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Numero do processo: 10855.723855/2012-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA.
A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE.
O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção.
CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA.
O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.347
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CONCEITO DE INSUMO. NÃOCUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 38 55 /2 01 2- 57 Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10855.723855/201257 Acórdão n.º 3302004.347 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, apurado sob a modalidade não cumulativa, decorrente de vendas no mercado interno, referente ao 3o trimestre de 2007. O contribuinte apresentou declaração de compensação vinculadas ao PER Pedido Eletrônico de Restituição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba – SP, por meio do Despacho Decisório constante nos autos, reconheceu em parte o direito creditório, homologando as compensações efetuadas até o limite reconhecido, haja vista principalmente, a glosa de fretes entre estabelecimentos da Empresa, os quais não poderiam ser objeto de creditamento nos termos da legislação vigente. Conforme consta no TVF, foi apurado que parte dos fretes sobre os quais a empresa tomou créditos não se referem a operações de venda, e sim, por questões logísticas, tão somente a operações de distribuição. Cientificada do despacho decisório, a Empresa apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade alegando que tendo se passado prazo superior a cinco anos entre a data da transmissão do PER e a ciência do Despacho Decisório, resta inequívoca a ocorrência de decadência ante o decurso do prazo legal estipulado pela legislação, até mesmo porque, nos termos do art. 207 do Código Civil Brasileiro, a decadência não se suspende ou interrompe. Discorre sobre a questão dos fretes nas operações de venda, alegando que seria lógico a legislação fiscal possibilitar seu creditamento na sistemática de Pis/Cofins não cumulativos e simplesmente desconsiderar parte destes custos quando, por questões de logística e otimização de carga, o frete é desmembrado. Defende que a realização de transporte de mercadorias, seja de modo direto ou indireto, deve ser considerada sempre como destinado à venda para fins de composição da base de cálculo das referidas contribuições. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10855.723855/201257 Acórdão n.º 3302004.347 S3C3T2 Fl. 4 3 Não se conformando com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência de mercadorias entre matriz e filiais ou entre filiais e centros de distribuição, já que entende tratarse de etapa essencial à atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do país. Reforça seu entendimento alegando que a sistemática da nãocumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes entre estabelecimentos conforme calculado. Cita excertos de decisões judiciais e transcreve Soluções de Consulta proferidas pela SRF que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o Art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/03. Sobreveio, então, acórdão da DRJ/Porto Alegre, considerando a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 10050.196. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde repisou as alegações da manifestação de inconformidade e solicitou a reversão das glosas em relação ao arrendamento mercantil. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.337, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10855.002716/200729, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.337): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 07 de julho de 2014, fls. 788, e o recurso foi protocolado em 06 de agosto de 2014, fls. 790. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da Matéria Preclusa No Recurso Voluntário, a Recorrente alega que a turma julgadora não emitiu juízo de valor sobre o crédito, decorrente de despesas com arrendamento mercantil. Discorre que a apropriação de créditos, decorrentes de custos com arrendamento mercantil, na apuração da COFINS não cumulativa, não foi condicionada ao fato de que o bem, equipamento ou veículo fosse utilizado na atividade fim da empresa, cita precedente do Carf e solicita a reversão da glosa. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10855.723855/201257 Acórdão n.º 3302004.347 S3C3T2 Fl. 5 4 De fato, não há no acórdão da DRJ/Porto Alegre qualquer manifestação sobre a glosa de despesas com arrendamento mercantil, contudo, a Recorrente somente apresentou tal tema em fase recursal, não havendo, assim, como a decisão, ora contestada, pronunciarse sobre um tema que não havia sido manifestado no momento oportuno. Vale transcrever a legislação que discorre sobre a matéria que deve versar na impugnação administrativa: Decreto nº 70.235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifos não constam no original) No caso em análise, a Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, que seria equivalente à impugnação. Por tal motivo, a matéria é preclusa e, portanto, não pode ser conhecida. 3. Da Prejudicial de Mérito Da Decadência A Recorrente alega que, no presente caso, operouse o instituto da decadência, uma vez que o seu pedido de ressarcimento eletrônico foi transmitido em 30 de agosto de 2007 às 16h13min e a sua ciência ocorreu em 17 de setembro de 2012. Assim, entende que concluído o prazo de cinco anos sem a manifestação da Receita Federal do Brasil, o pedido de restituição estaria decaído e, por conseguinte, tacitamente homologado. No caso em análise, observase a existência de dois pedidos: um de ressarcimento e outro de compensação. Assim, em primeiro, lugar é necessário observar se o contribuinte faz jus ao crédito pleiteado no ressarcimento, para, então, poder alocálo no pedido de compensação. Quanto ao pedido de ressarcimento, não há como considerar que há uma homologação tácita pelo decurso de tempo, conferindo direito ao crédito. O período de decadência, em análise, seria para o contribuinte efetuar o pedido de ressarcimento, uma vez que o instituto da decadência apresentase como uma forma de estabilizar as relações jurídicas, pois ela se apresenta como uma forma extintiva do direito subjetivo. No caso, a contribuinte faz jus ao direito subjetivo de pleitear o crédito, que entende que possui. Por outro lado, o fisco faz jus ao direito subjetivo de lançar o crédito, que entende que não foi constituído. Portanto, a decadência vem fulminar o direito subjetivo. Quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é da contribuinte e não do fisco. Assim, a existência do crédito no ressarcimento é premissa necessária para a compensação, não podendo falar em homologação tácita. Ademais, não há previsão legal de prazo para o fisco analisar o pedido de restituição. Portanto, rejeitase a prejudicial de decadência e não se conhece da matéria. Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10855.723855/201257 Acórdão n.º 3302004.347 S3C3T2 Fl. 6 5 4. Dos Créditos Custos de Fretes A Recorrente alega que incorre em custos inevitáveis e necessários com transporte de seus produtos para suas filiais e centros de distribuição, razão pela qual eles devem integrar a base de créditos do PIS, pois se constituem em um verdadeiro insumo essencial na atividade produtiva da empresa, cita a legislação, entende insumo sob o aspecto da essencialidade. Pleiteia que os seus gastos com frete intermediário, aquele para o transporte de seus produtos para outros estabelecimentos, venham a compor a base de créditos do PIS. Cita soluções de consulta e pleiteia pela aplicação do princípio da isonomia. Por fim, entende que o conceito de insumo deve ser analisado sob a ótica do imposto sobre a renda. Da Informação Fiscal, fls. 731, extraise: 3.6 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda O item IX do artigo 3° da lei 10.833/2003, traz a permissão para crédito de gastos com “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. A memória de cálculo apresentada pela empresa foi detalhada na planilha 6 – Despesas de Fretes e Armazenagem, gravada no CD 04, cujo conteúdo encontrase digitalmente anexado ao Recibo de entrega de arquivos digitais – READ. Nesta rubrica, ao auditála, percebeuse que o número da nota fiscal elencada na planilha e informada no lançamento contábil, tratavase, na verdade, do número da Fatura, que, como sabemos, pode agregar várias notas fiscais, ou Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, o CTRC. (...) 3.6.1 – Fretes na Operação de Venda (...) Para calcular o valor do crédito de direito, procedeuse da seguinte forma: Extraímos os fretes interiharas, isto é, os fretes da Iharabrás para a própria Iharabrás, consolidando tais valores a fim de glosálos, nos Anexos IX “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás Jul 2004 a Dez 2004 – Analítico” e Anexo X “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás – Jul 2004 A Dez 2004 – Sintético”. Identificamos os fretes cujo remetente é a Iharabrás, e destinatário diverso, a fim de manter o creditamento. No que tange ao conceito de “insumos”, ele é polissêmico e não deve ser considerado como um termo de âmbito fechado, tampouco extremamente amplo; a sua interpretação há que se balizada pela proporcionalidade e razoabilidade, além do dever de Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10855.723855/201257 Acórdão n.º 3302004.347 S3C3T2 Fl. 7 6 observarse o contexto em que o determinado bem ou serviço está inserido, para, então, poder se configurar como despesas atinentes ao processo produtivo ou à prestação de serviço, havendo, assim, uma orientação própria na interpretação do conceito “insumo” a fim de observar o princípio da nãocumulatividade, presente na contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS. Há que se observar o processo produtivo da Recorrente e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. Da doutrina contábil, extraise: d) Custo gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço1 Assim, assemelhase, em parte, aos custos de produção e despesas necessárias, previstos nos artigos 290, I, e 299, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mas não há uma identidade total, devendo ser analisado caso a caso, já que se tratam de materialidades similares, mas não idênticas. Assim, ele não pode ser restrito ao conceito, previsto no IPI, nem tão amplo, quanto na legislação do imposto sobre a renda. Da legislação, extraise: Lei 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Lei 10.833/2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; 1 MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010, p. 25. Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10855.723855/201257 Acórdão n.º 3302004.347 S3C3T2 Fl. 8 7 Assim, analisando o contexto, deverá se encontrar um caminho adequado, razoável, para equilibrar o conceito de insumo e, portanto, dar cumprimento à legislação, no caso, a Lei nº 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003. O cerne da questão é se fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica pode ser considerado como insumo do processo produtivo. Para esclarecer como ocorre o creditamento de fretes no que concerne à contribuição para o PIS/Pasep, valese da preciosa lição do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no acórdão nº 3302003.210, que explica didaticamente como ocorre e do qual se adota como fundamento: Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (grifos não constam do original) Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10855.723855/201257 Acórdão n.º 3302004.347 S3C3T2 Fl. 9 8 Pela análise do anexo XIV, fls. 538 e seguintes, e pela própria argumentação da contribuinte, ela pleiteia pelo crédito de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, que por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Por tal motivação, mantémse a decisão da DRJ/Porto Alegre. 5. Conclusão Diante do exposto, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeito a prejudicial de mérito e, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, sendo a matéria preclusa; e, portanto, não pode ser conhecida; igualmente rejeitase a prejudicial de decadência, pelas razões expostas no paradigma e não se conhece da matéria, e, no mérito aplicase o mesmo entendimento quanto ao crédito de PIS/COFINS de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeito a prejudicial de mérito e, no mérito, nego provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1090DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000069/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/10/2006
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. SÚMULA CARF nº 103. PORTARIA MF nº 63/2017.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação de acordo com a Portaria MF nº 63/2017 e a Súmula CARF nº 103.
Recuso de Ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso de Ofício.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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VALOR DE ALÇADA. SÚMULA CARF nº 103. PORTARIA MF nº 63/2017. Para fins de conhecimento de recurso de ofício aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação de acordo com a Portaria MF nº 63/2017 e a Súmula CARF nº 103. Recuso de Ofício não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso de Ofício. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 00 69 /2 00 7- 37 Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 18471.000069/200737 Acórdão n.º 3301003.877 S3C3T1 Fl. 2.109 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Fazenda Nacional contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1316.977 (fls. 951 a 959), de 30 de agosto de 2007, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) – DRJ/RJOII – que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de auto de infração de fls. 333/354 lavrado contra a empresa qualificada em epígrafe em virtude da apuração de diferenças entre os valores escriturados e os valores declarados/pagos (verificações obrigatórias) da Contribuição para o PIS para os meses 07/1999 a 10/2006, exigindoselhe contribuição no valor total de R$4.223.679,02, incluídos multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/01/2007. Informa o fiscal autuante, no "Termo de Verificação Fiscal PIS/Cofins" (fls. 292 a 295) que, tendo recebido para análise o processo administrativo n° 15374.000954/200483, de acompanhamento do Mandado de Segurança n° 2004.51010071973, no qual a impugnante busca eximirse do recolhimento da contribuição para o PIS com as inovações promovidas em sua base de cálculo pela Lei n° 9.718//98, constatou que a liminar foi indeferida e que a sentença denegou a segurança. Constatou ainda a inexistência de recolhimentos e a necessidade de se proceder ao lançamento das contribuições para o PIS. O enquadramento legal encontrase a(s) fl(s). 337 e 339. Cientificada em 12/02/2007, a interessada apresentou em 14/03/2007 a impugnação de fls. 446/481, na qual alegou: Ser totalmente descabido o Auto de Infração lavrado, uma vez que as receitas auferidas pela Impugnante decorrem da locação das listas telefônicas, que conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, não é fato gerador da Contribuição para o PIS, e mesmo que assim não fosse, as listas telefônicas são imunes ao PIS, verdadeiro imposto inominado, nos termos da alínea "d", do inciso V I do art. 150 da CF; Apenas para argumentar, alega que mesmo que as receitas auferidas pudessem ser tributadas pelo PIS, o Auto é insubsistente, visto que o direito do Fisco Federal de proceder o lançamento dos supostos créditos decaiu, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN; Que detém um termo de cessão no qual as empresas Telelistas (Região 1) Ltda. e a Telelistas Editora S/A cedem à impugnante todas as suas obrigações previstas nos contratos de edição e em seus anexos, referentes às atividades de produção e distribuição das listas telefônicas obrigatórias das Concessionárias Telemar. Argumenta que as listas telefônicas não são vendidas às Companhias Telefônicas. Os contratos firmados entre a Telelistas e a Telemar possuem a natureza de locação de bens móveis, cujos direitos foram cedidos à impugnante, sendo certo que a Fl. 2109DF CARF MF Processo nº 18471.000069/200737 Acórdão n.º 3301003.877 S3C3T1 Fl. 2.110 3 impugnante possui a obrigação de editar e distribuir as listas telefônicas e o direito de receber diretamente das Concessionárias Telemar, o que faz com que as receitas auferidas sejam receitas provenientes de locação de bens móveis. Tendo em vista que a locação implica numa obrigação de dar coisa certa, que não se confunde com a prestação de serviços, temse que a contraprestação da locação não compõe o faturamento da empresa, razão pela qual não há que incidir o PIS; Que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE n° 346084/PR, declarou a inconstitucionalidade do §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98. Assim, ficam de fora do campo de incidência do PIS as receitas financeiras, as decorrentes de aluguel, quando essa atividade não fizer parte do objeto social da pessoa jurídica, ganhos de capital, dentre outras, nos termos da Lei n° 7/70. Desse modo, as receitas de locação de listas telefônicas não se sujeitam à Cofins, por não constituírem faturamento e por conseqüência, não constituírem base de cálculo da referida exação até dezembro de 2002, quando então passou a vigorar a Lei n° 10.637/02; Que em razão de faltar ao PIS a característica contraprestacional típica das contribuições especiais e, principalmente, após a desvinculação do produto de sua arrecadação, tal tributo tornouse, em verdade, imposto, visto que nasce a obrigação de pagar o tributo com a simples ocorrência do fato gerador, independentemente do destino a ser dado ao tributo, o que é a principal característica dos impostos; Demonstrado que a Contribuição para o PIS é, em verdade, imposto inominado, são aplicáveis a esse tributo todas as normas referentes aos impostos em geral, inclusive a disposição contida no art. 150, inciso V I , alínea " d " da CF/88, que veda a tributação de operações com livros, jornais , periódicos e papel destinado à sua impressão. Tratamse as listas telefônicas de periódicos, conforme expressamente definido pelo art. 3o do Decreto n° 1.051/94 e portanto, beneficiamse da referida imunidade tributária; Por fim, contesta a multa de ofício de 75%, alegando ter a mesma caráter confiscatório, em ofensa ao disposto no art. 150, inciso V I , da Constituição Federal; Anexei, às folhas 749 a 763, consultas ao sitio da Justiça Federal, com informações sobre o andamento da Apelação Mandado de Segurança, processo n° 2004.51010071973 e cópia do acórdão proferido pelo TRF da 2 o Região em 26/07/2007. O ora analisado Acórdão decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento. Intimando o Contribuinte para o pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias ou ingressar com Recurso Voluntário caso queira rediscutir a matéria e, ainda, observando que se recorre de ofício por se tratar de crédito tributário exonerado excedente a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). O Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 968 a 1012), em 22 de novembro de 2007, visando a reforma da supracitada decisão, julgando improcedente o lançamento e cancelando o Auto de Infração. O Segundo Conselho de Contribuintes decidiu, por meio da Resolução nº 20400.655 (fls. 1028 a 1031), em 6 de novembro de 2008, converter o julgamento do Recurso Voluntário em Diligência. Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 18471.000069/200737 Acórdão n.º 3301003.877 S3C3T1 Fl. 2.111 4 Em 28 de novembro de 2011, a Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro – Divisão de Fiscalização – apresentou Informação Fiscal (fls. 11061108) visando atender as solicitações do Segundo Conselho de Contribuintes. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por meio da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, apresentou Acórdão nº 3403 003.213 (fls. 2072 a 2076), em 21 de agosto de 2014, que, por unanimidade de votos, decidiu não conhecer do Recurso Voluntário na parte concomitante com o processo judicial (fatos geradores de janeiro a novembro de 2002) e dar provimento no sentido de reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos entre julho de 1999 e dezembro de 2001. Ocorre que o referido Acórdão foi omisso no que tange o julgamento do Recurso de Ofício, como foi assinalado pelo documento (fl. 2101) juntado aos autos pelo Chefe da Equipe de Contencioso Administrativo Fiscal – DICAT/CAF. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso de Ofício interposto pela Fazenda Nacional, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1316.977 (fls. 951 a 959), de 30 de agosto de 2007, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade. O ora analisado Recurso de Ofício visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: C O N T R I B U I Ç Ã O PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1999 a 31/10/2006 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep é de 10 (dez) anos, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS LIVROS, JORNAIS, PERIÓDICOS E DO PAPEL DESTINADO A SUA IMPRESSÃO (CF/88, 150, V I, D). A imunidade relativa aos livros, jornais, periódicos e ao papel destinado a sua impressão alcança apenas os impostos, não abrangendo outras espécies tributárias. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial, em nome da interessada, importa renúncia às instâncias administrativas quanto à mesma matéria, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. PIS. CUMULATIVIDADE. Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 18471.000069/200737 Acórdão n.º 3301003.877 S3C3T1 Fl. 2.112 5 As receitas auferidas por pessoas jurídicas, decorrentes da edição de periódicos e de informações neles contidas, que sejam relativas aos assinantes dos serviços públicos de telefonia, retornaram, a partir de 01/05/2004, a sujeitarse à tributação cumulativa do PIS. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em face do disposto no Acórdão proferido pelo TRF da 2 a Região, nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.51.01.0071973, os lançamentos referentes aos meses 07/1999 a 11/2002, permanecerão com sua exigibilidade suspensa até que ocorra o trânsito em julgado da ação. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. I 5 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Recorrese de ofício ao Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 06.03.1972, com a nova redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532, de 10.12.1997, e de acordo com o art. 2 o da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n.° 375, de 07.12.2001, tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excede a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. (Grifouse). Dêse conhecimento do presente acórdão à Fiscalização, em vista do disposto no voto do relator. Sabese, que de acordo com a legislação, a interposição de Recurso de Ofício ocorre quando a decisão exonerar o Contribuinte do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais); Assim dispõe a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Na análise do Demonstrativo de Débito "B" Intimação no. 2007/, relativo ao Auto de Infração, lavrado em 12/02/2007, às folhas 966 e 967, percebese que o total do valor principal exonerado (R$ 711.334,26) somado com o valor total da multa exonerada (R$ 533.500,72) corresponde ao valor total de R$ 1.224.834,98 (um milhão, duzentos e vinte e quatro mil, oitocentos e trinta e quatro reais e noventa e oito centavos). O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao tratar do conhecimento do Recurso de Ofício assim se pronuncia: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 18471.000069/200737 Acórdão n.º 3301003.877 S3C3T1 Fl. 2.113 6 Na aplicação da Súmula nº 103 há que se buscar o significado da expressão "na data de sua apreciação". Os julgados que fundamentam a referida Súmula aplicaram o preceito processual do tempus regit actum de tal forma que os requisitos de conhecimento devem ser aqueles vigentes a data da apreciação do Recurso de Ofício. Assim, como o crédito exonerado, a soma do principal e da multa correspondente, é inferior ao limite fixado pela Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, voto em não conhecer do Recurso de Ofício, mantendo a integralidade da decisão proferida no Acórdão 3403003.213. Valcir Gassen Relator Fl. 2113DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.002099/2001-53
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/1987 a 30/09/1988 RESTITUIÇÃO.COMPENSAÇÃO. PRAZO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005.
A jurisprudência firmada no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início na data da homologação do lançamento - expressa ou tácita. Quando não ocorrer homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito é de dez anos contados do fato gerador.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.302
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso extraordinário interposto pelo Contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Jorge Celso Freire da Silva
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1987 a 30/09/1988 RESTITUIÇÃO.COMPENSAÇÃO. PRAZO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. A jurisprudência firmada no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início na data da homologação do lançamento - expressa ou tácita. Quando não ocorrer homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito é de dez anos contados do fato gerador. Recurso Extraordinário Negado.
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Recorrida PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1987 a 30/09/1988 RESTITUIÇÃO.COMPENSAÇÃO. PRAZO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. A jurisprudência firmada no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início na data da homologação do lançamento expressa ou tácita. Quando não ocorrer homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito é de dez anos contados do fato gerador. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso extraordinário interposto pelo Contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 20 99 /2 00 1- 53 Fl. 655DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0917.14392.ZPZ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10660.002099/200153 Acórdão n.º 9900000.302 CSRFPL Fl. 8 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 656DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0917.14392.ZPZ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10660.002099/200153 Acórdão n.º 9900000.302 CSRFPL Fl. 9 3 Relatório A Recorrente, Exportadora Princesa do Sul Ltda., irresignada com o decidido no Acórdão CSRF/0306.249, proferido na sessão da CSRF de 09/12/2008, apresentou recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fulcro no artigo 9°. do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época da aludida decisão. O recurso está sendo processado em observância ao art. 4°. da Portaria MF 256/2009, que aprovou o atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e assim dispõe (redação dada pela Portaria MF 446/2009): “Art. 4º os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do regimento interno da câmara superior de recursos fiscais, aprovado pela portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do anexo ii desta portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele regimento. (NR)” A matéria recorrida referese à contagem de prazo para interposição de pedido de reconhecimento de direito creditório, sendo que o acórdão recorrido apresenta a seguinte ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COTA CAFÉ. PRAZO. A jurisprudência firmada no STJ é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início na data da Homologação expressa ou tácita — do lançamento. Não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito é de dez anos contados do fato gerador. Recurso Especial Provido. A Recorrente apontou como paradigmas os Acórdãos CSRF/0202.482, de 16/10/2006 e CSRF/0304227, de 21/02/2005 que, na questão em debate, trazem como ementa: Acórdão n° 0202.482 PRESCRIÇÃO. Nós pleitos de compensação/restituição de PIS formulados em face da inconstitucionalidade dos DecretosLeis n°s 2.445/88 é 2.;4:49/8.8, o prazo de prescrição do direito creditório. é de 5 (cinco) anos contado da data da publicação da Resolução n° 49 do: Senado:Federal, de 10 de outubro de 1995. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial Negado. Acórdão n° 0304.227 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para requerer o indébito tributário decorrente da declaração de inconstitucionalidade das majorações de alíquota do Finsocial 'é de 5 anos, contado da data de publicação da Medida Provisória n° 1.62136/98, que, de forma definitiva, trouxe a , manifestação do Poder Executivo no sentido de possibilitar ao contribuinte fazer a correspondente solicitação. 'Recurso Especial Negado. Fl. 657DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0917.14392.ZPZ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10660.002099/200153 Acórdão n.º 9900000.302 CSRFPL Fl. 10 4 Mediante despacho de 15/08/2011, fls. 627 e seguinte, o Presidente da CSRF deu seguimento ao recurso nos seguintes termos: Pois bem, na análise da decisão e dos fundamentos dos arestos confrontados, verificase divergência jurisprudencial, uma vez: que _. á . decisão vergastada embasase no art. 168 do CTN, contandose o prazo decadeiiçial ; de 1,0 anos a partir do fato gerador, independentemente de ter havido ou não pagamento aritecipado do tributo e os paradigmas oferecidos preconizam que a contagem de 5 anos se inicia na data da publicação das medidas que declararam inconstitucional a majoração das:'álíquotas,dos tributos. Caracterizado o dissídio jurisprudencial,. DOU seguimento ao recurso • extraordinário, devendo ser assegurado à Fazenda Nacional o direito de oferecer contrarrazões, no prazo de quinze dias da ciência deste Despacho. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões de fls. 632/636, propugnando para que seja negado provimento ao recurso, aduzindo que: O egrégio Tribunal Superior, nas ações ajuizadas até o período de cento e vinte dias da edição da Lcp 118, de 2005, ou seja, 9 de junho de 2005, decidiu pacificar o entendimento, aplicando a tese dos "cinco. mais cinco", independentemente de o objeto da repetição de indébito ter como fundamento uma exação declarada inconstitucional pelo STF, ou da data de julgamento da decisão do STF ou ainda da causa do indébito, argüindo conferir mais segurança à prática tributária. Em julgado recente, ementouse então que: "não há se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. Aplicase o prazo prescricional conforme pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco." Sendo assim, não merece prosperar o Recurso Extraordinário da contribuinte, ainda mais que o Plenário do STF já assentou o entendimento de aplicação da tese do "5+5" no tocante ao prazo para restituição de tributos, antes da Lei Complementar no. 118/2005, hipótese dos autos, verbis: (...) Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer SEJA IMPROVIDO o Recurso Extraordinário interposto pela contribuinte, mantendose o inteiro teor do v. acórdão recorrido. É o que importa relatar. Fl. 658DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0917.14392.ZPZ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10660.002099/200153 Acórdão n.º 9900000.302 CSRFPL Fl. 11 5 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, Relator. O recurso extraordinário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. De início cumpre lembrar que o escopo do Recurso Extraordinário (REX) ao Pleno da CSRF era dirimir divergências jurisprudencial no âmbito das turmas da própria CSRF, que deve ser comprovada pelo recorrente mediante apresentação de julgado de outra turma superior com decisão dispare. Logo, não se trata de mais uma instância administrativa, pelo descabe a apreciação de quaisquer outras matérias anteriormente tratadas no litígio, que não aquelas que ensejou o seguimento do REX. No presente caso, a matéria admitida referese à forma de contagem de prazo para interposição de pedido de reconhecimento de direito creditório em face de tributo cuja exigência foi declarada inconstitucional pelo STF ou reconhecida como indevida pela própria Administração Tributária. Pois bem, há milhares de julgados neste Conselho no qual foi adotada a data do reconhecimento de que a cobrança era mesmo indevida como marco inicial para contagem do prazo para pleitear a repetição do indébito. A grande maioria dessas decisões tornaramse definitivas e os contribuintes obtiveram o reconhecimento do direito creditório, inclusive aqueles cujo pedido foi interposto mais de 10 (dez) anos após o recolhimento. Essa matéria, no que concerne aos recolhimentos efetuados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, jamais chegou a ser pacificada no âmbito do CARF ou do antigo Conselho de Contribuintes, ensejando os recursos ao Pleno tanto por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional ou dos contribuintes (que é o presente caso). Ocorre que o atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 259/2009, sofreu algumas alterações pela Portaria nº 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, segundo o qual as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, bem como pelo Supremo Tribunal FederalSTF, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Consultando os julgados do Superior Tribunal Federal verificase a seguinte decisão (RE 566.621): DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO Fl. 659DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0917.14392.ZPZ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10660.002099/200153 Acórdão n.º 9900000.302 CSRFPL Fl. 12 6 PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Grifei). Está patente na decisão do egrégio STF que a tese dos "cinco mais cinco', aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, nas ações de repetição de indébito, de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, que tem como fundamento legal a interpretação dada ao art. 168, inciso I, combinado com o art. 156, inciso VII, todos do CTN, deve prevalecer nos pleitos interpostos antes da vigência da LC 118/2005. Frisese: o STF pacificou o entendimento de que nas ações ajuizadas até o período de cento e vinte dias da edição da Lcp 118, de 2005, aplicase a tese dos "cinco. mais cinco", independentemente de o objeto da repetição de indébito ter como fundamento uma exação declarada inconstitucional pelo STF, ou da data de julgamento da decisão do Fl. 660DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0917.14392.ZPZ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10660.002099/200153 Acórdão n.º 9900000.302 CSRFPL Fl. 13 7 STF ou ainda da causa do indébito, argüindo conferir mais segurança à prática tributária. Logo, não há se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. Conclusão Em face de todo o exposto, e considerando que os fatos geradores ocorreram de 01/05/1987 a 30/09/1988 e que o pedido foi protocolado em 20 de junho de 2001, não cabe mesmo a restituição pleiteada. Sendo assim, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso extraordinário interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 661DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0917.14392.ZPZ5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 21/03/2013 10:44:14. Documento autenticado digitalmente por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 03/04/2013. Documento assinado digitalmente por: OTACILIO DANTAS CARTAXO em 11/04/2013 e JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 03/04/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 26/09/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP26.0917.14392.ZPZ5 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D00E9C97EAD8E834CCC8699C7B86C0B1C3B9DB96 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10660.002099/2001-53. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11020.723430/2014-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração lavrado contra a empresa METALCORTE FUNDIÇÃO LTDA (fls. 3/10), sendo lançado crédito tributário no montante de R$ 1.052.927,72, incluídos nesse valor o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, referente aos períodos de 09/2012 a 05/2013 e 09/2013, multa proporcional qualificada e juros de mora. Consta dos autos arrolados como responsáveis solidários o sócio administrador da empresa Sr. Osvaldo Carlos Voges e a pessoa jurídica OCV Administração e Participações Ltda. Os sócios da pessoa jurídica fiscalizada eram a empresa OCV inscrita no CNPJ sob o n° RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .7 23 43 0/ 20 14 -9 5 Fl. 5904DF CARF MF Processo nº 11020.723430/201495 Resolução nº 3402001.044 S3C4T2 Fl. 5.905 2 11.015.585/000130 que detém 99,0% das quotas. A administração de ambas empresas era exercida unicamente pelo sócio Sr Osvaldo Carlos Voges. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, nº 01 32.810, de 10/05/2016, prolatada pela 3ª Turma da DRJ em Belém (PA), a seguir transcrito (fls. 5.844/5.852): Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa acima identificada, sendo lançado crédito tributário no montante de R$ 1.052.927,72, incluídos nesse valor o IPI referente aos períodos acima citados, multa proporcional qualificada e juros de mora. Foram ainda apontados como responsáveis solidários o Sr. Osvaldo Carlos Voges e a pessoa jurídica OCV Administração e Participações Ltda, sob a seguinte justificativa: “Demais Responsáveis Tributários CPF 503.712.82004 Nome OSVALDO CARLOS VOGES Responsabilidade Tributária Responsabilidade Solidária de Direito Motivação Era o sócio administrador da pessoa jurídica no período fiscalizado; sendo portanto, diretamente responsável para que a legislação tributária fosse infringida quando da reiterada prática dolosa de apurar e informar nas DIPJ's e nas DCTF's da empresa imposto inferior ao efetivamente devido por meio da utilização de artifícios ardilosos, para registrar, usar e declarar créditos de IPI inexistente, com o evidente intuito de fraude e sonegação. Além de emitir notas fiscais com informações falsas e utilização das mesmas para abater crédito de IPI devido e lançálas na sua escrituração fiscal e contábil. Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000: Art. 124, inciso II, da Lei n° 5.172/66. CNPJ 11.015.585/000130 Nome Empresarial OCV ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA Responsabilidade Tributária Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto Motivação Os sócios da pessoa jurídica fiscalizada eram a empresa OCV ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA inscrita no CNPJ sob o n° 11.015.585/0001 30 que detém 99,0% das quotas e o outro sócio é o Sr OSVALDO CARLOS VOGES que responde com 1,0% das quotas do capital da fiscalizada. Este último, por sua vez, detém a totalidade das cotas da empresa OCV ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA (direta 99,0% e indiretamente 1,0%) e a administração de ambas era exercida unicamente pelo sócioadministrador Sr. OSVALDO CARLOS VOGES. Portando os atos dolosos praticadas na empresa fiscalizada eram de conhecimento da sócia quotista na pessoa do seu sócioadministrador e tinha o seu consentimento, portando a sócia cotista, pessoa jurídica, responde solidariamente com os seus bens em vista do responsável pela pessoa jurídica, sócia da fiscalizada ser o mesmo. São responsáveis para que a legislação tributária fosse infringida quando da reiterada prática dolosa de apurar e informa nas DIPJ's e nas DCTF"s, bem como na sua Escrituração Fiscal Digital (EFDICMS/ IPI) imposto inferior ao efetivamente devido por meio da utilização de artifícios ardilosos, para registar usar e declarar créditos Fl. 5905DF CARF MF Processo nº 11020.723430/201495 Resolução nº 3402001.044 S3C4T2 Fl. 5.906 3 de IPI inexistente, com o evidente intuito de fraude e sonegação. Além de emitir notas fiscais com informações falsas e utilização das mesmas para abater crédito de IPI devido e lançálas na sua escrituração fiscal e contábil.” 2. Segundo o Relatório Fiscal, anexo ao Auto, a fiscalização identificou a existência de crédito de IPI indevidamente registrado em sua escrituração contábil e fiscal, conforme transcrições abaixo: “...Para reduzir o valor do imposto devido (IPI), em cada período de apuração, o sujeito passivo registrava em sua escrituração fiscal um crédito de IPI inexistente mediante a inserção de crédito de IPI no campo ‘Outros Créditos’ do RAIPI no período de 05/2011 a 01/2012 e a partir de 02/2012 mudou de procedimento passando a emitir notas fiscais de entrada com informações falsas, destacando nelas IPI indevido e creditandose posteriormente desses valores reduzindo assim, o valor do IPI devido. (Cópias de DANFE's, por amostragem, doc. 26). Em síntese, a operação consistia na inserção de crédito de IPI falso no campo ‘Outros Créditos’ do RAIPI, (05/2011 a 01/2013) e a partir do mês 02/2012 passou a emitir notas fiscais de entrada com destaque indevido de IPI, creditandose posteriormente dos mesmos como se o crédito tivesse origem numa operação de aquisição de matéria prima. Nos dois procedimentos a finalidade era a utilização de crédito indevido para reduzir o imposto devido nas operações de saída de produtos tributados. As notas fiscais emitidas com essa finalidade apresentavam o mesmo adquirente e o mesmo fornecedor ‘do produto’ (crédito de IPI) onde as duas figuras, adquirente e fornecedor, se confundem na pessoa jurídica fiscalizada: Metalcorte Fundição Ltda. inscrita no CNPJ sob o n2 03.273.282/000431 (doc. 26). No andamento do procedimento fiscal constatouse que a partir do mês 09/2013 o sujeito passivo abandonou essa prática e antes do início do procedimento fiscal, o contribuinte reconheceu tais créditos como inexistentes e fez a sua exclusão e apresentando novas DCTF's retificadoras. Contudo no período de 09/2012 a 05/2013 e 09/2013 reconheceu os créditos tomados indevidamente somente depois de iniciado o procedimento fiscal. ........... Destacase que para mascarar todas essas operações de inserir crédito falso o sujeito passivo usava, na emissão das notas fiscais com informações falsas, a natureza da operação como se fossem compras de mercadoria para industrialização, os ‘produtos’ eram identificados pelos códigos ‘CFOP1101 CRÉDITO DE IPI’ e o código CFOP utilizado era ‘1101 — Compra de matéria prima para Industrialização’ (cópia de DANFE's doc. 26). Os demais campos da nota fiscal como: a identificação/quantificação do produto, valor unitário, valor total, base de cálculo eram omitidos tendo em vista que o único campo da nota fiscal que lhes interessava era o campo destinado ao IPI cujo crédito era posteriormente Fl. 5906DF CARF MF Processo nº 11020.723430/201495 Resolução nº 3402001.044 S3C4T2 Fl. 5.907 4 registrado na sua Escrituração Contábil e Fiscal (Livro Diário, Livro Registro de Entradas de Mercadorias e Livro Registro de Apuração do IPI LRAIPI) como redutor do imposto devido. Portanto, nesse procedimento de emitir notas fiscais para si, com destaque (indevido) do IPI, a empresa agiu deliberadamente com o objetivo de mascarar a existência desses créditos utilizando os mesmos códigos de operações reais de aquisições de matériasprimas com direito ao crédito de IPI, tudo para confundir, impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária dessas informações e evitar o desnudamento da fraude praticada contra o erário público. Destacamos que nas respostas apresentadas pelo contribuinte em datas de 03/10/2014 e 14/10/2014 (docs. 07 e 09) o sujeito passivo declara que estornou os créditos de IPI tomados indevidamente e solicitou parcelamento seguindo os parâmetros da Lei n2 12.996, de 18/06/2014. Intimado a apresentar o recolhimento da parcela de antecipação e as parcelas subsequentes nada apresentou. Em consulta ao banco de dados da arrecadação verificouse que a parcela antecipada (primeira parcela) foi de apenas R$ 1.000,00, valor simbólico se comparado com o valor da dívida consolidada do sujeito passivo que ultrapassa a cifra de R$ 30.000,000,00 (does. 31 e 32). De acordo com o parágrafo 2º , inciso IV da Lei 12.996/2014 a antecipação da 1ª parcela deve corresponde ao percentual de 20,0% do montante da dívida objeto de parcelamento. Depois de inserir créditos falsos na sua escrituração fiscal, nas declarações e arquivos encaminhados à RFB, de emitir notas fiscais com informações falsas com o intuito promover a redução do montante o imposto devido, e agora realiza o recolhimento de apenas R$ 1.000,00 quando a quantia correta para aderir ao parcelamento é superior a R$ 600.000,00, isso aponta para mais um procedimento lesivo à Fazenda Pública, levado a efeito pelo sujeito passivo, com a intenção deliberada de não recolher o tributo devido ou a postergar infinitamente o seu pagamento pois, de pronto, descumpre um dos requisitos indispensáveis para adesão ao parcelamento facilitado, beneficiado com a redução da multa e juros de mora. Está sendo objeto deste lançamento de ofício somente os valores reconhecidos pelo sujeito passivo e declarados nas DCTF's (doc. 19) depois de iniciado o procedimento fiscal em face da perda da espontaneidade, ou seja, o período de 09/2012 a 05/2013 e 09/2013. ........” 3. Em seguida, ainda no mesmo Relatório, justifica a qualificação da multa e a atribuição de responsabilidade aos sócios: “....5. DA APLICACÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA No caso específico em análise, de forma reiterada a fiscalizada fez inserir informações falsas na sua escrituração contábil e fiscal, nas declarações encaminhadas à Receita Federal (DCTF's doe. 19, DIPJ's doe. 30 e Notas Fiscais de entrada emitidas pela fiscalizada doe. 26), nos Livros Registro de Entradas de Mercadorias e nos Livros Registro de Apuração do IPI, bem como nas informações transmitidas para o banco de dados do Sped (emissão de notas fiscais eletrônicas, Fl. 5907DF CARF MF Processo nº 11020.723430/201495 Resolução nº 3402001.044 S3C4T2 Fl. 5.908 5 Sped fiscal e contábil) com o único objetivo de evitar que a autoridade tributária tomasse conhecimento da totalidade dos tributos devidos e impedindo assim a sua regular cobrança. .......... A conduta descrita acima torna evidente que a forma de agir da fiscalizada foi dolosa pois foi rotina da empresa fabricar créditos de IPI para posterior dedução do imposto devido reduzindo assim, o valor do imposto a recolher. Para fins de enquadramento, consideramos que fica caracterizada a fraude, ou seja, houve uma ação ou omissão, promovida com máfé, tendente a ocultar uma verdade ou a fugir de um dever de pagar imposto. De forma mais específica, o art. 72 da Lei n2 4.502/64 estabelece que fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. ............. 6. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA....... O Sr. OSVALDO CARLOS VOGES, (CPF 503.712.82004), era o sócio administrador da pessoa jurídica no período fiscalizado, bem como o sócioadministrador da sócia majoritária OCV AMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA inscrita no CNPJ sob o nº 11.015.585/0001 30 sendo estes, portanto, diretamente responsáveis para que a legislação tributária fosse infringida quando da reiterada prática dolosa de apurar e informar nas DIPJ's (doc. 30) e nas DCTF's (doc. 19) imposto inferior ao efetivamente devido por meio da utilização de artifícios ardilosos, para registrar, usar e declarar créditos de IPI inexistente, com o evidente intuito de fraude e sonegação. Além de emitir notas fiscais com informações falsas e utilização das mesmas para abater crédito de IPI devido e lançálas na sua escrituração fiscal e contábil (doc. 26). .........” 4. Cientificada em 13.11.2014 (fl. 5721), a interessada apresentou, tempestivamente, em 15.12.2014, impugnação na qual apresenta os seguintes argumentos: “...1 DA RETIFICAÇÃO DAS DCTF'S. DO PARCELAMENTO DO DÉBITO ATRAVÉS DO REFIS DA COPA LEI 12.996/2014. Primeiramente, cumpre ressaltar que, conforme reconhecido no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fl. 04), houve a retificação das DCTF's por parte da Impugnante, a fim de ser incluída a totalidade dos valores presentes no Auto de Infração, ora impugnado, conforme documentos em anexo. Não obstante, a empresa Impugnante aderiu ao programa de refinanciamento de dívidas tributárias., denominado ‘Refis da Copa’, instituído pela Lei n° 12.996/14, alterada pela MP n° 651/2014. a fim Fl. 5908DF CARF MF Processo nº 11020.723430/201495 Resolução nº 3402001.044 S3C4T2 Fl. 5.909 6 de realizar o parcelamento dos débitos lançados no presente Auto de Infração, conforme faz prova os documentos em anexo. Diante do exposto, deve ser desconstituído o Auto de Infração ora impugnado. 2 DA ILEGALIDADE DOS TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Considerando que se trata de um único crédito tributário, o qual, inclusive, foi reconhecido através da retificação das DCTF's por parte da Impugnante, tal quantia somente poderá ser exigida de terceiros, quando não for possível a exigência do cumprimento da obrigação pelo próprio contribuinte. Ou seja, a responsabilidade do terceiro é subsidiária, nos termos do art. 134, caput do CTN, o qual segue transcrito abaixo: ‘Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (...)’ Ocorre que, os débitos referidos no Auto de Lançamento ora impugnado, já estão sendo adimplidos pelo Contribuinte Principal através da adesão ao programa de refinanciamento de dívidas tributárias, denominado "Refis da Copa", instituído pela Lei n° 12.996/14, alterada pela MP n° 651/2014, conforme faz prova os documentos em anexo. Isso posto, se mostra equivocada e arbitrária a inclusão de terceiros como responsáveis solidários por crédito tributário que está sendo devidamente quitado pelo Contribuinte Principal. .... Outrossim, inexistente discricionariedade administrativa quando da identificação do sujeito passivo no procedimento de lançamento, no entanto, não será lícito à Administração Tributária pretender escolher entre o contribuinte ou o responsável tributário, para o fim da exigência do crédito tributário devido. Portanto, a Impugnada, nos termos da lei, deverá, primeiramente, lançar o crédito exclusivamente em nome do devedor principal e, somente depois e na impossibilidade de o patrimônio da empresa fazer frente ao montante devido, é que poderá lançar contra demais responsáveis tributários. 3 DA INAPLICABILIDADE DA MULTA, EM FACE DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO NÃO CONFISCO E DOS PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. Trataremos neste ponto, sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da multa aplicada sobre o montante do tributo devido. Fl. 5909DF CARF MF Processo nº 11020.723430/201495 Resolução nº 3402001.044 S3C4T2 Fl. 5.910 7 O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. ..........” É o Relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2012, 2013 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, sendo que o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. INTERESSE COMUM. Comprovado que cabe aos sócios diretores da empresa a decisão pela realização de atos ou negócios jurídicos e pelo cumprimento das obrigações tributárias dele decorrentes, é cabível a eleição desses sócios como responsáveis tributários, nos termos do art. 124, I do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa METALCORTE, foi cientificada da decisão DRJ, por via postal, em 18/05/2016, conforme cópia do AR Correio à fl. 5.856. A empresa OCV Administração e Participações Ltda, responsável solidária, da mesma forma foi cientificada da decisão DRJ, em 19/05//2016 (cópia fls. 5.857). O Sr. Osvaldo Carlos Vogues, também arrolado como responsável solidário, foi cientificado em 17/05/2106, conforme cópia do comprovante ARCorreio à fl. 5.855. Em 24/06/2016, conforme Despacho da DRF/Caxias do Sul (RS), foi lavrado o TERMO DE PEREMPÇÃO, conforme abaixo (fl. 5.861): "Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto nº 70.235/1972, art. 33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este termo de perempção na forma da legislação vigente. Esgotado o prazo da cobrança amigável, sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva (art. 21, § 3º do Decreto 70.235/1972)". Na sequência, na mesma data, foram expedidas as Cartas de Cobrança, e os comprovantes de ciência do Recorrente e solidários, conforme documentos de fls. 5.862/5.866. Fl. 5910DF CARF MF Processo nº 11020.723430/201495 Resolução nº 3402001.044 S3C4T2 Fl. 5.911 8 No entanto, em 12/08/2016, encontrase o Termo de Solicitação de Juntada, referente a uma PETIÇÃO formalizada pela Recorrente, nos seguintes termos (fls. 5.868/5.869): "(...) No dia 16 de junho de 2016, foi realizada a juntada de documentos no respectivo processo, por meio do sistema PGS Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos. Ocorre que a Empresa recebeu uma intimação por meio do portal do ECAC, informando a inconsistência na recepção dos documentos enviados. Ao se dirigir a Delegacia da Receita Federal, fomos informados que não possuíamos poderes para solicitar a juntada de documentos. Diante disso, foi providenciada a procuração nos dando poderes específicos para a realização da solicitação de juntada. Depois de realizada a devida alteração, retornamos a RFB e fomos informados pela Sra. Marilene que poderíamos realizar novamente a juntada de documentos, via sistema PGS Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos. Deste modo, requer que seja realizada novamente a juntada do recurso voluntário, sem que haja prejuízo para a Empresa, tendo em vista que o recurso foi apresentado tempestivamente". A Recorrente junta aos autos, um extrato da tela do sistema "Caixa Postal Eletrônica", onde naquela data (16/06/2016), recebe mensagem informando "que foi verificado inconsistência(s) na recepção do(s) documento(s) enviado(s)", pelos seguintes motivos. Veja se (fl. 5.870): "Motivo da Inconsistência: Procurador sem permissão para solicitar juntada de documentos para o processo. O contribuinte pode restringir a procuração para determinados processos". Por fim, verificase que às folhas 5.871/5.886, foi apensado o Recurso Voluntário (junto com a procuração e o estatuto da empresa), datado de 14 de junho de 2016, muito embora assinado digitalmente em 12/08/2016 (fl. 5.886) e também recepcionado pela DRF/Caxias do Sul em 12/08/2016, conforme consta dos documentos de fls. 5.867 e 5.902. Vejase abaixo reproduzido o que consta do Despacho da Unidade preparadora à fl. 5.903, a seguinte informação: "Considerando a apresentação do recurso voluntário intempestivo pelo contribuinte e em conformidade com as orientações da Nota Sief Processos nº 008/2016 (Recurso Perempto) encaminho o presente processo ao CARF/MF/DF para análise e providências de sua alçada". Em sua Peça recursal, apresenta as seguintes razões, em resumo: (i) conforme referido na impugnação, o Auto de Infração oriundo deste processo, salvo melhor juízo, não se presta ao fim colimado, pois houve a retificação das Fl. 5911DF CARF MF Processo nº 11020.723430/201495 Resolução nº 3402001.044 S3C4T2 Fl. 5.912 9 DCTF’s, para fins de parcelamento dos débitos. Afirma que a Recorrente aderiu ao programa de refinanciamento de dívidas tributárias, denominado “Refis da Copa”, instituído pela Lei nº 12.996/14, alterada pela MP n° 651/2014, a fim de realizar o parcelamento dos débitos executados na presente demanda, conforme faz prova os documentos anexados aos autos; (ii) da ilegalidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária: resta claro a ilegalidade da atribuição da responsabilidade ao sócio, vez que a empresa aderiu ao programa de parcelamento especial, ou seja, o contribuinte conseguirá realizar o pagamento dos valores; (iii) da evidente ilegalidade e inconstitucionalidade da multa aplicada sobre o montante do tributo supostamente devido, a decisão aduz que foi aplicada no presente caso a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. Não obstante a natureza jurídica da multa aplicada in casu, ou sua previsão legal, importante salientar que a fixação de multa atinge frontalmente os princípios administrativos e constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade, considerados verdadeiros cânones da Administração Pública. Pelo exposto, requer a reforma do acórdão, a fim de declarar sua nulidade, para que retornem os autos à origem para novo julgamento, ou, caso não seja esse o entendimento, seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada. Quanto a empresa OCV Administração e Participações Ltda, não se encontra nos autos suas razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator 1. Da admissibilidade do recurso Primeiramente, dada a hipótese de solidariedade na responsabilidade por infração à legislação tributária apontada na autuação fiscal, as razões de contestação apresentadas por um dos acusados em princípio aproveitam ao outro autuado, com exceção de eventuais alegações de caráter pessoal que possam importar na caracterização de dolo específico. Posto isto, passo ao exame de admissibilidade do recurso voluntário apresentado pela METALCORTE FUNDIÇÃO LTDA, uma vez que o solidário, empresa OCV, apesar de ter sido regularmente intimado, não apresenta seu recurso. O artigo 23, II, do Decreto 70.235/72, dispõe sobre a utilização da intimação por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Como já relatado, à fl. 5.856 dos autos consta a cópia do ARCorreio do recebimento da ciência da Recorrente em 18/05/2016 (quarta feira) e do sócio solidário Sr. Osvaldo Carlos Vogues em 17/05/2016 (fl. 5.855). Desta forma, o prazo de 30 dias para apresentação de recurso pela Reocrrente começou a fluir em 19/05/2016, expirando em 17/06/2016 (uma sexta feira). Fl. 5912DF CARF MF Processo nº 11020.723430/201495 Resolução nº 3402001.044 S3C4T2 Fl. 5.913 10 Primeiramente há que se analisar a tempestividade do recurso. Conforme o art. 33 do Decreto 70235/72, o Recurso Voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, conforme a seguir. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.(grifei) Ocorre que a Recorrente apresenta nos autos documento comprovando que o recurso foi apresentado efetivamente em 16/06/2016, conforme se verifica na data do protocolo eletrônico/documentos de fl. 5.870 (extrato da tela abaixo reproduzido: Caixa Postal Enviada em: 16/06/2016 Primeira leitura: 22/07/2016 Exibição até: 21/06/2021 CNPJ do destinatário: 03.273.282/000431 Assunto: [eProcesso] Erro: Solicitação de Juntada de Documentos (Processo/Procedimento nº 11020.723430/201495 )Prezado(a) Contribuinte, Pela presente mensagem informamos que foi verificado inconsistência(s) na recepção do(s) documento(s) enviado(s). Número do Processo/Procedimento: 11020.723430/201495 Interessado: 03.273.282/000431 METALCORTE FUNDIÇÃO LTDA Data e Hora em que a solicitação foi transmitida: 16/06/2016, 14:08 (Horário de Brasília). Identificador do Envio: F013913486. Motivo da Inconsistência: Procurador sem permissão para solicitar juntada de documentos para o processo. O contribuinte pode restringir a procuração para determinados processos. A Recorrente, alega em sua Petição de fl. 5.869, que "(...) No dia 16 de junho de 2016, foi realizada a juntada de documentos no respectivo processo, por meio do sistema PGS Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos. Ocorre que a Empresa recebeu uma intimação por meio do portal do ECAC, informando a inconsistência na recepção dos documentos enviados. Ao se dirigir a Delegacia da Receita Federal, fomos informados que não possuíamos poderes para solicitar a juntada de documentos. Diante disso, foi providenciada a procuração nos dando poderes específicos para a realização da solicitação de juntada". Portanto, o recurso voluntário, como se verifica dos autos, foi efetivamente apresentado em 16/06/2016 e somente foi permitido sua juntada definitiva aos autos pelo sistema de protocolo Eletrônico eCAC (PGS Programa Gerador de Solicitação de Juntada de documentos), após a apresentação de documentos complementares (no caso o documento de representação), o que somente ocorreu em 12/08/2016. Posto isto, entendo que, neste caso, o recurso da Recorrente se encontra dentro do prazo de 30 (trinta) dias da data em que a legislação considera o contribuinte intimado da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, conforme define o art. 33 do Decreto n° 70.235/1972. Em assim sendo, é considerado tempestivo o recurso voluntário e o mesmo deve ser conhecido por este Colegiado. Fl. 5913DF CARF MF Processo nº 11020.723430/201495 Resolução nº 3402001.044 S3C4T2 Fl. 5.914 11 2. Objeto da lide Ultrapassado a preliminar da admissibilidade do recurso, temos que, em suma na presente demanda a Recorrente reconhece as infrações, mas entende que não caberia o lançamento por haver retificado suas DCTF’s e incluído os respectivos débitos, além de haver aderido ao programa de refinanciamento de dívidas tributárias, denominado “Refis da Copa”, instituído pela Lei nº 12.996/14, a fim de realizar o parcelamento dos débitos executados na presente demanda. Também questiona a atribuição de responsabilidade aos sócios e a qualificação da multa. 3. Do lançamento do IPI (Auto de Infração) Alega a Recorrente em seu recurso que conforme referido na sua impugnação (fls. 5.729/5.744), o Auto de Infração oriundo deste processo administrativo, não se presta ao fim colimado, pois houve a retificação das DCTF’s, para fins de parcelamento dos débitos. Verificase nos autos que a Recorrente apresenta cópia dos Recibos de Pedidos de Parcelamento da Lei nº 12.996/2014, protocolado em 22/08/2014, junto a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme documentos de fls. 5.823/5.826. Em sede de recurso, a empresa novamente reafirma e destaca que "(...) Não obstante, a empresa Recorrente aderiu ao programa de refinanciamento de dívidas tributárias, denominado “Refis da Copa”, instituído pela Lei nº 12.996/14, alterada pela MP n° 651/2014, a fim de realizar o parcelamento dos débitos executados na presente demanda, conforme faz prova os documentos anexados aos autos". (Grifei). Em função disto, consigna que se mostra equivocada e arbitrária a inclusão de terceiros como responsáveis solidários por crédito tributário que está sendo devidamente quitado pelo Contribuinte Principal, conforme adesão ao parcelamento de débitos. Por outro giro, na decisão recorrida, restou consignado à fl. 5.851, no item 10 do voto, que: "10. A impugnante entende que o débito lançado somente poderia ser cobrado de terceiros quando não fosse possível a exigência do cumprimento pelo próprio contribuinte e, considerando o fato de haver efetuado o parcelamento, não caberia a responsabilidade dos sócios. (grifei) Desta forma, pode ser verificado tanto na decisão recorrida, como nos autos, que nada mais consta sobre a confirmação ou não da efetiva adesão ao referido parcelamento dos débitos (adesão ao Refis), o que resultou na improcedência da Impugnação apresentada. Neste diapasão, entendo que não é possível ainda o conhecimento do mérito do presente processo pelo órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase da questão acerca da alegação no recurso referente a adesão ao Pedido de Parcelamento dos Débitos sobre análise neste recurso voluntário, que tem implicações no Fl. 5914DF CARF MF Processo nº 11020.723430/201495 Resolução nº 3402001.044 S3C4T2 Fl. 5.915 12 resultado deste julgamento, o que demanda que o caso sub judice seja convertido em diligência para apresentação de informações/documentos que não constam dos autos. Explico. No recurso voluntário a Recorrente afirma que "aderiu ao programa de refinanciamento de dívidas tributárias, denominado “Refis da Copa”, instituído pela Lei nº 12.996/14, alterada pela MP n° 651/2014, a fim de realizar o parcelamento dos débitos executados na presente demanda"(...). Dessarte, com os elementos constantes nos autos, impossível a verificação dessa afirmativa. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações e documentos faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não do recurso voluntário apresentado pelo Contribuinte. VOTO Com essas considerações, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a autoridade fiscal da DRF/Caxias do Sul/RS, esclareça de forma conclusiva os seguintes quesitos: (i) informar se os débitos discutidos nestes autos, foram ou não objeto de adesão ao programa de refinanciamento de dívidas tributárias, denominado “Refis da Copa”, instituído pela Lei nº 12.996, de 2014, alterada pela MP n° 651/2014, como alega a Recorrente; (ii) o Fisco deverá elaborar Relatório conclusivo das averiguações e juntar aos autos os documentos comprobatórios de todos os fatos que forem constatados durante a diligência (tais como telas do sistema, etc). (iii) por fim, a autoridade administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Contribuinte do Relatório e dos demais documentos mencionados no item (ii), concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para, se assim desejar, manifestarse sobre o resultado. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. É como voto a presente Resolução. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 5915DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720114/2007-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara da CSRF/2ª Turma, para que seja providenciada a inclusão do Acórdão nº 2102-003.181 no sítio do CARF e, em seguida, o processo deve ser enviado à Unidade de Origem, para que esta cumpra a determinação de intimação ao Contribuinte, conforme consta do último parágrafo do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Procuradoria de fls. 318 a 321, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara da CSRF/2ª Turma, para que seja providenciada a inclusão do Acórdão nº 2102-003.181 no sítio do CARF e, em seguida, o processo deve ser enviado à Unidade de Origem, para que esta cumpra a determinação de intimação ao Contribuinte, conforme consta do último parágrafo do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Procuradoria de fls. 318 a 321, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara da CSRF/2ª Turma, para que seja providenciada a inclusão do Acórdão nº 2102003.181 no sítio do CARF e, em seguida, o processo deve ser enviado à Unidade de Origem, para que esta cumpra a determinação de intimação ao Contribuinte, conforme consta do último parágrafo do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Procuradoria de fls. 318 a 321, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 40 .7 20 11 4/ 20 07 -0 9 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10540.720114/200709 Resolução nº 9202000.122 CSRFT2 Fl. 329 2 Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2003, tendo em vista o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 05/11/2014, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2102003.181 (fls. 248 a 256), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido" A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para restabelecer o valor da terra nua declarado. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que mantinha o arbitramento." O processo foi encaminhado à PGFN em 22/01/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 257). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a ciência presumida do Procurador ocorreria em 21/02/2015, e em 02/02/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 266), foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 258 a 265, rejeitados conforme despacho de fls. 268 a 272. Assim, o processo foi novamente enviado à PGFN em 02/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 273) e, em 04/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 317), foi interposto o Recurso Especial de fls. 296 a 316. O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e suscita a ocorrência da preclusão, tendo em vista que o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no sipt Sistema de Preços de Terras não fora impugnado, tampouco objeto do Recurso Voluntário. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 11/11/2015 (fls. 318 a 321). Por meio da Intimação de Resultado de Julgamento de fls. 324, a Contribuinte foi cientificada apenas do Acórdão nº 2102003.181, em 03/01/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 325), quedandose silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10540.720114/200709 Resolução nº 9202000.122 CSRFT2 Fl. 330 3 Preliminarmente, foram constatadas duas irregularidades no trâmite do presente processo. A primeira irregularidade é que o Acórdão nº 2102003.181, de 05/11/2014, ora recorrido, não consta do sítio do CARF na Internet, tampouco consta qualquer outra informação a respeito do presente processo. A segunda irregularidade diz respeito à intimação do Contribuinte. No Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Procuradoria (fls. 318 a 321) consta o seguinte endereçamento: "Encaminhese à DRF em Vitória da Conquista/BA, para cientificar a Contribuinte do Acórdão nº 2102003.181 (efls. 248/256), do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional ( efls. 296/316) e do presente despacho, assegurandolhe o prazo de quinze dias para oferecer Contrarrazões, conforme o disposto no art. 69, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Após, encaminhese o processo à Câmara Superior de Recursos Fiscais, para julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional." A despeito da clareza do comando acima, a Intimação de Resultado de Julgamento enviada ao Contribuinte pela DRF em Vitória da Conquista/BA (fls. 324), além de cientificar a Contribuinte apenas do Acórdão nº 2102003.181, omitiu a interposição do Recurso Especial por parte da Fazenda Nacional, que juntamente com o despacho que lhe deu seguimento já constava dos autos. Confirase o texto da citada intimação: "Segue em anexo, para ciência, cópia do Acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que deu provimento ao recurso voluntário. Fica o interessado cientificado que a decisão da exoneração dos débitos não é definitiva, em vista da possibilidade de interposição de recurso especial pelo Procurador da Fazenda Nacional. Não se verificando a interposição do recurso acima referido, o processo será arquivado." Assim, constatase que a Contribuinte não foi cientificada do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, tampouco do despacho que lhe deu seguimento, e não lhe foi facultado o oferecimento de Contrarrazões no prazo de quinze dias. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência: primeiramente à Secretaria da CSRF/2ª Turma, para que seja providenciada a inclusão do Acórdão nº 2102003.181, ora recorrido, no sítio do CARF na Internet; após, o processo deve ser enviado à Unidade de Origem, para que esta cumpra a determinação de intimação ao Contribuinte, conforme consta do último parágrafo do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Procuradoria de fls. 318 a 321; finalmente, o processo deve ser devolvido a esta Relatora, para prosseguimento. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10540.720114/200709 Resolução nº 9202000.122 CSRFT2 Fl. 331 4 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.016140/2007-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO NORDESTE DO BRASIL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 61 40 /2 00 7- 19 Fl. 876DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração de obrigação acessória DEBCAD nº 37.050.9773, à efl. 03, cientificado à empresa contribuinte em 20/12/2007, com relatório fiscal da infração à efl. 06. De acordo com o relatório fiscal da infração, a contribuinte deixou de informar em GFIPs entregues na rede bancária, no campo "valor pago a cooperativa de trabalho", o montante dos valores brutos das notas fiscais/faturas de prestação de serviços emitidas pelas cooperativas de trabalho, assim, os dados informados não correspondem aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Desta forma, ela infringiu o disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º . da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 3.303.527,39, referindose a informações omitidas no período de 03/2000 a 12/2006. A NFLD foi impugnada, às efls. 738 a 749. Já a 6ª Turma da DRJ/FOR, no acórdão nº 0813.927, prolatado em 27/08/2008, às efls. 753 a 760, considerou, por unanimidade, procedente em parte o lançamento, para exonerar o valor de R$ 772.777,74, por motivo de decadência. Inconformada com o resultado, em 08/05/2009, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 766 a 775, argumentando em resumo, a inconstitucionalidade da Lei nº 9.876/99, ao instituir nova fonte de custeio previdenciária, matéria atribuída à lei complementar pela Carta Magna. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 14/03/2013, resultando no acórdão 2402003.492, às efls. 803 a 812, que tem as seguintes ementas: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10380.016140/200719 Acórdão n.º 9202005.723 CSRFT2 Fl. 877 3 A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, em 09/05/2013 (efl. 814), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 11/06/2013, interpôs recurso especial de divergência (efls. 816 a 827) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmados no CARF no tocante à multa, em face da retroatividade benigna. A procuradora indica por paradigma vários os acórdãos nº 20601.728 e nº 240100.127. Explicitando a divergência, assim se manifestou a Procuradora: Vêse, portanto, que a E. Câmara a quo entendeu que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32A da Lei 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de oficio. Em posicionamento diametralmente oposto, a então 6ª Camara do 2º Conselho de Contribuintes e a 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção considerou ser legitima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, em situação análoga à presente, por entender que, havendo lançamento de oficio das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Ao final pleiteia que seja conhecido do seu recurso especial e que lhe seja dado provimento para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. O RE da Procuradora foi apreciado pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 751 a 753, datado de 06/06/2016, entendendo por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte Fl. 878DF CARF MF 4 Intimada (efl. 839) do acórdão nº 2402003.492, do recurso especial da Fazenda e do seu despacho de admissibilidade, tempestivamente ( despacho à efl. 874), a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Procuradoria, às efls. 846 a 852, em 02/08/2016. Invocando os arts. 7º e 15 do Regimento interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que afirma não terem sido observados pela Fazenda em seu recurso, a contribuinte afirma que não há conflito para divergência entre os paradigmas e o acórdão a quo. Alega apenas que a decisão recorrida "agiu em total atenção aos Princípios constitucionais vigentes" na aplicação do art. 106 do CTN, com a retroatividade benigna. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. A contribuinte contesta a admissibilidade da recurso especial, mas salientese que ao transcrever os arts. 7º e 15 como base para tal, a contribuinte busca abrigo em artigos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, estipulado pela Portaria MF nº 147 de 25/06/2007, anterior ao Regimento Interno vigente quando da interposição do recurso especial que fora estabelecido pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. Como o recurso especial de divergência da Procuradora cumpriu as condições estabelecidas na Portaria MF nº 256 e 2009, seguramente há de ser admitido para apreciação. Seguindo a análise da matéria recorrida, observase a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10380.016140/200719 Acórdão n.º 9202005.723 CSRFT2 Fl. 878 5 portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP Fl. 880DF CARF MF 6 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10380.016140/200719 Acórdão n.º 9202005.723 CSRFT2 Fl. 879 7 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 882DF CARF MF 8 No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10380.016140/200719 Acórdão n.º 9202005.723 CSRFT2 Fl. 880 9 do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada Fl. 884DF CARF MF 10 na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, voto pelo provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Apenas a título de esclarecimento à autoridade preparadora, cumpre informar que a obrigação principal que gerou a multa ora em discussão, referese a fato gerador COOPERATIVA DE TRABALHO, matéria julgada inconstitucional pelo STF. Conclusão Pelo exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10380.016140/200719 Acórdão n.º 9202005.723 CSRFT2 Fl. 881 11 Fl. 886DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.990673/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 06 73 /2 00 9- 87 Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10880.990673/200987 Acórdão n.º 1201001.737 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.990673/200987 Acórdão n.º 1201001.737 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.990673/200987 Acórdão n.º 1201001.737 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.990673/200987 Acórdão n.º 1201001.737 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 34DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.990679/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.990679/200954 Acórdão n.º 1201001.740 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.990679/200954 Acórdão n.º 1201001.740 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.990679/200954 Acórdão n.º 1201001.740 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 34DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.720275/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF - Sujeitam-se à tributação através de lançamento de ofício os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, apurados em DIRF, não oferecidos espontaneamente à tributação pelo beneficiário.
RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - Não se sujeita à tributação pelo imposto de renda o valor do resgate de contribuições de previdência privada cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995.
O contribuinte tem direito à restituição do imposto retido na fonte sobre o valor resgatado, dentro do prazo decadencial, a partir do início da percepção da complementação de aposentadoria e limitado ao valor das contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, até o seu exaurimento.
DEDUÇÕES DE INCENTIVO - Somente são dedutíveis a título de incentivo pagamentos feitos diretamente a fundo controlado pelos conselhos municipais, estaduais e nacional dos direitos da criança, do adolescente e do idoso.
Numero da decisão: 2402-005.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF - Sujeitam-se à tributação através de lançamento de ofício os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, apurados em DIRF, não oferecidos espontaneamente à tributação pelo beneficiário. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - Não se sujeita à tributação pelo imposto de renda o valor do resgate de contribuições de previdência privada cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. O contribuinte tem direito à restituição do imposto retido na fonte sobre o valor resgatado, dentro do prazo decadencial, a partir do início da percepção da complementação de aposentadoria e limitado ao valor das contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, até o seu exaurimento. DEDUÇÕES DE INCENTIVO - Somente são dedutíveis a título de incentivo pagamentos feitos diretamente a fundo controlado pelos conselhos municipais, estaduais e nacional dos direitos da criança, do adolescente e do idoso.
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REVISÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF Sujeitamse à tributação através de lançamento de ofício os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, apurados em DIRF, não oferecidos espontaneamente à tributação pelo beneficiário. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Não se sujeita à tributação pelo imposto de renda o valor do resgate de contribuições de previdência privada cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. O contribuinte tem direito à restituição do imposto retido na fonte sobre o valor resgatado, dentro do prazo decadencial, a partir do início da percepção da complementação de aposentadoria e limitado ao valor das contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, até o seu exaurimento. DEDUÇÕES DE INCENTIVO Somente são dedutíveis a título de incentivo pagamentos feitos diretamente a fundo controlado pelos conselhos municipais, estaduais e nacional dos direitos da criança, do adolescente e do idoso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 02 75 /2 01 4- 55 Fl. 139DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10725.720275/201455 Acórdão n.º 2402005.939 S2C4T2 Fl. 139 3 Relatório Temse Recurso Voluntário (fls. 73 e 74), tomado contra o Acórdão da 3ª Turma de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação do ora Recorrente para afastar a tributação da complementação da aposentadoria, mantendo, no mais, os valores constantes no Demonstrativo de Lançamento (fls. 9). Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Trata o presente processo de impugnação apresentada pelo interessado supra contra o lançamento de ofício do IRPF do Exercício 2013, AnoCalendário 2012, formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 04 a 09, decorrente da revisão de sua declaração anual, onde foi apurado imposto suplementar, multa de ofício e juros de mora, totalizando o crédito tributário de R$ 17.413,91. Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento (fls. 06), a autoridade fiscal informou, em suma, que, da análise de informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes de sistemas da Receita Federal constatouse as seguintes infrações: 1 Omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 33.744,28, recebidos pelo titular e/ou dependentes, das fontes pagadoras Banco do Brasil e Caixa de Previdência dos Funcs do Banco do Brasil, sendo compensado o imposto retido na fonte sobre o rendimento omitido, no valor de R$ 14,97. 2 Dedução indevida de incentivo: glosa do valor de R$ 235,00, indevidamente deduzido a titulo de Dedução de Incentivo, por falta de comprovação, ou falta de previsão legal para sua dedução, ou ainda em virtude de adequação do valor da dedução declarada ao limite percentual de 6% do valor do imposto devido apurado após alterações. Cientificado do lançamento, em 14/03/2014, por via postal (fls. 41), o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 a 03, em 26/03/2014, acompanhada dos documentos de fls. 04 a 39, onde argumentou, em suma, o que segue: · Quanto à omissão de rendimentos recebidos do CNPJ 00.000.000/000191, no valor de R$ 2.539,15, os valores informados foram os fornecidos pela fonte pagadora conforme "Informe de ativos escriturais para declaração de rendimentos Ano Calendário 2012", que anexa. · Quanto à omissão de rendimentos recebidos do CNPJ 33.754.482/000124, no valor de R$ 31.205,13, a Declaração Retificadora referese a procedimento autorizado pela Instrução Normativa RBF n° 1.343/2013, sendo os valores informados pela entidade de previdência privada PREVI; a análise do auditor não atentou para o quadro “Rendimentos Isentos e não Tributáveis” da DAA, no item “Outros” que a alteração corresponde à diferença classificada como “Rendimento Omitido” na Notificação de Lançamento. Fl. 141DF CARF MF 4 · Contesta o registro no histórico de que não houve atendimento à intimação; para tanto, anexa cópia do Termo de Intimação com o carimbo de protocolo da DRF/Campos com data de poucos dias após o AR do Correio. · Quanto à Dedução Indevida de Incentivo, no valor de R$ 235,00, há um erro na DAA quanto ao valor da doação para o Fundo de Assistência à Criança, sendo o correto R$ 205,00; para a Associação Cultural St° Expedito o valor de R$ 60,00 está correto, totalizando R$ 265,00, conforme comprovantes que anexa; manterá o valor informado, que está dentro do limite de 6% do imposto apurado na declaração; desconhece se essas associações são controladas/credenciadas/autorizadas pelos Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes. Ao final, o contribuinte solicitou prioridade na análise da impugnação, com base no art. 71 da lei nº 10.471, de 01/10/2003 (estatuto do idoso). Em seu recurso, alega o recorrente ter efetuado todos os pagamentos necessários para a extinção do débito perseguido, bem como que colacionou todos os documentos comprobatórios exigidos. Argumenta que fora ignorada a Instrução Normativa da RFB nº 1.343 pelo ente tributante e, por tal motivo, teria impugnado o lançamento. Em seguida, aduz que não haveria como saber o valor correto a ser recolhido, uma vez que a fonte pagadora estaria informando valores diferentes ao beneficiário e à Receita Federal, assim sendo, estaria desamparado para efetuar o pagamento de forma correta. No mais, argui que valor recalculado, em que se demonstra como faltante o imposto suplementar no valor de R$ 918,30, está equivocado, uma vez que ele já teria sido pago quando efetuado o pagamento de R$ 9.196,86 da DAA Original, apontando que haveria crédito a seu favor. Requer, assim, a revisão do acórdão para exclusão da omissão de rendimentos e que seja considerado o imposto R$ 9.196,86 que teria sido devidamente pago e “ignorado”. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10725.720275/201455 Acórdão n.º 2402005.939 S2C4T2 Fl. 140 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade A intimação de folha 68 indica que o Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 06/02/15, já na folha 70 consta Ar indicando que o recorrente tomou ciência do teor do Acórdão em 04/02/2015. O protocolo do Recurso está datado de 13/02/2014, o que acreditamos ser um erro de grafia da data. Considerando que os despachos não indicam intempestividade, votamos por conhecer do recurso, eis que as demais condições de admissibilidade estão atendidas a despeito da confusão quanto a data de protocolo do recurso. 2. Mérito. O Recurso interposto referese as parcelas do lançamento que foram mantidas após decisão da DRJ e busca reconhecimento de pagamento realizado com base no declarado na DAA Originária, alegando que tal pagamento não foi objeto de apropriação. A conformação de renda do Recorrente, apos a decisão da DRJ ficou assim: "Assim, resta apenas afastar da tributação a complementação de aposentadoria no valor de R$ 31.205,13, o que altera o resultado apurado no Demonstrativo de fls. 09, conforme segue: Base de Cálculo apurada .....................................................136.980,05 Rend. isento/não tributável...................................................(31.205,13) Nova Base de Cálculo .........................................................105.774,92 Imposto Devido..................................................................... 20.009,72 Imposto Pago declarado......................................................(18.461,00) IRRF sobre infração...................................................................(14,97) Saldo do Imposto a Pagar após alterações ............................. 1.533,75 Imposto a pagar declarado ......................................................(615,45) Imposto Suplementar ............................................................... 918,30 (Obs.: Valores em Reais) Ao imposto suplementar apurado deve ser acrescido multa de ofício e juros de mora nos percentuais indicados na Notificação de Lançamento, conforme previsão legal." O Recurso, em realidade, questiona o cálculo de imposto devido, alegando o Recorrente que, quando da apresentação da DAA Originária teria efetuado pagamento de Imposto de Renda no valor de R$ 9.196,86, sendo assim, não teria imposto a pagar, mais a restituição. Discute ainda as questões de omissão de renda que não foram acolhidas pela DRJ. Fl. 143DF CARF MF 6 Quanto aos valores tidos por omitidos, em nosso sentir, o Recorrente não logrou êxito em comprovar que os mesmos não teriam sido objeto de omissão. Ao contrário, a documentação acostada deixa claro que existiram diferenças entre o constante em sua DAA e o informado em DIRF. Quanto ao referido pagamento no valor de R$ 9.196,86, não localizamos o comprovante relativo a tal pagamento, razão pela qual tal pedido não merece ser acolhido. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.004720/2004-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.357
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.004720/200448 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.357 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CALÇADOS MALU LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 47 20 /2 00 4- 48 Fl. 585DF CARF MF Processo nº 11065.004720/200448 Acórdão n.º 9303005.357 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380101.043. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11065.004720/200448 Acórdão n.º 9303005.357 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 11065.004720/200448 Acórdão n.º 9303005.357 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11065.004720/200448 Acórdão n.º 9303005.357 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 589DF CARF MF
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