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Numero do processo: 10530.726031/2014-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PRATICA DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO VISANDO DIMINUIR CARGA TRIBUTÁRIA. Não houve comprovação dos pagamentos da autuada à empresa prestadora dos serviços de frete. Não há como se admitir que uma pessoa jurídica efetue seus pagamentos, em elevados montantes, sempre em espécie e sem qualquer documento a comprovar a transação.
RESPONSABILIDADE DE SÓCIO. O artigo 135 do CTN determina que a responsabilidade dos sócios somente ocorrerá quando demonstrado o fato de os sócios haverem agido com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos.
CONDUTA DOLOSA. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Provada a prática de atos simulados, com o único propósito de esquivar-se das obrigações tributárias, obtidos por meio de uma fraude perpetrada em conluio entre as partes envolvidas, onde se verifica a intenção de impedir ou retardar o conhecimento e a ocorrência da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, deve ser aplicada multa qualificada determinada pelo §1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 3302-006.526
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. Recorrente DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTICIOS SÃO ROQUE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PRATICA DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO VISANDO DIMINUIR CARGA TRIBUTÁRIA. Não houve comprovação dos pagamentos da autuada à empresa prestadora dos serviços de frete. Não há como se admitir que uma pessoa jurídica efetue seus pagamentos, em elevados montantes, sempre em espécie e sem qualquer documento a comprovar a transação. RESPONSABILIDADE DE SÓCIO. O artigo 135 do CTN determina que a responsabilidade dos sócios somente ocorrerá quando demonstrado o fato de os sócios haverem agido com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. CONDUTA DOLOSA. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Provada a prática de atos simulados, com o único propósito de esquivarse das obrigações tributárias, obtidos por meio de uma fraude perpetrada em conluio entre as partes envolvidas, onde se verifica a intenção de impedir ou retardar o conhecimento e a ocorrência da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, deve ser aplicada multa qualificada determinada pelo §1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 60 31 /2 01 4- 63 Fl. 3887DF CARF MF 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 0313 e 1424, através dos quais foi constituído o crédito tributário referente à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS. O crédito tributário total importou em R$ 513.617,50 e R$ 111.509,11, conforme demonstrativos de fls. 3 e 12, respectivamente. 2. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 2542, o lançamento, que se refere ao anocalendário 2010, decorreu da constatação de que o sujeito passivo autuado, praticava um planejamento tributário abusivo visando diminuir sua carga tributária. No tocante ao lançamento do PIS e da Cofins, objeto deste processo, verificou se que a autuada constituiu a transportadora Princesa Transporte Logística e Paletização Ltda em nome de interpostas pessoas, para, por meio de atos simulados, gerar créditos de despesas com fretes a serem descontados dos valores devidos das contribuições, conforme esquema abaixo descrito: Foi detectado que as despesas com fretes escrituradas em valores elevados (superiores a R$ 70.000,00), todas provenientes da empresa Princesa Transporte Logística e Paletização Ltda, eram lançadas a cada 15 dias, praticamente sem nenhuma comprovação do pagamento das mesmas. A Fiscalização constatou que a escrituração contábil da empresa Princesa Transporte Logística e Paletização Ltda apresenta diversos indícios de atos simulados, a exemplo da escrituração do recebimento de receitas contra a conta Caixa, como se valores fossem recebidos em dinheiro. Observouse que, enquanto os saldos da conta Caixa se mantinham elevados, a conta Bancos sempre possuía saldos baixos, muitas vezes até negativos. Fl. 3888DF CARF MF Processo nº 10530.726031/201463 Acórdão n.º 3302006.526 S3C3T2 Fl. 3 3 Em relação à empresa Princesa Transporte Logística e Paletização Ltda foi constatado que: Funcionava no mesmo endereço de uma filial do contribuinte autuado, no caso, o Centro de Distribuição de Distribuição São Roque, conforme Termo de Diligência expedido pela autoridade fiscal. Foi constituída em nome de parentes dos sócios do contribuinte autuado, considerados como interpostas pessoas. Verificouse que o Sr. Angelo Vitório Souza dos Santos, um dos sócios administradores e responsável perante o CNPJ da Princesa Transporte Logística e Paletização Ltda, é filho de uma das sócias da Distribuidora de Produtos Alimentícios São Roque Ltda e funcionário desta empresa, desde abril de 2006. Apesar de possuir apenas três veículos em seu nome (um carro utilitário, um caminhão e um microônibus), durante o ano calendário 2010, em contrapartida tinha em torno de 100 empregados, iniciando o ano apontado com 34 motoristas e 21 ajudantes de carga/descarga e, ao final deste ano, possuía 40 motoristas em seu quadro de funcionários. Vale destacar que a pessoa jurídica autuada declarou possuir 43 veículos utilitários, com os quais afirmou promover a entrega/distribuição dos produtos que comercializava. Suportava parte do quadro funcional do pessoa jurídica autuada, reduzindo os tributos devidos sobre a folha de pagamento por ser optante do Simples Nacional. Diante destas constatações, a autoridade fiscal procedeu à glosa dos créditos de despesas com armazenagem e fretes do DACON apresentado pela autuada (linha 07 das Fichas 06A e 16A). 3. Como a ação fiscal, além da Cofins e do PIS, também envolveu o IRPJ e a CSLL, foram constatadas outras infrações, de interesse destes tributos: (i) despesas não comprovadas, quer por falta de documentação, quer por lançamento em duplicidade, quer por escrituração a maior; (ii) comprovação inidônea de custos com fretes (iii) majoração indevida de custo de mercadorias vendidas; (iv) despesas indedutíveis com refeições, cujo valor não foi adicionado na apuração do Lucro Real; e (v) valores escriturados e não declarados/pagos. A multa, no percentual de 150%, foi aplicada em relação à infração descrita no item 2 acima, com amparo no §1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, alterado pela Lei n° 11.488, de 15/07/2007, e nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Os seguintes sujeitos passivos foram indicados por responsabilidade tributária solidária: Princesa Transporte Logística e Paletização Ltda, Maria Paula Souza dos Santos Rios, Maria Eliana Souza dos Santos Reis, Cláudia da Purificação Souza dos Santos Gonçalves, Roque Eudes Souza dos Santos, estando a conduta de cada um individualizada no Demonstrativo de Responsáveis Tributários (fls. 79). Fl. 3889DF CARF MF 4 Foi efetuada a Representação Fiscal para Fins Penais para a empresa Princesa Transporte Logística e Paletização Ltda, nos termos do processo n° 10530.725903/201476. Os sujeitos passivos elencados no item 5 foram intimados do lançamento e da responsabilização solidária, mas não apresentaram impugnação. A contribuinte autuada apresentou impugnação (fls. 34373451), nos seguintes termos, em síntese: Alegou que a empresa Princesa Transporte não é “de fachada”, como supôs a Fiscalização, que teria se baseado no fato desta ser composta por funcionário da Distribuidora São Roque, filho de uma das sócias da empresa, e por sua tia, pois inexiste vedação no ordenamento jurídico proibindo tal condição. Esclareceu que o motivo da constituição da Princesa Transporte deuse em função da relação pessoal mantida pelo sócio Ângelo com os donos da Distribuidora São Roque, visto que esta sempre pagava fretes a diversas empresas do ramo de transporte. Apontou que a Fiscalização não levou em consideração que no ano de 2010 a empresa Princesa Transporte Logística e Paletização Ltda não estaria sediada nas instalações da Distribuidora São Roque, segundo comprovaria o documento n° 04, ora anexado. Disse que a empresa Princesa Transporte iniciou suas atividades em 04/07/2008, com sede na Rua do Retiro, 82, Santa Mônica, Feira de Santana (BA), tendo como cliente único a impugnante, conforme contrato de prestação de serviços (documento n° 04), sendo que tal contrato, apresentado ao “Estado da Bahia”, conferiria dispensa de emissão de conhecimento de transporte rodoviário de carga (documento n° 06). Justificou que a mudança de endereço da Princesa Transporte para a sede da Distribuidora São Roque ocorreu por motivo de logística e da proximidade dos sócios das duas empresas, sustentando inexistir vedação legal quanto a este fato. Afirmou que o prédio onde está sediada a empresa Princesa Transporte é composto de três pavimentos, mas que no momento da diligência, por ter melhores condições físicas, a reunião se deu nas instalações da Distribuidora São Roque, no mesmo prédio. Acusou que em nenhum momento a auditorafiscal solicitou se dirigir ao 2° andar, local efetivo da localização da Princesa Transporte. Aduziu que a empresa Princesa Transporte exercia de forma regular suas atividades, desde sua constituição, apontou que a mesma era conhecida, seu sócio estava no local da sua sede no momento da diligência e todos os documentos solicitados pela Fiscalização foram apresentados. Indicou que em 26/12/2013, ou seja, antes do início da ação fiscal, a empresa Princesa Transporte havia requerido, por livre e espontânea vontade, sua exclusão do Simples Nacional, o que afastaria a alegação de que esta empresa teria sido criada para Fl. 3890DF CARF MF Processo nº 10530.726031/201463 Acórdão n.º 3302006.526 S3C3T2 Fl. 4 5 beneficiar a Distribuidora São Roque, uma vez que teria optado pelo regime simplificado para reduzir a contribuição previdenciária. Discorreu sobre a regularidade tributária da empresa Princesa Transporte, antes e depois do pedido de exclusão do Simples Nacional. Sobre a compatibilidade do número de empregados com a frota de automóveis da empresa Princesa Transporte, expôs que, em 2010, não possuía muitos veículos próprios, o que a teria levado a alugar caminhões de terceiros para a realização dos fretes, conforme alguns contratos anexados (documento n° 14). Demonstra que, mesmo antes da ação fiscal, vem aumento a sua frota de veículos, conforme notas fiscais de compra e venda apresentados (documentos n° 15). No que concerne à comprovação da idoneidade dos pagamentos dos fretes, argumentou que não existe qualquer impedimento na legislação pátria que proíba a quitação dos referidos serviços ser efetuada em espécie. Sobre a multa de 150% aplicada alega que, além de inconstitucional, a mesma é indevida por não ter ocorrido o alegado planejamento tributário abusivo. Requereu, ao final, a manutenção dos créditos do PIS e da Cofins glosados e a exclusão da multa de 150%. Em 27 de julho de 2016, através do Acórdão de Impugnação n° 1153.798, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife/PE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação, para manter integralmente o crédito tributário. Os autuados foram intimados do Acórdão de Impugnação, de folhas 3.875 à 3.879, via Aviso de Recebimento. Em 12 de setembro de 2016, a empresa DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTICIOS SÃO ROQUE LTDA ingressou com Recurso Voluntário, de folhas 3.851 à 3.873. Foi alegado em síntese que: ü A imputação da responsabilidade dos sócios; ü A existência de fato da empresa PRINCESA TRANSPORTE LOGÍSTICA E PALETIZAÇÃO; ü A incidência da multa de ofício de 150%. O PEDIDO Assim exposto, com esses argumentos, requer seja recebido, conhecido e, ao final, PROVIDO o presente recurso para: a) Declarar que não houve qualquer irregularidade na relação entre a Recorrente e a PRINCESA TRANSPORTE LOGÍSTICA E PALETIZAÇÃO LTDA e, em consequência, que as despesas com frete poderiam ser excluídas da base de cálculo do PIS e COFINS, Fl. 3891DF CARF MF 6 estando correta a tributação realizada pela Recorrente, anulandose o auto de infração ou, alternativamente, reduzir a multa de 150% (cento e cinquenta por cento). É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. A empresa DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTICIOS SÃO ROQUE LTDA foi cientificada do Acórdão de Impugnação, em 17/08/2016, às folhas 3.875 e ingressou com Recurso Voluntário em 12/09/2016, folhas 3.851. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. No Recurso Voluntário foram alegados os seguintes pontos: · A imputação da responsabilidade dos sócios; · A existência de fato da empresa PRINCESA TRANSPORTE LOGÍSTICA E PALETIZAÇÃO; · A incidência da multa de ofício de 150%. Passase à análise. Da não impugnação dos responsáveis solidários. Consoante relatado, as pessoas arroladas como responsáveis solidários não apresentaram impugnação. Tal fato permite supor suas concordâncias tácitas, com suporte no art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972. Da ação fiscal. Para uma análise profícua da lide instaurada é necessário um breve apanhado dos fatos que embasam a ação fiscal: O fisco constatou que as despesas com fretes escrituradas em valores superiores a R$ 70.000,00, as quais estão relacionadas no ANEXO ÚNICO do presente Termo, foram todas provenientes da empresa PRINCESA TRANSPORTE LOGÍSTICA E PALETIZAÇÃO LTDA, CNPJ 10.298.839/000101. Esta Fl. 3892DF CARF MF Processo nº 10530.726031/201463 Acórdão n.º 3302006.526 S3C3T2 Fl. 5 7 empresa funciona no mesmo endereço da filial 0003 do contribuinte ora fiscalizado, tratase do Centro Distribuidor da SÃO ROQUE; foi constituída em nome de parentes dos sócios do contribuinte fiscalizado, considerados como interpostas pessoas; verificamos que um dos sócios administradores e responsável perante o CNPJ da empresa PRINCESA é filho de uma das sócias da SÃO ROQUE e funcionário da empresa SÃO ROQUE, desde abril de 2006. O fisco apurou que o sujeito passivo ora fiscalizado, através de um planejamento tributário abusivo, criou a transportadora PRINCESA em nome de interpostas pessoas, para que, através de atos simulados, a mesma gerasse despesas com fretes para a DISTRIBUIDORA com o fim específico de reduzir sua carga tributária (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) As despesas envolvidas são de valores elevados, lançados a cada 15 dias, praticamente, sem nenhuma comprovação do efetivo pagamento das mesmas, as quais totalizaram R$ 2.326.023,43 no ano de 2010. A escrituração contábil da empresa PRINCESA também contém diversos indícios de atos simulados, como o fato de escriturar o recebimento das receitas contra a conta Caixa, como se valores na ordem de R$ 90 mil fossem recebidos em dinheiro. Sua conta Caixa fica com saldos elevados, comparados com a conta Bancos, que sempre possui saldos baixos, muitas vezes até negativos. Nessa mesma toada, é de se destacar os itens 11 a 13 do Acórdão de Impugnação: No curso da ação, concluiu a fiscalização, por uma série de motivos já expostos, que os sócios da autuada criaram, em nome de parentes seus, a empresa Princesa Transporte, Logística e Paletização Ltda, que funciona no mesmo endereço de uma das filiais da Distribuidora São Roque. Esta filial tem como empregado, desde 2006, um dos sócios da Princesa Transporte (o Sr. Angelo Vitório Souza dos Santos). No entendimento da autoridade fiscal, a constituição da Princesa baseouse em um planejamento tributário abusivo, com o fim específico de reduzir a carga tributária da Distribuidora São Roque, por meio de atos simulados, tais como a geração de despesas com fretes em valores elevados sem a comprovação de efetivo pagamento. Alicerça seu entendimento também na constatação de que a Princesa não possuía estrutura física e operacional a justificar seu faturamento, possuindo apenas um caminhão à época dos fatos geradores, não obstante tivesse incompatível quantidade de motoristas registrados em seus quadros (no início do ano eram 34, ao final havia 40 motoristas contratados). Nesse particular, afirma que parte desses funcionários era de fato da Distribuidora São Roque e que tal procedimento visou reduzir a tributação sobre a folha de Fl. 3893DF CARF MF 8 pagamento, já que a Princesa Transporte era optante do Simples Nacional. Observou a fiscalização que todas as receitas com fretes foram escrituradas pela Princesa Transporte em contrapartida à conta Caixa, embora os valores recebidos nunca fossem inferiores a R$ 70.000,00. Verificou, ainda, que a conta Bancos possuía sempre saldos baixos, senão negativos. Os depósitos efetuados na conta bancária destinavamse sempre a cobrir o saldo negativo ou a suportar saques em dias de pagamentos a funcionários. Por fim, é de se destacar o fato de que em 2010, a Princesa Transporte não possuía frota compatível com o número de empregados porque alugava caminhões para os fretes. No item 18 do Acórdão de Impugnação, são apresentadas as conclusões: Pois bem, verificando as razões de defesa, os elementos de prova apresentados pela autoridade fiscal e os demais indícios apontados, concluise que a exigência fiscal deve ser mantida, eis que presente a irregularidade apontada no lançamento. Isto porque o conjunto de indícios apresentados convergem para se considerar que as despesas com fretes foram simuladas e que, efetivamente, a empresa Princesa Transporte foi constituída com a finalidade única de ludibriar a Administração Tributária. Com efeito, é notória a falta de estrutura operacional da empresa Princesa Transporte, pois não é razoável suporse que uma empresa cuja única atividade é a prestação de serviços de fretes, e que aufere expressivas receitas dessa atividade, possua um único caminhão à época dos fatos geradores. Conforme documentos acostados pela defesa, houve aquisições de caminhões no ano de 2013, muito após os fatos geradores em discussão, que ocorreram em 2010. Não há justificativa plausível para o fato de haver, para um único caminhão, um número incompatível de motoristas e encarregados de carga e descarga registrados na empresa Princesa Transporte. Os contratos de aluguel de caminhões apresentados (fls. 36163636), contendo apenas as assinaturas das partes e, ausente de testemunhas, não são hábeis como meios de prova perante terceiros, ante a ausência de qualquer sinal que permitisse atestar suas veracidades (tais como registro em cartório ou reconhecimento de firma). (...) Ao lado destas constatações, convém aduzir que não houve a comprovação dos pagamentos da autuada à empresa Princesa Transporte pela suposta prestação dos serviços de frete. Ora, tal fato fala por si só, pois não há como se admitir que uma pessoa jurídica efetue seus pagamentos, em elevados montantes, sempre em espécie e sem qualquer documento a comprovar a transação. Relativamente a isto a impugnante restringese a alegar inexistência de impedimento legal para que a quitação de um débito possa ser efetuada em espécie. Fl. 3894DF CARF MF Processo nº 10530.726031/201463 Acórdão n.º 3302006.526 S3C3T2 Fl. 6 9 A fiscalização também destacou que as contabilizações dos supostos pagamentos ocorriam em dinheiro, em contrapartida da conta Caixa, a qual sempre apresentava saldos elevados, em oposição à conta Bancos, que, em sentido oposto, apresentava saldos baixos e muitas vezes devedores. Acrescentese o fato de a empresa Princesa Transporte ter apenas um único cliente (a autuada), o que robustece a tese de que sua constituição teve um único direcionamento: a simulação da prestação de serviços de fretes. E, por fim, ao encontrarse no sistema de recolhimento simplificado (Simples Nacional), recolhendo menos tributos sobre a sua folha de pagamentos, a qual apresenta elevado número de empregados, estando aí inserida a já comentada incompatível quantidade de motoristas (cerca de 40), é outro elemento a merecer destaque, notadamente pela constatação de a Princesa Transporte possuir, no ano de 2010, apenas um único caminhão. Compilando os fatos que embasam a presente ação fiscal, temos: ü A empresa fiscalizada, DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS SÃO ROQUE, foi intimada a apresentar documentação comprobatória das despesas com fretes em valores superiores à RS 70.0000,00 e a comprovar o seu efetivo pagamento; ü Os sócios da DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS SÃO ROQUE criaram, em nome de parentes seus, a empresa Princesa Transporte, Logística e Paletização Ltda, que funcionou no mesmo endereço de uma das filiais da Distribuidora São Roque. Esta filial tem como empregado, desde 2006, um dos sócios da Princesa Transporte (Sr. Ângelo Vitorio Souza dos Santos); ü A empresa PRINCESA TRANSPORTE, LOGÍSTICA E PALETIZAÇÃO LTDA, tinha um único cliente, a Distribuidora São Roque, ora autuada. ü Todos os conhecimentos de Transporte Rodoviários de Carga apresentados eram da empresa PRINCESA TRANSPORTE, LOGÍSTICA E PALETIZAÇÃO LTDA, e não foi comprovado nenhum pagamento; ü A empresa PRINCESA TRANSPORTE, LOGÍSTICA E PALETIZAÇÃO LTDA, não possuía estrutura física e operacional a justificar o seu faturamento, possuindo apenas um caminhão à época dos fatos geradores, não obstante tivesse incompatível quantidade de motoristas registrados em seus quadros (no início do ano eram 34, ao final havia 40 motoristas contratados); Fl. 3895DF CARF MF 10 ü Todas as Receitas com Fretes terem sido escrituradas em contrapartida com a Conta Caixa, como se estivesse recebido as elevadas quantias escrituradas, cujos valores nunca eram inferiores a R$ 70.000,00, em dinheiro; ü Segundo a escrituração da conta Bancos, verificouse que a mesma sempre possuía saldos baixos, quando não, negativos. Os aportes de dinheiro (depósitos efetuados) eram em quantias suficientes para se cobrir a conta bancária eventualmente negativa. É alegado às folhas 15 do Recurso Voluntário: Desta forma, as duas primeiras premissas utilizadas pela Fiscal, quais sejam, a sociedade ser constituída por funcionário da SÃO ROQUE e a sede da empresa ser no prédio onde funciona a São Roque, não são proibidas pelo nosso ordenamento jurídico tributário. De outro lado, como as relações particulares devem ser norteadas pelo princípio constitucional da legalidade, segundo o qual, o que não está proibido está permitido, a empres a foi constituída de forma eminentemente regular. Esse argumento sintetiza inúmeras laudas do Recurso Voluntário dispostas a comprovar a constituição da empresa PRINCESA TRANSPORTE, LOGÍSTICA E PALETIZAÇÃO LTDA mas são irrelevantes para demonstrar a sua efetiva operacionalidade e que a prestação de serviços de transporte de fato ocorreu. Os argumentos veiculados na impugnação são afastados pelo Acórdão de Impugnação, com base nas seguintes evidências: ü Não há justificativa plausível para o fato de haver, para um único caminhão, um número incompatível de motoristas e encarregados de carga e descarga registrados na empresa Princesa Transporte. Os contratos de aluguem de caminhões apresentados (fls. 36163636), contendo apenas as assinaturas das partes e, ausente de testemunhas, não são hábeis como meios de prova perante terceiros, ante ausência de qualquer sinal que permitisse atestar suas veracidades (tais como registro em cartório ou reconhecimento de firma); ü Não houve comprovação dos pagamentos da autuada à empresa Princesa Transporte pela suposta prestação dos serviços de frete. Ora, tal fato fala por si só, pois não há como se admitir que uma pessoa jurídica efetue seus pagamentos, em elevados montantes, sempre em espécie e sem qualquer documento a comprovar a transação. Relativamente a isto, a impugnante restringese a alegar inexistência de impedimento legal para que a quitação de um débito possa ser efetuada em espécie. Contudo, a empresa DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS SÃO ROQUE, ora atuada, apresenta contratos de aluguem de caminhões (fls. 36163636) com identificação do LOCADOR, veículo objeto da prestação, valor do contrato da locação, datados e assinados pelas partes. Fl. 3896DF CARF MF Processo nº 10530.726031/201463 Acórdão n.º 3302006.526 S3C3T2 Fl. 7 11 Assiste razão ao Acórdão de Impugnação ao considerar que a ausência de testemunhas, não são hábeis como meios de prova perante terceiros, ante falta de qualquer sinal que permitisse atestar suas veracidades. A empresa DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS SÃO ROQUE, ora atuada, apresenta contratos de aluguem de caminhões (fls. 36163636) com identificação do LOCADOR, mas não apresentou qualquer comprovação dos pagamentos da autuada à empresa Princesa Transporte pela suposta prestação dos serviços de frete, o que implica em interpretar que a prestação de serviços de transporte não ocorreu de fato e consequente houve a pratica de planejamento tributário abusivo visando diminuir sua carga tributária. No tocante ao lançamento do PIS e da Cofins, objeto deste processo, verificou se que a autuada constituiu a transportadora Princesa Transporte Logística e Paletização Ltda em nome de interpostas pessoas, para, por meio de atos simulados, gerar créditos de despesas com fretes a serem descontados dos valores devidos das contribuições, o que implica em fraude. Responsabilidade de Sócios. Os sócios, ao constituírem a sociedade na forma disciplinada no Código Civil, fundamentados no direito societário, limitam sua responsabilidade aos aportes que realizam para a formação do capital, seja em quotas ou ações objetivando restringir sua participação no pagamento dos débitos sociais, desde que não pratiquem atos com excesso de mandato, violação da lei ou do contrato social. A determinação do sujeito passivo da obrigação tributária principal é determinada pelo artigo 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. O artigo 135 do CTN determina que a responsabilidade dos sócios somente ocorrerá quando demonstrado o fato de os sócios haverem agido com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; (sócio Art. 134 CTN, inciso VII) II – os mandatários, prepostos e empregados; Fl. 3897DF CARF MF 12 III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Isto significa que, se o empresário ou administrador agir dentro da lei e do contrato social ou estatuto e, por circunstâncias do mercado, a empresa da qual é sócio ou administrador não cumprir com suas obrigações tributárias seus bens particulares não respondem pelo crédito tributário. Não é o caso. o Lei nº 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como demonstrado, verificou se que a autuada constituiu a transportadora Princesa Transporte Logística e Paletização Ltda em nome de interpostas pessoas, para, por meio de atos simulados, gerar créditos de despesas com fretes a serem descontados dos valores devidos das contribuições, o que implica em fraude. Multa de ofício. Previsão legal e percentual (150%). O litigante investe contra a aplicação da multa qualificada de 150%, que diz ser confiscatória e injustificada. O dispositivo aplicado, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351 DE 22 DE JANEIRO DE 2007 DOU DE 22/1/2007 Edição extra) Alterada pela LEI Nº 11.488 DE 15 DE JUNHO DE 2007 DOU DE 15/5/2007 Edição extra I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 3898DF CARF MF Processo nº 10530.726031/201463 Acórdão n.º 3302006.526 S3C3T2 Fl. 8 13 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifouse.) A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual 150 % o legalmente previsto para a situação descrita no Termo de Verificação Fiscal, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 150%, definido em lei, sobre os valores do imposto não recolhido, rejeitandose a contestação de que não haveria previsão legal para tanto. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 3899DF CARF MF 14 Fl. 3900DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.006852/2006-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
Em se tratando de rendimentos recebidos ao longo do ano calendário sujeitos ao ajuste anual, e tendo havido antecipação do pagamento do imposto mediante retenção pela fonte pagadora, o termo inicial da contagem de prazo de 5 anos é o dia 31 de dezembro do ano calendário correspondente.
Numero da decisão: 2002-000.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para considerar válido o Pedido de Restituição referente ao ano calendário 2001, uma vez que não atingido pela decadência do direito, e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem para a análise do mérito pelo colegiado de primeira instância.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Em se tratando de rendimentos recebidos ao longo do ano calendário sujeitos ao ajuste anual, e tendo havido antecipação do pagamento do imposto mediante retenção pela fonte pagadora, o termo inicial da contagem de prazo de 5 anos é o dia 31 de dezembro do ano calendário correspondente.
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PRAZO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Em se tratando de rendimentos recebidos ao longo do ano calendário sujeitos ao ajuste anual, e tendo havido antecipação do pagamento do imposto mediante retenção pela fonte pagadora, o termo inicial da contagem de prazo de 5 anos é o dia 31 de dezembro do ano calendário correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para considerar válido o Pedido de Restituição referente ao ano calendário 2001, uma vez que não atingido pela decadência do direito, e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem para a análise do mérito pelo colegiado de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 68 52 /2 00 6- 71 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.006852/200671 Acórdão n.º 2002000.682 S2C0T2 Fl. 107 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Pedido de Restituição (efls. 02/03) apresentado em 30/06/2006 pela contribuinte acima identificada, referente aos valores pagos a título de "abono variável" pelo Tribunal Regional do Trabalho TRT no período de 01/1998 a 05/2002, os quais foram posteriormente considerados não tributáveis pelo Supremo Tribunal Federal STF. A interessada solicitou, ainda, a atualização pela Taxa Selic dos valores pagos indevidamente a título de imposto de renda nos anos calendário 1998, 2000, 2001 e 2002 em razão do caráter indenizatório do referido abono, a incidir a partir das respectivas datas de recolhimento. O Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá (efls. 34/45) deferiu parcialmente o Pedido de Restituição conforme decisão abaixo reproduzida: Diante do acima exposto, e no uso da competência delegada pela Portaria DRF/MGA n° 104/2004 DECIDO: I. O indeferimento do pedido de restituição relativo aos anos calendário 1998, 2000 e dos meses de janeiro a maio de 2001, devido à decadência do direito da peticionaria em pedir a restituição do possível indébito tributário, por ter decorrido período superior a cinco anos da data do pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 168 do CTN. II. Que, sobre o valor indevidamente retido, no período de junho de 2001 a dezembro de 2001, incida o acréscimo da taxa SELIC, a partir do mês seguinte à data do pagamento/retenção indevida e não a partir do mês seguinte à data prevista para a entrega tempestiva das respectivas declarações de rendimentos, como calculado no anexo deste despacho, totalizando o valor de R$ 745,78 (setecentos e quarenta e cinco reais e setenta e oito centavos). Os valores proporcionais calculados já incidiram SELIC a partir da data da retenção até o mês anterior restituição e de um 1% relativamente ao mês que está sendo efetuada (maio de 2007). III. O indeferimento do pedido de restituição relativo ao ano calendário 2002 devido a não inclusão do “abono variável provisório” neste período. Após a ciência do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 52/67), cujas alegações foram resumidas no relatório da decisão de primeira instância (efls. 89): Esclarece que recebeu do Tribunal Regional do Trabalho da 9” Região, gratificações a titulo de abono variável, rendimentos Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.006852/200671 Acórdão n.º 2002000.682 S2C0T2 Fl. 108 3 esses sujeitos à tributação na fonte, posteriormente considerados não tributáveis pela Resolução n° 245 do Supremo Tribunal Federal, de 12 de dezembro de 2002, entendimento que estaria corroborado pelo Parecer PGFN n° 529, de 07 de abril de 2003. Aduz que, em 2003, a fonte pagadora retificou as Dirf dos períodos em questão. Condena o resultado da análise do pedido pela Saort da DRF Maringá que estaria contrariando o disposto na Nota Conjunta Corat/Cosit n° 53, de 10 de março de 2006, uma vez que retificadas as declarações em 2003, não haveria que se falar em decadência pelo art. 168, I da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Alerta para supostas contradições entre as decisões proferidas pela Receita Federal do Brasil (RFB) em Maringá e Ponta Grossa, na análise de casos similares (transcrições parciais das decisões e juntada de cópias de fls. 66 a 81). Entende que a contagem do prazo decadencial deve se iniciar na data do reconhecimento da tributação indevida, no caso, a data de edição da Resolução STF n° 245, de 2002. Invoca, ainda, os princípios constitucionais da legalidade, isonomia ou igualdade, irretroatividade, nãocumulatividade, vedação ao confisco, anterioridade, segurança jurídica e uniformidade, pedindo adoção da interpretação legal menos gravosa para o contribuinte. Transcreve entendimentos judiciais sobre matérias correlatas e, ao final, requer suspensão da exigibilidade do crédito, revisão integral do despacho decisório, fixandose o prazo decadencial para cinco anos após a apresentação da Dirf retificadora, em consonância com a Nota Conjunta n° 53, de 2006, e a produção de provas. A solicitação foi indeferida pela 4ª Turma da DRJ/CTA em decisão assim ementada (efls. 87/91): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. DECISÕES JUDICIAIS. Cabe à esfera administrativa aplicar as normas legais nos estritos limites de seu conteúdo, mormente se as decisões judiciais e administrativas, suscitadas na petição, não possuírem Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.006852/200671 Acórdão n.º 2002000.682 S2C0T2 Fl. 109 4 leis que lhes atribuam eficácia, ou se o ato legal contestado não tiver sido declarado inconstitucional pelo Poder Judiciário. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ANÁLISE. PRERROGATIVA. À autoridade administrativa não compete manifestarse quanto à inconstitucionalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida Cientificada do acórdão da DRJ em 17/10/2008 (efls. 94), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 14/11/2008 (efls. 95/103) trazendo apenas argumentos já apresentados anteriormente em sua Manifestação de Inconformidade, os quais estão sintetizados a seguir. Expõe que no período de janeiro de 1998 a maio de 2002 recebeu do TRT da 9ª Região gratificações denominadas de abono variável, as quais foram consideradas posteriormente de caráter indenizatório, ou seja, não tributáveis, nos termos da Resolução n° 245 do STF. Em decorrência, o TRT encaminhou DIRF retificadora em 2003 referente aos exercícios em questão. Defende que somente com a Resolução n° 245 do STF e a apresentação da DIRF retificadora é que se inicia a contagem do prazo decadencial de cinco anos para requerer a restituição dos valores recolhidos indevidamente, bem como o efetivo prazo para a homologação expressa, visto que os valores efetivamente devidos somente foram conhecidos pela Resolução supracitada. Sustenta que, por força da interpretação forçada diante do disposto no art. 168 do CTN, o prazo para pleitear a restituição ou compensação do indébito somente começará a fluir a partir do recebimento da DIRF retificadora, quando então se extingue o crédito, ou seja, em 31/12/2007, se levar em conta o ano calendário, ou em abril, se levar em conta a apresentação da DIRF retificadora. Transcreve decisões nesse sentido. Conclui que o parecer que nega a restituição dos valores recolhidos a maior se funda em interpretação de norma numa situação mais gravosa ao contribuinte, enquanto a regra diz que, havendo duas possíveis interpretações de uma norma, prevalece a menos gravosa ao contribuinte. Requer que se promova a reforma do Acórdão recorrido, fixando o prazo da decadência do direito para cinco anos após o advento da DIRF retificadora. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.006852/200671 Acórdão n.º 2002000.682 S2C0T2 Fl. 110 5 No caso em exame a decisão recorrida ratificou o entendimento exposto no Despacho Decisório que deferiu parcialmente o Pedido de Restituição da contribuinte, conforme se extrai dos excertos a seguir reproduzidos (efls. 89/91): Quanto aos prazos decadenciais para se pleitear a restituição de tributos, assim estabelecem os arts. 165, I e 168, I do CTN: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. " Na esteira do art. 168, I, do CTN, o Ato Declaratório SRF n° 96, de 1999, em conformidade com o Parecer PGFN/CAT/n° 1.538, de 1999, preceitua: “I o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributária arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). " Depreendese desse dispositivo que o direito de se pleitear restituição, nos casos de pagamento indevido ou a maior que o devido, decai em cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário correspondente. O Ato Declaratório em comento originouse da necessidade de se definir, nas hipóteses de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, a data de início da contagem do prazo decadencial, se no momento da extinção do crédito (art. 168, I do CTN) ou do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade. Concluiu, então, a Administração Pública, apoiandose no Parecer PGFN/CAT n° 1.538, de 1999, que, nos termos do art. 168, I, do CTN, passados cinco anos da data da extinção do crédito tributário, assim considerada a data do respectivo Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10980.006852/200671 Acórdão n.º 2002000.682 S2C0T2 Fl. 111 6 pagamento, considerase extinto o direito do contribuinte de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido. [...] Assim, ratificase o parecer do Despacho Decisório contestado, considerandose atingido pela decadência o pedido de restituição formalizado em 30/06/2006 (fl. 01), relativamente aos créditos tributários extintos pelo pagamento nos anoscalendário de 1998 a 2000 e dos meses de janeiro a maio de 2001. Verificase do acima exposto que a DRJ indeferiu a restituição referente aos anos calendário 1998 a 2000 e ao período de janeiro a maio de 2001 por considerar decadente o pedido realizado pela contribuinte em 30/06/2006. De acordo com a decisão de piso, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos da data da extinção do crédito tributário, qual seja, a data do respectivo pagamento. Em seu Recurso Voluntário a interessada defende que, no caso concreto, o prazo para pleitear a restituição ou compensação do indébito somente começou a fluir a partir do recebimento da DIRF Retificadora, quando então se extinguiu o crédito tributário. Nesse ponto, cabe a este Colegiado esclarecer qual seria, de fato, o termo inicial para a contagem do prazo em questão. Sobre o tema, impõese observar que o imposto de renda devido no Ajuste Anual é tributo cujo fato gerador não se dá instantaneamente em um momento exato, mas se assenta ao longo do tempo. Na hipótese de os rendimentos não estarem sujeitos à tributação definitiva ou exclusiva na fonte, estes devem integrar a base de cálculo do Ajuste Anual no ano em que forem considerados percebidos, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Assim, apenas com a Declaração de Ajuste Anual o imposto se torna definitivo, podendo a autoridade administrativa aceitar os dados fornecidos pelo declarante ou, com base neles, exigir eventual diferença de tributo. Tratase de fato gerador complexivo, com duas modalidades de incidência no mesmo período de apuração. Em um primeiro momento ocorre a retenção e/ou o recolhimento mensal do imposto à medida que os rendimentos são percebidos, caracterizandose como mera antecipação do montante efetivamente devido pelo contribuinte. Em um segundo momento procedese ao acerto definitivo do imposto através da Declaração de Ajuste Anual, sob inteira responsabilidade do beneficiário dos rendimentos. Dessa forma, sendo o imposto de renda tributo de incidência anual, a contagem do prazo para que a Fazenda constitua o crédito tributário deve ter início somente no momento de seu aperfeiçoamento, ou seja, em 31 de dezembro de cada ano. Mesmo raciocínio se aplica ao prazo para que o contribuinte solicite a restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. É nesse sentido o entendimento da RFB sobre o assunto, apoiado no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 6/2014, conforme se extrai das orientações constantes da última publicação do Perguntas e Respostas do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física, divulgada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o exercício 2018: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.006852/200671 Acórdão n.º 2002000.682 S2C0T2 Fl. 112 7 066 — Qual é o prazo para pleitear a restituição do imposto sobre a renda pago indevidamente? O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário, tratandose de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, não tributáveis ou isentos. Em se tratando de rendimentos recebidos ao longo do ano calendário sujeitos ao ajuste anual, e tendo havido antecipação do pagamento do imposto mediante retenção pela fonte pagadora, o termo inicial da contagem de prazo de 5 anos é o dia 31 de dezembro do anocalendário correspondente. Esse mesmo prazo aplicase também à restituição do imposto sobre a renda na fonte incidente sobre os rendimentos recebidos como verbas indenizatórias a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário (PDV). (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, arts. 165, I, e 168, I; Ato Declaratório SRF nº 96, de 26 de novembro de 1999, Parecer Normativo Cosit/RFB nº 6, de 4 de agosto de 2014) Assim, tendo em vista que no presente caso o Pedido de Restituição foi protocolado em 30/06/2006, conforme carimbo do Ministério da Fazenda no verso do documento (efls. 02/03), não há que se falar em decadência para os créditos referentes ao período de 01 a 05/2001, ao contrário do que foi consignado na decisão recorrida. Para o ano calendário 2001 a contagem do prazo para pleitear a restituição teve início em 31/12/2001 e se extinguiu 5 anos depois, em 31/12/2006, ou seja, após o Pedido de Restituição formalizado pela recorrente. Por outro lado, mantémse a decisão de piso no que diz respeito aos anos calendário 1998 a 2000. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para considerar válido o Pedido de Restituição referente ao ano calendário 2001, uma vez que não atingido pela decadência, e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem para a análise do mérito pelo colegiado de primeira instância. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10980.006852/200671 Acórdão n.º 2002000.682 S2C0T2 Fl. 113 8 Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660265/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/08/2003
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO.
A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.030
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/08/2003 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 65 /2 01 1- 18 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.660265/201118 Acórdão n.º 3201004.030 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da apuração equivocada da contribuição sobre receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manual (ZFM), que em hipótese alguma deviam ser tributadas, tendo em vista que o art. 4º do Decreto nº 288/1967 equiparara as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus àquelas destinadas à exportação, imunes às contribuições por força do art. 149 da Constituição Federal. Alegou, ainda, que, mesmo diante da ausência de retificação das declarações (DCTF e DIPJ), o crédito deveria ser reconhecido, pois, uma vez constatada a existência de erro de fato conforme demonstrativo e documentos apresentados , era dever da Administração Pública proceder à revisão de ofício, em conformidade com os princípios da verdade material, da moralidade administrativa e da vedação ao enriquecimento ilícito. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.243, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a isenção das contribuições, a partir de 18 de dezembro de 2000, alcançava exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, com fim específico de exportação, e para as empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. Segundo a DRJ, as vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, deviam ser tributadas normalmente. Afastou a DRJ o pedido alternativo de realização de diligência e as arguições de nulidade e de afronta a princípios constitucionais. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, a realização de diligência (caso necessária) e a intimação de seus advogados no endereço profissional deles, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.660265/201118 Acórdão n.º 3201004.030 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.013, de 23/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.660222/201132, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.013): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em março de 2003. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou ter incluído, na base de cálculo da contribuição, receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que, no seu entendimento, não deviam ter sido tributadas. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório, DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos (sequer no recurso voluntário a apresentou). Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que fundamenta o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação do tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10880.660265/201118 Acórdão n.º 3201004.030 S3C2T1 Fl. 5 4 informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10880.660265/201118 Acórdão n.º 3201004.030 S3C2T1 Fl. 6 5 verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Por fim, o pedido para que Recorrente seja intimada no endereço profissional de seus advogados deve ser indeferido, uma vez que as intimações, por via postal, devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, em conformidade com o disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Cabe registrar, no entanto, que o entendimento que vimos de expor e consideramos suficiente para o deslinde do litígio não foi o mesmo adotado pelos demais integrantes da Turma, para os quais o indeferimento do pleito deve assentarse unicamente no fato de que as receitas de vendas à ZFM que estão isentas da exigência do PIS/Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Daí que passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir, porque sobre o tema nada inovou o recurso voluntário, os fundamentos utilizados no acórdão recorrido: Quanto ao mérito verificase que a contestação do interessado se resume em alegar que o crédito existe e é oriundo de receitas de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e as mesmas são isentas ou não tributadas do PIS e COFINS, por força do artigo 4º do Decretolei nº 228, de 28 de fevereiro de 1967, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. As normas dispondo sobre matéria de isenção das contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins – na época do fato gerador, estavam sintetizadas no art. 14 e seus parágrafos, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Todavia, a evolução histórica dos dispositivos legais e regulamentares Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10880.660265/201118 Acórdão n.º 3201004.030 S3C2T1 Fl. 7 6 anteriores, em relação à matéria de isenção das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, pode ser observada, conforme apresentado a seguir. Inicialmente, em relação à contribuição para o PIS/Pasep, verificase que com a edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988 (art.5º), ficou autorizada a exclusão de receitas de exportação de produtos manufaturados nacionais da base de cálculo do PIS/Pasep, como segue: “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta” A Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, resultante da conversão da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e reedições, deu nova redação ao art. 5º da Lei nº 7.714, de 1988, adotandose restrições quanto às vendas efetuadas às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, e em outras localidades, assim dispondo: “Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1986, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.” A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995, e reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispondo sobre a contribuição para o PIS/Pasep, de forma mais ampla, manteve o tratamento restritivo previsto na Lei nº 9.004, de 1995, ao tratar da matéria em seu art. 4º: “Art. 4º Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de calculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: (Grifouse) I aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros.” No que se refere à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.660265/201118 Acórdão n.º 3201004.030 S3C2T1 Fl. 8 7 O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento isentivo para as empresas estabelecidas nas referidas localidades, assim disciplinando: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (Grifouse) (...).”Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, não tratou da restrição: “Art. 1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1º de abril de 1992.” (Grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve por finalidade ampliar a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, também não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de editarse novo dispositivo legal contemplando com isenção as receitas de exportação. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.660265/201118 Acórdão n.º 3201004.030 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante da lacuna existente na Lei nº 9.718, de 1998, a Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu art. 14 e seus parágrafos, adiante transcritos, redefiniu as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogou todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes em 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (Grifouse) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; (Grifouse) III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; (Grifouse) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (grifouse) (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: (Grifouse) I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Entretanto, cabe esclarecer que, somente, a partir da publicação no Diário Oficial da União da Medida Provisória nº 2.03725, em 22 de dezembro de 2000, ficou suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado. Pela legislação mencionada nos itens 3, 4 e 5 acima, fica evidente que a intenção do legislador ao longo do tempo sempre foi a de não contemplar com isenção do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas realizadas para consumo, industrialização ou comercialização no mercado interno às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, bem assim as receitas provenientes das vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras localizadas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental, em área de livre comércio, zona de processamento de exportação, como também para estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação. O argumento no sentido de se admitir, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, "equiparou a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.660265/201118 Acórdão n.º 3201004.030 S3C2T1 Fl. 10 9 exportação brasileira para o exterior", não deve prosperar, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo. Sobre essa questão a CoordenaçãoGeral de do Sistema de Tributação (Cosit) já se posicionou por meio da Solução de Divergência Cosit no 22, de 19 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da União em 22/08/2002, da qual abaixo se transcreve trechos de sua fundamentação e conclusão final: 15. A argumentação no sentido de que, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, teria o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior, não prospera, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo, como pode ser observado de sua transcrição a seguir: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) 16. Ressaltese que a expressão "constante da legislação em vigor" contida no texto do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, pela sua incontestável clareza, já é suficiente para afastar qualquer dúvida quanto ao seu alcance no sentido temporal. Não se pode afirmar, portanto, que o referido dispositivo teria o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social. Ao contrário, não resiste à menor análise, a afirmação de que as contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins instituídas em 1970 e 1991, teriam sido alcançadas pelos efeitos da citada equiparação. 16.1. Por outro lado, se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessas contribuições, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica do PIS/Pasep e da Cofins. 16.2. Logo, é correto concluir que o próprio dispositivo legal (art. 4º do Decreto lei nº 288, de 1967) restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente. 16.3. A propósito das conclusões mencionadas nos itens anteriores sobre o alcance do dispositivo referido, deve ser ressaltada a restrição procedida pelo legislador ordinário, ao tratar inclusive de impostos já existentes à data de edição daquele Decretolei, evidenciando a intenção, no sentido de evitar que se acumulasse outras formas de incentivos, além da nele efetivamente prevista, nos termos constantes do art. 7º do Decretolei nº 1.435, de 17 de dezembro de 1975, in verbis: “Art. 7o A equiparação de que trata o artigo 4o do Decretolei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretos leis no s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “draw back”.” 17. Por meio da Nota/Cosit/Cotex nº151, de 14 de maio de 2002, a Secretaria da Receita Federal (SRF) submeteu ao exame da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), o seu entendimento sobre essa matéria, para que fosse ratificado ou retificado. A PGFN, por intermédio do PARECER/PGFN/CAT/Nº 1.769, de 23 de maio de 2002, ratificou o entendimento da SRF referente ao assunto, inclusive quanto à manutenção da proibição das isenções para as receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas nas localidades e Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.660265/201118 Acórdão n.º 3201004.030 S3C2T1 Fl. 11 10 estabelecimentos listados nos incisos I, II e III do § 2º do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, mesmo que as receitas de vendas se enquadrem nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14, da citada Medida Provisória. Neste particular, a PGFN diz que é sabido que as pessoas jurídicas situadas nas áreas mencionadas, tradicionalmente, vêm sendo contempladas com toda a sorte de benefícios de natureza fiscal, há algumas décadas, o que faz crer ter sido a vontade do legislador deixálas de fora de mais esse benefício fiscal. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo à recorrente que a isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e considerada a medida liminar deferida pelo STF, na ADIn nº 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (realcei) 18.1. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. 19. Somente a partir de 18 de dezembro de 2000, estão isentas do PIS/Pasep , as receitas de vendas relacionadas nas alíneas “a”, “b”, “c” e “d” do item 18, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF, na ADI no 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, e edição da Medida Provisória no2.03725, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória n o2.15835, de 2001. 20. Ressalvadas as hipóteses previstas nos itens 18 e 19, sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem o benefício da isenção, todas as demais receitas de vendas efetuadas às pessoas jurídicas, mesmo que estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade. (destaques do original) Pela leitura dessa Solução de Divergência, concluise que, a partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência do PIS e da Cofins, mas apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10880.660265/201118 Acórdão n.º 3201004.030 S3C2T1 Fl. 12 11 Como nos autos não há evidências de que as receitas lançadas correspondem àquelas citadas no ato, forçoso reconhecer que a pretensão da impugnante não pode prosperar,(...) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 177DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.902489/2013-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. MATERIAL DE USO E CONSUMO. NÃO HÁ DIREITO DE CREDITAMENTO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE LEGAL.
Assim como não se admite o creditamento do IPI pela aquisição de produtos destinados ao ativo permanente, também não cabe registro de crédito de IPI pela aquisição de itens de manutenção de máquinas/equipamentos ou de materiais para uso e consumo, a exemplo de eletrodos, óleos lubrificantes, peças de reposição ou ferramentas que não se consomem por desgaste direto com o produto final industrializado, cujas utilizações no processo produtivo, adequadamente descritas nos autos, não autorizam seus enquadramentos como matérias-primas ou produtos intermediários lato sensu.
Numero da decisão: 3401-005.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Tiago Guerra Machado, substituído pelo conselheiro Müller Nonato Cavalcante (suplente convocado) e ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes, substituída pelo conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Tiago Guerra Machado, substituído pelo conselheiro Müller Nonato Cavalcante (suplente convocado) e ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes, substituída pelo conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 439 1 438 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.902489/201360 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.703 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2018 Matéria IPI Recorrente AMBEV BRASIL BEBIDAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. MATERIAL DE USO E CONSUMO. NÃO HÁ DIREITO DE CREDITAMENTO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. Assim como não se admite o creditamento do IPI pela aquisição de produtos destinados ao ativo permanente, também não cabe registro de crédito de IPI pela aquisição de itens de manutenção de máquinas/equipamentos ou de materiais para uso e consumo, a exemplo de eletrodos, óleos lubrificantes, peças de reposição ou ferramentas que não se consomem por desgaste direto com o produto final industrializado, cujas utilizações no processo produtivo, adequadamente descritas nos autos, não autorizam seus enquadramentos como matériasprimas ou produtos intermediários lato sensu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 24 89 /2 01 3- 60 Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10830.902489/201360 Acórdão n.º 3401005.703 S3C4T1 Fl. 440 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Tiago Guerra Machado, substituído pelo conselheiro Müller Nonato Cavalcante (suplente convocado) e ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes, substituída pelo conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado). Relatório 1. Tratase de processo de requerimento, formulado via PER/DCOMP (09319.31888.200710.1.1.016011), por meio do qual a contribuinte reivindica, para fins de compensação, direito creditório apontado como sendo correspondente a ressarcimento de IPI, referente ao 2º trimestre de 2010, na quantia de R$ 20.909.862,63 (valor do crédito solicitado/utilizado), nos seguintes termos: A DRF Jundiaí, por meio de despacho decisório eletrônico (fl. 338)1, emitido em 06/06/2013, reconheceu crédito no valor de R$ 20.888.332,85, e, conseqüentemente, homologou parcialmente a compensação declarada. De acordo com o mencionado ato decisório e com os demonstrativos que fornecem o detalhamento da análise do crédito e da compensação, anexados às fls. 333/337, observase que o reconhecimento apenas parcial do pleito requerido se deu por ter sido verificada a ocorrência de aquisições de produtos cujo respectivo Código Fiscal de Operação (CFOP) não é admitido como propiciador de direito creditório de IPI (CFOP 1.556 ou 2.556). 2. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, situada às fls. 338 e seguintes, na qual argumentou, em síntese, que: (i) a legitimidade dos créditos referentes à aquisição de bens utilizados na produção independentemente de ter havido ou não contato físico com os produtos fabricados; (ii) ser suficiente que os bens em questão tenham sido utilizados ou consumidos no processo industrial e que não façam parte do ativo permanente, circunstância que se verificaria em relação a todos os materiais cujos créditos foram glosados pela fiscalização; (iii) de acordo com o Parecer Normativo CST 65/79, aduz que “os atos expedidos pelas autoridades administrativas não podem criar ou restringir direitos sem base em norma legal e nem contrariar o respectivo regulamento (CTN, art. 99)”; e (iv) todos os itens que tiveram os créditos glosados são consumidos na sua atividade industrial, sendo empregados nas máquinas utilizadas na fabricação de bebidas tributadas pelo IPI, configurandose como elementos indispensáveis para o funcionamento dos equipamentos industriais e sendo certo que se inseririam (os itens glosados) na definição de produtos intermediários (arts. 164, I e 519, II e V do RIPI/2002). 3. Em 25/05/2016, a 02ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Recife (PE) proferiu o Acórdão DRJ nº 1153.094, situado às fls. 394 a 397, de relatoria do AuditorFiscal Nelson Barbosa Caldas Junior, que entendeu, por unanimidade de Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10830.902489/201360 Acórdão n.º 3401005.703 S3C4T1 Fl. 441 3 votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. LIMITAÇÕES. O princípio da nãocumulatividade é limitado e regulamentado por dispositivos infraconstitucionais, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos na Constituição Federal. DIREITO CREDITÓRIO. MATERIAIS DE USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Materiais de uso e consumo não se configuram como insumos e não propiciam direito ao crédito do imposto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. 4. A contribuinte foi intimada via postal em 23/12/2016, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 404 e, em 26/01/2017, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 394 a 397, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10830.902489/201360 Acórdão n.º 3401005.703 S3C4T1 Fl. 442 4 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Argumenta a contribuinte que os gastos que deram origem aos créditos glosados pela fiscalização objeto do presente feito envolvem partes, peças de máquinas, aparelhos e equipamentos, ou seja, bens indispensáveis à produção, glosados sob o fundamento de que tais despesas não atenderam às condições impostas pelo PN CST n° 65/1979. 7. Conforme se depreende das razões recursais, tais produtos em questão são utilizados ou consumidos no processo industrial da empresa e, ainda que não tenham contato físico com as mercadorias fabricadas, não há óbice à apropriação dos créditos, pois a referida condição afigurase em desacordo com a legislação e, mais do que isso, contraria frontalmente a definição de produtos intermediários constante nos artigos 164, I, e 519, incisos II e V, ambos do RIPI/022 (atuais artigos 226, I, 610, II, do RIPI/10), nos quais se fundamenta o creditamento havido pela contribuinte, uma vez que tal repertório normativo exige unicamente que os bens sejam utilizados ou consumidos no processo industrial e que não façam parte do ativo permanente, o que se verifica em relação a todos os materiais cujos créditos foram glosados pela fiscalização. 8. Assim, as condições extralegais previstas no PN CST nº 65/1979 (contato físico do material com o produto e participação intrínseca na atividade industrial) não serviriam como fundamento para restringir o direito da contribuinte ao crédito do IPI em relação aos insumos que, comprovadamente, são utilizados em seu processo industrial e não fazem parte do seu ativo imobilizado, uma vez que todos os itens que tiveram os créditos glosados são consumidos na atividade industrial, ao serem empregados nas máquinas utilizadas na fabricação das bebidas produzidas pela recorrente e tributadas pelo IPI, sendo, portanto, elementos indispensáveis para o funcionamento dos equipamentos industriais, pois sem eles não seria possível a produção. 9. Sob tal perspectiva, os itens glosados se inserem na definição de produtos intermediários constante na legislação do IPI, em conformidade com os arts. 164, I e 519, II e V, do RIPI/02 (atuais artigo 226, I c/c artigo 610, II, do RIPI/10), não sendo de fato procedente o entendimento esposado pela decisão de primeira instância administrativa no sentido de que a recalcitrância da contribuinte se estribou única e exclusivamente no argumento de ofensa ao princípio da nãocumulatividade, o que encontraria o óbice a este colegiado intransponível da Súmula CARF nº 02. 10. No entanto, mesmo sob o pálio do plano legal e infralegal, não procedente a pretensão formulada pela recorrente, pois, no presente processo, a discussão pertine às glosas de créditos de IPI por decorrência da aquisição de insumos utilizados no processo de industrialização dos produtos finais produzidos pela ora impugnante. Pretende a r. impugnante que os produtos adquiridos, listados nos quadros transcritos às fls.366/371 e fls. 371/373, foram glosados equivocadamente, pela fiscalização, sob o argumento de serem, Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10830.902489/201360 Acórdão n.º 3401005.703 S3C4T1 Fl. 443 5 respectivamente, partes/peças/acessórios de máquinas e equipamentos e, no segundo quadro, materiais de manutenção de máquinas e equipamentos. 11. Assim, o que se percebe é que a contribuinte pleiteia o reconhecimento de uma interpretação ampla para o conceito de produtos intermediários que contemple a totalidade dos insumos consumidos no processo de industrialização, ainda que o faça de maneira breve e genérica e englobada. Ocorre que os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados, conforme autorização legal contida no inciso I do art. 164 do RIPI/2002 podem se creditar do imposto relativo às matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME) adquiridos para emprego na industrialização de produtos, podendo se incluir especificamente entre os produtos intermediários insumos que, embora não se integrando na composição final do novo produto industrializado, sejam consumidos no processo de fabricação por desgaste no contato direto com o produto final produzido, desde que não se trate de bens adquiridos compreendidos no ativo permanente da empresa. 12. Observese, portanto, que veículos, máquinas e equipamentos, bem como suas partes e peças que não se desgastam em contato direto com o produto, itens de manutenção e materiais de consumo não dão direito a crédito, seja ele básico ou incentivado, não se enquadrando, portanto, no conceito de insumo dado pela legislação do IPI. 13. Desta feita, não assiste à recorrente o direito a crédito de IPI pela aquisição de mercadorias destinadas ao ativo permanente (máquinas, equipamentos, suas partes e peças de reposição), ou na aquisição de itens de consumo ou de manutenção (por exemplo, eletrodos descritos nos autos e os óleos lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos) e, logo, irreprochável o lançamento. 14. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 443DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15954.000268/2008-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OBSCURIDADE NA DECISÃO.
Ocorrência de obscuridade na decisão prolatada no Acórdão conforme alegada pela Embargante. Necessidade de correção saneadora da decisão colegiada.
Numero da decisão: 2001-000.948
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a obscuridade e alterar a decisão recorrida para manter o crédito tributário no valor de R$ 3.684,81.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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OCORRÊNCIA DE OBSCURIDADE NA DECISÃO. Ocorrência de obscuridade na decisão prolatada no Acórdão conforme alegada pela Embargante. Necessidade de correção saneadora da decisão colegiada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a obscuridade e alterar a decisão recorrida para manter o crédito tributário no valor de R$ 3.684,81. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 4. 00 02 68 /2 00 8- 13 Fl. 121DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 2001000.056, exarado em 31 de outubro de 2017, pela 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa expressou o seguinte enunciado: DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS COM NÃO DEPENDENTE. Os comprovantes de despesas médicas incorridas com pessoas que não constam como dependentes para fins fiscais não serão dedutíveis. PRELIMINARES. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Alegação em preliminares com contestação improcedentes de inadequada notificação pelo Correio. Alegação improcedente de incidência de multa de ofício e juros de mora pela taxa Selic. Previsão legal. Cientificada do Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional formulou os Embargos de Declaração, que teve o recurso admitido em 14 de março de 2018, cujo teor da decisão repete os termos da Autoridade Embargante, com a seguinte expressão conclusiva: Logo, se a decisão embargada concluiu pela reforma da decisão a quo, deveria ter feito a análise desses comprovantes e especificado quais despesas seriam passíveis de dedução, com a devida justificativa, porém, não o fez. Diante do exposto, admitemse os embargos, para que sejam incluídos em pauta de julgamento para apreciação da obscuridade apontada. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. A afirmação de obscuridade apontada nos Embargos de Declaração trazem as seguintes ponderações: Como visto, decisão embargada é omissa, pois não indica em que precisos termos ocorreu o provimento parcial do recurso voluntário. O referido vício também pode ser enquadrado como obscuridade, uma vez que suscita dúvidas, não sendo possível determinar com Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15954.000268/200813 Acórdão n.º 2001000.948 S2C0T1 Fl. 122 3 precisão sobre quais pontos o recurso do contribuinte foi acolhido e o lançamento reformado. Para melhor delimitar os vícios do acórdão embargado, pedese de empréstimo as conclusões adotadas no acórdão de primeira instância: (...) Conforme apresentado pelo órgão julgador de primeira instância, o lançamento decorreu de dois fatos. No primeiro caso, a glosa das despesas médicas declaradas decorreu do fato de o contribuinte ter declarado despesas médicas relativas a pessoa não incluída no rol de dependentes e que apresentou DIRPF em separado, no modelo simplificado, com desconto padrão. No segundo caso, a glosa da despesa relativa à Sul América Seguro Saúde S/A ocorreu devido ao fato de que os documentos comprobatórios dos pagamentos englobavam os valores referentes ao próprio contribuinte e a pessoas não incluídas no rol de dependentes e que apresentaram DIRPF em separado no modelo simplificando, optando pelo desconto padrão. Nesse segundo caso, considerando que o contribuinte apresentou documento individualizando os valores pagos ao plano de saúde por beneficiário, a própria DRJ restabeleceu a dedução de R$ 7.311,62 referente às despesas médicas declaradas em que o beneficiário foi o próprio contribuinte autuado. (...) Assim, em segundo lugar, também ficam demonstrados os vícios da omissão e da obscuridade, pois a DRJ já havia restabelecido a dedução de R$ 7.311,62 referente às despesas médicas declaradas em que o beneficiário foi o próprio contribuinte autuado. Assim, considerandose os dois fundamentos em que baseado o lançamento, conforme já apontado acima, não fica claro qual outro ponto foi acolhido pelo acórdão embargado, quais valores relativos às despesas médicas foi considerado como comprovado além daquele já acolhido pela decisão de primeira instância, notadamente quando se observa que o móvel do lançamento não foi a inidoneidade dos documentos apresentados para comprovar as despesas médicas declaradas ou necessidade de comprovar o efetivo desembolso. Nesses termos, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. Fl. 123DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho – Relator Primeiramente deve ser aclarada a questão específica que determinou o norte da abordagem interpretativa da legislação para respaldar o Lançamento levado a efeito pelo Agente Fiscal Autuante, o enfoque da questão tratada na decisão da DRJ e o que consta do texto dos Embargos de Declaração ora em análise, e a interpretação legal da decisão do Colegiado quanto à força probante do recibo e/ou declaração do prestador do serviço médico, como a seguir se descreve: O que consta das fls. 109 e 110, dos autos, nos Embargos de declaração. Diante dos termos acima expostos, fica claro que o móvel do lançamento não foi a inidoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte para comprovar a dedução de despesas médicas. A controvérsia não gira em torno dos documentos hábeis e idôneos para a comprovação das despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual. Não se está discutindo a possibilidade e/ou legitimidade de o Fisco perquirir o efetivo desembolso relativo a essas despesas. (...) A uma, o acórdão embargado tratou sobre o valor probatório dos recibos/declarações de profissionais de saúde e sobre a possibilidade e legitimidade de o fisco perquirir, sem motivação específica para o caso concreto, a efetividade do pagamento e/ou a efetividade de prestação do serviço médico. Ocorre que esse não foi o móvel do lançamento, segundo colocado acima. Daí ficam evidenciados os vícios da omissão e da obscuridade. O que consta da fl. 28, documento repetido na fl. 44, dos autos, que consiste na “DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL”, relato fiscal que é parte integrante do lançamento lavrado, com o seguinte teor: O Contribuinte foi intimado à apresenta originais e cópias das despesas médicas, no montante de R$ 20.915,65. Posteriormente, foi intimado (Termo de Intimação SEFIS MAÇJA/PF nº 247/2008), a comprovar o efetivo pagamento a Sul América Seguro Saúde S.A., juntando cópia de cheque, ordem de pagamento, transferências e/ou extratos bancários coincidentes em data e valores que registrem tais operações, e/ou outros documentos probatórios dos pagamentos. (...) Para responder a segunda intimação, o qual foi deferido. Em 04/06/2008, o contribuinte apresentou resposta, onde afirma que: 1 Beneficiário: Alto Destro, Geni Biaggi Destro e Vanessa Biaggio Destro; 2 Os valores pagos não são individuais e sim em um único valor, conf. Os comprov. Dos pagamentos; 3 Não houve ressarcimento; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15954.000268/200813 Acórdão n.º 2001000.948 S2C0T1 Fl. 123 5 4 Os pagamentos foram sempre em dinheiro. (grifei) Sem dúvida que o embasamento do Lançamento buscava respaldo na interpretação de que os recibos em originais não se constituíam em prova cabal e definitiva do pagamento das despesas médicas, tendo o Fisco solicitado complementação de comprovação do “efetivo” pagamento, como se verifica na Complementação da descrição dos fatos fl. 28. Todavia, na análise do caso na DRJ a decisão foi no sentido de que os documentos probatórios tornaramse válidos não pela efetividade dos pagamentos, mas quando da individualização dos beneficiários do plano de saúde, posicionamento que coincide com a decisão do Colegiado da 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento. Feito o esclarecimento sobre a abordagem do Acórdão Embargado quanto à exigência do efetivo pagamento das despesas médicas, passase para a questão da obscuridade e/ou omissão na decisão Embargada. A obscuridade na decisão do Acórdão restou constatada, contudo, os recibos foram apresentados pelo Contribuinte à fiscalização no nascedouro da ação fiscal, como relatado pelo próprio Agente Autuante, conforme descrito no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, no Lançamento, constante da fl. 28, e posteriormente, em sede de impugnação, complementados com a individualização dos beneficiários do plano de saúde, o que permitiu fossem aceitas as despesas referentes ao Contribuinte pessoalmente e mantida a glosa das despesas com os dependentes que na verdade não o eram para efeitos fiscais, com se observa da decisão da DRJ, fl.57 dos autos. O contribuinte trouxe aos autos o documento de fls. 36/37, obtido junto à empresa Sul América (fls. 34) e que individualiza os valores pagos, possibilitando apurar ser o total de R$ 7.311,62 referente ao impugnante e a cuja dedução tem direito. (...) Restabelecida a dedução de R$ 7.311.62, recompõese o demonstrativo de Apuração do Imposto Devido: (...) Pelas razões expostas, voto pela procedência em parte da impugnação e manutenção parcial do crédito tributário exigido, que fica assim configurado: Imposto Exigido R$ 5.695,50 – Exonerado R$ 2.010,69 – Mantido R$ 3.684,81. Por evidente, com base na legislação vigente considerase dedutível a despesa médica incorrida com o próprio contribuinte e seus dependentes, sendo que no caso registrase a inexistência de dependentes para efeitos fiscais, permitida, portanto, a dedução de despesa restrita ao Recorrente, relativo ao Plano de Saúde ao qual é beneficiário. Na verdade os termos conclusivos do Acórdão nº 2001.000.056 remete para o provimento parcial das despesas do Plano de Saúde no valor de R$ 7.311,62, que o Contribuinte logrou êxito em comprovar individualizadamente por beneficiário, caso em que foi considerada somente a sua despesa pessoal. Neste sentido a decisão do Acórdão nº 2001.000.056 coincide com os termos do julgamento da DRJ, razão pela qual a conclusão do voto é de negar provimento tendo em vista que o que foi aceito em termos de exclusão parcial da glosa já esta contemplado na decisão de primeiro grau de julgamento administrativo. Fl. 125DF CARF MF 6 Assim que, esclarecida a ocorrência de obscuridade apontada nos Embargos, retificase os termos da decisão do Acórdão para manter o crédito tributário no valor de R$ 3.684,81 e acréscimos legais, nos termos da decisão da DRJ. Por todo o exposto, voto por conhecer e ACOLHER os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, promovendo o saneamento da obscuridade apontada na decisão do Acórdão nº 2001.000.056, para manter o crédito tributário no valor de R$ 3.684,81, com os acréscimos legais. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.909476/2008-69
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. ALOCAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
O CARF não é o órgão competente para processar o pedido de compensação e/ou a retificação de pedido já protocolizado ou DCTF, mas sim a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), através de suas unidades descentralizadas que contenham Divisões, Serviços ou Seções com a função de Orientação e Análise Tributária, pelas quais os contribuintes são administrados respectivamente conforme seus domicílios fiscais. Tampouco podem os órgãos julgadores substituir os contribuintes na atividade de definição voluntária do encontro entre crédito e débitos que configurará pedido de compensação e entrega de DCTF.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
Conquanto a demanda tenha sido proposta até 31/12/2008, prevalece o sentido restrito do que se pode entender como prestação de serviço hospitalar, que se vincula aos recursos materiais e humanos próprios de um hospital. Somente àquelas demandas havidas a partir de 01/01/2009 foi conferido um contorno normativo mais abrangente.
SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. ASPECTOS TEMPORAL E MATERIAL.
O entendimento de que os serviços hospitalares são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde ainda que não sejam prestados no interior do estabelecimento hospitalar, que consta de decisão do STJ em sede de Recurso Repetitivos 1116399/BA, somente se aplica às demandas propostas após 01/01/2009 e não alcança serviços prestados pelos sócios, consultas médicas ou serviços profissionais médicos assemelhados, mormente quando a empresa não se enquadra como sociedade empresária, na forma do art. 15, § 1.º, III, a, da Lei n.º 9.249/95.
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR.
Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
Numero da decisão: 1002-000.578
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. ALOCAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. O CARF não é o órgão competente para processar o pedido de compensação e/ou a retificação de pedido já protocolizado ou DCTF, mas sim a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), através de suas unidades descentralizadas que contenham Divisões, Serviços ou Seções com a função de Orientação e Análise Tributária, pelas quais os contribuintes são administrados respectivamente conforme seus domicílios fiscais. Tampouco podem os órgãos julgadores substituir os contribuintes na atividade de definição voluntária do encontro entre crédito e débitos que configurará pedido de compensação e entrega de DCTF. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Conquanto a demanda tenha sido proposta até 31/12/2008, prevalece o sentido restrito do que se pode entender como prestação de serviço hospitalar, que se vincula aos recursos materiais e humanos próprios de um hospital. Somente àquelas demandas havidas a partir de 01/01/2009 foi conferido um contorno normativo mais abrangente. SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. ASPECTOS TEMPORAL E MATERIAL. O entendimento de que os serviços hospitalares são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde ainda que não sejam prestados no interior do estabelecimento hospitalar, que consta de decisão do STJ em sede de Recurso Repetitivos 1116399/BA, somente se aplica às demandas propostas após 01/01/2009 e não alcança serviços prestados pelos sócios, consultas médicas ou serviços profissionais médicos assemelhados, mormente quando a empresa não se enquadra como sociedade empresária, na forma do art. 15, § 1.º, III, a, da Lei n.º 9.249/95. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
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ALOCAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. O CARF não é o órgão competente para processar o pedido de compensação e/ou a retificação de pedido já protocolizado ou DCTF, mas sim a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), através de suas unidades descentralizadas que contenham Divisões, Serviços ou Seções com a função de Orientação e Análise Tributária, pelas quais os contribuintes são administrados respectivamente conforme seus domicílios fiscais. Tampouco podem os órgãos julgadores substituir os contribuintes na atividade de definição voluntária do encontro entre crédito e débitos que configurará pedido de compensação e entrega de DCTF. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Conquanto a demanda tenha sido proposta até 31/12/2008, prevalece o sentido restrito do que se pode entender como prestação de serviço hospitalar, que se vincula aos recursos materiais e humanos próprios de um hospital. Somente àquelas demandas havidas a partir de 01/01/2009 foi conferido um contorno normativo mais abrangente. SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. ASPECTOS TEMPORAL E MATERIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 94 76 /2 00 8- 69 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 173 2 O entendimento de que os serviços hospitalares são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde ainda que não sejam prestados no interior do estabelecimento hospitalar, que consta de decisão do STJ em sede de Recurso Repetitivos 1116399/BA, somente se aplica às demandas propostas após 01/01/2009 e não alcança serviços prestados pelos sócios, consultas médicas ou serviços profissionais médicos assemelhados, mormente quando a empresa não se enquadra como sociedade empresária, na forma do art. 15, § 1.º, III, a, da Lei n.º 9.249/95. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 174 3 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP (DRJ/SP1) mediante o Acórdão n.º 1625.996, de 12/07/2010 (efls. 121 a 137). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] O presente processo versa acerca das DCOMP eletrônica n° 12089.26445.290104.1.3.041022 (fls. 6/10), transmitida em 29/01/2004, cuja formalização visou declarar a compensação de débitos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), apurados no 4° trimestre do anocalendário de 2003, com crédito proveniente de pagamento a maior do mesmo tributo, atinente à apuração do 1° trimestre do anobase de 1999, conforme abaixo especificado: Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 175 4 A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico Rastreamento n° 781.218.203, de 12/08/2008 (fl. 1), conforme abaixo detalhado, exarado em sede da Delegacia de Administração Tributária de Sao Paulo/SP (DERAT/SP), segundo o qual restou decidido NÃO HOMOLOGAR a compensação consignada na DCOMP eletrônica, tendo em vista a demonstração da inexistência do crédito veiculado, defronte a negativa de disponibilidade do importe associado ao DARF reportado na declaração de compensação, cujo pagamento denotase integralmente vinculado para fins de quitação de débito de IRPJ confessado no próprio 10 trimestre do ano calendário de 1999: Regularmente cientificado do aludido Despacho Decisório, por via postal, consoante AR recebido em 20/08/2008 (fl. 5), o contribuinte protocolou suas contra razões em 19/09/2008 (fls. 11/24), acompanhada dos documentos de fls. 25/98, através da qual submete seus argumentos de forma a contrapor as inferências firmadas na decisão administrativa, quais sejam, em síntese: 1) Inicialmente, após breve relato dos fatos, relata que protocolou em 25/03/2004, o pedido de restituição de IRPJ, formalizando o Processo Administrativo n° 19679.004225/200422, no valor total de R$ 76.982,13, haja vista ter efetuado o recolhimento a maior do imposto; 2) Assevera que o fundamento daquele pedido de restituição baseavase no recolhimento do imposto em face da opção pelo regime de tributação pelo lucro presumido, valendose da base de cálculo encontrada pela aplicação de 32% (trinta e dois por cento), nos termos da legislação regente A. espécie. Entretanto, atesta que através do art. 23 da Instrução Normativa SRF n° 306, de 12/03/2003, minorou a base imponível das pessoas jurídicas prestadoras de serviços diretamente ligados A Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 176 5 atenção e assistência A saúde de 32% (trinta e dois por cento) para 8% (oito por cento), equiparandoos a serviços hospitalares; 3) Dessa forma, seguindo a esta linha e entendendo certo o direito creditório reivindicado, certifica que encaminhou a presente declaração de compensação a fim de utilizarse de parcela do crédito de IRPJ objeto do Processo Administrativo n° 19679.004225/200422. Entretanto, manifestou surpresa com relação aos termos do despacho decisório que inferiu pela negativa de homologação da compensação sob a argumentação de inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na respectiva PER/DCOMP, ensejando, assim, a interposição de manifestação de inconformidade; 4) Sob este contexto, inaugura o desenvolvimento de suas alegações de direito afirmando que a Lei n 9.249, de 1995 estabeleceu tratamento fiscal diferenciado para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares a teor do disposto na alínea a, §1° do art. 15, cuja redação determina a aplicação da alíquota de 8% (oito por cento) para a base de cálculo de 8% (oito por cento) para a base de cálculo de IRPJ. Porém, A época do inicio da vigência da norma, as clinicas médicas foram excluídas da sistemática aplicada aos serviços hospitalares, tendolhes sido aplicada a alíquota de 32%, e, como conseqüência, o recolhimento do tributo a maior; 5) Acrescenta que ocorreu, em obediência ao principio da igualdade e diante da importância social de suas atividades, a edição da Instrução Normativa SRF n° 306, de 2003, na qual sustenta que o dispositivo previsto no art. 23, estendeu o aludido tratamento fiscal diferenciado As clinicas medicas; 6) Nesse sentido, afirma que de acordo com o contrato social da sociedade o objeto é constituído pela atividade de prestação de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica, englobando os serviços de ressonância magnética, serviços de diagnóstico por registro gráfico — ECG, EEG e outros exames análogos, serviços de diagnóstico por métodos ópticos — endoscopia e outros exames similares e serviços de litotripcia; 7) Assim, acentua que cotejando as atividades desenvolvidas pela empresa com as atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata Capitulo 2, da Portaria GM n° 1.884, de 11/11/1994, Ministério da Saúde, notase que verificou com clareza que a entidade se enquadra no permissivo legal, dandolhe direito para a redução da alíquota de 32% para o patamar de 8%, bem como o reconhecimento administrativo do direito à equiparação aos serviços hospitalares das clinicas médicas ante a publicação da IN SRF n° 306, de 2003; 8) Avocando a ementa da Solução de Divergência n° 11, de 21/07/2003, assenta que o assunto restou pacificado no sentido de que o tratamento fiscal que deve ser deferido As pessoas jurídicas que exerçam as atividades previstas pelo art. 23 do normativo legal em destaque; 9) Dessa forma, atesta que o reconhecimento do direito A aplicação da base de cálculo de 8% (oito por cento) para o IRPJ é retroativo uma vez que goza de caráter meramente interpretativo, em estrita observância do art. 106 do CTN. Reforça suas argüições mediante citação de ementa de Solução de Consulta n° 392, de 09/12/2003; 10) Enfim, enfatizando a redação do art. 38 da IN SRF n° 210, de 2002, atesta que assegurou o direito dos contribuintes de corrigirem seus créditos pela taxa SELIC, em estrita observância do que dispunha o art. 39, §4° da Lei n° 9.250, de 1995; Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 177 6 11) Assim sendo, entende restar amplamente demonstrado que empresa faz juz ao crédito relativo ao pagamento a maior decorrente de IRPJ da diferença de alíquota de 32% para 8%, instruído e formalizado pelo Processo Administrativo n° 19679.004225/200422, logo, demonstrada a existência de crédito para embasar as compensações realizadas por intermédio da presente DCOMP; 12) Seqüencialmente, renova a informação de que o protocolo do processo administrativo que embasou o pedido de restituição do crédito, realizouse em 25/03/2004, portanto, atestando que sua formalização ocorreu no período de vigência da IN SRF n° 306, de 12/03/2004, posteriormente revogada pela introdução da IN SRF n°480, de 15/12/2004; 13) Nesse sentido, ressalta que o principio essencial de regência de aplicação da lei no tempo estabelece que, em regra, a lei possui eficácia imediata, determinado as relações jurídicas a que se referem desde o momento que recebem execução até aquele em que cessa sua virtude normativa. Assim, enfatiza que este é o principio tempus regit actum, cujo significado indica que a lei não pode alcançar fatos ocorridos em período anterior ao inicio de sua vigência, nem aplicada Aqueles ocorridos após a sua revogação. Desse modo, depreende que se tem determinado um fato jurídico ou uma relação jurídica deverseão serem regidas pela lei A. época vigente, sendo inoperantes todas as alterações posteriores relacionadas ao caso concreto, salvo expressa determinação em contrário na nova lei correspondente, circunstância que não se aplica a situação presente neste litígio; 14) Sob este contexto, entende que resta demonstrado que o fundamento de validade do pleito ligado a restituição não foi atingido pelas mudanças normativas advindas da IN SRF n° 480, de 15/12/2004 e alterações supervenientes, haja vista a prática do ato jurídico apresentarse de acordo com as determinações infralegais pautadas na IN SRF n° 306, de 12/03/2004; 15) Finalmente, especifica os documentos que foram anexados à manifestação de inconformidade, reivindicando que a análise da presente declaração de compensação seja conjugado com o encontro de informações e valores dos créditos requer no Processo Administrativo n° 19679.004225/200422, bem como realizando a suspensão dos débitos com fundamento no art. 151, inciso III do CTN c/c com o art. 74, §§ 70, 90 e 11 da Lei n° 9.430, de 1996. Por último, requer que sejam acolhidas as razões da presente defesa administrativa, reconhecendo o direito creditório pleiteado e a homologação da compensação em litígio. Ato continuo, a autoridade preparadora encaminha os autos à DRJ/SP1 para julgamento da manifestação de inconformidade. [...] (grifos no acórdão da DRJ/SP1). A DRJ/SP1 negou provimento à manifestação de inconformidade, essencialmente por que não houve apresentação de documentação que configurasse lastro para as alegações, que comprovasse que os serviços prestados pelo recorrente caracterizamse como os serviços hospitalares aos quais se aplica o percentual de 8% para aferição do lucro presumido, nem retificação da DCTF correspondente ao IR devido no 1.º trimestre de 1999. Assinala inicialmente a DRJ que não se pode fazer qualquer correlação com o crédito pleiteado neste processo e aquele objeto do processo administrativo n.º 19679.004225/200422, pois aqui se trata de crédito referente ao período 2.º trimestre de 1999, e naquele, 3.º trimestre de 1999 até 3.º trimestre de 2003 (fls, 66 e 67). Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 178 7 Acrescenta a decisão de piso que, embora a Lei n.º 9.249/95 em seu art. 15, § 1.º, III, a, excetuasse do percentual de 32 % as atividades hospitalares, a IN SRF n.º 93/1997, em seus artigos 3.º, § 2.º, II e IV, e 36, indicava que os serviços prestados relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada estavam sujeitos ao percentual de lucro presumido de 32 %, a ser aplicado às receitas do trimestre. Segue o relator da decisão recorrida a informar que a interpretação das normas indica que aos serviços hospitalares se aplicava o percentual de 8%, e às atividades de prestação de serviços exercidas por sociedade simples ligada ao exercício de profissão legalmente regulamentada se aplicava o percentual de 32 %. Uma vez que a Portaria MS/GM n.º 1.884/94 foi revogada pela Portaria MS/GM n.º 554/2002, as entidades ditas voltadas para atenção e assitência à saúde devem observar os pressupostos relativos à estrutura definida na Resolução ANVISA/DC n.º 50/2002. O ADI SRF n.º 18/2003 esclareceu que a abrangência do conceito de serviços hospitalares para referese aos prestados por empresários ou sociedades empresárias, e que não alcança os serviços prestados por sócios da empresa e os de natureza intelectual ou científica dos profissionais envolvidos. O referido ADI afasta a aplicação do conceito de serviços hospitalares àqueles desenvolvidos por sociedades simples de serviços de profissão regulamentada, ainda que com o concurso de auxiliares e colaboradores. Continua nessa linha o acórdão recorrido, acrescentando que de acordo com o Código Civil, arts. 966, 967 e 982, o recorrente não se enquadra na condição de sociedade empresária, pois não se submeteu a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis, e que seu registro se deu no Cartório de Pessoas Jurídicas, procedimento adstrito às Sociedades Simples. Mesmo se constituída a empresa como Sociedade Empresária, haveria de existir o concurso de profissionais legalmente regulamentados e contratados para a execução da atividadefim, não podendo tais atividades serem desenvolvidas pelos sócios da empresa. O interessado não instruiu os autos com o Contrato Social e material probatório contábil e fiscal que pudesse mostrar a estrutura organizacional da entidade e certificar o enquadramento da pessoa jurídica aos requisitos exigidos pelo art. 23 da IN SRF n.º 306/2003 e pelo ADI SRF n.º 18/2003, para que fosse admitido o percentual de 32% como apuração do lucro presumido. O teor da 2.ª Alteração e Consolidação Contratual registrada em 2003 perante o 6.º Ofício de Registro de Títulos e Documentos e Civil da Pessoa Jurídica de São Paulo/SP (fls. 74 a 78), em seu preâmbulo e na cláusula primeira demonstra que os sócios, todos médicos, modificaram a situação de "Sociedade Civil Ltda" para "Sociedade Simples Ltda", circunstância incompatível com os requisitos para equiparação dos serviços da empresa a serviços hospitalares, e para os respectivos efeitos tributários. À decisão recorrida constam colacionadas decisões do extinto Conselho de Contribuintes dos anos 2005 e 2007, e do TRF 3.ª Região e STJ, dos anos 2009 e 2007, respectivamente. Afirma o relator daquele acórdão que não produziu qualquer efeito no caso concreto a mudança de interpretação contida na IN SRF n.º 480/2004, vez que a atividade desenvolvida pelo recorrente durante a vigência da IN SRF n.º 306/2003 já naquele período não se qualificava como prestação de serviços hospitalares para efeito de aplicação do percentual de 8%. E aponta que o recorrente não retificou as informações prestadas em DCTF e DIPJ referentes ao ano calendário 1999, para comunicar à RFB as alegadas inconpatibilidades, mantendose a confissão de dívida contida na DCTF entregue e a correlação do débito Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 179 8 declarado apurado no 1.º trimestre de 1999 com o pagamento indicado na declaração de compensação, não susbsistindo qualquer direito creditório. Por fim, registra que o contribuinte recorrente não figura como parte interessada nos processos administrativos relacionados à Solução de Divergência e à Solução de Consulta colacionadas na manifestação de inconformidade, e estas não se aplicam ao caso concreto aqui discutido nem tem eficácia normativa nos termos do art. 100, II, CTN. Irresignado, o contribuinte apresenta, em 10/09/2010, recurso voluntário no qual contesta diretamente algumas das razões de decidir do acórdão recorrido e reitera alguns argumentos contidos na manifestação de inconformidade, conforme resumo a seguir: a) A origem de seu crédito encontrase demonstrada na análise de outro processo administrativo fiscal, de número 19679.004225/200422; b) Ao contrário do que disse a DRJ, o recorrente juntou cópia de seu contrato social, que demonstra que no rol de suas atividades encontrase a prestação de serviços de diagnóstico por imagens sem uso de radiação ionizante exceto ressonância magnética, serviço de diagnóstico por registro gráfico ECG, EEG e outros análogos, serviços de diagnóstico por métodos ópticos endoscopia e outros serviços análogos e serviços de litotripcia; c) Entendimento solidificado do STJ diz que para o conceito de serviços hospitalares não é necessário estrutura hospitalar; d) Traz decisões do STJ de 2009 e 2010; e) O art. 15, § 1.º, III, a, da Lei n.º 9.249/95 "concede o benefício fiscal" com foco nos serviços prestados e não no contribuinte que os executa; f) Alega que juntou aos autos cópia integral do processo "onde se encontram todos os pormenores que demonstram a liquidez e certeza do crédito objeto da DCOMP n.º 12089.26445.290104.1.3.041022."; g) As atividades que o recorrente desenvolve submetemse ao percentual de lucro presumido de 8% na forma do que dispõe a IN SRF n.º 306/2003, sob a baliza da Portaria GM n.º 1.884/94, Parte II, Capítulo 2; h) As normas referidas não exigem existência de sociedade empresarial constituída para aplicação do percentual de 8%; i) Deve haver retroação pelo caráter meramente interpretativo da IN SRF 306/2003, na forma do art. 106 do CTN (traz Solução de Consulta a respeito a este e ao item anterior); j) A IN SRF 210/2002 garante a correção pela taxa SELIC; l) Ao tempo do pedido de restituição vigorava a IN SRF n.º 306/2003, e deve prevalecer o princípio tempus regit actum; m) Ainda "requer seja determinada que a 8ª DRF/SP proceda a alocação dos valores compensados com os valores do crédito originado do processo administrativo n.º 19679004225/200422"; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 180 9 n) Por fim, pede que seja suspenso o crédito tributário segundo o que dispõe o art. 151, III, do CTN, e pede que seja reconhecido seu direito creditório, com homologação da compensação pretendida e alocação dos valores conforme análise com o processo n.º 19679.004225/200422. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. Mérito. 1. Origem do crédito. Antes de qualquer exame, é preciso deixar muito claro que, após confirmação mediante vistas às efls. 66 e 67, constatei que o crédito pleiteado objeto do processo administrativo fiscal n.º 19679.004225/200422 referese, de fato, como já delineou a decisão da DRJ/SP1, a período diverso do período ao qual se reporta o crédito sob análise neste processo, 10880.909476/200869. Aqui se trata de crédito relativo ao 1.º trimestre do ano 1999, e naquele, crédito relativo ao período 3.º trimestre de 1999 até 3.º trimestre de 2003. Logo, não há qualquer correspondência que possa ser feita no outro processo que autorize o proveito dos créditos ali discutidos na compensação do IRPJ e da CSLL do 4.º trimestre de 2003, motivo do PER/DCOMP n.º 14115.39652.290l04.1.3.042008, ora apreciado. Sendo assim, antecipo que fica afastada sequer a possibilidade de alocação dos valores pleiteados naquele processo com os débitos de IRPJ e CSLL que se pretende compensar e cuja exigência encontrase aqui questionada. A retificação de DCTF submetese às conclusões restritas ao propósito particular do contribuinte que preencheu a declaração original. Não pode nem deve a administração tributária avançar no cenário das possibilidades e intenções do sujeito passivo ao tempo da sua pretensão de encontro de contas via débitos de sua responsabilidade e direito creditório que anuncia possuir. Se o contribuinte preencheu Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 181 10 indevidamente sua DCOMP, o erro até aí, se é que houve, não é evidente para o Fisco, pois somente o contribuinte tem a certeza absoluta de qual parte dos seus débitos entendia não alcançada pelos créditos que alegava em seu favor, e que pretendia quitar, não cabendo à RFB a busca dessa essência, uma vez que havia débito correlato para o qual fora adequadamente feita a alocação do pagamento. Para isso a DRF que jurisdiciona o contribuinte é a unidade competente para a análise e processamento de eventual pedido de restituição ou compensação deste pagamento ora reclamado como indevido, já tendo se manifestado por ocasião do Despacho Decisório de efl. 2. O contribuinte não retificou a DCTF e a DIPJ correspondentes ao ano calendário 1999, o que denotaria seu interesse em modificar os valores dos débitos confessados relativamente ao IRPJ devido no período de apuração 1.º trimestre de 1999, e os resultados das correlações com os pagamentos efetuados, declarados na declaração de compensação. Além do que foi dito, é fato que pertence à unidade da RFB que jurisdiciona o domicílio do contribuinte a competência para a análise inicial dos pedidos de compensação/restituição deste. É o que determina o art. 286 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Portaria MF n.º 430/2017): (...) Art. 286. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária (Diort), aos Serviços de Orientação e Análise Tributária (Seort) e às Seções de Orientação e Análise Tributária (Saort) compete: I gerir e executar as atividades relativas a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, suspensão e redução de tributos, inclusive decorrentes de crédito judicial; (...) E isso foi providenciado ao tempo e sob o conteúdo próprios, na medida do que fora informado na PER/DCOMP e na DCTF original. Vale antecipar também que não faz sentido tecer considerações acerca da suspensão da exigibilidade pugnada no recurso voluntário, com base no art. 151, III, do CTN, pois que o débito que se pretendeu compensar já se encontra suspenso, dada a interposição tempestiva do recurso voluntário. Feitas as observações acima, registrase que as razões ali delineadas aplicam se aos itens "ALOCAÇÃO DO CRÉDITO" e "SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO" contidos no recurso voluntário. Entretanto, como os argumentos que integram o outro processo e que defendem a aplicação do percentual de 8% em lugar de 32%, para as atividades desenvolvidas pelo contribuinte, também dizem respeito ao IRPJ devido no período correspondente ao 1.º trimestre do ano 1999, serão objeto de análise aqui nestes autos. O recorrente argumenta que "Ao contrário do que sustentou o ilustre julgador da 7ª Turma, a recorrente juntou ao presente cópia de seu contrato social, que demonstra fielmente que a Recorrente possui no rol de suas atividades, a prestação de serviços de diagnóstico por imagens sem uso de radiação ionizante, exceto ressonância magnética, serviço de diagnóstico por registro gráfico Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 182 11 ECG, EEG e outros análogos, serviços de diagnóstico por métodos ópticos endoscopia e outros serviços análogos e serviços de litotripcia". Não é a verdade dos autos. Foram juntadas somente cópias das alterações e consolidações contratuais, 2.ª e 3.ª, de 2003 e 2007, respectivamente, e de Contrato Social Consolidado, de 2007. Tais cópias encontramse em efls. 29, 30 a 35, 38 a 42 e 74 a 78, e em ambas o objeto da sociedade está registrado como "prestação de serviços profissionais de medicina, notadamente no campo da neurologia e liquor. Os serviços profissionais mencionados serão prestados no consultório da sede, em hospitais e domicílios da cidade de São Paulo ou de outras cidades do território nacional" (art. 4.º das alterações contratuais) (grifei). Ademais, ali consta também a informação de que a sociedade utilizava a forma de Sociedade Simples e que não tinha inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis. O recorrente discorda da apuração do seu lucro presumido sob o percentual de 32%. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de oito por cento sobre a receita bruta, inclusive para serviços hospitalares. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Até 31/12/2008 prevalece o sentido restrito do que se pode entender como prestação de serviço hospitalar, que se vincula aos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, tais como instalação, equipamento, mão de obra e fornecimento de produtos farmacêuticos. O exercício da profissão regulamentada de médico, por si só, não se identifica com atividade peculiar executada no âmbito hospitalar, e por esta razão o coeficiente aplicável à receita bruta é aquele fixado para a prestação de serviço em geral, de trinta e dois por cento para determinação do lucro presumido. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 183 12 Somente a partir de 01/01/2009 um contorno normativo mais abrangente foi conferido à prestação de serviços hospitalares abrangendo o auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo n.º 1116399/BA1, cujo trânsito em julgado ocorreu em 08/11/2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. As modificações trazidas pela Lei n.º 11.727/2008 de interesse para o presente julgamento são as reproduzidas a seguir: Lei n.º 11.727/2008: (...) Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 15. ............................................................ § 1o .......................................................... ............................................................. III – ...................................................... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (...) Art. 41. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação: (...) VI – aos arts. 22, 23, 29 e 31, a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da publicação desta Lei. (...) (grifei). 1 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1116399/BA. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de outubro de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=6898628&sReg=20090006481 0&sData=20100224&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 184 13 Dado que o teor da decisão do STJ em sede de Recursos Repetitivos — no RE n.º 1116399/BA — fez com que a "estrutura" definida na Resolução ANVISA/DC n.º 50/2002 deixasse de representar requisito para a caracterização da natureza de serviço hospitalar ou equiparado, ainda restaram como pressupostos para essa qualificação a prestação dos serviços sob a forma de sociedade empresária e a ausência de prestação direta dos serviços pelos sócios. A decisão apoiouse na ideia, entre outras, de que: 1) deve haver maquinário específico e custos contabilizados em separado que apontem para a atividade hospitalar ou equiparada, diferenciandoa da simples prestação de atendimento médico, 2) não importa a estrutura do contribuinte mas a natureza do serviço prestado, 3) o caso concreto ali envolvido cuida de empresa prestadora de serviços laboratoriais, e 4) as alterações trazidas pela Lei n.º 11.727/2008 pertinentes à discussão do enquadramento ou não como atividade hospitalar ou equiparada só devem ser aplicadas às demandas ajuizadas após sua vigência, não havendo efeito retroativo. É dizer, preocupase o relator da referida decisão em evitar que as consultas médicas ou serviços profissionais desenvolvidos exclusivamente pelos sócios sejam indevidamente enquadrados no art. 15, § 1.º, III, a, da Lei n.º 9.249/95. Vejamos alguns trechos da ementa e voto da mencionada decisão do STJ (no RE 1116399/BA), de interesse para análise, abaixo transcritos: Ementa: (...) a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas (...) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 185 14 (...) Voto: (...) Entretanto, em razão da ocorrência de algumas decisões dissonantes e das novas reflexões e argumentações que foram trazidas a esta Corte, a matéria foi novamente afetada à Primeira Seção que, por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, ocorrido no dia 22.4.2009, modificou a orientação até então adotada. (...) Dessa forma, ficou assentado que devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ressaltouse ainda que as alterações preconizadas pela Lei 11.727/08 aos dispositivos legais em discussão apenas devem ser aplicadas à demandas ajuizadas após a sua vigência, não possuindo efeito retroativo. (...) Eis a ementa do julgado acima mencionado: (...) 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. [...] No mesmo sentido, cito outros precedentes: (...) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – IRPJ E CSLL – BASE DE CÁLCULO REDUZIDA – LEI 9.249/95 – CONCEITO DE "SERVIÇOS HOSPITALARES" – CARÁTER OBJETIVO – QUESTÃO PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO (RESP 951251/PR) – RECURSO ESPECIAL ADESIVO – SUCUMBÊNCIA INEXISTENTE – AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. (...) 2. A Primeira Seção pacificou o entendimento de que o conceito de serviços hospitalares a que se refere o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, na sua redação original, deve ser interpretado de forma objetiva, abrangendo as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas somente as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 186 15 (...) 6. Provido parcialmente o recurso do contribuinte; não conhecido o especial adesivo da Fazenda Nacional (REsp 939.321/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21/5/2009, DJe 4/6/2009). (...) TRIBUTÁRIO – IRPJ E CSLL – ALÍQUOTA REDUZIDA – ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI N. 9.249/95 – LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES – NOVEL ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Concluiu a Primeira Seção que, "por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos." (REsp 951251/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 22.4.2009, DJe 3.6.2009). 2. Para fazer jus à concessão do benefício fiscal previsto nos artigos 15, § 1º, III, "a" e 20 da Lei n. 9.249/95, é necessário que a prestação de serviços hospitalares seja realizada por contribuinte que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, e não apenas a capacidade de internação de pacientes. 3. Merece reforma o entendimento firmado pela Primeira Turma, para reconhecer a incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços laboratoriais de análises clínicas. Embargos de divergência providos (EREsp 956.122/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2009, DJe 01/10/2009). (grifei). [...] Por outro lado, conforme já mencionado, a Corte a quo consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade que é diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, de acordo com a argumentação acima exposta, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso do CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). (grifei). De todo o material colacionado acima, podese concluir que o caso destes autos demanda tão somente observar se restou provado que o recorrente prestou serviços hospitalares propriamente ditos ou aqueles serviços correlatos que se inserem no campo dos efeitos da decisão do STJ no RE n.º 1116399/BA, no 1.º trimestre de 1999. Como já abalizado, as cópias do contrato consolidado em 2007 e das alterações e consolidações contratuais não dão notícia de que os serviços prestados revestiram se da natureza de serviços hospitalares ou equiparados ou assemelhados. Não há nos autos elemento probante que afaste a interpretação que tais alterações contratuais e o conjunto de Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 187 16 circunstâncias sugerem, os quais indicam que os serviços são prestados pelos próprios sócios mediante consultas médicas. Uma vez que o recorrente não trouxe ao processo documentos como Contrato Social, registros contábeis (ainda que só no Livro Caixa), notas fiscais de entrada referentes a insumos e materiais, notas fiscais de serviços, contratos, notas fiscais de aquisição de equipamentos, registro de empregados, entre outros que poderiam ser acostados com teor probatório, nada se pode afirmar acerca de a natureza de seus serviços indicar prestação dos serviços laboratoriais e afins de que trata a alteração introduzida na Lei n.º 9.249, art. 15, § 1.º, III, a, pela Lei n.º 11.727/08. Tampouco ficou caracterizada a exigência de que se trate de sociedade empresária, modificação também introduzida pela referida lei, e que não se confunde com a capacidade estrutural dispensada pelo STJ. Essa ausência de comprovação da natureza específica da prestação dos serviços médicos impede que a situação fática dos autos possa ser alcançada pelo julgamento do RE 1119399/BA, o qual se referiu a serviços comprovadamente hospitalares, laboratoriais etc., na forma ali definida. Noutra linha também se observa que o próprio decisum alerta para a sua aplicação ex nunc, o que torna sem efeito para o presente caso a análise rígida das alterações promovidas pela Lei n.º 11.727/08 acerca da expansão do conceito de serviços hospitalares para efeitos tributários, devendo ser considerado o conceito anterior, mais detido. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior2. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender alegando ausência de provas, pois estas são de produção obrigatória dele, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas, embora tenha tido o recorrente a oportunidade para tal, haja vista para as peças de defesa administrativa impetradas. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações3. 2. Legislação vigente ao tempo do pedido de restituição. Mesmo durante a vigência da IN SRF n.º 306/2003 e da redação original da alínea "a", do inciso III, do § 1.º do art. 15 da Lei n.º 9.249/95 a atividade do recorrente não poderia configurar prestação de serviços hospitalares, de maneira que não faz sentido o protesto pela aplicação do princípio tempus regit actum, no recurso voluntário, posto que, nem 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.909476/200869 Acórdão n.º 1002000.578 S1C0T2 Fl. 188 17 a mudança de interpretação dada pela IN SRF n.º 480/2004, nem o teor da decisão do STJ em sede de Recursos Repetitivos n.º 1116399/BA repercutem no contexto fático do caso concreto tratado nos autos. Considerandose que o caso concreto aqui julgado repousa num cenário que difere daquele para o qual o STJ determinou que fosse a receita da prestação de serviços submetida ao percentual de 8% para apuração do lucro presumido, e considerandose a legislação vigente ao tempo da prestação dos serviços, tudo evidencia que o percentual a ser aplicado às receitas da atividade do recorrente no 1.º trimestre de 1999 é de 32%. Conclusão. Na ausência de comprovação de que a atividade desenvolvida se submetia ao percentual de 8% para cálculo do lucro presumido no 1.º trimestre de 1999, não ficou demonstrada a certeza e liquidez do crédito pleiteado, não havendo o que homologar nem o que corrigir através da taxa SELIC, já que o crédito pretendido encontrase integralmente alocado a débito confessado em DCTF. Dessa forma, no sentido de tudo que foi exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902735/2016-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.593
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 73 5/ 20 16 -7 6 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13851.902735/201676 Resolução nº 3402001.593 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13851.902735/201676 Resolução nº 3402001.593 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13851.902735/201676 Resolução nº 3402001.593 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 144DF CARF MF
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Numero do processo: 13962.000147/2003-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 29/04/1994 a 11/04/1998
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INTERPRETAÇÃO LITERAL
Deve ser interpretado literalmente o §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, aplica-se o instituto da homologação tácita tão somente a compensações.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 29/04/1994 a 11/04/1998
PARCELAMENTO. CRITÉRIO DE CÁLCULO DOS JUROS INCIDENTES SOBRE CADA PARCELA.
O valor de cada parcela relativa a parcelamento regularmente deferido será acrescido, por ocasião do pagamento, de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do deferimento e até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado.
Numero da decisão: 3301-005.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 29/04/1994 a 11/04/1998 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INTERPRETAÇÃO LITERAL Deve ser interpretado literalmente o §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, aplica-se o instituto da homologação tácita tão somente a compensações. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 29/04/1994 a 11/04/1998 PARCELAMENTO. CRITÉRIO DE CÁLCULO DOS JUROS INCIDENTES SOBRE CADA PARCELA. O valor de cada parcela relativa a parcelamento regularmente deferido será acrescido, por ocasião do pagamento, de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do deferimento e até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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INTERPRETAÇÃO LITERAL Deve ser interpretado literalmente o §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, aplicase o instituto da homologação tácita tão somente a compensações. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 29/04/1994 a 11/04/1998 PARCELAMENTO. CRITÉRIO DE CÁLCULO DOS JUROS INCIDENTES SOBRE CADA PARCELA. O valor de cada parcela relativa a parcelamento regularmente deferido será acrescido, por ocasião do pagamento, de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do deferimento e até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 01 47 /2 00 3- 24 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13962.000147/200324 Acórdão n.º 3301005.570 S3C3T1 Fl. 245 2 Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição, formulado em II de março de 2003, por meio do qual a contribuinte solicita a restituição de valores que teriam sido indevidamente pagos a título de juros cobrados sobre valores parcelados de Cofins, no processo administrativo n° 13962.000047/9418, para o período de abril de 1994 a abril de 2000, no montante de R$ 273.282,40 (v. folha 01). A contribuinte fundamenta seu pleito na incorreta sistemática de incidência dos juros sobre a prestação devida do parcelamento, entendendo que o correto seria o acréscimo de juros de atualização das prestações exclusivamente sobre o valor do principal contido no valor da prestação. Argumenta a contribuinte que o parcelamento não constitui uma novação de dívida, mas possui características de moratória, suspendendo a exigibilidade do tributo. Portanto, o débito consolidado na data do parcelamento deve ser entendido, não como um valor principal, mas sim um valor composto por principal, multa e juros. Desta forma, caberia a partir da data do parcelamento apenas a aplicação de juros sobre o valor principal (original acrescido de correção monetária) e não sobre o total do débito consolidado, sob pena de se estar aplicando juros sobre o valor da multa e do próprio juros calculado até a data da consolidação. A contribuinte sustenta que os juros a serem acrescidos à prestação mensal tem com base de cálculo exclusivamente o valor do principal dos débitos contidos na prestação calculada, isto porque a norma disse que serão acrescidos à prestação mensal juros equivalentes à taxa Selic e não que incidirão sobre a prestação juros equivalentes à taxa Selic. Destaca que há diferença técnica entre as expressões, de forma que o cálculo da prestação, na qual calculase os juros equivalentes à taxa Selic sobre o valor integral da prestação, somente estaria autorizado se o legislador tivesse utilizado a expressão incidirão sobre o valor da prestação os juros equivalentes a taxa Selic. Conclui a contribuinte que aplicação de juros sobre o valor consolidado — principal, acrescido de juros e multa — é ilegal. No tópico denominado Da prescrição/decadência, a contribuinte alega que todos os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal estão sujeitos à lançamento por homologação, devendo ser reconhecido o direito de reaver os valores recolhidos a maior ou indevidamente nos últimos dez anos, sendo cinco anos até a homologação tácita e mais cinco anos à partir da referida homologação tácita, como já é reconhecido de forma pacífica nos julgados, tanto na esfera administrativa quanto na esfera judicial. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13962.000147/200324 Acórdão n.º 3301005.570 S3C3T1 Fl. 246 3 Sob o título Do pedido, a contribuinte solicita, ainda, que (a) seja reconhecido o direito a atualização monetária dos valores, de acordo com a variação da OTN/BTN/BTNF/UFIR e do INPCIBGE, com a conseqüente inclusão de todos os expurgos inflacionários ocorridos no período objeto deste pedido, até 31 de dezembro de 1995; (b) seja reconhecido o direito a aplicação de juros Selic, à partir de 01 de janeiro de 1996. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC manifestouse, mediante Despacho Decisório, à folha 146, (fundamentado no Parecer Saort n° 80/2008, às folhas 141 a 146) por indeferir o Pedido de Restituição de folha 01 e não homologar a Declaração de Compensação de folhas 133 a 140, dada a inexistência de pagamento indevido ou a maior relativos aos valores cobrados a título de prestação mensal no processo 13962.000047/9418. Fundamenta a autoridade a quo, inicialmente, que o pedido de reconhecimento de direito creditório, formalizado em 11 de abril de 2003, relativo aos recolhimentos efetuados de 29 de abril de 1994 a 11 de abril de 1998, não pode ser acolhido, em vista da decadência do direito de pleitear a restituição, nos termos dos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional — CTN. Quanto aos períodos de abril de 1998 a abril de 2000, a autoridade fiscal explica que, de acordo com o artigo 15 da Medida Provisória — MP n° 1.442, de maio de 1996 (reedição da MP n° 1.402/96), vigente à época da contratação pela contribuinte do parcelamento de débitos para com a Fazenda Nacional, a sistemática era a consolidação dos débitos à data da concessão do parcelamento, para divisão do valor consolidado pelo número de parcelas a serem pagas, de forma a se encontrar o valor da prestação. E, o acréscimo à prestação mensal de juros equivalentes à taxa Selic acumulada mensalmente, calculados a partir da data do deferimento até o mês anterior ao do pagamento, e acréscimo à prestação mensal de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Desta forma, a autoridade fiscal não verificou desacordo entre os cálculos efetuados na vigência do parcelamento contratado pela interessada, sendo corretos os valores cobrados a título de prestação mensal. Inconformada com o indeferimento do pedido de restituição, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, às folhas 153 a 171, na qual repete sua argumentação e fundamentação de que houve cobrança indevida de juros sobre a multa e sobre os juros consolidados no parcelamento de débitos da Cofins, por ausência de permissão legal expressa neste sentido. E, ainda, que não ocorreu a extinção de seu direito de solicitar a restituição, uma vez que por disposição expressa do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre com o "pagamento e a homologação do pagamento". Defende a contribuinte que a Lei n° 118/2005 não pode retroagir, vez que o pedido de restituição foi formalizado em abril de 2003." Em 16/04/10, a DRJ em Florianópolis (SC) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0719.539 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 29/04/1994 a 11/04/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13962.000147/200324 Acórdão n.º 3301005.570 S3C3T1 Fl. 247 4 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido. PARCELAMENTO. CRITÉRIO DE CÁLCULO DOS JUROS INCIDENTES SOBRE CADA PARCELA. O valor de cada parcela relativa a parcelamento regularmente deferido, será acrescido, por ocasião do pagamento, de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do deferimento até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 29/04/1994 a 30/04/1998 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adiciona o seguinte: quando a Fazenda Pública deu ciência ao contribuinte do Despacho Decisório, em 16/05/08, já haviam sido tacitamente homologados o pedido de restituição e a declaração de compensação vinculada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade pelo que dele tomo conhecimento. Passemos ao exame dos argumentos de defesa. "Da Intempestividade do Decisório x Homologação da Compensação" Informa que o Pedido de Restituição (PER) e a Declaração de Compensação (DCOMP) foram protocolizados em 11/04/03 e que tomou ciência do Despacho Decisório, em 16/05/08. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13962.000147/200324 Acórdão n.º 3301005.570 S3C3T1 Fl. 248 5 Alega, então, à luz do § 5° do art. 74 da Lei n° 9430/96, que o PER e a DCOMP já foram sido tacitamente homologados, pois já haviam se passado mais de cinco anos entre as referidas datas. Os argumentos de defesa não merecem prosperar. De início, um reparo nas informações prestadas pela recorrente: a DCOMP foi protocolizada em 23/05/2003 (fl. 133) e não em 11/04/03. De fato, não se me parece em linha com o princípio da segurança jurídica não estabelecer prazo para a revisão fiscal de pedidos de restituição e ressarcimento. Contudo, realmente, não há dispositivo legal que imponha limite temporal para estes casos. E, tal qual pretendeu a recorrente, não se pode adotar para restituições e ressarcimentos o prazo de cinco anos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9430/96 "§ 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação." , porque dispositivo desta natureza deve ser interpretado literalmente. E especificamente sobre a DCOMP em discussão, como foi transmitida em 23/05/03, e a ciência do Despacho Decisório se deu em 16/05/08, não ocorreu a homologação tácita da compensação. Portanto, nego provimento aos argumentos. "Da indevida Cobrança de JUROS Calculados sobre o Valor Total Consolidado — Sem Previsão Legal" A recorrente traz o seguinte resumo de seus argumentos (fls. 209 e 210): "a) A LEI NÃO DETERMINA QUE OS JUROS A SEREM ACRESCIDOS A CADA UMA DAS PARCELAS DEVEM SER CALCULADOS "SOBRE" O VALOR CONSOLIDADO DO DÉBITO; b) NADA IMPEDE QUE OS JUROS SEJAM CALCULADOS SOBRE O VALOR APENAS DO TRIBUTO CONTIDO EM CADA PARCELA. c) A LEI LIMITA QUEM COBRA E NÃO QUEM PAGA — O ART. 13 DA LEI 10.522/2002 NÃO ESTABELECE A INCIDÊNCIA DE JUROS "SOBRE" O VALOR CONSOLIDADO EM PARCELAMENTO. d) CASO OS JUROS "ACRESCIDOS" EM CADA PARCELA SEJAM CALCULADOS "SOBRE" O VALOR TOTAL CONSOLIDADO, TODO AQUELE QUE RESCINDIR O PARCELAMENTO POR INADIMPLÊNCIA DAS ULTIMAS PARCELAS RECEBERÁ "TROCO" (RESSARCIMENTO) AO SER APLICADA A REGRA DA "IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL DO ART. 163 DO CTN" — PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O CRITÉRIO DEFENDIDO PELA FAZENDA NACIONAL É ERRADO." Concordo com a interpretação da DRF e do colegiado de primeira instância, que negaram o direito ao crédito. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13962.000147/200324 Acórdão n.º 3301005.570 S3C3T1 Fl. 249 6 E, assim sendo, adoto como minhas razões de decidir trechos (fls. 193 a 196) do Acórdão DRJ n° 0719.539, de 16/04/10, da lavra da Auditora Fiscal Patricia Stahnke Schveitzer, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "2. Do pedido de restituição e compensação: Argumenta a contribuinte que o parcelamento não constitui uma novação de dívida, mas possui características de moratória, suspendendo a exigibilidade do tributo. Portanto, o débito consolidado na data do parcelamento deve ser entendido, não como um valor principal, mas sim um valor composto por principal, multa e juros. Desta forma, caberia a partir da data do parcelamento apenas a aplicação de juros sobre o valor principal (original acrescido de correção monetária) e não sobre o total do débito consolidado, sob pena de se estar aplicando juros sobre o valor da multa e do próprio juros calculado até a data da consolidação. A contribuinte sustenta que os juros a serem acrescidos à prestação mensal tem com base de cálculo exclusivamente o valor de principal dos débitos contidos na prestação calculada, isto porque a norma disse que serão acrescidos à prestação mensal juros equivalentes à taxa Selic e não que incidirão sobre a prestação juros equivalentes à taxa Selic. Destaca que há diferença técnica entre as expressões, de forma que o cálculo da prestação, na qual calculase os juros equivalentes à taxa Selic sobre o valor integral da prestação, somente estaria autorizado se o legislador tivesse utilizado a expressão incidirão sobre o valor da prestação os juros equivalentes a taxa Selic. Conclui a contribuinte que aplicação de juros sobre o valor consolidado — principal, acrescido de juros e multa — é ilegal. Inicialmente é de se esclarecer que, em casos como este, em que o sujeito passivo remete a discussão para o campo da ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivos legais regularmente editados, bastante restritas tornamse as possibilidades de manifestação do julgador administrativo. É que em razão de o assunto estar disciplinado em disposição literal de lei regularmente editada e em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornamse quaisquer manifestações das instâncias julgadoras que compõem o contencioso administrativo. No sentido desta limitação de competência dos agentes públicos tem se firmado tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF (antigo Conselho de Contribuintes), traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de n.° 204.02444 da 4° Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, de 23 de maio de 2007: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Está consolidado o entendimento de que os Conselhos de Contribuintes não detêm competência para apreciar argüição de inconstitucionalidade de atos legais, por se tratar de órgãos julgadores administrativos, limitandose tãosomente a aplicála sem emitir juízo sobre a sua legalidade ou constitucionalidade. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13962.000147/200324 Acórdão n.º 3301005.570 S3C3T1 Fl. 250 7 Vejase ainda que, em 18 de setembro de 2007, DOU de 26 de setembro de 2007, foi aprovada a Súmula n° 2 do Segundo Conselho de Contribuintes cujo teor é o seguinte: SÚMULA n°2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Encerrando o assunto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo artigo 25 da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, assim dispõe: Art 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6° O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Portanto, compete às Delegacias de Julgamento tão somente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Na análise da legislação, como se verá, verdade é que a única forma de acatar o pleito da contribuinte, ou a longa exegese produzida ao longa da manifestação de inconformidade, acerca da forma de cálculo dos juros devidos em cada prestação de parcelamento concedido, seria, justamente pela negação da eficácia daquelas disposições legais. É que é tão literal, explícita e concludente a redação dos dispositivos, que não sobra espaço para que se perquira, por via dos variados métodos de interpretação, acerca de outros sentidos para o regramento posto. De se ver o conteúdo dos dispositivos discutidos, começandose pelos artigos 12 e 13 da Lei n.° 10.522, de 19/07/2002 (ato este que foi resultado da conversão da Medida Provisória n.° 1.402/96, depois reeditada sob o 2.17679, de 23/08/2001, como referenciado pela contribuinte): Art. 12. O débito objeto do parcelamento, nos termos desta Lei, será consolidado na data da concessão, deduzido o valor dos recolhimentos efetuados como antecipação, na forma do disposto no art. 11 e seu § 2o, e dividido pelo número de parcelas restantes. § 1° Para os fins deste artigo, os débitos expressos em Unidade Fiscal de Referência Ufir terão o seu valor convertido em moeda nacional, adotandose, para esse fim, o valor da Ufir na data da concessão. § 2° No caso de parcelamento de débito inscrito como Dívida Ativa, o devedor pagará as custas, emolumentos e demais encargos legais. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13962.000147/200324 Acórdão n.º 3301005.570 S3C3T1 Fl. 251 8 3° O valor mínimo de cada parcela será fixado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 4° Mensalmente, cada órgão ou entidade publicará demonstrativo dos parcelamentos deferidos no âmbito das respectivas competências. Art. 13. O valor de cada prestação mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do deferimento até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Parágrafo único. A falta de pagamento de duas prestações implicará imediata rescisão do parcelamento e, conforme o caso, a remessa do débito para a inscrição em Dívida Ativa da União ou o prosseguimento da execução, vedado, em qualquer caso, o reparcelamento. (grifos acrescidos) Como se percebe, o caput do artigo 12 da Lei n.° 10.522/2002 expressamente determina a consolidação do débito na data de concessão do parcelamento e sua divisão em prestações, e o caput do artigo 13 determina, sem margem para tergiversações, que a cada prestação mensal, por ocasião do pagamento, serão acrescidos juros calculados com base na taxa Selic. Ou seja, se espaço há para interpretações outras que não aquela resultante da evidente literalidade da lei, só pode mostrarse ele na forma da negação da eficácia desta lei, o que, à evidência, só poderia ser feito, em termos práticos, por uma declaração tácita de desconformidade do ato legal com o conjunto da ordem jurídica. O outro ato legal que tem sua "interpretação" questionada pela contribuinte é a Portaria Conjunta PGFN/SRF n.° 663, de 10/11/1998. Importa aqui, por suficiente, a consideração dos termos dos artigos 13 e 17: Art. 13. O valor de cada parcela será obtido mediante a divisão do valor do débito consolidado pelo número de parcelas restantes, observado o limite mínimo de valor previsto no art. 2° da Portaria MF n°290. de 1997. € 100 valor de cada parcela, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC acumulada mensalmente, calculados a partir da data do deferimento até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. [...] Art. 17 No âmbito da SRF, o débito consolidado, para fins de parcelamento resultará da soma: a) do principal; b) da multa de mora no valor máximo fixado pela legislação ou da multa lançada, esta com redução quando cabível; c) dos juros de mora e Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13962.000147/200324 Acórdão n.º 3301005.570 S3C3T1 Fl. 252 9 d) da atualização monetária, quando for o caso. [...] (grifos acrescidos) Aqui, como se vê, a literalidade é ainda mais evidente. Com efeito, o artigo 17 expressamente diz que o débito consolidado inclui os juros de mora devidos até a concessão do parcelamento e o artigo 13, com clareza inquestionável, determina que o valor de cada parcela será resultado da divisão do montante consolidado e que, sobre cada parcela incidirão, de forma cumulativa, juros calculados com base na taxa Selic. É assim que, para além das considerações exegéticas formuladas pela contribuinte, há que se reconhecer a existência de disposições legais expressas que não deixam espaço para dubiedades acerca de seus conteúdos. À evidência, o único meio que se teria de ignorar, ou mesmo atenuar o sentido do que está escrito nas disposições legais mencionadas, seria o de declarar suas desconformidades com a ordem jurídica, o que se aproxima muito, para não dizer que se confunde, com a declaração de suas ilegalidades ou inconstitucionalidades. Só que esta via, como já dito, não está aberta às autoridades administrativas, vinculadas que estão à observância estrita dos atos emanados da Administração Tributária e incompetentes que são para expurgar atos legais regularmente vigentes em face de suas pretensas ilegalidades ou inconstitucionalidades. Deste modo, manifestome no sentido do indeferimento do pleito da contribuinte, deixando de me manifestar sobre as demais questões postas na manifestação de inconformidade, em face de suas irrelevâncias diante da decisão acima exposta. Por todo o exposto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório da contribuinte e não homologando as compensações efetuadas. É como voto. Florianópolis, 9 de abril de 2010." Com base no acima exposto, nego provimento aos argumentos contidos neste tópico. "Do Momento em Que se Inicia a Contagem do Prazo Decadencial" A DRF indeferiu os PER e não homologou as DCOMP, por entender que não havia crédito a restituir/compensar, posicionamento com o qual concordo. Não obstante, a unidade de origem consignou que havia ainda um outro impedimento, em relação aos supostos pagamentos a maior efetuados antes de 11/04/98: já decaíra o prazo para pedir restituição, que seria de cinco anos, contados com base na data da protocolização do pedido, que se deu em 11/04/03 (artigos 165 e 168 do CTN). Sob o ponto de vista conceitual, está correto o contribuinte por meio da Súmula CARF n° 91, restou decidido que o prazo para pleitear a restituição é de dez anos, nos casos em que o pedido foi protocolizado até 09/06/05. Contudo, nego provimento aos argumentos, posto que, no tópico anterior, concluí que não havia créditos a restituir/compensar. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13962.000147/200324 Acórdão n.º 3301005.570 S3C3T1 Fl. 253 10 É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.904705/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. PARCELAMENTO DE VALORES DEVIDOS POR ESTIMATIVA.
O saldo negativo da CSLL apurado no encerramento do ano-calendário, oriundo de valores devidos mensalmente por estimativa, somente poderá ser utilizado na compensação quando efetivamente extinto. O parcelamento não constitui modalidade de extinção do crédito tributário, em face do que os valores das estimativas que foram parcelados não podem ser utilizados para compensação enquanto não liquidados.
Numero da decisão: 1302-003.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. PARCELAMENTO DE VALORES DEVIDOS POR ESTIMATIVA. O saldo negativo da CSLL apurado no encerramento do ano-calendário, oriundo de valores devidos mensalmente por estimativa, somente poderá ser utilizado na compensação quando efetivamente extinto. O parcelamento não constitui modalidade de extinção do crédito tributário, em face do que os valores das estimativas que foram parcelados não podem ser utilizados para compensação enquanto não liquidados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. PARCELAMENTO DE VALORES DEVIDOS POR ESTIMATIVA. O saldo negativo da CSLL apurado no encerramento do anocalendário, oriundo de valores devidos mensalmente por estimativa, somente poderá ser utilizado na compensação quando efetivamente extinto. O parcelamento não constitui modalidade de extinção do crédito tributário, em face do que os valores das estimativas que foram parcelados não podem ser utilizados para compensação enquanto não liquidados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 47 05 /2 01 2- 21 Fl. 174DF CARF MF 2 Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 02893.15847.170907.1.7.037141, na qual pretende utilizar crédito decorrente de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005, no valor de R$ 3.277,89. Após análise, a DRF/Campinas não reconheceu o direito creditório, pois a soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP não era suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo. De acordo com a DIPJ/2006, foi apurada CSLL a pagar de R$ 1.871.061,73, valor superior ao montante de crédito informado na PER/DCOMP, de R$ 1.743.898,03. Além disso, parte das parcelas que compõem o crédito das estimativas não foi confirmada, conforme quadro a seguir: Na sessão de 27 de maio de 2014, por meio do Acórdão nº 1146.239, a 3ª Turma da DRJ/REC julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. PARCELAMENTO DE VALORES DEVIDOS POR ESTIMATIVA. O saldo negativo da CSLL apurado no encerramento do ano calendário, oriundo de valores devidos mensalmente por estimativa, somente poderá ser utilizado na compensação quando efetivamente extinto. O parcelamento não constitui modalidade de extinção do crédito tributário, em face do que os valores das estimativas que foram parcelados não podem ser utilizados para compensação enquanto não liquidados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos, cuja prova compete ao sujeito passivo, são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. De acordo com a decisão recorrida, a parcela da estimativa no valor de R$ 1.010,00, que não teria sido confirmada pelo despacho decisório, foi devidamente quitada por compensação nos autos do processo administrativo nº 10830.922874/200947. Entretanto, ainda que confirmado o total de crédito de estimativas informados na DCOMP, no valor de R$ Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.904705/201221 Acórdão n.º 1302003.352 S1C3T2 Fl. 175 3 1.743.898,03, não seria suficiente para quitar a CSLL devida de R$ 1.871.061,73. Ademais, compulsando a DIPJ/2006 e as parcelas formadoras do saldo negativo, verificouse que R$ 130.441,90, parcela não informada no demonstrativo de crédito da DCOMP, foi objeto de parcelamento, e ainda estava pendente de pagamento na data da transmissão da declaração. Segundo a decisão recorrida, tais valores somente se tornam aptos à restituição ou à compensação à medida que forem pagos e desde que provado que o montante extinto superou a contribuição devida. A ciência da decisão ocorreu em 18/07/2014 (sextafeira), conforme atesta o Termo de Abertura de Documento, fls. 136. O recurso voluntário foi apresentado em 19/08/2014/2014, fls. 138/147 com as seguintes alegações: requer juntada dos documentos trazidos junto com o recurso voluntário, considerando o Princípio da Verdade Material. as provas coadunam com as alegações de direito da recorrente, já que montante extinto com o pagamento de parte do parcelamento supera a contribuição devida, demonstrando seu direito ao crédito tributário promovido pela DCOMP, objeto dos autos. caso haja dúvidas, requer a conversão do julgamento em diligência para que sejam apurados os valores requeridos. já teve decisão favorável em processo administrativo, sendo as provas aceitas e o julgamento convertido em diligência de forma que, através da Informação Fiscal, o colegiado se certificou e reconheceu o direito creditório, homologando sua compensação. no processo administrativo nº 10840.918673/200945, o julgamento foi convertido em diligência que, através da Informação Fiscal, o colegiado se certificou e reconheceu o direito creditório, homologando sua compensação. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. A questão a ser analisada no presente recurso é a comprovação do direito creditório de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005, que deixou de ser reconhecido, pois a soma das parcelas de composição do crédito informadas na DCOMP, no valor de R$ 1.742.888,03, não seria suficiente para comprovar a quitação da CSLL devida de R$ 1.871.061,73 e apuração de saldo negativo de R$ 3.277,89. Fl. 176DF CARF MF 4 Em sua defesa, a recorrente alega que o montante extinto com o pagamento de parte do parcelamento das estimativas supera a contribuição devida, e comprova o seu direito ao crédito para homologação da compensação. Passo a julgar. Cumpre primeiro analisar o pedido de diligência. Conforme dispõe o artigo 16, IV do Decreto nº 70.235/72, este pedido deve vir acompanhado dos motivos que o justifique, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados. Verificase que tal rito não foi seguido, bem como se deve ressaltar que a realização de diligência não se presta para produção de provas cujo ônus é daquele que alega. Ademais, o procedimento adotado no julgamento de outro processo administrativo, que acatou o pedido de diligência, não vincula no presente, já que esta conselheira tem autonomia na formação de sua convicção. Vale lembrar que os conselheiros devem observar obrigatoriamente as hipóteses previstas no art.45, VI e art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). A conversão em diligência em um processo não vincula os demais julgamentos do mesmo contribuinte. Por fim, cabe destacar que os documentos constantes nos autos já são suficientes para a formação da convicção desta conselheira. Sendo assim, deve ser indeferida a diligência, por desnecessária, nos termos do disposto no art. 18 do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993. Quanto ao objeto principal da lide, com base na DIPJ/2006 apresentada, o crédito de saldo negativo da CSLL tem a seguinte formação: CSLL devida R$ 1.871.061,73 () CSLL retida na fonte por órgãos públicos R$ 12.764,04 () CSLL retida pelas demais entidades da administração pública federal R$ 7.069,02 () CSLL mensal paga por estimativa R$ 1.724.064,97 () Parcelamento formalizado de CSLL sobre a base calculada estimada R$ 130.441,59 CSLL a pagar R$ 3.277,89 Foi confirmado, a título de estimativas recolhidas de CSLL, o valor de R$ 1.724.064,97. Com relação ao parcelamento, no valor de R$ 130.441,59, de acordo com os documentos acostados nos autos, constatase que a recorrente aderiu ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009 em 17/08/2009 (Recibo de Pedido de Parcelamento fls. 151). A principal alegação da defesa seria que as estimativas parceladas e pagas confirmaria o crédito que pretende utilizar na compensação. Para dirimir a questão, transcrevo os fundamentos do recente Parecer Normativo nº 2, de 3/12/2018, que trata de estimativas compensadas, mas aborda as estimativas que não foram pagas ou compensadas: Entendimento consolidado 8.A despeito de a situação aqui tratada se referir ao débito de estimativas quitadas por compensação, fazse referência à hipótese em que as estimativas foram confessadas em DCTF e não foram quitadas nem por pagamento nem por compensação. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.904705/201221 Acórdão n.º 1302003.352 S1C3T2 Fl. 176 5 8.1.Tal hipótese já estava normatizada no âmbito da RFB pelo então art. 16 da IN SRF n° 93, de 1997 (vigente na época da consulta interna), a qual foi replicada pelos atualmente vigentes arts. 52 e 53 da IN RFB n° 1.700, de 2017. Notese que por eles já há o tratamento para a verificação da falta de pagamento durante o anocalendário em curso e após o seu término: Art. 52. Verificada, durante o anocalendário em curso, a falta de pagamento do IRPJ ou da CSLL por estimativa, o lançamento de ofício restringirseá à multa isolada sobre os valores não recolhidos. § 1° A multa de que trata o caput será de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado. § 2° As infrações relativas às regras de determinação do lucro real ou do resultado ajustado, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do IRPJ ou da CSLL a pagar em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de ofício sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. § 3° Na falta de atendimento à intimação de que trata o § 1° do art. 51, no prazo nela consignado, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil procederá à aplicação da multa de que trata o caput sobre o valor apurado com base nas regras previstas nos arts. 32 a 41, ressalvado o disposto no § 2° do art. 51. § 4° A não escrituração do livro Diário ou do Lalur de que trata o caput do art. 310 até a data fixada para pagamento do IRPJ e da CSLL do respectivo mês, implicará desconsideração do balanço ou balancete para efeito da suspensão ou redução de que trata o art. 47 e a aplicação do disposto no § 2° deste artigo. § 5° Na verificação relativa ao anocalendário em curso o livro Diário e o Lalur a que se refere o § 4° serão exigidos mediante intimação específica, emitida pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Art. 53. Verificada a falta de pagamento do IRPJ ou da CSLL por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: a multa de ofício de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário correspondente; e o IRPJ ou a CSLL devido com base no lucro real ou no resultado ajustado apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do tributo. Fl. 178DF CARF MF 6 8.2.Quando os dispositivos se referem à falta de pagamento, tratase da hipótese em que o débito referente a estimativas está em aberto (art. 52) ou não extinto (art. 53), seja por pagamento, seja por compensação. Estando o débito extinto pela compensação em 31 de dezembro do anocalendário, mesmo que esteja sob condição resolutória, não há a aplicação desses dispositivos, a não ser que a Dcomp seja considerada não declarada (já que esta não produz efeito de extinção da estimativa compensada). 8.3.Portanto, ratificase o entendimento contido no item 16.1 da SCI Cosit n° 18, de 2006, para os débitos de estimativa em aberto: "os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança da multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União". No presente caso, a recorrente informou na DIPJ/2006 que o valor de R$ 130.441,59 estaria parcelado. A DCOMP original nº 05590.28222.250406.1.3.032545 foi apresentada em 25/04/2006, e retificada em 17/09/2007. Apenas em 17/08/2009 que a recorrente aderiu ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009. Assim, em 31/12/2005 (data do fato gerador), a situação fática seria aquela prevista no artigo 53 da IN SRF nº 93/97, ou seja, falta de pagamento das estimativas, sendo correta a glosa do valor de R$ 130.441,59. Sequer em 25/04/2006 (data da transmissão da DCOMP original), as estimativas estavam quitadas pelo parcelamento. Cumpre esclarecer que não se trata de estimativa compensada antes da ocorrência do fato gerador, considerada extinta nesta data por força do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, e considerada no ajuste anual, conforme determina o citado Parecer Normativo. Repito que a situação que aqui se apresenta é a falta de pagamento em 31/12/2005, não podendo ser considerada a parcela de R$ 130.441,59 no cômputo do saldo negativo da CSLL, ainda que a adesão ao parcelamento tenha ocorrido posteriormente. Nestes termos, o valor comprovadamente quitado de R$ 1.724.064,97 não é suficiente para extinguir a CSLL devida de R$ 1.871.061,73. Ou seja, não há comprovação da certeza e liquidez do crédito, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005, nos termos do artigo 170 do CTN. Pelo exposto, voto por voto por negar provimento ao recurso voluntário. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.904705/201221 Acórdão n.º 1302003.352 S1C3T2 Fl. 177 7 Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720817/2016-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO.
Não cabe o sobrestamento de processos em caso de lançamentos de prejuízos fiscais utilizados a maior para que se aguarde a conclusão de outros processos que reduziram o montante e acarretaram o lançamento. O lançamento relativo aos prejuízos utilizados a maior é realizado a partir dos saldos de prejuízos existentes na data do lançamento. Não podendo ser aguardado indefinidamente a conclusão de todos os processos que modificaram estes saldos.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
É pacífico o entendimento acerca da possibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício em face da previsão legal.
Numero da decisão: 1401-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado para eventuais substituições) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. Não cabe o sobrestamento de processos em caso de lançamentos de prejuízos fiscais utilizados a maior para que se aguarde a conclusão de outros processos que reduziram o montante e acarretaram o lançamento. O lançamento relativo aos prejuízos utilizados a maior é realizado a partir dos saldos de prejuízos existentes na data do lançamento. Não podendo ser aguardado indefinidamente a conclusão de todos os processos que modificaram estes saldos. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É pacífico o entendimento acerca da possibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício em face da previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 17 /2 01 6- 21 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 16327.720817/201621 Acórdão n.º 1401003.013 S1C4T1 Fl. 407 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado para eventuais substituições) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado). Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso quando da análise da Impugnação apresentada pelo contribuinte. Tratase o processo de Auto de Infração de IRPJ, às fls. 02/15, referente à compensação de prejuízo fiscal inexistente, lavrado em 07/12/2016, onde foi apurado imposto no valor de R$ 29.982.039,78, que acrescido dos juros de mora, calculados até 12/2016, no importe de R$ 11.258.536,51, e multa proporcional de 75%, de R$ 22.486.529,83, gera um crédito tributário de R$ 63.727.106,12. De acordo com o Termo de Verificação de fls. 47/49: Há compensação de prejuízo fiscal inexistente nos anos de 2012 a 2014. O sistema SAPLI é alimentado com as DIPJ apresentadas pelo contribuinte e eventualmente alterado pelos lançamentos de ofício efetuados pela SRFB. Analisandose o histórico do referido sistema observase que a inconsistência decorre de autos de infração lavrados contra o contribuinte consubstanciados nos processos administrativos fiscais 16327.720.529/2013 23, 16327.720.380/201200, 16327.001.520.201077 (desistência para inclusão no PERT) e 16327.001.433/200986, ainda em discussão administrativa quando houve redução ou utilização do prejuízo fiscal do contribuinte. Relativamente ao anobase de 2011 já houve autuação conforme processo administrativo 16327.720.665/201402 cuja termo de verificação reproduzimos parcialmente abaixo (...) Desta forma há a necessidade de constituição do crédito tributário decorrente das compensações indevidas através de auto de infração. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 16327.720817/201621 Acórdão n.º 1401003.013 S1C4T1 Fl. 408 3 O contribuinte foi cientificado da autuação através de sua Caixa Postal, considerada seu domicílio tributário eletrônico (DTE) perante a RFB em 07/12/2016, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem na folha 55 do presente processo e apresentou impugnação em 03/01/2017, às fls. 57/67, cuja síntese das alegações segue abaixo: (...) III. DO DIREITO III.I Da Redução Parcial Definitiva do Saldo de Prejuízo Fiscal pagamento do Imposto devido. Extinção Parcial do Crédito Tributário. Art. 156, inciso I, do Código Tributário Nacional. 8. Antes de adentrar ao mérito da discussão, o Impugnante informa sua concordância com a redução definitiva do saldo de prejuízo. 9. Isto porque, no que se refere ao Processo Administrativo n.º 16327.720380/201200, apontado pela fiscalização como um dos casos que ocasionou a insuficiência de prejuízo fiscal, o contribuinte optou pelo pagamento do débito constituído naqueles autos3 , com os benefícios da anistia fiscal prevista na Lei nº 11.941/2009, cujo prazo para adesão foi reaberto por meio da Lei n.º 12.865/2013 (doc. 04), concordando, consequentemente, com a redução definitiva do saldo de prejuízo no montante de R$ 3.303.487,79. 10. Em razão disso e procedendo com a recomposição do estoque de prejuízo fiscal, considerando apenas a redução definitiva acima destacada4, o Impugnante informa o pagamento de parte do lançamento constituído por meio do auto de infração ora impugnado, com a incidência das reduções legais, no valor de R$ 470.407,70 (doc. 05), relativo ao excedente de compensação de prejuízo no anocalendário 2014 no montante de R$ 1.128.211,28:(...) Apresenta demonstrativo de recálculo da Glosa Definitiva. 11. Desta forma, nos termos do inciso I, do artigo 1565, o Impugnante requer seja extinto o montante quitado e que tais valores sejam baixados dos sistemas da Receita Federal. 12. Já no que concerne à diferença mantida em discussão, a qual não é objeto de pagamento, esta não merece prosperar, senão vejamos. III.2 Da Indevida Glosa de Prejuízo Fiscal. (...) 15. Todavia, em relação à parcela não paga do IRPJ, conforme destacado no tópico anterior, esta não deve ser mantida como devida, pois, como afirmado Fl. 408DF CARF MF Processo nº 16327.720817/201621 Acórdão n.º 1401003.013 S1C4T1 Fl. 409 4 pela própria fiscalização no Termo de Verificação Fiscal vinculado ao processo administrativo aqui debatido (doc. 06), os processo que supostamente ocasionaram a insuficiência do saldo de prejuízo fiscal utilizado pelo Impugnante estão em discussão administrativa e aguardam decisão final a ser proferida. (...) 17. Assim, incontroverso que aquelas demandas encontramse em andamento na esfera administrativa de modo que a redução no saldo de prejuízo fiscal ocasionada por aquelas autuações não pode ser considerada definitiva, o que implica no reconhecimento de que a glosa realizada pela fiscalização nestes autos não pode prevalecer até que se tenha uma decisão definitiva nos autos dos processos administrativos correlatos. (...) 20. Assim, aplicável ao presente caso a inobservância ao disposto no artigo 142, do CTN6 , restando claro que a presente autuação merece ser cancelada, pela constatação de vício material. 21. Destarte, é de se considerar, sob essa ótica, que autuação é nula por vício material, conforme entendimento, inclusive, emitido pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 22. Caso não seja o caso de cancelar a autuação em comento pela constatação de nulidade por ocorrência de vício material na constituição do crédito tributário, o que se admite apenas para fins de argumentação, a cobrança pretendida pela fiscalização merece ser sobrestada até que nos autos dos Processos Administrativos n.9s 16327.001433/2009 86; 16327.001520/201077; 16327.720529/201323 sejam proferidas decisões definitivas. (...) 24. Este, inclusive, é o entendimento manifestado pelo citado E. CARF, que já decidiu pela existência de prejudicialidade e conexão entre demandas correlatas: (...) 25. É exatamente por conta dessa prejudicialidade e conexão e da necessidade de aguardar o desfecho do outro processo que o CARF, em diversas ocasiões já decidiu, também, por converter o julgamento em diligência para aguardar o desfecho do outro processo: (...) 26. E em razão de reiteradas decisões no mesmo sentido, tal procedimento passou a ter previsão expressa no Regimento daquele Conselho Administrativo Fiscal, aprovado por meio da Portaria n.s 343 do Ministério da Fazenda, de 09 de junho de 2015, conforme se verifica da leitura do artigo 6º , §5º , do Anexo II: (...) Fl. 409DF CARF MF Processo nº 16327.720817/201621 Acórdão n.º 1401003.013 S1C4T1 Fl. 410 5 27. Dessa forma, nos termos da jurisprudência e atual Regimento Interno do CARF, o processo ora analisado deve, no mínimo, ser convertido em diligência para aguardar o julgamento dos processos n.ºs 16327.001433/200986; 16327.001520/201077; 16327.720529/201323. (...) 33. Assim, o presente processo deve ter seu julgamento suspenso nos termos do previsto no art. 313, V, alínea "o" do CPC8 , tendo em vista que o seu deslinde depende do julgamento de outra causa. III Da não Incidência de Juros sobre a Multa de Ofício. (...) É o relatório. (Fim da transcrição do relatório da DRJ) Analisando a Impugnação apresentada a Delegacia de Julgamento considerou Improcedente a Impugnação e mantendo a autuação em todos os seus termos. Cientificada da decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu as seguintes razões: Em primeiro lugar o recorrente concorda com a glosa de prejuízos em face do processo nº 16327.001520/201077, tendo, inclusive, apresentado pedido de desistência para inclusão da parte da autuação relativa a este processo no PERT. 1. Solicita o sobrestamento do feito até o julgamento dos outros processos que fundamentaram a glosa. Entende que há uma prejudicialidade no julgamento deste processo em relação aos julgamento dos processos nº 16327.001433/200986 e 16327.720529/201323 tendo em vista que o julgamento daqueles processos, em caso de cancelamento da autuação pode provocar o também cancelamento das glosas relativas à utilização indevida de prejuízo fiscal. 2. Da não incidência de juros sobre a multa de ofício. Após a apresentação do Recurso voluntário o contribuinte apresentou petição às fls. 325, solicitando a desistência do recurso em relação ao débitos do período de apuração de 31/07/2014 deste processo. A transferência do referido débito já foi realizada, assim, restam para julgamento no presente processo os débitos de IRPJ relativos aos períodos de apuração de É o relatório do essencial. Voto Fl. 410DF CARF MF Processo nº 16327.720817/201621 Acórdão n.º 1401003.013 S1C4T1 Fl. 411 6 Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. 1. Solicita o sobrestamento do feito até o julgamento dos outros processos que fundamentaram a glosa. Entende que há uma prejudicialidade no julgamento deste processo em relação aos julgamento dos processos nº 16327.001433/200986 e 16327.720529/201323 tendo em vista que o julgamento daqueles processos, em caso de cancelamento da autuação pode provocar o também cancelamento das glosas relativas à utilização indevida de prejuízo fiscal. Com relação à questão da prejudicialidade apontada pelo recorrente em razão de dois processos que fundamentaram o lançamentos por utilização indevida de prejuízos fiscais, verificamos, de início, o atual estado dos dois processos. Em consultas ao sistema eprocesso constatamos que os referidos processos foram baixados em diligência pelas turmas julgadores a fim de se esclarecerem pontos controversos ou verificar a dilação probatória apresentada pela empresa. Assim, não havendo o encerramento do julgamento dos dois processos, temos que os valores dos prejuízos fiscais de IRPJ e bases de cálculo negativas da CSLL que foram utilizados na dedução dos tributos lançados permanece inalterada, não havendo, no momento, razão para modificação da autuação levada a efeito neste processo. Com relação ao pedido de sobrestamento do feito para que se aguarde o julgamento final daqueles dois processos temos que, apesar da lógica jurídica apresentada pela empresa em razão da ligação direta do resultado dos dois processos com a modificação da autuação deste, não entendemos ser possível o sobrestamento do presente processo para que se aguarde o julgamento dos outros dois. Ora, ao tempo da realização da autuação são verificados os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas que podem ser utilizadas pela fiscalização para dedução de até 30% do valor da base tributável, por isso, os saldos existente naquela época podiam ser corretamente utilizados pela fiscalização e, desta forma, o foram. Após a utilização destes prejuízos nos autos nos anos de 2009 e 2013 os saldos, evidentemente foram reduzidos. O presente auto de infração somente foi lavrado em 2016, ou seja, sete anos após o primeiro lançamento e três anos após o segundo e, até o momento não houve a conclusão do julgamento daqueles processos. O nosso sistema processual administrativo rege que os processos tenham um seguimento contínuo para proporcionar a solução rápida do litígio. Por essa razão o Regimento Interno deste CARF, modificado recentemente, restringiu enormemente as hipóteses de sobrestamento dos processos a fim de que os litígios possam ser solucionados no mais curto espaço de tempo possível. O Regimento Interno do CARF, na parte em que trata das relações de dependência entre os processos, informa que: Fl. 411DF CARF MF Processo nº 16327.720817/201621 Acórdão n.º 1401003.013 S1C4T1 Fl. 412 7 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 16327.720817/201621 Acórdão n.º 1401003.013 S1C4T1 Fl. 413 8 O contribuinte, em seu benefício requer a aplicação do art. 6º, parágrafo 5º, do Regimento Interno deste CARF para que se determine o sobrestamento do presente feito. Ocorre, no entanto, que a referida norma trata do sobrestamento no qual os processos sejam decorrentes, ou seja, os processos onde a decorrência for "constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas No presente caso o processo não foi formalizado em decorrência de procedimento fiscal anterior. Apesar dos efeitos daqueles procedimentos terem levado ao lançamento dos débitos deste processo, não existe uma vinculação dos processos que torne os outros dois processos principais e este decorrente daqueles. Em verdade o controle dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas pelo fisco decorre das informações apresentadas pela empresa em duas DIPJ (antigamente) e escrituração fiscal digital (hoje em dia). Assim, os saldos existentes modificamse ou pela apresentação de modificações realizadas a partir de novas declarações com a utilização dos saldos ou a partir de lançamentos fiscais quando a fiscalização utiliza os saldos para reduzir o montante passível de lançamento. Assim, em verdade, o contribuinte pode muito bem realizar o controle da utilização destes saldos posto que, quando da autuação, os valores compensados a título de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL são informados na autuação, inclusive com a formação de um documentos próprio para inclusão no sistema SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais e Lucro Inflacionário). Desta forma o contribuinte, ao utilizar saldos de prejuízos fiscais e bases negativas que já sabe não mais possuir em função das autuações, incide em nova infração que é absolutamente autônoma às infrações anteriores que incidiram da utilização destes saldos. Por isso é que, além de inexistir norma processual específica a autorizar o sobrestamento do feito, não assiste razão ao contribuinte quando entende haver relação de prejudicialidade do julgamento deste processo antes do julgamento dos outros dois. A prejudicialidade que se está tentando fazer demonstrar na verdade é um exercício de vontade do contribuinte em desejar que os autos de infração sejam cancelados no futuro. Por óbvio que este fato possa até ocorre, entretanto não se pode sobrestar um processo independente sob a alegação de que os saldos de prejuízos podem vir a ser repostos em face de um provável cancelamento das autuações anteriores que não se tem nenhum certeza. Por isso apresento jurisprudência deste CARF no mesmo sentido de impossibilitar o sobrestamento. QUESTÃO PENDENTE. STF. STJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A existência de questão pendente de julgamento no âmbito do STF ou do STJ (ritos da repercussão geral e representação da controvérsia). Não impede o julgamento administrativo de primeira instância. Não há disposição legal que determine o sobrestamento e, por força do inciso XII da Lei nº 9.784, de Fl. 413DF CARF MF Processo nº 16327.720817/201621 Acórdão n.º 1401003.013 S1C4T1 Fl. 414 9 1999, subsidiariamente aplicável ao processo administrativo fiscal, o processo administrativo deve ser impulsionado de ofício. Acórdão nº 2201 004.467, de 08/05/2018 NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Tanto o Decreto 70.235/72, regulador do processo administrativo tributário, quando o regimento interno do CARF não contemplam a figura do sobrestamento do feito administrativo para aguardar trânsito em julgado de decisão em ação judicial que verse sobre as matérias objeto da autuação. Acórdão nº 9303004.724, de 22/03/2017. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. PEDIDO INDEFERIDO. Inexiste previsão legal ou regimental que possibilite o sobrestamento de processo administrativo fiscal em face da existência de recurso judicial sob a sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. Acórdão nº 2402 005.997, de 13/09/2017. NORMAS PROCESSUAIS. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Tanto o Decreto 70.235/72, regulador do processo administrativo tributário, quando o regimento interno do CARF não contemplam a figura do sobrestamento do feito administrativo para aguardar trânsito em julgado de decisão em ação judicial que verse sobre as matérias objeto da autuação. Acórdão nº 1401002.058, de 17/08/2017. Por tais razões, nego provimento ao recurso neste ponto. 2. Da não incidência de juros sobre a multa de ofício. Com relação à alegação de impossibilidade de incidência de juros calculados pela SELIC sobre a multa de ofício, entendo por bastante elucidativa a argumentação apresentada em voto proferido pela DRJ/Florianópolis no acórdão nº 0738.069 3ª Turma da DRJ/FNS relativo ao assunto. Por isso transcrevo a parte do mesmo o adoto como suficiente para justificar a não aceitação das alegações do recorrente quanto a este ponto. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 16327.720817/201621 Acórdão n.º 1401003.013 S1C4T1 Fl. 415 10 Fl. 415DF CARF MF Processo nº 16327.720817/201621 Acórdão n.º 1401003.013 S1C4T1 Fl. 416 11 Corroboram este entendimento os seguintes precedentes do CARF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 9101003.009, de 08 de agosto de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.957, de 03 de julho de 2017) JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com Fl. 416DF CARF MF Processo nº 16327.720817/201621 Acórdão n.º 1401003.013 S1C4T1 Fl. 417 12 base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. (Acórdão 3302004.496, de 25 de julho de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. (Acórdão 1401 001.903, de 20 de junho de 2017) Pelo apresentado acima, entendo estar correta a decisão de Piso na parte em manteve a exigência da aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário relativo à multa de ofício. Assim, voto por negar provimento ao recurso quanto a este ponto. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 417DF CARF MF
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