leva a crer, o v. acórdão ora embargado queria invocar o artigo 337, par. 4O do NCPC, que dispões, ad litteram: § 4o Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. 3 – Os embargos foram recebidos pela E. Presidência dessa C. Turma às fls. 212/213. 4 É o relatório do essencial. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13769.720304/201380 Acórdão n.º 2201003.932 S2C2T1 Fl. 217 4 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 – Conheço dos embargos pois preenchem os requisitos de tempestividade e admissibilidade. 6 – A indicação equivocada de dispositivo legal em que se fundamenta a decisão não traz prejuízo a parte embargante, porquanto o conteúdo e razões do V. Acórdão quanto à conclusão da lide traz de forma clara a matéria discutida. 7 Da mesma forma que a indicação equivocada de dispositivo de lei em recurso ou impugnação em nada obsta a análise do feito, pois cabe ao julgador aplicar o direito para solução da lide de acordo com os fatos narrados e provas produzidas. 8 – Portanto, tratase de mero erro material podendo ser sanado de ofício. 9 – Dessa forma procedo à retificação de ofício em relação ao V. Acórdão para que a ementa seja descrita da seguinte forma: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2011 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS LEGAIS CONDICIONANTES PARA A DEDUÇÃO. ATENDIMENTO. DEDUTIBILIDADE. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13769.720304/201380 Acórdão n.º 2201003.932 S2C2T1 Fl. 218 5 O direito à dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família está condicionado à comprovação de dois requisitos: existência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública que obrigue o Recorrente a pagar pensão; e ocorrência do pagamento. São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, respeitadas as disposições expressas da decisão. DECISÕES ADMINISTRATIVAS ANTERIORES. PROCESSOS COM O MESMO OBJETO DEMANDADOS CONTRA O MESMO CONTRIBUINTE. DECISÕES TERMINATIVAS DE MÉRITO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DA PROMOÇÃO DE NOVAS DEMANDAS. Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. As questões resolvidas na esfera administrativa, por decisão definitiva, não podem ser novamente discutidas no mesmo âmbito, de modo que, por analogia, considera se a ocorrência de coisa julgada administrativa. Inteligência do artigo 337, § 4º, do CPC c/c o artigo 42 do Decreto nº 70.235/72. 10 – Outrossim o seguinte trecho do fundamento do voto passando a ser transcrito: "O Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/72 (“Regulamento do Processo Administrativo Fiscal”), dispõe no seu artigo 337, § 4ºque: “Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado.”, que é o que se verifica no presente caso." Conclusão Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13769.720304/201380 Acórdão n.º 2201003.932 S2C2T1 Fl. 219 6 11 Diante de todo o exposto, voto por admitir e acolher os embargos, sem efeitos infringentes para, corrigir de ofício a inexatidão material apontada no dispositivo do V. Acórdão nº 2201003.538 conforme fundamentação. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.006529/2010-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
Numero da decisão: 9202-006.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configurase a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 65 29 /2 01 0- 31 Fl. 194DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Recorrente requer que a retroatividade benigna seja aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. Importante mencionar que, conforme termo de desapensação de fls. 180, este processo encontravase apenso ao Processo 10950.006527/201042, principal, e foi desapensado para permitir o julgamento do respectivo recurso na sistemática prevista no art.47, §§1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de2015. Inicialmente pautado para a sessão de julgamento de 27/06/2017, por meio da Resolução nº 9202000.121, o Colegiado converteu o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que essa prestasse informações oficiais acerca da existência e, também, abrangência de eventual pedido de parcelamento apresentado pelo Contribuinte. Às fls. 190/191 foi juntado aos autos resposta elaborada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR à diligência solicitada, oportunidade em que se atestou a existência de parcelamento integral do débito requerido pelo Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme descrito no relatório, estamos diante de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional o qual foi recebido para rediscussão do critério de aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades lançadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Embora de fato haja uma divergência jurisprudencial na tese apresentada pela Recorrente, nos termos em que fixado pelo respectivo despacho de admissibilidade, há nos autos incidente processual que merece ser apreciado. Estamos falando da renúncia apresentada pelo contribuinte em razão de adesão à programa de parcelamento especial instituído pelo Poder Executivo. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10950.006529/201031 Acórdão n.º 9202006.141 CSRFT2 Fl. 195 3 Conforme resposta fornecida pela Delegacia da Receita Federal de maringá/PR Às fls. 190/191, em cumprimento à Resolução nº 9202000.121, o Contribuinte renunciou expressamente ao direito sobre o qual versa a lide haja vista sua adesão ao programa especial de parcelamento de débitos instituído pela Lei nº 11.941/2009, com modificações promovidas pela Lei nº 12.996/2014. Vale transcrever parte do conteúdo do documento: Diante disto, não há mais qualquer litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado em sua totalidade, razão pela qual deve ser declarada a definitividade do crédito tributário nos termos do art. 78 do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. Fl. 196DF CARF MF 4 § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao Recurso para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.726186/2014-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR JUNTADAS AO PROCESSO.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. A prova tem que ser apresentada, não basta a alegação da ocorrência da despesa médica.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESA MÉDICA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2001-000.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR JUNTADAS AO PROCESSO. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. A prova tem que ser apresentada, não basta a alegação da ocorrência da despesa médica. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESA MÉDICA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 92 1 91 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.726186/201408 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.175 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2017 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente EUSTAQUIO RIBEIRO BOAVENTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR JUNTADAS AO PROCESSO. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. A prova tem que ser apresentada, não basta a alegação da ocorrência da despesa médica. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESA MÉDICA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 61 86 /2 01 4- 08 Fl. 92DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O processo referese à Notificação de Lançamento relativa ao ano calendário de 2011, em razão da restituição solicitada pelo contribuinte de R$ 12.294,99, que foi ajustada para R$ 11.295,92, por dedução do imposto de renda pessoa física com a utilização de comprovante de despesa médica. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, através de outros documentos, porque aqueles acostados não estariam a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pelo Recorrente. Conforme impugnação, o próprio contribuinte concorda com a glosa referente à Norton Ortodontia Integrada de Sobradinho Ltda (item 2 da Notificação de Lançamento – fl.30), no valor de R$ 1.363,00, senão vejamos: (...) Portanto, quanto à glosa supracitada, não houve impugnação. Frisese que se considera não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972. Quanto às demais glosas no valor total de R$ 2.270,00, o contribuinte apresenta impugnação informando que se referem a despesas médicas com ele próprio, anexando documentos comprobatórios às fls. 4/5. Observese o que dispõe a legislação do Imposto de Renda sobre dedução de despesas médicas: DECRETO Nº 3.000, DE 26 DE MARÇO DE 1999 (RIR 99) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10530.726186/201408 Acórdão n.º 2001000.175 S2C0T1 Fl. 93 3 hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; LEI Nº 9.250, DE 26 DE DEZEMBRO DE 1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; O CRO da dentista foi informado nos recibos, fl. 5, sanando a irregularidade apontada na Notificação de Lançamento. Observese que o CRO informado, à mão, nos recibos apresentados pelo contribuinte conferem com o obtido na consulta ao site do Conselho Regional de Odontologia da Bahia. Portando a glosa, no valor de R$ 1.970,00, referente às despesas médicas para com os serviços prestados dela dentista Leodina de Paschoa Ramos Feitosa deve ser revertida em favor do contribuinte. Na nota fiscal apresentada pela defesa, fl. 4, consta que foi prestado o serviço de “exame médico”. Não considero que expressão “exame médico” apostada na Nota Fiscal da Climen especifique o serviço prestado. Afinal, que tipo de exame médico foi prestado? Quanto a este item, considero que a glosa deve ser mantida tendo em vista que a irregularidade apontada pela Autoridade Fiscal não foi sanada. Fl. 94DF CARF MF 4 Pelo exposto, voto por considerar parcialmente procedente a impugnação. Assim permanece a glosa no valor de R$ 1.663,00. Assim, conclui o acórdão vergastado pela parcial procedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 457,32, referente à glosa do valor das despesas médicas de R$ 1.663,00. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10530.726186/201408 Acórdão n.º 2001000.175 S2C0T1 Fl. 94 5 É o relatório. Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei e grifei) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um Fl. 96DF CARF MF 6 oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Logo, seria legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, por comprovação mediante apresentação de documento hábil de seu plano de saúde, nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Neste caso o Fisco requer a apresentação da comprovação da despesa médica alegada. Em qualquer caso fazse necessária a apresentação da documentação original da despesa realizada, e ainda, o Recorrente poderia fazer a comprovação da despesa por um ou outro meio, pois é admitido que na falta de um se faça através de outro meio de comprovação. Não há no texto legal qualquer indicativo para a exigência das duas comprovações. Observe se a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas na falta de comprovação da despesa, por documentação que indique a ocorrência da prestação de serviço. Contudo, no exame da documentação acostada ao processo verificase que o Recorrente não apresentou a documentação comprobatória na forma estipulada em lei para a comprovação da despesa que utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, nos termos do decidido no acórdão contestado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendo os termos do acórdão vergastado. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10530.726186/201408 Acórdão n.º 2001000.175 S2C0T1 Fl. 95 7 Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003137/2006-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário:2001
Custos não Comprovados: Glosa de Custos. Retificação do Prejuízo Fiscal Nos termos do art. 923 do RIR/99, os fatos registrados na escrituração contábil devem ser comprovados por documentos hábeis. A não comprovação pelo contribuinte dos valores deduzidos a título de “Outros Custos” dá ensejo a glosa do valor declarado a esse título.
Tributação Reflexa: CSLL
Aplica-se à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1401-000.543
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Alexandre Antônio Alkmim Teixeira
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Retificação do Prejuízo Fiscal Nos termos do art. 923 do RIR/99, os fatos registrados na escrituração contábil devem ser comprovados por documentos hábeis. A não comprovação pelo contribuinte dos valores deduzidos a título de “Outros Custos” dá ensejo a glosa do valor declarado a esse título. Tributação Reflexa: CSLL Aplicase à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antônio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Fl. 437DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR 2 Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. Declarouse impedido o Conselheiro Maurício Pereira Faro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0814.815, proferido pela 4ª Turma da Delegada da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e respectivas partes integrantes (fls. 200/202), para ajuste da base de cálculo do referido imposto, decorrente da glosa de Custos (Outros Custos), no valor de R$ 31.433.085,92, referente ao anocalendário de 2001 (DIPJ/2002, Ficha 4A, linha 16 (fls. 36), resultando na alteração do prejuízo fiscal declarado pelo contribuinte, conforme circunstanciado em anexo próprio da referida peça impositiva (fls. 202). 2. Referida exigência originouse em função de ter sido detectada, conforme Auto de Infração do IRPJ, a seguinte irregularidade, cujo teor da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 202), c/c o Termo de Verificação Fiscal (fls. 196/199), aplicados à matéria, transcrevese abaixo: 2.1 — Custos ou Despesas Não Comprovadas: Glosa de Custos 2.1.1 Lançamento de ofício tendo em vista que o contribuinte contabilizou a deduziu como Custos (Outros Custos) o valor de R$ 31.433.085,92, referente ao ano calendário de 2001 (DIPJ/2002, Ficha 4A, linha 16 (fls. 36), sem, no entanto, comproválos com documentação hábil e idônea, razão pela qual a Fiscalização procedeu a glosa do referidovalor; 2.1.2 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, c/c o Termo de Verificação Fiscal (fls. 196/199), partes integrantes e inseparáveis do presente Auto de Infração, apurou se no anocalendário sob exame o seguinte valor tributável: 2.1.3 Enquadramento Legal: arts. 249, inciso I; 251, parágrafo único; c/c o art. 300, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 RIR/99 (fls. 202). Fl. 438DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 19515.003137/200648 Acórdão n.º 1401000.543 S1C4T1 Fl. 438 3 2.2 Lavrouse, também, pelo mesmo motivo, o Auto de Infração relativo à CSLL, desta feita para retificar a base de cálculo negativa da referida contribuição, nos seguintes termos: 2.2.1 Auto de Infração Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: CSLL (fls. 203/205), sem crédito tributário, somente para ajustar a base de cálculo da referida Contribuição, em decorrência da glosa de custos no mesmo valor descrito para o IRPJ, de R$ 31.433.085,92, cuja infração coube ao art. 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; art. 19, da Lei n° 9.249/95; art. 1° da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96, c/c o art. 6° da Medida provisória n° 1.858/99 e suas reedições, sendo apurados os novos valores da base tributável da CSLL, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal atinentes à citada Contribuição, c/c o Termo de Verificação Fiscal e Demonstrativo de Compensação da CSLL (fls. 209); 3. Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 27/12/2006 (fls. 200, 204, e 206), o contribuinte apresentou impugnação em 26/01/2007 (v. II, fls. 216/239). Alega, em síntese, que: 3.1 — sob o tópico Dos Fatos discorre sobre o procedimento adotado pela Fiscalização para glosar o valor dos custos declarados pela impugnante, contra o qual discorda, requerendo a nulidade do procedimento e no mérito sua improcedência, a teor dos itens subseqüentes; 3.2 — assim, argúi, em sede de preliminar, a nulidade do instrumento de autuação, passando então a demonstrar os motivos pelos quais entende que o Auto de Infração deve ser nulo, nos seguintes termos: 3.2.1 — embora conste no Relatório da Fiscalização que o limo Fiscal não examinou os documentos que deram respaldo aos lançamentos contábeis, dado que a impugnante não teria conseguido relacionar as contas que compuseram o valor indicado na linha 16 da Ficha 04A, por meio de seus registros e controles, a impugnante adota o sistema de custos por absorção; 3.2.2 — nesse sistema de custeio, os custos dos diversos produtos de fabricação da impugnante são apurados a medida em que os mesmos são consumidos, sendo, portanto, um sistema heterogêneo, dado que os mesmos têm periodicidades distintas (diário, semanal, quinzenal, mensal e bimestral), de sorte que ao final de cada mês o grupo Custos de Produção que recebe os débitos da Linha 16 da Ficha 04A, da DIPJ 2001/2002 é apropriado ao Estoque de Produtos em Processo e, pela conclusão dos produtos, ao estoque de Produtos Acabados, e deste são baixados para o Custo dos Produtos Vendidos; 3.2.3 — o sistema de custo por absorção ou custo médio é aceito pela legislação fiscal brasileira, tendo a Receita Federal, nesse sentido, baixado o PN CST 06/79, que, em seu item 2.1 dispõe Fl. 439DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR 4 que: "A avaliação de custo médio, embora não prevista na legislação anterior ao DL n° 1.598, tem sido admitida desde há muito tempo pela administração tributária. Consiste em avaliar o estoque a custo médio de aquisição, apurado em cada entrada de mercadoria ou matériaprima, ponderado pelas quantidades adicionadas e pelas anteriormente existentes..." 3.2.4 — todavia, o Ilmo Fiscal não entendeu ou não aceitou tal avaliação de custos, tendo simplesmente glosado o valor escriturado, sem, todavia, analisar a documentação que deu respaldo aos lançamentos contábeis, procedimento esse que contraria os arts. 923 e 924 do RIR199, aquele dispondo que a escrituração do contribuinte mantida com observância das disposições legais faz prova a se favor, enquanto este prescreve que cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do art. 923; 3.2.5 — com base, pois, nas regras previstas nos referidos comandos legais, todos os registros contábeis da impugnante e os documentos que o suportam fazem prova a seu favor, devendo o AuditorFiscal analisálos levando em conta a metodologia de apuração de custos da impugnante. Porém, ao discordar do método utilizado pelo contribuinte, caberia ao mesmo, à luz do art. 924 do RIR199, fazer prova da "inveracidade" dos lançamentos contábeis a fim de apurar eventual crédito tributário; 3.2.6 — aduz inda que, o Agente Fiscal sequer se deu ao trabalho de analisar os documentos que suportaram os lançamentos contábeis, limitandose apenas a análise do procedimento de apuração de custos, pois caberia ao mesmo demonstrar que os lançamentos contábeis não refletem o conteúdo dos documentos fiscais, não se admitindo a presunção para o afastamento da certeza veracidade que o artigo 923 do RIR/99 garante à escrituração feita pela impugnante. Reforça tal entendimento, trazendo à colação o teor da Ementa relativa ao Recurso n° 121.494, da 3a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, julgandose a peça acusatória improcedente quando no procedimento fiscal não se observar os requisitos para a utilização da prova emprestada, afrontarse o princípio da tipicidade e houver superficialidade da investigação; 3.2.7 causalhe espanto a conclusão tirada pela Fiscalização no sentido de que não seria possível à mesma formar a convicção acerca da regularidade do valor do custo deduzido do resultado se ela própria aceitou a explicação da impugnante nesse sentido, obtendo os custos por meio da fórmula CMV = El + C — EF, onde: CMV — Custo das Mercadorias Vendidas; EI — Estoque Inicial; C — Compras e EF Estoque Final; 3.2.8 — aduz ainda que, se a Própria Receita Federal aceitou o tipo de explicação, não havendo, assim, justificativa plausível na conduta do Fiscal em declarar a impossibilidade de exame fiscal dos documentos, aliado ao fato de que a Fiscalização não demonstrou que os lançamentos contábeis da impugnante estariam equivocados e, considerandose que sequer tais Fl. 440DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 19515.003137/200648 Acórdão n.º 1401000.543 S1C4T1 Fl. 439 5 documentos foram analisados, o Auto de Infração não procede sendo imperioso o acolhimento da presente preliminar, declarandose a sua nulidade, desde já requerida. 3.3 Sob o tópico do Mérito, argúi que: 3.3.1 — antes de adentrar ao mérito da questão e, com o propósito de demonstrar o direito que lhe assiste, necessário se faz a fixação de conceitos contábeis, discorrendo no item I/A — Conceituação Contábil e Fiscal da Apuração e Método de Custeio; Conceituação e classificação das contas contábeis, quanto ao conceito de estoques, as seguintes considerações: a) os estoques representam um dos ativos mais importantes do capital circulante e da posição financeira das empresas industriais e comerciais, de sorte que sua correta determinação no início e no fim do período contábil é essencial para uma apuração adequada do lucro líquido do exercício; b) nesse sentido, o momento de contabilização de compras de itens de estoque, assim como o de vendas à terceiros deve ser o da transmissão do direito de propriedade dos mesmos. Assim, para se saber se os itens integram ou não a conta de estoques, o importante não é sua posse física, mas sim o direito de propriedade, conforme dispõe a NPC — IBRACON (Estrutura Conceituai Básica de Contabilidade), ao definir o que é estoque (fls. 225); c) traz ainda à colação o conceito de "estoques", dado pela Lei das Sociedades por Ações (Lei n° 6.404/76), segundo a qual os estoques representam "os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio da companhia, assim como matériasprimas, produtos em fabricação e bens do almoxarifado". Ressalta que, para as empresas industriais, como é o caso da impugnante, são necessárias diversas contas contábeis para a demonstração do seu conteúdo. Elenca como contas de Estoques, entre outras, as seguintes: Produtos Acabados, Mercadorias para Revenda, Produtos em Elaboração, Provisão para Perdas em Estoque, esclarecendo, também, o que cada conta comporta, engloba, representa (fls. 225/227); 3.3.2 — no item B do citado tópico (Critérios de Avaliação), argúi que: a) segundo o inciso II, do art. 183, da Lei das S/A, "Os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio da companhia, assim, como matériasprimas, produtos em fabricação e bens em almoxarifado, serão avaliados pelo custo de aquisição ou produção, deduzido da provisão para ajustálo ao valor de marcado, quando este for inferior". Nesse sentido, a base elementar da contabilização dos estoques é o custo; b) o pronunciamento IBRACON n° 02/99 (itens 8, 11 e 26), que traz à colação, define o que é custo e como serão os Fl. 441DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR 6 procedimentos para o seu reconhecimento na contabilidade. Ressalta, quanto ao reconhecimento do custo ou gasto nos resultados que o custo relativo ao estoque deve ser feito pelo "custeio real por absorção", devendo ser incluídos todos os custos reais incorridos obtidos pela Contabilidade Geral e pelo sistema de absorção, o que significa a inclusão de todos os gastos relativos à produção, sejam os diretos (material, mãode obra e outros), sejam os indiretos (gatos gerais de fabricação); c) a inclusão de três elementos de custos definidos (Custos dos Materiais, Custo de MãodeObra Direta e Gastos Gerais de Fabricação), representa o custo por absorção, ou seja, o estoque em processo ou acabado "absorve" todos os custos incorridos, diretos ou indiretos, sendo esta a base de avaliação aceita conforme os Princípios Fundamentais da Contabilidade, bem como pela Lei das S/A e pela Legislação Fiscal; 3.3.3 — no item C do citado tópico (Apuração do Custo), argúi que: a) o custo dos produtos vendidos deve corresponder às receitas de vendas dos produtos e serviços reconhecidos no mesmo período. A apuração 'do CPV está diretamente relacionada aos estoques por vendas realizadas no período, decorrendo daí a fórmula de sua apuração, representada por: CPV = EI + CL — EF, onde: CPV — Custo dos Produtos Vendidos; EI — Estoque dos Produtos destinados à venda no início do período; CL — compras Líquidas ou Entradas no período; e EF — Estoque dos produtos destinados à venda no final do período; b) além de atuar como instrumento de controle e também servir de base para o orçamento, o custeio do produto representa um elemento essencial entre as atividades da contabilidade de uma empresa, o processo de custeio estabelece quanto de custo e despesa forma usados por um produto, um grupo de produtos, uma atividade específica ou um conjunto de atividades da empresa; c) o grupo de Custos de Produção é o que segrega na Contabilidade Geral todos os custos relacionados com o sistema produtivo, visando facilitar a apuração do custeio de produção, e que é utilizado pela contabilidade de custos para absorção e transferência aos Estoques de Produtos em Processo. Ressalta, neste nesse sentido, que os custos de seus produtos são representados basicamente pelas rubricas discriminadas às fls. 230 dos autos; d) assim, ao final de cada mês, o grupo de Custos de Produção que recebe os débitos expostos é apropriado ao Estoque de Produtos em Processo e, pela conclusão dos produtos, ao Estoque de Produtos Acabados, e deste são baixados para o Custo dos Produtos Vendidos, no resultado, conforme representado graficamente às fls. 321 dos autos; 3.4 Sob o tópico II do Mérito (Metodologia de Apuração de Custos na Impugnante), argúi que: 3.4.1 — aduz, em primeiro lugar, que a impugnante comercializa livros e periódicos (revistas) em todo o território nacional, cujo Fl. 442DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 19515.003137/200648 Acórdão n.º 1401000.543 S1C4T1 Fl. 440 7 componente editorial é totalmente desenvolvido por profissionais da Impugnante e impressos em agentes gráficos contratados. Esclarece que os custos de produção de um periódico são representados por matérias—primas, impressão gráfica, custos editoriais e gastos com salários e encargos; 3.4.2 — ressalta que a metodologia de custos adotada pela Impugnante leva em conta todas as etapas de um processo produtivo (matériaprima, produtos em elaboração, produtos semielaborados e produtos acabados), e que está representada pela aquisição de insumos de produção e matériasprimas — o critério de avaliação desses estoques é determinado pelo custo médio ponderado de aquisição, alocáveis à produção de maneira direta e indireta, sendo os custos indiretos absorvidos à produção por meio de critérios de rateios préestabelecidos; 3.4.3 — os custos indiretos, por sua vez, são classificados em fixos e variáveis e representam, basicamente, as despesas editoriais, salários e encargos. São absorvidos à produção através de rateios que são determinados por apontamentos de produção. Ressalta que, a princípio, esses custos são classificáveis em contas de resultado e, por meio da departamentalização, transferidos para Estoques em Processo e seqüencialmente, após o encerramento da etapa de produção, transferidos para a conta de Estoque dos Produtos Acabados; 3.4.4 — na metodologia utilizada, será exemplificada e evidenciado os gastos alocáveis em contas de estoques em elaboração, bem como o processo de departamentalização dos custos indiretos, contabilizados a resultado, associados a centros de custos produtivos, que serão absorvidos e apurados na produção; 3.4.5 — traz à colação um exemplo hipotético em que partindo dos valores iniciais para as contas de estoques e de resultado, apura o total do Ativo e do Passivo de R$ 224.775,00, e na Demonstração do Resultado do Período, para um total de Vendas de R$ 89.250,00, subtraindo os Custos das Vendas, obteve o resultado Líquido de R$ 26.775,00 (fls. 233/235); 3.4.6 — ressalta que o valor de R$ 62.475,00 representa o produto entre a quantidade vendida e o custo médio unitário, sendo que este valor não está claramente refletido nas aquisições de custos diretos, indiretos ou insumos de produção. Salienta, também, que, o processo de transformação das etapas produtivas contabilizou um novo referencial financeiro para o preço médio unitário; 3.4.7 — assim, para uma análise plena do montante de "Outros Custos", o Agente Fiscal deveria considerar, inclusive, os saldos inicial e final da conta de "Estoques em Processo", os saldos inicial e final, as entradas e os valores e baixas da conta "Produtos Acabados"; 3.4.8 — conforme o Manual de Contabilidade da g Sociedades por Ações em sua 6a edição, Capítulo 7 — Estoques, a conta Fl. 443DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR 8 contábil Produtos em Elaboração "representa a totalidade das matériasprimas já requisitadas que estão em processo de transformação e todas as cargas de custos diretos e indiretos relativos à produção não concluída na data do Balanço". Pelo término dos produtos, seus custos são transferidos para Produtos Acabados, sendo que recebe os débitos oriundos das cargas de apropriação dos custos de produção. O custo dos estoques de produtos em processo e acabados na data do Balanço deve ser feito pelo custeio real por absorção, ou seja, deve incluir todos os custos diretos (material, mãodeobra e outros) e indiretos (gastos gerais de fabricação), necessários para colocar o item em condições de venda"; 3.4.9 — assinala que, a inclusão dos três elementos de custos definidos (material, mãodeobra e gastos gerais de fabricação), representa o custeio por absorção, ou seja, o estoque em processo ou acabado "absorve" todos os custos incorridos, diretos ou indiretos. Como a impugnante tem diversas linhas de produtos com freqüência semanal, quinzenal, mensal e bimestral, à medida que os mesmos são fabricados são levados, ao mesmo tempo, à conta de "estoque produtos acabados" e, somente após serem vendidos os seus custos (diretos e indiretos) são assumidos a fim de comporem o resultado; 3.4.10 — reforça a importância do método do Custeio por Absorção, segundo o qual o lucro é determinado não apenas em função das vendas, pois o lucro será influenciado pela variação de estoques, cujo custo incluirá parcelas de custo fixo, além de custos variáveis; 3.4.11 — depreendese, assim, que o saldo desta conta é aumentado (debitado) em virtude dos gastos com matérias primas, mãodeobra direta e custos indiretos de fabricação necessários à produção, sendo diminuído (creditado) quando da conclusão do produto, com a sua transferência para a conta Estoque de Produtos Acabados. Em nenhum desses casos há o reconhecimento do custo dos produtos no resultado, sendo apropriado somente na venda, pela baixa da conta de Estoque de Produtos Acabados; 3.4.12 — traz à colação o Parecer da Ernest Young, segundo o qual a Impugnante adotou procedimento contábil correto quanto à apuração de seus resultados, de sorte que o Ilmo Fiscal antes de simplesmente glosar os custos da impugnante, deveria se ater ao método de apuração de custos por absorção, do qual a impugnante se utiliza e não ignorálo e glosar os custos sem justificativa; 3.4.13 — ressalta ainda que é uma das maiores editoras do Brasil, compondo um dos maiores conglomerados de mídia e comunicação do mundo e, nessa condição, não iria criar um procedimento de contabilização de custos não aceito pela legislação brasileira; 3.4.14 — ante o exposto e considerando a documentação que se encontra à disposição da Fiscalização nas dependências da Impugnante, requer seja refeito o procedimento de fiscalização, desta feita para realização de perícia, ocasião em que devem ser Fl. 444DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 19515.003137/200648 Acórdão n.º 1401000.543 S1C4T1 Fl. 441 9 analisados todos os documentos e o procedimento contábil da mesma, além de outros eu se façam necessários, para a instrução da nova decisão ser proferida; 3.4.15 — junta à presente defesa, a documentação que a Fiscalização exigiu ao longo do procedimento, informando que toda a documentação fiscal relativa aos lançamentos " contábeis, objeto do presente processo, se encontram à disposição da Fiscalização para averiguação. Ressalta, porém, que não a juntará na presente impugnação devido ao grande volume de documentos, pois ao mais de 10.000 (dez mil) folhas. Nesse sentido, reitera a disponibilização dos documentos à Fiscalização da DRF competente para a sua averiguação; 3.4.16 — levando em conta as divergências apontadas pela Fiscalização e constantes na contabilidade da Impugnante, requer no termos do art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72, a produção de prova pericial para comprovar o correto lançamento do valor de R$ 31.586.427,24, na Linha 16 da Ficha 04A, da DIPJ 2001/2002; 3.4.17 — assim formula os seguintes quesitos ao Perito: a) a metodologia de apuração de custos adotada pela Impugnante, custos por absorção é correta? b) os valores relativos aos estoques custos do ano de 2001 da impugnante estão corretamente apurados e quantificados? c) o valor constante na Linha 16 da Ficha 04A da DIPJ 2001/2002 está correto? 3.4.18 — com base no mesmo dispositivo do Decreto n° 70.2235/72, informa o nome do Assistente Técnico, sua qualificação e endereço, a saber: Sr. Sidney Venezziani; profissão — contador; CPF n° 189.293.46804; Endereço: Pça. Padre Manoel da Nóbrega n° 21, 6° andar/61, centro — São Paulo; Telefone: (11) 3105 —5051; 3.4.19 — ante o exposto, requer: a) seja anulado o Auto de Infração, em face do procedimento falho da Fiscalização que não conseguiu elidir a veracidade da escrituração contábil da impugnante, razão pela qual deve a mesma ser aceita pela fiscalização; b) caso a preliminar levantada não seja acolhida, o que admite apenas para argumentar, com fundamento no art. 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/72, requer a impugnante perícia em sua metodologia de apuração de custos, para a confirmação da veracidade dos seus lançamentos contábeis, com a conseqüente improcedência da autuação fiscal; 3.4.20 Ressaltese ainda que a competência desta DRJ/Fortaleza/CE para a apreciação do presente processo se acha definida pela Portaria RFB n° 336, de 22/02/2008, Fl. 445DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR 10 publicada no DOU de 25/02/2008, conforme despacho próprio (v. II, fls. 349). Posto o feito em julgamento, a decisão restou a assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Custos não Comprovados: Glosa de Custos. Retificação do Prejuízo Fiscal A não comprovação pelo contribuinte dos valores deduzidos a título de Outros Custos, através de sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração, dá ensejo a glosa do valor declarado a esse título na DIPJ/2002 (Ficha 04A, Linha 16), com o conseqüente ajuste na base de cálculo do IRPJ, reduzindo deste o saldo de prejuízo fiscal declarado e, para a CSLL, a base de cálculo negativa .da referida contribuição. Nulidade do Lançamento. Não é caso de se declarar a nulidade do ato de lançamento por suposta inobservância dos arts. 923 e 924 do RIR199, quando a autoridade administrativa competente durante os trabalhos de fiscalização tiver levado em conta as regras constantes dos referidos dispositivos legais quanto ao valor de prova que a escrituração pode fazer a favor do contribuinte. Pedido de Perícia/Diligência. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Tributação Reflexa: CSLL Aplicase à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do IRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida plenamente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado ao Auto de Infração reflexo. Lançamento Procedente. Ainda inconformada com os termos da decisão acima, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual aduziu basicamente os mesmos fundamentos utilizados em sua impugnação, limitandose a alegar a legalidade do método de custeio por absorção. É o relatório Fl. 446DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 19515.003137/200648 Acórdão n.º 1401000.543 S1C4T1 Fl. 442 11 Voto Conselheiro Relator Alexandre Antônio Alkmim Teixeira O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento e passo a fundamentar o meu voto. A Recorrente alega, preliminarmente, que mantém escrituração contábil com observância das disposições legais e, portanto, caberia à Autoridade Fiscal provar a inveracidade dos fatos registrados. Tendo em vista que a Autoridade Fiscal assim não procedeu, a Recorrente alega a nulidade do Auto de Infração. Ocorre que, dispõe o art. 923 do RIR/99 que os fatos registrados na contabilidade devem ser comprovados por documentos hábeis. Confirase: Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). (Sem destaques no original) Assim, caberia à Recorrente comprovar que sua escrituração contábil estava respaldada em documentos. Todavia, quando intimada a entregar a documentação contábil que fundamentava tais lançamentos contábeis, a Recorrente não os entregou e sequer os juntou à Impugnação ou ao presente Recurso. Portanto, não há que se falar em descumprimento dos arts. 923 e 924 do RIR/99 por parte da Autoridade Fiscal, vez que a Recorrente não comprovou por meio de documentação hábil que a escrituração mantinha correspondência aos fatos ocorridos. Em relação ao argumento exposto à fl. 407, o qual dispõe que “o Fisco simplesmente não aceitou a metodologia de custos por absorção utilizada pela Recorrente e, por esta razão, glosou, de forma arbitrária, os valores declarados por ela como “Outros Custos”, não deve prosperar pelas mesmas razões expostas linhas acima. De imediato, cumpre ressaltar que o que fundamentou a glosa dos custos, no Auto de Infração, foi a ausência de apresentação de documentação comprobatória dos custos escriturados. Conforme se depreende dos Termos de Intimação Fiscal, o Auditor Fiscal intimou a Recorrente a comprovar, com documentação hábil, os custos por ela escriturados na rubrica “Outros Custos”, cujo valor deduzido perfazia o montante de R$31.433.085,92: INTIMAMOS o contribuinte acima a entregar, sob protocolo, no prazo de 5 dias úteis, na Divisão de Fiscalização Indústria da DEFIC SP, endereço em epígrafe, os documentos contábeis que dão respaldo a cada um dos lançamentos contábeis e com a Fl. 447DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR 12 cópia do cheque correspondente para a comprovação do pagamento, relacionadas no anexo a este Termo (anexo este composto de 22 páginas, assinadas pelo AFRF). (Fl.87) Todavia, a Recorrente se limitou a apresentar os Razões Contábil, planilha relacionando a composição dos lançamentos contábeis e elucidar a metodologia de apuração dos custos (Custeio por absorção). Ou seja: o que fundamentou o presente Auto de Infração não foi qualquer crítica à metodologia de apuração de custos pela empresa, mas a ausência de documentação que comprovasse os referidos custos (notas fiscais de compras, comprovantes de pagamento etc.). Poderia, ainda, a Recorrente trazer aos autos a documentação comprobatória de seus custos. Porém, limitouse a afirmar a possibilidade de adoção do custeio por absorção (que em nenhum momento foi questionada), ressaltando, finalmente, que por se tratar de grande volume de documentos (mais de 10.000 – dez mil folhas), “é fisicamente inviável sua juntada aos autos.”. Em vista do exposto, não tendo a Recorrente apresentado documentação hábil que desse respaldo à dedutibilidade dos custos declarados, impõese a glosa de tais custos e, por conseguinte, no ajuste da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, mantendo o ajuste das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos termos d lançamento. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 448DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720544/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB-SP 83755, escritório Mattos Filho Advogados..
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 52; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1245; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720544/201314 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.065 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de setembro de 2017 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente HYPERMARCAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OABSP 83755, escritório Mattos Filho Advogados.. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório O presente processo trata de auto de infração com origem em procedimento fiscal para verificar os seguintes pedidos de compensação apresentados pela Recorrente, referentes ao período de abril/2009 a junho/2010 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 54 4/ 20 13 -1 4 Fl. 14946DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 3 2 Os pedidos de compensação estão controlados no seguintes processos: 12585.000281/201036 12585.000282/201081 12585.000283/201025 12585.000284/201070 12585.000285/201014 12585.000286/201069 12585.000287/201011 12585.000289/201001 12585.000288/201058 12585.000290/201027 12585.000281/201036 A Fiscalização, nos procedimentos de auditoria, entendeu por não homologar os pedidos de compensação, ensejando a exigências dos tributos compensados e exigência da multa isolada de 50%, por compensação indevida, prevista no art. 74, §17, da Lei n. 9.430, de 1996, incluído pela Lei n. 12.249, de 2010. Os autos de infração foram vinculados aos processos de compensação e formalizados nos seguintes processos: 10850.722722/201394 10850.722761/201391 10850.722883/201388 10850.722884/201322 10850.722885/201377 10850.722900/201387 10850.722901/201321 10850.722902/201376 10850.722903/201311 10880.723202/201341 Todas os despachos decisórios denegatórios dos pedidos de compensação e os autos de infração para exigência da multa por compensação indevida citados acima foram Fl. 14947DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 4 3 objeto de manifestação de inconformidade e impugnação. A primeira instância negou provimento aos recurso da Recorrente. Além dos processos acima, foi lavrado contra a Recorrente, Auto de Infração para exigência do PIS e da COFINS a partir das glosas de créditos referentes ao mesmo período de abril/2009 a junho/2010. O Auto de Infração foi formalizado no presente processo e foi objeto de impugnação que foi parcialmente provido pela Delegacia de Julgamento. Considerando a vinculação das matérias e a conexão processual, todos os 21 (vinte e um) processos estão sendo julgados nesta mesma sessão. Realizados estes esclarecimentos passemos ao relatório do presente processo que controla o Auto de Infração, nos termos relatados pela primeira instância. Contra a interessada acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 14.215/14.278, relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep, nos respectivos montantes de R$ 157.757.158,02 e R$ 33.928.803,61, incluídos tributo, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até novembro de 2013. Consoante termo de fls. 14.215/14.258, parte integrante do lançamento fiscal: No exercício das funções de AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e tendo em vista a verificação das operações 30120 e 30220 (PIS e COFINS Créditos decorrentes da não cumulatividade), do período de 01/01/2009 a 30/06/2010, junto à contribuinte acima qualificada, passamos a descrever os fatos constatados no curso da presente ação fiscal, de acordo com o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. 1 DA MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL Iniciamos o procedimento fiscal com o objetivo de verificar a regularidade dos valores constantes dos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e COFINS nãocumulativos, vinculados às vendas efetuadas no mercado interno, formalizados por intermédio dos PER (pedidos de ressarcimento) abaixo relacionados (fls. 02/11): CRÉDITO TRIMESTRE PER VALOR PEDIDO PIS/PASEP 2o TRIMESTRE DE 2009 21143.07716.270809.1.1.108216 732.085,02 COFINS 2o TRIMESTRE DE 2009 27494.77449.270809.1.1.11 9050 2.960.113,75 PIS/PASEP 3o TRIMESTRE DE 2009 37921.96796.281010.1.5.100254 1.100.209,36 COFINS 3° TRIMESTRE DE 2009 18887.05058.281010.1.5.11 6961 5.067.630,97 PIS/PASEP 4o TRIMESTRE DE 2009 07621.38627.281010.1.5.107031 1.317.238,73 COFINS 4o TRIMESTRE DE 2009 17364.35430.281010.1.5.111011 6.067.281,40 PIS/PASEP 1o TRIMESTRE DE 2010 24481.60425.281010.1.5.100847 4.187.462,60 COFINS 1o TRIMESTRE DE 2010 39424.69929.281010.1.5.11 7205 19.593.935,51 PIS/PASEP 2° TRIMESTRE DE 2010 24663.37523.281010.1.5.100899 4.594.189,59 COFINS 2° TRIMESTRE DE 2010 06993.65571.281010.1.5.11 9291 21.477.636,79 (...) Fl. 14948DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 5 4 4 DAS INFRAÇÕES IDENTIFICADAS PELA FISCALIZAÇÃO 4.1 GLOSA DE CRÉDITOS RELATIVOS A BENS E SERVIÇOS QUE NÃO FORAM UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO DE BENS OU PRODUTOS DESTINADOS À VENDA (...) 4.1.1 COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES Inicialmente, cumpre esclarecer que os créditos relativos às aquisições de combustíveis e lubrificantes foram informados pela contribuinte na linha 02 das fichas 06A e 16A do DACON, juntamente com outros bens que ela considerou como insumos. (...) Posteriormente, no dia 12/03/2013 a contribuinte foi intimada (Termo de Intimação n° 08) a justificar a utilização do CFOP 1.653 compra de combustível ou lubrificante como insumo. Em sua resposta, datada de 25/03/2013, a contribuinte esclareceu que os combustíveis e lubrificantes que foram base de apropriação dos créditos de PIS e Cofins, foram utilizados nas caldeiras, nos geradores de energia elétrica e na locomoção, funcionamento e manutenção de máquinas e equipamentos. (...) Além disso, afirmou que os gastos relativos a álcool combustível e gasolina comum possuem diversas utilidades e, por um lapso, valores relativos a gastos atrelados a centros de custos administrativos foram base dos créditos do PIS e da Cofins. (...) Destarte, os créditos relativos a gastos com combustíveis e lubrificantes atrelados a centros de custos administrativos (que correspondem a 20% do total) foram glosados, tendo em vista que não foram utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. (...) Cumpre observar que no período de abril a junho de 2010 foi deferido o valor integral pleiteado pela contribuinte, já que a base de cálculo identificada pela fiscalização (80% dos combustíveis e lubrificantes adquiridos CFOP n° 1653) ficou muito próxima da base de cálculo pleiteada pela fiscalizada. 4.1.2 SERVIÇOS DE MÍDIA Primeiramente cumpre esclarecer que neste tópico trataremos dos créditos relativos aos serviços de mídia, brindes ao consumidor final, materiais promocionais e campanhas prêmio apropriados pela fiscalizada. Veremos que todos estes créditos foram integralmente glosados, já que esses serviços não são empregados na produção ou na prestação dos serviços relativos aos bens produzidos pela fiscalizada. Além disso, verificamos que grande parte destes créditos (serviços de mídia), além de não serem empregados na produção ou na prestação de serviços, também foram apropriados extemporaneamente, sem a retificação do DACON, DCTF e DIPJ corresponde aos períodos de suas apurações. Veremos, adiante, que a condição sine qua non para a análise e reconhecimento de créditos extemporâneos é que eles sejam Fl. 14949DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 6 5 formalizados mediante a retificação das declarações do mesmo período de origem dos créditos (DACON, DCTF e DIPJ). Ademais, quando um crédito relativo à contribuição PIS/COFINS é apropriado, o valor correspondente ao crédito deve ser excluído do custo e, conseqüentemente, do Lucro Líquido e da BC da CSLL, aumentando a CSLL e o IRPJ devido. Portanto, é imprescindível a retificação não só do DACON, mas também da DCTF e DIPJ dos mesmos períodos. (...) Pela definição legal do inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, tãosomente, aqueles serviços que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) A legislação adota, para fins de apuração de créditos na modalidade da não cumulatividade, a enumeração exaustiva dos dispêndios capazes de gerar crédito e, no que se refere à questão dos dispêndios com insumos, os vincula à utilização na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. (...) Ora, os gastos com mídia (publicidade e propaganda) não tem relação com o setor produtivo da empresa (produção ou fabricação), mas sim com o setor comercial. Cabe lembrar que quando há direito ao crédito em relação a outros setores da empresa (e não somente em relação ao setor de produção ou fabricação), o artigo 3o das leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 assim dispôs. Foi o que ocorreu em relação aos créditos relativos a "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos" e também a "edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros". Nesses casos o legislador utilizou a expressão "utilizados nas atividades da empresa", conforme se vê abaixo: (...) Em vista do exposto, os créditos relativos aos serviços de mídia, brindes ao consumidor final, materiais promocionais e campanhas prêmio foram integralmente glosados, já que estas despesas não são empregadas na produção ou na prestação dos serviços relativos aos bens produzidos pela fiscalizada. Os valores glosados estão relacionados abaixo: > Glosa de Serviços brindes ao consumidor final, materiais promocionais e campanhas prêmio: MES/ANO BC Pleiteada BC Deferida GLOSA 01/2009 02/2009 03/2009 04/2009 05/2009 826.441,30 826.441,30 06/2009 690.124,35 690.124,35 07/2009 349.608,37 349.608,37 08/2009 989.960,37 989.960,37 09/2009 1.309.125,17 1.309.125,17 10/2009 1.577.682,06 1.577.682,06 Fl. 14950DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 7 6 11/2009 1.855.083,51 1.855.083,51 12/2009 1.587.369,64 1.587.369,64 01/2010 966.851,12 966.851,12 02/2010 571.250,42 571.250,42 03/2010 1.335.814,70 1.335.814,70 04/2010 1.420.484,63 1.420.484,63 05/2010 2.233.542,12 2.233.542,12 06/2010 1.527.900,96 1.527.900,96 Obs: Valores extraídos do demonstrativo apresentado pela fiscalizada, o qual denominamos "Abertura com CFOP" (fls. 1973/1990). > Glosa de Serviços Aquisições de Mídia: BC Pleiteada (Crédito BC Deferida GLOSA MÊS/ANO Extemporâneo) 01/2009 14.463.436,95 14.463.436,95 02/2009 03/2009 04/2009 05/2009 14.023.898,77 14.023.898,77 06/2009 58.390.550,78 58.390.550,78 07/2009 32.725.920,92 32.725.920,92 08/2009 38.856.541,08 38.856.541,08 09/2009 10.348.255,90 10.348.255,90 10/2009 35.594.348,73 35.594.348,73 11/2009 32.902.455,28 32.902.455,28 12/2009 31.615.921,76 31.615.921,76 01/2010 35.871.330,07 35.871.330,07 02/2010 28.875.548,69 28.875.548,69 03/2010 36.933.666,41 36.933.666,41 04/2010 93.531.135,02 93.531.135,02 05/2010 88.076.694,48 88.076.694,48 06/2010 77.736.363,24 77.736.363,24 OBS: Valores extraídos do demonstrativo denominado "Linha 13 das fichas 06A e 16A Original (fl. 1996), apresentado pela fiscalizada em resposta ao item 10 do Termo de Intimação n° 03 e ao item 2 do Termo de Intimação n° 05, bem como do demonstrativo denominado "Linha 13 das fichas 06A e 16A Auditado (fl. 1997). Com relação aos demais créditos apropriados na linha 13 das fichas 06A e 16A, do DACON ("Outras Operações com Direito a Crédito), trataremos no tópico a seguir. Demonstraremos que a maioria dos créditos apropriados é resultante de créditos extemporâneos. Vejamos: 4.2 OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO (LINHA 13 DAS FICHAS 06AE16ADACON) Em resposta aos Termos de Intimação n° 03 e 05, conforme já relatado, a contribuinte apresentou a composição dos créditos relativos à linha 13 das fichas 6A e 16A do DACON (outras operações com direito a crédito2). Basicamente, nesta linha os créditos apropriados referemse: créditos extemporâneos com aquisição de mídia; créditos extemporâneos com insumos agrícolas (Crédito Presumido); créditos extemporâneos Rateios DM; créditos com insumos Análise Laboratorial; Manutenção de Máquinas; Consultoria e Informática contas contábeis n°s 4478917, 4478918, 4478916 e 4478965. Fl. 14951DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 8 7 Os créditos extemporâneos relativos aos serviços de mídia adquiridos foram tratados no tópico anterior. Neste tópico trataremos dos demais créditos pleiteados. 4.2.1 OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO (LINHA 13 DAS FICHAS 06A E 16A DACON) GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS Serão analisados, a seguir, os seguintes créditos extemporâneos: créditos extemporâneos com insumos agrícolas (Crédito Presumido); créditos extemporâneos Rateios DM; Em resposta ao Termo de Intimação n° 05, o contribuinte informou como créditos do 1º trimestre de 2009 ao 2º trimestre de 2010, valores apurados desde o 1º trimestre de 2004. Tratamse de valores de Insumo Agrícola Crédito Presumido (Período de Apuração de jun/2005 a jan/2009), Insumo Aquisições de Mídia (fev/2004 a jan/2009) e Créditos Rateios DM (fev/2004 a maio/2007 Créditos não contabilizados à época, proveniente da DM Indústria Farmacêutica Ltda., CNPJ: 67.866.665/000153, incorporada pela Hypermarcas S.A., em 01/10/2007), conforme demonstrativo denominado "Linha 13 das fichas 06A e 16A Original" (fl. 1996). O demonstrativo adequado para apresentar os valores apurados de PIS/PASEP e COFINS é o DACON. Como a lei permite que o crédito apurado e não aproveitado em determinado mês seja utilizado para desconto da contribuição apurada nos meses subseqüentes, é necessário que o contribuinte informe em cada mês qual é o exato montante do crédito acumulado. Caso ocorram quaisquer erros em sua apresentação, não há como acolher a pretensão de utilizar eventuais créditos apurados extemporaneamente sem retificar os DACON e DCTF correspondentes, ou seja, retificar as declarações do mesmo período dos créditos, em face do disposto na Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005: (...) Ademais, quando um crédito relativo à contribuição PIS/COFINS é apropriado, o valor correspondente ao crédito deve ser excluído do custo e, conseqüentemente, do Lucro Líquido e da BC da CSLL, aumentando a CSLL e o IRPJ devido. Portanto, é imprescindível a retificação não só do DACON, mas também da DCTF e DIPJ dos mesmos períodos. Diante do exposto, os créditos que não foram informados nos seus períodos corretos foram integralmente glosados, conforme demonstrativo abaixo: > Glosa de Créditos Rateios DM: MÊS/ANO BC Pleiteada (Crédito Extemporâneo Rateios DM) BC Deferida GLOSA 01/2009 63.166.273,93 63.166.273,93 02/2009 03/2009 04/2009 05/2009 94.894.778,41 94.894.778,41 06/2009 201.909.085,91 201.909.085,91 07/2009 45.167.127,73 45.167.127,73 08/2009 37.954.269,73 37.954.269,73 09/2009 68.030.122,48 68.030.122,48 Fl. 14952DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 9 8 10/2009 51.973.218,84 51.973.218,84 11/2009 21.151.598,77 21.151.598,77 12/2009 67.150.456,62 67.150.456,62 01/2010 65.620.561,82 65.620.561,82 02/2010 37.327.743,20 37.327.743,20 03/2010 46.623.187,54 46.623.187,54 04/2010 10.867.362,38 10.867.362,38 05/2010 13.474.161,97 13.474.161,97 (...) A base de cálculo pleiteada está demonstrada nas planilhas denominadas "item 2. Contas Contábeis Mídia" (fls. 1991/1995) e "Linha 13 das fichas 06A e 16A Original (fl. 1996). > Glosa de Créditos Insumos Agrícolas Crédito Presumido: MÊS/ANO BC Pleiteada (Crédito Extemporâneo Insumos Agrícolas Crédito Presumido) BC Deferida GLOSA 05/2009 13.423.796,83 13.423.796,83 Cumpre esclarecer que o valor pleiteado (R$13.423.796,82) corresponde a 35% das compras efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas (R$38.353.705,21), que representa a base de cálculo apresentada pelo contribuinte no demonstrativo denominado "Linha 13 das fichas 06A e 16A Original (fl. 1996). Além do fato desse crédito ser extemporâneo, demonstraremos a seguir que o contribuinte também não tem direito a esse tipo de crédito. Vejamos: O crédito presumido sobre bens agrícolas adquiridos de pessoas físicas está disciplinado na Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, a partir do seu artigo 8º, a saber: (...) Em resposta ao item 3 do Termo de Intimação n° 05, a fiscalizada apresentou a planilha denominada "Insumos Agrícolas Crédito Presumido" (fls. 1998/2338), na qual demonstra as aquisições de insumos agrícolas (tomate in natura e milho verde in natura), efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Verificamos que a fiscalizada, à época que produzia gêneros alimentícios, no período de março de 2006 a dezembro de 2011, utilizou o disposto no artigo citado acima, adquirindo tomate in natura (NCM 0702.00.00) e milho verde in natura (NCM 0709.90.19) e industrializando produtos como, por exemplo, molhos de tomate e extrato de tomate (ambos com NCM 2103.20.10: Ketchup e outros molhos d/tom.inf. a 1 kg Inc.). Todavia, produtos da Posição 2103 preparações para molhos e molhos preparados: condimentos e temperos, do Capítulo 21 preparações alimentícias diversas, não estão citados no caput do artigo 8o da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, razão pela qual não há previsão legal para o crédito presumido pretendido pelo contribuinte, sendo portanto, glosado na sua totalidade. 4.2.2 OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO (LINHA 13 DAS FICHAS 06A E 16A DACON) GLOSA DE CRÉDITOS APRESENTADOS TEMPESTIVAMENTE Serão analisados, a seguir, os seguintes créditos apresentados tempestivamente (no DACON do período de aquisição): Fl. 14953DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 10 9 • créditos com insumos Análise Laboratorial; Manutenção de Máquinas; Consultoria e Informática contas contábeis n°s 4478917, 4478918, 4478916 e 4478965. Analisando as contas contábeis acima especificadas, verificamos que apenas uma parte dos créditos é devida, mais especificamente a parte relativa à Manutenção de Máquinas e Equipamentos (conta 4478918). Os créditos relativos às contas 4478916 Serviços de Assessoria e Consultoria (fls. 2339/2340), 4478917 Serviços de Análise Laboratorial (fls. 2341/2342) e 4478965 Serviços de Informática (fl. 2343) foram glosados uma vez que não se tratam de serviços utilizados como insumo na produção dos bens destinados à venda. Cabe esclarecer que os valores pleiteados pela fiscalizada estão relacionados na planilha denominada "Linha 13 das fichas 06A e 16A Original (fl. 1996) e os valores aceitos pela fiscalização estão relacionados na planilha denominada "Linha 13 das fichas 06A e 16A Auditado (fl. 1997). Os valores aceitos pela fiscalização são os referentes à conta 4478918 (Serviços de Manutenção de Máquinas e Equipamentos) e estão discriminados na planilha denominada "CONTA 4478918 Serviços de Manutenção de Máquinas e Equipamentos" (fls. 2344/2350). Apresentamos, abaixo, o resumo dos valores aceitos (BC Deferida) e das glosas efetuadas: MÊS/ANO BC Pleiteada (Crédito com insumos contas 4478917, 4478918, 4478916 e 4478965) BC Deferida GLOSA 01/2009 564.981,60 261.216,40 303.765,20 02/2009 516.335,15 263.367,33 252.967,82 03/2009 916.006,61 386.599,54 529.407,07 4.3 GLOSA DE CRÉDITOS RELATIVOS A FRETES INTERCOMPANY Com o advento da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que criou o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), passouse a admitir também o aproveitamento de créditos sobre o valor do gasto efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3o, inciso IX, que assim dispõe: (...) O art. 15 da citada Lei no 10.833, de 2003, estendeu o benefício previsto no inciso IX do citado art. 3º acima transcrito também para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep. (...) Portanto, as hipóteses de creditamento sobre fretes não abrangem o transporte de produtos entre os estabelecimentos da própria empresa, visando a conclusão da produção desses bens e também a distribuição dos produtos acabados para os pontos de comercialização dos mesmos. Ou seja, de fretes relativos a transporte interno de produtos inacabados e de produtos acabados que são levados aos estabelecimentos de vendas da mesma empresa (Centros de Distribuição). Fl. 14954DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 11 10 Destarte, não se tratando de despesas com fretes utilizados no transporte de insumos adquiridos para fabricação de bens destinados à venda e nem de fretes nas operações de vendas desses bens diretamente ao adquirente (comprador), referidas despesas não geram direito à apuração de créditos a serem descontados das mencionadas contribuições. (...) Por meio do Termo de Intimação n° 04 o contribuinte foi intimado a apresentar planilhas referentes a todas as saídas de mercadorias de todos os estabelecimentos da empresa, discriminando a origem e o destino das mercadorias transportadas, bem como a informar se se tratavam de fretes em operações de venda. Em resposta, apresentou demonstrativos dos fretes, por estabelecimento (fábricas e centros de distribuição), em cujos demonstrativos podemos verificar que há fretes em operações de vendas e também fretes sobre "outras operações" (fls. 2351/7737). Notese que na a coluna "Tipo de Operação Saída", foram discriminadas as operações: as operações de venda estão discriminadas na planilha como "Venda" e as operações que não foram de vendas estão discriminadas como "outras operações". Assim sendo, foi possível identificar os fretes nas operações de vendas, cujos créditos foram aceitos, bem como os fretes relativos a outras operações, como por exemplo os "Fretes Intercompany", cujos créditos foram glosados por serem indevidos. Deste modo, quando numa mesma nota existia operação de venda e também outras operações, o valor do frete foi rateado proporcionalmente aos valores de cada operação, sendo aceitos os créditos relativos ao valor do frete sobre operações de venda e glosados os créditos relativos a fretes sobre "outras operações". Por meio desta sistemática, foram levantados os valores, por mês, dos fretes utilizados para venda de cada estabelecimento. Os valores dos fretes sobre vendas, foram consolidados na planilha denominada "FRETES" (fl. 7738). Abaixo demonstramos os valores referentes aos fretes cujos créditos foram aceitos pela fiscalização (BC Deferida): MÊS/ANO BC Pleiteada (Despesas de Fretes na Operação de Vendas) linha 06 ficha 06A BC Deferida Glosa jan/09 4.492.399,43 1.341.750,83 3.150.648,60 fev/09 4.874.207,28 1.103.462,04 3.770.745,24 mar/09 5.308.065,32 1.387.395,96 3.920.669,36 abr/09 5.916.119,99 4.172.194,41 1.743.925,58 mai/09 6.523.175,81 3.376.030,66 3.147.145,15 jun/09 5.591.449,18 3.633.153,38 1.958.295,80 jul/09 5.579.466,01 3.078.510,56 2.500.955,45 ago/09 5.520.463,19 2.649.068,73 2.871.394,46 set/09 7.659.221,73 3.769.198,66 3.890.023,07 out/09 8.915.118,82 4.977.312,30 3.937.806,52 nov/09 7.663.985,64 4.561.447,08 3.102.538,56 dez/09 8.697.352,52 5.161.119,84 3.536.232,68 Fl. 14955DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 12 11 jan/10 11.812.435,69 7.071.455,66 4.740.980,03 fev/10 11.575.828,61 5.400.967,28 6.174.861,33 mar/10 10.501.476,33 10.501.476,33 0,00 abr/10 7.902.237,59 2.829.476,37 5.072.761,22 mai/10 8.916.156,25 2.810.284,64 6.105.871,61 jun/10 8.880.748,73 2.816.544,42 6.064.204,31 4.4 GLOSA DE CRÉDITOS RELATIVOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA 4.4.1 DA TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA/CONCENTRADA A partir da publicação da Lei n° 10.147, de 21 de dezembro de 2000, que produziu efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de maio de 2001, os produtos classificados nas posições 3003, 3004, 3303 a 3307, e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00 da TIPI passaram a ser tributados pelo sistema de incidência concentrada/monofásica mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida, das alíquotas de 2,2% para a Contribuição para o PIS/Pasep e de 10,3% para a Cofins nas operações de venda; e, no caso das demais operações, de 0,65% para a Contribuição para o PIS/Pasep e de 3% para a Cofins: (...) Registrese, que a incidência monofásica tem por objetivo concentrar a tributação na etapa produtiva do ciclo econômico ou na importação, desonerando as etapas seguintes (de comercialização). Assim sendo, a tributação ocorre na importação ou na industrialização, com aplicação de alíquotas majoradas e, conseqüentemente, as etapas seguintes são contempladas com alíquota zero, conforme estabelece o art. 2o da Lei n° 10.147, de 2000. Vale ressaltar que nessa época, somente existia o regime cumulativo; ainda não havia sido Instituído o regime da não cumulatividade. (...) No final de 2002, estabeleceuse o regime nãocumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep. No entanto, as operações realizadas com os referidos produtos farmacêuticos ficaram excluídas desse tipo de incidência. O inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, promoveu explicitamente esta exclusão: (...) Igual tratamento estabeleceu a Lei n° 10.833, de 2003, quando da instituição do regime nãocumulativo da Cofins: (...) Observase que, até então, estes produtos estavam afastados dos regimes nãocumulativos previstos na Lei n° 10.637, de 2002, e na Lei n° 10.833, de 2003, conforme descrito nos itens anteriores; sendo admitido o aproveitamento do crédito presumido, previsto no art. 3o da Lei n° 10.147, de 2000: (...) Com a edição da Lei n° 10.865, de 2004, ocorreram quatro alterações substanciais: 1º) A inclusão na base de cálculo nãocumulativa, a partir de 1o de agosto de 2004, das receitas decorrentes de operações com produtos farmacêuticos tributados com alíquotas concentradas/monofásicas, no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não Fl. 14956DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 13 12 cumulativa tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro real (art. 21 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004): (...) 2]) A alteração das alíquotas previstas no art. 1o da Lei n° 10.147, de 2000, que passaram a ser de 2,1% para a Contribuição para o PIS/Pasep e 9,9% para a Cofins, incidentes sobre as receitas de venda de industrialização de produtos farmacêuticos ou de venda de importados (art.34 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004): (...) 3o) A criação da possibilidade de inclusão retroativa de receitas, por opção, no regime nãocumulativo, com efeitos a partir de 1o de maio de 2004 (art. 42 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004): (...) 4o) A revogação do § 4º do art. 1º, que previa a exclusão da base de cálculo do valor correspondente ao custo de aquisição de determinadas matériasprimas pelo fabricante de produtos contemplados pelo crédito presumido de que trata o art. 3º (art. 44 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004): (...) Desde então, a receita decorrente da industrialização, assim como a decorrente de venda de importados, no mercado interno, dos produtos farmacêuticos mencionados, passou a estar incluída na base de cálculo nãocumulativa para as pessoas jurídicas submetidas a esse regime (tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro real), sem prejuízo dos citados produtos estarem incluídos na tributação com incidência concentrada/monofásica. Registrese que as operações de venda dos produtos em comento, no mercado interno, por pessoas jurídicas "não enquadradas na condição de industrial ou de importador" estão tributadas com alíquotas reduzidas a zero (ressalvandose apenas as microempresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional), por força do parágrafo único do art. 2o da Lei n° 10.147, de 2000, tendo em vista que esse tipo de alíquota zero constitui medida de viabilização da incidência concentrada/monofásica (desoneração das etapas de comercialização no mercado interno atacadistas e varejistas) e independe do regime de apuração a que estiver sujeita a pessoa jurídica nessa condição. 4.4.2 DO CRÉDITO PRESUMIDO O art. 3o da Lei n° 10.147, de 2000, estabelece que será concedido regime especial de utilização de crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins às pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos ali enquadrados e nas condições impostas pelos incisos I e II do mesmo artigo: (...) O art. 5o da Lei n° 10.147 de 2000 dispõe que "A Secretaria da Receita Federal expedirá normas necessárias à aplicação desta Lei. A SRF então expediu a Instrução Normativa SRF n° 40, de 25 de Abril de 2001, que disciplinou o procedimento de habilitação do regime, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002. Respeitando as diretrizes das Instruções Normativas citadas, a empresa Laboratório de Farmacoterapia S.A. CNPJ: 61.150.819/000120 Fl. 14957DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 14 13 obteve o Ato Declaratório Executivo CORAT N° 05, de 8 de janeiro de 2002, com efeitos a partir de 27 de abril de 2001. Também a empresa Laboratório Neo Química Comércio e Indústria Ltda. CNPJ: 29.785.870/000103 obteve o Ato Declaratório Executivo CORAT N° 42, de 20 de março de 2002, com efeitos a partir de 30 de abril de 2001. Ambas as empresas citadas foram incorporadas pela Hypermarcas S.A, CNPJ: 02.932.074/000191, respectivamente em 29/12/2008 (Laboratório de Farmacoterapia) e em 31/12/2009 (Laboratório Neo Química Comércio e Indústria Ltda.). Importante ressaltar que, em termos práticos, a apuração do valor dos créditos presumidos medicamentos se dá pelo total de saídas (VENDA) dos produtos listados (receita bruta), conforme definido no inciso I do § 1o do artigo 3º da Lei n° 10.147, de 21 de dezembro de 2000: (...) Por meio do Termo de Intimação n° 03, o contribuinte foi intimado a apresentar um demonstrativo analítico dos créditos presumidos apropriados. Em resposta o contribuinte apresentou uma planilha com o demonstrativo dos valores que compõe a Linha 25 das Fichas 15B e 25B, onde consta a lista positiva dos medicamentos que gozam do crédito presumido em cada mês. Por meio da lista positiva utilizada em cada mês, foram levantadas todas as operações de venda da empresa dos produtos abrangidos na lista positiva com o intuito de confrontar com os valores apresentados no DACON. Anexamos ao processo três planilhas denominadas "Medicamentos" (fls. 7739/8354), nas quais podemos verificar todos os valores de venda dos produtos englobados na lista positiva. Conforme podemos observar nos demonstrativos abaixo, identificamos uma pequena divergência entre os valores pleiteados pelo contribuinte no DACON e os valores apurados pela fiscalização na referida planilha, sendo que o valor informado a maior no DACON foi glosado. Abaixo consolidamos o Crédito Presumido PIS apurado pela fiscalização: MÊS/ANO PIS (Crédito Presumido) Linha 25 da Ficha 15B PIS Deferido Glosa jan/10 279.055,30 265.918,38 13.136,92 fev/10 294.495,51 286.547,12 7.948,39 mar/10 471.321,73 471.321,73 abr/10 300.628,30 299.399,74 1.228,56 mai/10 388.618,76 369.434,19 19.184,57 jun/10 377.091,19 377.091,19 Abaixo consolidamos o Crédito Presumido COFINS apurado pela fiscalização: MÊS/ANO COFINS (Crédito Presumido) Linha 25 da Ficha 25B COFINS Deferido Glosa jan/10 1.315.546,41 1.253.615,24 61.931,17 fev/10 1.388.336,02 1.350.864,98 37.471,04 mar/10 2.221.945,27 2.221.945,27 0,00 Fl. 14958DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 15 14 abr/10 1.417.247,73 1.411.455,90 5.791,83 mai/10 1.832.059,82 1.741.618,34 90.441,48 jun/10 1.777.715,58 1.777.715,58 0,00 4.4.3 DA REVENDA DE PRODUTOS Intimado a apresentar uma planilha detalhando os valores constantes na Linha 16 das fichas 06A e 16A, verificouse que os valores neste campo representavam, na sua imensa maioria, créditos decorrentes da revenda de produtos tributados com alíquotas diferenciadas (tributação concentrada/monofásica), conforme se vê abaixo: NCM DESCRIÇÃO 3004 Medicamentos 3303 Perfumes e águasdecolônia 3304 Produtos de beleza ou de maquiagem 3305 Preparações capilares 3307 Preparações para barbear 3401 Sabões Com relação a esses créditos, a fiscalizada realizou a seguinte sequência de operações: a) Um determinado Fabricante "X" fabricou o produto "A", sujeito à tributação concentrada e alíquota diferenciada; b) A Hypermarcas comprou o produto "A" (vale ressaltar que a Hypermarcas não produz o mesmo produto); c) A Hypermarcas REVENDEU o produto "A" no mercado, com alíquota zero; d) A Hypermarcas se creditou das contribuições incidentes na operação de compra, na Linha 16 das fichas 06A e 16A. Todavia, não há direito a crédito de PIS e Cofins na revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada/monofásica, tendo em vista que a revenda é efetuada com alíquota zero. Vejamos a ilustração abaixo: (...) Notese que, neste caso, a Hypermarcas não é fabricante do produto que revende e, portanto, não tem direito ao crédito na aquisição desse produto, já que o revende com alíquota zero. Caso a Hypermarcas produzisse o mesmo produto que adquire para revenda, teria direito ao crédito na aquisição, pois, neste caso, ao revender esse mesmo produto, teria que oferecer essa receita à tributação, com as mesmas alíquotas diferenciadas. É que, ao contrário do comerciante atacadista ou varejista, o fabricante de um produto, ao revender esse mesmo tipo de produto adquirido de outro fabricante, não tem o benefício de redução a zero das alíquotas. É o que dispõe o artigo 24 da lei n° 11.727/2008. Vejamos: (...) Ou seja, o que não é permitido é o que fez a fiscalizada: creditarse no momento da aquisição desses produtos e os revender com alíquota zero. 4.4.4 DAS GLOSAS DE CRÉDITOS INDEVIDOS Foram apresentadas à fiscalização planilhas contendo os valores relativos às operações de revenda de produtos com alíquotas diferenciadas (Linha 16 das fichas 06A e 16A), cujas planilhas Fl. 14959DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 16 15 denominamos "Diferenciadas 01" (fls. 8355/8673) e "Diferenciadas 02" (fls. 8674/8779). Analisando as referidas planilhas, identificamos produtos adquiridos para revenda submetidos à Tributação Monofásica (art. 1o da Lei n° 10.147/2000) e também produtos submetidos à tributação normal, motivo pelo qual elaboramos uma planilha denominada "Diferenciadas Resumo" (fl. 8780), na qual relacionamos os CFOP e NCM em relação aos quais a fiscalizada utilizou créditos. Tendo em vista que a revenda dos produtos submetidos à tributação monofásica não gera direito a crédito (art 3º, inciso I, da Lei 10.833/03, combinado com o art 2o da Lei 10.147/00), em razão desses produtos serem revendidos com alíquota zero, os referidos créditos foram integralmente glosados. Somente foram deferidos os créditos relativos a bens adquiridos para revenda de produtos não submetidas à Tributação Monofásica. Note se, nas planilhas denominadas "Diferenciadas 01" e "Diferenciadas 02", uma coluna denominada "Glosa", cujo motivo da glosa é o fato de se tratar de "compra para comercialização de produto monofásico", que, conforme já ressaltamos, não dá direito a crédito por se tratarem de produtos revendidos com alíquota zero. Abaixo consolidamos o Crédito Alíquota Diferenciada PIS apurado pela fiscalização: MÊS/ANO PIS Pleiteada (Crédito Aliq. Diferenciada) Linha 16 da ficha 06A PIS Deferida Glosa jan/10 543.789,32 3.941,45 539.847,87 fev/10 1.122.504,15 3.532,77 1.118.971,38 mar/10 1.721.780,88 66,99 1.721.713,89 abr/10 773.263,30 773.263,30 mai/10 1.209.641,97 2.168,00 1.207.473,97 jun/10 1.645.724,47 47,29 1.645.677,18 Abaixo consolidamos o Crédito Alíquota Diferenciada COFINS apurado pela fiscalização: MÊS/ANO COFINS Pleiteada (Crédito Alíq. Diferenciada) Linha 16 da ficha 16A COFINS Deferida Glosa jan/10 2.547.856,84 18.370,83 2.529.486,01 fev/10 5.270.530,33 16.417,30 5.254.113,03 mar/10 8.095.329,43 308,58 8.095.020,85 abr/10 3.624.171,86 3.624.171,86 mai/10 5.678.456,26 9.985,92 5.668.470,34 jun/10 7.730.521,28 219,03 7.730.302,25 Portanto, tendo em vista que a Hypermarcas revende os produtos como atacadista (aplicando alíquota zero nas saídas dos produtos revendidos), não há que se falar em direito ao crédito sobre as aquisições destes produtos de incidência monofásica revendidos. Com efeito, somente no 1º semestre de 2.010 a Hypermarcas revendeu, com alíquota zero, mais de R$ 800.000.000,00 (Oitocentos Milhões de Fl. 14960DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 17 16 Reais) de produtos sujeitos à tributação monofásica (vide fichas 07A e 17A dos DACON). 4.5 GLOSA DE CRÉDITOS RELATIVOS A ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO O artigo 3o, inciso VI, combinado com o inciso III do § 1o, das leis 10.637/2002 e 10.833/2003, autoriza as pessoas jurídicas a se creditarem do PIS e da Cofins relativos a encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda. Vejamos: (...) Já o § 14, do mesmo artigo 3º, dispõe que, opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito acima, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, conforme se vê abaixo: (...) Com o advento da Lei n° 11.774, todas as máquinas e equipamentos novos, destinados à produção de bens e serviços, adquiridos ou recebidos a partir do mês de maio de 2008, passaram a poder ter seus créditos cálculos com base no prazo de 12 meses. (...) Cabe ressaltar, ainda, que o creditamento só é autorizado em relação à depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda. (...) Intimado (Termo de Intimação n° 05) o contribuinte apresentou planilhas detalhando os valores apresentados nos DACON, referentes ao creditamento sobre bens do ativo imobilizado (com base nos encargos de depreciação e com base no valor de aquisição ou de construção), cujas planilhas denominamos "Imobilizado Relação 2009" (fls. 8781/8855), "Imobilizado Relação 2010" (fls. 8856/8942) e "Imobilizado Relação DM" (fls. 8943/8950). Pelos dados apresentados, foi possível distinguir os centros de custo de acordo com o tipo de ativo em questão, de modo que apenas os bens inseridos em centros de custo relacionados aos setores de produção da empresa foram aceitos. Vejase, nas planilhas supracitadas, uma coluna denominada "Descrição do Centro de Custo" e outra denominada "Glosa". O motivo da glosa foi "Centro de Custo distinto da Produção". Assim, relacionamos todos os centros de custo cujos créditos foram glosados, por não estarem sendo utilizados na produção dos bens destinados à venda, cuja planilha denominamos "Centros de Custo Glosados" (fls. 8951/8956). Por fim, consolidamos os valores dos créditos relativos a encargos de depreciação (linha 09 das fichas 06A e 16A), que foram aceitos pela fiscalização, na planilha denominada "Imobilizado" (fl. 8957). Segue, abaixo, o resumo dos valores pleiteados pela fiscalizada e dos valores aceitos pela fiscalização: MÊS/ANO BC Pleiteada (Crédito com base nos Encargos de Depreciação) linha 09 das fichas 06A e 16A BC Deferida Glosa Fl. 14961DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 18 17 jan/09 1.259.425,62 72.946,00 1.186.479,62 fev/09 1.251.678,09 72.950,39 1.178.727,70 mar/09 1.232.082,63 73.004,95 1.159.077,68 abr/09 1.233.108,30 73.013,45 1.160.094,85 mai/09 1.150.700,38 73.014,24 1.077.686,14 jun/09 1.146.007,88 73.015,47 1.072.992,41 jul/09 582.752,59 72.687,47 510.065,12 ago/09 584.699,93 72.690,18 512.009,75 set/09 586.021,96 72.688,30 513.333,66 out/09 580.253,80 72.705,82 507.547,98 nov/09 580.253,80 72.706,19 507.547,61 dez/09 532.366,92 74.896,01 457.470,91 jan/10 1.850.317,77 950.611,17 899.706,60 fev/10 2.799.300,85 936.266,41 1.863.034,44 mar/10 3.693.211,91 936.254,47 2.756.957,44 abr/10 2.305.069,22 920.368,87 1.384.700,35 mai/10 2.242.981,05 888.905,16 1.354.075,89 jun/10 2.218.830,35 804.011,07 1.414.819,28 Em relação aos créditos calculados com base no valor de aquisição/construção de bens destinados ao ativo imobilizado apuramos apenas uma pequena diferença, no mês de janeiro de 2009, entre o valor constante no demonstrativo apresentado pelo contribuinte e o valor informado no DACON, sendo que a diferença de valor (informada a maior no DACON) foi glosada, conforme demonstrativo abaixo: MÊS/ANO BC Pleiteada (Crédito Bens do Imobilizado com base no Valor de Aquisição/Construção) linha 10 das fichas 06A e 16A BC Deferida Glosa jan/09 559.175,86 550.724,24 8.451,62 4.6 GLOSA DE CRÉDITOS VALORES DIVERGENTES DOS INFORMADOS NOS DACON A fiscalizada foi intimada a apresentar a composição dos valores informados no DACON, relativos aos créditos apropriados, segregando, por rubrica, o CFOP de cada crédito (Termo de Intimação Fiscal n° 05). Em resposta datada de 21/01/2013, a fiscalizada apresentou um arquivo ("Item 1A. Memória de Cálculo Insumos e Revenda"), contendo a abertura do valores lançados nas linhas 01, 02, 16 e 26 das fichas 06A 06B, 16A e 16B do Dacon, com indicação de origem dos mesmos. O arquivo apresentado pela fiscalizada serviu de base para a auditoria desses valores, conforme demonstrativo denominado "Abertura com CFOP" (fIs. 1973/1990). De acordo com a composição dos créditos apropriados pela fiscalizada, como "Bens para Revenda" e "Bens Utilizados como Fl. 14962DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 19 18 Insumos" linhas 01 e 02 das fichas 06A e 16A, respectivamente, foi possível verificar que nestas linhas estão sendo apropriados créditos relativos a diversas rubricas, conforme relação abaixo: Compra para Industrialização CFOP n° 1.101, 2.101, 1.122 e 2.122 (conta contábil n° 11603 e 11604); Compra para Comercialização CFOP n° 1.102, 2.102, 1.403 e 2.403 (conta contábil n° 11601); Industrialização efetuada por outra empresa CFOP n° 1.124 e 2.124 (conta contábil n° 11603 e 11604); Compra de Combustível ou lubrificante CFOP n° 1.653 e 2.653 (conta contábil n° 4470403); Devolução de compra para industrialização CFOP n° 5.201 e 6.201 (conta contábil n° 11603 e 11604); Devolução de compra para comercialização CFOP n° 5.411 (conta contábil n° 11601); Compra para Industrialização Importação CFOP n° 3.101 (conta contábil n° 11603 e 11604); Outras entradas Importação CFOP n° 3.949 (conta contábil n° 11603 e 11604); Devolução de Revenda CFOP n° 1.202 e 2.202 (conta contábil n° 11603 e 11604); Devolução de Vendas CFOP n° 1.202, 2.202, 2.203, 2.204, 1.411 e 2.411 (conta contábil n° 11601); Brindes ao Consumidor Final, Materiais Promocionais e Campanhas Prêmios Consumidor (conta contábil n° 6121502, 6121507 e 6121517); Compra de Material de Uso e Consumo Fabril CFOP n° 3.556 (conta contábil n° 11605, 11614, 44704 e 44789). Por meio da análise dos registros de entradas e saídas obtidos a partir do SPED Fiscal/Contábil entregues pela fiscalizada, utilizando os CFOP e as contas contábeis acima informadas, calculamos os créditos relativos aos insumos e bens adquiridos para revenda a que o contribuinte teria direito. Para tanto, elaboramos planilhas denominadas "Entradas" (fls. 8958/11915), "Devoluções de Vendas" (fls. 11916/14163), "Importação" (fls. 14164/14173) e "Devoluções de Compras" (fls. 14174/14191). Nas referidas planilhas os valores foram separados por CFOP e totalizados mensalmente, sendo consolidados no demonstrativo denominado "Abertura com CFOP" (fls. 1973/1990). Conforme veremos a seguir, os valores apurados pela fiscalização, nas referidas planilhas, divergem dos valores informados pela fiscalizada nos DACON. Vejamos: 4.6.1 GLOSA DE CRÉDITOS COMPRA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO Fl. 14963DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 20 19 De acordo com os demonstrativos de composição dos créditos declarados no DACON, na linha 02 fichas 06A, 06B, 16A e 16B (fls. 1973/1990), verificamos que a contribuinte está apropriando créditos relativos às compras para industrialização nos seguintes CFOP: 1.101, 2.101, 1.122, 2.122 e 3.101 (contas contábeis n°s 11603 e 11604). Todavia, por meio da análise dos registros de entradas e saídas obtidos a partir do SPED Fiscal/Contábil entregues pela fiscalizada, identificamos valores divergentes, relativos a compras para industrialização. Dessa forma, apenas os valores identificados pela fiscalização foram aceitos (BC Deferida), conforme demonstrativos abaixo: MÊS/ANO BC Pleiteada (Compras para Industrialização Mercado Interno) CFOP 1.101, 2.101, 1.122 e 2.122 linha 02ficha 06A e 16A BC Deferida Glosa jan/09 15.300.274,61 15.300.274,61 0,00 fev/09 17.161.929,13 17.161.929,13 0,00 mar/09 18.037.201,80 18.037.201,80 0,00 abr/09 17.952.480,55 17.952.480,55 0,00 m ai/09 1.386.088,53 212.777,17 1.173.311,36 jun/09 1.899.546,03 254.189,62 1.645.356,41 jul/09 22.544.503,99 19.133.469,42 3.411.034,57 ago/09 22.664.328,72 18.615.452,39 4.048.876,33 set/09 27.031.756,03 23.029.444,85 4.002.311,18 out/09 23.283.394,11 20.564.157,80 2.719.236,31 nov/09 19.441.566,44 17.729.638,74 1.711.927,70 dez/09 17.567.992,02 15.620.437,49 1.947.554,53 ¡an/10 23.435.302,99 22.149.277,14 1.286.025,85 fev/10 30.800.646,27 28.993.326,91 1.807.319,36 mar/10 31.885.940,05 30.084.154,70 1.801.785,35 abr/10 23.914.459,50 23.914.459,50 0,00 mai/10 24.963.247,04 24.963.247,04 0,00 jun/10 31.372.754,95 31.372.754,95 0,00 MÊS/ANO BC Pleiteada (Compras para Industrialização Importação) CFOP 3.101 linha 02 ficha 06B e 16B BC Deferida Glosa jan/09 21.747.777,97 21.747.777,97 0,00 fev/09 2.780.954,68 2.780.954,68 0,00 mar/09 3.563.780,68 3.563.780,68 0,00 abr/09 2.550.875,73 1.448.138,55 1.102.737,18 mai/09 4.287.581,49 4.287.581,49 0,00 jun/09 1.361.187,30 1.361.187,30 0,00 jul/09 1.953.991,87 1.406.876,01 547.115,86 ago/09 3.253.942,47 2.422.716,39 831.226,08 set/09 2.116.750,56 2.116.750,56 0,00 out/09 3.964.933,35 3.964.933,35 0,00 nov/09 2.138.469,14 1.450.922,40 687.546,74 dez/09 4.120.748,07 4.120.748,07 0,00 jan/10 8.318.923,23 1.461.746,98 6.857.176,25 fev/10 10.765.980,67 4.474.431,43 6.291.549,24 mar/10 6.341.341,63 2.347.836,50 3.993.505,13 Fl. 14964DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 21 20 abr/10 9.004.725,79 5.044.724,27 3.960.001,52 mai/10 9.744.960,58 3.881.636,16 5.863.324,42 jun/10 13.146.384,65 2.653.439,32 10.492.945,33 4.6.2 GLOSA DE CRÉDITOS COMPRA PARA COMERCIALIZAÇÃO De acordo com os demonstrativos de composição dos créditos declarados no DACON, na linha 02 fichas 06A e 16A (fls. 1973/1990), verificamos que a contribuinte está apropriando créditos relativos às compras para comercialização nos seguintes CFOP: 1.102, 2.102, 1.403 e 2.403 (conta contábil n° 11601). Todavia, por meio da análise dos registros de entradas e saídas obtidos a partir do SPED Fiscal/Contábil entregues pela fiscalizada, identificamos valores divergentes, relativos aos bens adquiridos para comercialização. Dessa forma, apenas os valores identificados pela fiscalização foram aceitos (BC Deferida), conforme demonstrativo abaixo: MÊS/ANO BC Pleiteada (Compras p/ Comercialização) CFOP 1.102, 2.102, 1.403 e 2.403linha 01 ficha 06A e 16A BC Deferida Glosa jan/09 1.036.203,30 177.500,00 858.703,30 fev/09 417.419,26 334.092,56 83.326,70 mar/09 9.779.989,50 476.481,52 9.303.507,98 abr/09 1.864.982,85 12,182,78 1.852.800,07 mai/09 1.386.088,53 212.777,17 1.173.311,36 jun/09 1.899.546,03 254.189,62 1.645.356,41 jul/09 0,00 0,00 0,00 ago/09 0,00 0,00 0,00 set/09 0,00 0,00 0,00 out/09 0,00 0,00 0,00 nov/09 10.829.123,55 10.829.123,55 0,00 dez/09 22.993.379,39 22.953.937,68 39.441,71 jan/10 5.811.828,18 5.811.828,18 0,00 fev/10 10.642.803,59 10.642.803,58 0,00 mar/10 16.300.557,80 402.701,42 15.897.856,38 abr/10 12.936.400,42 12.936.400,42 0,00 mai/10 10.422.981,58 10.422.981,58 0,00 jun/10 20.787.524,51 10.787.524,51 0,00 4.6.3 GLOSA DE CRÉDITOS INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR OUTRA EMPRESA De acordo com os demonstrativos de composição dos créditos declarados no DACON, na linha 02 fichas 06A e 16A (fls. 1973/1990), verificamos que a contribuinte está apropriando créditos relativos aos serviços de industrialização efetuados por outra empresa nos seguintes CFOP n° 1.124 e 2.124 (contas contábeis n°s 11603 e 11604). Todavia, por meio da análise dos registros de entradas e saídas obtidos a partir do SPED Fiscal/Contábil entregues pela fiscalizada, Fl. 14965DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 22 21 identificamos valores divergentes, relativos aos serviços de industrialização efetuados por outra empresa. Dessa forma, apenas os valores identificados pela fiscalização foram aceitos (BC Deferida), conforme demonstrativo abaixo: MÊS/ANO BC Pleiteada (Ind. efetuada por outra empresa) CFOP BC Deferida Glosa empresa) CFOP 1.124 e 2.124linha 02ficha 06A e 16A jan/09 344.603,95 344.603,95 0,00 fev/09 218.016,85 218.016,85 0,00 mar/09 111.806,82 111.806,82 0,00 abr/09 170.928,24 128.426,82 42.501,42 mai/09 694.134,30 435.612,00 258.522,30 jun/09 721.289,21 414.672,21 306.617,00 jul/09 50.548,14 50.548,14 0,00 ago/09 41.314,94 41.314,94 0,00 set/09 79.465,48 79.465,48 0,00 out/09 73.776,38 73.776,38 0,00 nov/09 79.444,69 79.444,69 0,00 dez/09 96.054,40 96.054,40 0,00 jan/10 31.638,68 31.638,68 0,00 fev/10 43.172,41 43.172,41 0,00 mar/10 13.757,81 13.757,81 0,00 abr/10 139.266,99 139.266,99 0,00 mai/10 197.226,14 197.226,14 0,00 jun/10 539.136,77 539.136,77 0,00 4.6.4 GLOSA DE CRÉDITOS DEVOLUÇÃO DE COMPRAS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO: De acordo com os demonstrativos de composição dos créditos declarados no DACON, na linha 02 fichas 06A e 16A (fls. 1973/1990), verificamos que a contribuinte utilizou valores referentes às devoluções de compras para industrialização CFOP n°s 5.201 e 6.201 (contas contábeis n°s 11603 e 11604), inferiores aos efetivamente incorridos. Como se trata de uma conta que reduz o valor dos créditos relativos a compras para industrialização, o fato de o contribuinte utilizar valores inferiores aos efetivamente incorridos, nessa conta de devolução, faz com que ele se credite de valores indevidos, relativamente às compras para industrialização. Assim sendo, a fiscalização corrigiu os valores relativos às devoluções de compras para industrialização CFOP n°s 5.201 e 6.201 (contas contábeis n°s 11603 e 11604), conforme demonstrativo abaixo: MÊS/ANO BC Pleiteada (Dev. de compras p/ industrialização) CFOP 5.201 e 6.201 linha 02ficha 06Ae16A BC Deferida Glosa jan/09 36.727,84 65.113,84 28.386,00 fev/09 74.783,40 99.415,89 24.632,49 mar/09 63.433,04 71.187,00 7.753,96 abr/09 10.677,11 12.079,77 1.402,66 mai/09 125.629,94 160.235,06 34.605,12 jun/09 213.477,02 222.688,72 9.211,70 Fl. 14966DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 23 22 jul/09 29.087,84 30.140,34 1.052,50 ago/09 3.678,01 3.678,01 0,00 set/09 52.366,10 54.195,46 1.829,36 out/09 8.731,95 9.139,19 407,24 nov/09 23.789,97 25.704,72 1.914,75 dez/09 61.872,48 65.417,20 3.544,72 jan/10 211.520,06 222.946,05 11.425,99 fev/10 19.521,19 94.022,48 74.501,29 mar/10 45.361,93 50.134,45 4.772,52 abr/10 88.070,69 120.475,24 32.404,55 ma¡/10 35.510,86 155.034,45 190.545,31 jun/10 45.980,39 98.454,88 52.474,49 4.6.5 GLOSA DE CRÉDITOS DEVOLUÇÃO DE COMPRAS PARA COMERCIALIZAÇÃO: Também constatamos, nos demonstrativos de composição dos créditos declarados no DACON, na linha 02 fichas 06A e 16A (fls. 1973/1990), que no mês de janeiro de 2009 a fiscalizada utilizou valores referentes às devoluções de compras para comercialização CFOP n° 5.411 (conta contábil n° 11601), inferiores aos efetivamente incorridos. Como se trata de uma conta que reduz o valor dos créditos relativos a compras para comercialização, o fato de o contribuinte utilizar valores inferiores aos efetivamente incorridos, nessa conta de devolução, faz com que o contribuinte se credite de valores indevidos, relativamente às compras para comercialização. Destarte, a fiscalização corrigiu os valores relativos às devoluções de compras para comercialização CFOP n° 5.411 (conta contábil n° 11601), referentes ao mês de janeiro de 2009, conforme demonstrativo abaixo: MÊS/ANO BC Pleiteada (Dev. de compras p/ comercialização) CFOP 5.411 linha 02 ficha 06A e 16A BC Deferida Glosa jan/09 109.535,30 212.216,68 102.681,38 4.6.6 GLOSA DE CRÉDITOS OUTRAS ENTRADAS IMPORTAÇÃO De acordo com os demonstrativos de composição dos créditos declarados no DACON, na linha 02 fichas 06B e 16B (fls. 1973/1990), verificamos que a fiscalizada apropriouse de créditos relativos a "Outras Entradas" Importação CFOP n° 3.949 (contas contábeis n°s. 11603 e 11604). Todavia, por meio da análise dos registros de entradas e saídas obtidos a partir do SPED Fiscal/Contábil, entregues pela fiscalizada, constatamos que neste CFOP não consta nenhum lançamento, motivo pelo qual o crédito relativo a essa rubrica foi glosado, conforme demonstrativo abaixo: MÊS/ANO BC Pleiteada (Outras Entradas Importação) CFOP 3.949linha 02 ficha 06B e16B BC Deferida Glosa ian/09 0,00 0,00 0,00 fev/09 0,00 0,00 0,00 Fl. 14967DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 24 23 mar/09 0,00 0,00 0,00 abr/09 0,00 0,00 0,00 mai/09 0,00 0,00 0,00 ¡un/09 0,00 0,00 0,00 jul/09 0,00 0,00 0,00 ago/09 0,00 0,00 0,00 set/09 1.463.059,28 0,00 1.463.059,28 out/09 1.719.601,62 0,00 1.719.601,62 nov/09 1.506.392,21 0,00 1.506.392,21 dez/09 0,00 0,00 0,00 jan/10 0,00 0,00 0,00 fev/10 0,00 0,00 0,00 mar/10 0,00 0,00 0,00 abr/10 0,00 0,00 0,00 mai/10 1.067.539,20 0,00 1.067.539,20 jun/10 0,00 0,00 0,00 4.6.7 GLOSA DE CRÉDITOS DEVOLUÇÃO DE REVENDAS De acordo com os demonstrativos de composição dos créditos declarados no DACON, na linha 02 fichas 06A e 16A (fls. 1973/1990), verificamos que no mês de março de 2009 a fiscalizada apropriou créditos relativos a devolução de revenda nos seguintes CFOP: n°s 1.202 e 2.202 (conta contábil n° 11603 e 11604). Todavia, por meio da análise dos registros de entradas e saídas obtidos a partir do SPED Fiscal/Contábil, entregues pela fiscalizada, elaboramos o demonstrativo denominado "Entradas Março 2009" (fls. 9004/9112) e verificamos que a maior parte das devoluções de revenda, no mês de março de 2009, referemse a produtos submetidos à tributação monofásica (concentrada) capítulos 3304, 3305 e 3307 da TIPI, cuja venda foi efetuada com alíquota zero e, portanto, a devolução não gera direito ao crédito. Portanto, os créditos relativos às referidas devoluções foram glosados, conforme demonstrativo abaixo: MÊS/ANO BC Pleiteada (Devolução de Revendas) CFOP 1.202 e 2.202linha 02 ficha 06A BC Deferida Glosa março/09 3.012.897,33 9,48 3.012.887,85 4.6.8 GLOSA DE CRÉDITOS DEVOLUÇÃO DE VENDAS De acordo com os demonstrativos de composição dos créditos declarados no DACON, na linha 01 fichas 06A e 16A (fls. 1973/1990), verificamos que a contribuinte está apropriando créditos relativos à devoluções de vendas nos seguintes CFOP: 1.202, 2.202, 2.203, 2.204, 1.411 e 2.411 (conta contábil n° 11601). Todavia, por meio da análise dos registros de entradas e saídas obtidos a partir do SPED Fiscal/Contábil entregues pela fiscalizada, identificamos valores diferentes, relativos às devoluções de vendas. Portanto, os valores informados a maior nos DACON foram glosados, conforme demonstrativo abaixo: MÊS/ANO BC Pleiteada (Devolução de Vendas) CFOP 1.202, 2.202, 2.203, 2.204, 1.411 e 2.411 linha 01 ficha 06A e 16A Fl. 14968DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 25 24 BC Deferida Glosa Jan/09 0,00 0,00 0,00 fev/09 0,00 0,00 0,00 mar/09 0,00 0,00 0,00 abr/09 0,00 0,00 0,00 mai/09 797.608,46 217.112,13 580.496,33 jun/09 331.837,42 247.567,35 84.270,07 j u 1/09 0,00 0,00 0,00 ago/09 0,00 0,00 0,00 set/09 0,00 0,00 0,00 out/09 0,00 0,00 0,00 nov/09 0,00 0,00 0,00 dez/09 0,00 0,00 0,00 jan/10 0,00 0,00 0,00 fev/10 0,00 0,00 0,00 mar/10 0,00 0,00 0,00 abr/10 2.866.836,13 50.107,75 2.816.728,38 mai/10 301.745,13 95.837,13 205.908,00 jun/10 1.699.323,30 207.768,69 1.491.554,61 Além dos valores acima, também constamos uma diferença, no mês de junho de 2010, relativa a Devolução de Vendas, com CFOP de n°s 1.410 e 2.410, entre o valor informado no DACON, na linha 02 fichas 06A e 16A, e o valor escriturado pela fiscalizada (SPED Fiscal/Contábil), sendo que a diferença de valor, informada a maior no DACON, foi glosada, conforme demonstrativo abaixo: MÊS/ANO BC Pleiteada (Devolução de Vendas) CFOP 1.410 e 2.410 linha 02 ficha 06A e 16A BC Deferida Glosa Jun/10 137.525,57 36.023,76 101.501,81 4.6.9 GLOSA DE CRÉDITOS COMPRA DE MATERIAL DE USO E CONSUMO: As compras de materiais para uso e consumo CFOP n° 1.556, 2.556 e 3.556 (contas contábeis n°s. 11605, 11614, 44704 e 44789), não geram direito ao crédito tendo em vista que "materiais utilizados para uso e consumo" não se tratam de "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", conforme dispõe o artigo 3o, inciso II, das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Entretanto a fiscalizada apropriouse de créditos, no DACON (período de janeiro a junho de 2010 linhas 01 e 02 das fichas 06A e 16A e linha 02 das fichas 06B e 16B), relativos a compras de materiais de uso e consumo CFOP n° 1.556, 2.556 e 3.556 (contas contábeis n°s. 11605,11614, 44704 e 44789). Destarte, os créditos relativos a estas aquisições foram integralmente glosados, conforme demonstrativos abaixo: MÊS/ANO BC Pleiteada (Compra de material de Uso e Consumo) CFOP 1.556 e 2.556 linha 01 fichas 06A e 16A Fl. 14969DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 26 25 BC Deferida Glosa jan/10 0,00 0,00 0,00 fev/10 0,00 0,00 0,00 mar/10 0,00 0,00 0,00 abr/10 0,00 0,00 0,00 mai/10 1.029.139,02 0,00 1.029.139,02 jun/10 924.492,97 0,00 924.492,97 MÊS/ANO BC Pleiteada (Compra de material de Uso e Consumo) CFOP 1.556 e 2.556 linha 02 fichas 06A e 16A BC Deferida Glosa jan/10 196.219,87 0,00 196.219,87 fev/10 316.639,06 0,00 316.639,06 mar/10 459.644,87 0,00 459.644,87 abr/10 1.484.634,79 0,00 1.484.634,79 mai/10 306.987,65 0,00 306.987,65 jun/10 444.904,38 0,00 444.904,38 MÊS/ANO BC Pleiteada (Compra de material de Uso e Consumo) Importação CFOP 3.556 linha 02 fichas 06B e 16B BC Deferida Glosa jan/10 33.451,45 0,00 33.451,45 fev/10 0,00 0,00 0,00 mar/10 57.832,31 0,00 57.832,31 abr/10 104.886,05 0,00 104.886,05 mai/10 223.848,83 0,00 223.848,83 jun/10 87.964,21 0,00 87.964,21 4.6.10 GLOSA DE CRÉDITOS ENERGIA ELÉTRICA Com base nos registros de entradas e saídas e lançamentos contábeis obtidos a partir do SPED Fiscal/Contábil, constatamos uma pequena diferença entre os valores informados pela fiscalizada no DACON e nos lançamentos contábeis e fiscais escriturados por ela, conforme demonstrativo denominado "Energia Elétrica" (fls. 14192/14202). Destarte, os valores informados a maior nos DACON foram glosados, conforme demonstrativo abaixo: MÊS/ANO BC Pleiteada (Despesas de Energia Elétrica) linha 04 fichas 06A e 16A BC Deferida Glosa jan/10 1.241.671,01 1.237.375,85 4.295,16 fev/10 1.024.076,74 1.020.893,33 3.183,41 mar/10 1.232.263,41 1.228.423,07 3.840,34 mai/10 1.585.505,89 1.582.330,21 3.175,68 Por fim, cumpre esclarecer que algumas das rubricas que compõem as linhas 01 e 02 das fichas 06A e 16A, as glosas já foram relatadas no presente termo, conforme se vê abaixo: Compra de Combustível ou lubrificante CFOP n° 1.653 e 2.653 (conta contábil n° 4470403) tópico 4.1.1; Fl. 14970DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 27 26 Brindes ao Consumidor Final, Materiais Promocionais e Campanhas Prêmios Consumidor (conta contábil n° 6121502, 6121507 e 6121517) tópico 4.1.2; Também é importante ressaltar que as glosas foram efetuadas nos DACON, nas fichas e linhas em que os valores foram informados pela fiscalizada, independente do fato de estarem ou não informados na ficha/linha correta. 5 DAS RECEITAS DE VENDAS APURADAS PELO CONTRIBUINTE (BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS) Em relação às receitas informadas no DACON, objeto da presente ação fiscal, não foram encontradas infrações, motivo pelo qual os débitos informados no DACON foram mantidos. Cumpre esclarecer, entretanto, que existe uma outra ação fiscal em curso, na Delegacia Especial de Maiores Contribuintes DEMAC/SP, objeto do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.85.00 2011002980, em cuja auditoria estão sendo verificadas as demais receitas, mormente as receitas de subvenção para investimentos. 6 CONCLUSÃO APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS Face a todo o exposto acima, elaboramos os demonstrativos denominados "DACON CFOP 2009" (fl. 14203) e "DACON CFOP 2010" (fls. 14204/14205), nos quais estão relacionados todos os créditos informados pela fiscalizada nos DACON (inclusive por CFOP), bem como os valores deferidos pela fiscalização (Base Aceita). Notese que os valores aceitos pela fiscalização, a título de créditos de PIS e Cofins, são muito inferiores aos valores informados pelo contribuinte nos DACON, de forma que não houve saldo de créditos em favor do contribuinte em nenhum dos meses do período auditado (janeiro de 2009 a junho de 2010). Ao contrário, em todos os meses foram apurados débitos. Destarte, a primeira consequência do resultado da auditoria foi o indeferimento total dos valores pedidos pelo contribuinte a título de ressarcimento. A segunda consequência é que os débitos apurados pela fiscalização serão objeto de lançamento de ofício. Para tanto, elaboramos o demonstrativo denominado "Resumo das Glosas de Créditos e Lançamentos", no qual demonstramos o resumo das glosas efetuadas nos respectivos DACON, bem como o valor a ser lançado a título de PIS e Cofins, mês a mês (fls. 14206/14214). Notese, na primeira página do referido demonstrativo, que os valores pagos e/ou declarados pela fiscalizada, em DCTF, foram considerados, já que nos meses de março e abril de 2009 a fiscalizada havia declarado débitos de PIS e Cofins. Inconformada, em 30 de dezembro de 2013, apresenta a interessada impugnação (fls. 14.280/14.359), por meio da qual, em síntese, agrupa, Fl. 14971DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 28 27 inicialmente, as razões pelas quais o entendimento das autoridades fiscais não deveria prosperar: A alegação do Sr. Agente Fiscal que os créditos denominados "Rateios DM" são vinculados exclusivamente às despesas de mídia, e por isso devem ser glosados, são incompatíveis com as informações e documentos apresentados pela Impugnante na resposta ao Termo de Verificação Fiscal n° 7, no qual se demonstra claramente que a origem dos mesmos referese a outros insumos, como matéria prima e material de embalagem, não apropriados tempestivamente pela DM em virtude de rateio indevido realizado com base no percentual de receitas de produtos monofásicos, por ela fabricada, em relação ao total de receitas; Diversos créditos da linha 03 da DACON foram glosados pelo Sr. Agente Fiscal sem que qualquer justificativa ou explicação fosse dada no corpo do Auto de Infração ou no TDF; A apropriação de créditos previstos no artigo 24 da Lei n° 11.727/2008 não tem como condição necessária que o fornecedor e o comprador fabriquem exatamente o mesmo produto, bastando que ambos sejam fabricantes dos produtos relacionados no § l° do art. 2° da Lei n° 10.833; Diversas divergências descritas no TDF não encontram suporte documental, não se verificando as mesmas através de análise dos DACONs e dos demais documentos da Impugnante; Não é condição sine qua non para a apropriação de créditos extemporâneos do PIS e da COFINS a prévia retificação dos DACONs; O princípio constitucional da nãocumulatividade das contribuições ao PIS e a COFINS é mais amplo do que aquele aplicável ao IPI, utilizado como parâmetro pelo Sr. Agente Fiscal; Os serviços de mídia são absolutamente necessários para a manutenção das fontes de receitas da Impugnante, devendo ser classificados como insumo para fins de apuração do PIS e da COFINS; As despesas de fretes glosadas pelo Sr. Agente Fiscal estão vinculadas às operações mercantis do Impugnante, sendo a grande maioria desses serviços vinculados a entrega ao cliente de produtos bonificados em razão da quantidade de mercadorias adquiridas por esse mesmo cliente; Os créditos glosados em virtude de depreciação de bens do ativo imobilizado estão vinculados a bens aplicados nas atividades básicas da Impugnante, como equipamentos laboratoriais e empilhadeiras; Foram glosados créditos referentes à aquisição de material de uso e consumo que claramente se caracterizam como bens intermediários de produção; e Fl. 14972DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 29 28 Foram glosados créditos referentes a serviços essenciais a atividade da Impugnante, como o de análise laboratorial e consultoria para o desenvolvimento de novos produtos. Em seguida, passa a asseverar: II PRELIMINARMENTE II.l. MOTIVAÇÃO IMPRECISA E AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO (...) II.l.l GLOSA DE CREDITO RATEIO DM EQUÍVOCO NA IDENTIFICAÇÃO DA NATUREZA DOS CRÉDITOS (...) A impugnante se surpreendeu quando da leitura das fls. 15 e 16 do TDF, através das quais o senhor Agente Fiscal atribuiu, de maneira equivocada, e não obstante o longo debate travado acerca desse tema, a totalidade de créditos extemporâneos apropriados decorrentes da operação efetuadas pela empresa sucedida DM a rubrica de mídia, como segue (fls. 15): (...) Como demonstraremos, tal afirmação não pode ser tratada' como um mero equívoco do Sr. Agente Fiscal, tendo em vista não só o longo período de fiscalização (31 meses) e o pronto atendimento que a Impugnante deu a todas as demandas da RFB, mas, principalmente, o fato de que os créditos da DM foram objeto de análise e debates específicos. Também restará claro que a intimação a qual se refere o Sr. Agente Fiscal, a pedido do mesmo, trata exclusivamente acerca da rubrica AQUISIÇÃO DE MÍDIA, sendo a rubrica DM RATEIO tratada expressamente em outra intimação. Com efeito, em respostas ao Termo de Intimação n° 3, que solicitava à Impugnante, no item 10, "detalhar, através de planilhas e exemplos de operações, a rubrica do DACON Ficha 06A linha 13. Outras Operações com Direto a Crédito de todo o período fiscalizado", foi juntada a planilha "Linha 13 das fichas 06A e 16A", preparada pela Impugnante e constante das fls. 1996. Através dessa planilha, se constata facilmente que os créditos lançados nas Fichas 06A e 16A linha 13 a título de "Outras Operações com Direto a Crédito" possuem diversas origens, dentre as quais a aquisição de serviços de mídia e os denominados "Rateios DM". Salientamos que tal fato ficou explícito ao Sr. Agente Fiscal, como podemos verificar do trecho extraído das fls. 13 do TDF: (...) Por se tratar de créditos de origem distinta, o Sr. Agente Fiscal optou por analisar separadamente os temas. Assim sendo, através do item 2 do Termo de Intimação n° 5, mencionado no trecho do TDF transcrito acima, o Sr. Agente Fiscal solicitou esclarecimentos exclusivamente acerca dos créditos da rubrica AQUISIÇÃO DE MÍDIA , como segue: (...) Portanto, a menção de trecho dessa resposta fora do contexto ao qual se aplica, em capítulo do TDF verificado “GLOSA DE CRÉDITOS – RATEIOS DM”, se mostra completamente inapropriado e só se presta a induzir o julgador à uma interpretação equivocada. Como demonstrado acima, tanto a formulação do requerimento contido no Termo de Intimação n° 5 quanto a resposta da Impugnante a tal Fl. 14973DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 30 29 requerimento demonstram de forma evidente que as informações são restritas à rubrica AQUISIÇÕES DE MÍDIA contida na planilha "Linha 13 das fichas 06A e 16A", preparada pela Impugnante e constante das fls. 1996. (...) Como se não bastasse a gritante limitação das informações expostas na resposta do Termo de Intimação n° 5 à rubrica AQUISIÇÕES DE MÍDIA, o senhor Agente Fiscal não menciona no TDF que, em 21/01/2013, através do Termo de Intimação Fiscal n° 7, foram solicitadas informações especificas acerca da rubrica RATEIO DM, como segue: (...) Portanto, não resta a menor dúvida que a afirmação do senhor Agente Fiscal às fls 15 do TDF de que "os créditos extemporâneos da DM são referentes exclusivamente a rubrica de "Mídia" é contrária a todas as informações contidas no processo de fiscalização, onde ficou comprovado claramente que os créditos extemporâneos de mídia, inclusive decorrentes das aquisições efetuadas pela DM, foram demonstrados sob a rubrica Mídia e devidamente explicados na resposta ao Termo de Verificação Fiscal n° 5, enquanto na rubrica DM Rateio foram agrupados os créditos das aquisições de outros insumos, como matéria prima e material de embalagem, nas quais devem ser incluídas mídia, não apropriados pela DM, na proporção das receitas tributadas no regime monofásico em relação ao total de receitas, conforme devidamente explicado na resposta ao Termo de Verificação Fiscal n° 7. Nessa linha, não resta dúvida que a mencionada imprecisão do Sr. Agente Fiscal teve como consequência a utilização de motivação e fundamentação inaplicáveis ao presente Auto de Infração, dado que, repitase, a Impugnante não apropriouse somente de créditos extemporâneos decorrentes de despesas de mídia, mas também daqueles decorrentes da produção e comercialização de determinados produtos sujeitos ao regime monofásico. II.1.2.GLOSA DE CRÉDITO NÃO FUNDAMENTADA LINHA 03 DO DACON Demonstrando novamente completa desatenção com a motivação e fundamentação utilizada para glosar os valores de crédito aproveitados pela Impugnante, o Sr. Agente Fiscal não mencionou no TDF o motivo pelo qual estornou os créditos constantes na linha 03 do DACON (identificado pela Impugnante nas fls. 14203, 14204 e 14205 dos documentos juntados à decisão) que lhe foi apresentado. Ora, configura verdadeiro absurdo a Impugnante, por sua conta e em prazo exíguo de 30 dias, notar quando da análise das fls. juntadas à decisão aqui combatida que determinada linha fora estornada sem qualquer menção a este estorno na fundamentação apresentada. (...) E não é só! Da análise minuciosa do TDF verificase que o Sr. Agente Fiscal alegou diversas supostas divergências entre os valores declarados pela Impugnante no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais ("DACON") e no Sistema Público de Escrituração Digital ("SPED"), e, em outros casos, supostas divergências entre os valores declarados pela Impugnante no DACON e aqueles obtidos mediante informações e documentos fornecidos no decorrer do processo de fiscalização. Fl. 14974DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 31 30 Neste contexto, apenas para exemplificar, quando da leitura do item 4.6 (Glosa de Créditos Valores Divergentes dos Informados nos Dacon), o Sr. Agente Fiscal entendeu por bem efetuar a glosa de créditos sobre supostas divergências entre os valores constantes no DACON daqueles discriminados no Sped. A Impugnante observa que, em uma atitude inexplicável, não obstante o procedimento de fiscalização tenha se estendido por um período de mais de dois anos, o Sr. Agente Fiscal, em nenhum momento buscou informações para elucidar as supostas divergências apuradas. Portanto, o Sr. Agente Fiscal não só atenta contra o direito de defesa da Impugnante, como também abdica inteiramente da busca da verdade material ao não tentar identificar o motivo da aparente divergência de valores. Deveras, a Impugnante possui a impossível tarefa de "decifrar" no prazo exíguo de 30 dias a composição dos valores levantados pelo Sr. Agente Fiscal ao longo de quase dois anos de auditoria para confirmar se os valores ora impugnados são líquidos, certos e condizentes com a realidade. (...) Ainda, quando da leitura do item 4.5. do TDF (Glosa de Créditos relativos a Encargos de Depreciação), o Sr. Agente Fiscal entendeu por bem glosar suposta diferença (R$ 8.451,62), referente ao mês de janeiro de 2009, entre o valor constante no demonstrativo apresentado pela Impugnante e o valor informado no DACON, conforme trecho abaixo: (...) Ora, referida divergência sequer existe! A planilha apresentada pela Impugnante ao Sr. Agente Fiscal contempla exatamente o mesmo valor que esta declarou no DACON. E, ainda que o Sr. Agente Fiscal entenda que suposta divergência de fato está correta, não foi possível pelos documentos juntados ao Auto de Infração e TDF verificar como este realizou o cálculo que resultou na diferença mencionada de R$ 8.451,62. (...) II.2. DA OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO CONTRADITÓRIO AMPLA DEFESA Ainda, diante de todo o exposto, verificase a patente ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, haja vista que a Impugnante sequer tem conhecimento dos corretos fundamentos e da composição exata dos valores glosados pelo Sr. Agente Fiscal que levaram ao indeferimento dos créditos apurados em Dacon. Deveras, a Impugnante possui a impossível tarefa de "decifrar" no prazo exíguo de 30 dias a composição dos valores glosados pelo Sr. Agente Fiscal ao longo de mais dois anos de auditoria para confirmar se os valores ora combatidos são certos e condizentes com a realidade. Além disso, a imprecisão do Sr. Agente Fiscal quanto à análise dos documentos apresentados e dos fundamentos utilizados prejudica (para não dizer impossibilita) o exercício do direito de defesa da Impugnante. Ora, se tomarmos como exemplo o item 4.6 do TDF "Glosa de Créditos Valor divergentes dos informados nos DACON", o Sr. Agente Fiscal levantou supostas divergências que sequer foram Fl. 14975DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 32 31 suscitadas durante a fiscalização! Ou, se foram, não foram objeto de questionamento à Impugnante para que esta prestasse eventuais esclarecimentos antes que se entendesse como certas as divergências encontradas. Em outra situação identificada no TDF, o Sr. Agente Fiscal baseouse em documentação preliminar para glosar créditos decorrentes de fretes intercompany (item 4.3). Tendenciosamente, o questionamento à Impugnante durante o processo de fiscalização foi limitado à identificação das despesas correspondentes aos fretes relacionados à vendas para terceiros e aos não relacionados à tais operações. Dessa forma, não houve qualquer possibilidade de que a Impugnante identificasse as despesas com frete que, embora não relacionadas a entrega de produtos comprados pelos clientes, inquestionavelmente dão direito a créditos de PIS e COFINS por integrarem as atividades essenciais da Impugnante e contribuírem para geração de sua receita, como, por exemplo, os fretes relativos aos produtos bonificados entregue aos clientes. (...) Dessa maneira, não tendo sido apresentados os fundamentos precisos para a glosa de créditos utilizados pelo Sr. Agente Fiscal, verificase claramente que não foi oferecido à Impugnante o "direito à informação geral" e o "direito de audiência" em incontestável afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório, motivo pelo qual deve ser cancelada por essa E. Turma Julgadora a decisão ora combatida. (...) Frisese que a juntada de uma grande quantidade de páginas quando apresentadas de maneira desconexa com as alegações traçadas pela fiscalização, ou mesmos com resumos pelos os mesmos anexados, não servem de instrumento para a comprovação da ocorrência do mundo dos fatos dos atos alegados para se exigir qualquer imposto. (...) Portanto, seja pela (i) ausência de liquidez e certeza, seja pela (ii) a ausência de motivação clara da decisão, ou, ainda, (iii) pelo cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, que compromete toda a sua lisura do crédito tributário exigido, aguarda a Impugnante que essa E. Turma Julgadora cancele a decisão ora combatida em sua totalidade. II.3. NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE CRITÉRIOS NA JUNTADA DE DOCUMENTOS Inicialmente, antes de discorrer sobre o mérito da decisão que motivou o lançamento fiscal ora combatido, importa ressaltar, a despeito dos melhores esforços empreendidos pela Impugnante, a dificuldade de "decifrar" os argumentos, todas as informações e a composição de todos os valores mencionados pelo Sr. Auditor Fiscal nas mais de 14.000 páginas juntadas à decisão, tarefa que é claramente prejudicada pelo exíguo prazo de 30 dias para a apresentação da defesa administrativa. (...) II.3.1. AUSÊNCIA DE CRITERIOS QUANTO AOS CRÉDITOS PRESUMIDOS Além da quantidade exorbitante de informações, cumpre salientar que quando ao tratar dos créditos presumidos, no item 4.4.2 do TDF, o Sr. Fl. 14976DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 33 32 Agente Fiscal mencionou que foram anexadas ao Auto de Infração lavrado três planilhas denominadas "Medicamentos", senão vejamos: (...) Primeiramente, o que se verifica é que o Sr. Agente Fiscal cometeu equívoco ao referirse às fls. onde localizamse tais processos, já que, na verdade, estas encontramse presentes nas fls. 7739 a 8554 anexadas ao Auto de Infração. Ademais, da análise de tais fls., resta claro que as planilhas anexadas ao Auto de Infração são apenas "papéis de trabalho" da fiscalização. Destarte, apesar de o Sr. Agente Fiscal ter alegado que parte dos créditos presumidos aproveitados pela Impugnante devem ser glosados, não foram juntadas aos autos (ou, ao menos, mencionadas de forma clara) planilhas demonstrativas que comprovam a composição dos valores efetivamente glosados após análise. (...) Assim, diante da ausência de demonstração da composição dos valores glosados neste Auto de Infração (conforme exemplo mencionado neste item), impossibilitando a Impugnante e essa E. Turma de Julgamento de verificarem a sua correção e veracidade, notase, por consequência, que o crédito tributário é ilíquido e incerto, não podendo, por esse motivo, prevalecer. II.3.2. FALTA DE PERTINENCIA DA DOCUMENTAÇÃO ANEXADA Ainda, vale destacar que o Sr. Agente Fiscal juntou ao referido Auto de Infração a título de suposta comprovação dos argumentos por ele utilizados mais de 14.000 páginas de Imagens de informações e "planilhas" que, vistas dessa maneira (sem qualquer explicação ou correlação), nada explicam, quanto aos fundamentos levantados no TDF. Além disso, importante ressaltar que não há nessas 14.000 páginas qualquer demonstrativo claro acerca dos valores efetivamente glosados e suas respectivas composições, o que impossibilita a Impugnante a conhecer exatamente os fundamentos que levaram o Sr. Agente Fiscal a indeferir os créditos lançados em Dacon. Portanto, em razão do verdadeiro processo kafkiano ao qual a Impugnante está sendo submetida, no qual não é possível saber qual é a composição dos valores questionados e verdadeiros fundamentos que o Sr. Agente Fiscal está se utilizando, se requer a essa E. Turma Julgadora o cancelamento da decisão ora combatida. III DO DIREITO III.1. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS PARA REVENDA REGIME MONOFÁSICO (ITEM 4.4) Tendo em vista o equivocado entendimento adotado pelo Sr. Agente Fiscal quanto à possibilidade de a Impugnante tomar créditos na aquisição de produtos para revenda sujeitos ao regime monofásico do PIS e da COFINS, passase abaixo a demonstrar que tal creditamento é expressamente previsto em lei e, conseqüentemente, incabível a glosa sustentada pelo Sr. Agente Fiscal. Com efeito, entendeu o Sr. Agente Fiscal que a Impugnante não teria direito ao creditamento do PIS e da COFINS na aquisição de produtos acabados listados no § 1º do art. 2º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, quais sejam, farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador. Fl. 14977DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 34 33 Muito embora reconheça a qualidade de fabricante dos produtos listados no § 1º do art. 2o da Lei no 10.833/03, de acordo com os fundamentos sustentados pelo Sr. Agente Fiscal, a Impugnante só teria direito ao crédito em questão na hipótese de fabricar o mesmo produto, como demonstra o item 4.4.3 do TDF: (...) Esse entendimento, no entanto, não encontra fundamento na legislação, conforme se passa a demonstrar. (...) Pela leitura conjunta do artigo 24 da Lei n° 11.727/2008, do artigo 3º, I, alínea "b" das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 e dos artigos Io e 2o da (lei n° 10.147/2000 necessariamente se conclui que, no que tange à apuração do PIS e da COFINS, a situação existente até 2008 alterou se para a seguinte: (i) produtor, fabricante e importador de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador tributa receita com a venda dos referidos produtos pelo regime monofásico a alíquotas diferenciadas; (ii) revendedor submete a receita da venda de referidos produtos à alíquota zero; (iü) é possível a apropriação de créditos com exceção daqueles relacionados à aquisição dos referidos produtos para revenda; e (iv) a vedação de creditamento na aquisição não se aplica no caso de produtores ou fabricantes quando adquirem referidos produtos de outros produtores, fabricantes ou importadores. Portanto, equivocouse o Sr. Agente Fiscal na interpretação dos mencionados dispositivos, especialmente no caput do artigo 24 da Lei n° 11.727/08. Isso porque, como dito acima, o Sr. Agente Fiscal entendeu o dispositivo da seguinte forma: (i) produtor, fabricante e importador de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador tributa receita com a venda dos referidos produtos pelo regime monofásico a alíquotas diferenciadas; (ii) revendedor submete a receita da venda de referidos produtos à alíquota zero; (iü) é possível a apropriação de créditos com exceção daqueles relacionados à aquisição dos referidos produtos para revenda; e (iv) a vedação de creditamento na aquisição não se aplica no caso de produtores ou fabricantes quando adquirem os mesmos produtos que fabricam de outros produtores, fabricantes ou importadores. Essa interpretação, aparentemente, está baseada no entendimento adotado pelo Sr. Agente Fiscal acerca do verbete "desse" utilizado no caput do artigo 24 da Lei n° 11.727/2008. (...) Notamos na redação empregada pelo legislador que a única menção a PRODUTO feita no caput do artigo 24 da Lei 11.727/11 é quanto aos "produtos relacionados no § Io do art. 2o da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003". A expressão utilizada (desses produtos) no dispositivo legal é bastante precisa, não permitindo a sua substituição, posto que se encontra formada por substantivo não mencionado anteriormente na sentença (dos produtos fabricados pelo contribuinte), como pretende o Sr. Agente Fiscal: Ou seja, o Sr. Agente Fiscal desprezou a literalidade do artigo empregando a expressão "desses produtos" significado que não condiz com a própria redação do caput do artigo 24. (...) Fl. 14978DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 35 34 Em outras palavras, pela interpretação literal e condizente com a redação do caput, “desses produtos” está se referindo claramente aos produtos listados no §1o do artigo 2o da Lei nº 10.833/03, previamente mencionados no caput do artigo 24, quais sejam, dentre outros, os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador. (...) Por outro lado, a Interpretação pretendida pelo Sr. Agente Fiscal deturpa claramente o significado do expressão "desses produtos" utilizado pelo artigo 24 da Lei 11.727/2008, resultando em uma limitação de crédito não prevista em lei, ferindo o princípio da estrita legalidade. Dessa forma, deve ser afastada a conclusão adotada pelo Sr. Agente Fiscal, reconhecendose o direito ao creditamento das referidas contribuições pela Impugnante quando da aquisição dos produtos farmacêuticos, de higiene pessoal, de perfumaria e de toucador de outros fabricantes. III.2. GLOSA INDEVIDA DE CRÉDITOS EM VIRTUDE DE SUPOSTAS DIVERGÊNCIAS (ITEM 4.6) Conforme já mencionado anteriormente em tópicos preliminares da presente Impugnação, o Sr. Agente Fiscal entendeu por bem que os valores informados no DACON pela Impugnante divergem daqueles obtidos da análise dos registros de entradas e saídas obtidos a partir do SPED entregue, conforme relação abaixo: (...) Nesse sentido, primeiramente vale dizer que, consoante com o que já dito acima, a Impugnante teve seu direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório totalmente feridos, uma vez que o Sr. Agente Fiscal sequer buscou entender com ela os números constantes no DACON e SPED entregues. Ao contrário, realizou suas contas e presumiu como verdadeiras as supostas divergências que apurou. (...) Ora, quando cometeu equívoco, a própria Impugnante assumiu sem sequer ser questionada pelo Sr. Agente Fiscal, como é o caso, por exemplo, dos créditos referentes às operações de Importação, tratadas no item 4.6.6 do TDF, conforme Resposta à Intimação n° 5 protocolada em 21/01/13. Quanto a este, inclusive, requer a Impugnante que seja esclarecido o procedimento para realização do pagamento do valor resultante da glosa em questão, já que nada tem a contestar. Maior atenção ainda deve ser dada ao item que trata da g créditos decorrentes da compra para comercialização (item 4.6.2 do TDF). Conforme restará demonstrado pelas planilhas elaboradas pela Impugnante (ressaltase, no exíguo prazo de 30 dias), com base no registro C170 do Sped Fiscal, o Sr. Agente Fiscal cometeu grande equívoco nos valores apontados no TDF como "BC Deferida". Neste contexto, especificamente no que diz respeito ao período de janeiro de 2009, a Impugnante conseguiu identificar que o Sr. Agente Fiscal entendeu por bem deferir somente os créditos decorrentes da aquisição de "sementes", glosando todos os créditos referentes à "lâminas de barbear", cujo código NCM é 82121020 (doc. 03). Contudo, não há no TDF fundamentação para referida glosa ou qualquer justificativa para tal procedimento. Isso porque, como se Fl. 14979DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 36 35 sabe, a legislação em vigor prevê expressamente a tomada de crédito com relação à aquisição para comercialização de tais produtos. Citando como mais um exemplo de equívoco e imprecisão do Sr. Agente Fiscal, no período de março de 2010, em que pese não ter sido possível à Impugnante compor a memória de cálculo do montante glosado indicado no TDF, fato é que aqui todos os produtos também encontramse previstos na legislação que trata do PIS e da COFINS como passíveis de creditamento de tais Contribuições quando por ocasião de sua compra para subsequente comercialização no mercado interno. Ademais, neste mesmo período, conforme restará demonstrado pela planilha de cálculos elaborada pela Impugnante (doc. 04), o valor dos créditos pleiteados é de aproximadamente R$ 17.5 milhões, de forma que ela sequer chegou a declarálos integralmente no correspondente DACON. Explicase: a Impugnante creditouse de valor menor do que o que de fato poderia ter feito com relação ao período de março de 2010. E, novamente, em que pese não ter glosado integralmente os valores referentes a este período, o Sr. Agente Fiscal não fundamentou seu posicionamento. (...) III.3. DA FORMA DE RECONHECIMENTO E APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS (ITEM 4.2.1) Conforme se extrai da leitura do TDF (especificamente, cio item 4.2.1), a Impugnante informou como créditos extemporâneos valores não apropriados anteriormente, por si ou por empresa sucedida (em especial, a DM), devido a erro na interpretação ou decorrente de erro de fato. Nesse sentido, entendeu o Sr. Agente Fiscal que "não ha como acolher a pretensão de utilizar eventuais créditos apurados extemporaneamente sem retificar os DACON e DCTF correspondentes, ou seja, retificar as declarações do mesmo período de créditos (...)". (g.n.) Contudo, referido entendimento não merece prosperar. (...) Em conformidade com o artigo 3º, §4° das Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03, o contribuinte tem o direito de apropriação extemporânea dos créditos de PIS e de COFINS sem qualquer restrição ou imposição sobre a forma do seu aproveitamento. Especificamente acerca do aproveitamento desses créditos, a própria Receita Federal do Brasil ("RFB") já firmou entendimento no sentido de que é permitido o direito ao aproveitamento de credito de PIS e de COFINS pela pessoa jurídica em meses subsequentes, tendo apenas como limite o prazo de cinco anos, conforme soluções de consulta a seguir transcritas: (...) Inclusive, esse é o entendimento que vem sendo seguido pelo CARF, conforme ementa do acórdão recentemente proferido citada a seguir: (...) Há de se mencionar que, como mencionado, o ordenamento jurídico não prevê a forma como devem ser aproveitados os créditos extemporâneos de PIS e COFINS, sendo certo, com base na melhor doutrina e jurisprudência, que referido direito pode ser exercido, basicamente, através de dois procedimentos distintos, a saber: Fl. 14980DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 37 36 1) retificação da DACON anterior, para abater os respectivos créditos de PIS e COFINS, resultando em um recolhimento a maior que poderá ser restituído ou compensando com outros tributos administrados pela RFB; e 2) registro extemporâneo dos créditos de PIS e COFINS no corrente período, apropriando diretamente no regime nãocumulativo. Notamos que ambas as modalidades são válidas, restando ao contribuinte o direito de escolher o meio que melhor lhe convém para exercer seu direito. Notase que o próprio manual da EFD do PIS/COFINS, muito embora expresse uma preferência, em nenhum momento impõe a retificação como único meio para apropriação de créditos extemporâneos, conforme segue: "Como informar um crédito extemporâneo na EFD PIS/COFINS? O crédito extemporâneo deverá ser informado, preferencialmente, mediante a retificação da escrituração cujo período se refere o crédito. No entanto, se a retificação não for possível, devido ao prazo previsto na Instrução Normativa RFB n° 1.052, de 2010, a PJ deverá detalhar suas operações através dos registros 1100/1101 (PIS) e 1500/1501 (COFINS)". (g.n.) Pela leitura do trecho acima, mais especificamente pela menção do termo "preferencialmente", resta claro que o contribuinte tem a opção, e não a obrigatoriedade (como sugere o Sr. Agente Fiscal), de retificar seus documentos fiscais quando do reconhecimento de crédito extemporâneo. (...) Assim, considerando que ao aproveitar os créditos extemporâneos, a Impugnante nada mais fez do que exercer seu direito em atraso, dentro do prazo decadencial, não há que se falar na glosa de tais valores. Nesse sentido, ainda que o Sr. Agente Fiscal não entenda que o procedimento adotado pela Impugnante foi o mais adequado para o aproveitamento dos créditos extemporâneos, não há razão para considerálos indevidos, já que a Impugnante tem direito a aproveitá los, seja por meio da retificação do DACON e demais documentos contábeis e fiscais necessários, seja por meio do reconhecimento dos créditos no período em que são apurados. Assim, em atenção ao princípio da busca da verdade material deve essa E. Turma Julgadora analisar todos os fatos e documentos apresentados, os quais comprovam que a Impugnante tem direito ao aproveitamento dos créditos extemporâneos. Requerse, portanto, seja reconhecido o direito aos créditos extemporâneos pretendidos e elencados pelo Sr. Agente Fiscal no item 4.2.1 do TDF. III.4. CONSIDERAÇÕES SOBRE O REGIME DA NAO CUMULATIVIDADE PARA O PIS E A COFINS A sistemática do regime da não cumulatividade foi inserida em nosso ordenamento jurídico, para fins das contribuições do PIS e da COFINS pela Emenda Constitucional 42. O ordenamento constitucional encontra repercussão nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, que indicaram em seus artigos 3º lista enumerativa das despesas que dariam direito a crédito para fins de apuração da base de cálculo de ambas as contribuições. (...) Fl. 14981DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 38 37 Cabe esclarecer que, a despeito de a Constituição não definir expressamente o conceito de nãocumulatividade, tal fato não autoriza que a definição da questão seja delegada livremente ao legislador ordinário, conforme leciona Celso Antonio Bandeira de Mel1o: (...) Assim, a ausência de definição expressa não autoriza a conclusão de que o conteúdo do conceito de nãocumulatividade deva ser delimitado no âmbito infraconstitucional. Bem ao contrário, esse silêncio decorre da prévia existência desse conceito, que, assim, foi incorporado implicitamente ao texto constitucional. (...) Pois bem. Paralelamente ao que ocorre com o ICMS e IPI, a não cumulatividade de PIS e COFINS deve ser entendida, do ponto de vista constitucional, como uma sistemática voltada à desoneração da receita ou faturamento, culminando na tributação apenas pelo valor adicionado "base tributável" pelo contribuinte. Devese evitar, portanto, a ocorrência da mencionada "incidência em cascata" sobre a receita ou faturamento. (...) Assim, segundo o regime de apuração não cumulativo, os contribuintes ficaram autorizados a descontar da base de cálculo do PIS e da COFINS créditos calculados em relação a bens de revenda, insumos, energia elétrica, aluguéis, despesas financeiras, ativo imobilizado, edificações e devoluções de bens, entre outros. Desta feita, inquestionável, no plano constitucional, que deve ser respeitado pela administração pública, o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS na forma como realizado pela Impugnante, já que as despesas questionadas pelo Sr. Agente Fiscal se caracterizam como imprescindíveis para a realização de sua atividade empresarial, não havendo como desconsiderálo para fins de apuração do PIS e a COFINS, sob pena de tais tributos incidirem sobre base de cálculo superior ao mero valor agregado em etapa posterior. (...) Ou seja, de acordo com o regime da nãocumulatividade, é assegurado às pessoas jurídicas a ele sujeitas o direito a créditos de PIS e de COFINS, os quais serão calculados, entre outros, com relação (a) a despesas com aluguéis de imóveis, máquinas e equipamentos; (b) a despesas com energia elétrica; (c) a bens adquiridos para o ativo imobilizado, (d) aos encargos de depreciação dos bens registrados no seu ativo imobilizado e (e) aos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do artigo 3º das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. (...) A luz do ditame constitucional não resta dúvida que a não cumulatividade não se confunde com qualquer tipo de benefício fiscal, posto que não se trata de suspensão ou exclusão de crédito tributário ou mesmo da outorga de isenção, mesmo que parcial, mas sim da metodologia pela qual o tributo deve ser calculado, anulandose ou não os efeitos das etapas econômicas anteriores. Portanto, por se tratar de regime constitucional, sua interpretação deve ser necessariamente ampla e irrestrita, afastandose qualquer tipo de interpretação literal que só seria cabível na hipótese de benefício fiscal, assim definido pelo artigo 111 do Código Tributário Nacional: Fl. 14982DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 39 38 (...) No entanto, especificamente para demonstrar o equivocado conceito de insumo adotado pelo Sr. Agente Fiscal, passase a analisar o conceito de "insumo" para fins de aplicabilidade da não cumulatividade prevista nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. III.4.1. O CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE CREDITAMENTO DO PIS E DA COFINS A fim de delimitar o conceito de insumo, a Receita Federal do Brasil ("RFB”) expediu as Instruções Normativas nº 247, de 21 de novembro de 2002 e nº 404, de 12 de março de 2004, as quais, em seu artigo 66, parágrafo 5º, incisos I e II, e artigo 8o, parágrafo 4º, incisos I e II, respectivamente, assinalaram o que se entende por insumos, verbis: (...) De acordo com essa redação, o conceito de insumo na visão da RFB seria muito mais restritivo do que aquele a que alude a própria legislação do PIS e da COFINS. As referidas INs interpretaram o termo "insumos" consoante conceito estabelecido no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados ("RIPI”). Ocorre que, como regra geral, o IPI, assim como o ICMS são impostos cuja materialidade é o consumo de bens e serviços, ao passo que o PIS e a COFINS são tributos que incidem sobre receita. Consequentemente, a aferição do valor agregado na base tributável das contribuições (receita) pelo contribuinte restaria prejudicada pela aplicação dos conceitos inerentes e exclusivos à produção e circulação de mercadorias, que não se alinham perfeitamente à base tributável de receita. (...) Além disso, é importante destacar que a Constituição Federal de 1988, ao estabelecer a não cumulatividade do PIS e da COFINS, não restringiu a apuração do crédito de tais contribuições aos valores cobrados em operações anteriores, como ocorre no caso do ICMS e do IPI, o que demonstra que o objetivo da nãocumulatividade dessas contribuições é viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita a ser auferida, absolutamente distinto dos citados impostos. (...) Justamente por esse motivo, o conceito de "insumo" no contexto dessas contribuições deve ser entendido de forma mais ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios que são necessários e estão relacionados à atividade principal da empresa, fonte de geração de sua receita e faturamento. Se a base de cálculo do PIS e da COFINS sob a sistemática nãocumulativa é a receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil, devese admitir necessariamente em contrapartida, e sob o próprio princípio que rege a apuração dessas contribuições, o aproveitamento de créditos atrelados às despesas vinculadas e efetivamente necessárias à obtenção daquilo que será tributado (receita). A partir desse raciocínio, é lógico sustentar um conceito de insumo que mais se identifique com aquilo que possa ser classificado contabilmente como as despesas que possam ser consideradas como necessárias (artigo 299 do RIR/99) e intrinsecamente relacionadas e indispensáveis Fl. 14983DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 40 39 à atividadefim da companhia (nos termos previstos em seu Estatuto Social). (...) Como se pode verificar, portanto, diante das possíveis dúvidas acerca do conceito de insumo para fins da apuração de créditos de PIS e de COFINS, a jurisprudência vem se firmando no sentido de que, dada a sistemática da nãocumulatividade dessas contribuições, tal conceito não deve ser entendido de forma tão restritiva como pretendido pelas referidas INs, devendo abranger se não todas as despesas necessárias da pessoa jurídica, ao menos, os custos essenciais e inerentes relacionados diretamente à sua atividade principal, essenciais a geração de receitas. A seguir, a Requerente demonstrará detalhadamente que os créditos por ela tomados e glosados pelo Sr. Agente Fiscal decorrem de despesas ligadas à sua atividade, de modo que sem elas, a Impugnante não conseguiria auferir a receita decorrente da alienação de seus produtos. Assim, não resta dúvida de que as despesas a seguir tratadas enquadramse no conceito de insumo, conforme delineado pela jurisprudência administrativa e judicial, razão pela qual permitem a apuração de créditos do PIS e da COFINS. Abaixo as glosas realizadas pelo Sr. Agente Fiscal, cojnforme descrito no TDF, as quais serão abordadas adiante para fins de comprovação quanto ao direito ao crédito das contribuições: • Créditos Relativos aos Serviços de Mídia (Item 4.1.2) • Créditos Relativos a Fretes (Item 4.3) • Créditos Relativos a Encargos de Depreciação (Item 4.5) • Créditos Relativos a Compra de Material de Uso e Consumo (Item 4.6.9) • Créditos Relativos a Serviços de Análise Laboratorial, Consultoria e Informática (Item 4.2.2) III.4.2. GLOSA INDEVIDA DOS CRÉDITOS RELATIVOS AOS SERVIÇOS DE MÍDIA (ITEM 4.1.2) O Sr. Agente Fiscal entendeu por bem que "os serviços de mídia, publicidade, propaganda e divulgação, bem assim o material de divulgação neles empregado, em que pese poderem ser necessários para o desempenho da atividade da empresa, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação dos medicamentos alopáticos para uso humano, produzidos pela empresa". Neste contexto, há de se destacar que, em princípio, a legislação do PIS e da COFINS não autoriza nominativamente a apropriação de crédito escritural em razão de despesas havidas com propaganda e marketing. Sendo assim, a análise quanto à possibilidade de creditamento pela Impugnante em razão de referidas despesas passa pela definição de insumos já explanada detalhadamente em item anterior (III.1), conforme artigo 3o, inciso II, das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Conforme se pode verificar no prospecto definitivo de distribuição pública primária e secundária de ações ordinárias de emissão da Impugnante (doc. 05), a sua atividade empresária é definida ao mercado como sendo a aquisição, gestão de marketing e comercial de Fl. 14984DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 41 40 um dos maiores e mais diversificados portfólios de marcas de produtos de bens de consumo no Brasil: (...) Assim, os produtos comercializados pela Impugnante, sempre de marcas registradas de sua titularidade, são notoriamente conhecidos no Brasil, como por exemplo: "Benegrip", "Bozzano", "Melhoral", "Monange", "Gelol" e "DorilL" dentre outros. Portanto, é necessário que a Impugnante, para alavancar a sua atividade empresarial (venda de produtos com as suas marcas), efetue uma gestão agressiva de marketing, além, obviamente, de cuidar de maneira diligente de questão mercadológica de marcas consagradas de bens de consumo presentes no mercado brasileiro. (...) Deveras, não é difícil perceber que em razão dos investimentos maciços em propaganda e marketing é que diversos produtos do portfólio de marcas da Impugnante possuem slogans conhecidos por todas as classes sociais de consumidores no Brasil: (...) Dessa forma, no caso da Impugnante, no que diz respeito às despesas incorridas com relação a serviços de mídia, brindes ao consumidor final, materiais promocionais e campanhas prêmio, devem gerar direito a crédito do PIS e da COFINS, porquanto cada uma dessas despesas contribui diretamente para a divulgação das marcas da Impugnante em diferentes setores do mercado consumidor, alavancando seus negócios e, por consequência, as receitas submetidas à tributação pelas referidas Contribuições. Nesse sentido e em vista do detalhado no item III.2. acima com relação à possibilidade legal de tomada pela Impugnante de créditos extemporâneos, mosirase absolutamente indevida, também, a glosa proposta pelo Sr. Agente Fiscal no item 4.2 do TDF dos créditos extemporâneos da Impugnante referentes às ditas despesas com mídia. III.4.3. GLOSA INDEVIDA DOS CRÉDITOS RELATIVOS A FRETES (ITEM 4.3) O Sr. Agente Fiscal entendeu que, por não tratarem de "despesas com fretes utilizados no transporte de insumos adquiridos para fabricação de bens destinados à venda e nem de fretes nas operações de vendas desses bens diretamente ao adquirente (comprador)", os créditos aproveitados pela Impugnante em virtude do frete entre seus estabelecimentos, entre outros, devem ser glosados. No caso da Impugnante, já foi mencionado que esta trabalha com operação de venda e revenda de produtos. Essa operação, vale lembrar, é subdividida em etapas, sendo a primeira delas a aquisição dos produtos; a segunda, a remessa desses produtos aos centros de distribuição; e a terceira, a remessa dos centros de distribuição aos seus clientes. Logo, de acordo com essas premissas, o próprio texto do artigo 3º, IX, da Lei n° 10.833/03 autoriza, em sua literalidade, a apropriação do crédito que o Sr. Agente Fiscal pretende afastar. Muito embora não seja possível delimitar com precisão o real questionamento efetuado pelo Sr. Agente Fiscal, sobretudo pela falta da composição da memória de cálculo, notase que o Sr. Agente Fiscal Fl. 14985DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 42 41 equivocadamente considerou que qualquer frete diverso da entrega direta de determinado produto a um cliente deve ser caracterizado como "frete intercompany" que não assegura direito de creditamento à Impugnante. Ora, o frete que gera receitas não está vinculado exclusivamente ao transporte da mercadoria vendida, mas sim a todas as etapas que podem anteceder ou suceder a venda. Assim, são intrínsecas à geração de receitas da Impugnante as despesas de frete inerente a: (i) transferência de mercadorias ou insumos de uma unidade para outra; (ii) entrega de mercadorias que foram dadas em bonificação aos clientes; e (iii) retirada de mercadorias devolvidas pelos clientes e/ou logística reversa, que são de responsabilidade da Impugnante, entre outras. (...) Ora, tratase, no caso em foco, de despesas com transportes que se afiguram imprescindíveis para a venda ao consumidor. O mesmo podese dizer com relação às despesas com frete ligadas às bonificações originadas de vendas. Isso porque, a bonificação não se configura como uma doação da Impugnante, mas sim como extensão da própria venda por ela realizada, pelo que a despesa de frete relacionada a essa operação deve ser passível de creditamento pelo PIS e pela COFINS. Dessa forma, é inquestionável que a bonificação, em conjunto com todas as circunstâncias comerciais que lhe deram ensejo, totalizam uma operação de venda, como definida pela legislação pertinente, pelo que não resta dúvida quanto à possibilidade de apuração de créditos de PIS e COFINS nos fretes relacionados também a essa operação. Neste sentido, não há dúvidas de que, também por esse motivo, o creditamento em comento encontra amparo na própria legislação da nãocumulatividade. III.4.4. GLOSA INDEVIDA DOS CRÉDITOS RELATIVOS A ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO (ITEM 4.5) No que se refere aos bens incorporados ao ativo imobilizado da Impugnante, o Sr. Agente Fiscal menciona no item 4.5 do TDF que os bens passíveis de crédito são aqueles relacionados ao setor de produção do produto destinado à venda: (...) Muito embora o Sr. Agente Fiscal elenque os centros de custos e respectivos ativos que considera ou não como produtivos, não há no TDF qualquer identificação quanto à composição e quantificação dos valores glosados, dificultando assim a compreensão dos critérios e parâmetros utilizados para quantificação da glosa. Com efeito, desconhece a Impugnante os critérios adotados pelo Sr Agente Fiscal para a caracterização em questão, inferindo que foram aceitos para fins de crédito somente os bens considerados intrinsicamente ligados à produção. Nesse sentido, importante notar apenas que a conceituação de "produtivo" por si só já é potencialmente tema de controvérsia. No presente caso, no entanto, tal conceituação não pôde ser abordada de maneira adequada pela falta de critérios, identificação e efetiva caracterização dos centros de custos e respectivos elevados ao status de produtivos pelo Sr. Agente Fiscal. Fl. 14986DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 43 42 De fato, o Sr. Agente Fiscal não trouxe a baila qualquer justificativa plausível para a desconsideração em questão, tendo simplesmente mencionado que tais não seriam utilizadas na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Ora, não é possível entender porque o centro de custo de laboratórios e controle de qualidade não foi considerado como insumo. Em qual critério pautou se o Sr. Agente Fiscal? A título exemplificativo, o Sr. Agente Fiscal glosou os créditos relativos a equipamentos laboratoriais. Como será demonstrado em tópico posterior, os dispêndios relativos a análises laboratoriais não só são essenciais à atividade da Impugnante como são uma exigência governamental para a comercialização de seus produtos. (...) Destacamos que conforme incisos VI e VII, do artigo 3º, da Lei nº 10.833/03, são passíveis de crédito (i) as máquinas, (ii) os equipamentos e (iii) outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados (a) para locação a terceiros, ou (b) para utilização (b.1) na produção de bens destinados à venda ou (b.2) na prestação de serviços, in verbis: (...) Inicialmente, cumpre esclarecer que o Sr. Agente Fiscal deveria ter se apegado a utilização desses ativos no desenvolvimento das atividades da Impugnante, que, além da industrialização, possui forte atuação nas operações de revenda de mercadorias produzidas por terceiros, as quais incorrerem em diversos custos com esforço de vendas, tais como pesquisas de mercado, ações de publicidade, estoque, logística e toda uma complexa estrutura administrativa para que seus produtos sejam disponibilizados e vendidos em todo o Brasil. Toda essa complexa estrutura demanda aquisições de ativos imobilizados necessários ao desenvolvimento de sua atividade empresarial, tais como empilhadeiras utilizadas nos centros de distribuição para movimentação de estoque, plataformas hidráulicas, equipamentos utilizados na análise de qualidade de produto, entre outros. Nesse sentido, o Sr. Agente Fiscal, ao analisar se os bens do ativo imobilizado da Impugnante podem ou não gerar direito ao creditamento de PIS e de COFINS, cometeu equívoco ao aparentemente considerar como atividade passível de geração de crédito somente aquelas ligadas à fabricação e produção de bens. Portanto, fica claro que a glosa de créditos de ativos registrados em centros de custos não diretamente ligados à produção não deve prosperar, uma vez que os mesmos se enquadram perfeitamente no conceito de insumo trazido pela legislação federal para fins de creditamento do PIS e da COFINS e já largamente abordado anteriormente, uma vez que o Sr. Agente Fiscal deveria ter considerado aqueles bens necessários ao desenvolvimento da atividade empresarial da Impugnante, geradora de receita. (...) Em relação à glosa dos créditos calculados com base no valor de aquisição/construção de bens destinados ao ativo imobilizado, fundamentada pelo Sr. Agente Fiscal em suposta divergência entre o valor apresentado pela Impugnante no curso da fiscalização e o valor informado na correspondente DACON, reitera a Impugnante o quanto Fl. 14987DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 44 43 exposto nas Preliminares da presente Impugnação no sentido de inexistir qualquer divergência entre ambas declarações, injustificando se, assim, a glosa em questão. III.4.5. GLOSA INDEVIDA DECORRENTE DE COMPRA DE MATERIAL DE USO E CONSUMO (ITEM 4.6.9) Apesar do item 4.6 do TDF discorrer acerca de supostas divergências entre os créditos informados no DACON daqueles obtidos da análise dos registros de entradas e saídas no SPED Fiscal, ao analisarmos o item 4.6.9 do TDF, que trata acerca dos créditos decorrentes da compra de material de uso e consumo, o que se verifica é que o Sr. Agente Fiscal, a despeito de não encontrar nenhuma divergência dos valores declarados no DACON e SPED, entendeu que tal material não se coaduna com o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS. Vale novamente apontar que em nenhum momento do processo de fiscalização o Sr. Agente Fiscal se deu ao trabalho de questionar a Impugnante acerca da utilização de tais materiais, pressupondo que sua utilização em nada poderia configurar como essencial a sua atividade e na restrita visão da própria fiscalização como material intermediário de produção. A título exemplificativo, a Impugnante elenca abaixo alguns materiais de uso de consumo registrados nos CFOP 1.556, 2.556 e 3.556, no período fiscalizado, e que são essenciais a atividade da própria industrialização, uma vez que se caracterizam como bens intermediários de produção: (...) A própria RFB já consolidou entendimento no sentido que produtos intermediários de produção geram direito ao crédito de PIS e COFINS, conforme decisões abaixo elencadas: (...) Assim, da análise dos materiais para uso e consumo apropriados como crédito pela impugnante, resta claro que os mesmos classificamse como bens intermediários de produção da Impugnante, motivo pelo qual os créditos relacionados a eles não devem ser glosados, não havendo, inclusive, qualquer necessidade de abordagem, no presente credito, da amplitude do conceito de insumo para fins de apropriação de credito de PIS e COFINS como foi amplamente discorrido no tópico III.4.1 da presente defesa. III.4.6. GLOSA INDEVIDA DOS CRÉDITOS RELATIVOS A SERVIÇOS DESCONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO (ITEM 4.2.2) O Sr. Agente Fiscal também glosou determinados créditos oriundos da contratação de diversos serviços caracterizados como insumos. Tais glosas, porém, não merecem prevalecer, conforme se passa a demonstrar. Isso porque, conforme leitura do TDF, o Sr. Agente Fiscal reconheceu apenas a possibilidade de creditamento com relação às despesas incorridas pela Impugnante na contratação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos. Por seu turno, os créditos relacionados aos serviços de análise laboratorial foram glosados, assim como os Fl. 14988DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 45 44 referentes à contratação de serviços de assessoria e consultoria, bem como informática. Todavia, tratase de conclusão absolutamente equivocada. De fato, a contratação dos referidos serviços não corresponde a meras liberalidades da Impugnante, mas sim de serviços essenciais à manutenção e desenvolvimento de suas fontes de receita. (...) A título exemplificativo, como pressupõe o Sr. Agente Fiscal que a Impugnante oferte medicamentos como o "Doril" e o "Gelol" sem sequer submetêlos à análise de um laboratório? Ou seja, a contratação dos serviços em questão não se deu ao bel prazer da Impugnante. E mais, a Impugnante esclarece que o serviço de análise laboratorial é utilizado para atestar a qualidade da indústria, promovendo a elaboração de procedimentos, análise de exigências regulatória, previstas tanto pela ANVISA quanto pela ,VISA, e inspeções tanto nos fornecedores como nas suas fábricas. (...) Em relação aos serviços de consultoria e informática, a Impugnante pode elencar inúmeras finalidades essências ao desenvolvimento de seus atividades, tais como: a) identificação e controle de procedimentos a serem cumpridos por exigências regulatórias, como os avisos que são obrigatórios nas embalagens dos produtos, b) desenvolvimerjto de novos produtos, c) pesquisas de mercado; e d) desenvolvimento de programas de elaboração e controle de orçamento das fábricas, cronograma de atividades essenciais, controle de custos e receitas incorridos no período. Como se vê, o Sr. Agente Fiscal apresentou motivação frágil e desprovida de qualquer fundamentação e razoabilidade para desconsiderar os créditos em questão. Conforme já largamente explanado no item III.4.1 desta Impugnação, o conceito de insumo no contexto de tais contribuições deve ser entendido de forma ampla, de modo a contemplar todos os dispêndios necessários e relacionados à atividade principal da empresa, sendo fonte de geração de sua receita e faturamento. Assim, é evidente que, estando a Impugnante sujeita à sistemática não cumulativa de apuração do PIS e da COFINS, a ela deve ser reconhecida por esta Turma Julgadora a possibilidade de creditamento sobre as despesas incorridas na contratação de serviços de serviços de análise laboratorial, de assessoria e consultoria e informática. III.5. GLOSA INDEVIDA DOS CRÉDITOS RELATIVOS A INSUMOS AGRÍCOLAS (ITEM 4.1.2 — "INSUMOS AGRÍCOLAS") O Sr. Agente Fiscal entendeu que a Impugnante aproveitou indevidamente crédito presumido sobre bens agrícolas que, na verdade, não se encontram abarcados pelo benefício trazido pela Lei n° 10.925/04, conforme trecho transcrito abaixo: (...) No entanto, muito embora, de fato, a Lei mencionada acima só preveja outros produtos que não os que se aplicam ao caso da Impugnante, se faz necessária uma interpretação teleológica do referido ato Fl. 14989DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 46 45 normativo, ou seja, o contexto no qual a Lei no 10.925/04 foi instituída, para que se possa determinar seus fins. Nesse sentido, da análise do mercado agrícola, o que se verifica é que grande parte dos produtores e industrializadores adquirem o produto in natura de pessoas físicas ou cooperado pessoa física, para realização de suas atividades. Assim, em que pese tais produtos serem necessários à atividade do produtor/industrializador agrícola, este não pode se aproveitar dos créditos decorrentes de tais dispêndios, vez que existe expressa previsão legal que impede o creditamento de PIS e de COFINS na sistemática não cumulativa quando os bens e serviços adquiridos não forem tributados por tais contribuições, como é o caso dos bens vendidos pelas pessoas físicas e cooperados pessoas físicas. Diante deste cenário, buscando que os produtores e industrializadores agrícolas tivessem o mesmo tratamento tributário conferido aos que exercem função semelhante em outros mercados, o legislador, por meio da Lei nº 10.925/04, determinou que a eles seria conferido o direito de deduzir crédito presumido de PIS e COFINS sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas, cerealistas, pessoas jurídicas e cooperativas que exerçam atividade agropecuária. Dessa forma, a interpretação dada à Lei nº 10.935/04 pelo Sr. Agente Fiscal não deve prosperar. Ora, é claro que o legislador, ao beneficiar o produtor agrícola, também pretendeu beneficiar o industrializador que atua em tal mercado, não havendo que se falar na aplicação do benefício somente àquele que adquire o produto in natura e os revende na mesma condição. No caso específico da Impugnante, o que se verifica é que ela adquire o produto in natura de pessoa física ou cooperado pessoa física e procede à industrialização dele para posterior venda. Com efeito, a inexistência de pessoa jurídica interposta na cadeia produtiva (entre a Impugnante e a pessoa física vendedora do produto in natura) reforça a possibilidade de tomada de crédito presumido pela Impugnante, já que ela desempenha não só a atividade de industrialização (produzindo, por exemplo, o molho de tomate classificado no código NCM 2103.20.10), mas também adquire o produto in natura da pessoa física ou cooperado pessoa física. Daí porque, considerando o acima detalhado (item III.2 da presente Impugnação) quanto à legalidade dos ditos créditos extemporâneos de PIS e COFINS, a Impugnante deve ter concedido seu direito legítimo ao crédito presumido de PIS e COFINS com relação aos bens agrícolas que adquire de pessoas físicas e cooperados pessoas físicas. III.6. GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS (ITEM 4.1.1) O Sr. Agente Fiscal destaca no TDF que "(...) os créditos relativos a gastos com combustíveis e lubrificantes atrelados a centros de custos administrativos (que correspondem a 20% do total) foram glosados (...)". A este respeito, a Impugnante nada tem a contestar, já que por meio das informações prestadas durante o período fiscalizatório, esclareceu que referidos 20% dizem respeito a despesas com combustíveis utilizados em veículos dos dirigentes e outros funcionários da empresa, não necessárias às atividades da sociedade, que por um equívoco foram consideradas para fins de creditamento do PIS e da COFINS. Fl. 14990DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 47 46 Nesse sentido, requerse apenas que seja esclarecido o procedimento para realização do pagamento do valor resultante da glosa em questão. IV. CONCLUSÃO Diante de todos os argumentos expostos, ficou demonstrado que o auto de infração deverá ser cancelado por essa E. Turma Julgadora pelos seguintes motivos: Motivação imprecisa e ausência de fundamentação uma vez que a alegação do Sr. Agente Fiscal que o crédito denominados "Rateios DM" são vinculados exclusivamente às despesas de mídia, e por isso devem ser glosados, são incompatíveis com as informações e documentos apresentados pela Impugnante na resposta ao Termo de Verificação Fiscal n° 7, no qual se demonstra claramente que a origem dos mesmos é outros insumos, como matéria prima e material de embalagem, não apropriados tempestivamente pela DM em virtude de rateio indevido realizado com base no percentual de receitas de produtos monofásicos, por ela fabricada, em relação ao total de receitas (item II. 1.1); Ausência de fundamentação em relação à glosa de créditos lançados na Linha 03 do DACON, uma vez que não há qualquer justificativa ou explicação no corpo do Auto de Infração ou no Termo de Descrição dos Fatos (item II. 1.2); Ausência de liquidez e certeza aos créditos tributários e ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa haja visto que a Impugnante sequer tem conhecimento dos corretos fundamentos e da composição exata dos valores glosados pelo Sr. Agente Fiscal que levaram ao indeferimento dos créditos apurados em DACON (item II.2); Diversas divergências descritas no TDF não encontram suporte documental, não se verificando as mesmas através de análise dos DACONs e dos demais documentos da Impugnante (itens II.3.1 e II.3.2); A apropriação de créditos previstos no artigo 24 da Lei n° 11.727/2008 não tem como condição necessária que o fornecedor e o comprador fabriquem exatamente o mesmo produto, bastando que ambos sejam fabricantes dos produtos relacionados no § 1° do art. 2o da Lei n° 10.833 (item Iii.1); O ordenamento jurídico não prevê a forma como devem ser aproveitados os créditos extemporâneos de PIS e COFINS, restando ao contribuinte o direito de escolher o meio que melhor lhe convém para exercer seu direito (item III.3); Não foram juntados demonstrativos de glosa dos créditos relativos às supostas divergências encontradas entre o DACON e o SPED, sendo que o Sr. Agente Fiscal optou por não buscar solucionar tais dúvidas com a Impugnante no decorrer dos mais de dois anos de processo fiscalizatório (item III.2); Pela análise exemplificativa (em virtude do exíguo prazo de 30 dias para defesa) dos valores relativos à compra para comercialização, verificouse que o Sr. Agente Fiscal cometeu equívoco ao apontar divergências entre DACON e SPED, restando comprovada a inconsistência do trabalho realizado pela fiscalização (item III.2); O princípio constitucional da nãocumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS é mais amplo do que aquele aplicável ao IPI, utilizado como parâmetro pelo Sr. Agente Fiscal (item III.4.1); Fl. 14991DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 48 47 Resta claro que os dispêndios incorridos pela Impugnante ao divulgar seus produtos para o público, através de investimento em MÍDIA, devem ser classificados como insumo para fins de apuração do PIS e da COFINS uma vez que são absolutamente necessários para a manutenção das fontes de receitas da Impugnante (item III.4.2); As despesas de fretes glosadas pelo Sr. Agente Fiscal estão vinculadas às operações mercantis do Impugnante, sendo a grande maioria desses serviços vinculados à entrega ao cliente de produtos bonificados em razão da quantidade de mercadorias adquiridas por esse mesmo cliente (item III.4.3); Os créditos glosados em virtude de depreciação de bens do ativo imobilizado estão vinculados a bens aplicados nas atividades básicas da Impugnante, como equipamentos laboratoriais e empilhadeiras (Item III.4.4); Foram glosados créditos referentes à aquisição de material de uso e consumo que claramente se caracterizam como bens intermediários de produção (Item III.4.5); e Foram glosados créditos referentes a serviços essenciais à atividade da Impugnante, como o de análise laboratorial e consultoria para o desenvolvimento de novos produtos (Item III.4.6); V DO PEDIDO Diante do exposto, requerse a esta E. Turma de Julgamento o recebimento, o conhecimento e o provimento da presente Impugnação, com o consequente cancelamento do auto de infração lavrado, com o que se estará fazendo justiça. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deu parcial provimento a impugnação, para restabelecer as glosas referente aos créditos informados na Linha 03 da DACON, referente ao título "Serviços Utilizados como Insumos". A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2010 PAF. ATOS ADMINISTRATIVOS. NULIDADE. HIPÓTESES. As hipóteses de nulidade encontramse no art. 59 do Decreto n. 70.235, de 1972. Consoante tal dispositivo, são nulos, além dos atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O art. 60 do mesmo Decreto esclarece que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 não importarão em nulidade, e, salvo se o sujeito passivo lhes houver dado causa, serão sanadas quando resultarem em prejuízo para este, ou quando não influírem na solução do litígio. PAF. ATOS NORMATIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. Aos agentes administrativas não é dado apreciar questões que importem na negação da eficácia de preceitos normativos, em especial as que versem acerca da consonância de tais preceitos com a Fl. 14992DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 49 48 Constituição da República, de inarredável competência do Poder Judiciário, seu intérprete qualificado. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Não possuem eficácia normativa as decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros, vez que não integrantes da legislação tributária a que se referem os arts. 96 e 100 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2010 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No âmbito da Contribuição para o PIS/Pasep NãoCumulativo, para efeito do desconto de créditos, entendese por insumo os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. ARMAZENAGEM E FRETE. CRÉDITOS. O estabelecimento industrial somente poderá descontar créditos calculados em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Apenas os bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. APROVEITAMENTOS EXTEMPORÂNEOS. CRÉDITOS. Os valores sobre os quais aplicada a alíquota determinante do crédito a ser descontado são intrínsecos ao mês em que adquiridos, incorridos ou devolvidos os itens, encargos ou bens mencionados. Bem assim, quaisquer alterações nos créditos informados em demonstrativos anteriores restam formalizadas por intermédio de Dacon retificador, o qual substitui integralmente o demonstrativo retificado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2010 COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES DA MESMA DESCRIÇÃO FÁTICA E IDÊNTICA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Aplica se ao lançamento a título de Cofins o disposto em relação ao lançamento a título de Contribuição para o PIS/Pasep, vez que decorrente da mesma descrição fática e idêntica matéria tributável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão da primeira instância, a empresa interpôs recurso voluntário pedindo em sede preliminar, a consideração da totalidade dos créditos auditados e validados pela Autoridade Fiscal, alegando que a metodologia adotada pela Fiscalização não atendeu as exigências necessárias para o lançamento fiscal. Afirma a Recorrente, que foi realizado pela fiscalização um trabalho a partir do Sistema de Escrituração Digital SPED que apurou a base de cálculos dos créditos das contribuições, entretanto, não aplicou esta base de cálculo no lançamento, optando por utilizar ora a base calculada pela Recorrente na DACON, ora a base de cálculo auditada pela Fiscalização, sem utilizar uma regra única nas apurações utilizadas no lançamento fiscal. Segundo a Recorrente, a Fiscalização ao consolidar os créditos Fl. 14993DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 50 49 glosados e os valores considerados nos cálculos das contribuições devidas utilizou 3 (três) somatórios distintos: "Base de Cálculo" Elaborada pela Recorrente com memória de cálculo, a respeito da qual não há qualquer evidência de análise no corpo da autuação; "Base Auditada" Consolidação dos valores que o Fiscalização considera que a Recorrente faz jus aos créditos; "Base Aceita" Base efetivamente considerada para fins de lançamento fiscal, correspondendo sempre ao menor valor entre "Base de Cálculo" e "Base Auditada". Prossegue a Recorrente afirmando que a partir da descrição do procedimento fiscal, os créditos validados pela Fiscalização ("Base Auditada") não correspondem, necessariamente, aos créditos efetivamente aceitos no presente processo, ou seja, não correspondem a "Base Aceita". A Fiscalização utiliza sempre o menor valor para considerar os créditos entre aquele apurado pela Recorrente ("Base de Cálculo") e a aquele apurado pela Fiscalização ("Base Auditada"). Assim, a Fiscalização nega o direito ao crédito legal, por ela própria auditado e quantificado, simplesmente pelo fato de a Recorrente ter apontado em sua memória de cálculo um valor menor naquela origem e não em seu total. Prossegue o recurso trazendo outras preliminares e questões referente ao mérito das glosas realizadas pela fiscalização, nos mesmos termos já apresentados na impugnação, que foram assim resumidos, pela Recorrente, no seu recurso: · O Sr. Agente Fiscal adotou critério para apuração da base autuada absolutamente incongruente, ao não considerar a totalidade dos créditos por ele próprio auditados e validados com base em informações retiradas no SPED, afrontando os Princípios da Verdade Material, Moralidade e Razoabilidade, eivando os Autos de Infração de iliquidez e incerteza e implicando no enriquecimento ilícito do Estado (item II. 1); · Além disso, outros erros de fato foram cometidos quando da apuração da suposta base tributável, os quais devem também levar ao cancelamento dos Autos de Infração lavrados (item II. 1.1); · A alegação do Sr. Agente Fiscal de que os créditos denominados "Rateios DM" são vinculados exclusivamente às despesas de mídia, e por isso devem ser glosados, incompatível com as informações e documentos apresentados pela Recorrente durante a Fiscalização, na qual se demonstrou claramente que a origem de tais créditos referese a insumos aplicados diretamente no processo produtivo. como matériaprima e material de embalagem, não apropriados tempestivamente pela DM na proporção das receitas sujeitas ao regime monofásico (item II.2.1); Fl. 14994DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 51 50 · Da análise das mais de 14.000 páginas juntadas ao processo, notase claramente que alguns créditos decorrentes de CFOPs específicos foram, em certos momentos, considerados pela Fiscalização e, em outros, sem qualquer explicação, desconsiderados, tais como os créditos decorrentes da aquisição de caixas de embalagem de sabão em pó e gás GLP (item II.2.2); · A apropriação de créditos previstos no artigo 24 da Lei n° 11.727/08 não tem como condição necessária que o fornecedor e o comprador fabriquem exatamente o mesmo produto, bastando que ambos sejam fabricantes dos produtos relacionados no § 1° do artigo 2° da Lei n° 10.833/03 (item III.l); · Não é condição sine qua non para a apropriação de créditos extemporâneos do PIS e da COFINS a prévia retificação dos DACONs (item III.3); · O princípio constitucional da nãocumulatividade das contribuições ao PIS e da COFINS é mais amplo do que aquele aplicável ao IPI, utilizado como parâmetro pelo Sr. Agente Fiscal e pela Turma Julgadora (item III.4); · Os serviços de mídia são absolutamente necessários para a manutenção das fontes de receitas da Recorrente, devendo ser classificados como insumo para fins de apuração do PIS e da COFINS (item III.4.2); · As despesas de fretes glosadas pelo Sr. Agente Fiscal estão vinculadas às operações mercantis da Recorrente, sendo a grande maioria desses serviços vinculados à entrega ao cliente de produtos bonificados em razão da quantidade de mercadorias adquiridas por esse mesmo cliente (item III.4.3); · Os créditos glosados em virtude de depreciação de bens do ativo imobilizado estão vinculados a bens aplicados nas atividades básicas da Recorrente, como equipamentos laboratoriais e empilhadeiras (item III.4.4); · Foram glosados créditos referentes à aquisição de material de uso e consumo que claramente se caracterizam como bens intermediários de produção (item III.4.5); e · Foram glosados créditos referentes a serviços essenciais a atividade da Recorrente, como o de análise laboratorial e consultoria para o desenvolvimento de novos produtos (item III.4.6). Tendo em vista que o valor exonerado pela decisão de piso superou o limite de alçada previsto na legislação, foi interposto recurso de ofício. Fl. 14995DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 52 51 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras da IN 404/04, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo da empresa, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo de insumo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Fl. 14996DF CARF MF Processo nº 16004.720544/201314 Resolução nº 3201001.065 S3C2T1 Fl. 53 52 Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente, para no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços, que pretende aferir créditos para apuração do PIS e da COFINS não cumulativos; b) A Unidade Preparadora deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, deverá ser franqueado o prazo de 30 dias para manifestação da recorrente e, findo tal prazo, devolver os autos para prosseguimento do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 14997DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002305/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para adoção das providências solicitadas no voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado); ausentes justificadamente Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para adoção das providências solicitadas no voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado); ausentes justificadamente Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para adoção das providências solicitadas no voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado); ausentes justificadamente Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa. Relatório Trata o processo dos autos de infração: a) págs. 2.040/2.070, que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$169.338,43, devido à infração 001 Omissão de Receitas, Depósitos Bancários não Contabilizados de Origem não comprovada, com fatos geradores em 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/11/2002, no regime de lucro arbitrado, art. 530, II do Regulamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 02 30 5/ 20 07 -6 2 Fl. 4757DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 3 2 do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$90.651,60, relativa à mesma infração e períodos de apuração; contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$94.334,83, decorrente, sobre a receita omitida; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$246.230,34, decorrente, sobre a receita omitida; multa de 150%; b) págs. 2.071/2.126, que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$516.369,95, devido à infração 001 Omissão de Receitas, Depósitos Bancários não Contabilizados, de origem não comprovada, com fatos geradores trimestrais, desde 31/12/2002 até 31/03/2006, no regime de lucro arbitrado; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$268.366,45, relativa à mesma infração e períodos de apuração; contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$157.273,00, decorrente, sobre a receita omitida; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$436.758,74, decorrente, sobre a receita omitida; multa de 150%; c) págs. 2.146/2.175, que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$92.987,48, devido à infração 001 Omissão de Receitas, Depósitos Bancários não Contabilizados, de origem não comprovada, com fatos geradores trimestrais em 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001 e 31/12/2001, no regime de lucro arbitrado; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$52.393,77, relativa à mesma infração e períodos de apuração; contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$61.661,73, decorrente, sobre a receita omitida; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$146.131,21, decorrente, sobre a receita omitida; multa de 150%; consta que inclui a omissão de receita proveniente de movimentação financeira das contas bancárias de Mari Diane Hack (*), sendo que à pág. 2.182, esta declarou: (*)Ref. Intimação n° 482 de 01/12/2005 Em atenção à intimação em epígrafe, informo que os recursos movimentados em minhas contas correntes nos anos de 2000 e 2001, tem como origem operações da empresa AMERICA MICRO IMP. E EXP. LTDA CNPJ n° 72.448.657/000127, da qual era preposta nos mencionados anos. Toda a movimentação encontrase registrada e escriturada na contabilidade da mencionada empresa, conforme V.Sas, poderão confirmar em caso de necessidade. 2. O Relatório de Atividade Fiscal de págs. 1.953/1.963, descreve as remessas de recursos para o exterior, para pagamento a beneficiários não identificados e cuja causa da operação não foi comprovada, efetuadas pela Flytec Computadores Ltda, CNPJ 81.633.620/000160, incorporada em 12/2002, mas em nome da qual efetuou remessas mesmo após a incorporação, obtidos na CPI do Banestado; os recursos foram movimentados à revelia do Sistema Financeiro Nacional por meio de contas CC5 mantidas em instituições financeiras em Foz do Iguaçu/PR, MTBCBCHudson Bank e casa de câmbio uruguaia Lespan S/A (mantida pelo Citibank e MTB); tais pagamentos foram objeto de AI IRRF no processo de nº 10925.001301/200767; o Relatório de Atividade Fiscal de págs. 1.989/2.039 descreve os procedimentos de fiscalização objeto dos presentes autos, repete informações contidas no anterior e detalha a apuração da omissão de receitas com base em depósitos recebidos em contas bancárias, cuja origem a Autuada não esclareceu, e a apuração de omissão de receitas com base em pagamentos remetidos ao exterior, cuja origem, a empresa, intimada, não esclareceu; explica a aplicação da multa de ofício de 150% e a responsabilização solidária de Osni Mucellin Arruda; e o Relatório da Atividade Fiscal de págs 2.133/2.145, descreve a Fl. 4758DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 4 3 fiscalização do anocalendário 2001, relativa a omissão de receitas com base em depósitos bancários; às págs. 1985/1.987, Formulários de Alteração da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social FACS; às págs. 2.176/2.177, FACS e Formulários de Alteração do Prejuízo Fiscal e do Lucro Inflacionário FAPLI. 3. Foi responsabilizado solidariamente Osni Muccelin Arruda, CPF nº 485.295.919 68, com base no art. 124, I do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, pág. 2.037. 4. Cientificados, o contribuinte e o responsável solidário apresentaram impugnações, págs. 2.267/2.330, 4.219/4.244 e 4.285/4.291, objetos do Acórdão nº 0714.706, de 05 de dezembro de 2008, proferido pela DRJ em Florianópolis DRJ/FNS, págs. 4.337/4.408, que por unanimidade, julgou a autuação procedente em parte: Acordam os membros da 3a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, (i) rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento por cerceamento de direito de defesa e de acolhimento de provas ilícitas; (ii) declarar nulo, por força da decadência, o lançamento de IRPJ e de CSLL correspondente ao 1o, 2o e 3o trimestre de 2001 e, no caso das contribuições de PIS e de COFINS, os lançamentos relativos aos fatos geradores de janeiro a novembro de 2001; (iii) considerar o Sr. Osni Mucellin Arruda, sujeito passivo solidário, conforme consta nos autos e (iv) julgar procedente em parte os lançamentos, nos termos do Relatório e voto do Relator 5. Com relação ao item (iv) supra, decidiu: PAGAMENTOS. REMESSAS AO EXTERIOR. ORIGEM NÃO COMPROVADA.INADMISSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO COM BASE NO ART.42 DA LEI N° 9.430/96. Datas/Períodos: 31/01/2002, 30/04/2002, 30/06/2002, 31/08/2002 a 31/08/2003, 30/10/2003 a 31/03/2004 Não pode prevalecer o lançamento que formaliza exigência por presunção legal de omissão de receitas a título de depósito bancário de origem não comprovada, quando, de fato, o que se submeteu à tributação de IRPJ e de contribuições sociais, foram pagamentos/remessas ao exterior de origem não comprovada e/ou beneficiário não identificado, hipótese tributária esta de incidência de imposto de renda retido na fonte, já, inclusive, objeto de lançamento em outro processo administrativo fiscal. 6. A DRJ/FNS recorreu de ofício. 7. Cientificado em 29/01/2009, pág. 4.428, Osni Muccellin Arruda apresentou recurso Voluntário, em 25/02/2009; a Autuada, cientificada em 22/01/2009, pág. 4.411, apresentou Recurso Voluntário em 25/02/2009: à pág. 4.731, despacho da DRJ/JOA/SC atestou que ambos recursos são tempestivos. Fl. 4759DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 5 4 Osni Muccelin Arruda. Recurso voluntário, págs. 4.638/4.662 8. Relata que lhe são feitas acusações que o colocam como um pretenso comandante de uma organização internacional de pessoas físicas e jurídicas, voltada para o comércio de equipamentos eletrônicos e de informática. Uma das pessoas jurídicas envolvidas seria a América Micro Importação e Exportação Ltda. e outra a Flytec Computers Ltda., sendo que ambas figuram nestes autos. 9. Que a DRJ/Florianópolis não rebateu os argumentos da impugnação, apenas se limitou a fundamentar o seu Voto nos fatos (sem provas) indicados no Relatório da Atividade Fiscal de fls. 1.806 em diante. 10. Pugna pela nulidade do processo, por utilização de provas ilícitas, dada a quebra do sigilo de comunicações telefônicas, de telemática e de informática no processo administrativo; e ilegal quebra do sigilo bancário; advoga a ilegitimidade passiva e que faltam provas das acusações fiscais. America Micro Import e Export Ltda. Recurso Voluntário, págs. 4.664/4.728 11. O recurso está dividido nos seguintes tópicos, que serão analisados no voto. 1. Tempestividade 2. Nulidade. cerceamento do direito de defesa 3. Nulidade, Juntada de provas ilícitas 4. decadência fatos jurídicos tributários ocorridos de 01/2001 até 29/11/2002. art. 150, § 4º, CTN 5. Histórico da fiscalizada 6, dos procedimentos prévios à autuação 7. da improcedência da desqualificação da contabilidade da empresa 7.a. da receita declarada em comparação à movimentação financeira 7.b. do patrimônio líquido e do capital de terceiro 7.c. Dos estoques da empresa 7.d. das informações prestadas pelo Fisco do Paraná 7.e. da existência de Notas Fiscais duplicadas 7.f. das vendas efetuadas e da documentação fiscal 7.g. da escrituração dos depósitos bancários 8.das alegadas infrações 8.a. omissão receitas, depósitos bancários 8.a.1, da intensa atividade com operações em Bolsa de Valores Fl. 4760DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 6 5 8.a.2 da desconsideração das receitas declaradas 8.a.3 da desconsideração das transferências entre contas correntes 8.a.4 da inclusão de retorno de aplicações como se receita omitida fosse 8.a.5 outras inconsistências Pedido alternativo, Perícia 8.b da alegada omissão de receitas por remessa de recursos para o exterior 9. do Arbitramento 9.a. da receita bruta conhecida e o arbitramento 10. da tributação reflexa 11. do auto de infração, anocalendário 2001 12. da impossibilidade de qualificação da multa 12.a. da alegada introdução clandestina de mercadorias estrangeiras 12.b. da alegada falsidade ideológica na constituição de empresas 12.c. outras acusações 13. da impossibilidade de aplicação de multa por procedimento da sucedida 12. Requer: a. Nulidade dos Autos de Infração, em vista de o processo estar totalmente contaminado de vício insanável devido ao cerceamento do direito de defesa e à juntada de provas ilícitas; b. Decadência em relação aos fatos jurídicos tributários do IRPJ e da CSLL ocorridos em 2001 e da COFINS e do PIS ocorridos de janeiro de 2001 até setembro de 2002; c. Total improcedência do Auto de Infração porque: i. a presunção de omissão de receitas não é válida, pois o fato indiciário não tem nexo de causalidade com o fato indiciado e há outros indícios em contrário que indicam maior probabilidade de não ocorrência do fato indiciado; ii. para o arbitramento é necessário que a escrita fiscal e contábil seja efetivamente imprestável e meros erros podem ser corrigidos e Fl. 4761DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 7 6 reconstituída a contabilidade, possibilitando apuração da base de cálculo no regime adotado pela contribuinte; iii. a receita bruta presumida não é receita bruta conhecida, não sendo possível aplicar o arbitramento previsto no art. 16, da Lei nº 9.249/95; iv. a decisão em relação ao IRPJ alcança os reflexos, devendo todas as contribuições ter o mesmo destino, cancelamento dos autos de infração; v. não há comprovação de fraude que sustente a qualificação da multa de ofício; d. Pela procedência (sic) do mérito, mesmo que se entenda que, efetivamente, houve nulidade do processo, em vista do que determina o §3°, do art. 59, do Decreto nº 70.235/72. Processo Apensado 13. Acompanha o presente processo o de nº 10925.003396/200753, Representação Fiscal para Fins Penais. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1 Recurso de Ofício. 14. Foi editada a Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017, que estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ), que passou a ser no valor de R$2.500.000,00, e que entrou em vigor na data da publicação no Diário Oficial de União em 10/02/2017. IRPJ CSLL PIS Cofins Total Multa 150% Total +Multa AI 778.686,86 411.411,82 283.269,56 1.129.210,29 2.602.578,53 3.903.867,80 6.506.446,33 Mantido pela DRJ/FNS 560.320,46 299.314,61 169.755,59 792.705,48 1.822.096,14 2.733.144,21 4.555.240,35 Cancelado pela DRJ/FNS 218.366,40 112.097,21 113.513,97 336.504,81 780.482,39 1.170.723,59 1.951.205,98 15. À vista do demonstrado na tabela supra e tendo sido a somatória dos tributos e encargos de multa de ofício exonerados pela DRJ inferiores a este limite, não se conhece do recurso de ofício. 2 Recurso Voluntário da Autuada. Tempestividade. 16. Foi cientificada em 22/01/2009, quinta feira, recaindo o 30º dia em 21/02/2009, sábado e, sendo do dia 24 terça feira de Carnaval, o dia útil de expediente normal seguinte (art. 5º, parágrafo único do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972) recaiu na 5ª feira, dia 26/02/2017, assim, a entrega em 25/02/2017, quarta feira de cinzas, com expediente parcial, deve ser considerada tempestiva. Fl. 4762DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 8 7 3 Matéria em discussão. 17. Haja vista reconhecimento pela DRJ/FNS da decadência dos lançamentos de IRPJ e CSLL até o 3º trimestre/2001 e dos de PIS e Cofins até 11/2001, e da improcedência da autuação como receita omitida dos valores de remessas de recursos ao exterior, a matéria em discussão se refere aos lançamentos relativos a omissão de receitas depósitos bancários de origem não esclarecida de: a. IRPJ e CSLL do 4º trim/2001 ao 1º trim/2006; b. PIS, Cofins desde 12/2001 até 03/2006. 4 Autos de Infração. Nulidade. 18. Argui nulidade dos autos de infração, alegando cerceamento do direito de defesa e que foram juntadas provas ilícitas. 19. No entanto, tais fatos não se inserem nas previsões da legislação de se considerar nulo auto de infração, pois estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse) 20. Como se vê, de acordo com o art. 59, I, supra, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. 21. Assim, cabe analisar a eventual nulidade do Acórdão DRJ/FNS, que é decisão. 22. Porém outras irregularidades, incorreções e omissões deverão ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 23. Dessa feita, não deve ser acolhida a preliminar de nulidade dos autos de infração, em razão de não haver ofensa aos dispositivos legais mencionados. Fl. 4763DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 9 8 5 Acórdão DRJ. Nulidade. 24. Proferido em 05/12/2008, cientificado em 29/01/2009 (Osni Muccellin Arruda) e 22/01/2009 (Autuada). 5.1 CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA. DOCUMENTAÇÃO APREENDIDA E NÃO DEVOLVIDA. 25. Alega cerceamento do direito de defesa desde 22/03/2006, porque lhe foram apreendidos todos os livros, documentos, computadores e mídias eletrônicas, na operação Urutau; descreve os Autos de Apreensão e anexa declaração do contador (doc 1 da impugnação), que diz ser confirmado no Ofício nº 07/06/DRF/FOZ/GAB/FISCAD (doc. 02 da impugnação) da DRF em FOZ, para a Policia Federal, em que aquela requereu os documentos que esta coletara; que protocolou pedido, fls. 13/14, em 17/10/2006, de cópia desses documentos, mas os documentos devolvidos em 10/11/2006, relacionados no Termo de Devolução de Documentos nº 0001, fl. 18, são inferiores ao total apreendido faltam 19 caixas; em 05/02/2007, ao receber o Termo de Início de FiscalizaçãoTIF (fls. 8/9) protocolou pedido à DRF/FOZ (doc. 03 da impugnação) de devolução dos documentos restantes, mas a DRF/FOZ, em 13/02/2007, devolveu apenas 3 caixas de documentos que a própria empresa havia entregue antes da operação Urutau; que, em 16/02/2007, requereu à DRF/Joaçaba, fl. 20, o mesmo pedido de devolução de documentos; com os documentos devolvidos, conseguiu atender o TIF, em 26 e 27/02/2007 (fls. 12 e doc. 3 da impugnação); já as notas fiscais de entrada e saída de 03/2006 da matriz em Joaçaba, no Termo de Constatação 001 de 27/02/2007, fl. 2, a DRF afirma não ter encontrado; mesmo de posse dos extratos bancários apreendidos, a DRF requereu a reapresentação, fls. 22/23, então, a Requerente pediu que a DRF os obtivesse diretamente das instituições bancárias; intimada TIF 169/2007, em 20/07/2007, pág. 832, a comprovar a origem dos depósitos recebidos inclusive em contas em nome de Mari Diane Hack (99 fls. aprox.) e em face da não estar de posse de toda documentação, respondeu que apenas pequena parte da documentação apreendida foi devolvida e apresentou o que dispunha, requerendo a devolução dos faltantes, tendo sido franqueado o acesso da empresa aos documentos na DRF/JOA por 5 dias (pág. 936), o que foi prejudicado por armário trancado de Auditor Fiscal em viagem e posterior impedimento de acesso; requereu de novo a devolução; recebeu Reintimação e lhe foram devolvidos o que se disse serem todos os livros e documentos restantes, mas foram apenas 9 caixas, (doc 4 da impugnação; que fotografou, doc 5) algumas incompletas, correspondendo a 34 caixas; que os Autos de Apreensão não especificam grande parte dos documentos (apresenta quadro págs 4.677/4.678: apreendidas 26 caixas, devolvidas 7, faltam 19); pelo exposto, não pode o Fisco exigir da Autuada, que especifique documentos que foram apreendidos, nem que apresente documentação relativa aos créditos nas contas bancárias e questiona onde estariam os documentos faltantes. 26. Em 17/10/2006, págs. 16/17, a Recorrente protocolizou pedido de cópia de todos documentos da empresa, em poder de órgãos públicos, relativos ao mandado de busca e apreensão realizado em cumprimento à determinação judicial por ocasião da Operação Urutau. 27. Págs. 22/23, Termo de Devolução de Documentos nº 0001, em 10/11/2006: livros Diário nº 11, 12, 15; livros Registro de Inventário nº 2, 3 e 4; listagens não autenticadas de Inventário; livros Registro de Entradas e Saídas nº 02, 03 e 04; listagens não autenticadas Reg Entradas e Saídas nº 02 e 04, Declarações ao Fisco Estadual SC e Paraná DIEF/GIA, diversos Darfs autenticados; 1 cx documentos trabalhistas e previdenciários; pág. 20, Termo de Devolução de Documentos nº 0002, em 13/11/2006: cópia notas fiscais de entrada, e documentos bancários selecionados pela empresa como imprescindíveis para instrução de Fl. 4764DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 10 9 defesa administrativa e judicial; pág. 25, Termo de Constatação Fiscal nº0001, pela DRF em Joaçaba, de não localização notas fiscais de entrada e saída 03/2006 da matriz da Autuada, em 27/03/2007. 28. O Termo de Início de Fiscalização, cientificado em 05/02/2007, págs. 10/11: Livros Diário referentes ao período de 01/2001 a 03/2006; Livros Razão referentes ao período de 01/2001 a 03/2006; Livros Inventário referentes ao período de 01/2001 a 03/2006, todos assinados pelo sóciogerente e pelo contador responsável; Livros de Registros de Entrada e Saida referentes ao período de 01/2001 a 03/2006; Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado, referentes aos exercícios de 2001 a 2006; Notas Fiscais de Entrada e Saída originais de 10/2005 a 12/2005 (filial) e de 01/2001 a 03/2006 (matriz); Extratos originais de todas as contas bancárias, da empresa e dos seus sócios, referentes ao período de 01/01/2001 a 31/03/2006; Os seguintes elementos se encontravam sob a guarda desta Fiscalização e foram devolvidas por meio do TERMO DE DEVOLUÇÃO 001/2006:(...) 29. Em 13/02/2007, págs. 2.352/2.354, Termo de Devolução de Documentos pela DRF em Foz do Iguaçu: livros Razão 2003 e 2004; relatório de registros Razão 01 a 09/2005; livros Diários 2003 e 2004; e de 01 a 09/2005; livros Registros de Inventário 2003, 2004; livros Registro de Entradas e Saídas e Apuração ICMS de 2003, 2004 e 01 a 09/2005, Notas Fiscais de entrada e de saída de 01/2003 a 03/2006, documentos referentes a despesas 2003, 2004. 30. Em 16/02/2007, pág. 24, a Recorrente requereu cópia das notas fiscais de entrada e saída da matriz da empresa em Joaçaba, referentes a 03/2006; pág. 25, resposta de que em busca nos documentos apreendidos enviados pela DRF/FOZ, não foram encontradas. 31. Consta pág. 14, Relação documentos entregues pelo contribuinte para a DRF em Joaçaba/SC, em 26/02/2007, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização. 32. Relata o Autuante, pág. 1.994: Na Delegacia da Receita Federal do Brasil não encontramos nenhum documento pertencente à fiscalizada. Neste particular, aliás, verificamos que todos os documentos da AMERICA MICRO que se encontravam naquela delegacia foram devolvidos à mesma por meio do Termo de Devolução de Documentos datado de 12/02/2007, conforme fls. 717 a 719. Na Delegacia da Policia Federal também não encontramos nenhum documento referente à "OPERAÇÃO URUTUAU", e, por conseguinte, nenhum documento da AMERICA MICRO. Fl. 4765DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 11 10 No Ministério Público Federal também não havia nenhum documento da fiscalizada. Lá fomos informados que vários documentos da empresa encontravamse apensos aos autos judiciais criminais que tem como réus os integrantes da "organização" desmascarada pela "OPERAÇÃO URUTAU" e que os mesmos corriam em segredo de justiça na Vara de Foz do Iguaçu. 3.7 OFICIO DRF/JOA N° 315/2007 DE 10/04/2007 Objetivando acesso aos referidos autos judiciais que correm em segredo de justiça, enviamos, ao Ilmo Procurador da República em Foz do Iguaçu/PR, Dr Alessandro José Fernandes de Oliveira, Oficio n° 315/2007 (fls. 722 a 723). Por meio desse Oficio pedimos ao douto Procurador da República que fosse pleiteado em Juízo o acesso desses autos judiciais aos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis por esta fiscalização. 0 Juiz atendeu o pedido, franqueandonos o acesso dos referidos autos judiciais. Em decorrência disso, voltamos à Foz do Iguaçu para consultar esses autos judiciais. Todavia, não encontramos nenhuma informação de interesse fiscal, salvo relatório da NUPEI/FOZ DO IGUAÇU sobre a Operação Urutau, do qual já possuíamos cópia. 33. Pág. 1.996: De qualquer modo, a fim de que os representantes da empresa não se sentissem, de alguma forma, impedidos de elaborar a resposta à intimação supra, franqueamos aos mesmos o acesso a todos os documentos da fiscalizada que se encontravam nesta DRF/JOAÇABA, para que pudessem localizar e extrair cópias daqueles que considerassem importantes e necessários para subsidiar o atendimento a Intimação mencionada alhures (fl. 935 verso) . (...) Em resposta, no dia 18/08/2007, a empresa apresentou documento de fls. 937 a 940, por meio do qual informou não possuir recursos financeiros para extrair cópias de documentos, não tendo, por conta disso, condições de atender a Intimação, mesmo com o acréscimo de 05 (cinco) dias úteis. Ainda, nesse mesmo documento a representante da empresa utiliza como subterfúgio tentar transparecer que esta fiscalização dificultou o acesso aos documentos da empresa que estavam de posse desta DRF/JOAÇABASC, mencionando, dentre outras coisas, que sua funcionária (Sra Janete de Souza) havia sido ultrajada, sendo impedida de ter acesso aos documentos. Tal argumento é frontalmente rechaçado pelos procedimentos adotados por esta fiscalização que, não só disponibilizou franco acesso a todos os documentos que estavam em poder da DRF/JOASC como, também, os devolveu por completo ao representante da fiscalizada. 34. À pág. 1997, o Autuante afirma: Fl. 4766DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 12 11 1o) pede que seja devolvida toda a documentação da empresa que está de posse desta DRF. Esse pedido está prejudicado, uma vez que, conforme Termo de Reintimação Fiscal n° 204, todos os documentos pertencentes à fiscalizada que estavam de posse desta Delegacia já haviam sido devolvidos. 2o) pede que sejam devolvidos os computadores da empresa e suas mídias magnéticas Esta DRFB/JOAÇABA nunca esteve de posse de tais equipamentos. 3o) pede que seja prorrogado mais uma vez o prazo para atendimento da Intimação. Ora, já fora dado tempo suficiente para tal atendimento, haja vista o fato da primeira intimação requisitando a comprovação da origem dos depósitos ser datada de 20/07/2007. 4o) pede que seja devolvido, em especial, seu livro de controle de depósitos, bem como seu livro caixa desses periodos. Esta DRFB/JOAÇABA nunca esteve de posse de tais livros. 5o) pede que sejam indicados os locais onde estão o restante dos documentos da empresa. A responsabilidade desta Delegacia recai somente sobre os documentos que estão (ou estavam) em sua posse. Neste particular, reafirmamos: todos os documentos da fiscalizada que estavam em nossa posse foram devolvidos em sua integralidade à mesma por meio do Termo de Reintimação Fiscal n° 204. O que podemos dizer a mais em relação a isso, e que inclusive já foi relatado anteriormente, é que estivemos na Delegacia da Receita Federal do Brasil, na Delegacia da Policia Federal e no Ministério Público Federal, todos na cidade de Foz do Iguaçu, não encontrando nenhum documento referente a "Operação Urutau". 35. Pág. 1.998, cita que a DRF respondeu: Na Justiça Federal todos os documentos referentes a "Operação Urutau" encontramse anexos aos autos judiciais criminais que correm em segredo de justiça na Ia Vara Criminal Federal de Foz do Iguaçu. 36. Págs. 1.129/1.133, "Documentos apreendidos nos autos do IPL 490/05 (DPF) referentes a Federal Valley (Empresa de Osni Muccellin Arruda)", consistentes em cópias de Resoluções da Junta Diretiva decidindo emissão de ações e elegendo Diretor sr. Osni Muccellin Arruda (Presidente). 5.1.1 Doc. 1. Declaração do Contador e Termos de Apreensão, anexados com a Impugnação. 37. À pág. 3.334, Declaração, do contador: Fl. 4767DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 13 12 (...) para os devidos fins e efeitos e a quem possa interessar, que no dia 22 de março de 2006, durante a operação URUTAU, foram aprendidos pela Policia Federal e Receita Federal em seu estabelecimento 13 caixas com tamanho aproximado de 30cm de largura, 20cm de altura e 44cm de comprimento, da Empresa América Micro Importação e Exportação LTDA, CNPJ: 72.448.657/000127, contendo os seguintes documentos da referida empresa: Todos os extratos bancários das contas correntes e comprovantes de aplicações desde janeiro de 2001 ate fevereiro 2006, notas fiscais dc entrada e saída, tanto da matriz como da filial de Foz do Iguaçu, contadores de redução Z e X declarações de importações documentos de movimentação do caixa e bancos notas de corretagem e relatórios de posição acionária contrato social e respectivas alterações contratuais livros diários, razão, de entradas, de saídas, apuração do icms e de inventário. contratos diversos recibo e copias das declarações DCTF e D1PJ documentos departamento pessoal Tais documentos estavam completos e demonstravam mensalmente toda movimentação da empresa, perfazendo sempre uma ordem cronológica e ordenada. Por ser verdade, firmo a presente declaração, Joaçaba, 14 de setembro de 2007. Juliano Lazarotto 38. Às págs. 2.335/2.344, "Auto de Apresentação e Apreensão IPL 490/05" e "Autos de Apreensão" pela Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu/PR, em 22 e 23/03/2006, com documentos relativos a empresa Bluethoot Locadora Ltda, Bluethoot Informática Ltda e da Recorrente: a. 5. Treze caixas contendo movimentação fiscal e bancária, contratos e outros documentos da empresa AMERICA MICRO, sendo as caixas numeradas de 02 a 14; 6. Um envelope contendo um CD com diversos arquivos. Objetos arrecadados no endereço Rua Getúlio Vargas, 10, sala 05, centro, Joaçaba/SC, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão Nº 28/2006 (Contabilidade Interativa Ltda), referente aos Autos n° 2006.70.02.0012530. b. Auto de Apreensão, na Inicial Contabilidade e Assessoria Empresarial, localizada na Avenida Brasil 1.497, salas 11, 12 e 13 em Foz do Iguaçu/PR: oito caixas com documentos de pessoas físicas, da Recorrente e da Flytec Computadores, e pasta com contrato social da Recorrente; livro de registro de entradas e saídas e apuração ICMS de 2002, da Recorrente, livro registro de ocorrências, rascunhos de livro de entradas e saídas da Recorrente; documentos fiscais do ano 2006 da Recorrente; c. Auto de Apreensão, mercadorias apreendidas: 4 monitores de video, 2 nobreaks, 3 HD, 1 Modem, 3 CPU e: 6. Um (01) envelope pardo com diversas folhas de papel REM.P/CONTA E ORD. DE TERCEIROS 7. Um (01) pacote embrulhado com papel pardo contendo várias etiquetas adesivas com Fl. 4768DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 14 13 as inscrições "IMPORTADO POR: AMÉRICA MICRO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. CNPJ; 72.448.657/0O0208"; 8. Seis (06) envelopes pardos LACRADOS, todos com a etiqueta "DOCUMENTOS DE IMPORTAÇÃO DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO NÚMEROS: 04/7472929 05/07014361 05/11379310 05/13872919, CÓPIAS DAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO (DIS), AUTORIZADA A ABERTURA EM CASO DE FISCALIZAÇÃO'; 9. Uma (01) sacola plástica com diversos documentos da SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, INFRAERO e outros órgãos públicos; 10. Uma (01) AGENDA TELEFÔNICA "EXPRESSO SÃO MIGUEL"; 11. Uma (01) fotocópia de fatura de conta telefônica em nome de AMERICA MICRO TERCEIROS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO, com data de emissão 22/out/2005; 12. Uma (01) PROCURAÇÃO em nome de AMERICA MICRO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA a favor de LEDI ROSANI HACK ARRUDA; 13. Um (01) CONTRATO DE LOCAÇÃO tendo como locador JOSÉ LOURENÇO DE CASTRO e locatário AMERICA MICRO IMPORTAÇÃO £ EXPORTAÇÃO LTDA; 14. Um (01) CONTRATO DE LOCAÇÃO tendo como signitários MOHAMAD KHEIR HUSSEIN WANNI e AMÉRICA MICRO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA; 15. Um (01) CONTRATO SOCIAL POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA "CRISTAL FACTORING LTDA", com a PRIMEIRA, SEGUNDA, TERCEIRA E QUARTA ALTERAÇÕES CONTRATUAIS; 16. PRIMEIRA, SEGUNDA, TERCEIRA E QUINTA ALTERAÇÕES CONTRATUAIS, em várias vias, da empresa "CRISTAL FACTORING LTDA"; 17. Uma (01) PASTA DE PAPEL COM O TIMBRE DA "INTEL", contendo vários papéis no seu interior; 18. Sete (07) DISQUETES DE COMPUTADOR; 19. Diversas folhas e pedaços de papel com anotações manuscritas; 20. Uma (01) folha de papel RELATÓRIO RMAAMERICA MICRO 01/03/06 #015; 21. Duas (02) folhas de papel ORÇAMENTO; 2 Duas (02) tabelas de PREÇOS; 23. Uma (01) folha de papel ao BANCO BRADESCO solicitando remessa de U$ 20.204,10 ao banco TEXAS COMMERCIAL BANK HOUSTON TEXAS/ USA; Fl. 4769DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 15 14 24. Três (03) tabelas de PRODUTOS/PREÇOS/FRETE; 25. Uma (01) folha de papel PLANILHA DE LANÇAMENTO; 26. Um (01) pedaço de papel PLANILHA DE PRODUTOS/CUSTO TOTAL/CUSTO UNITÁRIO; 27. Uma (01) folha de papel da empresa AMERICA MICRO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA LIVRO DE INVENTÁRIO GERAL LEVANTADO EM 31/12/2003; 28. Duas (02) etiquetas adesivas TELEFONES ÚTEIS RAMAIS CONTABILIDADE INICIAL; 29. Uma (01) fotocópia de TERMO DE LACRAÇÃO DE VOLUMES da SRF N° 18/033; 30. Uma (01) fotocópia de RICARDO RMA EPI DISTRIBUIDORA para MARIANE, assunto: RMA EPI; 31. Duas (02) folhas de papel COMMERCIAL INVOICE MICRO INFORMÁTICA LLC, 8400 NW 25 SL SUITE 100, MIAMI FL 33122 para AMERICA MICRO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO; 32. Uma (01) fotocópia de RECIBO DE PAGAMENTO do BANCO DO BRASIL em empresa EPI EMPRESA DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTQA; 33. Uma (01) folha de papel MERCADORIAS ENTREGUES PI JULIANO GRAFICA DIA 05/01/06; 34. Seis (06) NOTAS FISCAIS das empresas DAJSYTEK, MERCÚRIO EXPRESSO MERCÚRO S.A n° 290015, AMÉRICA MICRO n° 001, AMÉRICA MICRO nº 001, SULAMERICANA n° 031642 e PLIMOR n° 513484; 35. Um (01) BLOCO DE NOTA FISCAL da empresa AMÉRICA MICRO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, com números de DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO referente ao ano de 2001, mas com venda realizada apenas no ano de 2004, numeradas do 501 ao 550. d. Auto de Apreensão de mercadorias (equipamentos de informática, para venda), no momento em que foram entregues por transportadora na empresa América Micro e mercadorias para venda arrecadadas na empresa, e notas fiscais de transferência entre filial e matriz e conhecimentos de transporte. 39. Não consta devolução dos computadores e CD, e não há elementos para se confirmar se todos os documentos da Recorrente apreendidos, foram devolvidos; a Recorrente garante que não e usa isso para argumentar que não pode apresentar documentação comprobatória da origem dos valores que lhe foram creditados nas suas contas bancárias, dado que foi apreendida e não a recebeu de volta. 40. Cabe analisar que documentação deveria apresentar para comprovar que os recursos recebidos são receitas que ofereceu à tributação, ou que são transferências entre contas de sua titularidade e não ingressos, ou que foram financiamentos tomados, ou que se trata de valores não tributáveis ou isentos. Fl. 4770DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 16 15 41. Os depósitos/créditos bancários de que foi intimada, não atingidos pela decadência já reconhecida pela DRJ datam desde o 4º trim/2001 até 31/03/2006. 42. O Autuante identificou as receitas informadas em DIPJ (lucro real) e apontadas no Dossiê Integrado da RFB, pág. 2.000: Ano Receita de Vendas Receita Prest. Serviços Ganho Mercado Renda Variável Outras Receitas Operacionais Total de Receita 2002 24.207,07 0,00 288.980,81 81.000,00 394.187,88 2003 267.264,55 299,50 184.586,99 4.556,71 456.408,25 2004 171.257,99 0,00 577.361,06 3.281,63 751.900,68 2005 545.917,54 0,00 1.198.632,24 10.104,18 1.754.653,96 Total 1.008.647,15 299,50 2.249.561,10 98.942,52 3.357.150,77 43. Observase a falta de informação relativa ao ano 2006, para o qual a DIPJ foi entregue com os dados de 2006 zerados, págs. 1.396/1.418. 44. Comparando os valores da tabela supra com os depósitos bancários, verificase a seguinte discrepância: Ano Total de Receita Depósitos bancários Diferença 2002 394.187,88 5.631.695,54 5.237.507,66 2003 456.408,25 6.227.495,85 5.771.087,60 2004 751.900,68 5.832.824,30 5.080.923,62 2005 1.754.653,96 6.985.080,10 5.230.426,14 1º Tr 2006 0,00 745.156,66 745.156,66 Total 3.357.150,77 25.422.252,45 22.065.101,68 13% 100% 45. Verificase que a Recorrente poderia justificar os depósitos com os valores informados nas DIPJ apresentadas; valores de recolhimentos, financiamentos/empréstimos tomados; transferências entre contas de sua titularidade, ou que se tratavam de recursos de terceiros que apenas transitaram em suas contas: a. apresentação da DIPJ informando as receitas declaradas verificase que o Autuante efetuou o levantamento das receitas de vendas, de prestação de serviços, ganhos financeiros e outras receitas operacionais, o que justifica parte dos depósitos, embora, como se demonstrou supra, perfazem apenas 13% do valor dos depósitos no período; item 5.1. Observase que em relação às receitas declaradas, o Autuante excluiu os valores de IRPJ que a Recorrente recolheu, com base nos registros internos da RFB; b. com relação às receitas de aplicações financeiras, o Autuante não esclareceu se foram excluídas ou não aparentemente não, pois constam das listagens anexas ao Termo de Intimação Fiscal 169/2007, págs. 1.007/1.106, históricos como RSG FIF e TRANSF DA CTA INVEST, resgate de fundos; a Recorrente apresentou o Doc 8, págs. 2.428/2.504, Razão contábil com registro das operações em Bolsa porém os registros mostram a contabilização de ganhos e perdas, e transferências para contas de resultados no encerramento do exercício Fl. 4771DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 17 16 não se identificam resgates que resultariam em créditos em contas bancárias da autuada tampouco esta informou em que contas isso ocorreu, se ocorreu; em resumo, resgates de aplicações financeiras podem ser identificados pelos históricos constantes dos extratos bancários.; cabe destacar que, conforme págs. 4.410, a Recorrente requereu e obteve cópia de parte dos autos, sendo que a legislação lhe faculta a obtenção da totalidade dos documentos ou vistas; c. com relação a transferências intercontas, a Autuada apresentou o Doc 07, págs. 2.417/2.427, que se analisará adiante; porém, não analisou nem apontou, na comparação entre as contas se créditos numa conta corresponderiam a igual débito na mesma data e valor, a apontar possível transferência, cuja documentação poderia ter obtido junto à instituição financeira; d. com relação a estornos e cheques depositados e devolvidos são evidenciados pelos históricos nos extratos destacandose que, no caso dos cheques devolvidos, deve ser verificado se foram reapresentados e recebidos, evitando se excluir duplamente verificouse nos Anexos do TIF nº 169/2007, págs, 1.007/1.106, que não constam tais históricos, portanto, o Autuante os excluiu por outro lado, a Recorrente faz uma reclamação genérica e não relaciona quais seriam, cabendo à reclamante listar os créditos correspondentes, para verificação pelo julgador; e. A Recorrente podia ter requerido aos fiscos estaduais do PR e SC as GIAS evidenciando as notas fiscais de saída e de entrada, como por exemplo, devoluções que emitiu, ali registradas, para provar que correspondiam aos valores declarados; f. A Recorrente podia ter solicitado cópias de notas fiscais de seus clientes, ou de devolução de mercadorias estragadas; g. A Recorrente podia ter obtido notas fiscais que comprovassem que seus fornecedores lhe devolveram dinheiro por conta de compras que efetuaram, devolvidas depois de pagas. Concluindo, não se vislumbra que a alegada falta de toda documentação, ao argumento de que parte não lhe teria sido devolvida pela Polícia e RFB, não pudesse ser contornada por outros meios; os elementos supra apontam que a empresa omitiu grande volume de receitas e que utilizase de subterfúgios para jogar a culpa nos órgãos governamentais, pois usou de todos os meios para protelar o andamento da fiscalização, acusou de desrespeito à sua funcionária, o que a DRF nega, e não buscou outras alternativas para provar que os créditos bancários não eram receitas tributáveis. 5.2 PROVAS ILÍCITAS. 46. Acusa que foram juntadas provas ilícitas pois o Fisco alega que houve "autorização judicial" e que "apesar de constar no tópico 4.8 apenas trechos das gravações, o RELATÓRIO DA NUPEI/FOZ encontrase acostados aos autos na sua íntegra" (fls. 4.346), porém que a Recorrente solicitou cópia dos autos e não constava; que tomou conhecimento deste relatório por meio de outros autos e não há transcrição de todos os diálogos telefônicos, o que impede que a história seja contada por inteiro; tal relatório é ilícito, violando o direito ao contraditório Fl. 4772DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 18 17 e ampla defesa (art. 5º, XII da CF de 1988); cita o tópico 4.8, fls. 1.826 e 1.827 (págs. 2.009/2010 do processo digital), que descreve a afirmativa "existência de diálogos e anotações que convergem para a ocorrência de fraude na contabilidade da empresa", deve ser desconsiderada, desentranhada dos autos, bem como todos os documentos que transcrevem partes escolhidas dos diálogos objeto de interceptação telefônica, pois traz ao processo provas ilícitas que o contaminam por inteiro, já que não é possível "fazer de conta" que esses trechos não existem; que a Lei nº 9.296, de 1996, tornou possível a interceptação, desde que feita para servir como prova em investigação criminal ou instrução processual penal, e depende de ordem judicial e em segredo de justiça e não para processos tributários e que as transcrições devem ser integrais e não só trechos escolhidos pelo acusador, sendo crime se com objetivos não autorizados em lei. 47. Em 08/04/2011, a Autuada apresentou ao CARF, Petição de págs. 128/144, acompanhada de decisões judiciais, págs. 145/181, e afirma que que o Relatório da Nupei/Foz, págs. 963/999: De fato, ele está juntado às fls. 963 a 999, porém o seu conteúdo não pode servir para comprovar absolutamente nada, já que a quase totalidade das interceptações telefônicas e de mensagens eletrônicas foram consideradas ilícitas no processo penal correspondente, o que prejudica todo o seu conteúdo, conforme será melhor compreendido a seguir.(Destacouse.) a. Relata que as prorrogações de interceptações concedidas foram consideradas ilegais pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no habeas corpus 2009.04.00.0053998/PR, e as provas obtidas mediante as prorrogações são ilícitas e devem ser desentranhadas dos autos do Procedimento Criminal Diverso 2005.70.02.0020764, e destruídos, assim como as provas coletadas por informações colhidas destes meios, são ilícitas e devem ser excluídas e canceladas as autuações fiscais correspondentes. Que apenas o resultado do primeiro período de monitoramento, descrito no relatório de fls. 113/119 (Obs da relatora; não se localiza estas folhas nos presentes autos), é legítimo; diz que: E premente, portanto, o cancelamento do auto de infração destes autos, pois a motivação de sua lavratura está calcada nas provas declaradas judicialmente como ilícitas. Assim, nenhum dos documentos, mercadorias, produtos ou qualquer bem apreendido que teve como fonte os mandados de busca ou que foram obtidos por informações das interceptações, podem servir como prova de qualquer ilicitude por parte da contribuinte. Este trecho da decisão da autoridade judicial expõe toda a fragilidade das autuações fiscais que decorreram daquele processo criminal, pois, justamente, o mais importante, que é a materialidade da conduta e a comprovação da autoria restaram extremamente prejudicadas, ou melhor, não provadas. Assim, todas as pretensas evidências de interposição fraudulenta de terceiros, ou responsáveis solidários, já não são passíveis de serem alegadas no processo penal e, muito menos, neste processo administrativo, dado que, retirandose as interceptações ilegais e as Fl. 4773DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 19 18 provas delas decorrentes, conforme palavras da própria autoridade que autorizou a introdução daqueles dados nestes autos, "poderá ensejar, inclusive, alteração subjetiva na demanda, dada a possibilidade de que em relação a alguns réus desapareçam todos os elementos que indiquem o seu envolvimento no suposto esquema criminoso, ou, quiçá, que a peça acusatória resulte em um emaranhado de frases soltas, das quais, eventualmente, não se poderá depreender nenhum sentido, tornandoa inepta". b. Às págs. 145/154, Acórdão, em 05/05/2009, no habeas corpus 2009.04.00.0053998/PR, Paciente: Osni Mucellin Arruda, Impetrado: Juízo Substituto da 01ª VF Criminal e JEF Criminal de Foz do Iguaçu: EMENTA PROCESSO PENAL. HABEAS CORPOS. ESCUTAS TELEFÔNICAS. PRORROGAÇÃO. MOTIVAÇÃO. ILICITUDE. PURGAÇÃO POSSÍVEL. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. PROVAS INDEPENDENTES. LIMITES DE VALORAÇÃO DA PROVA NO HABEAS CORPUS. 1. As prorrogações de escutas telefônicas judicialmente autorizadas exigem justificada motivação da necessária continuidade da prova 2. Ilegítima é a prorrogação por quase um ano sem específica indicação da necessidade e indispensabilidade dessa gravosa medida, e inclusive contrariando a desimportância apontada pela própria autoridade policial acerca de terminais não utilizados pelos investigados. 3. A controvérsia jurisprudencial e doutrinária acerca da purgação da ilicitude da prova não tem alterado o convencimento ainda mantido nesta Corte de ser também incidente à prova ilícita o princípio da razoabilidade, aplicável a toda regra jurídica e à regulação de quaisquer relações sociais, daí descabendo no habeas corpus a verificação dessa razoabilidade de dano pelo grau de formal violação e seu confronto com o dano social do crime ou com o resultado probatório alcançado, questões a exigir mais aprofundada valoração do crime, de todas as provas dos autos e da prova com ilicitude constatada. 4. Também a verificação acerca da existência de provas independentes ou purgadas pelo distanciamento da original prova ilícita exigiria aprofundado exame da prova dos autos, já ressaltado como descabido na via do habeas corpus. 5. O reconhecimento inicial de ilicitude da prova é questão de efeitos a serem dosados nas pertinentes sentença c apelação. 6. Concedida parcialmente a ordem para reconhecer a inicial ilicitude das escutas telefônicas prorrogadas, sem trancamento da persecução penal desenvolvida. c. págs. 155/166, Acórdão do Superior Tribunal de Justiça STJ, confirmado a decisão, em 22/09/2009; págs. 180/181, processo arquivado; págs. 167/173, Decisão na Ação Penal nº 2005.70.02.0032560/PR, em 29/04/2010, determinando riscadura ou exclusão das interceptações ilegais e supressão de quaisquer referências às provas reputadas ilegítimas, e o desentranhamento e destruição, à exceção dos documentos de fls 182/185 e 258/284, das fls. 120 e Fl. 4774DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 20 19 seguintes dos autos do Procedimento Criminal Diverso 2005.70.02.0020764; desentranhamento e destruição dos CD's com os diálogos nos autos 2005.70.02.0091114, riscadura de qualquer referência; págs. 174/176, Decisão em 13/10/2010, não conhecendo dos Embargos de Declaração na Ação Penal, pelo Ministério Público Federal. 48. Verificase que, págs. 1.140/1.177, Relatório da Nupei/Foz, expõe conclusões decorrentes da flexibilização dos sigilos telefônicos e de dados das pessoas e empresas investigadas, no Procedimento Criminal Diverso 2005.70.02.0020764 sendo o acesso ao monitoramente franqueado aos servidores da RFB, que participaram do trabalho; constam os itens 7, 8, que se referem a monitoramento de emails, pág. 1.161; item V Monitoramento Telefônico, págs. 1.162/1.177, as interceptações estão datados desde 26/05/2005 a 08/11/2005, mas não há informação se autorizados inicialmente ou em prorrogações. 5.2.1 Interceptações. 49. Às págs. 2.009/2.010, do Relatório da Atividade Fiscal, conta o item 4.8 DA EXISTÊNCIA DE DIÁLOGOS E ANOTAÇÕES QUE CONVERGEM PARA A OCORRÊNCIA DE FRAUDE NA CONTABILIDADE DA EMPRESA. 50. Não há nos autos elementos que permitam identificar quais foram as interceptações autorizadas e quais resultaram das prorrogações definidas pela justiça como ilegais. 51. Quanto ao Acórdão DRJ/FNS, proferido em 12/2008, cientificado em 01/2009, é anterior à decisão judicial descrita; no que tange à autuação e responsabilização solidária mantidas naquele Acórdão, estão sendo analisadas por este Conselho (CARF), haja vista os recursos voluntários interpostos e, se nesta análise, as informações decorrentes de interceptações ilegais forem desconsideradas não há porque anular o Acórdão de primeira instância. 5.3 CONCLUSÃO. NULIDADE. ACÓRDÃO DRJ/FNS. 52. À vista do exposto, concluise que descabe a nulidade do Acórdão nº 0714.706, de 05 de dezembro de 2008, proferido pela DRJ em Florianópolis DRJ/FNS. 6 Julgamento. CARF 53. Ações judiciais: a. Ação Penal 2005.70.02.003256/0(PR), Assunto: Contrabando, extrato e sentença anexados às págs. 4.736/4.750, na qual são partes: Autor Ministério Público Federal; réus, entre outros, Janete de Souza, Eudes Cardoso Pereira, Maria Goretti de Souza, Ledi Rosani Hack Arruda, Mari Diani Hack e Osni Muccellin Arruda, todos absolvidos; i. São processos relacionados: INQUÉRITO POLICIAL Nº 2006.70.00.0317656 (PR) CARTA PRECATÓRIA Nº 2008.70.05.0040602 (PR) Processo: 2005.70.02.0020764 Processo: 2005.70.02.0091114 Fl. 4775DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 21 20 Processo: 2006.70.02.0016870 Processo: 2006.70.02.0012530 ii. Constam da Sentença: Na decisão das fls. 4329/4338. cumprimento à ordem prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Habeas Corpus n° 143.697/PR. foi determinado desentranhamento dos elementos de provas reputados ilegítimos pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região nos autos do Habeas Corpus 2009.04.00.0053998. bem como. em observância ao disposto no art. 157, §3°, do Código de Processo Penal, em relação às provas ilícitas por derivação. (...)É o relatório. Passo à decisão. Inicialmente, observo que, a rigor da decisão das fls. 4329/4338, permanecem hígidas apenas as provas obtidas no curso do primeiro período de monitoramento telefônico (fls. 113/119 dos autos 2005.70.02.0020764), o resultado das diligências requeridas nas fls. 54/55 do procedimento criminal diverso 2005.70.02.0020764, encartados nas fls. 113/119 dos mesmos autos, e as obtidas através da quebra do sigilo fiscal processada nos autos 2005.70.02.0091114. Como se vê, os elementos probatórios e referências que deverão ser desentranhados / riscados dos autos superam, em muito, o volume de provas que não foram reputadas ilícitas. (...) O Ministério Público Federal, em síntese, imputou aos acusados a prática de várias condutas que, isoladamente, constituem, em tese, os delitos dos artigos 288, 298, 299, 304 e 334, nas formas dos artigos 29, 71 e 69, todos do Código Penal, os quais, segundo a denúncia, foram cometidos no bojo de uma organização criminosa voltada para a prática do crime de descaminho. Quanto ao crime do art. 334 do Código Penal (descaminho), observo que a imputação formulada na denúncia cingese à suposta importação de mercadorias, avaliadas em R$ 1.289.085,77 (um milhão duzentos e oitenta e nove mil oitenta e cinco reais e setenta e sete centavos), descritas em 687 (seiscentos e oitenta e sete) notas fiscais referidas na denúncia, as quais descrevem o envio de mercadorias da matriz da empresa América Micro, em Foz do Iguaçu/PR, para sua filial, estabelecida em Joaçaba/SC, bem como ao descaminho de mercadorias apreendidas em 11 (onze) oportunidades (08/06/2004, 31/05/2004, 20/06/2005, 13/09/2005, 11/10/2005, 07/10/2005, 08/11/2005, 18/01/2006, 01/08/2005, 22/03/2006 e 22/03/2006), as quais estão relatadas nas fls. 72 e seguintes dos autos 2006.70.02.0012530. (...) Assim sendo, diante da ausência de vinculação especifica de cada acusado às condutas imputadas, resta evidente a inobservância da regra do art. 41 do Código de Processo Penal. O Ministério Público Federal, como dito alhures, atribuiu, indistintamente, a todos os acusados a prática do descaminho das Fl. 4776DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 22 21 mercadorias relativas às 687 (seiscentos e oitenta e sete) notas fiscais referidas na denúncia, cujo valor estimado perfaz RS 1.289.085,77 (um milhão duzentos e oitenta e nove mil oitenta e cinco reais e setenta esete centavos) . Referidos dados, conforme salientado na peça acusatória, foram obtidos através da quebra do sigilo fiscal processada nos autos do Procedimento Criminal Diverso 2005.70.02.0091114 e não da efetiva apreensão das mercadorias supostamente descaminhadas, tratandose, a ocorrência do ilicito, em última análise, de uma mera presunção (...) Ocorre, todavia, que inexiste nos autos notícia de que alguém tenha presenciado o descaminho das mercadorias relativas às 687 (seiscentos e oitenta e sete) notas fiscais referidas na denúncia, sendo certo que, dado o lapso temporal decorrido entre as datas dos fatos e a presente, dificilmente serão obtidos elementos probatórios capazes de corroborar a presunção advinda do cotejo dos referidos documentos fiscais. (...) O Ministério Público Federal, conforme se observa da denúncia, abstevese de informar o valor dos tributos não recolhidos em razão da importação das mercadorias referentes às 687 (seiscentos e oitenta e sete) notas fiscais referentes às remessas operadas entre a matriz e filial da empresa América Micro. (...) Analisando denúncia, observo que o valor individualizado das mercadorias transferidas da matriz da América Micro, em Foz do Iguaçu/PR, para sua filial, estabelecida em Joaçaba/SC, indicados nas 687 (seiscentos e oitenta e sete) notas fiscais referidas na denúncia, são inferiores a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) e, com efeito, ainda que houvesse prova da materialidade do crime do art. 334 do Código Penal e narração idônea dos fatos na denúncia, o valor dos tributos não recolhidos estariam abrangidos no patamar adotado jurisprudencialmente para aplicação do princípio da insignificância. (...) O Ministério Público Federal imputou aos acusados, ainda, a prática do crime do art. 299 do Código Penal (falsidade ideológica), sob o argumento de que eles, com a finalidade de viabilizar um rentável esquema de internação clandestina de mercadorias estrangeiras em solo brasileiro, iludindo, no todo, os impostos devidos por esta importação, além da prática do crime de sonegação fiscal, constituíram diversas empresas, em nome de terceiros. (...) Logo, sendo insignificantes os delitos de descaminho indicados na denúncia, será, igualmente, insignificante a falsidade ideológica supostamente praticada para seu cometimento. Cumpre ser observado, ademais, que, ainda que as empresas constituídas pelos réus não tenham sido utilizadas exclusivamente para Fl. 4777DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 23 22 a prática do descaminho, hipótese que, em interpretação à Súmula 17 do Superior Tribunal de Justiça, se poderia argumentar que o falso não se exauriu no descaminho, não caberia a este juízo conhecer da prática de eventual ilícito do art. 299 do Código Penal, mas sim à Justiça Estadual, porquanto, inexistir, in casu, notícia de ofensa direta a bens, serviços ou interesses da União da União, (...) (...) De qualquer sorte, conforme se depreende da denúncia, no tópico relativo à pessoa do acusado Osni Muccellin Arruda, a acusação da prática de falsidade ideológica tem fundamento nos elementos obtidos através de meio probatório reputado ilegítimo pelo Superior Tribunal Justiça (interceptação telefônica), o qual não serve de alicerce para a imputação, inviabilizando, inclusive, a remessa do conhecimento do fato para Justiça Estadual. Não merece continuidade o feito em relação ao ilícito do art. 298 do Código Penal (falsificação de etiquetas de números de série), pois, assim como a constituição fraudulenta de empresas, tinha tal prática o objetivo de possibilitar supressão no pagamento de tributos, fato que, pelos motivos acima expostos, ensejam aplicação do princípio da consunção. (...) Por fim, tocante aos crimes de uso de documento falso e formação de quadrilha (arts. 288 e 304 do Código Penal), observo a inexistência, na peça inicial, de referências mínimas das elementares dos respectivos tipos penais, sendo certo que, ainda que dos diálogos indicados na denúncia possa ser extraída alguns indícios de que os acuados associaramse para a prática de ilícitos, tais elementos probatórios foram reputados ilegítimos pelo Supremo Tribunal Federal e, por isso, não serem para sustentar a acusação. (...) Com efeito, em que pese a inépcia da denúncia, havendo incidência do princípio da insignificância em relação ao crime de descaminho e da consunção em relação aos demais, absolvo sumariamente os acusados, com fundamento no art. 397, inciso III, do Código Penal. Dêse ciência à autoridade policial. Após, alterese a situação dos acusados para absolvido, baixemse os autos e seus apensos e remetamnos ao arquivo. Publiquese. Registrese. Intimemse. Foz do Iguaçu, 27 de fevereiro de 2013. PEDRO CARVALHO AGUIRRE FILHO Juiz Federal Fl. 4778DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 24 23 b. quanto aos processos 2005.70.02.0091114 e 2005.70.02.0020764, Assunto: Sigilo telefônico (Lei 9.296/96), constam como processos relacionados ao anterior, todos "Baixados" e correram em segredo de justiça (extrato anexado às págs. 4.751/4.756). 54. Processo administrativos: a. O processo nº 10925.001301/200767, referente auto de infração exigindo Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF da Autuada, é objeto de Execução Fiscal 50017749620124047203, em que constam também como co responsáveis Ledi Rosani Hack Arruda CPF 575.522.82991 (esposa de Osni Muccellin Arruda), Taila Hack Arruda CPF 007.133.87998 (filha de Osni Muccellin Arruda), Osni Muddellin Arruda CPF 485.295.91968, Federal Valley International Corp CNPJ 05.647.759/000184, Federal Valley do Brasil Ltda CNPJ 00.980.829/000106, cuja inclusão foi deferida judicialmente na Execução Fiscal nº 500177496. 2013.4.04.7203/SC, pela 1ª Vara Federal de Joaçaba/SC, em 01/06/2016, decisão esta com fundamento em decisão proferida nos autos nº 2007.72.03.0006066, relativa a caracterização de grupo econômico de fato, formado por aquelas pessoas físicas e jurídica (anexados págs...). b. O processo nº 12457.002016/200671, auto de infração aduaneiro referente à Autuada, citado, foi objeto do Acórdão CARF nº 30240.032, de 10 de dezembro de 2008, que recebeu a seguinte ementa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/04/2006 Na hipótese em análise, há autorização judicial para utilização pela Receita Federal das informações e documentos obtidos na operação da policial. Havendo autorização judicial, não subsistem obstáculos para a utilização da documentação colacionada aos autos. No que se refere as alegações de ofensa ao texto constitucional em face do argüido efeito de confisco das multas aplicadas e apreensão das mercadorias, verifico que o exame desse ponto demandaria exame de inconstitucionalidade indireta, procedimento vedado nesta instância administrativa, segundo o art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. i. Este processo foi encaminhado para inscrição em dívida ativa em 22/06/2016: Fl. 4779DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 25 24 55. Os elementos descritos apontam para as seguintes conclusões: a. as pessoas envolvidas foram absolvidas dos crimes de contrabando/descaminho, falsidade ideológica, uso de documento falso e formação de quadrilha; b. apenas as provas obtidas no curso do primeiro período de monitoramento telefônico (fls. 113/119 dos autos 2005.70.02.0020764), o resultado das diligências requeridas nas fls. 54/55 do procedimento criminal diverso 2005.70.02.0020764, encartados nas fls. 113/119 dos mesmos autos, e as obtidas através da quebra do sigilo fiscal processada nos autos 2005.70.02.0091114, são hígidas; c. a justiça confirmou a existência de grupo econômico de fato. Conclusão. Voto por RESOLUÇÃO, a fim de que sejam esclarecidos os efeitos das decisões judiciais: a) Anexar as provas consideradas hígidas, pela Justiça: as folhas de provas obtidas no curso do primeiro período de monitoramento telefônico (fls. 113/119 dos autos 2005.70.02.0020764), o resultado das diligências requeridas nas fls. 54/55 do procedimento Fl. 4780DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200762 Resolução nº 1201000.293 S1C2T1 Fl. 26 25 criminal diverso 2005.70.02.0020764, encartados nas fls. 113/119 dos mesmos autos, e as obtidas através da quebra do sigilo fiscal processada nos autos 2005.70.02.0091114, conforme as decisões judiciais citadas; b) Confirmar se há decisão judicial definitiva relativa à existência de grupo econômico de fato e quem são os envolvidos; c) haja vista que às págs. 1.140/1.177, o Relatório da Nupei/Foz expõe conclusões decorrentes da flexibilização dos sigilos telefônicos e de dados das pessoas e empresas investigadas, no Procedimento Criminal Diverso 2005.70.02.0020764, sendo o acesso ao monitoramente franqueado aos servidores da RFB que participaram do trabalho; e que constam os itens 7, 8, que se referem a monitoramento de emails, pág. 1.161; item V Monitoramento Telefônico, págs. 1.162/1.177, as interceptações estão datados desde 26/05/2005 a 08/11/2005, mas não há informação se autorizados inicialmente ou em prorrogações; informar quais transcrições contidas no Relatorio Nupei/Foz se tratam das interceptações autorizadas; d) Cientificar o contribuinte e o responsável solidário Osni Muccelin Arruda, CPF nº 485.295.91968, a fim de que se manifestem; e) Devolver os autos para esta Turma do CARF. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 4781DF CARF MF
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