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Numero do processo: 10880.926564/2013-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.334
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1674; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.926564/201392 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.334 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de março de 2018 Assunto COFINS Recorrente HOSPICARE COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 26 56 4/ 20 13 -9 2 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10880.926564/201392 Resolução nº 3402001.334 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.926564/201392 Resolução nº 3402001.334 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10880.926564/201392 Resolução nº 3402001.334 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720143/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA.
Comprovado em diligência a procedência parcial das alegações do recurso, deve-se conceder os créditos pleiteados nos termos apurados na diligência fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Numero da decisão: 3201-003.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
Fez sustentação oral o patrono o Dr. André Luiz Falcão Tanabe, OAB/RJ 95.452.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. Comprovado em diligência a procedência parcial das alegações do recurso, deve-se conceder os créditos pleiteados nos termos apurados na diligência fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral o patrono o Dr. André Luiz Falcão Tanabe, OAB/RJ 95.452. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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DILIGÊNCIA. Comprovado em diligência a procedência parcial das alegações do recurso, devese conceder os créditos pleiteados nos termos apurados na diligência fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral o patrono o Dr. André Luiz Falcão Tanabe, OAB/RJ 95.452. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 43 /2 00 7- 06 Fl. 865DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1333.052, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), que assim relatou o feito: Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10768.720143/200706 Acórdão n.º 3201003.392 S3C2T1 Fl. 866 3 Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Em primeira análise, este CARF optou por converter o feito em diligência nos seguintes termos: Fl. 867DF CARF MF 4 A Autoridade de origem apresentou Relatório concluindo: (i) em relação às exclusões referentes à Gasolina de aviação, ao Propeno, que as telas de sistema ou espelhos de notas fiscais apresentadas pelo Recorrente não são documentos idôneos para a conprovação da despesa; Para aquelas despesas comprovadas por documento fiscal, a Fiscalização efetuou o devido ajuste no cálculo. (ii) em relação às exclusões referente às liminares, que inexiste documentação comprobatória da certeza e liquidez do crédito apropriado. (iii) em relação às exclusões da base de cálculo do Querosene de Aviação, que foram admitidas as exclusões devidamente comprovadas; Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Relatora Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e, portanto, dele conhecimento. Preliminar de decadência. Afasto por entender que não há essa decadência quanto à necessidade de se comprovar a composição dos créditos objeto de ressarcimento ou restituição. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10768.720143/200706 Acórdão n.º 3201003.392 S3C2T1 Fl. 867 5 Se assim não o fosse, bastaria que o contribuinte apresentasse o seu Pedido de Ressarcimento no último dia do prazo decadencial para que a fiscalização não mais pudesse verificar a origem do crédito postulado. Não se trata de revisitar base de cálculo de tributo, mas, sim, de validar o crédito objeto de ressarcimento do contribuinte. O Relatório de diligência fiscal expõe: O referido processo foi julgado por esta mesma Turma por meio do acórdão nº 3201003.200, em sessão de 24 de outubro de 2017. A referida decisão obteve resultado unânime. Desse modo, entendo que por coerência e, principalmente, medida de economia processual e segurança jurídica, e inexistindo peculiaridades restritas a este feito, deve ser aplicado idêntico resultado. Assim, como fundamento deste voto, utilizome os mesmos fundamentos do citado acórdão nº 3201003.200, de relatoria do Conselheiro Winderley Morais Pereira: Alega a Recorrente, em sede preliminar, que os créditos em discussão nos autos foram registrados em 2003 período superior ao prazo decadencial, previsto para a Administração Tributária proceder a revisão dos cálculos das contribuições declaradas e portanto, não poderiam ser desconsiderados pela Receita Federal. Entendo não assistir razão ao recurso. A decadência prevista no CTN atinge a exigência do tributo que o Fisco entende serem devidos, no caso em tela, mesmo que os créditos referemse a período de apuração superior ao prazo decadencial para lançamento das contribuições, somente a partir do protocolo da declaração de compensação foram efetivamente utilizados, razão pela qual, as exigências constantes do presente lançamento tratam dos débitos irregularmente compensados. Mais uma vez devese remeter as definições do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, que determina o prazo de 5 (cinco) anos a partir da data do protocolo da declaração de compensação. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 869DF CARF MF 6 passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Portanto, descabido o pleito da Recorrente de tentar levar para a data do apuração das contribuições o termo inicial para contagem do prazo decadencial, que de acordo com a legislação vigente somente iniciase a partir da possibilidade do lançamento, ou seja, quando a utilização efetiva dos créditos registrados em declaração de compensação. A Recorrente quando da apresentação do seu recurso voluntário afirmou que os documentos trazidos aos autos comprovavam o seu direito creditório. A decisão recorrida considerou que os espelhos de notas fiscais apresentados pela Recorrente não eram suficientes para a comprovação do direito creditório. Consultando os autos, é possível identificar que a Recorrente teve várias chances de apresentar as notas fiscais referentes ao seu direito creditório. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Portanto, para as operações em que não foi apresentado notas fiscais mantémse a decisão da primeira instância em razão da impossibilidade de verificação do direito creditório da Recorrente. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10768.720143/200706 Acórdão n.º 3201003.392 S3C2T1 Fl. 868 7 Quanto as ações judiciais em que a Recorrente afirma existir direito creditório, também nesta matéria não pode prosperar o recurso. A consulta as ações judiciais demonstra que tratase de matéria referente a terceiros que patrocinaram ações judiciais questionando a exigência da contribuição exigida no sistema monofásico. A Recorrente não consta das ações e não foi possível identificar nos documentos judiciais apresentados qualquer decisão que pudesse amparar o direito creditório alegado. A alegação da existência de pagamentos indevidos não está demonstrado nos autos, não existindo nas ações judiciais, nenhuma decisão que ampare o pleito da Recorrente. Ao meu sentir, recolhimentos realizados indevidamente precisam estar claramente identificados com a indicação dos documentos que comprovam o recolhimento indevido a apuração pormenorizada dos valores e todos as outras informações que trariam uma garantia da existência do indébito. A simples indicação da existência de ações judiciais em nome de terceiros, sem qualquer indicação das informações e detalhes necessários a comprovação do pagamento indevido, não é suficiente para conceder a recorrente o direito creditório pleiteado. Por fim, a Recorrente alega o direito creditório referente a inclusão indevida da variação monetária ativa na base de cálculo da COFINS. A matéria é bastante conhecida deste conselho, existindo decisões que indicam a existência de repercussão geral para a matéria. Entretanto, os argumentos da Recorrente não guardam relação com a exigência fiscal controlada no presente processo. O lançamento fiscal, no que concerne a esta matéria, reside no fato da Recorrente ter utilizado variação monetária passiva para reduzir a base de cálculo da COFINS, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído do voto condutor da decisão recorrida. Ao contrário do que afirma a interessada, os valores informados na coluna “base definitiva” em fl. 161 não está totalmente condizente com os registros contábeis verificados no balancete. No que diz respeito às variações cambiais, verificase que a empresa apurou saldo negativo, utilizandoo, indevidamente, para abater o resultado positivo registrado em outros grupos de conta. Tal procedimento, contudo, não encontra amparo na legislação que rege a matéria, uma vez que a base de cálculo da Cofins e do PIS é o faturamento e não o lucro, ou seja, apenas as receitas auferidas integram a base de cálculo das contribuições, não importando se houve, no mesmo período, despesas financeiras em montante igual ou superior. Os argumentos apresentados no recurso voluntário que tratam da possibilidade de exclusão na base de cálculo da COFINS, dos valores apurados em variação monetária ativa não correspondem a matéria que foi objeto de lançamento, que conforme detalhado no acórdão da primeira instância, ocorreu em razão da redução da base de cálculo por existência de variação monetária passiva. Entendo, nos termos já decididos Fl. 871DF CARF MF 8 em diversos julgados deste conselho e ainda da existência do RE 627.815 que a variação monetária ativa não compõe a base de cálculo da COFINS, entretanto, conforme já detalhado, não é esta a matéria que trata os autos e sim o procedimento adotado pela Recorrente de excluir da base de cálculo da COFINS, os valores referentes a variação cambial passiva, o que sem sobra de dúvida não é possível, pois, se a variação monetária ativa não compõe a base de cálculo a variação monetária passiva não pode ser utilizada para a redução da base de cálculo da contribuição. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento para acatar as operações de venda comprovadas, nos termos constantes do relatório de diligência fiscal de efls. 786 a 796. Com estes fundamentos, portanto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para acatar as operações de venda comprovadas, nos termos constantes do relatório de diligência fiscal. Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 872DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.003066/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
NORMA ISENTIVA. MODIFICABILIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. CABIMENTO.
O Superior Tribunal de Justiça, firmou entendimento segundo o qual a isenção de Imposto sobre a Renda concedida pelo art. 4º, d, do Decreto-Lei n. 1.510/76, pode ser aplicada às alienações ocorridas após a sua revogação pelo art. 58 da Lei n. 7.713/88, desde que já implementada a condição da isenção antes da revogação. Tal posicionamento foi reconhecido pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que por meio da Portaria PGFN Nº 502, de 2016, que dispensa seus Procuradores de contestar e recorrer nas ações que versem sobre esse tema. Necessidade de aplicação de tal entendimento no processo administrativo tributário, em busca da celeridade processual e solução definitiva dos conflitos.
MULTA ISOLADA. NÃO CABIMENTO.
Valores recebidos a título de correção monetária, não aplicação da multa. Valor do principal isento sendo que o acessório deve seguir a mesma sorte.
Numero da decisão: 2201-004.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 NORMA ISENTIVA. MODIFICABILIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. CABIMENTO. O Superior Tribunal de Justiça, firmou entendimento segundo o qual a isenção de Imposto sobre a Renda concedida pelo art. 4º, d, do Decreto-Lei n. 1.510/76, pode ser aplicada às alienações ocorridas após a sua revogação pelo art. 58 da Lei n. 7.713/88, desde que já implementada a condição da isenção antes da revogação. Tal posicionamento foi reconhecido pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que por meio da Portaria PGFN Nº 502, de 2016, que dispensa seus Procuradores de contestar e recorrer nas ações que versem sobre esse tema. Necessidade de aplicação de tal entendimento no processo administrativo tributário, em busca da celeridade processual e solução definitiva dos conflitos. MULTA ISOLADA. NÃO CABIMENTO. Valores recebidos a título de correção monetária, não aplicação da multa. Valor do principal isento sendo que o acessório deve seguir a mesma sorte.
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MODIFICABILIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. CABIMENTO. O Superior Tribunal de Justiça, firmou entendimento segundo o qual a isenção de Imposto sobre a Renda concedida pelo art. 4º, d, do DecretoLei n. 1.510/76, pode ser aplicada às alienações ocorridas após a sua revogação pelo art. 58 da Lei n. 7.713/88, desde que já implementada a condição da isenção antes da revogação. Tal posicionamento foi reconhecido pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que por meio da Portaria PGFN Nº 502, de 2016, que dispensa seus Procuradores de contestar e recorrer nas ações que versem sobre esse tema. Necessidade de aplicação de tal entendimento no processo administrativo tributário, em busca da celeridade processual e solução definitiva dos conflitos. MULTA ISOLADA. NÃO CABIMENTO. Valores recebidos a título de correção monetária, não aplicação da multa. Valor do principal isento sendo que o acessório deve seguir a mesma sorte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 30 66 /2 01 0- 43 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 2201004.126 S2C2T1 Fl. 327 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 Adoto como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 266/275) por sua clareza e precisão: “Em procedimento para verificação do cumprimento de obrigações tributárias pela contribuinte acima qualificada foi apurada omissão de rendimentos obtidos na alienação da sua participação societária na empresa EXPRESSO SÃO PEDRO LTDA. GLEISA DE ALMEIDA STRAUSS (a contribuinte) e seu exmarido ANECIO MAFFINI (CPF 008.146.01049) eram titulares de 22,222% do capital da empresa EXPRESSO SÃO PEDRO LTDA. Por decisão judicial referente à separação do casal, cada cônjuge ficou com 50% destas quotas. Ambos alienaram suas participações societárias (de 11,111% cada), individualmente, mediante contratos firmados diretamente com a empresa DEREEKS PARTICIPAÇÕES LTDA, em datas e valores distintos. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 2201004.126 S2C2T1 Fl. 328 3 Conforme documento intitulado Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Participação Societária firmado em 11.10.2006, às fls. 35/40, a contribuinte alienou à empresa DEREEKS sua participação na EXPRESSO SÃO PEDRO, correspondente a 11,111% do capital social, pelo valor de R$ 826.000,00, a serem pagos ao longo de 2006 a 2008. Posteriormente, em 28.12.2006, ela firmou o Acordo Extrajudicial (fls. 50) com ANECIO MAFFINI acertando a cedência a ele das quotas na empresa e, em 29.12.2006, emitiu Notificação Extrajudicial (fls. 48/49), arquivada no Serviço Registral de Títulos e Documentos de Santa Maria – RS, pelo qual informou à empresa do acordo e da cedência das quotas. Evidentemente, na data da cedência, a contribuinte não tinha mais a propriedade da participação societária. O que se pode concluir é que o Termo de Acordo Extrajudicial e a Notificação Extrajudicial foram lavrados para acertos na formalização da composição societária da EXPRESSO SÃO PEDRO. Em 25.05.2007, a empresa DEREEKS transferiu as quotas adquiridas para DORENI ISAIAS CARAMORI. Os pagamentos foram efetuados pela DEREEKS à GLEISA, inicialmente em seu nome e posteriormente em nome de DORENI, no período de outubro/2006 a novembro/2008, nos valores acordados em 11.10.2006, sem que tenha sofrido qualquer alteração em decorrência do termo de cedência. Os valores recebidos por GLEISA estão demonstrados no Anexo I, às fls. 127. O presente processo trata do Auto de Infração, às fls. 139/171 com o correspondente relatório, no qual a fiscalização apurou a omissão dos rendimentos referentes ao ganho de capital na alienação da participação societária da contribuinte na EXPRESSO SÃO PEDRO, bem como dos rendimentos decorrentes da atualização das parcelas recebidas nos anos calendário 2007 e 2008, em parte recebida de pessoa jurídica (DEREEKS) e em outra, recebida de pessoa física (DORENI) – esta sujeita ao carnêleão. Como não houve o pagamento do carnêleão, foi também lançada a multa isolada equivalente a 50% do valor que deixou de ser recolhido. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 2201004.126 S2C2T1 Fl. 329 4 Além disso, ficou demonstrado que a autuada, deliberadamente, omitiu os rendimentos na declaração de ajuste anual com intenção de fraudar o fisco, caracterizando a conduta definida no inciso I do artigo 71 da Lei n° 4.502, de 1964. Por isso, a multa de oficio aplicada sobre os rendimentos omitidos nos anos calendário 2006/2008 foi a relacionada no inciso I, c/c §1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações da Lei n° 11.488, de 2007 – multa qualificada. Assim, foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 353.874,54, compreendendo R$ 124.977,02 de imposto de renda pessoa física, R$ 39.444,31 de juros de mora até 30.09.2010, R$ 187.465,52 de multa de ofício qualificada (150%) e R$ 1.987,69 de multa isolada. Na situação, ficou caracterizado, em tese, crime contra a ordem tributária, tendo sido efetuada a representação fiscal para fins penais, formalizada no processo n° 11060.003067/201098. Tempestivamente, a interessada apresentou impugnação à exigência, às fls. 176/183, alegando que, em face ao disposto no art. 4º, alínea “d” do DecretoLei nº 1.510/1976, estaria isenta do pagamento de tributos por ter adquirido a participação societária alienada há mais de cinco anos antes do início da vigência da Lei nº 7.713/1988. Aduz a contribuinte que, embora esta previsão legal tenha sido revogada pela Lei nº 7.713, tem direito adquirido à isenção pelo fato do seu exmarido ANECIO ter adquirido as cotas sociais da EXPRESSO SÃO PEDRO LTDA desde a criação da empresa. Explica que as quotas alienadas já faziam parte do patrimônio do casal antes do DecretoLei nº 1.510/1976 existir e que as recebeu de ANECIO a título de meação quando da separação judicial. Defende a tese do seu direito adquirido, citando o art. 5º, XXXVI da Constituição Federal Brasileira e a Lei de Introdução ao Código Civil. Transcreve doutrina a respeito. A impugnante assevera que o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF) tem decidido que as participações societárias de propriedade de uma pessoa por mais de cinco anos Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 2201004.126 S2C2T1 Fl. 330 5 até 31.12.1988 são exoneradas de eventual ganho de capital, independentemente da alienação ter ocorrido na vigência da Lei nº 7.713/88, pois a isenção prevista no DecretoLei nº 1.510/76 (art. 4º, “d”) já teria se incorporado ao seu patrimônio, sob a forma de Direito Adquirido. Cita ementas de acórdãos da segunda instância administrativa e também jurisprudência dos tribunais pátrios. Argumenta a autuada que não informou na sua declaração de ajuste anual os valores recebidos da empresa DEREEKS pela transferência de suas cotas sociais por entender que esta obrigação seria do seu exmarido ANECIO. Diz que não houve sonegação, máfé, declaração falsa ou qualquer tipo de fraude; nem, muito menos, crime contra a ordem tributária. Requer a desconstituição do crédito tributário apurado no Auto de Infração e, alternativamente, a exclusão de toda e qualquer multa aplicável. 3 – A decisão de piso manteve o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Incide o imposto de renda sobre o ganho de capital obtido na alienação de participação societária. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. Não efetivada a alienação, depois de decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, na vigência da lei que outorgou a isenção, revogada esta, não há que se falar em direito adquirido. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 2201004.126 S2C2T1 Fl. 331 6 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. A conduta reiterada de omissão de rendimentos caracteriza a aplicação da multa qualificada. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. Submetese a exigência da multa isolada, a pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto que deixou de fazêlo. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4 – O contribuinte interpõe recurso voluntário às fls. 285/293, mantendo a mesma linha da defesa. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 6 – Esse tema foi discutido por essa C. Turma em j. de 08/11/2017 no Ac. 2201004.024 com a seguinte ementa: Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 2201004.126 S2C2T1 Fl. 332 7 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008 NORMA ISENTIVA. MODIFICABILIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. CABIMENTO. O Superior Tribunal de Justiça, firmou entendimento segundo o qual a isenção de Imposto sobre a Renda concedida pelo art. 4º, d, do DecretoLei n. 1.510/76, pode ser aplicada às alienações ocorridas após a sua revogação pelo art. 58 da Lei n. 7.713/88, desde que já implementada a condição da isenção antes da revogação. Tal posicionamento foi reconhecido pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que por meio da Portaria PGFN Nº 502, de 2016, que dispensa seus Procuradores de contestar e recorrer nas ações que versem sobre esse tema. Necessidade de aplicação de tal entendimento no processo administrativo tributário, em busca da celeridade processual e solução definitiva dos conflitos. 7 – Com a devida venia tomo como minha as razões de decidir para esse caso do I. Relator Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, verbis: "Não obstante todo o exposto, me rendo ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema. Explico Esse posicionamento, vale ressaltar, foi reafirmado em recentíssima decisão do STJ, datada de 02 de maio de 2017, proferida nos autos do Agravo Interno no Recurso Especial 1.647.630/SP. Confirase, abaixo, esta decisão bem como decisões análogas: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. INOCORRÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. DECRETOLEI N. 1.510/76. NECESSIDADE DE IMPLEMENTO DAS CONDIÇÕES ANTES DA REVOGAÇÃO. TRANSMISSÃO DO DIREITO AOS SUCESSORES DO TITULAR ANTERIOR DO BENEFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. ISENÇÃO ATRELADA À TITULARIDADE DAS AÇÕES POR CINCO ANOS. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 2201004.126 S2C2T1 Fl. 333 8 I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. III O acórdão adotou entendimento consolidado nesta Corte segundo o qual a isenção de Imposto sobre a Renda concedida pelo art. 4º, d, do DecretoLei n. 1.510/76, pode ser aplicada às alienações ocorridas após a sua revogação pelo art. 58 da Lei n. 7.713/88, desde que já implementada a condição da isenção antes da revogação, não sendo, ainda, transmissível ao sucessor do titular anterior o direito ao benefício. IV O recurso especial, interposto pelas alíneas a e/ou c do inciso III do art. 105 da Constituição da República, não merece prosperar quando o acórdão recorrido encontrase em sintonia com a jurisprudência desta Corte, a teor da Súmula n. 83/STJ. V Os Agravantes não apresentam, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VI Agravo Interno improvido. (STJ AgInt no REsp 1647630 SP 2017/00034220. Relatora: Ministra REGINA HELENA COSTA, Data de Julgamento, 02/05/2017, Data dePublicação: 10/05/2017) – Grifos acrescidos AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DERENDA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI N.1.510/1976. A Primeira Seção do STJ fixou o entendimento de que é isento do Imposto de Renda o ganho de capital decorrente da alienação de ações societárias após 5 (cinco) anos da respectiva aquisição, ainda que transacionadas após a vigência da Lei n. 7.713/1988, conforme previsão do DecretoLei n. 1.510/1976.Agravo regimental improvido. (STJ – AgRg no Ag: 1425917 AL 2011/01966926, Relator: Ministro CESAR ASFOR ROCHA, Data de Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 2201004.126 S2C2T1 Fl. 334 9 Julgamento:01/12/2011, Data de Publicação: DJe 07/12/2011) DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU ONEROSA. DECRETO LEI1.510/1976. REVOGAÇÃO PELA LEI 7.713/1988. DIREITO ADQUIRIDO AO BENEFÍCIO FISCAL. 1. A discussão nos autos consiste na caracterização ou não de direito adquirido de isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido na alienação de ações societárias, isenção esta instituída pelo DecretoLei 1.510/1976 e revogada pela Lei 7.713/1988, tendo em vista que a venda das ações ocorreu em janeiro de 2007, ou seja, após a revogação. 2. A legislação em regência (arts. 1º e 4º, d, do Decreto Lei1.510/76) concede isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, o de a alienação ocorrer somente após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. Tratase, portanto, de isenção sob condição onerosa. 3. A isenção onerosa ou condicionada não pode ser revogada ou modificada por lei. Acerca do tema, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 544, que dispõe: "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas". 4. Em minuciosa leitura do art. 4º, d, do DecretoLei 1.510/1976, constatase que o referido dispositivo legal estabelecia isenção do Imposto de Renda sobre lucro auferido por pessoa física pela venda de ações, se a alienação ocorresse após cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. 5. In casu, o contribuinte cumpriu os requisitos para o gozo da isenção do Imposto de Renda, nos termos da referida lei, antes mesmo da revogação da norma, tendo direito adquirido ao benefício fiscal. 6. A Primeira Seção passou a adotar orientação em sentido contrário à que foi acolhida pelo Tribunal local, entendendo ser isento do Imposto de Renda o ganho de capital decorrente da alienação de ações societárias após cinco anos da respectiva aquisição, ainda que transacionadas após a vigência da Lei 7.713/1988, Fl. 334DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 2201004.126 S2C2T1 Fl. 335 10 conforme previsão do DecretoLei 1.510/1976.7. Agravo Regimental não provido. (STJ – AgRg no AgRg no REsp 1137701 RS 2009/0082320 7. Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 23/08/2011, Data da Publicação: DJe 08/09/2011) Tal posicionamento foi reconhecido pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que por meio da Portaria PGFN Nº 502, de 2016, que dispensa seus Procuradores de contestar e recorrer nas ações que versem sobre esse tema. Assim consta da lista de dispensa anexa à menciona Portaria nº 502: "u) Alienação de participação societária Decretolei 1.510/76 Isenção Direito adquirido Precedentes: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1164768/RS, AgRg no REsp 1141828/RS e AgRg no REsp 1231645/RS. Resumo: A Primeira Seção do STJ fixou entendimento no sentido de que o contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. OBSERVAÇÃO 1: O entendimento acima explicitado não se aplica às ações bonificadas adquiridas após 31.12.1983, ante à impossibilidade lógica de implementação do lapso temporal de 05 (cinco) anos sem alienação até a revogação da isenção prevista no DecretoLei nº 1.510/76, indispensável à formação do direito, tratandose, nesse passo, de mera expectativa de direito, com relação à qual se aplica a norma do art. 178 do CTN e não a garantia constitucional do direito adquirido. Ainda que as bonificações decorram das ações originais, não é correto afirmar que delas fazem parte, não passando de meras atualizações ou modificações integrativas das ações antigas. Na verdade, elas representam efetivo acréscimo patrimonial, não se comunicando a isenção tributária relativa ao imposto de renda quando da alienação, caso a aquisição tenha ocorrido após 31.12.1983. Precedente: ApelREEX 2007.71.03.0025230, Segunda Turma, Relator Otávio Roberto Pamplona, D.E. 12/01/2011, TRF da 4ª Região. OBSERVAÇÃO 2: A isenção é condicionada a certos requisitos, cuja observância é imprescindível: (i) presença da documentação comprobatória de titularidade das ações – aqui merece especial atenção o fato de que podem haver operações societárias que tenham repercussão no período de cinco anos necessário para a aquisição do direito, como, por exemplo, a cisão de determinada sociedade em Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 2201004.126 S2C2T1 Fl. 336 11 que as ações antigas foram utilizadas para integralização do patrimônio da sociedade nova, com a conseqüente extinção das ações antigas; (ii) aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983;(iii) alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do DL 1.510/76, portanto, antes da revogação pela Lei 7.713/88" Do exposto, e visando atingir a celeridade necessária do processo administrativo tributário, me submeto ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça para reconhecer o direito adquirido à isenção tributária prevista no DecretoLei nº 1.510/76, para o ganho de capital apurado nas alienações de ações ocorridas sob a vigência da Lei nº 7.713/88. Forçoso dar provimento ao recurso nessa parte." 8 – No presente caso o contribuinte questiona o fato de estar isento do ganho de capital de acordo com os termos do Decretolei 1.510/76 conforme a jurisprudência do E. STJ. 9 – Analisando a documentação acostada aos autos verifico que as condições para a implementação de tal isenção estão presentes, pois a recorrente foi casada com o Sr. Anécio Maffini, proprietário de 22,222% das cotas da Empresa Expresso São Pedro Ltda, (fls. 184/208 contrato social e alterações) sob o regime da comunhão universal de bens, em 20/12/1969 e, portanto, era na época da aquisição das cotas comunheira do titular das cotas tendo direito sob as mesmas. 10 – Mesmo após a separação do casal com a partilha ocorrida em 22/01/1997 (partilha às fls. 32/34) a recorrente manteve sob sua propriedade 50% (cinquenta por cento) ou 11,111% das cotas da empresa Expresso São Pedro Ltda., no qual houve o lançamento sobre o ganho de capital, relacionado à alienação ocorrida para a empresa Dereeks Participações Ltda., conforme contrato de fls. 35/40 em 11/10/2006 e portanto faz jus a isenção do art. 4º, d do DecretoLei 1.510/76. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11060.003066/201043 Acórdão n.º 2201004.126 S2C2T1 Fl. 337 12 11 – Quanto a multa isolada aplicada relacionada aos rendimentos das parcelas do valor da alienação, por entender que tais rendimentos são acessórios do principal que é isento dou provimento ao recurso para cancelar a multa isolada aplicada. Conclusão 12 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito DOU PROVIMENTO na forma da fundamentação. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.003371/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO - A prorrogação de procedimento fiscal regularmente cientificado ao contribuinte dá-se mediante registro eletrônico disponível na internet, e não pela ciência ao fiscalizado.. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA . A Lei n.° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Retifica-se a exigência na proporção dos valores comprovados. DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, por terem suporte fático comum.
Numero da decisão: 1402-000.842
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira S SE EÇ ÇÃ ÃO O D DE E J JU UL LG GA AM ME EN NT TO O, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para manter o valor tributável de apenas R$ 205.915,76, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Carlos Pelá
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Recorrida 5ª Turma da DRJ/RJO1 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO A prorrogação de procedimento fiscal regularmente cientificado ao contribuinte dáse mediante registro eletrônico disponível na internet, e não pela ciência ao fiscalizado.. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA . A Lei n.° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Retificase a exigência na proporção dos valores comprovados. DEMAIS TRIBUTOS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, por terem suporte fático comum. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.003371/200828 Acórdão n.º 140200.842 S1C4T2 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para manter o valor tributável de apenas R$ 205.915,76, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acrescidos de multa de ofício de 75% e demais encargos moratórios, referentes a todos os trimestres dos anoscalendários 2003 e 2004, em virtude da omissão de receitas oriunda da não comprovação da origem de depósitos bancários verificados na conta corrente da contribuinte (fls.265/378). A contribuinte apresentou impugnação (fls. 443/456) afirmando: 1) A nulidade do lançamento já que o vencimento do MPF ocorreu em 11/09/2008 e não houve a competente prorrogação e ciência ao sujeito passivo, conforme preceitua o art. 9° da Portaria RFB n° 11.371/2007. 2) Que o exíguo prazo para apresentação de documentação caracteriza nítido cerceamento do direito de defesa. 3) A nulidade do lançamento, já que não trouxe determinação clara e precisa dos fatos geradores. Tal porque a autoridade fiscal em seu relatório não trouxe informações suficientes, limitandose a apresentar, de forma concisa, planilha com valores agrupados mensalmente para efeito de compor a base tributável, não especificando os depósitos, assim permitindo que os valores sejam adequadamente conferidos pela notificada. 4) Que os depósitos bancários são meros indício de aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza, e, como tal, jamais poderiam ser considerados "renda". Fl. 872DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.003371/200828 Acórdão n.º 140200.842 S1C4T2 Fl. 3 3 5) Protesta que, observandose o princípio da legalidade cerrada em matéria fiscal, deve prevalecer a apuração real da base de cálculo dos tributos, em detrimento de apuração arbitrada ou presumida. 6) Que o uso de presunções em matéria fiscal sofre as limitações dos princípios constitucionais, não podendo modificar a matriz constitucional da incidência tributária. 7) Apresenta planilha de fls. 450/454 onde aponta cada um dos valores de créditos bancários glosados pela ação fiscal, apondo a justificativa individualizada para a origem deles, bem assim como disponibiliza a documentação correspondente, pedindo diligência fiscal sobre a mesma. A 5ª Turma da DRJ/RJ1 entendeu ser procedente em parte o lançamento. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo, não trazendo a nulidade do lançamento uma possível ausência de ciência da prorrogação do prazo de tal documento. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido quando o mesmo não contêm indicação de quesitos e do perito designado pela impugnante, que restringiu se a requerer diligência para apresentação de documentos, quando sabido dever a impugnação vir acompanhada de todos os elementos hábeis e incontestáveis de prova necessários à confirmação das alegações da interessada contidas em seu arrazoado. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetentes para a análise de inconstitucionalidade e ilegalidade de ato validamente editado e produzido segundo as regras do processo legislativo. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.003371/200828 Acórdão n.º 140200.842 S1C4T2 Fl. 4 4 A Lei n.° 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada. CRÉDITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Devem ser excluídos da glosa de créditos bancários objeto de autuação aqueles cuja origem seja comprovada pela interessada, mesmo que na fase impugnatória, e aqueles que não tenham sido encontrados nos extratos bancários referenciados na autuação, devendo ser mantidos aqueles cuja interessada ignore ou alegue a procedência da origem sem a devida comprovação documental. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÓES Anocalendário: 2003, 2004 CSLL, COFINS E PIS. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Inconformada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fl. 692/783) repisando os argumentos de sua peça impugnatória e apresentando novos esclarecimentos sobre parte dos depósitos bancários questionados. É o relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Não merece razão a Recorrente no que toca à argüição de nulidade levantada na peça de defesa em face da ausência de ciência da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Conforme bem pontuado na decisão recorrida, em 26/05/2008, quando do início da fiscalização, a Recorrente foi devidamente cientificada do MPFF n.° 0719000.2008.02284 (fl. 02) que determinou a execução da ação fiscal, ocasião em que foi cientificada do código que lhe possibilitava o acesso via internet, a todas as informações relacionadas com o aludido mandado. Em que pesem as alegações da contribuinte, a prorrogação do MPF se faz pela autoridade outorgante por intermédio de registro eletrônico efetuado por essa mesma autoridade outorgante, informação que fica à disposição do fiscalizado. Nesse contexto, a prorrogação do prazo de validade do MPF, inicialmente até 10/11/2008 e posteriormente até 09/01/2009, foi devidamente registrada no sítio da RFB na Internet (fl. 659) e deve ser considerada apta a cientificar o contribuinte. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.003371/200828 Acórdão n.º 140200.842 S1C4T2 Fl. 5 5 Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito deste Conselho, senão vejamos: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. (...). (CARF, Acórdão 920200.637, CSRF 2a. Turma da 2a. Câmara, DOU em 12/04/2010). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NORMAS PROCEDIMENTAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. EMISSÃO COM FALHAS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. São válidos os lançamentos precedidos de MPF ainda que a prorrogação não seja imediatamente após o vencimento do documento anterior, resultando lapso temporal não coberto por mandado. Com emissão do primeiro documento, o contribuinte tomou ciência do motivo e demais características do procedimento fiscal, não se vislumbrando prejuízo à defesa. (CARF, Acórdão 920200.661, CSRF 2a. Turma da 2a. Câmara, DOU em 12/04/2010) (...). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF São válidos os lançamentos de contribuições decorrentes de autuação de IRPJ, cujo MPF foi aberto tãosomente para este tributo. São válidos os lançamentos decorrentes de procedimento fiscal, ainda que não tenha sido dada ciência pessoal ao sujeito passivo das prorrogações do MPF relativo a este. (CARF, Acórdão 910100.189, CSRF 1a. Turma da 1a. Câmara, DOU em 16/06/2009) MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO A prorrogação de procedimento fiscal regularmente cientificado ao contribuinte dáse mediante registro eletrônico disponível na intemet, a teor do art. 13, § 1 0, da Portada SRF n° 3.007, de 2001, e não pela ciência ao fiscalizado. A falta de Fl. 875DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.003371/200828 Acórdão n.º 140200.842 S1C4T2 Fl. 6 6 fornecimento do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não é causa de nulidade do lançamento. (CARF, Acórdão 40400.990, CSRF 4ª Turma, DOU em 04/08/08). Ultrapassada a preliminar de nulidade do lançamento por falta de prorrogação do MPF, há que se analisar as alegações sobre eventual cerceamento do direito de defesa da Recorrente. Contanos a Recorrente que o prazo para apresentação de documentos firmado pela fiscalização fora demasiado exíguo, impossibilitando sua defesa. Além disso, que o lançamento é nulo já que não trouxe determinação clara e precisa dos fatos geradores. Sobre tais alegações, transcrevo os fundamentos da decisão recorrida que adoto como meus: Ao contrário do que protesta a interessada, não houve ofensa ao seu direito de ampla defesa. Observase que o lançamento atende integralmente aos preceitos de ordem pública expressos no art. 142 do Código Tributário Nacional e o auto de infração foi lavrado por autoridade competente e apresenta os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. Nesse sentido, o auto contêm o enquadramento legal das infrações atribuídas à interessada e apresenta uma descrição clara dos fatos, com demonstrativos que lhe permitem conhecer perfeitamente as infrações que lhe estão sendo atribuídas, tanto que ela demonstra entender pormenorizadamente a imputação a ela feita e dela se defende sem qualquer dificuldade. Cumpre observar que os documentos constantes dos autos pertencem ou deveriam pertencer à interessada e, portanto, ser de seu inteiro conhecimento, tais como: extratos bancários, declarações de rendimentos e cópias de livros fiscais. É de se informar, também, que os autos ficaram à disposição da interessada para qualquer consulta aos termos e documentos constantes do processo. Quanto aos extratos bancários juntados aos autos, o autuante relacionou e deu ciência à interessada, em 18 de setembro de 2008, de forma individualizada, de todos os créditos constantes de suas contascorrentes a serem comprovados, através da planilha anexa à Intimação n° 03 (fls. 379/381), créditos estes que, sem a devida comprovação, ensejaram a autuação, tendo no Relatório Fiscal do auto de infração relacionadoos em montantes mensais consolidados. Assim, não procedem os protestos da interessada de que não tinha conhecimento individualizado dos créditos bancários glosados, permitindolhe que os valores fossem adequadamente conferidos, mormente quando em sua impugnação, às fls. 450/454, elenca e se defende individualmente de cada um dos créditos bancários glosados. Por fim, acrescentese ainda que, no processo administrativo tributário da União, regido pelo Decreto n° 70.235/72, o direito à ampla defesa somente se dá com a instauração do Fl. 876DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.003371/200828 Acórdão n.º 140200.842 S1C4T2 Fl. 7 7 contraditório, o qual somente se inicia com a impugnação da exigência, no caso de lançamento de oficio. Logo, não há que se falar em "cerceamento do direito de defesa", pois observase que a interessada foi cientificada e recebeu cópia do auto de infração e pôde impugnar livremente o lançamento, demonstrando bem entender a autuação e garantindose, de fato, no presente processo do seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Portanto, não merece acolhida a preliminar de nulidade suscitada. Passo a análise do mérito. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, bem como dos recursos depositados em contas de terceiro, quando regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42 da Lei nº 9.430/96). Tratase de uma presunção legal, prova indireta de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, não comprovados pelo titular da conta corrente com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. O ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabendo a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Assim, não merecem acolhida as alegações da Recorrente sobre a impossibilidade da presunção da omissão de receitas diante de movimentação bancária não comprovada durante a fiscalização. Esclarecido isso, temos que, em sua peça impugnatória, a Recorrente anexa diversos documentos comprovando a improcedência de parte dos créditos tributários lançados, que foram devidamente expurgados pela decisão a quo. Foram mantidos pela decisão recorrida apenas os créditos tributários indicados nos itens 4 ('créditos que a contribuinte alega não terem sido encontrado', 5 ('créditos que a interessada alega ter origem em valores recebidos de clientes para pagamento de impostos e obrigações dos mesmos') e 6 ('créditos que a interessada alega já terem sido reconhecidos como receita e portanto tributados'), conforme acórdão (fls. 673 e sgts). A justificativa para manutenção dos mesmos fora a falta de provas que confirmasse as alegações da Recorrente. Diante disso, a Recorrente apresenta novos documentos no intuito de demonstrar a improcedência dos créditos tributários remanescentes, vista que configurariam (i) valores recebidos de clientes para pagamento do FGTS devido pelos mesmos e efetuados pela Recorrente e (ii) depósitos efetuados para cobrir o saldo para quitação de empréstimos (fls. 699 e sgts). Fl. 877DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.003371/200828 Acórdão n.º 140200.842 S1C4T2 Fl. 8 8 Assim, analiso as justificativas de origem dos créditos bancários glosados, face aos documentos trazidos pela Recorrente e resumidos na planilha de fls. 701 à 704 dos autos. Contacorrente da Caixa Econômica Federal No que tocam aos depósitos realizados na conta corrente da Recorrente junto à Caixa Econômica Federal e justificados como sendo depósitos de clientes da Recorrida efetuados com destino certo, qual seja, o pagamento do FGTS devido por tais clientes, restou demonstrada sua procedência pelos documentos anexados ao recurso voluntário de nº. 04 a 34. Tais documentos são cópias dos extratos e do Livro Razão analítico da Recorrente identificando os depósitos em valores exatos e nomes dos clientes, tudo conforme exposto na planilha elaborada pela Recorrente (fls. 701/704). Além disso, também estão anexas as GFIP's indicando os mesmos valores dos depósitos para os recolhimentos efetuados em nomes dos clientes. Logo, comprovada a origem e destinação dos recursos, deve ser expurgada a cobrança indevida. Por sua vez, os depósitos efetuados para suposto pagamento de parcela de empréstimo adquirido pela Recorrente em dezembro de 2003 não foram comprovados. A Recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que comprovasse a existência do suposto empréstimo e o pagamento das parcelas respectivas. Muito embora tais depósitos tenham sido realizados em datas próximas todos os meses em que efetuado, isso não comprova que tais recursos se destinem ao pagamento mensal de suposto empréstimo, devendo, portanto, serem mantidas as exações. Contacorrente da Banespa Não restou demonstrado pelos documentos 01 e 02 acostados ao recurso voluntário que os valores de R$ 1.724,93 e R$ 1.317,81 tenham sido efetivamente destinados, respectivamente, para pagamento de FGTS devido por clientes ou reembolso de despesas. Contudo, está claro que o depósito de 03/12/2003 no valor de R$ 1.317,81 foi lançado em duplicidade pela fiscalização. Assim, deve ser expurgada a dupla cobrança. Contacorrente do Unibanco Os documentos de nº. 53 a 57 não comprovam as alegações da Recorrente acerca dos depósitos efetuados junto à sua conta no Unibanco, já que tratamse dos próprios extratos de conta bancária. Logo, a simples indicação dos valores lançados pela fiscalização nos extratos, não comprovam que sejam referentes a (i) valores recebidos de clientes para pagamentos de despesas ou que (ii) se tratem de valores anteriormente disponíveis na conta caixa, mantendo se as exações. Contacorrente do Banco Real Fl. 878DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.003371/200828 Acórdão n.º 140200.842 S1C4T2 Fl. 9 9 Procede a alegação de que o valor de R$ 1.614,01 (07/03/2003) não se trata de depósito em conta bancária, mas, sim, de valor debitado da conta, conforme documento nº. 40 acostado ao recurso voluntário, devendo, assim, ser expurgada sua cobrança. Também procedem as informações prestadas pela Recorrente acerca dos depósitos em cheque nos valores de R$ 4.999,00 (29/03/2004) e R$ 4.999,00 (28/09/2004), pois, de fato, tratamse de cheques depositados e estornados, conforme documentos nº. 46 e 51 acostados ao recurso voluntário. Assim, também devem ser expurgados. Os demais valores lançados pela fiscalização foram justificados pela Recorrente como sendo: (i) valores anteriormente disponíveis na conta caixa, (ii) valores recebidos de clientes para pagamentos de despesas, e (iii) valores recebidos de clientes para pagamentos de notas fiscais. Entretanto, as justificativas não podem ser aceitas, pois a Recorrente não logrou apresentar todos os documentos necessários à sua comprovação, limitandose a anexar a cópia dos extratos bancários (documentos nº. 41 a 51 do recurso voluntário). Finalmente, aos lançamentos reflexos devese aplicar o decidido quanto ao lançamento matriz de IRPJ, por terem suporte fático comum. Em conseqüência dos ajustes efetuados acima, os créditos cuja origem não restou comprovada, constituindo valor tributável da autuação objeto do presente processo são: Fl. 879DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.003371/200828 Acórdão n.º 140200.842 S1C4T2 Fl. 10 10 Posto isso, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para manter o valor tributável de apenas R$ 205.915,76 (assinado digitalmente) Carlos Pelá Data Banco Histórico Valor 07/04/2003 Banespa Depósito efetuado 1.724,93 13/06/2003 Real TED 8.600,00 22/07/2003 Unibanco Depósito em dinheiro 1.000,00 22/07/2003 Unibanco Depósito em cheque 1.064,71 06/11/2003 Unibanco Depósito em cheque 2.669,42 19/11/2003 Real Depósito em cheque 12.000,00 03/12/2003 Unibanco Depósito em cheque 15.000,00 03/12/2003 Banespa Depósito efetuado 1.317,81 13/02/2004 Caixa Depósito efetuado 6.000,00 27/02/2004 Real Depósito em cheque 4.999,00 01/03/2004 Unibanco Depósito interagência 10.000,00 05/03/2004 Real Depósito em cheque 4.800,00 12/03/2004 Unibanco Depósito interagência 1.068,33 18/03/2004 Unibanco Depósito em dinheiro 8.000,00 18/03/2004 Caixa Depósito efetuado 8.800,00 12/04/2004 Real TED REM 39420211 10.038,00 22/04/2004 Caixa Depósito efetuado 2.500,00 12/05/2004 Real Depósito em cheque 1.680,00 17/05/2004 Real Depósito 1.000,00 17/05/2004 Caixa Depósito efetuado 9.000,00 11/06/2004 Real Depósito 1.297,79 16/06/2004 Real Depósito 2.600,00 16/06/2004 Caixa Depósito efetuado 10.000,00 01/07/2004 Unibanco Depósito em cheque 4.655,75 19/07/2004 Caixa Depósito efetuado 7.500,00 19/07/2004 Real Liquidação cobrança 2.937,50 22/07/2004 Unibanco Depósito em cheque 4.586,07 09/08/2004 Unibanco Depósito em cheque 4.715,00 18/08/2004 Real Depósito em cheque 2.776,90 18/08/2004 Caixa Depósito efetuado 9.908,00 02/09/2004 Caixa Depósito efetuado 4.680,30 20/09/2004 Real TED 02172956 10.000,00 29/09/2004 Unibanco Depósito 4.789,00 30/09/2004 Real Depósito em cheque 5.472,80 30/09/2004 Real Depósito em cheque 3.626,74 04/10/2004 Caixa Depósito efetuado 4.907,71 18/11/2004 Caixa Depósito efetuado 8.000,00 20/12/2004 Caixa Depósito efetuado 2.200,00 205.915,76 Fl. 880DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.003371/200828 Acórdão n.º 140200.842 S1C4T2 Fl. 11 11 Fl. 881DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10880.679836/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 15/07/2004
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.855
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 15/07/2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.679836/200973 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402004.855 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria CIDE PER/DCOMP Recorrente TIM CELULAR S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/07/2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 36 /2 00 9- 73 Fl. 113DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 16030.218, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/07/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.679836/200973 Acórdão n.º 3402004.855 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 115DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.679836/200973 Acórdão n.º 3402004.855 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 117DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.679836/200973 Acórdão n.º 3402004.855 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 119DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.679836/200973 Acórdão n.º 3402004.855 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 121DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.679836/200973 Acórdão n.º 3402004.855 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 123DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.679836/200973 Acórdão n.º 3402004.855 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.939473/2009-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Essa prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IR-Fonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original , ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.767
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 60.443.862,41 (original) e homologar as compensações até o valor reconhecido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Essa prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original , ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado. Recurso Voluntário Provido. Fl. 443DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10880.939473/200931 Acórdão n.º 140200.767 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 60.443.862,41 (original) e homologar as compensações até o valor reconhecido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório FNC COMERCIO E PARTICIPACOES LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório de fl. 01 que não homologou a totalidade das PER/DCOMP vinculadas ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2002. O crédito no montante de R$ 60.443.862,41 indicado na PER/DCOMP identificada sob 24940.98467.281205.1.7.023020, foi analisado de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório em comento, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, com o seguinte teor: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Valores em R$ Fl. 444DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10880.939473/200931 Acórdão n.º 140200.767 S1C4T2 Fl. 0 3 PARC.CREDITO IRRF ESTIM.COMP. TOTAL. PER/DCOMP 52.784.313,54 39.974.062,20 92.758.375,74 CONFIRMADAS 35.587.835,08 39.256.638,48 74.844.473,56 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 60.443.862,41 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 92.758.375,74 IRPJ devido: R$ 32.314.513,33 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) Valor do saldo negativo disponível: R$ 42.529.960,23 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 10137.79359.310505.1.3.020160 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 27434.62210.130106.1.3.028924 33969.42034.260307.1.7.023909 18061.50289.260307.1.7.028100 26152.03749.281205.1.3.028044 14949.16913.291205.1.3.024401 14877.77868.250906.1.7.027036 06829.71430.250906.1.7.024351 Conforme demonstrativo da análise do crédito (fls. 04 e 05), parte do IRRF sobre aplicações financeiras, não foi confirmada devido ao fato de que a receita correspondente ter sido oferecida parcialmente à tributação. Também não foi confirmado parte da compensação da estimativa pertinente ao PA NOV/2002, com o saldo negativo do IRPJ apurado no ano calendário de 2001. DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO NÃO CONFIRMADO Valores em R$ IRRF Fonte Pagadora Cód. da Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado 33.042.953/000171 3426 14.054.884,20 4.039.506,52 10.015.377,68 33.479.023/000180 3426 17.924.094,14 10.742.993,36 7.181.100,78 ESTIMATIVA Período de apuração da estimativa compensada Período de apuração do saldo negativo de período anterior informado no PER/DCOMP Valor da estimativa compensada PER/DCOMP Valor não confirmado Justificativa nov/02 AC 2001 717.423,72 717.423,72 Compensação não confirmada Fl. 445DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10880.939473/200931 Acórdão n.º 140200.767 S1C4T2 Fl. 0 4 Cientificada da Decisão em 18/05/2009, a contribuinte, inconformada, por meio de seu procurador (fls. 86 a 88), impugnou o despacho decisório em 17/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 70 a 83, apresentou os documentos de fls. 84 a 1348 e alegou, em síntese, o seguinte: IRRF SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS O Citibank reteve da Requerente, no decorrer do anocalendário de 2002, o montante de R$ 14.054.884,20 a título de IRRF sobre operações de SWAP. Visando comprovar que a receita financeira que gerou tal retenção de IR foi contabilizada e tributada, a Requerente demonstrará, em base de testes, a contabilização da totalidade da receita financeira que gerou a retenção efetuada em maio e junho de 2002 sobre o rendimento em operações de SWAP. SWAP Rendimento Contrato mai/02 Jun/02 1.361.000201 1.808.768,78 2.051.000.101 1.033.637,22 2.127.000.101 50.764.356,17 Total 1.808.768,78 51.967.993,39 Os rendimentos demonstrados no quadro acima conferem com o informe de rendimentos anexado (fls. 132/0). O IR retido sobre operações de swap em maio de 2002 ocorreu sobre o contrato nº 1.361.000.201 e as receitas desse contrato foram contabilizadas da seguinte forma: * Razão Contábil – fls. 140 a 154 (...) Por sua vez, a retenção efetuada em junho de 2002 está relacionada aos contratos nº 2.051.000.101 e nº 2.127.000.101 e está demonstrada no quadro abaixo. * Razão Contábil – fls. 155 a 167 (...) Assim, a Requerente comprova em base amostral que as receitas oriundas de operação de swap foram contabilizadas em conta de resultado – cosif 715.80.00.00.9 – Lucros em operações c/At fin e merc (Swap). A fiscalização também não aceitou o IR retido pelo Banco Citibank S/A sobre operações de renda fixa efetuadas pela Requerente. O montante retido pelo Citibank S/A é de R$ 17.924.094,14 e esta confirmado em informe de rendimento (fls. 136 a 139). Contudo a fiscalização somente considerou o montante de R$ 10.742.993,36, alegando que a Requerente não tributou a totalidade da receita financeira que gerou tal retenção, pois não encontrou na DIPJ do AC 2002 receita financeira que justificasse o montante retido. Em princípio, importante considerar que a forma adotada pela Requerente para contabilizar rendimentos obtidos em operações de renda fixa é pelo Fl. 446DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10880.939473/200931 Acórdão n.º 140200.767 S1C4T2 Fl. 0 5 regime de competência. Assim a Requerente contabiliza a receita diariamente conforme a “curva do titulo”. Por outro lado, a retenção de IR é efetuada somente no resgate do título, bem como a informação dessa operação em informe de rendimento. Dessa forma, parte da receita financeira demonstrada no informe de rendimento foi contabilizada e tributada em exercícios anteriores ao da retenção do IR. Por esse motivo a fiscalização não encontrou a totalidade da receita financeira na DIPJ do AC 2002. A Requerente para comprovar tal alegação demonstrará a contabilização das receitas financeiras em operações de renda fixa em base amostral. Para tanto a Requerente selecionou a retenção efetuada pelo Banco Citibank S/A no mês de maio de 2002 no montante de R$ 15.802.426,11. As operações de renda fixa (CDB) que geraram a referida retenção estão demonstradas em relatório (fls. 169 a 181). Desse relatório a Requerente selecionou 20 operações (fl. 77). As operações selecionadas foram contabilizadas pelo regime de competência, e resumidamente a receita financeira dessas operações foram distribuídas da seguinte forma nos anoscalendário de 2000 a 2002. CDB Referência nº oper. Data Inicial Rendimento 2000 2001 2002 Total 1 979943 0136000300010 15/05/2000 369.576,23 684.345,69 32.706.882 138.099.074 2 978847 0182002000018 30/06/2000 159.839,93 383.044,33 182.222,75 725.107,01 3 978332 0200004800019 18/07/2000 49.545,70 129.218,51 61.757,46 240.521,66 4 976938 0273003800017 29/09/2000 88.945,78 409.136,46 196.643,66 694.725,90 5 976170 0311000200011 06/11/2000 14.104,60 105.302,06 50.558,08 16.996.474 6 975431 0353001500015 18/12/2000 7.291,10 197.680,99 95.224,47 30.019.656 7 974953 1031002000016 31/01/2001 371.600,01 191.268,68 56.286.869 8 974687 1046002500013 15/02/2001 770.395,03 412.560,35 1.182.955 38 9 974420 1074005900014 15/03/2001 1.214.078,94 696.743,31 1.910.822,25 10 973677 1120001400010 30/04/2001 643.857,55 424.751,04 1.068.608,59 11 973628 1122000300019 02/05/2001 296.412,94 196.526,41 492.939,35 12 972808 1166009600010 15/06/2001 931.681,34 735.227,76 166.690.910 13 972188 1204003100016 23/07/2001 55.317,71 53.081,81 10.839.952 14 971798 1227002400012 15/08/2001 646.587,03 729.247,53 137.583.456 15 970750 1304000300013 31/10/2001 100.608,29 259.017,46 359.625,75 16 970491 1320003100010 16/11/2001 182.750,58 646.847,85 835.956,61 17 969926 1351000500019 17/12/2001 32.079,02 408.744,46 444.841,22 18 969263 2015001100017 15/01/2002 0,51 1.982.202,96 1.982.203,47 19 968601 2050001500015 19/02/2002 4.614,16 461.416 20 966876 2120001900018 30/04/2002 25.269,32 2.526.932 As informações identificadas pelas operações selecionadas estão demonstradas detalhadamente em relatório que demonstra a Fl. 447DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10880.939473/200931 Acórdão n.º 140200.767 S1C4T2 Fl. 0 6 contabilização da receita financeira “pro rata dia” na conta cosif 714.10.00.7 Rendas Aplic. Oper. Compromis. (fls. 185 a 278). Para suportar tais informações contábeis a Requerente anexa o razão contábil da referida conta cosif que demonstra o lançamento diário das receitas financeiras (fls. 300 a 1277). Para vincular as operações com os referidos lançamentos contábeis vêse necessário verificar o número de referência de cada operação demonstrada no quadro acima e que foram extraídos em relatório (fls. 1279 a 1297). Assim, a Requerente demonstra em base amostral que as operações de renda fixa foram devidamente contabilizadas pelo regime de competência. TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS Após comprovação de que as receitas financeiras foram devidamente contabilizadas em conta de resultado (receita), passase a verificação de que tais receitas foram tributadas nas bases de cálculo do IRPJ. Como demonstrado nos itens anteriores, as receitas financeiras objeto de retenção que não foram homologadas pela fiscalização foram contabilizadas em conta de resultado cosif 715.80.00.9 (SWAP) e 714.10.00.7 (CDB) com base no regime de competência, sendo que tais receitas não foram excluídas nas bases de cálculo do IRPJ nos exercícios em foram contabilizadas (fls. 1299 a 1304). Assim, em virtude da inclusão das receitas financeiras nas bases de cálculo do IRPJ a alegação da fiscalização de que a Requerente não tributou a totalidade das receitas financeiras que geraram tal tributo não procede. ESTIMATIVA DE IRPJ – NOVEMBRO 2002 A fiscalização não incluiu a estimativa de IRPJ de novembro de 2002 na composição do saldo negativo sob alegação que a compensação efetuada no montante de R$ 717.423,72 não foi confirmada. A referida compensação foi efetuada com saldo negativo de IRPJ do AC 2001 (planilha de compensação – fl. 1306), que monta originalmente em R$ 52.697.053,25 (DIPJ – fls. 1308 a 1315), composto da seguinte forma. COMPOSIÇÃO DO SN IRPJ AC 2001 Descrição Valor R$ IRPJ Lucro Real 1.358.148,14 IRRF 19.558.069,19 IRPJ Estimativa Compensado com IRPJ AC 1999 18.771.585,64 IRPJ Estimativa Compensado com IRPJ AC 2000 4.961.189,54 IRPJ Estimativa Compensado com IRPJ AC 1995 10.328.222,00 Recolhimentos 436.135,01 Saldo Negativo de IRPJ AC 1998 (sic) 52.697.053,24 Fl. 448DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10880.939473/200931 Acórdão n.º 140200.767 S1C4T2 Fl. 0 7 As estimativas de IRPJ do AC 2001 que foram compensadas estão demonstradas em planilhas de compensação (fls. 1339 a 1341). Assim, a Requerente demonstra que a estimativa de IRPJ de novembro de 2002 foi compensada com saldo negativo de IRPJ do AC 2001 e por isso deve ser considerada na composição do saldo negativo de IRPJ do AC 2002. Diante das razões expostas, a Requerente pede seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade. A decisão recorrida está assim ementada: SALDO NEGATIVO DO IRPJ. A restituição/compensação do imposto retido como antecipação IRRF, que supera o imposto devido apurado na DIPJ, fica condicionado à comprovação de que o rendimento que lhe deu causa foi oferecido à tributação. A compensação de tributo da mesma espécie efetuada antes da instituição da Declaração de Compensação DCOMP deve ser formalizada na DCTF pertinente ao período de apuração a que se refere o débito compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese, que: (...) 1. O Processo Administrativo n° 10880.939.473/200931, referese a pedidos de compensação que utilizaram Saldo Negativo de IRPJ do AC 2002. No despacho decisório (Doc. 2) o referido crédito foi homologado parcialmente. O valor do crédito original apresentado pela Recorrente monta em R$ 60.443.862,41, sendo que a fiscalização • homologou apenas o montante de R$ 42.529.960,23. 2. A diferença entre os dois valores monta em R$ 17.913.902,18, que pode ser demonstrado da seguinte forma: (...) 3. Ocorre que no despacho decisório a fiscalização não homologou a totalidade do crédito de IRRF sobre operações financeiras (R$ 17.196.478,46), pois acreditou que a Recorrente não tributou a totalidade das receitas financeiras que geraram tal tributo foram contabilizadas e tributadas. 6. A DRJ neste caso julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, pois considerou, sumariamente, que as despesas com operações de swap são indedutiveis para fins de cálculo do IRPJ (Doc. 4). 7. A Recorrente, entretanto, comprovará, por meio do presente Recurso Voluntário, que as alegações da fiscalização e da DRJ não procedem e por isso as Per/Dcomps que utilizaram o saldo negativo de IRPJ do AC de 2002 , devem ser homologadas. II.1 Fonte Pagadora: Citibank NA CNP': 33.042.953/000171. O Citibank NA reteve da Recorrente, no decorrer do anocalendário de 2002, o montante de R$ 14.054.884,20 a titulo de IRRF sobre operações de SWAP. Tais retenções estão comprovadas em Informe de Rendimento (Doc. 5). Fl. 449DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10880.939473/200931 Acórdão n.º 140200.767 S1C4T2 Fl. 0 8 (...) 20. Conclusão: a Recorrente comprova que contabilizou e tributou as receitas com operações de swap no ano calendário de 2002, bem como demonstra que tais receitas foram objeto de retenção de Imposto de Renda na Fonte. Assim, deve ser homologada a totalidade do IRRF, cuja fonte pagador" o Citibank NA, para compor o saldo negativo de IRPJ do AC 2002. II.2 Fonte Pagadora: Banco Citibank S/ A CNPJ 33.479.023/000180 21. A fiscalização, por outro lado, também não aceitou o IR retido pelo Banco Citibank S/A sobre operações de renda fixa efetuadas pela Recorrente. 22. O montante retido pelo Banco Citibank S/A é de R$ 17.924.094,14 e está confirmado em Informes de Rendimentos (Doc. 6). 23. A fiscalização, contudo, somente considerou o montante de R$ 10.742.993,36, alegando que a Recorrente não tributou a totalidade da receita financeira que gerou tal retenção, pois não encontrou na DIPJ do AC 2002 receita financeira que justificasse o montante retido. 24. Quanto a esse ponto, ,cumpre salientar que a forma adotada pela Recorrente é a definida em lei para contabilizar rendimentos obtidos em operações de renda fixa, qual seja pelo regime de competência. Desta forma, a Recorrente contabiliza a receita diariamente conforme a "curva do título", ou seja, efetua a contabilização conforme a receita é`auferida. Por outro lado, a retenção de IR é efetuada somente no resgate do título, bem como a informação dessa operação é inserida em Informe de Rendimento. 25. Dessa forma, parte da receita financeira demonstrada no Informe de Rendimento foi contabilizada e tributada em exercícios anteriores ao da retenção do IR, de acordo com o regime de contabilização legalmente definido. Por esta razão a fiscalização não conseguiu encontrar a totalidade da receita financeira na DIPJ do AC 2002. 26. A Recorrente para comprovar tal fato demonstrará a seguir a contabilização das receitas financeiras em operações de renda fixa. (...) 34. Conclusão: a Recorrente comprova que contabilizou e tributou as receitas com operações,de CDB, e demonstra com exatidão que tais receitas foram objeto de retenção de Imposto de Renda na Fonte. Desta forma, deve ser homologada a totalidade do IRRF gerado pela fonte pagadora Banco Citibank S/A, para compor o saldo negativo de IRPJ do AC 2002. III Tributação das Receitas Financeiras 35. Após a comprovação de que as receitas financeiras foram contabilizadas em conta de resultado (receita) e foram devidamente tributadas nas bases de cálculo de IRPJ dos exercícios nas quais foram contabilizadas, passase a verificação de outros pontos descritos no acórdão emitido pela DRJ. (...) 43. Assim, quanto à forma de registro contábil das operações swap, o procedimento adotado pelo Recorrente está de acordo com a legislação vigente. Como se não bastasse, a Recorrente solicitou a pareceristas de renome, com expertise no assunto, Fl. 450DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10880.939473/200931 Acórdão n.º 140200.767 S1C4T2 Fl. 0 9 a emissão de parecer para sustentar a forma de tributação e contabilização de operações de swap praticadas pela Recorrente (Doc. 17). VI Estimativa de IRPJ: Novembro 2002 44. Quando da análise das compensações, a fiscalização no despacho decisório deixou de considerar a estimativa de IRPJ de novembro de 2002 na composição do saldo negativo daquele ano, sob a alegação de que a compensação efetuada no montante de R$ 717.423,72 não havia sido confirmada. A DRJ, por sua vez, manteve o indeferimento deste ponto, sob a justificativa de que o valor não havia sido informado em DCTF, mas a Recorrente não pode mais retificar dados do período de 2002. 45. Ademais, cumpre ressaltar. que a referida compensação foi efetuada com saldo negativo de IRPJ do AC 2001 (planilha de compensação Doc. 18), que monta originalmente em R$ 52.697.053,25 (DIPJ Doc. 19). (...) 48. As estimativas de IRPJ do AC 2001 que foram compensadas estão também demonstradas em planilhas de compensação (Doc. 18). 49. Desta forma, a Recorrente demonstra que a estimativa de IRPJ de novembro de 2002 foi compensada com saldo negativo de IRPJ do AC 2001 e por isso deve ser considerada na composição do saldo negativo de IRPJ do AC 2002. V Saldo Negativo de IRPJ AC 2002 e Per/ Dcomps Vinculadas 50. Após exaustiva comprovação do saldo negativo de IRPJ AC 2002, concluise que o crédito representa R$ 60.443.862,41 e que coincide com o informado na DIPJ AC 2002 (Doc. 11). 51. Ponto importante a ser analisado diz respeito a algumas Per/Dcomps que a fiscalização não vinculou ao saldo negativo de IRPJ AC 2002 incorretamente. Tal fato acarretaria em falta de crédito a ser compensado. Nesse sentido, a Recorrente , informa as PerDcomps que devem ser desvinculadas ao crédito de IRPJ analisado nesse processo. (...) 58. Desse modo, após feitas as devidas correções de fato,homologadas as compensações efetuadas, resta ainda a ser restituído crédito tributário no montante . originário de R$ 1.732.589,73 (Doc. 27). VI Diligencias 59. Caso os documentos apresentados nesta peça recursal pela Recorrente não sejam suficientes para homologar o seu direito creditório, e considerando que''e' tre o 'lapso temporal entre as datas das compensações efetuadas e a decisão proferida pela DRJ, a Recorrente não foi em momento algum intimada à prestar esclarecimentos ou apresentar documentos adicionais, requer, caso este Tribunal julgue necessário, se digne a determinar diligência para a comprovação dos fatos aqui alegados e justificados. VII Pedido 60. Diante das razões expostas, a Recorrente pede seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, nos seguintes termos: Fl. 451DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10880.939473/200931 Acórdão n.º 140200.767 S1C4T2 Fl. 0 10 (i) Seja homologado o saldo negativo de IRPJ do AC de 2002 no montante de R$ 60.443.862,41, conforme as razões expostas devidamente comprovadas; (ii) Sejam desvinculadas do saldo negativo de IRPJ do AC 2002 as Per/ Dcomps n° 06829.71430.250906.1.7.02 4351, 14877.77868.250906.1.7.027036, 1779.02920. 310504.1.3.020158, pois utilizaram outro crédito que não o saldo negativo originado no anocalendário de 2002. Requer também seja desvinculada parte dos débitos compensados na Per/ Dcomp n° 06386.64315.301204.1.3.022727, pois tais débitos inexistiam, conforme quadro descrito no item V deste Recurso; (iii) Sendo feitas as devidas correções acima requeridas, requer sejam homologadas todas as Per/ Dcomps que utilizaram o referido saldo negativo de IRPJ do AC 2002; (iv) Por fim, caso se julgue necessário, sejam efetuadas todas as diligências necessárias para a comprovação dos fatos alegados e demonstrados, visto que o despacho decisório e mesmo a decisão da DRJ foram elaborados sem qualquer procedimento de intimação para que a Recorrente prestasse esclarecimentos e/ou apresentasse documentos pertinentes, que ora junta nesta via recursal. (...) É o relatório. Fl. 452DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10880.939473/200931 Acórdão n.º 140200.767 S1C4T2 Fl. 0 11 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Em litígio o reconhecimento do direito creditório relativo ao Saldo Negativo de Recolhimentos (SNR) do IRPJ, anocalendário de 2002. O primeiro PER/DCOMP pleiteando a compensação do SNRIRPJ/AC2002, no valor de R$ 60.443.862,41 foi formalizado em 29/04/2004 (fl. 27), sendo que a contribuinte apresentou a DIPJ/2003 dentro do prazo, em 29/6/2003, na qual demonstrou a apuração do crédito pleiteado. Ocorre que o despacho decisório que analisou e reconheceu apenas em parte esse crédito foi cientificado em 18/05/2009 (fls. 86 a 88). Consoante decisão da DRJ, a glosa do crédito se deu pelos seguintes motivos: Conforme demonstrativo da análise do crédito (fls. 04 e 05), parte do IRRF sobre aplicações financeiras, não foi confirmado devido ao fato de a receita correspondente ter sido oferecida parcialmente à tributação. Também não foi confirmado parte da compensação da estimativa pertinente ao PA NOV/2002, com o saldo negativo do IRPJ apurado no ano calendário de 2001. Ou seja, a fiscalização auditou a apuração do lucro real do contribuinte do anocalendário de 2002, concluindo que as receitas financeiras não foram oferecidas a tributação em sua totalidade, isso em 2009. Todavia, no ano de 2009, a fiscalização não mais poderia verificar a apuração do lucro real do anocalendário de 2002. É certo que a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento desse pelo contribuinte. Porém, não pode haver auditoria do lucro líquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN. Após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado. O art. 264 do Regulamento Interno do Imposto de Renda preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve, no prazo de 5 anos contatados do pedido, investigar a existência do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido de sua formação, cabendo ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente. Fl. 453DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10880.939473/200931 Acórdão n.º 140200.767 S1C4T2 Fl. 0 12 Portanto, em 2009 a administração tributaria somente poderia verificar a efetividade das retenções em fonte, bem como os recolhimentos por estimativas daquele período (anocalendário 2002). Cumpre aqui registrar o entendimento majoritário deste Colegiado quanto à matéria, expresso dentre outros no acórdão 140200.454, de 25/02/2011, cuja ementa elucida: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Em verdade, ao glosar o IRFonte sob a alegação de que os rendimentos não teriam sido tributados, a fiscalização pretende, por via indireta, revisar a apuração do lucro real e do IRPJ devido do anocalendário de 2002, o que não poderia ser feito em 2009. Repito: Em 2009 a autoridade fiscal poderia rever a formação do Saldo Negativo de Recolhimentos Acumulado, passível de compensação, mas sempre partindo do Lucro Real/Imposto Apurado pelo contribuinte (haja vista não ter sido objeto de revisão dentro do prazo decadencial). No que tange à compensação da estimativa de Nov/2002 com o SNR IRPJ/AC2001, verificase que o despacho decisório atacado não acatou sob a alegação de que a compensação efetuada no montante de R$ 717.423,72 não havia sido confirmada. A DRJ, por sua vez, manteve o indeferimento deste ponto, sob a justificativa de que o valor não havia sido informado em DCTF, mas a Recorrente não pode mais retificar dados do período de 2002. Ocorre que essa compensação foi devidamente informada pela contribuinte na sua DIPJ, que a meu ver tem o mesmo valor probante da DCTF, haja vista que foi instituída com base na mesma norma legal (Decretolei 2.124/84). Mais a mais, ao artigo 7o da Lei 9.430, de 1996 estabelece que o Saldo Negativo de Recolhimentos pode ser compensado com as estimativas devidas a partir dos períodos de apuração do anocalendário seguinte. Portanto, cumpre reconhecer o direito creditório do contribuinte em sua integralidade, cabendo à unidade de origem glosar apenas eventuais compensações posteriores com o SNRIRPJ/AC2001, caso verifique excessos no aproveitamento do crédito. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso, reconhecendo o direito creditório no valor original de R$ 60.443.862,41, homologandose as compensações ate este valor. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 454DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 10880.690963/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe.
PROVAS. PRECLUSÃO.
Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.053
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SAO PAULO METRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admitese a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 09 63 /2 00 9- 23 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.690963/200923 Acórdão n.º 3302005.053 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativo. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico emitido pela unidade de origem, a compensação declarada não foi homologada, tendo em vista a inexistência do crédito. Ciente desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade alegando em síntese: Apurou e recolheu COFINS não cumulativo incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas; Desta forma, faz jus ao crédito de COFINS não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias; Retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo de COFINS não cumulativo; Requer a homologação da compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 1632.937. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade e apresenta diversos documentos com vistas a comprovar o direito pleiteado. Ao final requer que não sendo possível a análise da documentação apresentada, que seja a mesma remetida à instância de origem, para que sobre ela se pronuncie a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.037, de Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.690963/200923 Acórdão n.º 3302005.053 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690947/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.037): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preclusão probatória Argui o recorrente que apurou e recolheu o PIS/PASEP nãocumulativo de 10/2004 incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas, fazendo jus, portanto ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias. Ressalta ainda em favor de sua tese que retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo do PIS/PASEP não cumulativo. Ocorre que ao apresentar a Manifestação de Inconformidade, momento processual que instaura a lide administrativa, não comprovou perante o órgão a quo com documentos hábeis e idôneos o recebimento dos referidos juros e variações monetárias ativas e, tampouco que os mesmos compuseram a base de cálculo do tributo, ensejando, por conseguinte pagamento a maior. Quando da apresentação do recurso voluntário acosta documentos não apresentados quando da manifestação de inconformidade. Nesse sentido cabem os seguintes esclarecimentos. A juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.690963/200923 Acórdão n.º 3302005.053 S3C3T2 Fl. 5 4 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito)(grifei). Por oportuno registrese que o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, prescreve em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observase que a norma acima destacada é clara ao estabelecer o momento processual a serem carreadas as provas aos autos, pelo contribuinte, a fim de subsidiar o julgador com os elementos probatórios que possibilitem a livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme é assegurado pelo 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, como já demonstrado, o contribuinte deixou de apresentar quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, documento comprobatório quanto aos créditos pleiteados. Quanto ao ato de provar pondera 2Fabiana: Mediante a atividade probatória compõese a prova, entendida como fato jurídico em sentido amplo, que é o relato em linguagem competente de evento supostamente acontecido no passado, para que, mediante a decisão do julgador, constituase o fato jurídico em sentido estrito, desencadeando os correspondentes efeitos. (...) Iso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.(grifei). Nesse mister, os documentos apresentados somente em sede recursal, visando comprovar os aludidos créditos não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, visto que sequer demonstra o recorrente estar abrigado em uma das hipóteses excepcionais disciplinadas nas alíneas de "a" a "c" do artigo 16, acima já reproduzidos. Na linha acima expendida revelase incabível devolver os autos à instância a quo para a análise dos documentos apresentados, já que deixaram de ser oportunamente apresentados à referida instância. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Tomé, Fabiana Del Padre, A prova no Direito Tributário, São Paulo:Noeses, 2005, págs:177/178. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.690963/200923 Acórdão n.º 3302005.053 S3C3T2 Fl. 6 5 Tendo em vista que em votação, a maioria dos conselheiros acolheu apenas a conclusão desta relatora, seguem abaixo reproduzidos, conforme determina o artigo 63, § 8º do Anexo II do RICARF, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Por entender aplicável ao presente caso a norma prevista na letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72 que, diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite a juntada posterior de documentos, os demais Conselheiros decidiram afastar a preclusão aplicada pela i. Relatora. Isto porque, diferentemente do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação por inexistência do crédito, a matéria concernente a comprovação da origem dos créditos apurados pela Recorrente somente foi trazida aos autos quando do proferimento da decisão combatida, oportunizando, assim, a Recorrente contrapor os fatos novos com a juntada de documentos que entendese necessário para tanto. Por este motivo, restou decidido pelos demais Conselheiros afastar a preclusão e admitir a análise dos documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Pois bem. Em sede recursal a Recorrente trouxe as seguintes alegações de mérito: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo Capital indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente sob o argumento de que competia a ela apresentar documentos contábeis e fiscais que comprovassem o recolhimento a maior do tributo cuja homologação de compensação for requerida mas esta não os apresentou. (...) Nestas condições, em que a exigência do crédito tributário deve se pautar pelo princípio da verdade material, com base no mesmo princípio dever apurado o crédito reclamado pela Recorrente, razão pela qual a ela deve ser reconhecido o direito de trazer aos autos do presente processo, mesmo em sede de Recurso Voluntário, os documentos fiscais e contábeis que demonstram a sua existência, para seja homologada a compensação por ela realizada. Juntamente com suas razões recursais a Recorrente carreou aos autos os seguintes documentos para comprovar seu pretenso direito: (i) PER/DCOMP; (ii) Comprovantes de arrecadação; e (iii) planilhas e livros diário geral. Entretanto, constatase que no recurso interposto pela Recorrente não há uma linha argumentativa demonstrando a composição/origem do crédito perseguido pelo contribuinte, limitando, suas alegações, apenas em relação ao direito de juntar documentos em sede recursal. Ora, caberia a Recorrente explicitar, ainda que de forma concisa, a composição/origem do crédito e, apontar quais documentos dão suporte às suas alegações, nada neste sentido foi realizado pela Recorrente. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.690963/200923 Acórdão n.º 3302005.053 S3C3T2 Fl. 7 6 Ressaltase que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC3). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. Deste modo, tornase imprestável os documentos juntados pela Recorrente para o fim de comprovar o direito ao crédito, motivo pelo qual os demais Conselheiros acompanharam a i. ilustre Relatora pelas conclusões. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 13981.000154/2003-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/1998
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Numero da decisão: 9303-006.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos a turma a quo. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 01 54 /2 00 3- 06 Fl. 584DF CARF MF Processo nº 13981.000154/200306 Acórdão n.º 9303006.359 CSRFT3 Fl. 585 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos a turma a quo. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº256/09, contra ao acórdão nº 330200.554, proferido pela 3º Câmara/2º Turma Ordinária do Conselho de Contribuintes, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que nos termos do art. 150 § 4 do CTN é de 5 anos, a contar do fato gerador, independente da ocorrência de pagamento, o prazo que dispõe a Fazenda para cobrar tributos sujeitos a lançamento por homologação. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "O auto de infração foi lavrado em 2 de julho de 2003 e, segundo o termo de fls. 10 a 12, o processo judicial n' 94.00090579, vinculado ao débito em compensação sem Darf, teria sido movido por pessoa jurídica de outro CNPJ. Depois de juntados os documentos de fls. 20 a 70, foi lavrado o relatório de fls. 71 e 72, em 16 de março de 2006, em que a Sacat/DRF/Joaçaba informou que a ação judicial n' 1999.34.00.0305978 seria acompanhada pela PFN do Distrito Federal. A ação referiuse a créditos do Finsocial, apurado a aliquota superior a 0,5%, tendo a Interessada obtido sentença favorável e a União apresentado apelação ao TRF. No STJ, foi reconhecida a prescrição contra a Interessada, que apresentou sem sucesso agravo regimental, o que resultou no transito em julgado da ação em 23 de outubro de 2003 em favor da União. A ação informada na DCTF foi impetrada pela Assobens Associação Brasileira dos Concessionários Mercedez Benz e tratou de ação ordinária de Fl. 585DF CARF MF Processo nº 13981.000154/200306 Acórdão n.º 9303006.359 CSRFT3 Fl. 586 3 compensação, dependente ao processo n' 93.00.060570 (cautelar inominada) e principal do processo n' 1999.34.00.0081144 (ação de execução), relativas ao Finsocial. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/1998 DECADÊNCIA. Nos termos do art. 150 § 4 do CTN é de 5 anos, a contar do fato gerador, independente da ocorrência de pagamento, o prazo que dispõe a Fazenda para cobrar tributos sujeitos a lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido". Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, suscitando divergência jurisprudencial quanto aplicação do prazo decadencial para constituição de crédito tributário quando da inexistência de pagamentos antecipados, se nos termos do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou os paradigmas nº 910100.460 e nº CSRF/0203.331: Em seguida, o Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, por ter sido comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 538/539. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. O dissenso jurisprudencial posta a esta E. Câmara Superior, referese à decadência do direito de lançar, especificamente quanto à regra aplicável do art. 150, § 4º, ou 173 I, CTN. Compulsando aos autos, verifico que não consta nenhum pagamento dos tributos em discussão. Portanto, para fins de contagem de prazo decadencial, deve ser aplicado o art. 173, I do CTN. Com efeito, a questão do prazo para a Fazenda Nacional lançar as contribuições sociais foi objeto de intermináveis discussões e acirrados debates no CARF, ora Fl. 586DF CARF MF Processo nº 13981.000154/200306 Acórdão n.º 9303006.359 CSRFT3 Fl. 587 4 prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Nada obstante, o Código Tributário Nacional CTN, estabelece duas formas para se contar o prazo decadencial: na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, ainda que parcial, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Quanto essa matéria, qual seja, o prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, como é o caso da contribuição para o PIS, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 587DF CARF MF Processo nº 13981.000154/200306 Acórdão n.º 9303006.359 CSRFT3 Fl. 588 5 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio STJ o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 588DF CARF MF Processo nº 13981.000154/200306 Acórdão n.º 9303006.359 CSRFT3 Fl. 589 6 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) No novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 323, de 2015, a questão encontrase disciplinada nos seguintes termos: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Portanto, em sintonia com a jurisprudência do STJ, aplicandose a regra do inciso I, do artigo, 173, do CTN, no presente caso, o prazo decadencial para a constituição do crédito, previsto no art. 173, I, será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o que corresponde, ao primeiro dia do ano de 1999, Fl. 589DF CARF MF Processo nº 13981.000154/200306 Acórdão n.º 9303006.359 CSRFT3 Fl. 590 7 findandose o prazo decadencial em 31/12/2003. Como a notificação da Contribuinte acerca do auto de infração deuse em 02/07/2003, não há o que se falar em decadência. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda, com retorno dos autos colegiado a quo para analise das demais questões postas no Recurso Voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 590DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.721236/2013-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 12 36 /2 01 3- 41 Fl. 146DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0435.838 da 2ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos, sem a exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. A interessada argumentou que os débitos que ensejaram o Termo de Indeferimento haviam sido parcelados e pagos, conforme os documentos juntados às fls. 2039. Mas não trouxe a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros, o que comprovaria sua regularidade fiscal, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN, pois é este o documento hábil que comprova a regularidade da empresa. A tentativa de obtêla via internet não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Ademais, a autoridade local informou no Despacho Decisório que “antes do deferimento do referido parcelamento, a empresa já possui mais de três parcelas em atraso, o que já se constitui em motivo de rescisão” (fls. 51) e mesmo intimada a contribuinte nada alegou ou comprovou com relação a essas parceladas inadimplidas. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional por seus próprios fundamentos. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A Recorrente alega que os débitos indicados foram devidamente parcelados ou recolhidos. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 18186.721236/201341 Acórdão n.º 1001000.354 S1C0T1 Fl. 3 3 De fato, houve o parcelamento de débitos, como indicado no despacho decisório, citado na decisão da DRJ, e adiante reproduzido: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA A consulta às Guias da Previdêncoa Social pagas, no sistema DICFN, evidencia que a empresa pagou os seguintes valores relativos a parcelamentos perante a Procuradoria da Fazenda Nacional: Código Competência Data da autenticação Valor 6106 08/2012 28082012 680,23 6106 09/2012 28092012 682,87 6106 11/2012 30112012 700,70 6106 01/2013 31012013 716,37 6106 02/2013 28022013 721,77 6106 06/2013 28062013 730,87 6106 06/2013 13092013 728,47 6106 08/2013 27092013 752,10 Ou seja, mesmo antes do deferimento do referido parcelamento, a empresa já possui mais de três parcelas em atraso, o que já se constitui em motivo de rescisão e prosseguimento da execução. Do exposto, entendemos que a interessada possui pendências não regularizadas, que a impossibilitavam e a impossibilitam de ingressar no Simples Nacional, motivo pelo qual, propomos que seja mantido o referido Termo de Indeferimento.: Porém, conforme podese observar do próprio despacho acima, a recorrente tornouse inadimplente com mais que três parcelas vencidas, consecutivas ou não, o que a excluí, automaticamente, do parcelamento. Portanto, em 31 de janeiro2013, havia débitos fiscais com a exigibilidade não suspensa, o que impede a opção pelo Simples Nacional, nos termos do inciso V, art.17, da Lei Complementar 123/2006, como segue: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Consequentemente, mantenho integralmente a decisão da DRJ e nego provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 148DF CARF MF 4 É como voto. Recurso voluntário negado, sem crédito em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.727555/2015-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO
Não sendo apresentado, por um dos coobrigados, o Recurso Voluntário em face do acórdão exarado pela Delegacia de Julgamento, ocorre o trânsito em julgado administrativo com relação a este coobrigado, devendo o Recurso Voluntário ser apreciado só com relação ao demais sujeitos passivos.
DECADÊNCIA. CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Nos casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos, prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, desloca-se para a regra geral, prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal, razão pela qual fica afastada a tese de decadência.
PROVA EMPRESTADA. SIGILO BANCÁRIO
Tendo a obtenção de documentos e extratos bancários sido realizada com base em ordem emanada do Poder Judiciário, não há empecilho para utilização das provas colhidas em âmbito judicial no processo administrativo fiscal, em especial quando há determinação de apuração de eventuais ilicitudes praticadas.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DE ESCRITURAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A falta de apresentação dos livros fiscais e contábeis de escrituração obrigatória sujeita a pessoa jurídica ao arbitramento do lucro, calculado com base na receita bruta conhecida, como no caso de depósitos bancários de origem não comprovada.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS.
O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 presume como omissão de receitas a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Por se tratar de uma presunção relativa, caso comprovada a origem, pelo contribuinte, aquela presunção é afastada. É dever do contribuinte, contudo, essa comprovação, que deve ser feita através de documentação hábil e idônea. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos .
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF PAGAMENTOS SEM CAUSA.
Correta a autuação no que tange ao IRRF incidente sobre os pagamentos cujos beneficiários não foram identificados ou que não tiveram a comprovação de sua causa, quando o Recorrente não comprova estes pagamentos, seja através de escrituração fiscal e contábil, seja através de documentação hábil e inidônea.
DO ARBITRAMENTO COM BASE NA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA.
A não apresentação de livros contábeis e fiscais, bem como de documentação hábil e idônea, suficientes para que a fiscalização verificasse a real atividade do contribuinte, não há que se falar em arbitramento com base na atividade preponderante da empresa, uma vez que esta não restou comprovada nos autos.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES.
Constatada a prática de atos praticados pelos sócios administradores com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos definidos no artigo 135 do Código Tributário Nacional, que dão origem ao nascimento de obrigação tributária, àqueles sócios deve ser imputada a responsabilidade pessoal pelo pagamento do crédito tributário.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovadas condutas e omissões dolosas dos representantes do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação.
Numero da decisão: 1302-002.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Flavio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO Não sendo apresentado, por um dos coobrigados, o Recurso Voluntário em face do acórdão exarado pela Delegacia de Julgamento, ocorre o trânsito em julgado administrativo com relação a este coobrigado, devendo o Recurso Voluntário ser apreciado só com relação ao demais sujeitos passivos. DECADÊNCIA. CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos, prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, desloca-se para a regra geral, prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal, razão pela qual fica afastada a tese de decadência. PROVA EMPRESTADA. SIGILO BANCÁRIO Tendo a obtenção de documentos e extratos bancários sido realizada com base em ordem emanada do Poder Judiciário, não há empecilho para utilização das provas colhidas em âmbito judicial no processo administrativo fiscal, em especial quando há determinação de apuração de eventuais ilicitudes praticadas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DE ESCRITURAÇÃO OBRIGATÓRIA. A falta de apresentação dos livros fiscais e contábeis de escrituração obrigatória sujeita a pessoa jurídica ao arbitramento do lucro, calculado com base na receita bruta conhecida, como no caso de depósitos bancários de origem não comprovada. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 presume como omissão de receitas a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Por se tratar de uma presunção relativa, caso comprovada a origem, pelo contribuinte, aquela presunção é afastada. É dever do contribuinte, contudo, essa comprovação, que deve ser feita através de documentação hábil e idônea. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos . IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF PAGAMENTOS SEM CAUSA. Correta a autuação no que tange ao IRRF incidente sobre os pagamentos cujos beneficiários não foram identificados ou que não tiveram a comprovação de sua causa, quando o Recorrente não comprova estes pagamentos, seja através de escrituração fiscal e contábil, seja através de documentação hábil e inidônea. DO ARBITRAMENTO COM BASE NA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA. A não apresentação de livros contábeis e fiscais, bem como de documentação hábil e idônea, suficientes para que a fiscalização verificasse a real atividade do contribuinte, não há que se falar em arbitramento com base na atividade preponderante da empresa, uma vez que esta não restou comprovada nos autos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. Constatada a prática de atos praticados pelos sócios administradores com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos definidos no artigo 135 do Código Tributário Nacional, que dão origem ao nascimento de obrigação tributária, àqueles sócios deve ser imputada a responsabilidade pessoal pelo pagamento do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA. Comprovadas condutas e omissões dolosas dos representantes do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 6.325 1 6.324 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.727555/201540 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.637 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2018 Matéria IRPJ Recorrente GERCIO MARCELINO MENDONCA JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO Não sendo apresentado, por um dos coobrigados, o Recurso Voluntário em face do acórdão exarado pela Delegacia de Julgamento, ocorre o trânsito em julgado administrativo com relação a este coobrigado, devendo o Recurso Voluntário ser apreciado só com relação ao demais sujeitos passivos. DECADÊNCIA. CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos, prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, deslocase para a regra geral, prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal, razão pela qual fica afastada a tese de decadência. PROVA EMPRESTADA. SIGILO BANCÁRIO Tendo a obtenção de documentos e extratos bancários sido realizada com base em ordem emanada do Poder Judiciário, não há empecilho para utilização das provas colhidas em âmbito judicial no processo administrativo fiscal, em especial quando há determinação de apuração de eventuais ilicitudes praticadas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DE ESCRITURAÇÃO OBRIGATÓRIA. A falta de apresentação dos livros fiscais e contábeis de escrituração obrigatória sujeita a pessoa jurídica ao arbitramento do lucro, calculado com base na receita bruta conhecida, como no caso de depósitos bancários de origem não comprovada. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 75 55 /2 01 5- 40 Fl. 6325DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.326 2 O art. 42 da Lei n° 9.430/1996 presume como omissão de receitas a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Por se tratar de uma presunção relativa, caso comprovada a origem, pelo contribuinte, aquela presunção é afastada. É dever do contribuinte, contudo, essa comprovação, que deve ser feita através de documentação hábil e idônea. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos . IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF PAGAMENTOS SEM CAUSA. Correta a autuação no que tange ao IRRF incidente sobre os pagamentos cujos beneficiários não foram identificados ou que não tiveram a comprovação de sua causa, quando o Recorrente não comprova estes pagamentos, seja através de escrituração fiscal e contábil, seja através de documentação hábil e inidônea. DO ARBITRAMENTO COM BASE NA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA. A não apresentação de livros contábeis e fiscais, bem como de documentação hábil e idônea, suficientes para que a fiscalização verificasse a real atividade do contribuinte, não há que se falar em arbitramento com base na atividade preponderante da empresa, uma vez que esta não restou comprovada nos autos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. Constatada a prática de atos praticados pelos sócios administradores com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos definidos no artigo 135 do Código Tributário Nacional, que dão origem ao nascimento de obrigação tributária, àqueles sócios deve ser imputada a responsabilidade pessoal pelo pagamento do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA. Comprovadas condutas e omissões dolosas dos representantes do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. Fl. 6326DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.327 3 (assinado digitalmente) FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Flavio Machado Vilhena Dias. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face dos contribuintes Gércio Marcelino Mendonça Junior e Cláudio Fernando Mendonça, na qualidade de sócios administradores da empresa GLOBO FOMENTO LTDA – EPP, CNPJ 04.997.312/000172, sendo ambos responsáveis por ativos e passivos supervenientes, tendo em vista o encerramento das atividades da empresa, nos termos do acordo de Distrato Social devidamente acostado aos autos (fl. 68). No referido Distrato consta, ainda, que o sócio Gércio Marcelino Mendonça Junior seria o responsável pela guarda de livros e documentos da empresa, inclusive, para o atendimento de eventuais fiscalizações. Levado a efeito o procedimento fiscalizatório, identificouse, pelos extratos bancários obtidos através de decisão judicial, valores de origem supostamente não comprovada. Intimados, em diversas oportunidades, (i) para apresentar a escrituração contábil e fiscal da empresa GLOBO FOMENTO LTDA. e (ii) para comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos créditos e débitos identificados em suas contas correntes, informouse, na ocasião, a indisponibilidade de sua escrituração contábil, oportunidade em que foi requerido o arbitramento do lucro. Com relação aos créditos e débitos nas contas correntes, os responsáveis apresentaram justificativas que aqueles eram relativos à realização de operações de factoring, de acordo com o objeto social da empresa, e de mútuos contraídos junto aos sócios da GLOBO FOMENTO LTDA.. Com relação aos débitos, argumentouse que seriam relativos à quitação dos mútuos contraídos junto aos sócios, bem como ao pagamento de despesas diversas, prólabore, distribuição de lucros, juros sobre capital próprio e dividendos, que já teriam sido levados a tributação, de acordo com a legislação em vigor. Desta feita, ante a ausência de apresentação dos livros contábeis e fiscais, bem como pela ausência de comprovação da origem dos créditos identificados nos extratos bancários, foi efetuada a apuração pelo Lucro Arbitrado e dos tributos reflexos, quais sejam CSLL, PIS/PASEP e COFINS. Fl. 6327DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.328 4 O procedimento fiscalizatório identificou, ainda, a existência de pagamento sem causa ou beneficiário não identificado, promovendo, assim, o lançamento do respectivo IRRF sobre tais operações. Tendo sido constatada suposta conduta dolosa dos sócios administradores da empresa GLOBO FOMENTO LTDA., sobre todos os créditos tributários lançados, aplicouse a multa qualificada de 150%, fundamentada no artigo 44; §1º, da Lei 9.430/96 c/c art. 71 da Lei 4.502/64. No Termo de Verificação Fiscal (TVF), demonstrouse que a fiscalização teve início após ser deflagrada operação pelo Ministério Público Federal, na qual se identificou várias atividades ilícitas praticadas pelo coobrigado Gércio Marcelino Mendonça Junior, através de suas empresas, dentre elas a GLOBO FOMENTO LTDA., inclusive com a participação de agentes públicos. No mencionado TVF demonstrouse que foi dada a oportunidade ao contribuinte para apresentar sua escrituração fiscal e contábil, bem como comprovar a origem dos valores creditados em suas contas correntes e o destino dos débitos ali constantes. Contudo, além de não serem apresentados os livros de guarda obrigatória, principalmente os contábeis, não restou comprovado, via documentação hábil e idônea, as movimentações bancárias da mencionada empresa. Não houve a apresentação de nenhum documento que pudesse aferir e comprovar as movimentações bancárias da empresa. Assim, a fiscalização não pode fazer os confrontos necessários, levando a cabo a autuação ora contestada pelo contribuinte. Em extensa impugnação administrativa, tempestivamente apresentada, os contribuintes alegaram, em síntese, os seguintes pontos: (i) nulidade da autuação; (ii) decadência dos fatos geradores anteriores a Julho/2010; (iii) a efetiva comprovação das movimentações bancárias, tendo em vista a atividade da empresa; (iv) não reconhecimento, pela fiscalização, dos tributos recolhidos pela empresa no período autuado; (v) não incidência do IRRF, tendo em vista a identificação das despesas incorridas; (vi) apresentação de documentação idônea (em especial borderôs) que comprovariam as operações de factoring da empresa; (vii) necessária tributação pelo arbitramento, de acordo com a atividade da empresa; (viii) necessidade de reconhecimento dos contratos de mútuo e a impossibilidade de tributação pelo IR destas operações; (ix) ausência de responsabilidade dos sócios; (x) impossibilidade de aplicação da multa qualificada, dentre outros argumentos. Em voto proferido pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), a impugnação foi julgada parcialmente procedente, uma vez que acatouse o argumento da defesa de que os valores efetivamente recolhidos pela empresa GLOBO FOMENTO LTDA. não haviam sido decotados pela fiscalização. Eis a ementa do acórdão: DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. Fl. 6328DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.329 5 DECADÊNCIA. FRAUDE. Nos casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos, prevista no art. 150, § 4º, do CTN, deslocase para a regra geral, prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal, razão pela qual fica afastada a tese de decadência. SIGILO BANCÁRIO. PROVA EMPRESTADA. É legítima a constituição do crédito tributário com base em documentos e extratos bancários apreendidos por determinação de Juiz de Direito, se a mencionada Autoridade Judicial, guardiã do sigilo no caso concreto, transferiu o sigilo ao Fisco Federal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DE ESCRITURAÇÃO OBRIGATÓRIA. A falta de apresentação dos livros de escrituração obrigatória sujeita a pessoa jurídica ao arbitramento do lucro, calculado com base na receita bruta conhecida, in casu, apreendida dos depósitos bancários de origem não comprovada. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias no caso de interesse comum, assim como resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de sonegação quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Fl. 6329DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.330 6 O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. SESSÃO DE JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. A legislação que rege o processo administrativo tributário federal não prevê que as partes possam oferecer sustentação oral na sessão de julgamento da DRJ. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Sujeitase à incidência do imposto de renda retido na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros, pessoas físicas, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado, o coobrigado Cláudio Fernando Mendonça apresentou Recurso Voluntário em que, basicamente, repete os argumentos lançados na impugnação, requerendo, ao final, o cancelamento da autuação ou, subsidiariamente, o arbitramento correto do lucro. Este é o relatório. Voto Conselheiro FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS DA TEMPESTIVIDADE E DO TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. Como se denota dos autos, o contribuinte Cláudio Fernando Mendonça foi intimado do teor do acórdão recorrido em 23/02/2017, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 24/03/2017, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado por Cláudio Fernando Mendonça, devendo ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por outro lado, ao se proceder a intimação do contribuinte Gércio Marcelino Mendonça Junior via AR, este retornou dos Correios com a informação de que o destinatário "mudouse". Fl. 6330DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.331 7 Desta forma, a Delegacia da Receita Federal do Brasil responsável por formalizar a intimação dos contribuintes publicou o Edital Eletrônico de nº 002007698, no dia 04/04/2017, dando ciência ao Sr. Gércio Marcelino Mendonça Junior do teor do acórdão de nº 1464.129, proferido pela 15ª Turma DRJ/RPO. Intimação esta com validade no dia 19/04/2017. Contudo, mesmo com a formalização da intimação, via edital, aquele coobrigado não apresentou Recurso Voluntário, ocorrendo, assim, o trânsito em julgado administrativo da presente discussão com relação à imputação de responsabilidade ao Sr. Gércio Marcelino Mendonça Junior pelo pagamento do crédito tributário constituído pela fiscalização no Auto de Infração. Importante ressaltar, inclusive, que o contribuinte Gércio Marcelino Mendonça Junior teve acesso à cópia integral do processo após a decisão da DRJ, uma vez que consta dos autos "solicitação de cópia do processo" assinada por ele, na condição de representante legal da empresa GLOBO FOMENTO LTDA. Ou seja, naquele momento, independentemente da publicação do edital de intimação, que viria ocorrer depois, poderia ter apresentado Recurso Voluntário contra aquele acórdão, mas não o fez. Desta forma, é patante o trânsito em julgado administrativo com relação tão somente ao contribuinte Gércio Marcelino Mendonça Junior. Por fim, cumpre ressaltar que, em que pese o Recurso Voluntário ter sido apresentado também em nome da empresa GLOBO FOMENTO LTDA., esta não consta como sujeito passivo no Auto de Infração lavrado pela fiscalização. Desta feita, na presente análise, só será considerado o Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. Cláudio Fernando Mendonça, uma vez que, além de ser o Recurso ser tempestivo, como demonstrado, este contribuinte consta como sujeito passivo da obrigação tributária questionada no presente procedimento administrativo. DA DECADÊNCIA Como sabido, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 146, inciso III, alínea b), determina que cabe ao legislador complementar estabelecer normas gerais em matéria tributária, inclusive aquelas que tratam da prescrição e decadência. No ordenamento jurídico pátrio, o Código Tributário Nacional é a norma geral a qual faz menção o Texto Constitucional. Mesmo tendo sido publicado antes da Constituição de 1988, o referido código foi recepcionado como Lei Complementar em matéria tributária e, por isso, é nele que se encontram as regras para contagem do prazo decadencial no Direito Tributário. Assim, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em que o contribuinte declara, calcula e recolhe os valores que entende devidos ao erário, o CTN determina que o fisco possui 05 anos, contados do fato gerador, para homologar a declaração e o pagamento realizado pelo contribuinte. Eis a sua redação: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 6331DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.332 8 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (destacouse) Contudo, a redação do artigo traz uma ressalva, que é justamente para aqueles casos em que houver condutas dolosas, fraudulentas ou simulatórias por parte do contribuinte, que acabem por trazer um embaraço para a fiscalização. Neste casos, remetese à regra geral para contagem do prazo decadencial, que está prevista no artigo 173, I do Código Tributário Nacional: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. No presente caso, a fiscalização demonstrou que, em que pese a empresa GLOBO FOMENTO LTDA ter auferido receitas supostamente decorrentes da sua atividade principal (fomento mercantil), não as escriturou de forma correta, deixando de apresentar seus livros fiscais e contábeis, para fins de aferição declarações apresentadas. E, ainda, o contribuinte, a princípio, omitiu as receitas e só as admitiu quando a fiscalização, já de posse dos extratos bancários do contribuinte, a intimou para esclarecer e comprovar a origem dos créditos bancários existentes das contas bancárias de sua titularidade. Ou seja, caso a fiscalização não tivesse acesso aos extratos bancários, ao certo que os valores supostamente recebidos em decorrência da atividade ou não do contribuinte não teriam sido levados à tributação. Fl. 6332DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.333 9 Neste caso, por toda a documentação carreada nos autos e pelas ilações a que chegou a fiscalização, restou clara a atitude dolosa do contribuinte, que deixou de declarar os valores recebidos, que, como ele mesmo alega nos autos, são decorrentes do exercício do seu objeto social principal, qual seja: fomento mercantil, bem como de supostos mútuos formalizados entre a sociedade e seus sócios, o que também não foi devidamente escriturado, formalizado e contabilizado pela empresa. Assim, tendo em vista que os fatos geradores dos tributos ora contestados são relativos aos anos de 2010 e 2011, o prazo decadencial do período mais antigo (2010), pela regra do citado artigo 173, I do CTN, só teve início no dia 01/01/2011, findadose, por consequência, em 01/01/2016 (prazo de 05 anos). Considerandose, portanto, que a notificação do contribuinte da constituição definitiva do crédito tributário se deu em 18/12/2015, não há que se falar em decadência no presente caso. DA PROVA EMPRESTADA Por ser uma questão preliminar, que poderia prejudicar a análise do mérito, invertese a ordem das alegações do Recorrente, para, neste momento, se analisar os argumentos lançados no Recurso Voluntário no que tange a utilização de provas colhidas pelo Ministério Público Federal, com autorização judicial, e que embasam a autuação ora combatida. Alega o Recorrente que a utilização de dados bancários obtidos pelo MPF em operação autorizada pelo Poder Judiciário afrontam princípios basilares do Estado Democrático de Direito e, por isso, tais provas não poderiam ser consideradas para embasar o Auto de Infração lavrado. De pronto, cumpre ressaltar que, apesar de os extratos bancários não terem sido obtidos com base no que estabelece a Lei Complementar 105/01, o Supremo Tribunal Federal convalidou a constitucionalidade deste dispositivo, afirmando, em síntese, que o sigilo fiscal acaba por proteger o sigilo bancário do cidadão. Assim, não haveria qualquer inconstitucionalidade na entrega das informações bancárias pelas instituições financeiras, quando requeridas pelas fiscalizações tributárias, nos termos regulamentados pela citada Lei Complementar. Confirase a ementa do julgado proferido pelo STF: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, Fl. 6333DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.334 10 qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.(RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16 092016) (destacouse) No caso em apreço as informações bancárias que deram início ao procedimento de fiscalização não foram obtidas pela autorização da Lei Complementar 105/01 e, sim, através de compartilhamento de informações pelo MPF, que teve acesso a estas informações com autorização judicial para tanto. Contudo, a decisão acima transcrita demonstra qual o entendimento da mais alta Corte do Poder Judiciário quanto ao acesso, pelo fisco, das informações bancárias dos contribuintes. De toda forma, o próprio STF já convalidou o compartilhamento de provas, como se observa do julgado cuja ementa segue abaixo transcrita: EMENTA: PROVA EMPRESTADA. Penal. Interceptação telefônica. Escuta ambiental. Autorização judicial e produção para fim de investigação criminal. Suspeita de delitos cometidos por autoridades e agentes públicos. Dados obtidos em inquérito policial. Uso em procedimento administrativo disciplinar, contra outros servidores, cujos eventuais ilícitos administrativos teriam despontado à colheira dessa prova. Admissibilidade. Resposta Fl. 6334DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.335 11 afirmativa a questão de ordem. Inteligência do art. 5º, inc. XII, da CF, e do art. 1º da Lei federal nº 9.296/96. Precedente. Voto vencido. Dados obtidos em interceptação de comunicações telefônicas e em escutas ambientais, judicialmente autorizadas para produção de prova em investigação criminal ou em instrução processual penal, podem ser usados em procedimento administrativo disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em relação às quais foram colhidos, ou contra outros servidores cujos supostos ilícitos teriam despontado à colheita dessa prova .(Inq 2424 QOQO, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 20/06/2007, DJe087 DIVULG 23082007 PUBLIC 24082007 DJ 24082007 PP 00055 EMENT VOL0228601 PP00152 RTJ VOL0020502 PP00656) (destacouse) Portanto, não restam dúvidas, por ter a mesma natureza e finalidade do procedimento administrativo disciplinar, que tal entendimento também se aplica ao processo administrativo fiscal. Assim, desde que judicialmente autorizadas, como foi no caso em tela, tais provas não só podem ser utilizadas no âmbito do processo administrativo fiscal, como é dever do agente fiscal apreciálas e utilizálas para embasar eventuais autuações. Neste sentido, inclusive, já se pronunciou esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Confirase: (...) PROVA EMPRESTADA. DIÁLOGOS DE ESCUTA TELEFÔNICA. COMPARTILHAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. Não há impedimento legal para que a prova obtida licitamente por meio de quebra de sigilo telefônico e de dados, regularmente autorizada no âmbito do procedimento de investigação criminal, seja utilizada no processo administrativo fiscal, principalmente, se existe autorização judicial expressa para instrução do respectivo procedimento fiscal. (...) (ACÓRDÃO 3302003.224 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 3a. Seção TERCEIRA CÂMARA / SEGUNDA TURMA) Assim, no presente caso, plenamente possível a utilização de extratos bancários, obtidos através de autorização judicial de busca e apreensão, para embasar o procedimento fiscal. DA POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. O Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, como sabido, admite três formas distintas de apuração: lucro real, lucro presumido e lucro arbitrado, nos termos do artigo 44, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Fl. 6335DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.336 12 Na apuração pelo lucro real, em alguns casos, há imposição de sua adoção na legislação em vigor, como preceitua o artigo 14, da Lei nº 9.718/98, mas também a adoção da apuração pelo lucro real pode resultar da opção do próprio contribuinte. E a adoção pelo lucro real, independentemente se for por imposição legal ou por opção do contribuinte, obriga este a manter escrituração fiscal regular, sob pena de ter arbitrado o seu lucro pela autoridade fiscalizadora. É o que determina o artigo 47, da 8.981/95. Confirase: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI o contribuinte não apresentar os arquivos ou sistemas na forma e prazo previstos nos arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 6336DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.337 13 § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. (destacou se) Desta forma, podese afirmar e concluir que o arbitramento é medida excepcional e só deve ser utilizado pelo fisco quando ocorrer umas das hipóteses elencadas no dispositivo legal acima transcrito, sendo uma dessas hipóteses, inclusive, quando o contribuinte, reiteradamente, se opõe a entregar os livros fiscais que a legislação o obriga a ter ou quando o próprio contribuinte declara não possuir a escrituração. Não há que se falar, in casu, portanto, em impossibilidade arbitramento por parte da fiscalização, uma vez que é incontroverso nos autos que, mesmo intimado em diversas oportunidades, o contribuinte deixou de apresentar os seus livros fiscais e contábeis solicitados formalmente via termos de intimação. E mais: em atendimento a uma das intimações, requereu o arbitramento, justamente pela impossibilidade de entrega dos livros que tinha a obrigação legal de manter. Não se pode perder de vista, ainda, que a não apresentação de escrituração definida na legislação e da respectiva documentação comprobatória impede o agente fiscalizador de verificar se está correta ou não a apuração dos tributos feita de forma unilateral pelo contribuinte, notadamente naqueles tributos em que o lançamento é por homologação, como no caso, por exemplo, do IRPJ. Assim, na impossibilidade de se verificar a apuração feita pelo contribuinte, em especial quando se identifica a existência de depósitos vultuosos realizados junto a instituições financeiras, que não foram, a princípio, efetivamente declarados pelo contribuinte ou que, após a intimação deste para esclarecer a origem dos recursos, não há uma efetiva e plausível comprovação da sua origem, devese arbitrar o lucro, nos parâmetros estabelecidos dentro do ordenamento jurídico. DA UTILIZAÇÃO DOS DADOS BANCÁRIOS PARA CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Sendo válido o arbitramento quando o contribuinte incorre em uma das hipóteses elencadas no artigo 47, da Lei nº 8.981/95, neste ponto, importante destacar que a Lei nº 9.430/96 presume que a existência de depósito bancários, sem que haja a comprovação da origem dos recursos por parte do contribuinte, pode ser considerada como omissão de receita pela fiscalização. É o que determina, expressamente, o artigo 42 da citada lei. Vejase: Fl. 6337DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.338 14 Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A adequação deste dispositivo aos comandos da Constituição Federal de 1988, notadamente aos princípios que balizam e limitam o poder de tributar dos entes competentes para instituir e cobrar tributos, dentre eles o da Capacidade Contributiva, é questionável. Tanto que o Supremo Tribunal Federal reconheceu, em 2015, a repercussão geral da discussão nos autos do RE 855.649, nos termos da ementa a seguir transcrita: IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855.649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) Contudo, não havendo, até o presente momento, nenhuma declaração de inconstitucionalidade, tampouco a suspensão liminar da eficácia do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aplicálo, desde que estejam presentes os requisitos para se imputar a presunção de renda, com base nos valores creditados em conta de depósito ou investimento do contribuinte. Ressaltese, ainda, que, pela leitura do dispositivo legal transcrito, podese observar que não há uma presunção absoluta na caracterização de omissão de receita pelo simples crédito de valores nas contas do contribuinte. Pelo contrário: a presunção é relativa, na medida em que o contribuinte, após ser intimado para tanto, pode demonstrar através de documentação hábil e idônea a origem e o lastro dos recursos identificados e que transitaram em contas correntes e de investimentos mantidos junto às instituições financeiras. Entretanto, não fazendo prova cabal da origem daqueles recursos, é dever da fiscalização caracterizar a omissão de receita e, se for o caso, lavrar a autuação, constituindo, assim, o crédito tributário em desfavor do contribuinte. Por outro lado, no que tange especificamente ao IRPJ, também devese deixar claro que, uma vez caracterizada a omissão das receitas, não há que se falar em necessidade de comprovação, por parte do fisco, do acréscimo patrimonial a ensejar a incidência do referido tributo. Neste sentido, já se pronunciou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJExercícios: 2004 e 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 6338DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.339 15 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.Com a edição da Lei n° 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos o lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS E ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO. ESPÉCIES DISTINTAS.A disposição legal acerca da omissão de rendimentos, em face de valores creditados em conta sem a comprovação de suas origens, prescinde para a sua aplicação de que haja a ocorrência de acréscimo patrimonial, mormente o fato de a interessada consistirse em pessoa jurídica, quando a ausência de escrituração e dos documentos que a amparam enseja o arbitramento do lucro, com base na receita tida por omitida. MULTA DE OFICIO.Na ausência de descrição dos fatos que ensejaram a qualificação da multa de 150%, deve a mesma ser reduzida ao percentual de 75%.LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS.Os lançamentos reflexos, uma vez que nada específico a esses foi contraditado, seguem a sorte do lançamento principal (IRPJ).Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Número do Processo 12963.000069/200719 Contribuinte MANHATTAN FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 12/11/2010 Relator(a) Paulo Jakson da Silva Lucas Nº Acórdão 1301000.446) Este entendimento é, inclusive, o objeto da súmula 26 do CARF, não podendo ser interpretado de outra forma por este colegiado administrativo. Confirase: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fixadas essas premissas, será legítimo o arbitramento do IRPJ e reflexos pela fiscalização com base nos valores creditados em conta corrente ou de investimento do contribuinte, desde que reste comprovado (i) que o contribuinte não tem ou deixou de apresentar os livros fiscais e contábeis de escrituração obrigatória; (ii) os valores que circularam nas contas de depósito ou de investimentos do contribuinte e (iii) que seja dada oportunidade a este de demonstrar a origem dos recursos e que estes não são, efetivamente, renda tributável ou que já foram levados à tributação. Assim, passase a analisar, concretamente, os fatos e documentos dos presentes autos, para, ao final, se verificar se deve ou não ser dado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. DA ATIVIDADE DA EMPRESA GLOBO FOMENTO LTDA. E DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS (CRÉDITOS) É fato nos autos que a atividade preponderante que empresa GLOBO FOMENTO LTDA., da qual o Recorrente Cláudio Fernando Mendonça constou como um dos Fl. 6339DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.340 16 sócios, era de fomento mercantil. Há nos autos, além do contrato social da empresa, afirmações do contribuinte e da fiscalização neste sentido. As empresas de factoring (como é conhecido no mercado o fomento mercantil) caracterizamse, em síntese, pela atividade complexa que conjugam prestação de serviços com compra de direitos. Esta é a inteligência, inclusive, do artigo 15, § 1º, III, d) , da Lei nº 9.249/96, quando trata da tributação pelo Imposto de Renda desse tipo de atividade: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (...) d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). Por outro lado, por não serem consideradas instituições financeiras, as empresas de factoring não estão sujeitas à fiscalização do Banco Central. Contudo, é vedado a esse tipo de empresa exercer funções típicas daquelas instituições, sob pena de aplicação de penalidades pelos órgãos reguladores, caso a exerçam. Assim, a receita das empresas de fomento mercantil, basicamente, é oriunda de dois negócios: a comissão cobrada dos serviços que prestar e o diferencial na compra dos créditos mercantis oriundos das vendas de seus clientes. Pois bem. Como mencionado, a atividade preponderante desenvolvida pela empresa GLOBO FOMENTO LTDA é de factoring. Contudo, ao ser intimada, em um primeiro momento, para apresentar seus livros fiscais e contábeis, para que a fiscalização pudesse aferir se os valores declarados ao fisco estariam de acordo com a realidade das operações da empresa em comento, afirmouse, nas respostas apresentadas, que a empresa não possuía mais tais livros, uma vez que teria encerrado suas atividades. Instada, ainda, a se manifestar e comprovar a origem dos depósitos realizados em suas contas correntes, a empresa não atendeu as intimações. Posteriormente, limitouse a apresentar complemento às planilhas elaboradas pela fiscalização, que, em tese, esclareciam a origem dos recursos como sendo de duas naturezas: operações de factoring e operações de mútuos realizados com os sócios da entidade. Fl. 6340DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.341 17 Não foi apresentada à fiscalização qualquer documento que pudesse comprovar as afirmações lançadas nas planilhas apresentadas, ou seja, o contribuinte não entregou à fiscalização qualquer documentação complementar, tais como contratos firmados com os seus clientes, borderôs, que poderiam esclarecer e, principalmente, comprovar como se dava a remuneração da empresa pelos serviços prestados, o deságio na aquisição dos títulos, etc. e qual seria efetivamente a sua renda tributável. Somente quando da apresentação da Impugnação Administrativa é que o contribuinte apresentou borderôs das supostas operações de factoring. Contudo, pela análise da documentação, se verifica que, em muitos casos, são documentos apócrifos, sem um lastro contábil, que possa ser utilizado na confrontação dos valores e se esses são os mesmos que constam dos extratos bancários analisados pelo agente que promoveu a autuação. Estranhase, ainda, o fato de os documentos apresentados com "comprovação" das transações financeiras terem sido, na maior parte deles, produzidos de forma unilateral pelo contribuinte. Somase a isso o fato de que os valores depositados nas contas são bastante expressivos, como podese observar das planilhas anexas ao Auto de Infração. Ressaltese que, como mencionado, ao apresentar as planilhas à fiscalização, o contribuinte não demonstrou de forma irrefutável os créditos em sua conta. Se limitou a afirmar que ora os créditos eram referentes a depósitos dos seus clientes ou eram relativos aos mútuos contratados junto aos seus sócios. Essa falta de comprovação foi mencionada pela douta Delegacia de Julgamento que lavrou o acórdão recorrido. Confirase: Diante disso, a contribuinte, na figura de seu sócio, foi regularmente intimada a apresentar livros e documentos de sua escrituração e a comprovar a origem dos recursos questionados. Conforme consta dos diversos termos de intimação cientificados à contribuinte, caberia a ela demonstrar, de forma individualizada, a origem de cada um dos depósitos efetuados em contas de sua titularidade. Entretanto, limitouse a complementar as planilhas apresentadas pela fiscalização com a suposta justificativa para a operação, sem, no entanto, juntar os contratos ou a escrituração respectiva. Por outro lado, não se pode desprezar o fato de um dos sócios da empresa GLOBO FOMENTO LTDA. ter formulado acordo com o Ministério Público, no qual, como mencionado no relatório fiscal, constatouse que o "Sr. Gércio efetuava “empréstimos” em dinheiro para agentes políticos do Estado do Mato Grosso, no entanto não foi possível verificar a quitação/pagamento de tais empréstimos. Quando inquirido sobre a forma que os empréstimos eram realizados, o Sr. Gércio informou que só fazia contato com o então Secretário da Fazenda do Estado, Sr. Éder de Morais Dias. Que começou repassando dinheiro para “pessoas físicas/jurídicas” do grupo político do qual o Secretário da Fazenda fazia parte e que o responsável pelo pagamento era o Sr. Éder de Morais. Que quando cobrava pagamento de empréstimo vencido, era informado que determinada empresa (e qual era essa empresa), depositaria dinheiro em uma das contas bancárias de suas empresas (Comercial Amazônia de Petróleo Ltda e/ou Globo Fomento Ltda) com o objetivo de abater parte das dívidas contraídas. Desta forma, este esquema funcionava como uma conta corrente em que o Sr. Eder solicitava diretamente o dinheiro ou que fosse depositado em determinadas contas Fl. 6341DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.342 18 bancárias de terceiros e posteriormente outras empresas pagavam parte desses valores. Observando que nunca era depositado o total da dívida e sim, parte desta dívida." Esta afirmação da fiscalização em nenhum momento foi refutada nas defesas apresentadas. Ora, se os valores que transitaram nas contas da empresa GLOBO FOMENTO LTDA. fossem mesmo relativos apenas às operações de factoring e de mútuo, como afirmouse nas planilhas e defesas apresentadas, as colocações acima não estariam suficientemente corretas, o que é de se estranhar. Por outro lado, como já mencionado, no Recurso Voluntário, o Recorrente afirma que parte dos recursos depositados nas contas bancárias mantidas pela empresa GLOBO FOMENTO LTDA. seriam relativos a mútuos firmados entre a empresa e os seus sócios, dentre eles o ora Recorrente. Entretanto, não há nos autos qualquer documento que comprove essas pactuações. Neste ponto, não se pode perder de vista que o contrato de mútuo é um contrato típico, regulamentado de forma expressa pelo Código Civil (Lei nº 10.406/2002) e que exige determinados requisitos. Eis o que determina o mencionado código: Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Art. 587. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição. Como se observa, no empréstimo de coisas fungíveis (dinheiro é uma delas) o mutuário se obriga a restituir ao mutuante o que recebeu. Mas, in casu, como se deu essa devolução? Qual o prazo estipulado pelas partes para tanto? Por qual motivo foram feitos os mútuos? Capital de giro? Essas perguntas não podem ser respondidas pela análise dos autos e pela documentação a ele juntada, até mesmo porque, repisase, não foi anexado aos autos nenhum contrato de mútuo firmado pelas partes (empresa e seus respectivos sócios). Importante ressaltar que o Recorrente alega que os contratos de mútuo seriam tácitos e não foram formalizados expressamente pelas partes. É certo que o nosso ordenamento admite a formação de contratos de forma tácita. Contudo, tendo em vista os valores envolvidos e, em especial, a atividade principal desenvolvida pela empresa, é de causar arrepio que não havia nenhum controle ou formalização dos valores que transitavam na conta da empresa. E se havia, por que não foram devidamente acostados aos autos? Assim, o contribuinte, nas respostas às intimações, na Impugnação Administrativa e no Recurso Voluntário apresentado, com toda venia, não conseguiu afastar, através de documentação hábil e inidônea, a presunção de renda prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, tendo em vista os créditos identificados nas suas contas correntes pela fiscalização. Essa falta de comprovação se mostra mais patente, pela recusa na entrega dos livros contábeis e fiscais. Neste sentido, já decidiu esta colenda Turma do CARF. Confirase: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Primeira Seção TERCEIRA CÂMARA SEGUNDA TURMA Fl. 6342DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.343 19 RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO MATÉRIA: IRPJ, COFINS, PIS, CSLL ACÓRDÃO: 1302 001.868 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. Correta a exigência integralmente fundamentada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 se o sujeito passivo não apresenta livros e documentos de sua escrituração e não prova a origem dos depósitos bancários mantidos em contas de sua titularidade. Ainda que presentes evidências de os depósitos bancários decorrerem do recebimento de cobrança ou de exportação, a imputação de omissão de receitas na data do depósito bancário e pelo valor nele expresso decorre da lei que estabelece a presunção. ARBITRAMENTO. A falta de apresentação de livros e documentos impõe o arbitramento dos livros ainda que o sujeito passivo seja optante pela sistemática do lucro presumido. MULTA QUALIFICADA. Provada a fraude, consistente na declaração reiterada de receitas ínfimas frente aos depósitos bancários provenientes de cobrança e câmbio em exportação, é aplicável a penalidade no percentual de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade da decisão de 1ª instância e do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Por todo exposto, neste ponto, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente Cláudio Fernando Mendonça. VALORES DECLARADOS E RECOLHIDOS NÃO DEDUZIDOS NA AUTUAÇÃO Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente alega que, mesmo tendo o acórdão recorrido decotado alguns recolhimentos que não haviam sido reconhecidos na autuação, restaram alguns pagamentos que deveriam também ser considerados. Neste ponto, data venia, incorre em equívoco o Recurso Voluntário. É que, como se verifica do apelo apresentado, alegouse que os seguintes tributos recolhidos não foram decotados da autuação, mesmo depois da decisão da douta Delegacia de Julgamento: · IRPJ (2010). Valor R$10.463,74 Ficha 12A · CSLL (2010). Valor: R$6.571,13 Ficha 17A Fl. 6343DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.344 20 · IRRF (2010). Valor R$18.000,00 (recolhimento em 05/01/2011) Juros sobre o capital próprio Contudo, como se verifica da autuação, os valores recolhidos a título de IRPJ e CSLL (2010) foram considerados pela fiscalização e, quando da autuação, foram deduzidos das bases de cálculo. Inclusive, os valores dos DARF's, juntados pelo contribuinte em sua impugnação, estão elencados como "outras deduções" nas planilhas anexas aos Autos de Infração. Assim, estes valores recolhidos, relativos ao IRPJ e a CSLL (2010), ao contrário do que alega o Recorrente, foram considerados pelo agente autuante quando da lavratura do Auto de Infração. Com relação aos valores de IRRF de Juros sobre capital próprio, como bem colocado no acórdão recorrido, "somente seria considerado antecipação caso a Pessoa Jurídica fosse a beneficiária do pagamento, conforme Art. 668 do Regulamento do Imposto de Renda (decreto 3.000/99)", o que não é o caso. DOS PAGAMENTOS REALIZADOS (DÉBITOS NAS CONTAS CORRENTES) CONSIDERADOS COMO PAGAMENTO SEM CAUSA OU CUJOS BENEFICIÁRIOS NÃO FORAM IDENTIFICADOS. IRRF. No auto de infração combatido, a fiscalização entendeu que, no atendimento das intimações que foram realizados, o contribuinte não conseguiu comprovar o beneficiário e a causa dos pagamentos realizados, tendo em vista os débitos das contas correntes. No TVF restou fixada a seguinte conclusão: 68. Não sendo possível obter comprovação acerca do destino dos recursos debitados das diversas contas correntes de titularidade do contribuinte, ou das causas de tais pagamentos/entrega de recursos a terceiros, malgrado as diversas intimações que solicitaram esclarecimentos nesse sentido, e verificada igualmente a impossibilidade de identificação das operações que lhes deram causa na escrita contábil, que não foi apresentada pelo contribuinte (ou por inexistir, ou por existir, e ter o contribuinte faltado com seu dever de colaborar com o Fisco), ou por meio de documentação hábil e idônea, não restou alternativa ao Fisco que proceder ao lançamento do crédito tributário com base nos extratos bancários do "MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DÉBITOS", determinado mediante a utilização do percentual obtido de acordo com art. 61 e parágrafos, da Lei 8.981/95, ou seja, 35%, aplicado sobre débitos em conta corrente relacionados a operações sem causa comprovada (art. 674, §1º, RIR/99), efetivamente realizadas no período fiscalizado. 69. Lançouse, portanto, os valores referentes ao IRRF com a alíquota de 35% a partir da base de cálculo reajustada (valor pago dividido por 0,65), conforme valores dos débitos na movimentação bancário, de acordo com o AI IRRF e Enquadramento legalIRRF: Art. 674 e 675 do RIR/99. 70. Os pagamentos/retiradas/débitos sem causa comprovada são apenas a outra face do procedimento de não escriturar e não Fl. 6344DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.345 21 declarar as entradas de recursos (depósitos). À omissão de receitas representada pelos depósitos não declarados, de origem não comprovada, seguemse os pagamentos a beneficiários não identificados, ou pagamentos sem causa comprovada, de tal modo que todo um volume de recursos financeiros é movimentado às ocultas, sem o conhecimento das autoridades fazendárias, e sem a devida tributação. 71. Assim, plenamente cabível a realização de lançamento de IRRF sobre os débitos representativos de operações sem causa e retiradas/saques/pagamentos em favor de terceiros não identificados, mesmo tendo havido lançamento anterior de IRPJ sobre omissão de receitas. Os tributos não se confundem, assim como seus fatos geradores. 72. Ressaltese que ao Fisco não restou alternativa a não ser determinar o quantum debeatur do crédito tributário por meio dos débitos em conta corrente bancária, tendo em vista que o contribuinte faltou com seu dever de auxiliar as autoridades tributárias na busca da verdade material. 73. De fato, o contribuinte, com seu comportamento ao longo da ação fiscal, caracterizado por não colaborar com a Administração Tributária na busca da verdade material (em especial quanto à vinculação de sua movimentação financeira ao objeto eleito em seu contrato social), não deixou margem ao Fisco além de efetuar o lançamento do IRRF sobre os débitos em suas contas correntes bancárias, representativos de pagamentos/retiradas/saques cuja causa não foi comprovada e os beneficiários não foram identificados. 74. E diferentemente não poderia ser, pois se assim o fosse, ante a simples possibilidade de sofrer ação fiscal, poderia o contribuinte, agindo de máfé, eliminar ou simplesmente não disponibilizar seus livros contábeis e fiscais, assim como a documentação que serviu de suporte à sua escrituração e movimentação financeira e alegar a impossibilidade de ser tributado, na medida em que prejudicada a determinação do quantum debeatur do crédito tributário. De fato, tratase aqui de mero reflexo do princípio geral de direito de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza. 75. A opção pelo lançamento de IRRF com base nos débitos em conta corrente mostrase, in casu, como único meio de garantir o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário. E a adoção desse método de apuração resulta imperioso não só pela determinação contida na lei, como também diante da violação do dever de prestar informações perpetrada pelo contribuinte, caracterizada não só pelo comportamento da fiscalizada no curso da ação fiscal, mas também pelo fato da mesma ter sempre funcionado, bem como realizado a expressiva movimentação financeira que realizou informando às autoridades fazendárias receitas muito inferiores e incompatíveis com os recursos movimentados. Fl. 6345DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.346 22 De fato, a não a apresentação da escrituração contábil e fiscal pelo Recorrente dificulta ou até mesmo impede o conhecimento do fisco das operações da empresa, para fins de verificação do correto cumprimento da obrigação tributária principal, ou seja, do devido recolhimento dos tributos eventualmente devidos pela entidade. No caso em apreço, é também relevante o fato de ter se identificado expressiva movimentação financeira nas contas bancárias (seja a crédito, seja a débito), sendo que os valores declarados como receitas ao fisco, como bem colocado no relatório fiscal, são inexpressivos quando comparados aos recursos movimentados naquela conta. Por isso, os pagamentos em que o beneficiário e a causa não podem ser identificados e individualizados devem sofrer a incidência do IRRF, como preceitua o artigo 61, da Lei nº 8.981/95: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Da análise dos autos, notadamente dos documentos apresentados pelo Recorrente quando da Impugnação, podese perceber que, em que pese ter juntado farta documentação, em especial a que referese aos pagamentos de despesas, tributos, dentre outros, o Recorrente, aos olhos desse julgador, não conseguiu cotejar de forma precisa os pagamentos, nem sua necessidade, muito menos os beneficiários. Na documentação apresentada na Impugnação, o Recorrente trouxe, é bem verdade, diversos documentos, mas a análise destes não se coaduna com as planilhas apresentadas, em especial quando se analisa a planilha reproduzida às folhas 16 a 20 do Recurso Voluntário. Por outro lado, a falta de escrituração contábil dos lançamentos a débito, que a empresa deveria possuir, dificulta ainda mais a análise dessas despesas. Não custa lembrar que a escrituração contábil tem, dentre outras utilidades, a função de externar a realidade da empresa, para o fisco e para a sociedade em geral. No caso em apreço, mesmo no caso de serem considerados válidos os pagamentos de despesas necessárias à manutenção da sociedade, não há como verificar se esses pagamentos foram de fato escriturados e contabilizados, justamente pela falta de apresentação dos livros contábeis. Inclusive, essa falta de escrituração contábil (cujos livros foram requeridos em diversas oportunidade pela fiscalização), impede de se verificar ou confirmar a afirmação do Recorrente de que parte dos débitos referiamse ao acerto dos mútuos com os sócios e à distribuição de lucros a estes. Os mútuos, como demonstrado acima, não restaram comprovados, até mesmo porque o Recorrente não apresentou à fiscalização e nem juntou aos autos qualquer documento que comprovasse a pactuação entre a empresa e seus sócios. Pelo contrário, no atendimento à Fl. 6346DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.347 23 fiscalização, os autuados se limitaram a dizer que os contratos eram tácitos e que não haveria nenhum documento que comprovasse a real operação realizada, mas que elas existiram. Por outro lado, o argumento de que parte dos débitos das contas correntes referiamse à distribuição de participação nos lucros não é plasusível, na medida em que não foram apresentados os livros contábeis e fiscais, impedindo a fiscalização de aferir, de forma precisa, se tais distribuições refletiam a real situação da empresa, ou seja, se a empresa auferiu lucro no período e se esse lucro poderia ser distribuído aos sócios, nos termos da legislação. Assim, correta a autuação no que tange ao IRRF incidente sobre os pagamentos cujos beneficiários não foram identificados ou que não tiveram a comprovação de sua causa, na medida em que o Recorrente não comprovou estes pagamentos, seja através de escrituração fiscal e contábil, seja através de documentação hábil e inidônea. Portanto, também neste ponto, se nega provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. DO ARBITRAMENTO COM BASE NA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA GLOBO FOMENTO LTDA. No Recurso Voluntário apresentado, o Recorrente alega, em caráter subsidiário, que o arbitramento realizado estaria incorreto, na medida em que não considerou de forma correta a atividade preponderante da empresa GLOBO FOMENTO LTDA e que, por isso, a receita deveria ser arbitrada com base nesta atividade. Argumenta, nesse sentido, que o arbitramento deve considerar como preço: "a multiplicação do valor de cada depósito pelo FATOR ANFAC fator financeiro publicado pela entidade de classe de fomento mercantil". Para tanto, invoca a dicção do artigo 285 do RIR/99, que tem a seguinte redação: Art.285.É facultado à autoridade tributária utilizar, para efeito de arbitramento a que se refere o artigo anterior, outros métodos de determinação da receita quando constatado qualquer artifício utilizado pelo contribuinte visando a frustrar a apuração da receita efetiva do seu estabelecimento (Lei nº 8.846, de 1994, art. 8º). Contudo, não assiste razão ao Recorrente. A uma porque o preceito do dispositivo invocado é uma faculdade da autoridade tributária e não uma imposição. A duas porque, mesmo sendo a atividade preponderante da empresa GLOBO FOMENTO LTDA. o factoring, tendo em vista a não entrega dos livros fiscais e contábeis às autoridades e os fortes indícios de que a empresa era utilizada para outros fins, como restou, inclusive, esclarecido por um dos sócios ao Ministério Público Federal, não pode a autoridade fiscal ter certeza de que todas as movimentações financeiras identificadas eram restritas a atividade de fomento mercantil, já que, repitase, não teve acesso aos livros fiscais e contábeis da empresa. Desta feita, não há nenhuma norma que imponha o arbitramento da receita com base no que pretende o Recorrente, ou seja, com base na suposta atividade preponderante da empresa da qual o Recorrente era sócio. Fl. 6347DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.348 24 Por outro lado, não se pode perder de vista que a pretensão do Recorrente, se cabível, seria aplicação daquele percentual relativo à sua suposta atividade (fomento mercantil) se a apuração do lucro tivesse sido realizada pelo lucro real. Contudo, como demonstrado, a apuração se deu pelo arbitramento, hipótese de apuração que é exceção e que só foi feita porque o contribuinte não tinha os livros fiscais e contábeis necessários para apuração do lucro real. Por tudo, não há que se falar em erro, neste ponto, no lançamento tributário levado a efeito no Auto de Infração combatido. DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS Ao Recorrente, na qualidade de sócio administrador da empresa GLOBO FOMENTO LTDA. foi imputada a responsabilidade pessoal ao pagamento do crédito tributário devido pela entidade que representava. Inicialmente, devese pontuar que, pela leitura dos artigos do Código Tributário Nacional, a sujeição passiva (um dos critérios que compõe a Regra Matriz de Incidência Tributária) pode ser divida entre o contribuinte e o responsável. Neste sentido, é a redação do artigo 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. No caso do representante da sociedade, dentre eles o sócio administrador, a responsabilidade pessoal pelo pagamento do crédito tributário se dará quando houver atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta é a inteligência do artigo 135, inciso III do CTN. Confirase: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Este julgador tem convicção de que, quando o dispositivo legal fala em responsabilidade "pessoal" do agente, uma vez identificadas alguma das condutas elencadas no citado dispositivo, a responsabilidade pelo pagamento do tributo passa a ser apenas daquele agente, excluindose a responsabilidade da pessoa jurídica contribuinte, que, em última análise, é lesada pela conduta dolosa de quem a representa. Fl. 6348DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.349 25 Assim, não estaria correto em se falar em responsabilidade solidária e, sim, em responsabilidade pessoal, como a interpretação, não só literal, mas sistemática do ordenamento jurídico impõe. Independentemente dessa posição, que, digase, não prevalece nas decisões do Poder Judiciário, no presente caso, tendo em vista o encerramento das atividades da empresa GLOBO FOMENTO LTDA. o crédito tributário foi constituído em nome dos seus sócios administradores. Para invocação da responsabilidade "solidária", a autoridade fiscal assim se pronunciou: 82. A conduta do contribuinte de não declarar os tributos, não apresentar a escrituração contábil da movimentação bancaria e fiscal de forma continua e reiteradamente caracteriza o interesse de pessoa física, atuando ostensivamente na materialização de irregularidades que resultaram na falta de recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF por parte de pessoa jurídica, autorizando a fiscalização a imputarlhe a condição de sujeito passivo solidário. 83. No Contrato Social (fls. 660 a 692), extraise de sua Cláusula Sétima, que GERCIO MARCELINO MENDONÇA JUNIOR (CPF n° 383.742.85168) e CLAUDIO FERNANDO MENDONÇA (CPF n° 453.171.51104) são Sócios Administradores. No Recurso Voluntário, fazendo uma certa confusão entre responsabilidade tributária imposta pelo artigo 135 do CTN e a desconsideração da personalidade jurídica prevista no artigo 50 do Código Civil, que são institutos completamente distintos, o Recorrente aduz que a imputação de responsabilidade solidária só ocorreu "pelo simples fato" de ser sócio da empresa, sem que houvesse qualquer imputação de condutas dolosas a ensejar a responsabilidade tributária. Não se pode concordar com esses argumentos. O conjunto probatório dos autos, aliado ao fato de a empresa não ter nenhuma escrituração contábil ou fiscal levam a outra conclusão. Houve sim condutas dolosas dos administradores na condução da empresa, a ensejar a responsabilidade tributária pelo pagamento do crédito tributário. Como se demonstrou alhures, além de haver dúvidas com relação ao real exercício da atividade da empresa, esta não tinha (ou não entregou) nenhum livro fiscal ou contábil, quando intimada para tanto. Além disso, a movimentação financeira em suas contas, não reflete ao que foi efetivamente declarado ao fisco ou pelo menos não pode ser confirmado, já que, repisase, não foram apresentados os livros fiscais quando solicitados. Por outro lado, não se pode olvidar que o Recorrente, nos termos da cláusula sétima do contrato social da empresa GLOBO FOMENTO LTDA., era seu sócio administrador, juntamente com o outro sócio, que é seu irmão, e podia representar a sociedade em conjunto ou isoladamente. Ou seja, a administração da sociedade cabia aos dois sócios, independentemente da participação no capital social. Fl. 6349DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.350 26 Dizer, neste momento processual, que não há, na conduta dos sócios, qualquer descumprimento da legislação, que acabou para ensejar a imputação da responsabilidade é desconhecer o conjunto probatório que embasou a autuação. Não se pode olvidar que um dos sócios afirmou que utilizava a empresa para exercer atividades que não tinham relação com o objeto social, a sociedade não apresentou (ou não quis apresentar) nenhum livro fiscal ou contábil, não havia (ou não foi apresentado) qualquer contrato firmado com os clientes da sociedade ou com seus sócios, no que tange, neste último caso, às operações de mútuo, não foram apresentadas provas dos pagamentos realizados. Enfim, a análise sistemática de todo o conjunto probatório só leva a uma conclusão: a conduta dos sócios, na condição de administradores legais da empresa, fez nascer a obrigação tributária constituída via Auto de Infração e, por isso, a eles deve ser imputada a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário. Assim, não existem reparos a se fazer na imputação da responsabilidade atacada no Recurso Voluntário ora analisado. DA MULTA QUALIFICADA. Por fim, cumpre analisar a imposição de multa qualificada de 150% pela fiscalização. Antes, contudo, tendo em vista a alegação de caráter confiscatório da penalidade aplicada, é importante ressaltar que esse Conselho Administrativo de Recurso Fiscais não tem competência para analisar eventual inconstitucionalidade da legislação, ao contrário do que alega o Recorrente. Inclusive, essa impossibilidade já foi sumulada. Confirase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser superada a alegação do suposto caráter confiscatório do percentual da multa aplicada. No Recurso Voluntário, o Recorrente alega que não restou comprovada nenhuma conduta dolosa dos responsáveis que pudesse ensejar a qualificação da multa. De pronto, devese esclarecer que, como já pacificado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a simples omissão de receitas não é suficiente para se fundamentar a qualificação da multa. Há, inclusive, súmula neste sentido: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, para a qualificação da multa, cabe ao agente autuante comprovar as condutas descritas na legislação praticadas pelo contribuinte e/ou responsável. No presente caso, assim se pronunciou a autoridade que lavrou o Auto de Infração no TVF: 76. E para qualificar a multa demonstramos que o contribuinte, em tese, cometeu sonegação, dolo e fraude em todo período fiscalizado, de forma intencional e sem justificativa não declarando os tributos da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Além disso, esta fiscalização considera que a Fl. 6350DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.351 27 conduta da contribuinte, em relação aos ganhos obtidos nas operações realizadas por intermédio das contas bancárias mantidas à margem da contabilidade, declarações incompatíveis com a real movimentação bancária, não escrituração nos anos fiscalizados, a realização ou não de atividade de factoring, a não existência e/ou a falta de apresentação dos documentos (borderôs, notas, cheques, contratos...), não apresentação de controle da atividade de factoring, saques e depósitos de quantias elevadas em dinheiro, sem a origem ou destino e o histórico do modus operandi da denuncia pelo MPF da Operação Ararath; tudo isto, enquadrase nas disposições do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, razão pela qual, sobre esses valores, será duplicado o percentual da multa a ser aplicada, conforme determinam os ditames da Lei nº 9.430/96, abaixo transcritos. O art. 44 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina que: O acórdão recorrido fundamentou a manutenção da multa qualificada, sob o argumento de que, Considerando a contumaz manifestação de vontade do contribuinte em declarar e recolher tributos a menor, omitindo e ocultando a documentação da fiscalização, encorpase a tese de se estar diante de clara ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador de diversos tributos, conforme expressa dicção do artigo 71, da Lei nº 4.502, de 1964. Pela análise dos autos, não restam dúvidas de que as condutas e omissões dos representantes da empresa GLOBO FOMENTO LTDA. foram no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64. Como já mencionado, além de terem flagrantemente omitidos receitas quando das declarações apresentadas ao fisco, se recusaram a entregar a escritura fiscal e contábil, mesmo sendo devidamente intimados para tanto, o que impediu a fiscalização de auferir com precisão a realidade das operações da empresa. Por outro lado, as movimentações vultuosas em suas contas, seja a crédito ou a débito, sem a devida comprovação de lastro das movimentações, além de saques em dinheiro, demonstram que as condutas da empresa não correspondem ao que efetivamente foi declarado, quando esta constituiu o crédito tributário que entendia devido. Ainda, não se pode olvidar e muito menos desprezar o fato de que a fiscalização só teve acesso às movimentações financeiras da empresa GLOBO FOMENTO LTDA. após a deflagração de operação do Ministério Público que investigava casos de corrupção dentro do Estado de Mato Grosso. Ou seja, sem a atuação do MP, provavelmente o evento que ensejou o nascimento da obrigação tributária ora contestada jamais seria levado a conhecimento das autoridades fiscais. Assim, as condutas praticas pelos agentes, representantes da pessoa jurídica, se amoldam na conduta prevista no artigo 71, da Lei nº 4.502/64, que tem a seguinte redação: Fl. 6351DF CARF MF Processo nº 10183.727555/201540 Acórdão n.º 1302002.637 S1C3T2 Fl. 6.352 28 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Portanto, correta a qualificação da multa, nos termos do Auto de Infração combatido. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose na íntegra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 6352DF CARF MF
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