Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10830.903913/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.246
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.903913/2012-11
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5859610
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-001.246
nome_arquivo_s : Decisao_10830903913201211.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830903913201211_5859610.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7264138
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312848179200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 165 1 164 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.903913/201211 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.246 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2018 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente COOPERATIVA DE USUÁRIOS DO SISTEMA DE SAÚDE DE CAMPINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que a decisão expressa no despacho combatido era simplória e que o fundamento de ausência de crédito disponível para restituição não se sustentava, pois ele não era sequer contribuinte da Cofins. Alegou o então Manifestante ser ele uma sociedade cooperativa que não praticava atos “não cooperados”, tratandose sua atividade de coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados (ato entre cooperativa e cooperado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 03 91 3/ 20 12 -1 1 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10830.903913/201211 Resolução nº 3201001.246 S3C2T1 Fl. 166 2 Ressaltou, ainda, quanto à declaração de débito da Cofins em DCTF ao qual o pagamento indicado como origem do crédito encontravase alocado , que, como esperava resposta do Pedido de Restituição, não retificara a DCTF e que, ultrapassados os cinco anos da data de sua entrega, viuse impossibilitado de fazêlo. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na inexistência do crédito, tendo em vista que o recolhimento alegado como sua origem encontravase integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. Ainda segundo o órgão julgador de primeira instância, a isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, tendo sido revogada expressamente, a partir de novembro de 1999, pela Medida Provisória (MP) nº 1.8586, de 1999, passando as cooperativas, a partir de então, a apurar a base de cálculo da contribuição da mesma forma das demais pessoas jurídicas, com as exclusões específicas contidas na referida MP. Cientificado da decisão, o contribuinte pleiteou o provimento do Recurso Voluntário, interposto de forma hábil e tempestiva, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência, em respeito ao princípio da verdade material, arguindo o seguinte: a) no acórdão proferido pela DRJ, não foi consignada nenhuma objeção ao fato de se tratar de uma cooperativa, cujos atos cooperativos não sofrem a incidência da Cofins; b) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas e os artigos 3°, 4º e 5º da Lei n° 5.764/1971 trazem, respectivamente, a definição de sociedade cooperativa, as suas características e a possibilidade de adoção de objeto de qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; c) a discussão travada nos autos não diz respeito à isenção da Cofins, mas à não incidência da contribuição sobre os atos cooperativos, estes preceituados pelo art. 79 da Lei n° 5764/1971; d) no caso em apreço, há o exercício de coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, decorrendo das contribuições desses mesmos cooperados todos os valores nela ingressados, valores esses destinados à contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, todos eles diretamente ligados à sua atividade. Por fim, o contribuinte pleiteou a análise pelo órgão recursal dos Balancetes do período e do Parecer elaborado pela empresa de auditoria SGC Auditores Independentes, trazidos aos autos juntamente com o Recurso Voluntário, que, segundo ele, comprovam que os valores dos ingressos se referem a contribuições dos cooperados (ato cooperativo), constituindose prova cabal do erro no preenchimento da DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10830.903913/201211 Resolução nº 3201001.246 S3C2T1 Fl. 167 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.236, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903904/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.236): Depreendese do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10830.903913/201211 Resolução nº 3201001.246 S3C2T1 Fl. 168 4 Os fatos que ensejaram a conversão em diligência do julgamento do processo paradigma também se encontram presentes nestes autos, justificando, por conseguinte, a aplicação da mesma decisão a este processo. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime o Recorrente para, no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresente (i) os cálculos e (ii) outros documentos porventura ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado e se ele é suficiente para a extinção do débito existente, tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que tome conhecimento dos procedimentos realizados pela repartição de origem, inclusive do relatório a ser elaborado pela Fiscalização, e se manifeste, a seu critério, acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.002920/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.
Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil.
SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCIDÊNCIA
Sobre o crédito tributário constituído, incide juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-004.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil. SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCIDÊNCIA Sobre o crédito tributário constituído, incide juros de mora, devidos à taxa Selic.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10665.002920/2008-68
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5872676
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.395
nome_arquivo_s : Decisao_10665002920200868.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10665002920200868_5872676.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7340741
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312868102144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 152 1 151 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.002920/200868 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.395 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente IMOBIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil. SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCIDÊNCIA Sobre o crédito tributário constituído, incide juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 29 20 /2 00 8- 68 Fl. 304DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 126 a 150) da decisão de fls. 111 a 122 que julgou procedente o lançamento decorrente de aferição indireta, através do Custo Unitário Básico CUB, no montante de R$ 5.111,07 (cinco mil cento e onze reais e sete centavos). O lançamento objeto de discussão referese às contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor da mão de obra utilizada na prestação de serviços de obra de construção civil, parte da empresa e a parte destinada ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho — SAT/RAT, consolidado em 25 de setembro de 2008. Conforme informação do Auditor Fiscal Autuante em Relatório Fiscal, As folhas 16/20 a empresa protocolizou junto ao INSS em 14/11/2005, Declaração e Informação sobre Obra — DISO, relativo a obra de sua responsabilidade, matricula CEI n ° 50.009.08001/75, sendo emitido Aviso para Regularização de Obra ARO em 30/05/2006, onde foi apurada uma diferença de salário de contribuição no valor de R$ 59.986,73. Após ciência do ARO, a empresa protocolizou processo n° 35118.000847/200655, solicitando revisão de enquadramento da obra do tipo alvenaria (tipo 11) para madeira ou misto (tipo 12). Esclarece o Auditor que durante auditoria especifica, em função da solicitação da revisão do enquadramento da .obra, foi realizada uma visita ao galpão construido pela empresa, sendo constatado que parte do fechamento lateral foi feito em metal e as estruturas são também metálicas, justificandose a correção de enquadramento para o tipo 12 (madeira ou misto). Após alteração do ARO, resultou um salário de contribuição a regularizar no valor de R$ 44.749,11 (quarenta e quatro mil e setecentos e quarenta e nove reais e onze centavos). Os procedimentos de aferição de mão de obra com base na Area construída e no padrão da obra estão previstos na Instrução Normativa SRP 03 de 14/07/2005, artigos 433 a 455, tendo sido observado pela empresa estas orientações, conforme DISO e ARO em anexo. Com a correção do enquadramento do tipo 11 para o tipo 12, foram alterados os percentuais aplicados, conforme artigo 443 da IN 03. Após correção do enquadramento, o ARO passa a ter os seguintes valores: Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10665.002920/200868 Acórdão n.º 2201004.395 S2C2T1 Fl. 153 3 Ressalta a Fiscalização que o valor do salário de contribuição a regularizar foi obtido por aferição indireta, considerandose a área do imóvel e o valor do Custo Unitário Básico — CUB utilizado na construção civil. A aferição indireta foi adotada, após exame dos documentos contábeis da empresa (Livros Diários e Razão de 2003 a 2005), onde foram constatadas as seguintes irregularidades: Conta 1.3.2.01.006 — Ordenados: nesta conta a empresa contabiliza a folha de pagamento pelo total, sendo que a mesma possui as verbas salariais relativas a salários contratuais, horas extras, adicional noturno, repouso remunerado. Estão em anexo as cópias do resumo das folhas de pagamento e da página do Livro Diário, As fls. 35/43, do Auto de Infração de Obrigações Principais ATOP n o 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal, com a contabilização da folha pelo total nas competências 09/2003, 12/2003, 09/2004 e 11/2004. Conta 1.3.2.01.002 — Encargos do Trabalho: nesta conta a empresa contabiliza as rescisões de contrato de trabalho pelo total pago, sem também discriminar as verbas com incidência de contribuições previdenciárias, como saldo de salários e 13 0 salário proporcional das verbas indenizatórias. Está em anexo a rescisão de Eliton Vitor em 21/09/2004, e cópia da folha do Livro Diário com a contabilização pelo total da rescisão, As fls. 40/41, do Auto de Infração de Obrigações Principais ATOP n ° 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal. Conta 1.3.2.01.007 — Serviços Prestados Pessoa Jurídica e Pessoa Física: nesta conta a empresa não faz separação de pessoa física com pessoa jurídica, compatibilizando Fl. 306DF CARF MF 4 todos em uma única, como a contabilização em 07/2004 do recibo de pagamento a Adriana Silva Ferreira no valor de R$ 1.058,00. As notas fiscais número 9734 e 9735 emitidas em 23/09/2003 pelo prestador de serviços Central Beton Ltda., CNPJ 16.548.653/200735, somente foi contabilizada em 01/10/2003, deixando de ser observado o regime de competência. A empresa não contabilizou os valores gastos na aquisição de areia para a execução da obra, conforme declaração do contador da empresa, A fl. 34 do Auto de Infração de Obrigações Principais ATOP n ° 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal. Para a apuração do débito junto ao contribuinte foram analisadas as folhas de pagamento dos empregados da obra, as Guias de Recolhimento da Previdência Social — GPS, Recibos de Pagamentos a Autônomos — RPA, GFIP e Livros Diário e Razão de 2003 a 2005. Os fundamentos legais do débito apurado neste Auto de Infração, além dos já citados, estão relacionados em anexo, Fundamentos Legais do Débito — FLD, As fls. 07/08. Cientificada pessoalmente em 30/09/2008, conforme atestado pela assinatura do Sócio Gerente, Sr. Hirama Alves Garcia Ledo, na folha de rosto do presente Auto de Infração de Obrigações Principais ATOP, a Autuada apresentou impugnação em 30/10/2008, As fls. 26/44, com documentos anexados As fls. 45/53, através de seu bastante procurador, legalmente constituídos, às fls. 45/47. O contribuinte, ora Recorrente apresentou, em apertada síntese, os seguintes argumentos: o simples fato de contabilizar a folha de pagamento pelo valor real, de contabilizar a rescisão de contrato sem discriminação das verbas; de não separar em contas distintas os pagamentos efetuados a pessoa jurídica e física; de contabilizar as notas fiscais respeitando a data de emissão, o que não é correto, enfim, essas supostas falhas não são suficientes para desclassificação da escrita contábil e para justificar a utilização da aferição indireta. Junta aos autos algumas jurisprudências para corroborar tal afirmativa. é optante pelo regime de tributação através do lucro presumido e, como tal, apesar da obrigação acessória contida no inciso II do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, está desobrigada de apresentação de escrituração contábil, conforme artigo 225, § 16, inciso II do mesmo Regulamento. Ressalta que o fato de haver entendimento de que o registro contábil não está tecnicamente correto, não causou qualquer prejuízo aos cofres da Previdência Social e da mesma forma a empresa não obteve qualquer vantagem pecuniária em decorrência desses registros, eis que não restou demonstrado o dolo de não pagar por meios de estratagemas escusos. Destarte, redobrada vênia, temse que o Auto de Infração lavrado pelo Auditor Fiscal é nulo, caracterizandose como ato excessivo da fiscalização. o valor apurado do salário de contribuição por aferição indireta pela fiscalização não está correto. Apresenta o seu cálculo informando que o valor correto do débito a recolher deveria ser de R$ 11.728,41. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10665.002920/200868 Acórdão n.º 2201004.395 S2C2T1 Fl. 154 5 cotejando a Declaração e Informação sobre Obra — DISO, cuja cópia segue anexa, temse que o auditor Fiscal, sem qualquer fundamentação legal, de forma arbitrária, glosou notas fiscais exclusivamente de mão de obra, constantes da Relação de Notas Fiscais anexadas aos autos. a empresa protocolizou junto ao INSS em 14/11/2005 a DISO relativo a obra de sua responsabilidade e objeto do presente auto. Portanto passaramse trinta e seis meses para apuração da diferença devida pela impugnante, incluindose, nesse caso, multa e juros de mora desde aquela época. é ilegal e inconstitucional a cobrança da taxa SELIC. Isto posto requer seja dado provimento a presente defesa e julgado insubsistente o Auto de Infração DEBCAD n° 37.195.4169, pela inexistência de causas legais e legitimas que lhes dê embasamento, como amplamente demonstrado. Distribuídos os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte (MG), decidiram por julgar o Lançamento Procedente, com os seguintes fundamentos, de forma resumida: Da análise dos autos constatase que as argumentações da Notificada na sua impugnação não ilidem o procedimento fiscal pelos motivos a seguir explicitados: Os fundamentos legais específicos (IN SRP n° 03/2005, Art. 60 e Art. 473) e os motivos fáticos descritos a seguir da desconsideração da contabilidade e da opção pela aferição indireta são inteligíveis e apropriados: foram utilizadas contas gerais, englobando serviços prestados por pessoa jurídica e pessoa física; não houve separação entre as rubricas integrantes e não integrantes do salário de contribuição; não houve contabilização de notas fiscais obedecendo o regime de competência; não houve contabilização de valores gastos na aquisição de materiais para a execução da obra. Os fatos acima apontados impedem a perfeita identificação da mãodeobra utilizada na construção civil e enseja a desconsideração da contabilidade, não desclassificação com alega a impugnante, como fonte confiável para a Auditoria Fiscal: LEI N° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF Fl. 308DF CARF MF 6 compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 9.7.2001) (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP nº 03, DE 14 DE JULHO DE 2005 Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3°, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; (...) III da quando a contabilidade não espelhar a realidade econômico financeira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; (...) §1° Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente semi obtida: (...) Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10665.002920/200868 Acórdão n.º 2201004.395 S2C2T1 Fl. 155 7 II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construída; A empresa apresenta cálculo do valor do salário de contribuição efetuado de maneira aleatória, não de acordo com a norma legal, opondose ao efetuado pela Fiscalização. Está claro que o cálculo do valor do salário de contribuição foi efetuado corretamente pela Auditoria Fiscal visto estar de acordo com o que dispõe a legislação previdenciária, especificamente a Instrução Normativa SRP 03 de 14/07/2005, artigos 433 a 455 e explicitado devidamente à fl. 18 dos autos. Ressaltese que os dados da obra utilizados na aferição indireta foram informados pelo próprio contribuinte, por meio do formulário Declaração e Informação Sobre Obra — DISO, As fls. 26/29, do Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal. A Auditoria Fiscal glosou as notas fiscais de mão de obra, constantes de planilha da DISO A fl. 29 e relacionadas As fls. 85/91 do Auto de Infração de Obrigações Principais ATOP no 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal, já que os serviços ali elencados, não estão incluídos no CUB, conforme disciplinado nos artigos 453/454 da Instrução Normativa SRP 03 a seguir transcritos: Art. 453. Não se aplica o disposto nesta Seção a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados nãovinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que conste de GFIP referente à obra. Art. 454. A remuneração da mãodeobra relacionada aos serviços constantes do Anexo XIV, que não integram o CUB, ainda que tenha ocorrido a retenção, não poderá ser aproveitada no cálculo por aferição indireta da mãodeobra com base no CUB. ANEXO XIV ATIVIDADES / SERVIÇOS NÃOINCLUÍDOS NA COMPOSIÇÃO DO CUB, SUJEITOS À RETENÇÃO DE 11% 01 instalação de estruturas metálica; 02 instalação de estrutura de concreto armado prémoldada; 03 obras complementares na construção civil: ajardinamento; recreação; terraplenagem; urbanização; 04 lajes de fundação radiers; 05 instalação de aquecedor, bomba de recalque, incineração, playground, equipamento de garagem, equipamento de Fl. 310DF CARF MF 8 segurança, equipamento contraincêndio e de sistema de aquecimento a energia solar; 06 instalação de elevador quando houver emissão de nota fiscal/fatura de serviço NFFS; 07 instalação de esquadrias metálicas; 08 colocação de gradis; 09 montagem de torres; 10 locação de equipamentos com operador; 11 impermeabilização contratada com empresa especializada. ATIVIDADES OU SERVIÇOS NÃOINCLUÍDOS NA COMPOSIÇÃO DO CUB, NÃOSUJEITOS A RETENÇÃO DE 11% SERVIÇOS EXCLUSIVOS DE: 01 instalação de antena coletiva; 02 instalação de aparelhos de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação, de aquecimento, de calefação ou de exaustão; 03 instalação de sistemas de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação, de aquecimento, de calefação ou de exaustão, quando a venda for realizada coin emissão apenas da nota fiscal de venda mercantil; 04 instalação de estruturas e de esquadrias metálicas, de equipamento ou de material, quando a venda for realizada com emissão apenas da nota fiscal de venda mercantil; (NR) 05 jateamento ou hidrojateamento; 06 perfuração de poço artesiano; 07 sondagem de solo; 08 controle de qualidade de materiais; 9 locação de equipamentos sem operador; 10 serviços de topografia; 11 administração, fiscalização e gerenciamento de obras; 12 elaboração de projeto arquitetônico e estrutural; 13 assessorias ou consultorias técnicas; 14 locação de caçambas; 15 fundações especiais (exceto lajes de fundação radiers). Ao analisar as notas fiscais constatamos que elas foram emitidas anteriormente à vigência da IN 03. De qualquer forma a informação do auditor Fiscal no anexo do ARO de fl. 29 do Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP n ° 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal, não traz prejuízo à impugnante Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10665.002920/200868 Acórdão n.º 2201004.395 S2C2T1 Fl. 156 9 visto que a relação das atividades não incluídas no CUB, constante do Anexo XIV, não difere das demais Instruções Normativas 69 e 100, anteriores à IN 03 e vigorantes época da emissão das citadas notas fiscais. Ressalto que as notas fiscais 000047 e 000059, emitidas, respectivamente em 12/11/2003 e 28/112003, tratam de construção de muro, atividade diversa da presente que é construção de Galpão todo em estrutura metálica préfabricada. Assim, para as outras seis notas fiscais relacionadas à fl. 29 e questionadas pela impugnante, nas instruções normativas vigentes à época, IN INSS/DC no 69, de 10 de maio de 2002 e Instrução Normativa INSS/DC n° 100 de 18 /12/2003, os serviços ali elencados não estão incluídos no CUB, conforme disciplinado nos artigos 90, § 7° da IN 69 e 467/468 da Instrução Normativa INSS/DC n° 100, a seguir transcritos: Art. 90. (...) § 70 0 saláriodecontribuição decorrente da mãodeobra relacionada aos custos constantes do Anexo I não poderá ser aproveitado para abater o valor das contribuições aferidas com base no CUB. ANEXO I ATIVIDADES / SERVIÇOS NÃO INCLUÍDOS NA COMPOSIÇÃO DO CUB, SUJEITOS À RETENÇÃO DE 11%: 01 instalação de estrutura metálica;02 instalação de estrutura de concreto armado (prémoldada); 03 obras complementares na construção civil: ajardinamento; recreação; terraplanagem; urbanização;04 lajes de fundação radiers ;05 instalação de aquecedor, bomba de recalque, incineração, playground, equipamento de garagem, equipamento de segurança, equipamento contraincêndio e de sistema de aquecimento a energia solar;06 instalação de elevador, quando houver emissão de nota fiscal fatura de serviço NFFS07 instalação de esquadrias de aluminio;08 colocação de gradis;09 montagem de torres; 10 locação de equipamentos com operador; 11 impermeabilização contratada com empresa especializada ATIVIDADES OU SERVIÇOS NÃOINCLUÍDOS NA COMPOSIÇÃO DO CUB NÃOSUJEITOS A RETENÇÃO DE 11% SERVIÇOS EXCLUSIVOS DE: 01 instalação de antena coletiva, arcondicionado, calefação, fogão, telefone interno e de sistema de ventilação e exaustão. 02 jateamento de areia ; 03 perfuração de poço artesiano; 04 sondagem de solo; 05 controle de qualidade de materiais;06 locação de equipamentos sem operador; 07 serviços de Fl. 312DF CARF MF 10 topografia; 08 administração, fiscalização e gerenciamento de obras;09 elaboração de projeto arquitetônico e estrutural; 10 assessorias ou consultorias técnicas; 11 locação de caçambas; 12 fundações especiais (exceto lajes de fundação radiers); (...) Art. 467. Não se aplica o disposto nesta Seção à remuneração paga, devida ou creditada aos segurados nãovinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que conste de GFIP especifica para a obra. Art. 468. A remuneração da mãodeobra relacionada aos serviços constantes do Anexo XV, ainda que tenha ocorrido retenção, não poderá ser aproveitada no cálculo por aferição indireta da mãodeobra, com base no CUB. ANEXO XV DISCRIMINAÇÃO DE OBRAS E SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL NO GRUPO 45 DO CNAE 45— CONSTRUÇÃO (....) 45.2 CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS E OBRAS DE ENGENHARIA CIVIL 45.217 Edificações (residenciais, industriais, comerciais e de serviços) 45217/00 Edificações (residenciais, industriais, comerciais e de serviços) (OBRA) Esta subclasse compreende: a construção de edificações de todos os tipos ou de suas partes Esta subclasse compreende também: a montagem de edificações prémoldadas, quando não realizada pelo próprio fabricante Esta subclasse não compreende: a fabricação de casas de madeira préfabricadas (20.222/01); a construção de plantas hidrelétricas, nucleares e termoelétricas (45.322/01); a construção de estações telefônicas (45330/01); a construção de instalações desportivas tais como: piscinas, quadras esportivas (45.241/00); as obras de instalações elétricas, hidráulicas, sanitárias, etc. (grupo 45.4); os serviços de acabamentos da construção (grupo 45.5); Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10665.002920/200868 Acórdão n.º 2201004.395 S2C2T1 Fl. 157 11 as montagens de estruturas metálicas, de madeira etc. (45.25 0/01); os serviços de arquitetura e engenharia (74.209/01, 7420 9/02); o gerencianzento de projetos de construção (74.209/01, 7420 9/02). 45.225 Obras Viárias 45225/01 Obras Viárias (rodovias, vias férreas e aeroportos) (OBRA) Esta subclasse compreende: a construção de rodovias, inclusive pavimentação; a construção de vias férreas, inclusive para metropolitanos (preparação do leito, colocação dos trilhos); a construção de pistas de aeroportos. Esta subclasse não compreende: as grandes estruturas e obras de arte (45.233/00); as obras de urbanização e paisagismo (45.241/00); a construção de gasodutos, oleodutos e minerodutos (45.29 2/04); a sinalização com pintura de rodovias (45225/02). (...) 45292/99 Outras obras de engenharia civil Esta subclasse compreende: obras de concretagem de estruturas (OBRA); colocação de telhados, coberturas (SERVIÇO); construção de chaminés, lareiras, churrasqueiras (OBRA); obras de atirantamentos e cortinas de proteção de encostas (OBRA). Esta subclasse não compreende: drenagem (45.136/00); a montagem de estruturas metálicas (45.250/01). (...) Conforme artigo 473, inciso I da IN n° 3 já transcrito, inferese que a empresa autuada, mesmo sendo optante pelo lucro presumido, nesse caso dispensável da apresentação de Fl. 314DF CARF MF 12 escrituração contábil, desde que escriturem Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário, deverá, mesmo assim, ser arbitrada pela aferição indireta, caso esteja optando pela utilização de escrituração contábil de forma irregular. A empresa alega que protocolizou junto ao INSS em 14/11/2005 a DISO relativo a obra de sua responsabilidade e objeto do presente auto e que passaramse trinta e seis meses para apuração da diferença devida, incluindose, nesse caso multa e juros de mora desde aquela época. Entretanto, ao compulsar a impugnação apresentada, constatei que a empresa após ciência do ARO protocolizou em 18/12/2006, à fl. 76 do Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP n° 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal, processo n° 35118.000847/2006 55, solicitando revisão de enquadramento da obra do tipo alvenaria (tipo 11) para madeira ou misto (tipo 12). Em função dessa solicitação foram gerados vários documentos por parte da empresa autuada para corroborar a mudança de enquadramento do tipo da obra, culminando com o Oficio SRP/UARPDIV 11.023.020.4/119/2007, de 10/04/2007, à fl. 102, também do Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP 37.195.4169, encaminhado à empresa autuada e informando sobre a possibilidade da reversão dos valores apurados anteriormente, desde que a empresa apresente documentação prevista no artigo 441, § 3° da IN 03/2005, no prazo de dez dias. É certo que, após o encaminhamento do Oficio acima citado foi programada ação fiscal na empresa, em função da sua não concordância em recolher as contribuições devidas, visando manter o correto valor do crédito pretendido constante do ARO e verificar a regularidade da escrita contábil da empresa já declarada pela mesma como regular. A empresa foi oficialmente notificada de que se encontrava sob ação fiscal, a partir de 01/09/2008, com a ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal, datado de 01/09/2008. No que se refere à alegação da impugnante quanto à legalidade e constitucionalidade da taxa SELIC, esclareço que a sua discussão não é apreciada na área administrativa estando restrita ao âmbito judicial. A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios está prevista no artigo 34 da Lei n° 8.212/91, assim textuado: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes a' taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n.° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Parágrafo Único. O percentual de juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE o lançamento, para Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10665.002920/200868 Acórdão n.º 2201004.395 S2C2T1 Fl. 158 13 declarar o contribuinte devedor do crédito previdenciário no valor de R$ 3.705,53 (três mil setecentos e cinco reais e cinqüenta e três centavos), com consolidação em 25 de setembro/de 2008. Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 75 a 99), praticamente repete os argumentos lançados em sede de impugnação,em apertada síntese alegou: o simples fato de contabilizar a folha de pagamento pelo valor real, de contabilizar a rescisão de contrato sem discriminação das verbas; de não separar em contas distintas os pagamentos efetuados a pessoa jurídica e física; de contabilizar as notas fiscais respeitando a data de emissão, o que não é correto, enfim, essas supostas falhas não são suficientes para desclassificação da escrita contábil e para justificar a utilização da aferição indireta. Junta aos autos algumas jurisprudências para corroborar tal afirmativa. é optante pelo regime de tributação através do lucro presumido e, como tal, apesar da obrigação acessória contida no inciso II do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, está desobrigada de apresentação de escrituração contábil, conforme artigo 225, § 16, inciso II do mesmo Regulamento. Ressalta que o fato de haver entendimento de que o registro contábil não está tecnicamente correto, não causou qualquer prejuízo aos cofres da Previdência Social e da mesma forma a empresa não obteve qualquer vantagem pecuniária em decorrência desses registros, eis que não restou demonstrado o dolo de não pagar por meios de estratagemas escusos. Destarte, redobrada vênia, temse que o Auto de Infração lavrado pelo Auditor Fiscal é nulo, caracterizandose como ato excessivo da fiscalização. o valor apurado do salário de contribuição por aferição indireta pela fiscalização não está correto. Apresenta o seu cálculo informando que o valor correto do débito a recolher deveria ser de R$ 11.728,41. cotejando a Declaração e Informação sobre Obra — DISO, cuja cópia segue anexa, temse que o auditor Fiscal, sem qualquer fundamentação legal, de forma arbitrária, glosou notas fiscais exclusivamente de mão de obra, constantes da Relação de Notas Fiscais anexadas aos autos. a empresa protocolizou junto ao INSS em 14/11/2005 a DISO relativo a obra de sua responsabilidade e objeto do presente auto. Portanto passaramse trinta e seis meses para apuração da diferença devida pela impugnante, incluindose, nesse caso, multa e juros de mora desde aquela época. é ilegal e inconstitucional a cobrança da taxa SELIC. Fl. 316DF CARF MF 14 Isto posto requer seja dado provimento a presente defesa e julgado insubsistente o Auto de Infração DEBCAD n° 37.195.4169, pela inexistência de causas legais e legitimas que lhes dê embasamento, como amplamente demonstrado. É o relatório do necessário, passo ao Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Conforme se verifica do relatório, o lançamento em análise foi realizado com base em aferição indireta, invocando como base os seguintes dispositivos: LEI N° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 9.7.2001) (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10665.002920/200868 Acórdão n.º 2201004.395 S2C2T1 Fl. 159 15 dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP nº 03, DE 14 DE JULHO DE 2005 Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3°, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; (...) III da quando a contabilidade não espelhar a realidade econômico financeira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; (...) §1° Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente semi obtida: (...) II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construída; Da análise dos autos, verificase que não é o caso de aferição indireta, conforme preceitua a IN SRP nº 3, de 2005, uma vez que só se aplica a casos extremos e que não se verifica nos presentes autos. A aferição indireta é uma forma presumida de apuração da base de cálculo dos tributos que só pode e deve ser adotada em casos excepcionais em que a contabilidade não registra o real movimento da remuneração dos segurados ou a receita ou o faturamento ou até mesmo o lucro; quando o contribuinte não apresenta ou se recusa a apresentar documentos, sonega informações ou mesmo apresenta documentação insuficiente, ou mesmo quando as informações prestadas não merecem fé. Somente com a constatação de uma das circunstâncias mencionadas acima é que autoriza o emprego desta medida extrema. Mesmo se identificada uma das hipóteses acima mencionada, a meu ver, deve haver uma correlação lógica que justifique a utilização deste método de aferição do tributo. Ao adotar esta atitude de forma legítima, o ato que aplica medidas dessa natureza deve ser adequadamente fundamentado, o que exige que se aponte irregularidades concernentes à grandeza que está sendo auditada e argumentos que evidenciem ser inevitável a via adotada. Fl. 318DF CARF MF 16 Do relatório (fls. 18/19) consta a seguinte afirmação para justificar a medida extrema: (...) 6. Este valor de salário de contribuição (R$44.749,11), foi obtido por aferição indireta, considerando a área do imóvel e o valor do Custo Unitário Básico —CUB utilizado na construção civil. A aferição indireta foi adotada, após exame dos documentos contábeis da empresa (Livros Diários e Razão de 2003 a 2005), onde foram constatadas as seguintes irregularidades: 6.1 CONTA 1.3.2.01.006 ORDENADOS contabiliza a folha de pagamento pelo total, sendo que a mesma possui as verbas salariais discriminadas: salário contratual, horas extras, adicional noturno, repouso remunerado. Está em anexo as cópias do resumo das folhas de pagamento e da página do Livro Diário com a contabilização da folha pelo total nas competências 09/2003, 12/2003, 09/2004 e 11/2004. 6.2 CONTA 13201002ENCARGOS DO TRABALHO: nesta conta a empresa contabiliza as rescisões de contrato de trabalho pelo total pago, sem também discriminar as verbas com incidência de contribuições previdenciárias, como saldo de salários e 13° salário proporcional das verbas indenizatórias, como férias indenizadas, férias proporcionais, 13º salário indenizado. Está em anexo a rescisão de Eliton Vítor em 21/09/2004 e cópia da folha do Livro Diário com a contabilização pelo liquido da rescisão 6.3 CONTA 13201007SERVIÇOS PRESTADOS PESSOA JURÍDICA E PESSOA FiSICA: a empresa não faz separação de pessoa física para pessoa jurídica, contabilizando todos em uma única conta, como em 07/2004 foi contabilizado o recibo de pagamento a Adriana Silva Ferreira no valor de R$ 1.058,00. 6.4 As notas fiscais número 9734 e 9735 emitidas em 23/09/2003 pelo prestador de serviços Central Beton Ltda, CNPJ 16.548.653/000735, somente foi contabilizada em 01/10/2003, deixando de ser observado o regime de competência. 6.5 A empresa não contabilizou os valores gastos na aquisição de areia para a execução da obra, conforme declaração em anexo. 7. Para apuração do débito junto ao contribuinte foram analisados os seguintes documentos relacionados à obra: Folhas de pagamento dos empregados da obra; Guias de recolhimento da Previdência Social — GPS; Recibos de pagamentos a autônomos RPA; GFIP's Livros Diários e Razão de 2003 a 2005. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10665.002920/200868 Acórdão n.º 2201004.395 S2C2T1 Fl. 160 17 Por outro lado, não há no relatório fiscal, uma linha sequer sobre as notas glosadas pelo fiscal, o que gera dúvida quanto à possibilidade da utilização da aferição indireta como ocorreu nos presentes autos. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 240102.161, da lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Da fundamentação desse Acórdão, que adoto como razão de decidir, por sua vez, extraise: Aferição indireta do saláriodecontribuição O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Fl. 320DF CARF MF 18 Na situação sob enfoque, verifico que o Relatório Fiscal, por entender que a documentação do contribuinte seria deficiente, lançou mão da aferição indireta da remuneração dos empregados. De acordo com as considerações da Auditoria, o fato da empresa não ter registrado o pagamento de ART, bem como de despesas com deslocamento e hospedagem do sócio gerente do sujeito passivo, desconsiderou toda a documentação apresentada, por entendêla imprestável. Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mãodeobra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, posto que não demonstrou estar diante de uma situação impeditiva de apurar as remunerações com esteio na documentação do sujeito passivo. Nesse sentido, dou razão à recorrente quanto à falta de justificativa para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Os §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, é claro ao estabelecer as hipóteses que trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, ou seja, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Verificada a hipótese de aplicação da aferição indireta, deve ser negado provimento ao recursos. Com relação à incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10665.002920/200868 Acórdão n.º 2201004.395 S2C2T1 Fl. 161 19 Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Recurso negado nessa parte. Conclusão Pelos motivos expostos, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000180/2009-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15956.000180/2009-54
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5867327
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.727
nome_arquivo_s : Decisao_15956000180200954.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 15956000180200954_5867327.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7309292
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312873345024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 481 1 480 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15956.000180/200954 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.727 – 2ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PRES CONSTRUÇÕES S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 01 80 /2 00 9- 54 Fl. 481DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração (Debcad n°. 37.218.5479) para cobrança de contribuições previdenciárias, que nos termos do relatório fiscal pode assim ser resumido: 3. DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO 3.1. Tratar.se de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social da parte das contribuições dos segurados empregados: Relativa às contribuições incidentes sobre as diferenças de remunerações apuradas na Folha de Pagamento e Contabilidade, dos segurados empregados, com os valores declarados em GFIP e levantados pela fiscalização através do sistema GFIPWEB, valores não declarados em GFIP. Após o trâmite processual, a 3ª Turma Especial manteve em parte o lançamento, determinando ainda o recalculo do valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. O Acórdão 2803003.045 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CITAÇÃO. VALIDADE. É válida a citação via postal, confirmada por assinatura recebedor da correspondência mesmo não sendo representante da empresa, ex vi Súmula CARF nº 9. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 15956.000180/200954 Acórdão n.º 9202006.727 CSRFT2 Fl. 482 3 O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de valetransporte. AJUDA DE CUSTO. PAGAMENTO EM DESACORDO. INCIDÊNCIA. Os valores pagos a título de ajude de custo somente não se consubstanciam em base de cálculo de contribuições previdenciárias, consoante artigo 28, parágrafo 9.°, alínea "g", da Lei n.° 8.212/91, quando pagos em razão da mudança de domicílio do empregado e em parcela única. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.VEDAÇÃO LEGAL. Todo o conjunto probatório deve ser apresentado quando da impugnação. Exceção das situações constantes no art. 16 § 4º do decreto 70.235/72. Não se enquadrando em nenhuma das hipóteses, vedada a juntada posterior de documentos. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao ano de 2005, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Contra a decisão a Fazenda Nacional, interpôs recurso especial de divergência questionando o critério adotado pelo Colegiado no que tange a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Intimado o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 483DF CARF MF 4 O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, e quanto a este tema o acórdão recorrido assim concluiu: DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A presente multa encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. No entanto, o art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente apenas quando esta seja mais benéfica ao contribuinte. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao ano de 2005, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 15956.000180/200954 Acórdão n.º 9202006.727 CSRFT2 Fl. 483 5 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 485DF CARF MF 6 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 486DF CARF MF Processo nº 15956.000180/200954 Acórdão n.º 9202006.727 CSRFT2 Fl. 484 7 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 487DF CARF MF 8 · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Embora o dispositivo da decisão tenha citado a mencionada portaria, sua aplicação não se deu da forma correta, posto que não considerou para fins do cálculo a multa lançada no auto de infração da respectiva obrigação acessória. Percebese que, conforme exposto, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo Fl. 488DF CARF MF Processo nº 15956.000180/200954 Acórdão n.º 9202006.727 CSRFT2 Fl. 485 9 ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, Fl. 489DF CARF MF 10 os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000672/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2009
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. ART. 66 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão.
Numero da decisão: 2401-005.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, para informar à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregada da liquidação e execução do Acórdão nº 2403-001.345 que o entendimento manifestado neste julgado engloba todos os levantamentos do debcad nº 37.268.123-9.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2009 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. ART. 66 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15956.000672/2010-83
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5869573
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.442
nome_arquivo_s : Decisao_15956000672201083.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
nome_arquivo_pdf_s : 15956000672201083_5869573.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, para informar à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregada da liquidação e execução do Acórdão nº 2403-001.345 que o entendimento manifestado neste julgado engloba todos os levantamentos do debcad nº 37.268.123-9. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7323218
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312878587904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 625 1 624 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000672/201083 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401005.442 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREFEITURA MUNICIPAL DE JABOTICABAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2009 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. ART. 66 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, para informar à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregada da liquidação e execução do Acórdão nº 2403001.345 que o entendimento manifestado neste julgado engloba todos os levantamentos do debcad nº 37.268.1239. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 06 72 /2 01 0- 83 Fl. 617DF CARF MF Processo nº 15956.000672/201083 Acórdão n.º 2401005.442 S2C4T1 Fl. 626 2 Relatório Cuidase de embargos inominados da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregada da liquidação e execução do Acórdão nº 2403001.345 da 3ª TO da 4ª Câmara (fls. 586 e segs). Às fls. 611/616, consta despacho de exame de admissibilidade. Salientase que referido despacho abrangeu a análise do Processo n º 15956.000670/20109 e os demais apensados a este (Processos nºs 15956.000672/201083, 15956.000673/201028, 15956.000674/201072). Em relação ao presente processo, transcrevese do despacho de admissibilidade a análise da matéria objeto dos embargos: Processo 15956.000672/201083: Inicialmente ressalta frase do despacho de fls. 728/729, do relator do acórdão proferido no presente processo, inadequadamente denominado " Informações em embargos", no qual consta a seguinte necessidade de saneamento: Fiz destaque destes últimos posto que enfrentei as alegações interpostas no de n° 15956.000672/201083 , o qual solicito sua apreciação e assinatura bem como o de n° 13856.000149/201131 que requer seja devolvido às origens para ser devidamente instruído uma vez que restam ausentes nos autos o Relatório Fiscal, a peça de Impugnação, o Acórdão de Primeira Instância, o Recurso Voluntário, eventuais Embargos e outros. Sobre esta matéria, a DRF de origem explica que: Com o objetivo de esclarecer esse Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, informamos que o processo nº 13856.000149/2011 31 (Debcad nº 37.362.5014, desmembrado do 37.268.1239) é originário do desmembramento do Auto de Infração Debcad nº 37.268.1239, controlado no processo administrativo nº 15956.000672/201083, em virtude do acórdão nº 1434.360 6ª Turma da DRJ/RPO, de 28/06/2011, ter considerado as matérias correspondentes os levantamentos ED, GI, GR, HS, LO, AR, RE, RH e SC como não impugnadas, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ocorre que, após tal desmembramento, o contribuinte obteve uma liminar nos autos do MS nº 000680928.2011.403.6102, determinando à autoridade impetrada que fosse remetido ao CARF toda a matéria contida no Debcad nº 37.268.1239, sem qualquer desmembramento (vide docs.fls. 203/265 do processo nº 13856.000149/201131), motivo pelo qual esta unidade providenciou o encaminhamento daquele processo para apensação ao processo nº 15956.000672/201083 conforme despacho de fls. 267 (numeração daquele processo), em cumprimento à ordem Fl. 618DF CARF MF Processo nº 15956.000672/201083 Acórdão n.º 2401005.442 S2C4T1 Fl. 627 3 judicial. Assim, os documentos apontados como ausentes correspondem àqueles já existentes no processo nº 15956.000672/201083, e constatado que foram juntados parcialmente, informo que estamos providenciando nova cópia e juntada dos documentos ao processo nº 13856.000149/201131 para efetivação do saneamento. Diante do exposto, verificado que no acórdão nº 2403001.345 exarado e anexado às fls. 586/603 do processo nº 15956.000672/201083 houve a análise e julgamento quanto aos demais lançamentos das matérias não impugnadas (desmembradas para o novo processo em virtude do acórdão da DRJ), solicitamos a fineza de que seja confirmado o nosso entendimento quanto ao aproveitamento desta decisão para o Debcad nº 37.362.5014 (desmembrado do 37.268.1239) controlado no processo nº 13856.000149/201131, considerando que a ordem judicial determinou o encaminhamento ao CARF de todas as matérias do Debcad nº 37.268.1239, sem qualquer desmembramento. Em caso afirmativo do referido aproveitamento, solicitamos a verificação da necessidade de adoção de eventuais procedimentos necessários para consignar esse fato. (grifouse) Eis o dispositivo de referido acórdão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em preliminar, em relação à EMURJA, negar provimento à questão da solidariedade. Vencido o Relator. Designado o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari para redigir o voto vencedor. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Da leitura do dispositivo, vêse que o provimento parcial foi apenas para recalcular a multa aplicada. Do voto, extraise a seguinte afirmação: Para efeito de demonstração da forma como foram relatados os débitos, destaquei os levantamentos 3.1 Levantamento BT e 3.2 Levantamento CA , que à exemplo dos demais guardam o mesmo “ modus operandi” onde se verifica que o Autuante tomou as devidas providenciais quanto à motivação exigida fazendo constar a informação e os documentos probantes e a norma que originaram o lançamento : [...] Do exposto, na forma do procedimento da Autoridade fiscal, todos os elementos exigíveis para o lançamento foram observados e relatados ao contribuinte que, em desejando, poderia sem grande esforço, compulsálos e do confronto argüir expressamente eventuais divergências. Assim, na forma genérica como apresentou a impugnação reiterada em recurso, é lícito concluir que a Recorrente, “ ab initio Fl. 619DF CARF MF Processo nº 15956.000672/201083 Acórdão n.º 2401005.442 S2C4T1 Fl. 628 4 ” incorreu no preceituado do artigo 17 do Decreto 70.235/72 , verbis: Vêse, portanto, que o relator se refere aos levantamentos, mas não deixa claro se dentre eles estão incluídos os levantamentos que haviam sido desmembrados no debcad nº 37.362.5014, processo nº 13856.000149/2011 31. Sendo assim, constatado lapso manifesto no Acórdão de recurso voluntário nº 2403001.345, recebo os embargos como embargos inominados, nos termos do RICARF, art. 66, e proponho que o presente processo seja incluído em pauta de julgamento para que seja sanado o vício apontado, devendose incluir no julgamento todos os levantamentos originalmente feitos, os mantidos no processo, debcad nº 37.268.1239, e os que foram desmembrados no debcad nº 37.362.5014. É o relatório. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 15956.000672/201083 Acórdão n.º 2401005.442 S2C4T1 Fl. 629 5 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Os embargos atendem aos pressupostos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Nos autos, temse que o crédito tributário originalmente apurado no debcad nº 37.268.1239 foi desmembrando após decisão de primeira instância, gerando, desta forma, o debcad nº 37.362.5014 (processo nº 13856.000149/201131), com os seguintes levantamentos ED, GI, GR, HS, LO, AR, RE, RH e SC. Ocorre que o contribuinte obteve uma liminar nos autos do MS nº 0006809 28.2011.403.6102, determinando à autoridade impetrada que fosse remetido ao CARF toda a matéria contida no Debcad nº 37.268.1239, sem qualquer desmembramento. Do acórdão embargado nº 2403001.345, retiramse os fundamentos do voto condutor que assim decidiu: QUANTO AOS DEMAIS LANÇAMENTOS DAS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS A Recorrente alegou em sede Recursal que : “ Sequer socorre a decisão prolatada a argüição de os referidos descontos apontados foram utilizados para abater os débitos tributários constituídos nos próprios levantamentos já que ao contrário do alegado não se vislumbra no mencionado discriminativo do débito os apontamentos detalhados relativos aos números das notas fiscais levadas em consideração para a respectiva apuração e tão pouco a discriminação das guias e datas relativas as retenções e recolhimentos considerados, o que inviabiliza inclusive o contraditório e a ampla defesa por trazer o mencionado discriminativo do débito valores totalizados e não discriminados por lançamento individualizado.” E ainda que : “ Para tanto, necessário se faz que a fiscalização aponte os elementos de convicção necessários para a construção do auto de infração. Trazer informações generalizadas, sem individualização dos lançamentos e sem ter percorrido o adequado caminho legal de verificar todos os efetivos recolhimentos previdenciários ocorridos, é o mesmo que impossibilitar a defesa do sujeito passivo É mais do que sabido que o poder de taxar não pode destruir o contribuinte (STF RE n° 18.331, Rei. Min. Orosimbo Nonato, in "Revista Forense 145, Ed. Forense,1953, ps. 164 e seguintes). ” Para efeito de demonstração da forma como foram relatados os débitos , destaquei os levantamentos 3.1 Levantamento BT e 3.2 Levantamento CA , que à exemplo dos demais guardam o mesmo “ modus operandi” onde se verifica que o Autuante tomou as devidas providenciais quanto à motivação exigida fazendo constar a informação e os documentos probantes e a norma que originaram o lançamento : Fl. 621DF CARF MF Processo nº 15956.000672/201083 Acórdão n.º 2401005.442 S2C4T1 Fl. 630 6 ‘ 3.1 Levantamento BT 3.1.1 O valor originário do débito apurado corresponde a este levantamento, referese ao montante das contribuições sociais devidas, mediante aplicação da alíquota de 11% sobre 50% dos valores brutos das notas fiscais de serviço NFS, emitido pela empresa contratada B. Tobace Construções e Serviços Ltda, não recolhido pela empresa FISCALIZADA (contratante dos serviços) à seguridade social até o dia dez do mês subseqüente ao da emissão destas NFS, em nome da contratada, relativo aos meses 01 e 04/2007, abatidas às contribuições sociais recolhidas mediante Guia da Previdência Social GPS. 3.1.2 No Relatório de Lançamentos RL consta o valor lançado (valor bruto da NFS), o percentual de 50%, resultando o valor apropriado, e no campo "observação" consta os números da NFS, bem como consta o total do valor apropriado por competência. No Discriminativo do Débito DD consta base de cálculo por competência que corresponde ao total do valor apropriado por competência citado no RL. 3.1.3 A prestação de serviço foi executada mediante empreitada na área de construção civil, com apresentação de contrato de prestação de serviço,' enquadrandose na normalização contida no inciso III do art. 145 da Instrução Normativa/SRP n° 03, de 14.07.2005 DOU. 15/07/2005. A obtenção da base de cálculo através de 5 0% do valor bruto da NFS espelhase na descrição do serviço contido no contrato de prestação de serviço, que define com fornecimento de material e mão de obra, para a execução de obras de Instalação de Rede de Energia Elétrica errj Baixa Tensão 220/127V...", aplicandose o inciso I do art. 150 da IN acima citada (fls. 39 a 54). 3.2 Levantamento CA 3.2.1 O valor originário do débito apurado corresponde a este(levantamento, referese ao montante das contribuições sociais devidas, mediante a aplicação da alíquota de 1 1% sobre os valores brutos das notas fiscais de serviço \ NFS, emitido pela empresa contratada Carregari e Giangrecco Construção Civil Ltda ME, não recolhido pela empresa FISCALIZADA (contratante dos serviços) à seguridade social até o dia dez do mês subseqüente ao da emissão destas NFS, em nome da contratada, relativo aos meses de 04, 07 e 08/2007. " Do exposto, na forma do procedimento da Autoridade fiscal, todos os elementos exigíveis para o lançamento foram observados e relatados ao contribuinte que, em desejando, poderia sem grande esforço, compulsálos e do confronto argüir expressamente eventuais divergências. Assim, na forma genérica como apresentou a impugnação reiterada em recurso, é lícito concluir que a Recorrente, “ ab initio ” incorreu no preceituado do artigo 17 do Decreto 70.235/72 , verbis: “ Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997)” Ademais, registrese que por meio de despacho de esclarecimento no processo nº 13856.000149/201131, restou devidamente consignado Fl. 622DF CARF MF Processo nº 15956.000672/201083 Acórdão n.º 2401005.442 S2C4T1 Fl. 631 7 O presente processo não foi objeto de Decisão da DRJ em separado, nem tampouco de recurso específico, que justificasse a elaboração de acórdão em separado. Observamos que no processo 15956.000672/201083, o relator apreciou os argumentos contidos no recurso voluntário em sua totalidade (inclusive fazendo expressa referência aos levantamentos constantes do presente processo objeto de desmembramento), conforme descrito às fls. 06 do acórdão 2403001.345. Assim, embora tenha o relator solicitado o saneamento do presente processo, para efeitos de julgamento, restou devidamente esclarecido pela DRF a origem deste processo às fls.954/955, e que não se trata de novos fatos geradores. Em tendo o contribuinte apresentado recurso único no corpo dos autos do Processo 2010/83, entendo não existir matéria a ser novamente apreciada, valendo àquela decisão para todos os levantamento inicialmente lá contemplados e que posteriormente foram trazidos para cá. Conclusão Pelo exposto acima, voto no sentido acolher os embargos inominados para informar a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregada da liquidação e execução do Acórdão nº 2403001.345 que o entendimento manifestado neste julgado engloba todos os levantamentos do debcad nº 37.268.1239. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 623DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16370.720004/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/06/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITE-SE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO.
A relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos será encaminhada mensalmente à Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos.
O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, f, do Decreto 3.048, de 1999.
INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária.
Numero da decisão: 2301-005.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2008 a 30/06/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITE-SE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos será encaminhada mensalmente à Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, f, do Decreto 3.048, de 1999. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16370.720004/2013-62
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861921
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.215
nome_arquivo_s : Decisao_16370720004201362.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16370720004201362_5861921.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7281418
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312896413696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1876; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16370.720004/201362 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.215 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE LONDRINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 30/06/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITESE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos será encaminhada mensalmente à Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, “f”, do Decreto 3.048, de 1999. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 72 00 04 /2 01 3- 62 Fl. 337DF CARF MF 2 JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1669.151, exarado pela 12ª Turma da DRJ em São Paulo (efls. 306 a 319). O processo administrativo é constituído pelo Auto de Infração Debcad n° 51.023.8947, que formaliza multa no montante de R$51.521,40, por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 50 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o art. 226, §§ 1° e 2° do Decreto 3.048, de 1999 (Regulamento da Previdência Social – RPS), por ter o sujeito passivo deixado de encaminhar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), até o dia 10 do mês seguinte, a relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de “habitese” concedidos mensalmente, ou encaminhar fora do prazo ou apresentar com incorreções ou omissões. O relatório fiscal (efls. 06 a 12) informa que: (a) não constando nos sistemas informatizados da RFB o Relatório Mensal de Alvarás de Construção e Cartas de Habitese, previsto no art. 50 da Lei 8.212, de 1991 e art. 226 do Decreto 3.048, de 1999, o contribuinte foi intimado: (a) em 22/10/2012 (efl. 40), no processo n° 16370.720015/201261, a comprovar o cumprimento dessa obrigação acessória referente aos meses de jan/2008 a abr/2008; (b) em 28/01/2013 (efl. 43), a comprovar o cumprimento dessa obrigação acessória referente aos meses de jan/2009 a jun/2009; (b) a Portaria Interministerial MPS/MF N° 15, de 2013, art. 8°, IV, prevê multas de R$1.717,38 a R$171.736,10 para infração a qualquer dispositivo do RPS para a qual não haja penalidade expressamente cominada; na a existência de elementos caracterizadores de reincidência específica, a multa é elevada em três vezes, conforme art. 290, V, parágrafo único, e art. 292, IV do RPS; (c) o contribuinte foi autuado no processo n° 16370.720010/201239, Debcad n° 51.023.8912 por infração ao art. 50 da Lei 8.212, de 1991 combinado com o art. 226, §§ 1° e 2° do RPS, por deixar de apresentar as três relações de todos os alvarás e habitese concedidos nos meses de 10/2007 a 12/2007, cujo Termo de Revelia foi lavrado em 25/09/2012; (d) no auto de infração foi lançada multa de R$ 5.152,14 por Relação não entregue, que correspondem à multa mínima de R$1.717,38 agravada devido a reincidência específica em 3 (três) vezes (R$ 1.717.38 x 3 = R$ 5.152.14), totalizando R$ 51.521.14 (10 x R$5.152.14), por deixar o contribuinte de apresentar no prazo legal as dez relações de todos os alvarás e "habitese" concedidos nos meses set/2008 a jun/2009, cujos vencimentos dos prazos para entrega deramse respectivamente em 10/10/2008, 10/11/2008, Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16370.720004/201362 Acórdão n.º 2301005.215 S2C3T1 Fl. 3 3 10/12/2008, 10/01/2009, 10/02/2009, 10/03/2009, 10/04/2009, 10/05/2009, 10/06/2009 e 10/07/2009. Na impugnação (efls. 49 a 57) foi alegado, em síntese: (a) a nulidade formal do auto de infração por falta de indicação da forma de cálculo do valor da multa; (b) a inexistência de irregularidade e a necessidade do cancelamento da multa, em face de ser caso de não aplicação da penalidade; (c) a inexistência de irregularidade pela entrega, fora do prazo, da documentação, tendo sido cumprida a obrigação e atingida a finalidade; (d) caso se entenda devida a multa, ela deve ser minorada por aplicação analógica do § 2°, do art. 32A da Lei 8.212, de 1991. Os pedidos consistem no cancelamento do debcad, e, em consequência, da multa impugnada. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 19/02/2013 Ementa: MUNICÍPIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. São representados em juízo, ativa e passivamente, o Município, por seu Prefeito ou procurador, nos termos do Código de Processo Civil. Nos termos da Lei Orgânica do Município, à Procuradoria Geral do Município, órgão diretamente subordinado ao Prefeito, compete representar judicial e extrajudicialmente o Município. AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no Auto de Infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo Relatório Fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITESE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos, será encaminhada mensalmente à Fl. 339DF CARF MF 4 Secretaria da Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos é considerado descumprimento de obrigação tributária acessória, que sujeita o infrator à penalidade prevista na alínea "f", do inciso I do art. 283, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária. A ciência dessa decisão ocorreu em 11/09/2015 (efl. 322). Em 06/10/2015, foi apresentado recurso voluntário (efls. 324 a 330), sendo repetidos os argumentos e os pedidos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, relator. O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE É alegada a nulidade formal do auto de infração por falta de indicação da forma de cálculo do valor da multa, ocasionando cerceamento do direito de defesa, já que foi aplicada multa mínima, no valor de R$19.405,44, sendo de R$636,17 o valor mínimo indicado no RPS. Entendo não ter restado configurada qualquer nulidade. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16370.720004/201362 Acórdão n.º 2301005.215 S2C3T1 Fl. 4 5 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso concreto, diferentemente do que alega o contribuinte, não foi aplicada multa de R$19.405,44, mas, como relatado, de R$51.521,14, cuja forma de cálculo, já descrita, consta expressamente no auto de infração. Ademais, o auto de infração, do qual o “relatório fiscal do auto de infração” é parte integrante, contém a descrição dos fatos e a base legal para a aplicação da multa, não ocorrendo o alegado cerceamento do direito de defesa. Vejamos a base legal citada. Lei 8.212, de 1991: Art. 50. Para fins de fiscalização do INSS, o Município, por intermédio do órgão competente, fornecerá relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. (Redação dada pela Lei n° 9.476, de 1997) Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713, de 2001). Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999: Fl. 341DF CARF MF 6 Art. 226. O Município, por intermédio do órgão competente, fornecerá ao Instituto Nacional do Seguro Social, para fins de fiscalização, mensalmente, relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos, de acordo com critérios estabelecidos pelo referido Instituto. § 1° A relação a que se refere o caput será encaminhada ao INSS até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos.(Redação dada pelo Decreto n°4.032, de 2001) § 2° O encaminhamento da relação fora do prazo ou a sua falta e a apresentação com incorreções ou omissões sujeitará o dirigente do órgão municipal à penalidade prevista na alínea "f do inciso I do art. 283. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...); f deixar o dirigente dos órgãos municipais competentes de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social as informações concernentes aos alvarás, "habitese " ou documento equivalente, relativos a construção civil, na forma do art. 226; e Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...); V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 16370.720004/201362 Acórdão n.º 2301005.215 S2C3T1 Fl. 5 7 Portaria Interministerial MPS/MF n° 15 de 10/01/2013: Art. 8° A partir de 1° de janeiro de 2013: (...) IV o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada no art. 283 do RPS, varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.717,38 (um mil setecentos e dezessete reais e trinta e oito centavos) a R$ 171.736,10 (cento e setenta e um mil setecentos e trinta e seis reais e dez centavos) Ou seja, não há qualquer omissão na indicação da forma de cálculo do valor da multa que possa levar ao cerceamento do direito de defesa. DE SER INDEVIDA A MULTA PELA FALTA DE ENTREGA DA RELAÇÃO DE TODOS OS ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE "HABITESE" CONCEDIDOS PELO MUNICÍPIO DE LONDRINA O recorrente alega que a infração não deve subsistir, uma vez que “a multa se refere à falta de entrega da relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos pelo Município de Londrina”, sendo inaplicáveis os fundamentos legais indicados, os arts. 50 e 102, da Lei 8.212, de 1991 (arts. 283, I, "f" e 373 do Decreto Federal 3.048/99). Aduz que, quanto aos entes públicos, não existe a possibilidade de estipulação de "obrigação acessória tributaria", pois tanto a Constituição quanto o CTN tratam apenas de "cooperação mútua", sendo este o espírito que o legislador deu ao art. 50 da Lei 8.212, de 1991, conforme previsto nos artigos 198, § 2° e 199 do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto à impossibilidade serem instituídas obrigações acessórias dirigidas a entes públicos, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional são considerados empresa para fins da aplicação da Lei 8.212, de 1991 (art. 15, I, parte final, da Lei 8.212, de 1991), estando sujeitos às obrigações acessórias previstas na legislação tributária. O art. 50 da Lei 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei 9.476, de 1997, dispõe que, para fins de fiscalização da RFB, o município, por intermédio do órgão competente, fornecerá relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Regulamentando esse dispositivo, o art. 226 do RPS, determina que a relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos será encaminhada à RFB até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. Assim, tratase de obrigação tributária destinada especificamente ao ente municipal, com previsão expressa de multa pelo seu descumprimento no § 2º do art. 226, já transcrito. A autoridade fiscal é vinculada à aplicação da legislação citada, face ao disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, pelo qual “a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Fl. 343DF CARF MF 8 A seu turno, o disposto nos arts. 198 e 199 do CTN não possuem o condão de elidir o lançamento, uma vez que o intercâmbio de informações ou a prestação de mútua assistência “para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações” não desobriga ao cumprimento das obrigações acessórias pelo entes públicos. Por outro lado, não existe qualquer ilegitimidade na previsão da multa. Ora, não havendo previsão expressa de multa pelo descumprimento do disposto no art. 50 da Lei 8.212, de 1991, o art. 92 do mesmo diploma legal determina que seja aplicada multa variável, conforme dispor o regulamento. O art. 226 do RPS, com base nesse permissivo legal, indica que a multa a ser aplicada é a prevista na alínea “f” do inciso I do art. 283. DA ENTREGA, FORA DO PRAZO, DO RELATÓRIO Argumenta o recorrente que, conforme informação da Diretoria de Aprovação de Projetos, da Secretaria Municipal de Obras de Pavimentação do Município de Londrina, ter havido a entrega dos relatórios requeridos após o recebimento da intimação, ainda que não no prazo de vinte dias, não sendo cabível a aplicação de penalidade uma vez cumprida a obrigação, devendo ser anulado o auto de infração. Como visto, o art. 50 da Lei n° 8.212, de 1991 estabelece ao município a obrigação de fornecer a relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Por sua vez, o art. 226 do RPS estabelece o prazo para o cumprimento da obrigação (§ 1º) e regulamenta a sanção no caso de descumprimento (§ 2º). A recorrente não nega a entrega fora do prazo das relações de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Tendo havido a incidência da norma sancionadora, não há como afastála face aos argumentos expostos, ainda que tenham sido entregues, a destempo, os documentos solicitados. DA MINORAÇÃO DO VALOR DA MULTA A recorrente solicita a minoração do valor da multa, por aplicação analógica do § 2º, do art. 32A da Lei 8.212, de 1991. Não há como atender o requerido, uma vez que a legislação apontada aplica se exclusivamente à infração relacionada à entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (Gfip), documento que não se confunde com o que estamos tratando. No caso, o valor da multa para a infração constatada encontrase expressamente previsto no art. 283, I, "f" e 373 do Decreto 3.048, de 1999. Havendo disposição expressa, não e aplicável o art. 108 do CTN, que dispõe sobre a analogia. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16370.720004/201362 Acórdão n.º 2301005.215 S2C3T1 Fl. 6 9 III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. (Grifouse.) Conclusão Voto, portanto, por REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 345DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.003037/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO.
Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade.
No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com embalagens, fretes das embalagens, e gás combustível para empilhadeira e mantida a glosa no que tange à despesa com condomínio.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.514
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com embalagens, fretes das embalagens, e gás combustível para empilhadeira e mantida a glosa no que tange à despesa com condomínio. Recurso Voluntário parcialmente provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10925.003037/2009-68
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868169
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.514
nome_arquivo_s : Decisao_10925003037200968.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10925003037200968_5868169.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7315467
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312919482368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.003037/200968 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.514 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2018 Matéria DCOMP.PIS/COFINS. Recorrente POMAGRI FRUTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotandose, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornandose imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com embalagens, fretes das embalagens, e gás combustível para empilhadeira e mantida a glosa no que tange à despesa com condomínio. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 37 /2 00 9- 68 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10925.003037/200968 Acórdão n.º 3301004.514 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10925.003037/200968 Acórdão n.º 3301004.514 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação, relativo a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Não Cumulativa, vinculado a receitas de vendas submetidas à alíquota zero (produção e comercialização de maçãs), deferido parcialmente por Despacho Decisório exarado pela unidade de origem. Dessa forma, apenas parte das compensações declaradas foi homologada. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal constante nos autos, o reconhecimento parcial do crédito decorreu de glosas efetuadas em itens diversos de custo e despesa que compunham o crédito demonstrado pelo contribuinte no Dacon. Cientificado do decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual pede o reconhecimento integral do crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: (i) Os materiais de embalagens (cantoneiras, bandejas, fitas adesivas, pallets, papelseda, plástico bolha, tampas, fundos, caixas de papelão etc) são indispensáveis ao acondicionamento do produto, não exclusivamente com o fim de transporte, porquanto utilizados para assegurar a integridade da fruta até o seu destino; (ii) O papelseda, fita, cantoneira e outros são insumos na produção da maçã, conforme item acima, de modo que gera creditamento a despesa com o serviço de transporte para adquirilos; (iii) A despesa com condomínio deve ser creditada da mesma forma que a despesa com aluguel, pois o acessório segue o principal; (iv) O GLP relacionado à glosa foi empregado nas empilhadeiras destinadas à movimentação das maçãs, de modo que o combustível está diretamente ligado ao processo produtivo; (v) Não existe lei formal determinando a aplicação do conceito de insumo do IPI à apuração das contribuições nãocumulativas; (vi) O critério de insumo utilizado na decisão recorrida não está em conformidade com Soluções de Consulta emanadas das Superintendências da Receita Federal do Brasil (Processo de Consulta nº 99/09 da SRRF6ªRF), com decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Recurso Voluntário nº 146.778) e com a jurisprudência judicial (Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de 26 de março de 2009; Agravo Regimental no REsp nº 1.125.253/SC, de 15 de abril de 2010). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão nº 08033.950. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão e, insatisfeito com o seu teor, interpôs Recurso Voluntário, através do qual requereu: (i) recebimento do recurso voluntário; ii) procedência do recurso para reformar o acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito ao crédito de PIS requerido no pedido de ressarcimento. É o breve relatório. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10925.003037/200968 Acórdão n.º 3301004.514 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.509, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.003017/200997, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.509): "Voto Vencido O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1) Do direito ao creditamento de COFINS linhas gerais Consoante acima indicado, a presente demanda versa sobre o direito ao creditamento de COFINS em razão da análise do conceito de insumos disposto na legislação de regência. A DRJ seguiu a legislação do IPI, entendendo que, para que fosse concedido o crédito, seria essencial o desgaste físico no produto no processo produtivo da empresa. Esse entendimento, contudo, encontrase superado por este Conselho, que construiu uma corrente intermediária própria, fugindo tanto às normas atinentes ao IPI quanto às normas atinentes ao IRPJ. E é com base nesta corrente intermediária, com a qual me alinho, que serão analisados a seguir os itens que foram objeto de glosa por parte da fiscalização. Importante destacar que o embasamento da glosa realizada pela fiscalização foi a ausência de previsão legal para autorização do creditamento realizado, e não a falta de comprovação da sua origem. Logo, a questão deve ser apreciada sobre o aspecto de direito. Sobre o creditamento, o art. 3º da Lei nº 10.833/2003 assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10925.003037/200968 Acórdão n.º 3301004.514 S3C3T1 Fl. 6 5 em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. No que tange à alínea II acima, embora ciente que alguns julgadores deste Conselho adotam interpretação restritiva do conceito de insumos para fins de admissão do crédito, inclusive acolhendo em alguns casos o conceito de insumos inserto na legislação do IPI, tem prevalecido nas decisões proferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais uma posição menos engessada, por meio da análise dos créditos aplicáveis em cada caso concreto, em razão da atividade desempenhada pela empresa. A análise do presente caso, portanto, em determinadas situações, perpassa pela definição do conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Nos termos dos recentes julgados proferidos por este Conselho, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10925.003037/200968 Acórdão n.º 3301004.514 S3C3T1 Fl. 7 6 essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Logo, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade à atividade desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente. Esta, inclusive, também é a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento daquela Corte pode ser visualizado no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, proferido nos autos do Recurso Especial nº 1.246.317MG: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10925.003037/200968 Acórdão n.º 3301004.514 S3C3T1 Fl. 8 7 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Quanto ao tema, filiome à corrente intermediária acima indicada, pelo que entendo merecer reforma a decisão recorrida quanto aos seus fundamentos, uma vez que, para a compreensão do direito à apuração de créditos de PIS e COFINS no sistema da nãocumulatividade, não deve ser adotado o conceito estrito de insumos constante da decisão recorrida. 2) Dos itens em que o direito ao creditamento restou afastado pela DRJ A empresa em questão planta, produz e comercializa frutas. O recorrente se insurge contra o entendimento da DRJ, argumentando que as despesas com aquisições de embalagens, frete das embalagens, gás combustível para empilhadeiras e condomínio devem gerar crédito de COFINS por serem todas diretamente necessárias à comercialização do produto. Afirma que tais despesas se relacionam diretamente com a preservação da integridade do produto, transporte de insumos e armazenamento. Com relação ao condomínio, afirma que este é acessório que deve seguir a sorte do principal, que é o aluguel, devendo todas essas despesas gerar créditos de COFINS. A decisão da primeira instância analisou a legislação que trata do conceito de insumo para fins de creditamento da COFINS, e concluiu que o caso dos presentes autos não se enquadra no conceito legal, visto que as embalagens utilizadas pelo contribuinte têm a finalidade única de servir ao transporte das frutas, não havendo comprovação de que acompanham o Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10925.003037/200968 Acórdão n.º 3301004.514 S3C3T1 Fl. 9 8 produto em sua apresentação final ao consumidor, de modo a agregarlhe valor. Manteve a glosa do crédito referente ao frete das embalagens por terem sido desconsideradas como insumo. Quanto aos gastos com condomínio, rejeitou o argumento de que o acessório segue o principal em razão de não haver a alegada relação de acessoriedade, visto que o pagamento do condomínio independe da existência de relação locatícia, e que o acolhimento de um brocardo para alargar a hipótese de creditamento iria de encontro ao princípio da legalidade. Além disso, a utilidade decorrente do condomínio é deslocada espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. Por fim, manteve as glosas dos créditos sobre as despesas com gás combustível para as empilhadeiras, por não ter havido a desconstituição pelo contribuinte da constatação de que as empilhadeiras possuem uso geral para transporte de objetos, não estando sua utilidade adstrita à produção das maçãs. Entendo que assiste razão ao contribuinte em seus argumentos, consoante restará devidamente demonstrado nos tópicos a seguir. 2.1. Das embalagens As embalagens aqui analisadas são as seguintes: bandejas (utilizadas nas caixas de papelão para separar e acondicionar as maçãs), cantoneiras (utilizadas nas caixas de papelão, para proteger o produto, durante o transporte até o cliente, evitando o amassamento da caixa e das maçãs), fitas adesivas (para lacrar o fundo das caixas), pallets e seus acessórios (tais como pregos e etiquetas, utilizados no armazenamento e transporte das caixas de maçãs), papelseda (utilizado para embrulhar a maçã), plástico bolha (empregado para envolver a maçãs, evitando o atrito entre elas), caixa e fundos (usados no acondicionamento das frutas), tampas (utilizadas para proteger a fruta do contato com o ambiente externo), cola (utilizada para colar os rótulos nas caixas de madeira), filme PVC (usado para segurar as caixas nos pallets), termógrafo (usado para controlar a temperatura das caixas quando transportadas). Quanto às embalagens, entendo que a legislação admite o direito ao crédito no caso concreto ora analisado, ainda que as embalagens utilizadas. Isso porque, em razão da especificidade dos produtos produzidos pela Recorrente, é inconteste que as embalagens servem não apenas para o mero transporte, mas também para o seu acondicionamento, apresentandose essenciais à conservação da integridade e qualidade do produto. Conforme fundamentos constantes do tópico anterior, entendo desnecessário que as embalagens sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização para que seja reconhecido o seu direito ao crédito. É imprescindível, na verdade, identificar se o insumo em questão é essencial à atividade produtiva desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente, tendo concluído no caso dos presentes autos que sim. Até porque, ainda que se entendesse que as embalagens em questão seriam destinadas apenas ao transporte, o que não é o caso, a legislação Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10925.003037/200968 Acórdão n.º 3301004.514 S3C3T1 Fl. 10 9 atinente à COFINS não acoberta a restrição realizada pela fiscalização para fins de tomada de crédito, a qual levou em consideração a legislação do IPI, cuja aplicável há de ser afastada. Estes custos com embalagens para acondicionamento e transporte, em razão da especificidade dos produtos que a Recorrente comercializa, são essenciais a que o produto produzido pela empresa seja colocado à venda, pelo que se insere no conceito de insumo que adoto, nos termos acima analisados. Entendo, ainda, que este item específico também se insere no inciso IX, que expressamente autoriza o creditamento relativo à armazenagem de mercadoria e frete na importação de vendas, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Isso porque, verificase que a adoção da embalagem em questão é necessária tanto para a armazenagem quanto para o transporte dos produtos que a recorrente industrializa e comercializa, em razão das suas especificidades. Há de se destacar, inclusive, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso análogo, já se manifestou pelo direito ao crédito em tal caso. É o que se infere da decisão a seguir transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição ao PIS/PASEP nãocumulativo em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10925.003037/200968 Acórdão n.º 3301004.514 S3C3T1 Fl. 11 10 Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição à COFINS nãocumulativa em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. (Acórdão n. 9303004.192, de 04/08/2016). Logo, entendo que a decisão recorrida também deverá ser reformada neste ponto, para fins de admitir o direito ao crédito também no que concerne aos tambores utilizados para acondicionamento e transporte. Sendo assim, entendo que deverá ser reconhecido o direito ao crédito no que concerne às embalagens. 2.2. Dos fretes das embalagens A segunda glosa objeto da presente demanda incidiu sobre o serviço de transporte de material não considerado insumo na produção da maçã, tais como papelseda, fitas, filmes, cantoneira, cola, termógrafo etc. O contribuinte defende que, uma vez considerado insumo o material de embalagem utilizado, a despesa com frete na sua aquisição é capaz de gerar creditamento. No que tange aos fretes das embalagens, uma vez admitido o crédito no que concerne às embalagens, entendo que há de ser admitido o direito ao crédito também no que tange aos fretes das referidas embalagens. Até porque, penso que o gasto com frete pago ou creditado pelo comprador à pessoa jurídica domiciliada no País incorporase ao custo de aquisição do insumo, além de encontrar previsão de desconto de crédito no artigo 3º, inciso IV da Lei nº 10.833/2003, cumulado com o inciso II deste mesmo dispositivo legal. (...) 2.3. Do gás combustível para empilhadeira Por fim, no que tange ao gás combustível para empilhadeira, concordo com os fundamentos do Recorrente neste ponto. Isso porque, não resta dúvidas que este item é essencial ao próprio processo produtivo da recorrente, integrando o custo de produção dos produtos em tela. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10925.003037/200968 Acórdão n.º 3301004.514 S3C3T1 Fl. 12 11 Nesse mesmo sentido, inclusive, já se manifestou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ao julgar processo análogo ao presente (Proc. nº 18088.720677/201252, Acórdão n. 3403002.648): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços” que integram o custo de produção. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito das contribuições em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, por integrarem o custo de produção dos produtos. Afasto, portanto, a glosa realizada pela fiscalização quanto ao combustível para empilhadeiras. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de reconhecer o direito ao crédito no que tange aos seguintes itens: (a) embalagens; (b) fretes das embalagens; (c) gás combustível para empilhadeiras e (d) condomínio. É como voto. (...) Voto Vencedor (...) Quanto às despesas com condomínio, é de se concluir que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito, em razão da ausência de respaldo legal para o creditamento de tal despesa. Por concordar com os fundamentos constantes da decisão recorrida no que concerne a tal despesa, transcrevoo a seguir: 42. Em contraparte, o manifestante sustenta a possibilidade de creditamento com base nas despesas de condomínio, à semelhança do que sucede em relação às despesas de aluguel, invocado o velho brocardo de que o acessório segue o principal (accessorium seguitur principale). Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10925.003037/200968 Acórdão n.º 3301004.514 S3C3T1 Fl. 13 12 43. De fato, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, prevê a possibilidade de as despesas incorridas com aluguel gerarem crédito na apuração nãocumulativa das contribuições. Entretanto, a máxima não se aplica à espécie, por dois motivos básicos. 44. Em primeiro lugar, não há acessoriedade entre aluguel e encargo de condomínio, uma vez ausente vínculo de causalidade entre eles. Com efeito, pagase condomínio não porque o imóvel é alugado, mas porque se usufrui de utilidades compartilhadas pelos proprietários ou usuários de prédios. 45. Pelo contrato de locação, uma das partes se obriga a ceder o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. As despesas de condomínio, por sua vez, são destinadas a gastos relativos ao imóvel respectivo como, por exemplo, salários de empregados, materiais de consumo, equipamentos, serviços prestados ao condomínio, podendo, até mesmo, haver sobra em um mês determinado. Dessa forma, percebese que despesas de condomínio não se relacionam com aluguel. 46. Em segundo lugar, a aplicação de um brocardo não pode resultar na ampliação, por analogia, de hipóteses de creditamento que interferem na determinação da base de cálculo da contribuição, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade tributária. 47. Resta verificar se os gastos com condomínio podem ser considerados insumo. 48. Dado que deles resultam utilidades imateriais para o contribuinte, seriam insumos se assim caracterizados sob o aspecto funcional. Entretanto, os serviços de condomínio são completamente deslocados espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. 49. Por essa razão, correta está a glosa das despesas de condomínio. Nesse mesmo sentido, já se manifestou este Conselho, consoante se extrai do Acórdão nº 3302.001.491, a seguir colacionado: (...). COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. Os bens e serviços que geram direito a crédito da contribuição são aqueles conceituados como insumos, assim entendidos os que sejam diretamente utilizados ou consumidos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Despesa de condomínio incorrida por indústria de beneficiamento de carnes não enquadra neste conceito. Nego, portanto, o direito creditório quanto a tal item." Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10925.003037/200968 Acórdão n.º 3301004.514 S3C3T1 Fl. 14 13 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir o creditamento de embalagens, fretes das embalagens e gás combustível para empilhadeira, e para manter a glosa relativa à despesa com condomínio. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900681/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/07/2009
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3201-003.714
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 03/07/2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.900681/2012-86
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5870889
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.714
nome_arquivo_s : Decisao_10380900681201286.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10380900681201286_5870889.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7328675
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312959328256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 60 1 59 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.900681/201286 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.714 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO_COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO DO NORDESTE DO BRASIL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/07/2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 06 81 /2 01 2- 86 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10380.900681/201286 Acórdão n.º 3201003.714 S3C2T1 Fl. 61 2 Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo sobre a PER/DCOMP Declaração de Compensação, transmitida, via internet, pelo contribuinte acima identificado, em 23/09/2009, tendo por base suposto pagamento indevido ou a maior de IOF Operações de crédito/Pessoa Jurídica (código receita 1150). Nos exatos termos do Despacho Decisório (Nº de Rastreamento): 019086887, emitido em 01/03/2012, a autoridade fiscal não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 23550.26454.230909.1.3.044640, sob o argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. (...) Esclarece ainda, tal despacho, que o limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP é de R$ 9.883,00 (nove mil oitocentos e oitenta e três reais). Inconformada com a decisão administrativa, cuja ciência ocorreu em 16/03/2012, a Requerente protocolou, em 13/04/2012 sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese. Quando da elaboração da PER/Dcomp o banco não procedeu com a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de junho de 2009, gerando a pendência objeto do despacho decisório. Assim, em 23/03/2012 procedeu à retificação da DCTF a qual gera o crédito em cobrança. Assim, diante todo o exposto resta demonstrado que providenciou a regularização do Despacho Decisório, razão Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10380.900681/201286 Acórdão n.º 3201003.714 S3C2T1 Fl. 62 3 pela qual requer a baixa do saldo devedor, bem como a homologação da compensação solicitada.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0359966, sessão de 21/03/2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do Fato Gerador: 03/07/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO. DCTF. Não deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte quando não comprovado, por documentos hábeis e idôneos, que houve equívoco no preenchimento da DCTF, se esse erro foi a causa do não reconhecimento do direito creditório no despacho decisório proferido pela autoridade a quo. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão a quo manteve a não homologação da compensação sob o fundamento de que em sede de manifestação de inconformidade não foi apresentada prova documental que desse respaldo à DCTF retificadora, transmitida após a ciência no despacho decisório. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual apresentou fatos e documentos não suscitados/apresentados em sede de manifestação de inconformidade, a saber: 1. A instituição bancária reteve o valor de R$ 2.032.271,87 referente ao IOF, conforme relatório "Sistema de Recolhimento" (doc. 10) e efetuou o pagamento do DARF em 03/07/2009, conforme documentos juntados ao recurso; 2. Em procedimento de revisão do recolhimento, percebeu pagamento a maior e estornou o valor retido a maior (docs. 15 e 16); 3. Entende que sanada a pendência de envio de DCTF retificadora fica comprovada a existência do crédito decorrente de pagamento indevido; Prossegue o recurso voluntário com os "fundamentos jurídicos" para ver reformada a decisão da DRJ, no qual alega: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10380.900681/201286 Acórdão n.º 3201003.714 S3C2T1 Fl. 63 4 4. O indeferimento da manifestação de inconformidade sustentouse na impossibilidade de aceitação da DCTF retificadora após ciência do despacho decisório; 5. A DRJ não analisou a DCTF retificadora como meio probatório da certeza e liquidez do crédito; 6. A DRJ não o notificou a apresentar provas "complementares" do crédito, tampouco realizou diligência; 7. A IN RFB nº 900/2008 não condicionava a apresentação de PER/DCOMP ao oferecimento de provas da existência do direito creditório pleiteado; 8. A autoridade fiscal poderia requerer os documentos comprobatórios do crédito e determinar diligências para constatar a veracidade das informações consignadas no PER/DCOMP; 9. A DCTF pode ser retificada a qualquer fase do processo de restituição/compensação, e inexiste quaisquer das hipóteses legais que impeçam sua aceitação como válida; 10. Menciona acórdãos deste Conselho para sustentar o provimento do recurso; Ao final, pede: 11. A reforma do acórdão recorrido, pois entende comprovado o direito objeto do pedido; 12. Subsidiariamente, a análise pela Unidade de Origem da DCTF retificadora, em conjunto com os documentos anexados em sede de recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O contribuinte permeia seu recurso voluntário com a premissa equivocada de que a motivação para negativa de homologação de seu pedido de restituição/compensação fora tãosó o entendimento dos julgadores da DRJ da inaceitabilidade da DCTF retificadora apresentada após ciência no despacho decisório. Não é o que se extrai dos autos. Para aclarar, vejamos excertos do voto em que se explicitam os argumentos e fundamentos: (...) Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10380.900681/201286 Acórdão n.º 3201003.714 S3C2T1 Fl. 64 5 Portanto, como a empresa sustenta a sua argumentação sem trazer aos autos quaisquer elementos probatórios, resta a este julgador negar o pleito, na medida em que não ficou demonstrada a certeza e liquidez do crédito. Não se trata aqui, de privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material. Contudo, tendo em vista que a interessada pretende infirmar informações por ela própria prestadas, é necessário que a dita pretensão esteja calcada em provas documentais robustas. Destarte, no mérito, deveria a Requerente ter instruído sua peça de defesa com a documentação que com provasse o valor devido a título de IOF e que demonstrasse a certeza e a liquidez do suposto pagamento a maior. Portanto, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada, via de consequência, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando a não homologação da compensação efetuada. A razão está com a decisão recorrida. Tratandose de direito creditório pleiteado, sem qualquer lastro documental a DCTF, a autoridade fiscal acertou em não homologálo. Iniciado então o contencioso com a manifestação de inconformidade era dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em sua DCTF retificadora, apresentadas em momento posterior ao procedimento de não homologação da compensação. Nada fora apresentado aos julgadores de 1ª instância, além de informações e cópias de PER/DCOMP e DCTFs, original e retificadora., com a narrativa cronológica de alegado pagamento a maior, sem esclarecer o motivo. O momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e o ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito possuem regramentos nos artigos 14 a 17, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, da Lei nº 13.115/2015 (Código de Processo Civil), verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10380.900681/201286 Acórdão n.º 3201003.714 S3C2T1 Fl. 65 6 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Os documentos juntados ao recurso voluntário, todos de emissão do contribuinte, estavam disponíveis à data da manifestação de inconformidade; dada essa circunstância, injustificável a não apresentação para análise e julgamento em sede primeira instância administrativa. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10380.900681/201286 Acórdão n.º 3201003.714 S3C2T1 Fl. 66 7 No tópico "fundamentos jurídicos" do recurso há total inovação em relação à manifestação de inconformidade, concebendose razões para prover a reforma da decisão recorrida. Impera a norma do inciso III, do art. 16 cumulado com o art. 17 ambos do PAF de que as alegações versadas apenas em recurso voluntário, ou seja, não impugnadas em 1ª instância, são consideradas preclusas. Outrossim, não há fato ou razão renovadas trazida aos autos pela DRJ. O voto tece considerações no sentido de que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar com elementos hábeis seu direito. Afastase, portanto, as situações excepcionais e ensejadoras da apresentação extemporânea de elementos probatórios de que trata o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/76. Reconhecese na jurisprudência certo grau de atenuação dos rigores das normas processuais acerca da preclusão, isto é, afastase a preclusão em alguns casos excepcionais que notadamente referemse a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o pronto convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. No caso dos autos, evidenciase que o recorrente não o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal2, o PAF e o CPC. Quanto às alegações de que o princípio da verdade material impende a aceitação extemporânea de provas, suprimindo instância julgadora, é de se esclarecer que tal princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. A verdade material não se efetiva como um salvo conduto no qual o contribuinte aguarda pelo momento que melhor lhe convier a apresentação de suas provas. O ônus processual probatório é regido por dispositivos legais e se trata de um requisito de admissibilidade dos pleitos de natureza creditório, exigindo sua evidência desde a instauração do contencioso. Destarte, mão é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à 2 Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10380.900681/201286 Acórdão n.º 3201003.714 S3C2T1 Fl. 67 8 comprovação do crédito alegado. O processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a supressão de instância. Por fim, no tocante à jurisprudência trazida à colação pelo recorrente devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo julgadores decidirem livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Em verdade, alguns deles, sequer socorrem o pleito do recorrente pois condicionam a concessão do direito creditório, independentemente de apresentação de DCTF retificadora, à apresentação de provas contundentes. Cumpre salientar que esta Turma, em julgamento de situação análoga a apresentação de prova apenas em sede de recurso voluntário , por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso do contribuinte. Tratase do Acórdão nº 3201002.316, sessão de 24 de agosto de 2016, de relatoria do Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, cuja ementa reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Desse modo, em homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório do direito creditório, à impossibilidade de supressão de instância, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida. Conclusão Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10380.900681/201286 Acórdão n.º 3201003.714 S3C2T1 Fl. 68 9 Por todo o exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10740.720008/2014-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS SOBRE COMPRAS DE CAFÉ DE COOPERATIVAS. PRODUTO FINAL OU INTERMEDIÁRIO.
Foi constatado que o contribuinte comprava café, submetia-o a beneficiamento e depois o revendia. A fiscalização obteve confirmação deste fato, por meio de resposta à intimação.
Nas peças impugnatória e recursal, o contribuinte afirmou o contrário, porém sem carrear provas aos autos.
Correta a glosa dos créditos integrais, tendo o Fisco computado créditos presumidos, na forma do art. 8° da Lei n° 10.925/04.
"EMPRESAS DE FACHADA. GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS. AUSÊNCIA DE PROVAS DIRETAS OU INDIRETAS
Dada a ausência de elementos comprobatórios e/ou indiciários relacionados aos anos auditados pelo Fisco, isto é, 2010 e 2011, com fulcro nos art. 50 da Lei n° 9.784/99, deve ser declarado nulo o lançamento tributário derivado das glosas de créditos de PIS e COFINS calculados sobre compras de café de pessoas jurídicas consideradas pelo Fisco como "de fachada.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS SOBRE COMPRAS DE CAFÉ DE COOPERATIVAS. PRODUTO FINAL OU INTERMEDIÁRIO.
Foi constatado que o contribuinte comprava café, submetia-o a beneficiamento e depois o revendia. A fiscalização obteve confirmação deste fato, por meio de resposta à intimação.
Nas peças impugnatória e recursal, o contribuinte afirmou o contrário, porém sem carrear provas aos autos.
Correta a glosa dos créditos integrais, tendo o Fisco computado créditos presumidos, na forma do art. 8° da Lei n° 10.925/04.
"EMPRESAS DE FACHADA. GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS. AUSÊNCIA DE PROVAS DIRETAS OU INDIRETAS
Dada a ausência de elementos comprobatórios e/ou indiciários relacionados aos anos auditados pelo Fisco, isto é, 2010 e 2011, com fulcro nos art. 50 da Lei n° 9.784/99, deve ser declarado nulo o lançamento tributário derivado das glosas de créditos de PIS e COFINS calculados sobre compras de café de pessoas jurídicas consideradas pelo Fisco como "de fachada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para reverter a glosa dos créditos integrais do PIS/COFINS, calculados sobre compras de empresas que haviam sido indevidamente consideradas como "de fachada" pela fiscalização. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos Cavalcanti Filho e Valcir Gassen.
José Henrique Mauri - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques dOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) eValcir Gassen.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS SOBRE COMPRAS DE CAFÉ DE COOPERATIVAS. PRODUTO FINAL OU INTERMEDIÁRIO. Foi constatado que o contribuinte comprava café, submetia-o a beneficiamento e depois o revendia. A fiscalização obteve confirmação deste fato, por meio de resposta à intimação. Nas peças impugnatória e recursal, o contribuinte afirmou o contrário, porém sem carrear provas aos autos. Correta a glosa dos créditos integrais, tendo o Fisco computado créditos presumidos, na forma do art. 8° da Lei n° 10.925/04. "EMPRESAS DE FACHADA. GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS. AUSÊNCIA DE PROVAS DIRETAS OU INDIRETAS Dada a ausência de elementos comprobatórios e/ou indiciários relacionados aos anos auditados pelo Fisco, isto é, 2010 e 2011, com fulcro nos art. 50 da Lei n° 9.784/99, deve ser declarado nulo o lançamento tributário derivado das glosas de créditos de PIS e COFINS calculados sobre compras de café de pessoas jurídicas consideradas pelo Fisco como "de fachada. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS SOBRE COMPRAS DE CAFÉ DE COOPERATIVAS. PRODUTO FINAL OU INTERMEDIÁRIO. Foi constatado que o contribuinte comprava café, submetia-o a beneficiamento e depois o revendia. A fiscalização obteve confirmação deste fato, por meio de resposta à intimação. Nas peças impugnatória e recursal, o contribuinte afirmou o contrário, porém sem carrear provas aos autos. Correta a glosa dos créditos integrais, tendo o Fisco computado créditos presumidos, na forma do art. 8° da Lei n° 10.925/04. "EMPRESAS DE FACHADA. GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS. AUSÊNCIA DE PROVAS DIRETAS OU INDIRETAS Dada a ausência de elementos comprobatórios e/ou indiciários relacionados aos anos auditados pelo Fisco, isto é, 2010 e 2011, com fulcro nos art. 50 da Lei n° 9.784/99, deve ser declarado nulo o lançamento tributário derivado das glosas de créditos de PIS e COFINS calculados sobre compras de café de pessoas jurídicas consideradas pelo Fisco como "de fachada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10740.720008/2014-90
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5859594
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.629
nome_arquivo_s : Decisao_10740720008201490.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10740720008201490_5859594.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para reverter a glosa dos créditos integrais do PIS/COFINS, calculados sobre compras de empresas que haviam sido indevidamente consideradas como "de fachada" pela fiscalização. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos Cavalcanti Filho e Valcir Gassen. José Henrique Mauri - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques dOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) eValcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7263941
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312985542656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 47; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 55.563 1 55.562 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10740.720008/201490 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.629 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria Créditos de PIS e COFINS Recorrente CUSTODIO FORZZA COMERCIO E EXPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS SOBRE COMPRAS DE CAFÉ DE COOPERATIVAS. PRODUTO FINAL OU INTERMEDIÁRIO. Foi constatado que o contribuinte comprava café, submetiao a beneficiamento e depois o revendia. A fiscalização obteve confirmação deste fato, por meio de resposta à intimação. Nas peças impugnatória e recursal, o contribuinte afirmou o contrário, porém sem carrear provas aos autos. Correta a glosa dos créditos integrais, tendo o Fisco computado créditos presumidos, na forma do art. 8° da Lei n° 10.925/04. "EMPRESAS DE FACHADA. GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS. AUSÊNCIA DE PROVAS DIRETAS OU INDIRETAS Dada a ausência de elementos comprobatórios e/ou indiciários relacionados aos anos auditados pelo Fisco, isto é, 2010 e 2011, com fulcro nos art. 50 da Lei n° 9.784/99, deve ser declarado nulo o lançamento tributário derivado das glosas de créditos de PIS e COFINS calculados sobre compras de café de pessoas jurídicas consideradas pelo Fisco como "de fachada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS SOBRE COMPRAS DE CAFÉ DE COOPERATIVAS. PRODUTO FINAL OU INTERMEDIÁRIO. Foi constatado que o contribuinte comprava café, submetiao a beneficiamento e depois o revendia. A fiscalização obteve confirmação deste fato, por meio de resposta à intimação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 0. 72 00 08 /2 01 4- 90 Fl. 55563DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.564 2 Nas peças impugnatória e recursal, o contribuinte afirmou o contrário, porém sem carrear provas aos autos. Correta a glosa dos créditos integrais, tendo o Fisco computado créditos presumidos, na forma do art. 8° da Lei n° 10.925/04. "EMPRESAS DE FACHADA. GLOSA DE CRÉDITOS INTEGRAIS. AUSÊNCIA DE PROVAS DIRETAS OU INDIRETAS Dada a ausência de elementos comprobatórios e/ou indiciários relacionados aos anos auditados pelo Fisco, isto é, 2010 e 2011, com fulcro nos art. 50 da Lei n° 9.784/99, deve ser declarado nulo o lançamento tributário derivado das glosas de créditos de PIS e COFINS calculados sobre compras de café de pessoas jurídicas consideradas pelo Fisco como "de fachada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para reverter a glosa dos créditos integrais do PIS/COFINS, calculados sobre compras de empresas que haviam sido indevidamente consideradas como "de fachada" pela fiscalização. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos Cavalcanti Filho e Valcir Gassen. José Henrique Mauri Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) eValcir Gassen. Fl. 55564DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.565 3 Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de PIS e COFINS, acrescidos de multa de ofício regular e agravada e juros Selic, em razão da glosa de créditos integrais de PIS e COFINS, calculados sobre aquisições de café realizadas nos anos de 2010 e 2011. Em contrapartida, a fiscalização computou créditos presumidos. Principal, multas de ofício e juros Selic totalizaram R$ 6.628.142,21, de COFINS, e R$ 1.439.000,88, de PIS. No item 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 2.458 a 2.470), há sumário das infrações identificadas, do qual extraio os seguintes excertos: “[...] 7. INFRAÇÕES APURADAS Foram realizadas glosas de créditos integrais do PIS e da COFINS e a recomposição dos seus saldos decorrentes de operações do mercado interno e externo. Após o desconto dos créditos com as contribuições do PIS e da COFINS devidas mensalmente, efetuouse o cálculo dos saldos dos créditos passíveis de ressarcimento, os quais foram pleiteados por meio de PER/DCOMP. Ao final, lançouse de ofício o PIS e a COFINS devidos em razão da insuficiência de crédito a descontar no período, bem como as multas isoladas sobre o valor dos débitos indevidamente compensados (compensações nãohomologadas) e sobre o valor dos créditos não reconhecidos, pleiteados nos pedidos de ressarcimento. 7.1 GLOSA DO CRÉDITO INTEGRAL DO PIS/COFINS SOBRE NOTAS FISCAIS DE EMPRESAS DE FACHADA INSERIDAS COMO INTERMEDIÁRIAS FICTÍCIAS ENTRE O PRODUTOR RURAL/MAQUINISTA E A CUSTÓDIO FORZZA E CEREALISTAS DISSIMULADAS DE COMERCIAL ATACADISTA Diante dos fatos e documentos acostados ao presente Relatório, os Auditores Fiscais constataram, na escrituração contábil da CUSTÓDIO FORZZA, infração tributária relacionada à apropriação indevida de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas PIS (1,65%) e COFINS (7,6%), calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos. Isso porque as pretensas aquisições de pessoas jurídicas contabilizadas pela CUSTÓDIO FORZZA em nome das comprovadas empresas de fachada – pseudoatacadistas de café, foram usadas para dissimular as verdadeiras operações realizadas, quais sejam: aquisições de café em grãos diretamente de pessoas físicas, produtores rurais, ou cerealistas. De tal forma, sendo as aquisições de café realizadas de pessoas físicas e cerealistas, efetuouse a glosa dos créditos integrais indevidos e compensados contabilmente. Nos termos da legislação pertinente (Lei nº 10.637/2002, art. 3º, §§ Fl. 55565DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.566 4 10º e 11; Lei nº 10.833/2003, art. 3º, §§ 5º e 6º e Lei 10.925/2004, art. 8º), a CUSTÓDIO FORZZA tem direito ao respectivo crédito presumido, vez que informou que o café destinado à comercialização no mercado interno e externo é beneficiado, padronizado, preparado e misturado (blend), bem como separado por densidade dos grãos. Art. 29 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 (DOU 30/12/2004), que deu nova redação ao artigo 8º da lei nº 10.925/2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos (...) 8 a 12 (...), todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei n º 11.196, de 21/11/2005); (. . .) § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (...) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2 o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para os demais produtos. (Renumerado pela Lei n o 11.488, de 15 de junho de 2007). (...) § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). Tendo em vista de que o escopo da presente ação fiscal é a análise dos CRÉDITOS DECORRENTES DA NÃOCUMULATIVIDADE, em especial, aqueles decorrentes da compra de café em grãos, os AuditoresFiscais confrontaram Fl. 55566DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.567 5 os valores informados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) com a MEMÓRIA DE CÁLCULO apresentada pela CUSTÓDIO FORZZA, que serviram de base de cálculo para apropriação dos créditos do PIS/COFINS, e esta com os registros contábeis. [...] 7.2 GLOSA DO CRÉDITO INTEGRAL SOBRE AQUISIÇÕES DE CAFÉ DE COOPERATIVAS – CRÉDITO PRESUMIDO O art. 9° da Lei n° 10.925/04, com redação dada pela Lei n° 11.051/2004, estabeleceu a obrigatoriedade da suspensão da incidência do PIS e da COFINS no caso de venda de cooperativa de produção agropecuária para pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009)(Vide art. 57 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) I de produtos de que trata o inciso I do § 1° do art. 8° desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1° do art. 8° desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8° desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1° O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6° e 7° do art. 8° desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). Ocorre que o § 2° do aludido dispositivo legal vinculou a suspensão à regulamentação da Receita Federal, que só ocorreu com a publicação da IN SRF n° 636, de 24/03/2006 (DOU 04/04/2006), revogada pela IN SRF n° 660, de 17/07/2006. Desse modo, a aplicação da suspensão passou a ser a partir do dia 04/04/2006. Eis trechos da referida IN: Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições Dos produtos vendidos com suspensão Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Fl. 55567DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.568 6 Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: (...) IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: (...) III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: (...) II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. (...) Das condições de aplicação da suspensão Da Aplicação da Suspensão Art. 4º Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. Fl. 55568DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.569 7 (...) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto o código 1502.00.1; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) (...) Da atividade agroindustrial Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: (...) II o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. Dos insumos que geram crédito presumido Art. 7º Geram direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º, os produtos agropecuários: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, com suspensão da exigibilidade das contribuições na forma do art. 2º; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. Fl. 55569DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.570 8 Desse modo, a CUSTÓDIO FORZZA preenche os requisitos estabelecidos para a aplicação obrigatória da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas, a saber: a) apura IRPJ com base no lucro real; b) exerce atividade agroindustrial definida no art. 6°, II; e c) utiliza o café adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que trata o inciso I do art. 5°. A ressaltar que, em face da determinação das empresas compradoras, era prática habitual os corretores mencionarem em suas confirmações de compras de café de que as notas fiscais deveriam anotar a incidência do PIS/COFINS na operação. Isso não só aconteceu em relação às compras de café de produtores e/ou maquinistas (pessoas físicas) guiadas com nota fiscal de empresas laranjas usadas como intermediárias fictícias, como também nas compras de cooperativas, independentemente da obrigatoriedade de que tais vendas devessem ocorrer com suspensão da exigibilidade das contribuições. Face ao exposto, efetuouse, portanto, a glosa dos créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. [...] 7.3 GLOSA DO CRÉDITO INTEGRAL SOBRE AQUISIÇÕES DE CAFÉ DE PRODUTORES PESSOAS FÍSICAS – CRÉDITO PRESUMIDO Nos termos da legislação pertinente (Lei nº 10.637/2002, art. 3º, §§ 10º e 11; Lei nº 10.833/2003, art. 3º, §§ 5º e 6º e Lei 10.925/2004, art. 8º), a compra de café de pessoa física gera direito ao crédito presumido, vez que antes da revenda é beneficiado, padronizado, preparado e separado por densidade dos grãos com redução dos tipos da classificação e posteriormente vendido para o mercado interno e externo. No mês de 05/2011, CUSTÓDIO FORZZA apropriouse indevidamente de créditos integrais da nãocumulatividade do PIS e da COFINS sobre compras de pessoas físicas, informando os valores na Linha 01 do DACON, conforme MEMÓRIA DE CÁLCULO DA APROPRIAÇÃO INTEGRAL DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS apresentada pela CUSTÓDIO FORZZA. Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 051605/20 12, 30/01/2014, CUSTÓDIO FORZZA foi intimada a justificar tal apropriação de crédito, no valor de R$ 1.613.019,00. No termo fiscal, a relação das NF dos produtores e respectivos valores. Em resposta, CUSTÓDIO FORZZA alegou erro no preenchimento do DACON (erro material). Esclareceu que houve inversão na informação sobre compras de pessoas jurídicas e físicas da matriz. Ou seja: informou R$ 1.613.019,00 para pessoas jurídicas e R$ 630.046,50 para pessoas físicas, quando o correto é o inverso. Apresentou planilha com os valores devidamente corrigidos. Assim sendo, aplicouse a glosa de crédito integral sobre o valor de R$ 982.972,50 (R$ 1.613.019,00 – R$ 630.046,00). Sobre o mesmo valor foi reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme mostrado no DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS NÃOCUMULATIVOS. Fl. 55570DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.571 9 [...] 7.4 RECOMPOSIÇÃO DAS BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR APÓS GLOSA EFETUADA PELA FISCALIZAÇÃO A fiscalização elaborou o DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS NÃOCUMULATIVOS, que faz parte do presente Termo. Nesse demonstrativo, são evidenciados os seguintes itens: (A) BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR INFORMADA NO DACON – ALÍQUOTA DE 1,65% (PIS) e 7,6% (COFINS). Valores oriundos do DACON, Fichas de APURAÇÃO DOS CRÉDITOS – AQUISIÇÕES NO MERCADO INTERNO, que dão direito ao crédito integral (PIS=1,65% e COFINS=7,6%). (B) GLOSAS EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO NF de empresas de fachada inseridas como intermediárias fictícias entre o produtor rural/ maquinista e a CUSTÓDIO FORZZA e cerealistas dissimulados de comercial atacadista. Os valores consolidados mensalmente pela fiscalização constam das tabelas mostradas no item 7.1. Aquisições de café de cooperativa com direito ao crédito presumido informado indevidamente na Linha 01 do DACON, conforme listado no item 7.2. Aquisições de café de pessoa física com direito ao crédito presumido informado indevidamente na Linha 01 DACON, conforme item 7.3. (C) BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR APÓS GLOSAS. Da base de cálculo informada pela CUSÓDIO no DACON foram excluídos os valores glosados pela fiscalização: [(A) – (B)]. A incidência das alíquotas do PIS (1,65%) e da COFINS (7,6%) sobre essas bases ajustadas resultou no valor dos Créditos a Descontar Após as Glosas. (D) OUTROS CRÉDITOS A DESCONTAR. Valores não informados no DACON. (E) APURAÇÃO DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS – SEM PEDIDO DE RESSARCIMENTO. É composto do valor apurado pela CUSTÓDIO FORZZA, bem como das parcelas apuradas pela fiscalização: O crédito presumido apurado pela fiscalização foi calculado da seguinte forma: PIS: [35% x 1,65% x (B)] e COFINS: [35% x 7,6% x (B)]. (F) TOTAL DE CRÉDITOS APURADO NO MÊS SUJEITO AO RATEIO (RESSARCIMENTO) – VALOR AJUSTADO PELA FISCALIZAÇÃO Fl. 55571DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.572 10 O total de créditos apurados no mês sujeito ao rateio (ressarcimento) foi calculado da seguinte forma: PIS=1,65%*(C) e COFINS=7,6%*(C). (G) RATEIO DO CRÉDITO A DESCONTAR PASSÍVEL RESSARCIMENTO O rateio dos créditos a descontar da linha (F) foi efetuado com base na proporção da receita de vendas de bens e serviços: receita mercado interno (tributada) e receita de exportação. (H) SALDO DE CRÉDITO A DESCONTAR DE PERÍODOS ANTERIORES O princípio da própria nãocumulativatividade estabelece que o saldo excedente do crédito seja transferido para os períodos subseqüentes. O saldo de crédito a descontar de períodos anteriores no mês de 01/2010, período inicial do presente Termo, decorre dos valores apurados pela fiscalização no curso da análise dos créditos referentes ao 4° trimestre de 2009, conforme DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS NÃOCUMULATIVOS anexado ao processo 15586.000089/201117. Portanto, o Saldo de Crédito de Meses Anteriores referente à aquisição no mercado interno vinculado à receita tributada no mercado interno, bem como o crédito presumido da atividade agroindustrial foi reduzido a zero. Não há que se falar em Saldo de Crédito de Meses Anteriores relativo à aquisição no mercado interno vinculado à receita de exportação, visto que o saldo foi objeto de pedido de ressarcimento. Do mesmo modo que na COFINS, o Saldo de Crédito de Meses Anteriores referente à aquisição no mercado interno vinculado à receita tributada no mercado interno, bem como o crédito presumido da atividade agroindustrial foi reduzido a zero. Também não há que se falar em Saldo de Crédito de Meses Anteriores relativo à aquisição no mercado interno vinculado à receita de exportação, visto que o saldo foi objeto de pedido de ressarcimento. (I) CRÉDITO A DESCONTAR DISPONÍVEL NO MÊS Fl. 55572DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.573 11 O crédito total disponível no mês é composto de três parcelas. Uma vinculada às operações de mercado interno, outra vinculada ao mercado externo e por último a referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial. O crédito a ser utilizado para descontar o PIS ou a COFINS apurado no mês observou a seguinte ordem: primeiro o crédito vinculado ao mercado interno. Em seguida, o crédito presumido da atividade agroindustrial. E, por fim, o crédito vinculado ao mercado externo, sendo o saldo passível de ressarcimento/compensação no final do trimestre. (J) PIS/COFINS ANTES DOS DESCONTOS DOS CRÉDITOS Corresponde aos valores informados no DACON apurados no mês, antes dos descontos dos créditos. Do valor dessas contribuições apuradas, são descontados os créditos do mercado interno/crédito presumido não passível de ressarcimento, bem como os créditos do mercado externo. (K) PIS/COFINS A PAGAR Valor apurado pela fiscalização em razão da insuficiência dos créditos disponíveis para amortizar integralmente os valores das contribuições apurados mensalmente. (L) PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO A RECOLHER – LANÇAMENTO DE OFÍCIO (L) = (K) (M) SALDO DE CRÉDITO A DESCONTAR Ocorre SALDO DE CRÉDITO A DESCONTAR quando o valor do CRÉDITO A DESCONTAR DISPONÍVEL NO MÊS (I) é superior ao valor das contribuições apuradas no mês – PIS/COFINS ANTES DESCONTO DO CRÉDITO (J). Esse é transferido para o mês subseqüente, exceto quando ao final do trimestre é pleiteado o ressarcimento da parcela do crédito vinculada às exportações (mercado externo). (N) CRÉDITO OBJETO DE RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO Os créditos de mercado externo podem ser objeto de ressarcimento. Os pedidos de ressarcimento (PIS/COFINS – MERCADO EXTERNO) da CUSTÓDIO FORZZA foram pleiteados mediante PER/DCOMP (eletrônico), sendo o valor do ressarcimento apurado trimestralmente. Sendo assim, a fiscalização limitou o valor do PEDIDO DE RESSARCIMENTO ao valor do saldo do crédito a descontar referente à parcela do MERCADO EXTERNO (CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO). O não reconhecimento do valor do pedido de ressarcimento, total ou parcial, implica no não recebimento em espécie dos valores ou a não homologação de compensação que exceder o valor reconhecido, nas hipóteses de pedido de ressarcimento vinculado à compensação. Os valores dos pedidos de ressarcimento estão informados na linha intitulada OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO (MERCADO EXTERNO). Na linha seguinte (N), o CRÉDITO OBJETO DE RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO. Na linha subseqüente, o número do PER/DCOMP. Abaixo, reprodução do valor do PEDIDO DE RESSARCIMENTO e os correspondentes valores dos créditos RECONHECIDOS e NÃO RECONHECIDOS. Fl. 55573DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.574 12 Verificouse que no que se refere aos trimestres de 2011, os Pedidos de Ressarcimento (PER) e Declarações de Compensação (DCOMP), correlatos aos créditos sob exame, foram processados automaticamente pelo Sistema SIEFPERDCOMP (SCC), com deferimento total – RDC AUTOMÁTICO, conforme fazem provas os extratos dos débitos compensados e dos valores ressarcidos ao contribuinte mediante Ordem Bancária (OB) depositada na conta bancária da Fl. 55574DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.575 13 empresa. A exceção ficou por conta do PER relativo ao PIS do 4° trimestre/2011, que teve a restituição bloqueada por motivo de revisão de ofício. Diante deste fato, propôsse ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES REVER DE OFÍCIO o processamento eletrônico da PER/DCOMP realizado automaticamente por meio do Sistema de Controle de Crédito (SCC) que resultou no reconhecimento do crédito para anular os efeitos do processamento eletrônico. Em decorrência do noticiado, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, determinou a REVISÃO DE OFÍCIO do processamento eletrônico dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação. 7.5 LANÇAMENTO DE OFÍCIO – CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE NA APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES: PIS/COFINS A PAGAR O PIS/COFINS a pagar resulta da recomposição dos créditos a descontar e consta da Linha (L) – PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO A RECOLHER – LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS NÃOCUMULATIVOS. Sobre o PIS e a COFINS apurados de ofício será lançada a multa de 150% até o limite o crédito glosado (crédito integral – crédito presumido) em razão da utilização de notas fiscais de empresas de fachada e cerealistas dissimuladas de comercial atacadista descrita no item 7.1. O saldo remanescente, decorrente das outras glosas de créditos relatadas nos itens 7.2 e 7.3, estará sujeita a multa de 75%, conforme abaixo demonstrado. Resumindo, os valores apurados das contribuições e suas respectivas multas de ofício. Fl. 55575DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.576 14 [...] 8. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Em virtude dos fatos narrados e considerando a atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido das contribuições sociais e eximirse do pagamento de tributos, aplicouse a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre os valores do PIS e da COFINS (item 7.5) lançados de ofício apurados em decorrência de aproveitamento de créditos integrais fictícios originados de notas fiscais de empresas de fachada e cerealistas dissimuladas de comercial atacadista, conforme apontado no item 7.1, e sobre os valores dos débitos compensados indevidamente (item 7.6.a) e 100% (cem por cento por cento) sobre o pedido de ressarcimento indevido (item 7.6.b). Quanto à qualificação da multa de ofício, o art. 44 a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com nova redação dada pelo art. 14, da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, que dispõe sobre a Legislação Tributária Federal, estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis (grifo nosso). Os arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, definem sonegação e fraudes fiscais: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 55576DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.577 15 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Quis o legislador estabelecer a atitude dolosa como pressuposto dos tipos penais definidos nos arts. 71 e 72 transcritos, os quais, uma vez caracterizados, implicam a majoração da multa de ofício prevista na legislação tributária. O conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, encontrase no inciso I, do art. 18 do Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Na seara penal, os incisos I, II e IV, do artigo 1º, e o inciso I, do artigo 2°, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária, assim expressam: Art. 1º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributos, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal. (...) IV – elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato. Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...) CUSTÓDIO FORZZA utilizou créditos integrais fictícios gerados por empresas de fachada ao longo dos períodos de apuração de 01/01/2010 a 31/12/2011. Aliás, essa prática reiterada vem desde os primórdios da sistemática do PIS/COFINS nãocumulativo, conforme farta documentação apreendida na empresa no curso do cumprimento do mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal. Fl. 55577DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.578 16 Com o uso desse expediente, a fiscalizada lograria êxito em se abster do pagamento do PIS e da COFINS e, em especial, o ressarcimento de créditos indevidos e a homologação das compensações indevidas de débitos, caso não fosse a atuação da administração tributária que, oportuna e tempestivamente, apurou a fraude e constituiu, de ofício, o crédito tributário suprimido/reduzido, não reconheceu integralmente o crédito pleiteado e tampouco homologou as compensações indevidas. Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em reduzir contribuições devidas e se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, a Lei n° 8.137/90, de forma inequívoca, evidencia que a prestação de declaração falsa, a inserção de elementos inexatos em livro exigido pela lei fiscal, a utilização de documento que saiba ou deva saber falso ou inexato por si só, bem como empregar outra fraude, para eximir se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo, inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso. As centenas de registros contábeis referentes à escrituração das notas fiscais de pseudoempresas, bem como a apropriação dos correspondentes créditos sabidamente indevidos, não são meros erros contábeis, mas sim uma fraude de efeitos relevantes para a fiscalizada e para a Fazenda Nacional. CUSTÓDIO FORZZA inseriu em seus livros contábeis créditos da nãocumulatividade sabidamente inexistentes, fictícios, que resultaram em significativos pedidos de ressarcimento conjugado com compensações de outros tributos/contribuições. Além, da redução do PIS e da COFINS devidos. Essas pseudoempresas atacadistas, figuras apenas formais, foram utilizadas para dissimular as aquisições de café dos produtores rurais e/ou maquinistas pela CUSTÓDIO FORZZA, com o único propósito de se apropriar de créditos integrais do PIS e da COFINS nãocumulativos. Ao longo deste Termo de Encerramento de Ação Fiscal, não só se comprovou a existência do esquema e o seu modus operandi como restou demonstrado que os dirigentes e funcionários da empresa sabiam de tudo: a inserção de empresas de fachada como intermediárias fictícias nas operações de compra e venda de café para a CUSTÓDIO FORZZA, a fim de proporcionar à empresa vantagens tributárias de créditos ilícitos do PIS/COFINS. Documentos apreendidos na CUSTÓDIO FORZZA no curso da operação “BROCA” revelaram que a empresa tinha total controle sobre as compras de café, fazendo nítida distinção entre o produtor vendedor e o emitente da nota fiscal (empresa laranja). Por exemplo, a planilha, datada de 12/04/2006, encaminhada pelos ARMAZÉNS GERAIS FORZZA para o setor financeiro da CUSTÓDIO FORZZA mostra de forma incontestável a compra de café de produtor rural mediante a interposição fraudulenta de empresa laranja como intermediária fictícia entre o produtor e a CUSTÓDIO FORZZA. Ademais, os extratos da conta contábil de cada produtor com os dados das operações e os romaneios de entrada no armazém, aprendidos na empresa durante a “OPERAÇÃO BROCA”, comprovam que a CUSTÓDIO FORZZA tinha total controle e domínio do que comprava de cada produtor e por qual empresa de fachada a compra era falsamente documentada. Os diálogos estabelecidos por MSN entre a CLONAL CORRETORA, de Edson Antônio Pancieri Filho, e a empresa CUSTÓDIO FORZZA retratam com fidedignidade o modo de operar dos agentes que atuam no mercado de compra e Fl. 55578DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.579 17 venda de café. Mostram que EDUARDO, da CUSTÓDIO FORZZA, participava ativamente das negociações. Há contato direto entre o produtor/maquinista e o comprador da CUSTÓDIO FORZZA. Entretanto, CUSTÓDIO FORZZA sabia que as compras de produtor seriam falsamente documentadas com notas de empresas laranjas. Por vezes, conforme relatado por corretores, produtores e representantes das empresas laranjas, a própria CUSTÓDIO FORZZA indicava o nome da empresa de fachada. Em resumo, foram apuradas as seguintes condutas na CUSTÓDIO FORZZA: a) prestar declaração falsa às autoridades fazendárias e fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos em documento ou livro exigido pela lei fiscal : contabilizou e também informou nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais créditos integrais fictícios decorrentes da aquisição de café para revenda; b) Utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato: as notas fiscais emitidas pelas pseudoempresas atacadistas são ideologicamente falsas e foram interpostas nas operações de compra de café de produtores rurais/maquinistas, com o objetivo de gerar créditos integrais de PIS e da COFINS para a CUSTÓDIO FORZZA; c) Empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo: Esses créditos ilícitos geraram pedidos de ressarcimento e compensação com outros tributos. Considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária e ainda a figura da sonegação, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em reduzir o montante devido das contribuições sociais e eximirse do pagamento de tributos, o que enseja a exasperação da multa. [...]” A análise das PER/DCOMP resultou no não reconhecimento de créditos apontados nos pedidos de ressarcimento no valor de R$ 16.434.686,08. Foram lavrados os Autos de Infração consubstanciados nos seguintes processos digitais: Processo n° 10740.720008/201490 (PIS/COFINS); Processo n° 10740.720010/201469 (Multas Isoladas : débito indevidamente compensado e pedido de ressarcimento indevido). O contribuinte apresentou impugnação, em que, em síntese, alegou o seguinte: 1) A Solução COSIT n° 65/14, que tem efeito vinculante, no âmbiot da Receita Federal do Brasil (RFB) permite o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS relacionados a compras de cooperativas efetuadas até dezembro de 2011. 2) A Fiscalização, de uma só vez, intimou a autora para defenderse de 18 lançamentos (16 despachos decisórios Manifestações de Inconformidade e dois autos de infração). Todos os processos têm por base as mesmas provas e os mesmos argumentos. Sendo assim, com o intento de viabilizar o devido processo legal e a ampla defesa, bem como, a economia processual e a eficiência jurisdicional, pois se decidiria tudo de uma só vez, seria mais razoável a unificação de todas as manifestações de inconformidades, para que haja um único julgamento, sendo que, além dos benefícios já supracitados, evitaria qualquer impasse de possíveis decisões contraditórias sobre o mesmo assunto e embasamento da autuação. Fl. 55579DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.580 18 3) Cita o §3° do art. 18 da Lei n° 10.833/03, que dispõe que "Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente." Sobre a unificação dos processos, menciona ainda a Portaria RFB n° 666/08. 4) Apesar de as PER/DCOMPs estarem relacionadas a créditos surgidos nos anos de 2010 e 2011, verificase dos documentos juntados aos autos e das afirmações elencadas nos Pareceres GAB/DRF/VITÓRIA, tiveram por base as operações "Tempo de Colheita" e seu sucedâneo policial a "operação broca", ambas anteriores a 2009. Assim, há uma ausência completa de provas do período fiscalizado (2010 e 2011) o que, inevitavelmente, leva a improcedência dos atos da Receita Federal de VitóriaES. 5) De outro lado, mesmo que fossem úteis provas de períodos anteriores a2009 para provar algo supostamente ocorrido nos anos de 2010 e 2011, no dia 14 de Novembro de 2012, a Primeira Turma Especializada do TRF da 2ª Região, analisando Habeas Corpus n° 001431181.2012.4.02.0000, em face de ato do Juízo Federal de ColatinaES que instaurou a Ação Penal n° 2008.50.05.0005383 (surgida da "operação broca"), por unanimidade, concedeu a ordem para o fim de trancar a referida Ação Penal. Assim, os supostos crimes foram rechaçados pelo TRF 2ª Região (doc. 06). 6) Em 29 de janeiro de 2013, o Acórdão acima transitou em julgado, conforme Certidão anexa, exarada na fl. 858 do HABEAS CORPUS 2012.02.01.0143115 (doc. 06), visto que o Ministério Público Federal não recorreu de tal decisão, reforçando ainda mais, os argumentos defendidos pela recorrente. Desse modo, não há nos autos provas da má fé e devem se conferidos os créditos pleiteados. 7) No Termo de Encerramento Fiscal restou constado que a partir de 06/2010 a Manifestante deixou de comercializar com as empresas supostamente laranjas do Espírito Santo e que isso seria os efeitos da Operação Broca. 8) A Fiscalização, no afã de provar sua tese de que a Manifestante sabia dessa interposição de pessoas supostamente fictícias, ajuntou um punhado de supostas provas (que não constam nos autos) para dar suporte a duas premissas que alicerçariam sua tese equivocada: i. A exportadora sabe da procedência dos produtos que adquire das atacadistas, ou seja, sabe qual o agricultor produz o café. ii. A exportada simplesmente exigia que seus corretores ou compradores negociassem apenas com fornecedores pessoas jurídicas, após o advento da sistemática da não cumulatividade das contribuições PIS e COFINS. 9) É de conhecimento geral que o café é produzido por agricultores e saber quem são eles é essencial para a identificação de procedência e necessária a questões de qualidade; por isso, os controles internos da Custódio Forzza contêm essas informações. De outro lado, não há qualquer proibição legal da exigência de que as relações comerciais sejam travadas entre pessoas jurídicas, essa prática é comum (vejamse os exemplos das grandes empresas que não contratam pessoas físicas para a prestação de serviços, visando afastar a cobrança das contribuições previdenciárias). Fl. 55580DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.581 19 10) As supostas provas trazidas pela Fiscalização são, genericamente, falando: depoimentos de produtores rurais, depoimentos de corretores, depoimentos de alguns motoristas, depoimentos dos sócios das empresas revendedoras de café, controles internos das empresas fornecedoras, controles internos da Custódio Forzza, alguns documentos de corretoras e muitas provas ilícitas. De todas as provas trazidas aos autos, apenas se pôde extrair que: 1. Os sócios das atacadistas pagavam os melhores preços, pelos motivos que agora são claros; 2. os corretores sabiam das práticas das atacadistas, eram os únicos que entravam em contato com essas empresas; 3. os produtores rurais ficaram viciados pelos preços maiores oferecidos pelas atacadistas e pelos corretores; 4. as indústrias preferiam também comprar das atacadistas pelo menor preço; as vendas no mercado interno das exportadoras reduziramse significativamente; 5. as exportadores tornaramse reféns das atacadistas, não podiam competir com seus preços e não conseguiam comprar diretamente dos produtores rurais; 6. a Receita Federal permitiu o vício dos produtores rurais e o estado de "cárcere" das exportadoras quando deixou que tais empresas permanecessem no mercado por quase uma década, sabendo de sua atividade ilícitas. 11) Assim, não há prova alguma da máfé e muito menos do dolo da contribuinte. Ao contrário, foram juntados a essa petição os "CNPJs" e "SINTEGRAS", emitidos na época da compra, que provam os cuidados tomados na verificação da regularidade dessas atacadistas. O que mais ela poderia fazer? Fiscalizar seus fornecedores, inabilitar ou suspender seus CNPJs?. 12) Consideramos que a Fiscalização, ao contrário das premissas que provou (que as exportadoras exigiam a compra de pessoas jurídicas e que o produto provinha de agricultores), deveria ter demonstrado, de alguma forma, que a recorrente sabia ou incentivava o não recolhimento de tributos por essas empresas atacadistas ou, no mínimo, que tinha pleno conhecimento da inatividade dessas empresas. Presumir isso apenas por que essa ou aquela empresa tem instalações modestas é leviano. A contribuinte não tem tempo nem poder de investigar as suas centenas de fornecedoras e, após cotejar as declarações de imposto de renda, as DIRFs, as Dcreds, as DOIs, as Dmobs, as Gfips e outras tantas informações disponíveis à Receita, verificar que sua atividade é restrita a corretagem de café ou a uma interposição fraudulenta. A Receita Federal poderia ter feito isso. 13) É sabido que a Constituição Federal prevê uma série de direitos e garantias fundamentais. Entre eles está a inviolabilidade do sigilo das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas. 14) O Sr. Edson Antonio Pacieri não possui o direito de proceder à quebra do sigilo de dados da empresa Custódio Forzza. Tal providência só poderia ter sido viabilizada através de autorização judicial, em caso de instrução criminal. A atividade criminosa não pode servir à Receita Federal. 15) Assim, as provas produzidas pela quebra do sigilo bancário, sem autorização judicial, devem ser retiradas dos autos, sob pena de nulidade. 16) As empresas Colúmbia Comércio de Café, Acádia Comércio Exportação, Do Grão, L&L, e R. Araújo Cafecol Mercantil, responderam as perguntas do mesmo modo, através de petições modelo, usando da mesma letra, mesma diagramação, mesmo palavreado. Está claro que apenas uma pessoa redigiu todos esses comunicados. Tudo na intenção de convencer os Fiscais de que aquilo que estavam falando era verdade e, assim, livrar os possíveis fraudadores da condenação certa. Pura enganação. Fl. 55581DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.582 20 17) Não resta dúvida que a intenção dele e dos demais era livrarse do culpa e da criminalização, desviando as forças da Receita para as exportadoras, mesmo que, para isso precisasse transformar todo um seguimento econômico em um tipo de máfia. Não se sabe o porquê de a Fiscalização ter posto em evidência tais devaneios em seu relatório fiscal, documento que deve ser produzido com seriedade. 18) Assim, tais provas são inúteis (por se tratarem de períodos anteriores a 2010 e 2011) e nulas pelo evidente interesse dos declarantes em ludibriar o Fisco. 19) Todas as provas e indícios juntados aos autos tratam de períodos anteriores a 2010 e 2011, e a recorrente não adquiriu produtos daquelas empresas mencionadas pela Fisco, no período de 2010 e 2011, não há qualquer base para a glosa dos créditos e os conseqüentes lançamento. 20) É importante frisar que a Recorrente realiza pagamentos aos seus fornecedores, somente via depósito bancário ou via TED/DOC diretamente aos emitentes das notas fiscais. Além de tudo isso, as mercadorias entraram no em seu estoque (doc. 07). 21) Devese ressaltar que a escrituração contábil da recorrente atende todos os padrões exigidos pela legislação, o autor do parecer atestou este fato (fl. 87 parecer). Desse modo, observase que o art. 923, do Regulamento do Imposto de Renda, diz que "A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." 22) Vale lembrar que o STJ ao julgar o Recurso Especial n° 1.148.444, em sede de recurso repetitivo, nos termos do art. 543C do CPC, tratandose de apropriação de créditos de ICMS decorrentes de mercadorias adquiridas de empresas inidôneas, deu ganho de causa, por unanimidade ao contribuinte. 23) Registrase que o STJ deu ganho de causa por unanimidade ao contribuinte, após analisar basicamente três pontos: (1) existência de ato administrativo que declare a inidoneidade das notas fiscais, anteriormente à ocorrência do fato gerador; (2) boafé do Contribuinte lesado e (3) prova de que houve efetivamente a operação (entrega da mercadoria e pagamento ao fornecedor). 24) Ora, não havia nenhum Ato Declaratório ou até mesmo baixa de ofício dos contribuintes fornecedores da Custodio Forzza, na época em que foram adquiridas as mercadorias (café). Ressaltese que a Ação Penal originada da "operação broca" foi trancada pelo TRF 2ª Região (doc. 06). 25) A fiscalização pretende, de forma equivocada, glosar os créditos de PIS de COFINS lançados pela recorrente, sobre as aquisições realizadas das COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS (letra “b” Demonstrativo BC fl. 67), com base em premissas infundadas e sem amparo legal, como será demonstrado. 26) Outro equívoco da Fiscalização, com o intuito tão somente de negar os créditos, foi afirmar que a "CUSTÓDIO FORZZA preenche os requisitos estabelecidos (IN 660/06, art. 4º) para a aplicação obrigatória da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas (fl. 223 do relatório). Fl. 55582DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.583 21 27) Vejamos o que diz o art. 4º da citada Instrução Normativa n° 660/06: Art. 4° Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. § 1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: (Revogado pela Instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009) I a Declaração do Anexo I, no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II, nos demais casos. § 2º Aplicase o disposto no § 1° mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. Revogado pela Instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009; § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009; 28) Notase que o caput do artigo 4º é claro em afirmar que, nas hipóteses em que é aplicável a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º da IN/SRFB 660/06, é obrigatória nas vendas efetuadas à pessoa jurídica que se enquadra em diversos requisitos, cumulativamente. 29) A Custódio Forzza (recorrente) não está enquadrada no inciso III, do citado artigo, uma vez que não utiliza o produto como insumo na fabricação de produtos de que tratam os inciso I e II do art. 5º. 30) A Custódio Forzza não é e nunca foi uma empresa industrial. 31) Ademais, o § 3º do mesmo artigo não deixa nenhuma dúvida ao mencionar que é vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. Ora, os produtos adquiridos pela Recorrente são para serem revendidos e, neste caso, não se aplica a suspensão do PIS e da COFINS na venda das Cooperativas Agropecuárias. 32) Desse modo, a Manifestante não está enquadrada nos requisitos impostos pelo artigo 4º da IN/SRFB n° 660/06, o Auditor Fiscal está equivocado. Assim, não procede a glosa dos créditos de PIS e COFINS sobre as aquisições feitas das Cooperativas Agropecuárias, uma vez que elas são obrigadas ao recolhimento de 1,65% de PIS e 7,60% de COFINS, sobre suas receitas. 33) Como prevê a Lei n° 12.350, de 20 de dezembro de 2010, em seu artigo 56A e parágrafos, as empresas que possuem direito a créditos presumidos apurados em relação Fl. 55583DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.584 22 a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, na forma do §3° do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, podem utilizálos para a quitação de outros tributos administrados pela Receita Federal ou, em caso de sobra, requerer seu ressarcimento. 34) Portanto, mesmo se negados todos os outros argumentos tendentes à manutenção dos créditos integrais, quanto a decadência dos anos de 2010 e 2011 ou redutores das multas, o crédito presumido já calculado pela própria Fiscalização será mais do que suficiente para cobrir algum débito tributário remanescente da recorrente. 35) Foi afirmado que a recorrente agiu com mafé a adquirir café de pessoasjurídicas supostamente não idôneas. Porém, não há nos autos qualquer prova relacionada a estas empresas. 36) Ocorre que após a operação "Broca" a Receita Federal, após alguns anos de sigilo sobre as fraudes, informou à recorrente sobre ao caráter ilícito de algumas atacadistas.A recorrente, por seu lado, por óbvio, deixou de comercializar com estas empresas. A Fiscalização, porém, continua usando as mesmas provas usadas para glosar créditos nos anos de 2005 a 2009. Entre as provas estão depoimentos de produtores, corretores e sócios de atacadistas das empresas consideradas inidôneas pela Receitas quando fiscalizou os 2005 a 2009. 37) Assim, fazse necessário que a Receita Federal proceda oitiva de produtores rurais das regiões das novas fornecedoras da recorrente, de corretores que intermedeiam café nestas regiões e, nem mesmo importante, os depoimentos dos sócios destas novas fontes de café. 38) Assim, diante do fundado receio de que a Receita Federal reprise as perguntas erradas ou incompletas que fez com relação as fornecedoras de café dos anos anteriores a 2010 e 2011, é essencial que todos eles sejam ouvidos e que, desta vez, a Fiscalização faça as perguntas corretas. Seriam elas: i) se houve comercialização direta com Custódio Forzza Exportação "guiada" através de pessoas jurídicas? Quando houve tais comercializações diretas? Qual o número das notas fiscais? ii) Qual o nome das pessoas com as quais os produtores rurais negociavam na Custódio Forzza Exportação? iii) Onde fica o armazém geral de propriedade da Custódio Forzza Exportação? iv) Se o produtor rural conhece os gestores da Custódio Forzza Exportação. v) Se o produtor rural tem certeza que as pessoas por ele citadas ao responder a pergunta anterior tinham conhecimento dos esquemas das atacadistas? Como ele pode ter certeza de suas afirmações? 39) Por fim, como a Fiscalização afirma que a maioria das empresas fornecedoras a recorrente estavam inativas no momento das compras e, como mencionado, as CNPJ estavam válidos no momento da compra, devese copiar e anexar a este processo todos Fl. 55584DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.585 23 estes processos que levaram a inaptidão ou cassação dos CNPJs das atacadistas das quais a recorrente adquiriu café nos anos de 2010 e 2011. 40) Assim, sob pena de nulidade por não observância da ampla defesa, deve se deferir a produção destas provas. 41) A Fiscalização, através do parecer, defendeu a aplicação de quatro tipos de multas neste caso (considerando o auto de infração e os pareceres sobre a glosa de créditos): a do artigo 44 da Lei 9.430/1996; a do artigo 61 da Lei 9.430/96; a do artigo 18 da Lei 10.833/2003 e a do §15° do artigo 74 da Lei 9.430/1996. 42) Em síntese são essas as bases de cálculo dessas multas: Art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96: a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento; Art. 61 da Lei 9.430/96: a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento; Art. 18 da Lei 10.833/2003: o valor total do débito indevidamente compensado; §15°, do artigo 74, da Lei 9.430/96: o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. 43) Verificase, assim, que há evidente dupla imposição de multas sobre um mesmo fato gerador, tanto no que se refere ao art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96 e o art. 61 da Lei 9.430/96 (a base de cálculo é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento); quanto aos art. 18 da Lei 10.833/2003 e o §15°, do artigo 74, da Lei 9.430/96 (ambas tem por base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado). 44) Mesmo que a base de cálculo do art. 18 da Lei 10.833/2003 e o §15°, do artigo 74, da Lei 9.430/96 não sejam hipoteticamente idênticas, é obvio que elas se confundem. Ora, para afastar a decadência do direito ao ressarcimento, todas as pessoas jurídicas são obrigadas pela lei e pela Receita Federal a fazer pedidos de ressarcimento, caso contrário, perdese o direito de fazer pedidos de compensação sobre esses créditos. Na prática todos os valores compensados são objeto de pedidos de ressarcimento anteriores. Assim, quando se multa os valores indevidamente compensados, estão sendo também alcançados os valores dos pedidos em ressarcimento. 45) O cabimento da multa de 150% (cento e cinquenta por cento) está previsto no artigo 44 da Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% (setenta e cinco por cento| sobre a totalidade ou diferença dc imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 55585DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.586 24 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, dc 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis 46) Verificase dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964 que os conceitos de "máfé" e de "evidente intuito de fraude" são obviamente diferentes, apesar de a Fiscalização tratálos como iguais. Por isso, não se pode falar em "evidente intuito de fraude" provado, pois proválo nunca foi o objetivo da Fiscalização. Não há uma prova sequer nos autos de fraude ou sonegação. 47) Assim, uma vez que todos os tributos foram declarados em DCTF, não há prova alguma de "evidente intuito de fraude" e todas as informações necessárias foram prestadas adequadamente à Fiscalização, não se pode impor multa agravada. 48) A multa isolada de 50% sobre pedido de ressarcimento indeferido ´inconstitucional, pois, não estando vinculada a nenhum ato de máfé ou fraudulento, viola o livre exercício do direito de petição e o devido processo legalde que trata o inciso XXXVI do art. 5° da Constituição Federal. 49) A multa isolada de 50% somente pode ser cobrada sobre fatos posteriores à sua publicação, isto é, 11/06/10, e não sobre todos os pedidos de ressarcimento efetuados em 2010, à luz do art. 106 do CTN. 50) Caso os créditos de PIS e COFINS não sejam homologados, requer a restituição da CSL e o IRPJ que incidiram sobre as correspondentes às reduções provocadas nos custos dos produtos vendidos. O pleito visa evitar que prescreva o direito de pedir restituição da CSL e o IRPJ. A DRJ no Rio de janeiro (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1272.512 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem Fl. 55586DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.587 25 qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NULIDADE. SEM CAUSA. IMPROCEDÊNCIA. Incabível anular decisão sem que haja fatos ofensivos ao direito de ampla defesa, ao contraditório ou às normas que definem competência. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada no prazo do recurso, precluindose o direito de o recorrente fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO. A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PIS INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários adquiridos de cooperativas de atividade agropecuária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PIS INCIDÊNCIA NÃO Fl. 55587DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.588 26 CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários adquiridos de cooperativas de atividade agropecuária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que repete parte dos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Ademais, carreou aos autos cópia da petição inicial da Acão Ordinária n° 001595129.2015.4.01.3400, ajuizada com o objetivo de questionar a constitucionalidade das multas aplicadas no presente processo e nos de n° 15586.000089/201117 e 10740.720010/201469. Foi suspensa a exigibilidade dos créditos tributários e concedida antecipação de tutela. Reproduzo a decisão: "DECISÃO A enormidade do valor cobrado R$ 83.000.895,40 bem como os fortes indícios de desproporcional idade na constituição do alegado crédito (multas especificamente) aconselham a suspensão da sua exigibilidade. Assim, defiro o pedido de antecipação da tutela para SUSPENDER A EXIGIBILIDADE dos créditos tributários referidos nos Procedimentos Administrativos n° 15586.000089/201117,10740.720008/201490 e 10740.720010/201469, sem depósito, vedando a adoção de qualquer medida tendente à cobrança dos mesmos. Intimemse e citese a parte ré. Brasília, 25/03/2015. ITAGIBA CATTA PRETA NETO JUIZ FEDERAL TITULAR" (g.n.) O processo n° 15586.000089/201117 referese a auto de infração de PIS e COFINS e cobrança de multa isolada. Foi objeto do Acórdão CARF n° 3201002.185, que considerou nula a decisão de primeira instância, pelo fato de não ter apreciado os argumentos da impugnantes relativos à aplicação de multas isoladas e devolveu os autos para novo julgamento. O processo de n° 10740.720010/201469 foi distribuído para este relator cuida de multas isoladas relativas a indeferimento e não homologação de pedidos de ressarcimento e compensações efetuadas com os créditos de PIS e COFINS, cuja glosa é tratada no presente. Em 27 de junho de 2017, por meio da Resolução n° 3301000.436, esta turma decidiu converter o julgamento em diligência, com o seguinte objetivo: "(. . .) Fl. 55588DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.589 27 Pelas razões acima expostas, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem estabeleça nítida e irrefutável relação entre as provas constantes dos autos e as operações realizadas pela recorrente nos anos de 2010 e 2011, cujos créditos de PIS e COFINS foram glosados. (. . .)" A diligência foi realizada e o resultado encontrase nos autos "Informação Fiscal", (fls. 55.515 a 55.549). O agente fiscal trouxe diversos elementos constantes dos autos, tais como, fotos das empresas tidas como de "fachada", que demonstrariam a incompatibilidade entre o volume de café transacionado e o tamanho do estabelecimento, e depoimentos, confirmando as acusações da fiscalização, que, a seu ver, seriam suficientes para fundamentar a autuação. Reproduzo o trecho final, com a conclusão: "(. . .) Esses são os fatos. Assim, ao contrário do argumento levantado pelo e.relator para converter o julgamento em diligência, há nos autos robusto material comprobatório que explica e torna incontestável as práticas de apropriação fraudulenta de créditos de PIS/COFINS perpetradas pela CUSTÓDIO FORZZA, não só do ano de 2010, como do ano de 2011. (. . .)" A recorrente apresentou manifestação sobre o relatório de diligência (fls. 55.553 a 55.560), com conclusão diametralmente oposta à acima sumarizada e reiteração dos pedidos constantes do recurso voluntário: "(. . .) 14. Diante do exposto, reiterase os pedidos já articulados no recurso voluntário, especialmente: a anulação do Parecer e Despacho Decisório, uma vez que não constam nos autos nenhuma prova comprovando a máfé da Recorrente (os argumentos do fisco foram baseados em documentos acostados nos autos do processo 10740.720010/201469), bem como, a Receita Federal baseou suas alegações apenas em provas relativas a períodos anteriores a 2010 e 2011; a nulidade do acórdão da DRJ, já que, como mencionado na Resolução, 'na impugnação, a Recorrente contestou o fato de as provas referiremse a períodos anteriores a 2010 e 2011. E o argumento, a meu ver, não foi devidamente enfrentado pela DRJ no Rio de Janeiro (RJ)'; caso não anulados o ato da DRF ou da DRJ, que seja afastada a imposição da multa prevista no art. 18 da Lei 10.833/2003, uma vez que não foi provado o dolo; ultrapassados os primeiros pedidos, uma vez que, após a operação “Broca”, a recorrente deixou de comercializar com as empresas consideradas inidôneas pela Receita Federal e a Fiscalização continua usando as mesmas provas já utilizadas para glosar créditos nos anos de 2005 a 2009 (ou seja, praticamente não há nos autos provas relativas às fornecedoras dos anos 2010 e 2011), que a Receita Federal Fl. 55589DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.590 28 proceda a oitiva (observando o contraditório) de produtores rurais das regiões das novas fornecedoras, de corretores que intermediam (sic) café nestas regiões e dos sócios destas novas fontes de café e que, desta vez, faça as perguntas corretas, seguindo as questão já mencionadas." É o relatório. Fl. 55590DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.591 29 Voto O recurso voluntário reúne os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração, datado de 07/03/2014. A fiscalização constatou infrações aos dispositivos legais que disciplinavam o registro e aproveitamento de créditos de PIS e COFINS em compras de café realizadas nos anos de 2010 e 2011, que motivaram os seguintes procedimentos (fls. 2.458 a 2.470): 1) "Glosa do crédito integral do PIS/COFINS sobre notas fiscais de empresas de fachada, inseridas como intermediárias fictícias entre o produtor rural/ maquinista e a Custódio Forzza e cerealistas dissimuladas de comercial atacadista": a fiscalização glosou os créditos integrais, porém computou créditos presumidos, aplicáveis às compras de café efetuadas diretamente de produtores rurais, pessoas físicas ou cerealistas (inciso III do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04). 2) "Glosa do crédito integral sobre aquisições de café de cooperativas – crédito presumido": foram glosados os créditos integrais, pois o PIS/COFINS sobre as compras estava suspenso (art. 9° da Lei n° 10.925/04), e computados os presumidos. 3) "Glosa do crédito integral sobre aquisições de café de produtores pessoas físicas – crédito presumido": foram glosados os créditos integrais e computados os presumidos, aplicáveis a compras de café de pessoas físicas, o qual é submetido a beneficiamento, antes da revenda (caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04). O auto de infração em análise foi lavrado para a cobrança do PIS e da COFINS devidos, relativos aos períodos de apuração em que os saldos remanescentes de créditos não foram suficientes para liquidar os respectivos débitos. O PIS e a COFINS lançados em decorrência da infração citada no item 1 foram acrescidos de multa de ofício agravada de 150%, em razão da identificação das condutas previstas nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. As infrações descritas nos itens 2 e 3 foram punidas com multa de ofício de 75%. Com efeito, o lançamento tributário relativo ao item 3 não foi contestado na impugnação e tampouco no recurso voluntário, pelo que o considero como definitivamente constituído. Os montantes totais lançados, englobando principal, multas de ofício regular e agravada e juros Selic, foram de R$ 6.628.142,21, de COFINS, e R$ 1.439.000,88, de PIS. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, cujo processo de n° 10740.720009/201434 foi apensado ao presente. Conforme mencionamos no relatório, este processo esteve na pauta do dia 27 de junho de 2017, e, por meio da Resolução n° 3301000.436, esta turma decidiu converter o julgamento em diligência, com o seguinte objetivo: "(. . .) Fl. 55591DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.592 30 Pelas razões acima expostas, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem estabeleça nítida e irrefutável relação entre as provas constantes dos autos e as operações realizadas pela recorrente nos anos de 2010 e 2011, cujos créditos de PIS e COFINS foram glosados. (. . .)" A diligência foi efetuada e o relatório (fls. 55.515 a 55.549) e a correspondente manifestação da recorrente (fls. 55.553 a 55.560) encontramse nos autos e serão objetos de apreciação, adiante, juntamente com as demais questões de mérito. No recurso voluntário, há três questões sob o título "Preliminares", as quais, todavia, não se qualificam como prejudiciais de mérito. Na primeira, a recorrente requer que i) os processos que tratam dos pedidos de ressarcimento e compensação relacionados aos anos de 2010 e 2011 sejam julgados em conjunto com o presente; ii) na segunda, declara a existência de decisão judicial prolatada em seu favor, dispondo sobre o direito a juros Selic sobre pedidos de ressarcimento pendentes de análise pelo Fisco há mais de 360 dias; e iii) na terceira, procura sustentar os créditos presumidos registrados por conta de aquisições de café de cooperativas. Nos quatro tópicos seguintes, apresenta argumentos para sustentar a tomada dos créditos derivados de compras de atacadistas de café. E, por fim, i) defende a possibilidade de compensação de créditos presumidos com outros tributos administrados pela RFB; ii) pleiteia a realização de diligência ou perícia, para confirmar suas alegações; iii) contesta a aplicação das multas de ofício de 75% e de 150% e isoladas, por indeferimento de pedidos de ressarcimento e não homologação de compensações; e iv) a fim de afastar o risco de "prescrição do direito de pedir restituição", pleiteia o reconhecimento do direito de pedir restituição do IRPJ e da CSL calculados sobre as receitas registradas por ocasião da contabilização dos créditos de PIS e COFINS, caso as glosas sejam mantidas. PRELIMINARES "Da obrigação de unificar as manifestações de inconformidade (glosas dos créditos de PIS/COFINS) às impugnações administrativas (multas), visando prevenir decisões contraditórias, violação da ampla defesa, da economia processual e eficiência" Foram constituídos dezesseis processos administrativos sobre indeferimento/não homologação de PER/DCOMP e dois derivados das lavraturas de autos de infração para a cobrança de PIS/COFINS (processo n° 10740.720008/201490) e de multas isoladas (processo n° 10740.720010/201469). Segundo a Recorrente, nos dezesseis processos administrativos, abaixo listados, discutese créditos de PIS e COFINS relativos aos mesmos anos e naturezas tratados no presente caso: Fl. 55592DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.593 31 Diante disto, pelas razões epigrafadas, pleiteia a unificação dos processos. No processo n° 10740.720008/201490, discutese a legitimidade dos créditos de PIS/COFINS, cujas glosas ocasionaram o surgimento de valores a pagar nos períodos de apuração em que descontados. O processo n° 10740.720010/201469 trata de multas isoladas sobre indeferimentos de PER e não homologações de DCOMP acima listado, será relatado por este conselheiro e encontrase nesta pauta para julgamento. Os dezesseis processos restantes, acima listados, encontramse no CARF, porém ainda não foram distribuídos. Versam sobre indeferimentos de PER e não homologações de DCOMP, que foram motivados por glosas tratadas no presente processo e que sofreram incidência das multas isoladas aplicadas no processo n° 10740.720010/201469. Com base nas informações acima, podemos concluir que: Processo n° 10740.720008/201490: encontrase em condições de ser julgado, pois não depende de nenhum outro para ser concluído. Sua decisão deverá ser Fl. 55593DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.594 32 observada pelos dezesseis processos que versam sobre indeferimentos de PER e não homologações de DCOMP, ainda não distribuídos, de forma que não aja decisões conflitantes. Processo n° 10740.720010/201469: também pode ser julgado, sem prejuízo para o contribuinte. Para a execução do acórdão correspondente, a unidade de origem observará os resultados dos demais processos. Portanto, nego provimento ao pleito da Recorrente. "Da correção monetária dos créditos sentença no Mandado de Ssegurança n° 001121993.2013.4.02.5001" A recorrente informa que, em primeira instância foi proferida decisão judicial em seu favor, que determinou a adição de juros Selic a pedidos de ressarcimento de créditos de PIS/COFINS pendentes de análise pela RFB por mais de 360 dias. Em consulta ao sítio virtual do TRF da 2° Região, verificase que a União apelou da citada decisão, porém não foi obtido provimento. A sentença favorável à recorrente transitou em julgado. Apesar de incluso no rol de "Preliminares", os argumentos não merecem apreciação por parte deste colegiado, tendo caráter meramente informativo. O cumprimento da ordem judicial caberá à unidade de origem, ao fim do processo, e não afeta o resultado deste julgamento. MÉRITO "Glosa do crédito integral sobre aquisições de café de cooperativas crédito presumido" Fundada nos art. 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, a fiscalização glosou créditos integrais e computou créditos presumidos (35% das alíquotas regulares) de PIS e COFINS, derivados de compras de café de cooperativas. Apurou que o contribuinte exercia atividade agroindustrial, era tributado pelo lucro real e adquiriu o café para industrialização. requisitos legais para aplicação da suspensão do PIS e da COFINS e aproveitamento de crédito presumido. Desconsiderou o fato de haver indicação nas notas fiscais de compra que houve incidência das contribuições, sob a alegação de que era prática dos corretores exigir que tal informação constasse no corpo das notas fiscais, ainda que as operações tivessem gozado de suspensão. A Recorrente contesta, tendo como argumento central o de que adquiriu o café para revenda e não para industrialização. Neste caso, a compra do café estava sujeita à tributação normal, conferindo direito a créditos integrais de PIS e COFINS. Alega que a fiscalização chegou à citada conclusão com base em leitura do contrato social, em que identificou que a atividade de industrialização encontravase em seu objeto social, porém sem analisar o caso concreto. Fl. 55594DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.595 33 Cita dispositivos legais, a Solução de Consulta COSIT n° 65/14 e o Parecer PGFN CAT n° 1.425/14 que dispõem que, até dezembro de 2011, as exportadoras de café tinham o direito de registrar créditos de PIS e COFINS relativos a compras de café de cooperativas, desde que tais operações não tivessem sido beneficiadas pela suspensão prevista no art. 9° da Lei n° 10.925/04. Menciona, por fim, o Acórdão n° 3802002.381, que reconheceu o direito ao registro de créditos, em caso em que houve anotação nas notas fiscais acerca da incidência das contribuições, pagamento das respectivas transações e entrega das mercadorias. Reproduzo os artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, com as redações vigentes no períodobase autuado (4° trimestre de 2010): "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (. . .) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e Fl. 55595DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.596 34 III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (. . .) Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF." (g.n.) Não há qualquer controvérsia acerca da interpretação dos acima transcritos dispositivos legais. Em suma: quando o café é beneficiado e então vendido, há incidência de PIS/COFINS e, por conseguinte, direito ao registro de créditos integrais pelo adquirente; ou quando o café é adquirido para industrialização, a operação goza de suspensão e o adquirente tem direito a crédito presumido, calculado por meio da aplicação sobre o valor do produto de percentual correspondente a 35% das alíquotas regulares. Há, contudo, divergência sobre um aspecto fático: o café adquirido das cooperativas foi ou não submetido a processo de industrialização, antes de ser vendido pelo contribuinte? Por um lado, não me parece adequado o procedimento adotado pela fiscalização de descartar a informação contida na nota fiscal de compra, posto que sem qualquer elemento que comprovasse sua inveracidade. Por outro, não se me afigura como correto dizer que a fiscalização chegou à sua conclusão apenas com base no contrato social da Recorrente. Fl. 55596DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.597 35 No curso da diligência, a fiscalização apurou que o contribuinte comprava café de cooperativas, beneficiava e depois revendia. E obteve confirmação desta fato, por meio da resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0316052012 (fl. 29 a 31): "1) Informar quais processos de produção abaixo listados foram aplicados ao café adquirido no ano de 2010 pela CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA; · Padronização · Beneficiamento · Preparação · Mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor · Separação por densidade de grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial Resposta: Todos os processos acima listados forma aplicados ao café adquirido no ano de 2010 pela CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA." A pergunta acima também foi efetuada em relação ao ano de 2011, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 0416052012. Na resposta (fl. 32 e 33), o contribuinte reproduziu a dada para o ano de 2010, o que fazme crer que, em 2011, o café também foi submetido aos processos acima listados. Ora, se, como afirma a Recorrente, o café foi adquirido das cooperativas pronto para revenda, isto é, após ter sido submetido a processo industrial, deveria ter trazido aos autos provas de que a acima reproduzida resposta dada à fiscalização estava imperfeita e de que realmente tinha direito a créditos integrais de PIS e COFINS ex: registros contábeis principal e/ou auxiliares, por meio dos quais pudéssemos verificar que o café objeto das notas fiscais de compra, cujos créditos foram glosados, não foi integrado a nenhum processo industrial, porém revendido no mesmo estado em que fora adquirido. Contudo, não o fez na impugnação e tampouco no recurso voluntário, apesar de a DRJ já ter indicado falta de comprovação do que estava alegando. Desta forma, voto pelo não provimento das alegações da Recorrente. "Glosa do crédito integral do PIS/COFINS sobre notas fiscais de empresas de fachada, inseridas como intermediárias fictícias entre o produtor rural/ maquinista e a Custódio Forzza e cerealistas dissimuladas de comercial atacadista" Esta turma já julgou diversos processos instruídos por provas colhidas nas operações "Tempo de Colheita" e "Broca", realizadas em conjunto pelos Ministério Público, Polícia Federal e Receita Federal. Assim como no caso em discussão, tratavamse de glosas de créditos de PIS/COFINS, derivados de compras de café de pessoas jurídicas tidas como de "fachada". O objetivo dos "esquemas" era o de majorar os créditos de PIS e COFINS: se adquiridos de Fl. 55597DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.598 36 pessoas físicas ou produtores rurais, terseia créditos presumidos, equivalentes a 35% das alíquotas integrais (inciso III do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04), enquanto que, de pessoas jurídicas, créditos integrais. De uma forma geral, naquelas sessões, manifesteime pela suficiência do conjunto probatório, que demonstrava, de forma cabal, que havia sido maquinado um esquema fraudulento para obtenção de vantagens fiscais. As transações de compra de café, cujos créditos haviam sido glosados, inseriamse perfeitamente nos contextos construídos a partir dos depoimentos e fotos (evidência de que os estabelecimentos não comportavam estocar o volume de café que declaravam ter negociado) e documentos contábeis e fiscais reunidos. Contudo, o mesmo não se verifica no presente caso. De início, crucial reiterar que os anos auditados foram os de 2010 e 2011 e que o lançamento fundamentase no Termo de Encerramento de Ação Fiscal (TEAF) n° 06 1605/2012 e em cópias de documentos oriundos da "Operação Broca". O TEAF iniciase, mencionando o processo n° 15586.000089/201117, por meio do qual foram glosados crédito integrais de PIS e COFINS relativos aos anos de 2005 a 2009, esteado em provas obtidas nas "Operações Tempo de Colheita e Broca". Tal processo encontrase no CARF, para julgamento de recursos de ofício e voluntário. Com efeito, a "Operações Tempo de Colheita" foi iniciada em 2007 e concluída em 2009, e a "Operação Broca", deflagrada em junho de 2010. Ambas restringiram se ao Estado do Espiríto Santo (ES). Ao fim destas, as investigações foram ampliadas para o Sul da Bahia, Zona da Mata Mineira e Sul de Minas Gerais. Ao longo do TEAF, são apresentados documentos contábeis, extracontábeis e fiscais que comprovavam a realização de vendas de café, cujos volumes das mercadorias e correspondentes valores se apresentavam absolutamente incompatíveis com o porte das empresas utilizadas como intermediárias entre o produtor e o acusado. E as compra e posterior revenda realizadas pelos intermediários operavamse com baixíssima rentabilidade e muitas vezes sequer eram contabilizadas e declaradas ao Fisco. E o desenho do "esquema" desbaratado foi fartamente robustecido por depoimentos e até fotos de estabelecimentos onde se localizavam as pessoas jurídicas tidas como de "fachada", demonstrando que não tinham condições de abrigar os volumes de café adquiridos. Ocorre que , exceto quanto a algumas poucas menções a operações realizadas no ano de 2010, são informações relativas aos anos de 2005 a 2009. Não foram reunidos elementos probatórios ou indiciários capazes de sustentar a conclusão da fiscalização de que também ocorreu nos anos de 2010 e 2011 a situação verificada nos anos de 2005 a 2009. O TEAF encerrase, fazendo resumo das infrações supostamente detectadas (item 8 do TEAF "Qualificação da Multa de Ofício" fls. 2.487 e 2.488), claramente enquadrandoas nos dispositivos da Lei n° 8.137/90, que dispõe acerca dos crimes contra a ordem tributária: Fl. 55598DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.599 37 "Em resumo, foram apuradas as seguintes condutas na CUSTÓDIO FORZZA: a) prestar declaração falsa às autoridades fazendárias e fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos em documento ou livro exigido pela lei fiscal : contabilizou e também informou nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais créditos integrais fictícios decorrentes da aquisição de café para revenda; b) utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato: as notas fiscais emitidas pelas pseudoempresas atacadistas são ideologicamente falsas e foram interpostas nas operações de compra de café de produtores rurais/maquinistas, com o objetivo de gerar créditos integrais de PIS e da COFINS para a CUSTÓDIO FORZZA; c) empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo: Esses créditos ilícitos geraram pedidos de ressarcimento e compensação com outros tributos." (g.n.) As infrações foram capituladas como crimes contra a ordem tributária e o lançamento acrescido de multa de ofício agravada (150%), fundamentado no art. 44 da Lei n° 9.430/96 c/c os artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64 e incisos I, II e IV do art. 1° e o inciso I do artigo 2° da Lei n° 8.137/90 (TEAF fls. 2.484 e 2.485), a saber: Lei n° 4.502/64 "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Lei n° 8.137/90 Art. 1º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributos, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal. Fl. 55599DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.600 38 (...) IV – elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato. Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...)" (g.n.) Lei n° 9.430/96 "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (. . .) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis (. . .)" É cediço e dispensa comentários extensos que lançamentos de ofício resultantes da identificação de condutas delituosas que subsumemse aos acima transcritos dispositivos da Lei n° 8.137/90 devem ser fundamentados em provas cabais e irrefutáveis. Há incontáveis decisões do CARF neste sentido, tais como os Acórdãos 3402003.857 e 2802 003.321. E cabe ainda menção à Súmula CARF n° 25 que, apesar de não por tratar diretamente do tema em comento, destaca a imprescindibilidade da apresentação de provas para enquadramento nos crimes capitulados nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64: "Súmula CARF nº 2: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." Ao não reunir elementos probatórios ou indiciários extraídos de fatos ocorridos nos anos autuados, porém, assim mesmo, lavrar o auto de infração, presumiu a autuante que o contribuinte nos anos de 2010 e 2011 continuou cometendo os mesmos crimes que teria praticado nos anos de 2005 a 2009, os quais, conforme anteriormente mencionado, foram objetos de outro processo administrativo. Inegável que o Fisco pode se utilizar do instituto da presunção para desvendar ardis e encontrar a verdade. Não obstante, para tanto, há de reunir dados e ocorrências contemporâneos aos fatos geradores sobre os quais fez incidir o tributo e ao qual acresceu as penalidades agravadas. Fl. 55600DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.601 39 Não se deve admitir como suficientes provas diretas ou indiretas que digam respeito a períodos de apuração distintos daqueles que se discute. Quando o autuante pretendeu estabelecer algum paralelo entre os dados extraídos do processo n° 15586.000089/201117 (anos de 2005 a 2009) e os fatos ocorridos anos de 2010 e 2011, expôs a fragilidade de seus argumentos (TEAF, fls. 2.249 e 2.250): "(. . .) "Entretanto, nos anos de 2010 e 2011, período compreendido da presente auditoria, MINAS GERAIS passou a ser a principal região fornecedora de café para a CUSTÓDIO FORZZA. Nesse período ocorreu uma mudança no perfil de fornecedores de café da CUSTÓDIO FORZZA. Isso porque as compras de café de produtores (pessoas físicas) passaram a crescer significativamente a partir de 06/2010. Em 2011, as compras de pessoas físicas representaram o dobro de pessoas jurídicas. (. . .) Esses fatos, seguramente, têm a ver com os efeitos da “OPERAÇÃO BROCA” deflagrada em 01/06/2010, no ESPÍRITO SANTO. Repetemse no período ora analisado (2010 e 2011) algumas empresas laranjas envolvidas nas operações do período analisado anteriormente (2005 a 2009), como por exemplo: HALLFA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, MARACA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA, MML DA SILVA, P.A. CRISTO, POLLOS COMÉRCIO DE CAREAIS LTDA, R. ARAÚJO – CAFECOL MERCANTIL, RADIAL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, RODRIGO SIQUEIRA, W R DA SILVA, YPIRANGA, entre outras. Entretanto, a maioria é composta de novas empresas laranjas. (. . .)" (g.n.) Do excerto do TEAF acima reproduzido, verificase que houve uma radical mudança no comportamento da Recorrente, consistente na concentração de compras de café diretamente dos produtores rurais, e, principalmente, na contratação de NOVAS atacadistas de café. Tais fatos, combinados com a falta de provas contemporâneas às datas dos registros dos créditos glosados, enfraquecem sobremaneira o lançamento de ofício. Imperioso também mencionar que, na impugnação, a Recorrente contestou o fato de as provas referiremse a períodos anteriores a 2010 e 2011, o que não foi devidamente enfrentado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ (fls. 5.251 e 5.252): "(. . .) Afirma, ainda, que o Fisco apenas trouxe provas relacionadas aos trimestres de 2009 e anteriores e, mesmo que fossem úteis para provar algo relacionado ao anos de 2010 ou 2011, tais documentos estão eivados por vício nulidade. Quanto a esta alegação, cabe destacar, novamente, que o procedimento fiscal realizado se insere no bojo da operação fiscal Tempo de Colheita, que teve sequência em outra operação, denominada BROCA, deflagrada em 01/06/10. Segundo Nota Conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal, as firmas de exportação e torrefação envolvidas na fraude investigada Fl. 55601DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.602 40 utilizavam empresas “laranjas”, que apenas vendiam notas fiscais, como intermediárias fictícias na compra de café dos produtores rurais. A prática criminosa vem ocorrendo, segundo a Nota, desde 2003 causando prejuízo de bilhões aos cofres públicos. (. . .)" Sobre a necessidade de o lançamento tributário mostrarse solidamente fundamentado em fatos e legislação aplicável, trago o art. 50 da Lei n° 9.784/99, que dispõe sobre a motivação do ato administrativo: "CAPÍTULO XII DA MOTIVAÇÃO Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (. . .) II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (. . .) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (. . .)" (g.n.) E, por fim, para robustecer ainda mais minha conclusão, sobre a correta interpretação e aplicação, em toda sua extensão, do dispositivo legal acima transcrito, trago valiosa manifestação dos i. doutrinadores Marcus Vinícius Neder e Maria Tereza Martínez Lópes (páginas 561 e 562 de "Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado" 3° Ed. São Paulo: Dialética): "II.108.4. Nulidade por falta de motivação do ato processual Motivar consiste em apresentar as razões porque a autoridade administrativa tomou determinada decisão. A motivação dos atos processuais no processo administrativo fiscal é obrigatória por expressa previsão legal. A Lei n° 9.784/99, em seu artigo 50, determina que os atos administrativos deverão ser motivados de modo, explícito, claro e congruente, e com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram (art. 50). Deste modo, não há margem para discricionariedade quando se trata de ato vinculado para o qual a lei e o regulamento estabelecem as normas e condições para realização. Nesta hipótese, à Administração se impõe o dever de motivar sua decisão para demonstrar a adequação do ato às suas exigências legais, pressupostos necessários de sua existência e validade. A motivação do ato deve observar os princípios da congruência e da presunção racional do julgador. Ou seja, a decisão deve Fl. 55602DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.603 41 harmonizarse com a fundamentação, de sorte a estabelecerse, entre elas, um liame de lógica formal do tipo premissa/consequência e, ainda, não deve refletir apenas a convicção do julgador, mas ser premissa necessária à conclusão a que se chega, apta ao convencimento de terceiros. Assim, além de a autoridade administrativa apresentar as razões de fato e de direito que a levaram para determinada conclusão, também deve demonstrar o nexo causal existente entre elas. Destarte, a omissão das razões de convencimento, o descompasso lógico entre as conclusões e as premissas (carência de motivação intrínseca) e a omissão de fato decisivo para o juízo (carência de motivação extrínseca), caracterizam falta ou vício de motivação, ambos passíveis de invalidação. (. . .)" (g.n.) Diante da escassez de elementos probatórios, porém ciente de que houve operações inverídicas no mercado de café, este relator pautou o processo e propôs à turma que o julgamento fosse convertido em diligência, para dar à fiscalização a oportunidade de compor o quadro probatório que foi construído em outros processos similares, com os documentos constantes dos autos, a saber (Resolução n° 3301000.436): "(. . .) Pelas razões acima expostas, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem estabeleça nítida e irrefutável relação entre as provas constantes dos autos e as operações realizadas pela recorrente nos anos de 2010 e 2011, cujos créditos de PIS e COFINS foram glosados. (. . .)" A diligência foi realizada e o resultado encontrase nos autos "Informação Fiscal", fls. 55.515 a 55.549. O agente fiscal trouxe diversos elementos constantes dos autos, tais como, fotos das empresas tidas como de "fachada", que demonstrariam a incompatibilidade entre o volume de café transacionado e o tamanho do estabelecimento, e depoimentos, confirmando as acusações da fiscalização, que, a seu ver, seriam suficientes para fundamentar a autuação. Reproduzo o trecho final, com a conclusão: "(. . .) Esses são os fatos. Assim, ao contrário do argumento levantado pelo e.relator para converter o julgamento em diligência, há nos autos robusto material comprobatório que explica e torna incontestável as práticas de apropriação fraudulenta de créditos de PIS/COFINS perpetradas pela CUSTÓDIO FORZZA, não só do ano de 2010, como do ano de 2011. (. . .)" A recorrente, por sua vez, apresentou manifestação sobre o relatório de diligência, do qual extraio alguns trechos: "(. . .) Fl. 55603DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.604 42 5. A Fiscalização, em sua resposta, por sua vez, continua utilizandose majoritariamente de provas colhidas nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca” e que se referem aos anos de 2005 a 2007. Traz alguns poucos documentos (notas fiscais) do início de 2010 e nenhum de 2011. Todavia, menciona alguns depoimentos que teriam sido colhidos em 2012 (a maioria deles escritos à mão). (. . .) 7. De qualquer modo, mesmo que tais depoimentos sejam considerados provas válidas, nada acrescentam ao deslinde das questões postas em discussão, já que todos eles não expressam datas específicas ou afirmam a participação da recorrente (seus representantes) em fraudes visando à geração de créditos de PIS e COFINS. (. . .) 10. Assim, não há nos autos provas que comprovem a máfé de qualquer um dos representantes da recorrente quando das compras de café e, por consequência, o ato de glosar os créditos é ato nulo. 11. Com efeito, diante da ausência de provas robustas que afastem a validade dos documentos contábeis e fiscais produzidos pela recorrente, devese ter por lícitas suas atividades. Ressaltese que há provas da boafé; todas as notas fiscais foram escrituradas, registradas e contabilizadas dentro dos padrões contábeis e as mercadorias entregues. Além disso, os pagamentos são efetuados via depósito, TED ou DOC diretamente às empresas emitentes das notas fiscais, demonstrando, assim, que agiu, com boafé objetiva, nos termos § único art. 82, da Lei 9.430/96. (. . .)" O relatório menciona algumas notas fiscais de 2010 e depoimentos que, em sua maioria, não mencionam a data das operações que são relatadas. Definitivamente, não são suficientes para conferir a necessária robustez ao auto de infração. Terseia de reunir uma expressiva amostragem de documentos de 2010 e 2011, capazes de formar o legalmente requerido conjunto probatório, tais como cópias de documentos contábeis, demonstrando uma movimentação financeira incompatível com a capacidade econômica do empreendimento e dos sócios, combinadas com depoimentos que contivessem datas em que os negócios suspeitos teriam sido realizados e fotos de locais, comprovando a impossibilidade de abrigarem tais operações. Enfim, dada a ausência de elementos comprobatórios e/ou indiciários relacionados aos anos auditados pelo Fisco, isto é, 2010 e 2011, e com fulcro nos art. 50 da Lei n° 9.784/99, voto por declarar nulo o lançamento tributário derivado das glosas de créditos de PIS e COFINS calculados sobre compras de café de pessoas jurídicas consideradas pelo Fisco como "de fachada" (item 7.1 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal/TEAF, fls. 2.458 a 2.464). "Das multas" O tópico 9 do recurso voluntário traz contestações às multas aplicadas e subdividese em três subtópicos, a saber: Fl. 55604DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.605 43 "9.1. Das multas aplicadas e do bis in idem" "9.2. Da ausência de prova de fraude, da confissão em DCTFs dos tributos devidos e da impossibilidade de impor multa de 150%" "9.3. Da Medida Provisória n° 668/15 da revogação dos §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, da aplicação da retroatividade da penalidade mais benigna (art. 106, III, "c", do CTN)" Antes de adentrarmos nos argumentos de defesa, teremos de decidir se devem ser conhecidos, uma vez que a recorrente ingressou em juízo para discutir a constitucionalidade das multas de ofício aplicadas por meio de três processos administrativos, dentre os quais o presente: multas por não pagamento das contribuições, de 75% e 150% (caso do presente processo); e multas isoladas, por indeferimento de pedidos de ressarcimento e não homologação de compensações. Temos de julgar se há ou não concomitância entre os processo judicial e o presente, o que acarretaria em não conhecimento dos argumentos. A recorrente juntou aos autos petição, informando que obtivera antecipação de tutela, em sede da Ação Ordinária n° 001595129.2015.4.01.3400 (fls. 54.794 a 54.818), proposta em 23/03/15, isto é, após a prolação da decisão da DRJ, que se deu em 04/02/15. A decisão judicial determinou a suspensão das exigibilidades das multas lançadas por meio do presente e dos processos administrativos n° 15586.000089/201117 e 10740.720010/201469, até o julgamento do mérito. Na ação judicial, apresentou os seguintes argumentos: i) "Inconstitucionalidade das multas em face dos princípios constitucionais do não confisco, da capacidade contributiva e da proporcionalidade." ii) "Necessidade de redução das multas a valores razoáveis da proporcionalidade das multas qualificadas." E concluiu, com os seguintes pedidos: "(. . .) I LIMINARMENTE, inaudita altera parte, seja proferida decisão antecipando os efeitos da tutela ao final pleiteada, para: a) determinar à União Federal, por seus agentes, que proceda a redução das multas lançadas nos Autos de Infração constantes nos processos administrativos/RFB n° 15586.000089/201117, 10740.720008/201490 e 10740.720010/201469 (doc. 04), a patamares razoáveis não superiores a 20% (vinte por cento) do imposto devido, no prazo de 30 (trinta) dias; b) alternativamente, na hipótese de indeferimento do pedido supra, que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, V do CTN) lançado, nos processos administrativos n° 15586.000089/201117, 10740.720008/201490 e 10740.720010/201469, em razão da flagrante inconstitucionalidade das multas ali cobradas; Fl. 55605DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.606 44 11 Seja citada a UNIÃO FEDERAL para responder aos termos da presente Ação; 11.1 No MÉRITO que seja proferida sentença, confirmando a decisão antecipatória dos efeitos da tutela a seu tempo deferida, para: a) dec1arar a inconstitucionalidade das multas lançadas nos Autos de Infração relacionados nos processos administrativos ns. 15586.000089/201117, 10740.720008/201490 e 10740.720010/201469, em respeito ao princípio do não confisco (150, IV da CF/88), da capacidade contributiva (art. 145, § 1° da CF/88) e da proporcionalidade e razoabilidade; b) seja, por conseguinte, determinado à União Federal que promova, dentro de 30 (trinta) dias, a redução das multas lançadas nos Autos de Infração relacionados nos processos administrativos n° 15586.000089/201117, 10740.720008/201490 e 10740.720010/201469, a patamares razoáveis, não superiores a 20% (vinte por cento) do tributo devido, tendo em vista a violação dos princípios do não confisco, da proporcionalidade, da razoabilidade e da capacidade contributiva, conforme a jurisprudência pacifica do STF. IV A produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a prova documental suplementar. v A condenação da União Federal ao pagamento de honorários advocatícios, em montante a ser atribuído por este Juízo. Dá a presente o valor de R$ 69.782.880,88 (sessenta e nove milhões, setecentos e. oitenta e dois mil, oitocentos e oitenta reais e oitenta e oito centavos), que correspondem às multas aplicadas nos Autos de Infração já mencionados. Termos em que pede e espera deferimento." Em 25/03/15, foi deferido o pedido de antecipação de tutela, nos seguintes termos: "DECISÃO A enormidade do valor cobrado R$ 83.000.895,40 bem como os fortes indícios de desproporcionalidade na constituição do alegado crédito (multas especificamente) aconselham a suspensão da sua exigibilidade. Assim, defiro o pedido de antecipação da tutela para SUSPENDER A EXIGIBILIDADE dos créditos tributários referidos nos Procedimentos Administrativos n° 15586.000089/201117,10740.720008/201490 e 10740.720010/201469, sem depósito, vedando a adoção de qualquer medida tendente à cobrança dos mesmos. Intimemse e citese a parte ré. Brasília, 25/03/2015." Em consulta ao sítio virtual do TRF da 1° Região, no dia 04/12/17, verifiquei que a União havia interposto agravo de instrumento, o qual até então não havia sido julgado. Fl. 55606DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.607 45 Não obstante, em 21/07/17, foi proferida sentença, revogando a antecipação de tutela e julgando improcedentes os pedidos formulados. A recorrente opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados, em 13/10/17 (decisão publicada em 16/10/17). Até 04/12/17, não havia no sítio virtual notícia de interposição de recurso por parte da autora (recorrente). Também não figurava que a sentença já havia transitado em julgado, não obstante a data em que fora publicada a decisão sobre os embargos. No recurso voluntário, a recorrente contesta as multas de ofício de 75% e 150% e as multas isoladas por indeferimento de pedidos de ressarcimento e também por não homologação de pedidos de compensação. Não obstante, no presente processo, há apenas cobrança das multas de 75% e 150% e que foram contestadas, com base no princípio do non bis in idem: não se pode cobrar multas de ofício de 75% ou 150% sobre as bases de cálculo em que também se aplica a multa de mora. Conforme pacificado na doutrina e em linha com o PN COSIT n° 7/14 e a Súmula CARF n° 1, regra geral, ocorre o fenômeno da concomitância, quando, entre os processo administrativo e o judicial, houver, cumulativamente, identidade entre as partes, a causa de pedir e o pedido. Não há dúvidas de que as partes são as mesmas: recorrente e Fazenda Nacional. Contudo, não vejo identidade entre as causas de pedir e o pedido. Na ação judicial, a recorrente pleiteia a redução da multas para patamar de 20%, com base em diversos princípios constitucionais. Por outro lado, no processo administrativo em exame, que apenas uma das multas poderia ser exigida, por força da vedação à imposição de duas penas sobre a mesma base de cálculo (non bis in idem). Concluo, portanto, pelo inexistência de concomitância e, por conseguinte, pelo conhecimento dos argumentos de defesa, dos quais passo a tratar. O subtópico 9.1 do recurso voluntário, titulado "Das multas aplicadas e do bis is idem", dispõe sobre a impossibilidade de o Fisco cobrar: sobre PIS e COFINS não pagos, multa de ofício de 75% ou 150% (inciso I do caput e § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96) e multa de mora de 20% (art. 61 da Lei n° 9.430/96); sobre valor do débito não compensado, igual ou próximo do não ressarcido, multa isolada pela não homologação de compensação (art. 18 da Lei n° 10.833/03) e multa isolada por indeferimento de pedido de ressarcimento (§15 do art. 74 da Lei n° 9.430/96). O subtópico 9.2 "Da ausência de prova de fraude, da confissão em DCTFs dos tributos devidos e da impossibilidade de impor multa de 150%", tem como objetivo o de desqualificar a multa de 150% apurada sobre o PIS e a COFINS não pagos, em razão dos registros dos créditos das compras das atacadistas de café, tidas como "empresas de fachada". E o subtópico 9.3, por sua vez, traz a revogação dos §§15 (multa de 50%, por pedido de ressarcimento indeferido ou indevido) e 16 (multa de 100%, por pedido de ressarcimento com falsidade) do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 55607DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.608 46 Antes de adentrar no tema, cumpre esclarecer que, no presente processo, não são cobradas multas isoladas, derivadas de pedidos de compensação ou ressarcimento. Desta forma, o conteúdo do subtópico 9.3 não tem pertinência com a contenda em exame. No tocante ao subtópico 9.1 do recurso, temos de apreciar a suposta dupla incidência de multas de mora e de ofício de 75% ou 150%. A recorrente não apresentou a situação concreta em que tal fato teria ocorrido. E, à luz da legislação em vigor, em princípio, não há hipótese de acontecer. A multa de mora incide sobre tributos já lançados, enquanto que a de ofício sobre os não declarados em DCTF. Por fim, quanto ao subtópico 9.2, apesar de pertinente, não precisa ser apreciado, uma vez que votei pelo provimento dos argumentos da recorrente que desconstruíram a tese da fiscalização sobre as "empresas de fechada" e, por conseguinte, os correspondentes lançamentos de PIS e COFINS, acrescidos de multa de ofício de 150% e juros Selic. Portanto, nego provimento aos argumentos contidos no tópico "Das multas". Demais contestações apresentadas no recurso voluntário Além dos argumentos acima enfrentados, a Recorrente apresentou os seguintes (numeração contido no recurso voluntário): "4. DAS PROVAS ILÍCITAS, NULAS OU ANULÁVEIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL N° 10740.720010/201469 (ÚNICO PROCESSO EM QUE HÁ DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS) 5. DA BOAFÉ DA RECORRENTE E DA POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO 6. DO PODER DE FISCALIZAR E LANÇAR DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL E DA IMPOSSIBILIDADE DE PUNIÇÃO DA CONTRIBUINTE PELO DESCUMPRIMENTO DE DEVER FUNCIONAL PELA FISCALIZAÇÃO FAZENDÁRIA 7.DA PUBLICAÇÃO DA LEI N° 12.995, DE 18 DE JUNHO DE 2014 (DOU DE 20.06.2014) PERMISSÃO PARA COMPENSAR SALDO DE CRÉDITO PRESUMIDO COM OUTROS TRIBUTOS. 8. DA DILIGÊNCIA E DA PERÍCIA DA NECESSIDADE DE AVALIAÇÃO TÉCNICA QUALIFICADA DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVAS 10. DO REFLEXO DA GLOSA DE CRÉDITOS SOBRE O IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE LUCRO LÍQUIDO DA NECESSIDADE DE RESTITUIÇÃO DOS VALORES PAGOS." Os itens 4 ao 6 restaram prejudicados, pois seus conteúdos estão relacionados ao "Glosa do crédito integral do PIS/COFINS sobre notas fiscais de empresas de fachada, inseridas como intermediárias fictícias entre o produtor rural/ maquinista e a Custódio Forzza Fl. 55608DF CARF MF Processo nº 10740.720008/201490 Acórdão n.º 3301004.629 S3C3T1 Fl. 55.609 47 e cerealistas dissimuladas de comercial atacadista" (item 7.1 do TEAF), cujo provimento é proposto por este relator. Quanto aos itens 7 e 10, seus conteúdos não se aplicam ao caso em tela, que não trata de compensações ou de CSL e IRPJ. No tocante ao item 8, não vejo razão para a realização de diligências ou perícias, pois entendo que os autos são suficientes para a formação do juízo deste colegiado. Com base no acima exposto, nego provimento aos argumentos contidos nos citados tópicos do recurso voluntário. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, revertendo a glosa dos créditos integrais do PIS/COFINS, calculados sobre compras de empresas que haviam sido indevidamente consideradas como "de fachada" pela fiscalização. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 55609DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723770/2012-29
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
INFRAÇÃO DE NATUREZA CONTINUADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT do exercício de 2010 sujeita-se à aplicação dos valores previstos no artigo art. 57, I, da MP n. 2.158-35/2001 incidentes sobre cada mês-calendário de atraso. Descabe falar-se em infração de natureza continuada por inexistência de previsão legal nesse sentido.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA VEDADA À APRECIAÇÃO DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar a respeito de alegações de inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do que dispõe a Súmula CARF n° 02.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A teor da Súmula CARF n. 49, a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.
FCONT. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A multa por descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT tem natureza objetiva e independe da intenção do contribuinte ou de eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
FCONT. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
É devida a multa pelo atraso na entrega do FCONT do exercício de 2010, mesmo no caso de não existir na escrituração da pessoa jurídica qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009.
Numero da decisão: 1002-000.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: 05751001842 - CPF não encontrado.
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 INFRAÇÃO DE NATUREZA CONTINUADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT do exercício de 2010 sujeita-se à aplicação dos valores previstos no artigo art. 57, I, da MP n. 2.158-35/2001 incidentes sobre cada mês-calendário de atraso. Descabe falar-se em infração de natureza continuada por inexistência de previsão legal nesse sentido. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA VEDADA À APRECIAÇÃO DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar a respeito de alegações de inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do que dispõe a Súmula CARF n° 02. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A teor da Súmula CARF n. 49, a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. FCONT. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A multa por descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT tem natureza objetiva e independe da intenção do contribuinte ou de eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. FCONT. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. É devida a multa pelo atraso na entrega do FCONT do exercício de 2010, mesmo no caso de não existir na escrituração da pessoa jurídica qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13603.723770/2012-29
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5873638
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.242
nome_arquivo_s : Decisao_13603723770201229.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : 05751001842 - CPF não encontrado.
nome_arquivo_pdf_s : 13603723770201229_5873638.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7346852
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050313014902784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.723770/201229 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.242 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 07 de junho de 2018 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL Recorrente GLOBOFERROS COMÉRCIO DE FERROS E AÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 INFRAÇÃO DE NATUREZA CONTINUADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT do exercício de 2010 sujeitase à aplicação dos valores previstos no artigo art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001 incidentes sobre cada mêscalendário de atraso. Descabe falarse em infração de natureza continuada por inexistência de previsão legal nesse sentido. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA VEDADA À APRECIAÇÃO DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar a respeito de alegações de inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do que dispõe a Súmula CARF n° 02. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A teor da Súmula CARF n. 49, a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. FCONT. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 37 70 /2 01 2- 29 Fl. 60DF CARF MF 2 A multa por descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT tem natureza objetiva e independe da intenção do contribuinte ou de eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. FCONT. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. É devida a multa pelo atraso na entrega do FCONT do exercício de 2010, mesmo no caso de não existir na escrituração da pessoa jurídica qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem retratar os fatos até este momento processual, adoto o relatório produzido pela DRJ/BHB: "A sociedade acima qualificada recebeu a notificação de lançamento de fl. 24, que lhe exige o pagamento multa no valor de R$ 55.000,00 (cinquenta e cinco mil reais), como segue: 2 DADOS DA DECLARAÇÃO Exercício Prazo Final Entrega Data/Entrega N° de meses em atraso 2010 30/11/2011 30/10/2012 11 3 DEMONSTRATIVO DO CREDITO TRIBUTÁRIO Multa por atraso na entrega da escrituração Código 1512 Apuração de Crédito Tributário Valores em Reais R$ 5.000,00 X Número de meses ou fração em atraso 55.000,00 Valor da Multa por atraso na entrega da escrituração 55.000,00 4 DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 3 3 Descrição dos fatos: A entrega dos dados para o Controle Fiscal de Transição (FCONT) fora do prazo enseja a aplicação da multa de R$ 5.000,00 por mêscalendário ou fração de atraso. Enquadramento Legal: Arts. 16 da Lei n° 9.779/99:57, inciso I, da medida Provisória 215835/01; art 2° da Instrução Normativa RFB 967/09 Ciente em 30 de outubro de 2012 (fl. 18), a interessada apresentou, em 14 de novembro de 2012, a impugnação de fls. 1 a 16, alegando, em resumo, o que segue. [...] 2 FINALIDADE DO FCONT O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis vigentes em 31/12/2007. [...] No presente caso, o FCONT foi entregue sem movimentação, ou seja, não há ajustes a serem efetuados. Como a notificada já entregou a FCONTE, a sua finalidade foi cumprida, não pode ser apenado com multa. [... ] 3 NOVA LEGISLAÇÃO EXCLUINDO TODAS AS PENALIDADES PELA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Houve uma alteração radical no instituto da denúncia espontânea através da Medida Provisória 497, de 27/07/2010, convertida na Lei n. 12.350 de 20/12/2010. Foi introduzido no mundo jurídico, o seguinte verbete: Art. 40. Os arts. 1°, 23, 25, 50, 60, 75 e 102 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 102 § 2 ° A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.' A partir dessas modificações o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades seja de natureza principal, acessória ou administrativa. Seguemse excertos da exposição de motivos da mencionada Medida Provisória e menção ao artigo 472 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 2009, associando a denúncia espontânea à delação premiada. Fl. 62DF CARF MF 4 A seguir, aduz: 5 INFRAÇÃO CONTINUADA Conforme podese comprovar pela Notificação anexa, houve aplicação de 11 (onze) multas, para infrações da mesma origem e natureza, praticadas nas mesmas condições, apuradas em uma única apuração fiscal. Entretanto, devese aplicar uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada. Esse é o entendimento da própria Fazenda Nacional, ao assim expressar no Regulamento do IPI art. 565 do Decreto n. 7.212, de 15 de junho de 2010 [...]. [... ] Assim, requer a aplicação de uma única sanção. 6 BIS IN IDEM DA INFRAÇÃO CONTINUADA Conforme já relatado, a Autuada deixou de apresentar uma FCONT do anocalendário de 2010. A Receita Federal aplicou 11 (onze) multas de R$5.000,00 perfazendo o montante de R$55.000,00 Porém, a multa a ser aplicada em face da ausência da declaração deve incidir apenas uma vez em face do descumprimento pertinente àquele mês e não reiteradas vezes a cada mês como pretende o fisco, sob pena de legitimarse um bis in idem, que, como é cediço, deve ser abominado por razões óbvias de proporcionalidade e razoabilidade. [...] Sustenta que a penalidade em tela feriria 'os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco'. Menciona a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI 551/RJ e escreve: As decisões do STF, em Ação Direta de Inconstitucionalidade ou Constitucionalidade, PRODUZEM EFICÁCIA CONTRA TODOS E EFEITO VINCULANTE, por força do disposto no parágrafo único do art. 28 da Lei n.° 9.868, de 10/11/1999, bem como parágrafo 2° do art. 102 da Constituição/1988. [... ] Menciona o Código Civil, o artigo 52, § 1°, da Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990 e acrescenta: O Supremo Tribunal Federal, já sepultou o tema, no RE n° 98393/RJ, relator Ministro Décio Miranda, publicado DJ de 17/08/84, pg. 12911, Ement Vol 134503 pg. 418, julgado em 28/06/84 Segunda Turma, ao assim se expressar: 'Tributário. Multa moratória cobrada a razão de 100% do valor do débito, e Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 4 5 acompanhada de outras cominações, além da correção monetária, mostrase excessiva e é fixada em 30% '. Prosseguindo, volta à ADI 551/RJ e escreve: O STF, já assentou em Ação Direta de Inconstitucionalidade, que: '... embora haja dificuldade para se fixar o que se entende como multa abusiva, constatamos que as multas são acessórias e não podem, como tal, ultrapassar o valor do principal'(Excerto do voto proferido pelo eminente Ministro Marco Aurélio na ADI 551/RJ, julgado em 24/10/2002 Tribunal Pleno, DJ de 14/02/2003, pg. 58, Ement. Vol. 0209801 PP00039). Menciona os artigos 92 e 412 do Código Civil e 110 do CTN Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, entendendo que o valor da multa não pode ultrapassar o do principal e concluir: Como a multa ultrapassa o principal, ela deve ser reduzida. Como não há principal,também não haverá multa. Finda pedindo: Isto posto, diante das relevantes razões fáticas e legais, que não podem ser elididas ou tolhidas, sob pena ocorrer cerceamento de defesa e negativa ao princípio do contraditório pleno assegurado pela constituição, (inciso LV art. 5°), a autuada requer: 1. Cancelamento das exigências contidas no Auto de Infração, conforme já demonstrado. 2. Se assim não entender, o que achamos improvável, requer sejam feitas as devidas reduções, no montante a ser apurado, levandose em conta todos os excessos mencionados, inclusive: infração continuada, bis in idem da multa, multa confiscatória; [...]" A 4a Turma da DRJ/BHB julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada e manteve parte do crédito tributário discutido nos autos, por meio do acórdão nº 0246.227, de 12 de julho de 2013 (efls 26), cuja ementa foi exarada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 FCONT O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos por lei, sujeitase à multa de R$ 1.500,00 por mêscalendário ou fração de atraso. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Fl. 64DF CARF MF 6 Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE ADI que verse sobre tributos estaduais não vincula a administração tributária federal. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário (efls. 39), do qual foram extraídos abaixo, na ordem e sob a denominação originalmente apresentada, os principais tópicos e argumentos que, entendese, são pertinentes à solução da presente lide. I DO EMBASAMENTO LEGAL DA MULTA Neste tópico de seu Recurso Voluntário, o Recorrente alega que "No FCONT são efetuados os ajustes da escrituração comercial, que não devam ser considerados para fins de apuração do resultado com base na legislação vigente em 31.12.2007. Ou seja, os lançamentos que existem na escrituração comercial, mas que devem ser expurgados para remover os reflexos das alterações introduzidas pela Lei n° 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 da Lei n° 11.941, de 2009, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil, para apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976." Afirma que no presente caso não pode ser apenada com multa porque a FCONT foi entregue sem movimentação e que não há ajustes a serem efetuados. Aduz que "se o contribuinte inadimple obrigação acessória, da qual não gera qualquer lesão patrimonial à Fazenda, e a omissão, por outro lado, não se reveste de má fé ou dolo que venham a beneficiar um terceiro em detrimento da Fazenda Pública, a infração meramente regulamentar não pode ser apenada com multa elevadíssima, sob pena de se equipar a dolo e máfé e os delitos daí surgidos". II DA APLICABILIDADE DA NOVA LEGISLAÇÃO EXCLUINDO TODAS AS PENALIDADES PELA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Sobre este tópico o Recorrente entende que houve equívoco no acórdão de impugnação "quanto a alegação da inaplicabilidade da alteração ocorrida no instituto da denúncia espontânea através da Medida Provisória 497, de 27/07/2010, convertida na Lei n° 12.350 de 20/12/2010." Diz que houve uma alteração radical no instituto da Denúncia Espontânea através da MP n° 497/2010, convertida na lei nº 12.350/2010 porquanto "foi introduzido no mundo jurídico, o seguinte verbete: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 5 7 Art. 40. Os arts. 1°, 23, 25, 50, 60, 75 e 102 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 102................... § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento'." Em apoio ao seu argumento, acrescenta, que a "A exposição de motivos da Medida Provisória 497, de 27/07/2010 é esclarecedora: 'EMI n° 1 1 1 /MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT, de 23 de julho de 2010. (...) 40. A proposta de alteração do § 2° do art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. (...) 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao não pagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' Afirma, ainda, que "A própria Receita Federal, já tinha regulamentado o assunto, ao dispor que não cabe multa no caso de denúncia espontânea, conforme está previsto na Instrução Normativa RFB n. 971, de 13 de novembro de 2009, nos seguintes termos: 'Art. 472. Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Parágrafo único. Considerase denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator que regularize a situação que tenha configurado a infração, antes do início de qualquer ação fiscal relacionada com a infração, dispensada a comunicação da correção da falta à RFB'." Fl. 66DF CARF MF 8 III BIS IN IDEM DA INFRAÇÃO CONTINUADA Acerca deste tema o Recorrente registra que "houve a indevida aplicação de 11 (onze) multas para infrações da mesma origem e natureza, praticadas nas mesmas condições, apuradas em uma única apuração fiscal" e que "Neste sentido, deve ser aplicada no caso em tela uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada." Aduz que "esse é o entendimento da própria Fazenda Nacional, ao assim expressar no Regulamento do IPI art. 565 do Decreto n. 7.212, de 15 de junho de 2010: Art. 565. As infrações continuadas, punidas de conformidade com o art. 597, estão sujeitas a uma pena única, com o aumento de dez por cento para cada repetição da falta, não podendo o valor total exceder o dobro da pena básica (Lei n° 4.502, de 1964, art. 74, caput e §1° Decretolei n° 34, de 1966, art. 2o, alteração 20a). § 1o Se tiverem sido lavrados mais de um auto ou notificação de lançamento, serão eles reunidos em um só processo, para imposição da pena (Lei n° 4.502, de 1964, art. 74, $ 3o). § 2o Não se considera infração continuada a repetição de falta já arrolada em processo fiscal de cuja instauração o infrator tenha sido intimado (Lei n° 4.502, de 1964, art. 74, § 4o)." O Recorrente conclui afirmando que "a multa a ser aplicada em face da ausência da declaração deve incidir apenas uma vez em face do descumprimento pertinente àquele mês e não reiteradas vezes a cada mês como pretende o fisco, sob pena de legitimarse um bis in idem, que, como é cediço, deve ser abominado por razões óbvias de proporcionalidade e razoabilidade", citando jurisprudência que, no seu entendimento, corrobora com sua tese. IV MULTA PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Quanto a este tema, o Recorrente afirma que "apesar de atendido o princípio da legalizada a fixação do valor da multa fere os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco." Aduz que "a multa fiscal ou tributária não pode ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado. Isso configura desvio de finalidade". Conclui que "não merece prosperar a alegação do r. relator de que a ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, não podem ser analisados em sede de contencioso administrativo." Em abono a sua tese, cita doutrina, jurisprudência e artigos dos códigos civil e de defesa do consumidor brasileiros. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 6 9 V MULTA O ACESSÓRIO SEGUE O PRINCIPAL Sobre este tópico o Recorrente registra que "Na decisão ora recorrida, alega o r. relator que o acessório não segue o principal", mas que "há uma regra milenar que diz que o acessório segue o principal. Logo, a alegação supracitada não merece prosperar." Em apoio a esse argumento aduz que "Nosso Código Civil, estabelece: 'Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal.' 'Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal'." Conclui afirmando que "É sabido e surrado que 'A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias' (art. 110 do CTN)." É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso, obedecendo a mesma ordem temática apresentada pelo Recorrente. I DO EMBASAMENTO LEGAL DA MULTA Neste tópico, o Recorrente afirma que não pode ser apenado com multa porque o FCONT foi entregue sem movimentação e que não há ajustes a serem efetuados, eis que a finalidade do FCONT é expurgar da escrituração comercial determinados lançamentos para o fim de remover os reflexos das alterações introduzidas pela lei n° 11.638/2007 e pelos artigos 37 e 38 da lei n° 11.941/2009, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil para apuração do lucro liquido do exercício. Analisandose a legislação de regência, constato que os critérios de obrigatoriedade de entrega do FCONT estão previstos no artigo 8º da IN RFB nº 949/2009: Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. Fl. 68DF CARF MF 10 § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. A IN RFB nº 1.139/2011 alterou o parágrafo 4º do artigo 8º da IN RFB n° 949/2009, estabelecendo a obrigatoriedade de entrega do FCONT mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Confirase: Art. 8º (...) § 1º (...) (...) § 4º A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º. (grifos nossos) Da leitura dos dispositivos acima e a teor do que dispõe o inciso I do artigo 103 do CTN1, combinado com o inciso I do artigo 100 do mesmo código2, depreendese que, a 1 Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor: I os atos administrativos a que se refere o inciso I do artigo 100, na data da sua publicação; II as decisões a que se refere o inciso II do artigo 100, quanto a seus efeitos normativos, 30 (trinta) dias após a data da sua publicação; III os convênios a que se refere o inciso IV do artigo 100, na data neles prevista. 2 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 7 11 partir de 29/03/2011, data da publicação da IN RFB nº 1.139/2011 de 2011 no DOU, a elaboração do FCONT tornouse obrigatória mesmo aos contribuintes que não tinham lançamento com base em métodos e critérios diferentes dos prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31/12/2007. Tendo em conta que a IN RFB nº 1.139/2011 entrou em vigor em 29/03/2011 e que o prazo para entrega da FCONT que gerou o lançamento da multa questionada expirou em 30/11/2011(efls. 24), por óbvio, podese afirmar que o Recorrente estava obrigado ao cumprimento dessa obrigação tributária acessória ainda que não fossem necessários os ajustes de que trata o parágrafo 4º do artigo 8º da IN RFB n° 949/2009. Esse entendimento decorre da inteligência do princípio tempus regit actum, pelo que compreendese que a validade imediata da alteração normativa após a data de sua publicação alcança também o períodobase objeto da autuação com vencimento em 30/11/2011. Ainda que assim não fosse, a entrega espontânea do FCONT do exercício de 2010 pelo Recorrente leva à presunção de que estava obrigado ao cumprimento dessa obrigação tributária acessória por existência de lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Nessa perspectiva, se o Recorrente vislumbra infirmar o lançamento e elidir a cobrança da multa fiscal por entender que estava desobrigado da entrega do FCONT no exercício de 2010, caberia provar que não existiu na escrituração contábil/fiscal correspondente qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles aplicáveis para fins tributários, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31/12/2007, juntando aos autos os documentos comprobatórios pertinentes, tais como Balanço patrimonial acompanhado da Demonstração do Resultado do Exercício DRE, cópia da DIPJ ou declaração de escrituração contábil digital SPED/ECD do períodobase da autuação, donde se pudesse inferir, de forma inequívoca, a desnecessidade de elaboração do FCONT de acordo com a legislação de regência. Considerando todo o exposto e ante a ausência de comprovação nos autos da inexistência de ajustes do FCONT na forma preconizada pela legislação de regência, entendo que não há motivos de fato e de direito que justifiquem a dispensa de elaboração do FCONT do períodobase da autuação e o cancelamento da multa respectiva. II DA APLICABILIDADE DA NOVA LEGISLAÇÃO EXCLUINDO TODAS AS PENALIDADES PELA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Com relação ao tema, o Recorrente afirma que a MP n° 497/2010, convertida na lei nº 12.350/2010, trouxe alteração radical no instituto da Denúncia espontânea, ao alterar o artigo 102 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e que a própria RFB "regulamentou" o assunto no artigo 472 da IN RFB n° 971/2009. O DecretoLei nº 37/1966 e a IN RFB n° 971/2009 tratam, respectivamente, de imposto de importação e de normas gerais de tributação previdenciária, não guardando nexo Fl. 70DF CARF MF 12 com a presente autuação, que referese à multa por descumprimento de obrigação tributária acessória autônoma. Portanto, a previsão de aplicação do instituto da Denúncia Espontânea previsto naqueles diplomas normativos restringemse aos tributos neles previstos, não sendo permitido ao intérprete conferir interpretação ultra legem àqueles dispositivos para o efeito de ampliar seu alcance e afastar exações tributárias de natureza diversa. Dentro dessa perspectiva, entendo que a questão da Denúncia espontânea foi fundamentadamente afastada pela decisão de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos, desde já, como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF: " (...) A seguir, ela afirma que a Medida Provisória (MP) 497, de 2010, haveria trazido uma “alteração radical” ao “instituto da denúncia espontânea”. Quanto a isto, cabe, inicialmente, recordar que esta MP alterou artigos do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, que se aplica à tributação do comércio exterior e, mais particularmente, ao imposto de importação. Por conseguinte, tratase de seara alheia à matéria ora enfocada. Porém, o cerne da questão encontrase no fato de que a denúncia espontânea em matéria tributária foi assim delineada pelo CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional pelo Ato Complementar nº 36, de 13 de março de 1967: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Isto posto, salta aos olhos que, no caso vertente, inexistem quer a denúncia, quer a espontaneidade. A infração foi cometida pelo atraso na transmissão do FCONT, nos moldes do artigo 2º da IN RFB nº 967, de 2009, e, por óbvio, não se pode considerar que cometer uma infração seja o mesmo que noticiála ao Fisco federal. E, além disso, a exigência da multa foi realizada imediata e automaticamente, fazendo parte da própria recepção do mencionado Formulário pelos sistemas eletrônicos de processamento de dados da RFB – Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, o procedimento administrativo de cobrança já teve início, afastando completamente a hipótese da aplicação ao caso vertente do instituto da denúncia espontânea. (...)" Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 8 13 Não há reparos a fazer na decisão recorrida quanto aos fundamentos legais apresentados que legitimam a cobrança da multa em questão, reforçandose que a matéria discutida nos autos já foi objeto da Súmula nº 49 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aduzo que a jurisprudência do STJ também é assente no sentido de que a denúncia espontânea não alberga o descumprimento de obrigação tributária acessória autônoma. Nesse sentido, confirase trecho do voto do o Exmo. Sr. Min. João Otávio de Noronha, relator do Voto condutor no Rec. Esp. n° 91.579 RJ (DJ 22/11/2004): O apelo merece prosperar, uma vez que a tese defendida no recurso especial encontra amparo na jurisprudência desta Corte sobre o tema. Com efeito, é pacífico o entendimento deste STJ no sentido da legalidade da exigência da multa moratória em virtude de atraso na entrega da Declaração de Contribuições de Tributos Federais (DCTF), visto que o instituto da denúncia espontânea, consagrado no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alberga a prática de ato puramente formal, mas relacionase exclusivamente à natureza tributária de determinada exação, tendo vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquela vinculadas. Ocorre que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF é responsabilidade acessória autônoma, sendo norma de conduta do contribuinte, necessária ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, não se confundindo com o nãopagamento do tributo nem com as multas decorrentes de tal procedimento, uma vez que não tem relação alguma com o fato gerador do tributo, não estando, por conseguinte, alcançada pelo art. 138 do CTN. Desse modo, este STJ tem entendido que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa aplicada para punir infração de norma de conduta do contribuinte, em razão de atraso na entrega da DCTF, porquanto essa penalidade não está vinculada ao fato gerador da exação tributária. Nesse sentido, confiramse os seguintes precedentes desta Corte: «TRIBUTÁRIO. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. É assente no STJ que a entidade 'denúncia espontânea' não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. As responsabilidades acessórias autônomas, Fl. 72DF CARF MF 14 sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 2. É cabível a aplicação de multa pelo atraso ou falta de apresentação da DCTF, uma vez que se trata de obrigação acessória autônoma, sem qualquer laço com os efeitos de possível fato gerador de tributo, exercendo a Administração Pública, nesses casos, o poder de polícia que lhe é atribuído. 3. A entrega da DCTF fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso 4. Agravo regimental desprovido» (Primeira Turma, AgRg no Ag n. 490.441/PR, relator Ministro Luiz Fux, DJ de 21/6/2004). «TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. PRECEDENTES. 1. Não cuidando o caso de homologação tácita, não há se falar na ocorrência da decadência (art. 150, § 4º, do CTN). O prazo prescricional incide conforme o disposto no art. 174, do CTN, id est, no qüinqüênio posterior à constituição do crédito tributário, o qual, na presente demanda, iniciase a partir do momento da efetivação da declaração por meio da entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. 2. A entidade 'denúncia espontânea' não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. 3. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 4. Recurso não provido» (Primeira Turma, REsp n. 572.424/PR, relator Ministro José Delgado, DJ de 15/3/2004). «TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO DE RENDA. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. EXIGIBILIDADE. CONDENAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 512 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 211 DO STJ. I A entrega da declaração do Imposto de Renda fora do prazo previsto na lei constitui infração formal, não podendo ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código de Processo Civil. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 9 15 II Ademais, 'a par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei n° 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um' (REsp 243.241/RS, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 21/08/2000). III A ausência de prequestionamento da matéria versada no recurso especial, embora opostos embargos declaratórios, impede a admissibilidade daquele, quanto a alegada ofensa ao art. 512 do CPC, a teor da Súmula 211 do STJ. IV Agravo regimental improvido» (Primeira Turma, AgRg no Ag n. 502.772/MG, relator Ministro Francisco Falcão, DJ de 22/3/2004). «TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE RENDA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O atraso na declaração de rendas constitui infração de natureza formal e não está alcançada como conseqüência da denúncia espontânea inserta no art. 138, do Código Tributário Nacional. Precedentes. 2. Recurso especial provido» (Segunda Turma, REsp n. 363.451/PR, relator Ministro Castro Meira, DJ de 15/12/2003). Pelo exposto, concluo não assistir razão ao Recorrente quanto ao tema recorrido. III BIS IN IDEM DA INFRAÇÃO CONTINUADA Acerca deste tema o Recorrente registra que "houve a indevida aplicação de 11 (onze) multas para infrações da mesma origem e natureza, praticadas nas mesmas condições, apuradas em uma única apuração fiscal" e que "Neste sentido, deve ser aplicada no caso em tela uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada." Para enfrentar a controvérsia, trago a baila os dispositivos legais e normativos que consubstanciaram a presente autuação: Lei n. 9.779/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória n. 2.15835/2001 Fl. 74DF CARF MF 16 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF n. 967/2009 Art. 2º O prazo de entrega dos dados a que se refere o art. 1º será o mesmo prazo fixado para apresentação da DIPJ, mediante a utilização de aplicativo de que trata o art. 1º, a ser disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >. § 1º (...) § 4º Excepcionalmente para dados relativos ao ano calendário de 2010, o prazo a que se refere o caput será encerrado às 23h59min59s (vinte e três horas, cinquenta e nove minutos e cinquenta e nove segundos), horário de Brasília, do dia 30 de novembro de 2011. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1164, de 13 de junho de 2011) Observase que o art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001 estabeleceu a multa por descumprimento de obrigações acessórias em R$ 5.000,00 por mêscalendário e que o § 4º da Instrução Normativa/SRF n. 967/2009, com redação dada pela IN RFB n° 1.164/2011, fixou a data de 30/11/2011 para entrega da FCONT do exercício de 2010. Tendo em conta a literalidade dos dispositivos citados e o fato de que o contribuinte entregou o FCONT em 30/10/2012 (efls. 24) não resta dúvida de que o atraso no cumprimento da obrigação tributária acessória perfez um total de 11 meses. Sendo assim, correta a autuação da multa no valor de R$ 55.000,00 constante da notificação de lançamento original de efls. 24, o qual foi devidamente reduzido para R$ 16.500,00 no acórdão de impugnação, ante a constatação de ocorrência do princípio da retroatividade benigna insculpido no artigo 106 do CTN. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 10 17 Não prospera, portanto, o argumento levantado pelo Recorrente respeitante à redução da multa por infração continuada, mesmo porque este conceito originário do direito penal só tem aplicação no direito tributário quando existente previsão legal nesse sentido, o que não é o caso da presente autuação. IV MULTA PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Sobre a questão em epígrafe, observo que a decisão de 1a instância que deixou de examinar as argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade apresentados pelo Recorrente não merece qualquer reparo, eis que está em consonância com a jurisprudência deste CARF, consubstanciada na súmula nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, é vedado ao CARF pronunciarse sobre questões de ilegalidade ou constitucionalidade de leis tributárias, razão pela qual nego provimento à questão levantada pelo Recorrente. V MULTA O ACESSÓRIO SEGUE O PRINCIPAL Por fim, também não prospera o argumento do Recorrente de que a multa pelo atraso na entrega do FCONT seria acessória de uma obrigação principal inexistente e que, por isso, seria igualmente inexistente. Isso porque, como visto nos tópicos I e II deste Voto, a multa pelo descumprimento da indigitada obrigação tributária acessória é autônoma e prevista em lei. Além disso, possui natureza objetiva, o que significa dizer que o caráter punitivo da reprimenda quedase alheia às circunstâncias materiais referidas pelo Recorrente ou à caracterização de dolo na prática da infração, eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por todo o exposto, considero hígido o lançamento da multa guerreada, razão pela qual, VOTO por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 76DF CARF MF 18 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.002055/2001-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: INIPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES.
Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições do PIS e da Cofins.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS.
Incluem-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.858-7/1999 e AD SRF n" 88/99.
CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4ºdo art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de benefício fiscal.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-000.063
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda
seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para incluir na apuração do crédito presumido as aquisições de insumos efetuadas junto a cooperativas. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso,
Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López que proviam o recurso em maior extensão, para incluir na apuração do crédito presumido as aquisições de insumos de pessoa física e a correção pela taxa SELIC.
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200905
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : INIPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições do PIS e da Cofins. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluem-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.858-7/1999 e AD SRF n" 88/99. CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4ºdo art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de benefício fiscal. Recurso provido em parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13811.002055/2001-41
conteudo_id_s : 5903824
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2101-000.063
nome_arquivo_s : 210100063_141011_13811002055200141_008.PDF
nome_relator_s : Maria Cristina Roza da Costa
nome_arquivo_pdf_s : 13811002055200141_5903824.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para incluir na apuração do crédito presumido as aquisições de insumos efetuadas junto a cooperativas. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López que proviam o recurso em maior extensão, para incluir na apuração do crédito presumido as aquisições de insumos de pessoa física e a correção pela taxa SELIC.
dt_sessao_tdt : Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
id : 7423327
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866480578560
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-03T12:28:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-03T12:28:26Z; Last-Modified: 2009-09-03T12:28:26Z; dcterms:modified: 2009-09-03T12:28:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-03T12:28:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-03T12:28:26Z; meta:save-date: 2009-09-03T12:28:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-03T12:28:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-03T12:28:26Z; created: 2009-09-03T12:28:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-09-03T12:28:26Z; pdf:charsPerPage: 1721; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-03T12:28:26Z | Conteúdo => S2-CIT1 • Fl. 320 • t MINISTÉRIO DA FAZENDA kr: ri."' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13811.002055/2001-41 Recurso n° 141.011 Voluntário Acórdão n° 2101-00.063 — 1' Câmara! 1' Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2009 Matéria IPI CREDITO PRESUMIDO Recorrente GRANOL INDÚSTRIA, COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A Recorrida DRJ em Ribeirão Preto ASSUNTO: INIPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 1P1. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições do PIS e da Cofins. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluem-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.858-7/1999 e AD SRF n" 88/99. CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4" do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de benefício fiscal. Recurso provido em parte. V)Ri Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1' câmara / 1' turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para incluir na apuração do crédito presumido as aquisições de insumos efetuadas junto a cooperativas. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López que proviam o recurso em maior CAZ Processo if 13811.002055/2001-41 S2-C1T1- Ateórclào o.° 2101-00.063 Fl. 321 extensão, para incluir na apuração do crédito presumido as aquisições de insumos de pessoa física e a corr- 7 . •ela taxa SELIC. ----N aar 4.1 • P e - O MARCOS CÂNDID IP P esidente . p..- , 4eARIA- CRISTINA IROZ& Cliklatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, António Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2" Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto, SP. Por bem relatar os fatos e por economia processual reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados apv no valor de R$ [], referente ao 2" trimestre de 2000, com fundamentação na Lei n°9.363/96. [excluído] No despacho decisório de fls. 226/231, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SP), deferiu parcialmente o pedido no valor de R$ [V, sendo glosada a parcela restante do beneficio fiscal correspondente à exclusão da respectiva base de cálculo de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, não- contribuintes de PIS e COFINS, e indeferido o pedido de atualização monetária pela taxa SEL1C, posteriormente Yradicionado a este processo. As compensações, convertidas em Declarações de Compensação, com o advento da Lei n° 10.637, de 2002, art. 49, que alterara a redação da Lei n" 9.430. de 1996, art. 74, foram homologadas até o limite do valor deferido relativamente ao pleito de ressarcimento. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 244/268, alegando, em resumo, o seguinte: (11'- 2 Processo n° 13811.002055/2001-41 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.063 Fl. 322 I. Conforme a exposição de motivos relativa à Medida Provisória n" 948, de 23 de março de 1995, o objetivo do beneficio fiscal é atenuar a incidência em cascata da carga tributária sobre todas as etapas do processo produtivo, e assim, presume-se a incidência de PIS e Cofins nas etapas anteriores, dispensada a prova quanto ao pagamento nessas etapas, e inclusive sobre produtos nacionais exportados; 2. Foi excluída da base de cálculo do incentivo, pela decisão recorrida, parcela referente aos insetmos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas com fundamento exclusivamente nas Instruções Normativos n°23 e 103, de 1997, sendo que, pela Lei n" 9.363, de 1996, não há necessidade de incidência das contribuições já referidas imediata e diretamente sobre as aquisições realizadas pelo produtor exportador, e não há menção a nenhuma exclusão de tais aquisições, consoante, inclusive, julgados do Conselhos de Contribuintes; 3. O ressarcimento, que se assemelha à restituição de indébito, também segundo entendimento do Conselho de Contribuintes, deve ser acrescido de juros SELIC, como meio de evitar um verdadeiro esvaziamento do beneficio, ou seja, um confisco disfarçado, ou, o enriquecimento sem causa da Fazenda; Por fim, a manifestante pede que seja reconhecido o direito ao ressarcimento no montante pleiteado, com o acréscimo de juros SELIC." Apreciando as razões da inconformidade do contribuinte, a Turma Julgadora proferiu decisão, conforme ementa a seguir reproduzida: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - 1P1 Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FISICAS E DE COOPERATIVAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, não-contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic, por ausência de autorização legal Solicitação Indeferida." C"--- 3 Processo n° 13811.002055/200141 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.063 Fl. 323 Cientificada da decisão em 25/04/2007 a empresa apresentou em 18/05/2007 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes com as mesmas razões de dissentir postas na manifestação de inconformidade, referente à glosa das aquisições de pessoas fisicas e cooperativas, bem como a atualização monetária do valor a ressarcir com juros de mora com base na taxa selic. É o relatório. Voto Conselheiro MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições necessárias à sua admissibilidade e conhecimento. Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, apurado sobre as aquisições efetuadas de pessoas fisicas e cooperativas. O período de aquisição está compreendido entre janeiro e março de 1991. Em relação a essas matérias a Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu diferentemente no que diz respeito às aquisições efetuadas de cooperativas. De fato, dos fundamentos do Recurso Especial à CSRF n° 203-131.359 constam as duas matérias solucionadas nos seguintes termos, que adoto: "Relativamente à possibilidade de incluir-se ou não, na base de cálculo do crédito presumido, os valores correspondentes às aquisições de insumos efetuadas perante pessoas que não são contribuintes do Pis/Pasep/Cofins, assim dispõe a Lei n= 9.363/96: Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Páç".. Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Art. 30 Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de (f2- 4 Processo n° 138 I 1.002055/2001-41 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.063 Fl. 324 embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a ineidéncia das contribuições referidas no art. I o. tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. (grifei) Ao utilizar-se no art. 12 da expressão "..incidentes sobre as respectivas aquisições"..., o legislador estabeleceu que o cálculo do beneficio só poderia levar em conta insumos que sofreram a incidência das contribuições ao PIS e à Cofins na etapa anterior. Isto é confirmado pela expressão "...referidos no artigo anterior...", presente no are. 22. Ou seja, somente integram a base de cálculo do crédito presumido os insurnos aplicados em produtos exportados que, ao ingressarem no estabelecimento produtor, sofreram a incidência das contribuições na operação que deu origem à entrada. Colocando a pá de cal sobre qualquer dúvida a respeito, a parte final do art. 32 da lei estabelece, com todas as letras, que para os efeitos de cálculo do crédito presumido (..para os efeitos desta Lei..), a apuração será feita considerando as normas que regem as contribuições que estão sendo ressarcidas, "...tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor...". Dessa forma, para que haja o ressarcimento é necessário que os insumos tenham sofrido a incidência das contribuições em etapas anteriores da cadeia produtiva. Para que isso ocorra é necessário que os fornecedores dos insumos empregados na industrialização dos produtos exportados sejam contribuintes do PIS e da Cofins. O argumento de que a lei estabeleceu uma alíquota média presumida correspondente a duas operações não tem o menor fundamento jurídico. O que se presume não é a incidência das contribuições em operações anteriores e nem que tal incidência ocorreu num número "x" de operações, unia vez que a alíquota está fixada na lei e os três artigos citados deixaram claro que o ressarcimento se refere às duas operações imediatamente anteriores. O que se presume não é a incidência anterior do PIS/Pasep/Cofins, mas sim que o valor final do incentivo é um crédito de IPL Ressalte-se que esta interpretação está implícita no item 4.6 do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n2 139, de 22 de abril de 1996, que assim se expressa: "O valor das matérias-primas adquiridas diretamente de pessoas físicas que não são contribuintes da COFINS e PISTPASEP não compõe a base de cálculo do crédito presumido, com relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, pois nesse caso não há o que ressarcir". Além disso, a Instrução Normativa - SRF n2 23 de 13/03/1997, que regulamentou o Cálculo e a Utilização do Crédito Presumido instituído pela Lei n2 9.363/1996, no seu art. 22 22. dispõe que: Cc- 5 Processo n° 13811.002055/2001-41 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.063 Fl. 32$ "Art. 2° Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 2 " - O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2° da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS".(grifei) Releva notar que esses atos administrativos apenas explicitaram o que já se continha na lei, tendo em vista que as contribuições sociais - P1S/Pasep/Cofins incidem quando da venda ou faturamento dos produtos, ou seja, se o ato legal em comento se reporta às contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, obviamente se aplica aos insumos que, adquiridos de terceiros, a elas estivessem sujeitos. O mesmo raciocínio não mais se aplica às aquisições efetuadas de cooperativas. A Medida Provisória n°1.856-6, de 29/06/1999 revogou o inciso 1 do art. 6" da Lei Complementar n" 70/1991, que tratava da isenção das "sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades". O Ato Declaratório SRF n" 88, de 17/11/1999 declarou que "as contribuições para o P1S/Pasep e para financiamento da seguridade social — Cofins, devidas pelas sociedades cooperativas, serão apuradas de conformidade com o disposto na Medida Provisória n" 1.858-7, de 29 de julho de 1999, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir do mês de novembro de I999.". Ou seja, a partir de novembro de 1999 as sociedades cooperativas deixaram de ser isentas da Cofins e pagam o PIS sobre o faturamento, com as exclusões determinadas para as pessoas jurídicas em geral, além das específicas. O crédito presumido de IPI constante dos autos referem-se ao período aquisitivo compreendido entre janeiro e março de 2001, portanto, devem ser incluídos na base de cálculo os valores das aquisições efetuadas das cooperativas." No caso destes autos o período aquisitivo está compreendido entre abril e junho de 2001. O argumento relativo às cooperativas perdeu suporte legal depois da criação da sistemática da Cotins e do PIS não cumulativos. Isso porque, também as empresas em geral, excluídas as exceções legais, passaram a apurar essas contribuições excluindo diversos valores da base de cálculo. Ora, a norma referente às cooperativas, citada na decisão recorrida e acima reproduzida reporta-se à exclusão de "valores" repassados aos cooperados e não à "receita" decorrente das vendas dos produtos (valores repassados aos associados, decorrentes da 6 Processo n° 13811.002055/2001-41 52-CIT I Acórdão n.° 2101-00.063 Fl. 326 comercialização de produto por eles entregue à cooperativa). Portanto, verifica-se que não é a receita da venda dos produtos por eles entregues à cooperativa que será objeto de exclusão da base de cálculo. Isso significa que valores restam da referida venda que são tributados pelas contribuições. Sendo as cooperativas contribuintes dessas exações, as aquisições efetuadas pelo exportador se incluem entre as que são passíveis de compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Assim como na sistemática da Cotins e do PIS não cumulativo não se busca identificar quais produtos foram tributados pelas contribuições e quais estariam isentos ou não tributados para considerá-los ou afastá-los da base de cálculo do referido crédito, também em relação às cooperativas, por isonomia, deve-se ter o mesmo entendimento. Quanto à incidência de juros de mora, entendo incabível a atualização pelos índices estabelecidos para a taxa Selic, do valor a ser ressarcido, por absoluta ausência de previsão legal. O § 4" do art. 39 da Lei n° 9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. Em que pese o ressarcimento seja direito da recorrente estabelecido em lei, o mesmo não ocorre com a atualização do valor a ressarcir pela taxa Selic ou qualquer outro índice. O principio da indisponibilidade da coisa pública toma imperativa a existência de previsão legal para transferência da coisa pública para o domínio privado. Antes do advento do citado art. 39, § 40, da Lei n° 9.250/95 a incidência da atualização monetária dos valores a restituir, segundo o parágrafo único do art. 167 do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do Enunciado n° 188 da Súmula da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Fez-se necessário a edição da referida norma legal para que os indébitos tivessem o mesmo tratamento econômico dado aos tributos recolhidos com atraso. >ig...E o texto legal é restritivo pois não alcança todo e qualquer valor a ser entregue ao particular pelo Tesouro Nacional. A atualização monetária está limitada somente à restituição de tributo recolhido a maior ou indevidamente, nos termos do artigo 165 do CTN, ou seja, ao indébito. O direito legal ao ressarcimento do beneficio fiscal está estabelecido na Lei n° 9.363/96, porém a referida norma restringe o quantum a ressarcir ao tributo calculado de forma presumida. E não entendo como afronta ao princípio da moralidade administrativa ou da isonomia o fato de não ressarcir o beneficio fiscal com incidência da taxa Selic. Trata-se, meramente, de ausência de previsão legal. Atribuir taxa Selic ao ressarcimento do crédito presumido do IPI corresponde a legislar positivamente uma vez que a referida taxa, consoante decisões dos tribunais CA.--- 7 Processo e 13811.002055/2001-41 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.063 Fl. 327 .. superiores, possui natureza híbrida — juros de mora e correção monetária —, e também o fato de a correção monetária ter sido extinta pela Lei n° 9.249/95, por seu art. 36, II. O fato de a legislação tributária prever a incidência da taxa Selic sobre os créditos tributários recolhidos indevidamente não autoriza a analogia com o ressarcimento do crédito presumido do IPI. A primeira situação tem permissão legal — parágrafo único do art. 161 do CTN conjugado com art. 61, § 30 da Lei n° 9.430/96. A segunda não tem qualquer previsão ou permissão legal. O próprio Supremo Tribunal Federal decidiu pela incompetência para assim proceder, menos ainda poderá fazê-lo o julgador administrativo. Com essas considerações voto por dar provimento parcial para incluir na apuração da base de cálculo do crédito presumido as aquisições efetuadas de cooperativas. Sala das Sessões, em 06 de maio de 2009. A ARI; CRISTINA. ROZSA OS A 8 Page 1 _0050900.PDF Page 1 _0051100.PDF Page 1 _0051200.PDF Page 1 _0051300.PDF Page 1 _0051400.PDF Page 1 _0051500.PDF Page 1 _0051700.PDF Page 1
score : 1.0
