Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 15463.720403/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DESPESAS MÉDICAS. CLÍNICAS GERIÁTRICAS.
Despesas de internação em estabelecimento geriátrico somente são dedutíveis a título de hospitalização se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica.
Numero da decisão: 2202-003.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS. CLÍNICAS GERIÁTRICAS. Despesas de internação em estabelecimento geriátrico somente são dedutíveis a título de hospitalização se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15463.720403/2014-11
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736858
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.939
nome_arquivo_s : Decisao_15463720403201411.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CECILIA DUTRA PILLAR
nome_arquivo_pdf_s : 15463720403201411_5736858.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6825321
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209805996032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1323; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 172 1 171 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15463.720403/201411 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.939 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2017 Matéria IRPF Despesas Médicas Recorrente MIRNA MARIA DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS. CLÍNICAS GERIÁTRICAS. Despesas de internação em estabelecimento geriátrico somente são dedutíveis a título de hospitalização se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 04 03 /2 01 4- 11 Fl. 172DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 07/11), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2012, ano calendário de 2011, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas, no valor de R$ 34.558,19, pagos à Casa São Luiz IVFA (Instituição Visconde Ferreira de Almeida) por não se referir a estabelecimento hospitalar (sem inscrição na FCESFicha de Inscrição do Estabelecimento de Saúde no CNES/Datasus do Ministério da Saúde), Foi apresentada impugnação tempestiva onde a contribuinte informa que as despesas médicas referemse à tutelada Adair Cabral de Souza, 94 anos, totalmente dependente de cuidados médicos e de enfermagem 24 horas, e que a internação para tratamento na Casa São Luiz tem caráter hospitalar. Aduz que o estabelecimento atende as necessidades de assistência solicitadas pelos geriatras, com médicos e enfermeiros especializados, UTI, nutricionistas, fisioterapeutas, lavanderia hospitalar e demais serviços requeridos, possuindo instalações completas para atendimento de urgência e emergência, possuindo até necrotério. Alega que a dedução das despesas está respaldada no art. 43, § 1º da Instrução Normativa SRF nº 15/2001. Para comprovar os tratamentos médicos anexa laudo médico, prescrição médica, exames, prescrição de enfermagem e demais itens constantes nas faturas mensais. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 81/86, mantendo a glosa pois os documentos apresentados não comprovam que o estabelecimento é de caráter hospitalar e a legislação do Imposto de Renda apenas admite a dedução de internação em estabelecimento geriátrico, a título de hospitalização, se o estabelecimento se enquadrar nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde e tiver licença de funcionamento aprovada pelas autoridades competentes (Municipais, Estaduais ou Federais). Cientificada dessa decisão por via postal em 17/04/2015 (A.R. de fls. 167), a interessada interpôs Recurso Voluntário em 05/05/2015 (fls. 95/97), reiterando os argumentos trazidos na impugnação e acrescentando que a Casa São Luiz é dotada de corpo médico e dos demais profissionais necessários aos cuidados da idosa nas condições em que se encontra. Refere a definição dada pelo Decreto nº 76.973/1975 à assistência médica e as obrigações e direitos previstos no Estatuto do Idoso, não compreendendo os motivos pelos quais a Casa São Luiz não estaria cadastrada no FCES. Alega que todos os médicos e profissionais devem estar cadastrados nos respectivos Conselhos de Classe, para o exercício da profissão. Diz estar apresentando documentação relativa às visitas médicas, exames solicitados, laudos médicos, etc, para juízo da Autoridade Fiscal, podendo ainda ser realizada inspeção in loco, informando o prédio e quarto onde se encontraria a idosa. Os documentos mencionados formam as fls. 99/164 dos autos. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 15463.720403/201411 Acórdão n.º 2202003.939 S2C2T2 Fl. 173 3 Conforme relatado, a contribuinte foi notificada por não ter comprovado que a clínica geriátrica em que reside sua curatelada, Sra. Adair Cabral de Souza, é qualificada como hospital, pois, conforme a autoridade lançadora, seria necessário cumprir tal condição para ser possível a dedutibilidade desta despesa como despesa médica. No tocante ao pagamento da alegada despesa médica, oportuno transcrever o art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (grifouse) Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) aponta que: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). ... §4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. (grifouse) Diante disso, a DRJ de origem confirmou o lançamento, entendendo que a Casa São Luiz (CNPJ 33.638.883/000119) não se encontra nessa situação. Em pesquisa pública feita junto ao sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificase que a pessoa jurídica está registrada na Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) sob o código 94.30800 (fls. 80), definida como Atividades de associações de defesa de direitos Fl. 174DF CARF MF 4 sociais e com CNAEs Secundárias 94.93600 Atividades de organizações associativas ligadas à cultura e à arte e 94.99500 Atividades associativas não especificadas anteriormente. Os documentos anexados ao recurso comprovam a realização das despesas mas não servem para modificar a espécie e atividades do estabelecimento registrados na RFB e nos órgãos de registro civil das pessoas jurídicas. A jurisprudência deste Conselho encontrase firmada sob o entendimento de que somente podem ser deduzidas as despesas com clínica geriátrica se a mesma for qualificada como hospital, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2012 DESPESAS MÉDICAS. CLÍNICAS GERIÁTRICAS. Despesas de internação em estabelecimento geriátrico somente são dedutíveis a título de hospitalização se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa (Acórdão 2202003.806, julgado em 06 de abril de 2017, Conselheiro Relator: Martin da Silva Gesto) Igualmente neste sentido foram também os acórdãos nº 2802002.325 (julgado na sessão de 15 de maio de 2013, de relatoria da Conselheira Dayse Fernandes Leite) e 2102002.300 (julgado na sessão de 19 de setembro de 2012, de relatoria da Conselheira Relatora Núbia Matos Moura). Em todos os acórdãos referidos os julgamentos foram por unanimidade, em negar provimento ao recurso do contribuinte. Também foi esta a compreensão da 2a. Turma do Tribunal Regional Federal da 4a. Região, conforme ementa do julgado abaixo: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DESPESAS MÉDICAS. INTERNAÇÃO EM RESIDENCIAL GERIÁTRICO. 1. Nos termos do art. 7 do Decreto nº 3.000/99 as despesas médicas podem ser deduzidas do imposto de renda desde que devidamente comprovadas. 2. As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 15463.720403/201411 Acórdão n.º 2202003.939 S2C2T2 Fl. 174 5 (TRF4, AC 503557963.2010.404.7100, SEGUNDA TURMA, Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, juntado aos autos em 24/10/2013) Portanto, não há razões para afastar a glosa consubstanciada na notificação de lançamento, devendo a mesma ser mantida. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902734/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário:2008
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.318
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário:2008 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.902734/2011-83
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722030
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.318
nome_arquivo_s : Decisao_10120902734201183.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10120902734201183_5722030.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755201
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209808093184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.902734/201183 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.318 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria COFINS/PIS. TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente CIAASA MERCANTIL DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário:2008 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 34 /2 01 1- 83 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10120.902734/201183 Acórdão n.º 3301003.318 S3C3T1 Fl. 3 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de PIS/Pasep nãoCumulativo, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 03050.928. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10120.902734/201183 Acórdão n.º 3301003.318 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10120.902734/201183 Acórdão n.º 3301003.318 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10120.902734/201183 Acórdão n.º 3301003.318 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10120.902734/201183 Acórdão n.º 3301003.318 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902771/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.353
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.902771/2011-91
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722048
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.353
nome_arquivo_s : Decisao_10120902771201191.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10120902771201191_5722048.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755219
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209812287488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.902771/201191 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.353 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria COFINS/PIS. TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 71 /2 01 1- 91 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10120.902771/201191 Acórdão n.º 3301003.353 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.392. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902771/201191 Acórdão n.º 3301003.353 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902771/201191 Acórdão n.º 3301003.353 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10120.902771/201191 Acórdão n.º 3301003.353 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10120.902771/201191 Acórdão n.º 3301003.353 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11051.720142/2011-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 03/03/2009
DESNATURAÇÃO DA CERTIFICAÇÃO DE ORIGEM. PERDA DO TRATAMENTO TARIFÁRIO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) Nº 13/2010.
Havendo norma emitida pela Administração Pública (ADE nº 13/2010) expressamente determinado o afastamento do tratamento tarifário previsto no apenas para operações futuras, é ilegal aplicar aquele dispositivo de forma retroativa, sob pena de violar o princípio da anterioridade, bem como o próprio CTN.
Numero da decisão: 3201-002.629
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Cleber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Shappo.
Por maioria de votos deu-se provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Cleber Magalhães.
Designado o Conselheiro José Luiz Feistauer para o voto vencedor da preliminar de nulidade.
Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Paulo Cesar França da Silva, OAB nº 22.772/PE.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cleber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 03/03/2009 DESNATURAÇÃO DA CERTIFICAÇÃO DE ORIGEM. PERDA DO TRATAMENTO TARIFÁRIO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) Nº 13/2010. Havendo norma emitida pela Administração Pública (ADE nº 13/2010) expressamente determinado o afastamento do tratamento tarifário previsto no apenas para operações futuras, é ilegal aplicar aquele dispositivo de forma retroativa, sob pena de violar o princípio da anterioridade, bem como o próprio CTN.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11051.720142/2011-79
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5730665
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.629
nome_arquivo_s : Decisao_11051720142201179.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 11051720142201179_5730665.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Cleber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Shappo. Por maioria de votos deu-se provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Cleber Magalhães. Designado o Conselheiro José Luiz Feistauer para o voto vencedor da preliminar de nulidade. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Paulo Cesar França da Silva, OAB nº 22.772/PE. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cleber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6786706
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209815433216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 317 1 316 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11051.720142/201179 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.629 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria Imposto de Importação Recorrente WMS SUPERMERCADOS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 03/03/2009 DESNATURAÇÃO DA CERTIFICAÇÃO DE ORIGEM. PERDA DO TRATAMENTO TARIFÁRIO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) Nº 13/2010. Havendo norma emitida pela Administração Pública (ADE nº 13/2010) expressamente determinado o afastamento do tratamento tarifário previsto no apenas para operações futuras, é ilegal aplicar aquele dispositivo de forma retroativa, sob pena de violar o princípio da anterioridade, bem como o próprio CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Cleber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Shappo. Por maioria de votos deuse provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Cleber Magalhães. Designado o Conselheiro José Luiz Feistauer para o voto vencedor da preliminar de nulidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 72 01 42 /2 01 1- 79 Fl. 317DF CARF MF 2 Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Paulo Cesar França da Silva, OAB nº 22.772/PE. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cleber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1654.115, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de auto de infração (fls. 142 a 157 e anexos) lavrado para exigência de tributos supostamente devidos em importação realizada pela empresa WMS SUPERMERCADOS DO BRASIL LTDA., CNPJ n.º 93.209.765/000117, em razão da desqualificação do Certificado de Origem apresentado para instrução de seu despacho aduaneiro. Segundo a fiscalização, em 03/03/09, a impugnante registrou a Declaração de Importação – DI n.º 09/02632218 (fls. 122 a 128) para importação de 24.000,00 Kg. do produto tubarão azul em postas, classificado no código (NCM) 0303.75.14, e apresentou o Certificado de Origem do MERCOSUL n.º A – 096525 (fl. 112), decorrente de Acordo Internacional (ACE – 18 Mercosul), que garantia a redução tarifária do Imposto de Importação II de 10% para 0%. Ocorre que através do Ato Declaratório Executivo – ADE COANA nº 13 (fl. 135), de 30 de julho de 2010, foram desqualificados os Certificados de Origem utilizados em importações do referido produto nos anos de 2008 a 2010 e suspensa a concessão de tratamento tarifário preferencial para novas operações, quando exportados, entre outras, pela empresa uruguaia DALKAN S.A., como ocorreu neste caso. Dessa forma, a fiscalização efetuou o lançamento dos créditos de II, PIS e COFINS não recolhidos em função da fruição da Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11051.720142/201179 Acórdão n.º 3201002.629 S3C2T1 Fl. 318 3 redução tarifária do ACE18, bem como os respectivos juros e multas de ofício, o que totalizou R$ 23.450,09. Intimada do Auto de Infração em 11/05/2011 (fl. 158), a empresa autuada apresentou impugnação e documentos em 07/06/2011, juntados às fls. 162 a 229. Alegou que: A – Breve histórico. 1. De início, fez um breve histórico sobre a importação realizada; 2. Afirma que é inconteste que a impugnante importou mercadorias classificadas no código (NCM) 0303.75.14, do exportador DALKAN S.A., localizado no Uruguai, país signatário do Mercosul, amparadas pela fatura n.º 0630 e Certificado de Origem n.º 096525; 3. Inevitável reconhecer o gozo da redução da alíquota, não tendo qualquer relevância a aplicação de uma sanção ao exportador, dois anos após a citada importação; 4. As informações contidas na DI, submetida ao canal vermelho, estão corretas, e foram preenchidas de boa fé pela impugnante, portanto não pode ser atingida por nenhuma sansão, eis que se trata de terceiro de boa fé, inclusive quanto ao Certificado de Origem apresentado, cujo conteúdo possui presunção de veracidade; 5. A Receita Federal, a quem cabe efetuar o controle de tal documento, chancelou que o Certificado de Origem se encontrava regular, assim, não seria a impugnante que iria imaginar suposta irregularidade. Ademais, não se pode responder hoje por sansão aplicada em 2010 à empresa exportadora, junto a qual efetuou importação regular em 2009.Cita legislação; 6. Nunca foi notificada de que o exportador estaria sob procedimento de investigação, nem tampouco do término, sua conclusão e a motivação para a desclassificação do seu Certificado de Origem; 7. O artigo 3.º do ADE COANA n.º 13/10, aplicou a suspensão da concessão de tratamento preferencial para novas operações, e somente para estas, de importação de tubarão azul em postas. Tal medida tem como lógica a ciência do importador de que aquela mercadoria não estaria suportada pelo Certificado de Origem do Mercosul, conseqüentemente, não teria direito à redução da alíquota do II para zero; 8. Para as importações ocorridas antes da desclassificação do Certificado de Origem não seria possível a imposição de sanções aos importadores, eis que estes, na época da importação, foram informados pelos exportadores que a mercadoria possuía Certificado de Origem do Mercosul, tendo a própria Receita Fl. 319DF CARF MF 4 Federal declarado a validade do documento apresentado no procedimento de desembaraço aduaneiro; B – Preliminar de nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa. 9. As hipóteses de revisão do lançamento estão exaustivamente previstas pelo artigo 149 do CTN, assim, para dar validade ao seu trabalho e possibilitar a legalidade do procedimento, o autuante deveria ter apontado especificamente o inciso que sustentou o seu trabalho, de forma a possibilitar ao administrado a conferência da legitimidade da revisão, se feita em estrita observância do referido artigo ou à margem das hipóteses exaustivamente previstas; 10. Também o ADE COANA n.º 13/2010 apenas determina a desqualificação, sem ao menos apontar quais foram os motivos pelo qual fora desqualificada a origem da mercadoria; 11. É sabido que houve abertura de procedimento de investigação, iniciado por meio do ADE COANA n.º 05/2010, tudo com base no Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional do Acordo de Complementação Econômica n.º 18, internalizado pelo Decreto n.º 5.455/05. Ocorre que algumas determinações do referido Decreto não foram cumpridas, chama especial atenção os artigos 23, 29 e 32, que prevêem a necessidade de dar ciência ao importador do procedimento de investigação, bem como da possibilidade de ser denegado o tratamento preferencial para o desembaraço aduaneiro de novas, e somente novas, importações. Cita legislação; 12. O autuante não apontou o suporte legal para a atividade de revisão, deixou de notificar a impugnante da abertura do processo de investigação e do encerramento das atividades, bem como a motivação que determinou a desclassificação do Certificado de Origem, e isso cerceou o seu direito de defesa, logo, o lançamento é nulo; C – A importação não descreveu mercadoria distinta. 13. O auto de infração não merece ser acolhido, uma vez que a declaração de importação descreveu exatamente a mercadoria que fora importada. Nem mesmo a classificação fiscal da mercadoria importada foi alterada. Cita julgado do poder judiciário; 14. A mercadoria importada fora corretamente classificada no código (NCM) n.º 0303.75.14, assim, não há que se falar sequer em erro de classificação, portanto, não deve ser imposta qualquer tipo de multa. Ademais, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes manifestouse no sentido de que somente é possível perder o benefício do Mercosul nas ocasiões em que não é retificado o erro formal detectado pela administração fiscal; D – Da impossibilidade de retroação da penalidade instituída pelo Relatório Fiscal n.º 2010/02. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11051.720142/201179 Acórdão n.º 3201002.629 S3C2T1 Fl. 319 5 15. Na época da importação não havia qualquer previsão de penalidade, pois sequer o procedimento de investigação de origem da mercadoria tubarão azul havia iniciado, fato que ocorreu somente em 2010, e o ADE COANA n.º 13/2010 prevê que somente as importações efetuadas a partir de sua publicação seriam afetadas, permanecendo intactas as realizadas em momento anterior. Cita julgamento do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF; 16. E não somente o artigo 3.º do ADE COANA n.º 13/2010 determina que os efeitos da decisão do procedimento de investigação, previsto pelo ADE n.º 2010/05, contida no Relatório Fiscal n.º 2010/02, serão aplicados às novas importações, como também o artigo 32 do Decreto n.º 5.455/05. Cita legislação; 17. Verificase a completa impossibilidade de retroação da penalidade para atingir atos de anos antecedentes ao da publicação do ADE COANA n.º 13/10; E – A Importação como ato jurídico perfeito. 18. Discorre sobre o ato jurídico perfeito e manifesta seu entendimento de que o ADE COANA n.º 13/10 respeitou o princípio constitucional do ato jurídico perfeito; 19. Renova seu entendimento de que o ADE COANA n.º 13/10 estabeleceu a desqualificação da origem para os Certificados que ampararam as importações dos anos de 2008, 2009 e 2010, mas não impôs qualquer penalidade, somente determinou uma alteração na classificação da mercadoria, de tubarão azul para tubarão azul em postas. A penalidade operou efeitos ex nunc, ou seja, apenas para as novas operações, portanto, sem cabimento a lavratura do auto de infração; F – Da boa fé da impugnante e a presunção de legitimidade dos documentos apresentados pelo exportador. 20. Diante da documentação apresentada pela empresa uruguaia e do acatamento da operação pela alfândega, entende que a operação revela boa fé, ademais, a impugnante não detém poder de polícia para efetuar a fiscalização de toda a documentação que é apresentada pela empresa exportadora, a qual deve ser atribuída qualquer irregularidade verifica nos documentos apresentados. Cita julgado do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF; 21. Não houve intuito doloso, eis que todas as informações prestadas tiveram como fundamento os documentos apresentados pelo exportador, cuja responsabilidade pela emissão recai sobre os órgãos de controle do país exportador, portanto, possui presunção de veracidade e legalidade, nesse sentido, a aplicação de penalidade ao exportador não pode alcançar a impugnante, pois esta se trata de terceiro de boa fé, que não praticou atos nem concorreu para a prática de ilicitude no processo de importação; Fl. 321DF CARF MF 6 G – Do não cabimento da multa de ofício. 22. Com base no AD Cosit n.º 12/97 e no AD Cosit n.º 10/97, não cabe multa de ofício se a descrição se revela suficiente para a classificação tarifária da mercadoria. Cita julgado do STJ e do CARF; Do pedido. 23. Ao final, pugna: • pela nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, ou, sucessivamente, seja declarada a improcedência do lançamento fiscal pelas razões apresentadas, sobretudo porque o auto de infração afronta dispositivos do ADE COANA n.º 13/10 e do Decreto n.º 5.455/05, os quais determinam que os efeitos da decisão do relatório Fiscal n.º 2010/02 somente seriam aplicados às novas importações; • pela improcedência do lançamento, pelo fato de que a mercadoria importada não foi descrita de forma diversa daquela efetivamente importada, o que demonstra a sua boafé e a idoneidade da documentação de importação; • sucessivamente, que sejam afastados os acréscimos legais, ante a prática reiterada ou, no mínimo, a multa de ofício, ante a ausência de intenção de lesar o Fisco, notadamente, pela descrição correta da mercadoria. Após a impugnação apresentada pelo contribuinte, minudenciada pelo Relatório supra, a DRJ, por unanimidade de votos, manteve integralmente o crédito tributário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 03/03/2009 Certificado de Origem. Desqualificação. Revisão Aduaneira. Desqualificado o Certificado de Origem de uma importação por Ato Declaratório da Administração, cabível a Revisão Aduaneira para cobrança dos tributos eventualmente não recolhidos em função do mesmo, bem como os demais acréscimos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando as razões de suam impugnação. Os autos forma remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11051.720142/201179 Acórdão n.º 3201002.629 S3C2T1 Fl. 320 7 Voto Vencido (VOTO PARCIALMENTE VENCIDO) Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Para melhor exame, passo à análise de cada um dos pontos apresentados no Recurso Voluntário. "Preliminar de nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa" VOTO VENCIDO A Recorrente postula pelo reconhecimento da preterição do direito de defesa pelo fato de não ter sido instada a se manifestar durante o curso do procedimento fiscal que culminou com a prolação do Ato Decisório Executivo de desclassificação do Certificado de Origem da mercadoria por ela importada, incorrendo em violação ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, internalizado por meio do Decreto nº 5.455, de 2 de junho de 2005 Acrescenta que pela simples leitura do referido ADE de desqualificação sequer lhe é dado conhecer os motivos que levaram à desclassificação e, portanto, não haveria como questionar tal ato. Nesse aspecto, o acórdão recorrido defende que a autuação ora em análise ocorreu em conformidade com o procedimento de Revisão Aduaneira, de acordo com o " Art. 54 do Decretolei n.º 37/66, regulamentada pelo Artigo 638 do Regulamento Aduaneiro – Decreto n.º 6.759/09, tendo como ponto de partida o disposto pelo ADE COANA n.º 13/2010". Em seguida, manifestouse no sentido de que "a fase de investigação que precede a lavratura do auto de infração, é uma etapa meramente inquisitória, de coleta de provas, durante a qual a Fiscalização não tem nenhuma obrigação de dar ciência aos investigados dos resultados preliminares de suas ações". Adiante, conclui: Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a alegação de cerceamento do direito de defesa quando da apresentação da impugnação, oportunidade de apresentar documentos de prova e os motivos de fato e de direito Fl. 323DF CARF MF 8 em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões que possuir. Antes da lavratura do auto de infração, não há que se falar em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. Todavia, é preciso delinear que se está diante de duas situações distintas. Uma delas é o (i) procedimento de desqualificação do Certificado de Origem, estabelecido pelo Acordo de Complementação Econômica nº 18, internalizado por meio do Decreto nº 5.455, de 2 de junho de 2005 e outra é o (ii) procedimento de revisão aduaneira previsto no art. 638 do Regulamento Aduaneiro/09. Assim, necessário pontuar que a alegação de preterição do direito de defesa do contribuinte não ataca o presente procedimento administrativo de revisão aduaneira (questionado em tópico distinto de seu Recurso), mas, sim, aquele procedimento que resultou no ADE COANA nº 13 de 30 de julho de 2010, utilizado como único fundamento para a presente exigência fiscal. A íntegra do referido ADE COANA nº 13 de 30 de julho de 2010, extraída do DOU de 02/08/2010, Seção 1, p. 22, é: SUBSECRETARIA DE ADUANA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS COORDENAÇÃOGERAL DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 13, DE 30 DE JULHO DE 2010 Dispõe sobre o Encerramento de Processo Aduaneiro de Investigação de Origem. O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 130, inciso IV, da Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009, e tendo em vista o disposto nos art. 32, Anexo, do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, internalizado por meio do Decreto no 5.455, de 02 de junho de 2005, e no artigo 20, inciso I, da Instrução Normativa S.R.F. no 149, de 27 de março de 2002, declara: Art. 1º Fica encerrado, com base no Relatório Fiscal nº 2010/02, de 30 de julho de 2010, o procedimento de investigação de origem da mercadoria "Tubarão azul (Prionace glauca)", códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14, 0303.75.19 e 0304.29.70, iniciado por meio do ADE Coana nº 2010/05, de 12 de março de 2010, tendo sido desqualificada a origem para a mercadoria "Tubarão azul em postas", códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14 e 0303.75.19, dos exportadores uruguaios Marplatense S.A, Pecoa S.A, Siete Mares SRL, Oro Azul S. e Dalkan S.A, no que se refere a certificados de origem que ampararam importações nos anos de 2008, 2009 e 2010. Art. 2º Tendo sido comprovada, durante o procedimento de investigação mencionado no art. 1º, a ligação entre os Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11051.720142/201179 Acórdão n.º 3201002.629 S3C2T1 Fl. 321 9 exportadores Dalkan S.A e Siete Mares SRL e as empresas Tideman S.A. e Garditown S.A, respectivamente, fica também desqualificada a origem para a mercadoria "Tubarão azul em postas", código NCM 0303.75.14, exportado, nos anos de 2009 e 2010, pelas empresas uruguaias Tideman S.A. e Garditown S.A. Art. 3º Fica suspensa a concessão de tratamento tarifário preferencial para novas operações referentes às mesmas mercadorias, NCM 0303.75.13, 0303.75.14 e 0303.75.19, dos exportadores mencionados nos artigos 1º e 2º. Art. 4º Este Ato Declaratório entra em vigor na data de sua publicação. Conforme pontuado tanto pelo Contribuinte, como pela decisão recorrida, o procedimento de desqualificação do certificado de origem da mercadoria importada ocorreu com fundamento no Acordo de Complementação Econômica nº 18 celebrado entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, internalizado por meio do Decreto nº 5.455, de 2 de junho de 2005. Interessante observar que tanto o Contribuinte, como o julgador de primeira instância, invocam em sua defesa os mesmos artigos 23, 29 e 32 do referido Acordo de Complementação Econômica nº 18, citase: Artigo 23 A autoridade competente do Estado Parte importador deverá notificar imediatamente o início da investigação de origem ao importador e à autoridade competente do Estado Parte exportador, acionando os procedimentos previstos no Artigo 24. Artigo 29 A autoridade competente do Estado Parte importador comunicará ao importador e à autoridade competente do Estado Parte exportador o encerramento da investigação e a medida adotada em relação à origem da mercadoria, expondo os motivos que determinaram a decisão. Artigo 32 Concluída a investigação com a desqualificação do critério de origem da mercadoria invocado no certificado de origem questionado, executarseão os tributos incidentes sobre a mercadoria como se ela fosse importada de terceiros países e aplicarseão as sanções previstas na normativa MERCOSUL e/ou as correspondentes na legislação vigente em cada Estado Parte. Inicialmente, cumpre observar que os três dispositivos acima transcritos integram o Capítulo VI da referida norma, denominado "CAPÍTULO VI Verificação e Controle" O primeiro artigo desse Capítulo deixa claro se tratar exatamente do procedimento de desqualificação de certificado de origem de mercadorias comercializadas no âmbito do MERCOSUL: Artigo 18 Não obstante a apresentação de um certificado de origem nas condições estabelecidas pelo presente Regime de Origem, a autoridade competente do Estado Parte importador, poderá, em caso de dúvida fundamentada, requerer à autoridade competente do Estado Parte exportador informação adicional Fl. 325DF CARF MF 10 com a finalidade de verificar a autenticidade do certificado questionado e a veracidade da informação nele constante, sem prejuízo da aplicação das correspondentes normas MERCOSUL e/ou das respectivas legislações nacionais em matéria de ilícitos aduaneiros. Assim, não pairam dúvidas quanto à possibilidade de a Autoridade Brasileira proceder à averiguação do certificado de origem de mercadorias advindas dos demais países integrantes do MERCOSUL, sempre que pairar dúvida fundamentada. E, é também certo, que tal procedimento deve ser realizado em conformidade com as normas dispostas nesse mesmo Capítulo, que compreende os artigos 18 a 44. Feito tal esclarecimento, necessário adentrar ao exame dos já transcritos artigos 23, 29 e 32 do Acordo de Complementação Econômica nº 18, utilizados na fundamentação da presente controvérsia. Vejase que, nos termos dos artigos 23 e 29, "autoridade competente do Estado Parte importador deverá notificar imediatamente o início da investigação de origem ao importador" e, também, "comunicará ao importador (...) o encerramento da investigação e a medida adotada em relação à origem da mercadoria, expondo os motivos que determinaram a decisão" É fato incontroverso que esta intimação acerca do início e, posteriormente, do término da investigação de origem, no caso, iniciado pelo ADE nº 05 de 12 de março de 2010 e concluído pelo ADE COSIT nº 13/2010, que culminou com a desqualificação do certificado de origem que suportou as DIs ora examinadas, jamais foram enviadas à ora Recorrente. O Acórdão da DRJ, nesse aspecto, alega: Considerando o aspecto temporal, os dois primeiros artigos não se aplicam ao caso, uma vez que o procedimento investigatório que redundou no ADE COSIT n.º 13/2010, teve início com o ADE n.º 05, de 12 de março de 2010, e encerrouse com as conclusões constantes do Relatório Fiscal n.º 02, de 30 de julho de 2010, portanto, todos estes Atos ocorreram posteriormente ao despacho aduaneiro da DI n.º 09/02632218, registrada em 03/03/09, e não concomitantemente. (grifos meus) Em seguida, conclui que "autuação ocorreu em procedimento de Revisão Aduaneira, assim, não se sustenta o argumento de que a impugnante deveria ter sido notificada de que seu exportador estaria sob procedimento de investigação". Mais uma vez saliento, que a ausência de intimação contra a qual se insurge a Recorrente, ao contrário do que restou afirmado pelo acórdão, não diz respeito ao procedimento de Revisão Aduaneira, mas, sim, quanto ao prévio procedimento de desqualificação do Certificado de Origem, especificamente quanto à exigência de notificação prevista no seu art. 23. Assim, a meu ver, assiste completa razão ao Recorrente quando afirma que "o julgador de piso terminou por limitar a norma e fazer uma diferença de cunho temporal não prevista na norma". Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11051.720142/201179 Acórdão n.º 3201002.629 S3C2T1 Fl. 322 11 Em cuidadosa análise do Acordo de Complementação Econômica nº 18, no que tange ao procedimento de desqualificação de certificado de origem, denoto a previsão de duas situações distintas a partir da instauração do procedimento. A primeira delas diz respeito às operações de importação que ocorrerem a partir da abertura do procedimento e está prevista no art. 22: Artigo 22 Uma vez iniciada a investigação, a autoridade competente do Estado Parte importador não deterá os trâmites de novas importações referentes a mercadorias idênticas do mesmo exportador ou produtor, podendo, no entanto, exigir a prestação de garantia, em qualquer de suas modalidades, para preservar os interesses fiscais, como condição prévia para o desembaraço aduaneiro dessas mercadorias. O montante da garantia, quando esta for exigida, será estabelecido nos termos previstos no Artigo 18. Ou seja, uma vez que a investigação tenha se iniciado, todo aquele que importar a mercadoria sob investigação estará ciente do procedimento no exato momento em que efetuar o desembaraço da mercadoria. E, inclusive, o Estado importador poderá exigir a prestação de garantia quanto aos tributos que deixarem de ser recolhidos em razão dessa investigação, na hipótese de futura desqualificação. Com efeito, é a mais pura aplicação do princípio da segurança jurídica e da não surpresa que devem nortear toda a aplicação do direito tributário. Já o artigo imediatamente seguinte, que é justamente o art. 23, objeto de debate, prevê uma segunda situação, qual seja, aquela em que já tenham ocorrido importações ao amparo do certificado de origem sob investigação: Artigo 23 A autoridade competente do Estado Parte importador deverá notificar imediatamente o início da investigação de origem ao importador e à autoridade competente do Estado Parte exportador, acionando os procedimentos previstos no Artigo 24. Ora, é princípio basilar que a lei não contém palavras inúteis. Sendo assim, se o artigo 22, indubitavelmente aplicável às importações realizadas a partir do início do procedimento de verificação, condiciona o próprio desembaraço das mercadorias à ciência do importador acerca da investigação, por que então o artigo 23 imporia a notificação imediata do início da investigação apenas para aquelas importações também posteriores ao início da investigação? Assim, a meu ver, são dois os aspectos que tornam exigível a notificação do Recorrente acerca do início do procedimento de verificação de origem da mercadoria, não obstante a importação tenha sido concluída anteriormente a este: (i) o fato do art. 23, em sua interpretação literal, não impor qualquer limitação temporal quanto à inegável obrigatoriedade de imediata notificação do importador do início da investigação de origem; Fl. 327DF CARF MF 12 (ii) a interpretação conjunta do art. 23 com o art. 22 permitir concluir a existência de duas condutas distintas por parte do país importador, uma para aquelas importações realizadas após o início da investigação (inclusive com a possibilidade de se exigir garantia); e outra aplicável às operações anteriores, que também poderão ser atingidas com a eventual desqualificação. Ainda acrescento que está é a interpretação de maior consonância com as diversas garantias existentes na seara tributária, tal como razoabilidade, segurança jurídica, não surpresa, dentre tantos outros, como bem anotado no Voto Vencedor do Acórdão nº 3101001.703, de 17 de setembro de 2014, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção do CARF, que analisou matéria idêntica à presente: Além de dar regramentos e disciplinar condutas no meio social, qualquer sistema jurídico busca oferecer à sociedade elemento essencial à legitimação do sistema e previsibilidade de comportamentos, qual seja s SEGURANÇA JURÍDICA. Por onde analisemos os sistemas de direito positivo nacional, percebese que qualquer norma jurídica está alicerçada em fundamentos de certeza e previsibilidade. O art. 5o da Constituição Federal de 1988 é pródigo nos exemplos indicativos de que não se espera nada mais do cidadão do que o cumprimento de norma previamente e regularmente publicadas, garantindo ainda que as condutas havidas antes do regramento legal não serão atingidas: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”, “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”, “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”, “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”, “não haverá juízo ou tribunal de exceção”, “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”, “a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”, “nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido”, “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”, “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Ora, todos esses exemplos demonstram que a última coisa que o ordenamento pretende – e que a sociedade espera – é a surpresa e o descasamento entre a conduta e repercussão jurídica que fora previamente prevista em lei. Faço essa introdução porque a segurança jurídica é princípio comezinho de direito, sem a qual nenhuma sociedade consegue se estruturar e progredir. Como corolário da segurança jurídica estão princípios como o direito à manifestação, o direito de petição com ampla defesa e contraditório. Esses pressupostos do devido processo legal não é exclusividade da legislação nacional. Permeia todos os acordos Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11051.720142/201179 Acórdão n.º 3201002.629 S3C2T1 Fl. 323 13 internacionais que o Brasil é signatário e todas as relações jurídicas públicas e privadas. Transcrevo também a ementa do referido acórdão: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 21/01/2008, 18/04/2008 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADO DE ORIGEM. PRESSUPOSTOS. REPERCUSSÃO. Nos termos e condições do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995), o Estado Parte importador poderá determinar abertura de investigação para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas, sendo imprescindível notificar imediatamente o início da investigação de origem ao importador e à autoridade competente do Estado Parte exportador. A notificação também é requisito exigido no encerramento da investigação.O fundamento de validade para exigência da diferença dos tributos, que à época do desembaraço aduaneiro foram recolhidos com os benefícios da preferência tarifária em razão da origem e que passam a ser devidos em face da desqualificação do certificado de origem, deve ser a demonstração de que os fundamentos que levaram o Estado Parte importador a desqualificar genericamente o certificado de origem estão presentes especificamente no certificado de origem apresentado pelo contribuinte na importação objetivada pela fiscalização. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. NULIDADE MATERIAL. Inexistente a notificação e/ou a comunicação do importador no trâmite do procedimento de investigação instaurado pelo Estado Parte Importador para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas, nos termos dos artigos 23 e 29 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995); bem como, ausente a exata correlação entre os fundamentos da desqualificação de certificado de origem e a revisão de preferência tarifária específica da importação que se pretende exigir as diferenças de tributos devidas em face da desconsideração da origem, constatase cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, por absoluto desconhecimento do contribuinte da razão de ser da exigência, o que implica o reconhecimento da nulidade material do processo do processo administrativo fiscal.Processo Anulado Com efeito, não há como negar que o Recorrente, ao ser intimado da cobrança de tributos decorrentes de ato ao qual não deu causa (desqualificação do certificado de origem), anos após a regular importação e desembaraço da mercadoria (ainda que sujeita à Fl. 329DF CARF MF 14 revisão), sendolhe exigidos, além dos tributos, também juros e multa de ofício, é atentatório à boafé e todos os demais princípios acima elencados. Ademais, entendo também que não há falar em ausência de previsão, no Acordo de Complementação Econômica nº 18, de eventual instauração de contraditório por parte do importador, terceiro diretamente interessado. Este direito decorre expressamente do direito de petição, ampla defesa e contraditório, constitucionalmente assegurados, e da própria Lei Geral do Processo Administrativo Federal (Lei nº 9.784/99). Vislumbro, assim, na hipótese vício material de procedimento, que não pode ser saneado, uma vez que os atos pretéritos vinculados ao procedimento de revisão de origem não poderiam ser revistos em favor apenas da Recorrente. Pelo exposto, entendo pela NULIDADE MATERIAL da autuação fiscal, dando provimento ao Recurso Voluntário nesse aspecto. "Impossibilidade de retroação da penalidade instituída pelo relatório Fiscal 2010/02 Inadequação do lançamento fiscal" e "A Importação como ato jurídico perfeito" VOTO VENCEDOR Por dever de ofício e, ainda que acolhida a preliminar suscitada, competeme, também, a análise dos demais pontos apresentados em sede de Recurso Voluntário. O Contribuinte se insurge quanto à possibilidade de a desqualificação do certificado de origem alcançar importações regularmente realizadas anteriormente ao ato de desqualificação. Isso porque, segunda afirma, o próprio Ato COANA que deu início ao procedimento de investigação apenas traria previsão de suspensão da concessão de tratamento tributário preferencial às mercadorias sob investigação de origem. Defende, assim, a "completa impossibilidade de retroação da penalidade para atingir atos de anos antecedentes". Nesse sentido, traz precedente desta Turma Julgadora acerca do mesmo Ato Declaratório examinado no presente feito, qual seja, Acórdão 3201001.929 de 19 de março de 2015, que apresenta a seguinte fundamentação: Como vemos, o objeto da lide é a desqualificação dos Certificados de Origem apresentados, em face do ADE COANA nº 13 de 30 de julho de 2010: (omissis) Com a escusa pelo grifo, a interpretação do referido ato declaratório é por demais clara, quando suspende o chamado tratamento tarifário preferencial para novas operações, as quais são as ocorridas após a publicação daquele ato, ou seja, a partir de. O adjetivo “novas” tem como conceito, por mais óbvio que seja, acontecimentos futuros, por vir, que ainda não ocorreram. O verbo “suspender” tem como claro limitador a perda temporária de determinada situação. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 11051.720142/201179 Acórdão n.º 3201002.629 S3C2T1 Fl. 324 15 A junção de ambos, suspensão de novas operações, tem como limite impedir a ocorrência de situações futuras, não tendo o condão de afetar situações passadas. Se a intenção da União fosse alcançar tanto importações passadas, teria elaborado o texto com o verbo revogar, bem como explicitado que alcançaria todas as operações realizadas, ou seja, teria expressamente disposto que “fica revogado o tratamento tarifário preferencial para todas as operações de importação“. Diante desta situação, não pode ser mantido um Auto de Infração realizado com base em interpretações incabíveis de serem realizadas sobre determinada norma, a qual é clara ao tratar de casos futuros, preservando os negócios jurídicos realizados anteriormente à sua publicação. A manutenção da decisão recorrida viola não só o princípio constitucional da legalidade esculpido no art. 5, II da Carta Maior, como viola o próprio CTN, que assim dispõe: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Irretroatividade das normas Mesmo que o referido Ato Declaratório houvesse por bem tentado retroagir seus efeitos, ainda assim não seria válido, conforme preceitua o CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ademais, tendo em vista os princípios gerais que norteiam nosso ordenamento jurídico, o recorrente não poderia ser autuado por Fl. 331DF CARF MF 16 operações ocorridas, quando sequer havia ainda sido instaurado o processo de investigação de origem, patrocinado pela Coordenação de Assuntos Tarifários e Comerciais, da Coordenação Geral de Administração Aduaneira da Secretaria da Receita Federal. Não havendo à época sequer sido instaurado processo investigatório frente à empresa exportadora, não poderia à recorrente ser imputada tal responsabilidade. Da jurisprudência As decisões administrativas federais proferidas sobre o tema são todas favoráveis à recorrente. Inicialmente, colacionamos acórdão n. 2183/2003, proferido pela DRJ de Florianópolis/SC, que assim trata do tema aqui discutido: (omissis) Como à época dos fatos os certificados de origem que acompanharam as importações foram e estavam válidos, não pode ser exigido da recorrente os tributos como se aqueles não existissem ou não fossem válidos. A contrario sensu, isso também já foi decidido na Solução de Divergência nº 17/2003, nestes termos: Ministério da Fazenda Secretaria da Receita Federal Coordenação Geral de Tributação Solução de Divergência nº 17 de 25 de setembro de 2003 ASSUNTO: Imposto sobre a Importação II EMENTA: NÃO INCIDENCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA EXPORTADA A TÍTULO DEFINITIVO. CERTIFICADO DE ORIGEM. INCIDÊNCIA. O atual ordenamento jurídico brasileiro não prevê a livre circulação de mercador ias no âmbito do Mercosul, prevalecendo, em nosso País, as disposições constantes da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e do Tratado de Assunção, que ainda não prevêem esse tipo de mecanismo. O Certificado de Origem é um documento que somente pode ser aproveitado, para fins de comprovação da origem de mercadorias que se beneficiam de preferência tarifária, quando a mercadoria for originária e procedente do País exportador com o qual o Brasil tenha celebrado acordo comercial internacional, não podendo ser utilizado quando da importação de mercadoria de origem brasileira que tenha sido exportada a título definitivo. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Assim, adotando como razão de decidir a fundamentação supra, entendo que também nesse aspecto merece acolhida o Recurso Voluntário. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11051.720142/201179 Acórdão n.º 3201002.629 S3C2T1 Fl. 325 17 Diante de todo o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para, em preliminar, declarar a nulidade material (insanável) do Auto de Infração guerreado (voto vencido). No mérito, também entendo ser inaplicável o ADE COSIT nº 13/2010, uma vez que, consoante seu art. 3º, a suspensão da concessão de tratamento tarifário preferencial abrange apenas as importações posteriores à sua publicação (voto vencedor). Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Voto Vencedor Conforme determinado durante a sessão de julgamento, encaminho o voto vencedor, em relação à preliminar de nulidade do Auto de Infração, em face de suposta preterição do direito de defesa do contribuinte. No caso, a maioria da Turma decidiu que não se verifica qualquer tipo de cerceamento ao direito de defesa do recorrente, o simples fato de que o mesmo não teria sido cientificado, nem chamado a se manifestar, durante o curso do procedimento fiscal que culminou com a prolação do Ato Decisório Executivo de desclassificação do Certificado de Origem da mercadoria por ele importada. O referido procedimento foi realizado com foco nas empresas exportadoras, portanto, inexiste qualquer determinação legal que obrigue a notificação dos importadores (dentre os quais, o recorrente) quanto à realização de eventuais averiguações efetivadas pelo Fisco junto à outras empresas situadas no exterior. Pelo exposto, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade do Auto de Infração em análise. José Luiz Feistauer de Oliveira Relator do Voto Vencedor Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.730427/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. COMPARTILHAMENTO AUTORIZADO PELO PODER JUDICIÁRIO.
É válido, no âmbito administrativo, o compartilhamento de provas obtidas mediante quebra do sigilo bancário, quando devidamente autorizado pelo Poder Judiciário.
PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE.
Inexiste óbice à utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, tampouco é necessária a identidade entre as partes no processo de origem e aquele a que se destina a prova emprestada. Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestar-se sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora.
INTIMAÇÕES. PRAZO EXÍGUO PARA ATENDIMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE.
Constatado que os prazos concedidos pela autoridade fiscal, sucessivamente prorrogados, são mais que razoáveis e suficientes para o fiscalizado apresentar documentos e prestar esclarecimentos, o não atendimento à fiscalização respalda o arbitramento da remuneração dos segurados contribuintes individuais, por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO.
Não demonstrado pela empresa, em linguagem de provas, que os valores depositados em conta bancária ou disponibilizados em dinheiro a contribuinte individual, que lhe presta serviços, possui natureza não remuneratória, o crédito tributário lançado de ofício deve ser mantido.
MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. SONEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A qualificação da penalidade é mantida quando demonstrada a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, no importe de 150%, em especial, no caso concreto, a firme intenção do sujeito passivo, consciente e voluntária, de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade lançadora da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal.
Por outro lado, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo a multa para o patamar básico em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%, nas hipóteses em que não evidenciada, tendo em conta o conjunto probatório dos autos, um liame indubitável com uma conduta dolosa do sujeito passivo destinada a sonegação tributária.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL EM TÍTULOS PRÓPRIOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES.
Caracteriza infração à legislação tributária, punível com multa, (i) deixar a empresa de incluir a totalidade da remuneração paga a contribuinte individual na folha de pagamento; (ii) a empresa não lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições; e (iii) deixar a empresa de apresentar, após devidamente intimada, documentos relacionados ao contribuições previdenciárias.
Tais penalidades equivalem à sanção pelo desatendimento de um dever formal tributário, a qual não se confunde com a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo. Demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das circunstâncias agravantes que permitam a elevação da penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória, cabe manter o valor na multa aplicada pela autoridade fiscal.
LEI TRIBUTÁRIA. CARGA CONFISCATÓRIA DA PENALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária que trata de imposição de multa pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória.
(Súmula Carf nº 2)
Numero da decisão: 2401-004.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para excluir a qualificadora da multa com relação aos pagamentos feitos a Waldenir Xavier de Oliveira. levantamento W1 do auto de infração Debcad 51.009.472-4. Vencidas as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. COMPARTILHAMENTO AUTORIZADO PELO PODER JUDICIÁRIO. É válido, no âmbito administrativo, o compartilhamento de provas obtidas mediante quebra do sigilo bancário, quando devidamente autorizado pelo Poder Judiciário. PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE. Inexiste óbice à utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, tampouco é necessária a identidade entre as partes no processo de origem e aquele a que se destina a prova emprestada. Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestar-se sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora. INTIMAÇÕES. PRAZO EXÍGUO PARA ATENDIMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Constatado que os prazos concedidos pela autoridade fiscal, sucessivamente prorrogados, são mais que razoáveis e suficientes para o fiscalizado apresentar documentos e prestar esclarecimentos, o não atendimento à fiscalização respalda o arbitramento da remuneração dos segurados contribuintes individuais, por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. Não demonstrado pela empresa, em linguagem de provas, que os valores depositados em conta bancária ou disponibilizados em dinheiro a contribuinte individual, que lhe presta serviços, possui natureza não remuneratória, o crédito tributário lançado de ofício deve ser mantido. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. SONEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A qualificação da penalidade é mantida quando demonstrada a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, no importe de 150%, em especial, no caso concreto, a firme intenção do sujeito passivo, consciente e voluntária, de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade lançadora da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Por outro lado, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo a multa para o patamar básico em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%, nas hipóteses em que não evidenciada, tendo em conta o conjunto probatório dos autos, um liame indubitável com uma conduta dolosa do sujeito passivo destinada a sonegação tributária. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL EM TÍTULOS PRÓPRIOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. Caracteriza infração à legislação tributária, punível com multa, (i) deixar a empresa de incluir a totalidade da remuneração paga a contribuinte individual na folha de pagamento; (ii) a empresa não lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições; e (iii) deixar a empresa de apresentar, após devidamente intimada, documentos relacionados ao contribuições previdenciárias. Tais penalidades equivalem à sanção pelo desatendimento de um dever formal tributário, a qual não se confunde com a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo. Demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das circunstâncias agravantes que permitam a elevação da penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória, cabe manter o valor na multa aplicada pela autoridade fiscal. LEI TRIBUTÁRIA. CARGA CONFISCATÓRIA DA PENALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária que trata de imposição de multa pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória. (Súmula Carf nº 2)
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.730427/2013-56
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5740480
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.874
nome_arquivo_s : Decisao_10120730427201356.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 10120730427201356_5740480.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para excluir a qualificadora da multa com relação aos pagamentos feitos a Waldenir Xavier de Oliveira. levantamento W1 do auto de infração Debcad 51.009.472-4. Vencidas as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6848886
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209858424832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 642 1 641 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.730427/201356 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.874 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PARTE PATRONAL. DOLO/FRAUDE Recorrente METRAFORT TERRAPLENAGEM E CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. COMPARTILHAMENTO AUTORIZADO PELO PODER JUDICIÁRIO. É válido, no âmbito administrativo, o compartilhamento de provas obtidas mediante quebra do sigilo bancário, quando devidamente autorizado pelo Poder Judiciário. PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE. Inexiste óbice à utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, tampouco é necessária a identidade entre as partes no processo de origem e aquele a que se destina a prova emprestada. Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestarse sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora. INTIMAÇÕES. PRAZO EXÍGUO PARA ATENDIMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Constatado que os prazos concedidos pela autoridade fiscal, sucessivamente prorrogados, são mais que razoáveis e suficientes para o fiscalizado apresentar documentos e prestar esclarecimentos, o não atendimento à fiscalização respalda o arbitramento da remuneração dos segurados contribuintes individuais, por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. Não demonstrado pela empresa, em linguagem de provas, que os valores depositados em conta bancária ou disponibilizados em dinheiro a contribuinte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 73 04 27 /2 01 3- 56 Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 643 2 individual, que lhe presta serviços, possui natureza não remuneratória, o crédito tributário lançado de ofício deve ser mantido. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. SONEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A qualificação da penalidade é mantida quando demonstrada a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, no importe de 150%, em especial, no caso concreto, a firme intenção do sujeito passivo, consciente e voluntária, de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade lançadora da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Por outro lado, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo a multa para o patamar básico em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%, nas hipóteses em que não evidenciada, tendo em conta o conjunto probatório dos autos, um liame indubitável com uma conduta dolosa do sujeito passivo destinada a sonegação tributária. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL EM TÍTULOS PRÓPRIOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. Caracteriza infração à legislação tributária, punível com multa, (i) deixar a empresa de incluir a totalidade da remuneração paga a contribuinte individual na folha de pagamento; (ii) a empresa não lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições; e (iii) deixar a empresa de apresentar, após devidamente intimada, documentos relacionados ao contribuições previdenciárias. Tais penalidades equivalem à sanção pelo desatendimento de um dever formal tributário, a qual não se confunde com a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo. Demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das circunstâncias agravantes que permitam a elevação da penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória, cabe manter o valor na multa aplicada pela autoridade fiscal. LEI TRIBUTÁRIA. CARGA CONFISCATÓRIA DA PENALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária que trata de imposição de multa pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória. (Súmula Carf nº 2) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 644 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para excluir a qualificadora da multa com relação aos pagamentos feitos a Waldenir Xavier de Oliveira. levantamento W1 do auto de infração Debcad 51.009.4724. Vencidas as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 645 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário manejado em face da decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1268.318 (fls. 553/567): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. VALIDADE. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA CFL 30. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar de informar em folha de pagamento a totalidade da remuneração paga a contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ensejando a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA CFL 34. DESCUMPRIMENTO Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedade empresária de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da sociedade empresária e os totais recolhidos, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA CFL 38. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração deixar a empresa de exibir à fiscalização documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO Caracterizada a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, resta caracterizada hipótese que determina a qualificação da multa. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 646 5 PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. O processo administrativotributário admite todas as provas e meios de provas lícitos, inclusive prova emprestada, indícios e presunções. PENALIDADE. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. Inexiste desobediência ao princípio do não confisco quando a penalidade aplicada tem respaldo em lei. JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS É defeso à Administração trazer ao âmbito interna corporis os efeitos de decisões judiciais inter partes Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 16/36, que o processo administrativo é composto por 4 (quatro) Autos de Infração (AI), compreendendo o período de 01/2009 a 12/2010, assim formalizados: (i) AI nº 51.009.4724 (obrigação principal), referente às contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre remunerações pagas a segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa (fls. 6/11); (ii) AI nº 51.009.4732 (obrigação acessória), por ter a empresa deixado de preparar a folha de pagamento, no que tange à inclusão da totalidade da remuneração dos contribuintes individuais, de acordo com os padrões estabelecidos pela legislação previdenciária Código de Fundamentação Legal CFL 30 (fls. 12); (iii) AI nº 51.009.4740 (obrigação acessória), por ter a empresa deixado de lançar, em títulos próprios, de sua contabilidade, no tocante às remunerações pagas a segurados contribuintes individuais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária CFL 34 (fls. 13); e (iv) AI nº 51.009.4759 (obrigação acessória), por ter a empresa deixado de apresentar documentos à fiscalização, após devidamente intimada CFL 38 (fls. 14). 3. O procedimento fiscal deflagrado no contribuinte, ora recorrente, teve origem a partir do compartilhamento pelo Ministério Público Federal de documentos apreendidos na Operação Esperança, intitulada de "Caixa de Pandora", devidamente autorizado pela Justiça Federal. Além dos elementos de prova obtidos junto ao Ministério Público, a empresa, após devidamente intimada, também forneceu documentos à auditoria fiscal, tais como folhas de pagamento e escrituração contábil, e prestou esclarecimentos. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 647 6 4. Segundo a fiscalização, foram identificados os seguintes pagamentos, qualificados como realizados a contribuintes individuais: (i) pagamentos de remunerações indiretas ao sócio administrador da empresa Metrafort Terraplenagem e Construções Ltda, Waldenir Xavier de Oliveira, identificados na contabilidade, a crédito da Conta "Caixa Geral" (fls. 426, Levantamento Fiscal W1); e (ii) pagamentos não contabilizados pela empresa a Osvaldino Xavier de Oliveira, irmão de Waldenir Xavier de Oliveira, (fls. 425, Levantamento Fiscal O1). 5. Em relação às contribuições previdenciárias exigidas, o percentual da multa de ofício foi duplicado, no importe de 150%, nos termos do inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (denominada de "multa qualificada"). 6. O contribuinte foi cientificado da autuação em 29/11/2013, via postal, conforme fls. 427/428, e impugnou a exigência fiscal (fls. 434/477). 7. Intimada por via postal da decisão de piso em 19/9/2014, segundo fls. 571/576, a recorrente apresentou recurso voluntário em 15/10/2014, cujos argumentos de defesa estão a seguir resumidos (fls. 578/619). (i) nulidade do lançamento tributário, por violação do sigilo bancário; (ii) os prazos concedidos pela fiscalização para atendimento das intimações foram escassos. Antes mesmo que a empresa pudesse entregar os documentos solicitados, bem como prestar as informações necessárias, de forma precipitada a autoridade fiscal procedeu à apuração da contribuição com base em aferição indireta; (iii) não há previsão legal para lançar contribuições previdenciárias com base em valores de saques de cheques e transferências bancárias, porquanto não se pode presumir saídas/transferências como sendo pagamentos pela empresa a segurados contribuintes individuais, decorrentes de prestação de serviço; (iv) o mero desembolso não representa fato gerador de contribuição previdenciária, que é a prestação de serviço, e não o pagamento. Diante da incerteza da ocorrência do fato gerador, o correto era a fiscalização identificar e intimar os beneficiários dos pagamentos para verificar se houve ou não a prestação do serviço; (v) a adoção do arbitramento, por aferição indireta, é medida excepcional e como tal aplicável às hipóteses em que, de forma clara e inequívoca, a fiscalização comprove a Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 648 7 imprestabilidade, a efetiva inexistência ou a recusa de fornecimento da contabilidade da empresa, ou ainda quando inexistam outros documentos que possam suprir a falta da escrituração. Apesar de eventuais falhas e incorreções, a contabilidade não foi desclassificada pela autoridade fiscal, tendo a recorrente disponibilizado os seus livros fiscais e contábeis; (vi) os créditos efetivados pela empresa em favor do sócio Waldenir Xavier de Oliveira dizem respeito, na verdade, à distribuição de lucros, e não a pagamento de remuneração pela prestação de serviços; (vii) os valores em nome de Osvaldino Xavier de Oliveira representam pagamentos por serviços prestados pela empresa Nely Engenharia e Logística Ltda, da qual é sócio administrador. De modo equivocado, os depósitos foram realizados na sua conta pessoal, o que não autoriza concluir, absolutamente, que houve prestação de serviços à empresa recorrente pela pessoa física; (viii) a fiscalização não logrou justificar a qualificação da multa de ofício, que somente é cabível quando restar comprovada, de forma cabal e irrefutável, a ocorrência de dolo, fraude ou conluio; (ix) sendo indevida a contribuição previdenciária exigida incidente sobre os montantes vinculados às pessoas físicas, são integralmente improcedentes as multas relacionadas às obrigações acessórias, inclusive no tocante às circunstâncias agravantes; (x) de forma incorreta para um mesmo período e em razão dos mesmos fatos, além do lançamento quanto à obrigação principal, acompanhada da penalidade vinculada, a fiscalização aplicou também a multa pelo descumprimento de obrigação acessória; e (xi) a multiplicidade de multas em vários autos de infração implica um efeito confiscatório da cobrança. É o relatório. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 649 8 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 8. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares a) Violação ao sigilo bancário 9. Da leitura dos autos, depreendese que a empresa não forneceu extratos bancários. A peça recursal confirma tal fato: "(...) e principalmente pelo fato de que a RECORRENTE, exercendo os seus mais legítimos direitos, NÃO FORNECEU EXTRATOS BANCÁRIOS." (destaque do original, às fls. 589). 10. A fiscalização não utilizou dados de extratos bancários para proceder à constituição do crédito tributário correspondente aos pagamentos de remunerações indiretas ao sócioadministrador, Waldenir Xavier de Oliveira. 11. Por outro lado, no caso dos pagamentos não contabilizados efetuados a Osvaldino Xavier de Oliveira, a autoridade lançadora utilizou no procedimento fiscal dados bancários obtidos mediante quebra do sigilo bancário. Contudo, o compartilhamento de provas foi decorrente de prévia autorização judicial. 11.1 O Relatório Fiscal, às fls. 24, conforme destacado pelo colegiado de primeira instância, expõe de forma clara que, uma vez autorizada a quebra do sigilo bancário por solicitação do Ministério Público Federal, no âmbito do Inquérito nº 137437.2010.4.01.0000/DF, com trâmite junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, foi permitido compartilhar as informações de movimentação com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). 12. Contesta a recorrente a utilização para fins do lançamento tributário de informações de terceiros, ante a sua falta de vinculação com a Operação "Caixa de Pandora". Isso porque, segundo defende, o Fisco não poderia amparar a pretensão fiscal em prova arrecadada judicialmente, vez que o juízo penal não possui competência para autorizar o uso delas para outra finalidade que não a de investigação criminal, isto é, tais provas, que não haviam ainda sido contraditadas, não poderiam ser usadas, a título de empréstimo, no âmbito do direito administrativo fiscal. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 650 9 13. Não há sequer um elemento nos autos para desmentir a utilização do compartilhamento pela autoridade fiscal de acordo com os limites aprovados pelo Poder Judiciário. Por isso, a eventual irregularidade no uso dos dados compartilhados para fins tributários, como sustenta a recorrente, é matéria estranha, neste momento, ao contencioso administrativo. 14. Via de regra não há qualquer óbice à utilização de prova emprestada, conforme se vê do art. 372 Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, aplicável de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal: Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. 15. A utilização de uma prova produzida em outro processo não exige identidade de partes, prescindindose que sejam as mesmas partes na origem e no processo de destino da prova emprestada, conforme entendimento da jurisprudência pátria (Embargos em Recurso Especial nº 617.428/SP, relator Ministro Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 4/6/2014). 16. Não é demais lembrar que, no tocante aos documentos e às informações que amparam o lançamento tributário, o contraditório e a ampla defesa são garantidos ao contribuinte no contencioso administrativo fiscal. 17. Afastada a preliminar, passase à análise de outra questão prévia ao exame do mérito do lançamento. b) Prazos exíguos para atendimento das intimações 18. Reclama a recorrente que a autoridade fiscal concedeulhe prazos demasiadamente curtos para atender às solicitações de apresentação de documentos e prestação de informações, restando condenável a apuração das contribuições com base em aferição indireta. 19. Ao compulsar os documentos que instruem os autos, verifico que também não lhe assiste razão nesse ponto do recurso. 20. A ciência do início do procedimento fiscal aconteceu em 30/7/2012 (fls. 40/42). Na sequência, a fiscalização emitiu diversas intimações e reintimações para apresentação de documentos, assim como para prestação de informações e esclarecimentos, a última com ciência em 6/11/2013 (fls. 43/69). 21. A toda a evidência, os prazos concedidos pela autoridade fiscal, sucessivamente prorrogados, que se alongaram por mais de um ano desde o início do procedimento, são mais que razoáveis e suficientes para o fiscalizado apresentar documentos e prestar esclarecimentos, não configurando cerceamento de defesa. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 651 10 Mérito a) Consideração Iniciais 22. Na hipótese de recusa, sonegação ou apresentação deficiente de documentos ou informações pelo sujeito passivo, o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, c/c art. 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 (RPS/1999), autoriza a fiscalização a lançar de ofício a importância reputada devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário: Lei nº 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) RPS/1999 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (GRIFEI) Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 652 11 22.1 Ao contrário do que defende a recorrente, a legislação previdenciária não exige como pressuposto para a fiscalização lançar mão do arbitramento a desconsideração formal da escrituração contábil, bastando que existam evidências de que ela não registra a movimentação real da remuneração dos segurados a serviço da empresa. 23. Declara também a recorrente que, após intimada pela fiscalização, apresentou prontamente seus livros contábeis e fiscais, dentre outros documentos. 24. Não é o que consta dos autos. De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa atendeu apenas parcialmente as intimações fiscais, deixando de apresentar documentos e prestar esclarecimentos imprescindíveis para a correta identificação da matéria tributável. 25. Analiso, separadamente, os fatos geradores relacionados aos pagamentos a Waldenir Xavier de Oliveira e Osvaldino Xavier de Oliveira. b) Pagamentos a Waldenir Xavier de Oliveira 26. Provocada a manifestarse a respeito de determinados lançamentos contábeis no ano de 2009, a crédito na Conta "Caixa Geral", que representavam, a princípio, saídas de recursos em dinheiro da empresa, a recorrente justificou que se referiam a transações realizadas com o sócioadministrador Waldenir Xavier de Oliveira. 26.1 As transferências de numerário ao sócio, segundo declarou por escrito a empresa fiscalizada, tiveram origem em aportes (i) para manutenção da empresa, (ii) feitos pelo sócio para contratos não recebidos e (iii) para manutenção de máquinas e veículo da sociedade empresária, alguns com posterior regularização entre as partes (itens 24 a 29 do Relatório Fiscal, fls. 23/24, e Resposta às Intimações, fls. 412/413). 26.2 Com relação a todos os lançamentos contábeis enumerados pela autoridade lançadora, o termo de intimação solicitou a documentação completa que lhes dava suporte, e não apenas explicações despedidas de prova documental (fls. 52/53). No entanto, as justificativas prestadas pela fiscalizada não vieram acompanhadas de quaisquer documentos hábeis e idôneos para darlhes respaldo fático, nem mesmo as notas fiscais e os contratos mencionados no histórico contábil. 27. É certo que a escrituração das empresas, mantida conforme as disposições legais, faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela anotados, porém desde que os registros contábeis estejam lastreados por documentos hábeis e idôneos das operações ali escrituradas. 28. Relativamente à empresa, constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal a prestação de serviços remunerados realizados por contribuinte individual. Para fins do nascimento da obrigação tributária, considerarseá ocorrido o fato gerador para a empresa no mês em que paga ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, ao segurado contribuinte que lhe presta serviço. Tal entendimento encontra amparo no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, abaixo reproduzido: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 653 12 III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) 29. Os contratos e alterações societárias da empresa autuada, acostados às fls. 70/137, revelam que Waldenir Xavier de Oliveira, o qual detém o equivalente a 97% (noventa e sete por cento) do capital social, é o administrador da sociedade empresária limitada, cabendolhe à direção administrativa e a responsabilidade da parte econômica financeira da empresa (Cláusula Quinta). 29.1 Aos sócios, pela atividade exercida na sociedade, é garantidolhes um retirada mensal, a título de prólabore (Cláusula Sétima). 30. Para fins da legislação previdenciária, Waldenir Xavier de Oliveira conserva um vínculo contínuo com a sociedade empresária, prestandolhe serviços e recebendo, via de regra, alguma retribuição. 31. De acordo com os arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador ordinário estabeleceu um conceito amplo de remuneração, destinada a retribuir o trabalho, de maneira que as parcelas pagas pela empresa que escapam à tributação devem estar amparadas em documentos hábeis e idôneos que demonstrem a natureza não remuneratória, elaborados pelo sujeito passivo e disponibilizados à fiscalização quando solicitados. 32. Nesse cenário fático, contratual e normativo, não há que se cogitar em presunção do fato gerador para o sócio Waldenir Xavier de Oliveira, porquanto a prestação de serviços é algo inerente à própria natureza do vínculo jurídico existente com a sociedade empresária. 33. Argumenta a defesa, na sua petição recursal, que o auditor fiscal considerou como remuneração indireta ao sócioadministrador, Waldenir Xavier de Oliveira, valores relativos à regularização contábil, os quais se encontravam pendentes junto à contabilidade da empresa. Tais quantias foram regularizadas, posteriormente, na forma de distribuição de lucros aos sócios. 33.1 Nos exercícios de 2009 e 2010, afirma, o lucro contabilmente apresentado no balanço registrado na Junta Comercial do Estado de Goiás foi, respectivamente, de R$ 12.011.143,09 e R$ 8.664.043,63. Se existiram lucros e o contrato social indica que devem ser distribuídos entre os sócios, a simples falha na escrituração contábil inviabiliza a conclusão da autoridade lançadora de que os montantes dizem respeito à prestação de serviços pelo sócio administrador. 34. Pois bem. A justificativa dada pela recorrente é incapaz para desqualificar o lançamento tributário. Não há como presumir a distribuição de lucros na contabilidade, pois ausente essa implicação. 35. No âmbito da legislação previdenciária, impõese a necessidade de discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho (prólabore) e a remuneração proveniente do capital social (lucro) pagas ou creditadas aos sócios. A falta de separação dos lucros dificulta o controle fiscal sobre as parcelas recebidas, ou mesmo tornálo inviável, o que não pode ser admitido para fins de tributação. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 654 13 36. Não é o caso de dúvidas se os valores entregues ao sócio o foram a título de antecipação ou distribuição de lucros. É insuficiente haver lucros disponíveis registrados na contabilidade, pois caberia à empresa fiscalizada demonstrar a efetiva, e não hipotética, transferência a título de lucros, no que não restou corroborada pela cópia da escrita contábil acostadas nos autos (fls. 165/267). 36.1 Na hipótese de equívoco na escrituração contábil, como alega a recorrente, o que se espera é alguma providência concreta, tão logo identificada a deficiência, para reparação dos lançamentos na contabilidade, por meio de ajustes que pudessem sinalizar a realidade de distribuição de lucros. 37. A falta de registros contábeis de pagamentos a título de distribuição de lucros em contas apropriadas, caso essa fosse a natureza jurídica, implicaria manter indevidamente disponível os saldos existentes na conta patrimonial de lucros acumulados para futuro pagamento aos sócios. 37.1 Por isso, considerando a instrução dos autos, a pretensão de considerar os valores à conta de lucros acumulados em 2009, contém óbice intransponível, haja vista a impossibilidade de saberse se os sócios não aproveitaram, nos anos seguintes, os lucros acumulados do período. 38. Cabe advertir que a só redução do saldo da conta lucros/prejuízos acumulados, devido a lançamento a débito, não é prova suficiente para demonstrar a vinculação com os fatos alegados pela recorrente, prescindindo de correlação unívoca com as operações no valor total de R$ 9.278.531,55, lançado como remuneração indireta ao sócioadministrador, relativo ao ano de 2009. 39. Como cediço, a prova incumbe a quem tem interesse em prevalecer os fatos que sustenta como fundamento à sua pretensão. À recorrente, não tenho dúvidas, foi oportunizado apresentar, na fase contenciosa, todas as provas lícitas que entendesse necessárias para a comprovação de suas alegações. Porém, não se desincumbiu do ônus probatório. 40. Logo, não merece reparo a decisão de piso. c) Pagamentos a Osvaldino Xavier de Oliveira 41. Quanto às transferências da empresa ao Sr. Osvaldino Xavier de Oliveira, via movimentação bancária, no ano de 2010, a fiscalização também intimou o sujeito passivo a apresentar a documentação completa que lhes suportava, observado que, nessas situações, a autuada não havia sequer escriturado os pagamentos efetuados à pessoa física na sua contabilidade (itens 30 e 38). 41.1 A empresa justificou a transferência de numerário, diretamente à conta bancária em nome de Osvaldino Xavier de Oliveira, por solicitação do próprio interessado, tendo em vista o repasse de lucros oriundos do contrato firmado com a empresa Nely Engenharia e Logística Ltda, da qual a pessoa física era o sócioadministrador, para execução de obra de engenharia civil (fls. 384/392 e 421/423). 42. Em que pese as explicações dadas no sentido de que os pagamentos foram destinados à quitação de obrigação com a pessoa jurídica, por meio de depósito em conta da Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 655 14 pessoa física, as transferências deixaram de estar respaldadas, segundo o agente fiscal, em documentação hábil e idônea que pudesse sinalizar a procedência dos fatos que foram assumidos pela empresa. 43. Por sua vez, alega a empresa que para configuração do fato gerador da contribuição previdenciária é indispensável a comprovação da contrapartida laboral, não sendo suficiente a simples verificação de desembolso de dinheiro. 44. Com efeito, o simples depósito em conta bancária, em nome ou benefício de pessoa física, não permite a conclusão de que tal valor representa remuneração por serviço prestado. 45. O Sr. Osvaldino Xavier de Oliveira foi qualificado pela autoridade fiscal, também, como contribuinte individual, embora, diferentemente do Sr. Waldenir Xavier de Oliveira, não se tenham dados que assegurem um vínculo laboral anterior com a pessoa jurídica autuada. 46. Meu entendimento, contudo, é que a acusação fiscal está respaldada em indícios que impulsionam a probabilidade de que as saídas de numerário da conta bancária da empresa fiscalizada representem retribuição a contribuinte individual pela prestação de serviço, o que implica a transferência do ônus probatório para o sujeito passivo. 47. Observo que a recorrente procurar vincular os pagamentos à pessoa física a uma prestação de serviço, não pelo Sr. Osvaldino Xavier de Oliveira, e sim pela empresa do qual é sócioadministrador, Nely Engenharia e Logística Ltda. Tratase do contrato firmado, no âmbito de constituição de sociedade em conta de participação, para execução de serviços de terraplenagem (fls. 384/392). 47.1 A linha argumentativa defendida é que o contrato não pode ser ignorado pela fiscalização. Os serviços, que não envolvem o fornecimento de mão de obra, foram prestados pela Nely Engenharia, tendo sido os valores depositados, de forma errônea, em conta pessoal do Sr. Osvaldino Xavier de Oliveira, em vez de conta bancária específica em nome da pessoa jurídica. 48. A despeito de conter um discurso estruturado sobre os fatos que expõe e o direito que diz aplicável à questão controvertida, o recurso voluntário interposto pela empresa não está apoiado em um conjunto de elementos sérios e convergentes que, ao final, ganhem força probante. 48.1 Conforme declarou o agente lançador, não desmentido pela recorrente, em linguagem de provas, os pagamentos ao Sr. Osvaldino Xavier de Oliveira não foram contabilizados nem pela autuada (fonte pagadora), tampouco pela empresa Nely Engenharia e Logística Ltda (fonte receptora). 48.2 A transferência de numerário à pessoa física não está amparada por nota fiscal, recibo ou qualquer comprovante da vinculação entre as empresas e/ou contrato de terraplenagem. Em contrapartida, a fiscalização identificou, na contabilidade da recorrente, outros pagamentos registrados em nome da empresa Nely Engenharia e Logística Ltda, devidamente correlacionados ao contrato de parceria. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 656 15 48.3 Não há provas nem mesmo da existência de resultados positivos advindos do contrato, de modo a tentar justificar a natureza dos pagamentos realizados diretamente ao sócio da empresa Nely Engenharia e Logística Ltda. 49. Em verdade, segundo esclarece o recurso voluntário, a recorrente era a líder do consórcio, recebendo os valores faturados pela execução da obra e distribuindo entre os participantes. 49.1 Daí, porque, com o fim de comprovar as suas alegações, caberia trazer aos autos, por exemplo, lastreado em documentação hábil e idônea, o montante do faturamento total recebido pelo contrato, os valores correspondentes às demais participantes do consórcio e as quantias depositadas em nome da empresa Nely Engenharia e Logística Ltda, para então permitir o confronto com os valores dos depósitos na conta pessoal do Sr. Osvaldino Xavier de Oliveira. Não consta que a recorrente buscou adotar tal providência, ou qualquer outra com viés de demonstrar os fatos alegados. 50. Tendo em vista que os valores depositados na conta corrente do Sr. Osvaldino Xavier de Oliveira foram mantidos, comprovadamente, à margem da escrituração contábil e fiscal e, muito provavelmente, ante a ausência de prova em contrário, também distante da incidência da tributação devida, não só contribuição previdenciária, é razoável considerar que a própria prestação de serviços à empresa pela pessoa física, no desempenho de alguma especialidade de seu interesse, tenha sido escondida pelas partes. 51. Mais uma vez, com acerto a decisão de piso. d) Multa Qualificada 52. Consta do auto de infração a imposição de multa qualificada, no percentual de 150%, incidente sobre o tributo lançado. 53. A aplicação dessa multa no lançamento de ofício é regulada pelo art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Reproduzo abaixo os dispositivos, com a redação à época dos fatos geradores: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) 54. Por sua vez, os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, acima mencionados, estão assim redigidos: Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 657 16 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 55. Além do critério básico de aplicação da multa de ofício, equivalente a 75% sobre o valor principal, a legislação prevê a denominada multa qualificada, em que há uma duplicação do percentual padrão, quando evidenciada pela fiscalização sonegação, fraude ou conluio, cuja gravidade do comportamento lesivo do infrator enseja um reprimenda punitiva mais severa, como forma de castigar o transgressor e desestimular condutas afins por parte de outros sujeitos passivos. 56. Para essa elevação do percentual básico é condição indispensável a acusação identificar elementos subjetivos na conduta do infrator, porquanto tanto a simulação quanto a fraude pressupõem o dolo, sendo insuficiente para cogitar da hipótese tão somente a materialidade da conduta. 57. Vale dizer que a sonegação, fraude ou mesmo o conluio devem possuir base probatória autônoma, pela qual se demonstra a vontade livre e consciente do infrator em praticar as condutas ilícitas, em prol de, ao final e ao cabo, viabilizar a supressão ou redução do tributo. 58. Pois bem. Consta dos autos as seguintes justificativas para a exarcebação pela autoridade fiscal da penalidade de ofício (fls. 26/27): (...) 39. No presente caso, restou comprovado que o contribuinte não chegou sequer a contabilizar pagamentos expressivos. Foi possível perceber que as ações perpetradas pela METRAFORT não se tratam de erros pontuais, de atitudes isoladas, mas de atos reiterados. Verificouse que, de forma continuada, o contribuinte tentou impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência de fatos geradores de obrigações tributárias de modo a evitar o pagamento de tributos devidos. Diversos elementos reforçam o entendimento supracitado e ratificam a existência de máfé por parte do contribuinte, dentre eles: a não contabilização e a não declaração reiterada de valores relevantes, as alegações Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 658 17 contraditórias e infundadas do contribuinte, a existência de saldo credor na conta Caixa em diversos períodos, a não apresentação injustificada de documentos relacionados a pagamentos substanciais e a anuência do sócioadministrador da METRAFORT, Waldenir Xavier de Oliveira, nos pagamentos objeto desta autuação, já que ele estava encarregado da direção administrativa e da parte econômicofinanceira da empresa. (...) 44. Nesse contexto, cumpre informar, conforme descrito no decorrer desse relatório, que foram constatadas situações previstas no § 1º do artigo 44, da lei em questão. De forma continuada, o contribuinte em questão buscou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência de fatos geradores e impedir a efetiva cobrança de contribuições incidentes sobre remunerações pagas a trabalhadores que lhe prestaram serviços. (...) 59. Como se observa do texto da acusação fiscal, e contrariamente ao discurso do recurso voluntário, não há apenas singelas referências a possíveis condutas fraudulentas perpetuadas pela empresa, limitadas a constatação, em alguns períodos, de saldo credor na conta Caixa. 60. Por outro lado, em ambas as situações, o lançamento de ofício do crédito tributário não resultou da constatação direta e irrefutável de rendimentos tributáveis. É um aspecto que tem sua relevância, podendo influenciar na convicção do julgador. 61. No caso dos desembolsos efetuados a Osvaldino Xavier de Oliveira, em quantias expressivas, sem que tais valores transitassem pela contabilidade da empresa, o conjunto probatório, avaliado como um todo, é indicativo que não representam equívocos de escrituração contábil, prestação de declaração inexata ou má compreensão da legislação tributária, mas sim demonstram a firme intenção, consciente e voluntária, de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. 62. O Relatório Fiscal descreve, como antes exposto, condutas autônomas, distintas da mera inadimplência tributária, que configuram o dolo na conduta do sujeito passivo. Na linha de entendimento do que restou consignado naquele documento oficial, aplicado à falta de contabilização de valores, "não se tratam de erros pontuais, de atitudes isoladas, mas de atos reiterados". 63. Mantida a incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados à pessoa física, no ano de 2010, é forçoso admitir que os elementos aportados aos autos conduzem a uma convicção de que deixar de recolher os tributos devidos decorreu de uma conduta dolosa, uma vez que consciente das consequências tributárias, perpetuada pela empresa fiscalizada. 64. Observo que, sob o aspecto da existência do dolo, mesmo que os depósitos em nome da pessoa física significassem pagamentos por serviços prestados pela pessoa jurídica, da qual é sócioadministrador, o que, sublinho, não restou comprovado nos autos, continuaria Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 659 18 evidente a intenção de sonegação contra a Fazenda Nacional, mediante a realização de operações de movimentação financeira alheias a qualquer anotação em documentação contábil e fiscal. 65. Deve ser mantida, portanto, a incidência da multa qualificada sobre os pagamentos não contabilizados efetuados a Osvaldino Xavier de Oliveira (Levantamento "O1"). 66. No que se refere aos pagamentos a Waldenir Xavier de Oliveira, as saídas de numerário da empresa foram registradas na sua contabilidade, porém em contas inapropriadas para tal fim. 66.1. Diferente da análise realizada antes quanto aos pagamentos a Osvaldino Xavier de Oliveira, a conduta descrita para o comportamento do contribuinte não permite aferir, com a segurança necessária para fins de exarcebação da penalidade de ofício, a intenção dolosa de fraude ou sonegação. 67. Embora houve recusa do sujeito passivo, aparentemente injustificada, em apresentar, por completo, a documentação solicitada pela fiscalização no que tange aos lançamentos contábeis, não escondeu que os pagamentos foram destinados ao sócio administrador, ainda que sob a alegação, desprovida de provas, de uma roupagem que escapava à incidência da contribuição previdenciária. 68. A existência de saldo credor em alguns períodos, na conta Caixa, é indício sério e grave de anomalia contábil, significando, em tese, a existência de omissão de receitas, com possível injeção de recursos à margem dos registros contábeis. 68.1 Nada obstante, não consegui visualizar, concretamente, a partir da só descrição desses fatos apontados pela autoridade lançadora, a implicação quanto ao dolo, relativamente aos custos/despesas efetivamente pagos pela empresa, como são os pagamentos destinados ao sócioadministrador, Waldenir Xavier de Oliveira, objeto de lançamento de ofício. 69. Certamente, o modo de proceder da empresa autuada, assim como o próprio texto que identificam os históricos dos registros contábeis, não podem ser qualificados como dotados de transparência, como é esperado do sujeito passivo. Porém, atestar o dolo, a vontade consciente de sonegação, é um passo adiante, que necessita de um conjunto probatório apropriado. 70. Especificamente nesse ponto da qualificação da multa de ofício, penso que faltou à autoridade lançadora estabelecer, em relação aos valores lançados, uma liame indubitável entre os elementos de sua convicção sobre a existência de uma conduta ilícita do sujeito passivo e o cometimento de fraude ou sonegação, mediante ação dolosa, nos moldes previstos na Lei nº 4.502, de 1964. 71. Em consequência, relativamente aos pagamentos a Waldenir Xavier de Oliveira, uma vez não demonstrada a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, até o importe de 150%, devese afastar a qualificação da penalidade oficiosa, reduzindo a multa para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75% (Levantamento "W1"). Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 660 19 e) Multas pelo descumprimento da obrigação acessória 72. Aplicou a fiscalização as seguintes multas, pelo descumprimento de obrigação acessória: (i) deixar a empresa de incluir a totalidade da remuneração paga a contribuinte individual a serviço da empresa na folha de pagamento CFL 30 (AI nº 51.009.4732); (ii) não lançar a empresa mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições CFL 34 (AI nº 51.009.4740); e (iii) deixar a empresa de apresentar, após devidamente intimada, documentos relacionados às contribuições previdenciárias CFL 38 (AI nº 51.009.4759). 73. Em todos os casos acima, o valor da multa aplicada é fixo, independente do número de ocorrências, não havendo alteração do montante da penalidade, por exemplo, em função: (i) da quantidade de segurados, competências ou do valor da remuneração omitida na elaboração da folha de pagamento, (ii) do número de vezes em que os lançamentos deixaram de ser registrados em títulos próprios da contabilidade ou (iii) do número de documentos que não foram apresentados/disponibilizados à autoridade fiscal. 74. Por isso, uma vez mantido intacto o fato gerador da obrigação tributária principal, com relação às remunerações pagas a Waldenir Xavier de Oliveira e Osvaldino Xavier de Oliveira, permanece a higidez da obrigatoriedade de confecção da folha de pagamento com inclusão daqueles valores e da escrituração dos pagamentos em títulos próprios da contabilidade. Logo, procedentes as multas pelo descumprimento de obrigações acessórias (CFL 30 e CFL 34). 75. No concernente ao AI nº 51.009.4759, a infração não é reflexa a nenhuma obrigação principal. O fato de deixar de atender à intimação da fiscalização para apresentação, ou a apresentação deficiente, de documento relacionado às contribuições previdenciárias de que trata a Lei nº 8.212, de 1991, é que o basta para a lavratura do auto de infração pelo descumprimento da obrigação acessória. 75.1 De acordo com Relatório Fiscal, às fls. 33, a empresa deixou de apresentar documentos ou apresentou a documentação incompleta, relativamente a lançamentos da sua contabilidade relacionados ao pagamento de remuneração indireta ao sócioadministrador, Waldenir Xavier de Oliveira. 75.2 Além disso, não apresentou os documentos de transferências eletrônicas bancárias ao Sr. Osvaldino Xavier de Oliveira. A fim de contraporse ao recurso voluntário, lembro que, na linha do entendimento majoritário do Supremo Tribunal Federal, o acesso a dados bancários dos contribuintes por parte da Administração Tributária federal, em procedimento regular de fiscalização, não exige a prévia autorização judicial (nesse sentido, entre outros, a ADI nº 2390/DF). 76. Portanto, cabe manter, igualmente, o crédito tributário exigido por meio do AI nº 51.009.4759. 77. Quanto à circunstância agravante das infrações, com fundamento no inciso II do art. 290 c/c inciso II do art. 292 do RPS, que elevou as multas em três vezes, deve ser mantida, por ter ficado configurada a conduta dolosa da empresa, alhures justificada, no que tange aos fatos geradores relacionados aos pagamentos a não contabilizados efetuados a Osvaldino Xavier de Oliveira. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10120.730427/201356 Acórdão n.º 2401004.874 S2C4T1 Fl. 661 20 78. Não há que se falar, por outro lado, em multiplicidade de penalidades sobre os mesmos fatos, haja vista que os pressupostos e fundamentos legais das multas aplicadas pela fiscalização são distintos. 78.1 Com efeito, a multa de ofício de que trata o art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, representa uma sanção de caráter punitivo pela falta de recolhimento do tributo, ao passo que as penalidades constantes dos autos de infração por descumprimento de obrigações acessórias consistem em sanções pelo desatendimento de deveres formais de caráter tributário, relacionados, no caso concreto, à falta de elaboração da folha de pagamento mensal de acordo com os padrões exigidos pela legislação tributária, à não escrituração em títulos próprios da contabilidade de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e à falta de apresentação de documentos à fiscalização, após ocorrida a intimação do sujeito passivo. 79. Por derradeiro, quanto à eventual carga confiscatória das multas exigidas nos autos de infração, cabe lembrar que argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL para reduzir a multa ao patamar trivial em casos de lançamento de oficio (75%), exclusivamente no que tange aos valores relacionados ao pagamento de remuneração indireta ao sócioadministrador, Waldenir Xavier de Oliveira (Levantamento Fiscal "W1"). É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 661DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.907924/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.020
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13888.907924/2011-11
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5732963
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.020
nome_arquivo_s : Decisao_13888907924201111.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 13888907924201111_5732963.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6799740
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209865764864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.907924/201111 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402004.020 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrente AJINOMOTO DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 79 24 /2 01 1- 11 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.907924/201111 Acórdão n.º 3402004.020 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.617 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de PIS não cumulativo(a) exportação. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13888.907924/201111 Acórdão n.º 3402004.020 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13888.907924/201111 Acórdão n.º 3402004.020 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13888.907924/201111 Acórdão n.º 3402004.020 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13888.907924/201111 Acórdão n.º 3402004.020 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13888.907924/201111 Acórdão n.º 3402004.020 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13888.907924/201111 Acórdão n.º 3402004.020 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13888.907924/201111 Acórdão n.º 3402004.020 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13888.907924/201111 Acórdão n.º 3402004.020 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13888.907924/201111 Acórdão n.º 3402004.020 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13888.907924/201111 Acórdão n.º 3402004.020 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13888.907924/201111 Acórdão n.º 3402004.020 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723988/2013-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010
EMBARGOS. CABIMENTO. ESCLARECIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos.
No caso, é preciso esclarecer o entendimento do Acórdão, que estava em desacordo com o exposto no Voto.
Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes.
Numero da decisão: 2202-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.610, de 18/01/2017, alterar a decisão anterior para: "por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da tributação as contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica contratante de serviços prestados por segurados contribuintes individuais de cooperativa de trabalho, bem como as respectivas obrigações acessórias; e b) desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, apenas em relação à distribuição desproporcional de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto que deu provimento parcial ao recurso em maior extensão para também excluir da tributação toda a distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP)".
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 EMBARGOS. CABIMENTO. ESCLARECIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos. No caso, é preciso esclarecer o entendimento do Acórdão, que estava em desacordo com o exposto no Voto. Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10380.723988/2013-38
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722216
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.700
nome_arquivo_s : Decisao_10380723988201338.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10380723988201338_5722216.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.610, de 18/01/2017, alterar a decisão anterior para: "por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da tributação as contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica contratante de serviços prestados por segurados contribuintes individuais de cooperativa de trabalho, bem como as respectivas obrigações acessórias; e b) desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, apenas em relação à distribuição desproporcional de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto que deu provimento parcial ao recurso em maior extensão para também excluir da tributação toda a distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP)". Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
id : 6755387
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209902465024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1977; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 4.491 1 4.490 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.723988/201338 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202003.700 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Embargante CONSELHEIRO MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Interessado SMAFF NORDESTE VEÍCULOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 EMBARGOS. CABIMENTO. ESCLARECIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos. No caso, é preciso esclarecer o entendimento do Acórdão, que estava em desacordo com o exposto no Voto. Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202 003.610, de 18/01/2017, alterar a decisão anterior para: "por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da tributação as contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica contratante de serviços prestados por segurados contribuintes individuais de cooperativa de trabalho, bem como as respectivas obrigações acessórias; e b) desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, apenas em relação à distribuição desproporcional de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto que deu provimento parcial ao recurso em maior extensão para também excluir da tributação toda a distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP)". Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 39 88 /2 01 3- 38 Fl. 4503DF CARF MF 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho. Relatório Tratam estes Embargos da decisão proferida no Acórdão nº 2202003.610 da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão plenária ocorrida em 18 de janeiro de 2017, no bojo do processo em epígrafe, de interesse da contribuinte SMAFF NORDESTE VEÍCULOS LTDA, onde fui designado para fazer Voto vencedor. No Acórdão, conforme ATA de julgamento, consta que: Acórdão 2202003.610 Decisão: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da tributação as contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica contratante de serviços prestados por segurados contribuintes individuais de cooperativa de trabalho, bem como as respectivas obrigações acessórias; e b) desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, apenas em relação à distribuição desproporcional de Juros sobre o Capital Próprio (JCP); vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Martin da Silva Gesto, que deram provimento parcial ao recurso em maior extensão para também excluir da tributação a distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) efetuada em excesso à proporção do capital social; vencido ainda o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto que deu provimento parcial ao recurso em maior extensão para também excluir da tributação toda a distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP). Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencida a Relatora.(sublinhei) Ocorre que no relatório e voto da ilustre Relatora, Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, restou consignado que o Auditor Fiscal lançou a Contribuição Previdenciária "somente sobre o excedente" à participação proporcional de cada sócio no capital, vejamos: (transcrevo do relatório) Foram lançadas Contribuições Previdenciárias em razão da remuneração a contribuintes individuais por meio de pagamento irregular de juros sobre capital próprio. A apuração se iniciou com a análise realizada na contabilidade da empresa (conta Fl. 4504DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.700 S2C2T2 Fl. 4.492 3 Juros sobre capital próprio – 5.3.1.10.003). A Contribuinte foi intimada a apresentar documentos relacionados a esta conta, no entanto, apresentou apenas parcialmente. A despeito da existência de vários sócios, fl. 79, “foram efetuados pagamentos, durante todos os meses dos exercícios de 2009 e 2010 a título de “juros sobre o capital próprio” exclusivamente às sócias Fernanda Accioly, Carlos Machado Farah – CPF 619.525.59120 e Flávia Accioly Carlos Machado CPF 774.354.60125”.“Notese que os pagamentos realizados às diretoras foram efetuados em franca desproporcionalidade ao capital investido por cada sócio, em desconformidade aos parâmetros legais vigentes, conforme se verifica no ANEXO N”. Diante disso, concluiu a autoridade fiscal pela descaracterização da parte dos pagamentos realizados sob a denominação de Juros Sobre Capital Próprio – JSCP, na parte paga que excedeu o que seria devido pela participação de cada sócio no capital social. Estes pagamentos excedentes foram considerados como remuneração de contribuinte individual, base de cálculo de Contribuições Previdenciárias. (destaquei) (transcrevo do voto) c) Distribuição de Juros sobre Capital Próprio JCP desproporcional e lançamento de contribuição previdenciária sobre os valores que superam a participação dos sócios no capital social. (destaquei) (...) 2.3) DA DISTRIBUIÇÃO DO JCP DESPROPOCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL (...) Na hipótese dos autos, a fiscalização demonstrou que o JCP desproporcional foi pago às sócias que tinham poder de administração. Além disso, a Recorrente não fez qualquer prova no sentido de demonstrar que tais valores tinham relação com os lucros apurados pela empresa e não pelo trabalho prestado pelas sócias. Sendo assim, há que se admitir o lançamento da contribuição prevista no art. 12, V, “f”, da Lei nº 8.212/91. Dessa forma, assim como já decidido no Acórdão 2401.01504, os pagamentos efetuados aos sócios no percentual que extrapola sua participação societária, o excesso deve ser considerado remuneração para fins de incidência de contribuição social. (destaquei) Afigurase a existência de contradição entre o Voto da Relatora, nessa parte, e a disposição do Acórdão. Na opinião da Relatora, o lançamento deve ser mantido (considerar como remuneração a JCP que excede a proporcionalidade), ou não? Fl. 4505DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. De acordo com a Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e dá outras providências: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Diz ainda o citado Regimento que são habilitados a oferecer os Embargos os próprios Conselheiros, conforme foi feito aqui, em despacho de 14 de fevereiro de 2017, admitido pelo Senhor Presidente da 2ª Turma Ordinária/ 2ª Câmara / 2ª Seção do CARF. Conforme relatado, pareceme haver uma discordância entre os fundamentos empregados no Voto da Relatora e o Acórdão embargado. Isso porque o lançamento fiscal recaiu tão somente sobre a parte dos JCP que excederam a proporcionalidade de participação de cada sócio no capital social, conforme indicado em seu voto, que permitome transcrever novamente: c) Distribuição de Juros sobre Capital Próprio JCP desproporcional e lançamento de contribuição previdenciária sobre os valores que superam a participação dos sócios no capital social. (destaquei) Assim, a nobre Relatora externou seu entendimento pela manutenção do lançamento fiscal, nesse aspecto: Na hipótese dos autos, a fiscalização demonstrou que o JCP desproporcional foi pago às sócias que tinham poder de administração. Além disso, a Recorrente não fez qualquer prova no sentido de demonstrar que tais valores tinham relação com os lucros apurados pela empresa e não pelo trabalho prestado pelas sócias. Sendo assim, há que se admitir o lançamento da contribuição prevista no art. 12, V, “f”, da Lei nº 8.212/91. Dessa forma, assim como já decidido no Acórdão 2401.01504, os pagamentos efetuados aos sócios no percentual que extrapola sua participação societária, o excesso deve ser considerado remuneração para fins de incidência de contribuição social. (destaquei) Portanto, não pode constar do Acórdão que vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Martin da Silva Gesto, que deram provimento parcial ao recurso em maior extensão para também excluir da tributação a distribuição de Juros Fl. 4506DF CARF MF Processo nº 10380.723988/201338 Acórdão n.º 2202003.700 S2C2T2 Fl. 4.493 5 sobre o Capital Próprio (JCP) efetuada em excesso à proporção do capital social, porque a real manifestação da Relatora, em seu voto, foi pela manutenção do lançamento, nessa parte. Apesar de meu entendimento sobre a parte acima grifada, proferido nos debates em Sessão, ser que estando o JCP em desconformidade com a lei, "toda" a distribuição deve ser tributada e não apenas a parcela que excede a proporcionalidade com a participação no capital, de cada sócio, citando como exemplo, para analogia, meu posicionamento já externado em relação ao PLR, quando são distribuídas mais de duas parcelas ao ano, sustentando que "todo" o PLR está em desconformidade com a lei, devendo ser tributado, e não apenas as parcelas excedentes (Lei nº 10.101/2000), não se pode, em sede de recurso, agravar o lançamento. CONCLUSÃO Em face do exposto, VOTO por conhecer dos embargos opostos e atribuir lhes efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão 2202003.610, alterar a decisão anterior para: "Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da tributação as contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica contratante de serviços prestados por segurados contribuintes individuais de cooperativa de trabalho, bem como as respectivas obrigações acessórias; e b) desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, apenas em relação à distribuição desproporcional de Juros sobre o Capital Próprio (JCP); vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto que deu provimento parcial ao recurso em maior extensão para também excluir da tributação toda a distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP)". Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 4507DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.900463/2010-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido recurso especial manejado em relação a matéria estranha aos autos, discutida em outro processo administrativo pertinente ao mesmo contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso especial manejado em relação a matéria estranha aos autos, discutida em outro processo administrativo pertinente ao mesmo contribuinte.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10725.900463/2010-31
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736753
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.817
nome_arquivo_s : Decisao_10725900463201031.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS FLAVIO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10725900463201031_5736753.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
id : 6822728
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209912950784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1342; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 100 1 99 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10725.900463/201031 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.817 – 1ª Turma Sessão de 11 de maio de 2017 Matéria Compensação tributária Recorrente TERMOMACAE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso especial manejado em relação a matéria estranha aos autos, discutida em outro processo administrativo pertinente ao mesmo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 04 63 /2 01 0- 31 Fl. 4231DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela TERMOMACAÉ LTDA (“contribuinte” ou “recorente”), em que é recorrida Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrida”), em face do acórdão n. 1101000.938 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária da 1a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). Em seu recurso especial, o contribuinte suscita divergência de interpretação em relação a uma série de questões. Não obstante, apenas foi admitido por despacho o tema da imputação de fraude e qualificação da multa de ofício, para o qual foi indicado o acórdão 1402001.479 como paradigma. Em breve síntese, o recorrente alega em seu recurso que: “Como bem demonstrado acima, essa interpretação diverge por completo daquela adotada por esta C. Corte que exige a comprovação de ato praticado com efetivo intuito fraudulento, não bastando a intenção de reduzir tributo para caracterizála”; “Quanto ao item (ii) acima, a Recorrente já demonstrou que o estorno não foi realizado em 31/12/2005 como afirmou o v. acórdão recorrido, mas sim em 10.02.2006 como comprovam os registros contábeis já acostados aos presentes autos (fls. 3250) e somente após a assinatura do Memorando de Entendimentos (01.02.2006 – fls. 215/239) quando as partes deram início à formalização de um acordo para por fim às controvérsias entre o Grupo El Paso e a Petrobras, especialmente àquelas relativas ao “contrato de consórcio” para exportação da Macaé Merchant.”; “Assim, o único suposto indicativo de fraude mantido no voto v. acórdão recorrido referente ao suposto lançamento de fato futuro não ocorreu, o que por si só evidencia a necessidade de afastar essa acusação”. Cientificada da admissibilidade do recurso, a PFN apresentou contrarrazões (fls. 3773 do eprocesso), alegando que: “A recorrente tentou inserir informação falsa em seus registros contábeis para evitar a tributação”, o que justificaria a qualificação da multa; “Com efeito, se decisão que reconhece ou não o direito do contribuinte está baseada em dois ou mais fundamentos autônomos, sendo certo que não foi apresentada divergência jurisprudencial em relação a todos estes, o recurso interposto em face daquela decisão não deve ser conhecido, até mesmo porque, ainda que provido, não mudaria o completo entendimento do colegiado recorrido”. Assim, com base na súmula 283 do STF, o recurso não deveria ser conhecido. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator A Procuradoria da Fazenda Nacional suscitou questão de ordem que, considerada pelo Colegiado, conduz ao não conhecimento do presente recurso especial. Ocorre que, ao que tudo indica, tendo em vista variados processos em face do contribuinte, houve confusão quanto tema objeto dos presentes autos (10725.900463/201031). Fl. 4232DF CARF MF Processo nº 10725.900463/201031 Acórdão n.º 9101002.817 CSRFT1 Fl. 101 3 No despacho de admissibilidade, o recurso especial foi conhecido a partir do pressuposto de que haveria multa qualificada sob discussão. Contudo, no presente processo, está em discussão a compensação do saldo negativo de IRPJ/2005 (não homologada), sem que tenha sido lançado em seu bojo algum tributo ou multa qualificada. Por sua vez, no processo n. 15532.720006/201127, discutiuse o lançamento de IRPJ e a incidência de multas em face das compensações realizadas. O recurso especial da contribuinte não foi conhecido quanto à matéria "inexistência de fraude", com apresentação do mesmo acórdão ora indicado como "paradigma" (1402001.479). A multa qualificada foi mantida em definitivo. Finalmente, no processo n. 15374.964184/200911, discutiuse a compensação da base negativa da CSLL/2005 (não homologada). Nesse caso, o recurso especial da contribuinte não foi conhecido na matéria "inexistência de fraude", com apresentação do mesmo acórdão como "paradigma" (1402001.479). Nesse cenário, por tratar o recurso especial de matéria estranha aos presentes autos, voto por NÃO CONHECÊLO. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 4233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000181/2007-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.101
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para desentranhamento do despacho de admissibilidade de recurso especial de fls. 1.630 a 1.635, anexado indevidamente, e elaboração de despacho de admissibilidade do recurso especial do sujeito passivo, com posterior retorno à relatora para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : 2ª SEÇÃO
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 17546.000181/2007-94
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735397
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-000.101
nome_arquivo_s : Decisao_17546000181200794.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 17546000181200794_5735397.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para desentranhamento do despacho de admissibilidade de recurso especial de fls. 1.630 a 1.635, anexado indevidamente, e elaboração de despacho de admissibilidade do recurso especial do sujeito passivo, com posterior retorno à relatora para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6814570
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209983205376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.676 1 1.675 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17546.000181/200794 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Resolução nº 9202000.101 – 2ª Turma Data 25 de abril de 2017 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes MOTOROLA MOBILITY COMERCIO DE PRODUTOS ELETRONICOS LTDA. FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para desentranhamento do despacho de admissibilidade de recurso especial de fls. 1.630 a 1.635, anexado indevidamente, e elaboração de despacho de admissibilidade do recurso especial do sujeito passivo, com posterior retorno à relatora para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório e Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, por meio da qual se exige contribuição destinada ao HAS Fundo de Previdência e Assistência Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e de terceiros (Incra, salárioeducação, Sesi, Senai e Sebrae). Conforme o Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 75 46 .0 00 18 1/ 20 07 -9 4 Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.101 CSRFT2 Fl. 1.677 2 Fiscal, estão sendo exigidas contribuições previdenciárias sobre os valores pagos ou creditados aos segurados trabalhadores empregados a título de abono emergencial e/ou especial, indenização de férias e de aposentadoria, reembolso dos valores pagos na aquisição de medicamentos e auxíliocreche. As contribuições foram apuradas com base na análise das Folhas de Pagamento, Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho, Contrato de Prestação de Serviços com a empresa PBMS do Brasil S/A e notas fiscais emitidas pela prestadora, Política Interna para Aquisição de Medicamentos EPharma e respectiva planilha de pagamento. Em sessão plenária de 21/10/2010, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 230101.706 (fls. 1.650 a 1.670), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento parcial antecipado do tributo exigido no lançamento, aplicase o prazo quinqüenal previsto no artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. NULIDADE AFERIÇÃO INDIRETA Não prestando o contribuinte as declarações, esclarecimentos ou documentos a que está obrigando, ou sendo esses omissos ou não merecedores de fé, cabe a autoridade fiscal, nos termos do artigo 148 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional e artigo 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 aferir indiretamente o tributo. ABONO. NATUREZA JURÍD1CA QUE EXIGE SEJA PARCELA QUE SUBSTITUI PARCIALMENTE UM REAJUSTE SALARIAL. ISENÇÃO PARA OS CASOS EM QUE FOR DESVINCULADO DO SALÁRIO. Os abonos são pagamentos feitos ao empregado que substituem, em parte, o reajuste salarial. Estando desvinculados do salário; por sua própria natureza ou por determinação do acordo coletivo, desfrutam da isenção prevista no art. 28, §90, alínea "e", item 7. INDENIZAÇÕES DE FERIAS E DE APOSENTADORIA No caso concreto, os valores previstos nas Convenções Coletivas têm por função proteger o empregado contra a dispensa arbitraria ou sem justa causa, seja por conta do retorno das suas ferias, a fim de que não seja surpreendido, seja em razão de idade mais adiantada, a qual o Mercado de trabalho, como fato notório, aponta maior índice de rejeição para a reinclusão desse trabalhador. Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.101 CSRFT2 Fl. 1.678 3 Esses valores, nesse sentido, possuem nítida natureza indenizatória, pois têm por objetivo reparar o trabalhador que, cm situações sabidamente delicadas, seja surpreendido como uma dispensa sem justa causa. AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS No caso dos autos, a sistemática adotada pela recorrente se assemelha muito ao sistema de reembolso, pois, na prática, o trabalhador empregado esta sendo beneficiado, pelo empregador, quando da aquisição de medicamentos, sendo a imica diferença o fato de não transitar pela sua conta valores reembolsados pela empresa. Na prática, os resultados são semelhantes, pois tanto faz o empregado pagar 100 por um dado medicamento e buscar, junto ao empregador, o reembolso dc 80% (oitenta por cento), custeando 20, como comprálo, diretamente junto rede conveniada, e custear os mesmos 20, uma vez que o medicamento já contará com o desconto de 80% (oitenta por cento). AUXÍLIOCRECHE Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de auxílio creche. Recurso Voluntário Provido em Parte Credito Tributário Mantido em Parte" A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento. Em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial para declarar a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN. No mérito: a) com relação aos valores de indenização de férias e de aposentadoria e auxíliocreche, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso; b) com relação ao abono emergencial, por maioria de votos, cm dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Bernadete de Oliveira Barros que negavam provimento; c) com relação ao abono especial, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzáles Silvério que davam provimento; d) com relação ao SAT, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.101 CSRFT2 Fl. 1.679 4 Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzáles Silvério que davam provimento; e) com relação ao reembolso de medicamentos, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzáles Silvério que davam provimento. Resultado final do julgamento: provimento parcial ao recurso pela decadência de parte do período e ainda para exclusão das parcelas acima discriminadas nas alíneas "a" e "b". Designado o Conselheiro Mauro Jose Silva para redigir o voto vencedor com relação as matérias constantes das alíneas "c", "d" e "e"." O processo foi recebido na PGFN em 03/05/2011 (fls. 608). Em 02/06/2011, o Procurador da Fazenda Nacional foi intimado (fls. 607) e opôs, na mesma data (RM Relação de Movimentação de fls. 609), os Embargos de Declaração de fls. 1.671 a 1.673, o que motivou a prolação do Acórdão de Embargos nº 2301002.594, de 08/02/2012 (fls. 1.424 a 1.436), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado no voto vencedor. ABONO. NATUREZA JURÍDICA QUE EXIGE SEJA PARCELA QUE SUBSTITUI PARCIALMENTE UM REAJUSTE SALARIAL. ISENÇÃO PARA OS CASOS EM QUE FOR DESVINCULADO DO SALÁRIO. Os abonos são pagamentos feitos ao empregado que substituem, em parte, o reajuste salarial. Estando vinculados ao salário não desfrutam da isenção prevista no art. 28, §9º, alínea “e”, item 7. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. UTILIDADE DE NATUREZA REMUNERATÓRIA QUE NÃO DESFRUTA DE ISENÇÃO. Existe isenção para o reembolso de medicamentos, hipótese distinta do fornecimento de medicamentos, uma vez que na primeira o empregado suporta inicialmente a despesa para, posteriormente, ressarcirse do dispêndio, o que não ocorre na segunda. Embargos Acolhidos" A decisão foi assim resumida: Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.101 CSRFT2 Fl. 1.680 5 "Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em negar provimento ao recurso, para rerratificar a decisão, de modo a corrigir as omissões do voto vencedor, quanto ao abono especial, ao SAT e ao reembolso de medicamentos, nos termos do voto do Relator." O processo foi recebido na PGFN em 24/07/2012 (fls. 619). Em 06/09/2012, o Procurador da Fazenda Nacional foi intimado (fls. 618), porém a ciência presumida já havia ocorrido em 23/08/2012. Em 06/09/2012, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de efls. 1.437 a 1.454 (RM Relação de Movimentação de fls. 620), visando rediscutir a decadência e a incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica abono emergencial. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300113/2013, de 25/03/2013 (efls. 1.455 a 1.461). A Fazenda Nacional pede o provimento do recurso, com a reforma do acórdão, na parte em que lhe foi desfavorável. Cientificada em 15/05/2013 (AR Aviso de Recebimento de fls. 648), a Contribuinte, em 27/05/2013, ofereceu as Contrarrazões de fls. 1.605 a 1.616 e interpôs o Recurso Especial de fls. 1.544 a 1.570. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não seguimento do recurso, ou ainda, que lhe seja negado provimento. No que tange ao Recurso Especial da Contribuinte, este visa rediscutir a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de "auxílio medicamento", bem como a revisão, de ofício, da aplicação do voto de qualidade. Embora às fls. 1.630 a 1.635 conste um "Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial do Contribuinte", este se refere a outro sujeito passivo, estranho ao presente processo, além de tratar de matéria também estranha ao apelo interposto pela empresa ora Recorrente. O processo foi encaminhado à PGFN em 21/10/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.636) e, em 26/10/2015, foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 1.637 a 1.643 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.644), pedindo a manutenção da decisão recorrida. Em 03/11/2016, o processo foi devolvido à Secam, para saneamento, uma vez que não constavam dos autos o Acórdão de Recurso Voluntário nº 230101.706, de 21/10/2010, tampouco os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional (Despacho de Saneamento de fls. 1.645/1.646), o que foi atendido por meio dos despachos de fls 1.647 em diante. Diante do exposto, proponho a conversão do presente processo em diligência à Câmara de origem, para que esta: desentranhe o Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial do Contribuinte encartado às fls. 1.630 a 1.635, por ser estranho ao presente processo; Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.101 CSRFT2 Fl. 1.681 6 promova o exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, ainda pendente de análise; adote as providências inerentes ao resultado da análise da admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte; e devolva o processo a esta Relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1681DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901039/2013-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13830.901039/2013-48
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5748188
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.193
nome_arquivo_s : Decisao_13830901039201348.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13830901039201348_5748188.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6875132
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049209994739712
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-26T13:03:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-26T13:03:40Z; Last-Modified: 2017-07-26T13:03:40Z; dcterms:modified: 2017-07-26T13:03:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:74861618-8ab6-4e4e-8861-f3bb4241b685; Last-Save-Date: 2017-07-26T13:03:40Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-26T13:03:40Z; meta:save-date: 2017-07-26T13:03:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-26T13:03:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-26T13:03:40Z; created: 2017-07-26T13:03:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-07-26T13:03:40Z; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-26T13:03:40Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.901039/201348 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.193 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MATHEUS RODRIGUES MARILIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 39 /2 01 3- 48 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901039/201348 Acórdão n.º 1302002.193 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901039/201348 Acórdão n.º 1302002.193 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901039/201348 Acórdão n.º 1302002.193 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
