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Numero do processo: 13864.000247/2006-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. ALIENAÇÃO DE BENS COMUNS. APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO EM NOME DE UM DOS CÔNJUGES. CABIMENTO.
O imposto relativo ao ganho de capital decorrente da alienação de bens adquiridos no âmbito da sociedade conjugal pode ser lançado contra todos ou contra um dos cônjuges, em razão da solidariedade.
Numero da decisão: 9202-007.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003 GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. ALIENAÇÃO DE BENS COMUNS. APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO EM NOME DE UM DOS CÔNJUGES. CABIMENTO. O imposto relativo ao ganho de capital decorrente da alienação de bens adquiridos no âmbito da sociedade conjugal pode ser lançado contra todos ou contra um dos cônjuges, em razão da solidariedade.
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SOCIEDADE CONJUGAL. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. ALIENAÇÃO DE BENS COMUNS. APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO EM NOME DE UM DOS CÔNJUGES. CABIMENTO. O imposto relativo ao ganho de capital decorrente da alienação de bens adquiridos no âmbito da sociedade conjugal pode ser lançado contra todos ou contra um dos cônjuges, em razão da solidariedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratava o presente processo, inicialmente, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 47 /2 00 6- 10 Fl. 977DF CARF MF 2 jurídicas e de pessoas físicas, falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem e falta de recolhimento do imposto devido a título de carnêleão, nos exercícios de 2002 e 2003. Em sessão plenária de 20/11/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2102002.372 (efls. 707 a 719), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. A denúncia espontânea somente se caracteriza quando apresentada antes de qualquer procedimento fiscal e quando acompanhada do pagamento do tributo acrescido dos juros de mora. A recuperação da espontaneidade em razão da inoperância da autoridade fiscal somente se dá quando restar perfeitamente evidenciado que houve prazo maior que sessenta dias dentre os atos escritos praticados pela autoridade fiscal que indiquem o prosseguimento dos trabalhos. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. Na constância da sociedade conjugal a tributação dos rendimentos produzidos pelos bens comuns deve ser de 50% para cada um dos cônjuges. Está é a regra de caráter geral. A opção pela tributação em conjunto é do contribuinte. No lançamento de ofício, a autoridade fiscal deve seguir a regra geral, somente sendo possível a exigência do tributo total em um dos cônjuges se for para manter a opção já formulada pelo contribuinte. DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Fl. 978DF CARF MF Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 9202007.179 CSRFT2 Fl. 978 3 É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso 1, § 1°, itens II e III, da Lei n°. 9.430, de 1996). EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido em Parte.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir a exigência do imposto incidente sobre o ganho de capital para R$ 8.250,00, cancelar a multa isolada do carnêleão e, no tocante à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cancelála no ano calendário 2001 e reduzila para R$ 51.000,00 no ano calendário 2002.” O processo foi recebido na PGFN em 19/02/2013 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de efls. 903) e, em 20/02/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 906 a 925 (Relação de Movimentação de efls. 904), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: a) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários; e b) ganho de capital. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas quanto à segunda matéria, conforme despacho de 18/11/2013 (efls. 950 a 953), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de mesma data (efls. 954/955). Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: o lançamento foi respaldado na falta de recolhimento de IRPF incidente sobre ganho de capital decorrente da venda de dois imóveis (demonstrativo fls. 438/439); Fl. 979DF CARF MF 4 o acórdão recorrido reduziu a tributação dos ganhos de capital para o patamar de 50%, por entender que essa seria a regra geral que deveria ser observada pela fiscalização e a tributação de 100% em apenas um dos cônjuges dependeria de opção já manifestada pelo próprio contribuinte; sobre a tributação de rendimentos na constância da sociedade conjugal, cabe voltar a atenção para o disposto nos arts. 6º, 7º e 8º do Decreto nº 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999); ainda sobre o tema, assim esclarece o "Perguntas e Respostas da DIRPF/2009": "565 — Como devem ser consideradas as alienações efetuadas pelos cônjuges, para fins de tributação dos ganhos de capital? As transações efetuadas na constância da sociedade conjugal em regime de comunhão universal ou parcial de bens têm o seguinte tratamento, para efeito de tributação: cada cônjuge deve considerar 50% dos rendimentos decorrentes do ganho de capital relativo aos bens comuns; opcionalmente o total dos rendimentos decorrentes do ganho de capital pode ser tributado por um dos cônjuges, exceto quando se tratar de bens incomunicáveis, caso em que cada um deve tributar o valor que lhe cabe. Atenção: Nas alienações de bens comuns, decorrentes do regime de casamento, o ganho de capital é apurado em relação ao bem como um todo. Apenas a tributação do ganho apurado é que deve ser feita na razão de 50% para cada cônjuge ou, opcionalmente, 100% em um dos cônjuges." nessa esteira, observase a correção de qualquer das formas de tributação pelo Fisco na hipótese de falta de apuração e recolhimento do IRPF sobre ganhos de capital, seja a tributação por apenas um dos cônjuges, seja a dividida para os dois; tal como ressaltado no Acórdão nº 10248234, sendo o regime de bens o da comunhão (seja parcial ou universal) e os bens sobre cuja alienação foram apurados ganhos de capital comuns a ambos os cônjuges, pode a fiscalização apurar a totalidade do tributo de qualquer dos titulares do bem, por se revestirem da condição de responsáveis solidários. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, mantendose a integralidade do lançamento. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente. (efls. 974) Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 13864.000247/200610 Acórdão n.º 9202007.179 CSRFT2 Fl. 979 5 Embora a autuação tenha envolvido várias infrações, o presente recurso trata apenas da exigência de Imposto de Renda Pessoa Física sobre ganhos de capital obtidos na alienação de bens comuns, no anocalendário de 2002. No caso do acórdão recorrido, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir o imposto incidente sobre o ganho de capital, de R$ 16.500,00 para R$ 8.250,00, considerandose que a Fiscalização deveria seguir a regra geral de que a tributação dos rendimentos produzidos pelos bens comuns deve ser de 50% para cada um dos cônjuges. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pela manutenção do lançamento, alegando que a Fiscalização pode exigir a totalidade do tributo de qualquer dos cônjuges, por se revestirem da condição de responsáveis solidários. Tratandose de rendimentos de bens comuns, ainda que a apuração do Imposto de Renda via de regra ocorra em separado, o casal tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador do tributo. Assim, na situação ora examinada, se está diante de caso típico de solidariedade, conforme o disposto no art. 124, inciso I, do CTN, que assim estipula: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem."(grifei) No caso em apreço, as informações contidas nos autos evidenciam que o Contribuinte é casado em regime de comunhão universal de bens, estando os imóveis alienados no âmbito da comunhão da sociedade conjugal. Nessa situação, o art. 1.647 do Código Civil impõe: "Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis;" À luz do que determina o Código Civil, vêse que, com relação a todos os imóveis objeto de alienação há a outorga uxória do cônjuge do autuado, o que demonstra a existência de interesse comum na situação constitutiva do fato gerador, nos exatos termos do inciso I, do art. 124, do CTN. Demonstrada a hipótese de interesse comum e a existência de solidariedade, esclareçase que o entendimento esposado no Acórdão de Recurso Voluntário, no sentido de que o ganho de capital apurado em relação ao bem deve ser lançado em nome de cada cônjuge, na proporção de cinquenta por cento para cada um, não encontra amparo na legislação tributária, já que o parágrafo único, do art. 6º, do Decreto nº 3.000, de 1999, possibilita que a tributação de bens em comum possa se dar em relação a apenas um dos cônjuges. Vejamos: "Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de: Fl. 981DF CARF MF 6 I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges." (grifei) O dispositivo legal acima destacado encontra suporte, dentre outros, no parágrafo único do art. 124 do CTN, que estatui que a solidariedade não comporta benefício de ordem, podendo nesse caso o lançamento ser oposto contra qualquer dos solidários ou ainda contra todos eles, a juízo da autoridade lançadora. Destarte, não há óbice a que seja exigido do responsável solidário o pagamento integral do débito tributário, sem guardar proporcionalidade com a fração dos seus rendimentos em decorrência do regime de casamento. Por oportuno, esclareçase que a opção pela tributação na proporção de 50% para cada um dos cônjuges, obviamente está adstrita aos casos em que o casal efetivamente calcula o ganho de capital e recolhe o respectivo tributo. No presente caso, não houve o exercício de opção alguma, exceto a de não pagar os tributos devidos. Registrese que, embora não seja objeto do recurso ora em julgamento, o Contribuinte foi autuado também pelas infrações de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas e jurídicas, bem como a ele foi aplicada a multa por falta de recolhimento de carnêleão. Nessas condições, não há qualquer restrição à cobrança integral, por parte da Administração Tributária, em face de um dos cônjuges. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 982DF CARF MF
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Numero do processo: 13816.000353/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
Conforme já decidido pelo STF no RE nº 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral, não gera direito a crédito de IPI a aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero do imposto.
Numero da decisão: 3302-005.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araújo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme já decidido pelo STF no RE nº 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral, não gera direito a crédito de IPI a aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero do imposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araújo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 111 1 110 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13816.000353/200661 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.830 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente PRENSAS SCHULER S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme já decidido pelo STF no RE nº 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral, não gera direito a crédito de IPI a aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araújo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 6. 00 03 53 /2 00 6- 61 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13816.000353/200661 Acórdão n.º 3302005.830 S3C3T2 Fl. 112 2 Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo de créditos presumidos do tributo, alusivos a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem desonerados do IPI, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem, o contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de créditos de IPI mediante petição/declaração (papel) (fls. 3 a 4), acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório, alegando impossibilidade de efetuar o pedido mediante a utilização do programa PER/DCOMP. Segundo o contribuinte, o que caracteriza a impossibilidade de utilização do programa "é a ausência de previsão da hipótese de ressarcimento do crédito de IPI em questão no aludido programa", referindose a crédito proveniente de operações de importações sob o regime drawbacksuspensão, conforme planilhas anexadas (fls. 15 a 16). O Despacho Decisório de fls. 46 a 50, indeferiu o pedido de ressarcimento com base nos seguintes argumentos: a) que o pretenso crédito, relativo a operações de importação realizadas no período de 02.07.2001 a 27.09.2001, sob o regime de "drawback", foi escriturado extemporâneamente na escrita fiscal do período de julho de 2006 a setembro de 2006; b) que foi realizada correção monetária indevida pela SELIC desses pretensos créditos de IPI no período de 2001 a 2006; c) que o regime de "drawback", segundo o art. 78, II do Decreto Lei nº 37/1966, consiste na suspensão ou eliminação de tributos incidentes sobre insumos importados para utilização em produto exportado, não se podendo falar em crédito vez que não houve cobrança nas operações anteriores; Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13816.000353/200661 Acórdão n.º 3302005.830 S3C3T2 Fl. 113 3 d) somente se poderia falar em crédito nos casos de descumprimento dos requisitos que ensejaram a suspensão, porém tal direito creditório estaria condicionado ao efetivo pagamento do tributo anteriormente suspenso, bem como ser a operação anterior enquadrada nas hipóteses de permissão ao crédito, nos termos do art. 147, inciso IX do RIPI/1998, ou do art. 164, inciso IX do RIPI/2002; e) O direito ao crédito sobre os insumos está condicionado à cobrança do imposto nas operações anteriores. Cientificado em 02.03.2009, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade em 31.03.2009, onde aduziu em defesa do crédito pleiteado: a) Que o drawback suspensão é um tipo de isenção sujeito à condição resolutiva; b) Que em nenhum momento a empresa deixou de cumprir todo o ciclo exigido para o aperfeiçoamento da isenção concedida sob os auspícios das normas do drawback, razão pela qual suas aquisições de materiais do exterior são ISENTAS do IPI, devendo aplicarse a estas operações as disposições gerais que admitem o crédito do IPI sobre as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentos; c) Que o STF já reconheceu tal direito em inúmeros julgados, inclusive em sessão plenária, como é o caso dos RE´s nºs 212.4842/RS, 350.446/PR, 357.277/RS, 353.668/PR e 358.493/SC; d) Que o próprio conselho de contribuintes já reconheceu esse direito nos julgados dos processos nºs 10935.00188/199716, 10850.000303/199681, 13808.000610/199601, dentre outros; e) Que nas exportações de produtos industrializados nacionais é assegurada a manutenção do crédito de IPI referente aos insumos empregados na fabricação do produto exportado; f) Que o §3º, do art. 66, da Lei nº 8.383/91, com alterações introduzidas pela Lei nº 9.069/95, prevê expressamente a correção monetária dos créditos nos pedidos de restituição ou compensação, o que já foi objeto de parecer favorável da Advocacia Geral da União (Parecer AGU/MF 01/96, de 11.01.96); g) Que o Conselho de Contribuintes já decidiu pela correção monetária dos créditos extemporâneos, vez que estes implicaram em pagamento a maior do imposto (acórdão 20208.779); Em sessão de 23.02.2011, a 2ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a glosa integral dos créditos. Cientificada da decisão de 1ª instância em 28.03.2011, a recorrente interpôs recurso voluntário em 27.04.2011, onde repisou as argumentações produzidas por ocasião da manifestação de inconformidade. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13816.000353/200661 Acórdão n.º 3302005.830 S3C3T2 Fl. 114 4 É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a analisálo. 1 Do Crédito Sobre Insumos Importados sob o regime DrawbackSuspensão. O ora recorrente apresentou, em novembro de 2006, pedido de ressarcimento de suposto crédito de IPI escriturado no RAIPI do 3º trimestre de 2006, decorrente de importação de insumos sob o regime drawbacksuspensão. Destacase que as importações sobre as quais pretende o contribuinte ver reconhecido o direito creditório, foram realizadas entre julho e setembro de 2001. Aduz ainda o recorrente que em nenhum momento deixou de cumprir todo o ciclo exigido para o aperfeiçoamento do benefício concedido sob o regime de drawback, defendendo que por tal razão os insumos que adquire no mercado externo são considerados isentos do IPI. Cita doutrina que defende ser o drawback uma forma de isenção. Passa então a alegar que os Tribunais Superiores e o Conselho de Contribuintes já decidiram pela existência de direito creditório do IPI sobre insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Cita julgados. Em suma, o recorrente entende que os insumos que adquire sob o regime de drawback devem ser considerados como isentos e, por tal razão, a eles deve ser aplicado o mesmo entendimento proferido nos precedentes que cita, no sentido de conferir ao seu adquirente o direito ao crédito. Cumpre esclarecer que, nos termos do disposto no §2º, do art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ, sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, deverão ser reproduzidos pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No julgamento do REsp nº 1.134.903/SP, sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, o STJ entendeu pela inexistência de direito creditório na aquisição de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, vez que a essência da não cumulatividade consiste em compensar o que foi cobrado na etapa anterior, sendo certo que não havendo cobrança na etapa anterior, não há o que compensar. Abaixo transcrevese a ementa de tal julgado. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13816.000353/200661 Acórdão n.º 3302005.830 S3C3T2 Fl. 115 5 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão". 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13816.000353/200661 Acórdão n.º 3302005.830 S3C3T2 Fl. 116 6 certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em igual sentido entendeu o Supremo Tribunal Federal, ao decidir, em sede de repercussão geral, por meio do RE 398.365/RS, que não subsiste direito ao creditamento de IPI sobre a aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero de IPI. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. (RE 398365 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22 092015 ) Assim, este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais já adaptouse ao entendimento proferido pelos tribunais superiores que, nos termos do RICARF, deve ser reproduzido pelos conselheiros, como é o caso do acórdão de nº 3401004.302, da relatoria do ilustre conselheiro Rosaldo Trevisan. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/1997 a 30/06/2002 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAIS DE EMBALAGEM ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13816.000353/200661 Acórdão n.º 3302005.830 S3C3T2 Fl. 117 7 materiais de embalagem desonerados (isenção, não tributação e alíquota zero) não asseguram crédito de IPI, como decidido pelo STF no RE 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral. Assim também já seguiu esta turma no julgamento do processo nº 10735.903840/201237, em acórdão de relatoria do ilustre conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A mesma inteligência pode ser extraída da súmula CARF nº18. Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Diante de todo o exposto, não há como prosperar a pretensão do recorrente, devendo ser mantida incólume a decisão recorrida. 2 Da Correção Monetária do Crédito Extemporâneo de IPI Tendo em vista que não assiste razão ao contribuinte no que diz respeito à existência do direito creditório pleiteado, resta prejudicada a pretensão de correção monetária do suposto crédito. Nos termos do acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13816.000353/200661 Acórdão n.º 3302005.830 S3C3T2 Fl. 118 8 Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.964539/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos na respectiva competência; (ii) confronte os débitos confirmados no item "i" com os pagamentos efetuados em DARF na respectiva competência; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos na respectiva competência; (ii) confronte os débitos confirmados no item "i" com os pagamentos efetuados em DARF na respectiva competência; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos na respectiva competência; (ii) confronte os débitos confirmados no item "i" com os pagamentos efetuados em DARF na respectiva competência; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 64 53 9/ 20 12 -2 6 Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10880.964539/201226 Resolução nº 3401001.496 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 22882.99327.240910.1.3.040249 a compensação de débito de PIS/PASEP (cód.6912) do período de apuração 08/2010 no valor de R$ 7.963,63 com crédito de PIS/PASEP (cód.6912) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 34.852,08 do período de apuração 05/2010, arrecadado na data de 25/06/2010. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 7.750,49. Do Despacho Decisório A DERAT de São Paulo em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 05/11/2012, rastreamento nº 040222725 (efls.8), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito de PIS/PASEP do Período de Apuração 31/05/2010. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.13), requer a homologação da compensação praticada, pelas seguintes razões; (a) que foi indevidamente informado na DCTF originalmente transmitida à RFB o valor devido de PIS do mês de maio/2010, no montante de R$ 34.852,08 quando o correto seria de R$ 6.511,16 gerando assim um saldo por pagamento a maior que o indevido de R$ 28.340,92; (b) que providenciou a remessa de DCTF retificadora na data de 22/11/2012, corrigindo a falha formal que fora detectada. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 11ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em sessão de 23 de fevereiro de 2015, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2010 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que não homologou a compensação, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.99) contra a decisão de primeiro grau, repetindo os fatos e argumentos de sua Manifestação de Inconformidade com o intuito de vêla reformada e a compensação homologada. Alternativamente requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, com Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10880.964539/201226 Resolução nº 3401001.496 S3C4T1 Fl. 4 3 suporte no Parecer Normativo RFB/COSIT nº 02 de 28/08/2015 e por fim, requer o afastamento da preclusão, em prestígio aos princípios do formalismo moderado e da busca pela verdade material. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte alega que constatou em seus registros contábeis, equivoco de valor declarado em DCTF para o PIS do mês 05/2010, que resultou em pagamento a maior que o devido. Em virtude disso protocolou PER/DCOMP requerendo a compensação do indébito, porém, sem que no mesmo momento fosse providenciada a retificação de valor em sua DECTF. Ao se deparar com o Despacho Decisório que declarou indisponibilidade de crédito, tratou imediatamente de transmitir DCTF Retificadora, na data de 22/11/2012 (efls.56). Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da declaração de compensação, situação em que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.964539/201226 Resolução nº 3401001.496 S3C4T1 Fl. 5 4 Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Se for questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade por preterição do direito de defesa (art. 59, II do PAF Decreto nº 70.235/1972). O CARF possui diversos julgados relacionados à apresentação de DCTF retificadora, inclusive, de data posterior a emissão do Despacho Decisório, citase, como exemplo, o acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, da 3ª Turma da CSRF que confirmou decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”... “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. Também, a administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.964539/201226 Resolução nº 3401001.496 S3C4T1 Fl. 6 5 (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: 1 confirme se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos na respectiva competência; 2 confronte os débitos confirmados no item "1" com os pagamentos efetuados em DARF na respectiva competência; 3 após o confronto do item "2", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 353DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.903869/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004
Ementa:
DIREITO CREDITÓRIO. ESTIMATIVAS. ELEMENTO FORMADOR. COMPROVAÇÃO.
Se o contribuinte aporta aos autos documentos que comprovam o
recolhimento da parcela tida como não paga pela decisão recorrida, o julgado há que ser reformado, eis que necessário o reconhecimento do direito creditório complementar correspondente.
Numero da decisão: 1302-000.723
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ESTIMATIVAS. ELEMENTO FORMADOR. COMPROVAÇÃO. Se o contribuinte aporta aos autos documentos que comprovam o recolhimento da parcela tida como não paga pela decisão recorrida, o julgado há que ser reformado, eis que necessário o reconhecimento do direito creditório complementar correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10950.903869/200898 Acórdão n.º 130200.723 S1C3T2 Fl. 153 2 Fl. 153DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10950.903869/200898 Acórdão n.º 130200.723 S1C3T2 Fl. 154 3 Relatório ECOLÓGICA DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, que deferiu, em parte, manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Maringá. Trata o processo de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 2003. Em conformidade com o Despacho Decisório de fls. 22/25, o direito creditório apontado para o encontro de contas não foi reconhecido em razão do motivo abaixo transcrito: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 23.861,97 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 24.411,98 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 27/28), por meio da qual sustentou que, em conformidade com sua escrituração contábil, o valor correto a compensar de SALDO NEGATIVO seria de R$ 24.411,98, porém, não dispunha de meios para efetuar a retificação da PER/DCOMP de modo a corrigir o equívoco. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba analisou a manifestação de inconformidade apresentada e, por meio do acórdão nº. 0629.691, de 16 de dezembro de 2010, deferiu parcialmente a solicitação. O referido julgado restou assim ementado: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. APRESENTAÇÃO DE EQUIVOCADA DE SEGUNDA DIPJ. Reformase a decisão que não homologou a compensação, quando resta verificada a existência do crédito, consistente em saldo negativo de IRPJ, suficiente para quitar parcialmente os débitos, devendo a cobrança seguir em relação ao saldo devedor. Ciente da Decisão de primeira instância em 15 de março de 2011, conforme Aviso de Recebimento de folha 48, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 11 de abril de 2011 (registro de recepção de folha 49), do qual, transcrevo os seguintes excertos: ... Fl. 154DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10950.903869/200898 Acórdão n.º 130200.723 S1C3T2 Fl. 155 4 1.3.1 A DRJ/CTA, apesar dos esclarecimentos, argumentos e documentos apresentados pela Ecológica, não entendeu e assim não acatou integralmente os pedidos formulados no Recurso Administrativo. Com isto, houve por bem julgar procedente apenas em parte o referido recurso, reconhecendo que os recolhimentos de antecipação de IRPJ de 2003 realizados junto a RFB montaram a R$ 121.747,58, pois considerou que em janeiro/2003 tenha havido apenas um recolhimento de R$ 19.224,89 (ver tabela 02 abaixo), quando na verdade, o recolhimento foi 3 parcelas de R$ 19.224,89 totalizando R$ 57.674,65, conforme GUIAs de recolhimentos anexas (doe. 05 anexo) e Comprovantes de Arrecadação anexo (doe. 06 anexo); 1.4 Desta forma, considerando que o valor correto de recolhimento é de R$ 57.674,65 para o mês de janeiro/2003 (pois de outra forma não pode ser), conforme demonstrado no item 1.3.1 acima, o valor do crédito para pagamento/compensação fica elevado em R$ 38.449,78, o que altera o valor de recolhimento em 2003, para R$ 160.197,36, e, um saldo de crédito negativo de R$ 49.411,98, conforme se demonstra nas tabelas 03 e 04 abaixo: ... 1.5 Por outro lado, cabe esclarecer, que a Ecológica utilizou os R$ 25.000,00 referente a antecipação feita em dez/03, em outro pagamento/compensação devidamente homologado após sucessivas retificações conforme documentos anexos (PER/DCOMPs 38.589.76293.210507.1.3.04.9074 / 38304.43894.220507.1.7.04.1573 homologadas e 26517.35026.210517.1.3.04.6369 homologada doc. 07 anexo), motivo pelo qual este valor deve ser descontado do valor do saldo negativo de IRPJ constante da tabela 04 abaixo; ... 1.6 Diante de todo o exposto, o saldo de créditos negativo das PER/DCOMPs objetos deste recurso, é mesmo de R$ 24.411,98, conforme se demonstra na tabela 05 abaixo, sendo então que este valor é mais que suficiente para quitar o total dos débitos indicados para compensação nas quatro PER/DCOMPs citadas na tabela 01 acima. É o Relatório. Fl. 155DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10950.903869/200898 Acórdão n.º 130200.723 S1C3T2 Fl. 156 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A contribuinte apresentou PER/DCOMP indicando crédito de R$ 23.861,97, referente a saldo negativo de imposto de renda do anocalendário de 2003. Por meio de verificação interna (eletrônica), não tendo havido exata igualdade entre o crédito registrado pela contribuinte no PER/DCOMP e o constante da Declaração de Informações (DIPJ), as compensações pleiteadas não foram homologadas (despacho decisório, fls. 22/25). A Turma Julgadora de primeiro grau, conhecendo Manifestação de Inconformidade apresentada, decidiu pela reforma do despacho decisório, vez que constatou que, de fato, a contribuinte dispunha de crédito. Nessa linha, pronunciouse no sentido de reconhecer um SALDO NEGATIVO de R$ 10.962, 20, pois, tomando por base controles internos da Receita Federal, reduziu as estimativas declaradas de R$ 135.197,36 para R$ 121.747,58. Reproduzo, abaixo, quadro de apuração que consta no voto condutor da decisão recorrida: DISCRIMINAÇÃO DIPJ CORREÇÃO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 80.871,23 80.871,23 ADICIONAL 29.914,15 29.914,15 IMPOSTO PAGO POR ESTIMATIVA 135.197,36 121.747,58 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 24.411,98 10.962,20 Em sede de recurso, a contribuinte alega que, na verdade, promoveu recolhimentos de estimativa no anocalendário de 2003 no total de R$ 160.197,36, pois, relativamente ao período de apuração de janeiro de 2003, promoveu pagamentos no montante de R$ 57.674,67, e não de R$ 19.224,89, como apontado pela decisão recorrida. Diz que, em razão disso, o saldo negativo do período é de R$ 49.411,98, devendo ser excluído o valor de R$ 25.000,00, já utilizado em outras compensações. Para sustentar o alegado, a Recorrente anexa, entre outros documentos, cópia de documentos de arrecadação de fls. 104 e 105, nos montantes de R$ 27.779,95 e R$ 10.347,58 (R$ 19.224,89 e R$ 7.160,96, de principal); cópia de cheque no valor de R$ 38.127,53, nominal à Receita Federal (fls. 106); cópia de documento de arrecadação no montante de R$ 27.779, 95 (principal de R$ 19.224,89) e de cheque de igual valor (fls. 107); cópia de documento de arrecadação no montante de R$ 27.779, 95 (principal de R$ 19.224,89) Fl. 156DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10950.903869/200898 Acórdão n.º 130200.723 S1C3T2 Fl. 157 6 e de cheque de igual valor (fls. 108); comprovantes de arrecadação (fls. 109 e 110); cópia de PER/DCOMPs relativas às alegadas compensações do montante de R$ 25.000,00 (fls. 111/135); e cópia de fichas de DIPJ retificadora relacionadas às apurações de estimativas de imposto de renda (fls. 137/148). Penso que a documentação aportada pela Recorrente serve de sustentação ao alegado por ela em sua peça de defesa, eis que, de fato, restam comprovados pagamentos adicionais no montante de R$ 38.449,78, valor que eleva o total recolhido a título de estimativa, no anocalendário de 2003, para R$ 160.197,36, sendo que desse valor deve ser excluído, para fins de determinação do SALDO NEGATIVO, R$ 25.000,00, que, de acordo com os instrumentos de compensação juntados pela contribuinte (fls. 111/135), constituiu pagamento indevido, eis que em conformidade com a DIPJ (fls. 147) não restou saldo a pagar de estimativa em relação ao período de apuração de dezembro de 2003 (fls. 147). Noto que a autoridade julgadora de primeira instância, ao se manifestar acerca dos recolhimentos efetuados pela Recorrente relativamente às estimativas do ano de 2003, afirma que na base de dados de recolhimentos da RFB foram encontrados registros que remontam a R$ 121.747,58, conforme impressões de tela juntadas às fls. 30/34 (voto condutor, fls. 45). Compulsandose referidas telas, constatase que lá encontramse registrados, entre outros, os seguintes pagamentos: DT. ARREC Bco/AGEN DT VENC REC VALOR SIT 22/06/2004 341/0589 28/02/2004 2362 19.224,89 ORI 24/06/2004 341/0589 28/02/2004 2362 19.224,89 ORI 28/06/2004 341/0589 28/02/2003 2362 19.224,89 ORI A indicação de 28/02/2004 como data de vencimento dos recolhimentos efetuados em 22 e 24 de junho de 2004, fato que, ao que tudo indica, serviu de fundamento para a não consideração dos valores correspondentes pela decisão recorrida, não confere com os documentos de arrecadação trazidos aos autos pela Recorrente, que, releva ressaltar, encontramse acompanhados de confirmação de recolhimento (fls. 119/110) em que, não obstante constar a data de vencimento de 28/02/2004 (diferentemente da registrada na cópia dos documentos de arrecadação), consigna o período de apuração 31/01/2003. Entendo, pois, que o SALDO NEGATIVO efetivamente apurado no ano calendário de 2003 é de R$ 24.411,98, motivo pelo qual deve ser reconhecido direito creditório adicional de R$ 13.449,78, haja vista o reconhecimento de R$ 10.962,20 em primeira instância. Assim, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 157DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10950.903869/200898 Acórdão n.º 130200.723 S1C3T2 Fl. 158 7 Fl. 158DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 10280.720526/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. OMISSÕES OU INCORREÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 05 26 /2 00 8- 20 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10280.720526/200820 Acórdão n.º 3301004.788 S3C3T1 Fl. 235 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratamse de autos de infração de PIS/Pasep (crédito de R$ 121.631,44) e Cofins (crédito de R$ 363.438,50), lavrados contra a empresa acima identificada, em virtude da constatação de diferença entre os valores apurados no DACON apresentado e aqueles confessados em DCTF ou recolhidos. Consta do Termo de Verificação a descrição das seguintes infrações: 1 DA COFINS Ao confrontarmos a COFINS dos períodos do anocalendário de 2003, calculada por esta fiscalização com base nas receitas escrituradas, devidamente confirmadas com as notas fiscais de vendas emitidas pelo contribuinte e, corroboradas com os valores informados na Ficha 26A Cálculo da Cofins Regime Cumulativo, da DIPJ, dos meses de agosto a dezembro havendo uma pequena diferença apenas no mês de julho de 2003, com os valores declarados pelo contribuinte em DCTF, verificamos uma grande discrepância, conforme se verifica na Planilha denominada "DEMONSTRATIVO DAS DIFERENÇAS APURADAS PELO AFRFB", encaminhada ao contribuinte juntamente com o Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 27/12/2007. Intimado a justificar as divergências, o contribuinte não se manifestou. Do valor apurado mensalmente, por solicitação do contribuinte abatemos a COFINS retida por órgãos públicos, que não tinham sido aproveitadas pelo mesmo. Desta forma, no anocalendário de 2003 o contribuinte incorreu em infração a legislação tributária caracterizada por Insuficiência de Declaração da COFINS, evidenciada na Planilha denominada "DEMONSTRATIVO DAS DIFERENÇAS A PAGAR DA COFINS", parte integrante deste relatório. 2 DO PIS Ao confrontarmos os débitos do PIS dos períodos do anocalendário de 2003, calculados por esta fiscalização com base nas receitas escrituradas, devidamente confirmadas com as notas fiscais de vendas emitidas pelo contribuinte e, corroboradas com os valores informados na a Ficha 21 Cálculo da Contribuição para o PISPASEP Regime Nãocumulativo, da DIPJ, dos meses de agosto a Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10280.720526/200820 Acórdão n.º 3301004.788 S3C3T1 Fl. 236 3 dezembro havendo uma pequena diferença apenas no mês de julho de 2003, com os valores declarados pelo contribuinte em DCTF, verificamos uma grande discrepância, conforme se verifica na Planilha denominada "DEMONSTRATIVO DAS DIFERENÇAS APURADAS PELO AFRFB", encaminhada ao contribuinte juntamente com o Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 27/12/2007. Com referência aos possíveis créditos, constatamos que o contribuinte não fez qualquer menção na ficha 20 Apuração dos Créditos do PIS/PASEP Regime Não Cumulativo, da DIPJ. Intimado a justificar as divergências, o contribuinte solicita autorização para apresentar os DACON do ano de 2003, pois não lançou os créditos do PIS a que tem direito, na apuração do PIS nãocumulativo. Em prestígio ao princípio da verdade material autorizamos o contribuinte a apresentar os DACON, bem como o intimamos a apresentar todos os documentos que deram origem aos créditos demonstrados nos mesmos. Na elaboração dos DACON o contribuinte lançou os débitos idênticos aos valores apurados por esta fiscalização. Quanto aos créditos lançados nos DACON foram objeto de análise, não tendo sido constatado irregularidades. Ao conferirmos os valores do PIS a Pagar, demonstrados nos DACON, que já contemplam o PIS retido por órgãos públicos e que expressam os valores corretos, com os declarados em DCTF, constatamos que estes últimos estavam menores. Desta forma, no anocalendário de 2003 o contribuinte incorreu em infração a legislação tributária caracterizada por Insuficiência de Declaração do PIS, evidenciada na Planilha denominada "DEMONSTRATIVO DAS DIFERENÇAS A PAGAR DO PIS", parte integrante deste relatório. Em impugnação, a empresa aduziu que houve a decadência dos créditos anteriores a 29/09/2003 e que o lançamento é nulo, em decorrência da não apresentação do demonstrativo de emissão e prorrogação do MPF. Requer ao final o cancelamento dos autos de infração. A 3ª Turma da DRJ/BEL, acórdão nº 0115.571, deu provimento parcial à impugnação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003,31/12/2003 DECADÊNCIA Após a edição as Súmula Vinculante n° 8, do STF, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito da Cofins segue a regra constante do CTN. Havendo antecipação da contribuição, o direito da Fazenda decai em cinco anos contados do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10280.720526/200820 Acórdão n.º 3301004.788 S3C3T1 Fl. 237 4 Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 DECADÊNCIA Após a edição as Súmula Vinculante n° 8, do STF, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito do PIS/Pasep segue a regra constante do CTN. Havendo antecipação da contribuição, o direito da Fazenda decai em cinco anos contados do fato gerador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 MPF. FALHAS PROCEDIMENTAIS. VÍCIO FORMAL. INOCORRENCIA. Eventual desrespeito às regras relativas ao MPF não implica a nulidade dos atos administrativos posteriores, haja vista seu caráter subsidiário. A DRJ cancelou o crédito de PIS/Pasep no valor de 15.566,21 e de Cofins no valor de 48.449.77 (montantes acrescidos apenas da multa proporcional), devido ao reconhecimento da ocorrência de decadência. A fundamentação foi a seguinte: 9. No caso presente verificase, através dos levantamentos feitos pela Fiscalização, a ocorrência de retenção na fonte das contribuições em todos os períodos lançados (fls. 120/123), caracterizando a antecipação que conduz à contagem do prazo decadencial de acordo com o art. 150 do CTN, não havendo sequer a necessidade de que seja verificado o efetivo recolhimento do constante declarado em DCTF, conforme fls. 118/119). 10. Assim, tendo sido cientificado o contribuinte em 30.09.2008, encontravamse decaídos os créditos cujos fatos geradores ocorreram em 31.07.2003 e 31.08.2003. Já no caso das contribuições com fato gerador em 30.09.2003, a ciência ocorreu no último dia do prazo, sendo válido o lançamento. Proposto o recurso voluntário, a Recorrente apenas alega a nulidade das autuações, em virtude da não apresentação do demonstrativo de emissão e prorrogação do MPF. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10280.720526/200820 Acórdão n.º 3301004.788 S3C3T1 Fl. 238 5 O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. O Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 02.1.01.002007 006820 foi emitido em 16/10/2007, com Código do Procedimento Fiscal n° 38656454. A conclusão do procedimento se deu em 29/09/2008. A Recorrente alega a nulidade dos autos de infração sob a alegação de que a autoridade fiscal não apresentou o demonstrativo de emissão e prorrogação do MPF. Tratase de argumento falacioso, porquanto consta na efl. 2 a emissão do MPF e, na efl. 03 constam as prorrogações com a devida ciência da sócia da empresa, que se deu na mesma data do auto de infração: Observese a prorrogação do MPF até 10/10/2008, ao passo que a notificação do auto de infração em 30/09/2008. Ocorre que a falta de notificações de prorrogações de MPF, ainda que houvesse, não implica em nulidade do auto de infração. Explico. O MPF e suas prorrogações são meros instrumentos de gerenciamento da atividade fiscal. Assim, eventual descumprimento do MPF caracteriza infração administrativa, que deve ser apurada em procedimento administrativo interno da RFB, sendo que o resultado desse procedimento não interfere no lançamento legalmente formalizado. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10280.720526/200820 Acórdão n.º 3301004.788 S3C3T1 Fl. 239 6 Com a lavratura do auto de infração, aplicamse as disposições do Decreto n° 70.235/1972. Afasto a pretensão de nulidade, porquanto foram observados na lavratura dos autos de infração os requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com os art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. Outrossim, a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, não deixando qualquer dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Comprovouse que a Recorrente foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário. Dessa forma, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em nulidade. Logo, entendo que a decisão de piso não merece reforma. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.909315/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2006
Ementa:
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. COMPROVAÇÃO. APRECIAÇÃO. NECESSIDADE.
Restando comprovado o erro de preenchimento em instrumento declaratório, relativamente à indicação do direito creditório pleiteado, a autoridade administrativa responsável pela revisão do ato que denegou pedido fundado nessa única razão deve, sob pena de afronta aos princípios da verdade material e da ampla defesa, apreciar os elementos carreados aos autos de
modo a comprovar a certeza e liquidez do crédito alegado. Irrelevante, no caso, face ao direito e princípios invocados, a ausência de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca de divergências apuradas, lavrada em data anterior ao despacho denegatório combatido.
Numero da decisão: 1302-000.731
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. COMPROVAÇÃO. APRECIAÇÃO. NECESSIDADE. Restando comprovado o erro de preenchimento em instrumento declaratório, relativamente à indicação do direito creditório pleiteado, a autoridade administrativa responsável pela revisão do ato que denegou pedido fundado nessa única razão deve, sob pena de afronta aos princípios da verdade material e da ampla defesa, apreciar os elementos carreados aos autos de modo a comprovar a certeza e liquidez do crédito alegado. Irrelevante, no caso, face ao direito e princípios invocados, a ausência de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca de divergências apuradas, lavrada em data anterior ao despacho denegatório combatido.
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ERRO MATERIAL. COMPROVAÇÃO. APRECIAÇÃO. NECESSIDADE. Restando comprovado o erro de preenchimento em instrumento declaratório, relativamente à indicação do direito creditório pleiteado, a autoridade administrativa responsável pela revisão do ato que denegou pedido fundado nessa única razão deve, sob pena de afronta aos princípios da verdade material e da ampla defesa, apreciar os elementos carreados aos autos de modo a comprovar a certeza e liquidez do crédito alegado. Irrelevante, no caso, face ao direito e princípios invocados, a ausência de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca de divergências apuradas, lavrada em data anterior ao despacho denegatório combatido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 112DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.909315/200847 Acórdão n.º 130200.731 S1C3T2 Fl. 108 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.909315/200847 Acórdão n.º 130200.731 S1C3T2 Fl. 109 3 Relatório BANCO ITAUCARD e BANCO ITAULEASING S/A, sucessores por incorporação de BANCO BANESTADO S/A, recorrem a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Curitiba. Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 2005. No Despacho Decisório de fls. 01 consta a seguinte informação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor Informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 94.086,30 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 83.173,88 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 05/07), por meio da qual sustentou: que a divergência apurada decorreu de equívoco no preenchimento do PER/DCOMP; que seria possível verificar na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica que o valor do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005 era de R$ 83.173,88, porém, no PER/DCOMP n° 20983.86757.291106.1.3.026500 constou o valor de R$ 94.086,30; que, diante da impossibilidade de retificação do PER/DCOMP, pedia que essa fosse promovida de oficio; que apresentava "simulação" de PER/DCOMP retificador, onde constaria também o detalhamento dos recolhimentos que geraram o crédito, demonstrativo este que não constava no PER/DCOMP original. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba analisou a manifestação de inconformidade apresentada e, por meio do acórdão nº. 0627.319, de 08 de julho de 2010, indeferiu a solicitação. O referido julgado restou assim ementado: Fl. 114DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.909315/200847 Acórdão n.º 130200.731 S1C3T2 Fl. 110 4 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ COM ESTIMATIVA MENSAL DE IRPJ. DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PER/DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Mantémse o despacho que não homologou a compensação quando o contribuinte preenche incorretamente o PER/DCOMP e, mesmo intimado, abstémse de prestar à Administração as informações imprescindíveis à perfeita identificação do crédito que pretende utilizar no encontro de contas. A única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB: e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN e do § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, na hipótese de a origem do direito creditório ser Saldo Negativo de IRPJ, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe, inequivocamente, no PER/DCOMP, idêntico valor de Saldo Negativo de IRPJ em relação ao que foi informado na DIPJ. CANCELAMENTO DE COBRANÇA DE DÉBITO. INADEQUAÇÃO DA VIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade não é veiculo para insurgência contra a cobrança decorrente da nãohomologação da compensação, apenas podendo atacar a nãohomologação da compensação e/ou o não reconhecimento do direito creditório, conforme a Lei nº 9.430/96. art. 74, § 9º. Ciente da decisão de primeira instância em 16 de julho de 2010, conforme extrato de folha 103, BANCO ITAUCARD e BANCO ITAULEASING S/A apresentaram recurso voluntário em 17 de agosto de 2010, conforme registro de recepção de folha 57, por meio do qual sustentam: que restou comprovada a existência do crédito e demonstrado o motivo pelo qual a compensação foi indeferida; que foi requerida a retificação de oficio do PER/DCOMP a fim de que fosse sanado o erro formal que causou a glosa do crédito; que resta demonstrado que, em razão do recolhimento de IR a maior, possuem crédito e, somente por erro no preenchimento do PER/DCOMP, o crédito a que têm direito não foi contemplado; que o erro no preenchimento do PER/DCOMP não pode ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento de seu crédito e o indeferimento da compensação pretendida, uma vez que foi juntada aos autos cópia da DIPJ que comprova a existência de saldo negativo de IRPJ; que, em observância ao principio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior e o erro no preenchimento do PER/DCOMP. É o Relatório. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.909315/200847 Acórdão n.º 130200.731 S1C3T2 Fl. 111 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator A controvérsia instalada no presente processo está representada pelo não reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo de imposto de renda apurado no anocalendário de 2005. O referido não reconhecimento se deu em virtude de constatação de divergência entre o valor informado no PER/DCOMP (R$ 94.086,30) e o registrado na DIPJ correspondente (R$ 83.173,88). Apreciando Manifestação de Inconformidade apresentada, a autoridade julgadora de primeira instância indeferiu os pedidos ali veiculados (reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação), indicando, como elemento relevante para tal decisão, o fato, não trazido pela então impugnante, de existir nos autos TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL, anterior à expedição do Despacho Decisório, esclarecendo a contribuinte que, diante da divergência de informações, ela deveria apresentar DIPJ ou PER/DCOMP retificadores para sanar a irregularidade apontada. Nessa linha, resta assinalado no voto condutor da decisão recorrida: Não consta dos autos nenhuma atividade do contribuinte no sentido de atender ao quanto disposto no Termo de Intimação citado, sendo que somente em 19/09/2008, após 1 (um) ano, 5(cinco) meses e 19 (dezenove) dias, contados da ciência do referido Termo de Intimação, é que o interessado vem solicitar de oficio aquilo que lhe foi oportunizado a fazer espontaneamente, e se omitiu, quedando inerte. Condenável, portanto, tamanha falta de diligência do interessado, em buscar solucionar sua situação, pois bastaria ter retificado o PER/DCOMP. Mas, não foi o que fez. O contribuinte olvidou de perpetrar providência a que foi instado e que poderia solucionar favoravelmente a sua situação, e mesmo assim o interessado nada fez. ... No presente caso, o contribuinte informou incorretamente o crédito que pretendeu ser utilizado, e havendo divergência entre o crédito PER/DCOMP em relação ao direito creditório informado na DIPJ, contrariando a determinação minudenciada nos itens anteriores, devese manter o Despacho Decisório que não homologou a compensação pretendida. Vêse, assim, que a denegação dos pedidos dos Recorrentes foi fundada, única e exclusivamente, na ausência de identidade entre o valor do crédito consignado no PER/DCOMP e o registrado na DIPJ. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.909315/200847 Acórdão n.º 130200.731 S1C3T2 Fl. 112 6 Penso que tal decisão não pode prosperar, vez que, inobstante o conflito de informações, a própria Administração Tributária aponta para existência de crédito em favor dos requerentes. Com o devido respeito, ainda que se possa ter como “condenável” a conduta da contribuinte de não responder o Termo de Intimação anteriormente lhe encaminhado, não se pode, em razão disso, simplesmente deixar de apreciar as razões de defesa por ele trazidas, e, em sentido contrário ao delineado pela documentação aportada ao processo, não reconhecer qualquer parcela do crédito apontado para fins de compensação tributária. Creio que, no caso, a análise do litígio deve ser norteada pelos princípios do informalismo e da verdade material, empregandose menor rigor na aplicação das normas complementares aplicáveis e buscandose, com base nos elementos reunidos aos autos, a verdade dos fatos. Observo, contudo, que o crédito indicado pelos Recorrentes (SALDO NEGATIVO de IMPOSTO DE RENDA do anocalendário de 2005) resultou dos seguintes elementos: Imposto à alíquota de 15% R$ 115.297.579,66 Adicional R$ 76.841.053,11 Operações de Caráter Cultural R$ 4.000.000,00 Imposto de Renda na Fonte R$ 83.173,88 Estimativa R$ 188.138.632,77 SALDO NEGATIVO R$ 83.173,88 Não tendo a decisão recorrida avançado ao mérito da compensação tributária requerida, os elementos formadores acima indicados não foram objeto de aferição, isto é, a própria liquidez e certeza do crédito apontado para o encontro de contas não foi objeto de certificação, o que impede o acolhimento, neste momento, dos pedidos formulados na peça recursal. Diante do exposto, entendendo que a decisão recorrida, nos termos em que foi exarada, cerceou o direito de defesa da contribuinte, conduzo meu voto no sentido de decretar a sua nulidade para que, a partir da aferição do crédito indicado para compensação, outra seja prolatada. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 117DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10980.909315/200847 Acórdão n.º 130200.731 S1C3T2 Fl. 113 7 Fl. 118DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 15892.000132/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. Pagamento e compensação são institutos distintos, embora tenham como efeito em comum a extinção do crédito tributário. Inexiste previsão legal de restituição de compensação indevida como pretende o contribuinte.
RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova é do contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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CRÉDITO UTILIZADO EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. Pagamento e compensação são institutos distintos, embora tenham como efeito em comum a extinção do crédito tributário. Inexiste previsão legal de restituição de compensação indevida como pretende o contribuinte. RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova é do contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 89 2. 00 01 32 /2 00 9- 58 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 15892.000132/200958 Acórdão n.º 3401005.331 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou a restituição de PIS via formalização de 25 (vinte e cinco) PER/DCOMP enviadas em 14/12/2005, referentes pagamentos efetuados nos períodos de apuração 11/2000 a 11/2002, no valor de R$ 24.197,68 assim representadas: Do Despacho Decisório A DRF de Bauru/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 19/06/2009 (efls.78), pela não homologação dos pedidos de restituição, assim fundamentado: (a) tratase de crédito em discussão judicial no processo 1999.61.0807827, sem trânsito em julgado; (b) que a interessada burlou as regras de transmissão eletrônica de PER ao deixar de informar que se tratava de crédito com origem em ação judicial e informar a origem do crédito em pagamentos via DARF, que ao final demonstrouse inexistentes; (c) que intimada a contribuinte comprovar a existência dos DARF, foi respondido que na verdade os créditos seriam de compensações a maior de tributos dos períodos de apuração informados; (d) que inexiste previsão legal para restituição de valor por compensação de débito maior que o devido. Da Manifestação de Inconformidade Fl. 250DF CARF MF Processo nº 15892.000132/200958 Acórdão n.º 3401005.331 S3C4T1 Fl. 4 3 Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.87), requerendo a procedência do pleito e o deferimento da restituição declarada, cujas alegações foram assim resumidas pela autoridade julgadora de primeiro grau: 1) que o processo nº 1999.61.0807827 não se trata de Ação de Repetição de Indébito mas de Mandado de Segurança, e como tal, não contempla pedido de restituição, “tendo sido impetrado para afastar as demais receitas (além daquelas atinentes ao faturamento da venda de mercadorias e da prestação de serviços) da base de cálculo do PIS”; 2) que pagamento e compensação têm o mesmo efeito; “Irrelevante, assim, o fato de, ao invés de recolhidos por DARF, tenham sido os respectivos montantes (...) objeto de compensação. Verificase, de qualquer modo, a extinção da obrigação tributária, gerando o direito de posterior restituição (eis que o tributo adimplido mostrouse maior do que o devido)”; 3) que seu crédito referese ao recolhimento do PIS de nov/2000 a nov/2002, sobre base de cálculo do PIS alargada pelo art. 3º, I, da Lei n° 9.718/98, posteriormente declarado inconstitucional pelo STF (RE's nos 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840). Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 1ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000, 2001, 2002 DIREITO CREDITÓRIO AÇÃO JUDICIAL TRÂNSITO EM JULGADO É vedada a restituição/compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. Pagamento e compensação são institutos distintos, embora tenham como efeito em comum a extinção do crédito tributário. Inexiste previsão legal de restituição de compensação indevida como pretende o contribuinte. RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INDEFERIMENTO. O ônus da prova é do contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Do Recurso Voluntário Fl. 251DF CARF MF Processo nº 15892.000132/200958 Acórdão n.º 3401005.331 S3C4T1 Fl. 5 4 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (e fls.207) solicitando o seu provimento a fim de ser reformada a decisão recorrida e integralmente deferida a restituição pleiteada, valendose de todas as razões ora repisadas da manifestação de inconformidade. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente foi apontada concomitância entre o processo judicial em Mandato de Segurança, pendente ainda do trânsito em julgado, que questionava a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, instituído pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, enquanto o administrativo trata do pedido de restituição de tributo, embora tendo também por base a inconstitucionalidade do mesmo diploma legal. O objeto de um difere do outro, caso contrário seria o de aplicação da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Destacase precedente nesse sentido, no acórdão nº 3101001.130 da 1ªTO/1ªC/3ªS, cuja ementa reflete o entendimento daquela Turma: RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. REQUISITOS. A renuncia à via administrativa somente é possível quando há coincidência de pedido e de causa de pedir, com o fim de assegurar que o direito pleiteado não seja obtido nas duas esferas ou para que não haja a sobreposição divergente de decisões. A simultaneidade de ação rescisória de acórdão judicial sem pedido de restituição e pedido administrativo de restituição não implica em renúncia à via administrativa, na forma prelecionada na Súmula do CARF nº 1. Superada a questão de concomitância, passamos para os demais pontos da lide. O segundo ponto diz respeito a questão de fato, que embasam os pedidos de restituição formulados pela recorrente, quanto a origem dos créditos. Nos PER/DCOMP foram informados como sendo pagamentos a maior que o devido via DARF, que não foram localizados pelo fisco nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Intimada a interessada a apresentar os respectivos DARFs, foi informado que se tratavam efetivamente de Fl. 252DF CARF MF Processo nº 15892.000132/200958 Acórdão n.º 3401005.331 S3C4T1 Fl. 6 5 débitos anteriormente compensados e que esses débitos correspondiam a valores declarados a maior que o devido, em função do alargamento inconstitucional da base de cálculo do PIS. Esse fato consta do despacho decisório onde se lê (fls.79): “...o interessado protocolizou diversos documentos, onde constava a informação de que os pagamentos informados não foram recolhidos mediante DARF, mas que haviam sido adimplidos mediante compensação de valores”. Com relação ao indébito tributário requerido pela interessada nos períodos de 11/2000 a 11/2002, não reflete pagamento a maior que o devido através de DARF, o contribuinte não transferiu esses valores aos cofres do erário. No período mencionado a contribuinte incluiu na base de cálculo do PIS receitas que posteriormente foram declaradas inconstitucionais para fins de recolhimento do tributo. Essa parcela do débito foi quitada via compensação com crédito habilitado via processo administrativo nº 13828.000175/200213 (e fls.107), correspondente a saldo credor de IRPJ ano calendário de 2001. Não existe no ordenamento legal tributário previsão de repetição de indébito de valor de débito declarado a maior que o devido. O princípio contido no Código Tributário Nacional (arts. 165 a 169), que trata da repetição do indébito tributário, tem como máxima o direito à restituição a quem pagou indevidamente, como fundamento de justiça. A partir do pagamento indevido ao Fisco, não se estará mais falando de tributo, se exclui a relação com o fato gerador da obrigação tributária, passando simplesmente existir um crédito com direito à restituição a quem pagou indevidamente. Ainda, com relação ao débito de PIS declarado para o período de 11/2000 a 11/2002, extinto por compensação com crédito correspondente à base negativa de IRPJ do ano calendário de 2001, se parte desse débito fôssemos reconhecer como indevido, o crédito daí resultante se reportaria ao ano de 2001, habilitado em processo específico cuja autorização se deu na data de 05/09/2006 (efls.110). O deferimento do direito creditório da base negativa do IRPJ, formulado pelo interessado em Pedido de Restituição, foi integralmente relacionado à compensação de débitos indicados no próprio processo. Partindose, então, para o terceiro ponto, do mérito do crédito pleiteado, necessário se faz que o interessado deve atestar que o direito ao crédito pedido em restituição tem apoio não só legal, mas também, documental. A realidade do suposto direito creditório requerido pela recorrente referese ao fato anteriormente abordado, relacionado ao alargamento da base de cálculo do PIS promovida pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Nesse ponto adoto as colocações do autor do acórdão recorrido, que permanece fiel aos autos, já que nada sobre prova foi acrescentado ao recurso voluntário: Não obstante existir razão na questão de direito levantada, o contribuinte não apresenta qualquer documento que comprove a realidade fática do recolhimento indevido ou a maior. Nenhuma apuração, documentação ou outro indício que dê suporte às suas alegações de existência de crédito a restituir. Cabe lembrar que nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, no que se refere a desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência deste. O Código de Processo Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15892.000132/200958 Acórdão n.º 3401005.331 S3C4T1 Fl. 7 6 Civil, Lei n° 5.869/1973, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 333, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Não consta dos autos qualquer documentação que comprove os valores pleiteados como restituição. Nada se sabe sobre a composição da base de cálculo utilizada. Nenhum registro contábil ou documento que lhe dê suporte foi juntado aos autos para comprovar o efetivo faturamento do contribuinte. Nessas condições, acatar as razões do manifestante seria admitir que sua simples vontade e entendimento poderiam ser utilizados para gerar créditos oponíveis à Fazenda Pública. A toda evidência, tal pretensão não tem sustentação, pelo que se lhe nega os efeitos pretendidos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000319/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 19 /2 00 9- 81 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10046.565, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 7 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 8 I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 9 a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 10 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 11 No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 12 interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 13 classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 14 PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 15 configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 16 embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16349.000319/200981 Acórdão n.º 3401004.890 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000342/2006-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
Ementa:
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á
não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. VALOR CONTÁBIL. DEFINIÇÃO.
Para fins de tributação com base no lucro presumido, a lei não explicitou o conceito da expressão VALOR CONTÁBIL contida no parágrafo 1º do artigo 521 do RIR/99. Considerada essa circunstância, a expressão matemática do conceito (se custo de aquisição ou custo de aquisição diminuído da depreciação acumulada) deve ser investigada a partir dos elementos que contribuíram para a formação da base de cálculo do imposto
em períodos anteriores, de modo que, se o contribuinte era tributado pelo lucro real e, em razão disso, apropriou ao resultado despesa de depreciação, o valor contábil a ser considerado é o que consta de sua escrituração até o
momento imediatamente anterior ao da opção pela tributação com base no lucro presumido, isto é, o custo de aquisição diminuído da depreciação acumulada. No caso vertente, entretanto, em que a própria Fiscalização afirma que a Recorrente optou pelo regime de tributação com base no lucro presumido desde o início de suas atividades, seja em virtude de ausência de previsão legal, seja em razão da ausência do cômputo da despesa em períodos
anteriores, descabe falar subtração de depreciação acumulada do custo de aquisição na determinação do ganho de capital.
LUCRO PRESUMIDO. OUTRAS RECEITAS. ACRÉSCIMO À BASE DE
CÁLCULO.
Aplica-se às receitas provenientes da atividade de arrendamento mercantil do imobilizado o coeficiente de 32%, previsto no art.519, §1º, III, “c” do RIR/99.
Numero da decisão: 1302-000.551
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (Relator) que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo de Andrade.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. VALOR CONTÁBIL. DEFINIÇÃO. Para fins de tributação com base no lucro presumido, a lei não explicitou o conceito da expressão VALOR CONTÁBIL contida no parágrafo 1º do artigo 521 do RIR/99. Considerada essa circunstância, a expressão matemática do conceito (se custo de aquisição ou custo de aquisição diminuído da depreciação acumulada) deve ser investigada a partir dos elementos que contribuíram para a formação da base de cálculo do imposto em períodos anteriores, de modo que, se o contribuinte era tributado pelo lucro real e, em razão disso, apropriou ao resultado despesa de depreciação, o valor contábil a ser considerado é o que consta de sua escrituração até o momento imediatamente anterior ao da opção pela tributação com base no lucro presumido, isto é, o custo de aquisição diminuído da depreciação acumulada. No caso vertente, entretanto, em que a própria Fiscalização afirma que a Recorrente optou pelo regime de tributação com base no lucro presumido desde o início de suas atividades, seja em virtude de ausência de previsão legal, seja em razão da ausência do cômputo da despesa em períodos anteriores, descabe falar subtração de depreciação acumulada do custo de aquisição na determinação do ganho de capital. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10835.000342/200664 Acórdão n.º 130200.551 S1C3T2 Fl. 300 2 LUCRO PRESUMIDO. OUTRAS RECEITAS. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO. Aplicase às receitas provenientes da atividade de arrendamento mercantil do imobilizado o coeficiente de 32%, previsto no art.519, §1º, III, “c” do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (Relator) que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo de Andrade. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator “documento assinado digitalmente” Eduardo de Andrade Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Sandra Maria Dias Nunes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10835.000342/200664 Acórdão n.º 130200.551 S1C3T2 Fl. 301 3 Relatório AGROPECUÁRIA SANTA INÊS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para o Programa de Integração Social), relativas ao ano calendário de 2001, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) falta de adição à base de cálculo do imposto e do adicional do ganho de capital auferido na alienação de bens do ativo permanente (a contribuinte não teria considerado a depreciação, majorando, assim, o custo correspondente); b) falta de adição à base de cálculo do lucro presumido da receita de arrendamento de veículos; e c) falta de adição à base de cálculo do lucro presumido de receitas financeiras relativas a descontos financeiros obtidos. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 160/168), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que, relativamente ao ganho de capital, pela leitura dos dispositivos legais e infralegais aplicáveis à espécie, concluirseia que a depreciação não deve ser considerada na apuração do valor contábil utilizado para a determinação do ganho de capital de contribuinte optante pela tributação com base no lucro presumido; que o conceito de ganho de capital para os contribuintes optantes pelo regime de tributação com base no lucro presumido estaria definido no art. 521, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR de 1999); que o dispositivo acima referenciado diz que o ganho corresponde à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil; que, por sua vez, o conceito de valor contábil acima mencionado deve ser entendido apenas como o custo de aquisição do bem; que o artigo 418, § 1°, não poderia ser considerado na apuração de eventual ganho de capital, pois tal dispositivo referese exclusivamente às empresas optantes pelo regime de tributação com base no lucro real; que, considerando que o regulamento destina um capítulo para regulamentar a apuração do ganho de capital no regime de tributação com base no lucro presumido e que não há previsão de aplicação subsidiária entre um regime e outro, não poderiam ser aplicadas as Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10835.000342/200664 Acórdão n.º 130200.551 S1C3T2 Fl. 302 4 disposições relativas ao lucro real às empresas optantes pela tributação com base no lucro presumido; que se a intenção fosse prever a depreciação no conceito do valor contábil para as optantes pelo lucro presumido, certamente estaria expressamente disposto tal exceção no capítulo destinado a esse tipo de tributação; que a intenção do legislador leva em conta o fato de que, na venda de bens com prejuízo, a perda não seja computada para fins de apuração do lucro presumido; que, diante do disposto no item anterior, não há que se falar na incidência de IRPJ na receita auferida na alienação dos veículos efetuada durante o 1° e 2° trimestres de 2001, por ausência de previsão legal; que, no que dizia respeito à receita de arrendamento de veículos, foi recolhido o IRPJ relativo a tais receitas, espontaneamente, no período exigido no auto de infração, conforme documento de arrecadação (Darf )anexo; que por ocasião da lavratura do auto de infração teria sido ignorado o recolhimento realizado por ela; que teriam sido recolhidos os tributos exigidos no auto de infração, relativos à falta de adição das receitas financeiras, conforme documento anexo. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 14 16.578, de 03 de agosto de 2007, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. O ganho de capital, para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, corresponde à diferença positiva entre o valor da alienação e o valor contábil, assim entendido o custo de aquisição do bem, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão acumulada, ainda que a empresa não mantenha escrituração contábil. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria regularmente notificada ao sujeito passivo que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, devendo ser considerada definitiva a exigência do crédito tributário a ela relativo. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. Auto de infração lavrado em procedimento decorrente deve ter o mesmo destino do principal, pela existência de uma relação de causa e efeito entre ambos. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10835.000342/200664 Acórdão n.º 130200.551 S1C3T2 Fl. 303 5 Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 265/277, por meio do qual, renovando os argumentos expendidos na peça impugnatória, aduz: que, como a atividade de arrendamento de veículos enquadrase na alínea "c" do inc. III, do art. 519, do RIR/99, não se aplica o art. 521 do mesmo diploma legal, como indicado no auto de infração; que o referido art. 519 não faz qualquer menção a não aplicação do percentual de 32% na hipótese da atividade exercida não estar previamente prevista no contrato social do contribuinte, bastando que a atividade seja exercida por ele; que a adição integral de tal receita à base de cálculo da CSLL e do IRPJ, como efetivado no Auto de Infração e mantido na decisão recorrida não tem fundamento legal e, portanto, deve ser afastada; que recolheu o Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativo a tais receitas, mediante a aplicação da base de cálculo de 32% (nos termos do art. 519, § 1º, inc. III, "c", do RIR/99), acrescido dos juros moratórios e multa, bem como o recolhimento da CSLL, conforme comprovam os documentos anexos (docs. 010203); que já tinha recolhido espontaneamente os valores relativos à incidência do PIS e COFINS sobre as receitas com arrendamento, conforme documentos anexos (Doc. 04 e 05), o que foi ignorado no acórdão recorrido; que em relação à incidência do PIS e COFINS sobre a receitas obtidas por meio de descontos financeiros, reitera que, após a ciência do auto de infração, recolheu o valor exigido, acrescido de juros e multa, conforme faz prova a cópia autenticada da guia do DARF juntada aos autos. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10835.000342/200664 Acórdão n.º 130200.551 S1C3T2 Fl. 304 6 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, relativas ao anocalendário de 2001, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) falta de adição à base de cálculo do imposto e do adicional do ganho de capital auferido na alienação de bens do ativo permanente (a contribuinte não teria considerado a depreciação, majorando, assim, o custo correspondente); b) falta de adição à base de cálculo do lucro presumido da receita de arrendamento de veículos; e c) falta de adição à base de cálculo do lucro presumido de receitas financeiras relativas a descontos financeiros obtidos. Delimito, em primeiro lugar, os contornos da lide instaurada a partir da interposição da impugnação administrativa. Para tanto, reproduzo os seguintes excertos do voto condutor da decisão exarada em primeiro grau: Cumpre inicialmente ressaltar que a contribuinte não contestou o lançamento relativo às receitas financeiras, devendo ser considerada definitiva a respectiva exigência. Portanto, cabe discutir o crédito tributário remanescente, conforme demonstrativo de fl. 240. No que diz respeito à tributação das receitas de arrendamento de veículos, a contribuinte alegou ter recolhido o respectivo imposto espontaneamente e que não teria sido considerado pelo autuante. Da análise dos documentos apresentados com o intuito de comprovar o pagamento espontâneo, verificase que os Darfs juntados às fls. 172, 173, 188, 207 e 229, referemse ao período de apuração 31/12/2002, enquanto o presente lançamento se refere ao anocalendário de 2001. Portanto, não ficou comprovado o alegado recolhimento espontâneo, devendo ser mantido o lançamento como efetuado. ... Apreciando a peça impugnatória apresentada, constato que, de fato, relativamente às receitas financeiras decorrentes de descontos financeiros obtidos, a contribuinte não apresentou argumentos para contraditar a imputação feita pela autoridade fiscal. Das infrações imputadas à Recorrente, pois, não foi instaurada controvérsia em relação as receitas financeiras tidas como não tributadas. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10835.000342/200664 Acórdão n.º 130200.551 S1C3T2 Fl. 305 7 Aditese que, em sede de recurso voluntário, a contribuinte apenas alega ter recolhido, após a ciência do auto de infração, o PIS e a COFINS incidentes sobre tais receitas financeiras, questão que, à evidência, não cabe a essa instância julgadora apreciar, mas, sim, ao órgão administrativo responsável pelo controle da extinção do crédito tributário lançado. Nesse diapasão, passo a analisar os demais argumentos trazidos pela Recorrente. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BENS A defesa apresentada pela Recorrente é dirigida no sentido de que, tratando se de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a depreciação não deve ser considerada na apuração do valor contábil utilizado para a determinação do ganho de capital. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 133/136, “a contribuinte alienou vários veículos durante os anos de 2001 a 2003, sendo que para fins de apuração do ganho de capital não considerou a depreciação acumulada, em que pese a empresa não ter escriturado as depreciações correspondentes em sua escrituração contábil” Resta ressaltado no referido Termo que a contribuinte optou pelo regime de tributação com base no lucro presumido desde o início de suas atividades. Como fundamento para a autuação, a autoridade fiscal indicou as orientações de preenchimento da DIPJ, o parágrafo 1º do art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), o parágrafo 1º do art. 418 do mesmo Regulamento e a Solução de Consulta nº 205, de 2003, da Superintendência Regional da Receita Federal em São Paulo. A citada Solução de Consulta nº 205, por sua vez, que pronuncia entendimento que converge para o esposado pela autoridade lançadora, aponta os seguintes fundamentos: Lei n° 9.249, de 1995, art. 17; DecretoLei n° 1.598, de 1977, art.31, § 1°; Decreto n° 3.000, de 1999, art. 219, art. 418, § 1º e art. 521, § 1°. A Turma julgadora de primeira instância, decidindo pela manutenção do lançamento, serviuse, basicamente, desses mesmos fundamentos. A questão, a meu ver, é tormentosa. Transcrevo, abaixo, a parte da legislação acima mencionada que mais diretamente pode contribuir para a solução da controvérsia. RIR/99 Art. 521, parágrafo 1º Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). § 1º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10835.000342/200664 Acórdão n.º 130200.551 S1C3T2 Fl. 306 8 variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. RIR/99 Art. 418, parágrafo 1º Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). DecretoLei n° 1.598, de 1977, art.31, § 1° Art. 31 Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte, corrigido monetariamente e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. Lei nº 9.249, de 1995, art. 17 Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data; II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. A partir de tal legislação, observo, em convergência com o alegado pela Recorrente, que não se pode afirmar que a legislação do imposto de renda, ao tratar especificamente da tributação com base no lucro presumido, tenha definido o conceito de VALOR CONTÁBIL. Isto porque o parágrafo 1º do art. 418 do RIR/99, que efetivamente cuidou de definir a citada expressão, encontrase inserido no capítulo VII do subtítulo III do Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10835.000342/200664 Acórdão n.º 130200.551 S1C3T2 Fl. 307 9 Regulamento do Imposto de Renda, que trata da apuração dos RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS das pessoas jurídicas submetidas ao LUCRO REAL. Cabe destacar que isso está em perfeita consonância com a norma legal de suporte (parágrafo 1º do art. 31 do Decreto Lei nº 1.598/77), que está inserida na sessão III (RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS) do capítulo II (LUCRO REAL) do diploma legal em referência. O parágrafo 1º do art. 521 do RIR/99, que contém a norma que trata de forma específica da tributação com base no lucro presumido, eis que inserida no capítulo II (GANHOS DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS) do subtítulo IV (LUCRO PRESUMIDO) do regulamento, não cuidou de explicitar o conceito da expressão VALOR CONTÁBIL. Não obstante tais considerações, poderseia argumentar que, no caso do lucro presumido, em que o contribuinte não está obrigado, para fins fiscais, a promover a escrituração completa de suas operações, a depreciação acumulada deveria compor necessariamente o valor contábil haja vista que, na determinação do percentual de presunção, tais dispêndios são considerados na parcela não submetida à incidência do imposto. Não me parece, contudo, que tal ilação possa ser acolhida, pois, diante da diversidade de taxas, da impossibilidade de identificação dos ativos passíveis de depreciação e do fato de que a depreciação constitui uma faculdade, se torna praticamente impossível definir uma percentagem capaz de refletir a despesa em questão. De qualquer forma, o que se pode afirmar de forma concreta é que a lei não explicitou o conceito da expressão VALOR CONTÁBIL contida no parágrafo 1º do artigo 521 do RIR/99. Discordo, assim, com a devida permissão, do entendimento esposado no acórdão nº 10323.041 (sessão de 24 de maio de 2007), em que o Relator, o ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, asseverou que a legislação, ao definir VALOR CONTÁBIL, não fez distinção entre as formas de apuração do resultado, pois, como visto, tal definição foi direcionada, apenas, para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real. A meu ver, considerada essa circunstância (ausência de definição legal), a expressão matemática do conceito (se custo de aquisição ou custo de aquisição diminuído da depreciação acumulada) deve ser investigada a partir dos elementos que contribuíram para a formação da base de cálculo do imposto em períodos anteriores, de modo que, se o contribuinte era tributado pelo lucro real e, em razão disso, apropriou no resultado despesa de depreciação, o valor contábil a ser considerado é o que consta de sua escrituração até o momento imediatamente anterior ao da opção pela tributação com base no lucro presumido, isto é, o custo de aquisição diminuído da depreciação acumulada. No caso vertente, entretanto, em que a própria Fiscalização afirma que a Recorrente optou pelo regime de tributação com base no lucro presumido desde o início de suas atividades, seja em virtude de ausência de previsão legal, seja em razão da ausência do cômputo da despesa em períodos anteriores, descabe falar em subtração de depreciação acumulada do custo de aquisição na determinação do ganho de capital. Acolho, pois, os argumentos da Recorrente relacionados ao presente item. ARRENDAMENTO DE VEÍCULOS Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10835.000342/200664 Acórdão n.º 130200.551 S1C3T2 Fl. 308 10 Aqui, a defesa apresentada pela contribuinte é concentrada, essencialmente, em três aspectos, quais sejam: a) a receita de arrendamento mercantil deveria ter sido submetida ao percentual de presunção, sendo irrelevante o fato de a atividade correspondente não estar prevista em seu contrato social; b) recolheu o Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativo a tais receitas, mediante a aplicação do percentual de 32% na determinação da base de cálculo, acrescido dos juros moratórios e multa, bem como a CSLL; e c) recolheu espontaneamente os valores relativos à incidência do PIS e COFINS sobre referidas receitas. Conforme documento de fls. 07/10 (CONTRATO PARTICULAR DE CONSTITUIÇÃO), a Recorrente foi constituída em agosto de 1997, tendo por objeto a exploração agrícola e pastoril, criação e comercialização de bovino e equinos, produção e comercialização de produtos agropecuários e a participação em outras sociedades, na qualidade de sócia quotista ou acionista. Em fevereiro de 2000, foi feita alteração contratual para constituição de filiais e inclusão, no objeto social, das atividades de industrialização, importação e exportação (fls. 11/12). Sucederamse novas alterações contratuais, em março de 2001 e julho de 2002, por meio das quais foram constituídas novas filiais (fls. 13/16). Em novembro de 2003, como assinalado pela autoridade autuante, a Recorrente, por meio da quarta alteração contratual, incluiu em seu objeto social o arrendamento do seu imobilizado. Atendendo intimação feita pela Fiscalização, a contribuinte apresentou planilha demonstrativa das receitas auferidas com o arrendamento de carretas (fls. 33) e o contrato correspondente, assinado com ALGODOEIRA PALMEIRENSE S/A – APSA em 07 de agosto de 2000. Resta evidente, a meu ver, que os arrendamentos de veículos promovidos pela Recorrente no período abrangido pela ação fiscal retratada nos autos efetivamente tiveram caráter eventual. Os elementos reunidos nos autos não autorizam sequer concluir que, a partir da alteração contratual feita em novembro de 2003, a Recorrente passou a explorar a atividade de arrendamento de veículos, visto que ao presente processo foi juntado um único contrato, em que tanto o representante da arrendante (a Recorrente) como o da arrendatária foi o Sr. ROBERTO FERNANDO DUARTE, o que aponta para indicação de que o negócio envolveu empresas ligadas. A eventualidade aqui assinalada está refletida nesses fatos, quais sejam, a existência de um único contrato e a ausência de previsão da atividade no ato constitutivo da Recorrente (ao menos no que diz respeito ao período alcançado pelo procedimento de fiscalização). Alegando que os valores objeto de lançamento foram recolhidos espontaneamente, a Recorrente aportou aos autos os documentos de fls. 278/282. Tais documentos já haviam sido apresentados por ocasião da interposição da impugnação (o de fls. 278, às fls. 172; o de fls. 279, às fls. 173; o de fls. 280, às fls. 229; o de Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10835.000342/200664 Acórdão n.º 130200.551 S1C3T2 Fl. 309 11 fls. 281, às fls. 188; e o de fls. 282, às fls. 207) e foram apreciados pela autoridade julgadora de primeira instância. O voto condutor da decisão ali exarada assinalou: No que diz respeito à tributação das receitas de arrendamento de veículos, a contribuinte alegou ter recolhido o respectivo imposto espontaneamente e que não teria sido considerado pelo autuante. Da análise dos documentos apresentados com o intuito de comprovar o pagamento espontâneo, verificase que os Darfs juntados às fls. 172, 173, 188, 207 e 229, referemse ao período de apuração 31/12/2002, enquanto o presente lançamento se refere ao anocalendário de 2001. Portanto, não ficou comprovado o alegado recolhimento espontâneo, devendo ser mantido o lançamento como efetuado. Destaco que a Recorrente não contraditou o pronunciamento acima. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir de tributação a matéria relativa ao GANHO DE CAPITAL. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10835.000342/200664 Acórdão n.º 130200.551 S1C3T2 Fl. 310 12 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo de Andrade, Redator Designado Neste julgado, manifestou o ilustre Conselheiro Relator Wilson Fernandes Guimarães seu posicionamento no sentido de que a prestação de serviços de arrendamento mercantil do ativo imobilizado da recorrente caracterizouse como eventual, pela existência de um único contrato e pela ausência de previsão da atividade no ato constitutivo da Recorrente (ao menos no que diz respeito ao período alcançado pelo procedimento de fiscalização). Neste sentido, entendeu que a adição de tais receitas deveria ser feita diretamente à base de cálculo do lucro presumido. Não obstante estar tal posição escorada em valiosos fundamentos, o colegiado divergiu, por maioria de votos, seguindo o entendimento de que tais receitas devem ser submetidas primeiramente à aplicação do coeficiente de 32%, previsto no art. 519, §1º, III, “c”, para então serem adicionadas à base de cálculo do lucro presumido. Assim, designado para redigir o voto vencedor, manifesto meu entendimento no sentido de que, no caso vertente, os serviços de arrendamento mercantil foram objeto de contrato que teve execução continuada, tendo sido assinado com ALGODOEIRA PALMEIRENSE S/A – APSA em 07 de agosto de 2000, ano anterior ao de apuração dos fatos geradores aqui discutidos (exercício de 2002). Demais disso, em novembro de 2003, conforme assinalado pela autoridade autuante, a Recorrente, por meio da quarta alteração contratual, incluiu em seu objeto social o arrendamento do seu imobilizado, fato que reforça a conclusão de que a atividade teve execução continuada. A existência de somente um contrato firmado, e que tal contrato tenha sido firmado com pessoa ligada, não elide a prestação da atividade, que foi computada nos documentos coligidos (declaração de rendimentos, com o cômputo dos rendimentos, contrato de arrendamento mercantil, e planilha fornecida à fiscalização, com os valores mensais da receita de arrendamento correspondente ao período de agosto/2000 a dezembro/2003 – fls.33 e 42/47). E, tendo em vista sua execução continuada, que se inicia em 2000, e prossegue até pelo menos novembro de 2003, ainda que tenham ocorridos intervalos neste interregno, não a considero eventual. A inclusão da atividade no contrato social em data posterior àquela relativa aos fatos geradores aqui discutidos também não pode obstar tal conclusão, especialmente em face da materialidade fática acostada. Ora, constatado por documentos que a atividade se desenvolveu ao longo de considerável lapso temporal, suficiente para, no mínimo, ultrapassar 3 anoscalendário (de agosto de 2000 a, no mínimo, novembro de 2003), que o negócio foi objeto de contrato escrito, que sobre tal atividade foram auferidas receitas (que foram declaradas), é Fl. 12DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10835.000342/200664 Acórdão n.º 130200.551 S1C3T2 Fl. 311 13 de se concluir que a materialidade fática não pode ser obstruída por mera questão formal relativa à regularização posterior do contrato social, havendose de privilegiar, no caso, o Princípio da Verdade Material. Assim, voto para dar provimento ao recurso nesta matéria, mantendose a tributação das receitas obtidas com arrendamento mercantil nos termos do art. 519, §1º, III, “c”, do RIR/99, com aplicação do coeficiente de 32% sobre as receitas brutas assim auferidas. Sala das Sessões, 31 de março de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Redator Designado Fl. 13DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10880.996932/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
IRPJ. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. OFERECIMENTO PARCIAL DE RECEITAS À TRIBUTAÇÃO.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). Na hipótese de as receitas terem sido submetidas ao crivo da tributação somente por meio de lançamento de ofício, o eventual saldo de imposto de renda retido na fonte não utilizado na dedução do IRPJ lançado de ofício deverá compor o saldo negativo pleiteado.
Numero da decisão: 1301-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional, em valores originais, de R$ 289.083,05, e homologar as compensações declaradas até esse limite.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. OFERECIMENTO PARCIAL DE RECEITAS À TRIBUTAÇÃO. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). Na hipótese de as receitas terem sido submetidas ao crivo da tributação somente por meio de lançamento de ofício, o eventual saldo de imposto de renda retido na fonte não utilizado na dedução do IRPJ lançado de ofício deverá compor o saldo negativo pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional, em valores originais, de R$ 289.083,05, e homologar as compensações declaradas até esse limite. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 69 32 /2 01 2- 89 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.996932/201289 Acórdão n.º 1301003.281 S1C3T1 Fl. 222 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: A contribuinte acima qualificada apresentou a Dcomp nº 09938.13024.030512.1.7.028946, relativamente a crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2009. Houve outras Declarações de Compensação que utilizavam o mesmo crédito. O direito creditório foi reconhecido parcialmente e a compensação declarada na Dcomp nº 09938.13024.030512.1.7.028946 homologada parcialmente. As demais Dcomps não foram homologadas. Pelo despacho decisório de fl. 8 o crédito foi reconhecido parcialmente em face de as retenções na fonte não terem sido confirmadas na totalidade. A justificativa para o não reconhecimento foi de que receitas de código 5706, correspondentes às retenções, foram oferecidas parcialmente à tributação (fls. 11 e 12). A ciência quanto ao referido despacho decisório ocorreu em 18 de dezembro de 2012, conforme AR à fl. 10. Em 16 de janeiro de 2013 foi protocolado o documento de fls. 14 a 20, no qual, após relato resumido dos fatos, é aduzido que: a) não há dúvida quanto à existência do saldo negativo uma vez as retenções terem ocorrido; b) em 2009 houve receitas auferidas a título de “Juros sobre o Capital Próprio” num total de R$ 73.512.994,79, com imposto retido na fonte no valor de R$ 10.970.399,13; c) “... é inequívoca a existência do crédito integral do saldo negativo de 2009 resultado do fato de a RECORRENTE ter apurado prejuízo fiscal nesse período (doc 9)”; d) “... ainda que a RECORRENTE não tivesse considerado as receitas de JCP na apuração do imposto de renda do anocalendário de 2009, tal fato não alteraria o crédito do período em face do prejuízo apurado”; e) “... o fato de oferecer ou não à tributação as receitas de JCP no ano em questão não retira o direito da RECORRENTE ao crédito do imposto de renda retido na fonte que compuseram o saldo negativo daquele ano”; f) esses fatos deveriam ter sido observados pela autoridade fiscal, sob pena de ferimento do princípio da verdade material, conforme doutrina e jurisprudência colacionadas; g) em observância ao disposto no art. 147, § 2º, do Código Tributário Nacional, “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.996932/201289 Acórdão n.º 1301003.281 S1C3T1 Fl. 223 3 Ao final, é requerido o reconhecimento total do direito creditório pleiteado e a consequente homologação das Dcomps. Ainda, há o protesto por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a juntada de outros documentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande – MS prolatou o Acórdão 0434.862 pelo qual a manifestação de inconformidade foi considerada improcedente. Devidamente cientificada, a interessada peticionou informando a lavratura de auto de infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins justamente sobre a diferença de receita de JCP que não teria sido oferecida à tributação no anocalendário de 2009 e implicou na desconsideração do respectivo IRRF na apuração do saldo negativo do IRPJ pleiteado nos presentes autos mediante compensação. Considerando que na apuração da exigência o IRRF não teria sido deduzido caberia, segundo a defesa, considerálo na apuração do saldo negativo objeto do pedido de compensação. Em sede de recurso voluntário, a interessada reitera as razões expedidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.996932/201289 Acórdão n.º 1301003.281 S1C3T1 Fl. 224 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A questão sob exame consiste na verificação quanto ao oferecimento à tributação dos rendimentos de juros sobre capital próprio no anocalendário de 2009 no montante de R$ 73.512.994,79; eis que o IRRF correspondente a esses pagamentos foram considerados na apuração do saldo negativo do IRPJ no período em questão, objeto do pedido de compensação de que tratam os autos. Sustenta a recorrente que, sendo inequívoca a retenção da fonte, o fato de as receitas não terem sido oferecidas à tributação não retira o direito ao crédito do IRRF na apuração do resultado do período. Quanto a essa questão, conforme jurisprudência consolidada nesta Corte, não assiste razão à demandante. O oferecimento à tributação das receitas que sofreram retenção do IRF é condição essencial para que o imposto retido seja deduzido na apuração do resultado do exercício. O Enunciado da Súmula CARF nº 80 é cristalino: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. No que se refere à autuação para cobrança desses receitas onde, segundo a interessada, não teria sido deduzido o IRRF, foi juntado aos autos o acórdão 0263.076 prolatado pelo Órgão julgador de primeira instância no processo em questão (processo 10314.725666/201406). A referida decisão retificou o lançamento e considerou o IRRF na apuração o que gerou, inclusive, o cancelamento da exigência do IRPJ. A esse respeito, e com base nos debates na primeira sessão em que o presente processo foi pautado para julgamento, assim esclareceu o patrono (fl. 220): Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.996932/201289 Acórdão n.º 1301003.281 S1C3T1 Fl. 225 5 Sobre o aproveitamento de IRRF, o voto condutor da decisão de primeira instância no processo relativo ao auto de infração (10314.725666/201406), assim se manifestou: [...] Não consideração dos valores de IRRF 29. O contribuinte argumenta que não foram deduzidos os valores referentes ao IRRF quando do pagamento dos rendimentos, e que tal IRF tem característica de antecipação do imposto devido na declaração de rendimentos (Lei nº 9.249, de 1995). 29.1 Alega ainda que tal procedimento tornou incontroverso o direito de crédito da impugnante pleiteado no processo 10880.996932/201289. 30. O fisco esclareceu que, apesar de não oferecer tais rendimentos à tributação, o contribuinte deduziu em sua DIPJ o IRF correspondente aos valores omitidos, utilizando o Saldo Negativo de IRPJ apurado na DIPJ em compensações de débitos efetuadas através de PER/DCOMP. 30.1 As DCOMP's apresentadas pelo contribuinte já foram analisadas pelo fisco e resultou na HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das compensações declaradas, com o reconhecimento e utilização do crédito no importe de R$ 3.011.165,17. O procedimento está cadastrado no processo 10880.996932/2012 89. 30.2. Apesar de confirmado o IRF apontado pelo contribuinte na DIPJ, o pretenso crédito não foi reconhecido integralmente pela DRF considerando que a totalidade das receitas correspondentes não foram oferecidas à tributação. O valor glosado importou em R$9.919.247,90. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10880.996932/201289 Acórdão n.º 1301003.281 S1C3T1 Fl. 226 6 30.2.1 A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte quanto à não homologação das compensações em comento já foi apreciada pela DRJ através do Acórdão 0434.862 2ª Turma da DRJ/CGE, aos 18/02/2014, que manteve o decidido pela DRF, pelos mesmos motivos. 31. De pronto, cabe esclarecer que o litígio instaurado no processo 10880.996932/201289 não faz parte da lide deste processo e os argumentos apresentados pelo contribuinte acerca da demanda nele contida não serão apreciados neste processo. 32. Por outro lado, o RIR, de 1999 assim dispõe: [transcrição do artigo 668 do RIR/99] 33. Notese que, considerando o imposto retido como antecipação do devido, apurada a omissão de receitas, o imposto retido deve ser abatido do valor apurado para cálculo do valor devido. Neste contexto, considerando a omissão de rendimentos apurada pelo fisco, temse: OMISSÃO DE RENDIMENTOS IRF mar/09 20.678.498,90 3.101.774,83 jun/09 21.750.250,37 3.262.537,55 dez/09 23.618.278,99 3.542.741,85 SOMA 66.047.028,26 9.907.054,23 33.1 O IRF identificado no demonstrativo acima está confirmado pelas DIRF's apresentadas pelas fontes pagadoras é dedutível do IRPJ apurado pelo fisco quando do lançamento de ofício. 34. O IRPJ apurado pelo fisco importou em R$ 9.630.164,85, de modo que, considerando o imposto retido pelas fontes pagadoras, o valor apurado já se encontrava extinto pelo imposto antecipado quando da emissão do Auto de Infração. Desta feita o crédito tributário referente ao IRPJ apurado pelo fisco deve ser exonerado. 35. Cabe esclarecer que, uma vez utilizado o IRF acima identificado na extinção do crédito apurado pelo fisco, este não pode ser utilizado na dedução do IRPJ apurado pelo contribuinte na DIPJ e consequentemente não pode ser utilizado como crédito compensável em DCOMP. [grifos nossos] 35.1 Neste contexto, cabe à DRF de origem anexar ao processo 10880.996932/201289 uma cópia do Acórdão prolatado neste processo para que a autoridade julgadora encarregada do julgamento de eventual Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte naquele processo tome ciência da utilização do IRF utilizado como componente do Saldo Negativo de IRPJ AC 2009 na extinção do IRPJ apurado pelo fisco neste processo. [...] O entendimento esposado nessa decisão, a meu ver, está correto, tendo em vista que não há como utilizar os valores em duplicidade. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10880.996932/201289 Acórdão n.º 1301003.281 S1C3T1 Fl. 227 7 Levandose em consideração que o valor incontroverso de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre tais rendimentos, de acordo com a tabela elaborada pela DRJ, foi de R$ 9.907.054,23 (proporcionalmente aos rendimentos não oferecidos à tributação espontaneamente), e deduziuse no auto de infração somente R$ 9.630.164,85, restaria um saldo de R$ 276.889,38 não utilizado, e, considerandose superados os óbices do enunciado 80 da Súmula CARF já transcrita alhures em razão do auto de infração lavrado, haveria de se reconhecer esse saldo a favor do contribuinte. Vejase que esse valor difere do pleiteado pela Recorrente, no total de R$ 289.083,05. Analisando as informações, entendo que o valor apontado pela Recorrente está correto. Saliento que no quadro elaborado pela Recorrente e reproduzido na folha anterior deste voto consta que o saldo negativo pleiteado seria de R$ 10.970.399,13, contudo, o saldo originalmente requerido era de R$ 12.930.413,07 (conforme PER/Dcomp apresentada fl. 3, e despacho decisório à fl. 8), e o saldo deferido inicialmente foi de R$ 3.011.165,17, o que importaria um saldo não reconhecido de R$ 9.919.247,90. Contudo, esse montante informado pelo contribuinte não seria o saldo negativo não pleiteado, mas sim o valor proporcional desse saldo decorrente do IRRF não reconhecido em razão dos rendimentos de JCP não oferecidos à tributação. Essa conclusão pode ser extraída do demonstrativo de fl. 11 Despacho Decisório/Análise de Crédito, levandose em consideração justamente os valores não confirmados de IRRF proporcionais aos rendimentos de JCP não oferecidos à tributação, conforme reproduzido a seguir. Logo, deduzindose do saldo não reconhecido inicialmente de R$ 9.919.247,90, o valor de IRRF já utilizado no auto de infração (R$ 9.630.164,85), implica o reconhecimento adicional de crédito de R$ 289.083,05. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10880.996932/201289 Acórdão n.º 1301003.281 S1C3T1 Fl. 228 8 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional, em valores originais, de R$ 289.083,05, e homologar as compensações declaradas até esse limite. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 228DF CARF MF
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