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Numero do processo: 18365.720937/2014-35
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. BUSCA DA VERDADE MATERIAL
A apresentação de documentos em sede de interposição de Recurso Voluntário pode ser admitida em homenagem ao princípio da verdade material, já que se prestam a comprovar alegação formulada na manifestação de inconformidade e contrapor-se a argumentos da Turma julgadora a quo, e não se tratam de inovação nos argumentos de defesa. A possibilidade jurídica de apresentação de documentos em sede de recurso encontra-se expressamente normatizada pela interpretação sistemática do art. 16 e do art. 29 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em casos específicos como o ora analisado. A jurisprudência deste Tribunal é dominante no sentido de que o princípio do formalismo moderado se aplica aos processos administrativos, admitindo a juntada de provas em fase recursal.
CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação, desde que faça prova de possuir crédito próprio, líquido e certo, contra a Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1004-000.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pela contribuinte, levando em consideração as provas juntadas no recurso voluntário e as informações constantes nos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade da interessada, retomando-se o rito processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1004-000.183, de 10 de abril de 2024, prolatado no julgamento do processo 18365.720935/2014-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Efigênio de Freitas Júnior Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, Jeferson Teodorovicz, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Henrique Nimer Chamas, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho e Efigênio de Freitas Júnior.
Nome do relator: EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR
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POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. BUSCA DA VERDADE MATERIAL A apresentação de documentos em sede de interposição de Recurso Voluntário pode ser admitida em homenagem ao princípio da verdade material, já que se prestam a comprovar alegação formulada na manifestação de inconformidade e contrapor-se a argumentos da Turma julgadora a quo, e não se tratam de inovação nos argumentos de defesa. A possibilidade jurídica de apresentação de documentos em sede de recurso encontra-se expressamente normatizada pela interpretação sistemática do art. 16 e do art. 29 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em casos específicos como o ora analisado. A jurisprudência deste Tribunal é dominante no sentido de que o princípio do formalismo moderado se aplica aos processos administrativos, admitindo a juntada de provas em fase recursal. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação, desde que faça prova de possuir crédito próprio, líquido e certo, contra a Fazenda Pública. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pela contribuinte, levando em consideração as provas juntadas no recurso voluntário e as informações constantes nos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade da interessada, retomando-se o rito processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1004-000.183, de 10 de abril de 2024, prolatado no julgamento do processo 18365.720935/2014-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Redator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 36 5. 72 09 37 /2 01 4- 35 Fl. 464DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1004-000.185 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 18365.720937/2014-35 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, Jeferson Teodorovicz, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Henrique Nimer Chamas, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho e Efigênio de Freitas Júnior. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela interessada contra Acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não admitiu o Pedido de Restituição, pois considerou a não comprovação da impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP e a inexistência do crédito a ser restituído. Não foi apresentado o DARF informado. Entendeu também que o DARF encontra-se na base de dados da RFB integralmente alocado para quitação parcial de débito de IRPJ. Assim, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, juntando documentos e alegando, em síntese: que é sucessora tributária da extinta pessoa jurídica referente ao crédito pretendido; que o crédito é decorrente de pagamentos realizados com o uso de percentual incorreto de presunção (32% ao invés de 8%), pois a atividade da sucedida era imobiliária (art. 15 da Lei n° 9.249/95) com apuração do Lucro Presumido; que apresentou o Pedido de Restituição por meio de formulário em papel, pois foi impossível apresentá-lo pela via eletrônica (PER/DCOMP), já que o programa não conseguiu localizar o DARF informado nos sistemas da RFB e, por isso, não restou alternativa senão apresentar o pedido com formulário em papel, conforme faculta o artigo 3o da Instrução Normativa n° 1.300/2012; ainda, entendeu que a retificação da DIPJ da extinta sucedida seria impossível e desnecessária, sendo certo que a pessoa jurídica em questão encerrou definitivamente suas atividades; ademais, por ter realizado pagamento inequívoco a maior, possui inequívoco direito à restituição, independentemente de prévio protesto ou qualquer outro óbice burocrático dos órgãos públicos, conforme o artigo 165, e especialmente seu inciso II, do CTN. Contudo, o Acórdão da DRJ, diversamente, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FORMULÁRIO EM PAPEL. Embora a impossibilidade de acesso ao programa PER/DCOMP não tenha sido provada, não há exigência dessa prova na legislação e o argumento da interessada é irretorquível. Aceito o formulário em papel. CRÉDITO ALOCADO EM DCTF NÃO RETIFICADA. A decisão recorrida não considerou a impossibilidade legal da interessada retificar a DCTF (e DIPJ), pois a matéria havia sido objeto de fiscalização, referente ao período de apuração. Fl. 465DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1004-000.185 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 18365.720937/2014-35 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. RECEITA BRUTA. FALTA DE PROVA. A opção pelo Lucro Presumido se dá com o primeiro recolhimento do ano calendário, que define também se a opção adotada foi pelo regime de caixa ou de competência. Recolher pelo regime de caixa e informar regime de competência na DIPJ configura mero erro de preenchimento da declaração. Configura falta de prova a não apresentação do Livro Caixa ou do Razão das contas contábeis Caixa e Bancos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário, onde repisa e reforça os argumentos já suscitados na manifestação de inconformidade, juntando também outros documentos que entendeu reforçarem a comprovação do crédito pleiteado e pontuando: a possibilidade de conhecimento e deferimento do pedido de restituição, fundamentado em pagamento a maior e, subsidiariamente, pleiteia a análise dos documentos em anexo, para requerer provimento à peça recursal (diligência), com o subsequente reconhecimento integral do direito creditório da Recorrente, bem como a homologação da restituição pretendida. Após, os autos foram encaminhados ao CARF, para apreciação e julgamento. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Na origem, trata-se Despacho Decisório (DD) que não admitiu o Pedido de Restituição, em vista da (I) não comprovação da impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, e da (II) inexistência do crédito (fls. 2 a 59). Ao analisar as razões aduzidas na manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por bem ultrapassar a primeira motivação para negativa de crédito, aceitando a apresentação do formulário em papel. Contudo, ao analisar o mérito, entendeu a DRJ que a interessada não teria se desincumbido do ônus de demonstrar o direito creditório pleiteado, haja vista não ter apresentado o livro caixa e o livro razão das contas contábeis Caixa e Bancos. Vejamos: O argumento da interessada, de que calculou a maior o Lucro Presumido, por ter aplicado 32% sobre a receita bruta (prestação de serviços), quando o correto seria 8% (vendas), não foi, como ela diz, mencionado pela fiscalização. Infere-se que a autuação realizada (tributação pelo regime de competência ao invés do regime de caixa, que a CDA havia adotado), sem exigência de IRPJ, levou a interessada a supor que a autuação estaria correta, e que ela teria Fl. 466DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1004-000.185 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 18365.720937/2014-35 recolhido IRPJ a maior, não por causa de alíquota, como diz, mas, sim, pela mudança do regime de apuração de receita. Assim, de plano, pode-se concluir que se foi esse o real motivo do Pedido de Restituição, o argumento da alíquota errada deve ser considerado desde já improcedente, conforme o RIR/99: (...) Um rápido exame do Razão de Receitas mostra que há receitas de aluguel e de vendas, mas a alíquota de 8% só é aplicável às vendas. Examinando as provas apresentadas, em especial, seus registros contábeis (fls. 289 a 304), verifica-se que: 1 - a cópia do que seria o Diário (fls. 290 a 296), traz, além dos Termos de Abertura e Encerramento, apenas os lançamentos efetuados entre 02/01/2009 e 05/01/2009 (pág. 2 do Diário) e os efetuados entre 28/12/2009 e 31/12/2009 (pág. 114 do Diário), além de Balanço e de Demonstrativo de Resultado; 2 - a cópia do que seria o Livro Razão da conta de Receita (fls. 297 a 304), com o respectivo Termo de Abertura (fl. 297), mas, diferentemente do Livro Diário, não traz a respectiva numeração original, no pé de suas páginas; 3 - tendo a CDA optado pelo regime de caixa, na falta do Livro Caixa, deveriam ter sido apresentados os Livros Razão das contas Caixa e Bancos, com cópia das páginas do Diário referentes aos lançamentos nessas contas; 4 - mas, não há tais provas neste processo, de modo que não há como se apurar se houve ou não o alegado pagamento a maior. Diante disso, cabe esclarecer que compete ao contribuinte o ônus da prova do direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado, conforme exigido no art. 170, do CTN. Nesse sentido é a jurisprudência abaixo: (…) Assim, (I) a supressão de 112 folhas do Diário, (II) a não apresentação do Razão das contas Caixa e Bancos, bem como (III) a apresentação apenas de parte do Razão da conta de Receitas, podem significar que a interessada se fundamentou apenas nos autos de infração do processo de nº 10283.721444/2013-30, e provavelmente entendeu que teria direito à restituição por ter efetuado os recolhimentos observando o regime de caixa. Em resumo: configura falta de prova a não apresentação do Livro Caixa ou do Livro Razão das contas contábeis Caixa e Bancos. Ao apresentar seu Recurso Voluntário, em atendimento à provocação da DRJ, a contribuinte apresentou os referidos documentos fiscais – cópia integral dos livros diário e razão do período. Sobre a juntada de provas, ressalto que perfilho o entendimento pela possibilidade de apresentação de documentos com o recurso voluntário, em atendimento à busca da verdade material, contemplando o formalismo moderado, conforme explicita o acórdão n. 1201-005.008, proferido em sessão realizada 20/07/2021, de relatoria do Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 Fl. 467DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1004-000.185 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 18365.720937/2014-35 APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. BUSCA DA VERDADE MATERIAL A apresentação de documentos em sede de interposição de Recurso Voluntário pode ser admitida em homenagem ao princípio da verdade material, já que se prestam a comprovar alegação formulada na manifestação de inconformidade e contrapor-se a argumentos da Turma julgadora a quo, e não se tratam de inovação nos argumentos de defesa. A possibilidade jurídica de apresentação de documentos em sede de recurso encontra-se expressamente normatizada pela interpretação sistemática do art. 16 e do art. 29 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em casos específicos como o ora analisado. A jurisprudência deste Tribunal é dominante no sentido de que o princípio do formalismo moderado se aplica aos processos administrativos, admitindo a juntada de provas em fase recursal. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado a DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, desde que acompanhada de provas. Inclusive, adotei o mesmo entendimento quando do julgamento do processo n. 10480.904459/2009-29, acórdão n. 1201-005.510: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. BUSCA DA VERDADE MATERIAL A apresentação de documentos em sede de interposição de Recurso Voluntário pode ser admitida em homenagem ao princípio da verdade material, já que se prestam a comprovar alegação formulada na manifestação de inconformidade e contrapor-se a argumentos da Turma julgadora a quo, e não se tratam de inovação nos argumentos de defesa. A possibilidade jurídica de apresentação de documentos em sede de recurso encontra-se expressamente normatizada pela interpretação sistemática do art. 16 e do art. 29 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em casos específicos como o ora analisado. A jurisprudência deste Tribunal é dominante no sentido de que o princípio do formalismo moderado se aplica aos processos administrativos, admitindo a juntada de provas em fase recursal. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DE DIPJ. POSSIBILIDADE. Para fins de exame do reconhecimento de direito creditório, a exceção do prazo para homologação da compensação, não há lapso temporal que impeça a revisão dos valores informados em DIPJ. Assim, a juntada de referidos documentos em sede de interposição de recurso voluntário pode ser admitida em homenagem ao princípio da verdade material, já que se passíveis de demonstrar a alegação formulada na manifestação de inconformidade e contrapor-se a argumentos da Turma julgadora a quo, e não se tratam de inovação nos argumentos de defesa. Fl. 468DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1004-000.185 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 18365.720937/2014-35 No mérito, alega a Recorrente que não há razão para o indeferimento do pedido de restituição em razão da suposta ausência de documentos porquanto o direito creditório fora expressamente reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil em regular fiscalização promovida no final do ano de 2013. Alega ainda que, após as apurações realizadas pela fiscalização, a empresa identificou que os pagamentos a maior a título de IRPJ ocorreram devido à incorreta aplicação do percentual de presunção para apuração da base de cálculo do imposto (lucro presumido) sobre determinadas receitas; constituindo pessoa jurídica dedicada a atividades imobiliárias, deveria ter aplicado 8% sobre o seu faturamento para aferir a base de cálculo, enquanto aplicava incorretamente (a maior) a presunção de 32%, tudo conforme o artigo 15 da Lei nº 9.249/1995. Analisando os documentos apresentados, contudo, vislumbra-se indício do direito pleiteado. Note-se, por exemplo, o lançamento realizado em 24-07-2009: Recompondo-se o cálculo acima, verifica-se que pelo menos em relação a o IRPJ foram calculados adotando-se o percentual de presunção de 32%: Lucro presumido (32%) IRPJ (15%) 100.800,00R$ 32.256,00R$ 4.838,40R$ Da mesma forma, os lançamentos realizados em 31-07-2009: No cenário fático descrito, vislumbro indícios do direito ao crédito pleiteado, que, contudo, deverá ser confirmado pela Unidade de jurisdição da recorrente. Fl. 469DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1004-000.185 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 18365.720937/2014-35 Ante o exposto, conheço do presente recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe parcial provimento ao recurso voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pela contribuinte, levando em consideração as provas juntadas no recurso voluntário e as informações constantes nos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade da interessada, retomando-se o rito processual. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pela contribuinte, levando em consideração as provas juntadas no recurso voluntário e as informações constantes nos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade da interessada, retomando-se o rito processual. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Redator Fl. 470DF CARF MF Original
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Numero do processo: 12448.730201/2015-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2011
NULIDADE NÃO EVIDENCIADA.
As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
A falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ apurada após o encerramento do ano-calendário enseja a aplicação da multa de ofício isolada, quando não justificada em balanço de suspensão ou redução, conforme dispõe o art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995.
Numero da decisão: 1001-003.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Gustavo de Oliveira Machado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Rafael Zedral, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ apurada após o encerramento do ano-calendário enseja a aplicação da multa de ofício isolada, quando não justificada em balanço de suspensão ou redução, conforme dispõe o art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ apurada após o encerramento do ano-calendário enseja a aplicação da multa de ofício isolada, quando não justificada em balanço de suspensão ou redução, conforme dispõe o art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Gustavo de Oliveira Machado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Rafael Zedral, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Auto de Infração Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração a título de a título de multa de ofício isolada por ausência de recolhimento de estimativa de Contribuição AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 02 01 /2 01 5- 50 Fl. 219DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-003.308 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.730201/2015-50 Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) com a exigência do crédito tributário no valor de R$638.958,17 referente aos meses de janeiro a maio do ano-calendário de 2011, e-fls. 97-101: MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA Aplicação da multa isolada de 50% sobre os valores devidos a título de CSLL por estimativa não recolhidos, conforme Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante do auto de infração. Fato Gerador Multa 31/01/2011 45.697,93 28/02/2011 130.417,48 31/03/2011 264.900,56 30/04/2011 59.069,82 31/05/2011 138.872,38 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 31/01/2011 e 31/05/2011: Art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/072007 Impugnação e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado no Acórdão da 3ª Turma da DRJ/FNS/SC nº 07-38.673, de 30.06.2016, fls. 191-197: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2011 Estimativas Mensais de CSLL Não Pagas. Multa Isolada. Higidez. À luz do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, as estimativas de IRPJ e da CSLL não pagas dentro do período de apuração devem ser apenadas com multa de ofício isolada no percentual de 50% sobre as estimativas não pagas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Notificada em 02.06.2017 (sexta-feira), fls. 202, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.07.2017, fls. 565-573, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II – DO DIREITO: Consoante já exposto quando da narração dos fatos, a Autoridade Fiscal promoveu o lançamento do crédito tributário decorrente da aplicação de multa isolada de 50% sobre os valores que deixaram de ser recolhidos pelo contribuinte a título de CSLL por estimativa nos meses de janeiro a maio de 2011. Fl. 220DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-003.308 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.730201/2015-50 Entendeu a Autoridade Fiscal que a Recorrente, ao realizar lançamentos de provisões nos meses de janeiro a maio de 2011 a débito de custo de matéria prima/insumos e a crédito na conta de fornecedores nacionais, inobstante tenha realizado os respectivos estornos nos meses de junho a novembro de 2011, teria majorado o seu custo naqueles 05 (cinco) primeiros meses, afetando os cálculos das estimativas da CSLL dos referidos períodos de apuração. [...] Ocorre que, contraditoriamente, os julgadores reconhecem expressamente que o procedimento contábil adotado pela Recorrente não trouxe repercussão na apuração do exercício que se encerrou em 31 de dezembro de 2011, quando se apurou prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Reconhece-se, ainda, que nos meses em que a Recorrente efetuou os estornos das provisões (junho a novembro de 2011), ainda assim permaneceu com bases negativas da CSLL estimada. Cediço é que o recolhimento mensal por estimativa tem como característica a provisoriedade, posto que, encerrado o ano calendário, é calculado o montante do tributo efetivamente devido, podendo a declaração de ajuste resultar: (i) no recolhimento a maior, por estimativa, no curso do ano calendário, caso em que a contribuinte tem direito à restituição ou compensação; (ii) em uma diferença de tributo a ser recolhida; (iii) em um empate das contas. O recolhimento mensal por estimativa não resulta de outro fato gerador distinto do relativo ao período de apuração anual, ao contrário, corresponde a uma mera antecipação provisória de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no encerramento do ano calendário. Portanto, a CSLL verdadeiramente devida é aquela apurada em 31 de dezembro do ano calendário respectivo, uma vez que a materialidade tributária é o lucro real apurado nesta data. [...] Cumpre também trazer à colação o verbete sumular no 82 do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: SÚMULA CARF nº 82: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. A exigência da multa isolada de 50% sobre valores não recolhidos a título de IRPJ e CSLL, por estimativa, somente faz sentido quando, após o encerramento do exercício, resulta prejuízo ao Fisco, consubstanciado na insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração. É sabido que qualquer punição à norma de conduta deve ser calcada na PROPORCIONALIDADE – pilar da justiça material, obediente aos princípios constitucionais da razoabilidade e da igualdade. Desta forma, a base de cálculo da punição a ser aplicada não pode ser formada por algo provisório ou inconsistente. Estabelece o artigo 2º, incisos VI e XIII, da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal [...]. No presente caso, por sua vez, a Recorrente, ao final da apuração anual da CSLL referente ao ano calendário 2011, apresentou base negativa, de modo que inexiste base de cálculo para a aplicação da penalidade pretendida (multa isolada de 50% sobre os valores que supostamente deixaram de ser recolhidos a título de CSLL por estimativa nos meses de janeiro a maio de 2011). Fl. 221DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-003.308 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.730201/2015-50 Forçoso concluir, portanto, pela cabal improcedência do presente lançamento de multa isolada de 50% sobre os valores que supostamente deixaram de ser recolhidos a título de CSLL por estimativa nos meses de janeiro a maio de 2011, razão pela qual a sua desconstituição se revela imperiosa. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: III – DO PEDIDO: Ante todo o acima exposto, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido, para que seja declarada a TOTAL IMPROCEDÊNCIA do lançamento do crédito tributário decorrente da aplicação da multa isolada de 50% sobre os valores que supostamente deixaram de ser recolhidos à título de CSLL por estimativa nos meses de janeiro a maio de 2011, determinando-se a sua desconstituição, como medida de justiça material e aplicação do melhor direito. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Nulidade do Auto de Infração e da Decisão de Primeira Instância A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos arguindo que foram violados princípios constitucionais. O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. Cabe a aplicação do enunciado estabelecido nos termos do art. 123 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula nº 162 Fl. 222DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-003.308 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.730201/2015-50 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). As autoridade fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal). Ainda sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791292/PE com trânsito em julgado em 28.02.2010, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de acordo com o art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Neste sentido, devem ser enfrentados “todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489 do Código de Processo Civil). Por conseguinte, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Assim, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Ademais, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”, conforme preceitua o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. A proposição afirmada pela Recorrente, desse modo, não pode ser ratificada. Multa de Ofício Isolada A Recorrente apresenta alegações em face a exigência da multa de ofício isolada após encerrado o ano-calendário. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Fl. 223DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-003.308 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.730201/2015-50 Art. 1º A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. A Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: prevê: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. A partir do ano-calendário de 2007, com edição da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, foi alterada no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II — de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [..] b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de calculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. A multa de ofício isolada no percentual de 50% sobre o valor de estimativa que deixou de ser recolhida é aplicada após o encerramento do ano-calendário ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no período de apuração correspondente. Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 123 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula CARF nº 82 Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 93 A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo Fl. 224DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-003.308 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.730201/2015-50 da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Súmula CARF 178 A inexistência de tributo apurado ao final do ano-calendário não impede a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa na foram autorizada desde a redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). A falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ ou CSLL apurada após o encerramento do ano-calendário enseja a aplicação da multa de ofício isolada, quando não justificada em balanço de suspensão ou redução, conforme dispõe o art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995. Afastado está o enunciado da Súmula CARF nº 105, dada a alteração legislativa no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, que deixa clara a possibilidade de aplicação concomitante de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas [...]". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente. A penalidade a prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é exigida isoladamente ainda que não apurado lucro tributável ao final do ano-calendário. A conduta ilícita é a não observância do dever de antecipar o recolhimento de tributo durante lapso temporal entre data em que a estimativa deveria ser paga e o encerramento do ano-calendário ainda que aplicada, ao mesmo tempo, a multa de ofício proporcional por falta de pagamento de IRPJ ou CSLL apurado no ajuste anual relativamente ao mesmo período de apuração. Consta no Termo de Verificação Fiscal, e-fls. 90-96: 3- INFRAÇÃO APURADA— MULTA ISOLADA DE 50% SOBRE OS VALORES DEVIDOS E NÃO RECOLHIDOS DE CSLL POR ESTIMATIVA Em razão dos fatos expostos neste termo de verificação fiscal, cora base na escrituração contábil digital - ECD referente ao ano - calendário de 2011 que foi transmitida à RFB [...] e diante das respostas que foram oferecidas pelo contribuinte no curso do procedimento administrativo, o fisco promoveu o lançamento do crédito tributário decorrente da aplicação da multa isolada de 50% sobre os valores que deixaram de ser .recolhidos pelo contribuinte a título da CSLL por estimativa nos meses de janeiro a maio de 2011. Inobstante a resposta produzida pela empresa ao ser questionada pelo agente a respeito do porquê de ter realizado os estornos dos lançamentos na conta de matéria prima e insumos somente a partir do mês de junho de 2011, mediante a qual declarou, simplesmente, que a empresa Cimeeli segue o princípio da competência para o registro contábil fisco promoveu o lançamento do crédito tributário decorrente da aplicação da multa isolada de 50% sobre os que deixaram de ser recolhidos pelo contribuinte a título de CSLL por estimativa nos meses de 01 a 05 de 2011. No caso em tela pôde ser constatado que a empresa, ao realizar, lançamentos de provisões nos meses de janeiro a maio de 2011 a débito de custo de matéria prima /insumos ( 4091 ) e a crédito da conta de fornecedores nacionais ( 2004 ), majorou o seu custo naqueles. 05 (cinco) primeiros meses de 2011 o que, obviamente, afetou os cálculos das estimativas dá CSLL dos referidos períodos de apuração que estão Fl. 225DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-003.308 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.730201/2015-50 demonstrados nas ficha 16 da DIPJ/2012, cuja cópia integram este termo. Apesar dos estornos que foram realizados pelo contribuinte nos, meses de junho a novembro de 2011 e, em razão de tal procedimento contábil, não ter havido repercussão na apuração do exercício que se encerrou em dezembro daquele ano quando apurou prejuízo fiscal de R$ 884.884,82, o agente promoveu o lançamento da multa isolada, pois tais estornos deveriam ter sido contabilizados nos próprios períodos. de apuração nos meses de janeiro a maio de 2011, de modo a não prejudicar a apuração da contribuição devida por estimativa. Cumpre ressaltar que na presente tributação o caso não pode ser tratado como postergação de contribuição tenda em vista que a empresa, nos meses em que efetuou os referidos-estornos dos lançamentos realizados, ou seja, a partir de junho de 2011, ainda assim permaneceu com bases negativas da CSLL estimadas, conforme pode ser observada no demonstrativo elaborado pelo fisco no qual discrimina às bases de cálculo utilizadas no lançamento e _que integram este termo de verificação fiscal. No presente caso restou comprovada a falta de recolhimento de estimativas mensais de CSLL apurada após o encerramento do ano-calendário de 2011, fato que enseja a aplicação da multa de ofício isolada. Na presente exigência não está sendo aplicada, ao mesmo tempo, a multa de ofício proporcional por falta de pagamento de IRPJ ou CSLL apurado no ajuste anual relativamente ao mesmo período de apuração. O entendimento enunciado na Súmula CARF nº 105 vigorou até o ano-calendário de 2006 e assim a partir do ano-calendário de 2007 encontra-se superado pela alteração legislativa no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007. Ressalte-se que todos os documentos constantes nos autos foram regularmente examinados com minudência, conforme a legislação de regência da matéria. Diferente do entendimento da Recorrente, os supostos fatos indicados na peça recursal não podem ser corroborados, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. O procedimento fiscal decorre de expressa previsão legal que é de observância obrigatória pela autoridade tributária, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional). No curso do processo a Recorrente teve oportunidade de produzir o acervo fático- probatório de suas alegações. Porém, supostas divergências não estão comprovadas, pois não foram apresentadas evidências robustas com força probante conjuntural. A proposição da Recorrente, por conseguinte, não pode ser sancionada. Declaração de Concordância Consta no Acórdão da 3ª Turma da DRJ/FNS/SC nº 07-38.673, de 30.06.2016, fls. 191-197, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 12º do art. 114 do Anexo do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023): Multa ou Juros Isolados Infração: Falta de Recolhimento da CSLL sobre Base de Cálculo Estimada Aplicação da multa isolada de 50% pela falta de recolhimento do IRPJ devido por estimativa, cujos fatos estão descritos no Termo de Verificação Fiscal. [...] Conforme consta no Termo Fiscal: Fl. 226DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1001-003.308 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.730201/2015-50 3) INFRAÇÃO APURADA - MULTA ISOLADA DE 50% SOBRE OS VALORES DEVIDOS E NÃO RECOLHIDOS DE CSLL POR ESTIMATIVA [...] Inobstante a resposta produzida pela empresa ao ser questionada pelo agente a respeito do porque de ter realizado os estornos dos lançamentos na conta de matéria prima e insumos somente a partir do mês de junho de 2011, mediante a qual declarou, simplesmente, que a empresa Cimeeli segue o princípio da competência par o registro contábil, “o fisco promoveu o lançamento do crédito tributário decorrente da aplicação da multa isolada de 50% sobre os valores calculados e que deixaram de ser recolhidos pelo contribuinte a título de CSLL por estimativa nos meses de janeiro a maio de 2011. No caso em tela pode ser constatado que a empresa, ao realizar lançamentos de provisões nos meses de janeiro a maio de 2011 a débito de custo de matéria prima/insumos (4091) e a crédito da conta de fornecedores nacionais (2004), majorou o seu custo naqueles 05 (cinco) primeiros meses de 2011 o que, obviamente, afetou os cálculos das estimativas da CSLL dos referidos períodos de apuração que estão demonstrados na ficha 16, cuja cópia integra este termo. Apesar dos estornos que foram realizados pelo contribuinte nos meses de junho a novembro de 2011 e, em razão de tal procedimento contábil, não ter havido repercussão na apuração do exercício que se encerrou em dezembro daquele ano quando apurou prejuízo fiscal de R$ - 884.884,82, o agente promoveu o lançamento da multa isolada, pois tais estornos deveriam ter sido contabilizados nos próprios períodos de apuração nos meses de janeiro a maio de 2011, de modo a não prejudicar a apuração da contribuição devida por estimativa. Cumpre ressaltar que na presente tributação o caso não pode ser tratado como postergação de contribuição tendo em vista que a empresa, nos meses em que efetuou os referidos estornos dos lançamentos realizados, ou seja, a partir de junho de 2011, ainda assim permaneceu com bases negativas de CSLL estimadas, conforme pode ser observado no demonstrativo elaborado pelo fisco no qual discrimina as bases de cálculo utilizadas no lançamento e que integram este termo de verificação fiscal. Conforme alegações trazidas na Impugnação, a Impugnante concentra a questão no fato de que ao apresentar base de cálculo negativa de CSLL no encerramento do período anual (2011), não há que se cogitar de eventual falta de recolhimento mensal por estimativa e, por conseguinte, seria improcedente a aplicação de multa isolada. Neste sentido traz julgados (ementas) do CARF. De se dizer que a jurisprudência do CARF atualmente tem vacilado em afastar, ou não, a multa isolada pelo não pagamento das estimativas de IRPJ e da CSLL, como se pode ver pelos julgados abaixo: – Acórdãos nºs 1202-000.968, sessão de 11/04/2013; 1301-001.109, sessão de 04/12/2012; 1302-001.088, sessão de 08/05/2013; 1401-000.790, sessão de 09/05/2012, cancelando a multa para o período de apuração AC2006 e mantendo para o AC2007; 1801-001.367, sessão de 09/04/2013; 1802-001.592, sessão de 09/04/2013. - Acórdãos nºs 1101-000.784, sessão de 08/08/2012; 1102-000.463, sessão de 30/06/2013; 1201-000.810, sessão de 09/05/2013; 1301-001.222, sessão de 11/06/2013; 9101-001.546, sessão de 22/01/2013; 1402-001.369, sessão de 10/04/2013. Dessa forma, não se pode dizer que há um posicionamento na 2ª instância administrativa a balizar os julgados da 1ª instância. Ademais, a controvérsia sobre a Fl. 227DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1001-003.308 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.730201/2015-50 aplicabilidade, ou não, da multa sobre as estimativas de IRPJ e da CSLL não pagas se instaurou na redação hoje decaída do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo que atualmente há um novo cenário normativo. É que o legislador fez publicar a Lei nº 11.488/2007, e deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, como abaixo transcrito, reforçando a aplicação da multa isolada sobre as estimativas não pagas, mesmo quando o contribuinte tivesse apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL, sem qualquer exceção: [...] Efetivamente, com a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, ficou difícil sustentar a tese da inaplicabilidade da multa isolada de ofício, pois o legislador, à luz da controvérsia que já existia, impôs novamente tal ônus, sem qualquer exceção. E, observe-se, as infrações aqui em comento vieram à luz na nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, trazida pela Lei nº 11.488/2007. No caso em questão, a multa aplicada deveu-se ao fato de estornos contábeis feitos pelo próprio contribuinte no segundo semestre/11, ao anular custos contabilizados nos meses de janeiro a maio de 2011. Estes custos, inicialmente assim contabilizados, contribuíam para uma base de cálculo negativa mensal (balanço de suspensão), ao passo que com os estornos promovidos pelo próprio Contribuinte resultaram naqueles meses (jan a maio/2011) em bases de cálculo positivas, com apuração de CSLL mensal a recolher. Ao não proceder assim na época própria, cabível, portanto, a multa isolada de 50% sobre a CSLL não recolhida. Aliás, este julgador entende que as despesas glosadas (acompanhado em outro processo, pautado nesta mesma sessão) e que compuseram a matéria tributável na apuração da CSLL anual, deveriam ser, também, consideradas (agrupadas mensalmente) para fins de cálculo da multa isolada (mensal), entretanto, foi critério da autoridade autuante em não considerá-las, não cabendo a este julgador adotar procedimento diferente do órgão fiscalizador. Dessa forma, deve-se manter a multa isolada sobre as estimativas não pagas de CSLL, com supedâneo no novo art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96. Assim sendo, o Acórdão da 3ª Turma da DRJ/FNS/SC nº 07-38.673, de 30.06.2016, fls. 191-197, está perfeitamente motivado de forma explícita, clara e congruente e em harmonia com a legislação tributária. Responsabilidade por Infrações Tem-se que “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” (art. 136 do Código Tributário Nacional). Ressalte-se que a “atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional” (art. 142 do Código Tributário Nacional). Ademais, “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece” (art. 3º do Decreto-Lei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942). Jurisprudência e Doutrina No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Ademais, o Parecer Normativo Cosit nº 23, de 06 de setembro de 2013, determina “que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo”. Fl. 228DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1001-003.308 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.730201/2015-50 Inconstitucionalidade de Lei Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 e Súmula CARF nº 2). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício. Trata-se de poder-dever funcional irrenunciável vinculado à norma jurídica, cuja atuação está direcionada ao cumprimento das determinações constantes no ordenamento jurídico. Como corolário encontra-se o princípio da indisponibilidade que decorre da supremacia do interesse público no que tange aos direitos fundamentais (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 229DF CARF MF Original
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Numero do processo: 15471.004468/2010-84
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF INCORRETA. MEIOS DE PROVA. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE.
São tributáveis os rendimentos informados em DIRF pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e a seus dependentes, e por ele omitidos na declaração de ajuste anual.
Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar.
Constatado erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste anual, cabe a retificação de ofício pela autoridade fiscal, a fim de corrigir o erro formal detectado, nos termos do art. 147, § 2º do CTN, eis que, se a autuação deve-se conformar à realidade fática.
Afasta-se o lançamento quando os elementos de prova que fundamentam as alegações recursais se prestam a infirmar os informes contidos nas declarações emitidas pelas fontes pagadoras.
PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL.
Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material, admitindo-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, ainda que apresentada a destempo, desde que reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
Numero da decisão: 2003-004.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF INCORRETA. MEIOS DE PROVA. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. São tributáveis os rendimentos informados em DIRF pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e a seus dependentes, e por ele omitidos na declaração de ajuste anual. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Constatado erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste anual, cabe a retificação de ofício pela autoridade fiscal, a fim de corrigir o erro formal detectado, nos termos do art. 147, § 2º do CTN, eis que, se a autuação deve-se conformar à realidade fática. Afasta-se o lançamento quando os elementos de prova que fundamentam as alegações recursais se prestam a infirmar os informes contidos nas declarações emitidas pelas fontes pagadoras. PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material, admitindo-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, ainda que apresentada a destempo, desde que reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-29T14:35:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-29T14:35:44Z; Last-Modified: 2023-08-29T14:35:44Z; dcterms:modified: 2023-08-29T14:35:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-29T14:35:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-29T14:35:44Z; meta:save-date: 2023-08-29T14:35:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-29T14:35:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-29T14:35:44Z; created: 2023-08-29T14:35:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2023-08-29T14:35:44Z; pdf:charsPerPage: 2013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-29T14:35:44Z | Conteúdo => S2-TE03 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15471.004468/2010-84 Recurso Voluntário Acórdão nº 2003-004.989 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 26 de julho de 2023 Recorrente CARLOS ALDI TORRES DE ALMEIDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF INCORRETA. MEIOS DE PROVA. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. São tributáveis os rendimentos informados em DIRF pela fonte pagadora, como pagos ao contribuinte e a seus dependentes, e por ele omitidos na declaração de ajuste anual. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Constatado erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste anual, cabe a retificação de ofício pela autoridade fiscal, a fim de corrigir o erro formal detectado, nos termos do art. 147, § 2º do CTN, eis que, se a autuação deve-se conformar à realidade fática. Afasta-se o lançamento quando os elementos de prova que fundamentam as alegações recursais se prestam a infirmar os informes contidos nas declarações emitidas pelas fontes pagadoras. PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar- se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material, admitindo-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, ainda que apresentada a destempo, desde que reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 44 68 /2 01 0- 84 Fl. 77DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-004.989 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15471.004468/2010-84 (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 28/31): Trata-se de impugnação (fls. 3 numeração do processo em meio digital) à Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) Nº 2008/919564154047445 (fls. 7-10), resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) referente ao exercício 2008, ano-calendário 2007, que apurou R$ 4.527,10 de imposto de renda suplementar, R$ 3.395,32 de multa de ofício e R$ 1.083,33 de juros de mora (calculados até 31/8/2010), totalizando crédito tributário no valor de R$ 9.005,75. 2. A autoridade fiscal constatou omissão de rendimentos no valor de R$ 17.300,00, conforme Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) apresentada pela pessoa jurídica Bianco Comércio e Distribuidora Ltda. (fl. 8). 3. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL), a qual foi indeferida em 18/10/2010 (fl. 5). 4. Inconformado, o interessado apresentou impugnação, alegando que recebia o rendimento referente ao aluguel da empresa Bianco diretamente da pessoa física de seu sócio e, por esta razão, o incluiu juntamente com o valor recebido de Linaldo Coy de Barros no quadro de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Acrescenta que declarou 4 imóveis na DAA, dos quais 1 é sua moradia, outro é casa de praia e os outros 2 são alugados. 5. É o relatório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Fl. 78DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-004.989 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15471.004468/2010-84 Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazê-lo em data posterior. Cientificado da decisão, em 19/06/2015 (fls. 38/39), o contribuinte, em 17/07/2015, interpôs recurso voluntário (fls. 42/45), pugnando, preliminarmente, pela anulação da decisão recorrida e sobrestamento do feito, de forma a possibilitar-lhe produzir as provas necessárias à instrução processual, tudo em nome do princípio da verdade material, sobretudo para promover a juntada da documentação referente ao contrato de locação firmado onde se apurou os rendimentos tidos por omitidos e, no mérito, repisando as alegações da peça impugnatória, alega que lançou os rendimentos de aluguéis recebidos da empresa locatária, como recebidos de pessoa física, não podendo ser penalizado por preenchimento equivocado quando comprova que recebeu a renda e a declarou em campo trocado, calhando o afastamento da multa de ofício aplicada. Requer, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 46/73. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares As alegações trazidas em sede preliminar, a bem da verdade se confundem com as razões de mérito, e com ele serão apreciadas. Mérito Da omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica – do erro no preenchimento da declaração de ajuste anual: O litígio recai sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de 17.300,00 com IRRF de R$ 230,40, constatada em sede de revisão da DAA/2008, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do afastamento da omissão apurada. Visando suprir o ônus que lhe competia, traz aos autos, dentre outros e em especial, o contrato de locação residencial firmado com empresa Bianco Comércio e Distribuidora de Materiais de Limpeza Ltda., vigendo a partir de 03/2007 e o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora relativo ao ano-calendário de 2007 (fls. 55/65 e 73). Fl. 79DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-004.989 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15471.004468/2010-84 De início, vale salientar que no processo administrativo fiscal, os princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório devem prevalecer, sobrepondo-se ao formalismo processual, sobretudo quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, ou mesmo questionado pela decisão recorrida, caso em que é cabível a revisão do lançamento pela autoridade administrativa. Nesse ponto o art. 149 do CTN, determina ao julgador administrativo realizar, de ofício, o julgamento que entender necessário, privilegiando o princípio da eficiência (art. 37, caput, CF), cujo objetivo é efetuar o controle de legalidade do lançamento fiscal, harmonizando- o com os dispositivos legais, de cunho material e processual, aplicáveis ao caso, calhando aqui, nessa ótica, por pertinente e indispensável, a análise do documento trazido à colação pelo Recorrente. Assim, passo ao cotejo dos documentos constantes dos autos, em relação aos fundamentos motivadores da manutenção da autuação traçados na decisão recorrida (fls. 29/31): Da Omissão de Rendimentos 7. Como relatado, foi incluído aos rendimentos tributáveis do contribuinte o montante de R$ 17.300,00, uma vez que os rendimentos foram informados em Dirf pela fonte pagadora pessoa jurídica, e não foram incluídos na DAA do contribuinte no campo correspondente – Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. 8. Em sua defesa, o impugnante alega que declarou tais rendimentos como recebidos de pessoa física, juntamente com o rendimento de aluguel recebido de Linaldo Coy de Barros e apresenta o Comprovante Anual de Rendimentos de Aluguéis relativo a Linaldo (fl. 14). 9. Importa, primeiramente, destacar que mera alegação desprovida de provas não tem o condão de alterar o ato administrativo devidamente motivado, pois este goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, cabendo ao contribuinte a obrigação de comprovar e justificar o que alega. 10. O contribuinte informou o valor total de R$ 26.336,10 como auferido de pessoa física, alegando que a diferença entre este valor declarado e o valor recebido de Linaldo se refere justamente ao valor recebido da empresa Bianco. 11. Pois bem, a diferença resulta em R$ 15.792,99, mas a empresa informou na Dirf o pagamento de R$ 17.300,00. O contribuinte afirma que a diferença se refere a despesas de comissão, entretanto não apresenta nenhum documento referente à locação do imóvel para a empresa Bianco, os quais poderiam de alguma forma corroborar sua alegação, tais como Contrato de Locação, Contrato de Administração Imobiliária, Recibos de Pagamento de Aluguel. (...) 14. Assim, por falta de provas, mantém-se a inclusão dos rendimentos conforme a autuação impugnada. Pois bem. Entendo que a pretensão recursal merece parcialmente prosperar, porquanto o Recorrente se desincumbiu do ônus que lhe competia. Emerge do conjunto probatório produzido, que o Recorrente recebeu, no ano- calendário de 2007, rendimentos de aluguéis no valor total de R$ 13.050,00, com IRRF de R$ 184,05, sobre o imóvel de sua propriedade, situado na Rua Engenheiro Enaldo Cravo Peixoto, 95/501, locado à empresa Bianco Comércio e Distribuidora e Material de Limpeza Ltda., desde 01/03/2007, conforme se depreende do contrato de locação e do informe de rendimentos ora acostados (fls. 55/65 e 73). Fl. 80DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-004.989 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15471.004468/2010-84 Do total recebido da pessoa jurídica constato que, de fato, o Recorrente os declarou como recebidos de pessoa física (no valor de R$ 1.450,00 mensais), juntamente com o aluguel de outro imóvel de sua propriedade (nos valores de R$ 909,50 no mês 04/2007 e R$ 879,75 nos demais meses - fls. 14), localizado na rua Delgado de Carvalho, 21/302 e locado à Linaldo Coy de Barros. Com efeito, considerando que o Recorrente logrou em demonstrar a incorreção da autuação em relação aos rendimentos recebidos, desconstituindo a presunção de veracidade da DIRF, ante a inidoneidade das informações nela lançadas – diga-se de passagem, levando-se em conta que o informe de rendimentos emitidos pela fonte pagadora (fls. 73) atestam efetivamente o pagamento dos valores divergentes (R$ 13.050,00 com IRRF de R$ 184,05) aos tidos por omitidos (R$ 17.030,00 com IRRF de R$ 230,40) – no decorrer do ano-calendário de 2007. Cabe salientar que, em relação às DIRF elaboradas pelas fontes pagadoras, as mesmas têm por escopo informar ao Fisco o valor do imposto de renda retido na fonte, bem como discriminar os rendimentos pagos ou creditados aos seus beneficiários. Nessa premissa, a apresentação da DIRF contendo informações inexatas, incompletas ou omitidas, ou ainda, se sua entrega ocorrer após o prazo estabelecido, ensejará a aplicação de penalidades, na exata dicção do art. 7º da Lei nº 10.426/2002. Todavia, ao teor da legislação de regência, não é permitido pretender retificar a declaração de ajuste anual, a menos que haja prova consistente do eventual erro cometido no seu preenchimento, o que ao meu sentir restou demonstrado, por mero equívoco na impostação dos dados na DAA/2008 – ao lançar os rendimentos recebidos da locatária/pessoa jurídica, como recebidos de pessoa física, cujos rendimentos estão incluídos na totalidade dos valores declarados nos meses de abril a dezembro/2007, informação confirmada pelos documentos ora trazidos (fls. 14, 55/65 e 73) – constituindo-se em lapso material na impostação dos dados na declaração de ajuste, cuja boa-fé restou comprovada, calhando na espécie a retificação de ofício, ao teor do art. 147, § 2º do CTN, tendo em mente que erros ou equívocos não tem, perante a legislação tributária, o condão de se transformar em fato gerador de obrigação tributária, sob pena injustiça fiscal. Portanto, diante da verossimilhança das alegações recursais, aliado ao conjunto probatório produzido e constatando a inidoneidade das informações lançadas na DIRF, deverá ser afastada a omissão de rendimentos apurada, razão pela qual reconheço a insubsistência do crédito tributário exigido. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso, para afastar o lançamento e as alterações decorrentes realizadas na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 81DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-004.989 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15471.004468/2010-84 Fl. 82DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10830.721411/2014-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 1402-001.402
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o SOBRESTAMENTO do feito até que seja julgado e prolatado acórdão de mesma instância relativamente ao Processo nº 10830.721270/2014-42. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 1402-001.401, de 18 de maio de 2021, prolatada no julgamento do processo 10830.721412/2014-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Marcelo José Luz Macedo (suplente convocado), Iágaro Jung Martins, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Luciano Bernart e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: Não se aplica
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 1402-001.401, de 18 de maio de 2021, prolatada no julgamento do processo 10830.721412/2014-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Marcelo José Luz Macedo (suplente convocado), Iágaro Jung Martins, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Luciano Bernart e Paulo Mateus Ciccone. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata o presente processo de PER/DCOMP eletrônicas, nas quais se indicou, como origem de crédito, saldo negativo de IRPJ, referente ao ano calendário de 2010. A decisão em lide, fundamentou-se no fato de que o valor total do saldo negativo indicado pelo contribuinte como origem do crédito pleiteado havia sido integralmente aproveitado de ofício para reduzir montante de tributo lançado de ofício, conforme Memorando Sefis nº 10.011/2014 e excertos do processo nº 10830.721270/2014-42 que cuida de autos de infração de IRPJ e CSLL referentes aos anos-calendário de 2009 a 2012. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argumentando que a premissa na qual se baseou a decisão de primeira instância estaria totalmente equivocada por considerar que a exigência fiscal contida no processo nº 10830.721270/2014-42 seria improcedente,devendo ser integralmente cancelada quando do seu julgamento definitivo, estando ainda em curso na esfera administrativa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 21 41 1/ 20 14 -2 7 Fl. 376DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 1402-001.402 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.721411/2014-27 Alega que o artigo 151, III do Código Tributário Nacional preveria a suspensão do crédito tributário até o julgamento definitivo do processo administrativo no qual se discute o referido crédito. Finaliza requerendo seja reconhecido o direito creditório pleiteado. Caso não seja julgada a improcedência do Despacho Decisório e lide, seja determinada a suspensão do curso do presente processo enquanto não houver o julgamento definitivo do processo administrativo fiscal nº 10830.721270/2014-42. Por fim, caso não sejam apreciados os pedidos acima, seja determinada a exclusão dos valores cobrados a título de multa e juros de mora, sob a alegação de que em nenhum momento teria estado em mora tendo em vista que os pedidos de compensação estariam vinculados ao Auto de Infração objeto do processo nº10830.721270/2014-42, o qual se encontra pendente de julgamento definitivo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.APROVEITAMENTO DE OFÍCIO PARA DEDUZIR IMPOSTO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO.CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. A compensação tem como pressuposto de validade crédito líquido e certo em favor do sujeito passivo, cabendo a este fazer prova da sua existência. Cientificada, a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário no qual reitera as alegações já suscitadas quando da impugnação. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Conforme exposto no relatório, trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório eletrônico que fundamentou-se no fato de que o valor total do saldo negativo indicado pelo contribuinte como origem do crédito pleiteado havia sido integralmente aproveitado de ofício para reduzir montante de tributo lançado de ofício, conforme Memorando Sefis nº 10.011/2014 e excertos do processo nº 10830.721270/2014-42 (fls. 33/64) que cuida de autos de infração de IRPJ e CSLL referentes aos anos-calendário de 2009 a 2012. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 78/89) argumentando que a premissa na qual se baseou a decisão de primeira instância estaria totalmente equivocada por considerar que a exigência fiscal contida no processo nº 10830.721270/2014-42 seria improcedente, devendo ser integralmente cancelada quando do seu julgamento definitivo, estando ainda em curso na esfera administrativa. Alegou que o artigo 151, III do Código Tributário Nacional preveria a suspensão do crédito tributário até o julgamento definitivo do processo administrativo no qual se discute o referido crédito. Fl. 377DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 1402-001.402 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.721411/2014-27 A decisão recorrida, por sua vez, concluiu que faltava ao credito objeto de compensação nesses autos os requisitos da liquidez e certeza, uma vez que já teria sido compensado integralmente quando do lançamento efetuado no processo de nº 10830.721270/2014- 42. Além disso, afirmou que o processo administrativo fiscal, ao contrário do processo civil, não prevê a possibilidade de sobrestamento. Confira-se: No presente caso, verificou-se que o crédito pleiteado houvera sido compensado totalmente em ação fiscal cujo lançamento consta do processo nº 10830.721270/2014-42 , para o qual ainda não houve decisão administrativa definitiva, não se revestindo dessa forma da certeza e liquidez. Por outro lado, é incabível a pretensão de sobrestar-se a presente lide até o julgamento final do processo acima mencionado. O processo administrativo fiscal, diversamente do processo civil, não prevê a possibilidade de se sobrestar qualquer procedimento. O julgamento administrativo rege-se pelas disposições do Decreto nº 70.235, de 1972, o qual não autoriza a suspensão do trâmite processual. Ressalte-se ser dever da Administração impulsionar o processo até sua decisão final, em face do princípio da Oficialidade, previsto no art. 2º, parágrafo único, XII, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Nesse ponto, discordo da decisão recorrida. O Código de Processo Civil de 2015, em seu artigo 15 determina que : Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. (grifamos) Em tais circunstâncias, na medida em que o Decreto nº 70.235/72 nada dispõe a respeito, mostra-se aplicável, subsidiariamente, o art. 313, inciso V do Código de Processo Civil de 2015, assim redigido no que importa ao presente litígio Art. 313. Suspende-se o processo: [...] V - quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; É importante observar que, a hipótese dos autos, embora seja nitidamente uma questão prejudicial, não enquadra em qualquer das hipóteses do artigo 6º, §5 do Regimento do CARF que prevê que o sobrestamento deverá ser limitar à decisão de mesma instância. A observação acima é importante porque o processo nº 10830.721270/2014-42 foi julgado, em 09 de fevereiro de 2018, pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 1ª Seção, a qual concluiu pela manutenção do lançamento de da multa qualificada. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PROCESSUAL NULIDADE QUORUM MÍNIMO PARA JULGAMENTO PELA DRJ INOCORRÊNCIA Ressalvado entendimento pessoal do relator, o quorum mínimo para julgamento pela DRJ é aquele definido no art. 4º, § 6º, da Portaria MF 341/11, qual seja, 3 (três) membros julgadores, ainda que a turma possa deter composição extraordinária de 7 componentes, conforme preceitua o art. 2º caput, do citado diploma normativo. DECADÊNCIA ÁGIO PRAZO QUE SE INICIA DO FATO GERADOR E NÃO DOS ATOS QUE CONTRIBUÍRAM PARA A SUA OCORRÊNCIA Fl. 378DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 1402-001.402 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.721411/2014-27 A jurisprudência deste Conselho é uníssona a afirmar que a decadência ocorre quanto ao fato signo presuntivo de riqueza, ensejador da obrigação tributária, e não dos atos/fatos pretéritos, de efeitos prospectivos, que apenas contribuem para a materialização da hipótese de incidência. DIPJ RETIFICADORA PERDA DA ESPONTANEIDADE QUE NÃO IMPEDE A CONSIDERAÇÃO DAS INFORMAÇÕES RETIFICADAS DESDE QUE IDONEAMENTE COMPROVADAS. A apresentação de DIPJ retificadora no curso da ação fiscal não atende aos preceitos do art. 138 do CTN. Nada obstante é possível conhecer das informações retificadas, contudo, se o contribuinte apresentar documentação idônea suficiente a comprovar a veracidade das informações retificadas, mister do qual não se desincumbiu o contribuinte. ÁGIO FORMADO EM OPERAÇÕES INTRAGRUPO VALOR LASTREADO EM LAUDOS OU DEMONSTRAÇÕES PARCIAIS (INIDÔNEAS) AMORTIZAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Ainda que se admita a apropriação e amortização de ágio verificado na aquisição de investimentos, o benefício somente pode ser validado por laudo elaboração de dois laudos com dados subjetivos, sem lastro comprobatório, e informações conflitantes (datas de conclusão divergentes), não há como acolhê-los para os fins do art. 386 do RIR. ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. INDEDUTIBILIDADE FISCAL. O ágio criado internamente, dentro de um mesmo grupo econômico, sem movimentação financeira alguma, ausentes quaisquer condições de livre mercado é indedutível para fins tributários. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. SIMULAÇÃO. Constatada a simulação de operações societárias com a finalidade de viabilizar a criação de ágio e sua amortização fiscal, há que ser, á ágio assim criado, declarado indedutível para fins tributários. MULTA QUALIFICADA SONEGAÇÃO. SIMULAÇÃO. Constatada a existência de sonegação e simulação, há que ser qualificada a multa de ofício. MULTA ISOLADA E MULTA OFÍCIO CONCOMITÂNCIA. PROCEDÊNCIA. A Súmula CARF de nº 105 só tem aplicação aos casos anteriores à edição da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007. Tratando-se de penalidades distintas, não há impedimento à sua aplicação concomitante. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É legal a exigência de juros moratórios calculados pela taxa Selic, inclusive sobre os valores das multas não pagas no vencimento. Em consulta ao andamento do processo, abaixo reproduzida, verifica-se que este se encontra pendente de análise do Recurso Especial interposto pelo contribuinte Fl. 379DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 1402-001.402 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.721411/2014-27 Em face do exposto, proponho o sobrestamento do presente processo até o julgamento final do processo n º processo nº 10830.721270/2014-42. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de determinar o SOBRESTAMENTO do feito até que seja julgado e prolatado acórdão de mesma instância relativamente ao Processo nº 10830.721270/2014-42. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente Redator Fl. 380DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903689/2013-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 1301-000.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que sejam proferidas decisões de mérito definitivas no processo 10882.003744/2002-21.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que sejam proferidas decisões de mérito definitivas no processo 10882.003744/200221. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 03 68 9/ 20 13 -2 4 Fl. 2546DF CARF MF Original Processo nº 10882.903689/201324 Resolução nº 1301000.466 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Trata o presente processo de um Pedido de Restituição – PER nº 19285 50187.090608.1.2.023704 e de três Declarações de Compensação – DCOMP’s nºs 25000 50215.050110.1.3.023664, 33604.36585.060110.1.3.023918 e 05671.09852.250110.1.3.02 1037 –, todos vinculados ao aproveitamento do Saldo Negativo de IRPJ apurado pela Interessada no anocalendário de 2003, no valor de R$ 16.403.408,41. O direito creditório foi reconhecido apenas parcialmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco SP. As razões do não reconhecimento integral do crédito encontramse detalhadas no Despacho Decisório nº 065801779 de 02/10/2013 (fls. 201/206): Fl. 2547DF CARF MF Original Processo nº 10882.903689/201324 Resolução nº 1301000.466 S1C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do despacho decisório em 10/10/2013 (AR fl. 214), a Interessada apresentou manifestação de inconformidade em 11/11/2013, alegando, em síntese, que (fls. 03/17): • “a compensação das estimativas de IRPJ referentes a janeiro e março a agosto de 2003 já foi considerada homologada por decisão proferida pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Campinas nos autos do Processo Administrativo nº 10882.003744 200221”; • “o valor daquelas estimativas de IRPJ referentes aos meses de setembro a novembro de 2003 já é objeto de cobrança nos autos deste mesmo Processo Administrativo nº 10882.003744/200221, sendo que nos autos daquele processo ainda encontrase pendente de julgamento de recurso voluntário apresentado pela Impugnante, de modo que com a homologação daquelas compensações ou o seu pagamento restará convalidado integralmente o saldo negativo questionado nos presentes autos, de forma que a sua desconsideração, em qualquer hipótese, implica cobrança em duplicidade”; • “ainda que assim não se entenda, porém, quando menos, deverseia aguardar o julgamento daquele processo prejudicial para então avaliar os reflexos no presente processo da decisão lá proferida”. Para subsidiar a análise do feito, foi juntada aos autos cópia do processo administrativo nº 10882.003744/200221 (fls. 0217/2479). A decisão da autoridade de primeira instancia julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 2483 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. GLOSA DE ESTIMATIVAS MENSAIS. COMPROVAÇÃO PARCIAL DA QUITAÇÃO. Restando comprovada a quitação parcial das estimativas glosadas, cumpre reconhecer a parcela correspondente do crédito na apuração do saldo negativo de IRPJ. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 2548DF CARF MF Original Processo nº 10882.903689/201324 Resolução nº 1301000.466 S1C3T1 Fl. 5 4 De acordo com o resultado do julgamento, foi reconhecido, em favor da interessada, direito creditório adicional de R$ 2.700.930,56, a título de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2003 e homologadas as compensações remanescentes, vinculadas às DCOMP’s de nºs 2500050215.050110.1.3.023664, 33604.36585.060110 1.3.023918 e 05671.09852.250110.1.3.021037, até o limite do referido crédito. O contribuinte apresentou, fl. 2491 e segs, em 11/11/2014, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 2549DF CARF MF Original Processo nº 10882.903689/201324 Resolução nº 1301000.466 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso voluntário é TEMPESTIVO, atendendo também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme relatado, o processo se trata de Pedido de Restituição – PER nº 19285 50187.090608.1.2.023704 e de três Declarações de Compensação – DCOMP’s nºs 25000 50215.050110.1.3.023664, 33604.36585.060110.1.3.023918 e 05671.09852.250110.1.3.02 1037 –, todos vinculados ao aproveitamento do Saldo Negativo de IRPJ apurado pela Interessada no anocalendário de 2003, no valor de R$ 16.403.408,41. O indeferimento parcial pelo despacho decisório do pleito deveuse à glosa das estimativas mensais de janeiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003, cujas compensações não foram confirmadas pela unidade de origem. Por sua vez, a autoridade de primeira instancia constatou que as compensações referentes às estimativas dos meses de janeiro, março, abril, maio, junho, julho e agosto de 2003 já haviam sido, como alegado pelo contribuinte,, homologadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas – SP, em decorrência do reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado pela Interessada ― cfr. Acórdão DRJ/CPS nº 0524.347, de 04/12/2008 (cópia às fls. 2372/2409) e Extrato Profisc (cópia às fls. 2454/2463). No entanto, quanto às compensações das estimativas dos meses de setembro, outubro e novembro de 2003, o crédito reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas – SP não foi suficiente para homologálas, por esta razão a autoridade de primeira instancia não reconheceu tal direito creditório. Ou seja, a insurgência recursal cingese ao não reconhecimento do direito creditório da contribuinte referente ao valor das estimativas de IRPJ referentes aos meses de Fl. 2550DF CARF MF Original Processo nº 10882.903689/201324 Resolução nº 1301000.466 S1C3T1 Fl. 7 6 setembro a novembro de 2003. No entanto, verificase que tais valores estão, atualmente, em discussão nos autos do Processo Administrativo nº 10882.003744/200221. Tendo em vista que o artigo 170 do Código Tributário Nacional exige dos créditos passíveis de compensação a qualidade de serem líquidos e certos e tais requisitos não são atendidos no caso em comento, uma vez que estão sob discussão administrativa, entendo que se faz necessário aguardar o deslinde do processo mencionado para verificar o direito ao crédito tributário em comento. Em consulta à pagina eletrônica do CARF verificase que o processo mencionado acima encontrase atualmente pendente de julgamento definitivo neste Conselho e, sendo assim, carente de transito em julgado. Assim, a fim de se evitar qualquer prejuízo à Contribuinte, os presentes autos deverão ser suspensos até que possa ser reconhecido o crédito tributário no referido processo, para que sejam compensadas as estimativas que compõem o direito creditório aqui pleiteado. Conclusão Diante do exposto, voto por sobrestar o presente processo para que se aguarde o julgamento definitivo do processos acima mencionado (PAF n° 10882.003744 200221) retornando estes aos autos para julgamento com a informação das decisões definitivas neles proferidas. Ressaltase que, após decisão definitiva do processo 10882.003744 200221, caso haja provimento parcial ao pedido do contribuinte, deverá a unidade de origem especificar nestes autos quais os débitos foram homologados para fins de correta quantificação da compensação aqui debatida. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Fl. 2551DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13876.720209/2014-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2013
EMENTA
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DAS RAZÕES RECURSAIS. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Por não ter se insurgido originariamente contra o lançamento de determinada parcela do lançamento, na impugnação, o recorrente não pode inovar o quadro fático-jurídico, para pretender desconstituir essa fração do crédito tributário, com o recurso voluntário (art. 17 do Decreto 70.235/1972).
Numero da decisão: 2001-006.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2013 EMENTA PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DAS RAZÕES RECURSAIS. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Por não ter se insurgido originariamente contra o lançamento de determinada parcela do lançamento, na impugnação, o recorrente não pode inovar o quadro fático-jurídico, para pretender desconstituir essa fração do crédito tributário, com o recurso voluntário (art. 17 do Decreto 70.235/1972).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DAS RAZÕES RECURSAIS. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Por não ter se insurgido originariamente contra o lançamento de determinada parcela do lançamento, na impugnação, o recorrente não pode inovar o quadro fático-jurídico, para pretender desconstituir essa fração do crédito tributário, com o recurso voluntário (art. 17 do Decreto 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 02 09 /2 01 4- 40 Fl. 100DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.030 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13876.720209/2014-40 O sujeito passivo insurge-se contra o lançamento de fls.46 e seguintes, emitido em 10/03/14, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas DIRPF EX2013/AC2012, que verificou omissão de rendimento no valor total de R$40.835,93 (com R$78,96 de IRRF e de R$123,20 de Previdência Oficial), conforme segue: Na manifestação apresentada às fls. 02 e seguintes (e complementada no curso dos autos) se requer, em síntese, sem prejuízo da leitura de seu texto integral, a impugnação parcial do lançamento. Afirma que recebeu do INSS apenas o valor de R$14.393,10 que constou em sua DIRPF nos termos do “comprovante de rendimentos pagos” de fl.14. Não impugna as demais matérias. É o relatório. Nos termos da manifestação de fl.60, a impugnação é tempestiva e dela toma-se conhecimento. Omissão de rendimento próprio. Os rendimentos tributáveis do contribuinte provenientes do trabalho assalariado e remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, bem como quaisquer proventos ou vantagens percebidas são considerados sujeitos à tributação do Imposto de Renda na Fonte, devendo ser declarados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, conforme disciplinado pelos artigos 1º, 2º, 3º e parágrafos da Lei nº 7.713/88 e artigos 43 e 45 do Decreto nº3.000/99 do RIR/99; entre outros. Considerando-se a manifestação da fiscalização dentro da DIRPF do contribuinte (fl.63) no sentido de que: “O contribuinte declarou como isento rendimentos de aposentadoria de maior de 65 anos de idade recebidos do Ministério da Saúde no valor de R$21.282,43 e do INSS no valor de R$21.211,93. Para o ano-calendário de 2012, o valor mensal está limitado a R$1.637,11 mais 13º. A diferença no valor de R$21.211,93 está sendo incluída como tributável na DIRPF. Deixou de incluir rendimentos recebidos.” Considerando-se que os documentos de fls.13 (Ministério da Saúde) e 14 (INSS) (“Comprovantes de Rendimentos”) confirmam a existência de “parcela isenta dos proventos de aposentadoria, reforma e pensão (65 anos ou mais)” simultaneamente no ano-calendário para as duas fontes pagadoras; nos valores já expressos pela fiscalização. Considerando-se os valores informados na DIRPF do contribuinte que deu origem ao lançamento (fl.37). Considerando-se o art. 4º da Lei nº 9.250/95, com a redação dada pela Lei nº 11.482/07, que estabelece: “Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) VI - a quantia correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência Fl. 101DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.030 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13876.720209/2014-40 privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, de:” (...) f) R$ 1.637,11 (mil, seiscentos e trinta e sete reais e onze centavos), por mês, para o ano-calendário de 2012; (Incluído pela Lei nº 12.469, de 2011)” (grifou-se) Destaque-se que o valor limite independe do número de fontes pagadoras de tais rendimentos, conforme determina a Instrução Normativa SRF nº 15/2001 em seu art.52: “Art.52. No caso de recebimento de uma ou mais aposentadorias ou pensões pagas pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a contribuinte com 65 anos de idade ou mais, a parcela isenta deve ser considerada em relação à soma dos rendimentos, observados os limites mensais. Parágrafo único. O limite anual representa a soma dos valores mensais computados a partir do mês em que o contribuinte completar 65 anos de idade até o término do ano- calendário”. O mesmo entendimento é expresso no art.6º, inciso I, e parágrafo 1º da Instrução Normativa SRF nº1.500/2014: “§ 1º No caso a que se refere o inciso I do caput, quando o contribuinte auferir rendimentos provenientes de uma ou mais aposentadorias, pensões, transferência para a reserva remunerada ou reforma, a parcela isenta deve ser considerada em relação à soma dos rendimentos, observados os limites mensais.” Não há como decidir em sentido diverso daquele já expresso pela fiscalização. Matéria Não Impugnada. No que diz respeito a lançamento das omissões de rendimentos nos valores de R$1.480,00 e R$18.144,00 (com R$78,96 de IRRF) as matérias não foram impugnadas. À luz do Decreto nº 70.235/72, o silêncio do sujeito passivo acerca da tributação dos rendimentos deve ser interpretado como reconhecimento da procedência do lançamento respectivo. Pois a ele cabe o ônus da impugnação específica dos fatos, sob pena de ser considerada não impugnada a matéria não expressamente contestada. É o que diz o artigo 17 do supra citado decreto: “Art. 17 – Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Artigo com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997, DOU de 11/12/1997)” Da apreciação da prova e outros aspectos. É oportuno salientar que a autoridade julgadora pode, no que tange à análise das provas, formar livremente a sua convicção, a teor dos artigos. 131 e 332 do Código de Processo Civil e do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Cabe observar ainda que impugnação redigida em termos genéricos, sem o desenvolvimento do tema ou desacompanhada de indícios de prova, não cria questão a ser tratada em sede de julgamento administrativo. Cabe observar também que a documentação do presente processo foi disponibilizada em formato digitalizado para o relator destes autos e que todas as referências “às folhas” são feitas conforme a numeração digital. CONCLUSÃO Isto posto, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a impugnação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.030 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13876.720209/2014-40 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2013 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTO. Os rendimentos tributáveis omitidos devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. A isenção dada ao maior de 65 anos deve observar o valor limite mensal indicado na Lei. Cientificado da decisão de primeira instância em 22/07/2015, o sujeito passivo interpôs, em 03/08/2015, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) os rendimentos auferidos foram declarados, conforme documentos juntados aos autos, e, portanto, inexiste omissão; b) há bitributação. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Não conheço do recurso voluntário, dada a preclusão. Conforme se lê no acórdão-recorrido, o então impugnante não se insurgiu contra as omissões de rendimentos nos valores de R$1.480,00 e R$18.144,00, verbatim: Matéria Não Impugnada. No que diz respeito a lançamento das omissões de rendimentos nos valores de R$1.480,00 e R$18.144,00 (com R$78,96 de IRRF) as matérias não foram impugnadas. À luz do Decreto nº 70.235/72, o silêncio do sujeito passivo acerca da tributação dos rendimentos deve ser interpretado como reconhecimento da procedência do lançamento respectivo. Pois a ele cabe o ônus da impugnação específica dos fatos, sob pena de ser considerada não impugnada a matéria não expressamente contestada. É o que diz o artigo 17 do supra citado decreto: “Art. 17 – Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Artigo com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997, DOU de 11/12/1997)” Por não ter se insurgido originariamente contra o lançamento de tais valores, na impugnação, o recorrente não pode inovar o quadro fático-jurídico, para pretender desconstituir a parcela do crédito tributário preclusa. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-006.030 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13876.720209/2014-40 Fl. 104DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722508/2012-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS POR ORGANISMOS INTERNACIONAIS. TÉCNICOS CONTRATADOS. ISENÇÃO
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), decidiu que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF.
SÚMULA CARF Nº 39. REVOGAÇÃO.
Súmula revogada pelaPortaria CARF nº 3, de 09/01/2018.
Numero da decisão: 2001-006.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente e Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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TÉCNICOS CONTRATADOS. ISENÇÃO O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), decidiu que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. SÚMULA CARF Nº 39. REVOGAÇÃO. Súmula revogada pelaPortaria CARF nº 3, de 09/01/2018. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório A seguir transcreve-se o relatório do acórdão nº 03-51.150 da 6ª Turma da DRJ em Brasília/DF (fls. 131 e segs.). Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a notificação de lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2009, por AFRFB da DRF/Brasília. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 25 08 /2 01 2- 75 Fl. 161DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-carf-2018/portaria-carf-no-3-aprova-portaria-mf.pdf Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.193 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.722508/2012-75 Imposto Suplementar (sujeito à multa de ofício) 5.841,48 Multa de Ofício (passível de redução) 4.381,11 Juros de Mora (cálculo até 29/02/2012) 1.640,28 Imposto Suplementar (sujeito à multa de mora) 0,00 Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros de Mora (cálculo até 29/02/2012) 0,00 Total do Crédito Tributário 11.862,87 O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Omissão de Rendimentos do Trabalho Recebidos de Fontes no Exterior: omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismo Internacional apurado em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais – DERC. Valor: R$ 45.190,60. A base legal do lançamento encontra-se nos autos. o contribuinte teve ciência do lançamento em 29/12/2012, conforme documento de fl. 123 e, em 30/03/2012, apresentou impugnação, em petição de fls. 03/14, acompanhada dos documentos de fls. 15/108, na qual alega, resumidamente, que era funcionário do Organismo Internacional e, de acordo com as leis internas, as convenções e os tratados internacionais promulgados pelo Brasil, os rendimentos auferidos eram isentos e não tributáveis. Por fim, solicita o acolhimento da impugnação e o cancelamento do crédito tributário consubstanciado na notificação de lançamento. Após análise, a DRJ não acatou os argumentos da contribuinte. Do voto do acórdão recorrido: Trata-se de lançamento referente à infração de omissão de rendimentos recebidos de Organismo Internacional. o contribuinte discorda do lançamento e solicita o cancelamento do débito fiscal. No caso em análise, à época do fato gerador, o contribuinte era residente no País e prestava serviços com vínculo contratual ao Organismo Internacional, por conseguinte, conclui-se que os rendimentos recebidos não gozavam de isenção do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Ocorre que a Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, publicada no DOU de 14/07/2010, atribuiu efeito vinculante à Súmula CARF nº 39, em relação à Administração tributária federal, conforme texto transcrito a seguir: Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. A Súmula CARF nº 39 é clara ao determinar que os rendimentos recebidos pelos técnicos residentes no País, contratados pelos Organismos Internacionais, sujeitam-se à tributação pelo IRPF. Frise-se que o efeito vinculante da Súmula CARF nº 39 alcança, inclusive, os Julgadores das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil (art. 3º do Código Tributário Nacional – CTN). Em resumo, VOTO pela IMprocedência da impugnação, para manter o crédito tributário exigido. Cientificado da decisão de primeira instância em 23/07/2013, o sujeito passivo interpôs, em 21/08/2013, Recurso Voluntário, fl. 140, sustentando, em apertada síntese, que os Fl. 162DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.193 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.722508/2012-75 rendimentos, considerados omitidos pela fiscalização, são isentos ou não tributáveis por se tratarem de rendimentos de técnico especializado contratado por organismo internacional vinculado à ONU. É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço e passo à sua análise. Dos elementos acostados aos autos, não resta dúvida de que os rendimentos em questão foram auferidos pelo recorrente em razão de contrato de prestação de serviços de perito de assistência técnica com agência especializada da ONU, logo não pertencendo o contratado ao quadro de funcionários da ONU em sentido estrito. O fundamento básico para o lançamento e sua manutenção na DRJ é justamente este: o contribuinte não possuía à época dos fatos vínculo permanente com o organismo internacional contratante, logo não faria jus à isenção do IR sobre os rendimentos percebidos. Ocorre que a matéria já se encontra decidida de forma diversa no âmbito judicial, pelo Superior Tribunal de Justiça, em julgamento submetido ao regime de recurso repetitivo, no sentido de que a isenção em comento deve ser concedida não só aos funcionários da ONU, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), quando do julgamento do REsp. nº 1.306.393/DF (relator Ministro Mauro Campbell Marques), proferiu a seguinte decisão: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ de uniformização da interpretação da legislação federal Fl. 163DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.193 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.722508/2012-75 infraconstitucional , e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08”. (STJ, 1ª Seção, REsp 1306393/DF, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 24/10/2012, DJe 07/11/2012). Extraído do voto condutor da citada decisão: “(...) Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. (...)” Cabe então a esta turma do CARF decidir a matéria com a aplicação do §2° do artigo 62 do RICARF, transcrito abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Ademais, a Súmula CARF nº 39, cuja aplicação é invocada pela turma julgadora da instância de piso, que aduzia que os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não seriam isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, foi revogada pela Portaria CARF nº 3, de 09/01/2018. Assim sendo, por se tratarem os recebimentos em questão de rendimentos auferidos por técnico a serviço da ONU contratado no Brasil, os mesmos são isentos do imposto de renda, devendo em consequência ser afastado o crédito tributário lançado. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, conforme acima descrito. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 164DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-carf-2018/portaria-carf-no-3-aprova-portaria-mf.pdf Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-006.193 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.722508/2012-75 Fl. 165DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10980.912679/2012-91
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/08/2006
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal - STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, com a aplicação do julgado aos processos administrativos protocolados até a data da sessão em que proferido o julgamento (15.03.2017), o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Numero da decisão: 3201-010.678
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 574.706, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pelo Recorrente em seus pedidos. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.661, de 25 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.912662/2012-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafeta Reis - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Paula Pedrosa Giglio, Marcio Robson Costa, Tatiana Josefovicz Belisario, Mateus Soares de Oliveira, Hélcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ICMS. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal - STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, com a aplicação do julgado aos processos administrativos protocolados até a data da sessão em que proferido o julgamento (15.03.2017), o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 574.706, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pelo Recorrente em seus pedidos. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.661, de 25 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.912662/2012-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Hélcio Lafeta Reis - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Paula Pedrosa Giglio, Marcio Robson Costa, Tatiana Josefovicz Belisario, Mateus Soares de Oliveira, Hélcio Lafeta Reis (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 26 79 /2 01 2- 91 Fl. 78DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-010.678 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.912679/2012-91 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. O pedido é referente a crédito de PIS. A ementa da decisão de primeira instância administrativa fiscal foi publicada com o seguinte conteúdo e resultado de julgamento: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo a integral restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS, aduzindo os seguintes argumentos, em síntese: - DA INCONSTITUCIONALIDADE E DA ILEGALIDADE DA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS Este conselho apreciou a matéria e decidiu por converter o julgamento em diligência nos moldes constantes na Resolução CARF, reproduzidos a seguir: “Pelo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito pelo sobrestamento do julgamento, com fundamento não apenas nos elementos utilizados pela decisão do Ministro Marco Aurélio, como também nos dispositivos do Código de Processo Civil, todos acima transcritos e referenciados, até o ulterior trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 574.706.” Após cumprida a diligência e constatados os preenchimentos dos requisitos para o retorno dos autos à julgamento, a unidade preparadora devolveu os autos para julgamento, conforme despacho, em síntese: “DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO O julgamento do Recurso Extraordinário 574.706 PR, com repercussão geral, no qual o STF, em 15/03/2017, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, transitou em julgado, com a publicação do acórdão em 12/08/2021. Fl. 79DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-010.678 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.912679/2012-91 Haja vista o cumprimento do disposto na resolução (...), encaminhe-se (...), para integrar a mesma pauta e sessão.” É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme o Direito Tributário, a jurisprudência, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos conselheiros, conforme portaria de condução e regimento interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em diversas oportunidade e em diversas composições esta turma de julgamento apreciou a matéria e decidiu por aplicar o entendimento constante no resultado do julgamento do Recurso Extraordinário 574.706 PR/STF. Conforme relatado, o próprio despacho de fls. 73 trouxe aos autos todas as informações necessária para a aplicação do que restou decidido no Supremo Tribunal federal – STF: “DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO O julgamento do Recurso Extraordinário 574.706 PR, com repercussão geral, no qual o STF, em 15/03/2017, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, transitou em julgado, com a publicação do acórdão em 12/08/2021. Haja vista o cumprimento do disposto na resolução de e-fls. 53/62, encaminhe-se à Conselheira-Relatora Mara Cristina Sifuentes, na 1ª TO/2ª Câmara/3ª Seção, para prosseguimento.” Ao decidir pela exclusão do ICMS na base de cálculo do Pis e da Cofins, em sede de repercussão geral e com trânsito em julgado, o STF colocou um fim ao debate. Com base no disposto no Art. 62 do regimento interno deste conselho, o RICARF, as decisões definitivas que forem proferidas em sede de repercussão geral no âmbito do STF devem, obrigatoriamente, ser aplicadas nos julgamentos desta segunda instância administrativa fiscal. No julgamento do Acórdão n.º 3201-010.084, o nobre conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, agora ex-integrante deste conselho, analisou a matéria de forma brilhante, oportunidade em que expôs os vários precedentes, administrativos e judiciais, assim como o entendimento registrado no STF, Fl. 80DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-010.678 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.912679/2012-91 razão pela qual reproduzo a seguir a ementa desse precedente e seu voto, na íntegra: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2009 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal - STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, com a aplicação do julgado aos processos administrativos protocolados até a data da sessão em que proferido o julgamento (15.03.2017), o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. (...) Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos legais de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. Assiste razão à Recorrente. O Supremo Tribunal Federal - STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Referida decisão possui a seguinte ementa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-223 DIVULG 29-09- 2017 PUBLIC 02-10-2017) Fl. 81DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-010.678 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.912679/2012-91 Em sede de Embargos de Declaração, nas sessões realizadas nos dias 12 e 13/05/2021, o Pleno do Supremo Tribunal Federal – STF decidiu nos seguintes termos: “O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência - Resolução 672/2020/STF).” A Ata de Julgamento foi publicada no DJE nº 92, divulgado em 13/05/2021. Como visto, a decisão proferida pela Suprema Corte tem aplicação aos processos administrativos fiscais em curso, ante a expressa ressalva consignada no julgamento referido em sede de Embargos de Declaração. O Supremo Tribunal Federal - STF já está a aplicar o entendimento firmado em outros processos, conforme se depreende dos julgados adiante colacionados: “COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins. Precedentes: recursos extraordinários nº 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça eletrônico de 8 de outubro de 2014, e 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, acórdão veiculado no Diário da Justiça eletrônico de 2 de outubro de 2017. RECURSO EXTRAORDINÁRIO – COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO – MODULAÇÃO DE EFEITOS – RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 574.706/PR – CONCLUSÃO DO JULGAMENTO. O Supremo, ao prover parcialmente embargos de declaração no recurso extraordinário nº 574.706/PR, determinando a modulação de efeitos a partir de 15 de março de 2017, quando fixada a tese de repercussão geral, ressalvou as ações judiciais e administrativas protocoladas até essa data.” (RE 504898 AgR- segundo, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 14/06/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe118 DIVULG 18-06-2021 PUBLIC 21-06-2021) “COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins. Precedentes: recursos extraordinários nº 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça eletrônico de 8 de outubro de 2014, e 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, acórdão veiculado no Diário da Justiça eletrônico de 2 de outubro de 2017. RECURSO EXTRAORDINÁRIO – COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO – MODULAÇÃO DE EFEITOS – RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 574.706/PR – CONCLUSÃO DO JULGAMENTO. O Supremo, ao prover parcialmente embargos de declaração no recurso extraordinário nº 574.706/PR, determinando a modulação de efeitos a partir de 15 de março de 2017, quando fixada a tese de repercussão geral, ressalvou as ações judiciais e administrativas protocoladas até essa data.” (AI 587354 AgR, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Fl. 82DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-010.678 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.912679/2012-91 Primeira Turma, julgado em 14/06/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-118 DIVULG 18-06- 2021 PUBLIC 21-06-2021) Com as decisões proferidas pela Corte Suprema, inclusive com modulação de efeitos, não mais prevalece o contido no REsp 1.144.469/PR do Superior Tribunal de Justiça - STJ. O entendimento ora esposado encontra amparo no fato de o próprio Superior Tribunal de Justiça – STJ, de modo reiterado, estar decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706. Neste contexto, não há como negar plena efetividade ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal - STF, já que o próprio Superior Tribunal de Justiça - STJ não mais aplica o entendimento firmado no REsp 1.144.469/PR. Os Tribunais Regionais Federais já aplicam o decidido pelo Supremo Tribunal Federal – STF. Neste sentido: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DE PIS E COFINS. VALOR DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 574706, pelo regime de repercussão geral (Tema 69), fixou a tese de que o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS. 2. O ICMS a ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS é o destacado na nota fiscal.” (TRF4 5017882-53.2020.4.04.7108, SEGUNDA TURMA, Relator ALEXANDRE ROSSATO DA SILVA ÁVILA, juntado aos autos em 22/06/2021) “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TEMA 69/STF. Efeitos infringentes atribuídos aos embargos de declaração para que o direito de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e repetir os valores recolhidos indevidamente seja reconhecido a partir de 15-03-17, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento dos embargos de declaração do RE 574706.” (TRF4, AC 5004875- 73.2020.4.04.7114, PRIMEIRA TURMA, Relator FRANCISCO DONIZETE GOMES, juntado aos autos em 18/06/2021) “TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. DO PIS E DA COFINS. TEMA 69/STF. Nos termos do enunciado do Tema 69 - STF, o ICMS destacado nas notas fiscais não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS, e a exclusão opera efeitos a partir de 15 de março de 2017, ressalvados os casos ajuizados anteriormente.” (TRF4, AC 5001974- 16.2021.4.04.7206, PRIMEIRA TURMA, Relator FRANCISCO DONIZETE GOMES, juntado aos autos em 18/06/2021) “E M E N T A CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS. ILEGALIDADE. STF. RE 574.706/PRREPERCUSSÃO GERAL. TEMA 069. REsp 1.365.095/SP. JULGAMENTO REPETITIVO. SUFICIÊNCIA DA PROVA DA CONDIÇÃO DE CREDORA TRIBUTÁRIA. LEI Nº 12.973/14. ICMS: APURAÇÃO CONFORME OS VALORES DESTACADOS NA NOTA FISCAL. COMPENSAÇÃO AUTORIZADA NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E RESPEITADO O LIMITE TEMPORAL DE 15/03/2017, CONFORME ENTENDIMENTO CONSOLIDADO PELO STF. 1. Sobre a matéria vertida nestes autos, vinha aplicando, esta Relatoria, o entendimento do C. STJ, conforme julgamento proferido no REsp 1.144.469/PR, submetido à sistemática do art. 543-C do CPC/73, no sentido de reconhecer a legalidade da inclusão da parcela relativa ao ICMS nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. 2. Todavia, ao apreciar o tema no âmbito do RE 574.706/PR-RG (Rel. Min. Cármen Lúcia), o E. STF firmou a seguinte tese: "o ICMS não compõe a base de Fl. 83DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-010.678 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.912679/2012-91 cálculo para a incidência do PIS e da COFINS." (Tema 069). 3. Cumpre anotar, ainda, que em recentíssimo julgamento dos embargos de declaração, opostos pela União Federal no referido RE 574.706/PR, a decisão restou assim consolidada, verbis: "TRIBUNAL PLENO Decisão: O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral 'O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS' -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS- COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux." Plenário, 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência - Resolução 672/2020/STF; destacou-se). 4. Quanto à análise da compensação tributária, em sede mandamental, o E. Superior Tribunal de Justiça, em recentíssimo julgado, sob o regime de recursos repetitivos, nos termos do disposto no artigo 1.036 do CPC, firmou a seguinte Tese Jurídica - Tema 118, verbis: I - "Tese fixada nos REsps n. 1.365.095/SP e 1.715.256/SP (acórdãos publicados no DJe de 11/3/2019), explicitando o definido na tese firmada no REsp n. 1.111.164/BA: II - (a) tratando-se de Mandado de Segurança impetrado com vistas a declarar o direito à compensação tributária, em virtude do reconhecimento da ilegalidade ou inconstitucionalidade da anterior exigência da exação, independentemente da apuração dos respectivos valores, é suficiente, para esse efeito, a comprovação cabal de que o impetrante ocupa a posição de credor tributário, visto que os comprovantes de recolhimento indevido serão exigidos posteriormente, na esfera administrativa, quando o procedimento de compensação for submetido à verificação pelo Fisco; e III - (b) tratando-se de Mandado de Segurança com vistas a obter juízo específico sobre as parcelas a serem compensadas, com efetiva alegação da liquidez e certeza dos créditos, ou, ainda, na hipótese em que os efeitos da sentença supõem a efetiva homologação da compensação a ser realizada, o crédito do Contribuinte depende de quantificação, de modo que a inexistência de comprovação suficiente dos valores indevidamente recolhidos representa a ausência de prova pré-constituída indispensável à propositura da ação mandamental." - REsp 1.365.095/SP, Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Seção, j. 13/02/2019, DJe 11/03/2019. 5. No que se refere ao argumento tecido pela União, que se refere à Lei nº 12.973/14, a qual altera o conceito de receita bruta insculpida no Decreto nº 1.598/77, igual sorte lhe é reservada, uma vez que restou firmado que "o E. Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706/PR, em sede de repercussão geral, reconheceu como indevida a inclusão do ICMS nas bases de cálculo do PIS e da COFINS (RE 574.706/PR, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, j. 15/03/2017, DJe 02/10/2017)", cujo voto da Relatora, a Exmª Ministra CARMEN LÚCIA analisa a matéria abarcando, inclusive, as alterações legislativas que sofreu, aí incluída a referida Lei nº 12.973/14. 6. Assim sendo, repise-se, tem a impetrante o direito de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS o valor integral do ICMS destacado nas notas fiscais de saída das mercadorias do seu estabelecimento, inclusive após o advento da Lei nº 12.973/2014, conforme, aliás, seu pedido deduzido já à inicial e firmado na r. sentença. 7. Apelação, interposta pela União Federal, e remessa oficial a que se dá parcial provimento no sentido de restringir a compensação aqui pretendida ao limite temporal de 15/03/2017, nos termos do julgamento agora consolidado no RE 574.706, considerando que a presente ação mandamental foi ajuizada em 28/05/2020, mantendose a r. sentença em seus demais e exatos termos.” (TRF 3ª Região, 4ª Turma, ApelRemNec - APELAÇÃO / REMESSA NECESSÁRIA - Fl. 84DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-010.678 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.912679/2012-91 5009396- 26.2020.4.03.6100, Rel. Desembargador Federal MARLI MARQUES FERREIRA, julgado em 18/06/2021, Intimação via sistema DATA: 30/06/2021) Sobre a inteira e imediata aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal - STF, o Superior Tribunal de Justiça - STJ assim decidiu: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgR-ED-ED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RS-AgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) (nosso destaque) Do voto, destaco: "3. No mais, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que a existência de precedente sob o regime de repercussão geral firmado pelo Plenário daquela Corte autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma (RE 1.006.958 AgR- ED-ED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RS-AgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016.)" Por fim, ressalto que esta Turma, em composição diversa da atual, decidiu por maioria de votos, em dar provimento a recurso do contribuinte, em processo no qual este relator foi designado para redigir o voto vencedor. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/11/2005, 01/03/2006 a 30/11/2006 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Rejeita-se a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. GLOSA. Correta a glosa de valores indevidamente incluídos no cômputo da base de cálculo dos créditos da não-cumulatividade, ressalvando-se os valores glosados não comprovados pela fiscalização e os lançados com evidente lapso material. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. OPÇÃO A apropriação de crédito das contribuições mediante despesas com depreciação de bens calculadas de forma acelerada, na razão 1/48, nos termos do § 14, art. 3º da Lei 10.637/02 é opcional, o que significava impossibilidade de apropriação concomitante à regra do inciso III, do § 1ª do indigitado artigo. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. LEI Nº 11.051/2004 Imprescindível a comprovação do atendimento aos requisitos legais para o benefício fiscal da Fl. 85DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-010.678 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.912679/2012-91 apuração da depreciação acelerada de que trata da Lei nº 11.051/2004. COFINS E PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. (...)” (Processo nº 10530.004513/2008-11; Acórdão nº 3201-003.725; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 24/05/2018) (nosso grifo) Ainda desta Turma, em processo de minha relatoria e em composição diversa da atual, também por maioria de votos: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/09/2001 PIS - BASE DE CÁLCULO - ICMS - EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços - ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal - STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos.” (Processo nº 10880.674237/2011-88; Acórdão nº 3201-004.124; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; sessão de 25/07/2018) Cito, ainda, decisão proferida por voto de desempate, que acolheu o pedido de restituição formulado pelo contribuinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. Comprovado tratar-se de crédito tributário restrito ao PIS/Pasep apurado e recolhido sobre base de cálculo sem a exclusão do ICMS é de se reconhecer o direito à restituição do crédito pleiteado." (Processo nº 10935.906300/2012-59; Acórdão nº 3001-000.113; Relator Conselheiro Cássio Schappo; sessão de 24/01/2018) Em contemporânea decisão esta Turma de Julgamento assim decidiu em processo por mim relatado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal - STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Fl. 86DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-010.678 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.912679/2012-91 COFINS, com a aplicação do julgado aos processos administrativos protocolados até a data da sessão em que proferido o julgamento (15.03.2017), o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos.” (Processo nº 10425.720033/2011-01; Acórdão nº 3201- 009.074; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; sessão de 27/08/2021) Diante do exposto, voto em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que o valor do ICMS seja excluído da base de cálculo da Cofins, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário nº 574.706, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade” Diante de todos o exposto e, com base nos mesmos fundamentos constantes no Acórdão acima transcrito, voto em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 574.706, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pelo Recorrente em seus pedidos. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 574.706, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pelo Recorrente em seus pedidos. (assinado digitalmente) Hélcio Lafeta Reis - Presidente Redator Fl. 87DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10940.722528/2018-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3402-003.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos da proposta suscitada pela conselheira Marina Righi Rodrigues Lara. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral (relator) e Carlos Frederico Schwochow de Miranda, que negavam provimento ao Recurso Voluntário, por falta de provas sobre a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marina Righi Rodrigues Lara.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Jorge Luís Cabral - Relator
(documento assinado digitalmente)
Marina Righi Rodrigues Lara - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Cynthia Elena de Campos, Alexandre Freitas Costa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, o conselheiro(a) Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: JORGE LUIS CABRAL
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos da proposta suscitada pela conselheira Marina Righi Rodrigues Lara. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral (relator) e Carlos Frederico Schwochow de Miranda, que negavam provimento ao Recurso Voluntário, por falta de provas sobre a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marina Righi Rodrigues Lara. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Jorge Luís Cabral - Relator (documento assinado digitalmente) Marina Righi Rodrigues Lara - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Cynthia Elena de Campos, Alexandre Freitas Costa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, o conselheiro(a) Lázaro Antônio Souza Soares. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 108-000.558, proferido pela 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 08 – DRJ08, que por unanimidade julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa/PR, não reconhecendo o direito creditório em litígio. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento por pagamento indevido a maior referente à COFINS, através da PER nº 07925.26700.260218.1.2.04-8881, que foi indeferido através de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 40 .7 22 52 8/ 20 18 -1 2 Fl. 241DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3402-003.690 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.722528/2018-12 Grossa, em razão do mesmo crédito já ter sido motivo decisão anterior pelo não reconhecimento da certeza e liquidez, na PER/DCOMP 12843.20814.230617.1.7.04-4980. Este Despacho Decisório anterior é objeto do processo nº 10940.900638/2018-13, ainda não distribuído para julgamento no CARF. A motivação para o indeferimento da PER/DCOMP de final 4980 foi em razão do valor pleiteado como tendo sido a maior encontrava-se inteiramente alocado a outros débitos em Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF). A Recorrente alega que apresentou DCTF retificadora que não foi homologada em razão de ter extraviado intimação da Autoridade Tributária que pedia informações sobre os valores declarados. Após tomar conhecimento do Despacho Decisório no processo 10940.900638/2018-13 a Recorrente apresentou nova DCTF retificadora. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que o resultado do processo nº 10940.900638/2018-13 impacta na decisão do presente processo e requer que os mesmos sejam julgados juntos, e também requer que o Despacho Decisório seja anulado e que nova decisão seja proferida com base na análise da DCTF retificadora. A DRJ por sua vez repetiu as razões de decidir do Acórdão nº 108-000.553, por entender serem as mesmas aplicáveis ao presente processo, onde se lê em apertada síntese que a DCTF Retificadora emitida após a ciência do Despacho Decisório referente à PER/DCOMP de final 4980, não poderia ser admitida por apenas repetir os mesmos dados da DCTF Retificadora não homologada em procedimento de Malha anterior. Também argumenta que a Recorrente não apresenta provas que demonstrem o equívoco da DCTF original em relação aos débitos confessados, limitando-se a apresentar a EFD Contribuições retificada na mesma época da DCTF, e que não logra demonstrar a correção do valor a ser reduzido do débito originalmente declarado. A Recorrente tomou conhecimento da decisão de primeira instância no dia 13 de outubro de 2020, através do seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), e apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), no dia 12 de novembro de 2020. Novamente, em seu Recurso Voluntário, a Recorrente apresenta a preliminar de necessidade de julgamento do presente processo em conjunto com o processo nº 10940.900638/2018-13. Argumenta que o Princípio da Verdade Material teria sido descumprido pelo fato da Autoridade Tributária não ter considerado a DCTF Retificadora na análise de mérito do crédito pleiteado. Também argumenta que a DRJ considerou a EFD Contribuições, juntada aos autos, insuficiente para demonstrar a redução do débito original, assim como também entendeu que a DCTF Retificadora ter sido rejeitada, segundo argumentação da Recorrente, sem apreciação, impediriam a devida análise da PER/DCOMP. Argumenta que isto seria uma afronta à Nota COSIT nº 2/2015, e que as informações da EFD Contribuições seriam sim suficientes para demonstrar o crédito pleiteado, em conjunto com outros documentos em posse da RFB. Alega que teria juntado ao processo nº 10940.900638/2018-13, planilhas detalhando a documentação fiscal que tomou por base para demonstrar os créditos de PIS/COFINS para a apuração do valor devido e do débito declarado em DCTF, e afirma que estes documentos fiscais informados referem-se a: Fl. 242DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3402-003.690 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.722528/2018-12 “(i) aquisição de máquinas e equipamentos e suas partes e peças integradas ao ativo imobilizado; (ii) despesas com combustíveis e lubrificantes utilizados na atividade operacional; (iii) despesas com energia elétrica; (iv) despesas com equipamentos de proteção individual; (v) despesas com aquisição de ferramentas utilizadas nas atividades florestais; (vi) despesas com partes, peças e serviços aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na atividade operacional; (vii) despesas com serviços florestais e de silvicultura; e (viii) despesas com aquisição de serviços ambientais.” Contesta o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/18 descumpre a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF por continuar, na sua opinião, limitando o conceito de insumos apenas aos itens ligados diretamente ao processo de produção dos bens ou prestação de serviços desenvolvidos pela empresa. Alega que os valores pagos pela aquisição de insumos, e glosados pela fiscalização referem-se a bens que estariam diretamente relacionados ao seu objeto social ou seriam essenciais à sua atividade econômica. Após detalhar cada despesa relacionada aos créditos de PIS/COFINS que teriam ensejado a retificação da DCTF e recomposição dos débitos relacionados a estas contribuições que resultariam no pedido de ressarcimento, apresenta o seguinte pedido: “5. DO PEDIDO Ante o exposto, requer dignem-se V.Sas., em atenção ao princípio da verdade material, reconhecer a regularidade da apropriação dos créditos de COFINS pela Recorrente na apuração de junho/2015, para, via de consequência, reconhecer o crédito de recolhimento a maior de COFINS objeto do PER/13COMP n° 07925.26700.260218.1.2.04-8881 e dar integral provimento ao presente recurso, para o fim de reconhecer a improcedência do despacho decisório nº 131032947. Não sendo este o entendimento de V.Sas., requer dignem-se a determinar a conversão do julgamento em diligência, a fim de se apurar a realidade dos fatos e realizar a efetiva análise da EF13-Contribuições e dos demais documentos juntados pela Recorrente no presente recurso. Por fim, considerando a conexão existente entre o presente processo e os PAF nº 10940.900638/2018-13, requer-se o seu julgamento em conjunto, a fim de se evitar decisões conflitantes sobre a mesma matéria.” Este é o relatório. Voto vencido Conselheiro Jorge Luís Cabral, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento referente a um pagamento realizado a maior, através do DARF com vencimento em 24/07/2015, no valor de R$ 667.044,76 (seiscentos e sessenta e sete mil, quarenta e quatro reais e setenta e seis centavos), referente ao código de receita nº 5856, período de apuração de 30/06/2015. A Recorrente alterou o cálculo do débito declarado em DCTF e pediu a retificação das informações originais, cuja declaração caiu em procedimento de malha fiscal, de forma a Fl. 243DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3402-003.690 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.722528/2018-12 verificar a correção dos dados apresentados pelo contribuinte. Tendo em vista o não atendimento a pedidos de informação, feitos por intimação da Autoridade Tributária em procedimento de fiscalização, restou não homologada a DCTF retificadora. O pedido de restituição objeto do presente processo foi negado em razão de decisão anterior exarada no processo nº 10940.900638/2018-13, referente ao mesmo crédito. Ocorre que a decisão não poderia ter sido diferente em ambos os processos pois o crédito pleiteado já se encontrava alocado a um débito declarado na DCTF Original, em razão da não homologação da DCTF Retificadora. A não homologação da DCTF Retificadora, por sua vez, não decorreu, pelo que se pode entender dos autos e dos documentos acostados, em razão da discordância da Autoridade Tributária em relação à documentação e justificativas da Recorrente - por exemplo: quanto a discordâncias em relação ao conceito de insumos - mas sim pela ausência da prestação de informações pela interessada. A conclusão óbvia que se tira é que não ficou demonstrada a correção do pedido de retificação e, portanto, não se demonstrou a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Também não encontramos no presente processo nenhuma prova ou informação de detalhamento da demonstração dos cálculos que fizeram a Recorrente solicitar a retificação da DCTF original, nem tão pouco, que permitam que se verifique a legitimidade do crédito pretendido e sua adequação ao conceito de insumos. O ônus da prova é matéria tratada no artigo 333, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, o Código de Processo Civil (CPC), revogada pelo novo Código de Processo Civil, Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, o qual em seu artigo 373, reproduz inteiramente os incisos I e II, da Lei revogada. “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Parágrafo único. É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito.” A questão fundamental para se determinar o ônus da prova é a autoria da proposição da ação. É comum a afirmação de que à parte que acusa cabe a incumbência de provar suas alegações. De fato, é o que ocorre no lançamento tributário, quando a autoridade tributária, quer por notificação de lançamento, quer por auto de infração, figura como autor da pretensão de direito e, portanto, precisa incumbir-se do ônus probatório. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, é bem claro neste sentido, na media em que expressa este conceito no seu artigo 9º, como podemos ver reproduzido a seguir: “Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.” O mesmo encontramos no Decreto nº 7.574, de 29 de dezembro de 2011, que regula a determinação e exigência de créditos tributários da União, nos seus artigos 25 e 26. “Art. 25. Os autos de infração ou as notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação Fl. 244DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3402-003.690 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.722528/2018-12 do ilícito ( Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º , com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais ( Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º , § 1º ) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput ( Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º , § 2º )” Vemos ainda que a escrituração regular faz prova a favor do sujeito passivo, desde que os fatos nela registrados sejam comprovados por documentos hábeis, conforme o caput do artigo 26, acima, e novamente a responsabilidade de provar cabe ao autor da ação, conforme previsto no seu parágrafo único, neste caso a autoridade fiscal, quando assim se configurar. A Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que trata do Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, e é de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal, reproduz o mesmo conceito, como podemos notar pela reprodução dos seus artigos 36 e 37, a seguir: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. No entanto, no caso em questão não se trata de fato constitutivo do direito da Fazenda Pública, mas sim da Recorrente, que pleiteia o ressarcimento de créditos de PIS/COFINS aos quais teria direito, neste caso, ela própria figurando como autora e, portanto, suportando o ônus da prova. É necessário também ressaltar que, no que diz respeito a prova a favor do contribuinte em razão da manutenção de contabilidade regular, seus registros precisam estar de acordo com os documentos fiscais comprobatórios, o que vale dizer que cabe a autoridade tributária verificar se os registros escriturais refletem adequadamente notas fiscais e outros documentos ficais, especialmente em relação aos seus montantes, aspectos formais e natureza das operações a que se refiram. Por fim, caberia à autoridade tributária suprir apenas registrados em documentos existentes na própria Administração Tributária da União, quando assim declarados pela autora. Por tudo o que está exposto, e mesmo levando em conta o princípio da verdade material, não cabe nem à autoridade preparadora, nem tão pouco à autoridade julgadora, suprir deficiências do autor em provar o seu direito, assim como rever de ofício lançamentos contábeis ou o cumprimento de obrigações assessórias no sentido de classificar adequadamente operações comerciais e seu enquadramento nos conceitos de créditos referentes ao regime não cumulativo de PIS/COFINS. Pelo que se pode depreender dos autos, a situação permanece a mesma pois a DCTF Retificadora reapresentada ainda não produziu seus efeitos, tendo em vista que apresenta as mesmas informações já rejeitadas em procedimento de fiscalização anterior, e na ausência de meios prova de forma a permitir a reanálise das afirmações da recorrente no presente processo, entendo que aplica-se a preclusão do direito de apresentação de provas, nos termos do artigo 16, do Decreto nº 70.235/1967. “Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 245DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3402-003.690 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.722528/2018-12 I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Sendo assim, entendo ser desnecessário a vinculação do julgamento deste processo com o de nº 10940.900638/2018-13, e ainda também que não ficou demonstrada a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Da análise dos fatos extraídos dos autos e acima sintetizados, considerei pela possibilidade de julgamento do processo no estado em que se encontra. Todavia, por maioria de votos, os membros do Colegiado entenderam por acompanhar a proposta suscitada em sessão pela ilustre Conselheira Marina Righi Rodrigues Lara, para conversão do julgamento do recurso em diligência, nos termos do r. voto vencedor, sobre os quais, com a devida vênia, discordei e fiquei vencido ao concluir pela desnecessidade da diligência. É como voto. (documento assinado digitalmente) Jorge Luís Cabral Voto vencedor Conselheira Marina Righi Rodrigues Lara, Redatora designada. Na sessão de julgamento, este Colegiado, por maioria dos votos, divergiu do i. Conselheiro Relator por entender pela necessidade de conversão do julgamento do presente processo em diligência, especialmente em se considerando que foram apresentados documentos fiscais que sugerem a existência do crédito pleiteado. Naquela oportunidade, fui designada para redigir o voto vencedor. Como relatado anteriormente, a questão de fundo deste processo versa sobre a possibilidade de retificação de DCTF, após a emissão de Despacho Decisório. A DRJ entendeu que a DCTF Retificadora emitida após a ciência do Despacho Decisório referente à PER/DCOMP em questão, não poderia ser admitida, não só porque teria repetido as mesmas informações de DCTF Retificadora não homologada, como porque não teria o contribuinte logrado êxito em demonstrar a correção do valor a ser reduzido do débito originalmente declarado. Quanto à Retificação da DCTF, após o despacho decisório, destaco que é questão plenamente aceita por este Colegiado. Nesse cenário, menciono o Parecer Normativo Cosit nº Fl. 246DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 3402-003.690 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.722528/2018-12 2/2015, que estabeleceu não haver impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na declaração original. Vejamos a Ementa abaixo reproduzida: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não-homologação do PER/DCOMP. (...) Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decreto-lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.189-49, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e-processo 11170.720001/2014-42 (sem destaques no texto original) Assim, desde que o Contribuinte junte aos autos provas que justifiquem o direito creditório (livros fiscais e contábeis, por exemplo), este colegiado vem entendendo pela possibilidade de Retificação da DCTF, mesmo após a emissão do despacho decisório. Em outras Fl. 247DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 3402-003.690 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.722528/2018-12 palavras, não há óbice para que sejam aceitas as informações constantes em DCTF Retificadora, ainda que transmitida após Despacho Decisório, desde que a Contribuinte demonstre a plausibilidade do direito creditório invocado. É que, aplica-se a tais casos o Princípio da Verdade Material, segundo o qual sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para demonstração do direito pleiteado. Sobre o tema, destaco a lição de Leandro Paulsen 1 : O processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligência que considere necessárias à complementação das provas ou ao esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos no processo. Ressalta-se que o princípio o Princípio da Verdade Material não pode ser invocado sem que exista um lastro probatório mínimo, já que, como muito bem abordado pelo i. Conselheiro Relator, em seu voto, não cabe à autoridade preparadora, tampouco à autoridade julgadora, suprir deficiências do autor em provar o seu direito. É dever do contribuinte, portanto, demonstrar ao menos a verossimilhança do seu direito, para que as autoridades, caso entendam necessário, requisitem apenas a complementação de documentos. Como relatado, o contribuinte trouxe aos autos as informações da EFD Contribuições, além de planilha detalhando a documentação fiscal que tomou por base para demonstrar os créditos de PIS/COFINS, contendo as seguintes informações: “(i) aquisição de máquinas e equipamentos e suas partes e peças integradas ao ativo imobilizado; (ii) despesas com combustíveis e lubrificantes utilizados na atividade operacional; (iii) despesas com energia elétrica; (iv) despesas com equipamentos de proteção individual; (v) despesas com aquisição de ferramentas utilizadas nas atividades florestais; (vi) despesas com partes, peças e serviços aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na atividade operacional; (vii) despesas com serviços florestais e de silvicultura; e (viii) despesas com aquisição de serviços ambientais.” Compulsando os autos, verifica-se que a planilha mencionada revela-se como arquivo não paginável (fl. 220). Assim, com base em tais considerações, este colegiado, ao proceder à análise do caso em questão, entendeu que o contribuinte trouxe aos autos documentos fiscais (EFD Contribuições), bem como informações que sugerem a existência do crédito pleiteado. Muito embora tratar de processo de iniciativa do contribuinte, sendo, portanto, seu, o ônus de provar o direito creditório, entendemos que restou demonstrada a verossimilhança do direito. Dessa forma, em nome do Princípio da Verdade Material, é permitida a conversão do 1 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 5ª edição, Porto Alegre, Livraria do Advogado. Fl. 248DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 3402-003.690 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.722528/2018-12 presente julgamento em diligência, para que seja possível a comprovação cabal e a demonstração inequívoca do direito aqui pleiteado. A verdade material vem sendo corretamente aplicada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como já decidido por este Colegiado em situações análogas, bem como por outras Turmas, a exemplo do Acórdão nº 3201-002.518, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2º Câmara da 3ª Seção, cuja Ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/08/2014 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. DCTF COM INFORMAÇÕES ERRADAS. TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE. CRÉDITO EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A COFINS apurada e recolhida sob a sistemática cumulativa, quando o contribuinte submetia-se a não cumulatividade, em competência cujo saldo de COFINS a pagar, segundo esta sistemática foi zero, consubstancia-se em recolhimento indevido. Crédito apto a ser utilizado em compensação, cuja homologação deve ser reconhecida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Se a contribuinte comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu DACON (retificadores), ainda que posteriormente à emissão do despacho decisório, deve ser reconhecido seu direito creditório, devendo-se homologar a compensação pleiteada. (Acórdão nº 3402-007.435 – PAF: 13502.900748/2013-28 – Relator: Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes) (sem grifos no original) Deve igualmente ser ponderado na análise deste caso, a aplicação do Princípio do Formalismo Moderado, pelo qual os ritos e formas do processo administrativo acarretam interpretação flexível e razoável, suficientes para propiciar um grau de certeza, segurança, com garantia do contraditório e da ampla defesa. O formalismo moderado é homenageado pela Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e assim prevê: Art. 2 o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; Fl. 249DF CARF MF Original Fl. 10 da Resolução n.º 3402-003.690 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.722528/2018-12 XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam-se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionando-se data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. O formalismo moderado, sopesado com os Princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade, atua em favor do administrado, flexibilizando exigências formais excessivas para que prevaleça a verdade material, acima já destacada. Nesse sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. O artigo 16 do Decreto-Lei 70.235/72 deve ser interpretado com ressalvas, considerando a primazia da verdade real no processo administrativo. Se a autoridade tem o poder/dever de buscar a verdade no caso concreto, agindo de ofício (fundamentado no mesmo dispositivo legal art. 18 e subsidiariamente na Lei 9.784/99 e no CTN) não se pode afastar a prerrogativa do contribuinte de apresentar a verdade após a Impugnação em primeira instância, caso as autoridades não a encontrem sozinhas. Toda a legislação administrativa, incluindo o RICARF, aponta para a observância do Principio do Formalismo Moderado, da Verdade Material e o estrito respeito às questões de Ordem Pública, observado o caso concreto. Diante disso, o instituto da preclusão no processo administrativo não é absoluto. (Acórdão nº 9101-003.953 – PAF: 13558.000598/2005-03– Relatora: Conselheira Viviane Vidal Wagner) (sem grifos no original) Superada, portanto, a questão sobre a possibilidade de Retificação da DCTF, mesmo após a emissão do despacho decisório, algumas considerações a respeito do direito creditório da Recorrente também se fazem necessárias. Como mencionado, a contribuinte juntou aos autos documentos e planilha não paginável, que demonstram apenas a plausibilidade dos créditos de PIS/Cofins por ela invocados. Verifica-se que parte do direito creditório decorre do enquadramento de uma série de gastos no conceito de insumos. Sobre o tema destaco entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no acórdão proferido na ocasião do julgamento do REsp 1.221.170/PR, publicado no dia 24/04/2018, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU Fl. 250DF CARF MF Original Fl. 11 da Resolução n.º 3402-003.690 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.722528/2018-12 ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp n. 1.221.170/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/2/2018, DJe de 24/4/2018.) Em síntese, restou pacificado que o conceito de insumo deve ser analisado à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, os quais, de acordo com o voto-vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa, devem ser entendidos nos seguintes termos: “Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” Ademais, com o intuito de expor as principais repercussões decorrentes da definição do conceito de insumos no julgamento do REsp 1.221.170/PR no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, foi emitido o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que consignou a seguinte ementa: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Fl. 251DF CARF MF Original Fl. 12 da Resolução n.º 3402-003.690 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.722528/2018-12 Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Dessa forma, considerando que a autoridade fiscal não chegou a analisar a liquidez e certeza do direito creditório da Recorrente, sob a perspectiva da essencialidade e relevância dos itens no processo produtivo da Recorrente, entendo ser necessária a apreciação da questão, em consonância com a interpretação determinada pelo STJ. Diante das razões acima e, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: (i) intimar a Contribuinte para: a. apresentar documentos contábeis e fiscais que comprovem cabalmente o direito creditório invocado, conforme informações constantes da DCTF Retificadora, sobretudo quanto ao seu enquadramento no conceito de insumos estabelecido pelos critérios da essencialidade e relevância, no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR; b. apresentar laudo técnico, relativo aos bens do seu ativo imobilizado, com a demonstração detalhada da participação das partes e peças de imobilizados em cada etapa do processo industrial, seus tempos de vida útil, se há alguma contribuição quanto ao aumento de vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados (em quanto tempo) e se podem ser considerados itens necessários aos serviços de manutenção da máquina ou equipamento; (ii) analisar o PER/DCOMP objeto deste litígio, bem como as informações constantes da DCTF Retificadora e documentação constantes dos autos e aquela que vier a ser apresentada; (iii) elaborar Relatório Conclusivo, demonstrando o resultado apurado e eventual crédito passível de ressarcimento; Fl. 252DF CARF MF Original Fl. 13 da Resolução n.º 3402-003.690 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.722528/2018-12 (iv) intimar a Recorrente para manifestação sobre o resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Após cumprida a diligência, com ou sem manifestação da parte, retornem os autos ao Relator para julgamento. É a proposta de Resolução. (documento assinado digitalmente) Marina Righi Rodrigues Lara Fl. 253DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13502.721326/2013-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2010
LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
Os serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais não caracterizam a atividade de construção civil, que compreende aquela que envolva a produção de uma obra no solo que, para sua remoção, somente pode vir a ser derrubada, demolida ou desmantelada, não se tratando, pois, de fixação de um bem já construído ao solo, ou de montagem de um bem no solo, o qual, para sua retirada, pode vir a ser desmontado a qualquer tempo.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COMPROVAÇÃO REALIZADA NO PAF.
Comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do processo administrativo fiscal, devem os mesmos ser excluídos da autuação.
Numero da decisão: 1402-006.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) não conhecer do recurso de ofício por inferior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 2, de 2023. Inteligência da Súmula CARF nº 103; ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar parcialmente os lançamentos de omissão de receitas referente a depósitos bancários no valor de R$ 1.346.169,18, cuja origem dos recursos restou comprovada.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Jandir José Dalle Lucca - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Jandir Jose Dalle Lucca, Antonio Paulo Machado Gomes, Alexandre Iabrudi Catunda e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: JANDIR JOSE DALLE LUCCA
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(ZLS MANUTENCAO INDUSTRIAL LTDA.) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2010 LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Os serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais não caracterizam a atividade de construção civil, que compreende aquela que envolva a produção de uma obra no solo que, para sua remoção, somente pode vir a ser derrubada, demolida ou desmantelada, não se tratando, pois, de fixação de um bem já construído ao solo, ou de montagem de um bem no solo, o qual, para sua retirada, pode vir a ser desmontado a qualquer tempo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COMPROVAÇÃO REALIZADA NO PAF. Comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do processo administrativo fiscal, devem os mesmos ser excluídos da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) não conhecer do recurso de ofício por inferior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 2, de 2023. Inteligência da Súmula CARF nº 103; ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar parcialmente os lançamentos de omissão de receitas referente a depósitos bancários no valor de R$ 1.346.169,18, cuja origem dos recursos restou comprovada. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Jandir José Dalle Lucca - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Jandir Jose Dalle AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 13 26 /2 01 3- 98 Fl. 1674DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 Lucca, Antonio Paulo Machado Gomes, Alexandre Iabrudi Catunda e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório 1.Trata-se de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário (fls. 1574/1601) interpostos em face do v. acórdão de fls. 1534/15545, que julgou procedente em parte a impugnação de fls. 1376/1414 para o fim de indeferir o pedido de intimação ao procurador da causa; afastar a imputação de responsabilidade aos sócios ZANDRA LIMA SARTORIO, CARLOS SARTORIO, THIAGO LIMA SARTORIO e VANESSA LIMA SARTORIO PASSOS DE LEMOS; e manter a exigência de R$146.627,17, a título de IRPJ, de R$54.030,25, a título de CSLL, de R$10.735,40, a título de PIS e de R$50.009,51, a título de COFINS, reduzindo a multa de ofício para 75%. 2.Para melhor compreensão a respeito da matéria versada nos autos e por bem descrever os fatos, consulte-se o relatório da r. decisão recorrida: Os autos de infração de fls. 02-48, exigem R$956.207,67 a título de imposto de renda pessoa jurídica, R$344.879,91 a título de contribuição social sobre o lucro líquido, R$330.738,23 a título de contribuição para o finaciamento da seguridade social e, R$71.659,97 de contribuição para o PIS/Pasep, acrescidos de multa de ofício à razão de 150%, totalizando até 12/2013, o crédito tributário de R$4.801.963,69. 2. As infrações imputadas foram: i) omissão de receitas financeiras, e, ii) depósitos bancários de origem não comprovada e aplicação indevida de percentual de determinação do lucro presumido, relativos a fatos geradores ocorridos durante o ano calendário de 2010, conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 49-98, que acompanha os autos. 3. O embasamento legal para a autuação é: os artigos 3º e 15 da Lei nº 9.249, de 1995 e, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com os artigos 521 e 528 do RIR, de 1999 4. À fl. 113, o Termo de Sujeição Passiva nº 01, emitido em nome de Zandra Lima Santorio, CPF 077.990.805-82, com base no disposto no inciso III do artigo 135, da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional e ante as razões explicitadas no Termo de Verificação Fiscal. 5. À 116 o Termo de Sujeição Passiva nº 02, emitido em nome de Carlos Santorio, CPF 116.536.396-87 com base no disposto no inciso III do artigo 135, da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional e ante as razões explicitadas no Termo de Verificação Fiscal. 6. À 119 o Termo de Sujeição Passiva nº 03, emitido em nome de Thiago Lima Santorio, CPF 010.167.355-88 com base no disposto no inciso III do artigo 135, da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional e ante as razões explicitadas no Termo de Verificação Fiscal. 7. Por fim, à fl. 122 o Termo de Sujeição Passiva nº 04 emitido em nome de Vanessa Lima Santorio Passos de Lemos, CPF 912.895.055-00 com base no disposto no inciso III do artigo 135, da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional e ante as razões explicitadas no Termo de Verificação Fiscal. 8. A ciência do lançamento ocorreu em 27/12/2013, para o sujeito passivo e os solidários Zandra Lima Santorio, Thiago Lima Santorio e Carlos Santorio. Vanessa Lima Santorio Passos de Lemos foi comunicada em 02/01/2014 e, todos, apresentaram impugnação em 27/01/2014, fls. 1.376-1.414. 9. Na peça de defesa, incialmente transcreve boa parte do Termo de Verificação Fiscal e, na seqüência, passa a analisar cada um deles. Fl. 1675DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 9.1- esclarece que os percentuais de presunção para apuração das bases de cálculo mensal do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, estão definidos nos artigos 15 e 20 da Lei nº 9.249, de 1995, que estabelece o percentual de 32% para a prestação de serviços em geral; 9.2- que, no que tange à atividade de construção de imóveis e de excução de obras de construção civil, a Lei nº 8.981, de 1995, impunha a obrigatoriedade de apuração do IRPJ pelo Lucro Real, tendo sido normatizada pelo Ato Declaratório Cosit nº 6 de 1997; 9.3- com a entrada em vigor da Lei nº 9.718 de 1998, redefiniu os critérios de obrigatoriedade de apuração do IRPJ pelo Lucro Real, tendo revogado o artigo 36 da Lei nº 8981, de 1995 e não troxe qualquer referência à atividade de construção civil, perdendo a eficácia contida no inciso II do ADN Cosit nº 6, de 1997 que, também foi derrogado em face da edição de atos supervenientes; 9.4- que, o art. 1º da Instrução Normativa (IN) SRF n° 539, de 25 de abril de 2005, dando nova redação ao art. 32 da IN SRF n° 480, de 15 de dezembro de 2004, modificou, a partir de 27 de abril de 2005, o entendimento sobre a aplicação do percentual de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais; 9.5-que, essa interpretação está devidamente balizada na Instrução Normativa RFB n° 1.234, de 11 de janeiro de 2012, que dispõe sobre a retenção de tributos nos pagamentos efetuados pela administração pública federal. Especificamente no caso de construção civil, com emprego de materiais, a referida norma aplica-se à apuração da base de cálculo na adoção do lucro presumido, por força da disposição expressa contida no inciso II do art. 38 da IN RFB n° 1.234, de 2012; 9.6- que o Anexo I da IN RFB nº 1.234, de 2012 especifica o seguinte: Serviços de construção civil por empreitada com emprego de materiais: percentual de retenção do IRPJ de 1,2%, correspondente a 15% (alíquota do imposto) de 8% (percentual da base de calado) da receita bruta; 9.7- destaca que, num sentido genérico, a contrução civil abrange as obras de construção, reforma ou reparação relacionadas no Ato Declaratório nº 30, de 2003: 1. A construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; 2. Sondagens, fundações e escavações; 3. Construção de estradas e logradouros públicos; 4. Construção de pontes, viadutos e monumentos; 5. Terraplenagem e pavimentação; 6. Pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de laços e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e 7. Quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. 9.8- admite que presta tais serviços e destaca que a Receita Federal impõe que: “Deverão efetuar matrícula CEI no prazo máximo de 30 dias do início de sua atividade, junto à Receita Federal do Brasil: ... b) o proprietário do imóvel, o dono da obra ou o inorporador de construção civil, pessoa física ou jurídica; c) a empresea construtora, quando contrattada para execução de obra por empreitada total” 9.9- e lança a seguinte questão: se a atividade desempenhada pela empresa é tida como construção civil para a abertura do CEI, porque não seria para a aplicação da alíquota de 8%? 9.10- sustenta que na Lei Complementar nº 116/2003, mais especificamente na Lista de Serviços, a atividade de contrução civil aparece relacionada junto com as demais atividades relativas à engenharia, arquitetura, geologia, urbanismo, manutenção, limpeza, meio ambiente, saneamento e congêneres; menciona que a CONCLA Fl. 1676DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 equipara à contrução civil, as reformas, manutenções correntes, complementações e alterações de imóveis, montagens de estruturas pré-fabricadas in loco para fins diversos de natureza permanente ou temporária e comenta o fato de encontrar-se subordinada ao Sindicato da Construção Civil; 9.11- sobre os objetos contratuais citados pela autoridade fiscal, com as empreses Global Engenharia Ltda, Oxiteno Nordeste S/A e Oleoquímica Ltda, Candeias Energia S/A, sustenta que se tratam de serviços de construção civil sujeitos à aplicação da alíquota de 8%, razão pela qual a infração deve ser declarada improcedente; 9.12- relativamente à comprovação da origem dos depósitos, afirma que partes dos valores questionados não tiveram a origem confirmada posto não ter apresentado a totalidade dos extratos bancários; 9.13- transcreve manifetações doutrinárias e ataca o fato de a autoridade fiscal, mesmo sabendo que os bancos não haviam fornecido a totalidade dos extratos, autuou sem buscar a comprovação da verdade material; sustenta que se fosse do interesse da autoridade, esta poderia requisitar as informações aos bancos, porém, optou por efetuar um lançamento manifestamente improcedente; 9.14-sustenta juntar os extratos faltantes de contas garantidas, mantidas junto ao Banco do Nordeste e Banco Itaú, bem como a comprovação de empréstimos obtido junto ao Banco do Brasil e elabora uma planilha na tentaiva de justificar pretensas transferências entre contas de sua titularidade; 9.15- ao final, sustenta que os depósitos restaram justificados e que o resgate de aplicação financeira ocorrido em 22/12/2010 não pode ser considerado rendimento; 9.16- defende a inexistência de omissão de receitas por depósitos de origem não comprovada; 9.17- na seqüência, passa a atacar a imputação de responsabilidade aos sócios e analisa o dispsoto no inciso II do artigo 135 do CTN, sustentando que dois são os requisitos para a imputação de responsabilidade: 1º) exercer cargo de diretoria ou ser representante da pessoa jurídica e; 2º nessa condição, praticar, pessoalmente, ato com excesso de poderes ou com infração à lei, contrato social ou estatuto; 9.18- transcreve diversas manifestações jurisprudenciais acerca duas duas hipóteses, sendo todas, direcionadas ao conteúdo do inciso III para sustentar que o não recolhimento do tributo, por si só, não constitui infração à lei suficiente a ensejar a responsabilidade imputada; 9.19- no caso sob análise a autoridade fiscal imputou a responsabilidade aos sócios por terem eles prestado declarações falsas às autoridades fazendárias, ao apresnetarem DIPJ, DCTF e DACON em valores inferiores aos apurados pelo Fisco, além da utilização do percentual de presunção de lucro indevido; 9.20- alega que inexistiu a omissão de rendimentos à medida que os depósitos foram justificados e que a diferença de alíquota para a apuração do lucro presumido não constitui causa de imputação de responsabilidade, pois se trata de mera interpretação da norma; 9.21- desta forma, como a empresa continua ativa e todos os sócios foram localizados, pede que seja declarada a ilegitimidade passiva dos mesmos; 9.22- contesta a exigência da multa qualificada de 150% e pde sua redução para 75%; 9.23- ao final, conclui: a) seja considerado o percentual de 8% para apuração do IPPJ e CSSL, pois se Irala de atividade de construção civil; b) seja declarada a comprovação de todos os depósitos realizados na conta da Impugnante, uma vez que são, comprovadamente, transferências entre contas da mesma titularidade, excluindo da base de cálculo os valores dos depósitos equivocadamente presumidos como renda omitida; c) considerado a comprovação dos depósitos, seja excluída a responsabilidade dos sócios e o aumento da multa para 150%, ainda que no julgamento fique determinada a aplicação do percentual de 32%, o que só admitimos por hipótese ; Fl. 1677DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 d) por fim, requer que todas as publicações ou intimações sejam realizadas em nome de LICIO BASTOS SILVA NETO, OAB/BA 17.392, com endereço constante no rodapé, sob pena de nulidade processual. 10. Juntou documentos de fls. 1.416-1.518. 3.A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) houve por bem julgar parcialmente procedente a impugnação em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. As atividades de montagem e manutenção industrial, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, não caracterizam obras de construção civil, sujeitando as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Mantém-se o lançamento parcial sobre os valores de depósitos bancários questionados, para os quais a contribuinte, devidamente intimada, deixou de apresentar a comprovação de origem. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO PROCURADOR. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. MULTA QUALIFICADA A divergência quanto ao percentual de presunção a ser aplicado sobre a receita auferida, para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL não constitui motivo suficiente para a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Desnecessária a imputação de responsabilidade solidária, quando os indicados são os sócios da pessoa jurídica, possuem domicílio conhecido, sendo que no caso sob análise, nada consta dos autos que leve à conclusão de que eles possam, futuramente, furtar-se ao cumprimento da obrigação tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4.Inconformada, a Recorrente aviou o Recurso Voluntário de fls. 1574/1601, instruído com os documentos de fls. 1602/1614, onde reedita e reforça os argumentos que foram objeto da impugnação de fls. 1376/1414, quanto ao cabimento da aplicação do percentual de presunção do lucro em 8% e comprovação da origem dos depósitos remanescentes, não acatada pelo julgador de primeira instância. 5.É o relatório. Fl. 1678DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 Voto Conselheiro Jandir José Dalle Lucca, Relator. DO RECURSO DE OFÍCIO 6.Os valores totais dos tributos e encargos de multa exonerados pela r. decisão recorrida são os seguintes (fls. 02): Tributo Principal Multa Total IRPJ 956.207,67 1.434.311,52 2.390.519,19 CSLL 344.879,91 517.319,88 862.199,79 COFINS 330.738,23 496.107,37 826.845,60 PIS 71.659,97 107.489,98 179.149,95 4.258.714,53 7.Verifica-se, desse modo, que a remessa necessária não atende ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 2, de 2023, aferido nos termos da Súmula CARF nº 103, razão pela qual não conheço do Recurso de Ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 8.O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais de admissibilidade. DO LUCRO PRESUMIDO 9.O tópico III.1 do Termo de Verificação Fiscal de fls. 49/98 é bastante claro ao indicar os motivos pelos quais a fiscalização entendeu que o lucro deveria ser presumido pela aplicação do percentual de 32%, e não de apenas 8%, nas atividades exercidas pela Recorrente no período fiscalizado. Confira-se: 1.1 III.1 UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO 15 – Ao analisar a apuração do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte na DIPJ apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), verifiquei que o percentual de presunção do lucro utilizado pelo sujeito passivo foi de 8%. A Lei nº 9.249, de 1995, trata do assunto, estabelecendo o seguinte: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: Fl. 1679DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 [...] III - trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. 16 - A Instrução Normativa SRF (IN SRF) nº 93, de 24/12/97, regula a determinação e o pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas. Em seu art. 3º, determina o seguinte: Art. 36. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 3º, sobre a receita bruta de cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral; [...] Art. 3º À opção da pessoa jurídica, o imposto poderá ser pago sobre base de cálculo estimada, observado o disposto no § 6º do artigo anterior. § 1º A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida na atividade. § 2º Nas seguintes atividades o percentual de que trata este artigo será de: [...] IV - 32 % (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida com as atividades de: [...] d) construção por administração ou por empreitada unicamente de mão- de- obra; [...] f) prestação de qualquer outra espécie de serviço não mencionada neste parágrafo. [...] 17 - Em 1997, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 6, de 13/01/1997 estabeleceu com clareza qual seria o percentual a ser aplicado para determinação da base de cálculo do imposto de renda na atividade de construção por empreitada: O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I - Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; Fl. 1680DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão-de-obra, ou seja, sem o emprego de materiais. 18 - Ocorre que, em 2004, sobreveio a IN SRF nº 480/2004, cujo art. 1º, § 7º, incisos I e II, c/c § 9º, passou a dispor de forma diferente sobre a mesma matéria, para fins de retenção, na fonte, do imposto de renda e outros tributos. Visto que poderia haver dúvidas sobre a aplicabilidade dessas disposições ao cálculo do IRPJ da pessoa jurídica beneficiária dos pagamentos, a IN SRF nº 539/2005 (publicada no DOU de 27/04/2005) incluiu o art. 32, inciso II, no primeiro ato normativo mencionado. Eis o texto, já com as alterações: Art. 1º Os órgãos da administração federal direta, as autarquias, as fundações federais, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e as demais entidades em que a União, direta ou indiretamente detenha a maioria do capital social sujeito a voto, e que recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) reterão, na fonte, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição para o PIS/Pasep sobre os pagamentos que efetuarem às pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considera-se: I - serviços prestados com emprego de materiais, os serviços contratados com previsão de fornecimento de material, cujo fornecimento de material esteja segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços; II - construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro TODOS os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. [...] Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: (Redação dada pela IN SRF nº 539, de 25 de abril de 2005) [...] II - não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art. 1º, e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27. (Incluído pela IN SRF n° 539, de 25 de abril de 200 5) 19 - Deste breve resumo da legislação pode-se observar o seguinte: a Lei nº 9.249/95 estabelece o valor de 32% como percentual de presunção do lucro a ser aplicado para as atividades de prestação de serviço EM GERAL, exceto para os serviços hospitalares e seus afins. 20 - A IN SRF nº 93/97, ao regular a matéria, enumera uma série de atividades que estão sujeitas ao percentual de 32% para, somente na alínea “f”, estabelecer uma regra de generalização, como o fez a Lei nº 9.249/95. Como conseqüência, gerou uma dúvida sobre qual o percentual aplicável à atividade de construção por administração ou por empreitada que não fosse unicamente de mão-de-obra. A questão girava em torno da possibilidade de utilizar o Fl. 1681DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 percentual de 8% sempre que houvesse a utilização de materiais, em qualquer quantidade que fosse. 21 – Trazendo mais dúvidas à questão, a IN SRF nº 480/2004, que dispõe sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens e serviços, estabeleceu, em seu art. 2º, o seguinte: Art. 2º A retenção será efetuada aplicando-se, sobre o valor a ser pago, o percentual constante da coluna 06 da Tabela de Retenção (Anexo I), que corresponde à soma das alíquotas das contribuições devidas e da alíquota do imposto de renda, determinada mediante a aplicação de quinze por cento sobre a base de cálculo estabelecida no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme a natureza do bem fornecido ou do serviço prestado. § 1º O percentual a ser aplicado sobre o valor a ser pago corresponderá à espécie do bem fornecido ou de serviço prestado, conforme estabelecido em contrato. 22 – No citado Anexo I aparecem as seguintes atividades, todas com a alíquota de 1,2%: • Alimentação; • Energia elétrica; • Serviços prestados com emprego de materiais; • CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS; • Serviços hospitalares. 23 – Ora, a interpretação feita era de que a Administração Tributária (através da RFB) entendia que o percentual de presunção de lucro da Lei nº 9.249/95 adequado para estas atividades era 8%, pois 1,2% era o resultado da aplicação de 15% sobre o percentual de presunção de 8% (15% x 8% = 1,2%). 24 – Para dirimir qualquer dúvida, inclusive em relação a outras atividades constantes no citado Anexo I, a IN SRF nº 539/2005 incluiu o art. 32, inciso II, na IN SRF nº 480/2004, com o seguinte texto: Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: (Redação dada pela IN SRF nº 539, de 25 de abril de 2005) [...] II - não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art. 1º, e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27. (Incluído pela IN SRF n° 539, de 25 de abril de 200 5) 25 – Dessa forma, resta claro que os percentuais serão aplicados às atividades de acordo com o disposto na Lei nº 9.249/2005, independentemente de como se der a retenção dos tributos e contribuições, e que os serviços hospitalares e de construção por empreitada com emprego de materiais utilizarão a alíquota definida pela referida IN SRF nº 480/2004, que é de 8%. 26 – A questão inicialmente passa a ser identificar qual a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica. Caso seja de construção por empreitada, será preciso verificar se esta ocorreu com o emprego de TODOS os materiais, para atender à definição estabelecida na IN SRF nº 480/2004, art. 1º, § 7º, inciso II. Assim procedendo, será possível descobrir qual o percentual correto a ser aplicado. 27 – Acessando o site da ZLS na internet, na data de 30/11/2013, observa-se que a empresa atua no ramo da Engenharia e Montagem Industrial, como pode ser visto nas telas do site impressas que seguem anexas a este Termo. Lá consta que suas áreas de atuação são: “Paradas de Manutenção”, “Contratos de Manutenção” e “Serviços Especializados”. Dentro desta última área, informa que executa pequenos e médios serviços de construção civil. Fl. 1682DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 28 – Assim sendo, a identificação do percentual de presunção do lucro correto a ser aplicado deverá ocorrer caso a caso, ou melhor, contrato a contrato, uma vez que a fiscalizada exerce atividades diversas. Para tanto, elaborei uma relação das atividades desenvolvidas pela ZLS no período fiscalizado, discriminadas por contrato e por empresa contratante, de acordo com a documentação por ela mesma fornecida: a) Global Engenharia Ltda (Interveniente/Anuente: Candeias Energia S/A), proposta comercial nº 125/2009 Rev. 04: serviços de montagem mecânica de 01 casa de força (power house), em regime de empreitada a preço global, com todos os materiais e equipamentos fornecidos pela ZLS. 40% do valor do contrato se refere a custos outros que não mão-de-obra, tais como locação de veículos, equipamentos e materiais consumíveis. b) Oxiteno Nordeste S/A e Oleoquímica Ltda, serviços especificados em diversas Cartas de Autorização anexas: serviços de caldeiraria para manutenção, substituição e instalação de equipamentos mecânicos, fabricação e montagem de equipamentos. c) Candeias Energia S/A, proposta 035/2010, Rev. 02: fabricação, jato/pintura e montagem de 12 suportes de sustentação, com o fornecimento de todos os materiais de aplicação e de consumo necessários para a execução dos serviços, bem como dos equipamentos e estruturas necessários. 29 – Para um completo deslinde da questão, portanto, resta saber se tais serviços se enquadram no conceito de construção por empreitada com emprego de materiais, o qual é estabelecido pela própria IN SRF nº 480/2004, em seu art. 1º, § 7º, inciso II, c/c o § 9º: § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considera-se: [...]II - construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro TODOS os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. 30 – Como se pode verificar, esse conceito ainda é insuficiente para determinar a natureza dos serviços prestados pela ZLS no âmbito destes contratos, pois resta definir o alcance das expressões “construção civil” e “obra”. 31 – Para tanto, o instrumento mais apto a fornecer tal informação é a Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE. Trata-se da classificação oficial adotada pelo Sistema Estatístico Nacional do Brasil e pelos órgãos federais, estaduais e municipais gestores de registros administrativos e demais instituições do Brasil. Com base na resolução do presidente do IBGE n° 54, de 19/12/ 1994, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 26/12/1994, esta vem sendo implementada desde 1995 pelo Sistema Estatístico Nacional e órgãos da administração federal. 32 - A CNAE foi estruturada tendo como referência a International Standard Industrial Classification of All Economic Activities - ISIC das Nações Unidas e a gestão e manutenção da CNAE é de responsabilidade do IBGE, a partir das deliberações da Comissão Nacional de Classificação - Concla. Sua versão atual é a CNAE 2.0, cuja base legal é a Resolução Concla nº 01/2006, publicada no (DOU) em 05/09/2006. 33 - A CNAE é o instrumento de padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento utilizados pelos diversos órgãos da Administração Tributária do Brasil. Essa classificação aplica-se a empresas privadas ou públicas, estabelecimentos agrícolas, organismos públicos e privados, instituições sem fins lucrativos e agentes autônomos (pessoa física). 34 – O próprio contribuinte, ao solicitar sua inscrição no CNPJ, deve, obrigatoriamente, fazer seu auto-enquadramento na CNAE. No caso da ZLS, consta no cadastro da RFB seu enquadramento no código 7112-0-00 (Serviços de engenharia). 35 – Neste momento, é oportuno também destacar o objeto da ZLS constante em Fl. 1683DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 seu Contrato Social. Em sua 10ª alteração e consolidação, datada de 10/12/2003, consta como objetivo a prestação de serviços técnicos industriais e mão-de-obra especializada para a indústria, o comércio, a construção civil e outros segmentos afins. Apenas na 13ª alteração contratual, datada de 21/09/2010, esse objetivo foi acrescido de “aluguel de máquinas e equipamentos comerciais e industriais não especificadas anteriormente, sem operador; aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes; instalação e manutenção elétrica; instalações hidráulicas, sanitárias e de gás”. 36 – Analisando a CNAE, se pode observar, de forma clara, a separação existente entre a atividade a que pretende se enquadrar o fiscalizado (CONSTRUÇÃO, Seção F, divisões da CNAE 41 a 43) e a atividade na qual ele verdadeiramente se enquadra (MANUTENÇÃO, REPARAÇÃO E INSTALAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, Seção C, divisão 33 da CNAE). 37 – Basta analisar as Notas Explicativas das Seções e Divisões para se chegar a tal conclusão. Com efeito, destaco os seguintes trechos de tais Notas: a) CONSTRUÇÃO, Seção F, divisões da CNAE 41 a 43: Esta seção compreende a construção de edifícios em geral (divisão 41), as obras de infra-estrutura (divisão 42) e os serviços especializados para construção que fazem parte do processo de construção (divisão 43). [...] O aluguel de equipamentos de construção e demolição COM operador é classificado junto à atividade específica de construção que inclua o uso desses equipamentos. [...] Esta seção não compreende a produção de materiais de construção ou de elementos mais complexos destinados a obras de edifícios e de infra-estrutura, tais como estruturas metálicas (divisão 25), elementos pré-fabricados de madeira (divisão 16), cimento ou outros materiais pré-moldados (divisão 23), a instalação e reparação de equipamentos incorporados a edificações, como elevadores, escadas rolantes, etc., quando realizadas pelas unidades fabricantes (seção C divisão 28), os serviços de paisagismo (seção N - divisão 81) e a retirada de entulho e refugos de obra e de demolições (seção E - divisão 38). b) MANUTENÇÃO, REPARAÇÃO E INSTALAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, Seção C, divisão 33 da CNAE: Esta divisão compreende as atividades de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos utilizados no processo de produção industrial, realizadas por unidades ESPECIALIZADAS, normalmente sob contrato. 38 – Verificando o contrato social da ZLS Serviços Técnicos Especializados Ltda, vemos que seus objetivos são “prestar serviços técnicos INDUSTRIAIS”, “prestar mão-de- obra especializada” e “alugar máquinas e equipamentos para construção SEM operador”. Como se vê, prestar serviços técnicos INDUSTRIAIS é atividade nitidamente incluída na Seção C; prestação/fornecimento de mão-de-obra não está inclusa na Seção F; e o último objetivo é bem esclarecedor, pois o contribuinte repete o texto da CNAE, porém deixando claro que o aluguel é SEM operador, enquanto a atividade constante na Seção F exige que o aluguel se dê COM operador. Isso demonstra, claramente, que o contribuinte NÃO quer se enquadrar em atividades de construção. 39 – Além disso, o seu auto-enquadramento no CNAE foi em atividade da Seção M (ATIVIDADES PROFISSIONAIS, CIENTÍFICAS E TÉCNICAS), e não na Seção F (CONSTRUÇÃO). 40 – Entretanto, o ponto mais importante a ser destacado é que, com base nos contratos apresentados pelo sujeito passivo, todas as atividades prestadas no ano de 2010 são enquadradas na Seção C, não sendo serviços ou atividades de construção, mas sim serviços industriais. As fotos e descrições de serviços executados no site da ZLS na internet confirmam essa situação. Vale ressaltar que instalação e montagem, no presente caso, são palavras sinônimas, representando o mesmo serviço. 41 – O contrato com a Global, por exemplo, referente a uma “casa de força”, tem como escopo, de forma expressa, a sua “montagem mecânica”. Não há qualquer referencia a obra civil, de edificação, construção de estruturas físicas permanentes sobre o solo, etc. 42 – Mas a CNAE não é a única fonte para determinar qual o correto enquadramento das atividades da ZLS, definindo o alcance da expressão “construção Fl. 1684DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 civil”. A IN RFB nº 971, de 13/11/2009, estabelece as seguintes definições no âmbito da legislação tributária: DAS NORMAS E PROCEDIMENTOS APLICÁVEIS À ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Seção Única Dos Conceitos Art. 322. Considera-se: I - obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, conforme discriminação no Anexo VII; II - [...]; III - demolição, a destruição total ou parcial de edificação, salvo a decorrente da ação de fenômenos naturais; IV - reforma, a modificação de uma edificação ou a substituição de materiais nela empregados, sem acréscimo de área; V - reforma de pequeno valor, [...]; VI - acréscimo ou ampliação, a obra realizada em edificação preexistente, já regularizada na RFB, que acarrete aumento da área construída, conforme projeto aprovado; VII - obra inacabada, [...]; VIII construção parcial, a execução parcial de um projeto cuja obra se encontre em condições de habitabilidade ou de uso, demonstradas em habite- se parcial, certidão da prefeitura municipal, termo de recebimento de obra, quando contratada com a Administração Pública ou em outro documento oficial expedido por órgão competente; IX - benfeitoria, a obra efetuada num imóvel com o propósito de conservação ou de melhoria; X - serviço de construção civil, aquele prestado no ramo da construção civil, tais como os discriminados no Anexo VII; XI - edifício, a obra de construção civil com mais de um pavimento, composta ou não de unidades autônomas; [...] XIX - empresa construtora, a pessoa jurídica legalmente constituída, cujo objeto social seja a indústria de construção civil, com registro no Crea, na forma do art. 59 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966; [...] XXVII - contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XIX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; a) parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material; [...] Fl. 1685DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 XXX - empreiteira, a empresa que executa obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, mediante contrato de empreitada celebrado com proprietário do imóvel, dono da obra, incorporador ou condômino; 43 – Como se pode perceber, as atividades do contribuinte não se enquadram em nenhum dos conceitos referentes a construção civil delineados na legislação tributária. 44 – Além disso, mesmo que houvesse alguma de suas atividades em outros contratos que fosse caracterizada como de construção civil, esta teria que atender ao disposto na IN SRF nº 480/2004, em seu art. 1º, § 7º, inciso II, ou seja, teria que haver o fornecimento de todos os materiais a serem incorporados à obra, pois este dispositivo legal, alterado pela IN SRF nº 539/2005, acabou por revogar tacitamente o ADN COSIT nº 6, de 1997, que era o fundamento legal para as empresas de construção civil utilizarem o percentual de presunção do lucro de 8%, mesmo fornecendo apenas parte dos materiais da obra. [...] 10.Pois bem, conforme exposto pelo TVF (item 28) e reconhecido pela Recorrente (fls. 1596), as atividades que geraram as receitas auferidas no período fiscalizado tiveram origem em contratos de prestação de serviços com os seguintes escopos: 11.Como se vê, é incontroverso nos autos que as atividades em questão consistiram em montagem e manutenção de equipamentos, não havendo dúvidas de que não se revestem da natureza de obra de construção civil, uma vez que não se trata de incorporação permanente de materiais ao solo. Confiram-se, a propósito, as cláusulas contratuais inerentes ao objeto: Contrato Candeias Energia, fls.1109/1115: Contrato Global Engenharia, fls.1116/1128: Fl. 1686DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 Contratos Oxiteno, fls.1129/1155 (exemplos): [...] [...] 12.A matéria já foi objeto de exame pela C. Câmara Superior deste Sodalício por ocasião do julgamento do Recurso Especial do Contribuinte interposto no processo 11080.723644/2012-95, em acórdão ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (IRPJ) de 8% (oito por cento), considera-se atividade de construção civil aquela que envolva a produção de uma obra no solo, a qual, para sua remoção, somente pode vir a ser derrubada, demolida ou desmantelada, não se tratando, pois, de fixação de um bem já construído ao solo, ou de montagem de um bem no solo, o qual, para sua retirada, pode vir a ser desmontado a qualquer tempo. (...) (CSRF, 1ª Turma, Acórdão 9101-002.542, j. 07.02.2017. v.u.) 13.Do voto do I. Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão se extraem os seguintes fundamentos, os quais adoto como razão de decidir: (...) A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior refere-se à determinação do percentual de presunção do lucro presumido (IRPJ) no que se relaciona às atividades da recorrente, se de 8% (oito por cento), como atividades de construção civil, ou se de 32% (trinta e dois por cento), como atividades de prestação de serviços em geral. A questão básica gira em saber se a recorrente estaria praticando, ou não, a atividade de construção civil e, naquela primeira hipótese, se estaria havendo, ou não, o fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Entendo que o que distingue a atividade de construção civil de outras atividades de prestação de serviços em geral é o fato de, aquela, envolver a produção de uma obra que se incorpora permanentemente ao solo. 1 Não se trata, no caso, de fixação de um bem já construído ao solo; mas de se proceder à sua própria edificação nele. Também não se trata de montagem de um bem no solo, o qual, para sua retirada, pode vir a ser desmontado a qualquer tempo; mas de se erigir uma obra no solo, a qual, para sua remoção, somente pode vir a ser derrubada, demolida ou desmantelada. É bem de se ver, por outro turno, que o montante gasto com a obra, o seu peso, ou o seu maior ou menor porte, nenhuma influência têm quanto à qualificação desta como de Fl. 1687DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 construção civil ou não. O que é essencial é que haja a total agregação da obra ao solo, impossibilitando a sua posterior desincorporação sem destruição, modificação, fratura ou dano. (...) ____________________________________________________________________ 1 Cf. BARRETO, Aires F. ISS na Constituição e na lei. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2009. p. 268: “por serviços de construção civil entende-se a atividade de execução material dos projetos de engenharia (aspecto dinâmico), tendo por finalidade (aspecto estático) a produção de uma obra que se incorpora ao solo.” 14.Rememore-se que mesmo as mercadorias produzidas fora do local da obra e que devam ser fornecidas por força de previsão contratual específica, ainda que venham a ser agregadas ao solo, igualmente não se inserem na prestação de serviços de construção civil, tratando-se de atos de mercancia que são, inclusive, tributadas pelo ICMS, e não pelo ISS, conforme estabelece o item 7.02 da lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116, de 2003: 7.02 – Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de serviços fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS). (original sem grifo) 15.Ademais, as atividades de montagem e instalação de equipamentos desenvolvidas pela Recorrente, em relação aos contratos acima referidos, sequer se equiparam a serviços de engenharia, ex vi da Súmula CARF nº 57, assim enunciada: Súmula CARF nº 57 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. 16.Por via de consequência, não merece reparos o v. aresto recorrido, uma vez que os serviços relativos à montagem industrial e manutenção em questão não podem ser considerados como obras de construção civil, sujeitando-se, desse modo, ao percentual de presunção de lucro de 32%. DA OMISSÃO DE RECEITAS 17.No que toca à acusação de omissão de receitas, o Termo de Verificação Fiscal de fls. 49/98 descreve os seguintes fundamentos da acusação: 1.2 III.2 OMISSÃO DE RECEITA 48 – A partir dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte e dos lançamentos registrados no Livro Razão nas contas (rubricas) contábeis 1021 - 1.1.1.02.001 - Banco do Brasil c/c 4.577-2, 1022 - 1.1.1.02.001 - Banco Itaú c/c 02663-5, 1025 - 1.1.1.02.001 - BNB C/C 7464-0 e 1026 - 1.1.1.02.001 - BNB C/C 7465-9, foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal nº 01 e suas planilhas anexas, através do qual foi solicitada a comprovação individualizada da origem de créditos/depósitos constantes em tais extratos. 49 – Em sua resposta, a ZLS apresentou diversas justificativas para comprovar a origem dos créditos. Destas, podemos destacar como principais as seguintes: Fl. 1688DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 a) atividades da empresa, ou seja, reconhecimento de que se trata de receitas desta; b) transferências entre contas da própria ZLS; c) operações de empréstimo. 50 – A maior parte das transferências entre contas foram confirmadas através de circularização entre estas. Os créditos em uma conta correspondiam a débitos em outras contas do mesmo titular, na mesma data e no mesmo valor. 51 – Entretanto, algumas transferências não puderam ser confirmadas devido ao contribuinte não ter apresentado todos os extratos bancários, apesar de intimado a tanto no Termo de Início de Procedimento Fiscal, com ciência em 26/09/2013 e no Termo de Reintimação Fiscal nº 01, em 05/11/2013. Além disso, diversos depósitos não tiveram o débito correspondente em outra conta localizado. 52 – Por fim, não foram apresentados comprovantes dos depósitos justificados como originados de operações de empréstimo bancário. 53 – Em decorrência desses fatos, foi dada ciência ao contribuinte do Termo de Intimação Fiscal nº 02, em 26/11/2013, no qual solicita-se a apresentação de documentos que justifiquem as inconsistências acima descritas, como extrato de conta de empréstimo (conta garantida, no Banco Itaú) ou contrato de empréstimo, e os extratos bancários ainda não apresentados, para que seja possível confirmar as transferências interbancárias. Também foram solicitados esclarecimentos para créditos cujo débito correspondente não foi encontrado em outras contas bancárias, na mesma data e no mesmo valor. 54 – Em 17/12/2013 o contribuinte apresentou resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 02. Nesta, constam, dentre outros, os seguintes documentos: a) o extrato bancário da conta-corrente 07465-9 do Banco do Nordeste de Fevereiro de 2010: analisando este extrato, verifiquei que nele consta o débito de R$ 200.000,00 de 19/02/2010, para o qual foi solicitada a comprovação ao contribuinte através do Termo de Intimação Fiscal nº 02. Com isso, a transferência entre contas deste valor, alegada pelo contribuinte, restou comprovada; b) Cópia do Despacho Decisório nº 365/2009, datado de 27/03/2009, e da memória de cálculo do valor da restituição pleiteada, datada de 18/02/2010: com base nestes documentos, também restou comprovada a origem dos recursos para o crédito de R$ 32.869,27 ocorrido em 26/02/2010 na conta-corrente do Banco do Brasil; 55 – Com isso, todos os demais valores relacionados nos anexos ao Termo de Intimação Fiscal nº 02, para os quais não foram apresentados os esclarecimentos às divergência indicadas, foram considerados como receita do contribuinte e oferecidos, de ofício, à tributação. 56 – O valor dos depósitos reconhecido pelo contribuinte, durante esta ação fiscal, como proveniente de receitas de sua atividade é de R$ 6.653.300,34, de acordo com as justificativas apresentadas. 57 – Os valores creditados em conta bancária da ZLS cuja comprovação da origem dos recursos não foi aceita nesta ação fiscal, pelos motivos já explicitados, totalizaram R$6.649.169,13. 58 – Por fim, consta no Livro Razão, conta contábil “4056 - 4.1.4.01.001 - Rendimento de Aplicações Financeiras”, a apuração de receitas decorrentes de aplicações financeiras no montante de R$ 374.738,94. Tais receitas não estão declaradas na DIPJ. 59 – Portanto, a receita bruta do contribuinte apurada nesta ação fiscal foi de R$13.302.469,47 (depósitos/créditos reconhecidos como receita mais depósitos/créditos cuja origem dos recursos não foi comprovada). Sobre este valor incidirá o percentual de presunção do lucro de 32%, conforme já discorrido neste Termo. Ao valor encontrado deverá ser acrescido o valor relativo aos rendimentos das aplicações financeiras, para assim ser obtido o lucro presumido, como pode ser visto na planilha que segue em anexo a este Termo, intitulada “APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO - ANO CALENDÁRIO 2010”. 60 - A receita bruta mensal, segregada por banco, sobre a qual incidirá o percentual Fl. 1689DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 de presunção do lucro encontra-se em anexo, na planilha “APURAÇÃO DAS RECEITAS - AC 2010”. 61 – O total de depósitos/créditos em contas bancárias foi de R$ 25.129.354,15. O valor total apurado das receitas do contribuinte foi de R$ 13.677.208,41 (incluindo os rendimentos das aplicações financeiras). 62 – O valor total de receita declarado pelo contribuinte ao Fisco Federal, conforme consta em sua DIPJ, foi de R$ 7.531.921,90. Resta configurada, portanto, uma omissão de receita no valor de R$ 6.145.286,51. 18.O v. aresto guerreado assim enfrentou a questão: 33. Analisando os comprovantes apresentados, e comparando-os com os valores questionados pela autoridade fiscal temos o seguinte: - relativamente ao Banco do Brasil, os valores sem comprovação correspondem: a) a uma restituição do INSS que teria ocorrido em 26/02/2010, no valor de R$ 32.869,27 que deve ser acatada por duas razões: por primeiro, consta do extrato à fl.1001 tratar-se de ordem bancária e, por segundo, a contribuinte apresentou, além do despacho decisório que reconheceu o direito à restituição, a planilha do site da Receita Federal, com os cálculos atualzados do direito creditório que coincide com o montante questionado (fls.1.211-1.214); b) uma transferência recebida da conta corrente 02663-5 do Banco Itaú, havida em 04/03/2010, no valor de R$50.000,00, cujo comprovante se encontra à fl.1.340, impondo que o mesmo seja excluído da autuação; c) outra transferência que teria vindo da conta 02663-5 do Banco Itaú, ocorrida em 11/05/2010, no valor de R$960.000,00, encontra justificativa no contrato de linha de crédito (0029), obtida junto ao próprio Banco do Brasil, em 07/05/2010, conforme contrato e extrato juntados às fls.1.348-1.361, devendo ser excluído da exigência e; por fim, d) uma transferência ocorrida em 30/06/2010,tendo como origem a conta corrente 02663-5 do Banco Itaú, no valor de R$24.300,00, que restou sem comprovação de origem. Desta forma, para a conta corrente Banco do Brasil (4577-2) restou sem comprovação de origem R$24.300,00; - quanto aos valores questionados relativamente ao Banco Itaú, tem-se que os extratos de fls. 1.362-1.367, da conta 07116-9 comprovam a origem dos seguintes valores: R$797.000,00 em 30/06/2010; R$30.000,00, R$30.000,00, R$45.000,00, R$11.500,00, R$30.000,00, R$13.500,00, R$30.000,00, R$23.600,00, R$81.000,00, R$110.000,00, R$23.600,00, R$11.800,00 e, R$26.400,00 questionado para o mês de julho de 2010, R$43.000,00, R$98.500,00, R$19.500,00, R$41.800,00, R$13.000,00, R$90.000,00, R$16.400,00, R$16.400,00 e, R$66.000,00, referentes ao mês de agosto de 2010, R$18.000,0, R$30.000,00, R$43.000,00, R$21.500,00, R$95.000,00, R$12.900,00 e R$11.300,00 do mês de setembro de 2010, R$40.000,00 do mês de outubro de 2010; o valor de R$ R$111.869,18 que a contribuinte alegar ter origem em conta do Unbianco, restou sem comprovação e deve ser mantida a exigência; - quanto aos demais valores questionados em relação à conta corrente 02663-5 do Banco Itaú, observa-se que todas possuem o mesmo histórico estão registradas como TBI 1790.04361- 400000111 e mencionam a operção 4175 que, nos extratos da conta garantida 07116-9 juntados apenas parcialmente, sugerem que a origem pode estar relacionada à obteção de empréstimo; contudo, como os extratos que constam da defesa não contemplam os fatos ocorridos nos meses de janeiro a junho de 2010, os valores de R$130.000,00, R$130.000,00, R$110.300,00, R$140.000,00, R$84.000,00, R$168.000,00, R$24.000,00, R$135.0000,00, R$80.000,00, R$16.000,00, R$145.000,00, R$11.000,00 e R$61.000,00, restarm sem comprovação e desta forma mantém-se a exigência correspondente; -por fim, quanto aos valores questionados relativamente à conta corrente 7464-0 do Banco do Nordeste do Brasil, a interessda comprova a transferência de R$205.000,00, efetuada em 04/03/2010, tendo como origem a conta 02663-5 do Banco Itaú, de titulartidade da contribuinte, conforme comprovante de fl.1.340; o extrato apresentado à fl.1.342, impossibilita qualquer conferência, por estar ilegível; sabe-se que é do Banco do Nordeste mas as informações estão borradas; o extrato do mês 03/2010 (fl.1.015) comprova que os R$200.000,00 questionados para a data de 25/03 tiveram origem na conta 7465-9 já Fl. 1690DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 mencionada; o extrato de fl.1.024 confirma a transferência dos valores questionados de R$280.000,00 (01/06), R$70.200,00 (07/06), R$30.100,00 (08/06), R$25.200,00 (10/06), R428.000,00 (14/06), R$56.200,00 (16/06), R$57.000,00 (17/06), R$70.300,00(18/06), R$74.000,00(21/06) e assim, a exigência deve ser afastada; o único valor cuja origem não restou comprovada é R$692.400,00 que é proveniente de um TED; o documento de fl.1.338 que foi apresentado na tentativa de justificar a origem dos valores desserve para o pretendido posto que ele apenas comprova a saída do valor pretendido em 01/07/2010, para a conta 07465- 9 e não a origem dele; - os valores de R$ 100.000,00 (04/10), R$80.000,00(07/10), R$ 155.000,00 (19/10), R$20.000,00 (20/10), R$ 38.000,00 (25/10) e R$ 25.000,00(28/10, segundo o extrato de fl.1.347 são vinculados à conta 07464-0 e portanto tem sua origem comprovada. 33. Ante o exposto, mantém-se o lançamento das seguintes parcelas: Banco do Brasil R$24.300,00, Banco Itaú, R$111.869,18, que teria origem em uma conta do Unibaco, cujo extrato não foi apresentado e, os valores relativos aos meses de janeiro a junho que totalizam R$1.234,300,00 e, por fim, quanto ao Banco do Nordeste, o valor de R$692.400,00 restou sem comprovação de origem. 19.Em relação aos valores cuja comprovação da origem não foi reconhecida pela r. decisão recorrida, o RV é instruído com documentação adicional que, segundo a Recorrente, comprovaria se tratar de remessas provenientes de contas da mesma titularidade. 20.Nesse passo, quanto aos créditos de R$ 24.300,00 e R$ 692.400,00, identificados no Banco do Brasil e no Banco do Nordeste, respectivamente, sustenta a Recorrente que teriam origem na mesma TED, no valor de R$ 716.700,00, emitida a partir da conta corrente 02663-5 mantida junto à agência 1790 do Banco Itaú. 21.Sucede, todavia, que o documento colacionado às fls. 1602, que supostamente demonstraria a origem da importância de R$ 716.700,00, não ostenta os dados da conta corrente onde teria ocorrido o débito, nem tampouco a sua titularidade, não sendo assim suficiente para comprovar a origem dos recursos. Confira-se: Fl. 1691DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 22.Já em relação ao depósito de R$ 111.869,18, realizado em 02.03.2010 na conta corrente nº 02663-5 da agência 1790 do Banco Itaú, alega a Recorrente ser ele derivado da conta corrente nº 11757-4 da agência 8944 do mesmo Banco Itaú, também de sua titularidade. Com efeito, os documentos de fls. 1606 e 1609 comprovam tal afirmação, indicando tratar-se de transferência eletrônica de fundos (TEF) entre contas da mesma titularidade. Confira-se: [...] 23.Por fim, verifica-se que também assiste razão à Recorrente quanto aos depósitos feitos na mesma conta corrente nº 02663-5 do Banco Itaú, nos meses de janeiro a junho de 2010, nos importes de R$130.000,00, R$130.000,00, R$110.300,00, R$140.000,00, R$84.000,00, R$168.000,00, R$24.000,00, R$135.0000,00, R$80.000,00, R$16.000,00, R$145.000,00, R$11.000,00 e R$61.000,00, totalizando R$1.234,300,00, relacionados no Anexo 01 ao Termo de Intimação Fiscal nº 02 às fls. 1172/1174: TVF (fls. 1172/1174): 24.De fato, à luz dos documentos de fls. 1612/1614, é possível concluir que os créditos em questão são oriundos de transferências da conta garantida 04361-4, mantida pela Recorrente junto à própria agência 1790 do Banco Itaú, realizadas sob a rubrica “TBI”, que é a Fl. 1692DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 forma utilizada por aquela instituição financeira para identificar a transferência de valor feita para outra de suas contas, pelos canais digitais, com exceção da transferência de R$ 110.300,00, de 19.04.2010, que foi efetuada a título de transferência eletrônica de fundos (TEF): Comprovantes (fls. 1612/1614): [...] [...] 25.Por via de consequência, tendo a Recorrente logrado êxito em comprovar parcialmente a origem dos créditos bancários remanescentes, devem ser excluídos da autuação os seguintes valores: 02.03.2010..... R$ 111.869,18 19.02.2020..... R$ 130.000,00 15.04.2010..... R$ 130.000,00 19.04.2010..... R$ 110.300,00 22.04.2010..... R$ 140.000,00 28.04.2010..... R$ 84.000,00 30.04.2010..... R$ 168.000,00 03.05.2010..... R$ 24.000,00 04.05.2010..... R$ 135.000,00 06.05.2010..... R$ 80.000,00 19.05.2010..... R$ 16.000,00 21.05.2010..... R$ 145.000,00 24.05.2010..... R$ 11.000,00 25.05.2010..... R$ 61.000,00 Total.......... R$ 1.346.169,18 Fl. 1693DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1402-006.558 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721326/2013-98 DISPOSITIVO 26.Pelo exposto e por tudo mais que dos autos consta, (i) não conheço do Recurso de Ofício, por inferior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 2, de 2023, inteligência da Súmula CARF nº 103; e (ii) dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar parcialmente os lançamentos de omissão de receitas referente a depósitos bancários no valor de R$ 1.346.169,18, cuja origem dos recursos restou comprovada. (documento assinado digitalmente) Jandir José Dalle Lucca Fl. 1694DF CARF MF Original
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