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Numero do processo: 11634.000154/2007-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PARTICIPAÇÃO AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO A UTO DE INFRAÇÃO
E passível de dúvida a remessa de recursos financeiros se não consta assinatura do contribuinte nos elementos probatórios, nem se comprova de outra forma a participação do contribuinte no esquema fraudulento, o que enseja a nulidade do lançamento fiscal por instrução insuficiente do Auto de Infração.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 07/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 01 54 /2 00 7- 46 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 07/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão de n° 2201 00.394, proferido em 20/08/2009, interpõe Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 11/04/2011, conforme Intimação constante às fls. 234, a digna representante da Fazenda Nacional protocolizou o Recurso Especial, em 11/04/2011, isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do art.68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Suscita a recorrente que, nos termos do art. 67 do Regimento Interno, compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Em sessão plenária de 20/08/2009, a 1ª Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgou o Recurso Voluntário n° 161.247, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 2201 00.394,assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — PARTICIPAÇÃO —AUSÊNCIA DE PROVAS — NULIDADE DO A UTO DE INFRAÇÃO Fl. 344DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 11634.000154/200746 Acórdão n.º 9202002.550 CSRFT2 Fl. 15 3 E passível de dúvida a remessa de recursos financeiros se não consta assinatura do contribuinte nos elementos probatórios, nem se comprova de outra forma a participação do contribuinte no esquema fraudulento, o que enseja a nulidade do lançamento fiscal por instrução insuficiente do Auto de Infração. Recurso Provido. A decisão foi assim resumida: ACORDAM os membros da 2' câmara /Ia turma ordinária do SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Relator) e Pedro Paulo Pereira Barbosa.Fará o Voto Vencedor a Conselheira Janaina Mesquita Lourenço de Souza. O recurso está manejado quanto à discussão quanto ao ônus probatório sobre a apuração de acréscimo patrimonial baseado em remessas para o exterior. Para arrimar sua pretensão, a PGFN apresenta os seguintes acórdãos como paradigmas: 280100.245 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Anocalendário: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.A incidência do IRPF sobre o acréscimo patrimonial a descoberto tem fundamento em lei, especificamente no § P, do artigo 3° da Lei 7.713/88. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS INSTRUÇÃO OPÇÃO PELA DECLARAÇÃO EM SEPARADO Somente são dedutíveis na Declaração de Rendimentos as despesas médicas e de instrução realizadas com o próprio contribuinte ou seus dependentes. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n°. 14, do Primeiro Conselho de Contribuintes). Recurso parcialmente provido. 10249.272 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 4 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbrando qualquer prejuízo ao Recorrente pela não obtenção de seu dossiê, não há que se falar em cerceamento de defesa. PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO O prazo de decadência nos casos de dolo, fraude ou simulação tem o dies a quo deslocado para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pela combinação dos arts. 150, PP, e 173,1, do CTN. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA A ausência de prova da ocorrência das doações efetuadas em favor do Recorrente, em somas absolutamente incompatíveis com os rendimentos dos doadores, justifica a manutenção da multa qualificada de 150%. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos, que não pode ser substituída por meras alegações. EXCESSO DE EXAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE PROVA QUE CONFIRME A EXISTÊNCIA DE DOLO ESPECIFICO PELAS AUTORIDADES. INCOMPETÊNCIA DESTE ÓRGÃO PARA APRECIAÇÃO DE ILÍCITOS PENAIS. A total ausência de prova que permita a constatação de que a autoridade fiscal agiu de maneira dolosa exclui a possibilidade de alegação de excesso de exação. Incompetência deste Primeiro Conselho de Contribuintes para aferição de ilícitos penais. Recurso negado. 10196.668 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendàrio: 2001 DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em caso de dolo, fraude, dolo ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência se rege pelo artigo 173, inciso I, do CTN MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150% e correta a elaboração da representação fiscal para fins penais. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 11634.000154/200746 Acórdão n.º 9202002.550 CSRFT2 Fl. 16 5 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula Io CCn° 4). Recurso Negado. Em Despacho n 220000.386 – 2ª Câmara [fls. 262 e ss], o i. Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção deu seguimento PARCIAL ao recurso especial – matérias devolvidas: “questões da suficiência das provas e do ônus probatório” , tendo vislumbrado a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigma, motivo pelo qual entendeu que está configurada divergência jurisprudencial apontada: Do simples confronto do voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos dois primeiros acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado aos mesmos fatos, que no caso em questão são a suficiência de provas, o onus probatório e a qualificação da multa. Assim, o mero cotejo do voto condutor do acórdão recorrido com as ementas e votos dos dois primeiros acórdãos paradigmas colacionados, de n° 280100.245 e n° 102 49.272, já caracteriza as divergências, relativamente à suficiencia de provas e ao ônus da prova. Isto porque, no que se refere à primeira matéria, o aresto recorrido considerou que deveria constar a "assinatura do contribuinte ou outro elemento que demonstre a participação do mesmo no esquema." (fl. 233) afirmando também que "a simples menção do nome do contribuinte nos citados documentos não é suficiente para afirmar seu envolvimento no esquema..." (fl. 233) Já no acórdão paradigma n° 280100.245 encontrase o seguinte: "Verificase nos autos, às folhas 170 e seguintes, que a Recorrente juntamente com seu cônjuge, ...foram ordenantes de uma remessa ao exterior, de U$$ 50.000 (cinqüenta mil dólares), fls. 26, para serem creditados na conta de YORKNY 100223703, devidamente comprovados pelo Laudo de Exame Econômico Financeiro de Peritos Criminais Federais, fls. 27/34." Segundo o voto condutor do julgado, "Tais documentos diferentemente do que afirma a Recorrente não podem ser atribuídos como "mero indícios"." (fl. 249verso). Diante de uma mesma situação, que é de avaliação dos documentos acostados aos autos, o acórdão recorrido entendeu que o relatório elaborado pelos Peritos Criminais Federais "é apócrifo" (fl. 233), ao passo que o aresto colacionado pelo recorrente considera o mesmíssimo relatório prova hábil e idônea da participação do sujeito passivo nas operações. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 6 Igualmente, o aresto guerreado considerou ser ónus do Fisco a prova de participação do recorrente no esquema de remessas para o exterior, enquanto o julgado paradigma entende que "é obrigação do autuado sua produção" (fl. 255verso), a produção de provas de que os recursos não lhe pertencem. Comprovada, assim, a divergência no que tange à segunda matéria questionada, relativa ao ônus da prova. Quanto à qualificação da multa, terceira matéria levantadaa no recurso especial, verificase que a mesma não faz parte da decisão, que está centrada na declaração de nulidade do lançamento. Em momento oportuno, poderá o representante da Fazenda Nacional suscitar tal matéria. Não se estabelece, portanto, a terceira divergência arguida, de qualificação da multa. Devidamente intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões que reitera os argumentos dispostos no decisum recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O presente recurso especial é tempestivo, conforme informação da intimação disposta às folhas 234235 [intimação em 11/04/2011 e interposição no mesmo dia]. Antes de proceder à análise de ditos julgados, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, assim entendida a diversidade de interpretações conferidas lei tributária, conforme previsto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.Desta forma, tornase imprescindível a transcrição dos artigos 67 ao 71, que disciplinam a interposição de recurso à E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, in verbis: Seção II Do Recurso Especial Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 11634.000154/200746 Acórdão n.º 9202002.550 CSRFT2 Fl. 17 7 § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à materia prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.{1} § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício.{1} Art. 68. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data da ciência da decisão. § 1° Interposto o recurso especial, compete ao presidente da câmara recorrida, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negarlhe seguimento. § 2° Se a decisão contiver matérias autônomas, a admissão do recurso especial poderá ser parcial. Art. 69. Admitido o recurso especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, dele será dada ciência ao sujeito passivo, assegurandolhe o prazo de 15 (quinze) dias para oferecer Fl. 349DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 8 contrarrazões e, se for o caso, apresentar recurso especial relativa à parte do acórdão que lhe foi desfavorável. Art. 70. Admitido o recurso especial interposto pelo contribuinte, dele será dada ciência ao Procurador da Fazenda Nacional, assegurandolhe o prazo de 15 (quinze) dias para oferecer contrarrazões. Art. 71. O despacho que rejeitar, total ou parcialmente, a admissibilidade do recurso especial será submetido à apreciação do Presidente da CSRF. § 1° O Presidente do CARF da CSRF poderá designar conselheiro da CSRF para se pronunciar sobre a admissibilidade do recurso especial interposto. § 2° Na hipótese de o Presidente da CSRF entender presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso especial terá a tramitação prevista nos art. 69 e 70, dependendo do caso. § 3° Será definitivo o despacho do Presidente da CSRF que negar ou der seguimento ao recurso especial. Tratase de Recurso Especial em face de decisão que deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Camara ou Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Razão pela qual são rígidos os pressupostos para a sua admissibilidade. E o primeiro deles é exatamente a identidade fática entre os acórdãos que se pretende cotejar. Isso porque, se é certo que a divergência diz respeito a questão de direito e nunca a questão de fato, é evidente que se os fatos são diversos a interpretação da norma jurídica não pode ter sido divergente. Importa salientar que se trata de Recurso Especial Divergência, e esta somente se caracteriza quando, em situações idênticas, de fato e de direito, são adotadas soluções diversas. Ademais, o ônus de demonstrar fundamentadamente a alegada divergência é do recorrente, conforme bem especifica o art. 67 e seus §§, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Feitas estas considerações, passase à análise do acórdão paradigma, a ver se efetivamente retrataria situação idêntica Aquela verificada no acórdão recorrido. Isso porque o Julgador é livre para formar sua convicção, e esta encontrase atrelada ao conjunto probatório constante de cada processo, mormente quando se trata de matéria de prova. Em Despacho n 220000.386 – 2ª Câmara [fls. 262 e ss], o i. Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção deu seguimento PARCIAL ao recurso especial – matérias devolvidas: “questões da suficiência das provas e do ônus probatório” , tendo vislumbrado a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigma, motivo pelo qual entendeu que está configurada divergência jurisprudencial apontada: Do simples confronto do voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos dois primeiros acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado aos Fl. 350DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 11634.000154/200746 Acórdão n.º 9202002.550 CSRFT2 Fl. 18 9 mesmos fatos, que no caso em questão são a suficiência de provas, o onus probatório e a qualificação da multa. Assim, o mero cotejo do voto condutor do acórdão recorrido com as ementas e votos dos dois primeiros acórdãos paradigmas colacionados, de n° 280100.245 e n° 102 49.272, já caracteriza as divergências, relativamente à suficiencia de provas e ao ônus da prova. Isto porque, no que se refere à primeira matéria, o aresto recorrido considerou que deveria constar a "assinatura do contribuinte ou outro elemento que demonstre a participação do mesmo no esquema." (fl. 233) afirmando também que "a simples menção do nome do contribuinte nos citados documentos não é suficiente para afirmar seu envolvimento no esquema..." (fl. 233) Já no acórdão paradigma n° 280100.245 encontrase o seguinte: "Verificase nos autos, às folhas 170 e seguintes, que a Recorrente juntamente com seu cônjuge, ...foram ordenantes de uma remessa ao exterior, de U$$ 50.000 (cinqüenta mil dólares), fls. 26, para serem creditados na conta de YORKNY 100223703, devidamente comprovados pelo Laudo de Exame Econômico Financeiro de Peritos Criminais Federais, fls. 27/34." Segundo o voto condutor do julgado, "Tais documentos diferentemente do que afirma a Recorrente não podem ser atribuídos como "mero indícios"." (fl. 249verso). Diante de uma mesma situação, que é de avaliação dos documentos acostados aos autos, o acórdão recorrido entendeu que o relatório elaborado pelos Peritos Criminais Federais "é apócrifo" (fl. 233), ao passo que o aresto colacionado pelo recorrente considera o mesmíssimo relatório prova hábil e idônea da participação do sujeito passivo nas operações. Igualmente, o aresto guerreado considerou ser ónus do Fisco a prova de participação do recorrente no esquema de remessas para o exterior, enquanto o julgado paradigma entende que "é obrigação do autuado sua produção" (fl. 255verso), a produção de provas de que os recursos não lhe pertencem. Comprovada, assim, a divergência no que tange à segunda matéria questionada, relativa ao ônus da prova. Quanto à qualificação da multa, terceira matéria levantada no recurso especial, verificase que a mesma não faz parte da decisão, que está centrada na declaração de nulidade do lançamento. Em momento oportuno, poderá o representante da Fazenda Nacional suscitar tal matéria. Não se estabelece, portanto, a terceira divergência arguida, de qualificação da multa. Dessa forma, conheço do Especial interposto. Da análise do Recurso Especial interposto verifico que a autuação se trata, [folhas 228 e ss]: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 10 Tratase de exigência de IRPF com valor total de R$ 132.410,16, já incluído os acréscimos legais cabíveis, calculados até 30/03/2007. A infração apurada pela fiscalização foi de acréscimo patrimonial a descoberto relativo ao mês de agosto de 2002. A autuação teve origem em investigações realizadas em contribuintes que movimentavam recursos no exterior em contas do "Beacon Hill Service Corporation", representando doleiros brasileiros e/ou empresas "off shore". Ressaltese que o auto de infração em apreço referese ao reexame dos procedimentos fiscais originalmente constituídos por meio do processo administrativo n° 11.634.000502/200602, que por ocasião do julgamento pela 4a Turma da DRJ Curitiba/PR, constatouse que uma das remessas ordenadas pelo interessado, no valor de US$ 50.000,00 e datada de 02/08/2002, não fez parte do referido lançamento. Assim, em cumprimento ao disposto no art. 906 do RIR/99, foi determinado o reexame do período anteriormente fiscalizado. Segundo consta dos autos, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto, pois “os elementos apresentados pelo Fisco não se converteram emprovas aptas ao nosso convencimento. O artigo 142 do CTN e o artigo 9o, caput, do Decreto n°70.235/1972 determinam que o auto de infração deve estar instruído com as provas do fato jurídico tributário” [fl. 233]. Não obstante os argumentos colacionados pela PGFN, entendo que o acórdão recorrido não merece reforma. Dito isso, peço vênia para colacionar ao presente excerto do voto vencedor prolatado pela i. Conselheira Janaina Mesquita Lourenço de Souza [fls. 231 e ss]: […] Não obstante ao respeitável voto do ilustre relator, Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, peço vénia para apontar possível nulidade do auto de infração decorrente dainobservância ao Art. 142 do Código Tributário Nacional, pelos seguintes fundamentos. O dispositivo acima citado assim dispõe: "Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido,identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. "Portanto, sendo o lançamento ato vinculado que declara a obrigação tributária e constituí o crédito tributário, exige da autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e aplicar a penalidade legal. Vale dizer, entretanto, que tudo isso só é possível mediante a instauração do devido procedimento administrativo fiscal. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 11634.000154/200746 Acórdão n.º 9202002.550 CSRFT2 Fl. 19 11 Com o ato do lançamento, nos termos acima, surge a possibilidade do sujeito ativo (o Ente Federado) exigir do sujeito passivo (o devedor do tributo), o crédito tributário constituído. Contudo, o lançamento ao constituir a relação de responsabilidade, identifica o sujeito passivo, individualizando a relação obrigacional, verificando quais aqueles que seenquadram nas condições previstas pela hipótese de incidência da lei, e faz surgir o vinculo patrimonial entre os sujeitos ativo e passivo. Entretanto, ao analisar este caso concreto verificase a ausência deprocedimento administrativo capaz de identificar o sujeito passivo da obrigação tributária. Senão vejamos. Nas razões de Recurso Voluntário o contribuinte nega ter realizado asinfrações tributárias devidamente tipificadas no presente Auto de Infração, ou seja, não assumeter efetuado as remessas para o exterior, calcando sua defesa na inexistência de provasinequívocas de que ele as tivesse efetuado. Por outro lado, como provas da ocorrência do fato gerador por parte dosujeito passivo, a autoridade fiscal autuante junta para instruir o Auto de Infração "Laudo deExame Econômico Financeiro", n° 1258/04 INC (fls. 21/27) elaborado pelos Srs. PeritosCriminais Federais do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal,confirmando a autenticidade das mídias computacionais apresentadas pela Promotoria doDistrito de Nova Iorque. O douto relator justifica em seu voto que no item 28 do Laudo (fls. 34) restaesclarecido que as planilhas foram confeccionadas em um tipo de mídia óptica que permite agravação permanente de informações sem a possibilidade de alterações posteriores, tendo sidoprocedida, inclusive, a uma autenticação eletrônica dos arquivos. Também aduz que o Laudo ea mídia gravada representam fielmente todos os documentos citados no próprio Laudo e osdados constantes em anexo, por sua vez, reproduzem (até pela impossibilidade de suaalteração) dados constantes da mídia. Por estes documentos entende comprovadas as ordens de pagamentos feitaspelo recorrente na transação n° 0231700214ES especificada no dia 2/8/2002, para a contaYORK NY 100223703. Nulidade do lançamento fiscal por instrução insuficiente do Auto de InfraçãoV.m.j, assiste razão ao recorrente ao afirma a imprestabilidade das provasutilizadas pela autoridade fiscal autuante para instruir o Auto de Infração. Cabe aduzir que foram juntadas como provas da infração fiscal documentosem língua estrangeira e provas emprestadas. O Laudo de Exame EconômicoFinanceiro", n°1258/04 INC (fls. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 12 21/27) elaborado pelos Srs. Peritos Criminais Federais do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, confirmando a autenticidadedas mídias computacionais apresentadas pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque, que nãopode ser considerado documento hábil para conferir a certeza de um fato econômico tributário,por ser apócrifo. A administração tributária não pode se basear no referido documento paracertificar a ocorrência do fato gerador pois não participou da foração de tal laudo, de modo aconhecer os elementos manipulados pelos peritos. Além disso, meras cópias de trechos derelatório, montados a partir de mídia eletrônica, sem qualquer juntada dos documentos que oembasaram, não se constitui em prova suficiente para imputar ao recorrente a responsabilidadepela movimentação de valores na conta YORK NY 100223703. Ademais, a autuação baseouse em cópias de transcrição das operações emque o contribuinte aparece como ordenante/beneficiário e/ou cópias de ordens de pagamentosreferentes às operações nas quais não consta a assinatura do contribuinte ou outro elemento quedemonstre a participação do mesmo no esquema. A simples menção do nome do contribuinte nos citados documentos não ésuficiente para afirmar seu envolvimento no esquema, tendo em vista que os reais autoressabiam que se tratava de atividade fraudulenta, podendo preencher tais pedidos de remessa aseu belprazer. Outrossim, em relação às operações em que o contribuinte consta comobeneficiário/remetente, é inconcebível a ausência da prova individualizada de taisrecebimentos, pois, das duas uma: ou o contribuinte obteve os recursos em sua conta corrente(existente no exterior); ou teve que assinar recibo dos valores auferidos. Nesse caso, o Fiscodeveria apresentar as provas da existência dessa contacorrente de titularidade do sujeito passivo ou os recibos de pagamento por ele firmados. Os indícios de que o recorrente tenha sido o efetivo ordenador/beneficiáriodos pagamentos não são suficientes para comprovar sua participação. Como o cerne da questãotrata sobre a prova dos rendimentos tributáveis, elemento positivo da base de cálculo, oencargo probatório é do Fisco, pois, a contrário senso, traria demonstração extremamente custosa senão impossível ao contribuinte. Segundo lição do Eminente Professor Paulo de Barros Carvalho a provaindiciária sempre fica sujeita à análise dos elementos vinculados ao fato. Os arquivosmagnéticos (ou mídias computacionais apresentadas pela Promotoria do Distrito de NovaIorque) constituem meros indícios, não prova definitiva capaz de sustentar um lançamentotributário, a menos que haja concordância expressa do sujeito passivo. Diante de tudo o que foi exposto, é passível de dúvida a autoria dasremessas/recebimentos de divisas, pois o Fisco não esclarece como foram produzidos oselementos de prova, nem comprova, de Fl. 354DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 11634.000154/200746 Acórdão n.º 9202002.550 CSRFT2 Fl. 20 13 outra forma, a participação do sujeito passivo nasmencionadas remessas/recebimentos. O princípio da tipicidade revela que a competência impositiva fiscal deve serexercida de modo mais exaustivo. O lançamento fiscal não pode se valer de sua própria dúvida. A certeza e a segurança jurídicas envoltas no princípio da reserva legal (artigos 3 o e 142 doCTN) não comportam infidelidades nos lançamentos fiscais. Dessa forma, os elementos apresentados pelo Fisco não se converteram emprovas aptas ao nosso convencimento. O artigo 142 do CTN e o artigo 9o , caput, do Decreto n°70.235/1972 determinam que o auto de infração deve estar instruído com as provas do fatojurídico tributário. Por derradeiro, diante do exposto pesa sobre o lançamento fiscal em tela vícioinsanável, de origem, que macula o Auto de Infração de forma irreversível. Na mesma linha dos fundamentos acima expostos, cito a seguinte ementa: Ementa: .... "ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO OPERAÇÕES BANCÁRIAS NO EXTERIOR – ILEGITIMIDADEPASSIVA PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária parareferendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituídade indícios que sejam veementes, graves, precisos econvergentes, que examinados em conjunto levem aoconvencimento do julgador. " (Ac. mv. 4". Sessão de 26/06/2008. Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes 1 °Conselho de Contribuintes, 4a Câmara, Recurso Voluntário n.155.522, Relatora Conselheira Heloisa Guarita Souza CONCLUSÃO: Pelo exposto, estando o acórdão recorrido em sintonia com os dispositivos legais que regulam a matéria, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da nobre Procuradoria, pelas razões de fato e de direito acima expostas. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 355DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 14 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R
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Numero do processo: 13770.001032/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2006
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
VÍNCULO EMPREGATÍCIO. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL.
A Lei nº 4.886/1965 determina que o contrato de representação comercial poderá prever a exclusividade do representante, bem como a vedação de que os serviços sejam prestados à outra empresa concorrente do mesmo ramo ou atividade, não servindo tais elementos para caracterizar a relação como empregatícia.
Somente quando verificados a subordinação, onerosidade e não eventualidade é que será reconhecido o vínculo empregatício entre tomador e prestador de serviços.
GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DO TRIBUTO.
O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, que impõe a responsabilidade solidária das empresas do mesmo grupo econômico pelo pagamento das contribuições previdenciárias, deve ser interpretado conforme os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da matéria, quais sejam, os arts. 124 e 128.
Restando comprovado pela fiscalização que as empresas apontadas como co-responsáveis compartilhavam de mesma estrutura, sócios e
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso Voluntário nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do (a) Relator(a). Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Declaração de voto
Presentes à sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. A Lei nº 4.886/1965 determina que o contrato de representação comercial poderá prever a exclusividade do representante, bem como a vedação de que os serviços sejam prestados à outra empresa concorrente do mesmo ramo ou atividade, não servindo tais elementos para caracterizar a relação como empregatícia. Somente quando verificados a subordinação, onerosidade e não eventualidade é que será reconhecido o vínculo empregatício entre tomador e prestador de serviços. GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DO TRIBUTO. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, que impõe a responsabilidade solidária das empresas do mesmo grupo econômico pelo pagamento das contribuições previdenciárias, deve ser interpretado conforme os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da matéria, quais sejam, os arts. 124 e 128. Restando comprovado pela fiscalização que as empresas apontadas como co-responsáveis compartilhavam de mesma estrutura, sócios e MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso Voluntário nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do (a) Relator(a). Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes Relator (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de voto Presentes à sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes.
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Recorrente BARTER COMERCIO INTERNACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. A Lei nº 4.886/1965 determina que o contrato de representação comercial poderá prever a exclusividade do representante, bem como a vedação de que os serviços sejam prestados à outra empresa concorrente do mesmo ramo ou atividade, não servindo tais elementos para caracterizar a relação como empregatícia. Somente quando verificados a subordinação, onerosidade e não eventualidade é que será reconhecido o vínculo empregatício entre tomador e prestador de serviços. GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DO TRIBUTO. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, que impõe a responsabilidade solidária das empresas do mesmo grupo econômico pelo pagamento das contribuições previdenciárias, deve ser interpretado conforme os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da matéria, quais sejam, os arts. 124 e 128. Restando comprovado pela fiscalização que as empresas apontadas como co responsáveis compartilhavam de mesma estrutura, sócios e MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 10 32 /2 00 7- 38 Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 2 O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso Voluntário nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do (a) Relator(a). Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de voto Presentes à sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrado em face da BARTER COMERCIO INTERNACIONAL, do qual foi notificado em 26/07/2007, uma vez teria sido identificada a existência de vínculo empregatício em relação a alguns segurados, Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 2301002.965 S2C3T1 Fl. 2.578 3 exigindose a contribuição previdenciária devida pela empresa, pelos segurados, inclusive o SAT/RAT e as destinadas a Terceiros. Afirma o Relatório Fiscal (fls. 427/452) que a autuada faz parte de um grupo econômico, formado por empresas de mesmo objeto social ou de mesmo segmento econômico, ou ainda de atividades que se complementam, com sócios e diretores comuns, alguns com relação de parentesco. Além disso, algumas empresas exercem suas atividades dentro das instalações da BARTER, sem que tenham estabelecimento e endereço próprio, sendo também comum o setor responsável pela sua contabilidade. Entre a BARTER e a empresa BETRA TRADING S/A, houve a transferência de funcionários sem a respectiva rescisão do contrato de trabalho, tendo a primeira assumido total responsabilidade pela continuidade do contrato. Aliás, o item 3 do Termo de Transferência admite que as empresa participam de mesmo grupo econômico. Entendeu a fiscalização que os trabalhadores tidos como empresários, titulares de firmas individuais e contribuintes individuais, que recebiam comissão de vendas, na verdade eram autênticos empregados da empresa, tendo em vista a prestação de serviços de forma direta, habitual, remunerada, pessoal, subordinada e exclusiva à empresa tomadora dos serviços. Segundo o Relatório Fiscal, as atividades desenvolvidas por esses empregados de fato eram essenciais à execução de suas atividadesfim, ligados à exportação, intermediação e agenciamento, objeto social da empresa. Uma vez que a empresa terceirizou todos esses serviços essenciais e permanentes, não possuindo empregado até junho/2003, estando inseridos na dinâmica normal da empresa e nos fatores de produção, seriam considerados como empregados. Em relação a alguns desses trabalhadores, estes eram no passado empregados da empresa, que foram demitidos e contratados como autônimos, tendo mais tarde constituído empresa para prestarem serviços nas mesmas funções. Além disso, recebem verbas típicas de relação de empregado, tais quais adiantamento de despesas de viagens, refeições, combustíveis, aluguéis, planos de saúde etc. A BARTER apresentou impugnação às fls. 492/580, bem como as demais empresas incluídas no grupo econômico. Foi determinada a realização de diligência através do despacho de fls. 1.564/1.567, a fim de que fossem esclarecidas as dúvidas acerca dos endereços das empresas autuadas e do vínculo empregatício entre a empresa e funcionários relacionados. Às fls. 1.575/1.577 foram respondidos os questionamentos, tendo sido, em seguida, dado oportunidade para as empresas se manifestarem sobre os esclarecimentos, quando então foi proferido acórdão (fls. 1.737/1.808) com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/2006 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 4 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário’. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, conforme art. 30, inciso IX, da Lei N°8.212/91. EMPRESAS SOLIDÁRIAS. CIENTIFICAÇÃO. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Na cientificação constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. O auditor poderá desconsiderar o vinculo pactuado com o trabalhador e enquadrálo como segurado empregado desde que preenchidas as condições referidas no inciso I do caput do art. 92, do decreto 3.048/99, efetuando o enquadramento como segurado empregado, conforme previsto no artigo 229, §2° do Decreto 3.048/99. RELAÇÃO DE TRABALHO. RELAÇÃO DE EMPREGO. A Relação de Emprego, do ponto de vista técnicojurídico, é apenas uma das modalidades especificas de Relação de Trabalho juridicamente configuradas, correspondendo a um tipo legal próprio e especifico, inconfundível com as demais modalidades de relação de trabalho ora vigorantes. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. CONTRATO. Exerce a representação comercial autônoma a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que desempenha, em caráter não eventual por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para a realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para, transmitilos aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios, conforme previsão expressa na lei n° 4.886, de 9/12/1965. TRABALHADOR AUTÔNOMO. 0 trabalhador autônomo distinguese do empregado, quer em face da ausência da subordinação ao tomador dos serviços no contexto da prestação do trabalho, quer em face da ausência do elemento pessoalidade. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 2301002.965 S2C3T1 Fl. 2.579 5 A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados, avulsos e contribuintes individuais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignadas, as empresas interpuseram Recurso Voluntário, trazendo as seguintes alegações: 1) NOVA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA 1.1) Inexistência de grupo econômico, já que não vinculadas a uma única direção, seja por subordinação ou por cooperação; 1.2) Somente no período de 21/02/2001 a 17/10/2003 teve uma controladora comum (INNPAR) com a Barter; 1.3) O endereço em comum somente ocorreu no período em que estava submetidas à mesma controladora; 1.4) As contabilidades das empresas eram realizadas por uma empresa terceirizada, com endereços e estabelecimentos próprios; 1.5) A identidade de alguns sócios ou acionistas com relação de parentesco entre alguns não implica grupo econômico se não houver identidade de direção; 2) EXPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA 2.1) Inexistência de grupo econômico, já que não vinculadas a uma única direção, seja por subordinação ou por cooperação; 2.2) A identidade de alguns sócios ou acionistas com relação de parentesco entre alguns não implica grupo econômico se não houver identidade de direção; 2.3) A empresa esta sediada em Município diverso do da BARTER; 2.4) As contabilidades das empresas eram realizadas por uma empresa terceirizada, com endereços e estabelecimentos próprios. 3) BARTER COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A 3.1) Inexistência de grupo econômico, já que não vinculadas a uma única direção, seja por subordinação ou por cooperação; 3.2) A identidade de alguns sócios ou acionistas com relação de parentesco entre alguns não implica grupo econômico se não houver identidade de direção; 3.3) No período de 30/03/2001 a 23/03/2004 era controlada pela INNPAR, sendo que esta possuía participações em outras empresas, dentre as quais a BETRA TRADING S.A, que cedia mãodeobra para a BARTER, razão pela qual foi realizado o distrato e transferência dos funcionários; 3.4) Atualmente só integra mesmo grupo econômico da FLEXPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇOES; 3.5) Apenas a BASE TRANSPORTES E LOCAÇÕES e a FRH FORNECEDORA DE RECURSOS HUMANOS possuem estabelecimento localizado dentro do complexo industrial (condomínio empresarial), sendo apenas vizinhas; Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 6 3.6) O estabelecimento das empresas dentro das instalações da BARTER não significam que se tratam de mesmo grupo econômico, pois isto ocorre apenas para facilitar a operacionalização dos serviços, já que são empresas operadoras logísticas; 3.7) A decisão recorrida manteve o lançamento em relação à Sra. Maria José Pereira pelo simples fato de que a BARTER optou pelo recolhimento das contribuições previdenciárias lançadas a partir de 2001, o que se mostra absurdo, pois o suposto reconhecimento se deu apenas pela impossibilidade de defesa de todos os autos de infração lavrados contra a empresa. Em razão da improcedência parcial do lançamento, nos termos expressos pela decisão da DRJ, subiram os autos também por meio de Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da decadência Reconhecida a decadência dos períodos de 01/1997 a 05/2002, nos termos do art. 150, §4º do CTN, cabe a este Conselho reapreciar a matéria em virtude do recurso de ofício interposto. No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seria de 10 anos. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 2301002.965 S2C3T1 Fl. 2.580 7 Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 8 autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 2301002.965 S2C3T1 Fl. 2.581 9 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . A comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, o que não se vislumbra em qualquer momento da autuação. Depreendese dos autos que a Recorrente efetuou o pagamento de algumas das contribuições devidas à Seguridade Social, conforme Relatório de Documentos ApresentadosRDA (fls. 358/369) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 370/389), o que afasta, de início, um dos pressupostos para aplicação do art. 173 do CTN. Outrossim, não tendo sido comprovando que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação, restando configurado, portanto, o pressuposto fático ensejador da aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, fica definitivamente afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 22/06/2007 e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos entre janeiro/1997 a Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 10 outubro/2006, tenho como certo que foram atingidas pela decadência as competências de janeiro/1997 a maio/2002, isto é, anteriores a junho/2002, razão pela qual mantenho a decisão recorrida neste ponto. Do vínculo empregatício A decisão recorrida também afastou do lançamento algumas verbas referentes à caracterização de vínculo empregatício. Isto porque a fiscalização considerou que diversos prestadores de serviços à BARTER, alguns através de pessoas jurídicas, seriam, na verdade, empregados da tomadora. Cabe transcrever as informações constantes do Relatório Fiscal e o resultado da decisão judicial no tocante a cada um dos segurados considerados: SEGURADO EMPRESA PRESTADORA ANGELICA BLUMER BLUMER'S REPRESENTAÇÕES LTDA ARISMUNDO PAULINO MACHADO UCHOAS & MACHADO CONTABIL. S/C LTDA ANTONIO AUGUSTO SOARES SOARES E SOARES NILO MARCIO BRAUN BRAUN E BUCHER CLEUCIO FLAVIO LEITE VOX LOGÍSTICA NILSON DE MENEZES FORMATSERV. DE EDIT. E INFORMATICAME HEUSER GUIMARAES DE OLIVEIRA PESSOA FÍSICA JACKSON PADOVANI FIGUEIREDO F & FIGUEIREDO LTDA JAIR PORTO BOMFIM JP BOMFIM REPRESENT. LTDA MARIA JOSÉ PEREIRA MAJO REPRESENTAÇÕES LTDA MARCIA MENDES FERNANDES RAMOS MARCIA MENDES S/C LTDA RONALDO JOSE LAURIA RJL REPRESENTAÇOES, PROMOÇOES DE EVENTOS LTDA WANDERSON GUERRA CAMPOS TRADIMEX COMERCIO INTERNACIONAL UBIRAJARA CARVALHO BARRETO OLDPORT CONST. E SERVIÇOS LTDA A decisão recorrida, contudo, considerou que todos os segurados acima indicados, apontados pelo Relatório Fiscal como empregados, não teriam vínculo empregatício com a BARTER, com a ressalva de MARIA JOSÉ PEREIRA, que foi mantida no lançamento uma vez que a empresa teria optado por recolher a contribuição previdenciária, o que foi considerado pela decisão recorrida como presunção de relativa de reconhecimento da existência dos pressupostos da relação empregatícia. A empresa Recorrente questiona esse entendimento, ao afirmar no seu recurso voluntário que o pagamento deveuse à impossibilidade de defesa dos diversos autos de Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 2301002.965 S2C3T1 Fl. 2.582 11 infração lavrados ao mesmo tempo, tendo optado pelo pagamento apenas para simplificar a sua estratégia de defesa. Segundo afirma a Recorrente, a Sra. Maria José prestou serviços de representação comercial diretamente à MAJO REPRESENTAÇÕES LTDA, jamais tendo sido subordinada à BARTER. Ocorre que a Recorrente não traz elementos para afastar a subordinação alegada. Em seu recurso, limitase a afirmar que a presunção de que partiu a decisão recorrida está equivocada, bem como a questões processuais de conhecimento das declarações contidas nos documentos anexados, sem contudo combater o auto de infração no tocante aos elementos da convicção de que teria havido prestação de serviço subordinado típico de relação empregatícia. Por estes motivos é que não deve ser reformado o auto de infração e a decisão recorrida, que manteve o lançamento neste aspecto. Quanto aos demais supostos empregados, não merece reforma a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, que em alguns dos casos afastou a contribuição incidente sobre os valores a eles pagos por já se encontrar decaída, ou por não vislumbrar o vínculo empregatício indicado. De início, devese destacar que “a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária” (art. 116, Parágrafo Único do CTN). Dita desconsideração inclui também a formação de pessoas jurídicas quando estas, na verdade, destinemse a esconder um vínculo empregatício existente. A Lei nº 10.593/2002, que disciplinava a carreira dos AuditoresFiscais de Contribuições Previdenciárias, já atribuía a competência para lançar e constituir os créditos previdenciários. Assim, no exercício legal de sua atividade, o auditorfiscal pode desconsiderar as atividades da empresa como simuladas e promover o lançamento do crédito tributário, reconhecendo vínculo empregatício não apontado pela empresa, limitado, evidentemente, aos efeitos tributários do vínculo empregatício. Para ratificar esse entendimento, basta verificar que o Projeto de Lei que resultou na edição da Lei nº 11.457/2007, que criou a Super Receita, continha originariamente dispositivo que restringia à decisão judicial a desconsideração da pessoa, ato ou negócio jurídico que implique reconhecimento de relação de trabalho, com ou sem vínculo empregatício (art. 6º, §4º), tendo sido vetado pelo Presidente da República. Assim, persiste no ordenamento jurídico pátrio a autorização para o Auditor Fiscal exigir o adimplemento das contribuições previdenciárias decorrentes do pagamento a prestadores de serviços a partir da consideração de vínculo empregatício, não sendo tal ato de Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 12 competência privativa da auditoriafiscal de natureza trabalhista, tampouco exclusivamente da Justiça do Trabalho. Dita competência legal permite, ainda, que se afaste a forma jurídica de que se revestem as sociedades empresárias para caracterizálas como verdadeiros empregados de fato, pois do contrário bastaria a formação da pessoa jurídica para que os fatos ocultos com a simulação estivessem eternamente protegidos. Neste sentido, o Código Civil (art. 167, §1º) permite a nulidade dos negócios jurídicos simulados, quando contiverem declaração não verdadeira, no caso a constituição de uma sociedade empresária. Reforçada, portanto, a competência do auditorfiscal e a possibilidade conferida por Lei para considerar a existência de vínculo empregatício, deve ser examinado o caso em concreto para aferir se de fato estarse diante de uma relação de emprego. 1) Angélica Blumer = Motivos da autuação: Serviços prestados exclusivamente para a BARTER. O motivo elencado pela fiscalização para concluir pela existência de vínculo empregatício é a exclusividade da prestação dos serviços de representação comercial prevista no contrato firmado entre a autuada e os prestadores. A Lei nº 4.886/1965 estabelece no seu art. 27 o seguinte: Art. 27. Do contrato de representação comercial, além dos elementos comuns e outros a juízo dos interessados, constarão obrigatoriamente: (...). i) exercício exclusivo ou não da representação a favor do representado; Ora, se a exclusividade é uma condição que pode existir ou não no contrato de representação comercial, segundo a própria lei que disciplina o instituto, não pode ser esta a tônica a descaracterizar aquele negócio jurídico para fins de enquadramento como relação de emprego. Por outro lado, a exclusividade não implica, por si só, a subordinação. A orientação do prestador dos serviços é inerente a qualquer contrato de trabalho, seja ele decorrente de relação empregatícia ou não. O que diferencia a subordinação é o direcionamento pelo tomador dos serviços também dos meios de produção, da forma de trabalhar, dos meios e técnicas empregadas pelo obreiro. Subordinação só há quando existe também poder de direção do contratante sobre o contratado, quando o primeiro pode intervir na atividade do segundo. A própria fiscalização afirma, no relatório fiscal, que os profissionais gozam de liberdade técnica, mas estariam sujeitos às normas administrativas que regem os serviços. Ora, qualquer prestador de serviços, inclusive quando é pessoa jurídica, submetese às regras administrativas estipuladas pelo contratante, o que não significa subordinação. Trabalhar nos moldes da empresa contratante, conforme seu horário de funcionamento, determinação de prazos para entrega etc, são condições que podem ser Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 2301002.965 S2C3T1 Fl. 2.583 13 estipuladas pela empresa contratante sem que isso figure vínculo empregatício, pois as técnicas a serem empregadas na atividade serão por ela escolhidas. Afastada, portanto, a subordinação necessária para caracterizar o vínculo empregatício, deve ser excluída da autuação os valores pagos à Angélica Baumer. 2) Arismundo Paulino Machado = Inicialmente prestou serviços como pessoa física e depois constituiu a empresa Uchoas e Machado Contabilidade S/C Ltda, que funcionava no endereço da BARTER. A BARTER coloca à disposição do contratado equipamentos de comunicação por preço certo e ajustado mensalmente, disponibilizando também mãodeobra e benefícios como plano de saúde, FGTS. Uma vez que todo o período lançado em relação ao referido segurado foi atingido pela decadência, não há que se analisar a existência do vínculo empregatício. 3) Antonio Augusto Soares = Pagamento de verbas típicas de empregado, como pagamento de aluguel; exigência da contratante de prestação de contas. A previsão de prestação de contas no contrato de representação está contida no art. 28 da Lei nº 4.886/1965, para o qual “o representante comercial fica obrigado a fornecer ao representado, segundo as disposições do contrato ou, sendo este omisso, quando lhe for solicitado, informações detalhadas sobre o andamento dos negócios a seu cargo, devendo dedicarse à representação, de modo a expandir os negócios do representado e promover os seus produtos”. Tal previsão não é apenas autorizada como até mesmo recomendada, pois a mediação de negócios de terceiros expõe o nome e a marca utilizados por este, além de ser totalmente compatível com contratos desta natureza em que se requer resultados na atuação da contratada. No tocante ao pagamento de aluguéis, por sua vez, tratase, na verdade, de parcela da remuneração detalhada no contrato de representação, o que é permitido até para se ter uma noção exata da composição dos custos com a prestação dos serviços ao tomador e utilizar um valor que poderá variar durante a vigência do contrato. Por fim, para que fosse considerada a existência de vínculo empregatício, deveria a fiscalização ter apontado os requisitos necessários, tais quais subordinação, onerosidade, não eventualidade, o que não se verifica no caso dos autos. 4) Nilo Márcio Braun = Prestou serviços inicialmente como autônomo e depois através da empresa Braun & Bucher; até a competência 10/2006, não tinha endereço próprio e certo, prestando serviço dentro das instalações da MARTER sob sua subordinação e remuneração. A sociedade BRAUN & BUCHER foi constituída em 11/2001 e contava com dois sócios, tendo, inclusive, sido um desses quem assinou as defesas da empresa, o que afasta a pessoalidade na prestação dos serviços. Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 14 Somente um ano após aberta é que a empresa passou a prestar serviços a BARTER, além de que, no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas perante o Ministério da Fazenda, a empresa contava com endereço diverso do da BARTER. Apesar de, em determinado momento, haver a coincidência de endereços, quando a B & B transferiu suas operações para o Terminal Intermodal, prestou serviços para outras empresa, o que dificulta a identificação de uma simulação na personalidade jurídica da empresa e a constatação de vínculo empregatício. De outro modo, sequer apontou a fiscalização os requisitos necessários ao contrato de trabalho (subordinação, onerosidade, não eventualidade). 5) Cléucio Flávio Leite = De início, o contrato de prestação de serviços era verbal. Somente a partir de julho/2002 é que passou a regido por documento escrito. Deve ser mantida a decisão recorrida neste ponto. Como bem asseverado, o contrato de representação é bastante genérico, não prevendo exclusividade ou indicação de zona específica de atendimento. O contrato também permitia a subcontratação de terceiros, o que retira um dos elementos essenciais do contrato de emprego, qual seja, a pessoalidade, verificandose que se trata de verdadeira prestação de serviços pela pessoa jurídica contratada, independentemente de quem sejam seus sócios. A remuneração, por sua vez, é feita em pagamento sobre o lucro líquido aferido pela BARTER, o que afasta, também, o caráter salarial da verba, já que a onerosidade está diretamente relacionada à previsibilidade do pagamento, inclusive seu valor. 6) Nilson de Menezes = Foi empregado da empresa de março/1988 a janeiro/1990; Posteriormente, foi contratada a empresa FORMAT, que o tinha como empregado; a BATER pagava despesas com material de expediente, fazia adiantamentos, os lançamento contábeis eram feito em nas contas pessoas físicas e pessoas jurídicas. A fiscalização deixou de indicar que somente em abril/1996 o exempregado passou a prestar serviços à BARTER através da empresa FORMAT, o que deixa evidente inexistir qualquer continuidade nas relações de emprego e de trabalho apontadas. A empresa FORMAT prestava serviços técnicos de informática, sem qualquer relação com a função de vendedor anteriormente exercida pelo exempregado. Também não exista qualquer previsão de que o serviço teria que ser prestado pelo Nilson de Menezes. Além disso, os serviços eram prestados a distância, estando a FORMAT localizada em Município diverso do da autuada. Por esta razão também é que eventualmente se fazia necessário o pagamento de despesas com deslocamento e adiantamentos. O fato das despesas serem lançadas em contas contábeis que não condiziam com a natureza do contrato não indicam a existência de vínculo empregatício, até porque as contas em que houve o lançamento não se referia a pagamento de funcionários. Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 2301002.965 S2C3T1 Fl. 2.584 15 Este fato poderia dar ensejo à autuação por descumprimento de obrigação acessória (lançamentos incorretos da contabilidade), caso cabível, mas jamais considerar a existência de relação de emprego sem que houvesse qualquer elemento para tanto. 7) Heuser Guimarães de Oliveira = Prestou serviços de intermediação de vendas à BARTER de 01/1997 a 05/2003; em 07/1999 foi contratado como representante comercial; neste período a BARTER não tinha empregados na função comercial, embora tivesse no passado; em dezembro foram pagos valores duplicados, e em vários meses teriam sido pagas despesas com cartório, viagem, alimentação etc. Conforme asseverado pela decisão recorrida, a cláusula de não concorrência é admitida pelo art. 41 da Lei de Representação Comercial, pois é através desta que se torna possível evitar a concorrência desleal e a divulgação de informações sigilosas. O pagamento de valores superiores no mês de dezembro é possível diante do aumento também do número de vendas, sendo prática comum a profissionais dessa área a previsão de pagamento a maior, em compensação aos gastos com a prestação de serviços, que também é superior. As demais despesas constituem reembolso com as despesas do contratado, verbas estas que não são exclusivamente recebidas por empregados. Ditas verbas podem ser pagas a título indenizatório, e por isso não configurariam remuneração, tampouco motivo para a caracterização da relação de emprego. Deste modo, deve ser afastado o vinculo empregatício. 8) Jackson Padovani Figueiredo = Foram pagos valores a título de despesas com aluguel de imóveis, veículos, combustíveis, lubrificantes, refeições, correios, assistência médica e despesas diversas, com representações, etc., verbas essas eminentemente de segurados empregados; vedação de exercer atividade para outra empresa, com exceção da Nova Importação e Exportação Ltda e Betra Trading S.A. O segurado é sócio da F & FIGUEIREDO de que participam também outros prestadores de serviços, não sendo estes prestados exclusivamente pelo segurado indicado, afastando a pessoalidade da relação. Como já dito, a exclusividade pode ser ou não previsto no contrato de representação comercial, não servindo como aspecto excludente da relação de trabalho não empregatícia. Por fim, não restou caracterizada a subordinação necessária a configuração do contrato de emprego, motivo pelo qual os valores pagos àquele segurado devem ser excluídos do lançamento. 9) Jair Porto Bonfim = Sócio da empresa J.P Bonfim Participações Ltda que prestava serviços de representação comercial. A empresa contratada era impedida de contratar com outras do mesmo ramo ou atividade; A Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 16 BARTER efetuou pagamentos de despesas com viagens e assistência médica. Uma vez que todo o período lançado em relação ao referido segurado foi atingido pela decadência, não há que se analisar a existência do vínculo empregatício. 10) Ronaldo José Lauria = Os clientes foram definidos por setor de zoneamento e não concorrência, caracterizando subordinação; Foi empregado da BARTER entre novembro/1989 e fevereiro/1994. Em primeiro lugar, a Lei nº 4.886/1965 admite que os sejam determinadas zonas de atuação (art. 27, “d”), além de que é permitido a prestação de serviços a mais de uma empresa, ou acordo em sentido diverso (arts. 27, “i” e 41). No tocante ao fato de ter sido empregado da BARTER, verificase que a contratação da empresa RJL Representações Promoções de Eventos Ltda, da qual fazia parte, ocorreu muito tempo depois da sua demissão (6 anos após), não tendo sido comprovada, ainda, que as atividades eram as mesmas, nem a continuidade do serviços nas mesmas condições. Por fim, não restou comprovada a subordinação, o que impede a consideração de tal relação como vínculo empregatício. 11) Wanderson Guerra Campos = Prestou serviços pessoalmente a BARTER; recebia remuneração fixa. Uma vez que todo o período lançado em relação ao referido segurado foi atingido pela decadência, não há que se analisar a existência do vínculo empregatício. 12) Ubirajara Carvalho Barreto = Cláusula de não concorrência no contrato. Como já exposto acima, a cláusula de não concorrência encontrase prevista na Lei nº 4.886/1965 (arts. 27, “i” e 41), podendo ser elemento inerente aos contratos dessa espécie. Assim, como não pode ser indicado como elemento caracterizador da relação de emprego, deve ser mantida a decisão recorrida que exclui tais verbas do lançamento. Do grupo econômico De início, cumpre esclarecer que o grupo econômico considerado pela fiscalização se referem às seguintes empresa: BARTER COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A BETRA TRADING S/A FLEXPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA EXPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA INNPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES INTERNACIONAIS LTDA NEW PARTICIPAÇÕES LTDA BASE TRANSPORTES E LOCAÇÕES LTDA NOVA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA AGROPECUÁRIA MODELO LTDA FRH FORNECEDORA DE RECURSOS HUMANOS Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 2301002.965 S2C3T1 Fl. 2.585 17 Entendeu a fiscalização que as empresas possuem mesmo objeto social, ora dentro do mesmo seguimento econômico, ora praticando atividades que se complementam, trabalhando em conjunto com a BARTER, obtendo cooperação e vantagens. Outrossim, no quadro administrativo encontramse parentes consaguíneos e afins, evidenciando o controle por um grupo familiar. O conceito de grupo econômico pode ser extraído do senso comum, o qual foi incorporado ao direito positivo através da CLT, cujo art. 1º, §2º dispõe que “sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiver sob a mesma direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis à empresa principal e cada uma das subordinadas”. Tal norma não tem sua aplicação restrita às relações trabalhistas, pois além de ser norma conceitual, que define instituto, possui hierarquia de lei ordinária, suficiente para dispor sobre os conceitos societários. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, por sua vez, dispõe que “as empresas que integram o grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei”. Por ser norma de natureza tributária, deve ser necessariamente interpretada conforme as disposições do Código Tributário Nacional acerca da solidariedade: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...). Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Conforme se depreende dos dispositivos acima, a solidariedade somente pode ser imposta àquele que tiver relação com o fato gerador do tributo. Assim também será nos casos em que a responsabilização por solidariedade decorrer da existência de grupo econômico entre as empresas envolvidas, hipótese em que não será suficiente a relação de uniformidade de direção, sendo necessária também a relação da coresponsável com o fato gerador do tributo. Por esta razão é que a responsabilidade de uma empresa pelos débitos previdenciários das demais empresas do grupo econômico depende da existência de seu interesse no fato gerador daquelas contribuições previdenciárias. Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 18 Sendo a contribuição incidente sobre a folha de salários, deverá se verificar se existem funcionários prestando serviços em comum para as empresas envolvidas; se a contribuição previdenciária incidir sobre a comercialização da produção rural, terá a fiscalização que comprovar que as coresponsáveis também participaram da operação comercial que deu ensejo à tributação. Pois bem. Em relação à empresa FLEXPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, a própria BARTER confirma a existência do grupo econômico nas suas razões recursais. No tocante à BETRA TRADING, afirma que esta cedia mãodeobra para a BARTER, o que ensejou o distrato entre as empresas e a transferência dos funcionários. Neste caso, fica evidente a identidade de interesse econômico sobre os fatos geradores da contribuição previdenciária, pois no início a BARTER tomava a mão de obra que era remunerada pela BETRA TRADING e, posteriormente, assumiu todos os empregados para si. À BASE se aplica o mesmo entendimento, já que possuiu participação da BETRA em 2001. Não há, portanto, como se afastar a solidariedade entre a BARTER e a BETRA TRADING e a FLEXPAR, uma vez evidenciado o grupo econômico preconizado pela legislação previdenciária. No tocante às demais empresas, também se verifica a identidade necessária à configuração do grupo econômico. É que a maioria das empresas possuía mesmos sócios, participação societária uma nas outras ou, ainda, estão estabelecidas no mesmo local, relacionadas em mesmas atividades que se davam suporte, formando verdadeiro circulo de empresas que se trabalham em esquema de cooperação. Ora, devidamente fundamentada a consideração de que existe grupo econômico através dos elementos apresentados pelo Relatório Fiscal acima exposto, e de que há solidariedade em vistas da participação das empresas nas operações comercias que deram ensejo à tributação, não cabe qualquer alegação de que foi indevida a colocação das empresas como solidárias, pois enquadradas nos dispositivos legais acima citados. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 2301002.965 S2C3T1 Fl. 2.586 19 Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 20 À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 2301002.965 S2C3T1 Fl. 2.587 21 Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 22 Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso de Ofício para NEGARLHE PROVIMENTO, bem como do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DA CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS COMO EMPREGADOS 1. Tenho manifestado veementemente o meu posicionamento contrário em relação à caracterização de segurados como empregados, para efeito de cobrança da contribuição social previdenciária. 2. A caracterização de segurados como empregados é medida excepcional e requer a comprovação cabal da existência do vínculo empregatício, nos termos do art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (“considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”), bem como do art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91. 3. A simples transferência do ônus para a empresa da comprovação de inexistência de vínculo empregatício é procedimento que contraria o disposto no art. 142 do CTN. Não é o fato de os segurados prestarem serviços compreendidos na atividadefim da empresa que autorizará o auditor a concluir pelo vínculo trabalhista. Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 2301002.965 S2C3T1 Fl. 2.588 23 4. Contudo, no presente caso, há provas suficientes no sentido de que a empresa se valia de prestadores de serviços que, na verdade, eram verdadeiros empregados da recorrente. Vejase que o relatório fiscal fez constar pontualmente uma característica presente na relação entre a empresa e os segurados que é peculiar de empregados: “8.7 — A fiscalização constatou que a empresa concede benefícios a esses trabalhadores tidos por ela como autônomos e pessoas jurídicas, verbas remunerat6rias típicas de relação de emprego, tais benefícios referemse a pagamentos de despesas com representações como adiantamento de despesas de viagens, refeições, combustíveis, aluguéis, plano de saúde, dentre outros.” (relatório fiscal fl. 440) 5. Por outro lado, quando as provas foram insuficientes, a própria autoridade julgadora de primeira instância corrigiu o lançamento, o que entendo correto. 6. Feitas estas considerações, acompanho o relator. (assinado digitalmente) Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Numero do processo: 16832.000661/2009-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PAGAMENTO EM ESPÉCIE - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PAGAMENTO EM ESPÉCIE - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 06 61 /2 00 9- 29 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000661/200929 Acórdão n.º 2403002.109 S2C4T3 Fl. 106 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – RAVA ADMINISTRAÇÃO DE EVENTOS LTDA. contra Acórdão nº 1232.862 – 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.240.4430, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 142.861,16. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondentes a Terceiros – Salário Educação, INCRA, SENAC e SESC e SEBRAE,, no período de 01/2005 a 09/2005. O Relatório da decisão da primeira instância relaciona os fatos geradores: a) as diferenças apuradas entre os valores constantes das folhas de pagamento apresentadas e os valores declarados em GFIP, nas competências 06/2005 a 09/2005, das filiais 001005, 0012 69 e 001340; b) os valores de despesa de alimentação fornecida aos funcionários, apurada no Livro Diário 155 e 156, conta contábil 4.1.2.02.01.00808 Desp. de lanches e refeições, eis que não foi apresentado o comprovante de adesão ao PAT Programa de Alimentação do Trabalhador; c) os pagamentos referente às verbas trabalhistas contabilizadas na conta contábil 4.1.2.02.01.00256 Indenizações Trabalhistas e constantes dos Termos de Acertamento e Conciliação Trabalhistas realizados no Núcleo Intersindical de Conciliação Trabalhista no Estado do Rio de Janeiro O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 13, é de 01/2005 a 09/2005. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 12.08.2009, às fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação, nos seguintes pontos, conforme o Relatório da decisão da primeira instância: 3. A interessada interpôs impugnação às fls. 29/32, alegando em suma: 3.1. A tempestividade da impugnação; 3.2. Conforme demonstrado na impugnação ao Auto de Infração 37.240.4430, as diferenças apuradas pelo fisco em alguns meses do ano de 2005, não estão inteiramente corretas, assim, não Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 sendo devidas as contribuições previdenciárias, não poderiam servir de base para o recolhimento de outras entidades; 3.3. Foi demonstrado e provado, exaustivamente, através das folhas de pagamento, juntadas com a impugnação ao AI 37.240.4430, que as refeições servidas aos empregados da impugnante, eram pagas pelos mesmos, não se constituindo em salário in natura, portanto, não integrante do salário de contribuição, e que é irrelevante nesse caso o fato de a empresa não ter aderido ao PAT ; 3.4. Quanto aos valores pagos em conciliações TRABALHISTAS, decorrentes dos acordos realizados nesse período, de acordo com a legislação em vigor, NÃO integram a base de cálculo do salário de contribuição, visto terem natureza indenizatória, não estando, portanto, sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, portanto, não podem servir dei base para o recolhimento de outras entidades (SESC SENAC FNDE INCRA SEBRAE); 3.5. Requer seja acolhida a presente impugnação, cancelando se, ao final, o auto de infração impugnado. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 1232.862 – 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIA S Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS O nãorecolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados, por serviços prestados à empresa, impõe a constituição do competente crédito tributário. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA. Tratandose de parcela cuja nãoincidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. ACORDO EXTRAJUDICIAL FIRMADO PERANTE COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. INCIDÊNCIA. Constatado o nãorecolhimento de contribuições incidentes sobre a remunerações creditadas à segurados empregados, decorrentes de acordos firmados perante Comissões de Conciliação Prévia, impõese a constituição do competente crédito tributário. RETIFICAÇÃO Cabe retificação do lançamento quando verificado equívoco na apuração da contribuição devida. Impugnação Procedente em Parte Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000661/200929 Acórdão n.º 2403002.109 S2C4T3 Fl. 107 5 Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros dessa Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, em dar provimento parcial à impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, no valor de R$ 81.702,86, acrescidos de juros e multa, a serem calculados no ato do pagamento, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado D ADR anexo. INTIMESE a interessada deste Acórdão e do DADR, para recolher o crédito, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, ressalvado o direito de a mesma interpor recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo. À unidade competente, para dar ciência a interessada do inteiro teor deste acórdão e demais providências necessárias ao seu cumprimento. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde alega em apertada síntese que: (i) Diferenças de salários de contribuição, apurados com base nas folhas de pagamento e não declarados em GFIP; Cumpre destacar que as alegadas diferenças foram verificadas em apenas 4 meses, o que se constitui numa exceção, e não num prática habitual. Tal falha decorreu, provavelmente, de erro no sistema. Depois, tais valores se mostram parcialmente incorretos, conforme se pode apurar pelas folhas de pagamento desses períodos. (ii) Valores pagos a título de refeições e lanches A propósito, a adesão ao PAT não é compulsória, mas facultativa e, para o caso concreto, totalmente irrelevante ter ou não ocorrido tal adesão. Isso porque, os empregados não recebiam gratuitamente essas refeições e lanches, não podendo, assim, serem entendidos como integrantes dos seus salários (salário in natura). Conforme se demonstra e comprova, através das folhas de pagamento, essas refeições e lanches eram descontados dos seus respectivos salários. Ou seja, as refeições e lanches eram pagos pelos empregados. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 (iii) Valores pagos em conciliações trabalhistas igualmente improcedente a ação da agente fiscal quanto à incidência de contribuição previdenciária, eis que tal entendimento está equivocado, porque contraria o disposto no artigo 214 do Decreto 3.048/99. Como se vê da legislação em vigor, as indenizações, em geral, NÃO integram a base de cálculo do salário de contribuição. Ora, os acordos realizados nesse período, conforme se comprova com as cópias em anexo, trataram de verbas indenizatórias e não salariais Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000661/200929 Acórdão n.º 2403002.109 S2C4T3 Fl. 108 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Da regularidade da lavratura do AIOP – Auto de Infração de Obrigação Principal Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – RAVA ADMINISTRAÇÃO DE EVENTOS LTDA. contra Acórdão nº 1232.862 – 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.240.4430, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 142.861,16. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondentes a Terceiros – Salário Educação, INCRA, SENAC e SESC e SEBRAE,, no período de 01/2005 a 09/2005. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.240.4430 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000661/200929 Acórdão n.º 2403002.109 S2C4T3 Fl. 109 9 f. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.240.4430, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 DO MÉRITO (i) Diferenças de salários de contribuição, apurados com base nas folhas de pagamento e não declarados em GFIP; Cumpre destacar que as alegadas diferenças foram verificadas em apenas 4 meses, o que se constitui numa exceção, e não num prática habitual. Tal falha decorreu, provavelmente, de erro no sistema. Depois, tais valores se mostram parcialmente incorretos, conforme se pode apurar pelas folhas de pagamento desses períodos. Analisemos. O argumento central da Recorrente para justificar as diferenças de salário de contribuição é no sentido de possível ocorrência de falhas em sistema informatizado. Evidenciase então que a Recorrente não traz novos elementos de prova que possam se contrapor à decisão de primeira instância que ratificou o entendimento da Auditoria Fiscal no sentido de existência das diferenças apontadas. Neste sentido, colaciono trecho da decisão de primeira instância, às fls. 478, que caracteriza as diferenças apontadas pela AuditoriaFiscal: 10. Vejase que tal alegação não merece prosperar, eis que as bases de cálculo das contribuições apuradas constaram da folha de pagamento, documento elaborado e exibido pela própria empresa. Ademais, apenas a afirmação de que os valores apurados se mostram parcialmente incorretos sem a demonstração do erro não ilide o lançamento fiscal, realizado nos termos do art. 142, do CTN e do art. 37, da Lei 8.212/1991. 11. Por outro lado, conforme demonstrado abaixo verificase inexistirem diferenças entre os valores apurados pela Auditoria com base nas folhas de pagamento anexadas ao presente processo, deduzidos dos valores declarados em GFIP. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Valores pagos a título de refeições e lanches A propósito, a adesão ao PAT não é compulsória, mas facultativa e, para o caso concreto, totalmente irrelevante ter ou não ocorrido tal adesão. Isso porque, os empregados não recebiam gratuitamente essas refeições e lanches, não podendo, assim, serem entendidos como integrantes dos seus salários (salário in natura). Conforme se demonstra e comprova, através das folhas de pagamento, essas refeições e lanches eram descontados dos seus Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000661/200929 Acórdão n.º 2403002.109 S2C4T3 Fl. 110 11 respectivos salários. Ou seja, as refeições e lanches eram pagos pelos empregados. Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 24 e 25, a Recorrente efetua pagamentos a seus empregados a título de alimentação, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), requisito este disposto expressamente na legislação. A Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador: Art.3°. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga 'in natura' pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. O Decreto n° 5, de 14 de janeiro de 1991, que regulamenta a Lei n°6.321/76: Art. 1°. A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da aliquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social MTPS nos termos deste regulamento. (...) § 4° para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. (...) Art. 4°. Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto n. 0 2.101, de 23 de dezembro de 1996). Art. 6°. Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência: Social a parcela paga natura' pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Desta forma, de acordo com a legislação de regência do PAT, o fornecimento de alimentação não integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 previdenciárias, quando, nos termos da Lei n°6.321, de 1976, atenda os requisitos do programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. Conforme o disposto na legislação previdenciária, art. 28, § 9º , c, Lei 8.212/1991, o fornecimento de alimentação integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias quando não atenda os requisitos do programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho. (Lei 8.212/1991) Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ademais, ainda que a Recorrente alegue que os empregados foram descontados dos valores pagos a título de alimentação, afastase tal alegação pois, conforme o Relatório Fiscal, os valores de despesa de alimentação foram apurados com base nos lançamentos da conta contábil 4.1.2.02.01.00808Desp. De lanches e refeições. Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a legislação aponta expressamente a incidência de contribuição previdenciária na verba paga a título de alimentação recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. (iii) Valores pagos em conciliações trabalhistas igualmente improcedente a ação da agente fiscal quanto à incidência de contribuição previdenciária, eis que tal entendimento está equivocado, porque contraria o disposto no artigo 214 do Decreto 3.048/99. Como se vê da legislação em vigor, as indenizações, em geral, NÃO integram a base de cálculo do salário de contribuição. Ora, os acordos realizados nesse período, conforme se comprova com as cópias em anexo, trataram de verbas indenizatórias e não salariais Analisemos. O argumento central da Recorrente no sentido de se tratarem de verbas indenizatórias, já foi debatido em sede de primeira instância na qual se confirmou o lançamento fiscal efetuado posto que a incidência de contribuição social previdenciária ocorreu a partir das verbas discriminadas nos Acordos. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000661/200929 Acórdão n.º 2403002.109 S2C4T3 Fl. 111 13 Ademais, a Recorrente não traz novos elementos de prova que possam se contrapor à decisão de primeira instância que, após analisar os documentos acostados aos autos, ratificou o entendimento da Auditoria Fiscal no sentido da incidência de contribuição social previdenciária nos valores pagos em conciliação trabalhista. Neste sentido, colaciono trecho da decisão de primeira instância, às fls. 481, que caracteriza as diferenças apontadas pela AuditoriaFiscal: 27. Quanto à alegação de que os valores pagos nas conciliações eram verbas indenizatórias, portanto sem incidência de contribuições previdenciárias, cabe esclarecer que da análise dos documentos anexados às fls. 271/385, constatase que em sua grande maioria os valores das verbas foram discriminados, e o lançamento foi apurado tão somente em relação às verbas com incidência de contribuição previdenciária 27.1. Assim, dispõe o parágrafo único do artigo 43 da Lei n° 8.212/91, ver bis: Parágrafo único. Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais relativas à contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor do acordo homologado, (grifei) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10980.007304/00-48
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/07/1988 a 31/12/1995
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
Numero da decisão: 9303-002.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 02/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Nanci Gama.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 73 04 /0 0- 48 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 02/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Nanci Gama. Relatório Em exame recurso interposto pelo sujeito passivo tendo em vista que a decisão da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes lhe fora apenas parcialmente favorável. Com efeito, o colegiado entendeu que a prescrição do direito à restituição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação ocorre no prazo de cinco anos, e que este tem como termo inicial, nos casos de inconstitucionalidade do ato legal em que fundados os recolhimentos, a data de publicação do ato que a reconheça. No caso, tratase de recolhimentos de PIS efetuados sob os comandos legais dos decretosleis 2.445 e 2.449, sendo, pois, aquele ato a Resolução nº 49 do Senado Federal, publicada em 10 de outubro de 1995. O direito, porém, só alcançaria os recolhimentos indevidos realizados nos cinco anos anteriores ao ingresso do pedido administrativo. A decisão reconheceu também a semestralidade. O especial, assim como já o fizera o voluntário, postula que não haja a segunda restrição, ou seja, que todos os recolhimentos indevidos sejam alcançados, desde que o pedido tenha sido formulado até 10 de outubro de 2000. No caso, essa é a data do ingresso, de modo que o critério adotado pela Câmara reconheceu o direito quanto a recolhimentos efetuados até a data de 10 de outubro de 1995, exatamente como ocorreria se aplicado o entendimento de que o prazo de cinco anos se conta a partir de cada recolhimento. Como comprovação da divergência, foi apresentado acórdão exatamente na linha postulada, isto é, de que não há limitação quanto às datas dos recolhimentos, apenas quanto à do ingresso do pedido administrativo. O especial postulava ainda a revisão dos cálculos, mas quanto a isso não foi admitido. Em contrarazões, postula a Fazenda Nacional a manutenção do quanto decidido. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.007304/0048 Acórdão n.º 9303002.416 CSRFT3 Fl. 6 3 É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Taxativamente demonstrada a divergência, entendo imperioso conhecer do recurso Como expus no relatório, aplicou a Câmara entendimento – de autoria do dr. Emanuel Dantas – que acaba por instituir uma segunda restrição ao direito do contribuinte. Deveras, consoante aquele entendimento, o sujeito passivo terá, no máximo, o mesmo que obteria se aplicada a tese oposta, isto é, de que o prazo é de cinco anos mas se conta a partir de cada recolhimento indevido realizado. E digo no máximo porque isso só ocorrerá se ele formalizar o seu pedido até 10 de outubro de 2000; caso perca esse prazo, perdeu todo o direito. Não concordo com esse entendimento, embora, como dito, ele tenha no caso concreto resultado no mesmo que se aplicado o que eu sempre partilhei e que foi, em meu entender, expressamente ratificado pela Lei Complementar 118/2005. Ocorre que a matéria não comporta mais discussões, em virtude do art. 62A do RICARF. Isso porque já definido pelo e. Supremo Tribunal Federal que a regra oriunda da Lei Complementar nº 118/2005 não é meramente interpretativa e, pois, não se aplica a pedidos de restituição que lhe sejam anteriores. Por ocasião do julgamento pelo Pleno do CARF, entre outros, do recurso extraordinário interposto no processo 13832.000210/9914, assim me pronunciei quanto à matéria: A matéria ora discutida, contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º do referido diploma legal, que o pretendiam expressamente interpretativo de modo a poder ser aplicado mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Não se trata disso aqui, é certo, visto que a pretensão fazendária é apenas desconstituir a tese que prevaleceu no julgado administrativo segundo a qual o marco inicial é o dia de publicação de ato legal que “reconheceu” a inconstitucionalidade do dispositivo em que se baseou o recolhimento. Em outras palavras, não pugna a Fazenda pela aplicação retroativa da referida Lei, embora a forma de Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 contagem do prazo prescricional por ela defendida isso implique. Isso não obstante, a ilustre Relatora no STF não deixa de enfrentar a discussão aqui posta. Com efeito, são suas palavras: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que não estava prescrito o direito do contribuinte à restituição de quantias atinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 15 de dezembro de 1989, dado que o seu pedido ingressou administrativamente apenas em 15 de dezembro de 1999. Voto, assim, pelo não provimento do apelo fazendário de modo a manter o afastamento da prescrição com respeito aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, embora por fundamento diverso daquele adotado nos julgados já ocorridos. Aplicandose tal regra ao caso concreto, há de se afastar parte da prescrição reconhecida pela Câmara, pois tendo o pedido administrativo ingressado em 10 de outubro de Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.007304/0048 Acórdão n.º 9303002.416 CSRFT3 Fl. 7 5 2000, estão hígidos todos os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até setembro de 1990, inclusive. Com essas considerações, voto por dar parcial provimento ao apelo do sujeito passivo para considerar prescrito o seu direito apenas com respeito aos recolhimentos relativos aos períodos de apuração outubro de 1988 a agosto de 1990, devendo a unidade executora apurar a materialidade do direito na forma já definida na decisão recorrida, isto é, mediante a aplicação da semestralidade, cujo reconhecimento não foi objeto de recurso. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.906319/2008-00
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2000
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
PEDIDO DE CONVERSÃO DE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
O instituto jurídico de conversão de julgamento em diligência é discricionário da autoridade administrativa, resulta da necessidade de esclarecimento para o julgador sobre determinado fato que não restou provado, ou de algum elemento probante relevante que deveria compor os autos e nele não se encontra, não sendo esta a situação contextualizada no pedido da interessada.
Numero da decisão: 3803-004.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI; HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES., JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE CONVERSÃO DE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. O instituto jurídico de conversão de julgamento em diligência é discricionário da autoridade administrativa, resulta da necessidade de esclarecimento para o julgador sobre determinado fato que não restou provado, ou de algum elemento probante relevante que deveria compor os autos e nele não se encontra, não sendo esta a situação contextualizada no pedido da interessada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 63 19 /2 00 8- 00 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI; HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES., JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente). Relatório A contribuinte alegou que, por meio de sua consultoria tributária, identificou em outubro de 2003, que no períodos situados entre fevereiro e abril de 1999 e julho a setembro de 2003, lançou em suas escritas fiscal e contábil créditos tributários pagos indevidamente como receita tributável pelo PIS e Cofins, nos termos da Lei nº 9.718/98, notadamente inciso II do § 2o do seu artigo 3o. Em face desse fato buscou a compensação dos valores de PIS e Cofins efetuados a maior/indevidamente, perante a repartição fiscal de sua circunscrição. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico nº 781231111, de 12/08/08 (fls. 01/03), emitido pelo Sistema de Controle de Crédito da RFB, a autoridade administrativa que analisou o limite do crédito original informado em PER/DComp nº 39164.41209.141103.1.7.040283, transmitida em 14/11/2003, constatou que o referido crédito original foi utilizado integralmente para a quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando saldo credor disponível para a compensação dos débitos informados na DComp. Irresignada com o teor do despacho retromencionado o sujeito passivo manifestou a sua inconformidade (fls. 11/ss), deduzindo sucintamente acerca da legitimidade do seu direito de realização da compensação informada, eis que devem ser excluídas da receita bruta as reversões de provisões que não representem ingresso de novas receitas, neste sentido se manifestando o ADI SRF nº 25/2003, cujo artigo segundo estabelece que não há incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. De igual modo dispõe o inciso II do § 2o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, sendo o seu direito oriundo do recolhimento indevido de PIS e Cofins sobre aproveitamento de créditos reconhecidos judicialmente, portanto de recolhimento indevido, pois tais valores não Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.906319/200800 Acórdão n.º 3803004.219 S3TE03 Fl. 8 3 configuram receita nova tributável pelas citadas contribuições, por conseguinte sujeitos a compensações nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Mencionou, ainda, que o despacho decisório se amolda à forma de lançamento de ofício por revisão, nos termos do artigo 149 do CTN, se contrapondo o mesmo ao conceito de lançamento como sendo ato constitutivo de crédito tributário tendente à verificação da ocorrência do fato jurídico tributário e a obrigação correspondente, conforme previsto no artigo 142 do mesmo mandamus e, com isso, pretende a autoridade administrativa transformar o despacho decisório numa espécie de auto de infração, já que não foi dada oportunidade ao Manifestante para justificar o seu procedimento, o que acarretou em cerceamento de defesa. Neste sentido citou o Acórdão 10614.100 (10218.000481/200231). Que o despacho decisório ao impedir que a manifestante apresentasse a sua justificativa deve ser declarado nulo de pleno direito, por falta de motivação, ex vi dos arts. 2o e 50, caput e §§ 1o ao 3o, da Lei nº 9.784/99. Ao final requer a reforma do decidido no despacho decisório ora combatido, para fim da homologação do seu crédito compensado, bem assim o deferimento de diligência, de acordo com os termos do inciso IV do art.l 16 do Dec. nº 70.235/72, para fins de constatação da veracidade dos fatos narrados na manifestação de inconformidade. Documentos anexados aos autos pela manifestante a título de instrução do julgamento: cópia do despacho decisório eletrônico e o Relatório e Planilha de Créditos Fiscais de PIS e Cofins, sobre Receitas de Recuperação de Créditos Fiscais:Opinião legal sobre Receitas de Recuperação de créditos fiscais (fls. 32/46), Solução de Consulta nº 222, de 10 de dezembro de 2002 (fls. 47/48). Conclusos foram os autos submetidos à apreciação da 9ª Turma da DRJ/SP1, quando em sessão realizada em 12/05/11, proferiram decisão por meio do Acórdão nº 16 31.490, cuja ementa encontrase adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2000 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que – por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado – expressa a inexistência de saldo para fins de compensação. DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Improcede o pedido de diligência realizado em desconformidade com o prescrito na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. O voto condutor do acórdão supramencionado constatou que o recolhimento indicado pela manifestante foi integralmente utilizado para quitação de débitos, ou dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do “conta corrente” da Receita Federal do Brasil – RFB saldo disponível para compensação; que o DARF foi consumido integralmente na extinção de débitos regularmente registrados nos arquivos fazendários; que para se contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação declarada, a contribuinte acenou com a existência de indébitos decorrentes do recolhimento indevido de PIS/COFINS sobre aproveitamento de créditos reconhecidos judicialmente, visto que tais valores não configurariam receita nova tributável pelas citadas contribuições, entretanto apresentou apenas parecer opinativo e planilhas elaboradas por consultoria tributária, que pretendeu demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, no entanto desacompanhadas de outros documentos que lhe dêem sustentação, o que não é suficiente para comprovar a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior; que o ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretendeu extinguir a obrigação tributária, conforme exigido pelo art. 170 do CTN. Quanto às assertivas formuladas pela contribuinte acerca do cerceamento de defesa, que resultaria em nulidade do despacho decisório, haja vista ter este despacho a conotação de lançamento de ofício revisional, nos moldes do artigo 149 do CTN, se contrapondo às mesmas a decisão de piso esclareceu que não se há confundir o despacho não homologatório de compensação declarada com tais assertivas, uma vez que este está adstrito ao instituto da compensação, conquanto a manifestação de inconformidade obedeça ao mesmo rito processual da impugnação do lançamento, conforme disposição contida no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96; que apenas a partir da não homologação a contribuinte poderá opor à pretensão do Fisco, com as garantias constitucionais que lhe são inerentes. Quanto à falta de motivação alegada pela manifestante, a ensejar a nulidade do despacho decisório, entendeu a decisão de primeiro grau que cabe observar que a contribuinte informou débitos em DComp e indicou um documento de arrecadação como origem do crédito, o qual estaria apto a extinguir tais débitos, em face de representar pagamento indevido. Destarte, embora localizado o pagamento apontado como origem do crédito, o valor correspondente havia sido utilizado integralmente para a extinção de outros débitos próprios, sendo este o motivo da decisão administrativa. Logo não há se alegar falta de motivação. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.906319/200800 Acórdão n.º 3803004.219 S3TE03 Fl. 9 5 No que atine à apresentação da prova documental entendeu a decisão de primeira instância que o momento adequado é o previsto no artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvado o disposto no seu § 4o. Ciente do teor do decidido no acórdão de piso em 10/06/2011 (vide AR), irresignada a contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 28/06/2011, de acordo com o carimbo de protocolo estampado no próprio apelo, ocasião em que reiterou, minudentemente, os argumentos expendidos na exordial, colacionando aos autos a título de comprovação do alegado planilhas sobre recuperação de créditos fiscais, relacionadas às contribuições para o PIS e Cofins, além de fichas do Razão – Conta 440200.000003 – 2000. A recorrente requereu a reforma do despacho decisório e da decisão de piso, para fins de homologação do crédito compensado e, não sendo este o entendimento majoritário, reiterou o pedido para a conversão do julgamento em diligência, nos termos do inciso IV do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, para fins de constatação da veracidade dos fatos narrados na exordial e apelo, possibilitando, assim, a ampla defesa e o contraditório. Finalmente requereu pelo deferimento do pedido para sustentação oral quando do julgamento do recurso voluntário, ocasião em que deverá ser intimada a recorrente e o seu procurador constituído nos autos, Walter Carvalho de Brito, com escritório na Alameda Santos, 455, 16o andar, Conjunto 1609, CEP 01.519000, Jardins, São Paulo, quando da designação da data de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios nos períodos situados entre fevereiro e abril de 1999 e julho a setembro de 2003, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência e regularidade. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico (fls. 01/03), bem assim na listagem de créditos/saldos remanescentes (fl. 49/50) e no Demonstrativo Analítico de Compensação (51), ambos de lavra da Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança da Receita Federal do Brasil – CODAC, que atestam a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A referida decisão mantevese silente acerca da origem do direito creditório alegado pela contribuinte, consubstanciado no inciso II do § 2o do seu artigo 3o da Lei nº 9.718/98, pronunciandose, tão somente, quanto ao limite do valor do crédito original utilizado integralmente na extinção de outros débitos próprios regularmente informados pela contribuinte, não restando saldo credor suficiente para à satisfação da compensação informada em Per/DComp já descrita nos autos. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Ademais disso há a reiteração do pedido formulado pela recorrente no sentido de conversão do julgamento em diligência para verificação da veracidade dos fatos alegados nos autos. Assiste razão ao juízo de primeira instância quando formulou assertivas de que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo mantevese escorreita a decisão recorrida, quando assinalou que cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevindo à sua homologação confirmando a extinção da obrigação tributária, que efetivamente não ocorreu in casu, por falta da apresentação de documentação hábil e idônea que demonstrasse a existência e a regularidade do crédito alegado na DComp, uma vez que as planilhas, o relatório e o parecer opinativo, tão somente, não tem o condão de imprimir certeza e liquidez ao direito creditório informado no Per/DComp, nos moldes preconizados no art. 170 do CTN, para o fim do disposto no art. 156, II, do mesmo diploma legal. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. Finalmente é certo ser de iniciativa exclusiva da contribuinte demandar a compensação pela via de Per/DComp. Por conseguinte, também é sua a responsabilidade de demonstração cabal da existência e regularidade do direito creditório nela informado, o que se dá por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, por ocasião da protocolização da manifestação de inconformidade, de acordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, para verificação pelo julgador tributário. O não cumprimento deste requisito legal repele a conversão do julgamento em diligência, eis que a adoção desta prática é discricionária da autoridade administrativa, e resulta da necessidade de esclarecimento para o julgador sobre determinado fato que não restou provado, ou de algum elemento probante relevante que deveria compor os autos e nele não se Fl. 149DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.906319/200800 Acórdão n.º 3803004.219 S3TE03 Fl. 10 7 encontra, portanto não sendo esta a situação enfrentada in casu, quando a contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez, ou mesmo porque os sistemas de informação da Receita Federal do Brasil possibilitaram demonstrar de forma inconteste a inexistência do crédito alegado em Per/DComp, sistema este alimentado por informações fornecidas pela própria contribuinte. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das sessões em 23 de maio de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.724770/2011-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-001.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RECURSO INTEMPESTIVO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 47 70 /2 01 1- 92 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE BAEPENDI contra Acórdão nº 0940.156 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigações principais AIOP – Auto de Infração de Obrigação Principal nº. 37.282.5940 com ciência da Recorrente em 06.12.201, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 205, com valor original de R$ 359.378,54 retificado para R$ 338.493,90. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias, quota patronal, decorrente da prestação de serviços de contribuintes individuais, no período de 01/2008 a 13/2008. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 364 a 365: O sujeito passivo não incluiu em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) ou recolheu contribuições sociais previdenciárias decorrentes da liquidação de Notas de Empenho que registram serviços prestados por servidores contratados, contribuintes individuais e transportadores autônomos relacionados nos anexos I, II e III ao Relatório Fiscal. Da comparação das multas vigentes à época da ocorrência do fato gerador com as atuais, por serem mais benéficas, essas últimas foram adotadas. A ciência do AIOP ocorreu em 06.12.2011, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 205. O período objeto do AIOP, conforme o Relatório Fiscal, é de 01/2008 a 13/2008. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A impugnação foi interposta em 2/1/2012 (folha 207) contendo (folhas 208 a 317), em síntese: Inicialmente, relaciona uma série de servidores públicos que possuem regime próprio de previdência, contribuindo para o Instituto Baependiano de Seguridade Social, órgão municipal, aduzindo que seguem lei própria e não poderiam ser considerados no procedimento fiscal. Com relação às autuações referentes a adiantamentos para custeio de despesas de viagem, alega que a Solução de Consulta 65 – SRRF06/Disit, de 23/7/2010, isentaas de imposto de renda, se destinadas ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual fora da sede de trabalho. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10660.724770/201192 Acórdão n.º 2403001.933 S2C4T3 Fl. 1.021 3 Já no que diz respeito às rescisões de contratos e pagamentos relativos à participação em campanhas de saúde, são indenizatórios e não devem sofrer incidência de contribuição previdenciária. Aduz que o RE 345.458/RS, em que foi julgado que o terço constitucional de férias tem natureza compensatória/indenizatória, por semelhança de fatos, justifica o seu entendimento. Requer, ao final, o cancelamento da autuação. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora – MG decidiu por baixar o processo em diligência para verificação das alegações da Recorrente. A Unidade da RFB em Varginha / MG fez a Informação Fiscal, às fls. 320: O contribuinte apresentou, através do Ofício n° 0166/2011, impugnação ao Auto de Infração COMPROT n° 10660.724770/201192, sustentando que “deste procedimento, há que se desconsiderar, data vênia, os servidores efetivos e pensionistas que contribuem (e no caso dos pensionistas, recebem pelo instituto) para o regime próprio de previdência municipal, o ‘Instituto Baependiano de Seguridade Social’”. Em 23/02/2012 encaminhouse ao contribuinte Termo de Início de Procedimento Fiscal intimandoo a apresentar as folhas de pagamento do Regime Próprio de Previdência, as portarias de nomeação e os termos de posse dos servidores públicos municipais relacionados no item 1 do Ofício n° 0166/2011, por ele apensado em defesa administrativa. Realizada diligência fiscal em 05/03/2012, restou comprovado que os servidores relacionados pelo contribuinte efetivamente mantiveramse vinculados ao Instituto Baependiense de Previdência. Assim, retificase o Anexo I do Relatório Fiscal do Auto de Infração COMPROT n° 10660.724770/201192, excluindo os servidores efetivos listados pelo contribuinte (cópia em anexo). Ademais, o Discriminativo Analítico do Débito – DAD, parte integrante do AI COMPROT n° 10660.724770/201192, deve registrar no Levantamento 011 – Importado e no Levantamento 012 – Importado as bases de cálculo e correspondentes contribuições discriminadas na coluna “PARA” da tabela abaixo: (...) Mantidas as alíquotas de 20% da base de cálculo a título de contribuições patronais e de 2% da base a serem destinadas ao custeio dos riscos ambientais do trabalho. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Após a ciência da Informação Fiscal, a Recorrente, às fls. 358 a 361, se manifestou no sentido do prosseguimento do processo e o acatamento das demais razões acostadas na Impugnação. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 0940.156 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RPPS. LANÇAMENTO. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. PARCELAS INTEGRANTES. A RFB é competente para lançar contribuições sociais previdenciárias e conexas relativas ao Regime Geral de Previdência Social. Não integram a base de cálculo da contribuição social previdenciárias exclusivamente as rubricas normativamente excluídas da remuneração dos segurados do RGPS. Incumbe ao impugnante provar o alegado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, cancelando R$9.941,87, em valores originários, nos termos do voto. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. O recurso de ofício previsto no art. 366 do Regulamento da Previdência Social, na redação dada pelo Decreto 6.224/2007, deixa de ser interposto em razão do disposto no §3º desse mesmo artigo c/c art. 1º da Portaria MF 3/2008. Sala de Sessões, em 3 de maio de 2012 A empresa foi cientificada do Acórdão nº 0940.156 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG conforme a Intimação nº 133/2012 às fls. 375, recebida via Aviso de Recebimento – AR, em 29.05.2012, conforme fls. 376. Foi lavrado em 29.06.2012 Termo de Perempção, às fls. 392: Fl. 399DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10660.724770/201192 Acórdão n.º 2403001.933 S2C4T3 Fl. 1.022 5 TERMO DE PEREMPÇÃO Decorrido o prazo previsto e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavro, nesta data, o presente termo para os devidos efeitos. São Lourenço, 29/06/2012. ARF/SLC/MG Foi interposto Recurso Voluntário, em 29.06.2012, onde a Recorrente reitera o aduzido em sede de Impugnação e combate a decisão de primeira instância. A Unidade da Receita Federal do Brasil encaminha o Recurso Voluntário ao CARF, observando que o Recurso foi apresentado intempestivamente, conforme o Termo de Perempção lavrado e os registros de intempestividade nos sistemas: 1. Referese a manifestação de recurso voluntário ao Carf contra a decisão proferida pelo Acórdão 09.40.156 – 5ª Turma da DRF/JFA de 03.05.2012. 2. O interessado recebeu o Acórdão em 29.05.2012 conforme Aviso de Recebimento às folhas 376. 3. Postou o recurso na Empresa de Correios e Telégrafos em 29.06.2012, intempestivamente, conforme folhas 389/391. 4. Conforme relatório proponho o encaminhamento do processo ao CARF para prosseguimento. É o Relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Na verificação dos requisitos de admissibilidade, devese analisar a tempestividade do Recurso Voluntário. A ciência do AIOP ocorreu em 06.12.2011, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 205. O período objeto do AIOP, conforme o Relatório Fiscal, é de 01/2008 a 13/2008. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 0940.156 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora – MG. A empresa foi cientificada do Acórdão nº 0940.156 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG conforme a Intimação nº 133/2012 às fls. 375, recebida via Aviso de Recebimento – AR, em 29.05.2012, conforme fls. 376. Foi lavrado em 29.06.2012 Termo de Perempção, às fls. 392: TERMO DE PEREMPÇÃO Decorrido o prazo previsto e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavro, nesta data, o presente termo para os devidos efeitos. São Lourenço, 29/06/2012. ARF/SLC/MG Foi interposto Recurso Voluntário, em 29.06.2012, onde a Recorrente reitera o aduzido em sede de Impugnação e combate a decisão de primeira instância. A Unidade da Receita Federal do Brasil encaminha o Recurso Voluntário ao CARF, observando que o Recurso foi apresentado intempestivamente, conforme o Termo de Perempção lavrado e os registros de intempestividade nos sistemas: 1. Referese a manifestação de recurso voluntário ao Carf contra a decisão proferida pelo Acórdão 09.40.156 – 5ª Turma da DRF/JFA de 03.05.2012. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10660.724770/201192 Acórdão n.º 2403001.933 S2C4T3 Fl. 1.023 7 2. O interessado recebeu o Acórdão em 29.05.2012 conforme Aviso de Recebimento às folhas 376. 3. Postou o recurso na Empresa de Correios e Telégrafos em 29.06.2012, intempestivamente, conforme folhas 389/391. 4. Conforme relatório proponho o encaminhamento do processo ao CARF para prosseguimento. Deste modo, resta evidenciado que a Recorrente, cientificada do Acórdão nº 0940.156 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG via Aviso de Recebimento – AR, em 29.05.2012, interpôs Recurso Voluntário apenas em 29.06.2012, portanto após o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente foi intempestivo e, dessa forma, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o seu conhecimento. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário em face de sua intempestividade. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 402DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11060.002994/2009-57
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE EXTENSÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS.
Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO.
A exigência da multa "ex offício", no percentual de 75%, obedece tão somente aos preceitos insculpidos na legislação tributária em vigor.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-002.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 16/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE EXTENSÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. A exigência da multa "ex offício", no percentual de 75%, obedece tão somente aos preceitos insculpidos na legislação tributária em vigor. Recurso Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 16/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2124; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 2 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.002994/200957 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.510 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria IRPF Recorrente GILBERTO BRONDANI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE EXTENSÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. A exigência da multa "ex offício", no percentual de 75%, obedece tão somente aos preceitos insculpidos na legislação tributária em vigor. Recurso Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 29 94 /2 00 9- 57 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 16/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 85/103, foi efetuado o lançamento de Imposto de Renda Pessoa do anocalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, no qual foi apurado o crédito tributário de R$38.843,55, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de classificação indevida de rendimentos na DIRPF, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Intimado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação, fls. 107 a 129. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira(fls. 158/163): Conforme restará cabalmente demonstrado, nenhuma razão assiste ao órgão fazendário quando da realização da aludida cobrança, razão pela qual deve ser julgado insubsistente o auto de infração. Preenchimento dos requisitos legais instituídos pela Lei 9.250/95 O impugnante integra o quadro de funcionários da Universidade Federal de Santa Maria, exercendo a função de professor. Nesta condição, o artigo 4º e parágrafos da Lei 8.958/94 autoriza a participação dos seus servidores nas atividades realizadas por fundações. As fundações encontramse descritas no que preceitua o artigo 1º da aludida Lei, enquadrandose neste conceito a FATEC. Em vista do interesse da administração pública, o impugnante foi agraciado com bolsas de estudo e de pesquisas, devidamente declaradas nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física. Os rendimentos foram declarados como nãotributados, com base na Lei 9.250/95 e no Decreto n.° 5.205/04, que regulamenta a Lei n.° 8.958/94. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.002994/200957 Acórdão n.º 2802002.510 S2TE02 Fl. 3 3 Salientase que a legislação que trata especificamente das bolsas de estudo e pesquisa de que trata a Lei 8.958/94 são regulamentadas no aludido Decreto, que impõe, como única condição a ausência de tributação, a inexistência de contraprestação. Ainda que se entendessem como exigíveis os requisitos impostos pela Lei n.° 9.250/95, sejam eles (a) doação; (b) recebidas exclusivamente para estudos ou pesquisas e (c) ausência de vantagens para o doador, inexiste ainda assim óbice para a caracterização de tais rendimentos como não tributáveis. Conforme se fará expor, ao revés do que dispõe o auto de infração, encontramse presentes a integralidades dos requisitos necessários a caracterização imposta pela legislação aludida. Doação Com efeito, a Lei 9.250/95 impõe a existência da doação para que as bolsas de estudo e pesquisa sejam isentas de Imposto de Renda. Apresenta considerações acerca do contrato de doação. Ainda que a Lei especifique a necessariedade da transferência de patrimônio para restar caracterizada como doação, é imperioso salientar que as "conclusões" obtidas pelo órgão fazendário fogem a literalidade pregada pelo mesmo, adentrando no campo das suposições. O representante do órgão fazendário atribui interpretação extensiva e, no mínimo, peculiar ao que dispõe a Lei 9.250/95. O mencionado regramento legal estabelece a necessidade da caracterização da doação para a ausência de tributação de tais valores. Em sua interpretação, o agente fazendário "conclui", equivocadamente, digase de passagem, tratarse de doação pura e não onerosa, quando a bem da verdade a lei sequer reza qual a modalidade a ser observada. Um dos fundamentos usados pela impugnada a fim de descaracterizar a existência de doação, é o fato de que os recursos para pagamento das bolsas seriam "autofinanciados", tendo sido os mesmos obtidos por valores pagos por empresas e mensalidades de alunos. Uma vez declarada que a origem de tais recursos advém, por exemplo, da mensalidade de alunos, não há como se afirmar, tal como consta no auto de infração que houve doação de pessoa física ou ainda que inexistiu diminuição de patrimônio. A FATEC deveria explicitar, como efetivamente o fez, as origens dos recursos e demonstrou que se valeu da mensalidade paga pelos alunos para o adimplemento das bolsas, demonstrando o desfalque no seu patrimônio. Restou cabalmente demonstrada, conforme já explicitado, a diminuição do patrimônio da FATEC, a medida de que as bolsas foram pagas com valores arrecadados pela instituição junto a pessoas físicas e jurídicas. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 No que pertine a UFSM, não houve e nem poderia haver redução do patrimônio da mesma, uma vez que, por força legal, não pode ser ela obrigada ao pagamento de débitos contraídos pela sociedade, no teor do que dispõe o artigo 5o da Lei n.° 8.958/94. Destarte, concluise que a fazenda pública impõe como requisito a caracterização da isenção do imposto de renda que as bolsas de estudo e pesquisa, além de não deter previsão legal, ainda vai de encontro a lei vigente. Exclusivamente para proceder estudos e pesquisas. Resta comprovado, inclusive pelos documentos anexos ao presente, que as bolsas e projetos de pesquisas tiveram por único escopo o aperfeiçoamento dos profissionais nela envolvidos. Ausência de proveito econômico do doador. A afirmação de que a remuneração da FATEC e da UFSM a título de taxa de administração e de utilização de infraestrutura redundaria em "proveito econômico por sobre a atividade dos bolsistas" não merece prosperar. Razões cristalinas, oriundas da simples leitura do texto legal e da aplicação de mero bom senso nos revelam que a intenção do legislador foi que o trabalho efetivamente realizado pelos bolsistas e pesquisadores não acarretassem em ganhos econômicos. Da conclusão acerca do preenchimento dos requisitos legais. Conforme o apanhado realizado pelo próprio auto de infração, até recentemente, as leis tributárias brasileiras não haviam definido expressamente se sobre os valores recebidos a título de bolsa de estudos deveria ou não incidir o Imposto de Renda. Na atual legislação do Imposto de Renda, as bolsas de estudo e pesquisas permanecem contempladas com a isenção, desde que respeitadas as restrições estabelecidas, o que efetivamente ocorreu no caso. O impugnante aceitou a doação que lhe fora ofertada como uma forma de apoio à pesquisa brasileira, contribuindo diretamente para a formação de pesquisadores (mestres, doutores e especialistas em várias áreas de conhecimento) e não com a finalidade de originar proveito econômico a FATEC. Os investimentos angariados pela fundação são direcionados para a formação e absorção de recursos humanos e financiamento de projetos de pesquisa que contribuam para o aumento da produção de conhecimento e geração de novas oportunidades de crescimento para o país. Assim, como já visto, não houve contraprestação do bolsista em favor da FATEC, mas tão somente obrigação de realizar atividades de pesquisas científicas. Eventuais direitos sobre patente, que podem trazer vantagem econômica, não revertem em favor do órgão concedente, qualquer assertiva contraria neste aspecto é equivocada e não pode acarretar na cobrança arbitrária do valor exacerbado pleiteado pelo fisco. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.002994/200957 Acórdão n.º 2802002.510 S2TE02 Fl. 4 5 Observase inclusive que o comprovante de pagamento anual fornecido pela FATEC dá conta de que os rendimentos auferidos pelo impugnante são isentos quando menciona que se referem a bolsa de estudos e pesquisa conforme a lei n.° 8.958/94 (documento em anexo). Por tudo, são isentas do Imposto de Renda as bolsas de estudo e pesquisa recebidas da FATEC, visto que os resultados dessas atividades não representaram vantagem para o doador, e por não importaram contraprestação de serviços. Do pleito alternativo. Cumpre salientar que se algum valor é devido, uma vez constatada eventual relação laboral, este não o é pelo impugnante. Inicialmente, se a relação jurídica mantida pelo impugnante com a FATEC eventualmente resultasse de uma prestação de serviços, não seria lícita a cessão de servidor por parte da UFSM, tampouco aceita pelo impugnante. Uma vez descaracterizado o contrato de doação existente, não deve ainda assim remanescer qualquer cobrança ao impugnante. A responsabilidade da fonte pagadora pelo recolhimento do imposto é notória e resulta de Lei. O art. 45, parágrafo único, do CTN, define a fonte pagadora como a responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte incidente sobre verbas pagas a seus empregados. No momento em que se retirou do patrimônio da aludida empresa os valores para pagamento deveriam ser os mesmos líquidos, quando por esta ocasião. O tributo deve ser cobrado do indivíduo que pratica o fato gerador, com ele tem relação pessoal e direta, traduzindose como sujeito passivo direto ou contribuinte. O responsável ou sujeito passivo indireto é a pessoa que, sem revestir a condição de contribuinte, tem obrigação decorrente de disposição expressa de lei. Não tem relação direta e pessoal com o fato gerador. Com efeito, o Decreto n° 1.041 de 110194, Regulamento do Imposto de Renda, disciplina em seu art. 71 a retenção e recolhimento do imposto na fonte. A FATEC, se devido fosse o imposto na fonte, dela era a obrigação de reter e recolher, e se não o fez em tempo oportuno, deve ser acionada para vir a fazêlo. Ainda que, ignorados todos estes fatores, subsistisse a obrigação do impugnante, dadas às circunstâncias, a ausência de participação do contribuinte para o equívoco no lançamento, ao lado de militar a seu favor o fato de que a própria fonte pagadora apresentou os comprovantes de rendimentos pagos sem retenção de imposto de renda, sem incluir as Fl. 221DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 diferenças salariais percebidas, retira o substrato da imposição da sanção imposta pelo art. 4o , caput e inciso I, da Lei 8.218/91. Superadas todas as teses até então arguidas, o que se admite por mero argumento, remanescendo qualquer débito, devem ser excluídos os valores cobrados a título de juros de mora e multa, uma vez constatada a boafé do impugnante. Da ausência de relação jurídicotributária obrigacional entre o impugnante e o fisco. A relação jurídica obrigacional tributária é objeto essencial do direito tributário, pois sendo este de natureza obrigacional, constitui sempre uma obrigação do sujeito passivo para com o sujeito ativo tributante. Conforme se fará demonstrar, outra razão pela qual deve ser refutado o auto de infração reputado ao impugnante é a inexistência de relação obrigacional tributária entre o mesmo e o fisco. Verificase no caso dos autos que o sujeito passivo da relação jurídico tributária no caso em cotejo é a FATEC e não o impugnante. Esta simples conclusão aliada com tudo o que já foi exposto torna imperioso o reconhecimento da inexistência de qualquer comando legal obrigacional em detrimento do mesmo. Assim, a obrigação jurídica tributária nada mais é do que um vínculo existente entre o sujeito passivo e o sujeito ativo, de uma obrigação de dar, de fazer, de não fazer ou de tolerar, nos termos do artigo 113 do Código Tributário Nacional, sob pena de sanção, o que não se configura no caso concreto. Os valores pleiteados pelo fisco são provenientes de uma obrigação tributária principal, que existia com a FATEC e não com o impugnante. Do requerimento Requer, a insubsistência do auto de infração, reconhecendose os fundamentos a seguir: 1. A existência de contrato de doação da FATEC para o impugnante, com o preenchimento de todos os requisitos legais para tanto, reconhecendose a ausência de tributação sobre os valores recebidos; 2. Se, no entanto, não for atribuída a característica de doação e existir a incidência de tributação sobre os valores recebidos, o reconhecimento da ilegitimidade passiva do impugnante, em vista da obrigação legal da fonte pagadora para proceder a retenção; 3. O reconhecimento da inexistência da relação jurídico tributária obrigacional entre o fisco e o impugnante; 4. Uma vez não acolhidos nenhum dos fundamentos expostos, a isenção do mesmo com relação ao pagamento de multa e juros moratórios, uma vez evidenciada a sua boafé. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.002994/200957 Acórdão n.º 2802002.510 S2TE02 Fl. 5 7 Requer seja juntado ao presente processo administrativo o auto de infração referente as bolsas de ensino e pesquisa expedida em face da FATEC, bem como, em relação a fiscalização realizada pela previdência social. Pugna ainda sejam intimadas a FATEC e a Universidade Federal de Santa Maria dos termos do presente Auto de Infração para, querendo, se manifestem, providenciando desde logo bens em garantia do pagamento dos valores pleiteados diante da grande probabilidade de redirecionamento da cobrança à FATEC. Pugna pela produção de todos os meios de provas admitidas em direito, postulando ainda que eventuais intimações sejam remetidas ao signatário” A 4ª Turma da DRJ Porto Alegre RS manteve o auto de infração por meio do Acórdão nº. 1029.368, de 25 de janeiro de 2011, com a seguinte ementa (fls. 157): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DIRPF. INFORMAÇÕES. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. A responsabilidade pelas informações prestadas na declaração de rendimentos é do declarante, independentemente de entrega do comprovante de rendimentos pela fonte pagadora. RENDIMENTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO NA FONTE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Tratandose de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração de ajuste anual, inexiste responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, sendo correta a autuação do beneficiário quando este não ofereceu à tributação, na declaração de ajuste anual, os rendimentos tributáveis recebidos. BOLSAS DE ESTUDO E PESQUISA. Somente são isentas as bolsas de estudo caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação de serviços. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Os valores apurados em procedimento fiscal deverão ser submetidos à devida tributação com a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 223DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Regularmente notificada do Acórdão em 21/03/2011, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls.172/185, em 20/04/2011, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. No mérito, o ponto fulcral da controvérsia reside em determinar se os rendimentos recebidos pelo contribuinte, a título de “Bolsa de Estudo e Pesquisa” são doações, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250/96, como assevera a recorrente; ou constituem rendimento tributável, por consistirem em retribuição à contraprestação de serviços, conforme entendimento da autoridade lançadora, referendado pelo julgamento de primeira instância. A legislação de regência determina no art. 26 da Lei nº 9.250/95, que para a bolsa de estudo e de pesquisa ser enquadrada como rendimento isento é indispensável que a mesma seja recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas, que os resultados de tais atividades não representem vantagem para o doador e que não importem em contraprestação de serviços. De pronto, cabe esclarecer que não restam dúvidas sobre a importância dos serviços prestados pelo contribuinte e seus colegas em um setor tão castigado no nosso País. Entretanto, a presente análise versa exclusivamente sobre o aspecto tributário de incidência do imposto de renda sobre as referidas verbas. No presente caso, resta evidente que a remuneração recebida pelo recorrente não atende aos requisitos legais. Neste sentido, valhome das bem lançadas razões apresentadas pelo Ilustre Conselheiro José Evande Carvalho Araújo, ao analisar Recurso Voluntário de outro professor da UFRGS, que versa sobre matéria idêntica, nos termos do Acórdão nº 2101002.043 de 24 de janeiro de 2013, o qual adoto na íntegra suas razões de decidir, transcrevendoas abaixo: “Legislação de regência: Segundo o art. 3o, §1º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Por sua vez, o §4º do mesmo artigo determina que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Ademais, o próprio Código Tributário Nacional CTN estabelece que são irrelevantes para qualificar a natureza jurídica específica do tributo a denominação e demais características formais adotadas pela lei (seu art. 4º). Fl. 224DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.002994/200957 Acórdão n.º 2802002.510 S2TE02 Fl. 6 9 Por outro lado, o art. 176 do CTN determina que a isenção é sempre decorrente de lei, e seu art. 111, inciso II, exige que a sua outorga deve ser interpretada literalmente. Do mesmo modo, o §6º do art. 150 da Constituição Federal exige que qualquer isenção de impostos só possa ser concedida mediante lei específica. Assim, quando a renda auferida pelo contribuinte for enquadrada no conceito de rendimento tributável, tornase irrelevante a denominação que lhe foi dada, somente sendo lícito se falar em isenção quando esta for concedida de forma expressa pela lei. Para o pagamento em discussão, o art. 43 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de renda, fazendo um apanhado da legislação federal, determina a tributação das bolsas de estudo e de pesquisa (inciso I). Entretanto, o art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, traz os requisitos para que tais verbas possam ser consideradas isentas. Transcrevese o texto legal: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Parágrafo único. Não caracterizam contraprestação de serviços nem vantagem para o doador, para efeito da isenção referida no caput, as bolsas de estudo recebidas pelos médicoresidentes.(Incluído pela Lei nº 12.514, de 2011) Desta forma, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Assim, devese verificar se as verbas em discussão atendem, cumulativamente, a todos os requisitos acima elencados. Basta que um deles não ocorra no caso concreto, para que prevaleça a regra geral de tributação. Acrescentese que o simples fato dos rendimentos pagos se denominarem de bolsas de extensão não afasta a aplicação da isenção legal para bolsas de estudo e de pesquisa, desde cumpridos os mesmos requisitos. Neste processo, a recorrente foi remunerada por meio de bolsa de estudo e pesquisa conforme a Lei n° 8.958, de 20 de dezembro de 1994. Assim, para a correta compreensão do caso, é necessário se conhecer o conteúdo de parte dessa lei, com a redação vigente por ocasião da ocorrência dos fatos geradores, bem como do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de 2004, que a regulamentou, como a seguir transcrevo: Lei n° 8.958, de 1994 Art. 1º As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes. (...) Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. (...) Decreto n° 5.204, de 2004: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.002994/200957 Acórdão n.º 2802002.510 S2TE02 Fl. 7 11 Art.5o A participação de servidores das instituições federais apoiadas nas atividades previstas neste Decreto é admitida como colaboração esporádica em projetos de sua especialidade, desde que não implique prejuízo de suas atribuições funcionais. (...) §2o A participação de servidor público federal nas atividades de que trata este artigo não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo a fundação de apoio conceder bolsas nos termos do disposto neste Decreto. Art.6o As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) §3o A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada. §4o Somente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. (...) Fl. 227DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Art.7o As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. Assim, é fato que a legislação que criou e regulamentou as fundações de apoio às instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica determinou que as bolsas de ensino, pesquisa e extensão pagas aos professores daquelas instituições deveriam atender aos requisitos da lei isentiva, e portanto não seriam tributadas pelo imposto de renda. Entretanto, na situação sob análise, concordo com a conclusão do lançamento e do acórdão a quo de que os pagamentos decorreram da contraprestação de serviços, como passo a esclarecer. Caso concreto: O recorrente é professor da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, e participou de diversos projetos firmados entre a universidade e sua fundação de apoio, a FATEC Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência, sendo remunerado por meio de bolsas de estudo e pesquisa. Foram esses os projetos que originaram as bolsas: a) Projeto 95323 Laboratório de ecologia florestal: análises nutricionais em ecossistemas florestais e espécies agrícolas (fls. 40 a 45); b) Projeto 95352 . Análises nutricionais de tecidos vegetais de espécies florestais e agrícolas (fls. 46 a 52v); c) Projeto 95389 Avaliação do status nutricional de espécies florestais e agrícolas (fls. 64 a 90). Em cada um desses projetos, duas eram as tarefas realizadas: a) Diagnosticar o status nutricional dos diferentes estágios de desenvolvimento das culturas florestais e agrícolas e recomendar, quando necessária, a adubação de correção e manutenção; b) Quantificar os nutrientes de soluções nutritivas e mesmo da água da chuva que entra e sai dos ecossistemas de florestas nativas e implantadas. Os recursos para cada projeto foram obtidos diretamente das pessoas jurídicas interessadas nos serviços. A FATEC recebia uma taxa de administração correspondente a 5% do custo total do projeto, e a UFSM era remunerada pela utilização de sua infra estrutura mediante uma taxa de 1% do custo total do projeto. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.002994/200957 Acórdão n.º 2802002.510 S2TE02 Fl. 8 13 A simples descrição das atividades realizadas demonstra seu nítido caráter de contraprestação de serviços. Observese que pessoas jurídicas interessadas na análise do solo com vistas à manutenção de culturas florestais e agrícolas contrataram professores da UFSM para a realização da tarefa. Para isso, repassaram os valores à FATEC, fundação de apoio da Universidade, que gerenciou os contratos e o repasse de recursos. Como remuneração, os profissionais receberam bolsas de estudo e pesquisa e as instituições, taxas de administração. Não há como se admitir que o resultado almejado dos projetos era a realização de estudos teóricos que resultariam em publicações científicas, e que indiretamente haveria o benefício dos contratantes. Ao contrário, o resultado almejado era um serviço técnico específico e delimitado, contratado com profissionais altamente qualificados vinculados à instituição universitária de renome. E o resultado indireto seriam eventuais publicações científicas decorrentes desses estudos, deixandose claro, contudo, que não se comprovou que os projetos indicados tenham originado trabalhos publicados. Não se quer aqui afastar a importância social dos serviços prestados, nem deixar de reconhecer que o preço cobrado era inferior ao de mercado, e que consistiram em um retorno da UFSM à sociedade que a financia. Reconhecese, também, a elevada competência técnica do contribuinte, fato comprovado pela extensa produção científica acostada aos autos. Mas o que se deve entender é que a imunidade com relação aos impostos das instituições de ensino não se estende para as remunerações pagas a seus prestadores de serviço. Se os argumentos do recurso fossem válidos, isentos também seriam os salários pagos aos servidores e professores da universidade, já que seus serviços contribuem para o desenvolvimento social da região. Acrescentese que, em cada ano fiscalizado, as bolsas pagas pela FATEC importaram em valores entre R$30mil e R$40mil, equivalente a um percentual em torno de 50% do total de rendimentos pagos pela UFMS. Não se trata, assim, de parcelas esporádicas e eventuais, mas verdadeira complementação salarial, paga no decorrer de diversos anos, o que reforça a convicção de sua natureza remuneratória. Em sua defesa, a contribuinte afirma que as bolsas denotam seu caráter de doação, pois o serviço seria realizado mesmo sem sua participação, não possuindo a FATEC a obrigação de pagar tais verbas, nem o bolsista o poder de exigir seu pagamento. Apesar do esforço retórico, não consigo vislumbrar essa atividade eventual nos serviços descritos nos projetos. Ao contrário, os documentos descrevem um serviço técnico, prestado em caráter duradouro por um longo período, e com obrigações e direitos para todas as partes. Desta forma, entendo que os valores pagos na forma de bolsa de estudos e pesquisa ao contribuinte constituem pagamento pelos serviços técnicos prestados em favor da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, de sua fundação de apoio, a FATEC Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência, e dos clientes financiadores dos projetos. Decisões administrativas e judiciais: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 O recorrente afirma que a jurisprudência administrativa e judicial corroboram o entendimento de que as bolsas de estudo e extensão possuem natureza isenta. As decisões do Conselho de Contribuintes indicadas não se aproveitam ao caso, pois trataram de bolsas de estudo e pesquisa que não representavam vantagem para o doador, nem importavam contraprestação de serviços. De modo contrário, recentes decisões desta 2a Seção de Julgamento têm confirmado a natureza tributável de verbas semelhantes. Dentre muitas, transcrevo a seguinte ementa: BOLSAS DE ESTUDO. DOAÇÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250/96. (Acórdão nº 2102001.216, 2a Turma Ordinária da 1a Câmara, sessão de 13/04/2011, relator Giovanni Christian Nunes Campos) Quanto à esfera judicial, de fato o recorrente demonstra a existência de diversas decisões da Justiça Federal de Santa Maria/RS que consideraram bolsas de estudo semelhantes como isentas. Salvo melhor juízo, um dos principais fundamentos desses julgados é que não houve produção de vantagens para a fundação que concedeu as bolsas, a não ser pela consecução de seus objetivos estatutários. Em outras palavras, o beneficiário dos serviços não seria a FATEC, entidade que concedeu a bolsa, mas sim a UFSM, e logo o resultado não se daria em proveito o doador. Com todo respeito que o argumento merece, penso que não se sustenta a uma análise mais aprofundada. A uma, porque os recursos que financiaram as bolsas derivam das entidades que se beneficiaram diretamente com os serviços. E a duas, porque o art. 6º do Decreto n° 5.204, de 2004, determina que os resultados das bolsas de ensino, pesquisa e extensão não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta. Se o argumento fosse correto, estaria aberta uma verdadeira avenida para a supressão de tributos sobre verbas remuneratórias, bastando repassar os valores a serem pagos primeiro a uma fundação de apoio, que pagaria as Fl. 230DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11060.002994/200957 Acórdão n.º 2802002.510 S2TE02 Fl. 9 15 quantias na forma de bolsas que atendessem às determinações de seus estatutos. Conclusão: Convencido da natureza tributável das verbas em discussão, voto por negar provimento ao recurso.” Quanto a Multa de Ofício aplicada, importa ressaltar que a exigência apurada pela autoridade fiscal ensejou a imposição da multa de ofício de 75%, na forma do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, penalidade esta que somente poderá ser dispensada ou reduzida nas hipóteses previstas em lei, conforme preceito do art. 97, VI, do CTN. Portanto, no caso em tela, não há previsão legal para dispensa ou redução da multa de ofício aplicada. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse ainda a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Finalmente, no que tange a alegação da ilegitimidade passiva, em que pese os argumentos do recorrente, cabe à contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação Esse entendimento já é posição sumulada neste Conselho: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 231DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19515.000686/2011-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. PAGAMENTO DE PRÊMIOS POR SERVIÇOS PRESTADOS.
Valores pagos por interpostas pessoas mediante recursos dos empregadores aos segurados empregados por meio de cartões, vinculados à fatores de ordem de desempenho pessoal do trabalhador como metas, produção, eficiência, e outros, têm caráter de contraprestação do serviço executado. São considerados remunerações pelos serviços executados e têm, portanto, natureza jurídica salarial cujas incidências de contribuições previdenciárias têm previsão legal.
SOLIDARIEDADE SÓCIO DE EMPRESA POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA.RESPONSABILIDADE PESSOAL.
Na forma do art.. 1.052 da Lei n 10.496/2002, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, respondendo solidariamente apenas pela integralização do capital social.
De acordo com o artigo 135 do CTN, a responsabilidade é pessoal por débitos incorridos pela sociedade somente nos casos de liquidação de sociedade de pessoas ou nas hipóteses de serem as obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
MULTA DE MORA
Na forma do revogado art. 35, I, II, III da Lei n Lei 8.212/91, os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos, são acrescidos de multa de mora e juros de mora. A redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, aduz que os débitos serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, a lei não retroage para prejudicar, há que se observar a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores conforme o comando do artigo 149 do Código Tributário Nacional - CT e assim também quanto a multa de ofício, com previsão para lançamentos de fatos geradores ocorridos e notificados a partir da lei 11.941, de 2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que se exclua a imputação de responsabilidade solidária aos sócios administradores bem como se proceda o recálculo da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430 de 27 dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia limitada a 20%, conforme o comando do artigo 35 da Lei 8.212/91 incluído pela lei nº 11.941/2009. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Maria Anselma Coscrato dos Santos na questão da solidariedade.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. PAGAMENTO DE PRÊMIOS POR SERVIÇOS PRESTADOS. Valores pagos por interpostas pessoas mediante recursos dos empregadores aos segurados empregados por meio de cartões, vinculados à fatores de ordem de desempenho pessoal do trabalhador como metas, produção, eficiência, e outros, têm caráter de contraprestação do serviço executado. São considerados remunerações pelos serviços executados e têm, portanto, natureza jurídica salarial cujas incidências de contribuições previdenciárias têm previsão legal. SOLIDARIEDADE SÓCIO DE EMPRESA POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA.RESPONSABILIDADE PESSOAL. Na forma do art.. 1.052 da Lei n 10.496/2002, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, respondendo solidariamente apenas pela integralização do capital social. De acordo com o artigo 135 do CTN, a responsabilidade é pessoal por débitos incorridos pela sociedade somente nos casos de liquidação de sociedade de pessoas ou nas hipóteses de serem as obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MULTA DE MORA Na forma do revogado art. 35, I, II, III da Lei n Lei 8.212/91, os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos, são acrescidos de multa de mora e juros de mora. A redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, aduz que os débitos serão acrescidos de multa de mora e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 86 /2 01 1- 28 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, a lei não retroage para prejudicar, há que se observar a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores conforme o comando do artigo 149 do Código Tributário Nacional CT e assim também quanto a multa de ofício, com previsão para lançamentos de fatos geradores ocorridos e notificados a partir da lei 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que se exclua a imputação de responsabilidade solidária aos sócios administradores bem como se proceda o recálculo da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430 de 27 dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia limitada a 20%, conforme o comando do artigo 35 da Lei 8.212/91 incluído pela lei nº 11.941/2009. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Maria Anselma Coscrato dos Santos na questão da solidariedade. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 509DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.000686/201128 Acórdão n.º 2403002.261 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo que , li, compulsei com os autos e , com grifos de minha autoria, o reproduzi na íntegra: “Tratase de processo administrativo resultante de ação fiscal desenvolvida na empresa acima identificada para verificar sua regularidade, no período 01/2006 a 12/2006, frente ao cumprimento das obrigações principais e acessórias exigidas pela legislação previdenciária. 1.1. Integram o presente processo administrativo os seguintes Autos de Infração de Obrigação Principal: 1.1.1. Debcad nº 37.272.1761, no qual foram lançadas as contribuições devidas pela empresa (quota patronal e contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GIILRAT) no valor total de R$ 846.127,26 (oitocentos e quarenta e seis mil, cento e vinte e sete reais e vinte e seis centavos), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de premiação nas competências 05/2006 a 12/2006, por intermédio do cartão disponibilizado pela empresa EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA (CNPJ 03.069.255/000107). 1.1.2. Debcad nº 37.272.1788, no qual foram lançadas as contribuições devidas pelos segurados empregados no valor de R$ 307.682,64 (trezentos e sete mil, seiscentos e oitenta e dois reais e sessenta e quatro centavos), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de premiação nas competências 05/2006 a 12/2006, por intermédio do cartão disponibilizado pela empresa EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA (CNPJ 03.069.255/000107). Esses contribuições foram consideradas devidas pela empresa por força do disposto no § 5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. 1.1.3. Debcad nº 37.272.1800, no qual foram lançadas as contribuições devidas pela empresa e destinadas aos Terceiros (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) no valor de R$ 223.069,89 (duzentos e vinte e três mil, sessenta e nove reais e oitenta e nove centavos), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de premiação nas competências 05/2006 a 12/2006, por intermédio do cartão disponibilizado pela empresa EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA (CNPJ 03.069.255/000107). Fl. 510DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 2. O Relatório Fiscal (fls. 66/75) anexo ao processo administrativo apresenta as seguintes informações pertinentes à ação fiscal realizada no contribuinte: 2.1. Após cientificada da ação fiscal e da intimação para apresentação de documentos por meio do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, a fiscalizada apresentou diversos documentos os quais foram analisados pela Autoridade Fiscal. 2.2. Em suas folhas de pagamentos, foi constatado que a autuada pagou aos seus empregados, mensalmente, pequenos e constantes valores a título de comissão, os quais foram considerados pela empresa como salários de contribuição e contabilizados na conta “Comissões – 61101000” 2.3. Intimada a prestar esclarecimentos sobre as comissões pagas ou creditadas, a empresa informou que todas as comissões foram lançadas em folhas de pagamento e que os pequenos e constantes valores se justificavam pelas fracas vendas ocorridas durante o ano, bem como, pelas metas não atingidas junto a montadora. 2.4. No entanto, após análise de várias contas e seus correspondentes lançamentos contábeis, a Auditora Fiscal localizou pagamentos de despesas com as empresas Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda (CNPJ 66.844.754/000217) e Expertise Comunicação Total S/C Ltda (CNPJ 03.069.255/000107) na conta de “Propaganda e Promoção – 61105002”. Depois de intimada, a fiscalizada apresentou os contratos de prestação de serviços firmado com as empresas citadas e as correspondentes notas fiscais contabilizadas. 2.5. Da análise dos referidos documentos, constatou a Autoridade Fiscal que a empresa Victoire Automóveis S/A pagou prêmios aos segurados que lhes prestaram serviços a título de incentivo a performance e produtividade, mediante a intermediação das referidas empresas especializadas. 2.6. De acordo com o contrato de prestação de serviços firmado com a Empresa Expertise, esta contratada intermediava os pagamentos e os recebimentos das premiações, disponibilizando o uso do cartão eletrônico denominado Expert Card BPN. Esses cartões eram carregados com créditos predefinidos pela Victoire Automóveis S/A e o recebimento da premiação poderia se efetivar mediante saque em moeda corrente nos terminais denominados “Banco 24 Horas” ou mediante a aquisição de produtos ou serviços em todo território nacional, através do sistema Visa. 2.7. Assim, verificou a Auditora Fiscal que a fiscalizada efetuava o pagamento de duas verbas principais a seus empregados: comissões de vendas, no valor total anual de R$ 131.080,00, sobre as quais incidiram contribuições previdenciárias, e incentivos de performance e produtividade, no valor anual total de RS 3.119.703,04, os quais não foram ofertados à tributação. 2.8. Uma vez que os referidos prêmios pagos a título de incentivo à performance e produtividade não correspondem a Fl. 511DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.000686/201128 Acórdão n.º 2403002.261 S2C4T3 Fl. 4 5 ganhos eventuais nem a abonos expressamente desvinculados de salário, os mesmos foram caracterizados como verbas integrantes do salário de contribuição dos segurados empregados (art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91). 2.9. Embora intimada a apresentar a relação dos segurados beneficiários dos prêmios, com prazo prorrogado a pedido da empresa, esta deixou de atender a fiscalização o que motivou o lançamento do Auto de Infração por descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91 (prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização). 2.10. Face à recusa do contribuinte em apresentar os valores individualizados efetivamente pagos aos beneficiários, foram consideradas bases de cálculo das contribuições lançadas nos Autos de Infração incluídos no presente processo administrativo os valores das despesas incorridas pela autuada com a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda (conforme relação de Notas Fiscais apresentada às fls. 77/78, do período 05/2006 a 12/2006), visto que as despesas incorridas com a empresa Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda já haviam sido consideradas em lançamento previdenciário anterior (Debcad nº 37.084.7750 – período 03/2005 a 05/2006). 2.10.1. As contribuições devidas pelos segurados empregados foram arbitradas em razão da falta de identificação dos empregados que receberam os prêmios e considerando o disposto no artigo 33, § 3°, da Lei nº 8.212/91. 2.10.2. Em seu Relatório Fiscal, a Autoridade discrimina as alíquotas das contribuições lançadas, bem como sua fundamentação legal. 2.11. Em razão das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/09, foi anexado ao processo administrativo um comparativo (SAFIS – Comparação de Multas – fls. 79/80) entre as multas vigentes à época dos fatos geradores e a atual que tem por finalidade possibilitar a aplicação da penalidade mais benéficas ao contribuinte, em obediência ao previsto no inciso II do artigo 106 do CTN. Conforme demonstrado, a legislação vigente à época dos fatos geradores se demonstrou mais benéfica ao contribuinte em todas as competências. 2.12. Face à constatação de que a fiscalizada apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais (fls. 283/285) pela verificação, em tese, do crime previsto no artigo 337A, inciso III do DecretoLei nº 2.848/40 (Código Penal) acrescentado pelo artigo 1° da Lei nº 9.983/00 (Sonegação de contribuição previdenciária). 2.13. Em razão da constatação de infração à lei, e considerando o disposto nos arts. 124 e 135, III, do CTN e no Parecer PGFN/CRJ/CAT n° 55/2009, a Autoridade Fiscal caracterizou Fl. 512DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 os sócios administradores Clélia Maria Benassi Pinto e Renato Cintra Limongi como pessoalmente responsáveis pelos créditos previdenciários lançados ao término da ação fiscal, lavrando os respectivos Termos de Responsabilidade Tributária Solidária. 2.14. Os Sujeitos Passivos foram cientificados da presente autuação em 26/03/2011 por via postal, conforme Avisos de Recebimentos anexados às fls. 65 do processo administrativo. IMPUGNAÇÃO 3. Inicialmente, cumpre ressaltar que a autuada requereu a juntada de instrumento de mandato, estatuto social, ata de assembléia de eleição dos diretores e cópia de documentos pessoais dos sócios diretores, por meio da petição de fls. 290/313. Posteriormente,dentro do prazo regulamentar (fls. 388), a empresa e os sócios dirigentes impugnaram os lançamentos por meio dos instrumentos de fls. 316/332, 338/355 e 361/377, de igual teor, com a juntada de documentos de fls. 333/337, 356/360 e 378/384 (cópias de regulamentos de campanha de premiação) apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. Entendem que a fiscalização partiu da equivocada premissa de que a sistemática adotada pelos Impugnantes de outorgar premiações aos seus empregados mediante campanhas de marketing de incentivo configurou o pagamento de verbas de natureza salarial, integrando, assim, a base de cálculo das contribuições. Tal fato acarretou no lançamento das contribuições previdenciárias e das contribuições destinadas aos Terceiros incidentes sobre esta base de cálculo, com a responsabilização pessoal dos sócios. 3.2. Afirmam inexistir razão à fiscalização no que se refere ao enquadramento dos prêmios pagos como integrantes do Salário de Contribuição dos segurados empregados vez que não foram comprovados os requisitos exigidos pela legislação: (i) remuneração (ii) habitual para (iii) retribuição ao trabalho. 3.2.1. Inicialmente, sustentam a ausência de comprovação da ocorrência do principal requisito do fato gerador da contribuição previdenciária: a habitualidade do pagamento que geram ao empregado ou prestador de serviço a certeza de que sempre o receberá. Assim, na hipótese dos autos, não há que se falar na incidência do tributo sobre as parcelas genericamente apontadas pelo Agente Fiscal, vez que não cuidou de comprovar a existência de habitualidade no pagamento. 3.2.2. Sustentam que, em um processo em que se exige a busca pela verdade material, as alegações feitas pela Autoridade Fiscal não são suficientes a embasar a alegada infração. 3.2.3. Afirmam que a fiscalização não comprovou a característica essencial do salário, vale dizer, que os pagamentos eram realizados em decorrência única e exclusiva do trabalho exercido, indicando a vinculação entre o ganho e o labor do empregado. De fato, os benefícios eram absolutamente estranhos às atividades do pessoal. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.000686/201128 Acórdão n.º 2403002.261 S2C4T3 Fl. 5 7 3.2.4. Entendem que os pagamentos eram realizados com mera liberalidade, havida temporariamente, de natureza eventual em relação ao trabalhador, e extraordinária em relação ao contrato, subordinados a condições previamente estabelecidas e ligadas a atividades estranhas ao trabalho para o qual o funcionário foi contratado. Enfim, não há nenhuma característica que os identifiquem como sendo salário. 3.2.5. Complementam que os beneficiários da campanha não recebiam valores em dinheiro (até porque o resultado da campanha tinha um sentido meramente simbólico), e que a entrega dos benefícios não era realizada pela empresa Impugnante mas pela empresa responsável pelo desenvolvimento das campanhas de incentivo, como comprovam as notas fiscais juntadas aos autos. 3.3. Relembram que, nos termos do art. 135 do CTN, a responsabilidade pessoal dos diretores se caracteriza somente quando comprovada a infração à lei praticada pelos dirigentes. Considerando que os pagamentos realizados i) eram mera liberalidade da empresa Impugnante, (ii) de natureza eventual, (iii) e a fiscalização não logrou êxito em provar que eram referentes a contraprestação de determinado serviço, não há que se falar em descumprimento da obrigação principal e muito menos de obrigação acessória. Portanto, a responsabilização pessoal dos Impugnantes Clélia e Renato não deve prosperar. 3.4. Defendem inexistir impedimento na Constituição Federal para o controle da constitucionalidade das normas pelas Autoridades Administrativas. Ao contrário, a própria Carta Magna (artigo 23) estabelece como competência de todos os Entes Públicos zelar pela sua guarda, revelando que o controle da legitimidade das leis pelas Autoridades Administrativas não é uma faculdade, mas sim um dever inerente à função pública por ele exercida. 3.4.1. Fazem um paralelo entre a multa aplicada no caso presente com aquela prevista no artigo 916 do Código Civil, pelo fato de que ambas estabelecem uma penalidade de caráter acessório, visando ressarcir o credor por eventuais prejuízos que advenham da mora do devedor. 3.4.2. De seu turno, os juros moratórios “constituem pena imposta ao devedor pelo atraso no cumprimento da obrigação, atuando como se fosse uma indenização pelo retardamento no adimplemento da obrigação” e, portanto, têm a mesma natureza da multa. Assim, tornase inviável a cumulação de ambas, sob pena de se penalizar o contribuinte duas vezes pelo mesmo fato, o que é vedado pela ordem jurídica positiva. 3.4.3. Sustentam, ainda, que essa cumulação de penalidade acaba assumindo um caráter confiscatório, em afronta do que dispõe o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 3.5. Por fim, requerem o conhecimento e acolhimento da impugnação para o fim de ser declarado insubsistente o auto de infração lavrado em face dos Impugnantes, com o cancelamento da penalidade imposta, bem como que as comunicações, notificações ou intimações referentes ao presente Auto de Infração sejam dirigidas ao endereço do patrono da Autuada. É o Relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.393, a 13ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo I (SP) DRJ/SPO I, em 30 de julho de 2012, exarou o Acórdão n° 16 40.568 mantendo o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Reiterando as razões colacionadas em sede impugnação, a Recorrente interpôs Recursos Voluntários de fls. 420 ; 447 ; e 474 para os processos cujos lançamentos foram cadastrados pelos respectivos DEBCAD’s : 37. 272.1761 ); 37.272.1800; e 37.272.1788. É o Relatório. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.000686/201128 Acórdão n.º 2403002.261 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 505, o Recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO. Tratase de matéria recorrente neste Conselho que muito embora não sumulada temse como manso e pacífico que nas ocorrências do gênero em comento não se tem dado provimento aos inconformados Recorrentes em sede de Recurso. Em que pesem os argumentos apresentados nas oportunidades, não se lhes lhe conferiram êxito em razão de que os valores pagos por meio de cartão, nas circunstâncias, têm natureza jurídica salarial cujas incidências de contribuições previdenciárias têm previsão legal sobre os denominados prêmios. Vinculados à fatores de ordem de desempenho pessoal do trabalhador como metas, produção, eficiência e outros , os valores pagos por meio de cartão são considerados remunerações pelos serviços executados. Portanto, por depender do desempenho do trabalhador, os pagamentos têm caráter de contraprestação do serviço executado. No processo em comento, as reiteradas alegações produzidas em sede de impugnação trazidas em grau de recurso foram devidamente enfrentadas em primeira instância quando da condução do voto a quo que não lhe conferiu êxito. Assim, produzir arrazoado sinônimo para anuir o “decisium” de primeira instância se mostra soberbo e descabido além de não concorrer para efeitos de economia processual. Diante do exposto, por corroborar o voto a quo, NÃO DOU PROVIMENTO às alegações da Recorrente. DA SOLIDARIEDADE. Emitidos em 02/03/2011, contam às fls. 59 e 60 Termo de Sujeição Passiva Solidária para os respectivos sócios na forma do abaixo descrito: “ No exercício das funções de Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil, caracterizamos a sujeição passiva solidária Fl. 516DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 nos termos dos artigos 124 e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Considerando que os sócios administradores da época (ano 2006) se valeram de procedimentos ilícitos, visando encobrir fatos geradores de contribuições previdenciárias; quando deixaram de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade os prêmios pagos através das empresas: SALLES, ADAN & ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVOS S/C LTDA e EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA; assim como quando deixaram de incluir tais fatos geradores em folhas de pagamento e GFIP, lavramos o presente Termo de Responsabilidade Tributária Solidária. ”( grifos de minha autoria) No item 24 do relatório Fiscal às fls. 71 a Autoridade autuante destaca que : “24. Considerando a infração de lei apontada no item anterior, os artigos 124 e 135, III do CTN e o Parecer PGFN/CRJ/CAT n° 55/2009, entendemos que os sócios administradores: Clélia Maria Benassi Pinto — CPF 090.383.89825 e Renato Cintra Limongi — CPF 065.697.29802 são pessoalmente responsáveis pelos créditos previdenciários apurados e, por essa razão, lavramos os Termos de Responsabilidade Tributária Solidária, os quais serão encaminhados aos correspondentes responsáveis legais” ”( grifos de minha autoria) Isto posto, cumpre observar que o inciso II do art. 124 supra destaca que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei, verbis: “ Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. ”( grifos de minha autoria) DA LEI ESPECÍFICA É cediço que de acordo com o artigo 135 do CTN, a responsabilidade é pessoal POR DÉBITOS incorridos pela sociedade e somente ocorre nos casos de liquidação de sociedade de pessoas ou nas hipóteses de serem as obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Na forma da Medida Provisória – MP 449, de 2009, tornada efetiva pela edição da Lei n 11.941, de 2009, muito embora o disposto no sobredito art. 135 do Código Tributário Nacional – CTN, revogaramse o comando do art. 13 da Lei n 8.620, de 5 de janeiro de 1993 que expressamente designava imputar solidariedade aos sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada , com seus bens, pelos débitos junto à seguridade Social. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.000686/201128 Acórdão n.º 2403002.261 S2C4T3 Fl. 7 11 “ Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)” Cumpre observar , que ainda que vigesse o revogado artigo, a responsabilidade solidária não poderia ser declarada enquanto não se caracterizasse o lançamento como DÉBITO EFETIVO o que ocorre mediante inscrição em DÍVIDA ativa. O artigo imputava responsabilidade solidária pelos DÉBITOS e não pelo inadimplemento. Quando o legislador quis se referir ao eventual INADIMPLEMENTO, se utilizou do parágrafo único e o fez para os ACIONISTAS CONTROLADORES, administradores , gerentes e diretores, excetuado , por não inclusão no rol, os SÓCIOS das empresas por cotas de responsabilidade limitada. Por mero apego ao debate, ressalto que se a solidariedade em tela quiser se fundamentar ao não referido Decreto 3.708 , de 10 de janeiro de 1.919, também a responsabilidade dos sócios em relação às cotas da sociedade sofreu alteração. O Decreto 3.708/19 estabelece que a responsabilidade dos sócios é limitada até o total do capital social, porém estes respondiam solidária e ilimitadamente até a sua total integralização. O sobredito decreto, alterado pela Lei 10.406/2002, teve observado que a responsabilidade solidária dos sócios é apenas pela integralização do capital, e não mais a ilimitada. Embora disponível na legislação, é de se entender que o novo Código Civil revogou o Decreto 3.708, datado 10 de janeiro de 1919. A Lei de Introdução ao Código Civil (DecretoLei 4.657/42) estabeleceu em seu artigo 2º, § 1º que "a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior". Não há dúvida que as disposições da Lei 10.406/2002, “ novo” Código Civil, regulam questões pertinentes às sociedades limitadas, revogando assim as disposições anteriores. Assim, relevante é ressaltar que na forma dos art.. 1.052 da Lei n 10.496/2002, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, respondendo solidariamente apenas pela integralização do capital social, verbis: Fl. 518DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 “Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social.” Cumpre ressaltar que o “ novo” Código Civil deu às sociedades constituídas sob a égide das normas anteriores o prazo de um ano para se adaptarem às novas disposições. Tendo presente que a ilicitude penal é motivo de julgamento na devida esfera, descabe a este tribunal administrativo concluir por presunção, posto que o Relatório Fiscal registra , em tese, a ocorrência de dolo cuja prova cabal concorreria para sustentar hipótese de solidariedade por infração à lei. Diante de tudo que foi exposto, NÃO SE VISLUMBRA IMPUTAR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA AOS SÓCIOS . DA MULTA. Embora a instância a quo tenha se manifestado à respeito, no que concerne à multa, entendo que ainda que aparentemente se observe semelhança nas conclusões, há que se fazer o arrazoado na forma como se segue. Relevante ressaltar que Recorrente foi notificada em 22/03/2011 em razão de inadimplir as obrigações vinculadas aos fatos geradores ocorridos no período 05/2006 a 31/12/2006 Aduz que na forma do registro de fls.09, no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor da multa teve por base os parâmetros estabelecidos pelo modificado art. 35, I, II, II da Lei n°8.212/91. O artigo supra foi alterado pela MP 449 de , 2008 consolidada pela Lei n° 11.941/2009, determinando que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.000686/201128 Acórdão n.º 2403002.261 S2C4T3 Fl. 8 13 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” Há nos autos registro de que houvera sido efetuado quadro comparativo das imputações de penalidades revogadas com as atualmente previstas. A planilha supra haveria que permitir confrontar os valores calculados na forma do revogado artigo e respectivos incisos, 35, I, II, II da Lei n°8.212/91 com a nova redação no que concerne aos acréscimos da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% conforme determina a redação dada pela Lei 11.941/2009 : “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( grifos de minha autoria) MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do cálculo se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” CONCLUSÃO Conheço do recurso para NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando que se exclua a imputação de responsabilidade solidária aos sócios administradores bem como se proceda o recálculo da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia limitada a 20%, conforme o comando do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 incluído pela Lei n °11.941/2009. Ressaltese que são critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 521DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10680.723125/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO.
O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Federal/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA.
A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição.
VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PRÊMIO FÉRIAS E PRÊMIO ASSIDUIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.
As parcelas pagas aos empregados a título de prêmio férias e prêmio assiduidade, em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição.
As importâncias recebidas à titulo de ganhos eventuais (prêmios de férias e de assiduidade) e abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei.
GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO.
Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, podendo se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação). Caracterizada a formação de grupo econômico de fato, através de análise fática que tornou possível a constatação de combinação de recursos e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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EXCLUSÃO SIMPLES Recorrente INJETON COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESFederal/SIMPLESNacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PRÊMIO FÉRIAS E PRÊMIO ASSIDUIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. As parcelas pagas aos empregados a título de prêmio férias e prêmio assiduidade, em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição. As importâncias recebidas à titulo de ganhos eventuais (prêmios de férias e de assiduidade) e abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 31 25 /2 01 0- 33 Fl. 736DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, podendo se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação). Caracterizada a formação de grupo econômico de fato, através de análise fática que tornou possível a constatação de combinação de recursos e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.723125/201033 Acórdão n.º 2402003.676 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à contribuição patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2005 a 11/2008. O Relatório Fiscal (fls. 210/231) informa que os valores lançados foram apuradas com base em folhas de pagamento e lançamentos contábeis, contendo os seguintes fatos geradores: 1. pagamento de participação nos lucros e resultados PLR, em desacordo com a lei específica (Lei 10.101/00), levantamento PR; 2. pagamento de "prêmio férias" e "prêmio assiduidade", levantamento PE; 3. pagamento de remuneração constante das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, levantamento FP. Esse Relatório Fiscal informa, ainda, que foram emitidos os Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 224/238), sendo arroladas como componentes do grupo econômico, à vista do disposto no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, as empresas Manufatura Alefra Artefatos e Calçados Ltda, Via Mazzoni Manufatura.de Calçados e Acessórios. Ltda e Oto Calçados Ltda. As empresas eram optantes pelo SIMPLES, entretanto a autuada foi excluída daquele sistema. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 26/10/2010 (fls. 01 e 284), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 582/663), alegando, em síntese, que: 1. não incide contribuições previdenciárias sobre participação nos lucros e férias prêmio previstas em Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Diz que tais verbas possuem conotação indenizatória. Cita jurisprudência. Alega que a Lei 10.101/00 nada mais fez do que legitimar a CCT como documento hábil a garantir a validade do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados; 2. não incide contribuição previdenciária patronal calculada sobre a folha de pagamento em razão da opção da empresa pelo Simples e posteriormente pelo Simples Nacional. Aduz que a fiscalização equivocadamente caracterizou as empresas Manufatura Alefra Ltda, Artefatos e Calçados Ltda. Oto Calçados Ltda e Via Mazzoni Fl. 738DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Manufatura de Calçados e Acessórios Ltda. como integrantes de um mesmo grupo econômico. Por essa razão, não poderiam recolher seus tributos nos moldes do Simples Nacional, propondo a exclusão das empresas, com efeitos retroativos, do Simples e do Simples Nacional,pretendendo apurar contribuições previdenciárias em períodos afetados pela decadência. Entende que ainda que irregular a opção pelo simples, jamais poderia a exclusão se revestir de efeitos retroativos. Tal imposição imputaria à impugnante supostos débitos tributários que já haviam sido quitados meses antes pela sistemática especial de arrecadação; 3. o lançamento das contribuições patronais se baseou em procedimento de exclusão da empresa impugnante do Simples e do Simples Nacional, pendente de insurgência na esfera administrativa e judicial, não havendo fato sólido capaz de gerar a hipótese de incidência da contribuição previdenciária patronal, em afronta aos princípios da legalidade, contraditório e ampla defesa. Afirma não haver comprovação da irregularidade de opção da empresa pelo Simples e pelo Simples Nacional. A fraude apontada pela fiscalização não passa de mera alegação, não se prestando a servir de base para qualquer pretensão punitiva do fisco. Assim, com base na súmula 08 do STF, o prazo decadencial é de cinco anos, contados do fato gerador do tributo. Cita jurisprudência. Diz que sua conduta empresarial é regular, pois não há óbice legal para prestar serviços a Oto Calçados. Acrescenta que é totalmente independente daquela empresa. Cita jurisprudência no sentido de que é possível o desmembramento de atividades em duas empresas na mesma área geográfica objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária; 4. requer seja julga procedente a impugnação, cancelando o Auto de Infração em referência e por via de conseqüência deixando de impor qualquer penalidade contra a impugnante, por medida de justiça. As empresas arroladas como componentes do grupo econômico, foram cientificadas da lavratura do Auto de Infração, por via postal, conforme informação constante no Relatório Fiscal e nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, entretanto, não consta nos autos que as mesmas apresentaram impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0239.540 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 666/678) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.723125/201033 Acórdão n.º 2402003.676 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à parcela patronal, inclusive as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. Esclarecemos que a empresa foi excluída do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES”, por meio de processo próprio (15504.012607/201019 e 15504.012588/201021), no qual foram expedidos os Atos Declaratórios Executivo (ADE) n° 0316 a 0321, de 13/08/2010, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (fls. 62/67). Como os motivos fáticos e jurídicos da exclusão da empresa do “SIMPLES” estão devidamente registrados nos processos nos 15504.012607/201019 e 15504.012588/2010 21, consubstanciados pelos Atos Declaratórios Executivo (ADE) n° 0316/2010 a 0321/2010 DRF/BHE, iremos afastar e não conhecer todos os motivos que fundamentam o pleito de declaração de ilegalidade ou nulidade dos aludidos ADE, que não estão em julgamentos nesta oportunidade, pois este não é o momento ou o local oportuno para analisar essas matérias. O foro adequado para a discussão dessas matérias são os respectivos processos instaurados para esse fim (processos nos 15504.012607/201019 e 15504.012588/201021) e não o presente processo de lançamento fiscal de crédito previdenciário oriundo de uma obrigação tributária principal. Com isso, a decisão desta Turma da Corte Administrativa (CARF) vai restringirse exclusivamente às demais questões que não dizem respeito ao âmbito da matéria da sua exclusão do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL”. Esse entendimento está consubstanciado nos artigos 2o e 3o do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 –, que estabelecem as atribuições (competências) específicas de cada órgão dessa Corte Administrativa. Regimento Interno do CARF Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado Fl. 740DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); ................................................................................................ Art. 3°. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Dessas regras do Regimento Interno do CARF, retromencionadas, percebe se, então, que os processos de exclusão do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL e os processos de lançamentos de contribuições previdenciárias são apreciados por órgãos julgadores distintos, em atendimento ao princípio da especialidade. De fato, constatase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute especificamente no lançamento da contribuição social previdenciária (relação obrigacional principal) e a matéria referente ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL (processos nos 15504.012607/201019 e 15504.012588/201021), uma vez que essa última matéria – inclusive a discussão referente ao instituto da terceirização pugnada na peça recursal –, sendo favorável à Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários (lançamento da obrigação principal). Por outro lado, ainda que se tenha notícia de que a Recorrente encontrase questionando a sua exclusão do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL – conforme relato na peça recursal –, o que se deve preponderar, para fins de análise do lançamento fiscal da obrigação tributárioprevidenciária principal, é a informação de que a Recorrente permanece excluída desse sistema de recolhimento dos tributos (SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL). Portanto, com relação ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise dessa Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão definitiva sobre o enquadramento da empresa no SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, o qual deverá ser analisado pela Primeira Seção do CARF. Como a empresa foi excluída do sistema “SIMPLES”, os tributos que antes vinham sendo recolhidos na sistemática do programa devem ser recolhidos pela sistemática aplicável às demais empresas não incluídas no sistema. Isso permitiu o lançamento das Fl. 741DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.723125/201033 Acórdão n.º 2402003.676 S2C4T2 Fl. 5 7 contribuições sociais devidas pela empresa em função de sua exclusão do Simples, conforme o art. 16 da Lei 9.317/1996, in verbis: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (g.n.) O mesmo entendimento está consubstanciado na regra estampada no art. 32 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (g.n.) Diante desse quadro, faremos análise apenas das matérias que não dizem respeito da sua exclusão do sistema “SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL”. Quanto aos valores lançados em decorrência da remuneração proveniente da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o procedimento de auditoria fiscal demonstrou que tal verba foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. Esclarecemos que – conforme o disposto no art. 28, alínea “j”, § 9º, da Lei 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas a verba decorrente de participação nos lucros ou resultados da empresa que fora paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei 10.101/2000. No presente processo, a remuneração, cognominada de participação nos lucros e resultados, paga aos segurados fora realizada em desacordo com o mencionado diploma legal e, com isso, deverá integrar o salário de contribuição dos valores lançados. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97). (...) § 9°. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 742DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; (g.n.) Nesse sentido, a Lei 10.101/2000 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/1991 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Portanto, para não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, o pagamento a título de PRL deve seguir o que determina a Lei 10.101/2000: Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) ......................................................................................................... Art. 3º. (...) § 2o. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Verificase que a verba cognominada de Participação nos Lucros ou Resultados foi paga pela empresa em desacordo com os dispositivos legais, conforme devidamente enfatizado no conjunto fáticoprobatório do Relatório Fiscal, bem como nos elementos acostados pela Recorrente nas peças de defesa, uma vez que os Acordos Coletivos de Trabalho, firmados nos anos 2006, 2007 e 2008, não estabelecem qualquer programa de resultados a serem cumpridos pelos beneficiários (empregados), nos seguintes moldes: 1. não estipulam critérios a serem cumpridos pelos trabalhadores; 2. não estipulam metas a serem atingidas, não constam formas de apuração dos resultados referentes às supostas metas inicialmente fixadas. Também não estabelecem quaisquer índices pretendidos pela empresa, tais como: produtividade, qualidade ou lucratividade. Determinam apenas o valor a ser pago e datas de pagamento. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.723125/201033 Acórdão n.º 2402003.676 S2C4T2 Fl. 6 9 Embora devidamente intimada para apresentação de documentos, a Recorrente não apresentou os resultados do cumprimento de metas, índices e parâmetros, restando comprovado o pagamento de PLR em desacordo com a Legislação. Isso está consubstanciado nos Acordos Coletivos de Trabalho que registram (Cláusula Terceira): CONVENÇÃO ANO 2007: CLÁUSULA TERCEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Tendo em vista o estabelecido na Lei n. 10.101, de 19/12/2000, as empresas deverão pagar a seus empregados um valor a título de PRL – Participação nos Lucros ou Resultados da empresa, de acordo com os seguintes critérios: a) O valor a ser pago será equivalente a 20% (vinte por cento) dos salários de março de 2007, no limite máximo de R$1.500,00 (hum mil e quinhentos reais), em duas parcelas iguais, sendo a primeira em 31/08/07 e a segunda em 28/02/2008. b) Para receber a 1a parcela o empregado deverá alcançar a meta de freqüência de 90% dos dias efetivamente trabalhados na empresa no período de 01/03/07 a 31/08/07. c) Para receber a 2a parcela o empregado deverá alcançar a meta de freqüência de 90% dos dias efetivamente trabalhados pela empresa no período de 01/09/07 a 28/02/08. d) Para apuração da freqüência não poderão ser computadas as faltas legais e as previstas nesta Convenção Coletiva. [...]” É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento, ou mesmo previsão em Acordo Coletivos de Trabalho (Convenção) referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório. Pelo contrário, é importante a estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastála da incidência tributária. A Recorrente argumenta ainda que as metas para a aquisição do direito de receber a PLR estariam inseridas nos acordos coletivos, tais como número de faltas injustificadas ao trabalho, apuração de freqüência e rotatividade. Essa alegação não será acatada, eis que não existe indício da interferência dos resultados indicados nas planilhas no pagamento da PLR, nem há previsão de metas objetivas nos acordos coletivos firmados nos anos 2006, 2007 e 2008. Além disso, os índices de ausências dos trabalhadores (absenteísmo) e da rotatividade, por si só, e desacompanhados de elementos subjacente à meta ou resultado que se pretende comprovar, não atendem os parâmetros do programa de metas delineados no art. 2o da Lei 10.101/2000. Assim, por não estarem de acordo com o que determina a legislação pertinente, tais valores integram o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A Recorrente alega que o valor pago a título de ganhos eventuais (prêmio de férias e prêmio de assiduidade) não teria natureza salarial, vez que esses ganhos eventuais estariam amparados pela hipótese de não incidência tributária, possuindo natureza indenizatória e excluídos das hipóteses de incidência previstas no art. 28, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que – conforme o disposto no art. 28, § 9º, alínea “e” e item 7, da Lei 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas a verba decorrente de ganhos eventuais e abonos que sejam expressamente desvinculados do salário. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97). (...) § 9°. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (Incluído pela Lei n° 9.528. de 10.12.97) (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário (Incluído pela Lei n° 9.711. de 20.11.98) (g.n.) Nesse mesmo sentido, o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, em seu artigo 214, parágrafo 9°, inciso V, alínea “j”, combinado com o parágrafo 10°, estabelecem também as condições para que os valores decorrentes de ganhos eventuais, pagos pela Recorrente, sejam excluídos do conceito de salário de contribuição: Art. 214. (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) V as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (Redação dada pelo Decreto n°3.265, de 1999) Fl. 745DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.723125/201033 Acórdão n.º 2402003.676 S2C4T2 Fl. 7 11 (...) §10 As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (grifo nosso). De acordo com a legislação previdenciária retromencionada, as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais expressamente desvinculados do salário por força de lei não integram o salário de contribuição. Esta desvinculação só pode ser feita por lei federal, conforme art. 214, parágrafo 9°, alínea “j”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), tendo em vista que somente esta espécie normativa tem o condão de excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias verbas de natureza salarial. Verificase que os valores lançados no presente processo decorrem de prêmios de férias e de assiduidade estipulados em Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Essas verbas designadas de prêmios férias e assiduidade, pagas aos segurados empregados, caracterizam uma contraprestação pelos serviços prestados pelos segurados e evidenciam um ganho salarial em decorrência de ser destinada aos segurados que não faltaram ao serviço. Esse entendimento decorre da regra consubstanciada na cláusula décima nona e alguns itens da Convenção de 31/03/2007, que estabelece: “[...] CLAUSULA DÉCIMA NONA RETORNO DE FÉRIAS OU PRÊMIO ASSIDUIDADE. As empresas asseguram a todos os seus empregados, sem prejuízo do abono concedido pelo art. 7o., inc. XVII, da Constituição Federal o pagamento de um prêmio assiduidade, quando do retorno de férias, nas seguintes bases: a) No valor correspondente a 35% (trinta e cinco por cento) do salário nominal, desde que o empregado, durante o período aquisitivo respectivo não tenha faltado ao serviço por mais de dois dias, justificadamente ou não. O valor máximo do benefício a ser pago será de R$216,00 (duzentos e dezesseis reais). b) No valor correspondente a 20% (vinte por cento) do salário nominal, desde que o empregado, durante o período aquisitivo respectivo, não tenha faltado ao serviço por mais de quatro dias, justificadamente ou não. O valor máximo a ser pago será de R$156,00 (cento e cinqüenta e seis reais)” [...]. O caráter contraprestativo da verba é evidente, já que a verba só é paga aos empregados da Recorrente, em decorrência do contrato de emprego entre eles celebrado, visando atender a assiduidade fixada no contratado de trabalho. Diante disso, não têm natureza de indenização as verbas pagas a empregados em razão de acordos trabalhistas (prêmio férias e prêmio assiduidade), que são remuneratórias e, por isso, sobre elas incide a contribuição previdenciária. Isso está em consonância com o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu: “(...) É cediço Fl. 746DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 nesta Corte que as verbas decorrentes de acordos trabalhistas celebrados com os empregados não têm caráter indenizatório, mas, ao reverso, remuneratório, devendo, pois, incidir sobre elas a contribuição previdenciária. Todavia, querendo afastar essa incidência, cabe ao interessado comprovar que tais parcelas são, na realidade, indenizatórias. (...)” (RESP 200400799770, 1a Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 28.08.2006, p. 220). Caminha com o mesmo entendimento, o disposto no art. 457 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), na medida em que a legislação trabalhista é aplicável subsidiariamente à previdenciária, sempre que não conflitante com a mesma. Nesse passo, dispõe textualmente o art. 457 da CLT, in verbis: Art.457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1° Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (g. n.) Considerando que a verba discutida representa um ganho ao empregado, já que tem nítida repercussão econômica, concedida com características de habitualidade, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses excludentes do art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/1991, é correta a sua inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Assim, por não estarem de acordo com o que determina a legislação pertinente, os valores pagos a título de Abono Jornada e Abono Turno Fixo, caracterizada como abonos, integram o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “e” e item 7, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, inciso V e alínea “j”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento, ou mesmo previsão em Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), referente ao pagamento de verbas a títulos de ganhos eventuais (prêmios) ou abonos que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório. Pelo contrário, muito mais importante e mesmo essencial é a estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastála da incidência tributária. Com isso, mesmo que o pagamento de valores a título de ganhos eventuais (prêmios) ou abonos aos seus empregados seja devido, com base no acordo coletivo de trabalho celebrado entre Empregadores e Sindicato, tais valores devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, pois foram pagos em desconformidade com a legislação previdenciária. As Recorrentes aduzem que a auditoria fiscal não apresentou elementos probatórios suficientes para demonstrar a sua tese de Grupo Econômico. Em suas alegações recursais, requer a Recorrente, acompanhada das demais peças recursais das outras Recorrentes, que seja afastada a corresponsabilização das empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização “de oficio” de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros Fl. 747DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.723125/201033 Acórdão n.º 2402003.676 S2C4T2 Fl. 8 13 requisitos ausentes na hipótese vertente. Nessa toada, sustenta que, no caso, as empresas são totalmente dissociadas e distintas umas das outras, possuindo personalidade jurídica própria, finalidade social diversa, empregados próprios, controladores diversos, clientes próprios e independentes, não se vislumbrando entre elas qualquer forma de direção, controle ou administração. Argumenta que o simples fato de um sócio de determinada empresa estar inserido no contrato social de outra não implica na existência de grupo de empresas, como entendeu equivocadamente o Auditor Fiscal. Tais alegações não devem prosperar pelos fatos, pela legislação de regência e pela jurisprudência deste Conselho, todos a seguir delineados neste voto. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta as seguintes empresas: 1. VIA MAZZONI MANUFATURA DE CALÇADOS E ACESSÓRIOS LTDA (Recorrente); 2. MANUFATURA ALEFRA ARTEFATOS E CALÇDOS LTDA, CNPJ 06.143.810/000183; 3. OTO CALÇADOS LTDA, CNPJ 16.638.900/000107; 4. INJETON COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA, CNPJ 05.654.993/000139. Esclarecemos que a solidariedade previdenciária é legítima e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 124 e 128, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), dispõem: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (g.n.) Parágrafo Único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (g.n) Por sua vez, o § 2° do art. 2°, da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: Fl. 748DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Art. 2°. Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. (...) § 2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pela auditoria fiscal ao promover o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/1991, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; (g.n.) Da leitura desse inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/1991, extraise que a relação jurídicotributária ali esposada tem caráter ampliativo da responsabilidade solidária, o que leva a afirmar que não se restringe aos casos em que esse grupo econômico esteja formalmente configurado (cognominado de grupo econômico formal), mas também àqueles em que isso ocorra apenas faticamente (cognominado de grupo econômico informal), como na hipótese vertente. No presente caso, ao contrário do entendimento da Recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, conforme restou circunstanciado e demonstrado no Relatório da Fiscal da Infração, nos seguintes termos: “[...] 14.2 De posse do Mandado de Procedimento Fiscal nos dirigimos a empresa Manufatura Alefra Artefatos e Calçados Ltda, CNPJ: 06.143.810/000183, para a entrega do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, datado de 01/10/2009, e constatamos que a mesma não se encontrava no endereço constante do MPF, ou seja, Rua Sigma, 260, bairro Caiçara. 14.3 Através de informações colhidas junto a terceiros localizamos a empresa na Rua Delta, 201, bairro Caiçara. Quando da assinatura do Termo foi verificado que o responsável pelo atendimento não era empregado da Manufatura e sim de uma outra empresa, Via Mazzoni Manufatura de Calçados e Acessórios Ltda, CNPJ: 07.525.106/000158. Foi solicitado documento que o autorizasse a receber a intimação e deparamos com o seguinte instrumento que transcrevemos na integra: "TERMO ADITIVO AO CONTRATO DE TRABALHO Fl. 749DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.723125/201033 Acórdão n.º 2402003.676 S2C4T2 Fl. 9 15 Pelo presente aditivo de Contrato de Trabalho, VIA MAZZONI MANUFATURA DE CALÇADOS E ACESSÓRIOS LTDA, doravante denominada EMPREGADORA e a Sra. LUZIA DOS SANTOS SILVA, doravante denominado Empregado, celebram entre si o aditivo ao Contrato Individual de Trabalho celebrado em 04 de dezembro de 2007, nos seguintes e precisos termos: CLAUSULA DÉCIMA O EMPREGADO poderá ser livremente transferido, a qualquer tempo, tanto do local, horário ou setor de trabalho, para prestar serviços em quaisquer das empresas componentes do grupo Oto, quais sejam, Oto Calçados Ltda, Via Mazzoni Manufatura de Calçados e Acessórios Ltda, Injeton Componentes para Calçados Ltda e Manufatura Alefra Artefatos e Calçados Ltda. Quer seja esta transferência definitiva ou transitória, obrigandose a todo e qualquer serviço compatível com sua condição de Coordenadora de DP. (grifo nosso). Belo Horizonte, 04 de dezembro de 2007." (...) 15.1.1 CONTRATOS SOCIAL E ALTERAÇÕES: No Contrato Social da empresa Injeton Componentes para Calçados Ltda, CNPJ: 05.654.993/000139, datado de 22/05/2003 constam como sócios Gilson Geraldo Xavier de Oliveira, CPF 129.772.17649, e Oto Xaviel de Oliveira, CPF 130.674.51600, ambos sócios da Oto Calçados Ltda. Em 13/11/2003 data da primeira Alteração Contratual Gilson e Oto transfere 75% (setenta e cinco por cento) das cotas para Faither de Araújo Oliveira, CPF 045.009.98659 e 25% (vinte e cinco por cento) a Marthes Augusto Fernandes, CPF 535.916.82691. O sócio Faither de Araújo Oliveira é filho de Oto Xaviel de Oliveira. Na empresa Via Mazzoni Manufatura de Calçados & Acessórios Ltda, CNPJ: 07.525.106/000158, no Contrato Social, datado de 11/07/2005 constam como sócios Klauss César de Araújo Oliveira, CPF 014.550.59609 e Thiago Antonio de Melo Oliveira, CPF 056.205.026 43. Os sócios Klaus César de Araújo Oliveira e Thiago Antonio Melo Oliveira são filhos de Oto Xaviel de Oliveira e Gilson Geraldo Xavier de Oliveira, respectivamente. Embora fora do período fiscalizado verificamos a primeira Alteração Contratual, datada de 02/07/2009, onde o sócio Thiago Antônio de Melo Oliveira transfere suas 25.000 (vinte e cinco mil) cotas a Jader Lucas de Miranda, CPF 809.104.836 04. Constatamos que Jader é exempregado da Via Mazzoni, com registro na ficha de n. 0107, onde exercia o cargo de supervisor geral, data de admissão em 19/04/2007 e data de saída em 12/07/2009. Atualmente exerce o cargo de "gerente de Fl. 750DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 produção" das empresas Manufatura Alefra e Via Mazzoni, ambas funcionando na Rua Delegado Ronaldo Jaques, 335, Vila Amaral, cuja verificação foi feita "in loco". (...) 15.1.2 FOLHAS DE PAGAMENTO: 15.1.2.1 No exame das folhas de pagamento deparamos com um numero crescente de empregados entre os meses de março e abril de 2007 nas empresas Manufatura Alefra e Via Mazzoni. Da análise das Fichas de Registro de Empregados verificouse que os trabalhadores utilizados por essas empresas recém criadas já estavam registrados como empregados da Oto Calçados, os quais, foram demitidos e na seqüência admitidos de acordo com a necessidade das referidas empresas, ou seja, as relações de emprego não foram alteradas – o grupo econômico assumia toda a responsabilidade pela continuidade do contrato de trabalho. Na realidade houve uma transferência de empregados de uma empresa para outra do mesmo grupo. Esse procedimento há muito vem sendo adotado pela Oto Calçados para enxugar o seu quadro de funcionários verificado através do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados CAGED, de exercícios anteriores, nos mesmos constam "transferência de saída" da Oto e "transferência de entrada" nas empresas Manufatura Alefra, Injeton e Via Mazzoni. (...) 15.1.3NOTAS FISCAIS: 15.1.3.1 Notas fiscais de saída de mercadorias procedentes da Oto Calçados tendo como destinatárias as empresas Via Mazzoni, Injeton e Manufatura, e estas faziam o caminho inverso através de notas fiscais de saída dos produtos industrializados, por estas empresas, com referência expressa ao número da Nota Fiscal de envio de material e inclusão do valor do custo da mão de obra aplicada. Ressaltando que o mesmo procedimento é feito entre as empresas Via Mazzoni, Injeton e Manufatura. Juntamos cópias das notas fiscais, lançamentos contábeis, por amostragem. 15.1.4 Os lançamentos contábeis são registrados nas seguintes contas: Injeton Componentes para Calçados Ltda conta: 4.1.2.01 – Receitas de produtos fabricação própria; conta: 4.1.2.01.004 Mão de obra efetuada a terceiros a prazo. Via Mazzoni Manufatura de Calçados Ltda conta: 3.1.2.01 Custos dos Produtos Vendidos; 3.1.2.01.012 Industrialização Efetuada por Terceiros (anos 2006 e 2007). Conta: 4.1.2.01 Receitas de Produtos Fabricação Própria; 4.1.2.01.004 Industrialização Efetuada por Terceiros (ano 2008). Manufatura Alefra Artefatos e Calçados Ltda conta: 4.1.1.03 – Receita de Serviços Industrialização; 4.1.1.03.002 Serviços de Industrialização para Terceiros a Prazo (ano 2006). Conta Fl. 751DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.723125/201033 Acórdão n.º 2402003.676 S2C4T2 Fl. 10 17 4.1.1.03: Receita de Serviços Industrialização; 4.1.1.03.001 Serviços de Industrialização para Terceiros a Vista, (anos 2007 e 2008). Oto Calçados Ltda conta 3.1.2.01.012 Industrialização Efetuada por Terceiros. (...) 15.1.7 Destaquese ainda que, além da administração em comum, as empresas Manufatura Alefra Artefatos e Calçados Ltda, Injeton Componentes para Calçados Ltda e Via Mazzoni Manufatura de Calçados Ltda sempre tiveram o mesmo contador como responsável técnico pela sua contabilidade, sendo: Roberto Fernandes da Fonseca, CRC/MG 16.223, bem como o mesmo gestor de Recursos Humanos: Luzia dos Santos Silva, empregada da Via Mazzoni. [...]” (Relatório Fiscal, fls. 210/231) Verificase ainda que o Fisco não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente elencados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. In casu, percebese que há atos de gerência relacionados com todas as empresas faticamente integrantes do grupo econômico de fato, manifestado pela existência de controle único: Srs. Oto Xaviel de Oliveira e Gilson Geraldo Xavier de Oliveira, e demais membros de sua família (filhos). Além disso, a auditoria fiscal demonstrou que as empresas compartilham instalações, equipamentos, marca “GRUPO OTO”, funcionários, setor de recursos humanos e contábil, mesmo endereço, telefone e recursos financeiros, dentre outros elementos fáticoprobatórios. Ganho relevo esse tese quando se depreende que os elementos esposados na peça recursal não são suficientes para solapar a certeza e a convicção que conduziram a decisão de primeira instância a reconhecer a existência de grupo econômico de fato, conforme ficou registrado por uma série de fatos que sequer foram contestados pelas empresas e nem poderiam, dada a forte significação que contém no sentido de dar suporte às afirmações veiculadas no Relatório Fiscal e seus anexos. Com isso, os elementos fáticos configuram, no plano fático, a existência de grupo econômico entre as empresas formalmente distintas, mas que atuam sob comando familiar único e compartilham instalações, funcionários, e despesas operacionais, justificando a responsabilidade solidária das empresas pelo pagamento das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. Dessa forma, incide a regra do art. 124 do CTN c/c do art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/1991, em que restou demonstrado no plano fático que não há separação entre as empresas arroladas nos autos, o que comprova a existência de um Grupo Econômico de fato e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as empresas. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão Fl. 752DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Caso o Fisco ainda não tenha proferida a decisão definitiva das questões concernentes à exclusão do regime diferenciado de tributação SIMPLES FEDERAL/NACIONAL (processos 15504.012607/201019 e 15504.012588/201021), deverá haver a suspensão dos efeitos deste Acórdão, eis que a cobrança do crédito objeto do presente auto de infração somente poderá ser levado a efeito quando transitado em julgado o processo de exclusão desse regime diferenciado. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10865.903009/2008-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 03 00 9/ 20 08 -1 3 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.297 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.145, às fls. 106 a 114: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 5993), concernente ao período de apuração 05/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL anocalendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; Fl. 343DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.297 S1TE02 Fl. 4 3 que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a homologação apenas parcial em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Este é o Relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.297 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que homologou parcialmente declaração de compensação por ela apresentada em 27/04/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de maio/2003, no valor de R$ 65.222,70. A Delegacia de origem homologou em parte a compensação porque o referido pagamento havia sido parcialmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Do recolhimento de R$ 65.222,70, que daria origem ao reivindicado direito creditório, já haviam sido utilizados R$ 65.083,95 (para a quitação da própria estimativa declarada), restando saldo disponível de apenas R$ 138,75, conforme o Despacho Decisório de fls. 9. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo de IRPJ” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve o que restou decidido pela Delegacia de origem. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Primeiramente, cabe registrar que o fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.297 S1TE02 Fl. 6 5 O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período (como ela vem alegando), esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica Fl. 346DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.297 S1TE02 Fl. 7 6 se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: [...] Por tudo isso, concluise que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN e no art. 74, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo ou contribuição, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de obrigação tributária, mas tãosomente antecipação a ser computada, ao final do período, na apuração de eventual saldo negativo passível de repetição. No caso em questão, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de IRPJestimativa mensal, código de arrecadação 5993. Sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência, como acima demonstrado, há que se examinar a eventual apuração, pela contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão, que poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa e as retenções na fonte (IRRF) são considerados pela Lei como antecipações do imposto devido (IRPJ). E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. No que se refere ao IRRF, somente poderá ser utilizado para a dedução do IR a pagar e, eventualmente, contribuir para a formação do saldo negativo de IRPJ, se atender ao previsto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, condicionandose o procedimento à apresentação dos respectivos Fl. 347DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.297 S1TE02 Fl. 8 7 comprovantes de retenção, bem como, cumulativamente, atender ao disposto no § 2º do art. 76 da Lei n° 8.981/95, o qual estabelece que a dedução do IR com o IRRF será permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidos à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto, in verbis: [...] Como corolário do exposto, esta 5ª Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor do imposto devido e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar; a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte deve levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício; a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções; os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Em suma, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de IRPJ, no período em questão, especialmente por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7° do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentação hábil, limitandose as alegações acima referenciadas. As cópias de DCOMP, DIPJ, DCTF e documentos de arrecadação (Darf) juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento Fl. 348DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.297 S1TE02 Fl. 9 8 de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. (grifos acrescidos) Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003, às fls. 42, a Contribuinte apurou IRPJ anual no valor de R$ 78.332,30 e realizou deduções a título do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT (R$ 1.913,09), dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (R$ 600,00), de IR fonte (R$ 2.452,11) e de IR mensal pago por estimativa (R$ 630.038,98), o que resultou em saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 556.671,88. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de IRPJ em 2003 DIPJ DARF jan/03 93.135,68 88.881,45 fev/03 64.065,05 56.171,72 mar/03 66.840,37 66.352,13 abr/03 50.304,98 49.856,63 mai/03 65.076,12 65.222,70 jun/03 39.088,27 39.055,58 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.297 S1TE02 Fl. 10 9 jul/03 82.839,95 82.843,14 ago/03 68.810,45 68.812,77 set/03 49.626,27 53.509,66 out/03 51.423,38 57.313,27 Total 631.210,52 628.019,05 A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor. Há divergências entre os valores das estimativas constantes da DIPJ e os DARF´s correspondentes. Além disso, a estimativa de julho foi recolhida em atraso, o que enseja imputação proporcional do pagamento para apartação correta da rubrica principal e dos acréscimos legais. Há também deduções a outros títulos que demandam requisitos específicos, ainda não examinados pela Delegacia de origem, porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; o valor a ser considerado como dedução referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; o valor a ser considerado como dedução referente aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente; o valor a ser considerado como dedução a título de IR fonte, levando em conta se as receitas correspondentes foram computadas pela Contribuinte na apuração do lucro real; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; Fl. 350DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.297 S1TE02 Fl. 11 10 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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