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Numero do processo: 10283.721398/2009-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PESSOA JURÍDICA ESTABELECIDA NA ZFM. RECEITA DA VENDA PARA OUTRO ESTABELECIMENTO FORA ZFM. ALÍQUOTA APLICÁVEL CONFORME O REGIME APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DO COMPRADOR.
Fica sujeita às alíquotas de 3% (três por cento), somente as receitas de vendas auferidas por pessoa jurídica industrial estabelecida na Zona Franca de Manaus (ZFM), decorrente da venda de produção própria, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), desde que comprovada que as vendas foram realizadas para a pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, sujeitas ao regime de apuração da Cofins com base no regime de não cumulativo. Na ausência dessa comprovação, a referida receita fica sujeita a alíquota normal da contribuição de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA.
Nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a alíquota de 3% apenas em relação às receitas das venda realizadas para a pessoa jurídica LUCIANO SCHAITEL.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PESSOA JURÍDICA ESTABELECIDA NA ZFM. RECEITA DA VENDA PARA OUTRO ESTABELECIMENTO FORA ZFM. ALÍQUOTA APLICÁVEL CONFORME O REGIME APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DO COMPRADOR. Fica sujeita às alíquotas de 3% (três por cento), somente as receitas de vendas auferidas por pessoa jurídica industrial estabelecida na Zona Franca de Manaus (ZFM), decorrente da venda de produção própria, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), desde que comprovada que as vendas foram realizadas para a pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, sujeitas ao regime de apuração da Cofins com base no regime de não cumulativo. Na ausência dessa comprovação, a referida receita fica sujeita a alíquota normal da contribuição de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. Nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 13 98 /2 00 9- 92 Fl. 311DF CARF MF 2 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a alíquota de 3% apenas em relação às receitas das venda realizadas para a pessoa jurídica LUCIANO SCHAITEL. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório contido no acórdão recorrido, que seque transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à Contribuição para o financiamento da Seguridade Social, apurada no período que vai de 01/01/2005 a 31/12/2005, no valor total de R$ 1.500.281,26 (fl. 102), compreendendo principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/07/2010. A autoridade fiscal, na descrição dos fatos constante do lançamento (fls. 104/109), registra: “001 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA COFINS APURAÇÃO INCORRETA DA COFINS (...) De acordo com as informações constantes da Ficha 15 – Cálculo da COFINS – Alíquotas Diferenciadas, do DACON, a empresa auferiu receitas com as vendas dos produtos cadastrados na Ficha 04 – Cadastro de Produtos Sujeitos a Alíquotas Diferenciadas (...) – Autopeças – Vendas para Atacadistas, Varejistas e Consumidores; (...) Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10283.721398/200992 Acórdão n.º 3302005.267 S3C3T2 Fl. 312 3 Autopeças – Vendas para Fabricantes de Veículos e Máquinas e de Autopeças e (...) Demais Produtos Fabricados na Zona Franca de Manaus (...), tributados sob os percentuais de 10,80%, 7,6% e 3%, respectivamente. Constatouse que as receitas provenientes da comercialização do produto (...) Autopeças – Vendas para Fabricantes de Veículos e Máquinas e de Autopeças, sujeitas à alíquota de 7,6%, consignadas na Ficha 13, linha 03 – Revenda de Mercadoria, em todo o ano de 2005, exceção apenas de julho, deixaram de ser informadas na Ficha 15, no período de julho a dezembro. Entretanto, fica demonstrado, através da Relação de Faturamento, Anexo IV, apresentada durante a revisão fiscal, e dos valores registrados no Diário Geral (...), que a empresa auferiu receitas sujeitas à alíquota de 7,6%, nesse mesmo período (...). (...) Do valor total de R$ 1.334.919,63 (...), deduziuse R$ 214.135,63 (...) relativos às vendas canceladas e descontos concedidos no mesmo período, resultando na apuração da COFINS de R$ 85.179,58 (...). No período de janeiro a março, sobre as bases de cálculo informadas na Ficha 13 – Cálculo da Cofins NãoCumulativa (Incidência Total ou Parcial) do Dacon, verificouse diferenças de contribuição no valor de R$ 126.016,48 (...) decorrentes da aplicação de alíquota inferior a 7,6% sobre as bases de cálculo (...) Em relação às receitas auferidas com as vendas dos produtos cadastrados sob o código nº 09990021– Demais produtos fabricados na ZFM (...), informados na Ficha 15 – Cálculo da Cofins – Alíquotas, a empresa está sujeita a tratamento diferenciado de apuração (...). (...) Para usufruir desse tratamento diferenciado, correspondente à aplicação da alíquota de 3% ou 6%, fazse necessário que a empresa observe as regras de procedimentos estabelecidas na IN (...) SRF nº 546, de 16 de junho de 2005 (...). Como se trata de empresa industrial, estabelecida na Zona Franca de Manaus, com projeto aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA (...), emitiuse o Termo de Intimação (...) solicitandose a apresentação das Declarações do Anexo I da referida IN. Em resposta à intimação, a empresa informou não haver encontrado as referidas declarações em decorrência de mudanças ocorridas em seu setor fiscal (...). Ante a resposta da empresa, procedeuse ao lançamento do valor da Cofins apurada com aplicação de alíquota de 6% (...) sobre o Fl. 313DF CARF MF 4 faturamento auferido com as vendas efetuadas para fora da Zona Franca de Manaus, identificada pelo código CFOP (...) 6.000 (...). Isto posto, efetuouse o lançamento de ofício do valor de R$ 391.193,97 (...), decorrentes de apuração incorreta da COFINS (...). “001 COFINS – INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Além disso, constatouse insuficiência de declaração e de recolhimento no montante de R$ 251.290,53 (...), haja vista que a empresa consignou em DCTF (...) valor inferior à COFINS apurada na Ficha 17B – Resumo – Cofins Regime Não Cumulativo (Incidência Total ou Parcial), do DACON, conforme está demonstrado no Anexo III (...). Verificouse, também, que nos meses de março, julho, outubro, novembro e dezembro, os recolhimentos efetuados foram maiores do que as contribuições apuradas pelo sujeito passivo, sendolhe facultado proceder à compensação dos tributos devidos, nos termos da legislação em vigor.” Cientificada do lançamento em 25/08/2010 (fl. 136), a contribuinte apresentou, em 23/09/2010, a impugnação de fls. 189/210, na qual, em síntese, alega: a) Deve ser desconsiderada a pretensão fiscal relativamente à Cofins cujos fatos geradores tenham ocorrido entre os meses de janeiro/2005 até julho/2005, posto colhidos, todos e sem qualquer exceção, pelo instituto da decadência, já que o auto de infração é datado de 19/08/2010. b) Afora as hipóteses em que há expressa dispensa do MPF, é nulo o lançamento formalizado por agente fiscal relativo a tributo não indicado no MPF. Do mesmo modo, cujas infringências levantadas no curso da fiscalização não estejam contempladas nos elementos de prova que serviram de base para lançamento de tributo expressamente indicado no MPF. Refere julgado administrativo. c) O art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 exige identificação pessoal do agente, número de matrícula funcional e assinatura. Logo, a condição de agente público habilitado constitui condição sine qua non para conferir eficácia ao ato administrativo. E isso há de ser provado o contribuinte, sem o que a eficácia da peça fiscal é nula. Além disso, como o procedimento fiscal é executado em nome da RFB e somente terá início por força de ordem específica denominada MPF, é de rigor que a notificação de lançamento (art. 11 do Decreto nº 70.235/1972) deva conter, obrigatoriamente, a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado. O procedimento fiscalizatório autorizado por ordem de autoridade fiscal competente é condição necessária para seu início, desenvolvimento e conclusão. De modo que as identificações de que cuidam os arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972 são endereçadas a servidores distintos. E o art. 59, I, do PAF dispõe serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10283.721398/200992 Acórdão n.º 3302005.267 S3C3T2 Fl. 313 5 devendo a nulidade ser declarada pela autoridade competente para julgar sua legitimidade. d) A Lei nº 10.996/2004 veio dispor que a alíquota de 7,6%, regra, não seria aplicável sobre a receita bruta auferida por pessoa jurídica industrial estabelecida na ZFM, decorrente da venda de produção própria. Nenhuma das situações previstas na EC 47/2005 autoriza a adoção de alíquota diferenciada de 10,8%. Desse modo, não apenas a alíquota superior a 7,6%, padrão, é inconstitucional, como também a exigência imposta como condição para fazer jus a impugnante à alíquotas mitigadas de 3% e 6%, cuja aplicação depende de comprovação de fatores absolutamente alheios à previsão constitucional, já que com ela não guardam qualquer nexo lógico de causa e efeito. Refere julgado administrativo e requer a anulação do ato administrativo. e) Há no auto de infração os seguintes vícios de mérito: “A – AUTO DE INFRAÇÃO – ITEM 001 I – Dupla Exigência Fiscal Incidente sobre uma mesma Base de Cálculo Meses de 01/05 a 03/05: a receita bruta, no importe de R$ 949.530,05 (relativa a janeiro/05) foi determinada pela fiscalização (...), cuja contribuição incidente à alíquota de 7,6% foi, então, fixada em R$ 72.164,28. Posto que havia diferença recolhida pela impugnante à alíquota de 3% (...), logo foi apurado saldo devido de R$ 43.678,38 –compondo o montante de COFINS nos autos calculado em R$ 126.016,48 (...). O fundamento para a exigência de todo o item do Auto onde inserida essa dita base e a COFINS foi ‘falta de declaração dos clientes – regime não cumulativo’. Ocorre que a mesma base de cálculo de R$ 949.530,05 (também relativa a janeiro/05) foi novamente utilizada para, adicionada a outra base de cálculo de R$ 442.689,39, resultar na diferença exigida nos autos, no importe de R$ 62.130,30, integrante do montante total de R$ 251.203,88, desta feita exigido sob o título ‘insuficiência de declaração e de recolhimento’ (...) Notar que ambas as bases aqui mencionada integram, agora no item 002 do Auto, o montante exigido a título de principal no montante de R$ 251.203,88. Chama a atenção, por sua curiosidade e ilegalidade, o fato de no item 001 do Auto a base de cálculo de R$ 949.530,05 fundamentar a exigência de COFINS calculada à alíquota de 7,6%; já no item 002 do Auto, a exigência da COFINS calculada à alíquota de 3%!!! (...) Alertese que o fisco demonstrou evidente dúvida capaz de conduzir a uma única conclusão: a exigência fiscal calculada à alíquota de 7,6% ou de 3% deve ser considerada nula, já que a lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos (...). Fl. 315DF CARF MF 6 II – Novamente Dupla Exigência Fiscal Incidente sobre uma mesma Base de Cálculo Meses de 08/05 a 09/05. Insuficiente um vez, a ilegalidade consistente na dupla exigência de principal e multa é bisada noutros itens do Auto de Infração. Desta vez, sob o fundamento de ‘falta de declarações de clientes – regime não cumulativo’ (item 001 e, também, ‘insuficiência de declaração e de recolhimento’ (item 002). Em ambos os itens a mesma base de cálculo de R$ 1.050.368,67 (08/05) + R$ 807.560,83 (09/2005). No item 001 do Auto, compondo o montante do principal de R$ 179.997,91 (...). E no item 002 do Auto, integrando o principal de R$ 251.203,88 (...). B – AUTO DE INFRAÇÃO – ITEM 002 I – Imputação de Bases de Cálculo Inexistentes Meses 08/05 e 09/05. No auto de infração é imputado como constante do DACON (não cumulatividade – alíquota de 7,6%) as bases de cálculo de R$ 12.616,00 e R$ 758,14, ambas integrantes do item 002 do Auto e, portanto, do principal de R$ 251.203,88 (...). Ocorre que a origem dessas bases é desconhecida, já que inexistente no DACON apresentado nos referidos meses! Considerando que a exigência foi determinada, nesse caso, com base no DACON, logo se dita declaração não expressa tais bases de cálculo, a exigência tornase nula. (...) II – Não Conjuminância dos Dados Apurados pelo Fisco com Base no DACON – Desconsideração de Declarações de Clientes Apresentadas Durante a Fiscalização Meses 10/05 a 12/05. Conforme evidenciado no Anexo A – Quadro 2 (...), para determinação do principal de R$ 179.997,91 (...) o agente fiscal, nos meses de 10/2005, 11/2005 e 12/2005, baseouse no DACON apresentado, mas apurou, nos três meses referidos, valores diferentes daqueles declarados. (...) De duas uma: ou a apuração tal qual conduzida pela fiscalização revelase incorreta ou, então, por se fundamentar esse item do Auto (item 001), nesse particular, em penalização por ‘falta de declaração dos clientes – regime de não cumulatividade’, significa que o agente fiscal não considerou as declarações entregues pela impugnante no curso do procedimento fiscalizatório (...). (...) a despeito de a impugnação dever ser instruída com documentos em que se fundamentar (...) é admitida a juntada de novos documentos mesmo após a impugnação (...). Se é admitida prova documental nessa fase, com mais justa razão quando oferecida no curso das diligências fiscalizatórias, como no caso ocorreu. E nem se diga que sua rejeição possa terse fundamentado no aspecto formal da declaração apresentada (fls. 82 e 83). Esse excessivo formalismo não deve prevalecer, pois as declarações apensadas à Portaria 546/05 não devem ser consideradas mais que meros modelos. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10283.721398/200992 Acórdão n.º 3302005.267 S3C3T2 Fl. 314 7 Ainda que a impugnante não houvesse juntado Declaração alguma de seus clientes, ainda assim deveria prevalecer seu direito à aplicação da alíquota a ela aplicável (...). Isto porque o fisco já dispõe, em seus bancos de dados, de todas as informações de que necessita para poder determinar o regime de tributação da COFINS adotada pelos clientes da impugnante. (...) Em outras palavras, o modelo de Declaração não vincula e tampouco elide o direito da impugnante à adoção da alíquota (...). Noutro dizer, a Declaração não tem o efeito de assegurar ou afastar o direito à aplicação da alíquota cabível no caso concreto, já que seu efeito é meramente declaratório, não constitutivo de direito algum. (...) Razão pela qual deve ser declarada inexigível a diferença de COFINS apurada em procedimento fiscalizatório toda vez que esta tiver se baseado na ausência de Declaração de clientes da Impugnante acerca do regime não cumulativo por eles adotados. A formalidade quanto à Declaração evidenciase irrelevante (...). É dizer, pelas razoes jurídicas aqui expostas, todo o item 002 do Auto não se sustenta, posto fundado em irrazoável exigência embasada em formalidades injustificadas, porquanto desprovidas do poder vinculante a elas emprestadas pela Portaria 546/05. C – CAPITULAÇÃO LEGAL (...) o agente fiscal, como comprovado atrás, sem qualquer fundamentação legal e, menos ainda, ao completo desamparo dos dispositivos que invocou para fins de enquadramento legal, exigiu duplamente não apenas a multa, como também o principal! (...) Com efeito, a dupla exigência de principal nos casos em que verificada deve ser considerada nula. Idem em relação à multa de 75% posto, no caso vertente, inexigível principal, inexigível sua correspondente penalidade. Inaplicáveis, igualmente, as disposições do art. 44, I, da Lei 9430/96 posto, igualmente, indevido o principal, indevido também os acessórios, em cujo conceito se enquadra a multa de 75%. Idem quanto aos juros Selic (...), pelas mesmas razões de que, indevido o principal, indevidos seus consectários. Ademais disso, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por unanimidade, afastar a Selic por implicar violação à legalidade, declarando sua inconstitucionalidade material, além de flagrante inconstitucionalidade formal. Fl. 317DF CARF MF 8 Não apenas tais vícios justificam o reconhecimento de nulidade do auto. O descumprimento do disposto em lei federal (...), considerando privativa de contabilistas a atividade fiscal de tributos. Não comprovada tal condição, justificase plenamente a declaração de integral nulidade do feito administrativo litigado. (Refere julgados judiciais)” f) Pretende a realização de exames periciais tendo em conta as controvérsias nos cálculos que instruíram a exigência fiscal. Justificariam a perícia a dupla exigência sobre uma mesma base de cálculo, a imputação de bases de cálculo inexistentes e a não conjuminância dos dados apurados com base no Dacon e a desconsideração de declarações de clientes. Indica perito e formula quesitos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade, a impugnação foi julgada procedente em parte, para excluir, em razão da decadência, o crédito tributário aos meses de março, maio, junho e julho de 2005, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO. AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA. PROVA. O ato administrativo regularmente expedido pela Administração goza, dentre outros atributos, da presunção juris tantum de legitimidade. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUTORIDADE FISCAL. HABILITAÇÃO PROFISSIONAL. A competência do auditor fiscal para proceder ao exame da escrita da pessoa jurídica é atribuída por lei, não lhe sendo exigida a habilitação profissional típica de contador. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE VALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos. A legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL. Declarada a inconstitucionalidade dos textos normativos que estabeleciam o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições sociais e havendo sido proferida, pelo STF, a Súmula Vinculante n° 08, concluise que a contagem do prazo Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10283.721398/200992 Acórdão n.º 3302005.267 S3C3T2 Fl. 315 9 decadencial dessas espécies tributárias regese pelo disposto no CTN. Assim, na hipótese em que há recolhimento parcial antecipado, o prazo decadencial de cinco anos tem início na data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do Estatuto Tributário. De outro lado, não havendo qualquer pagamento, aplicase a regra do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIO. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade em lançamento que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 1993. LANÇAMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em bis in idem no lançamento de ofício quando as bases imponíveis e os fato apurados são notoriamente diversos. MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. A incidência de multa de mora e a exigência da taxa Selic, como juros moratórios, encontram supedâneo na legislação vigente, inexistindo qualquer vício no lançamento em face de os haver observado, no exercício de sua atividade vinculada, a autoridade fiscal. PERÍCIA. REQUISITOS. Descabe a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo e, ainda, quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado. No dia 25/3/2011, a autuada foi cientificada da decisão. Inconformada, em 25/4/2011, apresentou o recurso voluntário de fls. 270/281, em que reiterou as alegações sobre as questões prejudicial de mérito (decadência), relativos aos meses de janeiro a março de 2005, e de mérito, bem como o pedido de perícia, apresentados na peça impugnatória. Em 23 de maio de 2012, por meio da Resolução nº 3102000.210, os autos foram convertido em diligência, para que a autoridade fiscal verificasse “se as pessoas jurídicas responsáveis pela emissão das declarações contestadas cumpririam ou não as exigências fixadas no § 5º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003”. Em resposta, por meio do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 304/306, a autoridade fiscal prestou a seguinte informação: 10. Não obstante, com vistas a atender à diligência determinada, efetuamos consultas aos Sistemas desta RFB, ano calendário/2005, quais sejam: Demonstrativo de Apuração das Fl. 319DF CARF MF 10 Contribuições Sociais DACON e Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ, apurandose o seguinte : 10.1. Em relação à LUCIANO SCHAITEL, CNPJ 05.044.358/000130, de acordo com as informações constantes na DIPJ e no DACON a empresa apura imposto de renda pelo lucro real e a totalidade das receitas estão declaradas no quadro Regime NãoCumulativo. 10.2. Quanto à pessoa jurídica ANGRASAT ANTENAS E COMPONENTES ELETRÔNICOS, CNPJ 74.461.120/000122, também apura o imposto de renda pelo lucro real, conforme informado em sua DIPJ, entretanto não consta entrega de DACON no sistemas da RFB, impossibilitando, dessa forma, aferirse se a mesma apura COFINS no regime de não cumulatividade. Em 12 de janeiro de 2015, a recorrente foi cientificada para se manifestar, no prazo de trinta dias, sobre o resultado da diligência, porém, não compareceu aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide envolve questões prejudicial de mérito (decadência) e de mérito que serão a seguir analisadas. Da prejudicial de mérito Na peça impugnatória, com respaldo no art. 150, § 4º, do CTN, a recorrente alegou a decadência do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a julho de 2005. No julgamento de primeiro grau, sob o argumento de que a contribuinte havia antecipado o recolhimento de parcela da Cofins devida apenas nos meses de março, maio, junho e julho de 2005, a turma de julgamento de primeiro grau, em caráter definitivo, reconheceu a decadência do direito de constituir do crédito tributário dos referidos meses, haja vista que, no dia 25/8/2010, data da conclusão da autuação, mediante ciência da autuada, já havia se concluído o prazo quinquenal de decadência, fixado no art. 150, § 4º, do CTN. Em relação aos meses de janeiro, fevereiro e abril de 2005, não foi acatada a alegação de decadência, sob o fundamento de que, como não houve recolhimento antecipado da contribuição nos citados meses, por força do disposto no art. 173, I, do CTN, o termo inicial da contagem do prazo de decadência teve início no dia 1/1/2006, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, e término no dia 31/12/2011. No recurso em apreço, a recorrente insistiu com a alegação de que a decadência também havia alcançados as contribuições lançadas dos meses de janeiro, fevereiro e abril de 2005. Em relação aos dois primeiros meses, a recorrente argumentou que, se o Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10283.721398/200992 Acórdão n.º 3302005.267 S3C3T2 Fl. 316 11 lançamento do tributo fora feito pelo “valor correspondente à diferença de alíquotas (7,6% e 3%) conduz à irrefutável conclusão, por óbvio, quanto a ter ocorrido o pagamento antecipado do tributo também nos meses de janeiro e fevereiro de 2005.” O fato de a autoridade fiscal ter apurado diferença de alíquota, obviamente, não significa que a autuada tenha feito recolhimento da contribuição calculada com base na alíquota menor. E se tivesse havido os alegados recolhimentos, certamente, eles estariam presentes na base de dados da RFB. Porém, a consulta à referida base de dados revelou a inexistência de registro de qualquer pagamento da Cofins dos citados meses, conforme consignado extratos de fls. 90/99. Aliás, em resposta à intimação da fiscalização, a própria recorrente informou a realização apenas do referidos pagamentos (fls. 9/10). Além disso, em face dos referidos documentos, se houve pagamento em relação aos débitos dos referidos meses, cabia a recorrente apresentar a prova da sua realização, o que não foi feito. No que tange ao mês de abril de 2005, a recorrente alegou que se trata de “hipótese onde houve pagamento por meio de compensação (crédito descontado Dacon fls. 118), tendo o fisco considerado devida apenas a diferença entre a contribuição apurada (7,6% sobre a base de cálculo) e o crédito descontado do respectivo mês." A recorrente confunde desconto de crédito, decorrente da aplicação do regime não cumulativo, com a compensação tributária, prevista no art. 170 do CTN e disciplinada no art. 74 da Lei 9.430/1976. Nos termos do art. 156, II, do CTN, apenas a compensação extingue o crédito tributário. O desconto de crédito, além de não ter natureza de extinção do crédito tributário, também não se equipara a pagamento. Por essas razões, como a recorrente não comprovou a existência dos alegados pagamentos, em relação aos lançamentos das contribuições dos meses de janeiro, fevereiro e abril de 2005, a eles aplicase a regra de contagem do prazo decadencial, fixada no art. 173, I, do CTN, consoante o entendimento do órgão de julgamento de primeiro grau. Esse entendimento também se encontra em sintonia com a jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial no 973.733/SC, sob regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), de adoção obrigatória pelos integrantes deste Conselho, por força do disposto no art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015. O enunciado da ementa do referido julgado ficou assim redigido, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 321DF CARF MF 12 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) – Grifos não originais. Com base nessas considerações, chegase a conclusão de que não houve alegada decadência do direito de lançar os débitos das contribuições dos meses de janeiro, fevereiro e abril de 2005. Das questões de mérito Previamente, é oportuno esclarecer, que a presente autuação foi motivada por duas infrações distintas: a) item 001, apuração incorreta da Cofins (aplicação de alíquota incorreta); e b) item 002, falta de recolhimento ou de declaração na DCTF. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10283.721398/200992 Acórdão n.º 3302005.267 S3C3T2 Fl. 317 13 No presente recurso, a recorrente alegou dupla cobrança da contribuição sobre a mesma base de cálculo e desconsideração da declaração prestada pelos compradores sobre o regime de tributação da Cofins por eles utilizados. Em relação à primeira alegação, a recorrente asseverou que a receita bruta do mês de janeiro de 2005, no valor de R$ 949.530,05, fora incluída no cálculo da infração relativa à diferença de aplicação de alíquotas da Cofins de 3% para 7,6%, que resultou na apuração de diferença do débito a maior no valor de R$ 43.678,38, lançada no item 1 do auto de infração (Apuração Incorreta da Cofins); e novamente esse mesmo valor fora incluído na base de cálculo entre o valor declarado no Dacon (à alíquota de 3%) e aquele confessado na DCTF, lançada no item 2 do auto infração (Falta de Recolhimento ou Declaração na DCTF), que resultou na apuração da diferença a maior no valor de R$ 62.130,29. No presente caso, não houve o bis in idem alegado pela recorrente. Os dois valores do débito da contribuição do mês janeiro de 2005, lançados nos itens 1 e 2 do auto de infração (fls. 105/110). De acordo com os demonstrativos de fls. 117/119, verificase, em relação ao mês de janeiro de 2005, que a recorrente informou no Dacon dois valores distintos de base de cálculo. O valor de R$ 949.530,05 (Ficha 13), sujeita à alíquota de 3%, e o valor de R$ 442.689,39 (Ficha 15), sujeita a alíquota de 7,6%. Em relação ao primeiro valor, a autoridade fiscal considerou que a alíquota correta aplicável era 7,6% e cobrou a diferença entre os valores apurados mediante a aplicação das duas alíquotas (R$ 72.164,28 R$ 28.485,90), no valor R$ 43.678,38. Este valor foi lançado do item 1 do auto de infração. No item 2 do auto de infração, a autoridade fiscal lançou os valores de R$ 28.485,90, referente à alíquota de 3% aplicada sobre a base de cálculo de R$ 949.530,05, e de R$ 33.644,39, referente à alíquota de 7,6% aplicada sobre a base de cálculo de R$ 442.689,39. Os dois valores somam R$ 62.130,29. Este valor foi lançado no item 2 do auto de infração, porque, embora, declarados no Dacon a recorrente não recolheu nem declarou/confessou na DCTF. Portanto, não houve cobrança em duplicidade como alegou a recorrente, mas lançamentos por motivos distintos, conforme anteriormente explicitado. A mesma conclusão também se aplica aos fatos geradores de agosto e setembro de 2005. E em razão desse esclarecimento, além de não atender os requisitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972, o que já seria suficiente para rejeição do pedido de perícia formulado, também resta demonstrada a evidente falta de necessidade e o completo despropósito da realização da prova pericial em comento, com vista a esclarecer a dupla exigência sobre a mesma base de cálculo. No que tange à segunda alegação, a recorrente argumentou que a declaração exigida no Anexo I da Instrução Normativa SRF 546/2005 tinha por objetivo apenas a obtenção, mais rápida e direta, da informação sobre o regime de apuração da Cofins adotado pelo cliente da recorrente (comprador de produção própria). Para a recorrente, era o regime de apuração que definiria se se tratava de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do regime cumulativo ou não cumulativo. E se fosse do não cumulativo era possível a aplicação da alíquota de 3% no caso de venda efetuada à pessoa jurídica estabelecida fora da Zona Franca de Manaus (Lei 10.833/03, art. 2º, I, “b”). E tal objetivo fora integralmente alcançado pelas Fl. 323DF CARF MF 14 declarações de fls. 83/84, muito embora tais documentos não tenham sido confeccionados seguindo o modelo do Anexo I da citada Instrução Normativa. Em decorrência dessa alegação e sob o argumento de que o regime de apuração dos clientes da recorrente poderia ser facilmente verificado pela autoridade fiscal, os autos foram convertidos em diligência. E com base nas consultas realizadas nos sistemas da RFB, em especial, nos dados apresentados no Dacon e na DIPJ, a autoridade fiscal informou que a pessoa jurídica LUCIANO SCHAITEL, CNPJ 05.044.358/000130, no anocalendário de 2005, apurara IRPJ pelo regime de lucro real e a totalidade das receitas foram declaradas no quadro relativo ao regime não cumulativo da Cofins. Já com relação à pessoa jurídica ANGRASAT ANTENAS E COMPONENTES ELETRÔNICOS, CNPJ 74.461.120/000122, constou que, embora também tenha apurado o IRPJ pelo regime de lucro real, como a referida não entregara Dacon não fora possível aferirse se a citada pessoa jurídica apurara a Cofins com base de regime apuração não cumulativo. Com respaldo nessa informação, tendo em conta que a declaração de fl. 84 não se presta como prova do regime de apuração da Cofins da pessoa jurídica ANGRASAT ANTENAS E COMPONENTES ELETRÔNICOS, porque, além de não ter sido prestada pela citada pessoa jurídica, nela foi informado o regime de apuração do IRPJ, mas não o regime de apuração da Cofins. Por essas razões, restabelecese o direito de a recorrente calcular a Cofins com base na alíquota de 3% apenas em relação às receitas das venda realizadas para a pessoa jurídica LUCIANO SCHAITEL. Da conclusão Por todo o exposto, votase pelo provimento parcial do recurso, para restabelecer a alíquota de 3% apenas em relação às receitas das venda realizadas para a pessoa jurídica LUCIANO SCHAITEL. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 324DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.000591/2003-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES — EXCLUSÃO — MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS — EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ASSEMELHADA À DE ENGENHEIRO
NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9 0 da Lei 9317, de 1996 se aplica à pessoa jurídica que, comprovadamente, desempenhe atividades que dependam de habilitação profissional legalmente exigida.
O exercício de atividade assemelhada à de engenheiro deve ser comprovada à luz de documentos que demonstrem, inequivocamente, se tratar de ocupação com o mesmo grau de complexidade e exigência curricular.
Carece de legitimidade a exclusão de pessoa jurídica do Simples quando exclusivamente motivada na descrição do objeto social da empresa de prestação de serviços de manutenção e reparação de máquinas.
Numero da decisão: 1402-000.165
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-02T12:15:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-02T12:15:39Z; Last-Modified: 2010-09-02T12:15:39Z; dcterms:modified: 2010-09-02T12:15:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d0c74028-70d0-4782-9054-17a85c30a41f; Last-Save-Date: 2010-09-02T12:15:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-02T12:15:39Z; meta:save-date: 2010-09-02T12:15:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-02T12:15:39Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-02T12:15:39Z; created: 2010-09-02T12:15:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-09-02T12:15:39Z; pdf:charsPerPage: 1563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-02T12:15:39Z | Conteúdo => S1-C4T2 Fl 4.3 ::"Wt,Wek MINISTÉRIO DA FAZENDA .=Z4f •-•• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13982.000591/2003-10 Recurso n° 141.261 Voluntário Acórdão n° 1402-00.165 — 4" Câmara / 2n Turma Ordinária Sessão de 07 de abril de 2010 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO - ANO-CALENDÁRIO: 2002 Recorrente CHICO ENCANADOR LTDA. Recorrida DRI-BRASILIA/DF ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES — EXCLUSÃO — MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS — EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ASSEMELHADA À DE ENGENHEIRO — NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.. A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9 0 da Lei 9317, de 1996 se aplica à pessoa jurídica que, comprovadamente, desempenhe atividades que dependam de habilitação profissional legalmente exigida. O exercício de atividade assemelhada à de engenheiro deve ser comprovada à luz de documentos que demonstrem, inequivocamente, se tratar de ocupação com o mesmo grau de complexidade e exigência curricular, Carece de legitimidade a exclusão de pessoa jurídica do Simples quando exclusivamente motivada na descrição do objeto social da empresa de prestação de serviços de manutenção e reparação de máquinas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALBERTINA SI A SANTO DE LIMA - Presidente • „// p j.d. FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator r A "} EDITADO EM: - tjrr.- ílJ Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar André Ricardo Lemes da Silva, Roberto Armond Ferreira da Silva e Adriana Giuntini Viana Relatório Chico Encanador Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4" Turma da DR„T Brasília/DF, pleiteando sua reforma, com Mero no artigo 33 do Decreto n° 70,235 de 1972 (PAF), Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): "A exclusão da interessada da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3" da Lei 9.317/96, denominada Simples, foi mantida por se enquadrar na condição impeditiva prevista no inciso V-4° do art. 9" da referida lei . A manifestante contesta, em síntese, sua exclusão do Simples sob o argumento de que executa pequenos reparos elétricos e hidráulicos Assim, requer que seja reconsiderada a decisão que determinou sua exclusão e que se determine sua permanência no Simples." A DM proferiu em 31/08/2007 o Acórdão n° 22,191 (fls. 32-33), que traz a seguinte ementa: "Opção pelo Simples - Condição Vedada - Impossibilidade, Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em unia ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei " Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 29/11/2007 (AR. de II, 37), a recorrente interpôs recurso voluntário em 20/12/2007 (fi, 38) onde reafirma que executa pequenos reparos elétricos e hidráulicos e que suas atividades não se enquadrariam naquelas típicas de construção de imóveis ou de serviços auxiliares na construção civil. É o relatório. Voto Conselheiro FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve ser conhecido por esta Câmara. No presente processo é discutida a possibilidade de permanência da recorrente no SIMPLES, tendo em vista que a autoridade fiscal, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) de fls, 04, a excluíra por exercício da atividade vedada "4541-1/00 çe 2 Processo n° 13982.000591/2003-10 S1-C4T2 Acórdão n 1402-00i65 Fl 44 Instalação e manutenção elétrica em edijicações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas", fundamentado no art. 9', inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. Sobre o tema, bem decidiu o Conselheiro Tarásio Borges, nos autos do Recurso 1:34.176, em outubro de 2006, razões que utilizo para suportar o entendimento aqui esposado, de que a atividade realizada pela recorrente não é vedada, porquanto não específica de engenheiro: "Aduz a ora recorrente que a prestação de serviços de reparação e manutenção de válvulas industriais era uma das atividades do seu escopo societário e contesta a interpretação dada pela Secretaria da Receita Federal à vedação imposta pela lei que instituiu o Simples. Faz-se mister, portanto, conhecer a exegese da vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 90 da Lei 9,317, de 5 de dezembro de 1996, sem olvidar de dois importantes preceitos constitucionais: a limitação ao poder de tributar, imposta pelo artigo 150, inciso II, que veda a instituição da desigualdade tributária; e o principio geral da atividade econômica enunciado no artigo 179. Para facilitar o raciocínio, trago à baila trechos das normas jurídicas mencionadas no parágrafo imediatamente precedente: Lei 9,317, de 1996: Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII - que preste serviços profissionais de [„,], engenheiro, [„,], ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; 2 Então equiparado à prestação de serviços na área de engenharia (inciso XIII do artigo 9 da Lei 9,317, de 5 de dezembro de 1996), 3 Cláusula terceira do contrato social consolidado acostado às folhas 53 a 55, por fotocópia, " `• ,,,,,,,,,,,,,,,,, Constituição Federal: ,,,,,,,,,,,,,,, ,,, ...... .... ........... , ..... Art„ 150, Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ..... _ II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; ..... , ....... ..... ..... ..... ................. 3 Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei. Admitir que o inciso XIII do artigo 9 0 da Lei 9.317, de 1996, equipara todas as pessoas jurídicas que têm entre suas atividades a prestação de serviços de reparação e manutenção de válvulas industriais aos serviços profissionais do engenheiro e veda àquelas a possibilidade de optar pelo Simples, é outorgar à lei ordinária hierarquia superior à Carta Magna, porquanto essa interpretação contradiz tanto o artigo 150, inciso II, quanto o artigo 179 supra transcritos, Digo isso porque da leitura integrada que faço dos citados dispositivos constitucionais, entendo prescrito tratamento diferenciado tanto para as microempresas quanto para as empresas de pequeno porte, reservada à lei a definição de microempresa e de empresa de pequeno porte, visto que o próprio texto constitucional veda expressamente a possibilidade de instituição da desigualdade entre contribuintes de situação equivalente. Logo, concluo que a vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 90 da Lei 9317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços. Por outro lado, entendo pertinente a vedação nos casos de inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no inciso XIII do artigo 9'. No caso concreto, a constituição da pessoa jurídica por empreendedores que agregam meios de produção para explorar determinada atividade econômica é fato não controvertido. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Ademais, o exercício de atividade própria de engenheiro deve ser demonstrado nos autos com documentos que indiquem, inequivocamente, se tratar de ocupação com mesmo grau de complexidade e exigência curricular .. É o que se extrai do entendimento, do qual comungo, esposado no Acórdão CSRF/03-05057, de 06/11/2006, verbis,- SIMPLES — Exclusão - exercício de atividade assemelhada à de engenheiro deve ser comprovada à luz de documentos que mostrem, inequivocamente, tratar-se de ocupação com o mesmo grau de complexidade e exigência curricular No caso concreto, o que se percebe é que o Ato Declaratório Executivo (ADE) de fls. 04 se utilizou do argumento de que a recorrente exerce a atividade vedada de "Instalação e manutenção elétrica em edUicaçães, inclusive elevadores, escadas, esteiras ./-47 4 Processo n°1.3982 000591/2003-10 S1-C4T2 Acórdão n 1402-00.165 Fl 45 r't rolantes e antenas", baseado exclusivamente na descrição do seu objeto social (contrato social às fis, 05-08). Com efeito, não se pode atribuir à atividade descrita no contrato social da empresa como suficiente para comprovar atividade própria de engenheiro. Ademais, não consta dos autos qualquer outro indício de que a empresa praticara, efetivamente, atividade específica de engenheiro. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto, A /j7 L),- FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO-*'%`4r0) Processo n° : 13982 .000591/2003-10 Acórdão no : 1402-00.165 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial if 256, de 22 de junho de 2009, 4,. (- , ,- ,) .-, ín, Brasília, (,) o A ) ( . .i O PI ROO ‘ ar9r"s3tUW'S&I.1~gues -‘. ret3ária da Câmara Ciência Data: / / Norne: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ 1 apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. , Camara MINISTÉRIO DA FAZENDA Fls.: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF l a Seção QUARTA CÂMARA - i a SEÇÃO CARF Processo n° : 13982.000591/2003-10 Interessado(a) : CHICO ENCANADOR LTDA. TERMO DE JUNTADA a Seção/4° Câmara Declaro que juntei aos autos original do acórdão n° 1402-00.165, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão. Em Chefe da Secretaria
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Numero do processo: 13786.720230/2011-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DE INCENTIVO.
Considera-se como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente, com a consequente renúncia ao contencioso administrativo fiscal. Consolidação administrativa dos respectivos créditos tributários apurados e lançados na Notificação Fiscal.
DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GASTOS NÃO DEDUTÍVEIS.
Não existe previsão legal para a dedução de gastos tidos com participação em congressos/simpósio, a título de despesas com instrução.
Numero da decisão: 2001-000.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Jorge Henrique Backes, que lhe deu provimento
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DE INCENTIVO. Considera-se como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente, com a consequente renúncia ao contencioso administrativo fiscal. Consolidação administrativa dos respectivos créditos tributários apurados e lançados na Notificação Fiscal. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GASTOS NÃO DEDUTÍVEIS. Não existe previsão legal para a dedução de gastos tidos com participação em congressos/simpósio, a título de despesas com instrução.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DE INCENTIVO. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente, com a consequente renúncia ao contencioso administrativo fiscal. Consolidação administrativa dos respectivos créditos tributários apurados e lançados na Notificação Fiscal. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GASTOS NÃO DEDUTÍVEIS. Não existe previsão legal para a dedução de gastos tidos com participação em congressos/simpósio, a título de despesas com instrução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Jorge Henrique Backes, que lhe deu provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 6. 72 02 30 /2 01 1- 10 Fl. 96DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento emitida em nome do contribuinte acima identificado em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, referente ao exercício de 2010, ano calendário de 2009, que alterou o resultado de imposto a pagar declarado de R$ 22.762,10 para saldo de imposto a pagar apurado de R$ 33.498,99. De acordo com descrição dos fatos foram verificadas as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho, no valor de R$ 5.700,00, referente a fonte pagadora Associação Hospitalar de São Sebastião do Alto (CNPJ 28.646.628/000188), b) dedução indevida com despesa de instrução, no valor de R$ 1.296,04, c) dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 32.234,96. Em decorrência deste lançamento apurouse Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar de R$ 10.736,89, multa de ofício de R$ 8.052,66, além de juros de mora de R$ 1.510,68 (calculados até 31/08/2011). O interessado foi cientificado da notificação em 02/09/2011 (fls. 62) e apresentou impugnação alegando, em síntese, que os argumentos utilizados pela fiscalização foram equivocados e insuficientes para que se considere indevidas as despesas deduzidas, que a notificação não está revestida das formalidades legais por não constar do documento a assinatura da Autoridade Fiscal, que as despesas médicas deduzidas referemse a tratamento do próprio contribuinte e de sua dependente Sra. Danusa Vogas Daibes Pereira, e informa estar juntando aos autos declarações dos profissionais informando os dados faltantes nos recibos apresentados assim como o recebimento dos valores mencionados. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, depois de afastar a preliminar de nulidade, verifica que não houve contestação acerca das infrações concernentes a omissão de rendimentos, no valor de R$ 5.700,00, bem como a dedução indevida de incentivo, no valor de R$ 451,54. Dessa forma, tornase definitivo o crédito tributário correspondente, nos termos do art. 17 do Decreto no 70.235, de 1972. Em relação à despesa com instrução, mantém a glosa no valor de R$ 844,50 por entender que não se pode incluir neste rol de despesas os gastos efetuados com congressos e seminários. Por fim, em relação às despesas médicas, entende a DRJ que não foram devidamente comprovadas, em síntese, porque mesmo intimado para tal, o contribuinte não apresentou nenhum comprovante de pagamentos destes gastos. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13786.720230/201110 Acórdão n.º 2001000.070 S2C0T1 Fl. 3 3 Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte, preliminarmente, a nulidade da Notificação de Lançamento por falta de assinatura da autoridade fiscal. No mérito, argui que legalmente não é exigido a comprovação das despesas médicas, motivo pelo qual deveria ser cancelado o lançamento em epígrafe. Não contesta a glosa de despesa com instrução, omissão de rendimentos e dedução indevida de incentivo. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade por falta de assinatura Sustenta o Contribuinte a nulidade do lançamento em decorrência de falta de assinatura da autoridade fiscal competente na Notificação correlata. Entendo ser descabida tal arguição tendo em vista ser os processos atuais totalmente eletrônicos. A exigência de assinatura a próprio punho fazia sentido quando o processo era mecânico, e não existiam outra formas de comprovar a autenticidade da Notificação. Tal situação não se verifica nos processos atuais, modernizados e totalmente sistematizados e eletrônicos. Neste sentido, vide abaixo posicionamento de tribunais a respeito: TRF3 APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO APELREE 874 SP 2001.61.07.0008741 (TRF3) Data de publicação: 25/08/2011 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DA UNIÃO FEDERAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. PROCESSO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE NULIDADES. AFASTADA. LEI Nº 8.847 /94. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 399 /93. RETIFICAÇÃO. PUBLICAÇÃO DO ANEXO COM ALÍQUOTAS DO TRIBUTO EM JANEIRO DE 1.994. COBRANÇA COM BASE NA LEGISLAÇÃO ANTERIOR. SUBSTITUIÇÃO DA CDA. VALIDADE. COBRANÇA COM BASE NA LEGISLAÇÃO ANTERIOR. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CARÁTER MERAMENTE PROTELATÓRIO AUSENTE. MULTA PREVISTA NO ART. 538 , PARÁGRAFO ÚNICO , DO CPC . EXCLUSÃO. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DESNECESSIDADE. (...) 2.Ausência de nulidade do lançamento por vício formal, a se considerar que a notificação de lançamento foi emitida por processo eletrônico, que dispensa a assinatura, a indicação do Fl. 98DF CARF MF 4 cargo ou função e número e matrícula da autoridade responsável, conforme disposto no parágrafo único do art. 11 do Decreto nº 70.235 /72. 3. A Lei nº 8.847 , de 28/01/1994, fruto da conversão da MP nº 399 , de 29/12/1993, em vigor à época dos fatos, definia a base de cálculo do ITR como o Valor da Terra Nua (VTN) apurado em 31 de dezembro do exercício anterior. Entretanto, houve a retificação dessa MP, em 07/01/1994, com a publicação do Anexo I, omitido na publicação anterior (30/12/1993), que definiu as tabelas com as alíquotas para cálculo do ITR . Assim, no presente caso, com a retificação da MP nº 339 /93 publicada somente em 07/01/1994, as regras. (grifos nossos). TRF3 APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO APELREEX 6144 SP 000614465.2000.4.03.6112 (TRF3) Data de publicação: 04/10/2012 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. PROCESSO ELETRÔNICO. DECRETO Nº 70.235 /72. NULIDADE NÃO CONFIGURADA . (...). 1. Não há que cogitar de nulidade do lançamento por vício formal, a se considerar que a notificação de lançamento foi emitida por processo eletrônico, que dispensa a assinatura, a indicação do cargo ou função e número e matrícula da autoridade responsável, conforme disposto no parágrafo único do art. 11 do Decreto nº 70.235 /72. . (...) (grifos nossos). Neste diapasão, rejeito a preliminar arguída pelo ora Recorrente e passo, então, a análise do mérito e da lide em questão. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13786.720230/201110 Acórdão n.º 2001000.070 S2C0T1 Fl. 4 5 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou diversos recibos dos pagamentos relativos aos supostos tratamentos médicos, dentários, fisioterapêuticos, com ausência, em parte, de endereço completo dos estabelecimentos profissionais dos prestadores dos serviços, ausência de informação dos beneficiários dos serviços e ausência de comprovação do pagamento dos serviços, mesmo depois de intimado pelas autoridades fiscais a comprovar tais dispêndios. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] 8.2. Por sua vez, o “caput” do artigo 73, do RIR/1999 estabelece que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízoda autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º).(g.n.) 8.3. Portanto, o contribuinte está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual, conforme estatui a legislação pertinente citada. 8.4. No presente caso, a fiscalização motivou as glosas efetuadas na falta de comprovação do efetivo pagamento, referente aos profissionais........ 8.5. O contribuinte, por sua vez, alega que a fiscalização reputou como infringida a norma prevista no artigo 80, § 1º, III do Decreto 3.000/99, sendo que tal norma não exige o detalhamento do nome do paciente, o que fere o princípio da legalidade. Quanto a falta de endereço, entende ser m era formalidade que não afasta a idoneidade dos recibos apresentados. Alega ainda, que caberia à fiscalização verificar a prestação do serviço uma vez que suspeita não é prova suficiente para afastar a presunção de veracidade. Junta aos autos declarações dos profissionais Fl. 100DF CARF MF 6 informando os dados faltantes nos recibos apresentados assim como o recebimento dos valores mencionados. 8.6. Ressaltese inicialmente, que os artigos acima transcritos/citados constam do enquadramento legal, parte integrante da Notificação de Lançamento. 8.7. Embora o contribuinte traga aos autos as declarações de fls. 29, 31, 35,43, 52, 54, cabe esclarecer que tais documentos são hábeis a comprovar os beneficiários dos serviços prestados e o endereço dos profissionais, porém não são hábeis a comprovar o efetivo pagamento nem, tampouco, a declaração de fls. 57 discrimina os serviços prestados, conforme exigência fiscal 8.8. Posto isto, considerando a motivação das glosas efetuadas, devem ser restabelecidas as deduções referentes ao profissional Gabriel Fernandes Teixeira (R$135,00), mantendose a glosa referente aos demais prestadores de serviços. 8.9. Salientese, que a autoridade fiscal, quando da primeira intimação, solicitou a apresentação de documentos que comprovassem o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas em sua DAA (cópias de cheques, extratos bancários ou de cartões de crédito), o que não ocorreu. Ou seja, o contribuinte se limitou a trazer aos autos declarações dos profissionais e não os documentos de comprovação do efetivo pagamento conforme solicitado. 8.10. Com efeito, no caso em que o contribuinte pleiteia deduções referentes a pagamentos efetuados a título de despesas médicas, deve o mesmo comprovar, deforma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, que realmente efetuou tais pagamentos e que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, até porque este é quem se aproveita de tal benefício. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, a necessidade encontrada pela autoridade fiscal em ser demonstrada a comprovação do pagamento, e a ausência deste atendimento por parte do contribuinte ora Recorrente, mesmo depois de intimado para tal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13786.720230/201110 Acórdão n.º 2001000.070 S2C0T1 Fl. 5 7 administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supra citados, e baseando se na fundamentação do lançamento bem como intenção das autoridades fiscais em corroborar a existência das despesas declaradas, somada à ausência de comprovação do contribuinte acerca dos dispêndios entendo por manter: glosa de despesas com instrução por não ter sido devidamente contestada em sede de Recurso Voluntário, igualmente para omissão de rendimentos do trabalho e dedução indevida de incentivo, também por falta de comprovação/previsão legal. No que concerne a glosa da dedução indevida de despesas médicas, entende por mantêlas por tudo o quanto acima exposto, eis que o contribuinte não logrou êxito de comproválas, em desatendimento às intimações fiscais. CONCLUSÃO: Fl. 102DF CARF MF 8 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.902238/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do Auto de Infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA.
Uma vez comprovado, por meio de diligência fiscal específica, que o direito ao crédito é líquido e certo, a compensação deve ser homologada até o limite reconhecido.
Numero da decisão: 1201-001.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do Auto de Infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Uma vez comprovado, por meio de diligência fiscal específica, que o direito ao crédito é líquido e certo, a compensação deve ser homologada até o limite reconhecido.
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do Auto de Infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Uma vez comprovado, por meio de diligência fiscal específica, que o direito ao crédito é líquido e certo, a compensação deve ser homologada até o limite reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 14/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 22 38 /2 01 2- 27 Fl. 344DF CARF MF 2 Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP (fls. 58/62), por meio do qual busca compensar parte do alegado crédito apurado a título de CSLL (setembro/2009), no valor de R$ 1.187,26, com débito tributário de sua responsabilidade. O Despacho Decisório (fl. 3 e 63) não homologou a compensação sob a alegação de insuficiência de crédito. Indica que o valor informado já teria sido alocado a débito confessado em DCTF. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2). Invoca argumentos de nulidade e sustenta que a negativa quanto ao reconhecimento creditório teria partido de mero erro de preenchimento da DCTF. Nesse sentido esclarece que houve informação errônea do valor do débito, mais especificamente da CSLL referente ao terceiro trimestre de 2009, tendo sido declarado o valor equivocado de R$ 2.936,12, quando o correto seria de R$ 1.594,82. Em Sessão de 31 de outubro de 2013, a 1ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0947.602 (fls. 69/72) e cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência de direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 77/82) e junta documentos, por meio do qual busca demonstrar que possui créditos legítimos provenientes da alteração do percentual de presunção de lucro (de 32% para 12%) aplicável aos prestadores de serviços hospitalares e de laboratório. Após encaminhamento dos autos ao E. CARF, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 1803000.137 (fls. 171/181): para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente aprecie o acatamento do pleito inicial e o mérito do litígio e ainda para: Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13888.902238/201227 Acórdão n.º 1201001.989 S1C2T1 Fl. 3 3 (a) reconhecer a possibilidade de formação do direito creditório pleiteado de pagamento a maior de CSLL, código 2372, no valor original de R$1.187,26 arrecadado em 24.08.2009 e apurado pelo regime do lucro presumido decorrente da aplicação do coeficiente de 12% sobre a receita bruta, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp, apurando sua liquidez e certeza inclusive nos aspectos de sua existência, suficiência e disponibilidade; (b) fazer a juntada das informações constantes nos registros internos da RFB, tais como DIPJ, DCTF, DIRF e DARF, e ainda anexar as cópias dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso; e (c) verificar se houve pedido de reconhecimento do direito creditório em outros processos referente ao mesmo direito creditório e se ali foi admitido como correto esse valor, para evitar a utilização em duplicidade do crédito tributário pleiteado nesses autos, cotejando a escrituração da Recorrente com os dados constantes nos registros internos da RFB para aferir a verossimilhança. A autoridade fiscal responsável pela diligência emitiu Termo de Informação Fiscal (fls. 334/338), do qual o contribuinte não foi chamado a se manifestar. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Nulidade Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, o Decreto nº 70.235/72 indica os casos de nulidade nos artigos 10º e 59, que ora transcrevo: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 346DF CARF MF 4 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima. Também não se faz presente, a meu ver, as nulidades previstas no art. 59. Os Autos de Infração foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional1. Ademais, não se vislumbra dos autos nenhum prejuízo ao contribuinte, que notoriamente compreendeu a imputação que lhe foi imposta e exerceu seu direito de defesa. A constituição do crédito tributário, portanto, foi feita de maneira correta, razão pela qual afasto a caracterização de nulidade. Mérito A presente discussão diz respeito à legitimidade e suficiência do direito ao crédito de CSLL relativa ao terceiro trimestre de 2009, em razão da alteração do coeficiente de presunção do lucro, de 32% para 12%, aplicável para determinadas empresas do ramo de saúde. O contribuinte, em resposta à intimação n. 733/2016 (fls. 239/329), apresentou cópia das notas fiscais de serviços prestados em relação ao período do crédito (terceiro trimestre de 2009), bem como comprovante (Alvará) emitido pelo Diretor de Vigilância Sanitária de São Pedro. Também anexou uma declaração daquele órgão, constatandose o atendimento das normas da Anvisa. Todos esses documentos comprovam que a Recorrente faz jus ao coeficiente de 12%, e não de 32%, conforme, aliás, registrou a autoridade fiscal responsável pela diligência. Vejase: Observandose, por amostragem, as cópias das notas fiscais apresentadas, constatase a consonância das mesmas com os 1 Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13888.902238/201227 Acórdão n.º 1201001.989 S1C2T1 Fl. 4 5 demais registros/demonstrativos contábeis apresentados. Quanto ao alvará apresentado, bem como a Declaração dada pelo Diretor de Vigilância Sanitária de São Pedro, constatase que os mesmos atestam o atendimento das normas da Anvisa, em especial que preenche os requisitos do subitem 2.1 da Parte II da RDC da Anvisa n. 50. E arremata: [...], em considerando que o contribuinte cumpriu as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em especial que preenche os requisitos do subitem 2.1 da Parte II da RDC da Anvisa n° 50, de 2002, bem como que tenha estrutura física de um estabelecimento assistencial de saúde que atende os requisitos do item 3 da Parte II da RDC da Anvisa n° 50, de 2002, seria possível reconhecer o valor do direito creditório utilizado pelo mesmo na DCOMP n° 35012.99893.171209.1.3.045354, R$ 289,40, valor este original do recolhimento efetuado em 24/08/2009, no valor total de R$ 1.187,26. Nesse sentido, entendo que restou comprovado que a Recorrente poderia ter se valido do percentual presuntivo de lucro de 12%. Assim, como equivocadamente aplicou o percentual de 32%, o direito creditório daí decorrente deve ser reconhecido. A compensação declarada na DCOMP 35012.99893.171209.1.3.045354, portanto, deve ser homologada até o referido limite reconhecido em diligência fiscal específica. Conclusão Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para homologar a compensação até o limite reconhecido em diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 348DF CARF MF 6 Fl. 349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000745/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999, 01/07/1999 a 31/12/1999
Decadência.
No caso de tributo lançado por homologação, a Administração Tributária dispõe do prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário a contar da data do fato gerador no caso de ter havido recolhimento e não ter ocorrido simulação, fraude ou conluio, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de não ter havido recolhimento ou de ocorrência de simulação, fraude ou conluio.
Numero da decisão: 3402-004.955
Decisão: Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Assinado Digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
Assinado Digitalmente
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999, 01/07/1999 a 31/12/1999 Decadência. No caso de tributo lançado por homologação, a Administração Tributária dispõe do prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário a contar da data do fato gerador no caso de ter havido recolhimento e não ter ocorrido simulação, fraude ou conluio, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de não ter havido recolhimento ou de ocorrência de simulação, fraude ou conluio.
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decisao_txt : Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo.
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No caso de tributo lançado por homologação, a Administração Tributária dispõe do prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário a contar da data do fato gerador no caso de ter havido recolhimento e não ter ocorrido simulação, fraude ou conluio, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de não ter havido recolhimento ou de ocorrência de simulação, fraude ou conluio. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 45 /2 00 8- 62 Fl. 719DF CARF MF 2 Augusto Daniel Neto, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Tratase de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos à falta/insuficiência de recolhimento, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 101/105 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), para os períodos de apuração maio/1999 e julho/1999 a dezembro/1999, no montante total de R$ 2.503.733,91, e da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 107/110), para os períodos de apuração julho/1999 a dezembro 1999, no montante total de R$ 949.328,04. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 98/100), o auditor fiscal assim fundamentou a lavratura dos autos de infração: O presente trabalho originouse de solicitação oriunda da Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito Tributário. Aquela equipe informa que o contribuinte, sob intimação, encaminhou planilhas, nas quais diferencia as bases de cálculo da COFINS e do PIS de acordo com a legislação anterior à Lei 9.718/98 e posterior à mesma, aplicandose as alíquotas correspondentes às bases de cálculos. Aquela equipe imputou as informações fornecidas, juntamente com os pagamentos alocados para cada período de apuração da COFINS e do PIS, e verificou que tanto para a COFINS quanto para o PIS, os pagamentos efetuados a partir de 2000 são exatamente aqueles devidos de acordo com a decisão judicial. Porém, para o período de 04/1999 a 12/1999, constatouse que existem diferenças de saldos entre os pagamentos efetuados e os valores devidos, essas diferenças, até o limite dos valores declarados como suspensos em DCTF foram cadastradas no processo no 12157.000.093/200752 (Profisc) para cobrança, restando, ainda, uma diferença de débito de cada tributo constituída por Auto de Infração, formalizado através do PAF 19.515/000745/2008 62. As referidas diferenças originaramse a partir dos valores informados em DCTF (fls. 49/59) e os valores apurados tomandose como Base de Cálculo a receita de faturamento definida pela LC Nº 70/91 (fls. 48). Cientificada dos autos de infração em 03/03/2008 (fl. 113), a contribuinte apresentou impugnação em 01/04/2008 (fls. 143/165), na qual alega que: · ocorreu a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, nos termos do art. 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional; Fl. 720DF CARF MF Processo nº 19515.000745/200862 Acórdão n.º 3402004.955 S3C4T2 Fl. 713 3 · possui decisão judicial transitada em julgado, no Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0165721, determinando o afastamento do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, com o que se afasta qualquer pretensão do Fisco de exigirlhe PIS/Pasep e Cofins que não o que for incidente exclusivamente sobre seu faturamento. O auto de infração, no entanto, constituiu crédito tributário decorrente da incidência dessas contribuições sobre receitas de arrendamento, em flagrante violação à coisa julgada. Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999, 01/07/1999 a 31/12/1999 Decadência. É de cinco anos o prazo de que a RFB dispõe para constituir o crédito tributário, contados, no caso de não ter havido recolhimento ou de ocorrência de simulação, fraude ou conluio, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou, no caso de ter havido recolhimento e não ter ocorrido simulação, fraude ou conluio, da data do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/1999 DECADÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a RFB dispõe para constituir o crédito tributário, contados, no caso de não ter havido recolhimento ou de ocorrência de simulação, fraude ou conluio, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou, no caso de ter havido recolhimento e não ter ocorrido simulação, fraude ou conluio, da data do fato gerador. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Mantido. Tendo em vista a exoneração do crédito em valor superior ao limite estabelecido no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c a Portaria MF nº 3, de 2008, a decisão deve ser submetida a apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em Recurso de Ofício. É o Relatório. Fl. 721DF CARF MF 4 Voto Conselheiro PEDRO SOUSA BISPO O recurso de ofício deve ser conhecido, visto que a decisão recorrida exonerou a VBC de tributo e encargos de multa em valor superior a R$ 2.500.000,00. Nesse sentido, eis o teor do art. 1º da Portaria MF 63/2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Como se sabe, a Súmula CARF nº 103 preceitua que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A decisão recorrida cancelou totalmente o auto de infração de diferenças de de PIS e COFINS decorrentes de divergências na base de cálculo das contribuições: Os importâncias exoneradas, para os períodos de apuração maio/1999 e julho/1999 a dezembro/1999, foram no montante total de R$ 2.503.733,91 da COFINS e R$ 949.328,04 do PIS/Pasep (fls. 107/110). O único fundamento utilizado para o cancelamento integral do auto de infração foi o instituto da decadência. A Autoridade Tributária entendeu na lavratura do auto de infração que poderia ser utilizado o prazo de 10 ano para o lançamento das contribuições para o PIS e COFINS, com fundamento no art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de Julho de 1991. A empresa, por sua vez, defendeu em sua impugnação a aplicação do prazo de cinco anos para a decadência, nos termos do art. 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. A questão foi definitivamente resolvida pelo Supremo Tribunal Federal com a publicação da Súmula Vinculante nº 8, com o seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Assim, restou decidido que o prazo a ser aplicado em análise de decadència de crédito tributário deve ser aquele de cinco anos previsto no do art. 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 722DF CARF MF Processo nº 19515.000745/200862 Acórdão n.º 3402004.955 S3C4T2 Fl. 714 5 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (negrito nosso) O teor de Súmula Vinculante do STF deve ser aplicado aos julgamentos deste Colegiado, conforme prescreve o art. 62, inciso II, a, do RICARF (PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015). No caso concreto, abstenhome de entrar na discussão sobre o termo inicial de contagem de prazo por ser irrelevante ao caso pois o período de apuração mais recente nos autos de infração é dezembro/1999 e a lavratura do auto de infração se deu em 03/03/2008, mais de oito anos após o último fato gerador. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator Fl. 723DF CARF MF 6 Fl. 724DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003674/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2009, 01/05/2009 a 31/08/2009, 01/10/2009 a 28/02/2010, 01/04/2010 a 30/04/2010
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE.
A ausência de descrição dos produtos objeto do auto de infração, somada à ausência de fundamentação válida quanto às razões que justificariam o afastamento da classificação fiscal adotada pelo contribuinte, levam invariavelmente à nulidade do auto de infração, visto que restou cerceado o direito de defesa do contribuinte (inteligência do art. 59, inciso II do Decreto 70.235/1972).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração em sua integralidade, em razão do reconhecimento de sua nulidade material.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração em sua integralidade, em razão do reconhecimento de sua nulidade material. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
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AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE. A ausência de descrição dos produtos objeto do auto de infração, somada à ausência de fundamentação válida quanto às razões que justificariam o afastamento da classificação fiscal adotada pelo contribuinte, levam invariavelmente à nulidade do auto de infração, visto que restou cerceado o direito de defesa do contribuinte (inteligência do art. 59, inciso II do Decreto 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração em sua integralidade, em razão do reconhecimento de sua nulidade material. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 36 74 /2 01 0- 20 Fl. 218DF CARF MF 2 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10865.003674/201020 Acórdão n.º 3301004.198 S3C3T1 Fl. 219 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 141/148 dos autos: Tratase de impugnação de lançamento de IPI (efls. 59 a 71), apresentada em 17 de dezembro de 2010, por meio da qual a Interessada contestou o auto de infração de 18 de novembro de 2010 relativo aos períodos de julho de 2008 a abril de 2010. De acordo com o termo de verificação de efls. 4 a 7, foi apurado o seguinte: "Em procedimento fiscal determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.12.002009006667 de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito supracitado, foi apurada infração abaixo descrita, aos dispositivos legais mencionados. O contribuinte é fabricante de agendas, cadernos, pastas fichário, e também de blocos de folhas para reposição dos fichários (caderno refil). Intimado a apresentar as classificações fiscais utilizadas para seus produtos, o fez respondendo através dos documentos de fls. 22 a 36. Da análise das classificações fiscais utilizadas pelo contribuinte, constatouse o seguinte: 001 A utilização para todos os produtos finais da categoria "Cad refil" o código 4820.20.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) tributada à alíquota 0 (zero)%, classificação essa que deveria ser utilizada exclusivamente para os cadernos e não para folhas de reposição para fichários, cuja classificação a ser utilizada em conformidade com as Regras Gerais de Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), integrantes do seu texto (DecretoLein° 1.154, de 1° de março de 1971, art. 3°) deverá ser 48.20.10.00 tributado à alíquota de 15% (quinze por cento), conforme Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003, em anexo às fls. 37 a 40. 002 A utilização para os produtos finais com o código NCM 4202.12.10 tributado à alíquota de 10% (dez por cento), classificação essa, que deve ser utilizada exclusivamente para obras de couro; artigos de correeiro ou de seleiro, e não para as diversas pastas e divisórias de uso escolar, que são os produtos em questão, cuja classificação a ser utilizada em conformidade com as Regras da NCM e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003 é no código 4820.30.00 tributado à alíquota de 15% (quinze por cento)." Fl. 220DF CARF MF 4 Na impugnação, a Interessada alegou, inicialmente, ser nulo o auto de infração, por não se ter pautado em laudo técnico para efetuar a classificação de mercadorias, conforme exigiria o art. 30 do Decreto n. 70.235, de 1972. Dessa forma, a classificação teria sido efetuada por mera presunção. Citou ementas de acórdãos dos antigos Conselhos de Contribuintes sobre nulidade. Afirmou, ainda, que teria adotado os critérios da NBR 15733 da ABNT, “que define a classificação fiscal em conformidade com tais ditames legais, pautado em conhecimentos técnicos assertivos para tanto”. Por fim, enfatizou que o auto de infração seria nulo porque não descreveria o motivo da autuação, o objeto da reclassificação e não estaria subsidiado em laudo técnico fundamentado. Passou a tratar do que seria a correta classificação fiscal, descrevendo o produto “folhas para reposição ou substituição de folhas usadas em cadernos”. Após citar as classificações fiscais em debate e as notas explicativas, alegou o seguinte: A esse respeito é importante ressaltar que o caderno refil é composto de folhas de papel pautado, que em nada se assemelha aos blocos de notas, tal como equivocadamente pretende a autoridade administrativa autuante, pois além de não estarem reunidos em um canhoto colado, não contemplam folhas de papel carbono. Para basear a sua presunção a D. Fiscalização baseouse no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003, que dispõe sobre a classificação fiscal de "fichários" e de "folhas para fichário". No papelrefil para cadernos, diferentemente do papelrefil para fichário, as folhas não estão reunidas em um canhoto colado e são corriqueiramente aproveitadas para a reutilização do "miolo" dos cadernos de capa dura ou argolados. Não pode a fiscalização, portanto, equiparar as folhasrefil de fichário, que são blocos de folhas para reposição dos fichários, com as folhasrefil de cadernos. O produto "reclassificado" é único e não pode ser dividido, como pretendeu o auditor, em capa e miolo. A tentativa é tão absurda quanto tentar "reclassificar" um livro dividindo cada um dos elementos de sua essência: papel, capa, impressão e o conteúdo intelectual, como se não fossem partes de um todo. O produto em pauta é um modelo de caderno, não a sua capa e seu miolo separadamente. Em relação ao segundo item da autuação, alegou que o “produto por ela fabricado, denominado pasta de documentos para estudantes de plástico, não tem por função essencial agrupar folhas como sugere a reclassificação dada pela autoridade fiscalizadora, mas sim de guarda Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10865.003674/201020 Acórdão n.º 3301004.198 S3C3T1 Fl. 220 5 documentos em geral ou qualquer outro objeto compatível com o seu tamanho”. Afirmou ser equivocada a premissa adotada pela Fiscalização de que a posição 4202.12.10 somente poderia abranger “obras de couro”, pois a nota de posição referirse ia a pasta de plástico. Citou, na sequência, as descrições contidas nos textos de posição. A seguir, afirmou o seguinte: Baseouse a fiscalização na regra contida no Ato Declaratório n° 13 da SRF, que atribui a classificação NCM 4820.30.00 para fichários ou capas para encadernação, de uso escolar, consistindo em capa dura provida internamente de ferragem de argolas para encadernação de folhas soltas, mesmo apresentados com folhas pautadas e divisórias para separação de matérias. Não obstante, mais uma vez cometeu um erro a fiscalização ao supor que tais materiais poderiam ser classificados como fichários, sem ao menos ter identificado que o produto fabricado, denominado pasta de documentos para estudante de plástico, não ter por função agrupar folhas, mas sim guardar documentos em geral ou qualquer outro objeto compatível com o seu tamanho. Referido produto é todo revestido de plástico e contém divisões internas, o que comprova a sua característica essencial de pasta para documentos, não se confundindo com a finalidade e conceito de fichário como supõe a fiscalização. Desta feita, verificase que a Impugnante procedeu à correta classificação fiscal das mercadorias por ela fabricadas, não prosperando o entendimento fazendário de reclassificar tais produtos em classificação diversa da adotada, razão pela qual se faz necessário o imediato e integral cancelamento da exigência fiscal em comento. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, considerando improcedente o auto de infração em relação à classificação das pastas com aba elástica ou com elástico, contidas nas tabelas de fls. 47/55. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2009, 01/05/2009 a 31/08/2009, 01/10/2009 a 28/02/2010, 01/04/2010 a 30/04/2010 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO. NÃO EXIGÊNCIA. A classificação fiscal efetuada em sede de procedimento administrativo independe de laudo técnico. CORRETA DESCRIÇÃO DO PRODUTO. IDENTIFICAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por se pressupor que a descrição do produto seja coerente com suas características, a prova em contrário é ônus do contribuinte. Sendo possível a partir da descrição do produto a sua correta identificação, não há que se falar em classificação fiscal por presunção. Fl. 222DF CARF MF 6 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2009, 01/05/2009 a 31/08/2009, 01/10/2009 a 28/02/2010, 01/04/2010 a 30/04/2010 CADERNOREFIL PARA FICHÁRIOS OU PARA CADERNOS ARGOLADOS. APLICAÇÃO DO ADI N. 13, DE 2003. SUBPOSIÇÃO 4820.20.10. Os refis para fichário ou para cadernos argolados, ainda que em forma de cadernorefil, classificamse na posição 4820.20.10. PASTAS COM ARGOLAS, PASTAS CLASSIFICADORAS E DIVISÓRIAS DE USO ESCOLAR. APLICAÇÃO DO ADI N. 13, DE 2003. SUBPOSIÇÃO 4820.30.10. As pastas para documentos com argola, as pastas classificadoras e as divisórias de uso escolar classificamse na posição 4820.30.10. PASTAS COM ABA ELÁSTICA OU ELÁSTICO. NÃO APLICAÇÃO DO ADI N. 13, DE 2003. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 03/10/2013 (vide AR à fl. 152/155 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 29/10/2013 Recurso Voluntário (fls. 157/180), através do qual requereu: (i) reforma da decisão da DRJ pela alegada falta de descrição dos produtos reclassificados e do cerceamento ao direito de defesa, agressão aos princípios do contraditório, ampla defesa e verdade material e real; (ii) reforma da decisão da DRJ pela alegada inexistência de laudo técnico ou perícia da mercadoria objeto de reclassificação fiscal; (iii) reforma da decisão da DRJ pela alegada classificação correta adotada pelo contribuinte. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10865.003674/201020 Acórdão n.º 3301004.198 S3C3T1 Fl. 221 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 157/180), através do qual requereu a reforma da decisão recorrida, com base em argumentos que serão devidamente analisados nos tópicos subsequentes. 1. Reforma da decisão da DRJ pela alegada falta de descrição dos produtos reclassificados e do cerceamento ao direito de defesa, agressão aos princípios do contraditório, ampla defesa e verdade material e real Neste tópico, alega o contribuinte que o auto de infração combatido seria nulo por dois motivos: (i) não haveria qualquer elemento que justificasse o motivo para classificação do produto no NCM escolhido pela fiscalização; (ii) não constaria dos autos qualquer descrição do produto e suas propriedades, pois não teria houve o exame de amostras dos produtos reclassificados. Argumenta que tais falhas teriam impedido o seu direito de defesa e que a falta de descrição geraria dúvidas acerca de quais foram os produtos reclassificados. Ressalta que os Conselheiros desta turma julgadora não teriam como saber quais são os produtos descritos no auto de infração simplesmente como "Cad Refil", "Divisórias" e "Pastas", sem maiores informações sobre as características dos mesmos. No que concerne aos produtos "Cad Refil", assim se manifestou a fiscalização: A utilização para todos os produtos finais da categoria "Cad refil" o código 4820.20.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) tributada à alíquota 0 (zero)%, classificação essa que deveria ser utilizada exclusivamente para os cadernos e não para folhas de reposição para fichários, cuja classificação a ser utilizada em conformidade com as Regras Gerais de Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), integrantes do seu texto (DecretoLein° 1.154, de 1° de março de 1971, art. 3°) deverá ser 48.20.10.00 tributado à alíquota de 15% (quinze por cento), conforme Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003, em anexo às fls. 37 a 40. Ou seja, entendeu a fiscalização que os produtos em questão não estariam enquadrados no NCM 4820.20.00, que se destina exclusivamente aos cadernos, mas sim no NCM 48.20.10.00 (livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes), com fulcro no ADI n. 13/2003, por entender que tais produtos seriam folhas de reposição para fichários. Fl. 224DF CARF MF 8 Em uma análise preliminar, penso que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte de produtos descritos como "Cad Refil" no NCM 4820.20.00, com base na alíquota zero, que se destina exclusivamente aos "cadernos" estaria incorreta. Isso porque, há de ser feita uma interpretação restritiva em tal caso. Para que possa usufruir do benefício desta alíquota reduzida, é necessário que o produto se enquadre naquela NCM específica. Até porque, as razões para a adoção de determinada política fiscal que desonera determinado produto possui nuances de inteligência fiscal que vai muito além de uma simplória análise da função do produto desonerado. Nesse contexto, ainda que se estejamos diante de um refil para caderno, este refil não é um caderno. Logo, não teria como ser enquadrado no código 4820.20.00. Constatandose que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte no presente caso estaria incorreta, restaria à fiscalização, então, identificar qual a classificação correta a ser adotada no presente caso, fundamentando a sua conclusão. E para que o auto de infração seja mantido, não basta que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte esteja incorreta, é imprescindível que a classificação adotada pela fiscalização esteja correta. Ocorre que, ao entender que a classificação fiscal correta a ser adotada seria a descrita no item 48.20.10.00 (livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes), fêlo a fiscalização com fundamento exclusivamente no ADI n. 13/2003, abaixo transcrito: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 28 de agosto de 2003 DOU de 1.9.2003 Dispõe sobre a classificação fiscal de "fichários" e de "folhas para fichário", na Nomenclatura Comum do Mercosul. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº. 259, de 24 de agosto de 2001, e com base na Nota Coana/Cotac/Dinom no 230, de 20 de agosto de 2003, declara: Art. 1º Fichários ou capas para encadernação, de uso escolar, consistindo em capa dura provida internamente de ferragem de argolas para encadernação de folhas soltas, mesmo apresentados com folhas pautadas e divisórias para separação de matérias, classificamse no código 4820.30.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Art. 2º Blocos de folhas para reposição dos fichários ou capas para encadernação referidos no art. 1º, constituídos por folhas de papel pautado, perfuradas à margem esquerda para fixação às argolas do fichário e unidas por adesivo na lombada que permite o destaque das folhas sem danificálas, classificamse no código 4820.10.00 da NCM. Verificase, contudo, que o referido ADI, que embasou a lavratura do auto de infração, trata especificamente sobre a classificação fiscal de "fichários" e de "folhas para fichário". Acontece que não há qualquer elemento nos autos apto a relacionar os produtos descritos no auto de infração de forma genérica como "cad refil" com os produtos analisados no referido ADI. Ora, entendo que o fato de estar descrito nos registros da empresa como um refil de caderno não leva ao automático enquadramento deste produto como "folhas para fichário". Em nenhum dos relatórios que integraram o auto de infração, seja produzido pelo contribuinte seja produzido pela fiscalização, identifiquei qualquer indicação de que esses Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10865.003674/201020 Acórdão n.º 3301004.198 S3C3T1 Fl. 222 9 produtos indicados como "Cad refil" corresponderiam, na verdade, a folhas para fichários. Vide, a título exemplificativo, o relatório à fl. 36 dos autos, que indica o produto "Cad refil Univ 96 Fls Marie", ou mesmo o relatório à fl. 42, que indica como descrição do produto "Cad refil Univ 96 Fls Chocolat". Sobre estes produtos, a DRJ tece uma série de argumentos no sentido de fundamentar que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está errada. Entendo que, de fato, procedeu incorretamente o contribuinte em sua classificação fiscal. Acontece que, ao tentar fundamentar a manutenção do auto de infração, limitase a argumentar que os produtos aqui analisados corresponderia a um "artigo semelhante" aos da posição 4820.10.00, razão pela qual deveriam ser classificados nessa posição em razão do disposto no ADI 13/2003. É o que se extrai da transcrição a seguir: De fato, como se verificou, não se trata de cadernos, não sendo correta a classificação adotada pela Impugnante. Assim, como “artigo semelhante” aos da posição 4820.10.00, tais produtos devem ser classificados nessa posição, conforme Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 13, de 2003. Acontece que dito fundamento não constou do auto de infração em epígrafe, representando, a meu ver, inovação da DRJ no que tange ao critério jurídico adotado pela fiscalização. Nesse contexto, entendo que não poderia ter a fiscalização concluído no auto de infração que o produto em questão se enquadra no código 48.20.10.00, com fulcro no ADI n. 13/2003, sem que tenha sido feita qualquer análise acerca de eventual vínculo existente entre os produtos objeto do presente auto de infração e os produtos analisados na referida ADI. Por oportuno, é válido mencionar que a conclusão aqui apresentada é diversa daquela disposta no Proc. 10865.000852/200927, também da minha relatoria, pois naqueles autos os produtos ali analisados (“Caderno Refil p/ Fichário 96F ST”; “Caderno Refil p/ Fichário 140x21” e “Caderno Refil p/ Fichário Tarjado 96”) possuíam descrição realizada pelo próprio contribuinte que indicavam expressamente que se tratavam de refil para fichário, aplicandoselhe, portanto, o disposto no art. 2º do ADI n. 13/2003. No que concerne aos demais produtos, assim se manifestou a fiscalização: 002 A utilização para os produtos finais com o código NCM 4202.12.10 tributado à alíquota de 10% (dez por cento), classificação essa, que deve ser utilizada exclusivamente para obras de couro; artigos de correeiro ou de seleiro, e não para as diversas pastas e divisórias de uso escolar, que são os produtos em questão, cuja classificação a ser utilizada em conformidade com as Regras da NCM e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 28/08/2003 é no código 4820.30.00 tributado à alíquota de 15% (quinze por cento). Ou seja, fundamentou a fiscalização que a classificação adotada pelo contribuinte (NCM 4202.12.10) poderia ser utilizada exclusivamente para obras de couro, artigos de correeiro ou de seleiro. Não é isso, contudo, o que dispõe o capítulo 42 da TIPI, conforme dispositivo transcrito na decisão recorrida acima e abaixo novamente reproduzido: Capítulo 42 Obras de couro; artigos de correeiro ou de seleiro; artigos de viagem, bolsas e artefatos semelhantes; obras de tripa Fl. 226DF CARF MF 10 Percebese que o referido capítulo 42 destinase não apenas a obras de couro e artigos de correeiro ou de seleiro, como entendeu a fiscalização, mas também a artigos de viagem, bolsas e artefatos semelhantes, além de obras de tripa. Verificase ainda que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte indica expressamente que o produto em questão é de plástico, conforme classificação fiscal adotada pelo mesmo: 42.02 Baús para viagem, malas e maletas, incluindo as de toucador e as maletas e pastas de documentos e para estudantes, os estojos para óculos, binóculos, câmeras fotográficas e de filmar, instrumentos musicais, armas e artefatos semelhantes; sacos de viagem, sacos isolantes para gêneros alimentícios e bebidas, bolsas de toucador, mochilas, bolsas, sacolas (sacos para compras), carteiras, porta moedas, portacartões, cigarreiras, tabaqueiras, estojos para ferramentas, bolsas e sacos para artigos de esporte, estojos para frascos ou para jóias, caixas para póde arroz, estojos para ourivesaria e artefatos semelhantes, de couro natural ou reconstituído, de folhas de plásticos, de matérias têxteis, de fibra vulcanizada ou de cartão, ou recobertos, no todo ou na maior parte, dessas mesmas matérias ou de papel. 4202.1 Baús para viagem, malas e maletas, incluindo as de toucador e as maletas e pastas de documentos e para estudantes e artefatos semelhantes: 4202.11.00 Com a superfície exterior de couro natural ou reconstituído 4202.12 Com a superfície exterior de plásticos ou de matérias têxteis 4202.12.10 De plásticos Verificase, portanto, que a fiscalização adotou fundamento nitidamente equivocado ao afastar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte neste caso concreto (que a sua adoção seria exclusiva para obras de couro e artigos de correeiro ou de seleiro). Nesse contexto, deixou de trazer aos autos as eventuais razões do não enquadramento no item 4202.12.10, relativo às pastas de documentos e para estudantes com a superfície exterior de plásticos. Destaquese, ainda, ter a fiscalização apontado de forma genérica que os produtos em questão corresponderiam a diversas pastas e divisórias de uso escolar, cuja classificação fiscal a ser utilizada seria a descrita no código 4820.30.00 (classificadores, capas para encadernação (exceto as capas para livros) e capas de processos), sem distinguir ou diferenciar tais produtos. Novamente, fundamentou o enquadramento realizado no ADI 13/2003, sem que tivesse feito qualquer cotejo entre os produtos ali descritos como "Divisórias" e "Pastas" com os termos do referido ADI que, como dito, trata especificamente sobre a classificação fiscal de "fichários" e de "folhas para fichário". Apesar da total ausência de fundamentação do auto de infração nesse sentido, os Julgadores da DRJ tentaram realizar alguma correlação entre os produtos descritos no auto de infração com o conteúdo do ADI 13/2003, conforme se extrai da transcrição a seguir: De fato, observando a lista de produtos (efls. 47 e seguintes), verificase tratarse de pastas escolares com aba elástica, divisórias (com nove divisores, para cadernos argolados de 10 matérias; para fichário; etc.), pastas com elástico, pastas com argolas e pastas classificadoras. As divisórias são classificadores, conforme previsto no primeiro item do texto de subposição 4820.30.00. As pastas classificadoras também incluemse nesse item. As pastas com argolas são semelhantes aos itens previstos no ADI n. 13, de 2003, uma vez que são utilizadas para guardar folhas do tipo de fichário. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10865.003674/201020 Acórdão n.º 3301004.198 S3C3T1 Fl. 223 11 Quanto aos itens acima mencionados, não há dúvidas quanto a tal classificação, por se tratar de artigos escolares com descrição bastante específica. Simplesmente a partir de sua descrição podese concluir que não se trata dos produtos mencionados pela Interessada, que se referem somente às pastas com aba elástica e com elástico. Vejase, novamente, que a Impugnante afirmou que a Fiscalização teria adotado uma presunção, mas, para justificar suas alegações, não apresentou prova alguma, limitandose a afirmar que a classificação teria que se basear em laudo técnico. Ao contrário, a afirmação abaixo reproduzida confirma que a maioria dos produtos são, de fato, pastas para documentos, cuja descrição está contida no texto de posição 48.20: “Referido produto é todo revestido de plástico e contém divisões internas, o que comprova a sua característica essencial de pasta para documentos [...]”. Embora todos os produtos reclassificados pela Fiscalização estejam, assim, na posição 48.20, as pastas com elástico não são produtos que se classificam na subposição 4820.30.00. O texto de posição 48.20 permite concluir que as “pastas para documentos” classificarseiam nesta posição, mas não na subposição indicada pela Fiscalização, uma vez que o ADI mencionado referiuse apenas a fichários e capas para encadernação. Esclareçase, por fim, ressalvada a ocorrência de decadência, que a Fiscalização poderá, se for o caso, efetuar o lançamento em relação a erro na classificação fiscal das mencionadas pastas, seja demonstrando que se enquadrem no citado ADI, seja por se classificarem em outra subposição. Dessa forma, voto por julgar procedente em parte a impugnação, considerando improcedente o auto de infração em relação à classificação das pastas com aba elástica ou com elástico, contidas nas tabelas de efls. 47 a 55. Notese que a própria DRJ reconheceu que alguns dos produtos indicados pela fiscalização de forma genérica no auto de infração não possui qualquer relação com os produtos descritos no ADI 13/2003, não se enquadrando, portanto, no código 4820.30.00 pretendido pela fiscalização. Nesse contexto, afastou a exação em relação a tais produtos (pastas com aba elástica ou com elástico). No que tange aos demais produtos, a DRJ, da mesma forma, reconheceu que tais produtos não são os mesmos descritos no ADI 13/2003. Porém, trouxe outros argumentos para fins de manutenção do auto de infração (enquadramento dos produtos como "classificadores" ou mesmo semelhança com os produtos descritos no ADI 13/2003). Acontece que ditos argumentos não haviam constado do auto de infração originário, representando, ao meu ver, inovação no critério jurídico do auto de infração combatido, o que não poderia ser admitido por este Colegiado. Nesse contexto, entendo que a ausência de descrição dos produtos em questão, além da ausência de fundamentos que justifiquem validamente o afastamento da classificação adotada pelo contribuinte e a adoção da classificação fiscal adotada pela Fl. 228DF CARF MF 12 fiscalização, tornam este Colegiado inapto para julgar a presente demanda, por ausência de elementos aptos à sua completa análise. Entendo, pois, que há uma falha de fundamentação no auto de infração intransponível no presente caso, pois a descrição dos produtos aqui analisados, com as suas características e materiais que o compõe, somada ao cotejo entre esses produtos e a correta classificação fiscal de acordo com a legislação pertinente, seria essencial à manutenção do auto de infração aqui combatido. Até porque, é cediço que o auto de infração deve ser auto explicável, compreensível por si só quanto aos fundamentos da imputação ali apresentada. Acontece que, no caso dos autos, através a leitura do auto de infração, não há como se compreender quais as razões que levaram a fiscalização a afastar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Nesse contexto, conforme determina o art. 59 do Decreto 70.235/1972, entendo que deverá ser declarado nulo o auto de infração em epígrafe, visto que houve preterição do direito de defesa do contribuinte: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Há de se destacar, outrossim, que se está diante de uma nulidade material (vício de fundamentação) e não meramente formal. Voto, portanto, no sentido de acolher o argumento de nulidade alegado pelo contribuinte, para fins de afastar a cobrança realizada no presente auto de infração em sua integralidade. 2. Reforma do ácordão da DRJ pela alegada inexistência de laudo técnico ou perícia da mercadoria objeto de reclassificação fiscal Segue o contribuinte dispondo que a inexistência de um laudo ou mesmo de uma prova pericial préconstituída a respeito das mercadorias objeto de reclassificação fiscal caracterizaria vício material do ato administrativo na constituição e lançamento do crédito tributário, levando à necessidade de cancelamento do Auto de Infração. Discordo do contribuinte neste ponto. Para que um auto de infração seja válido, é imprescindível que a fiscalização aponte a correta descrição e classificação do produto. A elaboração de laudo técnico ou perícia não é requisito essencial à validade do auto de infração, sendo determinada a sua realização tão somente em casos específicos, que demandem tal dilação probatória. Não é este, contudo, o caso dos presentes autos, cuja solução poderá ser atingida através dos elementos já constantes dos autos e sem que isto acarrete qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Em resumo, não há que se falar em nulidade do auto de infração aqui analisado sob o fundamento de ausência de laudo técnico ou perícia. 3. Reforma do acórdão da DRJ pela alegada classificação correta adotada pelo contribuinte. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10865.003674/201020 Acórdão n.º 3301004.198 S3C3T1 Fl. 224 13 Por fim, alega o contribuinte que a classificação adotada pelo mesmo estaria correta quanto aos produtos objeto do presente auto de infração. Tendo em vista o acatamento do argumento de nulidade descrito no item 1 acima, resta prejudicada a análise de mérito da presente contenda, inclusive em razão da impossibilidade de se identificar as características específicas dos produtos objeto do presente auto de infração, para que seja realizada a análise da sua correta classificação fiscal. 4. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de cancelar o auto de infração em sua integralidade, em razão do reconhecimento da sua nulidade. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000008/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS DECLARADOS. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS. GLOSA INTEGRAL. POSSIBILIDADE.
Para fim de confirmação dos créditos informados no Dacon, quando intimado, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados e sua glosa integral.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS INEXISTENTES. DÉBITOS NÃO PAGOS OU CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Se não comprovada a existência dos créditos informados no Dacon passa a ser passível de lançamento de ofício os débitos da contribuição indevidamente descontados e não pagos ou confessados pelo contribuinte.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS DECLARADOS. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS. GLOSA INTEGRAL. POSSIBILIDADE.
Para fim de confirmação dos créditos informados no Dacon, quando intimado, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados e sua glosa integral.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS INEXISTENTES. DÉBITOS NÃO PAGOS OU CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Se não comprovada a existência dos créditos informados no Dacon passa a ser passível de lançamento de ofício os débitos da contribuição indevidamente descontados e não pagos ou confessados pelo contribuinte.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA.
Nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação.
MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO DAS INTIMAÇÕES. AGRAVAMENTO DA MULTA. CABIMENTO.
O agravamento do percentual normal da multa de oficio em 50% (cinquenta por cento) é devido quando comprovado que o contribuinte, embora intimado e reintimado, não apresenta os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização e não apresenta qualquer justificativa, para o não atendimento das intimações.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. IMPRESCINDIBILIDADE NÃO DEMONSTRADA. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNICA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica.
2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO.
Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omite-se de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans).
AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade fiscal competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
MANADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). EVENTUAL DE DESCUMPRIMENTO DE ASPECTOS FORMAIS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos legais, ainda que descumprida, durante o procedimento fiscal, alguma formalidade relativa à emissão do MPF tenha sido descumprida.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e prejudicial de mérito e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e prejudicial de mérito e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS DECLARADOS. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS. GLOSA INTEGRAL. POSSIBILIDADE. Para fim de confirmação dos créditos informados no Dacon, quando intimado, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados e sua glosa integral. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS INEXISTENTES. DÉBITOS NÃO PAGOS OU CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Se não comprovada a existência dos créditos informados no Dacon passa a ser passível de lançamento de ofício os débitos da contribuição indevidamente descontados e não pagos ou confessados pelo contribuinte. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS DECLARADOS. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS. GLOSA INTEGRAL. POSSIBILIDADE. Para fim de confirmação dos créditos informados no Dacon, quando intimado, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados e sua glosa integral. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS INEXISTENTES. DÉBITOS NÃO PAGOS OU CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Se não comprovada a existência dos créditos informados no Dacon passa a ser passível de lançamento de ofício os débitos da contribuição indevidamente descontados e não pagos ou confessados pelo contribuinte. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. Nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação. MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO DAS INTIMAÇÕES. AGRAVAMENTO DA MULTA. CABIMENTO. O agravamento do percentual normal da multa de oficio em 50% (cinquenta por cento) é devido quando comprovado que o contribuinte, embora intimado e reintimado, não apresenta os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização e não apresenta qualquer justificativa, para o não atendimento das intimações. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. IMPRESCINDIBILIDADE NÃO DEMONSTRADA. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNICA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omite-se de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade fiscal competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. MANADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). EVENTUAL DE DESCUMPRIMENTO DE ASPECTOS FORMAIS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos legais, ainda que descumprida, durante o procedimento fiscal, alguma formalidade relativa à emissão do MPF tenha sido descumprida. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS DECLARADOS. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS. GLOSA INTEGRAL. POSSIBILIDADE. Para fim de confirmação dos créditos informados no Dacon, quando intimado, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados e sua glosa integral. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS INEXISTENTES. DÉBITOS NÃO PAGOS OU CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Se não comprovada a existência dos créditos informados no Dacon passa a ser passível de lançamento de ofício os débitos da contribuição indevidamente descontados e não pagos ou confessados pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS DECLARADOS. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS. GLOSA INTEGRAL. POSSIBILIDADE. Para fim de confirmação dos créditos informados no Dacon, quando intimado, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 00 08 /2 01 0- 23 Fl. 613DF CARF MF 2 comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados e sua glosa integral. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS INEXISTENTES. DÉBITOS NÃO PAGOS OU CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Se não comprovada a existência dos créditos informados no Dacon passa a ser passível de lançamento de ofício os débitos da contribuição indevidamente descontados e não pagos ou confessados pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. Nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação. MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO DAS INTIMAÇÕES. AGRAVAMENTO DA MULTA. CABIMENTO. O agravamento do percentual normal da multa de oficio em 50% (cinquenta por cento) é devido quando comprovado que o contribuinte, embora intimado e reintimado, não apresenta os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização e não apresenta qualquer justificativa, para o não atendimento das intimações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. IMPRESCINDIBILIDADE NÃO DEMONSTRADA. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNICA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, Fl. 614DF CARF MF Processo nº 15868.000008/201023 Acórdão n.º 3302005.293 S3C3T2 Fl. 614 3 demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade fiscal competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. MANADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). EVENTUAL DE DESCUMPRIMENTO DE ASPECTOS FORMAIS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos legais, ainda que descumprida, durante o procedimento fiscal, alguma formalidade relativa à emissão do MPF tenha sido descumprida. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e prejudicial de mérito e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 615DF CARF MF 4 José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório integrante do acórdão recorrido, que segue transcrito: Tratase da lavratura de autos de infração, contra a empresa qualificada em epígrafe, que constituíram créditos tributários referentes à contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), no valor total de R$ 16.698.628,09 e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor total de R$ 77.189.227,18, apurados no regime de incidência não cumulativa, referentes ao primeiro trimestre de 2005. Relativamente a esse mesmo trimestre também foram protocolizados pedidos de ressarcimento dos saldos credores das contribuições, relativos a receita de exportações, formalizados por meio dos processos nºs 13804.002841/200561 (PIS) e 13804.002840/200516 (Cofins), que tiveram seus pleitos indeferidos. Tais processos de ressarcimento foram objeto de manifestação de inconformidade, que também estão sendo analisadas nesta sessão de julgamento. Segundo os autos, o pedido foi protocolizado junto à Delegacia de Administração Tributária em São PauloSP (Derat), mas a análise do pleito foi transferida DRF/AraçatubaSP por ordem do SuperintendenteSubstituto da Receita Federal do Brasil na Região Fiscal, conforme portaria de fls. 4 a 6. Ainda segundo os autos, a interessada, em 13/10/2009 (fls. 32 a 34), foi intimada, para subsidiar a análise do pleito, a apresentar os arquivos contábeis e fiscais digitais, na forma especificada pela fiscalização, bem assim deixar à disposição da fiscalização diversos livro e documentos. Como não houve resposta, os AFRFB responsáveis pela análise se dirigiram à sede da empresa, em 11/11/2009, para cobrar o atendimento das intimação, sendo recebidos pelo procurador da empresa, que alegou ainda não dispor da documentação requerida. Na oportunidade, a interessada foi reintimada a apresentar os elementos solicitados anteriormente, conforme fls. 35 e 36. Como também não houve resposta, em 27/11/2009, novamente os AFRFB estiveram na sede da empresa, onde, mais ulna vez, o seu procurador alegou ainda não dispor da documentação requerida. Desta feita, foi lavrado auto de embaraço à fiscalização, de fls. 37 a 39. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 15868.000008/201023 Acórdão n.º 3302005.293 S3C3T2 Fl. 615 5 Portanto, a fiscalização glosou os créditos do período em virtude da não apresentação dos documentos e esclarecimentos na forma solicitada, conforme termo de constatação fiscal de fls. 67 a 74 e foram lavrados os autos de infração de fls. 75 a 93, exigindo as contribuições, relativas ao trimestre, que deixaram de ser recolhidas em função do desconto dos pretendidos créditos. Como as intimações não foram atendidas, a multa de oficio foi agravada em 50%, a teor do § 2° do art. 44 da Lei n 9.430, de 1996. Inconformada, a interessada apresentou as impugnações de fls. 100 a 121 (PIS) e de 165 a 186 (Cofins) onde, preliminarmente, requer a anulação do lançamento, a teor art. 59 do Decreto n2 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAF), porquanto os auditoresfiscais da DRF/Araçatuba não teriam competência para não reconhecer a existência dos direitos creditórios do PIS e da Cofins, tampouco para lavrar auto de infração contra a impugnante, pois o seu domicilio fiscal é São Paulo, capital. Assim, o lançamento somente poderia ser efetuado pelos servidores da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), em São Paulo, haja vista que o seu recolhimento é centralizado na capital. Afirma ainda que desconhece os indeferimentos de seus pedidos de ressarcimento das contribuições, o que impossibilitaria a desconsideração dos créditos utilizados para descontar as contribuições do período. Ainda segundo a autuada, o lançamento também seria nulo porque não foi observado pela fiscalização o local indicado no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para realização dos trabalhos, que seria no endereço da empresa, em São Paulo, e não em Araçatuba. Ressalta também a impugnante que o fato de várias intimações terem sido assinadas apenas por um dos AFRFB também desobedeceria ao MPF, que não permite atuação individual de um dos auditoresfiscais nele contidos. Quanto à transferência de competência interdelegacias, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o mandado, a teor do art. 6° da Portaria RFB n' 11.371, de 2007. Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da citada Lei n' 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Afirma que os próprios auditores reconheceram a entrega dos documentos e arquivos digitais, mas em vez de analisarem o Fl. 617DF CARF MF 6 material e solicitarem eventuais esclarecimentos em prazo razoável, simplesmente lavraram os autos de infração. Sendo assim, confirma sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais, que estão à disposição da fiscalização em seu estabelecimento. Afirma ainda que houve erro e falta de motivação para o indeferimento do pleito da recorrente, pois isso só seria possível caso a contribuinte não possuísse efetivamente o direito ao ressarcimento. Mas, segundo ela, a negativa ocorreu porque houve falta de razoabilidade por parte dos AFRFB, que consideraram que ela não tinha nenhum direito, o que não pode ser admitido, pois que não poderia exercer sua atividade sem adquirir insumos, já que é uma das maiores empresas do seu ramo de atividade. Assim, a fiscalização deveria ter continuado as diligências no estabelecimento da contribuinte e não ter realizado um levantamento fiscal precário, que não levou em consideração todos os seus documentos. Aduz também que houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram apresentados os motivos do indeferimento do pedido, haja vista que os auditores contestaram apenas pequenos elementos componentes do seu direito creditório, não contestando os demais, prejudicando a ampla defesa. Argumenta que a fiscalização deveria ter concedido prazos razoáveis para apreciação dos documentos e realizado todos os atos necessários para apurar o direito creditório da postulante, haja vista que ela não teria justificativas para não os apresentar. Desta forma, em cumprimento ao principio da verdade material o lançamento deve ser cancelado. Quanto ao arbitramento dos valores das contribuições, alega que não foram cumpridos os requisitos contidos no art. 148 do CTN. Em relação ao que ela denomina mérito, argumenta que o lançamento já teria sido fulminado pela decadência, a teor do art. 150 do CTN. Argúi também que o lançamento deve ser cancelado porquanto a postulante possui o direito ao ressarcimento dos créditos das contribuições reclamados, como comprovam os documentos existentes em seu estabelecimento, mas que não os está anexando ao presente "por serem em grande quantidade", e anexa uma planilha e alguns documentos que demonstrariam as aquisições ocorridas e o direito ao crédito postulado. Argumenta também que o Dacon foi elaborado conforme suas operações geradoras dos créditos e a indicação pelos autuantes de valor zero de crédito seria o mesmo que admitir que a autuada realizaria suas operações sem adquirir insumos. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 15868.000008/201023 Acórdão n.º 3302005.293 S3C3T2 Fl. 616 7 No que toca A multa, alega que o percentual deveria ser rebaixado uma vez que não estaria presente nenhuma das hipóteses previstas no § 2° do art. 44 da Lei n ' .9430, de 1996. Requer a realização de perícia e diligência para se constatar a existência do direito creditório, nomeando perito e listando os quesitos que deseja ser respondidos, a fls. 120 e 185. Haja vista a existência de grande quantidade de documentos, esclarece que a perícia deverá ser feita no estabelecimento da contribuinte. Conclui, solicitando o cancelamento dos autos de infração. Por fim, requer que o seu patrono também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos. O processo nº 13804.002841/200561, por possuir o mesmo objeto, foi apensado ao presente. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 487/521), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. NÃOCOMPROVAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A nãocomprovação dos créditos, referentes ao PIS não cumulativo, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização e no lançamento de ofício da contribuição indevidamente descontada no período em questão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A nãocomprovação dos créditos, referentes à Cofins não cumulativa, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização e no lançamento de ofício da contribuição indevidamente descontada no período em questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 MPF. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular auto de infração. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Fl. 619DF CARF MF 8 Em razão da Súmula Vinculante n° 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. 0 agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de oficio se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu as intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 12/01/2011, a recorrente a foi cientificada da referida decisão. Em 05/12/2011, protocolou o recurso voluntário de fls. 350/374, por meio do qual reiterou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que alegou nulidade por cerceamento do direito de defesa, porque negou a realização da perícia e diligência formulados na peça impugnatória e não apreciou argumentos imprescindíveis para a justa solução deste processo, a saber: a) falta de competência para os Auditores tratarem de ressarcimento de créditos da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep; b) estarem os documentos à disposição da fiscalização, aplicação do Princípio da Verdade Material e impossibilidade do ressarcimento ser indeferido; c) levantamento fiscal precário; e d) cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Previamente, cabe esclarecer que o presente processo trata da cobrança dos valores dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Incidência Não Cumulativa, relativos ao 1º trimestre de 2005, informado pela recorrente nas linhas específicas do Dacon, tendo em vista a não comprovação da existência e a glosa integral dos créditos das referidas contribuições apurados e informados nas respectivas fichas do Dacon, pelas razões latadas no Termo de Constatação de Fiscal de fls. 136/150. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 15868.000008/201023 Acórdão n.º 3302005.293 S3C3T2 Fl. 617 9 Dada essa particularidade e tendo em vista que a maior parte das razões de defesa suscitadas pela recorrente nos presentes autos são coincidentes com as que foram apresentadas no processo nº 13804.002841/200561 (processo principal), com respaldo no art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999, no que for compatível, aqui serão reproduzidos e adotados como razão de decidir os argumentos e fundamentos apresentados no voto prolatado no âmbito do citado processo principal. Assim como no referido processo principal, nos presentes autos a recorrente apresentou questões preliminares, prejudiciais de mérito e de mérito a seguir analisadas. Nos presentes autos, a recorrente também apresentou pedidos de realição de perícia e diligênica. I Das Questões Prelinares Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e auto de infração. I.1 Da nulidade da decisão recorrida No recurso em apreço, a recorrente alegou nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: a) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e b) não apreciação de parte dos argumentos de defesa. Em relação ao primeiro argumento, a recorrente alegou que, por serem importantes, os procedimentos de perícia e diligência formulados na peça impugnatória deveriam ser realizados, conforme defendido na impugnação. O deferimento do pedido ou determinação de ofício de produção da prova pericial ou de realização de diligência somente se justifica quando a autoridade julgadora entender e se convencer de que tais providências são necessárias para o deslinde da controvérsia. Portanto, tratase de uma prerrogativa da autoridade julgadora, consoante se extrai da leitura combinada dos arts. 18 e 29 do Decreto 70.235/1972, que seguem transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. No caso, se a Turma de Julgamento a quo entendeu que não se encontrava presente as condições para o deferimento dos pedidos de diligência e produção pericial formulados, não cabe a esta instância recursal adentrar no mérito desta decisão, mas, se convencer de que seria necessário, determinar a realização do procedimento demandado. Não se pode olvidar que a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à Fl. 621DF CARF MF 10 comprovação do direito creditório pleiteado cingemse a documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde do parecer de especialista. O deferimento do pedido de diligência também não se justificava, porque a recorrente não se dignou apresentar, com a peça impugnatória, nenhum documento comprobatório do crédito pleiteado a que estava obrigada, por força do disposto no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Além disso, embora tenha sido intimada e reintimada, no curso do procedimento de análise do direito creditório, a recorrente não apresentou os arquivos contábeis e fiscais digitais imprescindíveis para apuração dos créditos apropriados, bem como não disponibilizou os livros e documentos contábeis e fiscais comprobatórios dos dados registrados nos correspondentes arquivos digitais. Aliás, noticiam os autos que a recorrente não só não atendeu as intimações que lhe foram endereçadas, como não apresentou qualquer justificativa para tal omissão, o que motivou, inclusive, a lavratura de auto de embaraço à fiscalização, conforme noticia os autos. Também não procede alegação de que não foram apreciados argumentos imprescindíveis ao julgamento da demanda, haja vista que, embora algum argumento não tenha sido, diretamente, analisado no voto condutor do presente julgado recorrido, eles foram abordados no âmbito do processo principal, para os quais foi feita remissão expressa, conforme se lê no excerto que segue transcrito: Quanto às demais alegações, como são relativas aos Quanto As demais alegações, como são relativas aos indeferimentos dos direitos creditórios pleiteados nos processos n's 13804.002841/200561 (PIS), apenso a este, e 13804.002840/200516 (Cofins), a ser apenso a este, e já foram neles analisadas, adotase, o voto proferido nesses processos nos pontos em que em que as alegações neles contidas coincidirem com as formuladas no presente. Por todas essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade/cancelamento do acórdão recorrido. I.2 Da nulidade do auto de infração A recorrente alegou nulidade das autuações por incompetência das autoridade fiscais lançadoras vinculadas à DRF/Araçatuba. Para a recorrente somente os auditoresfiscais vinculados à Derat/SP tinham competência para lançar as referidas contribuições, uma vez que se trava de tributos cujos controle da arrecadação era centralizado no estabelecimento matriz da recorrente, que se localiza na jurisdição do citada órgão. Diferentemente do alegado, embora a recorrente estivesse vinculada à jurisdição da Derat/SP, os auditoresfiscais da DRF/Araçatuba tinham sim competência para realizar as autuações em questão, por expressa previsão do art. 9º, § 2º, do Decreto 70.235/1972, que segue transcrito: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Fl. 622DF CARF MF Processo nº 15868.000008/201023 Acórdão n.º 3302005.293 S3C3T2 Fl. 618 11 § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] (grifos não originais) O referido preceito legal não exige que o auto de infração ou a notificação de lançamento seja lavrado por pessoa competente do domicílio tributário do sujeito, mas por pessoa que detenha a competência. Logo, nos termos do art. 6º1, I, “a”, da Lei 10.593/2002, com redação dada pela Lei 11.457/2007, os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da DRF/Araçatuba tinham competência para lavratura dos autos de infração em apreço. A recorrente alegou que os autos de infração deveriam ser cancelados/anulados, porque não foram respeitados os termos do MPFF que lhe deu origem. Em outras oportunidades, este Conselheiro manifestou o atendimento de que o MPF tratase de instrumento de cunho gerencial, com o nítido objetivo de controlar e dar transparência a atividade de fiscalização externa da RFB, especialmente, para informar ao fiscalizado sobre a instauração e alcance do procedimento de fiscalização ou diligência, situação que foi devidamente atendida no procedimento fiscal em apreço. Entretanto, ainda que assim não fosse, eventuais irregularidades na emissão do MPF, o que não se vislumbra no caso em tela, não têm o condão de macular a higidez do lançamento realizado por autoridade fiscal competente, na forma e segundo os termos estabelecidos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto 70.235/1972, o que ocorreu nas autuações coligidas aos autos. No mesmo sentido, o entendimento esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por meio do acórdão CSRF/0105.558, cuja ementa segue transcrita: MPF – DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 – NULIDADE – O desrespeito à previsão de indicação no MPFF de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como conseqüência a nulidade do ato. CARF, CSRF. 1ª Turma. Ac. CSRF/0105.558, de 4/12/2006, Rel. Cons. José Henrique Longo) 1 "Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretariada Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) [...]" Fl. 623DF CARF MF 12 Também não procede a alegação da recorrente de que “a fiscalização deveria ter sido realizada no seu estabelecimento matriz, localizado no Município de São Paulo, Capital e por AFRF com jurisdição sobre tal localidade vinculados a DERAT/SP”. De fato, não há obrigatoriedade para que o procedimento fiscal, incluído a lavratura do auto de infração, seja realizada no estabelecimento do contribuinte. Aliás, no âmbito deste Conselho, a matéria foi objeto do enunciado da Súmula CARF nº 6, que segue transcrito: “É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” A recorrente alegou ainda que, por força do art. 6º, § 4º, da Portaria RFB 11.371/2007, no caso em tela, a realização dos trabalhos fiscais pela DRF/Araçatuba necessitava da emissão de MPFF emitido exclusivamente pelo próprio Superintendente. Sem a razão à recorrente, porque, tal exigência somente é cabível nos casos em que não há transferência de competência para o titular da unidade da RFB, situação que não se aplica ao caso em tela, haja vista que o titular da DRF/Araçatuba detinha, temporariamente, competência para designar auditores para realizar os trabalhos fiscais relacionados com o assunto que lhe fora expressamente delegado pela Portaria 34/2008 do Superintendentes Adjunto da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal (fls. 5/7). A recorrente alegou nulidade do despacho decisório, por ausência de intimação da recorrente para se manifestar, no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução, prevista no art. 44 da Lei 9.784/1999. Tratase alegação fora de contexto. A referida exigência, sabidamente, não se aplica ao processo administrativo fiscal, que tem norma específica no Decreto 70.235/1972, que disciplina o assunto. A recorrente alegou que os presentes autos de infração eram nulos, porque não houve constituição de crédito tributário e muito menos aplicação de penalidade contra a recorrente. Essa a alegação não se aplica aos presentes autos, mas ao processo n° 15868.001186/200938, cujos autos de infração limitouse apenas a glosa dos créditos integrais das contribuições do 3º trimestre de 2004. Diferentemente do alegado, os autos de infração que integram este processo tratam de cobrança dos débitos das contribuições do 1º trimestre de 2005 e de aplicação de penalidade. A recorrente alegou que os questionados autos de infração mereciam ser cancelados, por ser flagrantemente improcedente a motivação jurídica baseada na glosa de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, realizada nos autos de infração contidos no processo n° 15868.001186/200938, cujo fundamento principal foram supostas inconsistências sobre os valores informados nas linhas 02, 04, 05, 09, 11, 13, 14, 15, 19, 23, 27, 28, 29, 30 e 33 do Dacon e a falta da apresentação de documentos pela impugnante. Para a recorrente, somente competia a fiscalização aplicar contra a recorrente penalidades pela falta de entrega do Dacon ou eventuais incorreções ou omissões. Mais uma vez, não procede a alegação da recorrente, pois, conforme já mencionado, uma vez apurada a irregularidade e constatada a falta de pagamento ou confissão do débito tributário, sob pena de decadência do direito de constituir o crédito e de afronta ao art. 142 do CTN, acertadamente, os lançamentos foram realizados. Em relação a procedência ou não da motivação jurídica dos referidos autos de infração atinentes à glosa dos créditos, inequivocamente, tratase de questão meritória a ser apreciada no julgamento do recurso voluntário interposto no âmbito do processo n° 15868.001186/200938. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 15868.000008/201023 Acórdão n.º 3302005.293 S3C3T2 Fl. 619 13 Também não tem procedência a alegação da recorrente de que os autos de infração ora recorridos eram nulos, porque as autuações objeto do processo n° 15868.001186/200938 jamais poderiam ter sido realizadas, uma vez que os auditoresfiscais autuantes não possuíam competência para não reconhecer a existência do direito da recorrente ao ressarcimento do crédito das referidas contribuições. A uma, porque os referidos auditores tinham sim competência para lavratura dos questionados autos de infração, conforme anteriormente demonstrado. A duas, porque o fato de as referidas autoridades fiscais não dispor de competência para o reconhecimento ou não do direito creditório em nada afeta a competência atribuídalhes para proceder o lançamento do crédito tributário, quando caracterizadas as situações previstas na legislação. A recorrente ainda alegou que os auto de infração eram nulos, porque não existia legislação possibilitasse o indeferimento dos pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições pelos motivos apresentados pelas autoridades fiscais. Mais uma questão atinente ao mérito não da presente lide, mas do litígio concernente ao indeferimento dos pedidos de ressarcimento da contribuição, que foi abordado no voto do julgado prolatado no âmbito do processo principal. Também contraria os fatos provados nos atos, a alegação de nulidade do despacho decisório, baseada no argumento de que, nos termos do art. 928 do Decreto 3.000/1999 (RIR/1999), a recorrente deveria ter sido concedido prazo para a recorrente apresentar documentos. As provas coligidas aos autos, especialmente o conteúdo dos relatos contidos no citado Termo de Constatação Fiscal, comprovam que a recorrente, embora regularmente intimida e reintimada a apresentar, nos prazos estabelecidos, arquivos digitais e documentos necessários à confirmação da apuração dos créditos, sempre tratou com descaso e desdém as referidas intimações e, de forma deliberada e intencional, omitiuse de apresentar os arquivos digitais e os documentos a que estava obrigada a apresentar, por força do disposto no art. 11 da Lei 8.218/1991, com a redação dada pela Medida Provisória 2.158/2001, no art. 928 do RIR/1999 e no art. 3º da Instrução Normativa SRF 387/2004. Ao contrário do que alegou a recorrente, ao dispor que nenhuma “pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal”, o referido preceito regulamenar obriga a recorrente a apresentar os arquivos e documentos solicitados. E as provas coligidas aos autos demonstram cabalmente que, diferentemente do alegado, a recorrente procedeu de forma contrária ao que dispõe o citado preceito regulamentar. Por isso, ela foi corretamente sancionada pela prática da infração de embaraço à fiscalização. A recorrente falta com a verdade ao asseverar que “próprios AFRFs reconheceram a entrega de documentos a DEFIC e de diversos arquivos digitais e, ao invés de terem analisados os materiais e solicitarem eventualmente novos esclarecimentos se fosse necessário, simplesmente emitiram um Parecer totalmente acatado pelo Chefe da SAORT da DRF/Araçatuba”. A uma, porque não provou o alegado. A duas, porque os fatos noticiados e devidamente comprovados nos autos demonstram o contrário, ou seja, que a recorrente tratou com absoluto descaso as intimações e reintimações formuladas no curso procedimento fiscal e não apresentou ou disponibilizou nenhum documento nem apresentou qualquer justificativa para a sua deliberada e intencional omissão. Fl. 625DF CARF MF 14 Os termos de intimação e constatação fiscal, em conjunto, compõem um robusto acervo probatório que evidencia a evidente intenção da recorrente de não apresentar e exibir a fiscalização os arquivos digitais, os documentos contábeis e fiscais e esclarecimentos indispensáveis à confirmação da existência dos créditos declarados no Dacon. Diante dessa planejada omissão, não restou outra alternativa aos auditoresfiscais que não fosse de proceder a glosa integral dos créditos declarados e, na ausência de crédito, proceder a cobrança das contribuições devidas, sob pena de responsabilidade funcional, por descumprimento do dever funcional que lhes impões a legislação, especialmente, o art. 142 do CTN. Ainda sobre a nulidade dos autos de infração, a recorrente alegou que, não obstante a vontade em fornecer os documentos solicitados, a fiscalização agira sem razoabilidade e contrariou os diversos dispositivos legais, dentre os quais destacou os arts. 2º2, parágrafo único, VI e X, e 3º, I, da Lei 9.784/1999, que tratam, respectivamente, de princípios e critérios jurídicos aplicáveis ao processo administrativo federal e direitos do administrado perante Administração. Obviamente, tratase de mais uma de alegação genérica, posto que não foi demonstrado, especificamente, quais os atos que afrontaram os princípios e critérios jurídicos ou direitos previstos nos citados preceitos legais. Deveras, ao contrário do que alegou a recorrente, por meio idôneo, ela foi intimada e reintimada a apresentar os arquivos digitais, bem como a disponibilizar os livros e demonstrativos contábeis e fiscais pertinentes, assim como os originais das notas fiscais, recibos, faturas etc., relativos ao período de julho a setembro de 2004. E na ausência de resposta e qualquer justificativa, as autoridades fiscais foram ao endereço da recorrente e lavraram o referido Termo de Constatação Fiscal, no qual foi relatado o seguinte: 1.O sujeito passivo foi intimado par meio do Termo de Intimação Fiscal, de 13/10/2009, para, no prazo de vinte dias, apresentar os elementos exigidos nos_itens_1 a 17 daquele termo. A ciência se deu em 14/10/2009 e o prazo para atendimento encerrouse em 03/11/2009. 2. Nesta data (11/11/2009) nos dirigimos até São Paulo, no endereço acima mencionado, sendo atendidos às 09:00 h pelo procurador do sujeito passivo, Sr. Vagner Aparecido da Cruz. Apresentamoslhe cópia do Termo de Intimação Fiscal, de 13/10/2009, e dele exigimos a apresentação imediata de todos os elementos ali mencionados. Em resposta o Sr. Vagner Aparecido 2 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; [...] X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; [...] Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: I ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; [...] Fl. 626DF CARF MF Processo nº 15868.000008/201023 Acórdão n.º 3302005.293 S3C3T2 Fl. 620 15 da Cruz afirmou que não podia apresentálos, tendo em vista que nenhum dos documentos exigidos pela fiscalizaçã, naquele termo se encontrava no estabelecimento matriz do sujeito passivo localizado no endereço acima mencionado. (grifos dos originais) E diante da impossibilidade de verificação dos créditos apropriados e informados pela recorrente no Dacon, em face da não apresentação dos arquivos digitais e dos documentos contábeis e fiscais solicitados, não restou outra alternativa à fiscalização que não a proposição da glosa integral dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do 1º trimestre de 2005, pelas razões expostas no citado Termo de Constatação Fiscal, de onde extraise os seguintes relevantes trechos que seguem transcritos: Mais uma vez ficou muito claro para esta fiscalização que a intenção do sujeito passivo continua sendo a de não apresentar os elementos e informações solicitados pela fiscalização, imprescindíveis para a análise dos pedidos de ressarcimento. O descaso do sujeito passivo para com a fiscalização é absoluto. Decorridos mais de sessenta dias desde a primeira intimação, o sujeito passivo não apresentou nenhum dos elementos exigidos pela fiscalização. Tampouco resposta escrita apresentou. Nem mesmo a escrituração contábil (em papel e em arquivos digitais) foi apresentada. A apresentação da escrituração contábil e fiscal, bem como de planilhas ou qualquer outro documento equivalente que demonstrem a forma de apuração dos valores informados no DACON; bem como a apresentação dos documentos comprobatórios exigidos pela fiscalização, são imprescindíveis para a verificação da legitimidade e materialidade do crédito pleiteado. A legislação obriga o xsujeito passivo a manter tais controles. (grifos dos originais) Em relação a esses fatos, devidamente comprovados nos autos, nada foi dito pela recorrente, que continuou a sua saga de apresentar apenas alegações evasivas e genéricas, desprovidas de qualquer suporte probatório. Também não procede a alegação da recorrente de que o presente recurso merecia ser provido porque os autos de infração recorridos continham erro e falta de motivação necessária para a sua validade jurídica, porque, diferentemente do alegado, a simples leitura dos excertos acima transcritos e do teor da descrição dos fatos contida nos questionados autos de infração não deixa qualquer dúvida de que as questionadas autuações foram adequada e suficientemente motivadas, o que afasta a pretensa nulidade por erro ou inexistência de motivação. Reafirmase, novamente, a glosa integral somente ocorreu porque a recorrente negouse a apresentar qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, o que impossibilitou a confirmação dos créditos informados. Essa questão como está relacionada diretamente com mérito da controvérsia, ela será analisado em detalhe a seguir. A recorrente alegou ainda que os autos de infração deveriam ser cancelados, porque foram lavrados com base em levantamento fiscal precário. Ora, se houve levantamento fiscal precário, essa deficiência, certamente, não pode ser atribuída a fiscalização, mas ao claro propósito da recorrente de não fornecer os arquivos, documentos e prestar os esclarecimentos Fl. 627DF CARF MF 16 necessários à confirmação da legitimidade do direito creditório informado e pleiteado, que foram regularmente solicitados pela fiscalização no curso do procedimento fiscal. Enfim, em sede de preliminar, a recorrente alegou que os autos de infração deveriam ser cancelados, porque houve cerceamento do seu direito de defesa, porque em nenhum momento foram apresentados motivos que justificassem o posicionamento fiscal de indeferir totalmente o direito creditório pleiteado. Na mesma linha de raciocínio, a recorrente alegou que não houve cumprimento do princípio da verdade material, porque competia aos auditores fiscais “realizarem os atos necessários para garantir esta análise, realizando novas diligências com a intimação da Recorrente apresentar seus documentos fiscais no seu estabelecimento de São Paulo, Capital, com a sucessiva concessão de prazo razoável para o fornecimento.” A recorrente repete as mesmas alegações evasivas e genéricas com expressões diferentes, inclusive com menção a institutos e princípios relevantes para o processo administrativo fiscal, tais como “não preterição do direito de defesa” e “princípio da verdade material”, com o claro propósito de conferir alguma robustez argumentativa a sua retórica vazia de conteúdo relevante para o deslinde da presente lide, mas não apresenta qualquer fundamento fático, corroborado por provas, que dê suporte a tais argumentos ou que infirmem os sólidos fundamentos fáticos e jurídicos apresentados no questionado Despacho Decisório. Por todas essas razões, rejeitase todas as preliminares de nulidade dos autos de infração suscitadas pela recorrente. II Da Questão Prejudicial de Mérito A recorrente alegou os presentes lançamentos estavam atingidos pela decadência, com base no argumento de que o prazo decadencial deveria ser contado com base no art. 150, § 4º, do CTN e não com base no art. 173, I, do CTN, com entendera o órgão julgado de primeiro grau, haja vista que não houve pagamento, porque não houve o pagamento das contribuições em razão de ser titular de saldo credor de créditos. Em razão da jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de julgamento pelo regime dos recursos repetitivos, este Conselheiro tem adotado o entendimento de que o critério de contagem do prazo decadencial depende da existência ou não do pagamento do tributo. Havendo antecipação do pagamento, aplicase o critério do art. 150, § 4º, do CTN; não havendo, aplicase o critério do art. 173, I, do CTN. Sabese que as contribuições são tributos submetidos ao regime de lançamento por homologação e que, em regra, o prazo de decadência tem início na data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4o do art. 150 do CTN, que segue transcrito: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 628DF CARF MF Processo nº 15868.000008/201023 Acórdão n.º 3302005.293 S3C3T2 Fl. 621 17 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Porém, como já mencionado, essa regra geral só será aplicada se houver o pagamento antecipado do tributo. Logo, sem a existência do pagamento prévio do tributo, o termo a quo do prazo decadencial do lançamento passa a ser regido pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, ou seja, o termo inicial passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Esse entendimento foi pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial no 973.733/SC, sob regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), conforme exposto no enunciado da ementa que segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele Fl. 629DF CARF MF 18 em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) – Grifos não originais. Desse modo, em cumprimento ao disposto no art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aplicase o entendimento explicitado no âmbito do referido julgado, de que sem a realização do pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal de decadência, regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, e passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. No caso, é incontroverso que não pagamento, haja vista que a própria a recorrente afirmou na peça recursal que não houve pagamento, em face da existência de saldo credor apurado em todos os meses do trimestre. Assim, se não houve pagamento antecipado, ao lançamento em questão aplicase a regra de contagem do prazo decadencial estabelecida no art. 173, I, do CTN. Dessa forma, como o lançamento mais antigo referese a fato gerador ocorrido no mês de janeiro de 2005, consequentemente, o termo inicial do prazo decadencial teve início em 1/1/2006, consumandose a decadência em 31/12/2010, portanto, após a conclusão do lançamento, que ocorreu em 22/1/2010, data em que a recorrente foi cientificada das presente autuações. Com base nessas considerações, resta demonstrado que não ocorreu a alegada a decadência do direito de constituir o crédito tributário objeto das presentes autuações. III Dos Pedidos de Diligência e Perícia. No presente recurso, a recorrente reapresentou os pedidos de perícia e diligência apresentados na fase impugnatória. Como as razões dos referidos pedidos foram as mesmas suscitadas no âmbito do processo principal, onde foram analisadas, minuciosamente, adotase aqui os mesmos fundamentos consignados no voto condutor do julgado do citado processo principal. A realização de perícia revelase totalmente prescindível. A uma, porque as respostas aos requisitos formulados pela recorrente prescinde da participação de especialista. Tratase de questões facilmente respondíveis, mediante análise dos documentos da escrituração contábil e fiscal da recorrente. A duas, porque as respostas aos referidos quesitos seriam facilmente respondíveis, com mera análise da documentação contábil e fiscal solicitada pela fiscalização. O que teria certamente ocorrido, se a Fl. 630DF CARF MF Processo nº 15868.000008/201023 Acórdão n.º 3302005.293 S3C3T2 Fl. 622 19 recorrente tivesse cumprido a sua obrigação e, em atendimento aos pedidos de intimação e reintimação da fiscalização, tivesse apresentado os arquivos digitais e os documentos contábeis e fiscais indispensáveis para a confirmação dos créditos declarados/pleiteados, ou ao menos tivesse apresentado um justificativa plausível para tal omissão, o que não existiu, no presente caso. A realização de diligência também revelase impraticável, uma vez que a recorrente não trouxe à colação dos autos os arquivos digitais e a documentação solicitada. E por força da preclusão determinada no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972, não há como mais apresentála, a menos que tivesse comprovado uma das condições excepcionais especificadas nas alíneas do citado § 4º, o que não ocorreu no caso em tela. A alegação da recorrente de que os documentos que serviram de base para a apuração do direito creditório eram inúmeros para serem juntados aos autos, “prejudicando até a sua análise por perfazer vários volumes de documentos, estando todos no seu estabelecimento”, não se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais mencionadas. A grande quantidade de documentos não é justificativa idônea para que tais arquivos/documentos não fossem carreados aos autos, ou apenas parte deles. No caso, pelo menos os arquivos digitais obrigatórios deveriam ter sido carreados aos autos, o que também não ocorreu. Cabe ressaltar, entretanto, que com a manifestação de inconformidade, a recorrente limitouse a apresentar uma planilha de “apuração de créditos” (fl. 1020) e cópias das folhas “resumo para apuração de ICMS Entradas” (fls. 996/1018), ou seja, documentos por ela própria elaborados, em vez dos arquivos digitais e da documentação fiscal e contábil a que ela estava obrigada a manter a disposição da fiscalização. E apenas cópias de três notas fiscais de compra (fls. 1027/1032), que se revela notoriamente insuficiente para justificar qualquer análise mediante diligência ou perícia. Além disso, se a recorrente dispunha dos referidos documentos no seu estabelecimento, conforme alegado, porque não os exibiu aos auditores fiscais, que lá compareceram, exclusivamente, com o propósito de analisálos? Como não há nas duas defesas apresentadas pela recorrente resposta ou qualquer justificativa para essa pergunta, este julgador ficou desprovido de qualquer fundamento razoável, para deferir os pedidos de diligência e perícia em apreço. A propósito da atitude omissa da recorrente, merece destaque o fato de a recorrente, no presente recurso, em vez de aproveitar a oportunidade e apresentar justificativas convincentes para a sua deliberada e intencional omissão de apresentar/exibir para a fiscalização os arquivos digitais e os documentos contábeis e fiscais imprescindíveis à análise do direito creditório pleiteado, a recorrente esbanjouse na apresentação de alegações Fl. 631DF CARF MF 20 genéricas e evasivas, o que é um forte indício de que a sua defesa não teve o propósito de esclarecer as injustificáveis omissões de atendimento às intimações e reintimações da fiscalização, mas de suscitar questões formais ou meramente jurídicas sem relação direta com o motivo do indeferimento dos créditos e a consequente não homologação das compensações declaradas, ou seja, a ausência total de comprovação do crédito declarado. E não foi só isso! Em vez de apresentar os arquivos e documentos comprobatórios dos fatos alegados, a que estava obrigada, nas duas oportunidades que compareceu aos autos, a recorrente limitouse a apresentar alegações evasivas e genéricas restrita a aspectos meramente formais atinentes ao procedimento fiscal e ao correspondente despacho decisório em apreço. Quando o relevante era apresentar justificativas para o não cumprimento da sua obrigação de apresentar os arquivos digitais e toda documentação necessária a confirmação dos créditos apropriados e pleiteados. E ao optar pela estratégia da omissão, a recorrente deve arcar com os ônus dela resultante. Enfim, não é demais ressaltar que não é função da autoridade julgadora suprir omissão probatória, seja da fiscalização, seja do contribuinte, especialmente, quando a omissão aparenta ser uma intencional estratégia de defesa, como evidencia o caso em tela. Por todas essas razões, os pedidos de diligência e perícia devem ser indeferidos. IV Do Mérito No mérito, o cerne da presente controvérsia cingese à falta de comprovação dos créditos informados pela recorrente no Dacon e utilizados na dedução dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins do 1º trimestre de 2005 objeto dos lançamentos formalizados nas presentes autuações. IV.1 Do lançamento dos débitos das contribuições Segundo a descrição dos fatos que integram os questionados autos de infração, o motivo dos lançamentos em questão foi a inexistência dos supostos créditos utilizados na dedução dos débitos lançados, em razão da glosa integral dos créditos, motivada pela impossibilidade de a fiscalização quantificar os eventuais valores declarados nas respectivas fichas do Dacon do citado trimestre, em razão da deliberada e intencional conduta omissa do sujeito passivo no sentido de não apresentar à fiscalização quaisquer elementos probatórios ou esclarecimentos necessários à confirmação da existência dos supostos créditos. No recurso em apreço, a recorrente limitouse em alegar que possuía “o direito ao ressarcimento dos Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, como comprovam os documentos existentes no seu estabelecimento e disponíveis para a verificação fiscal” e que o Dacon fora preenchido corretamente, portanto, era totalmente irregular a retificação realizada pelos auditoresfiscais, que zeraram os valores dos créditos e valores que serviram de base para apuração dos créditos. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 15868.000008/201023 Acórdão n.º 3302005.293 S3C3T2 Fl. 623 21 Como essas questões foram, exaustivamente, analisadas no voto proferido no âmbito do processo principal, aqui adotase como razão decidir os mesmos fundamentos lá apresentados, que seguem transcritos: Não basta a alegar que dispõe dos documentos necessários à comprovação dos créditos! Se a recorrente tinha tais documentos, porque não os exibiu a fiscalização quando esta compareceu no seu estabelecimento? E porque trouxe aos autos, na fase de manifestação de inconformidade, conforme exige o art. 15 do Decreto 70.235/1972? A simples apresentação da referida planilha de apuração dos créditos, acompanhada apenas das cópias folhas do resumo do Livro de Entradas, sabidamente, não representam elementos probatórios suficientes para fim de comprovação dos créditos da Cofins em apreço. A apresentação da escrituração contábil e fiscal, bem como das planilhas ou qualquer outro documento equivalente que corroborassem a apuração dos valores dos créditos informados no Dacon, bem como a apresentação dos documentos comprobatórios exigidos pela fiscalização, constituem elementos imprescindíveis para a verificação da legitimidade e confirmação dos valores dos créditos pleiteados/compensados, conforme estabelecido no art. 3º da Instrução Normativa SRF 387/2004, a seguir reproduzido: Art. 3º O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições referidas no art. 2º e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2º, 3º, 5º, 5ºA, 7º e 11 da Lei nº 10.637, de 2002, dos arts. 2º, 3º, 4º, 6º, 9º e 12 da Lei nº 10.833, de 2003, especialmente quanto: I às receitas sujeitas à apuração da contribuição em conformidade com o art 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; II às aquisições e aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no País; III aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no inciso I; IV aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com fim especifico de exportação, que estariam sujeitas à apuração das contribuições em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno; e V ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput deverá abranger as informações necessárias para a segregação de receitas referida no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, observado o disposto no art. 100 da Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002. (grifos não originais) Fl. 633DF CARF MF 22 No mesmo sentido, determinava o art. 24 da Instrução Normativa SRF 460/2004, vigente à época da protocolização do pedido, que a autoridade da RFB competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderia condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, nos termos a seguir transcritos: Art. 24. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos da pessoa jurídica a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (grifos não originais) Ciente dessas obrigatoriedades, porque a recorrente, desde o início do procedimento fiscal até a apresentação do recurso em apreço, insistiu com estratégia da omissão? As explicações foram apresentadas pelas autoridades fiscais nos excertos do citado Termo de Constatação Fiscal, a seguir reproduzidos: Por que, o sujeito passivo, apesar de insistentemente intimado e reintimado, não quer detalhar a forma de apuração dos valores informados no DACON? Não quer detalhar porque ou constituiu créditos sobre valores que não estão descritos no artigo 3º da Lei n.° 10.637 de 2002 e da Lei n.° 10.833 de 2003, ou porque fez á apuração dos créditos de maneira incorreta, ou porque não tem os documentos comprobatórios dos valores informados como base de cálculo para apuração dos créditos, ou, ainda, porque "fabricou" créditos. Para comprovar o que afirmamos no parágrafo anterior vamos citar apenas dois exemplos. Vejamos a seguir. Consultamos a DIPJ/2006 do sujeito passivo e verificamos que o mesmo informou na ficha 23 (Remetentes de insumos/mercadorias), para seu estabelecimento filial de CNPJ 01.597.168/000270, diversos CPFs. Comprovase então que o sujeito passivo adquiriu gado de pessoas físicas e que, muito provavelmente, informou os valores correspondentes a estas aquisições incorretamente na linha 02 (bens utilizados como insumos) das fichas 06 e 12 do DACON, pois não há nenhum valor informado na linha 18 (crédito presumido atividades agroindustriais) das fichas 06 e 12 do DACON. A consulta foi juntada às fls. 42. Para outros estabelecimentos filiais também houve informação de aquisição de pessoas físicas na ficha 23 (Remetentes de insumos/mercadorias). Na mesma ficha 23 (Remetentes de insumos/mercadorias) da DIPJ/2005 o sujeito passivo informou, para seu estabelecimento filial de CNPJ 01.597.168/000601, a empresa Agroindustrial Rena Ltda CNPJ 03.352.718/000135 como seu segundo suposto maior fornecedor (R$ 61.609.699,66 no ano.de 2005). Aqui, inicialmente, devemos esclarecer que no decorrer de procedimento fiscal anterior por nós realizado com a finalidade de examinar os dados, valores e demais informações constantes de pedidos de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, referentes aos períodos de janeiro a setembro de 2004, suspeitamos de aquisições deste fornecedor. Ali Fl. 634DF CARF MF Processo nº 15868.000008/201023 Acórdão n.º 3302005.293 S3C3T2 Fl. 624 23 ficou comprovado que que os Senhores Fernando Antônio Bertin, Silmar Roberto Benin e Reinando Benin constituíram legalmente a empresa Agroindustrial Rena Ltda CNPJ 03.352.718/000135 e a utilizaram para simular operações comerciais de venda de insumos ao sujeito passivo ora fiscalizado (Bracol Holding Ltda), também de propriedade deles. Posteriormente, os Senhores Fernando, Antônio e Silmar, para fugirem do cumprimento das obrigações fiscais da Agroindustrial Rena Ltda, simularam a transferência do controle societário da mesma para os senhores José Banhara e Manoel Gersino Orzelin. Em outras palavras a empresa Agroindustrial Rena Ltda foi criada por pessoas da família “Berlin” para dar contornos de legalidade as supostas "vendas" de insumos para a Bracol Holding Ltda, com a respectiva emissão de notas fiscais, a fim de que esta majorasse artificialmente os custos, subtraindo parte de seus lucros à tributação e, ainda, considerasse os valores como base de cálculo para apuração de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Constatase que o mesmo procedimento citado no parágrafo anterior continuou sendo feito pelo sujeito passivo no ano calendário de 2005. Portanto, eis mais um motivo porque o sujeito passivo não quer apresentar documentos comprobatórios. De qualquer forma, gostaríamos de acreditar oue o sujeito passivo possua documentos IDÔNEOS comprobat6rios dos efetivos pagamentos realizados para esta empresa (Agroindustrial Rena Ltda) no ano de 2005 correspondentes ao valor total de R$ 61.609.699,66, valor este por ele considerado como base de cálculo para apuração de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Quem sabe possa ele juntar tais documentos em impugnação ou recurso, que certamente serão apresentados. No entanto, diante do descaso do sujeito passivo, temos quase certeza de que tais documentos, neste procedimento administrativo, não serão apresentados. A consulta foi juntada às fls. 45. Mais uma vez registramos que esta fiscalização buscou comprovar a liquidez e certeza dos créditos pleiteados e solicitou do sujeito passivo a apresentação da escrituração contábil e fiscal, livros, documentos, planilhas e informações complementares necessárias e imprescindíveis ao exame, por meio de intimações e reintimações. Como já dissemos o descaso do sujeito passivo'para com a fiscalização foi absoluto. Em relação aos valores informados nas fichas 06 e 12 do DACON, diante de todo o acima já exposto, ficou claro para esta fiscalização que a apuração dos créditos foi realizada de forma totalmente incorreta pelo sujeito passivo e é impossível para esta fiscalização quantificar eventuais créditos existentes, pois o sujeito passivo não apresentou os elementos necessários para que o fizéssemos. Registrese, ainda, que o sujeito passivo foi intimado e reintimado por mais de uma vez para apresentar os elementos necessários e imprescindíveis para a realização da análise, inclusive sendo cientificado de que a não apresentação dos mesmos, implicariam na proposta de indeferimento do valor do crédito pleiteado. (grifos dos originais) O teor desse relato esclarece as razões da omissão da recorrente, ou seja, que a apresentação dos citados documentos, naquela oportunidade, poderiam servir de provas não só de Fl. 635DF CARF MF 24 irregularidades tributárias mais gravosas para as recorrentes, mas, provavelmente, da prática, em tese, de fraude e sonegação fiscal, com possíveis implicações na seara criminal. Dada essa circunstância, reabrir a fase de instrução probatória no atual estágio probatório, quando o direito de constituição dos créditos decorrente de graves tributária já estariam alcançados pela decadência, os possíveis crimes, em tese, contra a ordem tributária prescritos, certamente, coroaria de pleno êxito a estratégia omissa da recorrente, com evidente triunfo da astúcia sobre franqueza, da torpeza sobre moralidade. Enfim, seria a consagração do princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). Não se pode olvidar, ademais, que como os presentes autos tratam de pedido de ressarcimento, o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, inequivocamente, recai sobre a pessoa do contribuinte formulador do pedido de ressarcimento, segundo dispõe o art. 373 do CPC, a seguir transcrito, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao processo administrativo, por força do art. 15 do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou, à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. [...] (grifos não originais) Da mesma forma, o art. 36 da Lei 9.784/1999, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, também atribui ao autor do feito ou do pedido o ônus da produção da prova constitutiva do seu direito. Com base nessas considerações, tendo em conta que a recorrente não apresentou a documentação necessária à confirmação do direito creditório pleiteado/compensado, deve ser mantido o indeferimento integral do valor crédito pleiteado e a não homologação de todas as compensações vinculadas ao referido crédito. Com base nessas considerações, a cobrança dos débitos deve ser integralmente mantida. IV.2 Do agravamento da multa de ofício Fl. 636DF CARF MF Processo nº 15868.000008/201023 Acórdão n.º 3302005.293 S3C3T2 Fl. 625 25 De acordo com o citado Termo de Constatação Fiscal, que integra as presentes autuações, o motivo do agravamento da multa ofício foi a falta de atendimento da intimação e da reintimação formulados no curso procedimento fiscal, conforme explicitado no excerto que segue transcrito: Em razão do sujeito passivo, depois de intimado e reintimado não ter apresentado nenhum dos elementos exigidos pela fiscalização, nem mesmo os arquivos digitais relativos à escrituração contábil e fiscal, a exigência tributária será feita com a multa de oficio agravada para cento e doze e meio por cento. Por sua vez, a recorrente alegou que o referido agravamento era indevido, porque não estava presente nenhuma das hipóteses previstas no § 2° do art. 44 da Lei 9.430/1996, que tem o seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Diferentemente do alegado pela recorrente, os fatos relatados nos autos subsumemse perfeitamente às hipóteses de agravamento especificadas no referido preceito legal, uma vez que a autuada, comprovadamente, não atendeu as intimações que lhe foram endereçadas pela fiscalização, para apresentar esclarecimentos, documentos contábeis e fiscais e os arquivos digitais, todos elementos imprescindíveis para confirmação dos valores dos créditos informados no Dacon do citado trimestre. Não é demais ressaltar que, por força do disposto no art. 19, § 2º, da Lei 3.470/1958, com a redação dada pelo art. 71 da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir transcrito, o agravamento somente não seria cabível se o desatendimento das intimações tivesse sido para apresentar documentos, cuja guarda não estivesse sob a responsabilidade da recorrente, ou se demonstrada a impossibilidade material de atendimento da intimação, situações excepcionais que não se vislumbra no caso em tela. Fl. 637DF CARF MF 26 Art. 71. O art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art.19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1° Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. § 2° Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento". (g.m.) Por essa razão, deve ser mantido o agravamento da multa de ofício, conforme determinado pela fiscalização. V Da Conclusão Por todo o exposto, votase por rejeitar as preliminares e prejudiciais de mérito suscitadas e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 638DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726460/2009-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 64 60 /2 00 9- 88 Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10580.726460/200988 Acórdão n.º 9202006.382 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10580.726460/200988 Acórdão n.º 9202006.382 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10580.726460/200988 Acórdão n.º 9202006.382 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10580.726460/200988 Acórdão n.º 9202006.382 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10580.726460/200988 Acórdão n.º 9202006.382 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10580.726460/200988 Acórdão n.º 9202006.382 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10580.726460/200988 Acórdão n.º 9202006.382 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.904351/2012-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM.
A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
Numero da decisão: 9101-003.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLÍNICA TRAUMATOLOGICA MOINHOS DE VENTO SOCIEDADE SIMPLES LTDA. EPP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399BA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.904183/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 43 51 /2 01 2- 15 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11080.904351/201215 Acórdão n.º 9101003.326 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre o coeficiente para cálculo do lucro presumido no caso de empresa que presta serviços por imagem. A recorrente insurgese contra Acórdão que reconhece que a prestação de serviço médico por imagem estava submetido ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente, relativamente à matéria acima mencionada, da que tem sido dada em outros processos. Sustenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1116399 não menciona os serviços por imagem, equiparandoos a serviços hospitalares. Tal julgado tão somente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei nº 9.429/95. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente de Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho fundamentado deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O presente processo trata de IRPJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.319, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.904183/200994. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.319): Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11080.904351/201215 Acórdão n.º 9101003.326 CSRFT1 Fl. 4 3 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.904351/201215 Acórdão n.º 9101003.326 CSRFT1 Fl. 5 4 ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.904351/201215 Acórdão n.º 9101003.326 CSRFT1 Fl. 6 5 julgamento do RESP 951.251PR, conforme o destaque feito na transcrição acima. Também é interessante transcrever a ementa dessa decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.904351/201215 Acórdão n.º 9101003.326 CSRFT1 Fl. 7 6 O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.904351/201215 Acórdão n.º 9101003.326 CSRFT1 Fl. 8 7 realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. (grifos acrescidos) Retomando o conteúdo destes autos, vêse que a atividade da contribuinte não consiste em simples prestação de consultas médicas. Em seu recurso, a PGFN argumenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.116.399 não menciona os serviços de radiologia, equiparandoos a serviços hospitalares; que tal julgado tãosomente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, deixando claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento. De fato, a referida decisão do STJ não tratou especificamente de serviços de radiologia, mas tudo o que foi dito naquela decisão sobre a questão em torno da tributação dos serviços hospitalares deve ser aplicado para as várias atividades ligadas à promoção da saúde. Com efeito, o STJ, ao proferir a citada decisão na sistemática dos recursos repetitivos, não restringiu sua análise aos serviços médicos laboratoriais (situação específica daquele REsp). Por outro lado, embora a PGFN reconheça que o STJ deixou claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento no coeficiente de 8%, ela acabou buscando fundamento nas antigas instruções normativas da Receita Federal que defendiam justamente essa linha de interpretação. As decisões invocadas pela PGFN, tanto do antigo Conselho de Contribuintes, quanto do STJ (2006), realmente trazem um entendimento superado, alterado em 2009 pelo próprio STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, conforme já mencionado. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou em outras oportunidades sobre situações semelhantes à destes autos, reconhecendo a aplicação do coeficiente de 8% para entidades que também não são hospitais, mas que se encaixam na referida interpretação do STJ manifestada em sede de recursos repetitivos, e que foi considerada pela CSRF como de observância obrigatória, em razão do art. 62A do RICARFAnexo II: Acórdão nº 9101001.870 Sessão de 30 de janeiro de 2014 Recorrente: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DE SOROCABA LTDA Interessado: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:1999,2000,2001,2002 Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.904351/201215 Acórdão n.º 9101003.326 CSRFT1 Fl. 9 8 As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. [...] Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: [...] A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem ser adicionadas ao lucro presumido e não se Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11080.904351/201215 Acórdão n.º 9101003.326 CSRFT1 Fl. 10 9 submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. Acórdão nº 9101001.559 Sessão de 23 de janeiro de 2013 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). [...] Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. [...] Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: [...] Com o advento da Lei n° 11.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: [...] Antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: [...] Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.904351/201215 Acórdão n.º 9101003.326 CSRFT1 Fl. 11 10 proferiu decisão na mesma linha de raciocínio da decisão do acórdão ora recorrido: [...] Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543–C do Código de Processo Civil (CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: [...] Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. No presente processo, cabe adotar o mesmo posicionamento das referidas decisões desta 1ª Turma da CSRF (acima transcritas). Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723769/2009-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 37 69 /2 00 9- 16 Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10580.723769/200916 Acórdão n.º 9202006.461 CSRFT2 Fl. 1.838 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2403 02.727, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 10/09/2014, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida deu provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. A decisão restou assim ementada, quanto à aplicação da retroatividade benigna, ora em discussão: CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10580.723769/200916 Acórdão n.º 9202006.461 CSRFT2 Fl. 1.839 3 Na origem, a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.210.4371, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 37.256,86. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referente a Terceiros, no período de 01/2005 a 12/2005: O Relatório Fiscal, às fls. 137 a 140, informa o levantamento efetuado: PAT No exercício de 2005 a empresa não estava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). No entanto, concedeu alimentação a seus funcionários (Conta Programa Alimentar Trabalhador, 186). Tal benefício foi concedido aos empregados em desacordo com a Lei 8.212, de 1991, art. 28, parágrafo 9º, alínea “c”; e DIV Referese a remunerações de empregados não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). A empresa escritura nas contas 272 e 160 (Salário), 95 (Provisões 13º Salário, 96 e 163 (Provisões Férias) as remunerações dos segurados empregados. As contribuições dos segurados estão escriturados na Conta 78 (INSS a Recolher). A escrituração não é feita por estabelecimento, não descreve clara e precisamente o fato, não discrimina os fatos geradores, os descontos, as contribuições da empresa e o Livro Diário não está registrado no órgão competente. Há históricos que não têm clareza e não fazem referência ao documento probante. Ressaltese que o Contribuinte protocolou pedido de desistência de processo que foi desapensado (Processo n. 10.580.72351/200914). No Recurso Especial, a insurgência da Fazenda Nacional baseiase nos paradigmas Acórdão nº 230100283 e Acórdão nº 240100120, considerados aptos para embasar a divergência, apesar das Contrarrazões, genericamente alegarem ausência de divergência jurisprudencial. Finalmente, o recorrido ainda requer que seja negado provimento e manutenção do a quo. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Quanto à retroatividade benigna. Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10580.723769/200916 Acórdão n.º 9202006.461 CSRFT2 Fl. 1.840 4 Já quanto ao mérito, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: Sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10580.723769/200916 Acórdão n.º 9202006.461 CSRFT2 Fl. 1.841 5 previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10580.723769/200916 Acórdão n.º 9202006.461 CSRFT2 Fl. 1.842 6 acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10580.723769/200916 Acórdão n.º 9202006.461 CSRFT2 Fl. 1.843 7 mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10580.723769/200916 Acórdão n.º 9202006.461 CSRFT2 Fl. 1.844 8 dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10580.723769/200916 Acórdão n.º 9202006.461 CSRFT2 Fl. 1.845 9 pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10580.723769/200916 Acórdão n.º 9202006.461 CSRFT2 Fl. 1.846 10 Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10580.723769/200916 Acórdão n.º 9202006.461 CSRFT2 Fl. 1.847 11 (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10580.723769/200916 Acórdão n.º 9202006.461 CSRFT2 Fl. 1.848 12 Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1848DF CARF MF
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