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Numero do processo: 10380.908411/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 84 11 /2 00 9- 18 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10380.908411/200918 Acórdão n.º 1301003.100 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10380.908411/200918 Acórdão n.º 1301003.100 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10380.908411/200918 Acórdão n.º 1301003.100 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10380.908411/200918 Acórdão n.º 1301003.100 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.730316/2016-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011, 2012, 2013
AUDITORIA FISCAL EM PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE PERÍODO POSTERIOR. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência, sendo que essa possibilidade delimita-se pelos seus próprios fins, pois os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos; a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado ou do fato gerador, conforme o caso.
IRPJ/CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Tratando-se de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento de oficio do IRPJ/CSLL em períodos de apuração anteriores, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento, no que for pertinente, em razão da relação de causa e efeito, bem como dos mesmos elementos probantes.
MULTAS ADMINISTRATIVAS. INDEDUTIBILIDADE. Descumprir as normas estabelecidas para o setor elétrico não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa só pelo fato de que o seu eventual não pagamento desautorizará a continuidade da prestação do serviço.
IRPJ E CSLL. AJUSTES NO LUCRO LÍQUIDO. GLOSAS E ADIÇÕES. Aplicam-se à CSLL, via de regra, as mesmas normas de glosas e adições aplicáveis ao IRPJ, inclusive quanto as despesas amortização de ágio.
MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. POSSIBILIDADE. Por decorrerem de infrações distintas, é cabível a aplicação da multa isolada por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada, e da multa de ofício aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição não recolhida.
TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros à taxa Selic a partir de seu vencimento.
Numero da decisão: 1402-003.118
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; no mérito: i) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à glosa do ágio, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento; ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário acerca da impossibilidade de adição da despesa do ágio na base de cálculo da CSLL, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento; iii) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário sobre a imputação de multa isolada, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que davam provimento; iv) por unanimidade de votos, negar provimento ao voluntário relativamente à glosa de multas administrativas e imposição de juros sobre a multa de ofício. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demetrius Nichele Macei em relação à multa isolada e sobre a argumentação da recorrente suscitando a aplicação do artigo 112, do CTN.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011, 2012, 2013 AUDITORIA FISCAL EM PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE PERÍODO POSTERIOR. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência, sendo que essa possibilidade delimita-se pelos seus próprios fins, pois os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos; a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado ou do fato gerador, conforme o caso. IRPJ/CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Tratando-se de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento de oficio do IRPJ/CSLL em períodos de apuração anteriores, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento, no que for pertinente, em razão da relação de causa e efeito, bem como dos mesmos elementos probantes. MULTAS ADMINISTRATIVAS. INDEDUTIBILIDADE. Descumprir as normas estabelecidas para o setor elétrico não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa só pelo fato de que o seu eventual não pagamento desautorizará a continuidade da prestação do serviço. IRPJ E CSLL. AJUSTES NO LUCRO LÍQUIDO. GLOSAS E ADIÇÕES. Aplicam-se à CSLL, via de regra, as mesmas normas de glosas e adições aplicáveis ao IRPJ, inclusive quanto as despesas amortização de ágio. MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. POSSIBILIDADE. Por decorrerem de infrações distintas, é cabível a aplicação da multa isolada por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada, e da multa de ofício aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição não recolhida. TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros à taxa Selic a partir de seu vencimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; no mérito: i) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à glosa do ágio, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento; ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário acerca da impossibilidade de adição da despesa do ágio na base de cálculo da CSLL, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento; iii) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário sobre a imputação de multa isolada, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que davam provimento; iv) por unanimidade de votos, negar provimento ao voluntário relativamente à glosa de multas administrativas e imposição de juros sobre a multa de ofício. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demetrius Nichele Macei em relação à multa isolada e sobre a argumentação da recorrente suscitando a aplicação do artigo 112, do CTN. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
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VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência, sendo que essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos; a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado ou do fato gerador, conforme o caso. IRPJ/CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Tratandose de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento de oficio do IRPJ/CSLL em períodos de apuração anteriores, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento, no que for pertinente, em razão da relação de causa e efeito, bem como dos mesmos elementos probantes. MULTAS ADMINISTRATIVAS. INDEDUTIBILIDADE. Descumprir as normas estabelecidas para o setor elétrico não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa só pelo fato de que o seu eventual não pagamento desautorizará a continuidade da prestação do serviço. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 03 16 /2 01 6- 01 Fl. 1594DF CARF MF 2 IRPJ E CSLL. AJUSTES NO LUCRO LÍQUIDO. GLOSAS E ADIÇÕES. Aplicamse à CSLL, via de regra, as mesmas normas de glosas e adições aplicáveis ao IRPJ, inclusive quanto as despesas amortização de ágio. MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. POSSIBILIDADE. Por decorrerem de infrações distintas, é cabível a aplicação da multa isolada por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada, e da multa de ofício aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição não recolhida. TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros à taxa Selic a partir de seu vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; no mérito: i) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à glosa do ágio, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento; ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário acerca da impossibilidade de adição da despesa do ágio na base de cálculo da CSLL, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento; iii) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário sobre a imputação de multa isolada, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que davam provimento; iv) por unanimidade de votos, negar provimento ao voluntário relativamente à glosa de multas administrativas e imposição de juros sobre a multa de ofício. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demetrius Nichele Macei em relação à multa isolada e sobre a argumentação da recorrente suscitando a aplicação do artigo 112, do CTN. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.595 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação da agora recorrente. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2011, 2012 e 2013. Envolve o montante autuado de R$ 160.021.858,68, corrigidos até dezembro/2016, assim discriminado: Tributo Principal Juros Multa (150%) Multa Isolada Total IRPJ 44.959.018,52 19.198.851,17 33.719.263,88 21.441.294,07 119.318.427,64 CSLL 16.193.886,66 6.915.330,98 12.145.414,98 5.448.799,92 40.703.432,54 Total 61.152.905,18 26.114.182,15 45.864.677,36 26.890.093,99 160.021.858,68 Em R$ 1,00 (juros corrigidos até dezembro/2016) As autuações fiscais se basearam, segundo a autoridade fiscal autuante, em: 1) glosa de amortização de ágios; 2) glosa de despesas com pagamento de "multas regulatórias"; e 3) exigência da multa de ofício isolada pela falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas mensais. Conforme descrição transcrita abaixo, as quais reproduzo da decisão a quo, para fundamentar a autuação que consta no Relatório da Auditoria Fiscal (fls. 45 a 66): "(...) 1. DESPESA (INDEDUTÍVEL) DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO _ ANOS CALENDÁRIOS 2011, 2012 E 2013 1.1. DOS FATOS IDENTIFICADOS 1.1.1. Dos Fatos Identificados desde a ação fiscal encerrada em 24/09/2007, que resultou na lavratura de autos de infração do IRPJ e CSLL (Processo n° 19647.010151/200783) Fl. 1596DF CARF MF 4 1. Em procedimento fiscal encerrado em 24/09/2007, foi identificado que, a partir de agosto de 2001, a fiscalizada deduziu indevidamente da tributação do IRPJ e da CSLL as despesas de amortização de ágio; o que ensejou a lavratura de Auto de Infração para o período de 01/08/2001 a 31/12/2006. 2. Abaixo, transcrevemos trechos do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, lavrado em 24/09/2007, no tocante as referidas despesas de amortização de ágio contabilizadas no período fiscalizado: "(...) 67. É que, no caso sob análise, a legislação societária foi usada apenas como instrumento para se alcançar ganhos na esfera da legislação tributária, e no comando do art. 386 do RIR/99, a legislação tributária, para permitir a dedutibilidade da amortização do ágio, tem sua inteligência fundamentada na efetiva extinção do investimento através dos institutos da fusão, cisão ou incorporação entre as empresas (investidora e investida); ou seja, a legislação tributária instituiu um disciplinamento para tributação do resultado (ganho/perda) de um negócio jurídico particular que culmina numa "confusão patrimonial" o ágio de si mesma. 68. Não foi o que ocorreu, não houve efetiva unificação patrimonial, apenas fabricouse na Celpe o que deveria ser o "ágio de si mesma". O grupo econômico detentor da maioria das ações da Celpe tentou se ajustar à letra da lei, sem atender à sua fundamentação, praticando uma série de reestruturações societárias sem qualquer motivação econômica para ao final das operações apresentarem a mesma estruturação societária de antes. 69. Novamente dizendo, não houve qualquer reestruturação societária, tudo não passou de um estratagema para se tentar conseguir ganho tributário em prejuízo do fisco federal. 70. De sorte que, se considerarmos a participação societária que a Guaraniana possuía na Celpe no início das operações (63.604.631.279 ações), essa mesma participação continuou existindo ao final do processo de reestruturação (63.604.631.279 ações); apenas com a seguinte diferença: Na Guaraniana, antes, o custo de aquisição do investimento estava desdobrado em valor de investimento (calculado na forma de equivalência patrimonial) mais o valor do ágio; depois, o ágio passou a figurar embutido no valor do investimento; enquanto que, na Celpe, escriturouse uma conta de ativo diferido (em contrapartida de uma conta de Reserva, no Patrimônio Líquido), para ser amortizada, reduzindo (indevidamente) a base de cálculo do IRPJ e da CSLL durante todo o período de sua amortização. 71. Ao final, continuou a existir o investimento que as empresas investidoras possuíam na Celpe, passandose a se registrar uma duplicação da contabilização do ágio (na investidora e na investida). 1.1.2. Dos julgados nos processos anteriores, referente à matéria de despesas de amortização de ágio: Processo n° 19647.010151/200783 (períodos de apuração 2001 a 2006) e Processo n° 10480.723383/201076 (períodos de apuração 2007 a 2008) 3. Essa matéria (despesas de amortização de ágio) já foi motivo de Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, lavrados contra esta fiscalizada, por esta fiscalização, em datas de 24/09/2007 e 17/11/2010, respectivamente, referente aos anos calendários de 2001 a 2006 (processo n° 19647.010151/2007/83) e 2007 e 2008 (processo n° 10480.723383/201076). 4. Esses lançamentos foram objeto de recursos pelo contribuinte, na seara administrativa, e sua tramitação já foi objeto de apreciação em sede de Recurso Especial, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF do CARF, cuja 1a Turma da Primeira Seção de Julgamentos da CSRF proferiu os Acórdãos n° Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.596 5 9101002.186 e n° 9101002.187, ambos, mantendo integralmente os valores lançados. 5. Em relação ao processo n° 19647.010151/2007/83, em 20/01/2016 a Câmera Superior de Recursos Fiscais proferiu o acórdão n° 9101002.186 1a Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF provendo o Recurso Especial da Fazenda Nacional, e mantendo integralmente os valores lançados quanto ao tema ágio. Esse acórdão teve a seguinte ementa: ACÓRDÃO DE RECURSO ESPECIAL da C.S.R.F/CARF/MF/DF: ASSINTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JITÚDK A IRPJ Anocalendário: 2001. 2002. 2003. 2004. 2005. 2006 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532 1997. assim como aos artigos 385 e 386 do RIR 99. exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7o e 8° da Lei u° 9.532 1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR 99. para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida 6. Em relação ao processo n° 10480.723383/201076, em 20/01/2016 a Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o acórdão n° 9101002.187 1a Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF provendo o Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo integralmente os valores lançados quanto ao tema ágio, com a seguinte ementa: (...) 1.1.3. Dos Fatos Identificados Nesta Ação Fiscal _ (Período de 01/01/2011 a 31/12/2013) 7. Recebida a ordem de serviço (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF), relativa aos tributos IRPJ, CSLL e IRRF dos períodos de apuração, inicialmente, de 01/01/2012 a 31/12/2013; em 18/03/2016, a empresa foi cientificada do início dos trabalhos de fiscalização, oportunidade em que foram solicitados os elementos e documentos necessários à sua execução. 8. Durante os trabalhos da fiscalização, outros termos fiscais foram lavrados e cientificados à empresa. Fl. 1598DF CARF MF 6 9. Em 13/04/2016, a fiscalizada apresentou relativamente aos anos de 2012 e 2013, dentre outros, os seguintes elementos: Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e o Livro de Apuração da CSLL LACS e Demonstrativos das Vinculações entre os Registros no LALUR, na DIPJ (fichas 09A e 17) e na sua contabilidade. 10. Em 06/07/2016, foi incluído o ano de 2011 no TDPF, relativo aos tributos IRPJ e CSLL, pelo que, em 14/07/2016, a empresa foi solicitada a apresentar os elementos relacionados a esse período de apuração. 11. Em 03/08/2016, a fiscalizada apresentou para o ano de 2011, dentre outros, os seguintes elementos: Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e o Livro de Apuração da CSLL LACS e Demonstrativos das Vinculações entre os Registros no LALUR, na DIPJ (fichas 09A e 17) e na sua contabilidade. 12. Os trabalhos da auditoria foram desenvolvidos utilizando os arquivos da escrituração contábil no formato digital (ECD) apresentadas pela fiscalizada ao repositório nacional do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), conforme estabelecido pelo Decreto n° 6.022, de 22/01/2007 e legislação específica superveniente. 13. Identificamos que a empresa, a exemplo de como vinha procedendo anteriormente, nos anos calendários de 2011, 2012 e 2013, continuou a registrar em sua contabilidade, em conta de despesa operacional (conta: 615619550G Amortização de Ágio) valores das despesas de amortização de ágios, que reduziram os resultados tributáveis do IRPJ e CSLL desses períodos. 14. Assim sendo, em 16/05/2016, a empresa foi cientificada de nosso Termo de Cientificação, com o seguinte conteúdo: (... ) 15. Em 23/05/2016, a empresa apresenta sua resposta, afirmando que: "Recebemos em 16/05 o termo de cientificação em anexo relativo a despesas de ágio registradas em nossa escrituração e submetemos a apreciação do nosso Departamento Jurídico que nos retornou no sentido de "não haver documentos, elementos e/ou esclarecimentos a serem feitos nesse momento." 1.2. DA TRIBUTAÇÃO DOS FATOS 1.2.1. FALTA DE ADIÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DE DESPESA INDEDUTÍVEL DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO 16. De todo o exposto e mantida a mesma conclusão da fiscalização anterior, fica demonstrado que a fiscalizada deixou de adicionar na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, despesas indedutíveis de amortização de ágio. 17. Logo, serão essas despesas adicionadas e cobradas de ofício por esta fiscalização, através da lavratura de autos de infração específicos do IRPJ e da CSLL, cujos valores estão discriminados no demonstrativo dos lançamentos a título de despesa de amortização do ágio. 18. Anexamos ao presente processo os documentos extraídos do dossiê relativo à ação fiscal encerrada em 24/09/2007 Auto de Infração IRPJ e CSLL Processo n° 19647.010151/2007 83. Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.597 7 2. DESPESAS (INDEDUTÍVEIS) MULTAS REGULATÓRIAS _ ANOS CALENDÁRIOS 2011, 2012 E 2013 2.1. DOS FATOS IDENTIFICADOS 19. Nos anos calendários de 2011, 2012 e 2013, a fiscalizada contabilizou nas suas contas de despesas operacionais, lançamentos que se referiram a pagamentos de multas, para os quais, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, efetuou as adições conforme seu entendimento de que se tratavam de valores dedutíveis ou indedutíveis. 20. Nas nossas análises, podemos observar que os valores lançados nessas contas se referiram a: i) pagamentos a título de multas relacionadas as de natureza compensatória (portanto, dedutíveis); ii) pagamentos a título de multas por infrações fiscais NÃO relacionadas as de natureza compensatórias ou impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo portanto, não dedutíveis); e iii) pagamentos a título de multas impostas por transgressões de leis de natureza não tributária (portanto, não dedutíveis). 21. Temos então definida a seguinte conclusão com relação a cada uma as contas que receberam lançamentos a título de multa, com relação a sua dedutibilidade, ou não, e a sua adição ao lucro líquido na apuração do lucro real e à base de cálculo da CSLL por parte da fiscalizada: (... ) 22. Ou seja, conforme os assentamentos nos Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) e de Apuração da Base de Cálculo da CSLL (LACS), nos anos de 2011, 2012 e 2013, a empresa deixou de adicionar ao lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os valores registrados nas contas: 6353190000 Multas Regulatórias Órgão Regulador e 635519000J Multas Regulatórias Devolução Consumidor; eis que, conforme a legislação do IRPJ e da CSLL, tais despesas não são consideradas dedutíveis. (... ) 28. Assim é que, o artigo 299 do RIR/99 estabelece o alcance do conceito de despesas operacionais para fins de sua dedutibilidade na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O caput do artigo menciona que são operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. O parágrafo 1°, por sua vez, define que são necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Por fim, o parágrafo 2° estabelece que as despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. 29. Destarte, concluise que as despesas operacionais dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL são aquelas necessárias, usuais ou normais à atividade da empresa. Ou seja, são os custos e despesas que a empresa assume para poder desenvolver a sua atividadefim, e, assim, manter a sua fonte produtora. 30. No caso em comento, estamos tratando de pagamentos de multas aplicadas pela ANEEL à fiscalizada, por transgressões a normas que esta deveria Fl. 1600DF CARF MF 8 seguir. Ao pagar essas multas, o contribuinte não adquiriu nenhum bem, serviço ou utilidade com vistas à realização do serviço público para o qual foi contratado; e sim, teve que pagar tais multas justamente por ter negado a prestação desse serviço ou por ter executado o serviço em desacordo com as normas a que estava submetido. 31. De sorte que, o pagamento de tais multas não preenche os requisitos de despesas operacionais necessárias a atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora, nem podem ser tidas como habituais. (...) 2.2. DA TRIBUTAÇÃO DOS FATOS 2.2.1. FALTA DE ADIÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DE DESPESA INDEDUTÍVEL MULTAS REGULATÓRIAS 34. Conforme detalhadamente narrado no item anterior, identificamos que, nos anos calendários de 2011, 2012 e 2013, a empresa deixou de adicionar na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL valores referentes a multas regulatórias, registradas nas contas 6353190000 Multas Regulatórias Órgão Regulador e 635519000J Multas Regulatórias Devolução Consumidor, conforme a seguir discriminado: Ano Código Conta Valor (R$) 2011 S35319000O Multas Regulatórias Órgão Regulador 355.200,83 2011 S35519000J Multas Regulatórias Devolução Consumidor 13.135.512,33 Total do Ano 2011 13.502.713,16 2012 S35519000J Multas Regulatórias Devolução Consumidor 15.194.513,58 Total do Ano 2012 15.194.513,58 2013 635319000O Multas Regulatórias Órgão Regulador 2.031.039,51 2013 635519000J Multas Regulatórias Devolução Consumidor 19.282.722,85 Total do Ano 2013 21.363.762,36 3. SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS INSUFICIENTES PARA COMPENSAÇÃO (IRPJ) _ ANO CALENDÁRIO DE 2013 3.1. DOS FATOS IDENTIFICADOS 36. Conforme controles dos saldos de prejuízos fiscais existentes no sistema da RFB Sapli, bem como, nos assentamentos dos Livros de Apuração do Lucro Real LALUR do contribuinte, temos que este, no inicio do ano calendário de 2011, não possuía qualquer saldo. 37. Nas declarações DIPJ dos anos calendários sob exame (DIPJ/2012, ano calendário 2011, DIPJ/2013, anocalendário 2012 e DIPJ/2014, anocalendário 2013), a fiscalizada informou as seguintes bases de cálculo do IRPJ e compensações: Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.598 9 Ficha da DIPJ DIPJ 2012 DIPJ 2013 DIPJ 2014 Ficha 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral Valor [R$) Valor [R$) Valor [R$) LUCRO REAL APÓS COMP. PREJ. PRÓPRIO PER. DE APURAÇÃO 158.375.494,30 58.448.896,75 55.428.528,22 ()Atividades em Geral 16.628.558,47 ()Atividade Rural LUCRO REAL 158.375.494,80 58.448.395,75 38.799.969,75 38. As infrações aqui apuradas alteram o resultado fiscal do período de 01/01/2012 a 31/12/2012 apuração anual, acarretando a transformação do prejuízo fiscal informado em lucro real. 39. Com essas alterações, no lançamento do IRPJ sobre o lucro real ajustado por esta fiscalização, o saldo de prejuízos fiscais que a empresa detinha, em 31/12/2012, no montante de R$ 58.448.896,75 deixa de existir, passando então a apresentar lucro nesse período fiscal. 40. Como consequência, a compensação efetuada pela fiscalizada no ano calendário 2013 (DIPJ/2014 linha 97 da ficha 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral), no valor de R$ 16.628.558,47 tornase indevida (por inexistência de saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores). 3.2. DA TRIBUTAÇÃO DOS FATOS 3.2.1. GLOSA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES 41. Visto que, as compensações de prejuízos fiscais efetuadas pela empresa no ano calendário de 2013 no valor de R$ 16.628.558,4717 são indevidas, por inexistência de saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores, serão estas glosadas por esta fiscalização, objeto de Auto de Infração específico do IRPJ. 42. As alterações nos valores dos resultados fiscais (lucro real/ prejuízo fiscal) após a apropriação dos resultados desta fiscalização (infrações apuradas), bem como as glosas de compensações, estão detalhadas nos demonstrativos do sistema da RFB SAPLI de acompanhamento do Prejuízo Fiscal. 43. Outrossim, fica o contribuinte advertido que deverá efetuar os devidos ajustes nos seus Livros de Apuração do Lucro Real LALUR conforme os valores apurados por esta fiscalização e discriminados no demonstrativo acima mencionado. 4. SALDO DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES PARA COMPENSAÇÃO ANO CALENDÀRIO DE 2013 Fl. 1602DF CARF MF 10 4.1. DOS FATOS IDENTIFICADOS 44. Conforme controles dos saldos das bases de cálculo negativas da CSLL existentes no sistema da RFB Sapli, bem como, nos assentamentos dos Livros de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido LACS do contribuinte, temos que este, no inicio do ano calendário de 2011, não possuía qualquer saldo. 45. Nas declarações DIPJ dos anos calendários sob exame (DIPJ/2012, ano calendário 2011, DIPJ/2013, anocalendário 2012 e DIPJ/2014, anocalendário 2013), a fiscalizada informou as seguintes bases de cálculo da CSLL e compensações: 46. Da mesma forma que com relação ao IRPJ, as infrações apuradas no ano de 2012 alteraram o resultado fiscal desse período, acarretando a transformação da base de cálculo negativa da CSLL informada em base de cálculo positiva. 47. Com essas alterações, o saldo da base de cálculo negativa da CSLL que a empresa detinha, em 31/12/2012, no montante de R$ 58.448.896,77 deixa de existir, passando então a apresentar base de cálculo positiva nesse período fiscal. 48. Como consequência das alterações, temos que a compensação efetuada pela fiscalizada no anocalendário 2013 (DIPJ/2014 linha 73 da ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), no valor de R$ 16.628.558,47 torna se indevida (por inexistência de saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores). 4.2. DA TRIBUTAÇÃO DOS FATOS 4.2.1. GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES 49. Visto que, as compensações da base de cálculo negativa da CSLL efetuada pela empresa no ano calendário de 2013 no valor de R$ 16.628.558,47 se tornaram indevidas por inexistência de saldo, serão glosadas por esta fiscalização, objeto de Auto de Infração específico da CSLL. 50. As alterações nos valores das bases de cálculo da CSLL após a apropriação dos resultados desta fiscalização (infrações apuradas), bem como suas respectivas compensações, estão detalhadas nos demonstrativos do sistema da RFB SAPLI de acompanhamento da Base de Cálculo Negativa da CSLL. 51. Outrossim, fica o contribuinte advertido que deverá efetuar os devidos ajustes nos seus Livros de Apuração da Base de Cálculo da CSLL (Lacs) conforme os valores apurados por esta fiscalização e discriminados no demonstrativo acima mencionado. 5. FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL MENSAL POR ESTIMATIVA > ANOS CALENDÁRIOS DE 2011, 2012 e 2013 5.1. DOS FATOS IDENTIFICADOS 52. Tendo em vista que, nos anos calendários de 2011, 2012 e 2013, a empresa optou pela forma de tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, com pagamento das estimativas mensais, e, considerando as infrações Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.599 11 levantadas por esta fiscalização, que alteram os resultados fiscais dos períodos de apuração e das estimativas mensais, apuramos que a empresa deixou de efetuar diversos pagamentos do IRPJ e da CSLL a título de estimativa mensal. 53. A falta do pagamento do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente por estimativa está sujeita a multa de 50% sobre o valor que deixou de ser pago, conforme disposto no artigo 44 da Lei n° 9.430/1997, inciso II, alínea b, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007 (conversão da Medida Provisória n° 351 de 22/01/2007), que diz: (...) 5.2. DA TRIBUTAÇÃO DOS FATOS 5.2.1. FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL MENSAL POR ESTIMATIVA MULTA PELO NÃO PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS 54. Conforme especificado nos Demonstrativos de Apuração do IRPJ e da CSLL dos anos calendários de 2011, 2012 e 2013, considerados os resultados desta fiscalização, a empresa deixou de efetuar diversos pagamentos do IRPJ e da CSLL a título de estimativa mensal, ficando, portanto, sujeita às multas isoladas pela falta de pagamento de estimativas mensais do IRPJ e multas isoladas pela falta de pagamento de estimativas mensais da CSLL, que montam os seguintes valores: B) DOS DOCUMENTOS ANEXOS 55. Todos os documentos citados no presente Relatório de Auditoria Fiscal, estão listados abaixo e constituem parte integrante do processo a que se referem que formaliza a lavratura e ciência dos Autos de Infração resultante da presente ação fiscal: (... ) C) DAS OBSERVAÇÕES FINAIS: Fl. 1604DF CARF MF 12 OBS.1: Este Relatório de Auditoria Fiscal relativo ao encerramento da Ação Fiscal é parte integrante dos Autos de Infração a que se referem (IRPJ/CSLL). OBS.2: Devolvemos a empresa todos os livros e documentos solicitados no início e no decorrer desta fiscalização. Do que, para constar e produzir os efeitos legais, lavramos o presente Relatório, assinado digitalmente, conforme o disposto na Medida Provisória n° 2.2002/2001. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória (fls. 1141 a 1228), transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: A ciência dos lançamentos de ofício foi efetuada em 14/12/2016, a um procurador da empresa autuada, conforme fl. 1132. Em 13/1/2017 (fl. 1370) foi apresentada impugnação pela autuada, fls. 1141 e seguintes, representada por advogados, articulando suas alegações sobre os seguintes tópicos: Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.600 13 Ao final da peça impugnatória, pleiteiase: "Pelo exposto, a Impugnante requer a esta E. Turma de Julgamento o recebimento, o conhecimento e o provimento da presente Impugnação, seja em razão das preliminares, seja em razão do mérito, com a consequente desconstituição do crédito tributário exigido e o cancelamento do auto de infração." Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem NEGAR integralmente a impugnação da recorrente, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012, 2013 AUDITORIA FISCAL EM PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE PERÍODO POSTERIOR. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência, sendo que essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos; a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado ou do fato gerador, conforme o caso. IRPJ/CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Tratandose de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento de oficio do IRPJ/CSLL em períodos de apuração anteriores, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento, no que for pertinente, em razão da relação de causa e efeito, bem como dos mesmos elementos probantes. MULTAS ADMINISTRATIVAS. INDEDUTIBILIDADE. Descumprir as normas estabelecidas para o setor elétrico não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa só pelo fato de que o seu eventual não pagamento desautorizará a continuidade da prestação do serviço. IRPJ E CSLL. AJUSTES NO LUCRO LÍQUIDO. GLOSAS E ADIÇÕES. Aplicamse à CSLL, via de regra, as mesmas normas de glosas e adições aplicáveis ao IRPJ, inclusive quanto as despesas amortização de ágio. MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. POSSIBILIDADE. A Fl. 1606DF CARF MF 14 insuficiência de pagamento da CSLL e do IRPJ mensal devido por estimativa, após o término do anocalendário, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada. MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. POSSIBILIDADE. Por decorrerem de infrações distintas, é cabível a aplicação da multa isolada por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada, e da multa de ofício aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição não recolhida. TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros à taxa Selic a partir de seu vencimento. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. Não compete ao julgador administrativo conhecer de pretensa ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em pleno vigor, portanto é cabível a exigência de penalidades aplicadas com estrita observância das normas vigentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: quanto à preclusão da possibilidade do fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio, ocorridos no anobase de 2001, não procede. O que é homologado pelo Fisco no prazo decadencial é a apuração das bases de cálculo de IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, e não o ágio registrado, ou qualquer outro elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. A autoridade fiscal pode, no prazo que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação, e, na ausência desta, negar sua utilização, nos termos do art. 37 da Lei nº 9.430/1996; quanto ao aproveitamento do ágio na aquisição da Celpe, esta matéria, em relação aos mesmos fatos, já foi decidida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), devendo aqui ser aplicado o princípio da decorrência, restando aqui adotar como razões de decidir os fundamentos do acórdão da CSRF 9101002.187, que deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, não reconhecendo a despesa de amortização de ágio; quanto à impossibilidade da exigência da multa de ofício isolada, em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, e não ser possível sua cumulação com a multa de ofício, negou, com base em entendimento que a alteração legal dada pela lei nº 11.488/2007 permite tal cobrança e cumulação; quanto à impossibilidade de ingerência do fisco na atividade do contribuinte e de se aplicar a teoria do propósito negocial, não se aplicam e não tem o condão de afastar a aplicação da decisão da CSRF proferida no caso concreto; Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.601 15 quanto à glosa de despesas com pagamentos de "multas regulatórias", apesar das alegações da recorrente, aplicase o entendimento já esposado no acórdão CSRF 9101002.196, de 01/02/2016, que fundamenta que as multas administrativas não são dedutíveis, por não se revestirem das características de natureza compensatória e nem preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade; quanto à inexistência da previsão legal para a adição na base de cálculo da CSLL das despesas de amortização de ágio e de ressarcimentos consideradas indedutíveis pela fiscalização, não se aplicaria, pois a base de cálculo da CSLL parte do lucro líquido do exercício, da mesma forma que o IRPJ, conforme dispõe o art. 2º da Lei nº 7.689/88; quanto à impossibilidade de exigência da multa no caso de dúvida (art. 112 do CTN), ou seja, empate nas votações da turma, não há previsão legal; quanto à impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa, aplicase o art. 161 do CTN, conjugado com o art. 113 do CTN. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 12/04/2017, a recorrente apresentou recurso voluntário em 11/05/2017, repisando e replicando praticamente os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, conforme se observa pelo comparativo entre ambos índices logo ao início. Enfoca, em apertada síntese: preliminarmante, da preclusão da possibilidade do fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio; do direito: . aproveitamento do ágio pago na aquisição da Celpe . breves considerações acerca da operação em tela . natureza do ágio e seu tratamento tributário . motivo, finalidade e congruência do negócio jurídico . legitimidade da operação como planejamento tributário . da inexistência de abuso de direito . da inexistência de simulação . da inexistência de fraude á lei. Da impossibilidade da cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa: Fl. 1608DF CARF MF 16 . da inaplicabilidade da multa isolada em razão do encerramento do ano base quando da lavratura dos autos de infração . da inexistência de base de cálculo para a aplicação da multa isolada . da duplicidade de cobrança impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de oficio da impossibilidade de ingerência do fisco na atividade do contribuinte da opção legal e impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial das despesas de ressarcimento incorridas pela impugante (sic) nos anos de 2011, 2012 e 2013 . breves considerações acerca das despesas de ressarcimento incorridas pela impugnante nos anos calendário 2011 a 2013 . da caracterização das despesas de ressarcimento incorridas pela impugnante (sic) como despesas operacionais . da natureza compensatória das despesas de ressarcimento incorridas pela impugnante (sic) da inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, das despesas com amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização da impossibilidade de exigência da multa no caso de dúvida aplicação do artigo 112 do CTN impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa É o relatório. Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.602 17 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso foi apresentado tempestivamente, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço. Síntese dos fatos: O presente processo versa sobre a exigência do IRPJ e da CSLL dos anos calendário de 2011 a 2013, no regime de lucro real, da recorrente. Conforme relatado, a recorrente foi autuada por a) glosa de amortização de ágios, b) glosa de despesas com pagamento de "multas regulatórias", c) exigência da multa de oficio isolada pela falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas mensais. Na sua peça impugnatória, a recorrente, além de contestar tais matérias, traz alegações em preliminar de preclusão, inexistência de previsão legal para a glosa de amortização de ágio na apuração da CSLL, impossibilidade de exigência de multa de ofício no caso de dúvida (aplicação do art. 112 do CTN) e impossibilidade da cobrança de juros sobre a multa. Na decisão a quo, decidiuse que a parte que concerne ao ágio do auto de infração é de mesma matéria fática decorrente de outros processos anteriores, já julgados na CSRF, pelo qual estendeu as mesmas conclusões. Quanto às multas regulatórias, entendeu que são decorrentes do descumprimento das normas para o setor elétrico, não podendo ser considerado essência da atividade empresarial. Manteve a multa isolada sobre as estimativas, com entendimento vigente após modificação legal de 2007, e sobre as demais matérias, inclusive a preliminar, negou provimento. Ou seja, negou provimento integral à impugnação da recorrente. Na sua peça recursal, a recorrente praticamente replica sua peça impugnatória, com os mesmos pedidos e mesmos fundamentos, com muita pouca variação no seu texto. Da preliminar: Alega a recorrente, preliminarmente, da preclusão da possibilidade do fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio, ocorridos no anobase de 2001, enquanto a autuação com a glosa do ágio amortizado nos anosbase de 2011 a 2013. Fl. 1610DF CARF MF 18 Para tanto, não poderia a autoridade fiscal questionar a legalidade destes atos, já que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre os fatos que propiciaram o surgimento do ágio (ano de 2001) e a lavratura dos autos de infração em questão (13/12/2016). Não acompanho a alegação da recorrente, pois o que está sendo analisado no auto de infração, no que tange ao ágio, são os valores amortizados ao longo dos anos de 2011 a 2013. Não se está constituindo nenhum auto de infração referente ao anocalendário de 2001. O fato gerador discutido, que poderá acarretar a autuação, está dentro do prazo decadencial. O princípio da segurança jurídica e estabilidade das relações jurídicas, nas palavras do relator da voto a quo, que embasa a decadência é para proteger o contribuinte da exigência de crédito tributário além dos 5 anos previstos no Código Tributário Nacional, conforme expresso nos artigos 150 e 173 do CTN. No caso in concretu, a autoridade fiscal está verificando situações e fatos contabilizadas que repercutiram no futuro, no caso em 2011, 2012 e 2013, haja vista que a recorrente se valeu da amortização de parcelas do ágio para diminuir o valor do lucro real apurado fato gerador autuado. O registro do ágio na contabilidade, ocorrido em 2001, apesar de há mais de 5 anos, devem ser sim analisados para verificar sua procedência, pois no caso atual, seus efeitos tiveram efeitos em 2011 a 2013. É até normal ocorrerem fatos contábeis cuja repercussão sejam superiores a 5 anos no mundo real, como compra e venda de um bem com apuração de ganho de capital, em que se precisa verificar o custo original. Ou como uma depreciação de um bem imóvel, cujo prazo é, no geral, 20 anos, em 5% ao ano com base no seu custo original. E outros mais. Em todos, seria um certo absurdo não se poder questionar quando da ocorrência do evento que deu base ao fato gerador de todos seus elementos, independente do momento ocorrido. . No caso, a recorrente terá um prazo dos anos de 2001 a 2028 (resolução da Aneel nº 192, de 31 de maio de 2001 fls. 227 a 229) para aproveitar o ágio que entende válido, ocorrido em 2001. Ou seja, uma situação fática que terá repercussões na contabilidade da recorrente por 28 anos, enquanto não houver uma decisão definitiva sobre o mérito, o que pode levar o mesmo tempo, dadas as possibilidades de esgotamento do questionamento tanto na esfera administrativa e judicial. No seu entender, a operação é válida, contudo, vem sendo discutida através de autos de infrações constantes nos processos 19647/010151/200783 e 10.480.723383/2010 76, referente aos anoscalendário de 2001 a 2006 e 2007 a 2008, respectivamente. Nestas decisões, no que tange à discussão quanto ao mérito do ágio, ambas já estão com decisões definitivas na Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou seja, transitadas em definitivo na esfera administrativa. Enquanto a recorrente se valer dos fatos ocorridos em 2001, que envolve uma reorganização societária, que no seu entender, gerou um ágio amortizável ao longo dos anos vindouros, e tem sido contestado, cabe sim questionar os valores utilizados para reduzir seu lucro ou aumentar o prejuízo, ou seja, no caso, a amortização do ágil gradual ao longo de 28 anos. Tal matéria tem sido recorrente e discutida já por este Carf, e tem sido constante o entendimento que é possível revisar períodos anteriores, como, por exemplo, o acórdão 1402000.802 de 21/10/2011: Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.603 19 AUDITORIA FISCAL EM PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). No acórdão imediatamente supracitado, a matéria envolvida era igualmente uma amortização de ágio, decorrente de uma reorganização societária, ou seja, matéria praticamente idêntica ao caso em discussão. Reforçando tal posicionamento, valhome de excerto do voto do Conselheiro Antônio José Praga de Souza, no acórdão acima: A preclusão temporal, em principio, corresponde à perda da possibilidade do exercício de um direito em decorrência do decurso de um determinado prazo. Portanto, para que seja possível falar nesse instituto no caso em concreto, caberia ao contribuinte identificar um dever atribuído por lei à Fazenda Pública, o qual seria passível de extinção pelo decurso de prazo. Logo, “para se falar em preclusão, a lei deveria atribuir à Administração Pública o dever de glosar o ágio amortizável registrado pelo Santander Holding, ou mesmo o registrado pelo Banespa após a incorporação, a partir da data dos registros contábeis”, como bem observado pela ilustre Procurador da Fazenda Nacional Paulo Roberto Riscado Junior na sustentação oral realizada durante o julgamento do presente processo. Efetivamente, não existe essa previsão legal. Tanto o art. 142 do CTN quanto o art. 9° do Decreto n. 70.235/72 prevêem apenas o lançamento como forma de exigência do crédito tributário, retificação de prejuízo fiscal e aplicação de penalidade isolada. Não há, em lei, previsão para a glosa de ágio registrado na contabilidade em decorrência de subscrição de ações ou de incorporação nos termos dos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97. Com efeito, o registro do ágio na contabilidade não implica em redução de crédito tributário, em majoração de prejuízo fiscal ou em causa para lançamento de multa isolada. Repitase: o simples registro do ágio na contabilidade não implica em fato gerador de obrigação tributária ou em alteração, de qualquer ordem, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL daquele período. Fl. 1612DF CARF MF 20 Ao adquirir uma participação societária com ágio, a lei autoriza a pessoa jurídica a amortizar esse valor, na apuração dos tributos por ela devidos sobre os lucros em períodos futuros, sob determinadas condições, isso porque foi exatamente a expectativa desse lucro que justificou o ágio. Apenas nessa hipótese, o ágio pago, que nunca foi e nunca será fato gerador de nenhuma obrigação tributária, passa a influenciar na apuração da base de cálculo dos tributos devidos pela empresa que o pagou. Agregase a todo o elencado acima ainda a necessidade do controle dos registros contábeis que tenham repercussão tributária no futuro, conforme dispõe o artigo 37 da Lei nº 9.430/1996: "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” Tal dispositivo é para possibilitar a auditoria fiscal dos fatos com repercussão futura, como o tratado no caso de amortização de ágio e sua criação do presente processo. Enfim, cabe ao contribuinte a prova da regularidade dos valores utilizados para redução da base de cálculo no período fiscalizado, e a autoridade tem a prerrogativa deles discordar, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário em análise, independente de qual período se necessite recorrer no passado para comprovar tal situação. Por todo o exposto, REJEITO a preliminar alegada pela recorrente. Do direito: a questão do aproveitamento do ágio pago na aquisição da Celpe Conforme relatado, a partir de agosto de 2001, a recorrente passou a registrar as despesas de amortização de ágio, as quais reduziram os resultados tributáveis do IRPJ e da CSLL a partir do próprio anocalendário de 2001. Insurgese com a decisão de primeiro grau administrativo que lhe negou o pleito de cancelar a autuação, ao acompanhar e reproduzir o voto condutor do acórdão nº 9101002.187, prolatado no processo nº 10480.723383/201076, pois no seu entender o processo de privatização não permitia o aproveitamento de forma automática o ágio, e todas as operações societárias foram praticadas de forma legal, regulamentar e contratual, e com o aval de órgãos reguladores. Contudo, como muito bem apontado no v. acórdão recorrido, os processos 19647.010151/200783 e n° 10480.723383/201076 julgaram auto de infração com operações societárias idênticas, em conjunto. Ambos, no que tange à discussão da matéria do ágio, já foram transitados em definitivo na esfera administrativa do CARF, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). O presente Auto de Infração, no que tange à dedutibilidade do ágio e sua formação, além de tratar de operações idênticas é decorrente daqueles Autos de Infração. Os únicos fatores que diferenciam este processo do outro, é o anocalendário, neste sendo 2011 a 2013, e naqueles supracitados de 2001 a 2006 e 2007 a 2008, respectivamente (processos nº 19647.010151/200783 e n° 10480.723383/201076). Já o voto a quo se vale pela aplicação do chamado "princípio da decorrência". Entendeu a autoridade julgadora que não faria sentido modificar o que já houvera Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.604 21 sido decidido no CARF, principalmente por se tratar de mesma matéria e dos mesmos fatos. Em suas palavras: Pois bem, no presente caso, os embasados argumentos dos ilustres representantes da contribuinte não podem prevalecer. Isso porque, essa matéria já foi decida na esfera administrativa, no CARF, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), devendo aqui ser aplicado o princípio da decorrência. É certo que ainda existem embargos interpostos pelo contribuinte junto a CSRF nos processos 19647.010151/200783 e Processo n° 10480.723383/201076. Assim, caso a CSRF venha modificar sua decisão naqueles processos, cumprirá a autoridade administrativa aplicar aqui o que for decido, desde que este processo ainda esteja em litígio. Com base nisso, e no dever de julgador administrativo, de sempre sopesar os fatos constitutivos do conflito com fundamento não só pautado na legislação pertinente ao caso, mas também no posicionamento jurisprudencial que mais reflita a intenção da norma expressa. Neste sentido, destacase que atualmente a jurisprudência do CARF está pacificada no sentido de condenar a amortização do ágio da forma como foi perpetrada pela autuada. A utilização de uma pessoa jurídica interposta (Leicester Comercial S.A) para transferência do ágio, que veio a ser adquirida pela investida (CELPE), mas que não era a investidora original (investidora de fato, a que pagou o ágio), não ocorreu conforme os preceitos legais exigíveis. Contudo, cabe uma análise do alegado pela recorrente na presente peça recursal, que também consta nos demais processos, mas que não houve a devida análise. Alega a recorrente que procedeu a reorganização societária em cumprimento das normas regulatórias. Contudo, na sua peça recursal não se vislumbra tal obrigação, conforme relato da própria recorrente: A ANEEL, no exercício de sua competência regulatória, autorizou a transferência do bloco de controle acionário da Recorrente para a Guaraniana, conforme se depreende da Resolução n° 459, de 29 de novembro de 2000 (DOC. 03 da Impugnação). Mesmo após a transferência do ágio para a empresa Guaraniana, a estrutura societária do grupo não tornava viável economicamente o seu aproveitamento pela Recorrente, pois agora seria necessária a incorporação da Guaraniana. Contudo, conforme mencionado, esta empresa também possuía investimento em outras companhias de energia elétrica (tratava se de uma holding operacional), motivo pelo qual sua incorporação pela Recorrente também não seria viável nem razoável do ponto de vista econômico. Dessa forma, em momento subsequente, a empresa Guaraniana realizou a integralização das ações da Recorrente em outra sociedade, a empresa Leicester Comercial S/A ("Leicester"), que passou a deter legalmente as ações da Recorrente . Fl. 1614DF CARF MF 22 Referida operação societária, conforme exigência do artigo 27 da Lei n° 8.987/95, também foi submetida à aprovação prévia da ANEEL, a qual autorizou a transferência do controle acionário da Recorrente à Leicester por meio da Resolução n° 539, de 14 de dezembro de 2000 (DOC. 04 da Impugnação). Ou seja, havia uma proposta de incorporação que foi apresentada originalmente ao órgão regulador (ANEEL), mas ao se verificar que estrutura societária do grupo não tornava viável economicamente o aproveitamento do ágio, é que se propôs nova reorganização e proposta, se valendo da empresa veículo Leicester, para possibilitar o aproveitamento econômico. Notase que o órgão regulador não obrigou a utilizar a empresa veículo Leicester ela autorizava a proposta efetuada de acordo com suas normas aplicáveis. No caso, o uso da Leicester, como empresa veículo, foi puramente por questões tributárias. Não é o fato de ter sido autorizado pela ANEEL, órgão regulador do caso, que transforma a operação como obrigatória. Ela foi autorizada porque atendia os requisitos do órgão, e outras maneiras poderiam ter ocorrido a reorganização societária. Contudo, não teriam o benefício fiscal pretendido. Assim, agindo por sua conta, a recorrente procedeu a transferência do ágio dedutível para empresa diversa que pagou, no caso, a empresa veículo, Leicester. Não houve a confusão patrimonial necessária. Isto posto, como os fatos e direitos são idênticos nos três processos, utilizo como fundamento de decidir, o entendimento que prevaleceu no v. acórdão 9101002.187, ipsis litteris: C) 2) Despesa de amortização de ágio e seus reflexos tributários Para o julgamento de mérito sobre a despesa de amortização de ágio e seus reflexos tributários, da mesma forma como fiz para o processo n° 19647.01051/200783, adoto a recente jurisprudência do CARF que considero mais adequada e que restou cinzelada no Acórdão n° 1103001.170, de 04/02/2015, da relatoria do nobre Conselheiro André Mendes de Moura. Seguem trechos do voto condutor: Para se tratar em ágio, há que se, inicialmente, falar do investimento em sociedades coligadas e controladas avaliado pelo método de equivalência patrimonial (MEP), conforme previsto no art. 384 do RIR/99. A principal característica do método é de se permitir uma atualização dos valores dos investimentos em coligadas ou controladas com base na variação do patrimônio líquido das investidas.Esclarece o art. 385 do RIR/99 que se a pessoa jurídica adquirir um investimento avaliado pelo MEP por valor superior ou inferior ao contabilizado no patrimônio Esclarece o art. 385 do RIR/99 que se a pessoa jurídica adquirir um investimento avaliado pelo MEP por valor superior ou inferior ao contabilizado no patrimônio líquido, deverá desdobrar o custo da aquisição em (1) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e (2) ágio ou deságio. Para a devida transparência na mais valia (ou menor valia) do investimento, o registro contábil deve ocorrer em contas diferentes: (... ) Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.605 23 Como se pode observar, a formação do ágio não ocorre espontaneamente. Pelo contrário, deve ser motivado, e indicado o seu fundamento econômico, que deve se amparar em pelo menos um dos três critérios estabelecidos no § 2° do art. 385 do RIR/99, (1) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, (2) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (3) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Dentre os três critérios, assume relevância, para o caso concreto, aquele que consiste no fundamento econômico com base em expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. Tratase precisamente de lucros esperados a serem auferidos pela controlada ou coligada, em um futuro determinado. Por isso o adquirente (futuro controlador) se propõe a desembolsar pelo investimento um valor superior ao daquele contabilizado no patrimônio líquido da vendedora. Por sua vez, tal expectativa deve ser lastreada em demonstração devidamente arquivada como comprovante de escrituração, conforme previsto no § 3° do art. 385 do RIR/99. As variações no patrimônio líquido da investida passam a ser refletidas na investidora pelo MEP. Contudo, os aumentos no valor do patrimônio líquido da sociedade investida não são computados na determinação do lucro real da investidora. Vale transcrever os dispositivos dos arts. 387, 388 e 389 do RIR/99 que discorrem sobre o procedimento de contabilização a ser adotado pela controladora. É por isso que a investidora, ao registrar o ágio em conta de ativo, não promove a sua amortização para fins fiscais. Não poderia ser diferente, vez que a "mais valia", decorrente da expectativa de rentabilidade futura, foi paga em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, e que serão tributados na própria investida. Por sua vez, a repercussão de tais lucros na investidora darseá pelo MEP, que não é objeto de tributação. Dessa maneira, como os lucros não são tributados na investidora, não há que se falar em amortização do ágio na investidora. Não faria sentido tributar os lucros na investida, e em seguida tributar o aumento do patrimônio líquido na investidora, que ocorreu precisamente por conta dos lucros auferidos pela investida. Portanto, percebese que, na regra geral, para fins fiscais, o ágio não é dedutível na apuração do lucro real. Contudo, tal cenário está sujeito a mudanças. O investimento adquirido com ágio pode ser alienado, liquidado, ou mesmo ser objeto de uma transformação societária. Passam a ser tratadas as situações específicas, como se pode verificar nos arts. 391 e 426 do RIR/99: (...) Verificase que o aproveitamento do ágio ocorre no momento em que o investimento que lhe deu causa for objeto de alienação ou liquidação, oportunidade em que o ágio irá compor a apuração do custo de aquisição a ser considerado no ganho de capital auferido pelo alienante.. Por sua vez, em eventos de transformação societária, quando investidora absorve o patrimônio da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou deságio, em razão de cisão, fusão ou incorporação, resolveu o legislador disciplinar a situação no art. 386 do RIR/99: Fl. 1616DF CARF MF 24 (... ) Fica evidente que os arts. 385 e 386 do RIR/99 guardam conexão indissociável, constituindose em norma tributária permissiva do aproveitamento do ágio nos casos de incorporação, fusão ou cisão envolvendo o investimento objeto da mais valia. A norma em debate tem repercussão direta na base de cálculo do tributo, o que permite a sua análise sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina (Geraldo Ataliba, Hipótese de Incidência Tributária). Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em debate se dirige à investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, sendo ela, e apenas ela a destinatária da prerrogativa de amortização do sobrepreço. A partir do momento em que o ágio é transferido ou repassado para outras pessoas (de A para B, de B para C, de C para D e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora, a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. A respeito do aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Sobre o aspecto material, há que se observar que apenas o ágio com fundamento econômico no valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros é que tem a amortização autorizada em sessenta parcelas. Ainda, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...), ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento." Em síntese, a subsunção aos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Na atual redação destes dispositivos e para o caso de incorporação "às avessas", exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora, nessa linha de raciocínio as intermediárias não seriam investidoras de fato, apenas de direito) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.606 25 de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. No caso dos autos, esses aspectos não foram satisfeitos, em especial dos aspectos pessoal e material, vejamos: A utilização de uma pessoa jurídica interposta (Leicester Comercial S.A) para transferência do ágio, que veio a ser adquirida pela investida (CELPE), mas que não era a investidora original (investidora de fato, a que pagou o ágio), implica no desatendimento dos aspectos pessoal e material e, conseqüentemente, na descaracterização da aplicação dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, que resulta na impossibilidade da amortização do ágio. A amortização do ágio seria devida apenas se a empresa investida (CELPE) tivesse incorporado a investidora original (investidora strico sensu), pois somente essa se enquadra nos aspectos pessoal e material. Pouco importa terem havido motivos de ordem societária, técnica ou mercadológica que impediam a CELPE de incorporar a real investidora: são as situações que devem se moldar à lei, para fins de aplicação da norma, e não a lei que tem que se moldar às situações, o que implicaria em substituir a coercitividade da regra pela conveniência dos regrados. Portanto, relativamente à despesa de amortização de ágio, voto por DAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (...). Os fundamentos acima transcritos foram considerados suficiente pela Primeira Turma da CSRF para manter a glosa da amortização do ágio aqui tratado, pelo que, repito, devem prevalecer também no presente processo, principalmente quando já definitivos na esfera administrativa. Portanto, após estas considerações, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à dedutibilidade da amortização do ágio. Da impossibilidade da cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa: Alega a recorrente na sua peça recursal da impossibilidade da cobrança de multa isolada, ao que conclui nos seguintes termos: Ante todo o exposto, restou demonstrada a impossibilidade da cobrança da multa isolada nos autos de infração ora combatidos em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, tendo em vista que: (i) já estavam encerrados os anosbase de 2011 a 2013 quando da lavratura dos autos de infração (13/12/2016); (ii) os valores de IRPJ e da CSLL supostamente devidos por estimativas superam os valores desses tributos apurados no encerramento dos anosbase e (iii) ainda que houvesse recolhimento a menor de IRPJ e da CSLL por estimativa, não há possibilidade de cumulação da multa isolada, incidente sobre eventual diferença de Fl. 1618DF CARF MF 26 recolhimento de estimativa, com a multa de ofício, conforme a jurisprudência pacífica do Conselho de Contribuintes. Contudo, a respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício presente nos autos de infração, de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício e juros, pois a determinação legal de imposição de tal penalidade, quando aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, como argúem os contribuintes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Posição plenamente avalizada a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Registrese, essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Por pertinentes, faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES deste CARF que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.607 27 Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso Fl. 1620DF CARF MF 28 do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Salientese, por fim, ser inaplicável no caso a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente as multas isoladas impostas e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. da impossibilidade de ingerência do fisco na atividade do contribuinte da opção legal e impossibilidade de se aplicar a teoria do propósito negocial Alega a recorrente da impossibilidade de ingerência do fisco na sua atividade, ao que conclui no seu pedido: Ressaltese, ainda, que a única norma que poderia ter sido aventada para a desconsideração de uma operação sem substância econômica (o que, repitase, sequer pode ser debatido no presente caso), seria o parágrafo único do artigo 116 do CTN. O objetivo deste dispositivo foi autorizar as autoridades fiscais a questionarem atos e fatos praticados pelo contribuinte que eventualmente tenham evitado ou minimizado a carga tributária de suas operações, sem a alegada substância econômica. Todavia, cabe observar que os procedimentos necessários para a aplicação dessa norma dependem de elaboração de lei ordinária, a qual, até o presente momento, não foi editada. Ou seja, sequer a norma prevista pelo parágrafo único do artigo 116 do CTN, de eficácia limitada, poderia ser aplicada pelas autoridades fiscais, pelo que evidente a falta de fundamento legal às autuações. Diante de todo o exposto, constatase que não pode o Fisco interferir na maneira pela qual os contribuintes realizarão aquisições, por exemplo, vedando, sem qualquer respaldo em Lei, o aproveitamento de ágio gerado em reorganizações societárias que envolvam diferentes ou o mesmo Grupo Econômico, ainda que não tenham propósito negocial. Contudo, tal discussão surge no que tange ao ágio gerado e respectivo aproveitamento, ao que houve a discussão do cumprimento das exigências legais para tanto, conforme acima já relatado e votado. No caso concreto, como supracitado, tal matéria já foi apreciada e decidida no CSRF, grau máximo na instância administrativa, e nenhum elemento extra fora apresentado para modificar tal decisão, pelo que acolhi e acompanhei o decidido então. Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.608 29 Não vislumbrando nenhum retoque a ser feito ao decidido no CSRF, NEGO PROVIMENTO no que tange a tal matéria. das despesas de ressarcimento incorridas pela recorrente nos anos de 2011, 2012 e 2013 Alega a recorrente que os pagamentos de 2011 a 2013, registrados como despesas operacionais, e que foram considerados como não dedutíveis pela fiscalização, são pagamentos de indenização aos seus consumidores por eventuais descumprimentos de metas de fornecimento de energia elétrica ocorridos naqueles anos. Na suas palavras: Quando da apresentação da Impugnação, a ora Recorrente demonstrou que existem dois procedimentos distintos, previstos pela ANEEL, quando ocorre o descumprimento de metas de distribuição de energia elétrica por parte das Distribuidoras. Um dos procedimentos previstos é a compensação ao consumidor de energia elétrica. Isto é, o PRODIST estabelece que as Concessionária de energia elétrica devem checar permanentemente os indicadores de continuidade e de tensão em regime permanente e, havendo algum descumprimento de meta, devem efetuar, por sua conta e risco, os cálculos das compensações e creditálas diretamente ao consumidor de energia elétrica. Não há, portanto, qualquer participação do órgão regulador no procedimento de compensação previsto no PRODIST. Além desse procedimento de compensação, o PRODIST prevê também a possibilidade de aplicação de multa pela ANEEL ser for constatado por ela que as compensações acima mencionadas não foram efetuadas conforme determina o regulamento. No presente caso, a Recorrente registrou como despesas operacionais aquelas incorridas com o pagamento de compensação aos seus consumidores por eventuais descumprimentos de metas de fornecimento de energia elétrica e não as despesas relativas à eventuais multas impostas pela ANEEL em processo de fiscalização. E sua peça recursal, logo mais a frente, sobre o tema, enfatiza: Ou seja, o PRODIST determina que em caso de eventuais descumprimentos das metas de qualidade de fornecimento de energia elétrica, estipulados em seu Módulo 8, o que, ressaltese, ocorre em virtude das oscilações próprias da estrutura de fornecimento de energia elétrica, as concessionárias devem efetuar o cálculo a ser ressarcido ao consumidor, e compensálo, mediante o pagamento de uma indenização que é creditada em sua própria conta de luz. Fl. 1622DF CARF MF 30 Pois bem. Considerando que tais indenizações pagas pelas concessionárias aos seus clientes tratamse de instrumentos compensatórios diretamente associados aos riscos inerentes à atividade das empresas, bem como que o artigo 299 do RIR/99 conceitua como despesas operacionais e, portanto, dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL aquelas intrinsecamente vinculadas às atividades da empresa, a Recorrente excluiu as despesas incorridas com tais compensações nos anos de 2010 e 2011, da apuração do Lucro Real daqueles anos. E na sequência, nas suas alegações, reforça a ideia que o PRODIST estabelece critérios de compensação ao consumidor de energia elétrica, inerentes a atividade operacional do fornecimento de energia elétrica, o que não se confundiria com penalidade. A penalidade seria estabelecida por legislação própria, e seria fiscalizada e aplicada pela ANEEL. E mesmo que fossem consideradas de caráter punitivo, seriam dedutíveis em virtude do art. 344 § 5º do RIR/1999, que determina que as multas de natureza compensatória são dedutíveis como custo ou despesa operacional. A motivação para autuação pela autoridade fiscal, e mantido na decisão a quo, foi com base no em acórdão anterior deste CARF 1302001.486, que foi no seguinte sentido nos seus fundamentos: Quanto à indedutibilidade das multa impostas pela ANEEL : Este é o item 002 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, os quais versam sobre a indedutibilidade de multas por infrações administrativas. Inicialmente, cabe trazer a lume o art. 47 da Lei 4.506/64, que é a regra geral para a dedutibilidade de despesas, in verbis: "Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Ao interpretar essa norma, a decisão judicial trazida a colação pela PFN em suas contrarrazões é lapidar, razão pela qual pinço e adapto os pontos principais desse ensinamento, para concluir que: descumprir as normas estabelecidas para o setor elétrico não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias á atividade da empresa só pelo fato de que o seu eventual não pagamento desautorizará a continuidade da prestação do serviço; Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.609 31 despesas com as aludidas multas não é habitual na medida em que não se pode admitir a habitualidade da má prestação do serviço sistematicamente; a autorização para a dedução pretendida pela recorrente, consistiria, na prática, um fomento à transgressão as regras do setor de elétrico; a dedução das multas da base de cálculo dos tributos resultaria em verdadeiro benefício, eis que a empresa repassaria para a Administração Publica, ou melhor, para a sociedade brasileira, parte dos custos pela sua desídia, o que ofenderia o sistema jurídico vigente, na medida em que a pena não pode passar da pessoa do infrator; permitir tal expediente seria admitir que a recorrente auferisse proveito de sua própria torpeza, o que não se coaduna com o sistema jurídico vigente (neminem auditur propriam turpitudinem allegans). Reforça o v. acórdão recorrido que o acórdão supracitado foi objeto de Recurso Especial à CSRF, e mantido nos termos do acórdão 9101002.196, de 01/02/2016, ao qual transcrevo a ementa: "MULTAS ADMINISTRATIVAS. INDEDUTIBILIDADE. Descumprir as normas estabelecidas para o setor elétrico não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa só pelo fato de que o seu eventual não pagamento desautorizará a continuidade da prestação do serviço. A dedução das multas administrativas das bases de cálculo dos tributos resultaria em verdadeiro benefício, eis que a empresa repassaria para a Administração Pública, ou melhor, para a sociedade brasileira, parte dos custos pela sua desídia, o que ofenderia o sistema jurídico vigente, na medida em que a pena não pode passar da pessoa do infrator." Tudo o acima posto, apesar das alegações da recorrente das peculiaridades da sua atividade, e ser regrada e fiscalizada pela ANEEL, no campo tributário deve prevalecer as normas atinentes ao seu próprio regramento. Por mais que se aprecie os argumentos da recorrente, o que vislumbro em tais despesas são realmente multas estabelecidas em contrato de concessão de serviço público, no caso reguladas e, se necessário, fiscalizado pela ANEEL. O fato da recorrente aplicar automaticamente tais cálculos e atribuir o nome de compensações, sem precisar ter ocorrido um termo prévio do órgão regulador, não descaracteriza a sua natureza punitiva, pelo descumprimento da qualidade exigida na sua atuação. Fl. 1624DF CARF MF 32 Nas suas próprias palavras, para gerar tais valores de despesas, houve um descumprimento de metas de distribuição de energia elétrica, e isto é bem claro na sua peça recursal. Em nenhum momento há uma demonstração de que tais valores foram ocorridos a sua revelia, ou são normais na sua atividade operacional. O que fica claro é que ela tem, como uma concessão pública de fornecimento de energia elétrica, cumprir certos parâmetros mínimos de atendimento, regrados pelo seu órgão regulador. Não atendidos tais parâmetros, tem que compensar o seu cliente. Claro que tal compensação tem nítido caráter punitivo. Definir que descumprir as normas estabelecidas pelo seu órgão regulador pode ser considerado como uma atividade operacional, e logo os valores pagos por estas sanções adentram no conceito de despesa necessária é descabido e não aplicável ao regramento tributário da matéria. O que regra sua atividade operacional, no caso de uma concessão pública de fornecimento de energia elétrica, é o cumprimento dos termos do contrato e regular prestação do seus serviços. A jurisprudência deste CARF tem sido tranquila nesta matéria, nos termos do acórdão da CSRF citado no v. acórdão recorrido, e totalmente aplicáveis ao caso. O artigo 344, § 5º invocado pela recorrente para reforçar suas alegações é bem latente no seu caput se tratar de situações de multas por infrações fiscais, o que não é aplicável ao caso em discussão aqui. Isto tudo posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste item. da inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, das despesas com amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização O recorrente ainda traz como tese subsidiária a alegação de que, caso seja mantida a glosa referente à amortização do ágio, não há previsão legal para a adição da correspondente despesa na base de cálculo da CSLL. Contudo, o IRPJ e a CSLL tem o mesmo ponto de partida. Não sendo o caso previsto como aplicável apenas ao IRPJ, não há que se falar em falta de previsão legal para adição à base de cálculo da CSLL. Com efeito, há exclusões e deduções que somente se aplicam ao IRPJ, ou seja, regras de natureza tributária, que não se aplicam diretamente à CSLL. Como exemplo citase a exclusão da quota de depreciação acelerada incentivada da atividade de hotelaria, prevista na Lei nº 11.727, de 2008, que não pode ser excluída da base de cálculo da CSLL: Art. 1º Para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda, a pessoa jurídica que explore a atividade de hotelaria poderá utilizar depreciação acelerada incentivada de bens móveis integrantes do ativo imobilizado, adquiridos a partir da data da publicação da Medida Provisória nº 413, de 3 de janeiro de 2008, até 31 de dezembro de 2010, calculada pela aplicação da taxa de depreciação admitida pela legislação tributária, sem prejuízo da depreciação contábil. (grifo acrescentado) Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.610 33 § 1º A quota de depreciação acelerada incentivada de que trata o caput deste artigo constituirá exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real e será controlada no livro fiscal de apuração do lucro real. Por conseguinte, a base de cálculo do IRPJ – lucro real – e da CSLL – lucro líquido ajustado – têm o mesmo ponto de partida: o lucro líquido ajustado e este entendimento está contido no art. 57, da Lei nº 8.981/1995, in verbis: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro(Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei.(Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) A corroborar o entendimento acima expresso encontrase o art. 44 da Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004, que assim dispõe: Art. 44. Aplicamse à CSLL as normas relativas à depreciação, amortização e exaustão previstas na legislação do IRPJ, exceto as referentes a depreciação acelerada incentivada, observado o disposto nos art. 104 a 106. Como se vê, a despesa com amortização de ágio reduziu indevidamente o lucro líquido, ou seja, distorceu o ponto de partida de ambos os tributos. Logo, a infração de CSLL apurada é reflexa, sendo que neste caso, a procedência do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica impõe a manutenção da exigência fiscal dele decorrente (no caso da CSLL). Isto tudo posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste item. da impossibilidade de exigência da multa no caso de dúvida aplicação do artigo 112 do CTN Alega a recorrente que deve ser exonerada das multas aplicadas, caso ocorra empate, aplicandose o art. 112 do CTN ao caso. Contudo, a aplicação da multa de ofício, independente do seu percentual, são previstos na legislação, e não cabe a este colegiado modificar isso. Ademais, o art. 112 não se coaduna com o julgamento administrativo, pois este avalia a validade existencial e jurídica dos autos de infração, e neste caso, em caso de empate, deve prevalecer o interesse público. Isto tudo posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste item. Fl. 1626DF CARF MF 34 impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa O presente tema da incidência de juros sobre a multa de ofício, que não deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF. Ocorre que uma análise mais sistemática do CTN, percebese que os juros são devidos sobre o valor da multa, uma vez que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Como dispõe o art. 161 do CTN: Art. 161. O credito não integralmente pago no vencimento e acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados a taxa de um por cento ao mês. O art. 113, § 1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal e o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto é que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de credito tributário esta esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o credito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa devem incidir juros, como determina o § 1o do art. 161 do Código Tributário Nacional. Conclusão: Voto por NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.611 35 Declaração de Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Com a máxima vênia, registro a presente declaração de voto em relação a manutenção da multa isolada pelo voto de qualidade. Primeiramente, observese que, em seu recurso voluntário, à efolha 1.534 a Recorrente se antecipa em relação ao voto de qualidade nas seguintes palavras: (...) Caso esta C. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decida pela manutenção dos lançamentos que deram origem a esse processo, por meio de julgamento em que houver empate de votos, é razoável considerar que há, no mínimo, dúvida quanto à ocorrência da infração. Isso porque, a exigência de valores a título de penalidades não se coaduna com a dúvida, conforme se afere do artigo 112 do Código Tributário Nacional, segundo o qual, “A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...)” Nesse sentido, entendimento de Luís Eduardo Schoueri, o qual, fazendo alusão às infrações, assevera que “não poderá prevalecer o tratamento mais gravoso decidido por estreita maioria – ou, ainda mais evidente, pelo voto de qualidade – deixando de lado a dúvida objetivada pelo entendimento da minoria”. Deste modo, caso reste inequívoca a presença da dúvida quanto à correção da autuação originária da presente lide, requerse que este I. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheça, ao menos, que não será possível manter a exigência das multas exigidas da Recorrente.” (Grifos do original) Entendo lhe assistir razão quanto ao voto de qualidade, uma vez estar evidente que há dúvida por parte do colegiado em relação a manutenção da multa isolada. Da leitura do artigo 112, do CTN, podese concluir que, em havendo dúvida quanto à aplicação de penalidades tributárias, devese interpretar a lei tributária que trata das infrações da maneira mais favorável ao suposto infrator, ou seja, via de regra, devese afastar a imputação da sanção fiscal. É evidentemente instituto derivado do direito sancionador (penal), consistente na máxima do "in dubio pro reo". Entendo que o mesmo se aplica para o caso deste E. Conselho quando uma decisão referente a penalidades resulta em empate. Se a composição da turma envolve oito Fl. 1628DF CARF MF 36 conselheiros e o empate se configura, significa, em termos práticos, que quatro conselheiros entendem correta a imputação da penalidade e que, os outros quatro entendem a manutenção da penalidade como indevida. Em casos como este, fica cristalino que há dúvida do "colegiado" (pois a certeza individual resta suplantada, em qualquer caso) quanto à matéria relativa as penalidades e, diante do empate, ao ver deste julgador, o voto de qualidade pode ser instrumento hábil para solucionar a controvérsia, se aplicado à luz dos ditames constitucionais. Isto significa, que não se quer impedir a ocorrência do voto de qualidade, todavia, sua aplicação não pode ocorrer nos moldes em que vem sendo utilizado, ou seja, como mera repetição de voto de mérito por parte do presidente de turma, um "voto duplicado". Do contrário, o voto de qualidade se mostra como ferramenta útil se resultar em manifestação de ofício do presidente da Turma para aplicar o artigo 112, do CTN, nos casos de dúvida/empate do colegiado quanto às matérias relativas a penalidades, ou para que, eventualmente, se coloque o assunto em nova votação. Percebase que quando o voto de qualidade representa um voto duplicado, em termos práticos, o que se está permitindo é que um dos conselheiros tenha o poder de voto maior do que dos outros; violase a igualdade quanto ao poder de voto dos conselheiros. Isto é um problema, posto que, tal poder pode se manifestar até o ponto de se modificar completamente o resultado da opinião expressa pelos conselheiros. É por isso que, no caso de empate é razoável que se aplique, mediante o voto de qualidade, o artigo 112, do CTN, ou seja, que seja empregada a interpretação mais favorável ao contribuinte, não devendo haver mera réplica do voto já emitido pelo Presidente. Ressaltese, ainda, a ADI nº 5.731 ajuizada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – CFOAB ao STF, em junho de 2017, que questiona justamente a expressão “que, em caso de empate, terão o voto de qualidade”, contida no artigo 25, §9º do Decreto n° 70235, de 1972, com redação conferida pelo art. 25 da Lei n° 11941, de 27 de maio de 2009. Percebase que o posicionamento exarado na ADI corrobora com a visão deste julgador: “Conforme será abordado de forma mais detalhada adiante, o texto legal supracitado confronta princípios constitucionais, como o da isonomia, da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como está em franca contrariedade ao artigo 112 do Código Tributário Nacional CTN. Desse modo, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, como legitimado universal para a propositura de Ação Direta de Inconstitucionalidade, no exercício de sua competência legal de defensor da cidadania e da Constituição (Artigo 44, inciso I, da Lei 8.906/94), propõe a presente ação, visando a declaração de inconstitucionalidade da expressão contida no § 9º do art. 25 do Decreto n. 70.235/72, “que, em caso de empate, terão o voto de qualidade. (...) Ocorre que, em afronta a princípios constitucionais, como o da isonomia, da razoabilidade, da proporcionalidade e, inclusive, em contrariedade às Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 10480.730316/201601 Acórdão n.º 1402003.118 S1C4T2 Fl. 1.612 37 finalidades institucionais do próprio Conselho, o dispositivo impugnado confere ao Presidente de Turma, por força do já citado artigo 25, § 9º do Decreto n. 70.235/72, a prerrogativa de proferir, além do voto ordinário, o voto de qualidade. Assim, valendose desta prerrogativa, os Presidentes de Turma (necessariamente representantes da Fazenda Nacional) têm proferido voto e, em um segundo momento, revertido o resultado do julgamento com novo voto (outro), quase sempre em desfavor dos contribuintes. Essa afirmação é corroborada pelos dados apresentados em matéria publicada recentemente pelo jornal Valor Econômico1. Segundo a reportagem, dos processos julgados entre janeiro e maio deste ano, 95% dos casos submetidos ao voto de qualidade foram decididos de modo desfavorável aos contribuintes, isto é, dos 110 acórdãos publicados, apenas seis foram desempatados de forma contrária aos interesses do fisco nacional. Ao adotar a sistemática de voto duplo para o não provimento de recurso interposto pelo contribuinte ou provimento de recurso de ofício interposto pela Fazenda Nacional, o tribunal administrativo deixa de atender aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (art. 5º, LXXVIII, CF/88), na medida em que se utiliza de procedimentos discriminatórios e arbitrários para proferir seu julgamento. Como de conhecimento, a constitucionalização do princípio do devido processo legal (due process of law) tem por finalidade resguardar a garantia fundamental de todo cidadão de que o poder estatal, no exercício de suas funções e manifestações, respeitará, obrigatoriamente, a proporcionalidade e razoabilidade entre os meios adotados e os fins almejados, de maneira a resguardar os direitos e garantias fundamentais. Todavia, não é que se verifica na disposição em apreço. A duplicidade do voto proferido pelo Conselheiro Presidente, sobretudo levandose em conta ser ele representante do Fisco, coloca em xeque a missão da instituição, qual seja, julgar, de forma imparcial e justa, os litígios administrativos fiscais que tenham por objeto a apuração da incidência de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (dentre eles, os autos de infração, os processos de restituição e compensação, os recursos voluntários, de ofício e especiais). Outrossim, resta evidentemente questionável a constitucionalidade dessa previsão, uma vez que o voto duplo do Conselheiro Presidente, representante da Fazenda Nacional, passa a servir aos desígnios de uma das partes, ou seja, o Fisco. (...) (Grifos meus) Assim, no que pese ainda estar em trâmite a análise da ADI nº 5.731, e tratar do tema sob ponto de vista constitucional, pontuo que sua simples propositura fortalece minha convicção e demonstra que a inconformidade com o modo como se dá o voto de qualidade atualmente dentro deste E. Conselho, não é somente minha. 1 Valor Econômico, Legislação e Tributos, Justiça cancela julgamentos com voto de qualidade, São Paulo, 15 de julho de 2016. Fl. 1630DF CARF MF 38 À luz do exposto, registro aqui minha declaração para constar que o voto de qualidade para manter a multa isolada, no presente processo, ao meu entender, é inválido, posto que por haver dúvida no colegiado quanto ao assunto, a penalidade deveria ser afastada, com fulcro no artigo 112, do CTN. É a declaração de voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 1631DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.900746/2013-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido.
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 46 /2 01 3- 50 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11060.900746/201350 Acórdão n.º 3301004.554 S3C3T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11060.900746/201350 Acórdão n.º 3301004.554 S3C3T1 Fl. 4 3 · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.027. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.411, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11060.900746/201350 Acórdão n.º 3301004.554 S3C3T1 Fl. 5 4 compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11060.900746/201350 Acórdão n.º 3301004.554 S3C3T1 Fl. 6 5 Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11060.900746/201350 Acórdão n.º 3301004.554 S3C3T1 Fl. 7 6 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11060.900746/201350 Acórdão n.º 3301004.554 S3C3T1 Fl. 8 7 O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11060.900746/201350 Acórdão n.º 3301004.554 S3C3T1 Fl. 9 8 energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11060.900746/201350 Acórdão n.º 3301004.554 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679535/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de IRPJ a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 79 53 5/ 20 09 -4 0 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.679535/200940 Resolução nº 1201000.371 S1C2T1 Fl. 3 2 indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) houve um equívoco da contribuinte ao indicar o crédito como decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido; b) o valor do "pagamento indevido" é exatamente o mesmo do saldo negativo apurado ao final do período de apuração; c) houve retificação da DIPJ para que esta espelhasse com exatidão o valor do saldo negativo; d) não foi possível retificar a Dcomp após a emissão do Despacho Decisório, por impedimento imposto pelo próprio sistema da Receita Federal; É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.362, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.679536/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/10/2006 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recolhido em 29/09/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.362): "O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas e IRRF durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.679535/200940 Resolução nº 1201000.371 S1C2T1 Fl. 4 3 Nas DCOMPs com que a recorrente pretendeu retificar as originariamente entregues, há informações quanto a estimativas pagas, compensadas e de IRRF. Ocorre que esses valores também não são consentâneos com os declarados na DIPJ. Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.721159/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 30/10/2008 a 07/04/2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS NA IMPORTAÇÃO.
A interposição fraudulenta de terceiros na importação é caracterizada quando o importador atua como mero prestador de serviços burocráticos aduaneiros, ocultando o real adquirente. O fornecimento de recursos para as operações de importação enseja o reconhecimento de importação por conta e ordem, devendo os importadores serem identificados nas operações e assumirem as responsabilidades tributárias decorrentes.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/10/2008 a 07/04/2011
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO.
A responsabilização solidária deve ser afastada quando os fundamentos materiais de sua tipificação não restarem comprovados, no decorrer do litígio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-003.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Rofolfo Tsuboi, que davam integral provimento. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima se declarou impedido e foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário , Rodolfo Tsuboi (suplente), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 30/10/2008 a 07/04/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta de terceiros na importação é caracterizada quando o importador atua como mero prestador de serviços burocráticos aduaneiros, ocultando o real adquirente. O fornecimento de recursos para as operações de importação enseja o reconhecimento de importação por conta e ordem, devendo os importadores serem identificados nas operações e assumirem as responsabilidades tributárias decorrentes. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/10/2008 a 07/04/2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. A responsabilização solidária deve ser afastada quando os fundamentos materiais de sua tipificação não restarem comprovados, no decorrer do litígio. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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A interposição fraudulenta de terceiros na importação é caracterizada quando o importador atua como mero prestador de serviços burocráticos aduaneiros, ocultando o real adquirente. O fornecimento de recursos para as operações de importação enseja o reconhecimento de importação por conta e ordem, devendo os importadores serem identificados nas operações e assumirem as responsabilidades tributárias decorrentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/10/2008 a 07/04/2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. A responsabilização solidária deve ser afastada quando os fundamentos materiais de sua tipificação não restarem comprovados, no decorrer do litígio. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Rofolfo Tsuboi, que davam integral provimento. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima se declarou impedido e foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 11 59 /2 01 3- 34 Fl. 19075DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário , Rodolfo Tsuboi (suplente), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Tratase de perdimento de mercadorias importadas, por dano ao Erário, convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro, no valor original de R$ 21.901.137,96. O Fisco acusa a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias, que teriam agido com simulação nas operações. Aplica o art. 23, inciso V e §3 do DecretoLei 1.455/761. O trabalho foi feito pelo Auditor Fiscal Roberto Luis Rockenbach. Houve autuação também da multa de 10% do valor aduaneiro das mercadorias, prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007, com trâmite no processo 10907.721161/201311. O Fisco informa que: a Sertrading é empresa dedicada ao comércio de vidros; a filial Paranaguá é apenas um escritório, com apenas um funcionário, e constou como o estabelecimento importador ostensivo, na quase totalidade das DI´s em foco; foi constituída logo antes do início dessas importações; o volume imenso não poderia fisicamente estar ou passar pelo estabelecimento; houve procedimento fiscal anterior, referente ao período de 2002 a 2008 (processo 10726.000129/200690), que autuara a empresa por ocultação de pessoas. O lançamento foi efetuado contra o estabelecimento matriz, o final do período referido coincide com o final das operações de importação do estabelecimento matriz; nesse procedimento fiscal anterior, a páginda na internet da Sertrading caracterizava assim sua atuação: “execução das operações de comércio exterior, buscando 1 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 19076DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Acórdão n.º 3201003.604 S3C2T1 Fl. 19.057 3 sempre a melhor alternativa para sua empresa – incluindo apoio nas áreas jurídicas, fiscal e tributária para você manter o foco na sua atividade principal...Nosso negócio é avaliar, estruturar e coordenar as operações de comércio internacional. Dessa forma, nossos clientes focam em suas atividades principais e nós cuidamos de suas operações”; O Fisco aponta tal atuação como prestação de serviços aduaneiros; as conclusões do procedimento fiscal anterior vão no sentido de que não fora comprovada a origem dos recursos da integralização do capital social da Sertrading; e que houvera simulação nas operações com 3 empresas consideradas reais adquirentes; a funcionária Patrícia V. F. Santiago, do estabelecimento em Paranaguá, afirma, em depoimento, que recebe pedidos de vendas de Vera Lúcia Abreu, de quem se recebem as informações iniciais, e que é funcionária de outra pessoa jurídica, que também compra eventualmente da Sertrading; que eventualmente ocorre venda de uma carga inteira para um único cliente; coletaramse email´s da Sertrading dando conta de que Vera Lúcia Abreu é que comandava as operações de expedição/despacho das mercadorias; consulta ao sistema CNPJ revela que Vera Lúcia não tinha vínculos formais com a Sertrading, mas era representante legal da empresa Sunglass Vidros, e também recebia pagamentos de outra empresa, União Brasileira de Vidros SA; outra pessoa referida nos email´s, Marina Felipelli Contursi, “igualmente não tem qualquer vínculo formal com a importadora ostensiva; todavia, ao menos desde 11/2010, tinha/teve vínculos empregatícios com outras empresas relacionadas à SERTRADING S/A”, e se revelou como verdadeira coordenadora logística das cargas importadas da Sertrading, repassando o acompanhamento das cargas a várias outras pessoas, entre elas Vera Lúcia; diversas outras pessoas são referidas nos email´s, sem vínculo formal com a Sertrading, mas vincualdas a outras empresas ligadas à Sertrading ou a outras empresas do ramo de vidros; em especial o nome de Marcos Tobler Brant de Carvalho, que aparece em diversas mensagens como destinatário para solução de problemas diversos, como reajustes de tarifas de transportes; Marcos não tem nenhum vínculo formal com a Sertrading, e é sócio administrador de outra empresa, do ramo de vidros, a West Glass Ltda, cnpj 08.784.491/0001 10; outras mensagens indicam a constituição de outra empresa do mesmo grupo, Serglobal Importação e Distribuição Ltda, de mesmo endereço da Sertrading, criada para operar a logística de importação de 69 contêineres; a observação das importações do grupo revela que o papel da Sertrading Paranaguá passou para a Serglobal, nova importadora ostensiva do grupo, a partir de maio de 2011; outra mensagem revela, num caso de avaria da mercadoria (DI 10/1489539 3), que os custos envolvidos não seriam absorvidos pelo “grupo Sertrading” (assim mesmo referido na mensagem), mas funcionária de outra empresa solicita informar o valor das mercadorias para pagamento; a troca de mensagens revela ainda que se trata de mercadoria já com cliente definido, e registros de pagamentos de comissões; outra mensagem revela a destinação de relatório de faturamento, clientes e estoques da Sertrading aos destinatários principais Marcos Brant e Vera Lúcia, pessoas sem vínculo formal com a Sertrading, mas ligadas a outras empresas de vidros, o que demonstra a utilização, por terceiros interessados, de informações internas da Sertrading; Fl. 19077DF CARF MF 4 o uso da expressão “Business Process Outsourcing”, no site da Sertrading, revela sua característica de terceirização de serviços; também se constata, no site, a informação de que teria 350 funcionários, o que somente pode ser verdadeiro se aplicado a todo o grupo de 16 empresas (fl. 78), e não à Sertrading em si; também é oferecido o serviço de “Importação sob Regime Incentivado”, referente a benefícios fiscais de ICMS; todas as descrições de serviços de todas as empresas do grupo revelam que as atividades são de serviços de importação/exportação; os documentos com registro das negociações com fornecedores do exterior contém diversas mensagens de pessoas sem vínculo formal com a Sertrading, porém vinculadas a outras empresas do ramo de vidros, conforme quadro à fl. 101; os registros contábeis e respostas da autuada revelam confusão entre as operações da Sertrading, Sertrading Global e Sertrading BR; revelam também que a própria empresa contabilizava as operações, após o desembaraço, por crédito na conta de ativo “1105010002 – Importações compra e venda por encomenda” (fl. 115); e que as empresas West Glass e VLA Coml. Vidros (Starglass) foram objeto de destinação de valores que totalizaram, nos anos de 2009 a 2011, R$ 2.329.645,77 e R$ 1.621.949,69, respectivamente (fls. 117 e ss.); Em decorrência dessas constatações, autuouse a empresa e responsabilizaramse solidariamente as empresas Sertrading BR Ltda, Serglobal Importação e Distribuição Ltda, West Glass Ltda e VLA Comercial de Vidros Ltda, com base no art. 95, I, do DL 37/662. A empresa Sertrading SA (contribuinte no presente processo) apresenta Recurso Voluntário, onde alega: que não se comprovou a falta de recursos para as operações, e desse modo, não se está diante do modo presuntivo de caracterização de interposição fraudulenta de pessoas, mas a acusação baseiase em supostas provas da ocultação; os elementos trazidos pelo Fisco não provam, nem mesmo são indiciários da prática efetiva de interposição fraudulenta; a peça fiscal revelaria “desconhecimento de institutos jurídicos inerentes à atividade empresarial” e “impertinente isolamento das regras de direito tributário e aduaneiro das demais normas do ordenamento jurídico brasileiro.” que o grupo empresarial, de fato ou de direito, é o cenário em que a impugnante se encontra; Sertrading, Serglobal e Sermáquinas compõem o grupo Sertrading que congrega empresas independentes, com personalidade jurídica e patrimônio próprios; que o grupo realiza operações por conta própria e de terceiros, importação, exportação e comercialização interna de quaisquer produtos; A Sertrading BR atua como back office, cujos funcionários podem prestar serviços para outra empresa do grupo, cf. súmula 129 do TST; que a Sertrading (contribuinte do presente processo) foi criada para explorar o mercado de vidros, obteve recursos com financiamentos comprovados, e utilizou a Sertrading BR como back office; que contratou profissionais externos conhecedores do produto para assessoria no ramo (anexo 4); terceirizou armazenagem e estoque (anexo 5); traz documento (anexo 8) que conteria todos os dados de movimentação da mercadoria importada; que todas as operações foram custeadas às suas expensas; 2 Art. 95. Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Fl. 19078DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Acórdão n.º 3201003.604 S3C2T1 Fl. 19.058 5 que os prestadores de serviços contratados pela impugnante para fomentar a venda de vidros, VLA Comercial de Vidros Ltda (representada por Vera Lúcia de Abreu) e West Invest Comércio Exterior (representada por Marcos Brant) nem de perto receberam os valores apontados pela fiscalização; que os sites da empresa não são determinadores de sua atividade, mas sim o contrato/estatuto social; que a conta de importação por encomenda é um mero erro de nomenclatura; que as operações da empresa comprovam sua capacidade financeira para suportar o movimento de importações; resume assim os vínculos : “a) com as empresas Sertrading BR e Serglobal Ltda, a relação é de pertinência ao mesmo grupo econômico; b) com os funcionários Marina Constursi e Daniela Otterloo, a relação é a de trabalho remunerado via rateio de despesas por se tratar de mãodeobra disponibilizada via back office comum; c) com as empresas VLA Comercial de Vidros e West Invest, a relação é igualmente de prestador e tomador de serviços, respectivamente; remunerada via pagamento de serviços, comprovados pelas notas fiscais juntadas à presente.” sucessivamente, em caso de não aceitação de sua tese, pede que se aplique a penalidade prevista no artigo 33 da lei 11.488/2007; Apresenta diversos documentos para amparo de sua defesa, tais como, dentre outros: contratos bancários de financiamento (anexo 3); relatório de notas fiscais das assessorias do ramo de vidros (anexo 4); notas fiscais de armazenagem (anexo 5); lista de fornecedores no exterior (anexo 6); lista de clientes (anexo 7); apuração de resultado na operação de vidros (anexo 14); contratos de câmbio (anexo 16); A responsável solidária Sertrading BR Ltda, apresentou Impugnação, onde aduz as mesmas argumentações da Impugnação da Sertrading SA, no que tange à utlização de funcionários de empresa back office; A responsável solidária Serglobal Importação e Distribuição Ltda apresentou impugnação, onde aduz os mesmos argumentos da Sertrading SA. Alega: Fl. 19079DF CARF MF 6 que não se vislumbra referência direta alguma à participação ou beneficiamento da impugnante para com quaisquer dos aspectos fáticos que a autoridade fiscal selecionou para caracterizar a infração à Sertrading SA, e que a autoridade fiscal lhe atribuiu responsabilidade pelo simples fato de pertencer ao grupo Sertrading; que o contrato de sublocação utilizado como prova da participação da impgunante foi apontado pelo próprio Fisco como irrelevante para o fito que perseguia; repete as argumentações relacionadas à operação do grupo econômico, já sustentadas na Impugnação da Sertrading SA; A responsável solidária West Glass Ltda apresentou Recurso Voluntário, onde sustenta: que a sociedade tem por objetivo “ a importação e distribuição de vidros planos e espelhos, agenciamento, intermediação de negócios, representação comercial e prestação de serviços na área de comércio exterior”, e que manteve acordo de assessoramento comercial com a empresa Sertrading, com o objetivo exclusivo de apoiar o desenvolvimento dos negócios da Sertrading naquele setor; junta as notas fiscais emitidas contra a Sertrading; que o valor das notas fiscais é muito menor que o apontado como remuneração pelo Fisco; que jamais importou, comprou ou assumiu risco dos vidros importados pela Sertrading; que seu nome aparece nas mensagens, por conta do comissionamento que possuía interesse em receber; que todos os documentos de importação foram emitidos por Sertranding; que não houve máfé em nenhum momento por parte da impugnante; que o lançamento não é claro, preciso e induvidoso quanto à descrição dos fatos e a capitulação legal da infração cometida por todas as pessoas arroladas, não constando a individualização do cometimento de cada um; e que apenas presumiu que a impugnante teria participado fraudulentamente do processo de importação por apresentar possíveis compradores e receber uma comissão emitindo legalmente nf de serviços; que a Sertrading importava e vendia a mesma mercadoria para mais de 100 empresas; que não teria havido qualquer dano ao Erário, elemento indispensável conforme jurisprudência que colaciona; suscita sua ilegitimidade passiva para constar como responsável solidária, porque não é nem adquirente, nem por conta própria nem por encomenda, e nem é o importador, tendo em vista que recebeu apenas comissão referente a assessoramento comercial; que a responsabilidade não pode passar da pessoa do infrator; invoca ausência de tipicidade legal da responsabilidade que lhe foi imposta; suscita violação dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, em vista do desnível entre o valor de seu comissionamento e a multa do presente processo A responsável solidária VLA Comercial de Vidros Ltda apresentou Impugnação, onde sustenta: que tem como objeto social “comércio, transporte rodoviário, manutenção e instalação de vidro, bem como agenciamento e intermediação do mesmo”; que atua no varejo de vidros desde 10.05.2006; que a sócio Vera Lúcia de Abreu atuou por mais de 20 anos no ramo, tendo sido gerente nacional de vendas em empresa de reconhecida atuação no referido mercado e por isto teria farta carteira de clientes; e nesse contexto prestou serviços à Sertrading Fl. 19080DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Acórdão n.º 3201003.604 S3C2T1 Fl. 19.059 7 SA, que iniciara a operação de importação de vidros; que recebeu somente comissão por estes serviços; que não é importadora, nem por conta própria, nem por encomenda, e nem adquirente das mercadorias em foco; somente indicou clientes para a Sertrading, recebendo comissão por isto; que o lançamento não é claro, preciso e induvidoso quanto à descrição dos fatos e a capitulação legal da infração cometida por todas as pessoas arroladas, não constando a individualização do cometimento de cada um; que as mensagens em que a Sra. Vera Lúcia aparece explicamse: fls. 48, 01.04.2015, cuidavase tão somente de programação de retirada de mercadoria; fls. 69/71, 01.04.2011 – relatório do volume vendido, para que a impugnante tivesse controle da comissão a que tinha direito; reputa válida a operação da Sertrading, e que os documentos de importação não foram fraudados, e assevera que a Sertrading realizou importações por conta própria; que o dano ao Erário deveria ser caracterizado, conforme jurisprudência que colaciona; pede que o auto seja declarado improcedente ou, sucessivamente, que seja excluída do polo passivo da autuação. A DRJ/São Paulo I/SP – 11ª Turma decidiu pela improcedência das Impugnações, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 30/10/2008 a 07/04/2011 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. HIPÓTESES. A conversão da Pena de Perdimento em multa poderá ser levada a efeito sempre que as mercadorias sujeitas àquela penalidade tiverem sido dadas a consumo, por meio da sua comercialização. Impugnação Improcedente Fl. 19081DF CARF MF 8 Crédito Tributário Mantido A Sertrading SA apresentou Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos da Impugnação. A Serglobal Importação e Distribuição Ltda apresentou Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos da Impugnação. A Sertrading BR apresentou Recurso Voluntário onde reitera os argumentos da Impugnação. A West Glass apresentou Recurso Voluntário reiterando as alegações de defesa. A VLA Comercial de Vidros apresentou Recurso Voluntário onde também reiterou as sustentações da Impugnação. Em 14/10/2014 o processo veio a julgamento no Carf, convertendose em diligência, por meio da Resolução 3202000.284, para que a Sertrading fosse intimada a: a) Informar a origem dos recursos financeiros utilizadas para os pagamentos efetuados em relação a todas as operações de importação objeto do presente litígio (recursos próprios, recursos de terceiros, empréstimos bancários, etc...), bem como apresentar os respectivos documentos que comprovem as informações prestadas (extratos bancários, contratos de mútuos, contratos bancários, etc...); b) Comprovar a efetiva disponibilidade dos recursos financeiros na data do pagamento (dos tributos ao Fisco e das mercadorias aos fornecedores) em relação à todas operações de importação objeto do presente litígio, por meio da apresentação dos respectivos registros contábeis dos lançamentos efetuados em sua escrituração contábilfiscal, bem como dos respectivos registros da movimentação bancária (extratos bancários); c) Comprovar a efetiva transferência dos recursos financeiros para o pagamento das mercadorias aos fornecedores em relação à todas operações de importação objeto do presente litígio, por meio da apresentação dos respectivos contratos de câmbio devidamente liquidados. (ii) Quanto à alegação da existência do “Grupo econômico SERTRADING”, a SERTRADING S/A deverá ser intimada para apresentar documentação probante a fim de comprovar a regularidade formal/legal na constituição do citado “Grupo”. A empresa foi intimada e apresentou extratos bancários, contratos de câmbio e laudo. Às fls. 8.865/8.875 consta Informação Fiscal, onde se conclui que grande parte das importações foi efetuada com recursos de outras três empresas do grupo, conforme quadro à fl. 8.867: O Fisco ressalta ainda que não houve apresentação de contratos de mútuos, nem de formalização de grupo econômico. Às fls. 9.087 e seguintes manifestase a recorrente Sertrading SA, sustentando: Fl. 19082DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Acórdão n.º 3201003.604 S3C2T1 Fl. 19.060 9 que apresentou laudo de auditoria confirmando a capacidade financeira e a existência do grupo econômico; que o parecer do Fisco quanto às origens dos recursos estaria equivocado, e aponta quadro que reputa correto (fl. 9.091/9.092); Junta documentação relativa a mútuos entre as empresas do grupo. Em 21/02/2017 o processo veio novamente a julgamento no Carf, e novamente foi convertido em diligência, por meio da Resolução 3201000.836. A relatora de então teceu diversas considerações sobre o caso. Comenta que o fundamento da autuação não fora a falta de demonstração das origens dos recursos utilizados nas operações, mas sim a ocultação fraudulenta de reais adquirentes, isto é, sem utilização da presunção legal . Também considerou que a existência do grupo econômico não foi posta em dúvida. Conclui assim, direcionando a diligência: Em face de todo o exposto, entendo ser fundamental para o deslinde do presente caso, que novamente haja a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora analise todos os documentos juntados pela recorrente SERTRADING S/A por ocasião da impugnação, bem como outros que reputar necessários, para elaboração de demonstrativo que vincule as mercadorias de cada uma das declarações de importação abrangidas na autuação e contratos de câmbio, com os documentos contábeis da empresa (livro de entrada, estoque e saída), notas fiscais de saída do armazém e retorno simbólico, nota fiscal de vendas aos clientes referidos nos mesmos documentos, margem de lucro das operações ou perda, contratos de câmbio. Ademais, em relação às empresas VLA e WEST GLASS, que sejam apreciados os documentos juntados, tais como as notas fiscais de prestação de serviços, e outros documentos contábeis correlatos, para que seja apurado a sua legitimidade ou, para que sejam desconsiderados, se for o caso. A diligência resultou na Informação Fiscal de fls. 9.394/9.402, onde se tabularam os custos/despesas vinculados às empresas VLA e West Glass, contabilizados na Sertrading SA. O Fisco não apresentou considerações quanto à legitimidade dos documentos juntados aos autos pelas empresas referidas. Não houve manifestação das recorrentes quanto à diligência fiscal. A Sertrading junta ao processo arquivos com documentações, aparentemente completas, sobre as operações: notas fiscais de entrada, remessa e retorno de armazenagem, notas fiscais de vendas, devoluções e perdas de estoque, despesas incorridas, demonstrativos dos contratos de câmbio e pagamentos de impostos, ajustes finais de estoque. É o relatório. Voto Fl. 19083DF CARF MF 10 Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. Todos os recursos foram tempestivos, e atendem, em princípio, os requisitos de admissibilidade, e deles conheço. Interposição fraudulenta de pessoas A ocultação fraudulenta de intervenientes em operação de comércio exterior é considerada “dano ao erário” e punida com o perdimento das mercadorias, cf. DL 1.455/76, art. 23, V, e §1º, ou com multa equivalente ao valor aduaneiro, cf. §3º3: A ocultação fraudulenta pode ser provada diretamente, pela coleta de provas ou indícios convergentes da fraude ou simulação, ou por presunção legal, pela demonstração da “nãocomprovação da origem disponibilidade e transferência dos recursos empregados” na operação, cf §2º4: Desse modo, e por imposição legal, a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação enseja o perdimento ou multa substitutiva. Com efeito, em vista da infinidade de fraudes e interesses nas fraudes em comércio exterior5, e ainda, a impossibilidade de regulação de intervenientes estrangeiros, é que a legislação impõe transparência plena nas operações. Devemos, em seguida, caracterizar a nãocomprovação, e eventuais fraudes ou simulações, para todos os tipos de intervenientes no comércio exterior. São três tipos de operadores no comércio exterior, na importação: Importador direto, importador por conta e ordem e encomendante predeterminado. Todos esses tipos de operadores devem ser habilitados e identificados na operação, sob pena de 3 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). (…) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. 4 § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. 5 , tais como lavagem de dinheiro, operações fíctícias para auferimento de benefícios à exportação, ocultação de intervenientes para ludibrirar controles e cotas, ocultação de interveniente para evasão tributária, blindagem patrimonial do real interveniente, e muitos outros Fl. 19084DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Acórdão n.º 3201003.604 S3C2T1 Fl. 19.061 11 presunção legal, cf. o art. 11 da Lei 11.281/20066, e inclusive respondem solidariamente pelos tributos (art 32, III do DL 37/66), equiparamse a estabelecimento industrial para fins de IPI (Lei 11.281/2006, art. 14), dentre outras exigências. Por outro lado, o encomendante nãopredeterminado, isto é, o cliente de mercado interno, não se configura como operador de comércio exterior na importação, ainda que possa, eventualmente, comprar a mercadoria como encomenda. Tratase, nessa situação, de pessoa física ou jurídica que encomenda mercadoria no mercado interno, sendo atendido por empresa que atue no mercado interno como varejista/atacadista. O atendimento da encomenda pode se dar por mercadoria em estoque, aquisição no mercado interno ou aquisição no mercado externo. Ainda, o cliente de mercado interno não se responsabiliza por eventuais problemas na importação, e muitas vezes sequer sabe se a mercadoria é importada, sendo de total responsabilidade do encomendado o fornecimento das mercadorias, seja em estoque, seja por aquisição no mercado interno, seja por importação. Em suma, diferenciase o encomendante de mercadoria do encomendante de importação, que irá remunerar os serviços de importação, e não comprar, em ambiente de mercado, a mercadoria encomendada. E é somente este último encomendante que se subsume ao conceito legal de “encomendante predeterminado”. Nesta situação, há uma operação comercial interna normal, sem que o encomendante se caracterize como operador de comércio exterior, posto que aí não se revelam os contextos das finalidades da legislação aduaneira, observando o art. 5º da Lei de Introdução ao Direto Brasileiro: 6 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Fl. 19085DF CARF MF 12 Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. (ressaltei) Isto porque a finalidade da legislação aduaneira, nesse aspecto, é obter equanimidade tributária entre a indústria nacional e o atacadista de mercadorias estrangeiras. Observo ainda que a utilização de recursos de terceiros enseja a presunção da importação por conta e ordem do financiador, cf. art. 27 da Lei 10.637/20027. Porém os meros adiantamento de recursos em operação de mercado interno não configuram “ a importação com recursos de terceiros”, tendo em vista as finalidades da Lei, posto que aí, há adiantamento para compra de mercadoria em ambiente de mercado interno, e não adiantamento de recurso para importação de mercadoria externa, em que a importadora ostensiva estivesse atuando como mera prestadora de serviços de importação, isto é, remunerada por comissão. Segue quadro resumo: Importador Direto Importador por Conta e Ordem Encomendante predeterminado interveniente de comércio exterior Cliente de mercado interno Conceito simplificado Contribuinte que consta como importador ostensivo na DI Contribuinte que solicita importação e fornece os recursos financeiros. Contribuinte que solicita importação sem adiantar os recursos financeiros. Contribuinte/cliente de empresa atacadista/varejista, que solicita mercadoria via de regra como usuário final, sem vincular a importação. Responsabilidade tributária art. 31 DL 37/66 sujeito passivo art 32, III,"c" DL 37/66 solidário art 32, III,"d" DL 37/66 solidário Não Responsabilidade por infrações DL 37/66, art. 95, IV DL 37/66, art. 95, V DL 37/66, art. 95, VI Não Equiparação a Industrial Lei 4.502/64, art. 4º, I Lei 11.281/2006, art. 13 Lei 11.281/2006, art. 13 Não Necessidade de habilitação no comércio exterior Sim IN SRF 650/06, art. 1º, IN SRF 1.288/12, art. 1º Sim IN SRF 650/06, art. 26, caput, IN SRF 1.288/12, art. 24, caput, combinados com Lei 11.281/2006, art. 11, §1º Sim IN SRF 650/06, art. 26, §único, IN SRF 1.288/12, art. 24, § único, combinados com Lei 11.281/2006, art. 11, §1º Não Submetese a regras de preços de transferência Sim, Lei 9.430/96, Seção V Sim Lei 11.281/2006, art. 14 Sim Lei 11.281/2006, art. 14 Não O importador ostensivo consta na DI. O importador por conta e ordem e o encomendante predeterminado devem habilitarse perante as autoridades aduaneiras e também devem constar na DI, dentre outras formalidades previstas (IN´s RFB 237/2002 e 634/2006), senão estará se ocultando. 7 Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Fl. 19086DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Acórdão n.º 3201003.604 S3C2T1 Fl. 19.062 13 Amiúde os importadores por conta e ordem e os encomendantes predeterminados buscam se apresentar como meros clientes, de mercado interno, do importador, porém, alguns indícios apontam sua verdadeira natureza: a remuneração do importador é por comissão fixa ou proporcional, ao revés de lucro em ambiente de mercado; há estreita correlação entre pagamento, importação e tradição das mercadorias; o importador ostensivo não atua no mercado interno, como atacadista ou varejista das mercadorias em foco; o importador por conta e ordem ou encomendante predeterminado conhece a mercadoria como importada e conhece os trâmites de importação, e às vezes atua na negociação com os fornecedores estrangeiros; O conjunto factual desses contextos permite distinguir a natureza do comprador da mercadoria, como importador por conta e ordem, encomendante predeterminado ou cliente de mercado interno. Em resumo, o que se busca é caracterizar, a partir todos os elementos fáticos possível, se se está diante de uma prestadora de serviços de importação ou de uma atacadista de mercadorias no mercado interno. Análise do caso presente Analisaremos as provas utilizadas pelo Fisco na acusação. 1 – Atuação de VLA Comercial de Vidros e West Glass O Fisco coletou diversas mensagens eletrônicas que indicam as pessoas de Vera Lúcia Abreu, da VLA Comercial de Vidros, e Marcos Tobler Brant de Carvalho, da West Glass, como os reais operadores das importações, os quais indicariam preços a serem praticados, datas de entrega das mercadorias e outras questões logísticas. Em vista disso, considerou tais empresas como reais adquirentes das mercadorias. Todavia, a partir somente de tais provas, não é possível concluir, sem sombra de dúvida, que tais empresas foram as reais adquirentes das mercadorias, restando frágil a dedução lógica. Com efeito, as pessoas referidas participaram ativamente das operações, e não tinham vínculos formais com a Sertrading como funcionários ou sócios. Porém, conforme restou demonstrado pelas provas apresentadas nas Impugnações e nos Recursos Voluntários, tais empresas atuaram como comissionários, prestadores de serviços de intermediação e captação de clientes para a recorrente Sertrading SA. Foram juntados notas fiscais emitidas pelas empresas, registros contábeis, etc, todos na mesma direção das alegações. Fl. 19087DF CARF MF 14 Pelo contrário, ficou ainda comprovado que as mercadorias não tiveram como destinação as empresas referidas, mas outras empresas consideradas como clientes. Confirase às fls. 9.460/10.732 as notas fiscais de venda, e no anexo 7 da Impugnação (fls. 5.477/5.479) a relação de clientes. Ora, a investigação fiscal não se aprofundou no sentido de circularizar as empresas clientes das mercadorias para esclarecer a relação destas com a Sertrading SA. Entendo que tal aprofundamento seria imperioso para fundamentar a caracterização de que tais empresas clientes tivessem sido as reais adquirentes das mercadorias importadas, como encomendantes ou importadoras por conta e ordem. Não há, nos autos, qualquer análise ou prova nesse sentido. Resta, pois verossímil a sustentação da defesa, o que aliás, não foi objeto de apreciação por parte do Fisco por ocasião da diligência solicitada pela Resolução 3201 000.836, que claramente procurava esclarecimentos desses aspectos. Portanto, entendo que a parte da investigação fiscal que toca à participação das empresas VLA Comercial de Vidros e West Glass, não deve subsistir. Voto pela exclusão dessas empresas do polo passivo do lançamento. 2 – Atividades do grupo Sertrading Além dos elementos do item anterior, o Fisco utilizou também, para a configurar a interposição fraudulenta de pessoas nas importações, a análise das informações contidas nos sítios do grupo Sertrading na internet. Repito aqui algumas das análises: Fl. 76: No mesmo site www.sertrading.com constam ainda dados que, de forma inexorável, levam ao entendimento de que tal ente – o grupo informal constituido pelas diversas empresas – tem por finalidade A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COMÉRCIO EXTERIOR, dentre eles, inclusive, o financiamento das operações. Além do que o próprio nome da entidade sugere18, o emprego da expressão Business Process Outsourcing (terceirização de processos de negócios) e a estrutura de informação disponível ao ali chamado cliente não deixam dúvida sobre tal característica (vide tela C.41 abaixo). A Sertrading SA não nega que o grupo Sertrading presta serviços de importação por encomenda ou por conta e ordem. Aduz, no entanto, que a empresa do grupo que faria esse tipo de serviço seria a Sertrading BR. No entanto, afirma, a operação de vidros, objeto da Sertrading SA, não era por encomenda ou por conta e ordem, era por conta própria. Com efeito, as referências do Fisco às informações do grupo na internet fornecem elementos convincentes de que o grupo prestava serviços de importação por encomenda ou por conta e ordem. Mas não há prova negativa, isto é, de que o grupo também não atuasse como trading de fato, isto é, como atacadista no mercado interno. A área de “Produtos” do sítio, conforme folha 80, mostra a atuação do grupo também como “distribuição e assistência técnica de produtos”, o que é atividade comercial atacadista interna. Consta, na mesma folha, a informação de que o grupo é representante de Fl. 19088DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Acórdão n.º 3201003.604 S3C2T1 Fl. 19.063 15 diversas marcas de equipamentos, atividade também caracterizada como atacadista no mercado interno, no conceito dado na introdução teórica. Portanto, a visada fiscal, nessa direção, tem algum suporte, porém não consubstancia, por si só, como elemento probante suficiente. Decerto que a investigação fiscal teria que procurar os clientes das mercadorias identificadas no presente processo e para as mercadorias em foco, vidros, e esclarecer as relações destes clientes com a autuada. Como visto no item anterior, as empresas VLA Comercial e West Glass não se revelaram como esses clientes finais, conforme o Fisco entendeu. Na ausência do avanço da investigação das verdadeiras clientes das mercadorias, a acusação fiscal falha na força probante dos documentos arrolados. 3 – Operacionalização das atividades do grupo Sertrading Nos itens anteriores analisamos as acusações fiscais quanto à existência de importadores por conta e ordem ou encomendantes de mercadorias estrangeiras, fora do grupo Sertrading. Além daquela linha, o Fisco também apontou irregularidades na atuação da autuada quanto à sua capacidade operacional e origem dos recursos financeiros utilizados, apontando outras empresas do grupo como ocultadas nas operações. Confirase trecho do Termo de Verificação Fiscal, fl. 103: Da análise dos elementos obtidos em Diligência e dos comprovantes do contato comercial apresentados em atendimento ao TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO, concluiuse pela responsabilidade e participação efetiva das seguintes entidades: 1) SERTRADING (BR) LTDA., CNPJ 04.626.426 e SERGLOBAL IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA., CNPJ 08.744.945, no que se refere ao acompanhamento, apoio e gerência das questões essencialmente administrativas, aí incluidas a logística interna e a de controle financeiro das operações; é de se destacar que, para o caso das DI nº 09/02336783 e nº 08/17186586, além da utilização da capacidade operacional, foram utilizados recursos financeiros da SERTRADING (BR) LTDA. no pagamento dos fornecedores estrangeiros, situação que, conforme legislação citada na Tabela C.8 acima, presume se tratar de operações por sua conta e ordem; O Fisco também aponta a estrutura enxuta da Sertrading SA, com apenas um funcionário administrativo e um escritório alugado, que não seria sufiicente para tocar a operação sozinha. A recorrente reconhece a estrutura enxuta, porém alega a utilização de outras empresas do grupo como back office, e apresenta contratos de aluguéis de armazéns. Quanto aos recursos financeiros, toda a argumentação da Sertrading SA, no Recurso Voluntário e nas manifestações à Informação Fiscal, conduzemse no sentido de que os recursos oriundos de empresas do próprio grupo seriam lícitos e não caracaterizariam a interposição fraudulenta. Reconhece que grande parte (fls. 9.091 e 9.092) dos recursos Fl. 19089DF CARF MF 16 financeiros utilizados nas operações da Sertrading SA são de empresas do grupo econômico, e não da própria. Porém, ao contrário do que sustenta a recorrente, tal fato impõe a consideração das empresas Sertrading BR e Sertrading Global como importadoras, por conta e ordem, nos termos do art. 27 da Lei 10.637/20028. O fato de que sejam mútuos não altera o fundamento legal para considerar as empresas do grupo como origens dos recursos, e como tais, como importadoras por conta e ordem. O princípio da entidade impede a confusão de responsabilidades e patrimônios das empresas. Diz a Resolução CFC 750/93: Art. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. A existência de grupo econômico, formal ou informal, não desnatura o princípio da entidade e não altera as responsabilidades aduaneiras, porque a personalidade e o patrimônio são distintos para cada entidade, conforme artigo 266 da Lei 6.404/769. Desse modo, as outras empresas, Sertrading Br e SerGlobal, apontadas como responsáveis solidárias pelo Fisco, que originaram recursos para a Sertrading SA, conforme quadro da própria empresa às fls. 9.091, ocultaramse na operação, quando deveriam assumir as responsabilidades tributárias e por infrações decorrentes. O dano ao Erário, em tais circunstâncias, podem ser diversos, como exposto na introdução teórica. Por exemplo, a falta de equiparação da operação atacadista do grupo como estabelecimentos industriais. Nesse caso, os valores agregados das atividades da Sertrading BR ou SerGlobal (indicadas pela recorrente como distribuidoras) deveriam sofrer a tributação do IPI, mas, ocultandose das operações de importação, podem terse elidido desse dever. Outros danos são possíveis, como blindagem patrimonial, auferimento de benefícios fiscais em função da localização, vulneração às restrições quanto a habilitação ao comércio exterior, em vista de autuações anteriores, etc. 8 Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. 9 Art. 266. As relações entre as sociedades, a estrutura administrativa do grupo e a coordenação ou subordinação dos administradores das sociedades filiadas serão estabelecidas na convenção do grupo, mas cada sociedade conservará personalidade e patrimônios distintos. Fl. 19090DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Acórdão n.º 3201003.604 S3C2T1 Fl. 19.064 17 De qualquer modo, não se indaga qual o dano ao Erário foi cometido, pois a ocultação de intervenientes nas operações de comércio exterior, por si só, caracteriza suficientemente o dano ao Erário, prescindindo o Fisco de demonstrar qual o dano fora cometido, nos termos do art. 23, V do Decretolei 1.455/7610, e conforme as finalidades da legislação aduaneira, vistos no preâmbulo desta peça. O art. 94 do Dl 37/66 estabelece que: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Deveras, no presente caso, tal ocultação não pode ser atribuída a equívoco ou desconhecimento da legislação, para uma empresa de tal porte, de modo que formo convicção quanto à ocultação fraudulenta. Assim, nego provimento quanto ao mérito. Desse modo, as operações financiadas com recursos de outras empresas revelam ocultação do importador por conta e ordem. A planilha de fls. 8.876/8.880, preparada pelo Fisco em resposta à Resolução 3202000.284, aponta que das 160 operações em foco, 136 foram feitas com recursos de terceiros, total ou parcialmente. A planilha foi feita com base nos extratos bancários, com muitos detalhes. A recorrente manifestase contra esse levantamento, sustentando que recursos oriundos do próprio grupo seriam recursos próprios. Todavia, como visto, tal tese não pode prevalecer. A recorrente diz ainda que o total de operações com recursos das empresas do grupo seria diferente do apontado pelo Fisco, mas nesse particular, não apresenta demonstração específica. O laudo, apresentado conjuntamente, não trata especificamente desta alegação, mas segue no sentido de considerar, tal como a recorrente, os recursos de empresas do grupo como recursos próprios. Os mapas de mútuos trazidos pela empresa, fls. 9.265/9.274, confirmam essa conclusão. 10 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 19091DF CARF MF 18 De todo o exposto, concluo que as operações financiadas, total ou parcialmente, com recursos de terceiros, conforme planilha levantada pelo Fisco, foram ocultadas, subsistindo o lançamento. Quanto às operações feitas com recursos próprios, em vista da insuficiência probatória quanto à caracterização de reais adquirentes fora do grupo Sertrading e quanto à capacidade logística, dou parcial provimento para afastar o lançamento. Bis in Idem – Multa do artigo 33 da Lei 11.488/2007 As recorrentes aventam a tese de que o artigo 33 da Lei 11.488/2007 teria derrogado a penalidade de perdimento, por interposição fraudulenta de terceiros. Não lhe assiste razão. As multas comparadas têm objetos diferentes. A de 10% do valor aduaneiro tem como objeto punir a ação de intermediação fraudulenta, enquanto o perdimento pune os responsáveis financeiros da operação. Nada obsta que a legislação aduaneira atribua ao importador ostensivo, ainda que intermediário, o caráter de contribuinte, cf. art. 104 do Regulamento Aduaneiro11, enquanto o real adquirente seja titulado como responsável solidário. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento aos Recursos Voluntários de VLA Comercial de Vidros Ltda e West Glass Ltda, para afastálas do polo passivo da autuação. Para os demais Recursos Voluntários, dou parcial provimento para afastar do lançamento as operações feitas com recursos próprios, e manter o lançamento quanto às operações com recursos de terceiros, conforme exposto. Marcelo Giovani Vieira Relator 11 Art. 104. É contribuinte do imposto (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 1º): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; Fl. 19092DF CARF MF
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Numero do processo: 13984.901376/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA.
Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal.
Numero da decisão: 1201-002.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 13 76 /2 00 9- 03 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13984.901376/200903 Acórdão n.º 1201002.069 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP, pleiteando a compensação de créditos de tributos recolhidos no SIMPLES com determinados débitos de sua responsabilidade. O Despacho Decisório não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de insuficiência de saldo credor. A contribuinte, então, apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando que houve retificação da DSPJ em face de ter adotados alíquotas superiores a devida em 50%. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, uma vez que entendeu que o referido crédito não teria sido comprovado. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, instruído com documentação que, no seu entender, definitivamente comprovaria o direito creditório. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, pois, segundo o I. Relator, os esclarecimentos e documentos juntados pelo contribuinte deveriam ser confrontados com os sistemas da fiscalização. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal se manifestou por meio de Relatório Fiscal específico, do qual a contribuinte não foi chamada a se manifestar. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201 002.057, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.901377/200940, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento a maior de SIMPLES no AC 2005. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.057): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13984.901376/200903 Acórdão n.º 1201002.069 S1C2T1 Fl. 4 3 A presente discussão diz respeito à legitimidade ou não de créditos de tributos supostamente recolhidos a maior no âmbito do SIMPLES no AC de [...]. Por ocasião da diligência que foi determinada pelo CARF, o relatório fiscal atesta a legitimidade do direito creditório, merecendo destaque a seguinte passagem: Consultando o histórico do CNPJ quanto ao porte, constatase que a empresa estava enquadrada como microempresa nos anos 2004 e 2005, tendo alterado o enquadramento para empresa de pequeno porte a partir do ano 2006: [...] O CNAE que consta nas Declarações Simplificadas apresentadas é 64114/02 Atividades do Correio Nacional executadas por franchising. Consultando as declarações relativas aos anos de 2003 a 2005, verificase a evolução do faturamento da seguinte forma: EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO ano receita auferida 2003 42.484,37 2004 112.927,51 2005 132.270,87 Portanto, possível o enquadramento como microempresa nos anos 2004 e 2005. LEGISLAÇÃO As franqueadas dos Correios passaram a poder optar pelo Simples com a publicação da Lei 10.684/2003, que alterou a Lei 10.034/2000. A Lei 10.684/2003 determinava ainda que essas empresas estariam sujeitas aos percentuais majorados em 50%. A IN SRF 355/2003 dispunha, à época, sobre o Simples nos seguintes termos: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas, de agências terceirizadas de correios e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13984.901376/200903 Acórdão n.º 1201002.069 S1C2T1 Fl. 5 4 § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês.(...)" (grifouse) Com o advento da Lei 10.833/2003, que também alterou a Lei 10.034/2000, as franqueadas dos Correios deixaram de estar sujeitas aos percentuais majorados em 50% e a instrução normativa acima passou a vigorar com o seguinte teor: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF n° 391, de 30 de janeiro de 2004) I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês. (...) § 6° O disposto no caput também se aplica às agências terceirizadas de correios no período de 31 de maio a 30 de novembro de 2003." Portanto, as franqueadas dos Correios estiveram sujeitas a percentuais diferenciados, majorados em 50%, no período de 31/05 a 30/11/2013 e, para os períodos posteriores, sujeitaram se às alíquotas normais. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS NO CASO CONCRETO Estes processos tratam de Simples dos anos 2004 e 2005, portanto, os valores devem ser apurados com alíquotas normais, aplicáveis às microempresas, previstas no art. 7° da instrução normativa: "Das Microempresas Optantes pelo Simples Percentuais aplicáveis Art. 7° O valor devido mensalmente pelas microempresas, inscritas no Simples nessa condição, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 3% (três por cento); Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13984.901376/200903 Acórdão n.º 1201002.069 S1C2T1 Fl. 6 5 II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 4% (quatro por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 5% (cinco por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês." O contribuinte foi intimado a apresentar os Livros Contábeis e as notas fiscais relativas aos anos 2004 e 2005. Com base na documentação apresentada, foram confeccionadas as planilhas abaixo, que contêm a receita, a receita acumulada e a alíquota de Simples aplicável a cada período de apuração. ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2004 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/04 7.316,75 7.316,75 3% 02/04 7.595,37 14.912,12 3% 03/04 9.473,60 24.385,72 3% 04/04 8.594,39 32.980,11 3% 05/04 8.407,44 41.387,55 3% 06/04 9.510,98 50.898,53 3% 07/04 9.075,25 59.973,78 3% 08/04 9.195,16 69.168,94 4% 09/04 8.809,84 77.978,78 4% 10/04 9.485,46 87.464,24 4% 11/04 11.169,36 98.633,60 5% 12/04 13.293,91 111.927,51 5% ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2005 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/05 10.119,01 10.119,01 3% 02/05 10.524,11 20.643,12 3% 03/05 12.160,20 32.803,32 3% 04/05 12.089,40 44.892,72 3% 05/05 10.857,54 55.750,26 3% 06/05 10.745,30 66.495,56 4% 07/05 10.087,06 76.582,62 4% 08/05 11.123,58 87.706,20 4% 09/05 10.096,33 97.802,53 5% 10/05 10.633,29 108.435,82 5% 11/05 10.996,57 119.432,39 5% 12/05* 12.838,48 132.270,87 567,61 5% 12.270,87 5,4% Analisando os pagamentos, observase que foram feitos considerando percentuais diferenciados (alíquotas majoradas em 50%). Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13984.901376/200903 Acórdão n.º 1201002.069 S1C2T1 Fl. 7 6 Como se percebe, restou demonstrado pela diligência que o contribuinte utilizou alíquota superior a devida (em 50%), razão pela qual o crédito ora pleiteado é líquido e certo. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003144/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS.
No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas.
A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação.
A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível e a nomeação e indicação de perito não se revestir das formalidades legalmente previstas.
As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas.
É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional.
Não há que se falar de ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FRACIONAMENTO DAS ATIVIDADES. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERPOSTAS. ABUSO DE FORMA. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E PATRIMONIAL. ADMINISTRAÇÃO ÚNICA E ATÍPICA. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.
Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias.
O abuso de forma viola o direito e a fiscalização deve rejeitar o suposto planejamento tributário que nela se funda, cabendo a requalificação dos atos e fatos ocorridos, com base em sua substância, para a aplicação do dispositivo legal pertinente. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados.
A simulação pode configurar-se quando as circunstâncias e evidências indicam a coexistência de empresas com regimes tributários favorecidos, perseguindo a mesma atividade econômica, com sócios ou administradores em comum e a utilização dos mesmos empregados, mesmos meios de produção mesmas instalações físicas, implicando confusão patrimonial e gestão empresarial atípica.
O fracionamento das atividades empresariais, mediante a utilização de mão de obra existente em empresas interpostas, sendo estas desprovidas de autonomia operacional, administrativa e financeira, para usufruir artificial e indevidamente dos benefícios do regime de tributação do Simples Nacional, viola a legislação tributária, cabendo então a partir de inúmeras e sólidas evidências a desconsideração daquela prestação de serviços formalmente constituída.
Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT/GIILRAT). EXIGÊNCIA. DECRETO REGULAMENTADOR. CONSTITUCIONALIDADE. STF. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
É constitucional a contribuição ao SAT, vez que a lei dispôs sobre todos os aspectos da norma tributária impositiva e que não viola a legalidade tributária deixar ao Poder Executivo a complementação dos conceitos, devendo este, quando da regulamentação, atentar para o conteúdo da lei, sob pena de ilegalidade a ser objeto de controle específico.
Os sucessivos decretos presidenciais detêm plena legitimidade constitucional, no ponto em que - respeitando os elementos essenciais da obrigação tributária (fato gerador, base de cálculo e alíquotas), que foram definidos em sede legal - pormenorizaram, nos estritos limites da competência regulamentar atribuída ao Poder Executivo, as condições de enquadramento das empresas, tendo em vista os resultados estatísticos, em matéria de acidentes do trabalho, obtidos em função da natureza preponderante da atividade empresarial e do grau de risco dela resultante (risco leve, médio ou grave).
O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLES. DEDUÇÃO DO LANÇAMENTO EM FACE DE TERCEIRO. APURAÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL E FISCAL. REPERCUSSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para dedução dos valores recolhidos por optantes do Simples a título de contribuições previdenciárias em face de lançamento constituído em desfavor de terceiro (empresa contratante), sujeito passivo da obrigação principal, quando tais recolhimentos dizem respeito a empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples), com repercussão na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastando-se qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado por terceiro (empresa contratante).
CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT/GIILRAT). EXIGÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 2402-006.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior, que lhe deram provimento parcial, para abater do lançamento os valores recolhidos nas empresas do Simples relativos à contribuição previdenciária. Votou pelas conclusões o conselheiro Maurício Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível e a nomeação e indicação de perito não se revestir das formalidades legalmente previstas. As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas. É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional. Não há que se falar de ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FRACIONAMENTO DAS ATIVIDADES. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERPOSTAS. ABUSO DE FORMA. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E PATRIMONIAL. ADMINISTRAÇÃO ÚNICA E ATÍPICA. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias. O abuso de forma viola o direito e a fiscalização deve rejeitar o suposto planejamento tributário que nela se funda, cabendo a requalificação dos atos e fatos ocorridos, com base em sua substância, para a aplicação do dispositivo legal pertinente. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. A simulação pode configurar-se quando as circunstâncias e evidências indicam a coexistência de empresas com regimes tributários favorecidos, perseguindo a mesma atividade econômica, com sócios ou administradores em comum e a utilização dos mesmos empregados, mesmos meios de produção mesmas instalações físicas, implicando confusão patrimonial e gestão empresarial atípica. O fracionamento das atividades empresariais, mediante a utilização de mão de obra existente em empresas interpostas, sendo estas desprovidas de autonomia operacional, administrativa e financeira, para usufruir artificial e indevidamente dos benefícios do regime de tributação do Simples Nacional, viola a legislação tributária, cabendo então a partir de inúmeras e sólidas evidências a desconsideração daquela prestação de serviços formalmente constituída. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT/GIILRAT). EXIGÊNCIA. DECRETO REGULAMENTADOR. CONSTITUCIONALIDADE. STF. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. É constitucional a contribuição ao SAT, vez que a lei dispôs sobre todos os aspectos da norma tributária impositiva e que não viola a legalidade tributária deixar ao Poder Executivo a complementação dos conceitos, devendo este, quando da regulamentação, atentar para o conteúdo da lei, sob pena de ilegalidade a ser objeto de controle específico. Os sucessivos decretos presidenciais detêm plena legitimidade constitucional, no ponto em que - respeitando os elementos essenciais da obrigação tributária (fato gerador, base de cálculo e alíquotas), que foram definidos em sede legal - pormenorizaram, nos estritos limites da competência regulamentar atribuída ao Poder Executivo, as condições de enquadramento das empresas, tendo em vista os resultados estatísticos, em matéria de acidentes do trabalho, obtidos em função da natureza preponderante da atividade empresarial e do grau de risco dela resultante (risco leve, médio ou grave). O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLES. DEDUÇÃO DO LANÇAMENTO EM FACE DE TERCEIRO. APURAÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL E FISCAL. REPERCUSSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para dedução dos valores recolhidos por optantes do Simples a título de contribuições previdenciárias em face de lançamento constituído em desfavor de terceiro (empresa contratante), sujeito passivo da obrigação principal, quando tais recolhimentos dizem respeito a empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples), com repercussão na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastando-se qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado por terceiro (empresa contratante). CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT/GIILRAT). EXIGÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível e a nomeação e indicação de perito não se revestir das formalidades legalmente previstas. As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas. É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional. Não há que se falar de ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FRACIONAMENTO DAS ATIVIDADES. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERPOSTAS. ABUSO DE FORMA. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E PATRIMONIAL. ADMINISTRAÇÃO ÚNICA E ATÍPICA. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. PRINCÍPIO DA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 44 /2 01 0- 60 Fl. 1093DF CARF MF 2 PRIMAZIA DA REALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias. O abuso de forma viola o direito e a fiscalização deve rejeitar o suposto planejamento tributário que nela se funda, cabendo a requalificação dos atos e fatos ocorridos, com base em sua substância, para a aplicação do dispositivo legal pertinente. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. A simulação pode configurarse quando as circunstâncias e evidências indicam a coexistência de empresas com regimes tributários favorecidos, perseguindo a mesma atividade econômica, com sócios ou administradores em comum e a utilização dos mesmos empregados, mesmos meios de produção mesmas instalações físicas, implicando confusão patrimonial e gestão empresarial atípica. O fracionamento das atividades empresariais, mediante a utilização de mão de obra existente em empresas interpostas, sendo estas desprovidas de autonomia operacional, administrativa e financeira, para usufruir artificial e indevidamente dos benefícios do regime de tributação do Simples Nacional, viola a legislação tributária, cabendo então a partir de inúmeras e sólidas evidências a desconsideração daquela prestação de serviços formalmente constituída. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT/GIILRAT). EXIGÊNCIA. DECRETO REGULAMENTADOR. CONSTITUCIONALIDADE. STF. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. É constitucional a contribuição ao SAT, vez que a lei dispôs sobre todos os aspectos da norma tributária impositiva e que não viola a legalidade tributária deixar ao Poder Executivo a complementação dos conceitos, devendo este, quando da regulamentação, atentar para o conteúdo da lei, sob pena de ilegalidade a ser objeto de controle específico. Os sucessivos decretos presidenciais detêm plena legitimidade constitucional, no ponto em que respeitando os elementos essenciais da obrigação tributária (fato gerador, base de cálculo e alíquotas), que foram definidos em sede legal pormenorizaram, nos estritos limites da competência regulamentar atribuída ao Poder Executivo, as condições de enquadramento das empresas, tendo em vista os resultados estatísticos, em matéria de acidentes do trabalho, obtidos em função da natureza preponderante da atividade empresarial e do grau de risco dela resultante (risco leve, médio ou grave). Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 102 3 O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLES. DEDUÇÃO DO LANÇAMENTO EM FACE DE TERCEIRO. APURAÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL E FISCAL. REPERCUSSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para dedução dos valores recolhidos por optantes do Simples a título de contribuições previdenciárias em face de lançamento constituído em desfavor de terceiro (empresa contratante), sujeito passivo da obrigação principal, quando tais recolhimentos dizem respeito a empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples), com repercussão na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastandose qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado por terceiro (empresa contratante). CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT/GIILRAT). EXIGÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1095DF CARF MF 4 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior, que lhe deram provimento parcial, para abater do lançamento os valores recolhidos nas empresas do Simples relativos à contribuição previdenciária. Votou pelas conclusões o conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 103 5 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 951/1074 em face do Acórdão n. 10 40.976 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (efls. 907/946), que julgou improcedente a impugnação de efls. 550/690 e manteve o crédito tributário constituído pelo lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052 consolidado no valor total de R$ 1.102.266,17 na data de 09/11/2010 Período de Apuração: 01/2007 a 12/2009 ciência do contribuinte em 18/11/2010 (efls. 02/49) com fulcro em descumprimento de obrigação principal vinculada a contribuições destinadas à Seguridade Social (Patronal e GIILRAT TERCEIRIZAÇÃO), no que diz respeito, especificamente, à contribuição previdenciária patronal destinada à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (GIILRAT), incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados e também à contribuição previdenciária patronal destinada à Seguridade Social incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 72/96. A Recorrente foi regularmente cientificada do AI DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49) em 18/11/2010, e, irresignada, apresentou a impugnação de efls. 550/690. O crédito tributário de natureza previdenciária no AI DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49) foi mantido no julgamento de primeiro grau, nos termos do Acórdão n. 1040.976 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) efls. 907/946, que sumarizou seu entendimento conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 AI Debcad nº 37.274.4052 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. SIMULAÇÃO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTA DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS. GILRAT. O Auto de Infração que observa o regramento administrativo próprio à espécie não gera a nulidade do lançamento. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal obedece ao princípio da legalidade, sendo prestadas todas as informações necessárias ao sujeito passivo, possibilitando que este exerça plenamente o seu direito à defesa. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram Fl. 1097DF CARF MF 6 serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível. As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964. A utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. A Lei nº 8.212/91 definiu todos os elementos necessários à exigência do GILRAT, sendo que os decretos regulamentadores em nada a excederam. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do Acórdão n. 1040.976 (efls. 907/946) em 09/11/2012 (efls. 948/949), e, em 03/12/2012, interpôs o Recurso Voluntário de efls. 951/1074, guerreando contra a decisão a quo de forma total, conforme destaca na retrocitada peça recursal, esgrimindo, em linhas gerais, os argumentos apresentados na impugnação de efls. 550/690, abaixo resumidos: i) Inexistência de interposição de sociedades; ii) Inexistência de grupo econômico; iii) Isenção legal da divisão de lucros nos exercícios 2008 e 2009; iv) Inaplicabilidade do art. 201, II, do RPS face a imunidade veiculada no art. 7°., XI, da CF; v) Isenção legal Lei n. 8.212/91; vi) Regularidade da terceirização falta de lei que defina atividadefim; vii) Competência da Justiça do Trabalho não aplicação na matéria fiscal; viii) Competência da Justição do Trabalho para declarar a existência de vínculo empregatício; ix) Inexistência de pessoalidade na prestação de serviços (terceirização); Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 104 7 x) Inexistência de subordinação; xi) Excesso de cobrança tributária; xii) Despesas consideradas como salário são, de fato, efetivos ressarcimentos; xiii) Inaplicabilidade do Direito do Trabalho na esfera do Direito Tributário; xiv) Inaplicabilidade do princípio da primazia da realidade para constituição de créditos previdenciários; xv) Inaplicabilidade do art. 126, III, do CTN ao caso concreto; xvi) Inaplicabilidade do art. 9°. e 444 da CLT ao caso concreto; xvii) Inversão do ônus da prova; xviii) Dilação probatória (perícia técnica); xix) Inexistência de simulação; xx) Inexistência de fraude; xxi) Inexistência de conluio; xxii) Inaplicabilidade da multa majorada; xxiii) Proibição de confisco e observância ao princípio da capacidade contributiva; xxiv) Não incidência de juros e atualização monetária sobre as multas aplicadas; xxv) Limite dos juros em 1% a.m; xxvi) Inconstitucionalidade na cobrança e exigência das contribuições de fundações e terceiros; xxvii) Inconstitucionalidade da exigência da contribuição denominada atualmente de GIILRAT. Este processo é raiz dos processos n. 11065.003140/201081; n. 11065.003145/201012; e n. 11065.003146/201059, em apenso, consoante informado à efl. 897. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1099DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 951/1074) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Consoante relatado, o Recurso Voluntário de efls. 951/1074 guerreia contra o Acórdão n. 1040.976 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) efls. 907/946 , que julgou improcedente a impugnação de efls. 550/690 e manteve o crédito tributário constituído pelo lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052, que teve como objeto o descumprimento de obrigação principal referente a contribuições destinadas à Seguridade Social (Patronal e GIILRAT TERCEIRIZAÇÃO), conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 72/96. É oportuno esclarecer que o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49), em litígio, é parte de uma ação fiscal que deu origem à lavratura dos Autos de Infração infra discriminados: Neste processo a discussão está restrita às contribuições vinculadas às remunerações e folha de pagamentos da Recorrente (contribuinte fiscalizado) referentes aos levantamentos: L6 e L62 REMUNERAÇÃO EMPREGADOS IBS; L7 e L72 REMUNERAÇÃO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL IBS; L8 e L82 REMUNERAÇÃO EMPREGADOS IM; e L9 e L92 REMUNERAÇÃO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL IM, consignados no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49), que dizem respeito à contribuição previdenciária patronal destinada à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (GIILRAT), incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados e também à contribuição previdenciária patronal destinada à Seguridade Social incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais. Isto posto, passo ao julgamento, adotando a metodologia utilizada pela DRJ/POA quanto à compartimentação dos tópicos, de forma a racionalizar a abordagem dos questionamentos trazidos pela Recorrente, tendo em vista a pulverização e amplitude dos pedidos no Recurso Voluntário de efls. 951/1074. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 105 9 De plano, é oportuno destacar que não serão apreciadas quaisquer alegações da Recorrente referentes à ilegalidade/inconstitucionalidade, vez que falece competência ao julgador administrativo para tal mister. Com efeito, assim informa o enunciado de Súmula CARF n. 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O enunciado acima alinhase ao disposto no art. 26A do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Inicia a Recorrente, na peça recursal de efls. 951/1074, o enfrentamento quanto à inexistência de interposição de sociedades e/ou grupo econômico, bem assim de simulação. Na verdade, a autoridade lançadora não caracterizou grupo econômico, mas, sim, concluiu pela ocorrência de simulação na contratação dos serviços de industrialização por encomenda prestados pelas empresas terceirizadas IBS Indústria de Balanças e Serviços Ltda. e IM Indústria Mecânica Ltda. Com efeito, assim informa a decisão recorrida: "O Relatório Fiscal (fls. 72/96) afirma que os supostos serviços de industrialização por encomenda representam, de fato, os custos relativos à própria folha de pagamento da Saturno e que a IBS e a IM constituemse em empresas interpostas utilizadas pela autuada para contratar segurados com redução de encargos tributários. [...] Cumpre esclarecer que não se trata de caracterização de grupo econômico. Segundo a fiscalização, as três pessoas jurídicas empreenderam verdadeira simulação nacondução de seus negócios. Tratase de uma empresa que obteve a redução da carga tributária,na medida em que as outras IBS e IM encontravam se inseridas no regime de tributação Simples. Não houve a responsabilização solidária das empresas envolvidas. O relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito é esclarecedor e atesta neste sentido, na medida em que não faz referência ao fundamento legal que trata da solidariedade art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91 (fls. 46/48). Ademais, observase também que o crédito foi lançado somente contra a empresa Saturno, por ser a detentora de fato de toda a mãodeobra." No curso da ação fiscal, a autoridade lançadora constatou diversas situações e circunstâncias fáticas, devidamente consignadas no Relatório Fiscal (efls. 72/96), que respaldam a ocorrência de simulação consubstanciada na utilização, pela empresa Balanças Fl. 1101DF CARF MF 10 Saturno S/A, das empresas IBS Indústria de Balanças e Serviços Ltda. e IM Indústria Mecânica Ltda. na condição de interpostas, com o fito de reduzir os encargos tributários previdenciários, usufruindo dos benefícios do regime de tributação Simples, mediante vinculação dos segurados empregados e contribuintes individuais destas últimas (IBS e IM) à primeira (Saturno). Nesse sentido, assim esclarece a DRJ/POA, no Acórdão n. 1040.976 (efls. 907/946): "No caso, ocorreu uma "contratação" simulada, pela empresa Balanças Saturno S/A, de serviços de industrialização por encomenda das empresas terceirizadas IBS – Indústria de Balanças e Serviços Ltda e IM – Indústria Mecânica Ltda, em lugar dos seus próprios funcionários. E com a adoção deste procedimento a Saturno estaria obtendo o beneficio do ingresso de sua mãodeobra no sistema de tributação Simples, reduzindo por conseguinte sua carga tributária previdenciária e ainda usufruindo do beneficio do creditamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS relativamente a esses serviços de industrialização por encomenda, os quais são insumos que geram direito a crédito quando contratados com pessoa jurídica. (item 3.8.3 do Relatório Fiscal, fls. 86/87). [...] Os fatos concernentes à relação verificada entre a impugnante (Saturno) e as empresas IBS – Indústria de Balanças e Serviços Ltda, CNPJ n° 88.979.067/0001 60 e IM – Indústria Mecância Ltda, CNPJ N° 93.533.172/000101 estão detalhados no Relatório Fiscal, às fls. 72/94 dos autos, tendo sido apurados a partir da análise dos documentos disponibilizados pelas empresas e visita aos seus estabelecimentos, podendo ser assim sintetizados: • as três empresas – Balanças Saturno S.A, IBS – Indústria de Balanças e Serviços Ltda e IM – Indústria Mecânica Ltda tem objetivos sociais coincidentes, dedicando se à fabricação e assistência técnica de balanças industriais e comerciais, bem como ao comércio de balanças em geral e estão localizadas, de fato, no mesmo endereço Rua Major Sezefredo, 155, prédio 01, Bairro Vila Rosa, Canoas/RS. É lá que se encontra a estrutura administrativa e operacional e onde foram entregues as intimações fiscais e solicitações de documentos das três empresas. Os endereços constantes para as empresas IBS e IM são relativos a duas salas comerciais (Rua Tamoio, 1978, salas 102 e 103, Canoas/RS) que permaneceram fechadas no período de 2006 a 09/2010, sem nenhum movimento de pessoas, segundo afirmou testemunha entrevistada pela fiscalização e identificada no Relatório Fiscal; • através de visita às instalações da empresa a fiscalização constatou que não existe separação física ou distinção entre os empregados da Saturno e os da IBS ou IM. Há um único relógio ponto, onde todos, sem distinção, registram suas entradas e saídas, e cujo controle é realizado pela Saturno; • em termos de cargos, comparativamente – constam empregados exercendo atividades em funções equivalentes e/ou similares nas três empresas; • despesas incorridas por sócios e empregados das empresas IBS e IM foram contabilizadas na Saturno; • despesas e custo de todo o parque fabril e comercial localizado na Rua Major Sezefredo, 155, prédio 1 são suportados integralmente pela empresa Saturno; • as empresas IBS e IM produziram de forma cativa para a Saturno em todo o período auditado, de 01/2007 a 12/2009, ou seja, operaram em regime de exclusividade, participando de uma ou mais fases do processo industrial; • as empresas IBS e IM atuam e fornecem mãodeobra na execução dos serviços essenciais da empresa autuada, ou seja, aquela que constitui o seu objeto principal; Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 106 11 • as empresas IBS e IM têm total dependência econômica em relação à Saturno. Executam seus serviços exclusivamente para a tomadora, necessitando de repasses contínuos e permanentes de recursos financeiros; • as empresas IBS e IM apresentam domicílio fiscal diverso mas operam, de fato, em instalações dentro do parque fabril da Saturno. A planta industrial onde estão situadas as empresas não possui separação física; • as empresas IBS e IM são comandadas por pessoas ligadas por laços familiares e/ou antigos funcionários da Saturno; • despesas operacionais (água, luz, telefone, aluguéis de máquinas e equipamentos, aluguel de imóvel, fretes), que seriam de responsabilidade das empresas IBS e IM são suportados integralmente pela Saturno; • a Saturno paga e escritura como suas, despesas incorridas por empregados e sócios das terceirizadas – IBS e IM (Viagens/Representações, Comissões/Representantes); • as empresas IBS e IM utilizam, além das instalações da Saturno, também suas máquinas e equipamentos, sem desembolsarem qualquer pagamento; • IBS e IM, mesmo não possuindo escrituração relativa a custo com Materiais e/ou Matérias Primas, bem como com estoques, possuem no seu quadro de funcionários, empregados com as funções e cargos de almoxarifes e auxiliares de almoxarifado, empregados estes executando estas atividades no almoxarifado e junto aos empregados da autuada. Materiais e/ou matérias primas, bem como seus estoques, são encontrados na contabilidade da Saturno; • existe uma relação estreita entre os acionistas da Saturno e os sócios da IBS e IM; • Saturno, IBS e IM têm as suas escriturações contábil e fiscal executadas pela mesma empresa, MLC Associados Ltda Contabilidade e Assessoria, sendo o contador, Luiz Carlos Anflor Schmidt, CRCRS 004372/00, sócio da empresa MLC Associados, procurador da empresa IM; • atividades financeiras e administrativas, como por exemplo, o RH Recursos Humanos, são de responsabilidade da Saturno, sendo a Coordenadora de RH, a Sra. Letícia de Moraes, CPF n° 754.717.87072, empregada da Saturno. No período de 04/2009 a 12/2009, a mesma era registrada como empregada da IBS, e realizava lá as mesmas atividades; • a rede mundial de computadores noticia somente o website da Saturno. Em relação às empresas IBS e IM há somente links que direcionam para o sítio da Saturno, ou seja, www.saturno.ind.br. Estes links indicam o endereço e o número de telefone da Saturno; • os empregados das empresas IBS e IM ocupam e exercem suas atividades lado a lado com os empregados da Saturno, sem nenhuma diferenciação. Uniformes quando usados, possuem todos um único logotipo da "Balanças Saturno". O registro de entrada e saída é realizado num único "relógio ponto" e controlado pelo RH da fiscalizada; • a empresa Saturno realiza serviços de assistência técnica a outras empresas, utilizandose de empregados da IM e IBS, fato demonstrado na sua contabilidade." As situações e circunstâncias fáticas supra relatadas, minuciosamente detalhadas e comprovadas no Relatório Fiscal (efls. 72/96), bem assim abordadas na decisão recorrida às efls. 910/912, afastam quaisquer dúvidas quanto ao liame que vincula as empresas Fl. 1103DF CARF MF 12 citadas, que, na verdade, tratamse de uma única empresa e não três como aparentam ser, mediante simulação de terceirização que desmembrou atividades. Nesse contexto, resta caracterizada a simulação e não planejamento tributário como pretende a Recorrente, impondose a desconsideração da relação meramente formal constatada pela autoridade lançadora, privilegiandose a real vinculação da Recorrente (Balanças Saturno S/A) com os trabalhadores que lhe prestaram serviços, não obstante o registro laboral junto às empresas aparentemente "terceirizadas". Com efeito, respaldada na legislação, não há óbice para que a autoridade lançadora desconsidere a existência de certos negócios ou situações jurídicas, formalmente existentes entre os trabalhadores das empresas envolvidas, vez que os arts. 114, 116 e 149 do CTN permitem a busca da realidade subjacente a quaisquer formalidades jurídicas, com fulcro na constatação concreta e material da situação legalmente necessária à ocorrência do fato gerador, culminando com o poder de requalificar o negócio aparente entre as três empresas em tela, visando à apuração e cobrança do tributo efetivamente devido. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. Fundase a argumentação da Recorrente no fato de a autoridade lançadora ter tratado como ilícitos atos que, no seu entendimento, caracterizamse elisão fiscal e não evasão fiscal. De fato, é cediço que é tênue linha que distingue o direito legítimo do contribuinte de organizar a sua empresa, com base na livre e na autonomia negocial, do poder do EstadoFiscal considerar tais disposições ineficazes, a partir de pressupostos fáticos lastreados em fraude, abuso de forma e simulações. É oportuna a definição de simulação, na seara tributária, conferida pela jurisprudência do TRF4 e STJ, nos julgados sumarizados nas ementas abaixo reproduzidas: "INCORPORAÇÃO. AUTUAÇÃO. ELISÃO E EVASÃO FISCAL. LIMITES. SIMULAÇÃO.EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. 1. Dáse a elisão fiscal quando, por meios lícitos e diretos o contribuinte planeja evitar ou minimizar a tributação. Esse planejamento se fundamenta na liberdade que possui de gerir suas atividades e seus negócios em busca da menor onerosidade tributária possível, dentro da zona de licitude que o ordenamento jurídico lhe assegura. 2. Tal liberdade é possível apenas anteriormente à ocorrência do fato gerador, pois, uma vez ocorrido este, surge a obrigação tributária. 3. A elisão tributária, todavia, não se confunde com a evasão fiscal, na qual o contribuinte utiliza meios ilícitos para reduzir a carga tributária após a ocorrência do fato gerador. 4. Admitese a elisão fiscal quando não houver simulação do contribuinte. Contudo, quando o contribuinte lança mão de meios indiretos para tanto, há simulação. 5. Economicamente inviável a operação de incorporação procedida (da superavitária pela deficitária), é legal a autuação. 6. Tanto em razão social, como em estabelecimento, em funcionários e em conselho de administração, a situação final após a incorporação manteve as condições e a organização anterior da incorporada, restando demonstrado claramente que, de fato, esta "absorveu" a deficitária, e não o contrário, tendose formalizado o inverso apenas a fim de serem aproveitados os prejuízos fiscais da empresa deficitária, que não poderiam ter sido considerados caso tivesse sido ela a incorporada, e não a incorporadora, restando evidenciada, portanto, a simulação. 7. Não há fraude no caso: a incorporação não se deu mediante fraude ao fisco, já que na operação não se pretendeu enganar, ocultar, iludir, dificultando ou mesmo tornando impossível a atuação fiscal, já Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 107 13 que houve ampla publicidade dos atos, inclusive com registro nos órgãos competentes. 8. Inviável economicamente a operação de incorporação procedida, tendo em vista que a aludida incorporadora existia apenas juridicamente, mas não mais economicamente, tendo servido apenas de "fachada" para a operação, a fim de serem aproveitados seus prejuízos fiscais cujo aproveitamento a lei expressamente vedava. 9. Uma vez reconhecida a simulação deve o juiz fazer prevalecer as conseqüências do ato simulado no caso, a incorporação da superavitária pela deficitária, conseqüentemente incidindo o tributo na forma do regulamento não havendo falar em inexigibilidade do crédito, razão pela qual a manutenção da decisão que denegou a antecipação de tutela pretendida se impõe. (grifei) (TRF4 AG: 44424 RS 2004.04.01.0444240, Relator: DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, Data de Julgamento: 30/11/2004, SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 26/01/2005 PÁGINA: 430)" (grifei) "PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. MULTA DO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INAPLICABILIDADE. INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS. REDUÇÃO DA CSSL DEVIDA. SIMULAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 98/STJ. 1. Hipótese em que se discute compensação de prejuízos para fins de redução da Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSSL devida pela contribuinte. 2. A empresa Supremo Industrial e Comercial Ltda. formalmente incorporou Suprarroz S/A (posteriormente incorporada pela Recorrente). Aquela acumulava prejuízos (era deficitária, segundo o TRF), enquanto esta era empresa financeiramente saudável. 3. O Tribunal de origem entendeu que houve simulação, pois, em realidade, foi a Suprarroz que incorporou a Supremo. A distinção é relevante, pois, neste caso (incorporação da Supremo pela Suprarroz), seria impossível a compensação de prejuízos realizada, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. 4. A solução integral da lide, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 5. Não há controvérsia quanto à legislação federal. 6. A contribuinte concorda que a incorporadora não pode compensar prejuízos acumulados pela incorporada, para reduzir a base de cálculo da CSSL, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. Defende que a empresa com prejuízos acumulados (Supremo) é, efetivamente, a incorporadora. 7. O Tribunal de origem, por seu turno, não afasta a possibilidade, em tese, de uma empresa deficitária incorporar entidade financeiramente sólida. Apenas, ao apreciar as peculiaridades do caso concreto, entendeu que isso não ocorreu. 8. Tampouco se discute que, em caso de simulação, "é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma" (art. 167, caput, do CC). 9. A regularidade formal da incorporação também é reconhecida pelo TRF. 10. A controvérsia é estritamente fática: a Recorrente defende que houve, efetivamente, a incorporação da Suprarroz (empresa financeiramente sólida) pela Supremo (empresa deficitária); o TRF, entretanto, entendeu que houve simulação, pois, de fato, foi a Suprarroz que incorporou a Supremo. 11. Para chegar à conclusão de que houve simulação, o Tribunal de origem apreciou cuidadosa e aprofundadamente os balanços e demonstrativos de Supremo e Suprarroz, a configuração societária superveniente, a composição do conselho de administração e as operações comerciais realizadas pela empresa resultante da incorporação. Concluiu, peremptoriamente, pela inviabilidade econômica da operação simulada. 12. Rever esse entendimento exigiria a análise de todo o arcabouço fático apreciado pelo Tribunal de origem e adotado no acórdão recorrido, o que é inviável em Recurso Especial, nos termos da Súmula 7/STJ. 13. Aclaratórios opostos com o expresso intuito de prequestionamento não dão ensejo à aplicação da multa prevista no art. 538, Fl. 1105DF CARF MF 14 parágrafo único, do CPC, que deve ser afastada (Súmula 98/STJ). 14. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (STJ REsp: 946707 RS 2007/00926564, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 25/08/2009, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: > DJe 31/08/2009)" No caso concreto, a autoridade lançadora, para fins tributários, deu prevalência à essência sobre a forma, em razão da utilização dos trabalhadores das empresas IBS e IM de forma interposta, com vistas ao fracionamento dos respectivos faturamentos e consequente redução das contribuições previdenciárias a recolher, haja vista a opção das empresas IBS e IM pelo regime de tributação Simples. A valoração jurídica das situações e circunstâncias fáticas efetuada pela Fiscalização da RFB, e corroborada pela decisão recorrida, revela posição avançada sobre o conteúdo do conceito jurídico de simulação previsto no art. 167 do Código Civil Lei n. 10.406/2002. Restou evidenciado, no caso em tela, o confronto da visão globalizante, material e causalista em face da tradicional visão formalista e voluntarista de simulação sustentada pelo Recorrente. Nessa perspectiva, prevaleceu o conceito amplo de simulação, que, na sua essência, privilegia aspectos econômicos e operacionais, na medida em que a autoridade lançadora examinou, no caso em apreço, a causa concreta dos negócios, comparandoa com a causa típica ou a finalidade prática para a qual os negócios jurídicos foram engendrados pelo ordenamento jurídico, avaliando as operações em sua totalidade com o fito de aferir o quanto artificiosos e ausentes de substrato jurídico efetivo podem ter sido os atos e os negócios jurídicos praticados pelas empresas Saturno, IBS e IM. É oportuno repisar que a Recorrente não faz acompanhar do Recurso Voluntário de efls. 951/1074 conjunto probatório suficiente a ilidir as situações e circunstâncias fáticas que caracterizam a simulação em apreço, instituto previsto no art. 167 do Código Civil (Lei n. 10.406/2002). Por sua vez, o Direito Tributário, apesar de constituirse microssistema formado por um complexo conjunto de normas, não é hermético, nem indiferente aos demais ramos do Direito. Assim, nenhum óbice se opõe à autoridade lançadora buscar conceitos, definições e conteúdos em outros ramos do Direito visando a fortalecer a sua argumentação para fins da constituição do crédito tributário, com mais razão ainda quando o Direito em questão é fundamental à compreensão do suporte fático da hipótese de incidência tributária, conforme evidenciase nos autos o Enunciado TST 331 e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) DecretoLei n. 5.452/1943. No caso concreto, os dispositivos legais que respaldam o lançamento do crédito tributário consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49) encontramse discriminados no Anexo FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO (FLD) efls. 41/43, com fulcro na Lei n. 8.212/91. Outrossim, o princípio da primazia da realidade ou da verdade real, não obstante a sua ampla aplicação na seara justrabalhista, não é incompatível com o Direito Tributário, como sugere o Recorrente. Bem ao contrário, mantém estreita vinculação com o princípio da verdade material, tão festejado na seara tributária. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 108 15 Com efeito, o princípio da primazia da realidade ou da realidade dos fatos visa à priorização da verdade real em face da verdade formal, enquanto que o princípio da verdade material busca a realidade dos fatos, conforme ocorrida. Como se observa, a proximidade conceitual e teleológica é óbvia, o que dispensa maiores ponderações. Não há previsão legal para apropriação dos valores recolhidos pelas empresas IBS e IM para fins de abatimento do crédito tributário em apreço, vez que o sujeito passivo da obrigação principal é a empresa Balanças Saturno S/A CNPJ 02.169.172/000119 e os recolhimentos em apreço não só dizem respeito a terceiros , empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples) , bem como repercutiram na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastandose qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado pela Recorrente. Quanto à dilação probatória e perícia técnica arguidas pela Recorrente na peça recursal de efls. 951/1074, cabe destacar que: i) o prazo para interposição de recurso voluntário, acompanhado do conjunto probatório, é de 30 (trinta) dias, conforme disposto no art. 15 do Decreto n. 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal. Tratase de prazo peremptório; ii) inexiste previsão legal para dilatação do prazo consoante solicitado pelo Recorrente; iii) a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos em que seja demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, ou refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pressupostos não demonstrados. Não sendo o caso dos autos, indeferese o pedido. É o que dispõe o art. 16, § 4°., do Decreto n. 70.235/72; iv) o pedido de perícia, conforme o art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72, é facultado ao Recorrente, mas fica sujeito ao juízo do julgador decidir sobre a sua realização, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto n. 70.235/1972). No caso concreto, a instância de piso entendeu por indeferir, vez que não atende aos pressupostos do art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72, pois a impugnante deixou de apresentar os quesitos referentes aos exames desejados, o que resulta no seu indeferimento, e, além disso, não foram apresentados dados concretos que indicassem possíveis erros na apuração das contribuições lançadas; v) a indicação e nomeação de perito, apresentada em 07/02/2011, consubstanciada às efls. 898/901 não se amolda aos pressupostos do art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72, bem assim visa à verificação de documentos probatórios já apreciados pela Fiscalização, no que se torna despiciendo, e documentos que serão juntados, já alcançados pela preclusão, vez que todas as provas deveriam acompanhar o Recurso Voluntário de efls. 951/1074. Fl. 1107DF CARF MF 16 Isto posto, sigo o entendimento da DRJ/POA no sentido de considerar prescindível a perícia solicitada e indeferir o pedido do Recorrente neste ponto, a teor do art. 57, § 3°., do Anexo II do RICARF. É cediço que o ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, abrigados, inclusive, no Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015), que àquele se aplica, ainda que subsidiariamente. Destarte, não resta dúvida de que no processo administrativo fiscal, para apuração e exigência do crédito tributário, inclusive em sede de lançamento de ofício, o autor é o Fisco e é deste o ônus de provar a ocorrência da hipótese de incidência tributária (fato gerador). No tocante à inversão do ônus da prova, suscitada pela Recorrente na peça recursal de efls. 951/1074, é oportuno destacar a presunção de legitimidade do ato administrativo, que tem natureza relativa. Essa presunção, como não poderia deixar de ser, não elide o dever do Fisco de comprovar a ocorrência do fato gerador, da incidência da hipótese tributária em face do caso concreto, bem assim das circunstâncias em que esta ocorreu, concretizouse. O lançamento do crédito tributário é ato administrativo vinculado e regido, dentre outros, pelos princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada, do que decorre a necessária e cabal demonstração da ocorrência dos fatos e motivos que àquele deram suporte, forte no art. 9°. do Decreto n. 70.235/72. Assim, da falta de comprovação do fato gerador deflui a invalidade do lançamento tributário, vez que não há no ordenamento jurídico pátrio norma jurídica que lhe imponha a presunção de legitimidade. No caso em tela, é farta a documentação acostada aos autos pela autoridade lançadora no sentido de fundamentar o lançamento em litígio, colhidas no curso da ação fiscal, oportunidade em que, frisese, foi concedido amplo direito de defesa e contraditório ao Recorrente, consubstanciados nos termos de intimação fiscal, consoante registrado às efls. 61/69; 97/547 e 701/894. Em sede de impugnação (efls. 550/690), a Recorrente trouxe ainda aos autos diversos documentos de efls. 701/894, inclusive solicitação de perícia (efls. 898/901), que foram devidamente apreciados pelo órgão julgador de primeira instância de forma exaustiva e minuciosa, nos termos do Acórdão n. 1040.976 (efls. 907/946). Todavia, todo o conjunto probatório ao qual a Recorrente se socorreu não se mostrou com força suficiente para elidir a existência dos fatos geradores de contribuições sociais para os quais não foram efetuados os recolhimentos devidos, conforme previsto na legislação previdenciária. Destarte, o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49) tem suporte em provas suficientes da ocorrência da hipótese de incidência tributária, o que lhe confere muito mais do que apenas presunção de legitimidade, vez que os elementos probatórios opostos pela Recorrente não têm força bastante a ilidilo. Com relação à alegação da Recorrente em face da multa aplicada, é bastante elucidativo e suficiente o posicionamento da decisão recorrida, mais precisamente no tópico específico "Da Multa aplicada" efls. 940/943 do Acórdão n. 1040.976, verbis: Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 109 17 "Da Multa aplicada A impugnante insurgese ainda contra as multas aplicadas ao lançamento. Ora pede a aplicação da multa máxima de 75%. Ora alega que este percentual caracteriza confisco. Aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/2008 a multa moratória era disciplinada pelo artigo 35, incisos I, II e III da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999, em percentuais que aumentavam conforme o momento do pagamento. Em 04/12/2008 foi publicada a Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, que alterou a legislação e acrescentou o artigo 35 A à Lei nº 8.212/1991, disciplinando as multas no lançamento de ofício, as quais então passaram a ser aplicadas nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, nas situações que envolvam falta de pagamento ou recolhimento e ausência ou inexatidão da declaração. Em razão da alteração na legislação previdenciária devem ser observados os termos do artigo 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional (CTN), que determina a aplicação da legislação menos severa ao contribuinte, comparandose a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (multa de mora de 24% somada à multa do AI 68 – apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores) e a imposta pela legislação superveniente (multa de ofício de 75%). O exame comparativo do valor das multas foi feito mês a mês pela fiscalização, aferindose matematicamente os valores por uma ou outra metodologia, contemplando, por competência, a penalidade mais branda. Portanto, a autoridade fiscal aplicou a legislação, respeitando o disposto na alínea “c”, inciso II, do art. 106 do CTN, ou seja, a multa mais benéfica ao contribuinte no período de 01/2007 a 11/2008. No período de 01/2007 a 11/2008 foi aplicada a multa de 24%, prevista na legislação vigente à época dos fatos geradores e disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999. No período de 12/2008 a 12/2009 foi aplicada a multa com base na legislação atual, ou seja, a multa no percentual de 75%, agravada, totalizando 150%, com suporte no artigo 35A da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Medida Provisória nº 449, de 04 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, combinado com o artigo 44, inciso I, e seu parágrafo 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação dada pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007. O artigo 44, inciso I, e seu parágrafo 1º da Lei nº 9.430/96 rezam, “in verbis”: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]§ 1.º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, Fl. 1109DF CARF MF 18 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, supra referidos, estabelecem, “in verbis”: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O conceito de dolo encontrase estabelecido no artigo 18, inciso I, do DecretoLei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940 Código Penal, que define o crime doloso como aquele “em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo”. Em relação ao crime em que o agente quis o resultado, dizse que houve dolo direto; no tocante àquele em que o agente assumiu o risco de produzilo, dolo eventual. Na lição de Julio Fabbrini Mirabete (in Manual de direito penal. São Paulo, Atlas, 1990. 5ª edição. Vol. 1, págs. 138/139), “o Código Penal Brasileiro adotou a teoria da vontade quanto ao dolo direto e a teoria do assentimento ao conceituar o dolo eventual”. Pela teoria da vontade, concernente ao dolo direto, “age dolosamente quem pratica a ação consciente e voluntariamente. É necessário para a sua existência, portanto, a consciência da conduta e do resultado e que o agente a pratique voluntariamente”; pela teoria do assentimento, ou do consentimento, relativa ao dolo eventual, “faz parte do dolo a previsão do resultado a que o agente adere, não sendo necessário que ele o queira. Para a teoria em apreço, portanto, existe dolo simplesmente quando o agente consente em causar o resultado ao praticar a conduta”. No caso em tela, restou constatado que a impugnante utilizouse das empresas IBS e IM com a finalidade (dolo direto) de evitar ou reduzir o pagamento de tributos por meio da utilização de empresas interpostas. É o que se pode concluir à vista de todo o procedimento adotado pela impugnante, aqui considerado não só o estabelecimento de todas no mesmo local; a prestação de serviços de forma exclusiva da IBS e IM à Saturno (processo de industrialização); o pagamento de despesas da IBS e IM pela Saturno; o envio de aporte financeiro que a autuada fazia para a IBS e a IM além de todos os demais fatos amplamente noticiados. Há que se considerar também todos os procedimentos e informações prestados perante órgãos públicos – enquadramento cadastral adotado, contratos sociais, contrato de prestação de serviços, cadastros em órgãos públicos, folhas de salários, escrituração contábil independente, contratação de segurados feitas por cada uma das empresas – com vistas a manter a aparência de empresas independentes. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 110 19 Vislumbrase, no caso, a ocorrência de conluio (previsto no artigo 73 da Lei n.º 4.502/1964) entre as empresas Saturno, IBS e IM para a prática de fraude (definida no artigo 72 da Lei n.º 4.502/1964), consistente na contratação e pagamento de remuneração de trabalhadores através de empresas interpostas, com o objetivo de evitar o pagamento das contribuições devidas sobre a remuneração dos trabalhadores assim contratados; e de sonegação (definida no artigo 71, inciso I, da Lei n.º 4.502/1964), na medida em que todo o procedimento adotado pela impugnante e pelas empresas IBS e IM, inclusive no que respeita às informações prestadas pelo contribuinte, levou a Secretaria da Receita Federal do Brasil a acreditar que a impugnante estava em dia com suas obrigações tributárias, mascarando a situação irregular em que se encontrava, somente identificada após o trabalho de fiscalização. Uma vez preenchidos os requisitos estabelecidos no parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, cabe o aumento de multa previsto, razão pela qual mantémse a multa qualificada de 150% no lançamento, que não poderá ser reduzida, como quer a impugnante. Observese que não se está julgando se houve, ou não, a prática de crime, competência essa atribuída ao Poder Judiciário, mas tãosomente se foram preenchidos os requisitos estabelecidos em Lei, para a qualificação da multa. A conduta da impugnante, ao simular a contratação de trabalhadores por meio de empresas interpostas, considerando o conjunto de elementos trazidos aos autos, justifica a aplicação da multa de ofício qualificada. A multa, nos moldes exigidos no presente lançamento, foi calculada em consonância com a legislação que rege a matéria, não podendo a Administração Pública deixar de aplicála, por se tratar de ato vinculado e obrigatório. A aplicação da multa de mora calculada por atraso à taxa de 0,33% ao dia, limitada a 20% (artigo 61, §§1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996), como solicita a autuada, só deve incidir para os tributos vencidos e pagos antes do início do procedimento fiscal, hipótese que não se aplica aos autos. A legislação citada anteriormente também afasta a aplicação do percentual de 2% (dois por cento) previsto no Código de Defesa do Consumidor CDC (Lei nº 8.078, de 1990, alterada pela Lei 9.298, de 1996). Não são aplicáveis as disposições do Código do Consumidor às relações jurídicotributárias, que têm natureza pública. Por todo o exposto e considerando o caráter irrelevável da multa e ainda, que não foi demonstrada pela autuada a existência de qualquer inconsistência na sua aplicação, mantémse as multas, nos percentuais aplicados. Os argumentos de que a multa aplicada fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade e que tem caráter confiscatório não são passíveis de reconhecimento na esfera administrativa, eis que o que determina a aplicação da multa é a legislação pertinente. A vedação constitucional ao confisco dirigese ao legislador, devendo este observá la no momento da elaboração da lei. À autoridade administrativa cabe apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu, em razão de sua atividade vinculada e obrigatória, sendolhe defeso reduzila ou dispensála. A multa aplicada nos estritos limites previstos na legislação não caracteriza confisco e não ofende os princípios constitucionais invocados pela autuada, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de inconstitucionalidade da legislação vigente. Sendo fixada em lei, deve ser exigida sob pena de responsabilidade funcional." Fl. 1111DF CARF MF 20 É relevante destacar que a autoridade lançadora procedeu ao comparativo de multas (sistemática atual e anterior) previsto na Instrução Normativa RFB n. 971/2009 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009, conforme informa a decisão recorrida, bem assim o Relatório Fiscal de efls. 72/96. A despeito da acusação da Recorrente, não houve aplicação de juros sobre as multas aplicadas, conforme bem destacado na decisão a quo com base no Discriminativo de Débitos (DD) efls. 07/27 e sim sobre o valor principal apurado. No tocante à aplicação do art. 161, 1°., do CTN que impõe a limitação dos juros em 1% ao mês , bem assim a exclusão da taxa SELIC, ambos alvo da irresignação do Recorrente, cabem as seguintes considerações: i) O art. 161, § 1°., do CTN não exclui a capitalização dos juros de mora; ii) A capitalização dos juros não é vedada em matéria tributária, bem como é legal a utilização da taxa SELIC; iii) O art. 161, § 1°., do CTN estabelece taxa de juros em caráter supletivo tão somente "se a lei não dispuser de modo diverso". Ocorre que, relativamente aos tributos federais, há lei tratando da matéria, de modo que não se aplica taxa de 1% a.m, mas, sim, a taxa SELIC; iv) Existe legislação específica fixando a taxa de juros a ser observada, tanto para todos os tributos, inclusive as contribuições sociais, conforme disposto no art. 84 da Lei n. 8.981/95; art. 13 da Lei n. 9.065/95; art. 61, § 3°., da Lei n. 9.430/96, através da remissão ao seu art. 5°. É nesse sentido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ): "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MASSA FALIDA. JUROS MORATÓRIOS. ATIVO SUFICIENTE PARA PAGAMENTO DO PRINCIPAL. 1. Está firmado no âmbito da 1ª Seção o entendimento da legitimidade da aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, bem como, havendo lei estadual nesse sentido, também em relação a tributos cobrados pelos Estados [...]". (STJ, 1ª. Turma, REsp 1048710/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, julgamento 12/08/2008 DJe 21/08/2008). Não é diferente o posicionamento do CARF consolidado nos enunciados de Súmula CARF n. 4 e n. 5, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Com relação à correção monetária sobre o valor da multa, verificase, da análise dos autos, que esta incidiu sobre o principal , conforme denunciado no Discriminativo de Débito (DD) efls. 07/27, destacandose que a atualização monetária para fins de correção de créditos tributários foi extinta a partir de janeiro de 1995. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 111 21 No tocante à cumulação de multa moratória e juros de mora, consoante questionamento da Recorrente, cabem as seguintes ponderações: i) a multa de mora encontra abrigo no art. 161 do CTN e tem como infração pressuposta , pura e simplesmente, o não pagamento do débito no respectivo vencimento; ii) os juros moratórios têm como objetivo a recomposição do valor do débito devido e não pago no vencimento, e são expressamente previstos no art. 61, § 3°., da Lei n. 9.430/96; iii) a multa de mora e os juros moratórios têm natureza e finalidades distintas, o que possibilita a cumulação e afasta a incidência de bis in idem. A Recorrente ilide a exigência da Contribuição do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GIILRAT), com fundamento na ausência de definição legal dos diferentes graus de riscos e do conceito de atividade preponderante, e que o Decreto n. 3.048/99 não se presta para suprir a omissão existente na Lei n. 8.212/91, sendo causa impeditiva para a que a contribuição seja considerada validamente instituída. Pois bem. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (GIILRAT) é prevista no art. 22, II da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 9.732/1998, que estabelece alíquotas de 1%, 2% ou 3% para a incidência da contribuição ao SAT/RAT, conforme o grau de risco da atividade preponderante da empresa seja considerado leve, médio ou grave: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. O Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999, no art. 202, define a atividade preponderante, para o enquadramento legal nos correspondentes graus de riscos das atividades desenvolvidas pelas empresas: Fl. 1113DF CARF MF 22 "Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto enquadramento em qualquer tempo. [...] § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). De plano, cabe espancar qualquer alegação de inconstitucionalidade, como pretende a Recorrente em sua peça recursal de efls. 951/1074, uma vez presente posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu a questão, no âmbito do RE 343.446/SC, pronunciandose pela constitucionalidade da contribuição ao SAT sob o Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 112 23 entendimento de que a lei dispôs sobre todos os aspectos da norma tributária impositiva e que não viola a legalidade tributária deixar ao Poder Executivo a complementação dos conceitos, devendo este, quando da regulamentação, atentar para o conteúdo da lei, sob pena de ilegalidade a ser objeto de controle específico. Desta forma, nesse mesmo julgamento, o Plenário do STF também proclamou a plena legitimidade constitucional dos sucessivos decretos presidenciais, no ponto em que – respeitando os elementos essenciais da obrigação tributária (fato gerador, base de cálculo e alíquotas), que foram definidos em sede legal – pormenorizaram, nos estritos limites da competência regulamentar atribuída ao Poder Executivo, as condições de enquadramento das empresas, tendo em vista os resultados estatísticos, em matéria de acidentes do trabalho, obtidos em função da natureza preponderante da atividade empresarial e do grau de risco dela resultante (risco leve, médio ou grave). Assim, o STF, ao confirmar a integral constitucionalidade dos diplomas normativos em questão (Lei n. 7.787/89, art. 3º, II, Lei n. 8.212/91, art. 22, II e § 3º, c/c a Lei n. 9.528/97) e dos sucessivos decretos presidenciais que os regulamentaram (Decreto n. 612/92, Decreto n. 2.173/97 e Decreto n. 3.048/99), acentuou que os atos estatais impugnados pelo sujeito passivo da contribuição social em referência não transgridem, formal ou materialmente, a Constituição da República, ressaltando inexistir, por isso mesmo, qualquer situação de ofensa aos postulados constitucionais da legalidade estrita (CF, art. 5º, II) e da tipicidade cerrada (CF, art. 150, I), bem assim às cláusulas constitucionais pertinentes à delegação legislativa (CF, arts. 2º e 68) e à igualdade em matéria tributária (CF, arts. 5º, “caput”, e 150, II). No bojo dessa decisão (RE 343.446/SC), resta evidenciado, ainda, que o tratamento dispensado a lançamentos de créditos tributários, nos moldes do consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49), não exige a edição de lei complementar (CF, art. 154, I), por não se registrar a hipótese inscrita no art. 195, § 4º, da CF/88, legitimandose, em conseqüência, a disciplina normativa do tema mediante legislação meramente ordinária. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (STF RE: 343446 SC, Relator: Min. CARLOS VELLOSO, Data de Julgamento: 20/03/2003, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJ 04042003 PP00040 EMENT VOL0210507 PP01388) (grifei) Fl. 1115DF CARF MF 24 Ainda que restassem dúvidas quanto à constitucionalidade da exigência da Contribuição do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GIILRAT), é relevante ressaltar a impossibilidade de reconhecêla no âmbito do processo administrativo fiscal, vez que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme o enunciado de Súmula CARF n. 2, já referido, alinhado ao disposto no art. 26A do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, concluindose, assim, que o CARF não detém competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, é procedente a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (GIILRAT). Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 951/1074), e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 1116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000293/2007-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE.
Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-006.317
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITOS. INIDONEIDADE DE NOTAS FISCAIS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VITAPELLI LTDA. EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 02 93 /2 00 7- 67 Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803003.333, da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de couro efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. O aproveitamento de créditos de COFINS. Não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, por expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PERÍCIA TÉCNICA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias destinamse à elucidação de questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, matérias impassíveis de deslinde a partir do conhecimento das partes e do julgador, e não para suprir a produção de prova que, segundo a distribuição do onus probandi, toca ao interessado produzir. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECORRIDA. INTERESSE RECURSAL. CARÊNCIA. Não se conhece de discussão sobre matéria de defesa impertinente ao caso concreto, por carência de interesse recursal. DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 4 3 As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Resp 1.148.444). Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão alegando divergência quanto à caracterização da inidoneidade de notas fiscais. Em suma, a Fazenda argumenta que: · a declaração de inaptidão não é requisito para que as notas fiscais sejam consideradas inidôneas, para efeitos tributários; · a emissão por pessoas jurídicas inexistentes de fato, por si só, já é suficiente para configurar a inidoneidade das notas fiscais; · esta caracterização de inidoneidade, assim como a decorrente da declaração de inaptidão, admite provas em contrário, especialmente a demonstração de ingresso dos insumos no estabelecimento, acompanhada dos pagamentos correspondentes. Como tais provas não foram apresentadas, os efeitos tributários da inidoneidade dos documentos fiscais atingem o contribuinte, na qualidade de beneficiária direta da utilização dos mesmos; · nesse sentido, mostrase plenamente correta a glosa efetuada pela fiscalização. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ao tomar ciência do Acórdão 3803003.333 e do despacho de admissibilidade do especial Fazendário, o sujeito passivo interpôs Embargos de Declaração, que foram rejeitados. Apresentou também, nessa oportunidade, contrarrazões ao recurso da Fazenda, requerendo o não conhecimento do recurso ou a negativa de provimento ao mesmo, para manter a decisão recorrida na parte em que reverteu as glosas dos créditos referentes às aquisições de couro efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.316, de 20/02/2018, proferido no julgamento do processo 10835.003027/200427, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 3138DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 5 4 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.316): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlos – eis que atendidos, para tanto, os pressupostos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. A decisão recorrida reconhece como idônea as notas fiscais emitidas por pessoa jurídica inexistente de fato, desde que a emissão tenha ocorrido antes da expedição de Ato Declaratório Executivo que declarou a inaptidão da pessoa jurídica. Enquanto, o acórdão indicado como paradigma declara inidônea a nota fiscal emitida por pessoa jurídica inexistente de fato, independentemente da expedição do referido Ato Declaratório Executivo. Sendo assim, é de se conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." Do Mérito (...)1 "Com a devida venia à ilustre conselheira relatora, mas divirjo do seu entendimento quanto à possibilidade de aproveitamente de créditos da não cumulatividade da Cofins na situação fática que consta dos autos. No caso discute se no recurso especial da Fazenda Nacional, quanto a possibilidade de aproveitamento de créditos nas aquisições efetuadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato. Antes de adentrar o mérito, é importante registrar que o contribuinte obteve provimento judicial em agravo de instrumento nos seguintes termos, conforme noticia os documentos de efls. 3123/3209: (...) Ante o exposto, julgo prejudicado o agravo interno e, com fulcro no art. 932, V, "b", do Código de Processo Civil, dou provimento ao agravo de instrumento, para reformar a r. decisão agravada e determinar à parte agravada que aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como que o faça com observância do decidido pelo E. STJ no REsp repetitivo n° 1.148.444/MG. (efl. 3131) (...) Portanto, transcrevese abaixo a ementa do que foi decidido pelo STJ no REsp nº 1.148.444/MG: 1 Deixouse de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou das glosas dos créditos de aquisições efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato, pois seu entendimento foi vencido, não se aplicando na solução do litígio dos presentes autos. A íntegra do voto encontrase no Acórdão 9303006.316 (processo 10835.003027/200427 paradigma). Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 6 5 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NAO CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG , Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP , Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG , Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP , Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu , ao alienante). 3. In casu , o Tribunal de origem consignou que: "(...) os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc , o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. Fl. 3140DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 7 6 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como percebese tal decisão segue o rito dos recursos repetitivos previstos no art. 543C, do CPC, e, seu entendimento deve ser obrigatoriamente seguido no âmbito dos julgamentos deste colegiado. Portanto era desnecessário o contribuinte ter obtido provimento judicial neste sentido. O que necessitamos então é verificar se a situação fática do presente processo encaixase ao ditame do que foi decidido no âmbito do citado repetitivo. Observemos então que a tese firmada pelo próprio STJ em relação a este julgamento é a seguinte: O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação.(Tema 272 do STJ) Na minha avaliação, a tese firmada pelo STJ é perfeita e visa proteger o adquirente de boa fé, que adquire a mercadoria e comprova a veracidade da compra e venda efetuada. Mas, com a devida venia, os fatos minuciosamente levantados pela fiscalização no presente processo demonstram que o contribuinte, além de não agir de boa fé, não comprovou a veracidade da compra e venda efetuada. Penso que tal situação está inequivocamente demonstrada nos presentes autos. Referida fiscalização teve início em 16/01/2006, para análise dos créditos relativos ao período de outubro/2002 a junho/2007. Importante registrar que no TVF a justificativa para as glosas não foram a existência de Atos Declaratórios de Inaptidão da Pessoa Jurídica, mas sim as diligências realizadas nos supostos fornecedores, as quais comprovaram a impossibilidade de ter havido a transação comercial, quer pela inexistência destes, quer pela falta de comprovação do pagamento. Podese ver que no item "10. Das Glosas", efl. 1515, seu item "10.1 Diligências a empresas fornecedoras" seu conteúdo demonstra que a razão das glosas foram as diligências realizadas pela fiscalização. Transcrevo abaixo excertos retirados do Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 1498/1531), no qual consta todas as evidências que justificaram a glosa dos referidos créditos: (...) Após análise das notas fiscais de compras, e pesquisas aos Sistemas Corporativos da Receita Federai do Brasil, bem como do Sintegra, na internet, constatouse que parte dos fornecedores encontramse em situações irregulares, tais como: empresa inexistente de fato, empresa inativa, empresa não cadastrada na Secretaria da Fazenda do Estado (não habilitada no Sintegra), empresa omissa na entrega de declarações, etc. Diante de tal situação, foram realizadas diligências em várias empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato, com Representação Fiscal propondo a Inaptidão das mesmas. As empresas que se encontram nesta situação estão relacionadas abaixo: (...) Fl. 3141DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 8 7 Tal fato demonstra que a fiscalização somente emitiu os ADE DE INAPTIDÃO após comprovar a inexistência das pessoas jurídicas, ou seja, ditos atos declaratórios não foram o ponto de partida para a glosa. Seguimos com mais excertos do TVF: (...) No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato contínuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais. (...) Também efetuamos glosas de créditos do PIS/COFINS referentes a aquisições de empresas representadas pela Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente), relacionadas através de Ofício proveniente do Delegado Regional Tributário. As empresas, bem como os motivos para a glosa, estão relacionadas abaixo: a) Frigorífico São Matheus, nome fantasia da empresa CARD ALIMENTOS LTDA, CNPJ n° 02.987.722/000107. A data de início da situação é 03/10/2002. Os motivos descritos na representação são: Simulação da existência do estabelecimento e Simulação da realização de operações comerciais. Portanto, podese concluir pela inexistência de fato da empresa a partir de 03/10/2002, glosando os créditos solicitados a partir desta data. Além disso, houve diligência à referida empresa, conforme item 10.1. b) Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda, CNPJ n° 04.842.983/000164. O motivo da representação é a inidoneidade de documentos fiscais. No presente caso, a empresa estava na condição "não habilitada" no Sintegra desde 11/03/1999. Portanto, não estava autorizada a emitir notas fiscais a partir da data em tela. A glosa dos créditos deverá ocorrer a partir das notas fiscais emitidas posteriormente à data em questão. (...) A empresa Vitapelli Ltda em vez de efetuar pagamento diretamente ao fornecedor efetuou pagamentos para outras empresas através de Cessão de Créditos a terceiros com autorização do fornecedor. Para subsidiar a fiscalização foram selecionadas, por amostragem, algumas empresas abaixo relacionadas, que receberam tais créditos, e estas foram intimadas a responderem alguns quesitos, conforme abaixo, in verbis: (...) Após esse trecho segue o relato da investigação em diversos cessionários de crédito e não se conseguiu comprovar a operação de pagamento. Os que a fiscalização obteve êxito em encontrálos, todos negaram relação negocial com o contribuinte. Alguns que não foram encontrados comprovouse que sequer tinham movimentação bancária no período como no exemplo a seguir: (...) 11.2. Fábio Benvindo Freitas Maia Fl. 3142DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 9 8 A pesquisa no sistema Dossiê Integrado da SRF revela que a referida empresa não apresentou nenhuma movimentação financeira nos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, e apresentou DIPJ na condição de "INATIVA" nos anoscalendário de 2002 a 2005. (...) Em conclusão, a razão principal das glosas não foi em decorrência de procedimentos formais nos quais a inexistência da relação comercial dáse por presunção, como são os casos decorrentes da simples existência de atos declaratórios de inaptidão da pessoa jurídica. Ao contrário, como visto, a fiscalização efetuou um minucioso trabalho de investigação e demonstrou a inexistência de relação negocial entre o contribuinte e vários de seus supostos fornecedores. Tal fato, afasta todo o argumento do voto vencido e do contribuinte de que as glosas só poderiam realizarse a partir da data de emissão dos atos declaratórios de inaptidão das pessoas jurídicas. Cumpre destacar que o contribuinte teve todo direito de defesa, com apresentação de impugnação, recurso voluntário e agora o presente recurso especial. Poderia ter se dedicado mais a descontruir as provas da fiscalização, comprovando de forma inequívoca a regularidade de seus créditos. Porém não obteve sucesso e tenta afastar as glosas utilizando, a meu ver, indevidamente, com apego a aspectos meramente formais, o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp 1148444, definitivamente não aplicável ao presente caso. Além de tudo o que já foi exposto, é importante ressaltar que estamos diante de um pedido de ressarcimento decorrentes de créditos de PIS e Cofins, no qual cumpre ao contribuinte, de maneira inequívoca, comprovar a certeza e liquidez do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 3143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000626/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
SIMPLES. LEI 9.317/96, ART. 9º, XIII. PROTÉTICO. ATIVIDADE VEDADA. LEI 6.710/1979.
A Lei nº 6.710/1979 exige a habilitação profissional e inscrição de protético no Conselho Regional de Odontologia do Técnico em Prótese Dentária. Diante disso, a atividade amolda-se ao artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, sendo vedada a permanência no Simples.
Numero da decisão: 9101-003.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 SIMPLES. LEI 9.317/96, ART. 9º, XIII. PROTÉTICO. ATIVIDADE VEDADA. LEI 6.710/1979. A Lei nº 6.710/1979 exige a habilitação profissional e inscrição de protético no Conselho Regional de Odontologia do Técnico em Prótese Dentária. Diante disso, a atividade amolda-se ao artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, sendo vedada a permanência no Simples.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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LEI 9.317/96, ART. 9º, XIII. PROTÉTICO. ATIVIDADE VEDADA. LEI 6.710/1979. A Lei nº 6.710/1979 exige a habilitação profissional e inscrição de protético no Conselho Regional de Odontologia do Técnico em Prótese Dentária. Diante disso, a atividade amoldase ao artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, sendo vedada a permanência no Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 06 26 /2 00 3- 11 Fl. 162DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 180200.558, onde se cancelou exclusão ao SIMPLES perpetuada no âmbito da Lei 9.137/96, pela constatação de que a atividade de confecção de próteses dentárias não esta impedida de optar pelo Simples, pois não se assemelha à atividade da profissão regulamentada do dentista. A exclusão do Simples foi determinada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n°. 461.709, de 07.08.2003 (fls. 03), em virtude do exercício pela recorrente de atividade econômica vedada, pois relacionada com a prestação de serviços na área de saúde. A recorrente manifestou seu inconformismo com aquela decisão, afirmando ter absoluta convicção de que o seu objeto social (prestação de serviços de prótese dentária) pode se enquadrar nas atividades que permitem a tributação no regime do Simples. O Resultado da análise da SRS sustentou a ilegalidade da opção pelo Simples, com base no disposto no inciso XIII do artigo 9° da Lei n. 9317, de 1996. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ manteve a exclusão da contribuinte do Simples, sob o fundamento de que a lei veda que a atividade de prestação de serviços profissionais de dentista e assemelhados seja submetida ao regime do Simples. Apresentado Recurso Voluntário, a Turma a quo a ele deu provimento, conforme ementa abaixo: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microernpresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Exercício: 2003 SIMPLES PROTÉTICO A atividade de . Confecção de próteses dentárias não esta impedida de optar pelo Simples, pois não se assemelha à atividade da profissão regulamentada do dentista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. " Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência alegando que não há como afastar a regra excludente prevista no inciso XIII do art. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13982.000626/200311 Acórdão n.º 9101003.566 CSRFT1 Fl. 163 3 9º da Lei n° 9.317/96, uma vez que a atividade de protético exige habilitação profissional para seu exercício. O Recurso da Fazenda foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte apresenta contrarrazões, pedindo o não provimento do recurso Fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, eis que tempestivo e devidamente demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. Como relatado, o Ato Declaratório Executivo identificou como situação excludente do Simples o exercício de atividade econômica vedada, qual seja: atividades relacionadas com a atenção à saúde, fundamentado no artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996. À ocasião da ocorrência de fato identificado como causa para exclusão do Simples Federal (02/09/2000), vigia a Lei nº 9.317/1996, que prescrevia: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; O acórdão paradigma (nº 30239510) apresenta entendimento divergente, ao tratar da exigência legal para habilitação profissional, conforme Lei nº 6.710/1979. Esta Turma da CSRF, embora com composição distinta da atual, decidiu por manter o acórdão paradigma, conforme acórdão em julgamento do recurso especial, do qual se destaca a ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2004 Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. EXCLUSÃO. ATIVIDADE DE PROTÉTICO DENTÁRIO. Fl. 164DF CARF MF 4 À empresa que preste serviço de protético dentário é vedada a opção pela sistemática de tributação do Simples regulada pela Lei n° 9.317/96, por tratarse de serviço típico de profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida, na forma da Lei n° 6.710/79 e do Decreto n° 87.689/82. Com efeito, a Lei nº 6.710/1979, que permanece em vigor até a presente data, exige a habilitação profissional e inscrição no Conselho Regional de Odontologia do Técnico em Prótese Dentária para exercício de sua atividade: Art. 1º O exercício da profissão de Técnico em Prótese Dentária, em todo o território nacional, fica sujeito ao disposto nesta Lei: Art. 2º São exigências para o exercício da profissão de que trata o art. 1º: I habilitação profissional, a nível de 2º grau, no Curso de Prótese Dentária; II inscrição no Conselho Regional de Odontologia, sob cuja jurisdição se encontrar o profissional a que se refere esta Lei. Parágrafo único. A exigência da habilitação profissional de que trata este artigo não se aplica aos que, até a data da publicação desta Lei, se encontravam legalmente autorizados ao exercício da profissão. Diante disso, sendo a atividade de Técnico em Prótese Dentária submetida à habilitação profissional, justificase a aplicação do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, impedindose a permanência da contribuinte no Simples Federal. Por tais razões, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, para reforma do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000560/2004-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que o valor lançado seja ajustado de modo que a multa aplicada tome por base o valor declarado pelo contribuinte em sua DITR/DIAC.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 05 60 /2 00 4- 27 Fl. 91DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que o valor lançado seja ajustado de modo que a multa aplicada tome por base o valor declarado pelo contribuinte em sua DITR/DIAC. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10240.000560/200427 Acórdão n.º 2402006.190 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração para o lançamento de multa por atraso na apresentação da DITR/99, no valor principal de R$ 8.280,00, que corresponde a 18% (1% por mês em atraso) do ITR apurado para aquele exercício, na monta de R$ 46.000,00, relativo ao NIRF nº 5.663.0875. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ. Em seu Recurso Voluntário de fls. 31/35, aduz, em resumo: 1 Que a multa por atraso deveria tomar como base de cálculo o valor declarado pelo próprio contribuinte em sua DITR/99, uma vez que o valor lançado de ofício, sobre o qual teria incidida a multa, ainda estaria com sua exigibilidade suspensa em função de recurso interposto tempestivamente. Assim, eventual lançamento deveria aguardar a definitividade daquele lançamento. 2 Que, se mantida a autuação do ITR, seja a multa cobrada do antigo proprietário, a teor do artigo 130 do CTN, parte final. Iniciado o julgamento do Recurso Voluntário em 20.05.2008, por meio da Resolução nº 30301431 os autos retornaram à unidade de origem para que se aguardasse a conclusão do processo 10240.000909/200340, que se reporta ao ITR/99, constituído de ofício. Às fls. 73/77, constam exame e reexame de admissibilidade de Recurso Especial interposto pelo autuado, relacionado àquele PAF 10240.000909/200340, por meio dos quais concluise pela negativa de seu seguimento. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 13.12.2006 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 03.01.2007. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Retornado os autos a julgamento, pôdese notar o término da discussão administrativa no que se refere ao valor do ITR correspondente ao exercício 1999, quando então se concluiu, como se extrai da ementa colacionada no exame de admissibilidade mencionado alhures, por dar parcial provimento ao recurso voluntário do aqui recorrente. Confirase: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10240.000560/200427 Acórdão n.º 2402006.190 S2C4T2 Fl. 4 5 Não obstante, o que se discuti aqui é a base de cálculo da multa. Se o valor declarado pelo contribuinte na DITR apresentada em atraso; se o valor lançado pela fiscalização. O artigo 7º da Lei 9.393/96, ao tratar da entrega do DIAC fora do prazo, estabelece que será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Ou seja, a redação, ao tratar da entrega extemporânea daquela declaração, conduz à percepção de que a base de cálculo para a incidência da multa é o valor devido lá declarado e não aquele que por ventura vier a ser apurado por meio de lançamento de oficio, que deve ser cobrada do recorrente, por força do artigo 130 do CTN, ante a não apresentação do título aquisitivo em seu nome. Reforçase que referida DITR apresentada em atraso foi transmitida em nome do recorrente, em 28.03.2001, cujo vencimento do prazo se deu em 30.09.1999, em data posterior a da lavratura da escritura de fls. 40/43. Registrese que para este último (valor lançado), há a previsão da multa de oficio a que alude o artigo 44 da Lei 9.430/96, a teor do § 2º do artigo 14 do diploma encimado 1. Nesse mesmo sentido, o acórdão 920205.163, da 2ª Turma da CSRF, a seguir ementado, por meio do qual, por unanimidade, decidiuse por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. No caso em exame, noto que a multa foi aplicada tomando por base o valor lançado nos autos do processo 10240.000909/200340. 1 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Fl. 95DF CARF MF 6 Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, DARLHE PARCIAL provimento, para determinar o ajuste no valor lançado, tomando por base o valor declarado pelo contribuinte em sua DITR/DIAC. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
