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6271405 #
Numero do processo: 10580.001864/2003-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996 PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Aplica-se o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição, ressalvando o direito de a Autoridade Administrativa apurar o valor do direito creditório mediante a aplicação da semestralidade. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996 PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Aplica-se o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001864/2003­70  Acórdão n.º 3302­003.023  S3­C3T2  Fl. 89          2 (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède  Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Ricardo  Paulo Rosa  (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo,  Jose  Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme  Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.  Relatório  Trata  o  presente  de  pedido  de  declaração  de  compensação  protocolada  em  14/03/2003, compensando débitos de Pasep, código 3703, de fevereiro de 2003, com créditos  de R$ 627.200,07, sem indicação da origem do direito creditório.   Intimada, a  recorrente afirmou serem decorrentes dos créditos alegados nos  pedidos  de  restituição  nº  10580.002854/2003­51  e  10580.001146/2005­65  e  que  a  compensação refere­se apenas ao débito de Pasep sob o código 3703, e­fl. 19.  O despacho decisório não homologou a declaração de compensação em razão  do indeferimento dos pedidos de restituição referentes aos processos acima mencionados.  Em manifestação de  inconformidade, a  recorrente  reafirmou a pendência de  julgamento dos pedidos de restituição acima referidos, alegando a necessidade de se aguardar a  decisão dos referidos processos, como também defendeu que o prazo para efetuar o pedido de  restituição  seria  de  dez  anos  a  partir  da  publicação  da  Resolução  nº  49/1995  ou,  alternativamente, de dez anos contados do fato gerador conforme jurisprudência do STJ.  A  DRJ  indeferiu  a  manifestação  de  inconformidade  pela  inexistência  dos  créditos  em  comento,  decidindo  pela  inaplicabilidade  da  semestralidade  e  pelo  prazo  decadencial de cinco anos, previsto no artigo 168, inciso I do CTN, nos termos dos Acórdãos  DRJ/SDR  nº  9.390/2005  e  9.391/2005,  afastando  o  pedido  de  sobrestamento  por  falta  de  previsão legal.  A recorrente  interpôs recurso voluntário, alegando que o prazo para pedir a  restituição  de  indébito  tributário  seria  de  dez  anos  a  partir  da  publicação  da  Resolução  nº  49/1995 e propugnando pela aplicação da semestralidade no cálculo do Pasep.  O  julgamento  do  recurso  voluntário  foi  convertido  em  diligência  nos  seguintes termos:  "À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso  em diligência para que a delegacia de origem, onde a autoridade  lançadora deverá incluir as informações pertinentes às questões  abaixo  formuladas,  e  outras  que  julgar  necessárias  à  boa  apreciação da preliminar e do mérito do presente recurso:  1 ­ se a contribuinte solicitou parcelamento correspondente aos  períodos­base compreendidos entre 1992 e 1996, a quais  fatos­  geradores  se  referiram,  quais  foram  as  bases  de  cálculo  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001864/2003­70  Acórdão n.º 3302­003.023  S3­C3T2  Fl. 90          3 declaradas  e  quais  os  valores  envolvidos,  assim  como  as  parcelas  relativas  à  atualização  monetária  e  multa  moratória  porventura  consignada,  e  se  foram  efetivamente  recolhidos  conforme alega a recorrente; e  2 ­ informação sobre se o parcelamento fora feito considerando  as  bases  de  cálculo,  alíquotas,  atualização  monetária  e  multa   moratória  constantes  dos Decretos­Leis  nº  2.445/88 e  2.449/88  ou se pertinentes à Lei Complementar n  2 8/70 e ao Decreto n  2  71.618/72.  3  ­ se a contribuinte efetivamente recolheu ao erário o referido  parcelamento,  uma  vez  que  em  algumas  Declarações  de  Compensação,  aparentemente,  ele  busca  compensar  os  pretendidos  créditos  com  algumas  parcelas  devidas  a  esse  título"."  Foram  anexados  a  este  processo  algumas  peças  do  processo  10580.002854/2003­51,  contendo  apenas  a  informação  de  que  os  débitos  parcelados  nos  processos  10580.012163/92­15,  (débitos  parcelados  relativos  a  fatos  geradores  de  01/1990  a  09/1992), 10580.000824/96­10 (débitos parcelados de 04/1994 a 11/1995), 10580.009598/93­ 91 (débitos parcelados de 06/1993 a 10/1993 e transferido para o processo 10580.007020/93­ 08),  10580.004015/94­34  (débitos  parcelados  de  01/1994  a  04/1994  e  transferidos  para  o  processo  10580.007020/93­08),  10580.007020/93­08  (débitos  parcelados  de  10/1992  a  12/1992) , 10580.007019/93­11 (débitos parcelados de 01/1993 a 05/1993), conforme extratos  constantes no processo 10580.002854/2003­51, foram calculados com base nos Decretos­lei nº  2445/88 e 2449/88.  Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.  O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo  conhecimento.  Inicialmente,  destaca­se  que  os  processos  de  restituição  mencionados  pela  recorrente  como  fundamento  do  crédito  aqui  utilizado,  10580.002854/2003­51  e  10580.001146/2005­65,  foram  protocolados  em  16/04/2003  e  08/10/2003,  respectivamente,  portanto, em data posterior à declaração de compensação.  A  IN  SRF  nº  210/2002,  vigente  à  época  da  entrega  da  declaração  de  compensação, dispunha em seu artigo 21:  Art.  21. O  sujeito passivo que apurar  crédito  relativo a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  SRF,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  quaisquer  tributos ou contribuições sob administração da SRF.  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001864/2003­70  Acórdão n.º 3302­003.023  S3­C3T2  Fl. 91          4 §  1º  A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  pelo  sujeito  passivo  mediante  o  encaminhamento  à  SRF  da  "  Declaração de Compensação" .  §  2º  A  compensação  declarada  à  SRF  extingue  o  crédito  tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do  procedimento.  §  3º  Não  poderão  ser  objeto  de  compensação  efetuada  pelo  sujeito passivo:  I ­ o saldo a restituir apurado na DIRPF;  II ­ os tributos e contribuições devidos no registro da DI;  III  ­  os  débitos  relativos  aos  tributos  e  contribuições  administrados pela SRF inscritos em Dívida Ativa da União; e  IV  ­  os  créditos  relativos  aos  tributos  e  contribuições  administrados pela SRF com o débito consolidado no âmbito do  Programa de Recuperação Fiscal  (Refis) ou do parcelamento a  ele alternativo.  §  4º  O  sujeito  passivo  poderá  utilizar,  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  aos  tributos  e  contribuições  administrados pela SRF,  créditos que  já  tenham sido objeto de  pedido de  restituição ou de  ressarcimento encaminhado à SRF,  desde  que  referido  pedido  se  encontre  pendente  de  decisão  administrativa  à  data  do  encaminhamento  da  "Declaração  de  Compensação".  § 5º A compensação de tributo ou contribuição lançado de ofício  importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de  eventual recurso interposto.  § 6º A Declaração de Compensação deverá ser apresentada pelo  sujeito  passivo  ainda  que  o  débito  e  o  crédito  objeto  da  compensação  se  refiram  a  um mesmo  tributo  ou  contribuição.  (Incluído(a) pelo(a)  Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de  abril de 2003)   § 7º Os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem  por  ele  indicada  na Declaração  de Compensação.  (Incluído(a)  pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003)   §  8º  O  disposto  no  §  7º  também  se  aplica  aos  pedidos  de  compensação  já  deferidos  pela  autoridade  competente  da  SRF.(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 323, de 24  de abril de 2003)   Assim,  na  vigência  da  IN  SRF  nº  210/2002,  a  declaração  de  compensação  podia  ser  entregue  independentemente  da  entrega  de  pedido  de  restituição  prévio,  sendo  facultativa a utilização de créditos pedidos em processo específico de  restituição. No caso, a  data  da  declaração  foi  14/03/2003,  antes  dos  pedidos  que  foram  entregues  em  16/04/2003  e  08/10/2003.  Embora  a  demonstração  do  crédito  conste  nos  processos  de  restituição,  as  diferenças  de  data  podem  alterar  o  direito  creditório  a  ser  considerado,  pois  o  prazo  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001864/2003­70  Acórdão n.º 3302­003.023  S3­C3T2  Fl. 92          5 decadencial da declaração abrange períodos que podem ser considerados  decaídos na  análise  dos pedidos de restituição.   O  despacho  decisório  foi  fundamentado  no  indeferimento  dos  pedidos  de  restituição, os quais foram indeferidos em razão do prazo decadencial para efetuar a repetição.  Apesar  de  a  recorrente  confirmar  o  fundamento  do  crédito  em  tais  pedidos,  a  análise  da  decadência neste processo conduz a um termo a quo diferente dos pedidos de restituição.   Explica­se: a prescrição do direito de restituir indébito tributário encontra­se  pacificada pelo julgamento do RE 566.621, com repercussão geral reconhecida nos termos do  artigo  543­B  do Código  de  Processo Civil,  cuja  decisão  definitiva  deve  ser  reproduzida  nos  julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62­A1 do Anexo II do Regimento  Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, bem como pela Súmula CARF nº  91, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, a teor do artigo 72 do Anexo II  do Regimento Interno.  Súmula  CARF  nº  91:  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente  antes  de  9  de  junho  de  2005,  no  caso  de  tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica­se o prazo  prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador  Assim, aos pleitos administrativos protocolados antes de 09/06/2005, deve­se  aplicar o prazo de restituição de indébito de cinco anos previsto no artigo 168 do CTN a partir  da  homologação  tácita  do  pagamento  antecipado  de  que  trata  o  artigo  150  do  CTN,  a  qual  ocorre  cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador,  nos  casos  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  ressalvada  a  hipótese da  data da  homologação  expressa  como  termo inicial para contagem do prazo de cinco anos de que trata o artigo 168.  Esta  declaração  foi  entregue  em  14/03/2003,  devendo  ser  afastada  a  decadência  para  os  recolhimentos  relativos  aos  fatos  geradores  de  março/1993  em  diante,  enquanto  nos  pedidos  de  restituição, 10580.002854/2003­51 entregue em 16/04/2003 e  10580.001146/2005­65  entregue  em  08/10/2003,  a  decadência  deve  ser  afastada  para  os  fatos geradores de abril/1993 em diante e outubro/1993 em diante, respectivamente.  Portanto,  a  análise  deste  direito  creditório  precede  a  análise  dos  pedidos,  ainda  que  lá  estejam  demonstrados  como  afirma  a  recorrente,  devendo,  obviamente  serem  inicialmente utilizados nesta declaração e, posteriormente deduzidos dos porventura repetidos  em duplicidade nos pedidos de restituição.  Além  disso,  frise­se  que  a  recorrente  menciona  na  resposta  ao  termo  de  intimação que as seguintes declarações de compensação utilizaram créditos demonstrados nos  pedidos  de  restituição  anteriormente  mencionados:  10580.004601/2003­12,  10580.002855/2003­04, 10580.001864/2003­70, 10580.000445/2003­11, 10580.001227/2003­ 01, 10580.013402/2002­14, 10580.012202/2002­44 e 10580.011634/2002­38.  Relativamente  à  questão  da  semestralidade,  a  despeito  de  não  abordada  diretamente no despacho decisório, é de bom alvitre deixar consignado que a  semestralidade                                                              1 Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal  Federal e pelo Superior Tribunal  de Justiça em matéria infraconstitucional, na  sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de  11 de  janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos  recursos no âmbito do CARF  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001864/2003­70  Acórdão n.º 3302­003.023  S3­C3T2  Fl. 93          6 contida no artigo 6º da Lei Complementar nº 07/70 e já objeto de da Súmula CARF nº 15 se  aplica ao Pasep, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 71.618/72.  De  fato,  após  a  declaração  de  inconstitucionalidade  dos  Decretos­lei  nº  2.445/88 e nº 2.449/88 pelo Supremo Tribunal Federal e a suspensão da execução dos referidos  decretos pela Resolução nº 49/1995 do Senado Federal,  as contribuições para o PIS e para o  Pasep  voltaram  a  ser  reguladas  pelas  Leis  Complementares  nº  07/70  e  nº  08/70,  respectivamente, até a edição da MP nº 1.212/95.  Para o PIS,  a questão  restou pacificada no REsp nº 1.127.713/SP2  e  com a  edição da Súmula CARF nº 15, considerando que o intervalo de seis meses contido no artigo 6º  da LC nº 07/70 se refere ao cálculo da base do tributo e não prazo de recolhimento.  Art. 6.º ­ A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à  contribuição  referida  na  alínea  b  do  art.  3º  será  processada  mensalmente a partir de 1º de julho de 1971.      Parágrafo único ­ A contribuição de julho será calculada com  base  no  faturamento  de  janeiro;  a  de  agosto,  com  base  no  faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente.  Por sua vez, o Decreto nº 71.618/72, regulamentando a Lei Complementar nº  8/70, assim dispôs:  Art. 13. A contribuição dos Estados e Municípios, bem como das  respectivas  entidades  de  administração  indireta  e  fundações  supervisionadas,  para  o  PASEP,  será  devida  a  partir  de  1  de  julho de 1971 (Artigo 2º, item II, da Lei Complementar nº 8, de 3  de dezembro de 1970), qualquer que seja a data de expedição na  norma  legislativa,  referida  no  artigo  8º  da  mencionada  Lei  Complementar.  Art. 14. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês,  com base na receita e nas transferências apuradas no 6º (sexto)  mês imediatamente anterior.  Art. 15. As contribuições devidas ao PASEP serão recolhidas até  o último dia do mês em que forem devidas.  Neste  sentido,  citam­se  acórdãos  do  Antigo  Conselho  de  Contribuintes  e  deste Conselho:  Acórdão nº 201­79.086:  BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. ALÍQUOTA.  Com  a  declaração  de  inconstitucionalidade  dos  Decretos­Leis  nºs  2.445  e  2.449,  de  1988,  a  base  de  cálculo  da  contribuição                                                              2 TRIBUTÁRIO. PIS. SEMESTRALIDADE. ART. 6º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LC 7/70. NORMA QUE SE  REFERE À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO.   1. O art. 6º,  parágrafo único, da Lei Complementar 7/70 não se  refere ao prazo  para recolhimento do PIS, mas à  base de cálculo do tributo, que, sob o regime da  mencionada norma, é o faturamento do sexto mês anterior ao da  ocorrência do  fato gerador.  2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543­C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ  8/2008.  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001864/2003­70  Acórdão n.º 3302­003.023  S3­C3T2  Fl. 94          7 para  o  Pasep,  eleita  pela  Lei  Complementar  112  8/70  e  pelo  Decreto  n2  71.618/72,  permaneceu  incólume  e  em  pleno  vigor  até  a  edição  da  MP  n9  1.212/95.  O  mesmo  ocorreu  com  a  alíquota.  Acórdão nº 3201­001.473:  SEMESTRALIDADE PASEP.  O art. 14 do Decreto nº 71.618/72 trata de base de cálculo e não  de  prazo  de  recolhimento  da  contribuição  para  o  PASEP,  que  está disciplinado no artigo seguinte.  Portanto, é de se reconhecer que as razões que levaram à edição da Súmula  CARF nº 15 devem ser aplicadas ao Pasep, no sentido de que o cálculo da contribuição deve  ser efetuado considerando a aplicação da semestralidade, ou seja, a base de cálculo deve ser as  receitas  e  transferências  apuradas  no  sexto mês  imediatamente  anterior  ao  fato  gerador,  sem  correção monetária, até a edição da MP nº 1.212/95.   Diante do  exposto,  voto  para  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  afastando a decadência do pedido de restituição de pagamentos vinculados a fatos geradores da  contribuição  de  março/1993  em  diante,  ressalvado  o  direito  de  a  autoridade  administrativa  apurar  a  liquidez  e  certeza  do  direito  creditório,  mediante  a  aplicação  da  semestralidade  prevista no Decreto 71.618/72 até a edição da MP nº 1.212/95, alertando­se para o fato de que  a  análise  deste  direito  está  conexa  com  os  pedidos  de  restituição  10580.002854/2003­51  e  10580.001146/2005­65.          (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                           Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 12448.723574/2014-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011 NULIDADES. IMPROCEDÊNCIA. Descabe falar em nulidade do lançamento na circunstância em que o enquadramento legal encontra-se devidamente descrito em instrumento que integra a peça de autuação, e a indicação incorreta do número de norma complementar não impossibilitou o contribuinte de exercer plenamente o seu direito de defesa. Não é merecedora de acolhimento também a aplicação de procedimento que não guarda relação com a situação versada nos autos e que, além disso, por expressa disposição da lei que o introduziu, não alcança a ação fiscalizadora submetida a exame. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. No caso de aplicação de multa de ofício sobre os tributos e contribuições lançados de ofício e de multa isolada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, visto que resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. PROCEDÊNCIA. A incidência de juros de mora com base na taxa selic sobre a multa de ofício lançada encontra lastro na legislação de regência.
Numero da decisão: 1301-001.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista, que davam provimento ao Recurso. Fez sustentação o Sr. Daniel Monteiro Peixoto, OAB/SP nº 238.434. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011 NULIDADES. IMPROCEDÊNCIA. Descabe falar em nulidade do lançamento na circunstância em que o enquadramento legal encontra-se devidamente descrito em instrumento que integra a peça de autuação, e a indicação incorreta do número de norma complementar não impossibilitou o contribuinte de exercer plenamente o seu direito de defesa. Não é merecedora de acolhimento também a aplicação de procedimento que não guarda relação com a situação versada nos autos e que, além disso, por expressa disposição da lei que o introduziu, não alcança a ação fiscalizadora submetida a exame. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. No caso de aplicação de multa de ofício sobre os tributos e contribuições lançados de ofício e de multa isolada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, visto que resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. PROCEDÊNCIA. A incidência de juros de mora com base na taxa selic sobre a multa de ofício lançada encontra lastro na legislação de regência.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista, que davam provimento ao Recurso. Fez sustentação o Sr. Daniel Monteiro Peixoto, OAB/SP nº 238.434. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.189          2 evidente  que  as  penalidades,  não  obstante  derivarem  do mesmo  preceptivo  legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas.   MULTA DE OFÍCIO.  JUROS DE MORA.  TAXA SELIC.  INCIDÊNCIA.  PROCEDÊNCIA.  A incidência de juros de mora com base na taxa selic sobre a multa de ofício  lançada encontra lastro na legislação de regência.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento  ao recurso, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista, que  davam  provimento  ao Recurso.  Fez  sustentação  o  Sr. Daniel Monteiro  Peixoto, OAB/SP  nº  238.434.   “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães  Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Wilson  Fernandes  Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo  e Gilberto Baptista (suplente convocado).  Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.190          3   Relatório  CHEVRON  BRASIL  UPSTREAM  FRADE  LTDA,  já  devidamente  qualificada  nos  presentes  autos,  inconformada  com  a  decisão  da  6ª  Turma  da Delegacia  da  Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, os  lançamentos  tributários  efetivados,  interpõe  recurso  a  este  colegiado  administrativo  objetivando a reforma da decisão em referência.   Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ),  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Multa Isolada, relativas ao ano calendário  de 2011, formalizadas com base na imputação das infrações adiante descritas.  Aproveito fragmentos do relatório constante na decisão de primeiro grau para  descrever os fatos, as infrações apuradas e as razões de impugnação trazidas pela contribuinte  fiscalizada.  INFRAÇÕES FATOS GERADORES DE IRPJ e CSLL   Infração 1   CUSTOS  /DESPESAS  OPERACIONAIS  /ENCARGOS  ­  NÃO  COMPROVADOS – A descrição dos fatos no auto de infração remete para o Termo  de Verificação Fiscal (TVF) que assim descreve o apuratório:   1)  Em 26/03/2013  foi  lavrado  o Termo  de  Intimação  Fiscal  04  (ciência  em  07/05/2013)  solicitando  esclarecimentos  relativos  a  bens  importados  com  vistas  a  verificar  a necessidade de ajustes  legais de preços de  transferência,  encaminhando  planilhas­modelo  de  preenchimento.  Em  17/06/2013  foi  lavrado  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  05  (ciência  em  19/06/2013),  reencaminhando  os  elementos  do  termo anterior ainda não atendidos até aquele momento.   2) Em 18/06/2013 o contribuinte encaminhou resposta ao Termo de Intimação  Fiscal 04, enviando esclarecimentos em papel e em meio digital.   3)  Em 11/07/2013  foi  lavrado  o Termo  de  Intimação  Fiscal  06  (ciência  em  16/07/2013) solicitando a discriminação dos custos com importação e a apresentação  das  memórias  de  cálculo  e  fundamentação  usadas  nos  cálculos  de  preço  de  transferência.   4)  Em  02/08/2013  o  contribuinte  apresentou  os  esclarecimentos  solicitados,  afirmando ter utilizado o método PRL 60 para o cálculo do preço de transferência.  De acordo com os cálculos do contribuinte, os custos de importação do seu produto  óleo  (R$ 283.631.824,04)  seriam plenamente dedutíveis,  já que o preço­parâmetro  do método PRL 60  justificaria um custo de  até R$ 851.913.873,51. No entanto,  o  contribuinte  não  utilizou  o método  na  forma  da  IN  SRF  234/2002,  que  estipula  a  correta  interpretação  das  determinações  da  Lei  n°  9.430/1996.  Ao  realizar­se  o  cálculo seguindo as determinações da IN 234 conclui­se que o valor utilizado como  custo de importação é superior ao valor considerado dedutível (R$ 139.177.436,38),  conforme demonstrativo a seguir:    Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.191          4 ITEM  VALOR (R$)  Custo da Importação   283.631.824,04   Valor Agregado no País   653.468.459,83   Custo de Produção do Acabado   937.100.283,87   Participação do importado no custo do  acabado   30,3%   Preço Líquido de Venda   1.149.581.994,04   Participação do importado no preço de venda   347.943.590,96   60% = Margem de Lucro de 60%   208.766.154,57   Preço­parâmetro   139.177.436,38       5)  A  diferença  entre  o  valor  dedutível  e  o  custo  declarado  na  DIPJ  (R$  144.454.387,66)  deverá  ser  adicionada  ao  lucro  líquido  apurado pelo  contribuinte,  de acordo com o § 7º do art. 18 da Lei 9.430/96:  ...  6) Diante dos fatos constatados foi lavrado Auto de Infração para cobrança de  Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.  ...  Infração 2   MULTA ISOLADA SOBRE BASE MENSAL DE ESTIMATIVAS DE IRPJ  e CSLL   7)  Em  decorrência  da  recomposição  dos  resultados  mensais,  diante  das  infrações apuradas, e dos valores recompostos dos resultados mensais dos balancetes  de suspensão e redução mês a mês a partir dos seus valores detalhados na parte A do  Lalur, e considerando previsto pelo art. 44 II da Lei 9.430/96, modificado pela Lei  11.488/2007,  é  aplicável  a multa  isolada  de  50%  sobre  o  valor  de  estimativa  que  deveria ter sido recolhido.   8) Assim, conforme descrito acima, e de acordo com o previsto pela art. 15 e  16 da IN SRF 93/97, a base de cálculo apurada pelo balancete de suspensão do mês  de dezembro foi recalculada para apuração do que deveria ter sido a base de cálculo  daquele mês do IR e CSLL estimativa, uma vez que naquele mês incidirá a adição  calculada com base no preço­parâmetro de  transferência,  conforme os valores  (em  reais) a seguir:  ...  Os fatos geradores ocorreram no ano­calendário de 2010.   A ciência dos autos de infração ocorreu em 20/05/2014 pessoalmente.   Irresignada  a  contribuinte  apresentou  a  impugnação  de  fls.  764/823  em  17/06/2014 conforme Termo de análise de solicitação de juntada às fls. 930.   A  impugnação  contém  os  seguintes  esclarecimentos/argumentação/requisições:   a).  A  Impugnante,  nos  termos  de  seu  contrato  social,  é  pessoa  jurídica  de  direito privado que se dedica à atividade de exploração e produção de petróleo e gás  natural  no  Campo  de  Frade,  mediante  o  Contrato  de  Concessão  n°  Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.192          5 48000.003896/97­20,  assinado  com Agência  Nacional  do  Petróleo,  Gás  Natural  e  Biocombustíveis ("ANP").   b)  Para  a  consecução  da  exploração  do  Campo  de  Frade,  a  Impugnante  celebrou,  nos  anos  de  2009  e  2010,  contratos  de  afretamento  a  casco  nu  ('"Afretamento"')  e  aluguel  de  equipamentos  ("Aluguel")  de  propriedade  da  Frade  B.V.,  a  qual  é  empresa  vinculada,  constituída  sob  a  leis  da  Holanda)  Ou  seja,  dedutível ou não, em decorrência do resultado negativo não há IRPJ nem CSLL.   c)  Tais  equipamentos  são  divididos  em  (i)  as  Unidades  Flutuantes  de  Produção, Armazenamento e Transferência (em inglês, Floaíing Producíion Storage  and  Offloading­"FPSO")  ­  popularmente  conhecidos  como  "Plataformas  de  Petróleo"; e (ii) equipamentos submarinos (em inglês, Sub Sea Equipament – f "Sub  Sea"),  Não  seria  necessário  afirmar  que  tais  equipamentos  são  essenciais  e  indispensáveis  para  as  atividades  de  exploração  e  produção  desempenhadas  pela  Impugnante.   d) Tendo em vista as incertezas e riscos inerentes à atividade de exploração e  produção de petróleo, aliados ao fato de se tratar de atividade de capital intensivo ­  ou  seja,  os  investimentos  em  bens  de  capital  são  de  magnitude  incomparável,  a  alternativa disponível à Impugnante foi o aluguel e o afretamento dos equipamentos  e  não  a  sua  aquisição.  A  Impugnante  seguiu  modelo  que  é  praxe  de  mercado,  existindo  até  mesmo  regime  próprio  no  sistema  brasileiro  para  contemplar  o  ingresso, no país, de equipamento de exploração e produção de petróleo em regime  de  admissão  temporária.  Isto  ocorreu  no  ano  de  2009  e  2010,  em  início  das  atividades do Campo de Frade.   e) Após analisar diversas opções, o afretamento/aluguel dos equipamentos se  mostrou mais viável se fosse celebrado (com) a Frade B.V., a qual iria adquiri­los e  afretá­los/alugá­los  para  a  Impugnante, mediante  contraprestação  que  remunerasse  os riscos incorridos nessa operação de aluguel e afretamento.   f) Em razão da existência das regras de preços de transferência, a Impugnante  analisou  os  métodos  oferecidos  pela  legislação  brasileira  e  enfrentou  sérias  dificuldades,  uma  vez  que  estes  não  foram  concebidos  para  atender  operações  de  afretamento e aluguel, como a enfrentada no caso concreto..   g) Diante das informações que dispunha, a Impugnante optou pela aplicação  do  método  PRL  60  (preço  parâmetro)  em  relação  aos  afretamentos  e  aluguéis  e  afretamentos pagos à Frade B.V.   h)  Nesse  caso,  a  comparação  entre  o  preço  praticado  (i.e.  os  afretamentos/aluguéis pagos à Frade B.V.) e o preço parâmetro  segundo o método  PRL 60 não resultou em necessidade de ajustes de preços de transferência. Ou seja,  a totalidade dos afretamentos/alugueis pagos à Frade B.V. se mostraram dedutíveis  no ano­base 2010.   i)  Não  obstante  tenha  seguido  os  preceitos  da  legislação  em  vigor,  a  Impugnante foi notificada em 20 de maio de 2014 da lavratura do Auto de Infração  vinculado ao processo administrativo n° 12448.723574/2014­93, visando à cobrança  de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ("IRPJ") e Contribuição Social sobre o  Lucro  Líquido  ("CSLL"),  além  da  exigência  de  multa  isolada,  referentes  ao  ano  calendário de 2010.   Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.193          6 j) A acusação  fiscal  consiste  em  suposta  irregularidade  quanto  à  obediência  das regras de preço de transferência na importação de óleo, durante o ano­calendário  de 2010.   k) Destaque­se  que  a  Fiscalização  não  notificou  a  Impugnante  a  apresentar  esclarecimentos  relativos  aos  itens  acima,  tampouco  intimou  a  Impugnante  a  apresentar novos cálculos antes de desconsiderar os critérios e método adotados pela  Impugnante.   l)  Ao  contrário,  a  Fiscalização  simplesmente  procedeu  ao  recálculo  dos  valores com base na sistemática da Instrução Normativa n° 243/02 ("IN 243/02"). o  qual gerou um vultoso  ajuste de R$ 144.454.387,06. Ou  seja,  para  a Fiscalização,  mais de 50% do principal custo incorrido pela Impugnante era indedutível.   m) Se a  fiscalização entendeu por bem autuar a  Impugnante é porque supôs  ter esta, incorrido em alguma ilegalidade na apuração do seu preço parâmetro. Esta  ilegalidade  (contrariedade  à  lei,  por  definição),  contudo,  deveria  ter  sido  demonstrada. Acresce  ainda  que  estas  também  padecem  de  nulidade  em  razão  da  incorreta capitulação legal consubstanciada no  item 0001 do Auto de  Infração, eis  que  a  realidade  dos  fatos  não  se  subsume  à  hipótese  legal  apresentada  pela  fiscalização.   n) O Termo de Verificação Fiscal ("TVF") simplesmente (i) descreve a data  da  entrega  de  documentos,  (ii)  alega  que  a  Impugnante  não  utilizou  o  método  contido na "IN SRF 234/2002" e (iii) quantifica o ajuste e o tributo complementar a  ser recolhido.  Vejamos os poucos parágrafos que poderiam justificar o vultoso ajuste de R$  144.454.387,06, calculado pela Fiscalização:   "Em  02/08/2013  o  contribuinte  apresentou  os  esclarecimentos  solicitados,  afirmando ter utilizado o método PRL 60 para o cálculo do preço de transferência.  De acordo com os cálculos do contribuinte, os custos de importação do seu produto  óleo (RS 283.631.824,04) seriam plenamente dedutíveis já que o preço­parâmetro"  do  método  PRL  60  justificaria  um  custo  até  RS  851.913.873,51.  No  entanto,  o  contribuinte  não  utilizou  o método na  forma da  IN SRF 234/2002,  que  estipula  a  correta interpretação da Lei n° 9.430/1996. Ao realizar­se os cálculos seguindo as  determinações da In 243 conclui­se que o valor utilizado como custo de importação  é  superior  ao  valor  considerável  dedutível  (RS  139.177.436,38),  conforme  demonstrativo a seguir."   o)  O  trecho  acima,  que  seria  o  único  que  poderia  explicar  a  infração  supostamente  cometida  pela  Impugnante, mostra  a  fragilidade  da  exigência  fiscal.  Isso porque sequer entendeu a atividade da Impugnante ­ a exploração e produção do  Campo  Frade  ­  afirmando  que  a  Impugnante  importa  óleo  ao  invés  de  pagar  afretamentos/aluguéis a empresa vinculada.   p) Questiona­se,  em  que momento  houve  a  descrição  do  fato  ilícito,  i.e,  do  comportamento que contrariou algum comando legal e qual seria tal violação.   q) O Auto de Infração invoca como capitulação a IN SRF 234/2002, a qual se  encontra  revogada  e  tratava  da  "tabela  de  designação  e  de  codificação  fiscal  simplificada e estabelece procedimentos especiais para a formalização do Auto de  Infração relativo à aplicação da pena de perdimento de mercadoria, nas situações  que especifica ".   Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.194          7 r) Ainda que se supere esse grave equívoco e entenda­se que houve um erro  de digitação, uma vez que a Instrução Normativa que trata de preços de transferência  é a IN 243, não há qualquer menção ao suposto dispositivo violado, o que demonstra  a precariedade da motivação, dado que o referido ato da Receita Federal contém 45  artigos,  com  parágrafos  e  incisos.  Ou  seja,  o  ato  de  lançamento  não  respeita  os  requisitos básicos de forma e de motivação para sua subsistência.   s)  A  legislação  propriamente  dita,  invocado  pelo  Auto  de  Infração  é  a  seguinte:  ...  t)  Da  análise  do  trecho  acima,  nota­se  que  o  Auto  de  Infração  alega  ter  encontrado  despesas  não  comprovadas  na  apuração  do  lucro  real  da  Impugnante.  Ora, em momento algum a Impugnante deixou de comprovar que pagou o montante  de  R$  283.631.824,04  para  à  Frade  B.V.  a  título  de  afretamento  de  embarcação  FPSO e aluguéis de equipamentos de Sub Sea.   u)  Ora,  se  a  matéria  da  presente  autuação  é  o  controle  de  preços  de  transferência, a referida capitulação está completamente equivocada.   v) Assim, resta demonstrada a insubsistência do Auto de Infração. Isso porque  não  se  demonstrou  a  infração  cometida  pela  Impugnante,  o  que  toma  o  Auto  de  Infração  nulo  por  falta  de  motivação.  Além  disso,  apresentou  capitulação  legal  completamente  equivocada,  o  que  compromete  a  liquidez  de  um  auto  de  infração  que pretende cobrar da Impugnante o valor de R$ 87.627.351,40 a título de IRPJ e  CSLL. O  dever  de motivar  os  atos  administrativos  (gênero  no  qual  se  incluem os  autos  de  infração)  é  tema  incontroverso,  dada  a  clareza  da  Lei  9.784/99  (lei  do  processo administrativo federal), art. 2º, e do art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72 a  esse respeito.   Nulidade do Auto de Infração por infração ao artigo 20­A da Lei 9430   x) De acordo com o  previsto no  artigo  20­A,  da Lei  9430, de  dezembro  de  1996 (inovação trazida no artigo 51 da Lei 12.715, de 17 de setembro de 2012 ­ "Lei  12.715"). cabe ao fiscal  solicitar ao contribuinte a  formulação de novo cálculo em  casos de desqualificação do método ou de seus próprios critérios de cálculo. Verbis:   Art. 20­A. A partir do ano­calendário de 2012, a opção por um dos métodos  previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o ano­calendário e não poderá ser  alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando,  em  seu  curso,  o  método  ou  algum  de  seus  critérios  de  cálculo  venha  a  ser  desqualificado  pela  fiscalização,  situação  esta  em  que  deverá  ser  intimado  o  sujeito  passivo  para,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  apresentar  novo  cálculo  de  acordo com qualquer outro método previsto na legislação, (grifos nossos).   §  lº A  fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito  pela pessoa jurídica.   y) Igual texto também pode ser inferido do artigo 40, da Instrução Normativa  1.312, de 28 de dezembro de 2012 ("IN 1312"). Vejamos:   Art.  40.  A  partir  do  ano­calendário  de  2012,  a  opção  por  um  dos métodos  previstos nos Capítulos II e  III será efetuada para o ano­calendário e não poderá  ser  alterada  pelo  contribuinte  uma  vez  iniciado  o  procedimento  fiscal,  salvo  quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser  desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito  Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.195          8 passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com  qualquer outro método previsto na legislação. (...)  § 3o A apresentação de novo cálculo de acordo com outro método, conforme  o  caput,  não  afasta  a  aplicação  de  multa  de  oficio  sobre  eventual  diferença  de  imposto de renda ou de CSLL apurados.   §  4o  A  opção  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  na  Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica relativa ao ano­calendário das  operações sujeitas ao controle de preços de transferência.   z) A Impugnante não foi intimada para apresentar novos cálculos no prazo de  30 dias.   aa) Conforme se depreende da análise do TVF, este documento (i) enunciou o  procedimento de coleta de documentos e dados, (ii) apresentou os critérios utilizados  em  seus  cálculos  e  (iii)  quantificou  o  ajuste  complementar  com  base  no  que  foi  recalculado.   bb)  Cumpre  salientar  que  a  fiscalização  foi  concluída  somente  em maio  de  2013,  quando  a  nova  redação  da  Lei  9430,  com  alterações  promovidas  pela  Lei  12.715, inclusive o artigo 20­A, já eram plenamente aplicáveis uma vez que seu teor  é  puramente  procedimental,  aplicando­se  às  fiscalizações  em  curso  após  a  sua  publicação tendo em vista o disposto no § 1º do artigo 144 do CTN.   cc)  Nesse  contexto,  resta  demonstrado  que  o  D.  Agente  Fiscal  deveria  ter  intimado a Impugnante a demonstrar, no prazo de 30 dias, novos cálculos, ao invés  de simplesmente lavrar um auto de infração que exige RS 144.454.387,66 a título de  ajustes de preços de transferência.   dd)  Ressalte­se,  nesse  contexto,  que  o  direito  à  opção  pelo  método  mais  benéfico, apesar de ser um direito claramente garantido ao contribuinte pela pelo §  4o  do  artigo  18  da Lei  9430,  reveste­se  da  própria  condição  de materialização do  princípio básico de preços de transferência, que é garantir que a comparação se dê  por um parâmetro efetivamente de mercado.   ee)  Tal  relevância  se  acentua  ainda mais  no  presente  caso,  em  que,  dada  a  peculiaridade  da  indústria  envolvida  e  do  bem  em  questão  ­  trata­se  de  aluguel/afretamento  de  equipamentos,  não  de  mera  importação  de  matéria  prima,  para a qual o método PRL foi moldado  ­ a  inadequação do método PRL  tal como  imposto pelo Auto Infração se ainda percebe com maior clareza.   A  CORRETA  APURAÇÃO  DO  PRL  60%  DE  ACORDO  COM  A  FÓRMULA PREVISTA NA LEI 9.430 ­ ILEGALIDADE DA IN 243   ff)  Consoante  mencionado  anteriormente,  o  Auto  de  Infração  decorre  da  suposta  irregularidade  que  envolve  a  seguinte  questão:  enquanto  a  Impugnante  utilizou  a  sistemática  da  Lei  9430  para  o  cálculo  do  preço  parâmetro  segundo  o  método PRL 60, a D. Fiscalização adotou a sistemática da IN 243 para determinar o  preço parâmetro segundo o mesmo método PRL 60.   gg)  A  sistemática  de  cálculo  pelo  método  PRL  60  prevista  pela  IN  243  é  ilegal. Tal ilegalidade já foi reconhecida pelo CARF e pela própria Receita Federal  do Brasil.  Além  disso,  será  demonstrado  que  o  cálculo  do  PRL  60  segundo  a  IN  243  gera uma série de problemas e discrepâncias de impossível solução no presente caso.   Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.196          9 hh) Na hipótese do PRL 60, o  legislador estabeleceu que a margem de 60%  deveria ser calculada sobre o preço da revenda, "deduzidos os valores referidos nas  alíneas anteriores e do valor agregado no País"   ii) A  diferença  da  forma  de  apuração  do  PRL  60  prevista  na  Lei  9430  e  a  forma  de  apuração  do  PRL  60  prevista  na  IN  243  está  fincada  essencialmente  na  margem de cálculo a ser deduzida do preço líquido de revenda. Explica­se.   jj)  Enquanto  a  Lei  9430  prevê  que  a margem  de  60%  incide  sobre  o  valor  integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado do país,  a IN 243 prevê que a margem de 60% deve incidir sobre "parcela do preço líquido  de  venda  do  produto  referente  à  participação  dos  bens,  serviços  ou  direito  importados".:   kk)  Essa  diferença  é  melhor  compreendida  através  do  seguinte  exemplo  numérico. Imaginemos que a Impugnante importe a matéria­prima X de uma pessoa  vinculada,  agregue  outras matérias­primas  compradas  no mercado  local  e  venda  o  produto final Y. Os preços de ambas as parcelas são de RS 50,00 cada, de modo a  totalizar um custo de produção de RS 100,00. Suponhamos, ainda, que esse produto  acabado  seja  vendido  por  um  valor  líquido  (livre  de  tributos,  descontos  incondicionais e comissões) de RS 150,00.   ll) .O cálculo do preço parâmetro segundo a sistemática do art. 18 da Lei 9430  seria:  ...  nn) Da comparação entre os dois valores obtidos, extrai­se que a sistemática  da Lei 9430 e da IN 243 são completamente diferentes pois, com os mesmosfatores,  chega­se a resultados completamente diferentes para o preço parâmetro, quais sejam  RS 90,00 e RS 30,00.   oo) Outro aspecto que demonstra a inviabilidade da IN 243 para o cálculo do  método  PRL  60%  é  o  preço  líquido  de  venda  mínimo  que  o  contribuinte  deve  observar na venda do produto acabado para evitar ajustes de preços de transferência,  caso se adote a sistemática do PRL 60% prevista na IN 243. Vejamos um exemplo  utilizando as mesmas premissas do item anterior:  ...  pp) No quadro acima, verifica­se que caso o contribuinte queira evitar ajustes  de preços de transferência, deverá vender o produto acabado por um preço de venda  líquido (livre de tributos) de R$ 250,00:   qq) Da  análise  desses  dados,  chega­se  a  uma  conclusão  alarmante:  para um  produto  cujo  custo  total  é  de  R$  100,00,  o  contribuinte  deverá  vendê­lo  por  R$  250,00,  ou  seja,  150%)  de margem  de  lucro  sobre  o  custo  total  do  produto.  Isso,  obviamente, é inaceitável.   rr) E mais: caso utilizemos o exemplo anterior, em que o bem era vendido por  R$  150,00,  a  empresa  deveria  aplicar  um  ajuste  de  67%  para  chegar  ao  valor  de  venda de RS 250,00.   ss) Devemos questionar: será que todos os contribuintes que estão sujeitos ao  controle de preços de transferência e que produzem no Brasil tem a possibilidade de  atingir  uma meta de  lucratividade  tão  elevada, de 150%? Seria  esse o objetivo do  Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.197          10 legislador que editou a Lei 9430? Ou teria a IN 243 se desviado do espírito da Lei  9430?   tt)  Não  obstante  a  legislação  não  contenha  um  método  que  se  molde  às  operações de aluguel e afretamento, na hipótese em questão, ou seja, quando estes  bens são utilizados para fins operacionais, e não para subafretamento ou sublocação,  a  Impugnante concluiu que o método PRL 60, segundo a sistemática da Lei 9430,  poderia ser utilizado, a despeito de tal método claramente contemplar a realidade de  uma indústria que importa insumos e revende produtos acabados no Brasil.   uu)  Retomando  as  diferenças  entre  ambas  as  sistemáticas,  a  Lei  9430  em  nenhum momento trata da participação dos bens, serviços ou direitos importados no  preço líquido de venda como fator para apuração da margem de lucro de 60%, como  faz a IN 243.   vv) Não bastasse isso, a IN 243 desconsidera solenemente algumas variáveis  constantes  da  fórmula  legal,  notadamente  a  consideração  do  valor  agregado  no  Brasil na base de cálculo da margem de  lucroww) Em comparação ao  texto da IN  32, que repete o conteúdo da Lei 9430, é visível que a IN 243 criou uma obrigação  nova, não prevista em lei; além disso, impediu expressamente o cômputo do "valor  agregado no País" como redutor interno da base de cálculo da margem de 60%.   xx) Instruções Normativas,, "são ordens escritas e gerais a respeito do modo  e  forma  de  execução  de  determinado  serviço  público,  expedidas  pelo  superior  hierárquico  com  o  escopo  de  orientar  os  subalternos  no  desempenho  das  atribuições  que  lhe  estão  afetas  e  assegurar  a  unidade  de  ação  no  organismo  administrativo"   yy) Trata­se, de norma interna da Administração, que não possui força de lei,  não  tendoo  condão  de  criar  direitos  ou  restrições  aos  contribuintes,  ou  de  alterar  aquelas dispostas em lei em face do inciso II do artigo 5ºda CF.   zz) Em matéria tributária, o principio da legalidade toma­se ainda mais rígido  pelo que dispõe o artigo 150,  inciso  I, da Constituição Federal, que veda à União,  aos  Estados,  ao  Distrito  Federal  e  aos  Municípios  a  exigência  ou  o  aumento  de  tributo  sem  lei  que o  estabeleça. Tal princípio é  albergado,  ainda, no artigo 97 do  CTN.   aaa) A IN 243 trouxe alterações que representam inovações ante a Lei 9430,  excedendo  os  limites  definidos  por  esta  violando  frontalmente  o  princípio  da  estrita legalidade em matéria tributária.   A  INADEQUAÇÃO  DOS  MÉTODOS  DE  PREÇO  DE  TRANSFERÊNCIA  ÀS  OPERAÇÕES  ABRANGIDAS  PELO  AUTO  DE  INFRAÇÃO   bbb)  em  águas  marítimas  a  exploração  é  feita  por  meio  das  denominadas  plataformas, que podem ser de alguns  tipos diferentes,  tais como  :Plataforma  fixa:  feita de estruturas modulares de aço e instalada com estacas cravadas no fundo do  mar;  e  Plataforma  FPSO  (sigla  do  inglês  "Floating,  Production,  Storage  and  Offioading"), que são navios que têm a capacidade de separar, armazenar e prover a  transferência de petróleo e gás natural.   ccc) A plataforma utilizada pela Impugnante, e cujo afretamento é objeto  do  auto  de  infração,  é  uma  FPSO,  uma  Unidade  Flutuante  de  Produção,  Armazenamento e Descarga.   Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.198          11 ddd)  a  empresa  afretadora  e  locadora  do  FPSO  e  do  sub­sea  equipment,  empresa  do  grupo  Chevron,  empreendeu  elevados  recursos  financeiros  para  a  aquisição  dos  referidos  equipamentos,  buscando  tais  recursos  dentro  do  próprio  Grupo Chevron.   eee)  verifica­se  que  a  atividade  de  exploração  de  petróleo  é,  dos  pontos  de  vista  técnico,  de  processo  e  econômico,  bastante  peculiar,  o  que  a  distingue  das  demais áreas de atividade empresarial, em especial da industrial.   fff) Dito  isto, analisemos as  regras de preço de  transferência,  transcrevendo,  para  tanto,  o  art.  18  da Lei  9430,  na  redação  vigente  à  época  dos  fatos  geradores  abrangidos pela autuação fiscal:  ...  ggg) Especialmente no que diz respeito à industria, a norma contempla a sua  acepção mais  comum,  cuja atividade  consiste na  aquisição de matérias primas, no  seu  processamento,  e  na  revenda  de  um  produto  acabado,  obtido  partir  do  processamento dessa matéria­prima.   hhh)  Veja­se,  nesse  sentido,  o  conceito  de  industrialização  trazido  pela  legislação federal, mais especificamente pelo Regulamento do IPI:  ...  iii) A Impugnante não adquire matéria­prima, não a processa para a obtenção  de  um  produto  final;  de  fato,  a  Impugnante  não  fabrica  o  petróleo;  todos  os  seus  esforços  são concentrados visando à extração do petróleo que  já existe no subsolo  marítimo, daí ter entendido que nenhum dos métodos descritos pela norma lhe seria  aplicável.   jjj) À primeira vista não seria aplicável o PRL porque não se há que se falar  em "preço de revenda" que é o conceito adotado pela lei; de fato, a Impugnante não  revende o afretamento e o aluguel dos seus equipamentos.   Kkk)  Também  não  seria  aplicável  o  PRL  pela  dicção  de  "bens  aplicados  à  produção"  pois,  como  visto,  o  petróleo  não  é  fabricado,  mas  sim  extraído  pela  Impugnante.   lll)  O  método  CPL,  por  sua  vez,  também  coloca  dificuldades  em  sua  aplicação,  na medida  em  que  suas  regras  e  sistemática  são  igualmente  voltadas  à  importação de mercadorias fabricadas no exterior, e o que a Impugnante faz é afretar  e alugar equipamentos que sequer são fabricados por seu proprietário.   mmm)  Finalmente,  a  aplicação  do  PIC  foge  ao  alcance  da  Impugnante,  na  medida  em  que  no  Brasil  não  há  uma  base  de  dados  publica  de  operações  comparáveis e a Impugnante não teria acesso à documentação/preço que lhe pudesse  servir de parâmetro.   nnn) Do ponto de vista estritamente técnico­legal, portanto, entende­se que os  métodos de preço de transferência descritos pela lei não podem ser aplicados no caso  concreto.   ooo) A par de ver­se impossibilitada de aplicar os métodos, a Impugnante viu­ se também obrigada a declarar a adoção de algum método na DIPJ.   Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.199          12 ppp) E,  considerando que  o  único método  que  envolve  apenas  a  adoção  de  dados nacionais disponíveis e próprios da Impugnante, aos quais a Impugnante tem  livre acesso, é o PRL, não lhe restou outra alternativa que não fosse a declaração do  PRL.   qqq) Conforme  já  esclarecido,  o Grupo Chevron  arcou  com a  realização  de  tais investimentos, adquirindo, no exterior, com recursos próprios, os equipamentos  afretados e alugados à Impugnante, e cujos custos são objeto do auto de infração ora  impugnado.   rrr)  equiparar  a margem de  lucro  que  se  aufere  na  importação  ou  aquisição  interna  de matérias­primas  para  a  indústria  tradicional,  à margem  de  lucro  que  se  pode  auferir  no  caso  em  comento  é  absolutamente  descabido  e  a  aplicação  do  princípio da isonomia às avessas.   sss) Como dito, não se pode comparar o custo que se  tem na  importação de  uma matéria prima de investimento baixo, risco baixo e retorno rápido, com o custo  que se temno pagamento de um afretamento ou aluguel que carregam os ônus de alto  risco,  alto  custo  de  investimento  e  de  oportunidade,  e  longuíssimo  prazo  de  recuperação.   ttt) A fixação de margens deve evidentemente ser feita conforme a alocação  de riscos e custos arcados por cada empresa integrante da cadeia comercial, no caso  exportador e importador, e evidentemente a aplicação de uma mesma margem para a  importação  de  matérias­primas  da  indústria  em  geral  e  para  os  afretamentos  e  alugueis em comento não observa esse principio.   uuu) Ou seja, a aplicação do PRL tal como feita pela peça impositiva, exigiria  a mesma margem de 150% em relação a um custo de aquisição de um fornecedor de  simples matéria­prima e em relação ao custo do afretamento e aluguel veiculados no  presente  processo,  cujo  proprietário  dos  equipamentos  arcou  com  os  principais  custos e riscos atrelados à atividade.   vvv)  Analisando­se  a  norma,  seja  sob  a  interpretação  literal,  seja  sob  a  interpretação  finalística,  o  PRL  não  é  moldado  para  a  atividade  da  Impugnante,  especialmente na sistemática ilegal imposta pela Instrução Normativa e exigida pelo  auto de infração ora impugnado.   Do reconhecimento da  ilegalidade da  IN 243 pelo Congresso Nacional  e  pela Receita Federal do Brasil   www) De acordo com a Receita Federal do Brasil, a nova fórmula de cálculo  prevista pela IN 243 só seria válida a partir do ano­calendário de 2002 (art. 45 da IN  243 ). Ora, se a Receita Federal do Brasil entendesse que a fórmula prevista pela IN  243  apenas  reproduziria  os  termos  da  Lei  9430,  certamente  teria  declarado  seu  caráter interpretativo e aplicado a IN 243 para fatos pretéritos, o que não ocorreu.   xxx) Em 03.04.2012, foi editada a MP 563, posteriormente, convertida na Lei  12.715, de 2012, cujo art. 48 introduz mudanças ao art. 18 da Lei 9430/96 e nota­se  que a margem aplicável à produção local, que antes era de 60%, foi substituída por  uma margem de 20% (regra geral), com exceções para alguns setores, que possuem  margens  de  30%  e  40%.  A  referida  alteração  de  margens  coincidiu  com  a  introdução, em nível  legal, da  sistemática de cálculo antes prevista  somente na IN  243.   Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.200          13 yyy)  A  alteração  legal  evidencia  a  incompatibilidade  da  margem  de  60%  sobre o valor de revenda (ou de 150% de retomo sobre os custos) com a forma de  cálculo contida IN 243, ou seja, a incompatibilidade da própria IN com a Lei 9430.   zzz) Aliás, a queda nos últimos anos do nível de investimentos na indústria no  Brasil  (que  continua  despencando  e  preocupando  o  Poder  Público)  bem  como  o  aumento na importação de produtos acabados (com o aumento do déficit na balança  comercial  que  também  vem  crescendo)  reflete  a  reação  do  setor  produtivo  a  esta  interpretação  absurda  e  abusiva  da  IN  243,  sobre  a  lei  9430/96. A  importação  do  produto  acabado  para  revenda  no  Brasil  é  o  único  movimento  que  faz  sentido  economicamente (margem de 20%, no PRL 20).   aaaa) Essa não foi a primeira oportunidade em que se tentou criar fundamento  de  validade  para  a  IN  243.  Em  dezembro  de  2009,  o  Governo  Federal  editou  a  Medida Provisória n° 478 ("MP 478"), por meio da qual tentou sanar a carência de  base legal da IN 243 introduzindo o seu texto na Lei 9430/96. Entretanto, a referida  MP 478 acabou por não ser convertida em lei.  bbbb) A exposição de motivos da MP 478 toma clara a ausência de base legal  da  IN  243  e,  portanto,  dos  procedimentos  de  lançamento  que  nela  têm  amparo.  Vejamos o item 20 da Exposição de Motivos da referida MP 478:   "A  atual  legislação,  em  grande  parte  baseada  em  Instrução  Normativa  expedida  peia  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  vem  sofrendo  crescentes  questionamentos na esfera administrativa" (trecho do item 20) (Grifos nossos)   "Visando  instituir,  em  dispositivo  legal,  essas  medidas  que  hoje  constam  apenas em Instrução Normativa, propõe­se a alteração da redação do arí. 18 da Lei  n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com o intuito de reduzir a litigiosidade que a  matéria  tem  suscitado,  garantindo  maior  eficácia  aos  controles  de  preços  de  transferência" (trecho do item 20.1) (Grifos nossos)   "Nesse sentido, o art. 9° altera o art. 18 da Lei n" 9.430 de 1996, de forma a  instituir, em dispositivo com força de Lei" (trecho do item 20.3) (Grifos nossos)   cccc) Ao contrário da MP 478, a MP 563 foi convertida na Lei 12.715, porém,  os  seus dispositivos que  tratam das  regras de preços de  transferência  entraram em  vigor  somente  a partir  de 1o de  janeiro de 2013. O estabelecimento dessa vacatio  legis  pelo  legislador  ordinário  deixa  claro  que  as  alterações  promovidas  na  Lei  9430/96 são inovações em nosso sistema jurídico, não se podendo alegar que a IN  SRF nº 243/2002 traz apenas uma forma de interpretação da Lei 9430/96 passível de  ser invocada antes mesmo das alterações promovidas pela Lei 12.715.   dddd) Em suma, até a edição da MP 563, a IN 243 não possuía base legal e  que  suas  disposições  eram  completamente  distintas  da  redação  do  art.  18  da  Lei  9430.   Precedentes  sobre  a  incompatibilidade  entre  Lei  9430/96  e  IN  SRF  nº  243/2002   eeee) A incompatibilidade entre a IN SRF nº 243/2002 e a Lei 9430/96 já vem  sendo  discutida  também  na  esfera  judicial.  (Transcreve  ementa  de  decisão  do  E.  Tribunal Regional Federal da 3º Região e de decisões administrativas proferidas nos  acórdãos:  2a  Turma  da  3"  Câmara  (Acórdão  1302­00.915),  da  2a  Turma  da  2n  Câmara da 1" Seção do CARF (Acórdão 1202­000.835), da Ia Turma da 1" Câmara  Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.201          14 da 1" Seção (Acórdão 1101000.864) e 1° Turma da 3a Câmara da Ia Seção (Acórdão  1301001.262).   Os  argumentos  da  Fazenda  Nacional  ­  o  PRL  60  segundo  a  SRF  nº  243/2002  é  uma  presunção  absoluta  de  lucratividade  aplicável  a  todos  os  contribuintes?   ffff) Em casos análogos ao presente, a Procuradoria da Fazenda Nacional tem  sustentado  que  a  forma  de  apuração  do  preço  parâmetro  estipulado  pela  IN  243  estaria  de  acordo  com  uma  das  interpretações  possíveis  da  Lei  9430.  Assim,  não  haveria  ilegalidade  em  seu  teor,  pois  apenas  a  IN  243  explicita  a  racionalidade  inserta no texto legal. Para chegar a essa conclusão, percorre, em síntese, o seguinte  trajeto argumentativo:     as  regras  sobre  controle  dos  preços  de  transferência  possuem  como  finalidade  o  combate  à  elisão  fiscal  internacional,  impedindo  a  alocação  artificial  dos  lucros  entre  as  partes  ligadas,  protegendo  a  base  de  arrecadação  tributária  nacional;    para dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras  para  pessoas  vinculadas  no  exterior,  a  Lei  9430/96  estabeleceu  margens  fixas  de  lucro bruto nas revendas;    a fórmula normalmente utilizada pelos contribuintes para calcular o preço  parâmetro "PLV ­ ML 60%x(TLV – VAV) é distorcida, pois faz com que a margem  de lucro (e, consequentemente, o preço parâmetro), seja influenciada pela flutuação  do valor agregado,  impossibilitando o devido controle dos preços de  transferência,  fundamentado na pré­definição de margens de lucro bruto mínimas;    como a fórmula aplicada pelo contribuinte possui distorções, a metodologia  estabelecida pela IN 243 melhor se alinha ao espírito da lei, pois: (i) impede que a  margem  de  lucro  de  60%,  a  ser  abatida  do  preço  de  venda,  sofra  oscilações  em  função do valor agregado no País; (ii) é menos complacente no tocante aos ajustes a  serem efetivados, implicando maior recolhimento de IR e CSLL, de modo a evitar a  evasão fiscal;    mesmo uma leitura literal do artigo 18 da Lei 9430 revela que a fórmula a  ser adotada poderia ser outra, diferente da utilizada pelo contribuinte.  Isso porque,  ao  observar  a  expressão  "sessenta  por  cento,  calculada  sobre  o  preço  de  revenda,  após  deduzidos  os  valores  referidos  nas  alíneas  anteriores  e  do  valor  agregado no  País" é possível interpretar que a obtenção do preço parâmetro será obtido a partir da  "média  aritmética  dos  preços  de  revenda  dos  bens  ou  direitos,  diminuídos  (i)  dos  descontos  incondicionais  concedidos,  (ii)  dos  impostos  e  contribuições  incidentes  sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de  sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País";    assim, utilizando­se de interpretação que prestigia o "correto emprego" da  contração da preposição "de" mais o artigo definido "o", a fórmula para o cálculo do  preço  parâmetro  poderia  ser  a  seguinte:  "PLV  ­  ML  60%x(PLV)  ­  VA".  Essa  fórmula  representaria,  inclusive, no mais dos casos, um ajuste ainda maior do que  aquele proporcionado pela IN 243 sendo esta, na realidade, benéfica ao contribuinte.   gggg) Embora  possa parecer  sedutora  em uma  análise  apressada,  a  linha  de  argumentação  em  tela  não  resiste  a  um  exame  mais  cuidadoso,  principalmente  quando se dá o devido prestígio ao princípio da legalidade.   Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.202          15 hhhh) Antes  de mais  nada,  cabe  notar  com  a  devida  atenção  que  a  própria  linha argumentativa da Receita Federal reconhece sem nenhum pudor que a fórmula  adotada pela IN 243 não replica uma das interpretações possíveis da lei. porque, em  seu entendimento, haveria duas interpretações possíveis:    Uma que considera o valor agregado no País como redutor interno à base  de  cálculo  da  margem  (interpretação  dos  contribuintes,  que  resulta  num  ajuste  a  menor, quando houver muito valor agregado no País);    Outra que, ao fazer uma  leitura possível da função sintática da expressão  "do", considera o valor agregado no País como redutor externo à base de cálculo da  margem (segunda possibilidade  interpretativa, aventada pelo Fisco, cujo ajuste, no  mais  das  vezes,  será maior,  pois  a margem  não  sofre  influência  relativa  ao  valor  agregado no País).   iiii)  A  fórmula  da  IN  243,  nessa  linha  de  argumentação,  embora  não  reproduza  nenhuma  das  possibilidades,  seria  "mais  razoável"  e  alinhada  à  "finalidade das regras de preços detransferência". Seria, inclusive, mais favorável ao  contribuinte  do  que  a  segunda  vertente  interpretativa,  por  representar  ajuste  relativamente menor.   jjjj)  Temos  que  ter  claro  que  o  art.  18  da  Lei  9430  não  é  uma  regra  programática, uma simples pauta valorativa, que aguarda, para sua aplicação, que a  administração pública, por ato infralegal, especifique a melhor forma de concretizar  seu  espírito. Cuida de norma de  comportamento de eficácia plena  e aplicabilidade  imediata, cujo requinte de precisão do legislador foi muito além do que ocorre com a  maioria das regras tributárias postas por lei, uma vez que este chegou à minúcia de  prescrever, no corpo do próprio texto legal, uma fórmula.   kkkk)  Que  há  finalidades  a  serem  perseguidas  com  as  regras  de  preços  de  transferência  não  se  duvida.  Da  mesma  forma,  não  se  refuta  que  há  efeitos  econômicos  variados  em  função  do modo  em  que  se  formata  a  regra.  Todavia,  o  sopesamento dessas finalidades e efeitos foi feito pelo legislador em momento pré­ legislativo que presidiu à feitura da regra.   llll)  Uma  vez  sopesados  esses  valores  e  objetivos  pelo  legislador  e  estabelecida  uma  precisa  fórmula  para  alcançá­los,  só  cabe  ao  administrador  respeitá­la. Não é sua função corrigir a sistemática traçada por lei, por meio de uma  conjectura  acerca  da  melhor  forma  de  se  perseguirem  os  supostos  objetivos  do  legislador.   mmmm) Juridicamente falando, não há melhor fórmula para o cálculo do PRL  60, não há fórmula que melhor atenda, em seus efeitos econômicos, os propósitos de  controle ou de incentivo à indústria nacional. Há a fórmula prevista em lei.   nnnn) Ademais, é falso dizer que margens fixas atendem melhor ao propósito  da  lei.  Isso por que,  segundo o princípio "arm's  lengh” o valor da operação entre  partes  ligadas  deve  corresponder,  na  maior  medida  possível,  ao  valor  que  seria  alcançado  entre  partes  independentes,  em  condições  de  livre mercado;  da mesma  forma, a fórmula de aferição destes patamares deve ser permeável, na maior medida  possível,  às  reais condições de mercado. O estabelecimento de presunção absoluta  quanto  à margem  de  lucro  praticada  por  dado  seguimento  empresarial  dissocia­se  das  reais  condições  de  mercado,  ofendendo,  em  última  análise,  ao  princípio  da  capacidade contributiva.   Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.203          16 oooo)  Por  isso  que  o  valor  agregado  no  País  foi  incluído,  pelo  legislador,  como elemento intemo à base de cálculo da margem efetiva, calibrando­a de acordo  com  a  realidade  fática  da  operação  sujeita  a  controle.  Assim,  transforma­se  a  presunção  absoluta  em  presunção  relativa  (admite  comprovação  em  sentido  contrário),  alinhando­se  as  regras  de  preços  de  transferência  ao  primado  constitucional da capacidade contributiva.   Problemas no cálculo do PRL 60 segundo a IN SRF nº 243/2002   pppp) Como se não bastasse a  flagrante ilegalidade da  IN 243, o cálculo do  PRL 60 segundo a sistemática prevista pela IN 243 gera uma série de problemas e  erros lógicos, o que já seria igualmente suficiente , para afastar a aplicação.   Ponto 1 ­ IN 243 exige margem de lucro 150% sobre os custos não sujeitos  ao  controle  de  preços  de  transferênciaqqqq)  A  sistemática  do  método  PRL  60%  segundo a IN 243 exige que itens não sujeitos ao controle de preços de transferência,  tais como itens comprados no mercado local ou adquiridos de partes independentes  no exterior tenham uma lucratividade de 150% sobre os custos.   rrrr)  Imaginemos  a mesma  situação  do  Ponto  2  acima,  em  que  um  produto  importado "X" de parte relacionada pelo valor de mercado de R$ 10,00 é utilizado  num  produto  acabado  "Y",  cujo  custo  total  é  RS  100,00.  Nesse  caso,  o  valor  agregado ao produto X, composto de mercadorias adquiridas no mercado local seria  de R$ 90,00. Nesse exemplo, o produto acabado Y deve ser vendido a R$ 250,00,  como única alternativa a não ensejar ajuste de preço de transferência.   ssss) Demonstra­se o preço parâmetro segundo o método PRL 60 calculado de  acordo com a IN 243:  ...  tttt) Da análise da planilha acima, nota­se que a IN 243 exige uma margem de  150% sobre o custo total do produto, sob pena de ajuste. O mais gritante é que, para  não haver ajustes, é necessário que o produto Y, cujo custo total é RS 100,00, seja  vendido  por  R$  250,00,  ou  seja,  a mesma margem  absurda  de  150%  é  requerida  também  em  relação  aos  itens  não  sujeitos  ao  controle  de  preços  de  transferência  (itens nacionais e importados de terceiros).   uuuu) O referido vício decorre da utilização do percentual de participação do  bem no custo total do produto vendido, nos termos do inciso II do § 1 Io do artigo  12  da  IN  243  ,  o  qual  serve  para  determinar  o  preço  de  venda  proporcional  dos  produtos.   vvvv)  Tal  efeito  pode  ser  explicado  pela  aplicação  da  ficção  refletida  na  sistemática  da  IN  243  para  os  itens  nacionais  utilizados  no  produto  acabado  Y,  partindo  da  premissa  que  o  preço  de  venda  do  referido  produto  é  de  R$  250,00  conforme se demonstra:  ...  wwww) Da análise da tabela acima, nota­se que a sistemática na IN 243, que  proporcionaliza o preço de venda, determina que o preço de venda proporcional do  conteúdo  nacional  seria  de  RS  225,00  (R$  250,00  x  90%).  Caso  comparemos  o  preço  de  venda  proporcional  (i.e.  R$  225,00)  com  custo  desses  itens  (RS  90,00),  chegaremos a uma margem de lucro embutida de R$ 135,00, ou seja, uma margem  de 150% sobre o custo do item.   Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.204          17 xxxx)  1º  Conclusão:  o  cálculo  do  PRL  60  proposto  pela  IN  243  acaba  por  exigir uma lucratividade de 150% sobre itens nacionais e importados de terceiros.   yyyy)­  Ponto  2  ­  Para  a  sistemática  da  IN  243,  é  economicamente  mais  racional importar produto acabado do que produzir no Brasil   zzzz)  O  cálculo  do  PRL  60  segundo  a  IN  243  traz  um  efeito  devastador  à  economia brasileira, a despeito dos constantes esforços para geração de empregos e  investimento  produtivo  na  indústria  nacional  porque,  estando  sujeitas  às  regras de  preços de  transferência,  as empresas brasileiras que importam produtos  sujeitos ao  controle  de  preços  de  transferência  (e.g.,  importações  de  fornecedores  localizados  em paraísos fiscais e fornecedores exclusivos) e subsidiárias de multinacionais que  possuem fábrica no Brasil certamente irão reanalisar se é viável produzir no Brasil.   Aaaaa) . No quadro anterior, demonstrou­se que é necessária uma margem de  150%  sobre  os  custos  (nacionais  e  estrangeiros)  para  evitar  ajustes  de  preços  de  transferência segundo o método PRL 60% calculado com base na IN 243, a saber:  ...  Bbbbb) Caso o produto seja  importado sob a forma acabada, o método PRL  deveria ser aplicado com a margem de 20%. Admitindo que esse produto acabado  seja  importado pelo mesmo custo de R$ 100,00, temos que o preço de venda para  evitar ajustes seria de R$ 125,00, conforme demonstrado abaixo:  ...  ccccc) Da  análise  das  simulações  acima,  nota­se  que  deixar  de  produzir  no  Brasil  seria  uma  atitude  totalmente  justificada  sob  uma  perspectiva  comercial  e  econômica, já que a produção local exige uma margem de lucro três vezes maior que  a exigida para quem importa produtos acabados.  Ddddd)  E  nem  se  alegue  que  esse  contribuinte  teria  outros  métodos  para  aplicar no Brasil, já que é consenso entre contribuintes e autoridades fiscais que: (i)  não  há  banco  de  dados  que  permita  a  aplicação  extensiva  do método  P1C;  (ii)  o  método CPL requer documentação extremamente onerosa para os contribuintes.   Eeeee) Assim, resta claro que o reconhecimento do método PRL 60, segundo  ditames  da  IN  243,  a  despeito  da  patente  ilegalidade  anteriormente  demonstrada,  trará  desastrosos  efeitos  à  economia  brasileira.  Isso  porque,  conforme  demonstrado acima, produzir no Brasil significa perder competitividade em relação  aos concorrentes que possuem um simples escritório que revende produtos acabados   Fffff) Assim, resta claro que o reconhecimento do método PRL 60, segundo  ditames  da  IN  243,  a  despeito  da  patente  ilegalidade  anteriormente  demonstrada,  trará  desastrosos  efeitos  à  economia  brasileira.  Isso  porque,  conforme  demonstrado acima, produzir no Brasil significa perder competitividade em relação  aos concorrentes que possuem um simples escritório que revende produtos acabados   Ggggg) 2ª Conclusão: o cálculo do PRL 60 proposto pela IN 243 prejudica a  indústria nacional c incentiva a produção cm outros países. Assim, resta claro que o  reconhecimento  do  método  PRL  60,  segundo  ditames  da  IN  243,  a  despeito  da  patente  ilegalidade  anteriormente  demonstrada,  trará  desastrosos  efeitos  à  economia brasileira. Isso porque, conforme demonstrado acima, produzir no Brasil  significa  perder  competitividade  em  relação  aos  concorrentes  que  possuem  um  simples escritório que revende produtos acabados.   Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.205          18 Hhhhh) A sistemática do método PRL 60% segundo a  IN 243 apresenta um  sério  erro  lógico,  qual  seja,  a  utilização  do  percentual  de  participação  do  bem  no  custo total do produto vendido, nos termos do inciso II do § 1 Io do artigo 12 da IN  243, que serve para determinar o preço de venda proporcional dos produtos.   iiiiii) O referido vício decorre de um erro lógico simples, qual seja,  testar o  custo  a partir do  custo. Segundo os  ensinamentos mais  básicos  da  lógica,  não  é  possível testar algo a partir do item que se deseja testar. Isso porque, caso a parcela  que se pretende testar esteja viciada, sem dúvida alguma, o resultado estará viciado.   Jjjjjj) Comprova o referido vício o chamado efeito circular do cálculo, o qual  pode ser provado através do recalculo do preço parâmetro a partir do resultado que  se obteve.   Kkkkk)  Este  efeito  vem  sendo  reconhecido  em  decisões  do  CARF,  e  vem  sendo  identificado  como  elemento  comprometedor  da  consistência  lógica,  econômica  e  jurídica  da  sistemática  da  TN  243,  como  por  exemplo  no  Acórdão  1302­00.915, da 2a Turma da 3a Câmara da Io Seção.  Lllll)  3º Conclusão: O cálculo do PRL 60 proposto pela  IN 243 possui  erro  lógico que resulta em cálculo circular que incentiva a manipulação de preços.   Legalidade da conduta do contribuinte   mmmmm) Ainda que  se parta da premissa de que a  IN 243 não contraria o  texto da Lei 9430 ­ o que só se admite ad argumentandum ­ não há como se extrair  dessa premissa a conclusão de que seria ilegal a conduta do contribuinte, ao adotar  método deapuração cuja fonte direta é a lei, pois o próprio fiscal não logrou fazê­lo,  já  que,  em  nenhum momento  afirmou  ser  ilegal  a  conduta  do  contribuinte,  como  destacado preliminarmente.   Nnnnn) Ou seja, não há como se sustentar a validade da autuação, que deixou  de demonstrar em que ponto a conduta do contribuinte afrontou a lei.   ­  Fonte  do  método  PRL  60:  eficácia  plena  da  Lei  9430  e  o  papel  das  Instruções Normativas   ooooo) Chama­se "eficácia técnica" a aptidão de uma determinada norma em  produzir  efeitos  imediatos,  regulando  a  conduta  dos  seus  destinatários  em  termos  definitivos. Esta eficácia técnica admite alguns graus, conforme a regra necessite ou  não de outros enlaces normativos, de maior concretude, para produzir efeitos.   Ppppp) No  caso  do  art.  18,  II,  item  1,  da Lei  9430  (redação  dada  pela Lei  9959), é inequívoco que estamos diante de norma de eficácia plena, que, como bem  descrito por Tercio Sampaio Ferraz apoiado nas  lições de José Afonso da Silva, é  aquela  que  ocorre  “Quando  a  concretização  da  função  eficácia  é  imediata,  sem  necessidade de outra norma, não podendo ser restringida” (" FERRAZ Jr. Tercio  Sampaio. Introdução ao Estudo do Direito. V edição. São Paulo: Atlas, 1994. PP.  200­201)   Qqqqq) Isso porque, como deixa evidenciado o autor, a eficácia limitada é um  traço  típico  das  normas  programáticas,  quando  o  legislador  (normalmente  o  constitucional) apenas estabelece pautas valorativas a serem seguidas, no plano das  políticas públicas. A eficácia contida, por sua vez, pode até ocorrer em normas de  comportamento, mas, nesses casos, ela terá que estabelecer expressamente que uma  norma de hierarquia inferior está habilitada a restringir os seus contornos.   Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.206          19 Rrrrr) No caso da regra de PRL 60 observa­se que, em nenhum momento, o  legislador remete a uma integração posterior para que a norma possa ser plenamente  aplicada;  também  não  estabelece  nenhuma  autorização  para  que  uma  regulamentação venha a restringir os seus contornos pré­estabelecidos.   Sssss)  Portanto,  tratando­se  de  norma  plenamente  eficaz,  sempre  foi  juridicamente  possível  a  aplicação  direta  da  lei,  independentemente  de  qualquer  integração que viesse a ser feita por Instrução Normativa.   Ttttt)  O  que  se  dirá  de  uma  Instrução  Normativa  do  Secretário  da  Receita  Federal,  ato  regulamentar  cujo  status  normativo,  rigorosamente  falando,  é  de  ato  "infra­infra­infra legal".   Uuuuu)  De  fato,  a  competência  para  expedir  Instruções  Normativas  do  Secretário  da  Fazenda,  era  à  época  prevista  pela  Portaria  no  259/2001  (aprova  o  Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal), arts. 209, III c/c art. Io, III que,  por sua vez, possui fundamento de validade no Decreto nº 3.784/2001, art. 4º (que já  é, por definição, ato infralegal).   Vvvvv)  Logo,  o  que  fez  a  IN  32/2001  (e,  antes  dela,  a  IN  113/00)  foi  simplesmente explicitar o sentido de uma regra que já estava posta no plano legal,  plenamente  eficaz.  Nunca  foi  necessária  a  existência  desse  ato  para  que  o  contribuinte  pudesse  apurar  o  seu  preço  parâmetro  da  forma  que  o  fez.  Também,  jamais poderia este ato  ter estabelecido algo diferente da  lei  (tanto é que nunca se  declarou a sua ilegalidade).  Wwwww) A revogação da IN 32 pela IN 243 significa, pura e simplesmente,  a revogação deste ato normativo. Jamais poderia significar a revogação ou alteração  da  própria  lei.  Também  não  pode  significar  o  bloqueio  da  interpretação  que  já  decorria e ainda decorre literalmente da lei.   xxxxx) Do mesmo modo, se é a Lei 9430 que sustenta a existência do método  utilizado pela  Impugnante,  afigura­se  equivocado defender que  a  revogação da  IN  32/2001 (que apenas coloria a Lei com traços mais fortes) fez ruir a possibilidade de  se apurar o preço parâmetro da forma que foi feito, nos termos da Lei 9430.   Yyyyy) Aliás,  encontra­se aqui a  justificativa para a ausência de motivação,  pelo auto de infração, da ilegalidade praticada pelo contribuinte na sua apuração do  preço  parâmetro.  Não  o  fez  o  agente  fiscal,  porque  não  há  como  negar  a  plena  consistência da conduta da Impugnante à Lei.   A única solução coerente, caso se decida que a IN 243 é legal   Zzzzz)  Na  improvável  hipótese  de  se  entender  que  a  IN  243  não  afronta  diretamente a Lei 9430 (por explicitar uma das interpretações possíveis da Lei), cabe  demonstrar,  a  seguir,  a  única  linha  de  raciocínio  apta  a  justificar  a  sua  validade:  convivência com a metodologia da lei, sem afastá­la.   Aaaaaa) Isto porque, não há dúvidas de que o entendimento empregado pelo  contribuinte  também  configura  uma  das  interpretações  possíveis  da  Lei.  Tanto  é  verdadeiro que as Instruções Normativas anteriores (IN 113 e IN 32) a reproduziam  com total fidelidade.   Bbbbbb)  Portanto,  a  metodologia  empregada  pela  Impugnante  reflete  interpretação originária, diretamente imbricada com a literalidade da lei.   Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.207          20 cccccc)  Nesse  cenário,  dever­se­á  reconhecer  que  o  que  faz  a  IN  243  é  estabelecer um novo método de preços de transferência na importação (na realidade,  um novo sub­método de apuração do PRL, quando há agregação de valor no País).   Dddddd)  Assim,  determinada  empresa  que  efetue  importação  de  empresa  relacionada e utilize este produto como insumo na produção de outro bem no País,  poderá optar entre o emprego do "PRL 60 Lei" ou o emprego do "PRL 60 TN", de  acordo com os mesmos requisitos que presidem normalmente a opção entre métodos  alternativos de preços de transferência.   Eeeeee)  A  própria  Lei  9430,  em  seu  art.  18,  estabelece  metodologias  alternativas a serem empregadas pelo importador, na apuração do preço parâmetro:  (i) PIC ("Preços Independentes Comparados"); (ii) PRL ("Preço de Revenda menos  Lucro")  e  (iii)  CPL  ("Custo  de  Produção  mais  Lucro").  Também  estipula  expressamente que, dentre os vários métodos disponíveis, a empresa poderá utilizar  aquele que represente menor ajuste fiscal (art. 18, §4°, da Lei 9430).   Ffffff) Insista­se que a própria Lei, via de regra, não estabelece primazia entre  métodos  (obrigando  um  em  detrimento  de  outro).  Apenas  o  faz  quando  prevê  expressamente algum fator de discrimen no pressuposto fático de aplicação (como  ocorre naeleição entre PRL 20 e PRL 60, que atuam sob premissas fáticas distintas,  sendo necessário verificar se há ou não agregação de valor no País).   Gggggg) Entre o sub­método "PRL 60 Lei" e o sub­método "PRL 60 IN" não  há fatores de discrimen se considerarmos os pressupostos  fáticos de sua aplicação:  ambos exigem (i) importação de pessoa jurídica relacionada; (ii) agregação de valor  no país. Presentes estas mesmas condições em ambos os casos, a facultatividade é de  rigor.   Hhhhhh) Se a própria lei não impede o exercício da opção, diante de métodos  que  atuam sob mesmo pressuposto  fático,  com maior  razão não o pode  fazer uma  Instrução Normativa, de modo a dar primazia a um método "infra­infra­infra legal"  sobre um método legal.   iiiiii)  Diante  disso,  não  resta  dúvidas  que  o  procedimento  adotado  pela  Impugnante está totalmente de acordo com o art. 18 da Lei 9430 e nunca poderia ser  afastado sob o argumento de que uma Instrução Normativa melhor atende o espírito  do Lei.   Do não cabimento da exigência da multa isolada   Jjjjjj)  conforme  a  reiterada  jurisprudência  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes e do CARF é incabível a aplicação da multa isolada quando já exigida  penalidade  específica  incidente  sobre  o  tributo  apurado  através  de  lançamento  de  ofício, por caracterizar tal lançamento dupla penalização do contribuinte.   Kkkkkk)  No  caso  em  exame  foi  lançada  multa  de  ofício  de  75%  contra  a  Impugnante que por si só já se configura em severa penalidade. A aplicação de uma  segunda penalidade a título de multa isolada resultaria, por isso, em desproporcional  e  injustificada  penalização  da  Impugnante,  configurando  a  dúplice  penalidade  verdadeiro bis in idem.   Llllll) A questão é de tal modo pacífica na jurisprudência administrativa que  não são necessárias considerações adicionais para demonstrar o total descabimento  da  multa  isolada  no  caso  em  concreto,  bastando  citar  as  ementas  dos  inúmeros  Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.208          21 julgados  que  confirmam  a  posição  uniforme  do  CARF  sobre  o  tema  (transcreve  ementas dos Acórdãos 1803­00.459 e 182­00.545)   mmmmmm)  Quanto  a  isso  não  restam  dúvidas,  conforme  se  verifica  da  Solução  de  Consulta  da  Coordenação­Geral  do  Sistema  de  Tributação  ("COSIT")  proferida pela própria RFB:   "O período a ser considerado para fins de cálculo do preço parâmetro e do  eventual  ajuste  é  sempre  anual,  encerrado  em  31  de  dezembro,  ainda  que  a  empresa apure o lucro real trimestral ou o período compreendido entre o início do  ano­calendário e a data do encerramento das atividades." (Solução de Consulta n"  10/2012)   nnnnnn) As mesmas disposições encontram­se publicadas no website da RFB,  na página de "Perguntas e Respostas" acerca de Preços de Transferência, relativo ao  ano calendário de 2011":  "Pergunta  017. Qual  o  periodo  a  ser  considerado  para  fins  de  cálculo  dos  preços parámetros e do eventual ajuste?   Será  considerado  sempre  o  período  anual,  encerrado  em  31  de  dezembro  (ainda  que  a  empresa  apure  o  lucro  real  trimestral)  ou  o  período  compreendido  entre o início do ano­calendário e a data de encerramento de atividades. O eventual  ajuste  será,  em  consequência,  efetuado  em  31  de  dezembro  ou  na  data  de  encerramento das atividades, exceto nos casos de suspeita de fraude."   Oooooo) Além disso, mesmo que editada posteriormente ao caso sob análise,  a IN 1312 dispôs expressamente acerca da anualidade da verificação dos ajustes de  preços de transferência, positivando o entendimento que a RFB já havia manifestado  previamente em diversas oportunidades, conforme se verifica abaixo:   "Art.  54.  As  verificações  dos  preços  de  transferência,  a  que  se  refere  esta  Instrução  Normativa,  serão  efetuadas  por  períodos  anuais,  em  31  de  dezembro,  exceto nas hipóteses de inicio e encerramento de atividades e de suspeita de fraude.  "   pppppp) Assim, resta evidente que a o presente Auto de Infração também não  merece  prosperar  no  que  diz  respeito  à  aplicação  da  multa  isolada  sobre  a  recomposição dos resultados mensais dos balancetes de suspensão e redução.   Da ilegalidade da incidência de juros selic sobre a parcela da multa   Qqqqqq) Na  remota  hipótese  de  ser mantido  o  lançamento  aqui  combatido,  não há que se admitir a eventual futura incidência de juros sobre a parcela da multa  de ofício aplicada à Impugnante porque o art. 61 da Lei 9430 somentesão admitidos  os  acréscimos  moratórios  referentes  aos  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  mas  não  sobre  as  penalidades  pecuniárias.  É  o  que  corrobora  a  jurisprudência  do  antigo  E.  Conselho  de  Contribuintes  (Transcreve  ementa  do  Acórdão  n°  101­96.593,  proferido  pela  Ia  Câmara  do  antigo  1o  Conselho  de  Contribuintes, em sessão de 05/03/2008 e Acórdão n° 9101­00.722, proferido pela  1n Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  em  sessão  de  08/11/2010)  e  menciona  o  Acórdão  n°  103.23.428  da  3a  Câmara  do  E.  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes que lhe apresentou entendimento favorável.   A contribuinte finaliza sua impugnação requerendo:   Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.209          22  que todas as intimações relativas ao presente processo administrativo sejam  feitas  aos  cuidados  de  Camila  Galvão  Anderi  e  Silva,  com  escritório  à  Av.  Brigadeiro Faria Lima, n° 3.144, 11° andar, 01451­000, São Paulo, SP, enviando de  tudo cópia à Impugnante no endereço constante dos autos.     produção  de  todas  as  provas  em  Direito  admitidas  e  pela  oportuna  sustentação oral de suas razões de defesa.   A já citada 6a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio  de Janeiro, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12­ 70.728, de 26 de novembro de 2014, pela procedência do lançamento.  O referido julgado foi assim ementado:   INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO.   As  intimações  devem  ser  encaminhadas  para  o  domicílio  tributário  do  contribuinte.   INCORRETA CAPITULAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS DEFICIENTE.   O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade  do  auto  de  infração  quando  comprovado,  pela  judiciosa  descrição  dos  fatos  nele  contida e a impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe  foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa.   PRODUÇÃO DE PROVAS.   No rito processual que  rege o processo administrativo  fiscal  (PAF), cabe ao  contribuinte mencionar as provas que possua e, se documentais, devem ser trazidas  ao processo juntamente com a impugnação.   SUSTENTAÇÃO ORAL.   Inexiste previsão legal ou infralegal para que nas sessões de julgamento de 1ª  instância administrativa a contribuinte ou seu representante sustente oralmente suas  razões de defesa.   JULGAMENTO  ADMINISTRATIVO  DE  1ª  INSTÂNCIA.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA. VINCULAÇÃO.   As instruções normativas são atos infralegais e são espécie do gênero normas  complementares  a  que  se  refere  o  artigo  100,  I,  do CTN.  Por  dever  de  ofício,  no  exercício da atividade de lançamento, qualquer servidor é obrigado a seguir não só a  Lei ordinária como também o entendimento emanado pela Administração tributária  através  dos  atos  normativos,  o  que  inclui  os  colegiados  dos  órgãos  julgadores  administrativos de primeira instância.  PREÇO  DE  TRANSFERÊNCIA.  FALTA  DE  INTIMAÇÃO  AO  CONTRIBUINTE PARA QUE APURE O PREÇO PARÂMETRO DE PRODUTO  IMPORTADO  DE  EMPRESA  VINCULADA  POR  OUTRO  MÉTODO  PREVISTO EM LEI.   Descabe a aplicação do artigo 20­A da Lei nº 9430/96 quando o método para  apuração do preço parâmetro adotado pela contribuinte não foi desqualificado.   Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.210          23 MULTA  ISOLADA  SOBRE  ESTIMATIVAS  NÃO  RECOLHIDAS  DE  IRPJ.  MULTA  DE  OFÍCIO  PROPORCIONAL  AO  TRIBUTO.  FATOS  INFRACIONAIS DISTINTOS   A multa de 75% é aplicável pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL devidos,  levantados na ação fiscal e conforme apuração realizada no final do ano­calendário,  enquanto  a  multa  isolada  de  50%  é  aplicável,  sobre  as  estimativas  mensais  não  recolhidas por aquele que optou pela apuração anual e não computou no cálculo o  valor  levantado  na  autuação.  São  duas  modalidades  punitivas  que  incidem  sobre  fatos infracionais distintos inexistindo dupla penalização.   JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.   A  multa  de  ofício  é  um  débito  para  com  a  Fazenda  Nacional  e,  nessa  condição, é passível de juros de mora a partir da sua constituição.   TRIBUTAÇÃO CORRELATA.   Sendo  a  infração  na  tributação  do  IRPJ  fato  gerador  que  também  enseja  a  tributação da CSLL a mesma sorte terá o auto de infração desta observada sua base  de cálculo, período de apuração e alíquota própria.  Irresignada,  a  contribuinte  fiscalizada  interpôs  recurso  voluntário,  fls.  988/047, por meio do qual, renovando argumentos expendidos na peça impugnatória, sustenta:  a nulidade dos lançamentos, haja vista a ocorrência de erro na capitulação legal e a ausência de  motivação; a nulidade dos lançamentos em virtude de violação às disposições do art. 20­A da  Lei nº 9.430, de 1996; a legalidade da fórmula prevista na Lei nº 9.430, de 1996; a ilegalidade  da  Instrução  Normativa  nº  243;  a  dificuldade  de  aplicação  dos  métodos  de  preços  de  transferência às operações abrangidas pelo auto de infração; o  reconhecimento da ilegalidade  da Instrução Normativa nº 243 pelo Congresso Nacional e pela Receita Federal; a existência de  precedentes acerca da incompatibilidade entre a Lei nº 9.430 e a Instrução Normativa nº 243; a  inconsistência dos argumentos da Fazenda Nacional; a existência de problemas no cálculo do  PRL 60 com base na Instrução Normativa nº 243; a legalidade da sua conduta; o não cabimento  da multa isolada; e a ilegalidade da incidência dos juros SELIC sobre a parcela da multa.  É o Relatório.  Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.211          24   Voto             Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães  Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo.  Cuida  a  lide  de  exigências  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Multa Isolada, relativas ao ano calendário  de 2011, formalizadas em decorrência de ajustes de preços de transferência.  Aprecio, pois, as razões trazidas em sede de recurso voluntário.  NULIDADE  ­  ERRO  NA  CAPITULAÇÃO  LEGAL  E  AUSÊNCIA  DE  MOTIVAÇÃO  Alega a Recorrente que não se identifica no Auto de Infração um parágrafo  sequer  dedicado  a  indicar  a  ilegalidade  por  ela  praticada.  Diz  que  a  autuação  tem  como  substrato  fático  suposta  importação de óleo,  quando ela  jamais  importou óleo. Afirma que  a  peça acusatória invoca como capitulação a IN SRF 234/2002, mas que não há qualquer menção  ao dispositivo da referida Instrução que foi violado. Argumenta, ainda, que a capitulação legal  descrita no Auto de Infração não guarda pertinência com a matéria submetida à tributação.  Penso que para que possa falar em nulidade do lançamento com fundamento  em erro ou mesmo ausência de fundamentação legal, é essencial que tal fato tenha concorrido  para cercear o direito de defesa do contribuinte.  No  caso  vertente,  contudo,  tal  circunstância  não  se  verifica,  eis  que  a  Recorrente  compreendeu  perfeitamente  as  razões  das  imputações  que  lhe  foram  feitas,  tanto  que exerceu (e vem exercendo) com plenitude o seu direito de defesa. Isto porque, como bem  destaca a decisão a quo, o Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 706/708 declina  de forma clara os dispositivos legais que serviram de lastro para os lançamentos tributários (art.  18,  parágrafo  7º,  da Lei  nº  9.430/96  e  art.  44,  II,  do mesmo diploma),  sendo  ele,  o  referido  Termo de Verificação, "parte integrante e inseparável do Auto de Infração", como assinalado  em sua CONCLUSÃO.  A  indicação  incorreta  do  número  da  norma  complementar  que  serviu  de  suporte à interpretação dos fatos investigados (234 ao invés de 243), de igual forma, nenhum  prejuízo  trouxe  ao  exercício  do  contraditório,  eis  que  a Recorrente  teve  pleno  conhecimento  acerca  da  ato  normativo  a  qual  a  autoridade  fiscal  faz  referência,  tanto  que  utilizou  parte  significativa da sua peça recursal para contestá­la.  Rejeito, pois, a nulidade suscitada.  NULIDADE ­ INFRAÇÃO AO ART. 20 A DA LEI Nº 9.430/96  Afirma a Recorrente que a Fiscalização se limitou a desconsiderar o PRL 60,  sem, contudo,  intimá­la a apresentar novos cálculos segundo outro método, o que, a seu ver,  "rompe com um mandamento explícito no regime de preços de transferência, que é buscar o  Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.212          25 método mais favorável, e não aquele que apresente maior ajuste". Diz que, segundo o art. 20A  da Lei nº 9.430, de 1996, cabe ao Fiscal solicitar ao contribuinte a formulação de novo cálculo,  em casos de desqualificação do método ou de  seus próprios  critérios de  cálculo. Argumenta  que a fiscalização foi concluída em maio de 2013, momento em que as disposições do citado  art.  20A  já  eram  plenamente  aplicáveis,  e  que  elas,  as  disposições,  tem  teor  procedimental,  devendo ser o observado, no caso, o disposto no parágrafo único do art. 144 do CTN.  Penso que não merece acolhimento a alegação da Recorrente.  Com efeito, como também destacado pelo ato decisório recorrido, o art. 20A  da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo reproduzido e que foi introduzido pela Medida Provisória nº  563,  de  2012  (Lei  nº  12.715,  de  2012),  cuida  da  situação  em  que  o  método  utilizado  pelo  contribuinte  foi  desqualificado  pela  Fiscalização,  circunstância  que  não  se  verifica  no  caso  retratado nos presentes autos.  Art. 20­A. A partir do ano­calendário de 2012, a opção por um dos métodos  previstos  nos  arts.  18  e  19  será  efetuada  para  o  ano­calendário  e  não  poderá  ser  alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em  seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado  pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  apresentar  novo  cálculo  de  acordo  com  qualquer  outro  método previsto na legislação.   § 1o A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito  pela pessoa jurídica.   §  2o  A  autoridade  fiscal  responsável  pela  verificação  poderá  determinar  o  preço  parâmetro,  com  base  nos  documentos  de  que  dispuser,  e  aplicar  um  dos  métodos previstos nos arts. 18 e 19, quando o sujeito passivo, após decorrido o prazo  de que trata o caput:   I ­ não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do preço  praticado  nem  às  respectivas  memórias  de  cálculo  para  apuração  do  preço  parâmetro, segundo o método escolhido;   II  ­  apresentar  documentos  imprestáveis  ou  insuficientes  para  demonstrar  a  correção do cálculo do preço parâmetro pelo método escolhido; ou   III  ­ deixar de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos  para apuração do preço parâmetro, pelo método escolhido, quando solicitados pela  autoridade fiscal.   §  3o  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  do  Ministério  da  Fazenda  definirá o prazo e a forma de opção de que trata o caput.   Aqui, acolho o entendimento esposado no voto condutor do acórdão recorrido  no  sentido  de  que  o  procedimento  reclamado  pela  Recorrente,  quando  relacionado  à  desqualificação de critérios de cálculo,  só é  aplicável na  situação em que  tal desqualificação  provoca a do método aplicado, eis que o comando normativo é direcionado para a apresentação  de novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação.  Ainda  que  assim  não  seja,  penso  que  não  são  merecedores  de  reparo  os  argumentos  expendidos  pela  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  no  sentido  de  que,  primeiro, o procedimento  trazido pela Lei nº 12.715, de 2012,  só é aplicável a partir do ano  Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.213          26 calendário de 2012, e, segundo, "os novos critérios de apuração ou de fiscalização de que trata  o  §  1º  do  artigo  144  do  CTN,  no  qual  a  contribuinte  buscou  amparo  para  justificar  a  retroatividade  são  aqueles  que  ampliam  os  poderes  de  investigação  do  Fisco  ou  dão  mais  garantias ou privilégios ao crédito  tributário", de modo que não pode servir de  fundamento  para a pretensão declinada na peça de defesa.  Rejeito, pois, a nulidade arguída.   DEVER  DE  LEGALIDADE  ­  FÓRMULA  DA  LEI  Nº  9.430/96.  ILEGALIDADE  DA  IN  243/2002,  O  RECONHECIMENTO  DE  TAL  FATO  PELO  CONGRESSO NACIONAL  E  PELA  RECEITA  FEDERAL  E  PRECEDENTES  SOBRE  A  INCOMPATIBILIDADE  ENTRE  A  REFERIDA  NORMA  E  A  LEI  Nº  9.430/96  (ARGUMENTOS  DA  FAZENDA  NACIONAL,  PROBLEMAS  DE  CÁLCULO  E  LEGALIDADE DA CONDUTA DO CONTRIBUINTE)   A  Recorrente  requer  o  reconhecimento  da  invalidade  do  lançamento,  por  entender  que  ele  diverge  da  fórmula  para  cálculo  do  preço  parâmetro  previsto  na  Lei  nº  9430/96.  Diz  que  este  Colegiado  já  se  manifestou  sobre  a  possibilidade  de  os  julgadores  administrativos apreciar a legalidade das  Instruções Normativas, e que a própria IN 243 já se  submeteu a esse juízo. Alega que a sistemática de cálculo pelo método PRL 60 prevista pela IN  243 é ilegal. Sustenta que a nova fórmula de cálculo prevista pela IN 243 foi válida somente a  partir do ano calendário de 2002, de modo que, se ela apenas reproduzisse os termos da Lei nº  9.430/96, certamente  teria caráter  interpretativo e seria aplicável a  fatos pretéritos, o que não  ocorreu. Alega que a  alteração promovida pela Medida Provisória nº 563  (Lei nº 12.715, de  2012)  evidenciou  a  incompatibilidade  da  margem  de  60%  sobre  o  valor  de  revenda  com  a  forma de cálculo contida na IN 243 (reproduz precedentes relacionados à matéria). Diz que a  exposição de motivos da Medida Provisória nº 478, de 2009 (não foi convertida em lei), torna  clara a ausência de base legal da IN 243. Rebate os argumentos sustentados pela Procuradoria  da Fazenda Nacional em defesa da legalidade da IN, e alega que o cálculo do PRL 60 pela sua  sistemática  gera  uma  série  de  problemas  e  erros  lógicos,  que  seria  suficiente  para  afastar  a  aplicação  do  referido  ato  (apresenta  exemplo  numérico  em  favor  da  sua  tese).  Sustenta  que,  ainda que se parta da premissa de que a IN 243 não contraria o texto da Lei 9.430, disto não se  pode  extrair  que  a  sua  conduta  seria  ilegal,  vez  que  adotou método  de  apuração  cuja  fonte  direta é a lei   Penso,  primeiramente,  que  a  requisição  de  invalidade  do  lançamento  formalizada pela Recorrente vem acompanhada de afirmação digna de reparo, vez que o art. 18  da Lei nº 9.430/96 não estabeleceu qualquer fórmula para a determinação do preço parâmetro  relativo ao denominado método PRL 60%.  As  fórmulas,  sejam  as  porventura  referenciadas  pela  contribuinte,  sejam  as  previstas  em  atos  normativos  editados  pela  Receita  Federal  (Instruções  Normativas  nºs  113/2000;  32/2001;  e  243/2002),  representam  expressões  matemáticas  do  exercício  interpretativo feito pelo aplicador da lei, relativamente às disposições do citado art. 18 da Lei  nº 9.430/96.  A análise do presente item deve ser direcionada no sentido de se aferir se a  Instrução  Normativa  nº  243,  de  2002,  ao  estabelecer  fórmula  para  determinação  do  denominado preço parâmetro, foi além dos limites a ela impostos, isto é, extrapolou a lei que  objetivou complementar.  Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.214          27 Digo que a questão limita­se à análise das prescrições trazidas pela Instrução  Normativa nº  243/2002,  pois,  neste  item,  em que  pese  a  variação  de  argumentos,  a  linha  de  defesa da Recorrente tem por premissa a invalidade do referido ato normativo.  Aqui,  é  importante  ressaltar,  não  existe  questionamento  relacionado  aos  cálculos, em si, efetuados pela autoridade fiscal.  Pontuo que, no que tange à legalidade IN 243, já tive a oportunidade de me  pronunciar  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  16643.000266/2010­15,  razão  pela  qual,  adiante, promovidas as devidas adaptações aos questionamentos veiculados por meio da peça  recursal, repisarei argumentos ali expendidos.  Em convergência com o sustentado na peça recursal, acolho o argumento da  fiscalizada no sentido de que este Colegiado detém competência para, se for o caso, afastar atos  normativos expedidos pela Receita Federal do Brasil, na parte em que o referido ato revelar­se  contrário a lei.  Retornando  à  questão  da  “fórmula”,  reitero  que,  a  meu  ver,  não  estamos  diante  de  instituição,  por  meio  de  Instrução  Normtiva,  de  fórmula  de  cálculo  do  preço  parâmetro pelo método PRL 60% diversa da estabelecida pelo art.18 da Lei nº 9.430/1996, vez  que, como já dito, a lei não estabeleceu “fórmula” no sentido empregado pela ora Recorrente,  isto  é,  não  exprimiu  por meio  de  símbolos  os  elementos  que  compunham  o  chamado  preço  parâmetro (a rigor, nem mesmo a Instrução Normativa nº 243/2002 fez isso).  Vejamos,  então,  o  disposto  em  cada  um  dos  atos  antes  referenciados,  relativamente ao caso em debate (art. 18 da Lei nº 9.430/96 e art. 12 da Instrução Normativa nº  243/2002).  Lei nº 9.430/96  Art. 18. Os  custos,  despesas  e  encargos  relativos  a  bens,  serviços  e  direitos,  constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas  com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o  valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos:  ...  II ­ Método do Preço de Revenda menos Lucro ­ PRL: definido como a média  aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:   a) dos descontos incondicionais concedidos;   b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas;   c) das comissões e corretagens pagas;   d) da margem de lucro de:   1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os  valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de  bens importados aplicados à produção;   ...  Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.215          28 Instrução Normativa nº 243/2002  Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no  exterior,  dedutível  da  determinação  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  poderá,  também,  ser  efetuada  pelo  método  do  Preço  de  Revenda  menos  Lucro  (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens,  serviços ou direitos, diminuídos:  I ­ dos descontos incondicionais concedidos;  II ­ dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas;  III ­ das comissões e corretagens pagas;  IV ­ de margem de lucro de:  ...  b)  sessenta  por  cento,  na  hipótese  de  bens,  serviços  ou  direitos  importados  aplicados na produção.  §  1º  Os  preços  de  revenda,  a  serem  considerados,  serão  os  praticados  pela  própria  empresa  importadora,  em  operações  de  venda  a  varejo  e  no  atacado,  com  compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados.  §  2º Os  preços médios  de  aquisição  e  revenda  serão ponderados  em  função  das quantidades negociadas.  § 3º Na determinação da média ponderada dos preços,  serão computados os  valores  e  as  quantidades  relativos  aos  estoques  existentes  no  início  do  período  de  apuração.  §  4º  Para  efeito  desse método,  a média  aritmética  ponderada  do  preço  será  determinada  computando­se  as  operações  de  revenda  praticadas  desde  a  data  da  aquisição até a data do encerramento do período de apuração.  §  5º  Se  as  operações  consideradas  para  determinação  do  preço  médio  contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser  escoimados  dos  juros  neles  incluídos,  calculados  à  taxa  praticada  pela  própria  empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o  prazo concedido para o pagamento.  § 6º Na hipótese do § 5º, não  sendo comprovada  a  aplicação consistente de  uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa:  I  ­  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  (Selic),  para  títulos  federais,  proporcionalizada  para  o  intervalo,  quando  comprador  e  vendedor  forem domiciliados no Brasil;  II  ­  Libor,  para  depósitos  em  dólares  americanos  pelo  prazo  de  seis meses,  acrescida  de  três  por  cento  anuais  a  título  de  spread,  proporcionalizada  para  o  intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior.  § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como:  I  ­  incondicionais,  os  descontos  concedidos  que  não  dependam  de  eventos  futuros,  ou  seja,  os  que  forem  concedidos  no  ato  de  cada  revenda  e  constar  da  respectiva nota fiscal;  Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.216          29 II  ­  impostos,  contribuições  e outros  encargos  cobrados pelo Poder Público,  incidentes  sobre  vendas,  aqueles  integrantes  do  preço,  tais  como  ICMS,  ISS,  PIS/Pasep e Cofins;  III  ­  comissões  e  corretagens,  os  valores  pagos  e  os  que  constituírem  obrigação  a  pagar,  a  esse  título,  relativamente  às  vendas  dos  bens,  serviços  ou  direitos objeto de análise.  ...  § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado  na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção.  § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos  importados será apurado excluindo­se o valor agregado no País e a margem de lucro  de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir:  I ­ preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda  do  bem  produzido,  diminuídos  dos  descontos  incondicionais  concedidos,  dos  impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas;  II  ­  percentual  de  participação  dos bens,  serviços  ou direitos  importados no  custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou  direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com  a planilha de custos da empresa;  III ­ participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda  do  bem  produzido:  a  aplicação  do  percentual  de  participação  do  bem,  serviço  ou  direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido  de venda calculado de acordo com o inciso I;  IV ­ margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a  "participação  do  bem,  serviço  ou  direito  importado  no  preço  de  venda  do  bem  produzido", calculado de acordo com o inciso III;  V  ­  preço  parâmetro:  a  diferença  entre  o  valor  da  "participação  do  bem,  serviço  ou  direito  importado  no  preço  de  venda  do  bem  produzido",  calculado  conforme  o  inciso  III,  e  a  margem  de  lucro  de  sessenta  por  cento,  calculada  de  acordo com o inciso IV.  Para  fins  de  solução  da  controvérsia,  o  que  importa  apreciar  é  se  a  interpretação  feita  pela  Recorrente  efetivamente  traduz  a  disposição  da  lei. Cabe,  da mesma  forma,  verificar  se  a  “interpretação  oficial”,  promovida  pela  Receita  Federal  e  esposada  na  Instrução Normativa  nº  243,  reflete  o  comando  da  lei,  de modo  a  afastar  a  trazida  pela  ora  Recorrente.  Não me parece restar dúvida que o valor resultante da aplicação da “fórmula”  descrita  pela  Recorrente  não  tem  qualquer  relação  com  o  denominado  preço  parâmetro  almejado pela lei.  As  regras  de  preços  de  transferência,  introduzidas  no  ordenamento  jurídico  pátrio  por  meio  da  já  citada  Lei  nº  9.430,  de  1996,  objetivam  impedir  que,  por  meio  de  artifícios,  rendas  que  deveriam  permanecer  no  país  sejam  transferidas  para  o  exterior.  Tratando­se  de  operações  de  importação  de  bens,  serviços  e  direitos,  tais  transferências  poderiam  se  dar  por  meio  de  superfaturamento,  em  que  os  custos  seriam  artificialmente  Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.217          30 majorados. A diferença entre o custo majorado e o que seria incorrido em uma operação sem  artificialismos revela o montante da renda que, indevidamente, está sendo remetido ao exterior.  O  que,  no  parágrafo  anterior,  denominou­se  CUSTO  INCORRIDO  SEM  ARTIFICIALISMOS, nada mais é que o PREÇO PARÂMETRO almejado pela lei a partir do  estabelecimento de métodos matemáticos.  O que a legislação de preços de transferência objetiva, portanto, é identificar,  por meio  de métodos matemáticos,  o  custo  (no  caso  da  importação)  efetivo  de  determinado  bem,  serviço  ou  direito,  caso  a  operação  não  seja  realizada  com  pessoa  vinculada  ou  com  pessoa  situada  em país  ou  dependência  com  tributação  favorecida  ou  cuja  legislação  interna  oponha  sigilo  à  divulgação  de  informações  referentes  à  sua  constituição  societária  ou  titularidade.  Observa­se que, no método em debate (PRL 60), o legislador partiu do preço  de revenda para chegar ao custo. Assim, me parece razoável que se possa buscar a expressão  matemática  do  preço  parâmetro  por meio  do  caminho  inverso,  isto  é,  através  dos  elementos  formadores do preço.  Em elevada sintetização, a  formação de preços consiste em um processo de  acumulação  de  custos,  acrescida  de  uma  margem  de  lucro.  Admitida  uma  liberdade  terminológica, isto é, abandonado o rigor dos conceitos próprios da teoria econômica, pode­se  afirmar que o preço praticado por determinado unidade produtiva resulta da soma dos custos  totais  incorridos  no  processo  produtivo,  incluídos  aí  a  remuneração  dos  fatores  de  produção  (valor agregado), acrescidos de uma margem de lucro.  A grosso modo, o preço de venda (PV) de um determinado produto poderia  ser assim determinado: PV = custo de importação dos insumos + custo incorrido no processo  produtivo  (remuneração  de  fatores  =  valor  agregado)  +  impostos,  descontos  incondicionais,  comissões, etc. (despesas fixas e variáveis) + margem de lucro.      No caso da aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro a insumo  importado utilizado no processo produtivo, o preço parâmetro representa o custo de importação  livre  dos  elementos  previstos  na  lei  como  integrantes  do  preço  de  revenda.  Daí  que  se  considera  esse  preço  de  revenda  diminuído  dos  descontos  incondicionais;  dos  impostos  e  contribuições  incidentes  sobre  as  vendas;  das  comissões  e  corretagens  pagas;  da margem de  lucro  fixada  pela  lei  (60%  sobre  o  preço  de  revenda  após  deduzidos  os  descontos  incondicionais,  os  impostos  e  contribuições  incidentes  sobre  as  vendas  e  as  comissões  e  corretagens pagas); e do valor agregado do país.  Exprimindo matematicamente esta primeira análise, teríamos:  PP = PR – C/D – ML (PR – C/D) – VA  Onde:  PP = Preço Parâmetro;  C/D = Custos e Despesas previstos na lei;  ML = Margem de Lucro  Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.218          31 VA = Valor Agregado  Considerando “PR – C/D” como Preço Líquido de Revenda (PLV), teríamos:  PP = PLV – ML (PLV) – VA   Vê­se, pois, que, na metodologia do PRL, a determinação do preço parâmetro  parte do preço de revenda para, excluindo os elementos formadores deste mesmo preço (custos  e  despesas  incorridos;  margem  de  lucro;  e  valor  agregado)  chegar  ao  valor  de  comparação  estipulado pela lei.  Noutra  vertente,  utilizando­se  a  mesma  nomenclatura  acima,  o  preço  parâmetro sugerido pelas Instruções Normativas anteriores à edição da IN 243, na interpretação  que tem sido emprestada em variadas teses de defesa, seria expresso da seguinte forma:  PP = PLV – ML (PLV – VA)  ou  PP = PLV – ML (PLV) + ML (VA)  Note­se  que,  neste  caso,  o  preço  de  comparação  (preço  parâmetro),  que  deveria representar o preço de revenda diminuído dos seus elementos formadores, passa a ser o  preço de revenda diminuído dos custos e despesas incorridos e da margem de lucro incidente  sobre  ele,  porém,  acrescido  da margem  de  lucro  incidente  sobre  o  valor  agregado,  o  que,  à  evidência, revela artificialismo na sua determinação e desvio em relação ao pretendido pela lei.  Como  reforço  à  interpretação  aqui  expendida,  sirvo­me do  pronunciamento  do  Ilustre  Conselheiro  Leonardo  Andrade  do  Couto  (acórdão  nº  1102­00610,  de  23  de  novembro  de  2011),  que,  escudando­se  em  estudo  feito  pela Procuradoria Geral  da Fazenda  Nacional, naquilo que importa reproduzir, assinalou:  [...]  Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos  termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo,  e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa  conclusão:   É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada  pode  ser  extraída  da  leitura  do  art.  18  da  Lei  nº  9.430/96,  considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso  II, in verbis:  II ­ Método  do  Preço  de  Revenda menos  Lucro ­ PRL:  definido  como  a  média  aritmética  dos  preços  de  revenda  dos  bens  ou  direitos, diminuídos:  a) dos descontos incondicionais concedidos;  b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas;  c) das comissões e corretagens pagas;  Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.219          32 d) da margem de lucro de:  1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após  deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor  agregado no País,  na hipótese de bens  importados aplicados à  produção;   (grifos do original)  De fato, é possível  interpretar o texto legal no sentido de que o  parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços  de  revenda  dos  bens  ou  direitos,  diminuídos  (i)  dos  descontos  incondicionais  concedidos,  (ii)  dos  impostos  e  contribuições  incidentes  sobre  as  vendas,  (iii)  das  comissões  e  corretagens  pagas,  (iv) da margem de  lucro de sessenta por cento, e  (v) do  valor agregado no País”.   A  margem  de  lucro  de  sessenta  por  cento,  por  sua  vez,  seria  calculada  exclusivamente  “sobre  o  preço  de  revenda  após  deduzidos  os  valores  referidos  nas  alíneas  anteriores”.  Nesse  sentido,  vale  transcrever  as  observações  de  Ricardo  Marozzi  Gregório acerca da falta de clareza do texto legal:  “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Trata­ se da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova  alínea  “d”.  Com  efeito,  afirma­se  que  a  margem  de  lucro  de  60%  deve  ser  “calculada  sobre  o  preço  de  revenda  após  deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor  agregado  no  País” Ora,  uma  primeira  leitura  deste  trecho  faz  pressupor  que  houve  erro  gramatical  na  utilização  da  preposição  “de”  juntamente  com  o  artigo  “o”  antes  da  expressão  “valor  agregado”.  Assim,  para  que  ficasse  gramaticalmente  correta,  ao  invés  de  “do  valor  agregado”  deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...]  Quanto  à  primeira  investigação,  já  se  mencionou  que  uma  possível  premissa  para  a  interpretação  da  falta  de  clareza  do  texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18,  inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro  gramatical na utilização da preposição “de”  juntamente com o  artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma  outra  possível  premissa  é  a  que  sustenta  que  não  houve  erro  gramatical,  mas  técnica  redacional  inapropriada.  Para melhor  esclarecimento, vale a pena  reproduzir a  íntegra do novo  texto  do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei  nº 9.959/00: [...]  A  técnica  redacional  inapropriada,  identificada  por  Victor  Polizelli,  decorre  da  percepção  de  que  a  expressão  “do  valor  agregado”  não  se  refere  à  palavra  “deduzidos”,  presente  no  mesmo  item  “1”  da  alínea  “d”,  mas  sim  à  palavra  “diminuídos”, que consta no “caput” do próprio inciso II. Esta  técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de  uma  alínea  “e”,  pois  a  exclusão  do  valor  agregado  só  se  aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...]  Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.220          33 Assumindo  essa  premissa para  as  hipóteses  de  produção  local,  uma  outra  fórmula  de  apuração  do  preço  parâmetro  pode  ser  identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1  Nessa  linha  de  raciocínio,  nota­se  que  a  expressão  “do  valor  agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à  palavra  “deduzidos”  (item  1  da  alínea  d).  Como  apontado  no  trecho  citado,  cuida­se  de  técnica  redacional  inapropriada,  voltada a  evitar a  inclusão de mais uma alínea no  inciso  II  do  art. 18, hipótese que se visualiza abaixo:  II ­ Método  do  Preço  de  Revenda menos  Lucro ­ PRL:  definido  como  a  média  aritmética  dos  preços  de  revenda  dos  bens  ou  direitos, diminuídos:  a) dos descontos incondicionais concedidos;  b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas;  c) das comissões e corretagens pagas;  d) da margem de lucro de:  1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após  deduzidos  os  valores  referidos  nas  alíneas  anteriores,  na  hipótese de bens importados aplicados à produção;  2.  vinte  por  cento,  calculada  sobre  o  preço  de  revenda,  nas  demais hipóteses.   e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados  aplicados à produção.  Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído  no cálculo da margem de  lucro não está em sintonia à própria  dicção  do  dispositivo  legal  Para  abrigar  a  interpretação  proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei  nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos:  “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após  deduzidos  os  valores  referidos  nas alíneas  anteriores  e o  valor  agregado no País,  na hipótese de bens  importados aplicados à  produção.”  ou  “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após  a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor  agregado no País,  na hipótese de bens  importados aplicados à  produção.”  ...   Em  resumo,  é  necessário  deixar  claro  que  a  interpretação  meramente  gramatical  do  art.  18  da  Lei  nº  9.430/96  pode                                                              1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência.  3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170­195.  Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.221          34 resultar  em  diferentes  fórmulas  de  cálculo  do  PRL  60,  o  que  denota  que  não  há  uma única  fórmula “pronta  e  acabada” no  diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da  Lei  nº  9.430/96  é  plurívoca,  o  que  dá  margem  a  dúvidas  que  devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa.   O  fato  de  a  margem  de  lucro  fixada  pela  lei  ser  tida  como  elevada,  provocando, com isso, efeitos econômicos indesejáveis, a meu ver, não autoriza a Recorrente a  buscar, na tentativa de atenuar tais efeitos, formulação de expressão distinta da prevista em lei  na determinação do preço de comparação.  Creio  não  restar  dúvida  que  a  Instrução  Normativa  243/2002  revela  interpretação distinta da que foi feita pela a que lhe antecedeu (Instrução Normativa SRF nº 32,  de  2001),  mas  isso  não  autoriza  a  conclusão  de  que  a  interpretação  anterior  estava  em  conformidade  com  a  lei  e  a  atual  representou  inovação.  Ao  contrário,  como  anteriormente  demonstrado a  interpretação  trazida pela  Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002,  é  a que  melhor  traduz  os  comandos  estampados  no  art.  18  da  Lei  nº  9.430/96,  vez  que  revela  com  maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal.  No que  diz  respeito  à  proporcionalização  trazida  pela  IN 243,  penso  que  a  questão  é de  ordem puramente matemática  (e  não  jurídica),  que empresta maior  exatidão na  determinação  do  preço  parâmetro.  Tratando­se  de  comparação  de  custos  (CUSTO  LEGAL/PREÇO PARÂMETRO X CUSTO APROPRIADO), resta evidente que eu não posso  confrontar o custo do insumo (PARTE DO PRODUTO) com o custo total do produto.  A  proporcionalização  em  comento  produz  a  exclusão  in  totum  do  valor  agregado, permitindo, assim, a explicitação mais adequada do preço parâmetro.  No  que  diz  respeito  a  eventuais  distorções  econômicas  decorrentes  da  aplicação  da  fórmula  trazida  pela  IN  243,  penso  que  isso  decorre  da margem  de  lucro  fixa  trazida pela lei, motivo pelo qual, como se verá adiante, a legislação superveniente cuidou de  flexibilizá­la segundo a natureza da atividade explorada.  O  fato  de  a  exposição  de  motivos  da Medida  Provisória  nº  478,  de  2009,  assinalar que grande parte da legislação relativa a preços de transferência encontra­se baseada  em normas complementares não autoriza concluir que referida Medida pretendeu, como quer  crer a Recorrente, corrigir ilegalidades da IN 243.  O objetivo, a bem da verdade, foi, nos exatos termos ali expressos, “reduzir a  litigiosidade que a matéria tem suscitado”.  Resta  evidente  que  a  inclusão  da  fórmula  de  determinação  do  preço  parâmetro  sob  discussão  em  dispositivo  com  força  de  lei,  a  exemplo  do  que  fez  a Medida  Provisória nº 563, de 03 de abril de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 2012, contribui para  a redução dos litígios, mas, como dito, isto não significa dizer que a interpretação trazida pela  norma complementar editada pela Receita Federal inovou em relação ao comando legal da qual  ela  emergiu.  Em  sentido  contrário,  penso  que  a  contemplação  em  referência  reafirma  a  procedência  da  interpretação  infralegal,  vez  que  representa  absoluta  convergência  com  o  objetivo almejado pelas regras de preços de transferência.  Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.222          35 Cabe  destacar  que,  não  obstante  a  reprodução  da metodologia  trazida  pela  Instrução Normativa  243/2002,  tanto  a Medida Provisória  nº  478,  como  a  de  nº  563  (Lei  nº  12.715),  referidas  Medidas  Provisórias  não  trataram  exclusivamente  desta  matéria  (metodologia  do  cálculo  do  preço  parâmetro),  eis  que  promoveram,  fundamentalmente,  alteração na margem de lucro.  Releva notar que os efeitos econômicos decorrentes da aplicação do método  PRL 60, residem, essencialmente, na fixação, pela lei, da margem de lucro de 60%, matéria em  relação a qual, ao menos em seara administrativa, a autoridade julgadora não pode se desviar  do estabelecido em lei.  A  Medida  Provisória  nº  563/2012  (Lei  nº  12.715),  ao  reproduzir  a  metodologia estampada na Instrução Normativa 243/2002,  joga por terra o argumento de que  referida  norma  complementar  viola  o  princípio  “arm’s  lenght”  e  reafirma  o  reverberado  por  densa doutrina no sentido de que, visto pela ótica econômica, o fator negativo do método PRL  60 repousa na margem de lucro de 60%, considerada excessiva se comparada a aplicável aos  casos de importação para revenda (20%).  Esclareço  que,  aqui,  não  se  está  negando  eventuais  efeitos  negativos,  do  ponto de vista econômico, da fórmula estampada na IN 243, mas, apenas, destacando que ela  retrata de forma fiel o estabelecido pela lei de regência. A Recorrente, por sua vez, ciente de  que  a  margem  de  lucro  fixada  pela  lei  revelou­se  excessiva  e  de  que  a  autoridade  administrativa  julgadora  encontra­se  impedida  de  atenuar  os  efeitos  decorrentes  de  tal  excessividade, empresta interpretação equivocada na aplicação do método, procurando, por via  oblíqua, reduzir o ajuste tributário.  Repiso que, relativamente às eventuais distorções econômicas que possam ser  geradas  a  partir  da  aplicação  da  metodologia  estampada  na  IN  243,  não  cabe  à  autoridade  administrativa,  no  exercício  da  atividade  revisional,  pronunciar­se  sobre  tais  efeitos,  competindo à ela, apenas, verificar se a interpretação retratada na norma complementar guarda  absoluta conformidade com o texto da lei.  Nesse particular (conformidade com o texto da lei), reitero o entendimento no  sentido de que a expressão matemática extraída das disposições da IN 243 é a que otimiza o  pretendido pelas normas de preços de transferência, eis que:  i)  matematicamente,  preserva  uma  margem  de  lucro  mínima,  no  patamar  fixado pela lei (60%);  ii) possibilita o ajuste  tomando por base o  insumo importado, e não o valor  total do produto dele decorrente;  iii) exclui integralmente o valor agregado, permitindo a explicitação do preço  parâmetro livre de qualquer artificialismo;  iv)  em  que  pese  eventuais  distorções  econômicas  no  âmbito  em  que  é  aplicada  (empresas  submetidas  ao  controle),  alcança  o  objetivo  pretendido  pelas  normas  de  preços de transferência.  Sou, pois, pela procedência do ajuste promovido pela Fiscalização.  Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.223          36 A  DIFICULDADE  DE  APLICAÇÃO  DOS  MÉTODOS  DE  PREÇO  DE  TRANSFERÊNCIA ÀS OPERAÇÕES ABRANGIDAS PELO AUTO DE INFRAÇÃO  Argumenta a Recorrente que, considerada a natureza de suas atividades e as  regras postas na  legislação de preços de  transferência,  concluiu que os métodos previstos na  legislação de preços de transferência seriam de difícil aplicação. Diz que o único método que  envolve a adoção de dados nacionais disponíveis e próprios dela é o PRL, de modo que não lhe  restou outra alternativa que não a utilização dele. Alega que a aplicação do PRL ao caso sob  discussão  (AFRETAMENTO  e  ALUGUEL  DE  EQUIPAMENTOS  UTILIZADOS  NA  EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO)  revela­se ainda mais perversa  e conduz a  resultados mais  irreais do que os decorrentes da lei.    Embora respeite a argumentação trazida pela Recorrente, penso que questões  associadas  à  dificuldade  de  aplicação  de  método  previsto  em  lei  para  a  determinação  do  denominado  PREÇO  PARÂMETRO  não  podem  ser  dirimidas  no  âmbito  desta  instância  julgadora. Aqui, o que importa verificar é se as operações efetuadas pela fiscalizada estavam  ou  não  sujeitas  às  regras  de  preços  de  transferência,  o  que,  a  meu  ver,  nem  a  própria  contribuinte duvida que sim.  NÃO CABIMENTO DA MULTA ISOLADA  Sustenta a Recorrente que, em conformidade com a reiterada  jurisprudência  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes  e  do  CARF,  é  incabível  a  aplicação  da multa  isolada  quando  já  exigida  penalidade  específica  incidente  sobre  o  tributo  apurado  por  meio  de  lançamento  de  ofício,  visto  que  tal  lançamento  é  caracterizador  de  dupla  penalização  do  contribuinte. Diz que a questão é de tal modo pacífica que gerou a aprovação da súmula CARF  nº 105. Adita que não há que se falar em recomposição dos resultados mensais dos balancetes  de suspensão e redução, vez que a apuração dos ajustes decorrentes da aplicação das regras de  preços de transferência é anual.   Não se pode deixar de admitir que a questão da aplicação da multa  isolada  nas circunstâncias versadas nos presentes autos constitui matéria controversa no âmbito deste  Conselho.  Não  obstante,  penso  que  o  óbice  apontada  na  peça  recursal  não  encontra  ressonância na legislação de regência.  Com efeito, descabe falar em duplicidade de incidência sobre um mesmo fato  (concomitância), pois, na situação sob análise, estamos diante de duas infrações distintas, quais  sejam: a) falta de recolhimento do imposto e da contribuição em decorrência de ajuste a menor  decorrentes das regras de preços de transferência; e b) falta de recolhimento das antecipações  obrigatórias (estimativas), em razão da recomposição da base de cálculo.   A  norma  legal  aplicada  (art.  44  da  Lei  nº.  9.430/96)  revela  obrigações  distintas  que,  uma  vez  inobservadas,  podem  ensejar  a  aplicação  da  sanção.  A  primeira,  consubstanciada no dever de recolher o imposto e a contribuição com base em estimativa a que  se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A  segunda,  decorrente  da  opção  em  questão,  surge  em  consequência  da  eventual  apuração  de  saldo positivo no resultado tributável anual.  Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.224          37 O  fato  de  as  infrações  terem  sido  apuradas  por  meio  de  um  mesmo  procedimento  revela,  apenas,  concomitância  de  verificação  das  irregularidades,  não  constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida.  Destaco que a variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência  de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas.   Tome­se,  por  exemplo,  a  situação  em  que,  no  curso  do  período­base  de  incidência, apurou­se receita omitida e, em razão disso, aplicou­se a multa isolada em virtude  da  insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento,  restou verificado  que  a  mesma  receita,  antes  omitida,  também  não  foi  considerada  nas  bases  de  cálculo  do  tributo e da contribuição devidos. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo, assim como a  contribuição, serão lançados com a multa de ofício correspondente, não havendo que se falar,  nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato.  Cabe registrar que a multa isolada em questão teve por fundamento o art. 44,  II, b, da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488, de  2007, de modo que, aqui, não é aplicável a súmula CARF nº 105, abaixo reproduzida.  Súmula  CARF  nº  105:  A  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430,  de  1996,  não  pode  ser  exigida  ao  mesmo  tempo  da  multa  de  ofício  por  falta  de  pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de  ofício.  Note­se que o enunciado trata especificamente da multa isolada lançada com  fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, isto é, na redação original do  dispositivo legal, antes, portanto, das alterações promovidas pela Lei nº 11.488, de 2007.  No que diz respeito ao argumento de que, tratando­se de ajustes de preços de  transferência,  descabe  falar  em  recomposição  dos  resultados  dos  balanços  de  suspensão/redução, penso também que ele não pode ser recepcionado. Isto porque, embora os  referidos balanços possam ser levantados em todos os meses do período de apuração, eles não  dizem respeito ao mês em que foi elaborado, mas, sim, ao período acumulado até este mesmo  mês,  ou  seja,  analogamente,  representa  meio  para  a  apuração  do  resultado  fiscal  como  se  encerramento  de  atividades  fosse,  exigindo  assim que  todos  os  ajustes  ao  lucro  líquido  para  fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL sejam considerados.   Pelas razões expostas, sou pela manutenção da MULTA ISOLADA.  ILEGALIDADE  DA  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  SELIC  SOBRE  A  PARCELA DA MULTA  Argumenta a Recorrente que não se pode admitir a eventual futura incidência  de juros de mora sobre a parcela da multa de ofício aplicada. Sustenta que, nos termos do art.  61 da Lei nº 9.430, de 1996, somente são admitidos os acréscimos moratórios  referentes aos  débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias.  Relativamente  ao  juros  sobre  a  multa  de  ofício,  embora  tenha  me  pronunciado  em  outras  ocasiões  pela  procedência  da  sua  incidência,  não  com  base  na  taxa  selic, mas, sim, com aplicação do percentual de 1% a que alude o parágrafo primeiro do art.  161  do  Código  Tributário  Nacional,  em  razão  de  reiterados  pronunciamentos  desta  Corte  Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.225          38 Administrativa, revi meu posicionamento, de modo que passei a acolher o entendimento de que  efetivamente existe lastro legal para que a incidência se dê com base na taxa selic.  No que diz respeito à referida matéria (juros sobre a multa de ofício), dentre  inúmeros no mesmo sentido, adoto como razões de decidir o pronunciamento do Conselheiro  Fernando Brasil de Oliveira Pinto nos autos do processo administrativo nº 19515.720343/2012­ 64 (acórdão nº 1402­001.750, sessão de 30 de julho de 2014), que, amparado em manifestação  da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consignou:  [...]  Observa­se,  inicialmente, que  a questão  tem sido objeto  intenso debate pela  Câmara Superior, haja vista que, num  lapso de poucos meses, ocorreram votações  em  sentidos  opostos,  ambos  decididos  por  maioria  apertada  de  votos,  como  se  verifica  dos  acórdãos  n°  9101­00539,  de  11/03/2010,  e  n°  9101­00.722,  de  08/11/2010.  Abstraindo­se  de  argumentos  finalísticos,  como  o  enriquecimento  ilícito  do  Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a  Súmula  CARF  n°  2,  expõe­se  os  fundamentos  considerados  suficientes  para  justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 9101­00539, de  11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner.  O conceito de crédito  tributário,  nos  termos do art. 139 do CTN, comporta  tanto tributo quanto penalidade pecuniária.  Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96,  que  regula  os  acréscimos  moratórios  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  pode  levar  à  equivocada  conclusão  de  que  estaria  excluída  desses  débitos a multa de ofício.  Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente  dentro do sistema tributário nacional.  No  dizer  do  jurista  Juarez  Freitas  (2002,  p.70),  "interpretar  uma  norma  é  interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma  aplicação  da  totalidade  do  direito".  Merece  transcrição  a  continuidade  do  seu  raciocínio:  "Não  se  deve  considerar  a  interpretação  sistemática  como  simples  instrumento  de  interpretação  jurídica.  É  a  interpretação  sistemática,  quando  entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira  que  ou  se  compreendem  os  enunciados  prescritivos  nos  plexos  dos  demais  enunciados  ou  não  se  alcançará  compreendê­los  sem  perdas  substanciais.  Nesta  medida,  mister  afirmar,  com  os  devidos  temperamentos,  que  a  interpretação  jurídica  é  sistemática  ou  não  é  interpretação."  (A  interpretação  sistemática  do  direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74).  Daí,  por  certo,  decorrerá  uma  conclusão  lógica,  já  que  interpretar  sistematicamente  implica  excluir  qualquer  solução  interpretativa  que  resulte  logicamente contraditória com alguma norma do sistema.  O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual  deve  incidir  os  juros  de  mora,  ao  dispor  que  o  crédito  tributário  não  pago  integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente  dos motivos do inadimplemento.  Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.226          39 Nesse  sentido,  no  sistema  tributário  nacional,  a  definição  de  crédito  tributário há de ser uniforme.  De  acordo  com  a  definição  de  Hugo  de  Brito  Machado  (2009,  p.172),  o  crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual  o  Estado  (sujeito  ativo)  pode  exigir  do  particular,  o  contribuinte  ou  responsável  (sujeito  passivo),  o  pagamento do  tributo  ou da  penalidade  pecuniária  (objeto  da  relação obrigacional)."  A  obrigação  tributária  principal  referente  à  multa  de  ofício,  a  partir  do  lançamento, converte­se em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°,  do CTN:  Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória.  § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por  objeto o pagamento de  tributo ou penalidade pecuniária e  extingue­se  juntamente  com o crédito tributário dela decorrente. (destacou­se)  A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem  por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente  do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional.  A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida  "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°).  Assim,  no momento  do  lançamento,  ao  tributo  agrega­se  a multa  de  ofício,  tornando­se ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal.  A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício,  tem  natureza  punitiva,  incidindo  sobre  o  montante  não  pago  do  tributo  devido,  constatado após ação fiscalizatória do Estado.  Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza  indenizatória, compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito  da União.  A  própria  lei  em  comento  traz  expressa  regra  sobre  a  incidência  de  juros  sobre a multa isolada.  Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada  pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à  incidência de  juros de  mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n°  9.430/96  estabeleceu  expressamente  que  sobre  o  crédito  tributário  constituído  na  forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente  ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.  O  art.  61  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  ao  se  referir  a  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  alcança  os  débitos  em  geral  relacionados  com  esses  tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia  então,  reforçado pelo  fato  de  o  art.  43  da mesma  lei  prescrever  expressamente  a  incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente.  Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de  Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), exclui a  Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.227          40 equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da  Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício.  Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por  cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61).  §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia  subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o  dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°).  §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei  n°9.430, de 1996, art. 61, §2°).  §3° A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor  do  imposto  já  tenha  servido  de  base  para  a  aplicação  da  multa  decorrente  de  lançamento de ofício.  A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante  do  crédito  tributário  constituído  pelo  tributo  mais  a  multa  de  ofício  passa  a  ser  acrescido dos  juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos  recursos  nos cofres da União.  No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais  quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com  a seguinte ementa:  JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – A  obrigação  tributária principal  surge  com a  ocorrência  do  fato  gerador  e  tem por  objeto  tanto o pagamento do  tributo  como a penalidade pecuniária decorrente do  seu não pagamento,  incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário  corresponde  a  toda  a  obrigação  tributária  principal,  incluindo  a  multa  de  oficio  proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.  Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o  crédito  tributário não  integralmente pago no vencimento,  ainda que  suspensa sua  exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral."  Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, busca­se  na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos  para com a União.  Para esse fim, a partir de abril de 1995,  tem­se a taxa Selic,  instituída pela  Lei n° 9.065, de 1995.  No  âmbito  do  Poder  Judiciário,  a  jurisprudência  é  forte  no  sentido  da  aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no  exemplo abaixo:  REsp  1098052  /  SP  RECURSO  ESPECIAL  2008/0239572­8  Relator(a)  Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 – SEGUNDA TURMA Data  do  Julgamento  04/12/2008  Data  da  Publicação/Fonte  DJe  19/12/2008  Ementa  PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO  DECLARADO  E  NÃO  PAGO.  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO.  DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE.  Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.723574/2014­93  Acórdão n.º 1301­001.952  S1­C3T1  Fl. 1.228          41 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de  Processo  Civil,  quanto  o  recorrente  busca  tão­somente  rediscutir  as  razões  do  julgado.  2.  Em  se  tratando  de  tributos  lançados  por  homologação,  ocorrendo  a  declaração  do  contribuinte  e  na  falta  de  pagamento  da  exação  no  vencimento,  a  inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo.  3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e  de  juros de mora, na atualização dos créditos  tributários  (Precedentes: AgRg nos  EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins,DJU de 11.09.06  e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de  12.02.07).(g.n.)  No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal  foi pacificada com a  edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força  de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos:  Súmula CARF n°  4: A  partir  de  1°  de  abril  de  1995,  os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.  Assim, com suporte nos fundamentos acima esposados, conduzo meu voto no  sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso.   "documento assinado digitalmente"  Wilson Fernandes Guimarães ­ Relator                                Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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Numero do processo: 13804.008252/2002-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Relatório COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS recorre a este Conselho em face do acórdão nº 16-37-492 proferido pela 5ª Turma da DRJ em São Paulo – DRJ/SP1 que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório pelo qual não foi homologada a DCOMP vinculada ao saldo negativo de CSLL apurado no PA 01/01/2000 a 31/10/2000, pela COMPANHIA CERVEJARIA BRAHMA CNPJ 33.366.980/0001-08, sucedida pela requerente. A declaração em tela foi analisada pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo que mediante o despacho decisório de fls.108 a 113, proferido em 20/03/2007, não validou o saldo negativo de CSLL indicado na DIPJ devido à existência de Auto de Infração, processo nº16327.001400/2005-11, no qual foi apurado CSLL a pagar no valor de R$ 19.477.488,27 para o ano-calendário de 2000. Cientificado em 28/03/2007, o contribuinte, irresignado, impugnou o despacho decisório em 27/04/2007 manifestando a sua inconformidade às fls. 143 a 164, na qual alega, em síntese, o seguinte: deve ser declarada a nulidade do ato administrativo, que não reconheceu o crédito da CSLL informado na Declaração de Compensação de fl. 01, uma vez que o Sr. AFRF “retificou a base da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido” com fundamento em auto de infração que possui objeto distinto do requerido no processo em epígrafe e que ainda está em discussão na esfera administrativa; de acordo com o regimento interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, esse procedimento não é de competência do AFRF que proferiu a decisão; deve ser reconhecido o transcurso de prazo de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador em 2000, acarretando, como conseqüência, a homologação tácita dos lançamentos patrocinados pela manifestante, ex vi, o disposto no parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional; o saldo negativo da CSLL decorre de forma direta do pagamento (compensação com crédito de PA anterior e DARF) da CSLL devida por estimativa no período de 01/01/2000 a 31/10/2000. A citada manifestação de inconformidade foi acolhida em parte por esta Turma de Julgamento através do Acórdão nº 16-14.664 de 04/09/2007 (fls. 236 a 238), cuja ementa reproduzo a seguir: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Eventual existência de lançamento de ofício não prejudica a análise do credito apurado em Declaração de Informações - DIPJ. No voto foi observado que o crédito de CSLL objeto da compensação declarada foi apurado na DIPJ correspondente ao período de 01/01/2000 a 31/10/2000 (ND nº 1082792 - fl. 39), enquanto que a falta apurada pela fiscalização tem como fato gerador o dia 31/12/2000. Destacou, ainda, que o lançamento decorrente não levou em consideração qualquer pagamento efetuado a título de CSLL no ano calendário de 2000. Os autos retornaram à Delegacia de origem para análise do mérito do crédito (saldo negativo da CSLL) apurada na DIPJ/2001, ND 1082792. Atendendo ao solicitado a DIORT elaborou o Relatório Fiscal de fls. 662 a 669 com as seguintes conclusões: Segundo a DIPJ correspondente ao PA 01/01/2000 a 31/10/2000 a interessada apurou no período, R$ 10.991.121,71 de CSLL devida, deduziu R$ 16.000.543,53 de estimativas pagas, resultando em R$ 5.009.421,82 de saldo negativo de contribuição (ficha 30 – fl. 323). De acordo com as DCTF(s) apresentadas pela interessada os débitos correspondentes às estimativas pagas foram extintos como segue: MÊS VALOR (R$) VINCULO PROCESSO fls. JAN 2.536.809,42 SN CSLL AC 1998 sem processo 328 FEV 359.512,71 SN CSLL AC 1998 sem processo 329 MAR 2.315.607,75 SN CSLL AC 1998 sem processo 330 ABR 203.217,26 SN CSLL AC 1998 sem processo 331 1.077.182,60 SN CSLL AC 1998 * 13710.001163/99-59 331 MAI 1.390.802,93 SN CSLL AC 1998 * 13710.001163/99-59 332 JUN 2.342.932,53 SN IRPJ AC 1998 13710.001351/00-74 333 JUL 923.535,09 SN IRPJ AC 1998 13710.001351/00-74 334 AGO 1.554.876,04 SN IRPJ AC 1999 13710.001351/00-74 335 SET 3.296.067,20 DARF 336 TOTAL 16.000.543,53 * verifica-se no processo em tela que ao contrario do informado na DCTF os débitos foram compensados com o saldo negativo de IRPJ e CSLL apurado nos anos calendário de 1995 e 1996. As compensações vinculadas aos processos 13710.001163/99-59 e 13710.001351/00-74, foram confirmadas. Em relação às compensações sem processo (Lei 8383/1991), vinculadas ao saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1998, verificou-se que parte do crédito (estimativas pagas no ano calendário de 1998) foi objeto de compensação com o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1993. Saldo Negativo CSLL AC 2008 Mês Pagamentos R$ Compensação (SN AC 1993) Total R$ Jan 1.862.535,73 1.230.905,19 3.092.440,92 Fev 1.246.439,03 1.246.439,03 TOTAL 3.108.974,76 4.339.879,95 Os pagamentos correspondentes aos PA(s) jan/1998 e fev/1998 foram confirmados no sistema FISCEL. O contribuinte foi intimado a demonstrar e comprovar a utilização do saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1993. No entanto após terem decorridos mais de 90 dias do recebimento da intimação o contribuinte apresentou apenas os seguintes documentos: comprovantes de arrecadação de empresa sucessora de CNPJ 60.522.000/0001-83; relatórios de arrecadação da empresa cujo crédito ora se analisa, mas que não incluem pagamentos com o código 2484 ou não se referem ao período de interesse; cópias de DIPJ a partir do ano-calendário 1994; cópias não solicitadas do LALUR e que não incluem informações úteis para esta análise. A interessada não respondeu a nenhum quesito solicitado, não demonstrou a utilização do “saldo credor de CSLL” do ano calendário de 1993 e não apresentou qualquer registro contábil de tais informações. Assim dos R$ 4.339.879,95 apurados a titulo de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 1998 (não foi apurada CSLL devida) foi validado apenas o credito decorrente dos pagamentos efetuados (R$ 3.108.974,76). Conforme demonstrativo do sistema NeoSapo (fls. 422/424) o saldo negativo de CSLL validado (R$ 3.108.974,76) é suficiente para amortizar a CSLL devida por estimativa no mês janeiro/2000 (R$ 2.536.809,42), fevereiro/2000 (R$ 359.512,71) e parte do valor devido no mês de março/2000 (R$ 1.032.243,88). Os ajustes efetuados nos valores das estimativas do AC 2000, resultam no seguinte: Valores em R$ MÊS DIPJ Compensação/Pagamento VALIDADO JAN 2.536.809,42 SN CSLL AC 1998 2.536.809,42 FEV 359.512,71 SN CSLL AC 1998 359.512,71 MAR 2.315.607,75 SN CSLL AC 1998 1.032.243,88 ABR 203.217,26 SN CSLL AC 1998 0,00 1.077.182,60 SN CSLL AC 1998 1.077.182,60 MAI 1.390.802,93 SN CSLL AC 1998 1.390.802,93 JUN 2.342.932,53 SN IRPJ AC 1998 2.342.932,53 JUL 923.535,09 SN IRPJ AC 1998 923.535,09 AGO 1.554.876,04 SN IRPJ AC 1999 1.554.876,04 SET 3.296.067,20 DARF 3.296.067,20 TOTAL 16.000.543,53 14.513.962,40 Com isso, a Ficha 30 da DIPJ/2001 – Cálculo da CSLL será ajustada na seguinte forma: Valores em R$ Linha Declarado Validado 24 CSLL Apurada 10.991.121,71 10.991.121,71 27 CSLL Paga por Estimativa 16.000.543,53 14.513.962,40 31 CSLL A Pagar -5.009.421,82 -3.522.840,69 O contribuinte informa na correspondência de 26/04/2007 (fls. 143/164) que “O saldo negativo de CSLL de R$ 5.009.421,82, apurado no período de 01/01/2000 a 01/11/2000, foi utilizado na compensação da CSLL devida no mês de novembro do mesmo ano, no valor de R$ 4.376.174,01, gerando um saldo remanescente passível de compensação de R$ 744.456,97”. Cientificado em 12/09/2011, do resultado da análise do saldo negativo da CSLL apurada na DIPJ PA 01/01/2000 a 31/10/2000, a interessada apresentou em 03/10/2011 a manifestação de fl. 727 a 729 na qual não contesta o resultado apurado pela DIORT. Limita-se a anexar aos autos, em atendimento à intimação citada no relatório fiscal, os seguintes documentos: Termo de Intimação fiscal – Anexo I; Comprovantes de Pagamentos da Contribuição Social (cód. 2484) do período de janeiro de 1993 a fevereiro de 1998 – Anexo II; Declaração de Rendimentos/Informações correspondentes aos exercícios financeiro de 1995 a 1999 – Anexo III; Balancete de janeiro de 1994, Livros Razões e Diários do período de janeiro a agosto de 1994 – Anexo IV; Livros Razões e Diários do período de janeiro a dezembro de 1995 – Anexo V; Balancete do ano calendário de 1996 – Anexo VI; Balancetes do período de janeiro a dezembro de 1997 – Anexo VII; Livro Razão do período de janeiro e fevereiro de 1998 – Anexo VIII; e, Composição dos valores de compensação Saldo Negativo de CSLL do ano calendário de 1993 – Anexo IX. Analisando a manifestação de inconformidade, a turma julgadora a quo julgou-a improcedente. Em resumo, entendeu que o saldo negativo de CSLL de 1993 teria sido utilizado em sua totalidade para compensar estimativas de CSLL devidas em relação ao ano-calendário de 1994. Afirmou ainda que, em relação a 1994, não há comprovação dos pagamentos das estimativas referentes aos meses de janeiro, fevereiro, outubro e novembro de 1994. Portanto, não restando qualquer valor disponível referente ao saldo negativo de CSLL, não há como se confirmar como paga a estimativa de CSLL atinente a janeiro de 1998, tampouco o saldo negativo de CSLL de 1998, o qual, por sua vez, teria sido utilizado para compensar as estimativas de CSLL de março e abril de 2000. Em vista disso, assim concluiu o ilustre relator do voto condutor do aresto recorrido: Assim, a compensação de parte da CSLL devida por estimativa no mês de janeiro/1998 (R$ 1.230.905,19) com o saldo negativo de CSLL apurada no ano calendário de 1993, não pode ser validada por falta de comprovação da disponibilidade do crédito. Destarte, o saldo negativo de CSLL validado pela autoridade administrativa para o PA 01/01/2000 a 31/10/2000 (R$ 3.522.840,69), não merece reparos. Segundo o demonstrativo de fl. 02 o contribuinte utilizou R$ 4.376.174,01 do crédito ora validado na compensação da CSLL devida no mês de novembro de 2000. Assim sendo, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada às fl. 01, por inexistência de crédito. O contribuinte foi cientificado da decisão em 29 de maio de 2012 (fl. 1012) apresentando recurso voluntário de fls. 1013-1040, e anexos, em 27 de junho de 2012, aduzindo, em síntese, que: - O saldo negativo de CSLL de R$ 5.009.421,82, apurado no período de 01/01/2000 a 01/11/2000, teve origem nos recolhimentos efetuados a maior por estimativa de CSLL; - As estimativas devidas de CSLL dos meses de janeiro amarço de 2000, foram quitadas integralmente através de compensação com o saldonegativo de CSLL apurado em 31/12/1998. Com relação à estimativa devida deCSLL do mês de abril de 2000, o débito foi quitado parcialmente com o saldonegativo apurado em 1998 e o valor remanescente com o crédito do processoadministrativo n. 13710.001163/99-59; - O saldo credor de CSLL apurado no ano-calendário de 1998, de R$ 4.339.879,95, informado na Ficha 30 - Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido da DIPJ, originou nas estimativas devidas de CSLL dos meses de janeiro (R$ 3.093.440,92, sendo R$ 1.862.535,73 via pagamento - DARF, e R$ 1.230.905,19 via compensação - crédito de CSLL) e março (R$ 1.246.439,03 extinto mediante pagamento – DARF); - O valor glosado refere-se justamente à compensação de R$ 1.230.905,19 referente à extinção de parte da estimativa devida relativa a março de 1998, fazendo-se necessário demonstrar a origem de tal crédito de CSLL, o que remete à análise dos valores a partir do ano-calendário de 1993; - No ano-calendário de 1993 sua sucedida (Companhia Cervejaria Brahma) apurou saldo negativo de CSLL no montante de 2.154.269,08 UFIRs (valor devido, em UFIRs, era de 4.524.201,18 e o valor efetivamente recolhido via DARF foi o equivalente a 6.678.470,26 UFIRs); - Relativamente ao ano-calendário de 1994, a sucedida apurou estimativas a pagar de CSLL nos meses de janeiro, fevereiro, outubro e novembro, no montante de 9.837.215,83 UFIRs, sendo 7.070.191,97 extintas mediante pagamento (DARF) e o valor de 2.767.023,86 UFIR mediante compensação com crédito da empresa incorporada CEBRASP S/A; - Embora o Relatório Fiscal da análise do Processo emitidopela Equipe de Análise de processos do Imposto de Renda – DERAT/SP informeque não identificou a forma de quitação das estimativas mensais do ano de 1994, arecorrente alega ter localizado os DARFs referentes às estimativas de Fevereiro, Outubro eNovembro de 1994, pagos sob o código 2372 – código de receita de recolhimento de CSLL devido por EMPRESAS TRIBUTADAS COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO OU ARBITRADO, o que, a seu ver, comprovaria que houve recolhimentos no período, restando pendente apenas a comprovação do pagamento do mês de janeiro; - No que atine ao crédito de CSLL transferido da sucedida CEBRASP S/A para quitação de parte da estimativa de outubro de 1994 (2.767.023,86 UFIRs), argumentou que tal crédito originou-se de recolhimento a maior no ano-calendário de 1993 e de saldo credor apurado na DIRPJ do ano de 1994; - A DIRPJ da sucedida CEBRASP S/A apresentou, no ano-calendário de 1993, CSLL a pagar no montante de 4.539.656,59 UFIRs, o qual foi quitado por meio de DARF, no montante 5.424.005,61UFIRs, de modo que o referido pagamento resultou no crédito de pagamento a maior no valor de 884.349,02 UFIRs (5.424.005,61 UFIRs - 4.539.656,59 UFIRs); - Quanto ao ano-calendário de 1994, com base na DIRPJ de CEBRASP S/A procurou-se demonstrar que havia sido apurado, ao final do período, saldo negativo no valor de 555.999,79 UFIRs. Também teriam sido recolhidos DARFs, nos valores de Cr$ 489.522.175,73 e Cr$ 591.014.880,59, que representavam 601.031,56 UFIRs e 725.643,53 UFIRs, respectivamente; - Sobre tal parcela de crédito (2.767.023,90 UFIRs), alega que por ocasião da incorporação de CEBRASP S/A por Companhia Cervejaria Brahma, esta teria se utilizado de tais créditos para compensar parte da estimativa devida relativa à competência de outubro de 1994; - Assim, não haveria que se falar em utilização do saldo negativode CSLL apurado no ano-calendário de 1993 na compensação deste débito conformeapontado na Intimação da RFB n° 1638/2012, pois a parcela compensada da estimativateria se originado do crédito apurado na incorporação da CEBRASP S/A em 30/05/1994; - Alega ainda que em relação aos anos-calendário de 1995 e 1996 todas as estimativas teriam sido adimplidas mediante DARF, afastando qualquer possibilidade de utilização de crédito de CSLL apurado no ano-calendário de 1996; - Diante de tal cenário, entende que a Companhia Cervejaria Brahmadetinha crédito suficiente para promover a compensação de parte da estimativadevida para o período de janeiro de 1998 no montante de R$ 1.230.905,19 e dasestimativas de 03/2000 e 04/2000, comprovando a suficiência do direito creditóriopara a homologação da compensação realizada com o débito de PIS, no valor de R$975.033,26, ora em discussão; - A estimativa devida de CSLL do mês de maio de 2000, no valor de R$ 1.390.802,93, teria sido quitada através de compensação com o processo administrativo nº 13710.001163/99-59, ou seja, o mesmo processo utilizado na quitação do valor de R$ 1.077.182,60, que compõe o débito de CSLL do mês de abril de 2000, de R$ 1.280.399,86 (R$ 1.077.182,60 + R$ 203.217,26 = R$ 1.280.399,86); - O processo administrativo n. 13710.001163/99-59, refere-se aum Pedido de Restituição, protocolado na SRF em 10/06/1999 e que à época da apresentação do recurso se encontrava pendente de julgamento no então Primeiro Conselho de Contribuintes. O direito creditório deste processo teria sido reconhecido parcialmente pela Delegacia da Receita Federal - DRF, consequentemente, algumas compensações relacionadas a ele teriam sido homologadas, dentre elas os débitos de R$ 1.390.802,93 e R$ 1.077.182,60, conforme extrato do processo emitido em 13/04/2004; - Já em relação aos débitos de CSLL dos meses de junho aagosto de 2000, os valores teriam sido quitados através de compensação com o processoadministrativo nº 13710.001351/00-74. Os débitos cadastrados no referido processoadministrativo teriam sido homologados pela DRF em 17/01/2007, tendo o processooriginário de direito creditório sido encaminhado para arquivo; - Por fim, informa que o débito de CSLL referente ao mês de setembro de 2000, no valor de R$ 3.296.067,20, teria sido recolhido através de DARF, conforme cópia do documento de arrecadação emitido pela própria RFB; - O saldo negativo de CSLL de R$ 5.009.421,82, apurado noperíodo 01/01/2000 a 01/11/2000, foi utilizado na compensação da CSLL devidado mês de novembro do mesmo ano, no valor de R$ 4.376.174,01, gerando umsaldo remanescente passível de compensação de R$ 744.456,97; - Em 31/03/2001, a COMPANHIA CERVEJARIA BRAHMA(CNPJ: 33.366.980/0001-08) foi incorporada pela COMPANHIA BRASILEIRA DEBEBIDAS (CNPJ: 60.522.000/0001-83), que sucedeu todos os direitos e deveres dacompanhia incorporada. Com isso foi transferido para a incorporadora o direito decompensação do saldo remanescente de CSLL apurado no período de 01/01/2000 a01/11/2000, que atualizado até data do evento representa o montante de R$769.874,26; - Tendo em vista a juntada de novos documentos em sede de recurso voluntário, em que pese o processo já ter sido remetido à unidade origem por ocasião do julgamento da Manifestação de Inconformidade, entende que o processo deverá novamente retornar à unidade local da RFB para apreciação desses novos documentos, haja vista sua necessidade para fins de comprovação da suficiência do direito creditório pleiteado, devendo o exame retroceder até o ano-calendário de 1993 em razão da utilização parcial, do saldo negativo de CSLL no referido ano para a compensação de parte da CSLL do mês de janeiro de 1998; - Soma-se a isso o fato de terem sido anexadas parte das guias DARFs que teriam sido recolhidas, mas ainda não haviam sido disponibilizadas à unidade de origem à época da elaboração do relatório fiscal que serviu de base para o reconhecimento parcial do direito creditório, sendo tal ponto verificação imprescindível para que se possa confirmar o valor recolhido a título de estimativa do ano-calendário de 1994 (tal fato teria sido empregado como principal razão de decidir da turma julgadora a quo para o não reconhecimento integral do direito creditório pleiteado – fl. 7 da decisão); - Sendo deferido o pedido de diligência, formulou os quesitos que entende pertinente para o deslinde do presente litígio; - Caso não se admita a juntada de provas realizada em sede de recurso voluntário, subsidiariamente passou a tecer inúmeras críticas à decisão de primeira instância, alegando falta de clareza em sua fundamentação, haja vista não restar suficientemente motivada, caracterizando o cerceamento de seu direito de defesa. Em razão disso, pugna pela anulação da decisão recorrida; - Por fim, repisa seus argumentos a respeito da impossibilidade de revisão do saldo negativo de CSLL em razão da lavratura do auto de infração constante nos autos nº 16327.001400/2005-11. É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Relatório COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS recorre a este Conselho em face do acórdão nº 16-37-492 proferido pela 5ª Turma da DRJ em São Paulo – DRJ/SP1 que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório pelo qual não foi homologada a DCOMP vinculada ao saldo negativo de CSLL apurado no PA 01/01/2000 a 31/10/2000, pela COMPANHIA CERVEJARIA BRAHMA CNPJ 33.366.980/0001-08, sucedida pela requerente. A declaração em tela foi analisada pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo que mediante o despacho decisório de fls.108 a 113, proferido em 20/03/2007, não validou o saldo negativo de CSLL indicado na DIPJ devido à existência de Auto de Infração, processo nº16327.001400/2005-11, no qual foi apurado CSLL a pagar no valor de R$ 19.477.488,27 para o ano-calendário de 2000. Cientificado em 28/03/2007, o contribuinte, irresignado, impugnou o despacho decisório em 27/04/2007 manifestando a sua inconformidade às fls. 143 a 164, na qual alega, em síntese, o seguinte: deve ser declarada a nulidade do ato administrativo, que não reconheceu o crédito da CSLL informado na Declaração de Compensação de fl. 01, uma vez que o Sr. AFRF “retificou a base da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido” com fundamento em auto de infração que possui objeto distinto do requerido no processo em epígrafe e que ainda está em discussão na esfera administrativa; de acordo com o regimento interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, esse procedimento não é de competência do AFRF que proferiu a decisão; deve ser reconhecido o transcurso de prazo de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador em 2000, acarretando, como conseqüência, a homologação tácita dos lançamentos patrocinados pela manifestante, ex vi, o disposto no parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional; o saldo negativo da CSLL decorre de forma direta do pagamento (compensação com crédito de PA anterior e DARF) da CSLL devida por estimativa no período de 01/01/2000 a 31/10/2000. A citada manifestação de inconformidade foi acolhida em parte por esta Turma de Julgamento através do Acórdão nº 16-14.664 de 04/09/2007 (fls. 236 a 238), cuja ementa reproduzo a seguir: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Eventual existência de lançamento de ofício não prejudica a análise do credito apurado em Declaração de Informações - DIPJ. No voto foi observado que o crédito de CSLL objeto da compensação declarada foi apurado na DIPJ correspondente ao período de 01/01/2000 a 31/10/2000 (ND nº 1082792 - fl. 39), enquanto que a falta apurada pela fiscalização tem como fato gerador o dia 31/12/2000. Destacou, ainda, que o lançamento decorrente não levou em consideração qualquer pagamento efetuado a título de CSLL no ano calendário de 2000. Os autos retornaram à Delegacia de origem para análise do mérito do crédito (saldo negativo da CSLL) apurada na DIPJ/2001, ND 1082792. Atendendo ao solicitado a DIORT elaborou o Relatório Fiscal de fls. 662 a 669 com as seguintes conclusões: Segundo a DIPJ correspondente ao PA 01/01/2000 a 31/10/2000 a interessada apurou no período, R$ 10.991.121,71 de CSLL devida, deduziu R$ 16.000.543,53 de estimativas pagas, resultando em R$ 5.009.421,82 de saldo negativo de contribuição (ficha 30 – fl. 323). De acordo com as DCTF(s) apresentadas pela interessada os débitos correspondentes às estimativas pagas foram extintos como segue: MÊS VALOR (R$) VINCULO PROCESSO fls. JAN 2.536.809,42 SN CSLL AC 1998 sem processo 328 FEV 359.512,71 SN CSLL AC 1998 sem processo 329 MAR 2.315.607,75 SN CSLL AC 1998 sem processo 330 ABR 203.217,26 SN CSLL AC 1998 sem processo 331 1.077.182,60 SN CSLL AC 1998 * 13710.001163/99-59 331 MAI 1.390.802,93 SN CSLL AC 1998 * 13710.001163/99-59 332 JUN 2.342.932,53 SN IRPJ AC 1998 13710.001351/00-74 333 JUL 923.535,09 SN IRPJ AC 1998 13710.001351/00-74 334 AGO 1.554.876,04 SN IRPJ AC 1999 13710.001351/00-74 335 SET 3.296.067,20 DARF 336 TOTAL 16.000.543,53 * verifica-se no processo em tela que ao contrario do informado na DCTF os débitos foram compensados com o saldo negativo de IRPJ e CSLL apurado nos anos calendário de 1995 e 1996. As compensações vinculadas aos processos 13710.001163/99-59 e 13710.001351/00-74, foram confirmadas. Em relação às compensações sem processo (Lei 8383/1991), vinculadas ao saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1998, verificou-se que parte do crédito (estimativas pagas no ano calendário de 1998) foi objeto de compensação com o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1993. Saldo Negativo CSLL AC 2008 Mês Pagamentos R$ Compensação (SN AC 1993) Total R$ Jan 1.862.535,73 1.230.905,19 3.092.440,92 Fev 1.246.439,03 1.246.439,03 TOTAL 3.108.974,76 4.339.879,95 Os pagamentos correspondentes aos PA(s) jan/1998 e fev/1998 foram confirmados no sistema FISCEL. O contribuinte foi intimado a demonstrar e comprovar a utilização do saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1993. No entanto após terem decorridos mais de 90 dias do recebimento da intimação o contribuinte apresentou apenas os seguintes documentos: comprovantes de arrecadação de empresa sucessora de CNPJ 60.522.000/0001-83; relatórios de arrecadação da empresa cujo crédito ora se analisa, mas que não incluem pagamentos com o código 2484 ou não se referem ao período de interesse; cópias de DIPJ a partir do ano-calendário 1994; cópias não solicitadas do LALUR e que não incluem informações úteis para esta análise. A interessada não respondeu a nenhum quesito solicitado, não demonstrou a utilização do “saldo credor de CSLL” do ano calendário de 1993 e não apresentou qualquer registro contábil de tais informações. Assim dos R$ 4.339.879,95 apurados a titulo de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 1998 (não foi apurada CSLL devida) foi validado apenas o credito decorrente dos pagamentos efetuados (R$ 3.108.974,76). Conforme demonstrativo do sistema NeoSapo (fls. 422/424) o saldo negativo de CSLL validado (R$ 3.108.974,76) é suficiente para amortizar a CSLL devida por estimativa no mês janeiro/2000 (R$ 2.536.809,42), fevereiro/2000 (R$ 359.512,71) e parte do valor devido no mês de março/2000 (R$ 1.032.243,88). Os ajustes efetuados nos valores das estimativas do AC 2000, resultam no seguinte: Valores em R$ MÊS DIPJ Compensação/Pagamento VALIDADO JAN 2.536.809,42 SN CSLL AC 1998 2.536.809,42 FEV 359.512,71 SN CSLL AC 1998 359.512,71 MAR 2.315.607,75 SN CSLL AC 1998 1.032.243,88 ABR 203.217,26 SN CSLL AC 1998 0,00 1.077.182,60 SN CSLL AC 1998 1.077.182,60 MAI 1.390.802,93 SN CSLL AC 1998 1.390.802,93 JUN 2.342.932,53 SN IRPJ AC 1998 2.342.932,53 JUL 923.535,09 SN IRPJ AC 1998 923.535,09 AGO 1.554.876,04 SN IRPJ AC 1999 1.554.876,04 SET 3.296.067,20 DARF 3.296.067,20 TOTAL 16.000.543,53 14.513.962,40 Com isso, a Ficha 30 da DIPJ/2001 – Cálculo da CSLL será ajustada na seguinte forma: Valores em R$ Linha Declarado Validado 24 CSLL Apurada 10.991.121,71 10.991.121,71 27 CSLL Paga por Estimativa 16.000.543,53 14.513.962,40 31 CSLL A Pagar -5.009.421,82 -3.522.840,69 O contribuinte informa na correspondência de 26/04/2007 (fls. 143/164) que “O saldo negativo de CSLL de R$ 5.009.421,82, apurado no período de 01/01/2000 a 01/11/2000, foi utilizado na compensação da CSLL devida no mês de novembro do mesmo ano, no valor de R$ 4.376.174,01, gerando um saldo remanescente passível de compensação de R$ 744.456,97”. Cientificado em 12/09/2011, do resultado da análise do saldo negativo da CSLL apurada na DIPJ PA 01/01/2000 a 31/10/2000, a interessada apresentou em 03/10/2011 a manifestação de fl. 727 a 729 na qual não contesta o resultado apurado pela DIORT. Limita-se a anexar aos autos, em atendimento à intimação citada no relatório fiscal, os seguintes documentos: Termo de Intimação fiscal – Anexo I; Comprovantes de Pagamentos da Contribuição Social (cód. 2484) do período de janeiro de 1993 a fevereiro de 1998 – Anexo II; Declaração de Rendimentos/Informações correspondentes aos exercícios financeiro de 1995 a 1999 – Anexo III; Balancete de janeiro de 1994, Livros Razões e Diários do período de janeiro a agosto de 1994 – Anexo IV; Livros Razões e Diários do período de janeiro a dezembro de 1995 – Anexo V; Balancete do ano calendário de 1996 – Anexo VI; Balancetes do período de janeiro a dezembro de 1997 – Anexo VII; Livro Razão do período de janeiro e fevereiro de 1998 – Anexo VIII; e, Composição dos valores de compensação Saldo Negativo de CSLL do ano calendário de 1993 – Anexo IX. Analisando a manifestação de inconformidade, a turma julgadora a quo julgou-a improcedente. Em resumo, entendeu que o saldo negativo de CSLL de 1993 teria sido utilizado em sua totalidade para compensar estimativas de CSLL devidas em relação ao ano-calendário de 1994. Afirmou ainda que, em relação a 1994, não há comprovação dos pagamentos das estimativas referentes aos meses de janeiro, fevereiro, outubro e novembro de 1994. Portanto, não restando qualquer valor disponível referente ao saldo negativo de CSLL, não há como se confirmar como paga a estimativa de CSLL atinente a janeiro de 1998, tampouco o saldo negativo de CSLL de 1998, o qual, por sua vez, teria sido utilizado para compensar as estimativas de CSLL de março e abril de 2000. Em vista disso, assim concluiu o ilustre relator do voto condutor do aresto recorrido: Assim, a compensação de parte da CSLL devida por estimativa no mês de janeiro/1998 (R$ 1.230.905,19) com o saldo negativo de CSLL apurada no ano calendário de 1993, não pode ser validada por falta de comprovação da disponibilidade do crédito. Destarte, o saldo negativo de CSLL validado pela autoridade administrativa para o PA 01/01/2000 a 31/10/2000 (R$ 3.522.840,69), não merece reparos. Segundo o demonstrativo de fl. 02 o contribuinte utilizou R$ 4.376.174,01 do crédito ora validado na compensação da CSLL devida no mês de novembro de 2000. Assim sendo, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada às fl. 01, por inexistência de crédito. O contribuinte foi cientificado da decisão em 29 de maio de 2012 (fl. 1012) apresentando recurso voluntário de fls. 1013-1040, e anexos, em 27 de junho de 2012, aduzindo, em síntese, que: - O saldo negativo de CSLL de R$ 5.009.421,82, apurado no período de 01/01/2000 a 01/11/2000, teve origem nos recolhimentos efetuados a maior por estimativa de CSLL; - As estimativas devidas de CSLL dos meses de janeiro amarço de 2000, foram quitadas integralmente através de compensação com o saldonegativo de CSLL apurado em 31/12/1998. Com relação à estimativa devida deCSLL do mês de abril de 2000, o débito foi quitado parcialmente com o saldonegativo apurado em 1998 e o valor remanescente com o crédito do processoadministrativo n. 13710.001163/99-59; - O saldo credor de CSLL apurado no ano-calendário de 1998, de R$ 4.339.879,95, informado na Ficha 30 - Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido da DIPJ, originou nas estimativas devidas de CSLL dos meses de janeiro (R$ 3.093.440,92, sendo R$ 1.862.535,73 via pagamento - DARF, e R$ 1.230.905,19 via compensação - crédito de CSLL) e março (R$ 1.246.439,03 extinto mediante pagamento – DARF); - O valor glosado refere-se justamente à compensação de R$ 1.230.905,19 referente à extinção de parte da estimativa devida relativa a março de 1998, fazendo-se necessário demonstrar a origem de tal crédito de CSLL, o que remete à análise dos valores a partir do ano-calendário de 1993; - No ano-calendário de 1993 sua sucedida (Companhia Cervejaria Brahma) apurou saldo negativo de CSLL no montante de 2.154.269,08 UFIRs (valor devido, em UFIRs, era de 4.524.201,18 e o valor efetivamente recolhido via DARF foi o equivalente a 6.678.470,26 UFIRs); - Relativamente ao ano-calendário de 1994, a sucedida apurou estimativas a pagar de CSLL nos meses de janeiro, fevereiro, outubro e novembro, no montante de 9.837.215,83 UFIRs, sendo 7.070.191,97 extintas mediante pagamento (DARF) e o valor de 2.767.023,86 UFIR mediante compensação com crédito da empresa incorporada CEBRASP S/A; - Embora o Relatório Fiscal da análise do Processo emitidopela Equipe de Análise de processos do Imposto de Renda – DERAT/SP informeque não identificou a forma de quitação das estimativas mensais do ano de 1994, arecorrente alega ter localizado os DARFs referentes às estimativas de Fevereiro, Outubro eNovembro de 1994, pagos sob o código 2372 – código de receita de recolhimento de CSLL devido por EMPRESAS TRIBUTADAS COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO OU ARBITRADO, o que, a seu ver, comprovaria que houve recolhimentos no período, restando pendente apenas a comprovação do pagamento do mês de janeiro; - No que atine ao crédito de CSLL transferido da sucedida CEBRASP S/A para quitação de parte da estimativa de outubro de 1994 (2.767.023,86 UFIRs), argumentou que tal crédito originou-se de recolhimento a maior no ano-calendário de 1993 e de saldo credor apurado na DIRPJ do ano de 1994; - A DIRPJ da sucedida CEBRASP S/A apresentou, no ano-calendário de 1993, CSLL a pagar no montante de 4.539.656,59 UFIRs, o qual foi quitado por meio de DARF, no montante 5.424.005,61UFIRs, de modo que o referido pagamento resultou no crédito de pagamento a maior no valor de 884.349,02 UFIRs (5.424.005,61 UFIRs - 4.539.656,59 UFIRs); - Quanto ao ano-calendário de 1994, com base na DIRPJ de CEBRASP S/A procurou-se demonstrar que havia sido apurado, ao final do período, saldo negativo no valor de 555.999,79 UFIRs. Também teriam sido recolhidos DARFs, nos valores de Cr$ 489.522.175,73 e Cr$ 591.014.880,59, que representavam 601.031,56 UFIRs e 725.643,53 UFIRs, respectivamente; - Sobre tal parcela de crédito (2.767.023,90 UFIRs), alega que por ocasião da incorporação de CEBRASP S/A por Companhia Cervejaria Brahma, esta teria se utilizado de tais créditos para compensar parte da estimativa devida relativa à competência de outubro de 1994; - Assim, não haveria que se falar em utilização do saldo negativode CSLL apurado no ano-calendário de 1993 na compensação deste débito conformeapontado na Intimação da RFB n° 1638/2012, pois a parcela compensada da estimativateria se originado do crédito apurado na incorporação da CEBRASP S/A em 30/05/1994; - Alega ainda que em relação aos anos-calendário de 1995 e 1996 todas as estimativas teriam sido adimplidas mediante DARF, afastando qualquer possibilidade de utilização de crédito de CSLL apurado no ano-calendário de 1996; - Diante de tal cenário, entende que a Companhia Cervejaria Brahmadetinha crédito suficiente para promover a compensação de parte da estimativadevida para o período de janeiro de 1998 no montante de R$ 1.230.905,19 e dasestimativas de 03/2000 e 04/2000, comprovando a suficiência do direito creditóriopara a homologação da compensação realizada com o débito de PIS, no valor de R$975.033,26, ora em discussão; - A estimativa devida de CSLL do mês de maio de 2000, no valor de R$ 1.390.802,93, teria sido quitada através de compensação com o processo administrativo nº 13710.001163/99-59, ou seja, o mesmo processo utilizado na quitação do valor de R$ 1.077.182,60, que compõe o débito de CSLL do mês de abril de 2000, de R$ 1.280.399,86 (R$ 1.077.182,60 + R$ 203.217,26 = R$ 1.280.399,86); - O processo administrativo n. 13710.001163/99-59, refere-se aum Pedido de Restituição, protocolado na SRF em 10/06/1999 e que à época da apresentação do recurso se encontrava pendente de julgamento no então Primeiro Conselho de Contribuintes. O direito creditório deste processo teria sido reconhecido parcialmente pela Delegacia da Receita Federal - DRF, consequentemente, algumas compensações relacionadas a ele teriam sido homologadas, dentre elas os débitos de R$ 1.390.802,93 e R$ 1.077.182,60, conforme extrato do processo emitido em 13/04/2004; - Já em relação aos débitos de CSLL dos meses de junho aagosto de 2000, os valores teriam sido quitados através de compensação com o processoadministrativo nº 13710.001351/00-74. Os débitos cadastrados no referido processoadministrativo teriam sido homologados pela DRF em 17/01/2007, tendo o processooriginário de direito creditório sido encaminhado para arquivo; - Por fim, informa que o débito de CSLL referente ao mês de setembro de 2000, no valor de R$ 3.296.067,20, teria sido recolhido através de DARF, conforme cópia do documento de arrecadação emitido pela própria RFB; - O saldo negativo de CSLL de R$ 5.009.421,82, apurado noperíodo 01/01/2000 a 01/11/2000, foi utilizado na compensação da CSLL devidado mês de novembro do mesmo ano, no valor de R$ 4.376.174,01, gerando umsaldo remanescente passível de compensação de R$ 744.456,97; - Em 31/03/2001, a COMPANHIA CERVEJARIA BRAHMA(CNPJ: 33.366.980/0001-08) foi incorporada pela COMPANHIA BRASILEIRA DEBEBIDAS (CNPJ: 60.522.000/0001-83), que sucedeu todos os direitos e deveres dacompanhia incorporada. Com isso foi transferido para a incorporadora o direito decompensação do saldo remanescente de CSLL apurado no período de 01/01/2000 a01/11/2000, que atualizado até data do evento representa o montante de R$769.874,26; - Tendo em vista a juntada de novos documentos em sede de recurso voluntário, em que pese o processo já ter sido remetido à unidade origem por ocasião do julgamento da Manifestação de Inconformidade, entende que o processo deverá novamente retornar à unidade local da RFB para apreciação desses novos documentos, haja vista sua necessidade para fins de comprovação da suficiência do direito creditório pleiteado, devendo o exame retroceder até o ano-calendário de 1993 em razão da utilização parcial, do saldo negativo de CSLL no referido ano para a compensação de parte da CSLL do mês de janeiro de 1998; - Soma-se a isso o fato de terem sido anexadas parte das guias DARFs que teriam sido recolhidas, mas ainda não haviam sido disponibilizadas à unidade de origem à época da elaboração do relatório fiscal que serviu de base para o reconhecimento parcial do direito creditório, sendo tal ponto verificação imprescindível para que se possa confirmar o valor recolhido a título de estimativa do ano-calendário de 1994 (tal fato teria sido empregado como principal razão de decidir da turma julgadora a quo para o não reconhecimento integral do direito creditório pleiteado – fl. 7 da decisão); - Sendo deferido o pedido de diligência, formulou os quesitos que entende pertinente para o deslinde do presente litígio; - Caso não se admita a juntada de provas realizada em sede de recurso voluntário, subsidiariamente passou a tecer inúmeras críticas à decisão de primeira instância, alegando falta de clareza em sua fundamentação, haja vista não restar suficientemente motivada, caracterizando o cerceamento de seu direito de defesa. Em razão disso, pugna pela anulação da decisão recorrida; - Por fim, repisa seus argumentos a respeito da impossibilidade de revisão do saldo negativo de CSLL em razão da lavratura do auto de infração constante nos autos nº 16327.001400/2005-11. É o relatório.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1467; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 1.177          1 1.176  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13804.008252/2002­43  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1402­000.337  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  18 de janeiro de 2016  Assunto  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO   Recorrente  COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência, nos  termos do relatório e voto que passam a  integrar o  presente julgado.  (assinado digitalmente)  LEONARDO DE ANDRADE COUTO ­ Presidente      (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Demetrius  Nichele  Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva  Gonzalez,  Leonardo  de  Andrade  Couto  e  Leonardo  Luís  Pagano  Gonçalves.  Ausente  o  Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 08 25 2/ 20 02 -4 3 Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.178            2 Relatório   COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS  recorre  a  este Conselho em  face  do acórdão nº 16­37­492 proferido pela 5ª Turma da DRJ em São Paulo – DRJ/SP1 que julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  pleiteando  sua  reforma,  com  fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de  1972 (PAF).   Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida,  complementando­o ao final:  Trata  o  presente  processo  de  Manifestação  de  Inconformidade  contra  o  Despacho  Decisório  pelo  qual  não  foi  homologada  a  DCOMP  vinculada ao saldo negativo de CSLL apurado no PA 01/01/2000 a 31/10/2000,  pela  COMPANHIA  CERVEJARIA  BRAHMA  CNPJ  33.366.980/0001­08,  sucedida pela requerente.  A declaração em tela foi analisada pela Divisão de Orientação e  Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração  Tributária em São Paulo que mediante o despacho decisório de  fls.108 a 113,  proferido  em  20/03/2007,  não  validou  o  saldo  negativo  de CSLL  indicado  na  DIPJ devido à existência de Auto de Infração, processo nº16327.001400/2005­ 11,  no  qual  foi  apurado CSLL  a  pagar  no  valor  de R$  19.477.488,27  para  o  ano­calendário de 2000.  Cientificado  em  28/03/2007,  o  contribuinte,  irresignado,  impugnou  o  despacho  decisório  em  27/04/2007  manifestando  a  sua  inconformidade às fls. 143 a 164, na qual alega, em síntese, o seguinte:  · deve ser declarada a nulidade do ato administrativo,  que  não  reconheceu  o  crédito  da  CSLL  informado  na Declaração de Compensação de  fl.  01,  uma vez  que  o  Sr.  AFRF “retificou  a  base  da Contribuição  Social Sobre o Lucro Líquido” com fundamento em  auto  de  infração  que  possui  objeto  distinto  do  requerido no processo em epígrafe e que ainda está  em discussão na esfera administrativa;  · de acordo com o regimento interno da Secretaria da  Receita Federal do Brasil – RFB, esse procedimento  não  é  de  competência  do  AFRF  que  proferiu  a  decisão;  · deve  ser  reconhecido  o  transcurso  de  prazo  de  5  anos,  contados  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador em 2000, acarretando, como conseqüência,  a homologação tácita dos lançamentos patrocinados  pela manifestante, ex vi, o disposto no parágrafo 4º  do artigo 150 do Código Tributário Nacional;  Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.179            3 · o  saldo  negativo  da CSLL decorre  de  forma direta  do  pagamento  (compensação  com  crédito  de  PA  anterior e DARF) da CSLL devida por estimativa no  período de 01/01/2000 a 31/10/2000.  A citada manifestação de  inconformidade  foi acolhida em parte  por esta Turma de Julgamento através do Acórdão nº 16­14.664 de 04/09/2007  (fls. 236 a 238), cuja ementa reproduzo a seguir:  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.  Eventual  existência  de  lançamento  de  ofício  não  prejudica a análise do credito apurado em Declaração  de Informações ­ DIPJ.  No  voto  foi  observado  que  o  crédito  de  CSLL  objeto  da  compensação  declarada  foi  apurado  na  DIPJ  correspondente  ao  período  de  01/01/2000  a  31/10/2000  (ND  nº  1082792  ­  fl.  39),  enquanto  que  a  falta  apurada pela  fiscalização  tem como fato gerador o dia 31/12/2000. Destacou,  ainda,  que  o  lançamento  decorrente  não  levou  em  consideração  qualquer  pagamento efetuado a título de CSLL no ano calendário de 2000.  Os  autos  retornaram  à  Delegacia  de  origem  para  análise  do  mérito  do  crédito  (saldo  negativo  da  CSLL)  apurada  na  DIPJ/2001,  ND  1082792.  Atendendo ao solicitado a DIORT elaborou o Relatório Fiscal de  fls. 662 a 669 com as seguintes conclusões:  Segundo a DIPJ correspondente ao PA 01/01/2000 a 31/10/2000  a interessada apurou no período, R$ 10.991.121,71 de CSLL devida, deduziu R$  16.000.543,53  de  estimativas  pagas,  resultando  em R$  5.009.421,82  de  saldo  negativo de contribuição (ficha 30 – fl. 323).  De  acordo  com  as  DCTF(s)  apresentadas  pela  interessada  os  débitos correspondentes às estimativas pagas foram extintos como segue:  MÊS  VALOR (R$)  VINCULO  PROCESSO  fls.  JAN  2.536.809,42  SN CSLL AC 1998  sem processo  328  FEV  359.512,71  SN CSLL AC 1998  sem processo  329  MAR  2.315.607,75  SN CSLL AC 1998  sem processo  330  203.217,26  SN CSLL AC 1998  sem processo  331  ABR  1.077.182,60  SN CSLL AC 1998  * 13710.001163/99­59  331  MAI  1.390.802,93  SN CSLL AC 1998  * 13710.001163/99­59  332  JUN  2.342.932,53  SN IRPJ AC 1998  13710.001351/00­74  333  JUL  923.535,09  SN IRPJ AC 1998  13710.001351/00­74  334  AGO  1.554.876,04  SN IRPJ AC 1999  13710.001351/00­74  335  SET  3.296.067,20  DARF    336  TOTAL  16.000.543,53        * verifica­se no processo em tela que ao contrario do informado na DCTF os  débitos  foram  compensados  com  o  saldo  negativo  de  IRPJ  e CSLL  apurado  nos anos calendário de 1995 e 1996.  Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.180            4 As compensações vinculadas aos processos 13710.001163/99­59  e 13710.001351/00­74, foram confirmadas.  Em  relação  às  compensações  sem  processo  (Lei  8383/1991),  vinculadas  ao  saldo  negativo  de  CSLL  apurado  no  ano  calendário  de  1998,  verificou­se que parte do crédito (estimativas pagas no ano calendário de 1998)  foi  objeto  de  compensação  com  o  saldo  negativo  de  CSLL  apurado  no  ano  calendário de 1993.  Saldo Negativo CSLL AC 2008  Mês  Pagamentos  R$  Compensação  (SN AC 1993)  Total  R$  Jan  1.862.535,73  1.230.905,19  3.092.440,92  Fev  1.246.439,03    1.246.439,03  TOTAL  3.108.974,76    4.339.879,95  Os  pagamentos  correspondentes  aos  PA(s)  jan/1998  e  fev/1998  foram confirmados no sistema FISCEL.  O  contribuinte  foi  intimado  a  demonstrar  e  comprovar  a  utilização do saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1993.  No  entanto  após  terem  decorridos  mais  de  90  dias  do  recebimento  da  intimação  o  contribuinte  apresentou  apenas  os  seguintes  documentos:  · comprovantes de arrecadação de empresa sucessora  de CNPJ 60.522.000/0001­83;  · relatórios  de arrecadação da  empresa  cujo  crédito  ora  se  analisa,  mas  que  não  incluem  pagamentos  com o código 2484 ou não se referem ao período de  interesse;  · cópias de DIPJ a partir do ano­calendário 1994;  · cópias não solicitadas do LALUR e que não incluem  informações úteis para esta análise.   A  interessada  não  respondeu  a  nenhum  quesito  solicitado,  não  demonstrou a utilização do “saldo credor de CSLL” do ano calendário de 1993  e não apresentou qualquer registro contábil de tais informações.  Assim dos R$ 4.339.879,95  apurados  a  titulo  de  saldo  negativo  de CSLL no ano calendário de 1998 (não foi apurada CSLL devida) foi validado  apenas o credito decorrente dos pagamentos efetuados (R$ 3.108.974,76).  Conforme  demonstrativo  do  sistema  NeoSapo  (fls.  422/424)  o  saldo negativo de CSLL validado (R$ 3.108.974,76) é suficiente para amortizar  a  CSLL  devida  por  estimativa  no  mês  janeiro/2000  (R$  2.536.809,42),  Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.181            5 fevereiro/2000 (R$ 359.512,71) e parte do valor devido no mês de março/2000  (R$ 1.032.243,88).  Os  ajustes  efetuados  nos  valores  das  estimativas  do  AC  2000,  resultam no seguinte:  Valores em R$  MÊS  DIPJ  Compensação/Pagamento  VALIDADO  JAN  2.536.809,42  SN CSLL AC 1998  2.536.809,42  FEV  359.512,71  SN CSLL AC 1998  359.512,71  MAR  2.315.607,75  SN CSLL AC 1998  1.032.243,88  203.217,26  SN CSLL AC 1998  0,00  ABR  1.077.182,60  SN CSLL AC 1998  1.077.182,60  MAI  1.390.802,93  SN CSLL AC 1998  1.390.802,93  JUN  2.342.932,53  SN IRPJ AC 1998  2.342.932,53  JUL  923.535,09  SN IRPJ AC 1998  923.535,09  AGO  1.554.876,04  SN IRPJ AC 1999  1.554.876,04  SET  3.296.067,20  DARF  3.296.067,20  TOTAL  16.000.543,53    14.513.962,40    Com  isso,  a  Ficha  30  da  DIPJ/2001  –  Cálculo  da  CSLL  será  ajustada na seguinte forma:  Valores em R$  Linha    Declarado  Validado  24  CSLL Apurada  10.991.121,71  10.991.121,71  27  CSLL Paga por Estimativa  16.000.543,53  14.513.962,40  31  CSLL A Pagar  ­5.009.421,82  ­3.522.840,69    O  contribuinte  informa  na  correspondência  de  26/04/2007  (fls.  143/164)  que  “O  saldo  negativo  de  CSLL  de  R$  5.009.421,82,  apurado  no  período  de  01/01/2000  a  01/11/2000,  foi  utilizado  na  compensação  da  CSLL  devida  no  mês  de  novembro  do  mesmo  ano,  no  valor  de  R$  4.376.174,01,  gerando um saldo remanescente passível de compensação de R$ 744.456,97”.  Cientificado  em  12/09/2011,  do  resultado  da  análise  do  saldo  negativo da CSLL apurada na DIPJ PA 01/01/2000 a 31/10/2000, a interessada  apresentou em 03/10/2011 a manifestação de fl. 727 a 729 na qual não contesta  o resultado apurado pela DIORT. Limita­se a anexar aos autos, em atendimento  à intimação citada no relatório fiscal, os seguintes documentos:  · Termo de Intimação fiscal – Anexo I;  · Comprovantes  de  Pagamentos  da  Contribuição  Social (cód. 2484) do período de janeiro de 1993 a  fevereiro de 1998 – Anexo II;  Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.182            6 · Declaração  de  Rendimentos/Informações  correspondentes aos exercícios financeiro de 1995 a  1999 – Anexo III;  · Balancete  de  janeiro  de  1994,  Livros  Razões  e  Diários  do  período  de  janeiro  a  agosto  de  1994  –  Anexo IV;  · Livros  Razões  e  Diários  do  período  de  janeiro  a  dezembro de 1995 – Anexo V;  · Balancete do ano calendário de 1996 – Anexo VI;  · Balancetes  do  período  de  janeiro  a  dezembro  de  1997 – Anexo VII;  · Livro  Razão  do  período  de  janeiro  e  fevereiro  de  1998 – Anexo VIII; e,  · Composição  dos  valores  de  compensação  Saldo  Negativo  de  CSLL  do  ano  calendário  de  1993  –  Anexo IX.  Analisando a manifestação de inconformidade, a turma julgadora a quo julgou­a  improcedente. Em resumo, entendeu que o saldo negativo de CSLL de 1993 teria sido utilizado  em sua totalidade para compensar estimativas de CSLL devidas em relação ao ano­calendário  de  1994.  Afirmou  ainda  que,  em  relação  a  1994,  não  há  comprovação  dos  pagamentos  das  estimativas referentes aos meses de janeiro, fevereiro, outubro e novembro de 1994. Portanto,  não restando qualquer valor disponível referente ao saldo negativo de CSLL, não há como se  confirmar  como  paga  a  estimativa  de  CSLL  atinente  a  janeiro  de  1998,  tampouco  o  saldo  negativo  de  CSLL  de  1998,  o  qual,  por  sua  vez,  teria  sido  utilizado  para  compensar  as  estimativas de CSLL de março e abril de 2000. Em vista disso, assim concluiu o ilustre relator  do voto condutor do aresto recorrido:  Assim,  a  compensação  de  parte  da  CSLL  devida  por  estimativa  no  mês  de  janeiro/1998  (R$  1.230.905,19)  com  o  saldo  negativo  de  CSLL  apurada  no  ano  calendário  de  1993,  não  pode  ser  validada por falta de comprovação da disponibilidade do crédito.  Destarte,  o  saldo  negativo  de  CSLL  validado  pela  autoridade  administrativa  para  o  PA  01/01/2000  a  31/10/2000  (R$  3.522.840,69), não merece reparos.  Segundo o demonstrativo de fl. 02 o contribuinte utilizou  R$  4.376.174,01  do  crédito  ora  validado  na  compensação  da  CSLL  devida no mês de novembro de 2000.  Assim  sendo,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação  declarada às fl. 01, por inexistência de crédito.    Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.183            7   O  contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  em  29  de maio  de  2012  (fl.  1012)  apresentando  recurso  voluntário  de  fls.  1013­1040,  e  anexos,  em  27  de  junho  de  2012,  aduzindo, em síntese, que:  ­  O  saldo  negativo  de  CSLL  de  R$  5.009.421,82,  apurado  no  período  de  01/01/2000 a 01/11/2000, teve origem nos recolhimentos efetuados a maior por estimativa de  CSLL;   ­  As  estimativas  devidas  de  CSLL  dos  meses  de  janeiro  a  março  de  2000,  foram  quitadas  integralmente  através  de  compensação  com  o  saldo  negativo  de  CSLL  apurado  em  31/12/1998.  Com  relação  à  estimativa  devida  de  CSLL  do  mês  de  abril  de  2000,  o  débito  foi  quitado  parcialmente  com  o  saldo  negativo  apurado  em  1998  e  o  valor  remanescente  com  o  crédito  do  processo  administrativo n. 13710.001163/99­59;  ­  O  saldo  credor  de  CSLL  apurado  no  ano­calendário  de  1998,  de  R$  4.339.879,95, informado na Ficha 30 ­ Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido  da DIPJ,  originou nas  estimativas devidas de CSLL dos meses de  janeiro  (R$ 3.093.440,92,  sendo R$ 1.862.535,73 via pagamento ­ DARF, e R$ 1.230.905,19 via compensação ­ crédito  de CSLL) e março (R$ 1.246.439,03 extinto mediante pagamento – DARF);  ­  O  valor  glosado  refere­se  justamente  à  compensação  de  R$  1.230.905,19  referente  à  extinção  de  parte  da  estimativa  devida  relativa  a  março  de  1998,  fazendo­se  necessário demonstrar a origem de tal crédito de CSLL, o que remete à análise dos valores a  partir do ano­calendário de 1993;  ­  No  ano­calendário  de  1993  sua  sucedida  (Companhia  Cervejaria  Brahma)  apurou saldo negativo de CSLL no montante de 2.154.269,08 UFIRs (valor devido, em UFIRs,  era  de  4.524.201,18  e  o  valor  efetivamente  recolhido  via  DARF  foi  o  equivalente  a  6.678.470,26 UFIRs);  ­  Relativamente  ao  ano­calendário  de  1994,  a  sucedida  apurou  estimativas  a  pagar  de  CSLL  nos  meses  de  janeiro,  fevereiro,  outubro  e  novembro,  no  montante  de  9.837.215,83 UFIRs,  sendo 7.070.191,97 extintas mediante pagamento  (DARF)  e o valor de  2.767.023,86 UFIR mediante  compensação  com  crédito  da  empresa  incorporada  CEBRASP  S/A;  ­  Embora  o  Relatório  Fiscal  da  análise  do  Processo  emitido  pela  Equipe  de  Análise  de  processos  do  Imposto  de  Renda  –  DERAT/SP  informe  que  não  identificou  a  forma  de  quitação  das  estimativas  mensais  do  ano  de  1994,  a  recorrente  alega  ter  localizado  os  DARFs  referentes  às  estimativas  de  Fevereiro,  Outubro  e  Novembro de 1994, pagos  sob o código 2372 –  código de receita de  recolhimento de CSLL  devido  por  EMPRESAS  TRIBUTADAS  COM  BASE  NO  LUCRO  PRESUMIDO  OU  ARBITRADO, o que,  a  seu ver,  comprovaria que houve  recolhimentos  no período,  restando  pendente apenas a comprovação do pagamento do mês de janeiro;  ­ No que atine ao crédito de CSLL transferido da sucedida CEBRASP S/A para  quitação de parte da estimativa de outubro de 1994 (2.767.023,86 UFIRs), argumentou que tal  Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.184            8 crédito  originou­se  de  recolhimento  a  maior  no  ano­calendário  de  1993  e  de  saldo  credor  apurado na DIRPJ do ano de 1994;  ­ A DIRPJ da sucedida CEBRASP S/A apresentou, no ano­calendário de 1993,  CSLL a pagar no montante de 4.539.656,59 UFIRs, o qual foi quitado por meio de DARF, no  montante  5.424.005,61UFIRs,  de  modo  que  o  referido  pagamento  resultou  no  crédito  de  pagamento  a  maior  no  valor  de  884.349,02  UFIRs  (5.424.005,61  UFIRs  ­  4.539.656,59  UFIRs);  ­  Quanto  ao  ano­calendário  de  1994,  com  base  na  DIRPJ  de  CEBRASP  S/A  procurou­se demonstrar que havia sido apurado, ao final do período, saldo negativo no valor de  555.999,79  UFIRs.  Também  teriam  sido  recolhidos  DARFs,  nos  valores  de  Cr$  489.522.175,73  e  Cr$  591.014.880,59,  que  representavam  601.031,56  UFIRs  e  725.643,53  UFIRs, respectivamente;  ­ Sobre  tal  parcela de  crédito  (2.767.023,90 UFIRs),  alega que por ocasião da  incorporação de CEBRASP S/A por Companhia Cervejaria Brahma, esta  teria se utilizado de  tais créditos para compensar parte da estimativa devida relativa à competência de outubro de  1994;  ­  Assim,  não  haveria  que  se  falar  em  utilização  do  saldo  negativo  de  CSLL  apurado  no  ano­calendário  de  1993  na  compensação  deste  débito  conforme  apontado  na  Intimação  da  RFB  n°  1638/2012,  pois  a  parcela  compensada  da  estimativa  teria se originado do crédito apurado na incorporação da CEBRASP S/A em 30/05/1994;  ­  Alega  ainda  que  em  relação  aos  anos­calendário  de  1995  e  1996  todas  as  estimativas  teriam  sido  adimplidas  mediante  DARF,  afastando  qualquer  possibilidade  de  utilização de crédito de CSLL apurado no ano­calendário de 1996;  ­  Diante  de  tal  cenário,  entende  que  a  Companhia  Cervejaria  Brahma  detinha  crédito  suficiente  para  promover  a  compensação  de  parte  da  estimativa  devida  para  o  período  de  janeiro  de  1998  no  montante  de  R$  1.230.905,19  e  das  estimativas  de  03/2000  e  04/2000,  comprovando  a  suficiência  do  direito  creditório  para  a  homologação  da  compensação  realizada  com  o  débito  de  PIS,  no  valor  de  R$  975.033,26, ora em discussão;  ­  A  estimativa  devida  de  CSLL  do  mês  de  maio  de  2000,  no  valor  de  R$  1.390.802,93,  teria  sido  quitada  através  de  compensação  com  o  processo  administrativo  nº  13710.001163/99­59,  ou  seja,  o  mesmo  processo  utilizado  na  quitação  do  valor  de  R$  1.077.182,60, que compõe o débito de CSLL do mês de abril de 2000, de R$ 1.280.399,86 (R$  1.077.182,60 + R$ 203.217,26 = R$ 1.280.399,86);  ­  O  processo  administrativo  n.  13710.001163/99­59,  refere­se  a  um Pedido de Restituição, protocolado na SRF em 10/06/1999 e que à época da apresentação  do  recurso  se  encontrava  pendente  de  julgamento  no  então  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes.  O  direito  creditório  deste  processo  teria  sido  reconhecido  parcialmente  pela  Delegacia da Receita Federal ­ DRF, consequentemente, algumas compensações relacionadas a  ele  teriam  sido  homologadas,  dentre  elas  os  débitos  de R$ 1.390.802,93  e R$ 1.077.182,60,  conforme extrato do processo emitido em 13/04/2004;  Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.185            9 ­  Já  em  relação  aos  débitos  de  CSLL  dos  meses  de  junho  a  agosto  de  2000,  os  valores  teriam  sido  quitados  através  de  compensação  com  o  processo  administrativo  nº  13710.001351/00­74.  Os  débitos  cadastrados  no  referido  processo  administrativo  teriam  sido  homologados  pela  DRF  em  17/01/2007,  tendo  o  processo  originário de direito creditório sido encaminhado para arquivo;  ­ Por fim, informa que o débito de CSLL referente ao mês de setembro de 2000,  no  valor  de  R$  3.296.067,20,  teria  sido  recolhido  através  de  DARF,  conforme  cópia  do  documento de arrecadação emitido pela própria RFB;  ­  O  saldo  negativo  de  CSLL  de  R$  5.009.421,82,  apurado  no  período  01/01/2000  a  01/11/2000,  foi  utilizado  na  compensação  da  CSLL  devida  do  mês  de  novembro  do  mesmo  ano,  no  valor  de  R$  4.376.174,01,  gerando  um  saldo remanescente passível de compensação de R$ 744.456,97;  ­  Em  31/03/2001,  a  COMPANHIA  CERVEJARIA  BRAHMA  (CNPJ:  33.366.980/0001­08)  foi  incorporada  pela  COMPANHIA  BRASILEIRA  DE  BEBIDAS  (CNPJ:  60.522.000/0001­83),  que  sucedeu  todos  os  direitos  e  deveres  da  companhia  incorporada.  Com  isso  foi  transferido  para  a  incorporadora  o  direito  de  compensação  do  saldo  remanescente  de  CSLL  apurado  no  período  de  01/01/2000  a  01/11/2000,  que  atualizado  até  data  do  evento  representa  o  montante  de  R$  769.874,26;  ­ Tendo em vista a juntada de novos documentos em sede de recurso voluntário,  em que pese o processo  já  ter sido remetido à unidade origem por ocasião do  julgamento da  Manifestação de Inconformidade, entende que o processo deverá novamente retornar à unidade  local da RFB para apreciação desses novos documentos, haja vista sua necessidade para fins de  comprovação da suficiência do direito creditório pleiteado, devendo o exame retroceder até o  ano­calendário de 1993 em razão da utilização parcial, do saldo negativo de CSLL no referido  ano para a compensação de parte da CSLL do mês de janeiro de 1998;  ­  Soma­se  a  isso  o  fato  de  terem  sido  anexadas  parte  das  guias  DARFs  que  teriam  sido  recolhidas,  mas  ainda  não  haviam  sido  disponibilizadas  à  unidade  de  origem  à  época da  elaboração do  relatório  fiscal  que  serviu de base para o  reconhecimento parcial  do  direito  creditório,  sendo  tal  ponto  verificação  imprescindível  para  que  se  possa  confirmar  o  valor recolhido a título de estimativa do ano­calendário de 1994 (tal fato teria sido empregado  como principal razão de decidir da turma julgadora a quo para o não reconhecimento integral  do direito creditório pleiteado – fl. 7 da decisão);  ­  Sendo  deferido  o  pedido  de  diligência,  formulou  os  quesitos  que  entende  pertinente para o deslinde do presente litígio;  ­  Caso  não  se  admita  a  juntada  de  provas  realizada  em  sede  de  recurso  voluntário, subsidiariamente passou a  tecer  inúmeras críticas à decisão de primeira  instância,  alegando  falta  de  clareza  em  sua  fundamentação,  haja  vista  não  restar  suficientemente  motivada, caracterizando o cerceamento de seu direito de defesa. Em razão disso, pugna pela  anulação da decisão recorrida;  ­  Por  fim,  repisa  seus  argumentos  a  respeito  da  impossibilidade  de  revisão  do  saldo  negativo  de  CSLL  em  razão  da  lavratura  do  auto  de  infração  constante  nos  autos  nº  16327.001400/2005­11.  Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.186            10 É o relatório.  Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.187            11 Voto   Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  1 ADMISSIBILIDADE  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento.  2 MÉRITO  Trata­se  de  declaração  de  compensação  (Dcomp)  que  diz  respeito  a  crédito  advindo  de  suposto  saldo  negativo  de  CSLL  apurado  no  período  de  01  de  janeiro  a  31  de  outubro de 2010 (em razão de evento especial ­ incorporação).  A unidade de origem não reconheceu o direito creditório em razão de posterior  lavratura de auto de infração de CSLL que, a seu ver,  reverteriam o então saldo negativo de  CSLL pleiteado.  Apresentada  manifestação  de  inconformidade,  a  turma  julgadora  de  primeira  instância  concluiu  que  o  auto  de  infração  não  interferia no  crédito  pleiteado,  principalmente  porque o fato gerador do crédito tributário exigido de ofício ocorrera em 31/12/2000 (período  de  apuração  de  01/11/2000  a  31/12/2000),  enquanto  o  saldo  negativo  de  CSLL  pleiteado  referia­se  a  período  de  apuração  diferenciado  em  razão  de  evento  especial  de  incorporação  (01/01/2000 a 31/10/2000). Como consequência, determinou o retorno dos autos à unidade de  origem a fim de que fosse analisado o mérito do pedido, desconsiderando­se a lavratura do auto  de infração em questão.  De  acordo  com  o  relatório  fiscal  elaborado  pela  autoridade  fiscal  da  unidade  local, dos R$ 5.009.421,82 de saldo negativo de CSLL  indicados como origem do crédito, o  contribuinte faria jus somente a R$ 3.522.840,69.  Em apertada síntese, tal glosa se deu porque na formação do saldo negativo de  CSLL pleiteado havia duas estimativas que haviam sido extintas mediante compensação com  saldo negativo de CSLL do ano­calendário de 1998 (estimativas de março e abril de 2000). O  saldo negativo de CSLL de 1998, por sua vez, possuía em sua composição uma compensação  de estimativa quitada também via compensação (janeiro de 1998), cujo crédito utilizado teria  origem em saldo negativo de CSLL de 1993.  No julgamento da manifestação de inconformidade, a decisão recorrida concluiu  que não haveria disponibilidade de  crédito do saldo negativo de CSLL de 1993,  isso porque  todo o valor disponível teria sido utilizado para compensar parte da estimativa de outubro do  ano­calendário de 1994 (período em relação ao qual não haveria confirmação dos pagamentos  das estimativas de janeiro, fevereiro, parte da de outubro e novembro).  Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.188            12 Por  essas  razões,  não  foi  validado  o  credito  decorrente  da  CSLL  devida  por  estimativa  nos  meses  de  março/2000  (R$  1.283.363,87)  e  abril/2000  (R$  203.217,26),  reconhecendo­se somente R$ 3.522.840,69 de crédito.  Em seu  recurso voluntário, em contraposição às  razões da decisão de primeira  instância, o contribuinte anexou vasta documentação que comprovaria o equívoco da decisão  recorrida.  Em homenagem não só  ao princípio da verdadeira material, mas  também com  base  no  §  4º  do  art.  16  do  Decreto  nº  70.235/72,  tal  documentação  deve  ser  levada  em  consideração para melhor análise do litígio.  Em  resumo,  a  alegação  da  recorrente  é  que  haveria  disponibilidade  de  saldo  negativo CSLL relativo ao ano­calendário de 1993 para compensação da estimativa de CSLL  referente a janeiro de 1998 (o que confirmaria o saldo negativo de CSLL de 1998, saldo esse  utilizado para compensar as estimativas de março e abril de 2000, e, consequentemente, validar  a totalidade do crédito pleiteado).  Isso  porque  o  saldo  negativo  de  CSLL  de  1993  não  teria  sido  utilizado  para  compensar parte da estimativa de CSLL referente ao mês de outubro de 1994.   Conforme tabela constante à fl. 1024, elaborada pela recorrente, assim se deu a  quitação das estimativas referentes ao ano­calendário de 1994:     É  importante  ressaltar  que  o  valor  consignado  como  compensado  é  retratado  inclusive no corpo do DARF constante à fl. 1115, o qual, por oportuno, reproduzo a seguir:  Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.189            13   Tal parcela da estimativa de outubro de 1994, segundo a recorrente, teria origem  em  saldo  negativo  de  CSLL  de  empresa  que  fora  incorporada  por  Companhia  Cervejaria  Brahma.  Explica  a  recorrente  que  por  ocasião  da  incorporação  de  CEBRASP  S/A  por  Companhia Cervejaria Brahma, esta teria se utilizado de tais créditos para compensar parte da  estimativa devida relativa à competência de outubro de 1994.   Eis a tabela contida à fl. 1025 dos autos que, segundo a recorrente, resumiria o  crédito apurado em CEBRASP:    Observação:  a  segunda  referência  a  saldo  negativo  DIRPJ  1994,  no  total  de  555.999,79  UFIRs, refere­se, na realidade, ao ano­calendário de 1994, conforme DIRPJ/1995 às fl. 1108­ 1110.  Segundo a recorrente tal crédito teria se originado de recolhimento a maior por  CEBRASP  S/A  no  ano­calendário  de  1993  e  de  saldo  credor  apurado  na  DIRPJ  do  ano  de  1994. A esse respeito, informa que a DIRPJ da sucedida CEBRASP S/A apresentara, no ano­ calendário de 1993, CSLL a pagar no montante de 4.539.656,59 UFIRs, o qual foi quitado por  meio de DARF, no montante 5.424.005,61 UFIRs, de modo que o referido pagamento resultou  no  crédito  de  pagamento  a  maior  no  valor  de  884.349,02  UFIRs  (5.424.005,61  UFIRs  ­  4.539.656,59 UFIRs).  Quanto ao ano­calendário de 1994, com base na DIRPJ/1995 de CEBRASP S/A  (fls.  1108­1110)  procurou­se  demonstrar  que  havia  sido  apurado,  ao  final  do  período,  saldo  Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.190            14 negativo de CSLL no valor de 555.999,79 UFIRs. Também teriam sido recolhidos DARFs, nos  valores de Cr$ 489.522.175,73 e Cr$ 591.014.880,59 (fl. 1111), que representavam 601.031,56  UFIRs e 725.643,53 UFIRs, respectivamente. É de se observar que embora a tributação tenha  se dado na forma do lucro real, os DARFs foram recolhidos em código de receita aplicável às  empresas tributadas com base no lucro presumido (código 2372).  Conforme  já  explanado,  tal  parcela  de  crédito  (2.767.023,90  UFIRs),  por  ocasião  da  incorporação  de  CEBRASP  S/A  por  Companhia  Cervejaria  Brahma,  teria  sido  utilizada por esta última para compensar parte da estimativa devida relativa à competência de  outubro de 1994.  Assim,  de  fato,  não  haveria  que  se  falar  em  utilização  do  saldo  negativo  de  CSLL  apurado  no  ano­calendário  de  1993  na  compensação  deste  débito,  pois  a  parcela  compensada da estimativa teria se originado do crédito apurado na incorporação da CEBRASP  S/A em 30/05/1994.  Retornando às estimativas de CSLL de Companhia Cervejaria Brahma referente  ao  ano­calendário  de  1994,  com  exceção  da  compensação  parcial  referente  a  outubro,  as  demais  estimativas  –  e  parte  da  de  outubro  ­  teriam  sido  extintas  mediante  pagamento  de  DARF, cujos comprovantes somente agora teriam sido localizados pela recorrente (à fl. 1115  foram  anexados  os  supostos  comprovantes  referentes  aos  pagamentos  das  estimativas  de  fevereiro, parcela da de outubro e novembro,  restando em aberto somente a comprovação do  pagamento da estimativa do mês de janeiro).  Conforme  esclareceu  a  recorrente,  tais  DARFs  (fl.  1115)  foram  preenchidos  com o código de receita 2372, aplicável à CSLL devida por contribuintes tributados com base  no  lucro  presumido  ou  arbitrado.  Eis  a  razão  de  o  relatório  de  recolhimentos  anexado  pela  autoridade  fiscal  da unidade de origem não  consignar os  recolhimentos  realizados de CSLL,  uma  vez  que  utilizou­se  como  filtro  de  pesquisa  o  código  de  receita  de  CSLL  aplicável  às  pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (2484). Em razão de sua didática, reproduzo  os  DARF  contidos  à  fl.  1115,  acrescentando  destaques  em  vermelho  para  sua  melhor  visualização:  Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.191            15    Os valores ali  consignados, e as  respectivas datas, conferem, sem dúvida com  as estimativas devidas, conforme tabela (exceto em relação à estimativa de outubro, recolhida  Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.192            16 parcialmente,  e,  segundo  a  recorrente,  saldo  quitado  mediante  compensação,  conforme  já  explnado).  Logo,  ainda  que  existente  o  erro  no  preenchimento  do  código  de  receita  (o  correto  seria  2484,  e  não  2372)  não  há  como  se  negar,  em  princípio,  a  existência  do  recolhimento,  sendo  possível,  inclusive,  a  retificação  do  código  de  receita  mediante  procedimento denominado REDARF.   A fim de demonstrar que o saldo negativo de CSLL também não fora utilizado  em  períodos  posteriores,  anexou  comprovantes  dos  pagamentos  de  todas  as  estimativas  referentes aos anos­calendário de 1995 e 1996.  Saliento, contudo, que compulsando os autos, não encontrei informações sobre a  composição da CSLL devida, recolhida, compensada ou a pagar referente ao ano­calendário de  1997, de modo a poder averiguar se o saldo negativo de CSLL do ano­calendário de 1993 não  poderia  ter sido utilizado para compensação de estimativas ou de eventual  saldo negativo de  CSLL apurado naquele período.  Nesse  cenário,  entendo  que  os  argumentos  e  documentos  entabulados  pela  recorrente mostram­se significativamente consistentes.  Com exceção à estimativa referente ao mês de janeiro de 1994, foram anexados  cópias dos supostos pagamentos, em DARF, dos valores devidos. De igual modo, em relação à  parcela  da  estimativa  referente  a  outubro  de  1994  que  fora  alvo  de  compensação,  restou  esclarecido que a origem do crédito não seria o saldo negativo de CSLL do ano­calendário de  1993 por ela auferido, mas sim créditos de CSLL de empresa que fora por ela incorporada.  Contudo,  tendo  em  vista  a  impossibilidade  de  aferir  a  legitimidade  de  todos  esses  documentos,  por  cautela,  entendo  que  seja  necessário  converter  o  julgamento  em  diligência  a  fim  de  se  confirmar  a  veracidade  de  tais  argumentos  e  dos  documentos  que  os  embasam.  A  própria  recorrente  concorda  com  tal  procedimento,  sendo  esse  um  de  seus  pedidos, tendo formulado, inclusive, os quesitos que entendeu pertinentes.  Por  concordar  que  a  resposta  a  tais  quesitos  mostra­se  imprescindível  para  a  solução  do  litígio,  acolho  os  três  quesitos  propostos,  com  algumas  adaptações  que  entendo  serem cabíveis, formulando ainda um adicional.  Assim, deverá a autoridade fiscal responder aos seguintes quesitos:  1 ­ É possível identificar nos relatórios de arrecadação (atualmente, no sistema  “Sief  Pagamentos”)  referentes  ao  ano­calendário  de  1994  se  há  pagamentos  realizados  pela  então Companhia Cervejeira Brahma (CNPJ 33.366.980/0001­08) no código de receita 2372?  Considerando­se que os DARF acostados à fl. 1115 indicam como data de recolhimento o dia  30/06/95,  solicito  utilizar  como  parâmetro  de  pesquisa  os  recolhimentos  eventualmente  realizados nos anos­calendário de 1994 e 1995. Anexar relatório correspondente.   2  –  Alega  a  recorrente  que  a  quitação  de  parcela  da  estimativa  devida  por  Companhia Cervejeira Brahma referente ao mês de outubro de 1994 (2.767.023,86 UFIRs) foi  realizada  mediante  compensação.  Por meio  dos  documentos  apresentados,  especialmente  os  Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13804.008252/2002­43  Resolução nº  1402­000.337  S1­C4T2  Fl. 1.193            17 juntados no Anexo 6 do recurso voluntário (fls. 1102­1111), é possível confirmar que o crédito  de  CSLL  utilizado  para  compensação  é  originário  da  incorporada  CEBRASP  S/A  (CNPJ  56.743.842/0001­98)  relativos  a  seus  saldos negativos  de CSLL  referentes  ao  ano­calendário  de 1993 e o período de 01/01/1994 a 30/04/1994 (data em que foi extinta por incorporação)?  Solicita­se ainda verificar nos relatórios de arrecadação se além dos recolhimentos  realizados  no código 2484,  também houve eventuais  recolhimentos de CSLL realizados por CEBRASP  S/A no código 2372 (conforme consta no doc. de fl. 1111 anexado pela recorrente). Anexar os  documentos e relatórios pertinentes.  3  ­  É  possível  afirmar  que  Companhia  Cervejeira  Brahma  apurou  os  saldos  negativos  de  CSLL  relativos  aos  anos­calendário  de  1995  e  1996  nas  formas  e  montantes  indicados, respectivamente, às fls. 1026 e 1027 dos autos? Anexar os relatórios de arrecadação  do período, bem como os demais documentos que entender pertinentes.  4  ­  Em  relação  aos  ano­calendário  de  1997  e  1999,  a  Companhia  Cervejaria  Brahma  compensou  estimativas  de  CSLL,  ou  a  CSLL  devida  no  ajuste  anual,  com  saldos  negativos de CSLL referentes a períodos anteriores? Em caso afirmativo, a origem do crédito  utilizado seria o saldo negativo de CSLL do ano­calendário de 1993?    3 CONCLUSÃO  Assim sendo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de  que a unidade de origem elabore relatório circunstanciado respondendo aos quesitos elaborados  no final do item anterior deste voto.  Para  tanto,  e  havendo  necessidade,  a  autoridade  fiscal  poderá  intimar  o  contribuinte  a  apresentar  documentos  complementares  e  esclarecimentos  adicionais  antes  de  elaborar o relatório ora requerido.  Poderá  ainda  a  autoridade  fiscal  apresentar  os  esclarecimentos  que  julgar  necessários à melhor análise de tais fatos.   Ao final, a recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindo­ se  prazo  de  30  dias  para  que,  querendo, manifeste­se  sobre  seu  conteúdo  (art.  35,  parágrafo  único, do Decreto nº 7.574/2011).  (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO ­ Relator  Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 16004.000991/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 SIMPLES. EXCLUSÃO. CONTRADITÓRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O procedimento de exclusão da pessoa jurídica no SIMPLES tem rito próprio definido na legislação. A previsão normativa de contestação ao Ato Declaratório Executivo (ADE) que oficializa a exclusão garante ao sujeito passivo o contraditório e a ampla defesa. Formalizada a exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, correto o lançamento de ofício para cobrança dos tributos que passam a ser devidos. O julgamento simultâneo da contestação à exclusão e do inconformismo quanto à exigência do crédito tributário, preserva as garantias legais e processuais do sujeito passivo. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Presume-se ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte, não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante apresentação tempestiva de documentação hábil e idônea. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ESCRITURAÇÃO. DEFICIÊNCIAS. ARBITRAMENTO. Falta de escrituração fiscal/contábil, em especial, dos registros da movimentação financeira, inclusive bancária, constitui situação no qual a escrituração contem erros e deficiências que a tornam imprestável, hipótese no qual cabe o arbitramento do lucro, conforme previsão do artigo 530, do RIR/1999. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária.
Numero da decisão: 1301-001.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos voluntários. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado acompanhou o relator pelas conclusões relativamente à imputação de responsabilidade tributária ao sócio pessoa física. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 SIMPLES. EXCLUSÃO. CONTRADITÓRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O procedimento de exclusão da pessoa jurídica no SIMPLES tem rito próprio definido na legislação. A previsão normativa de contestação ao Ato Declaratório Executivo (ADE) que oficializa a exclusão garante ao sujeito passivo o contraditório e a ampla defesa. Formalizada a exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, correto o lançamento de ofício para cobrança dos tributos que passam a ser devidos. O julgamento simultâneo da contestação à exclusão e do inconformismo quanto à exigência do crédito tributário, preserva as garantias legais e processuais do sujeito passivo. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Presume-se ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte, não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante apresentação tempestiva de documentação hábil e idônea. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ESCRITURAÇÃO. DEFICIÊNCIAS. ARBITRAMENTO. Falta de escrituração fiscal/contábil, em especial, dos registros da movimentação financeira, inclusive bancária, constitui situação no qual a escrituração contem erros e deficiências que a tornam imprestável, hipótese no qual cabe o arbitramento do lucro, conforme previsão do artigo 530, do RIR/1999. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2351; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 11          1 10  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16004.000991/2009­77  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.869  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de janeiro de 2016  Matéria  EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO  DO LUCRO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA  Recorrente  CREDIJOIAS COMÉRCIO DE METAIS PRECIOSOS LTDA.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007  SIMPLES.  EXCLUSÃO.  CONTRADITÓRIO.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  O procedimento de exclusão da pessoa jurídica no SIMPLES tem rito próprio  definido  na  legislação.  A  previsão  normativa  de  contestação  ao  Ato  Declaratório  Executivo  (ADE)  que  oficializa  a  exclusão  garante  ao  sujeito  passivo o contraditório e a ampla defesa.  Formalizada  a  exclusão  da  pessoa  jurídica  do  SIMPLES,  correto  o  lançamento de ofício para cobrança dos tributos que passam a ser devidos. O  julgamento simultâneo da contestação à exclusão e do inconformismo quanto  à exigência do crédito tributário, preserva as garantias legais e processuais do  sujeito passivo.  PRESUNÇÃO  LEGAL.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  Presume­se ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no  qual  os  depósitos  bancários  indicando  a  movimentação  financeira  do  contribuinte,  não  tiverem  a  origem  comprovada  pelo  titular,  mediante  apresentação tempestiva de documentação hábil e idônea.  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  ESCRITURAÇÃO. DEFICIÊNCIAS. ARBITRAMENTO.  Falta  de  escrituração  fiscal/contábil,  em  especial,  dos  registros  da  movimentação  financeira,  inclusive  bancária,  constitui  situação  no  qual  a  escrituração contem erros  e deficiências que a  tornam  imprestável, hipótese     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 09 91 /2 00 9- 77 Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES   2 no qual  cabe o  arbitramento do  lucro,  conforme previsão do  artigo 530, do  RIR/1999.  MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.  Mantém­se  a multa  por  infração  qualificada  quando  reste  inequivocamente  comprovado o evidente intuito de fraude.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  FUNDAMENTOS  LEGAIS.  CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA.  Se  a  autoridade  executora  do  procedimento  de  fiscalização  logra  êxito  na  demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que  constituem  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias,  resta  configurada  a  responsabilidade  tributária  pelo  crédito  tributário  constituído,  sendo  autorizada,  assim,  a  inclusão  de  referida  pessoa  no  pólo  passivo  das  obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros deste  colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR  provimento  aos  recursos  voluntários.  O  Conselheiro  Luiz  Tadeu  Matosinho  Machado  acompanhou  o  relator  pelas  conclusões  relativamente  à  imputação  de  responsabilidade  tributária ao sócio pessoa física.  (assinado digitalmente)  Wilson Fernandes Guimarães ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Wilson  Fernandes  Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e  Hélio Eduardo de Paiva Araújo.  Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16004.000991/2009­77  Acórdão n.º 1301­001.869  S1­C3T1  Fl. 12          3   Relatório  Trata de auto de infração em desfavor da contribuinte acima epigrafada que  lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 187.226,99, Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  no  valor  de R$  84.851,66,  Contribuição  Social  sobre o Lucro Liquido (CSLL) no valor de R$ 140.420,07 e Contribuição para Financiamento  da Seguridade Social (Cofins) no valor de R$ 391.626,95 acrescidos de juros de mora e multa  de  oficio  qualificada,  cuja  capitulação  legal  acha­se  descrita  nos  termos  de  apuração  respectivos (fls. 677/754).  Foi  imputada  responsabilidade  tributária  ao  sócio  da  contribuinte,  Sr.  Alessandro  Lúcio  da  Silva  pelo  interesse  comum  nas  situações  que  constituíram  os  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias  respectivas,  conforme  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária,  anexado  sob  fls.  fls.  663/4,  cuja  intimação  deu­se  pela  afixação  do  Edital  DRF/SJR/SAFIS/ n. 039/2010, afixado na unidade da Receita Federal do Brasil em São José do  Rio Preto, em decorrência da impossibilidade de a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos  efetuar  a  entrega  de  correspondência  no  domicilio  declarado  à  administração  tributária  (fl.  758).  0  procedimento  fiscal  iniciou­se  com  intimação  dirigida  ao  Sr.  Alessandro  Lúcio da Silva (fls. 09/10) para que apresentasse extratos da movimentação bancária  relativa  aos anos­calendário de 2005 a 2007, justificativa individualizada para os créditos em conta de  depósitos além de informações relativas à atividade rural.  Na  resposta  ele  informou  que  era  proprietário  e  administrava  a  sociedade  empresária em questão e toda movimentação financeira transitava pela sua conta de depósitos.  Acrescentou ser praxe tomar empréstimos de outras pessoas físicas, que eram  restituÍdos em curto prazo, além de que no período não houve rendimentos da atividade rural  (fls. 13/16).  Posteriormente  foi  notificado  a  justificar  créditos  lançados  na  conta  de  depósitos mantida junto à Caixa Econômica Federal, bem assim a apresentar extratos bancários  de outras contas de depósitos identificadas, mantidas nos Bancos Itaú e Santander, justificar os  respectivos  créditos,  além de  exibir  livros  contábeis  e  fiscais  da  contribuinte Credijóias  (fls.  24/26). Após ter sido novamente intimado o senhor Alessandro declinou alegações semelhantes  àquelas apresentadas anteriormente, circunstância que suscitou o direcionamento da ação fiscal  para  a  interessada,  que  na  oportunidade  foi  intimada  a  apresentar  contrato  social  e  livro  de  registro de entradas e saídas relativo aos anos­calendário de 2005 a 2007 (fls.93/94).  Em seguida lavrou­se a intimação fiscal de fls. 95/96 instando a contribuinte  a  apresentar  os  documentos  anteriormente  requisitados,  além  de  comprovar  a  origem  dos  créditos  de  sua  titularidade  que  ingressaram  na  conta  de  depósitos  mantida  na  Caixa  Econômica Federal,  relativos aos anos­calendário de 2005 a 2007, nas  importâncias  totais de  R$198.192,14,  R$281.109,48  e  R$211.359,20,  respectivamente,  e  a  identificar  as  transferências entre contas de sua titularidade ou do sr. Alessandro.  Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES   4 Em  vista  de  que  nem  o  sr.  Alessandro  nem  a  contribuinte  comprovaram  a  origem dos créditos mantidos em conta de depósitos, a autoridade fiscal elaborou as planilhas  de fls. 04 e 05 que totalizam os valores dos créditos em contas de depósitos mantidas pelo Sr.  Alessandro e pela contribuinte que não foram comprovados.  De posse das  receitas que a contribuinte declarou à administração  tributária  procedeu­se  ao  cotejo  entre  tais  importâncias  e  os  créditos  de  origem  não  comprovada  declarados  à administração  tributária. Constatou­se que em relação aos créditos bancários de  origem  não  comprovada,  as  importâncias  declaradas  pela  contribuinte  corresponderam  a  0,45%, 3,5% e 6% para os anos­calendário de 2005, 2006 e 2007, respectivamente (fl. 06).  Em  vista  de  que  à  época  do  procedimento  fiscal  a  contribuinte  estava  enquadrada na sistemática de tributação pelo Sistema Integrado de Imposto e Contribuições das  Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) foi proposta sua exclusão.  Nos  termos  dos  Despachos  Decisórios  n.  1479/2009  e  1480/2009,  de  02/12/2009  (fls.  317/318,  320/321),  respectivamente,  a  contribuinte  foi  excluída  do  Simples  Federal e do Nacional, em ambos sistemas sob o fundamento de que reiteradamente declarou e  recolheu tributos com valores ínfimos em comparação com a real movimentação da empresa, usufruindo  indevidamente da tributação favorecida.  No caso do Simples Federal os efeitos da exclusão retroagiram a 01/01/2005;  no Simples Nacional, a 01/07/2007. Editaram­se os Atos Declaratórios n. 153 e 154, anexados  sob fls. 319 e 322.  Cientificada da exclusão ingressou a contribuinte com as impugnações de fls.  325/345 e 375/395. Na primeira delas insurgiu­se contra a exclusão do Simples Federal, objeto  do Despacho Decisório  Sacat  n.  1479/09;  na  segunda,  contra o Simples Nacional,  objeto  do  Despacho Decisório n. 1480/09.  Por  entender  a  existência,  em  tese,  de  crime  contra  a  ordem  tributária,  a  autoridade fiscal consignou no termo antes referido a formalização de representação fiscal para  fins penais.  Da impugnação aos Despachos Decisórios Sacat 1479/09 e 1480/09  A  contribuinte  apresentou  uma  impugnação  para  cada  Ato Declaratório  de  exclusão (fls. 325/345, 375/395). Em ambas declinou idênticas alegações, a seguir descritas.  Arguiu  que  os  Atos  Declaratórios  de  Exclusão  foram  editados  em  02/11/2009, antes da resposta que apresentou à intimação para justificar a origem dos créditos  bancários e da reintimação fiscal n. 003, o que caracteriza cerceamento de defesa.  A exclusão do Simples, conforme previsto na Lei n. 9.317, de 1996, art. 14,  V, requer prévia constituição do crédito tributário, a teor do que preceitua a Lei Complementar  n.  123/2006,  art.  33,  §  3°.  Em  razão  de  que  a  impugnação  ao  lançamento  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário,  enquanto  não  esgotada  a  via  para  questionamento  de  sua  legalidade  não  pode  a  autoridade  iniciar  qualquer  procedimento  tendente  a  proceder  sua  cobrança. Se ao final for demonstrado que é improcedente o lançamento tributário, a exclusão  do Simples perderá o efeito.  Ainda que todos os depósitos bancários fossem considerados receita ela não  perderia  sua  condição  de  microempresa,  uma  vez  que  em  nenhum  dos  períodos  tais  importâncias superaram o limite de R$240.000,00 previsto no art. 2° da Lei n. 9.317, de 1996.  Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16004.000991/2009­77  Acórdão n.º 1301­001.869  S1­C3T1  Fl. 13          5 A exclusão do Simples decorreu da presunção de que os depósitos bancários  representam receita omitida, ao arrepio da norma imposta pelo art. 142 do Código Tributário  Nacional  que  determina  a  necessidade  de  existir  fato  concreto  para  exigência  de  crédito  tributário.  As normas  acerca da exclusão do Simples,  instituidas pela Lei n. 9.317, de  1996,  foram  derrogadas  pelas  previstas  na  Lei  Complementar  n.  123,  de  2006,  devendo  prevalecer a regra que prescreve exclusão quando for constatada prática reiterada de infração  ao disposto na própria Lei Complementar, não na legislação tributária, em sentido lato, como  estabelece a Lei n. 9.317, de 1996. Ademais, para se caracterizar prática reiterada é necessário  existirem ao menos dois autos de infração da mesma espécie.  Ao  final  propugnou  pela  improcedência  da  exclusão  do  Simples  e  pela  suspensão dos efeitos dos correspondentes Atos Declaratórios Executivos.  Da impugnação ao auto de infração  Na  impugnação  apresentada  (fls.  760/831),  a  contribuinte  arguiu,  em  preliminar, que:  ­a  lavratura  do  auto  de  infração  ocorreu  antes  de  ter  sido  apreciada  a  impugnação  à  exclusão  do  Simples,  na  qual  a  impugnante  pleiteou  a  suspensão  dos  seus  efeitos, o que caracteriza cerceamento de defesa;  ­antes  de  ter  sido  emitido  o  termo  de  reintimação  n.  003  para  que  a  contribuinte justificasse a origem dos créditos lançados em conta de depósitos a impugnante já  havia apresentado declaração de que  "os  valores dos depósitos  representavam os valores das  mercadorias  legalmente vendidas e declaradas e ofertadas à  tributação através da entrega das  Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica 2008, 2007 e 2006";  ­o Ato Declaratório Executivo n. 153/2009 foi emitido em 02/11/2009, sem  levar  em  conta  as  informações  apresentadas  pela  impugnante  em  18/11/2009  e  antes  da  emissão do Termo de Reintimação n. 003, de 19/11/2009;  ­a  exclusão  do  Simples  por  prática  reiterada  somente  pode  ocorrer  após  a  constituição  definitiva  de  eventual  crédito  tributário,  esgotada  a  via  administrativa  cujos  recursos  têm  natureza  suspensiva;  no  caso  em  testilha,  a  emissão  dos  atos  declaratórios  foi  precipitada e inoportuna e cerceou o direito de defesa;  ­considerando­se os depósitos na sua conta bancária no período a contribuinte  enquadra­se como microempresa;  ­as regras sobre exclusão do Simples, instituidas pela Lei n. 9.317, de 1996,  foram derrogadas pelas previstas na Lei Complementar n. 123, de 2006, devendo prevalecer a  que prescreve exclusão quando for constatada prática reiterada de infração, isto é, dois autos de  infração  para  ilícitos  da  mesma  espécie,  tendo  a  um  deles  anteriormente  sido  aplicada  penalidade;  ­as regras que determinam a exclusão dos atos praticados apenas uma vez é  taxativa e não se aplicam ao caso presente, que trata de comercialização de mercadorias objeto  de contrabando ou descaminho (art. 29, VII);  Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES   6 ­o  termo  de  constatação  padece  de  clareza,  pois  não  especificou  quais  depósitos oriundos de Alessandro Lúcio da Silva representam rendimentos da pessoa fisica e  quais  são  receita da contribuinte;  segundo arguição da  impugnante  "deveria o  fiscal autuante  ter explicitado, de forma clara, quais os rendimentos da pessoa fisica de Alessandro Lúcio da  Silva (CPF 098.238.318­58), à vista dos rendimentos declarados na sua Declaração Anual de  Rendimentos da Pessoa Física, e exclui­los, para,  então, os depósitos  remanescentes,  e só os  remanescentes,  serem  atribuidos  à  Pessoa  Jurídica  de  Credijoias.  Não  fazendo  isso,  não  os  distinguindo,  não  especificando  como  alcançou  os  valores  atribuidos  A.  Pessoa  Jurídica  de  Credijoias,  bem  como  as  fontes  sobre  as  quais  se  fundamentou  para  atingir  montante  tão  elevado,  deve  ser  decretada  a  nulidade  do  ato",  por  cerceamento  de  defesa,  pois  não  foi  instaurado contraditório;  ­os depósitos em espécie que havia em sua conta bancária eram decorrentes  de saques de seu próprio capital social, retirados da conta bancária de manhã, para suprimento  de caixa, com o remanescente depositado A. tarde do mesmo dia ou do dia seguinte; portanto,  não podem ser considerados, presuntivamente, como receita, em afronta ao que prescreve o art.  142 do Código Tributário Nacional;  ­a  exigência  direcionada  à  contribuinte  acerca  dos  depósitos  lançados  em  conta de Alessandro 'Akio da Silva afronta os princípios constitucionais da impessoalidade, do  sigilo  bancário  e  fiscal,  "dado  que  pessoas  estranhas";  aduziu  que  não  poderia  fornecer  informações  da  movimentação  bancária  de  outra  pessoa,  tampouco  poderia  prestar  esclarecimentos  sobre  depósitos  havidos  na  conta  bancária  de  Alessandro  Lúcio  da  Silva,  pessoa física, distinta da contribuinte.  No mérito, alegou que:  ­o  lançamento  efetuado  não  pode  se  basear  em  suposições,  conjecturas  ou  presunções,  à  luz  da  regra  prevista  no  art.  142  do  CTN  que  exige  fatos  concretos  para  sua  efetivação,  admitindo­se  a  dispensa  de  sua  comprovação  apenas  nas  hipóteses  das  ditas  presunções legais, tal como prevê o art. 334, IV, do Código de Processo Civil (CPC);  ­é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em  extratos bancários, conforme enunciado da Súmula 182 do TFR;  ­a presunção de que os depósitos bancários efetuados na conta de Alessandro  Lúcio  da  Silva  correspondem  a  receita  da  impugnante  é  ilegítima  pois  ditos  depósitos  representam  rendimentos  oferecidos  à  tributação  na  Declaração  de  Ajuste  da  pessoa  física,  além  de  afrontar  o  principio  da  verdade  material,  um  dos  sustentáculos  do  processo  administrativo  fiscal,  que  não  admite  a  chamada  inversão  do  ônus  da  prova  para  ser  desconstituida;  ­a presunção de que os depósitos bancários constituem omissão de receita, da  qual se valeu a autoridade fiscal, afronta o principio da verdade material e sua demonstração  cabe ao Fisco, que a alega, a teor do que preceitua o art. 333, I, do CPC;  ­o arbitramento do resultado, medida extrema a ser adotada em casos de total  imprestabilidade  da  escrita  contábil  e  absoluta  impossibilidade  de  apuração  da  receita  e  despesa,  requer  prova  de  que  a  escrituração  apresenta  vícios  ou  omissões  capazes  de  comprometê­la, o que não foi demonstrado pela fiscalização;  Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16004.000991/2009­77  Acórdão n.º 1301­001.869  S1­C3T1  Fl. 14          7 ­é improcedente a imposição de multa qualificada e agravada em vista de que  não existe certeza acerca do lançamento, tampouco comprovação de ter havido evidente intuito  de fraude, conluio ou sonegação;  Requereu  a  nulidade  do  auto  de  infração  em  vista  de  que  ainda  pende  de  análise  o  pedido  de  revisão  da  exclusão  do  Simples,  ou,  na  pior  hipótese,  a  suspensão  do  processo  de  imposição  tributária  até  a  decisão  final  das  impugnações  apresentadas  contra  a  exclusão do Simples Federal e do Nacional.  Requereu, também, a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa e do  contraditório,  por  falta  de  atendimento  dos  pressupostos  legais  e  no  mérito,  seja  sua  impugnação deferida por não terem sido excluídos os depósitos de Alessandro Lúcio da Silva  que foram oferecidos à tributação. Por fim alegou que não lid como prosperar a aplicação da  penalidade qualificada de 150%.  Da impugnação do responsável tributário  0  Sr.  Alessandro  Lúcio  da  Silva  apresentou  seu  inconformismo  contra  a  inclusão no pólo passivo e contra arrolamento de bens (fls. 842/878), em que alega:  ­na apuração da base de cálculo não foram expurgados os depósitos próprios  havidos  pela  pessoa  física  de  Alessandro  Lúcio  da  Silva,  oferecidos  à  tributação  nas  Declarações Anuais da Pessoa Física;  ­é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em  extratos bancários, conforme enunciado da Súmula 182 do TFR;  ­a presunção de que os depósitos bancários constituem omissão de receita, da  qual se valeu a autoridade fiscal, afronta o principio da verdade material, cabendo ao Fisco o  ônus de demonstrar a ocorrência do fato gerador, a teor do que preceitua o art. 333, I, do CPC;  ­os depósitos existentes não significam acréscimo patrimonial pois decorrem  do capital social da contribuinte, "que a empresa sacava de manhã, em espécie, para servir­lhe  como fluxo de caixa, nos pagamentos das contas diárias, que eram re­depositados, a conselho  da Policia Militar, para não permanecerem na empresa, evitando assaltos";  ­o arbitramento do resultado, medida extrema a ser adotada em casos de total  imprestabilidade  da  escrita  contábil  e  absoluta  impossibilidade  de  apuração  da  receita  e  despesa,  requer  prova  de  que  a  escrituração  apresenta  vícios  ou  omissões  capazes  de  comprometê­la, o que não foi demonstrado pela fiscalização;  ­a  inclusão  do  responsável  no  pólo  passivo  poderia  ocorrer  apenas  se  a  contribuinte fosse insolvente e não tivesse patrimônio.  A DRJ/RIBEIRÃO (SP) decidiu a matéria consubstanciada no Acórdão 14­ 34.987, de 22/08/2011 (fls. 896), julgando improcedente a impugnação apresentada, tendo sido  lavrada a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007  Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES   8 DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  ORIGEM.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.  Caracterizam  omissão  de  receita,  por  presunção  legal,  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  PRESUNÇÃO  JURIS  TANTUM.  INVERSÃO  DO  ONUS  DA  PROVA.  FATO  INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO.  A  presunção  legal  juris  tantum  inverte  o  ônus  da  prova. Neste  caso,  a  autoridade  lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato  indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico  tributário). Cabe ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário; e ao  contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na situação concreta.  CSLL.  PIS.  COFINS.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  PROCEDIMENTO  DECORRENTE.  Auto de infração lavrado em procedimento decorrente deve ter o mesmo destino do  principal, pela existência de relação de causa­e­efeito entre ambos.  OMISSÃO DE REGISTRO DE RECEITAS. PESSOAS JURÍDICAS OPTANTES  PELO SIMPLES.  Aplicam­se  à  microempresa  (ME)  e  à  empresa  de  pequeno  porte  (EPP)  todas  as  presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos  e contribuições incluídos no Simples.  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007  EXCLUSÃO.  INFRAÇÃO  À  LEGISLAÇÃO  TRIBUTARIA.  PRATICA  REITERADA. EFEITOS.  A  constatação  de  créditos  bancários  sem  origem  justificada,  que  se  verificou  por  período de três anos, caracteriza prática reiterada de omissão de receita prevista no  art.  42  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  configura  hipótese  de  exclusão  do  Simples  determinada  na  lei  instituidora  do  sistema  de  oficio,  mediante  Ato  Declaratório  Executivo.  SIMPLES. EXCLUSÃO. NORMAS DE TRIBUTAÇÃO. SUJEIÇÃO.  A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar­se­á, a partir do período em que se  processarem  os  efeitos  da  exclusão,  às  normas  de  tributação  aplicáveis  às  demais  pessoas jurídicas.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007  ARROLAMENTO. BENS. DRJ. COMPETÊNCIA.  Incabíveis alegações relativas a arrolamento de bens, por se configurar em matéria  estranha aos limites de competência das Delegacias de Julgamento.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  É o relatório.  Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16004.000991/2009­77  Acórdão n.º 1301­001.869  S1­C3T1  Fl. 15          9   Voto             Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas  Os recursos voluntários (da empresa autuada e do responsável solidário) são  tempestivos e assentes em lei. Deles conheço.  Duas questões preponderantes circundam o presente processo, a exclusão da  contribuinte  do  regime  do  SIMPLES  e  as  exigências  fiscais,  decorrentes  de  omissão  de  receitas, apurada, a dita omissão, com base em presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº  9.430/96, arbitrando­se o lucro da contribuinte; além da responsabilização solidária.  A  peça  recursal  repete  as  argumentações  iniciais  (impugnação),  aduzindo  argumentos com relação a decisão de primeira instância.  Passemos  então  à  análise  das  teses  dos  recorrentes,  na  seqüência  em  que  foram expostas. Inicia a recorrente invocando várias preliminares.  A primeira delas diz respeito, no seu entender, não ser possível a lavratura do  auto  de  infração  por  omissão  de  receitas  antes  do  julgamento  das  impugnações  relativas  as  exclusões do Simples Federal e Nacional apresentadas tempestivamente.  Importa,  por  pertinente,  reproduzir  os  seguintes  fragmentos  do  voto  ora  recorrido.  "É importante registrar que nos anos­calendário de 2005 a 2007 vigeram dois  estatutos que regularam o Simples e estabeleceram regras especificas para cada um  deles. Até 30/06/2007, antes de a LC 123/2006 ter eficácia, foi a Lei n. 9.317/1996.  A  partir  de  01/07/2007,  a  precitada  LC  123/2006.  Tal  circunstância  pode  ser  constatada  nos  fundamentos  que  nortearam  a  exclusão,  previstos  nos  Despachos  Decisórios n. 1479 e 1480, ambos editados em 2009, que suscitaram a edição dos  Atos Declaratórios Executivos n. 153 e 154, respectivamente (fls. 317/323).  É  improcedente  a  alegação de que ocorreu  cerceamento de defesa motivado  pelo  fato  de  os  atos  declaratórios  terem  sido  expedidos  antes  da  última  intimação  que lhe fora dirigida para apresentar documentos.  Conquanto conste dos atos o dia 02 de novembro de 2009 como sua data de  emissão,  de  fato  sua  lavratura  deu­se  um mês  depois,  no  dia  02  de  dezembro  de  2009, na mesma data em que foram prolatados os despachos decisórios em questão,  conforme dão conta as datas apostas nas respectivas decisões (fls. 318 e 321). Seria  ilógico que a exclusão ocorresse antes da decisão prolatada no despacho decisório.  Tal  circunstancia  pode  ser  comprovada  em  consulta  ao  relatório  dos  despachos, que registra ter a contribuinte sido intimada em 19 de novembro de 2009  a comprovar a origem dos créditos encontrados em sua conta­corrente junto à Caixa  Econômica Federal (fls. 317­v, 320­v).  Acrescente­se como prova a consulta à lista de eventos cadastrados no CNPJ  da  contribuinte  no  Simples,  efetuada  em  02/12/2009,  que  informa  apenas  uma  Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES   10 inclusão  administrativa  registrada  em  10/04/2008  (fl.  316).  Se  tivesse  havido  a  inclusão  em  02/11/2009,  como  alega  a  impugnante,  certamente  haveria  o  registro  respectivo.  Considero superada a alegação, apresentada nas peças que contestam a edição  dos  atos  declaratórios,  no  sentido  de  que  a  exclusão  do  Simples  deveria  ser  precedida  de  lançamento  tributário,  para  só  então  proceder­se  o  eventual  afastamento, se restasse confirmada a exigência tributária pelo fato de que no caso  sob  análise  tanto  o  processo  de  exclusão  quanto  o  de  constituição  do  crédito  tributário encontram­se agrupados nos presentes autos, em decorrência da conexão  que  se  instaurou.  Ademais,  a  exigibilidade  do  crédito  encontra­se  suspensa,  nos  termos da respectiva legislação. Significa dizer que a eventual cobrança de crédito  tributário ocorrerá somente depois da decisão final administrativa."  Pois bem. A exclusão do SIMPLES teve como base o que foi considerado a  prática  reiterada  de  infração  à  legislação  tributária.  Extrai­se  do  Relatório  Fiscal  que,  "Nos  termos  dos  Despachos  Decisórios  n.  1479/2009  e  1480/2009,  de  02/12/2009  (fls.  317/318,  320/321), respectivamente, a contribuinte foi excluída do Simples Federal e do Nacional, em  ambos sistemas sob o fundamento de que reiteradamente declarou e recolheu tributos com valores  ínfimos  em comparação com a real movimentação da empresa, usufruindo  indevidamente da  tributação  favorecida. No caso do Simples Federal os  efeitos da  exclusão  retroagiram a 01/01/2005; no  Simples Nacional,  a  01/07/2007. Editaram­se  os Atos Declaratórios n.  153 e 154, anexados  sob fls. 319 e 322".  No  caso,  o  sujeito  passivo  defendeu­se  apresentando  fundamentalmente  questionamentos  relativos  a  aspectos  formais da  exclusão. Pelo  leitura dos  autos  e do  acima  transcrito,  ao  meu  ver,  resta  claro,  que,  de  fato,  tanto  os  Despachos  Decisórios  como  os  respectivos Atos Declaratórios de Exclusão foram emitidos em 02 de dezembro de 2009.  Em relação à suposta violação do contraditório e da ampla defesa, registre­se  que o procedimento de exclusão da pessoa jurídica no SIMPLES tem rito próprio definido na  legislação. A previsão normativa da concessão de prazo para contestação ao Ato Declaratório  Executivo (ADE) que oficializa a exclusão, garante ao sujeito passivo o contraditório e a ampla  defesa,  como  efetivamente  ocorreu  com  apresentação  de  impugnação  à  exclusão  e  depois  recurso voluntário ora em apreciação.  Também não  há  irregularidade  na  imputação  dos  efeitos  da  exclusão  ainda  que o Auto de Infração que lhe daria suporte não tenha sido julgado. Importa esclarecer nesse  ponto ser incorreto afirmar que o Auto de Infração deu suporte à exclusão. As irregularidades  que culminaram na  exclusão do SIMPLES são anteriores à  formalização do  lançamento. Em  outra  palavras,  a  exclusão  do SIMPLES  tem  como  conseqüência o  auto  de  infração  e não  o  contrário.  Além  disso,  o  julgamento  simultâneo  da  contestação  à  exclusão  e  do  inconformismo  quanto  à  exigência  do  crédito  tributário,  preserva  as  garantias  legais  e  processuais do sujeito passivo.  Com relação as demais preliminares de nulidade do lançamento, traz as peças  de  defesa  alegações  da  falta  de  clareza  na  autuação  e  duplicidade  de  lançamentos  tendo  em  vista  que  o  fiscal  autuante  além  de  não  explicitar,  de  forma  clara,  quais  os  rendimentos  da  pessoa física do Sr. Alessandro Lúcio da Silva e quais representariam movimentação em conta  bancária da contribuinte fiscalizada; por fim, em extensa digressão aduz sobre o cerceamento  ao direito de defesa.  Consta do voto condutor recorrido:  Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16004.000991/2009­77  Acórdão n.º 1301­001.869  S1­C3T1  Fl. 16          11 "0 fato de se tratar de microempresa não isenta a contribuinte do cumprimento  das obrigações que a legislação determina sejam atendidas. Há que se levar em conta  que  em  face  de  a  contribuinte  enquadrar­se  na  modalidade  de  tributação  pelo  Simples  estava  obrigada  ao  cumprimento  das  normas  editadas  pelas  Instruções  Normativas SRF (IN) n.  IN 355, de 2003, e 608, de 2006, notadamente entrega de  declaração simplificada e escrituração de Livro Caixa e de Registro de Inventário.  Posteriormente,  com  o  advento  do  Simples  Nacional,  por  meio  da  LC  123/2006, uma das hipóteses de exclusão do sistema reside no fato de não haver  escrituração  do  livro­caixa  ou  seus  registros  não  permitirem  identificar  a  movimentação financeira, inclusive a bancária, tal como definido em seu art. 29,  VIII.  Dessa forma, a alegação de que caberia ao agente fiscal a incumbência de  identificar quais depósitos seriam da contribuinte e quais pertenceriam ao senhor  Alessandro  cai  por  terra.  0  fato  de  não  dispor  de  escrita  fiscal  organizada,  tal  como  previsto  nas  normas  antes  citadas,  não  tem  o  condão  de  afastar  sua  responsabilidade  por  tributos  que  eventualmente  sejam  apurados,  tampouco  transferir ao Fisco a atribuição de contabilizar os eventos.  É importante ressaltar que durante o procedimento fiscal em mais de uma  vez foi­lhe dada oportunidade de contrapor o que havia sido apurado. Entretanto,  as  alegações  que  apresentou  limitaram­se  a  tecer  argumentos  genéricos,  desacompanhados  de  suporte  documental  apto  a  afastar  a  tributação,  dai  implicando considerar­se como receita omitida os valores cuja origem não fora  comprovada.  Como  é  sabido,  o  procedimento  fiscal  reveste­se  de  caráter  inquisitório,  que não prescinde da participação do sujeito passivo. Ela somente é necessária  após  a  constituição  do  respectivo  crédito,  com  a  abertura  de  prazo  para  manifestação,  ocasião  em  que  se  instaura  o  processo  fiscal.  Se,  conforme  genericamente alega a contribuinte,  houvesse algum elemento de prova, com a  intimação  para  contestar  a  imposição  tributária  abriu­se  a  oportunidade  de  apresentá­lo, o que não foi feito."  Neste  ponto,  entendo  que  não  há  reparos  ao  quanto  decidido  em  primeira  instância.  Com relação ao cerceamento do direito de defesa, compulsando os autos resta  demonstrado  que  houveram  sucessivas  intimações  para  entrega  dos  livros,  documentos  bem  como extratos bancários, sem que tenham sido plenamente atendidas. Portanto, não vislumbrei  no processo o alegado cerceamento em nenhuma fase processual já que durante a ação fiscal a  autuada teve a oportunidade de apresentar todos os argumentos, livros e documentos de defesa  necessários e não o fez.  A Recorrente teve ciência de todos os elementos de que necessitava para sua  defesa, tendo sido intimada de todos os atos praticados. Além do mais depreende­se da leitura  da impugnação e do recurso que a Recorrente conhece plenamente todas as acusações que lhe  foram atribuídas, tendo­as rebatido, de forma meticulosa.  Foi  oportunizado  que  a  contribuinte  demonstrasse  a  origem  dos  recursos  creditados em conta corrente e apresentassem outros documentos que pudessem influenciar no  lançamento tributário.  Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES   12 Nesse  sentido,  repito,  após  reiteradas  intimações  não  tendo  a  recorrente  apresentado  ao  fisco  seus  livros  fiscais  e  outros  documentos,  a  alegação  de  cerceamento  ao  direito de defesa não se presta para afastar o ônus probante atribuído ao contribuinte em refutar  as acusações  fiscais que sobre ele  recaem. Dessa  forma,  seu pleito não merece acolhida, vez  que cabe ao fiscalizado atender as  intimações do Fisco para comprovar sua receita. Se assim  não o fez, a apuração do crédito tributário, nos casos de depósitos bancários cuja origem restou  não comprovada, demanda meramente um cálculo aritmético, que dispensa, inexoravelmente, a  necessidade de produção de prova por parte do fisco, o que veremos a seguir.  Assim sendo, rejeito as alegadas preliminares de nulidades do lançamento e  da decisão de primeira instância.  Quanto  ao mérito,  em extenso  arrazoado,  argui  a nulidade  e  improcedência  do auto de infração pelas razões já analisadas em preliminar e, aduz sobre a inexistência de fato  gerador válido para o imposto de renda, discorrendo sobre o conceito de renda, das presunções  e do arbitramento do lucro.  Neste  tópico,  cabe  repisar  que  os  autos  de  infração  foram  lançados  pela  existência,  essencialmente,  de  omissão  de  receitas,  por  presunção  legal,  em  decorrência  de  valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  deixe  de  comprovar, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações,  o  que  gerou  recolhimento  insuficiente dos tributos.  No  procedimento  de  fiscalização,  a  autoridade  fiscal  averiguou,  através  da  análise dos extratos bancários, movimentação financeira muito superior àquela declarada pela  Contribuinte.  Intimou­a,  então,  a  apresentar  comprovação  da  origem  dos  depósitos  ou  créditos  naquela  conta  bancária.  Constata­se  dos  autos  que,  "em  vista  de  que  nem  o  sr.  Alessandro  nem  a  contribuinte  comprovaram  a  origem  dos  créditos  mantidos  em  conta  de  depósitos, a autoridade fiscal elaborou as planilhas de  fls. 04 e 05 que  totalizam os valores  dos créditos em contas de depósitos mantidas pelo Sr. Alessandro e pela contribuinte que não  foram comprovados".  Destarte,  a  autoridade  lançadora  toma  aqueles  depósitos  como  receitas,  lançando os Autos de Infração ora contestados. De se ressaltar, que conforme planilhas de fls. 4  e 5 dos totais dos créditos/depósitos relacionados e não comprovados, a fiscalizou deduziu os  cheques devolvidos identificados nos extratos bancários.  Em  sede  de  Recurso  Voluntário,  a  Contribuinte  alega  ser  inadequada  a  utilização  de  “presunção”  para  configurar  os  depósitos  como  receita,  discorre,  citando  vasta  doutrina e jurisprudência a respeito do conceito de renda e das presunções. Afinal, conclui:  "O  Auditor  quis  criar  uma  realidade  inexistente  de  que  a  totalidade  dos  depósitos  bancários  havidos  nas  contas  bancárias  da  pessoa  física  de Alessandro  Lucio  da  Silva,  são  receitas  da  pessoa  jurídica  de  Credijóias,  induzindo  ao  surgimento de uma obrigação tributária indevida".  Incompreensível  o  seu  objetivo  nesta  passagem. Ora,  se  a  fiscalização  agiu  conforme o art. 42 da Lei nº 9.430/96, há necessariamente presunção.  Presumir significa julgar segundo certas probabilidades, supor, imaginar. No  caso,  o  artigo  42  cria  uma  presunção  relativa  de  que  os  valores  creditados  em  instituições  Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16004.000991/2009­77  Acórdão n.º 1301­001.869  S1­C3T1  Fl. 17          13 financeiras, cuja origem a Contribuinte não comprove, são receitas omitidas do Fisco. Relativa  porque a pessoa titular da conta pode comprovar a sua origem, demonstrando não se tratar de  receita omitida. Não basta somente alegar, é necessário comprovar.  Tal  dispositivo  legal  estabeleceu  uma  presunção  de  omissão  de  receitas,  autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o  titular  da  conta  bancária,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  creditados  em  sua  conta  de  depósito ou de investimento.  A  inversão  legal  do  ônus  da  prova  é  perfeitamente  aceita  por  nosso  ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de  11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto  nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal:  Art. 334. Não dependem de prova os fatos:  (...)  IV  –  em  cujo  favor milita  presunção  legal  de  existência  ou  de  veracidade.  Enfim, tendo acesso às movimentações bancárias da contribuinte fiscalizada  –  prova,  portanto,  da  entrada  dos  valores  –,  agiu  corretamente  a  autoridade  lançadora  intimando­a para comprovar a origem dos valores creditados. Quando a empresa não conseguiu  demonstrar tal origem, adequado o lançamento presumindo se tratar de receita omitida.  Sobre o tema, já existe inclusive Súmula estabelecida no CARF:  Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.  Não  há  razão,  portanto,  para  ser  questionada  a  possibilidade  de  presunção  pelo fisco neste ponto.  Com  relação  ao  arbitramento  insurge­se  a  peça  de  defesa  que  "a  lei  exige  prova  de  que  a  escrituração  contenha  vício  ou  omissão  capaz  de  comprometê­la,  da  qual  emergisse  a  sua  invalidade,  na  forma  que  pretende  o  fisco  fazer  crer.  Isso  não  logrou  a  fiscalização demonstrar e muito menos provar".  Extrai­se  do  Termo  de  Constatação  e  Descrição  dos  Fatos  ­  Operação  Grandes Lagos, o seguinte:  "Analisando  os  Livros  Diários  e  Razão  entregues,  referentes  aos  anos  calendários de 2005 a 2007, nota­se que apesar da empresa denominar tais relatórios  como Livro Diário ou Livro Razão, não passa de simples livros Caixa sem qualquer  referencia a movimentação bancária, emprestáveis para qualquer fim.  (...)  Conforme  acima  demonstrado,  o  contribuinte  não  comprovou  a  origem  da  totalidade dos créditos encontrados em suas contas correntes e a origem dos créditos  Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES   14 encontrados nas contas correntes de seu sócio Alessandro Lúcio da Silva e quando  excluído do Simples, não apresentou as declarações e Livros escriturados de acordo  com as normas contábeis e fiscais regentes.  Portanto,  a  única  opção  é  determinar  o  imposto  com  base  nos  critérios  do  lucro arbitrado, nos termos do artigo 530, inciso II, do Regulamento de Imposto de  Renda (Decreto no 3.000/1999).  O cálculo do lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, é definido pelo  artigo 532 do RIR/99.  0  acréscimo  de  vinte  por  cento  deve  ser  aplicado  sobre  o  percentual  determinado no artigo 518 do RIR (8%).  Ou seja, o lucro arbitrado, no presente caso, será determinado pela aplicação  do percentual de 9,6% sobre a receita bruta conhecida (8% acrescido de 20%).  Da receita conhecida:  A  receita  a  ser  tributada  será  os  valores  dos  créditos  de  origem  não  comprovados  e  os  valores  declarados  como  receita  bruta  do  Simples,  conforme  quadros acima detalhados."  Pois  bem.  No  tocante  aos  Lançamentos  de  Ofício,  tendo  em  vista  a  significativa divergência entre os valores escriturados/declarados e os depósitos bancários nas  instituições  financeiras,  considerou  a  Fiscalização  a  contabilidade  e  escrituração  do  contribuinte imprestáveis, já que não atendeu ao comando do artigo 190 do RIR/1999, e, nesse  contexto, arbitrou o lucro com fulcro no artigo 530, inciso II, "a", do mesmo RIR/1999.  Vê­se,  portanto,  o  cenário  a  que  levou  a  autoridade  lançadora  a  arbitrar  o  lucro,  qual  seja:  não  apresentação  dos  livros  obrigatórios  e  escrituração,  e  Livro Caixa  sem  registro da movimentação financeira. Improcedente a alegação contida na peça recursal.  DA MULTA QUALIFICADA  Constata­se  do Termo  de Constatação  e Descrição  dos  Fatos  que  integra  o  auto  de  infração  em  tela,  que  a  multa  de  ofício  no  patamar  de  150%  deu­se  em  razão  do  contribuinte  fiscalizado  ter declarado,  reiteradamente, à Receita Federal valores  irrisórios em  comparação com a real movimentação financeira, cuja origem não foi comprovada, mais o fato  de ter­se utilizado da conta pessoal do sócio Alessandro Lúcio da Silva, com objetivo claro de  ocultar e dificultar  sua verificação na pessoa  jurídica. A autoridade  lançadora caracterizou o  fato como evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública exasperando a multa na forma prevista  no artigo 44, II, da Lei nr. 9.430/1996.  Registra­se que a Lei nº 11.488, de 2007 alterou a redação original mantendo  a mesma multa agora expressa no seu § 1º e mais no inciso II.  "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007"  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  canto)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  § lo 0 percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16004.000991/2009­77  Acórdão n.º 1301­001.869  S1­C3T1  Fl. 18          15 Lei no 4,502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis,  (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)"  Em  sede  de Recurso Voluntário,  a  Contribuinte  insiste  na  tese  de  que  não  restou comprovado o evidente intuito de fraude e nem a tipicidade de sua conduta. Aduz que a  fraude  não  se  presume,  para  tanto,  cita  a  Súmula  CARF  14  e  vasta  jurisprudência  deste  Colegiado.   Em sã consciência, diante dos elementos de convicção acostados aos autos,  não  há  dúvida  da  intenção  da  contribuinte  recorrente  em  reduzir  os  tributos  devidos  e  se  beneficiar,  indevidamente.  Os  fatos  explanados  caracterizam  a  figura  da  sonegação.  As  circunstâncias  narradas  nos  autos  evidenciam,  de  forma  inequívoca,  o  intuito  deliberado  de  impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores  correspondentes a seu faturamento.  O fato de oferecer à tributação valores extremamente inferiores aos auferidos,  de forma reiterada, alem da pratica de interposição de pessoas (laranjas") utilizando­se de conta  corrente  da  empresa  autuada,  de  fato,  demonstram  o  elemento  doloso,  no  sentido  de  ter  a  consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64 e implica a  aplicação da multa qualificada de que trata o art. 44, § 1°, da Lei n.° 9.430/1996, não se lhe  aplicando, ao caso, a sumula CARF 14.  Por  essas  razões,  entendo  que  a  qualificação  da multa  aplicada  foi medida  acertada  e  perfeitamente  em  consonância  com  a  legislação  aplicável,  pelo  que  deve  ser  mantida.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA  As tributações realizadas de ofício para as exigências de CSLL, PIS e Cofins  são  decorrentes  do  lançamento  tributário  de  IRPJ.  Por  conseguinte,  o  decidido  em  relação  à  exigência  de  IRPJ,  deve  ser  estendido  ao  termo  das  autuações  reflexas,  dada  a  íntima  causalidade das obrigações tributárias.  Recurso Voluntário do Responsável Solidário  A par das questões já julgadas que se identificam com o Recurso Voluntário  da  contribuinte  fiscalizada,  passa­se  à  apreciação  das  matérias  exclusivamente  argüidas  no  recurso  do  Sr.  Alessandro  Lúcio  da  Silva,  responsável  solidário,  o  qual  apresentou  defesa  contestando a sua legitimidade passiva.  Como bem assentado no voto condutor recorrido, ao contrário do que alega o  ora  recorrente,  a  fiscalização  não  se  ateve  as  causas  relacionadas  nos  arts.  134  e  135  para  a  atribuição  de  responsabilidade.  Tampouco  prosperam  os  argumentos  que  pretendem  atribuir  caráter  subsidiário  à  responsabilidade  em  face  de  que  a  autoridade  tributária  baseou­se  no  interesse comum capitulado no art. 124 do CTN para  imputar­lhe a combatida solidariedade,  conforme consta não só do Termo de Constatação e Descrição dos Fatos (fls. 674/675), como  também do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 663/664), pelo que reproduzo a seguir os  seguintes fragmentos.  A empresa fiscalizada tem como sócios Alessandro Lúcio da Silva e Josiane  Mara  Cassin  de Mattos.  Entretanto,  conforme  informação  do  sócio  Alessandro,  a  Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES   16 administração  da  empresa  sempre  coube  a  ele  e  a  movimentação  financeira  encontrada em suas contas correntes são da empresa junto com a sua movimentação  pessoal, sendo impossível separá­las.  Conclui­se,  portanto,  que  o  Sr.  Alessandro  Lúcio  da  Silva  teve  interesse  comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias  tratadas  no  presente  termo,  obtendo  vantagens  financeiras,  sendo,  portanto,  solidariamente  obrigados  ao  pagamento  de  tributo  ou  penalidade  pecuniária,  de  acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN.  Um ponto  primordial  a  ser  registrado  é  que,  conforme  jurisprudência  deste  Conselho,  a  incorreta  ou  incompleta  indicação  do  dispositivo  legal  que  a  fundamenta  não  invalida  a acusação  contestada,  sendo  suficiente  a perfeita descrição dos  fatos que permitem  concluir pela consequência imputada.  Compulsando os autos vê­se que o relato dos  fatos permite  identificar, com  precisão, que a autoridade fiscal acusa o Sr. Alessandro Lúcio da Silva de ser administrador de  fato  da  Credijóias  e  responsável  por  sua  substancial  movimentação  financeira.  Como  administrador  de  fato,  estaria  inserido  no  inciso  III  do  art.  135,  e  seria  responsável  pessoal  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  infração a lei.  Portanto,  inobstante  tenha  indicado  como  fundamento  legal  para  sua  responsabilização o art. 124, I, do CTN, a análise há que ser feita, também, à luz do art. 135,  III, do Código.   Dispõe a Lei nº 5.172, de 1966:.  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  (...)  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  (...)  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado.  Sendo  um  dos  responsáveis  pela  administração  da  empresa,  detendo,  portanto,  poder  de  mando  na  sociedade  conforme  explicita  o  contrato  social,  além  da  movimentação  bancária  dos  recursos  financeiros  da  contribuinte  fiscalizada,  que  ocorreu  em  seu  próprio  nome,  não  resta  dúvida  de  que  o  Sr.  Alessandro  Lúcio  da  Silva  tinha  pleno  conhecimento  da  falta  de  escrituração  das  movimentações  financeiras,  da  falta  de  livros  contábeis/fiscais  exigidos  por  lei,  tendo  declarado  no  período  fiscalizado  (AC/2005,  2006  e  2007) ínfima parcela de seus rendimentos conforme apurado pela fiscalização.  0  interesse  comum  na  situação  que  constituiu  o  fato  gerador  acha­se  materializado  na  participação  societária.  Afinal,  eventual  ganho  da  sociedade  empresária  repercute  direta  ou  indiretamente  no  patrimônio  dos  sócios.  Diretamente,  por  via  da  Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16004.000991/2009­77  Acórdão n.º 1301­001.869  S1­C3T1  Fl. 19          17 distribuição  de  lucros;  indiretamente  pela  valorização  patrimonial  na  sociedade,  o  que,  em  termos absolutos, incrementa sua participação.  Entendo, pois, que a lucratividade obtida pela economia do não pagamentos  dos  tributos  e  contribuições,  é  justamente  o  elo  de  comunhão  legal  que  estabelece  a  possibilidade de cobrança tributária do sócio gestor como responsável solidário. Há o interesse  comum  entre  elas  (pessoas  física  e  jurídica)  na  situação  que  constituiu  o  fato  gerador  dos  tributos e contribuições lançados.  Enfim, tal como fartamente demonstrado pela auditoria fiscal, o  lançamento  corretamente  caracterizou  o  vínculo  de  responsabilidade  de  cada  indivíduo  com  base  no  interesse comum (econômico e jurídico) de cada um na situação que constituiu o fato gerador  do tributo apurado. O interesse comum de cada um dos responsáveis resta inquestionável ante a  inequívoca participação conjunta na realização do fato gerador apurado.  Além do que, a meu juízo, a fiscalização demonstrou que Sr. Alessando era  administrador de fato da empresa autuada (Credijóias).  Diante  de  tal  contexto,  não  há  como  afastar  a  responsabilidade  tributária  imputada pela Fiscalização.  Em  conclusão,  por  todo  o  exposto,  voto  por  rejeitar  as  preliminares  de  nulidades do lançamento e da decisão recorrida, e no mérito NEGAR provimento aos recursos.  (assinado digitalmente  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator                                  Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES

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Numero do processo: 11065.003076/99-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1998 a 31/07/1999 INCOMPETÊNCIA. NULIDADE. É nula a decisão proferida pelo Segundo Conselho de Contribuintes, que tratou de exigência do PIS lastreada nos mesmos fatos que ensejaram infração à legislação do imposto de renda, cuja competência para julgamento era do então Primeiro Conselho de Contribuintes. Processo Anulado.
Numero da decisão: 9303-002.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular o processo a partir do acórdão recorrido, inclusive, determinando o encaminhamento dos autos à Primeira Seção de Julgamento, em face da matéria. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama e Maria Teresa Martinez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad hoc do voto vencido assinado digitalmente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Redator designado para o voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1964; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 385          1 384  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11065.003076/99­71  Recurso nº  221.351   Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­002.210  –  3ª Turma   Sessão de  12 de março de 2013  Matéria  PIS. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  SOCIEDADE HAMBURGUESA DE CAÇA E TIRO    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/11/1998 a 31/07/1999  INCOMPETÊNCIA. NULIDADE.  É  nula  a  decisão  proferida  pelo  Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  que  tratou  de  exigência  do  PIS  lastreada  nos  mesmos  fatos  que  ensejaram  infração à legislação do imposto de renda, cuja competência para julgamento  era do então Primeiro Conselho de Contribuintes.  Processo Anulado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  anular  o  processo a partir do acórdão recorrido, inclusive, determinando o encaminhamento dos autos à  Primeira Seção de Julgamento, em face da matéria. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo  Miranda  (Relator),  Nanci  Gama  e Maria  Teresa Martinez  López,  que  negavam  provimento.  Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.  assinado digitalmente  CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente   assinado digitalmente  JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Redator ad hoc do voto vencido  assinado digitalmente  HENRIQUE PINHEIRO TORRES ­ Redator designado para o voto vencedor       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 30 76 /9 9- 71 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.003076/99­71  Acórdão n.º 9303­002.210  CSRF­T3  Fl. 386          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa  Pôssas,  Francisco Maurício Rabelo  de Albuquerque  Silva, Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão,  Maria  Teresa  Martínez  López,  Susy  Gomes  Hoffmann  e  Valmar  Fonseca  de  Menezes  (Presidente  Substituto).  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  Otacílio  Dantas  Cartaxo  (Presidente).    Relatório  Cuida­se  de  recurso  especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  (fls.  354  a  363)  contra  o  v.  acórdão  proferido  pela Colenda  Primeira Câmara  do  Segundo Conselho  de  Contribuintes  (fls.  346  a  350)  que,  por  maioria  dos  votos,  deu  provimento  ao  recurso  voluntário,  por  entender  que  a Recorrida  não  poderia  figurar  como  responsável  tributária  do  PIS  incidente  sobre  o  faturamento  de  empresa  que  explora  comercialmente  os  bingos. Após  análise da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998 (“Lei Pelé”), o v. acórdão recorrido concluiu  que  o  legislador  em  momento  algum  atribuiu  à  entidade  desportiva  a  responsabilidade  tributária pelo recolhimento de contribuições ao Programa de Integração Social.  Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão a quo, cujo teor,  no que interessa ao presente julgamento, é o seguinte, verbis:  "Trata­se de auto de infração  lavrado contra a contribuinte em  epígrafe  para  exigência  de  contribuição  para  o PIS  (fls.  264  e  265),  onde  foi  apurado  crédito  tributário  no  valor  de  R$  11.975,94, incluídos os devidos acréscimos legais calculados até  31/08/1999. O relatório da auditoria  fiscal consta às  fls. 249 a  255.  A  infração  detectada  pela  Fiscalização  foi  a  falta  de  recolhimento do tributo sobre as receitas obtidas sobre a venda  de  cartelas  de  bingo,  tendo  os  fiscais  considerado  a  autuada  como sujeito passivo de obrigação tributária relativa ao PIS.  Irresignada,  tendo  sido  cientificada  em  30/09/1999  (fl.  264),  a  autuada  apresentou,  em  25/10/1999,  acompanhadas  dos  documentos de fls. 04 a 253, as suas razões de discordância (fls.  273 a 282), assim resumidas:  a)  a  autuada  alega  erro  de  enquadramento  no  contexto  da  legislação do PIS, uma vez que o auto de infração a considerou  como sujeito passivo, e como sendo empresa de fins  lucrativos,  quando,  na  verdade,  trataria­se  de  uma  entidade  sem  fins  lucrativos  (fl.275),  além  de  alegar  que  as  apostas  recolhidas  através dos jogos de bingo pelas empresas administradoras não  são  receitas  de  vendas  de mercadorias  e  nem  de  prestação  de  serviços,  sendo  que  a  parte  que  lhe  cabe  é  integralmente  destinada para o custeio de atividades desportivas, o que retira  tais valores do campo de incidência do PIS (fl. 278); e  b)  pleitea  também  a  autuada  pela  exclusão  do  montante  arrecadado pela venda de cartelas os prêmios pagos e os valores  que permanecem com as administradoras, fazendo, assim, incidir  Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.003076/99­71  Acórdão n.º 9303­002.210  CSRF­T3  Fl. 387          3 a  contribuição  exclusivamente  sobre  o  valor  efetivamente  ingressado  nos  seus  cofres  (7% da  arrecadação)  (fl.  279).  Por  fim, questiona também a aplicação de multa de ofício e os juros  pela taxa Selic.  O  recurso  voluntário  foi  interposto  com  base  nos  arts.  145,  inciso  I,  do CTN,  e  33  e  seguintes  do Decreto  n°  70.235/72,  e  alterações  posteriores,  contra  o Acórdão  da  2ª  Turma  da DRJ  em Porto Alegre ­ RS, de nº 691, datado de 11 de abril de 2002,  que  entendeu,  nos  termos  da  Lei  nº  9.615/98,  no  Parecer  MF/SRF/Cosit/Ditir nº 216/96, juntamente com os arts. 13 da Lei  nº  9/065/95  e  61,  §  3º,  da  Lei  n°  9.430/96,  por  rejeitar  a  preliminar  de  ilegitimidade  passiva  e  pela  procedência  do  lançamento  de  ofício,  mantendo  integralmente  o  crédito  tributário consubstanciado no auto de infração de PIS às fls. 264  e 265.A ementa do referido Acórdão segue abaixo transcrita:  ‘Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep   Período de apuração: 01/11/1998 a 31/07/1999  Ementa:  JOGOS  DE  BINGO.  SUJEITO  PASSIVO  ­  Para  os  fatos geradores ocorridos anteriormente ao advento da Medida  Provisória  n°  1.926,  de  22/10/1999,  a  entidade  desportiva  detentora da autorização para exploração de sorteios destinados  a angariar recursos para o fomento do desporto é a responsável  pelas  obrigações  tributárias  inerentes  às  receitas  obtidas  em  jogos de bingo, ainda que a prestação de serviços de instalação,  manutenção e administração estivesse a cargo de pessoa jurídica  distinta.  PIS. BASE DE CÁLCULO ­ a base de cálculo para a incidência  do  PIS  na  atividade  de  bingo  corresponde  a  100%  do  valor  arrecadado.  Lançamento Procedente’.  Inconformada,  sustenta  a  recorrente  SOCIEDADE  HAMBURGUESA DE CAÇA E TIRO que o Acórdão recorrido,  ao  entender  procedente  o  lançamento  de  ofício,  mantendo  integralmente  o  crédito  tributário  consubstanciado  no  auto  de  infração  de  PIS,  caracteriza  flagrante  ilegalidade  na  constituição  de  PIS/Faturamento  em  entidades  sem  fins  lucrativos, infringidos, entre outros, o art. 3º, letra "b", da LC nº  7/70; os arts. 2º, inciso I, e 8º, inciso I, da Lei nº 9.715/98; e os  arts. 2º e 3º da Lei n° 9.718/98.  Alega ainda o recorrente que, ao utilizar a Lei Pelé, em seu art.  61,  para atribuir  responsabilidade  tributária  sobre os bingos a  entidades  desportivas,  fez­se  uso  indevido  de  unir  norma  legal  que  estipula  responsabilidade  civil  para  colher  dela  resultados  tributários conflitantes com a lei específica do tributo.  A  recorrente  argumenta  ainda  que,  mesmo  que  a  entidade  recorrente  seja  efetivamente  a  responsável  tributária  do  PIS  incidente  sobre  os  valores  captados,  há  um  erro  de  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.003076/99­71  Acórdão n.º 9303­002.210  CSRF­T3  Fl. 388          4 enquadramento legal, pois em seu auto de infração considera­se  o  sujeito  passivo  como  uma  empresa  com  fins  lucrativos  e,  de  acordo  com  o  próprio  estatuto,  este  se  caracteriza  como  uma  empresa  sem  fins  lucrativos  e,  segundo  o  art.  15  da  Lei  n°  9.532/97, estas entidades são isentas de tal imposto.  Com  relação  ao  PIS  sobre  receita  ou  faturamento,  a  Lei  nº  9.715/98, que estipula o apuramento mensal de PIS com base na  folha  de  salários  para  entidades  sem  fins  lucrativos  definidas  como empregadoras, entrou em vigor à partir de 1º de outubro  de 1995 até 28 de setembro de 1999, assim, neste período não há  previsão  legal  para  a  cobrança  de  PIS  sobre  receita  ou  faturamento  de  entidades  sem  fins  lucrativos  definidas  como  empregadoras por legislação trabalhista. Além disso, alega que,  inexistente a exigência principal, não podem persistir a multa de  ofício e os juros de mora.  Requer,  por  fim,  que,  caso  as  arguições  de  insubsistência  por  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo,  apresentadas  nas  preliminares,  não  forem  acolhidas,  a  apreciação  das  argumentações  de  direito,  definindo­as,  com  a  consequente  decretação  da  insubsistência  integral  da  autuação,  e  ainda  mesmo  que  o  julgamento  decidir  ser  correto  o  procedimento  fiscal,  que  sejam  dispensados  os  acréscimos  legais  na  forma  autorizada pelo parágrafo único do art. 134 do CTN."  A ementa do julgado ora recorrido, que bem resume os seus fundamentos, foi  assim formulada:  PIS. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS.  As entidades sem fins lucrativos, que tenham empregados assim  definidos pela legislação trabalhista, contribuirão para o Fundo  mediante  a  aplicação  da  alíquota  de  1%  sobre  a  folha  de  pagamento (Lei Complementar nº 7/70, art. 3º, § 4º). Incabível a  exigência  da  contribuição  tendo  como  base  de  cálculo  o  faturamento,  sem  a  comprovação  de  que  a  entidade  não  se  reveste das  condições necessárias para o  enquadramento como  entidade sem fins lucrativos.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  ENTIDADES  DESPORTIVAS. CONTRATO DE CESSÃO.  A  entidade  desportiva  cedente  dos  direitos  de  exploração  de  bingos não é responsável pelo recolhimento da contribuição ao  Programa de Integração Social devido pela cessionária. Os arts.  62 e 63 da Lei nº 9.615, de 24/03/1998, exigem a apresentação  de  certidões  negativas  de  tributos  federais  e  de  débitos  previdenciários  separadamente  para  as  duas  entidades,  o  que  descaracteriza  a  atribuição  jurídica  de  responsabilidade  tributária,  que deve ser expressa, de acordo com o art.  128 do  Código Tributário Nacional.  Recurso provido.  Contra essa decisão, insurge­se a Fazenda Nacional aduzindo, em síntese, que  o  artigo  61  da Lei  nº  9.615/98,  ao  dispor  que “os  bingos  funcionarão  sob  responsabilidade  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.003076/99­71  Acórdão n.º 9303­002.210  CSRF­T3  Fl. 389          5 exclusiva  das  entidades  desportivas”  acarretaria  responsabilidade  tributária  destas  entidades,  de  modo  que  poderiam  elas  ser  responsabilizadas  pela  falta  de  recolhimento  de  tributos  da  entidade contratada para a exploração comercial dos bingos.   Entende ainda  a Recorrente que  todos os  ingressos  da entidade de natureza  desportiva deveriam compor a base de cálculo da contribuição ao PIS – aí incluído o repasse de  7%  da  receita  bruta  da  sala  do  bingo  ou  do  bingo  eventual  a  que  fazem  jus  as  entidades  desportivas –, uma vez que o conceito de receita bruta traçado pelos artigos 2º e 3º da Lei nº  9.715, de 25 de novembro de 1998,  alcançaria a  totalidade das  receitas,  sendo  irrelevantes o  tipo de atividade exercida e classificação contábil adotadas para caracterizá­las.  O  recurso  da  Fazenda  foi  admitido  por  intermédio  do  Despacho  de  fls.  366/368.  Embora intimada a se manifestar (fls. 370/375), a Recorrida quedou­se inerte.  É o relatório.      Voto Vencido  Conselheiro Júlio César Alves Ramos ­ redator ad hoc  Por  intermédio  do  Despacho  de  fl.  384,  nos  termos  do  art.  17,  III,  do  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela  Portaria MF 343,  de  09  de  junho de  2015,  incumbiu­me o Presidente da Terceira Turma da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  a  formalizar  o  voto  vencido  do  presente  acórdão.  Ressalte­se  que  o  relator  original  entregou  o  relatório  e  seu  voto  à  secretaria  da  Câmara  Superior.  Contudo,  em  virtude  de  sua  renúncia  ao  mandato,  não  foi  possível  concluir  a  formalização da citada decisão.  Desta  forma,  adota­se  o  voto  entregue  pelo  relator  original,  Conselheiro  Rodrigo Cardozo Miranda, vazado nos seguintes termos:  "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso.  O inconformismo da Recorrente cinge­se à questão de ser ou não  a entidade desportiva responsável tributária, quando constatado  pela autoridade tributária a deficiência ou falta do recolhimento  de tributo da empresa que explora comercialmente os bingos.  A  responsabilidade  que  se  quer  imputar  à  entidade  desportiva  estaria prevista no artigo 61 da Lei Pelé. Referido artigo assim  dispunha:  art.  61.  Os  bingos  funcionarão  sob  responsabilidade  exclusiva  das  entidades  desportivas,  mesmo  que  a  administração  da  sala  seja  entregue  a  empresa  comercial  idônea.  Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.003076/99­71  Acórdão n.º 9303­002.210  CSRF­T3  Fl. 390          6   O artigo 1º da Medida Provisória nº 1.926­1, de 23 de novembro  de  1999,  ao  seu  turno,  introduziu  um  parágrafo  ao  citado  dispositivo:  Parágrafo único. Na hipótese de  a administração do  jogo  do bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva  responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e  encargos  da  seguridade  social  incidentes  sobre  as  respectivas receitas obtidas com essa atividade.  O  referido  artigo  61  da  Lei  Pelé  encontrava­se  inserido  no  Capítulo  IX  –  Do  Bingo.  O  enunciado  do  artigo  em  apreço  denota  cristalino  ânimo  de  regular  a  relação  entre  a  entidade  desportiva e a empresa comercial que explora comercialmente o  bingo.  O  fato  ter­se  atribuído  à  entidade  desportiva  a  responsabilidade  exclusiva  pelo  funcionamento  dos  bingos,  não  parece  autorizar  a  interpretação  de  que  tal  comando  tenha  atribuído responsabilidade tributária à entidade desportiva.  O  artigo  121,  II,  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  ao  regular  a  responsabilidade  tributária,  determina  que  só  é  responsável  tributário  aquele  cuja  obrigação  decorra  de  disposição expressa de lei.  A responsabilidade exclusiva atribuída pela Lei Pelé não denota  contorno  tributário  – mormente,  responsabilidade  tributária  do  PIS –, apenas elege responsável pelo funcionamento do bingo a  entidade desportiva.   O  parágrafo  único  introduzido  pela  MP  nº  1.926­1/1999  confirma  que  é  da  empresa  comercial  a  exclusiva  responsabilidade  pelo  pagamento  de  todos  tributos  e  encargos  sociais  incidentes  sobre  as  respectivas  receitas  com  essa  atividade.  Tivesse  o  artigo  61  da  Lei  Pelé  estabelecido  responsabilidade  tributária  da  entidade  desportiva,  como  quer  fazer  crer  a  Recorrente, não poderia o parágrafo único, acrescido pela MP  nº 1.926­1/1999, vir a estabelecer responsabilidade tributária da  entidade  comercial,  sob  pena  se manifesta  contradição  entre  o  parágrafo  e  o  caput,  uma  vez  que  nosso  sistema  tributário  convive apenas com as figuras do contribuinte e do responsável  (artigo 121, I e II do CTN).  Não obstante, também vale ressaltar que a contribuição ao PIS  devida  pelas  entidades  sem  fins  lucrativos,  como  é  o  caso  da  Recorrida, incide à alíquota de 1% (um por cento) sobre a folha  de  salários  (artigo 3º,  § 4º da Lei Complementar nº 7,  de 7 de  setembro de  1970 e  artigo  8º,  II  da Lei  nº 9.715/98),  enquanto  que  a  contribuição  ao  PIS  das  demais  pessoas  jurídicas,  tal  como  as  empresas  comerciais  que  exploram  o  bingo,  incide  sobre o faturamento (artigo 3º da Lei nº 9.715/98).  Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.003076/99­71  Acórdão n.º 9303­002.210  CSRF­T3  Fl. 391          7 Como se vê, embora sob as vestes do mesma contribuição social  (PIS),  os  aspectos  materiais  e  quantitativos  do  referido  tributo  são  substancialmente  distintos,  sendo a  finalidade  (se  lucrativa  ou  não)  da  pessoa  jurídica  o  critério  determinante  para  se  definir  qual  a  grandeza  que  se  deverá  submeter  à  tributação  (folha de salários ou faturamento).  Dito  isso,  mostra­se  totalmente  descabido  o  argumento  da  Recorrente  de  que  a  entidade  desportiva  teria  receita  (7%  da  arrecadação  da  empresa  comercial,  na  forma  do  artigo  70  da  Lei  Pelé),  e  que  referida  receita,  portanto,  estaria  sujeita  à  tributação do PIS­faturamento.  Por  figurar  a  Recorrida  como  pessoa  jurídica  sem  fins  lucrativos, deve ela oferecer a totalidade de sua folha de salário  à  tributação do PIS,  cuja alíquota,  nesse  caso,  é  de 1%. Nada  mais.  Nesse  sentido,  veja­se  julgado  da  Segunda  Turma  da  Câmara  Superior de Recursos Fiscais:  PIS/FOLHA DE PAGAMENTO.  O Direito Tributário é regido pelo principio da legalidade  estrita,  de  modo  que  devem  ser  estipulados  a  base  de  cálculo,  o  fato  gerador,  a alíquota  e o  sujeito passivo  do  tributo. A  exploração  de  jogo  do  bingo  por  entidades  de  administração  e  de  prática  desportiva,  conforme  autorizada pela Lei Pelé não  implica no  recolhimento do  PIS/PASEP  com  base  no  faturamento,  por  ausência  de  previsão  legal.  As  entidades  sem  fins  lucrativos,  que  tenham  empregados  assim  definidos  pela  legislação  trabalhista,  contribuirão  para  o  Fundo  mediante  a  aplicação da alíquota de 1% sobre  a  folha de pagamento  (Lei Complementar  n°7/70,  art.  30,  §  40,  c/c  o Decreto­ Lei rio 2.303/86, art. 33 e arts. 2°,  II, e 8°, II, da MP rio  1.215/95).  Recurso especial negado.”  (CSRF.  Segunda  Turma.  Acórdão  nº  02­03.614.  Rel.  Cons.  Maria  Teresa  Martínez  Lopez.  Sessão  de  25  de  novembro de 2008)  Sobre  o  tema,  veja­se  ainda  decisão  proferida  pelo  Egrégio  Superior Tribunal de Justiça (STJ):  TRIBUTÁRIO  –  PIS/PASEP  –  EXPLORAÇÃO  DE  JOGO  DE  BINGO.  INSTITUIÇÃO  DE  CARÁTER  ESPORTIVO E RECREATIVO – BASE DE CÁLCULO  –  FOLHA  DE  PAGAMENTO  –  INCIDÊNCIA  DO  TRIBUTO  SOBRE  O  FATURAMENTO  –  AUSÊNCIA  DE PREVISÃO LEGAL.  1.  A  exploração  de  jogo  do  bingo  por  entidades  de  administração  e  de  prática  desportiva,  conforme  autorizada pela Lei Pelé (Lei 9.615/98) em seus artigos 59  a  81  (já  revogados  pela  Lei  9.981/2000)  não  implica  o  Fl. 391DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.003076/99­71  Acórdão n.º 9303­002.210  CSRF­T3  Fl. 392          8 recolhimento  do  PIS/PASEP  com  base  no  faturamento,  por ausência de previsão legal.  2. Nos termos do art. 2º, II, da Lei 9.715/98, c/c 13, IV, da  Medida  Provisória  2.158­35/2001,  a  contribuição  para  o  PIS,  devida  pelas  instituições  de  caráter  filantrópico,  recreativo,  cultural e  científico e pelas  associações  a que  se  refere o art. 15 da Lei 9.532/97, é calculada com base  na folha de salários.  3. O legislador optou pela referida base de cálculo levando  em  conta  tão­somente  a  ausência  de  finalidade  lucrativa  das entidades enumeradas. Desprezou a lei a possibilidade  de  haver  faturamento  nas  referidas  entidades,  desde  que  não houvesse lucro.  4. Recurso especial provido.  (REsp  nº  670.659/RS.  Segunda Turma. Rel. Min.  Eliana  Calmon. DJ 01/08/2005. P. 405)  De  se  notar  que  o  acórdão  do  STJ  considerou  que  o  recolhimento  de  PIS/PASEP  faturamento  não  incide  sobre  a  exploração  do  jogo  do  bingo  para  as  entidades  sem  fins  lucrativos.  Dessa  forma,  totalmente  descabida  a  pretensão  Fazendária  de  ver  incidir o PIS  faturamento  sobre os  ingressos  da Recorrida,  entidade que goza desse status.  Também  sem  razão  a  pretensão  da  Recorrida  de  querer  ver  a  entidade desportiva incluída no pólo passivo da relação jurídica  tributária, haja vista a manifesta ausência de previsão legal para  tanto.  Por conseguinte, em face de  todo o exposto, voto no sentido de  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  especial  interposto  pela  Fazenda Nacional."  Com  base  nesses  fundamentos  o  relator  negou  provimento  ao  recurso  especial da Fazenda Nacional, sendo vencido, por maioria.  assinado digitalmente  Júlio César Alves Ramos ­ redator ad doc      Voto Vencedor  Conselheiro  Henrique  Pinheiro  Torres,  designado  para  redigir  o  voto  vencedor.  Em  que  pese  os  bens  concatenados  argumentos  trazidos  no  voto  do  ilustre  relator, deste ouso divergir no tocante à competência para julgamento do presente processo.   Fl. 392DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.003076/99­71  Acórdão n.º 9303­002.210  CSRF­T3  Fl. 393          9 Ocorre que, segundo informações que constam do Relatório da Ação Fiscal, a  presente  exigência  do PIS  decorreu  de  fiscalização  do  imposto  de  renda,  estando o  presente  lançamento, apesar de não ser reflexo, lastreado em fatos cuja apuração serviu para determinar  a prática de infração à legislação de pessoa jurídica.  Assim,  nos  termos  do  disposto  no  art.  7º,  inciso  I,  alínea  “d”,  do  então  vigente Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55,  de 16 de março de 1998, a competência para julgamento da presente exigência do PIS, frise­se,  lastreada nos mesmos fatos que resultaram em infração à legislação do imposto de renda, era  do então Primeiro Conselho de Contribuintes.  Em  se  tratando  de  incompetência  do  colegiado  que  proferiu  o  Acórdão  20179.554, outro  remédio não há  além de anular a mencionada decisão,  tendo em vista que,  segundo  disposição  do  art.  69,  II,  do  Decreto  70.235,  de  1972,  são  nulos  os  despachos  e  decisões proferidos por autoridade incompetente.  Importante ressalvar que, atualmente, o  julgamento da presente exação é de  competência da Primeira Seção de Julgamento, segundo disposição do art. 2º, IV, do Anexo II,  do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria  MF nº 256, de 22 de junho de 2009.  Com  essas  considerações,  voto  por  anular  o  processo  a  partir  do  Acórdão  201­79.554, determinando o encaminhamento dos autos à Primeira Seção de Julgamento.  assinado digitalmente  Henrique Pinheiro Torres ­ redator do voto vencedor                Fl. 393DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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6131121 #
Numero do processo: 10945.000177/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 VÍCIO FORMAL E INSANÁVEL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Declarado nulo o lançamento por vício formal em processo anterior, não pode a Autoridade Fiscalizadora ao dar início a novo procedimento de fiscalização se valer dos mesmos documentos julgados maculados de vício. Destarte, mesma sorte terá o lançamento fundamentado em documentação já julgada impingida de vício formal que ocasionou a nulidade do lançamento precedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma.
Numero da decisão: 1101-000.768
Decisão:
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 VÍCIO FORMAL E INSANÁVEL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Declarado nulo o lançamento por vício formal em processo anterior, não pode a Autoridade Fiscalizadora ao dar início a novo procedimento de fiscalização se valer dos mesmos documentos julgados maculados de vício. Destarte, mesma sorte terá o lançamento fundamentado em documentação já julgada impingida de vício formal que ocasionou a nulidade do lançamento precedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1 1  S1­C1T1                                MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10945.000177/2011­61  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  1101­000.768  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de julho de 2012  Matéria  Auto de Infração ­ SIMPLES  Recorrente  DRJ/CURITIBA   Recorrida  1ª TURMA DA 1ª CÂMARA DA 1ª SEÇÃO DO CARF    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006  VÍCIO FORMAL E INSANÁVEL. NULIDADE DO LANÇAMENTO.  Declarado nulo o lançamento por vício formal em processo anterior, não pode  a Autoridade Fiscalizadora ao dar início a novo procedimento de fiscalização  se  valer  dos  mesmos  documentos  julgados  maculados  de  vício.  Destarte,  mesma  sorte  terá  o  lançamento  fundamentado  em  documentação  já  julgada  impingida  de  vício  formal  que  ocasionou  a  nulidade  do  lançamento  precedente.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso de ofício.  Considerando:  i)  que  o  Presidente  à  época  do  Julgamento  não  compõe  o  quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  (CARF) na data da  formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de  9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais ­ RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do  RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio  Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão.   Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, a  relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais  integra o quadro de Conselheiros do CARF, o  Conselheiro  Paulo  Mateus  Ciccone,  nos  termos  do  artigo  17,  inciso  III,  do  RICARF,  foi  designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e do presente Acórdão, o que  se deu na data de 15 de setembro de 2015.   (documento assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 01 77 /2 01 1- 61 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.000177/2011­61  Acórdão n.º 1101­000.768  S1­C1T1  Fl. 3            2 MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO  Presidente para formalização do acórdão  (documento assinado digitalmente)  PAULO MATEUS CICCONE  Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e do acórdão  Composição  do  colegiado.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Benedicto  Celso  Benício  Júnior,  Carlos  Eduardo  de  Almeida Guerreiro,  Edeli  Pereira Bessa,  José Ricardo da Silva  (vice­presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar  Fonseca de Menezes (presidente da turma.                                          Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.000177/2011­61  Acórdão n.º 1101­000.768  S1­C1T1  Fl. 4            3 Relatório  O  presente  Recurso  de  Ofício  refere­se  ao  Acórdão  exarado  pela  DRJ  em  Curitiba  que  determinou  o  cancelamento  dos  créditos  tributários  exigidos  ao  considerar  improcedente o lançamento realizado.  Em  2009,  foi  lavrado  Auto  de  Infração  que  deu  origem  ao  processo  nº  10945.001567/2009­33,  relativo  ao  ano­calendário  de  2006,  que  conforme  o  Acórdão  nº  29.472,  proferido  em  02/12/2010,  os  lançamentos  foram  julgados  improcedentes  tendo  em  vista a apuração de erro formal (a autoridade fiscalizadora solicitou a apresentação dos extratos  bancários ao contador da contribuinte e não ao sujeito passivo como determina a lei; como não  obteve  resposta,  expediu  RMF.  Os  extratos  bancários  acostados  aos  autos  foram  julgados  maculados de vício).   Ocorre que a autoridade fiscal solicitou o reexame do período já fiscalizado,  o  que  deu  início  ao  processo  em  análise. No  Termo  de  Início  de Ação  Fiscal  (proc.  fl.  04)  solicitou­se a apresentação de livros, documentos e extratos bancários. Ao final, a autoridade  fiscalizadora mencionou o  resultado  do  processo  de  2009 nos  seguintes  termos:  “A presente  fiscalização refere­se ao reexame do ano­calendário de 2006, tendo em vista que o lançamento  do crédito tributário no processo 10945.001567/2009­33 foi exonerado por vício formal”.  Não houve qualquer manifestação da interessada, e, em 26/01/2011, efetuou­ se nova intimação para que a empresa justificasse a origem dos depósitos bancários extraídos  do processo original  (proc.  fls.  52  a 56). Novamente não houve manifestação da  fiscalizada,  sendo então lavrado o presente Auto de Infração.  Segundo o Termo de Verificação Fiscal  (proc.  fls. 69 e verso),  frente a não  manifestação da contribuinte para a apresentação dos livros, documentos e extratos bancários,  “os  documentos  relevantes  para  a  fiscalização  foram  extraídos  do  processo  10945.001567/2009­33.  É  importante  frisar  que  os  extratos  bancários  foram  obtidos  regularmente  junto  às  instituições  financeiras  no  curso  do  procedimento  fiscal  0910600.2009.0018,  tendo  em  vista  que  foi  constatado  que  o  contribuinte  efetuou  gastos  superiores a sua renda no ano de 2006, conforme enquadramento e relatório constantes das  solicitações de emissão de RMF que faz parte do processo  fiscal”. Além disso, não havendo  qualquer  tipo  de  resposta  à  intimação  que  questionava  a  origem  dos  valores  apurados  nos  extratos bancários, as receitas questionadas foram presumidas omissas.   Por  derradeiro,  a  autoridade  fiscalizadora  qualificou  as  multas  sob  o  argumento de que os fatos descritos evidenciavam fraude com o objetivo de omitir receitas e  pagar  os  impostos  devidos  a  menos.  “Ressaltamos  na  caracterização  da  fraude  a  falta  do  registro da movimentação  financeira em livro caixa, as declarações  incorretas apresentadas  na declaração PJSI, e a sistemática omissão ocorrida em todos os meses do ano calendário de  2006. Torna­se claro nesse caso que o contribuinte assim procedeu omitindo boa parte de suas  receitas  com  o  objetivo  de  sonegação”.  Já  o  agravamento  das  multas  se  deu  pelo  não  atendimento das intimações.   Foram lavrados os Autos de Infração IRPJ – SIMPLES (proc. fls. 88 a 90),  PIS  –  SIMPLES  (proc.  fls.  94  a  96),  CSLL  –  SIMPLES  (proc.  fls.  100  a  102),  COFINS  –  Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.000177/2011­61  Acórdão n.º 1101­000.768  S1­C1T1  Fl. 5            4 SIMPLES  (proc.  fls.  106  a  108),  IPI  –  SIMPLES  (proc.  fls.  112  a  114),  INSS  –  SIMPLES  (proc. fls. 118 a 120). A contribuinte foi cientificada em 01/03/2011.  Em 16/03/2011, foram apensados os processos nº 10945.0001567/2009­33 e  10945.000178/2011­13.   A  Impugnação  foi  tempestivamente  apresentada  em  31/03/2011  (proc.  fls.  128  a  151). De  início,  a  contribuinte  alegou  que  em  tempo  algum  foi  notificada  da  decisão  exarada pela DRJ que anulou o Auto de Infração lavrado em 2009.   Em preliminar de mérito argumentou a nulidade do Auto de Infração sob os  seguintes fundamentos:   1)  Falta  de  intimação  da  decisão  do  Auto  de  Infração  lavrado  em  2009.  Afirmou que em consulta ao sistema COMPROT da RFB identificou o processo anterior ainda  em trâmite, estando com movimentação em 16/03/2011. Logo, entendeu que como o processo  anterior  ainda  não  fora  arquivado  e não  sendo notificada da  decisão  proferida  pela DRJ nos  autos  daquele  processo,  não  seria  possível  iniciar  novo  procedimento  fiscal,  referente  ao  mesmo  período,  já  que  o  contraditório  não  fora  efetivado  no  processo  anterior  em  sua  plenitude.  2)  Utilização  de  documentos  obtidos  sem  o  contraditório  no  processo  anterior. Ao utilizar os extratos bancários obtidos de forma ilegal no processo anterior, o agente  fiscal  acabou  por  transferir  a  nulidade  daquele  processo  para  este,  já  que  se  julgado  nulo  o  processo anterior, nulo todos os seus elementos, vez que atingidos por vícios intransponíveis.  3)  Descumprimento  de  preceito  legal,  caracterizando  cerceamento  de  defesa.  Segundo  dispõe  o  art.  9º  do  Decreto  nº  70.235/72,  ao  ser  cientificado  de  que  foi  autuado, o contribuinte deve receber, na mesma oportunidade, cópia de todos os documentos  que  dão  sustentação  ao  lançamento.  Relatou  a  Impugnante  que  somente  obteve  cópia  do  processo  por  meio  de  solicitação  e  pagamento  de  custas,  sendo  entregues  apenas  em  30/03/2011,  ou  seja,  29  dias  após  a  intimação  por  correio.  Destarte,  entendeu  que  houve  prejuízo  do  seu  direito  de  defesa,  e  afronta  ao  Princípio  da  isonomia,  visto  que  aos  outros  contribuintes foi assegurado o prazo de 30 dias para a apresentação de Impugnação.  4)  Quebra do sigilo bancário. Asseverou que a autoridade fiscal não se deu  ao  trabalho  de  proceder  à  busca  de  autorização  para  obtenção  de  extratos  bancários,  apenas  utilizou cópia dos extratos colacionados ao processo de 2009. Ressaltou ainda que a autoridade  fiscalizadora cumpriu mera formalidade ao conceder 5 dias para que a empresa apresentasse os  extratos bancários, pois já pretendia utilizar os extratos do processo anterior, desta forma, não  houve intimação válida ou moralmente válida no presente processo. Ademais, como não houve  intimação do sujeito passivo para apresentação dos extratos bancários, nos autos do processo  originário, não houve negativa; se não houve negativa no fornecimento dos extratos, não houve  impedimentos à  fiscalização; não havendo  impedimento ou  resistência, não se pode falar em  requisição  de  informações  via  sistema  bancário.  Manifestou­se  ainda  sobre  a  inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem autorização  judicial.  Ainda  em  sede  de  preliminar,  alegou  a  decadência  do  direito  de  lançar  referente aos  fatos geradores anteriores a 01/03/2006, visto que foi  intimada da autuação em  01/03/2011.  Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.000177/2011­61  Acórdão n.º 1101­000.768  S1­C1T1  Fl. 6            5 No mérito, alegou que a  industrialização que realiza diz  respeito a artefatos  de  cimento,  estando  então  enquadrada  no  código  de  NCM  6810.91.00,  sendo  tributada  à  alíquota zero. Destarte, por não estar sujeita à incidência de IPI, não caberia a majoração em  0,5% nos percentuais do SIMPLES, o que caracterizou excesso de cobrança.  No que  toca  à movimentação  financeira,  a  Impugnante afirmou que no  ano  calendário de 2006 manteve saldo devedor, uma vez que passava por dificuldades financeiras e  tomou valores emprestados junto a agiotas. Segundo afirmou, estas operações tornaram­se cada  vez maiores, o que pode ser provado pela quantidade de cheques depositados e devolvidos na  conta da empresa. Sustentou que a utilização da técnica de desconto de cheques pré­datados, os  quais  em  sua  maioria  eram  devolvidos  por  insuficiência  de  fundos,  acabou  por  gerar  uma  receita não condizente com a realidade da empresa.   Além  disso,  alegou  que  os  cheques  que  buscou  junto  a  terceiros  foram  considerados pela  fiscalização como  receitas da empresa,  porém, na data do vencimento dos  mesmos,  estes  eram  depositados  pelo  banco  na  conta  da  empresa,  que  lançava  a  débito  a  operação  de  desconto.  No  entanto,  para  cada  cheque  descontado  junto  aos  bancos,  foram  consideradas duas operações, uma no momento do desconto do cheque e outra no momento da  liquidação do cheque descontado uma vez que este é depositado na conta corrente da empresa.  Desta  forma,  é  necessária  a  revisão  do  relatório  para  excluir  do  lançamento  os  valores  considerados  como  receitas  e  lançados  sob  a  rubrica  de  desconto  de  cheques  ou  cheques  descontados.  Na  sequência,  elaborou  uma  planilha  detalhando  quais  os  valores  a  serem  descontados para cada banco.  Ainda  fez menção  a  créditos  relacionados  à  venda  de  quotas  de  consórcio.  Relatou que possuía créditos relativos a quotas de consórcio não contemplado com o Consórcio  GAPLAN, as quais vendeu para amenizar seu déficit de caixa e reduzir as saídas de recursos.  Portanto, entendeu que os créditos nos valores de R$ 68.467,68,  recebidos em 02/05/2006, e  R$ 86.824,99, 08/05/2006, devem ser excluídos do lançamento, já que sua origem consta dos  próprios  extratos  bancários.  Neste  mesmo  sentido,  questionou  alguns  valores  que  seriam  decorrentes de transferência entre contas, perfazendo o montante de R$ 454.298,82, valor este  que também deve ser excluído do lançamento.  A  Impugnante  observou  que  há  erro  material  nos  lançamentos  realizados.  Asseverou que em 11/01/2006, o agente lançou em sua planilha o valor de R$ 9.100,00 como  depósito liberado pelo Banco do Brasil, no entanto, alertou que este valor é relativo à liberação  de depósito bloqueado, ou seja, refere­se a valores depositados anteriormente à data liberada.  Melhor sorte não deve ter o valor de R$ 25.000,00 lançado em 08/05/2006, relativo a depósito  no Banco Bradesco,  que  corresponde  a  valor  estornado  na mesma,  visto  que  o  depósito  foi  irregular, o envelope estava vazio.   Asseverou  que  os  valores  movimentados  em  sua  conta  corrente  dizem  respeito a depósitos obtidos no mercado financeiro – agiotas, factoring etc. A contribuinte foi  enfática  ao  afirma que não existiu  faturamento  sem a  emissão de documento  fiscal  e que os  valores  depositados  em  conta  corrente  referem­se  a  movimentação  financeira.  Ademais,  o  demonstrativo  de  fornecedores,  elaborado  pelo  Fisco,  comprova  o  relatado  já  que  as  informações dos fornecedores são no sentido de que houve pouco volume de vendas além do  que  consta  de  suas  próprias  declarações. Destarte,  não  havendo  efetivo  faturamento,  não  há  receita a ser tributada.  Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.000177/2011­61  Acórdão n.º 1101­000.768  S1­C1T1  Fl. 7            6 No  que  toca  às  penalidades,  foi  aplicada multa  na  sua  forma  qualificada  e  multa agravada. Quanto  à primeira,  a  interessada asseverou que é  frágil  a alegação de que a  falta de contabilização dos depósitos bancários indica claramente a intenção da contribuinte de  não  recolher  os  tributos  devidos,  caracterizando­se  o  dolo.  Entendeu  que  a  simples  falta  de  registro  ou  registro  inexato  de  valores  na  escrituração  caracteriza  falta  de  declaração  e/ou  declaração inexata, com infração prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, multa de  75%. Valeu­se  ainda  do  disposto  na  súmula  nº  14  do CARF  que  requer  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito  passivo  nos  casos  de  simples  apuração  de  omissão  de  receita ou de rendimentos.  Já  quanto  à  multa  agravada,  alegou  que  a  concessão  de  5  dias  para  apresentação  dos  documentos  previsto  no  Termo  Inicial  só  confirma  a  imparcialidade  da  autoridade  fiscalizadora que agiu apenas com o  intuito de salvar o  lançamento anteriormente  cancelado.  Desta  forma,  o  agravamento  da  multa  se  deu  sem  qualquer  justificativa  legal  e  plausível. Ademais, a contribuinte recebeu intimação em 28/01/2011, sexta­feira, iniciando­se  o prazo na segunda, 31/01/2011. No entanto, em 23/02/2011, o agente fiscal  já estava com o  Auto de  Infração  lavrado, com multa agravada de 225% sob o  argumento de que não houve  atendimento  a  intimação.  A  Impugnante  afirmou  que  se  quer  foi  permitido  o  transcurso  do  prazo,  ou  ao  menos  efetuada  reintimação,  o  auditor  fiscal  de  plano  agravou  a  multa  sem  qualquer embasamento legal, desta forma, descabida a aplicação da mesma.  Por fim, contestou a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros,  taxando­a  de inconstitucional. Transcreveu jurisprudência sobre o tema.  A DRJ proferiu Acórdão em 15/09/2011 por meio do qual, por unanimidade  de votos, considerou improcedentes os lançamentos e determinou o cancelamento dos créditos  tributário exigidos.   De  início,  a  Turma  afirmou  que  a  Impugnante  teve  ciência  do  Acórdão  proferido nos  autos do processo de 2009 por meio de um Termo de Ciência,  que segundo o  Colegiado  foi  remetido  à  contribuinte  de  acordo  com  informações  prestadas  pelo  chefe  da  Agência de Matelândia/PR, que jurisdiciona o domicílio da interessada. Desta forma, entendeu  que  não  há  que  se  falar  em  desconhecimento  do  teor  do  Acórdão  proferido  nos  autos  do  processo original.  Quanto à alegação de nulidade dos documentos provenientes do processo de  2009 e juntados a estes autos, o colegiado afirmou que a legislação tributária autoriza o Fisco a  utilizar  as  informações  fornecidas  pelas  instituições  bancárias,  para  proceder  ao  lançamento  tributário  (art.  42  da Lei  nº  9.430/96  c/c  art.  6º  da Lei Complementar  105/01,  c/c  art.  4º  do  Decreto 3.724/01).  Relatou o órgão  julgador que nos  autos do processo originário,  foi  enviada  correspondência  ao  escritório  do  contador,  solicitando  os  extratos  das  contas  correntes  bancárias. No entanto, como não houve manifestação, os extratos foram solicitados via RMF.  Ocorre  que  tais  requisições  foram  irregulares  já  que  a  legislação  tributária  determina  que  a  RMF será precedida de  intimação ao sujeito passivo para apresentação de  informações sobre  movimentação  financeira.  Destarte,  os  extratos  bancários  que  serviram  de  base  para  o  lançamento de 2009 estavam maculados de vício o que desencadeou na improcedência daquele  lançamento.   Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.000177/2011­61  Acórdão n.º 1101­000.768  S1­C1T1  Fl. 8            7 O órgão a quo entendeu que o translado das peças do primeiro processo para  este,  e  entre  elas  as  cópias  das  RMF  e  dos  extratos  bancários  impingidos  de  vício  formal,  acabou por viciá­lo também. Desta forma, entendeu pela improcedência do presente feito.  Ademais, asseverou que ante a íntima relação de causa e efeitos, aplica­se aos  lançamentos reflexos o decidido no principal.   Por meio  de  Declaração  de  Voto,  o  julgador  Sr.  Roberto Massao  Chinem,  afirmou que o procedimento correto  seria a  fiscalização emitir nova RMF para obtenção dos  mesmos dados  após  a  intimação do  sujeito passivo. Teceu  ainda  alguns  comentários  sobre  a  emissão de RMF e o questionamento da constitucionalidade da Lei Complementar no STF; a  possibilidade de se efetuar um lançamento complementar para corrigir a falha na obtenção da  prova; e, o cabimento de Recurso de Ofício no processo administrativo fiscal.  É o relatório.                                    Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.000177/2011­61  Acórdão n.º 1101­000.768  S1­C1T1  Fl. 9            8 Voto             PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado.  Considerando que a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o  quadro  de Conselheiros  do CARF,  este Conselheiro,  nos  termos  do  artigo  17,  inciso  III,  do  RICARF, foi designado ad hoc para a formalização do presente Acórdão.  Nesta  condição de Redator designado,  transcrevo  literalmente a minuta que  foi apresentada pela Conselheira durante a  sessão de  julgamento. Portanto, a análise do caso  concreto reflete a convicção daquela relatora na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro  vinculado,  no  caso  aqui  tratado:  i)  ao  relato  dos  fatos  apresentado;  ii)  a  nenhum  dos  fundamentos  adotados  para  a  apreciação  das  matérias  em  discussão;  e,  iii)  a  quaisquer  das  conclusões da decisão, incluindo­se a parte dispositiva e a ementa, com as quais posso ou não  concordar em situações concretas .  Passo, a seguir, à transcrição do voto.  Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora  No caso em análise a DRJ  interpôs Recurso de Ofício contra a decisão que  considerou improcedente os lançamentos e cancelou os créditos tributários exigidos.  De  acordo  com  o Acórdão  exarado,  a  juntada  aos  autos  deste  processo  de  documentos  julgados  viciados  em  processo  antecedente  acaba  por  transmitir  o  vício  ao  processo em análise. Assiste razão a autoridade julgadora a quo.  De início, é  importante  ressaltar que o objeto do presente Recurso  limita­se  unicamente ao julgamento de lançamento realizado com fundamento em prova manifestamente  maculada de vício substancial cujo saneamento é inviável.  A Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo fiscal no âmbito da  Administração Pública Federal em seu art. 30, prevê que são inadmissíveis as provas obtidas  por meios  ilícitos.  Ademais  a  própria  Constituição  veda  a  utilização  no  processo  de  provas  obtidas por meios ilícitos (art. 5º, LVI).  No caso em análise, a Receita Federal do Brasil já se manifestou nos autos do  processo nº 10945.001567/2009­33 no sentido de que os extratos bancários que embasaram o  lançamento  do  processo  mencionado  foram  obtidos  de  forma  irregular,  motivo  pelo  qual  justificou a improcedência dos lançamentos realizados, conforme Acórdão nº 29.472.   A utilização dos mesmos extratos nos autos deste processo, já julgados como  viciados  pela  própria  RFB,  acaba  por  transmitir  o  mesmo  vício  ao  presente  lançamento.  Destarte,  não  tendo  a  autoridade  fiscalizadora  vencido  o  vício  do  processo  antecedente,  não  deve  prosperar  este  lançamento,  já  que  fundamentado  em  documentos  manifestamente  maculados de vício.  Assim, entendo que não há nada a ser reparado no V. Acórdão prolatado pela  2ª Turma da DRJ  em Curitiba,  pois  como  é  sabido,  a  existência  de  vício  insanável  obriga  a  administração a anular seus próprios atos.  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.000177/2011­61  Acórdão n.º 1101­000.768  S1­C1T1  Fl. 10            9 Destarte, a decisão emanada pelo órgão julgador a quo deve prevalecer.   Ante  o  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso  de  Ofício,  para  manter  a  improcedência  dos  lançamentos  realizados,  bem  como  cancelar  os  créditos  tributários exigidos.    Sala de Sessão, 05 de julho de 2012.  Nara Cristina Takeda Taga ­ Relatora    (documento assinado digitalmente)  PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado.                                  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 16327.001066/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 Ementa: EMBARGOS. OMISSÕES. Identificada omissão no acórdão atacado, cumpre a Turma Julgadora supri-la, apreciando os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário. Por outro lado, na situação em que as omissões indicadas nos declaratórios interpostos não encontram lastro no pronunciamento embargado, a peça de defesa deve ser rejeitada. JUROS SELIC. PROCEDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS SELIC. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Descabe falar em nulidade da decisão de primeira instância na circunstância em que a argumentação de defesa que deixou de ser apreciada não acarretou prejuízo ao exercício pleno do direito de defesa.
Numero da decisão: 1301-001.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos de declaração para suprir a omissão relativa à incidência de juros de mora com base na taxa selic, nos termos do voto do relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 Ementa: EMBARGOS. OMISSÕES. Identificada omissão no acórdão atacado, cumpre a Turma Julgadora supri-la, apreciando os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário. Por outro lado, na situação em que as omissões indicadas nos declaratórios interpostos não encontram lastro no pronunciamento embargado, a peça de defesa deve ser rejeitada. JUROS SELIC. PROCEDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS SELIC. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Descabe falar em nulidade da decisão de primeira instância na circunstância em que a argumentação de defesa que deixou de ser apreciada não acarretou prejuízo ao exercício pleno do direito de defesa.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos de declaração para suprir a omissão relativa à incidência de juros de mora com base na taxa selic, nos termos do voto do relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2067; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 410          1 409  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.001066/2009­11  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  1301­001.880  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de janeiro de 2016  Matéria  IRPJ ­ GANHO DE CAPITAL  Embargante  SANTANDER S/A CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2008  Ementa:  EMBARGOS. OMISSÕES.  Identificada omissão no acórdão atacado, cumpre a Turma Julgadora supri­la,  apreciando os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário. Por outro  lado, na situação em que as omissões indicadas nos declaratórios interpostos  não encontram lastro no pronunciamento embargado, a peça de defesa deve  ser rejeitada.  JUROS SELIC. PROCEDÊNCIA  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  JUROS  SELIC. DECISÃO DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO.  AUSÊNCIA. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.  Descabe falar em nulidade da decisão de primeira instância na circunstância  em que a argumentação de defesa que deixou de ser apreciada não acarretou  prejuízo ao exercício pleno do direito de defesa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER  parcialmente os embargos de declaração para suprir a omissão relativa à incidência de juros de  mora com base na taxa selic, nos termos do voto do relator.  “documento assinado digitalmente”     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 10 66 /2 00 9- 11 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001066/2009­11  Acórdão n.º 1301­001.880  S1­C3T1  Fl. 411          2 Wilson Fernandes Guimarães  Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Wilson  Fernandes  Guimarães,  Paulo  Jakson  da  Silva  Lucas,  Luiz  Tadeu  Matosinho  Machado  (suplente  convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).  Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001066/2009­11  Acórdão n.º 1301­001.880  S1­C3T1  Fl. 412          3   Relatório  Trata  o  presente  processo  de  embargos  de  declaração  interpostos  tempestivamente por SANTANDER S/A CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS, com base  no argumento de que esta Primeira Turma Ordinária, ao prolatar o acórdão nº 1301­001.348,  sessão de 04 de dezembro de 2013, incorreu em omissões.  Sustenta  a  embargante  que  os  declaratórios  encontram  lastro  nos  seguintes  elementos:  i)  o  julgado  foi omisso no que  tange  à  ilegalidade da  atualização do débito  por meio da taxa selic;  ii) o acórdão embargado deixou, ainda, de se manifestar sobre a ausência de  renúncia  à  esfera  administrativa com  relação  à matéria  submetida  à  apreciação  judicial,  haja  vista as disposições do art. 38 da Lei nº 6.830, de 1980; e  iii) o acórdão seria merecedor de reforma também em virtude da evidente e  indevida alteração do critério jurídico do lançamento, levada a cabo pela Delegacia da Receita  Federal de Julgamento.  Com  suporte  em  tais  alegações,  a  Embargante  requer  o  conhecimento  e  o  provimento dos embargos interpostos.  É o Relatório.  Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001066/2009­11  Acórdão n.º 1301­001.880  S1­C3T1  Fl. 413          4   Voto             Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães,   Os  embargos  declaratórios  foram  interpostos  tempestivamente, motivo  pelo  qual devem ser conhecidos.  Três são as matérias em relação as quais a embargante sustenta que o acórdão  nº 1301­001.348 foi omisso. São elas: i) ilegalidade da atualização do débito por meio da taxa  selic;  ii)  ausência  de  renúncia  à  esfera  administrativa  com  relação  à  matéria  submetida  à  apreciação judicial, haja vista as disposições do art. 38 da Lei nº 6.830, de 1980; e iii) alteração  do  critério  jurídico  do  lançamento,  levada  a  cabo  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento.   No  que  diz  respeito  à  ausência  de  renúncia  à  esfera  administrativa  relacionada à matéria submetida à apreciação judicial haja vista as disposições do art. 38 da Lei  nº 6.830, de 1980, e à alteração do critério jurídico do lançamento supostamente levada a cabo  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento,  penso  que  os  embargos  não  podem  ser  admitidos,  vez  que,  como  demonstram  os  fragmentos  do  voto  condutor  da  decisão  a  seguir  reproduzidos, as questões neles indicadas foram devidamente apreciadas.  Com  efeito,  relativamente  à  suposta  ausência  de  renúncia  à  esfera  administrativa com relação à matéria submetida à apreciação judicial haja vista as disposições  do art. 38 da Lei nº 6.830, de 1980, o voto condutor do acórdão embargado assinala:  [...]  Em  conformidade  com  os  Termos  de  Verificação  Fiscal  lavrados  (nºs  01/2009.00109­7  e  02/2009.00109­7,  fls.  /112  e  113/124,  respectivamente),  temos  que:  ...  iv)  a  autuada  impetrou  Mandado  de  Segurança  visando:  suspender  a  exigibilidade  do  IRPJ  e  da  CSLL  sobre  o  valor  correspondente  à  atualização  do  valor dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F; o reconhecimento da não  incidência de referidas exações sobre o valor de tais atualizações; o reconhecimento  da  decadência  do  direito  de  constituir  crédito  tributário  relativo  a  todas  as  atualizações  levadas  a  efeito  até  o  ano  de  2002;  e  o  reconhecimento  da  não  ocorrência da hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL no caso versado nos autos,  mas, sim, no momento de uma eventual alienação dos títulos convertidos em ações;  ...  Como anotado, o presente processo cuida  tão­somente da parcela de crédito  tributário  derivada  dos  montantes  que,  no  entender  da  Fiscalização,  estavam  albergados pela decisão judicial (R$ 13.353.606,84 e R$ 6.407.425,00).  Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001066/2009­11  Acórdão n.º 1301­001.880  S1­C3T1  Fl. 414          5 Os  lançamentos  tributários,  pois,  foram  efetuados  com  a  exigibilidade  suspensa e sem aplicação da multa de ofício, por força do disposto no art. 63 da Lei  nº 9.430, de 1996.  ...  Dentre  as  matérias  indicadas  como  não  tendo  sido  submetida  ao  crivo  da  autoridade  judicial,  a  Recorrente  aponta  a  caducidade  do  direito  de  se  efetuar  a  constituição  dos  créditos  tributários.  Entretanto,  a  matéria  em  comento  consta  expressamente do Mandado de Segurança impetrado, cuja cópia encontra­se juntada  ao processo às fls. 28/46.  ...  A  questão  acerca  da  possibilidade  de  a  autoridade  julgadora  administrativa  apreciar matérias que foram submetidas ao crivo do poder judiciário, como é cediço,  já restou pacificada no âmbito deste Colegiado, tendo sido objeto da súmula CARF  nº 1, abaixo reproduzida.  Súmula  CARF  nº  1:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.  Cabe destacar, ainda, que, nos termos da Súmula CARF nº 2, este Colegiado  não  é  competente  para  se pronunciar  sobre  eventuais  inconstitucionalidades  de  lei  tributária, motivo pelo qual deixo de apreciar as considerações da Recorrente acerca  de suposto desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa.  ...  Assim, muito embora o acórdão não faça referência expressa às disposições  do art. 38 da Lei nº 6.830, de 1980, a questão da concomitância foi dirimida a partir da citação  feita à súmula CARF nº 1, revelando­se despicienda e absolutamente despropositada qualquer  aprofundamento acerca da matéria em referência.    De  igual  forma,  a  alegação  de  que  o  acórdão  atacado  supostamente  não  abordou o fato de a decisão de primeira instância fazer menção à aplicação de multa de ofício  de 75% , cabe, apenas, transcrever o que foi assinalado na referida decisão.  [..]  Alega  a Recorrente que  autoridade  julgadora de primeira  instância,  além de  declarar  definitivamente  constituídos  os  créditos  tributários,  determinou  que  tais  valores fossem cobrados com multa de ofício de 75%.  Com a devida vênia, não encontro na decisão exarada em primeira instância  no presente processo qualquer indicação no sentido de que as exações devidas sejam  cobradas com multa de ofício de 75%.  Tomando  por  base  o  fragmento  reproduzido  na  peça  recursal,  transcrevo,  abaixo, o pronunciamento correspondente constante na decisão de primeiro grau.  De  todo  o  exposto,  VOTO  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  à  impugnação  da  Interessada,  para  declarar  definitivamente  constituído  o  crédito  Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001066/2009­11  Acórdão n.º 1301­001.880  S1­C3T1  Fl. 415          6 tributário abaixo demonstrado, o qual deverá sofrer cobrança imediata, ressalvada  qualquer causa suspensiva oriunda de ação judicial:  ­ IRPJ: R$4.940.257,95;  ­ CSLL: R$1.778.492,86;  ­ acréscimos legais incidentes quando do efetivo pagamento.  Diante de  tal  constatação, deixo de  apreciar  a  argumentação expendida pela  Recorrente acerca de uma suposta alteração do critério jurídico do  lançamento por  parte da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.    Inexistente, pois, a omissão apontada, eis que a decisão de primeiro grau não fez  qualquer referência à aplicação de multa de ofício de 75%.  Quanto à apreciação da matéria descrita no  item “i”  (ilegalidade da  taxa selic)  entretanto,  como  já  havia me pronunciado,  penso  que  o  questionamento, muito  embora  seja  objeto  de  súmula  por  parte  do  CARF,  efetivamente  não  foi  apreciado,  ensejando  assim  o  acolhimento dos embargos unicamente em relação a esse específico item.  Como  dito,  sendo  objeto  de  súmula,  cabe  tão  somente  reproduzi­la,  suprindo,  assim, a alegada omissão.  A questão  acerca  da  legalidade da  aplicação  da  cobrança  de  juros  de mora  com base na taxa selic, como é cediço, em razão de reiteradas decisões no mesmo sentido, foi  objeto da  súmula CARF nº 4,  abaixo  transcrita,  de modo que a argumentação expendida em  sede de recurso voluntário não pode ser recepcionada por esta instância julgadora.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios  incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período  de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais.  Quanto à suposta nulidade da decisão de primeiro grau em virtude de ela não  ter se pronunciado sobre a questão dos juros selic, penso que os argumentos da Recorrente não  podem ser acolhidos,  vez que não  identifico,  no  caso,  lesão  ao  exercício pleno do direito de  defesa,  única  circunstância  que,  na  situação  versada  nos  autos,  poderia  servir  de  suporte  à  decretação da medida.    Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de acolher parcialmente os  embargos interpostos, para suprir a omissão relativamente à incidência de juros de mora com  base na taxa selic sobre os créditos tributários constituídos.   “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães ­ Relator                Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001066/2009­11  Acórdão n.º 1301­001.880  S1­C3T1  Fl. 416          7                 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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Numero do processo: 16682.721312/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2010 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. ARGUMENTO SUBSIDIÁRIO INOVADO. ARGUMENTO PRINCIPAL SUFICIENTE. Não é nula a decisão de primeira instância que se fundamenta também em um argumento subsidiário inovado, quando o argumento principal adotado na decisão é bastante, por si só, para se concluir pela manutenção do lançamento. ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. PAÍSES SIGNATÁRIOS DE TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. ARTIGO 12 DA CONVENÇÃO E PROTOCOLOS ADICIONAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EQUIPARADA A ROYALTIES. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. As remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitam-se à tributação de acordo com o art. 685, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). TRATADO BRASIL-FRANÇA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. EXISTÊNCIA DE ESTABELECIMENTO PERMANENTE. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. São características do estabelecimento permanente a existência de uma instalação material, com caráter de permanência, que esteja à disposição da empresa, a qual deve exercer sua atividade nesta instalação ou por meio desta. Na existência de um estabelecimento permanente, seus lucros podem ser tributados na fonte. PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. INCIDÊNCIA DO IRRF À ALÍQUOTA DE 25%. O artigo 8º da Lei nº 9.779/99 determina que a alíquota para o cálculo do imposto de renda retido na fonte é de 25% quando o beneficiário tiver sede em país com tributação favorecida. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2202-003.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO e JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO e JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO farão declaração de voto. Fizeram sustentação oral: pelo contribuinte, o advogado RICARDO KRAKOWIAK, OAB/SP 138.192 e, pela Fazenda Nacional, RODRIGO DE MACEDO E BURGOS (Procurador da Fazenda Nacional). (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2010 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. ARGUMENTO SUBSIDIÁRIO INOVADO. ARGUMENTO PRINCIPAL SUFICIENTE. Não é nula a decisão de primeira instância que se fundamenta também em um argumento subsidiário inovado, quando o argumento principal adotado na decisão é bastante, por si só, para se concluir pela manutenção do lançamento. ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. PAÍSES SIGNATÁRIOS DE TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. ARTIGO 12 DA CONVENÇÃO E PROTOCOLOS ADICIONAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EQUIPARADA A ROYALTIES. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. As remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitam-se à tributação de acordo com o art. 685, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). TRATADO BRASIL-FRANÇA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. EXISTÊNCIA DE ESTABELECIMENTO PERMANENTE. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. São características do estabelecimento permanente a existência de uma instalação material, com caráter de permanência, que esteja à disposição da empresa, a qual deve exercer sua atividade nesta instalação ou por meio desta. Na existência de um estabelecimento permanente, seus lucros podem ser tributados na fonte. PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. INCIDÊNCIA DO IRRF À ALÍQUOTA DE 25%. O artigo 8º da Lei nº 9.779/99 determina que a alíquota para o cálculo do imposto de renda retido na fonte é de 25% quando o beneficiário tiver sede em país com tributação favorecida. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO e JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO e JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO farão declaração de voto. Fizeram sustentação oral: pelo contribuinte, o advogado RICARDO KRAKOWIAK, OAB/SP 138.192 e, pela Fazenda Nacional, RODRIGO DE MACEDO E BURGOS (Procurador da Fazenda Nacional). (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.

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2202­003.063  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  9 de dezembro de 2015  Matéria  IRRF ­ remessas para o exterior  Recorrente  PETROLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2010  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DA  DECISÃO  RECORRIDA.  INOCORRÊNCIA.  ARGUMENTO  SUBSIDIÁRIO  INOVADO.  ARGUMENTO PRINCIPAL SUFICIENTE.  Não é nula a decisão de primeira instância que se fundamenta também em um  argumento  subsidiário  inovado,  quando  o  argumento  principal  adotado  na  decisão  é  bastante,  por  si  só,  para  se  concluir  pela  manutenção  do  lançamento.  ARTIFICIALIDADE  DA  BIPARTIÇÃO  DOS  CONTRATOS  DE  "AFRETAMENTO"  DE  PLATAFORMA  E  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  DE  EXPLORAÇÃO  DE  PETRÓLEO.  REALIDADE  MATERIAL. CONTRATO ÚNICO.  A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de  aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita  é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções.  O  fornecimento  dos  equipamentos  é  parte  integrante  e  indissociável  aos  serviços  contratados,  razão  pela  qual  se  trata  de  um  único  contrato  de  prestação de serviços.  PAÍSES  SIGNATÁRIOS  DE  TRATADOS  INTERNACIONAIS  PARA  EVITAR  A  DUPLA  TRIBUTAÇÃO.  ARTIGO  12  DA  CONVENÇÃO  E  PROTOCOLOS  ADICIONAIS.  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  EQUIPARADA A ROYALTIES. TRIBUTAÇÃO NA FONTE.  As remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de  serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitam­se à tributação de  acordo  com  o  art.  685,  inciso  II,  alínea  “a”,  do Decreto  nº  3.000,  de  1999  (RIR/99).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 13 12 /2 01 3- 91 Fl. 27355DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     2 TRATADO  BRASIL­FRANÇA  PARA  EVITAR  A  DUPLA  TRIBUTAÇÃO.  EXISTÊNCIA  DE  ESTABELECIMENTO  PERMANENTE. TRIBUTAÇÃO NA FONTE.  São  características  do  estabelecimento  permanente  a  existência  de  uma  instalação material,  com caráter de permanência, que esteja à disposição da  empresa,  a  qual  deve  exercer  sua  atividade  nesta  instalação  ou  por  meio  desta. Na existência de um estabelecimento permanente,  seus  lucros podem  ser tributados na fonte.  PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. INCIDÊNCIA DO IRRF À  ALÍQUOTA DE 25%.   O  artigo  8º  da Lei  nº  9.779/99  determina  que  a  alíquota  para  o  cálculo  do  imposto de renda retido na fonte é de 25% quando o beneficiário tiver sede  em país com tributação favorecida.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.  A  obrigação  tributária  principal  compreende  tributo  e  multa  de  oficio  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar.  No  mérito,  por  maioria  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  MARTIN  DA  SILVA  GESTO,  JUNIA  ROBERTA  GOUVEIA  SAMPAIO  e  JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento integral ao  recurso.  Os  Conselheiros  MARTIN  DA  SILVA  GESTO  e  JUNIA  ROBERTA  GOUVEIA  SAMPAIO farão declaração de voto.   Fizeram  sustentação  oral:  pelo  contribuinte,  o  advogado  RICARDO  KRAKOWIAK,  OAB/SP  138.192  e,  pela  Fazenda  Nacional,  RODRIGO  DE  MACEDO  E  BURGOS (Procurador da Fazenda Nacional).   (Assinado digitalmente)  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator    Composição  do  Colegiado:  participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  MARCO  AURÉLIO  DE  OLIVEIRA  BARBOSA  (Presidente),  JÚNIA  ROBERTA  GOUVEIA  SAMPAIO,  PAULO  MAURÍCIO  PINHEIRO  MONTEIRO,  EDUARDO  DE  OLIVEIRA,  JOSÉ  ALFREDO  DUARTE  FILHO  (Suplente  convocado),  WILSON  ANTONIO  DE  SOUZA  CORRÊA  (Suplente  convocado),  MARTIN  DA  SILVA  GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.        Fl. 27356DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.356          3 Relatório  Foi  lavrado  Auto  de  Infração  (fls.  26.543  a  26.546)  contra  a  Contribuinte  PETRÓLEO  BRASILEIRO  S.A.  PETROBRAS,  CNPJ  33.000.167/0001­01,  relativo  ao  Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), referente ao exercício 2010 (ano­calendário 2009),  por meio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 2.347.089.453,43 (DOIS  BILHÕES,  TREZENTOS  E  QUARENTA  E  SETE  MILHÕES,  OITENTA  E  NOVE MIL,  QUATROCENTOS E CINQUENTA E TRÊS REAIS E QUARENTA E TRÊS CENTAVOS),  dos quais R$ 1.088.211.616,47 correspondem ao imposto, R$ 816.158.712,36 à multa de ofício  no percentual de 75%, e R$ 442.719.124,60 aos juros de mora, calculados até 12/2013.  O  lançamento  foi  referente  à  infração  "Imposto  de  renda  na  fonte  sobre  rendimentos  do  trabalho  de  residentes  ou  domiciliados  no  exterior",  por  inobservância  da  legislação  tributária  pelos  pagamentos  efetuados  ao  exterior,  sem  a  retenção  do  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF),  em  virtude  de  contratação  de  prestação  de  serviços  de  sondagem, perfuração ou exploração de poços.  Da autuação  Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 26.547 a 26.667), o  procedimento  autorizado  pelo Mandado  de  Procedimento  Fiscal  ­ MPF  nº  07.1.85.00­2013­ 00023­8 ­ teve como escopo inicial a apuração de possível incidência de Imposto de Renda na  Fonte e CIDE sobre pagamentos em favor de empresas estrangeiras, a título de afretamento de  plataformas, navios e sondas para pesquisa/exploração de petróleo e gás.  No  decorrer  da  ação  fiscal,  a  Fiscalização  constatou  que  os  contratos  firmados  pela  Petrobras  se  inseriram  em  uma  estrutura  complexa  de  contratos  interligados,  envolvendo empresas nacionais e estrangeiras, assumindo diversas formas, seja em função do  interesse das empresas envolvidas, seja por exigências da legislação.  Afirma a autoridade fiscal que a Petrobras já havia sofrido autuações relativas  ao  IRRF,  incidente  sobre  pagamentos  a  empresas  estrangeiras,  a  título  de  aluguel  de  plataformas  para  prospecção,  perfuração  e  extração  de  petróleo,  em  relação  aos  períodos  de  fevereiro  a  dezembro  de  1998  e  de  fevereiro  de  1999  a  dezembro  de  2002,  cujos  autos  de  infração concluíram que a alíquota zero não se aplicava, pela  razão de as plataformas não se  enquadrarem no conceito de embarcação contido no art. 2º, V, da Lei nº 9.537/97, nem serem  classificadas como embarcações no Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de  Mercadorias ­ NESH.   Descreve o Auditor­Fiscal que os referidos autos de infração foram mantidos  pelo  então  Conselho  de  Contribuintes,  que  não  apenas  entendeu  que  plataformas  não  se  enquadram como embarcações, para fins de aplicação da alíquota zero prevista no art. 1º da Lei  nº  9.481/97,  como  ressaltou  que  o  benefício  não  se  aplicaria,  de  qualquer  forma,  pois  os  pagamentos, naqueles casos, foram efetuados em favor de empresas sediadas em paraíso fiscal  (Acórdãos nºs 106­14.431 e 106­14.432, ambos do 1º CC).  Conforme a Fiscalização, a Petrobras ajuizou uma ação ordinária visando à  anulação do lançamento fiscal relativo ao período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2002,  cujo pedido foi julgado improcedente, tendo a sentença sido clara ao afirmar que plataformas e  Fl. 27357DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     4 FPSO (navios­plataformas) não podem ser consideradas embarcações, não se beneficiando da  alíquota zero prevista no art. 1º da Lei nº 9.481/97.  Relata  a  autoridade  fiscal  que  outros  lançamentos  fiscais  junto  a  empresas  brasileiras contratadas pela Petrobras revelaram que são firmados dois contratos constando esta  como contratante: um de prestação de serviços, com empresa brasileira e outro de afretamento  com empresa estrangeira controladora da primeira, atribuindo­se o valor de 90% ao contrato de  afretamento  e  10%  ao  contrato  de  prestação  de  serviços.  Naqueles  procedimentos  fiscais,  constatou­se  que  o  pagamento  relativo  à  prestação  de  serviços  não  era  suficiente  para  fazer  frente  aos  custos  dos  serviços  prestados,  razão  pela  qual  parte  do  valor  pago  à  controladora  estrangeira  retornava  na  forma  de  aporte  em  favor  da  empresa  nacional. Dessa  forma,  estes  repasses  foram  tributados,  sob o  entendimento de que os pagamentos  efetuados  em  favor da  empresa estrangeira, a título de afretamento, incluíam, de fato, remuneração pela prestação de  serviços.  Destaca a Fiscalização que a aplicação da alíquota zero, prevista no artigo 1º  da Lei nº 9.481/97, depende da natureza dos pagamentos em favor de empresas estrangeiras,  sendo que estes não são simples decorrência de cláusulas contratuais, mas da realidade fática  produzida no desempenho do contrato.  O procedimento fiscal teve início com a ciência do Termo de Início da Ação  Fiscal  em  31/01/2013,  pelo  qual  foram  requisitados  os  seguintes  documentos:  cópia  dos  estatutos  sociais  e  suas  alterações  nos  dois  últimos  anos;  relação  dos  valores  efetivamente  pagos a empresas com sede/domicílio no exterior, no período de janeiro a dezembro de 2009,  assim  como  as  cópias  dos  respectivos  contratos  e  seus  anexos;  cópias  dos  convites  para  as  licitações  internacionais  referentes  aos  referidos  contratos;  identificação  das  empresas  responsáveis  pela  operação  comercial  de  cada  equipamento  afretado  e  cópias  dos  contratos  correspondentes;  informação  das  contas  contábeis  utilizadas  para  registro  dos  pagamentos  relacionados.  Após  diversas  intimações  e  sucessivos  pedidos  de  prorrogação,  os  documentos  solicitados  foram  entregues,  os  quais  foram  analisados,  tendo  sido  constatada  a  realização  de  2.051  pagamentos  de  afretamento  a  83  beneficiários  com  sede  no  exterior,  totalizando  R$  11.169.288.791,02,  sendo  que  o  escopo  da  ação  fiscal  ficou  restrito  aos  52  maiores beneficiários, proprietários de 162 equipamentos, que concentravam um montante de  pagamentos da ordem de 91% do total.  Foram  analisados  pela  autoridade  fiscal  todos  os  documentos  relativos  às  contratações dos 162 equipamentos selecionados, as quais foram numeradas, identificadas pelo  nome  da  unidade  e  descritas  separadamente  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  26.547  a  26.667),  estando  discriminadas  na  Planilha  "Seleção  de  Beneficiários  de  Pagamento  ao  Exterior à Título de Afretamento" (fls. 26.682 a 26.687).  Das  162  contratações  analisadas,  a  Fiscalização  concluiu  que  deveriam  ser  tributadas 73, que totalizaram R$ 6.074.524.330,49 em pagamentos efetuados. A autuação teve  como base principal os argumentos abaixo, resumidamente:  a)  As  contratações  referentes  a  prestação  de  serviços  de  sondagem,  perfuração ou exploração de poços, eram artificialmente bipartidas em dois contratos, um de  afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante Petrobras, e de outro, empresas  pertencentes  a  um  mesmo  grupo  econômico,  as  quais  atuavam  em  conjunto,  de  forma  interdependente,  com  responsabilidade  solidária.  Não  existia  afretamento  autônomo,  pois  o  Fl. 27358DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.357          5 contrato de prestação de  serviços  continha diversas disposições  relativas  ao  fornecimento da  unidade, o qual era apenas parte integrante e indissociável dos serviços contratados;  b) a maior parte do preço era atribuída ao afretamento da unidade e destinada  ao  exterior,  sem  retenção  do  imposto  de  renda  na  fonte  e  sem  o  recolhimento  da  CIDE,  enquanto parcela muito inferior era atribuída aos serviços, paga no Brasil e tributada na fonte.  c) nos  casos das unidades ALASKAN STAR SS39  (nº 139)  e ATLANTIC  STAR  (nº  140),  ainda  que  se  tratasse  de  afretamento  de  embarcação,  incidiria o  imposto  de  renda na fonte à alíquota de 25% pelo fato de a beneficiária ser sediada em paraíso fiscal, visto  que o Ato Declaratório SRF n° 8/99 foi expressamente revogado pela IN SRF n° 252/2002;  d)  restou  ainda  demonstrado  que  os  serviços  contratados  pela  autuada,  perante  os  beneficiários  selecionados,  correspondem  à  definição  de  "serviços  técnicos",  sujeitando­se à  incidência do  IRRF com alíquota de 15%,  e da CIDE  com alíquota de 10%,  com exceção dos beneficiários sediados em países com tributação favorecida, sujeitos ao IRRF  à alíquota de 25%, por força do artigo 8° da Lei n° 9.779/99.  Os pagamentos efetuados sem a devida retenção do IRRF foram totalizados  por mês  e  segregados  em  dois  grupos:  pagamentos  em  favor  de  beneficiários  em  países  de  tributação  favorecida  (aplicada  a  alíquota  de  25%)  e  não  favorecida  (aplicada  a  alíquota  de  15%). Também foi efetuado lançamento referente à CIDE, à alíquota de 10%.  As importâncias recebidas foram consideradas líquidas, tendo sido efetuado o  reajustamento  da  base  de  cálculo,  com  a  aplicação  da  seguinte  fórmula,  em  conformidade  como o art. 725 do RIR/99 e o art. 20 da IN/SRF nº 15/2001:  Rendimento Reajustado = Rendimento Pago / (1 ­ Alíquota/100)  Segue demonstrativo sintético elaborado pela autoridade fiscal:  Fl. 27359DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     6   Não foram tributadas as remessas relativas aos contratos de afretamento para  as  tarefas  de  reboque, manuseio  de  âncoras  e  suprimento,  por  terem  sido  consideradas  pela  Fiscalização  como  atividades  eminentemente  de  transporte  de  carga  e,  assim,  tais  contratos  foram  classificados  como  de  "apoio  marítimo".  Também  não  foram  tributadas  as  remessas  correspondentes  aos  contratos  de  afretamento  de  unidades  quando  não  havia  contrato  de  prestação de serviços vinculado.  Da impugnação  Em 20/12/2013, a Contribuinte foi cientificada do Auto de Infração por meio  de sua procuradora (fl. 26.543), tendo apresentado impugnação em 17/01/2014, por intermédio  de seu advogado (fls. 26.696 a 26.763).   Peço vênia para transcrever parte do relatório do Acórdão nº 12­65.775, da 5ª  Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) ­ DRJ/RJ1 ­,  que bem sintetizou os argumentos da impugnante:  1) Dos fatos  ­ a fiscalização selecionou 27 beneficiários de remessas ao exterior, em razão de 73  contratos  de  afretamento  de  embarcações  firmados  com  empresas  sediadas  no  exterior, e 73 contratos de prestação de serviços  firmados com empresas sediadas  no país.  ­ a fiscalização sustenta tratar­se de um único contrato de prestação de serviços, em  razão do que o valor pago a  título de afretamento para empresas domiciliadas no  exterior  seria,  na  verdade,  remuneração  de  prestação  de  serviços  da  mesma  natureza daquele prestado pela empresa brasileira, e as respectivas receitas seriam  receitas  de  prestação  de  serviços  técnicos,  a  justitificar  a  exigência  de  IRRF  e  CIDE, com multa de ofício e juros de mora.  2) A coligação/união de contratos é figura conhecida e reconhecida pela doutrina  civilista  Fl. 27360DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.358          7  ­ mesmo na hipótese da contratação de apenas da empresa no estrangeiro, ainda  assim tratar­se­ia de dois contratos distintos formalizados em um único instrumento,  ou  contratos  coligados,  um  de  prestação  de  serviços  e  outro  de  afretamento  de  embarcação, cada um deles mantendo sua individualidade e se sujeitando às regras  tributárias que lhes são próprias.  ­  os  indícios  apontados  pelo  fisco  denotam  a  existência  de  contratos  coligados  ­  união de contratos com dependência recíproca necessária/voluntária.  ­  o  fato  de  as  empresas  contratadas  pertencerem ao mesmo  grupo  econômico  em  nada  interfere na autonomia e  individualização dos contratos de afretamento e de  prestação de serviços porque, ainda que tais contratos tivessem sido firmados num  só  instrumento  e  com  a  mesma  pessoa  jurídica,  eles  permaneceriam  individualizados.  ­  no  caso  concreto,  embora  os  contratos  tenham  sido  firmados  em  instrumentos  separados e com pessoas jurídicas distintas, trata­se de contratos que por vontade  das  partes  contratantes  e/ou  imposição  legal  foram  unidos/vinculados  com  dependência recíproca, de modo que um contrato não exista sem o outro.  ­  a  união  de  contratos  não  é  ilegal  ou  irregular,  não  perdendo  os  contratos  sua  individualidade, sendo aplicáveis o conjunto de regras próprias e peculiares a cada  tipo individualmente.   ­ cita a IN SRF n° 884/2008 que prevê a união de contratos, do que se conclui que a  operação  é  legítima,  e  não  autoriza  a  desqualificação  de  um  e  sua  pretensa  absorção pelo outro.  ­  a  contratação de  parte  das  atividades  com empresa  nacional  e  outra  parte  com  empresa  estrangeira  não  tem  nada  de  anormal,  ilegal  ou  irregular,  tanto  que  prevista na IN SRF n° 884/2008.  ­ a prestação de serviço relacionado à operação de embarcação de apoio marítimo  exige  a  IN  citada  que  se  trate  de  empresa  devidamente  qualificada  pela  Agência  Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) como Empresa Brasileira de Navegação  (EBN).  ­ assim, nos contratos de afretamento a tempo (que abrange a gestão náutica), é a  EBN,  em  associação  com  a  empresa  estrangeira  e  proprietária/possuidora  da  embarcação, que deve exercer as atividades vinculadas à operação da embarcação  (gestão  náutica),  recebendo,  para  tanto,  a  correspondente  remuneração  no  País  (parcela da taxa de afretamento nacional ou "hire").  ­  se  cada  uma  das  empresas  recebe  uma  parcela  da  taxa  total  de  afretamento  (calculada  a  partir  de  medições),  nada mais  natural  que  em  ambos  os  contratos  esteja  previsto  que  as  respectivas  remunerações  são  calculadas  a  partir  das  medições.  ­  nessa  estrutura  de  negócio,  as  empresas  são  solidariamente  responsáveis  pela  disponibilização  da  embarcação  livre  e  desembaraçada  de  qualquer  encargo  aduaneiro  ou  tributário,  sem  que  tais  circunstância  interfiram  na  qualificação  jurídica do contrato que continua sendo de afretamento a tempo.  ­  assim,  os  questionamentos  da  fiscalização  acerca  da  atribuição  de  até  90%  do  valor  total  da  licitação  ao  afretamento  de  embarcações  com  remessa  ao  exterior  sem IRRF e no mínimo 10% do mesmo valor à prestação de serviços pago no País  com  incidência  de  IRRF,  não  têm  razão  de  ser  e,  de  qualquer  forma,  jamais  Fl. 27361DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     8 poderiam  ser  invocados  para  justificar  a  desconsideração  do  contrato  de  afretamento  com a  empresa  no  exterior  sob  a alegação de  que  seria  ele  parte do  contrato de prestação de serviços firmado com a empresa nacional.  ­  em razão da complexidade  técnica, as  embarcações  são bens de  vultoso  valor  e  absolutamente  necessários  ao  desenvolvimento  da  atividade  a  que  se  destinam,  representando  o  seu  afretamento  efetivamente  a  maior  parcela  do  valor  total  da  licitação; na hipótese de  contrato único, o  lógico  seria o  contrato de afretamento  abarcar a prestação de serviços.  ­ caso a fiscalização tivesse comprovado atribuição irreal de preços aos contratos,  seria eventual glosa de excesso de custo do afretamento ou tributação de parte como  serviço,  nada  justificando  ou  autorizando  a  desqualificação  do  contrato  de  afretamento  para  atribuir­lhe  a  natureza  de  prestação  de  serviços  e  com  isso  tributá­lo integralmente como tal, como fez a fiscalização no caso concreto.  ­  o  Acórdão  DRJ/RJ2  n°  13­28.138,  referido  pela  fiscalização,  não  pode  ser  aproveitado  pois  considera  possível,  no  caso  de  preços  irreais,  que  não  haveria  isenção  de  IRRF  incidente  sobre  o  valor  da  parte  que  corresponde  aos  serviços  pagos à empresa no exterior, e não sobre a totalidade do contrato de afretamento,  como se serviço fosse.  3) Dos contratos de Afretamento.  ­  houve  equívoco  no  entendimento  do  conteúdo  e  alcance  dos  contratos  de  afretamento dessas embarcações especiais e das atividades de pesquisa, sondagem,  perfuração e exploração de poços de petróleo e gás.  ­ o contrato de afretamento pode ser na modalidade de a casco nu,por viagem e a  tempo.  ­  quanto  à  utilização,  há a  gestão  náutica  (manutenção da  embarcação)  e  gestão  comercial (utilização da embarcação para atingir os fins a que se propõe); caso o  contrato  de  afretamento  inclua  a  gestão  náutica,  como  é  o  caso  da modalidade  a  tempo, este não se transforma em contrato de prestação de serviço.  ­ a gestão comercial é sempre transferida ao afretador, no caso, a impugnante, que  poderá exercê­la de forma terceirizada.  ­ já é possível vislumbrar o equívoco da fiscalização quando à vista do contratos de  afretamento  entendeu  que  eles  não  seriam  contratos  autônomos  mas  parte  integrante  de  outro  contrato  de  prestação  de  serviços  de  sondagem,  perfuração  e  exploração  de  poços  que  a  toda  evidência  são  atividades  inerentes  à  gestão  comercial  da  embarcação,  a  qual,  como  demonstrado,  no  âmbito  do  contrato  de  afretamento, é necessariamente  transferida sempre e exclusivamente ao Afretador,  no caso, a impugnante, que pode exercer de forma indireta, como ocorreu no caso.  ­  a  prova  disso  é  que,  caso  a  impugnante  estivesse  desenvolvendo  a  gestão  comercial  de  forma  direta,  o  contrato  de  afretamento  não  perderia  efeito  ou  deixaria de ser necessário, tudo a evidenciar a sua absoluta autonomia.  ­  traz  ementa  de  julgados  em  situação  similar  à  dos  autos,  com  entendimento  favorável à tese da impugnante.  ­ optou por desenvolver essa atividade de forma terceirizada, e ambos os contratos  co­existem  de  forma  independente  e  com  objetos  diversos,  não  obstante  sejam  conexos e voltados para o mesmo fim, seja quem for a prestadora dos serviços ­ a  empresa domiciliada no exterior (e dona da embarcação) ou a empresa domiciliada  no país, por ela indicada, do mesmo grupo ou não.  Fl. 27362DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.359          9 4) Da violação dos artigos 109 e 110 do CTN e 170 da CF/88  ­ a fiscalização está alterando a forma e substância dos contratos típicos do direito  privado, violando os artigos 109 e 110 do CTN.  ­  não  poderia  a  fiscalização  transformar  o  contrato  de  afretamento,  firmado  com  empresa  no  exterior,  em  contrato  de  prestação  de  serviço  técnico,  firmado  com  empresa residente no Pais, e pretender tributá­lo como tal para cobrança do 1RF e  CIDE.  ­ apresenta jurisprudência no sentido de que não é possível o desmembramento de  contrato complexo para efeitos fiscais, assim como não pode unificar, também para  efeitos  fiscais,  contratos autônomos,  firmados por pessoas  jurídicas distintas,  uma  situada  no  exterior  e  outra  no  País,  sendo  irrelevante  que  pertençam  ao  mesmo  grupo econômico.  ­  os  valores  remetidos ao exterior em pagamento de afretamento não  são  receitas  decorrentes  de  qualquer  prestação  de  serviços,  muito  menos  de  perfuração,  sondagem, pesquisa e exploração de poços e outros, quer porque a obrigação em si  não  implica  prestação  de  serviços  desta  natureza,  quer  porque  não  podem  ser  considerados  parte  do  preço  de  outro  contrato,  de  prestação  de  serviços,  cujos  beneficiários são outras empresas residentes no País.  ­ o entendimento da fiscalização de que ocorreu um único contrato com a empresa  sediada no exterior implica em inaceitável ingerência na liberdade de contratar e de  organização dos negócios da impugnante, violando o artigo 170 da CF/88.  ­ na atualidade a preponderância é para afretamento por tempo, que é típico quanto  à  forma,  mas  atípico  quanto  ao  conteúdo:  em  contratos  antigos  há  anexos  com  relação de pessoal especializado em funções básicas, já que é obrigação do locador  fornecer  a  embarcação  “em  estado  de  servir  ao  uso  a  que  se  destina”;  já  os  contratos  de  afretamento mais  recentes  ou  contemplam  as  atividades  inerentes  à  gestão  náutica  da  embarcação  ou  não  fazem  referência  a  nenhuma  prestação  de  serviço.  ­  reafirma  que  as  remessas  ao  exterior  em  pagamento  ao  afretamento  de  embarcações  jamais  poderia  ser  consideradas  parte  do  preço  de  prestação  de  serviços que sequer precisaria existir (caso a impugnante desenvolvesse diretamente  as  atividades  para  as  quais  as  embarcações  foram  construídas)  de  modo  que  a  alteração via interpretação da qualificação da relação jurídica entre a impugnante  e os fretadores implica violação dos artigos 109 e 110 do CTN e 170 da CF/88.  5)  Inexigibilidade  do  IRRF  mesmo  em  relação  às  remessas  para  afretadores  localizados em países com tributação favorecida.  ­ mesmo relativo aos dois únicos contratos cujo pagamento do afretamento se deu a  beneficiário  residente em país de  tributação favorecida, ainda assim é aplicável a  alíquota zero e não a alíquota de 25% prevista no artigo 8º da Lei nº 9.779/97.  6) A evolução da legislação pertinente à matéria examinada até o Ato Declaratório  n° 8/99 ­ ofensa à segurança jurídica, ao Estado de direito e à isonomia.  ­ traça histórico da legislação pertinente, esclarecendo que no início havia isenção  por  força  do Decreto­Lei n°  5.844/43,  alterado pela Lei n°  4.862/65, mas  que  foi  revogada pela Lei n° 9.430/96, produzindo efeitos a partir de 01/01/1997.  Fl. 27363DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     10 ­  ocorre  que  a  revogação  não  surtiu  efeitos  por  conta  da  Lei  n°  9.481/97,  que  sujeitou à alíquota zero as hipóteses até então beneficiadas pela isenção revogada,  produzindo seus efeitos a partir de 01/01/1997.  ­  tal  situação permaneceu  inalterado até  entrada em vigor do artigo 8º da Lei n°  9.779/99,  determinando  a  aplicação  da  alíquota  25%  nos  casos  em  que  o  beneficiário  for  domiciliado  em  pais  que  não  tribute  a  renda  ou  que  a  tribute  à  alíquota  máxima  inferior  a  vinte  por  cento,  e  produzindo  os  efeitos  a  partir  de  01/01/1999.  ­ entretanto, foi emitido o Ato Declaratório n° 08, de 29/01/1999, para declarar que  a  incidência  na  fonte  prevista  no  artigo  8º  da  menciona  lei  não  se  aplicava  aos  contratos firmados até 31/12/1998, preservando o Estado de Direito e a Segurança  Jurídica.  ­ portanto, exigir o IRRF sobre as remessas efetuadas pela impugnante, relativas a  contratos  celebrados  antes  de  31/12/1998,  viola  as  normas  constitucionais  pertinentes ao Estado de Direito, à Segurança Jurídica e à igualdade.  7) A impossibilidade material e formal da revogação do Ato Declaratório SRF nº  8/99  pela  Instrução  Normativa  SRF  nº  252/2002  e  a  sua  irrelevância  no  caso  concreto.  ­ o Ato Declaratório n° 8/99  foi revogado pelo artigo 21 da  IN SRF n° 252/2002,  fato  que  é  juridicamente  inviável  tanto  em  termos  material  quanto  formais,  ela  mantém  expressamente  os  efeitos  materiais  do  Ato  Declaratório  nº  8/99  para  o  futuro.  ­ com base na Portaria SRF n° 1/2001, em seu Anexo 1, Ato Declaratório manifesta  o  entendimento  da  Administração  acerca  de  determinada  legislação,  com  efeitos  para o passado, enquanto que Instrução Normativa é um ato de vontade praticado  pela Administração, no qual ela complementa e normatiza a legislação fiscal, com  efeitos para o futuro.  ­  são  atos  de  natureza,  finalidade  e  efeitos  distintos,  não  podendo  um  revogar  o  outro, de forma que um ato declaratório anterior que se dirige ao passado jamais  pode ser afetado por uma instrução normativa posterior que se dirige para o futuro,  ocorrendo uma impossibilidade material.  ­ quanto à impossibilidade  formal, de acordo com o artigo 7º da Portaria SRF n°  1/2001, a revogação ou declaração de insubsistência deverá ser procedida por ato  de mesma  natureza,  ou  seja,  não  é  possível  que  instrução  normativa  revogue  ato  declaratório.  ­ afirma que as exceções previstas nos incisos do artigo 7º não se aplicam ao caso, e  que, considerando o artigo 8º da Portaria, em seu parágrafo único, resta explícito  que instrução normativa revoga instrução normativa, mas não ato declaratório.  ­  mesmo  na  hipótese  de  considerar  que  IN  SRF  n°  252/2002  revogou  o  Ato  Declaratório n° 8/88, não será produzido qualquer efeito material, já que continua  a  existir  mesmo  para  os  fatos  geradores  posteriores  a  04/12/2002,  por  força  do  caput  do  artigo  21  da  própria  instrução,  que  determina  "Ficam  formalmente  revogados, sem interrupção de sua força normativa:".  ­ a revogação sem interrupção de seus efeitos é obrigatória nos casos de norma de  consolidação em razão do parágrafo único do artigo 8º da Portaria 1/2001, o que  significa  o  expresso  reconhecimento  da  Administração  de  que  as  normas  formalmente revogadas continuam a produzir efeitos mesmo depois da revogação,  preservando assim sua eficácia material.  Fl. 27364DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.360          11 ­  trata­se da regra da revogação sem interrupção da  força normativa, prevista na  Lei  Complementar  n°  107/2001,  que  acrescentou  o  §1°  ao  artigo  13  da  Lei  Complementar n° 95/98.  ­  afirma  que  a  IN  SRF  n°  252/2002  é  norma  de  consolidação,  de  forma  que  a  revogação  formal  do  Ato  Declaratório  n°  8/99  "sem  interrupção  de  sua  força  normativa” significa, pelo contrário, o reconhecimento de que seus efeitos materiais  continuam a ser produzidos mesmo depois da entrada em vigor da instrução.  ­ a  IN SRF n° 252/2002 não reproduziu as  ressalvas do Ato Declaratório n° 8/99  por  ser  desnecessário,  já  que  houve  revogação  sem  interrupção  de  sua  força  normativa.  8) Especificamente quanto aos afretamentos de plataformas ­ não tem cabimento o  argumento de que plataformas móveis não são embarcações, não se beneficiando  com  a  alíquota  zero  quando  da  remessa  ao  exterior  das  remunerações  dos  afretamentos  respectivos,  sendo,  portanto,  de  qualquer  modo,  tributadas  pelo  IRRF.  ­  da  leitura  do  TVF,  resta  claro  que  a  acusação  fiscal  resume­se  à  de  que  os  “pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras correspondem, de fato,  à  remuneração por  serviços prestados”,  com a única  ressalva de que “em alguns  casos, ainda que os pagamentos ser referissem a simples afretamento, o IRRF seria  devido de qualquer forma, à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), em razão de  a beneficiária ser empresa estrangeira sediada em paraíso fiscal/país de tributação  favorecida.”  ­ embora a  fiscalização cite autuações anteriores, a  tese de que plataforma não é  embarcação não constitui fundamento para a presente autuação.  ­ após análise de cada contrato, o auditor fiscal lista os fatos que fundamentariam a  autuação, não incluindo a tese de que plataforma não são embarcações.  ­ até mesmo porque grande parte das embarcações autuadas são navios sonda, aos  quais  evidentemente  não  se  pode  aplicar  o  entedimento  de  que  não  são  embarcações.  ­  a  tese  de  que  plataformas  não  são  embarcações  já  foi  superada  pela  jurisprudência administrativa, como se demonstra pela decisão da 2ª Turma da 2ª  Câmara da 2ª Seção do CARF, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao  recurso de ofício (Acórdão nº 2202­002.377), citando trecho do voto.  ­ afirma que:  1) a autoridade marítima, exercendo sua competência, baixou NORMAN 01, onde  as Plataformas Móveis  são  conceituadas  como  embarcações  no Capítulo  II,  itens  0201, 0202, 0215, item 30, Capítulo IX, item 0901, 0902, “f” e “g”.  2) a Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, Capítulo 89, Posição 8905, deixa  claro  que  as  plataformas  de  perfuração  e  exploração  móveis  são  tratadas  como  embarcações e não como estruturas flutuantes.  3) a  IN SRF n° 136, de 08/10/1987, dispondo sobre  regime aduaneiro especial de  admissão temporária, prevê no Item 4.II que o regime se aplica às "embarcações ...  enquanto autorizadas a operar no mar territorial do País", dispondo no item 35.1 que  “Entende­se  como  embarcação,  para  os  efeitos  desta  Seção,  qualquer  engenho  ou  aparelho, autopropelido ou não, inclusive veículo sem calado, usado ou capaz de ser  Fl. 27365DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     12 usado como meio de transporte, ou susceptível de manter­se sobre a água, tais como  barcaças, chatas, plataformas, balsas­guindastes e semelhantes.”  4) há várias manifestações de autoridades administrativas, e decisões judiciais.  5)  tanto  na  linguagem  comum como no  ordenamento  jurídico  pátrio,  em  todos  os  seus quadrantes, embarcação é construção, artefato ou obra de engenharia, sejam  quais forem suas características e finalidade, suscetível de se locomover na água e  capaz de transportar coisas e pessoas e sujeita à inscrição na autoridade marítima,  portanto,  gênero  que  abrange  diversas  espécies,  dentre  elas  as  plataformas  marítimas móveis.  9) Quando menos não seriam tributáveis os valores pagos a países signatários de  tratados para evitar a dupla tributação.  ­  por  força  do  artigo  VII  da  Convenção  Modelo  da  OCDE,  que  evita  a  dupla  tributação, nada pode ser exigido a  título de  IRRF, ressaltando a prevalência dos  Tratados  sobre  a  legislação  ordinária  em  matéria  tributária,  já  assentada  pela  jurisprudência dos Tribunais, assim pelo CARF.  ­ traz várias ementas de julgados no sentido de que os Tratados Internacionais para  evitar a bitributação devem ser respeitados.  ­ por força do artigo VII, qualquer rendimento auferido por uma pessoa jurídica na  exploração de seu objeto social enquadra­se, perfeitamente, no conceito de lucro.  ­ no caso concreto, em que estão sendo remetidos para países com os quais o Brasil  firmou  acordos  para  evitar  a  bitributação,  valores  destinados  ao  pagamento  de  contrato  de  afretamento  ou,  como  sustenta  a  fiscalização,  supostos  serviços  prestados, é perfeitamente aplicável o disposto no artigo 7o da Convenção, devendo  tais rendimentos ser tributados somente no país de residência do beneficiário.  10)  Não  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  ­  no  caso  de  prevalecer a exigência fiscal, vem impugnar a cobrança de juros de mora sobre o  valor da multa de ofício, ressaltando que este é entendimento adotado pelo CARF,  inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais.  ­  os débitos de  tributos  e  contribuições decorrem da prática dos  respectivos  fatos  geradores, enquanto que as multas decorrem de violações à norma legal.  ­  ao utilizar a  expressão  "os débitos para com a União, decorrentes de  tributos  e  contribuições'",  a  Lei  n°  9.430/96  somente  pode  estar  aludindo  a  débitos  não  lançados, visto que está normalizando a incidência sobre estes da multa de mora.  ­ é equivocado interpretar que débito se refere ao principal e a multa de ofício, pois  seria o mesmo que admitir a cobrança de multa de mora incidente sobre multa de  ofício, no caso de seu inadimplemento, ou até que débito incluiria o principal mais o  juros de mora, e ocorreria juros sobre juros.  ­ a única interpretação possível do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 seria incidência dos  juros  somente  sobre  o  valor  dos  tributos  e  contribuições,  e  não  sobre  o  valor  da  multa de ofício.  ­ além disso, o próprio artigo 43 da Lei n° 9.430/96 vem evidenciar que o artigo 61  prevê a cobrança de juros unicamente sobre o valor dos tributos e contribuições.  ­  assim,  não  existe  base  legal  para  exigência  de  juros  de  mora  sobre  os  valores  lançados a título de multa de ofício (não isolada), que não pode prevalecer sob pena  de violação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, mas também aos artigos 5º, II e 150, I  da CF/88 e 97 do CTN.  Fl. 27366DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.361          13 Da decisão de primeira instância  A 5ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos,  julgou  improcedente a  impugnação, cujo Acórdão nº 12­65.775 foi assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2009  CONTRATO  DE  AFRETAMENTO  DE  PLATAFORMA  E  CONTRATO  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  ­  NATUREZA  DO  PAGAMENTO  PARA  FINS  TRIBUTÁRIOS  Para fins tributários, é necessário verificar qual a natureza dos pagamentos, tendo  em vista a realidade fática, e não a formalidade dos contratos. Dos fatos apontados  nos  autos,  restou  comprovado  tratar­se  de  um  único  contrato  de  prestação  de  serviços,  embora  formalmente  sejam  firmados  dois  acordos,  um  de  afretamento  e  outro de prestação de serviços.  CONTRATO DE AFRETAMENTO DE  PLATAFORMA  ­  RETENÇÃO DO  IRRF  ­  ALÍQUOTA ZERO ­ IMPOSSIBILIDADE.  Para fins de usufruir a aplicação da alíquota zero na determinação do imposto de  renda retido na  fonte,  é necessário que a  finalidade seja o  transporte de cargas e  pessoas.  Embora  as  plataformas  se  locomovam  na  água,  a  atividade  para  a  qual  foram concebidas é a pesquisa, exploração e prospecção de petróleo.  RENÚNCIA FISCAL ­ INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA  Embora a Lei 9.481/97, Lei nº 9.532/97 e o art. 691,  I do RIR/99, não  tenham, de  forma  expressa,  restringido  o  tipo  de  atividade  explorada  pela  embarcação  afretada,  seja  ela  destinada  ao  transporte  de  passageiros/carga,  à  exploração  de  petróleo ou outras atividades marítimas, deve­se levar em conta que não é possível  ampliar o  sentido da norma, dando interpretação ampla ao  termo embarcação,  já  que o artigo 111 do CTN dispõe: "interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que disponha sobre a outorga de isenções".  REMUNERAÇÃO  A  QUALQUER  TÍTULO  ­  PAÍSES  COM  TRIBUTAÇÃO  FAVORECIDA  ­  INCIDÊNCIA DO  IRRF EM REMUNERAÇÃO DE QUALQUER  NATUREZA.  O artigo 8º da Lei nº 9.779/99 determina que a alíquota para o cálculo do imposto  de  renda  retido  na  fonte  é  de  25% quando o  beneficiário  tiver  sede  em país  com  tributação favorecida ou paraíso fiscal, seja qual for o motivo da remuneração.  ATO  DECLARATÓRIO  NORMATIVO  Nº  8/99  ­  REVOGADO  ­  INAPLICABILIDADE  O  Ato  Declaratório  Normativo  nº  8/99  foi  revogado  pela  IN  SRF  nº  252/2002,  mantendo sua força normativa para o período que ficou vigente, de 29/01/1999 até  03/12/2002, fatos geradores não alcançados nesta autuação.  PAÍSES  SIGNATÁRIOS  DE  TRATADOS  INTERNACIONAIS  PARA  EVITAR  A  DUPLA  TRIBUTAÇÃO  ­  INAPLICABILIDADE  PARA  PAGAMENTOS  DE  PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS   Fl. 27367DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     14 As  remessas  decorrentes  de  contratos  de  prestação  de  assistência  técnica  e  de  serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitam­se à tributação de acordo  com o art.685,  inciso  II, alínea “a”, do Decreto nº3.000, de 1999, bem como que  nas Convenções para Eliminar a Dupla Tributação da Renda das quais o Brasil é  signatário,  esses  rendimentos  classificam­se  no  artigo  Rendimentos  não  Expressamente Mencionados.  JUROS DE MORA  INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO  ­ BASE LEGAL  ­  CABIMENTO  A  multa  de  ofício  integra  a  obrigação  tributária  principal,  e,  por  conseguinte,  o  crédito  tributário,  sendo  legítima  a  incidência  dos  juros  de mora  calculados  com  base na Taxa Selic.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Do Recurso Voluntário  Cientificada  da  decisão  em  29/05/2014,  por  meio  do  Centro  Virtual  de  Atendimento  ao Contribuinte  (Portal  e­CAC)  ­  fl.  26.967  ­,  a Contribuinte  interpôs Recurso  Voluntário em 27/06/2014, por meio de seu advogado (fls. 26.970 a 27.095), no qual alega, em  síntese:   Preliminar  Nulidade da decisão  recorrida  em  face da  introdução de  fato novo que não  consta do auto de infração  ­ Embora  a Fiscalização  tenha  alegado no  passado  que  plataformas móveis  não  são  embarcações,  não  se beneficiando, portanto,  da  alíquota  zero quando da  remessa  ao  exterior das  remunerações  dos  afretamentos  respectivos,  tal  alegação  não  consta do  presente  lançamento.  ­ Quando o Fiscal autuante analisa cada um dos 162 contratos, naqueles 73  em que concluiu pela incidência do IRRF e da CIDE enunciou na parte final os motivos que o  levou a entender que a Recorrente infringiu a legislação tributária, não incluindo nos motivos  da autuação a tese de que plataformas não são embarcações, o que evidencia que tal tese não  constitui fundamento do presente lançamento.  ­ Nada impede que num mesmo lançamento a autoridade fiscal invoque mais  de um fundamento para a exigência fiscal, o que seria, nas palavras da decisão recorrida "mais  um  motivo  para  a  cobrança"  do  tributo.  Porém,  é  certo  que  a  invocação  de  fundamento  subsidiário para o lançamento não poderá se dar quanto ele for incompatível com o fundamento  principal ou com os atos praticados no lançamento.  ­ No caso concreto o Fiscal autuante exigiu não só o IRRF como também a  CIDE  sobre  a  totalidade  dos  valores  remetidos  pela  Recorrente  para  os  arrendadores  estrangeiros,  por  ter  entendido  que  em  razão  da  suposta  bipartição  artificial  dos  contratos,  o  referido  afretamento  seria,  na  verdade,  prestação  de  serviços  técnicos  com  fornecimento  de  material (no caso a plataforma ou os navios sonda).  ­ A CIDE só poderia ter sido exigida sobre remessas relativas à prestação de  serviços  técnicos,  mas  jamais  sobre  valores  referentes  ao  pagamento  pelo  arrendamento  de  plataformas. Assim, tendo o Fiscal exigido CIDE sobre a totalidade dos valores remetidos pela  Fl. 27368DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.362          15 Recorrente ao  arrendador  estrangeiro,  é  certo que para ele  todos  esses valores  referem­se  ao  pagamento pela prestação de serviços técnicos.  ­  Não  poderia  a  decisão  recorrida  ter  mantido  o  lançamento  também  pelo  fundamento de que "plataforma não é embarcação, não cabendo a aplicação do artigo 691 do  RIR/99", fundamento não apenas não invocado pelo Fiscal autuante mas também incompatível  com  o  próprio  lançamento,  sob  pena  de  inadmissível  alteração  dos  critérios  jurídicos  do  lançamento, incompatível com o artigo 146 do CTN, além de cerceamento do direito de defesa  do Recorrente, como bem demonstra a mais recente jurisprudência do CARF.  Mérito  I ­ Inocorrência do fato gerador do IRRF  I.1  ­ A  coligação/união  de  contratos  é  figura  conhecida  e  reconhecida  pela  doutrina civilista  ­  A  Fiscalização  desconsiderou  a  existência  de  dois  contratos  distintos  ­  afretamento e prestação de serviços ­ firmados também com pessoas jurídicas distintas ­ uma  situada no exterior e outra no Brasil ­ para considerar artificialmente existir um único contrato.  ­  Mesmo  se  a  prestação  de  serviços  e  o  afretamento  das  embarcações  necessárias à sua execução tivessem sido firmados em um único instrumento e apenas com a  empresa  sediada  no  exterior,  em  qualquer  hipótese  tratar­se­ia  de  dois  contratos  distintos  formalizados num único instrumento, ou contratos coligados como os denomina a doutrina, um  de prestação de serviços e outro de afretamento de embarcação, cada um deles mantendo a sua  individualidade e se sujeitando às regras tributárias que lhes são próprias.  ­ O  fato de  as  empresas que  contrataram com a Recorrente pertencerem  ao  mesmo Grupo em nada interfere na autonomia e individualização dos contratos de afretamento  e  de  prestação  de  serviços  porque,  ainda  que  tais  contratos  tivessem  sido  firmados  num  só  instrumento  e  com  a  mesma  pessoa  jurídica,  eles  permaneceriam  individualizados,  com  dependência recíproca, de modo que um contrato não exista sem o outro.  ­ A união de contratos, seja qual for a sua modalidade, nada tem de ilegal ou  irregular,  sendo  figura  perfeitamente  conhecida  da  doutrina  de  Direito  Privado,  pois  não  perdendo  os  contratos  coligados  a  sua  individualidade,  são  aplicáveis  o  conjunto  de  regras  próprias e peculiares a cada tipo individualmente.  ­  Os  questionamentos  da  fiscalização  acerca  da  atribuição  de  até  90%  do  valor total da licitação ao afretamento de embarcações com remessa para o exterior sem IRRF  e  no mínimo 10% do mesmo valor  à  prestação  de  serviços  pago  no País  com  incidência  de  IRRF não têm razão de ser.  ­ As embarcações em causa ­ navios, navios sonda e plataformas ­, em razão  de  sua  complexidade  técnica,  são  bens  de  vultoso  valor  e  absolutamente  necessários  ao  desenvolvimento da atividade a que se destinam, representando o seu afretamento efetivamente  a maior  parcela  do  valor  total  da  licitação.  Portanto,  seria muito mais  lógico  e  coerente,  na  hipótese de um único contrato, que o afretamento abarcasse a prestação de serviços.  Fl. 27369DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     16 ­  Se  a  Fiscalização  tivesse  comprovado  atribuição  irreal  de  preços  aos  contratos,  seria  caso  de  eventual  glosa  de  excesso  de  custo  do  afretamento  ou  tributação  de  parte  como  serviço,  nada  justificando  ou  autorizando  a  desqualificação  do  contrato  de  afretamento  para  atribuir­lhe  a  natureza  de  prestação  de  serviços  e  com  isso  tributá­lo  integralmente como tal.  I.2 ­ Dos contratos de afretamento  ­ A Fiscalização  concluiu  que  a  bipartição  dos  contratos  em  afretamento  e  serviços  é  meramente  formal,  pois  a  verdade  material  que  se  impõe  é  de  que  não  há  afretamento puro e simples. No entanto, essa conclusão decorre de equivocado entendimento  do  conteúdo  e  alcance  dos  contratos  de  afretamento  dessas  embarcações  especiais  e  das  atividades  de  pesquisa,  sondagem,  perfuração  e  exploração  de  poços  de  petróleo  e  gás  desenvolvidas pela Recorrente.  ­ Os contratos de afretamento, cuja utilização é bastante antiga, podem ser de  várias  modalidades,  sendo  as  mais  conhecidas  as  seguintes:  a)  afretamento  a  casco  nu;  b)  afretamento a tempo e c) afretamento por viagem.  ­ O que diferencia os  contratos de  afretamento  a  casco nu dos  contratos de  afretamento a tempo é exatamente a forma como as atribuições de gestão da embarcação são  alocadas entre Fretador e Afretador.   ­ No afretamento a casco nu fica a cargo do Afretador tanto a gestão náutica,  quanto a gestão comercial da embarcação. Ele é responsável pela manutenção da embarcação e  por fazê­la navegar, e é também quem a explorará comercialmente.  ­ No afretamento por  tempo há uma cisão entre a gestão náutica e a gestão  comercial,  permanecendo  a  primeira  sob  a  responsabilidade  do  Fretador,  transferindo­se  ao  Afretador apenas a segunda.  ­ Fica evidente que o contrato de afretamento pode ou não envolver prestação  de serviço náuticos (gestão náutica), dependendo da modalidade escolhida, e nem por isso se  transforma em contrato de prestação de serviços.    ­ Por outro lado, fica evidenciado também que, seja qual for a modalidade de  contrato de afretamento, a gestão comercial é sempre transferida ao Afretador, constituindo­se  no  direito  de  explorar  comercialmente  a  embarcação,  donde  se  conclui  que  o  contrato  de  afretamento não contempla prestação pelo Fretador ao Afretador de serviços inerentes à gestão  comercial.   ­  Caso  a  recorrente  estivesse  desenvolvendo  a  gestão  comercial  de  forma  direta,  com  técnicos  empregados  seus,  o  contrato  de  afretamento  não  perderia  efeito  ou  deixaria de ser necessário, tudo a evidenciar a sua absoluta autonomia.  ­ Tendo optado por desenvolver essa atividade de forma terceirizada, ambos  os contratos co­existem, de forma  independente e com objetos diversos, apesar de conexos e  voltados para o mesmo fim, seja quem for a prestadora desses serviços ­ a empresa domiciliada  no exterior (dona da embarcação) ou a empresa domiciliada no país, por ela indicada, sendo ou  não do mesmo grupo.  I.3 ­ Da violação aos artigos 109 e 110 do CTN e 170 da CF/88  Fl. 27370DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.363          17 ­ A Fiscalização está alterando a forma e a substância de contratos típicos de  direito privado e com isso violando os artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional.  ­ O Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 116.121­3, ao excluir a  locação de bens móveis da tributação pelo ISS, reafirmou que os princípios e formas de direito  privado devem ser respeitados pela lei e pelo intérprete.  ­ O Fisco poderia atribuir ao afretamento os efeitos tributários que a lei prevê,  sem jamais transformar o contrato de afretamento em contrato de prestação de serviço técnico e  pretender tributá­lo como tal, passando a exigir IRF e CIDE.  ­ O Superior Tribunal de Justiça decidiu no RESP 1.054.144, pacificando a  jurisprudência no sentido de que em nenhuma das  três modalidades de afretamento ­ a casco  nu, a tempo e por viagem ­ incide o ISS.  ­  Os  valores  remetidos  ao  exterior  em  pagamento  de  afretamento  não  são  receitas decorrentes de qualquer prestação de serviços, muito menos de perfuração, sondagem,  pesquisa e exploração de poços e outros.  ­ O  entendimento  da  fiscalização  de  que  ocorreu  um  único  contrato  com  a  empresa  sediada  no  exterior,  desconsiderando  completamente  a  vontade  das  diversas  partes  envolvidas  nos  dois  contratos,  implica  inaceitável  ingerência  na  liberdade  de  contratar  e  de  organização dos negócios da impugnante, violando o artigo 170 da CF/88.  I.4. Dos equívocos da r. decisão recorrida quanto ao que foi acima exposto  ­ Cabe novamente referir que nos contratos de afretamento a tempo em geral,  o Fretador,  além da  entrega  da  embarcação  é  responsável  pela  gestão  náutica  (serviços) que  consiste  na  armação  e  tripulação  da  embarcação,  transferindo­se  a  gestão  comercial  para  o  Afretador, que pode exercê­la diretamente ou de forma terceirizada (mediante a contratação de  outra pessoa jurídica no Brasil ou no exterior, que pode ser até mesmo a dona da embarcação).  ­ A decisão da DRJ aponta cláusulas contratuais que constituiriam indícios de  que o contrato de afretamento de plataforma inclui a prestação dos serviços.   ­ Contudo, ao contrário do alegado, a taxa de execução reduzida, prevista em  contrato,  não  está  de  forma  alguma  ligada  à  produtividade  da  plataforma,  mas  pura  e  simplesmente  à  "incapacidade  da  PLATAFORMA  de  operar  em  capacidade  máxima"  decorrente de falha para a qual não tenha concorrido a Recorrente.  ­  A  previsão  das  taxas  apontadas  pela  decisão  recorrida  não  constitui  peculiaridade dos contratos celebrados pela Recorrente, sendo usual sua previsão no mercado  marítimo,  tanto para o afretamento de navios de carga quanto para embarcações como outras  finalidades, como salvamento, reboque e limpeza de óleo no mar.  ­ A decisão de primeira  instância aponta outro  indício de que o contrato de  afretamento  de  plataforma  inclui  a  prestação  dos  serviços:  a  cláusula  que  a  contratada  ­  empresa estrangeira ­, assume a responsabilidade financeira para manter e substituir ou reparar  qualquer  equipamento  com  defeito  e  para  fornecer  peças  de  reposição  necessárias  e/ou  consumíveis.   Fl. 27371DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     18 ­ No entanto, a empresa estrangeira (dona da plataforma) só tem a obrigação  de custear substituições e reparos relativos à plataforma em si, não arcando com "os custos que  decorrem da prestação de serviços contratados com a empresa brasileira".  ­ A  decisão  recorrida  entendeu  que  não  é  razoável  afirmar  que  o  custo  do  afretamento da plataforma mais a gestão náutica seria superior ao custo da gestão comercial ­  prestação de serviços de perfuração/exploração de gás e petróleo ­, a ponto de justificar pagar  10% apenas para as empresas brasileiras.   ­  Entretanto,  a  grande  maioria  dos  "equipamentos  envolvendo  tecnologia  específica para exploração em alto mar" não é fornecida pelos prestadores, porque fazem parte  da própria plataforma ou navio­sonda, integrando, assim, o custo do seu afretamento e não dos  referidos serviços, sendo normal que o custo com o arrendamento seja dez vezes maior do que  o custo da prestação dos serviços.  ­  Ainda  que  prevalecesse  esse  entendimento,  não  poderia  ter  a  autoridade  lançadora simplesmente presumido que a totalidade do preço pago pela Recorrente referir­se­ia  aos serviços e nada ao afretamento de caríssimas embarcações, devendo, então, ter procedido  ao  arbitramento  nos  termos  do  artigo  148,  o  que,  não  tendo  sido  feito,  enseja  a  nulidade do  presente auto de infração, como recentemente decidido pelo CARF (Acórdão nº 1101­00.805).  ­  Em  caso  similar,  o CARF  entendeu  que  jamais  poderia  a  fiscalização  ter  presumido que  todos os valores  relativos  a  reembolsos de custos ou despesas  recebidos pela  prestadora  de  serviço  corresponderiam  a  pagamento  pelos  serviços  e  nada  a  reembolsos  de  custos ou despesas (Acórdão nº 1402­001.439).  ­ Tendo em vista que a autoridade fiscal não procedeu ao arbitramento para  individualizar os valores remetidos pela Recorrente, de modo a separar a suposta parte relativa  ao serviço da parte relativa ao arbitramento, deve ser anulado o lançamento. Assim já decidiu o  STJ (RESP 1.194.999­RJ) em relação à incidência do ISS.  ­  Quanto  à  decisão  proferida  pela  3ª  Turma  da  4ª  Câmara  da  3ª  Seção  do  CARF (Acórdão nº 3403­002.702) mencionada pela decisão recorrida, esclarece a Recorrente  que  tal decisão  foi  proferida por voto de qualidade e que não  transitou em  julgado na esfera  administrativa, encontrando­se em fase de análise de Recurso Especial da Fazenda Nacional, já  que restou vencida tanto no que se refere ao "gross up" da base de cálculo da CIDE quanto no  que tange à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício.  II  ­  Quando  menos  não  seriam  tributáveis  os  valores  pagos  a  países  signatários de tratados para evitar a dupla tributação  ­ Sustenta a fiscalização que os valores pagos pela Recorrente em razão dos  contratos  de  afretamento  firmados  teriam  na  realidade  a  natureza  de  remuneração  pela  prestação de serviços técnicos, sem transferência de tecnologia.  ­  Diversos  pagamentos  realizados  foram  feitos  a  empresas  residentes  de  países  com  os  quais  o  Brasil  firmou  Tratados  Internacionais  para  evitar  a  dupla  tributação,  como França, Holanda, Itália, Luxemburgo e Noruega.  ­  Todos  estes  Tratados,  sem  exceção,  seguiram  a  Convenção  Modelo  da  OCDE, onde consta de  seu artigo 7º que os Lucros de uma empresa residente de um Estado  Contratante  (no  caso  os  beneficiários  dos  pagamentos  efetuados  pela  Recorrente  e  supostos  prestadores de serviços) somente são tributáveis no Estado onde estas empresas têm domicílio.  Fl. 27372DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.364          19 ­ Seja considerando tratar­se de remuneração por conta de afretamento, seja  admitindo­se ser pagamento por serviços prestados, deve ser aplicada a referida Cláusula 7ª dos  Tratados, nada podendo ser exigido a título de IRF, justamente para evitar a dupla tributação.  ­  O  entendimento  da  decisão  recorrida  de  que  as  remessas  decorrentes  de  contratos  de  prestação  de  assistência  técnica  e  de  serviços  técnicos  sem  transferência  de  tecnologia são classificadas como rendimentos não expressamente mencionados, conforme Ato  Declaratório COSIT nº 01/2000, já foi superado pela própria Administração Tributária Federal,  tendo o referido Ato Declaratório sido revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 5,  de 16/06/2014, que esclareceu que na hipótese ora tratada deve ser aplicado o artigo do acordo  ou convenção que trata de lucros das empresas (artigo 7º).  ­ No caso concreto, é perfeitamente aplicável o artigo 7º da Convenção,  tal  como  já  reconhecido pela própria Administração Tributária Federal  na Nota Técnica COSIT  23/2013, no Parecer PGFN/CAT n° 2.363/2013 e no Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 5,  de 16 de junho de 2014, devendo tais rendimentos ser tributados somente no país de residência  do beneficiário.  III ­ Inexigibilidade do IRRF mesmo em relação às remessas para afretadores  localizados em países com tributação favorecida  ­  Mesmo  relativamente  aos  dois  únicos  contratos  cujo  pagamento  do  afretamento se deu a beneficiário  residente em país de  tributação favorecida (Ilhas Cayman),  ainda assim é aplicável a alíquota zero e não a alíquota de 25% prevista no art. 8º da Lei n°  9.779/97.  III.1  ­  A  evolução  da  legislação  pertinente  à  matéria  examinada  até  o  ato  declaratório nº 8/99: ofensa à segurança jurídica, ao Estado de Direito e à isonomia  ­ Por força do artigo 46 da Lei n° 4.862/65, o § 2º do artigo 97 do Decreto­ Lei n° 5.844/43 ganhou nova redação, instituindo a isenção, que vigorou até o advento da Lei  n° 9.430/96, que, no artigo 88, expressamente a revogou, com efeitos a partir de 01/01/1997,  por força do artigo 87 da Lei n° 9.430/96.  ­ A  revogação,  no  entanto,  não  surtiu  efeitos  práticos  para  a Recorrente,  já  que a Lei n° 9.481/97, fruto de conversão da Medida Provisória n° 1.563/96, sujeitou à alíquota  zero as hipóteses até então beneficiadas pela  isenção revogada, produzindo efeitos  também a  partir de 01/01/1997.  ­ Tal situação permaneceu  inalterada até a entrada em vigor do artigo 8º da  Lei  n°  9.779,  de  19/01/1999,  que  sujeitou  à  alíquota  de  25%  o  IRRF  sobre  rendimentos  decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país  que  não  tribute  a  renda  ou  que  a  tribute  à  alíquota  máxima  inferior  a  vinte  por  cento,  produzindo efeitos a partir de 01/01/1999.  ­ Entretanto, o Secretário da Receita Federal emitiu o Ato Declaratório n° 8,  de 29/01/1999, para declarar que a  incidência na  fonte prevista no artigo 8° da menciona  lei  não  se  aplicava  aos  contratos  firmados  até  31/12/1998,  para  que  tal  incidência  não  gerasse  impacto sobre pagamentos relativos a contratos que já estavam em vigor.  Fl. 27373DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     20 ­  Exigir  imposto  de  renda  na  fonte  sobre  as  remessas  efetuadas  pela  Recorrente,  relativas  a  contratos  celebrados  antes  de  31/12/1998,  viola  as  normas  constitucionais pertinentes ao Estado de Direito, à segurança jurídica e à igualdade.   III.2 ­ A impossibilidade material e formal da revogação do ato declaratório  SRF nº 8/99 pela Instrução Normativa SRF nº 252/02 e a sua irrelevância no caso concreto  ­  O Ato  Declaratório  n°  8/99  foi  formalmente  revogado  pelo  artigo  21  da  Instrução  Normativa  SRF  n°  252,  de  03/12/2002,  porém,  além  dessa  revogação  ser  juridicamente inviável tanto em termos materiais quanto formais, ela mantém expressamente os  efeitos materiais do Ato Declaratório n° 8/99 para o futuro.  III.2.1. A  impossibilidade material da revogação do ato declaratório nº 8/99  pela Instrução Normativa nº 252/02  ­ O Ato Declaratório n° 8/99, por ser declaratório, expressa um entendimento  da  Administração  Tributária,  que  no  caso  concreto  diz  respeito  à  conseqüência  jurídica  tributária  de  remessas  para  o  exterior  de  pagamentos  referentes  a  contratos  celebrados  até  31/12/1998.  ­ Tratam­se o ato declaratório e a  instrução normativa de atos de naturezas,  finalidades  e  efeitos  distintos,  pois  enquanto  o  ato  declaratório  é  por  natureza  um  ato  de  entendimento  destinado  a  fixar  o  significado  de  uma  lei  produzida  no  passado,  a  instrução  normativa  é  por  natureza  um  ato  de  vontade  destinado  a  fixar  a  conduta  da  Administração  Tributária no futuro.  ­ Resta evidente que o Ato Declaratório n° 8/99, ato de entendimento que se  dirige ao passado, jamais poderia ter sido "revogado" pela Instrução Normativa n° 252/02, ato  de  vontade  que  se dirige para o  futuro,  já  que  tais  atos  operam  seus  efeitos  em períodos  de  tempo distintos.  ­  Caso  a  Administração  Tributária  pretendesse  modificar  o  entendimento  adotado  no Ato Declaratório  n°  8/99,  deveria  ter  lançado mão de  outro  ato  declaratório  que  evidentemente não o  "revogaria", mas  alteraria o  entendimento  anterior produzindo efeitos  a  partir da alteração.  III.2.2. A impossibilidade formal da revogação do ato  ­ O artigo 7º da Portaria SRF nº 1/2001 dispõe que a revogação ou declaração  de  insubsistência deverá ser procedida por ato de mesma denominação. Desse modo, para se  cumprir esse dispositivo,  instrução normativa deverá  ser  revogada por  instrução normativa  e  ato  declaratório  deverá  ser  declarado  insubsistente  por  ato  declaratório,  não  sendo  evidentemente possível que instrução normativa "revogue" ato declaratório.  ­ O parágrafo único do artigo 8º da referida Portaria é explícito no sentido de  que instrução normativa revoga instrução normativa, mas não ato declaratório.  III.2.3  ­  A  revogação  formal  pela  Instrução  Normativa  nº  252/02  do  Ato  Declaratório  nº  8/99  "sem  interrupção  de  sua  força  normativa"  resulta  na  continuidade  dos  efeitos  materiais  do  ato  declaratório  inclusive  para  fatos  ocorridos  depois  da  publicação  da  instrução normativa  ­ A revogação  formal do Ato Declaratório n° 8/99 "sem  interrupção de  sua  força  normativa"  significa  o  reconhecimento  de  que  seus  efeitos  materiais  continuam  a  ser  Fl. 27374DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.365          21 produzidos mesmo depois da entrada em vigor da Instrução Normativa n° 252/02, pelo menos  até  o  momento  em  que  ato  declaratório  posterior  promova  alteração  no  entendimento  da  Administração Tributária se ele eventualmente vier a ocorrer.  III.3 ­ Dos equívocos cometidos pela r. decisão recorrida  ­  Embora  a  decisão  recorrida  não  tenha  examinado  os  argumentos  da  Recorrente no sentido da impossibilidade material e formal da revogação do Ato Declaratório  SRF n°  8/99  pela  IN/SRF n°  252/02,  tal  restrição  não  se  aplica  ao CARF,  que pode  e  deve  afastar  a  aplicação  de  instrução  normativa  que  se  revelar  conflitante  com  o  ordenamento  jurídico, como demonstram as recentes decisões (Acórdãos nºs 3402­002.254 e 1202­001.026).  ­ Reitera a Recorrente a  impossibilidade material e  formal da  revogação do  Ato Declaratorio SRF n° 8/99 pela IN/SRF n° 252/02, demonstrada respectivamente nos itens  III.2.1 e III.2.2 acima.  IV ­ Especificamente quanto aos afretamentos de plataformas  ­ Embora  tenha a Recorrente demonstrado em sua preliminar  a nulidade da  decisão  recorrida  quando  alterou  a  fundamentação  do  lançamento  para  concluir  que  a  suposição de que plataformas não são embarcações  seria  "mais um motivo para cobrança do  IRRF", apenas por excesso de zelo passa a demonstrar que, ainda que se desconsiderasse  tal  nulidade, não poderia ser mantido o lançamento, já que plataformas são de fato embarcações,  fazendo jus à alíquota zero prevista no artigo 691 do RIR/99.  IV.1 ­ Plataformas são embarcações  ­ Não se invoque, alternativamente ao fundamento do lançamento, como fez a  decisão recorrida, que Plataformas móveis não são embarcações e, portanto, não se beneficiam  com a alíquota zero quando da remessa ao exterior das remunerações dos afretamentos.  ­  Das  73  embarcações  listadas  no  auto  de  infração,  26  são  navios­sonda,  embarcações  especiais  diversas  da  plataforma,  aos  quais  não  se  aplica  a  argumentação  introduzida pela decisão recorrida, como se pode inferir inclusive pela simples leitura do TVF,  citando  a  Recorrente  apenas  a  título  exemplificativo  a  unidade  STENA  DRILL  MAX  I  ­  analisado  no  item  089  ­  descrita  pelo  próprio  Fiscal  autuante  como  "navio  de  perfuração  (drillship) com posicionamento dinâmico".  ­ Mesmo  relativamente  às  plataformas  não  procede  a  argumentação  de  que  não são embarcações, como demonstra recentíssima decisão da 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª  Seção  do CARF,  em  recurso  de  ofício,  figurando  como  interessado  PSG  INVESTIGAÇÃO  PETROLÍFERA  LTDA.,  que  entendeu  que  os  navios  de  pesquisa  não  estão  excluídos  do  conceito de embarcação (Acórdão nº 2202­002.377).  IV.1.1.  Jurisprudência no  sentido de que plataformas marítimas móveis  são  embarcações   ­ O Supremo Tribunal Federal no RE 76.133­RJ, de 13/09/1974, tendo como  relator o Ministro Antonio Neder, cuidando de isenção de IPI também referida a embarcações,  decidiu por unanimidade de votos que esta se aplicava a Plataformas Marítimas.  Fl. 27375DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     22 ­  O  STF,  reconhecendo  a  competência  das  autoridades  marítimas  sobre  a  matéria e atribuindo efeito vinculante aos seus atos, procedimentos e registros administrativos,  decidiu  que  a  plataforma  auto­elevatória  analisada  no  caso  concreto  era  sim  embarcação,  porque fora reconhecida como tal pela Marinha do Brasil.  ­ A  jurisprudência  recente das Terceira  e Quarta Turmas Especializadas  do  TRF da 2ª Região, únicas competentes para julgar matéria tributária, já é pacífica no sentido de  que plataformas móveis são embarcações, invocando como um dos fundamentos exatamente o  art. 2°, V da Lei n° 9.537/1997. Cita diversos outros julgados.  IV.1.2  ­  Legislação  tributária  remete  à  linguagem  comum  que  define  embarcações pela capacidade de navegar abarcando plataformas móveis   ­ Desde 1965, por força da Lei n° 4.862/65, cujo artigo 46 alterou a redação  da  letra  "b", do parágrafo 2º do artigo 97 do Decreto­lei n° 5.844/43, não  incide  imposto de  renda  na  fonte  sobre  os  rendimentos  de  residentes  e  domiciliados  no  exterior  relativos  a  despesas de afretamentos de embarcações marítimas, desde que  tenham sido aprovados pelas  autoridades competentes.  ­ Mantido pelo artigo 56 da Lei n° 7.713/88 e  revogado pelo art. 88 da Lei  9.430/96, por um curto espaço de tempo, o benefício foi reinstituído, agora, como alíquota zero  por força do artigo 1º, I, da Lei n° 9.481, de 13/08/97, na redação do art. 20 da Lei n° 9.532, de  10/12/97. Passou então, o benefício a ser contemplado no artigo 691,  I do RIR/99, aprovado  pelo Decreto n° 3000/99.  ­ São apenas duas as condições exigidas pela lei tributária para aplicação da  alíquota  zero:  a)  que  se  trate  de  receitas  de  afretamento  de  embarcações  marítimas,  b)  que  tenham sido aprovadas pelas autoridades competentes.  ­ Não havendo na  legislação  citada  a  definição  de  embarcação  para  efeitos  tributários, não se tratando de conceito de direito privado e não havendo remissão a qualquer  outra  norma  legal  que  dele  tenha  se  ocupado,  conclui­se  que  o  legislador  tributário  está  se  referindo ao significado comum de embarcação obtido na linguagem corrente.  ­  Conforme  as  definições  encontradas  no  Dicionário  Aurélio,  Repertório  Enciclopédico  do  Direito  Brasileiro,  Dicionário  Aulete  e  Wikipedia,  o  que  distingue  e  individualiza embarcação é a capacidade de navegar, a capacidade de se conduzir sobre ou sob  as  águas,  independentemente  da  sua  finalidade.  Nesse  sentido  a  conclusão  do  Ilustre  Parecerista Marco Aurélio Greco ao analisar essa questão. Transcreve excerto do parecer.   IV.1.3. As plataformas móveis objeto do  auto de  infração  são  embarcações  em razão de suas características técnicas  ­ Como se verifica dos contratos de afretamento em questão, as plataformas  marítimas afretadas são todas elas plataformas móveis, as quais são classificadas, em razão de  suas características técnicas, como embarcações.  ­  Referidas  plataformas  sempre  foram  internacionalmente  denominadas  "Vessel"  (embarcação)  e  em  todos  os  países  são  submetidas  às  regras  aplicáveis  às  embarcações.   ­ No Brasil,  o  ingresso  das  plataformas móveis  no  território  nacional  se  dá  mediante  emissão  pela Delegacia  da Capitania  dos Portos  do  local  onde  forem  admitidas  de  Fl. 27376DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.366          23 Atestados  de  Inscrição  Temporária  de  Embarcação  Estrangeira  ­  AIT,  dos  quais  constam  informações e características da embarcação.  ­ Evidenciam  também a natureza de  embarcação das plataformas marítimas  móveis em causa os Contratos de Afretamento (só aplicáveis a embarcações), que detalham de  forma  minuciosa  as  características  das  Plataformas,  dentre  elas  o  tipo  de  plataforma,  a  capacidade  de  carga  e  a  capacidade  de  alojamento,  a  evidenciar  que  têm  capacidade  para  transportar cargas e pessoas.  IV.1.4  ­  As  plataformas  móveis  referidas  no  auto  de  infração  são  embarcações de acordo com as normas de direito marítimo  ­ O  artigo  187  do Decreto  n°  5.798/40,  que  aprovou  o  antigo  regulamento  para  as Capitanias dos Portos,  assim definiu  embarcações:  "o  termo embarcação,  empregado  neste regulamento, abrange toda construção suscetível de se locomover nágua, quaisquer que  sejam seus característicos".  ­  O  Regulamento  para  o  Tráfego  Marítimo,  aprovado  pelo  Decreto  n°  87.648/82,  além  de  incluir  as  plataformas  tripuláveis  como  sujeitas  às  suas  normas  (art.  3º,  VIII)  trazia  definição  idêntica  no  art.  10:  "O  termo  ´embarcação´,  empregado  neste  Regulamento, abrange toda construção suscetível de se locomover n'água, quaisquer que sejam  suas características".  ­  No  artigo  11,  o  mesmo  Decreto  n°  87.648/82  trazia  a  definição  de  "embarcação mercante",  estas  sim  e apenas  estas  caracterizadas pela destinação ao  comércio  marítimo,  a  evidenciar  de  forma  cabal  que  no  conceito  de  "embarcação"  a  finalidade  é  irrelevante.  ­  Mais  tarde,  o  artigo  10  do  Decreto  n°  87.648/82  assim  passou  definir  embarcação:  "O  termo  ´embarcação´,  para  efeito  deste  Regulamento,  significa  qualquer  construção,  capaz  de  transportar  pessoas  ou  coisas,  suscetível  de  se  locomover  na  água  por  meios próprios ou não".  ­ De acordo com esse novo conceito, além de ser suscetível de se locomover  na água por meios próprios ou não, a embarcação deverá ser "capaz de  transportar coisas ou  pessoas",  não  significando  isso  que  necessariamente  deva  ser  utilizada  nessa  finalidade,  bastando que tenha capacidade para tal.  ­ A Lei 9.537/97 expressamente inclui dentre as embarcações as plataformas  flutuantes  (e  as  fixas  quando  rebocadas),  reconhecendo,  desse  modo,  que  tais  construções  atendem às três exigências para assim serem conceituadas: (i) são suscetíveis de se locomover  na água, por meios próprios ou não,  (ii)  têm capacidade para transportar pessoas ou cargas e  (iii) estão sujeitas à inscrição na autoridade marítima.  ­ A inscrição junto à autoridade marítima fica comprovada pelos Atestados de  Inscrição  Temporária  de  Embarcação  Estrangeira  ­ AIT  emitidos  pela Marinha  do  Brasil;  a  suscetibilidade de movimentação na água decorre do  fato de as plataformas móveis poderem  ser  deslocadas  de  um  ponto  para  outro  do  oceano,  por  meios  próprios  ou  rebocadas;  a  capacidade  de  transporte  de  pessoas  ou  cargas  fica  evidenciada  pelo  fato  de  as  plataformas  transportarem  seus  tripulantes  e  os  equipamentos  que  serão  utilizados  nas  operações  de  Fl. 27377DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     24 prospecção, extração e processamento de petróleo ou gás natural, ou no seu armazenamento,  conforme o caso.  ­ À luz da legislação citada, a destinação final para o transporte de pessoas ou  cargas  não  é  elemento  essencial  do  conceito  legal  de  embarcação,  bastando  para  tanto  a  capacidade de transportá­las.  IV.1.5 ­ O artigo 2º, V, da Lei 9.532/97  ­  Nem  se  alegue  que  a  Lei  9.537/97,  ao  incluir  no  artigo  2º,  inciso  V,  a  expressão "transportando pessoas ou cargas" e ao definir no inciso XIV as Plataformas, estaria  adotando um conceito de embarcação para o qual a efetiva destinação ao transporte de cargas e  pessoas seria essencial, em razão do que as plataformas marítimas dele estariam excluídas por  se destinarem à pesquisa, prospecção, produção e armazenamento de petróleo e gás.  ­  Esse  equívoco  da  interpretação  sustentada  pela  decisão  recorrida  está  exaustivamente  demonstrado  pelo  ilustre  Parecerista  Marco  Aurélio  Greco  em  parecer  específico sobre a questão (doc. 01).  IV.1.5.1 ­ A NORMAN 01 define plataforma móvel como embarcação   ­ A "Autoridade Marítima" baixou as Normas da Autoridade Marítima para  Embarcações  Empregadas  na  Navegação  de  Mar  Aberto  ­  NORMAN  01  ­  aprovadas  pela  Portaria nº 9, de 11/02/2000, do Diretor de Portos e Costas, onde as Plataformas Móveis são  conceituadas,  em  razão  de  suas  características  técnicas,  como  embarcações  no  Capítulo  II,  Itens 0201, 0202, 0215, Item 30, Capítulo IX, item 0901, 0902, "f e "g" (doc. 03).  ­  Também  a  NORMAN  n°  4  ­  Normas  da  Autoridade  Marítima  para  a  Operação  de  Embarcações  Estrangeiras  em  águas  Jurisdicionais  Brasileiras,  aprovada  pela  Portaria 0061/DPC, de 22/10/2001, inclui no rol dessas embarcações, no item 128 do Cap. 1, as  destinadas  a  realizar  prospecção,  perfuração,  produção  e  armazenamento  de  petróleo  (plataformas, navios­sonda, FPSO e FSO).  IV.1.6 ­ As plataformas marítimas móveis são embarcações de acordo com a  Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ Não  justificam  a  descaracterização  das  plataformas  como  embarcações  as  normas constantes da Nomenclatura Comum do Mercosul ­ NCM, Capítulo 89, Posição 8905 e  do  Sistema  Harmonizado  de  Designação  e  Codificação  de  Mercadorias  e  suas  Notas  Explicativas, ao argumento de que de acordo com as suas regras as plataformas em causa não  seriam embarcações, mas estruturas flutuantes.  ­ As normas em questão estão inseridas no âmbito do direito tributário, com  finalidade própria de classificar as mercadorias e uniformizar a nomenclatura com o objetivo  de  facilitar  o  comércio  internacional,  portanto,  só  se  prestariam  a  fornecer  o  conteúdo  de  embarcações utilizado no artigo 1º, I, da Lei n° 9.481/97 se a elas esta Lei tivesse se reportado  expressamente, o que não ocorreu.  ­ Ainda que assim não fosse, o recurso à Nomenclatura também evidencia o  desacerto da interpretação do Fisco, pois a análise criteriosa de suas regras evidencia que, no  contexto do Capítulo 89, Posição 8905, as plataformas de perfuração e exploração móveis são  tratadas  como  espécies  do  gênero  embarcações  e  não  do  gênero  estruturas  flutuantes. Nesse  sentido é a conclusão do Parecerista Marco Aurélio Greco.  Fl. 27378DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.367          25 IV.1.7  ­ Plataformas são embarcações de acordo com as normas da Receita  Federal  ­ A própria Secretaria da Receita Federal na Instrução Normativa n° 136, de  08/10/1987,  consolidando  os  atos  normativos  referentes  ao  regime  aduaneiro  especial  de  admissão temporária, prevê no item 4.II que o regime se aplica às "embarcações  ... enquanto  autorizadas a operar no mar territorial do País".   ­  Tanto  na  linguagem  comum,  quanto  em  nosso  ordenamento  jurídico,  embarcação é conceituada como construção, artefato ou obra de engenharia, sejam quais forem  suas  características  e  finalidade,  susceptível  de  se  locomover  na  água,  capaz  de  transportar  coisas  e  pessoas,  características  às  quais  o  legislador  acrescentou  a  sujeição  à  inscrição  na  autoridade  marítima,  abrangendo  diversas  espécies,  dentre  elas  as  plataformas  marítimas  móveis de que cuida o auto de infração.  IV.1.8  ­  Das  manifestações  administrativas  no  sentido  de  que  plataformas  marítimas móveis são embarcações  ­ No Parecer SLTN n° 68, de 27/01/1970, exarado no Processo 124.364/68,  em resposta a Consulta formulada pela própria Recorrente, o Fisco manifestou­se no sentido de  que tendo o Ministério da Marinha, pela sua Capitania dos Portos do Estado do Espírito Santo,  considerado  a  Plataforma  "Vinegarron"  uma  embarcação  e  como  tal  a  registrou  no  livro  de  "Inscrições  Provisórias  de  Embarcações"  daquela  Capitania,  "o  pagamento  das  despesas  de  afretamento  ...  do  contrato  celebrado  entre  a  Petrobras  e  a  Zapata  Overseas  Corp....  estão  isentas do  imposto de renda na fonte de que cuida o art 292,  inciso 1º,  face ao que dispõe o  artigo 293, alínea "b", tudo do vigente Regulamento do Imposto de Renda" (doc. 02).  ­ Nesse sentido, o Parecer CST n° 145, de 21/07/1971, exarado no Processo  n° 406.771/71, em que a Coordenação do Sistema de Tributação entendeu que plataformas são  embarcações  ao  afirmar  "...  dúvida  não  subsiste  que  tais  barcos  ou  plataformas  têm  características  próprias  de  embarcações  ­  e  como  tal  são  consideradas  pelo  Ministério  da  Marinha que,  inclusive, exige o seu registro na Capitania dos Portos e os submete às normas  que regulam o tráfego marítimo... " (doc. 02).  ­  Tendo  sido  dada  a  resposta  afirmativa  pela  Administração  em  sede  de  consulta tributária, específica para a Recorrente que jamais foi revogada, ela é vinculante e não  poderia simplesmente ser desconsiderada.  ­  Mais  recentemente,  no  Parecer  n°  023/06  anexo  ao  Ofício  n°  573/2006­ DPC,  de  10/04/2006,  da  Diretoria  de  Portos  e  Costas  da Marinha  do  Brasil,  a Marinha  do  Brasil  concluiu que  "a natureza  jurídica da plataforma móvel  é de uma  embarcação especial  que se constitui, na forma do inciso XIV, do art. 2º, da Lei 9.537/97, de instalação ou estrutura  flutuante,  destinando­se  às  atividades  direta  ou  indiretamente  relacionadas  com  a  pesquisa,  exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do  mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo".  IV.2 ­ Da manifestação da r. decisão recorrida sobre os itens IV.1.1. a IV.1.8  ­ A decisão recorrida entendeu que:  Fl. 27379DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     26 (i)  o  art.  1º  e  inciso  I  da  Lei  9.481/97  devem  ser  interpretados  de  forma  literal, a teor do artigo 111 do CTN;  (ii) que não cabe utilizar o conceito comum para definir embarcação porque  então  todas  as  embarcações  elencadas  na  NORMAN  01,  definidas  no  capítulo  II  teriam  o  benefício;   (iii) que o  legislador  só pretendeu beneficiar as  embarcações destinadas  ao  transporte de coisas e pessoas, objetivando incentivar o comércio exterior, tanto que também o  aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de aeroportos foram contemplados  pelo benefício, o que também decorre do item 7 da justificativa da MP 1.563/96, convertida na  Lei I 9.481/97;  (iv)  que  a  Lei  9.539/97  no  art.  2º,  V  ao  definir  "Embarcação  ­  qualquer  construção, inclusive as plataformas flutuante e, quando rebocadas, as fixas, sujeita à inscrição  na  autoridade  marítima  e  suscetível  de  se  locomover  na  água,  por  meios  próprios,  ou  não,  transportando pessoas  e  cargas;"  ressalta que  "qualquer construção,  inclusive  as plataformas,  deve  ter  por  finalidade  o  transporte  de  pessoas/cargas  para  que  sejam  consideradas  embarcação.";  (v)  o  acórdão  proferido  na  AP  Cível  2004.51.01.010387­1  RJ,  Relator  Desembargador Federal José Ferreira Neves Neto, de 10.04.2012 confirma esse entendimento.  ­ Tais argumentos não são aplicáveis aos 26 navios e navios­sonda, que são  sem dúvida embarcações. Tanto é assim que a decisão recorrida apenas os invoca em relação às  plataformas marítimas móveis.   ­ Mesmo em relação às plataformas marítimas móveis, tal argumentação não  pode prosperar, pois a leitura do art. 1º, inciso I, da Lei 9.481/97 evidencia que o legislador não  definiu  embarcação  nem  fez  qualquer  restrição  quanto  à  sua  finalidade  para  os  efeitos  da  aplicação da alíquota zero aos contratos de afretamento, de modo que a interpretação literal da  norma  leva  à  conclusão  oposta  à pretendida pela decisão  recorrida,  de que  todos os  tipos de  embarcação elencadas na NORMAN 01, definidas no capítulo II fazem jus ao benefício.  ­ Também é falha a conclusão de que somente as embarcações destinadas ao  transporte de coisas e pessoas fariam jus ao benefício ao argumento de que o  legislador  teve  por  objetivo  incentivar  o  comércio  exterior,  porque  se  assim  fosse  não  teria  sentido  que  os  navios de transporte de pessoas, em especial os de turismo e recreio, fizessem jus ao benefício  porque não se pode afirmar que estão operando no comércio exterior.  ­ Não menos falha é a conclusão no sentido de que a Lei 9.539/97 no art. 2º,  V  ao  definir  embarcação,  estaria  restringindo  o  conceito  no  sentido  de  que  qualquer  construção,  inclusive  as  plataformas,  deve  ter  por  finalidade  o  transporte  de  pessoas/cargas  para  que  sejam  consideradas  embarcação,  porque  não  existe  plataforma  que  tenha  por  finalidade o transporte de pessoas/cargas, embora elas tenham essa capacidade e efetivamente  transportem equipamentos de toda a espécie e pessoas quando estão navegando.  ­  Nesse  mesmo  equívoco  incorreu  o  acórdão  proferido  na  AP  Cível  2004.51.01.010387­1  RJ,  pois,  não  obstante  reconhecendo  que  a  legislação  tributária  não  trouxe nenhuma restrição quanto à atividade explorada pela embarcação, restringe o sentido da  norma invocando o art. 111 do CTN que manda interpretar literalmente a legislação tributária  que disponha sobre outorga de isenções.  Fl. 27380DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.368          27 ­  Não  bastasse  isso,  há  outros  Acórdãos  da  4ª  Turma  e  da  3ª  Turma  interpretando literalmente a mesma norma tributária e acolhendo o entendimento da inicial no  sentido de que plataformas móveis são embarcações.  V ­ A não incidência de juros de mora sobre multa de ofício  ­  A  prevalecer  a  exigência  fiscal,  o  que  se  admite  apenas  a  título  de  argumentação, não pode prevalecer a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, pois,  ao contrário do que supõe a decisão recorrida, nem o CTN nem a legislação ordinária federal  justificam a imposição de juros moratórios sobre multa de ofício.  V.1 ­ O CTN não justifica a incidência de juros de mora sobre multa de ofício  ­ Conquanto o CTN em alguns artigos equipare a multa ao crédito tributário,  assim  o  faz  somente  para  dotar  a  multa  do  "mesmo  regime  de  constituição,  discussão  administrativa,  inscrição  em  dívida  ativa  e  execução  que  os  tributos",  ou  seja,  para  dar  ao  tributo  e  à  multa  um  procedimento  comum  de  exigência,  o  que  não  significa  que  tributo  e  multa devam ser necessariamente submetidos às mesmas regras de direito material.  ­  Quando  o  CTN  refere­se  a  "crédito  tributário",  ora  se  refere  apenas  ao  tributo em si, ora se refere tanto ao tributo quanto à penalidade.   ­ A exemplo do que ocorre no artigo 157 do Código, no qual nitidamente o  "crédito tributário" exclui a penalidade, temos no caput do artigo 161 uma clara distinção entre  o "crédito" mencionado no seu início, o qual é acrescido de juros de mora, e as "penalidades  cabíveis"  que  podem  ser  aplicadas  se  o  crédito  não  for  pago  no  vencimento  e  que  não  são  prejudicadas pela incidência dos juros de mora.  ­  Da  mesma  forma  que  no  caput  do  artigo  161,  no  seu  §  2°  o  "crédito"  também significa apenas o tributo, pois, quando se afirma que "o disposto neste artigo não se  aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento  do crédito", pretende­se dizer, inequivocamente, que "o disposto neste artigo não se aplica na  pendência  de  consulta  formulada  pelo  devedor  dentro  do  prazo  legal  para  pagamento  do  tributo".  ­  O  CTN  em  lugar  algum  justifica  a  incidência  de  juros  moratórios  sobre  multa de ofício; pelo contrário, o seu artigo 161 ao tratar de forma separada o crédito tributário  e  a multa  implicitamente  exclui  tal  incidência,  que  também  não  é  amparada  pela  legislação  ordinária federal.  V.2 ­ A legislação ordinária federal não ampara a incidência de juros de mora  sobre multa de ofício  ­ Diversamente  do  defendido  pela  decisão  recorrida,  os  artigos  43  e  61  do  CTN (sic) não justificam a incidência de juros de mora sobre multa de ofício.  V.2.1 ­ O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 não justifica a incidência de juros de  mora sobre multa de ofício  Fl. 27381DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     28 ­ Nem o art. 43 da Lei n° 9.430/96,  tampouco o art. 44 do mesmo diploma  legal,  autorizam  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  multa  de  ofício,  sendo  patente  sua  ilegalidade ante à falta de fundamento legal para sua exigência.  V.2.2 ­ O artigo 43 (sic) da Lei nº 9.430/96 também não justifica a incidência  de juros de mora sobre a multa de ofício  ­ Nem se diga que a exigência de  juros de mora sobre multa de ofício  teria  fundamento no art. 61 da Lei n° 9.430/96, como fez a decisão recorrida, já que tal artigo regula  os acréscimos moratórios, e não a multa de oficio, como já decidiu o STJ (Ag Reg no RESP  868.847/RS).  ­  Seja  por  um  enfoque  literal,  teleológico  ou  sistemático,  a  única  interpretação possível do  artigo 61 da Lei n° 9.430/96 é  aquela que  autoriza  a  incidência de  juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício  lançada, até porque referido artigo está a disciplinar os acréscimos moratórios incidentes sobre  os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento.  Ao  final,  requer  que  seja  provido  o  recurso  para  se  reconhecer  a  insubsistência do Auto de Infração.  Das contrarrazões apresentadas pela PFN  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  (PFN)  apresentou  contrarrazões  (fls.  27.203 a 27.244), com as seguintes alegações, em resumo:  1. Dos fatos  ­ Sintetiza os fatos relacionados com a lide.  2. Das razões para manutenção da decisão de primeira instância  2.1.  Da  preliminar  de  inovação  nos  fundamentos  do  lançamento  pela  autoridade julgadora  ­  O  próprio  recurso  voluntário  já  traz  a  irretorquível  constatação  da  DRJ  sobre o assunto, de que a divergência de conceitos entre embarcação e plataforma foi  trazida  pela  autoridade  fiscal  como  mais  um  argumento  para  a  incidência  do  IRRF  sobre  os  pagamentos remetidos. Ainda que não existisse a identificada artificialidade na bipartição dos  contratos,  o  IRRF  seria  devido  já  que  as  remessas  estariam  a  remunerar  afretamento  de  plataforma, hipótese não abarcada pelo art. 691 do RIR/99.  ­  O  argumento  subsidiário  apontado  pela  fiscalização  de  maneira  alguma  contraria o fundamento principal, como pretende supor a Recorrente. Tanto na procedência de  um como de outro argumento, a consequência jurídica será exatamente a mesma: incidência do  IRRF sobre os valores remetidos.  ­  O  fato  de  a  procedência  do  argumento  principal  levar  a  desdobramentos  sobre outros tributos (como a CIDE) que o argumento subsidiário não enseja, não implica em  qualquer contradição ou incompatibilidade.  ­ A possibilidade de julgamentos divergentes em relação ao IRRF e à CIDE é  apenas  por  questões  processuais  relativas  à  distribuição  das  competências  de  julgamento  no  Fl. 27382DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.369          29 CARF,  jamais  por  suposta  incompatibilidade  entre  argumento  principal  e  subsidiário  do  lançamento do IRRF.  2.2  ­  Da  prestação  de  serviços  de  sondagem,  perfuração  e  exploração  de  poços de petróleo. Inexistência de contrato de afretamento autônomo. Repartição de contratos  meramente formal.  ­  A  atividade  de  sondagem,  perfuração  ou  exploração  de  poços  foi  artificialmente  bipartida  em  dois  contratos,  um  de  afretamento,  com  empresa  estrangeira,  e  outro  de  prestação  de  serviços,  com  empresa  brasileira  pertencente  ao  mesmo  grupo  da  fretadora.   ­ A maior parte do preço pago pela Petrobrás é atribuída ao afretamento da  unidade  e  destinada  ao  exterior,  sem  retenção  de  IRFonte  e  sem  recolhimento  de  CIDE,  enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços, paga no Brasil e tributada na fonte. O  contrato  de  afretamento  envolve  90% da  soma  dos  dois  contratos  firmados,  enquanto  que  o  negócio jurídico com a empresa sediada no Brasil prevê o pagamento do restante (10%).  ­  Em  que  pese  a  repartição  formal  dos  contratos,  na  verdade,  não  existe  afretamento autônomo. A única contratação existente é de pesquisa e exploração de petróleo e  gás,  sendo  o  fornecimento  da  unidade  apenas  parte  integrante  e  instrumental  dos  serviços  contratados.  ­ As  empresas  contratadas  –  a  estrangeira  e  a  brasileira  –  pertencem  a  um  mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do know­how da prestação de serviços,  desempenhando de forma conjunta e solidária as atividades formalmente contratadas de forma  segregada.  Logo,  os  valores  pagos  às  empresas  estrangeiras  a  título  de  afretamento  correspondem, de fato, à  remuneração pela prestação de serviços  técnicos e assim devem ser  tributados.  ­  Conforme  concluiu  a  Fiscalização,  após  analisar  cada  contrato  de  afretamento  e  de  prestação  de  serviços,  a  segregação  em  dois  contratos  objetivou  apenas  reduzir a tributação, pois a recorrente entendeu, erroneamente, fazer jus à alíquota zero de IR­ Fonte para as remessas ao exterior decorrentes de afretamento de plataforma, além de deixar de  recolher a CIDE.  ­  Exemplificativamente  são  analisados  alguns  contratos  identificados  pelo  nome  da  unidade  (plataforma),  para  demonstrar  a  regularidade  da  conclusão  da  autoridade  fiscal:  STENA  DRILLMAX  I  (p.  47  do  relatório  fiscal)  e  BLUE  SHARK  (p.  111  do  relatório fiscal), os quais denotam uma plena vinculação entre os contratos de afretamento e de  prestação de serviços, com execução simultânea e a rescisão de um é base para a rescisão do  outro.  ­  O  TVF  analisa  o  fornecimento  de  cada  uma  das  plataformas.  Além  das  características já apontadas, comum à maioria das contratações, ainda há outras, como:  ­ período de medição do afretamento  idêntico ao adotado para medição dos  serviços;  ­ previsão contratual de  taxas que reduzem a remuneração, condicionando à  produtividade,  e  não  pro  rata  tempore:  Taxa  de  stand  by;  Taxa  de  força  maior;  Taxa  de  Fl. 27383DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     30 execução  reduzida;  Taxa  de  falha;  Taxa  de  provisão  de  remediação  e  Taxa  de  provisão  de  remediação;  ­  contrato  de  prestação  de  serviço  prevendo  a  responsabilidade  solidária  da  fretadora caso ocorra despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar;  ­ fretadora figurando como co­segurada em seguro de responsabilidade civil  firmado pela prestadora de serviços.  ­  contrato  de  afretamento  estipulando  que  a  fretadora  deverá  fornecer  à  Petrobrás folha de pagamento de seus empregados que estiverem envolvidos na prestação dos  serviços contratados.  ­ Em alguns contratos, a confusão entre afretamento e prestação de serviços é  ainda maior. No caso da unidade Deep Water Navigator (fls. 103 e 104 do relatório fiscal), a  Fiscalização identificou cláusula no contrato de afretamento no qual a fretadora era responsável  pela  elaboração  de  ADO  –  atestado  diário  de  operações,  conforme  instruções  contidas  no  contrato  de  prestação  de  serviços.  Em  outra  cláusula  do  contrato  de  afretamento  existia  previsão de multa de 20% sobre a taxa diária de operação, no caso de não­atendimento ao item  1.8 do anexo IV do contrato de prestação de serviços.  ­ Em  suma,  os  diversos  elementos  apontados  pela  fiscalização  demonstram  que  os  contratos  de  afretamento  e  prestação  de  serviços  se  confundiam,  razão  pela  qual  a  contratação  envolvia  uma  única  atividade  de  pesquisa  e  exploração  de  petróleo/gás,  desenvolvida por um grupo econômico.  ­  Os  pagamentos  realizados  à  empresa  estrangeira  não  podem  ser  considerados como contraprestação a simples afretamento, mas sim remuneração da prestação  de serviços técnicos, especificamente, de pesquisa e exploração de petróleo e gás.  ­  A  bipartição  da  atividade  em  contratos  distintos  ocorreu  no  interesse  da  Petrobrás,  apenas  para  diminuir  a  tributação  incidente  sobre  os  pagamentos,  o  que  é  confirmado pelo percentual de pagamentos realizados em razão de cada um dos contratos. O  afretamento foi beneficiado com 90% dos pagamentos, enquanto que a prestação de serviços  ficou com apenas 10%.  ­  O  serviço  prestado  envolvia  uma  gama  de  operações  complexas,  com  equipamentos de tecnologia específica para exploração em alto mar, com profundidade de até  7.000  metros,  envolvendo  não  apenas  equipamentos  de  valor  elevado,  mas  também  sua  manutenção e pessoal especializado para prestar os serviços contratados, tornando evidente que  os 10% destinados à atividade de exploração de petróleo e gás era insuficiente para cobrir os  custos decorrentes de tal operação.  2.2.1. Da defesa da Recorrente  ­ A Recorrente assume que os contratos são coligados, o que não interfere na  autonomia e individualidade deles. Afirma, também, que o afretamento é contrato típico e que  a Fiscalização não poderia invadir a forma e substância de tais negócios jurídicos, sob pena de  violação  aos  artigos  109  e  110  do  CTN.  Por  fim,  diz  que  o  entendimento  da  fiscalização  implica em inaceitável ingerência em sua liberdade de contratar e de organização dos negócios,  violando o artigo 170 da CF/88.   ­ No entanto, o que restou demonstrado é que, na realidade, não existiu essa  forma  de  contratação,  mas  sim  uma  única  prestação  de  serviços  realizada  pelo  grupo  Fl. 27384DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.370          31 econômico,  formalmente  repartida  em dois  contratos  para  reduzir  a  carga  tributária,  sendo o  fornecimento da plataforma apenas meio para alcançar a verdadeira atividade pretendida pela  Petrobrás. Nesse caso, não se trata de invadir a liberdade negocial, mas de definir a verdadeira  natureza dos pagamentos realizados para a empresa no exterior, no intuito de imputar os efeitos  tributários previstos em lei.  ­  A  Recorrente  pretende  que  a  fiscalização  fique  restrita  a  uma  análise  meramente formal dos contratos realizados, sem investigar a operação econômica subjacente,  que é a essência do negócio jurídico.  ­ Ainda que formalmente tenha a Recorrente repartido a prestação de serviço  em  dois  contratos  distintos,  as  provas  trazidas  pela  Fiscalização  mostram  uma  realidade  diferente, na qual o fornecimento da plataforma não se revelou uma contratação autônoma, ao  contrário,  ela  apenas  ocorreu  como  meio  e  instrumento  necessário  para  a  atividade  de  exploração de petróleo e gás,  tanto que os contratos alegadamente autônomos se confundiam  em diversas cláusulas.  ­ Também não  assiste  razão à Recorrente quando  se  insurge  em  relação ao  fato de se ter tributado a totalidade do preço pago, ao invés de ter procedido ao arbitramento do  que seria prestação de serviços e o que seria afretamento, pois se concluiu que o afretamento é  parte  integrante  e  indissociável  do  serviço.  Não  há  afretamento  pela  Petrobrás,  mas  a  contratação de um serviço que exige a utilização de uma plataforma por parte do prestador do  serviço, havendo um único contrato de prestação de serviços, formalmente bipartido em dois.  Assim, não há que se falar em arbitramento do valor referente ao afretamento.  ­  Essa  questão  foi  enfrentada  com  notável  discernimento  pela  3ª  TO  da  4ª  Câmara da 3ª Seção de julgamento desse CARF, no processo 16682.721162/2012­35, que tinha  como sujeito passivo a mesma Petrobrás e como fatos apurados contratos da mesma natureza.  ­ Transcreve trechos do voto condutor da referida decisão.  2.3. Das  remessas  feitas a países  signatários de  tratados para evitar  a dupla  tributação  ­ Os acordos internacionais para evitar a dupla tributação trazem em sua parte  final  protocolos  adicionais,  que  constituem  parte  integrante  da  respectiva  Convenção  e  consagra  entendimentos  complementares,  acertados  entre  as  nações  contratantes,  visando  à  melhor aplicação e compreensão dos termos do tratado.  ­ Tome­se, como exemplo, o caso da Convenção firmada entre Brasil e Países  Baixos,  já que este é o país que concentra o maior número de contratos referentes à presente  autuação.  O  Protocolo  Adicional  ao  referido  tratado,  o  qual  foi  devidamente  integrado  ao  Decreto  de  sua  promulgação,  dispõe  em  seu  item  5  que  se  consideram  royalties  qualquer  espécie de pagamento recebido em contraprestação de serviços e assistência técnica.  ­  Note­se  que  na  estrutura  da  Convenção  Modelo  da  OCDE  não  está  discriminado o rendimento proveniente da prestação de serviços técnicos e assistência técnica.  Assim, como forma de assegurar ao Brasil o direito de tributar esses rendimentos e, ao mesmo  tempo, não “romper” a estrutura do modelo da OCDE, buscou­se como solução incorporar, por  meio do protocolo adicional, os rendimentos de serviços técnicos no artigo 12 (royalties), cujo  parágrafo 2º permite a tributação no país da fonte.   Fl. 27385DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     32 ­  Tal  enquadramento  visou  basicamente  equiparar  o  tratamento  dos  rendimentos pela prestação de serviços a um determinado artigo presente nas convenções, não  significando dizer que o Brasil  está ampliando o conceito de  royalties presente na  legislação  interna do País.  ­ No presente caso, resta claro que os serviços contratados pela autuada são  constituídos  de  atividades  altamente  complexas,  envolvendo  conhecimentos  específicos  e  de  indubitável caráter técnico, tratando­se de serviços e assistência técnicos.  ­ Nada  há  nos  tratados  de  dupla  tributação  que  se  oponha  à  tributação  das  remessas  em  questão  pelo  IRRF,  à  alíquota  de  15%,  porquanto  os  rendimentos  referentes  a  serviços e assistência técnicos são classificados no artigo 12 das convenções, e não no artigo  7º.  2.4 Das remessas feitas a paraíso fiscais  ­ A Recorrente alega que revogação do Ato Declaratório SRF n.º 8/99 pela  IN SRF 252/02 seria impossível, formal e materialmente.   ­  Tais  alegações  da  Recorrente  somente  devem  ser  apreciadas  caso  seja  superada  a  tese  principal  da  autuação  de  que  se  trata  de  prestação  de  serviços  e  não  afretamento.  ­ Mesmo se prevalecer a  tese de que as operações  tratam de afretamento de  plataformas, tais argumentos devem ser rechaçados.  ­  É  infundada  a  distinção  que  a  recorrente  busca  fazer,  de  que  o  ato  declaratório  se  volta  para  o  passado  e  a  instrução  normativa  para  o  futuro.  Tanto  o  Ato  Declaratório em questão, quanto a Instrução Normativa, se prestam à mesma função, qual seja,  manifestar o entendimento da Administração Tributária sobre a legislação tributária.  ­  Quanto  à  suposta  impossibilidade  formal  de  revogação  do  AD  8/99,  fundada  nas  disposições  da  Portaria  SRF  1/2001,  é  de  se  destacar  que  a  referida  Portaria  é  norma  interna,  pela  qual  a  autoridade  máxima  da  Receita  Federal  tão  somente  transmite  instruções  a  seus  subordinados  no  processo  de  elaboração  dos  documentos  internos  da  instituição,  mas  ela  não  cria  norma  de  competência  ou  hierarquia  entre  atos,  muito  menos  hipótese de nulidade ou invalidade.  ­ A eventual inobservância formal destas normas técnicas, por parte daqueles  a quem elas se dirigem (legisladores e autoridades da SRF), por si só, não retira a juridicidade  dos atos produzidos com o devido respeito às normas de competência.  ­  No  presente  caso,  a  mesma  autoridade  que  editou  o  Ato  Declaratório,  a  autoridade máxima  da Receita  Federal  do Brasil,  determinou  sua  revogação,  expressamente,  sem margem a qualquer  resquício de dúvidas, não tendo cabimento a pretensão da recorrente  de emprestar validade ao Ato Declaratório 8/99 até os dias atuais.  ­  A  utilização  da  expressão  “sem  interrupção  de  sua  força  normativa”  significa que, para os fatos geradores ocorridos durante sua vigência, e decorrentes de contratos  firmados  até  31/12/1998,  não  se  aplica  o  disposto  no  artigo  8º  da  Lei  nº  9.779/99.  Exemplificando, caso o lançamento abarcasse fatos geradores de 29/01/1999 até 03/12/2002, e  se tratasse de remuneração de afretamento de embarcações, mesmo na hipótese de beneficiário  com sede em paraíso fiscal, a alíquota seria zero.  Fl. 27386DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.371          33 2.5.  Ainda  que  afretamento  fosse  ­  a  alíquota  aplicável  ao  afretamento  de  plataformas  ­ Ainda que não restasse caracterizada a bipartição formal do contrato que na  realidade  tem  a  natureza  de  uma  única  prestação  de  serviços,  a  tributação  pelo  IRRF  seria  mesmo assim devida na alíquota de 15%, pois as plataformas afretadas pela recorrente não se  enquadram no conceito de embarcação para fins da alíquota zero prevista na Lei 9.481/97.  ­  Com  a  edição  da  Lei  9.537/97,  o  legislador  federal  ordinário  deu  conceituação  jurídica  a  um  relevante  rol  de  objetos  relacionados  à  navegação  em  território  nacional,  não  podendo  as  normas  infralegais  e  os  julgados  anteriores  a  esta  lei  ser  simplesmente transpostos ao caso em apreço, devido ao novo panorama legislativo.  ­ Não existe consenso absoluto quanto ao que seja embarcação “na linguagem  corrente”  pretendida  pela  recorrente  para  conceituar  o  termo.  Três  das  quatro  definições  obtidas de dicionários trazidas pelo recurso voluntário mencionam a destinação, o objetivo, isto  é,  a  finalidade  de  navegar  como  elemento  da  definição,  e  não  meramente  “capacidade”  de  navegar,  como  afirma  a  recorrente.  Acrescente­se  a  definição  do  dicionário  eletrônico  HOUAISS, que não destoa das demais.  ­ O artigo 1º da Lei 9.481/97, que reduziu a zero a alíquota do IRRF incidente  sobre determinadas operações, não cuidou de delimitar o conceito de embarcação, para fins do  benefício tributário concedido.  ­ Na  forma de  lei  em  sentido  estrito,  há  apenas  a  definição  contida  na  Lei  9.537/97, que  regulamenta  a  segurança do  tráfego aquaviário,  que definiu  embarcação como  "qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita  a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou  não,  transportando  pessoas  ou  cargas";  e  plataforma  como  "instalação  ou  estrutura,  fixa  ou  flutuante,  destinada  às  atividades  direta  ou  indiretamente  relacionadas  com  a  pesquisa,  exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do  mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo".  ­  À  luz  da  lei,  os  bens  objeto  de  afretamento  se  caracterizariam  como  plataformas, e não embarcações e, sob esta ótica, não fariam jus à alíquota zero.   ­  Para  se  caracterizar  uma  embarcação,  nos  termos  da  Lei  9.537/97,  é  imprescindível que seja destinada ao transporte de cargas ou pessoas – mesmo quando se trate  de plataforma  flutuante. Quando se destina, precipuamente, às atividades  relacionadas com a  pesquisa, exploração ou explotação, o bem se caracteriza como plataforma stricto sensu.  ­  Diante  de múltiplas  possibilidades  de  conceituação  de  um  termo  legal,  é  essencial perquirir o escopo da norma que o veicula, a fim de se concluir pela definição que  melhor atende à finalidade por ela pretendida.  ­ A mesma conclusão se pode extrair da classificação dos bens em discussão  segundo  o  Sistema Harmonizado  de Designação  e Codificação  de Mercadorias  (SH). Nesse  sentido, vê­se que o capítulo 89 da NCM contempla, além de embarcações, outras estruturas  flutuantes.  ­ Descreve o quadro NCM do capítulo 89.  Fl. 27387DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     34 ­  Sob  a  ótica  da  NCM  e  do  art.  1º  da  IN  SRF  nº  844,  que  cuida  do  REPETRO,  os  bens  afretados  seriam  enquadrados  de  maneira  mais  específica  na  posição  89.05.20, enquanto plataformas de exploração, destinadas a pesquisas sísmicas para a indústria  de petróleo e gás.  ­  Considerando  que  o  conceito  de  embarcação  como  sendo  uma  estrutura  flutuante destinada  ao  transporte de pessoas  e/ou  carga  é mais  adequado  à  finalidade que  se  depreende  do  art.  1º,  inciso  I,  da  Lei  9.481/97,  conclui­se  que  os  rendimentos  dos  bens  afretados/alugados pela autuada não estão submetidos à alíquota zero, por não corresponderem  a embarcação.  ­  Nesse  sentido  o  Acórdão  nº  106­14.432,  do  Conselho  de  Contribuintes.  Transcreve trecho do voto condutor.   ­ O referido acórdão foi confirmado recentemente (17/08/2012) em sentença  proferida  pela  29ª  Vara  Federal  do  Rio  de  Janeiro,  nos  autos  do  processo  n.º  0002887­ 65.2012.4.02.5101 (2012.51.01.002887­0).  ­ Esse mesmo assunto  foi  recentemente apreciado pela  egrégia 3ª TO da 4ª  Câmara da 3ª Seção do CARF, no  já citado acórdão 3403­002.702. Reproduz  trecho do voto  vencedor.  2.6 ­ Dos juros sobre a multa de mora  ­  Afastar  a  incidência  de  juros  moratórios  sobre  as  multas  de  ofício  seria  frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam multa de ofício, posto que  o prazo necessário à conclusão do processo administrativo, somado ao tempo de uma posterior  fase  judicial  acabariam  por  aniquilar  o  impacto  punitivo  ou  educativo  da  multa,  dada  a  corrosão pela inflação.   ­ Não  é  lógico  que valor  do  tributo  sofra  a  incidência  de  juros moratórios,  enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo  (crédito tributário).  ­ Transcreve julgado do TRF da 4ª Região nesse entendimento.  ­ Cita julgados do STJ, dos TRFs e do CARF.  ­ A Súmula nº 4 do CARF corrobora esses argumentos, na medida em que  fala genericamente em débitos tributários.  Ao final, a PFN requer que seja negado provimento ao recurso, mantendo­se  o lançamento fiscal.  É o relatório.  Fl. 27388DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.372          35 Voto             Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator  O presente recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos de  admissibilidade  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal.  Portanto,  deve ser conhecido por esta Turma de Julgamento.  Conforme  relatado,  a  controvérsia  limita­se  à  legitimidade  da  remessa  de  valores para o exterior, a título de afretamento de plataformas, navios e sondas para pesquisa e  exploração de petróleo e gás, sem o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte.  Preliminar  A  Recorrente  suscita  a  nulidade  da  decisão  recorrida,  alegando  que  ela  alterou  os  critérios  jurídicos  do  lançamento,  ao  manter  o  auto  de  infração  também  pelo  fundamento de que "plataforma não é embarcação, não cabendo a aplicação do artigo 691 do  RIR/99".  Aduz  que  a  autoridade  fiscal  não  incluiu  essa  tese  como  fundamento  do  lançamento, a qual é incompatível com o próprio lançamento, que abrangeu também a CIDE.  Afirma  que  a  CIDE  só  poderia  ter  sido  exigida  sobre  remessas  relativas  à  prestação  de  serviços  técnicos,  mas  jamais  sobre  valores  referentes  ao  pagamento  pelo  arrendamento  de  plataformas. Assim,  tendo  o  Fiscal  exigido  a  CIDE  sobre  a  totalidade  dos  valores  remetidos  pela  Recorrente  ao  arrendador  estrangeiro,  ele  entendeu  que  o  referido  afretamento seria, na verdade, prestação de serviços técnicos, não podendo aplicar o argumento  subsidiário, por ser incompatível com o principal.  Embora a  autoridade  fiscal  tenha  feito  referência  à  tese de que plataformas  não  são  embarcações  e,  portanto,  as  remessas  ao  exterior  a  título  de  afretamento  desses  equipamentos  não  estariam  abarcadas  pelo  art.  691  do RIR/99,  ela  a  abordou  no  item  3  do  Termo de Verificação Fiscal (TVF), quando fez um relato de fiscalizações anteriores relativas à  empresa  ora  recorrente  e  às  suas  contratadas.  Em  nenhum  momento  a  autoridade  autuante  mencionou esse argumento como fundamento adicional para a incidência do tributo.   Pela  leitura do Termo de Verificação Fiscal  (TVF) de  fls. 26.547 a 26.667,  verifica­se  que  somente  foram  objeto  da  autuação  as  remessas  ao  exterior  cujo  contrato  de  afretamento possuía um contrato de prestação de serviços vinculado.  Observa­se  que  as  remessas  relativas  aos  contratos  referentes  aos  equipamentos de nºs 014 a 020, 043, 044, 088, 090, 092 a 113 e 145 não foram tributadas, sob  a  justificativa  de  que  não  havia  vinculação  com  contratos  de  prestação  de  serviços,  evidenciando  que  o  critério  de  o  equipamento  ser  ou  não  considerado  embarcação  não  foi  utilizado na  autuação, mas  tão  somente o  fato da ocorrência de uma bipartição  artificial  dos  contratos.  Fl. 27389DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     36 A  autoridade  fiscal  assim  justificou  a  não  tributação  de  algumas  das  remessas:  001 ­ 013 ­ A.P. MOLLER A/S ­ MAERSK A/S  Conjunto de contratos firmados entre a fiscalizada e a empresa A.P. MOLLER A/S ­ MAERSK A/S. Todas as embarcações deste grupo foram afretadas para as  tarefas  de Reboque, Manuseio de âncoras e Suprimento, nas operações de pesquisa e lavra  de  hidrocarbonetos.  Como  se  trata  de  atividades  eminentemente  de  transporte  de  carga, classificamos tais contratos de "Apoio Marítimo", conforme definido na Lei  9.432/97. Segundo esta, pode­se afretar a embarcação  inclusive com a  tripulação.  Assim,  concluímos  que  não  houve  ilícitos  tributários  nos  pagamentos  ao  exterior  referentes a estes contratos.  014  ­  ACERGY  M.S.  LIMITED  ­  AFRET.  EMBARCAÇÕES  E  EXECUÇÃO  DOS SERVIÇOS DETALHAMENTO PROJETO  Embarcações contratadas para instalação de gasoduto, sem contratos de prestação  de serviços vinculado ao contrato de afretamento.  015  ­ AGRI DEVELOPMENT B.V. ­ PLATAFORMA P­50  Afretamento da unidade P­50, junto a Agri Development, a  fim de ser utilizada na  produção de petróleo e/ou gás natural. Não há contrato de prestação de serviço de  terceiros atrelado ao contrato de afretamento.  016  ­  BARRACUDA  &  CARATINGA  LEASING  COMPANY  ­  FLUTUANTES  DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO P­43 E P­48  Afretamento  da  unidade  P­43  e  P­48,  junto  a  BARRACUDA  &  CARATINGA  LEASING  COMPANY,  a  fim  de  ser  utilizada  na  produção  de  petróleo  e/ou  gás  natural. Não há contrato de prestação de serviço de terceiros atrelado ao contrato  de afretamento.  017  ­ BRASPETRO OIL SERVICE COMPANY­ BRASOIL. ­ PLATAFORMA P­ 37  Afretamento da unidade P­37, junto a Braspetro, a fim de ser utilizada na produção  de petróleo e/ou gás natural. Não há contrato de prestação de serviço de terceiros  atrelado ao contrato de afretamento.  018 ­ BRASPETRO OIL SERVICE COMPANY­ BRASOIL. ­ PLATAFORMA P­ 38  Afretamento da unidade P­38, junto a Braspetro, a fim de ser utilizada na produção  de petróleo e/ou gás natural. Não há contrato de prestação de serviço de terceiros  atrelado ao contrato de afretamento.  019 ­ BRASPETRO OIL SERVICE COMPANY­ BRASOIL. ­ PLATAFORMA P­ 40  Afretamento da unidade P­40, junto a Braspetro, a fim de ser utilizada na produção  de petróleo e/ou gás natural. Não há contrato de prestação de serviço de terceiros  atrelado ao contrato de afretamento.  020 ­ BRASPETRO OIL SERVICE COMPANY­ BRASOIL. ­ PLATAFORMA P­ 23  Fl. 27390DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.373          37 Afretamento da unidade P­23, junto a Braspetro, a fim de ser utilizada na produção  de petróleo e/ou gás natural. Não há contrato de prestação de serviço de terceiros  atrelado ao contrato de afretamento.  [...]  043  ­  GLOBAL  INDUSTRIES  OFFSHORE,  LLC.  ­  AFRETAMENTO,  SERVIÇOS DETALHAMENTO PROJETO E PROJETO EXECUTIVO.  Embarcações  contratadas  para  instalação  de  dutos  submarinos,  sem  contratos  de  prestação de serviços vinculado ao contrato de afretamento.  044  ­  GLOBAL  NDUSTRIES  OFFSHORE,  LLC.  ­  AFRETAMENTO  DE  EMBARCAÇÃO  DE  MERGULHO  SATURADO  E  SERVIÇOS  DE  INTERVENÇÕES SUBMARINAS   Embarcações contratadas para serviço de intervenção submarina, sem contratos de  prestação de serviços vinculado ao contrato de afretamento.  [...]  092 ­ 113 ­ PETROBRAS NETHERLANDS B.V. ­ P­17, P­31, P­32, P­34, P­35,  P­47, P­51,P­52, P­54, P­06, P­07, P­09, P­08, P­10, P­12, P­14, P­19, P­15, P­16,  P­25, P­26, P­27  Contratação de  plataformas  junta  (sic) à PNBV  sem  contratação de  prestação  de  serviços  de  terceiros,  portanto  fora  do  escopo  do  atual  trabalho.  (destaques  do  original)  Assim, resta patente que o escopo do trabalho era a vinculação dos contratos  de afretamento com os contratos de prestação de serviços. Caso a Fiscalização entendesse que  caberia  a  tributação  das  remessas  também pelo  fato  de  que  as  plataformas  utilizadas  não  se  enquadrariam  no  conceito  de  embarcações,  não  haveria  razão  para  não  tributar  as  remessas  alusivas aos equipamentos acima descritos.  Ao concluir a análise de cada um dos contratos  sobre os quais decidiu pela  incidência  da  tributação,  a  autoridade  fiscal  menciona  as  seguintes  motivações:  a)  o  fornecimento  da  unidade  é  parte  integrante  e  indissociável  dos  serviços  contratados;  b)  a  unidade é fornecida por empresa do mesmo grupo da prestadora de serviço; c) trata­se de uma  só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência dos tributos. Note­se que  não foi apontada, em nenhum instante, a questão de que os equipamentos contratados não são  considerados embarcações.  Entretanto,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  da  decisão  a  quo,  pois  ela  se  manteria mesmo que não considerasse esse fundamento subsidiário de que plataformas não são  embarcações, tendo em vista que o julgamento foi baseado fundamentalmente no fato de que as  contratações eram dissimuladamente bipartidas em dois contratos, um de afretamento e outro  de serviços, não existindo fretamento autônomo, sendo este o principal eixo de sua sustentação,  o qual é suficiente para a manutenção do lançamento.  O  argumento  de  que  plataformas  não  estariam  abrangidas  no  conceito  de  embarcações  foi  adotado  pela  decisão  recorrida  como  adicional,  subsidiário.  Assim, mesmo  considerando que a decisão da DRJ inovou em relação a essa alegação, isso não seria motivo  para  a  sua  nulidade,  posto  que  o  argumento  principal  adotado  na  decisão,  qual  seja,  a  Fl. 27391DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     38 contratação artificialmente bipartida em dois contratos, é bastante, por si  só, para se concluir  pela procedência do Auto de Infração.  Mérito  Da bipartição dos contratos de afretamento e de prestação de serviços  A Recorrente  afirma  que  a  Fiscalização  desconsiderou  a  existência  de  dois  contratos  distintos  ­  afretamento  e  prestação  de  serviços  ­  firmados  também  com  pessoas  jurídicas distintas ­ uma situada no exterior e outra no Brasil ­ para considerar artificialmente  existir um único contrato.  Alega  que  mesmo  se  a  prestação  de  serviços  e  o  afretamento  das  embarcações  necessárias  à  sua  execução  tivessem  sido  firmados  num  único  instrumento  e  apenas  com  a  empresa  sediada  no  exterior,  teríamos  dois  contratos  distintos,  ou  contratos  coligados como os denomina a doutrina, um de prestação de serviços e outro de afretamento de  embarcação, cada um deles mantendo a sua individualidade e se sujeitando às regras tributárias  que lhes são próprias.  Afirma  que  a  contratação  de  parte  das  atividades  (no  caso  a  prestação  de  serviços)  com  empresa  nacional  e  de  outra  parte  (no  caso  o  afretamento)  com  empresa  estrangeira não tem nada de anormal, ilegal ou irregular.  Defende  que  os  questionamentos  da  Fiscalização  sobre  a  atribuição  de  até  90% do valor  total  da  licitação  ao  afretamento de embarcações  com  remessa para o  exterior  sem  IRRF  e  no  mínimo  10%  do  mesmo  valor  à  prestação  de  serviços  pago  no  País  com  incidência  de  IRRF  não  têm  razão  de  ser  e  jamais  poderiam  ser  invocados  para  justificar  a  desconsideração do contrato de afretamento com a empresa no exterior.  Assevera que os contratos de afretamento, tendo como partes o Fretador que  oferece a embarcação e o Afretador que a recebe, podem ser de várias modalidades, sendo as  mais  conhecidas  as  seguintes:  a)  afretamento  a  casco  nu,  b)  afretamento  a  tempo  e  c)  afretamento por viagem.  Argumenta que o contrato de afretamento pode ou não envolver prestação de  serviço  náutico  (gestão  náutica),  dependendo  da  modalidade  escolhida,  e  nem  por  isso  se  transforma em contrato de prestação de serviços.  Sustenta que o Fisco está alterando a forma e a substância de contratos típicos  de direito privado e com isso violando os artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional e o  artigo  170  da  CF/88,  porquanto  as  remessas  ao  exterior  em  pagamento  ao  afretamento  de  embarcações  jamais  poderiam  ser  consideradas  parte  do  preço  de  prestação  de  serviços,  que  sequer  precisaria  existir  caso  a  Recorrente  desenvolvesse  diretamente  as  atividades  para  as  quais as embarcações foram construídas.  Observa­se pelos autos que a autoridade fiscal analisou todos os documentos  relativos às contratações dos 162 equipamentos selecionados,  tendo concluído pela tributação  de  73  deles,  com  base  na  constatação  de  que  essas  contratações  referentes  a  prestação  de  serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, eram artificialmente bipartidas em  dois  contratos,  um  de  afretamento  e  outro  de  serviços,  tendo  de  um  lado  a  contratante  Petrobras, e de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuavam  em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária.   Fl. 27392DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.374          39 A  Fiscalização  afastou  da  tributação  as  remessas  ao  exterior  relativas  aos  contratos que ficaram devidamente caracterizados como de afretamento de equipamentos, sem  vinculação com contratos de prestação de serviços, tais como as referentes às unidades de nºs  001 a 020, 033 a 044, 048 a 079, 088, 090, 092 a 113 e 145.  Em  relação  às  73  contratações  que  foram  tributadas,  a  autoridade  fiscal  demonstrou  que  não  existia  afretamento  autônomo,  pois  o  contrato  de  prestação  de  serviços  continha  diversas  disposições  relativas  ao  fornecimento  da  unidade,  a  qual  era  apenas  parte  integrante e indissociável dos serviços contratados. Conforme descreve o Termo de Verificação  Fiscal, esses contratos possuem os seguintes aspectos comuns:  a)  contrato  de  afretamento  vinculado  ao  contrato  de  prestação  de  serviços,  assinado na mesma data com uma empresa brasileira do mesmo grupo econômico;  b)  rescisão  do  contrato  de  serviços  é  base  para  rescisão  do  contrato  de  afretamento;  c) solidariedade entre a contratada (fretadora) e a interveniente (prestadora de  serviços);  d) seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente (prestadora de  serviços) a fretadora como co­segurada;  e)  cláusulas  do  contrato  de  afretamento  prevêem  obrigações  relativas  à  prestação de serviços.  A  título exemplificativo,  sintetizo abaixo as conclusões da autoridade fiscal  em  relação  a  algumas  contratações,  que  demonstram  com  clareza  a  vinculação  entre  os  contratos de afretamento e de prestação de serviços:  Nº Referência  Equipamento  Conclusões da Fiscalização  021  Ocean Alliance  ­  Contrato  de  afretamento  firmado  com  a  Diamond  Offshore Drilling  é  vinculado  ao  contrato  de  prestação  de  serviços com a Brasdril, assinados na mesma data;  ­  a  fretadora  figura  como  co­segurada  em  seguro  de  responsabilidade  civil  firmado  pela  prestadora  de  serviços  Brasdril;  ­  no  contrato  de  afretamento,  a  Brasdril  assina  como  solidariamente responsável (cláusula 17.1);  ­  a  cláusula  9.2  do  contrato  de  afretamento  diz  que  a  responsabilidade, operação, movimentação e administração  da  unidade  ficarão  sob  controle  e  comando  exclusivo  da  fretadora ou seus prepostos;  ­ a rescisão do contrato de prestação de serviços é base para  a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.9);  ­  o  anexo V  do  contrato  de  afretamento  traz  a  relação  de  pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, estando  Fl. 27393DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     40 listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços  de  operação  da  unidade,  tais  como  Superintendente  de  Perfuração, Sondador, Assistente de Sondador etc.;  ­ a Brasdril é o braço da Diamond Offshore no Brasil.  032  Navio  Sonda  Peregrine I  ­ Contrato de afretamento declara­se vinculado ao contrato  de  prestação  de  serviços  assinado  na  mesma  data  entre  a  Petrobras e a interveniente;  ­ a rescisão do contrato prestação de serviços é base para a  rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.3);  ­  no  contrato  de  afretamento,  assina  como  solidariamente  responsável  com  a  fretadora,  a  interveniente  (cláusula  19.1);  ­  a  fretadora é  co­segurada em seguro de responsabilidade  civil  firmado  pela  interveniente  (prestadora  de  serviços),  conforme cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento;  ­  as  cláusulas  3.18.1  e  14.1.1  do  contrato  de  afretamento  prevêem que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros  resíduos no mar,  respondem conjuntamente a fretadora e a  interveniente (contratada para serviços de perfuração);  ­  a  cláusula  3.28  do  contrato  de  afretamento  prevê  que  a  operação  da  unidade  ficará  sob  o  controle  e  comando  exclusivo da fretadora ou seus prepostos;  ­  a  tripulação  deve  ser  fornecida  e mantida  pela  fretadora  (cláusulas  3.3.1,  3.3.2,  3.3.3  e  3.3.7  do  contrato  de  afretamento);  ­ a fretadora deve apresentar a certificação em controle de  poço de determinados profissionais (cláusula 3.3.6);  ­  o  anexo V  do  contrato  de  afretamento  traz  a  relação  de  pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, estando  listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços  de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de  Sondador, Torrista etc.;  ­  a  interveniente, ETESCO Construções  e Comércio Ltda.  detinha  100%  do  capital  da  fretadora  (ETESCO  Drilling  Company B.V.);  ­  pesquisa  no  site  da  ETESCO  Construções  e  Comércio  Ltda.  na  internet  revela  que  ela  opera  e  gerencia  o  navio­ sonda Peregrine I.  084  Noble  Leo  Segerius  ­  Os  contratos  de  afretamento  e  de  prestação  de  serviços  foram assinados na mesma data, prevendo o mesmo prazo;  ­  os  contratos  de  afretamento  e  de  prestação  de  serviços  declaram­se  vinculados  ao  mesmo  Convite  Petrobras  nº  187.8.042.01­9;  ­  os  contratos  de  afretamento  e  de  prestação  de  serviços  declaram­se  mutuamente  vinculados  (cláusula  16.1  no  Fl. 27394DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.375          41 contrato de afretamento e 15.1 no de prestação de serviços);  ­ a rescisão do contrato de prestação de serviços é base para  a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.9);  ­  no  contrato  de  afretamento  assina  como  interveniente  a  contratada  para  prestação  de  serviços.  No  contrato  de  prestação de serviços assina como interveniente a empresa  contratada para fornecer o afretamento;  ­  a  fretadora  e  a  prestadora  de  serviços  assinam  como  solidariamente  responsáveis,  pelas  obrigações  decorrentes  de  ambos  os  contratos  (cláusula  17.1  no  contrato  de  afretamento e 16.1 no de prestação de serviços);  ­  a  fretadora é  co­segurada em seguro de responsabilidade  civil  firmado  pela  interveniente  (prestadora  de  serviços),  conforme cláusula 3.15.1 do contrato de afretamento);  ­ a cláusula 3.6.2 do contrato de afretamento prevê que, no  caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar,  respondem  conjuntamente  a  fretadora  e  a  prestadora  de  serviços (cláusula 3.6.2 do contrato de afretamento e 3.21.2  do de prestação de serviços);  ­  a  tripulação  deve  ser  fornecida  e mantida  pela  fretadora  (cláusula 3.10 do contrato de afretamento);  ­  o  anexo V  do  contrato  de  afretamento  traz  a  relação  de  pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, estando  listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços  de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de  Sondador, Torrista etc.;  ­ a prestadora de serviços, Noble do Brasil, era controlada  pela fretadora Noble Drilling Holding LLC (99,99%).  89  Stena Drillmax I  ­ A fretadora no contrato de afretamento é interveniente no  contrato de prestação de serviços;  ­  consta  do  contrato  de  afretamento  determinação  de  que  este deve ser executado simultaneamente com o contrato de  prestação de serviços;  ­  a  rescisão,  suspensão  ou  força  maior  no  contrato  de  serviços  acarreta  a  rescisão,  suspensão  ou  força  maior  no  contrato de afretamento  (cláusula 7.5,  tanto no contrato de  afretamento como no de prestação de serviços);  ­  a  cláusula  4.12.3  do  contrato  de  afretamento  diz  que  a  medição do afretamento se dará por meio de Relatórios de  Medição assinados por ambas as partes;   ­ a cláusula 4.12.4 do contrato de serviços também prevê a  medição dos serviços por meio de Relatórios de Medição;  ­ o período de medição do afretamento é o mesmo adotado  Fl. 27395DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     42 para a medição dos serviços;  ­  a  cláusula  4.12.1.m)  (ii)  do  contrato  de  prestação  de  serviços  diz  que,  caso  a  Petrobras  deixe  de  pagar  pelos  serviços prestados, a prestadora poderá retirar a plataforma,  pondo fim ao contrato;  ­ a cláusula 7.1.3.d) do contrato de prestação de serviços diz  que,  finda  a  execução  dos  serviços,  a  Petrobras  deverá  devolver a plataforma no estado em que a  recebeu, com o  desgaste natural;  ­  a  cláusula  11.5  do  contrato  de  prestação  de  serviços  dispõe  sobre  "ÔNUS  SOBRE  EQUIPAMENTO  DA  CONTRATADA",  e  diz  que  a  contratada  (STENA)  "se  compromete  a  não  criar  ou  praticar  qualquer  ato,  compromisso  ou  coisa  que  resulte  na  criação  de  qualquer  ônus  sobre  o  EQUIPAMENTO  DA  CONTRATADA,  impedindo  (ou  que  possa  de  qualquer  forma  impedir)  a  CONTRATADA  de  desempenhar  os  SERVIÇOS  diligentemente e de acordo com este CONTRATO e/ou que  possa  ferir  o  exercício  apropriado  pela  COMPANHIA  de  seus  direitos  sob  as  disposições  de  penhora  por  erro  da  CONTRATADA.  Para  que  se  evitem  dúvidas,  o  indicado  acima não  impede a CONTRATADA ou qualquer de  suas  AFILIADAS  de  oferecer  garantias  a  respeito  da  PLATAFORMA  com  relação  a  financiamento  no  curso  normal dos negócios.". Ou seja, disposições do contrato de  prestação  de  serviços  tratam  do  regular  fornecimento  da  plataforma, inclusive sobre garantias;  ­ A STENA  INTERNATIONAL S.A.R.L.,  proprietária  da  unidade, detinha 99% do capital  da prestadora de  serviços  STENA SERVICES BRASIL LTDA. no de ano 2009.   155  Deepwater  Navigator   ­ Fretadora: Transocean UL Limited;  ­ prestadora de serviços: Transocean Brasil Ltda.;  ­ o contrato de afretamento declara­se vinculado ao contrato  de prestação de serviços, assinados na mesma data;  ­  conforme  a  cláusula  3.2.8  do  contrato  de  afretamento,  a  fretadora  deve  elaborar  Atestado  Diário  de  Operações  ­  ADO ­  segundo  instruções contidas no  item 1.7 do Anexo  IV do contrato de prestação de serviços. A cláusula seguinte  determina que este documento terá quatro vias, sendo duas  para a Petrobras e as outras duas para a contratada, isto é, a  fretadora;  ­ a cláusula 9.3.4 do contrato de afretamento prevê multa de  20%  sobre  a  taxa  diária  de  operação  no  caso  de  não­ atendimento  ao  item  1.8  do  Anexo  IV  do  contrato  de  prestação de serviços;  ­ a rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do  contrato  de  afretamento  (cláusula  11.1.13  do  contrato  de  afretamento);  Fl. 27396DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.376          43 ­ a cláusula 14.1.1 do contrato de afretamento prevê que, no  caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar,  respondem  conjuntamente  a  fretadora  e  a  interveniente  (contratada para os serviços de perfuração);  ­  a  fretadora  figura  como  co­segurada  em  seguro  de  responsabilidade  civil  firmado  pela  prestadora  de  serviços  (cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento);  ­ o site do grupo Transocean contém lista da sua frota, em  que  consta  a  DEEPWATER  NAVIGATOR,  a  serviço  no  Brasil  e  traz  os  endereços  dos  escritórios  da  empresa  em  todo  o  mundo,  entre  os  quais  figura  o  endereço  da  Transocean Brasil.  161  Blue Shark  ­ Originalmente, o contrato se  intitulava "de afretamento e  prestação de serviços", formato este definido no Convite da  PETROBRAS;  ­ o Adendo E do referido Convite previa a divisão do valor  do  contrato  em  duas  parcelas,  a  primeira  de  90%,  em  dólares americanos, a ser depositada em conta da contratada  no exterior, e a segunda de 10%, em reais, a ser depositada  em  conta­corrente  nacional,  em  favor  de  representante  da  contratada  no  país.  A  partir  do  Aditivo  5,  assinado  em  01/09/2006, o contrato passou a ser apenas de serviços, com  novos  valores,  transferindo­se  o  afretamento  para  contrato  em separado;  ­ o contrato de afretamento foi assinado na mesma data do  Aditivo  5  do  contrato  de  serviços,  prevendo  ambos  o  mesmo prazo;  ­ O contrato de prestação de serviços atribui às contratadas  obrigações de ARMAÇÃO DA EMBARCAÇÃO, devendo  estas  fornecer  a  tripulação,  operar  a  unidade  e  regularizar  sua  permanência  no  Brasil,  obtendo  avais  e  fianças  (cláusula  3.2  do Aditivo  5).  Tais  atribuições  normalmente  recairiam sobre o fretador, em contratos de afretamento por  tempo, como é este caso;  ­ a rescisão do contrato de prestação de serviços é base para  a rescisão do contrato de afretamento (cláusulas 2.3 e 13.6.3  do contrato de afretamento);  ­  a  prorrogação  do  contrato  de  prestação  de  serviços  acarretou  idêntica  prorrogação  no  contrato  de  afretamento  (aditivo  7  do  contrato  de  serviços  e  aditivo  2  do  afretamento);  ­  a  fretadora  e  a  prestadora  de  serviços  assinam  como  solidariamente  responsáveis,  pelas  obrigações  decorrentes  de  ambos  os  contratos  (cláusula  29.1  no  contrato  de  afretamento e 23.1 do aditivo 5 do contrato de prestação de  Fl. 27397DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     44 serviços);  ­  a  cláusula  6.1  do  contrato  de  afretamento  diz  que  a  medição do afretamento se dará por meio de Relatórios de  Medição assinados por ambas as partes. A cláusula 7.1 do  contrato  de  serviços  (Aditivo  5)  também prevê  a medição  dos serviços por meio de Relatórios de Medição;  ­ o período de medição do afretamento é o mesmo adotado  para a medição dos serviços;  ­  a  prestadora  de  serviços  BJ  Services  do  Brasil  era  controlada  pela  BJ  Services  International  S.A.R.L,  fornecedora da unidade.   Pelo exposto,  resta evidente que os contratos de afretamento e de prestação  de serviços se confundiam e, portanto, devem ser considerados como únicos, correspondentes à  prestação  de  serviços  técnicos  de  pesquisa  e  exploração  de  petróleo  e  gás. A  bipartição  dos  contratos pela contratante, ora Recorrente,  era puramente  formal e deu­se unicamente com o  intuito de evitar a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre as remessas efetuadas  às empresas sediadas no exterior.  As  empresas  contratadas  ­  a  estrangeira  e  a  brasileira  ­  atuavam  de  forma  conjunta,  solidária  e  contínua,  prestando  serviços  técnicos,  embora  sob a  forma de  contratos  distintos, segredados formalmente. Os contratos, porém, eram de fato vinculados, entrelaçados,  amarrados, sem independência, o que demonstra que não havia afretamento autônomo.  Transcrevo a seguir excerto do voto vencedor do Acórdão nº 3403­002.702,  que julgou lançamento referente a CIDE, relativo a mesma empresa (Petrobras) e envolvendo  contratos similares, nesse mesmo sentido:   Em primeiro lugar, os contratos ditos de afretamento de afretamento (sic) não são,  pois não  têm como objeto embarcação. Ademais,  as unidades de perfuração e de  produção de petróleo offshore, objeto dos contratos de afretamento, não são meras  estruturas  metálicas,  sobre  as  quais  desembarcam  e  atuam  os  operadores  da  companhia  prestadora  de  serviço  contratada.  Em  absoluto.  As  unidades  são,  justamente,  os  equipamentos  que  serão  operados  para  a  consecução  do  objetivo  último da Petrobrás, que é a perfuração ou produção do poço de petróleo. E, penso  ser  evidente,  trata­se  de  equipamentos  sofisticados,  construídos  sob  encomenda,  com projeto único, que incorpora, em geral, o último estágio de desenvolvimento da  tecnologia.  Nesse  sentido,  seus  operadores  são  designados  já  durante  a  fase  de  construção, no estaleiro, tamanha é a intimidade com equipamento requerida para  operá­los.   Saliento  esse  aspecto  porque,  ainda  que  se  considere  a  natureza  genérica  dos  contratos, como contrato de aluguel de bens, o que sobressai é que tal contratação  é absolutamente dispensável. Bastaria que a Petrobrás celebrasse contrato único,  de  prestação  de  serviços,  fosse  com  a  nacional  ou  com  a  empresa  estrangeira,  ainda  assim  as  unidades  seriam  fornecidas,  simplesmente,  porque  não  há  como  prestar os serviços sem elas. Aliás, esse é exatamente o modelo de contratação para  a perfuração e produção de petróleo em terra. A Petrobrás, em terra, não se dá ao  trabalho  de  contratar  o  aluguel  de  uma  sonda  de  perfuração  de  terra  ­  SPT  e,  simultaneamente,  contratar  a  prestação  do  serviço,  pois  é  ilógico,  desnecessário,  antieconômico1.  E,  se  ainda  assim,  por  qualquer  razão  que  se  nos  escape,  a                                                              1 No insight de Michael J. Graetz, "...a deal done by very smart people that, absent tax considerations, would be  very  stupid".  Disponível  em  Fl. 27398DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.377          45 Petrobrás  insistisse  nesse  modelo  de  contratação,  a  hipotética  locatária  dos  equipamentos jamais admitiria que os mesmos fossem operados por terceiros.   Portanto, parece­me que a conclusão a que chegou a Fiscalização a respeito da  essência desses contratos está correta. A bipartição do contrato em “afretamento”  e  prestação  de  serviços  –  a  também,  por  óbvio,  a  sua  coligação  voluntária2  é  artificial, desnecessária, sem propósito.  A  recorrente  nessa  hora  bradará  princípios  constitucionais  como  da  Livre  Iniciativa  (art.  1º,  IV),  da  Livre  Concorrência  (art.  170,  IV)  ou  mesmo  da  Propriedade Privada (art. 170, II), e que o ordenamento jurídico brasileiro outorga  ao  contribuinte  o  direito  de  organizar­se  de  forma  que  se  lhe  imponha  a  menor  carga tributária possível. Pugnará por que se analisem os contratos celebrados sob  uma  concepção  estritamente  formal  da  legalidade.  Enfim,  invocará  a  clássica  cantilena liberal formalista que leva à (equivocada) conclusão de que, em matéria  de planejamento tributário,  tudo o que não estiver expressamente proibido é lícito  ao contribuinte.  Marciano  Seabra  de Godoi  diagnostica  que  essa  postura  parte  de  certos  valores  arraigados  e  que  não  mais  se  compatibilizam  com  o  atual  estado  de  arte  da  dogmática  constitucional  e  tributária  nacional,  quais  sejam,  o  tributo  visto  como  uma  agressão  ou  um  castigo  que  se  aceita  mas  não  se  justifica;  a  segurança  jurídica  como  um  valor  absoluto;  a  aplicação  mecânica  e  não  valorativa  da  lei  como  um  mito  sagrado;  o  individualismo  e  a  autonomia  da  vontade  sobrevalorizados  e  hipertrofiados,  como  se  vivêssemos  em  pleno  século  XIX3.  Atualmente, as bases da tributação são liberdade, igualdade e solidariedade. Neste  cenário,  a  interpretação dos atos  jurídicos  e das operações não  se pode valer da  máxima de hipossuficiência dos contribuintes  frente ao todo­poderoso Estado, sob  pena  de  se  obstar  a  aplicação  de  outros  princípios  constitucionais.  Há  diversos  outros  que  podem  ser  tolhidos  caso  planejamentos  sejam  indiscriminadamente  considerados  válidos  e  legítimos  tão­somente  porque  adotaram  forma  jurídica  prevista  em  texto  de  lei  (Dignidade  da  Pessoa  Humana,  Função  Social  da  Propriedade, Isonomia). O planejamento tributário deve ser analisado “não apenas  sob  a  ótica  das  formas  jurídicas  admissíveis,  mas  também  sob  o  ângulo  da  sua  utilização  concreta,  do  seu  funcionamento  e  dos  resultados  que  geram  à  luz  dos  valores  básicos  igualdade,  solidariedade  social  e  justiça”4.  Enfim,  exige­se,  para  além de uma economia de tributos, um propósito negocial.  Nesse sentido, a doutrina propõe um teste para se constatar ausência de propósito  negocial5:                                                                                                                                                                                           <http://www.nytimes.com/2008/09/10/business/businessspecial3/10TAX.html?pagewanted=all&_r=0>  Acessado  em 31/08/2013.  2 A recorrente invoca a doutrina de Orlando Gomes sobre coligação de contratos para justificar as peculiaridades  do  clausulamento dos  contratos de  afretamento  e de prestação  de  serviços.  Se  é  certo que o  instituto  explica  a  execução simultânea e a sua mútua dependência, não ampara, sob qualquer ângulo que se adote, a confusão das  cláusulas,  por  exemplo,  de  fornecimento  de  pessoal  especializado  para  a prestação  de  serviço  ou  de multa  por  derramamento de óleo no mar num contrato de afretamento.  3 apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos  fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 173.  4 GRECO. Marco Aurélio. Planejamento tributário. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2011, p. 195.  5 SCHOUERI, Luís Eduardo. O desafio do planejamento tributário. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.);  FREITRAS, Rodrigo de (org,). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010,  apud  PAULA, Daniel Giotti  de. O Dever Geral  de Vedação À Elisão:  uma  análise  constitucional  baseada  nos  fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187.  Fl. 27399DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     46 a)  o  elemento  temporal:  já  que muitas  vezes  se  verifica  que  o  planejamento,  em  geral  atividade  pensada  e  preparada,  é  realizada  às  pressas,  com  a  assinatura  de  vários  documentos  em  um  único  momento,  alguns  desfazendo  transações  que  se  celebram no mesmo instante;  b) a independência ou não das partes, eis que muitas fusões, cisões e incorporações  se  dão  apenas  como  forma  de  alocar  perdas  e  ganhos  entre  empresas  de  mesmo  grupo, sempre visando à redução da tributação;  c)  ausência  de  coerência,  quando  se  realizam  transações  que  não  se  inserem  na  rotina da empresa ou na lógica empresarial.  Marco  Aurélio  Greco6  revela  os  indícios  de  mera  tentativa  despropositada  de  economia de tributo:  a) operações estruturas (sic) em seqüência, em que uma etapa não tem sentido a não  ser quando vista a partir do conjunto de etapas [...];  b) operações invertidas, no sentido de serem realizadas ao contrário do que indica o  juízo comum, por exemplo, a incorporação da controladora pela controlada;   c) operações entre partes relacionadas, pois nestas é mais rigoroso o juízo sobre os  critérios  de  eqüitatividade  em  que  devem  ser  feitas  certas  operações  quando  comparadas com operações com terceiros;  d)  o  uso  de  pessoas  jurídicas  para  realizar  determinadas  operações,  pois  além  de  poderem  configurar  uma  interposta  pessoa,  estas  sociedades  podem  se  apresentar  como meros instrumentos de passagens de recursos destinados a terceiros (conduint  companies) ou assumirem a condição de sociedade aparentes, fictícias ou efêmeras;  e) operações que  impliquem deslocamento da base  tributável para o  exterior,  pois  isto afeta a soberania e a imperatividade da norma tributária;  f)  as  substituições  ou  montagens  jurídicas  em  que  as  formas  contratuais  são  construídas meramente para vestir determinado conteúdo sem que haja razões reais  e efetivas que as justifiquem.  O modelo  de  contratação da Petrobrás  sucumbe  em  todos  os  testes  que  lhe  são  pertinentes:  a)  Quanto  ao  aspecto  temporal,  revela­se  a  simultaneidade  da  celebração  dos  pares de contratos;  b) A interdependência das partes contratantes é nota característica: a prestadora  dos serviços nacional é controlada pela “fretadora” estrangeira;  c)  Ausência  de  coerência:  a  Petrobrás  não  reproduz  o  modelo  de  contratação  bipartida, mutatis mutandis, nas suas operações terrestres;  d)  Deslocamento  da  base  tributável  para  o  exterior:  a  Petrobrás  atribui  ao  contrato de afretamento, celebrado com a empresa estrangeira, 90% do valor total  da causa dos contratos (a exploração dos poços de petróleo);  e)  Montagem  jurídica:  a  bipartição  de  contrato  que  tem  causa  unitária  –  a  exploração de poços de petróleo – é artificial e despropositada.                                                              6  GRECO,  Marco  Aurélio.  Perspectivas  teóricas  do  debate  sobre  planejamento  tributário.  Revista  Fórum  de  Direito Tributário, Belo Horizonte,  ano 7, n. 42, ano 2009. Apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de  Vedação  À  Elisão:  uma  análise  constitucional  baseada  nos  fundamentos  da  tributação  Brasileira  e  do  direito  comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187  Fl. 27400DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.378          47 (grifos não são do original).  A Recorrente se insurge também quanto à tributação do total do preço pago,  argumentando que o Fisco deveria ter efetuado um arbitramento, nos termos do artigo 148 do  CTN. No  entanto,  o  que  se  colhe  das  provas  dos  autos  é  que  os  contratos  firmados  entre  a  Petrobras e as empresas sediadas no exterior ­ cujas remessas estão sendo tributadas ­ tratam na  realidade de prestação de serviços de exploração de petróleo e gás, sendo o afretamento parte  integrante e indissociável do serviço, que é único, nos termos da legislação vigente à época dos  fatos.   Os  serviços  contratados  exigem  a  utilização  de  plataformas  e  outros  equipamentos  pelo  prestador,  não  havendo  que  se  falar  em  repartição  de  valores  relativos  a  afretamento e a prestação de serviços, como pretende a Recorrente, porquanto se trata de um  único contrato de prestação de serviços, apesar de formalmente dividido em dois.   Em 19/08/2014 foi editada a Solução de Consulta nº 225/2014, pela COSIT ­  Coordenação­Geral  de  Tributação,  da  Receita  Federal  do  Brasil,  cuja  ementa  foi  assim  redigida:  Assunto: Imposto de Renda Retido na Fonte  Ementa:  AFRETAMENTO  DE  NAVIOS  SONDA,  POSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA ZERO DE IRRF SOBRE OS VALORES REMETIDOS  PARA O EXTERIOR.  O  pagamento,  crédito,  emprego  ou  remessa  da  contraprestação  do  contrato  de  afretamento de navios sonda está sujeito à alíquota zero do IRRF.  Dispositivos  legais:  inciso  I  do  art.  1º  da Lei  nº  9.481,  de  13  de  agosto  de  1997,  inciso I do art. 691 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999) e art. 2º da Instrução  Normativa nº 1.455, de 06 de março de 2014.  INEFICÁCIA DA CONSULTA QUANTO A PLATAFORMA SEMISSUBMERSÍVEL  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Ementa:  CONSULTA.  REQUISITOS.  LEGITIMIDADE.  FALTA  DE  PREENCHIMENTO. EFEITOS.  Não  produz  efeitos  a  consulta  que  não  preenche  os  requisitos  previstos  na  legislação,  incluindo  a  legitimidade,  assim  como  aquela  que  tem  por  objetivo  a  simples prestação de assessoria tributária pela RFB.  Dispositivos legais: IN RFB nº 1.396, de 2013, art. 18, incisos I e XIV.  Conforme  se  observa  pela  leitura dos  seus  fundamentos,  a  conclusão  dessa  Solução de Consulta não pode ser aplicada à presente discussão, pois no caso da consulente as  empresas  responsáveis  pelo  fornecimento  do  equipamento  e  pela  prestação  dos  serviços  são  independentes e não pertencem ao mesmo grupo econômico, situação totalmente diversa desta  ação fiscal. É o que se depreende do seguinte texto da Solução de Consulta:  17. No caso ora analisado, a consulente afirma que será responsável por fornecer o  equipamento afretado enquanto uma outra empresa brasileira será a operadora do  equipamento,  sendo que as duas  empresas  são  independentes  e não pertencem ao  mesmo grupo econômico.  Fl. 27401DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     48 18. Esse aspecto é importante porque a vinculação entre as empresas responsáveis  pelo afretamento do equipamento e pela sua operação poderia configurar, quando  associada a outros aspectos, tais como a desproporção da remuneração pactuada e  ausência de propósito negocial, um planejamento fiscal abusivo com a conseqüente  descaracterização do negócio por parte do Fisco.  Posteriormente,  foi  editada pela COSIT  a Solução  de Consulta nº  12/2015,  com a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  AFRETAMENTO DE PLATAFORMAS SEMISSUBMERSSÍVEIS ­ POSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO  DA  ALÍQUOTA  ZERO  DE  IRRF  SOBRE  OS  VALORES  REMETIDOS PARA O EXTERIOR.  O  pagamento,  crédito,  emprego  ou  remessa  da  contraprestação  do  contrato  de  afretamento de plataforma semissubmerssível está sujeito à alíquota zero do IRRF.  A parcela relativa ao contrato de afretamento estará limitada à 80% do valor global  do  contrato,  quando  houver  execução  simultânea  de  prestação  de  serviço,  relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com  pessoas jurídicas vinculadas entre si.  Dispositivos Legais: inciso I do art. 1º e inciso II do § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481,  de  13  de  agosto  de  1997,  e  inciso  I  do  art.  691  do  Decreto  nº  3.000,  de  1999  (RIR/1999).   É de ressaltar que essa Solução de Consulta foi editada no contexto de uma  nova  legislação,  conforme está destacado nos  seus  fundamentos, mais precisamente nos  seus  parágrafos 12 e 13, assim redigidos:  12. Sobre a matéria consultada é importante destacar que a legislação, objeto da  consulta,  foi  modificada  pela  Lei  nº  13.043,  de  13  de  novembro  de  2014,  que  alterou  o  art.  1º  da Lei  nº  9.481,  de  13  de  agosto  de  1997,  inserindo o  §2º,  que  passou  a  admitir  expressamente  a  alíquota  zero  de  IRRF  para  remessas  para  o  exterior  em  contraprestação  ao  afretamento  de  embarcações  utilizadas  na  exploração de petróleo:  "Art.  1º A  alíquota  do  imposto  de  renda  na  fonte  incidente  sobre  os  rendimentos  auferidos  no  País,  por  residentes  ou  domiciliados  no  exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses:   I  ­  receitas  de  fretes,  afretamentos,  aluguéis  ou  arrendamentos  de  embarcações  marítimas  ou  fluviais  ou  de  aeronaves  estrangeiras  ou  motores  de  aeronaves  estrangeiros,  feitos  por  empresas,  desde  que  tenham  sido  aprovados  pelas  autoridades  competentes,  bem  como  os  pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao  uso de serviços de instalações portuárias;   (...)  § 2º No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução  simultânea  do  contrato  de  afretamento  ou  aluguel  de  embarcações  marítimas  e  do  contrato  de  prestação  de  serviço,  relacionados  à  prospecção  e  exploração  de  petróleo  ou  gás  natural,  celebrados  com  pessoas  jurídicas  vinculadas  entre  si,  do  valor  total  dos  contratos  a  parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a:   Fl. 27402DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.379          49 I  ­  85%  (oitenta  e  cinco  por  cento),  no  caso  de  embarcações  com  sistemas  flutuantes  de  produção  e/ou  armazenamento  e  descarga  (Floating Production Systems ­ FPS);   II  ­ 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do  tipo  sonda  para  perfuração,  completação,  manutenção  de  poços  (navios­sonda); e   III  ­  65%  (sessenta  e  cinco  por  cento),  nos  demais  tipos  de  embarcações.   (...)"  13.  Desse  modo,  a  consulta  deverá  ser  solucionada  de  acordo  com  legislação  vigente  e  deverá  restringir­se  a  analisar  o  enquadramento  das  plataformas  semissubmersíveis como embarcações e a utilização ou não de  sistemas  flutuantes  ou tipo sonda para fins de limite da parcela relativa ao contrato de afretamento das  plataformas  em  relação  ao  do  valor  global  do  contrato,  que  envolver  simultaneamente  a  de  prestação  de  serviço  de  operação  dessas  plataformas.  (destaquei)  Aqui  deve  ser  aplicado  o  princípio  da  irretroatividade  das  leis,  ou  seja,  os  fatos regulam­se juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência. De acordo com o  artigo  105  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN  ­,  "a  legislação  tributária  aplica­se  imediatamente  aos  fatos  geradores  futuros  e  aos  pendentes,  assim  entendidos  aqueles  cuja  ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116".   O CTN trata também das hipóteses em que é possível a aplicação de lei nova  a  fatos ocorridos em momento anterior ao de  sua vigência. Tais hipóteses estão previstas no  artigo  106,  incisos  I  e  II,  quais  sejam,  quando  as  leis  forem  interpretativas,  ou  quando,  se  referindo  a  atos  ou  fatos  não  definitivamente  julgados,  deixar  de  defini­los  como  infração;  deixar  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão;  ou  quando  lhe  cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.   Porém,  para  o  presente  caso  nenhuma  dessas  hipóteses  ocorreu.  E  na  legislação vigente à época dos fatos não constava essa previsão de aplicação de alíquota zero  para os casos em que ocorresse execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de  embarcações  marítimas  e  do  contrato  de  prestação  de  serviço,  dentro  de  certos  limites  percentuais.  Não se pode pretender, portanto, que a inovação legislativa introduzida pela  Lei nº 13.043, de 13/11/2014, possa se aplicar a fatos pretéritos, quando já consumados os fatos  geradores e os créditos tributários já foram lançados de ofício.  Nesse mesmo sentido está a decisão proferida no Agravo de Instrumento nº  2014.00.00.108785­1,  interposto por MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO LTDA. no  Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos seguintes termos:  Com  efeito,  a  conexão  de  contratos  de  afretamento  e  prestação  de  serviços  empreendidos pelos atores do palco contratual descrito nos autos,  tem sido objeto  de suspeita de dissimulação por parte do fisco, com eventual perda de considerável  receita de IR e CSSL.  Fl. 27403DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     50 No  caso,  a  PETROBRÁS  exige  dos  licitantes  para  participação  de  afretamento  e  prestação de serviços de manutenção das embarcações  fretadas, a entabulação de  planejamento  tributário  que  redunda  na  criação  de  subsidiária  brasileira  de  empresa  estrangeira,  sendo  esta  remunerada diretamente  pela PETROBRÁS,  pelo  afretamento,  gozando  de  benefício  fiscal,  ao  passo  que  a  empresa  brasileira,  suporta todos os ônus da manutenção e, por conseguinte, das despesas de operação,  não gerando lucro, mas, ao que pareceu à Fazenda, senão prejuízos.  Tal  procedimento  contratual,  embora  possa  ser  defendido  à  luz  do  princípio  da  autonomia  da  vontade,  na  entabulação  de  contratos  atípicos,  conexos,  ou mesmo  união de contratos (Antunes Varela e Mário Júlio de Almeida Costa), empolgando o  princípio constitucional da livre iniciativa, não é de molde a afastar a incidência da  legislação tributária.  Nesse  passo,  revela  notar  que  no  ano  de  2014,  em  13/11,  veio  à  lume  a  Lei  nº  13.043/14, cujo art. 106, inseriu novos parágrafos no art. 1º da Lei nº 9.481/97, com  a seguinte redação:  [...]  Veja­se que a construção contratual utilizada pela recorrente, somente encontrou  amparo na  legislação  tributária no final do ano de 2014,  induzindo à conclusão  segundo  a  qual  os  negócios  jurídicos  não  guardavam  consonância  com  a  legislação de regência, devendo, desse modo, prevalecer a conclusão da maioria,  vazada no julgamento pelo CARF.  Destaco  que  a  nova  legislação  não  pode  ser  aplicada  retroativamente  por  não  se  tratar  de  lei  mais  benéfica,  lex mitior, mas  legislação  que  inaugura  novo  regime  jurídico, com caráter prospectivo.  Apenas se se  tratasse de legislação que penalizasse a autora com nova dosimetria  da pena ou sua subtração é que se poderia falar de retroatividade benéfica.  Pondero, ainda, que para a retroatividade da nova metodologia,  seria necessária,  ao  menos  ato  declaratório  da  receita  federal,  bem  como  o  controle  de  responsividade fiscal quanto à renúncia de receita tributária. (destaquei)  Assim,  a  tributação  deve  recair  sobre  os  valores  remetidos  de  fato  às  empresas sediadas no exterior, conforme efetuado pela autoridade fiscal.  Dos tratados para evitar a dupla tributação  Sustenta  a  Recorrente  que  diversos  pagamentos  foram  feitos  a  empresas  residentes em países com os quais o Brasil firmou Tratados Internacionais para evitar a dupla  tributação,  como  França,  Holanda,  Itália,  Luxemburgo  e  Noruega,  os  quais  seguiram  a  Convenção Modelo  da OCDE,  onde  consta  de  seu  artigo  7º  que  os Lucros  de uma  empresa  residente de um Estado Contratante  (no caso os beneficiários dos pagamentos efetuados pela  Recorrente e  supostos  prestadores de  serviços)  somente  são  tributáveis no Estado onde estas  empresas têm domicílio.  Defende  que,  seja  considerando  tratar­se  de  remuneração  por  conta  de  afretamento,  seja  admitindo­se  ser  pagamento  por  serviços  prestados,  deve  ser  aplicada  a  referida Cláusula 7ª dos Tratados, nada podendo ser exigido a título de IRRF, justamente para  evitar a dupla tributação.  Alega  que  o  entendimento  da  decisão  recorrida  de  que  as  remessas  decorrentes  de  contratos  de  prestação  de  assistência  técnica  e  de  serviços  técnicos  sem  Fl. 27404DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.380          51 transferência  de  tecnologia  são  classificadas  como  rendimentos  não  expressamente  mencionados,  conforme  Ato  Declaratório  COSIT  nº  01/2000,  já  foi  superado  pela  própria  Administração Tributária Federal.  Afirma que o  referido Ato Declaratório  foi  revogado pelo Ato Declaratório  Interpretativo RFB nº  5,  de  16/06/2014,  que  esclareceu  que  na hipótese ora  tratada deve  ser  aplicado o artigo do acordo ou convenção que trata de lucros das empresas (artigo 7º), assim  como  já  foi  reconhecido  na  Nota  Técnica  COSIT  nº  23/2013  e  no  Parecer  PGFN/CAT  n°  2.363/2013.  De  fato,  a  própria  Administração  Tributária  reconheceu  que  as  remessas  provenientes  de  contratos  de  prestação  de  assistência  técnica  e  de  serviços  técnicos  sem  transferência de tecnologia não podem ser classificados como rendimentos não expressamente  mencionados  (artigos 21 ou 22 dos Tratados),  tendo  revogado o Ato Declaratório COSIT nº  01/2000  por  meio  do  Ato  Declaratório  Interpretativo  RFB  nº  5,  de  16/06/2014,  que  assim  dispõe:  Art. 1º O tratamento tributário a ser dispensado aos rendimentos pagos, creditados,  entregues, empregados ou remetidos por fonte situada no Brasil a pessoa física ou  jurídica residente no exterior pela prestação de  serviços  técnicos e de assistência  técnica, com ou sem transferência de tecnologia, com base em acordo ou convenção  para evitar a dupla tributação da renda celebrado pelo Brasil será aquele previsto  no respectivo Acordo ou Convenção:  I ­ no artigo que trata de royalties, quando o respectivo protocolo contiver previsão  de que os  serviços  técnicos e de assistência técnica recebam igual  tratamento, na  hipótese em que o Acordo ou a Convenção autorize a tributação no Brasil;  II ­ no artigo que trata de profissões independentes ou de serviços profissionais ou  pessoais independentes, nos casos da prestação de serviços técnicos e de assistência  técnica  relacionados  com  a  qualificação  técnica  de  uma  pessoa  ou  grupo  de  pessoas,  na  hipótese  em  que  o  Acordo  ou  a Convenção  autorize  a  tributação  no  Brasil, ressalvado o disposto no inciso I; ou  III ­ no artigo que trata de lucros das empresas, ressalvado o disposto nos incisos I  e II.  Art. 2º Publique­se no Diário Oficial da União.  Art. 3º Revogue­se o Ato Declaratório  (Normativo) Cosit nº 1, de 5 de  janeiro de  2000.  Reconhece­se,  portanto,  que  os  rendimentos  auferidos  pela  prestação  de  serviços técnicos ou de assistência técnica podem ser classificados como lucros das empresas  (artigo 7º dos Tratados), desde que afastadas as hipóteses de enquadramento em rendimentos  equiparáveis  a  royalties  (artigo  12  dos  Tratados)  ou  rendimentos  decorrentes  de  serviços  profissionais independentes (artigo 14 dos Tratados).  O artigo 7º da Convenção Modelo da OCDE estabelece:  ARTIGO 7  Lucros das empresas  Fl. 27405DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     52 1. Os  lucros de uma empresa de um Estado Contratante  só podem ser  tributados  nesse  Estado,  a  não  ser  que  a  empresa  exerça  sua  atividade  no  outro  Estado  Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa  exercer  sua  atividade  desse  modo,  seus  lucros  poderão  ser  tributados  no  outro  Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento  permanente.  2. Quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro  Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente ai situado, serão  imputados,  em  cada  Estado  Contratante,  a  esse  estabelecimento  permanente  os  lucros  que  este  obteria  se  constituísse  uma  empresa  distinta  e  separada  que  exercesse atividades idênticas ou similares, em condições idênticas ou similares, e  transacionasse  com  absoluta  independência  com  a  empresa  da  qual  é  um  estabelecimento permanente.  3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as  despesas  que  tiverem  sido  feitas  para  a  realização dos  fins  perseguidos  por  esse  estabelecimento permanente, incluindo as despesas de direção e os gastos gerais de  administração igualmente realizados.  4. Nenhum lucro será imputado a um estabelecimento permanente pelo simples fato  de esse estabelecimento permanente comprar mercadorias para a empresa.  5.  Quando  os  lucros  compreenderem  elementos  de  rendimentos  tratados  separadamente nos  outros  artigos  da  presente Convenção,  as  disposições  desses  artigos não serão afetadas pelas disposições deste Artigo.   O  parágrafo  5º  afasta  a  aplicação  do  artigo  7º  quando  houver  previsão  de  tratamento  específico,  em  outros  artigos  da  convenção,  a  determinados  rendimentos  que  compreendem o lucro das empresas.  Conforme a doutrina de Alberto Xavier:  O conceito de lucro tributável é definido pelas diversas legislações internas. Como,  porém, a noção geral de lucro de empresa abrange uma pluralidade de rendimentos  imputáveis a uma unidade de exploração ­ rendimentos esses sujeitos, por vezes, a  regimes  tributários específicos  (como é o  caso dos dividendos,  juros)  regidos por  outros  preceitos  das  convenções  ­,  as  convenções  esclarecem  que  tais  regimes  especiais não serão afetados pelo regime genérico dos lucros, traçado no art. 7º do  Modelo.  É  o  que  podemos  designar  por  princípio  da  prevalência  dos  regimes  especiais ou do caráter residual da noção de lucro de empresa". (XAVIER, Alberto.  Direito tributário internacional do Brasil. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p.  552, grifos do original).  Desse modo, no caso de a remessa para o exterior puder ser enquadrada em  qualquer outro preceito do acordo, a incidência do artigo 7º deve ser afastada, em respeito ao  "princípio da prevalência dos regimes especiais".  A  Convenção  Modelo  da  OCDE  assim  dispõe  sobre  a  tributação  sobre  o  pagamento de royalties:  ARTIGO 12  Royalties  1. Os royalties provenientes de um Estado Contratante e pagos a um residente do  outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado.  Fl. 27406DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.381          53 2. Todavia, esses "royalties" podem também ser tributados no Estado Contratante  de que provêm e de acordo com a  legislação desse Estado, mas, se o beneficiário  efetivo  dos  "royalties"  for  um  residente  do  outro  Estado  Contratante,  o  imposto  assim  exigido  não  poderá  exceder  de  15  por  cento  do  montante  bruto  dos  "royalties".  3.  O  termo  "royalties"  empregado  neste  Artigo  compreende  as  importâncias  de  qualquer  natureza  pagas  pelo  uso  ou  pela  concessão  do  uso  de  direitos  de  autor  sobre obras literárias, artísticas ou científicas (inclusive os filmes cinematográficos  e os filmes, fitas e outros meios de reprodução de imagem e de som, de gravação de  programas  de  televisão  ou  radiodifusão),  de  patentes,  marcas  de  indústria  ou  comércio,  desenhos  ou  modelos,  planos,  fórmulas  ou  procedimentos  secretos  ou  outra  propriedade  intangível,  assim  como  pelo  uso  ou  concessão  do  uso  de  equipamentos  industriais,  comerciais  ou  científicos  e  por  informações  relativas  a  experiências industriais, comerciais ou científicas.  Considerando­se  os  comentários  ao  Modelo  da  Convenção  da  OCDE,  observa­se que não é todo e qualquer serviço prestado que tem a sua remuneração enquadrada  nessa categoria de royalties. É necessário que envolva  transferência de  tecnologia, ou seja,  a  prestação  de  informações  correspondentes  à  experiência  adquirida,  à  transmissão  de  conhecimento, de know­how.  Assim,  os  rendimentos  decorrentes  dos  contratos  de  prestação  de  serviços  geralmente incidem no artigo 7º da Convenção Modelo, considerados como lucro da empresa e  tributados  no  país  de  residência  dessa  empresa.  No  entanto,  alguns  Tratados  assinados  pelo  Brasil  contemplam  Protocolos  anexos  que  dispõem  sobre  a  equiparação  a  royalties  de  pagamentos referentes a contratos de prestação de assistência técnica e serviços técnicos. Por  esses  Tratados,  cujos  Protocolos  que  o  acompanham  prevêem  essa  extensão  do  conceito  de  royalties, não se deve enquadrar esses pagamentos no conceito de lucro das empresas previsto  no artigo 7º.  Não  se  pode  acolher  o  entendimento  de  que  somente  os  contratos  que  envolvam  a  transferência  de  tecnologia  mereçam  o  tratamento  de  royalties,  uma  vez  que  o  próprio  Protocolo  estendeu  esse  conceito  à  prestação  de  serviço  técnico  ou  de  assistência  técnica.  Caso  a  intenção  fosse  restringir  o  conceito,  somente  admitindo  a  sua  aplicação  nos  casos de transferência de tecnologia, tal limitação teria de estar expressa no texto do Protocolo.  Desse modo,  cabe  analisar  os Tratados  firmados  pelo Brasil  com os  países  que  sediam  as  empresas  contratadas  pela  Recorrente,  cujos  negócios  são  objeto  do  presente  lançamento,  para  verificar  se  está  contemplada  a  hipótese  de  equiparação  a  royalties  dos  pagamentos por serviços técnicos ou de assistência técnica.  Verifica­se  que  são  os  seguintes  os  países  sedes  das  empresas  contratadas:  Grã­Bretanha, Holanda, Estados Unidos, Noruega,  Itália,  Ilhas Cayman, Luxemburgo, Suíça,  Nova Zelândia, França e Uruguai.  Desses países, o Brasil não possui acordo para evitar a dupla tributação com  Grã­Bretanha, Estados Unidos, Ilhas Cayman, Suíça, Nova Zelândia e Uruguai, razão pela qual  os  rendimentos  remetidos  às  empresas  com  sede  nesses  países  devem  ser  tributados  normalmente na fonte, não havendo que se falar em tributação apenas no outro país.  Fl. 27407DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     54 Temos abaixo um quadro que descreve os tratados assinados pelo Brasil com  os países que sediam as empresas contratadas pela Recorrente:   País  Tratado para evitar a dupla tributação  Grã­Bretanha  Não possui  Holanda  Decreto nº 355/1991  Estados Unidos  Não possui  Noruega  Decreto nº 86.710/1981  Itália  Decreto nº 85.985/81  Ilhas Cayman  Não possui. País com tributação favorecida  Luxemburgo  Decreto nº 85.051/1980  Suíça  Não possui  Nova Zelândia  Não possui  França  Decreto nº 70.506/1972  Uruguai  Não possui  A seguir temos as disposições dos Tratados firmados com os países sedes das  empresas contratadas, cujos Protocolos estabelecem a equiparação a royalties dos pagamentos  decorrentes de  contratos de  serviços  técnicos  e de  assistência  técnica,  sem qualquer  ressalva  quanto à transferência de tecnologia.  Tratado Brasil ­ Holanda (Decreto nº 355/1991)  5. Com referência ao Artigo 12, Parágrafo 3  Fica  entendido  que  o  disposto  no  parágrafo  3  do Artigo  12  aplica­se  a  qualquer  espécie  de  pagamento  recebido  em  contraprestação  de  serviços  e  assistência  técnica.  Tratado Brasil ­ Noruega (Decreto nº 86.710/1981  6. Com referência ao Artigo 12, parágrafo 3  Fica  entendido  que  a  expressão  "por  informações  correspondentes  à  experiência  adquirida no setor industrial, comercial ou científico", mencionado no parágrafo 3  do Artigo 12, inclui os rendimentos provenientes da prestação de assistência técnica  e serviços técnicos.  Tratado Brasil ­ Itália (Decreto nº 85.985/81)  5. Com referência ao Artigo 12, parágrafo 4  A  expressão  "por  informações  correspondentes  à  experiência  adquirida  no  setor  industrial, comercial ou científico" mencionada no parágrafo 4 do Artigo 12 inclui  os rendimentos provenientes da prestação de assistência técnica e serviços técnicos.  Fl. 27408DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.382          55 Tratado Brasil ­ Luxemburgo (Decreto nº 85.051/1980)  4. Ad Artigo 12, parágrafo 3  A  expressão  "por  informações  correspondentes  à  experiência  adquirida  ou  a  estudos no setor industrial, comercial ou científico", mencionada no parágrafo 3 do  artigo 12 inclui os rendimentos de assistência técnica e serviços técnicos.  Assim,  devem  ser  tributados  na  fonte  os  valores  remetidos  ao  exterior,  provenientes  da  prestação  de  serviços  técnicos,  em  relação  aos  contratos  firmados  com  empresas  sediadas  nesses  países,  cujo  acordo  para  evitar  a  dupla  tributação  contém  um  protocolo que estende a esses valores o regime de tributação destinado a royalties.  No presente caso, não há dúvida de que os contratos analisados são referentes  à prestação de serviços técnicos, posto que têm como objeto principal a prospecção, perfuração  e intervenção em poços de petróleo, requerendo conhecimentos específicos e alta qualificação  técnica, conforme já demonstrado acima.  No que se refere ao acordo Brasil ­ França, no qual não existe um protocolo  que  equipara  a  royalties  a  prestação  de  serviços  técnicos,  torna­se  necessário  verificar  a  existência  de  estabelecimento  permanente  da  empresa  estrangeira  no  Brasil,  em  virtude  da  ressalva que consta do parágrafo 1º do artigo 7º do referido acordo, que estabelece o seguinte:  1. Os  lucros de uma empresa de um Estado Contratante  só podem ser  tributados  nesse  Estado,  a  não  ser  que  a  empresa  exerça  sua  atividade  no  outro  Estado  Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa  exercer  sua  atividade  desse  modo,  seus  lucros  poderão  ser  tributados  no  outro  Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento  permanente.  O  artigo  5º  da  referida  convenção  assim  dispõe  sobre  Estabelecimento  Permanente:  1. Para efeitos da presente Convenção, a expressão "estabelecimento permanente"  significa uma instalação fixa de negócio em que a empresa exerça toda ou parte de  sua atividade.  2. A expressão "estabelecimento permanente" compreende especialmente:  a) uma sede de direção;  b) uma sucursal;  c) um escritório;  d) uma fábrica;  e) uma oficina;  f)  uma  mina,  uma  pedreira  ou  qualquer  outro  local  de  extração  de  recursos  naturais;  g) um canteiro de construção ou de montagem cuja duração exceda seis meses.  3. Um estabelecimento não será considerado permanente se:  a) as instalações forem utilizadas unicamente para fins de armazenagem, exposição  ou entrega de mercadorias pertencentes à empresa;  Fl. 27409DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     56 b) as mercadorias pertencentes à empresa forem armazenadas unicamente para fins  de depósito, exposição ou entrega;  c) as mercadorias pertencentes à empresa forem armazenadas unicamente para fins  de transformação por uma outra empresa;  d) uma instalação  fixa de negócios  for utilizada unicamente para  fins de comprar  mercadorias ou de reunir informações para a empresa;  e) uma instalação fixa de negócios for utilizada pela empresa unicamente para fins  de  publicidade,  de  fornecimento  de  informações,  de  pesquisas  científicas  ou  de  atividades análogas que tenham caráter preparatório ou auxiliar.  4.  Uma  pessoa  que  atue  num  Estado  Contratante  por  conta  de  uma  empresa  do  outro  Estado  Contratante  ­  desde  que  não  seja  um  agente  que  goze  de  um status independente,  contemplado  no  parágrafo  5  ­  é  considerada  como  "estabelecimento  permanente"  no  primeiro  Estado,  se  tiver  nesse  Estado  poderes  que  aí  exerça  habitualmente  e  que  lhe  permitam  concluir  contratos  em  nome  da  empresa,  a  não  ser  que  a  atividade  dessa  pessoa  seja  limitada  à  compra  de  mercadorias para a empresa.  5. Uma empresa de  seguros de um Estado Contratante é considerada como  tendo  um estabelecimento permanente no outro Estado Contratante desde o momento que,  por intermédio de um representante, ela receba prêmios no território desse último  Estado ou segure riscos situados nesse território.  6.  Não  se  considera  que  uma  empresa  de  um  Estado  Contratante  tenha  um  estabelecimento  permanente  no  outro  Estado  Contratante  pelo  simples  fato  de  exercer a sua atividade nesse outro Estado por  intermédio de um corretor, de um  comissário  geral  ou  de  qualquer  outro  agente  independente,  desde  que  essas  pessoas atuem no âmbito normal de suas atividades.  7. O  fato de uma sociedade  residente de um Estado Contratante  controlar ou  ser  controlada por uma sociedade residente do outro Estado Contratante ou que exerce  a  sua  atividade  nesse  outro  Estado  (quer  seja  através  de  um  estabelecimento  permanente,  quer  de  outro modo)  não  é,  por  si,  bastante  para  fazer  de  qualquer  dessas sociedades estabelecimento permanente da outra.  Consoante  já  ficou  amplamente  demonstrado  no  item  "Da  bipartição  dos  contratos de afretamento e de prestação de serviços", o que efetivamente existia era uma  única prestação de serviços, que foi artificialmente bipartida em dois contratos distintos, com a  finalidade de supressão de tributos.   As atividades de prospecção, exploração, perfuração e intervenção em poços  de petróleo eram na realidade prestadas pelo mesmo fornecedor, nas quais o fornecimento da  unidade era apenas parte integrante dos serviços contratados. Embora formalmente separadas,  as operações eram desempenhadas conjuntamente e de forma solidária.  Os  contratos  celebrados  com  empresas  sediadas  na  França  são  os  relativos  aos  equipamentos  referenciados  pela Fiscalização como de nºs 117 a 124,  em um  total  de 8  contratos. Todos eles  foram firmados com a fretadora PRIDE FORAMER SAS,  tendo como  interveniente  a  PRIDE  DO  BRASIL  SERVIÇOS  DE  PETRÓLEO  LTDA  e  possuem  as  seguintes características em comum:  a) Contrato de prestação de serviços com a PRIDE DO BRASIL SERVIÇOS  DE PETRÓLEO LTDA., vinculado ao contrato de afretamento e assinado na mesma data;  b)  rescisão  do  contrato  de  serviços  é  base  para  rescisão  do  contrato  de  afretamento;  Fl. 27410DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.383          57 c) solidariedade entre a contratada (fretadora) e a interveniente (prestadora de  serviços);  d) seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente tem a fretadora  como co­segurada.  Ressalte­se que a Pride do Brasil era controlada pela Pride International Ltd,  a qual detinha 99,99% de suas cotas.  Observa­se,  portanto,  que  a  empresa  brasileira  que  firmou  os  contratos  de  prestação  de  serviços  atuou  não  apenas  como  intermediadora  entre  a  contratante,  ora  Recorrente, e a empresa sediada na França, mas também como parte efetiva na execução dos  contratos,  os  quais  na  realidade  formavam um  só,  pois  o  fornecimento  da  unidade  era  parte  integrante e indissociável dos serviços contratados, donde se conclui que a empresa brasileira  era um estabelecimento permanente da empresa francesa no Brasil.  Sobre a questão do conceito de estabelecimento permanente, temos a seguinte  decisão do TRF da 2ª Região, nos autos da AMS nº 2002.51.01.002701­0, relator Des. Federal  Luiz Antonio Soares, cuja ementa foi assim redigida:  TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  TRATADO  BRASIL­FRANÇA.  DUPLA  TRIBUTAÇÃO.  OCDE.  INTERPRETAÇÃO.  ADN/COSIT  Nº  01/2000.  APLICAÇÃO.  1. Pelo Contrato Social da impetrante, PCI do Brasil LTDA, figuram como sócios a  empresa  PCI  Argentina  S/A  e  Process  Conception  Ingenierie  S/A  (PCI  S.A.),  sediadas respectivamente na Argentina e na França.  2.  Os  tratados  e  convenções  que  buscam  evitar  a  dupla  tributação  internacional  celebrados pelo Brasil, em linhas gerais, se baseiam em um mesmo modelo, o qual  foi  desenvolvido pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico  (OCDE).  [...]  7. Consta, ainda, dos autos que pelo Contrato Social da impetrante, PCI do Brasil  LTDA,  figuram  como  sócios  a  empresa PCI Argentina  S/A  e Process Conception  Ingenierie  S/A  (PCI  S.A.),  sediadas  respectivamente  na  Argentina  e  na  França,  sendo  que  esta  possui  99,99%  das  cotas  da  apelante. Desse modo,  a  PCI  S.A.  é  inegavelmente  a  grande  controladora  da PCI do Brasil  LTDA,  de maneira  que  a  desproporcionalidade de cotas entre as sócias da empresa brasileira traduz a forte  influência  da  empresa  francesa  no  Brasil,  que,  apesar  de  não  possuir  estabelecimento  juridicamente  constituído  em  território  nacional,  dispõe de  apoio  semelhante e de fundamental importância para execução de seus serviços.  8. Nesse caso, não poderá haver uma simulação, tal qual transparece nos autos, em  que a PCI S.A. cria pessoa jurídica diversa no Brasil para realizar suas atividades  no país sem que, com isso, seja onerada com a responsabilidade tributária relativa  ao  Imposto  de  Renda,  o  que  estaria  ferindo  claramente  o  princípio  do  estabelecimento  permanente,  de  maneira  que,  renova­se,  sem  a  existência  desse  estabelecimento a prestação de serviços ficaria seriamente prejudicada.  9. Apelação não provida.  Transcrevo excerto do voto condutor da decisão em comento.  Fl. 27411DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     58 Consta,  ainda,  dos  autos  que  pelo  Contrato  Social  da  impetrante,  PCI  do  Brasil  LTDA,  figuram  como  sócios  a  empresa PCI Argentina  S/A  e Process Conception  Ingenierie  S/A  (PCI  S.A.),  sediadas  respectivamente  na  Argentina  e  na  França,  sendo  que  esta  possui  99,99%  das  cotas  da  apelante. Desse modo,  a  PCI  S.A.  é  inegavelmente  a  grande  controladora  da PCI do Brasil  LTDA,  de maneira  que  a  desproporcionalidade de cotas entre as sócias da empresa brasileira traduz a forte  influência  da  empresa  francesa  no  Brasil,  que,  apesar  de  não  possuir  estabelecimento  juridicamente  constituído  em  território  nacional,  dispõe de  apoio  semelhante e de fundamental importância para execução de seus serviços.  Pela  regra geral do art. 7º  do Modelo OCDE, o direito de  tributar os  lucros das  empresas é objeto de atribuição exclusiva dos Estados de que essas empresas estão  resididas.  Essa  regra  deriva­se  do  princípio  do  estabelecimento  permanente,  que  consagra, ainda, uma competência cumulativa do Estado da Fonte, mas somente se  no  seu  território  se  encontrar  instalado  um  estabelecimento  permanente  e  unicamente na medida em que os lucros são imputáveis a esse estabelecimento.  Importa,  nesse  caso,  estabelecer  o  conceito  de  estabelecimento  permanente.  As  Convenções  sobre  dupla  tributação,  que  se  alinham  ao  art.  5º  da  OCDE,  consagram  a  teoria  da  pertença  econômica  para  definir  estabelecimento  permanente.  Segundo  Alberto  Xavier,  ilustre  professor  da  PUC­SP  e  da  Universidade de Lisboa:  “Com  efeito,  aí  se  define  estabelecimento  permanente  “a  instalação  fixa  de  negócios  em que a  empresa  exerça  toda ou parte da  sua  atividade”.  São pois  características do estabelecimento permanente a  existência de uma  instalação  material,  com caráter de permanência, que esteja à disposição da empresa, a  qual deve exercer a sua atividade nesta instalação ou por meio desta instalação.  Mas já não são requisitos essenciais do conceito os atributos da produtividade  ou da rentabilidade.7” (grifo nosso).  Note­se,  portanto,  que  a  PCI  do  Brasil  LTDA  atua,  de  fato,  como  grande  intermediadora entre os contratantes no Brasil e a PCI francesa, intermédio esse  que,  sem  o  qual,  a  prestação  dos  serviços  ficaria  plenamente  prejudicada  ou  inviabilizada.  Esse  fato  se  pode  extrair  do  próprio  contrato  de  prestação  de  serviços entre a PCI e a PCI do Brasil.  Sem embargo, pode­se dizer que é dever de todo administrador maximizar os lucros  e minimizar as perdas. Por essa razão, o planejamento tributário é um instrumento  tão necessário de gestão de negócios, quanto qualquer outro planejamento, seja de  marketing, de vendas, de qualificação de pessoal, de comércio exterior etc. Porém,  não se pode valer, a PCI, de artifício que induza a uma situação de fato que difere  da realidade.  Em  verdade,  pelo  que  acima  foi  visto  como  conceito  de  estabelecimento  para  efeitos  de  aplicação  das  convenções  internacionais  sobre  dupla  tributação,  que  seguem o modelo OCDE,  o  pleno  controle  da PCI  do Brasil  pela PCI  S.A.  e  o  modus operandi pelo qual os serviços são prestados (como se pode perceber pelo  contrato de prestação de serviços), conclui­se que a empresa brasileira funciona  como  uma  espécie  de  estabelecimento  permanente  da  empresa  francesa,  até  porque, pela configuração societária da sociedade nacional e pelo objeto social da  mesma, dificilmente se vislumbraria a hipótese de ser contratada empresa diversa  da PCI S.A.  Nesse caso, não poderá haver uma simulação, tal qual transparece nos autos, em  que a PCI S.A. cria pessoa jurídica diversa no Brasil para realizar suas atividades  no país sem que, com isso, seja onerada com a responsabilidade tributária relativa                                                              7 XAVIER, Alberto. Direito Tributário Internacional do Brasil. 6ed. Rio de Janeiro: Forense, 2007.  Fl. 27412DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.384          59 ao  Imposto  de  Renda,  o  que  estaria  ferindo  claramente  o  princípio  do  estabelecimento  permanente,  de maneira  que,  renova­se,  sem a  existência  desse  estabelecimento  a  prestação  de  serviços  ficaria  seriamente  prejudicada.  (destaquei)  Pela  análise  dos  diversos  contratos  firmados  pela  contratante  (Recorrente)  com os prestadores de serviço, é de se concluir que na verdade a empresa PRIDE FORAMER  SAS, sediada na França, possuía estabelecimento permanente no Brasil, na forma da empresa  brasileira PRIDE DO BRASIL LTDA, o que lhe propiciava manter a prestação do serviço do  modo como contratado.  Dessa  forma,  são  aplicáveis  a  esses  contratos  com  a  empresa  PRIDE  FORAMER  SAS  as  regras  da  tributação  do  IRRF  nas  remessas  feitas  pela  contratante  ao  exterior, conforme ressalva do parágrafo 1º do artigo 7º do Tratado.  Também podemos concluir que devem ser adotadas essas mesmas conclusões  para os demais contratos objeto do presente lançamento, uma vez que todos eles obedeceram  ao mesmo padrão de formação. Portanto, ainda que se entenda que os serviços prestados não  estão incluídos no conceito de royalties em obediência ao estipulado nos protocolos adicionais,  a tributação na fonte seria exigida em função da existência de estabelecimentos permanentes no  Brasil dessas empresas sediadas no estrangeiro.  Das remessas para países com tributação favorecida  A  Recorrente  contesta  a  aplicação  da  alíquota  de  25%  aos  pagamentos  relativos aos dois únicos contratos (equipamentos nºs 139 e 140) cujo beneficiário é residente  em país de tributação favorecida (Ilhas Cayman).  Sustenta que a incidência na fonte, prevista no artigo 8º da Lei n° 9.779/97,  não se aplicava aos contratos firmados até 31/12/1998, ou seja, aos contratos celebrados antes  da sua entrada em vigor, em função do Ato Declaratório nº 8/99.  Defende  que,  embora  o  Ato  Declaratório  n°  8/99  tenha  sido  formalmente  revogado pelo artigo 21 da Instrução Normativa SRF n° 252, de 03/12/2002, essa revogação é  juridicamente inviável tanto em termos materiais quanto formais. Em termos materiais porque  o ato declaratório dirige­se ao passado, não podendo ser revogado por uma IN, que se destina  ao futuro. Em termos formais, afirma que a Portaria SRF nº 1/2001 exige que ato declaratório  somente pode ser revogado por outro ato da mesma natureza.  Argumenta, ainda, que a revogação formal do Ato Declaratório n° 8/99 "sem  interrupção de sua força normativa" significa o  reconhecimento de que seus efeitos materiais  continuam  a  ser  produzidos  mesmo  depois  da  entrada  em  vigor  da  Instrução  Normativa  n°  252/02.  O  artigo  1º  da  Lei  nº  9.481/97,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.532/97,  dispõe:  Art.  1º  A  alíquota  do  imposto  de  renda  na  fonte  incidente  sobre  os  rendimentos  auferidos  no País,  por  residentes  ou  domiciliados  no  exterior,  fica  reduzida  para  zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997).  Fl. 27413DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     60 I  ­  receitas  de  fretes,  afretamentos,  aluguéis  ou  arrendamentos  de  embarcações  marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que  tenham sido aprovados pelas autoridades  competentes,  bem assim os pagamentos  de  aluguel  de  containers,  sobrestadia  e  outros  relativos  ao  uso  de  serviços  de  instalações portuárias,  À aplicação deste dispositivo, foi introduzida uma ressalva pelo artigo 8º da  Lei nº 9.779/99:  Art. 8º Ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIII, IX, X e XI do  art.  1º  da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, os  rendimentos decorrentes de  qualquer operação, em que o beneficiário seja  residente ou domiciliado em país  que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por  cento,  a  que  se  refere  o  art.  24  da  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  sujeitam­se à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte e cinco  por cento."   Em 29/01/1999, o Secretário da Receita Federal emitiu o Ato Declaratório nº  8, que estabelece:  O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, DECLARA:  I ­ não se aplica, aos contratos firmados até 31 de dezembro de 1998, a incidência  do imposto de renda na fonte, na forma do art. 8 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro  de 1999, relativamente aos rendimentos auferidos por residentes ou domiciliados  no  exterior,  decorrentes  de  fretes,  afretamentos,  aluguéis  ou  arrendamentos  de  embarcações marítimas  ou  fluviais  ou  de  aeronaves  estrangeiras,  bem  assim  de  aluguel  de  containers,  sobrestadia  e  outros  relativos  ao  uso  de  serviços  de  instalações portuárias, nas condições estabelecidas no inciso I do art. 1º da Lei n°  9.481, de 13 de agosto de 1997;  II ­ à hipótese referida no item anterior aplicar­se­á o disposto no art 1º, caput e §  2° da Lei n° 9.481. de 1997:  III  ­ o  tratamento  tributário a ser dispensado aos rendimentos  referidos no  item I  far­se­á  com  base  nos  correspondentes  instrumentos  contratuais,  a  serem  apresentados pela fonte pagadora no País.   Esse ato declaratório foi revogado pelo artigo 21 da Instrução Normativa SRF  nº 252, de 3 de dezembro de 2002, verbis:  Art. 21. Ficam formalmente revogados, sem interrupção de sua força normativa:  I ­ a Instrução Normativa SRF nº 33/00, de 23 de março de 2000;  II ­ os Atos Declaratórios SRF nº 99, de 1º de julho de 1998; nº 6, de 21 de janeiro  de 1999; nº 8, de 29 de janeiro de 1999; nº 43, de 18 de maio de 1999; nº 89, de 18  de novembro de 1999; e nº 90, de 19 de novembro de 1999.  [...]  Considerando o entendimento já exposto acima, de que os contratos firmados  pela  contratante,  Petrobras,  eram  artificialmente  bipartidos  e  constituíam  na  realidade  um  contrato único de prestação de serviços de técnicos de pesquisa e exploração de petróleo e gás,  não merecem acolhida as alegações da Recorrente.  Segundo  a  Recorrente,  o  Ato  Declaratório  nº  8/99  não  teve  a  sua  eficácia  interrompida  e,  portanto,  ainda  seria  cabível,  não  vigorando  a  alíquota  de  25%  estabelecida  Fl. 27414DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.385          61 pelo  artigo  8º  da  Lei  nº  9.779/99.  No  entanto,  o  referido  Ato  somente  aproveita  aos  rendimentos  decorrentes  de  fretes,  afretamentos,  aluguéis  ou  arrendamentos  de  embarcações  marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, o que  já restou demonstrado que não é o  presente caso.  Assim,  como  o Ato Declaratório  nº  8/99  não  se  aplica  aos  rendimentos  de  prestação de serviços técnicos, deve ser empregado a alíquota disposta no disposto no artigo 8º  da Lei nº 9.779/99, ou seja, 25% para as remessas de recursos relativas aos equipamentos de  nºs 139 (ALASKAN STAR SS39) e 140 (ATLANTIC STAR), cujo beneficiário é residente em  país de tributação favorecida (Ilhas Cayman).  Dessa  forma,  deixo  de  analisar  as  demais  razões  apresentadas  pelo  Recorrente sobre a impossibilidade de revogação do Ato Declaratório nº 8/99.  Dos conceitos de embarcação e plataforma  Alega a Recorrente que plataformas são de fato embarcações, fazendo jus à  alíquota zero prevista no artigo 691 do RIR/99, embora afirme que esse argumento não tenha  sido utilizado na fundamentação do lançamento, conforme demonstrado em sua preliminar de  nulidade da decisão recorrida.  Afirma que das 73 embarcações listadas no auto de infração, 26 são navios­ sonda, embarcações especiais diversas da plataforma, aos quais não se aplica a argumentação  introduzida pela decisão recorrida.  Aduz que, mesmo em relação às plataformas, não procede a argumentação de  que não são embarcações, conforme  jurisprudência do CARF e dos Tribunais,  assim como a  legislação tributária e as normas de direito marítimo.  Conforme  exposto  na  análise  da  preliminar  de  nulidade  suscitada  pela  Recorrente,  entendo que o Auto de  Infração não se  fundamentou na  tese de que plataformas  não são embarcações e  as  remessas não poderiam ser  submetidas a alíquota zero prevista na  legislação. Dessa forma, não cabe aqui a análise do mérito referente a esse tema.  Dos juros de mora sobre a multa de ofício  Por fim, a Recorrente se insurge contra a aplicação dos juros de mora sobre a  multa  de  ofício,  sob  o  argumento  de  que  nem  o  CTN  nem  a  legislação  ordinária  federal  amparam essa incidência.  Sobre essa questão, entendo que o §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ao se  referir aos juros incidentes sobre os débitos para com a União,  incluiu o tributo e a multa de  ofício, pois a multa também é um débito com a Fazenda Pública.   Art.61.  Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)  Fl. 27415DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     62 §1º  A  multa  de  que  trata  este  artigo  será  calculada  a  partir  do  primeiro  dia  subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da  contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados  à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente  ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)  Nesse  sentido  é  o  entendimento  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  conforme ementas abaixo:  JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO ­  APLICABILIDADE.   O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de  mora sobre a multa de ofício,  isto porque a multa de ofício  integra o “crédito” a  que se refere o caput do artigo.  É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem  ser calculados pela variação da SELIC.  Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região.  Recurso  Especial  Negado.  (Acórdão  nº  9202­001.806,  data  de  publicação:  29/11/2011,  relator:  Gustavo  Lian  Haddad,  redator  designado:  Elias  Sampaio  Freire).  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.   A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional.  Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de  mora,  devidos  à  taxa  Selic.  (Acórdão  nº  9101­01.191,  data  de  publicação:  17/10/2011,  relatora:  Karem  Jureidini  Dias,  redator  designado:  Claudemir  Rodrigues Malaquias).  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.   A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional.  Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de  mora,  devidos  à  taxa  Selic.  (Acórdão  nº  9101­000.539,  data  de  publicação:  02/07/2014, relator: Valmir Sandri, redatora designada: Viviane Vidal Wagner).  No  âmbito  do  Poder  Judiciário,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  tem  firmado entendido de que são devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se  depreende das ementas abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO DE  SEGURANÇA.  JUROS  DE MORA  SOBRE MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM  A  PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a  Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que: "É  legítima  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito  tributário.”  (REsp  1.129.990/PR,  Rel.  Min.  Castro Meira,  DJ  de  14/9/2009).  De  igual  modo:  REsp  834.681/MG,  Rel.  Min.  Teori  Albino  Zavascki,  DJ  de  2/6/2010.  2.  Agravo  regimental não provido. (grifei)  Fl. 27416DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.386          63 (AgRg no REsp 1.335.688­PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12)  TRIBUTÁRIO.  MULTA  PECUNIÁRIA.  JUROS  DE  MORA.  INCIDÊNCIA.  LEGITIMIDADE.  1. É  legítima  a  incidência  de  juros  de mora  sobre multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra o crédito tributário.  2. Recurso especial provido. (grifei)  (REsp nº 1.129.990­PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 1º/09/2009).  Portanto,  é  de  se  subsistir  a  incidência  de  juros  de mora  sobre  a multa  de  ofício.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  REJEITAR  a  preliminar  e,  no  mérito,  NEGAR provimento ao recurso.  (Assinado digitalmente)  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator          DECLARAÇÃO DE VOTO  Conselheiro Martin da Silva Gesto  Na sessão do mês de dezembro de 2015, o ilustre Conselheiro Relator Marco  Aurélio  de  Oliveira  Barbosa  apresentou  as  razões  do  seu  voto  e  o  colegiado,  por  maioria,  negou provimento ao recurso voluntário.  Apresento  aqui  minhas  homenagens  ao  Conselheiro  Marco  Aurélio  de  Oliveira Barbosa, porém tenho com a devida vênia algumas considerações a fazer.  Quanto ao mérito do recurso voluntário, sinto em divergir do Ilustre relator,  tendo em vista que, na minha compreensão, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de  seus negócios, a contribuinte opte por efetuar dois contratos com empresas distintas (inclusive  se  uma  pessoa  jurídica  esteja  vinculada  a  outra  que  seja  proprietária  da  embarcação),  para  afretamento do bem e outro para a sua operação. Neste sentido as soluções de consulta COSIT  nºs 225/2014 e 12/2015, que embora posteriores ao fato gerador da obrigação tributária, podem  elas  ser  lembradas no presente caso para corroborar as alegações da contribuinte, de modo a  demonstrar  que  no  caso  em  análise  não  ocorreu  um  planejamento  fiscal  abusivo  conforme  compreendido pela autoridade fiscal, tanto que já é atualmente aceito.  Assim, é plenamente possível, o que se reforça com base na atual redação do  §§ 2º e 7º do art. 1º da Lei nº 9.481, diante das alterações da Lei nº 13.043 de 13.11.2014, a  bipartição de contratos. Esclareço que não se está aplicando retroativamente a legislação, mas  Fl. 27417DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     64 tão somente demonstrando que a bipartição de contratos se trata de uma operação natural e não  artificial, estando atualmente inclusive prevista em lei.  Portanto,  é  possível  a  execução  simultânea  do  contrato  de  afretamento  (ou  aluguel  de  embarcações  marítimas)  e  contrato  de  prestação  de  serviços,  relacionados  à  prospecção e exploração de petróleo ou gás natural.  Desse  modo,  a  Fiscalização  estaria  alterando  a  forma  e  a  substância  de  contratos  típicos  de  direito  privado  e  com  isso  violando  os  artigos  109  e  110  do  Código  Tributário Nacional.  Entendo  que  a  parcela  relativa  ao  afretamento  ser  de  90%  não  destoa  da  legislação atual, que permite inclusive de 95% (85%, acrescido de 10% se com autorização do  Ministro).   Ressalvo,  ainda,  que  não  verifico  que  tenha  ocorrido  transferência  de  tecnologia  nos  contratos  em  questão,  de  modo  que  seja  considerado  o  pagamento  da  contribuinte como royalties.  Quanto a discussão se plataforma é embarcação, embora tenha sido afastada a  preliminar  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância,  de modo  clarear  a  decisão,  cumpre  ressaltar que a Lei nº 9.537, de 11 de dezembro de 1997, apresenta, em seu Art. 1º, § 2º, inciso  V, a definição de "embarcação":  V ­ Embarcação ­ qualquer construção, inclusive as plataformas  flutuantes  e,  quando rebocadas,  as  fixas,  sujeita a  inscrição na  autoridade marítima e  suscetível de  se  locomover na água, por  meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas;  Por sua vez , o inciso XIV do mesmo dispositivo supramencionado, aponta o  conceito do que seria uma "plataforma":  XIV  ­  Plataforma  ­  instalação  ou  estrutura,  fixa  ou  flutuante,  destinada  às  atividades  direta  ou  indiretamente  relacionadas  com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos  do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive  da plataforma continental e seu subsolo;  Ainda, merece  destacar  que  esta  Turma,  embora  com  outra  composição,  já  reconheceu  que  plataformas  seriam  embarcações marítimas. Na  ocasião  daquele  julgamento,  constou  no  voto  que  “a  alusão  ao  transporte  de  pessoas  ou  carga  não  constitui  elemento  finalístico  da  norma,  pois  o  verbo  utilizado  no  gerúndio,  significando  tão  apenas  a  suscetibilidade  do  transporte  de  pessoas  ou  cargas,  e  não  a  efetiviade  do mesmo  ou  a  sua  utilização  com  única  finalidade  econômico”  (Acórdão  2202­002.377).  Assim,  acordaram  os  membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício,  nos termos do voto do Conselheiro Relator Antonio Lopo Martinez.  Assim,  nos  termos  da  legislação  referida  anteriormente,  as  plataformas  (sejam fixas ou flutuantes) devem ser consideradas como embarcações. Ressalvo também que,  conforme  restou  julgado  no  Acórdão  2202­002.377,  que  a  destinação  para  o  transporte  de  pessoas  ou  cargas  não  constitui  elemento  essencial  para  o  enquadramento  das  plataformas  móveis no conceito de embarcação, impondose, assim, o reconhecimento da subsunção destas  na  alíquota  zero  do  Imposto  sobre  a  Renda  Retido  na  Fonte  prevista  no  art.  1º  da  Lei  nº  9.481/97.  Fl. 27418DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.387          65 Ante  o  exposto,  com  a  devida  vênia,  apresento  a  minha  divergência  ao  posicionamento do ilustre relator, encaminhando a presente declaração de voto, no sentido de  dar provimento ao recurso voluntário da contribuinte.  (Assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto    DECLARAÇÃO DE VOTO  Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio  Conforme já exposto no voto do ilustre Conselheiro Relator, a questão central  a  ser  resolvida  no  presente  processo  reside  na  suposta  artificialidade  dos  contratos  de  afretamento  e  prestação  de  serviço  firmados  pela  Recorrente  com  empresas  no  exterior  (afretamentos) e no Brasil (prestação de serviços).   O posicionamento adotado pela  fiscalização e confirmado pela 5ª Turma da  DRJ/SP1 e por esta 2ª Turma, da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, foi no sentido de que trata­ se de um único  contrato de prestação de  serviços. O valor pago a  título de afretamento para  empresa  domiciliada  no  exterior  seria,  na  verdade,  remuneração  de  prestação  de  serviços  da  mesma  natureza  daquele  prestado  pela  empresa  brasileira  e,  sendo  assim,  as  respectivas  receitas seriam receitas de prestação de serviços técnicos, a justificar a exigência de IRRF e da  CIDE.   Além  da  motivação  acima  exposta,  a  DRJ,  em  sua  decisão,  incluiu  fundamento  jurídico adicional no sentido de que, ainda que de fato existissem dois contratos  distintos a autuação deveria prevalecer, uma vez que a plataforma não seria embarcação para  usufruir do benefício previsto no artigo 691, do RIR /99.  Esse último argumento constitui clara inovação da motivação do lançamento  já reconhecida no voto do Conselheiro Relator . Assim, as questões jurídicas que delimitam a  lide se referem aos seguintes pontos  a)  análise  da  artificialidade  dos  contratos  de  afretamento  e  prestação  de  serviço de modo a justificar o lançamento de imposto de renda na fonte sobre os valores pagos  a título de afretamento para empresa no exterior;  b)  subsidiariamente,  caso  não  acolhido  o  pedido  de  inexistência  de  artificialidade  dos  contratos,  que  seja  analisado  se  os  valores  pagos  a  empresas  no  exterior  seriam serviços técnicos ou serviços gerais, pois, no caso dos últimos, a tributação não deveria  ocorrer em relação aos países que o Brasil possui tratado para evitar a bitributação   Os elementos trazidos pela fiscalização para demonstrar a artificialidade dos  contratos foram, resumidamente, os seguintes:  a)  falta  de  razoabilidade  em  se  afirmar  que  o  custo  do  afretamento  de  plataforma  seria  superior  ao  custo da  gestão  comercial  de modo  a  justificar o pagamento de  apenas 10% do montante total para as empresas brasileiras prestadoras de serviço  Fl. 27419DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     66 b) Os contratos foram pactuados com empresas do mesmo grupo  c)  Existência  de  diversas  cláusulas  contratuais  estabelecendo  a  vinculação  entre os contratos.   Em relação a falta de razoabilidade da imputação do montante de 10% para  pagamento de serviço e 90% para afretamento de embarcações é importante ressaltar que não  foi trazido pela fiscalização qualquer elemento no sentido de comprovar a arbitrariedade desses  valores. Nesse sentido, deveria a autoridade fiscal  ter  juntado ao  trabalho fiscal as provas de  que os contratos autônomos de afretamento possuíam o valor bem inferior ao imputado e que a  prestação de serviços, em verdade, foi remunerada em montantes superiores aos pactuados. A  falta de razoabilidade desses montantes não pode ser presumida, deve ser comprovada, a teor  do disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional.   De  todo  modo,  a  razoabilidade  dos  montantes  utilizados  foi  reconhecida,  posteriormente,  pelo  legislador  federal  na  Lei  n  13.043,  de  13.11.2014  que  acrescentou,  por  meio de seu artigo106, diversos parágrafos ao artigo 1º da Lei 9.481/97, nesses termos:  "Art. 1 ­ A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os  rendimentos  auferidos  no  País,  por  residentes  ou  domiciliados  no  exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses:  I­  receitas  de  fretes,  afretamentos,  aluguéis  ou  arrendamentos  de  embarcações  marítimas  ou  fluviais  ou  de  aeronaves  estrangeiros,  feitos  por  empresas,  desde  que  tenham  sido  aprovadas  pelas  autoridades  competentes,  bem  como  os  pagamentos  de  aluguel  de  contêiners,  sobrestadia  e  outros  relativos  ao  use  de  serviço  de  instalações portuárias;  (...)  §2º  No  caso  do  inciso  I  do  caput  deste  artigo,  quando  ocorrer  execução  simultânea  do  contrato  de  afretamento  e  aluguel  de  embarcações  marítimas  e  do  contrato  de  prestação  de  serviço,  relacionados  à  prospecção  e  exploração  de  petróleo  ou  gás  natural  celebrados  com  pessoas  jurídicas  vinculadas  entre  si,  do  valor  total  dos contratos a parcela relativa ao afretamento de aluguel não poderá  ser superior a:  I  ­  85%  (oitenta  e  cinco  por  cento),  no  caso  de  embarcações  com  sistemas  flutuantes  de  produção  e/ou  armazenamento  e  descarga  (Floating Production Systems ­ FPS);  II ­ 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistemas  do  tipo  sonda  para  perfuração,  completação,  manutenção  de  poços  (navios­sonda); e  III  ­  65%  (sessenta  e  cinco  por  cento),  nos  demais  tipos  de  embarcações.  §3ª  ­  Para  cálculo  dos  percentuais  previstos  no  §2º,  o  contrato  celebrado  em moeda  estrangeira  deverá  ser  convertido  para  Real  à  taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda pelo  Banco Central do Brasil,   Fl. 27420DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.388          67 §4ª Em caso de repactuação ou reajuste dos valores de quaisquer dos  contratos, as novas condições deverão ser consideradas para  fins de  verificação  do  enquadramento  das  remessas  de  afretamento  nos  limites previstos no §2º.  §5ª  ­ Para  fins de enquadramento das  remessas de afretamento nos  limites previstos no §2ª, deverá ser considerado o efeito da variação  cambial.  §6º  A  parcela  do  contrato  de  afretamento  que  exceder  os  limites  estabelecidos no §2ª sujeita­se à incidência do imposto de renda retido  na  fonte  à  alíquota  de  15%  (quinze  por  cento)  ou  de  25%  (vinte  e  cinco  por  cento)  quando  a  remessa  for  destinada  a  país  ou  dependência  com  tributação  favorecida,  ou  quando  o  arrendante  ou  locador for beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos  arts. 24 e 24­A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  §7ª  ­ Para efeitos do disposto no §2º,  será considerada vinculada a  pessoa  jurídica  proprietária  da  embarcação  marítima  sediada  no  exterior  e  a  pessoa  jurídica  prestadora  de  serviço  quando  forem  sócias,  direta  ou  indiretamente,  em  sociedade  proprietária  de  ativos  arrendados ou locados.  §8º  ­  O Ministro  da  Fazenda  poderá  elevar  ou  reduzir  em  até  10  (dez) pontos percentuais os limites de que trata o §2º. (grifamos)   O legislador federal estabeleceu, por presunção, quais seriam os valores que  poderiam  ser  imputados  à  título  de  afretamento.  Para  simplificar  a  apuração  da  prova  dos  valores envolvidos, o  legislador imputou os  limites acima estabelecidos. Assim, deixou claro  que, ultrapassados esses limites, o ônus da prova da não ocorrência do fato gerador passa a ser  do  contribuinte.  Sendo  assim,  a  contrario  sensu,  estabeleceu  que,  até  esses  limites,  o  contribuinte  está dispensado de provar o valor pago a  título de afretamento de embarcações.  Em outras palavras, o legislador deixou claro que os limites apontados pela fiscalização (10%  pagos  a  título  de  serviço  e  90% a  título  de  afretamento)  não  são  irreais  ou  artificiais. Tanto  assim, que foram sido utilizados como parâmetros legais.   Como  destaca  Ricardo  Mariz  de  Oliveira8  as  razões  que  justificam  a  aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes:    ­  a  ocorrência  do  fato  gerador  é  constatada  a  partir  de  fatos  conhecidos  e  comprovadamente existentes;  ­  há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de  materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de  caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador);  ­   o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e  autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador;  ­  a  presunção  não  é  absoluta,  admitindo  prova  em  contrário  pelo  contribuinte,  característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa;                                                              8 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de    ­ Presunções  no Direito Tributário.  In Martins  Ives Gandra da Silva  (coord.).  Presunções  no  Direito  Tributário.  São  Paulo:  Centro  de  Estudos  de  Extensão  Universitária  e  Editora  Resenha  Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299­300  Fl. 27421DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     68 ­  trata­se de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência  do  gerador,  pela  comprovação  de  outros  fatos,  também  desconhecidos,  mas  hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos)    O que se constata, portanto, é que os montantes estabelecidos pelo legislador  fazem  prova  a  favor  do  contribuinte  até  os  limites  por  ele  estabelecidos.  Como  se  trata  de  presunção, esses limites tem que tomar como parâmetro fatos conhecidos e comprovadamente  existentes.  Além  disso,  deve  haver  correlação  lógica  entre  o  fato  conhecido  e  o  fato  desconhecido  cuja  existência  se  quer  provar  (fato  gerador). Em outras  palavras,  a  presunção  estabelecida pela lei  tem que  tomar como base o que usualmente ocorre nessas contratações,  pois,  do  contrário,  teria  sido  estabelecida  uma  ficção.  Em  resumo,  a  alteração  legal  acima  transcrita  demonstra  os  parâmetros  apontados  pela  fiscalização  não  são  indícios  de  artificialidade  dos  contratos.  Pelo  contrário,  a  normalidade  desses  parâmetros  prescinde  de  prova,  tanto  assim  que  foram  adotadas  pelo  legislador. Quando muito,  poderiam  autorizar  a  incidência do Imposto de Renda na fonte relativo ao percentual de 5% que ultrapassa o limite  legal.     A segunda razão apontada pela fiscalização para demonstrar a artificialidade  dos contratos seria o fato de terem sido pactuados com empresas vinculadas. Nesse ponto, mais  uma vez, a própria lei considera perfeitamente aceitável a contratação com empresas do mesmo  grupo . Tanto assim que o §2ºdo artigo 1ºda Lei nº 9.481/97 fala especificamente da "execução  simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de  prestação de  serviços,  relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural  ,  celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si.     Apontou  ainda  a  fiscalização  como prova da  artificialidade dos  contratos  a  existência  de  cláusulas  contratuais  prevendo  solidariedade  entre  as  empresas  em  relação  a  certas obrigações contratuais, assim como prazo de apuração idêntico para ambos os contratos  (prazo mensal). No entanto, tais cláusulas não trazem em si qualquer sinal de simulação, abuso  de  direito  ou  artificialidade. Trata­se dos  chamados  contratos  coligados. Conforme esclarece  Orlando Gomes:      “os contratos coligados são queridos pelas partes contratantes como  um  todo.  Um  depende  do  outro  de  tal  modo  que  cada  qual,  isoladamente seria desinteressante. Mas não se fundem. Conservam a  individualidade própria. (...). Cada qual é a causa do outro, formando  uma  unidade  econômica,  Enfim,  a  intenção  das  partes  é  que  um  não  exista sem o outro” (Contratos. Ed.Forense, Rio de Janeiro, p.121­122).  (grifamos)  A  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  por  sua  vez,  reconhece  a  existência de contratos coligados, especialmente na apuração da responsabilidade contratual:    RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. OFENSA AO  ART.  535  DO  CPC  NÃO  CONFIGURADA.  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. DISSÍDIO  JURISPRUDENCIAL.  COTEJO  ANALÍTICO.  NECESSIDADE.  CONTRATOS  COLIGADOS.  UNIDADE  DE  INTERESSES  ECONÔMICOS.  RELAÇÃO  DE  INTERDEPENDÊNCIA  EVIDENCIADA.  EXCEÇÃO  DE  CONTRATO  NÃO  CUMPRIDO.  TÍTULO EXECUTIVO. INEXIGIBILIDADE.  Fl. 27422DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.389          69 (...)  4.  A  unidade  de  interesses,  principalmente  econômicos,  constitui  característica principal dos contratos coligados.  5. Concretamente, evidenciado que o contrato de financiamento se  destinou,  exclusivamente,  à  aquisição  de  produtos  da  Companhia  Brasileira de Petróleo Ipiranga, havendo sido firmado com o propósito  de incrementar a comercialização dos produtos de sua marca no Posto  de  Serviço  Ipiranga,  obrigando­se  o  Posto  revendedor  a  aplicar  o  financiamento  recebido  na  movimentação  do  Posto  de  Serviço  Ipiranga,  está  configurada  a  conexão  entre  os  contratos,  independentemente da existência de cláusula expressa.  6.  A  relação  de  interdependência  entre  os  contratos  enseja  a  possibilidade de arguição da exceção de contrato não cumprido.  7. Na execução, a exceção de contrato não cumprido incide sobre a  exigibilidade  do  título,  condicionando  a  ação  do  exequente  à  comprovação  prévia  do  cumprimento  de  sua  contraprestação  como  requisito  imprescindível  para  o  ingresso  da  execução  contra  o  devedor.(REsp  985531  /  SP,  T3  ­  TERCEIRA  TURMA,  Ministro  VASCO  DELLA  GIUSTINA  (DESEMBARGADOR  CONVOCADO  DO TJ/RS) DJe 28/10/2009)  Dessa forma, as cláusulas contratuais mencionadas pela  fiscalização não são  um  indicativo  de  que  se  tratam  de  negócios  jurídicos  inexistentes  ou  artificiais, mas  que  as  partes reconhecem, voluntariamente, que foram firmados contratos coligados. Como ressaltou  a Recorrente, justifica­se negocialmente o seu interesse de que o afretamento de embarcações e  a  prestação  dos  serviços  sejam  contratadas  com  empresas  vinculadas  entre  si,  de  forma  a  proporcionar  maior  grau  de  segurança  e  garantia  o  fornecimento  concomitante  dos  objetos  contratuais,  já que  a execução de  serviços  sem plataforma é  impossível  e o  fornecimento de  embarcação sem execução dos serviços inútil.  Como visto,  os  contratos  coligados  possuem autonomia, mas  são  acessórios  uns  dos  outros.  Representam,  nas  palavras  de  Orlando  Gomes,  uma  "unidade  econômica".  Diante disso,  é  importante verificar  se,  para  efeitos  tributários,  podem ser  tratados  como um  contrato único como pretendido pela autoridade fiscal. A resposta dada pelo Supremo Tribunal  Federal no julgamento da Reclamação nº 14.290, publicada no dia 20/06/2014, é negativa. Na  referida ação, a reclamante pretendia que o serviço prestado não sofresse a incidência do ISS  em  razão  do  disposto  na  Súmula  Vinculante  31  que  determina  a  inconstitucionalidade  da  incidência do  Imposto  sobre Qualquer Natureza­  ISS na  locação de bens móveis. O  tribunal  entendeu que o fato dos serviços serem cobrados juntamente com a locação não desnaturava a  distinção entre os contratos. Em outros termos, o fato dos contratos coligados terem sido objeto  de cobrança única, não os desnaturava como contratos distintos:     DIREITO  TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  CIVIL.  IMPOSTO  SOBRE  SERVIÇOS  DE  QUALQUER  NATUREZA.  INCIDÊNCIA  EM  CONTRATOS  MISTOS.  LOCAÇÃO  DE  MAQUINÁRIO  COM  OPERADORES.  RECLAMAÇÃO.  ALEGAÇÃO  DE  DESCUMPRIMENTO  DA  SÚMULA  VINCULANTE  31.  DESCABIMENTO.  A  Súmula  Vinculante  31,  que  assenta  a  inconstitucionalidade  da  incidência  do  Imposto  sobre  Serviços  de  Fl. 27423DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     70 Qualquer  Natureza  –  ISS  nas  operações  de  locação  de  bens  móveis,  somente  pode  ser  aplicada  em  relações  contratuais  complexas  se  a  locação de bens móveis estiver claramente segmentada da prestação de  serviços,  seja  no  que  diz  com  o  seu  objeto,  seja  no  que  concerne  ao  valor  específico  da  contrapartida  financeira.  Hipótese  em  que  contratada  a  locação  de  maquinário  e  equipamentos  conjuntamente  com a disponibilização de mão de obra especializada para operá­los,  sem  haver,  contudo,  previsão  de  remuneração  específica  da  mão  de  obra  disponibilizada  à  contratante.  Baralhadas  as  atividades  de  locação  de  bens  e  de  prestação  de  serviços,  não  há  como  acolher  a  presente  reclamação  constitucional.  Agravo  regimental  conhecido  e  não provido.  Em  seu  voto,  a  Ministra  Relatora  Rosa  Weber  ressalta  que,  quando  da  discussão da Súmula Vinculante nº 31, os Ministros deixaram claro que nos casos  em que  a  locação de serviços for fornecida juntamente com a prestação de serviços (contratos coligados  ou mistos)  deveria  ser  feita  a  segmentação  das  incidências,  ainda  que  a  cobrança  não  fosse  destacada. Para comprovar seu raciocínio a Ministra reproduziu os debates que deram origem a  súmula, neste termos:     O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO ­ Sim, mas a pergunta é a  seguinte: existem, neste caso, locação de móvel e prestação de serviço,  ou existem ambas ?   O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA ­ Tem as duas coisas,  mas o que aparece é só a locação de móveis.   O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO ­ Então a locação de móvel  não tem incidência, mas a prestação de serviço tem.   O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA ­ Mas, como eu disse,  não  vejo  essas  questões  periféricas  que  podem  surgir  aí,  podem  ser  resolvidas  em  reclamação  e  em  outros  procedimentos.  Não  vejo  nenhum problema.   O  SENHOR  MINISTRO  CEZAR  PELUSO  ­  O  meu  receio  é  exatamente que  se  raciocine nestes  termos: quando associadas,  elas  ficam sujeitas a imposto? Não ficam.   A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA ­ O que o Ministro Peluso  aponta é sério. Nós temos que dar uma redação que não gere dúvida,  porque,  poder  resolver  por  reclamação,  é,  de  início,  já  acentuarmos  que poderá haver dúvida.   O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO  ­  [...] Veja  bem:  estamos  afirmando  que  é  inconstitucional  quando  incide  sobre  locação  de  móveis, mas só quando é dissociada da operação de serviço. Quando  for associada, cabe imposto? Não. Então, a referência a dissociada é  desnecessária, porque, quando associada, também não incide.   Quando  há  contrato  de  locação  de  móveis  e,  ao  mesmo  tempo,  prestação de serviço, a locação de móveis continua não suportando o  imposto; o serviço, sim. Se não  tiver nenhuma ligação com prestação  de  serviço,  também  continua  não  suportando;  não  há  incidência.  Noutras  palavras,  o  dissociada  aí  realmente  é  inútil  e  pode  gerar  dúvida.  E,  quando  for  associada,  está  sujeita  ao  imposto  sobre  prestação de serviço?   A meu ver, com o devido respeito, não há prejuízo algum ao sentido  das  inúmeras  decisões,  se  for  cortada  a  expressão  final  "dissociada  Fl. 27424DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.390          71 da  prestação  de  serviço".  É  inconstitucional  a  incidência  sobre  locação  de  móveis,  só.  Portanto,  o  que  o  agravante  poderia  ter  discutido, mas  não  o  fez,  é  a  necessidade  de  adequação  da  base  de  cálculo do ISS para refletir apenas o vulto econômico da prestação de  serviços,  sem  a  parcela  de  retribuição  relativa  à  locação  de  bem  móvel. (grifamos)    Como se verifica, os Ministros entenderam que, mesmo quando se faça uma  única  cobrança,  a  natureza  jurídica  dos  contratos  (locação  e  prestação  de  serviço)  não  desaparece.  Essa  conclusão  é  especialmente  importante  porque,  mesmo  que  prevaleça  o  entendimento  da  fiscalização  no  sentido  de  que  foi  feito  um  único  contrato  artificialmente  bipartido para gerar economia tributária, era fundamental que tivesse sido feito o arbitramento  dos  valores  pagos  a  título  de  afretamento  (art.  148  do  CTN).  Dessa  forma,  a  incidência  do  IRRF  não  poderia  ser  feita  tomando  como  base  de  cálculo  100%  dos  valores  remetidos  ao  exterior, mas apenas sobre os percentuais praticados pela Recorrente e aqueles estabelecidos na  lei.   Além  disso,  é  importante  ressaltar  que  a  própria  Coordenação  Geral  de  Tributação ­ COSIT se pronunciou sobre a legalidade da operação realizada pela Recorrente na  Solução de Consulta nº 225, de 19/08/2014, nestes termos:  Assunto: Imposto de Renda Retido na Fonte  Ementa: AFRETAMENTO DE NAVIOS SONDA  POSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO  DA  ALÍQUOTA  ZERO  DE  IRRF SOBRE OS VALORES REMETIDOS AO EXTERIOR  O pagamento, crédito ou emprego da contraprestação do contrato  de afretamento de navios sonda está sujeito ao IRRF.   Dispositivos  legais:  inciso  I,  do  artigo  1º  da  Lei  9.481,  de  13  de  agosto  de  1997,  inciso  I  do  artigo  691  do Decreto  nº  3000,  de  1999  (RIR/1999) e art. 2º da Instrução Normativa nº 1.455, de 06 de março  de 2014.  (...)  14.  O  centro  da  questão  é  a  forma  de  contratação  dos  referidos  navios sonda para operação no Brasil, que será feito por meio de dois  contratos  distintos:  (i)  contrato  de  afretamento;  e  (ii)  contrato  de  prestação  de  serviço.  O  primeiro  contrato  será  efetuado  entre  a  consulente  ,  que  é  uma  empresa  domiciliada  no  exterior,  e  uma  empresa  brasileira  da  área  de  petróleo  e  gás.  Já  o  contrato  de  prestação  de  serviços  para  operação  do  navio  sonda  será  efetuado  entre a empresa brasileira da área de petróleo de gás. Já o contrato de  prestação  de  serviços  para  operação  do  navio  sonda  será  efetuado  entre  a  empresa  brasileira  da  área  de  petróleo  e  uma  empresa  operadora brasileira.  Fl. 27425DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO     72 15.  É  certo  que  as  empresas  são  livres  para  montar  os  seus  negócios e para contratar na forma que melhor entenderem, visando a  otimização de suas operações e obtenção de lucros. Essa liberdade não  é absoluta pois tem como limite a observância das leis.   16. Portanto, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na  gestão  de  seus  negócios,  determinada  empresa  opte  por  efetuar  dois  contratos  com  empresas  distintas,  uma  para  afretamento  do  bem  e  outra para sua operação.   (...)  Conclusão   Com base no exposto, conclui­se:  (...)  23. As empresas são livres para administrar os seus negócios e para  contratar  da  forma  que melhor  entenderem,  visando  a  otimização  de  suas operações e a obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta,  pois tem como limite a observância das leis.   24.  Respeitados  os  aspectos  acima  citados  nesta  solução  de  consulta,  o  pagamento,  crédito,  emprego  ou  remessa  da  contraprestação  do  contrato  de  afretamento  de  navios  sonda  está  enquadrado  no  inciso  I  do  art  1º  da  Lei  nº  9.481,  de  1997,  estando  sujeita à alíquota zero do IRRF   A partir da entrada em vigor da Instrução Normativa RFB nº 1396, de 16 de  setembro de 2013, as soluções de Consulta Cosit e as Soluções de divergência passaram a ter  efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil. É o que dispõe o seu artigo 9º:  "Art.  9º  A  solução  de  Consulta  Cosit  e  a  Solução  de  Divergência,  a  partir da data de sua publicação, tem efeitos vinculante no âmbito da  RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar , independente de ser  o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangidas,  sem  prejuízo  de  que  a  autoridade  fiscal,  em  procedimento  de  fiscalização, verifique o seu efetivo enquadramento."(grifamos)  Verifica­se,  assim,  que,  a  partir  de  19/08/2014  (data  da  publicação  da  Solução de Consulta nº 225), a fiscalização não poderá promover autuações sobre as operações  objeto do presente processo, desde que observados os limites legais.   Todavia, cumpre verificar se tal entendimento deveria ser aplicado a hipótese  dos autos, uma vez que este se refere à fatos geradores ocorridos em 2009. De acordo com o  disposto no artigo 106, inciso II, alínea "a" a resposta é afirmativa. Veja­se:  "Art. 106 ­ A lei aplica­se a ato ou fato pretérito   I  (...)  Fl. 27426DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Processo nº 16682.721312/2013­91  Acórdão n.º 2202­003.063  S2­C2T2  Fl. 27.391          73 II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de definí­lo como infração" (grifamos)  Assim,  o  CTN  prevê  que,  desde  que  o  ato  não  tenha  sido  definitivamente  julgado (como é a hipótese dos autos), a lei deverá ser retroativamente aplicada. É exatamente  por isso que o artigo 17 da Instrução Normativa nº 1396 de 2013, traz a seguinte determinação:  Art. 17. Na hipótese de alteração do entendimento expresso em Solução  de Consulta sobre interpretação da legislação tributária e aduaneira, a  nova orientação alcança apenas os fatos   geradores que ocorrem depois da sua publicação na Imprensa Oficial  ou  depois  da  ciência  do  consulente,  exceto  se  a nova  orientação  lhe  for  mais  favorável.  Caso  em  que  esta  atingirá,  também,  o  período  abrangido pela solução anteriormente dada.   O artigo acima transcrito é um reflexo das previsões contidas no artigo 146 e  106 do CTN. Isso porque o artigo 146 veda, expressamente, a revisão de lançamento que tenha  por fundamento a modificação dos critérios jurídicos. Tal alteração só poderá ser utilizada em  lançamentos futuros. O artigo 106, por outro lado, prevê que a lei tributária aplica­se a ato ou  fato pretérito quando deixe de definir  o  fato  como  infração ou quando  lhe  aplica penalidade  menos severa, bastando, para tanto, que ele não tenha sido definitivamente julgado.   Em face de todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário.   (Assinado digitalmente)  Junia Roberta Gouveia Sampaio                            Fl. 27427DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO

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6278885 #
Numero do processo: 12897.000280/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento dos Recursos em diligência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Júlio César Alves Ramos ficaram vencidos quanto ao objeto da diligência. O Conselheiro Robson José Bayerl votou pelas conclusões e fará declaração de voto. Júlio César Alves Ramos - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1944; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12897.000280/2009­34  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3401­000.900  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  09 de dezembro de 2015  Assunto  PIS E COFINS FATURAMENTO.  Recorrente  HALLIBURTON SERVIÇOS LTDA. E FAZENDA NACIONAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL E HALLIBURTON SERVIÇOS LTDA.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por maioria,  converter  o  julgamento  dos  Recursos em diligência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de  Almeida  e  Júlio  César  Alves  Ramos  ficaram  vencidos  quanto  ao  objeto  da  diligência.  O  Conselheiro Robson José Bayerl votou pelas conclusões e fará declaração de voto.  Júlio César Alves Ramos ­ Presidente.   Eloy Eros da Silva Nogueira ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César  Alves Ramos  (Presidente), Robson  José Bayerl, Augusto Fiel  Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da  Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio,  Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.      Relatório    Trata  este  processo  de  autos  de  infração  que  exigem:  (a)  COFINS  e  (b)  PIS  (regime cumulativo) e ( c) PIS (regime não cumulativo). Além dos tributos, são exigidas multa  de ofício e juros de mora.  A autoridade fiscal constatou os seguintes fatos que justificaram a autuação:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 28 97 .0 00 28 0/ 20 09 -3 4 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 12897.000280/2009­34  Resolução nº  3401­000.900  S3­C4T1  Fl. 3          2 Fato 1 ­ "Créditos decorrentes da não cumulatividade na apuração do PIS e da  COFINS, apropriados  indevidamente, sobre o valor integral de aquisição de bens ou serviços  incorporados ao ativo imobilizado, não se observando a correta determinação (calculada sobre  a  depreciação  ou  amortização,  quando  fosse  o  caso),  ainda  que  a  utilização  tenha  sido  na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;"  A  contribuinte  concordou  com  esta  infração  e  providenciou  o  pagamento  dos  tributos no que lhe corresponde. Ele, assim, deixou de compor o contraditório.  Fato  2  ­  ao  comparar  a  DACON,  DCTF  e  demonstrativos  apresentados  pela  contribuinte,  constatou  falta  de  recolhimento  dessas  contribuições  sociais,  nas  seguintes  situações:  (2.a)  Pagamentos,  registrados  na  linha  guia  complementar  dos  demonstrativos  apresentados. e nos valores de R$ 1.112.641,14, relativo a COFINS, e R$  241.724,68,  relativo  ao  PIS,  mês  de  jan/2005,  sem  que  estes  valores  tenham sido declarados em DCTF, ainda que recolhidos.  (2.b)  Compensações,  registradas  na  linha  Compensação  ­  DCOMP  dos  demonstrativos apresentados nos valores de R$ 15.635,37, R$ 185.061,35  e R$458.146,68, relativos a COFINS, e R$ 3.387,65, R$ 40.177,79 e R$  99.337,04,  relativos  ao PIS, meses de  junho, agosto  e dezembro/2005,  sem  que  tenham  sido  declarados  em  DCTF  ou  sidos  contemplados  em  PER/DCOMP.  Transcrevo excertos do termo fiscal (fls. 75/78), para elucidar a interpretação da  autoridade fiscal para explicar a autuação:  Em  relação  a  natureza  das  constatações  acima,  o  contribuinte  apresentou  esclarecimentos ao longo da ação fiscal, informando a apresentação de parte das  PERD/DCOMP pendentes para todos os débitos ainda não regularizados;  Entretanto foi verificado que os valores acima, não estão contemplados em  DCTF ou PER/DCOMP;  Independentemente  do  mérito,  o  saldo  de  créditos  acumulados  ou  o  pagamento,  não  desoneram  o  contribuinte  das  obrigações  acessórias  relacionadas com o débito;  Assim  sendo,  torna­se  imperativo  a  constituição  do  crédito  tributário  apurado  nos  DACON  apresentados  pelo  contribuinte  (que  não  são  demonstrativos  constitutivos  do  crédito  tributário  ainda  que  reflitam  a  escrituração contábil), haja vista a falta de declaração dos valores em DCTF e a  inexistência de crédito vinculado aos débitos apurados, em DCOMP, conforme  informado nos demonstrativos respectivos.  (GRIFOS EM NEGRITO ACRESCIDOS)  A contribuinte impugnou as exigências e apresentou as razões por que entende  elas não devem prosperar, que,  em resumo feito pelo  relator do  acórdão de 1º piso que aqui  reproduzo pela sua clareza e objetividade, são:  Fl. 195DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 12897.000280/2009­34  Resolução nº  3401­000.900  S3­C4T1  Fl. 4          3 A  Impugnante  tem  como  objeto  social  a  prestação  de  serviços  relacionados  a  atividade  de  perfuração  de  poços  de  petróleo  e  tem  como  principal  cliente  a  empresa Petróleo Brasileiro S.A ­ PETROBRAS. Ressalte­se que face a inclusão  das  sociedades  de  economia  mista  no  rol  de  empresas  obrigadas  a  efetuar  a  retenção na fonte imposto de renda, da CSLL, da COFINS e da contribuição para  o PIS/PASEP, a que se refere o art. 64 da Lei n° 9.430/96, por força do artigo 34  da Lei n° 10.833/03, a pessoa jurídica é, desde a sua vigência, credora do fisco  federal em decorrência da referida retenção;  Assim sendo, as compensações realizadas, ainda que não declaradas, devem ser  consideradas  como  válidas  para  fins  de  cumprimento  da  obrigação  principal,  bem como a aplicação de penalidade acessória carece de razoabilidade;  Em primeiro lugar, porque a Impugnante termina por tomar mais crédito fiscal,  pois as retenções representam valor maior do que o dos tributos a recolher, em  face da apuração de seus resultados finais. Isso implica em indisponibilidade de  capital  da  Impugnante,  na  medida  em  que  a  compensação  de  tais  valores  é  integralmente  inviável,  considerando  que  seus  débitos  fiscais  são  menores  do  que o crédito, e a restituição dos mesmos é demorada e, por isso mesmo, pouco  interessante;  Ressalte­se,  ainda,  que  alguns  valores  utilizados  nos  cálculos  de  compensação  das  referidas  contribuições,  encontravam­se  em  análise  junto  a  Delegacia  da  Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro, visto tratarem de  créditos oriundos de decisão judicial;  A Impugnante obteve via decisão judicial créditos do PIS e COFINS decorrente  da  Lei  n°  9.718/98,  cujo  deferimento  aos  Pedidos  de  Habilitação  de  Crédito  Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado  somente  foi  possível  através de ordem judicial, visto que a fiscalização insistia no indeferimento dos  pedidos por conta da falta de apresentação da desistência da execução do titulo  judicial ou a comprovação da renúncia de sua execução, bem assim a assunção  de  todas  as  custas  e  os  honorários  advocatícios  referentes  ao  processo  de  execução, o que não procede em Mandado de Segurança;  Tal  morosidade  na  homologação  dos  pedidos  referentes  aos  Processos  de  números  10768.003242/2007­11  e  10768.003243/2007­66,  resultou  na  impossibilidade de transmitir os PER/DCOMPs necessários para os cruzamentos  de  informações  referente  aos  débitos  fiscais  de  2006  relacionados  ao  PIS,  COFINS, IRPJ e CSLL e respectivas declarações (DCTF);  Como os créditos decorrentes da Lei n° 9.718/98 deveriam, por  força do prazo  prescricional/decadencial,  serem  utilizados  preliminarmente  antes  dos  créditos  oriundos das retenções da Petrobrás, as PER/DCOMP's eletrônicas não puderam  ser  transmitidas até que os Pedidos de Habilitação de Crédito Reconhecido por  Decisão Judicial Transitada em Julgado fossem homologados;  Não  há  como  declarar  em  DCTF  débitos  fiscais  sem  as  respectivas  PER/DCOMPs pois os mesmos seriam objeto de inscrição em divida ativa;  Esclarecemos,  ainda,  que  a  cada  pedido  de  compensação  efetuado,  e  seus  respectivos  cruzamentos  de  dados,  resultam  sempre  em  divergências  de  informações gerando dificuldade na obtenção da Certidão Negativa de Débitos  fiscais junto a própria Receita Federal do Brasil, documento imprescindível para  Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 12897.000280/2009­34  Resolução nº  3401­000.900  S3­C4T1  Fl. 5          4 participações em licitações, tendo como principal cliente a Petrobrás que assim a  exige por força de exigência legal;  Esclarecemos,  ainda,  que  os  Pedidos  Eletrônicos  de  Compensação  (PER/DCOMP)  somente  seriam  recepcionados  pela  Receita  Federal  do  Brasil  após prévia habilitação do referido crédito nesta delegacia conforme disposto no  artigo 51 da IN 600/2005;  Uma  vez  deferido  o  pedido  em  tela,  as  devidas  PER/DCOMP's  seriam  transmitidas  e,  consequentemente,  os  respectivos  números  de  controle  seriam  gerados para que a sociedade pudesse informá­los nas DCTF's ora em discussão;  Diante de todo o exposto vemos que o Auto de Infração ora Impugnado, deve ser  considerado ATO NULO,  já  que  afetado  de  insanáveis  vícios  e  insubsistência  dentro  do  nosso  universo  jurídico.  A  nulidade  que  pretende­se  ver  declarada,  após o exame desta peça recursal, é explicita e virtual;  A  primeira  porque  contraria  expressamente  dispositivos  legais  existentes.  A  segunda pois, também, infringe os princípios específicos do direito público, qual  seja a aplicação de multa de natureza arrecadatória e não punitiva, haja vista que  a  aplicação  da  cobrança  do  valor  do  imposto  compensado  e  não  declarado  é  demasiadamente excessiva e injusta;  A decretação de nulidade em nada  compromete o  erário público,  já que  faz­se  juntada  na  presente  Impugnação  de  todos  os  elementos  necessários  para  o  deferimento  do pedido  em questão. Logo,  como  ato  administrativo  ilegítimo  e  ilegal, deve esta Delegacia da Receita Federal, acatando à lei e aos princípios do  direito  administrativo,  decretar  a  sua  anulação,  invalidando,  assim,  o  Auto  de  Infração ora Impugnado.  Os  julgadores  de  1º  piso  traçam  os  limites  que  identificam  os  tributos  e  os  períodos de apuração objeto deste processo:   · PIS ­ janeiro, junho, agosto e dezembro todos de 2005;  · COFINS ­ maio, junho, agosto e dezembro todos de 2005.  Eles  acolhem  as  razões  postas  pela  contribuinte  para  afastar  a  exigência  com  relação a PIS no mês de  janeiro/2005 e COFINS de maio/2005. Por ultrapassar o  limite eles  recorrem de ofício desta decisão ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  Com  relação  aos  demais  meses  de  apuração  desse  tributos,  os  julgadores  entenderam que  o  teor  do  artigo  74  da Lei  9.430,  de 1996,  com a  redação  dada  pela Lei  n.  10.637, de 30/12/2002, prevalece sobre as razões expostas pela contribuinte para explicar por  que efetuou a compensação sem usar o sistema PER/DCOMP da Receita Federal. E que, sendo  assim,  julgaram  procedente  o  lançamento  com  relação  ao  PIS  e  ao  COFINS  nos  meses  de  apuração de junho, agosto e dezembro de 2005. Em suas palavras:  "...a partir da edição da Lei 10.637, de 2002, os contribuintes com crédito perante  a  Fazenda  Nacional,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado  poderão  utilizá­los na compensação de débitos próprios mediante entrega de declaração na  qual  constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos."  "Com  efeito,  a  partir  das  normas  legais  acima  tratadas,  que  alteraram  substancialmente os procedimentos relativos ao instituto da compensação entre os  Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 12897.000280/2009­34  Resolução nº  3401­000.900  S3­C4T1  Fl. 6          5 sujeitos  passivo  e  ativo  da  relação  tributária,  a  mesma  tem  como  condição  fundamental a caracterizar o encontro de contas entre débito e crédito a entrega,  pelo sujeito passivo, da Declaração de Compensação."  "Independente de problemas outros suscitados pelo contribuinte, e em que pesem  suas  ponderações,  a  partir  da  Lei  n°  10.637/2002,  a  compensação  pressupõe  a  declaração respectiva. Caso não exista, conseqüentemente, não há que se falar em  compensação."  "No  caso  vertente,  o  próprio  contribuinte  informa  que  não  apresentou  suas  Declarações de Compensação o que, efetivamente,  firma a correção do presente  lançamento de ofício com vista a constituição do crédito tributário."    O Acórdão n.º 13­39.879 proferido pela respeitável 5ª turma da 2ª Delegacia da  Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ RJ2) ficou assim ementado:  Acórdão  13­39.879 ­ 5a Turma da DRJ/RJ2   Sessão de   15 de fevereiro de 2012   Processo  12897.000280/2009­34   Interessado  HALLIBURTON SERVIÇOS LTDA   CNPJ/CPF  29.504.214/0001­87   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período  de  apuração:  01/01/2005  a  31/01/2005,  01/05/2005  a  30/06/2005,  01/08/2005 a 31/08/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005   PAGAMENTOS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  Cancela­se  o  lançamento  quando  comprovada  a  extinção  do  crédito  tributário  mediante pagamento integralizado em data anterior à ciência do auto de infração.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  EXTINÇÃO.  CONDIÇÃO  RESOLUTORIA.  IMPLEMENTAÇÃO.  INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  A  compensação  será  efetuada  mediante  a  entrega,  pelo  sujeito  passivo,  de  declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos  respectivos débitos compensados.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte    A  contribuinte  ingressou  com  recurso  voluntário  por  meio  do  qual  repisa  as  razões já expostas em sua impugnação.  É o relatório.    Voto  Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade.    Sobre o recurso de ofício:    Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 12897.000280/2009­34  Resolução nº  3401­000.900  S3­C4T1  Fl. 7          6 Ao verificar os documentos que instruem o processo, chego à mesma conclusão  do colegiado recorrente: 1) que o valor de PIS lançado pela autoridade fiscal como do PA de  maio  de  2005  de  fato  se  refere  a  janeiro  de  2005;  2)  que  há  pagamentos  prévios  ao  procedimento fiscal que quitaram os valores devidos de COFINS e do PIs referentes ao PA de  janeiro de 2005.  Portando, proponho a este colegiado negar provimento ao recurso de ofício.    Sobre o recurso voluntário:    S.m.j., parece­me que o cerne em debate reside na fronteira entre o cumprimento  de  obrigações  acessórias  (a  formalização  dos  valores  devidos  de  tributo,  a  formalização  das  compensações  sujeitas  a homologação)  e a quitação,  tempestiva ou não. dos valores devidos  dos tributos.  A  contribuinte  alega  que  é  prestadora  de  serviços  à  Petrobrás  e  sofre  as  retenções na fonte do PIS e da COFINS, e que, inclusive, é credora dessas contribuições junto  à Fazenda Nacional. Alega, ainda, possuir decisão judicial transitada em julgado proferida em  mandado de segurança nesse sentido.  Explica que deixou de cumprir a formalidade acessória indicada pela autoridade  fiscal  por que  a autoridade  fiscal  de  jurisdição,  para habilitar  do  crédito de base me decisão  judicial, exigia a desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia da  sua  execução,  bem  assim  a  assunção  das  custas  e  honorários.  Mas  que  essa  exigência  administrativa não se aplicaria a mandados de segurança, que era o caso, e que essa demora foi  o que impediu a transmissão tempestiva dos PER/DCOMPS necessários para os cruzamentos  de informações referentes aos débitos fiscais e respectivas DCTFs.  E acrescentaram:   Como os créditos decorrentes da Lei n° 9.718/98 deveriam, por  força do prazo  prescricional/decadencial,  serem  utilizados  preliminarmente  antes  dos  créditos  oriundos das retenções da Petrobrás, as PER/DCOMP's eletrônicas não puderam  ser  transmitidas até que os Pedidos de Habilitação de Crédito Reconhecido por  Decisão Judicial Transitada em Julgado fossem homologados;  Não  há  como  declarar  em  DCTF  débitos  fiscais  sem  as  respectivas  PER/DCOMPs pois os mesmos seriam objeto de inscrição em divida ativa;   Esclarecemos,  ainda,  que  a  cada  pedido  de  compensação  efetuado,  e  seus  respectivos  cruzamentos  de  dados,  resultam  sempre  em  divergências  de  informações gerando dificuldade na obtenção da Certidão Negativa de Débitos  fiscais junto a própria Receita Federal do Brasil, documento imprescindível para  participações em licitações, tendo como principal cliente a Petrobrás que assim a  exige por força de exigência legal;  Ao analisarmos a motivação da autoridade fiscal, encontramos que ela concluiu  que  seria  necessária  "a  constituição  do  crédito  tributário  apurado  nos DACON  apresentados  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 12897.000280/2009­34  Resolução nº  3401­000.900  S3­C4T1  Fl. 8          7 pelo  contribuinte  (que  não  são  demonstrativos  constitutivos  do  crédito  tributário  ainda  que  reflitam  a  escrituração  contábil),  haja  vista  a  falta  de  declaração  dos  valores  em DCTF  e  a  inexistência de crédito vinculado aos débitos apurados, em DCOMP, conforme informado nos  demonstrativos respectivos."  A  autoridade  fiscal  afirma  essa  necessidade  de  constituição  do  crédito  independentemente do eventual saldo credor:  Independentemente  do  mérito,  o  saldo  de  créditos  acumulados  ou  o  pagamento,  não  desoneram  o  contribuinte  das  obrigações  acessórias  relacionadas com o débito;  Como disse  logo no  início desse voto,  salvo melhor  interpretação, o cerne em  debate  reside na  fronteira entre o cumprimento de obrigações acessórias  (a  formalização dos  valores  devidos  de  tributo,  a  formalização  das  compensações  sujeitas  a  homologação)  e  a  quitação, tempestiva ou não. dos valores devidos dos tributos.    Quanto à necessidade de constituir o crédito por via auto de infração:  Defendo a importância das obrigações acessórias. Creio que elas concorrem para  os interesses públicos e para os interesses do contribuinte e do controle fiscal. Tanto no aspecto  dos  deveres  para  ambos  os  lados,  quanto  no  aspecto  dos  direitos.  Por  isso,  quando  não  promovida por retificação espontânea, justificável que se possa obtê­la por iniciativa de ofício.  Contudo,  entendo  que  o  cumprimento  das  formalidades  não  pode  deixar  de  contemplar todos os elementos substantivos que lhe estão relacionados. Constituir o crédito e  exigir o crédito são distintos entre si.  Ou  seja,  sublinho minha visão de que  é possível  a  constituição do  crédito por  iniciativa  de  ofício,  independente  da  existência  de  saldo  credor  dos  pagamentos  e  recolhimentos desse  tributo  (como argumentado pela autoridade  lançadora), mas, divergindo,  por outro lado, da decisão da autoridade tributária, defendo que não se pode exigir pagamento  de  tributo que  já  foi pago ou  recolhido, ou  exigir multa de ofício por  falta de pagamento de  tributo que foi tempestivamente pago ou recolhido.  No  caso  em  apreço,  defendo que  a  exigência  final  do  crédito  constituído  pelo  auto  de  infração  leve  em  conta  os  pagamentos  e  recolhimentos  do  tributo  respectivo,  sua  tempestividade e suficiência para se considerar estar quitando os valores que seriam devidos.  Por  questões  de  interesse  público  no  controle  fiscal  sobre  as  operações  de  compensação  de  crédito  tributário,  a  Lei  n.  9.430,  de  1996,  (artigo  74)  estabeleceu  as  bases  para o disciplinamento desse tipo de operação. E a norma posta pela  lei é que o contribuinte  poderá efetuar compensação mediante declaração prestada à Receita Federal.  Portanto, a meu ver, o contribuinte não tem o direito de proceder à compensação  de forma unilateral.  Contudo,  a  autoridade  fiscal  e  tributária  tem  a  competência  para  verificar  os  valores de crédito e débito, a admissibilidade de sua compensação e se dela resulta a extinção  ou não de crédito tributário, independente de terem sido cumpridas as formalidades postas pelo  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 12897.000280/2009­34  Resolução nº  3401­000.900  S3­C4T1  Fl. 9          8 artigo 74 da Lei n.  9.430, de 1996. Entendo que  a obrigação  acessória não pode suplantar  a  verdade material da existência ou não dos créditos e débitos e do encontro de contas.  Este processo administrativo fiscal é procedimento que aprecia a existência dos  valores de débito e de crédito, conforme alegados pela contribuinte. A contribuinte pede, em  última analise, que sejam aceitas as compensações.  S.m.j.,  esposo  o  entendimento  que  o  descumprimento  da  obrigação  acessória  definida pelo art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, possa ser superado pela decisão da autoridade  tributária que verifica a correção e procedência da compensação pretendida pela contribuinte.  Com relação à alegação da recorrente de que a multa de ofício não é razoável,  parece­me que a razão não assiste a contribuinte. Há previsão legal para se exigir a multa de  ofício  sobre  tributos  não  pago.  Assim,  entendo  que  não  se  pode  dar  provimento  ao  rcurso  voluntário  neste  aspecto. Ocorre  que,  se  aceita  a  compensação  pedida  pela  contribuinte,  por  decorrência, a multa de ofício somente se justificaria para os créditos não extintos.    Proposta: realização de diligência:    Mas  o  que  consta  do  processo,  no  levantamento  feito  pela  autoridade  fiscal  e  demais documentos que  instruem o processo, não me permitiram determinar qual o eventual  saldo credor, quais os valores recolhidos e os retidos, e sua tempestividade se for o caso.  Por isso, proponho a realização de diligência para que se possa:  1.  apurar  a  existência  das  retenções  na  fonte  dos  tributos  em  comento,  como afirmado pela contribuinte;  2.  apurar  a  existência dos valores de  tributos que  teriam sido pagamentos  indevidos  ou  a  maior  que  o  devido,  tendo  por  base  a  decisão  judicial  apontada pelo contribuinte;  3.  apurar  em  que  medida  cada  um  desses  valores  não  foi  utilizado  ou  aproveitado,  ­  por  exemplo,  reduzir  tributos  devidos  em  períodos  de  apuração  posteriores  ­,  e  possa  se  constituir  em  saldo  para  utilização  quitação  ou  compensação  dos  tributos  nos  períodos  de  apuração  em  discussão nesta lide;  4.  informar  e  em  que  medida  os  saldos  acima  referidos  satisfaçam  os  valores  devidos  dos  tributos  nos  períodos  de  apuração  em  discussão  nesta lide.  5.  juntar cópias das DACONs de todo o anop de 2005.  6.  Prestar  as  informações  que  entender  necessárias  e  que  concorram  para  elucidar os cálculos e o contraditório.  Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 12897.000280/2009­34  Resolução nº  3401­000.900  S3­C4T1  Fl. 10          9 7.  Notificar  a  contribuinte  dessa  decisão  e  também  das  informações  e  conclusões  prestadas  pelas  autoridades  administrativa  e  fiscal  em  atendimento à diligência requerida. Oferecer à contribuinte prazo de 30  dias para se manifestar a respeito do resultado da diligência.  Com essas informações espero que o colegiado reúna melhores condições para  decidir  a  lide,  inclusive  para  apreciar  o  entendimento  aqui  exposto  de  que  o  resultado  da  verificação fiscal, nessa diligência, possa passar a  ter o condão do reconhecimento de direito  creditório, seja ou não resultante de indébito, como constatação deste processo administrativo.  Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.    Declaração de voto   Conselheiro Robson José Bayerl,  Serve  a  presente  declaração  de  voto  para  ressalvar  a  discordância  parcial  das  teses expendidas pelo relator, na fundamentação da conversão em diligência, com elas não me  comprometendo quando do retorno do processo para julgamento.  Robson José Bayerl.    Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA

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6300199 #
Numero do processo: 11020.002529/2005-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUMINÁRIAS E SUAS PARTES. As luminárias ainda que constituídas de metais comuns, não se classificam no capítulo 72 do Sistema Harmonizado mas sim no capítulo 94, mais precisamente na posição 9405.10.93. As partes de luminárias, na posição 9405.9900. Em ambos os casos por aplicação das regras gerais de classificação de números 1 e 6. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Se a classificação fiscal incorretamente utilizada pelo sujeito passivo implicar recolhimento a menor do imposto sobre produtos industrializados, é devido o imposto e sobre ele a multa prevista no art. 45 da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 3401-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Eufrásio e Leonardo Branco
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 230          1 229  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11020.002529/2005­69  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­003.083  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de janeiro de 2016  Matéria  Classificação Fiscal  Recorrente  LUMIBRAS INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA  Recorrida  DRJ PORTO ALEGRE    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2001  CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUMINÁRIAS E SUAS PARTES.  As luminárias ainda que constituídas de metais comuns, não se classificam no  capítulo  72  do  Sistema  Harmonizado  mas  sim  no  capítulo  94,  mais  precisamente  na  posição  9405.10.93.  As  partes  de  luminárias,  na  posição  9405.9900.  Em  ambos  os  casos  por  aplicação  das  regras  gerais  de  classificação de números 1 e 6.  MULTA  DE  OFÍCIO.  CABIMENTO.  Se  a  classificação  fiscal  incorretamente utilizada pelo sujeito passivo implicar recolhimento a menor  do imposto sobre produtos industrializados, é devido o imposto e sobre ele a  multa prevista no art. 45 da Lei 9.430/96.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento  ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.    JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Presidente e Relator.     EDITADO EM: 06/03/2016  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Alves  Ramos,  Rosaldo  Trevisan,  Augusto  Fiel  d'Oliveira,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira, Waltamir  Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Eufrásio e Leonardo Branco     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 29 /2 00 5- 69 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     2   Relatório  Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da decisão recorrida:  Trata­se de Auto de  Infração  lavrado em 09/08/2005,  referente  ao  período  de  31/10/2004  a  31/12/2004,  no  valor  total  de  R$  196.575,99, fls.05/08, por lançamento a menor do Imposto sobre  Produtos Industrializados (IPI).  Os  enquadramentos  legais  das  irregularidades  apuradas,  bem  assim  dos  acréscimos  legais,  estão  discriminados  dos  dispositivos das fls. 07/08 e 11.  Conforme Relatório de Verificação Fiscal, 14/17, o  lançamento  a menor de IPI se deu pela saída de produtos “perfil Tb”, “perfil  de  luminária”,  “luminária”  e  “luminária  pública”,  com  classificação  fiscal  incorreta.  Consta  nas  fls.  18/105,  relatório  de divergências de alíquotas dos produtos mencionados. Informa  ainda o auditor que o estabelecimento não  formalizou processo  de consulta sobre classificação fiscal de mercadorias.  Regularmente  cientificado,  em  25/08/2005,  conforme  consta  do  auto  de  infração,  06,  o  autuado  apresentou  impugnação  tempestiva  em  23/09/2005,  fls.  177/189,  na  qual,  após  breve  relato  dos  fatos,  alega,  em  preliminar,  a  nulidade  do  Auto  de  Infração por cerceamento do pleno direito de defesa, por não ter  demonstrado o  fisco  as  razões  que  o  levaram a  transmudar  as  classificações fiscais de seus produtos adotadas originariamente.  No mérito, sustenta como correta a classificação fiscal adotada  aos  perfis  produzidos  na  posição  7212.4070,  alíquota  5%,  invocando  a  Regra  Geral  3,  “a”  (RGI  3,  “a”),  para  interpretação  do  Sistema  Harmonizado  de  Designação  e  de  Codificação  de  Mercadorias  (SH),  que  dispõe  que  a  posição  mais  específica  prevalece  sobre  a  mais  genérica,  sendo  a  posição  que  adotou  a  que  lhe  é  mais  favorável.  Diz  que  a  classificação adotada pelo  fisco  esbarra  na  disposição  da  nota  1.d do capítulo 72. Impugna a aplicação da multa de ofício, pois  entende que no máximo seria cabível a multa de mora e também  por duplicidade, já que no processo 11020.000393/2005­52 está  sendo exigida multa regulamentar prevista no art. 12, II, da Lei  n° 8.218/91. Ao final, impugna a exigência de juros de mora pela  taxa Selic.  É o Relatório.  A ele julgo necessário acrescer o que disse a autoridade autuante às fls. 35/36  (Relatório de Auditoria Fiscal):  (...)  O  contribuinte  tem  por  principal  atividade,  conforme  a  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  ­  DIPJ  entregue  pelo  contribuinte,  relativa  os  anos­ Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.002529/2005­69  Acórdão n.º 3401­003.083  S3­C4T1  Fl. 231          3 calendários  2000  e  2001,  a  fabricação  de  luminárias  e  equipamentos de iluminação luminárias e suas partes.  (...)  2.1­DA  CORRETA  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DOS  PRODUTOS  A) PERFIL Tb  Classificação fiscal correta: 9405.99.00  Dispositivos  legais: RGI 1(texto da posição 9405) e 6  (texto da  subposição  9405.9)  da  TIPI  aprovada  pelos  Decretos  de  n°s.  2.092/1996 e 3.777/2001, e subsídios das Notas Explicativas do  Sistema  Harmonizado  de  Designação  e  de  Codificação  de  Mercadorias ­ NESH, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de  janeiro de 1992, e alterações posteriores.  Ressalte­se que, para corroborar o entendimento, de acordo com  as  ilustrações  dos  produtos  industrializados  pela  empresa  (folhas xx), e amostra entregue pelo contribuinte, o produto em  epígrafe é parte de luminária.  Igualmente  de  relevo  que  as  expressões  "perfil  luminária"  e  "luminária"  constam nas próprias notas fiscais emitidas pela empresa.  A DRJ julgou o lançamento procedente.  O  recurso  voluntário  repete  as  alegações  de  nulidade  e  de  correção  na  classificação adotada pela empresa  e contra  a aplicação de multa. Especificamente  contra os  argumentos da decisão, afirma:  Inicialmente,  se  observa  nos  autos  que  a  autoridade  administrativa se utilizou de um confuso procedimento fiscal que  tornou  irregulares  as  alíquotas  obtidas  pela  Recorrente,  em  decorrência  da  reclassificação  fiscal  dos  produtos  vendidos,  para classificações diversas das utilizadas pela empresa.  E é nesse ponto que reside a deficiência formal ora reclamada,  que cerceia a defesa. Afinal, são desconhecidas da Recorrente as  razões  que  levaram  o  Fisco  a  transmudar  as  diversas  classificações  fiscais adotadas originariamente pela empresa, o  que  o Fisco  fez  sem  qualquer  análise  técnica  dos  produtos,  ou  outra, que justificasse a modificação.  No tocante a este pleito da Litigante, a DRJ afirmou através do  Acórdão Recorrido que “consta no relatório fiscal, fls. 35/38 um  item  específico  para  cada  produto  que  foi  classificado,  com  o  respectivo fundamento legal (fl. 694).  Todavia,  esta  alegação  não  é  totalmente  acertada,  pois,  conforme se analisa do relatório fiscal nas fls. 36 e 37, este tão  somente esclarece qual seria a classificação fiscal correta para  o Perfil Tb, Perfil de Luminária, e Luminária, bem como cita a  base legal apta a fundamentar tais afirmações, sem, no entanto,  Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     4 explicar  o  porquê  do  enquadramento  dos  vários  produtos  negociados pela Recorrente dentre estes elencados no relatório.  Destaque­se  então,  que,  a  despeito  da  breve  fundamentação  contida  no  Acórdão  combatido  visando  contrapor­se  à  clara  nulidade  alegada  pela  Recorrente,  novamente  não  fioou  esclarecida  a  razão  pela  qual  o  Fisco  considerou  os  inúmeros  produtos  comercializados  pela  Litigante  como  pertencentes  a  uma das categorias mencionadas no relatório fiscal nas fls. 36 e  37.  Ademais, ressalve­se, conforme se infere da fl. 36, letra "b", em  parte  o  Fisco  fundamenta  a  classificação  por  ele  tida  como  correta,  em  Solução  de  Consulta  prolatada  pela  Superintendência  Regional  da  Receita  Federal  da  10a  RF,  transcrevendo apenas sua ementa. Nesse viés, considerando que  as consultas formuladas e as correspondentes respostas não são  disponibilizadas  à  Litigante,  também  cerceia  a  defesa  o  uso  dessas  para  inferir  ilações  que  redundam  em  exigibilidades  tributárias.  Nesse rumo, ainda cabe esclarecer que a consulta referenciada  não  foi  formulada  pela  Recorrente,  não  podendo  ser  incluída,  portanto,  nos  atos  administrativos  de  caráter  normativo,  referenciados no art. 438 do RIPI/98.   Veja­se,  então,  que  existe,  além  do  outro  já  mencionado,  mais  um fundamento que obstaculiza o direito de defesa da Litigante.   Contudo, no que tange a esta alegação, mais uma vez, o Acórdão  prolatado pela DRJ de Porto Alegre, optou por manter a dúvida  da  Recorrente,  na  medida  em  que,  cingiu­se  a  tão  somente  reproduzir  a  Solução  de  Consulta  questionada,  alegando  que  “oportunamente,  a  fiscalização  citou  a  Solução  de  Consulta  SRRF  105  RF  n°  17,de  02  de  março  de  2001,  proferida  no  processo 11020. 002518/00­21" (fl. 695).  Percebe­se,  desta  maneira,  que  não  houve  qualquer  manifestação  no  Acórdão  Recorrido  quanto  às  questões  levantadas  pela  Litigante  em  sede  de  Impugnação  capaz  de  aclarar as confusas alegações apresentadas pelo Fisco no Auto  de Infração.  Quanto ao mérito, insiste que os produtos que fabrica inserem­se no capítulo  72 por força da nota de capítulo 1.d do capítulo 94. E que:  Contra  esta  alegação,"a  DRJ  proferiu  no  Acórdão  Recorrido  estarem  corretas  as  inserções  dos  produtos  da  Litigante  no  capítulo 94 da TIPI, fundamentando sua decisão na nota 1.k, da  seção XV, da referida tabela (fl. 694,verso). Tal nota explica que  não é possível introduzir “os artefatos do Capítulo 94" na seção  XV, que trata dos metais comuns e suas obras.  Todavia, este argumento em nada acrescenta ao presente caso,  haja  vista  que  é  o  próprio  Fisco  quem  pretende  enquadrar  os  produtos  da  Recorrente  no  capítulo  94  da  TIPI,  e  não  a  Recorrente. Veja­se então, que a Litigante não está contrariando  a  regra disposta na nota 1.k da seção XV, ao contrário do que  alega o Acórdão Recorrido.  Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.002529/2005­69  Acórdão n.º 3401­003.083  S3­C4T1  Fl. 232          5 Portanto, em síntese, a alegaçãozdo ­Acórdão, no que se refere a  este ponto, apenas defende que os artefatos do capítulo 94 não  são considerados pertencentes ao grupo de metais comuns e suas  obras.  Entretanto,  os  produtos  da  Recorrente,  conforme  restou  demonstrado neste  item 2.2 do Recurso,  inserem­se no capítulo  72, e, com isso não existem razões que fundamentem a inclusão  deste argumento no Acórdão prolatado.  E  finaliza  o  recurso  pugnando  estar  correta  sua  classificação  com  base  na  RGC 3.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS  O recurso é tempestivo. Deve­se dele conhecer, portanto.  Começando  pela  alegação  de  nulidade  do  auto  de  infração,  é  preciso  reconhecer  que  a  peça  de  acusação  é  absolutamente  franciscana  no  vernáculo,  ao  passo  que  prolixa  em  planilhas,  circunstância  que  temos  observado  caracterizar  os  trabalhos  fiscais  elaborados  por  engenheiros  de  formação.  Apesar  disso,  partilho  a  conclusão  da  relatora  da  decisão de primeiro grau: ele contém o estritamente necessário para a plena defesa do autuado.  Senão vejamos.  Como  transcrevi  no  relatório,  é  a  própria  empresa  quem  declara,  em  sua  DIPJ,  ser  fabricante  de  luminárias  e  partes  de  luminárias.  Essa  afirmação  não  é  por  ela  rechaçada nem na impugnação nem no recurso voluntário, assim como, também já o disse no  relatório, consta expressamente em notas fiscais por ela mesma emitidas.  Destarte,  carece de qualquer substância  a afirmação do  recurso,  repetindo a  impugnação,  sobre  não  saber  a  razão  pela  qual  a  fiscalização  pretende  enquadrar  os  seus  produtos  no  capítulo  94. A  razão  é  simplesmente  que  aí  se  enquadram  as  luminárias  e  suas  partes pela aplicação das regras de classificação do sistema harmonizado, exatamente aquelas,  aliás, mencionadas  pelos  autuantes  no  relatório  de  auditoria  fiscal. Assim  o  disse  o  acórdão  atacado e disso não discrepo.  Dos produtos objeto de controvérsia, apenas os perfis tb, que não contêm em  sua  denominação  comercial  qualquer  indicação  de  se  tratar  de  partes  de  luminárias,  é  que  poderiam  ensejar  alguma  dificuldade  à  defesa  não  fosse  a  ressalva  feita  pelas  autoridades  autuantes e já reproduzida por mim no relatório:   Ressalte­se que, para corroborar o entendimento, de acordo com  as  ilustrações  dos  produtos  industrializados  pela  empresa  (folhas xx), e amostra entregue pelo contribuinte, o produto em  epígrafe é parte de luminária.  Também  quanto  a  ela  não  há  insurgência  do  contribuinte,  devendo­se  presumir verdadeiras  as  afirmações  fiscais,  ainda  que  não  tenha  eu  conseguido  localizar  nos  autos as tais ilustrações.  Fl. 234DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     6 Por fim, no que concerne à referência a uma solução de consulta, não vejo em  que  ela  possa  ter  prejudicado  a  defesa:  a  transcrição  da  ementa  serve,  ao  contrário,  para  ratificar que, no entender da SRF, luminárias se classificam no capítulo 94. Mas não foi com  base  exclusivamente  nela  que  a  autoridade  fiscal  responsável  pelo  lançamento  promoveu  a  classificação dos produtos: ela se baseou nas regras de classificação (RGI e RGC) e nas notas  explicativas  do  sistema  harmonizado  (NESH)  que  expressamente  mencionou  no  auto  de  infração.  Destarte, rejeito a preliminar de nulidade e avanço ao mérito do recurso.  E para a análise da correta classificação, julgo indispensável repetir aqui que  a  empresa  não  contestou  em  momento  algum  ser  fabricante  de  luminárias  e  partes  de  luminárias, entre as quais se inclui mesmo o produto intitulado sucintamente "perfis tb", título,  aliás, dado pela própria empresa.   Parte­se,  portanto,  desse  ponto:  queremos  classificar,  para  efeitos  de  tributação pelo IPI, partes de luminárias e luminárias.  E com essa premissa em mente, impossível discordar da análise empreendida  pela  autoridade  que  me  precedeu  no  julgamento  do  processo,  que  peço  vênia  para  aqui  transcrever:  A classificação defendida pelo contribuinte na posição 72.12 da  TIPI que  compreende “produtos  laminados planos,  de  ferro ou  aço  não  ligados,  de  largura  inferior  a  600  mm,  folheados  ou  chapeados, ou revestidos”, não pode ser acatada.  ­  Primeiro,  porque  os  “perfis”  produzidos  pelo  impugnante  possuem  características  próprias  para  uso  em  luminárias,  e  a  Nota  1  k)  da  Seção  XV  (Metais  comuns  e  suas  obras),  a  qual  pertence  o  Capítulo  72,  determina  que  essa  Seçao  não  compreende os artefatos do Capítulo 94, vejamos:  SEÇÃO XV  METAIS COMUNS E SUAS OBRAS  Notas  1 .A presente Seção não compreende:  k)  os  artefatos  do  Capítulo  94  (por  exemplo:  ...aparelhos  de  iluminação...)  Segundo,  porque  a  alinea  “c”  da  Nesh  da  seção  XV,  que  compreende  o  capítulo  72,  elemento  subsidiário  de  caráter  fundamental  para  a  correta  interpretação  do  conteúdo  das  posições e subposições, bem como das notas de seção, capítulo,  posições e subposições da Nomenclatura do SH, esclarece que as  partes de obras que possam manifestamente reconhecer­se como  tais  incluem­se  nas  posições  a  elas  referentes,  conforme  transcrição abaixo:  C. ­ PARTES  De  um  modo  geral.  as  partes  de  obras  que  possam  manifestamente reconhecer­se como tais incluem­se nas posições  a elas referentes. (griƒei)  Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.002529/2005­69  Acórdão n.º 3401­003.083  S3­C4T1  Fl. 233          7 Página 1210:   Inversamente, as partes e acessórios de uso geral (ver a Nota 2  da  Seção),  quando  se  apresentem  isolados,  não  se  consideram  partes  e  seguem  o  seu  próprio  regime.  É  o  que  sucederia,  por  exemplo,  com  as  cavilhas  concebidas  especialmente  para  radiadores  de  aquecimento  central  ou  ainda  com  as  molas  especiais  para automóveis. As  cavilhas  classificar­se­iam  como  cavilhas na posição 73.18, e não como partes de radiadores da  posição  73.22,  enquanto  as  molas  caberiam  na  posição  73.20,  referente a molas, e não na posição 87.08, que abrange partes e  acessórios de automóveis.  Não  há  dúvida  de  que  os  perfis  produzidos  pelo  contribuinte,  possuem características próprias para uso em luminárias, mais  especificamente, são parte de luminárias.  Era contra essa premissa básica que deveria se insurgir o contribuinte em seu  recurso,  demonstrando  que  seus  produtos  não  possuem  características  próprias  para  uso  em  luminárias. Isso, no entanto, contrariaria as ilustrações e os exemplares exibidos à fiscalização.   Prossegue a decisão:  (...)  Assim, deve­se verificar em qual capítulo da seção se enquadram  as  luminárias,  pois,  repetindo,  as  partes  de  luminárias  são  incluídas  nas  posições  das  luminárias,  conforme  nota  acima  referida.  As  luminárias  classificam­se  na  posiçao  9405  da  TIPI  que  compreende, entre outros artefatos, os aparelhos de iluminação  e  suas partes,  não especificados nem compreendidos  em outras  posições. Não há divergência quanto a  esta classificação, pois,  conforme salientado inicialmente, o contribuinte também utilizou  posição  9405  da  TIPI,  para  classificar  as  luminárias  por  ele  produzidas.  No  que  se  refere  à  classificação  dos  perfis  Tb  e  perfis  de  luminárias,  a  classificação  adotada  pelo  fisco,  a  contrário  do  que alega o impugnante, não esbarra na disposição da nota  l.d  do capítulo 94, pois os produtos “perfis Tb e perfis de luminária  não  são partes de metais comuns e  suas obras, mas  são partes  que integram a luminária.  Sendo os “perfis tb e os perfis de luminária” partes destinadas a  integrar  a  luminária  e  não  estando  eles  especificados  nem  compreendidos  em  outra  posição  da  Nomenclatura,  devem,  conseqüentemente,  ser  enquadrados  nessa  posição  94.05  da  TIPI.  Assim, tendo em vista o texto e as NESH da seção XV, torna­se  claro  que  os  “perfis”  produzidos  pelo  impugnante,  se  classificam na posição 9405 da TIPI, de acordo com a RGI 1.  Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     8 No  âmbito  da  posição  9405,  os  “perfis”  classificam­se  nas  subposições  99.00  e  as  luminárias  nas  subposições  10.93,  com  exceção  das  utilizadas  na  iluminação  pública  e  na  posição  40.10, no caso das utilizadas na  iluminação pública, de acordo  com a RGI 6  Desse modo, pelas RGI 1, RGI 6 e Regra Geral Complementar 1  (RGC­1), a classificação dos produtos em questão são no código  9405.99.00 da TIPI, em se tratando de perfis, e 9405.10.93, em  se tratando de luminárias ou 9405.40.10, caso sejam luminárias  utilizadas na iluminação pública.  A essas abalizadas considerações, apenas julgo oportuno acrescer que a RGI  3, subsidiariamente arguida pela empresa em seu recurso, se aplicável, tampouco lhe ajudaria.  Com efeito, estabelece ela:  Regra 3  Quando pareça que a mercadoria pode classificar­se em duas ou  mais posições por aplicação da regra 2 b) ou por qualquer outra  razão, a classificação deve efetuar­se da forma seguinte:  a)  a  posição  mais  específica  prevalece  sobre  as  mais  genéricas.  todavia,  quando  duas  ou  mais  posições  se  refiram,  cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas  de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas  um  dos  componentes  de  sortidos  acondicionados  para  venda  a  retalho,  tais  posições  devem  considerar­se,  em  relação  a  esses  produtos  ou  artigos,  como  igualmente  específicas,  ainda  que  uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da  mercadoria.  b)  os  produtos  misturados,  as  obras  compostas  de  matérias  diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as  mercadorias  apresentadas  em  sortidos  acondicionados  para  venda  a  retalho,  cuja  classificação  não  se  possa  efetuar  pela  aplicação  da  regra  3  a),  classificam­se  pela matéria  ou  artigo  que  lhes  confira a  característica  essencial,  quando  for possível  realizar esta determinação.  c)  nos casos em que as regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar  a  classificação,  a  mercadoria  classifica­se  na  posição  situada  em  último  lugar  na  ordem  numérica,  dentre  as  suscetíveis  de  validamente se tomarem em consideração.    Como  se  vê,  para  sua  aplicação  é  preciso  que  a  mesma  mercadoria  possa  validamente se classificar em mais de uma posição. Para tanto, é estritamente necessário que as  regras que lhe antecedem, isto é, as RGI 1 e 2 não permitam identificar uma exata posição para  a mercadoria por classificar.  No caso presente, como bem aduzido no acórdão de que ora se recorre, tem  precisa aplicação a RGI 1:  Regra 1  Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.002529/2005­69  Acórdão n.º 3401­003.083  S3­C4T1  Fl. 234          9 Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor  indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada  pelos  textos das posições e das notas de seção e de capítulo e,  desde  que  não  sejam  contrárias  aos  textos  das  referidas  posições e notas, pelas regras seguintes.  Destarte, só se passa à regra 2 se a primeira regra não permitir a classificação.  E só se também com a 2 não for possível é que se faz uso da regra 3.  No  presente  caso,  todavia,  tem­se,  de  um  lado,  uma  nota  de  capítulo  que  impede  a  classificação  no  capítulo  72  e  um  texto  de  posição  que  abarca  "aparelhos  de  iluminação", como são as luminárias.   Por  fim,  tem­se uma definição nas Notas  explicativas que permite discernir  entre  partes  de  uso  geral  e  específico.  O  contribuinte  nada  trouxe  em  seu  recurso  para  demonstrar que os perfis tb e perfis de luminárias por ele fabricados possam ter outro uso que  não em luminárias.   No  que  tange  à  inaplicabilidade  da  multa  de  ofício,  também  não  se  pode  acolher o pleito do contribuinte.  Isso porque a classificação fiscal por ele pretendida implicou recolhimento a  menor do tributo. Para tais casos, a legislação é clara em determinar seja ela exigida1.  Tem  razão  o  contribuinte  quando  aduz  que  esse  art.  45  da  Lei  9.430  foi  formalmente revogado pelo artigo 40 da Lei 11.488. O motivo para tanto, todavia, não é o que  pretende  o  contribuinte.  É  que,  como  se  observa  da  citação,  aquele  artigo  45  modificava  a  redação do art. 80 da Lei 4.502, que primeiro previa a multa.  E  tal  art.  80  passou  a  ter  nova  redação  por  força  do  art.  13  da mesma Lei  11.4882                                                               1 Art. 45. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar  com a seguinte redação:   "Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva  nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo  de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício:   I  ­  setenta  e  cinco  por  cento  do  valor  do  imposto  que  deixou  de  ser  lançado  ou  recolhido  ou  que  houver  sido  recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória;  II ­ cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de  infração qualificada.   2 Art. 13.  O art. 80 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar com a seguinte redação:  “Art.  80.    A  falta  de  lançamento  do  valor,  total  ou  parcial,  do  imposto  sobre  produtos  industrializados  na  respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de  75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.   I ­ (revogado);  II ­ (revogado);  III ­ (revogado).  § 1o  No mesmo percentual de multa incorrem:  ..........................................................   §  6º    O  percentual  de  multa  a  que  se  refere  o  caput  deste  artigo,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis, será:  I ­ aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica;  II ­ duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos  arts. 71, 72 e 73 desta Lei.  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     10 Em  suma,  a  base  legal  para  exigência  da  multa  (art.  80  da  Lei  4.502/64)  continuou  vigendo mesmo  após  a  edição  da  Lei  11.488,  que  apenas  lhe  deu  nova  redação.  Houvesse  este  último  ato  revogado  a  hipótese  do  lançamento  realizado  ­  insuficiência  de  recolhimento  do  imposto  ­  ou  previsto  para  ela  uma  penalidade menor,  haveria  espaço  para  aplicação do art. 106 do CTN. Não é o caso, contudo, já que a multa continua a mesma: 75%  do valor do imposto não recolhido, desde que não presente qualquer circunstância qualificativa.  Do mesmo modo, não cabe falar em aplicação de multa de mora, dado que o  recolhimento não se fez de forma espontânea.  Igualmente  equivoca­se  o  recorrente quando  aduz  terem  sido  descumpridos  os procedimentos previstos na Medida Provisória 2.158/2001. É que, também aqui, esqueceu­ se  ele  de  ler  na  íntegra  o  ato  legal  mencionado.  Transcrevo­o,  então,  negritando  o  mais  relevante:  Art. 71. O art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958,  passa a vigorar com as seguintes alterações:  "Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela  intimação  ao  sujeito  passivo  para,  no  prazo  de  vinte  dias,  apresentar  as  informações  e  documentos  necessários  ao  procedimento  fiscal,  ou  efetuar  o  recolhimento  do  crédito  tributário constituído.  § 1º  Nas  situações  em  que  as  informações  e  documentos  solicitados digam respeito a  fatos que devam estar  registrados  na  escrituração  contábil  ou  fiscal  do  sujeito  passivo,  ou  em  declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a  que se refere o caput será de cinco dias úteis.  § 2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art.  44,  §§  2º  e  5º,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  o  desatendimento  a  intimação para apresentar documentos,  cuja guarda não esteja  sob  a  responsabilidade  do  sujeito  passivo,  bem  assim  a  impossibilidade material de seu cumprimento." (NR)  Em  suma:  o  prazo  concedido  pela  autoridade  fiscal  no  início  dos  trabalhos  (cinco dias úteis) coaduna­se perfeitamente com a exigência legal.  Por fim, repete o contribuinte argumento já enfrentado pela DRJ concernente  à suposta duplicidade de exigência de multa. Que tal duplicidade não ocorreu, informa­nos ele  mesmo:  no  outro  processo  a  multa  se  deveu  a  divergência  nos  arquivos  magnéticos  apresentados.  Ademais,  neste  processo,  que  é  o  que  está  em  julgamento,  há  apenas  uma  multa lançada.                                                                                                                                                                                           § 7o   Os percentuais de multa a que se  referem o caput e o § 6o deste artigo serão aumentados de metade nos  casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos.   § 8o  A multa de que trata este artigo será exigida:  I ­ juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido;  II ­ isoladamente nos demais casos.  § 9o  Aplica­se à multa de que trata este artigo o disposto nos §§ 3o e 4o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de  dezembro de 1996.” (NR)    Fl. 239DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.002529/2005­69  Acórdão n.º 3401­003.083  S3­C4T1  Fl. 235          11 Rejeito,  assim,  também  a  pretensão  de  exclusão  da  multa  lançada,  ou  sua  redução para o percentual de 20% previsto para recolhimentos espontâneos em atraso.  Em consequência, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte.  É assim que voto.   JÚLIO  CÉSAR  ALVES  RAMOS  ­  Relator                               Fl. 240DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS

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