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Numero do processo: 19515.001598/2003-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997, 1998, 2001
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. CONTRADIÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém contradição entre a fundamentação e a parte dispositiva da decisão.
Numero da decisão: 2202-004.660
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência do lançamento no que se refere ao ano-calendário de 1997.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997, 1998, 2001 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. CONTRADIÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém contradição entre a fundamentação e a parte dispositiva da decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência do lançamento no que se refere ao ano-calendário de 1997. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1442; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 280 1 279 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001598/200333 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202004.660 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Embargante EMÍDIO CIPRIANI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997, 1998, 2001 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. CONTRADIÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém contradição entre a fundamentação e a parte dispositiva da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência do lançamento no que se refere ao anocalendário de 1997. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 98 /2 00 3- 33 Fl. 280DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2202004.089, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 246 e ss), cuja ementa abaixo se transcreve: DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário". (Súmula CARF nº 38) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." (Súmula CARF nº 26) Cientificado da decisão em 21.12.2017 (edital efls. 271), o contribuinte opôs em 15.09.2017 (efls.253 e ss.) embargos de declaração alegando omissão quanto à aplicabilidade do disposto no artigo 42, parágrafo 1º da Lei nº 9.430/96 e contradição acerca do prazo decadencial debatido. Os embargos foram parcialmente apenas no que tange ao item relativo à contradição decadência relativamente ao anocalendário de 1997. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Corretas a contradição apontada pela embargante. Isso porque, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito, a motivação do voto deixa dúvida quanto ao reconhecimento da decadência relativamente ao ano de 1997: "1) PRELIMINAR DECADÊNCIA De acordo com o Recorrente, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação previsto no art. 150 do CTN. Assim, no caso específico da omissão de receitas, apuradas com fundamento no artigo 42, combinado com o disposto no art. 150. § 4º do CTN, a contagem inicial do prazo Fl. 281DF CARF MF Processo nº 19515.001598/200333 Acórdão n.º 2202004.660 S2C2T2 Fl. 281 3 decadencial de cinco anos para o lançamento do crédito deverá ser contado a partir do mês que se considerar recebidos os rendimentos omitidos. Incorretas as alegações do Recorrente quanto à decadência dos valores relativos ao ano calendário de 1997 até 04/1998, uma vez que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 25/04/2003 (fls. 162 do eprocesso) . É entendimento pacífico no âmbito do CARF que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário"(Súmula CARF nº 38) . Sendo assim, não há que se falar em decadência dos lançamentos relativos ao ano calendário de 1998". (grifamos) Do trecho acima transcrito, verificase que o acórdão estatuiu que são "... incorretas as alegações do Recorrente quanto à decadência dos valores relativos ao ano calendário de 1997 até 04/1998, uma vez que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 25/04/2003 (fls. 162 do eprocesso)", e, passo seguinte, concluiu que "... sendo assim, não há que se falar em decadência dos lançamentos relativos ao ano calendário de 1998". Nos termos da súmula CARF nº 38 "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário". Sendo assim, o fato gerador dos depósitos realizados no anocalendário de 1997 consideram ocorridos em 31/12/1997 e o prazo decadencial teria expirado em 31/12/2002. Como ciência do Auto de Infração ocorreu em 25/04/2003 estariam decaídos os lançamentos relativos ao ano de 1997. Com efeito, as matérias relativas a redução da multa qualificada no percentual de 150% , bem como a redução do percentual da multa punitiva não foram objeto de apreciação pela turma julgadora, uma vez que esta concluiu pelo integral provimento do recurso voluntário. Sendo assim, para que se evite supressão de instância caso seja dado provimento à eventual Recurso Especial da Fazenda Nacional tais pontos devem ser excluídos da decisão embargada. Em face do exposto, dou provimento aos embargos, com efeitos infringentes, para dar parcial provimento ao recurso em face da decadência do direito de lançar relativamente aos depósitos realizados no anocalendário de 1997. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 282DF CARF MF 4 Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000677/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 06 77 /2 00 8- 13 Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10315.000677/200813 Acórdão n.º 2402006.341 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10315.000677/200813 Acórdão n.º 2402006.341 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10315.000677/200813 Acórdão n.º 2402006.341 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator. Fl. 765DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910729/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/12/1999
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.100
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 29 /2 00 8- 47 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.910729/200847 Acórdão n.º 3201004.100 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.877, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910729/200847 Acórdão n.º 3201004.100 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910729/200847 Acórdão n.º 3201004.100 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910729/200847 Acórdão n.º 3201004.100 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910729/200847 Acórdão n.º 3201004.100 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910729/200847 Acórdão n.º 3201004.100 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 13660.720246/2014-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO.
O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária, bem como nos casos em que reste comprovada omissão, por quem de direito, quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória.
Numero da decisão: 2401-005.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária, bem como nos casos em que reste comprovada omissão, por quem de direito, quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente NELSON MARQUES QUEIROZ MONTEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IRPF. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária, bem como nos casos em que reste comprovada omissão, por quem de direito, quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 66 0. 72 02 46 /2 01 4- 83 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13660.720246/201483 Acórdão n.º 2401005.803 S2C4T1 Fl. 193 2 Relatório Tratase de auto de infração de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 36.003,75, acrescido de multa de ofício e juros de mora (fls. 8/13), resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2013, anocalendário de 2012, em virtude de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica (CEF, CNPJ 00.360.305/000104) no valor de R$ 376.234,21 e IRRF de 61.897,61. Em impugnação apresentada às fls. 2/6, o contribuinte alega que houve erro por parte da Justiça do Trabalho, pois deveria receber o valor líquido de R$ 318.953,22, cujo INSS e IRRF deveria ser por conta e suportado pela reclamada. Todavia, os valores recebidos, através da CEF tiveram os tributos exigidos do contribuinte. O pleito foi indeferido através do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório da DRF de origem, fls.105,106 e 108. Em manifestação de inconformidade, fl. 45, o contribuinte alega que o valor tributado neste anocalendário teria sido tributado no anocalendário de 2011, conforme declaração de rendimentos, e que o extrato da Agência da RFB não constaria a DIRF da CEF do anocalendário de 2012, devido a retificação desta pela fonte pagadora. Junta DIRPF 2012 (fl. 114/119), onde está declarado o rendimento recebido da Fundação Comunitária Tricordiana de Educação, e cujo resultado foi de imposto a pagar. A DRJ/POA solicitou diligência, fls. 134/135, para que fosse intimada a Fundação Comunitária Tricordiana de Educação para esclarecer o rendimento informado na DIRF do anocalendário 2011, onde consta que: Verificando os autos, notase que na declaração do ano calendário de 2011 o contribuinte ofereceu à tributação anual o rendimento de R$ 257.488,15, com INSS de R$ 825,29 e IRRF de R$ 61.742,50, da Fundação Comunitária Tricordiana de Educação, CNPJ 25.872.854/000199, sendo que esta fonte pagadora é a reclamada na ação judicial na Justiça do Trabalho, cujo valor recebido pelo contribuinte, através da CEF, no anocalendário de 2012 foi objeto de lançamento. A Fundação não se manifestou e o processo retornou para julgamento. Foi anexado aos autos extrato da DIRF do anocalendário de 2012 pertinente ao contribuinte, fl. 141. A DRJ/POA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 1058.917 de fls. 142/146, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13660.720246/201483 Acórdão n.º 2401005.803 S2C4T1 Fl. 194 3 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Constatandose que o contribuinte tenha mais de 60 anos, concedese a ele o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), que assegura prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a omissão de rendimentos decorrente de ação judicial, concomitante com a inexistência de prova inequívoca ao contrário, devese manter a exigência fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Consta do acórdão de impugnação que: Verificando os autos, constatamos que o contribuinte apresentou DIRPF do anocalendário de 2011, exercício de 2012, na qual consta como fonte pagadora a Fundação Comunitária Tricordiana de Educação, CNPJ 25.872.854/000199, tendo sido oferecido à tributação anual o rendimento de R$ 257.488,15, com INSS de R$ 825,29 e IRRF de R$ 61.742,50, sendo que esta fonte pagadora é a reclamada na ação judicial na Justiça do Trabalho, cujo valor recebido pelo contribuinte, através da CEF, no anocalendário de 2012 foi objeto de lançamento. Porém, esta alegação do contribuinte não pode ser aceita, por dois motivos abaixo expostos. O primeiro motivo é que a Fundação Comunitária Tricordiana de Educação, CNPJ 25.872.854/000199, informou o rendimento pago ao contribuinte com o código da receita nº 5936 – Rendimentos decorrentes de decisão Justiça do Trabalho (e fl.120), sendo que no ano calendário posterior (2012), a CEF, CNPJ 00.360.305/000104, também informou o rendimento recebido pelo contribuinte, decorrente do ação judicial trabalhista contra a Fundação Comunitária Tricordiana, objeto deste lançamento, com o mesmo código da receita nº 5936 – Rendimentos decorrentes de decisão Justiça do Trabalho. (grifo nosso) Pelo fato da Fundação e da CEF informarem o mesmo código de receita do rendimento, já que o código de receita para depósito em Juízo é outro (nº 7431), não é possível saber se a Fundação estava informando em DIRF do anocalendário de 2011 os Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13660.720246/201483 Acórdão n.º 2401005.803 S2C4T1 Fl. 195 4 valores depositados na CEF para fins de pagamento da ação judicial, que foi paga no anocalendário de 2012, ou se trata de valores de pagamento de outra ação judicial ou de pagamento da ação judicial em comento, mas que não foi considerada pela CEF na sua informação de valores pagos ao contribuinte. Diante deste fato, foi intimada a Fundação Comunitária Tricordiana de Educação para esclarecer se o rendimento informado em DIRF do anocalendário de 2011, no valor de R$ 257.488,15, com INSS de R$ 825,29 e IRRF de R$ 61.742,50, se refere a ação judicial trabalhista paga pela CEF no ano calendário de 2012, tendo a Fundação se enganado de código de receita, ou se trata valores de pagamento de outra ação judicial ou de pagamento da ação judicial em comento, mas que não foi considerada pela CEF na sua informação de valores pagos ao contribuinte, conforme diligência efetivada através da do Despacho 4 – 4ª Turma da DRJ/POA, de 30/01/2017, de e fls.134 e 135. Todavia, a Fundação Comunitária Tricordiana de Educação não atendeu a diligência solicitada, conforme efls.136 a 139. Por isso, tendo a vista que cabe ao contribuinte provar o alegado, nos termos do art.373 do Código de Processo Civil, e que tanto a Fundação Comunitária Tricordiana de Educação, no anocalendário de 2011, e a CEF, no anocalendário de 2012, informaram em DIRF que pagaram ao contribuinte rendimentos de ação judicial trabalhista, código de receita nº 5936, devese manter a tributação, até porque são em anoscalendário e em valores diferentes. O segundo motivo é que mesmo que fosse correta a alegação de que a Fundação Comunitária Tricordiana de Educação tivesse informado em DIRF do anocalendário de 2011 os valores entregues para a Justiça do Trabalho, que foram objeto da DIRPF do anocalendário de 2011, exercício de 2012, e a CEF tivesse pago ao contribuinte, no anocalendário de 2012, exercício de 2013, os valores da mesma ação trabalhista, não haveria anulação do lançamento de ofício do anocalendário de 2012, exercício de 2013, mas somente a diminuição deste, já que os valores pagos pela CEF na ação trabalhista são superiores aos informados pela Fundação Comunitária Tricordiana de Educação no anocalendário anterior e objeto da DIRPF do anocalendário de 2011, exercício de 2012, declarada pelo contribuinte. No caso em concreto, a CEF informou em DIRF do ano calendário de 2012, que foi objeto do lançamento guerreado, valor de R$ 376.234,21 e IRRF de 61.897,61, enquanto que a Fundação Comunitária Tricordiana de Educação informou em DIRF do anocalendário de 2011 os valores de R$ 257.488,15, com INSS de R$ 825,29 e IRRF de R$ 61.742,50. Logo, caso a alegação de tributação no ano anterior feita pelo contribuinte fosse correta, caberia exigir no anocalendário de 2012 os valores de rendimentos de R$ 118.746,06 (376.234,21 – Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13660.720246/201483 Acórdão n.º 2401005.803 S2C4T1 Fl. 196 5 257.448,15) e o IRRF de R$ 155,11 ( 61.897,61 – 61,742,50). Considerando essa diferença e os valores informados na DIRPF do contribuinte no anocalendário de 2012, exercício de 2011, o valor do imposto suplementar a recolher seria de R$ 27.483,04, com os consectários legais. Como o contribuinte não comprovou a alegação de tributação anterior, conforme foi analisado no primeiro motivo da improcedência da alegação da defesa, devese manter a tributação. Cientificado do Acórdão em 9/6/17 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 150), o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 10/7/17, fl. 153/158, que contém, em síntese: Diz que declarou os rendimentos recebidos na ação trabalhista na DIRPF exercício 2012, anocalendário 2011, em conformidade com o valor creditado em sua conta e informe de rendimentos da fonte pagadora. Esclarece que recebeu R$ 87.000,00 em 20/7/2011 e R$ 257.488,15 em 20/9/2011. Explica que somente em 25/1/12 o juízo determinou o pagamento dos valores devidos de imposto de renda. Esta foi a causa da malha fiscal, pois a CEF apresentou DIRF no exercício 2013, declarando os valores. Afirma que nos alvarás consta o mesmo número de processo (025670043.2006.503.0147). Informa que a ação judicial se encerrou mediante acordo em 2011, com pagamentos efetuados em 2011 e recolhimento do imposto de renda somente em 2012. Pela mudança do exercício fiscal houve a duplicidade de informação pela empresa reclamada e pela CEF. Acrescenta que todos os valores devidos ficaram a cargo da reclamada e se há alguma diferença a ser cobrada, contrariando os cálculos do perito judicial, devem ser arcados pela reclamada, por ordem judicial. Argumenta que a realidade dos fatos comprovados deve ser acatada pela administração tributária independentemente da divergência de informações apresentadas em DIRF pela Fundação e pela CEF. Pede o cancelamento da notificação de lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13660.720246/201483 Acórdão n.º 2401005.803 S2C4T1 Fl. 197 6 MÉRITO Da análise dos documentos juntados aos autos pelo contribuinte, referentes à ação trabalhista, às fls. 15/41, temse que: O contribuinte ajuizou reclamatória trabalhista contra a Fundação Tricordiana de Educação, encerrada por acordo em 25/1/11. Foram expedidos os seguintes alvarás: · Credor Dr. Ricardo Antonio Lara de Carvalho (advogado do reclamante), R$ 87.000,00, alvará nº 3085/11, datado de 14/7/11, fl. 20. · Credor Nelson Marques Queiroz Monteiro (contribuinte), R$ 257.488,15, alvará nº 3969/11, datado de 15/9/11, fl. 23. · INSS reclamante R$ 825,29, alvará nº 3969/11, datado de 15/9/11, fl. 23. · Custas R$ 1.210,20, alvará nº 3969/11, datado de 15/9/11, fl. 23. · Honorários periciais, R$ 4.287,97, alvará nº 3933/11, datado de 14/9/11, fl. 24. · Imposto de renda, R$ 61.897,61, alvará nº 00204/12, datado de 25/1/12, fl. 33. À fl. 26 foi juntado comprovante de depósito no valor de R$ 257.488,15, para Nelson Marques Queiroz Monteiro, alvará nº 3969/11. Nos termos da Certidão do Poder Judiciário, TRT3ª região, fls. 31/32, consta determinação para que fosse pago a título de imposto de renda, R$ 61.897,61, conforme planilha anexada, onde consta que a base de cálculo imposto de renda é de R$ 376.234,21. À fl. 37 foi juntado comprovante de retenção de imposto de renda depósitos judiciais, no qual consta a base de cálculo de R$ 376.234,21 e o IRRF de R$ 61.897,61 exatamente os valores informados pela CEF. Diante dos fatos que se apresentam, prestigiando a verdade material, não há como serem ignorados os elementos trazidos aos autos pelo contribuinte. Conforme consta no acórdão recorrido, trecho transcrito no relatório, a Fundação Comunitária Tricordiana de Educação, CNPJ 25.872.854/000199, informou o rendimento pago ao contribuinte com o código da receita nº 5936 – Rendimentos decorrentes de decisão Justiça do Trabalho (efl.120), sendo que no ano calendário posterior (2012), a CEF, CNPJ 00.360.305/000104, também informou o rendimento recebido pelo contribuinte, decorrente do ação judicial trabalhista contra a Fundação Comunitária Tricordiana, objeto deste lançamento, com o mesmo código da receita nº 5936 – Rendimentos decorrentes de decisão Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13660.720246/201483 Acórdão n.º 2401005.803 S2C4T1 Fl. 198 7 Justiça do Trabalho. A DRJ solicitou diligência, pois poderia ter a Fundação se enganado de código de receita. A despeito da diligência não ter sido satisfatória, a DRJ negou provimento à impugnação sob o argumento de que o contribuinte não comprovou a alegação de tributação anterior. Argumentou também a DRJ que mesmo que houvesse tributação anterior, caberia exigir no anocalendário 2012 diferenças de valores, pois o valor informado pela CEF foi superior ao declarado no anocalendário 2011 pelo contribuinte, conforme DIRF da Fundação Tricordiana de Educação. No documento de fl. 32, vêse claramente que o imposto de renda foi calculado sobre a base de cálculo de R$ 376.234,21 (este é o valor atualizado em janeiro/2012), contudo, conforme planilha de fl. 22, do valor principal foram subtraídos os honorários do advogado e os honorários periciais, tendo o reclamante recebido o valor líquido, o que justifica a diferença encontrada pela DRJ. A despeito de ter a Fundação enviado DIRF com código equivocado, como vislumbrado pela DRJ, fato é que os valores foram disponibilizados ao contribuinte no ano calendário 2011, e por ele corretamente declarados na DIRPF exercício 2012. O fato do imposto de renda retido ter sido disponibilizado à CEF no ano seguinte (2012) determinou o envio de nova DIRF, pela CEF. Assim, aparentemente o contribuinte teria tido o rendimento em 2011 recebido da Fundação e outro recebido da CEF em 2012. Contudo, conforme se verifica das peças processuais da ação trabalhista, os valores batem nos centavos, sendo forte a prova produzida pelo contribuinte. Logo, se há alguém que tenha operado em ofensa aos comandos legais, esse alguém não foi o recorrente, que declarou corretamente os valores efetivamente recebidos no anocalendário 2011, não podendo este ser penalizado pelos fatos que se apresentam. Tais ocorrências autorizam a administração tributária a rever de ofício o lançamento efetuado, a teor dos incisos II e IV do art. 149 do CTN. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; [...] IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13660.720246/201483 Acórdão n.º 2401005.803 S2C4T1 Fl. 199 8 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35594.000267/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 59 4. 00 02 67 /2 00 5- 61 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 35594.000267/200561 Acórdão n.º 2402006.420 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 35594.000267/200561 Acórdão n.º 2402006.420 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 35594.000267/200561 Acórdão n.º 2402006.420 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 389DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.930431/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 04 31 /2 00 9- 34 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.930431/200934 Acórdão n.º 1402003.391 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade em face do despacho decisório que não homologou a compensação declarada, diante da inexistência de crédito, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Não é possível compensar estimativa por meio de PER/DCOMP entre 29/10/2004 e 31/12/2008, nos termos da legislação tributária." Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Tratase de Despacho Decisório [...] que não reconheceu o direito creditório, cujo valor inicial original seria de R$ 337.538,92, pleiteado por meio de PER/DCOMP [...]. O crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL) por meio do DARF do período de apuração de 30/06/2003, com data de arrecadação de 19/12/2003, no valor total de R$ 337.538,92(incluindo multa de mora e juros de mora), pois o valor do DARF discriminado no PER/DCOMP em tela já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, e portanto, não homologou a compensação com débito no valor total original de R$ 4.181,59(mais multa de mora e juros de mora) declarado no mesmo PER/DCOMP[...]. A manifestação de inconformidade [...] foi apresentada pelos procuradores [...] acompanhada de cópias de Despacho Decisório, DARF, DCTF e DIPJ [...]. Alega “que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que já foram retificadas e anexadas a este processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido”. Diz que o Despacho Decisório data de 20/04/2009, cerca de 4 anos após a entrega do PER/DCOMP, e que a empresa não teve “conhecimento desta incorreção comprovada pela certidão negativa em anexo.”. Diz, também, que o “não cancelamento dos débitos citados no despacho decisório ... trará enorme prejuízo a empresa uma vez que o crédito tributário utilizado na Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.930431/200934 Acórdão n.º 1402003.391 S1C4T2 Fl. 4 3 compensação já se encontra prescrito.” (sic). Por esses motivos, solicita a exclusão dos débitos constantes neste despacho decisório.”. É o relatório." Inconformada com o Acórdão da DRJ/SP1, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões de fato e de direito para a reforma da decisão da Instância a quo: (A) Quanto à possibilidade de compensação de estimativa mediante PER/DCOMP · Caso se entenda que supostamente não seria possível a compensação de estimativa por meio de PER/DCOMP porque no período de 29/10/2004 a 31/12/2008 não havia legislação permitindo expressamente tal procedimento, requer a Recorrente seja aplicada retroativamente a IN 900/2008, em obediência ao art. 106, II, "c", do CTN, que consagra o principio da aplicação da lei mais benéfica ao contribuinte. (B) Violação ao princípio da verdade material · A Recorrente realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. · É imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. (C) Ofensa aos princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade · o v. acórdão ora recorrido ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devendo, portanto, ser reformado. Como destacado, todas as retificações necessárias foram realizadas pela Recorrente e demonstram que o crédito existente é suficiente para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Foge à razoabilidade a não extinção de débito mediante compensação de estimativa sob o simples argumento de que o procedimento não seria o correto, muito embora a existência de crédito seja manifesta. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.930431/200934 Acórdão n.º 1402003.391 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.362, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.930429/2009 65, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.362): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.930431/200934 Acórdão n.º 1402003.391 S1C4T2 Fl. 6 5 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.930431/200934 Acórdão n.º 1402003.391 S1C4T2 Fl. 7 6 a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.930431/200934 Acórdão n.º 1402003.391 S1C4T2 Fl. 8 7 das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.930431/200934 Acórdão n.º 1402003.391 S1C4T2 Fl. 9 8 Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.930431/200934 Acórdão n.º 1402003.391 S1C4T2 Fl. 10 9 final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.930431/200934 Acórdão n.º 1402003.391 S1C4T2 Fl. 11 10 bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADNSRF n° 3, de 2000; INRFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Porém, apenas em tese assiste razão ao recorrente em suas alegações, haja vista que teve seu pedido de restituição indeferido, pois, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que já foram retificadas e anexadas a este processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido. No acórdão de 1ª Instância, concluise que as estimativas recolhidas de março e de abril devem ter sido apuradas em conformidade com as leis comerciais e fiscais. Na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal, se houvesse o devido permissivo legal. A Recorrente alega que realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, argumenta que não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. O Recorrente argumenta que é imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. Não assiste razão ao Recorrente em suas alegações, pois a mera retificação de DIPJ e DCTF não confirmam o crédito alegado, que já foi objeto de procedimento fiscal. No presente voto, adotase o mesmo entendimento do acórdão recorrido, ou seja, na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal. A comprovação do crédito, através da demonstração de erro no balancete de suspensão/redução é condição Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.930431/200934 Acórdão n.º 1402003.391 S1C4T2 Fl. 12 11 imprescindível para a homologação do Per/Dcomp, não se caracterizando como "formalidade processuais extravagante". Portanto não deve prosperar a alegação de ofensa ao princípio da verdade material. Da mesma forma devem ser afastada a alegação de ofensa ao princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois as retificações de declarações não são suficientes para demonstrar a existência do crédito para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.720493/2016-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
RECURSO. INTEMPESTIVIDADE.
Da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.
Numero da decisão: 1001-000.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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INTEMPESTIVIDADE. Da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de auto de infração (efls. 02/15) dos tributos componentes do Simples Nacional, referentes aos períodos de apuração de 08/2012 a 09/2012, acrescidas de multa de ofício de 150% e juros de mora, totalizando R$ 32.477,50. Conforme Termo de Verificação Fiscal que acompanha o auto de infração (fls. 12/50) o contribuinte, optante pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 04 93 /2 01 6- 67 Fl. 623DF CARF MF 2 Simples Nacional, apresentou, originariamente PGDASD (declaração Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional – Declaratório) relativas aos períodos de apuração de 08 a 12/2012 indicando valores devidos do Simples Nacional. Posteriormente, entretanto, apresentou PGDASD – Retificadores com a indicação de “imunidade tributária”, como motivação para o não recolhimento dos tributos devidos incidentes sobre as respectivas receitas. Após a análise dos documentos apresentados pelo contribuinte restou comprovado que tratavase de tentativa de quitação de tributos com créditos fictos provenientes de operações no SIAFI (resgate de Título da Dívida Pública Externa), caracterizando fraude tributária. O relatório (efls. 570/593) da decisão de primeira instância bem descreve a apuração do tributo devido, razão pela qual o adotamos. Cientificado da autuação o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 552/566) cujas razões podem ser assim resumidas: Não foram realizadas compensações indevidas no PGDASD, mas sim apenas informações no campo imunidade daquela declaração; O lançamento foi com base nas informações constantes nas Declarações do Simples Nacional apresentadas originariamente, de modo que não seria necessário a fiscalização realizar lançamento de ofício, e que bastaria apenas não homologar os PGDASD retificadores; Os valores devidos do Simples Nacional, devidamente lançados na PGDAS, foram quitados através de processo de resgate de Título da Dívida Pública Externa, junto a Secretaria do Tesouro Nacional, através de processos administrativos identificados pelos COMPROTs; Tal procedimento estaria, segundo ele, de acordo com a Portaria SRF nº 913, de 2002; “Com objetivo de simplificar os procedimentos, reduzindo custos operacionais da administração federal e gerando ganhos financeiros ao Tesouro Nacional, a União, foi firmado termo de cooperação técnica entre a RFB e a Secretaria do Tesouro Nacional STN, em que se remete à Conta Única do Tesouro Nacional, parte dos recursos por ela (STN) devidos – (créditos da dívida pública brasileira), com a finalidade de, dentre outra, através do Sistema Integrado de Administração financeira do Governo Federal SIAFI – órgão diretamente ligado a Secretaria do Tesouro Nacional – STN, efetuarse o recolhimento de tributos federais devidos por pessoas jurídicas, proporcionando enormes benefícios ao ente público, pelo fato de a renda apurada com o saldo financeiro quando da permanência dos recursos junto a conta única, ser totalmente revertida ao Erário, gerando benefícios ao ente público federal”; “Em suma, por ser detentora de crédito financeiro, foi perseguido o pagamento de seus débitos tributários com os supracitados créditos, através de pleitos protocolados junto a Secretaria Tesouro Nacional, objetos dos COMPROTs anexos, na qual a Impugnante aguarda a tramitação final para que ocorra a extinção da obrigação tributária”; Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10783.720493/201667 Acórdão n.º 1001000.794 S1C0T1 Fl. 624 3 Teria confessado seus débitos e informado os respectivos pagamentos no processo administrativo nº 13811.726457/2012 97 ; “(...) requer a nulidade absoluta do Lançamento Fiscal através do Auto de Infração, haja vista que a Receita Federal do Brasil não detém de Competência acerca da liberação dos Recursos / crédito com poder liberatório de pagamentos de tributos, nos moldes da sistematização pela Portaria 913/2002, visto que a Secretaria do Tesouro Nacional é quem detém da Competência para decidir acerca da liberação dos recursos e por consequência da extinção da obrigação tributária”; “(...) a Empresa Contribuinte teve seus débitos informados em PGDAS desconsiderados e formalizado o presente Auto de Infração de maneira arbitrária e ilegal, porque devese atentar para o devido processo legal”; “(...) caso a RFB não concorde com a modalidade de confissão e pagamento, através do campo da imunidade com os créditos mencionados acima, que inicie a abertura de um processo administrativo fiscal, amparado na Lei do Processo Administrativo – Lei n.º 9.784/99 e Lei n.º 123/2006 e Decreto 70.235/72, e nos direitos constitucionais da ampla defesa e contraditório, com a imediata suspensão da exigibilidade do crédito tributário, para averiguar as informações da confissão e as questões do pagamento através da compensação”; A multa de ofício de 150% seria abusiva, pois não teria havido caracterização de dolo e fraude. Ainda que passível a aplicação de multa, esta deveria ser a prevista no art. 38A, da Lei Complementar nº 123, de 2006; Haveria nulidade da responsabilização solidária dos sócios, tendo em vista que em momento algum teria sido provado o intuito de dolo e fraude cometido por eles, e que não haveria configuração de fraude quando há apresentação de PGDAS Retificador, se houver a apresentação de PGDAS original informando o valor efetivamente devido. A decisão de primeira instância (efls. 643/673) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. O voto condutor desta decisão apresentou, entre outras, as seguintes razões: i) os créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, quando líquidos e certos e passíveis de restituição/compensação (o que não seria o caso dos créditos alegados pelo contribuinte nestes autos) devem ter sua compensação realizada eletronicamente mediante o programa PER/DCOMP. ii) inexiste a possibilidade de utilização dos títulos da dívida pública para pagamento de tributos federais na forma alegada pelo contribuinte, nos termos do art. 6º Lei nº 10.179, de 2001. iii) o presente processo segue à risca os termos do Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, Fl. 625DF CARF MF 4 razão pela qual concluiu que não houve violação de direito de defesa com a lavratura do auto de infração. iv) A multa de ofício foi qualificada de 150% pelos motivos narrados no Termo de Verificação Fiscal, em especial intenção da fiscalizada em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei caracterizada, de forma inequívoca, pela prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, pela inserção de elementos inexatos em documentos públicos (PGDASD), bem como pela tentativa de manter fora do conhecimento do Fisco a verdadeira natureza tributária das receitas auferidas em diversos períodos de apuração do SIMPLES NACIONAL (com a indicação de IMUNIDADE TRIBUTÁRIA), para eximirse, total ou parcialmente, do pagamento dos tributos devidos. Tais ações inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, configurando o dolo necessário para a qualificação da multas de ofício. Cientificada da decisão de primeira instância em 24/04/2017 segunda feira (efl. 598) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 01/06/2017 quinta feira (efl. 601), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Reza o art. 33 do Decreto 70235/72 que da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Cientificada da decisão de primeira instância em 24/04/2017 segunda feira (efl. 598) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 01/06/2017 quinta feira (efl. 601). Logo, o recurso voluntário é intempestivo, não cabendo, por conseqüência, a esta Turma analisar questões de mérito. Desta forma, voto por não conhecer do recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 626DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000377/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 38. APRESENTAR LIVROS CONTÁBEIS COM INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE OU QUE OMITEM AS INFORMAÇÕES VERDADEIRAS.
Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação à Fiscalização de livros contábeis que contém informação diversa da realidade ou que omitem as informações verdadeiras.
PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL. COMPLEXIDADE DA PROVA. PRECLUSÃO.
O §4º do art. 16, do Decreto 70.235/72, estabelece que a prova deve ser juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere a legislação as hipóteses de superação deste momento de juntada. A prova que se demonstre complexa e que possa ocasionar a necessidade de perícia contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 38. APRESENTAR LIVROS CONTÁBEIS COM INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE OU QUE OMITEM AS INFORMAÇÕES VERDADEIRAS. Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação à Fiscalização de livros contábeis que contém informação diversa da realidade ou que omitem as informações verdadeiras. PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL. COMPLEXIDADE DA PROVA. PRECLUSÃO. O §4º do art. 16, do Decreto 70.235/72, estabelece que a prova deve ser juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere a legislação as hipóteses de superação deste momento de juntada. A prova que se demonstre complexa e que possa ocasionar a necessidade de perícia contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 77 /2 00 9- 53 Fl. 581DF CARF MF Processo nº 12268.000377/200953 Acórdão n.º 2202004.731 S2C2T2 Fl. 582 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12268.000377/200953, em face do acórdão nº 0240.722, julgado pela 6ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 27 de setembro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “De acordo com os elementos constitutivos do presente processo, a empresa infringiu ao disposto na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 33, §§ 2º e 3º, com redação da MP nº 449, de 03.12.2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27.05.2009, combinado com o artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, porque, segundo a fiscalização, teria apresentado Livros e documentos com informação diversa da de sua realidade. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. A multa foi aplicada no valor de R$ 13.291,66 (treze mil e duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), consoante a Lei nº 8.212, de 1991, artigo 92 e 102, e com o Regulamento da Previdência Social RPS, artigo 283, inciso II, “j”, e artigo 373, com o valor atualizado pela Portaria MPS 48, de 12.02.2009 (DOU de 13.02.2009). O sujeito passivo apresentou impugnação com os seguintes argumentos, às fls. 209/215: De início, alega a nulidade da autuação dizendo que a mesma limitouse a indicar o valor a ser recolhido sem trazer qualquer Fl. 582DF CARF MF Processo nº 12268.000377/200953 Acórdão n.º 2202004.731 S2C2T2 Fl. 583 3 informação objetiva sobre o cálculo que levou ao montante aplicado. Fala que a peça de autuação seria contraditória, apresentando de maneira genérica diferentes condutas atribuídas à impugnante. Assim, por faltar exatidão e clareza, entende ter ocorrido cerceamento ao contraditório e ao direito de defesa, devendo ser declarado nulo o auto de infração. Analisando os dispositivos da peça acusatória, fala que nenhum deles versa sobre a apresentação de documento ou livro que contenha informação diversa da realidade (que é a infração imputada à impugnante), e sobre quais pessoas estariam sujeitas a tal obrigação. Com base em Acórdão proferido pela 6a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que trata da ausência de fundamentação legal, a impugnante ainda conclui pela ilegalidade da penalidade aplicada. Em outro tópico, diz que o auditor fiscal não levantou qualquer indício de sonegação de mãodeobra, ou seja, de contratação de serviços ou empregados sem a devida contabilização e oferecimento à tributação. Acresce que não teria sido desclassificada a sua contabilidade, e que não teria sido apontado qualquer vício ou irregularidade que pudesse tornála imprestável para fins de fiscalização. Considerando que todas as obras executadas são de propriedade do Poder Público, e contratadas através de rigoroso processo de licitação regulamentado na Lei Federal nº 8.666, de 1993, afirma que a contabilidade da impugnante é íntegra e reflete a realidade dos fatos, ou seja, o montante real que foi utilizado para a remuneração da mãodeobra. Diz ainda que não seria pertinente a utilização do CUB em substituição aos dados oficiais constantes dos editais de licitações e dos contratos de empreitada firmados pelo próprio poder público. Em seu pedido, requer a improcedência do auto de infração determinando o seu arquivamento. Requer, ainda, a produção de prova pericial contábil, nos termos do artigo do 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a fim de comprovar a regularidade de seus lançamentos contábeis. Por fim, protesta pela apresentação de razões complementares tendo em vista que no exíguo prazo de impugnação não foi possível ultimar os trabalhos técnicos que visavam contestar as conclusões contidas no auto de infração. O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, tendo em vista a Fl. 583DF CARF MF Processo nº 12268.000377/200953 Acórdão n.º 2202004.731 S2C2T2 Fl. 584 4 Portaria SUTRI nº 3.237, de 12.08.2011, publicada no DOU de 15.08.2011.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 386/404, reiterando, as alegações expostas em impugnação. Junta, em anexo ao recurso voluntário, documentos de fls. 406/574. Em fl. 577 o contribuinte apresenta petição complementar ao Recurso Voluntário, buscando sanar vícios materiais nele contidos. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Documentos juntados em fase recursal. A perícia e as diligências requeridas foram indeferidas pela DRJ de origem, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Ademais, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Descabe, ainda, a inversão do ônus da prova. Os documentos juntados pelo contribuinte em fase recursal, às fls. 458/762, demandariam análise pela primeira instância, podendo inclusive, antes do julgamento de primeira instância, ser determinada perícia ou diligências. No entanto, a chegada aos autos de documentos, com mais de 300 páginas, que demandariam uma análise contábil, impedem que sejam recebidos como prova do alegado. Ocorre que o Decreto nº 70.235/72 estabelece no 4º do seu art. 16 que: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 584DF CARF MF Processo nº 12268.000377/200953 Acórdão n.º 2202004.731 S2C2T2 Fl. 585 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (grifouse) Não sendo demonstrado pela contribuinte alguma das hipóteses das alíneas acima, entendo por não receber os documentos nesta fase recursal, por preclusão. No presente caso, não há como superar o disposto no art. 16, §4º, do Decreto 70.235/72 em razão do princípio da verdade material ou do formalismo moderado, haja vista a complexidade da prova juntada, que deveria ter sido previamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, sob pena de violação inclusive do duplo grau de jurisdição. 2. Multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 38) Segundo o Relatório Fiscal, a contribuinte apresentou livros contábeis que não atendem as formalidades legais. Assim, o fato de o contribuinte autuado ter apresentado à Fiscalização livros contábeis que não atendem as formalidades legais exigidas, contém informação diversa da realidade ou que omitem as informações verdadeiras, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, às fls.8/9, caracterizou, indubitavelmente, infração ao disposto no artigo 33, parágrafos 2.º e 3º, da Lei n.º 8.212, de 1991 e alterações posteriores, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999 e alterações posteriores. Tendo em vista que restou comprovado nos autos o efetivo cometimento da infração, a aplicação da penalidade ao caso presente encontrase perfeitamente legal, nos termos dos artigos 92 e 102, da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com a alínea “j” do inciso II, do artigo 283 e artigo 373, ambos do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 585DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001823/2003-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. ASSEMELHADOS.
A interpretação analógica é técnica de interpretação permitida e autorizada no termo assemelhados, presente no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96.
Numero da decisão: 1001-000.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. ASSEMELHADOS. A interpretação analógica é técnica de interpretação permitida e autorizada no termo assemelhados, presente no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. ASSEMELHADOS. A interpretação analógica é técnica de interpretação permitida e autorizada no termo “assemelhados”, presente no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Ato Declaratório DRF/Joinvile n° 104. de 13/05/2003 (efl. 11), através do qual o contribuinte referenciado foi excluído do SIMPLES FEDERAL em razão de constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação à opção pela sistemática tributária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 18 23 /2 00 3- 85 Fl. 83DF CARF MF 2 em questão, no caso, prestação de serviços assemelhados a consultor e contador, por força do artigo 9°, inciso XIII, da Lei 9.317/96. Por bem resumir o litígio reproduzo a seguir o Relatório da decisão recorrida (efls. 61): A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo N° 104, de 13/05/2003, de emissão do Delegado da Receita Federal em JoinvilleSC, tendo por fundamentação a Representação Para Fins de Exclusão do Simples, datada de 06/06/2002, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/01/2002, informando como causa, o exercício de atividade econômica vedada à sistemática, caracterizada por serviços de consultor e contador, em afronta ao disposto no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996. Cientificada do ato de exclusão, a reclamante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 12/19 onde alega em preliminar que sua exclusão ao Simples é ilegal e inconstitucional, posto terem ocorrido equívocos formais e materiais; que não lhe foi oportunizado esclarecer a realidade dos fatos, restando suprimida a ampla defesa e o contraditório. Afirma que sob o aspecto material, não depende de profissional de contabilidade para realizar suas atividades; que se limita a realizar serviços de elaboração de controles administrativos e auxiliares, implantação burocrática de condomínios residenciais e comerciais e serviços de digitação de documentos; que 90% de sua receita advém de serviços prestados a Sindicatos; que para os condomínios elabora controles internos para cadastro dos condôminos e proprietários das unidades, controle de inadimplentes, cadastro de fornecedores, controle e leitura de gás, emissão de bloquetos e, para os sindicatos presta serviços de controle e digitação do cadastro de associados, emissão de bloquetos, emissão de guias de contribuição sindical e confederativa, assessoramento nas assembléias gerais, processo eleitoral, extensão de base, extensão de representação profissional e arquivamento dos processos no Ministério do Trabalho e Emprego; que as notas fiscais que ora apresenta corroboram a prestação de serviços gerais; que sua exclusão se deu por presunção, o que não é permitido pela legislação pátria; que a exclusão baseada tão somente em um telefonema não pode prosperar; que não existe vedação a que uma pessoa física participe de duas ou mais pessoas jurídicas; que, caso seja mantida sua exclusão tendo em vista o objetivo social descrito no instrumento de constituição, mostrase necessária a alteração do mesmo. Assim, protesta pela produção de outras provas e que seja cancelado o ato anteriormente mencionado. Junta aos autos os documentos de fls. 20 a 45. Nos termos da Portaria MF n° 179, de 13 de fevereiro de 2007, o processo foi transferido a essa DRJ em CuritibaPR, para julgamento. A 2ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de Inconformidade, através do acórdão n° 0614.580 (efls. 60/64) afastando as razões que fundamentaram a Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10920.001823/200385 Acórdão n.º 1001000.741 S1C0T1 Fl. 84 3 exclusão da atividade assemelhada a contador, mas mantendo a exclusão baseada no exercício da atividade assemelhado a consultor. Cientificada da decisão de primeira instância em 18/08/2007 (efl. 67) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 19/09/2007 (efl. 69), em que aduz: Entendemos ter ocorrido um equívoco no presente julgamento, pois não há qualquer espécie de provas de que a recorrente prestava modalidade de serviço relacionada à atividade de consultoria ou contabilidade. O próprio fiscal tomou como parâmetro uma simples ligação realizada para o estabelecimento da recorrente e as informações contidas em seu Contrato Social, A empresa Klein Assessoramento Ltda. não prestava qualquer modalidade de serviço que possa ser confundida com uma forma de consultoria. Pelo contrário, tratamse de atividades que não necessitam de grande conhecimento ou experiência, e que poderão variar para seus dois tipos de clientes: condomínios e sindicatos. Os serviços prestados não demandam qualificação profissional específica exigida em lei, e podem ser prestados por qualquer um com o mínimo de capacidade e conhecimento. Competiria à União, em sua motivação, apresentar argumentos mais robustos do que mera presunção semântica. A empresa recorrente não presta qualquer tipo de serviço que seja exigido saber e experiência. Da mesma forma, inviável estabelecer uma conexão ampla e abstrata entre assessoria e consultoria, por se tratarem de situações absolutamente distintas. O consultor é contratado mediante uma remuneração que represente o seu conhecimento e experiência diferenciados. Para tanto, desenvolve serviços que representem situações que muitas vezes a própria empresa ou pessoa física não tem como desenvolver. Ou seja, não há que se falar aqui em conhecimento diferenciado, que seja capaz de caracterizar uma prestação de consultoria. Muito menos em qualificação profissional especifica exigida em lei. Neste mesmo diapasão decidiu o TRF da 4a Região (...); Não existe embasamento legal para se mencionar que a exclusão deva surtir efeito a partir de 01/01/2002, mas, sim, no mês subseqüente à data do ato de retirada do sistema, conforme trata o inciso II do art. 15 da Lei n° 9.317/96 (...); Uma vez que a recorrente estava regularmente incluída no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, procedendo à arrecadação de tributos conforme Fl. 85DF CARF MF 4 preconizado no mencionado sistema, tornase ilegítima a pretensão de tornar retroativo os seus efeitos. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Dele conheço. Quanto ao mérito, o artigo 9°, inciso XIII, e art. 13, II, "a" da Lei n.° 9.317/96, prescrevem sobre o impedimento da opção e à obrigatoriedade da exclusão quando constatado que houve opção indevida: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (..) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida" (Destaquei)". (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II Obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Já os efeitos da exclusão foram fixados a partir de 1° de janeiro de 2002 conforme o disposto no art. 15, II, da Lei 9.317/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9°; Ressaltese que alegações de excesso inconstitucional do legislador ordinário deve ser levado a apreciação do Poder Judiciário, a quem cabe a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10920.001823/200385 Acórdão n.º 1001000.741 S1C0T1 Fl. 85 5 administrativa. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. E no mesmo sentido deve a autoridade administrativa atenção aos dispositivos legais, não cabendo seu afastamento por apelo à doutrina ou à jurisprudência não vinculante. A decisão de primeira instância afastou a imputação de exercício de contabilidade, desta forma não cabe aqui analisar os reclamos referentes a esta imputação já afastada. Entre estas reclamações esta aquela de que com base em um telefonema a autoridade fiscal concluiu que a Recorrente constituase de um escritório de contabilidade. Reconheceu a DRJ que o escritório contábil resolveu subdividir suas atividades e, para tanto, optou por constituir duas empresas auxiliares que poderiam se enquadrar no Simples e, desta forma, reduzir os custos de manutenção de suas operações. Assim dispôs propriamente aquela decisão: Assim, a ora reclamante executa serviços auxiliares àqueles prestados pelo escritório de contabilidade, mas que não são vedados ao Simples, ou seja, digitação, emissão de bloquetos de cobrança e compilação de dados. Tais serviços desde que não caracterizem os atos exclusivos do contador, tais como elaboração de demonstrações financeiras, assinatura de balanço e outras, não constituem invasão de competência e não podem acarretar sua exclusão ao Simples. Mas a Recorrente não teve a mesma sorte no que se refere à imputação de exercício da atividade assemelhada a consultor. E aí também concordamos com a decisão recorrida. Isto porque consultor é aquele que, por seu saber e experiência, é procurado para prestar assistência ou auxílio em questões pertinentes à sua especialidade. E este é o caso da Recorrente , pois foi contratada mediante remuneração para exercer assessoria e emprestar seu conhecimento e experiência na área de administração de condomínios e sindicatos. Consideramos que o exercício da atividade de consultoria abrange a atividade de assessoria, com base na permissão legal de que atividades assemelhadas às especificadas também impeçam a adesão ao Simples Federal. Assim dispôs aquela decisão recorrida: A vedação legal contida no inciso XIII do art. 9° da Lei 9.317, de 1996, adota, pois, como referencial para a exclusão do direito à inscrição no SIMPLES, a identificação ou a semelhança dos serviços prestados pela pessoa jurídica com o que é típico das profissões relacionadas, entre elas a de consultor, independentemente da qualificação ou habilitação legal dos profissionais que efetivamente prestam o serviço. Nesta linha, autoriza o entendimento de que consultor é aquele que, por seu saber e experiência, é procurado para prestar assistência ou auxílio em questões pertinentes à sua especialidade. É alguém que fornece assessoramento acerca de matéria conhecida e, nesta condição, compreende todas as atividades de auxílio, assistência e ajuda remuneradas, sendo, pois, decorrência da lei, tomado na significação de assessor, em seu sentido mais amplo. A aplicação do termo "assemelhados" provém da autorização contida no CTN de uma interpretação analógica. Não há como dizer que o contribuinte prescindiria de conhecimento especializado em sua área de atuação profissional, para o exercício de suas atividades. Fl. 87DF CARF MF 6 Não tem fundamento a alegação do contribuinte de que não houve motivação baseada em provas para sua exclusão. Isto porque estão acostados aos autos o contrato social da Recorrente (efls. 07/10) em que se destaca no objetivo social a atividade de assessoramento na área específica: " tendo por objetivos sociais a elaboração e assessoria de controles.administrativos e auxiliares, implantação e manutenção burocrática de condomínios residenciais e comerciais e serviços de digitalização.". Somese as notas fiscais em que o termo assessoramento está tanto na descrição dos serviços como no nome da empresa (efl. 33). Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001155/2004-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
COFINS SOBRE RECEITA FINANCEIRA - IMPOSSIBILIDADE DA EXIGÊNCIA - AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Impossibilidade da exigência, uma vez que as receitas auferidas pela empresa eram de natureza financeira, sobre as quais não havia previsão legal à época dos fatos para a incidência das contribuições, principalmente porque as receitas financeiras só passaram a integrar o conceito de faturamento com a edição da Lei 9.718/1998 de 27 de novembro de 1998, com produção de efeitos para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999
Numero da decisão: 1401-002.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Impossibilidade da exigência, uma vez que as receitas auferidas pela empresa eram de natureza financeira, sobre as quais não havia previsão legal à época dos fatos para a incidência das contribuições, principalmente porque as receitas financeiras só passaram a integrar o conceito de faturamento com a edição da Lei 9.718/1998 de 27 de novembro de 1998, com produção de efeitos para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 55 /2 00 4- 23 Fl. 1088DF CARF MF 2 Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 19515.001155/200423 Acórdão n.º 1401002.726 S1C4T1 Fl. 1089 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão de nº 5.966, de 28 de setembro de 2004 4 a Turma da DRJ/BHE, que por unanimidade de votos manteve o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pela acusação de omissão de Receitas caracterizada pela manutenção no Passivo de exigibilidade não comprovada. Tendo sido tal irregularidade constatada na contabilidade de Serra Nova Desenvolvimento de Negócios Ltda CNPJ 01.241.8 38/000130, empresa incorporada pelo sujeito passivo objeto do presente MPF/RPF. Foi lavrado Termo de Verificação Fiscal, contendo os elementos que dão suporte ao presente Auto de Infração e dessa forma, parte integrante do presente procedimento fiscal. Por bem descrever os fatos, transcrevo em parte o relato contido no TVF de fls. 240 e s.s., naquilo que interessa a sua contextualização: I DESCRIÇÃO DOS FATOS 1 A empresa sucedida Serra Nova Desenvolvimento de Negócios Ltda CNPJ 01.241.8387000130, apresentou sua declaração de rendimentos, relativa ao anocalendário de 1998, no formulário destinado às pessoas jurídicas que apuram seus resultados com base no lucro real (fls.98 a 107). Em 20/08/2003 foi incorporada pela indigitada sucessora (doc. de fls. 113 a 125) e teve o CNPJ cancelado de ofício em 05/2004 (doe. de fls.126). 2 Em 14/10/2003, o contribuinte foi regularmente intimado, Termo Fiscal de fls.03, para esclarecer, no prazo de 5 dias, remessas de divisas ao exterior, ocorridas em 30/041998, R$162.882,08 02/09 e, em 02/09/1998 , nos montantes de R$713.111,62 e R$146.200.936,23, respectivamente, juntamente com os documentos e indicativos dos registros contábeis que deram suporte àquela operação. Em 17/10/2003, solicitou prorrogação por 20 dias para este atendimento (doe de fls..07). 3 Em 03/11/2003 esclareceu que as remessas de R$162.882,08 e R$713.111.62 correspondiam a pagamentos de juros de obrigações contraídas com credor no exterior, enquanto que a remessa de R$146.200.936,23 fora efetuada para investimento financeiro em quotas de fundo de investimento. Anexou çòpia das páginas do livro diário onde tais operações foram registradas (doe de fls. 08 a 11). 4 Atendendo à uma solicitação verbal desta fiscalização, o contribuinte apresentou em 09/12/1998 esclarecimentos complementares informando qué o investimento retro mencionado ,que efetuara no exterior, fora resgatado em 29/12/1998 e utilizado, na mesma data, para liquidação de obrigações anteriormente assumidas. Anexou cópia do razão onde o registro contábil foi efetuado (doe. de fls. 11 a 15). 5 Em 23/12/2003 o contribuinte foi intimado, Termo Fiscal 002 (fls. 16), para apresentar toda a documentação que deu suporte aos registros contábeis referentes às obrigações contraídas anteriormente no exterior a que fizera menção na informação retro citada. 6 Em resposta datada 15/01/2004, o contribuinte forneceu a esta fiscalização, cópias xerocopiadas de documentos numerados individualmente, no total de 15, redigidos no idioma Inglês (doe. de fls. 18 a 33). Posteriormente, 09/02/2004, tais documentos foram regularmente traduzidos para a língua pátria (doe. de fls. 35 a 51). Fl. 1090DF CARF MF 4 7 Os documentos apresentados são referentes à confirmação comercial de empréstimo de valores mobiliários entre a fiscalizada (à época BBA DESENVOLVIMENTO DE NEGÓCIOS LTDA), na qualidade Tomadora e, GALÍCIAGESTÃO E SERVIÇOS UNIPESSOAL, LTDA, na qualidade de empresa Credora. 8 Em 30/03/20004, o contribuinte forneceu a esta fiscalização extratos bancários contendo os registros relativos a venda de cotas de fundo de investimento bem como, cópias dos respectivos registros contábeis efetuados (doc. de fls. 53 a 95). 9 Ainda em 30/03/20004, a fiscalizada foi intimada Jermo Fiscal 005 (fls. 96), para apresentar documentação adicional que tivesse relação com o mútuo em questão, firmado com GALÍCIAGESTÃO (empresa credora). 10 Em resposta datada de 12/04/2004 (doc.de fls. 97), o contribuinte declarou que todos os documentos relativos à liquidação de obrigações contraídas no exterior em 29/12/1998, já tinham sido devidamente apresentados a esta fiscalização. 11 Durante o período compreendido entre o início da ação fiscal e 30 de de março de 2004, o CNPJ da sucedida ainda estava ativo no cadastro da Receita Federal motivo pelo qual, contra ela foram lavrados os termos fiscais todavia, tanto a ciência bem como todas as informações, ocorreram através de representantes legais da Sera Nova Fomento Comercial Ltda sucessora da fiscalizada, Srs. José Carlos dos Santos, CPF 042.751.29806 e José Eduardo Frigo, CPF 719.721.02834 . II DA CONTABILIZAÇÃO 12 Tendo como suporte os documentos mencionados no iten 7, o contribuinte, no curso do anocalendário de 1997, contabilizou tais fatos como a seguir descrito: a) débito na conta 1.3.1.15.99.1.076 Outros Fundos; b) crédito na conta 4.9.9.92.10.1.691 Credores Diversos . 13 Em 29/12/1998 a conta credores diversos, então denominada "Obrigações Contraídas no Exterior" cod. 3.1.01.02.02.0091, com saldo de R$154.694.841.29 , foi debitada na sua integralidade (fls. 13). Inconformada, visando o cancelamento da autuação, apresentou impugnação argüindo em síntese: 1. no anocalendário de 1998, estava sujeito à apuração e ao recolhimento com base no regime de estimativa mensal. Em havendo pagamentos mensais pressupõese a ocorrência de fatos geradores mensais; 2. ainda que considerassem ocorridos os fatos geradores do IRPJ e da CSLL em 31/12/1998 a decadência teria ocorrido em 31/12/2003; 3. a partir do Decretolei n° 1.967/1982, o IRPJ passou a se submeter à modalidade de lançamento por homologação, já que o recolhimento passou a ocorrer independentemente do exame do Fisco; 4. as Leis n°s 8.981/1995, 9.249/1995 e 9.430/1996 continuaram adotando a modalidade de lançamento por homologação; 5. as Leis n°s 8.981/1995 e 9.430/1996 determinam que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e recolhimento do IRPJ; 6. no tocante ao PIS e à COFINS os fatos geradores são mensais, considerando o artigo 2 o da Lei n° 9.715/1998 e artigo 2 o da Lei Complementar n° 70/1991; Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 19515.001155/200423 Acórdão n.º 1401002.726 S1C4T1 Fl. 1090 5 7. o IRPJ, a CSLL, a COFINS e o PIS são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O cômputo do prazo decadencial se dá nos termos do § 4 o do artigo 150 do CTN; 8. mesmo que a contagem do prazo decadencial se desse nos termos do artigo 173,1, do CTN o lançamento do crédito tributário só poderia ter sido efetuado até 31/12/2003. 9. o auto de infração não descreve o perfeito enquadramento legal dos fatos. O autuante sustenta que houve omissão de receitas sem ter indicado os dispositivos legais que prevêem e caracterizam essa hipótese na legislação fiscal; 10. os dispositivos legais citados somente poderiam ser aplicados se a caracterização dos fatos descritos como hipótese de omissão de receitas estivesse calcada em sua devida base legal; 11. a empresa sucedida negociava direitos creditórios de pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras; 12. faz uma síntese da operação contestada pela fiscalização. A empresa celebrou com Galícia Gestão de Serviços, Sociedade Unipessoal Ltda., contrato de mútuo de quotas de fundo de investimento financeiro, em 27/02/1997 e 25/06/1997. O objeto do contrato eram quotas do fundo financeiro Guimel. O valor das quotas era registrado no ativo ao passo que a obrigação era contabilizada no passivo; 13. essas quotas do fundo Guimel foram vendidas no Brasil, conforme contratos de confirmação de compra e venda de ativos e extratos bancários juntados aos autos; 14. nos vencimentos das operações de mútuo foram efetuadas repactuações para o prolongamento dos vencimentos, que passaram a ocorrer no período compreendido entre 22/02/1999 e 17/06/1999, portando estas obrigações deveriam constar do balanço levantado em 31/12/1998; 15. ao longo do ano de 1998, a empresa optou por amortizar parte da dívida, restando em 02/09/1998, cerca de R$ 150.000.000,00. Assim, efetuou uma remessa ao exterior de R$ 146.200.936,23, constituindo em nome próprio disponibilidade de curto prazo no exterior. Esta operação foi devidamente registrada no SISBACEN; 16. com a quantia remetida ao exterior, adquiriu, em 03/09/1998, quotas do Fundo Guimel no valor de US$ 126,193,781.20, conforme Certidão de Investimento, anexa aos autos; 17. em 29/12/1998, o saldo em aberto dos contratos de mútuo celebrados com a Galícia, registrava a quantia de R$ 154.694.841,29. Nesta data, a empresa procedeu à quitação desta obrigação com a devolução de 979.235,75171847 quotas do Fundo Guimel, recebendo "Termos de Quitação"; 18. com a quitação houve a baixa destas obrigações do passivo; 19. a operação de mútuo revestiuse de todas as formalidades necessárias e estão comprovadas; 20. a fiscalização não expôs as razões que a levaram a supor que os contratos apresentados não se prestam à comprovação da exigibilidade; 21. o empréstimo está plenamente comprovado, por intermédio dos contratos, e demais documentos que completaram a operação; Fl. 1092DF CARF MF 6 22. a "confirmação comercial de empréstimos" é a forma usual adotada pelo mercado para a formalização dos contratos de mútuo de valores mobiliários, contemplando todos os elementos necessários à contratação de um empréstimo: as partes, o objeto, a data de contratação, vencimento, a forma de quitação e a lei de regência, no caso a portuguesa. A lei brasileira não prevê forma especial para a celebração destes contratos, sendo suficientes: agente capaz, objeto lícito, possível e determinado e forma prescrita ou não vedada em lei; 23. à fiscalização foram apresentados cópias de documentos; protesta pela juntada de cópias "notarizadas" e traduzidas; 24. a operação em questão não tem natureza cambial, sendo desnecessário o registro junto ao BACEN, o autuante não pode supor que a transação tem caráter cambial, já que vigoram os princípios da legalidade e tipicidade fechada; 25. os documentos acostados aos autos afastam a presunção de omissão de receitas contida no artigo 228 do RIR/1994, tendo em vista que se trata de presunção relativa que admite prova em contrário; 26. ainda que os contratos de mútuo contivessem algum vício, a operação pode ser comprovada pela documentação adicional anexada; 27. a contratação ou liquidação de operação de mútuo de valores mobiliários não devem ser registrados junto ao BACEN por falta de previsão legal; 28. o autuante não observou o disposto no artigo 112 do CTN ao não comprovar que os documentos apresentados pela fiscalizada não seriam aptos à comprovação da exigibilidade; 29. o Fisco não pode se basear em presunções a fim de exigir tributos; 30. a sociedade negocia direitos creditórios, de modo que suas receitas são de natureza financeira. Assim, no anocalendário de 1998, não haveria a incidência do PIS e da COFINS, j á que neste período estes tributos tinham como base de cálculo o faturamento, o que foi modificado apenas com a edição da Lei n° 9.718/1998; 31. é inadimissível que a multa imposta represente quase a totalidade do tributo exigido. A penalidade tem caráter confiscatório; 32. é inaplicável a taxa SELIC, já que não foi criada por lei para fins tributários; 33. o artigo 132 do CTN determina que as sociedades incorporadoras não respondem pelas multas impostas às sociedades incorporadas, sendo responsáveis apenas pelo pagamento dos tributos, que nos termos do artigo 3 o do CTN exclue sanção de ato ilícito. O artigo 128 do CTN determina que somente a lei pode atribuir a responsabilidade pelo pagamento de créditos tributários; Apreciados os argumento da Recorrente, a Turma julgadora julgou improcedente à impugnação, decisão esta reformada pelo Colegiado quando da análise do Recurso Voluntário reconhecendo a decadência do lançamento sem apreciar os demais argumentos. Contudo, a decadência foi apreciada e afastada pela Câmara Superior acórdão n. ..... análise de Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, tendo os autos retornado ao Colegiado para apreciação do mérito, uma vez que restou restabelecida a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). É o relatório do essencial. Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 19515.001155/200423 Acórdão n.º 1401002.726 S1C4T1 Fl. 1091 7 Tabela do plano Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Considerando o conteúdo do Acórdão 9900000.867, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o objeto deste julgamento resta circunscrito à análise da exigência da COFINS, uma vez que a decadência que lhe havia sido reconhecida foi afastada nos seguintes termos: “Quanto à COFINS, compulsando os autos verificase a inexistência de pagamento, e sendo assim, a regra aplicável para a decadência é a do art. 173, I, do CTN e, portanto, não havia ainda decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário. Isto posto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso da Fazenda, devendo o processo retornar a instância a quo para julgamento do mérito em relação a esta contribuição”. Feitas estas considerações e delimitado o objeto do julgamento, quando ao mérito, a Recorrente ampara seu direito argumentando a inexistência da omissão das receitas que serviram de base para a autuação, pois demonstra que os passivos em exame resultaram de um conjunto de operações de mútuo de quotas de um fundo de investimento financeiro, contratadas entre ela, na condição de mutuárïa, e a sociedade estrangeira Galícia — Gestão de Serviços, Sociedade Unipessoal, Lda. (“Galícia”), na condição de mutuante, no período compreendido entre 27.2.1997 e 25.6,1997. Nessas operações, a Galícia emprestava à Recorrente quotas do fundo de investimento financeiro Guimel Fund Investment Limited (“Fundo Guimel”), e, em contrapartida, comprometiase em restituir o mesmo número de quotas, do mesmo fundo de investimento financeiro, em um prazo médio inicial de 360 dias como forma de pagamento a Recorrente. Dessa forma, ao receber essas quotas emprestadas, a Recorrente debitou o seu valor em sua conta de ativos e, respeitando o método contábil das partidas dobradas, creditou o mesmo valor à conta de passivo em decorrência da obrigação de restituir à Galícia o mesmo número de quotas que havia recebido. Assim, como normalmente ocorre nesse tipo de operação, aponta a Recorrente que as vendeu para empresas nacionais na mesma data em que recebeu as quotas, recebendo o pagamento no País, em Reais. Notese, dessa forma, que a operação configurouse como um financiamento, a partir de uma modalidade largamente difundida nos mercados de capitais internacional e brasileiro, na qual a Recorrente adquire disponibilidade de caixa para negociar novos ativos em contrapartida a uma obrigação futura de restituir o mutuante (Galícia). Fl. 1094DF CARF MF 8 Vale ressaltar que cada uma das operações de empréstimo de quotas teve seus termos e condições fixados em contratos, denominados “Confirmação Comercial de Empréstimo de Valores Mobiliários”, cujas cópias encontramse devidamente colacionadas aos autos. Ademais, as liquidações das quotas no País foram reguladas nos contratos denominados “Confirmação de Compra e Venda de Ativos”, também juntados ao presente processo com os devidos comprovantes de depósitos bancários dos pagamentos recebidos pela Recorrente os quais identificam as respectivas empresas adquirentes das quotas no País. Demonstra que essas operações, contratadas entre 27.2.1997 e 25.6.1997, venceriam no mesmo período do anocalendário de 1998, aproximadamente. No entanto, a Recorrente e a Galícia prorrogaram seus prazos por mais 360 dias, em média, de modo que o vencimento dessas operações ficou para o período de 22.2.1999 a 17.6.1999, conforme consignado nos instrumentos denominados “Termos de Repactuação”, igualmente acostados aos presentes autos. Apesar das partes terem prorrogado os vencimentos dessas operações para 1999, a Recorrente decidiu antecipar a quitação dos mútuos, restituindo à Galícia a totalidade das quotas devidas ainda em iggs. Com esse propósito, ao longo do anocalendário de 1998, a Recorrente realizou a amortização de parcelas de alguns dos contratos de mútuo, restituindo parcialmente a Galícia. Em 2.9.1998, aduz a Recorrente remeteu fundos para o exterior com a finalidade de adquirir o montante de 979.856,48 quotas do Fundo Guimel, pelo valor de US$ 126.193.781,50, conforme atesta a “Certidão de Investimento” emitida pelo Fundo Guimel acostada a estes autos. Essas quotas eram suficientes para adimplir integralmente a obrigação assumida pela Recorrente, tendo em vista que o saldo devedor desses empréstimos totalizava valor pouco inferior, de 979.235,75 quotas. Posteriormente, em 29.12.1998, a Recorrente restituiu à Galícia o montante de 979.235,75 quotas do Fundo Guimel, quitando integralmente o saldo devedor das operacões de empréstimo que se encontrava registrado no passivo da Recorrente pelo valor de R$ 154.694.841,29, considerando as variações patrimoniais e cambiais incidentes até essa data. A Recorrente recebeu então da Galícia os “Termos de Quitação” das referidas operações também acostados a estes autos em cópias consularizadas, notarizadas e traduzidas para o Português por tradutor juramentado, tendo na mesma data baixado os valores dessas obrigações em sua contabilidade. Não obstante todos os documentos que corroboram os fatos acima descritos, a D, Autoridade Fiscal entendeu não ter sido comprovada a exigibilidade dos passivos quitados pela Recorrente em 29.12.1998, o que caracterizaria a omissão de receitas imputada a Recorrente. Neste ponto, entendo assistir razão à recorrente, vez que resta demonstrada a inexistência de passivo fictício, bem como que as operações por ela praticadas, não sofrem a incidência da Cofins. (ii) Forma dos Contratos de Empréstimo de quotas O artigo 104 do Código Civil determina que a validade de um contrato de mútuo de bens incorpóreos (como no caso as quotas) no Brasil, celebrado com um residente no país ou no exterior, depende, tão somente, da conjugação dos fatores: (i) agente capaz; (ii) objeto lícito, possível, determinado ou determinável; e (iii) forma prescrita ou não vedada em lei, O artigo 107 do Código Civil, por sua vez, determina que “a validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir”. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 19515.001155/200423 Acórdão n.º 1401002.726 S1C4T1 Fl. 1092 9 Assim, fica evidente que os contratos de “Confirmação Comercial de Empréstimo de Valores Mobiliários” contêm todos os requisitos legalmente exigidos para a contratação de um mútuo de quotas. Não havendo, portanto, qualquer razão para a sua desconsideração pela D. Fiscalização. (iii) Registro no Banco Central do Brasil A D. Autoridade Fiscal alega ainda que a exigibilidade desses passivos não teria sido comprovada pelo fato de as operações não terem sido registradas no Banco Central do Brasil. No entanto, de acordo com a Circular 3.027/01 do Banco Central, e do Manual do Registro Declaratório Eletrônico e Registro de Operações Financeiras (RDE/ROF), as operações internacionais de mútuo, contratadas entre um nacional e um nãoresidente, somente se sujeitam a registro no Banco Central se contratadas em espécie (moeda), e se envolverem, necessariamente, uma operação de câmbio. Como as operações de mútuo de quotas não se confundem com os mútuos contratados em espécie, as operações praticadas pela Recorrente não se sujeitavam a registro no Banco Central do Brasil, uma vez que não constituíam empréstimo de moeda, nem envolviam transações de câmbio. Ademais, a remessa de recursos feitas para o exterior (para a recompra final de quotas do Fundo Guimel) foi feita por meio de uma Transferência Internacional de Reais (“UEL”), que, nos estritos termos da Circular 2.677/96 do Banco Central, não envolve uma operação de câmbio, tendo sido a transferência devidamente registrada no Sistema de Informações Banco Central (“SISBACEN”) (doc. 10 da Impugnacão). Restou demonstrado neste processo administrativo que a Recorrente realizou legitimamente operação de permuta de ações. Quanto às receitas ditas omitidas, principalmente em relação à COFINS que esta em julgamento, a Recorrente defende a impossibilidade da exigência, uma vez que as receitas auferidas pela empresa eram de natureza financeira, sobre as quais não havia previsão legal à época dos fatos para a incidência das contribuições, principalmente porque as receitas financeiras só passaram a integrar o conceito de faturamento com a edição da Lei 9.718/1998 de 27 de novembro de 1998, com produção de efeitos para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999. Logo, como as receitas supostamente omitidas seriam consideradas como financeiras, não poderiam sujeitarse à tributação da Cofins, pois teriam ocorrido no ano calendário de 1998, por ausência de previsão legal. Neste sentido, dou provimento ao Recurso Voluntário, no que diz respeito à exclusão da exigência da COFINS, ratificando o Acórdão DRJ, quanto aos seus demais entendimentos, nos moldes delimitados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 1096DF CARF MF 10 Fl. 1097DF CARF MF
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