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Numero do processo: 10725.903162/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 62 /2 00 9- 26 Fl. 56DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10725.903155/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10725.903162/200926 Acórdão n.º 1402003.364 S1C4T2 Fl. 3 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 58DF CARF MF 4 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.353, de 15/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903155/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.353): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.903162/200926 Acórdão n.º 1402003.364 S1C4T2 Fl. 4 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado Fl. 60DF CARF MF 6 em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.903162/200926 Acórdão n.º 1402003.364 S1C4T2 Fl. 5 7 A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. Fl. 62DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721611/2013-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Deve ser considerada matéria não impugnada questão que não foi objeto da Impugnação, não podendo este Tribunal Administrativo analisá-la em sede de Recurso Voluntário.
DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vista à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN, não havendo que se falar em decadência.
CAPITULAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO
O enquadramento legal que se destine a elencar normas específicas da operação que ensejou o lançamento do tributo não acarreta a nulidade do auto de infração quando não estiver equivocado nem ensejar hipótese de cerceamento de defesa a ser realizada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2201-004.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vista à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN, não havendo que se falar em decadência. CAPITULAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO O enquadramento legal que se destine a elencar normas específicas da operação que ensejou o lançamento do tributo não acarreta a nulidade do auto de infração quando não estiver equivocado nem ensejar hipótese de cerceamento de defesa a ser realizada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 11 /2 01 3- 46 Fl. 789DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 790 2 (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 771/784, interposto contra decisão da DRJ em Porto Alegre/RS, de fls. 753/760, a qual julgou improcedente a impugnação administrativa referente ao lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 600/605, lavrado em 19/7/2013, relativo a fatos geradores ocorridos em 17/07/2008, 18/07/2008, 22/07/2008 e 25/07/2008, com ciência do RECORRENTE em 23/7/2013, conforme AR de fls. 609/610. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado em função da ausência de recolhimento do imposto sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável, no valor de R$ 20.467.575.13, já incluso juros de mora (calculados até o lançamento) e sem multa de ofício. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 606/608, o contribuinte apurou ganho de capital ao integralizar ações de sua propriedade para Fundos de Investimentos (parte para o Fundo de Investimento de Ações Fortaleza– Ag. De Custódia Banco USB Pactual HS e parte para o Fundo de Investimentos em Ações HS) Ainda, no mesmo documento, afirma o fiscal que o contribuinte recolheu regularmente o imposto devido sobre o ganho de capital apurado, com exceção daquele proveniente da integralização das ações do Itaú SA. Isto porque, na ótica do contribuinte, 11.114.419 ações das 23.000.000 integralizadas estariam isentas por terem sido adquiridas antes da Lei nº 7.713/1988, que revogou a isenção estabelecida pelo art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510/76. Buscando o reconhecimento desta isenção, o contribuinte ingressou com o Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0192144. Nestes autos, o contribuinte depositou judicialmente a parcela controvertida do imposto, no valor integral de R$ 13.927.310,44. A fim de evitar o transcurso do prazo decadencial, a despeito da suspenção da exigibilidade em razão da existência de depósito judicial, foi lavrado o presente auto de infração, no valor de R$ 13.927.310,44, acrescido dos juros no montante de R$ 6.540.264,89, sem a aplicação da multa de ofício. Da Impugnação Fl. 790DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 791 3 O RECORRENTE, devidamente intimado do auto de infração em 23/7/2013, conforme AR de fls. 609/610, apresentou sua Impugnação de fls. 613/632 em 20/8/2013. Na impugnação, esclareceu haver ação judicial na qual discute a legalidade da cobrança do IRPF sobre o ganho de capital apurado na integralização de quotas em Fundos de Investimento adquiridas até 31/12/1988, tendo em vista que as ações foram adquiridas na vigência do DecretoLei nº 1.510/76, art. 4º, alínea “d”, que previa a isenção do IRPF nas operações de alienação de participação societária, após 5 anos da aquisição das ações pelo alienante. Destaca, também, que efetuou depósito judicial no valor do imposto questionado judicialmente (valores objeto do lançamento). De início, defende a possibilidade da discussão administrativa dos pontos não apresentados em sua impugnação, uma vez que se trata de objeto diferente daquele discutido judicialmente, diante do que, não havendo identidade de objeto, há a possibilidade de análise das matérias em duas esferas, quais sejam administrativa e judicial, mesmo que se trate do mesmo lançamento. Alega a decadência de parte do débito lançado, tendo em vista que foi notificado do auto de infração apenas em 23/07/2013, enquanto o crédito exigido se refere aos fatos geradores de 17/07/2008, 18/07/2008 e 22/07/2008, diante do que se encontram extintos pelo transcurso do prazo para sua constituição. Aduz, ainda, a existência de nulidade do auto de infração, o que justifica pela existência de equívoco na fundamentação do lançamento. Isso porque, segundo o contribuinte, os dispositivos legais citados como enquadramento legal, no auto de infração, referemse a diferentes formas de tributação de rendimentos de Pessoa Jurídica ou mesmo de tributação de rendimentos decorrentes de Bolsa de Valores, de mercadorias, de futuros, e assemelhadas, enquanto o fato jurídico do objeto da autuação está relacionado à capitalização de cotas de Fundos de Investimento constituídos, sob a forma de condomínio fechado, operada por Pessoa Física. Da Decisão da DRJ em Porto Alegre/RS A DRJ de origem julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 753/760, com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 NULIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL. Eventual falha no enquadramento legal do Auto de Infração não acarreta, por si só, cerceamento de defesa do contribuinte. Se a acusação fiscal está claramente descrita e o contribuinte demonstrou pleno entendimento da infração, deve ser afastada a hipótese de nulidade por prejuízo ao contraditório. DEPÓSITO MONTANTE INTEGRAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PODER JUDICIÁRIO. É pacifica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos Fl. 791DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 792 4 sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste. Esse também é o entendimento da Coordenação de Tributação da RFB, nos termos da Solução de Consulta Interna nº 3 Cosit, de 3 de março de 2016. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, no presente processo, o mérito do litigio, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A DRJ de origem, em suma, rejeitou as alegações de nulidade e decadência e decidiu que a cobrança do crédito tributário deveria adequarse ao decidido pelo Poder Judiciário. por Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 14/02/2018, conforme AR de fl. 768, apresentou Recurso voluntário de fls. 771/784, em 15/03/2018. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE basicamente reitera os argumentos da Impugnação acerca da decadência e da nulidade por erro na capitulação legal. Ademais, requereu a apreciação da questão de mérito envolvendo a isenção relativa às ações adquiridas até 1983, em razão do art. 4º, “d”, do DecretoLei nº 1.510/76. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Da Alegação de matéria não discutida na via Judicial Fl. 792DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 793 5 O RECORRENTE pretende discutir o mérito sobre a isenção das ações adquiridas 05 anos antes da revogação do art. 4º, “d”, do DecretoLei nº 1.510/76, ou seja, até 1983. O Relatório Fiscal aponta que a questão envolvendo a isenção das quotas adquiridas até 31/12/1988 (ou seja, antes da vigência da Lei nº 7.713/88) foi submetida à apreciação judicial quando da impetração do mandado de segurança nº 0019214 10.2008.4.03.6100. O RECORRENTE confirma tal fato em sua impugnação, o que pode ser verificado na cópia do mencionado Mandado de Segurança (fls. 651/665). Por outro lado, em sede de recurso voluntário, o RECORRENTE argumenta que a questão envolvendo a parte das ações alienadas adquiridas até 1983 (5 anos antes da vigência da Lei nº 7.713/88) não foi objeto de análise e discussão judicial e requereu, portanto, a reforma do acórdão da DRJ para o cancelamento do auto de infração. No entanto, entendo que não merece prosperar o pleito do RECORRENTE. O próprio RECORRENTE afirma expressamente em sua Impugnação que submeteu à apreciação judicial a matéria relativa à isenção das quotas adquiridas até 31/12/1988 (item II da peça impugnatória – fl. 618) e não fez nenhuma outra alegação de mérito, limitandose a defender a nulidade e a decadência em sua peça impugnatória. Ou seja, mesmo não havendo a judicialização da questão envolvendo as quotas adquiridas até 31/12/1983, tais razões não fizeram parte das alegações de defesa expostas na impugnação. Assim, independentemente de a matéria ter ou não sido apreciada pelo Judiciário, tal questão não foi objeto da Impugnação, devendo ser considerada matéria não impugnada (mesmo no caso de não ter sido submetida ao Judiciário). De um lado ou de outro, não é possível a apreciação de tal questão de mérito por este Tribunal Administrativo, pois tal questão deve seguir a sorte do que restar decidido pelo Poder Judiciário. Caso o RECORRENTE entenda que a solução dada pelo Poder Judiciário não foi a mais correta, deve ele lançar mão dos recursos judiciais cabíveis, inclusive verificar a possibilidade de ajuizamento de ação rescisória para adequação do seu caso ao entendimento firmado pelos Tribunais Superiores. Ao analisar os autos, é possível verificar que a discussão tratada por meio de ação mandamental impetrada pelo ora RECORRENTE trata da legalidade da cobrança do débito tributário, enquanto sua impugnação, bem como o Recurso Voluntário sob análise, requer o cancelamento do auto de infração sob os fundamentos de decadência de parte do crédito tributário e de nulidade do lançamento por equivocada indicação da fundamentação legal do auto de infração. Posto isso, passo à análise das demais razões apresentadas no recurso que não foram submetidas ao Judiciário. Da capitulação legal do Auto de Infração Fl. 793DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 794 6 O RECORRENTE pleiteia a nulidade do auto de infração, o que justifica pela existência de equívoco na fundamentação do lançamento. Alega que os dispositivos legais citados como enquadramento legal, no auto de infração, referemse a diferentes formas de tributação de rendimentos de Pessoa Jurídica ou mesmo de tributação de rendimentos decorrentes de Bolsa de Valores, de mercadorias, de futuros, e assemelhadas, enquanto o fato juridico do objeto da autuação está relacionado à capitalização de cotas de Fundos de Investimento constituídos, sob a forma de condomínio fechado, operada por Pessoa Física. Defende o RECORRENTE que o Auto de Infração deveria ter sido fundamentado no art. 117 do RIR/99 e que a capitulação legal inadequada cerceou seu direito à defesa. No processo administrativo federal são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Por sua vez, o art. 10, também Decreto nº 70.235/1972, elenca os requisitos obrigatórios mínimos do auto de infração, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Desta forma, para ser considerado nulo, o lançamento deve ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 795 7 Havendo compreensão dos fatos e fundamentos que levaram à lavratura do auto de infração pelo contribuinte, bem como cumprimento dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/2012, não há como se falar em nulidade do auto de infração. Assim entende o CARF: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. (Acórdão 3301004.756 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 20/6/2018, Rel. Liziane Angelotti Meira ) AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação (Acórdão nº 3302005.700 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão 26/7/2018, Rel. Paulo Guilherme Déroulède) O Auto de Infração sob análise restou fundamentado sob o seguinte Enquadramento Legal: “Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2008 e 31/07/2008: Arts. 743, 761, 764, 765 766, 770 e 852 do RIR/99 Art. 2º, II, da Lei nº 11.033/04”. Ocorre que, conforme esclarecido pelo RECORRENTE, o ganho de capital foi apurado em função de alienações de participações societárias, mediante capitalização de cotas de Fundos de Investimento constituídos sob a forma de condomínio fechado operadas no ano calendário de 2008. A capitulação legal trazida pela Fiscalização, nesse sentido, mostrase totalmente coerente, vez que trata das normas tributárias incidentes sobre as operações de fundos de investimento, da constituição dos ganhos líquidos e de sua tributação pelo imposto sobre a renda; nesse diapasão, o capítulo acerca dos “FUNDOS DE INVESTIMENTO, CLUBES DE INVESTIMENTO E OUTROS DA ESPÉCIEAÇÕES”, presente no RIR/1999, dispõe acerca do auferimento de ganhos pela pessoa do investidor, seja física ou jurídica, sem que haja diferença em função de sua natureza. O art. 117 do RIR/99 trata do auferimento de renda pela pessoa física e da incidência do IRPF, tratandose de dispositivo genérico. A Fiscalização fundamentou o lançamento em dispositivos que tratam especificamente dos ganhos líquidos auferidos em função de Fundo de Investimento, o que, nem de longe, tratase de equívoco ou matéria que enseje a nulidade do Auto de Infração. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 796 8 Além disso, o suposto erro de capitulação legal, ainda que tivesse ocorrido, não prejudicou o direito a defesa do contribuinte, visto que o mesmo compreendeu todos os fatos e fundamentos que levaram a lavratura do auto de infração, sendo inclusive objeto de ação judicial autonoma. Visto isso, observase ser improcedente tal argumento de defesa do RECORRENTE. Do lançamento por homologação e do prazo decadencial O RECORRENTE defende que foram atingidos pela decadência os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram em 17/7/2008, 18/7/2008 e 22/7/2008, ao passo que a ciência do Auto de Infração impugnado se deu em 23/7/2013, fls. 609, diante do que haveria expirado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para o devido lançamento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733 ¬ SC (2007/0176994¬ 0), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 796DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 797 9 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Por ter sido prolatada sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, a decisão supramencionada deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 798 10 Sendo assim, tendo em vista a existência de incontroversa e efetiva antecipação do tributo conforme esclarecido pela Fiscalização e comprovado pela RECORRENTE por meio do DARF juntado à sua Impugnação (fl. 650) , é imperativa a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, pelo que a contagem do prazo decadencial deve ser contabilizada da ocorrência do fato gerador, visto a natureza do tributo. Vejase. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. É sabido que o IRPF sobre o ganho de capital é uma tributação exclusiva, não levada ao ajuste quando da declaração do imposto de renda da pessoa física. No presente caso, o auto de infração aponta que os fatos geradores de ganho de capital ocorreram em 17/07/2008, 18/07/2008, 22/07/2008 e 25/07/2008, pelo que poderia se entender pela decadência dos fatos geradores ocorridos em 17/07/2008, 18/07/2008 e 22/07/2008 já que o RECORRENTE tomou ciência do lançamento em 23/07/2013. Contudo, conforme bem observou a DRJ de origem, é importante rememorar que o RECORRENTE efetuou o depósito judicial integral do valor objeto da presente autuação. Assim, baseandose no entendimento do Judiciário, afirmou que, “nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, (...) o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vista à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN, não havendo que se falar em decadência” (fl. 758). Cita precedentes do STJ e entendimento firmado através da Solução de Consulta Interna nº 3 – Cosit, de 3 de março de 2016, a qual afirma que o depósito judicial constitui o crédito tributário, conforme art. 150 do CTN, sendo desnecessário o lançamento de ofício para tanto e que tal Solução de Consulta cita entendimento da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nesse sentido. Portanto, concluiu que, “estando o crédito tributário regularmente constituído pelo próprio contribuinte, em momento anterior, por meio de depósito judicial em montante integral, o qual se encontra vinculado ao deslinde da ação judicial pelo Poder Judiciário, não há que se falar em decadência”. Assim, o depósito judicial efetuado pelo contribuinte já antecipou o trabalho de lançamento do fisco, levando a discussão do caso para a via judicial, já que o Fisco reputou como correto o montante depositado em juízo, não se podendo falar que a constituição do crédito tributário ocorreu mediante o lançamento objeto do presente processo. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 799 11 Neste sentido, a constituição do crédito se deu pelo depósito judicial integral do crédito tributário. Assim, s.m.j., não há que se falar em decadência. Neste ponto, reputo importante esclarecer a questão envolvendo a possibilidade de realizar o presente lançamento, mesmo entendendo que a constituição do crédito tributário ocorreu com o depósito judicial integral do montante. É que, através do REsp nº 1.140.956/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC), o Egrégio STJ decidiu que o “depósito integral do crédito exequendo (...), têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração”. Contudo, a CSRF, ao analisar atentamente a questão, expôs seu entendimento no sentido de que tal precedente do STJ apenas aplicase no caso de lançamento efetuado com penalidade (multa), haja vista que a discussão no mencionado REsp tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, portanto, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Neste sentido, cito trecho do Acórdão nº 9202004.303 (de 12/09/2016), de Relatoria da Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, o qual faz remissão ao Acórdão nº 1101001.135, para concluir que o Egrégio STJ somente apreciou, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, hipótese em que o sujeito ativo promove o lançamento de crédito tributário acompanhado de penalidade, em razão de entender, no momento do lançamento, pela não integralidade dos depósitos judiciais por meio dos quais o sujeito passivo pretendeu suspender a exigibilidade o crédito tributário: “A esse respeito, o Contribuinte alega a existência de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil, que vincularia os Conselheiros de CARF, conforme o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF. Tratase do Recurso Especial 1.140.956SP, que no entender desta Conselheira de forma alguma autoriza a conclusão de que deveriam ser declarados nulos os Autos de Infração lavrados em presença de depósito do montante integral do débito. Assim, embora não seja imprescindível a lavratura de Auto de Infração nos casos em que haja depósito do montante integral do crédito tributário, não há base legal para que os lançamentos efetuados nessas condições sejam considerados nulos ou sejam cancelados. Nesse sentido, trago à colação e aqui incluo em minhas razões de decidir o voto proferido pela Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101001.135, de 05/06/2014, que analisou o Recurso Especial 1.140.956SP, citado pelo Contribuinte em seu apelo, concluindo que o efeito repetitivo não contempla a tese esposada pelo Contribuinte: ‘A recorrente invoca a observância do art. 62A do RICARF em razão da manifestação do Superior Tribunal de Justiça assim consolidada na ementa do Recurso Especial nº 1.140.956SP: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA Fl. 799DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 800 12 EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidadeautuação ; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Fl. 800DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 801 13 Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206). 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: "A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora." 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessume se do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: "O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontra se em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 802 14 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (destaques no original) Porém, observase que a discussão, naqueles autos, tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, assim, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Aqui, o lançamento foi formalizado sem aplicação de penalidade e com o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inexistindo qualquer questionamento acerca da suficiência do depósito judicial. Por sua vez, o voto condutor do julgado antes mencionado principia observando que: Entrementes, dentre os multifários recursos especiais relacionados à questão da impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal, ante a existência de ação antiexacional conjugada ao depósito do crédito tributário, grande parte referese à discussão acerca da integralidade do depósito efetuado ou da existência do mesmo, razão pela qual impõese o julgamento da controvérsia pelo rito previsto no art. 543C, do CPC, cujo escopo precípuo é a uniformização da jurisprudência e a celeridade processual. (destaques do original) Sob esta ótica, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse acerca da implementação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de depósito judicial, asseverando que sua implementação, quando integral, impede “atos de cobrança”, dentre os quais inseriu a “lavratura do auto de infração e aplicação de multa”, sem apreciar a possibilidade de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade. É nesse contexto específico que exsurge o impedimento à lavratura do auto de infração em face de depósito judicial integral do tributo. No mais, o Superior Tribunal de Justiça teve em conta apenas a extinção do crédito tributário em razão da conversão do depósito em renda da Fazenda Pública, bem como a suficiência do depósito judicial no caso concreto em análise, determinando a extinção da execução fiscal em curso. Concluise, do exposto, que o Superior Tribunal de Justiça não decidiu, no rito do art. 543C, acerca da impossibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, de tributo depositado judicialmente. Por tais razões, deve ser REJEITADO o pedido de vinculação ao julgado antes referido, por força do art. 62A do RICARF." (...) Assim, resta claro que o julgado ora analisado de forma alguma autoriza a interpretação no sentido de que o Auto de Infração lavrado apenas para prevenir a Fl. 802DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2201004.786 S2C2T1 Fl. 803 15 decadência, adotando todas as cautelas legais, no sentido da manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, lavrado por pessoa competente e sem qualquer cerceamento de direito de defesa deva ser declarado nulo, por haver o Contribuinte efetuado depósito do montante integral do débito." (destaques no original) Sendo assim, quando o lançamento é efetuado sem a aplicação de multa e com suspensão da exigibilidade do crédito tributário, como é o caso, não haveria que se falar em cancelamento do lançamento. Mesmo que estivesse em discussão a desnecessidade de realização do lançamento de ofício, conforme acima exposto, há de se entender o lançamento, nesses casos, como um meio de lastrear o depósito judicial; ou seja, de criar no banco de dados do Fisco um débito para atrelar o crédito tributário discutido na ação judicial e que foi depositado em juízo. Em caso de sucesso da ação judicial, o débito é cancelado do sistema e o valor depositado retorna ao contribuinte; em caso de indeferimento, o valor depositado é automaticamente revertido para a união e é dado baixa no débito no sistema, que estará lastreado pelo lançamento de ofício. Caso assim não fosse, o valor depositado seria revertido para a união, porém não haveria débito correspondente para ser baixado, o que geraria uma situação no mínimo estranha. Portanto, não há que se falar em prazo decadencial no presente caso, já que o contribuinte apurou o montante que seria devido na operação e o depositou judicialmente, o que corresponde a um lançamento por homologação. Caso houvesse litígio em relação ao valor da exação calculada pelo contribuinte, o fisco poderia promover o lançamento do valor adicional que entendesse devido dentro do prazo decadencial. Porém, na hipótese dos autos. O débito já foi constituído e seu valor aceito pela União. Assim, o lançamento objeto do presente processo se presta meramente para vincular o depósito judicial a algum débito, não havendo necessidade de se respeitar eventual prazo decadencial, como pleiteia o RECORRENTE, haja vista que a constituição do crédito tributário já ocorreu com o depósito judicial e não há divergências quanto ao montante do crédito tributário discutido, razão pela qual o presente lançamento foi efetuado sem multa e com suspensão da exigibilidade. Acrescento que a realização do lançamento de ofício ou sua manutenção não acarretam qualquer prejuízo para o contribuinte, uma vez que o crédito tributário objeto do presente lançamento está amparado por depósito judicial e não lhe seria exigido até o trânsito em julgado do mandado de segurança por ele impetrado (processo nº 2008.61.00.0192144). Ressalvo que a presente manifestação decorre de nova reflexão por parte deste Relator, que se mostrou incompatível com entendimento anterior manifestado com a leitura do voto da sessão de setembro/2018. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, conforme razoes acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 803DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720229/2014-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 28/02/2006
NORMAS. REGIMENTOS. RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática do acórdão paradigma não é similar á do aresto recorrido. Em concreto, o paradigma analisava a incidência de contribuição sobre receitas financeiras de instituição bancária e o acórdão a quo sobre receitas financeiras de empresa de arrendamento mercantil.
Numero da decisão: 9303-007.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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REGIMENTOS. RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática do acórdão paradigma não é similar á do aresto recorrido. Em concreto, o paradigma analisava a incidência de contribuição sobre receitas financeiras de instituição bancária e o acórdão a quo sobre receitas financeiras de empresa de arrendamento mercantil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 29 /2 01 4- 25 Fl. 1744DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de restituição, à efl. 001, com base em créditos de Cofins, à efl. 001, decorrente decisão judicial transitada em julgado, utilizado em pedidos de compensação por PER/Dcomp de efls. 433 a 480. Os créditos pleiteados montavam a R$ 11.005.561,35, relativos aos períodos de janeiro de 1999 a fevereiro de 2006. O pedido da contribuinte fundamentavase em título judicial transitado em julgado no bojo ação rescisória nº 001111288.2006.4.01.0000 (2006.01.00.0107238), que lhe garantiria a apuração da contribuição em epígrafe sobre o faturamento tal como definido pela LC 07/70, afastando a majoração da base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718/1998. A decisão do referido mandado transitou em julgado em 06/04/2009 e a interessada efetuou pedido de habilitação dos créditos que foi deferido em 06/03/2014 (efl. 009). No despacho decisório que apreciou os pedidos de compensação, às efls. 1108 a 1118, a DIORT/DEINF/SP, após examinar o inteiro teor das decisões judiciais proferidas no processo judicial respectivo, fundada no Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007, deferiu em parte o pedido formulado. No despacho foi evidenciado que a contribuinte não formulara pedido específico para que fossem delimitadas expressamente as receitas que se enquadrariam na base de cálculo da Cofins após o afastamento definitivo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. Assim, foram excluídos da apuração do indébito os recolhimentos oriundos das receitas as receitas de intermediação financeira, com títulos de capitalização, títulos e valores mobiliários e receitas de aplicações interfinanceiras de liquidez e prêmios de seguros auferidas exclusivamente pelas instituições financeiras, empresas de capitalização, sociedades gestoras de ativos, seguradoras e sociedades de arrendamento mercantil, por se qualificarem como advindas do exercício da atividade fim da pessoa jurídica, diretamente relacionadas ao objeto social dessas entidades, que se encontram enumeradas no § 1º do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Em razão da nãohomologação houve ainda lançamento da multa isolada, prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em auto de infração contido no processo nº 16327.721076/201433, apenso a este. Cientificada desse despacho (efl. 1130), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 08/01/2015, às efls. 1137 a 1165. A 1ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão nº 0268.847, prolatado em 07/06/2016, às efls. 1386 a 1410, considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada do acórdão da DRJ em 13/06/2016 (efl. 1421), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 10/06/2016, às efls. 1433 a 1474. No recurso, argumenta sobre os seguintes tópicos: a) argui ofensa à coisa julgada, pois a caracterização de faturamento adotada pelo fisco não se compaginaria com aquele exposto na ação judicial própria, que o circunscreveu à receita da venda de bens e serviços, nos termos da LC 70/91, particularmente do seu art. 2º; b) conceito de faturamento de acordo com a jusrisprudência do STF; c) posicionamento do STF em relação à base de cálculo do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, discussão nova, sem efeitos extunc, acrescido da edição da MP Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 16327.720229/201425 Acórdão n.º 9303007.481 CSRFT3 Fl. 1.745 3 nº 627/2013, que só em 2013 trouxe maior alcance à receita bruta, atingindo as receitas da atividade ou objeto principal; e c) impossibilidade de cobrança de multa isolada em compensação. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 26/10/2017, resultando no acórdão nº 3402004.770, às efls. 1510 a 1536, que tem as seguintes ementas: INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos artigos 2º e 3º, caput da Lei nº 9.718, de 1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º desta lei. As receitas decorrentes das atividades constantes do seu objeto social (artigo 17 da Lei nº 4.595/1964), mais precisamente as Receitas Financeiras decorrentes da intermediação financeira, se enquadram na hipótese de incidência da Contribuição para a COFINS, já que são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. É devida a aplicação da multa isolada normal de 50% (cinquenta por cento), prevista no art. 62 da Lei 12.249/2010, sobre o valor do débito objeto de DCOMP não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Alexandre S. Pacheco, OAB/SP 160.078. O voto condutor, à efl. 1958, resume as considerações que motivaram a decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro no sentido de sobrestar o julgamento até a decisão final no RE nº 609.096/RS, sob julgamento no STF no rito de repercussão geral. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Daniel; e, no mérito: (a) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do processo 16327.720229/201425; e (b) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso referente ao processo apensado de nº 16327.721076/201433. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Fl. 1746DF CARF MF 4 Embargos de declaração da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão nº 3402004.770 (efl. 1538) em 28/11/2017 (efl. 1548), e manejou embargos de declaração ao acórdão em 30/11/2017, às e fls. 1552 a 1563. Por meio do despacho de efls. 1566 a 1570, em 08/02/2018, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento denegou seguimento aos embargos, por entender inexistentes as omissões no acórdão. Recurso especial da contribuinte Intimada (efl. 1572) da denegação dos embargos em 05/03/2018 (efl. 1582), a contribuinte veio a interpor recurso especial de divergência em 16/03/2018 (efl. 1583), às e fls. 1608 a 1642. Apresenta três pontos de divergência: (i) interpretação relativa à base de cálculo da Cofins após a declaração incidental de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 no acórdão a quo ultrapassa as receitas provenientes da prestação de serviços de qualquer natureza e venda de mercadorias, conforme se depreende do art º da LC nº 70/1991, divergindo do entendimento posto no acórdão paradigma nº 9303004.138, que trata de empresa do mesmo grupo da recorrente, e com base na mesma ação judicial (Ação Rescisória nº 2006.01.00.0107238); (ii) na eventualidade de ser aceita a procedência do despacho decisório para alargar o entendimento sobre o faturamento da contribuinte e salientando que a fiscalização considerou apenas a exclusão das receitas não operacionais da base de cálculo da Cofins, no acórdão paradigma nº 9303005.051 afastase das receitas operacionais aquelas provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros o que não foi efetuado no presente processo; e (iii) questionamento da validade da aplicação da multa isolada sobre valores não homologados na compensação, sem apresentar qualquer paradigma a respeito disso. Ao final, requer o conhecimento e provimento do seu recurso especial, para que seja reformado o acórdão recorrido e reconhecida a suficiência dos créditos pleiteados, além de cancelado o auto de infração da multa isolada. O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 13/04/2018, no despacho de e fls. 1723 a 1727, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento quanto ao veiculado em (i), sem se manifestar sobre os pontos (ii) e (iii). Contrarrazões da Procuradoria A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade de e fls. 897 a 902, em 11/05/2018 (efl. 1728), e apresentou contrarrazões em 18/06/2018, às efls. 1729 a 1741, requerendo a negativa do provimento do recurso especial do sujeito passivo. Inicialmente, o Procurador pleiteia que não seja admitido o recurso especial por falta de similitude fática entre o paradigma e o recorrido, com o seguinte argumento: Veja que o acórdão recorrido analisou o alcance da decisão transitada em julgado na Ação Rescisória nº Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 16327.720229/201425 Acórdão n.º 9303007.481 CSRFT3 Fl. 1.746 5 2006.01.00.01070238 (MG), ajuizada contra o Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0212911/MG. Por sua vez, o Acórdão 9303004.138 analisou o alcance da Ação Rescisória nº 2006.01.00.0107238 ajuizada acórdão proferido no Mandado de Segurança n. 1999.38.000212911. São situações fáticas diferentes, portanto. Na sequência, toma por estofo acórdãos judiciais para concluir que o conceito de faturamento abrange a receita bruta operacional obtida com os recursos decorrentes do desenvolvimento da atividadefim do contribuinte. A inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 não elimina toda e qualquer receita ali incluída e argumenta: A decisão do STF não determinou a exclusão destas receitas de forma indiscriminada, mas entendeu que se deve proceder a uma análise apurada dos itens tributados pela fiscalização para efetivamente verificar se estas podem ou não ser enquadradas como decorrentes da atividade empresarial da empresa (receita operacional). (Negrito do original) Pelas razões apresentadas, a Fazenda Nacional requer a denegação do recurso especial do sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Tendo em vista o pleito do Procurador de que não seja conhecido o recurso especial, analiso seu argumento nesse ponto. Conhecimento De início, há que se apontar quem são os contribuintes dos acórdãos indicados como paradigmas: ACÓRDÃO CONTRIBUINTE 9303004.138 Banco BMG 9303005.051 Banco BRADESCO Financiamentos SA. De fato, ao adotar como paradigma acórdão que trata de entidade bancária, entendo descumprido requisito do art. 67 do RICARF. Ausente a similaridade fática, fica dificultada a análise relativa à interpretação divergente da legislação quanto às receitas das atividades, pois são distintas e poderiam estar contidas na receita bruta para um tipo de empreendimento e não para de outro, ainda que afastado o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 Fl. 1748DF CARF MF 6 no período lançado. Considerando o afastamento dessa norma para o recorrido e para o paradigma, não há como saber qual o critério jurídico que os julgamentos aplicariam nos casos de atividades empresariais distintas. Com efeito, entendo que, para caracterização de divergência jurisprudencial no caso, seria necessário que a recorrente apontasse a título de acórdão paradigma uma decisão que: (a) analisasse a atividade de uma empresa de arrendamento mercantil (leasing) e (b) concluísse que receitas tais como as que estão em discussão não seriam decorrentes de sua prestação de serviço, compondo o faturamento. No caso, nada pode garantir que o colegiado que proferiu a decisão paradigmática, ao se deparar com o contexto fático objeto do presente processo, iria decidir de maneira diversa daquela do acórdão recorrido. Por fim, corroborando o entendimento acima, cumpre referir a jurisprudência desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nos termos do voto condutor do acórdão nº 9303 004.554, da relatoria da i. conselheira Érika Autran, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional em face de situação similar: acórdão recorrido de companhia seguradora e paradigmas referentes a banco. Como essa decisão, também serve de esteio ao entendimento aqui apresentado, por isso transcrevo o trecho apresentado pela Procuradora em seu contrarrazoado, à efl. 1578: (...) Analisando os acórdãos paradigmas, os mesmos tratam da mesma instituição bancária (Banco Triângulo S.A), sendo que a discussão lá abordada se refere à incidência do PIS sobre as receitas operacionais, decorrentes da cobrança de taxas/tarifas por serviços bancários e operações de intermediação financeiras, isto é, atividades tipicamente bancárias. Foi decidido nos acórdãos paradigmas que a essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerentes a sua carteira comercial como por exemplo: desconto de duplicatas com percentual de deságio), carteira de crédito como por exemplo os valores depositados por clientes na instituição que são oferecidos posteriormente a outros clientes por meio de empréstimo ou na forma de cheque especial , todos com juros, e etc. Essas são atividades inerentes a instituição bancária, conforme conta no objeto social e no estatuto social da instituição bancária. Com efeito, apesar dos paradigmas entenderem que as receitas oriundas da atividade operacional das instituições financeiras compõem o faturamento dessas entidades, pois decorrentes do exercício de suas atividades empresariais, os julgados versam sobre situações fáticas e jurídicas inteiramente distintas, não se prestando os acórdãos paradigma para revelar a alegada divergência jurisprudencial no presente caso. (...) Diante disto, entendo que inexiste similitude fática e jurídica entre acórdãos recorrido e paradigmas, vez que tratam de contribuintes e receitas diversas, tratandose, por conseguinte, de relações jurídicotributárias inteiramente distintas. Relativamente à matéria (ii), apesar de não ter sido abordada em sede de despacho de admissibilidade do recurso especial de divergência da Fazenda, além de Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 16327.720229/201425 Acórdão n.º 9303007.481 CSRFT3 Fl. 1.747 7 relativamente ao paradigma, padecer do mesmo problema acima mencionado, saliento que a busca de afastar das receitas operacionais aquelas receitas provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros, não teve prequestionamento no acórdão recorrido, desatendendo o requisito do § 5º do art. 67 do RICARF. Destaco que a matéria nem mesmo foi especificamente arguida no recurso voluntário da contribuinte; esses valores deveriam, ao menos, por ela serem identificados entre as contas da planilhas às efls. 488 a 1087. Por fim, no tocante à matéria (iii), ao tratar da multa isolada, apesar de não citada no mesmo despacho de admissibilidade, não pode ser apreciada, tendo em vista não haver sido apresentado qualquer acórdão para que fosse paragonado em sede de recurso especial; apenas houve argumentação jurídica, sem apresentação de divergência. Dessa forma, em face do exposto, entendo não ser possível estabelecer a divergência jurisprudencial alegada e, com a devida vênia do Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1750DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721604/2011-67
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demetrius Nichele Macei (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), e Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demetrius Nichele Macei (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), e Adriana Gomes Rego (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10935.721604/201167 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.832 – 1ª Turma Sessão de 02 de outubro de 2018 Matéria IRPJ MULTA ISOLADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USINA DE BENEFICIAMENTO DE LEITE LATCO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demetrius Nichele Macei (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 16 04 /2 01 1- 67 Fl. 1751DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), e Adriana Gomes Rego (Presidente). Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 10935.721604/201167 Acórdão n.º 9101003.832 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Trata o processo dos autos de infração relativos aos anoscalendário 2008 e 2009, na sistemática do lucro real anual com estimativas mensais apuradas com base em Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, conforme opção do contribuinte, cujas infrações transcrevemos abaixo: a. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 3.203.437,09, e Multas isoladas pela falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ sobre a base de cálculo mensal apurada, no valor de R$ 2.071.612,04, págs. 863/871: i. IRPJ exigido devido à insuficiência de recolhimento/declaração, apurada pelo confronto entre as Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF; fato gerador em 31/12/2008; base legal no art. 841, I, II e IV do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); multa de ofício de 75%; ii. Multas isoladas com fatos geradores mensais de 28/02/2008 a 31/08/2008, 31/10/2008 a 31/12/2008, 30/04/2009 a 31/08/2009; base legal nos arts. 222 e 843 do RIR de 1999; art. 44, II “b” da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007; b. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 1.161.877,35 e Multas isoladas pela falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL sobre a base de cálculo mensal apurada, no valor de R$ 752.980,34, págs. 873/881: i. CSLL exigido devido à insuficiência de recolhimento/declaração, apurada pelo confronto entre as DIPJ e as DCTF; fato gerador em 31/12/2008; base legal no art. 841, I, II e IV do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); multa de ofício de 75%; ii. Multas isoladas com fatos geradores mensais, de 28/02/2008 a 31/08/2008, 31/10/2008 a 31/12/2008, 30/04/2009 a 31/08/2009; base legal nos arts. 222 e 843 do RIR de 1999; art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Às págs. 883/884, no Termo de Verificação Fiscal TVF, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação; à pág. 861, Demonstrativo de Cálculo de Falta de Declaração e Recolhimento de IRPJ e CSLL; à pág. 862, Demonstrativo de Cálculo da Multa Devida por Falta de Recolhimento de IRPJ e CSLL Estimativa. Fl. 1753DF CARF MF 4 Às págs. 886/887, Representação Fiscal DCTF Entregue Extemporaneamente. A Contribuinte apresentou Impugnação administrativa (efls. 889 a 926), que foi julgada procedente em parte pelo Acórdão da DRJ/CTA nº 0648.113 (efls. 1497 a 1515), reduzindo a exigência de IRPJ do anocalendário 2008 para R$1.236.199,46, e a de CSLL do mesmo ano para R$ 440.361,94, e respectivos multa de ofício de 75% e juros de mora; e reduzir a Multa Isolada estimativas IRPJ para R$1.171.446,60, e a Multa Isolada – estimativas CSLL para R$392.222,61. Vejase a ementa de tal decisão: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALFISCALIZAÇÃO MPFF A regulamentação administrativa não exige que o MPFF seja emitido em procedimento de revisão interna de declarações do contribuinte, mas o Registro de Procedimento Fiscal Revisão Interna. TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO O Termo de Intimação, cientificado ao contribuinte preenche os requisitos de Termo de Início de Fiscalização, excluindo a espontaneidade do sujeito passivo por 60 (sessenta) dias. DCTF RETIFICADORA. CONFISSÃO DE DÉBITOS SOB AÇÃO FISCAL. APÓS CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF retificadoras entregues posteriormente à ciência do Termo de Intimação, e as entregues depois da ciência do auto de infração, não configuram confissão espontânea das dívidas, e o auditor fiscal tem por obrigação funcional, constituir de ofício o crédito tributário, porque se trata de atividade administrativa de lançamento, vinculada à lei e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. AUDITOR FISCAL. PESSOA INCOMPETENTE. CERCEAMENTO DEFESA A inexistência de MPFF, não exigida no caso de revisão interna, não cerceia o direito de defesa do contribuinte, dado que Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB cujo nome e nº da matrícula constam tanto do Termo de Intimação quanto dos autos de infração é a pessoa competente para tanto. CERCEAMENTO. DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10935.721604/201167 Acórdão n.º 9101003.832 CSRFT1 Fl. 4 5 O contribuinte não foi cerceado no seu direito de defesa, se foi corretamente intimado do início da fiscalização, se a intimação e os autos de infração foram emitidos por pessoa competente, e se, devidamente cientificado da autuação, foilhe concedido o prazo para impugnação, que apresentou tempestivamente, a qual está sendo acolhida e analisada e de cujas conclusões tomará ciência, dispondo ainda da possibilidade de recorrer à 2ª instância de julgamento que é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, e eventualmente, ao Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. É aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que o contribuinte, optante pelo regime do lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais apuradas sobre a receita bruta e acréscimos, tenha apurado prejuízo fiscal e base de cálculo, no anocalendário correspondente. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. APURAÇÃO ANUAL. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. A hipótese legal de aplicação da multa isolada não se confunde com a da multa de ofício, pois esta é cabível nos casos de falta de pagamento do valor devido de IRPJ e CSLL apurados ao término do exercício; portanto, ambas devem ser aplicadas ao contribuinte. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa exigida isoladamente e no percentual determinado expressamente em lei sobre o valor do pagamento Fl. 1755DF CARF MF 6 mensal do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, em cada mês, estimado sobre a receita bruta e acréscimos auferidos mensalmente, que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. A Fazenda recorreu de ofício e a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 1531 a 1569). Sob o Acórdão nº 1201001.450, (efls. 1624 a 1657), por unanimidade de votos, a Turma conheceu dos Recursos de Ofício e Voluntário e, no mérito, negou provimento ao primeiro e deu parcial provimento ao segundo, para, em relação ao IRPJ, manter apenas a multa dos meses de abril a agosto de 2009 e o principal de R$ 151.773,03 (abril de 2009), R$ 62.302,27 (maio de 2009), R$ 192.744,04 (junho de 2009), R$ 10.599,21 e R$ 66.339,36 (julho de 2009) e, no que tange à CSL, manter a multa para os débitos dos meses de abril a agosto de 2009. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 Ementa: INEXISTÊNCIA DE MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES. O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que sua inexistência não gera nulidade da infração. DCOMP. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. OCORRÊNCIA. A DCOMP apresentada constitui o crédito tributário (art. 74, §6º da Lei nº 9.430/96). Contudo, se apresentada após o início do procedimento fiscal, mas antes da lavratura do Auto de Infração, ela ainda terá o caráter constitutivo, mas não terá o condão de afastar a incidência da multa de ofício. DCTFS RETIFICADORAS. MERA CORREÇÃO DE ERRO. Tendo sido constituído o crédito tributário por meio de DCOMP, em consonância com a DIPJ, o valor zerado informado na DCTF se trata de mero erro material. DECORRÊNCIA. DESNECESSIDADE DE REUNIÃO DOS PROCESSOS. A reunião dos processos é facultativa e deve ser definida à luz do caso concreto. Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 10935.721604/201167 Acórdão n.º 9101003.832 CSRFT1 Fl. 5 7 DA CONSIDERAÇÃO DA MULTA DE MORA. POSSIBILIDADE. Sendo homologada a compensação, deve ser excluído, quando da execução do julgado, o valor recolhido a título de multa de mora do valor devido a título de multa de ofício. MULTA ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, haja vista que ambas penalidades têm como base o valor das receitas tidas como não tributadas pela Fiscalização. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tendo o auto de infração referente à CSL sido lançado com base nas mesmas infrações,Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ então, aplicamse as mesmas conclusões alcançadas com relação ao IRPJ. Em face de tal decisão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel/Pr, opôs Embargos de Declaração (efls. 1693 a 1695), alegando que existem contradições na decisão embargada, conforme trecho dos Embargos abaixo destacados: "Ao dar parcial provimento ao Recurso Voluntário define o Acórdão que, em relação ao IRPJ, manter apenas a multa dos meses de abril a agosto de 2009 e o principal de R$ 151.773,03 (abril de 2009), R$ 62.302,27 (maio de 2009), R$ 192.744,04 (junho de 2009), R$ 10.599,21 e R$ 66.339,36 (julho de 2009) e, no que tange à CSLL, manter a multa para os débitos dos meses de abril a agosto de 2009." Contudo, o lançamento do presente processo se refere as multas aplicadas em relação a DCOMPS apresentadas pelo contribuinte, mas não há valor de principal lançado, mesmo considerando a apuração anual, porque a empresa apresentou prejuízo. Portanto, no entendimento da DRF, constatase um equívoco no Acórdão na parte em que trata da manutenção do principal do ano de 2009, eis que não há valores de principal lançados no período em questão." Os Embargos de Declaração foram admitidos e acolhidos com efeitos infringentes (efls. 1710 a 1714), passando o dispositivo embargado a ter o seguinte texto: Ante o exposto, voto no sentido de conhecer os Recursos de Ofício e Voluntário e, no mérito, negar provimento ao primeiro e dar parcial provimento ao segundo, apenas para, em relação ao IRPJ, manter apenas a multa dos meses de abril a agosto de 2009 e no que tange à CSL, manter a multa para os débitos dos meses de abril a agosto de 2009. Fl. 1757DF CARF MF 8 Diante de tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (efls. 1659 a 1683), em 08 de novembro de 2016, fundamentado na divergência com relação à matéria "cumulação de multa por falta de recolhimento de estimativas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo". Traz a Recorrente à colação acórdãos paradigmas (Acórdãos nºs 9101 002.414, de 2016, e 1401000.761, de 2012), cujas ementas, quanto a essa matéria, são as seguintes, respectivamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que “serão aplicadas as seguintes multas”. A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 IRPJ. CSLL. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO, CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória “é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal”. No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, tratase de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 10935.721604/201167 Acórdão n.º 9101003.832 CSRFT1 Fl. 6 9 renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar, cumulativamente, a multa de ofício pelo não recolhimento do imposto de renda apurado com o ajuste anual, e a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteuse em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador do imposto de renda. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS E PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL AO DIREITO TRIBUTÁRIO. DIVERSIDADE DE CONTEXTOS. DIVERSIDADE DA NATUREZA DAS SANÇÕES. As normas e princípios do direito penal, relativas a excludentes de ilicitude ou dirimentes, tendo em conta as sanções restritivas de liberdade ali cominadas, não são aplicáveis às sanções administrativas de caráter exclusivamente patrimonial, previstas no âmbito do direito tributário. O Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial (efls. 1686 a 1690), admitiu o recurso da Fazenda, entendendo estar caracterizada a divergência de interpretação suscitada. Ato contínuo, apresentou a contribuinte Contrarrazões de Recurso Especial (efls. 1732 a 1747), alegando em síntese que: a) preliminarmente, com relação ao segundo Acórdão paradigma apresentado pela Recorrente (Acórdão nº 1401001.761), o mesmo foi retificado em decorrência do R. Acórdão nº 1401001.863, que acolheu os Embargos opostos, com efeitos infringentes, cancelando as multas isoladas no anocalendário de 2007 e que portanto, o mesmo não pode ser utilizado para tais fins, não podendo o Recurso Especial da União ser admitido. b) no mérito, que a multa aplicada ao contribuinte não pode ser em percentual superior à 100% do valor do tributo a ser recolhido, sob pena de violar o princípio da proporcionalidade e não confisco e que essa desproporcionalidade, segundo o STF, caracteriza confisco vedado pela CF em seu art. 150, IV. É o relatório. Fl. 1759DF CARF MF 10 Voto Vencido Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. No juízo de admissibilidade, o referido recurso especial foi admitido em relação ao seguinte ponto: 1) aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício sobre o tributo devido no ajuste anual no período posterior à edição da MP 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que deu, através de seu art. 14, nova redação ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Há contrarrazões do contribuinte questionando, quanto ao conhecimento, a impossibilidade de adoção do v. acórdão 1401000761 como paradigma, em razão do mesmo ter sido alterado, em julgamento de embargos, com efeitos infringentes, cancelando as multas isoladas no anocalendário de 2007. Não questiona tempestividade. Contudo, entendo não estar prejudicado o exame do recurso especial. Em primeiro lugar, o Recurso Especial foi apresentado em 2016 e, portanto, antes da alteração do paradigma por meio dos embargos de declaração, que ocorreu em sessão ocorrida em 2017. Ademais, há exigência no Regimento Interno do CARF de que deverão ser apresentadas até duas decisões divergentes por matéria suscitada em âmbito recursal, senão vejamos: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. Assim, tendo sido admitido o recurso especial com fundamento nas divergências apontadas em dois acórdãos paradigmas, mesmo que um deles tenha perdido o objeto supervenientemente, ainda persiste a análise do recurso com base no acórdão paradigma restante, apto e que trata rigorosamente da mesma matéria, o de nº 9101002.414. Deste modo, como o Despacho de Admissibilidade deu seguimento ao Recurso Especial por ser tempestivo e preencher os demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do presente recurso, nos termos do artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/1999, cuja aplicação subsidiária entendo ser cabível no presente feito. Mérito Em síntese, a insurgência trazida pela Fazenda Nacional, em seu recurso especial, para fins de análise deste Colegiado, é a possibilidade de aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento de estimativas, em concomitância com a multa de ofício, após a edição da Lei nº 11.488/2007, o que afasta a aplicação da Súmula CARF 105 no caso concreto. Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10935.721604/201167 Acórdão n.º 9101003.832 CSRFT1 Fl. 7 11 No v. acórdão recorrido ficou assentado o posicionamento de que é “incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, haja vista que ambas penalidades têm como base o valor das receitas tidas como não tributadas pela Fiscalização”. No paradigma, ao contrário, consignouse que “a alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que ‘serão aplicadas as seguintes multas’. A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente” (9101002.414). Com a devida vênia daqueles que pensam de forma diversa, não vejo qualquer razão para o afastamento da concomitância da aplicação da multa de ofício com a multa isolada no período anterior à entrada em vigor da MP 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/07, inclusive com a aprovação da Súmula CARF 105, e a manutenção da concomitância de ambas no o período posterior à edição da referida Medida Provisória. A simples mudança na forma de escrever o disposto no art. 44, da Lei 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, com a devida vênia, não muda a natureza da multa isolada em relação à multa de ofício, quando esta é aplicada no caso concreto. Vejase o disposto no v. acórdão 9101000.966 ao tratar da natureza secundária do bem jurídico tutelado pela penalidade da multa isolada: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Como se vê, a simples alteração na forma da redação do art. 44, pela Lei nº 11.488/07 não altera o raciocínio lógico jurídico disposto no v. acórdão acima transcrito. Ademais, o E. STJ, no v. acórdão de lavra no Exmo. Min. Humberto Martins no Recurso Especial nº 1.496.354/PR, segue a mesma linha de raciocínio jurídico, senão vejamos: Fl. 1761DF CARF MF 12 EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação ao art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase nos casos de “totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: “a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007), e b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)”. 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1.496.354, 2ª Turma, Relator Exmo. Min. Humberto Martins, Data Julgamento 17.03.2015, decisão unânime, DJe 24.03.2015). No voto do Exmo. Min. Humberto Martins, há esclarecimento adicional de que “sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo (art. 44) somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I”. E complementa: “Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do anocalendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, ‘a’ e ‘b’, em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 10935.721604/201167 Acórdão n.º 9101003.832 CSRFT1 Fl. 8 13 não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos casos ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas ‘multas isoladas’, portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativo tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do anocalendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. (...) Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de ofício pela falta de recolhimento de tributo.” De se observar que o entendimento jurídico disposto no v. acórdão recorrido coadunase com o posicionamento firmado pelo E. STJ para o mesmo tema, nos termos acima descritos. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendo íntegro o v. acórdão recorrido neste específico item, de tal forma a manter afastada a incidência da multa isolada no caso concreto, devendo ser mantida, tão somente, a multa de ofício respectiva. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 1763DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araújo Redator designado. Inicialmente, registro a minha concordância com o i. Conselheiro Relator no que toca ao conhecimento do recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Ao contrário do que alega a contribuinte recorrida, o fato de o Acórdão nº 1401000.761 ter sido reformado não impede sua utilização como decisão paradigma no caso sob análise, uma vez que a reforma do julgado se deu posteriormente à interposição do recurso especial pela Fazenda Nacional, não havendo, portanto, afronta à regra fixada pelo § 15 do art. 67 do Anexo II do RICARF/2015. Além disso, mesmo que o citado acórdão não pudesse ser manejado como paradigma, a contribuinte recorrida nada alegou em relação à imprestabilidade da outra decisão paradigma apontada pela PGFN, o Acórdão nº 9101002.414. Assim, de toda forma estaria caracterizada a divergência jurisprudencial necessária ao conhecimento do recurso especial. Todavia, em relação ao mérito da única matéria objeto do aludido recurso, concernente à possibilidade de serem cobradas concomitantemente as multas isolada (devida pela falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL) e de ofício (cobrada pela ausência de recolhimento dos tributos apurados ao final do anocalendário), discordo do entendimento exposto pelo i. Conselheiro Relator, com a devida vênia. Conforme expõe no voto vencido da presente decisão, o nobre Relator entende que a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), não teria operado efeitos capazes de reverter a impossibilidade, já reconhecida pela Súmula CARF nº 105, de cobrança concomitante das multas isolada e de ofício. Penso de maneira diversa. A multa isolada objeto de controvérsia nos presentes autos, devida por ausência de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, era prevista da seguinte forma até o advento da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 10935.721604/201167 Acórdão n.º 9101003.832 CSRFT1 Fl. 9 15 (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano calendário correspondente; (...) Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Observemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição", passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser recolhido na forma prevista no art. 2º da mesma lei; e (ii) o percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do § 1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editouse a já Súmula CARF nº 105: Fl. 1765DF CARF MF 16 Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Reitero meu posicionamento, já externado em outros julgamentos, de não considerar razoável a ilação de que possa ter sido casual a expressa menção, pela Súmula CARF nº 105, do dispositivo que tipificou a multa isolada ali mencionada. A Súmula foi editada pela 1ª Turma da CSRF em 08/12/2014, muitos anos após as mudanças redacionais introduzidas pela Lei nº 11.488/2007. Caso a egrégia Turma quisesse se referir indiscriminadamente a qualquer multa isolada, anterior ou posterior à alteração da redação do art. 44, o teria feito simplesmente deixando de mencionar o art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Ao citar expressamente o dispositivo, a Súmula deixa claro que a cobrança concomitante a que se opõe é aquela que envolve a multa isolada fundamentada na antiga redação do art. 44, antes das alterações promovidas pela Lei nº 11.844/2007. Neste mesmo sentido já se manifestou esta 1ª Turma da CSRF, no recente Acórdão nº 9101003.597, cujo voto condutor trouxe: "Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja justificada em balanços de suspensão ou redução, estabelecidos pelo artigo 35 da Lei nº 8.981/95. A alteração legislativa decorreu do claro propósito de contornar a jurisprudência dominante, ao trazer ao mundo jurídico que a multa isolada não mais incidirá sobre um tributo antecipado, como o próprio caput do artigo 44 sugeria, em sua redação original, ao estabelecer que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Com a Lei nº 11.488/2007, a multa isolada é aplicada sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento integral da estimativa que compõe o esperado fluxo de caixa da União, embora não mais incidente sobre a totalidade ou diferença da antecipação de tributo não recolhida, mas incidente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao final do anocalendário, caso lhe falte o devido suporte em balanço de suspensão ou redução. A nova disposição do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício), aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata; a Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 10935.721604/201167 Acórdão n.º 9101003.832 CSRFT1 Fl. 10 17 segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento de estimativa que deixar de ser efetuado, devida sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento da totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço de suspensão ou redução. A ressalva constante da redação atual do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida isoladamente do tributo devido ao final do anocalendário, já traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida em conjunto com o tributo devido. Tanto é assim que a multa do inciso I não é aplicada em caso de apuração, no balanço do encerramento do anocalendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao passo que a multa do inciso II independe da apuração de lucro ou prejuízo fiscal, ou de base de cálculo positiva ou negativa de CSLL. Esta última deve ser exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura de um balanço de suspensão ou redução, ainda que, ao final do anocalendário, seja apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Podese ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em declaração de ajuste, falta de declaração e declaração inexata; para o inciso II, falta de pagamento, ou pagamento insuficiente, das estimativas apuradas, desprovida de lastro em balanço de suspensão ou redução. Portanto, são infrações distintas, com graduações distintas e decorrentes de fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem." (destaques no original) Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007, quando teve início a vigência da MP nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.844/2007. Portanto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer a exigência das multas isoladas exoneradas pelo acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1767DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000230/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 02 30 /2 00 9- 11 Fl. 3134DF CARF MF Processo nº 15521.000230/200911 Acórdão n.º 1402003.524 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 15521.000230/200911 Acórdão n.º 1402003.524 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 3136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724940/2010-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2010
PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 34. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2010 PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 34. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 34. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 49 40 /2 01 0- 35 Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10980.724940/201035 Acórdão n.º 2202004.787 S2C2T2 Fl. 401 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10980.724940/201035, em face do acórdão nº 0240.042, julgado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 27 de agosto de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de infringência ao artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o artigo 225, inciso II, e §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999 por ter a empresa deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, todos os custos relativos a obras de construção civil de sua responsabilidade, no período de 01/2007 a 12/2008. Foram verificadas na ação fiscal, as obras de construção civil matrículas CEI 41.390.03200/75 (Centro de Exposições), 41.390.03198/71 (Centro Esportivo) e 41.390.03199/73 (Grande Teatro), de responsabilidade do autuado. Segundo a fiscalização, os custos incorridos na execução das obras citadas acima, foram contabilizados em contas únicas, o que impossibilita a identificação dos fatos geradores de contribuição previdenciária. A partir do histórico dos lançamentos contábeis não se pode identificar os custos por títulos (material, mãodeobra, INSS, FGTS, serviços prestados por PF/PJ, etc). Constatouse que os custos da obra do Centro de Exposições, no período de 02/2007 a 12/2008, totalizaram R$ 18.061.815,56 (total de custo da obra) e foram contabilizados na conta 155027 Centro de Eventos. Os custos da obra do Centro Esportivo, no período de 03/2007 a 06/2008 totalizaram R$ 4.577.835,94 (total de custo da obra) e foram contabilizados na conta 155026 – Centro Esportivo. Os custos da obra do Grande Teatro, no período de 03/2007 a 12/2008, totalizaram R$ 23.387.317,13 (total de custo da obra) e foram contabilizados na conta 155024 – Grande Teatro. Acrescenta que não existe subconta específica das obras, relativa a retenção de 11% incidente sobre os valores brutos das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviço. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 02, de 20/10/2010, a empresa apresentou cópia impressa e CD com o relatório razão analítico de 01/2007 a 12/2008. A contabilização de retenções de 11% foi efetuada na conta genérica 215030 – outros impostos. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10980.724940/201035 Acórdão n.º 2202004.787 S2C2T2 Fl. 402 3 Nessa conta constam lançamentos relativos a diversos tributos, tais como, IRRF, PIS, COFINS, CSLL, ISS, INSS. Ficou prejudicada a auditoria fiscal das retenções de 11% com base na escrituração contábil. Em decorrência da infração, foi aplicada a penalidade na forma dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212, de 1991, 283, inciso II, alínea “a”, e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048, de 1999, no valor de R$ 14.317,78. O contribuinte teve ciência da autuação em 19/11/2010, fl. 2, e apresentou impugnação em 20/12/2010, fls. 115 a 124, com as seguintes alegações: RAZÕES DE FATO Efetuou a contabilização dos fatos geradores das contribuições de cada uma das obras de forma individual, por obra realizada em seu estabelecimento. Ao mesmo tempo em que a fiscalização desconsiderou a contabilização individual por obra efetuada, com fundamento nessa mesma contabilidade, lavrou o auto de infração 37.308.7101 (doc. 05), sob o argumento de que relativamente às notas fiscais emitidas pelas empresas Ferreira Filho Construções Ltda e HF Projetos e Instalações Elétricas Ltda, não houve a retenção previdenciária de que trata o artigo 31 da Lei 8.212/1991. Se não houvesse como identificar os fatos geradores, como, então, autuar pelo não recolhimento da retenção de 11%, indicando inclusive as notas fiscais que foram objeto da suposta irregularidade? A obrigatoriedade de contabilização em títulos próprios tem como objetivo identificar os custos com materiais, mãodeobra, INSS e FGTS de determinada obra de construção civil, objetivo que foi alcançado pelo impugnante. RAZÕES DE DIREITO SUFICIÊNCIA DA CONTABILIZAÇÃO APRESENTADA E DO SEU CARÁTER ACESSÓRIO. Embora a obrigação acessória prevista no artigo 32, II, da Lei 8212/1991 não tenha sido cumprida em sua totalidade, foi suficiente para que a Administração Pública identificasse todas as notas fiscais relativas aos serviços tomados pelo impugnante, o que em observância aos princípios da boafé do administrado e da razoabilidade dos atos administrativos impede a aplicação da multa prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/1991. Ao lançar os custos relativos a construção do Centro de Exposições, do Centro Esportivo e do Teatro Positivo, agindo de boafé, lançou todas as notas fiscais recebidas com indicação das retenções previdenciárias efetuadas, e se isso foi suficiente para a lavratura do auto de infração 37.308.7101, não há que se falar em aplicação de multa, frente aos princípios da boafé e razoabilidade. Como demonstrou no auto de infração 37.308.7101, não há contribuição a ser retida pelo impugnante. Não merece subsistir o presente auto de infração. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10980.724940/201035 Acórdão n.º 2202004.787 S2C2T2 Fl. 403 4 Requer: O recebimento e o processamento da presente impugnação para reconhecer a regularidade da contabilização das obras do Centro de Exposições, Centro Esportivo e Teatro Positivo, anulando o auto de infração. A suspensão da exigibilidade dos créditos tributários arrolados no auto de infração, em observância ao disposto no artigo 151, III, do Código Tributário Nacional. Este processo está sendo analisado pela Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte – DRJ/BHE/MG, por determinação da Portaria Sutri n º 3.237, de 12/8/2011, do Subsecretário de Tributação e Contencioso da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme despacho de fl. 831 do processo 10980.724935/201022 a que este está apensado.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 311/325, reiterando, as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 34). Conforme Relatório Fiscal da Infração, fls. 109 a 112, a empresa deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, fato gerador de contribuição previdenciária, o que constitui infração ao artigo 32, inciso II, da Lei 8.212/1991, combinado com o artigo 225, inciso II, e §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048/1999. A multa foi aplicada pela fiscalização, no valor de R$ 14.317,78, com base nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/1991, 283, inciso II, alínea “a”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Apurou a fiscalização que o contribuinte não registrou em títulos próprios de sua contabilidade os custos despendidos com material, mãodeobra, INSS, FGTS, serviços prestados por pessoa física ou jurídica nas obras de construção civil de sua responsabilidade (Centro de Exposições, Centro Esportivo e Grande Teatro). Também não foi contabilizado em subconta específica, a retenção de 11% sobre os valores brutos das notas fiscais emitidas pelas empresas que lhe prestaram serviços com cessão de mãodeobra Nos termos do artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991 combinado com o artigo 225, inciso II e parágrafos 13 ao 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, a empresa é obrigada a lançar, mensalmente, em título próprio de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10980.724940/201035 Acórdão n.º 2202004.787 S2C2T2 Fl. 404 5 geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Sustenta a contribuinte que agiu de boa fé e em observância ao princípio da razoabilidade não deve o auto de infração prevalecer, o que não merece guarida. Nos termos do artigo 136 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, bem como não poderia a Auditoria Fiscal, em constatando uma infração a legislação tributária, deixar de lavrar o competente auto de infração, conforme artigo 142, parágrafo único, do mesmo Código, c/c o artigo 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Tendo em vista que restou comprovado nos autos o efetivo cometimento da infração, a aplicação da penalidade ao caso presente encontrase perfeitamente legal. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.723860/2016-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Os valores recebidos a título de décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte, já efetuadas as deduções legais, entre elas o desconto da pensão alimentícia, sendo vedada a inclusão destas despesas na Declaração de Ajuste Anual.
Numero da decisão: 2001-000.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a despesa médica no valor de R$437,93, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os valores recebidos a título de décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte, já efetuadas as deduções legais, entre elas o desconto da pensão alimentícia, sendo vedada a inclusão destas despesas na Declaração de Ajuste Anual.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1413; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19985.723860/201682 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.838 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente NILSON DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os valores recebidos a título de décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte, já efetuadas as deduções legais, entre elas o desconto da pensão alimentícia, sendo vedada a inclusão destas despesas na Declaração de Ajuste Anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a despesa médica no valor de R$437,93, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 38 60 /2 01 6- 82 Fl. 80DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, anocalendário de 2014, em que foram efetuadas glosas com despesas médicas (plano de saúde), no valor de R$ 1.437,93 e com pensão alimentícia no valor de R$ 4.849,90. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Juiz de Fora. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 70/71. Em síntese, solicita que seja aceita a despesa relativa ao plano de saúde. Afirma ainda que lhe foi descontada a pensão sobre 13°, devendo ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Inicialmente na questão referente à glosa, mantida pela DRJ, do valor de pensão pago sobre décimo terceiro salário, há que ser repisado que se trata de rendimento sujeito à tributação exclusiva. O recorrente insurgese contra a manutenção da glosa do valor da pensão incidente sobre o décimo terceiro. Alega que possui direito à dedução. Conforme já explanado na decisão de primeira instância, os proventos relativos ao décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte. Significa dizer que nem estes rendimentos, nem as deduções de imposto cabíveis sobre eles, serão levados à Declaração de Ajuste Anual. O recorrente equivocase ao dizer que não lhe foi reconhecido o direito à dedução à pensão sobre tais proventos. Ocorre que a fonte pagadora, ao efetuar o pagamento do décimo terceiro, já faz a dedução dos valores correspondentes à pensão alimentícia, da contribuição previdenciária e outras deduções legais cabíveis. Portanto, é incorreto afirmar que não lhe foi reconhecido o direito a dedução do valor descontado à título de pensão. Ocorre que a tributação de referidos rendimentos é feita de forma apartada e, acaso fosse aceita a dedução na Declaração, o contribuinte estaria se beneficiando do valor de forma duplicada.. Com relação à despesa médica, o recorrente comprova, mediante documento anexado à f. 75, o pagamento de plano de saúde no valor de 1.437,93, suprindo as razões que levaram ao seu indeferimento. Nestes termos, deve o lançamento ser alterado, acatandose a despesa médica no valor de R$ 1.437,93. CONCLUSÃO: Fl. 81DF CARF MF Processo nº 19985.723860/201682 Acórdão n.º 2001000.838 S2C0T1 Fl. 3 3 Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe parcial provimento, para restabelecer a despesa médica, no valor de R$ 1.437,93. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.021581/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EMPREGADO. BOLSA DE ESTUDO. CURSO DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL.
Integra o salário de contribuição o valor pago a título de bolsa de estudo quando não comprovado que o curso de capacitação e qualificação profissional possui vinculação com as atividades desenvolvidas pela empresa.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento.
AUSÊNCIA DE NULIDADE
O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade.
Numero da decisão: 2401-005.715
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros:. Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EMPREGADO. BOLSA DE ESTUDO. CURSO DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL. Integra o salário de contribuição o valor pago a título de bolsa de estudo quando não comprovado que o curso de capacitação e qualificação profissional possui vinculação com as atividades desenvolvidas pela empresa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros:. Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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EMPREGADO. BOLSA DE ESTUDO. CURSO DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL. Integra o salário de contribuição o valor pago a título de bolsa de estudo quando não comprovado que o curso de capacitação e qualificação profissional possui vinculação com as atividades desenvolvidas pela empresa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 15 81 /2 00 8- 13 Fl. 258DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros:. Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de DEBCAD 37.183.9637 (fls. 2), que apurou o crédito tributário no montante de R$ 1.422,75 (um mil, quatrocentos e vinte e dois reais e setenta e cinco centavos), referente à contribuições sociais destinadas aos terceiros FNDE, INCRA e SEBRAE, devidas pela empresa sobre a remuneração de empregados, em razão do pagamento de bolsas de estudo de curso superior aos empregados, relativo ao período de 01/2004 a 12/2004. De acordo com o Relatório do Auto de Infração (fls. 28/31), o débito foi apurado com base nas folhas de pagamento, livro diário e razão, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, Guias de Recolhimento da Previdência Social – GPS, bem como na escrituração contábil, fornecidos pela própria empresa recorrente. Ainda de acordo com o citado Relatório, restou lá consignado que Recorrente discutiu judicialmente, durante o período de 01/2004 a 03/2004, os valores relativos ás contribuições sociais destinadas ao terceiro SEBRAE, incidentes sobre a folha de pagamento da empresa, através do Mandado de Segurança de nº 200081000098550, contudo não considerou na base de cálculo destes recolhimentos os valores pagos a seus empregados a titulo de bolsa de estudo de curso superior. Portanto, em vista de que os valores discutidos judicialmente devem ser lançados em separado e a remuneração paga aos empregados a titulo de Bolsas de Estudos de curso superior são considerados como salário de contribuição, a auditoria fiscal efetuou o lançamento da Contribuição Social destinada ao Terceiro SEBRAE, incidente sobre estas remunerações, período de 01/2004 a 03/2004, no auto de infração DEBCAD 38.183.9602. Registrou também o Fisco, que o sujeito passivo disponibilizou, para alguns empregados da empresa, bolsas de estudo relativas a curso superior, de acordo com o observado pela auditoria fiscal nas contas contábeis de códigos: 91509000014 — Cursos e Treinamentos Indireta e 91503000026 — Cursos e Treinamentos Direta. O Fisco, via auditoria, pode constatar através da citada documentação analisada, portanto, que o empregado efetua o pagamento das mensalidade à Instituição de Ensino e posteriormente a empresa recorrente promove o reembolso de 50% do valor adimplido pelo empregado, o que caracteriza o fato gerador da autuação. Os fatos geradores foram identificados nos seguintes levantamentos: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10380.021581/200813 Acórdão n.º 2401005.715 S2C4T1 Fl. 3 3 Levantamento Descrição Fatos Geradores BOL Bolsas Educação Empregados Remuneração paga aos empregados da empresa, a título de Bolsas de Estudo de curso superior. BOL Bolsas Educação Empregados, neste levantamento estão lançadas as contribuições destinadas aos terceiros FNDE, INCRA e SEBRAE (a partir de 04/2004), incidentes sobre a remuneração paga aos empregados da empresa, a titulo de Bolsas de Estudo de curso superior. Devidamente cientificado do lançamento em 22/12/2008 (fl. 100), o Interessado apresentou impugnação tempestiva em 16/01/2009 (fls. 102/116), alegando, em síntese: (i) A previsão do direito à defesa. Defende o direito de 15 (quinze) dias para apresentação da sua Impugnação; (ii) Referese à notificação fiscal de lançamento do débito, transcrevendo trecho da fiscalização quanto ao período apurado; (iii) Inconsistência da caracterização do fato gerador; (iv) A não incidência de contribuições previdenciárias sobre bolsa de educação concedida ao trabalhador. Discorre acerca do salário contribuição, tipificado na Lei nº 8.212/91, artigo 28, I e §9º, “t”. Afirma que não devem incidir contribuições previdenciárias sobre as bolsas, pois estas dizem respeito à capacitação profissional de vinculação à atividade desenvolvida pela empresa. Que tais pagamentos não são utilizados para substituir parcela salarial e todos os empregados e dirigentes tem acesso ao benefício. (v) Desatendimento pelo Fisco do que dispõe os artigos 194 e 195 da CF – fornecimento gratuito de utilidades destinadas a melhorar as condições sociais dos trabalhadores. Defende que são inconstitucionais as pretensas incidências sobre o fornecimento de cestas básicas, conforme atestam as inclusas NF aos autos. Continua discorrendo sobre a matéria, alegando que quando a empresa fornece utilidades de benefício social, por estar complementando e auxiliando o Estado, poderia atuar diretamente, proporcionando ao trabalhador o direito de melhoria de sua condição social, ao passo em que é dever do empregador de participar deste desiderato. Que por tal razão houve excesso normativo, invocando o princípio da proporcionalidade para se que a autuação seja revista. Colaciona doutrina e jurisprudência sobre o tema. Fl. 260DF CARF MF 4 Por fim, neste ponto, invoca a definição de salário de contribuição previsto na Lei nº 8.212/91, em seu artigo 28, pelo que o relatório fiscal não poderia ser aceito nos itens que descreve como fatos geradores da infração o pagamento com a descrição “DIVERSOS”, sem constar qualquer identificação dos segurados empregados. (vi) Das inconsistências da notificação. Reclama a existência de inconsistências na notificação, no tocante fundamentação descrita no Relatório Fiscal da Infração que cita o artigo 32, inciso IV, §6° da Lei nº 8.212/1991, em face da impossibilidade de se declarar em GFIP informações tidas pela impugnante como não integrantes da remuneração de seus funcionários, bem como não ficou esclarecida a circunstância que evidencie a emissão do auto. (vii) Ilegalidade do ato por malferimento a direito fundamental de aplicabilidade imediata – precedentes legais e jurisprudenciais. Defende que as exigências descritas no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito oculta os dispositivos legais a facilitarem o direito de ampla defesa, pois contém fundamentação genérica, posto que a motivação é indispensável ao Auto de Infração. Que a omissão de evidências e não sopesamento dos atos, tornariam irrito o ato, tornando viciado formalmente a emissão do mesmo. Discorre sobre a legalidade de ato administrativo e cita jurisprudências, de modo a defender a ideia de revogação do ato por reconhecimento da irregularidade que entende existir. (viii) Dispositivos assecuratórios da defesa administrativa. Traz argumentações acerca do direito de defesa; (x) Da inexistência de previsão legal que determine o recolhimento da contribuição devida pelo segurado quando o mesmo não encontrase identificado. Alega que no Discriminativo Analítico do Débito, revelase que a fiscalização aplicou ainda a cobrança de 8% sobre os pretensos valores devidos, como se fosse obrigação da empresa recolher a contribuição devida pelo obreiro na circunstância do lançamento fiscal, sem sequer existir a individuação do segurado empregado, o que inviabiliza pela via reflexa, a emissão de qualquer GFIP, caso subsista a notificação, visando dar cumprimento a obrigação acessória. Ainda, reclama que há nulidade frente a aplicação da multa, vez que não ocorreram os necessários esclarecimentos quanto à aplicação e a mesma esta em dissonância com os dispositivos legais; Por fim, requereu: a) o recebimento da defesa, pela confluência de seus pressupostos processuais, e seu conhecimento nos termos do Art. 37 Lei Federal nº 8.212/91; b) no mérito que a impugnação seja conhecida e provida, para considerar declarar improcedência do lançamento, em razão da previsão excetuativa constante na alínea “t”, inciso I do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, por não integrarem o salário contribuição; Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10380.021581/200813 Acórdão n.º 2401005.715 S2C4T1 Fl. 4 5 c) protesta provar o alegado, por todos os meios de prova em Direito admitidos, especialmente diligências a serem realizadas no curso do processo administrativo tributário, juntada posterior de documentos, perícia a ser realizada nas unidades da empresa, ficando tudo de logo requerido; d) requer que as intimações relativas ao julgamento da presente impugnação seja enviada ao endereço dos procuradores descrito na procuração juntada, especialmente visando possibilitar a interposição de recursos para o CONSELHO DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ou para o CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em face da nova legislação pertinente à matéria, garantindo assim a ampla defesa do contribuinte; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0936.130 da 5ª Turma da DRJ/JFA, às fls. 157/165, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendose o crédito tributário. Recorde se: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 DEBCAD. 37.183.9637 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. REEMBOLSO MENSALIDADE PAGA A INSTITUIÇÃO DE ENSINO. VERBA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa, destinada ao custeio das outras entidades e fundos incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados. O valor relativo ao reembolso de parte de mensalidade escolar, integra o saláriodecontribuição, quando não caracterizada a existência de um plano educacional, que tenha como finalidade o estimulo à educação básica ou cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado, que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito. PEDIDO DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PROCURADOR DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 262DF CARF MF 6 E descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao patrono da impugnante, pois a intimação da autuada se faz no seu domicilio tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, após ser devidamente cientificada às fls. 170 em 14/06/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 171/185, não inovando, mas repisando todos os argumentos já lançados em impugnação: (i) Referese à notificação fiscal de lançamento do débito, transcrevendo trecho da fiscalização quanto ao período apurado; (ii) Inconsistência da caracterização do fato gerador; (iii) A não incidência de contribuições previdenciárias sobre bolsa de educação concedida ao trabalhador. Discorre acerca do salário contribuição, tipificado na Lei nº 8.212/91, artigo 28, I e §8º, “t”. Afirma que não devem incidir contribuições previdenciárias sobre as bolsas, pois estas dizem respeito à capacitação profissional de vinculação à atividade desenvolvida pela empresa. Que tais pagamentos não são utilizados para substituir parcela salarial e todos os empregados e dirigentes tem acesso ao benefício. (iv) Desatendimento pelo Fisco do que dispõe os artigos 194 e 195 da CF – fornecimento gratuito de utilidades destinadas a melhorar as condições sociais dos trabalhadores. Defende que são inconstitucionais as pretensas incidências sobre o fornecimento de cestas básicas, conforme atestam as inclusas NF aos autos. Continua discorrendo sobre a matéria, alegando que quando a empresa fornece utilidades de benefício social, por estar complementando e auxiliando o Estado, poderia atuar diretamente, proporcionando ao trabalhador o direito de melhoria de sua condição social, ao passo em que é dever do empregador de participar deste desiderato. Que por tal razão houve excesso normativo, invocando o princípio da proporcionalidade para se que a autuação seja revista. Colaciona doutrina e jurisprudência sobre o tema. Por fim, neste ponto, invoca a definição de salário de contribuição previsto na Lei nº 8.212/91, em seu artigo 28, pelo que o relatório fiscal não poderia ser aceito nos itens que descreve como fatos geradores da infração o pagamento com a descrição “DIVERSOS”, sem constar qualquer identificação dos segurados empregados. (v) Das inconsistências da notificação. Reclama a existência de inconsistências na notificação, no tocante fundamentação descrita no Relatório Fiscal da Infração que cita o artigo 32, inciso IV, §6° da Lei nº 8.212/1991, em face da impossibilidade de se declarar em GFIP informações tidas pela impugnante como não integrantes da remuneração de seus funcionários, bem como não ficou esclarecida a circunstância que evidencie a emissão do auto. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10380.021581/200813 Acórdão n.º 2401005.715 S2C4T1 Fl. 5 7 (vi) Ilegalidade do ato por malferimento a direito fundamental de aplicabilidade imediata – precedentes legais e jurisprudenciais. Defende que as exigências descritas no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito oculta os dispositivos legais a facilitarem o direito de ampla defesa, pois contém fundamentação genérica, posto que a motivação é indispensável ao Auto de Infração. Que a omissão de evidências e não sopesamento dos atos, tornariam irrito o ato, tornando viciado formalmente a emissão do mesmo. Discorre sobre a legalidade de ato administrativo e cita jurisprudências, de modo a defender a ideia de revogação do ato por reconhecimento da irregularidade que entende existir. (vii) Dispositivos assecuratórios da defesa administrativa. Traz argumentações acerca do direito de defesa; (viii) Da inexistência de previsão legal que determine o recolhimento da contribuição devida pelo segurado quando o mesmo não encontrase identificado. Alega que no Discriminativo Analítico do Débito, revelase que a fiscalização aplicou ainda a cobrança de 8% sobre os pretensos valores devidos, como se fosse obrigação da empresa recolher a contribuição devida pelo obreiro na circunstância do lançamento fiscal, sem sequer existir a individuação do segurado empregado, o que inviabiliza pela via reflexa, a emissão de qualquer GFIP, caso subsista a notificação, visando dar cumprimento a obrigação acessória. Ainda, reclama que há nulidade frente a aplicação da multa, vez que não ocorreram os necessários esclarecimentos quanto à aplicação e a mesma esta em dissonância com os dispositivos legais; Por fim, repete idênticos pedidos da Impugnação: a) o recebimento do Recurso Voluntário, pela confluência de seus pressupostos processuais, e seu conhecimento nos termos do Art. 37 Lei Federal nº 8.212/91; b) no mérito que a impugnação seja conhecida e provida, para considerar declarar improcedência do lançamento, em razão da previsão excetuativa constante na alínea “t”, inciso I do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, por não integrarem o salário contribuição; c) protesta provar o alegado, por todos os meios de prova em Direito admitidos, especialmente diligências a serem realizadas no curso do processo administrativo tributário, juntada posterior de documentos, perícia a ser realizada nas unidades da empresa, ficando tudo de logo requerido; d) requer que as intimações relativas ao julgamento da presente impugnação seja enviada ao endereço dos procuradores descrito na procuração juntada, especialmente visando possibilitar a interposição de recursos para o CONSELHO DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ou para o CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em face da nova legislação pertinente à matéria, garantindo assim a ampla defesa do contribuinte; Fl. 264DF CARF MF 8 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 14/06/2012 conforme AR juntado às fl. 170, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 12/07/2012, às fls. 171/185, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1 Da alegada não incidência de contribuições previdenciárias sobre bolsa educação concedida ao trabalhador. Dos valores pagos a título de bolsa de estudos. Aduz a Recorrente que os valores pagos a título de bolsa de estudos a seus empregados foram indevidamente computados na base de cálculo da contribuição previdenciária, quando da fiscalização, já que não integram o saláriodecontribuição, fundamentando a argumentação na alínea “t” do §9º artigo 28 da Lei 8.212/91. Afirmou que o referido pagamento não seria utilizado para substituir parcela salarial, bem como que todos os funcionários e dirigentes tem acesso a tal benefício e visam capacitar os profissionais vinculados às atividades da Recorrente. O artigo 28 da Lei nº 8.212/91 estabelece como regra a tributação da totalidade do rendimento do trabalho, especificando certas hipóteses de não incidência, tal como o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, bem como aos cursos de capacitação e qualificação de profissionais vinculados às atividades empresariais do contribuinte, não podendo ser utilizado como substituição de parcela salarial e que esteja disponível à todos empregados e dirigentes. Porém, como se pode observar, em que pese o entendimento prolatado pela i. DRJ/JFA, às fls. 157/165, julgando improcedente a impugnação, de que não teriam sido observados os critérios do § 9º e alínea “t” do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, com a devida vênia, de fato a jurisprudência do C. STJ sobre a matéria é unanime no sentido de que, independente da natureza do curso, não há incidência destes valores na base de cálculo do salário contribuição, desde que o curso realizado esteja vinculado aos fins da empresa. Vejase: “PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10380.021581/200813 Acórdão n.º 2401005.715 S2C4T1 Fl. 6 9 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. Recurso Especial provido. (STJ, 2ª Turma, REsp 1666066/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 06/06/2017, DJe 30/06/2017).” Da detida análise dos autos, embora não conste documentação a respeito, mas para fins de se evitar até mesmo decisões conflitantes sobre a matéria, importa destacar que no bojo do processo de nº 10380021577200847, DEBCAD 37.183.9610, se discute mesmo fato gerador, mas com fundamento diverso (lá contribuição patronal e aqui contribuição devida a terceiros) sobre o auxílioeducação (bolsa educação). Dito isso, ao se analisar os documentos constantes naqueles autos (fls. 128/134 extrato de pagamento de auxílio faculdade juntado pela autoridade fiscalizadora), não é possível encontrar menção a que as bolsas de estudos fossem restritas a apenas alguns funcionários, pelo que se pode deduzir que todos tinham acesso. Tal afirmação pode ser verificada ao passo em que se constata haver variação de nomes e quantidade de beneficiários, bem como diversidade de cursos. Portanto, não se percebe restrição à educação fornecida e podese entender que uma vez cumpridos os demais requisitos legais, não há que se falar em incidência de tributação sobre bolsas de estudos concedidas a empregados. No presente caso, então, é incontroverso nos autos que os cursos ofertados aos funcionários guardam correlação às atividades empresariais e funções exercidas pelos beneficiários na empresa, bem como com o ramo de atividade da empresa, se enquadrando, portanto, no próprio conceito utilizado pela C. Superior. Inobstante não haver vinculação das decisões judiciais no âmbito administrativo, não se pode olvidar a necessária homogeneidade das decisões em todas as esferas, a fim de que prevaleça o comando constitucional da segurança jurídica. Outrossim, se no bojo dos autos de nº 10380021577200847, DEBCAD 37.183.9610, deuse procedência ao Recurso do empresa contribuinte, por ausência de incidência tributária quanto ao fator gerador lá discutido (o mesmo destes autos), não há razão de ser diferente quanto ao quanto aqui discutido. Da mesma forma, cumpre destacar que calcado neste entendimento também tem sido as decisões adotadas nesta esfera, como se verifica abaixo: “[...] SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO DESTINADO AOS EMPREGADOS. NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO. Fl. 266DF CARF MF 10 A descrição prevista no art. 28, § 9º, "t" da lei 8212/91, admite a interpretação de que a educação superior estaria abrangida nos cursos de capacitação ou mesmo qualificação profissional até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o dispositivo, devendo a autoridade fiscal, apresentar o descumprimento da extensão a todos ou da desvinculação das atividades na empresa para respaldar o lançamento. [...]” (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 2ª Turma, Acórdão nº 9202005.970, Relatora Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Data da Sessão 26/09/2017). “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2007 EMPREGADO. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE PÓS GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28 § 9º, “t” da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. TRABALHADOR AUTÔNOMO E EVENTUAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. A isenção prevista no art. 28 § 9º, “t” da Lei 8.212/91 não se estende ao auxílio educação pago aos trabalhadores autônomos e eventuais que prestam serviço à empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte” (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2301004.391, Relatora Conselheira Luciana de Souza Espindola Reis, Data da Sessão 09/12/2015). Segundo os entendimentos acima consignados, data vênia ao quanto consignado anteriormente, desde que sejam respeitados os critérios legais, excluise da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional de seus empregados, estando englobados no conceito de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. Da mesma forma, não restou verificado que era vedada a concessão da bolsa aos outros empregados, valendo destacar que a bolsa em questão tem fato gerador próprio (curso na área de atuação da empresa), não sendo o caso de concessão a todos os empregados sem análise prévia do preenchimento dos requisitos elencados pelo próprio art. 28 da Lei nº 8.212/91. Assim, não havendo demonstração pelo fisco de que os critérios foram desrespeitados, não há que se falar em incidência na base de cálculo do salário contribuição parcela indenizatória destinada ao aperfeiçoamento do profissional. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10380.021581/200813 Acórdão n.º 2401005.715 S2C4T1 Fl. 7 11 Portanto, merece reforma a respeitável decisão a quo no ponto, a fim de que seja desconsiderada a infração no que tange à não inclusão na base de cálculo do salário contribuição dos valores pagos a título de bolsa de estudos. 3.2 Da alegada inconsistência da notificação e ilegalidade do ato. Ausência de infringência ao direito de ampla defesa. Da legalidade do ato administrativo. Em que pese restar prejudicada a análise da alegação de ilegalidade do ato administrativo e infringência ao direito de ampla defesa, já que acolhi as alegações da empresa quanto ao mérito, para que não reste dúvida sobre a higidez do procedimento fiscal. Compulsando os autos, verificase que o Auto de Infração está devidamente motivado por meio de elementos examinados durante a auditoria na empresa autuada, bem como contém o discriminativo de todos os fundamentos legais que suportam o débito, não havendo que se cogitar de nulidade. Isso porque, o lançamento foi originado a partir de uma fiscalização regular, onde se constatou valores devidos pela Recorrente a título de contribuições sociais. Nesse diapasão, o Auto de Infração apresenta de forma discriminada todos os fundamentos que deram origem ao débito apurado em desfavor da Recorrente, não havendo que se falar em nulidade do presente procedimento por ausência de motivação do lançamento. Nesse passo, os fatos geradores das contribuições cobradas no presente processo tiveram sua ocorrência constatada quando do regular exame da contabilidade da empresa disponibilizada à fiscalização, tendo sido fornecido pela Recorrente e verificado os Livros Diários e Razão Analítico das contas contábeis utilizadas na apuração dos fatos geradores e documentos que indicam o valor pago (a restituir) a título de “Auxílio Faculdade”. Diante disso, se entendido pela autoridade administrativa a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a mesma tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento. Na dicção do parágrafo único do artigo 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade. Confirase: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Além disso, o auditorfiscal enquadrase como servidor público. Por efeito, seus atos têm presunções de veracidade e legitimidade, pela fé pública que lhe é conferida. Ainda, por consequência, os autos de infração e os relatórios de fiscalização, confeccionados alcançam as mesmas presunções. Fl. 268DF CARF MF 12 No caso em tela, pela leitura dos Fundamentos Legais do Débito (fls. 25/26) e pelo Relatório Fiscal (fls. 29/33), notase claramente que o Auto de Infração se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com a legislação vigente. Isso suficiente não fora, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Recorrente apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento, razão pela qual afasto a alegada nulidade. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para no mérito, DARLHE PROVIMENTO, declarando a improcedência do lançamento, e determinar a exclusão dos valores incidentes sobre as bolsas de estudos, bem como das contribuições sociais destinadas aos terceiros FNDE, INCRA e SEBRAE, em razão da exceção constante no artigo 28 da Lei nº 8.212/91, inciso I e §9º, alínea “t”. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier – Redatora Designada A discordância do voto da relatora foi apenas quanto à incidência de contribuições sociais sobre valores pagos a título de bolsa de estudo curso superior. Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10380.021581/200813 Acórdão n.º 2401005.715 S2C4T1 Fl. 8 13 Entretanto, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, exclui algumas rubricas da base de incidência das contribuições previdenciárias, contudo para que tais rubricas sejam excluídas, elas devem estar previstas no citado dispositivo legal e devem ser pagas dentro dos ditames da lei. Na lição de Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 2011), a isenção é técnica por meio da qual a lei tributária, ao descrever o gênero de situações sobre as quais impõe o tributo, pinça uma ou diversas espécies e as declara isentas, ou seja, excepcionadas da norma de incidência. Nos termos do § 6º do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, é necessário que exista lei específica para a definição de qualquer isenção relativa a impostos, taxas ou contribuições. A relação de que trata art. 28, § 9º é exaustiva (“Não integram o saláriode contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente”). Dessa forma, apenas as parcelas expressamente incluídas nessa relação estão fora da incidência das contribuições. Quanto à bolsa de estudos, o art. 28, § 9º, 't', na redação vigente à época dos fatos geradores, dispõe que: Art. 28 [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos doart. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Portanto, para que o valor pago a título de bolsa de estudos não integre o salário de contribuição, ou o plano educacional deve visar à educação básica ou a curso de capacitação, sendo necessário, nesse caso, o atendimento aos seguintes requisitos, cumulativamente: a) o curso deve ser de capacitação e qualificação profissional; b) deve estar vinculado à atividade desenvolvida pela empresa; c) o valor pago não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e d) todos os empregados e dirigentes tenham acesso. Fl. 270DF CARF MF 14 Conforme Relatório Fiscal, os valores pagos foram considerados como fato gerador: A Entidade gira sob a denominação de "BRACOL INDÚSTRIA DE COUROS LTDA", com sede e foro jurídico no município de CascaveICE, e tem como objeto social a industrialização, comercialização, exportação e importação de couros, peles e seus derivados, sua preparação e acabamento, industrialização de estofamento e outros artefatos de couros. (grifo nosso) [...] 3.3 Após o exame de sua escrituração contábil, verificouse que a empresa disponibilizou, para alguns empregados da empresa, bolsas de estudo relativas a curso superior, conforme foi observado pela auditoria fiscal nas contas contábeis 91509000014 —Cursos e Treinamentos Indireta e 91503000026 —Cursos e Treinamentos Direta. 3.4 Ressaltase que a auditoria fiscal considerou como fato gerador, apenas os valores de bolsas relativas a curso superior, pois segundo a legislação o valor destinado ao pagamento de curso superior para empregado da empresa, integra o salário decontribuição. Isso se deve ao fato de que o plano educacional, a que se refere a alínea t inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 restringese à educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e a curso de capacitação e qualificação profissional vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Consta dos autos do processo 10380.021577/200847 (conexo ao presente), fls. 128/134, quadros com a relação dos beneficiários das bolsas de estudo, curso e valores pagos. Afirma a relatora que: No presente caso, então, é incontroverso nos autos que os cursos ofertados aos funcionários guardam correlação às atividades empresariais e funções exercidas pelos beneficiários na empresa, bem como com o ramo de atividade da empresa, se enquadrando, portanto, no próprio conceito utilizado pela C. Superior. (grifo nosso) Neste ponto, divirjo da relatora, pois entendo que não restou comprovado nos autos que os cursos frequentados pelos beneficiários guardam relação com as atividades desenvolvidas pela empresa e funções exercidas pelos beneficiários na empresa, ou ainda, com o ramo de atividade da empresa: preparação e acabamento, industrialização de estofamento e outros artefatos de couros. Logo, não se configurando a hipótese determinante para o benefício da isenção, os valores pagos a título de bolsa de estudo são considerados salário de contribuição, nos termos do citado art. 28, I. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10380.021581/200813 Acórdão n.º 2401005.715 S2C4T1 Fl. 9 15 Ademais, entende esta conselheira e o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro que os cursos de capacitação e qualificação profissional não englobam curso superior. A Lei 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispõe que: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. A educação superior é tratada no Capítulo IV da mesma lei, já a educação profissional é tratada no Capitulo III, que na redação vigente à época dos fatos geradores, estabelecia em seus artigos 39 a 42: Art. 39. A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. Parágrafo único. O aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso à educação profissionaL Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada, em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. Art. 41. O conhecimento adquirido na educação profissional, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. Parágrafo único. Os diplomas de cursos de educação profissional de nível médio, quando registrados, terão validade nacional. Art. 42. As escolas técnicas e profissionais, além dos seus cursos regulares, oferecerão cursos especiais, abertos à comunidade, condicionada a matricula ir capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. Portanto, educação profissional e educação superior possuem conceitos distintos, não devendo ser confundida uma com outra. Fl. 272DF CARF MF 16 Nos termos acima estabelecidos, a educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular (educação básica ou superior), devendo conduzir ao desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva, podendo ter acesso o aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador, e pode ser desenvolvida no ambiente de trabalho ou em instituições especializadas. Sendo assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Redatora designada Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901850/2014-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Relatório
A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais.
O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional.
Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.803.
Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior.
Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa:
* Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios.
* Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ.
* Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003.
* Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma:
"O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência).
Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)."
* Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS.
* Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei.
* As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico.
É o relatório.
Voto
Conselheiro Waldir Navarro Bezerra
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402-001.475):
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.803. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. 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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 85 0/ 20 14 -2 0 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.901850/201420 Resolução nº 3402001.479 S3C4T2 Fl. 3 2 O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08038.803. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PISCOFINS: artigos 149, 195, I "b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regramatriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13839.901850/201420 Resolução nº 3402001.479 S3C4T2 Fl. 4 3 de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/201427, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.475): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso Como observado pela 5ª Turma da DRJ/FOR em decisão recorrida, a análise da questão está relacionada à classificação das comissões pagas a representantes comerciais como insumos, que geram direito ao crédito das contribuições, ou como despesas necessárias à atividade da empresa, sem vinculação ao processo produtivo e incapazes de gerar crédito na sistemática nãocumulativa. Assim alega a Contribuinte: i) Que é pessoa jurídica de direito privado e, na consecução de suas atividades comerciais, procede à contratação de representantes comerciais para escoamento de sua produção própria, sendo que tal modalidade de venda representa aproximadamente 87% do faturamento. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13839.901850/201420 Resolução nº 3402001.479 S3C4T2 Fl. 5 4 ii) Que a função desempenhada por tais representantes é notadamente imprescindível para sua cadeia produtiva, na medida em que estes são responsáveis pela intermediação dos negócios, com a prospecção de clientes e desenvolvimento do mercado, assim como participam diretamente no processo negocial, lançando os pedidos aceitos no sistema e formatando as cargas. Além do mais, frequentemente efetua a contratação do transporte das mercadorias vendidas. iii) Em razão do critério da essencialidade, é incontestável que os valores desembolsados quanto à atividade realizada pelos representantes comerciais devem ser entendidos como insumo na cadeia de produção e vendas dos produtos que fabrica, conformando base de cálculo para a assunção de créditos escriturais relativos às contribuições destinadas ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), já que está sujeita à sistemática de apuração nãocumulativa das referidas contribuições. Outrossim, a Recorrente apresenta em razões de recurso, o seguinte comparativo entre empresas que não possuem representantes comerciais, em especial no tocante ao direito de crédito: (i) – as pessoas jurídicas sem representante comercial terão 100% da receita para si; (ii) – já aquelas que se utilizam dos representantes não terão 100% das receitas para si, uma vez que uma parte ficará com eles a título de comissão, sendo de total plausibilidade assim o crédito par a bater PIS e COFINS. Constatase que o fundamento pelo qual a DRJ/FOR julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade se atém ao critério estabelecido pelo artigos 2º e 3º, II da Lei nº 10.637/2002, bem como da INSRF nº 247/2002. Vejamos: No presente caso, as comissões pagas aos representantes comerciais não podem ser consideradas como aplicadas ou consumidas diretamente na fabricação de bens destinados à venda. Tampouco podem ser considerados serviços adquiridos de pessoas jurídicas para a consecução das atividades principais da empresa. Assim, as comissões pagas aos representantes comerciais são despesas que não se caracterizam como insumos, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Este também é o entendimento da Solução de Consulta nº 98, da SRRF07/Disit, transcrito abaixo: (...) 17. Dessa forma, os bens e serviços que forem necessários ou essenciais para o desempenho da atividade da empresa mas que não puderem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços não se caracterizam como “insumos”, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13839.901850/201420 Resolução nº 3402001.479 S3C4T2 Fl. 6 5 18. Isso distingue os “insumos” das despesas dedutíveis para efeitos de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, que, de acordo com o art. 299 do Decreto nº. 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), são todas aquelas despesas necessárias, usuais e normais para as operações da empresa. (...) Isso posto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade. Inicialmente, consignase que o contribuinte do PIS e da COFINS nãocumulativos, segundo as Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04, tem direito de tomar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como “insumos” na fabricação de produtos destinados à venda. De fato havia divergências quanto ao conceito de insumos aplicável às contribuições sociais. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça concluiu através do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170 PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, que o conceito de insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma dos artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Por este precedente, o STJ declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, invocada para fundamentar a decisão recorrida, bem como declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, as quais restringiam o direito de crédito aos insumos que fossem diretamente agregados ao produto final, ou que se desgastassem com o contato físico com o produto ou serviço final. Outrossim, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em data de 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aceitando o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme Ementa abaixo transcrita: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13839.901850/201420 Resolução nº 3402001.479 S3C4T2 Fl. 7 6 Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Em síntese, "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, são "todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes". Os critérios em referência devem ser aplicados casuisticamente, utilizandose do chamado “teste de subtração” do insumo, de modo a verificar a imprescindibilidade e a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Neste sentido, transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara m a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele i tem – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste d e subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13839.901850/201420 Resolução nº 3402001.479 S3C4T2 Fl. 8 7 Superada a discussão em referência, cabe a análise quanto à configuração da essencialidade ou relevância do representante comercial às atividades desenvolvidas pela empresa. Através do atos constitutivos, é possível verificar que a Recorrente tem por objeto social as seguintes atividades: Constatase, ainda, como atividade econômica principal a fabricação de artefatos de cimento para uso na construção (CNAE 23 30302) e, por atividade econômica secundária a seguinte descrição: CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 52.11799 Depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis 46.79604 Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente 23.49401 Fabricação de material sanitário de cerâmica 47.44001 Comércio varejista de ferragens e ferramentas 28.13500 Fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios Por sua vez, a Contribuinte argumenta desde a Manifestação de Inconformidade que mais de 80% (oitenta por cento) das vendas de produtos que comercializa ocorre por meio de representantes comerciais autônomos, que assumem papel imprescindível na consecução da atividade comercial da empresa, representando esta modalidade de venda em aproximadamente 87% (oitenta e sete por cento) do seu faturamento. Não obstante os fundamentos que embasam as razões recursais, o fato é que neste processo administrativo não há nenhuma prova que ateste a essencialidade da representação comercial na atividade da empresa Recorrente. Todavia, considerando a recente decisão proferida em sede de repercussão geral pelo Superior Tribunal de Justiça, resultando na incidência do artigo 62, § 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, em atenção à busca pela verdade material, fazse necessária a realização de diligência para uma melhor compreensão sobre as características da atividade desenvolvida pela empresa, possibilitando identificar se as despesas em análise configuram insumos que permitam o direito ao crédito em análise. Por tais motivos, nos termos previstos pelo artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13839.901850/201420 Resolução nº 3402001.479 S3C4T2 Fl. 9 8 Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.729221/2016-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
O recurso deve ser conhecido, no tocante apenas as razões contrárias àquela declaração.
Numero da decisão: 2002-000.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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O recurso deve ser conhecido, no tocante apenas as razões contrárias àquela declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 92 21 /2 01 6- 17 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.729221/201617 Acórdão n.º 2002000.444 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 73/78) contra decisão de primeira instância (fls. 60/66), que rejeitou a preliminar de tempestividade e julgou pelo não conhecimento da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2012. O valor apurado do imposto suplementar corresponde a R$ 7.632,52, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração : OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pelo titular e/ou dependente(s). Valor: R$ 76.360,16. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos. Fonte Pagadora: Prefeitura Municipal de Salvador. Motivo da glosa: regularmente intimada, a contribuinte não atendeu à intimação. O enquadramento legal do lançamento encontrase na referida Notificação. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 11/07/2016, conforme documento de fl. 45. Em 30/12/2016, na impugnação (fls. 0306), a contribuinte alega o seguinte: que é portadora de moléstia considerada grave, diagnosticada como hepatopatia viral crônica C, CID 10 B 18.2, desde o ano de 1999; que apresentou a Declaração de Ajuste Anual retificadora referente aos últimos 05 exercícios, lançando isentos os proventos recebidos; que na Declaração retificadora do exercício 2012 foram cometidos dois equívocos. O primeiro foi informar os rendimentos recebidos da Seplag como isentos ao invés de incluir os da Funprev; que a Lei nº 7.713/88 em nenhum dos seus artigos exige ou define prazos para que o portador da doença perca o direito de pleitear o benefício, salvo se venha definido explicitamente no laudo médico o prazo da doença. Excluído esse caso, nada impede o direito definido na Lei; Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10580.729221/201617 Acórdão n.º 2002000.444 S2C0T2 Fl. 4 3 que a contribuinte não apresentou os documentos solicitados na intimação no prazo de trinta dias da data do recebimento. Contudo, o art. 6º do Decreto nº 70.235/72 estabeleceu a hipótese de força maior para o não cumprimento dos prazos; que o segundo equívoco foi elaborar a Declaração retificadora sem alterar os dados referentes à mudança de endereço, o que impossibilitou o acesso às intimações e notificações, que solicitaram a documentação comprobatória das alterações efetuadas; que estava na posse de todos os documentos exigidos para pleitear a isenção do imposto, ficando no aguardo de um comunicado para apresentálos. Esse fato foi o motivo para o não cumprimento dos prazos; que o valor objeto da Notificação de Lançamento corresponde exatamente aos rendimentos considerados isentos por moléstia grave. Esse valor consta da Declaração Original e foi quitado em 8 quotas; que estando o saldo do imposto suplementar liquidado, não há que se falar em multa, muito menos em juros de mora; que deve ser considerada totalmente nula esta cobrança; Ao final, requer: A nulidade da Notificação de Lançamento; O pagamento da restituição. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não tendo a faculdade, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do débito fiscal e a restituição dos valores; também junta documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10580.729221/201617 Acórdão n.º 2002000.444 S2C0T2 Fl. 5 4 A contribuinte foi notificada em 27/03/2017 (fl. 88); Recurso Voluntário protocolado em 25/04/2017 (fl. 73), assinado por procurador legalmente constituído (fls. 7 e 80). O v. acórdão, considerou intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de 30 dias a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não tendo a faculdade, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal. Irresignada, a contribuinte, apresenta Recurso Voluntário, narrando os fatos, lançando matéria preliminar e combatendo o mérito referente à infração, admitindo não ter apresentado os documentos solicitados pela intimação no prazo de trinta dias contados da data do recebimento, que conforme estabelece o Decreto nº 70.325/72, em seu art. 16 §4º o seguinte: §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual a menos que: a) “fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior”. Sendo o motivo alegado para a intempestividade “Força Maior”, vejamos o significado da expressão: “Fato imprevisível, resultante da ação humana, que gera efeitos jurídicos para uma relação jurídica, independentemente da vontade das partes desta. Como preleciona Orlando de Almeida Secco (1981:125), a força maior evidencia um acontecimento resultante do ato alheio (fato de outrem) que supere os meios de que dispõe para evitálo, isto é, além das próprias forças que o indivíduo possua para se contrapor, sendo exemplos: guerra, greve, revolução, invasão de território, sentença judicial específica que impeça o cumprimento da obrigação assumida, desapropriação, embargo para suspensão de uma obra etc”. O motivo apresentado, pela recorrente em não apresentar os documentos, segundo suas próprias razões, foi o fato de ter mudado de endereço, portanto este motivo não é de força maior. Não fosse só este fato, o próprio art. 16 do Decreto nº 70.235/72, §4º, alínea a, estabelece existir a demonstração do motivo, ou seja, a prova. Pois bem, superada esta questão, a 2ª Câmara do 1º CC, tem decidido que atacada pelo contribuinte a intempestividade da impugnação declarada na decisão recorrida, impõese a segunda instância administrativa conhecer do Recurso Voluntário, no tocante, apenas as razões contrárias àquela declaração. Assim, por estas razões, conheço do Recurso Voluntário, e quanto a intempestividade, nego provimento. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10580.729221/201617 Acórdão n.º 2002000.444 S2C0T2 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 97DF CARF MF
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