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Numero do processo: 10680.000554/2004-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
LEGITIMIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO
Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno.
Numero da decisão: 9101-002.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO COM PROVIDÊNCIA DE RETORNO Não detem legitimidade para opor Embargos de Acórdão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Embargos não conhecidos por unanimidade de votos, com retorno dos autos à Turma a quo. Os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), votaram pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 05 54 /2 00 4- 91 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 2 DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório A Turma ordinária decidiu o recurso voluntário em acórdão que restou vazado na seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vicio ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA CSL DECADÊNCIA — CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO A Contribuição Social sobre o Lucro, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrita à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 40 do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, deslocase esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como inicio de tal prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte no ano de 2003, é incabível a preliminar de decadência suscitada para a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa lançada no anocalendário de 1998. CSL — OMISSÃO DE RECEITAS — Caracteriza a ocorrência de omissão de receitas a diferença apurada pela fiscalização no confronto entre as receitas escrituradas/declaradas com aquelas constantes dos boletins de Caixa da loja, principalmente quando a empresa não contesta a infração detectada e efetua parcelamento desses débitos fiscais no PAES. CSL APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA — A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturálas nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro, calculada por estimativa com base na receita bruta, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1° inciso IV da Lei n° 9.430/96. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO — COMPATIBILIDADE — A falta de recolhimento da CSL sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1 0 do art. 44 da Lei no 9.430/96. 0 lançamento é compatível com a exigência da contribuição apurada em procedimento fiscal, acompanhada da correspondente multa de oficio. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000554/200491 Acórdão n.º 9101002.285 CSRFT1 Fl. 3 3 INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. MULTA DE OFICIO — CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO — A multa de oficio constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos os tributos devidos pelo sucedido. 0 que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato,gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei e a evidencia de provas, onde pede que seja dado provimento ao recurso para restabelecer a multa isolada no percentual de 150% sob a responsabilidade da sucessora. Admitido o Recurso da Fazenda Nacional, o acordão de recurso especial conheceu e lhe deu provimento, “determinando o retorno dos autos a Câmara recorrida para apreciar as demais alegações da recorrente”. O acórdão da CSRF foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: MULTA DE OFICIO INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum de sócio pessoa física e de controladora informal. Consta na parte final do voto do relator: Assim conheço em parte do RE e das ContraRazões, e no mérito dou provimento e determino o retorno dos autos à Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 4 Encaminhado o processo ao colegiado a quo e sorteado entre os seus membros, o relator contemplado foi o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. O referido conselheiro apresentou Embargos de Declaração abaixo transcrito: Conforme o termo de verificação de infração de fls. ..., todo um conjunto de auditorias levou à autuação da empresa MG Master Ltda em razão de omissões praticadas por 24 (vinte quatro) empresas sucedidas. Foram 24 (vinte quatro) autuações de IRPJ e seus reflexos e 46 (quarenta e seis) autuações relativas a multas isoladas de IRPJ e CSLL (vinte e três para cada tributo). Só uma das empresas incorporadas não sofreu autuação de multas isoladas por adotar o regime do lucro presumido. O presente feito é uma dessas quarenta e seis autuações de multa isolada e está relacionado com uma das vinte e quatro autuações de CSLL e seus reflexos. É, portanto, similar a várias dezenas de outros, dos quais vários nos foram distribuídos por retorno determinado pela Câmara Superior. Por meio do acórdão ..., a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte havia dado provimento integral ao recurso voluntário ..., sob o fundamento de ilegalidade da aplicação de multa de ofício na sucessora. Já a Câmara de Superior de Recursos Fiscais ao analisar o recurso especial da Fazenda Nacional, deulhe provimento por meio do acórdão ... sob o fundamento de ser legal a aplicação de multa de ofício, uma vez comprovado nos autos que ambas as sociedades sucessora e sucedida sempre estiveram sob controle comum, e determinou o retorno dos autos à “Câmara de origem ou àquela que a sucedeu para o exame das demais questões tratadas no recurso voluntário interposto”. Ao compulsarmos o voto condutor do acórdão ..., entendemos que todas as questões suscitadas no recurso voluntário foram enfrentadas pelo relator, que negava provimento ao recurso voluntário. Abaixo, as relacionamos: a) decadência; neste ponto, o acórdão considerou caracterizado o evidente intuito doloso da conduta delitiva; b) nulidade em razão de sua lavratura em separado; c) multa na sucessora; d) adesão ao PAES e suspensão do crédito tributário; e) falta de base legal e constitucional para a aplicação de juros à taxa SELIC; f) concomitância da multa isolada com a multa de ofício; e g) caráter confiscatório da multa. Foi o voto de divergência, porém, que prevaleceu. Poderíamos supor, então, que alguns pontos constantes do voto vencido teriam sido prejudicados pelo voto vencedor. Neste, porém, há a seguinte afirmação: Fl. 495DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000554/200491 Acórdão n.º 9101002.285 CSRFT1 Fl. 4 5 Inicialmente gostaria de enaltecer a clareza do relatório e profundidade do voto proferido [...] peço vênia para dele discordar somente quanto a aplicação da multa isolada nos casos de incorporação [...] Ademais, todos os pontos suscitados pela defesa, inclusive aqueles que poderiam ter sido prejudicados, constam da ementa, como a concomitância com a multa de ofício. Dessarte, não identificamos nenhuma questão suscitada pela defesa a ser enfrentada, o que nos levou à conclusão de ter havido supostamente contrariedade ou omissão do acórdão ... . Só haveria a redução passível de iniciativa de ofício do patamar sancionador de 150% para 50% em razão das alterações supervenientes da redação do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, interpomos embargos de declaração com o fito de se sanear a contrariedade ou a omissão do acórdão ... para se esclarecer quais questões devem ser enfrentadas por esta turma. Encaminhado o processo à Primeira Turma da CSRF, os Embargos foram admitidos por despacho do Presidente da CSRF. É o relatório. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Preliminarmente, há uma questão a ser respondida, qual seja: se um relator de Turma Ordinária que recebeu um processo com decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) determinando o retorno a turma a quo poderia, ou não, embargar esse Acórdão, visando esclarecer os contornos e limites do retorno. O tema ganha relevância, pois estarseá a definir a autonomia da decisão da Câmara Superior, se é possível a interpretação autêntica ou se sua interpretação deverá ser avaliada pela turma ordinária que lhe dá cumprimento. O art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, apresenta, em seu parágrafo primeiro, o seguinte rol de legitimados para oposição de Embargos de Declaração (vale ressaltar que essa redação era a mesma existente no Regimento Interno anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e com redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010): Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. A partir dos regramentos transcritos, podese discutir o enquadramento nos incisos I e V. a.1) Ao se eleger como legitimado o ‘conselheiro do colegiado’, é defensável que o termo ‘colegiado’ acima envolva a turma de julgamento que tem interesse no que está sendo decidido; assim, poderseia defender que estariam aí os conselheiros do colegiado que julgará o retorno da decisão da CSRF. Não obstante, também é defensável que o colegiado abrange apenas a turma prolatora do acórdão (ainda mais com o acréscimo que se fez no atual regimento interno incluindo a expressão “inclusive pelo próprio relator”). Fl. 497DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000554/200491 Acórdão n.º 9101002.285 CSRFT1 Fl. 5 7 a.2) A tradição da Casa entende que a segunda alternativa é a mais apropriada, a ela me alio, sob pena de abrir um precedente que poderia evoluir no sentido de que nesse dispositivo caberiam todos os colegiados do Conselho (tendo em vista a subjetividade do que seria um colegiado que tem interesse no julgamento); o que, evidentemente, não é o que desejou o legislador do regimento interno. b.1) Em se tratando do titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, poderseia interpretar que a turma a quo poderia ocupar a posição de unidade da administração tributária e que esse “titular” poderia, por analogia, ser o relator ou o Presidente (nesse caso, faleceria competência no caso concreto, pois os Embargos não foram subscritos pelo Presidente), já que é natural pensar que a turma para o qual o processo retornou está “executando” o acórdão. b.2) Mais uma vez, reconhecendo a engenhosidade da alternativa de interpretação, sigo a prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas (art. 100, III, do Código Tributário Nacional) ou a tradição, sem adentrar no campo do direito administrativo que conceituaria “unidade da administração tributária”, para rejeitar a possibilidade e continuar entendendo que o inciso V do art. 65 está apenas voltado para a unidade preparadora. A Portaria MF nº 197, de 23 de abril de 2015, dispôs sobre consulta pública relativa a alterações a serem promovidas no Regimento Interno do CARF. Confiramse alguns de seus dispositivos: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) realizará consulta pública com o objetivo de receber contribuições por escrito para aperfeiçoamento do Regimento Interno do órgão, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. ... §2º A minuta de Regimento Interno do CARF objeto da consulta será disponibilizada no endereço eletrônico referido no § 1º, acompanhada da exposição de motivos, com indicação dos objetivos institucionais que se pretende alcançar com a nova regulamentação. §3º A apresentação das sugestões, a ser efetivada por meio de formulário próprio disponível juntamente com a consulta, deverá atender à seguinte estrutura: I redação proposta para artigo, parágrafo, inciso, alínea ou item a que se refira; e II justificativa para cada item da proposta, que demonstre a pertinência e o atendimento dos objetivos institucionais. § 4º As contribuições deverão ser enviadas por meio de correio eletrônico para o endereço ricarf_Consulta@carf.fazenda.gov.br, com anexação do formulário próprio de que trata o § 3º. Art. 2º As sugestões recebidas e que atenderem ao disposto no § 3º do art. 1º poderão ser consideradas total ou parcialmente na definição do texto do novo regimento. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 8 Parágrafo único. O CARF publicará em seu sítio na internet relatório com as justificativas das sugestões não acatadas. Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Com base nesta louvável1 iniciativa do CARF para o aperfeiçoamento de seu regimento interno, apresentei a proposta de nº 128 com quatro sugestões de mudanças, entre elas estava a seguinte inovação: Novo inciso no parágrafo 1º do art. 65: VI – por relator de turma ordinária, relativamente à decisão da CSRF com providência de retorno a turma a quo, considerandose a ciência como a indicação para o processo em pauta. Na oportunidade, motivei da seguinte forma: Há casos de acórdãos da CSRF que decidem com retorno a turma ordinária, mas não é possível identificar exatamente qual a providência que a turma ordinária deverá tomar. Assim, fazse necessário que o relator desses acórdãos nas turmas ordinárias tenha competência para embargar a decisão da CSRF. Poderia ser utilizado o inciso I, mas esse é voltado apenas ao colegiado no qual o acórdão é proferido. Também poderia ser utilizado o inciso V, entendendose o presidente de turma como titular da unidade da administração tributária para execução do acórdão, ou seja, a turma a quo estaria “executando” o acórdão, mas também essa interpretação é questionável. O CARF justificou o não acatamento afirmando que: Se, após passar por todas as autoridades que têm legitimidade para embargar, ninguém que tomou ciência desta decisão da CSRF embargou, o relator do processo nessas hipóteses irá decidir com os elementos de que dispõe nos autos. Verificase que, embora a motivação do não acatamento tenha sido bem suscinta, foi suficientemente clara em delegar ao relator o poder de interpretar a decisão da CSRF (superando omissões/contradições/obscuridades como bem entender caso não as leve a julgamento ou não sejam identificadas pelos outros Conselheiros – ou apresentando propostas de saneamento – caso decida leválas a julgamento), submetendoa a seu juízo prévio. A partir do estudo dos “anais” de elaboração do regimento interno, podese concluir que foi dada oportunidade ao legislador regimental enfrentar a disciplina da questão e, em tendo este se manifestado no sentido de não acolher a modificação proposta, me permito extrair uma interpretação histórica com a seguinte orientação: nos atuais incisos do art. 65 não há guarida para se incluir entre o rol dos legitimados o relator da Turma Ordinária para o qual foi sorteado um processo com Acórdão de Recurso Especial da CSRF com providência de retorno; estando, 1 Do que tenho notícia foi a primeira vez que um Tribunal resolveu escutar a sociedade civil ao tratar da sua lei orgânica, estão de parabéns as autoridades que assim decidiram! Fl. 499DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10680.000554/200491 Acórdão n.º 9101002.285 CSRFT1 Fl. 6 9 portanto, afastadas as duas possíveis interpretações a que já fiz menção ao tratar dos incisos I e V. Assim, por todo o exposto, o relator deverá interpretar a decisão da Turma da CSRF que determina o retorno para determinada turma ordinária e, caso encontre omissões/contradições/obscuridades, leválaás a julgamento da turma, como foi feito no julgamento que restou no Acórdão nº 1201001.173, sessão de 04/03/2015, da qual participei, onde os contornos da decisão da Turma da CSRF foram dados pela decisão da Turma Ordinária do CARF, conforme se pode perceber da parte dispositiva do acórdão, abaixo transcrito: “... os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM a preliminar de decadência de janeiro a novembro de 1997; por maioria de votos, AFASTARAM a preliminar de decadência de dezembro de 1997, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado, que o acompanhou pelas conclusões; por unanimidade de votos, ENTENDERAM que a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101000.702, de 08/11/2010, não alcança a COFINS; por unanimidade de votos, DECLARARAM a nulidade material dos autos de infração dos anos calendário de 1997 a 2000; e, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso voluntário dos anoscalendário de 2001 a 2003.” Nesse sentido, voto por NÃO ACOLHER os Embargos de Declaração, por ausência de legitimidade ativa do Conselheiro que os opôs, e determinar o retorno dos autos a Turma a quo. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator Fl. 500DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001945/00-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
EMBARGOS DECLARATÓRIOS - ERRO IN PROCEDENDO - DECISÃO QUE DEIXA DE CONHECER RECURSO TEMPESTIVO - ACOLHIMENTO PARCIAL DOS EMBARGOS PARA ANULAR O PROCESSO A PARTIR DO ATO NULO.
O manifesto erro in procedendo do v. Acórdão embargado, que deixou de conhecer Embargos Declaratórios tempestivos oportunamente interpostos, importa violação dos direito de defesa das partes, que impõem o acolhimento dos novos Declaratórios para proclamar a tempestividade do recurso e anular a decisão para que se conheça do recurso tempestivo, retomando-se o devido processo legal.
Numero da decisão: 3402-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por uanimidade de votos, conhecer e prover parcialmente os embargos para anular o acórdão embargado e determinar o exame dos anteriores embargos[Tabela de Resultados]
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 EMBARGOS DECLARATÓRIOS ERRO IN PROCEDENDO DECISÃO QUE DEIXA DE CONHECER RECURSO TEMPESTIVO ACOLHIMENTO PARCIAL DOS EMBARGOS PARA ANULAR O PROCESSO A PARTIR DO ATO NULO. O manifesto erro in procedendo do v. Acórdão embargado, que deixou de conhecer Embargos Declaratórios tempestivos oportunamente interpostos, importa violação dos direito de defesa das partes, que impõem o acolhimento dos novos Declaratórios para proclamar a tempestividade do recurso e anular a decisão para que se conheça do recurso tempestivo, retomandose o devido processo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por uanimidade de votos, conhecer e prover parcialmente os embargos para anular o acórdão embargado e determinar o exame dos anteriores embargos[Tabela de Resultados] GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 19 45 /0 0- 51 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Embargos Declaratórios (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) interpostos pelo contribuinte, por suposta omissão no v. Acórdão nº 3402001.956 exarado pela C. 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 263/267) em sede de Embargos Declaratórios (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) que, acolhendo o voto de minha relatoria, em sessão de 12/11/12, por unanimidade de votos, houve por bem em não conhecer dos Embargos por serem intempestivos, aos fundamentos sintetizados nas seguintes ementa e súmula: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PRESSUPOSTOS PRAZO INTEMPESTIVIDADE. Os Embargos de Declaração devem ser interpostos nos cinco dias seguintes ciência do Acórdão, sob pena de perempção, eis que a tempestividade do recurso administrativo é requisito essencial para a devolução da matéria impugnada ao órgão julgador, razão pela qual, intempestivo o recurso, não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade e votos não se conheceu dos embargos por serem intempestivos. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.” Entende a ora embargante que teria havido suposta “omissão” no voto condutor do v. Acórdão embargado, tendo em vista que “considerando o prazo de cinco dias para apresentação dos Embargos, terseia como prazo fatal o dia 20/04/2008, contudo, o dia 20/04/2008 deuse num dia de domingo, prorrogandose automaticamente para o próximo dia útil seguinte, ou seja, dia 21/04/2008 (segundafeira)”, no qual “comemorase o dia em que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, tornouse o mártir da Inconfidência Mineira” nos termos da LEI N° 10.607/02, donde decorre ser “evidente e notório que o primeiro dia útil Fl. 373DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10675.001945/0051 Acórdão n.º 3402002.186 S3C4T2 Fl. 3 3 seguinte seria dia 22/04/2008 (terçafeira), sendo, por conseguinte, tempestivos os Embargos de Declaração protocolados no .dia 22/04/2008”. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Os Embargos Declaratórios são tempestivos e merecem parcial provimento, para anulação do presente processo a partir ddo v. Acórdão embargado, em face do manifesto erro in procedendo da 2ª Turma, que deixando de conhecer dos Embargos “por serem intempestivos”, incide em manifesto erro de fato que viola o direito de defesa da ora Embargante ensejando nulidade. Realmente, a ora Embargante bem demonstrou o manifesto e lamentável erro de fato do v. Acórdão embargado quanto a tempestividade dos anteriores embargos que enseja sua nulidade, eis que a Jurisprudência Administrativa há muito já assentou que “a administração pública, principalmente por seus órgãos colegiados de julgamento administrativo, têm o dever de levantar e corrigir tais situações, que maculam o processo administrativo tributário” (cf. Ac. CSRF/0303.400 da 3ª Turma da CSRF, Rec. nº 301122603, Proc. nº 13822.000855/9670, em sessão de 05/11/2002, Rel. Cons. Paulo Roberto Cuco Antunes ), sendo certo que “ato administrativo ilegal não produz qualquer efeito válido entre as partes, pela evidente razão de que não se pode adquirir direitos contra a lei. A nulidade reconhecida, seja pela Administração ou pelo Judiciário, operase ex tunc, isto é, retroage às suas origens e alcança todos os efeitos passados, presentes e futuros em relação às partes” (cf. ACÓRDÃO 20173793 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 000627, Proc. nº 10935.001907/9505, em sessão de 10/05/2000, Rel. cons. Valdemar Ludvig). Isto posto, voto no sentido de conhecer e prover parcialmente os presentes Embargos Declaratórios, para expressamente reconhecer a tempestividade dos anteriores Declaratórios e anular em consequência o v. Acórdão ora embargado em face do manifesto erro in procedendo da 2ª Turma da 4ª Câmara, retomandose o devido processo legal, para o exame do recurso tempestivo. É como voto Sala das Sessões, em 24 de setembro de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 374DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10821.000620/99-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997
DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade das despesas na apuração do lucro real sujeita-se a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, onde fiquem evidenciados, dentre outros requisitos, a indicação da operação ou a causa que deu origem ao rendimento e a individualização do beneficiário desse rendimento. Excluem-se da exigência os valores comprovados por meio da impugnação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL
Lavrado o auto principal deverão ser também formalizadas as exigências decorrentes, dada a intima relação de causa e efeitos que as vincula. Translada-se as autuações reflexas a mesma orientação decisória adotada quanto ao lançamento matriz.
Numero da decisão: 1402-002.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1997 DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade das despesas na apuração do lucro real sujeita-se a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, onde fiquem evidenciados, dentre outros requisitos, a indicação da operação ou a causa que deu origem ao rendimento e a individualização do beneficiário desse rendimento. Excluem-se da exigência os valores comprovados por meio da impugnação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Lavrado o auto principal deverão ser também formalizadas as exigências decorrentes, dada a intima relação de causa e efeitos que as vincula. Translada-se as autuações reflexas a mesma orientação decisória adotada quanto ao lançamento matriz.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 753 1 752 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10821.000620/9998 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.297 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2016 Matéria IRPJ Recorrente SCS SOCIEDADE COMERCIAL Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1997 DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade das despesas na apuração do lucro real sujeitase a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, onde fiquem evidenciados, dentre outros requisitos, a indicação da operação ou a causa que deu origem ao rendimento e a individualização do beneficiário desse rendimento. Excluemse da exigência os valores comprovados por meio da impugnação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Lavrado o auto principal deverão ser também formalizadas as exigências decorrentes, dada a intima relação de causa e efeitos que as vincula. Transladase as autuações reflexas a mesma orientação decisória adotada quanto ao lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 06 20 /9 9- 98 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10821.000620/9998 Acórdão n.º 1402002.297 S1C4T2 Fl. 754 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10821.000620/9998 Acórdão n.º 1402002.297 S1C4T2 Fl. 755 3 Relatório Tratase o presente de Recurso Voluntário interpostos pela empresa autuada, face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de que manteve integralmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração relativas ao IRPJ e CSLL. Os autos de infração (fls. 144/145 148/149), acompanhados dos demonstrativos de fls. 142/143 146/147, formalizados em 14/06/1999 contra a Recorrente, que resultou na constituição do crédito tributário no montante de RS 532.259,23, aqui incluídos principal multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora calculados até 31/05/1999. A autuação decorreu pela falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços relativos aos pagamento contabilizados como despesa, na medida em que a empresa autuada deixou de apresentar respectivos documentos fiscais, ou os apresentou sem identificação, ou ainda, os apresentou em nome de terceiros. Adota como relatório a parte do v. acórdão recorrido, relativa a descrição dos fatos, completandoo ao final no que interessa para o presente julgamento: No TERMO DE VERIFICAÇA0 FISCAL de fls. 139/141. a autoridade fiscal relata os fatos que motivaram o lançamento. a seguir transcritos: "...examinamos os livros e documentos fiscais e contábeis do contribuinte, quanto aos tributos federais e com referência ao ano calendário de 1.997, tendo verificado: 1) que a empresa se dedica a importação e comercialização de produtos químicos, tendo apresentado DIRPJ em 06/04/98 com base no lucro real, acusando prejuízo fiscal de R$ 15.931,50, conforme cópia anexa; 2) que, regularmente intimada, deixou de comprovar a efetiva prestação de serviços relativos aos pagamentos contabilizados como despesas, não apresentando os respectivos documentos fiscais em seu nome ou apresentandoos em nome de terceiros, conforme a seguir relacionado: [segue demonstrativo de fls. 139/140] 3) que, no caso dos fretes, as faturas emitidas pela Transpex se referiam a serviços prestados à empresa Interunion e não à fiscalizada, não se tratando, portanto, de despesas operacionais deditíveis; 4) que, no caso de serviços c/c terceiros pessoa jurídica. não apresentou notas fiscais de serviços dos valores lançados em sem nome, emitidos por Suma e Pronave; 5) que, da mesma forma, não apresentou notas fiscais de emissão da Pronave e Rodrimar, no caso de contabilização de despesas de desestiva, e não juntou notas fiscais ou outro documento fiscal válido para dedução dos valores lançados em seu nome, emitidos por outras empresas ou pessoas físicas; 6) que também não apresentou documentos fiscais relativos às despesas de capatazia relacionadas no quadro acima; Fl. 755DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10821.000620/9998 Acórdão n.º 1402002.297 S1C4T2 Fl. 756 4 7) que apresentou como comprovante de despesas lançadas em armazenagem notas da Transpex em nome da Interunion, portanto, contabilizados indevidamente; 8) que não apresentou documentação fiscal re lançamentos contabilizados como Descarga Sanko Robust; 9) que os valores contabilizados indevidamente como despesas e glosados, por não satisfazerem as condições de dedutibilidade do lucro bruto, por falta de comprovação da efetiva prestação de serviços, são a seguir discriminados pelos valores mensais: Assim sendo, o valor total de RS 908.792,10 (novecentos e oito mil, setecentos e noventa e dois reais e dez centavos) reduziu o lucro real e será acrescido ao resultado do período para determinação do crédito tributário devido, que será formalizado através da lavratura de Auto de Infração. 10) Demonstrativo de apuração do lucro real (valores em real): • Receita Bruta 2.631.975,20 • Receita de Juros s/ o Capital 87.171,28 • Despesas Operacionais Apuradas (1.814.724,05) • Variações Monetárias Passivas (1.772.42) • Outras Despesas Financeiras (9.789.41) Lucro Liquido 892.860,60 • Despesas Não Dedutiveis 1.500.00 Lucro Antes da CSLL 894.360,60 • CSLL (71.548.84) Lucro Real 822.811,76 Obs.: Despesas Operacionais Declaradas RS 2.723.516,15 Despesas Operacionais Apuradas RS 1.814.724,05 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10821.000620/9998 Acórdão n.º 1402002.297 S1C4T2 Fl. 757 5 Diferença Glosada R$ 908.792.10 3. Conforme consta da Folha de Continuação dos respectivos autos de infração, as irregularidades fiscais detectadas foram enquadradas nos seguintes dispositivos legais: • IRPJ (fl. 145): arts. 195, inciso I; 197 e parágrafo único; 243 e 247 do RIR/94; • CSLL (fl. 149): art. 2° e parágrafos da Lei n° 7.689 , art. 1° d 9.316/96; art. 28 da Lei n°9.430/96. A Recorrente devidamente notificada, oferece impugnação às fls.152/164, com documentos que foram anexos as fls. 165/304 alegando em síntese o seguinte: 4.1 começou a operar em agosto de 1997 e foi constituída com o objetivo único de comercializar barrilha matériaprima destinada a produção de vidro , e de produzir serviços correlatos, sendo representante exclusiva da empresa internacional denominada ANSAC CORPORATION; 4.2 a operação consiste na retirada da barrilha importada do navio e a sua imediata colocação em um armazém, onde permanece até sua nacionalização. Esta etapa ocorre simultaneamente com a sua comercialização, passando, assim , a documentação pela alfândega; 4.3 para que as várias etapas do processo de importação se concretizem é essencial a utilização de diversos prestadores de serviços para procederem ao desembarque, carregamento, transporte e descarga no armazém. Para tanto, a contribuinte se vê obrigada a contratar empresas especializadas para a prática dessas operações; 4.4 desse modo, as despesas e os custos incorridos e pagos pela contribuinte, glosados pelo fiscal autuante, todas elas, sem qualquer exceção, são relacionadas com a sua atividade principal e não deixam qualquer margem de dúvida quanto à sua necessidade nos termos do art. 242, § 1°, do RIR/94, conforme comprova a documentação de suporte; 4.5 é certo, também, que todos os pagamentos foram efetuados por meio de cheques nominais e a empresas comprovadamente do ramo da prestação de serviços da impugnante, como é o caso da Pronave e Rodrimar, cuja representatividade é do pleno conhecimento da fiscalização da Inspetoria da Receita Federal de São Sebastião; 4.6 a ausência de uma nota fiscal, de uma ou outra despesa. não é suficiente para descaracterizála como dedutível do lucro tributável, quando a contribuinte possui outros documentos de prova , como fatura comercial, cópia de cheque, correspondência entre as partes. Há que se considerar, ainda, que em todas as faturas e/ou documentos oferecidos à fiscalização, há descrição do serviço efetuado, do navio descarregado, da quantidade de barrilhas dele retirada e do transporte utilizado; 4.7 de acordo com o art. 223 e seus parágrafos do RIR/94, o ônus da prova de inveracidade dos fatos e das provas cabe a fiscalização e não ao contribuinte. Assim, a ela caberia aprofundarse mais no exame dos documentos, rastreando os cheques pagos ou efetuando diligências às prestadoras de serviços para dirimir qualquer dúvida que pudesse existir; Fl. 757DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10821.000620/9998 Acórdão n.º 1402002.297 S1C4T2 Fl. 758 6 4.8 para dar uma mostra da natureza das operações realizadas pela impugnante, traz à colação cópia fotográfica (doc. 02 ti. 166) de uma operação de desestiva consistente na retirada do navio da barrilha para o caminhão. Essa é uma das provas de que somente empresas autorizadas pelo Porto de Sao Sebastião, como a Pronave, o grupo Rodrimar e a Transpex, entre outras, são as que podem prestar tais serviços; Em seguida, refuta a glosa das despesas alegando que a documentação juntada aos autos com a impugnação comprovaria a regularidade das dos dispêndios, obedecendo a ordem em que foram analisadas no Termo de Verificação Fiscal, que são despesas relativas ao Frete, Serviços de Terceiros, Pagamentos à Pronave e a Rodrimar, bem como explica que servem os valores de R$ 76.559,06 e o R$ 15.307,76. Pede diligência nos estabelecimentos dos destinatários e prestadores de serviços para que se comprova as alegações da impugnação. O v. acórdão recorrido decidiu manter parcialmente o Auto de Infração, afastando a glosa relativas aos: Fretes excluiu o valor de R$ 2.248,14 Pagamentos a Pronave R$ 76.609,71 (documentos de fls. 195/198) , R$ 100.990,10. Pagamentos a Rodrimar R$ 76.559,06, Valor de R$ 15.307,76, Pagamentos a Transportadora Transprex os valores R$ 15.317,98 e 15.307,76 por entender que restou comprovados os pagamentos relativos ao Adicional de Indenização do Trabalhador Portuário. Afasta o requerimento relativo a diligência, por entender que os autos já se encontravam em condições de julgamento e não existia nenhuma dúvida para ser esclarecida pelas partes dos autos. Ato contínuo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando os mesmos argumento da impugnação. Em seguida, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10821.000620/9998 Acórdão n.º 1402002.297 S1C4T2 Fl. 759 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, devendo assim, ser conhecido. Pedido de diligência: Face aos documentos e alegações constantes nos autos, entendo que a conversão do julgamento em diligência não é necessária. Desta forma, de acordo com os documentos e fatos descritos nos autos, entendo já ser possível formar critério de convicção para proferir voto e julgar o processo, não sendo necessário a conversão do julgamento em diligência para que se junte provas ou se produza nova análise dos documentos já constantes nos autos. Em relação ao mérito, as despesas que restaram comprovadas por meios de documentos hábeis e idôneos nos termos da legislação, foram canceladas. Sendo assim, entendo que o v. acórdão deve ser mantido em seus termos. 17. Quanto aos demais documentos anexados, constatase que os de fls. 171/176 estão relacionados com a importância de R$ 2.632.05 e os de fls. 177/179 com a importância de R$ 5.200,43. Embora haja vinculação dentro de cada um desses grupos, como é o caso, por exemplo, do valor, que é coincidente no boleto bancário (fl. 177), na Autorização de Pagamento (fl. 178) e na fatura (fls. 179), observase que o destinatário identificado nas faturas de fls. 173 e 179 é a empresa Interunion Trading S.A. 0 mesmo ocorre com o outro grupo de documentos, sendo que, no primeiro deles, a fatura foi emitida com o CNPJ da filial dessa empresa, sediada na cidade de Rio Grande RS; e, no segundo caso, da sua matriz, sediada na cidade cio Rio de Janeiro. 18. A alegação da contribuinte é que referida empresa era a anterior representante da empresa estrangeira ANSAC CORPORATION, tendo a contribuinte se tornado sua representante a partir do mês de agosto de 1997. Ocorre, porém, que não foi apresentado qualquer documento que comprovasse tal alegação. 19. Releva mencionar que os dois dispêndios em comento foram efetuados 17/11/97, portanto, cerca de três meses após a contribuinte ter passado a representar a empresa estrangeira, tempo esse suficiente para que ditos documentos passassem. também, a ser emitidos em seu nome, posto que, como alega, era sua a responsabilidade pelo pagamento. • Serviços de Terceiros 21. A contribuinte alega que as glosas relacionadas com as quantias de RS 15.363,35 e RS 2.571,94 se referem a pagamento Fl. 759DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10821.000620/9998 Acórdão n.º 1402002.297 S1C4T2 Fl. 760 8 de Adicional de Indenização dos Trabalhadores Portuários AITP. Para comprovação, foram anexados aos autos os documentos de fls. 180/194, consistentes de cópia de autorização de pagamento; recibo de depósito em nome da empresa beneficiária, SUMA Assessoria Técnica Aduaneira S.C. Ltda.; cópia de correspondências dessa última empresa; e cópia de cartas endereçadas ANSAC do Brasil, Comercio, Importação e Exportação Ltda. 22. A análise desses documentos indica, primeiramente , que as correspondências de fls. 182 e 186, da empresa SUMA, foram dirigidas â empresa ITERUNION TRADING S.A. e não â empresa autuada, valendo aqui os argumentos tecidos quando da análise do tópico anterior (Fretes). 93. Por outro lado, verificase que os créditos destinados à empresa SUMA, por meio de "DOC (fls. 181 e 184), nos importes acima referidos, foram remetidos pela empresa ANSAC, em atendimento às solicitações da empresa autuada dirigidas a essa última, por meio das correspondências de fls. 183 e 187. 94. A respeito dessas correspondências, a contribuinte informa na impugnação que solicitou que a ANSAC efetuasse o pagamento em razão de não possuir os recursos necessários para tal, naquele momento. Contudo. não há noticia nos autos de que a autuada tenha reembolsado a ANSAC e, assim, tenha de fato assumido o ônus pelo pagamento. 15. Desse modo, pelos dois motivos acima expostos, concluise pela impossibilidade de se admitir esses dispêndios como despesas dedutíveis, devendo ser mantida a glosa perpetrada pelo Fisco. • Pagamentos à Pronave 26. Para comprovar os pagamentos feitos à Pronave, a contribuinte juntou os documentos de fls. 195/226. Deflui da análise desses documentos as constatações a seguir. b) R$ 76.836,56 documentos de fls. 199/200 31. Com relação a este valor, a contribuinte juntou apenas a Autorização de pagamento de fl. 199 e o DOC de H. 200, relativo â transferência da importância acima para a Pronave, que foi feita pela ANSAC do Brasil. Comércio, Importação e Exportação Ltda. 32. Portanto, valem aqui os argumentos já despendidos neste voto, quando da análise do tópico "Serviços de Terceiros", em que se concluiu que, não havendo noticia nos autos de que a autuada tenha reembolsado a ANSAC e, assim. tenha de fato assumido o ônus pelo pagamento, não se pode aceitar o dispêndio como despesa incorrida por ela. Ademais, registrese que não há nos autos qualquer documento especificando a natureza e a destinação do dispêndio em questão, de modo a adequálo ao rol das despesas inerentes A atividade da contribuinte. d) R$ 12.888,80 documentos de fls. 205/208 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10821.000620/9998 Acórdão n.º 1402002.297 S1C4T2 Fl. 761 9 34. Neste caso, além dos dois documentos mencionados nas alíneas "h" e "c" acima, encontramse anexadas correspondência da PRONAVE dirigida à INTERUNION TRADING (fl. 207), onde é solicitado o pagamento referente a T parcela de 30% no fim da operação relativa ao navio "SMIRNY", e cópia da fatura n° 059/97, emitida em nome da autuada, onde é feita menção ao navio citado, porém, o valor em questão não identificado nesta fatura. 35. Assim, como se não bastasse a inconsistência apontada. verificase a mesma ocorrência com relação à empresa INTERUNION, já mencionada anteriormente, o que impede a aceitação desses documentos para comprovação da despesa apropriada pela contribuinte. e) R$ 149.899,69 documentos de fls. 209/212 36. Foram juntadas a autorização de pagamento (fl. 209), a fatura n° 058/97 em nome da empresa autuada (fl. 210); o "DOC" acusando a transferência da importância em questão pela ANSAC a PRONAVE (fl. 211); e correspondência da autuada dirigida ANSAC, solicitando a liberação dos recursos (fl. 212). 37. Valem aqui os argumentos expendidos no item 32, posto não restar comprovado que a autuada assumiu o ônus pelo pagamento. A contrario, ela alega na impugnação que não possuía os recursos necessários para honrar tal pagamento. f) R$ 24.218,44 documentos de fls. 213/215 38. Repetese aqui a situação verificada na alínea "e" anterior, com exceção da correspondência dirigida a ANSAC, que não foi apresentada, razão por que se adota a mesma conduta anterior. • Pagamentos à Rodrimar 41. Os pagamentos aqui envolvidos, são nos valores de RS 9.001.52, RS 49.964,01 (2 parcelas) e RS 5.198,22, os quais a contribuinte procurou comprovar por meio dos documentos de 227/228, que consistem. apenas, de autorizações de pagamentos a favor da empresa citada, nos valores arrolados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 139/141), com as respectivas cópias de cheques. 42. As justificativas apresentadas pela impugnante, apesar de esclarecerem a destinação dos pagamentos, não se fizeram acompanhar dos respectivos documentos fiscais que atestassem a prestação dos serviços que ensejaram tais pagamentos, ou de outros que permitissem o devido convencimento quanto à efetivação desses serviços. A correspondência de fl. 239, dirigida pela autuada ã empresa RODRIMAR. solicitando ta fiscal de serviço, não têm o condão de suprir essa deficiência documental. 43. Desse modo, revelase correto o procedimento. no tocante ã glosa dos valores contabilizados a titulo de pagamentos efetuados a empresa em tela. • Valor de R$ 76.609,71 57. A contribuinte diz que esta quantia se refere à la parcela da operação de desestiva do navio SANKO ROBUST paga à Pronave Agentes de Comercio Exterior Ltda., apresentando como comprovantes os documentos de fls. 272/275. Acrescenta que este item Fl. 761DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10821.000620/9998 Acórdão n.º 1402002.297 S1C4T2 Fl. 762 10 deve ser analisado em conjunto com os demais pagamentos efetuados à Pronave abordados no tópico "Pagamentos a Pronave". 58. De fato, verificase que no referido tópico encontrase incluída a glosa de importância idêntica. Quando da sua análise , nos itens 27 a 30 deste voto, concluiuse que os documentos apresentados pela contribuinte (fls. 195/198) achavamse aptos a comprovar o dispêndio ali discutido e a sua apropriação como despesa dedutivel. 59. Contudo, verificase que a repetição cio valor em comento no Termo de Verificação Fiscal de fls. 139/141. em outro tópico, ora abordado neste voto, se deve ao fato de que tal importância foi, igualmente, contabilizada em dois momentos, conforme atestam as fichas do Razão Analítico juntadas as fls. 08/15 dos autos. Examinando esses documentos, constatase que a importância em tela foi contabilizada na conta . "Serviços Terceiros PJ" em data de 30/11/97 (ft 10), e na conta "Descarga", em 30/10/97 (fl. 15). 60. A contribuinte, por seu turno, apresentou para comprovação dos dois tópicos, da autuação os mesmos documentos, quais sejam os de fls. 195/198 e 272/275. 61. Por mais que se admita trataremse de duas parcelas de igual valor, sendo uma paga em outubro e outra em novembro. a verdade é que a documentação trazida ao bojo dos autos se refere. tãosomente, a parcela de outubro. 62. Assim sendo, é de concluirse que a parcela contabilizada e não comprovada deve ser mantida na exigência. • Valor de R$ 15.317,98 63. A importância aqui discutida deve ser analisada sob a mesma ótica do pagamento efetuado a favor da empresa SUMA Assistência Técnica Aduaneira S.C. Ltda. no importe de RS 15.307,76 (itens 47 e 48 deste voto), na medida em que se trata, também, do somatório da vários recolhimentos relativos ao Adicional de Indenização do Trabalhador Portuário AITP devidos pela autuada, desta feita em relação ao navio "SANKO ROBUST . Ditos recolhimentos estão discriminados na correspondência da empresa SUMA dirigida empresa autuada (fl. 280). 64. Da mesma forma como foi decidido naquele tópico, é de entender se, também neste, que apesar da inexistência da fatura, os documentos juntados permitem concluir pela normalidade e efetividade dos dispêndios e seu vinculo com a atividade da empresa autuada. 65. Salientese que foram também juntados aos autos a autorização de pagamento de fl. 276 e a correspondência 11. 281 da empresa autuada dirigida ao Banco Bradesco autorizando o crédito da importância em questão a favor da empresa SUMA. 66. Assim, deve a importância aqui discutida ser excluída da exigência. 67. Tendo em conta as conclusões acima expostas, as glosas a serem consideradas passam a ser nos valores constantes do quadro a seguir. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10821.000620/9998 Acórdão n.º 1402002.297 S1C4T2 Fl. 763 11 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Lavrado o auto principal deverão ser também formalizadas as exigências decorrentes, dada a intima relação de causa e efeitos que as vincula. Transladase as autuações reflexas a mesma orientação decisória adotada quanto ao lançamento matriz. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. Cumpre ressaltar que não foi interposto Recurso de Ofício devido ao valor cancelado pelo v. acórdão "a quo" ser inferior ao previsto na legislação. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
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Numero do processo: 10825.720106/2010-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
EMBARGOS. OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES.
Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida.
COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool).
Numero da decisão: 3401-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para admitir o direito de crédito em relação aos gastos com combustíveis utilizados no transporte de empregados e de mão de obra na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar e álcool), vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao transporte de empregados/mão de obra e de resíduos, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto aos resíduos.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator Eloy Eros da Silva Nogueira
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OMISSÃO E OBSCURIDADE. EFEITOS INFRINGENTES. Deve ser acolhido o Embargo que aponta omissão e obscuridade, e que leva à necessidade de apreciar preliminar e matéria de mérito que implica em revisão da decisão recorrida. COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra na área do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou álcool). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para admitir o direito de crédito em relação aos gastos com combustíveis utilizados no transporte de empregados e de mão de obra na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar e álcool), vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, quanto ao transporte de empregados/mão de obra e de resíduos, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto aos resíduos. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 01 06 /2 01 0- 63 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente de Embargos ingressados nos termos do artigo 65 do RICARF em vigor, face o Acórdão n. 3401003.061 proferido por esta turma na sessão de 26 de janeiro de 2016, cuja Ementa ficou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CREDITOS A DESCONTAR. INCIDENCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INTERPRETAÇÃO COMPREENSIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. O arrendamento de um prédio, assim considerado uma construção (coisa acessória), não se dá de forma independente e autônoma, mas pressupõe o arrendamento de uma construção (coisa acessória) mais o bem imóvel sobre o qual a mesma foi erigida (coisa principal). Logo, se é lícito ao contribuinte descontar créditos com relação ao arrendamento de um todo que compreende o acessório mais o principal, acredito que não existem razões para se vedar o desconto de créditos quando se tratar de arrendamento de um bem imóvel sem acessão coisa principal, que é parte do todo. Por isso, não há como deixar de reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS não cumulativo Fl. 437DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10825.720106/201063 Acórdão n.º 3401003.205 S3C4T1 Fl. 3 3 e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10.627/2002 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Regra geral, considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) Despesas e custos relacionados às oficinas por unanimidade de votos, parcial provimento, nos termos do voto do relator; ii) Despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iii) Despesas relacionadas a armazenamento por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iv) Despesas de materiais elétricos e de materiais de construção usados na área agrícola por unanimidade de votos, negouse provimento, nos termos do voto; v) Despesas e custos com serviços de manutenção (i) das oficinas e (ii) dos armazéns pagos a pessoas jurídicas por maioria de votos, deuse parcial provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento em menor extensão; vi) Comissões e corretagens e gastos em venda e comercialização, pagas a pessoas jurídicas por unanimidade de votos, negouse provimento; vii) Despesas de transporte Fl. 438DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 pagos a PJ Por maioria de votos, deuse provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; viii) Despesas com aluguel de veículos por unanimidade, negouse provimento; ix) Despesas com aluguel e arrendamento rural PF e PJ por maioria de votos, deuse parcial provimento para os valores pagos a pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira para redigir o voto vencedor; x) Despesas portuárias, despesas com armazenagem e despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso; xi) Despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. O recurso alega que houve omissão e/ou obscuridade com relação á seguinte matéria: glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Este processo cuida de pedido de ressarcimento da contribuição social e das Declarações de Compensação a ele vinculadas, por meio dos quais a contribuinte requer, primeiramente, reconhecimento de créditos da contribuição social em comento, do regime não cumulativo (PIS ou COFINS mercado externo nos termos do art. 3o da Lei n. 10.627/2002 e Lei n° 10.833/2003). A contribuinte alega possuir créditos no período de apuração, referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. A auditoria fiscal propôs glosas, confirmadas pela autoridade administrativa no Despacho Decisório, que, somadas, reduziram o pretendido e solicitado pelo contribuinte DISPONÍVEL para as compensações. E concluíram não existir saldo disponível para o ressarcimento tratado neste processo. Após apreciar a manifestação de inconformidade, os Julgadores de 1º piso não acolheram as alegações da contribuinte e mantiveram as glosas fiscais. Este colegiado apreciou o recurso voluntário e, na sessão de 26 de janeiro de 2016, decidiu darlhe parcial provimento. Senhores Conselheiros, proponho que analisemos a matéria questionada nos Embargos, e dessa maneira verifiquemos a existência da omissão ou da obscuridade aventada e, se admitida, passemos à apreciação do mérito. Creio que nesse andar, conjugando a decisão de admissão do recurso com a decisão de mérito da matéria, ganharemos em eficiência e objetividade. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10825.720106/201063 Acórdão n.º 3401003.205 S3C4T1 Fl. 4 5 Matéria: glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte. A autoridade fiscal firmou seu entendimento de que insumo, utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, compreende “a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam, incluídos no ativo imobilizado (IN 404/04, art. 8o, § 4o c/c § 9o)”. Além desse entendimento, adotado como critério para a glosa, a autoridade fiscal glosou também as despesas relacionados a centros de custos que não estavam diretamente vinculados á produção e fabricação dos produtos vendidos. Nesse conjunto, estavam os gastos com combustíveis usados no transporte. A contribuinte trouxe ao contraditório as razões por que defende a legalidade e correção dos créditos apurados a partir desses gastos. Em resumo: sobre as despesas com combustíveis que os combustíveis foram adquiridos para o transporte do produto para exportação e que são indispensáveis à atividade agroindustrial. Argumenta que não há como se negar que a atividade agroindustrial integrada demanda grandes espaços, e, por isso mesmo, uma movimentação muito grande de máquinas e veículos, seja na colheita e nos transporte de matériaprima dos fundos agrícolas para a indústria, seja no transporte de máquinas, equipamentos e, sobretudo, adubos e produtos químicos aos diversos fundos agrícolas onde são aplicados. Sem mencionar o transporte da mão de obra que é indispensável em todo o processo de plantio, tratos culturais, colheita e industrialização. Em decorrência da necessidade de constante vigilância das lavouras, em todo o seu estágio, são necessárias diligências diárias aos diversos fundos agrícolas por agrimensores, agrônomos e demais empregados qualificados para a finalidade de tratar da cultura. E que todo esse transporte se faz em sua grande parte por meio de veículos próprios e de terceiros movidos à gasolina ou álcool ou, na hipótese de ônibus, óleo diesel. Sem combustível, portanto, não há como se conceber o plantio, os tratos culturais, a colheita, o transporte e, por fim, a industrialização da canadeaçúcar. ... resta patente que os combustíveis se consubstanciam em verdadeiro insumo de produção intrinsecamente ligados ao processo agroindustrial e, conseqüentemente, à atividade da Recorrente. Os julgadores de 1ºpiso, sobre combustíveis utilizados no transporte, decidiram que a legislação equiparou os combustíveis aos demais bens considerados como insumos, desde que aqueles também sejam utilizados diretamente no processo produtivo, de fabricação do açúcar e do álcool destinado à venda. Portanto, em seu entendimento, não haveria que se falar em creditamento na aquisição de combustíveis utilizados no transporte da produção para a exportação ou mesmo da mãodeobra utilizada no processo agrícola, como pleiteou expressamente a recorrente. A aquisição de combustíveis geraria direito a crédito Fl. 440DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. No caso, não aceitaram as alegações da contribuinte. Essa matéria foi contraditada novamente pela contribuinte, vindo para julgamento da 2ª instância. No voto do Conselheiro relator constaram as seguintes considerações e decisões a respeito dessa matéria: Sobre as despesas e custos relacionados às oficinas (a) Depreendo, portanto, que as despesas com combustíveis, lubrificantes, consumo de água, materiais de manutenção e materiais elétricos nas oficinas de serviços de limpeza operativa, de serviços auxiliares, de serviços elétricos, de caldeiraria e de serviços mecânicos e automotivos para as máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo produtivo da canadeaçúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, atendem ao critério para caracterização como insumos. (b) CONTUDO, as despesas relacionadas aos centros de custos: "Diretoria Industrial/Administração planejamento", "Manutenção Conservação Civil" e "brigada de incêndio", "Central de ar condicionado", "Serviços Auxiliares", Funcionários afastados industrial, incentivo vale transporte industrial , não têm demonstradas pela recorrente a sua característica de insumo e a sua vinculação com o processo de produção propriamente dito e com os produtos vendidos. Por falta de comprovação e previsão legal, entendo que as glosas devem ser mantidas. Proponho dar PARCIAL provimento ao recurso neste item. (GRIFOS ACRESCIDOS) Sobre as despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar Com a mesma razão anteriormente exposta, entendo que atendem aos critério para caracterização como insumo as despesas e custos com combustíveis, consumo de água e materiais elétricos para emprego nas atividades: balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório teor de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção e armazenagem; transporte industrial; tratamento do caldo; captação de água; rede de restilo; refinaria granulado. Proponho dar provimento ao recurso neste item. (GRIFOS ACRESCIDOS) Como se vê, o voto tratou da matéria, propondo provimento ao recurso quanto a este ítem. Contudo, no desdobrar da sessão, faltou a apreciação dos Conselheiros sobre a seguinte parte do voto do relator, com considerações e proposição diretamente vinculadas a essa matéria. Vejamos: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10825.720106/201063 Acórdão n.º 3401003.205 S3C4T1 Fl. 5 7 Glosa das despesas de transporte pagos a PJ e dos gastos relacionados a transportes a autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que essas despesas não podem ser consideradas insumo e não podem gerar credito na apuração da contribuição em questão. Consultei os documentos que instruem este processo, as planilhas demonstrando a apuração das receitas, as despesas e os centros de custos e, nelas, vejo dois tipos de categorias de serviços de transporte: 1º) as que se referem a transporte de empregados e de mão de obra no contexto do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou alcool); 2º) as que se referem a transporte de produtos acabados e os serviços de transporte que não se relacionam diretamente com as atividades de cultivo, colheita e tratamento da cana de açúcar e de seus subprodutos, antes da obtenção do produto final açúcar ou alcool. Nesse ponto, entendo que razão assiste à recorrente quando se trata da primeira categoria acima, de gastos e custos agrícolas, pois elas se referem a serviços e insumos necessários ao processo de produção da cana e seus derivados, e também transporte de pessoal no âmbito das colheitas, e, a meu ver, guardam relação direta com a produção de cana de açúcar. Mas entendo que razão não lhe assiste quanto ao segundo grupo de despesas acima indicado, pois não guardam relação direta com o processo de produção da cana, de seus derivados, e também com a fabricação de açúcar e alcool. Entendo que a glosa deve ser mantida para essa segunda categoria, pois não se trata de insumo necessário tendo em vista as especificidades do processo da colheita de cana de açúcar, nem se enquadram na previsão para obtenção de créditos a partir de despesas de transporte. Proponho dar PARCIAL provimento ao recurso neste aspecto. A meu ver, o texto do Acórdão recorrido traz obscuridade que deve ser sanada, para que fique expresso e julgado o entendimento de que os gastos com combustíveis usados no transporte podem gerar crédito nos termos que constam do voto, o que justificam dar parcial provimento ao recurso voluntário neste item. Por essas razões, proponho seja admitido, conhecido e apreciado este Embargo, e no mérito passe a constar do Acórdão recorrido o entendimento favorável ao provimento PARCIAL do recurso neste item. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 CONCLUSÃO FINAL Seja acolhido o Embargo para dar PARCIAL provimento ao recurso voluntário na matéria glosa dos gastos com combustíveis usados no transporte, e que essa decisão altere o que consta como dispositivo conclusivo do Acórdão recorrido, com efeitos infringentes, cuja Ementa passa ser acrescida do seguinte: COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. CONSUMIDOS NO TRANSPORTE DE MÃO DE OBRA E DE INSUMOS E BENS PARTES DO PROCESSO DE CULTIVO E PRODUÇÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Fazem jus a crédito os dispêndios com combustíveis que se referem a transporte de empregados e de mão de obra no contexto do cultivo e colheita da cana de açúcar, transporte aéreo para aplicação de produtos na área cultivada, transporte de resíduos, transportes nas atividades de colheita e na fase de tratamento da cana e dos subprodutos da cana, antes da obtenção do produto final (açúcar ou alcool). Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 443DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10865.904936/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.353
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 36 /2 01 2- 37 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.264. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904936/201237 Acórdão n.º 3201002.353 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 118DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 15215.720205/2013-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL-MPF. EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. IRREGULARIDADE. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. DISPENSA DE MPF.
As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo; ademais, nos casos de pluralidade de autuados, não se exige um MPF para cada um dos responsáveis tributários.
PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. LANÇAMENTO. INCLUSÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS. VALIDADE.
Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no polo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa.
DEPOIMENTO TOMADO NA REPARTIÇÃO PÚBLICA. AUSÊNCIA DE ADVOGADOS. VALIDADE.
É válido como prova esclarecimento ou depoimento tomado na repartição pública, mesmo sem a presença de advogado, devendo, como qualquer prova, ser valorada pela autoridade julgadora, à vista dos demais elementos de prova constantes dos autos.
DEPOIMENTOS. VALORAÇÃO DA PROVA. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA.
A consideração de depoimentos e documentos se insere na atividade de valoração da prova, a cargo do órgão julgador, não podendo ser tomada como cerceamento de defesa, desde que o convencimento seja motivado.
ADMINISTRADORES DE PESSOAS JURÍDICAS. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO OU ESTATUTO. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE.
Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigam-se solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum.
USO DE DOCUMENTOS FISCAIS PERTENCENTES A EMPRESA DE EXISTÊNCIA PURAMENTE FORMAL. DOLO.
O uso de documentos fiscais pertencentes a empresa de existência meramente formal, inexistente de fato, caracteriza por si só o dolo, porquanto a intenção de lesar a terceiros é intuitiva, emergindo da própria conduta considerada nos seus aspectos objetivos.
MULTA. ABUSIVIDADE. GRADAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O exame da alegação de abusividade da multa é vedado no processo administrativo, pois implicaria exame de constitucionalidade da norma legal; e a gradação da multa é impossível ante a falta de previsão na lei que cominou a penalidade.
IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO.
Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. IRREGULARIDADE. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. DISPENSA DE MPF. As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo; ademais, nos casos de pluralidade de autuados, não se exige um MPF para cada um dos responsáveis tributários. PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. LANÇAMENTO. INCLUSÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS. VALIDADE. Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no polo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa. DEPOIMENTO TOMADO NA REPARTIÇÃO PÚBLICA. AUSÊNCIA DE ADVOGADOS. VALIDADE. É válido como prova esclarecimento ou depoimento tomado na repartição pública, mesmo sem a presença de advogado, devendo, como qualquer prova, ser valorada pela autoridade julgadora, à vista dos demais elementos de prova constantes dos autos. DEPOIMENTOS. VALORAÇÃO DA PROVA. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. A consideração de depoimentos e documentos se insere na atividade de valoração da prova, a cargo do órgão julgador, não podendo ser tomada como cerceamento de defesa, desde que o convencimento seja motivado. ADMINISTRADORES DE PESSOAS JURÍDICAS. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 02 05 /2 01 3- 90 Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.221 2 LEI, CONTRATO OU ESTATUTO. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE. Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigamse solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum. USO DE DOCUMENTOS FISCAIS PERTENCENTES A EMPRESA DE EXISTÊNCIA PURAMENTE FORMAL. DOLO. O uso de documentos fiscais pertencentes a empresa de existência meramente formal, inexistente de fato, caracteriza por si só o dolo, porquanto a intenção de lesar a terceiros é intuitiva, emergindo da própria conduta considerada nos seus aspectos objetivos. MULTA. ABUSIVIDADE. GRADAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 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Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.222 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por JOSÉ DE ALMEIDA MACHADO, já qualificado nos autos, contra o Acórdão nº 1661.324 da 7ª Turma da DRJ São Paulo, que, negando provimento à impugnação, manteve integralmente o lançamento feito contra Nova Esperança Comércio de Café Ltda., Olímpio Ferreira Neto, Ronald Ferreira, Geraldo Ferreira e o próprio recorrente, que figuram no polo passivo como devedores solidários. A ação fiscal que culminou no lançamento impugnado teve origem com a notícia da apreensão de documentos no estabelecimento da empresa José de Almeida Machado & Cia Ltda., cujo nome comercial era Cafeeira José do Flor, e que pertencia ao recorrente. Entre os documentos apreendidos, havia alguns que eram da empresa individual O. F. Neto ME e outros, da sociedade empresária Nova Esperança Comércio de Café Ltda. Pertenciam a O. F. Neto ME: a) extratos bancários do período de 08/04/2010 a 28/05/2010 referente à conta nº 12.0200, da agência 32190, do Sicoob Credcooper; b) conhecimentos de transporte e faturas da empresa Transquality Transportes Ltda., CNPJ nº 65.185.472/000454, relativos a vendas realizada por O. F. NETO ME; e c) um livro de capa preta, sem título, contendo folhas numeradas tipograficamente de 01001 a 01100, utilizado para controle de venda de café. No livro, chamado pela Fiscalização de “Livro de Controle de Vendas”, estavam escrituradas à mão as folhas 01001 a 01032, relativas ao período de 04/05/2010 a 27/05/2010. Dentro do livro foi encontrada uma fita de máquina de somar com os cálculos do valor de cada venda e recorte da parte do extrato da conta bancária da empresa O. F. NETO ME, onde constavam os depósitos respectivos. As datas e os valores coincidiam com os depósitos na conta de O. F. NETO ME. Pertenciam à empresa Nova Esperança Comércio de Café Ltda. os seguintes documentos: a) relações de notas fiscais de aquisição de café pela Nova Esperança Comércio de Café Ltda., que haviam sido entregues à Administração Fazendária de Inhapim e Caratinga, ambos municípios do Estado de Minas Gerais; b) contratos de venda de café nº 464, 466, 469, 471, 475, 478, 484 e 608 (este último não assinado), denominados “contrato de compra e venda a fixar Nova Esperança Comércio de Café Ltda”, tendo sempre como comprador a empresa Volcafé Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 61.100.772/000785 e como vendedor Nova Esperança Comércio de Café Ltda.; e Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.223 4 c) dezenas de notas fiscais emitidas por Nova Esperança Comércio de Café Ltda., referentes a aquisições de produtores rurais, bem como algumas notas fiscais de saída de mercadorias dessa empresa. A Fiscalização ouviu Olímpio Ferreira Neto, titular da O. F. Neto ME e sócio da Nova Esperança Comércio de Café Ltda. Disse o declarante que: "...inicialmente JOSÉ DO FLOR (apelido de José de Almeida Machado) estava em má situação financeira e atuava como corretor, combinando a compra e após o consentimento dos sócios da NOVA ESPERANÇA, principalmente PAULO, a compra era fechada. Após o pagamento ser feito a mercadoria era geralmente transportada para o comprador final, pois a NOVA ESPERANÇA não atuou com armazém; e. QUE inicialmente JOSÉ DO FLOR ganhava entre R$ 1,00 e R$ 0,50 por saca vendida, por seu trabalho como corretor. Após aproximadamente um ano JOSÉ DO FLOR virou sócio da empresa, apesar disso não constar no contrato social. Após isso ele passou a negociar por conta própria e utilizava a NOVA ESPERANÇA para guiar o café, porque ele não tinha empresa própria para isso. Essa forma de trabalho durou até o final de 2009. Nessa época OLÍMPIO e seu sócio PAULO praticamente pararam de comprar café através de JOSÉ DO FLOR; f. Que é o titular da firma individual O. F. NETO ME, CNPJ 10.359.876/000182, constituída em 09/04/2008. Nessa época tinha a intenção de utilizar a empresa efetivamente, mas não pôde por falta de condições financeiras. Por isso a empresa ficou parada até meados de 2010; g. QUE em meados de 2010 encontrouse com JOSÉ DE ALMEIDA MACHADO, conhecido como JOSÉ DO FLOR, que lhe perguntou se o depoente não tinha uma empresa que poderia ser utilizada por ele para guiar o café; h. QUE após negociações aceitou ceder a empresa para JOSÉ DO FLOR recebendo por isso R$ 3.000,00 por mês; i. QUE não passou procuração da O. F. NETO ME e por isso constantemente assinava diversos cheques dessa empresa. j. QUE foi em Caratinga juntamente com um sobrinho de JOSÉ DO FLOR chamado LUCIANO DE ALMEIDA abrir uma conta no SICOOB; k. QUE o depoente não tinha o cartão magnética da conta da O. F. NETO ME ou sua senha de movimentação pela internet, que estava em poder do LUCIANO, responsável pela parte financeira do JOSÉ DO FLOR; l. QUE reconhece sua assinatura no documento de constituição da O. F. NETO ME; m. QUE jamais explorou a O. F. NETO ME." (g.n.) Foi ouvido também o antigo sócio da Nova Esperança Comércio de Café Ltda., Ronald Ferreira, que assim se manifestou: a. QUE a partir de 2007 trabalhou na MILA CORRETORA, que comercializava café, como ajudante geral, ganhando por volta de um salário mínimo mensal. Ficou lá por volta de um ano e meio, após isso passou a trabalhar como Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.224 5 changueiro, que significa carregar café em caminhões. Seu chefe era GERALDO FERREIRA, seu tio. Além dele, a MILA trabalhava com outros corretores de café; b. QUE foi sócio da NOVA ESPERANÇA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, CNPJ 07.114.595/000155 de 20/04/2007 até 18/09/2007. QUE reconhece sua assinatura na terceira alteração contratual, que lhe foi exibida na ocasião; c. QUE não pagou qualquer valor pela participação do seu tio GERALDO FERREIRA nessa sociedade, e desconhece qualquer pagamento que tenha sido feito pela participação; d. QUE conhecia PAULO JOSÉ DE OLIVEIRA de seu trabalho como corretor de café na Baixada e na MILA; e. QUE também conhecia JOSÉ MARTINS VELOZO e acredita que ele também trabalhasse com comércio de café; f. QUE os dois, PAULO JOSÉ e JOSÉ MARTINS, lhe propuseram que assinasse como sócio da empresa NOVA ESPERANÇA com a promessa de um pagamento mensal, que seria de acordo com o volume de sacas de café negociadas. QUE até 20 (vinte) mil sacas mensais receberia R$ 5.000,00 reais e a partir de 20 (vinte) mil sacas receberia dez mil reais mensais; g. QUE por esse acordo não administraria a sociedade de fato ou faria corretagem de café, apenas assinaria os documentos da empresa; h. QUE sabia que essa empresa era usada pelo JOSÉ DE ALMEIDA MACHADO, conhecido como JOSÉ DO FLOR, ou JOSÉ DE ALMEIDA, da CAFEEIRA ZÉ DO FLOR, para comprar e vender café. QUE toda a movimentação da empresa era feita em São Domingos das Dores. QUE desconhece outras pessoas que usaram essa empresa; (g.n.) i. QUE abriu contas da empresa no Banco do Brasil e SICOOB de Inhapim, e assinava todos os documentos bancários da empresa: cheques, DOCs, TEDs, mas não acessava eletronicamente a movimentação bancária da empresa; j. QUE durante esse tempo residia em Manhuaçu e os documentos lhe eram trazidos por JOSÉ DO FLOR, seus sobrinhos LUCIANO DE ALMEIDA e ERLY ou até motoboys para que fossem assinados; k. QUE durante esse tempo continuou trabalhando na MILA; l. QUE a contabilidade da empresa estava com MÁRCIA MOREIRA PACHECO, da CONTABILIDADE PACHECO; m. QUE não estava recebendo o valor combinado mensal, e sim mil reais por mês. QUE chamou o ZEZÃO, como era conhecido JOSÉ MARTINS VELOSO e o JOSÉ DO FLOR e pediu para sair da sociedade. QUE assim foi feito e saiu da sociedade; n. QUE reconhece sua assinatura nos contratos de venda para a VOLCAFÉ LTDA, CNPJ 61.100.772/000785, que lhe foram exibidos nesta ocasião, mas não se recorda de têlos assinado. QUE jamais negociou café com a VOLCAFÉ; o. QUE se recorda que em 2009 assinou documento para resgatar a cota da empresa no SICOOB, a pedido de JOSÉ DO FLOR e ERLY. Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.225 6 Quanto ao livro apreendido pela Polícia Federal, a Fiscalização fez a seguinte avaliação: 8. A primeira folha do Livro de Controle de Vendas, de n. 1001, é bastante comprometedora: registra uma venda feita pelo próprio José de Almeida para a firma A. M. ALVES em 05/05/2010 e quitada por depósito na conta da fiscalizada em 10/05/2010. A última folha, de n. 1032, se refere a venda feita no dia 27/05/2010 e quitada em 02/06/2010. (...) 10. No período abrangido pelo Livro de Controle de Vendas, entre 05/05/2010 e 02/06/2010, a O. F. NETOME recebeu em sua conta R$ 5.757.433,10 via TED. Desse total, R$ 4.312.491,31 são referentes a vendas anotadas no Livro de Controle apreendido em poder do Sr. José de Almeida. Cabe notar que os demais depósitos via TED desse período, que não constam do Livro de Controle, ocorreram entre 05/05 e 13/05, indicando que não estão no Livro porque provavelmente foram quitadas alguns dias após o negócio, sendo esse intervalo entre a negociação e quitação usual nesse ramo. Desconsiderados esses depósitos feitos entre 05/05 e 13/05, todos os demais estão anotados no Livro de Controle. A planilha n° 2 traz na coluna intitulada “Pág.L.Vendas” a página do Livro de Controle correspondente ao depósito efetuado na conta da O. F. NETO ME. A inspeção visual dessa planilha mostra claramente que a partir de 13/05 toda movimentação da conta da fiscalizada tinha correspondência no Livro de Controle. (g.n.) Ouvido, ainda durante o procedimento de fiscalização, José de Almeida Machado negou as acusações, dizendo que atuou apenas como corretor de café. Disse que os documentos apreendidos em sua empresa foram deixados pelo titular da O. F. NETO ME, para depois serem apanhados. Isto teria acontecido porque deveriam continuar viagem e não voltar a Manhuaçu, quando encontraram o recorrente no trajeto. A Fiscalização concluiu: 17. As informações colhidas por esta fiscalização mostram que a O. F. NETO ME foi criada com o intuito de “guiar o café”. Por “guiar o café” entendese que o comerciante compra o café de um produtor, e indica que este produtor de café procure uma empresa que emitirá uma nota para acobertar aquela operação. Destaquese que o produtor também não aceita vender direto para o exportador, para não fazer o recolhimento dos tributos. Porém esta empresa que emite a nota pertence a um “laranja”, e esta empresa não irá fazer o recolhimento dos tributos ligados àquela operação. 18. Tais empresas “laranjas” abundam às dezenas nesse ramo, servindo unicamente para acumular dívidas perante o Fisco que jamais serão pagas. Tipicamente essas empresas funcionam por alguns meses e depois sua movimentação cessa, com o comerciante passando a utilizar uma outra empresa. Esse é o caso da NOVA ESPERANÇA LTDA e da O. F. NETO ME, como se ilustra no quadro a seguir. Notase que a movimentação financeira da NOVA ESPERANÇA diminuía enquanto a O. F. NETO ME aumentava a sua, até que em Junho/2010 a movimentação da O. F. NETOME foi interrompida pela operação da Polícia Federal. Fundada nessas conclusões, a autoridade fiscal lavrou autos de infrações para exigir IRPJ, CSLL, PIS e Cofins das seguintes pessoas: Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.226 7 a) O. F. Neto ME e, como devedores solidários, Olímpio Ferreira Neto e José de Almeida Machado. b) Nova Esperança Comércio de Café Ltda. e, como devedores solidários, Olímpio Ferreira Neto, Ronald Ferreira, Geraldo Ferreira e José de Almeida Machado. As receitas consideradas para fins de autuação, em ambos os casos, foram obtidas junto à Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais. Entre os autuados, somente José de Almeida Machado apresentou impugnação, à qual a 7ª Turma da DRJ São Paulo negou provimento, pelo Acórdão nº 16 61.323, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Indeferese a produção de prova pericial, porque não observada a forma prescrita em Lei e por não restar configurada situação a exigir conhecimentos técnicos ou científicos especializados para o deslinde da questão. NULIDADE. MPF. RESPONSÁVEL. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF somente se justifica perante a pessoa física ou jurídica a ser objeto de fiscalização. Os responsáveis tributários apurados no curso do procedimento fiscal devem ser incluídos no pólo passivo do lançamento. NULIDADE. DEPOIMENTOS. PRESENÇA DE ADVOGADOS. Os órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, no uso de suas atribuições legais, podem solicitar informações e esclarecimentos ao sujeito passivo ou a terceiros, sendo as declarações, ou a recusa em prestálas, lavradas pela autoridade administrativa e assinadas pelo declarante. No processo administrativo, dado o princípio da informalidade, o administrado pode, ou não, se fazer acompanhar por advogado, a depender de sua exclusiva escolha. NULIDADE. RMF. INDISPENSABILIDADE. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, pode examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.227 8 Os exames são considerados indispensáveis quando houver negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira, e a presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional pro decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal STF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Configuram interesse comum e administração de fato dos empreendimentos a ensejar a inclusão do responsável no polo passivo do lançamento, a movimentação de recursos próprios em conta corrente da fiscalizada, e a apreensão, em estabelecimento do responsável, de registros de controle das operações de vendas, de extratos de movimentação financeira, para controle do recebimento do faturamento, e dos correspondentes conhecimentos de transporte. Não resignado, José de Almeida Machado interpôs recurso ao CARF. De plano, o recorrente solicitou a reunião dos processos 15215.720205/2013 90 e 15215.720152/201315, o primeiro tendo como interessado Nova Esperança Comércio de Café Ltda.; o segundo, O. F. Neto ME. A razão do pedido era a identidade fática e a circunstância de o recorrente ter sido, em ambos os casos, designado como responsável tributário. Antes de adentrar no exame dos lançamentos, frisou o recorrente que os reais beneficiários da fraude foram Olímpio Ferreira Neto e suas empresas, O. F. Neto ME e Nova Esperança Comércio de Café Ltda. Por outro lado, o valor lançado seria muito superior ao seu patrimônio. Quanto aos lançamentos, alegou, preliminarmente, que imputar responsabilidade tributária a terceiro é matéria inerente à execução fiscal e compete apenas à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, não cabendo à autoridade lançadora fazer incursões nesse terreno. Haveria também nulidade da ação fiscal e do processo administrativo, uma vez que inexiste mandado de procedimento fiscal MPF específico para fiscalizar o recorrente. Nenhuma fiscalização pode ter início sem a prévia expedição do MPF. Outro fato a induzir nulidade do procedimento administrativo é que tanto o lançamento, quanto a decisão de primeira instância basearamse em provas ilícitas, pois reconheceram a validade de depoimentos tomados pelos agentes da Receita Federal, no interior Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.228 9 da repartição, sem a presença de advogados e de testemunhas. Não teria havido nem mesmo a advertência aos depoentes de que eles tinham direito a advogado. O procedimento atenta contra o devido processo legal. Por essa razão, pede o recorrente a nulidade do feito e, subsidiariamente, o desentranhamento da prova. Teria havido também cerceamento de defesa, porque não foi levado em consideração o depoimento de Paulo José de Oliveira, que fazia parte da administração da Nova Esperança Comércio de Café Ltda., o qual afirmara não conhecer o recorrente. Porém, contraditoriamente, não foram levadas em conta as afirmações de Paulo José de Oliveira, mas se consideraram verdadeiras as de Olímpio Ferreira Neto, que era parte interessada. Para completar o cerceamento de defesa, a Receita Federal, embora de posse de autorização judicial para quebra do sigilo bancário de O. F. Neto ME e de Nova Esperança Comércio de Café Ltda., não tomou providências nesse sentido. A falta de investigação de outras pessoas resultou em prejuízo para o recorrente. Frisou, a propósito, que as empresas de Olímpio Ferreira Neto sempre trabalharam da mesma forma. No campo ainda das preliminares, acusou o recorrente que lhe foi exigida uma prova impossível, pois a Receita Federal o intimou a apresentar livros e documentos dos quais ele não tinha, nem poderia ter a guarda, pois se tratava de livros e documentos das empresas de Olímpio Ferreira Neto. No mérito, o recorrente tentou mostrar que o verdadeiro fraudador era Olímpio Ferreira Neto. Fez um relato minucioso de suas empresas. Eram várias, todas estabelecidas nos mesmos endereços, e a administração sempre a cargo das mesmas pessoas. Tudo isso, diz o recorrente, desmerece o depoimento de Olímpio Ferreira Neto dado à Receita Federal. O recorrente teria exercido a profissão de corretor de café. Comprava o produto na origem, do produtor rural, por ordem e risco das empresas de Olímpio Ferreira Neto, as quais funcionavam como "testa de ferro" das grandes empresas exportadoras ou fabricantes de alimentos. Para responsabilizar o recorrente a Receita Federal tomou como base falsas declarações, em depoimentos prestados dentro da repartição fiscal, pelos principais interessados. Assim, as declarações de Olímpio Ferreira Neto não podem ser tomadas como prova, porque com elas o declarante pretendeu se eximir de suas responsabilidades. Olímpio é dono de um grupo empresarial formado por nove empresas todas dedicadas ao comércio de café, alternando os mesmos endereços. As empresas que a Fiscalização sustenta pertencerem ao recorrente continuaram a funcionar, mesmo durante sua prisão. O recorrente é produtor rural e corretor de café. Afirmou que foram apreendidos vários documentos, mas só foram considerados pela Fiscalização os que poderiam lhe prejudicar. Nesse sentido, invoca o princípio da indivisibilidade da prova documental, previsto no parágrafo único do art. 373 do antigo Código de Processo Civil. Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.229 10 A propósito da relação que o recorrente mantinha com as empresas de Olímpio Ferreira Neto, disse que não lhe fora outorgado qualquer poder para a prática de atos em nome das empresas O. F. Neto ME e Nova Esperança Comércio de Café Ltda. Buscando explicar os motivos pelos quais os documentos das empresas de Olímpio Ferreira Neto estavam em seu poder, disse o recorrente: O fato é que o corretor Zé do Flor teve acesso à parte de documentos da empresa de Olímpio, para conferir as compras de café que tinha feito a produtores rurais da região, tomando conhecimento dos pagamentos e, com tais informações, recebendo e conferindo o valor de suas comissões. E, como informou Olímpio em seu depoimento à RFB, as compras de café da O. F. Neto e da NOVA ESPERANÇA eram fechadas após o consentimento dos sócios destas. Por questão de economia e praticidade, em muitos casos, o café corretado por Zé do Flor era transportado diretamente da propriedade rural do vendedor para a empresa que o havia comprado da O. F. Neto ou da NOVA ESPERANÇA. Este procedimento justifica que algumas notas fiscais, conhecimentos de carga e documentos (não todos) da NOVA ESPERANÇA e da O. F. NETO ficassem provisoriamente em poder do corretor, ocasião em que foram apreendidos pela PF. Ainda, a posse provisória de tais documentos se justifica em razão de não ser razoável fazer seguidas viagens até a sede das duas empresas de Olimpio em Manhuaçu/MG para emissão de cada uma das notas fiscais do café corretado por Zé do Flor, que se encontrava na região de Inhapim e S. Domingos da Dores. (g.n.) Disse ainda que foram apreendidos em seu poder poucos documentos da O. F. Neto ME e da Nova Esperança Comércio de Café Ltda. Se o recorrente fosse o "sócio oculto" ou o "laranja", em seu poder estariam todos os documentos e não apenas alguns. A posse desses documentos se deve à sua profissão de corretor. Acerca dos documentos de O. F. Neto ME e Nova Esperança, encontrados em seu poder, o recorrente explicou: Presumivelmente tais documentos devem ter sido deixados e/ou esquecidos por um dos sócios e/ou prepostos da O. F. NETO e da NOVA ESPERANÇA no estabelecimento do impugnante, quando, em viagem, eles por lá passaram, para reavêlos na volta. Só que ou não retornaram ao estabelecimento antes da apreensão pela PF, ou adiaram injustificadamente o retorno de tais documentos ao escritório de contabilidade em Manhuaçu. O mesmo, também presumivelmente, ocorreu quanto às diversas "RELAÇÃO DE NOTA FISCAL MOD. 1 ENTREGUE" e "RELAÇÃO DE SÉRIE E ENTREGUE NA AF DE INHAPIM", que são apenas o comprovante de que as notas fiscais emitidas por produtores rurais da região foram entregues à repartição fiscal estadual, como determinava a legislação vigente. Estes documentos não são nem mesmo contabilizados e sua guarda se presta exclusivamente à sua apresentação ao fisco estadual, quando exigida. Justifica também a presença de tais documentos na empresa de Zé do Flor, o fato deste ser corretor da NOVA ESPERANÇA e de O. F. NETO e, nesta condição, efetuar compra de café para estas empresas. Só que como elas não tinham armazém na região em de Inhapim/S. Domingos da Dores (tem 7 do Depoimento de Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.230 11 Olimpio Anexo 1 ao Relatório Fiscal), onde o recorrente para elas trabalhava como corretor, as duas empresas emitiam notas fiscais para acobertar o café até os estabelecimentos dos compradores destinatários (grandes comerciantes de café, industriais ou exportadores), de modo que o produto saía do produtor rural diretamente para os compradores destinatários. (g.n.) Ressaltou que o corretor se obrigava a manter controle sobre os pagamentos ao produtor do café. Disse também que os documentos apreendidos confirmam sua condição de corretor. O recorrente entende que os documentos intitulados "notas de pesagem de café", apreendidos pela Polícia Federal, comprovariam o exercício da atividade de corretor. Já os conhecimentos de transporte da empresa Transquality, por serem em pequena quantidade, não provam a ligação do recorrente com O.F. Neto ME e com Nova Esperança. Se o recorrente fosse o sócio oculto ou o responsável pelas operações estariam em seu poder todos as notas fiscais e todos os conhecimentos de transporte. Quanto à movimentação financeira, afirmou o recorrente: a) Todos os cheques foram assinados por Olímpio ou por seu irmão/primo Ronald; b) o recorrente jamais assinou qualquer documento de movimentação bancária das duas empresas (cheques, depósitos, TEDs, etc) e não foi ele que abriu e fechou tais contas. c) Zé do Flor teria movimentado as contas utilizando o cartão magnético. Só que nos extratos bancários não existe nenhuma transação com o uso do referido cartão. (fl. 966) Quanto ao livro de controle de pagamentos de O. F. Neto ME, afirmou que estava provisoriamente em seu poder. Tratase do livro de controle de operações da empresa, no qual está registrada uma única venda de café do recorrente para O. F. Neto ME. As demais folhas do livro contêm registros de compras de café efetuadas por O. F. Neto ME. Registram também os depósitos feitos pelos compradores (indústrias e exportadores) na conta bancária daquela empresa. A posse provisória do livro se justifica pela necessidade que o recorrente, como corretor, tinha de: a) conferir se haviam sido feitos corretamente aos produtores rurais da região os pagamentos das compras de café por ele realizadas. Como dito, da correção dos pagamentos dependiam as negociações futuras. b) calcular e receber as comissões de O. F. Neto ME e de Nova Esperança, empresas para as quais fazia a corretagem de café. O recorrente acusou também a inconsistência do relatório de procedimento fiscal. Quanto à solidariedade tributária, disse estar ausente o interesse comum. Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.231 12 A solidariedade prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional CTN decorre da existência de um mesmo interesse jurídico na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Nesse sentido, o E. Superior Tribunal de Justiça STJ acolheu a tese de que a solidariedade só pode ser reconhecida quando o fato gerador for realizado conjuntamente pelas partes interessadas. O recorrente não é, nem foi sócio das empresas fiscalizadas. Não exerceu qualquer poder inerente à condição de sócio ou de procurador, seja da Nova Esperança Comércio de Café Ltda. ou da O. F. Neto ME. Não movimentou contas bancárias, nem praticou qualquer ato de gestão nas referidas empresas. Ademais, a Fiscalização utilizou a teoria da desconsideração da personalidade jurídica, sem atentar para o fato de que a desconsideração produz efeitos apenas para os sócios, e o recorrente jamais foi sócio da Nova Esperança Comércio de Café Ltda. ou da O. F. Neto ME. Posteriormente, em nova manifestação contrária ao lançamento, o recorrente alegou que a Fiscalização não demonstrou onde o recorrente depositara ou guardara todo o dinheiro decorrente do faturamento das duas empresas. Disse que o recorrente não se beneficiou das irregularidades tributárias praticadas por Nova Esperança Comércio de Café Ltda. ou da O. F. Neto ME. Ressaltou que para a atribuição de responsabilidade pessoal com base no art 135, inciso III, do CTN, além de demonstrar a ocorrência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, é imprescindível a caracterização do agente como diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado, o que em nenhum momento foi alcançado pela Fiscalização. Disse que os documentos apreendidos em posse de José de Almeida Machado são insuficientes para imputar a ele responsabilidade solidária pelo crédito tributário. O recorrente afirma que foram apreendidas em seu poder, além dos documentos de Nova Esperança Comércio de Café Ltda. ou da O. F. Neto ME., documentos de outras empresas, daí conclui que isso é prova incontestável de que sua atividade era apenas corretagem de café. E é natural que documentos desse tipo sejam encontrados em poder dos corretores. Os depoimentos em desfavor do recorrente são inconsistentes e contraditórios, em especial o de Olímpio Ferreira Neto. Aponta também contradições no depoimento de Ronald Ferreira. Afirmou que a própria Fiscalização não demonstrou de forma clara e convicta qual a condição que atribui ao recorrente, pois ora se refere a ele como sócio de fato, ora como dirigente, ora como representante das empresas, o que demonstra o total desconhecimento acerca da situação objeto de análise. O reconhecimento da condição de sócio de fato, dirigente ou representante é questão objetiva que não pode ser identificada em razão de presunções ou indícios. O Fisco não apresentou qualquer documento capaz de comprovar que o recorrente exerceu a administração das empresas fiscalizadas. Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.232 13 Ademais, ainda que se comprovasse a condição de gerente, sócio ou representante, seria necessário demonstrar os atos praticados pelo recorrente com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto. Isso porque o E. STJ já reconheceu, em jurisprudência consolidada em súmula e em recurso repetitivo, que não basta comprovar o inadimplemento da obrigação tributária, é preciso demonstrar os atos que deram causa a estes inadimplementos. Quanto à multa, alegou abusividade e ausência de comprovação de dolo ou fraude a justificar sua exacerbação. Por outro lado, de acordo com a ADI 551, a penalidade não pode ultrapassar o valor do tributo. No caso concreto, a multa aplicada é a negação do princípio da gradação da pena, segundo a natureza e circunstância da infração e da intenção do infrator. Foram distribuídos ao mesmo relator, dada a unidade de matéria fática que envolve os dois lançamentos, os autos dos processos nº 15215.720205/201390 e 15215.720152/201315, cujos interessados são respectivamente Nova Esperança Comércio de Café Ltda. e O. F. Neto ME. É o relatório. Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.233 14 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Admissibilidade O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Nulidade Vários são os vícios suscitados pelo recorrente como causa de nulidade do lançamento e do processo administrativo. O primeiro deles se refere à ausência de mandado de procedimento fiscal MPF específico que estendesse ao recorrente o alcance da fiscalização. O MPF, no tempo em que era exigido, não passava de um instrumento de controle administrativo. Assim, eventuais irregularidades em sua emissão, prorrogação de vigência, ou ampliação de objeto não eram aptos a projetar qualquer efeito sobre o lançamento ou sobre o processo. A consequência que poderia advir de um daqueles vícios cingiase ao plano funcional, podendo dar ensejo, nos casos de extrema gravidade, a uma medida de ordem disciplinar, mas sem acarretar a invalidade do lançamento, se este, que é ato vinculado, fosse realizado por servidor competente, e se da irregularidade não tivesse resultado prejuízo para o contribuinte. No caso concreto, entretanto, nem sequer de irregularidade se trata. Como bem ressaltou a decisão recorrida, a Portaria RFB nº 2.284/2010, no §2º do art. 2º, deixa claro que no caso de pluralidade de sujeitos passivos não se exige um MPF para cada codevedor. Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. §1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. §2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. (g.n.) Outro ponto suscitado diz respeito à suposta impossibilidade de atribuição de responsabilidade tributária no lançamento, pois tal providência caberia somente à PFN, na fase de execução. Sem razão o recorrente. O lançamento tributário tem de incluir no polo passivo todas as pessoas obrigadas ao pagamento do crédito tributário na condição de responsáveis, salvo se a situação da qual decorra o vínculo de responsabilidade for posterior ao Fl. 2233DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.234 15 lançamento, como se dá, por exemplo, com a extinção irregular da empresa (STJ, Súmula 435) depois de lançado o tributo. Ao contrário, se a dissolução for anterior ao lançamento, nele já deve ser incluído o responsável. Esse entendimento, mais do que o interesse da Fazenda, tutela o interesse do responsável tributário, assegurandolhe a possibilidade de defesa ainda na esfera administrativa. Assim vem decidindo do E. STJ, como revela o voto proferido no REsp nº 1.435.515 SP pelo Ministro Og Fernandes, do qual se extrai o trecho abaixo: Como é sabido, a ausência da precisa indicação do devedor na constituição do crédito tributário vulnera o título executivo, retirandolhe a certeza, liquidez e exigibilidade que lhe são inerentes, nos termos dos arts. 202 e 203 do CTN. Na senda de tal premissa, não se concebe a substituição do sujeito passivo no título executivo constituído, pois tal alteração corresponderia a um novo lançamento tributário, sem que fosse conferida ao novo devedor a oportunidade de exercer sua impugnação na via administrativa, ou mesmo do pagamento do débito antes do ajuizamento da ação de cobrança. (g.n.) O CARF também adota entendimento semelhante, o que fica evidente pelo enunciado da Súmula nº 71: Súmula CARF n° 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. A legitimidade para impugnar o lançamento pelos responsáveis tributários tem como pressuposto o fato de que tais pessoas tenham sido originalmente incluídas no polo passivo. Portanto, é a inclusão do responsável no polo passivo do lançamento que lhe assegura, em sede de processo administrativo, o direito de discutir a validade do ato nos seus aspectos formais e materiais, bem como de discutir a própria existência do liame de responsabilidade. Também foi arguida a nulidade do lançamento por utilização de prova ilícita. Referese o recorrente aos depoimentos de Olímpio Ferreira Neto e Ronald Ferreira, que foram tomados dentro da repartição fiscal, sem a presença de advogado. Em primeiro lugar, a autuação não está baseada apenas nas declarações de Olímpio Ferreira Neto e Ronald Ferreira. Essa não é a única prova, nem a mais importante. Depois, como bem lembrou a decisão recorrida, o processo administrativo tributário se caracteriza pelo princípio da informalidade, pelo qual não se exige, para a validade do processo, a presença de advogado acompanhando a pessoa fiscalizada. Aplicase aqui, por analogia, o teor da Súmula Vinculante nº 5: "A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição". Quanto ao uso de extratos bancários, cabe dizer que, embora fosse permitida a utilização dessa prova para apurar as receitas do período, a Fiscalização não se valeu desses Fl. 2234DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.235 16 dados, mas de informações prestadas diretamente pela Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais, obtendo assim os montantes de receita de cada período. O recorrente alegou também cerceamento de defesa, porquanto a Fiscalização não teria levando em conta o depoimento de Paulo José de Oliveira, que negou conhecer o recorrente. Além disso, se recusou a quebrar o sigilo bancário de O. F. Neto ME e Nova Esperança Comércio de Café Ltda., bem como a aprofundar as investigações sobre outras empresas de Olímpio Ferreira Neto e sobre outras pessoas. A questão referente a depoimento de determinada pessoa ou a análise de movimentação bancária está diretamente ligada à avaliação da pertinência e da necessidade da prova, que cabe, no primeiro momento, à autoridade lançadora. Nada impede, porém, que a pessoa autuada requeira, na impugnação ou no recurso, a produção da prova, demonstrando ser ela importante para esclarecer fato controverso e relevante para o deslinde da questão objeto do processo. Não procede a alegação de cerceamento de defesa decorrente da falta de aprofundamento das investigações sobre pessoas físicas e jurídicas que, segundo o recorrente, estariam a praticar fraudes na compra e venda de café. Na verdade, não se pode afirmar que a Fiscalização tenha deixado de investigar e autuar essa ou aquela pessoa. É possível que, em decorrência das denúncias feitas pelo recorrente, associada a outros indícios, novas operações tenham sido deflagradas. Desse fato, entretanto, não há notícia nos autos. É correto que seja assim, pois em tese as situações são independentes. É por essa razão que não se pode cogitar de prejuízo para o recorrente. A descoberta de novas fraudes e a autuação de outras pessoas, em princípio, não agrava, nem atenua a situação jurídica de quem é sujeito passivo nos processos aqui examinados. A propósito do princípio da indivisibilidade, invocado pelo recorrente, vale dizer que o referido princípio é aplicável ao documento individualmente considerado, e não ao conjunto de documentos apreendidos na mesma ocasião. Portanto, é possível que, de um conjunto de documentos apreendidos, a Fiscalização atribua valor de prova a uns e recuse essa condição a outros. O que o princípio da indivisibilidade, em tese, não admite é que a Fiscalização ou o órgão julgador, no mesmo documento, aceite como verdadeiros os fatos contrários ao contribuinte e não aceite os que lhe sejam favoráveis. Por último, no que tange à alegação de exigência de prova impossível, relativamente à intimação para apresentar livros e documentos de O. F. Neto ME e Nova Esperança Comércio de Café Ltda., tratase de procedimento destinado apenas a assegurar ao recorrente o direito de apresentar aquela documentação se, acaso, alguns documentos estivessem em seu poder. Em suma, pelas razões expostas, deve ser rejeitada a alegação de nulidade do lançamento e do processo administrativo. Solidariedade passiva Na hipótese de lançamento que coloca no polo passivo duas ou mais pessoas, como coobrigadas ao pagamento do crédito tributário, tendo por base legal o art. 124, inciso I, do CTN, a exemplo do que ocorre no caso em exame, é comum alegarse a incompatibilidade Fl. 2235DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.236 17 desse dispositivo legal com o disposto no art. 135 do mesmo CTN, utilizado para imputar responsabilidade aos administradores, diretores ou representantes de pessoas jurídicas. A referida incompatibilidade, entretanto, não existe. A responsabilidade tributária de terceiros, prevista no art 135, surge quando presentes de forma concomitante duas situações: a primeira é a pessoa jurídica ter seu patrimônio gerido ou administrado por terceiros, que em nome da entidade praticam atos e negócios jurídicos; a segunda é a existência de atos praticados com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatuto. Demonstrada a presença dessas circunstâncias, o administrador vem, por força do art 135, para o primeiro plano, passando a ocupar o polo passivo da relação tributária. Se forem dois ou mais os administradores ou as pessoas que tenham praticado atos de gestão com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, todas elas devem figurar no polo passivo, na qualidade de devedores solidários. A solidariedade, nessa hipótese, vem do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. O interesse comum, por sua vez, decorre da atuação conjunta. Vale dizer, da efetiva participação das pessoas físicas na ocorrência do fato gerador. É importante que fique evidenciado, para caracterizar o interesse comum, que as pessoas tenham se associado, para a prática do fato gerador e do ilícito tributário, de forma livre, voluntária e consciente. Observese que o interesse comum não tem origem na condição de sócio, acionista ou cotista; mas, sim, na de administrador, gerente, gestor, preposto. Ainda que o sócio, indiretamente, aufira alguma vantagem advinda da prática do ato ilícito, o lançamento não poderá ser dirigido contra ele, pois o interesse comum a que se refere o inciso I, do art. 124 do CTN não é interesse econômico, mas interesse jurídico, que surge da participação conjunta na prática do fato gerador. Os que realizam o fato gerador são aqueles que voluntária e conscientemente se associam para esse fim. É dessa associação que vem o interesse comum. Eis a razão pela qual devem figurar no polo passivo do lançamento todas essas pessoas, na condição de devedores solidários, não se podendo cogitar de um lançamento autônomo contra cada uma delas individualmente, o que multiplicaria, de forma indevida e ilegítima, o valor do crédito tributário. Portanto, não há incompatibilidade na aplicação concomitante do art. 124, inciso I, com o art. 135, todos do CTN. Ilegitimidade passiva O recorrente, pretendendo excluir seu nome do polo passivo da obrigação tributária, alega ser um simples "corretor de café", que prestava serviços tanto a O. F. Neto ME, quanto a Nova Esperança Comércio de Café Ltda., sem interferir na administração de qualquer das duas empresas. Portanto, seria parte ilegítima para figurar entre os autuados. Fl. 2236DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.237 18 A Fiscalização não entendeu assim. Ao contrário, viu o recorrente inserido num esquema de fraude fiscal, em que O. F. Neto ME e Nova Esperança Comércio de Café Ltda. eram instrumentos utilizados para a prática de ilícitos tributários. O esquema foi assim descrito: 17. As informações colhidas por esta fiscalização mostram que a O. F. NETO ME foi criada com o intuito de “guiar o café”. Por “guiar o café” entendese que o comerciante compra o café de um produtor, e indica que este produtor de café procure uma empresa que emitirá uma nota para acobertar aquela operação. Destaquese que o produtor também não aceita vender direto para o exportador, para não fazer o recolhimento dos tributos. Porém esta empresa que emite a nota pertence a um “laranja”, e esta empresa não irá fazer o recolhimento dos tributos ligados àquela operação. 18. Tais empresas “laranjas” abundam às dezenas nesse ramo, servindo unicamente para acumular dívidas perante o Fisco que jamais serão pagas. Tipicamente essas empresas funcionam por alguns meses e depois sua movimentação cessa, com o comerciante passando a utilizar uma outra empresa. Esse é o caso da NOVA ESPERANÇA LTDA e da O. F. NETO ME, como se ilustra no quadro a seguir. Notase que a movimentação financeira da NOVA ESPERANÇA diminuía enquanto a O. F. NETOME aumentava a sua, até que em Junho/2010 a movimentação da O. F. NETOME foi interrompida pela operação da Polícia Federal. Esquema de fraude semelhante ao descrito pela Fiscalização é praticado amiúde com a soja, o milho e com outros produtos primários. Consiste basicamente na criação de sociedades empresárias de existência meramente formal, ou seja, apenas "no papel". Não há estabelecimento, depósitos, armazéns, máquinas, móveis, veículos, empregados. São, a bem dizer, simulacros de empresas, que, no entanto, têm conta bancária e emitem notas fiscais. Encobertos por esse biombo, intermediários compram e vendem o produto primário, utilizandose para tanto dos documentos fiscais e da conta bancária da empresa de fictícia. Esta, por sua vez, não recolhe os tributos relativos à atividade e, assim, acumulam débitos, até que a operação da "empresa" se torna inviável, quando então são abandonadas. Como a empresa fictícia não tem patrimônio e os sócios, no mais das vezes, são pessoas interpostas, desprovidas de capacidade contributiva ("laranjas"), qualquer tentativa de execução fiscal resulta improfícua. Esses simulacros de empresas, normalmente, são utilizados por curto tempo, sendo logo substituídas por outras. No caso concreto, as provas dos autos mostram com clareza cristalina (reconhecida pelo próprio recorrente) que O. F. Neto ME e Nova Esperança Comércio de Café Ltda. se enquadram à perfeição nessa moldura. Operaram por curto período, não recolheram tributos (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e, quiça, o ICMS), não têm patrimônio, não tinham depósitos para armazenar o café, não há notícia de que tivessem empregados, os sócios da Nova Esperança e o titular da O. F. Neto ME não têm, aparentemente, capacidade econômica para fazer frente aos débitos das empresas. Não é por acaso que nenhum deles impugnou o lançamento. Fl. 2237DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.238 19 A situação do recorrente, entretanto, se distingue da situação dos demais autuados. Isso porque, embora não figurasse formalmente como titular, sócio ou administrador das empresas, era ele quem efetivamente as controlava. A apreensão de documentos pertencentes a O. F. Neto ME e a Nova Esperança Comércio de Café Ltda. em poder do recorrente revela que ele não era um simples "corretor de café". A relação com as empresas era muito mais estreita. Foram apreendidos em poder do recorrente os seguintes documentos: 1) Extratos bancários do período de 08/04/2010 a 28/05/2010 referente da conta de O. F. Neto ME, na agência nº 32190, do Sicoob CredcoopeR. 2) Conhecimentos de transporte e faturas da Transquality Transportes Ltda., relativos a vendas realizada por O. F. NETO ME. 3) Livro da empresa O. F. NETO ME, utilizado para controle de vendas de café, no período de 04/05/2010 a 27/05/2010. Dentro do livro foi encontrada uma fita de máquina de somar com os cálculos do valor de cada venda, acompanhada de recorte da parte do extrato da conta bancária de O. F. NETO ME, em que constavam os depósitos respectivos. As datas e os valores coincidiam com os depósitos na referida conta bancária. 4) Relações de notas fiscais de aquisição de café por Nova Esperança Comércio de Café Ltda., que haviam sido entregues à Administração Fazendária de Inhapim e Caratinga. 5) Vários contratos de venda de café, denominados “contrato de compra e venda a fixar Nova Esperança Comércio de Café Ltda”, tendo como comprador a empresa Volcafé Ltda. e vendedor Nova Esperança Comércio de Café Ltda. 6) Dezenas de notas fiscais emitidas por Nova Esperança Comércio de Café Ltda., referentes a aquisições de produtores rurais, bem como algumas notas fiscais de saídas de mercadorias dessa empresa. O recorrente, no primeiro momento, não soube explicar, ao certo, porque aqueles documentos se achavam em seu poder. Disse, sem muita convicção, que "...presumivelmente tais documentos devem ter sido deixados e/ou esquecidos por um dos sócios e/ou prepostos da O. F. NETO e da NOVA ESPERANÇA no estabelecimento do impugnante, quando, em viagem, eles por lá passaram, para reavêlos na volta. Só que ou não retornaram ao estabelecimento antes da apreensão pela PF, ou adiaram injustificadamente o retorno de tais documentos ao escritório de contabilidade em Manhuaçu. O mesmo, também presumivelmente, ocorreu quanto às diversas 'RELAÇÃO DE NOTA FISCAL MOD. 1 ENTREGUE' e 'RELAÇÃO DE SÉRIE E ENTREGUE NA AF DE INHAPIM', que são apenas o comprovantes de que as notas fiscais emitidas por produtores rurais da região foram entregues à repartição fiscal estadual, como determinava a legislação vigente. Estes documentos não são nem mesmo contabilizados e sua guarda se presta exclusivamente à sua apresentação ao fisco estadual, quando exigida." É estranho que o recorrente não soubesse o motivo de todos aqueles documentos se encontrarem em seu poder. Mais estranho é atribuir esse fato a um suposto Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.239 20 esquecimento de um sócio ou preposto de O. F. Neto ME e de Nova Esperança Comércio de Café Ltda. Ainda sobre os documentos, contradizendo a afirmação anterior, o recorrente aduziu: O fato é que o corretor Zé do Flor teve acesso à parte de documentos da empresa de Olímpio, para conferir as compras de café que tinha feito a produtores rurais da região, tomando conhecimento dos pagamentos e, com tais informações, recebendo e conferindo o valor de suas comissões. E, como informou Olímpio em seu depoimento à RFB, as compras de café da O. F. Neto e da NOVA ESPERANÇA eram fechadas após o consentimento dos sócios destas. Por questão de economia e praticidade, em muitos casos, o café corretado por Zé do Flor era transportado diretamente da propriedade rural do vendedor para a empresa que o havia comprado da O. F. Neto ou da NOVA ESPERANÇA. Este procedimento justifica que algumas notas fiscais, conhecimentos de carga e documentos (não todos) da NOVA ESPERANÇA e da O. F. NETO ficassem provisoriamente em poder do corretor, ocasião em que foram apreendidos pela PF. Ainda, a posse provisória de tais documentos se justifica em razão de não ser razoável fazer seguidas viagens até a sede das duas empresas de Olimpio em Manhuaçu/MG para emissão de cada uma das notas fiscais do café corretado por Zé do Flor, que se encontrava na região de Inhapim e S. Domingos das Dores. Observese que o recorrente muda a versão anterior, afirmando que os documentos estavam em seu poder para conferir as compras de café e os pagamentos e, assim, verificar a exatidão do valor das comissões. Isso não é, seguramente, uma prática usual entre os corretores. É inconcebível que o contrato de corretagem transforme o corretor em fiscal, conferindolhe poderes para auditar a empresa para quem presta serviços. O Código Civil, ao disciplinar o contrato de corretagem, nos artigos 722 a 729, não confere ao corretor esse tipo de poder. Assegura o direito à remuneração desde que tenha conseguido o previsto no contrato de mediação, ainda que este não se efetive em virtude de arrependimento das partes (art. 725). Prosseguiu o recorrente afirmando que, "...por questão de economia e praticidade, em muitos casos, o café corretado por Zé do Flor era transportado diretamente da propriedade rural do vendedor para a empresa que o havia comprado da O. F. Neto ou da NOVA ESPERANÇA." Disse ainda que "...justifica também a presença de tais documentos na empresa de Zé do Flor, o fato deste ser corretor da NOVA ESPERANÇA e de O. F. NETO e, nesta condição, efetuar compra de café para estas empresas. Só que como elas não tinham armazém na região em de Inhapim/S. Domingos da Dores (item 7 do Depoimento de Olimpio Anexo 1 ao Relatório Fiscal), onde o recorrente para elas trabalhava como corretor, as duas empresas emitiam notas fiscais para acobertar o café até os estabelecimentos dos compradores destinatários (grandes comerciantes de café, industriais ou exportadores), de modo que o produto saía do produtor rural diretamente para os compradores destinatários." Aqui o recorrente admitiu aquilo que a Fiscalização, desde o início, já afirmava, ou seja, o documento fiscal do intermediário (O. F. Neto e NOVA ESPERANÇA Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.240 21 empresas fictícias) era emitido apenas para acobertar o trânsito do produto primário do estabelecimento do produtor até o da indústria de alimentos, ou de grandes comerciantes ou do exportador, sem recolhimento de ICMS e dos tributos federais. Lembrese de que o intermediário (empresa fictícia) só tem existência formal e, por isso, não possui depósitos ou armazéns para receber os produtos adquiridos. Aduziu o recorrente que "... a posse provisória de tais documentos se justifica em razão de não ser razoável fazer seguidas viagens até a sede das duas empresas de Olímpio em Manhuaçu/MG para emissão de cada uma das notas fiscais do café corretado por Zé do Flor, que se encontrava na região de Inhapim e S. Domingos da Dores." (g.n.) Com tal afirmação, o recorrente confessa que ele mesmo é quem emitia as notas fiscais de O. F. NETO ME e Nova Esperança Comércio de Café Ltda. Essa tarefa indiscutivelmente não compete ao corretor. Cabe ao administrador, ao gerente, ao preposto, ao sócio ou ao titular da empresa. Tudo leva a crer que o recorrente fosse o verdadeiro intermediário na compra e venda do café. Nesse sentido, chama a atenção o grande número de informações que o recorrente possui acerca de O. F. Neto ME e Nova Esperança Comércio de Café Ltda., evidenciando que ele era mais do que um simples corretor de café. Na impugnação ao lançamento, há referências sobre as duas empresas que só uma pessoa que as conhecesse por dentro poderia saber. O recorrente cita, na impugnação, as contas bancárias das empresas, informando o banco, o número da conta e da agência. Informa também a data em que foram abertas e encerradas essas contas, bem como os períodos em que utilizadas. (fls. 690 a 693 dos autos do processo nº 15215.720152/201315) Fica claro que o recorrente era mais do que um simples "corretor de café". A decisão recorrida dá ênfase a um fato relevante, que indica que O. F. Neto ME e Nova Esperança Comércio de Café Ltda. eram instrumentos utilizados pelo recorrente para encobrir sua atividade de compra e venda de café, vinculando as obrigações tributárias oriundas dessa atividade a pessoas jurídicas de existência meramente formal. Outro grave indício de que o Impugnante participou da fraude, mediante a utilização das pessoas jurídicas fiscalizadas, para subtrair à tributação recursos obtidos na atividade de venda de café, é o fato de ter depositado recursos decorrentes da atividade própria, na conta corrente da O. F. NETO. Provado que o Impugnante movimentava recursos próprios na conta corrente da fiscalizada e controlava o recebimento do faturamento da empresa, não socorre o Impugnante a ausência de instrumentos de mandato/procuração para atuar em nome das empresas, porque justamente a intenção era que os reais beneficiários das operações permanecessem ocultos para o Fisco. Dentro desse contexto, os depoimentos de Olímpio Ferreira Neto e Ronald Ferreira, somados aos demais elementos de prova, vêm compor o conjunto probatório que aponta na mesma direção. Importa ressaltar que os depoimento de Olímpio e Ronald, isoladamente considerados, teriam pouco valor como prova, mas se tornam relevantes quando corroboram as outras provas carreadas aos autos. Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.241 22 Por último, a propósito de declarações de algumas pessoas formalmente ligadas a O. F. Neto ME e a Nova Esperança Comércio de Café Ltda., que afirmaram não conhecer o recorrente, cabe frisar que num esquema de fraude tributária, como esse apontado pela Fiscalização, é comum que a identidade do verdadeiro dono do negócio seja ocultada, tanto quanto possível, das pessoas em geral, sendo conhecida apenas daquelas que, pela próprio funcionamento do esquema, tenham de travar contato direto com o dono do negócio. Dolo O recorrente afirma que o dolo não ficou caracterizado, o que impediria a aplicação da multa qualificada. Dolo pode ser conceituado, em termos bem simples, como a vontade consciente de realizar o fato ilícito. Entretanto, como se trata de um elemento subjetivo, nem sempre é fácil, nos casos concretos, caracterizar sua presença. Porém, em determinadas infrações, a existência do dolo se percebe, de forma intuitiva, da própria conduta do agente, bem como dos fatos e circunstâncias que envolvem o ilícito. Embora não sendo a regra geral, há situações em que a intenção de suprimir tributo, elemento indispensável para imposição da multa qualificada, se extrai da própria ação ou omissão do contribuinte. Assim, por exemplo, nem toda omissão de receita por falta de registro contábil é dolosa; mas o será, na maioria das vezes, a omissão levada a cabo mediante uso de programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. No primeiro caso, é ao Fisco que cabe a prova do dolo, para impor a multa qualificada. No segundo, é o sujeito passivo que tem de provar que, a despeito de ter utilizado o programa de processamento de dados não autorizado, não teve intenção de sonegar tributo. Desse segundo tipo é o caso dos autos. Aqui o ilícito consistiu no uso de documentos fiscais pertencentes a entidades empresariais que só tinham existência formal. Não havia na realidade empresa alguma. Sendo os documentos fiscais utilizados por terceiros, a obrigação tributária ficava vinculada a empresas inexistentes, mascarando o verdadeiro devedor. Nesse tipo de infração, o dolo emerge naturalmente da própria conduta. Portanto, desde que caracterizado o ilícito, a multa qualificada se impõe como consequência inevitável. Multa O recorrente alegou abusividade da multa, e falta de adequação entre o rigor da sanção e as circunstâncias da infração e a intenção do infrator. O dispositivo legal que comina a penalidade não confere ao aplicador da lei a possibilidade de definir o percentual da multa a ser utilizado. Ao contrário, estabelece a lei de forma taxativa um percentual para as infrações comuns e outro para aquelas praticadas de forma dolosa, de modo que ao aplicador cabe verificar a existência da infração e a presença ou não do dolo. Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15215.720205/201390 Acórdão n.º 1301002.162 S1C3T1 Fl. 2.242 23 Com relação à alegada abusividade, o exame da matéria implicaria o controle de constitucionalidade de lei, o que não se permite aos órgãos administrativos, em especial, ao CARF, nos termos da Súmula 2, assim redigida: Súmula CARF nº 1: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Invocou o recorrente, a propósito da pretensa desproporcionalidade da multa, o entendimento do E. Supremo Tribunal Federal STF, manifestado na Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 5511/RJ. A referida ação direta tinha por objeto os parágrafos 2º e 3º do art. 57 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, os quais dispunham que as multas decorrentes do não recolhimento dos impostos e taxas estaduais aos cofres públicos não poderiam ser inferiores a duas vezes o valor do tributo; e que as multas decorrentes da sonegação daqueles tributos não poderiam ser inferiores a cinco vezes o seu valor. Como se vê, tratase de ação direta de inconstitucionalidade que envolvia norma estadual, numa situação que não comporta nenhum paralelo com o que se examina nestes autos. CSLL, PIS e Cofins Quanto aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, importa ressaltar que, por recaírem sobre a mesma base fática do IRPJ, a decisão adotada para qualquer um deles há de ser a mesma para os demais, o que só não ocorreria se houvesse algum aspecto específico, inerente à legislação de um desses tributos, que exigisse solução diferente. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito negar lhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Relator Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 11065.000577/2010-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3401-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sustentou pela recorrente a advogada Aline da Costa Barcelos, OAB/SP no 338.337.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sustentou pela recorrente a advogada Aline da Costa Barcelos, OAB/SP no 338.337. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 05 77 /2 01 0- 63 Fl. 1737DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre os Autos de Infração de fls. 776 a 800, e 1036 a 10461, com ciência ao sujeito passivo em 20/04/2010 (fls. 777 e 1027), para exigência do imposto sobre produtos industrializados (IPI), relativo ao período de janeiro de 2007 a maio de 2008 (apuração decendial e mensal), nos valores originais de R$ 5.638.029,97 e R$ 2.249.762,25, e de juros de mora e multa de ofício (75%), além da multa prevista no art. 7o da Lei no 9.493/1997, por aproveitamento indevido de crédito de IPI decorrente de aquisição de insumos sujeitos à suspensão do imposto, por destaque indevido de crédito de IPI em nota fiscal de aquisição de insumos que deveriam ter ingressado com suspensão, e por enquadramento incorreto de bebidas do tipo aguardente. No Relatório da Ação Fiscal (fls. 749 a 775), narra a fiscalização que: (a) analisando o Livro de Registro de Apuração do IPI, foram detectados vultosos créditos de IPI lançados como "outros créditos ou créditos extemporâneos", em valores muito superiores aos créditos básicos (tabela de fl. 752); (b) indagada sobre a origem dos créditos, a empresa informou que tratavamse de créditos sobre insumos (aguardente) adquiridos com suspensão do IPI, apropriados extemporaneamente, com base na ação judicial no 1999.71.08.0099270; (c) verificando as notas fiscais que dão suporte aos referidos créditos, percebeuse que traziam mensagem referente a estorno de débitos fiscais extemporâneos produzidos pelo não uso (mensagem completa à fl. 754); (d) analisando as peças da ação judicial, constatouse que a autorização judicial (dada pelo TRF4, após negativas liminares e de piso) se referia apenas a insumos isentos, imunes, e/ou tributados à alíquota zero; (e) havia autuação contra a empresa, referente a períodos anteriores, pelas mesmas condutas imputadas nestes autos (fls. 757/758), configurandose a reincidência específica de que trata do art. 479 do RIPI então vigente; (f) a partir da análise dos arquivos magnéticos, foram ainda encontradas notas de entrada com consideráveis valores de IPI creditado, referentes a compras de aguardente da empresa "Bebidas Sabará LTDA", no segundo trimestre de 2007, o que gerou saldo credor suficiente para anular os débitos do imposto até maio de 2008 (período em que a empresa não se creditou em função da ação judicial, por usar o expediente alternativo), e, indagado sobre tais créditos, o responsável pela contabilidade da empresa respondeu ser uma decisão da direção, cabendo para tal conduta, a aplicação da multa prevista no art. 7o da Lei no 9.493/1997; e (g) no decorrer dos trabalhos de auditoria de arquivos magnéticos percebeuse ainda que houve enquadramento de bebidas das marcas "7 Campos de Piracicaba", "Cana Martelinho" e "Cana Trago Fino" em desacordo com os Atos Declaratórios emitidos pela RFB, ensejando recolhimento a menor, tendo a empresa reconhecido a correção e informado que a estaria corrigindo mediante lançamentos em períodos posteriores. A empresa apresenta Impugnação em 14/05/2010 (fls. 1048 a 1106), argumentando, em síntese, que: (a) houve cerceamento do direito de defesa, pela descrição insuficiente dos fatos, e pela imprecisão na indicação do dispositivo legal infringido; (b) o direito de crédito para a isenção (sendo a suspensão uma espécie do gênero isenção) foi 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 11065.000577/201063 Acórdão n.º 3401003.267 S3C4T1 Fl. 1.738 3 assegurado judicialmente, nos autos do Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270, havendo descumprimento de decisão judicial pela fiscalização; (c) a empresa possui créditos de IPI pela compra de selos fiscais: (d) o aproveitamento de crédito nas aquisições da empresa "Bebidas Sabará LTDA" é regular, sendo inaplicável a multa lançada para a operação; (e) o enquadramento incorreto de bebida foi regularizado antes do início do procedimento fiscal, caracterizando denúncia espontânea, e afastando a autuação; e (f) não houve reincidência ou sonegação, sendo indevida a majoração da multa lançada. Em 29/04/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 1586 a 1599), no qual se decide unanimemente por: (a) não tomar conhecimento da impugnação no tocante ao mérito do cabimento, ou não, do crédito de IPI nas entradas de insumos remetidos ao estabelecimento autuado, com suspensão do referido imposto, dada a opção pela via judicial, declarando a definitividade da glosa e dos créditos decorrente, na via administrativa; (b) não tomar conhecimento da preliminar de inconstitucionalidade da multa de que trata o art. 7o da Lei no 9.493/1997; (c) rejeitar a preliminar de nulidade por suposta preterição do direito de defesa; e (d) no mérito, na parte que remanesce litigiosa administrativamente, (d1) que os créditos que corresponderiam ao IPI lançado indevidamente em notas fiscais de aquisição de aguardente do fornecedor "Bebidas Sabará LTDA", se referem a saída de produto que deveria, obrigatoriamente, ter sido efetuada com suspensão, sendo ilegítimo o crédito, e devida a multa igual ao valor comercial da mercadoria, prevista no art. 7o da Lei no 9.493/1997; (d2) que é procedente a exigência por falta de lançamento de IPI nas saídas de bebidas "7 Campos de Piracicaba", "Cana Martelinho" e "Cana Trago Fino" nas quais a empresa utilizou a alíquota específica de R$ 0,30 por unidade, e deveria ter utilizado a alíquota de R$ 0,38, não tendo havido regularização antes do início do procedimento fiscal, como alegado na defesa; e (d3) deve ser mantida a multa majorada em função de reincidência específica, prevista na Lei no 4.502/1964 (art. 70) e no RIPI de 2002 (art. 479), havendo dois processos administrativos nos quais restou definitiva a exigência de IPI fundadas nas mesmas infrações que geraram o presente processo. Às fls. 1606 a 1609, a fiscalização informa que: (a) no Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270, a empresa obteve, inicialmente, decisão parcialmente favorável, em Acórdão do TRF4, reconhecendo o direito a creditarse do IPI relativos a insumos e matériasprimas adquiridas sob regime de isenção, imunidade, não tributação ou sujeitos à alíquota zero, silenciando o provimento judicial sobre a suspensão; (b) decisão recente do STF, no caso, deu provimento a recursos extraordinário interposto pela União, revertendo a decisão no que se refere a insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero; e (c) não havendo provimento que assegure o direito a crédito na suspensão (nem que se acolhesse a tese suscitada pela empresa de que seria uma subespécie da isenção), os créditos são imediatamente exigíveis, com a definitividade da decisão administrativa. Com base em tal informação, os créditos referentes à ação judicial foram aparatados do presente processo (fl. 1610) Cientificada do acórdão da DRJ em 21/07/2011 (AR à fl. 1620), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 04/08/2011 (fls. 1622 a 1674), basicamente reiterando as alegações expostas em sua impugnação (sobre estar judicialmente assegurado o crédito, sendo a suspensão espécie do gênero isenção; que houve descrição deficiente do fato na autuação, e imprecisa indicação do dispositivo legal infringido; que a empresa teria iniciado a regularização do enquadramento da alíquota antes da ação fiscal; e que não há fundamento para aplicação das multas lançadas, e não houve reincidência ou sonegação fiscal), e agregando que: (a) houve cerceamento de defesa pela apreciação apenas parcial da impugnação, não se Fl. 1739DF CARF MF 4 conhecendo da matéria discutida judicialmente e da alegação de inconstitucionalidade do art. 7o da Lei no 9.493/1997, o que afronta a ampla defesa e o contraditório, ocasionando nulidade; (b) o RE no 370.652, interposto pela União, ainda não teve trânsito em julgado; e (c) as mercadorias adquiridas da empresa "Bebidas Sabará LTDA" o foram de boafé, acobertadas por documentação idônea, sendo incabível a aplicação de penalidades em relação a tais operações. Às fls. 1688 a 1690, a recorrente peticiona a este tribunal administrativo informando a ocorrência de fato novo, que consiste na interposição, pela União, de Ação Rescisória (de no 1999.71.08.0099270), tendo em vista o decidido no Mandado de Segurança no 001260084.2012.404.0000/RS, na qual a decisão do TRF4 determinou a não aplicação de qualquer tipo de penalidade contra a empresa em virtude do crédito não aproveitado. Ainda que tal ação rescisória não tenha transitado em julgado, sustenta a recorrente que seus efeitos se aplicam ao presente processo administrativo, já que eventual recurso da União não teria efeito suspensivo. Às fls. 1714 a 1734, anexase, por determinação judicial, decisão exarada na Medida Cautela Fiscal no 500344993.2010.404.7108/RS, que decreta a indisponibilidade de bens da e ativos da recorrente e de pessoas a ela ligadas. Em 17/03/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade relativo à tempestividade, e, portanto, dele se toma, a priori, conhecimento. Acolhese, ainda, a anexação das peças apresentadas após o recurso voluntário, que informam sobre a ação rescisório e a medida cautelar fiscal relativas à recorrente. Incumbe destacar, no entanto, que a matéria que a DRJ entendeu estar submetida ao crivo do Poder Judiciário não pode ser igualmente submetida a este tribunal administrativo, em função da unidade de jurisdição, tendo sido o tema plasmado na Súmula CARF no 1: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” E as alegações de que a ausência de análise administrativa da matéria submetida ao Poder Judiciário e ausência de análise da alegação de inconstitucionalidade de lei Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 11065.000577/201063 Acórdão n.º 3401003.267 S3C4T1 Fl. 1.739 5 ocasionariam cerceamento de defesa desaguam em outra súmula, de cumprimento igualmente obrigatório por este tribunal administrativo, a Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Tais temas, tratados justamente pelas duas primeiras súmulas desta corte administrativa, não podem, efetivamente, ser objeto de discussão, pelo colegiado. E, como destacou o julgador de piso, também naquela instância administrativa há obstáculo normativo à análise de tais temas, pelo que não deve prosperar a alegação de nulidade do acórdão prolatado pela DRJ. Ademais, os créditos que entendeu a DRJ estarem sendo discutidos em juízo já foram expurgados do presente contencioso, por ter sido reconhecida sua definitividade, seguindo tais rubricas para cobrança. E contra tal cobrança se opôs a recorrente, inclusive obtendo provimento judicial, provimento esse que não afeta o julgamento da matéria não discutida judicialmente. Assim, são fartos os motivos para que não tratemos, nestes autos, da matéria que a DRJ entendeu submetida ao Poder Judiciário. Restam a apreciar, então, os demais argumentos de defesa da recorrente, que sustenta: (a) haver nulidade da autuação (no que se refere à descrição deficiente do fato na autuação, e à imprecisa indicação do dispositivo legal infringido); (b) ter a empresa adquirido mercadorias da "Bebidas Sabará LTDA" de boafé, acobertada por documentação idônea; (c) ter a empresa iniciado a regularização do enquadramento da alíquota antes da ação fiscal; e (d) não serem aplicáveis as penalidades, e não ter havido reincidência. Cabe destacar, em adição, que o tema trazido pela defesa, na peça recursal, referente a selo de controle, é alheio ao presente contencioso. Analisando o teor da autuação, não se identifica nenhuma das nulidades suscitadas na defesa, seja porque os fatos são precisamente descritos, tendo demonstrado a recorrente compreender exatamente a imputação fiscal (inclusive reconhecendo a procedência de uma delas, referente ao enquadramento da alíquota de bebidas), seja porque os dispositivos legais infringidos são detalhados na autuação, da qual faz parte o Relatório da Ação Fiscal. Improcedentes, assim, as preliminares de nulidade suscitadas. Quanto à alegação de ter a empresa adquirido mercadorias da "Bebidas Sabará LTDA" de boafé, e que tais aquisições estariam acobertadas por documentação idônea, entendemos que os documentos carreados aos autos pela empresa não se prestam à desejada comprovação de boafé, e nem a gerar direito de crédito em operação que, digase, não invoca amparo judicial, mas demanda crédito sobre imposto indevidamente lançado nas notas fiscais. Assim, seja por carência probatória, apta a elidir a verificação fiscal, seja por simples falta de amparo normativo, não goza a empresa dos créditos em apreço, sendo procedente, nesse aspecto o lançamento, no que se refere aos tributos e consectários, ficando ainda tipificada a situação ensejadora da multa prevista no art. 7o da Lei no 9.493/1997: Art. 3º Ficam equiparados a estabelecimento industrial, independentemente de opção, os estabelecimentos atacadistas e cooperativa de produtores que derem saída a bebidas alcóolicas Fl. 1741DF CARF MF 6 e demais produtos, de produção nacional, classificadas nas posições 2204, 2205, 2206 e 2208 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), e acondicionados em recipientes de capacidade superior ao limite máximo permitido para venda a varejo, com destino aos seguintes estabelecimentos: I industriais que utilizem os produtos mencionados como insumo na fabricação de bebidas; II atacadistas e cooperativas de produtores; III engarrafadores dos mesmos produtos. Art. 4º Os produtos referidos no artigo sairão com suspensão do IPI dos respectivos estabelecimentos produtores para os estabelecimentos citados nos incisos I, II e III do mesmo artigo. (...) Art. 5º Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do IPI concernente às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento produtor com a suspensão do imposto determinada no artigo anterior. Art. 6º Nas notas fiscais relativas às remessas previstas no art. 4º, deverá constar a expressão “Saído com suspensão do IPI”, com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do IPI nas referidas notas, sob pena de se considerar o imposto como indevidamente destacado, sujeitando o infrator às disposições legais estabelecidas para a hipótese. Art. 7º O estabelecimento destinatário da nota fiscal emitida em desacordo com o disposto no artigo anterior, que receber, registrar ou utilizar, em proveito próprio ou alheio, ficará sujeito à multa igual ao valor da mercadoria constante do mencionado documento, sem prejuízo da obrigatoriedade de recolher o valor do imposto indevidamente aproveitado. (grifo nosso) Assim, a situação evidenciada pela fiscalização amoldase perfeitamente à fundamentação legal para a aplicação da penalidade. Sobre o incorreto enquadramento de bebidas, já destacamos que a própria recorrente reconhece o cometimento da incorreção, mas informa que teria havido regularização antes do início do procedimento fiscal. Entretanto, como atestou a DRJ, o que o contribuinte entendeu como regularização envolveu tão somente a apresentação de DANFE (Documentos Auxiliares de Notas Fiscais Eletrônicas), não havendo qualquer demonstração de que tais notas tenham sido escrituradas, ou mesmo de que tenha havido algum recolhimento. Verificou o julgador de piso, ainda, em homenagem à verdade material, se havia pagamentos registrados em nome da empresa no sistema SINAL, de janeiro de 2009 a março de 2011, não encontrando recolhimentos de IPI acompanhados de acréscimos legais. Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 11065.000577/201063 Acórdão n.º 3401003.267 S3C4T1 Fl. 1.740 7 Portanto, não merece prosperar a alegação da defesa, que restou carente de prova, nesse aspecto. Por fim, no que se refere à aplicação de penalidades, temos que as multas de ofício devem ser mantidas em relação aos temas aqui debatidos, por estar a conduta praticada expressamente tipificada em disposição legal, que não pode ser afastada em nome de razoabilidade/proporcionalidade, ou de alegação não passível de análise por este tribunal administrativo (inconstitucionalidade). Especificamente versando sobre o agravamento, por ter havido reincidência, resta cristalinamente comprovado nos autos que a empresa sofreu autuação anterior, já administrativamente julgada, em definitivo, impondo penalidade e exigindo o IPI com fundamento em razão idêntica à externada no presente processo (aquisição de insumos com suspensão). No entanto, necessário recordar que a discussão sobre tal fundamento restou submetida à tutela do juízo, pelo que a conclusão pelo cabimento do agravamento afeta materialmente a parte do crédito que acabou sendo apartada deste contencioso, aqui só se podendo decidir pelo cabimento do agravamento, em si, sem ingressar no próprio mérito da procedência da exigência do principal, no que se refere a tal matéria (aquisição de insumos com suspensão), que entendeu a instância de piso, definitivamente, estar submetida ao Poder Judiciário, já não fazendo parte destes autos a matéria. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1743DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001236/00-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
ANALISE DA PROVA
Uma vez que a defesa não refutou especificamente a análise individualizada da prova empreendida pela autoridade julgadora de primeiro grau, cumpre manter a decisão recorrida.
SELIC
Conforme dicção da Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1401-001.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 ANALISE DA PROVA Uma vez que a defesa não refutou especificamente a análise individualizada da prova empreendida pela autoridade julgadora de primeiro grau, cumpre manter a decisão recorrida. SELIC Conforme dicção da Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.648 1 2.647 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.001236/0001 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.691 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2016 Matéria IRPJ Recorrente Consórcio Nacional Brastemp SC LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 ANALISE DA PROVA Uma vez que a defesa não refutou especificamente a análise individualizada da prova empreendida pela autoridade julgadora de primeiro grau, cumpre manter a decisão recorrida. SELIC Conforme dicção da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 12 36 /0 0- 01 Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Em relação às peças iniciais de acusação e defesa, sirvome do relatório da autoridade a quo: Trata o presente processo administrativo fiscal (PAF) de autos de infração lavrados contra o contribuinte em epígrafe em 02/06/2000. Foram constituídos créditos tributários de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 93 a 95), de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 98 e 99) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 103 a 105) em decorrência de auditoria fiscal levada a efeito na escrita contábil e fiscal da empresa, referente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1996. 2. Consta, no “Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo” (fl. 02), que os autos de infração, depois de formalizados, totalizaram o montante devido de R$ 708.934,90, constituindose pelos valores devidos a título de tributo, multa de ofício e juros de mora, estes últimos atualizados para 31/05/2000. 3. A autoridade fiscal, além de relacionar as infrações apuradas no corpo dos autos de infração, pormenorizouas no Termo de Verificação Fiscal em anexo (fls. 77 a 82), que relata o resultado da auditoria fiscal. Vejamos como as infrações foram descritas e fundamentadas. 3.1 Em primeiro lugar, informa a autoridade autuante que, entre outros documentos, o contribuinte em epígrafe foi intimado a apresentar o demonstrativo mensal das despesas operacionais declaradas na ficha 05 da Declaração de Rendimentos de IRPJ, referente ao anocalendário de 1996. 3.2 Após a apresentação dos documentos solicitados, apurou que o contribuinte não observou o regime de competência determinado pela legislação comercial e tributária para apuração da base de cálculo do IRPJ, do PIS (Repique, períodos de apuração: janeiro e fevereiro) e da CSLL, eis que algumas notas fiscais de serviços de comissão emitidas em 02/01/1997 foram escrituradas no anocalendário de 1996. O montante de despesas glosadas, excluindo o valor do IRRF, consubstanciou o valor de R$ 2.954,74. 3.3 Constatou ainda, durante a análise da documentação de suporte à escrita contábil e fiscal da autuada, que inexistia prova documental, ou que os documentos apresentados eram insuficientes para a finalidade de comprovação de parte do Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 1401001.691 S1C4T1 Fl. 2.649 3 montante de despesas escrituradas pelo contribuinte, mais especificamente sob a seguinte rubrica: despesas com comissões pagas (conta 403.346). O valor de despesas não comprovadas totalizou R$ 859.141,14. Este citado fato influenciou a apuração da base de cálculo do IRPJ, do PIS e da CSLL. 4. O enquadramento legal dos autos de infração, constante na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, e o montante cobrado por tributo, podem ser reproduzidos da seguinte forma: 4.1 IRPJ: arts. 195, inciso I, 197 e § único, 242, 243 e 247 do RIR/1994. A empresa foi intimada a recolher o valor de R$ 532.398,52, sendo formado pelos montantes devidos a título de tributo, multa de ofício e juros de mora, atualizados até 31/05/2000. 4.2 PIS: arts. 3º, § 2º, da Lei Complementar nº 07/1970, título 5, capítulo 1, seção 6, iens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF nº 142/1982. A empresa foi intimada a recolher o valor de R$ 6.040,60, sendo formado pelos montantes devidos a título de tributo, multa de ofício e juros de mora, atualizados até 31/05/2000. 4.3 CSLL: art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/1988; art. 19 da Lei nº 9.249/1995. A empresa foi intimada a recolher o valor de R$ 170.495,78, estando incluído os montantes devidos a título de tributo, multa de ofício e juros de mora, atualizados até 31/05/2000; 5. Em 04/07/2000, a interessada apresentou impugnação ao lançamento, do qual teve ciência em 02/06/2000, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 108 a 127), que, em síntese, aduz o seguinte: 5.1 Em primeiro lugar, afirma que a autoridade autuante ao não conceder prazo razoável para levantamento e apresentação de toda a documentação solicitada através das intimações fiscais, cerceou seu direito à ampla defesa, visto que a documentação a ser apresentada era de “grande volume”. 5.2 Alega ainda, em função da concessão de prazo exíguo para produção de provas, que a autoridade fiscal não observou os princípios administrativos da razoabilidade e da finalidade, cerceando assim seu direito de defesa. 5.3 Pugna, em seguida, que o procedimento fiscal levado a cabo pela autoridade fiscal signatário do lançamento de ofício é nulo, por entender que o ato administrativo em comento não tem suporte probatório, tendo sido lavrado com base em indícios e presunções. 5.4 Informa que acostou aos autos, além da impugnação, todas as notas fiscais relativas ao anocalendário de 1996, planilhas e cópias do LALUR, no que tange a conta contábil aludida no Termo de Verificação Fiscal (despesas com comissões), o que Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 demonstra, a seu ver, a improcedência do auto de infração (fls. 131 a 1729). 5.5 Aduz que comprovada a improcedência do auto de infração lavrado para o IRPJ, os lançamentos decorrentes de PIS e de CSLL devem seguir a mesma sorte. 5.6 Por derradeiro, entende que a aplicação da taxa Selic, no cálculo dos juros de mora, é inconstitucional, por afronta ao art. 192, § 3º, da Constituição Federal de 1988. Outrossim, defende a ilegalidade da aplicação da taxa Selic, por ofensa ao art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional. 5.7 Requer a declaração da improcedência integral dos autos de infração, além da posterior produção de provas, “ou ainda” da prova pericial. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 1735 a 1751) negou provimento à defesa nos termos que se seguem. Entendeu que não houve qualquer prática da autoridade lançadora capaz de tornar nulo o lançamento. Todas as suas intimações foram pessoais e não se pode presumir que os prazos concedidos para atendimento foram curtos, pois o autuado não solicitou qualquer dilação. Também não foi esteado em presunções, mas sim na própria contabilidade da impugnante. Quanto ao mérito, no caso da autuação baseada na não comprovação da efetividade dos serviços, entendeu que não basta a apresentação de recibos de pagamento, nem das notas fiscais. No caso, como se trata de despesas com comissões, seria necessária a comprovação da efetividade da prestação dos serviços de intermediação de vendas, o que não foi realizado pela impugnante. Na investigação dos documentos apresentados pela defesa, a DRJ constatou (i) que vários comprovantes de depósitos bancários e relatórios de pagamento estão acompanhados das correspondentes notas fiscais, (ii) várias notas fiscais se referem a operações já consideradas como comprovadas pela autoridade fiscal e, portanto, não fazem parte do objeto da autuação; e, por fim, (iii) em relação às notas fiscais consideradas insuficientes para a comprovação das despesas de comissão, seria necessário “que se comprove inequivocamente a correspondência entre as despesas de comissão e as vendas realizadas pelo intermediário comercial, indicando quais foram as operações de vendas realizadas que justificaram o dispêndio financeiro anotado. A simples indicação na nota fiscal de ‘comissão sobre vendas’ ou algo congênere não tem força para ilidir o lançamento fiscal”. Por derradeiro, não acatou a alegação de inconstitucionalidade da taxa SELIC sob o fundamento de não possuir competência para tal análise. Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 1401001.691 S1C4T1 Fl. 2.650 5 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 1771 a 1796, mediante o qual teceu as razões que se seguem. Persiste na alegação de nulidade, por considerar que o prazo para atendimento das intimações foi pequeno, bem como o tempo que a autoridade fiscal levou para lavrar a autuação após o recebimento dos documentos apresentados pelo fiscalizado. Em prazos tão exíguos não seria possível ao contribuinte levantar os documentos e nem à autoridade lançadora analisar os que foram entregues e, assim, efetivamente promover a fiscalização que é seu dever. Haveria também nulidade da autuação em razão de erro na base de cálculo. Segundo o entendimento da defesa, “A fiscalização federal partiu dos pagamentos efetuados pela ora Recorrente, sem atentarse que para glosar as despesas que supostamente não haviam sido despendidas pela Recorrente deveria partir das despesas”. Aduz ainda em sede de preliminar a nulidade da decisão de primeiro grau por não ter apreciado a prova e, assim, ter preterido seu direito de defesa. Quanto ao mérito, alega que a fiscalização incorreu em dois erros. O primeiro nas suas palavras: Reputou inábil a documentação comprobatória da despesa sem motivar esse entendimento, fazendo constar em seu termo de verificação fiscal exclusivamente a informação de que determinados valores não foram aceitos. Em função desse entendimento, a fiscalização para concluir pela indevida declaração dos valores de comissão pagos pela Recorrente partiu de importâncias totalmente distintas das despesas incorridas no período fiscalizado. Deveras, por simplesmente reputar inábil a documentação comprobatória do pagamento dos valores de comissão, a fiscalização não exauriu a sua investigação para averiguar se efetivamente os serviços haviam sido prestados. Justamente porque partiu do pagamento efetuado e de parte dos documentos apresentados pela Recorrente que a fiscalização concluiu que as despesas não haviam sido comprovadas. Se tivesse investigado a despesa e não o pagamento, certamente a conclusão a que chegaria seria outra. Quanto ao suposto segundo erro, textualmente a defesa assevera: A fiscalização não identificou o total das despesas de comissões incorridas pela Recorrente, ela trabalhou apenas com os pagamentos, não provando que analisou as demais despesas. Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 Isso implica reconhecer que a fiscalização presumiu a ausência de suporte documental sobre fatos contábeis que, segundo o seu entendimento, não estariam consignados nos borderôs que a ela foram encaminhados, já que ele utilizou esta documentação para formular a sua decisão. Por derradeiro, questiona a incidência da SELIC como taxa de juros. DO ACÓRDÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO Por meio do acórdão Acórdão nº 120100.072, de 14/05/2009 (fls. 1822/1830), de 14/05/2009, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos da sua ementa: Ementa: LANÇAMENTO – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO – Apesar de a fiscalização se caracterizar como uma fase inquisitiva, para a autoridade promover o lançamento em razão de não comprovação de algum aspecto considerado essencial, como a ocorrência de despesas, é necessário que tenha franqueado ao sujeito passivo a oportunidade para realizar tal prova. O voto condutor da minha lavra rejeitou as preliminares suscitadas para dar provimento no mérito nos seguintes termos: Quanto ao mérito, todas as razões apresentadas pela defesa calcamse na premissa de que a autoridade partiu dos pagamentos e não das despesas. Nas suas palavras, “O que o fiscal analisou foram os pagamentos de comissão e não as despesas tidas pela Recorrente, diferença essa crucial para que pudesse apurar uma nova base de cálculo e, conseqüentemente, dos reflexos na CSLL e no PISRepique”. De fato, chego à mesma conclusão. Vejamos. O procedimento fiscal é composto apenas de duas intimações: o termo de início às fl. 03 e a intimação específica de fl. 45. Na primeira, a autoridade requer diversas peças, dentre as quais, atos constitutivos da sociedade, livros fiscais, declarações, demonstrativos, e documentos relativos ao Ativo e Passivo, mas nenhum item da intimação faz menção à documentação comprobatória de despesas e textualmente assim encerra o termo: “Demais elementos e documentos serão solicitados no decorrer dos trabalhos fiscais”. A segunda e última intimação é a de fl. 45, mediante a qual o agente fiscal requer apenas os comprovantes de pagamentos de duas contas de despesa e encerra a intimação também com a frase: “Demais elementos e documentos serão solicitados no decorrer dos trabalhos fiscais”. Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 1401001.691 S1C4T1 Fl. 2.651 7 Ou seja, em momento algum, requisitou a apresentação dos documentos que comprovariam a ocorrência dos fatos que ensejaram as despesas lançadas na escrituração. Curiosamente, dentre os itens de autuação, um deles diz respeito à violação do regime competência. No termo de verificação à fl. 78, a autoridade afirma “Com a finalidade de comprovar os dispêndios ocorridos no mês de dezembro, a empresa forneceu” determinadas notas fiscais que são identificadas na peça; e conclui que houve inobservância do regime de competência. Ora, como a autoridade poderia chegar a essa conclusão se não intimou o sujeito passivo para apresentar a documentação que comprovaria as despesas? Quanto ao mais, a autuação ainda apresenta mais um segundo item (despesas não comprovadas, segredado em dois subitens: o primeiro relativo a valores para os quais supostamente não foi apresentada documentação (digo supostamente, porque nem isso está claro no termo de verificação); o segundo atinente a valores “glosados pela falta de documento fiscal hábil”. Ora, se houve apenas a intimação para a comprovação dos pagamentos, os documentos fiscais a que a autoridade fiscal faz referência só poderia ser o comprovante do pagamento. No entanto, a despesa pelo regime de competência deve ser reconhecida quando incorrida e não quando paga. Dessa forma, a ausência de pagamento não autoriza à autoridade fiscal concluir que a despesa não foi comprovada. O auto de infração não merece prosperar em relação aos dois itens. Em relação ao primeiro, em razão da falta de intimação específica para a apresentação da documentação de suporte das despesas, não há como se afirmar violação do regime de competência. Em relação ao segundo item, justamente porque a tributação deve seguir o regime de competência, a documentação a ser exigida do contribuinte deveria ser a relativa à comprovação de ter a despesa incorrido e não a de ter sido paga. Não podemos perder de vista que, apesar da fase de fiscalização se caracterizar como inquisitiva, para a autoridade afirmar que um determinado item da escrituração do sujeito passivo não foi comprovado, deveria ter especificamente intimado o contribuinte para fazer a comprovação e, no presente procedimento, esta condição não foi atendida. Uma mera intimação em que se requer a comprovação de pagamentos não produz esse efeito. Voto, pois, por rejeitar as preliminares, para no mérito dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 8 DO RECURSO ESPECIAL E DA DECISÃO A Fazenda Nacional apresentou o antigo recurso especial em face de decisão não unânime para que a decisão de segundo grau fosse reformada para restabelecer a decisão da Delegacia de Julgamento. Por meio do Acórdão nº 9101001.437, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso com o fito de considerar que o ônus da prova, em face da acusação fiscal, é do contribuinte e determinou a devolução do feito para que a Câmara abaixo retomasse o julgamento das demais questões. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Primeiramente, devo consignar que a presente decisão visa apenas a complementar aquela que foi exarada no Acórdão nº 120100.072, de 14/05/2009 (fls. 1822/1830), de 14/05/2009, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já relatado. Naquela oportunidade, foram afastadas todas as preliminares suscitadas relativas à nulidade do auto de infração e da decisão recorrida. No mérito, havia sido dado provimento ao recurso voluntário em razão de ônus da prova, critério esse reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que devolveu o feito para análise das demais questões. A decisão no recurso especial não se resumiu a uma simples manifestação quanto ao direito. Aqui vale consignar que, no antigo recurso especial de divergência, a CSRF decidia também quanto a questões de ordem fática. No caso, concluiu, na linha da decisão da DRJ, que cabe ao sujeito passivo fazer prova que infirme as acusações fiscais como postas no presente feito. Pois bem, quase toda a peça recursal visa combater o critério adotado pela autoridade fiscal para promover o lançamento. Quanto à prova capaz de infirmar a imputação fiscal (glosa de despesas não comprovadas), a defesa é sobremaneira genérica. Limitase a aduzir que a autoridade fiscal e a decisão de primeiro grau foram descuidados na análise da documentação juntada aos autos. Pois bem, quanto à atividade fiscal, a questão já está definida pela decisão em recurso especial. Já quanto à análise empreendida pela autoridade julgadora de primeiro grau, esta foi minuciosa. A Delegacia de Julgamento analisou inúmeros documentos; apontou claramente as razões que a levou a não considerar provadas as despesas glosadas. Constatou ainda que diversos documentos juntados se referiam a despesas acatadas pela autoridade fiscal. Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13808.001236/0001 Acórdão n.º 1401001.691 S1C4T1 Fl. 2.652 9 Não procede a alegação da defesa de descuido da autoridade julgadora. Mais: não apontou de forma específica, ainda que exemplificativamente, qualquer falha de análise da decisão recorrida. Isso posto, entendo que a decisão de primeiro grau, quanto à análise documental, deve ser mantida na sua integralidade pelos seus próprios fundamentos, os quais, repito, não foram contestados. Dos juros exigidos à taxa SELIC Quanto aos argumentos pela não aplicação dos juros segundo a taxa SELIC, esse tema já consta de súmula, cuja aplicação é obrigatória: “Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. DO DEPÓSITO RECURSAL Por fim, apesar de não termos relatado, por não compor o objeto da lide, a defesa, no curso da sustentação oral, fez referência aos pedidos de fls. 2.129 e 2.157, dirigidos à autoridade local, para levantamento de depósitos recursais. No curso dos debates, a turma de julgamento deliberou por deixar registrado, no presente voto, a sua posição de que cabe à autoridade local efetivamente apreciar os referidos pedidos. CONCLUSÃO Por todo o exposto e em complemento ao acórdão nº Acórdão nº 1201 00.072, de 14/05/2009 (fls. 1822/1830), de 14/05/2009, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904215/2009-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.904215/200951 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.080 – 3ª Turma Sessão de 07 de junho de 2016 Matéria PIS/COFINS. Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 15 /2 00 9- 51 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904215/200951 Acórdão n.º 9303004.080 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3303002.502, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904215/200951 Acórdão n.º 9303004.080 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904215/200951 Acórdão n.º 9303004.080 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904215/200951 Acórdão n.º 9303004.080 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904215/200951 Acórdão n.º 9303004.080 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904215/200951 Acórdão n.º 9303004.080 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904215/200951 Acórdão n.º 9303004.080 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 279DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.000666/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências e determinar o desapensamento do processo fiscal nº 16327.000667/2008-25 deste, por serem diversas as causas de pedir, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto de Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências e determinar o desapensamento do processo fiscal nº 16327.000667/2008-25 deste, por serem diversas as causas de pedir, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto de Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências e determinar o desapensamento do processo fiscal nº 16327.000667/200825 deste, por serem diversas as causas de pedir, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto de Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 1618972/08 exarado pela Décima Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP 1, efls. 363 a 378, que julgou improcedente o direito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 66 6/ 20 08 -8 1 Fl. 660DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 3 2 creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (Pedidos de Restituição e Declaração de Compensação) de fls. 20 a 67 deste processo e fls. 01 a 172 do processo administrativo nº 16327.000667/200825, apensado a este. O crédito tributário pleiteado pela contribuinte nestes autos, descritos nos Per/Dcomp respectivos, é no valor integral de R$ 20.215.581,74 e provem de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2002, apurado pela empresa parcialmente incorporada pela contribuinte (cisão parcial da empresa IBI Promotora de Vendas Ltda). A contribuinte explica nestes, e nos autos 16327.000667/200825, que apenas parte deste valor integral foi utilizado por ocasião da cisão, sendo que o remanescente foi utilizado pela própria IBI Promotora de Vendas em compensações. No processo administrativo fiscal nº 16327.000667/200825, apenso, a contribuinte pleiteia como crédito tributário o saldo negativo de IRPJ, relativo ao ano calendário de 2003, advindo também da cisão parcial da IBI Promotora de Vendas, nos valores de R$ 4.944.015,88 e R$ 16.583.824,48, consoante se verifica dos Per/Dcomp de fls. 01 a 58 e 59 a 153, observandose que há vários Per/Dcomp retificados, há Per/Dcomp pleiteando o valor de R$ 165.838.240,48 a este mesmo título e, ainda, às fls. 161 a 164, o crédito da mesma natureza foi informado no valor de R$ 651.380,99. No Despacho Decisório emitido pela autoridade a quo, efls. 87 a 97, restou registrado: ASSUNTO: "PEDIDO DE COMPENSAÇÃO". PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL" EMENTA: CISÃO PARCIAL. TRANSFERENCIA DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. SALDO INEXISTENTE. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. A legislação tributária não permite a transferência de créditos decorrentes de saldo negativo do IRPJ, por meio de cisão parcial. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO Em apertada síntese, a autoridade administrativa concluiu pelo indeferimento dos direitos creditórios pleiteados pela recorrente em ambos os processos (666/200881 e no apenso 16327.000667/200825) pelas seguintes razões de fato e de direito: a) o direito creditório pleiteado pela contribuinte referese a suposto crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2002, no valor de R$ 20.215.581,74, apurado pela empresa IBI Promotora de Vendas Ltda, cindida e incorporada parcialmente pela contribuinte em 20 de fevereiro de 2004; b) o Laudo de Avaliação pertinente à referida cisão parcial cita transferência patrimonial da IBI Promotora para o Banco IBI S/A Banco Múltiplo (atual Bradescard S/A) no valor de R$ 500.239,00, resultado líquido da diferença entre o Ativo e o Passivo da empresa cindida (R$ 235.229.330,00 R$ 234.729.091,10); c) do Balanço Patrimonial juntado ao referido Laudo verificase a transferência de parcela cindida no valor de R$ 36.126.425,53 a título de "Outros Créditos", registrado no "Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo", sem especificação no referido Laudo qual parcela de "Impostos a Recuperar" da empresa cindida que teria sido transferida para a Fl. 661DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 4 3 contribuinte; observouse que permaneceu na empresa parcialmente cindida o saldo nesta conta contábil da ordem de R$ 109.112.319,89; d) o crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2002, da empresa parcialmente cindida foi indeferido pela autoridade a quo (parecer e despacho decisório nº 133/2008 efls. 21 a 38) que, ao analisar o processo nº 13896.000926/200361, concluiu que a IBI Promotora de Vendas deixou de adicionar ao Lucro Real despesas com créditos incobráveis, o que reverteu o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/03 de R$ 20.215.581,74 para IRPJ a pagar no valor de R$ 3.317.526,50; e) ainda que não se houvesse verificado naquele outro processo a inexistência do saldo negativo de IRPJ apurado pela IBI Promotora, a titularidade deste pretenso crédito teria que ser analisada em face da ausência de especificação no referido Laudo de Avaliação de quais seriam os alegados "Outros Créditos" recebidos em parte pela contribuinte incorporadora; relevante para a situação deparada é o fato da empresa ter sido apenas parcialmente cindida e continuar a sua existência de forma independente da contribuinte, titular de direitos e obrigações que não constaram expressamente como transferidas para a contribuinte IBI S/A Banco Múltiplo, por ocasião da cisão; f) segue discorrendo sobre a impossibilidade jurídica de transferência de direito creditório em casos de cisões empresariais quando parciais, rechaçando o procedimento da contribuinte em apropriarse dos saldos negativos apurados pela empresa parcialmente cindida. A contribuinte, em manifestação de inconformidade, insurgese contra o indeferimento do crédito pleiteado, primordialmente, (a) pelo fato de haver sido contestado o parecer e despacho decisório nº 133/2008 proferido no processo nº 13896.000926/200361, pela IBI Promotora, argumentando que o litígio encontravase (à época) sub judice. Além deste fato, que considera motivo para o sobrestamento do litígio destes autos, contestou: b) na qualidade de incorporadora da parcela cindida da IBI Promotora de Vendas é detentora de direito dos créditos que pleiteia nos Per/Dcomp apresentados; c) esclarece a origem dos créditos utilizados nos Per/Dcomp objetos destes autos e do apenso, advindos todos da parcela cindida que recebeu pelo ato da cisão da empresa IBI Promotora: c.1) valor histórico de R$ 4.739.466,22, decorrente do saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2002, composto na maior parte de recolhimentos a maior de estimativas e por perdas no recebimento de créditos de at´R$ 5.000,00, vencidos a mais de seis meses objeto de litígio administrativo sub judice, processo nº 13896.000926/200361; esclarece que apenas esta parcela é de sua titularidade (o saldo negativo da IBI Promotora relativo ao ac 2002 é da ordem de R$20.215.581,74 vlr. original); este crédito está sendo discutido nestes autos processo nº 666/200881; c.2) valor histórico de R$ 4.944.015,88, decorrente de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2003, pela sociedade Maud Participações Ltda, incorporada pela IBI Promotora, cujo crédito é composto das retenções de IRF; este crédito está sendo discutido no processo nº 16327.000667/200825; Fl. 662DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 5 4 c.3) valor histórico de R$ 16.583.824,48, decorrente de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2003, cujo crédito é composto das retenções de IRF; este crédito está sendo discutido no processo nº 16327.000667/200825; c.4) valor histórico de R$ 651.380,99, decorrente de saldo negativo de IRPJ, relativo ao período compreendido entre janeiro e fevereiro de 2004, cujo crédito é composto das retenções de IRF; este crédito está sendo discutido no processo nº 16327.000667/200825; d) esclarece que na conta contábil "Outros Créditos" visualizada no Balanço Patrimonial que instruiu o Laudo de Avaliação, dos R$ 36.126.425,53, registrados como parcela cindida e transferida para esta instituição financeira, R$ 30.375.395,68 se trata de "Impostos a Recuperar"; junta planilhas explicitando os valores (Docs nºs 49 e 49A) e observa que as notas explicativas às demonstrações financeiras elaboradas pelos auditores independentes que atuaram na reorganização societária já veiculavam a indicação deste fato; e) esclarece, ainda, que estes fatos contábeis foram devidamente levados a registro no Livro Razão (docs. nºs 51 e 52); f) informa que o objetivo maior da reorganização societária, consoante explicado no Protocolo de Cisão parcial e Justificação foi segregar das demais atividades da IBI Promotora de Vendas a organização e administração dos cartões de crédito, visando maior liquidez e eficiência administrativa e financeira; g) ataca de forma veemente a apensação dos processos, entendendo que cada um trata de uma matéria, pois a apuração de cada crédito é totalmente diversa uma da outra, a contrário senso que a autoridade administrativa entendeu; requer a análise e apreciação dos créditos veiculados nos PER/Dcomp formalizados nos autos 16327.000667/200825 seja feita de forma individualizada e separada, não podendo o despacho decisório dos presentes autos aplicarse àquele pedido; h) os créditos pleiteados são próprios da contribuinte em questão, não podendo ser considerados de terceiros após a cisão parcial ocorrida nos termos legais, sendo insubsistente o indeferimento das compensações sob este argumento; i) a titularidade dos créditos encontra pleno respaldo jurídico na Lei nº 6.404/76 (art. 229, §§1º e 3º) e Código Tributário Nacional (CTN), bem como está clarificada nos documentos societários, nas planilhas juntadas os autos e na contabilidade docs. 43 a 48, 49, 49A, 50, 50A e 51 e 52; discorre amplamente sobre direito sucessório; j) o próprio programa do Per/Dcomp habilita a opção de indicar a origem do crédito pleiteado como advindo de cisão parcial, o que, por si só, já reforça o entendimento da Administração Tributária que a sucessão abrange os créditos da empresa sucedida, ainda que de forma parcial; invoca também a pergunta nº 82 dos "Perguntas e Respostas" elaborada pela própria RFB Secretaria da Receita Federal do Brasil; k) por fim, contesta a exigência de multa e juros se perdurar a não homologação das compensações pretendidas, por restarem devidamente suspensas as exigibilidades dos débitos tributários. A Turma Julgadora de Primeira Instância rebateu as razões de defesa da contribuinte, restando assim ementado o acórdão guerreado: Fl. 663DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 CISÃO PARCIAL . TRANSFERÊNCIA DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. A legislação tributária não permite a cessão de créditos a terceiros com a finalidade de compensação. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de compensação, suspende a exigibilidade dos débitos objeto de DCOMP. MULTA E JUROS DE MORA. A falta de recolhimento do tributo até o vencimento legal da obrigação implica a exigência de multa e juros de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. DILIGÊNCIA. A diligência requerida na impugnação pode ser indeferida pela autoridade julgadora de primeira instância se esta a considerar prescindível. Cita na fundamentação o Parecer PGFN/CDA/CAT N nº 1499/05, itens 30 a 37, que cuida de compensação tributária e civil e compensação de créditos de terceiros com débitos próprios, concluindo que por haver sido realizada uma cisão parcial de patrimônio, os créditos objetos dos litígios instaurados pertencem à empresa original, por continuar existindo. Indefere o pedido de sobrestamento do julgamento do litígio destes autos em razão do processo administrativo nº 13896.000926/200361, por ser de interesse de outro contribuinte, sendo que a existência ou não de crédito naquele não surtirá reflexos nestes autos. A respeito da desapensação dos processos e julgamento dos litígios em separado defende que os pretensos créditos decorrem do mesmo evento, no caso, cisão parcial, o que equivale a serem créditos de mesma natureza estando correta a apensação. Aborda os temas da suspensão de exigibilidade, da multa e dos juros moratórios incidente sobre os débitos cujas compensações não foram homologadas. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 385 a 407, reiterando todos os termos da defesa exordial. A Procuradoria da Fazenda Nacional, às efls. 463 e ss apresenta as cotrarrazões ao recurso voluntário interposto salientando: 1 AR – 31/10/2008, efls. 384; Recurso – 28/11/2008, efls. 385 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 7 6 1) impossibilidade da compensação pretendida, por ausência do crédito indicado (na IBIB Promotora) e ausência de certeza e da liquidez Parecer nº 133/2008 no processo nº 13896.000926/200361; 2) ausência no Protocolo e no Laudo de Avaliação da transferência dos créditos tributários, a saber, ausência de especificação da parcela de "Impostos a recuperar" que foi efetivamente transferida à recorrente; 3) o crédito pleiteado é de terceiro, tendo em vista que não foi a recorrente que o apurou, mas sim terceiro; a origem da apuração foi na contabilidade de empresa terceira e por isso não pode ser transferido, ou sua transferência revestida por qualquer meio é inócua; 4) impertinência do desapensamento do processo nº 16327.000667/200825 e desnecessidade do sobrestamento do julgamento dos processos requerido; 5) legitimidade da taxa Selic. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 8 7 VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Da análise das argumentações, documentos e fatos dos autos, concluise que são os seguintes pontos aventados a serem dirimidos: 1) da possibilidade jurídica da recorrente suceder nos direitos a crédito da empresa cindida parcialmente e da lisura e legitimidade dos documentos pertinentes à reorganização societária para meio de comprovação do recebimento destes créditos tributários; 1.a) do sobrestamento do julgamento deste processo e da vinculação com os autos nº 13896.000926/200361, de interesse da IBI Promotora de Vendas, parcialmente cindida; 1.b) do cabimento da apensação do processo nº 16327.000667/200825; 1.c) do direito da recorrente ao crédito pleiteado. Fixados estes pontos norteadores, passo à apreciação deste litígio. I) Da possibilidade jurídica da recorrente suceder nos direitos creditórios, por ocasião do evento cisão parcial e da documentação comprobatória apresentada. A Turma Julgadora de Primeira Instância defendeu a tese, com fulcro no Parecer PGFN/CDA/CAT N nº 1499/05, itens 30 a 37, que tratam das peculiaridades da compensação tributária e traçam as divergências com as compensações do âmbito privado, regidas pelo Código Civil. Ao examinar a extensa narrativa reproduzida no bojo do acórdão recorrido, verificase que em nenhum momento os efeitos dos eventos sucessórios empresariais são especificamente tratados, ou regulamentados, no caso em espeque, as cisões parciais, embora o ato normativo dê a devida ênfase à necessidade de leis e normas infralegais a serem editadas pela Administração Tributária a fim de possibilitar a compensação no âmbito tributário, e ressaltar a cogência destas normas e a vinculação a que estão afetos os contribuintesadministrados. A partir do item 31, no referido ato, o órgão fazendário cuida das compensações de créditos de um contribuinte com débitos de outro. Ressalta a vedação legal à cessão de crédito a terceiros com esta finalidade. Utiliza a expressão "...a compensação tributária exigir que os partícipes da relação jurídica tributária sejam originais,...". Concluiu a Turma Julgadora no votocondutor: Analisando as peças constantes dos autos verificase que os supostos créditos pertencem da empresa: "IBI PROMOTORA DE VENDAS LTDA., inscrito no CNPJ sob o nº 64.481.201/000194," que por sua vez continua sujeito de direito uma vez que não foi incorporada. Houve apenas, cisão com versão parcial do patrimônio." Não comungo da tese esposada, que, em outras palavras, veda ao instituto da cisão parcial com destinação de parte de patrimônio da empresa cindida para outra empresa os efeitos de titularidade dos bens e direitos destinados. A cisão empresarial está disciplinada na Lei nº 6.404 editada posteriormente ao Código Tributário Nacional, em 1976, e possui status de Lei Complementar tal qual o CTN, devendo nos conceitos de que trata ser observada, inclusive pela Administração Tributária: Cisão Fl. 666DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 9 8 Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. § 1º Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados. § 2º Na cisão com versão de parcela do patrimônio em sociedade nova, a operação será deliberada pela assembléiageral da companhia à vista de justificação que incluirá as informações de que tratam os números do artigo 224; a assembléia, se a aprovar, nomeará os peritos que avaliarão a parcela do patrimônio a ser transferida, e funcionará como assembléia de constituição da nova companhia. § 3º A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições sobre incorporação (artigo 227). Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. (grifos não pertencem ao original) O entendimento de que a norma tributária veda a transferência de direito creditório, devidamente registrado na contabilidade da empresa, ou que veda na cisão parcial a transferência de qualquer espécie de bens ou direitos, não encontra respaldo nas normas tributárias vigentes que disciplinam a compensação tributária. Desde que a forma desta transferência, prescrita na própria Lei das Sociedades Anônimas seja observada. O termo "partícipes originais" utilizado no ato normativo tem aplicação para estabelecer que credor e devedor devem se confundir na mesma pessoa, fato que acontece quando por ocasião de cisão parcial, ou total, ao sucessor transferemse direitos e obrigações, deixandose de se falar em bens e direitos de "terceiros", tanto no direito público como no direito privado; reproduzo o trecho do referido Parecer Conjunto: Neste ponto, a despeito de a compensação tributária exigir que os partícipes da relação jurídica tributaria sejam os originais, o regime de direito público e o de direito privado aplicados à compensação têm um denominador comum, senão vejase: "Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem". 35. Assim, tendo em vista o disposto no citado art. 170 do CTN e no art. 74 da Lei n.° 9.430/96, e a despeito do que dispunha o art. 15 da IN/SRF n.° 21/97, temse que a compensação com crédito de terceiro não encontra amparo legal. A Administração Tributária posicionouse, embora de forma não vinculante, em princípio, sendo contra as transferências de créditos tributários, seja por cessão de créditos, seja por evento de cisão parcial, atribuindo às duas figuras jurídicas o mesmo conceito, atos similares, com Fl. 667DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 10 9 mesmos efeitos, consoante Solução de Consulta recente, editada pela COSIT, nº 119, em 22 de maio de 2014. No entanto, excepcionou alguns casos nos itens a seguir transcritos: [...] 9.6. Quanto ao IRPJ e CSLL, os créditos provenientes de indébito tributário pago a maior podem ser reconhecidos pela cindenda desde que a operação societária de cisão contenha efetiva transferência de patrimônio líquido e contenha propósito negocial, o que não é o caso. 9.7. Tal hipótese é possível desde que haja cisão de ativos, como estabelecimentos produtivos. Nesse caso, a cisão desses ativos também pode ensejar a cisão dos créditos de IRPJ e CSLL em razão de recolhimentos indevidos. Entretanto, o aproveitamento dos referidos créditos deve ser proporcional à parcela do patrimônio líquido recebida por cada empresa resultante da cisão, conforme julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CISÃO PARCIAL DA PESSOA JURÍDICA. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DA EMPRESA CINDIDA, RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. ARTIGO 229 DA LEI 6.404/76. 1. No caso de cisão de pessoa jurídica, o direito de compensação dos créditos tributários reconhecidos judicialmente em favor da empresa cindida passa a integralizar o patrimônio da empresa cindenda, na proporção do patrimônio a ela transferido. (Apel Reex 2006.72.00.0065404, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira, DOU 9/12/2010) [...] Conclusão 14. Com base no exposto, respondese à consulente que: a) A operação societária da cisão parcial sem fim econômico deve ser desconsiderada quando tenha por objetivo o reconhecimento de crédito fiscal de qualquer espécie para fins de desconto, restituição, ressarcimento ou compensação, motivo pelo qual será considerado como de terceiro se utilizado pela cindenda ou por quem incorporála posteriormente. b) Observadas as restrições acima, na sucessão por cisão, os créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior de IRPJ e CSLL somente podem ser aproveitados na proporção do patrimônio líquido cindido. c) Na sucessão por cisão, os créditos fiscais apurados pelo sujeito passivo provenientes da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em operações de exportação, ou em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, somente se tornam próprios da cindida se acompanhadas de transferência de unidade produtiva ou outro estabelecimento vinculado ao surgimento desse crédito. Em decisão deste Conselho recentemente tomada, também, assim manifestouse o colegiado no Acórdão nº 1101001.276, em sessão realizada em 26 de março de 2015: CISÃO. DIREITO CREDITÓRIO DA CINDENDA. CABIMENTO. Na forma do artigo 229, da Lei nº 6.404/1976, cisão é a operação pela qual uma pessoa jurídica transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, Fl. 668DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 11 10 extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. Com o evento, os bens, direitos e obrigações, incluídos os de natureza tributária, passam a ter natureza de créditos próprios da pessoa jurídica cindenda e assim válidos, desde que confirmados, para compensação com débitos desta para com a Fazenda Nacional. Destarte, nada obsta que direitos creditórios, no presente caso, sejam objetos de cisões (ou incorporações) e utilizados posteriormente nas compensações tributárias. Repito, desde que preservada a forma prescrita em lei, e em não se tratando de operação sem propósito negocial (simulações jurídicas), sob pena de nulidade absoluta as pretendidas transferências. Daí, dando seguimento ao presente julgamento, prestigiando o princípio processual civil da primazia da decisão de mérito, consagrado no art. 4º do novo Código de Processo Civil2, passamos ao segundo ponto a ser analisado com profundidade neste tópico. As partes envolvidas na cisão empresarial observaram o rito legal? Vejamos. Diz o artigo 224 da Lei das S/A: Protocolo Art. 224. As condições da incorporação, fusão ou cisão com incorporação em sociedade existente constarão de protocolo firmado pelos órgãos de administração ou sócios das sociedades interessadas, que incluirá: I o número, espécie e classe das ações que serão atribuídas em substituição dos direitos de sócios que se extinguirão e os critérios utilizados para determinar as relações de substituição; II os elementos ativos e passivos que formarão cada parcela do patrimônio, no caso de cisão; III os critérios de avaliação do patrimônio líquido, a data a que será referida a avaliação, e o tratamento das variações patrimoniais posteriores; IV a solução a ser adotada quanto às ações ou quotas do capital de uma das sociedades possuídas por outra; V o valor do capital das sociedades a serem criadas ou do aumento ou redução do capital das sociedades que forem parte na operação; VI o projeto ou projetos de estatuto, ou de alterações estatutárias, que deverão ser aprovados para efetivar a operação; VII todas as demais condições a que estiver sujeita a operação. Parágrafo único. Os valores sujeitos a determinação serão indicados por estimativa. 2 Art. 4o As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 12 11 (grifos não pertencem ao original) Verifico, às efls. 311 a 317 dos autos, o Protocolo de Cisão Parcial e Justificação, acompanhado do Balanço Patrimonial levantado em 31/01/2004, às efls. 321, ambos e mais o Laudo de Avaliação de efls. 318 a 320 registrados na JUCESP em 23 de julho de 2004, que é inconteste a transferência para a recorrente de capitais registrados nas seguintes contas contábeis: Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo Parcelas a serem cindidas Contas a receber de cartões de crédito...............................199.102.904,57 Outros Créditos................................................................... 36.126.425,53 Passivo Circulante e Realizável a Longo Prazo Parcelas a serem cindidas Obrigações por cartões de crédito ligadas..................... 49.904.007,25 Obrigações por cartões de crédito "acquirers"................158.351.962,51 Anuidades diferidas........................................................... 25.929.222,28 Outras obrigações .............................................................. 543.899,06 Em assim sendo, a priori, é de se admitir que as exigências contidas na norma especial de regência das cisões das S/A foram cumpridas pelas empresas envolvidas na cisão realizada. Por outro lado, pelas próprias normas e princípios contábeis, o Balanço Patrimonial, é cediço, apenas registra os valores de forma sintética, sendo o Razão o livro contábil hábil para verificar se os valores analiticamente, ressaltandose que, pelo comezinho princípio das partidas dobradas e coerência, obviamente estará em perfeita consonância com os valores e totais registrados sinteticamente no Balanço Patrimonial levantado para cumprir as exigências legais e específicas para a realização da cisão pretendida. A "Nota Explicativa" às demonstrações financeiras citada pela recorrente e trazida juntamente com a manifestação de inconformidade, bem como as demais planilhas às efls. 349 a 357, carecem de força probatória, pois, primeiro, não estão assinadas pela empresa de auditoria contábil independente que lavrou o Laudo de Avaliação, segundo, nem consta registro na JUCESP, ou qualquer outra marca, elemento, comprobatório que demonstre, de fato, ter acompanhado os demais documentos legais inerentes à cisão parcial em tela. Deve ser lembrado que é assente em todos os tribunais que a forma não pode se sobrepor à substância dos fatos e que a forma exigida na lei, em tese, foi atendida, embora, na prática , de forma insatisfatória e insuficiente para o fim almejado e desejável para cumprir o mandamus de natureza tributária, ou seja, não conseguiu comprovar, efetivamente, que os Saldos Negativos de IRPJ apurados pela empresa que sofreu a cisão em parte de seu patrimônio estavam incluídos na conta contábil "Outros Créditos". Todavia, conforme explicitado acima, a contabilidade da empresa é uma só e bastaria a Administração Tributária intimar as partes envolvidas na cisão para apresentar as contabilidades completas à época para dirimir tão básica dúvida de quais contas contábeis, Fl. 670DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 13 12 analiticamente, bem como quais os valores, compuseram a rubrica "Outros Créditos", o que, por certo, não poderá eximirse de apresentar, nem uma nem outra empresa, ambas do mesmo grupo econômico, nem lograr 'maquiar' os fatos históricos dado a perfeita consonância que os registros contábeis existentes entre os livros Diário e Razão, escriturados à época da ocorrência dos fatos, são obrigados a guardar. Aliás, entendo que isto não foi realizado pela autoridade a quo pelos simples fatos que o indeferimento dos pedidos efetuados pela contribuinte foram, de plano, rechaçados, por entenderem que se tratava de crédito com origem na contabilidade de terceiro e, por isso, impassível de transferência por cisão, e, em segundo, porque partiram da premissa que a empresa cindida não possuía qualquer crédito tributário relativo ao Saldo Negativo de IRPJ, apurado no anocalendário de 2002. A primeira premissa já foi refutada nesta decisão por fundamentos trazidos acima. Os documentos apresentados pela recorrente e levados ao registro na JUCESP também restam admitidos para comprovar que a empresa cindida e sucessora cumpriram as regras formais de substância do ato de cisão, embora entendese, neste voto, não serem suficientes, havendo que ser complementada a prova. Mas antes de adentramos a este tópico complementação da prova produzida mister é que nos manifestemos sobre a segunda premissa levantada pela autoridade a quo :a existência ou não do saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2002, apurado pela empresa cindida IBI Promotora de Vendas S/A, discutido no processo administrativo fiscal nº 13896.000926/200361, que havia sido totalmente indeferido pela autoridade administrativa a quo. Em pesquisa ao sistema eprocesso verificouse que o referido processo está arquivado desde 14/08/2015 e a decisão administrativa, proferida pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, transitou em julgado. O resultado do julgamento do litígio foi parcialmente deferido à contribuinte, reconhecendose o crédito tributário da ordem de R$ 18.585.912,02, enquanto a contribuinte havia apurado em sua DIPJ/03 a importância de R$ 20.215.581,74. assim restou ementado o referido Acórdão nº 0529398/10: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 Saldo Negativo. Glosa de Despesa. Diligência. Comprovada a regularidade da dedutibilidade das despesas com perdas em operações de crédito, em procedimento de diligência fiscal, deve ser afastada a glosa efetivada pela autoridade competente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Saldo Negativo. Glosa de Deduções. IRRF. Se a autoridade fiscal, mediante provas hábeis, em procedimento de diligência requerido pela autoridade julgadora, não regularmente desconstitui as justificativas e provas, utilizadas Fl. 671DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 14 13 pela defesa, para contraditar a fundamentação adotada na decisão, não pode subsistir a glosa das deduções de IRRF. Não subsiste a glosa da dedução de retenções comprovadamente efetivadas e recolhidas pela empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 Compensação. Incidência de Acréscimos Moratórios. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Juros de Mora. Selic. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. E a parte dispositiva do acórdão, nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe ACORDAM os julgadores da 2a Turma de Julgamento da DRJ Campinas, por unanimidade de votos, em HOMOLOGAR as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 no valor de R$ 18.585.912,02, devendo incidir acréscimos moratórios sobre os débitos compensados após o vencimento, nas compensações formalizadas a partir de 28/05/2003, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. E é de se destacar que naqueles autos, 13896.000926/200361, consta o Demonstrativo Analítico de Compensação às fls. 1.160 a 1.167, que após consolidar todas as compensações requeridas pela IBI Promotora de Vendas S/A naqueles autos, registrou o Saldo Remanescente de R$ 2.646.596,47, a título de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002. Por conseguinte, a segunda premissa que norteou o indeferimento dos Per/Dcomp pleiteados pela recorrente (inexistência de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2002, na empresa cindida), não subsiste, visto que o Saldo Negativo de IRPJ foi confirmado no valor de R$ 18.585.912,02 e remanesce, após as compensações pretendidas naqueles autos, o valor de R$ 2.646.596,47. Da apensação do processo nº 667/200835. Considerando que neste julgado admitiuse, pelas razões acima expostas, que a empresa sucessora, ainda que se trate de cisão parcial, subroguese no direito creditório da sucedida (empresa cindida), nos limites estipulados no Protocolo e Justificação da Cisão Parcial, entendo que a decisão de apensar os processos por terem a mesma razão de indeferimento impossibilidade da transferência de direito creditório por entenderse continuar a ser crédito de terceiro deve ser reformada. O presente litígio concentrase em eventual saldo negativo de IRPJ, relativo ao ano calendário de 2002, enquanto os autos 16327.000667/200825 versam de direitos creditórios diversos, assim informados nos Per/Dcomp objetos daqueles autos: Fl. 672DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 15 14 valor histórico de R$ 4.944.015,88, decorrente de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2003, pela sociedade Maud Participações Ltda, incorporada pela IBI Promotora, cujo crédito é composto das retenções de IRF; este crédito está sendo discutido no processo nº 16327.000667/200825; valor histórico de R$ 16.583.824,48, decorrente de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2003, cujo crédito é composto das retenções de IRF; este crédito está sendo discutido no processo nº 16327.000667/200825; valor histórico de R$ 651.380,99, decorrente de saldo negativo de IRPJ, relativo ao período compreendido entre janeiro e fevereiro de 2004, cujo crédito é composto das retenções de IRF; este crédito está sendo discutido no processo nº 16327.000667/200825. Pelo princípio do duplo grau de jurisdição, devem os processos serem desapensados e retornar os autos nº 16327.000667/200825 à autoridade a quo para verificar a existência dos créditos acima descritos e se foram efetivamente objeto da cisão, consoante contabilidade das empresas envolvidas na cisão e composição dos créditos e, se houver eventual indeferimento, por outra causa que não seja aquela ora reformada (impossibilidade de transferência de direito creditório em cisão parcial), em havendo interposição de manifestação de inconformidade, encaminhamento à primeira instância julgadora para apreciação do novo litígio. Por derradeiro, a fim de verificarse a legitimidade do crédito ora pleiteado neste autos, bem como a sua existência, mister é que os autos retornem à unidade de jurisdição da recorrente para que, com vistas, à contabilidade completa da empresa cindida parcialmente IBI Promotora de Vendas E, destaquei, à contabilidade completa da empresa recorrente, verifiquese: a) quais as contas contábeis e valores que na contabilidade analítica (contas do Razão) compõem o saldo da conta "Outros Créditos" registrada no Balanço levantado em 31 de janeiro de 2004 que acompanhou o Protocolo e Justificativa da Cisão Parcial; b) se nestas contas é possível identificar o saldo negativo de IRPJ apurado em 2002 pela empresa IBI Promotora de Vendas e se foi registrado contabilmente os valores repartidos deste saldo entre a empresa cindida e a sucessora; c) sendo a resposta afirmativa ao item b, e com vistas às compensações já efetuadas pela IBI Promotora de Vendas e homologadas pela autoridade administrativa competente (processo nº 13896.000926/200361), verificar se há outros processos de compensação pleiteando este crédito tributário (saldo negativo de IRPJ de 2002 da IBI Promotora de Vendas) e, ainda, se há registros contábeis divergentes daquilo que os Per/Dcomp, cujo objeto é este direito creditório, retrataram. CONCLUSÃO Processo nº 16327.000666/200881 (este): Ao final dos trabalhos, a autoridade fiscal diligente deverá fazer um Relatório Fiscal minucioso sobre as conclusões a respeito e sobre a utilização do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 A autoridade designada ao cumprimento das diligências deverá lavrar um Relatório Fiscal explicitando o resultado do procedimento fiscal e o saldo negativo Fl. 673DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.000666/200881 Resolução nº 1302000.436 S1C3T2 Fl. 16 15 de IRPJ do anocalendário de 2002 apurado pela empresa IBI Promotora de Vendas e sobre o cômputo na conta "Outros Créditos" (BP da cisão), deste crédito, ainda que parcialmente. A recorrente deverá tomar ciência do Relatório Fiscal e serlhe concedido prazo regulamentar para se manifestar, se desejar. Encerrados todos os procedimentos, este processo (nº 16327.000666/200881) deverá retornar a esta Conselheira, para prosseguimento em seu julgamento. Processo nº 16327.000667/200825 (em apenso): Deverá ser procedida a desapensação e retorno à autoridade a quo para a análise da existência do direito creditório pleiteado, objeto dos Per/Dcomp formalizados nos autos, bem como se compuseram o saldo da conta contábil "Outros Créditos", registrada no Protocolo e Justificação da Cisão Parcial havida entre a recorrente e a empresa IBI Promotora de Vendas S/A. Após a análise e emissão de novo despacho decisório, havendo eventual decisão denegatória, e, havendo manifestação de inconformidade, deverá o litígio instaurado ser apreciado pela primeira instância de julgamento administrativo. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 674DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO
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