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Numero do processo: 19515.721563/2013-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
LANÇAMENTO. PRAZO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN.
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não havendo pagamento, aplica-se o prazo decadencial previsto no contida no artigo 173, inciso I, do CTN, para constituição do crédito tributário.
COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. TERCEIRA SEÇÃO. PIS/COFINS. AUTOS DE INFRAÇÃO PARA LANÇAMENTO DE TRIBUTOS REFLEXOS DO IRPJ. ARTIGO 2º, INCISO IV, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Antes, para julgamento das exigências reflexas de IRPJ pela Primeira Seção, exigia-se que os lançamentos (i) fossem formalizados com bases nos mesmos elementos de prova; e (ii) em um mesmo processo administrativo. Hoje, basta que sejam formalizados com base nos mesmos elementos de prova.
Não se considera auto de infração reflexo do IRPJ aquele que decorre de um mesmo procedimento de fiscalização, mas não utiliza em sua motivação/fundamentação os mesmos elementos de prova, utilizando motivação/fundamentação autônoma.
LANÇAMENTO DE PIS/COFINS.
Deve ser mantido o lançamento fundado em omissão de receitas e a ausência de comprovação do direito de crédito, na hipótese em que a impugnação deixa de expor as razões de fato e de direito para contestar a receita apurada e sustentar o direito de crédito registrado nos livros do contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. 150% (CENTO E CINQUENTA POR CENTO). AFASTAMENTO.
A aplicação da multa de ofício majorada em 150% (cento e cinquenta por cento) deve ser fundamentada no lançamento e evidenciar a relação entre a conduta dolosa e o impedimento da ocorrência do fato gerador. A ausência de descrição dos fundamentos da aplicação na multa enseja o afastamento da majoração.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. SÓCIOS E PESSOA JURÍDICA. GRUPO ECONÔMICO. ARTIGOS 124, I E 135, III, AMBOS DO CTN. INTERESSE COMUM. ILICITUDES COMETIDAS. DEFLAGRAÇÃO.
Sócios e pessoa jurídica que formam grupo econômico com o interesse comum em lesar a Administração Pública, com farta documentação comprovando ilícitos em fraudes de merenda escolar, licitações e ausência de recolhimento de tributos são responsáveis tributários, a teor dos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
LANÇAMENTO. PRAZO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN.
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não havendo pagamento, aplica-se o prazo decadencial previsto no contida no artigo 173, inciso I, do CTN, para constituição do crédito tributário.
COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. TERCEIRA SEÇÃO. PIS/COFINS. AUTOS DE INFRAÇÃO PARA LANÇAMENTO DE TRIBUTOS REFLEXOS DO IRPJ. ARTIGO 2º, INCISO IV, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Antes, para julgamento das exigências reflexas de IRPJ pela Primeira Seção, exigia-se que os lançamentos (i) fossem formalizados com bases nos mesmos elementos de prova; e (ii) em um mesmo processo administrativo. Hoje, basta que sejam formalizados com base nos mesmos elementos de prova.
Não se considera auto de infração reflexo do IRPJ aquele que decorre de um mesmo procedimento de fiscalização, mas não utiliza em sua motivação/fundamentação os mesmos elementos de prova, utilizando motivação/fundamentação autônoma.
LANÇAMENTO DE PIS/COFINS.
Deve ser mantido o lançamento fundado em omissão de receitas e a ausência de comprovação do direito de crédito, na hipótese em que a impugnação deixa de expor as razões de fato e de direito para contestar a receita apurada e sustentar o direito de crédito registrado nos livros do contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. 150% (CENTO E CINQUENTA POR CENTO). AFASTAMENTO.
A aplicação da multa de ofício majorada em 150% (cento e cinquenta por cento) deve ser fundamentada no lançamento e evidenciar a relação entre a conduta dolosa e o impedimento da ocorrência do fato gerador. A ausência de descrição dos fundamentos da aplicação na multa enseja o afastamento da majoração.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. SÓCIOS E PESSOA JURÍDICA. GRUPO ECONÔMICO. ARTIGOS 124, I E 135, III, AMBOS DO CTN. INTERESSE COMUM. ILICITUDES COMETIDAS. DEFLAGRAÇÃO.
Sócios e pessoa jurídica que formam grupo econômico com o interesse comum em lesar a Administração Pública, com farta documentação comprovando ilícitos em fraudes de merenda escolar, licitações e ausência de recolhimento de tributos são responsáveis tributários, a teor dos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN.
Numero da decisão: 3401-003.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial aos Recursos Voluntários, para: (a) conhecer dos recursos interpostos, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida, que entendiam ser competente a Primeira Seção do CARF; (b) afastar a majoração da multa de ofício, no que se refere à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS, reduzindo-a ao patamar de 75%, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida; (c) manter todos os sujeitos arrolados no polo passivo da autuação, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira (relator) e o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que excluíam do polo passivo o Sr. Eloizo Gomes Afonso Durães, o Sr. Hélio Vieira e a empresa SP Alimentação e Serviços LTDA, sendo designado para redigir o voto vencedor referente a tal tema o Conselheiro André Henrique Lemos. Por unanimidade, foi negado provimento ao recurso de ofício.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA - Relator.
ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Orlando Rutigliani Berri, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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E OUTROS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. PRAZO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não havendo pagamento, aplicase o prazo decadencial previsto no contida no artigo 173, inciso I, do CTN, para constituição do crédito tributário. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. TERCEIRA SEÇÃO. PIS/COFINS. AUTOS DE INFRAÇÃO PARA LANÇAMENTO DE TRIBUTOS REFLEXOS DO IRPJ. ARTIGO 2º, INCISO IV, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Antes, para julgamento das exigências reflexas de IRPJ pela Primeira Seção, exigiase que os lançamentos (i) fossem formalizados com bases nos mesmos elementos de prova; e (ii) em um mesmo processo administrativo. Hoje, basta que sejam formalizados com base nos mesmos elementos de prova. Não se considera auto de infração reflexo do IRPJ aquele que decorre de um mesmo procedimento de fiscalização, mas não utiliza em sua motivação/fundamentação os mesmos elementos de prova, utilizando motivação/fundamentação autônoma. LANÇAMENTO DE PIS/COFINS. Deve ser mantido o lançamento fundado em omissão de receitas e a ausência de comprovação do direito de crédito, na hipótese em que a impugnação deixa de expor as razões de fato e de direito para contestar a receita apurada e sustentar o direito de crédito registrado nos livros do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. 150% (CENTO E CINQUENTA POR CENTO). AFASTAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 15 63 /2 01 3- 96 Fl. 4682DF CARF MF 2 A aplicação da multa de ofício majorada em 150% (cento e cinquenta por cento) deve ser fundamentada no lançamento e evidenciar a relação entre a conduta dolosa e o impedimento da ocorrência do fato gerador. A ausência de descrição dos fundamentos da aplicação na multa enseja o afastamento da majoração. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. SÓCIOS E PESSOA JURÍDICA. GRUPO ECONÔMICO. ARTIGOS 124, I E 135, III, AMBOS DO CTN. INTERESSE COMUM. ILICITUDES COMETIDAS. DEFLAGRAÇÃO. Sócios e pessoa jurídica que formam grupo econômico com o interesse comum em lesar a Administração Pública, com farta documentação comprovando ilícitos em fraudes de merenda escolar, licitações e ausência de recolhimento de tributos são responsáveis tributários, a teor dos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. PRAZO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não havendo pagamento, aplicase o prazo decadencial previsto no contida no artigo 173, inciso I, do CTN, para constituição do crédito tributário. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. TERCEIRA SEÇÃO. PIS/COFINS. AUTOS DE INFRAÇÃO PARA LANÇAMENTO DE TRIBUTOS REFLEXOS DO IRPJ. ARTIGO 2º, INCISO IV, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Antes, para julgamento das exigências reflexas de IRPJ pela Primeira Seção, exigiase que os lançamentos (i) fossem formalizados com bases nos mesmos elementos de prova; e (ii) em um mesmo processo administrativo. Hoje, basta que sejam formalizados com base nos mesmos elementos de prova. Não se considera auto de infração reflexo do IRPJ aquele que decorre de um mesmo procedimento de fiscalização, mas não utiliza em sua motivação/fundamentação os mesmos elementos de prova, utilizando motivação/fundamentação autônoma. LANÇAMENTO DE PIS/COFINS. Deve ser mantido o lançamento fundado em omissão de receitas e a ausência de comprovação do direito de crédito, na hipótese em que a impugnação deixa de expor as razões de fato e de direito para contestar a receita apurada e sustentar o direito de crédito registrado nos livros do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. 150% (CENTO E CINQUENTA POR CENTO). AFASTAMENTO. A aplicação da multa de ofício majorada em 150% (cento e cinquenta por cento) deve ser fundamentada no lançamento e evidenciar a relação entre a conduta dolosa e o impedimento da ocorrência do fato gerador. A ausência de descrição dos fundamentos da aplicação na multa enseja o afastamento da majoração. Fl. 4683DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.683 3 RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. SÓCIOS E PESSOA JURÍDICA. GRUPO ECONÔMICO. ARTIGOS 124, I E 135, III, AMBOS DO CTN. INTERESSE COMUM. ILICITUDES COMETIDAS. DEFLAGRAÇÃO. Sócios e pessoa jurídica que formam grupo econômico com o interesse comum em lesar a Administração Pública, com farta documentação comprovando ilícitos em fraudes de merenda escolar, licitações e ausência de recolhimento de tributos são responsáveis tributários, a teor dos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial aos Recursos Voluntários, para: (a) conhecer dos recursos interpostos, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida, que entendiam ser competente a Primeira Seção do CARF; (b) afastar a majoração da multa de ofício, no que se refere à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS, reduzindoa ao patamar de 75%, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida; (c) manter todos os sujeitos arrolados no polo passivo da autuação, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira (relator) e o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que excluíam do polo passivo o Sr. Eloizo Gomes Afonso Durães, o Sr. Hélio Vieira e a empresa SP Alimentação e Serviços LTDA, sendo designado para redigir o voto vencedor referente a tal tema o Conselheiro André Henrique Lemos. Por unanimidade, foi negado provimento ao recurso de ofício. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Relator. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Orlando Rutigliani Berri, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Inicialmente, adoto parte do relatório da decisão recorrida, que narra tratarse de: " (...) lançamento do crédito tributário lavrado através dos Autos de Infração (fls. 874 a 905) referentes às contribuições de Cofins (R$ 13.416.801,09) e de PIS (R$ 2.912.858,26) relativas ao período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009, num valor total com multa e juros de R$ 16.329.659,35, sendo a multa enquadrada em 150% com representação fiscal para fins penais. Fl. 4684DF CARF MF 4 O procedimento de fiscalização se iniciou através do MPF nº 08190.002011008554, tendo a ciência do Termo de Início da Fiscalização ocorrido em 24/03/2011. E observase nos autos que ocorreram dificuldades em dar essa ciência, pois a empresa não operava mais no seu endereço cadastral, não regularizando essa situação durante os trabalhos do Fisco, e não se encontrando mais no local onde encontrada quando do fim dos mesmos. O impugnante estaria envolvido com o grupo denominado “SP ALIMENTAÇÃO”, o qual atuava em fraudes de fornecimento de merenda escolar, tendo sido alvo de investigação pelo Ministério Público e pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. A verificação de tais práticas ilegais ficou denominada como “Operação Pratos Limpos”. O vínculo da fiscalizada com o grupo “SP ALIMENTAÇÃO” também foi objeto de bloqueio judicial pela justiça de Jandira/SP (num. doc. 855.418/114) constante no cadastro da Junta Comercial do Estado de São Paulo. O objetivo desse grupo com participação do fiscalizado seria fraudar licitações públicas com a corrupção de funcionários públicos municipais, e com isso fornecer merendas às escolas públicas. Além da Gourmaitre, comporiam tal grupo econômico a SP ALIMENTAÇÃO E SERVIÇO LTDA e a VERDURAMA COMÉRCIO ATACADISTA DE ALIMENTOS LTDA. A ligação entre as empresas para o esquema ilícito teria ficado comprovada pelos seguintes motivos: a) intensa movimentação financeira entre as três empresas; b) transferências bancárias assinadas por sócios das empresas na mesma época; c) plano de contas com previsão de empréstimos entre elas; d) sócios com atuação em mais de uma dessas empresas; e) empresa sócia de outra (Verdurama para com a Gourmaitre); f) sócio de uma empresa fundadora de outra (Sr. Sílvio Marques, sócio da Gourmaitre fundou a SP Alimentação); g) contas bancárias das empresas movimentadas por pessoas comuns, como os Srs. Antônio Marques Franco e Sílvio Marques; h) declaração do Sr. Gilmar da Silva (motoboy) que sacava cheques nos bancos para todo o grupo, entregando o dinheiro sacado conforme determinação para o pessoal da diretoria ou do departamento financeiro das mesmas. Observouse nas notas fiscais da Gourmaitre relativas às empresas fornecedoras, graves inconsistências caracterizadas como inidoneidade correspondente às seguintes pessoas jurídicas: a) Cenco Central de Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda. (fl. 799); b) Cerealista Guimarães Ltda. (fl. 799/800); c) Comércio Varejista de Hortifrutigranjeiro Vila Sônia Ltda. (fl. 800); d) CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. (fl. 800); e) Moema Hortifruti Granjeiro Ltda. (fl. 800); f) Vínculo Distribuidora de Produtos Alimentícios e Miudezas Ltda. (fl. 801); g) Genova Agro Comercial Ltda. (fl. 801). Essas empresas não operavam mais ou declararam nunca ter tido operações comerciais com a Gourmaitre. Também foi constatado que os pagamentos a esses fornecedores constantes na contabilidade do impugnante foram destinados a outras pessoas físicas ou jurídicas sem nenhum vínculo com os em tese fornecedores. Diante disso, caracterizada a falsidade das operações, Fl. 4685DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.684 5 todas essas foram glosadas pela fiscalização devido integrarem indevidamente o custo das mercadorias vendidas (ver demonstrativos e o Anexo I dos autos). Além das notas fiscais inidôneas, também foram glosados os lançamentos contábeis relativos a pagamentos não justificados pela empresa, visto que essa não apresentou a correspondente documentação, em que pese intimada e reintimada por diversas vezes (ver Tabela da fl. 803). Tanto a Gourmaitre, como seus sócios e demais empresas do grupo econômico, foram objeto de denúncia pelo Ministério Público. Finda a fiscalização foi elaborado o Termo de Verificação Fiscal constante às fls. 793 a 812, que serviu de suporte para os Autos de Infração lavrados. Foi elaborado também Termo de Sujeição Passiva Solidária para os contribuintes Eloizo Gomes Afonso Durães, Silvio Marques, Hélio Vieira, SP Alimentação e Serviços Ltda. e Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda. (fls. 871 a 873)". (grifos nossos) Em complemento, conforme item 3 do Termo de Verificação Fiscal de fls. 793860 (“TVF”), relato que a Fiscalização se iniciou para análise das operações de compra da Gourmaitre no ano de 2007 e foi posteriormente ampliada para a verificação dos pagamentos correspondentes, com a inclusão dos anos de 2008 e 2009. Após, em decorrência dos trabalhos de fiscalização, foram também verificados supostos créditos indevidos das contribuições do PIS e COFINS, sendo então ampliada a fiscalização também para esses tributos. Ao final da ação fiscal, foi realizada a apuração da base de cálculo de valores supostamente devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IRRF e multas isoladas e constituídos créditos tributários através do lançamento de ofício, tendo a fiscalização separado a motivação/fundamentação do lançamento em 4 (quatro) grupos: (i) “glosa de custos – fornecedores inidôneos”; (ii) “registro dos pagamentos das operações suspeitas/pagamentos sem causa – IRRF”; (iii) “contribuições ao PIS/COFINS” e (iv) “aplicação da multa isolada”. Com isso, essa única Fiscalização deu origem a lançamentos que estão sendo discutidos em 3 (três) processos administrativos distintos, abaixo identificados: Processo Administrativo: Tributo: Data de protocolo: Localização: 19515.721562/201341 IRRF 15/07/2013 1ª Turma Ordinária, da 4ªCâmara, da 1ª Seção, do CARF/MF/DF 19515.721563/201396 PIS/COFINS 15/07/2013 1ª Turma Ordinária, da 4ªCâmara, da 3ª Seção, do CARF/MF/DF 19515.721565/201385 IRPJ/CSLL 15/07/2013 1ª Turma Ordinária, da 4ªCâmara, da 1ª Seção, do CARF/MF/DF Fl. 4686DF CARF MF 6 Quanto ao lançamento discutido nos autos deste processo, acrescento que foi desdobrado pela Fiscalização em 2 (dois) pontos. Primeiro, é realizado o lançamento para a exigência de PIS/COFINS pelo regime nãocumulativo que teria deixado de ser oferecido à tributação, pois, segundo a Fiscalização, ficou constatada uma divergência entre os valores declarados pela Gourmaitre ao Fisco e os valores registrados como receita em sua contabilidade, pois, como exposto no TVF, “nas DACON´s relativas aos anoscalendário 2007 a 2009, observamos que houve somente o preenchimento nos meses de março/2007 a junho/2007. Nos demais meses a fiscalizada não informou nenhum valor para a base de cálculo do PIS e da COFINS. Por outro lado, a escrituração apresentou as seguintes receitas tributáveis, extraídas da sua escrituração contábil, das contas 310100100001 e 310100100002”. Segundo, é realizada a glosa de créditos da não cumulatividade do PIS e COFINS, do período de janeiro/2007 a dezembro/2009, por falta de apresentação dos documentos que deram origem aos créditos. Nesse ponto, importante ressaltar que a Fiscalização glosou todos os créditos informados pela Gourmaitre em sua contabilidade e não apenas aqueles créditos relacionados às denominadas “operações suspeitas”, junto às empresas a seguir listadas: Cenco Central de Com. De Gêneros Alimentícios Ltda., Cerealista Guimarães Ltda., Comércio Varejista de Hortifrutigranjeiro Vila Sônia Ltda., CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., Moema Hortifruti Granjeiro Ltda., Vínculo Distr. De Produtos Alimentícios e Miudezas Ltda. e Gênova Agro Comercial Ltda. Como é possível ler no TVF, às fls. 807 dos autos: “(...) Foi devidamente intimada (Intimação Fiscal lavrada em 04/04/2013 e reintimado em 29/04/2013, para apresentar a memória de cálculo demonstrando a apuração do PIS e COFINS de todo o período sob fiscalização, assim como apresentar toda a documentação relativa a créditos a deduzir. Apesar de intimada e reintimada, não logrou apresentar a memória de cálculo e nem a documentação que deu origem aos créditos. Desta forma, não há como computar créditos da não cumulatividade do PIS e COFINS, sem a devida comprovação, através de documentação hábil e idônea, conforme o previsto no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e alterações posteriores, e do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e alterações posteriores. Como consequência, TODOS os créditos informados em sua contabilidade, nas rubricas 2.1.04.001.00005 (Cofins) e 2.1.04.00100007 (Pis), serão, portanto, objetos de glosa”. Com isso, a Fiscalização refez a apuração do PIS/COFINS, utilizando como base de cálculo os valores encontrados como receita omitida, tal como descrito no primeiro ponto. Em seguida, aplicou as alíquotas do PIS/COFINS sobre essa base de cálculo, para encontrar a “contribuição apurada”. E, considerando a glosa total dos créditos lançados na contabilidade da Gourmaitre, tal como descrito no segundo ponto, constou no campo “dedução” dos Autos de Infração o valor zero, de modo que a “contribuição devida” lançada corresponde a “contribuição apurada”. Observem que, embora a Fiscalização para o PIS/COFINS tenha se iniciado em decorrência da glosa de custos e despesas realizada no âmbito do IRPJ/CSLL, com o objetivo de verificar supostos créditos indevidos das contribuições do PIS e COFINS, o fundamento apresentado para o lançamento não inclui tal motivação, ficando restrito à ausência de comprovação de crédito de PIS/COFINS, o que, todavia, resultou na glosa total dos créditos Fl. 4687DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.685 7 lançados na contabilidade e não apenas aqueles relacionados às operações consideradas inidôneos no levantamento feito para fins de IRPJ/CSLL. Após ciência do lançamento pela Gourmaitre e das pessoas relacionadas nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, foram apresentadas Impugnações, julgadas em 20/01/2014 pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre ("DRJ"), em acórdão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. DOLO. Nos casos de tributos com lançamento por homologação tendo ocorrido as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial se fixa segundo o disposto no inciso I, do art. 173, do CTN, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO CHEFE DO ÓRGÃO. A falta da assinatura do chefe do órgão local da Receita Federal no lançamento não é causa de nulidade, tendo em vista que a competência para lavratura do Auto de Infração é do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo procedimento fiscal. GLOSA. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade. Ainda mais quando as operações glosadas apresentam diversas irregularidades, como notas frias, pagamentos sem causa, entre outros. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios, administradores e empresas que compõe o grupo econômico, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com a contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art.124 combinado com o art.135 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOCUMENTOS INIDÔNEOS E CRÉDITOS INEXISTENTES. Fl. 4688DF CARF MF 8 A motivação da qualificação se fundamenta em graves ilicitudes cometidas pelo contribuinte com o uso de notas fiscais frias, inidôneas, entre outras práticas, as quais não representaram qualquer serviço prestado, gerando créditos inexistentes. Correta a qualificação da multa de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 (...) Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Diante dessa decisão, considerando o valor do crédito tributário exonerado e o disposto no artigo 34, inciso I do Decreto nº 70.235/1972 e do valor previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, o Presidente de Turma de Julgamento da DRJ interpôs recurso de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. Após a ciência da Gourmaitre e demais pessoas indicadas no lançamento como responsáveis solidários, todos, a exceção da sociedade Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda., interpuseram os respectivos Recursos Voluntários, dentro do prazo legal. Abaixo, coloco a forma e data de ciência, assim como a data de interposição de cada recurso. Parte: Data de Ciência: Data de Interposição de Recurso Voluntário: Gourmaitre 05/05/2014 (Edital de fls. 4407) 26/05/2014 (fls. 4484) Eloizo Gomes Afonso Durães 25/04/2014 (AR de fls. 4402) 26/05/2014 (fls. 4414) Silvio Marques 25/04/2014 (AR de fls. 4403) 26/05/2014 (fls. 4517) Hélio Vieira 28/04/2014 (AR de fls. 4404) 26/05/2014 (fls. 4536) SP Alimentação e Serviços Ltda. 28/04/2014 (AR de fls. 4405) 26/05/2014 (fls. 4598) Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda. 13/06/2014 (Edital de fls. 4412) Não apresentou Recurso Voluntário. A seguir, as alegações expostas pelos Recorrentes para pedir o reconhecimento da improcedência do lançamento, algumas delas comuns a mais de um Recorrente: Recorrente: Alegações: Gourmaitre A) decadência do direito de o Fisco lançar créditos tributários anteriores a julho de 2008, com fundamento no artigo 173, inciso I, do CTN; B) nulidade do lançamento, pela falta de assinatura do Delegado da Receita Federal no Termo de Sujeição Passiva e no Auto de Infração; C) exclusão da glosa de todo o crédito correlato à apuração do PIS e da COFINS que não digam respeito às empresas que foram consideradas inidôneas, em razão de ter sido constatado no Auto Fl. 4689DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.686 9 de Infração de IRRF que os pagamentos realizados em favor de determinados fornecedores ocorreram e não foi aplicada nenhum penalidade em relação a tais operações, no âmbito do lançamento de IRRF; D) com relação às operações consideradas inidôneas junto às empresas Cenco Central de Com. De Gêneros Alimentícios Ltda., Cerealista Guimarães Ltda., CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., Vínculo Distr. De Produtos Alimentícios e Miudezas Ltda. e Gênova Agro Comercial Ltda., localizadas no Estado de Minas Gerais, alega que a fiscalização teria realizado diligência e obtido provas sem competência para tanto. E) a Gourmaitre seria adquirente de boafé em relação às operações consideradas inidôneas, motivo pelo qual os Autos de Infração lavrados contra ela seriam nulos ou insubsistentes; F) a Recorrente pede o desagravamento da multa, argumentando que o aproveitamento contábil para o PIS e COFINS não se deu com dolo, mas em virtude de mera conseqüência contábil, pois, segundo ela, se os pagamentos foram contabilizados como aquisição de insumo, conseqüentemente seriam aproveitados como créditos de PIS e COFINS. Eloizo Gomes Afonso Durães A); B); G) nulidade do lançamento por cerceamento do direito defesa, por não ter o Recorrente recebido apensos que acompanham o Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal; H) o Recorrente não se enquadra nas hipóteses de responsabilização do artigo 124, inciso I, do CTN, e artigo 135, inciso III, do CTN; pois não possui participação societária na Gourmaitre, nunca exerceu poderes de gerência na sociedade e não possui qualquer interesse na sociedade. Silvio Marques A); B); C); D); E); F) Hélio Vieira A); B); C); D); E; F) I) o Recorrente não pode responder pela Gourmaitre, pelo simples fato de constar no Contrato Social, tendo em vista que nunca foi administrador da empresa; SP Alimentação e Serviços Ltda. A); B); G) J) o Recorrente não se enquadra nas hipóteses de responsabilização do artigo 124, inciso I, do CTN, e artigo 135, inciso III, do CTN; pois, assim como seu sócio, Sr. Eloizio Durães, não possui participação societária na Gourmaitre, nunca exerceu poderes de gerência na sociedade e não possui qualquer interesse na sociedade. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Fl. 4690DF CARF MF 10 Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Da Competência para o julgamento Nos termos do artigo 2º, incisos I e II, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), a Primeira Seção de Julgamento tem competência para processar e julgar recursos que versem sobre a aplicação da legislação relativa, dentre tributos, a: "I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)". Já a Segunda Seção de Julgamento detém competência para, dentre outras matérias, processar e julgar processos que tratam de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ("IRPF") e também o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte ("IRRF"), nos termos do artigo 3º, incisos I e II, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, salvo quando o IRRF é relativo à antecipação do IRPJ, matéria que atrai a competência da Primeira Seção, conforme artigo 2º, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. A Terceira Seção, de acordo com o artigo 4º, inciso I, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, possui competência para processar e julgar recursos sobre a aplicação da legislação referente a "I Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive quando incidentes na importação de bens e serviços". Porém, em um caso específico, a Primeira Seção retira a competência da Segunda Seção para processamento e julgamento de recursos que versem sobre IRRF e da Terceira Seção, em relação às contribuições para o PIS/COFINS. Essa hipótese está prevista no artigo 2º, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, recentemente modificada pela Portaria MF nº 152, de 2016, in verbis: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a:(...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; [redação anterior] IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; [redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016]" Antes, para julgamento das exigências reflexas de IRPJ pela Primeira Seção, exigiase que os lançamentos (i) fossem formalizados com bases nos mesmos elementos de prova; e (ii) em um mesmo processo administrativo. Hoje, basta que sejam formalizados com base nos mesmos elementos de prova. No presente caso, uma única ação fiscal deu origem a lançamentos de IRPJ, CSLL, IRRF e PIS/COFINS. No que se refere aos lançamentos de IRPJ e CSLL, de um lado, e Fl. 4691DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.687 11 IRRF, de outro, penso, em princípio, que o segundo é reflexo do primeiro, tendo em vista que foram baseados nos mesmos elementos de prova, a desconsideração de determinadas operações de compra pela Gourmaitre, sob a acusação de que tais operações teriam sido simuladas, com a utilização de notas fiscais falsas. Para o lançamento de IRPJ/CSLL, dessa inidoneidade, glosaramse os custos das referidas operações. Para o lançamento de IRRF, dessa inidoneidade, cobrouse o IRRF sobre os pagamentos sem causa, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), seguindo o disposto no artigo 61 e seus parágrafos, da Lei nº 8.981/19951. Mas o que nos interessa é avaliar se a competência da Primeira Seção, prevista no artigo 2º, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, é aplicável ao processo administrativo ora em julgamento, de nº 19515.721563/201396, que trata sobre a exigência do PIS/COFINS. Como relatado, no lançamento foi refeita apuração do PIS/COFINS da Gourmaitre no período fiscalizado, utilizando como base de cálculo as receitas omitidas, detectadas por divergência entre as DACON´s e a escrita contábil da Gourmaitre, e como crédito a descontar, denominado de “deduções” nos Autos de Infração, levouse em consideração a glosa da totalidade de créditos de PIS/COFINS lançados na contabilidade da Gourmaitre. Quanto ao primeiro ponto, base de cálculo, o trabalho fiscalizatório e os elementos de prova são totalmente independentes do restante da ação fiscal, referente ao IRPJ, CSLL e IRRF, pois bastou ao Fiscal comparar as DACON´s com a escrita fiscal da Gourmaitre, para realizar o lançamento, não precisando nem sendo pertinentes considerações a respeito das "operações suspeitas", consideradas, ao final, inidôneas. Portanto, no que se refere a esse ponto, não vejo como qualificálo como reflexo às autuações de IRPJ, CSLL. Quanto ao segundo ponto, embora a Fiscalização pudesse ter utilizado os mesmo elementos de prova utilizados para o lançamento de IRPJ, CSLL e IRRF, a inidoneidade das operações com determinados fornecedores, para glosar parte dos créditos de PIS/COFINS lançados pela Gourmaitre em sua contabilidade, ela não o fez. Utilizou um fundamento/motivação autônomo para glosar não apenas os créditos decorrentes dessas operações, mas a totalidade das operações de compra da Gourmaitre, para as quais a empresa lançou crédito de PIS/COFINS: a ausência de comprovação do crédito, por falta de apresentação pela Gourmaitre de documentação hábil e idônea. Para tanto, impende reler o TVF quando trata da glosa: "Apesar de intimada e reintimada, não logrou apresentar a memória de cálculo e nem a documentação que deu origem aos créditos. Desta forma, não há como computar créditos da não cumulatividade do PIS e COFINS, sem a devida comprovação, através de documentação hábil e idônea". (grifos nossos) 1 Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Fl. 4692DF CARF MF 12 Assim, considerando que o lançamento de PIS/COFINS, apesar de decorrer do mesmo procedimento de fiscalização do IRPJ, não utiliza os mesmos elementos de prova para fundamentálo, adotando fundamento autônomo, entendo que a competência para processar e julgar os recursos interpostos nos autos do processo ora analisado é da Terceira Seção, não havendo que se declinar competência para a Primeira Seção, merecendo os Recursos Voluntários conhecimento, posto que tempestivos, como examinado no relatório, proposta que submeto ao Colegiado, antes de prosseguir no julgamento. Do Recurso de Ofício e da Decadência A matéria da decadência é trazida à conhecimento tanto pelo Recurso de Ofício quanto em todos os Recursos Voluntários apresentados. Na decisão recorrida, afastouse parte do lançamento, pelo reconhecimento da decadência das competências de 01/2007 a 11/2007, em razão dos seguintes motivos: "a presença da sonegação pela constatação de artifícios objetivando retardar ou impedir o conhecimento da autoridade fiscal a respeito do real crédito tributário devido impede a aplicação da regra decadencial do § 4º, do art. 150, do CTN, deslocando a contagem para o disposto no inciso I, do art. 173. (...) Nesse contexto, como o prazo decadencial ocorre no primeiro dia do exercício seguinte ao qual se poderia formalizar o lançamento, e na medida que a competência mais remota lançada corresponde a janeiro de 2007, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado recairia em 01/01/2008, possuindo o fisco 5 anos a partir dessa data para constituir o crédito tributário desse exemplo dado (01/2007). Para os períodos seguintes deve ser feita a mesma sistemática de contagem. Dessa forma, tendo a ciência do Auto de Infração ocorrido em agosto de 2013, entendese que deve ser reconhecida a decadência das parcelas lançadas relativas aos períodos de janeiro a novembro de 2007. O mês de dezembro de 2007 que tem o vencimento das contribuições a ocorrer em janeiro de 2008 não se encontra, portanto, decaído, pois o seu período inicial de contagem para fins de decadência seria 01/01/2009. Há razão assim no pedido de decadência para as competências de 01/2007 a 11/2007". Nos Recursos Voluntários apresentados, alegase que a decadência deveria atingir os meses anteriores a agosto de 2008, tendo em vista que os Recorrentes tiveram ciência do lançamento em agosto de 2013. No que diz respeito à decadência, a jurisprudência que se firmou é no sentido de que existem duas regras para a sua verificação no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como o PIS/COFINS: aplicação da regra especial contida no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, da Lei nº 5.172/1966 (“Código Tributário Nacional” ou “CTN”), quando ocorre o pagamento, e aplicação da regra geral contida no artigo 173, inciso I, do CTN, na hipótese de inexistir qualquer pagamento ou quando ocorrer dolo, fraude ou simulação. Fl. 4693DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.688 13 A decisão recorrida entendeu pela aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, alegando que seria caso de dolo, fraude ou simulação, porém, tal análise é desnecessária para o lançamento do PIS/COFINS. Como foi constatada omissão de receita e nenhum valor foi oferecido à tributação, concluise que não houve qualquer pagamento. E, não havendo qualquer pagamento naqueles meses, é aplicável a regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN, não havendo que se fazer juízo, pelo menos, por ora, a respeito da existência ou não de dolo, fraude, simulação, relacionados aos fatos geradores de PIS/COFINS. Com isso, considerando a ciência dos Autos de Infração em agosto de 2013 e os fatos geradores lançados ocorridos entre janeiro de 2007 a dezembro de 2009, há que se reconhecer a extinção do crédito tributário cujos fatos geradores tenham ocorrido até Novembro de 2007, nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN, tal como reconhecido na decisão recorrida. Diante disso, nego provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a decisão recorrida na parte que reconheceu a decadência entre Janeiro de 2007 a Novembro de 2007, negando seguimento aos Recursos Voluntários na parte que pedem a extensão do reconhecimento da decadência. Do lançamento Como já relatado, a Fiscalização tomou 2 (duas) medidas, no que se refere ao PIS/COFINS: (i) lançou valores a título de omissão de receitas, como explicado, por ter encontrado divergências entre a receita declarada nas DACON´s apresentadas ao Fisco pela Gourmaitre e a receita lançada na escrita contábil; e (ii) glosou a totalidade dos créditos de PIS/COFINS lançados pela Gourmaitre em sua contabilidade, em razão das aquisições realizadas junto a fornecedores, por ausência de comprovação do crédito por documentação hábil e idônea. Para afastar o lançamento, as Recorrentes apresentam uma série de argumentos, porém, não atacam a matéria principal, se houve ou não a omissão de receitas tributáveis por PIS/COFINS, se o valor de receita indicado pela Fiscalização está correto, em sendo correta a receita apontada, se o crédito tributário indicado porventura estaria extinto por algumas das formas previstas no artigo 156, do CTN. Desse modo, há que se reconhecer a preclusão (artigo 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972) para qualquer discussão a respeito da acusação de omissão de receita tributável, limitandose o contencioso a discutir outras matérias, como a regularidade da glosa, cujo exame pode também alterar o valor do crédito tributário lançado, nulidades, responsabilidade tributária e penalidade aplicada. Feitas essas considerações, passase a análise de cada uma das alegações apresentadas nos Recursos Voluntários: Da nulidade do lançamento, pela falta de assinatura do Delegado da Receita Federal no Termo de Sujeição Passiva e no Auto de Infração Alegam os Recorrentes que o lançamento seria nulo, por violação aos artigos 11 e 59, inciso I, do Decreto 70.235/1972, por não constar a assinatura do Delegado da Receita Fl. 4694DF CARF MF 14 Federal nos Autos de Infração nem nos Termos de Sujeição Passivo, afirmando que o fiscal que apôs a assinatura nesses documentos seria "pessoa incompetente", nos termos da Legislação. A decisão recorrida afastou a nulidade, expondo que, à luz do artigo 142 do CTN e do artigo 6º, inciso I, "a", da Lei nº 10.593/20022, o Auditor Fiscal da Receita Federal é a autoridade com competência para a execução do lançamento. Com razão a decisão recorrida. Não há que se falar em nulidade, tendo em vista que a competência do Auditor Fiscal é expressa na Lei, não havendo que se exigir a assinatura do Delegado da Receita Federal. Com isso, não vislumbro violação aos artigos 10º, 11 e 52 do Decreto 70.235/1972, nem a nulidade pleiteada pelos Recorrentes. Por esses motivos, voto no sentido de rejeitar a nulidade pleiteada e negar provimento aos recursos nesse ponto. Nulidade do lançamento por cerceamento do direito defesa Esse argumento é levantado no Recurso Voluntário do Recorrente Sr. Eloizo Gomes Afonso Durães, que defende a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, pois não teria recebido apensos que acompanham o Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal, requerendo a cópia de tais apensos ou vistas dos autos. Na decisão recorrida essa alegação foi rejeitada, com base nos seguintes fundamentos: "De acordo com o Aviso de Recebimento de fls. 3.594 e 3.595, foram enviados ao Sr. Eloízio os seguintes documentos: Termo de Verificação Fiscal: com o relatório completo de todo o procedimento fiscal e de suas constatações. Auto de Infração: IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF. Termo de Sujeição Passiva Solidária: envolvimento do contribuinte dentro dos ilícitos apurados. Termo de Entrega de documentos. Tais documentos demonstram detalhadamente como foi realizada a fiscalização, com as análises do fisco e suas respectivas intimações; abrangência da fiscalização; apuração da existência do grupo econômico; existência de fornecedores inidôneos; registros das operações irregulares; apuração dos tributos devidos; glosas de custos e de créditos; registros de pagamentos sem causa; aplicação da multa isolada e qualificada; enquadramento legal; representação fiscal para fins penais; termos lavrados; envolvimento do contribuinte como responsável solidário; entre outros. O contribuinte, inclusive, defendese desses aspectos em sua impugnação. 2 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Fl. 4695DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.689 15 Portanto, não tem como se falar em cerceamento de defesa. Todos os elementos existentes no apenso (do processo e não do Auto de Infração) citado pelo contribuinte estavam mencionados nas peças que lhe foram entregues. Aliás, foi plenamente atendido o disposto no art. 10, do Decreto nº 70.235/72, sobre o que deve conter obrigatoriamente o Auto de Infração e Relatório Fiscal, senão vejamos: qualificação do autuado; local, data e hora da lavratura; descrição do fato; disposição legal infringida e penalidade aplicável; determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; e a assinatura do autuante e a indicação do seu cargo ou função e o número de matrícula. Caso entendesse necessário vistas ao processo para formulação suplementar de sua defesa, o contribuinte deveria ter solicitado cópia ou vistas aos autos dentro do prazo legal, pois isso é direito assegurado pela Constituição Federal dentro da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, não dependendo de nenhuma autorização, como já deveria ser de conhecimento do próprio contribuinte. Não é após a apresentação da defesa e de extinto o prazo da mesma que o contribuinte vai vir pedir vistas com o nítido objetivo de ampliar esse prazo, ou seja, apenas com caráter protelatório e dilatador do tempo, pois não agiu com a diligência necessária durante todo o prazo de 30 dias que teve para requerer vistas aos autos ou obter cópias de outras peças que pudesse vir a entender necessárias". Não merece reparos a decisão recorrida nesse ponto. O artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972 não exige que sejam juntados ao Auto de Infração todos os documentos utilizados para dar subsídio à sua lavratura. Tais documentos formam o processo administrativo ora em julgamento, cuja vista dos autos ou a obtenção de fotocópias poderiam ter sido realizadas dentro do prazo para a oposição de Impugnação. Se o Requerente não exerceu seu direito de requerer vista dos autos ou a obtenção de fotocópias da integralidade do processo administrativo e de seus apensos no momento de elaboração de sua defesa, não pode invocar em momento posterior do processo prejuízo ou violação ao seu direito de ampla defesa por omissão que ele mesmo deu causa, motivo pelo qual voto no sentido de rejeitar a nulidade pleiteada pelo Recorrente. Do mérito do lançamento e da glosa dos créditos relativos às operações consideradas inidôneas pela Fiscalização De início, devese observar que a Fiscalização realizou a glosa da totalidade dos créditos de PIS/COFINS lançados pela Gourmaitre em sua escrita contábil, por ausência de comprovação do crédito, tendo em vista que a Gourmaitre não apresentou documentação hábil e idônea que desse suporte a tais créditos. Na realidade, a Gourmaitre foi intimada em 2 (duas) oportunidades, conforme termos de intimação fiscal lavrados em 04/04/2013, fls. 987, e em 29/04/2013, fls. 989, para apresentar: “1. Memória de Cálculo demonstrando a apuração mensal das contribuições ao PIS e COFINS, do período 01/2007 a 12/2009; 2. Apresentar documentação comprobatória relativa aos créditos a deduzir de PIS e COFINS escriturados em sua contabilidade, nos códigos 2.1.04.001.00007 (PIS) e 2.1.04.001.00005 (COFINS), conforme o Fl. 4696DF CARF MF 16 previsto no art. 3º da Lei nº 10.637/02 e alterações posteriores, e art. 3º da Lei nº 10.833/03 e alterações posteriores”. Contudo, não apresentou qualquer informação e/ou documento, mesmo tendo sido deferida a seu favor a prorrogação do prazo de entrega de tais informações/documentos, conforme Termo de Prorrogação de Prazo acostado às fls. 991. Com relação à glosa, as Recorrentes alegam que devem ser excluídas as glosas de todo o crédito correlato à apuração do PIS e da COFINS que não digam respeito às empresas que foram consideradas inidôneas, em razão de ter sido constatado no Auto de Infração de IRRF que os pagamentos realizados em favor de determinados fornecedores ocorreram e não foi aplicada nenhuma penalidade em relação a tais operações, no âmbito do lançamento de IRRF. Na decisão recorrida, essa alegação foi rejeitada, pelos seguintes motivos: "Temos que no conceito do termo insumo não pode ser considerado todo e qualquer bem ou serviço que gere despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, aquele que seja aplicado ou consumido diretamente na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviço. Também para que o contribuinte faça jus a esses créditos é necessária a devida comprovação, através de documentação hábil e idônea, o que não se observa nos autos (ver Tabela da fl. 808). De outro lado, o contribuinte quer que outros valores não justificados, os quais foram objeto de incidência do IRRF sejam considerados como créditos de PIS e de Cofins. Ora, lançamentos não justificados, ou seja, pagamentos sem causa, não podem dar suporte a créditos para essas contribuições, visto que somente geram créditos despesas caracterizadas dentro do conceito de insumo, ou seja, que “comprovadamente” sejam aplicadas ou consumidas diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. Frisese, também, que a incidência do IRRF em nada tem haver com o reconhecimento de créditos para essas contribuições. Um pagamento de IRRF devidamente comprovado – que não é o caso – não significa que tal despesa seja caracterizada como insumo. Aliás, sobre esses valores com incidência de IRRF não se aventa a mínima possibilidade do enquadramento como insumos, pois se tratavam de operações com pagamentos sem causa, e ainda mais – nenhum dos cheques de pagamentos de compras foi efetivamente destinado às empresas referidas, mas sim para outras pessoas físicas e jurídicas sem nenhum vínculo com as mesmas !!! (ver Anexo 2 e 3)". Além disso, os Recorrentes pedem o afastamento da glosa em relação às operações realizadas com empresas localizadas no Estado de Minas Gerais, pois, aos olhos das Recorrentes, a fiscalização não teria competência para a realização das diligências de colheita de provas. Fl. 4697DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.690 17 Essa alegação também não foi acolhida pela decisão recorrida, que afirmou: "Na verdade o que foi feito por aquela fiscalização estadual nada mais é do que uma circularização a respeito de fortes indícios de notas fiscais frias, indícios esses que se confirmaram. (...) A alegação de incompetência territorial não se mantém, pois a circularização tratava de contribuinte com sede no estado de São Paulo que apresentava notas fiscais de fornecedores de outros estados, e que apenas foram objeto de verificação. Os procedimentos adotados pela Secretaria da Fazenda de São Paulo tinham origem na Gourmaitre e objetivavam apurar ilicitudes praticadas em operações da qual essa fazia parte". Adicionalmente, defendem que a Gourmaitre seria adquirente de boafé em relação às operações consideradas inidôneas, motivo pelo qual os Autos de Infração lavrados seriam nulos ou insubsistentes. Sobre essa alegação, a decisão recorrida assim se manifesta: "A Gourmaitre foi intimada a apresentar durante o procedimento fiscalizatório a documentação comprobatória dos registros constantes em parte de sua contabilidade. Com base nesses documentos e em circularização junto aos seus fornecedores foi descoberto e comprovado um esquema ilícito de grande proporção contra o erário público, como a emissão de documentos e notas fiscais falsas, a geração de créditos indevidos, e aí por diante. Já comentamos nesse voto, mas nunca é demais repetir as diversas irregularidades cometidas pelo contribuinte, no tocante a esses documentos fiscais (ver fls. 799 a 802): fornecedores com atividades paralisadas ou desativadas; declarações dos fornecedores que nunca tinham operado com a Gourmaitre; carimbos falsos; impressão de talonários e notas fiscais inidôneos; incompatibilidade das notas fiscais com a estrutura dos fornecedores; inexistência dos fornecedores nos endereços cadastrais; fornecedor atuante somente no mercado varejista e não atacadista; adulteração de documentos; inexistência de registros das notas fiscais nos órgãos estaduais; pagamentos de fornecedores destinados a pessoas físicas ou jurídicas diferentes das constantes nas notas fiscais; entre outros. Provada, pelos meios juridicamente admitidos (circunstâncias constatadas em diligências/fiscalizações, depoimentos, circularizações ou por consulta em sistemas informáticos) que não houve os aludidos negócios jurídicos de aquisição, consideramse inidôneas as notas fiscais e, portanto tributariamente ineficazes. Não há como se querer aproveitar de créditos com origem em documentos inidôneos, quando se colaborou para a constituição dessa irregularidade: (...) Não tem como se sustentar que esse amplo conjunto probatório seriam apenas indícios, e muito menos admitir boafé do contribuinte, visto que a análise dos autos permite concluir que essas operação jamais ocorreram, e, portanto, contrária a boafé do contribuinte. É de se ressaltar que os referidos fornecedores afirmaram nunca terem realizado operações com a Gourmaitre. Tais ilícitos não foram constatados apenas no trabalho dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, mas também nas verificações do Ministério Público e da Secretaria da Fazenda de São Paulo, inclusive com a apresentação de denúncia crime contra os envolvidos". Fl. 4698DF CARF MF 18 Além disso, a decisão recorrida afirma: “a alegação do contribuinte de que foram todos os créditos glosados não correspondente à realidade, pois as glosas de custos estão direcionadas para os fornecedores identificados como inidôneos, como se vê no item B.1 do Termo de Verificação Fiscal constante a fl. 802” (fls. 4349) Entretanto, a decisão recorrida se equivocou nessa afirmação, que pode até ser verdadeira para o lançamento de IRPJ e CSLL. Mas, com relação ao PIS/COFINS, como alegado pelos Recorrentes e relatado neste voto, houve sim a glosa da totalidade dos créditos de PIS/COFINS, incluindo, portanto, as operações consideradas inidôneas e as demais. Isso porque, novamente, o lançamento de PIS/COFINS está fundado em trabalhos da Fiscalização que independem da análise das operações consideradas inidôneas. De qualquer modo, a verificação da idoneidade da operação, por si só, não conduz ao afastamento da glosa. Nem haverá direito ao crédito tão somente se verificada a legalidade da operação de compra pela Gourmaitre. Nos termos do artigo 3º da Lei nº 10.637/02 e artigo 3º da Lei nº 10.833/03, “ Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi”. Portanto, não merece prosperar o argumento das Recorrentes de se aceitar os créditos das demais operações da Gourmaitre, que não foram consideradas inidôneas, pois o fato de determinada operação ser considerada idônea não leva automaticamente à geração de crédito, pois, nos termos da Lei, a mesma deve se qualificar como uma aquisição de insumo que tenha uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica, o que não foi demonstrado pelas Recorrentes. Por esse motivo, o fato de a Fiscalização ter analisado determinadas operações para fins do lançamento do IRRF e ter considerado que os pagamentos existiram e se destinaram realmente aos fornecedores, para pagamentos de mercadorias, não conduz automaticamente à qualificação dessas aquisições como aquisições de insumos que geram crédito de PIS/COFINS. Desse modo, considerando que o fundamento do lançamento foi a ausência de comprovação do direito ao crédito de PIS/COFINS pela Gourmaitre durante a fiscalização, o que persistiu no decorrer do presente processo, deve ser mantida a glosa da totalidade dos créditos de PIS/COFINS lançados em sua contabilidade. Com relação àquelas operações consideradas inidôneas pela Fiscalização, a ausência de direito à crédito fica ainda mais evidenciada, pois a Fiscalização comprovou a ausência de substância de tais operações. Não tendo efetivamente ocorrido as operações, não pode se passar para a etapa posterior de verificação do direito ao crédito, que é verificar se a operação se qualifica ou não como uma aquisição de insumo. Como levantado na Fiscalização, as operações com as empresas Cenco Central de Com. De Gêneros Alimentícios Ltda., Cerealista Guimarães Ltda., Comércio Varejista de Hortifrutigranjeiro Vila Sônia Ltda., CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., Moema Hortifruti Granjeiro Ltda., Vínculo Distr. De Produtos Alimentícios e Miudezas Ltda. e Gênova Agro Comercial Ltda., de fato, não ocorreram. Fl. 4699DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.691 19 Nas diligências efetuadas, constatouse que ora os sócios dessas empresas não conheciam a Gourmaitre, ora elas não realizaram uma operação sequer fora do Estado de Minas Gerais ou com empresas no Estado de São Paulo, ora as notas fiscais emitidas em nome dessas empresas era falsas, com a utilização de carimbos falsos, sem o conhecimento dos verdadeiros sócios, cumulandose esses e outros elementos em muitos desses fornecedores. A Fiscalização, inclusive, aponta que havia um responsável por obter essas notas fiscais falsas, que tinha domicílio em Belo Horizonte, o que explicaria o fato das empresas utilizadas para a emissão de notas fiscais inidôneas terem endereço em Belo Horizonte e em municípios próximos a capital, como Betim e Contagem. Diante das provas apresentadas pela Fiscalização, cabia aos Recorrentes demonstrar a realização, de fato, das operações de aquisição, o que não ocorreu, não havendo como se acolher a condição de adquirente de boafé da Gourmaitre nessas operações. Mesmo ultrapassado esse obstáculo, ainda assim os Recorrentes deveriam ter exposto as razões de fato e de direito que qualificam tais operações como aquisição de insumos, para fins de reconhecimento ao direito de crédito de PIS/COFINS e afastamento da glosa realizada, o que não ocorreu nos autos. Por último, não procede a alegação de que faltaria competência territorial para a obtenção das provas junto a contribuintes domiciliados no Estado de Minas Gerais. Isso porque, o procedimento de obtenção de provas, mediante colaboração entre as Fazendas Públicas, está amparado na Lei, no artigo 199 do CTN3. Quanto à competência da Fazenda do Estado de São Paulo de diligenciar junto a contribuintes do Estado de São Paulo, como exposto na decisão recorrida, “os procedimentos adotados pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo tinham origem na Gourmaitre e objetivavam apurar ilicitudes praticadas em operações da qual essa fazia parte”. Portanto, diante da competência da Fazenda do Estado de São Paulo de fiscalizar contribuintes que pratiquem fatos geradores do ICMS do qual aquele ente é sujeito ativo e do objeto da diligência realizada, não vejo como considerar como nulas as provas lá obtidas, em razão da alegada incompetência. Multa de Ofício No TVF, a imposição de multa qualificada é justificada da seguinte forma: “Conforme anteriormente exposto no decorrer desta ação fiscal foi apurado que parte das compras contabilizadas pela fiscalizada não existiram, sendo inclusive suportadas com documentos inidôneos (“notas frias”), procurando através destes subterfúgios aumentar indevidamente seus custos e despesas e a consequente redução das bases de cálculo e valores de IRPJ e CSLL, procedimento que caracteriza sonegação fiscal (...) 3 Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Fl. 4700DF CARF MF 20 Estes fatos impõem a aplicação de multa de ofício qualificada em 150% nos termos do (...)” A Recorrente pede o afastamento da multa majorada, argumentando que o aproveitamento contábil para o PIS e COFINS não se deu com dolo, mas em virtude de mera conseqüência contábil, pois, segundo ela, se os pagamentos foram contabilizados como aquisição de insumo, conseqüentemente seriam aproveitados como créditos de PIS e COFINS. A decisão recorrida manteve a multa majorada, por entender que a mesma está fundada na caracterização de sonegação, nos termos do artigo 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964 e na ilegalidade das operações inidôneas, que imporiam a multa de ofício qualificada, conforme o artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996. Abaixo, os dispositivos em questão: Lei nº 9.430/1996 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Lei nº 4.502/1964 “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais”. Nesse ponto, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada. A meu ver, a majoração da multa não se justifica para o lançamento ora analisado, tendo em vista a ausência de fundamentação no TVF para sua imposição em relação ao lançamento de PIS/COFINS, que ficou limitada ao IRPJ e CSLL. Não há, no TVF, a exposição dos motivos que ensejariam a majoração da multa para o lançamento do PIS/COFINS, com a necessária vinculação entre a glosa de custos e despesas e a conduta de sonegação para fins de PIS/COFINS. No que se refere ao IRPJ/CSLL, o TVF deixa claro que as condutas descritas, de práticas realizadas pela Gourmaitre para aumentar seus custos e despesas, tem efeitos na apuração do IRPJ e da CSLL, pois, quanto maiores forem os custos e despesas, menor será o lucro real apurado. Além disso, fica evidenciada a relação entre a conduta dolosa do contribuinte e o impedimento da ocorrência do fato gerador. Porém, no que diz respeito ao PIS/COFINS, o registro de créditos de PIS/COFINS das operações consideradas inidôneas teria implicações para fins de majoração da multa, caso o contribuinte tivesse apurado a receita tributável e se utilizado de tais créditos, pelo desconto e consequente pagamento a menor das contribuições. Porém, em um cenário que em que o contribuinte sequer apura a receita tributável, deixa de informála ao Fisco, apesar de registrála na sua contabilidade, portanto, não se utiliza de nenhum crédito registrado em sua contabilidade, seja ele decorrente de operações legítimas ou ilegítimas, a aplicação da Fl. 4701DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.692 21 majoração da multa de ofício haveria de ser fundamentada no lançamento, para evidenciar a relação entre a conduta dolosa e o impedimento da ocorrência do fato gerador. Ainda mais quando o fundamento do lançamento de PIS/COFINS, omissão de receitas e ausência de comprovação de créditos de PIS/COFINS na contabilidade, não guarda relação com a conduta ensejadora da majoração para o IRPJ/CSLL. Nesse sentido, determina a Súmula CARF nº 14 que: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Pelo exposto, voto por afastar a majoração da multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) Da Sujeição Passiva Solidária Ementa do Voto Vencido: "RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ARTIGO 124, INCISO I, DO CTN. INTERESSE COMUM. INTERESSE JURÍDICO E NÃO INTERESSE ECONÔMICO. De acordo com a jurisprudência do STJ, o conceito de “interesse comum” do artigo 124, inciso I, do CTN, não se refere a interesse financeiro, de obtenção e/ou repartição do potencial lucro auferido em razão da realização da atividade econômico relacionada ao fato gerador, mas sim no interesse jurídico, participação conjunta na situação configuradora do fato gerador, o que é entendido como estar no mesmo polo da relação jurídica que constitua o fato gerador. Em decorrência, a configuração de grupo econômico de sociedade, por si só, não enseja a responsabilização nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN, devendo ser demonstrada a ocorrência de “interesse comum” entre contribuinte e terceiro, sem prejuízo da Lei atribuir expressamente a responsabilidade solidária para as sociedades integrantes do grupo econômico (artigo 124, inciso II, do CTN). RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ARTIGO 135, INCISO I, DO CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO RESULTANTE DE ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI. NECESSIDADE DE PROVA DE NEXO DE CAUSALIDADE. A responsabilidade de terceiros do artigo 135, inciso III, do CTN, exige uma relação de causalidade entre a prática do ato com excesso de poderes e infração à Lei e o não pagamento do tributo. Esse não pagamento de tributo pode decorrer diretamente dos atos praticados, como ocorre em fraudes perpetradas para diminuir artificialmente a base de cálculo de determinado tributo, ou indiretamente, com a prática de uma série de atos infracionais que reduzam a capacidade econômica da pessoa jurídica, impossibilitandoa de adimplir as obrigações tributárias. Deve existir uma ligação entre a conduta ilegítima do administrador e o crédito tributário dele exigido, de forma solidária, pois o Fl. 4702DF CARF MF 22 administrador é responsabilizado, não por todas as obrigações da sociedade, mas apenas por aquelas resultantes dos atos praticados ao arrepio da Lei ou com excesso de poderes". A Fiscalização lavrou o “Termo de Sujeição Passiva Solidária” de fls. 871 873, no qual arrolou as pessoas a seguir como sujeito passivo solidário: (i) Sr. Eloizo Gomes Afonso Durães, (ii) Sr. Silvio Marques, (iii) Sr. Hélio Vieira, (iv) SP Alimentação e Serviços Ltda. e (v) Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda. O fundamento legal para a imputação de responsabilidade é o artigo 135, inciso III, do CTN, sob a alegação que essas pessoas teriam administrado a Gourmaitre durante os anos calendários de 2007, 2008 e 2009. De acordo com o referido Termo: “(...) em decorrência da ação fiscal levada a efeito junto ao sujeito passivo (Gourmaitre Cozinha Industrial e Refeições Ltda.,) e considerandose o que está detalhado nos itens 6, 7 e 8 do Termo de Verificação Fiscal, ficou demonstrado que os [lista os sujeitos arrolados no Termo] administraram a mesma, durante os anoscalendário 2007, 2008 e 2009, tendo cometido crimes contra a ordem tributária nos termos descritos no Termo de Verificação Fiscal, itens 6, 7 e 8, onde foram constatados dentre outros: Emissão de notas fiscais inidôneas em nome dos fornecedores: [lista com os 7 (sete) fornecedores considerados inidôneos] Na análise dos pagamentos das compras, feita por amostragem, foi apurado que nenhum dos cheques foi efetivamente destinado às referidas empresas, pelo contrário, foram destinados a pessoas físicas e jurídicas sem qualquer vínculo com os supostos fornecedores constantes na sua escrituração contábil. A constatação de valores contabilizados como pagamentos a fornecedores inexistentes mediante rastreamento dos cheques nos faz concluir que os valores foram desviados a terceiros acarretando fraudes. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do artigo 135 do CTN, que transcrevemos abaixo: [transcrição do artigo 135, inciso III, do CTN]” Como se verifica, o “Termo de Sujeição Passiva Solidária” faz referência aos itens 6 (intitulado “Grupo Econômico”), 7 (“Operações Suspeitas”) e 8 (“Responsável pela obtenção das notas fiscais inidôneas”) do TVF. Deles, destaco o seguinte: “6 – Grupo Econômico O grupo econômico SP Alimentação, chefiado por Eloísio Afonso Gomes Durães, formado como estrutura organizacional hierárquica e empresarial, foi constituído com a finalidade de fraudar licitações públicas e corromper funcionários públicos municipais. Por meio de vitórias em licitações fraudulentas, fornecia merendas às escolas municipais. Dentre os principais dirigentes citamos, além do chefe Eloísio Afonso Gomes Durães, os sócios Sílvio Marques, Antonio Marques Franco, Genivaldo Marques dos Santos e Helio Vieira. Fl. 4703DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.693 23 Conforme investigações efetuadas pelo GEDEC/Secretaria da Fazenda Estadual, (...) ficou evidenciado que essas duas empresas [SP Alimentação e Serviços Ltda. e Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda.], juntamente com a Gourmaitre, faziam parte do grupo SP Alimentação, com estreita ligação entre si, pelos motivos abaixo relacionados: a) Houve uma intensa movimentação financeira entre as três empresas, no período de 2007 a 2009. A análise das solicitações para a realização de transferências bancárias entre estas empresas, possibilitou identificar que foram assinados cheques por Silvio Marques (sócio da Gourmaitre) e Antônio Marques Franco. Ambos assinaram na mesma época as autorizações/solicitações para as transferências bancárias da Gourmaitre e de outras empresas do Grupo SP Alimentação a saber: SP Alimentação e Serviços Ltda. E Ceazza Distribuidora de Frutas e Legumes Ltda., b) O próprio plano de contas da contabilidade reconhece a ligação entre as empresas por possuir a conta 1201001 e 12101002 (Empréstimos). No razão dessa conta há o registro de operações de empréstimos com Verdurama (conta 120100200002) e SP Alimentação (conta 120100200001). c) O atual sócio da Gourmaitre, o Sr. Silvio Marques, já foi sócio da SP Alimentação. d) A Verdurama já foi sócia da Gourmaitre; e) O sócio da SP Alimentação Sr. Eloisio Gomes Afonso foi sóciofundador da Verdurama. f) As contas bancárias foram movimentadas por pessoas comuns às empresas do grupo onde destacamos as pessoas de Antonio Marques Franco e Silvio Marques, que movimentaram na mesma época as contas bancárias de várias empresas do grupo. g) O “motoboy” Gilmar da Silva, encarregado dos saques dos cheques na “boca do caixa” dos bancos foi o mesmo que sacava os cheques da SP Alimentação e Verdurama, conforme Termo de Esclarecimentos prestados e cópias dos cheques. Gilmar da Silva declarou que efetuava saques bancários para as empresas do grupo SP Alimentação. Este declarou ainda que entregava o dinheiro sacado a pessoa da diretoria ou departamento financeiro”. No item 7 (“Operações Suspeitas”) do TVF estão expostos os elementos encontrados para que a Fiscalização tivesse concluído pela inidoneidade das operações realizadas com os fornecedores listados e no item 8 (“Responsável pela obtenção das notas fiscais inidôneas”) é indicado o responsável pela obtenção das notas fiscais inidôneas, conforme denúncia realizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. No item D do TVF, a Fiscalização lista os sujeitos passivos solidários e, além do artigo 135 do CTN, indica como fundamento o artigo 124 do CTN. Fl. 4704DF CARF MF 24 Dispõe o artigo 124 do CTN: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem”. Nesse sentido, a solidariedade em relação à obrigação tributária pode ter origem na Lei, quando expressamente dispor dessa forma, ou entre pessoas que tenham “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. Com relação ao conceito de “interesse comum” do artigo 124 do CTN, a jurisprudência do STJ afirma que não se trata de interesse financeiro, de obtenção e/ou repartição do potencial lucro a ser auferido em razão da realização da atividade econômica relacionada ao fato gerador, mas sim no interesse jurídico, participação conjunta na situação configuradora do fato gerador, o que é entendido como estar no mesmo polo da relação jurídica que constitua o fato gerador. Assim, já decidiu o STJ: "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008)”. ***** “(...) 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. (REsp 884.845/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 18/02/2009)” Nessa linha de raciocínio, em uma prestação de serviços, podese invocar a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN, para declarar a solidariedade de dois prestadores que realizem determinados serviços em favor de único tomador, por outro lado, não cabe a aplicação desse dispositivo para determinar a solidariedade entre prestador de serviços e tomador, pois, nessa hipótese, não se configura a existência de “interesse comum”, pois não há interesse jurídico comum, mas contrapostos. Em razão do entendimento sobre o alcance do conceito de “interesse comum”, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que “inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do "interesse comum" previsto no artigo 124 do Código Tributário Nacional” (AgRg no REsp 1102894/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 21/10/2010) e que “existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação.” (AgRg no AREsp 21073/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 18/10/2011). Fl. 4705DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.694 25 No presente caso, no TVF é afirmado que as pessoas jurídicas arroladas como sujeito passivo solidário seriam de um mesmo grupo econômico, denominado grupo SP Alimentação. Na decisão recorrida, é mantida a sujeição passiva das empresas, sob o entendimento de que as pessoas jurídicas seriam do mesmo grupo econômico da Gourmaitre e, além disso, todos os elementos trazidos pela Fiscalização comprovariam o interesse comum. Por fim, destaca a decisão recorrida: “(...) corroborando tudo o que foi dito é de se mencionar ainda que o inciso IX, do art. 30, da Lei nº 8.212/1991, que fala da solidariedade daqueles que integram grupo econômico no financiamento da seguridade social, ou seja, englobando as contribuições do PIS e da COFINS”. Contudo, o fundamento legal apontado na decisão recorrida não foi utilizado como fundamento no lançamento, o que é vedado, pois devese aferir a possibilidade de responsabilização das pessoas jurídicas arroladas, com fundamento no artigo 124, inciso I, do CTN, e não pelo artigo 124, inciso II, do CTN, sob pena de se admitir uma mudança no critério jurídico do lançamento, em nítida violação ao artigo 146, do CTN. E, ao se examinar o TVF, percebese que o seu objetivo foi demonstrar a existência de um grupo econômico, ainda que tais empresas não possam se qualificar como um grupo de fato (artigo 243, parágrafo 1º, da Lei nº 6.404/1976) ou de direito (artigo 265 da Lei nº 6.404/1976), mas como um conjunto de empresas que atuam, sem relação societária ou contratual, sob controle e direção empresarial centralizado, buscando alcançar seus objetos sociais, ainda que não relacionados. Entretanto, como exposto, a existência de um grupo econômico não impõe, por si só, a solidariedade, devendo ser provado pela autoridade lançadora que as pessoas jurídicas indicadas como sujeito passivo solidário tinham “interesse comum” na ocorrência do fato gerador, interesse este jurídico e não econômico, o que não ocorreu no presente caso. Diante disso, por ausência de demonstração, entendo que deve ser afastada a responsabilidade solidária da SP Alimentação e Serviços Ltda. pelo crédito tributário discutido nos autos deste processo. Quanto às pessoas físicas arroladas como responsáveis, de acordo com o “Termo de Sujeição Passiva Solidária”, a acusação é de terem administrado a Gourmaitre durante os anos de 2007 a 2009 e cometido crimes contra a ordem tributária, dentre eles, a emissão das notas fiscais inidôneas em nome dos fornecedores e a realização dos pagamentos a pessoas físicas e jurídicas sem qualquer vínculo com os supostos fornecedores, o que as enquadraria na responsabilidade do artigo 135, inciso III, do CTN. No TVF, há a informação que o Recorrente Sr. Eloizo Gomes Afonso Durães é sócio da SP Alimentação e Serviços Ltda., foi sóciofundador da Verdurama, que teria sido no passado sócio da Gourmaitre, e seria o “chefe” do denominado grupo SP Alimentação. Não existe informação a respeito de ligação formal, seja na qualidade de sócio, seja na qualidade de administrador, do Sr. Eloizo Gomes Afonso Durães, com a Gourmaitre. Portanto, a acusação é que de ele seria um administrador de fato da sociedade. Já com relação aos Recorrentes Sr. Silvio Marques e Sr. Hélio Vieira, os mesmos são incluídos como sujeitos passivos, por serem considerados como uns dos principais dirigentes do denominado grupo SP Alimentação e por serem sócios da Gourmaitre. Fl. 4706DF CARF MF 26 Da análise das alterações ao contrato social da Gourmaitre, às fls. 127202, verificase que o Sr. Silvio Marques ingressa na sociedade, tendo recebido quotas mediante cessão da Sr. Maria de Lourdes Dalazoana, nos termos da alteração ao contrato social de 07/12/2004, passando a exercer a administração da sociedade, em conformidade com a Cláusula Quinta do Contrato Social da Gourmaitre. Já o Sr. Hélio Vieira ingressa na sociedade, em razão de cessão de quotas do Sr. Edivaldo Leite dos Santos, nos termos da alteração ao contrato social de 22/09/2005, passando a partir de tal data a exercer a administração da sociedade em conjunto ou isoladamente com o Sr. Silvio Marques. No TVF, há ainda a menção genérica ao artigo 124, do CTN, que, como afirmado, prevê 2 (duas) hipóteses de responsabilização de terceiros, quando há interesse comum e quando a Lei expressamente designar essa responsabilidade ao terceiro. Quanto à existência de interesse comum, como exposto nas linhas acima, não há no lançamento a exposição da subsunção das condutas realizadas no caso concreto com a hipótese abstrata de responsabilização nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN, com a necessária demonstração de que as pessoas arroladas devem ser responsabilizadas com fundamento nesse dispositivo. Já com relação à hipótese de responsabilização do artigo 124, inciso II, do CTN, é pertinente a sua indicação, diante da apresentação de motivos para a responsabilização no “Termo de Sujeição Passiva Solidária”, com indicação do fundamento legal, artigo 135, inciso III, do CTN, que designa expressamente a solidariedade, e a descrição das condutas que justificam o enquadramento, a administração, de fato, pelo Sr. Eloizo Gomes Afonso Durães, e a administração, pelo Sr. Silvio Marques e Sr. Hélio Vieira, da Gourmaitre. Em seu Recurso Voluntário, o Sr. Eloizo Gomes Afonso Durães, além de impugnar o lançamento pelas alegações de decadência e nulidade em razão da ausência de assinatura dos Autos de Infração e Termo de Sujeição pelo Delegado da Receita Federal, defende que ele não se enquadraria nas hipóteses de responsabilização do artigo 124, inciso I, do CTN, e artigo 135, inciso III, do CTN, pois não possui participação societária na Gourmaitre, nunca exerceu poderes de gerência na sociedade e não possui qualquer interesse na sociedade. Já o Sr. Silvio Marques apresenta em seu Recurso Voluntário as mesmas alegações de defesa da devedora principal, Gourmaitre, sociedade da qual é sócio, não impugnando o “Termo de Sujeição Passiva Solidária” e a sua inclusão no polo passivo como devedor solidário, ao passo que o Sr. Hélio Vieira, além de apresentar as mesmas alegações de defesa da Gourmaitre, ainda impugna sua inclusão como devedor solidário, sob o argumento de que não poderia responder pela Gourmaitre, pelo simples fato de constar no Contrato Social, tendo em vista que nunca foi administrador da empresa. As alegações de decadência e nulidade suscitadas pelo Recorrente Sr. Eloizo Gomes, assim como as matérias de defesa comuns à Gourmaitre apresentadas pelo Sr. Silvio Marques e Sr. Hélio Vieira já foram apreciadas nesse voto, entendendose procedente em parte o lançamento, para que seja reduzida a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). Cabe agora examinar se é legítima a inclusão dos Srs. Eloizo Gomes Afonso Durães e Hélio Vieira como devedores solidários. Nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado”. Fl. 4707DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.695 27 De início, duas observações importantes da norma que se extrai da leitura desse dispositivo: (i) “a simples condição de sócio não implica responsabilidade tributária. O que gera a responsabilidade, nos termos do artigo 135, III, do CTN, é a condição de administrador de bens alheios. Por isso a lei fala em diretores, gerentes ou representantes. Não em sócios. Assim, se o sócio não é diretor, nem gerente, isto é, se não pratica atos de administração da sociedade, responsabilidade não tem pelos débitos tributários desta” 4; e (ii) “o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente”. (Súmula 430, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, REPDJe 20/05/2010) Dessa maneira, a responsabilidade é atraída para aqueles que exercem a administração da sociedade e cometem uma infração ao contrato social ou estatuto social ou uma infração à Lei que não seja a lei tributária. Mas a responsabilidade é “pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados”. Há uma relação entre a prática do ato infracional e a ausência de pagamento do crédito tributário. Se há a prática de ato com excesso de poderes ou infração à Lei, quais créditos tributários poderão ser atribuídos a um terceiro? Todos os créditos tributários cobrados pelo Fisco da sociedade? Somente aqueles que tenham um nexo de causalidade com a prática do ato ou, em outras palavras, decorram da prática do ato? Na doutrina, diversas interpretações vêm sendo dadas à expressão “resultantes”. Há quem defenda que “a expressão “resultantes” denotaria a ocorrência de um ato/fato jurídico complexo, composto de três aspectos: (i) um ato praticado com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos (ato ilícito). (ii) o fato jurídico tributário (lícito); (iii) uma relação de causalidade entre o ato ilícito do responsável e o fato lícito” 5. Outros entendem que “a responsabilidade em questão só existirá quando a pessoa jurídica tenha ficado sem condições econômicas de responder pela dívida em decorrência de atos praticados com excesso de poderes ou violação da lei, do contrato ou do estatuto” 6. Por sua vez, Zelmo Denari afirma que “a questão não pode assumir outra quadratura: o propósito do legislador foi o de responsabilizar pessoalmente os sóciosgerentes e administradores de empresas privadas quanto às obrigações tributárias resultantes de sonegação, fraude fiscal ou irregularidades, constatadas por iniciativa da fiscalização e apuradas através de auto de infração” 7. A meu ver, a responsabilidade de terceiros do artigo 135, inciso III, do CTN, exige uma relação de causalidade entre a prática do ato com excesso de poderes e infração à Lei e o não pagamento do tributo. Esse não pagamento de tributo pode decorrer diretamente dos atos praticados, como ocorre em fraudes perpetradas para diminuir artificialmente a base de cálculo de determinado tributo, ou indiretamente, com a prática de uma série de atos 4 Hugo de Brito Machado. “Curso de Direito Tributário”. 35ª Edição. Editora Malheiros. p. 164. 5 Luís Eduardo Schoueri. “Direito Tributário”. Editora Saraiva. 4ª Edição. p. 590, citando Maria Lucia Aguilera, em artigo “Responsabilidade de terceiros decorrente da prática de ilícitos e o lançamento de ofício: o caso da responsabilidade pessoal dos administradores”, in “Responsabilidade Tributária”. Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder (coordenadores). São Paulo. Dialética. P. 126/142 (131). 6 Hugo de Brito Machado. “Curso de Direito Tributário”. 35ª Edição. Editora Malheiros. p. 166. 7 Denari, Zelmo. “Responsabilidade dos administradores de sociedades comerciais”. Revista da PGE, v. 1315, p. 328329. Fl. 4708DF CARF MF 28 infracionais que reduzam a capacidade econômica da pessoa jurídica, impossibilitandoa de adimplir as obrigações tributárias. Mas deve existir uma ligação entre a conduta ilegítima do administrador e o crédito tributário dele exigido, de forma solidária, pois o administrador é responsabilizado, não por todas as obrigações da sociedade, mas apenas por aquelas resultantes dos atos praticados ao arrepio da Lei ou com excesso de poderes. Assim, para ilustrar, imaginem a hipótese em que a Fiscalização comprova que foi praticada fraude pelo administrador de determinada empresa que dá saída a produtos industrializados e que essa fraude implicou o não pagamento do IPI em 10% (dez por cento) das operações de saída realizadas pela sociedade em determinado período. Nas demais saídas, não houve qualquer fraude, o contribuinte escriturou as operações, submeteuas à tributação, porém, a uma alíquota menor do que a entendida pelo Fisco como correta, em razão de divergência na sua classificação fiscal. Ao final, a Fiscalização lança contra a sociedade o crédito tributário resultante da prática de fraude, referente aos 10% (dez por cento) das operações realizadas pela sociedade, e lança também, em relação ao restante das operações, o crédito tributário decorrente da diferença entre a alíquota adotada pelo contribuinte e a entendida como correta pela Fiscalização. Nessa hipótese, a meu ver, à luz do disposto no artigo 135, inciso III, do CTN, a Fiscalização deverá imputar responsabilidade solidária ao administrador somente em relação às operações em que se praticou a fraude, da qual resulta o crédito tributário, ou seja, sobre as tais operações que correspondem a 10% (dez por cento) das saídas da sociedade, não podendo ir contra o terceiro para exigir todo e qualquer crédito tributário lançado contra a sociedade a título de IPI, seja ele decorrente de fraude, seja ele decorrente do mero inadimplemento da obrigação tributária ou, no caso, da divergência a respeito da aplicação da legislação tributária. Do mesmo modo, se nessa mesma Fiscalização forem lançados créditos tributários a título de IRPJ/CSLL, sem relação com a fraude, não cabe a responsabilização do terceiro, administrador da sociedade. Esse o meu entendimento sobre o artigo 135, inciso III, do CTN, nos aspectos que julgo importantes para o presente caso. De acordo com o “Termo de Sujeição Passiva Solidária”, a conduta que justifica a responsabilização de terceiros é o cometimento de crimes contra a ordem tributária, representados pela escrituração de custos e despesas de operações consideradas inidôneas e o pagamento a pessoas físicas e jurídicas sem qualquer relação com esses supostos fornecedores. Quando se verifica que o objetivo de tal conduta, dentre outros, era reduzir o lucro real e, consequentemente, reduzir o montante de IRPJ e CSLL a pagar, constatase que se trata da conduta tipificada como fraude, nos termos do artigo 72, da Lei nº 4.502/1964, com a seguinte redação: “Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”. Desse modo, se para fins do lançamento do IRPJ/CSLL, o enquadramento na responsabilidade do artigo 135, inciso III, do CTN, em princípio, parece ter restado plenamente atendido, quanto ao lançamento do PIS/COFINS, não me parece que tenha sido. Isso porque, como relatado, o fundamento para o lançamento do PIS/COFINS é a omissão de receita e a ausência de comprovação da existência de créditos a descontar. Não existe nexo de causalidade entre a fraude narrada e o crédito tributário de Fl. 4709DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.696 29 PIS/COFINS. Além disso, na apuração do PIS/COFINS, foi considerada a glosa da totalidade dos créditos escriturados na contabilidade da Gourmaitre, de modo que o crédito tributário resulta da falta de comprovação do direito de crédito e não da ocorrência de fraude em determinadas operações. Não se tem notícia de que a Gourmaitre tenha se utilizado desses créditos para desconto na base de cálculo de PIS/COFINS, até mesmo porque, segundo o lançamento, a empresa sequer reconhecia receitas tributáveis. Ademais, se fosse possível considerar algum vínculo entre o crédito tributário lançado e a fraude nas operações inidôneas, a responsabilidade tributária haveria de ficar circunscrita ao montante de créditos decorrentes de tais operações, descontados ou registrados pela contribuinte, e não à totalidade do PIS/COFINS devido no período fiscalizado. Ante o exposto, entendo que a imputação de responsabilidade ao Sr. Eloizo Gomes Afonso Durães e Sr. Hélio Vieira deve ser afastada, tendo em vista que a fundamentação do lançamento do PIS/COFINS e a motivação para atribuição de responsabilidade solidária não conduzem à hipótese prevista no artigo 135, inciso III, do CTN, no caso, e não há demonstração de responsabilidade, de acordo com o artigo 124, inciso I, do CTN. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de (i) negar provimento ao Recurso de Ofício; (ii) dar provimento parcial aos Recursos Voluntários interpostos para manter a totalidade do lançamento a título de crédito tributário de PIS/COFINS, reduzir a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento) e excluir os seguintes devedores solidários: Sr. Eloizo Gomes Afonso Durães, Sr. Hélio Vieira e SP Alimentação e Serviços Ltda. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 4710DF CARF MF 30 Voto Vencedor Conselheiro André Henrique Lemos, redator designado A matéria do voto vencedor se restringe a questão da responsabilização tributária dos sócios, administradores e pessoa jurídica, ou seja, se há sujeição passiva das pessoas físicas dos senhores Eloizo Gomes Afonso Durães (sócioadministrador da SP Alimentação e Serviços Ltda.) e Hélio Vieira (sócio da Recorrente) e da pessoa jurídica SP Alimentação e Serviço Ltda.. Se viu dos autos do processo que o caso concreto tem requintes de provas quanto à formação de grupo econômico, intitulado “SP Alimentação”, formado pela Recorrente, SP Alimentação e Serviço Ltda. e Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda., tendo sido alvo de investigação pelo Ministério Público e pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, no tocante à fraudes em merendas escolares e licitações, o que redundou na operação “pratos limpos”. O nó a ser desatado por este Colegiado toca ao nexo de causalidade, a saber, se tais pessoas físicas e jurídica participaram dos referidos eventos, e por corolário, se hão de figurar na sujeição passiva do lançamento efetivado, incidindo os artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” (grifo nosso). “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” O liame, no caso concreto, se deu entre as pessoas pelos seguintes motivos: a) intensa movimentação financeira entre as três empresas; b) transferências bancárias assinadas por sócios das empresas na mesma época; c) plano de contas com previsão de empréstimos entre elas; d) sócios com atuação em mais de uma dessas empresas; e) empresa sócia de outra (Verdurama para com a Gourmaitre); f) sócio de uma empresa fundadora de outra (Sr. Sílvio Marques, sócio da Gourmaitre fundou a SP Alimentação); Fl. 4711DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.697 31 g) contas bancárias das empresas movimentadas por pessoas comuns, como os Srs. Antônio Marques Franco e Sílvio Marques; h) declaração do Sr. Gilmar da Silva (motoboy) que sacava cheques nos bancos para todo o grupo, entregando o dinheiro sacado conforme determinação para o pessoal da diretoria ou do departamento financeiro destas. i) inconsistências caracterizadas como inidoneidade de várias pessoas jurídicas (fls. 799801; 9063.593); j) lançamentos contábeis referentes a pagamentos não justificados pela Recorrente. O interesse comum grifado no inciso I, do artigo 124 do CTN, citado acima, diz respeito, no caso concreto, à formação de um grupo econômico com a intenção de lesar a Administração Pública, redundando em solidariedade, com responsabilidade pessoal, a teor da conjugação dos artigos 124 e 135, ambos do CTN, como se viu acima, e aliás, com acerto, bem ressalvado no acórdão da DRJ de POA/RS (fl. 4.356), no qual citou acórdão DRJ 1644016, de 2013; acórdãos 1401000.878, 2402003.328 e 1302000458. No que toca à responsabilidade solidária de pessoas jurídicas que formam grupo econômico, já decidiu este CARF: GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico são responsáveis solidárias pelos créditos previdenciários. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 2402004.097, maioria de votos). Já no que se refere à responsabilidade solidária dos sócios, a Primeira Seção do STJ, em sede de embargos de divergen̂cia, consagrou o entendimento de que o simples inadimplemento da obrigacã̧o tributária não enseja a responsabilidade solidária do sócio gerente, nos termos do art. 135, III, do CTN (EREsp 174.532/PR, DJU 20/08/2001), esta, a regra geral. A exceção seria para os casos em que os sócios (diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica) são responsáveis, por substituiçaõ, pelos créditos correspondentes a obrigacõ̧es tributárias resultantes da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infraçaõ de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN. No mesmo sentido: REsp 471.107/MG, DJU de 20.10.03. Aqui, neste ponto, reina a controvérsia entre o voto do e. relator e a divergência vencedora, vez que o caso concreto deságua na excepcionalidade, qual seja, a prática de ato ou fato com infração à lei. Tratase, portanto, de responsabilidade subjetiva, presente no caso dos autos. Tais pessoas (físicas e jurídica) infringem a lei quando concorrem para a produção de ilícitos cometidos em face da Administração Pública, seja nas fraudes em licitações, merendas escolares e ausência de recolhimento de tributos, provas carreadas nos autos, em especial às fls. 799801 e 9063.593, além das alíneas “a” a “j” acima, e ainda, o Termo de Sujeição Passiva Solidária e o Termo de Verificação Fiscal (itens A6 e A7, Grupo Fl. 4712DF CARF MF 32 Econômico e Operações Suspeitas, respectivamente). A propósito, assim entende este CARF: RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito. Cofins. PIS. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. (Ac. 3401003.166, relator Eros Eloy da Silva Nogueira, maioria de votos, negouse provimento ao RV quanto à sujeição passiva e a solidariedade, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. TRIBUTOS. CONTRIBUIÇÕES. MULTA AGRAVADA E QUALIFICADA. A responsabilidade solidária não se restringese aos tributos e contribuições exigidos, abrangendo também as multas imputadas, inclusive a multa de ofício agravada e qualificada, em vista de sua natureza patrimonial e não pessoal. (Ac. 1401001.507, votação unânime, negando provimento ao RV). Diante do exposto, voto no sentido negar provimento aos recursos voluntários na parte que tratam dessa matéria, declarando a sujeição passiva das pessoas físicas dos senhores Eloizo Gomes Afonso Durães (sócioadministrador da SP Alimentação e Fl. 4713DF CARF MF Processo nº 19515.721563/201396 Acórdão n.º 3401003.427 S3C4T1 Fl. 4.698 33 Serviços Ltda.) e Hélio Vieira (sócio da Recorrente) e da pessoa jurídica SP Alimentação e Serviço Ltda.. André Henrique Lemos Fl. 4714DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913816/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.063
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.913816/201164 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.063 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 81 6/ 20 11 -6 4 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10480.913816/201164 Resolução nº 3401001.063 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.062. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10480.913816/201164 Resolução nº 3401001.063 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10480.913816/201164 Resolução nº 3401001.063 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002255/2003-22
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. EXCLUSÃO POR ATIVIDADE VEDADA:
Conforme comando do art. 9º, inciso XII, alínea “f” da Lei nº 9.317/96, é vedada a opção pela sistemática do SIMPLES FEDERAL, de empresa que exerce a atividade de locação de mão de obra.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2000
NULIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não configura nulidade o não acolhimento das razões de defesa alegadas na manifestação de inconformidade, sendo oportunizado o devido processo legal administrativo onde a contribuinte exerceu o seu legítimo direito ao contraditório e ampla defesa.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000
IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Não configura ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, a exclusão retroativa da sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), prevista na própria norma e configurado o exercício de atividade vedada desde o início das atividades.
Numero da decisão: 1803-000.680
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2000 SIMPLES. EXCLUSÃO POR ATIVIDADE VEDADA: Conforme comando do art. 9º, inciso XII, alínea “f” da Lei nº 9.317/96, é vedada a opção pela sistemática do SIMPLES FEDERAL, de empresa que exerce a atividade de locação de mão de obra. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 NULIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não configura nulidade o não acolhimento das razões de defesa alegadas na manifestação de inconformidade, sendo oportunizado o devido processo legal administrativo onde a contribuinte exerceu o seu legítimo direito ao contraditório e ampla defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Não configura ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, a exclusão retroativa da sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), prevista na própria norma e configurado o exercício de atividade vedada desde o início das atividades.
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EXCLUSÃO POR ATIVIDADE VEDADA: Conforme comando do art. 9º, inciso XII, alínea “f” da Lei nº 9.317/96, é vedada a opção pela sistemática do SIMPLES FEDERAL, de empresa que exerce a atividade de locação de mão de obra. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 NULIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não configura nulidade o não acolhimento das razões de defesa alegadas na manifestação de inconformidade, sendo oportunizado o devido processo legal administrativo onde a contribuinte exerceu o seu legítimo direito ao contraditório e ampla defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Não configura ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, a exclusão retroativa da sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), prevista na própria norma e configurado o exercício de atividade vedada desde o início das atividades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator. EDITADO EM: 29/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch e Marcelo Fonseca Vicentini. Relatório LABORE SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BRASILIA (DF), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de exclusão do SIMPLES (Lei nº 9.317/96), pela constatação de exercício de atividade vedada pelo art. 9º, inciso XII, “f” da Lei nº 9.317/96 – locação de mão de obra. Em decorrência de representação fiscal enviada pela Gerência Executiva do INSS em Blumenau-SC (fls. 01/06), através do Ato Declaratório Executivo nº 04, de 24 de janeiro de 2006 (fl. 24), a empresa foi excluída da sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), com efeitos retroativos à constituição da empresa em 03/04/2000. Conforme se depreende da representação do INSS e documentos a ela anexados, a empresa foi constituída com ex-empregados administrativos da empresa “MOMENTO ENGENHARIA DE CONSTRUÇÃO CIVIL LTDA”, local onde exerce suas atividades de forma contínua e permanente na área administrativa. O endereço da sede da empresa “LABORE” é a residência de um dos sócios – Fábio Franco sendo que na verdade exerce suas atividades na sede da empresa “MOMENTO ENGENHARIA” conforme visita na empresa. Ainda conforme a representação do INSS: Além da MOMENTO ENGENHARIA DE CONSTRUÇÃO CIVIL LTDA a LABORE presta serviços a outras empresas, no entanto, nota-se que tais empresas estão ligadas a MOMENTO ENGENHARIA DE CONSTRUÇÃO CIVIL LTDA, sendo elas: • DS EMPREITEIRA DE MÃO DE OBRA LIDA — CNPJ 03.796.114/0001-88 - Empresa criada com ex-funcionários da MOMENTO ENG. DE CONSTR. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002255/2003-22 Acórdão n.º 1803-000.680 S1-TE03 Fl. 148 3 CIVIL LTDA que atualmente lhe presta serviços; • GTA GESTÃO AMBIENTAL LTDA — CNPJ 04.813.163/0001- 44 - Um dos gerentes delegado no contrato social da GTA é o Sr. Luiz Peret Antunes, que é também sócio gerente da MOMENTO ENG DE CONSTR CIVIL LTDA. • MOMENTO ENG AMBIENTAL LTDA CNPJ 00.904.606/0001- 51 - Empresa têm em seu quadro societário como sócios gerentes os Srs. Álvaro Gucelmin Pereira Jorge, Lauro Luiz Leone Viana, Luiz Peret Antunes, sendo que estes dois últimos também são sócios gerentes da MOMENTO ENG E CONSTR. CIVIL LTDA. Conforme o contrato social a “LABORE SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA” tem por objeto social a exploração do ramo de: Prestação de Serviços gerais de escritório (digitação, relatórios de contas a pagar e receber, serviços bancários, atendimento a clientes). Segundo a representação o Contrato de Prestação de Serviços (anexado aos autos) evidencia a prestação de serviços administrativos de forma contínua e sob subordinação da empresa contratante “Momento Engenharia”. A representação está instruída com cópia do Contrato Social e alterações posteriores da “LABORE SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA” de notas fiscais emitidas pela empresa excluída e contrato de prestação de serviços com a “MOMENTO ENGENHARIA”. O relatório da DRJ Brasília, sintetiza os argumentos da manifestação de inconformidade: Primeiro, aduz a impugnante que se feriu o direito de defesa, pois o ato de exclusão foi emitido sem pedido de esclarecimento à contribuinte; Alega que não loca mão-de-obra e sim presta serviço às empresas tomadoras, portanto, atividade não vedada à opção. Diz que os efeitos da exclusão devem ser a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, ou seja, da constatação em diante. Assim, requer que seja reconsiderada a decisão que determinou sua exclusão e que se determine sua permanência no Simples. A DRJ BRASÍLIA (DF), através do acórdão 03-23.812, de 21 de dezembro de 2007 (fls. 97/99), negou provimento à manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2000 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH 4 Ementa: Opção pelo Simples — Condição Vedada - I Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. Solicitação Indeferida Ciente da decisão em 29/12/2008, conforme Aviso de Recebimento - AR (fl. 135), apresentou em 23/01/2009 o recurso voluntário de fls. 136/145, onde requer “anular as decisão recorrida, por conta de manifesto cerceamento de defesa à recorrente, para que outra seja proferida em seu lugar, ou, não sendo este o entendimento prevalecente, então reforma-la para desconstituir o ato declaratório impugnado, mantendo válida a opção da recorrente pelo SIMPLES; ou, ainda, em última hipótese, caso não providos os anteriores requerimentos, então reformar a decisão recorrida na parte em que determina a retroação dos efeitos da exclusão do SIMPLES, determinando a sujeição da recorrente à tributação normal somente após o ‘trânsito em julgado’ da decisão administrativa”. Constam ainda no processo, elementos que demonstram que a empresa recorrente intentou ação judicial mandamental, obtendo provimento em sede recursal, para imediata reinclusão na sistemática do SIMPLES, até o término do processo administrativo que discute a exclusão, sustentada no argumento de cerceamento de defesa do ato de exclusão. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de exclusão da sistemática do SIMPLES (Lei nº 9.317/96), pelo exercício de atividade vedada, cujos efeitos foram atribuídos pelo ato de exclusão ao início das atividades da empresa (03/04/2000), tendo sido deferido pela decisão de primeira instância os efeitos a partir de 01/01/2002. Pugna a recorrente em síntese: a) nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa; b) desconstituição do Ato Declaratório de Exclusão e manutenção da opção pela sistemática do SIMPLES; c) sujeição da recorrente à tributação ‘normal’ somente a partir da decisão definitiva no presente processo de exclusão, evitando-se a exclusão retroativa. Não assiste razão à interessada. Com efeito, inicialmente com relação a suposta nulidade da decisão de primeira instância, não se vislumbra qualquer cerceamento de defesa na mesma. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002255/2003-22 Acórdão n.º 1803-000.680 S1-TE03 Fl. 149 5 A decisão contemplou a análise de todos os elementos contidos na manifestação de inconformidade entendendo não haver irregularidade no ato declaratório de exclusão. Não acolher o argumento da defesa é diferente de não oportunizar o debate sobre as teses constantes da mesma. Nota-se que o devido processo legal está sendo respeitado, sendo oportunizada à recorrente em duplo grau de recurso o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, ficando evidente que a recorrente conhece plenamente os motivos da exclusão da sistemática do SIMPLES. A simples menção de que deveria ser oportunizada uma verificação “in loco” não tem qualquer conotação de cerceamento de defesa, pois além de não ser requerida nos termos que determina o Decreto nº 70.235/72 (art. 16, inciso IV) revela-se dispicienda ante os elementos que constam do processo. Rejeito portanto a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Quanto ao mérito melhor sorte não colhe a recorrente. Contesta a recorrente um dos fundamentos adotado pela decisão de primeira instância com base no § 3º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, de que não cede os seus ‘trabalhadores’ para a contratante mas sim somente os serviços seriam colocados à disposição das empresas contratantes. Ora o jogo de palavras utilizado pela recorrente não tem o condão de alterar a situação fática que evidencia às escâncaras o exercício de atividade vedada – locação de mão de obra. Com efeito, desde a forma de sua constituição (a empresa foi constituída por empregados da contratante) até os contratos firmados pela empresa locadora de mão de obra, ora recorrente, evidenciam a mais pura prática da locação de mão de obra. A prestação de serviços contínua e permanente para a prática de atividades administrativas variadas, algumas que demonstram alto grau de confiabilidade e confidencialidade como – controle de caixa, controle de contas bancárias, emissão e controle de cheques, revelam intrínsica necessidade de hierarquia/subordinação e controle por parte da empresa contratante sobre os ‘prestadores de serviço’. Não se verifica qualquer forma de efetiva fiscalização ou acompanhamento dos serviços prestados ficando a cargo da empresa contratante determinar as tarefas e atividades exercidas pelos trabalhadores que por outro lado conforme rezam os contratos de prestação de serviços devem observar fielmente as ordens e normas da empresa contratante, conforme se observa: e) respeitar e fazer com que seu pessoal respeite as normas de segurança, higiene e disciplina no local dos serviços. f) Aceitar, acatar e fazer cumprir todas as ordens e instruções expedidas pela CONTRATANTE ou seu preposto, obedecendo, rigorosamente, às normas internas da empresa. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH 6 A diversidade de tarefas que são executadas demonstram ainda que a recorrente não detinha o comando e tampouco a fiscalização sobre os trabalhos que são executados durante a vigência do contrato, conforme se depreende da transcrição abaixo: § Os serviços a serem executados são os a seguir listados: a) Controle do Contas a Pagar e Contas a Receber; b) Controle Financeiro Interno; . c) Controle de Caixa; d) Acompanhamento e Elaboração do Relatório de Custos; e) Atendimento a Reclamações Trabalhistas; f) Cotações de Preços e Compras de Materiais; g) Rotinas Administrativas e Financeiras Diversas; h) Serviços externos necessários (Bancos, Prefeituras, órgãos Públicos, etc.); i) Controle de Contas Bancárias; j) Emissão de Controle de Notas Fiscais; k) Serviços de Cobranças; 1) Controle de Combustíveis Manutenções e afins; m)Controle de Livros — Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados; n) Emissão de Guias (Retenções de Seguridade Social, ISSQN, etc.); o) Emissão e Controle de Cheques; p) Controles e Manutenção de Arquivos; q) Serviços de Reprografia e Emissão, Recebimento; r) Despacho e Arquivamento de Correspondência de Terceiros;" O contrato de prestação de serviços apresentado, embora mencione suposta medição dos serviços prestados, revela na verdade pagamentos fixos e determinados previamente para cada tipo de serviço mensal prestado, sem possibilidade de fracionamento. Revela-se ainda importante mencionar que a contratante “Momento Engenharia” passou a não possuir mais empregados no setor administrativo da filial de Blumenau, tão logo firmou o contrato de prestação de serviços com a recorrente. O comando emanado pelo art. 9º, inciso XII, alínea “f” da Lei nº 9.317/96, visa justamente coibir a prática em que empregadores dispensem seus funcionários e os recontratem através de pseudo-empresas de prestação de serviços, com o único fito de exonerar-se dos encargos trabalhistas e previdenciários. Por último, com relação ao suposta ofensa ao princípio da irretroatividade da lei, constata-se que o comando da própria lei é claro ao definir: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II - a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...). Ou seja, configurada a situação irregular desde a constituição da empresa, afigura-se correta a exclusão desde o início da atividade, embora a decisão de primeira instância, tenha sido suavizado os efeitos da exclusão para 01/01/2002, com fulcro no art. 24, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 355/2003. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002255/2003-22 Acórdão n.º 1803-000.680 S1-TE03 Fl. 150 7 Destarte, não se afigura qualquer afronta ao princípio da irretroatividade da lei tributária não podendo ser acolhida a pretensão de manutenção na sistemática do SIMPLES até o término do processo administrativo de exclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH
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Numero do processo: 12259.000883/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2003 a 30/06/2005
FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA.
Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade.
DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA.
Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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COMPETÊNCIA. Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA. Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 08 83 /2 00 8- 71 Fl. 165DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 12259.000883/200871 Acórdão n.º 2301004.910 S2C3T1 Fl. 166 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 08/03/2007 para constituição de crédito tributário de contribuição previdenciária sobre remunerações a segurado empregado, assim caracterizado pela fiscalização em razão da suposta presença das características da relação de emprego. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Verificada a prestação de serviços por segurados que preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, não importando qual tenha sido a forma de contratação, é competente o auditor fiscal do INSS para lançar as contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração paga. O contrato de trabalho, sendo um contrato realidade, não está vinculado ao aspecto formal, eis que prevalecem as circunstâncias reais em que são prestados os serviços. LANÇAMENTO PROCEDENTE ... 2. De acordo com o relatório fiscal, de fls. 35/39, o levantamento tem origem na caracterização como empregada da segurada RENATA CRISTINA MEDEIROS FUSTIONI considerado pela notificada como microempresário, por verificados os requisitos da relação de emprego, definidos no art. 12, inciso l, alinea “a", da Lei 8212/91 c/c art. 3° da CLT. Acrescenta o autor do lançamento que a segurada, em 29/O7/2003, constituiu a empresa FUSTIONI TEIXEIRA PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA, passando a emitir, a partir de 08/2003 mensalmente e em ordem seqüencial notas fiscais de prestação de serviços em informática, caracterizando o trabalho habitual, bem como sua natureza não eventual e diretamente ligada à atividade fim. Ressalta o notificante que, em 04/10/2004, a segurada teve seu vinculo de emprego reconhecido pela notificada, sendo registrada em seu quadro de funcionarios na função de tecnico em manutenção de equipamentos em informática, mas tendo continuado a emitir notas fiscais como forma de complementar a remuneração. 3. O lançamento foi efetuado em 08/03/2007, dentro do lapso temporal determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 09352474F00, de fls. 26, e seus complementares, de fls. 27/29, compatível com os periodos de fiscalização e apuração do credito, com a devida ciencia do contribuinte. Fl. 167DF CARF MF 4 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: O débito lançado é nulo, pois a autoridade administrativa, além de ter agido desprovida de amparo legal, excedeu as atribuições que lhe são conferidas, invadindo a competência constitucionalmente assegurada à Justiça do Trabalho para desconsiderar a personalidade jurídica de empresas prestadoras, legalmente contratadas, e presumir o vínculo entre os sócios e a empresa contratante; Houve cerceamento de defesa, uma vez que, na esfera judicial, teria a autuada instrumentos mais amplos e eficaz e para se defender, reproduzindo o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal; O lançamento de débito vultoso, sem o contraditório e ampla defesa judiciais, afigurase procedimento assaz arbitrário; Os débitos foram lançados de modo unilateral e parcial, ressaltando que a presunção do art. 204 do CTN não dispensa a autoridade lançadora de apurar os fatos que entende serem tributáveis, com a diligência necessária para sua aferição. A existência de relação de emprego não deve ser meramente presumida, mas a autoridade fiscal usou somente suas presunções para descaracterizar os contratos de prestação de serviço; A desconsideração da personalidade jurídica só poderá ser aplicada quando estiver efetivamente comprovada a dissimulação, o que não foi demonstrado na NFLD; A possibilidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos foi introduzida através da Lei Complementar 104/2001 (parágrafo único do art. 116) como medida antielisiva, tornando imprescindível a adoção, pelos agentes fiscais, dos procedimentos que ainda serão estabelecidos em lei ordinária, reproduzindo jurisprudência em favor de sua tese; A teor do art. 150, III, da Constituição Federal e considerando o principio da irretroatividade da lei, ainda que aguardada a lei ordinária, esta não poderá alcançar a presente NFLD, sendo totalmente nulo o débito lançado; O presidente Lula aprovou a Lei 11.457, de 16 de março de 2007, inobstante ter vetado a emenda 3, sendo que o fato de ter sido esta aprovada pelo Congresso demonstra a grande polemica na qual está inserida esta questão, podendo ainda ser derrubado o veto presidencial; indicando a concordância de que na regulamentação do artigo 116 do CTN não pode ser violado o Principio da Separação dos Poderes, concluindose que a autoridade administrativa não goza de atribuições para desconsideração da personalidade jurídica. Avaliar a legalidade de uma contratação não é da alçada do Fisco, sendo ínsita à sua atividade, tãosomente, a apreciação do denominado mérito administrativo, ou seja a valoração sobre a conveniência e oportunidade do ato, mas não a legalidade ou ilegalidade dos mesmos; Fl. 168DF CARF MF Processo nº 12259.000883/200871 Acórdão n.º 2301004.910 S2C3T1 Fl. 167 5 A pessoa jurídica contratada foi constituída legalmente, não havendo vedação para sua contratação, cabendo exclusivamente às partes, nos termos do art. 170, IV, da Constituição da República, deliberar acerca do regime tributário aplicável, ou seja, optar entre a CLT e a mera prestação de serviços, não podendo ser imposto o regime celetista a toda relação de trabalho; Não houve ocultação ou fraude a qualquer tipo de vínculo empregatício, já que a única relação existente foi a de prestação de serviços, que possui conteúdo de obrigação de fazer, portanto, sem natureza trabalhista, restrita ao âmbito civil contratual; Como o ramo de informática é altamente dinâmico, surge a necessidade de se contratar prestadores de serviço para o desenvolvimento de programas e projetos específicos e determinados, que não se incluem nas atividades normais da empresa; A fiscalização não informa e nem tampouco comprova qual seria o tipo de atividade desenvolvida pela prestadora de serviços e, mesmo que se trate de atividadefim semelhante à desenvolvida pela impugnante, tal fato não é suficiente para caracterizar a relação de emprego, transcrevendo jurisprudência sobre a matéria; A documentação anexa é inidônea a ensejar o vínculo, já que os serviços não se revestem das características inerentes ao contrato de trabalho, por serem não pessoais, esporádicos, não exclusivos e não subordinados, não havendo também pessoalidade, já que a prestadora não é pessoa física; a autoridade administrativa não comprovou a habitualidade e exclusividade da prestação de serviços, bem como a dependência, do que decorre não ter sido provada a relação de emprego; o alegado no item 5, no que pertine à emissão mensal e seqüencial de notas fiscais por prestação de serviços em informática não restou comprovado por nenhum documento sequer; no item 6 da presente notificação, a autoridade lançadora não comprova alegado vinculo e, por sua vez, no item 7, também e feita menção a notas fiscais de serviço de emissão da empresa MC de Ávila e Cia LTDA, sendo que nenhuma delas é anexada e nos subitens 11.1 e 11.2, aquela autoridade reitera as alegações, sem contudo comprovar quais delas; Da ilegalidade dos procedimentos adotados pela fiscalização durante todo o procedimento fiscal (mais de quatro meses), em momento algum a empresa se recusou ou sonegou qualquer informação ou documento, mas, ao contrário, disponibilizou equipe para atendimento ã fiscalização, 0 que torna descabida a Fl. 169DF CARF MF 6 adoção do método de aferição indireta, com fundamento no art. 33, §§3° e 6° da Lei 8212/91 reproduzido na defesa; Da violação ao art. 112 do CTN deve ser aplicado o art 112 do CTN, que objetiva proteger o contribuinte, não podendo prosperar a exigência fiscal diante da ausência de elementos e provas suficientes de convicção da ocorrência do fato gerador, devendo ser considerada improcedente a presente Notificação É o Relatório. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 12259.000883/200871 Acórdão n.º 2301004.910 S2C3T1 Fl. 168 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 171DF CARF MF 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à competência do auditorfiscal para a caracterização da condição segurado empregado para fins de lançamento da contribuição previdenciária, a matéria foi julgada neste CARF através de outros processos do mesmo recorrente e originados da mesma fiscalização. Como precedente, assim, cito o processo nº 35582.002130/200742, in verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2005 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 12259.000883/200871 Acórdão n.º 2301004.910 S2C3T1 Fl. 169 9 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. SEGURADO EMPREGADO. I – A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não, haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares. II – Exposta à situação fática, e verificado que há a presença de vinculo empregatício em suposta prestação por pessoa jurídica, correto é o lançamento de oficio. III – A legalidade formal na constituição das empresas, contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor. IV A liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos. Recurso Voluntário Negado ... Nesse diapasão, insta mencionar que ao considerar um pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, a fiscalização da Secretária da Receita Previdenciária — SRP, não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho, na medida em que sua ação não está voltada para fins relacionados ao direito trabalhista, ma sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo egal no § 2° do artigo 229 do Dec. N° 3.048/99, que assim giza: Art. 229: (omissis). §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso 1 do caput do art. 92, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. E de fato existe regra de competência nesse sentido prevista no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, com nova redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29 de novembro de 1999, que assim dispõe: art. 229 (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Fl. 173DF CARF MF 10 Portanto, no presente caso não se trata propriamente de aplicação da cláusula geral antielesiva prevista no artigo 116 Parágrafo único do CTN, o que implicaria para todos os fins a desconsideração da personalidade jurídica das supostas empresas interpostas entre o recorrente e as pessoas físicas; o que não é o caso. Pontualmente, tratase da constatação de uma situação real que prevalece sobre a forma e que, para fins de tratamento tributário, a relação jurídica com o recorrente é direta e pessoal das pessoas físicas e não das pessoas jurídicas interpostas: art. 116 (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Assim, o entendimento deve ser aqui reproduzido. A preliminar suscitada não merece acolhida. Passamos a examinar o mérito. No mérito A comprovação da dissimulação pelo recorrente e conseqüente caracterização da condição de segurado empregado fundamentase nos seguintes elementos: a) formalmente, a segurada era sócio gerente de uma interposta empresa prestadora de serviços de natureza afim ao objeto social do recorrente; e b) a suposta empresa prestadora de serviços emitia mensal, exclusiva e seqüencialmente notas fiscais; c) o segurado percebia participação nos lucros ou resultados juntamente com os segurados formalmente inscritos como empregados da recorrente; e) a suposta prestadora de serviço não possui outros segurados, todos os serviços são prestados diretamente pelo sóciogerente; d) antes da constituição da pessoa jurídica já percebia sua remuneração através da emissão de nota fiscal por outra empresa com a qual não possuía qualquer vínculo; e) o recorrente admitiu o segurado como empregado formalmente registrado, mas continuou pagamento os valores acima do piso salarial através das notas fiscais. A verdade material aponta para uma realidade que prevalece sobre o vínculo formal pactuado: a segurada é empregada da recorrente e prestava serviços de informática necessário à consecução do objeto social do empregador, cumprimento o horário de trabalho tal como os demais empregados. O fato de emitir notas fiscais exclusiva e seqüencialmente afasta a interposta pessoa jurídica do conceito de empresa. Isto porque o artigo 15 da Lei nº 8.212/91 coloca o risco econômico como elemento central do conceito. De outra forma, não haveria a autonomia necessária para que se constitua um ente independente da personalidade de seus sócios: Art. 15. Considerase: Fl. 174DF CARF MF Processo nº 12259.000883/200871 Acórdão n.º 2301004.910 S2C3T1 Fl. 170 11 I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Reforça essa conclusão o fato de que as supostas pessoas jurídicas prestam todos os seus serviços ao recorrente somente através dos sócios gerentes, de forma pessoal, sem dispor de um quadro de empregados próprios. Outro fato, descrito ainda no relatório, demonstra a pessoalidade e subordinação. Em todo o período o segurado se submetia ao cumprimento do horário de trabalho e o serviço era prestado diretamente por ele sem o auxílio de outros empregados fornecidos pela sua suposta empresa. Ainda que seja suficiente para considerar a condição de segurado empregado em decorrência da dissimulação de uma situação real através de uma "arquitetura" formal artificial, o TST tem limitado a terceirização de vários segmentos sob o argumento da invalidade da contratação de serviços relacionados às atividades inerentes do contratante. Nesse sentido a Súmula 331 do TST: CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). Por fim, o recorrente admitiu a segurada como empregada formalmente registrada. Face o exposto, os serviços contratados por intermédio da pessoa jurídica visavam apenas dissimular pagamentos a pessoas físicas. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 175DF CARF MF 12 Fl. 176DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.721681/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 03/07/2008 a 25/04/2012
INFRAÇÕES ADUANEIRAS. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO.
Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplica-se a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do Decreto-Lei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de acobertar, quando identificado o acobertado.
IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA.
A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação.
Numero da decisão: 3401-003.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, sendo que o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira acompanhou pelas conclusões.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, sendo que o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira acompanhou pelas conclusões. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 16 81 /2 01 2- 85 Fl. 9762DF CARF MF 2 ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 2 a 53)1, lavrado em 22/10/2012, com ciência em 26/10/2012 (fl. 9610), para exigência de multa por cessão de nome com vistas ao acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de comércio exterior (em valor total de R$ 1.810.701,07), prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, no período de 03/07/2008 a 25/04/2012. No Relatório Fiscal anexo à autuação, de fls. 9560 a 9608, narrase que: (a) a empresa OKSN Brasil Comércio Importação e Exportação LTDA (aqui denominada abreviadamente de OKSN) efetuou, declarando como se fossem em nome próprio, operações de comércio exterior de terceiros (relacionados às fls. 2168 a 2173), ocultandoos à fiscalização, caracterizando interposição fraudulenta de pessoas; (b) a fiscalização teve por objeto a empresa OKSN e as empresas BCIELY Com. Imp. Exp. LTDA (BCIELY) e ASIAMEX Imp. Exp. LTDA (ASIAMEX), que, em suas importações, destinavam a integralidade das mercadorias importadas nas declarações de importação (DI) a uma única empresa, em datas iguais ou muito próximas ao desembaraço, geralmente por meio de uma única nota fiscal, a clientes comuns (empresas pequenas, sem habilitação para importar, localizadas em São Paulo, atuando no comércio de importados da Rua 25 de Março); (c) as três empresas possuem quadro societário interligado, tendo as empresas ainda participação conjunta em outras, e comungando representante legal/despachante aduaneiro; (d) a OKSN tem como sócios Lin Haiping e sua esposa, Chen Lili, tendo sido constituída em 2007 com capital social de R$ 100.000,00, sendo R$ 40.000,00 integralizados no ato da constituição, tendo sido a movimentação financeira da empresa de 2008 a 2012 da ordem de R$ 39 milhões, com volume de importações de aproximadamente R$ 16 milhões; (e) a OKSN não apresentou DIPJ em 2008, ano em que movimentou cerca de R$ 2 milhões, e declarou inexistência de estoques; (f) de maio de 2008 a abril de 2012 (período fiscalizado), a OKSN registrou 365 declarações de importação (DI), em valor CIF de R$ 16.044.400,00, sempre indicando ser importador direto, e sempre importando mercadorias diversas (bolsas, carteiras, óculos, enfeites, canetas, carregadores para telefones celulares, canivetes, chapéus, lanternas, guardachuvas etc.), vindos da China; (g) em diligência na sede da empresa, uma sala comercial apenas com uma secretária (apesar da movimentação financeira), verificouse que o alvará era para endereço anterior da empresa, e vedava a circulação de mercadoria e a armazenagem no local; (h) o sócio Lin Haiping informou que as mercadorias desembaraçadas seguiam direto para as empresas compradoras, sem armazenamento, e que a liquidação de câmbio era feita com valores de recebimento de vendas anteriores, e que não tinha empregados além da secretária, 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 9763DF CARF MF Processo nº 10074.721681/201285 Acórdão n.º 3401003.312 S3C4T1 Fl. 9.763 3 sendo ele e sua esposa responsáveis por todas as transações comerciais (não havendo vendedores ou representantes comerciais); (i) as faturas de energia elétrica e telefonia da OKSN estavam em nome de outra empresa, a AAS Assessoria Aduaneira LTDA (AAS), que é exatamente a prestadora de serviços aduaneiros da OKSN, que tem como sócio majoritário (99%) o despachante aduaneiro e representante legal da OKSN, Sr. Alexandre Ayres dos Santos; (j) com base nos documentos apresentados pela empresa (extratos bancários, contratos de câmbio e escrituração contábil), foi investigada a origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior; (k) a contabilidade da empresa registra entradas diversas como "recebimento de clientes", mas não os identifica, nem os vincula a qualquer nota fiscal de venda; e (l) a não identificação dos recursos empregados na operação de comércio exterior já ensejaria presunção de interposição fraudulenta, mas, no caso, foi possível, por meio do sistema CONTÁGIL, com cruzamento das informações das notas fiscais emitidas com as declarações de importação registradas, verificar o conteúdo de cada nota fiscal de venda emitida, evidenciandose a integral transferência de mercadorias importadas por meio de cada uma das 341 DI autuadas a um único cliente (documentos 22 a 26 fls. 2174 a 2629, e exemplos às fl. 9600 a 9602), comprovando a existência de revenda a encomendante predeterminado (lista de clientes ocultos no documento 21 fls. 2168 a 2173). A empresa apresentou impugnação em 27/11/2012 (fls. 9619 a 9634), argumentando, em síntese, que: (a) a única ligação entre as empresas OKSN, BCIELY e ASIAMEX é o representante legal/despachante aduaneiro, sendo indispensável o serviço de despachante, exigido pela RFB; (b) a existência de clientes em comum não é indicativa de prática irregular; (c) a OKSN tem faturamento condizente com as importações que realiza; (d) a não apresentação de DIPJ em 2008 se deve a estar, à época, enquadrada a empresa no SIMPLES Nacional; (e) a movimentação financeira da empresa e de seus sócios foi objeto de análise pela RFB por três vezes: na habilitação e nas duas revisões que ampliaram os limites de importação, a última delas para cerca de R$ 15 milhões anuais; (f) a OKSN compra todas as mercadorias com recursos próprios, e as vende no atacado, ofertando as mercadorias a público potencial, não havendo uma encomenda prédeterminada, mas uma venda de lote fechado; (g) a sala que era da AAS foi adquirida pelo Sr. Lin em 25/05/2011, e agora é sede da OKSN; (h) o fato de as contas de energia elétrica e telefone estarem em nome da AAS é devido a falha da OKSN, que já deveria ter alterado o endereço junto às companhias fornecedoras, mas isso não constitui irregularidade; (i) não há qualquer irregularidade em efetuar vendas com rapidez de mercadorias importadas de DI desembaraçadas a compradores únicos, sequer tendo a fiscalização efetuado circularização, em relação aos sujeitos que seriam ocultos; e (j) se a fiscalização conhece os adquirentes ocultos, deveria contra eles ter lavrado auto de infração para aplicação da pena de perdimento das mercadorias. Em 27/11/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 9680 a 9713), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob sos seguintes fundamentos: (a) pela análise dos extratos bancários, é possível visualizar que os fechamentos de câmbio e os pagamentos de tributos são feitos exatamente com recursos oriundos das "entradas diversas", registradas na contabilidade como “Recebimento de Clientes”, sem identificação de cliente ou nota fiscal, o que já levaria à presunção de interposição fraudulenta, mas a fiscalização foi além, e, mediante o cruzamento de informações das notas fiscais de venda e das declarações de importação. individualizou os encomendantes predeterminados ocultos; (b) apesar de não existirem vendedores ou representantes comerciais na OKSN, imediatamente após os desembaraços surge prontamente (no mesmo dia, ou no intervalo máximo de dois ou três dias) algum interessado em adquirir em lotes exatos toda a carga desembaraçada em cada uma das 341 DI autuadas; (c) a legislação permite que o combate à Fl. 9764DF CARF MF 4 prática efetiva ou presumida da interposição fraudulenta de terceiros seja implementado a qualquer tempo e de forma diversificada, não tendo a análise empreendida para habilitação o mesmo foco da levada a cabo em procedimento especial de fiscalização; e (d) resta perfeitamente tipificada a conduta prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, para as operações objeto da autuação. Ciente da decisão de piso em 13/12/2013 (AR à fl. 9722), a empresa apresenta recurso voluntário 14/01/2014 (fls. 9723 a 9737), basicamente reproduzindo as razões externadas na impugnação. Em 17/03/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, tendo sido incluído em pauta em setembro de 2016 (e retirado de pauta durante a sessão), e indicado para a pauta de outubro de 2016, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há pouca discordância fática, no presente processo. Tanto a OKSN quanto a fiscalização são uníssonos em afirmar que a empresa, de capital social da ordem de milhares de reais (R$ 100.000,00), importou mercadorias e movimentou recursos, no período fiscalizado, nos seguintes montantes: Também é incontroversa a afirmação de que a OKSN opera em instalações que não permitem armazenagem de mercadoria, e não tem representantes comerciais nem funcionários (exceto uma secretária), e suas contas de energia elétrica e luz estão em nome da empresa que a representa nos despachos aduaneiros (AAS), que operava antes, no imóvel. É igualmente incontroverso que as entradas de numerário na contacorrente da empresa, contabilizadas como “Recebimento de Clientes”, ocorrem sem identificação de cliente ou nota fiscal. Fl. 9765DF CARF MF Processo nº 10074.721681/201285 Acórdão n.º 3401003.312 S3C4T1 Fl. 9.764 5 E, por fim, a OKSN não apresenta controvérsias em relação à planilha confeccionada pela fiscalização que indica quem seriam os clientes que estavam a adquirir as mercadorias que importava, no mesmo dia do desembaraço aduaneiro, ou, no máximo, três dias depois. As divergências surgem na explicação de tal situação, unissonamente reconhecida. A fiscalização afirma (fls. 9602/9603) que: A análise dessas operações, sob os aspectos quantitativos, qualitativos e temporais, comprovam que as mesmas são pra revenda a encomendante predeterminado. Sob os dois primeiros aspectos, levandose em conta a gama de produtos importados, bem como a grande quantidade de cada um deles, não seria razoável crer que, após cada desembaraço, a OKSN encontrasse aqui no mercado interno, por mero acaso e coincidência, uma só empresa interessada em exatamente toda a carga desembaraçada. Seria concordar que a fiscalizada fosse capaz de saber perfeitamente em quantidades e sortimento a exata demanda dos seus clientes. Haveríamos de supor, ainda, que o Sr. Lin Haiping, já que não existem vendedores nem outros funcionários na OKSN, após desembaraçar todos os milhares de itens de cada DI, apregoasse, não se sabe por que meios, que intenciona vendê los no mercado interno. Aí, então, aparece, milagrosamente, como por exemplo na última DI analisada, uma Joana do Florêncio Presentes Ltda., em São Paulo, interessada em adquirir em lotes exatos toda a carga desembaraçada (...) Se a OKSN estivesse operando a partir de desígnio e por conta e risco próprios, normalmente haveria um lapso temporal entre a importação e a revenda dos bens, dado que a tarefa de achar um comprador para o mesmo normalmente toma algum tempo. Mesmo considerando que em algumas operações a data da nota fiscal de venda não seja exatamente a mesma do desembaraço, o intervalo é de no máximo dois ou três dias, período no qual é igualmente impossível supor que a empresa receberia a mercadoria do exterior, ofertaria no mercado e venderia em lotes exatos. Enfim, é esse o “modus operandi” da OKSN e exatamente nesses moldes são todas as 341 operações autuadas na presente fiscalização. Isso pode ser visualizado nas planilhas constantes dos documentos 22 a 26, que contêm todas as operações dos anos de 2008 a 2012. Entretanto, frisese que as planilhas se propõem apenas a fornecer uma melhor visualização. Os instrumentos de prova, efetivamente, são os próprios documentos, que como já citado, encontramse nas fls. 2630 a 9559. Fl. 9766DF CARF MF 6 A empresa, sem discordar dos fatos, da ausência de representantes comerciais, e dos lapsos de tempo, afirma que não só é possível vender as mercadorias em lotes entre o embarque no exterior (data que deve ser tomada em conta, ao invés do desembaraço) e a revenda, no país, como que é exatamente isso que aconteceu nas 341 DI (fls. 9734/9736), revelandose inconformada com a não aceitação, pela DRJ e pelo fisco, da rapidez com que as vendas são feitas: Assim, alega a recorrente que seu homem de negócio acertou as demandas de mercado nas 341 importações que efetuou, não sendo nenhuma delas por encomenda, e que vendia lotes fechados após o embarque da mercadoria, no exterior, como faz a própria RFB. Não nos parece, no entanto, que se revista de um mínimo de plausibilidade tal afirmação, digase, absolutamente desprovida de qualquer amparo probatório (contatos com compradores, data e horário de realização de "leilões/ofertas" etc.). E, para levar adiante a comparação, a título esclarecedor, a RFB, ao vender seus "lotes" em leilão (pelos quais nada pagou, pois apreendeu as mercadorias a serem leiloadas), publica seu conteúdo com razoável antecedência, os deixa à mostra na repartição, tudo com a mais ampla publicidade (inclusive na internet), e, ainda assim, frequentemente, se vê às voltas com mercadorias que acabam não sendo vendidas, por falta de comprador. Ao se admitir a linha argumentativa da empresa, tais encalhes de mercadoria provavelmente se deveriam à inexistência de homens de negócio na RFB, que, mesmo dispondo de ampla publicidade e sequer desejando lucro, não alcançariam a eficiência da recorrente e de seu único negociador. No caso em análise, o fisco, após verificar o fluxo financeiro da empresa, e mapeálo, percebeu aportes diversos não identificados que tornaram claro que a empresa não detinha, por si, recursos para financiar as importações declaradas como próprias. Tratavamse, Fl. 9767DF CARF MF Processo nº 10074.721681/201285 Acórdão n.º 3401003.312 S3C4T1 Fl. 9.765 7 assim, de operações de terceiros. Isso resta provado pela simples impossibilidade de a empresa revelar objetivamente a origem e a disponibilidade dos valores empregados na operação (associada à presunção estabelecida no do art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976). Mas a fiscalização seguiu adiante em seus trabalhos, buscando evidenciar de que forma as operações de venda se relacionavam às declarações de importação da OKSN, percebendo, com cruzamento de informações, que a cada importação correspondia uma venda integral a diferentes compradores, conforme planilhas de fls. 2174 a 2629. E colacionou ainda exemplos, retirados das planilhas, às fls. 9600 a 9602. Tomemos um deles (fl. 9600), no qual a OKSN importou (DI no 12/0097699 3) exatamente 200 pastas de notebook, 5000 minilanternas, e 52.100 fones de ouvido, de 7 modelos diferentes, sendo tais itens integralmente vendidos na data do desembaraço da mercadoria à "CH Comércio de Presentes LTDAEPP", conforme nota fiscal no 794. Ou outro, relacionado á fl. 9601: A conclusão da fiscalização é, a nosso ver, substancialmente coerente: a empresa, ao importar as mercadorias, já tinha em mãos as quantidades certas e os pedidos dos clientes. Poderia a fiscalização ter seguido ainda adiante, com circularização às empresas compradoras, como demanda a recorrente em suas peças de defesa? Claro que sim. Poderia também a fiscalização ter intimado a empresa a apresentar trocas de correspondência que ensejaram os pedidos das empresas adquirentes, nas 341 importações? A resposta é igualmente positiva. Mas, precisava a fiscalização ter seguido um desses caminhos (ou até ambos)? Não, se já estivessem reunidos elementos aptos à formação de convicção do autuante, e à demonstração objetiva da situação ao julgador. E entendemos estar devidamente efetuada tal demonstração, nos autos. Atenta contra a lógica e a razoabilidade (e contra a própria capacidade intelectual deste tribunal administrativo) crer, por exemplo, que a mercadoria importada na DI no 11/0716338 (fl. 9602) teria sido adquirida sem qualquer perspectiva de venda: Fl. 9768DF CARF MF 8 Da mesma forma, atenta contra os mesmos atributos crer que todas as 341 importações tenham sido, cada qual delas, vendidas integralmente mediante nota fiscal a determinada empresa, sempre em, no máximo, três dias do desembaraço aduaneiro, e sem perspectiva de estocagem, e sem equipe de vendas. E quem presta informações que atentam contra a própria lógica ou razoabilidade tem o dever de trazer consistentes argumentos, calcados em documentos, não na simples alegação de "eficiência", ou de visão de "homem de negócios". Nessa seara, até se aceitaria, por irrazoável que fosse, a argumentação da recorrente, se acompanhada de um mínimo de amparo documental. Mas nenhum esforço faz a recorrente nesse sentido. Da mesma forma, nenhum esforço faz a defesa para contrapor objetivamente a conclusão fiscal, demonstrando, em contraposição ao fluxo financeiro delineado pela fiscalização, exatamente quem efetuou cada depósito em sua contacorrente, financiando as operações de importação. Com os elementos acostados nos autos, que vinculam objetiva e detalhadamente cada uma das 341 importações efetuadas pela recorrente a notas fiscais de venda integral de múltiplas mercadorias, quase que forma imediata, no mercado interno, aliado à depósitos na contacorrente indicados como "recebimento de clientes", mas não identificados (tudo isso incontroverso), entendemos reunidas as condições para que se vislumbre nos autos um caso clássico de interposição fraudulenta comprovada, estando a OKSN, em verdade, a acobertar os reais adquirentes das mercadorias importadas. E tal conduta é tipificada no artigo 23, V do DecretoLei no 1.455/1976, em contraposição à interposição fraudulenta presumida (fruto da presunção estabelecida no artigo 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976, e que seria aplicável ao presente caso se tivesse a fiscalização se contentado com a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência, tendo em vista a não identificação dos depósitos em conta corrente indicados como "recebimento de fornecedores", e parado por aí seus trabalhos). A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser, assim, comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Diante de tal quadro, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição fraudulenta e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada, por sua vez, é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado, como nos autos (nos quais resta evidente que o acobertante é a OKSN e os acobertados são as empresas relacionadas nas planilhas de fls. 2174 a 2629). Nesse caso, a penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. Essa distinção fica bem explicada a partir da simples leitura do parágrafo único do art. 33 da Lei no 11.488/2007. Assim já se decidiu por reiteradas vezes neste CARF, sempre de forma unânime, inclusive recentemente, com substancial parte da atual composição desta turma: “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENALIDADES. CUMULATIVIDADE. MULTA. PERDIMENTO. A interposição, Fl. 9769DF CARF MF Processo nº 10074.721681/201285 Acórdão n.º 3401003.312 S3C4T1 Fl. 9.766 9 em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Em tal hipótese, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo acobertamento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”.” (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2014) (grifo nosso) "INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”." (Acórdão no 3403002.894, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 27.mar.2014) (grifo nosso) "INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição Fl. 9770DF CARF MF 10 comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, conjunta ou isoladamente, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. (Acórdão no 3403003.319, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 14.out.2014) (grifo nosso) "RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. (Acórdão no 3401003.092, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 23.fev.2016) (grifo nosso) "RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado." (Acórdão no 3401003.172, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 17.mai.2016) (grifo nosso) Também de forma unânime se concluiu especificamente que a multa por acobertamento, prevista no artigo 33 da Lei no 11.488/2007, não afasta a aplicação da multa substitutiva do perdimento: "MULTA. IMPORTAÇÃO. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE OU BENEFICIÁRIO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. HABILITAÇÃO DO ACOBERTADO. IRRELEVÂNCIA. Na aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, é irrelevante se há efeito tributário no acobertamento, seja pela existência de responsabilidade objetiva, ou pelo fato de a matéria aduaneira extrapolar o espectro tributário. É ainda irrelevante o fato de ser o acobertado uma empresa habilitada a Fl. 9771DF CARF MF Processo nº 10074.721681/201285 Acórdão n.º 3401003.312 S3C4T1 Fl. 9.767 11 operar no comércio exterior, porque a conduta imputada não é “acobertar interveniente ou beneficiário sem habilitação”, mas tãosomente “acobertar interveniente ou beneficiário”, e ainda porque o acobertamento não se presta exclusivamente a subtrair ao conhecimento da autoridade aduaneira que o real interveniente ou beneficiário não é habilitado, mas também a diversos outros propósitos, entre os quais a burla ao gerenciamento de risco (subtrair ao conhecimento da autoridade aduaneira que o real interveniente ou beneficiário oferece risco que apontaria para outro parâmetro de seletividade na importação). "IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação." (Acórdão no 3401 003.172, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 17.mai.2016) (grifo nosso) MULTA. IMPORTAÇÃO. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE OU BENEFICIÁRIO. PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação." (Acórdão no 3403002.187, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 21.mai.2013) (grifo nosso) Assim, a pena de perdimento (ou a multa que a substitui), que sequer foi aplicada no presente processo, não constitui bis in idem com a multa por acobertamento aqui discutida, pois são diversas as tipificações e materialidades, assim como distintos podem ser os sujeitos passivos a serem enquadrados em cada uma delas. A conclusão aqui expressa encontra ainda apoio em julgamentos judiciais e administrativos de outras turmas: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI N. 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI Nº 1.455, DE 1976. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. (...) 5. O artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revela se como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que 'à hipótese prevista no Fl. 9772DF CARF MF 12 caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996'. Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal. (...)”2 “DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO DO CNPJ DE EMPRESA ENVOLVIDA EM INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIRO EM ATIVIDADE DE COMÉRCIO EXTERIOR. PREVISÃO EXPRESSA DA LEI Nº 11.488/04 SUBSTITUINDO A PENA DE INAPTIDÃO DO CNPJ POR MULTA. Nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/07, a interposição fraudulenta de pessoa jurídica em operação de comércio exterior, embora continue sendo hipótese de dano ao erário e conseqüente perdimento das mercadorias transacionadas, já não enseja a inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica envolvida, mas a pena de multa.” 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II. Data do fato gerador: 05/11/2010 (...) PENA DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. SUJEIÇÃO PASSIVA. IMPORTADOR OSTENSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não sendo possível a cominação da pena de perdimento e identificado o importador oculto no curso da fiscalização, o importador ostensivo estará sujeito à multa de 10% da operação (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e à multa substitutiva correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria importada (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º). Esta será devida solidariamente pelo importador oculto, na condição de coautor, ou por qualquer outra pessoa que se enquadre nas demais hipóteses de responsabilização solidária do art. 95 do Decreto Lei nº 37/1966, notadamente aquele que se beneficia com a prática da infração. Não há erro na imputação subjetiva quando o auto de infração impõe a penalidade apenas a um dos coautores identificados. (...)”4 “Assunto: Imposto sobre a Importação – II. Período de apuração: 10/02/2006 a 04/07/2006 (...). CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. INAPTIDÃO. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na aplicação da multa de 10% do valor da operação, pela cessão do nome, conforme art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de 2 TRF4, AMS 200572080051666, SEGUNDA TURMA, D.E. 01/08/2007, Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA. 3 TRF4, AC 200672050060360, SEGUNDA TURMA, D.E. 13/05/2009, Relatora LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH. 4 CARF, Acórdão n. 380200.925, Rel. Cons. Solon Sehn, unânime, Sessão de 24.abr.2012. Fl. 9773DF CARF MF Processo nº 10074.721681/201285 Acórdão n.º 3401003.312 S3C4T1 Fl. 9.768 13 perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, por trataremse de penalidades distintas. (...)”5 Assim, é absolutamente irrelevante a menção da recorrente ao fato de não ter sido aplicada a pena de perdimento (fl. 9736), visto que a multa por acobertamento trata de conduta diversa, punível em autos diferentes. A penalidade nestes autos imputada à recorrente é fundada no art. 33 da Lei no 11.488, de 15/06/2007, que dispõe: “Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” E restou patente, pelo aqui exposto, que ocorreu, de fato, acobertamento dos reais adquirentes das mercadorias importadas nas 341 operações de comércio exterior analisadas neste processo. Por fim, em relação a argumentos acessórios levantados pela fiscalização, e refutados na peça de defesa, cabe destacar que a interligação com as empresas BCIELY e ASIAMEX e a existência e clientes comuns, de fato, não é condição suficiente para que se conclua ter havido fraude, assim como a ausência de apresentação de DIPJ em 2008 (e nem tenta o fisco punir tais condutas, na presente autuação). Tais elementos são inseridos no contexto maior aqui exposto, e, a nosso ver, são irrelevantes por si sós. De qualquer forma, cabe informar, em correção a afirmação trazida na impugnação da empresa (embora não reiterada em sede de recurso voluntário) que o serviço de intermediação por despachante aduaneiro não é obrigatório, no Brasil, como se percebe do teor do art. 5o do DecretoLei no 2.472/1988. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan 5 CARF, Acórdão n. 3202000.634, Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres, unânime, Sessão de 26.fev.2013. Fl. 9774DF CARF MF 14 Fl. 9775DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000560/2007-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/10/2002
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 05 60 /2 00 7- 23 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11330.000560/200723 Acórdão n.º 9202004.890 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11330.000560/200723 Acórdão n.º 9202004.890 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 11330.000560/200723 Acórdão n.º 9202004.890 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11330.000560/200723 Acórdão n.º 9202004.890 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11330.000560/200723 Acórdão n.º 9202004.890 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11330.000560/200723 Acórdão n.º 9202004.890 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11330.000560/200723 Acórdão n.º 9202004.890 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11330.000560/200723 Acórdão n.º 9202004.890 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11330.000560/200723 Acórdão n.º 9202004.890 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 430DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.002324/2005-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
EMBARGOS. CABIMENTO. ESCLARECIMENTO. ALCANCE DA DECISÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos.
No caso, é preciso alterar a extensão da decisão embargada, especialmente no que se refere aos depósitos bancários com origem não comprovada, constantes do Auto de Infração.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL.
O fato de o contribuinte ter informado receita com atividade rural não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referem-se a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. Não há prova vinculando os depósitos, de forma individual, a operações realizadas de venda de produção rural.
Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes.
Numero da decisão: 2202-003.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.773¸ de 09/09/2014, alterar a decisão para dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 130.200,00, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que alterava a decisão para dar provimento parcial ao recurso em maior extensão para excluir da base de cálculo o valor de R$ 215.317,84, correspondente ao total dos depósitos bancários referentes ao ano-calendário de 2004.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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CABIMENTO. ESCLARECIMENTO. ALCANCE DA DECISÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos. No caso, é preciso alterar a extensão da decisão embargada, especialmente no que se refere aos depósitos bancários com origem não comprovada, constantes do Auto de Infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de o contribuinte ter informado receita com atividade rural não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. Não há prova vinculando os depósitos, de forma individual, a operações realizadas de venda de produção rural. Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.773¸ de 09/09/2014, alterar a decisão para dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 130.200,00, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que alterava a decisão para dar provimento parcial ao recurso em maior extensão para excluir da base de cálculo o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 23 24 /2 00 5- 96 Fl. 786DF CARF MF 2 valor de R$ 215.317,84, correspondente ao total dos depósitos bancários referentes ao ano calendário de 2004. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Foi proferido o Acórdão nº 2202002.773, de 09 de setembro de 2014 (fl. 742), em resumo nos seguintes termos: EMENTA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRANSFERÊNCIA DE CONTAS DA PRÓPRIA PESSOA FÍSICA EXCLUSÃO NECESSIDADE. Consoante previsão do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/96, excluemse da tributação os depósitos bancários que comprovadamente decorram de transferência de outras contas da própria pessoa física. ESCRITURAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE Se a escrituração da atividade rural for considerada válida para o lançamento de omissão de atividade rural, também deve sêlo para servir de comprovação aos depósitos bancários, glosados como rendimento de origem não comprovada, até o respectivo montante, sob pena de dupla incidência. Recurso voluntário parcialmente provido. Acórdão ... ... QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$ 604.301,30, no ano calendário 2004.(destaquei) Fl. 787DF CARF MF Processo nº 13855.002324/200596 Acórdão n.º 2202003.689 S2C2T2 Fl. 787 3 Assim, deuse provimento parcial ao recurso, no que toca à infração capitulada como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, com as seguintes considerações, que copio daquele Voto e sublinho: Ao tentar comprovar a origem valores creditados em sua conta, o recorrente apresenta as seguintes causas: a) empréstimos tomados no Unibanco; b) rendimentos da atividade rural; c) venda de bens sem ganho de capital; d) depósitos feitos pelo próprio titular; e) transferências de numerários entre contas e resgate de poupança; e f) atividade rural. Assim, passo a analisar as justificativas apresentadas... a) O contribuinte aduz que parte dos valores glosados pela fiscalização decorre de empréstimos bancários tomados junto ao banco Unibanco... Contudo, da análise detalhada dos extratos do contribuinte e dos valores apontados como empréstimos bancários, não se constata a correspondência entre os numerários teoricamente emprestados pela instituição bancária e os débitos ocorridos na conta corrente em questão. Ou seja, não há compatibilidade entre as datas de entrada do crédito e seu respectivo pagamento. b) Da leitura do Termo de Constatação Fiscal (fls. 08/14), verificase que o recorrente foi autuado por omissão de rendimentos da atividade rural, com base na divergência entre os dados apurados por ele conforme seu Livro Caixa da atividade rural. se a escrituração foi considerada válida para essa finalidade, também deve sêlo para servir de comprovação aos depósitos até o respectivo montante das notas fiscais de produtor rural, sob pena de dupla incidência. No caso, verifica se a existência de notas fiscais datadas do ano calendário 2004, situação que exige o reconhecimento das mesmas como comprovação da origem dos depósitos bancários. Elaborou quadro na folha 766, chegando ao total de R$ 474.101,30, referente a Notas Fiscais emitidas pela venda de produtos rurais, entendendo que até esse limite os depósitos em conta corrente, no ano de 2004, estariam comprovados e deveriam ser excluídos da apuração fiscal. Prosseguindo: c) Alega o contribuinte que houve a devida comprovação dos valores depositados, considerando que realizou, ao longo do período autuado, a alienação de veículos de sua propriedade: trator da marca Volvo (fl. 620) e Ford F250 (fl. 621).... Novamente, não merece guarida as alegações do recorrente. d) ... sustenta que devido a sua atividade, suas contas bancárias eram constantemente movimentadas, pois tinha por prática sacar determinado valor de uma conta bancária, e, posteriormente, depositar o dinheiro em outra conta. Uma vez que não há nos autos documentação hábil e idônea capaz de atestar a tese apresentada pelo recorrente, deve ser mantida a autuação. e) O recorrente alega que alguns depósitos têm como origem a transferência entre contas de mesma titularidade.... Neste ponto, assiste razão ao recorrente. Fl. 788DF CARF MF 4 E aqui foi elaborada a planilha de fls. 764, chegando a um total de 130.200,00. Continuando: Quanto aos demais depósitos, o recorrente afirma que grande parte de sua movimentação bancária seria oriunda da atividade rural. Não assiste razão ao recorrente. Os autos foram encaminhados à unidade da RFB competente, para execução da decisão. A DRF elaborou uma planilha demonstrativa (fls. 777/8) e informou que: O acórdão 2202.002.773, expedido em novembro de 2014, dispõe a exclusão da quantia de R$ 604.301,30 da base de cálculo relativamente ao anocalendário de 2004. Ocorre que esse valor é bem superior a consignada no auto de infração. Os quadros acima denotam isso e evidenciam também que alguns valores são de anos anteriores e que a maioria deles já não foi considerada no lançamento. No que pertine ao ano de 2004, notase que os valores decorrem da atividade rural e que neste sentido seria passível de exclusão a quantia de 100.194,65. Diante dessas considerações, encaminhese ao CARF para análise e eventuais ajustes.(destaquei) Em relatório e despacho de 22 de abril de 2015, a manifestação da Unidade da RFB foi enquadrada na hipótese prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, constatandose a existência de inexatidão material. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Acolhemos a manifestação da DRF como embargos inominados, previstos no artigo 66 do Regimento Interno do CARF, em vigor. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (arquivo .pdf). O Auto de Infração (fls.05 e ss) versa sobre duas infrações: a) omissão de rendimentos da atividade rural, no ano calendário de 2004, no valor tributável de R$ 98.320,26 e b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anos calendário de 2000 a 2004. Especificamente no ano de 2004, o valor da base de cálculo dessa infração foi de R$ 313.638,10 (fl. 21) O Acórdão embargado não deu provimento sobre a infração relativa aos rendimentos da atividade rural, mas referiuse apenas à questão dos depósitos bancários. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 13855.002324/200596 Acórdão n.º 2202003.689 S2C2T2 Fl. 788 5 A primeira alegação de defesa acatada foi em relação à existência de alguns depósitos têm como origem a transferência entre contas de mesma titularidade. Assim, o Relator do Acórdão elaborou a planilha de fls. 764, indicando, especificamente, quais depósitos deveriam ser excluídos da base de cálculo, "uma vez que devidamente comprovados que foram transferidos de conta de titularidade do contribuinte". Entendese que deva ser mantida a exclusão dos valores apontados. Já em relação à segunda alegação acatada, de que existem Notas Fiscais de produtor rural que justificam os depósitos e que se tributados como depósitos com origem não comprovada, "até o limite daquele valor" haveria uma dupla incidência, discordo completamente e verifico que no próprio acórdão existem contradições. Vejamos (fls. 767/768): As notas fiscais de fls. 148151,154, 157161,167 169 174177, 180191, 193 não correspondem com os depósitos apontados pela fiscalização. Não coincidem em datas e valores expressos na planilha feita pela fiscalização. Acrescentase que não há qualquer indicação do dia em que tais valores teriam sido depositados na conta corrente do recorrente... uma vez que o próprio contribuinte refere em sede de recurso voluntário que grande parte da movimentação bancária seria decorrente dessa atividade e não a totalidade. Além disso, as DIRPF’s do contribuinte (fls. 3750) não permitem firmar convencimento do exercício exclusivo da atividade rural, considerando a existência de quotas de uma empresa de produções e eventos e o preenchimento de campos de ocupação o qual corresponde a Dirigente, presidente e diretor de empresa industrial... Como se verifica, o recorrente faz alegações genéricas, não justificando, de forma individualizada, a que depósitos a atividade rural corresponderia. Nesse sentido, é o entendimento desta Turma: ... Por isso, venho sustentando que não se pode considerar receita da atividade rural, "em bloco" ou "genericamente", para comprovar depósitos bancários. A comprovação de depósitos deve ser feita "individualizadamente", demonstrando o contribuinte que a receita da atividade, como aquela que consta de uma Nota Fiscal de venda de produção rural, efetivamente transitou por suas contas correntes, apontando, especificamente, o depósito. Vejamos o que se disse no Acórdão 2801003.926, de 20 de janeiro de 2015, onde fui relator: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 MATÉRIA NÃO RECORRIDA. RECURSO PARCIAL. RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL.OMISSÃO. ANO 2008. Considerase fora do litígio a matéria que não tenha sido Fl. 790DF CARF MF 6 expressamente questionada pela Recorrente, em sua peça recursal, a teor do artigo 17 do Decreto Nº 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. (...) VOTO De fato, da observância de suas DIRPF/2007 e 2008 (não entregou a de 2009) verificase que preponderantemente seus rendimentos decorrem da venda de produtos rurais (uva), mas isso não autoriza que, uma vez intimado a comprovar a origem de depósitos bancários, e feito o lançamento, perante seu voluntário silêncio, posteriormente, na fase Impugnatória, se entenda, “em bloco”, que todos os seus rendimentos da Atividade Rural transitaram por suas contas correntes, como fez a DRJ. Vejamos o posicionamento recente das Turmas Ordinárias da Segunda Câmara deste CARF, com destaques que faço: a) Acórdão 2201002.595 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 05 de novembro de 2014: Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de a contribuinte ter informado em sua Declaração de Ajuste receita com atividade rural, não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. Voto (...) Assim, em razão da falta de comprovação efetiva da origem de sua movimentação financeira, não restou opção à fiscalização senão constituir a exigência com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Ressaltese que a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização nos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005 foi de R$ 581.271,96; R$ 471.649,33; R$ 697.133,45 e R$ 562.423,82, respectivamente, fl. 18, entretanto, o contribuinte Fl. 791DF CARF MF Processo nº 13855.002324/200596 Acórdão n.º 2202003.689 S2C2T2 Fl. 789 7 declarou, como receitas de atividade rural, nos citados anos calendário, o valor de R$ 163.593,02; R$ 168.079,97; R$ 160.034,54 e R$ 134.335,16, respectivamente. Com efeito, ainda que os documentos carreados às fls. 85/483 e fls. 1228/1262 possam sugerir que a atividade preponderante do contribuinte é a rural, tal fato, por si só, não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Acórdão 2202002.781 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 9 de setembro de 2014: Ementa OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. Voto Ressalte se que o lançamento do imposto de renda com base em depósitos bancários só é possível quando não comprovada a origem. Seria um equívoco lançar por falta de comprovação de origem e ao mesmo tempo considerar a origem comprovada para tributar com base na atividade rural. Ou se comprova a origem e aí se tributa da forma como especificamente determina a legislação ou, caso contrário, apura se a omissão com base na presunção. E é nesse sentido que oriento este meu Voto. Vejamos o que aconteceu nestes autos. O contribuinte traz uma lista de Notas Fiscais, todas emitidas em 2004 (fl. 766), de venda de produtos agrícolas, que somadas importam em R$ 474.101,30. O Acórdão manda excluir esse valor da apuração dos depósitos bancários considerados como omissão de rendimentos, porque a "origem estaria comprovada". Mas o montante considerado como omissão decorrente de depósitos, naquele ano, foi de R$ 215.317,84. Ou seja, o valor das notas não foi integralmente depositado em contas correntes do contribuinte, ou já foi considerado pela fiscalização. Por isso, é preciso que se faça uma análise, sublinho, individualizada, demonstrando que a receita da nota foi depositada na conta, em que data e em que valor. Disse o Auditor Fiscal no seu Termo de Constatação, fl. 15: Quanto as alegações de que os recursos depositados serem oriundos da atividade rural desenvolvida pelo contribuinte, não há prova ou documentos apresentados, vinculando os depósitos, de forma individual, a operações realizadas, já tributada, isenta ou não tributável ou a serem tributadas da atividade rural, mesmo porque, o contribuinte não informou Fl. 792DF CARF MF 8 valores positivos resultantes da atividade rural em suas Declarações de Ajuste nos anos calendário 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. Além disso, são irrelevantes os valores de receita da atividade rural informados em Livros Caixa, frente aos montantes depositados no mesmo período ;nas contas bancárias •do autuado. Outro fator relevante a ser considerado é que a produtividade da pequena gleba rural do contribuinte é baixa, conforme demonstrado na apuração anual dá atividade rural, através dos livros caixa. No único ano em que houve uma receita considerável (2004) verificase que em uma única operação o contribuinte fez uma venda no valor de R$ 341.900,39 em 04/08/2004 e uma compra na mesma data, conforme nota fiscal do produtor n 224 de José Paulo Fernandes no valor de R$ 320.000,00. Portanto tratouse somente de uma intermediação de compra e venda, não estando relacionada ao incremento na produtividade da atividade rural de contribuinte. Não foram comprovados também os depósitos oriundos de vendas praticadas pelo contribuinte, conforme Notas Fiscais do Produtor apresentadas. O contribuinte não logrou êxito em vincular as vendas constantes das notas fiscais do produtor com os depósitos efetuados em suas contas bancárias.(destaquei) Portanto, não se pode, por exemplo, excluir o montante de R$ 341.900,39 (nota fiscal nº 110, 04/08/2004) do total de depósitos cuja origem não foi comprovada, como fez o Acórdão embargado, na fl. 766, sem que seja apontado onde está o depósito bancário, eventualmente considerado pela fiscalização, que a ele corresponderia. Dessa feita existe a impossibilidade de se aplicar o seguinte entendimento, exposto no Acórdão embargado (fl. 766): Portanto, relativamente aos valores acima descritos, a autoridade administrativa reconheceu que, no ano calendário 2004, o contribuinte exerceu atividade rural, não podendo, afirmar, concomitantemente, que as notas fiscais trazidas não hábeis para tanto. CONCLUSÃO Em face do exposto, VOTO por conhecer dos embargos opostos e atribuir lhes efeitos infringentes para dar parcial provimento ao recurso apenas no que tange a exclusão dos depósitos especificados no quadro de fl. 764, totalizando R$ 130.200,00, da base de cálculo, uma vez que devidamente comprovados que foram transferidos de conta de titularidade do contribuinte. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 13855.002324/200596 Acórdão n.º 2202003.689 S2C2T2 Fl. 790 9 Fl. 794DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11483.720134/2015-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2014
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ANISTIADO POLÍTICO. AÇÃO JUDICIAL. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Somente são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física os valores recebidos que repressentem reparação econômica, assim definidos por ato do Ministro da Justiça, nos termos da Lei nº 10.559/2002.
Rendimentos recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial com natureza remuneratória, não podem ser considerados isentos.
Numero da decisão: 2201-003.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ANISTIADO POLÍTICO. AÇÃO JUDICIAL. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física os valores recebidos que repressentem reparação econômica, assim definidos por ato do Ministro da Justiça, nos termos da Lei nº 10.559/2002. Rendimentos recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial com natureza remuneratória, não podem ser considerados isentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 48 3. 72 01 34 /2 01 5- 76 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11483.720134/201576 Acórdão n.º 2201003.428 S2C2T1 Fl. 118 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão bem delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 22 a 31, em 30/06/2015, referente ao exercício 2014, anocalendário 2013, que lhe exige crédito tributário no valor de R$265.424,00, atualizado até 30/06/2015. Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual, quando foram verificadas as seguintes infrações: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial – glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$6.378,87. Motivo da glosa: Não é permitida a dedução da pensão alimentícia sobre o 13º salário. O 13º salário sofre tributação exclusiva na fonte, já com dedução da pensão alimentícia. Número de meses relativo a Rendimentos recebidos Acumuladamente indevidamente declarado – Tributação Exclusiva – Informação inexata de número de meses referentes a rendimentos tributários recebidos acumuladamente, relativos ao exercício 2014, anocalendário 2013. Fonte Pagadora: 00.360.305/000104. Data Recebimento: 05/2013. Número de meses Declarado: 287,0. Número de meses Comprovado: 70,0. Motivo: De acordo com a planilha de cálculo apresentada, o RRA se refere aos meses de jun/89 a out/94, incluindo o 13º salário do período. Demonstrativo de Apuração das Alterações dos Dados Declarados na Ficha RRA Exclusivo na Fonte 00.360.305/000104 – Caixa Econômica Federal Valores Rendimento s Recebidos Previdênci a Oficial Pensão Alimentíci a Númer o de Meses Imposto Devido RRA Imposto Retido RRA Apresentados na Declaração 836.625,62 0,00 0,00 287,0 (a) 33.481,13 (d) 27.867,5 7 Após Alterações Efetuadas 836.625,62 0,00 0,00 70,0 (b) 174.731,7 (f) 27.867,5 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11483.720134/201576 Acórdão n.º 2201003.428 S2C2T1 Fl. 119 3 3 7 Diferença s Apuradas (c) 141.250,60 (e) 0,00 Os enquadramentos legais das infrações encontramse às fls. 22 a 31 dos autos. Conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 32, o contribuinte foi cientificado da autuação em 06/07/2015. Em 24/07/2015, apresentou impugnação ao lançamento (fl. 2), acompanhada dos documentos de fls. 3 a 21, alegando, em síntese, que: É anistiado político, conforme Portaria nº 2991 de 18 de outubro de 2004 DOU 202 de 20 de outubro de 2004 (em anexo), portanto está dispensado do pagamento do Imposto de Renda, de acordo com o Decreto nº 4897 de 25 de novembro de 2003 (em anexo); Em relação à glosa relativa ao valor do 13º salário pago à exesposa, Sra. Marisa Gross de Almeida, CPF 079.786.368,01, sendo anistiado político, recebe em caráter indenizatório com base na Lei nº 10.559/2002, art. 9º, §1º, que declara que os rendimentos recebidos são isentos, conforme consta na Declaração de Rendimentos da Fonte Pagadora, de modo que não cabe discutir a referida dedução; Em relação aos valores recebidos em sentença judicial, o valor principal, de R$342.831,86, referese a benefícios devidos no período de junho de 1989 a outubro de 1994 e os valores restantes são juros e atualizações monetárias até maio de 2011, data da sentença judicial; Tais rendimentos são de caráter indenizatório e estão isentos de imposto; Requer o acolhimento da impugnação para que seja cancelado o débito fiscal reclamado e, se assim não o entender, que seja corrigido o cálculo para as prestações mensais como RRA; Solicita a análise antecipada pelo Estatuto do Idoso. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, sob os argumentos principais de que: A isenção do anistiado político começou a valer a partir de 29/08/2002, sendo plenamente tributáveis os rendimentos obtidos antes da referida data. A isenção prevista na lei só é cabível em relação a valores que representem efetiva reparação econômica, pagos com recurso do Tesouro Nacional, em razão de ato do Ministro da Justiça. O lançamento é plenamente válido, pois os valores recebidos correspondem a benefícios devidos no período de junho de 1989 a outubro de 1994, portanto antes da lei 10.559/2002, como também derivam de ação judicial junto ao INSS e não de ato do ministério da justiça. Os juros e correção monetária derivam de montante principal tributável, portanto, também sofrem a incidência do imposto. Após a publicação MP N° 497/2010, os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, quando decorrentes do trabalho e os decorrentes de aposentadoria, pensão, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11483.720134/201576 Acórdão n.º 2201003.428 S2C2T1 Fl. 120 4 reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondentes aos anoscalendário anteriores ao do recebimento, passaram a ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento, não mais se sujeitando ao ajuste anual na Declaração de Imposto de Renda. Cientificado do acórdão da DRJ em 07/01/2016, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 03/02/2016, alegando, em síntese, que: É devida a dedução de pensão alimentícia, pois o referido ônus deriva de acordo homologado judicialmente. Os valores recebidos são isentos de Imposto de Renda, devido a sua anistia política. Alegou ainda, subsidiariamente, que o Imposto não deve incidir sobre os juros remuneratórios. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da isenção do Imposto de Renda dos anistiados Preceitua o artigo 9º da Lei 10.559/02: Art. 9o Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, a caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias. Parágrafo único. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda. Estabelece o artigo 1º, II da Lei 10.559/02: Art. 1º O Regime do Anistiado Político compreende os seguintes direitos: (…) Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11483.720134/201576 Acórdão n.º 2201003.428 S2C2T1 Fl. 121 5 II reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, asseguradas a readmissão ou a promoção na inatividade, nas condições estabelecidas no caput e nos §§ 1o e 5o do art. 8o do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (…) Ainda sobre a reparação econômica prevista no artigo supramencionado, temos o artigo 3º e parágrafos, da Lei 10.559/02: Art. 3o A reparação econômica de que trata o inciso II do art. 1o desta Lei, nas condições estabelecidas no caput do art. 8 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, correrá à conta do Tesouro Nacional. § 1o A reparação econômica em prestação única não é acumulável com a reparação econômica em prestação mensal, permanente e continuada. § 2o A reparação econômica, nas condições estabelecidas no caput do art. 8 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, será concedida mediante portaria do Ministro de Estado da Justiça, após parecer favorável da Comissão de Anistia de que trata o art. 12 desta Lei. (destaquei). Para se ter o melhor entendimento da matéria, fazse necessária a leitura do art. 19, também da Lei 10.559/02: Art. 19. O pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, que vem sendo efetuado pelo INSS e demais entidades públicas, bem como por empresas, mediante convênio com o referido instituto, será mantido, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído por esta Lei, obedecido o que determina o art. 11. Parágrafo único. Os recursos necessários ao pagamento das reparações econômicas de caráter indenizatório terão rubrica própria no Orçamento Geral da União e serão determinados pelo Ministério da Justiça, com destinação específica para civis (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão) e militares (Ministério da Defesa). (destaquei). Os artigos acima nos trazem os requisitos para a isenção das verbas recebidas pelos anistiados, que são: reparação econômica, pagos com recursos do Tesouro Nacional, por ato do Ministro da Justiça. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11483.720134/201576 Acórdão n.º 2201003.428 S2C2T1 Fl. 122 6 O montante considerado tributável pela Fazenda Nacional, são valores recebidos através de ação judicial contra o INSS. Além de decorrer de ação judicial, o montante recebido pelo contribuinte corresponde à diferença entre a aposentadoria anterior e a aposentadoria especial do anistiado, valores devidos antes da edição da lei isentiva. Vale ressaltar, ainda, que, a isenção é válida para fatos gerados após a edição da lei isentiva e nos termos restritivos desta, conforme artigo 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. O valor considerado tributável é derivado de ação judicial em desfavor do INSS, sendo anterior à lei isentiva. Portanto, é plenamente passível de tributação. Da incidência sobre os juros O artigo 55, IV do Decreto 3.000/99 aduz: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (…) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; (…). Como dito anteriormente, a isenção decorre de lei e não há lei que isente a incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios, tal só poderia ser cabível, caso a verba da qual deriva o juros também fosse isenta, o que não é o caso. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11483.720134/201576 Acórdão n.º 2201003.428 S2C2T1 Fl. 123 7 Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903461/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Por meio do Despacho Decisório de folha 78, foram homologadas parcialmente as compensações informadas na Declaração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 46 1/ 20 14 -0 5 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 16327.903461/201405 Resolução nº 1201000.235 S1C2T1 Fl. 3 2 Compensação DCOMP nº 02573.46279.281112.1.7.028859, na qual foi utilizado crédito a título de “Saldo Negativo de IRPJ” do ano calendário 2008, resultando no valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados no montante de R$ 2.506.951,94, acrescido de multa de mora e juros de mora. No Despacho Decisório constam as seguintes informações: (...) Do Termo de “Análise de Crédito”, extraise as seguintes informações: Como se infere do referido termo, não foi confirmado o valor de IRRF incidente em juros sobre capital próprio (código de receita 5706), no montante de R$ 20.193.224,51, por já ter sido utilizado em Declaração de Compensação. Em consulta ao processo nº 10010.006704/081439, citado no Despacho Decisório, temse o seguinte Relatório Fiscal: Fl. 228DF CARF MF Processo nº 16327.903461/201405 Resolução nº 1201000.235 S1C2T1 Fl. 4 3 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 16327.903461/201405 Resolução nº 1201000.235 S1C2T1 Fl. 5 4 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 16327.903461/201405 Resolução nº 1201000.235 S1C2T1 Fl. 6 5 Irresignada, a Interessada encaminhou manifestação de inconformidade de fls. 3 a 6, na qual alega, em síntese, que: Da leitura da análise do crédito anexa ao despacho decisório, verificase que a homologação parcial da compensação pleiteada ocorreu devido à não confirmação de parcela indicada como antecipação do IR, referente às retenções de IRRF sobre os rendimentos pagos a título de Juros sobre Capital Próprio (JCP), evidenciadas nas Fichas 06A e 54 da DIPJ 2009 (doc. 06), utilizadas na composição do saldo negativo de IRPJ ora pleiteado, conforme demonstrado abaixo: É certo, contudo, que as retenções acima mencionadas encontramse devidamente comprovadas, conforme se constata dos anexos Informes de Rendimentos Financeiros (doc. 07) e DIRFs (doc. 08), por meio dos quais notase que, de fato, no ano de 2008, o Manifestante sofreu as retenções nos valores de R$ 20.161.343,43 (cód. 5706) e de R$ R$ 31.881,08 (cód. 5706), ora questionados pela DEINFSP. Com efeito, salientese que em razão da incorporação da E. Johnston Representação e Participações S/A (CNPJ nº 00.025.238/000171) pelo Manifestante, em novembro de 2009, conforme ato societário e laudo de avaliação patrimonial anexos (doc. 09), tais retenções constam apenas nos Informes de Rendimentos e DIRFs da empresa incorporada, não havendo prejuízo para o reconhecimento das Fl. 231DF CARF MF Processo nº 16327.903461/201405 Resolução nº 1201000.235 S1C2T1 Fl. 7 6 retenções em questão e, consequentemente, do saldo negativo pretendido. Em sessão de 30 de abril de 2015 a 3a Turma da Delegacia de Julgamento de Florianópolis, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, com ênfase no fato de que não teria ocorrido aproveitamento em duplicidade do valor relativo às retenções de juros sobre capital próprio. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A matéria em discussão nos autos se refere à existência de direito creditório suficiente para homologar integralmente a compensação pleiteada pela Recorrente. Conquanto o Despacho Decisório da DEINF e a decisão de piso tenham entendido pela inexistência do crédito integral reclamado, sob o argumento de que as retenções relativas aos juros sobre capital teriam sido totalmente aproveitadas em outras compensações, a Recorrente, no voluntário, defende que parte do valor não foi utilizada, o que seria suficiente para suprir a compensação pretendida. A argumentação da Recorrente pode ser assim transcrita: No entanto, o IRRF sobre JCP não foi utilizado em duplicidade e o saldo negativo ora pleiteado deve ser integralmente reconhecido. No tocante às estimativas mensais, no valor de R$ 586.179,85, é importante destacar que o montante de R$ 377.870,61, relativo aos meses de abril a outubro de 2008, foi quitado por intermédio de compensações com saldo negativo de 2007 (doc. 03), as quais já foram integralmente homologadas pela Receita Federal (doc. 04). Com relação aos meses de novembro e dezembro de 2008, as estimativas, no total de R$ 208.309,24, foram quitadas com o IRRF do próprio ano, sobre aplicações financeiras (código 3426), que já foi reconhecido pela Receita Federal no despacho decisório proferido neste processo (total de R$ 811.879,63). Fl. 232DF CARF MF Processo nº 16327.903461/201405 Resolução nº 1201000.235 S1C2T1 Fl. 8 7 Quanto ao IRRF incidente em juros sobre capital próprio, no montante de R$ 20.193.224,51. a Receita Federal afirmou que esse crédito já havia sido integralmente utilizado nos PER/DCOMPs n°s 07554.71998.051108.1.7.060902 (doc. 05) 20282.19464.021208.1.3.063053 (doc. 06). É exatamente nesse ponto que está o equívoco cometido pela DEINF e mantido pela DRJ. Isso porque, conforme se verifica nos pedidos de compensação ora anexados, a Recorrente possuía crédito de IRRF no montante de R$ 20.193.224,57, mas utilizouo para quitar débitos no montante de R$ 18.754.200,00. Referidas compensações foram homologadas pela Receita Federal por intermédio de despacho decisório proferido no processo administrativo n° 13851.721046/201310 (doc. 07), que reconheceu, expressamente, o crédito de R$ 18.754.200,00. Portanto, do total de IRRF sobre JCP que o Recorrente possuía no ano de 2008, o valor de R$ 18.754.200,00 foi utilizado em outras compensações, sendo certo que restou um saldo de R$ 1.439.024,57, o qual foi utilizado na presente compensação. Para melhor visualização dos valores utilizados nas compensações do IRRF, o Recorrente apresenta o quadro a seguir: Assim, o IRRF de R$ 2.042.594,98, que deu origem ao saldo negativo ora pleiteado, corresponde ao montante de R$ 1.439.024,57 (R$ 20.193.224,57 R$ 18.754.200,00), relativo ao IRRF sobre JCP, adicionado ao montante de R$ 603.570,43 (R$ 811.879,63 R$ 208.309,24), referente ao IRRF sobre aplicações financeiras já reconhecido pela autoridade fiscal neste processo. Para sanar quaisquer dúvidas acerca do assunto, o Recorrente apresenta o quadro abaixo, que reflete todas as alegações apresentadas anteriormente: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16327.903461/201405 Resolução nº 1201000.235 S1C2T1 Fl. 9 8 Ademais, no balancete de dezembro/2008 (doc. 08), é possível verificar o valor de R$ 1.439.024,57, contabilizado na conta n° 022.018 "IRF S/ JUROS CAPITAL PRÓPRIO" e o valor de RS 603.570,43, contabilizado na conta n° 022.044 "IMPOSTO RENDA RETIDO FONTE FINANC". Verificase, ainda, o saldo da conta n° 022.011 "IMPOSTO DE RENDA ESTIMADO", no total de R$ 586.179,85, referente às estimativas mensais de abril a dezembro de 2008. Os mesmos registros também podem ser verificados no razão contábil de janeiro a dezembro de 2008 (doc. 09). 19. Dessa forma, por todo o exposto, resta cristalino que não houve utilização de crédito de IRRF sobre JCP em duplicidade, devendo ser reconhecido o saldo negativo ora pleiteado. Tendo em vista os argumentos e números apresentados pela Recorrente, entendo que, em homenagem ao princípio da verdade material, deve ser verificada a procedência de suas alegações. Assim, voto por converter o julgamento em diligência para que a repartição de jurisdição da Recorrente: a) Analise os argumentos e documentos apresentados e informe, mediante relatório conclusivo, se existem créditos oriundos de retenções a título de JCP que possam ser efetivamente utilizados na declaração pleiteada, discriminando os valores porventura apurados; b) Após a análise, intime a interessada para apresentar, se assim desejar, suas considerações, no prazo de 30 dias. Com a adoção das providências acima os autos deverão retornar a este Conselho e Relator para apreciação. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por CONVERTER o julgamento em diligência. É como voto. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.903461/201405 Resolução nº 1201000.235 S1C2T1 Fl. 10 9 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.731457/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO POR INTEMPESTIVIDADE.
Correta a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação apresentada intempestivamente. Não há previsão, nas normas que regem o processo administrativo fiscal, de interrupção ou suspensão do prazo para apresentar defesa em face de comprometimento da saúde do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
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Correta a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação apresentada intempestivamente. Não há previsão, nas normas que regem o processo administrativo fiscal, de interrupção ou suspensão do prazo para apresentar defesa em face de comprometimento da saúde do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 14 57 /2 01 3- 12 Fl. 49DF CARF MF 2 Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF, relativa ao exercício 2012, anocalendário 2011, por omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 29.003,26, tendo sido compensado o imposto retido no valor de R$ 870,10 (conforme fls. 05/08). Na impugnação, às fls. 02/03, suscitou a preliminar de tempestividade, sob a justificativa de que, quando do recebimento da notificação pela sua filha, estava internado por problemas de saúde que especificou na manifestação. Alegou que o montante recebido da Caixa Econômica Federal se referia a levantamento de ação judicial e que todos os valores mensais estavam na faixa de isenção. Disse que, por equívoco, não lançou o valor recebido na ficha de "Rendimentos Recebidos Acumuladamente", mas que isso não causou prejuízo à União. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo (SP), às fls. 27/31, não conheceu da impugnação em face de sua intempestividade. Realizada a intimação do acórdão da DRJ em 18/04/2016 (AR de fls. 37), foi interposto, em 16/05/2016, o recurso voluntário de fls. 40, pela filha do contribuinte, acompanhado dos documentos de fls. 41/44, no qual reafirma a impossibilidade de apresentação de defesa, quando da ciência da notificação de lançamento, em razão de problemas de saúde; noticiando o falecimento do contribuinte em 18/02/2015; e reiterando que seja considerada a tempestividade da defesa, com o seu devido julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. De início, constatase que o recurso voluntário de fls. 40, protocolado em 16/05/2016, foi interposto pela Sra. Elaine Braga Furtado Maiato, filha do contribuinte, falecido em 18/02/2015, como se confirma nos documentos de identificação e certidão de óbito às fls. 41/44. A Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999, legitima como interessados no processo administrativo aqueles que têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada, conforme abaixo: Art. 9º. São legitimados como interessados no processo administrativo: (...) Fl. 50DF CARF MF Processo nº 12448.731457/201312 Acórdão n.º 2202003.675 S2C2T2 Fl. 50 3 II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; (...) Assim, por ser tempestivo e apresentado por pessoa interessada no processo, admitese o recurso voluntário de fls. 40. No caso em análise, o pedido se concentra na consideração de tempestividade da defesa apresentada à primeira instância administrativa. Entretanto, compulsando os documentos contidos nos autos, concluise que não há reparo a ser feito no acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo (SP), às fls. 27/31, cujas razões de decidir, abaixo transcritas, ora se adota neste voto: (...) O contribuinte foi cientificado da Notificação de Lançamento em 18/09/2013, fl. 21, e apresentou impugnação em 09/12/2013, fl. 02. Preliminarmente, cabe analisar a tempestividade da impugnação apresentada. Na peça impugnatória, o contribuinte alega que sua filha recebeu a Notificação de Lançamento no dia 18/09/2013 e que, neste mesmo dia, estava hospitalizado. Submeteuse em seguida, entre os dias 26/09 a 02/10, à radioterapia e em 04/10 iniciou sessões de quimioterapia, que o fragilizou e acabou sendo internado. Consta na fl. 21 Aviso de Recebimento dos Correios – AR, referente à Notificação de Lançamento no. 2012/875433660707509, lavrada em 09/09/2013, que foi recebida em 18/09/2013, fl. 21, no endereço: Rua Paulo Barreto, 115 – Casa 7 apto. 101 – Botafogo – CEP 22.280010 – Rio de Janeiro/RJ. Em consulta ao Portal IRPF, verificase que o endereço constante na Declarações de Ajuste Anual do contribuinte, dos anoscalendário 2010 a 2014, é o mesmo do acima referido. Ressaltese que a comunicação com o contribuinte é realizada utilizandose o domicílio tributário escolhido/eleito por ele e constante nos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil Cabe informar que o prazo previsto no Decreto nº 70.235/72 Processo Administrativo Fiscal – PAF e legislação correlata, para apresentação à Unidade Preparadora, de impugnação de exigência fiscal originária ou agravada é de 30 (trinta) dias, após a intimação do contribuinte (art. 15 do PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 51DF CARF MF 4 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A intimação do contribuinte foi feita por via postal, conforme Aviso de Recebimento dos Correios fl. 21. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local Assim, o contribuinte foi cientificado da Notificação de Lançamento no. 2012/875433660707509, ou seja, houve ciência da referida notificação, em 18/09/2013, uma quartafeira. O prazo de 30 dias para apresentar impugnação à notificação iniciouse no dia 19/09/2013, quintafeira, dia útil. Desse modo, o prazo para apresentar impugnação estendeuse até 18/10/2013, sextafeira, mas o contribuinte apresentou sua defesa somente em 09/12/2013, fl. 02. Logo, verificase a INTEMPESTIVIDADE da referida impugnação. Destaquese que, conforme suas alegações de que estava sob tratamento no período, o contribuinte poderia ter constituído um procurador com a finalidade de representálo perante a Receita Federal e apresentar a impugnação à presente Notificação de Lançamento. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 12448.731457/201312 Acórdão n.º 2202003.675 S2C2T2 Fl. 51 5 Assim, de acordo com o que dispõe o Decreto 70.235/72, tendo sido a impugnação entregue fora do prazo, não se instaurou o contraditório administrativo, não podendo produzir efeitos o inconformismo da impugnante, extemporaneamente manifestado. (...) Dessa forma, em que pese os argumentos trazidos pela recorrente, não há previsão, nas normas que regem o processo administrativo fiscal, de interrupção ou suspensão do prazo para apresentar defesa em face de comprometimento da saúde do contribuinte. Portanto, confirmada a intempestividade da impugnação de fls. 02/03, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
