Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10380.008591/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2000 a 30/09/2005
CIÊNCIA POSTAL. ALEGAÇÃO DE NÃO DE RECEBIMENTO DE PARTE DO ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DA PROVIDÊNCIA DE REQUERER CÓPIA DAS FOLHAS NÃO RECEBIDAS. NÃO ACOLHIMENTO.
Deve ser desacolhida a alegação de não recebimento de parte do acórdão atacado, quando o recorrente não demonstra ter tomado providências no sentido de obter a parte faltante da decisão.
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO.
Para que sejam acatadas, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2000 a 30/09/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.187
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2001; e II) afastar a preliminar de nulidade suscitada, negando provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/09/2005 CIÊNCIA POSTAL. ALEGAÇÃO DE NÃO DE RECEBIMENTO DE PARTE DO ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DA PROVIDÊNCIA DE REQUERER CÓPIA DAS FOLHAS NÃO RECEBIDAS. NÃO ACOLHIMENTO. Deve ser desacolhida a alegação de não recebimento de parte do acórdão atacado, quando o recorrente não demonstra ter tomado providências no sentido de obter a parte faltante da decisão. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Para que sejam acatadas, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2000 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10380.008591/2007-74
anomes_publicacao_s : 201112
conteudo_id_s : 4785702
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 30 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.187
nome_arquivo_s : 2401002187_10380008591200774_201112.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10380008591200774_4785702.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2001; e II) afastar a preliminar de nulidade suscitada, negando provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
id : 4748406
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233328263168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.472 1 1.471 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.008591/200774 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.187 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de dezembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA E PREVIDÊNCIA DO ESTADO DO PIAUI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/09/2005 CIÊNCIA POSTAL. ALEGAÇÃO DE NÃO DE RECEBIMENTO DE PARTE DO ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DA PROVIDÊNCIA DE REQUERER CÓPIA DAS FOLHAS NÃO RECEBIDAS. NÃO ACOLHIMENTO. Deve ser desacolhida a alegação de não recebimento de parte do acórdão atacado, quando o recorrente não demonstra ter tomado providências no sentido de obter a parte faltante da decisão. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Para que sejam acatadas, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2000 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1472DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2001; e II) afastar a preliminar de nulidade suscitada, negando provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1473DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.008591/200774 Acórdão n.º 240102.187 S2C4T1 Fl. 1.473 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal da Lançamento de Débito n.º 35.569.1027, lavrada contra o sujeito passivo acima identificada, na qual foram lançadas contribuições patronais e dos segurados (esta a partir de 04/2003) incidentes sobre remunerações de contribuintes individuais a serviço da instituição notificada no período do débito. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 119/123, apuração foi divida em quatro “levantamentos”, com base na distribuição dos pagamentos por setor constante na documentação do próprio Instituto de Assistência e Previdência do Estado do Piauí – IAPEP. Eis os levantamentos utilizados no lançamento: a) A2 – Pagamentos a autônomos não declarado na GFIP 10/2000 a 09/2005 – remunerações de trabalhadores autônomos lançados na planilha de fls. 188/573; b) I3 — IAPEP INTERNO DE 10/2000 a 09/2005 – remunerações de odontólogos, médicos, bioquímicos e outros, classificados pelo IAPEP como credenciados internos. Os valores envolvidos, individualizados por segurados, foram apresentados na planilha de fls. 919/1.178; c) IE3 — IAPEP EXTERNO de 10/2000 a 09/2005 remunerações de odontólogos, médicos, bioquímicos e outros, classificados pelo IAPEP como credenciados internos. Os valores envolvidos, individualizados por segurados, foram apresentados na planilha de fls. 574/918; d) PL2 — PLAMTA de 10/2002 a 09/2005 – fls. remunerações de contribuintes individuais listados na planilha de fls. 188/573, classificados pelo IAPEP como credenciados PLAMTA. Informa o Fisco que as remunerações incluídas nos levantamentos correspondentes às letras “b”, “c” e “d” não foram registrados em folhas de pagamento, tendo sido obtidos as quantias das notas de empenho exibidas pelo IAPEP. Ressaltase ainda que as remunerações presentes nos levantamentos acima listados não foram declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Afirmase que as guias de recolhimentos exibidas pelo sujeito passivo dizem respeito às contribuições reconhecidas pela empresa e não constantes da presente apuração. O Instituto Notificado ofertou impugnação, fls. 1.183/1.192, alegando, em apertada síntese, que: a) a NFLD é nula, posto que foi enviada ao Governador do Estado, o qual não detém poderes de representação do Instituto; b) sua defesa foi prejudicada por faltarem dados necessários à identificação dos segurados cujas remunerações foram consideradas na apuração fiscal, não há distinção nos Fl. 1474DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 demonstrativos anexos entre o principal e a correção monetária, além de que o Fisco menciona uma suposta “Taxa”, da qual não se identificou o fato gerador; c) parte das competências lançadas já foram alcançadas pela decadência; d) é incorreto o enquadramento de agentes públicos como empregados, posto que as normas que regem os servidores públicos do Estado do Piauí não admitem a contratação pelo regime celetista; e) o entendimento do STF, expresso nos julgados que colaciona, é de que conflito entre o Poder Público e seus servidores em razão do regime jurídicoadministrativo não está na alçada da Justiça do Trabalho; f) não se esclareceu quais dentre as pessoas físicas indicadas pela fiscalização são empregados e quais tem outro tipo de vínculo jurídicoadministrativo com o IAPEP; g) na discussão sobre NFLD n.º 35.035.0871, restou comprovada a exigência de contribuições já recolhidas, assim, fazse necessário que no processo que ora se discute seja verificado se os valores lançados já não foram quitados. O órgão de julgamento de primeira instância da Secretaria da Receita Previdenciária detectou erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que o crédito foi lavrado em nome do Estado do Piauí, quando deveria têlo sido em nome do IAPEP. Requereu se então a retificação do erro, com reabertura do prazo de defesa (ver despacho de fl. 1.197). O sujeito passivo apresentou, fls. 1.317/1.318, aditamento à defesa, no qual reitera os argumentos já lançados anteriormente. Os autos foram baixados em diligência, fls. 1.329/1.331, para que a Auditoria se pronunciasse sobre o não aproveitamento dos pagamentos constantes em extrato de fls. 1.324/1.328 e também para que se esclarecesse a inclusão no lançamento de notas de empenho relativos a serviços prestados por pessoas jurídicas. A Informação Fiscal, fl. 1335, dá conta de que os recolhimentos mencionados foram apropriados no levantamento “AP – Apropriação Indébita”, período de 01/2003 a 09/2005, tendo o Fisco acostados documentos que comprovariam a sua afirmação. Sobre esse arrazoado, o contribuinte, mesmo devidamente intimado, não se pronunciou. A DRJ em Florianópolis, no acórdão de fls. 1.415/1.423, declarou parcialmente procedente o lançamento, excluindo da apuração os pagamentos que foram efetuados em nome de pessoa jurídica., o que redundou em redução do crédito de R$ 18.102.054,50 (dezoito milhões, cento e dois mil, cinquenta e quatro reais e cinquenta centavos) para R$ 18.039.269,39 (dezoito milhões, trinta e nove mil, duzentos e sessenta e nove reais e trinta e nove centavos). O sujeito passivo, então, interpôs recurso voluntário, fls. 1.428/1.430, no qual alega que recebeu o Acórdão 0712.893 faltando folhas, por esse motivo não teria como exercer o seu pleno direito de defesa a contento. Alega que em todo o documento não há um encadeamento lógico entre o contido no final de uma folha e o início da folha posterior. Fl. 1475DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.008591/200774 Acórdão n.º 240102.187 S2C4T1 Fl. 1.474 5 Requer a nulificação da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 1476DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Do defeito no acórdão recorrido Passando os olhos no Acórdão n.º 0712.893, verifico que, por razões de política de preservação ambiental da RFB, o mesmo teve a impressão efetuada em frente e verso. Nessa situação, é numerada apenas a frente da página, assumindose que o verso guarda a mesma numeração que a folha da frente. Assim, é de se supor que o sujeito passivo não verificou os versos das folhas e acabou por concluir que houve falha na impressão do acórdão recorrido, o que não corresponde à realidade. Inclinome por afastar a preliminar relativa ao não recebimento integral do acórdão da DRJ. Caso o sujeito passivo tivesse recebido o documento na sua íntegra, deveria, por direito seu, imediatamente solicitar cópia do documento supostamente incompleto de forma a se municiar de todas as informações necessários a preparação do seu recurso. Não posso aceitar é que a empresa deixe transcorrer o prazo recursal para então alegar que não foi cientificada de todas as partes do acórdão contra o qual se insurge. Tenho que há presunção de veracidade no documento que comprova a entrega da decisão de primeira instância à contribuinte. Observando o Acórdão, verificase ainda que a Relatora rubricou todas as folhas do mesmo, na frente e no verso de cada página, sendo pouco crível, que a mesma não tivesse dado conta da falta de impressão de parte do documento. Outra questão que aflora do recurso é a falta de comprovação do alegado pelo sujeito passivo. Vejamos excerto do arrazoado do IAPEP: 2. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO A notificação da decisão de primeira instância é nula por não permitir a correta intelecção do que fora decidido pelo Órgão julgador de primeira instância. Para que de tanto esse d. Conselho se convença basta que coteje a conclusão de cada uma das folhas do acórdão recorrido com o inicio de cada página seguinte no intervalo entre as fls. 1416/1422 (em numeração rasurada) — copias em anexo. Como se vê, o recorrente afirma que faz juntada de prova de sua alegação, todavia, aos autos não foram acostados o suposto documento defeituoso. Fl. 1477DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.008591/200774 Acórdão n.º 240102.187 S2C4T1 Fl. 1.475 7 Decadência Embora não alegada no recurso, a decadência parcial do crédito deve ser reconhecida de ofício. Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.º 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (...) Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.º 8.212/1991, aplicase às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional – CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.º, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL nº 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS).OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA. 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o Fl. 1478DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN)". 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento deuse em 27/02/2007 (fl. 1.315) e o período do crédito é de 10/2000 a 09/2005. Verifico dos extratos de fls. 1.324/1.328, que não há recolhimentos para o período compreendido entre 12/2001 e 12/2002, o que me leva à conclusão segura de que a contagem do prazo decadencial deve ser feito pela norma do art. 173, I, do CTN. Diante desse cenário, devem ser excluídas do crédito em razão da decadência o período até a competência 11/2001. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade suscitada e por dar provimento parcial ao recurso, declarando a decadência para as competências de 10/2000 a 11/2001. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1479DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001236/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos
segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem
como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato
administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO.
PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de
regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do
Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.107
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 19515.001236/2010-71
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4801073
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.107
nome_arquivo_s : 2401002107_19515001236201071_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515001236201071_4801073.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
id : 4745728
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233331408896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2299; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 301 1 300 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001236/201071 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2401002.107 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PARTE SEGURADOS Recorrente ORGANIZAÇÃO SANTAMARENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 314DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 315DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 19515.001236/201071 Acórdão n.º 2401002.107 S2C4T1 Fl. 302 3 Relatório ORGANIZAÇÃO SANTAMARENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1626.728/2010, às fls. 218/226, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos empregados, descontadas a menor, em relação ao período de 03/2006 a 13/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 58/64. Tratase de Auto de Infração (antiga NFLD), lavrado em 28/05/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 1.535.596,70 (Um milhão, quinhentos e trinta e cinco mil, quinhentos e noventa e seis reais e setenta centavos). Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 232/249, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a notificação em meras presunções. Acrescenta que os anexos da autuação não demonstram com a clareza que exige as normas que regulam a matéria quais as bases que a fiscalização se debruçou para concluir que houve recolhimento a menor, ressaltando que a única razão para tal conclusão está no fato de as contribuições previdenciárias terem sido calculadas sob base de cálculo a menor em razão de gozo de férias de determinados funcionários. Contrapõese à exigência fiscal sub examine, aduzindo para tanto que todas as informações possíveis para dirimir eventuais interpretações indevidas das hipóteses mencionadas acima, estão devidamente informados em GFIP/SEFIP, demonstrando não ter havido equívoco na retenção das contribuições efetivamente devidas. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Em suas razões recursais, em suma, pretende a recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, propugnando pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, às fls. 54/55, e Relatório do Auto de Infração, às fls. 58/64, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como dos arquivos digitais fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Quanto às demais alegações da contribuinte, mormente em relação à pretensa diferença de recolhimento em razão de gozo de férias de alguns funcionários, não merece aqui tecer maiores considerações a respeito do tema, uma vez já atingidas pela preclusão, eis que não ofertadas em sede de impugnação. É o que se extrai do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, como segue: “ Decreto nº 70.235/72 Fl. 317DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 19515.001236/201071 Acórdão n.º 2401002.107 S2C4T1 Fl. 303 5 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1991 a 30/09/1995 PIS. APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E PROVAS DOCUMENTAIS APÓS PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. As alegações e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento das provas e argumentos apresentados somente na fase recursal. [...] (Primeira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 149.545, Acórdão nº 20181255, Sessão de 03/07/2008) “PROCESSO ADMINISTRATISVO FISCAL PRECLUSÃO Escoado o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, operase a preclusão do direito da parte para reclamar direito não argüido na impugnação, consolidandose a situação jurídica consubstanciada na decisão de primeira instância, não sendo cabível, na fase recursal de julgamento, rediscutir ou, menos ainda, redirecionar a discussão sobre aspectos já pacificados, mesmo porque tal impedimento ainda se faria presente no duplo grau de jurisdição, que deve ser observado no contencioso administrativo tributário. Recurso não conhecido nesta parte. COFINS CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Constatada, em procedimento de fiscalização, a falta de cumprimento da obrigação tributária, seja principal ou acessória, obrigase o agente fiscal a constituir o crédito tributário pelo lançamento, no uso da competência que lhe é privativa, vinculada e obrigatória. JUROS DE MORA O artigo 161 do CTN autoriza, expressamente, a cobrança de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mêscalendário, se a lei assim o dispuser. TAXA SELIC Correta a cobrança da Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e de Custódia SELIC como juros de mora, a partir de 01/01/1997, para débitos com fatos geradores até 31/12/1994, não pagos no vencimento da respectiva obrigação. Recurso a que se nega provimento.” (Terceira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 111.167, Acórdão nº 20307328, Sessão de 23/05/2001) (grifamos) Nesse sentido, salvo nos casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário ou posteriormente, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, considerando tacitamente confessada pela contribuinte a parte do lançamento não contestada, operando a constituição definitiva do crédito tributário com relação a esses levantamentos, mormente em razão de não se instaurar o contencioso administrativo para tais questões. Registrese, que a própria fiscalização ao notificar o contribuinte do Auto de Infração tem o cuidado de informar, mediante o anexo “Instruções para o Contribuinte – IPC”, Fl. 318DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 que a defesa poderá ser parcial ou total, considerando confessada a matéria que não fora objeto de contestação. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo à extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Relativamente às demais alegações da contribuinte, deixaremos de abordá las, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 319DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001577/2002-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 20/12/1997 a 31/03/1998
Ementa:
CRÉDITO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO ALÍQUOTA ZERO.
O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999.
Numero da decisão: 9303-001.470
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e não conhecer do recurso especial do sujeito passivo, por perda de objeto.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/12/1997 a 31/03/1998 Ementa: CRÉDITO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO ALÍQUOTA ZERO. O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13819.001577/2002-36
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4815100
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.470
nome_arquivo_s : 930301470_13819001577200236_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13819001577200236_4815100.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e não conhecer do recurso especial do sujeito passivo, por perda de objeto.
dt_sessao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
id : 4746654
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233333506048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1603; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 385 1 384 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13819.001577/200236 Recurso nº 224.202 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303001470 – 3ª Turma Sessão de 31 de maio de 2011 Matéria IPI Recorrentes FAZENDA NACIONAL KENPACK SOLUÇÕES EM EMBALAGENS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/12/1997 a 31/03/1998 Ementa: CRÉDITO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO ALÍQUOTA ZERO. O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dare provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e não conhecer do recurso especial do sujeito passivo, por perda de objeto OTACÍLIO DANTAS CARTAXO– Presidente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator Fl. 391DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 8/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 289/293 e pelo Sujeito Passivo, fls. 317/328, contra decisão do acórdão nº 203 10028, da Terceira Câmara do Segundo Conselho, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. CRÉDITO DE IPI. INSUMOS TRIBUTADOS. PRODUTO FINAL SUJEITO À ALIQUOTA ZERO DIREITO AO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DAS AQUISIÇÕES DOS INSUMOS. As aquisições de insumos tributados pelo IPI para a confecção de produto não sujeitado à cobrança de tal exação não implica a desconsideração dos créditos incorporados por conta das compras realizadas. Exegese do principio da não cumulatividade c do artigo 11 da Lei nº 9.779/99. Os créditos de IPI invocados extemporaneamente pela empresa (créditos escriturais) com a finalidade de apurar o valor devido de tal exação, não podem ser atualizados por falta de previsão legal necessária a tanto. Recurso parcialmente provido. A Fazenda Nacional rechaça o aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos tributados pelo IPI para a confecção de produto sujeito a alíquota zero, antes do advento da Lei nº 9.799/99. O recurso teve seguimento nos termos do despacho nº 203033 de fl. 297. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 303/310. A peça recursal do Sujeito Passivo reclama pela aplicação da correção monetária dos créditos de IPI referentes aos insumos tributados e aplicados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero. O despacho nº 203338 de fls. 368/369 deu seguimento ao recurso. A Fazenda Pública apresentou contrarrazões às fls. 373/382. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Recurso da Fazenda Nacional O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Fl. 392DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 8/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13819.001577/200236 Acórdão n.º 9303001470 CSRFT3 Fl. 386 3 A discussão que devo travar diz respeito à questão do direito ou não a crédito dos insumos tributados utilizados na confecção de produtos sujeitos à alíquota zero, antes da vigência da Lei nº 9.779/99. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação da Súmula CARF nº 16, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Inadequado seria esquecer que as súmulas do Carf são de observância obrigatória, sob pena de perda de mandato. No caso em análise, os insumos foram recebidos antes de janeiro de 1999, o que me obriga a dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar a exclusão dos valores referentes a insumos utilizados na fabricação de produtos sujeitos a alíquota zero. Recurso do Sujeito Passivo. Como dito alhures, o contribuinte busca a aplicação da taxa Selic sobre os valores dos insumos utilizados na fabricação de produtos sujeitos a alíquota zero. Entendo que o recurso resta prejudicado, uma vez que o valor do ressarcimento pleiteado e que serviria de base para aplicação da correção está sendo negado no recurso da Fazenda Nacional. Forte nestes argumentos, não conheço do recurso do sujeito passivo pela perda do objeto. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 393DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 8/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001530/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: MULTA DE OFÍCIO
Ano-calendário: 2003 e 2004
Ementa: MULTA DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO
COMPROVAÇÃO DO INTUITO FRAUDULENTO. REDUÇÃO.
Não comprovado, pelo trabalho fiscal, que a omissão de receitas foi pautada em dolo, com intuito fraudulento, é necessária a redução da multa de ofício, em obediência à Súmula 14 do CARF.
Numero da decisão: 1101-000.610
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira
Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, para excluir a multa qualificada, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : MULTA DE OFÍCIO Ano-calendário: 2003 e 2004 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO COMPROVAÇÃO DO INTUITO FRAUDULENTO. REDUÇÃO. Não comprovado, pelo trabalho fiscal, que a omissão de receitas foi pautada em dolo, com intuito fraudulento, é necessária a redução da multa de ofício, em obediência à Súmula 14 do CARF.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10650.001530/2007-59
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4965938
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1101-000.610
nome_arquivo_s : 110100610_10650001530200759_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10650001530200759_4965938.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, para excluir a multa qualificada, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
id : 4747185
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233334554624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.001530/200759 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110100.610 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2011 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente GUARÁ AGROPECUÁRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: MULTA DE OFÍCIO Anocalendário: 2003 e 2004 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO COMPROVAÇÃO DO INTUITO FRAUDULENTO. REDUÇÃO. Não comprovado, pelo trabalho fiscal, que a omissão de receitas foi pautada em dolo, com intuito fraudulento, é necessária a redução da multa de ofício, em obediência à Súmula 14 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, para excluir a multa qualificada, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 241DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 05/46, que lhe exigem um crédito tributário de R$ 303.808,86 (trezentos e três mil, oitocentos e oito reais e oitenta e seis centavos), com juros de mora calculados até 31/10/2007, relativo ao IRPJ, ao PIS/Pasep, à CSLL e à Cofins. Segundo a "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", constante dos Autos de Infração, os lançamentos decorreram de omissão de receitas da atividade comercial da pessoa jurídica. Em razão da infração apurada foi formalizada representação fiscal para fins penais por meio do processo n.° 10650.001534/200737. Por meio de procurador constituído pelo instrumento de fls. 189, a contribuinte apresentou impugnação, na qual pediu "seja o Auto de Infração revisto, conforme já requerido, sendo ao final reduzida a multa aplicada ao percentual de 50%..." O crédito tributário relativo à matéria não impugnada foi transferido para o processo n.° 15254.000005/200893, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário às fls. 208/210. Quanto a matéria impugnada o lançamento foi mantido pela Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora MG. A ementa do Acórdão da DRJ foi a seguinte: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 MULTA. IMPERFEIÇÃO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO. A imperfeição na capitulação legal na aplicação da penalidade não autoriza, por si só, a declaração de nulidade ou a redução da multa, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dela se defender amplamente, Fl. 242DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10650.001530/200759 Acórdão n.º 110100.610 S1C1T1 Fl. 2 3 mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. INTIMAÇÕES NO ESCRITÓRIO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal a ciência dos atos processuais se dá na forma estabelecida no Decreto n.° 70.235/72, devendo, no caso de utilizada a via postal, ocorrer no domicilio tributário do sujeito passivo. Lançamento Procedente.” Cientificada da decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, reafirmando sua concordância quanto aos tributos lançados, recorrendo apenas do percentual da multa de ofício no percentual de 150%, requerendo sua redução para o percentual de 75% sob o argumento de que não agiu com dolo, e isto está demonstrado pelo fato de ter assumido sua culpa. Assim, o processo foi redistribuído para minha relatoria, nesta 1ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. A lavratura do AIIM teve fulcro no trabalho fiscal, em que se constatou a omissão de receitas pelo recorrente, para o período referente aos anoscalendários de 2003 e 2004, decorrente da remessa de “leitões em lactação”, sem a emissão de notas fiscais, para a empresa parceira SADIA S.A., sendo que esta emitia Notas Fiscais de Entradas para acobertar o recebimento das mercadorias. Conseguintemente, foram lavrados autos de infrações para exigir IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, para o período omitido, uma vez que os valores encontrados passaram a integrar a base de cálculo dos referidos tributos. Assim, em consequência da constatação de que o recorrente cometeu crime contra a ordem tributária, foi lavrado também o respectivo auto de infração, para a devida apuração. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 Inicialmente, o recorrente em sua impugnação, buscou desconstituir apenas o percentual da multa de ofício aplicada, requerendo sua redução, anuindo com os tributos exigidos. Por esta razão, o crédito tributário não impugnado foi transferido de pronto para o processo nº 15254.000005/200893. Portanto, no presente recurso, resta a irresignação apenas no tocante a multa de ofício aplicada, não havendo a necessidade de adentrarmos, no presente julgamento, sobre o mérito da omissão de receitas constatada pelo trabalho fiscal, uma vez que confessado pelo recorrente. O recorrente, em suas razões recursais, alega que a omissão de receitas se deve pelo fato da não emissão das notas fiscais de saídas para o acobertamento do envio de “leitões em lactação” à empresa Sadia S/A, sendo que a mercadoria era acobertada por notas fiscais de entrada emitidas por esta. Esclarece que a falha no registro contábil do recorrente, ao lançar apenas parte de suas receitas, se deve pelo não recebimento da via da nota fiscal de entrada por seus contadores, das notas emitidas pela empresa Sadia/SA, pelos seus funcionários responsáveis pela entrega. Afirma que a omissão de receitas só ocorreu por falha de seus empregados, e que tal fato não pode ser considerado como conduta dolosa a justificar a aplicação da multa de ofício no percentual de 150% do imposto devido, corroborando com este argumento o fato de ter confessado sua culpa, instituto jurídico dissonante do dolo. Requerendo a redução da penalidade para 75%. Quanto a multa de ofício aplicada nos casos de omissão de receitas, há disposição expressa, assentada através de súmula deste Egrégio Conselho, determinando que só deverá ser aplicada a multa de ofício quando comprovado o evidente intuito fraudulento do sujeito passivo. Conforme disposto na Súmula 14 do CARF: “A simples apuração da omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Portanto, uma vez que há disposição expressa em súmula, não me estenderei a respeito da questão, pois verifico, pelas provas acostadas aos autos, que o intuito fraudulento não resta comprovado, o que inadmite a manutenção da aplicação da multa de ofício de no patamar de150% (cento e cinquenta por cento). Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso, para determinar a redução do percentual da multa de ofício aplicada, até o importe de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo devido. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2011 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10650.001530/200759 Acórdão n.º 110100.610 S1C1T1 Fl. 3 5 (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720783/2007-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2005
Ementa: ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDRELÉTRICAS.
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n° 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
Numero da decisão: 9202-001.908
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Maria Lener Leite, OAB/SP nº 53.655, advogada do contribuinte.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 Ementa: ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDRELÉTRICAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n° 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10665.720783/2007-66
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4813700
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.908
nome_arquivo_s : 920201908_10665720783200766_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MARCELO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10665720783200766_4813700.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Maria Lener Leite, OAB/SP nº 53.655, advogada do contribuinte.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4747904
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233336651776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1424; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 191 1 190 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10665.720783/200766 Recurso nº 143.045 Especial do Contribuinte Acórdão nº 920201.908 – 2ª Turma Sessão de 30 de novembro de 2011 Matéria ITR. Recorrente FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S/A Interessado PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 Ementa: ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDRELÉTRICAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n° 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Maria Lener Leite, OAB/SP nº 53.655, advogada do contribuinte. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Conselheira Convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10665.720783/200766 Acórdão n.º 920201.908 CSRFT2 Fl. 192 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls.0134, interposto pelo sujeito passivo contra acórdão, fls. 0117, que decidiu, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREAS SUBMERSAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. POSSIBILIDADE. Áreas rurais de empresa concessionária de serviços públicos de eletricidade, destinadas a reservatórios de usina hidrelétrica, devem ser consideradas corno áreas ocupadas com benfeitorias para efeito de cálculo do grau de utilização do território. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. No caso de prestação de informações inexatas pelo contribuinte, a legislação autoriza a Secretaria da Receita Federal a arbitrar o Valor da Terra Nua com base no SIPT. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relator. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Mércia Helena Trajano D'Amorim votaram pela conclusão. Em seu recurso especial o sujeito passivo alega, em síntese, que: 1 A tributação não pode prosperar, pois, inclusive, a jurisprudência levou ao CARF a expedir Súmula que dá razão á recorrente; e 2 Pelo exposto, requer o conhecimento e o proviemnto do presente recurso. Por despacho, fls. 0177, deuse seguimento ao recurso especial. A PGFN apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que as alegações da recorrente são improcedentes e que o recurso deve ser negado. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 É o Relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10665.720783/200766 Acórdão n.º 920201.908 CSRFT2 Fl. 193 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Muito embora o lançamento trate de arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), verificase que a lide instalada desde o início do procedimento fiscal gira em torno da possibilidade de se exigir, ou não, ITR sobre terras alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Tal constatação se confirma pela leitura dos autos, fls. 001 a 018 e fls. 072, partes integrantes do processo, onde as autoridades fiscais discorrem longamente sobre o tema. Ocorre que tal matéria já se encontra pacificada neste Conselho, conforme Súmula CARF 45, de 22/12/2009, que a seguir se transcreve: Súmula CARF n°45 O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. No presente caso, resta claro dos autos que o imóvel é utilizado como reservatório de usina hidrelétrica, estando suas áreas, portanto, submersas, de sorte que a exigência consubstanciada no lançamento não pode prosperar. CONCLUSÃO: Ante o exposto, VOTO em dar provimento ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001097/2003-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:1998
CSLL. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE.
Incabível a homologação de compensação de débito declarado à Receita Federal, quando o direito creditório utilizado não é reconhecido. Valor recolhido com base na anistia da MP 38/2002 é insuficiente, não havendo que se falar em indébito tributário.
Numero da decisão: 1402-000.687
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário:1998 CSLL. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. Incabível a homologação de compensação de débito declarado à Receita Federal, quando o direito creditório utilizado não é reconhecido. Valor recolhido com base na anistia da MP 38/2002 é insuficiente, não havendo que se falar em indébito tributário.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16327.001097/2003-86
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 5080204
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.687
nome_arquivo_s : 140200687_16327001097200386_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
nome_arquivo_pdf_s : 16327001097200386_5080204.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
id : 4743856
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233340846080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1703; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 192 1 191 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001097/200386 Recurso nº 173.810 Voluntário Acórdão nº 140200.687 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de agosto de 2011 Matéria CSLL Recorrente ITAÚ CAPITALIZAÇÃO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 CSLL. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. Incabível a homologação de compensação de débito declarado à Receita Federal, quando o direito creditório utilizado não é reconhecido. Valor recolhido com base na anistia da MP 38/2002 é insuficiente, não havendo que se falar em indébito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.001097/200386 Acórdão n.º 140200.687 S1C4T2 Fl. 193 2 Relatório Itaú Capitalização S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 8ª Turma da DRJ São Paulo01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório de fl. 96, em que foi apreciada a DCOMP de fls. 01, protocolizada em 01/04/2003. Por intermédio da referida declaração a contribuinte pretende compensar débito de sua responsabilidade (Código 2319 – IRPJ Lucro Real Estimativa) com crédito decorrente de Pagamento a maior ou indevido (código 9235 – CSLL – Desistência de Ação Judicial de que trata o art. 11 da MP 66/02 – demonstrado às fls. 03/05). 2. A autoridade competente para apreciação da pretendida compensação elaborou o Despacho Decisório de fls. 96, em que assim se pronunciou: O presente processo foi aberto para análise de DComps apresentadas pelo contribuinte a fim de compensar valores pagos indevidamente ou a maior. Observase que o crédito se refere a valores pagos pela anistia prevista pela MP 38/2002. Estes valores não são passíveis de devolução em função de que o pagamento constitui confissão irretratável de divida. Verificase, ainda que o contribuinte efetuou cálculo desde o anobase de 1998. O pagamento, no entanto, ocorreu em 30/08/2002. Diante do exposto, não reconheço o direito creditório do contribuinte, uma vez os valores não serem passíveis de restituição, assim como, mesmo que o fossem, deveriam ter sido corrigidos desde o pagamento e não quando do fato gerador. 3. A contribuinte foi cientificada a respeito do teor do despacho supra citado em 02/10/2006, conforme consignado no documento (A.R.) de fls. 84. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 101/104), protocolizada em 17/07/2008, a suplicante expõe que: ● Tendo em vista os benefícios fiscais concedidos pelo art. 11 da Medida Provisória nº 38/02, o Recorrente, no ano de 2002, optou por aderir a anistia tendo desistido definitivamente da ação judicial na qual discutia a tese da CSNão Empregador (Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0257007 Doc. 05) e efetuado o recolhimento em 31.07.02 da primeira parcela da Contribuição Social controversa (Darfs docs. 06) e, em 30.08.02, das demais parcelas (Darf s docs. 07) relativas a essa discussão; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.001097/200386 Acórdão n.º 140200.687 S1C4T2 Fl. 194 3 ● no que tange ao recolhimento da Contribuição Social relativa ao ano calendário de 1998, ao invés de recolher a CSLL devida no final do período, ou seja, aquela apurada na Declaração de Ajuste (que seria do montante de R$ 1.721.061,51), recolheu indevidamente as antecipações de Contribuição Social apuradas nos meses de abril a novembro/98, totalizando o valor de R$ 2.143.337,89 ● Tal procedimento gerou, portanto, um pagamento a maior no valor de R$ 422.276,38 conforme se verifica no demonstrativo anexo (doc. 08), cuja restituição/compensação foi pleiteada nos autos do presente processo administrativo; ● No demonstrativo mencionado (doc. 08) e na ficha da declaração de ajuste da CS no anocalendário de 1998 (doc. 09), verificase que a CS apurada no final do período sobre o exigível suspenso foi de R$ 8.788.558,16, sendo que: a) R$ 4.882.532,32 se refere à CS Isonomia (ainda em discussão nos autos do Mandado de Segurança nº 98.00026134); b) R$ 2.184.964,33 relativo à discussão nos autos do Mandado de Segurança n° 94.00202830, já recolhido com os benefícios da MP 1.858/99 e; c) R$ 1.721.061,51 relativo à discussão da CSNão Empregador (Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0257007) que, conforme já informado, foi recolhida no montante de R$ 2.143.337,89, tendo havido, portanto, pagamento a maior no valor de R$ 422.276,38 (valor original); ● descabe a alegação levantada pelo julgador de que tal valor recolhido a maior não seria passível de devolução tendo em vista que, ainda que os pagamentos com anistia sejam considerados confissão irretratável de dívida, somente o serão aqueles pagamentos efetuados pelo valor correto do tributo apurado nos termos da lei e não os valores pagos em montante superior ao devido, como ocorreu no presente caso; ● Quanto à atualização do crédito, o Recorrente informa que não se opõe ao posicionamento adotado pelo julgador no sentido de que, no caso, caberia a atualização a partir da data do pagamento e não do fato gerador. Nesse caso, o valor do crédito, incluindo os juros recolhidos também a maior, e considerando a atualização a partir da data do recolhimento, seria no valor de R$ 770.341,50, conforme demonstra a planilha anexa (doc. 10); ● o Recorrente anexa à presente (doc. 11) cópia do despacho decisório proferido pela DEINF/SP, nos autos do PA n° 16327.004.486/0282 que, analisando caso semelhante ao presente, houve por bem reconhecer o direito creditório e homologar as compensações requeridas; ● requer a Recorrente a reforma da decisão recorrida, para que seja reconhecido o crédito relativo ao pagamento a maior ora demonstrado e, por conseqüência, homologadas as compensações a ele vinculadas.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 19.532 (fls. 141146) de 19/11/2008, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 CSLL. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. Incabível a homologação de compensação de débito declarado à Receita Federal, quando o direito creditório utilizado não é Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.001097/200386 Acórdão n.º 140200.687 S1C4T2 Fl. 195 4 reconhecido. O valor recolhido com base na anistia da MP 38/2002 é insuficiente inclusive para cobrir o débito discutido no processo judicial, não havendo que se falar em indébito tributário.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 17/12/2008 (A.R. de fl. 150), a interessada interpôs recurso voluntário em 14/01/2009 (fls. 151156) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. A discussão presente reside no fato de a autoridade administrativa ter concluído que os valores recolhidos não seriam passíveis de devolução, já que o pagamento na forma da anistia prevista na MP 38/2002 importaria em confissão irretratável de dívida. Transcrevese, de início, o dispositivo do qual se valeu a contribuinte para efetuar o pagamento com benefício fiscal, o artigo 11 da MP 38, de 14/05/2002: Art. 11. Poderão ser pagos ou parcelados, até o último dia útil do mês de julho de 2002, nas condições estabelecidas pelo art. 17 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e no art. 11 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, decorrentes de fatos geradores ocorridos até 30 de abril de 2002, relativamente a ações ajuizadas até esta data. § 1o Para os fins do disposto neste artigo, a dispensa de acréscimos legais alcança: I as multas, moratórias ou punitivas; II relativamente aos juros de mora, exclusivamente, o período até janeiro de 1999, sendo devido esse encargo a partir do mês: a) de fevereiro do referido ano, no caso de fatos geradores ocorridos até janeiro de 1999; b) seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos demais casos. § 2o Para efeito do disposto neste artigo, a pessoa jurídica deverá comprovar a desistência expressa e irrevogável de todas as ações judiciais que tenham por objeto os tributos a serem pagos ou parcelados na forma do caput, e renunciar a qualquer alegação de direito sobre as quais se fundam as referidas ações. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.001097/200386 Acórdão n.º 140200.687 S1C4T2 Fl. 196 5 § 3o A opção pelo parcelamento referido no caput darseá pelo pagamento da primeira parcela, no mesmo prazo estabelecido para o pagamento integral. § 4o Aplicase o disposto neste artigo às contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, observada a regulamentação editada por esse órgão. O artigo 17 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, por sua vez, estabelecia: Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(vide Medida Provisória nº 215835, de 24.8.2001) § 1o O disposto neste artigo estendese: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I aos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III aos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 2o O pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I – (...) § 3o O pagamento referido neste artigo: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I importa em confissão irretratável da dívida; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II constitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.001097/200386 Acórdão n.º 140200.687 S1C4T2 Fl. 197 6 III poderá ser parcelado em até seis parcelas iguais, mensais e sucessivas, vencendose a primeira no mesmo prazo estabelecido no caput para o pagamento integral e as demais no último dia útil dos meses subseqüentes; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, poderá ser efetuado em quota única, até o último dia útil do mês de julho de 1999. (...) § 4o As prestações do parcelamento referido no inciso III do § 3o serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês de vencimento da primeira parcela até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 5o Na hipótese do inciso IV do § 3o, os juros a que se refere o § 4o serão calculados a partir do mês de fevereiro de 1999. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 6o O pagamento nas condições deste artigo poderá ser parcial, referente apenas a determinado objeto da ação judicial, quando esta envolver mais de um objeto. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 7o No caso de pagamento parcial, o disposto nos incisos I e II do § 3o alcança exclusivamente os valores pagos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Aplicase o disposto neste artigo às contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Como se vê, o parágrafo 6º, introduzido pela MP nº 1.8586, de 29/06/1999, admite o aproveitamento do benefício sem o pagamento da totalidade da respectiva ação judicial nos casos em que uma mesma ação tenha objetos distintos, nitidamente separáveis, de forma que se possa desistir parcialmente da ação judicial e, ainda, que o montante do crédito tributário concernente à parte que se desistiu possa ser precisamente determinado, como orienta o Ato Declaratório nº 69, de 28/07/1999: Dispõe sobre o pagamento de impostos e contribuições demandadas judicialmente, nas hipóteses e condições previstas no art. 17 da Lei nº 9.779, de 1999 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, declara que o disposto no § 6º do art. 17 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, com a alteração dada pelo art.10 da Medida Provisória n° 1.99114, de 13 de janeiro de 2000, aplicase às hipóteses em que a desistência parcial da ação seja possível por envolver objeto que permita, por razões fáticas ou jurídicas, distinguir parte do crédito tributário discutido. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.001097/200386 Acórdão n.º 140200.687 S1C4T2 Fl. 198 7 Embora não haja nos autos cópia da inicial do MS nº 1999.61.00.0257007, mas apenas cópia do requerimento de homologação da desistência (fl. 122), pelo objeto da ação, mencionado na peça de defesa (CSLL – não empregador) é possível inferir que o objeto da ação judicial é único: a interessada requer provimento judicial para não recolher a CSLL porquanto não é empregadora. Ora, o caso em comento não se enquadra na situação descrita no parágrafo 6º, pois o pedido para não recolher a CSLL, por não ser a contribuinte empregadora, abrange a totalidade da CSLL devida no anocalendário. Como o recolhimento com base na MP nº 38/2002 foi insuficiente para cobrir o crédito tributário discutido no MS nº1999.61.00.0257007 (a totalidade da CSLL devida/“a pagar” R$ 7.506.174,89 – fl. 71), está claro que não há indébito tributário no(s) recolhimento(s) em questão. Correta, portanto, a conclusão do Despacho Decisório e da decisão da DRJ que entenderam se tratar de confissão irretratável da dívida (da totalidade da contribuição devida). Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 5 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13135.000071/97-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1992
Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. DECADÊNCIA.
Conforme precedentes da Camara Superior de Recursos Fiscais, o PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre apenas após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicando-se esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.155
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1992 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. DECADÊNCIA. Conforme precedentes da Camara Superior de Recursos Fiscais, o PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre apenas após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicando-se esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13135.000071/97-34
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4856596
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 13 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-001.155
nome_arquivo_s : 9101001155_131350000719734_05_2011.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Antonio Carlos Guidoni Filho
nome_arquivo_pdf_s : 131350000719734_4856596.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
id : 4746919
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233343991808
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-19T14:48:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-19T14:48:39Z; Last-Modified: 2011-09-19T14:48:39Z; dcterms:modified: 2011-09-19T14:48:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a9040b59-978a-4fd9-90cc-cc57f89ff0e0; Last-Save-Date: 2011-09-19T14:48:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-19T14:48:39Z; meta:save-date: 2011-09-19T14:48:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-19T14:48:39Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-19T14:48:39Z; created: 2011-09-19T14:48:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2011-09-19T14:48:39Z; pdf:charsPerPage: 1512; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-19T14:48:39Z | Conteúdo => r L 12 Otacilio D Antonio Ca Editado em: Presidente. i Filho - Relator. 2.01 1 CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13135.000071/97-34 Recurso n° 141.955 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.155 — la Turma Sessão de 03 de agosto de 2011 Matéria PERC Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ENGEDIS - DISTRIBUIÇÃO E SERVIÇOS LTDA. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1992 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. DECADÊNCIA. Conforme precedentes da Camara Superior de Recursos Fiscais, o PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre apenas após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicando-se esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente, momentaneamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Com base em permissivo do Regimento Interno dos extintos Conselhos de Contribuintes, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta 7a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: "IRPJ - RESTITUIÇÃO - APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS - FINOR - PERC - TEMPESTIVIDADE - lnexistindo prazo específico para se pleitear a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais zerado pela SRF e considerando que o prazo previsto no § 50 do art. 1° do Decreto-lei n° 1.752/79 versa sobre regra especial, o recurso a analogia deve tomar por base regra que, pela sua generalidade, permite a adequada solução ao caso.Recurso a que se dá provimento (Recurso Voluntário n° 138022). Precedentes." 0 caso foi assim relatado pela Câmara recorrida, verbis: "Em 15.09.97, a Recorrente ingressou com Pedido de Liberação de Quotas relativas a opção que realizou pelo incentivo fiscal FINOR, no exercício de 1994 (PERC). Explicou que efetuou referida opção na Declaração de Imposto de Renda 92/91 e que até 08.09.97, não havia recebido tais quotas, tendo recebido informação do Banco do Nordeste que as mesmas não haviam sido liberadas pela Receita Federal. 0 pedido não foi conhecido em razão de preliminar de decadência, pois a SAORT entendeu que o mesmo foi realizado fora do prazo legal, a teor do §50 do art. 1° do Decreto-Lei n° 1.752/79, que assim estabelece: Art. 1° - 0 artigo 15 do Decreto-lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 15. A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada exercício, aos Fundos referidos neste Decreto-lei e 6 EMBRAER, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos e ações novas da EMBRAER, em favor das pessoas jurídicas optantes. () 50 Reverterão para os Fundos de Investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção. "(grifo nosso)" Isto porque "...os valores das ordens de emissão deverão ser contestados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção" (fls. 57). 2 Processo n° 13135.000071/97-34 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.155 Fl. 2 A Recorrente apresentou Manifesta cão de Inconformidade, onde alegou que: (a) Nunca recebeu as quotas correspondentes a op cão exercida • referente ao incentivo fiscal-FINOR; (b)A decisão impugnada é descabida e ilegal. t que, após a opção, deveria ter sido emitido Extrato das aplicações em Incentivos Fiscais, certificado representativo do investimento, todavia isto jamais ocorreu e a Recorrente sequer foi intimada de eventual óbice a emissão de suas quotas no FINOR. (c) 0 entendimento da r. decisão impugnada contraria a jurisprudência do próprio Conselho de Contribuintes. (d) Ademais, mesmo que se pudesse pensar na aplicação do prazo estabelecido pelo Decreto-lei n° 1.376/74, o seu termo inicial deveria ser o momento em que Recorrente viesse a ser informada da falta de emissão do "Extrato de Aplicação em Incentivos Fiscais". (e) Neste contexto, a Recorrente apenas foi informada da recusa na emissão das quotas em 08/09/1997, informação esta proveniente, aliás, não da Secretaria da Receita Federal, mas do Banco do Nordeste S.A., sendo que apresentou, enteio, o PERC em 21/09/1997 (dentro dos trinta dias possíveis). Diante do que expôs, requereu o provimento da Manifestação de Inconformidade, no intuito de que o processo fosse enviado a Delegacia da Receita Federal em Anápolis-GO, para apreciação do mérito do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. A i. DRJ, por sua vez, denegou o pedido da Recorrente, com a seguinte argumentação: Exercício: 1992 Ementa: Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC - Intempestividade. A falta de emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal, deve ser contestada pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder et op cão. Solicitação Indeferida Het que se estabelecer um paralelo entre a situação da pessoa jurídica que é detentora do certificado jet emitido em seu nome, que deixa de procurá-lo, e a situação daquela outra que, por qualquer razão, não procura saber do resultado de sua opção feita por ocasião da entrega da 3 declaração, nem contesta a falta do extrato respectivo (cuja emissão está prevista no art. 30 acima citado) ou a irregularidade na sua emissão. Esse paralelo se torna possível na medida em que, em ambas as situações, visa-se a obtenção do incentivo fiscal, que se inicia com a opção na DIRPJ e se consolida com a emissão do respectivo certificado. Assim havendo um prazo para a procura, pela pessoa jurídica, do titulo em questão, esse prazo deve ser respeitado por todos aqueles optantes do incentivo, sob pena de se diferenciar o tratamento para aqueles em situações semelhantes. Trata-se de aplicação por analogia, com fundamento no art. 108 do Código Tributário Nacional, do prazo previsto no § 50 já transcrito, para reclamação através de apresentação do PERC do recebimento de extrato sem as opções efetuadas ou efetuadas com divergência entre os valores declarados e aqueles constantes do respectivo extrato,_ ou, até mesmo, do seu não recebimento ou da sua não emissão. (---) A interessada não recebeu da Secretaria da Receita Federal o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, protocolando o PERC em 21/09/1997. No entanto, o prazo limite, de acordo com o sS. 5° do art. 1 0 do Decreto-lei n° 1.752/1979, terminara em 30/09/1996. Ocorreu, portanto, a perda do direito da interessada para contestar a falta de emissão do extrato. (--) A titulo de ilustração, transcreve-se abaixo ementa do Acórdão n° 105-13.724, sessão de 20/02/2002, da 5 Câmara do 1° Conselho de Contribuintes: IRPJ - APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS - 0 erro na emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, ou mesmo a falta da emissão do mesmo, deve ser contestada pela pessoa jurídica optante até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção. Portanto, a optante, cuidadosa e ciente de seus direitos e obrigações, deveria ter procurado a instituição financeira que administra o FINOR, dentro do prazo estabelecido na legislação, para requisitar seus títulos e não os tendo disponibilizados, deveria informar-se, formalmente, na SRF sobre o motivo da não constituição da ordem de emissão do certificado de investimento, e em sendo o caso, apresentar o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais. Os prazos previstos para a extinção de um direito decorrem da necessidade de se salvaguardar a segurança jurídica. Dessa forma, a interessada deveria ingressar 4 Processo n° 13135.000071/97-34 Acórdão n.° 9101-001.155 com o PERC, anexando os documentos necessários, respeitando o prazo legal. In casu, a empresa somente ingressou com o PERC em 21/09/1997, ou seja, após o prazo limite, previsto no § 5° do art. 1° do Decreto-lei n° 1.752/1979. No tocante iz tese sustentada pela contribuinte, segundo a qual o prazo para que pudesse solicitar a revisão do incentivo em tela, deveria obedecer aquele previsto no art. 168 do C7'N, não prospera esse entendimento; pois esse dispositivo trata do decurso do prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou maior que o devido. Em assim sendo, ele não é aplicável a espécie, na medida em que, como já enfatizado, a matéria é disciplinada por legislação específica, que estabelece prazo menor para que se ultimem todas as providencias voltadas para a consolidação da opção feita pelas pessoas jurídicas relacionadas com o incentivo em questão. A respeito da jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no art. 472, do Código de Processo Civil, o qual determina que a sentença faz coisa julgada as partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros . Logo, não sendo parte nos litígios objetos-de decisões judiciais, a interessada não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que esses efeitos são inter partis e não erga omnes. Em obediência ao disposto no art. 28 do Decreto 70.235, de 1972 e alterações, neste Acórdão não será julgada questão de mérito por incompatível com a preliminar de intempestividade. Diante do exposto, considerando o disposto no art. 204 do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria ME n° 259, de 24/08/2001 c/c a Portaria SRF n° 1042, de 31/08/2001, voto pelo indeferimento a manifestação de inconformidade da contribuinte, mantendo na integra a decisão proferida no Despacho Decisório, questionado (fls. 95-97). Em seu Recurso Voluntário, a contribuinte volta a defender a sua tese da tempestividade de seu pedido. É o Relatório." CSRF-T1 Fl. 3 0 acórdão impugnado deu provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte tão somente para afastar o decreto de intempestividade do PERC, sob o fundamento de que "considerando que o que o contribuinte aqui busca é o reconhecimento ao direito aos incentivos fiscais derivado da opção que fez em sua declaração de rendas, entendo que, pelo recurso 6 analogia, a regra mais consentânea para a solução do litígio é a inserta no art. 168 do GIN, que diz respeito ao prazo decadencial para restituição de tributos, dado que a concessão de aludidos incentivos, indiretamente, nada mais representa do que uma espécie de restituição". E conclui: "no caso concreto, a Recorrente fez sua opção pela aplicação em 5 incentivos fiscais no exercício de 1992 e o Pedido de Revisão foi realizado em 1997, sendo que não se teve sequer emissão de extratos por parte da Fazenda Pública. Com a orientação e a argumentação supracitadas, tem-'se que o pedido de revisão não é intempestivo". Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional, contrariedade entre o acórdão recorrido e o Acórdão n. 105-14.196, o qual assenta o entendimento de que "a contagem do prazo para que o contribuinte procure pelos certificados e títulos correspondentes 6 opção exercida inicia-se com a entrega de sua declaração e termina no prazo estipulado na lei, 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção (Decreto-lei n°. 1.376/74, art. 11 e art. 15, sç 5'; Decreto-lei n'. 1.752/79, art. 1 °)". 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho DDF107141955 35 (fls. 140/141)), em vista da alegada caracterização de dissenso jurisprudencial. Foram apresentadas contra-razões. É o relatório. 6 Processo n° 13135.000071/97-34 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.155 Fl. 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Cinge-se a controvérsia sobre a tempestividade de PERC formulado pela Contribuinte em 21.09.1997 (relativo h. opção realizada em DIPJ do exercício 1992) formulado pela Recorrente em data posterior a 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção (art. 15, § 5°, do Decreto-lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, com a redação dada pelo art.1° do Decreto-lei n° 1.752, de 31 de dezembro de 1979). Segundo informação constante dos autos, a Contribuinte não recebeu da Secretaria da Receita Federal o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, tendo sido informada da recusa na emissão das quotas pelo Banco do Nordeste apenas em 08.09.1997. Em julgamentos sobre a matéria, orientei meus votos no sentido de que na ausência de norma expressa que fixe o termo final para solicitar a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais, deverá ser reconhecida a tempestividade do pedido formulado dentro do prazo qüinqüenal de decadência do direito A. restituição ou compensação de indébitos, em respeito ao equilíbrio entre o prazo do direito do Fisco para lançar e aquele dado ao sujeito passivo para pleitear tais direitos, ressalvando-se A. Administração Tributária a possibilidade de conferir a liquidez e certeza do respectivo valor. A aplicação da analogia, nessa hipótese, apenas poderá tomar por base norma que permita a adequada solução ao litígio, no caso o art. 168, I do CTN, que trata a respeito do prazo decadencial para ressarcimento de tributos. Contudo, este Colegiado assentou entendimento no sentido de que o PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicando-se esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. Veja-se, nesse sentido, trecho do voto da lavra do Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima no Ac CSRF/01-05.574, verbis: "Ressalte-se, por oportuno, que a opção pela aplicação em incentivos fiscais é formalizada na declaração de rendimentos e s6 se transforma em investimentos a partir do momento da concordância da SRF da opção formalizada. Enquanto a homologação expressa da Receita Federal não ocorrer, os valores informados na declaração de rendimentos do contribuinte para serem aplicados em incentivos fiscais continuam sendo receitas públicas da Unido. Na verdade, se a pessoa jurídica tem sua apuração com base no Lucro Real, pode optar investimento no Fundo de Investimentos da Amazônia - FINAM, destinando parcela de seu imposto de renda, cuja rentabilidade e valorização serão retorno dos 7 investimentos. 0 investimento no FINAM proporciona a implantação de projetos aprovados pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM Por isso, muitos classificam o incentivo de investimento no FINAM dentro do gênero restituição, numa espécie próxima ao ressarcimento de tributos, pois o imposto que seria pago retoma, por força da norma incentivadora, ao patrimônio do contribuinte na forma de um ativo. Com efeito, o procedimento administrativo previsto para gozo do mencionado incentivo inicia-se com a opção pela aplicação em incentivos fiscais na declaração de rendimentos. 0 passo seguinte é a homologação expressa da Receita Federal que emite os Extratos das Aplicações em Incentivos Fiscais e envia aos Fundos de Investimento, conforme estabelecido no artigo 10 do Decreto-lei n° 1.752/79. Art I° - 0 artigo 15 do Decreto-lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15 -_A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada exercício, aos Fundos referidos neste Decreto-lei e a EMBRAER, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos e ações novas da EMBRAER, em favor das pessoas jurídicas optantes. A emissão do extrato representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal e que tem por objetivo informá-lo a respeito da confirmação ou alteração dos dados relativos a opção pelos incentivos fiscais e, nesta hipótese (alteração), a sua respectiva motivação. Os Extratos ficam em poder do Fundo de Investimento, como se depreende da regra decadencial prevista no parágrafo 5° do artigo 1° do Decreto-lei n° 1.752/79, a saber: "§ 5° Reverterão para os Fundos de Investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro que corresponder a opção." 0 Extrato propicia ao contribuinte as condições para exercício do seu direito de defesa e conseqüente manifestação da sua inconformidade ao órgão local da Secretaria da Receita Federal quanto aos itens eventualmente alterados em conseqüência da revisão realizada. 0 instrumento adequado para a manifestação é o PERC, em que o interessado recorre do indeferimento a sua opção formalizada. Para definição do prazo de interposição do PERC, a autoridade de primeiro grau entende aplicável a espécie a regra decadencial do parágrafo 50 acima transcrito. Vê, contudo, que a hipótese fcitica específica dos autos não se subsume a previsão normativa, pois esse diploma legal trata dos casos em que as 8 Processo n° 13135.000071/97-34 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.155 Fl. 5 ordens de emissão de certificados foram homologadas e não resgatadas pelos beneficiados no FINJAM até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro que corresponder a opção. No caso presente, não houve o reconhecimento do direito, por parte da SRF, pela opção em incentivos fiscais formalizada pela contribuinte. Foram, inclusive, emitidos Extratos das Aplicações com divergência de valor. Ressalte-se que, alterando minha posição esposada no julgado que serviu de paradigma para o recurso especial, não vislumbro também a possibilidade de se empregar o prazo do art. 168 do CTN para a apresentação do PERC. Mesmo que se pretendesse equiparar o procedimento administrativo de aplicação do imposto de renda em investimentos do FINAM ao procedimento de restituição/ressarcimento de tributo, seria o ato de opção da contribuinte pela aplicação no FINAM efetuada na DIPJ aquele ato que se equipararia ao pedido de ressarcimento do tributo. A apresentação do PERC, por outro lado, tem natureza processual e equipara-se a manifestação de inconformidade contra o ato de indeferimento da Administração. O PERC investe contra a alteração da opção pela aplicação prevista no incentivo, contida no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais. Assim, entendo inaplicável a regra geral de restituição de tributos previsto do artigo 168 do Código Tributário Nacional para interposição do PERC. Acompanho a decisão recorrida, no entendimento de que o prazo aplicável é de 30 dias como previsto na regra processual - o art. 15 do Decreto n° 70.235/72." Nesses termos, pois, o Contribuinte não possui o prazo de 5 (cinco) anos contados da opção pelo beneficio para formulação de PERC (por analogia ao art. 168, I do CTN), mas sim o prazo o prazo de 30 (trinta) dias contados do recebimento do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais a ser enviado pela Secretaria da Receita Federal. No caso, conforme salientado linhas acima, a Contribuinte não recebeu da Secretaria da Receita Federal o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, mas foi informada da recusa na emissão das quotas pelo Banco do Nordeste em 08.09.1997. Contra tal recusa foi apresentado PERC em 21.09.1997, dentro, portanto, do trintidio legal a que se refere o art. 15 do Decreto n. 70.235/1972 e a jurisprudência assente por este Colegiado. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para negar-lhe prey - 1 i 4 Antonio Carlos e e ho - Relator 9
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002713/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A
QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional
(CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial
é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN.
CONTRIBUIÇÃO AO SEST/SENAT. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
Por força do art. 7º, inciso II da Lei 8.706/1993, os transportadores
autônomos devem contribuir com 2,5% do salário de contribuição para o
SEST/SENAT, ao passo que a retenção e o recolhimento de tais valores
foram atribuídos às pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços, conforme
o art. 2º, §3º, alínea “a” do Decreto 1.007/1993.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-002.376
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator; b) acatados os embargos, em rerratificar o acórdão para excluir do lançamento, devido à regra decadencial aplicada, as contribuições apuradas até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001. nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. CONTRIBUIÇÃO AO SEST/SENAT. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Por força do art. 7º, inciso II da Lei 8.706/1993, os transportadores autônomos devem contribuir com 2,5% do salário de contribuição para o SEST/SENAT, ao passo que a retenção e o recolhimento de tais valores foram atribuídos às pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços, conforme o art. 2º, §3º, alínea “a” do Decreto 1.007/1993. Embargos Acolhidos
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13603.002713/2007-45
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4805693
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-002.376
nome_arquivo_s : 230102376_13603002713200745_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Mauro Jose Silva
nome_arquivo_pdf_s : 13603002713200745_4805693.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator; b) acatados os embargos, em rerratificar o acórdão para excluir do lançamento, devido à regra decadencial aplicada, as contribuições apuradas até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001. nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4745375
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233353428992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 366 1 365 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.002713/200745 Recurso nº 248.359 Embargos Acórdão nº 230102.376 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro de 2011 Matéria NFLD. Decadência e Contribuintes individuais. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ISOBRASIL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. CONTRIBUIÇÃO AO SEST/SENAT. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Por força do art. 7º, inciso II da Lei 8.706/1993, os transportadores autônomos devem contribuir com 2,5% do salário de contribuição para o SEST/SENAT, ao passo que a retenção e o recolhimento de tais valores foram atribuídos às pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços, conforme o art. 2º, §3º, alínea “a” do Decreto 1.007/1993. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator; b) acatados os embargos, em rerratificar o acórdão para excluir do lançamento, devido à regra decadencial aplicada, as contribuições apuradas até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001. nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13603.002713/200745 Acórdão n.º 230102.376 S2C3T1 Fl. 367 3 Relatório Tratase de embargos de declaração contra acórdão, amparado na existência de contradição na decisão. O Regimento Interno deste Órgão Colegiado prevê, em seu art. 65 e seguintes, o manejo de embargos declaratórios contra seus julgados que restarem omissos, obscuros ou contraditórios em algum de seus termos, sendo estes os requisitos indeclináveis para o acatamento dos declaratórios. Analisando as alegações da embargante e contrastandoa com o Acórdão guerreado concluímos que há razão na peça recursal, pois existiu contradição na apuração dos períodos decaídos. Dessa forma, necessária a correção. Por oportuno, observamos que houve omissão no Acórdão anterior quanto a contribuição ao SEST/SENAT e contribuintes individuais, o que também será corrigido. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13603.002713/200745 Acórdão n.º 230102.376 S2C3T1 Fl. 368 5 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). Fl. 380DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13603.002713/200745 Acórdão n.º 230102.376 S2C3T1 Fl. 369 7 “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao Fl. 382DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13603.002713/200745 Acórdão n.º 230102.376 S2C3T1 Fl. 370 9 período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.733SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.733/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No entanto, como a vinculação imposta aos Conselheiros pelo art. 62A do RICARF só abrange o teor do que foi decidido em Recursos Repetitivos, o julgado da Segunda Turma não tem tal status e não se refere à composição de toda a Primeira Seção como o Resp 973.733, concluímos que não podemos tomar o referido ED como interpretativo do Resp 973.733. Logo, não estamos desvinculados de acompanhar o conteúdo do Resp 973.733, notadamente o item 3 da ementa daquele Acórdão, o que resulta em mantermos nossa posição de considerar que mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, adotaremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: Fl. 384DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13603.002713/200745 Acórdão n.º 230102.376 S2C3T1 Fl. 371 11 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Não contam dos autos quaisquer pagamentos feitos pela recorrente em relação aos fatos geradores considerados pela fiscalização, logo é de ser aplicada a regra decadencial do art. 173, I do CTN. Assim, estão atingidos pela caducidade os fatos geradores até 31/12/2000, o que inclui tanto a competência 12 como a competência 13 do respectivo ano, em razão do conteúdo do Resp 973.933SC e do art. 62A do Regimento deste CARF. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 12 Contribuição ao SEST/SENAT. Contribuinte individual. A contribuição ao SEST/SENAT foi instituída pela Lei 8.706/93 como exações sucessoras das contribuições ao SESI/SENAI, conforme segue: Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária;... Como se vê, os transportadores autônomos devem contribuir com 2,5% do salário de contribuição para o SEST/SENAT, ao passo que a retenção e o recolhimento de tais valores foram atribuídos às pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços por força do art. 2º, §3º, alínea “a” do Decreto 1.007/1993. Assinalada a legalidade de tais contribuições, passemos aos fatos do caso em testilha. No caso dos autos, a recorrente argumentou sobre a não incidência de tais contribuições, pois os pagamentos foram fetos a “motoboys” e/ou, muitos deles, correspondiam a transportes dentro de um mesmo canteiro de obras. Com relação aos motoboys, apesar de compreendermos que estes, além de realizarem o transporte rápido de pequenos volumes, realizam também diversos outros serviços externos, não há nos autos quaisquer elementos que comprovem que os pagamentos anotados como “frete” na contabilidade correspondiam, de fato, ao pagamento por outros serviços externos realizados por “motoboys”. Caberia à recorrente fazer tal prova, em vista de ter a fiscalização tomado informações que a própria interessada inseriu em sua contabilidade ao identificar tais pagamentos como “frete”. Mantida a qualificação dos pagamentos como referentes a transporte realizado por autônomo, por falta de provas em sentido oposto, não há fundamento para excluílos do lançamento. Em relação ao local do transporte, assumimos as conclusões insertas na decisão a quo para afastar os argumentos da recorrente, conforme segue: “Sobre as contribuições para o SEST e o SENAT, conforme disposto na Lei 8.706/93 (art. 7°) e no Decreto 1.007/93 (art. 2°), citados pela defendente, está definido como sujeito passivo de tais contribuições o "transportador autônomo, não se verificando no texto legal o termo "transportador rodoviário". Fl. 386DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13603.002713/200745 Acórdão n.º 230102.376 S2C3T1 Fl. 372 13 Assim, infrutíferas as alegações sobre o local onde é realizado o frete.” Afastados os argumentos da recorrente, não vislumbramos fundamentos para críticas ao lançamento. Considerando a desistência do recurso para os fatos geradores posteriores a 12/2001, deixamos de apreciar os argumentos relativos à retenção da contribuição devida pelos contribuintes individuais que passou a ser feita a partir de 04/2003. Contribuinte individual aposentado que retornou à atividade Não merecem prosperar os argumentos da recorrente quanto à impossibilidade de as pessoas físicas em gozo de aposentadoria serem sujeitos passivos da contribuição previdenciária. O aposentado pelo RGPS, está sujeito às contribuições previdenciárias se exercer atividade remunerada, nos termos do §4° do art. 12 da Lei 8.212/91, in verbis: Art 12. (..) §4º O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime ë segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata esta Lei, para fins de custeio da Seguridade Social. Por fim, ressaltamos que, como resultado da diligência requerida pela DRP/Belo Horizonte, foram excluídos todos os pagamentos para os quais não havia a correta identificação do serviço prestado, o que afasta a discussão sobre a incerteza relativa à efetividade de ocorrência dos fatos geradores. Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos propostos, de modo a afastar do lançamento os fatos geradores até 12/2000, o que inclui as competências 12 e 13/2000 e afastar os demais argumentos da recorrente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 14 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009464/2002-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998
ISENÇÃO PROVENTOS DE APOSENTADORIA PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito de aposentadoria, já que ambas configuram inatividade.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.374
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em vnegar provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 ISENÇÃO PROVENTOS DE APOSENTADORIA PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito de aposentadoria, já que ambas configuram inatividade. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10980.009464/2002-19
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4846516
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.374
nome_arquivo_s : 920201374_10980009464200219_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Manoel Coelho Arruda Junior
nome_arquivo_pdf_s : 10980009464200219_4846516.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em vnegar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
id : 4746497
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233357623296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.009464/200219 Recurso nº 138.542 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.374 – 2ª Turma Sessão de 12 de abril de 2011 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NEWTON RODRIGUES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 ISENÇÃO PROVENTOS DE APOSENTADORIA PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito de aposentadoria, já que ambas configuram inatividade. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em vnegar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 2 EDITADO EM: 24/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional por seu procurador (a) [fls.102106], sobre a intenção de reformar o julgado não unânime da então Quarta Câmara do Primeiro Conselho [fls.84 – 97], que deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, reconhecendo o direito do mesmo a isenção por ser portador de moléstia grave: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF— Exercício: 1998 MOLÉSTIA GRAVE COMPROVAÇÃO –ISENÇÃO. REQUISITOS Para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, dois requisitos precisam estar presentes, simultaneamente: os rendimentos devem estar relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão, e a existência da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial do qual conste, de forma inequívoca, a existência de moléstia grave prevista no inc. XXVII do art. 40, do RIR194. IRPF RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE MILITAR TRANSFERIDO PARA RESERVA REMUNERADA Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de — aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de 11. moléstia grave, do isentos do imposto de renda. Para esse efeito, a transferência do militar para a reservaremunerada se enquadra no conceito de aposentadoria, já que ambas configuram inatividade. Recurso parcialmente provido. Alega a Fazenda Nacional que ao julgar o recurso do contribuinte, a relatora, afrontou o artigo 6° da Lei n° 7.713/88, a procuradoria, relata que tal dispositivo concede o benefício da isenção apenas para proventos de reforma e não de reserva. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...]XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10980.009464/200219 Acórdão n.º 920201.374 CSRFT2 Fl. 2 3 esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Sendo assim, requer a Procuradoria da Fazenda Nacional, afim de que seja mantida a decisão de primeira instância [fls.76 – 79], que julgou pela impossibilidade de restituição de valores pleiteados pelo contribuinte, que seja dado provimento ao seu recurso, por tudo exposto e por encontrarse de acordo com o que estabelece o artigo 7 inciso II, do atual Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF N.° 147/2007, Não obstante ter sido intimado a se manifestar, o Contribuinte mantevese silente. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Sendo tempestiva a interposição e demonstrada a divergência, conheço do Recurso Especial interposto. Perpassado o exame da admissibilidade, inicio a análise do mérito. Cingese a contrariedade aqui manifestada tãosomente ao reconhecimento pela Câmara a quo de que os valores percebidos por militar da reserva, portador de moléstia grave, são isentos de IR. Apesar dos substanciosos argumentos colacionados pela PGFN, entendo que o acórdão recorrido não merece qualquer reparo, no máximo, acréscimo de argumentação. A Lei n° 8.541, de 1992, alterou a redação do inciso XIV, do artigo 6°., da Lei n° 7.713, de 1988 e acrescentou o inciso XXI ao artigo mencionado que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 6". Ficam isentos do Imposto sobre a Renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas fisicas: XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 4 grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte defonnante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (grifamos) XVI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão." Da interpretação conjunta dos dispositivos anteriormente transcritos, conclui se que a isenção de que trata a Lei n° 7.713, de 1988, abrange os proventos de: (I) aposentadoria motivada por acidente de trabalho; (II) aposentadoria motivada por moléstia profissional e (III) os proventos recebidos pelos portadores de tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parlcinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida. Ao usar as expressões "mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão", existentes na parte final do inciso XIV e no inciso XXI do artigo 6° da Lei n° 7.713/88, o legislador conferiu isenção às pessoas aposentadas que após a aposentadoria se tornaram vítimas de uma das moléstias anteriormente relacionadas. A inclusão do inciso XXI, ao artigo 6° da n° 7.713, de 1988, estabelecendo que a isenção era extensiva aos casos em que a doença tivesse sido contraída após a concessão da pensão teve por finalidade evitar tratamento desigual a pessoas em situações idênticas. Afrontaria a lógica jurídica e a ciência do razoável conceder isenção a quem se aposentou em virtude de moléstia grave e não assegurar idêntico benefício a quem já estivesse aposentado quando contraiu a moléstia. Novamente surge a questão muito bem suscitada pela Conselheira Relatora do Acórdão recorrido: Todavia, a partir do momento em que vem à tona a condição de reservista do recorrente, surge outro ponto de discussão: considerando que a letra da lei que trata da isenção do IRPF referese, exclusivamente, a proventos de "reforma", os proventos oriundos da "reserva" estariam ou não enquadrados em tal beneficio fiscal? Vale dizer, quais das situações se equiparam à aposentadoria: a reserva ou a reforma? Ou ambas.? Para por termo à discussão, valhome das razões de decidir desenvolvidas, com precisão, pelo Conselheiro Nelson Mallmann, as quais considero parte integrante desse voto: Conforme a legislação mencionada, estão isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave, com base em conclusão da medicina especializada. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10980.009464/200219 Acórdão n.º 920201.374 CSRFT2 Fl. 3 5 A isenção por moléstia grave, concedida aos rendimentos de aposentadoria ou reforma, limitase aos casos de acidente em serviço e das doenças previstas em lei, com base em conclusão da medicina especializada. Para fazer jus à norma isencional, cabe ao requerente o ônus da prova de que sua situação está prevista na legislação tributária que trata do assunto. Entendo, ainda, que na análise dos pedidos de isenção ou restituição do imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos por portador de moléstia grave, devem ser analisados todos os elementos de convicção constantes dos autos, tais como, informações, atestados e exames laboratoriais que comprovem o termo inicial da doença. Visto isto, indiscutivelmente, o requerente era portador, a época referida, de moléstia grave (neoplasia maligna), prevista na legislação de regência para a concessão de isenção de imposto de renda. Entretanto, neste processo, a discussão vai além do fato de ser o requerente portador de moléstia grave, já que abrange militar que estava na situação de "transferido para reserva remunerada", que não deixa de ser, em última análise, um sinônimo de "aposentado", pois o militar nesta situação não se encontra mais no serviço ativo e somente em situações especiais é poderá ser feito à reversão de reserva remunerada para serviço ativo, conforme legislação abaixo mencionada. Diz o Decretolei Estadual n°. 260, de 29 de maio de 1970, entre outros, o seguinte: "Art. 26 Os Oficiais da reserva remunerada poderão ser revertidos ao serviço ativo, por ato do Governador: I em caso de guerra, de comoção intestina e de calamidade pública; II por convocação da Justiça Militar; III para instauração de inquéritos policiais militares; IV para integrar comissões especiais ou exercer funções técnicas e especializadas, por tempo não superior a 12 (doze) meses e que não possam ser desempenhadas por Oficiais da ativa, por impedimento legal ou estatutário. § 1° Os Oficiais convocados terão os direitos e deveres dos da ativa em igual situação hierárquica, e contarão como acréscimo esse tempo de serviço. § 2° A convocação será precedida de inspeção médica. (.). Art. 29 A reforma "exofficio" será aplicada: I ao Oficial: (...). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 6 d) convocado na forma do artigo 26 e julgado inapto em inspeção de saúde (...)III ao policial militar: a) julgado inválido ou fisicamente incapaz, em caráter permanente, para o serviço ativo." Para fins de argumentação e traçar uma analogia entre militar na situação de reserva remunerada e os aposentados de forma genérica, e por tratar de situações idênticas, transcrevese alguns trechos da Lei n°. 6.880, de 9 de dezembro de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos Militares: "Art. 3° Os membros das Forças Armadas, em razão de sua destinação constitucional, formam uma categoria especial de servidores da Pátria e são denominados militares. § 1° Os militares encontramse em uma das seguintes situações: a) na ativa: (...) b) na inatividade: I os da reserva remunerada, quando pertençam à reserva das Forças Armadas e percebam remuneração da União, porém sujeitos, ainda, à prestação de serviço na ativa, mediante convocação ou mobilização; II os reformados, quando, tendo passado por uma das situações anteriores estejam dispensados, definitivamente, da prestação de serviço na ativa, mas continuem a perceber remuneração da União. III os da reserva remunerada, e excepcionalmente, os reformados, executando tarefa por tempo certo, segundo regulamentação para cada Força Armada. (...) Art. 4° São considerados reserva das Forças Armadas: I individualmente: a)os militares da reserva remunerada; e b) os demais cidadãos em condições de convocação ou de mobilização para a ativa; II no seu conjunto: a)as Policias Militares; e b)os Corpos de Bombeiros Militares. Art. 50 A carreira militar é caracterizada por atividade continuada e inteiramente devotada às finalidades precipuas das Forças Armadas, denominada atividade militar. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10980.009464/200219 Acórdão n.º 920201.374 CSRFT2 Fl. 4 7 Art. 96 A passagem do militar à situação de inatividade, mediante transferência para a reserva remunerada, se efetua: I a pedido; e II exofficio. Parágrafo único. A transferência do militar para a reserva remunerada pode ser suspensa na vigência do estado de guerra, estado de sitio, estado de emergência ou em caso de mobilização. Art. 97 A transferência para a reserva remunerada, a pedido, será concedida, mediante requerimento, ao militar que contar, no mínimo 30 (trinta) anos de serviço. (...) Art. 98 A transferência para a reserva remunerada, ex officio, verificarseá sempre que o militar incidir em um dos seguintes casos: I atingir as seguintes idadeslimite: II completar o oficialgeneral 4 (...) III completar os seguintes tempos de serviço como oficialgeneral: IV ultrapassar o oficial 9 (cinco) anos de permanência no último posto da hierarquia de paz de seu Corpo, Quadro, (...) (—). Art. 104 A passagem do militar à situação de inatividade, mediante reforma, se efetua: I a pedido; e II exofficio. Art. 105 A reforma a pedido exclusivamente aplicada ao membros do Magistério Militar, se o dispuser a legislação especifica da respectiva Força, somente poderá ser concedida àquele que contar mais de 30 (trinta) anos de serviço, dos quais 10 (dez), do mínimo, de tempo de Magistério Militar. Art. 106 A reforma, ex officio, será aplicada ao militar que: I atingir as seguintes idadeslimite de permanência na reserva: a)para OficialGeneral, 68 (sessenta e oito) anos; b)para oficial Superior, inclusive membros do Magistério Militar, 64 (sessenta e quatro) anos; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 8 c) para CapitãoTenente e oficial subalterno, 60 (sessenta anos; e d)para Praças, 56 (cinqüenta e seis) anos. II for julgado incapaz, definitivamente, para o serviço ativo das Forças Armadas (...) Art. 108 A incapacidade definitiva pode sobrevir em conseqüência de: I ferimento recebido em campanha ou na manutenção da ordem pública; V tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira, lepra, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, mal de Parkinson, pênfigo, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave e outras moléstias que a lei indicar com base nas conclusões da medicina especializadas." Pela leitura dos dispositivos legais mencionados e da análise dos documentos contidos no processo, especialmente os de fls. 02/04, firmo entendimento de que o recorrente tem razão, já que comprovou que preenchia os requisitos necessários à isenção do imposto de renda sobre os proventos percebidos, oriundos de sua transferência para a inatividade. Ora, qualquer interpretação que leve em conta tão somente à letra da lei, mas não o seu contexto, a finalidade da norma a se aplicar, está fadada a cometer equívocos. Com efeito, a um caso concreto aplicase o ordenamento jurídico vigente inteiro, com os seus freios e contrapesos, de acordo com a razoabilidade que o caso concreto pede. Há de se buscar, no caso em tela, a finalidade da norma isentiva. Parecenos objetivar a proteção ou ressalva dos proventos daquele que se encontra inativo, seja militar ou civil, desde que portador de moléstia grave especificada em lei. Esses dois requisitos são suficientes, sem necessidade de entrarmos numa discussão de termos técnicos, como, por exemplo, o da distinção entre reforma e reserva remunerada. Aquela decisão, interpretando e aplicando tãosomente a literalidade da lei, houve por bem não acolher o pleito do contribuinte, não reconhecendo a isenção a que se refere o artigo 6°, inciso XIV da Lei n°. 7.713, de 1988, para o período em que o recorrente se encontrava na reserva remunerada, manifestandose que apenas faz jus àquele que passou para a inatividade mediante reforma. Não obstante, entendo que o portador de moléstia grave faz jus à isenção por enquadrarse na condição de aposentado. Buscando a finalidade que norteia a norma isentiva, que inegavelmente visa proteger o portador de doença grave prevista em lei, constatase que a reserva remunerada nada mais é que a aposentadoria a que se refere o dispositivo isencional acima transcrito. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10980.009464/200219 Acórdão n.º 920201.374 CSRFT2 Fl. 5 9 Da citada legislação, podese verificar que, tanto a transferência para a Reserva Remunerada como a Reforma, podem ser efetuadas "a pedido" ou "exoficio", sendo certo que, a reforma exoficio, será aplicada ao militar que atingir determinadas idadeslimite de permanência na reserva ou ser portador de doença grave que o incapacite para exercer a atividade militar. Além disso, se por ventura for convocado, dentro das situações previstas em lei, para integrar novamente o serviço ativo, o militar na reserva, portador de doença incapacitante, não poderá participar do serviço ativo e será automaticamente reformado. Assim, é que o recorrente deveria ter sido reformado exoficio na data em que foi constatado ser portador de neoplasia maligna, já que não poderia ser convocado para exercer atividade na ativa. Entretanto, não foi feito à transposição de reserva remunerada para a situação de reformado, que para mim, para fins tributários, é irrelevante, já que o termo transferência para inatividade (reserva remunerada ou reforma) tem o mesmo significado que aposentado, caso contrário seria uma norma tributária restritiva, não dando direitos iguais para situações iguais, pois a norma isentiva é para os portadores de moléstia grave prevista na lei, cujos rendimentos são oriundos de aposentadoria. O militar na reserva remunerada não exerce mais atividade militar é um aposentado no sentido amplo, que s6 perdera esta condição se estiver em perfeitas condições de saúde e se for caso excepcional de convocação, em situações especiais previstos na lei, para reversão ao serviço ativo e para que esta condição excepcional se realize deverá, antes de qualquer coisa, passar por uma junta médica para que seja verificado a sua situação de saúde. (...) Ora, o suplicante na situação que se encontrava em 02 de outubro de 2000 (constatação de neoplasia maligna devidamente atestada), jamais voltaria a integrar o serviço ativo em circunstância alguma, pois seria considerado inapto para o serviço militar. Não tenho dúvidas, de que o termo reserva remunerada, refere se à aposentadoria de que trata o norma isencional, tendo recebido nominação própria em face das peculiaridades dos membros das Forças Armadas e Forças Auxiliares. Entendo, pois, que a simples negativa ao direito isencional em face da denominação de "reserva remunerada" não tira do contribuinte o direito à isenção em face de moléstia grave. Considerandose, ainda, que a tipificação primeira, naquele Estatuto, enquadra a reserva remunerada a titulo de inatividade. Da mesma forma, discordo daqueles que se filiam à tese de que quando a Lei n°. 7.713, de 1988, no seu artigo 6°, inciso XIV quis falar, propositalmente, em proventos de reforma, e que esta norma estaria restringindo a isenção somente aos militares portadores de doença grave que fossem reformados, não Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 10 entraria neste contexto os militares que estivessem na inatividade sob a condição de transferidos para reserva remunerada não importando os detalhes da situação individual de cada um, ou seja, só faz jus àqueles que estiverem na situação de reformado, apresentando como contraponto o inciso XV do artigo 6° da lei anteriormente citada, sob o argumento que neste inciso se fala em transferência para a reserva remunerada ou reforma. Ora, é evidente que a redação do artigo 6° da Lei n°. 7.713, de 1988, não poderia ser diferente, já que pela Lei 6.880, de 1980 (Estatuto dos Militares) os militares portadores de doença que incapacite para o exercício da função militar são reformados ex officio, independentemente de estar no serviço ativo ou estar na inatividade sob a condição de transferidos para reserva remunerada. Ou seja, em termos práticos o militar que esta na condição de transferido para inatividade (transferência para reserva remunerada) portador de doença que incapacite para o exercício de atividades inerentes das forças armadas, não poderá, mesmo que queira, retornar ao serviço ativo, deverá ser automaticamente reformado e não poderá mais ser convocado. Ademais, o termo transferência para a reserva remunerada utilizado pelo inciso VX do artigo 6° da Lei n°. 7.713, de 1988, se comparado ao conteúdo da Lei n°. 6.880, de 09 de dezembro de 1980 (Estatuto dos Militares) é letra morta, já que somente abrangeria os oficiaisgenerais, pois estes são reformados ex officio aos 68 (sessenta e oito) anos, o restante, que representam a expressividade das forças armadas, são reformados ex officio com idades entre 56 (cinqüenta e seis) anos e 64 (sessenta e quatro) anos. Por fim, esclareço que a referida matéria foi objeto do enunciado da Súmula n. 43, constante da Portaria CARF n. 49, de 01.12.2010: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Portanto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10980.009464/200219 Acórdão n.º 920201.374 CSRFT2 Fl. 6 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000868/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2008
Ementa:
CONCOMITÂNCIA ENTRE OS PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO
Na medida judicial, o recorrente pede a não aplicação do art. 74 da MP 2.158 em razão da causa de pedir “incompatibilidade com os tratados para evitar a bitributação” . Já no feito administrativo, para afastar a tributação nacional, o
recorrente pede a aplicação do art. 23, n° 2, do Tratado com a Áustria. Como o pedido judicial não pode ser formulado em tese, seu objeto é definido em face das controladas relacionadas na inicial, dentre as quais, não consta nenhuma domiciliada na Áustria. Por esse motivo, não há concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo no que concerne, quanto a
este último, ao pedido de aplicação do art. 23, n° 2, do Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976.
Pelas mesmas razões, também deve ser enfrentada pela instância
administrativa a vinculação formal da autoridade fiscal em relação às supostas disposições da IN SRF n ° 213/2002 relativamente ao conceito de equivalência patrimonial.
Numero da decisão: 1201-000.603
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DETERMINAR o retorno dos autos à autoridade de primeira instância para que seja proferida nova decisão em suplementação à anterior, para que sejam enfrentadas as razões da defesa atinentes à aplicação
do art. 23, n° 2, do Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976, bem como a questão atinente à vinculação da atividade de lançamento às disposições previstas na IN SRF nº 213/02, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Régis Magalhães Soares de Queiroz que anulava a decisão de primeira instância. O Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito acompanhou o relator pelas conclusões.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE OS PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO Na medida judicial, o recorrente pede a não aplicação do art. 74 da MP 2.158 em razão da causa de pedir “incompatibilidade com os tratados para evitar a bitributação” . Já no feito administrativo, para afastar a tributação nacional, o recorrente pede a aplicação do art. 23, n° 2, do Tratado com a Áustria. Como o pedido judicial não pode ser formulado em tese, seu objeto é definido em face das controladas relacionadas na inicial, dentre as quais, não consta nenhuma domiciliada na Áustria. Por esse motivo, não há concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo no que concerne, quanto a este último, ao pedido de aplicação do art. 23, n° 2, do Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976. Pelas mesmas razões, também deve ser enfrentada pela instância administrativa a vinculação formal da autoridade fiscal em relação às supostas disposições da IN SRF n ° 213/2002 relativamente ao conceito de equivalência patrimonial.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 12897.000868/2009-98
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4794606
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.603
nome_arquivo_s : 120100603_12897000868200998_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 12897000868200998_4794606.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DETERMINAR o retorno dos autos à autoridade de primeira instância para que seja proferida nova decisão em suplementação à anterior, para que sejam enfrentadas as razões da defesa atinentes à aplicação do art. 23, n° 2, do Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976, bem como a questão atinente à vinculação da atividade de lançamento às disposições previstas na IN SRF nº 213/02, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Régis Magalhães Soares de Queiroz que anulava a decisão de primeira instância. O Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito acompanhou o relator pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4747614
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233368109056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2297; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 699 1 698 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12897.000868/200998 Recurso nº 905.168 Voluntário Acórdão nº 120100.603 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de novembro de 2011 Matéria IRPJ e outro Recorrente Vale S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE OS PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO Na medida judicial, o recorrente pede a não aplicação do art. 74 da MP 2.158 em razão da causa de pedir “incompatibilidade com os tratados para evitar a bitributação” . Já no feito administrativo, para afastar a tributação nacional, o recorrente pede a aplicação do art. 23, n° 2, do Tratado com a Áustria. Como o pedido judicial não pode ser formulado em tese, seu objeto é definido em face das controladas relacionadas na inicial, dentre as quais, não consta nenhuma domiciliada na Áustria. Por esse motivo, não há concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo no que concerne, quanto a este último, ao pedido de aplicação do art. 23, n° 2, do Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976. Pelas mesmas razões, também deve ser enfrentada pela instância administrativa a vinculação formal da autoridade fiscal em relação às supostas disposições da IN SRF n ° 213/2002 relativamente ao conceito de equivalência patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DETERMINAR o retorno dos autos à autoridade de primeira instância para que seja proferida nova decisão em suplementação à anterior, para que sejam enfrentadas as razões da defesa atinentes à aplicação do art. 23, n° 2, do Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976, bem como a questão atinente à vinculação da atividade de lançamento às disposições previstas na IN SRF nº 213/02, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Régis Fl. 699DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 700 2 Magalhães Soares de Queiroz que anulava a decisão de primeira instância. O Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Marcelo Baeta Ippolito (suplente convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Eduardo Martins Neiva Monteiro (suplente convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz e Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 701 3 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados, relativamente ao anocalendário de 2007, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 271 a 307. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Trata o presente processo dos autos de infração lavrados pela Defis (RJ), referentes ao anocalendário de 2007, através dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 4.218.010.166,49 (fls. 256/260 e relatório fiscal às fls. 71/78), e a contribuição social sobre o lucro liquido — CSLL, no valor de R$ 1.524.355.650,00 (fls. 261/265), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2 Fundamentaram as exações: não tributação dos resultados de equivalências patrimoniais de empresas controladas sediadas no exterior. 3 Em 3/2/2003 o interessado impetrou mandado de segurança preventivo com pedido de liminar na Justiça Federal — Seção Judiciária do Rio de Janeiro (processo nº 2003.51010029370 — fls. 125/159), objetivando: a concessão de medida liminar inaudita altera parte com a finalidade de suspender a exigibilidade dos créditos tributários de IRPJ e CSLL resultantes (i) da aplicação do regime de tributação previsto no caput do art. 74 da MP n° 2.15834/01 (e posteriores reedições), na forma como foi regulamentado pela IN n ° 213/2002, no que concerne ao resultado positivo de equivalência patrimonial de suas controladas e coligadas no exterior no ano de 2002 e exercícios subseqüentes; e (ii) da aplicação do regime constante do parágrafo único do art. 74 da MP n ° 2.15834/01 aos lucros apurados por sua controlada desde 1996 até dezembro de 2001. por fim, seja concedida em definitivo a segurança no sentido de reconhecer ao interessado o seu direito liquido e certo de não estar sujeito à tributação pelo IRPJ e CSLL na forma do art. 74 e parágrafo único da MP n° 2.15834/01 (e posteriores reedições) tal como regulamentados pela IN SRF nº 213/2002. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 702 4 3.1 Apresenta como primeiro argumento que o art. 74 da MP n° 2.15834/01 é incompatível com os tratados contra a dupla tributação celebrados pelo Brasil com os Estados de domicilio das sociedades controladas (Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo), tratados esses que prevêem uma competência tributária exclusiva do pais de domicilio da sociedade controlada estrangeira, no que concerne aos lucros por elas produzidos, e consequentemente a exclusão de competência do Brasil, pais de domicilio da sociedade controladora. 3.2 Como segundo argumento alega que o art. 74 e parágrafo único da MP nº 2.15834/01 extrapolou a permissão concedida pelo art. 43 caput e §2° do CTN que apenas permitia à lei ordinária fixar as condições e o momento em que dará a disponibilidade de receita ou rendimentos oriundos do exterior, mas não o de utilizar a via ilegítima da ficção legal para considerar como disponibilizado o lucro meramente apurado e não distribuído. 3.3 O terceiro argumento é o de que, ainda que se considerasse que o art. 74 e parágrafo único da MP n° 2.15834101 se teria conformado com o art. 43 caput e §2° do CTN, a tributação não poderia alcançar a totalidade do resultado de equivalência patrimonial, como determina o art. 7° da IN SRF n° 213/2002, mas tão somente a parcela imputável aos lucros propriamente ditos, com a exclusão da variação cambial do valor do investimento que a legislação contábil e societária considera incluída no conceito de equivalência patrimonial, mas que não pode ser submetida a tributação nem pelo IRPJ, nem pela CSLL. 4 Em 5/2/2003 a liminar foi (fls. 160/164): 4.1 deferida, no sentido de suspender a exigibilidade do crédito tributário do IRPJ e da CSLL resultante da aplicação do regime de tributação do caput do art. 74 da MP n°2.15834101, no que se refere às disponibilizações dos lucros, para que, na espécie, continue sendo obedecido o regime anterior da Lei 9.532, de 10/12/1997, até o julgamento final desta ação; 4.2 deferida parcialmente a liminar, no sentido de suspender a exigibilidade do crédito tributário do IRPJ e da CSLL resultante da aplicação do regime de tributação do parágrafo único do art. 74 da MP n° 2.15834/01, quanto aos lucros apurados por suas controladas, desde 1996 até dezembro de 2001, aqueles — apenas e tão somente — que ainda não foram disponibilizados, até o julgamento final desta ação. 4.2.1 As disponibilizações ocorridas até 31 de dezembro de 2001, por terem sido excluídas do campo de incidência do parágrafo único do art. 74 da MP, também deverão se sujeitar ao regime anterior da Lei 9.532/1997, até o julgamento final desta ação; 4.3 indeferida a liminar, para negar o pedido formulado no sentido que o interessado não esteja sujeito à aplicação do regime de tributação estabelecido na IN SRF nº 213/2002, no Fl. 702DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 703 5 que concerne ao resultado positivo de equivalência patrimonial de suas controladas e coligadas no exterior no ano de 2002 e sobre os resultados dos exercícios subseqüentes, relativamente à pretensão de exclusão da variação cambial do valor do investimento. 5 Interposto agravo de instrumento no TRF da 2ª Região pela União, contra a decisão que deferiu em parte a liminar, o relator converteuo em agravo retido, em 16/12/2003 (fls. 378/379). 6 O Juízo da 7ª Vara Federal julgou em 1/7/2005 improcedente o pedido para negar a segurança pleiteada, com base no art. 269, I, do CPC e, por consequência, revogar a liminar deferida (fls. 165/172). 7 O interessado interpôs recurso de apelação em 23/9/2005 (fls. 173/246), que foi recebido no duplo efeito. 8 Diante da denegação da segurança, constituíramse os créditos tributários, tendo como bases de cálculos as participações nos resultados das investidas, no anocalendário de 2007, sem considerar as variações cambiais, conforme a seguir: Empresa Participação no resultado R$ Brasilux Luxembourg 1.610.000,00 RDE (Luxembourg) 10.234.000,00 Holdings GMBH (Áustria) 16.832.185.000,00 CMM Overseas (Ilhas Cayman) 93.256.000,00 Total 16.937.285.000,00 8.1 Na apuração do IRPJ compensouse R$ 65.244.334,01 de prejuízos fiscais de períodos anteriores (fl. 258). 9 Multa. 9.1 Os lançamentos foram constituídos com a multa de oficio de 75%, por se entender que a exigibilidade não se encontrava suspensa, visto a sentença ter negado a segurança e cassado a liminar concedida, apesar da apelação ter sido recebida no duplo efeito. 9.2 Segundo entendimento da ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 2ª Região (fls. 251/255), a liminar ficou superada pela posterior sentença que denegou a segurança. O quadro não se altera com o recebimento da apelação no duplo efeito. A concessão de efeito suspensivo à apelação interposta não tem o condão de restabelecer a tutela liminar anteriormente deferida. Dar efeito à apelação não modifica o que foi julgado na sentença. Em síntese, não restabelece a liminar, expressamente revogada Fl. 703DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 704 6 na sentença denegatória, o só fato de a apelação a ela interposta ter sido recebida no duplo efeito. 10 Ao impugnar as exigências, fls. 271/307 e documentos de fls. 308/488, o interessado alega, em síntese, que: inexiste qualquer concomitância entre a presente discussão administrativa e a discussão judicial objeto do mandado de segurança. A matéria tratada no mandado de segurança diz respeito à inconstitucionalidade do regime de tributação previsto no art. 74 e parágrafo único da MP n° 2.15834/2001, por violação do requisito da disponibilidade da renda tal como definido pelo art. 43 do CTN, bem como à prevalência sobre a legislação interna das disposições dos tratados contra a dupla tributação celebrados pelo Brasil com países onde se encontram domiciliadas as sociedades controladas; a presente impugnação tratará da (i) inaplicabilidade da multa de oficio na pendência de causa suspensiva da exigibilidade dos créditos tributários, ex vi do art. 63 da Lei 9.430/1996; (ii) vinculação das autoridades de lançamento As disposições da IN n° 213/2002 que fixam como base de calculo do IRPJ e da CSLL o "resultado positivo de equivalência patrimonial"; e (iii) a incompatibilidade do artigo 23, ri° 2, do tratado com a Áustria; o entendimento de que na data de lavratura do auto de infração não se encontrava mais vigente a medida liminar não é exato, pois ao apreciar o recurso de agravo de instrumento da União, o Desembargador Relator manteve a decisão liminar, convertendo o agravo de instrumento em agravo retido (fls. 378/379); na petição de interposição do recurso de apelação, visando a manutenção da medida liminar, foi requerido expressamente o recebimento nos efeitos devolutivo e suspensivo; em virtude da decisão que recebeu a apelação ter sido no duplo efeito, a sentença denegatória da segurança não chegou a produzir os seus efeitos, pelo que a medida liminar anteriormente deferida continua plenamente em vigor, suspendendo a exigibilidade dos créditos tributários sub judice, nos exatos termos do art. 151, IV, do CTN; a nota da PRFN na 2ª Região incorre no equivoco de se basear em jurisprudência do STJ totalmente inaplicável ao presente caso, já que trata especificamente de caso de tutela antecipatória revogada por sentença de improcedência e não de medida liminar cassada pela denegação do mandado de segurança; Fl. 704DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 705 7 não existe incompatibilidade entre uma eventual sentença denegatória e a manutenção da vigência de medida liminar acautelatória; face à vigência de medida liminar os créditos tributários encontramse com a exigibilidade suspensa, conforme previsto no art. 151, IV, do CTN. Portanto, o lançamento da multa deve ser anulado; a autuação não distinguiu as empresas domiciliadas em países com tratados para evitar a dupla tributação, daquelas domiciliadas em países que não possuem tratados dessa natureza. A empresa CVRD Holding GMBH se encontra sob proteção do tratado com a Áustria; no caso especifico da Áustria a tributação pelo Brasil dos lucros da sociedade controlada ali domiciliada é sempre juridicamente impossível, seja qual for a qualificação que se atribua ao objeto de tributação do art. 74 da MP n° 215835/01 lucro ou dividendo (ficto) , pois o artigo 23, n° 2, daquele tratado prevê a isenção como método para eliminar a dupla tributação; no mandado de segurança foi definido como objeto do processo, para além da questão da inconstitucionalidade do art. 74 da MP n° 215835/01 face o art. 43 do CTN, a incompatibilidade deste preceito com o art. 7° de todos os tratados contra a dupla tributação celebrados pelo Brasil; com relação à controlada domiciliada na Áustria o que se suscita é a impossibilidade de tributação com fundamento no art. 23, n° 2, que é autônomo em relação ao art. 7, do tratado com esse pais; na sistemática dos tratados, todas as normas que prevêem uma competência cumulativa, como é o caso do n° 2, do art. 10, do tratado com a Áustria, devem ser lidas em conjunto com as normas relativas aos métodos para evitar a dupla tributação que no caso estão enunciadas no art. 23; conquanto o n° 2, do art. 10, estabeleça a possibilidade de tributação dos dividendos pelo pais de residência do sócio (p. ex. o Brasil), o seu art. 23, nº 2, estabelece que os dividendos distribuídos pelas sociedades austríacas detidas em mais de 25% por sociedade domiciliada no Brasil deverão ser isentos de tributação no Brasil; aplicando tal disposição à CVRD Holding GMBH, domiciliada na Áustria, que é detida em 100% pelo interessado, concluise que os dividendos dela provenientes são isentos de tributação no Brasil; estas considerações devem ser aplicadas também aos lucros não efetivamente distribuídos; Fl. 705DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 706 8 na interpretação do auto de infração, o interessado estaria submetido a um ônus tributário final de 49%, sendo 25% de IRPJ e 9% de CSLL, mais 15% de imposto na fonte na Áustria, quando da distribuição dos dividendos. Já se não houvesse tratado, pelo menos o crédito do imposto pago na Áustria seria teoricamente passível de compensação com aquele devido no Brasil; a intributabilidade, no Brasil pelo IRPJ, dos lucros da sociedade controlada na Áustria aplicase igualmente à CSLL; as convenções contra a dupla tributação em matérias sobre a renda aplicamse, em principio, aos tributos que revestem aquela natureza substancial, independentemente da sua denominação, da pessoa de direito público que é seu titular ou do método adotado para a sua cobrança; a questão deve ser examinada face ao §2°, do art. 2º, do tratado com a Áustria; a CSLL, à luz da Constituição e face às regras do CTN, é um imposto substancialmente semelhante ao imposto de renda, e, por isso, abrangida pelo tratado com a Áustria; na identificação da matéria tributável, não foi levado em consideração a disposição contida na IN nº 213/02, fazendo a tributação incidir sobre os lucros apurados pelas sociedades controladas no exterior e não sobre o resultado positivo da equivalência patrimonial, como preconizado no art. 7°, §1°. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 492 a 504) negou provimento à impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 INVESTIMENTOS EM CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DOS RESULTADOS. TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL SOBRE O INVESTIMENTO. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial importa em renúncia As instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 707 9 MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR CASSADA. INCIDÊNCIA DA MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Denegada a segurança com a revogação da medida liminar, o crédito tributário será constituído e exigido com a multa de oficio. O recurso de apelação recebido no duplo efeito não restabelece a liminar revogada por sentença. Vale ainda tecer um resumo de seus fundamentos. Em relação à concomitância, faz um resumo da medida judicial e conclui que “as questões relativas à tributação dos lucros auferidos por coligadas sediadas no exterior, sua regulamentação pela IN n° 213/2002, e a consideração dos tratados internacionais para se evitar a dupla tributação são objetos da ação judicial e desse processo administrativo”. Desse modo, deixa de conhecer “questões que importem na apuração das bases e dos cálculos do IRPJ e da CSLL”. Quanto à aplicação da multa, o julgador considerou que a sentença que denegou a segurança cassou a liminar outrora concedida. Dessarte, a exigibilidade do crédito não mais estava com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, inciso IV, do CTN. Ademais, entendeu que o fato de o recurso ter sido recebido no duplo efeito – devolutivo e suspensivo – não restabeleceu os efeitos da limiar. Para tal, embasou sua decisão em decisões do STF e do STJ, bem como em parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, de cujo teor extraiu alguns trechos, dentre os quais: “De nada altera esse quadro o recebimento da apelação no ‘duplo efeito’. A concessão de efeito suspensivo à apelação interposta não tem o condão de restabelecer a tutela liminar anteriormente deferida. Dar efeito suspensivo à apelação não modifica o que foi julgado na sentença. Em síntese, não restabelece a liminar, expressamente revogada na sentença denegatória, o só fato de a apelação a ela interposta ter sido recebida no duplo efeito”. Assim, como a exigibilidade do crédito no momento do lançamento não estaria suspensa, a autoridade fiscal teria agido legalmente ao aplicar a multa de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 509 a 548, mediante o qual teceu as considerações que se seguem. No presente feito administrativo, argüiu, como causa de pedir pela improcedência da autuação, a aplicação de dispositivo específico constante do tratado com a Áustria. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 708 10 No entender da defesa, a causa de pedir relativa à medida judicial diz respeito apenas à aplicação do art. 7° dos tratados para evitar a dupla tributação. Desse modo, não alcançaria a disposição específica prevista no tratado com a Áustria (art. 23, n° 2), a qual estaria sendo suscitada apenas no presente processo administrativo e que estabelece “a aplicação do método da isenção aos dividendos distribuídos por uma controlada na Áustria ao sócio controlador no Brasil”. Não haveria, então, concomitância passível de ensejar a renúncia do julgamento administrativo, uma vez que os objetos são distintos em razão das distintas causas de pedir. Ademais, essa disposição convencional deve ser aplicada também em relação à Contribuição Social sobre o Lucro, pois os tratados para evitar a dupla tributação de impostos sobre renda e fortuna se referem a tributos com esta natureza substancial, independentemente de sua denominação jurídica, conforme disposição do art. 2° dos Tratados com a Áustria. Também entende não ser concomitante a alegação de que a autoridade fiscal deixou de cumprir o disposto na IN SRF nº 213/02 relativamente ao conceito de resultado positivo da equivalência patrimonial. No entender da defesa, uma vez que o art. 7º, § 1º, da IN 213, estabelece a tributação do “resultado positivo da equivalência patrimonial”, estaria a autoridade fiscal formalmente obrigada a considerar, para fins de determinação desse valor, a variação cambial negativa do período. Ao não proceder dessa forma, deixou de cumprir regra fixada por autoridade hierarquicamente superior, questão que não foi levada ao Judiciário. No que se refere à multa de ofício, entende ser indevida em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Ao impetrar mandado de segurança preventivo, obteve liminar com o fito de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Apesar de a sentença posteriormente proferida ter sido denegatória, a apelação foi expressamente recebida no duplo efeito. Dessa forma, em virtude da decisão que recebeu o recurso não só no efeito devolutivo, mas também no suspensivo, “a medida liminar anteriormente deferida, à data da lavratura do auto de infração, estava (como ainda está) plenamente em vigor, mantendose, pois, suspensa a exigibilidade dos créditos sub judice”. Por derradeiro, realizou os seguintes pedidos, in verbis: (i) seja reconhecida a inexistência de concomitância do presente processo administrativo com o processo judicial (mandado de segurança n° 2003.02.02.00.48646) quanto à disposição especial do tratado com a Áustria (art. 23, nº 2) não invocada no mandado de segurança, que apenas tem como causa de pedir o art. 7º dos tratados contra a dupla tributação com os países de domicilio das controladas diretas, com a consequente apreciação das razões expostas na impugnação e reiteradas neste recurso a respeito da intributabilidade dos lucros da CVRD HOLDING GMBH; (ii) seja reconhecida a inexistência de concomitância do presente processo administrativo com o processo judicial (mandado de Fl. 708DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 709 11 segurança n° 2003.02.02.0048646) quanto à questão de direito formal relativa à vinculação da autoridade de lançamento ao conceito de resultado positivo de equivalência patrimonial preconizado pelo art. 7º, § 1° da IN nº 213/02 como base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com o consequente cancelamento proporcional das exigências para que a tributação. incida apenas sobre o referido resultado liquido, isto é, levando em conta o efeito redutor da variação cambial negativa; e (iii) seja cancelado o lançamento de multa de oficio, por violação do art. 63, § 10 da Lei n° 9.430/96, em razão da vigência de medida liminar suspensiva da exigibilidade dos créditos tributários em discussão. DAS CONTRARRAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO A Fazenda Nacional, às fls. 641 a 667, apresentou contrarrazões ao recurso voluntário nos termos que se seguem. A aplicação do Tratado com a Áustria teria sido abrangida pela lide judicial, uma vez que: (i) o pedido do contribuinte não se restringiu ao ano de 2002, mas também aos seguintes. Desse modo, não se restringiu aos lucros de determinados países, mas do exterior como um todo; (ii) de forma coerente com o pedido acima, são os fundamentos, como a inconstitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01. Destaquese que esse fundamento alcança todas as controladas do exterior; (iii) a decisão de primeiro grau reforça o entendimento acima exposto na medida em que, da sua leitura, compreendese que “os lucros das controladas sediadas no exterior não se confundem com os lucros da controladora sediada no Brasil” e esse argumento se aplica a todos os tratados. (iv) o precedente do CARF não deve ser adotado “seja porque está sendo objeto de insurgência recursal, seja porque, quanto ao mérito, ele merece ser reformado”. Aduz não haver à concomitância atinente à IN nº 213/02, pois: (i) as teses propostas judicial e administrativamente são opostas, mas independentemente disto o contribuinte buscou no Judiciário demonstrar que a variação cambial não deve surtir efeitos para fins tributários sem fazer distinção entre variações positivas e negativas; (ii) a questão levada à esfera administrativa (variação cambial negativa como redutor do resultado da equivalência patrimonial) está abarcada pelo objeto da ação judicial (ilegalidade total do método da equivalência patrimonial prevista no art. 7º da IN 213/02, no qual se inclui a variação cambial). Fl. 709DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 710 12 Quanto à multa punitiva, considera devida, porque: (i) o recebimento da apelação com efeito suspensivo não restabelece a liminar anteriormente concedida, pois não modifica o que foi julgado na sentença. Reproduz jurisprudência administrativa (Câmara Superior do CARF) e judicial (STJ), que entende confirmar sua posição; (ii) o recebimento da apelação no duplo efeito não está elencado entre as causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista na relação taxativa do art. 151 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes DO TRATADO COM A ÁUSTRIA A questão da concomitância do dispositivo específico constante do Tratado com a Áustria já foi pessoalmente por mim analisada em relação a este contribuinte e com respeito à mesma ação judicial, nos autos do processo administrativo nº 18471.000141/2008 15. Naquela oportunidade, assim me manifestei: Uma mesma matéria, levada ao juízo e à esfera administrativa, não deve ser conhecida por esta última, conforme posição já consagrada neste Colegiado e sedimentada na Súmula CARF n° 1° de cumprimento vinculante. Tal assertiva decorre do entendimento de que a ação judicial deve prevalecer sobre o feito administrativo. Assim, se houver identidade entre seus elementos identificadores, o processo administrativo não deve prosseguir. Na lição de Cintra, Grinover e Dinamarco: “Cada ação proposta em juízo, considerada em particular, apresenta intrinsecamente certos elementos, de que se vale a doutrina em geral para a sua identificação, ou seja, para isolála e distinguila das demais ações já propostas, das que venham a sêlo ou de qualquer outra ação que se possa imaginar. Esses elementos são as partes, a causa de pedir e o pedido. É tão importante identificar a ação, que a lei exige a clara indicação dos elementos identificadores logo na peça inicial de qualquer processo, ou seja: na petição inicial Fl. 710DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 711 13 (CPC, art. 282, incs. II, III e IV) [...]. A falta dessas indicações acarretará o indeferimento liminar da petição inicial, por inépcia (CPC, arts. 284 e 295, par. ún., inc. I)”. A controvérsia aqui estabelecida acerca da concomitância não diz respeito às partes, nem ao pedido. Ela se restringe à causa de pedir, que será adiante o foco de nossa atenção. O mandado de segurança teve duas causas de pedir a não aplicação do art. 74 da MP n° 2.15834/01: (i) a sua incompatibilidade com os tratados para evitar a bitributação e (ii) a extrapolação dos ditames da lei complementar, no caso, o § 2° , art. 43 do CTN introduzido pela LC n° 104/01. Há ainda o pedido subsidiário (item 8, subitem III da petição inicial) para que a tributação alcance apenas a parcela da equivalência patrimonial correspondente ao conceito de lucro. Como já discorri previamente, o pedido subsidiário não compõe o objeto desta lide administrativa. De igual sorte, também não é matéria trazida aos autos o pedido principal em face da causa relativa à extrapolação das prescrições do CTN. Desse modo, se essas fossem as únicas razões levadas ao judiciário, as matérias suscitadas na impugnação administrativa deveriam ser conhecidas. A discussão se restringe, portanto, a analisar se a matéria composta pelo pedido “não aplicação do art. 74 da MP 2.158” em face da causa de pedir “incompatibilidade com os tratados para evitar a bitributação”, corresponde à mesma matéria suscitada na instância administrativa. Sobre esse ponto, foram aduzidas no Mandado de Segurança as seguintes considerações (fls. 459 a 462), in verbis: I – INCOMPATIBULIDADE DO ART. 74 DA MP nº 2.15834/01 COM OS TRATADOS CONTRA A DUPLA TRIBUTAÇÃO 11. O regime de transparência fiscal internacional do art. 74 da MP n° 2.15834/01 é incompatível com os tratados contra a dupla tributação celebrados pelo Brasil com os países onde se encontram domiciliadas as sociedades estrangeiras controladas pela IMPETRANTE: (i) Bélgica (Decreto n° 72.542/73); (ii) Dinamarca (Decreto n° 75.106/74); (iii) Luxemburgo (Decreto n° 85.051/80). 12. Com efeito, o art. VII dos tratados celebrados pelo Brasil (que seguem a redação do art. VII da Convenção Modelo da OCDE) dispõem, todos eles (inclusive os com a Bélgica, a Dinamarca e o Luxemburgo), no seu n° 1, que “os lucros de uma empresa de um Estado Fl. 711DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 712 14 contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado. Se a empresa exercer sua atividade deste modo, os seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento estável”. 13. Estabelecimento estável é, nos termos do art. V, n° 1, dos tratados (seguindo também o art. V da Convenção Modelo da OCDE) “uma instalação fixa onde a empresa exerça toda ou parte da sua atividade”, compreendendo notadamente um local de direção, uma sucursal, um escritório, uma fábrica, uma oficina, uma mina ou uma pedreira. São, pois, “estabelecimentos estáveis”, para efeito dos tratados, as sucursais ou filiais destituídas de personalidade jurídica própria. 14. Aplicando este preceito ao caso de uma empresa brasileira (EB) que tenha, por exemplo, na Dinamarca, uma filial (FD) ou controlada (CD), podem extrairse as seguintes conclusões: a) O Brasil pode tributar os lucros da FD, por esta constituir um estabelecimento permanente no exterior (1ª frase, 2ª parte, do nº 1); b) A Dinamarca pode tributar os lucros da FD unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento (2ª frase do item 1); c) Só a Dinamarca (“competência exclusiva”) pode tributar os lucros auferidos na Dinamarca pela CD, pois CD é empresa dinamarquesa (1ª frase, 1ª parte do nº 1); d) O Brasil não pode tributar os lucros auferidos na Dinamarca pela CD, pois só pode tributar estabelecimentos permanentes no exterior e não entidades com personalidade jurídica própria existentes no outro Estado. 15. A confirmar esta última afirmação está o n° 6 do art. V dos tratados, segundo o qual “o fato de uma sociedade residente de um Estado Contratante controlar ou ser controlada por uma sociedade residente do outro Estado Contratante ou que exerce a sua atividade nesse outro Estado, que seja através de um estabelecimento estável, quer de outro modo, não é, por si, bastante para fazer de qualquer dessas sociedades estabelecimento estável da outra”. 16. O art. VII contém uma norma de reconhecimento de competência exclusiva do país em que se encontra domiciliada a sociedade controlada, como resulta claramente da expressão literal “só podem ser tributados”. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 713 15 17. Infringiria, por isso, frontalmente, os tratados qualquer tentativa de aplicação de preceito legal que determinasse a adição ao lucro líquido da sociedade brasileira dos lucros próprios da sociedade controlada domiciliada em outro Estado contratante, pois tal significaria o Brasil arrogarse uma competência tributária cumulativa, quando o tratado é expresso em atribuir ao Estado de domicílio da controlada ou coligada no exterior uma competência tributária exclusiva. 18. Seja qual for a posição que se adote quanto aos tratados internacionais em geral, a verdade é que o Direito Brasileiro consagra norma expressa em matéria de tratados tributários, constante do art. 98 do Código Tributário Nacional (CTN) que, em preceito declaratório, dispõe que “os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação interna e serão observados pela que lhes sobrevenha”. 19. Observese que o art. 98 do CTN, tendo natureza de lei complementar, contém um comando adicional ao legislador ordinário, que veda a este, hierarquicamente, qualquer desobediência ao tratado. 20. Ora, o fato de o art. 74 da MP n° 2.15834/01 não conter qualquer ressalva no que concerne a sociedades domiciliadas em países com os quais o Brasil celebrou tratados contra a dupla tributação gera o justo receio de que as autoridades fiscais apliquem cegamente referido preceito aos lucros das controladas estrangeiras da IMPETRANTE, sem respeitar a norma de competência exclusiva do art. 7° dos tratados em causa. Diante do texto acima, devemos responder: qual a causa de pedir? Antes, porém, sirvome das lições de consagrados doutrinadores acerca do conceito de “causa de pedir”. Para Cândido Rangel Dinamarco, in “Instituições de Direito Processual Civil – tomo I”: “A causa de pedir traduzse nos fundamentos do pedido que o autos vem fazer em juízo. Pela dicção da lei (CPC, art. 282, inc. III), ela reside (a) nos fatos narrados e (b) nas razões de direito material invocadas ao demandar”. [...] “Vige no sistema processual brasileiro o sistema da substanciação, pelo qual os fatos narrados influem na delimitação objetiva da demanda e conseqüentemente da sentença (art. 128) mas os fundamentos jurídicos, Fl. 713DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 714 16 não. Tratandose de elementos puramente e nada tendo de concreto relativamente ao conflito e à demanda [...], a invocação dos fundamentos jurídicos na petição inicial não passa de mera proposta ou sugestão endereçada ao juiz, ao qual compete fazer depois os enquadramentos adequados – para o que levará em conta a narrativa de fatos contida na petição inicial, a prova realizada e sua própria cultura jurídica, podendo inclusive dar aos fatos narrados e provados uma qualificação jurídica diferente daquela que o demandante sustentara (narra mihi factum dabo tibi jus)”. Como exemplo, “Se o autor narra determinados fatos na petição inicial e com fundamento neles pede a anulação do contrato por erro, nada o impede – e nada impede o juiz também – de alterar essa capitulação e considerar que os fatos narrados integram a figura da coação e não do erro”. “Isso não significa que os fundamentos jurídicos deixem de integrar a causa petendi. Exigeos a lei expressa (art. 282, inc. III) e eles têm algumas das utilidades que a lei associa à individualização das demandas – ao menos no tocante à competência [...]”. Já para José Carlos Barbosa Moreira, in “O Novo Processo Civil Brasileiro”: “Não integram a causa petendi: a) a qualificação jurídica dada pelo autor ao fato em que apóia sua pretensão [...]; b) a norma jurídica aplicável à espécie”. [...] “Não há alteração da causa petendi, nem portanto necessidade de observar essas restrições, quando o autor, sem modificar a substância do fato ou conjunto de fatos narrado, naquilo que bastaria para produzir o efeito jurídico pretendido: [...] b) passa atribuir ao fato ou conjunto de fatos qualificação jurídica diferente da originariamente atribuída – v.g., chamando ‘dolo’ ao que antes denominara ‘erro’ (haveria, ao contrário, alteração da causa petendi se o autor passasse a narrar outro fato, quer continuasse, quer não, a atribuirlhe a mesma qualificação jurídica); Fl. 714DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 715 17 c) invoca em seu favor norma jurídica diversa da primitivamente invocada, desde que o efeito jurídico atribuído à incidência da nova norma sobre o fato ou o conjunto de fatos seja idêntico ao efeito jurídico atribuído na inicial à incidência da norma primitivamente invocada – v.g., a substituição da referência a um pela referência a outro dentre os dispositivos legais que autorizam a decretação do despejo”. Em síntese, devemos responder à seguinte pergunta: se, a despeito de o autor não ter em parte alguma de sua peça judicial citado o art. 23, n° 5, do Tratado com a Dinamarca, nem o art. 23, n° 2, do Tratado com a Áustria, poderia a autoridade judicial neles enquadrar os fatos narrados e a qualificação jurídica? A resposta é positiva quanto ao tratado da Dinamarca. (...) (...) O mesmo, contudo, não podemos dizer em relação ao tratado com a Áustria. Não foi levado ao juízo um fato que pudesse incidir o referido diploma. A referência às controladas na petição inicial não pode ser interpretada como de caráter exemplificativo, uma vez que sobre cada uma deve incidir diplomas normativos – os tratados – formalmente diversos, ainda que parcialmente idênticos quanto à substância. A conclusão de que o tratado com a Áustria (no caso sua disposição especial) não está abrangido pelo objeto da ação judicial é reforçada justamente pela circunstância de o dispositivo alegado não apresentar equivalente nos tratados celebrados com os países em que são domiciliadas as controladas mencionadas na petição judicial. Abaixo, transcrevoo, in verbis: Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976 ARTIGO 23 Método para eliminar a dupla tributação (...) 2. Os dividendos pagos por uma sociedade residente da Áustria a uma sociedade residente do Brasil que possua no mínimo 25% das ações do capital da sociedade que paga os dividendos serão isentos do imposto de sociedade no Brasil. Ora, por que razão o juízo iria se debruçar sobre esse diploma normativo se não havia qualquer referência a uma controlada na Áustria? Por que iria dizer o direito sobre um fato inexistente? Fl. 715DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 716 18 O juiz não deve dizer a interpretação de um dispositivo convencional se a parte não possuía controlada no país signatário. Não cabe ao juízo decidir em tese. Para compreendermos tal assertiva, basta supor a seguinte decisão: “o autor, caso possua ou venha a possuir uma controlada na Áustria, tem o direito de sobre seus rendimentos não pagar imposto de renda”. Evidentemente, uma decisão dessa estirpe seria absurda. Desse modo, entendo que deve ser enfrentada a compatibilidade do art. 74 da MP 2.158 com o art. 23, n° 2, do Tratado com a Áustria, o que impõe declarar nula a decisão a quo. Contra essa decisão, foram oferecidos pela Fazenda Nacional embargos declaratórios. A embargante aduziu que a decisão era omissa por não ter indicado as razões da declaração de nulidade do julgado de primeiro grau, bem como por não ter analisado a decisão judicial para fins de análise da concomitância. Em relação a esse último ponto, ao revés de se limitar a apontar a suposta omissão, teceu um longo arrazoado no qual aduziu as mesmas razões aqui trazidas nas contrarrazões. Expus, naquela oportunidade em meu voto como relator, que a decisão judicial era peça inapropriada para fins de aferição da concomitância, razão suficiente para a denegação dos embargos. Apesar disso, enfrentei sucessivamente cada um dos demais pontos apresentados. Abaixo, transcrevo minhas considerações: Com relação ao outro ponto, a decisão não foi omissa por um motivo simples. Calcouse na razão de que a análise da concomitância deve ser empreendida com base na petição inicial e não nas demais peças processuais. Desse modo, a ausência de análise da sentença não foi uma omissão simples passível de ser atacável por meio de embargos, mas sim uma conduta consciente e coerente de ignorar um documento considerado irrelevante à luz do fundamento de decidir adotado. Se eventualmente esse fundamento estivesse errado, seja porque deveria ter sido analisada a sentença, seja porque teria havido equívoco na interpretação da petição inicial, tais equívocos se caracterizariam como “erro in iudicando”, passível eventualmente de ser atacado por meio do recurso próprio à instância superior. Não se qualificam, porém, como uma omissão apta a ser conhecida em sede de embargos de declaração. Apesar de não estarem sujeitas à nova análise nos embargos, não é demais destacar com mais minúcias os motivos de considerar exclusivamente a petição inicial. Essa posição alinhase com a Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de Fl. 716DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 717 19 ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com o parágrafo único, art. 38, da Lei nº 6.830/80: Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Com o § 2º, art. 1º, do DL nº 1.737/79: § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Mas principalmente com a própria posição expressamente adotada pela Secretaria da Fazenda Nacional, expressa por meio do ADN COSIT, nº 3/96: DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc.); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; Fl. 717DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 718 20 d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento de mérito (art. 297 do CPC). (nosso negrito) O trecho acima destacado do Ato Declaratório não deixa dúvidas de que a própria Fazenda Nacional, representada pela Secretaria da Receita Federal, adotou a posição de que a renúncia à instância administrativa deve ser aferida à luz do teor da inicial, uma vez que essa condição se caracterizaria, segundo expressamente consta do ADN, independentemente do julgamento de mérito. Em nenhum diploma, seja de hierarquia legal, seja infralegal, há menção, para análise da concomitância e, portanto, da renúncia, a qualquer ato processual posterior à propositura da ação. Agora, a Fazenda, para fins de reabrir a discussão em sede inapropriada de embargos, defende posição diametralmente oposta àquela que serviu para fundamentar ato da própria autoridade administrativa responsável pelo lançamento. Ademais, repisamos, ainda que a posição da embargante fosse a correta, esse tema não poderia ser enfrentado novamente nos embargos, recurso este cujas margens de cognição são sobremaneira estreitas. Todavia, ainda que pudéssemos reapreciar a matéria (analisar se a renúncia deveria ter sido ou não apreciada à luz da decisão judicial) e concluir pela posição da Fazenda de que a decisão judicial deveria ser considerada para fins de apreciação da concomitância, melhor sorte não teriam os embargos. A Fazenda ora tenta dar uma abrangência mais ampla à petição inicial isoladamente considerara, ora afirma que este foi o entendimento do Poder Judiciário, o qual, certo ou não, deveria ser acatado. Quanto à análise isolada da petição inicial, reporto novamente às mesmas razões expostas no nosso voto condutor do acórdão embargado: (não reproduzo, pois já foi transcrito anteriormente nos fundamentos deste voto) Fl. 718DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 719 21 Uma vez que consideramos não ter a petição inicial trazido, como causa de pedir, o disposto no art. 23, n° 2, do Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976, adotar a suposta interpretação da decisão judicial nos termos defendidos pela Fazenda só seria possível se (i) tivéssemos que interpretar a petição inicial à luz da decisão ou (ii) considerássemos que a decisão ultrapassou as fronteiras da petição inicial. A primeira hipótese deve ser afastada de pronto à luz do princípio da congruência, o qual também é denominado pela Doutrina, por Princípio da adstrição, correlação, correspondência ou simetria. Segundo tal preceito, o juízo está obrigado a se pronunciar na exata medida da pretensão do demandante. Não pode ir além, ficar aquém ou proferir algo diverso do pleiteado; por outros termos, não pode decidir ultra, citra ou extra petita. Esse preceito está calcado nos diversos direitos e garantias individuais constitucionalmente estabelecidos, como a ampla defesa e o contraditório, que podem ser sinteticamente enunciados como o “devido processo legal”, o qual é concretizado por vários disposições legais, como o art. 460 do Código de Processo Civil. Em linguagem simples, a sentença deve se ater à petição inicial. Esse ditame estabelece um importante vetor hermenêutico. Fixa uma direção de interpretação. A sentença deve ser compreendida à luz da inicial e não a inicial a partir da sentença. Há uma relação contextual com um sentido necessário. A sentença é o texto, cujo contexto é a inicial e não o contrário. Ler isoladamente a sentença, atribuir a ela uma dada interpretação, para só então se dirigir à inicial é um erro crucial. O percurso gerativo de sentido é inteiramente diverso. Primeiro deve ser lida a inicial para se erigir o significado com a dimensão exata do pedido e das causas de pedir, para só depois, de posse desses elementos significativos, poderá o intérprete aferir a precisa medida da peça decisória. Esse erro tornase ainda mais evidente na segunda hipótese, ou seja, na assertiva de que a sentença teria ultrapassado a pretensão. No controle de constitucionalidade de leis, o julgador não pode declarar de primeiro impulso que o diploma normativo padece de inconstitucionalidade e afastar seu texto expresso sem antes verificar a possibilidade de existência de algum significado concordante com nossa Carta Conspícua. Por outros termos, a regra é que as leis são constitucionais. Há presunção nesse sentido. Desse modo, antes da declaração de inconstitucionalidade por redução de texto, o julgador deve necessariamente buscar toda e qualquer possível interpretação conforme. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 720 22 A análise de constitucionalidade deve pressupor que o texto é constitucional e não o contrário, uma vez que as interpretações devem sempre principiar pela regra geral e não pela exceção. Devemos adotar, como ponto de partida cognitiva, que o legislador cumpriu a Constituição. Só na absoluta impossibilidade de se atribuir ao texto legal um sentido congruente com nossa Carta de Direitos, é que poderemos afirmar que ali há uma efetiva patologia. O mesmo se diga aqui. Devese presumir que o juízo cumpriu a Constituição, os diplomas legais; enfim, o princípio da congruência. A leitura de sua decisão deve principiar por esse ponto. Somente no caso de ser absolutamente impossível atribuir à sentença um significado congruente com a demanda é que estaríamos legitimados a afirmar que a manifestação judicial ultrapassou as margens da petição inicial, pois isto seria um vício. Pois bem, é sobremaneira simples aferir um significado da sentença congruente com a interpretação da inicial estampada nos fundamentos do voto condutor do acórdão embargado. Basta, para tal, que ela seja compreendida nos limites materiais e normativos do caso, em que não está inserido o Tratado com a Áustria. Mas vamos fazer ainda mais um esforço. Vamos supor que as alegações da Procuradoria também suplantassem esse ponto, ou seja, que a decisão deveria ser interpretada antes da petição inicial e que conformaria o próprio sentido da pretensão e definiria o conteúdo concomitante. Mesmo assim o pedido da Fazenda Nacional não poderia ser acolhido. A Procuradoria aduziu que o pedido foi amplo o suficiente para abarcar os lucros de todas as origens internacionais ao alegar, por exemplo, a inconstitucionalidade do art. 74 da MP 2158/2001 e que, caso tivesse sido deferido nesses termos, abarcaria inclusive os lucros advindos da controlada na Áustria. Desse modo, no caso de derrota, todos os lucros devem compor o resultado tributável independentemente de sua origem. A premissa adotada pela Procuradoria é verdadeira, mas o raciocínio é falso e, portanto, a conclusão também. Deixaremos de lado a demonstração por meio de formulações típicas dos estudos de lógica. Um exemplo simples revela a falsidade da argumentação. Se uma determinada instituição demanda em juízo uma pretensão de inexistência de relação jurídicotributária em face de se considerar imune ao imposto de renda por se tratar de instituição de ensino, no caso de vitória, não se sujeitará a nenhuma exigência dessa natureza. Todavia, se perder, isso não significará que outras causas de pedir não poderão ser levadas Fl. 720DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 721 23 ao conhecimento em novos processos judiciais e, portanto, em processos administrativos. Poderá fazer o mesmo pedido, por exemplo, em razão de alguma lei que isente instituições sediadas numa região pobre do país, ou poderá formular uma demanda com uma extensão menor, como o pedido para não se considerar na base de cálculo rendimentos isentos em razão de algum critério legal objetivo. Enfim, o fato de o demandante ter perdido uma pretensão ampla não implica que tenham sido enfrentadas pelo juízo competente todas as demais razões que poderiam conduzir integral ou parcialmente ao resultado pretendido. Já nas primeiras lições de processo, aprendese que o demandado deve apresentar em sua defesa todas as razões contra a pretensão sob pena de preclusão interna e externa ao processo por força da coisa julgada formal e material, mas o demandante não está obrigado a esgotar, na mesma ação, todas as causas de pedir que levariam ao mesmo pedido. Poderá renovar “n” vezes o pedido no caso de “n” causas de pedir levadas de forma independentes ao juízo. Isso é evidente mais uma vez em razão do primado da congruência. Qhiovenda, há quase um século, ao estudar o referido preceito, já afirmava que era vedado ao juízo alterar a causa de pedir (CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil. Trad. J. Guimarães Menegale. São Paulo: Saraiva, 1943, vol. II, p. 461/462). Pode parecer, para alguns, pouco prático permitir que o demandante reapresente o mesmo pedido no caso de alterar a causa de pedir, mas é sobre esse pilar que se assenta o direito processual brasileiro. Também merecem algumas considerações a seguinte afirmação da Procuradoria, in verbis: Em outras palavras, de acordo com a sentença, o rendimento objeto do art. 74 da MP 2158/2001 está fora da abrangência do tratado. Se está fora da abrangência do tratado, não faz sentido qualificálo como "lucro da empresa estrangeira" ou "dividendos da empresa brasileira" para então evitar a dupla tributação. Simplesmente, o lucro tributado pela MP 2158/2001 não está sujeito a dupla tributação. Repitase: absurdo ou não, esse é o entendimento judicial que enseja a concomitância com o presente processo. Ora, a embargante, nesse ponto, adotou a estratégia de equiparar o fundamento da decisão com a sua parte dispositiva. O dito “entendimento judicial” consubstancia a fundamentação, a qual não produz efeitos externos o processo. Vamos ilustrar com um exemplo mais simples e usual para quem milita com direito tributário. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 722 24 Se o contribuinte ingressa em juízo para pedir a emissão de certidão negativa de débitos e o juízo a concede sob o fundamento de se tratar de entidade imune, esta decisão só terá o condão de obrigar a autoridade administrativa a emitir o referido documento e não o de cancelar os débitos constituídos. É possível que o Judiciário, caso tivesse enfrentado o Tratado com a Áustria no que se refere à sua disposição específica, viesse a proferir decisão em desfavor do contribuinte ao adotar o “entendimento” alegado pela Procuradoria, mas esta não foi a pretensão demandada; da mesma forma que, no exemplo ilustrativo, não foi pedido o cancelamento dos débitos. Por derradeiro, cumpreme ainda aduzir que, se a sentença deveria definir o objeto da concomitância; por maiores razões, o acórdão do tribunal deveria produzir os mesmos efeitos, uma vez que substitui a sentença. Nesse caso, é mais que oportuno reproduzir o seguinte trecho (fl. 737): Alega a apelante, em síntese, que o art. 74 da MP n. 2.15834/01 é incompatível com os tratados contra a dupla tributação celebrados pelo Brasil com os Estados de domicilio das sociedades controladas pela apelante (Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo), tratados esses que prevêem uma competência tributária exclusiva do pais de domicilio da sociedade controlada estrangeira, no que concerne aos lucros por ela produzidos, e consequentemente, a exclusão da competência do Brasil, pais de domicilio da sociedade controladora (...) Notese que o voto condutor, na fundamentação e não só no relatório, destacou expressamente os países em que o contribuinte possuía controladas e os respectivos tratados para evitar a dupla tributação; demarcando, portanto, com clareza o alcance da parte dispositiva do voto. Não vejo nada de novo nas contrarrazões oferecidas pela Procuradoria, que possa alterar o meu entendimento. Nos mesmos embargos, porém, acatei a posição defendida pela PFN relativamente à natureza da decisão. Abaixo transcrevo o respectivo trecho: Como já foi destacado no relatório, nos embargos, a Fazenda Nacional questiona dois pontos. Passamos a enfrentar o primeiro: a nulidade da decisão de primeiro grau. Nesse passo, de fato, há que se reconhecer a omissão do acórdão embargado. Em nenhuma parte, constam expressamente os Fl. 722DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 723 25 fundamentos que levaram o julgador a decidir pela nulidade, o que passamos a fazer agora. Naquela época, nossa decisão se calcou no cerceamento ao direito de defesa. È oportuno destacar que, à luz da dicção expressa das regras do PAF (Decreto nº 70.235/72), o cerceamento ao direito de defesa é hipótese de nulidade da decisão de primeiro grau. Abaixo, reproduzimos na literalidade o dispositivo pertinente: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como a autoridade julgadora de primeiro grau deixou de analisar razões apresentadas pelo impugnante sob o fundamento de que haveria concomitância integral entre os dois processos – administrativo e o judicial –, consideramos ter havido cerceamento ao seu direito de defesa. É oportuno, nesse ponto, destacar que, em face de seu status súpero como uma das garantias mais importantes num Estado Democrático de Direito, o qual não pode ser mitigado sequer por emenda constitucional, sempre interpretamos o direito de defesa com a maior amplitude possível, o que nos conduz a também dar amplas margens ao reconhecimento de qualquer mácula ao seu exercício. Esse foi o fundamento que deixamos de consignar no acórdão embargado. Nada obstante, em nova reflexão à luz das considerações apresentadas nos embargos, cremos que a decisão pela nulidade não é a correta. Como a concomitância conduziria à definitividade do crédito tributário na instância administrativa, a sua improcedência gera sucumbência para a Fazenda Nacional. Em razão disso, a reforma da decisão de primeiro grau com a possibilidade de manejo do recurso especial, ao revés da decretação de nulidade, é o conteúdo decisório apto a compatibilizar, para ambas as partes, os preceitos da ampla defesa e do contraditório. Com relação à vinculação formal da autoridade fiscal em relação às supostas disposições da IN SRF n ° 213/2002 relativamente ao conceito de equivalência patrimonial, também se trata de causa de pedir diversa daquelas estampadas na petição inicial. Essa causa de pedir é similar àquela que contestasse a autuação sob o fundamento de que o agente autuante não possui competência para tal, uma vez que é fiscal municipal. Seu caráter é de cunho formal e, portanto, correta ou não, é diversa daquelas estampadas em juízo. Assim, também deve ser enfrentada pela autoridade de primeiro grau. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 12897.000868/200998 Acórdão n.º 120100.603 S1C2T1 Fl. 724 26 Com relação à imposição sancionatória, em face de ter sido materialmente enfrentada pela decisão de primeiro grau, essa questão deverá ser analisada por este Colegiado no retorno do feito depois da nova decisão de primeiro grau. CONCLUSÃO Isso posto, voto por reformar a decisão de primeiro grau para que outra seja proferida em suplementação e, assim, sejam enfrentadas as razões da defesa atinentes à aplicação do art. 23, n° 2, do Decreto nº 78.107, de 22 de julho de 1976, bem como a questão atinente à vinculação da atividade de lançamento às disposições previstas na IN SRF nº 213/02. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 724DF CARF MF Impresso em 29/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME
score : 1.0
