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Numero do processo: 10166.722314/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
RELATÓRIO
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente MZ CONSTRUTORA LTDA. EPP Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0254.230 da 3ª Turma da DRJ/BHE, o qual foi assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 22 31 4/ 20 13 -5 1 Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 10166.722314/201351 Resolução nº 1302000.489 S1C3T2 Fl. 602 2 SIGILO BANCÁRIO. Não constitui violação do dever de sigilo e independe de autorização judicial a prestação de informações pelas instituições financeiras nos termos e condições estabelecidos pelos artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não seja comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea. ARBITRAMENTO DE LUCROS. Sujeitase ao arbitramento de lucros o contribuinte que, validamente intimado, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Impõese ainda o arbitramento quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual da multa de ofício será duplicado se estiverem comprovadas as circunstâncias previstas em lei como caracterizadoras de infração qualificada. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. E os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. A recorrente interpôs recurso voluntário, no qual aduz as seguintes razões de defesa: a) quanto à preliminar de nulidade do lançamento: a.1)que o artigo 24 da Lei n.° 9.249/1995 determina que seja adotado o regime jurídico de tributação adotado pela pessoa jurídica e, em se adotando o arbitramento, as normas desse regime têm de ser observadas; a.2) que, uma vez adotada a presunção legal de tributação com base em depósitos bancários, sobre os quais incidiu o arbitramento, é vedado aos agentes fiscais valeremse de dados da escrituração, por eles mesmos rejeitada; a.3) que é incabível tomar dados da DIPJ, cujo caráter é apenas informativo, no objetivo de replicar nova base de tributação; Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 10166.722314/201351 Resolução nº 1302000.489 S1C3T2 Fl. 603 3 a.4) que são nulos, então, todos os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, obtidos por dados das informações contábeisfiscais, consideradas IMPRESTÁVEIS pela própria equipe de autuação; b) que a quebra do sigilo bancário é inconstitucional, pois implausível que a Recorrente, na condição de Fiscalizada, tenha "espontaneamente" franqueado seus dados bancários à Receita Federal e, se assim procedeu, foi em razão do exercício do poder COERCITIVO da Fiscalização e da intimação recebida; c) quanto ao mérito: c.1) que muito embora a Recorrente tenha demonstrado à saciedade que o lançamento sobre suposta omissão de receita representada por empréstimo de sócios à pessoa jurídica (suprimento de caixa) não tem sustentação, por se tratar de tributo obtido de "escrituração desclassificada" pelos fiscais, não se furtará, a Recorrente, de se manifestar quanto à referida "infração; c.2) que tratase, em verdade, de erro material da escrita contábil, originada do seguinte fato: a empresa entabulou negociações para a compra de um terreno situado no Comércio Local CL 210, Lote H, Santa MariaDF, em janeiro de 2009, razão porque iria lançar mão de recursos de sócios, a título de empréstimo; c.3) que os pagamentos relativos à citada compra seriam feitos a prazo, em 2009, mas não chegaram a se concretizar, sendo que, em face de desacordo comercial, as tratativas foram sustadas, o negócio prometido foi desfeito e o empréstimo perdeu seu objeto e finalidade; c.4) que esse lançamento contábil deveria ter sido estornado, mas não o foi, por equívoco, a Certidão de ônus já anexada aos autos comprova que referido imóvel NUNCA transitou pelo patrimônio da Recorrente e, do mesmo modo, jamais ingressou dinheiro correspondente ao empréstimo, dado porque o mencionado mútuo se destinava a essa aquisição que não aconteceu; c.5) que verificase no caso a absoluta distorção do conceito de "renda" perpetrada pelo artigo 42 da Lei n.° 9.430/1996, ao admitir tratar depósitos bancários como tal, por presunção, na hipótese de o contribuinte não comprovar a origem dos recursos; c.6) que os Autuantes aplicaram a presunção legal em foco de maneira precipitada e abusiva, valendose apenas e tão somente dos extratos bancários da Recorrente para, somando depósitos havidos, apurar, presumivelmente, suposta renda auferida pela mesma e não oferecida à tributação; c.7) que não se pode rotular de "renda" o que não é, até porque não há no presente processo quaisquer outras provas que comprovem a utilização da suposta disponibilidade de milhões de reais, à margem da declaração ao Fisco, atribuída ao Recorrente; c.8) que é inadmissível a inversão do ônus probatório, no sentido de que o contribuinte deve provar a inocorrência da citada omissão, pois, na realidade, cabe à Administração Fazendária colher elementos de prova capazes de justificar a lavratura do auto e, repitase, a simples quebra do sigilo bancário, não fornece tais elementos; Fl. 2314DF CARF MF Processo nº 10166.722314/201351 Resolução nº 1302000.489 S1C3T2 Fl. 604 4 c.9) que, de início, cabe ressaltar que foi o Fisco quem entrou em contato com as instituições bancárias e delas solicitou os extratos das duas contas de titularidade da ora Recorrente. A rigor, os extratos bancários que foram juntados ao auto de infração foram obtidos pelos fiscais condutores do feito fiscal; c.10) que, no acórdão da DRJ, ora vergastado, os julgadores acusaram a empresa de "máfé", porque teria deixado de informar a existências de outras contas em nome da mesma; c.11) que não cabe a alegação de máfé no presente caso, eis que os auditores não solicitaram à contribuinte, ou a seus sócios, nem extratos nem informações sobre outras contas mantidas em instituições financeiras; c.12) que as transferências entre contas bancárias de mesma titularidade têm o condão, sim, de provar a origem das receitas da empresa, não configurando, então, omissão de receita; c.13) que a a fiscalização não se dignou a verificar as transações realizadas entre as contas da mesma titularidade da pessoa jurídica autuada. Revelase indispensável que o CARF corrija essa anomalia; c.14) que, conforme entendimento apresentado pelo relator do caso, devem ser excluídas todas as demais transferências que se deram entre quaisquer contas bancárias de titularidade da ora Recorrente, até mesmo aquelas que não tenham sido incluídas no levantamento fiscal; c.15) que o relator fundamenta sua posição no artigo 42, §3°, inciso I da Lei n° 9.430/96, o qual prescreve que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos sejam analisados individualmente e que não sejam considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; c.16) que um imóvel no valor de R$ 1.440.000,00 (um milhão, quatrocentos e quarenta mil reais) foi vendido e o correspondente valor foi pago por meio de alguns depósitos realizados na conta de titularidade da empresa; c.17) que, tendo em vista a venda do imóvel ter sido efetivada em prestações, a empresa Recorrente conseguiu identificar, nos depósitos bancários, uma parcela de R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais) e o outra no valor de R$ 280.000,00 (duzentos e oitenta mil reais), ambas referentes à aludida operação e, para comprovar ainda a transação realizada, consta nos autos a escritura de venda do imóvel em questão, sendo que as datas e valores constantes do documento cartorial, a escritura, se confrontadas com os depósitos bancários, conferem credibilidade às afirmações da Recorrente; c.18) que, quanto a alguns depósitos, que a empresa comprovou trataremse de receitas de operações normais de sua atividade, alegam os julgadores que não foram juntadas as autos as notas fiscais, porém, é de se salientar que a Recorrente trouxe aos presentes autos cópia do Livro de Serviços Prestados (livro obrigatório exigido para efeito das informações do ISS, no Distrito Federal), sendo que esse livro contém os registros das prestações de serviços, remetendo à nota fiscal emitida que, por seu turno, confere com o depósito lançado no extrato bancário, tratandose de documento hábil para comprovar a origem desses recursos que transitaram nas contas bancárias da pessoa jurídica; Fl. 2315DF CARF MF Processo nº 10166.722314/201351 Resolução nº 1302000.489 S1C3T2 Fl. 605 5 c.19) que, no tocante às situações em que uma nota fiscal teve o seu pagamento realizado por meio de vários depósitos parciais, a decisão da DRJ foi no sentido de não aceitar a nota fiscal como comprovação dessas origens, mas, na sua defesa, a Recorrente anexou documentos que comprovam a correlação entre notas fiscal e soma de depósitos bancários parciais, de sorte que o douto Colegiado do CARF certamente irá concordar que tais operações não só são corriqueiras na área empresarial, como também é comum uma nota fiscal ser paga parcialmente; d) quanto à responsabilidade solidária: d.1) que não satisfeita em exigir milhões de reais da Recorrente, a Fiscalização convola as pessoas físicas dos sócios como "responsáveis solidários", o que merece ser rechaçado pelos órgãos Julgadores do Ministério da Fazenda, em face de ser uma conclusão completamente ilegal, como veremos a seguir; d.2) que revelase desprovida de quaisquer fundamentos fáticoprobatórios e jurídicos a desastrada iniciativa da Fiscalização, visando a imputar a outros Contribuintes o ônus de responsabilidade tributária solidária, quanto ao crédito tributário constituído no presente processo, pelo que se faz imperativa a exclusão dos sócios da Recorrente, quanto a referido auto de infração; e) quanto à qualificação da multa de ofício: e.1) que, em inequívoco descompasso com o ordenamento constitucional, na hipótese dos autos, a Fiscalização aplicou, SEM PROVAS MATERIAIS DO COMETIMENTO DE FRAUDE, DOLO, OU SIMULAÇÃO, aplicou à Recorrente multa no elevado percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), conforme atesta o Auto de Infração, bem como foi mantido conforme o "Demonstrativo de Débito "A" Intimação n° 297/2014"; e.2) que a multa tal como fixada no Auto de Infração não pode subsistir, haja vista infringir o basilar princípio da vedação ao confisco, ao atingir direta e injustamente o patrimônio da Recorrente; e.3) que, sem adentrar no mérito da inconstitucionalidade dessa aberração jurídica, estabelece a Lei n° 9.430/96 que a multa há de ser estipulada em cento e cinquenta por cento, ante a ocorrência de fraude, nos moldes em que definida nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64; e.4) que, in casu, a Fiscalização não comprova a ocorrência de tais ilícitos, eis que a Recorrente não praticou nenhum ato que pudesse ser enquadrado nos tipos legais, eis que simples depósitos bancários, por si mesmos, não são suficientes para atestar a existência de dolo nos atos praticados pela Contribuinte; e.5) que é inafastável é a afirmativa de que meras presunções, interpretações, conclusões ou indícios, são elementos insuficientes para caracterizar a existência do dolo que justifique a aplicação de multa agravada; f) quanto ao juros de mora: Fl. 2316DF CARF MF Processo nº 10166.722314/201351 Resolução nº 1302000.489 S1C3T2 Fl. 606 6 f.1) que, independentemente do enfoque atribuído ao litígio, a taxa SELIC não pode ser aplicada para cálculo de juros moratórios, considerando a sua falta de consonância com os princípios norteadores de nosso sistema constitucional tributário; g) que rogase que os d. Membros da Turma Julgadora acolham suas razões de defesa para que sejam acatados todos os argumentos apresentados quanto aos pontos contestados, REFORMANDOSE a parte do acórdão de Ia instância, no que lhe foi desfavorável. É o relatório. . VOTO Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Relator. A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0254.230 em 15/04/2014, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo a fls. 2249, interpôs o recurso voluntário em 16/05/2014, conforme Termo de Análise de Solicitação de Juntada a fls. 2295, o que importaria considerar o recurso intempestivo. Ocorre que há um carimbo aposto na primeira página do recurso voluntário, a fls. 2253, no qual está registrado um recebimento no Protocolo SAMF do Ed. Órgãos Regionais do Ministério da Fazenda, datado de 15/05/2004, o que, se autêntico, levaria a considerar o recurso tempestivo. Ademais, não consta o nome e a matrícula do servidor que apôs a assinatura no referido carimbo, nem a assinatura é legível. Por esse motivo, proponho converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Brasília verifique a autenticidade do carimbo afixado a fls. 2253 e informe se realmente houve a interposição do recurso voluntário em tela no dia 15/05/2014 no Protocolo da SAMF no Ed. Órgãos Regionais em Brasília/DF. Além disso, não consta dos autos procuração outorgando poderes aos advogados que subscrevem o recurso voluntário (a fls. 2253/2294), para representarem a recorrente e os responsáveis solidários nesta instância administrativa. Observo que a peça recursal também contesta a responsabilidade solidária. O Decreto nº 70235/72 e o Decreto nº 7.574/11 são omissos no enfrentamento de tal questão, como também o é o RICARF. Ocorre que, em 18/03/2016, entrou em vigor o novo Código de Processo Civil, Lei 13.105/15, o qual em seu art. 15 assim dispõe: “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.”. Por sua vez, o art. 76, § 2º, e o parágrafo único do art. 932, ambos do novo CPC, assim dispõem: "Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício. Fl. 2317DF CARF MF Processo nº 10166.722314/201351 Resolução nº 1302000.489 S1C3T2 Fl. 607 7 (...) § 2º Descumprida a determinação em fase recursal perante tribunal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator: I não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente; II determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido." “Art. 932. Omissis Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício ou complementada a documentação exigível.” Assim, voto por converter o julgamento em diligência também neste ponto, para que seja sanada a irregularidade relativa à ausência de procuração que outorguem poderes de representação da recorrente a, pelo menos, um dos patronos que subscreveram o recurso voluntário. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Brasília: a) verifique a autenticidade do carimbo afixado a fls. 2253 e informe se realmente houve a interposição do recurso voluntário em tela no dia 15/05/2014 no Protocolo da SAMF no Ed. Órgãos Regionais em Brasília/DF; b) intime a recorrente a apresentar, no prazo de cinco dias, procuração, na qual sejam conferidos poderes a, pelo menos, um dos dois subscritores do recurso voluntário (Leliana Maria Rolim de Pontes Vieira e Antonio Keldon Cavalcante de Oliveira), para representála nestes autos. Com relação a resposta ao item “a”, a DRF/Brasília deverá dar ciência à recorrente, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos. Alberto Pinto Souza Junior Fl. 2318DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.020362/2007-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
EXAUSTÃO. RECURSOS FLORESTAIS. MP 2.159-70/2001, ART. 6º. INAPLICABILIDADE.
É inaplicável o artigo 6º, da Medida Provisória nº 2.159-70/2001, aos recursos florestais, considerando que sua perda de valor submete-se à exaustão.
Numero da decisão: 9101-002.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 EXAUSTÃO. RECURSOS FLORESTAIS. MP 2.159-70/2001, ART. 6º. INAPLICABILIDADE. É inaplicável o artigo 6º, da Medida Provisória nº 2.159-70/2001, aos recursos florestais, considerando que sua perda de valor submete-se à exaustão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 EXAUSTÃO. RECURSOS FLORESTAIS. MP 2.15970/2001, ART. 6º. INAPLICABILIDADE. É inaplicável o artigo 6º, da Medida Provisória nº 2.15970/2001, aos recursos florestais, considerando que sua perda de valor submetese à exaustão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 02 03 62 /2 00 7- 43 Fl. 571DF CARF MF 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por Auto de Infração de CSLL quanto aos anoscalendário de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, com a imposição de multa de ofício de 75% (fls. 5/12 volume 1). Consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 18): Da análise das normas acima transcritas podemos concluir que o beneficio consistente na dedução integral dos valores dos bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, no próprio ano de aquisição, atribuído às pessoas jurídicas que exploram atividade rural, consiste na depreciação complementar ou acelerada e se aplica às máquinas e equipamentos (ativo imobilizado) utilizados nessa atividade, não inclui a amortização nem a exaustão de recursos florestais. Mediante o exposto e documentação anexada (DIPJ, LALUR, Balancetes e Demonstrativos apresentados pelo contribuinte) ficou comprovado que o contribuinte diminuiu indevidamente a sua Base de Cálculo do IRPJ e CSLL. Em conseqüência dessas exclusões indevidas a titulo de "exaustão incentivada", que foram efetuadas inclusive em períodos anteriores ao abrangido pela ação fiscal; a fiscalizada adicionou ao Lucro Liquido, para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, os valores dos encargos de exaustão apurados em cada período de apuração. A contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, conforme acórdão ementado da forma seguinte (363/370 volume 2 PDF 146): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 EXAUSTÃO DE RECURSOS FLORESTAIS DEDUÇÃO DOS DISPÊNDIOS COM FORMAÇÃO DE FLORESTAS O beneficio consistente na dedução integral dos valores dos bens do ativo permanente imobilizado no próprio ano de aquisição não inclui amortização nem a exaustão de recursos florestais. Lançamento procedente. A contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual foi negado provimento pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, em acórdão assim ementado (fls. 453/461): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10680.020362/200743 Acórdão n.º 9101002.800 CSRFT1 Fl. 571 3 Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 EXAUSTÃO DE RECURSOS FLORESTAIS. DEDUÇÃO DOS DISPÊNDIOS COM FORMAÇÃO DE FLORESTAS. O benefício consistente na dedução integral dos valores dos bens do ativo permanente imobilizado no próprio ano de aquisição não inclui a amortização nem a exaustão de recursos florestais. Considerando a publicação de acórdão no diário oficial em 26/01/2012, a contribuinte interpôs recurso especial em 10/02/2012, alegando divergência na interpretação da lei tributária a respeito da possibilidade de aplicação do artigo 6º, da Medida Provisória nº 215970/2001 quanto à exaustão de recursos florestais (fls. 503). Nesse sentido, apresentou os seguintes acórdãos paradigmas: (i) 10419138 (Processo Administrativo nº 10865.000415/9817), no qual se decidiu que "As regras contábeis que impõe a contabilização do investimento na formação da lavoura canavieira no 'Ativo Imobilizado', não obstam a apropriação da totalidade do custo no próprio ano dos dispêndios" e (ii) 10194597 (Processo Administrativo nº 10865.001044/9791), constando deste acórdão que "Os recursos aplicados na formação de lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente à sua aquisição, exceto no período de 01/01/96 a 21/05/96, quando não vigorou o incentivo". Sendo formalmente intimada em 14/03/2012 (fls. 466), a contribuinte reiterou razões de recurso especial em petição apresentada em 26/03/2012 (fls. 470/489) O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 3ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 547): A conclusão dos acórdãos paradigmas é a de que a previsão legal de depreciação integral dos bens do ativo permanente no próprio ano de aquisição, por empresas que exploram atividade rural, estendese à dedução integral dos gastos com a formação de culturas permanentes, que estariam sujeitas à exaustão. O acórdão recorrido, por seu turno, em sentido oposto, entende que a lei restringe a dedução integral aos bens suscetíveis de depreciação, não incluindo a amortização ou exaustão de recursos florestais. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. (...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial argüida, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. Os autos foram encaminhados à Procuradoria em 15/04/2013 (fls. 548), que apresentou contrarrazões em 24/04/2013 nas quais requereu seja negado provimento ao recurso Fl. 573DF CARF MF 4 especial, em síntese, alegando que a Medida Provisória nº 2.15970/2001 autoriza apenas a depreciação acelerada dos bens tratados pelo artigo 307, do RIR/99, não se submetendo a tal regime os bens do ativo fixo sujeitos à exaustão ou amortização. Nesse sentido, menciona a Solução de Consulta nº 86/2007, emitida pela 8ª Região Fiscal (fls. 549/557). É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conheço do recurso especial da contribuinte, eis que tempestivo e demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária, adotando as razões de decidir da decisão que admitiu o recurso especial proferida pelo Presidente da Câmara. Passo a enfrentar o tema cujo conhecimento foi devolvido a este colegiado: a possibilidade de aplicação do artigo 6º, da Medida Provisória nº 215970/2001 quanto à exaustão de recursos florestais. A distinção entre depreciação e exaustão decorre inicialmente da interpretação do artigo 183, da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.As.), que prescreve: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; (...) § 2º A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. O Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) trata da exaustão de recursos florestais da forma seguinte: Art. 334. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor de recursos florestais, resultante de sua Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10680.020362/200743 Acórdão n.º 9101002.800 CSRFT1 Fl. 572 5 exploração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59, e DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 4º). § 1º A quota de exaustão dos recursos florestais destinados a corte terá como base de cálculo o valor das florestas (Decreto Lei nº 1.483, de 1976, art. 4º, § 1º). § 2º Para o cálculo do valor da quota de exaustão será observado o seguinte critério (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 4º, § 2º): I apurarseá, inicialmente, o percentual que o volume dos recursos florestais utilizados ou a quantidade de árvores extraídas durante o período de apuração representa em relação ao volume ou à quantidade de árvores que no início do período de apuração compunham a floresta; II o percentual encontrado será aplicado sobre o valor contábil da floresta, registrado no ativo, e o resultado será considerado como custo dos recursos florestais extraídos. § 3º As disposições deste artigo aplicamse também às florestas objeto de direitos contratuais de exploração por prazo indeterminado, devendo as quotas de exaustão ser contabilizadas pelo adquirente desses direitos, que tomará como valor da floresta o do contrato (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 4º, § 3º). A legislação fiscal delimitou as condições de depreciação, como se observa dos artigos 305 a 323 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto nº 3.000/1999). A depreciação poderá, portanto, ser computada como custo ou encargo, em cada período de apuração, como explicita o artigo 305 do RIR: Art. 305. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor dos bens do ativo resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57). § 1º A depreciação será deduzida pelo contribuinte que suportar o encargo econômico do desgaste ou obsolescência, de acordo com as condições de propriedade, posse ou uso do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 7º). § 2º A quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 8º). § 3º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de depreciação não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 6º). § 4º O valor não depreciado dos bens sujeitos à depreciação, que se tornarem imprestáveis ou caírem em desuso, importará redução do ativo imobilizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 11). Fl. 575DF CARF MF 6 § 5º Somente será permitida depreciação de bens móveis e imóveis intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Nesse contexto, foi editada a Medida Provisória nº 2.159/2001, que em seu artigo 6º prevê a depreciação acelerada incentivada quanto às pessoas jurídicas que explorem atividade rural: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. O dispositivo legal foi reproduzido no Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto nº 3.000/1999), nos seguintes termos: Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º). Esta Turma da CSRF analisou o tema, em sessão de julgamento realizada em 03/02/2016, com composição similar à presente, decidindo à unanimidade que não se aplica o artigo 6º, da Medida Provisória nº 2.159/2001 à exaustão de florestas. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 EXAUSTÃO DE RECURSOS FLORESTAIS. DEDUÇÃO DOS DISPÊNDIOS COM FORMAÇÃO DE FLORESTAS. O benefício consistente na dedução integral dos valores dos bens do ativo permanente imobilizado no próprio ano de aquisição não inclui a amortização nem a exaustão de recursos florestais. (Acórdão nº 9101002.214, processo nº 10680.020361/200707) Colaciono trecho do voto do Conselheiro Relator em tal precedente, Rafael Vidal de Araújo: É certo que o incentivo fiscal acima é específico à atividade rural e abrange restritivamente os gastos efetuados na aquisição de bens que possuam natureza de ativo imobilizado passível de depreciação. Desejasse a lei incluir os ativos que podem ser objeto de amortização ou exaustão com certeza não teria se referido apenas ao "instituto da depreciação", razão pela qual, de plano, o beneficio fiscal previsto no dispositivo legal acima limitase apenas à depreciação, não alcançando a amortização e nem a exaustão. (...) Pois bem, segundo a Lei das S/A (Lei 6.404/76, artigo 183, parágrafo 2º), um bem está submetido à depreciação quando há perda de seu valor em razão de desgastes ou perda de utilidade Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10680.020362/200743 Acórdão n.º 9101002.800 CSRFT1 Fl. 573 7 por uso, ação da natureza ou obsolescência. Já a exaustão caracterizase pela perda de valor decorrente da exploração de direitos vinculados a recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. O Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto nº 3000/99) demonstra distintamente o tratamento tributário dado pelo legislador tributário entre os institutos "depreciação" "amortização "e "exaustão", para fins de incentivo, conforme abaixo: (...) Como se vê, a depreciação acelerada incentivada é um incentivo em que adotados coeficientes de depreciação a vigorar durante prazo certo para determinadas indústrias ou atividades (art.313) e depreciação integral no próprio ano de aquisição, no caso de atividade rural (art. 314) A Recorrente alega que o beneficio fiscal deve ser interpretado de forma sistêmica, sob pena de ruir a lógica e a igualdade no Ordenamento Jurídico Pátrio ou mesmo perder a ratio do beneficio criado. Diz que a seguir o entendimento do acórdão recorrido, cairíamos no absurdo jurídico de: as florestas que se colhem frutos podem ter os incentivos; as florestas onde se explora a própria plantação (eucalipto) não teria direito ao incentivo. A argumentação da Recorrente carece de substância jurídica e não respeita o princípio da legalidade. Ora, procedendo à interpretação sistêmica atentada pela Recorrente é que se chega à conclusão de que somente os projetos florestais destinados à exploração dos respectivos frutos (art.307, II, c/c o seu parágrafo único, inciso IV, 314 e 334 do RIR/99) podem ter o incentivo fiscal da depreciação integral no próprio ano de aquisição dos bens (art.314), exatamente por se tratar de bens depreciáveis previstos em lei (art.307, inciso II), o que não ocorre com os recursos florestais. Os custos de aquisição e formação de recursos florestais destinados a corte, excluída a terra nua, devem ser objeto de quotas de exaustão, conforme se depreende do art.334 do RIR/99. E, de acordo com o art.307, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99, "Não será admitida quota de depreciação referente a bens para os quais seja registrada quota de exaustão". Quando o legislador quis excepcionalizar a regra contida no art.307, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99, para incentivar a exaustão, o fez mediante legislação específica consolidada no art.331 do RIR/99 (Exaustão Mineral Incentivada) e não o fez em relação aos recursos florestais. A previsão de um incentivo especifico em relação à exaustão comprova que os institutos têm tratamento distinto também por parte do legislador tributário e não apenas em relação à legislação comercial. Fl. 577DF CARF MF 8 A Recorrente, reportandose ao art.314 do RIR/99 (MP 2.159/2001, art.6º), diz que quando a lei desejou fazer a ressalva, fez de forma expressa, quanto a "terra nua". A ressalva feita à "terra nua", no art.314, seria considerada desnecessária, portanto mero reforço legislativo, haja vista que conforme o art.307, parágrafo único, inciso I, do RIR/99, por determinação legal Terrenos já são considerados bens não depreciáveis:"Não será admitida quota de depreciação referente a terrenos". Portanto, não é crível que a ressalva "terra nua", expressa no art.314 do RIR/99, tenha o condão de abranger, por decorrência, o benefício da depreciação integral a outros ativos que podem ser beneficiados pela amortização ou exaustão ou incluir bens não depreciáveis, como pretende a Recorrente em relação a "Recursos Florestais" (que não são bens que podem ser depreciados a teor do art.307, inciso II e parágrafo único inciso IV, retrotranscritos). Enfim, com base nos dispositivos legais, consolidados no RIR/99: Arts. 58, VI, 305, 307, parágrafo único, IV, e 334; e, art.6º da MP nº 2.15970/2001, é possível afirmar que os bens do ativo imobilizado (máquinas e implementos agrícolas, veículos de cargas e utilitários rurais, etc., sujeitos a desgastes ou perda de utilidade por uso), exceto a terra nua, quando destinados à produção, podem ser depreciados, integralmente, no próprio anocalendário de aquisição (RIR/1999, art. 314). Diante de tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 578DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720317/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. CRIAÇÃO DO TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM (TRM). NOTA TÉCNICA - CODAC 021/2014. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA.
O e-processo, sistema que permite a prática de atos administrativos sequenciais em ambiente eletrônico, é altamente regulamentado para conferir segurança jurídica aos administrados. Nesse contexto, o 'TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM NA CAIXA POSTAL' (TRM) foi criado pela Nota Técnica CODAC n. 021, de dezembro de 2014. Antes disso, contudo, a ausência do TRM não é capaz de infirmar a intempestividade do recurso voluntário, constatada por todos os fatos descritos nos autos e pelas datas constantes Termo de Ciência de Decurso de Prazo (documento que só é expedido, de forma automática, depois de 15 dias que os documentos constam da caixa postal eletrônica do contribuinte, sem que ele se manifeste).
Só cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão, que não sendo constados, impõe a manutenção do julgamento embargado.
Numero da decisão: 3402-004.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. CRIAÇÃO DO TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM (TRM). NOTA TÉCNICA - CODAC 021/2014. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. O e-processo, sistema que permite a prática de atos administrativos sequenciais em ambiente eletrônico, é altamente regulamentado para conferir segurança jurídica aos administrados. Nesse contexto, o 'TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM NA CAIXA POSTAL' (TRM) foi criado pela Nota Técnica CODAC n. 021, de dezembro de 2014. Antes disso, contudo, a ausência do TRM não é capaz de infirmar a intempestividade do recurso voluntário, constatada por todos os fatos descritos nos autos e pelas datas constantes Termo de Ciência de Decurso de Prazo (documento que só é expedido, de forma automática, depois de 15 dias que os documentos constam da caixa postal eletrônica do contribuinte, sem que ele se manifeste). Só cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão, que não sendo constados, impõe a manutenção do julgamento embargado.
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TEMPESTIVIDADE. CRIAÇÃO DO TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM (TRM). NOTA TÉCNICA CODAC 021/2014. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. O eprocesso, sistema que permite a prática de atos administrativos sequenciais em ambiente eletrônico, é altamente regulamentado para conferir segurança jurídica aos administrados. Nesse contexto, o 'TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM NA CAIXA POSTAL' (TRM) foi criado pela Nota Técnica CODAC n. 021, de dezembro de 2014. Antes disso, contudo, a ausência do TRM não é capaz de infirmar a intempestividade do recurso voluntário, constatada por todos os fatos descritos nos autos e pelas datas constantes Termo de Ciência de Decurso de Prazo (documento que só é expedido, de forma automática, depois de 15 dias que os documentos constam da caixa postal eletrônica do contribuinte, sem que ele se manifeste). Só cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão, que não sendo constados, impõe a manutenção do julgamento embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 17 /2 01 1- 35 Fl. 3792DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Contribuinte, sob os pressupostos de omissão e obscuridade no Acórdão 3402003.304. O processo administrativo em questão tem por origem Recurso Voluntário e Recurso de Ofício, interpostos em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") do Rio de Janeiro (Acórdão 265.442, de fls 3313), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte contra auto de infração lavrado para a cobrança de crédito de Contribuição ao PIS e de COFINS, relativamente ao período de 02/2006 a 12/2006. A lavratura do auto de infração ocorrera por força de constatação de divergência entre os valores informados em DCTF e aqueles apurados na escrita fiscal das contas (A) 2151200000 PIS SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA e (B) 215130001 COFINS SOBRE RECEITAS. No julgamento dos recursos, mediante o Acórdão nº 3402002.977, este Colegiado entendeu que o recurso voluntário era intempestivo, de modo que não deveria ser conhecido. Quanto ao recurso de ofício, não foi lhe dado provimento. A decisão foi objeto de embargos de declaração por parte da Contribuinte, cujo conteúdo afirmou que pela leitura do "v. acórdão embargado, é possível verificar que o mesmo acabou falando ora sobre o despacho de fls. 3333 e ora sobre o despacho de fls. 3.344. No entanto, deixouse, com a devida vênia, de se observar que tais despachos não foram objeto de questionamento no recurso voluntário, mas sim o TERMO de fls. 3.346, que foi o principal ato questionado na preliminar do recurso voluntário". É nesse ponto que entendeu a Embargante existir erro material (menção de que o despacho de fls 3333 serviria como prova da postagem da intimação) e omissão (quanto à inexistência de "termo de registro de mensagem na caixa postal comunicado", ou de qualquer prova sobre a data de "postagem" da intimação no dia 10/06/2014) no acórdão recorrido. Esses primeiros embargos foram julgados em 28/08/2016, dando azo ao Acórdão 3402003.304, cujo dispositivo restou assim delimitado: "por tudo quanto exposto, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos de declaração, apenas para corrigir o lapso com relação às fls 3.346, sem nenhuma implicação, contudo, no resultado do julgamento pretérito." Tal julgamento é agora objeto de novos embargos de declaração, dividido em dois tópicos, quais sejam: a) omissão sobre a inexistência do "termo de registro de mensagem na caixa postal" nos autos artigo 23, §2º, inciso III alínea "a" do Decreto n. 70.235/72; e b) obscuridade acerca da suficiência dos documentos constantes nos autos para comprovar a intimação do contribuinte. Fl. 3793DF CARF MF Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402004.187 S3C4T2 Fl. 112 3 Sobre o item (a), em breve síntese, alega a Recorrente que a omissão anteriormente destacada foi mantida no novo julgamento, pois embora de fato tal ponto (inexistência do "termo de registro de mensagem na caixa postal" nos autos) não tenha sido trazido no recurso voluntário, "tratase de documento oficial, produzido pela administração pública e de presença obrigatória nos autos. Ademais, tratase de ponto que se insere dentro da alegação de "inexistência/nulidade da intimação eletrônica". Em segundo lugar, a Embargante alega que: "uma vez realizada a postagem da intimação do DTE e gerado o 'TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM NA CAIXA POSTAL' o qual é devidamente assinado pelo auditor responsável pela intimação, o próprio sistema é que emitirá o termo seguinte, segue decorrente [sic] da abertura da intimação pelo contribuinte (TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO) ou do transcurso do prazo de 15 (quinze) dias para a intimação ficta/presumida (TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO)", tudo em homenagem aos dizeres do artigo 23, §2º, inciso III alínea a do Decreto 70.235/72. Disto, conclui que o "Termo de ciência por decurso de prazo" de fls 3.346 deve ser analisado conjuntamente com o "Termo de Registro de mensagem na caixa postal", o qual tem que ser devidamente assinado pelo auditor responsável pela intimação. No presente caso, não há no autos o "Termo de Registro de mensagem na caixa postal", devendo o Colegiado se manifestar sobre tal fato. Já quanto ao item (b), a Embargante aponta obscuridade no acórdão atacado quando afirma que o Termo de ciência de decurso de prazo, conjuntamente com o documento de fls 3.333 (intimação que relata o conteúdo do resultado do julgamento da DRJ) é ato suficiente para comprovar a postagem da intimação. Isto porque nos referidos documentos não existe qualquer comprovante de recebimento por parte do contribuinte, muito menos em seu DTE, como determina o artigo 23, inciso III, alínea "a" do Decreto 70.235/72. Tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 bem como o artigo 1.023, §2º2 do mesmo Codex, propus a abertura de vista dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que se manifestasse acerca das questões apresentadas pela Embargante. A Fazenda Nacional, em petição de fls 3789, coloca que as matérias levantadas pelo contribuinte nos embargos de fls 3768/3779, versam sobre questões atinentes a 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. 2 Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo. § 1o Aplicase aos embargos de declaração o art. 229. § 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestarse, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada. Fl. 3794DF CARF MF 4 formação do processo administrativo, e que esta análise já foi realizada de forma conclusiva pelo Acórdão nº 3402002.977. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz De acordo com o despacho de admissibilidade, os Embargos de Declaração são tempestivos e preenchem os requisitos do artigo 65, §3º do Regimento Interno do CARF. Assim, passo ao mérito. Antes disso, saliento que a admissibilidade dos presentes embargos foi autorizada, em grande medida, porque o não conhecimento de recurso voluntário apresentado por contribuinte no âmbito do processo administrativo fiscal é medida que pode trazer severas consequências para o seu direito à defesa contra lançamento tributário, que restará fadada ao longo e muitas vezes custoso caminho judicial. Assim, é imperioso que não pairem dúvidas sobre a exatidão dos critérios sobre a intempestividade constatada nos presentes autos, preservando com isso a segurança do contribuinte, da Fazenda Nacional e do contencioso administrativo como um todo. Ademais, cumpre destacar que o processo eletrônico é medida eficaz de praticabilidade e celeridade do processo administrativo fiscal, requisitos sem os quais, como bem se sabe, não é possível alcançar uma devida solução aos litígios submetidos a essa esfera jurisdicional. Entretanto, os atos praticados eletronicamente devem ser revestidos de certeza e clareza, para que as qualidades do processo eletrônico (praticabilidade e celeridade) não se tornem um mal, frustrando expectativas e direitos legítimos. Dito isso, alcanço o mérito dos embargos. Com relação às supostas "omissão sobre a inexistência do "termo de registro de mensagem na caixa postal" nos autos artigo 23, §2º, inciso III alínea "a" do Decreto n. 70.235/72" e " obscuridade acerca da suficiência dos documentos constantes nos autos para comprovar a intimação do contribuinte", destaco o seguinte trecho do Acórdão embargado Porém, ainda que tivesse sido tal ponto levantado em sede recursal, com a devida vênia, mais uma vez equivocase a Embargante a respeito de como ocorrem os atos eletrônicos no âmbito do processo administrativo fiscal federal. É consabido que o próprio TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO, conjuntamente com o documento de fls 3.333 (intimação que relata o conteúdo do resultado do julgamento da DRJ ao Contribuinte interessado, cujo acórdão segue anexo, assim como o demonstrativo dos débitos) é ato suficiente para comprovar a postagem da intimação ao contribuinte. Assim ocorre, é preciso dizer mais uma vez, com todo e qualquer processo que esteja sob julgamento perante o CARF, não havendo nada de extraordinário ou vicioso no caso da Embargante. Pois bem. O eprocesso é um sistema que permite a prática de atos administrativos sequenciais em ambiente eletrônico, no formato digital. Tratase, portanto, de ferramenta eletrônica que possibilita a formalização, a prática de atos processuais, a tramitação e o gerenciamento de processos, documentos e procedimentos administrativos em meio digital. Fl. 3795DF CARF MF Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402004.187 S3C4T2 Fl. 113 5 Tal sistema é largamente regulamentado, de forma a conferir segurança aos atos que são praticados por seu intermédio. Nesse contexto, foi expedida em 17/12/2014 a NOTA TÉCNICA CODAC (Assunto: eProcesso 2014, Título: Nota eProcesso nº 021/2014, Subtítulo: Adequação da Funcionalidade “Realizar Ciência” à Lei nº 12.844/2013),3 que, conforme exigência legal, criou o Termo de Registro de Mensagem (TRM) de Ato Oficial na Caixa Postal DTE, o qual é, desde então, automaticamente incluído no Índice do eProcesso, após a conclusão do acionamento da ciência e do registro na Caixa Postal do destinatário da ciência. Uma vez registrado o acionamento na Caixa Postal DTE, começará a contar o prazo de 15 (quinze) dias de que trata a alínea “a” do inciso III do § 2º do art. 23 do PAF, sendo o TRM o “comprovante de entrega” que viabiliza o início da realização da contagem de prazo contido neste dispositivo legal. De pronto percebemos que o 'TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM NA CAIXA POSTAL', cuja falta nesse processo é o que faz permanecer a indignação da Embargante contra o entendimento deste Colegiado, não existia quando ocorreram os fatos sob apreço (junho de 2014). Isso já é o suficiente para afastar qualquer pretensão de mudança do acórdão recorrido, a respeito da intempestividade do recurso voluntário que fora apresentado, afinal não se pode querer a existência de um documentos então inexistênte. Esclarecida tal questão, resta incontroverso o extrato do Acórdão embargado citado linhas acima. Com efeito, não existindo à época o 'TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM NA CAIXA POSTAL', este Colegiado tem a tranquilidade de, com as datas que constam do Termo de Ciência de Decurso de Prazo (documento que só é expedido, de forma automática, depois de 15 dias que os documentos constam da caixa postal eletrônica do contribuinte, sem que ele se manifeste), confirmar o julgamento que vem até aqui sendo proferido, sobre a intempestividade do apelo ao CARF. Colaciono abaixo seu conteúdo: 3 A NT 021/2014 revogou a 009/2014 e a 011/2013. Na primeira estão os procedimentos de ciência em dossiês de atendimento (mesmo quando o contribuinte não optava pelo DTE) e a outra sobre a contagem dos prazo, em nenhum há menção ao termo de registro de mensagem. Fl. 3796DF CARF MF 6 As informações aí contidas são totalmente convergentes, inclusive, com aquelas que constam no sistema de acompanhamento de ciência do eprocesso. Finalmente, ressalto que por todas as razões expostas no Acórdão de Recurso Voluntário e Recurso de Oficio 3402002.977 (fls 3515 a 3532), bem como no Acórdão de Embargos n. 3402003.304, convergente, sólidas e pautadas em cada fato ocorrido e contestado no âmbito deste processo, entendo que não há omissão ou obscuridade a serem sanadas. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz Fl. 3797DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900352/2014-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/04/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 52 /2 01 4- 84 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900352/201484 Acórdão n.º 3401003.724 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900352/201484 Acórdão n.º 3401003.724 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900352/201484 Acórdão n.º 3401003.724 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000018/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.958
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GRAND MOTORS COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 18 /2 01 1- 28 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 12585.000018/201128 Acórdão n.º 3302003.958 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.455. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 123DF CARF MF Processo nº 12585.000018/201128 Acórdão n.º 3302003.958 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 12585.000018/201128 Acórdão n.º 3302003.958 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 125DF CARF MF Processo nº 12585.000018/201128 Acórdão n.º 3302003.958 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 126DF CARF MF Processo nº 12585.000018/201128 Acórdão n.º 3302003.958 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 127DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.004320/2010-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-005.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 43 20 /2 01 0- 91 Fl. 5299DF CARF MF Processo nº 10920.004320/201091 Acórdão n.º 9202005.457 CSRFT2 Fl. 5.300 2 Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401003.234, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 16 de outubro de 2014 (efls. 4987 a 5035). Ali, por maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2008 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO INDIRETA DAS BASES DE CÁLCULO FOLHAS DE PAGAMENTO E CONTABILIDADE DAS EMPRESAS INTERPOSTAS AUSÊNCIA DE NULIDADE. Quando embora conste no relatório fiscal, que os fatos geradores foram apurados por aferição indireta, mas reste demonstrado que as bases de cálculo foram na verdade apurada com base nas folhas de pagamento e da contabilidade das empresas interpostas, não há de se exigir a motivação ou mesmo a fundamentação para o arbitramento, considerandose tratar de mera nomenclatura, sem que tenha o auditor se valido deste procedimento.Não houve indicação de critérios de aferição ou arbitramento porque na verdade não arbitrou o auditor a base de cálculo, mas, sim utilizou dos próprios valores e documentos apurados durante o procedimento fiscal NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NULIDADE— AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO D SIMPLES PELA SRF — INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA — 1NAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão chi) Ato Declaratório.No procedimento em questão a , AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregaticio com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu ai caracterização do vinculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. Fl. 5300DF CARF MF Processo nº 10920.004320/201091 Acórdão n.º 9202005.457 CSRFT2 Fl. 5.301 3 NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatandose a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA. A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida coresponsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, vigentes à época dos fatos geradores, especialmente no artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa nº 03/2005. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, o anexo CORESP tem natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A aplicação de juros sobre a multa de ofício é cabível na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com esteio nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Decisão: I) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por vício material, em decorrência de imperfeita Fl. 5301DF CARF MF Processo nº 10920.004320/201091 Acórdão n.º 9202005.457 CSRFT2 Fl. 5.302 4 descrição da aferição indireta adotada. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Igor Araújo Soares, que anulavam o lançamento. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a argüição de necessidade de prévia exclusão do SIMPLES das empresas envolvidas. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que entendiam haver necessidade da prévia exclusão do SIMPLES. III) Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares de nulidade. IV) Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que votaram por dar provimento parcial para excluir os juros sobre a multa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Enviados os autos à contribuinte, esta intentou, inicialmente, Embargos de Declaração de efls. 5041 a 5044, rejeitados na forma de despacho de efls. 5068 a 5074. Enviados os autos novamente à contribuinte, para fins de ciência acerca desta nova decisão, ciência esta ocorrida em 21/05/2015 (efls. 5079/5080), insurgindose contra esta, apresenta a autuada, em 05/06/2015 (efl. 5082), Recurso Especial, com fulcro no art. 68 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 5082 a 5126). Em que pese terem sido alegadas divergências quanto a três diferentes matérias (abrangidas aqui as "seis divergências" apontadas pelo contribuinte), o recurso foi admitido, consoante despachos de efls. 5264 a 5275, somente quanto à insurgência do contribuinte contra a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício, na forma fundamentada através de efls. 5124 a 5126 do pleito recursal. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 17/09/2014, no Acórdão 3.403003.271, de lavra da 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 3a. Seção deste CARF, bem como ao decidido pela 3a. Turma do então 1o. Conselho de Contribuintes, no Acórdão 10323.566, prolatado em 17 de setembro de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas, visto que adotados como paradigmas, na forma do art. 67, §7o. do referido Anexo II ao RICARF. Acórdão 3.403003.271 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 MERCADORIAS IMPORTADAS. REVENDA SAÍDAS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. SUSPENSÃO. INAPLICABILIDADE. Só fazem jus ao benefício da suspensão ao componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, nas respectivas saídas promovidas por Fl. 5302DF CARF MF Processo nº 10920.004320/201091 Acórdão n.º 9202005.457 CSRFT2 Fl. 5.303 5 estabelecimento industrial ou por comerciais atacadistas, quando adquirem produtos resultantes da industrialização por sua encomenda, àquele equiparado.Recurso Voluntário Provido em ParteCrédito Tributário Mantido em Parte MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Decisão: por maioria de de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a incidência de juros sobre a multa de lançamento de ofício. Vencidos o Relator e o Conselheiro Paulo Roberto Stocco Portes, que negaram provimento na íntegra. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Acórdão 10323.566 Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Essa regra aplicase também à CSLL por força da Súmula nº 8 do STF. Acolhese a argüição de decadência em relação ao anocalendário de 1997. Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO Por não se tratar da hipótese de penalidade aplicada na forma isolada, a multa de ofício não integra o principal e sobre ela não incidem os juros de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4). Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1997, 1998, 1999 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE Aplicase ao lançamento formalizado como decorrência o resultado do Fl. 5303DF CARF MF Processo nº 10920.004320/201091 Acórdão n.º 9202005.457 CSRFT2 Fl. 5.304 6 julgamento proferido no processo que lhe deu origem, tendo em vista o liame fático que os une. Decisão: por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência relativamente ao ano 1997, vencido o Conselheiro Luciano de Oliveira Valença que aplicava o art. 173, I, do CTN. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa (Suplente Convocada), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente. Alega a contribuinte em seu recurso, quanto à matéria admitida: a) cabe à Administração Pública observar os preceitos legais, previstos em legislação competente, não podendo valerse de brechas ou possíveis omissões do texto legal a fim de beneficiarse, conforme dispõe o art. 2o., parágrafo único, inciso I, da Lei n. 9.784/99; b) Assim sendo, em análise a legislação vigente, cumpre destacar que há previsão legal apenas para a incidência dos juros de mora sobre tributos e contribuições, mas não desse encargo sobre outra espécie que não possua esta mesma natureza jurídica. Ademais, a própria Receita Federal, em seu sítio, esclarece aos contribuintes que os juros e multas incidirão apenas sobre os tributos e contribuições devidos, o que é corroborado pelo art. 43 da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996; c) Entende, assim, que não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa lançada de ofício. Em outras palavras, não havendo autorização legal, não há que se falar na cobrança, o que seria referendado por julgados deste CARF ali reproduzidos. Embora a multa de ofício seja parcela integrante do débito tributário, a aplicação de juros sobre esta é impossível em face da ausência de previsão legal que autorize tal incidência. Requer, assim, quanto á matéria que seja afastada a incidência de juros sobre a multa de ofício. Enviados os autos em 04/04/2016 (efl. 5277) à Fazenda Nacional, esta alega, em sede de contrarrazões tempestivas datadas de 11/04/2016 (efls. 5278 a 5293) : a) a necessidade de aplicação do art. 61, §3o. da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, à situação fática, entendendo que na expressão "débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições", constante caput do mencionado art. 61, estão abrangidos todos os créditos tributários devidos à União, incluindo a multa de ofício aplicada e não somente o valor do tributo (principal). Entende que para que a incidência atingisse somente tributos e contribuições (e não a multa de ofício), mesmo no caso de adoção de uma interpretação literal, deveria ser suprimida do caput mencionado a expressão "decorrente de"; b) Acrescenta, ainda, que uma interpretação pautada na finalidade do dispositivo legal ressalta sobremaneira a necessidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É preciso ser dito, que as multas encerram em si duas finalidades precípuas: uma finalidade punitiva, em razão da prática de uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico e uma finalidade educativa, na medida em que o Contribuinte transgressor, bem como os demais Contribuintes, serão compelidos a não repetir tal conduta juridicamente indesejada. Fl. 5304DF CARF MF Processo nº 10920.004320/201091 Acórdão n.º 9202005.457 CSRFT2 Fl. 5.305 7 Nosso ordenamento jurídico busca concretizar essas finalidades mediante uma expressão pecuniária. Ou seja, por meio de um gravame no patrimônio do Contribuinte infrator ou de uma ameaça de onerosidade no patrimônio dos demais contribuintes são alcançados os caracteres punitivos e educativos da multa tributária. Assim, afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam a multa de ofício, em especial ao se levar em conta a corrosão pela inflação; c) Vislumbra a contraarrazoante, ainda, outro grave comprometimento da Administração Tributária. Como se sabe, não adimplida a obrigação tributária no prazo legal, a partir do lançamento, o tributo e a multa de ofício passam a ser devidos pelo Contribuinte, e esse valor será uniformemente corrigido de acordo com a legislação. Não há possibilidade para a segregação das formas de correção deste montante total. Ressalta que se o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação principal e esta, por sua vez, é composta tanto pelo tributo quanto pela penalidade pecuniária (leiase: multa de ofício), não é defensável um tratamento diferenciado para tais valores. Após o lançamento, tributo e multa se convolam em crédito tributário, e é sobre essa quantia que os juros deverão incidir. Cita julgados dos TRFs da 3a., 4a. e 5a. Região, do STJ e deste CARF, bem como a Súmula CARF no. 04, que esposariam tal entendimento. Requer, assim, quanto à matéria, que seja negado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, reconhecendose a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade e às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência caracterizada, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Adentrando o mérito, entendo inexistir, in casu, dúvida sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício (posicionamento esposado pelo vergastado, ao qual acedo integralmente), adotando como razões de decidir aquelas brilhantemente expostas pela ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1a. Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 910100.539, de 11 de março de 2010, verbis: “ (...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. Fl. 5305DF CARF MF Processo nº 10920.004320/201091 Acórdão n.º 9202005.457 CSRFT2 Fl. 5.306 8 De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. (...) Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: Fl. 5306DF CARF MF Processo nº 10920.004320/201091 Acórdão n.º 9202005.457 CSRFT2 Fl. 5.307 9 "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente." A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. (...) A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). Fl. 5307DF CARF MF Processo nº 10920.004320/201091 Acórdão n.º 9202005.457 CSRFT2 Fl. 5.308 10 §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61,§ 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: "JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.(g.n.) Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: "REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 5308DF CARF MF Processo nº 10920.004320/201091 Acórdão n.º 9202005.457 CSRFT2 Fl. 5.309 11 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)." De se ressaltar, ainda, que, no âmbito administrativo deste Conselho, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal (dos quais não vislumbro se poder excluir os valores a título de multa de ofício) já foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, diante do exposto, concluo pela incidência dos juros de mora, calculados pela taxa SELIC, sobre a multa de ofício constante do lançamento e, destarte, nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 5309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.902310/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.829
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 23 10 /2 01 1- 81 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902310/201181 Acórdão n.º 3302003.829 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.260. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902310/201181 Acórdão n.º 3302003.829 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902310/201181 Acórdão n.º 3302003.829 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902310/201181 Acórdão n.º 3302003.829 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10140.902310/201181 Acórdão n.º 3302003.829 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.002538/2005-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/10/2002 a 31/10/2002, 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/04/2003 a 30/04/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº. 2.158-35/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-004.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, calculados conforme o referido dispositivo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/10/2002 a 31/10/2002, 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/04/2003 a 30/04/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº. 2.158-35/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Negado. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, calculados conforme o referido dispositivo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº. 2.15835/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Negado. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 25 38 /2 00 5- 06 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10380.002538/200506 Acórdão n.º 9303004.943 CSRFT3 Fl. 131 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, calculados conforme o referido dispositivo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência, tempestivos, interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 340100.244, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, o qual deu parcial provimento ao Recurso da Contribuinte no sentido de reduzir a multa aplicada para R$ 1.500,00 por mês calendário, resultando no montante de R$ 4.500,00 por DIF não entregue. Transcrevo a ementa do referido acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/10/2002 a 31/10/2002, 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/04/2003 a 30/04/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004 A multa pela falta da entrega da DIFPapel imune incide uma única vez, sendo a autuação de R$ 4.500,00 por DIF não entregue, tendo em vista que a contribuinte é optante pelo SIMPLES. Recurso provido em parte. Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso, sustentando que a multa pela falta da entrega da DIFPapel imune deveria ser calculada em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I da MP nº 2.15835/2001 c/c art. 16 da Lei nº 9.779/99. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10380.002538/200506 Acórdão n.º 9303004.943 CSRFT3 Fl. 132 3 O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls. 88 e 89. O sujeito passivo também interpôs Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao cálculo da multa devida. Segundo suas alegações, a multa deveria ficar restrita à quantidade de infração cometida, representada pela pena pecuniária equivalente a 7 (sete) vezes o valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), isto é, a 7 (sete) vezes o valor da multa estabelecida no art. 57, inciso I, da MP n° 2.15835/2001, com a redução determinada pelo parágrafo único do mesmo artigo, visto tratarse de empresa optante do SIMPLES. O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls. 123 e 124. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (despacho de admissibilidade às fls. 88 e 89). A recorrente alega divergência em relação à imposição da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIF Papel Imune, apresentando como paradigma o Acórdão 20218.446. Enquanto o acórdão recorrido entendeu pela aplicação da multa pela falta da entrega da DIFPapel imune com incidência única, no valor máximo de RS 4.500,00 por DIF não entregue, no acórdão paradigma foi mantida a multa aplicada pela fiscalização no valor total correspondente ao número de meses por atraso na entrega de cada declaração, tal como regulamentado pela legislação pertinente. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. O recurso interposto pelo sujeito passivo também é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (despacho de admissibilidade às fls. 123 e 124). A recorrente alega divergência em relação à imposição da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune, apresentando como paradigmas o Acórdão 280200.003, que restringiu o valor da penalidade ao equivalente a um mêscalendário por declaração, independentemente de ser esta trimestral, o que, sob sua ótica, decorreria na fixação da multa em R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por declaração. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, também conheço do recurso do sujeito passivo. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10380.002538/200506 Acórdão n.º 9303004.943 CSRFT3 Fl. 133 4 Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da quantificação da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune. No presente processo o sujeito passivo foi autuado pelo descumprimento de obrigação acessória, correspondente à apresentação de DIFPapel Imune. Verificada a omissão, a fiscalização calculou a multa aplicável em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I, da MP nº 2.15835/2001 c/c art. 16 da Lei nº 9.779/99. A matéria já é bastante conhecida nesta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive com um voto de minha lavra (Acórdão nº 9303003.399), no sentido de aplicar o instituto da retroatividade benigna com redução da multa, nos moldes do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei nº 11.945/09. A presente controvérsia deve ser analisada sob o ponto da legalidade dos atos normativos e por consequência da multa aplicada. Transcrevese abaixo a fundamentação legal que ampara a autuação perpetrada: Lei nº 9.779, de 19/01/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória 2.15835/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10380.002538/200506 Acórdão n.º 9303004.943 CSRFT3 Fl. 134 5 aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Instrução Normativa/SRF nº 159, de 15/05/2002 Art. 2° A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPqpel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. (grifei) Portanto, se a contribuinte adquire e utiliza o papel imune, ela estaria obrigada a apresentar as informações solicitadas pela Receita ao amparo do disposto no art. 16 da Lei nº 9.779/99, acima transcrito. Descumprindo esta obrigatoriedade, estaria sujeita à aplicação da multa prevista no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. Confirmase, assim, que a multa aplicada possui todo um arcabouço legal a lhe dar fundamento de validade. Discussões a respeito de eventuais inconstitucionalidades dos dispositivos legais acima citados, como pede a contribuinte, não são permitidas a esta corte de julgamento, a teor do que dispõe a súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No entanto, a Lei nº 11.945/2009 trouxe substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial referente ao controle das operações realizadas com papel imune. Dispõe o seu art. 1º: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10380.002538/200506 Acórdão n.º 9303004.943 CSRFT3 Fl. 135 6 II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade. A nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, afastando a imposição da penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP nº 2.15835/2001, passando a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido. O art. 1º da Lei nº 11.945, de 4/6/2009, produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10380.002538/200506 Acórdão n.º 9303004.943 CSRFT3 Fl. 136 7 Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial do sujeito passivo, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, calculados conforme o referido dispositivo legal, cabendo à unidade preparadora verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.002743/2002-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 18/01/1999
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO PERICIAL. CLASSIFICAÇÃO MAIS ESPECÍFICA. RGI 3.
O laudo pericial elaborado confirmou a classificação adotada pelo contribuinte relativamente aos produtos "LAUSOFT LAB CONC" e "UGUAL AM" (NCM 3809.91.90) que utilizou classificação mais específica, conforme RGI3a.
Numero da decisão: 3201-002.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 18/01/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO PERICIAL. CLASSIFICAÇÃO MAIS ESPECÍFICA. RGI 3. O laudo pericial elaborado confirmou a classificação adotada pelo contribuinte relativamente aos produtos "LAUSOFT LAB CONC" e "UGUAL AM" (NCM 3809.91.90) que utilizou classificação mais específica, conforme RGI3a.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/01/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO PERICIAL. CLASSIFICAÇÃO MAIS ESPECÍFICA. RGI 3. O laudo pericial elaborado confirmou a classificação adotada pelo contribuinte relativamente aos produtos "LAUSOFT LAB CONC" e "UGUAL AM" (NCM 3809.91.90) que utilizou classificação mais específica, conforme RGI3a. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 27 43 /2 00 2- 74 Fl. 726DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1720.310 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II (fls. 484/497), assim relatado: A empresa acima qualificada submeteu a despacho através da Declaração de Importação 00/01210429 de 10/02/2000 (fls. 46/54), na adição 01, item 01, 5.000. kg. do produto descrito como "UGUAL AM" e no item 2, 200 kg do produto descrito como "LAUSOFT LAB CONC", classificandoos no código 3809.91.90 — Outros agentes de apresto ou de acabamento, ..., dos tipos utilizados na indústria têxtil ou nas indústrias semelhantes com aliquotas de 17,0% para o II e de 0% (zero) para o IPI. Foi solicitado Exame Laboratorial, através do Pedido de Exame no. LAB 528/ SETCOF (fls 75), sendo a mercadoria desembaraçada mediante Termo de Responsabilidade. Em 09/06/2000 o LABANA emitiu o Laudo no. 1267, partes 1 e 2, que encontrase anexado a este processo as folhas 82 a 86. Em decorrência da análise laboratorial, a Fiscalização rejeitou o enquadramento tarifário adotado pela empresa, lavrandose os Autos de Infração para cobrança da IPI (fls. 01/22) e para cobrança da Multa do Controle Administrativo (fls. 23/37), procedendose reclassificação da mercadoria importada descrita como "UGUAL AM" para o código NCM 3824.90.90 com aliquotas de 17% para o II e 10,0% para o 1PI, e para o mercadoria importada descrita como "LAUSOFT CONC LAB", com aliquotas variando entre 16.05% e 17% para o II e variando entre 5% e 10,0% para o IPI, em função da época de ocorrência dos fatos geradores. Em síntese, alega a fiscalização que: na parte I para o produto descrito como "UGUAL AM" o Laudo o LABANA concluiu "não se trata de outra preparação do tipo utilizada na indústria têxtil ou nas indústrias semelhantes", mas sim de "preparação à base de solução aquosa constituída de cloreto de benziltrimetilamânio e glicol, uma preparação das indústrias químicas, não especificada nem compreendida em outras posições"; com base nas constatações do Laudo, "não se trata de um Agente Orgânico de Superfície, mercadoria do capitulo 34, visto que quando misturado com água, numa concentração de 0,5% a 20ºC, e deixado em repouso durante uma hora à mesma temperatura, originou um liquido transparente, mas a tensão superficial apresentada, ficou em torno de 68.04 dinas/cm, portanto acima do limite previsto na Nota 3, do Capitulo 34, para que seja considerado um Agente Orgânico de Superfície"; concluiu, então, por tratarse de uma preparação das indústrias químicas, não especificadas e nem compreendida em Fl. 727DF CARF MF Processo nº 11128.002743/200274 Acórdão n.º 3201002.832 S3C2T1 Fl. 727 3 outras posições, pelos textos descartando as posições que não a abrigam, chegouse a posição 3824. Com base na RGI no. 6, dentro da posição 3824, descartando os desdobramentos que não se referem ao produto em análise, chegou subposicao 3824.90 — outros. Aplicando a Regra Geral Complementar no. 1, encontrou o item, resultando no código NCM 3824.90.90 — Outros produtos e preparações das indústrias químicas ou conexas, não especificadas nem compreendidas em outras posições. na parte II para o produto descrito como "LAUSOFT LAB CONC" o Laudo o LABANA concluiu "não se trata de 'Outra preparação do tipo utilizado na indústria têxtil ou nas indústrias semelhantes', mas efetivamente tratase de 'polidimetilsiloxano modificado com grupamento nitrogenado, um outro cati6nico, um agente orgânico de superfície'"; verificando o resultado das análises do LABANA "notase que misturado com água, numa concentração de 0,5% a 20ºC, e deixado em repouso durante uma hora à mesma temperatura, produz emulsão estável e a tensão superficial apresentada, ficou em torno de 39,5 dinas/cm, portanto dentro dos parâmetros estabelecidos pela Nota 3, do Capitulo 34, para ser considerado um Agente Orgânico de Superfície"; concluiu, então neste caso, por tratarse de um Agente Orgânico de Superfície, uma mercadoria do capitulo 34, pelos textos deste capitulo chegouse a posição 3402 —Agentes Orgânicos de Superfície, Preparações Tensoativas, Preparações para Lavagem e Preparações para limpeza Com base na RGI no. 6, dentro da posição 3824, descartando os desdobramentos que não se referem ao produto em análise, encontrou a suposição de 1 0. nível 3402.1. Por tratarse de "um outro Catiônico", dentro da suposição 3402.1, chegouse a suposição de 2°. nível 3402.12 Agentes orgânicos de superfície, mesmo condicionados para a venda a retalho catiônicos.. Aplicando a Regra Geral Complementar no. 1, encontrouse o item não desdobrado em subitem 3402.12.90 — Outros agentes orgânicos de superfície, catiônicos, mesmo acondicionados para a venda a retalho. no tocante à Multa do Controle Administrativo, em decorrência do fato do contribuinte ter submetido à despacho mercadoria diversa da declarada, quando do preenchimento das respectivas D.Is, concluiu, assim, que a nova mercadoria não estava amparada pelo licenciamento obtido quando da prestação das informações.Entende, ainda, não aplicável ao caso o ADN Cosit no. 12/97, uma vez que o contribuinte não descreveu corretamente o produto, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, sendo que foi informado tãosomente as denominações comerciais dos produtos. Foram abrangidas nas Autuações Fiscais em tela outras importações do mesmo produto efetuadas pelo contribuinte, conforme relação constante à folha 06. Fl. 728DF CARF MF 4 Assim, o contribuinte foi intimado a recolher ou a impugnar o IPI que deixou de ser pago, juros de mora, multa prevista no artigo 80, inciso I, da Lei no. 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da lei 9430/96 (sobre o I.P.I) e a multa pelo descumprimento ao controle administrativo prevista no artigo 169, I, "b", da DecretoLei no. 37/66, alterado pelo art. 2°. da Lei 6.562/78, regulamentado pelo artigo 526,11, do Regulamento Aduaneiro vigente época. A empresa regularmente cientificada da autuação, no dia 24.06.2002 (fl.353 —verso), apresentou tempestivamente a Impugnação, em 19/07/2002, onde alega em síntese que: preliminarmente, pleiteia que o Auto de Infração seja declarado nulo, pois entende que foi ferido o principio do contraditório e da ampla defesa, pelo fato da Impugnante ter recebido o Auto de Infração e concomitantemente ter sido punida com multa, juros e correção; o Auto de Infração é nulo pelo fato dos valores apontados pela fiscalização não estarem corretos. Entende que a apuração da base de cálculo do I.P.I. está incorreta; no tocante ao produto descrito como "UGUAL AM", a Impugnante faz a transcrição dos quesitos e respostas contidas no Exame Laboratorial no. 1267 do LABANA, procedendo exclusivamente à seguinte argumentação: "que o Cloreto de Benziltrimetilamônio, utilizado como auxiliar e acelerador no tingimento de fibras têxteis, atende plenamente a posição 3809 — Agentes de Aprestos ou de Acabamentos, aceleradores de tingimento ou de fixação de materiais corantes e outros produtos dos tipos utilizados na industria concluindo, no subitem 3809.91.90, por ser mais adequada e especifica para a aplicação a que se destina, e não de forma tão genérica como a posição 3824 — Aglutinantes Preparados para Moldes ou Núcleos de Fundição, Produtos Químicos ou das Industrias Conexas, detalhando para 3824.90.90 como pretende classificar a digna fiscalização". Conclui, esclarecendo, que a Impugnante comercializa esse produto no mercado interno exclusivamente para as indústrias têxteis; quanto ao produto descrito como "LAUSOFT LAB CONC", a Impugnante também faz a transcrição dos quesitos e respostas contidas no Exame Laboratorial no. 1267 do LABANA. Alega que o Laudo afirma não se tratar de outra preparação do tipo utilizado na indústria têxtil ou nas indústrias semelhantes, o que contradiz radicalmente a resposta dada ao quesito no. 3, onde declara que mercadorias dessa natureza são utilizadas principalmente na formulação de produtos de cuidado pessoal e também em fibras têxteis. Desta forma, que o laudo do Labana não está claro e nem objetivo; a ficha de segurança — anexo 6 — e o boletim técnico de aplicação — anexo 7 —definem que o LAUSOFT LAB é aplicado na indústria têxtil como agente hidrofilizante no acabamento de fibras têxteis de algodão, portanto, tratase de um agente de acabamento que atende aos quesitos da classificação fiscal adotada, ou seja, 3809.91.90; Fl. 729DF CARF MF Processo nº 11128.002743/200274 Acórdão n.º 3201002.832 S3C2T1 Fl. 728 5 em relação à multa do controle administrativo afirma que os produtos foram importados com documentação completa e idônea, com fatura, conhecimento marítimo, packing list e que houve licenciamento automático, como determina a legislação brasileira; mesmo que a classificação fiscal estivesse errada, não poderia ser lavrada a multa do controle administrativo, pois a recorrente não omitiu nenhum dado relevante desses produtos que pudesse causar embaraço ou dúvida para a fiscalização. Entende estar amparada pelo disposto no ADE no. 12/97, pois ficou comprovada a correta classificação fiscal utilizada, principalmente a Boa Fé e intenção da Recorrente, que sempre pautou pela correção e honestidade de seus atos. Requer que sejam cancelados os referidos Autos de Infração. Após impugnada, a matéria foi decidida da seguinte forma pela DRJ: Ementa: Produto com descrição comercial denominado "UGUAL AM" Produto identificado pelo Exame Laboratorial do LABANA, como uma preparação à base solução aquosa constituída de cloreto de benziltrimetilamônio e glicol, uma preparação da indústria química, não especificada e nem compreendida em outras posições, deve ser classificado, como corretamente interpretou a fiscalização, no código NCM 3824.90.90 — Outros produtos e preparações das indústrias químicas ou conexas, não especificadas nem compreendidas em outras posições. Ementa: Produto com descrição comercial denominado "LAUSOFT CONC LAB" Produto identificado pelo Exame Laboratorial do LABANA, como polidimetilsiloxano modificado com grupamento nitrogenado, um outro catiônico, um agente orgânico de superfície, deve ser classificado, como corretamente interpretou a fiscalização, no código NCM 3402.12.90 — Outros agentes orgânicos de superfície, catiônicos, m smo acondicionados para venda a retalho. Lançamento Procedente Apresentado Recurso Voluntário pelo contribuinte, os autos foram remetidos a este CARF, que, por meio de Resolução, efetuou solicitação de diligência nos seguintes termos: Desse modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: 1 Esclareça se a tabela "Tratamento Administrativo" do Siscomex indicava a exigência de licenciamento nãoautomático para os produtos classificados nas posições 3824.90.90 e 3402.12.90, à época das importações referidas no presente processo. Fl. 730DF CARF MF 6 2 Esclareça se, independentemente dessa verificação no Siscomex, a autoridade responsável pela condução da diligência tem conhecimento de ato administrativo que indique a exigência de licenciamento nãoautomático para os produtos classificados nas posições 3824.90.90 e 3402.12.90, à época das importações referidas no presente processo. 3 Providencie a confecção de um laudo complementar para dirimir a controvérsia acerca da correta classificação fiscal do produto importado, a ser efetuado pelo Instituto Nacional de Tecnologia ou por outro órgão federal congênere, que deverá elaborar laudo a partir dos quesitos ora formulados, além dos que venham a ser apresentados pelas partes, contribuinte e Receita Federal, se assim desejarem formular, antes do inicio dos trabalhos periciais: i) queira o Laudo descrever a composição química do produtos importados, "UGUAL AM" e "LAUSOFT LAB CONC" identificando os componentes e apontando a sua participação percentual na constituição do referido produto; ii) queira o Laudo esclarecer se se trata de preparação química ou produto de constituição química definida, apresentado isoladamente; iii) queira o Laudo esclarecer se a composição e a apresentação dos produtos importados lhes conferem uma utilização especifica na indústria têxtil ou indústria semelhante; iv) caso não sejam utilizados especificamente na indústria têxtil ou indústria semelhante, queira o Laudo esclarecer qual a sua utilização especifica. Assim, em face da solicitação, foram apresentados esclarecimentos fiscais, em atendimento aos itens 1 e 2, bem como elaborado novo Laudo de Avaliação nos termos do item 3. A contribuinte foi intimada da diligência fiscal, tendo apresentado manifestação por meio da qual aduziu que o Laudo Pericial confirmou a classificação fiscal por ela adotada. Os autos retornaram a este CARF para julgamento, sendo a mim distribuídos por sorteio, uma vez que o relator originário não mais integra este colegiado. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 731DF CARF MF Processo nº 11128.002743/200274 Acórdão n.º 3201002.832 S3C2T1 Fl. 729 7 Conforme ressaltado em relatório, a questão em exame diz respeito a classificação fiscal de mercadorias para fins de incidência de IPI. Pois bem. Por meio da Declaração de Importação n° 00/01210429, registrada em 10 de fevereiro de 2000, a Recorrente submeteu a despacho a importação de 5.000,00 kg do produto denominado "UGUAL AM" e 200,00 kg do produto denominado "LAUSOFT LAB CONC", ambos classificandoos no código NCM 3809.91.90 (Outros Agentes de Apresto ou de Acabamento, etc., dos tipos utilizados na indústria têxtil ou nas indústrias semelhantes). Em razão do Laudo nº 1267, do Laboratório Nacional de Análise, a Fiscalização reclassificou o item "UGUAL AM" para o NCM 3824.90.90 Outros Produtos e Preparações das Indústrias Químicas ou Conexas, não especificados nem compreendidos em outras posições. O produto "LAUSOFT LAB CONC" foi reenquadrado no NCM 3402.12.90 Outros Agentes Orgânicos de Superfície, Catiônicos, mesmo acondicionados para a venda a retalho. De forma esquematizada: PRODUTO CLASSIFICAÇÃO CONTRIBUINTE RECLASSIFICAÇÃO FISCAL UGUAL AM NCM 3809.91.90 (Outros Agentes de Apresto ou de Acabamento, etc., dos tipos utilizados na indústria têxtil ou nas indústrias semelhantes) NCM 3824.90.90 (Outros Produtos e Preparações das Indústrias Químicas ou Conexas, não especificados nem compreendidos em outras posições) LAUSOFT LAB CONC NCM 3809.91.90 (Outros Agentes de Apresto ou de Acabamento, etc., dos tipos utilizados na indústria têxtil ou nas indústrias semelhantes) NCM 3402.12.90 (Outros Agentes Orgânicos de Superfície, Catiônicos, mesmo acondicionados para a venda a retalho) Logo, a reclassificação decorreu da análise laboratorial dos elementos importados, realizada durante o procedimento fiscalizatório. Não obstante, como relatado, em razão de diligência solicitada pelo CARF, foi elaborado um segundo laudo laboratorial. Em sendo assim, trago o comparativo entre as conclusões obtidas. PRODUTO PRIMEIRO LAUDO SEGUNDO LAUDO UGUAL AM Preparação a base de Solução Aquosa constituída de Cloreto de Benziltrimetilamônio e Glicol, uma Preparação das Indústrias Químicas Não foi possível realizar a análise cromatográfica para quantificar o cloreto de benziltrimetilatilamônio na amostra. (...) Os resultados apontam para uma composição constituida especialmente por cloreto de benzil trimetil amônio, sulfato de amônio e água. LAUSOFT LAB CONC Polidimetilsiloxano Modificado com Grupamento Nitrogenado, um Outro Catiemico, um agente Orgânico de Superfície Poli(dimetilsiloxano) modificado com grupamento amino. Tratase de um silicone hidrofílico usada na indústria textil, com aplicação específica em Fl. 732DF CARF MF 8 composição de amaciantes de fibras têxteis. Em conclusão geral, afirma o laudo: Desse modo, entendo que o Laudo Técnico elaborado, em sua conclusão corrobora as alegações do contribuinte, validando a classificação no NCM 3809.91.90, (Outros Agentes de Apresto ou de Acabamento, etc., dos tipos utilizados na indústria têxtil ou nas indústrias semelhantes). Com efeito, a classificação adotada pelo contribuinte, em NCN voltado à indústria têxtil, tal como comprovado pelo Laudo laboratorial, tem classificação mais específica do que aquela utilizada pela Fiscalização, de aplicação na indústria em geral, prevalecendo a Regra Geral de interpretação RGI 3 a. Pelo exposto, nos termos da Diligência fiscal realizada, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte para validar a classificação fiscal por ele adotada. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 733DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.720008/2014-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
SALDO CREDOR DE CAIXA. PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracteriza-se como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa e a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, nos termos do art. 281 do RIR/99. Não demonstrado pela empresa a existência de recursos na conta caixa no momento da sua ocorrência, resta caracterizada a omissão de receita. Do mesmo modo, enquanto o valor não comprovado ou já quitado estiver registrado no passivo indevidamente, está concretizada a presunção legal de omissão de receitas
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA.
Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 1201-001.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa e a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, nos termos do art. 281 do RIR/99. Não demonstrado pela empresa a existência de recursos na conta caixa no momento da sua ocorrência, resta caracterizada a omissão de receita. Do mesmo modo, enquanto o valor não comprovado ou já quitado estiver registrado no passivo indevidamente, está concretizada a presunção legal de omissão de receitas IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 72 00 08 /2 01 4- 98 Fl. 1001DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Contra a ora recorrente, foram lavrados os Autos de Infração às fls. 461 a 535, para exigência de crédito tributário referente ao ano calendário de 2010. As irregularidades constatadas e suas consequências foram resumidas no v. acórdão recorrido. Peço vênia para reproduzir os principais pontos: “(...) DA CONTA "USADO COMO FORMA DE PAGAMENTO (11020101004) Verificouse que várias vendas eram efetuadas com parte do pagamento sendo realizado com o veículo antigo, sendo efetuado um lançamento a Débito na conta USADO COMO FORMA DE PAGAMENTO (11020101004). Ou seja, pagamento realizado pela entrega de bem e não de moeda em espécie. Ocorre que o mesmo valor que aumentou a conta de ativo USADO COMO FORMA DE PAGAMENTO (11020101004), tem seu saldo "zerado" com lançamento a Débito na Conta Caixa. Ou seja, foi apenas uma conta de transição, já que o lançamento a Débito na conta Caixa ocorre logo em seguida. Nesse sentido, o que teria entrado na Conta Caixa, já que foi efetuado pagamento em bem e não em moeda? É importante destacar que o bem recebido é também um bem para revenda e que, na revenda, ocorre uma nova receita da pessoa jurídica e não apenas encaixe. Intimada, a fiscalizada informou que "são garantidos financeiramente pela GM factoring, e o veículo seminovo/usado fica como lastro/garantia real". No entanto, não justifica um lançamento a Débito na conta Caixa, uma vez que, conforme já mencionado, foi recebido um bem e não moeda em espécie. Assim, não há como "entrar" na conta caixa tal lançamento. Vale ressaltar que não foi apresentado nenhum documento que comprovasse que houve um efetivo ingresso de recursos financeiros na conta caixa. Apenas foi informado que tais veículos usados eram a garantia do financiamento. Diante da resposta apresentada, há que se reconhecer que ocorreram lançamentos a débitos na conta Caixa sem que fosse Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 15521.720008/201498 Acórdão n.º 1201001.619 S1C2T1 Fl. 3 3 comprovado o efetivo ingresso de recursos, no montante de R$979.612,87, como apresentado no Anexo I deste Termo de Verificação Fiscal. DA CONTA "ADIANTAMENTO DE CLIENTES (21060202001) Ao analisar a contabilidade digital (SPEDContábil), identificouse uma conta de passivo denominada ADIANTAMENTO DE CLIENTES (21060202001). Ou seja, uma obrigação da pessoa jurídica para com os clientes. Verificaram se vários lançamentos aumentando essa conta de passivo, cujo histórico constava a informação "Cliente PAULO NEY AYD CORREA", sócio administrador da fiscalizada, tendo como contrapartida lançamentos a débito na conta Caixa e na conta Bancos. Sendo importante a comprovação da origem de tais lançamentos, selecionaramse todos os lançamentos a crédito na conta ADIANTAMENTO DE CLIENTES (21060202001) de valores maiores ou iguais a R$ 50.000,00, cujo histórico constasse a informação "Cliente PAULO NEY AYD CORREA". Dessa relação, apurouse um montante de R$ 8.038.440,15 da conta ADIANTAMENTO DE CLIENTES, conforme apresentado no Anexo VI deste Termo de Verificação Fiscal. Assim, a partir da análise acima descrita, lavrouse o Termo de Intimação Fiscal n° 27/2014, intimando a fiscalizada a apresentar documentos "tendentes a comprovar a operação e a sua causa dos lançamentos que originaram a conta de passivo ADIANTAMENTO DE CLIENTES (21060202001)", como descrito no item 2.1 deste Termo de Verificação Fiscal. Intimada a esclarecer tais operações, a fiscalizada não apresentou nenhum documento tendente a justificar tais lançamentos. Apenas reafirmou que tais lançamentos não foram identificados. Diante da resposta apresentada, há que se reconhecer que não há comprovação da exigibilidade dos valores que constituíram a conta de passivo ADIANTAMENTO DE CLIENTES, no montante de R$ 8.038.440,15, cujo histórico constasse a informação "Cliente PAULO NEY AYD CORREA", conforme apresentado no Anexo VI deste Termo de Verificação Fiscal. Além de a constituição do passivo acima não ter sido comprovada, os lançamentos a débito na conta Caixa que tiveram como contrapartida aqueles da conta ADIANTAMENTO DE CLIENTES, como apresentado no Anexo II deste Termo de Verificação Fiscal, por via de consequência, não tiveram a sua efetividade comprovada. Fl. 1003DF CARF MF 4 DOS PAGAMENTOS DA CONTA CAIXA E DA CONTA BANCOS Ao analisar a contabilidade digital (SPEDContábil), identificaramse vários pagamentos saindo da conta Caixa (conta 11010101001) e da conta Bancos (conta 11010201), cujo histórico constava a informação "Cliente PAULO NEY AYD CORREA". Selecionaramse todos os pagamentos saídos da conta Caixa e da conta Bancos de valores maiores ou iguais a R$ 10.000,00, cujo histórico constasse a informação "Cliente PAULO NEY AYD CORREA". Da relação acima, apuraramse montantes de R$ 8.340.055,52 da conta Caixa e R$ 1.350.635,86 da conta Bancos, conforme apresentado, respectivamente, nos Anexos VIII e IX deste Termo de Verificação Fiscal. Intimada a comprovar tais operações, a fiscalizada não apresentou nenhum documento tendente a justificar tais lançamentos. Apenas reafirmou que tais lançamentos não foram identificados. Diante da resposta apresentada, há que se reconhecer que ocorreram pagamentos saídos da conta Caixa e da conta Bancos sem que fosse comprovada a sua causa, nos montantes de R$ 8.340.055,52 da conta Caixa e R$ 1.350.635,86 da conta Bancos, como apresentado, respectivamente, nos Anexos VIII e IX deste Termo de Verificação Fiscal. DAS INFRAÇÕES E INCIDÊNCIAS TRIBUTÁRIAS OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA Todos os lançamentos a débito na conta Caixa que não tiveram a sua efetividade comprovada devem ser excluídos e ser recomposta a conta caixa. Foram desconsiderados os valores debitados na conta Caixa que tiveram como contrapartida a conta USADO COMO FORMA DE PAGAMENTO (11020101004) e os valores que tiveram como contrapartida a conta ADIANTAMENTO DE CLIENTES (21060202001). Assim, a conta Caixa foi recomposta extraindose os valores descritos no Anexo III deste Termo de Verificação Fiscal, totalizando um montante de R$ 2.486.667,99, consolidado no Anexo IV deste Termo de Verificação Fiscal. Ao recompor a conta Caixa, constaramse saldos credores em vários momentos durante todo o anocalendário 2010. Nesse sentido, todo o valor referente aos Saldos Credores de Caixa (...) há que ser considerado como omissão de receitas da atividade da fiscalizada, como dispõe art. 281, I, do RIR/99. (...) OMISSÃO DE RECEITAS – PASSIVO FICTÍCIO Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 15521.720008/201498 Acórdão n.º 1201001.619 S1C2T1 Fl. 4 5 (...) Conforme apresentado no Anexo VI deste Termo de Verificação Fiscal, os valores creditados na conta ADIANTAMENTO DE CLIENTES (21060202001) representam Passivo cuja exigibilidade não foi comprovada, caracterizando um Passivo Fictício, presumindose a Omissão de Receitas, como dispõe art. 281, III, do RIR/99. Nesse sentido, os valores, cuja a contrapartida foi a conta Caixa, foram excluídos do cômputo da Omissão de Receitas por presunção com base no Passivo Fictício, como apresentado no Anexo VII deste Termo de Verificação Fiscal. (...) (...) apuraramse Receitas Omitidas no montante de R$ 8.886.260,40 a serem utilizado na recomposição do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL (...) IRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA – ART. 61 DA LEI 8.981/95 (...) A partir do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, depreendese que existe subsunção do fato concretamente ocorrido (pagamento sem causa) à hipótese de incidência descrita genérica e hipoteticamente na norma tributária, ou seja, " fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado". (...) É importante mencionar que foi compensado todo o prejuízo acumulado em exercícios anteriores no montante de R$ 2.207.231,08 e foi efetuada a compensação de ofício de Base de Cálculo Negativa de Exercícios Anteriores, no montante de R$ 2.300.487,41. (...)” Impugnação Em suma, o impugnante afirmou que a cobrança em comento não merecia prosperar, diante da ausência de fundamento jurídico para o lançamento em comento, tendo em vista (i) a empresa não aufere lucro na revenda de veículos usados; (ii) a existência de transferência bancária da própria Impugnante; e (iii) operações de mútuo entre a Impugnante e empresas do mesmo grupo econômico; (iv) o mero trânsito por conta caixa e valores recebidos como adiantamento não gera o fato gerador de tributação pelo imposto de renda, contribuição social sobre o lucro, PIS e COFINS. Fl. 1005DF CARF MF 6 Pagamento sem Causa Argui o impugnante que o que o agente fiscal considerou como pagamento sem causa, na realidade, se refere a ajustes efetuados na conta de "Adiantamento de Clientes". Por ocasião do recebimento de diversos valores que ainda estavam pendentes de análise, durante o ano de 2010, foi registrado na conta de "Adiantamentos de Clientes" o montante de R$ 8.038.440,15 movimentado na conta de "Bancos" e movimentado pela conta "Caixa". Este lançamento representaria, segundo a impugnante, todas as pendências bancárias e/ou pendências na conta caixa que o contador, à época, precisava analisar e discutir com o sócio Paulo Ney A. Correa para seu posterior ajuste e reclassificação para as contas definitivas. Após análise à composição detalhada dos valores recebidos de "Adiantamentos de Clientes" está apresentada no (doc.3), elencou o impugnante as seguintes transações: 1) Duplicidade dos Valores Registrados na Conta Caixa: o valor de R$ 1.507.055,12 foi considerado em duplicidade. Uma vez como valores do caixa e a segunda na composição do valor de R$ 8.038.440,15; 2) Transferência entre Contas Bancárias: o montante de R$ 2.364.698,11 corresponde a transferência bancária realizada entre as contas bancárias da própria Impugnante foram tratadas como pagamento sem causa. Este fato poderia ser demonstrado através dos extratos bancários anexados; 3) Mútuo entre Empresas Ligadas: as transferências realizadas entre a ora Impugnante e a Agropecuária Grumarim Ltda., Capitiva e Ferreira e Correa Comércio, no montante de R$ 984.912,57, correspondem a mútuo onde a Impugnante recebeu recursos das empresas ligadas ao longo de 2010 e que, no mesmo ano, efetua o pagamento desses valores. Argui a impugnante que esses recursos seriam a ela transferidos, que mantém o caixa centralizado e efetua a gestão e aplicação financeira dos recursos de todo o Grupo; 4) Desbloqueio de Cheques: correspondem a cheques que haviam sido bloqueados e que após a sua compensação foram depositados na conta bancária, no montante de R$ 240.100,00; 5) Antecipação de Cartão de Crédito: correspondem a valores recebidos das administradoras de cartão de crédito que foram antecipados pela impugnante, no montante de R$ 124.94 9,44; 6) Desconto Cheques PréDatados: corresponde a antecipação de cheques prédatados, no montante de R$ 1.747.156,64; 7) Financiamentos: recebimento das financeiras por financiamento de veículos vendidos, no montante de R$ 239.450,00. Os fatos acima estão fartamente comprovados através dos extratos bancários e demais documentos que instruem a presente peça impugnativa (doc.4). Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 15521.720008/201498 Acórdão n.º 1201001.619 S1C2T1 Fl. 5 7 Relativamente ao mútuo, as transferências feitas de/para a Impugnante por empresas do mesmo grupo econômico se revestiriam de natureza de empréstimo, apesar de não ter sido elaborado um instrumento formal (contrato), para o ano de 2010, que comprovasse a natureza jurídica da operação. Conclui a impugnante, então, que a falta de formalização, portanto, não invalida a operação de mútuo, já que se trata de um contrato de natureza não solene. Entendeu o impugnante que os lançamentos contábeis efetuados, podem ter levado o agente fiscal a uma interpretação equivocada da operação, uma vez que todos os valores recebidos transitavam pela conta "Adiantamento de Clientes" e que após sua análise eram ajustados em suas respectivas contas. Por fim, conclui que não foram identificados recebimentos e/ ou efetuados pagamentos nos valores indicado pelo agente fiscal, o que na realidade ocorria era um registro temporário na conta de "Adiantamento de Cliente" para seu subsequente ajuste. Omissão de receitas Relativamente a venda de veículos usados, a Impugnante alega que não efetua venda de veículo usado, repassando para terceiros a operação de alienação pelo seu custo efetivo. Argui que, ainda que fosse efetuada a venda dos veículos usados, o agente fiscal deveria tão somente tributar o lucro na operação e não o custo de aquisição do bem. Verificou ainda a impugnante que no cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, o agente fiscal aplicou a alíquota de 1,65% (PIS) e 7,6% (COFINS), enquanto que, de acordo com a legislação de regência as alíquotas das contribuições aplicáveis para venda de veículos usados são de 0,65% para o PIS e 3% para o COFINS, o que demonstraria cabal irregularidade e inconsistência do auto de infração. Relativamente aos "Adiantamentos Recebidos de Clientes" reitera o impugnante que não poderão ser tratados como omissão de receitas uma vez que a entrada de recursos corresponde a operações da atividade fim da Impugnante. Passivo Fictício Alega que se os valores depositados na conta bancária foram devidamente justificados e comprovados anteriormente, não tem do que se falar da existência de passivo fictício, o valor creditado a conta de "Adiantamentos de Clientes" corresponderia efetivamente a ajustes efetuados. Mérito Conclui que o auto de infração girou em torno de valores que transitaram na conta "Caixa" e "Bancos" em contrapartida a conta de "Adiantamento de Clientes", o que não Fl. 1007DF CARF MF 8 representou ingresso de novas receitas, registro de passivo fictício ou pagamento a beneficiários não identificados. Os valores objeto do auto de infração correspondem, segundo a impugnante, a recursos da própria, que foram recebidos durante o exercício de 2010, já foram tributados na comercialização dos veículos novos, o que levaria à tributação bis in idem. Pleiteia, ao final, a declaração da nulidade do auto de infração ou, ainda, a sua total improcedência. Acórdão nº 1149.569 4ª Turma da DRJ/REC Pagamento sem causa Inicialmente expôs a autoridade julgadora que os registros contábeis referem se ao ano calendário de 2010 e a fiscalização foi concluída em junho de 2014, não sendo possível considerar tais registros como temporários, pois 3 anos e meio depois ainda não tinham sido alterados. Assim considerando também que quanto aos argumentos de que o contador não mais trabalhava na empresa e por isso não tinha como esclarecer os lançamentos contábeis também não poderiam ser acatados. O início do procedimento fiscal deuse em 05/04/2013 e a rescisão do contrato de trabalho do contador somente ocorreu em 09/12/2013, após oito meses do início da fiscalização, quando a empresa já tinha sido intimada a apresentar sua correta escrituração contábil e fiscal. Esclareceuse que a infração do IRRF decorrente de pagamento sem causa tem por objeto pagamentos efetuados pela contribuinte ao sócio gerente PAULO NEY AYD CORREA, ou seja, pagamentos registrados contabilmente como créditos nas contas Bancos e Caixa e débitos na conta Adiantamentos de Clientes. Tal infração tributária caracterizariase pela saída de numerário e não pela entrada de valores recebidos. A Impugnante argumentou que o trânsito dos valores recebidos pela conta "Adiantamento de Clientes" era temporário e, após sua análise eram ajustados em suas respectivas contas, mas não demonstrou, informou e comprovou para que contas foram esses valores creditados nas contas Bancos e Caixa. Daí concluiuse apenas pela possibilidade de considerar como pagamento efetuado ao sócio gerente PAULO NEY AYD CORREA, conforme a contrapartida registrada contabilmente na conta Adiantamentos de Clientes. A autoridade julgadora, então analisou pormenorizadamente cada justificativa do impugnante, ora recorrente, quanto as transações que comporiam os valores recebidos na conta “Adiantamento de Clientes”: 1) Duplicidade dos Valores Registrados na Conta Caixa: Reputase que a Autoridade Fiscal esclareceu que foram excluídos do cômputo da omissão de Receitas por presunção com base no Passivo Fictício os valores que já tinham sido considerados no cálculo do Saldo Credor de Caixa Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 15521.720008/201498 Acórdão n.º 1201001.619 S1C2T1 Fl. 6 9 Concluiuse, portanto, que a composição desses valores de omissão de receitas foi a seguinte: Saldo Credor de Caixa: R$979.612,87 (Anexo I) + R$1.507.055,12 (Anexo II) = R$2.354.875,37; Passivo Fictício: R$8.038.440,15 (Anexo VI) R$1.507.055,12 (Anexo II) = R$6.531.385,03. Evidenciado encontrase, então, que o valor de R$ 1.507.055,12 não foi considerado em duplicidade, segundo o v. acórdão recorrido. 2) Transferência entre Contas Bancárias Constatouse que juntamente com sua peça de defesa a Impugnante teria anexado vários extratos bancários como única comprovação de suas alegações. No entanto a contribuinte não teria especificado a quais lançamentos bancários estaria se referindo, o que, segundo o v. acórdão recorrido, torna impossível identificálos. Nos extratos bancários apresentados constam algumas anotações à lápis e em letra corrida, mas foram tidos como incompreensíveis. Concluiuse que caso as alegações da Impugnante fossem verdade, não haveria alteração do saldo da conta Bancos, pois somente seriam transferências entre contas bancárias da própria contribuinte. Além disso, entendeuse que faltou a Impugnante demonstrar contabilmente os registros das transferências bancárias, assim como indicar de forma clara quais seriam esses valores nos extratos bancários anexados. Decidiuse, então, no sentido de que não restaram comprovadas as transferências entre contas de mesma titularidade no montante de R$ 2.364.698,11. 3) Mútuo entre Empresas Ligadas: Neste ponto, os argumentos da defesa também não foram aceitos. Explanou se que se a falta dos instrumentos dos contratos de mútuo não é um impedimento para se aceitar a ocorrência dos mesmos, faltou a comprovação mediante registros contábeis e indicações precisas das datas e valores transacionados nos extratos bancários anexados. Reputase que a Impugnante seria a única pessoa capaz de demonstrar o ingresso (recebimento do valor do empréstimo) e depois a saída desses valores (pagamento do empréstimo) durante o ano calendário de 2010 conforme alegou, mas não o fez. 4) Desbloqueio de Cheques Fl. 1009DF CARF MF 10 Primeiramente reiterouse que o lançamento de IRRF por pagamento sem causa é decorrente de saída de numerário e não se confunde com ingresso de valores em conta corrente bancária, que usualmente está relacionado com a aquisição de receitas. Depois, esclareceuse que a identificação das infrações tributárias e a apuração das bases de cálculo dos tributos lançados tiveram por base a escrituração contábil e fiscal da contribuinte e não extratos de contas correntes bancárias. Reputouse a não pertinência das considerações formuladas pela Impugnante neste item. 5, 6 e 7) Antecipação de Cartão de Crédito no montante de R$124.949,44; Desconto Cheques PréDatados no montante de R$ 1.747.156,64; e Financiamentos no montante de R$ 239.450,00: Tais argumentações não foram acolhidas. Mais uma vez, entendeuse que faltou a comprovação mediante registros contábeis e indicações precisas das datas e valores transacionados nos extratos bancários anexados. Reiterouse que a identificação das infrações tributárias e a apuração das bases de cálculo dos tributos lançados tiveram por base a escrituração contábil e fiscal da contribuinte e não extratos de contas correntes bancárias. Saldo Credor de Caixa De início explanouse que o saldo credor de caixa caracteriza a presunção de “insuficiência de recursos" e, por conseguinte, omissão do registro de receitas, é a saída de recursos em volume superior ao saldo existente na conta caixa, em determinada data, constatada pela fiscalização através da reconstituição da conta, utilizandose de critérios técnicos consistentes, observados os princípios contábeis geralmente aceitos e considerando todos os assentamentos constantes do livro caixa ou da escrituração comercial. Quanto à venda de veículos usados, a contribuinte afirmou não efetuar a venda destes, repassando para terceiros a operação de alienação pelo seu custo efetivo. Todavia, a autoridade julgadora entendeu que a Impugnante nada apresentou de documentos comprobatórios, não podendo ser acatadas as suas alegações. Quanto às alegações de que, no caso de venda dos veículos usados, deveria ser tributado apenas o lucro dessa operação e que deveriam ter sido aplicadas alíquotas menores na apuração da Contribuição para o PIS e da COFINS, não mereceram guarida, segundo a fiscalização. Entendeuse que a própria Impugnante negou que efetuasse a venda de veículo usado e, assim, encontraremse em contradição esses argumentos de sua defesa, não podendo ser considerados. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 15521.720008/201498 Acórdão n.º 1201001.619 S1C2T1 Fl. 7 11 Passivo Fictício Fora explanado, inicialmente, que essa hipótese de passivo fictício ocorre quando a exigibilidade registrada no passivo inexiste desde o início, ou seja, o lançamento contábil da obrigação não reflete a existência de dívida alguma. Assim, ao se identificar que a obrigação lançada no passivo jamais existiu, temse, desde o seu registro no passivo, concretizado o acréscimo patrimonial em prol da devedora, com fato gerador ocorrido no período do registro contábil, que no caso foi o ano calendário de 2010. Como a interessada não logrou apresentar documentação que comprovasse a exigibilidade das obrigações contabilizadas na conta "Adiantamento de Clientes", no Passivo, presumiuse a ocorrência de omissão de receita, caracterizada por passivo fictício. Em sua defesa, apenas reproduziu as mesmas alegações, que segundo a autoridade julgadora já foram por ela analisadas e consideradas improcedentes. Mais uma vez a Impugnante alega que os valores lançados seriam os valores recebidos pela comercialização de veículos novos e já oferecidos por ela à tributação. Todavia, fora entendido que tais argumentos não correspondem aos valores lançados nos Autos de Infração, que tiveram por fundamento a saída de numerário no IRRF por pagamento sem causa, a manutenção de lançamentos no passivo sem comprovação da exigibilidade, além do saldo credor de caixa. Assim, a turma entendeu improcedente a impugnação para manter integralmente os Autos de Infração do presente processo. Recurso Voluntário O recurso voluntário fora delineado em idênticos termos à impugnação, sem qualquer ressalva significativa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Fl. 1011DF CARF MF 12 Mérito O mote da controvérsia cingese a identificação das entradas e saídas de recursos da conta “caixa” e da conta “bancos” registradas na contabilidade da ora recorrente. A fiscalização atesta a impossibilidade de identificação da origem e destinação de débitos e posteriores créditos destas contas, assim como pela contabilização ilógica das contrapartidas respectivamente creditadas e debitadas em conta distinta. A partir de tais conclusões atesta a existência de passivo fictício e do respectivo saldo credor de caixa. A presunção de omissão de receitas é daí decorrente. O contribuinte, de outro modo, pugna por alegações que exorbitam uma interpretação racional de sua contabilidade como um todo e em sede de impugnação traz comprovação para suportar tais alegações. Em suma, a sistemática observada no caso concreto ocorre da seguinte forma: 1) recursos entram na entidade; a) são debitados valores em contas “caixa” ou “bancos”; b) são creditados valores na conta “adiantamento de clientes”; 2) os recursos saem da entidade; a) são debitados valores na conta “adiantamento de clientes”; b) são creditados valores na conta “caixa” ou “bancos”. O grande problema aqui apontado pela fiscalização foi a ausência de comprovação da operação e a causa dos lançamentos realizados em tempo hábil concedido ao contribuinte. Quanto a este ponto específico fora reputada a presunção de omissão de receitas sobre todo o passivo fictício e parte do saldo credor de caixa. Em suma, o contribuinte argui que os referidos lançamentos representariam todas as pendências bancárias e/ou pendências na conta caixa que o contador, à época, precisava analisar e discutir com o sócio Paulo Ney A. Correa para seu posterior ajuste e reclassificação para as contas definitivas. Na realidade, não teriam sido identificados recebimentos e tampouco sido efetuados pagamentos nos valores indicados pelo agente fiscal. O que ocorria era um registro temporário na conta de “adiantamento de clientes” para seu subsequente ajuste. Analisando a situação e ponderando as duas óticas e vertentes insurgidas de um único fato, devese ter por premissa que é normal e esperado o estranhamento e posterior autuação da fiscalização, pois totalmente anormal o tratamento conferido a conta de “adiantamento de clientes” pelo ora recorrente. Mediante verificação do contrato social da ora recorrente, constatase que seu objeto social norteia a seguinte definição: Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 15521.720008/201498 Acórdão n.º 1201001.619 S1C2T1 Fl. 8 13 Ora, de maneira geral, tratase de uma empresa vendedora de produtos e também prestadora de serviços. Neste caso, a conta de “Adiantamento de clientes” estaria naturalmente vinculada a antecipações no pagamento por parte dos clientes, totais ou parciais, cuja a prestação do serviço ou a entrega do produto estivesse atrelado a um período futuro, de modo que constituiria uma obrigação ao ora recorrente. Isto pois os valores teriam de fato aumentado seu caixa ou banco, mas a obrigação ainda não estaria satisfeita. Iminente, portanto, o registro em conta passiva de “Adiantamento de Clientes”. É uma construção hipotética, no entanto, submetida a um cenário normal e corriqueiro. Apenas a título ilustrativo, a contabilização que ordinariamente se espera é a seguinte: 1) o cliente paga o total do valor referente a prestação dos serviços ou a entrega do produto antecipadamente e desta operação surgem dois lançamentos, o primeiro, inicial (a), e o segundo referente ao adiantamento de fato (b); a.i) debitase a conta “clientes” ou “contas a receber”; a. ii) creditamse as receitas de venda ou receitas de serviço; b.i) debitase a conta “caixa” ou “bancos”; b.ii) creditase a conta passiva de “adiantamento de clientes”; 2) Considerando um período certo de tempo, ocorre a prestação do serviço ou a entrega da mercadoria de fato e assim o lançamento que encerra a conta passiva; c.i) debitase a conta de “antecipação de clientes”; c.ii) creditase a conta de “clientes” ou “contas a receber”. Se estivermos tratando de um adiantamento parcial, adicionase um último lançamento referente a realização do saldo devedor: d.i) debitase a conta “caixa” ou “bancos”; d.ii) creditase a conta “clientes” ou “contas a receber” de modo residual e proporcional ao valor que já fora adiantado e pago. Fl. 1013DF CARF MF 14 No entanto, a situação como ora se afigura no caso em tela perfaz total desconsonância com a natureza essencial desta conta contábil. Não há adiantamento de clientes de fato, os valores que formam a conta passiva indicam transferências de contas de mesma titularidade, mútuo entre empresas ligadas ou desbloqueio de cheques. A conta “Adiantamento de Clientes” fora somente utilizada como um instrumento para a contabilização de uma situação peculiar, temporária, que nada tinha de relação com a sua natureza essencial. Sequer há um passivo. O conceito de passivo contido no CPC 00 remete a uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos passados, cuja liquidação se espera que resulte na saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. Ora, os recursos invocados pela recorrente estão mais para bens e direitos, ou seja uma conta ativa, do que para uma obrigação propriamente dita. Neste ponto assiste total razão a fiscalização ao caracterizar os valores como um passivo fictício e consequentemente parte deles como saldo credor de caixa, este último, diante dos lançamentos a débito na conta Caixa que não tiveram a sua efetividade comprovada e que, assim, foram excluídos, sendo recomposta a referida conta contábil. De modo conclusivo, a contabilidade da recorrente aponta uma situação totalmente fora dos padrões contábeis e inclusive na contramão da função da contabilidade perante a sociedade. Veja, a padronização é a premissa de cooperação e facilitação das relações socioeconômicas. A quebra desta de modo unilateral acaba por impactar todos os agentes a esta firma envolvidos. A essência contábil preestabelecida de uma conta é violada e qualificada ao belprazer da entidade que aqui se analisa. Há uma questão social e coletiva que deve ser respeitada. A contabilidade presta um serviço a coletividade diretamente, de modo que não abre margem para individualidades e peculiaridades discrepantes, principalmente quando se chocam frontalmente com princípios e normas uniformizadas e tacitamente aceitas por um conjunto de agentes. A contabilidade pode ser vista como um sistema para facilitar o bom funcionamento do relacionamento de accountability (prestação de contas) entre as partes interessadas, ao longo de três dimensões: 1. Importância do processo assim como do resultado da contabilidade. 2. O sistema contábil como um resultado de equilíbrio do jogo entre as partes envolvidas e não como algo escolhido arbitrariamente pelo contador, e 3. A simetria do relacionamento entre quem delega uma responsabilidade e quem assume uma responsabilidade (isto é, principalagente). De tal forma, o consentimento dos regulados é tão importante nesses relacionamentos quanto a habilidade do regulador. Para entender mais profundamente a contabilidade, a firma pode ser vista como um conjunto de contratos entre agentes racionais, de acordo com as diretrizes criadas pela Teoria Contratual da Firma de Shyam Sunders. Os contratos são entendimentos mútuos, sejam eles formais ou informais, explícitos ou implícitos, de curto ou de longo prazo. Os Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 15521.720008/201498 Acórdão n.º 1201001.619 S1C2T1 Fl. 9 15 agentes podem ter diferentes preferências e diferentes dotações de capital, habilidades e informação. Uma organização, uma firma, por fim, é um conjunto de contratos entre agentes. É certo que uma firma deve perfazer um cenário em que se escancaram interesses conflitantes, o que respalda a atuação da contabilidade como um instrumento de conciliação. A contabilidade informa os agentes apropriados sobre a extensão em que outros agentes têm cumprido com suas obrigações contratuais e recebido seus direitos. Neste contexto, quanto a contabilidade tributária, especialmente, o governo é um agente de extrema relevância para a firma e viceeversa. A prestação de contas deve atender as necessidades informacionais do Estado para permitir a otimização da arrecadação e, assim, em última instância, o atendimento ao bem estar, a paz e a justiça social. É essencial, então, que haja uma sincronicidade entre as informações prestadas pela firma e o modo como estas são assimiladas para e pelo Poder Público. A contabilidade de fato dá os instrumentos para que esta intermediação de informações ocorra sem ruídos, falhas ou discrepâncias. Há, nesta relação, uma necessidade de total simetria informacional. Naturalmente os desentendimentos acontecem, proporcionalmente a evolução da sociedade e a não adaptação das normas as novas realidades e complexidades surgidas. Mas o fato é que existem padrões a serem seguidos e estes são preestabelecidos para que a firma os siga e o Estado garanta o seu cumprimento (neste caso representado pela figura da Administração Tributária). Portanto, uma contabilização unilateral, em desacordo com os padrões contábeis, vai de encontro com a função da contabilidade, que é exatamente garantir um cenário de equilíbrio informacional entre os agentes atrelados a uma firma. Tais inconsistências são muitas vezes percebidas pela Administração Tributária, alvo, então, de apontamentos, questionamentos, presunções e, na ausência de comprovação cabal que as justifique, autuações. Culminam, por fim, na constituição definitiva do crédito tributário. É exatamente o caso concreto. O ora recorrente atribuiu a Conta “Adiantamento de Clientes” um entendimento individual, para atender interesses particulares e pontuais da firma, em desconsonância com os padrões contabilmente aceitos. A fiscalização apontou a assimetria informacional, intimouo para esclarecimentos e comprovações e reputou que sua resposta não fora suficiente, caracterizando assim o passivo fictício e o consequente saldo credor de caixa. Presumiuse, assim, a omissão de receitas e, por fim, fora concretizado o auto de infração. Neste albor, totalmente cabível a aplicação do art. 281, incisos I e III do RIR/99, in verbis: “Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da Fl. 1015DF CARF MF 16 presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.” Portanto, a lei expressamente concede o permissivo para a presunção de omissão de receitas nos casos como os que ora se afiguram, quais sejam, a configuração de saldo credor de caixa (Inciso I) e de passivo fictício (Inciso III, segunda parte). Devese ressaltar, no entanto, que estamos falando de uma presunção relativa e, por isso, passível de ser ilidida pelo contribuinte a qualquer tempo, desde que mediante comprovação hábil e idônea. A fiscalização em inúmeras oportunidades intimou o recorrente para a apresentação da documentação que embasasse e fundamentasse esta movimentação diferenciada e pouco corriqueira. No entanto, o recorrente não se manifestou e deixou de apresentar documentação essencial, capaz de conferir legitimidade e verdade absoluta à sua escrita. O contribuinte de fato apresentou parte de sua escrituração, mas, constatada a insuficiência e confusão de suas informações e, consequentemente, sua total ausência de autonomia para um auferimento verídico absoluto da contabilidade da empresa, se omitiu, em um primeiro momento, na apresentação dos documentos que pudessem a suportar. Neste contexto, não há como supor que o ônus da prova seria da fiscalização. Quanto a este ponto específico, devem ser levados em conta alguns pressupostos. As presunções de veracidade são institutos oscilantes e voláteis, justamente para funcionarem como um instrumento que impulsiona, a todo o custo, o aprimoramento da verdade e, posteriormente, o atingimento de uma verdade absoluta. Em um primeiro momento, o contribuinte, ao apresentar suas declarações fiscais e sua escrituração contábil, eiva as informações ali dispostas de uma presunção relativa de veracidade, sob o amparo de uma presunção de boafé. Cabe à Fiscalização, desta forma, ilidir a primeira presunção, juris tantum, mantendo irretocável a segunda, no entanto. Detectando inconsistências e apontando a ausência de documentação hábil e idônea que suporte as informações prestadas pelo contribuinte, a fiscalização então encontra situação fáticojurídica que a permite inverter o ônus fiscal, de modo que esta passa a deter a presunção relativa de veracidade, agora recaindo sobre as irregularidades constatadas. Neste momento, cabe ao contribuinte ilidila, trazendo documentação apta a confrontar as constatações atingidas. Importante reiterar que a Fiscalização, neste momento, carreia inúmeras oportunidades ao contribuinte para que este desnature tal presunção, intimandoo para a apresentação de documentos comprobatórios. Em referência ao caso em tela, o ora recorrente se manteve omisso quanto a apresentação da documentação que suportasse sua escrituração contábil durante o processo fiscalizatório. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 15521.720008/201498 Acórdão n.º 1201001.619 S1C2T1 Fl. 10 17 Veja, a fiscalização analisa a documentação inicialmente apresentada e instiga o contribuinte a cooperar com o atingimento de uma verdade absoluta. A falta de apresentação de documentos hábeis e idôneos e a verificação das hipóteses elencadas no referido art. 281 do RIR/99, por si, autorizam a fiscalização, então, a materializar esta presunção relativa de omissão de receitas. Concluise que a fiscalização detém uma presunção relativa de veracidade, a qual a qualquer momento pode ser ilidida pelo contribuinte, imputandolhe, assim, o ônus fiscal. O contribuinte trouxe, então, em sede de impugnação e de modo complementar em seu Recurso Voluntário, suposta documentação apta a comprovar a origem das receitas e, assim, desnaturar a presunção lançada. Apesar de todas as constatações iniciais, e apesar do princípio da verdade material prevalecer em todo e qualquer entendimento do presente julgador, as provas devem ser contrastadas com a contabilidade, à luz das informações ali dispostas. Partese do pressuposto de que a contabilidade do contribuinte é imprestável na confrontação das provas. E da mesma forma, mas de maneira oposta, os extratos bancários trazidos pelo contribuinte não indicam em data e valores a coincidência exata com os saldos apurados na contabilidade. A falta de cuidado na construção da escrituração contábil é nitidamente enxergada na também falta de identificação dos valores constantes nos extratos bancários de forma individualizada, fazendo a conferência com os valores reputados como omissão de receitas. Além disso, cabe ressaltar que a contabilidade do ora recorrente não indica se os valores temporariamente alocados na conta de “Adiantamento de Clientes” e nas Contas “caixa” e “bancos” foram de fato destinados definitivamente a conta a que deveriam pertencer. Não se vislumbrou na contabilidade a suposta reclassificação para as contas definitivas que fez crer o contribuinte. Os valores creditados e debitados em conta “caixa” ou “bancos”, ou respectivamente, creditados e debitados em conta de “Adiantamento de Clientes” deveriam ser debitados em conta específica de forma definitiva. Veja, o caráter temporário da conta supunha que ao final houvesse um débito em conta passiva (“adiantamento de clientes”) e um crédito em conta ativa (conta “caixa” ou “bancos”). Conquanto, não se vislumbrou qual fora a destinação dessas saídas de caixa ou saídas de banco (pagamento sem causa). O Recorrente alegou que tais verbas seriam alocadas definitivamente as contas a que pertenciam, mas isso não foi demonstrado. O contribuinte sequer fez alusão a tal contabilização. Fl. 1017DF CARF MF 18 Portanto, ao final, o que se vê é uma contabilidade totalmente distorcida em relação a realidade fática: não comprovando a origem tampouco o destino dos valores; somada a um conjunto de extratos bancários suportandoa de maneira totalmente frágil, sem a indicação específica de datas e valores coincidentes. Não há como que se concluir que há nos autos uma composição probatória hábil e idônea, apta a ilidir a presunção de omissão de receitas. Vale ressaltar que o passivo fictício e o saldo credor de caixa que concretizaram a equívoca contabilização da conta de “adiantamento a clientes” perfizeram um total de (R$8.038.440,15, sendo R$ R$6.531.385,03 relativos ao passivo fictício e R$1.507.055,12 relativos ao saldo credor de caixa). Neste ponto, então, não resta dúvida que deve manterse a procedência do auto de infração. Quanto ao restante dos valores que compuseram o saldo credor de caixa (R$ 979.612,87), o mesmo raciocínio deve ser aplicado. Tratamse de valores contabilizados indevidamente e sem comprovação apta a comprovar sua origem. Novamente estáse diante de uma conta de transição, temporária. O recorrente registra a aquisição de veículos antigos como forma de pagamento de veículos novos em conta específica (“USADO COMO FORMA DE PAGAMENTO – 11020101004”). Logo em seguida o saldo de conta é zerado com lançamento a débito na conta “caixa”. Neste sentido, soa estranho a fiscalização os valores debitados em conta “caixa”, uma vez que o pagamento fora efetuado com um bem e não em moeda corrente. O ora recorrente alega que, uma vez adquiridos os veículos, não efetua a venda destes, repassando para terceiros a operação de alienação pelo seu custo efetivo. No entanto, conforme adiantado, o ora recorrente não faz qualquer prova de sua alegação. O entendimento firmado pelo v. acórdão recorrido é norteador neste sentido: “(...) Como já afirmado neste voto, meras argumentações escritas em peça de defesa não são provas da ocorrência dos fatos alegados. Caberia à Impugnante demonstrar contabilmente o repasse para terceiros dos veículos usados registrados na sua contabilidade, inclusive com a apresentação dos documentos que rastrearam essas supostas operações. Todavia, a Impugnante nada apresentou de documentos comprobatórios, não podendo ser acatadas as suas alegações. (...)” Segue infirmando a patente incidência de PIS e COFINS na apuração, da qual compartilho o posicionamento: Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 15521.720008/201498 Acórdão n.º 1201001.619 S1C2T1 Fl. 11 19 “(...) Quanto às alegações de que, no caso de venda dos veículos usados, deveria ser tributado apenas o lucro dessa operação e que deveriam ter sido aplicadas alíquotas menores na apuração da Contribuição para o PIS e da COFINS, não merecem guarida. A própria Impugnante negou que efetuasse a venda de veículo usado. Daí encontraremse em contradição esses argumentos de sua defesa, não podendo ser considerados. (...)” Quanto a este ponto, então, invoco as informações delineadas do v. acórdão recorrido, coadunando com toda a argumentação trazida em parte posterior deste voto, para manter a procedência do lançamento. Por fim, quanto a incidência do IRRF, deve ser imperativo o conteúdo normativo contido no art. 61 da Lei nº 8.981/1995, depreendendose a subsunção do fato concretamente ocorrido (pagamento sem causa) a hipótese descrita genérica e hipoteticamente na norma tributária, ou seja, " fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado". Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1019DF CARF MF 20 Fl. 1020DF CARF MF
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