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Numero do processo: 10825.902184/2012-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS.
A partir do advento do art. 23, I e II, a, da Medida Provisória nº 1.858-6, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. A partir do advento do art. 23, I e II, “a”, da Medida Provisória nº 1.8586, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.15835/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 21 84 /2 01 2- 46 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp em 30/11/2009, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a exigência da contribuição ao PIS foi restabelecida sob a égide da CF/88, notadamente nos termos do art. 2o, II, da Lei 9.715/98, sendo um ano após expressamente revogada em relação às entidades sem fins lucrativos, por meio da MP 1.85810/99, com a atual redação conferida pelo art. 93 da MP nº 2.15835/01, ainda assim algumas cooperativas permaneceram obrigadas ao recolhimento da contribuição ao PIS sobre a folha de salário, em vista de regra específica prevista no § 1º, do art. 2º, da Lei nº 9.715/98; (ii) a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos. Explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13; (iii) ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; (iv) ainda que a redação do art. 15 da MP2.15835 seja genérica em relação às sociedades cooperativas e, portanto, não excetue as cooperativas de trabalho médico, isso não permite a conclusão de que essas cooperativas estariam entre as compreendias no alcance desse dispositivo, como também concluiu as autoridades fiscais, nos termos do art. 28 da IN SRF nº 635/06; (v) conclui aduzindo que se as sociedades cooperativas médicas não se sujeitam às exigências da contribuição ao PIS com base na folha de salários de seus empregados e, portanto, todo o recolhimento realizado a esse título deve ser entendido comore colhimento a Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902184/201246 Acórdão n.º 3803005.856 S3TE03 Fl. 12 3 maior ou indevido e, logo, passível de ser recuperado. Requereu, ainda, a reforma do julgado de primeira instância, a procedência integral da declaração de compensação, com vista a legitimidade do crédito tributário e o reconhecimento da extinção dos débitos compensados no PER/DECOMP. A decisão prolatada pela 14ª Turma da DRJ/RPO, de 11/09/13 (fls. /) por meio do Acórdão nº 1444.674, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, para manter o crédito tributário exigível, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE. Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão adotou o pressuposto de que : (a) “Nos termos da regra consolidada na atual MP nº 2.15835, de 2001, a tributação das sociedades cooperativas segue a tributação das demais pessoas jurídicas em geral, calculando o PIS de acordo com o faturamento. No entanto, caso a cooperativa realize determinadas operações que não sofrem a incidência do PIS com base no faturamento, deverá, conforme disposição inscrita no art. 15, §2º, I da MP nº 2.15835, de 2001, apurar o PIS com base na folha de salários. Nesse caso, portanto, a cooperativa sujeitase cumulativamente à tributação com base no faturamento e com base na folha de pagamentos”. Consubstanciouse ainda no art. 13 da referida MP, e nos arts. 36 da MP 66/02; no art. 1º da MP nº 101/02, convertida na Lei nº 10.767/03; no art. 32 do Dec. 4.524/02 e nos arts. 9º e 33 da IN SRF nº 247/02. De acordo com os dispositivos mencionados não prevalece a tese de que as sociedades cooperativas outras que não de produção agropecuária, eletrificação rural, de Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 crédito e de transporte rodoviário, estariam fora do alcance do PIS sobre a folha de salários. E assim, nos períodos em que tenha procedido à exclusão das sobras líquidas da base de cálculo da contribuição, o PIS sobre a folha de pagamentos deve ser recolhido. Situação essa em que o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada na primeira instância administrativa, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito creditório, no caso, a de que não efetuou a exclusão em foco. No que se relaciona ao aspecto do elemento material de prova extraise excertos que sintetizam o posicionamento adotado pela decisão em questão, adiante: “Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejando os com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia.” De acordo com o Termo de Ciência por decurso de prazo, a data de disponibilização na caixa postal da contribuinte da decisão contida no Acórdão nº 1444.674, foi em 20/09/2013. Com isso a data da ciência se deu em 05/10/2013. O Termo de Solicitação de Juntada de recurso voluntário foi registrada pela repartição preparadora em 01/11/13. Ciente da decisão contida no acórdão retromencionado a contribuinte irresignada, em sede de recurso voluntário, reiterou de forma minudente acerca das razões de defesa apresentadas na exordial. Ressaltou que a MP 2.15835/01, em seu artigo 13, explicitou quais os tipos de entidades que se sujeitavam à contribuição ao PIS, calculada sobre a folha de salários, bem assim que as sociedades cooperativas não foram contempladas, de acordo com o elenco formulado nesse artigo, como o foram às Organizações das Cooperativas – OCB e as Organizações estaduais de Cooperativas, nos termos do inciso I, do art. 13, da MP nº 2.158 35/01, que não se identifica com as sociedades cooperativas propriamente ditas. Mencionou que na mesma senda segue o § 2º e incisos I a IV, do art. 15 dessa MP, eis que as cooperativas de trabalho médico não praticam as operações descritas nesses incisos do confuso enunciado do referido artigo da MP correspondente. Aduziu ademais disso que o art. 28 da IN SRF 635/06 identifica quais sociedades cooperativas se sujeitam à incidência da contribuição ao PIS com base na folha de Fl. 160DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902184/201246 Acórdão n.º 3803005.856 S3TE03 Fl. 13 5 salário, ou seja, as sociedades sujeitas às exclusões previstas no art. 15 da MP 2.15835/01,bem assim que a resposta à Consulta 290/07 ratifica este entendimento. Requer ao final o integral provimento do recurso, protestando pela apresentação de memoriais e sustentação oral das razões aduzidas. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Duas foram às questões devolvidas para apreciação pelo Tribunal ad quem, a saber: (i) a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pela Recorrente; e (ii) a tributação das sociedades cooperadas de trabalho médico pelo PIS. O exame acerca da primeira questão resta prejudicado, eis que nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo foi colacionado aos autos, com o fim de corroborar as assertivas formuladas na exordial, ou mesmo no apelo sob exame, o que se faz em respeito aos dispositivos contidos no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caput e § 4º. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Resta, então, o enfrentamento da questão relacionada à tributação das sociedades cooperadas pelo PIS. O hodierno ordenamento jurídico tem a sua gênese na Constituição Cidadã de 1988. O seu artigo 146, III, ‘C’, dispõe que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais me matéria de legislação tributária, especialmente sobre: adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A Lei nº 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas, por meio do seu artigo 4º, já havia atribuído à definição legal de “cooperativas”, como sendo: Art. 4º. As cooperativas são sociedades de pessoas, como forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...); VII – retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral. Adiante, no caput e no parágrafo único do artigo 79 do mesmo mandamus, adveio a definição e a funcionalidade de “atos cooperativos”. Em outras palavras são tais atos jurídicos que criam, mantém ou extinguem relações cooperativas, não implicando, necessariamente, em atos de mercado. Acerca da tributação do PIS e da COFINS, inicialmente, foi a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, considerada isenta por força do disposto no caput e inciso I do art. 6º, da LC nº 70/91, instituidora da Cofins. Entretanto, com o advento da MP nº 1.8586/99, por meio de seu artigo 23, foram os incisos I e III do artigo 6º da LC nº 70/91, revogados. Ocorre que essa revogação se manteve por meio da MP nº 66/02 e também pela Lei nº 10.637/02, por meio dos seus artigos 1º e 2º, que atualmente regula esta matéria (cobrança do PIS/PASEP, cuja base de cálculo é o valor do faturamento). Do mesmo modo ocorreu com o PIS, cujas cooperativas estão sujeitas ao pagamento desse tributo, seja sobre a folha de salários, mediante a aplicação de alíquota de 1% sobre a folha de pagamento mensal de seus empregados. A outra forma de tributação incide sobre a receita bruta, mediante a alíquota de 0,65% (a partir de 01/11/1999, data fixada pelo Ato Declaratório SRF nº 88/99), com exclusões da base de cálculo prevista pela MP 2.11327/01, ou mesmo de acordo com a MP 107, com as exclusões da base de cálculo, de acordo com o disposto também no artigo 15 da MP 2.113 27/01. Por força do contido na Lei nº 10.637/02, a partir de 01/12/02, a alíquota do PIS foi majorada para 1,65%. Destarte, por meio da MP 107/03, de 10/022003, a alíquota do PIS que houvera sido majorada, retorna ao seu valor original de 0,65%, inclusive para as sociedades cooperativas. Foi a partir da MP nº 2.11329, de 27/03/01, DOU de 28/03/01, de suas reedições e alterações posteriores, até a MP 2.15835/01, através de suas disposições que se Fl. 162DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902184/201246 Acórdão n.º 3803005.856 S3TE03 Fl. 14 7 tornou possível para as sociedades cooperativas a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, de valores mencionados no artigo 15 desta MP, isto uma vez observado o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. Portanto, a base de cálculo para as contribuições para o PIS e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento, correspondente à receita bruta. A respeito da exclusão de valores da base de cálculo do PIS e da Cofins das cooperativas vale mencionar as disposições da MP nº 101/02, litteris: Art. 1º. As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração de Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º. Omissis. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Portanto, seja sob a ótica da MP nº 2.15835/01, ou segundo os dispositivos contidos na MP nº 101/02, posteriormente convertida na Lei 10.767/02 e, observados o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, o que se percebe nitidamente, é a possibilidade de exclusão de elementos da base de cálculo do PIS e da Cofins, para as sociedades cooperativas. Confirase: Art. 1° Esta Lei aplicase no âmbito da legislação tributária federal, relativamente às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de que tratam o art. 239 da Constituição e a Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, ao Imposto sobre a Renda e ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativos a Títulos ou Valores Mobiliários IOF. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001). Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (...); § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). (Grifei). De outra parte assim se pronunciou a Solução de Consulta COSIT nº 06, de 8 de novembro de 2010 (ação judicial): EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. O Poder Judiciário, aqui representado pelos Tribunais Superiores, também não se omitiu quando provocado a se pronunciar a respeito da tributação do PIS/PASEP e da Cofins, senão vejamos: O Julgamento da Questão no STJ – Sistemática do Recurso Repetitivo: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 MG (2009/02107185) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : COOPERATIVA DOS INSTRUTORES DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL E PROMOÇÃO SOCIAL RURAL LTDA COOPIFOR Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902184/201246 Acórdão n.º 3803005.856 S3TE03 Fl. 15 9 ADVOGADO : CAMILA COLARES SANTANA E OUTRO(S) DECISÃO (...) impõese, da mesma forma, a submissão do presente apelo extremo como representativo da controvérsia atinente à incidência da contribuição destinada ao PIS e da COFINS sobre a receita oriunda de atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas, à luz do disposto no artigo 79, parágrafo único, da Lei 5.764/71, a fim de se prevenir eventual óbice de conhecimento. (...) Brasília (DF), 24 de fevereiro de 2010. A discussão realizada pelo Supremo Tribunal Federal ainda não chegou a termo, entretanto o reconhecimento da repercussão geral a respeito do tema ora sob exame, já ocorreu. Confirase: REPERCUSSÃO GERAL EM RE N.672.215CE RELATOR: MIN. JOAQUIM BARBOSA EMENTA: TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DA COFINS, DA CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL E DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SOBRE O PRODUTO DE ATO COOPERADO OU COOPERATIVO. DISTINÇÃO ENTRE “ATO COOPERADO TÍPICO” E “ATO COOPERADO ATÍPICO”. CONCEITOS CONSTITUCIONAIS DE “ATO COOPERATIVO”, “RECEITA DE ATIVIDADE COOPERATIVA” E “COOPERADO”. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. VALORES PAGOS POR TERCEIROS À COOPERATIVA POR SERVIÇOS PRESTADOS PELOS COOPERADOS. LEIS 5.764/1971, 7.689/1988, 9.718/1998 E 10.833/2003. ARTS. 146, III, c, 194, par. ún., V, 195, caput, e I, a, b e c e § 7º e 239 DA CONSTITUIÇÃO. Tem repercussão geral a discussão sobre a incidência da Cofins, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”. Discussão que se dá sem prejuízo do exame da constitucionalidade da revogação, por lei ordinária ou medida provisória, de isenção, concedida por lei complementar (RE 598.085RG), bem como da “possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.158 33, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de1998” (RE 599.362 RG, Rel. Min. Dias Toffoli). Como visto ainda não se vislumbra nos textos normativos, nem jurisprudenciais, a hipótese de isenção ou de não incidência tributária para as cooperativas. Tampouco de distinção entre cooperativas de trabalho médico, de crédito, enfim, entre as demais modalidades de sociedades cooperativas. Concluise, por conseguinte que, do texto legal, onde o legislador não faz distinção, não cabe ao operador do direito fazêlo, tampouco ao intérprete da lei. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 O PIS sobre a folha de pagamento constitui uma obrigação tributária principal devida por todas as entidades sem fins lucrativos, classificadas como Isentas, Imunes ou Dispensadas, e calculado sobre a folha de pagamento de salários, à alíquota de 1%. Quanto ao requerido pela Recorrente, no sentido de que o PIS/folha de pagamento não é cabível, portanto poderia ser compensado com tais débitos, considero inadequado o seu pedido. Isto porque ao manifestar o seu inconformismo a ora Recorrente destacou que a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13. Tema este reiterado no recurso voluntário. Há um equívoco nas assertivas formuladas pela Recorrente quanto à revogação da exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, pela MP nº 2.158 35/01. Diversamente, com o advento dessa medida provisória tornouse concreta a possibilidade de exclusão de elementos previstos na legislação de regência, da base de cálculo do PIS e da Cofins, isto em conformidade com o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. E mais, a Recorrente foi além ao mencionar que ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; O fato de o art. 28 não relacionar expressamente a sociedade cooperativa de trabalho médico dentre aquelas cujo fato gerador para o PIS/PASEP incide sobre a folha de salários no percentual de 1%, não autoriza o contribuinte a dela se eximir, como se imune ou isenta fosse, o que não corresponde ao disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, posto que as deduções permitidas em lei, se faz em observância desses dois artigos suso citados. O rol das exclusões mencionados no art. 15 da MP 2.15835/01, aplicável ao caso em comento, não é exaustivo, ou mesmo conclusivo, como também não o é aquele constante do artigo 28 da IN SRF nº 635/06, DOU de 17/04/2006, e ambos ensejam a incidência do PIS/Folha. Isto posto oriento o meu voto pelo não provimento do recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões em 25 de março de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902184/201246 Acórdão n.º 3803005.856 S3TE03 Fl. 16 11 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10865.900356/2009-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 56 /2 00 9- 75 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900356/200975 Acórdão n.º 3801004.045 S3TE01 Fl. 8 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica, transmitida, por meio da qual a contribuinte solicita a compensação de débito com crédito decorrente de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição para O Programa de Integração Social (PIS). Na apreciação do pleito, manifestouse a D elegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP pela homologação da compensação declarada, mediante Despacho decisório, fazendo o com base na contestação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, descriminado na Dcomp, não foi localizado no sistema. Inconformada com a nãohomologação da compensação, contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que o Darf não foi localizado porque, à época, o programa gerador da Dcomp não possibilitava informar a real data da arrecadação. Esclarece que a data da arrecadação é a data do vencimento informada, a qual poderá ser consultada nos sistemas da Receita Federal, confirmando o crédito pretendido. Informa que junta aos autos a cópia do Darf informado na Dcomp, para análise. A contribuinte passa, então, a apresentar os fundamentos legais e tecer considerações sobre o prazo para pleitear restituição. Defende a interessada que tratandose de contribuição sujeita a lançamento por homologação, o prazo decadencial só começa a fluir após decorridos 5 (cinco) anos da data do fato gerador, somados mais 5(cinco) anos se a homologação se der de forma não expressa. Assim, argumenta, dispõe de 10ª nos para pleitear a restituição, sem prejuízo dos acréscimos e demais cominações. A DRJ de Florianópolis (SC) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900356/200975 Acórdão n.º 3801004.045 S3TE01 Fl. 9 3 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADÊNCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Contudo, a contribuinte vem aos autos, consoante requerimento, juntando ainda documentos comprobatórios de capacidade postulatória, requerer o cancelamento do processo. É o sucinto relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900356/200975 Acórdão n.º 3801004.045 S3TE01 Fl. 10 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não deve ser conhecido em decorrência do pedido de desistência apresentado posteriormente pela Recorrente. Como relatado, a Recorrente apresentou requerimento de cancelamento do pedido de compensação. Foi encaminhado a este relator o presente processo com o seguinte Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Considerando que o contribuinte apresentou requerimento de desistência da compensação, que o mesmo apresentou Recurso Voluntário referente ao crédito objeto de Restituição e que não houve o cumprimento da Intimação para comprovação da representatividade do signatário do Recurso Voluntário,, encaminho o processo ao CARF/MF/DF para julgamento O pedido foi formulado pelo sócioadministrador da empresa, consoante pode ser verificado no art. 8º do contrato social da empresa. Deste modo, entendo que o requerimento de cancelamento do pedido formulado pela contribuinte configurase claramente como desistência do pedido a qual ele se funda. Logo, compreendo que ocorreu desistência, de forma irrevogável, do recurso voluntário ora em julgamento. Assim, entendo que no caso de desistência manifestada através de petição nos autos do processo, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fl. 127DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900356/200975 Acórdão n.º 3801004.045 S3TE01 Fl. 11 5 Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Desse modo, estão configurados todos os requisitos do não conhecimento do Recurso, quais sejam: apresentação de pedido expresso por escrito, sob a forma de petição, em qualquer tempo por representante legítimo do contribuinte. Logo, operamse de imediato e irrevogavelmente todos os efeitos do pedido de desistência: renúncia à pretensão do direito e não conhecimento do recurso. Ante ao exposto, em observância ao disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/7/2009, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto pelo Contribuinte. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000484/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento em diligência à unidade de origem para informar a data do protocolo do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento em diligência à unidade de origem para informar a data do protocolo do recurso voluntário. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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score : 1.0
Numero do processo: 11080.722718/2011-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. LEI Nº 12.766, DE 2012. LEI Nº 10.426, DE 2002.
A nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, não alcançou a multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 (Parecer Normativo RFB nº 3, de 2013).
Numero da decisão: 1803-002.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto e Ricardo Diefenthaeler. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto e Ricardo Diefenthaeler. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. LEI Nº 12.766, DE 2012. LEI Nº 10.426, DE 2002. A nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, não alcançou a multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 (Parecer Normativo RFB nº 3, de 2013). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 18 /2 01 1- 95 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.722718/201195 Acórdão n.º 1803002.324 S1TE03 Fl. 183 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto e Ricardo Diefenthaeler. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.722718/201195 Acórdão n.º 1803002.324 S1TE03 Fl. 184 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 125 e 126): Versa o presente processo sobre auto(s) de infração/notificação(ões) de lançamento (fls. 115), mediante o(s) qual(is) é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), relativa ao 2º semestre de 2009, no valor de R$ 223.750,29. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/11), na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que a entrega fora espontânea, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 138, portanto a multa seria inaplicável ao caso. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 125): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 01/03/2013 (fls. 132), a tempo, em 22/03/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 153 a 171, instruído com os documentos de fls. 172 a 179, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, em dezembro de 2012, foi publicada a Lei nº 12.766, de 2012, que alterou o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que tratava do descumprimento de obrigações acessórias; b) que tal diploma legal deu novos contornos às penalidades aplicadas aos contribuintes que “deixarem de apresentar, nos prazos fixados, declaração, demonstrativo ou escrituração digital”; c) que, como visto, o advento de novo diploma legal acerca da matéria restou em beneficiar o contribuinte, sendo de observância obrigatória, com a consequente redução da multa aplicada; e d) que é confiscatória e desproporcional a multa aplicada. Em mesa para julgamento. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.722718/201195 Acórdão n.º 1803002.324 S1TE03 Fl. 185 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Denúncia espontânea x multa por atraso na entrega de declaração 4. Tratandose de aplicação de multa por atraso na entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), incide na espécie a Súmula CARF nº 49, de seguinte teor: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” Lei nº 12.766, de 2012 x multa por atraso na entrega de DCTF 5. De conformidade com o entendimento da Administração Tributária, contido no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, a nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, não alcançou a multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 (destacouse): O presente Parecer Normativo cuida em analisar as consequências da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, em relação a atos inerentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), principalmente concernentes à fiscalização e ao controle do crédito tributário. [...]. 3. Com esse quadro, sete questionamentos são feitos: (i) ocorreu revogação tácita dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, tendo em vista a falta de disposição específica; (ii) como interpretar o prazo de quarenta e cinco dias a que se refere o inciso II da atual redação do art. 57; (iii) como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001; (iv) continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, e do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, e do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004; (v) como ficam as multas envolvendo o Simples Nacional (vi) como interpretar o aspecto quantitativo da nova multa; e (vii) há consequência no trabalho de compensação, restituição e ressarcimento? [...]. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.722718/201195 Acórdão n.º 1803002.324 S1TE03 Fl. 186 5 (iii) Como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001? (iv) Continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004? [...]. 6.2. É de se questionar se houve revogação tácita dos arts. 7º e 8º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, na redação dada pelas Leis nºs 11.051, de 2004, 11.727, de 2008, e 11.941, de 2009, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009; do art. 7º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, do inciso II do art. 9º da Lei nº 11.371, de 28 de novembro de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, pelo novo art. 57 da MP nº 2.158 35, de 2001. Segue a redação dos dispositivos: [...]. 6.2.1. O novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, aplicase para qualquer declaração, demonstrativo ou escrituração digital, enquanto a Lei nº 10.426, de 2002, aplicase para a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e a Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a Lei nº 10.637, de 2002, aplicase para a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) e a Declaração de Operações com Cartão de Crédito (Decred), a Lei nº 8.212, de 1991, aplicase para a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a Lei nº 9.393, de 1996, aplicase para a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), a Lei nº 11.371, de 2004, aplicase para a Declaração sobre a Utilização dos Recursos em Moeda Estrangeira Decorrentes do Recebimento de exportações (Derex) e a Lei nº 11.033, de 2004, aplicase para a Declaração de Transferência de Titularidade de Ações (DTTA). [...]. 6.2.4. No presente caso, não se deve esquecer que o legislador foi quem alterou a norma então existente (genérica) e criou uma mais específica, mas deixou aquelas outras ainda mais específicas incólumes (ele poderia muito bem têlas revogado expressamente). Se não o fez, as multas mais específicas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004, continuam vigentes. As IN que tratam do assunto, portanto (RFB nº 1.110, de 2012, RFB nº 1.264, de 2012, RFB nº 1.015, de 2010, SRF nº 197, de 2002, Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.722718/201195 Acórdão n.º 1803002.324 S1TE03 Fl. 187 6 RFB nº 811, de 2010, SRF nº 341, de 2003, RFB nº 971, de 2009, RFB nº 1.279, de 2012, RFB nº 726, de 2007 e RFB nº 892, de 2008) devem continuar a ser aplicadas sem nenhuma alteração. [...]. 10. Em conclusão: [...]. i) As multas de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelas Leis nºs 11.051, de 2004, 11.727, de 2008, e 11.941, de 2009, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32 A da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 19 de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004, continuam vigentes. Assim, as multas do art. 7º da IN nº 1.110, de 2012, do art. 6º da IN nº 1.264, de 2012, do art. 7º da IN nº 1.015, de 2010, do art. 1º da IN nº 197, de 2002, do art. 7º da IN nº 811, de 2010, do art. 3º da IN nº 341, de 2003, art. 476 da IN nº 971, de 2009, do art. 8º da IN nº 1.279, de 2012, do art. 3º da IN nº 726, de 2007, e do art. 7º da IN nº 892, de 2008, continuam a ser aplicadas; Multa de ofício confiscatória 6. Tratandose de alegação de inconstitucionalidade de lei, incide na espécie a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10665.002038/2008-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2008
REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. INAPLICABILIDADE PARA O ESCREVENTE E AUXILIAR DE CARTÓRIO CONTRATADOS ANTES DE 21.11.1994 QUE NÃO FIZERAM A OPÇÃO PREVISTA EM LEI.
Somente devem contribuir para o Regime Geral de Previdência SocialRGPS o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo referido regime,em conformidade com a Leinº8.935,de18 de novembro de 1994.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-003.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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INAPLICABILIDADE PARA O ESCREVENTE E AUXILIAR DE CARTÓRIO CONTRATADOS ANTES DE 21.11.1994 QUE NÃO FIZERAM A OPÇÃO PREVISTA EM LEI. Somente devem contribuir para o Regime Geral de Previdência SocialRGPS o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo referido regime,em conformidade com a Leinº8.935,de18 de novembro de 1994. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 20 38 /2 00 8- 12 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10665.002038/200812 Acórdão n.º 2803003.310 S2TE03 Fl. 340 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca reformar decisão a quo que manteve o auto de infração lavrado contra o contribuinte, Titular de Cartório, Sr. MAURO LUCIO DOS SANTOS, por infringência ao que dispunha, na época, a Lei ri° 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 32, inciso IV e § 5º, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, combinado com disposto no Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06 de maio de 1999, artigo 225, inciso IV e § 4.Conforme, Relatório Fiscal (fls. 10/11), o sujeito passivo deixou de declarar através da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP os valores pagos à Segurada Empregada, Sra. Nercy Maria dos Santos, a seu serviço como Escrevente Substituta, nas competências do período 07/2003 a 12/2005. O acórdão recorrido toma por base documentos juntados nos autos DEBCAD n° 37.024.3021, Processo n° 10665.002035/200889, que estava anexos ao presente processo. Contudo, não estavam disponíveis nos presentes autos. Entre eles os documentos(cópias) cabais para a devida análise conforme indicado no próprio relatório fiscal da autuação objeto de análise: Portaria de nomeação da Sra. Nercy Maria dos Santos; Termo de posse da Sra. Nercy Maria dos Santos; Comunicado do Sr. Walter Luiz Santos Correa, Superintendente de Finanças do IPSEMG, sobre a exclusão do regime próprio de previdência; cópia do boleto de pagamento das competências 02/2004 e 02/2006, onde consta somente custeio de saúde do IPSEMG; cópias dos termos de abertura dos Livros Caixa 08, 09 e 10; cópias das fls. 18, 12 e 13 dos Livros Caixa, onde consta a remuneração da segurada Nercy Maria dos Santos; cópias dos recibos de pagamento da segurada Nercy Maria dos Santos. Após intimação, a parte recorreu tempestivamente, alegando que a Sra. Nercy era vinculada ao Regime Próprio de Previdência do Estado de Minas Gerais. Os autos foram distribuídos ao presente relator. Em observância as ausências documentais supra mencionadas, o julgamento foi convertido em diligência, para obtenção da cópia integral daqueles autos. Os mesmos retornaram com a diligência cumprida para nova apreciação. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10665.002038/200812 Acórdão n.º 2803003.310 S2TE03 Fl. 341 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Observase que a questão discutida nos presentes autos é reflexa à incidência ou não da regramatriz tributária da obrigação principal, pois o lançamento deuse por não ter informado os fatos geradores previstos em tal regramatriz. Em verificar, a cópia dos DEBCAD n° 37.024.3021, Processo n° 10665.002035/200889, atestouse que o mesmo já fora julgado pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, que trata dos mesmos fatos geradores: “ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/07/2003a30/12/2005 REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. INAPLICABILIDADE PARA O ESCREVENTE E AUXILIAR DE CARTÓRIOS CONTRATADOS ANTES DE 21 DE NOVEMBRO DE 1994 QUE NÃO FIZERAM A OPÇÃO PREVISTA EM LEI. Somente devem contribuir para o Regime Geral de Previdência SocialRGPS o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo referido regime,em conformidade com a Leinº8.935,de18 de novembro de 1994.Na presença de provas de que o escrevente foi contratado antes da data acima referida e que não optou pela mudança de regime, deve o lançamento ser afastado. Recurso Voluntário Provido.” “Voto Vencedor, Conselheiro Mauro José Silva: A despeito das bem fundamentadas considerações da Relatora,apresentamos nossa posição divergente. O caso em análise diz respeito ao lançamento de contribuição previdenciária na parte da empresa, bem como contribuição para o SAT/RAT incidente sobre a remuneração da escrevente substitutado Cartório de Registro de Imóveis de Divinópolis admitida em 28 de junhode1985. Toda a controvérsia surge com a edição da EC20/1998 que teria afastado o conteúdo da Lei 8.935/94. Para a fiscalização, os notários ou tabeliães, oficiais de registro ou registradores,escreventes ou auxiliares admitidos antes do Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10665.002038/200812 Acórdão n.º 2803003.310 S2TE03 Fl. 342 4 advento da Lei8.935/94 deveriam continuar vinculados ao Regime Próprio de Previdência (RPPS) do Estado de Minas Gerais, gerido pelo Estado e pelo IPSEMG até a edição da EC 20/1998. Após a alteração constitucional,somente os titulares de cargo efetivo poderiam continuar regidos pelo RPPS. Para fundamentar tal conclusão,a autoridade fiscal citou o art.7º,inciso X da IN ISS 65/2002,o art.9º,incisoXIX da IN ISS100/2003eoart.6º,inciso XXI da IN SRP 03/2005,o qual reproduzimos a seguir: (...) Ressalta que a partir da LC64/2002 do Estado de Minas, o IPSEMG presta somente assistência médica, hospitalar e odontológica aos servidores não titulares de cargo efetivo. A DRJ/Belo Horizonte acatou os argumentos da autoridade fiscal e acrescentou que a Escrevente Nercy não era titular de cargo efetivo,pois na data de publicação da Constituição de 1988 não havia completado os cinco anos na função exigidos pelo art.19 do ADCT, bem como não era remunerada pelo Estado. A recorrente suscitou a contradição entre os diplomas infra legais apontados pela fiscalização como art.9º,incisoI, alínea“o” do RPS e com a IN INSS/PRES20/2007,a seguir transcritas: (...) Além disso, informou que os escreventes admitidos antes de 18 de novembro de 1994 estão incluídos em no RPPS do Esatdo de Minas por força do inciso V do art. 3º da Lei Complementar MG 64/2002, alterada pela Lei Complementar MG 70/2003, in verbis: (...) Acrescentou que a LC 64/2002 prevê alíquota de 22% de contribuição patronal para o caso do inciso V do art. 3º, o que reforçaria a inclusão dos escreventes admitidos antes de 18/11/1994 no RPPS do Estado de Minas. A análise da ilustre Relatora teve como ponto central a necessidade de, após a EC 20/98, o servidor do cartório ser titular de cargo efetivo para manterse regido pelo RPPS. Acrescentou, outrossim, que não foram encontrados registros de descontos ao IPSEMG e que tal instituto teria informado que os servidores de cartórios tiveram suas inscrições canceladas em virtude de não serem vinculados ao serviço público do Estado. Concluiu a relatora que a recorrente não demonstrou que a Sra. Nercy estava vinculada ao RPPS do Estado de Minas. Feita a síntese do caso, passamos às nossas considerações. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10665.002038/200812 Acórdão n.º 2803003.310 S2TE03 Fl. 343 5 Sem dúvida, a recorrente conseguiu demonstrar que as instruções normativas que tratam do assunto são contraditórias. O conteúdo do inciso XXI do art. 6º da IN 3/2005 conflita explicitamente com o inciso XII da IN INSS/PRES 20/2007. Este último dispositivo infralegal expressa entendimento claro de que o conteúdo da EC 20/1998 não se aplica aos servidores de cartório, uma vez que prescreve normas para estes no inciso XII e para os servidores atingidos pela EC 20/1998 no inciso XVI. Tal confusão normativa, por si só já nos obrigaria a afastar as multa e os juros do lançamento, em atendimento ao parágrafo único do art. 100 do CTN. No entanto, não podemos ignorar o conteúdo da alinea “o” do inciso I do art. 9º do RPS, inverbis: Art. 9° São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) o) o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Social, em conformidade com a Lei n.8.935, de 18 de novembro de 1994; e A norma transcrita determina que somente são considerados empregados os servidores de cartório admitidos a partir de 21 de novembro de 1994 ou aqueles que fizeram a opção prevista na Lei 8.935/1994. Como é cediço, não podemos argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar Fl. 343DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10665.002038/200812 Acórdão n.º 2803003.310 S2TE03 Fl. 344 6 tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Portanto, o conteúdo da alínea “o” do inciso I do art. 9º do RPS não pode ser afastado, ainda que consideremos que conflita com a norma constitucional trazida pela EC 20/1998. O fisco federal, se tivesse observado o conflito da norma regulamentar com a Constituição, deveria ter promovido alteração do Decreto 3.048/99, o que não fez. O referido dispositivo, ao contrário, remanesce no ordenamento jurídico produzindo efeitos. Por oportuno deve ser destacado que as autoridades do poder público já manifestaram recente entendimento, por meio de IN INSS/PRES 20/2007, no sentido de separar a situação dos servidores do cartório da situação dos servidores ocupantes de cargo efetivo, o que reforça nossa conclusão de que a alínea “o” do inciso I do art. 9º do RPS segue produzindo efeitos jurídicos. Acrescentamos que o inciso V do art. 3º da LC MG 64/2002 prevê, explicitamente, a inclusão dos servidores de cartório admitidos até 18/11/1994 no RPPS do Estado de Minas. Se, por alguma razão, a contribuição prevista naquele regime não está sendo cobrada é questão que não altera a situação legal de tais servidores que terão seus benefícios previdenciários suportados pelo Estado de Minas. Cabe ao poder público estadual a fiscalização e a cobrança daquela contribuição. Assim, sendo fato incontroverso que a Sra. Nercy era servidora do cartório desde 1985 e havendo declaração desta afirmando não ter feito a opção prevista na Lei 8.935/1994, concluímos que tal servidora está vinculada ao RPPS do Estado de Minas, o que torna ilegal o presente lançamento e levamos a votar pelo provimento do recurso voluntário. O voto vencedor foi claro, devendo ser aderido pelo presente julgamento. Assim, por não poderem ser considerados fatos geradores de contribuições previdenciárias do Regime Geral de Previdência os vencimentos pagos à escrituraria Sra. Nercy, também há a obrigação instrumental de informálas em GFIP. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10665.002038/200812 Acórdão n.º 2803003.310 S2TE03 Fl. 345 7 IV Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe provimento. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 345DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13603.724618/2011-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento integral do direito creditório pleiteado mediante as declarações de compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 24 61 8/ 20 11 -8 2 Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.442 2 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao ressarcimento ou à compensação demanda a comprovação, pela contribuinte, da existência de crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Geram créditos os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRANSPORTES. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matériaprima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS. Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo transporte, assim como o frete, integra o custo de aquisição de bens ou mercadorias adquiridas. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS SOBRE IMPORTAÇÃO VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo credor apurado em decorrência de operações de importação, autorizada pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, alcança tãosomente os créditos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. REGIME NÃOCUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO. A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento, restituição ou compensação de créditos poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, sendo que somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza para serem utilizados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O presente processo diz respeito a declarações de compensação – DCOMP relativas a saldo credor de PIS/PASEP apurado no período de 01/08/2008 a 31/08/2008, no valor total de R$ 930.257,85, em conformidade com o artigo 5º da Lei nº 10.637, de 2002. Desse montante, a unidade jurisdicionante do contribuinte já reconhecera o direito sobre a parcela de R$ 823.260,93. Por seu turno, a DRJ recorrida entendeu que deverão ser também restabelecidos os créditos apropriados sobre a utilização de água e esgoto das filiais “Contagem” e “Curitiba”, bem como os créditos relativos aos seguros pagos pelos fretes de bens ou mercadorias adquiridas pela interessada. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.443 3 Assim, com base nos cálculos elaborados posteriormente pela DRF Contagem em conseqüência da decisão da DRJ, segundo os quais a quantia adicional a ser creditada em favor do sujeito passivo corresponde a R$ 714,94 (ressalvado o desconto de alguma parcela outrora compensada evidenciada em alguns processos da empresa sobre a mesma matéria), temse que o montante em litígio corresponde a R$ 106.281,98. Segue, abaixo, o relato dos fatos transcrito da decisão recorrida, o qual é padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria: Com o intuito de verificar a apuração do IPI, bem como o PIS e a Cofins da pessoa jurídica, foi emitido, em 11/05/2011, o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF n.º: 06.1.10.002011004273). Em decorrência, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Início de Fiscalização, intimando o sujeito passivo a apresentar, dentre outros elementos, arquivos digitais referentes aos itens 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001, escrituração contábil digital, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787, de 2007, relação dos produtos fabricados pelo estabelecimento, certidão de objeto e pé de ações judiciais referentes ao IPI, PIS e Cofins, relação das contas contábeis referentes a créditos, receitas e exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, memoriais de apuração das bases de cálculo utilizadas no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon e demonstrativo dos fretes de compras de bens utilizados como insumos. De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os memoriais de apuração das bases de cálculo dos Dacon e demais documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal. Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais): P.A. 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. 3.7. TOTAL ME/FAT MI ME jan/08 3,26 2.845,44 1.367,77 0,00 0,00 36,02 127.836,13 132.088,62 20,23% 105.371,64 26.716,98 fev/08 3,26 5.381,60 1.515,51 0,00 0,00 38,86 91.338,39 98.277,62 14,25% 84.274,71 14.002,91 mar/08 3,26 5.967,74 1.390,14 0,00 0,00 29,65 71.482,90 78.873,69 18,07% 64.623,36 14.250,33 abr/08 3,26 4.719,18 1.627,64 0,00 38,13 186,26 180.784,88 187.359,35 16,34% 156.741,83 30.617,52 mai/08 49,44 8.261,21 1.586,73 0,00 159,52 496,78 125.875,75 136.429,43 19,55% 109.752,61 26.676,82 jun/08 49,44 5.983,14 2.042,36 0,00 50,27 191,73 108.912,17 117.229,11 16,40% 98.001,10 19.228,01 jul/08 151,12 9.659,18 1.909,71 26,51 150,14 587,80 121.509,41 133.993,87 16,20% 112.289,14 21.704,73 ago/08 151,12 7.179,43 1.921,09 3,76 132,18 1.291,51 118.778,39 129.457,48 22,26% 100.645,30 28.812,18 set/08 168,13 3.074,82 1.883,11 6,96 217,27 1.647,18 104.600,83 111.598,30 24,00% 84.811,15 26.787,15 out/08 241,91 6.252,08 1.770,70 0,00 136,81 1.219,34 122.203,64 131.824,48 23,59% 100.727,26 31.097,22 nov/08 318,76 8.491,53 1.719,92 8,63 91,80 1.456,49 70.934,88 83.022,01 22,87% 64.032,81 18.989,20 dez/08 532,25 4.150,69 1.471,63 0,20 112,63 1.467,26 131.074,08 138.808,74 37,59% 86.634,00 52.174,74 jan/09 532,25 5.385,90 1.179,67 0,00 173,76 1.879,16 51.684,90 60.835,64 14,79% 51.837,44 8.998,20 fev/09 532,25 11.673,37 1.262,98 33,26 104,68 3.510,75 64.575,01 81.692,30 15,53% 69.008,40 12.683,90 Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.444 4 mar/09 532,25 10.388,31 441,21 7,40 25,91 2.776,46 44.105,65 58.277,19 16,48% 48.672,38 9.604,81 abr/09 532,25 2.838,07 1.572,35 1.164,99 40,14 3.401,09 24.839,83 34.388,72 9,90% 30.983,35 3.405,37 mai/09 532,25 5.261,01 874,84 2.569,55 27,06 3.012,90 45.330,66 57.608,27 7,28% 53.414,17 4.194,10 jun/09 532,25 3.246,92 958,43 0,00 14,04 2.405,55 50.649,08 57.806,27 18,59% 47.059,37 10.746,90 jul/09 532,25 7.110,54 720,28 2.897,56 59,09 3.385,00 34.676,13 49.380,85 17,15% 40.912,30 8.468,55 ago/09 532,25 1.953,83 1.175,60 92,21 46,59 1.767,91 33.182,54 38.750,93 8,12% 35.604,80 3.146,13 set/09 532,25 5.565,34 445,25 1.389,50 25,96 4.099,24 17.784,73 29.842,27 14,27% 25.583,88 4.258,39 out/09 532,25 4.171,09 2.445,14 1.917,99 14,83 2.016,65 29.949,93 41.047,88 7,37% 38.023,58 3.024,30 nov/09 532,25 5.999,82 1.378,43 1.289,05 20,70 4.449,68 33.600,99 47.270,92 9,53% 42.765,50 4.505,42 dez/09 532,25 3.670,03 1.580,37 4.930,84 37,09 11.126,51 39.091,41 60.968,50 8,26% 55.933,91 5.034,59 jan/10 532,25 3.502,79 2.203,49 20,65 27,72 1.117,50 14.467,59 21.871,99 8,45% 20.023,98 1.848,01 fev/10 532,25 7.916,35 1.523,09 0,00 18,55 3.337,67 90.260,30 103.588,21 6,86% 96.482,90 7.105,31 mar/10 532,25 1.633,53 1.589,22 299,59 33,98 3.206,79 54.032,80 61.328,16 13,04% 53.333,25 7.994,91 abr/10 532,25 18.149,44 1.551,72 474,12 33,89 3.384,16 213.636,74 237.762,32 14,80% 202.585,29 35.177,03 mai/10 532,25 6.014,24 1.054,57 190,05 46,59 5.760,11 52.717,10 66.314,91 7,27% 61.493,82 4.821,09 jun/10 532,25 8.552,18 1.487,26 72,44 41,18 2.397,81 93.602,34 106.685,46 11,08% 94.864,71 11.820,75 jul/10 532,25 8.892,22 1.229,17 3.311,98 44,16 6.016,23 64.426,44 84.452,45 13,12% 73.372,29 11.080,16 ago/10 532,25 10.200,72 1.366,51 2.038,99 41,63 1.732,96 37.199,94 53.113,00 10,40% 47.589,25 5.523,75 set/10 532,25 7.053,10 1.284,13 5.068,86 61,18 5.531,16 43.200,69 62.731,37 7,76% 57.863,42 4.867,95 LEGENDA: P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO; 3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO; 3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS; 3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO; 3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES; 3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS. MI. MERCADO INTERNO ME. MERCADO EXTERNO ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO Como resultado, foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao mercado externo, sendo que, a fim de se apurar os saldos passíveis de ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade fiscal executou alguns ajustes. O primeiro deles, segundo ela, deriva do fato de que, em virtude do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, são passíveis de ressarcimento ou compensação. Durante a auditoria, constatouse que a contribuinte importou, para fins de revenda, diversas máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01 e 87.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul, previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de PIS/Cofins foram submetidos indevidamente ao rateio proporcional entre mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a ser reclassificado como não ressarcível. Já o segundo ajuste diz respeito, conforme a fiscalização, à possibilidade de compensação, antes do encerramento do trimestre, de créditos de importação Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.445 5 vinculados à receita de exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o ressarcimento dos créditos de importação, a compensação antecipada possibilitada pelo art. 42 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, menciona apenas aqueles créditos oriundos de aquisições no mercado interno. Por créditos de importação, entende aqueles do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Referese ao caput do art. 34 desta Instrução Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre para fins de pedido de ressarcimento. Assim, após efetuados os ajustes, prossegue a fiscalização, a contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos valores que demonstra. Afirma a autoridade fiscal que a reapuração dos saldos de PIS e Cofins não altera os valores passíveis de ressarcimento indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última PER/Dcomp para desconto das contribuições a recolher, é de R$ 9.048.196,92, de PIS e de R$ 12.349.027,24, de Cofins, respectivamente. Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado. Por fim, calcula os créditos passíveis de ressarcimento, elabora demonstrativos e sugere o deferimento parcial dos diversos pedidos de ressarcimento e compensações efetuados, de acordo com os valores que indica no Termo de Verificação Fiscal. As glosas efetuadas bem como as justificativas estão detalhadas no Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade fiscal. Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em 27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57. Como base legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Cientificada em 27/02/2012, a contribuinte apresentou, em 28/03/2012, a manifestação de inconformidade às fls. 69 a 101 e 155, acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em síntese, que: A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial, com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235, de 1972; As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram com que os créditos de PIS/Cofins fossem recalculados mensalmente. Obtidos os novos valores passíveis de ressarcimento e compensação, as compensações foram homologadas até esse limite, indeferindo, integral ou parcialmente, aqueles que o superaram; Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas em parte e 34 receberam resposta negativa. Por sua vez, os respectivos despachos decisórios, em que tais entendimentos foram apresentados, constaram de 51 processos administrativos de crédito, dos quais 41 trouxeram resultados contrários aos interesses da requerente. A decisão recorrida, para que se Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.446 6 apresenta a presente manifestação de inconformidade, é um desses. Como todos esses 41 processos se referem a uma mesma matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se requer; Segundo a fiscalização, a recorrente não estava autorizada a se creditar sobre as seguintes bases: ativo imobilizado – inclusão indevida de bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF), utilização de água e esgoto em processos industriais (item 3.3 do TVF), fretes – transporte de produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF), fretes – inclusão indevida do transporte de mercadorias destinadas ao imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes inclusão indevida do seguro pago (item 3.6 do TVF) e fretes – falta de identificação das mercadorias transportadas (item 3.7 do TVF). Mas ela estava, na verdade, haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria; Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas com veículos e com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por não serem diretamente destinadas às atividades de industrialização. Entretanto, consoante art. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso, não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os equipamentos destinados à capacitação de empregados, por exemplo, são essenciais a curso regular das atividades da recorrente, a qual se destaca por sua atuação inovativa e comprometida com o desenvolvimento tecnológico; Item 3.2 do TVF. Esses serviços, ao contrário do que sustenta a fiscalização, são, sim, utilizados de forma direta na atividade industrial, sobretudo porque são a ela essenciais. Os insumos, na sistemática do PIS/Cofins, são aquelas despesas, custos ou encargos essenciais ao desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São, de acordo com doutrinadores, todos os elementos físicos ou funcionais (...) que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto. Jurisprudência administrativa do CARF apresenta o mesmo posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 320200.226, de 08/02/2010 e nº 930301.035, de 23/08/2010. Julgados dos Tribunais Regionais Federais e Superior Tribunal de Justiça também vão no mesmo sentido. No caso, os serviços são essenciais. Aqueles prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização, que depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time. (“produção enxuta, por demanda”). Conforme se afere dos contratos ora anexados (doc. 5), tais serviços consistem na gestão inteligente do fornecimentos de bens a serem aplicados no processo produtivo. Não se trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como pareceu entender a fiscalização. O que essa pessoa jurídica fornece é a otimização do processo industrial, serviço diretamente ligado à produção e cujo fator intelectual é preponderante. Esse tipo de serviço, sobretudo no setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há como afastar a sua natureza de insumo e, via de conseqüência, de gasto passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente vinculado à produção, inclusive qualificado como verdadeiro custo de produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o desconto de créditos; Item 3.3 do TVF. Somente foram admitidas para efeito de creditamento a água aplicada nos processos industriais de “têmpera” e “lavagem e prova Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.447 7 hídrica”, pois somente nesses casos haveria o contato direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a fiscalização glosou os créditos não apenas quanto aos dois últimos processos, mas em relação a todos eles, sob o argumento de que a contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há dúvida que a água empregada em todos esses quatro processos permite o aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de insumo e é empregada, de forma essencial, na produção, descabendo a exigência de contato físico direto com os produtos fabricados, consoante jurisprudência do CARF e julgados dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça; Item 3.4 do TVF. O fato de a transferência de bens entre estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado. E transportar as mercadorias entre os diversos estabelecimentos é fundamental para o curso regular das operações da pessoa jurídica principalmente por dois motivos: (a) A contribuinte possui um variado portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas (“Case”, “New Holland”, “Kobelco” e “Steyr”, por exemplo) para setores do mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas suas plantas industriais não estão preparadas para fabricarem todos esses produtos, até porque, aliás, isso demandaria investimentos de elevadíssima monta. Mormente pela variedade de estabelecimentos em todo o país, que também operam como centros de venda, fornecendo todos os produtos da marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do mercado, mesmo para aquelas mercadorias que não são fabricadas no próprio estabelecimento, de modo que valores consideráveis são gastos no transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b) São produzidas máquinas e equipamentos pesados, os quais gozam de particularidades quanto à sua estocagem, sobretudo pelos grandes e diferenciados tamanhos. É possível, por isso, que devido a uma queda nas vendas, por exemplo, determinado estabelecimento fique sem espaço para alocar a sua produção, o que tornará necessária a busca por outras unidades. Nessas situações é desejável que seja feita a transferência para outro estabelecimento, pois a locação de espaços para tal pode se mostrar excessivamente onerosa muito em virtude das elevadas dimensões dos bens produzidos. Além disso, os fretes em exame são despesas vinculadas ao processo de produção, o que reforça a possibilidade de creditamento. De fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que elas sejam auferidas deve ser considerado insumo. Julgados do CARF e do Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese; Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na jurisprudência administrativa que o frete pago na aquisição de bens necessários ao desenvolvimento da atividade industrial permite o creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual entendimento jurisprudencial sobre o tema, quaisquer custos de aquisição devem autorizar o desconto de créditos; Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.448 8 Item 3.6 do TVF. Entendeu o fisco que o seguro, normalmente destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia ter se creditado com base no valor total do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira e única contratante desse serviço. O destaque no CTRC é apenas uma exigência legal instituída para permitir a identificação da composição do frete. O RICMS/MG, em seu art. 81, inciso XIII, trata o seguro como “valores dos componentes do frete”. O seguro, portanto, foi avençado pela transportadora, que apenas informa o seu respectivo valor em atendimento ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e, sendo o frete na aquisição de insumos passível de creditamento, agiu de forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigurase legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art. 289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles; Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornouse, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais um menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima; Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp ora examinados, e também daqueles outros apresentados no período fiscalizado, decorreram de aquisições realizadas no mercado interno e no exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam ter sido utilizados para efeito de ressarcimento e compensação, segundo a qual apenas as importações amparadas pelo art. 15 da aludida lei é que permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém, não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam nos mencionados arts. 15 e 17. Na verdade, todo o creditamento de PIS/Cofins – Importação deriva do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que seria o equivalente funcional dos arts. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, que tratam de créditos no mercado interno. O art. 17 é apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns casos, e em conjunto com o art. 15. A função do art. 17 é, exclusivamente, tratar das situações em que o recolhimento de PIS/Cofins nãocumulativo deixa de ser feito com base nas alíquotas de 1,65% e 7,6% e Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.449 9 passa a contemplar alíquotas diferenciadas, nos casos de aplicação do “regime monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos e serviços tratados no art. 17 é, justamente, quando cuida da quantificação do crédito. Ou seja, o art. 17 não vem trazer regulação especial para os créditos de produtos específicos, de forma a excluir a aplicação do art. 15. Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15 fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação. Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art. 17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil abona essa conclusão (Acórdão nº 3803000.885, de 27/10/2010, do CARF). Interpretação distinta representaria grave ofensa à isonomia tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam submetidas a tratamentos fiscais distintos, sem qualquer justificação. Na verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime monofásico), teriam o seu direito de crédito excessivamente limitado. Essa violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei nº 10.865, de 2004, foi justamente, segundo sua exposição de motivos, introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito às regras da proporcionalidade e razoabilidade, afinal, qual seria a razão jurídica para se permitir a utilização de créditos de importação em PER/Dcomp e excluir, ao mesmo tempo, esse direito daquelas operações abarcadas pelo art. 17? Razão não há, estando claro que o exame da legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo que deve ser descartada; Item 4.3 do TVF. Foram reposicionados parcelas dos créditos de importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestrecalendário. O procedimento teve efeito nefasto e desproporcional: vários dos débitos compensados, no período autuado, ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados para o último mês do trimestre correspondente, neste terceiro mês havia saldo suficiente para homologar, ainda que em parte, as compensações realizadas nos dois primeiros meses. Desse modo, caso se entenda por validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso de um ou dois meses, isto é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre; Erros de cálculo. Em cada mês em que os créditos foram recalculados ocorreram impropriedades na quantificação desses créditos, consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins abril a junho de 2008 (PER/Dcomp nº 41058.12544.220708.1.1.099018 e nº 33371.36444.290710.1.7.098945). Somente foi considerado o montante ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 3.267.967,06 e não R$ 3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período. Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs – Valor utilizado valorado de Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.450 10 acordo com o tipo de crédito” há valores que divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a última versão sobrepôs a primeira, fazendo com que os débitos fossem compensados com multa e juros. É de se notar que a data da transmissão original estava dentro do período para recolhimento (antes da data de vencimento) e que não houve aumento do débito compensado, somente redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins outubro a dezembro de 2008 (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.090408). Somente foi considerado o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 140). (c) Ressarcimento de Cofins julho a setembro de 2010 (PER/Dcomp nº 19382.21408.281010.1.1.090687). Não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 6.541.682,26 e não R$ 6.201.733,66, o que gerou uma diferença de R$ 339.948,90, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). (d) Ressarcimento de Cofins abril de 2010 (PER/Dcomp nº 02755.47816.300610.1.3.094563). O fisco partiu de montante de créditos de mercado externo diferente daquele que consta no PER/Dcomp, sendo considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 5.511.341,71 e não R$ 2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). Esses erros, que são verificados em todas as competências, são inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requerse, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que os referidos equívocos sejam definitivamente comprovados. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, em razão do exíguo tempo para recorrer, posto que são mais de 200 PER/Dcomp envolvidos, que devem ser revistos em todos os critérios apontados pela fiscalização, alguns deles complexos; Em 20/08/2012, a contribuinte juntou aos autos mídia em CD com o que entende ser as informações necessárias para que seja verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 do TVF com a compra de insumos, de modo a comprovar a legitimidade dos créditos aproveitados sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos). Ao final, requer a contribuinte: a) o julgamento conjunto dos processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade do procedimento fiscal e de seus correspondentes frutos, o TVF e os despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das vinculações, conforme demonstrado; d) o reconhecimento da existência de todos os créditos de PIS/Cofins utilizados pela interessada nos pedidos de ressarcimento e compensação vinculados ao MPFF n.º: 06.1.10.002011004273, transmitidos entre janeiro de 2008 e setembro de 2010, com o conseqüente deferimento e Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.451 11 homologação de todos os PER/Dcomp objetos deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados; f) caso os argumentos anteriores não sejam acatados, que os erros expressamente apontados sejam definitivamente corrigidos e g) subsidiariamente, sejam decotados os juros e multas decorrentes do reposicionamento de créditos efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 21/01/2014 (fls. 1409). Inconformada, a mesma apresentou, em 28/01/2014, o recurso voluntário de fls. 1411/1438, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final: a) o julgamento conjunto deste com os demais processos da empresa, haja vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º, do Regimento Interno do CARF; b) seja determinada a realização de diligência para os esclarecimentos referentes à glosa de créditos calculados sobre fretes (item 3.7 do TVF), diligência cuja necessidade seria reforçada diante do reconhecimento, pela DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos; c) seja o recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do TVF, bem como reconhecida a regularidade da utilização dos créditos de PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF), e, finalmente, sejam descontados juros e multa calculados quando do reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), de modo que se refiram tãosomente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre). É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo, posto que apresentado (em 28/01/2014) dentro do prazo legal de 30 dias contados da data da ciência da decisão de primeira instância (que ocorreu em 21/01/2014 conf. fls. 1409). Quanto aos demais requisitos de admissibilidade os mesmos se encontram presentes. Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo. Da matéria em litígio Conforme relatado, vêse que a contenda envolve a homologação parcial de pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo credor de PIS/PASEP, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões relativas ao cômputo de créditos calculados sobre: Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.452 12 a) bens destinados ao ativo imobilizado e não utilizados na produção (item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF); b) serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF); c) fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF); d) fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); e, e) fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF). Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual, em virtude do artigo 16 da Lei nº 11.116/20051, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 seriam passíveis de ressarcimento ou de compensação. Assim, em relação aos créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da Lei em tela2 (dentre outros) – estes, por falta de previsão legal, não poderiam ser objeto de ressarcimento ou de compensação, apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos. Por fim, a lide envolve também a análise quanto à possibilidade ou não de compensação de créditos de importação vinculados a receita de exportação antes do encerramento do trimestre. Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao pleito do sujeito passivo. 1 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 2 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: [omitido] § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: I 2% (dois por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.453 13 Nessa linha, ao analisar a lide, verificamos a necessidade de conversão do julgamento em diligência no tocante ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – TVF, nos termos tratados abaixo. Das glosas objeto do item 3.7 do TVF: fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas – Necessidade de diligência Quanto às glosas em vista dos fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal: Como demonstrado anteriormente, a possibilidade de creditamento nos casos em que se entende a despesa com frete como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos; assim, caso a pessoa jurídica adquira um bem de pessoa física, o transporte deste bem, mesmo feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não haverá créditos relacionados com as despesas de fretes. Não havendo informação, na Escrituração Fiscal, das notas fiscais dos bens considerados como insumos associados aos fretes, lavrouse em 14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte associasse, nota fiscal por nota fiscal, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendose observar layout específico para tanto. Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo adicional de vinte dias, por nós deferido. Em 24/10/2011, a empresa apresentou apenas dados parciais, e requereu mais algum tempo para terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por mais quinze dias o prazo final. Na data aprazada, o sujeito passivo entregou os arquivos, os quais, porém, não possuíam todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte. [...] No caso em tela, essencial era a vinculação entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por intermédio do arquivo de vínculos, que possuía tanto a identificação das notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou venda de mercadorias. Entretanto, nos arquivos entregues em 08/11/2011, anexos ao processo, duas falhas foram observadas: por um lado, notas fiscais de transporte relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de mercadorias indicadas no arquivo de vínculos não foram encontradas no “Arquivo de NF.txt”, nem na Escrituração Fiscal. Estas duas irregularidades foram relacionadas, respectivamente, nos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, em anexo. A título de exemplo, tomemos uma das diversas notas fiscais não encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as notas fiscais de transporte e as notas fiscais de mercadorias: o Conhecimento Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.454 14 de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única, emitido pela Transportadora Rodomeu Ltda, em anexo. Tratase de um documento relativo ao transporte de mercadorias importadas da CNH America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total somava R$ 65.741,50. Tal creditamento é vedado pela RFB, conforme dispõem várias consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84, da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo: “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS. O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. O desconto de créditos, no caso de importações sujeitas ao pagamento da CofinsImportação, sujeitase ao disposto nos arts. 7º e 15, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004, que determinam que a base de cálculo desses créditos corresponde ao valor aduaneiro acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Assim, o frete pago para transportar bens importados, empregados como insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso) Deste modo, é forçoso concluir que a falta de vinculação entre os fretes e as mercadorias transportadas impede a constatação não só da irregularidade acima descrita, mas de quaisquer outras que a empresa porventura tenha cometido. [...] Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas 144238 PIS a recuperar insumos e 144239 COFINS a recuperar – insumos, e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, todo o valor das contribuições creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a falta de determinada associação impede o cálculo do valor creditado proporcionalmente. (os destaquem em negrito não constam do original) Extraise dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada pela fiscalização para a glosa dos créditos calculados sobre os fretes foi, essencialmente, a impossibilidade de vinculação “entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as notas fiscais de entrada dos insumos. A ausência desse vínculo impediu a autoridade administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”. Decerto, “apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos”, muito embora a autoridade administrativa tenha afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo frete pago para transportar bens importados empregados como insumos do processo produtivo. Segundo a defesa apresentada pelo sujeito passivo: “[...] se há créditos de insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também, créditos referentes a seus correlatos fretes”. Ressalta ainda a reclamante que “a maioria Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.455 15 esmagadora de tais fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101: Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”. Ainda segundo a recorrente: Os CFOPs das notas fiscais são provas cabais de que os correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e 2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em que, tendose em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a própria Receita Federal, aliás. Vejase um exemplo: “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete pago a pessoa jurídica domiciliada no País na aquisição de matéria prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da Cofins.” (Solução de Consulta n. 197, de 16 de Agosto de 2011 – sem destaques no original) Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente: segundo o inciso IX do citado art. 3º, o “frete na operação de venda” autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais. É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais de 50 mil linhas, na qual indicou, uma a uma, nota fiscal autuada e respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a maior parte dos fretes autuados se referia a situações em que o creditamento estava claramente autorizado. Sobre a planilha reportada e demais argumentos suscitados pelo sujeito passivo, asseverou a instância recorrida, verbis: 9. FRETES. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF. Diante da ausência de informação, na escrituração fiscal, das notas fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos. Após algumas prorrogações, a recorrente apresentou a documentação solicitada, que, contudo, não apresentava todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias transportadas. Ponderou a autoridade fiscal que a falta de vinculação entre fretes e mercadorias transportadas, além de impedir o creditamento, também impede a constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a exemplo de frete pago para transporte de bens importados, empregados como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril. Suscita a interessada, quanto ao tema, que a glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos, estornandose, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.456 16 Solicita, para que não hajam dúvidas quanto ao seu direito a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, afirma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais ou menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por fim, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima. A contribuinte juntou aos autos mídia em CD, incluindo as informações que entendeu necessárias para o restabelecimento desses créditos, a qual foi convertida em documentos anexados aos autos. Examinando esses documentos, podese observar que se trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ). Não obstante, do exame dessa planilha não resta comprovada a vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto, faziase necessário que fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez. Em adição, podese observar que a aludida planilha apresenta mais de 50.000 linhas com dados para verificação, enquanto que a interessada, ao trazêla aos autos, limitouse a requerer fosse verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos. Ocorre que o ônus de prova do direito ao creditamento é da contribuinte, como adiante se melhor verá, a quem competia, no mínimo, apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para o fisco. Ressaltese que, para fins de creditamento, a legislação exige que o crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a alegação de que para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item. (grifos nossos) Sobre a questão, com a devida vênia, penso que a DRJ não caminhou da melhor forma. A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela instância a quo, é a de que esta não examinou adequadamente a documentação e os argumentos apresentados pelo sujeito passivo. Isso porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação [...]”, onde a interessada alega que “[...] para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724618/201182 Resolução nº 3802000.241 S3TE02 Fl. 1.457 17 compra de insumos [...]”, não foi efetivamente apreciada pela instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido acima. Como a própria DRJ afirma, o documento acostado aos autos pela reclamante “trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem sim subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas. No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório. Da conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, diante dos registros apresentados pelo sujeito passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos casos em que os mesmos, realmente, correspondem a fretes pela aquisição de insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto. Sala de Sessões, em 19 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10930.001080/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA.
Comprovada, através de recibos idôneos trazidos aos autos, da prova do pagamento, e ainda de declaração firmada pelo prestador de serviço, a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.
Numero da decisão: 2102-003.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 02/08/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovada, através de recibos idôneos trazidos aos autos, da prova do pagamento, e ainda de declaração firmada pelo prestador de serviço, a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 02/08/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 10 80 /2 00 8- 39 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 57/60, exigindose a importância de R$2.648,19 (dois mil, seiscentos e quarenta e oito reais e dezenove centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício2004, anocalendário 2003, correspondente à dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, e ainda com a complementação da descrição dos fatos, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$15.950,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta decomprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art. 8.°, inciso II, alínea "a", e §§ 2.° e 3.°, da Lei n.° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n.°15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreton.° 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS A contribuinte intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas, nãoapresentou os documentos solicitados. O profissional Luiz Roberto Giugni,intimado a confirmar a prestação de serviços não se manifestou. Assim, estamosprocedendo à glosa das despesas no total de R$15.950,00. Cientificada do lançamento, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02/08, por meio da qual alegou que: não teria tido tempo hábil para providenciar toda a documentação solicitada pela auditora fiscal, tendo sido lavrada a Notificação de Lançamento pertinente as deduções de despesas médicas relativas ao DIRPF, exercício 2004, anocalendário 2003; as deduções seriam decorrentes dos pagamentos efetuados ao profissional Luiz Roberto Giugni, inscrito no CPF n° 047.367.55873, por tratamento odontológico; os pagamentos teriam sido realizados por meio de cheques nominativos ao respectivo profissional, sendo emitidos recibos da forma prevista em lei; que teria apresentado uma declaração do profissional responsável pelos serviços realizados esclarecendo que recebeu a quantia declarada pela Contribuinte, e a ainda as microfilmagem dos cheques, os recibos emitidos e a cópia dos prontuários odontológicos com a descrição de todos os atendimentos e procedimentos efetuados; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10930.001080/200839 Acórdão n.º 2102003.026 S2C1T2 Fl. 115 3 caso restasse alguma dúvida quanto a realização do tratamento odontológico, postulou a Contribuinte pela designação de perícia técnica odontológica; por fim, pleiteou pelo reconhecimento da dedução das despesas oriundas do tratamento odontológico realizados pelo profissional Luiz Roberto Guigni, com o conseqüente cancelamento do crédito tributário exigido e a declaração do direito a restituição que lhe seria devida. Na análise de suas alegações, os integrantes da 6ª Turma da DRJ/CTA decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendose integralmente o crédito tributário impugnado, sendo extraída a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São dedutíveis despesas médicas, desde que devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte teve ciência de tal decisão em 24.08.2011, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 90/98, em 21.09.2011, por meio do qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda – em suma –que “a comprovação da despesa médica é feita através de documentos com indicação do nome, endereço e CPF/CNPJ de quem a recebeu, não sendo lícito aos Fiscais da Receita Federal exigirem qualquer outro documento”, e, desta forma, postulou a reforma da r.decisão proferida, para “reconhecer legítima e legal a dedução declarada pela contribuinte, a título de tratamentos odontológicos realizados pelo Dr. Luiz Roberta Giugni, com consequente extinção do imposto de renda constituído pela atacada notificação de lançamento, bem como da penalidade pecuniária e demais acréscimos legais e, consequentemente, seja declarado o direito da contribuintes à restituição que lhe é devida”. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 24.08.2011, como atesta o AR de fls. 85v.. O Recurso Voluntário foi interposto em 21.09.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Conforme relatado, tratase de processo no qual se discute lançamento motivado pela glosa da despesa médica declarada originalmente pela Recorrente, no valor de R$ 15.950,00 com o profissional Luiz Roberto Giugni. O que motivou a glosa pela autoridade fiscal foi: A contribuinte intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas, não apresentou os documentos solicitados. O profissional Luiz Roberto Giugni, intimado a confirmar a prestação de serviços não se manifestou. Assim, estamos procedendo à glosa das despesas no total de R$ 15.950,00. A legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, ou o seu pagamento, quando for o caso. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) Por isso a autoridade lançadora pode e deve exigir a comprovação do pagamento das despesas cuja dedução pleiteia o contribuinte em sua DIRPF. No entanto, esta comprovação só deve ser exigida quando faltarem outros dados de comprovação da efetividade Fl. 117DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10930.001080/200839 Acórdão n.º 2102003.026 S2C1T2 Fl. 116 5 das despesas, e/ou ainda quando a documentação apresentada pelo contribuinte for inidônea – sob pena de serem invalidados os documentos (recibos e declarações) legitimamente expedidos pelos profissionais prestadores de serviços. No caso em exame, a Recorrente trouxe aos os recibos emitidos pelo Sr. Luiz Roberto (fls. 103/104), cópia dos cheques nominais a ele (fls. 20/51), os prontuários em que estão descritos os procedimentos realizados (fls. 14/17), e ainda uma declaração do referido profissional (fls. 53), por meio da qual atesta que os serviços foram efetivamente prestados e os valores foram efetivamente recebidos por ele. Seu pedido, porém, foi negado, com base nos seguintes fundamentos: 5. As cópias dos cheques nominais (fls. 18/19, 24/25, 27/28, 32/33 e 55/56), produzidas nos termos do art. Io , § Io , da Lei n° 5.433, de 1968, comprovam o pagamento pela contribuinte da despesa de R$ 15.950,00 para Luiz Roberto Giugni. 6. Considerando que a fiscalização efetuou a glosa não apenas pela não comprovação da efetividade do pagamento (inciso III do § 2° do art. 8o da Lei n° 9.250, de 1995), mas também pela não comprovação da prestação de serviços odontológicos para a contribuinte (inciso II do § 2° do art. 8o da Lei n° 9.250, de 1995), a defesa foi instruída com cópia de prontuário odontológico (fls. 11/12) e com declaração do profissional (fls. 37). Além disso, a impugnante formulou pedido de perícia odontológica. 6.1. As cópias de fls. 11/12 não estão autenticadas, logo possuem reduzido valor probatório, não tendo o condão de comprovar as alegações do impugnante. Contudo, ainda que estivessem autenticadas ou se tratassem de originais, não haveria como se estabelecer a autoria do prontuário, eis que no mesmo não há qualquer referência ou indício da pessoa que os preencheu ou determinou seu preenchimento. Logo, não haveria como vinculá lo ao profissional Luiz Roberto Giugni. 6.2. A declaração de fls. 37 apresenta uma inconsistência grave, pois afirma o pagamento "em espécie" e a prova constante dos autos revela o pagamento mediante títulos de crédito, ou seja, ordens de pagamento à vista em favor de Luiz Roberto Giugni (cheques). Além disso, não há como se conferir a autenticidade da assinatura de seu subscritor, eis que desprovida de reconhecimento de firma e não acompanhada de cópia de documento hábil à conferência, ainda que por semelhança. 6.2.1. Portanto, o documento de fls. 37 não tem o condão de gerar a convicção de que o paciente que ensejou a despesa de R$ 15.950,00 junto ao profissional Luiz Roberto Giugni tenha sido a impugnante. (...) 7. Diante do conjunto probatório constante dos autos, resta provado apenas que a autuada pagou valores a título de despesas odontológicas, mas não que a despesa seja relativa ao tratamento da impugnante. Logo, a contribuinte não se Fl. 118DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 desincumbiu do ônus legal de comprovar o suporte fático autorizador da dedução postulada (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 11, §3°; e Lei n° 9250/95, art. 8o , § 2 o , II). Tal decisão merece reforma. Isto porque: a) restou devidamente comprovado que houve o pagamento dos valores cuja dedução pleiteou a Recorrente; b) a Recorrente apresentou os recibos assinados pelo profissional, os quais preenchem os requisitos da lei; c) foi trazido aos autos o prontuário dos atendimentos; e d) a prestação do serviço foi confirmada pelo profissional prestador. Diante deste conjunto probatório, é de se reputar sim como comprovadas as despesas havidas pela Recorrente, não só porque a documentação trazida aos autos é suficiente para tanto, mas principalmente porque não se vislumbra qual a outra prova que poderia ser produzida pela Recorrente, além daquelas já trazidas aos autos. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10235.001551/2009-37
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202.000.269
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10235.001551/200937 Resolução n.º 220200.269 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório ROSIVAL GONÇALVES DE ALBUQUERQUE, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 113.532.36668, com domicílio fiscal na cidade de Macapá, Estado do Amapá, à Rua São José, n.º 1220 Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Macapá AP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 83/92, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 98/102. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 02/12/2009, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 22/29), com ciência através de AR, em 07/12/2009 (fls. 31), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 64.595,89 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2005, correspondentes ao anocalendário de 2004. Da ação fiscal resultou a constatação de omissão de rendimentos oriundos de decisão da Justiça do Trabalho no processo n° 997/199020108004, conforme certidão emitida pela Ia Vara Federal do Trabalho de Macapá, cuja cópia segue anexa a este Auto de Infração, que atesta o recebimento, no anocalendário 2004, do valor bruto de R$ 112.019,18 e sobre o qual não houve, à época, retenção de Imposto de Renda e Contribuição Previdenciária. Os valores devidos a todos os exeqüentes do processo 997/199020108004 foram pagos em várias parcelas ao longo dos anos de 2004, 2006 e 2007. Entretanto, os valores correspondentes ao Imposto de Renda e à Contribuição Previdenciária referentes ao montante recebido em 2004 somente foram retidos sobre os valores pagos em 2006 e 2007. De acordo com os arts. 2o e 3o da Lei n° 8.134/90, o Imposto de Renda Pessoa Física é devido à medida que os rendimentos forem percebidos, inclusive no caso de rendimentos percebidos acumuladamente, em cumprimento de decisão judicial (art. 640 do Decreto n° 3.000/99). Infração capitulada nos arts. 1º ao 3º, da Lei n° 8.134, de 1990 e arts. 1º ao 3º e §§, da Lei n° 7.713, de 1988. Irresignado com o lançamento o contribuinte apresenta, tempestivamente, em 06/01/2010, a sua peça impugnatória de fls. 33/39, instruído pelos documentos de fls. 40/79, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que os tributos calculados e recolhidos tendo como base de cálculo os rendimentos brutos beneficiaram o Erário Público, que recebeu além do que lhe era devido; que consoante a norma insculpida no art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), o imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica; que na dicção do Parágrafo único do art. 45 do CTN, a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10235.001551/200937 Resolução n.º 220200.269 S2C2T2 Fl. 3 3 que, destarte, de acordo com o que preceitua o Código Tributário Nacional, a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo pagamento do imposto cuja retenção e recolhimento a que estava obrigada. Realcese que o contribuinte continua sendo aquele que aufere a renda, a fonte pagadora é apenas responsável, na inteligência do art. 121 do CTN; que corroborando o acima descrito, ainda que se admitisse o entendimento jurídico adotado pela RFB, o ente tributante não teria legitimidade para cobrar o Imposto de Renda tendo em vista a prescrição contida no citado art. 722 do Decreto nº 3.000/1999. Aqui, atribuise a fonte pagadora do rendimento o dever de recolher o imposto, mesmo que não o tenha retido; que a relação tributária se fixa desde a ocorrência do fato gerador entre a União e a Justiça do Trabalho, fonte pagadora, passando o contribuinte a ostentar apenas uma relação econômica com o fato gerador, eis que foi o mesmo que obteve o acréscimo patrimonial. Daí porque, não obstante seja a fonte pagadora a única responsável pelo recolhimento do Imposto de Renda, cabe à mesma descontar do valor pago, porquanto é o contribuinte o titular da renda, competindo ao mesmo (contribuinte) arcar com o ônus econômico do imposto, o que de fato ocorreu. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Belém PA, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que não consta DIRF entregue pela Justiça do Trabalho e na declaração de rendimentos relativa ao exercício 2005, relativamente à ação trabalhista, o contribuinte não declarou o valor recebido naquele ano de R$ 112.019,18, conforme informado na Certidão emitida pela Justiça do Trabalho, às fls. 12, razão pela qual foi lavrado o presente auto de infração; que a certidão emitida pela 1ª Vara do Trabalho de Macapá, encaminhada por meio do Ofício nº 20135/2009, de 12/03/2009, às fls. 11/12, informa que os valores do imposto de renda recolhido em 2006, R$ 22.238,40 e 2007, R$ 14.822,60, foi calculado sobre o valor bruto de verbas pagas em 2004; que se verifica que os rendimentos recebidos em 2004 não foram declarados pelo contribuinte na DIRPF 2005, por entender que a responsabilidade seria exclusivamente da fonte pagadora; que os rendimentos auferidos por pessoa física, por regra, são tributáveis no momento em que o contribuinte já tem a disponibilidade efetiva da renda. Vale dizer, a tributação da pessoa física se dá pelo regime de caixa, e não pelo de competência. O imposto só atinge o rendimento quando os valores já se encontram à disposição do contribuinte; que, no caso em tela, a ação fiscal foi iniciada após o prazo de entrega da DIRPF exercício de 2005, não havendo que exigir da fonte pagadora o imposto de renda que deveria ter sido retido, nem deverá ser considerado líquido o valor recebido pela pessoa física, beneficiária dos rendimentos, não havendo fundamentação legal que embasasse o reajustamento da base de cálculo do imposto de renda. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10235.001551/200937 Resolução n.º 220200.269 S2C2T2 Fl. 4 4 A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. REGIME DE CAIXA. Os rendimentos auferidos por pessoa física, por regra, são tributáveis no momento em que o contribuinte tem a disponibilidade efetiva da renda, observando o regime de caixa, nos termos dos arts. 37, 38 e 39 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 – Decreto nº 3.000, de 26/03/1999. Impugnação Improcedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 02/05/2011, conforme Termo constante às fls. 93/95, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (01/06/2011), o recurso voluntário de fls. 98/102, instruído com o documento de fls. 103, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o Relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10235.001551/200937 Resolução n.º 220200.269 S2C2T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Observase no Auto de Infração (fls. 22/29) que a acusação que pesa contra o recorrente é a de rendimentos recebidos acumuladamente, conforme consta do seguinte excerto: Da ação fiscal resultou a constatação de omissão de rendimentos oriundos de decisão da Justiça do Trabalho no processo n° 997/1990 20108004, conforme certidão emitida pela Ia Vara Federal do Trabalho de Macapá, cuja cópia segue anexa a este Auto de Infração, que atesta o recebimento, no anocalendário 2004, do valor bruto de R$ 112.019,18 e sobre o qual não houve, à época, retenção de Imposto de Renda e Contribuição Previdenciária. Os valores devidos a todos os exequentes do processo 997/199020108004 foram pagos em várias parcelas ao longo dos anos de 2004, 2006 e 2007. Entretanto, os valores correspondentes ao Imposto de Renda e à Contribuição Previdenciária referentes ao montante recebido em 2004 somente foram retidos sobre os valores pagos em 2006 e 2007. De acordo com os arts. 2o e 3o da Lei n° 8.134/90, o Imposto de Renda Pessoa Física é devido à medida que os rendimentos forem percebidos, inclusive no caso de rendimentos percebidos acumuladamente, em cumprimento de decisão judicial (art. 640 do Decreto n° 3.000/99). Infração capitulada nos arts. 1º ao 3º, da Lei n° 8.134, de 1990 e arts. 1º ao 3º e §§, da Lei n° 7.713, de 1988. Assim sendo, a discussão sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por enquanto, não faz sentido, haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10235.001551/200937 Resolução n.º 220200.269 S2C2T2 Fl. 6 6 Após breve análise no conteúdo da acusação fiscal resta claro, nos autos de que a exigência fiscal teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu haver classificação indevida de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual. Ou seja, o contribuinte classificou indevidamente nas Declarações de Ajustes os rendimentos recebidos em virtude de ação trabalhista. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de decisão judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme os recursos extraordinários 614232 e 614406. A vista disso, seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providências no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 19515.001812/2004-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/12/2000, 01/04/2003 a 30/09/2003
DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS CIÊNCIA DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. ESPONTANEIDADE.
A apresentação de DCTF retificadora após o início do procedimento de fiscalização não concede o beneficio da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 3201-001.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 30/12/2000, 01/04/2003 a 30/09/2003 DECISÃO JUDICIAL.TRÂNSITO EM JULGADO. AUTO DE INFRAÇÃO. O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2000 a 30/12/2000, 01/04/2003 a 30/09/2003 DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS CIÊNCIA DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. ESPONTANEIDADE. A apresentação de DCTF retificadora após o início do procedimento de fiscalização não concede o beneficio da denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 12 /2 00 4- 32 Fl. 736DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.001812/200432 Acórdão n.º 3201001.491 S3C2T1 Fl. 737 2 Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 133 a 139, lavrado, contra o contribuinte em epígrafe, em decorrência da diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da Contribuição para o PIS, no valor total de R$207.992,57, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 06/2000 a 12/2000 (Incidência cumulativa), 04/2003 a 09/2003 (Incidência nãocumulativa), incluídos principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/08/2004. 2. Na descrição dos fatos do Auto de Infração, à fl. 138/139, consta que, durante o procedimento de Verificações Obrigatórias, foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 126/132). 3. No referido Termo de Verificação Fiscal consta que: 1) no Auto de Infração em tela, foi tratado apenas dos efeitos do Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0138195, impetrado em 30/03/1999, que pleiteava a suspensão das alterações introduzidas pela Lei 9.718/98: a majoração da base de cálculo para o PIS e a Cofins e o aumento de 2% para 3% da alíquota da Cofins; 2) foi proferida Liminar, em 06/04/1999 "assegurando à impetrante o direito ao recolhimento da Contribuição para o PIS, na forma prevista na Lei n° 9.715/98, bem como ao recolhimento da Cofins, na forma prevista na Lei Complementar n° 70/91 até ulterior decisão deste juízo". 3) em 12/08/1999, foi proferida Sentença confirmando a Liminar; 4) em 17/12/2003, foi julgado recurso com a seguinte decisão: "A Quarta Turma, por unanimidade, deu provimento à apelação e à remessa oficial, para julgar improcedente o pedido inicial, nos termos do voto do Relator"; o Acórdão foi publicado no DJU em 31/03/2004; 5) do exame efetuado de junho de 2000 a junho de 2004, constatouse que o contribuinte deixou de declarar nas DCTF a parcela referente à referida medida judicial de junho a dezembro de 2000 e de abril a setembro de 2003; 6) constatouse ainda, em relação a esses períodos, que os valores subjudice que não estão mais suspensos não foram declarados integralmente à repartição fiscal, inexistindo, conseqüentemente, o correspondente lançamento para a contribuição em comento; Fl. 737DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.001812/200432 Acórdão n.º 3201001.491 S3C2T1 Fl. 738 3 7) constatado que o Acórdão proferido em 17/12/2003 reverteu a sentença obtida em 1ª instância, que havia confirmado a liminar, efetuouse o lançamento de oficio com multa de oficio e juros moratórios; 8) foi frisado que, para os fatos geradores ocorridos em 2003, o contribuinte está sujeito ao PIS Nãocumulativo, conforme previsto na Lei n° 10.637/2002; foram rateados os créditos levantados pelo contribuinte de acordo com a nova sistemática proporcionalmente às parcelas exigível e suspensa, conforme demonstrado na tabela "Bases de Cálculo de Cofins e PIS de abril a setembro de 2003"; 9) houve retificadoras apresentadas para os fatos geradores de 2003, porém, considerouse, para efeito do Auto de Infração em tela, os valores das declarações originais. 4. Embasando o feito fiscal, o Autuante citou, no Auto de Infração, o enquadramento legal às fls. 138/139. No que se refere à multa de oficio e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados constam à fl. 136. 5. Cientificada em 08/09/2004, conforme fl. 137, a Interessada ingressou, em 01/10/2004, com a petição de fls. 142 a 155, por meio da qual vem impugnar os lançamentos efetuados, alegando em síntese que: 1) o Sr. Agente Fiscal, aplicando a analogia com relação à norma que impede a retificação da Declaração do Imposto de Renda, instituída pelo Regulamento do Imposto de Renda (art. 832 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), entendeu ser irregular a retificação da DCTF durante o período de fiscalização, deixando indevidamente de considerálas e, assim, autuando a Impugnante pelo não recolhimento da Contribuição para o PIS de junho a dezembro de 2000 e de abril a setembro de 2003; 2) apesar de a Instrução Normativa n° 255, de 11/12/02, prever a impossibilidade de apresentação de DCTF retificadora quando o contribuinte já tiver sido intimado de procedimento fiscal, faz se esclarecer que a referida norma tratase de mero expediente de trabalho, não tendo tamanha força em nosso ordenamento jurídico; 3) a analogia não pode ser utilizada em casos como este, uma vez que de sua aplicação nunca pode subsistir algum tributo, sob pena de afrontar o art. 108 do CTN; 4) ainda assim, o presente Auto de Infração não deve proceder, uma vez que a sanção legal para a conduta adotada pela Impugnante deveria ser, no máximo, a aplicação de multa por informações inexatas ou omissões lançadas nas DCTF, conforme prevê a IN SRF n° 126/98 e o art. 7° da Lei n° 10.426/2002; 5) o Sr. Agente Fiscal deixou de considerar entendimento do STF sobre o alargamento da base de cálculo promovido pela Lei n° Fl. 738DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.001812/200432 Acórdão n.º 3201001.491 S3C2T1 Fl. 739 4 9.718/98, no Recurso Extraordinário interposto pela Xerox Comércio e Indústria Ltda; 6) a Impugnante tem ação judicial ajuizada em face da União Federal para discutir a exação em tela, sendo, que o caso se encontra subjudice para uma futura definição do Poder Judiciário quanto à matéria; O lançamento foi julgado procedente pela 4ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II em 27/2/2008, cujo acórdão apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 30/12/2000, 01/04/2003 a 30/09/2003 ÓRGÃOS JULGADORES ADMINISTRATIVOS. AFASTAMENTO. APLICAÇÃO DE LEI. Os órgãos julgadores da Administração Fazendária somente devem afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal com base nas decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal que declare a sua inconstitucionalidade, em controle difuso, mediante autorização,' „ do Secretário da Receita Federal. MATÉRIA SUB JUDICE. O fato de a matéria tributável estar sub judice não é fator impeditivo à constituição do crédito tributário. DCTF. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE O fato de o contribuinte entregar DCTF posteriormente ao início da fiscalização não enseja o beneficio da espontaneidade, no sentido de alterar as diretrizes do feito fiscal. VALORES DECLARADOS EM DCTF. A partir do anocalendário 1999, apenas os valores a pagar declarados em DCTF têm caráter de confissão de dívida, não sendo, portanto, passíveis de constituição e exigência por meio de lançamento de oficio. LANÇAMENTO DE OFÍCIO Aplicase a multa de oficio estabelecida no lançamento de oficio em detrimento à penalidade prevista para grupo de informações incorretas prestadas pelo contribuinte em DCTF, tendo em vista o princípio contido no Código Penal. Lançamento Procedente A contribuinte, cientificada da decisão em 3/10/2008, apresentou recurso voluntário, protocolado em 3/11/2008, com os argumentos abaixo expostos. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.001812/200432 Acórdão n.º 3201001.491 S3C2T1 Fl. 740 5 A contribuinte afirma ter recolhido os tributos devidos, por meio de Guias DARF e apresentação de DCTF e DCOMP. Traz a lume ainda entendimento do STF acerca do alargamento da base de cálculo, ressaltando que essa decisão da Corte Suprema é do seu Plenário, cabendo ser respeitada no presente caso, ainda que não tenha efeito "erga omnes". Destaca que a questão em tela ainda encontrase subjudice (Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0138195), impossibilitando o lançamento tributário. Contesta a imposição da multa de ofício devido a apresentação de DCTF retificadoras, afirmando ainda que correto seria a aplicação da multa na forma do artigo 7° da Lei 10.426/2002. Requer, por fim, que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, determinandose a desconstituição do lançamento e anulação do débito, e sucessivamente, seja julgada improcedente a autuação fiscal, com o conseqüente arquivamento dos autos de infração e cancelamento das multas aplicadas. A recorrente, em 19/04/2013, apresentou requerimento de juntada de novos elementos, informando ter ingressado com ação ordinária, já transitada em julgado, É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O lançamento abarca a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep referente aos períodos de apuração 06/2000 a 12/2000, apurada pelo regime de apuração cumulativo, e 04/2003 a 09/2003, apurada segundo o regime da nãocumulatividade. No tocante aos valores exigidos referentes ao anocalendário 2000, tratase de lançamento efetuado para prevenir a decadência, tendo em vista a recorrente ter ingressado no Poder Judiciário (Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0138195) visando à suspensão das alterações introduzidas pela Lei 9.718/98 referentes a majoração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Esclarecese que o lançamento se restringe aos valores não recolhidos pela recorrente relacionados a ampliação da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/98, não abrangendo os valores discutidos judicialmente nos processos MS n°2000.61.00.0376554(que objetiva ver declarado inconstitucional o art. 47, inciso IV, alínea "h" da MP 1.991/182000 e posteriores reedições, ficando a impetrante autorizada a excluir os valores que, computados como receita, são transferidos à outras pessoas jurídicas como pagamento de royalties fixos e variáveis, em decorrência de contratos de franquia, ou os valores) e Ação Declaratória n° 2002.61.00.0143337 (Intentada com o objetivo de suspender a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita de locação de bens móveis (filmes e jogos para computador). Fl. 740DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.001812/200432 Acórdão n.º 3201001.491 S3C2T1 Fl. 741 6 Desta forma, as decisões judiciais proferidas nos processos n°2000.61.00.0376554 e 2002.61.00.0143337 não influenciam no presente processo. Em relação ao Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0138195, consta a informação que a recorrente teve seu direito negado pelo Poder Judiciário, todavia a mesma ingressou com outra ação judicial questionando a ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep implementada pelo artigo 3º, I, da Lei nº 9.718/98, qual seja a Ação Ordinária nº 001266343210.403.6100. Constatase que a recorrente teve sucesso nesta ação, tendo sido declarada em primeira instância“a inexistência da relação jurídica que obrigue a autora ao recolhimento da contribuição para o PIS, no período de 03/1999 a 12/2002, e da Cofins, no período de 03/1999 a 02/2004, com base no alargamento da base de cálculo do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, mantendo se o critério de apuração das respectivas bases anteriormente vigentes, ou seja LC 70/91 e 07/70”. A decisão foi mantida pelo TRF da 3ª Região, em acórdão transitado em julgado em 21/09/2012. Desta forma, tendo em vista a existência de decisão judicial transitada em julgado que fulmina aos valores lançados, deve ser cancelada a exigência referente aos períodos de apuração 06/2000 a 12/2000. No tocante a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep referente aos períodos de apuração 04/2003 a 09/2003, a mesma foi apurada segundo as regras do regime da nãocumulatividade. Os valores lançados correspondem a base de cálculo definida pelo artigo 1º da lei nº 10.637/2002, qual seja o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. A recorrente declarou em DCTF e efetuou o recolhimento apenas dos valores devidos de acordo com a base de cálculo definida pela LC 07/70, deixando de recolher os valores em conformidade com a base de cálculo estabelecida pela Lei nº 10.637/02. Diante da conduta da recorrente, foi feito o lançamento da diferença não declarada e não recolhida. A contribuinte afirma ter efetuado o recolhimento de todo o valor exigido neste Auto de Infração, o que representaria uma desistência tácita da lide, todavia a mesma requereu a restituição de todo o valor recolhido por meio de declarações de compensação (Dcomp) já homologadas. Desta forma, tendo em vista que o aludido recolhimento não foi utilizado para o pagamento dos valores exigidos neste lançamento, o recolhimento não pode ser considerado como pagamento desta Auto de Infração, bem como devem ser apreciados os argumentos trazidos pela recorrente em seu recurso voluntário. Observase ainda que a recorrente não anexou aos autos as citadas Dcomp para que fosse possível a verificação de quais débitos foram compensados, todavia, mesmo que fossem compensados os mesmos débitos objeto deste processo, como o auto de infração foi formalizado anteriormente à apresentação das Dcomp, este fato não desconstitui o presente lançamento; no máximo invalidaria a constituição do crédito tributário nestas Dcomp por duplicidade de lançamento. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.001812/200432 Acórdão n.º 3201001.491 S3C2T1 Fl. 742 7 Consta a informação de que a recorrente apresentou declarações retificando as DCTF originais, todavia as mesmas não foram aceitas pela fiscalização dado terem sido apresentadas posteriormente ao início da ação fiscal. A recorrente sustenta que a apresentação das DCTF excluiria a imposição da multa de ofício devido a espontaneidade. Em que pese o alegado, como bem salientado na decisão recorrida, o art. 138, parágrafo único, do CTN estabelece que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início dos procedimento fiscal: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância ,arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. § único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Desta forma, tendo em vista que a recorrente apresentou suas DCTF apenas após o início do procedimento fiscal que culminou no presente auto de infração, esta apresentação não configura denuncia espontânea, devendo ser mantida a exigência da multa de ofício de 75%. A recorrente afirma ainda que a sanção legal para a conduta adotada por esta deveria ser, no máximo, a aplicação de multa por informações inexatas ou omissões lançadas nas DCTF, conforme prevê a IN SRF n° 126/98 e o art. 7° da Lei n° 10.426/2002, e não aplicação da multa de ofício de 75%. Observase, contudo, que a conduta praticada pela recorrente corresponde ao tipo previsto no artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Já a multa prevista no artigo 7º da Lei nº 10.426/02 restringese a situações em que os contribuintes não apresentam a DCTF no prazo legal, ou a apresentam com correções ou omissões. A infração em tela, todavia, não resta configurada nas hipóteses destas omissões resultarem falta de pagamento ou recolhimento do tributo devido, quando se aplica a multa prevista no artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96. Diante do exposto, voto pela procedência parcial do recurso voluntário, excluindo do presente lançamento os valores referentes aos períodos de apuração 06/2000 a 12/2000, e mantendo a exigência dos valores referentes aos períodos de apuração 04/2003 a 09/2003, bem como da multa de ofício de 75% e dos juros de mora incidentes. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.001812/200432 Acórdão n.º 3201001.491 S3C2T1 Fl. 743 8 Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 743DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10950.720133/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NATUREZA DO OBJETO. IMPROCEDÊNCIA.
Não compete ao Fisco realizar diligência que tenha por objeto reunir documentos que, supostamente, serviria de suporte para comprovar operações bancárias realizadas pelo contribuinte. Sem que se faça juízo do valor probatório do documento a ser requisitado (FITA DETALHE DE CAIXA), é certo que, tratando-se de créditos bancários, a documentação comprobatória das respectivas origens deve ser mantida em ordem e boa guarda, de modo a, se for o caso, impedir a aplicação da presunção prevista em lei.
APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ERRO. NECESSIDADE DE CORREÇÃO.
A constatação de erros materiais na apuração da matéria submetida ao lançamento de ofício, impõe à autoridade administrativa julgadora o dever de corrigi-los.
Numero da decisão: 1301-001.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007, 2008 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NATUREZA DO OBJETO. IMPROCEDÊNCIA. Não compete ao Fisco realizar diligência que tenha por objeto reunir documentos que, supostamente, serviria de suporte para comprovar operações bancárias realizadas pelo contribuinte. Sem que se faça juízo do valor probatório do documento a ser requisitado (FITA DETALHE DE CAIXA), é certo que, tratando-se de créditos bancários, a documentação comprobatória das respectivas origens deve ser mantida em ordem e boa guarda, de modo a, se for o caso, impedir a aplicação da presunção prevista em lei. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ERRO. NECESSIDADE DE CORREÇÃO. A constatação de erros materiais na apuração da matéria submetida ao lançamento de ofício, impõe à autoridade administrativa julgadora o dever de corrigi-los.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NATUREZA DO OBJETO. IMPROCEDÊNCIA. Não compete ao Fisco realizar diligência que tenha por objeto reunir documentos que, supostamente, serviria de suporte para comprovar operações bancárias realizadas pelo contribuinte. Sem que se faça juízo do valor probatório do documento a ser requisitado (FITA DETALHE DE CAIXA), é certo que, tratandose de créditos bancários, a documentação comprobatória das respectivas origens deve ser mantida em ordem e boa guarda, de modo a, se for o caso, impedir a aplicação da presunção prevista em lei. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ERRO. NECESSIDADE DE CORREÇÃO. A constatação de erros materiais na apuração da matéria submetida ao lançamento de ofício, impõe à autoridade administrativa julgadora o dever de corrigilos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 01 33 /2 01 1- 81 Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 874 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 875 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2006 e de 2007, formalizadas em razão da imputação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Relativamente ao anocalendário de 2007, os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL foram efetuados com base no lucro arbitrado com fundamento no fato de a contribuinte estar impossibilitada de permanecer no lucro presumido, pois, no ano anterior, a receita bruta superou o limite estabelecido para o referido regime de tributação. Inconformada, a contribuinte interpôs impugnação (fls. 632/641), por meio da qual argumentou: que a autoridade fiscal cometeu alguns equívocos, bem como deixou de considerar certos fatos concretos e relevantes, os quais, se bem entendidos à época, teriam evitado as autuações em pauta, as quais são totalmente improcedentes; que o procedimento de proceder ao lançamento para exigir tributos com base exclusivamente em extratos bancários já foi objeto de manifestação pelo extinto Tribunal Federal de Recursos que emitiu a Súmula nº 182, o que torna indevida a exigência; que, ao amparo da já mencionada Súmula, o Poder Executivo determinou, por meio do Decretolei nº 2.471, mais precisamente via inciso VII do seu artigo 9º, o cancelamento dos processos administrativos, inclusive daqueles inscritos em Dívida Ativa da União, que tivessem como origem a cobrança de imposto calculado com base em valores constantes de extratos bancários ou de comprovantes de depósitos; que a autoridade fiscal ignorou as justificativas e provas apresentadas para comprovar a origem dos depósitos; que conforme Demonstrativo de Créditos justificados de fls. 541/567, a autoridade fiscal simplesmente rejeitou os comprovantes e explicações apresentadas, com a expressão "não comprovado" grafada ao lado de cada valor questionado, deixando, desta forma, de atender ao disposto no parágrafo primeiro do artigo 845 do RIR/99; que ainda que possa ser viável o lançamento, as exigências deveriam ser revistas em razão das provas existentes; que, em relação ao Banco do Brasil, os depósitos indicados como DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO, constituem operação corriqueira, em que se emite um cheque que tem como beneficiária a própria emitente; Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 876 4 que o cheque é debitado na conta bancária como se fosse pago na boca do caixa e o dinheiro, que não chega a sair do banco, é utilizado de imediato para o pagamento de duplicatas, depósitos em outras contas do banco e de titularidade da beneficiária, podendo, inclusive, eventual troco, ser sacado para suprimento de caixa, sendo tal expediente utilizado com freqüência, concentrando vários pagamentos, depósitos e transferências bancárias em um único cheque; que, no caso acima explicitado, a origem dos recursos que deu suporte ao depósito bancário resta justificada e comprovada pelo extrato bancário da conta em que o cheque foi debitado; que a outra forma de comprovar é mais complicada porque na maioria das vezes o banco cria restrições para fornecer cópia da FITA DETALHE DO CAIXA, onde fica registrada a memória de cálculo de cada sessão de atendimento; que teria solicitado junto ao banco cópias das FITA DETALHE DE CAIXA dessas operações, sendo que a instituição se recusou a entregar oficialmente as provas alegando sigilo bancário; que, após negociação, obteve a entrega informal de algumas dessas fitas as quais estão anexadas junto à peça de defesa e que comprovam a efetividade e legalidade das operações realizadas; que a FITA DETALHE DE CAIXA de 19/07/2006 comprova ter sido emitido um cheque, no importe de R$ 40.000,00, da conta 7.893X, cujo recurso foi utilizado para fazer dois depósitos na conta 16.2884, sendo um de R$ 18.000,00 e outro de R$ 22.000,00, o mesmo ocorrendo em relação à FITA DETALHE DE CAIXA do dia 31/07/2006, quando foi emitido um cheque da conta 7.893X, no valor de R$ 54.000,00 em que parte dos recursos foi utilizada para dois depósitos na conta 16.2884, sendo um de R$ 28.300,00 e outro de R$ 20.095,00, na forma como aparecem nos extratos bancários, que, na ficha, o banco suprimiu as informações relativas aos pagamentos efetuados, os quais totalizaram R$ 5.605,00. que com muito esforço conseguiu cópia de dezessete FITAS DETALHE DE CAIXA as quais se encontram anexadas para comprovar as operações realizadas e os esclarecimentos prestados e que a Receita Federal poderá, caso queira, pedir a quebra do sigilo bancário para obter as fitas relativas a todas as operações; que a aplicação da Taxa Selic para o cálculo dos juros extrapola o limite estabelecido pelo artigo 192 da Constituição Federal, cabendo ressaltar que o argumento de que tal dispositivo precisa ser regulamentado via lei complementar, somente é válido no que se refere às relações jurídicas de direito privado; que a cobrança da taxa Selic sobre débitos fiscais é sempre inconstitucional. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 0631.256, de 14 de abril de 2011, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 877 5 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Por expressa previsão legal caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não constituem normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála amparada em demonstração com base em oferta de provas hábeis e idôneas, descabendo solicitar ao fisco que supra aquilo que deixou de juntar à peça de defesa. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 698/719, por meio do qual sustentou: que o Termo de Verificação Fiscal não faz qualquer alusão ao fato do Auditor Fiscal ter examinado a escrituração contábil (Diário e Razão) a fim de: (i) apurar se as contas bancárias haviam sido contabilizadas ou não; e (ii) cruzar valores das contas não contabilizadas com os recursos da conta caixa para apurar o montante real fora da contabilidade, porventura existente, não havendo, também, nenhum registro de que foi examinada a escrituração fiscal (Livros de Registro de Saídas, de Registro de Entradas, Registro de Apuração do IPI), nem as notas fiscais de entradas ou de saídas de mercadorias e produtos escrituradas; Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 878 6 que o lançamento concebido dessa forma é o que se denomina de “lançamento arbitrado exclusivamente com base apenas em extratos ou depósitos bancários”, objeto de manifestação pelo extinto Tribunal Federal de Recursos que cristalizou sua jurisprudência no verbete da Súmula nº 182; que, apesar da Súmula 182 do TFR ter sido editada antes da Constituição Federal de 1988, ela continuou sendo aplicada na vigência da Lei n° 8.021, de 1990, e continua tendo plena aplicação na vigência da Lei n° 9.430, de 1996; que o lançamento fiscal, tal como efetuado, também não está amparado pela presunção legal inserta no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme sustenta a decisão recorrida, porque apresenta um defeito de estrutural grave ao comparar: (i) soma dos depósitos bancários com (ii) receita declarada na DIPJ ou DACON, apurando assim omissão de valores diferentes para cada tributo ou contribuição lançado (autuado); que a omissão de receita, se existente, teria que ser apurada pelo confronto entre a soma dos depósitos bancários e a soma de todos os recursos financeiros passíveis de serem depositados, conforme estabelece o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1.996; que, se tivesse examinado a sua contabilidade, o Auditor Fiscal teria constatado que ela é contribuinte do IPI e, neste caso , o recebimento do valor do IPI lançado na nota fiscal de venda gera recurso para ser depositado, mas que não integra o valor da receita declarada na DIPJ e no DACON; que outro fato que não foi levado em consideração no levantamento fiscal decorre das vendas a prazo, tendo em vista que são computadas como receita no mês do faturamento, mas só geram recursos depositáveis no mês do recebimento; que também compromete o levantamento fiscal o fato de o Auditor não ter considerado como recurso passível de depósito o saldo inicial de caixa, os recebimentos decorrentes da venda de bens do ativo imobilizado, os cheques depositados e devolvidos, enfim, todos os recebimentos escriturados a débito da conta caixa, passíveis de serem depositados, para efeito de comparação com os depósitos realizados; que também não se conforma com o fato do Auditor Fiscal ter ignorado as justificativas e as provas apresentadas para justificar os depósitos e créditos bancários relacionados nas planilhas anexas às respostas dadas em cumprimento da intimação fiscal lavrada durante a ação fiscal. A partir desse ponto, a Recorrente aponta supostas incorreções dos demonstrativos elaborados pela Fiscalização. A contribuinte requereu a realização de diligência para que a Receita Federal obtenha as FITAS DETALHES DE CAIXA junto ao Banco do Brasil, ou, alternativamente, a suspensão do julgamento até que haja decisão no processo judicial movido por ela para obtenção da referida documentação. O presente processo teve o julgamento da lide nele tratada sobrestado, em obediência às disposições dos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno (Anexo II), conforme Resolução de fls. 862/872. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 879 7 Entretanto, em virtude da edição da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou tais dispositivos, desapareceu o motivo que impedia a apreciação da controvérsia. É o Relatório. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 880 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o Termo de Verificação do Procedimento Fiscal (fls. 569/577), foi imputada à contribuinte a prática de omissão de receitas, apurada a partir da constatação de créditos bancários sem comprovação da correspondente origem. A ação fiscal alcançou os anoscalendário de 2006 e de 2007, tendo sido formalizadas exigências relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos. Tendo a contribuinte optado pela tributação com base no lucro presumido e na medida em que a receita bruta auferida no anocalendário de 2006 ultrapassou o limite para permanência, em 2007, no referido regime de tributação, a Fiscalização promoveu a apuração do imposto e da contribuição social sobre o lucro, para o citado anocalendário de 2007, com base no lucro arbitrado. Embora o Termo de Verificação em referência faça menção à formalização de exigência relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados, não identifico no presente processo auto de infração relativo ao tributo em questão. Apresentada impugnação, a Turma Julgadora de primeiro grau manteve na íntegra os lançamentos tributários efetivados. Aprecio, pois, os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário1. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Alega a Recorrente que o trabalho da auditoria foi: “i) relacionar os depósitos bancários; ii) lavrar uma única intimação fiscal exigindo da autuada a comprovação da origem dos recursos; e iii) comparar a soma dos depósitos com os valores declarados pela contribuinte.” Diz que, procedendo dessa forma, a autoridade fiscal apurou bases de cálculo diferentes para cada tributo ou contribuição. Argumenta que o Termo de Verificação Fiscal não faz qualquer alusão a uma possível análise da sua escrituração contábil, a fim de apurar se as contas bancárias haviam sido contabilizadas ou não e para cruzar valores das contas não contabilizadas com os recursos da conta Caixa. Afirma que também não existe registro de que foram examinadas a sua escrituração fiscal e suas notas fiscais. Sustenta que, nesse caso, resta caracterizado o denominado “lançamento arbitrado exclusivamente com base apenas em extratos ou depósitos bancários”, objeto de manifestação pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, que cristalizou sua jurisprudência no verbete da súmula nº 182. Diz que o lançamento fiscal, na forma como foi efetuado, também não está amparado no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, porque apresenta um defeito estrutural grave ao comparar a soma dos depósitos bancários com a receita declarada. Argumenta que a omissão de receita, se existente, teria de 1 Na medida em que a exigência relativa ao IPI não foi formalizada por meio do presente processo, não serão apreciados os argumentos relacionados ao citado tributo. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 881 9 ser apurada pelo confronto entre a soma dos depósitos bancários e a soma de todos os recursos financeiros passíveis de serem depositados. Alega que, se tivesse examinado a contabilidade, o agente fiscal teria constatado que ela é contribuinte do IPI e, neste caso, o recebimento do valor de tal tributo lançado na nota fiscal de venda gera recurso para ser depositado, mas que não integra o valor da receita declarada. Para ela, outro fato que não foi levado em consideração no levantamento fiscal decorre das vendas a prazo, tendo em vista que são computadas como receita no mês de faturamento, mas só geram recursos depositáveis no mês de recebimento. Aduz que também compromete o levantamento fiscal o fato de o Auditor não ter considerado como recurso depositável os seguintes elementos: o saldo inicial de CAIXA; os recebimentos decorrentes de venda de bens do ativo imobilizado; os cheques depositados e devolvidos; e todos os recebimentos. Conforme Termo de Intimação de fls. 125/127, a Recorrente foi intimada a comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas correntes bancárias, momento em que lhe foi apresentado o denominado DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS EM C/C A COMPROVAR. No referido Termo consta expresso que as transferências entre contas da mesma titularidade que foram detectadas não foram relacionadas. No DEMONSTRATIVO acima referenciado, anexado aos autos às fls. 130/460, os créditos bancários foram devidamente individualizados, respeitandose, assim, o disposto no parágrafo 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Alegando dificuldades junto às instituições financeiras, a contribuinte solicitou prorrogação do prazo para atendimento (fls. 461). Prestando esclarecimentos acerca de outros itens do Termo de Intimação, a contribuinte fiscalizada, em nova resposta à Fiscalização, informou que, relativamente à comprovação da origem dos créditos bancários, estava providenciando o atendimento (fls. 462). Em documento recepcionado em 16 de novembro de 2010 (fls. 464/465), a contribuinte apresentou, para fins de comprovação da origem dos créditos bancários, planilhas e cópia de extratos. Alegando falta de interesse e de responsabilidade das instituições financeiras e um número muito grande de informações requisitadas, solicitou mais uma vez prorrogação do prazo para atendimento da intimação. Em 15 de dezembro de 2010, dando continuidade ao atendimento da intimação formalizada pela autoridade fiscal, a contribuinte apresentou novas planilhas e extratos (fls. 505/517). Às fls. 536 e 537/562, foram anexadas planilhas denominadas DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS JUSTIFICADOS que, supõese, resultaram da análise da documentação apresentada pela fiscalizada em resposta ao Termo de Intimação. Embora, de fato, só conste dos autos uma única intimação exigindo a comprovação da origem dos créditos bancários, notase, com facilidade, que essa referida intimação provocou múltiplas respostas da Recorrente (fls. 461, 462, 464/465 e 505/517) inclusive com pedido de prorrogação do prazo para atendimento, tornando, assim, desnecessária a emissão de novas solicitações. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 882 10 Não identifico, portanto, qualquer prejuízo para a fiscalizada o fato de a autoridade autuante emitir uma única intimação para que ela comprovasse a origem dos depósitos bancários. No que diz respeito às considerações acerca da escrituração, a Recorrente foi intimada a apresentar os livros comerciais e fiscais (Diário, Caixa, Razão, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS e Registro de Inventário), conforme Termo de fls. 02/04, de 19 de março de 2010. Em correspondência datada de 30 de março de 2010, a contribuinte requereu prorrogação do prazo (fls. 90), o que foi atendido, conforme registro feito no corpo da própria correspondência. Em documento datado de 05 de abril de 2010, a Recorrente encaminhou à Fiscalização os seguintes Livros: Registro de Saídas, Diário e Registro de Apuração do ICMS (fls. 91). Nos anoscalendário submetidos ao procedimento fiscal (2006 e 2007), a contribuinte optou pela apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL na sistemática do lucro presumido, o que lhe facultaria, ao invés de manter contabilidade completa, escriturar apenas o Livro Caixa. Entretanto, pelo que se pode depreender do atendimento feito em 05 de abril de 2010, embora não conste registro acerca da apresentação do Livro Razão, ela teria efetuado a escrituração completa de suas operações. Se, de fato, a Recorrente promoveu a escrituração completa de suas transações, ela deveria ter aportado ao autos documentos, inclusive contábeis, capazes de demonstrar, ainda que em parte, a insubsistência do levantamento feito pela autoridade autuante. A simples alegação de que não existe referência nos autos a uma possível análise da escrituração, a meu ver, não macula os apontamentos apresentados pela Fiscalização. Como já dito, a Fiscalização, ao intimar a Recorrente à comprovar a origem dos créditos bancários, cuidou de individualizálos e excluir as transferências entre contas de mesma titularidade e os créditos tidos como comprovados, atendendo, assim, as exigências impostas pela norma autorizadora da aplicação da presunção. Na tributação pelo lucro presumido (ou arbitrado), em que a base de cálculo dos tributos e contribuições tem por suporte a receita bruta, não me parece digno de reparo a apuração das exigências que resulta da comparação entre o que foi declarado a esse título e o que o foi considerado, com amparo na lei, como receita omitida. Desnecessárias, nesse caso, maiores investigações contábeis, especialmente na circunstância em que, intimada, a contribuinte sequer apresenta o Livro Razão e, ainda, não traz qualquer elemento para comprovar a inconsistência do levantamento feito pela autoridade fiscal. Equivocase a Recorrente ao fazer alusão à sumula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, eis que o entendimento ali esposado tomou por base a legislação vigente antes da edição da Lei nº 9.430, de 1996, que, em seu artigo 42, assim dispôs: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 883 11 regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Tratase, pois, de presunção eleita pela lei que, como é cediço, tem o condão de inverter o ônus da prova, isto é, não comprovada a origem do crédito bancário, a Fiscalização está autorizada a considerar como receita omitida o montante correspondente, cabendo ao contribuinte reunir provas de que o crédito envolvido não é receita, ou, embora seja decorrente de receita, já foi tributado. A Recorrente alega que a Fiscalização apurou bases de cálculo distintas para cada tributo ou contribuição. Ora, tratandose de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado, ao menos em relação ao IRPJ e à CSLL, as bases de cálculo são distintas, eis que submetidas a percentuais de presunção (ou de arbitramento) da mesma forma distintos. O que representaria erro seria a consideração de matérias tributáveis distintas, no caso, representadas pela receita tida como omitida. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, os depósitos de origem não comprovada tidos como receita omitida alcançaram os seguintes montantes: Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 884 12 PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR 1º T – 2006 11.299.876,38 2º T – 2006 12.790.499,68 3º T – 2006 14.379.566,85 4º T – 2006 14.198.982,32 1º T – 20067 12.979.950,27 2º T – 2007 17.088.968,18 3º T – 2007 17.336.419,45 4º T – 2007 15.200.335,91 Tais montantes são exatamente os que constam dos autos de infração, fls. 580, 5822 (IRPJ) e 616 (CSLL), cabendo esclarecer que: a) relativamente ao PIS e à COFINS, na medida em que a receita declarada, que foi deduzida do montante de receita omitida, foi distinta da consignada para fins de IRPJ e CSLL, as bases de cálculo, da mesma forma, resultaram em valores distintos; e b) relativamente, ao anocalendário de 2007, tendo havido desconsideração da tributação pelo lucro presumido, a receita que serviu de suporte para a determinação do lucro arbitrado representou a soma do declarado com o que foi omitido. Pelo que foi exposto, resta claro que não podem ser acolhidos os argumentos da Recorrente no sentido de que deveriam ser confrontados os depósitos com a soma dos recursos financeiros; a exclusão de qualquer valor a título de IPI, de saldo de caixa, de vendas de imobilizado, de cheques devolvidos (que sequer não foram objeto de identificação) e recebimentos de qualquer espécie; bem como o fato (não comprovado) de que vendas foram supostamente efetuadas a prazo. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS Insurgese a Recorrente contra o fato de o agente fiscal ter, segundo ela, ignorado as justificativas e as provas apresentadas para justificar os depósitos e créditos bancários. Argumenta que o Auditor Fiscal simplesmente rejeitou as justificativas e os comprovantes apresentados, consignando, ao lado de cada depósito ou crédito, a observação “não comprovado”. Diz que, no caso, restou violado o disposto no parágrafo primeiro do art. 845 do RIR/99. A título de exemplo, traz considerações acerca dos depósitos identificados como DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO, afirmando que os recursos utilizados nessas operações tiveram como origem cheques de sua emissão sacados contra outra conta de sua titularidade, e que, em tal circunstância, o auditor tinha a obrigação de produzir prova concreta de que o cheque sacado teve destinação diferente daquela indicada por ela 2 Na indicação do valor tributável correspondente ao primeiro trimestre de 2007, consta o registro no auto de infração do montante de R$ 12.949.950,27, o que, considerada a descrição apresentada no Termo de Verificação Fiscal, representa um cômputo a menor, a favor da autuada, de R$ 30.000,00. No registro da receita omitida correspondente ao 1º trimestre de 2006, houve, também, cômputo a menor, nos autos de infração, a favor, portanto, da contribuinte, do montante de R$ 356,96 (constou, relativamente ao mês de fevereiro, o valor de R$ 3.332.168,75, quando, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, deveria ter sido considerado R$ 3.332.525,71). Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 885 13 A questão acerca da apreciação, por parte da autoridade fiscal, da documentação apresentada no curso do procedimento fiscal, a meu ver, foi adequadamente tratada pelo ato decisório recorrido, eis que restou consignado no voto condutor correspondente: [...] 58. Na impugnação a contribuinte contesta o fato de a autoridade fiscal não ter acatado parte dos documentos comprobatórios que apresentou. Pois bem, os documentos apresentados, fls. 489504 e, posteriormente, fls. 506513 são comprovantes de resgate de aplicações, os quais foram integralmente acatados. Percebase nas planilhas de fls. 536548 que a quase totalidade das transferências havidas nas contas do Banco do Brasil 16.2884 e 116.2888 foram justificadas, restando sem comprovação apenas depósitos de cheques e alguns em dinheiro. Entre os valores não comprovados encontramse apenas três operações intituladas TED, o que afasta a alegação de que suas justificativas não teriam sido aceitas. Já as planilhas de fls. 549562 comprovam o volume de valores considerados como comprovados. 59. Outra coisa que o contribuinte solicita na peça de defesa é que sejam apreciados os documentos que intitula como sendo FITA DETALHE DO CAIXA, as quais se encontram às f1s.664680. 60. Eis o que alegou na impugnação: "Na FITA DETALHE DO CAIXA do dia 19/07/2006 consta a emissão do cheque no valor de R$ 40.000,00 da conta n° 7.893X, cujo recurso foi utilizado para fazer dois depósitos na conta nº 16.2884, um de R$ 22.000,00 e outro de R$ 18.000,00, exatamente como consta nos extratos das respectivas contas." 61. Mais adiante, prossegue: “Na FITA DETALHE DO CAIXA do dia 31/07/2006 consta a emissão de dois cheques da conta n° 7.893X, no valor total de R$ 54.000,00, e que parte do recurso foi utilizado para fazer dois depósitos na conta n° 16.2884, um de R$ 28.300,00 e outro de R$ 20.095,00, da forma como aparece nos extratos bancários". Ressaltamos, que neste caso o Banco suprimiu da FITA DETALHE DO CAIXA os pagamentos que totalizaram R$ 5.605,00, alegando sigilo bancário porque no documento aparecia o nome de outras pessoas. A sessão foi encerrada com recebimento de R$ 54.000,00; pagamentos R$ 54.000,00 e saldo R$ 0,00.” 62. Tais alegações não merecem prosperar e explicase porque. Por primeiro como a própria defesa sustenta, os documentos intitulados FITA DETALHE DO CAIXA, juntados às fls. 664681, foram obtidos informalmente, posto que, segundo alega, o banco se recusou fornecer tais informações oficialmente, à desculpa do sigilo bancário (fl.637 dos autos). Por segundo, a peça de defesa menciona a conta corrente n° 7.893X, sem, no entanto, explicitar a qual banco nem a que agência pertence, fato que compromete a análise de qualquer razão de defesa apresentada. A interessada sustenta que desta conta teriam saído valores para suprir a conta corrente no 16.2884, também de sua titularidade, e mais, os documentos juntados aos autos não possuem qualquer assinatura ou identificação de quem os forneceu, sequer um carimbo ou ofício de encaminhamento. Muito menos a chancela do banco. 63. Contudo, num esforço para dar uma resposta aos questionamentos da impugnante, vamos admitir que a tal conta corrente no 7.893X pertence ao Banco Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 886 14 do Brasil, mais especificamente da Agência 28681, já que esta informação consta da planilha de fls. 644663, montada pela contribuinte. 64. Assim, analisando a primeira alegação de que um cheque da conta no 7.893X da Ag. 28681, datado de 19/07/2006, comprovaria a origem de dois depósitos ocorridos na conta 16.2884, da mesma agência, não merece prosperar, uma vez que inexiste justificativa plausível para o banco desdobrar um único cheque que lhe é apresentado na boca do caixa, a fim de proceder a dois depósitos no mesmo dia, na mesma hora e para a mesma correntista. Outro detalhe que impede a consideração dos mencionados documentos é o fato de ali não constar o número do cheque objeto da operação, impedindo que se realize qualquer confrontação. Aliás, essa também foi a prática adotada pela defesa. Embora tente justificar alguns dos valores questionados ao argumento de que teriam origem em transferências, via cheques, efetuadas entre suas próprias contas, esquivase de fazer vinculação a um cheque específico nem traz cópia do documento que teria servido de base para a operação. 65. E mais, qual é a justificativa de emitir um cheque para suprir outra conta da contribuinte na mesma instituição e na mesma agência se a simples emissão de um TED ou mesmo de um DOC surte o mesmo efeito, sem a necessidade de a empresa "gastar" suas folhas de cheque? 66. Como a conta corrente n° 7.893X da Ag. 28681 não se encontra discriminada no item 23, questionouse a autoridade fiscal qual a razão ao que ele respondeu que: Essa é uma conta cuja movimentação (créditos) serve, apenas para transferência de valores entre as contas da impugnante, por isso não constou dos demonstrativos sendo que, os extratos encontramse nos anexos. 67. E complementou: Os débitos nestas contas e com créditos em outras contas da empresa com datas e valores coincidentes foram consideradas. As transferências em parcelas não foram consideradas por falta de documentos que identificassem a efetiva movimentação conforme alegado. No caso não há sigilo bancário, pois a fiscalizada teria que ter a posse dos documentos quitados e que deveriam estar escriturados nos livros. 68. Assim, ante todo o exposto voto por desconsiderar os documentos apresentados uma vez que os mesmos não preenchem os requisitos básicos para sua aceitação. Outras razões não foram apresentadas. Em primeiro lugar, rejeitase o argumento da Recorrente de que, no caso, seriam aplicáveis as disposições do parágrafo primeiro do art. 845 do RIR/99, vez que, aqui, não se trata de impugnação de esclarecimento prestado, mas, sim, de ausência de comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, da origem de recursos que ingressaram nas contas bancárias da fiscalizada. Tratase, pois, de ausência de admissibilidade da prova, eis que, para os fins propostos (comprovação da origem dos créditos bancários), ela deveria vir acompanhada de documentos hábeis. Relativamente aos depósitos identificados como DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO, esclarece a Recorrente que “os recursos utilizados nestas operações tiveram como origem cheques de sua emissão sacados contra outra conta de sua titularidade”. Para ela, “o auditor tinha a obrigação de produzir prova concreta de que o cheque sacado teve destinação diferente daquela indicada pela Recorrente, devendo, ainda, neste caso, justificar Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 887 15 os motivos que levaram a concluir pelo não acolhimento do esclarecimento prestado e da prova apresentada.” Na linha do sustentado no ato recorrido, a Recorrente busca com tal argumentação transferir para a autoridade fiscal o dever de comprovação, isto é, alega e exige que a referida autoridade demonstre que o fato alegado não ocorreu. À evidência, tal pretensão não pode ser acolhida. Cabe frisar que a decisão recorrida declina de forma expressa as razões pelas quais não acolheu as explicações apresentadas em sede de impugnação (fitasdetalhe obtidas informalmente; ausência de indicação das contas bancárias envolvidas; impossibilidade de aferição em virtude de informações incompletas; falta de plausibilidade na realização das alegadas operações, entre outras). Entre outros documentos, a Recorrente aportou ao processo planilhas denominadas: ANEXO I – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 / BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 7.893X e AG. 03522 = CONTA 107.8933 (fls. 722/747); ANEXO II – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 / BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 8.1655 e AG. 03522 = CONTA 108.1659 (fls. 748/757); ANEXO III – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 / BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 9.6121 e AG. 03522 = CONTA 109.6125 (fls. 758/760); ANEXO IV – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 / BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 16.2884 e AG. 03522 = CONTA 116.2888 (fls. 761/775); ANEXO V – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 = COMPLEMENTO / BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 7.893X e AG. 03522 = CONTA 107.8933 (fls. 776/777); ANEXO VI – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 = COMPLEMENTO / BANCO DO BRASIL = AG. 03522 = CONTA 108.1659 e AG. 03522 = CONTA 116.2888 (fls. 778); cópia do que se supõe sejam fitasdetalhe e de extratos bancários (fls. 791/847); e planilhas demonstrativas dos DEPÓSITOS CHEQUE BB LIQUIDADO (fls. 848/859). Com o devido respeito, a documentação acima discriminada em nada colabora para confirmar a assertiva trazida na peça recursal. No caso, penso que a contribuinte deveria, ao menos, trazer ao processo pronunciamento de representante da instituição Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 888 16 financeira explicando a operação referenciada na peça de defesa (DEPOSITO CHEQUE BB LIQUIDADO), acompanhado, ainda que por amostragem, de documentos relativos às transações que envolveram os valores movimentados. A simples apresentação de planilhas e extratos, à evidência, não constitui elemento hábil à comprovação pretendida. Em convergência com o decidido em primeira instância, descarto também a possibilidade de a Receita Federal, em substituição à fiscalizada, diligenciar junto ao Banco do Brasil em busca de comprovação para as alegações trazidas em sede de recurso. Penso não restar dúvida de que, no caso, a Recorrente já deveria estar de posse da referida documentação, de modo que lhe fosse possível apresentála em resposta à eventual ação fiscalizadora. Diante da absoluta falta de previsão legal, rejeito, também, o pedido de suspensão do julgamento referenciado na peça recursal. ERROS INCORRIDOS PELA FISCALIZAÇÃO A Recorrente assinala que foram identificados equívocos, por parte da autoridade fiscal, nos seguintes documentos: DEMONSTRATIVO DE CONSOLIDAÇÃO EM C/C NÃO COMPROVADOS – VALOR TRIBUTÁVEL DO IRPJ, relativo ao anocalendário de 2007; DEMONSTRATIVO DE CONSOLIDAÇÃO EM C/C NÃO COMPROVADOS – VALOR TRIBUTÁVEL DO IRPJ, relativo ao anocalendário de 2006; DEMONSTRATIVO DOS DEPÓSITOS E CRÉDITOS JUSTIFICADOS – PLANILHA Nº 02; DEMONSTRATIVO DE CONSOLIDAÇÃO DOS CRÉDITOS EM C/C NÃO COMPROVADOS – VALOR TRIBUTÁVEL DO IRPJ, relativo ao anocalendário de 2007; DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DOS CRÉDITOS EM C/C A COMPROVAR – APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁRIO – ANO 2006; e DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DOS CRÉDITOS EM C/C A COMPROVAR – APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁRIO – ANO 2007. DEMONSTRATIVO DE CONSOLIDAÇÃO EM C/C NÃO COMPROVADOS – VALOR TRIBUTÁVEL DO IRPJ, relativo ao anocalendário de 2007: afirma a Recorrente que o Auditor Fiscal repetiu os valores das receitas declaradas informadas no demonstrativo do anocalendário de 2006. De fato, a autoridade fiscal, inadvertidamente, repetiu, na elaboração do demonstrativo relativo ao anocalendário de 2007, as receitas declaradas pela Recorrente no anocalendário de 2006, de modo que a matéria tributável correspondente deve ser ajustada na forma abaixo indicada. 1º TRIMESTRE DE 2007 ESPECIFICAÇÃO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO CORRETO CRÉDITOS A COMPROVAR 15.421.450,64 15.421.450,64 RECEITA DECLARADA 2.048.255,61 4.012.749,71 CRÉDITOS COMPROVADOS 423.244,76 423.244,76 Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 889 17 MATÉRIA TRIBUTÁVEL 12.949.950,27 10.985.456,17 DIFERENÇA 1.964.494,10 2º TRIMESTRE DE 2007 ESPECIFICAÇÃO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO CORRETO CRÉDITOS A COMPROVAR 19.666.538,58 19.666.538,58 RECEITA DECLARADA 1.266.426,01 4.618.430,15 CRÉDITOS COMPROVADOS 1.311.144,39 1.311.144,39 MATÉRIA TRIBUTÁVEL 17.088.968,18 13.736.964,04 DIFERENÇA 3.352.004,14 3º TRIMESTRE DE 2007 ESPECIFICAÇÃO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO CORRETO CRÉDITOS A COMPROVAR 21.711.623,94 21.711.623,94 RECEITA DECLARADA 1.822.745,62 4.900.472,93 CRÉDITOS COMPROVADOS 2.552.458,87 2.552.458,87 MATÉRIA TRIBUTÁVEL 17.336.419,45 14.258.692,14 DIFERENÇA 3.077.727,31 4º TRIMESTRE DE 2007 ESPECIFICAÇÃO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO CORRETO CRÉDITOS A COMPROVAR 19.484.610,14 19.484.610,14 RECEITA DECLARADA 1.463.842,03 5.134.180,63 CRÉDITOS COMPROVADOS 2.820.432,20 2.820.432,20 MATÉRIA TRIBUTÁVEL 15.200.335,91 11.529.997,31 DIFERENÇA 3.670.338,60 Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 890 18 DEMONSTRATIVO DE CONSOLIDAÇÃO EM C/C NÃO COMPROVADOS – VALOR TRIBUTÁVEL DO IRPJ, relativo ao anocalendário de 2006: assinala a Recorrente que o Auditor Fiscal incorreu em erro de soma na consolidação do valor tributável relativo ao terceiro trimestre de 2006. Merece acolhimento o pleito da Recorrente, eis que o valor apontado no demonstrativo não corresponde à soma algébrica dos valores nele discriminados. A matéria tributável deve ser ajustada na forma indicada no quadro abaixo. 3º TRIMESTRE DE 2006 ESPECIFICAÇÃO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO CORRETO CRÉDITOS A COMPROVAR 16.427.312,47 16.427.312,47 RECEITA DECLARADA 1.822.745,62 1.822.745,62 CRÉDITOS COMPROVADOS 1.589.426,94 1.589.426,94 MATÉRIA TRIBUTÁVEL 14.379.566,85 13.015.139,91 DIFERENÇA 1.364.426,94 DEMONSTRATIVO DOS DEPÓSITOS E CRÉDITOS JUSTIFICADOS – PLANILHA Nº 02: a) argumenta a Recorrente que o Auditor Fiscal cometeu erro na soma dos valores justificados no mês de outubro de 2006, relativamente ao Banco Bradesco, agência 3509, conta nº 252.9327. Correta a constatação feita pela Recorrente, devendo a matéria tributável relativa ao 4º trimestre de 2006 ser ajustada na forma indicado no quadro abaixo. DATA ESPECIFICAÇÃO MONTANTE APURADO PELA FISCALIZAÇÃO MONTANTE CORRETO 03/10/2006 VALOR EM DUPLICIDADE 55.395,00 55.395,00 03/10/2006 VALOR EM DUPLICIDADE 70,00 70,00 03/10/2006 VALOR EM DUPLICIDADE 170,00 170,00 03/10/2006 VALOR EM DUPLICIDADE 500,00 500,00 11/10/2006 RESG TIT CAP 1.104,29 1.104,29 11/10/2006 RESG TIT CAP 1.104,29 1.104,29 SOMA 2.208,58 58.343,58 DIFERENÇA 56.135,00 Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 891 19 b) afirma que, relativamente ao mês de fevereiro de 2006, houve intimação para comprovar um crédito de R$ 447.293,98, no dia vinte e três do referido mês, no Banco Bradesco, agência 3509, conta 253.8296; que o Auditor teria reconhecido que havia lançado indevidamente tal valor, porém, somente deduziu o valor de R$ 402.564,00, restando, assim, uma diferença de R$ 44.729,98; De fato, às fls. 552, consta da planilha relativa aos créditos justificados a informação de que o valor de R$ 447.293,98 foi lançado indevidamente, contudo, na indicação do total do mês, foi assinalado o montante de R$ 402.564,00, motivo pelo qual a matéria tributável relativa ao 1º trimestre de 2006 deve ser reduzida em R$ 44.729,98. DEMONSTRATIVO DE CONSOLIDAÇÃO DOS CRÉDITOS EM C/C NÃO COMPROVADOS – VALOR TRIBUTÁVEL DO IRPJ, relativo ao anocalendário de 2007: a Recorrente afirma que o Auditor Fiscal não incluiu o valor de R$ 135.000,00 que havia considerado no DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS JUSTIFICADOS, relativo ao Banco do Brasil, agências 28681, conta 8.1655, e 03522, conta 108.1659. O pleito deve ser acolhido, eis que às fls. 547 consta demonstrativo indicando que o crédito total de R$ 135.000,00, em 02/05/2007, foi justificado, sem que fosse considerado na consolidação da matéria tributável (fls. 564). A matéria tributável relativa ao 2º trimestre de 2007 deve ser reduzida em R$ 135.000,00. DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DOS CRÉDITOS EM C/C A COMPROVAR – APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁRIO – ANO 2006: relativamente a esse demonstrativo, a Recorrente aponta os seguintes erros, in verbis: a) No mês de fevereiro de 2006, os depósitos relacionados na conta n° 16.288 4 do Banco do Brasil somam R$ 1.391.557,05, mas foram consolidados pelo valor de R$ 1.394.557,05, restando, portanto, uma diferença de R$ 3.000,00 para ser considerada; b) No mês de fevereiro de 2006, os depósitos relacionados na conta n° 253.8296 do Banco Bradesco somam R$ 601.289,18, mas foram consolidados pelo valor de R$ 668.356,05, restando, portanto, uma diferença de R$ 67.066,87 para ser considerada; c) No mês de maio de 2006, os depósitos relacionados na conta n° 53.1220 do Banco Itaú somam R$ 814.989,40, mas foram consolidados pelo valor de R$ 1.549.458,83, restando, portanto, uma diferença de R$ 734.469,43 para ser considerada. O DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS A COMPROVAR, fls. 133/verso, de fato, indica o montante de R$ 1.391.557,07, enquanto que na consolidação correspondente (fls.128) foi assinalado o valor de R$ 1.394.557,07, motivo pelo deve ser excluído da matéria tributável relativa ao 1º trimestre de 2006 o valor de R$ 3.000,00. A divergência apontada em relação ao Banco Bradesco, de igual forma, procede, eis que foi registrado no DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS A COMPROVAR de fls. 232/verso o valor de R$ 601.289,18, enquanto na consolidação, fls. 128, a autoridade fiscal consignou R$ 668.356,05, devendo, portanto, ser reduzida a matéria tributável relativa ao 1º trimestre de 2006 o montante de R$ 67.066,87. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10950.720133/201181 Acórdão n.º 1301001.437 S1C3T1 Fl. 892 20 No que diz respeito aos depósitos relacionados na conta nº 53.1220 do Banco Itaú, contudo, não identifico a divergência apontada pela Recorrente, visto que na consolidação foi registrado o valor de R$ 1.548.458,83 (fls. 128), e não R$ 1.549.458, 83, como alegado, enquanto no DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS E DÉBITOS EM C/C BANCÁRIA A COMPROVAR de fls. 382/verso foi apurado o montante de R$ 1.549.458,83. DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DOS CRÉDITOS EM C/C A COMPROVAR – APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁRIO – ANO 2007: alega a Recorrente que, “no mês de março de 2007, os depósitos relacionados na conta n° 53.1220 do Banco Itaú somam R$ 451.555,10, mas foram consolidados pelo valor de R$ 649.969,40, restando, portanto, uma diferença de R$ 198.414,30 para ser considerada”. Embora em montante distinto, também identifico divergência entre o montante consignado no DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS E DÉBITOS EM C/C BANCÁRIA A COMPROVAR de fls. 409 (R$ 649.969,40) e o que foi registrado na consolidação (R$ 849.969,40), razão pela qual a matéria tributável relativa ao 1º trimestre de 2007 deve ser reduzida em R$ 200.000,00. Em vista de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir de matéria tributável os montantes abaixo indicados. 1º TRIMESTRE/2006: R$ 114.796,85 3º TRIMESTRE/2006: R$ 1.364.426,94 4º TRIMESTRE/2006: R$ 56.135,00 1º TRIMESTRE/2007 R$ 2.164.494,10 2º TRIMESTRE/2007: R$ 3.487.004,14 3º TRIMESTRE/2007: R$ 3.077.727,31 4º TRIMESTRE/2007: R$ 3.670.338,60 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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