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Numero do processo: 10980.937862/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/08/2001
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA FINANCEIRA. IMPOSSIBILIDADE.
Uma vez declarado inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em regime de repercussão geral, o valor da receita financeira não integra a base de cálculo da contribuição, por não integrar o faturamento da pessoa jurídica não financeira.
PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVADO O RECEBIMENTO DE RECEITA FINANCEIRA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de reconhecimento o direito creditório se não provado, com documento hábil e idôneo, o recebimento da receita financeira sobre a qual foi apurada a parcela do PIS e da Cofins alegada como indevida.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Se não comprovadas a certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório mantém-se a não homologação da compensação declarada por ausência de crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.493
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente P.G.SCHMIDT & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 15/08/2001 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA FINANCEIRA. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez declarado inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em regime de repercussão geral, o valor da receita financeira não integra a base de cálculo da contribuição, por não integrar o faturamento da pessoa jurídica não financeira. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVADO O RECEBIMENTO DE RECEITA FINANCEIRA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de reconhecimento o direito creditório se não provado, com documento hábil e idôneo, o recebimento da receita financeira sobre a qual foi apurada a parcela do PIS e da Cofins alegada como indevida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Se não comprovadas a certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório mantémse a não homologação da compensação declarada por ausência de crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 78 62 /2 01 1- 18 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.937862/201118 Acórdão n.º 3302004.493 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp) em que a contribuinte informou a utilização de indébito de Cofins cumulativa (código 2172), para adimplir débitos de tributos diversos. Foi emitido despacho decisório de não homologação da compensação, seja em razão de o Darf discriminado na DComp encontrarse totalmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na citada DComp ou não ter sido localizado nos sistemas da Receita Federal. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o crédito utilizado era decorrente da ampliação da base cálculo, determinada pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998, que fora declarada inconstitucional pelo STF no julgamento do RE 357.950; que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996; que apresentou demonstrativo da origem do crédito e afirmou que estava amparada pelo art. 170 do CTN; citou e transcreveu jurisprudência administrativa e judicial; ressaltou o contido no art. 165 do CTN; insistiu no direito à restituição; e, ao final, pediu a homologação da compensação. Sobreveio a decisão de primeira instância em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantida a não homologação da compensação declarada, com base nos fundamentos expressos no Acórdão 06046.186. A contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário constante nos autos, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.481, de Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.937862/201118 Acórdão n.º 3302004.493 S3C3T2 Fl. 4 3 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.924260/200986, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.481): "O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia gira em torno da não homologação da compensação declarada, por inexistência do direito creditório informado. De fato, noticia o Despacho Decisório de fls. 2/4, que, embora localizado nos sistema da RFB, o Darf informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) de fls. 5/8, o pagamento nele discriminado fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação em apreço. Por meio da manifestação de inconformidade de fls. 9/14, a recorrente alegou que a parcela do pagamento utilizado na compensação correspondia a parcela do pagamento da Cofins do mês de fevereiro de 2001, calculada sobre o valor das receitas financeiras recebidas no mês, incluído indevidamente na base de cálculo da contribuição, em razão da decisão do STF que declarara inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998. A questão jurídica, atinente ao ilegal alargamento da base de cálculo, já se encontra superada no âmbito deste Conselho desde o trânsito em julgado da decisão plenária do STF, proferida no âmbito do julgamento da questão de ordem suscitada no RE nº 585.235/RG, realizado sob o regime de repercussão geral, estabelecido no art. 543B do CPC, cujo enunciado da ementa restou a assim redigido, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 28/11/2008) – Grifos não originais. Com o trânsito de julgado da referida decisão, em cumprimento ao disposto no art. 62, § 2º, da Portaria MF 343/2015, que aprovou Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), os fundamentos do referido julgado são de adoção obrigatória por todos membros deste Conselho, logo, aqui adotase o teor da respectiva decisão, para afastar o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, previsto no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998. Entretanto, embora reconhecido como indevido o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, o que, induvidosamente, inclui as receitas financeiras auferidas no período de apuração em referência, a Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.937862/201118 Acórdão n.º 3302004.493 S3C3T2 Fl. 5 4 recorrente não dignou trazer aos autos prova de que de que auferira o valor da receita financeira alegado. De fato, na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente não apresentou nenhum elemento probatório que confirmasse o recebimento das referidas receitas financeiras e tampouco que tenha incluído o correspondente valor na base de cálculo da contribuição recolhida no mês. Somente com a apresentação da peça recursal em apreço, a recorrente trouxe à colação dos autos o demonstrativo de fls. 44/45, em que discriminado os valores das receitas financeiras, auferidas nos meses de fevereiro de 2001 a dezembro de 2003, bem como os supostos valores originais e atualizados da Cofins indevida, apurados nos citados meses. E com vista à comprovação do valor da receita financeira auferida no mencionado mês, em vez de apresentar cópia das folhas do livro contábil obrigatório (o livro diário), devidamente autenticado no Registro Público de Empresas Mercantis, acompanhado das cópias dos extratos bancários das correspondentes operações financeiras, conforme exige os arts. 1.179 a 1811 da Lei 10.406/2002 (Código Civil de 2002), a recorrente limitouse a apresentar uma folha com os valores de suposta Demonstração de Resultado do mês de fevereiro. A copia do suposto documento não foi extraída do livro Diário e tampouco assinado por profissional da área contábil legalmente habilitado e pelo representante da recorrente, conforme exige o art. 1.184 do Código Civil de 2002, a seguir transcrito: Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1º Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. § 2º Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico 1 "Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. § 1º Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. § 2º É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o art. 970. Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios." Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.937862/201118 Acórdão n.º 3302004.493 S3C3T2 Fl. 6 5 em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. (grifos não originais) Assim, como se trata de documento sem autenticidade, sequer assinado por representante legal da recorrente e profissional habilitado, induvidosamente, ele não serve como meio de prova do recebimento dos valores das referidas receitas financeiras discriminados pela recorrente no citado demonstrativo. Além disso, o citado documento não foi apresentado com a manifestação de inconformidade, conforme exige o art. 15 do Decreto 70.235/1972. Assim, ainda que revestisse de meio de prova adequada, o que se admite apenas para argumentar, por força da preclusão determinada no art. 16, § 4º, do citado Decreto, o referido documento não poderia ser admitido como elemento de prova na atual fase processual. Enfim, cabe ainda consignar que, no processo de compensação, a parte autora é o contribuinte que realizou o procedimento compensatório, portanto, nos termos do art. 373, I, da Lei 13.105/2015 (Código Processo Civil), que, na ausência de norma específica, aplicase subsidiariamente ao processo administrativo fiscal (art. 152 do CPC), o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação em apreço era da incumbência da recorrente. No entanto, nas duas oportunidades em que compareceu aos autos, ela omitiu se de apresentar prova adequada que demonstrasse a existência do direito creditório informado. No mesmo sentido, o art. 36 da Lei 9.784/1999, que dispõe sobre o processo administrativo federal, atribui ao autor do feito ou do pedido o ônus da prova constitutiva do seu direito. Logo, uma vez demonstrado que o ônus da prova da existência do crédito compensado era da recorrente, porém, como ela não se incumbiu dessa função deve arcar com as consequências decorrentes da sua omissão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 2 "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917214/2011-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 14/11/2001
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.665
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 14/11/2001 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Restituição formulado por meio do PER/DCOMP. O pedido de restituição referese a suposto pagamento a maior de contribuições sociais no período de apuração referido na ementa deste julgado. O despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 72 14 /2 01 1- 69 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10830.917214/201169 Acórdão n.º 3402004.665 S3C4T2 Fl. 3 2 decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outros débitos. Cientificado da decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o direito à restituição regularmente pleiteado, alegando que seu direito creditório adviria do alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente da inclusão indevida do ICMS no conceito de faturamento. Seu pleito foi julgado improcedente pela DRJ, ensejando a interposição de Recurso Voluntário, repisando suas razões originais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.636, de 27 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.903445/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.636): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 1. Sobre a necessidade de suspensão do processo administrativo Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, foi reconhecida a repercussão geral da temática pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Recurso Extraordinário 574.706, julgado favoravelmente ao Contribuinte mas pendente de publicação do acórdão, e passível ainda de Embargos de Declaração. Não há, portanto, o seu trânsito em julgado. Como bem ponderado pela Conselheira Thaís de Laurentiis em outro acórdão, haja vista o conteúdo do artigo 15 do Código de Processo Civil (CPC), que determina a sua aplicação supletiva ou subsidiária aos processos administrativo; bem como do artigo 1.035, §5º do mesmo Codex, com a regra sobre a necessidade de sobrestamento dos processos cuja matéria foi objeto de reconhecimento do repercussão geral no âmbito do STF, entendo que o presente processo administrativo deveria ser sobrestado, até que a melhor solução acerca do direito da Recorrente fosse apresentada pelo Pretório Excelso. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10830.917214/201169 Acórdão n.º 3402004.665 S3C4T2 Fl. 4 3 Nesse sentido, destaco as razões apresentadas pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeirão no Acórdão n. 3402004.271, com as quais concordo inteiramente. Contudo, sabendo que o entendimento majoritário desse Colegiado é pela impossibilidade de sobrestamento face à ausência de previsão regimental nesse sentido, passo à análise do mérito. 2. Da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS/COFINS Sobre esse tema, este Colegiado se manifestou por unanimidade com a ressalva do voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em substituição ao Conselheiro Pedro Bispo ao prolatar o Acórdão CARF nº 3402003.317 de relatoria do Cons. Atulim,e cujas razões reproduzo aqui e adoto como fundamentos da minha decisão: No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10830.917214/201169 Acórdão n.º 3402004.665 S3C4T2 Fl. 5 4 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/ netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.917214/201169 Acórdão n.º 3402004.665 S3C4T2 Fl. 6 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11050.000380/2010-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/03/2009
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/03/2009 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 10980.906579/2014-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 06 57 9/ 20 14 -9 7 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.603 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Foi exarado despacho decisório indeferindo o pedido de restituição do contribuinte, do exercício de 2013, no valor de R$ 1.777,44 conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 02. A autoridade fiscal indeferiu o pedido de restituição em face do pagamento objeto do pedido de restituição estar alocado aos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade (fl.10 e fl.19), alegando, em síntese, que é portador de moléstia grave do período de 11.04.2006 a 11.04.2011, além do período de novembro de 2012 a novembro de 2017, e, consequentemente, isento do imposto de renda, tendo retificado sua declaração dos exercícios de 2009 a 2012, tornando o pagamento objeto do pedido de restituição indevido. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade (Acórdão 0437.815 – fls. 27/28), nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A falta de liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte impede seu reconhecimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 54/55), no qual o contribuinte Informa que no decorrer de 11/04/2006 a 11/04/2011 e novembro de 2012 foi acometido por doença grave conforme laudos anexados ao presente processo. Nesses períodos, recolheu através de DARF, código 0211, IRPF indevidamente, pois já estava isento de acordo com a Lei nº 7.713/88. Conforme consta do acórdão recorrido, restou evidenciado que somente uma parte do imposto seria isento, quais sejam, novembro e dezembro de 2012. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.603 S2C4T1 Fl. 4 3 Informa que até a data da interposição do recurso ainda não havia sido ressarcido dos valores. Nesses termos, requer a revisão do acordão hostilizado. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.603 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 15/06/2015, conforme fl. 51, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 16/06/2015 (fl.54). 2. DO MÉRITO Tratase de pedido de restituição interposto com vistas a reaver o valor do Imposto de Renda de Pessoa Física referente ao exercício 2013, Ano Calendário 2012, no valor total de R$ 1.777,44 (hum mil setecentos e setenta e sete reais e quarenta e quatro reais). A isenção do imposto de renda sobre proventos da aposentadora está prevista na Lei nº 7.713, de 1998, artigo 6º, inciso XIV, com redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004, a saber: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”; Ainda em relação à isenção acima referida, a Lei nº 9.250, de 1995, no artigo 30 e §§ estabeleceu a forma do seu reconhecimento. Recordese: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.603 S2C4T1 Fl. 6 5 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose)”. Portanto, a isenção dos rendimentos dependem da comprovação que eles sejam decorrentes de aposentadoria ou reforma; que a doença esteja arrolada no inciso XIV, artigo 6º da Lei nº 7.713/88 e que o interessado apresente laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, fixando o prazo de validade e a data de início da incapacidade provocada pela doença. No caso presente, o interessado comprovou a moléstia grave, bem como a sua condição de aposentado. Assim, resta nos autos a discussão de qual o período a isenção é devida. Compulsando os autos, verificase que o Contribuinte foi considerado, inicialmente, mediante laudo médico pericial, emitido em 16/01/2013, portador de carcinoma de próstata, CID C 61, 150, 125.5, neoplasia maligna, desde 11/04/2006. O mesmo laudo, todavia, considerou a moléstia como passível de controle, determinando a sua validade até 11/04/2011 (fl.21). Por outro lado, consta um segundo laudo médico, datado de 03/09/2013, no qual se observa que o contribuinte foi acometido por câncer de pele (CID C44.2 e C44.6) desde novembro de 2012, sendo a doença passível de controle e a validade do laudo até 08/11/2017. A DRJ em Campo Grande entendeu que não assiste razão ao contribuinte tendo vista que o apenas os rendimentos recebidos em novembro e dezembro de 2012 estariam isentos do imposto de renda, e os recebidos de janeiro a outubro de 2012 são tributáveis. Recordese: “Não assiste razão ao contribuinte que apresentou o laudo médico oficial do INSS caracterizando a moléstia a que foi acometido o contribuinte no período de 11.04.2006 a 11.04.2011, e novembro de 2012 a novembro de 2017 fls. 10. Considerando que o ano calendário relativo aos recolhimentos referemse a 2012 e a isenção a partir de novembro de 2012, somente uma parte dos rendimentos recebidos em 2012, quais sejam os recebidos em novembro e dezembro de 2012 estariam isentos do imposto de renda, e os recebidos de janeiro a outubro/2012 tributáveis. Considerando ainda que não há elementos nos autos para que se identifique os rendimentos tributáveis e isentos no período de 2012, não há como se deferir o pedido de restituição por falta de liquidez e certeza, pois, o pedido de restituição foi do recolhimento do imposto sobre a renda do ano todo de 2011, cuja declaração original considerou os rendimentos tributáveis, que ocasionou os recolhimentos. Pelos motivos acima, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado”. Ocorre que, conforme se observa da Manifestação de Inconformidade (fl.10), o contribuinte informa que confeccionou declaração retificadora (nº 2264179196), relativa aos Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.603 S2C4T1 Fl. 7 6 exercícios 2010; 2011; 2012 e 2013, anoscalendários 2009; 2010; 2011 e 2012, respectivamente, requerendo a restituição dos valores que estaria isento nesse período. Entendo que, para que se possa ter certeza dos limites da lide e não remanesçam dúvidas acerca do tema, devese realizar diligência, solicitando à Secretaria da Receita Federal do Brasil junte aos autos cópias das declarações do imposto de renda do contribuinte durante o período questionado, ou seja, relativa aos exercícios 2010; 2011; 2012 e 2013, anos calendários 2009; 2010; 2011 e 2012, respectivamente, bem como das declarações retificadoras. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000086/99-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. POSSIBILIDADE. AQUISIÇÃO MATÉRIA-PRIMA. PRODUTOR RURAL.
De acordo com o Resp 993.164/MG, reconhece-se o direito ao crédito presumido de IPI, decorrente da aquisição de matéria-prima de produtores rurais.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ESTOQUE. 31.12.2007. CONFIRMAÇÃO. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
Com a confirmação dos valores, por meio da análise dos autos do processo 13854.000047/98-61, deve ser considerado o valor correspondente ao estoque de produtos acabados em 31/12/1998 de R$ 18.732.841,69.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA.
Incabível o cálculo do crédito presumido de IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo por vedação à teleologia da norma.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL.
As variações cambiais complementares, objeto de emissão de nota fiscal conforme determinado pela legislação aduaneira, integram a receitas de exportação para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÓBICE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. INCIDÊNCIA. TAXA SELIC.
De acordo com o entendimento do Resp 993.164/MG, julgado sob o regime de repetitivo, a oposição de ato estatal, autoriza a incidência da aplicação da Taxa SELIC na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco.
Numero da decisão: 3302-004.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o aproveitamento de crédito presumido na aquisição de matéria-prima de produtor rural pessoa física, o valor correspondente ao estoque de produtos acabados em 31/12/1997 de R$ 18.732.841,69, as variações cambiais complementares glosadas e a incidência da Taxa Selic como correção monetária a partir da edição do despacho decisório, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado quanto à inclusão das receitas de revenda de exportação na receita de exportação.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA
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POSSIBILIDADE. AQUISIÇÃO MATÉRIAPRIMA. PRODUTOR RURAL. De acordo com o Resp 993.164/MG, reconhecese o direito ao crédito presumido de IPI, decorrente da aquisição de matériaprima de produtores rurais. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ESTOQUE. 31.12.2007. CONFIRMAÇÃO. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Com a confirmação dos valores, por meio da análise dos autos do processo 13854.000047/9861, deve ser considerado o valor correspondente ao estoque de produtos acabados em 31/12/1998 de R$ 18.732.841,69. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA. Incabível o cálculo do crédito presumido de IPI sobre mercadorias não consumidas no processo produtivo por vedação à teleologia da norma. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL. As variações cambiais complementares, objeto de emissão de nota fiscal conforme determinado pela legislação aduaneira, integram a receitas de exportação para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÓBICE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. De acordo com o entendimento do Resp 993.164/MG, julgado sob o regime de repetitivo, a oposição de ato estatal, autoriza a incidência da aplicação da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 86 /9 9- 01 Fl. 638DF CARF MF 2 Taxa SELIC na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o aproveitamento de crédito presumido na aquisição de matériaprima de produtor rural pessoa física, o valor correspondente ao estoque de produtos acabados em 31/12/1997 de R$ 18.732.841,69, as variações cambiais complementares glosadas e a incidência da Taxa Selic como correção monetária a partir da edição do despacho decisório, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado quanto à inclusão das receitas de revenda de exportação na receita de exportação. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de retorno de diligência, que teve como origem o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, de que trata a Portaria MF nº 38/97, com petição inicial de restituição datada em 29 de abril de 1999, fls. 21. A atividade empresarial da contribuinte é o comércio exterior de sucos de frutas, incluindo importações e exportações. No transcorrer do processo, retirase da informação fiscal, fls. 69/72, o quanto segue: (...) efetuamos no estabelecimento da empresa acima qualificada as verificações fiscais tendentes a constatar a legitimidade do "Pedido de Ressarcimento" solicitado por meio do presente processo, tendo sido verificadas, por amostragem, as operações referentes ao Crédito Presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS pagos na aquisição de insumos empregados no produtos exportados, conforme previsto na Lei 9.363/96, na Portaria MF n° 38/97, de 27/02/97 e nas Instruções Normativas n° 23, de 13/03/97 e n° 103, de 30/12/97. O pedido da empresa referese ao ano de 1998. 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 13854.000086/9901 Acórdão n.º 3302004.437 S3C3T2 Fl. 3 3 A empresa industrializou e exportou, no ano de 1998, o produto suco de laranja e alguns de seus derivados e apurou o Crédito Presumido do IPI, conforme solicitação de fls. 01. Foram verificados pela fiscalização, no período acima mencionado, os valores de Receita de Exportações; Receita Operacional Bruta, Custo das Matériasprimas; Produtos Intermediários e Materiais de Embalagem utilizados na produção dos produtos exportados, bem como os valores concernentes às deduções obrigatórias. (...) Em decorrência dos procedimentos fiscais efetuados, constatamos divergências quanto aos valores apurados e informados pela contribuinte e efetuamos os ajustes necessários à correta apuração do benefício, conforme descrito a seguir. 1 — Quanto ao custo das MatériasPrimas, Produtos Intermediários e Materiais de Embalagem utilizados no processo produtivo: 1.1 Foram incluídos, indevidamente, no cálculo do beneficio fiscal, valores referentes ao custo de laranjas adquiridas de Produtores Rurais, não contribuintes de PIS/PASEP e COFINS. Esses valores não devem ser incluídos na base de cálculo do Crédito Presumido do IPI, pois decorrem de aquisições de produtos em cujos preços não incidiram as referidas contribuições e, portanto, não geram direito ao benefício, conforme a legislação em vigor à data dos fatos geradores. Os custos referentes a estes insumos foram excluídos do cálculo do beneficio, tendo sido mantidos apenas os valores referentes aos custos das Matériasprimas adquiridas de contribuintes de PIS e COFINS, conforme pode ser observado no "Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido do ano de 1998", anexado às fls. 65. (...) 1.2 — A empresa incluiu, também, indevidamente, no cálculo do Crédito Presumido do IPI, o valor total de R$ 6.985.910,50, referentes a Fretes pagos a terceiros. A legislação em vigor à época se refere a Matériaprima, Produto Intermediário e Material de Embalagem utilizados na produção. Desta forma, para se considerar que determinado insumo enseja o crédito presumido, o mesmo há que se enquadrar em um destes conceitos, o que se configura quando o produto integra ou é utilizado no processo produtivo. (...) 1.3 — A contribuinte adicionou, indevidamente, na apuração do benefício, o valor de R$ 2.528.195,71, correspondente à Nota Fiscal n° 5294 (cópia às fls. 39), emitida pela empresa CAMBUHY MC INDUSTRIAL LTDA, em 30/03/1998, relativa a complementação do ICMS incidente sobre industrializações Fl. 640DF CARF MF 4 efetuadas nos anos de 1996 e 1997. Tais valores referemse a períodos anteriores, que não compõe o custo das Matérias primas, Produtos Intermediários e Materiais de Embalagens utilizados nos produtos exportados no ano de 1998, bem como não constam do estoque em 31/12/1997. (...) 1.4 — A contribuinte incluiu, indevidamente, na apuração dos valores dos Materiais de Embalagem utilizados, o montante de R$ 6.631.501,43, correspondente às Notas Fiscais n°s 005342 a 005347 e 005350 a 005359, emitidas em 02/02/1998 pela empresa CAMBUHY MC INDUSTRIAL LTDA. Estes documentos fiscais, cujas cópias estão inseridas às fls. 22/38, foram emitidos para a regularização de vendas de Materiais de Embalagem (tambores e outros) efetuadas no mês de agosto de 1996, mediante a emissão, à época, de Nota de Débito. Tais valores referemse a período anterior e não compõem o custo das Matériasprimas, Produtos Intermediários e Materiais de Embalagem utilizados nos produtos exportados no ano de 1998, bem como não constam do estoque em 31/12/1997. (...) 1.5 — Foi excluído pela empresa, indevidamente, do cálculo dos insumos, o valor correspondente ao ICMS destacado nas Notas Fiscais de compras de Embalagens, no valor de R$ 98.097,80. Os montantes apurados foram acrescidos à apuração fiscal, conforme pode ser visualizado no "Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido do ano de 1998", de fls. 65. (...) 1.6 — Efetuamos o ajuste do valor correspondente ao Estoque Final das Matérias Primas, Produtos Intermediários e Materiais de Embalagem (MP, PI e ME) utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos, em 31/12/1997, que havia sido excluído do cálculo do beneficio relativo ao ano de 1997 e que deve ser acrescido ao valor do Crédito Presumido relativo ao ano de 1998. A empresa adicionou o valor de R$ 14.580.273,84, mas, conforme pode ser visto no documento de fls. 17/21, o Fisco, ao verificar o Crédito Presumido do ano de 1997, excluiu o montante de R$ 704.354,85. Este valor está sendo computado no cálculo do beneficio no "Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido do ano de 1998", inserido às fls. 65. (...) 1.7 — Procedemos, também, ao ajuste do valor do Estoque Final de Matériasprimas, Produtos Intermediários e Materiais de Embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos, em 31/12/1998, que está sendo excluído do cálculo do benefício, conforme o "Demonstrativo de Apuração do valor das Matériasprimas, Produtos Intermediários e Materiais de Embalagem utilizados na produção dos produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos em 31/12/1998" e o "Demonstrativo Fl. 641DF CARF MF Processo nº 13854.000086/9901 Acórdão n.º 3302004.437 S3C3T2 Fl. 4 5 de Apuração do Crédito Presumido do ano de 1998", anexados às fls. 63/64 e 65, respectivamente. (...) 2 — Quanto ao valor da Receita de Exportação: 2.1 Os valores referentes às exportações de mercadorias adquiridas para revenda, indevidamente computados pela empresa no cálculo do referido beneficio, foram excluídos pelo Fisco, pois o Crédito Presumido do IPI incide, apenas, sobre as exportações de produtos industrializados pelo próprio Produtor exportador. (...) 2.2 — Foram, também incluídos, indevidamente, os acréscimos decorrentes de Variação Cambial, que não podem ser considerados na apuração do beneficio pois são contabilizados como Receitas Operacionais. Observese que, apesar de a empresa ter emitido Notas Fiscais de complemento de vendas para o Mercado Externo (vide cópias inseridas, por amostragem, às fls. 54/61), estes valores foram contabilizados como Receitas de Vendas no Mercado Interno. Tratase, na realidade, de Receitas Operacionais Financeiras decorrentes da Variação Cambial de Vendas ao Mercado Externo. (...) A contribuinte solicitou o valor de R$ 2.089.860,03. Porém, como o Fisco apurou o valor de R$ 62.398,99, do valor pleiteado deve ser excluído o montante de R$ 2.027.461,04. Sobreveio, então, despacho decisório, fls. 78, que, em síntese, suas conclusões foram: 1. é indevida a inclusão, no cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores correspondentes às aquisições de matériasprimas realizadas junto a produtores rurais pessoas físicas; 2. o valor do frete pago a terceiros não pode ser computado na apuração do incentivo fiscal; 3. os custos relativos às aquisições de insumos realizadas nos anoscalendário de 1996 e 1997 não podem ser considerados na apuração do crédito presumido do ano calendário de 1998; 4. o valor correspondente aos insumos utilizados na elaboração dos produtos não acabado e acabados e não vendidos, existentes em estoque em 31.12.07, deve ser ajustado, em decorrência das glosas procedidas pela fiscalização na apuração do crédito presumido relativo ao anocalendário de 1997; 5. está incorreta a quantificação do valor correspondente aos insumos utilizados na fabricação dos produtos não acabados e dos produtos acabados e não vendidos, existentes no estoque em 31.12.1998; Fl. 642DF CARF MF 6 6. os valores correspondentes às vendas ao exterior de mercadorias adquiridas pela ora requerente, no mercado interno, não devem ser computados no cálculo da receita de exportação; e 7. os valores constantes em notas fiscais de complemento de preço de venda para o mercado externo não integram a receita de exportação. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, fls.105/116, onde arguiu em síntese que: i) A maior parte das glosas realizadas pela fiscalização itens 1, 4, 6 e 7 não merece prevalecer, na medida em que não encontra amparo na Lei nº 9.363/96, bem como destoa da jurisprudência pacífica da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do 2° Conselho de Contribuintes; ii) Reconhece que os valores correspondentes aos itens 2, 3 e 5 foram corretamente excluídos do cálculo pelas autoridades fiscais. No entanto, devese ressaltar que o custo dos insumos, utilizados na elaboração dos produtos não acabados e acabados e não vendidos, existentes no estoque em 31.12.1998 (item 5), deve ser considerado na apuração do crédito presumido do IPI relativo ao período de apuração subsequente (anocalendário de 1999), nos termos do art. 3º , parágrafo 4º , da Portaria MF nº 93, de 27.4.2004; iii) Quanto às aquisições de matériasprimas de pessoas físicas, alega que o entendimento exarado pela fiscalização decorre da interpretação literal e equivocada do artigo 1º, da Lei nº 9.363/1996, sendo que, na atualidade, não encontra amparo no ordenamento jurídico, bem como na pacífica jurisprudência administrativa. Ademais, defende que a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem julgando, de forma reiterada, ser devida a inclusão, na base de cálculo do incentivo fiscal, do custo das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens adquiridos de produtores rurais pessoas físicas; iv) No que concerne aos ajustes do estoque final de 31.12.1997, alega que a fiscalização considerou os valores expressos nos autos do processo nº 13854.000047/9861, ocorre que a contribuinte conseguiu provimento integral em seu recurso voluntário e que, portanto, a fiscalização deveria ter considerado como sendo corretos os valores por ela apurados no mencionado processo; v) Quanto às receitas de exportação das mercadorias, adquiridas para revenda, argumenta que na apuração da base de cálculo do crédito presumido de IPI, deverá ser considerada como receita de exportação a totalidade do produto da venda para o exterior, ou para empresa "trading", de mercadorias nacionais, sendo irrelevante a pessoa que as produziu; vi) Em relação às notas fiscais de exportação, alega que na hipótese de exportação de mercadorias nacionais, a receita de exportação deverá ser reconhecida tão somente no momento do embarque dos produtos para o exterior. Consequentemente , levando se em conta as manifestações da Secretaria da Receita Federal e da jurisprudência administrativa, os valores constantes nas notas fiscais complementares devem compor a receita de exportação. Posteriormente, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade complementar, fls. 204/299, manifestandose em relação ao "Termo de Aditamento ao Despacho Decisório n. 0133/2004, de 20.4.2004", através do qual foram excluídos, da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores referentes às aquisições de laranja de pessoas Fl. 643DF CARF MF Processo nº 13854.000086/9901 Acórdão n.º 3302004.437 S3C3T2 Fl. 5 7 físicas, alegando que a jurisprudência encontrase pacificada em relação à possibilidade de obter crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas. Sobreveio, então, decisão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 388/396, cuja ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EMPRESA PRODUTORA EXPORTADORA. A simples revenda para o exterior de mercadorias adquiridas de terceiros, sem sofrer qualquer processo de industrialização, não está contemplada no incentivo fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. A contribuinte irresignada apresentou recurso voluntário, fls. 400/431, onde repisou a argumentação da manifestação de inconformidade e sua complementação. Os autos subiram a este Egrégio Tribunal Administrativo, momento em que por meio da resolução nº 3403000.591, o redator designado, Alexandre Kern, converteu o feito em diligência, para verificação de uma alegação. Ora, em relação ao ajuste pela exclusão da base de cálculo do valor dos insumos aplicados em produtos semiacabados ou acabados, mas não vendidos ao final de 1997 e inclusão do mesmo valor no ano de 1998 (R$ 14.580.273,84 x R$ 704.354,85), houve uma alegação recursal, no entanto, que controverte tal valor, sob o argumento de que a decisão definitiva no processo 13854.000047/9861 asseguroulhe o direito de aproveitar o créditoprêmio do IPI sobre as aquisições de insumos a produtores rurais pessoas físicas, o que reduziria o valor do ajuste a R$ 704.354,85. Portanto, a fim de comprovar tal alegação, o feito foi convertido em diligência nos seguintes termos: Fl. 644DF CARF MF 8 O Colegiado, no entanto, preferiu converter o julgamento do recurso em diligência, baixando o processo à Autoridade Administrativa competente para examinar o pleito, para que se tomem as seguintes providências: a) Juntese aos autos cópia da decisão final proferida no processo 13854.000047/9861; b) Demonstre o valor do ajuste determinado nos §§ 3° e 4° do art. 3° da PMF n° 38, de 1997, considerando o provimento dado nessa decisão; c) Repercuta o resultado desse cálculo na apuração do CPIIPI ora em julgamento, em parecer circunstanciado, nele acrescentado qualquer outra informação que entenda útil para o julgamento da lide; d) Abra o prazo regulamentar para que o interessado se manifeste sobre suas conclusões, e) Findo o prazo, devolva o processo a esta instância recursal, para prosseguimento do julgamento. Às fls. 497/510, encontrase a decisão no recurso voluntário do processo administrativo 13854.000047/9861. Há, posteriormente, recurso especial da Fazenda Pública, fls. 512/527, contrarrazões da contribuinte, fls. 529/541, e decisão no recurso especial, fls. 542/550, cujo provimento foi negado, e às fls. 553, execução do acórdão. Do relatório realizado após a diligência, fls. 556/588, extraemse trechos, que elucidam a lide: Relativamente aos ajustes questionados, os Acórdãos mencionados determinaram, em síntese, que na apuração “do crédito presumido de que trata a Lei nr. 9.363/96 sejam consideradas, no cálculo do coeficiente entre a receita operacional bruta e a receita de exportação, as receitas decorrentes de aquisição de mercadorias para revenda (exportação), e para que sejam consideradas as aquisições realizadas de não contribuintes”, conforme constou da parte final do voto do relator no Acórdão do Conselho de Contribuintes (fls. 510). Em face do que restou decidido após o acórdão da CSRF, resultaram alterados os valores apurados inicialmente. Com isso, os cálculos foram refeitos, conforme novo demonstrativo elaborado naquele processo, cuja cópia ora foi juntada ao presente às fls. 553/555 . Observase que foram alterados os valores correspondentes às linhas descritas a seguir : a linha correspondente ao valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, já que admitidas as aquisições realizadas de não contribuintes na base de cálculo do benefício; a linha correspondente à exclusão das exportações de mercadorias adquiridas de terceiros, já que admitido seu cômputo no total das exportações; Fl. 645DF CARF MF Processo nº 13854.000086/9901 Acórdão n.º 3302004.437 S3C3T2 Fl. 6 9 e, por fim, a linha correspondente ao estoque de produtos acabados em 31/12/97, que alterouse dos R$ 704.354,85 iniciais, para R$ 18.732.841,69, em decorrência da alteração na base de cálculo do período, já que as aquisições realizadas de não contribuintes, passaram a ser consideradas no total dos insumos utilizados. Esse, em princípio, o novo valor que deveria, nos termos das normas mencionadas, ser acrescido à base de cálculo do período seguinte (1998). 2 – ) relativamente ao ano de 1998 Conforme já relatado, o presente pedido foi objeto de ação fiscal cujo resultado encontrase às fls. 20/72 . Conforme se vê no demonstrativo de apuração do crédito presumido do ano de 1998 (fls. 68) e informação fiscal (fls. 71), foi acrescido aos custos de produção acumulados, na linha “MP, PI e ME em estoque em 31/12/97”, o valor excluído originalmente em 1997, ou seja, R$ 704.354,85 . Vale lembrar, que em face das disposições do Acórdão nr. 202 118567 referido, os valores apurados inicialmente para o período 1997 foram alterados. Entre eles, o valor correspondente ao estoque de produtos acabados em 31/12/97, que alterouse dos R$ 704.354,85 iniciais, para R$ 18.732.841,69, em decorrência de alteração na base de cálculo as aquisições realizadas de não contribuintes passaram a ser consideradas no total de insumos utilizados. Assim, conforme também já relatado, esse seria, em princípio, o novo valor a ser acrescido à base de cálculo do período 1998, nos termos da norma mencionada. Com isso, para atender ao solicitado no item “c” da resolução do CARF, bastaria, portanto, substituir um valor pelo outro na linha correspondente da planilha mencionada, e recalcular o valor do crédito. Entretanto, não cabe, a meu ver, e s.m.j , efetuar tal procedimento na presente data, em face do exposto a seguir. (...) Com o que, há que se aguardar a decisão final no presente processo, em especial, no que se refere à exclusão da base de cálculo dos valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas, para só então, decidida tal questão, manter o valor do acréscimo conforme já efetuado pela Fiscalização, ou acrescer o valor integralmente excluído ao final de 1997 (...) (grifos não constam no original) Fl. 646DF CARF MF 10 Às fls. 560, há a ciência da contribuinte a respeito da diligência em 10 de dezembro de 2014 e, às fls. 562, o termo de solicitação de juntada da manifestação em 08 de janeiro de 2015. A contribuinte apresentou manifestação, fls. 563/568, onde alega que é necessário para o cálculo do crédito presumido em discussão nos autos do presente processo, os valores reconhecidos a título de estoque de produtos acabados e não vendidos em 31.12.1997, no montante de R$ 18.732.841,69, isto é, considerando os valores atinentes às aquisições de pessoas jurídicas e físicas, na linha do entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 993.164/MG e súmula 494 do STJ. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do Direito 2.1. Aquisição de matériaprima de produtores rurais Em relação ao crédito presumido de IPI, decorrente da aquisição de matéria prima de produtores rurais, a Recorrente alega que a Câmara Superior de Recursos Fiscais possui entendimento consolidado por ser devida a inclusão na base de cálculo do incentivo fiscal, do custo das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de produtores rurais, não contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu tal questão em sistema de recurso repetitivo, cuja ementa é transcrita abaixo, RESP 993.164/MG, reconhecendo o direito ao crédito em debate2: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO 2 Art. 62, §1º, "b", Regimento interno do CARF. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 13854.000086/9901 Acórdão n.º 3302004.437 S3C3T2 Fl. 7 11 CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL.TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas Fl. 648DF CARF MF 12 jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que:"Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 13854.000086/9901 Acórdão n.º 3302004.437 S3C3T2 Fl. 8 13 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ademais, assim, também preceitua a Súmula 494 do STJ: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Pela fundamentação acima exposta e com a necessidade de observância ao RESP 993.164/MG, reconhecese o direito ao crédito presumido de IPI, decorrente da aquisição de matériaprima de produtores rurais, reformandose a decisão da DRJ/Ribeirão Preto no que concerne a tal aspecto. 2.2. Ajustes no estoque final existente em 31.12.1997 Quanto ao valor do estoque, existente em 31.12.1997, a fiscalização reduziu o valor das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados nos produtos em fabricação e nos produtos acabados e não vendidos, em decorrência dos ajustes por ela realizados na apuração do crédito presumido de IPI, relativo ao anocalendário de 1997, nos autos do processo nº 13854.000047/9861. A Recorrente alega que o resultado do julgamento proferido no referido processo deve repercutir no cálculo do benefício em questão nestes autos, tendo em vista que a própria fiscalização considerou os valores em questão naquele outro processo, ao apurar os montantes em discussão no presente caso. O feito foi convertido em diligência justamente a fim de apurar o resultado do julgamento nos autos do processo 13854.000047/9861, de onde se extrai do relatório, elaborado após a diligência, fls. 556/558: Em face do que restou decidido após o acórdão da CSRF, resultaram alterados os valores apurados inicialmente. Com isso, os cálculos foram refeitos, conforme novo demonstrativo elaborado naquele processo, cuja cópia ora foi juntada ao presente às fls. 553/555 . Observase que foram alterados os valores correspondentes às linhas descritas a seguir : Fl. 650DF CARF MF 14 a linha correspondente ao valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, já que admitidas as aquisições realizadas de não contribuintes na base de cálculo do benefício; a linha correspondente à exclusão das exportações de mercadorias adquiridas de terceiros, já que admitido seu cômputo no total das exportações; e, por fim, a linha correspondente ao estoque de produtos acabados em 31/12/97, que alterouse dos R$ 704.354,85 iniciais, para R$ 18.732.841,69, em decorrência da alteração na base de cálculo do período, já que as aquisições realizadas de não contribuintes, passaram a ser consideradas no total dos insumos utilizados. Esse, em princípio, o novo valor que deveria, nos termos das normas mencionadas, ser acrescido à base de cálculo do período seguinte (1998). 2 – ) relativamente ao ano de 1998 Conforme já relatado, o presente pedido foi objeto de ação fiscal cujo resultado encontrase às fls. 20/72 . Conforme se vê no demonstrativo de apuração do crédito presumido do ano de 1998 (fls. 68) e informação fiscal (fls. 71), foi acrescido aos custos de produção acumulados, na linha “MP, PI e ME em estoque em 31/12/97”, o valor excluído originalmente em 1997, ou seja, R$ 704.354,85 . Vale lembrar, que em face das disposições do Acórdão nº. 202 118567 referido, os valores apurados inicialmente para o período 1997 foram alterados. Entre eles, o valor correspondente ao estoque de produtos acabados em 31/12/97, que alterouse dos R$ 704.354,85 iniciais, para R$ 18.732.841,69, em decorrência de alteração na base de cálculo as aquisições realizadas de não contribuintes passaram a ser consideradas no total de insumos utilizados. Assim, conforme também já relatado, esse seria, em princípio, o novo valor a ser acrescido à base de cálculo do período 1998, nos termos da norma mencionada. Com isso, para atender ao solicitado no item “c” da resolução do CARF, bastaria, portanto, substituir um valor pelo outro na linha correspondente da planilha mencionada, e recalcular o valor do crédito. Entretanto, não cabe, a meu ver, e s.m.j , efetuar tal procedimento na presente data, em face do exposto a seguir. (...) Com o que, há que se aguardar a decisão final no presente processo, em especial, no que se refere à exclusão da base de cálculo dos valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas, para só então, decidida tal questão, manter o valor do acréscimo conforme já efetuado pela Fiscalização, ou acrescer o valor integralmente excluído ao final de 1997 Fl. 651DF CARF MF Processo nº 13854.000086/9901 Acórdão n.º 3302004.437 S3C3T2 Fl. 9 15 (...) (negritos não constam no original) Portanto, pela confirmação nos autos do processo 13854.000047/9861, houve modificação no valor correspondente ao estoque de produtos acabados em 31/12/97, que alterouse dos R$ 704.354,85 iniciais, para R$ 18.732.841,69. Na solicitação da diligência, o redator designado Alexandre Kern solicitou no item c o seguinte: c) Repercuta o resultado desse cálculo na apuração do CPIIPI ora em julgamento, em parecer circunstanciado, nele acrescentado qualquer outra informação que entenda útil para o julgamento da lide; Pela própria informação da fiscalização, ela expressou in verbis: Com isso, para atender ao solicitado no item “c” da resolução do CARF, bastaria, portanto, substituir um valor pelo outro na linha correspondente da planilha mencionada, e recalcular o valor do crédito Com a confirmação dos valores, por meio da análise dos autos do processo 13854.000047/9861, inclusive com planilha de cálculos às fls. 553 na fase de execução de acórdão, deve ser considerado o valor correspondente ao estoque de produtos acabados em 31/12/1998 de R$ 18.732.841,69 em razão da chamada coisa julgada administrativa. 2.3. Receitas de exportação 2.3.1. Mercadorias adquiridas para revenda A fiscalização havia excluído, do cálculo da receita de exportação, as quantias referentes a mercadorias exportadas pela recorrente, as quais haviam sido adquiridas de terceiros. A Recorrente alega que o art. 2º, da Lei nº 9363/96, prescreve que o crédito presumido do IPI deve ser calculado "mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondentes à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador", devendo, portanto, ser incluída na receita de exportação as mercadorias adquiridas para a revenda. A Lei nº 9.363/1996 assim dispõe: Lei 9.363/1996 Art.2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (grifos não constam no original) Fl. 652DF CARF MF 16 A partir da leitura do artigo supra citado, percebese que a base de cálculo do crédito presumido é determinada pelo percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador aplicado sobre os insumos. No caso em análise, correta a exclusão pela fiscalização dos bens adquiridos para revenda, que não passaram pelo processo produtivo da Recorrente, e, portanto, não faz jus ao crédito presumido. Nesse sentido, a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 392: Sendo o benefício instituído para a empresa produtora e exportadora, para que a receita de exportação possa ser computada no cálculo da proporcionalidade que determinará a base de cálculo, fazse necessário que o produto seja industrializado pela exportadora e tributado pelo IPI, condições indispensáveis para gerar direito ao crédito presumido. Essa conclusão decorre das expressões "empresa produtora e exportadora" e "para utilização no processo produtivo" constante o disposto no artigo 1º, da Lei nº 9.363, de 1996, assim como do disposto no parágrafo único do seu artigo 3º, que determina a utilização da legislação do IPI para definir "produção". Ademais quanto à alegação da IN SRF nº 313/2003, vale transcrever a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 394: Ou seja, a partir da publicação do dispositivo acima transcrito, em função do qual foi emitida a IN SRF n° 313/2003 citada pela defesa, as receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros, que permanecem fora do cômputo das receitas de exportação, deixaram de ser incluídas na apuração da receita operacional bruta. Todavia, esse dispositivo só entrou em vigor em 26/03/2003, não alcançando a apuração do crédito presumido ora tratado, que, conforme o período em destaque, é anterior a esta legislação. Portanto, mantémse o que foi considerado pela fiscalização e decidido pela DRJ/Ribeirão Preto no que concerne à exclusão dos bens adquiridos para revenda, que não passaram pelo processo produtivo da empresa e que, portanto, fugiram da teleologia da norma criada para incentivar os produtores e não os meros revendedores. 2.3.2. Notas fiscais de exportação A fiscalização glosou as notas fiscais complementares, emitidas pela Recorrente, por entender que tais valores seriam decorrentes de variação cambial e, como tal, eles devem ser reconhecidos como receitas financeiras, não podendo ser computados na apuração do crédito presumido do IPI. A Recorrente alega que o entendimento da fiscalização está equivocado, pois a Lei nº 9.718/1998 não se aplica na situação em análise, pois, em seu caso, as notas complementares por ela emitidas decorrem da variação cambial ocorrida entre a data da venda e a do efetivo embarque das mercadorias, isto é, antes de a Recorrente adquirir o direito ao preço das operações realizadas. Fundamenta que a jurisprudência reconhece que oscilações dessa natureza compõem a receita de exportação, não se confundido com meras variações cambiais do direito de preço. E expressa, in verbis, fls. 424: Fl. 653DF CARF MF Processo nº 13854.000086/9901 Acórdão n.º 3302004.437 S3C3T2 Fl. 10 17 Ou seja, se a receita de exportação deve ser convertida com base na cotação da moeda estrangeira vigente na data de embarque das mercadorias ao exterior, e se este é o momento em que os respectivos valores devem ser registrados na contabilidade, não faz qualquer sentido lógicojurídico o argumento de que as variações de preço, decorrentes de flutuações no câmbio anteriores ao embarque não representam receita de exportação, mas sim receitas financeiras . O Supremo Tribunal Federal no RE 627.815/PR, recebido sobre o regime de repercussão geral, assim decidiu: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. Fl. 654DF CARF MF 18 VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. (grifos não constam no original) No caso em análise, não se trata, portanto, de variação cambial "financeira", pois não se encontra no "contas a receber", mas sim de variação cambial da "receita de vendas", já que é contabilizada como receita de vendas, portanto, faz jus a Recorrente ao crédito presumido de IPI sobre as receitas de exportação acrescidas (ou reduzidas) da variação cambial anteriores à data de fechamento do câmbio. Conforme expressou, o Supremo Tribunal Federal: "O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços". Nesse sentido, já decidiu este Tribunal Administrativo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2002 A 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. INCABÍVEL O CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI SOBRE MERCADORIAS NÃO CONSUMIDAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, INSUMOS, COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. INCABÍVEL O CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI SOBRE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES EXVI DA SUMULA Nº12 DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL. AS VARIAÇÕES CAMBIAIS COMPLEMENTARES OBJETO DE EMISSÃO DE NOTA FISCAL CONFORME DETERMINADO PELA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA INTEGRAM A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. (CARF; 2ª Seção de Julgamento; 1ª Câmara; 2º Turma Ordinária; Acórdão nº 210200.157; Data do julgamento: 04/06/2009) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUT0S INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2001 A 30/09/2001 CREDITO PRESUMIDO DE IPI, INSUMOS. INCABÍVEL O CÁLCULO DO CREDITO PRESUMIDO DO IPI SOBRE MERCADORIAS NÃO CONSUMIDAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 13854.000086/9901 Acórdão n.º 3302004.437 S3C3T2 Fl. 11 19 INCABÍVEL O CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI SOBRE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES EXVI DA SUMULA N° 12 DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, BASE DE CÁLCULO, VARIAÇÃO CAMBIAL. AS VARIAÇÕES CAMBIAIS COMPLEMENTARES OBJETO DE EMISSÃO DE NOTA FISCAL CONFORME DETERMINADO PELA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA INTEGRAM A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.VISTOS RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM DAR MOVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. (CARF; 3ª Seção de Julgamento; 3ª Câmara; 2ª Turma Ordinária; Acórdão nº 330200348; Data do julgamento: 18/03/2010) Portanto, reformase a decisão da DRJ/Ribeirão Preto no que concerne a tal ponto para considerar a variação cambial como receitas de vendas, especificadas nas notas complementares, fls. 57 a 64. 2.4. Incidência da Taxa Selic e correção monetária A Recorrente pleiteia pela incidência da Taxa Selic e correção monetária, ao argumento de que ela não tem qualquer influência na demora da apreciação do pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI e defende que não existe uma justificativa juridicamente válida para a resistência da Fazenda Nacional de pagar os valores relativos ao crédito presumido do IPI acrescidos dos juros "Selic". A partir do Resp 993.164/MG, já transcrito em tópico, anteriormente analisado, percebese a incidência da Taxa Selic para o caso em análise: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL.TAXA Fl. 656DF CARF MF 20 SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). Portanto, de acordo com o entendimento do RESP 993.164/MG, julgado sob o regime de repetitivo, a oposição de ato estatal, autoriza a incidência da aplicação da Taxa SELIC na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco, no caso, despacho decisório. 3. Conclusão Por todo, conheço do recurso voluntário para conceder provimento parcial, reconhecendo o aproveitamento de crédito presumido na aquisição de matériaprima de produtor rural, o valor correspondente ao estoque de produtos acabados em 31/12/1997 de R$ 18.732.841,69, as variações cambiais complementares, objeto de emissão de nota fiscal conforme determinado pela legislação aduaneira, integram a receitas de exportação para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI e a incidência da Taxa Selic como correção monetária a partir do despacho decisório. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 657DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.021256/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA.
É cabível a imposição de multa de oficio isolada nos casos de compensação indevida em razão de os créditos se referirem a crédito prêmio de IPI instituido pelo art. l° do Decreto-Lei n° 491, de 5 de março de 1969.
COEXISTÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA E MULTA DE MORA
A multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n9 10.833, de 2003, é penalidade nova, aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado nos casos de abuso de forma e/ou fraude no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. Assim, não se caracteriza como acréscimo do principal não recolhido e coexiste com eventual exigência deste acrescido de multa de mora ou de oficio. Multas cobradas em razão de fatos distintos.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negar-lhe execução.
Numero da decisão: 1401-002.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Pesidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. É cabível a imposição de multa de oficio isolada nos casos de compensação indevida em razão de os créditos se referirem a crédito prêmio de IPI instituido pelo art. l° do DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969. COEXISTÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA E MULTA DE MORA A multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n9 10.833, de 2003, é penalidade nova, aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado nos casos de abuso de forma e/ou fraude no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. Assim, não se caracteriza como acréscimo do principal não recolhido e coexiste com eventual exigência deste acrescido de multa de mora ou de oficio. Multas cobradas em razão de fatos distintos. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 12 56 /2 00 8- 49 Fl. 745DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePesidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (fls. 598615) , que manteve parcialmente o auto de infração o auto de infração de fls. 02/09, através do qual foi constituído o crédito tributário referente a multa exigida isoladamente, em face de compensações indevidas em declarações prestadas pelo sujeito passivo nos meses de: março a dezembro de 2005; fevereiro a dezembro de 2006; janeiro, fevereiro e junho de 2007. As multas isoladas, aplicadas no percentual de 75%, importam no total de R$ 8. 075.895,01.enquadramento legal da infração, bem assim os demonstrativos de apuração do crédito tributário, encontramse no auto de infração e em seus anexos. 2. A contribuinte apresentou impugnaçao (fls. 128/146), que foi julgada parcialmente procedente em 16/04/2010. O Acórdão ora Recorrido (1129.516 4” Turma da DRJ/REC) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. É cabível a imposição de multa de oficio isolada nos casos de compensação indevida em razão de os créditos se referiram a crédito prêmio de IPI instituído pelo art. 1° do DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969. COEXISTÊNCLA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA E MULTA MORA. A multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, é penalidade nova, aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado nos casos de abuso de forma e/ou fraude no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. Assim, não se caracteriza como Fl. 746DF CARF MF Processo nº 19647.021256/200849 Acórdão n.º 1401002.036 S1C4T1 Fl. 755 3 acréscimo do principal não recolhido e coexiste com eventual exigência deste acrescido de multa de mora ou de oficio. MULTA DE OFÍCIO CARÁTER CONFISCATÓRIO INCONSTITUCIONALIDADE A multa aplicada em procedimento de oficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não havendo, portanto, qualquer razão em querer dar cunho confiscatório à aludida exigência. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. MULTA LANÇADA EM DUPLICIDADE. Deverão ser excluídos os lançamentos das multas aplicadas sobre os débitos constantes das declarações de compensação cujos débitos também tenham sido utilizados para apuração da multa isolada constantes das respectivas retificadoras. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Na fl. 623 consta petição do Recorrente, protocolada em 01/09/2010, informando a adesão ao parcelamento especial instituído pela MP 470/2009 e requerendo a desistência da impugnação apresentada. 6. Nas fls. 640/641 consta Termo de Informação Fiscal relatando que o contribuinte alega ter observado, posteriormente ao pedido do processo de n° 19647.014279/200988, que havia deixado de listar outros débitos objeto de multa isolada decorrente de compensações realizadas como créditoprêmio de IPI. Desta feita, no Termo de Informação foi constatado que o contribuinte pleiteou, a inclusão do crédito objeto do presente lançamento fiscal. 7. Ocorre que, tal pedido foi realizado em 30/12/2009 e, de acordo com as conclusões do auditor no referido Termo de Informação, à luz do art. 3° da MP n° 470/2009 e do art. l° da Portaria Conjunta PGFN/RF B n° 09/2009 ser inadmissível a inclusão de novos débitos, posteriormente a 30 de novembro de 20.10., haja vista que o parcelamento a que o contribuinte aderiu voluntariamente estabeleceu a data limite de 30/1l/2009 para o parcelamento dos débitos. 8. Com base no referido Termo de Informação, consta na fl. 642 o Despacho Decisório que nega a inclusão do débito objeto do presente lançamento no parcelamento e, à fl. 643 consta despacho determinando o prosseguimento da cobrança do presente crédito tributário. Fl. 747DF CARF MF 4 9. Ocorre que, à fl. 644 foi proferido Despacho Decisório que negou efeitos ao pedido de desistência da impugnação formulado pelo contribuinte. Isto porque apesar da negativa de inclusão dos débitos de multa isolada no parcelamento da MP 470/2009, por ter sido pleiteada intempestivamente (termo de informação fiscal e despacho às fls. 628/630), ocorreu o julgamento da impugnação pela DRJ, desconsiderando a formalização da desistência da impugnação, por não ter sido esta encaminhada em tempo hábil. Assim, entendeu que a desistência da impugnação deste processo, como forma de incluir os débitos no parcelamento da MP 470/2009 também foi feita intempestivamente. Seria, portanto, um ato do contribuinte eivado de vicio. Assim, não haveria como considerar isoladamente cada ato intempestivo, dando validade à desistência da impugnação e negandoa adição na inclusão dos débitos no parcelamento.: ' 9. Face ao exposto, procedeuse à intimação pessoal do contribuinte em 25/11/2010 (fl. 673) acerca do Acórdão ora Recorrido. 10. Constam ainda nos autos Manifestação de Inconformidade (fls. 675679) apresentada pelo Contribuinte no Processo 14766.000595/201036, em razão do despacho denegatório de inclusão dos débitos objeto do presente lançamento tributário e, posteriormente, consta pedido de desistência da referida manifestação de inconformidade à fl. 688. 11. Posteriormente, em 15/12/2010 o contribuinte apresenta o presente Recurso Ordinário (fls. 693712) onde basicamente alega que: a) Preliminarmente, alega fato superveniente consistente na extinção do crédito ora exigido. Isto porque, segundo o Recorrente, primeiramente ele alega que a MP 470/2009 (Refis da Crise) havia anistiado os débitos decorrentes do Crédito Prêmio do IPI. Em seguida, afirma que o indeferimento da inclusão do débito no parcelamento foi ilegal, vez que ele haveria cumprido todos os requisitos para o seu deferimento e, além disso, o prazo para inclusão de débitos teria sido prorrogado por 60 dias com o Ato n. 24/2009 do Congresso Nacional; b) No mérito, defende a impossibilidade de coexistência da multa isolada e de ofício, isto porque os tributos cuja compensação ensejou a autuação já se encontravam, na data da feitura do lançamento, em cobrança, a maioria deles inclusive pela via judicial, já tendo sido acrescida a esses valores multa moratória em razão da cobrança coercitiva. Em suma, do total de R$ 8.075.895,01 (oito rnilhões, setenta e cinco mil, oitocentos e noventa e cinco reais e um centavo), em tributos Compensados, R$ 7.975,355,55 (sete milhões, novecentos e setenta e cinco mil trezentos e cinqüenta e cinco reais e cinqüenta e cinco centavos) já se encontravam em execução, acrescidos de multa moratória, na data do lançamento. Alega ainda que os referidos débitos foram parcelados no parcelamento instituído pela MP 470/2009; c) Aduz ainda que o extinto Conselho de Contribuintes, atual CARF, pacificamente entende que não é possível a cumulação de multas com idêntica base de cálculo, como ocorre no caso em tela. Cita decisões administrativas. Defende que a declaração de compensação é apenas um meio, legalmente admitido, para promover a quitação do tributo. Se o fisco entende que a quitação não ocorreu, e passa a cobrar o tributo como não pago, aplicando uma penalidade por esse fato, não há razoabilidade em aplicarse nova penalidade sobre fato que constitui mero antecedente lógico Fl. 748DF CARF MF Processo nº 19647.021256/200849 Acórdão n.º 1401002.036 S1C4T1 Fl. 756 5 da não quitação. Situação diferente seria se a contribuinte houvesse, de alguma forma, agido de maneira a impedir o fisco de conhecer a ocorrência de fato gerador de tributo. Não é, em absoluto, o caso. As declarações de compensações servem justamente para informar o fisco acerca da ocorrência desses fatos. A posterior reiteração das compensações em DCTF, conforme feito pela Recorrente, constitui inclusive confissão de dívida. Não há qualquer desvalor adicional na conduta da contribuinte que justifique a aplicação de uma segunda penalidade além daquela que já foi imposta, mormente quando se trata de uma multa de 75% (setenta e cinco por cento) do valor compensado. d) Alega ainda que as redações anteriores do art. 18 da Lei n°10.833/2003 previa a aplicação da multa apenas para as hipóteses de sonegação, fraude e conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, sendo alterada com o advento da edição da MP n° 351, convertida na Lei n° 11.488/2007, para os casos de falsidade da declaração apresentada. Portanto, a Recorrente alega, apenas para argumentar, que a multa isolada com fundamento no dispositivo legal citado apenas poderia ser aplicada para os tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido antes de 22/01/2007. Conclui requerendo o cancelamento da autuação sob a alegação de ter sido aplicada a multa isolada fora das hipóteses legais vigentes no período. e) Reitera ainda seu argumento de impugnação ao defender ser confiscatória a multa aplicável e, ao final, apesar de se tratar de matéria que deveria ser aduzida em preliminar, alega ser Nula a decisão recorrida por entender que não é defeso ao tribunal administrativo se manifestar sobre alegações de inconstitucionalidade. f) Conclui requerendo que seja reconhecida a extinção do crédito tributário face o parcelamento. Caso não reconhecida a referida extinção, requer seja reconhecida a Nulidade da decisão recorrida e, no mérito, a improcedência do presente lançamento. 12. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Daniel Ribeiro Silva. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Das Alegações Preliminares Fl. 749DF CARF MF 6 Preliminarmente, o Recorrente alega ter ocorrido fato superveniente consistente na extinção do crédito tributário. Isto porque, entende que a o parcelamento instituído pela MP 470/2009 (Refis da Crise) haveria anistiado os débitos decorrentes do Crédito Prêmio do IPI. Ademais, entende que o indeferimento da inclusão do débito no parcelamento foi ilegal, vez que ele haveria cumprido todos os requisitos para o seu deferimento e, além disso, o prazo para inclusão de débitos teria sido prorrogado por 60 dias com o Ato n. 24/2009 do Congresso Nacional. Em razão disso requer o reconhecimento do seu direito ao parcelamento e, por conseqüência, da extinção do crédito em litígio. Entendo não assistir razão ao Recorrente. Isto porque, não compete a este Conselho no presente Processo Administrativo analisar as razões do indeferimento do aditamento ao parcelamento, buscando por vias transversas trazer a esta Câmara de Julgamento a análise das razões de indeferimento ao seu pedido de parcelamento, o que foge à nossa competência. Ademais, todas as regras atinentes ao parcelamento e os procedimentos próprios no caso de indeferimento foram tratados por portarias próprias à época. Chama atenção também ao fato de que o contribuinte se insurgiu contra a não inclusão do presente crédito no parcelamento originário da MP 470 convertida na Lei 11.941/2009, entretanto, o referido parcelamento (á época vulgarmente chamado de Refis da Crise ou Refis IV), teve o seu prazo de adesão reaberto por mais de uma vez. Senão vejamos. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, instituiu a possibilidade de parcelamento ou de pagamento à vista de débitos vencidos até 30/11/2008. Em 10/10/2013, a Lei nº 12.865, reabriu, até 31 de dezembro de 2013, o prazo para os referidos pagamentos e parcelamentos de débitos, observadas as condições previstas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7, de 15 de outubro de 2013. Ainda, no dia 14/05/2014, a Lei nº 12.973/2014 reabriu novamente, até o último dia útil de julho (31/07/2014), o prazo para os referidos pagamentos e parcelamentos de débitos. Assim, diante do quanto exposto não vejo como dar guarida à alegação recursal, razão pela qual não acolho a preliminar. Outrossim, apesar de ter sido tratada pelo recorrente nas razões de mérito, o contribuinte também defende ser alega ser Nula a decisão recorrida por entender que não é defeso ao tribunal administrativo se manifestar sobre alegações de inconstitucionalidade. Da mesma forma entendo não assistir razão ao Recorrente. Isto porque não está abarcada na competência deste tribunal administrativo a apreciação de alegações relativas à inconstitucionalidade da legislação federal. Entendendo o contribuinte que tal restrição legal afigurase como inconstitucional, deve o mesmo utilizarse dos remédios constitucionalmente assegurados. Face ao exposto, também deixo de acolher tal preliminar de nulidade da decisão recorrida. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 19647.021256/200849 Acórdão n.º 1401002.036 S1C4T1 Fl. 757 7 Do Mérito a) Da Natureza Confiscatória da Multa Aplicada Diante da previsão legal de aplicação da penalidade, tal qual a decisão recorrida, entendo que a alegação de sua natureza confiscatória equivale a questionamento quanto à sua constitucionalidade, razão pela qual pelos mesmos argumentos que indefere a preliminar analisada no tópico anterior deixo de conhecer de tal argumento em razão da falta de competência desta Câmara. b) Do descabimento da aplicação da penalidade para parte dos fatos geradores Entende o Recorrente que os artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, foram alterados com o advento da edição da MP n° 351, convertida na Lei n° 11.488/2007, para os casos de falsidade da declaração apresentada. Portanto, a Recorrente alega, apenas para argumentar, que a multa isolada com fundamento no dispositivo legal citado apenas poderia ser aplicada para os tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido antes de 22/01/2007. Não assiste razão ao Recorrente, isto porque o marco legal a ser considerado na definição das normas aplicáveis é a data em que protocolizado o pedido de compensação. Esse também é o entendimento do STJ sobre a questão, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. DECISÃO NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. "MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE". APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NO MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.PRECEDENTES. 1. A falta de prequestionamento do disposto no art. 2º da Lei 9.784/99 impede o conhecimento do apelo especial. Incidência da Súmula 282/STF. 2. O processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo vedada a apreciação de eventual "pedido de compensação" ou "declaração de compensação" comfundamento em legislação superveniente. 3. Em consequência, o março a ser considerado na definição dasnormas aplicáveis na regência do "recurso de inconformidade" é a data em que protocolizado o pedido de compensação de crédito com débito de terceiros que, na hipótese, deuse em 30 de dezembro 1998.4. A manifestação de inconformidade foi prevista, pela primeira vez,como meio impugnativo da decisão que não homologa a compensação, na Instrução Normativa SRF 210, de 30 de setembro de 2002, passando a ser normatizada legalmente a partir da Lei 10.833/03 – conversão da MP 135/03 (cf. REsp 781.990/RJ, Rel. Min. Denise Arruda).5. A eg. Primeira Seção, ao julgar o EREsp 850.332/SP, Rel. Fl. 751DF CARF MF 8 Min.Eliana Calmon, definiu que as impugnações apresentadas pelo contribuinte na esfera administrativa têm o "condão de impedir o pagamento do valor até que se resolva a questão em torno da extinção do crédito tributário em razão da compensação", a teor do art. 151,III, do Código Tributário Nacional, segundo o qual "suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo".6. Recurso especial provido. (STJ REsp: 1100483 AL 2008/02373525, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 01/09/2009, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 14/04/2010) Assim, não assiste razão ao Recorrente vez que quando da apresentação da declaração vigentes os dispositivos legais que embasaram o presente lançamento.. c) Da impossibilidade de coexistência da multa isolada e de ofício Ao contrário do quanto alegado, não há cumulação de multa isolada e de ofício. O contribuinte pagou o tributo devido acrescido da multa de mora, que decorre do pagamento intempestivo do tributo. Por outro lado, o presente lançamento exige multa isolada em razão de imputação específica, qual seja, a não homologação da compensação por ter a mesma sido considerada como não declarada. Assim, não há identidade de fatos que originaram as duas penalidades, sendo possível a sua cumulação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Daniel Ribeiro Silva Fl. 752DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.722325/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. PROVA INDICIÁRIA.
O conjunto de indícios precisos, graves, harmônicos e que se convergem para o convencimento da autoridade julgadora constitui meio de prova idôneo para caracterizar o interesse comum e, conseqüentemente, aplicar a responsabilidade solidária.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.
Uma vez comprovado que os sócios de fato da empresa fiscalizada não constam em seu quadro societário, e havendo a caracterização de confusão patrimonial entre o sujeito passivo solidário e a devedora principal, cabível a imputação da responsabilidade tributária por interesse comum, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. MULTA QUALIFICADA.
A prática reiterada, por sucessivos exercícios, de omitir receitas tributáveis ao fisco federal, tendo apresentado declaração de inatividade, mas declarado as receitas ao fisco estadual, caracteriza conduta dolosa, razão pela qual correta a aplicação da multa qualificada de 150%.
MULTA QUALIFICADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo ao fisco aplicar a multa no percentual previsto na lei. O CARF, aliás, não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula nº 02.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Em razão da relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos decorrentes a mesma decisão proferida no lançamento principal.
Numero da decisão: 1201-001.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 21/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. PROVA INDICIÁRIA. O conjunto de indícios precisos, graves, harmônicos e que se convergem para o convencimento da autoridade julgadora constitui meio de prova idôneo para caracterizar o interesse comum e, conseqüentemente, aplicar a responsabilidade solidária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Uma vez comprovado que os sócios de fato da empresa fiscalizada não constam em seu quadro societário, e havendo a caracterização de confusão patrimonial entre o sujeito passivo solidário e a devedora principal, cabível a imputação da responsabilidade tributária por interesse comum, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada, por sucessivos exercícios, de omitir receitas tributáveis ao fisco federal, tendo apresentado declaração de inatividade, mas declarado as receitas ao fisco estadual, caracteriza conduta dolosa, razão pela qual correta a aplicação da multa qualificada de 150%. MULTA QUALIFICADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo ao fisco aplicar a multa no percentual previsto na lei. O CARF, aliás, não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula nº 02. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 23 25 /2 01 3- 98 Fl. 10262DF CARF MF 2 Em razão da relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos decorrentes a mesma decisão proferida no lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 21/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 2/74) de IRPJ e Reflexos, lavrados em face da caracterização de omissão de receitas nos anos calendário de 2008 e 2009. Tendo em vista os fatos apurados, as exigências foram penalizadas com multa qualificada de 150% e foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva contra a empresa ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. Segundo relatado no Relatório Fiscal que motivou os lançamentos (fls. 77/96): 1. Em 15/07/2011 o Delegado da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora expediu o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 06.1.04.002011005310 determinando a fiscalização do contribuinte Teixeiras Comércio de Café Ltda., referente ao IRPJ anoscalendário de 2007 a 2009. 2. O anocalendário de 2007 já foi objeto de fiscalização conforme processo n° 10640.723.667/201244, encerrado em 26/11/2012. [...] Fl. 10263DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 3 3 13. Pelas informações prestadas pelas instituições financeiras grandes soma de recursos monetários foram movimentados, como se demonstra abaixo, entretanto, repisese, a empresa declarouse INATIVA ANO VALOR CALENDÁRIO 2007 R$ 145.541.804,20 2008 R$ 152.999.422,62 2009 R$ 104.213.336,00 14. Em 01/09/2011, tendo decorrido o prazo fixado no edital de 15 (quinze) dias sem que tenha havido o comparecimento do fiscalizado considerouse feita a intimação. Em 29/09/2011, sem que a empresa tivesse apresentado os extratos bancários, solicitei ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora a emissão de Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira RMF, para o Banco do Brasil S.A. e Cooperativa de Crédito da Zona da Mata de Minas Gerais, referentes ao anoscalendário de 2007 a 2009. [...] 19. Em 17/10/2011, estivemos na cidade de Teixeiras à rua Etelvina Rigueira n° 13 e constatamos que a empresa não se encontrava naquele endereço. 20. Segundo declaração do Sr. Álvaro Nogueira Floresta, coordenador do SIAT (Serviço Integrado de Assistência Tributária e Fiscal) da Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais, da cidade de Teixeiras, MG, a empresa fiscalizada encerrou as atividades no final de 2009 e a contabilidade da empresa era executada na cidade de Manhuaçu, pelo contador João Carlos, conforme documento anexo). 21. Na cidade de Manhuaçu, estivemos no escritório de contabilidade do Sr. João Carlos Kleimpaul Vieira onde lavramos Termo de Constatação Fiscal. Segundo o Sr. João Carlos ele não conhece os sócios da empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda apesar de possuir uma procuração particular do Sr. Ezequiel para representálo junto às repartições públicas. Questionado sobre a procuração informou que foi o Sr. Eliézer Magalhães, corretor de café, o portador da documentação para a constituição da referida empresa. 22. Não obstante o Sr. João Carlos Kleimpaul negar conhecer o Sr Ezequiel a declaração de IRPF do "dito sócio" foi transmitida de seu escritório. Assim como as DlPJs da fiscalizada também o foram. Fl. 10264DF CARF MF 4 23. Constatamos também que o Sr. João Carlos Kleimpaul assina como testemunha na segunda, terceira e quarta alteração contratual da fiscalizada. [...] 32. Analisando a documentação enviada pelo SICOOB constatamos que os créditos na conta da fiscalizada através de TED foram emitidos por diversas pessoas jurídicas: NOBLE BRASIL LTDA., IND ALIM MARATA LTDA, STOCKLER COM E EXPORT, NICCHID SOBRINHO CAFÉ S.A, COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS VALE VERDE, RIO DOCE CAFÉ S.A. IMPORTADORA E EXPORTADORA, TANGARÁ IMPORTADORA E EXPORTADORA, TRISTÃO COMPANHIA DE COM. EXTERIOR, ETC. 33. As empresas acima identificadas foram intimadas a apresentar relação das notas fiscais de aquisição realizadas com a fiscalizada, informando a data e forma de pagamento e a pessoa de contato. As empresas apresentaram documentação comprobatória das compras e silenciaram quanto à pessoa com a qual se relacionavam. 34. Constatamos também que a fiscalizada declarou para a Receita Estadual as receitas anuais nos valores de R$164.987.612,51 em 2007, de R$ 116.983.657,11 em 2008 e de R$126.315.640,68, em 2009. 35. A fiscalizada não respondeu a intimação datada de 11/01/20012. 36. Verificamos também que nas notas fiscais de entradas/saídas emitidas pela fiscalizada constam que todo café comercializado ficou estocado na empresa Armazéns Gerais São João Ltda, CNPJ 22.394.696/000382 na cidade de Matipó. Consta inclusive nas notas fiscais de produtor rural que o local de entrega é o da empresa depositária. 37. Em 16/04/2012, na cidade de Manuaçu, localizamos o Sr. Eliezer Magalhães Ferreira na empresa Percy Alves dos Santos, CNPJ 10.737.709/000128, cujo nome de fantasia é “Pastelaria do Kaleb”, local onde lavramos Termo de Constatação, documento anexo. 38. O Sr. Eliezer declarou que foi contratado pelo Sr. Heráclito Pacheco, como conferente de café, da empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda., na cidade de Teixeiras, local onde trabalhava de terçafeira a quintafeira recebendo um salário e meio mais ajuda de custo. Ressaltou que na cidade de Teixeiras/MG não havia movimento de café, que era todo feito na cidade de Matipó/MG. Informou também, que assinou vários documentos bancários pois, segundo ele, na ausência do Sr. Heráclito Pacheco teria de assinar ordens bancárias e cheques. Disse não ter conhecimento de ser o procurador da empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda perante as instituições financeiras Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Era visível o medo do Sr. Eliezer ao dar essas poucas e confusas declarações, só o fazendo após se afastar do local de trabalho. Fl. 10265DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 4 5 [...] 40. Também na cidade de Matipó tomamos a termo o depoimento do Sr. João Batista Gardingo, sócio da empresa Armazéns Gerais São João Ltda. 41. Segundo o Sr. João Batista Gardingo a empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda utilizava o "Armazéns Gerais São João Ltda" para beneficiamento e armazenamento de seu café. Declarou também não se lembrar de nenhum nome de pessoas ligadas à empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda. Informou ainda que o pagamento efetuado pela fiscalizada era feito através de cheque e/ou ordem de pagamento. 42. O depoimento do Sr. João Batista Gardingo foi dado no seguinte endereço Av. São João 106, na cidade de Matipó. No andar térreo deste endereço funciona o Supermercado São João (nome fantasia ) de sua propriedade. No andar superior estão os escritórios do sr. João Gardingo, os contábeis além de uma sala para classificação da qualidade do café e degustação. 43. Enquanto aguardávamos o depoente constatamos a presença de pessoas com amostras de café as quais eram examinadas no local. 44. Estivemos na Fazenda Santa Maria s/n, zona rural em Matipó endereço do Armazéns Gerais São João Ltda., por sinal é o mesmo endereço da Cafeeira São João também de propriedade do Sr. João Batista Gardingo 45. Verificamos que em grande parte das notas fiscais emitidas pela fiscalizada consta como transportadora a empresa "TRANSPORTADORA GAIVOTA LTDA", também de propriedade do Sr.João Gardingo. 46. Em 17/04/2012 intimamos a empresa "Armazéns Gerais São João Ltda, CNPJ 22.394.696/000382" a apresentar as notas fiscais das operações de armazenamento e beneficiamento referentes às operações com a empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda, os livros fiscais com os devidos lançamentos, a comprovação do recebimento dos serviços prestados e a forma de contato com o Sr. Heráclito Pacheco e com Sr. Eliézer Magalhães Ferreira. 47. Na data 18/05/2012 o Sr. João Batista Gardingo altera a declaração anterior afirmando "que a forma usual utilizada para contato sempre foi através de LIGAÇÕES TELEFÔNICAS e FACSÍMILE, mas algumas vezes, o Sr. Eliézer Magalhães Ferreira que se apresentou como "PROCURADOR" da empresa depositante compareceu pessoalmente às dependências dos ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA para retirar amostras de café, entregar ordens de serviço e comprovantes de pagamentos dos serviços faturados." Informa que "nunca manteve nenhuma tratativa com o Sr.Heráclito Pacheco. Apresentou apenas alguns comprovantes de recebimento das liquidações efetuadas pela empresa Teixeiras Fl. 10266DF CARF MF 6 Comércio de Café Ltda. em razão de não possuir todos os comprovantes uma vez que os depósitos bancários eram efetuados diretamente pela fiscalizada na conta do Armazéns". 48. Na documentação apresentada pela empresa Armazéns Gerais São João Ltda verificamos que a fiscalizada era a principal cliente do depósito. Verificamos inclusive, nos registros de entrada de n°s 002 e 003 (sem registro no órgão competente) que excluindo as notas fiscais aparentemente de retorno de mercadorias as demais referemse a Teixeiras Comércio de Café Ltda. [...] 51. Em 19/11/2012, na cidade de Manhaçu, localizamos o “sócio” – Sr. Fábio Barros da Silva na empresa Centro de Formação de Condutores Globo Ltda, exercendo a função de instrutor de trânsito desde fevereiro de 2009, local onde lavramos Termo de Cosntatação, documento anexo. Anteriormente trabalhou como operador de máquina na empresa “Gulozitos”. 52. O Sr. Fábio declarou não saber que era sócio da empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda e que foi apenas contratado para trabalhar no escritório da referida empresa e que assinou documentos mas não chegou a exercer nenhuma atividade. 53. Também em 19/11/2012 localizamos o Sr. Antonio Carlos de Souza, na cidade de Manhuaçu, onde lavramos Termo de Cosntatação. O declarante prestou as seguintes informações: os contratos sociais da empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda. Foram assinados por ele a pedido do Sr. Heráclito Pacheco e não tem conhecimento do local onde funcionou a empresa. 54. Em 19/11/2012 no escritório de contabilidade à Rua Monsenhor Gonzalez tomamos a termo novo depoimento do Sr. João Carlos Kleinpaul Vieira que declarou que o Sr. Heráclito foi cliente do escritório, mas o mesmo não tratou de assuntos referentes à Teixeiras Comércio de Café Ltda . 55. Nesta oportunidade retivemos "Recibos de Honorários", por serviços contábeis e fiscais prestados pelo Sr. João Carlos Kleinpaul Vieira às empresas Teixeiras Comércio de Café Ltda e Gira Mundo Com. de Café. 56. Tais recibos de prestação de serviços contábeis e fiscais no momento da entrega aos Auditores Fiscais tiveram os números de telefones rasurados pelo Sr. João Carlos Kleinpaul Vieira. 57. Em 28/11/2012 através do Ofício n° 388/2012/GAB/DRF/J FAMG foi solicitada a Polícia Federal perícia a fim de identificar os números de telefones rasurados. 58. Nos referidos "Recibos de Honorários" consta a rubrica "PG" em determinados valores e números de cheque. Analisando estes números de cheques constatamos que são de emissão da fiscalizada sacados em sua conta bancária no SICCOB. Fl. 10267DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 5 7 59. Intimamos em 13/12/2012 a Cooperativa de Crédito da Zona da Mata de Minas Gerais SICCOB a apresentar cópias destes cheques referentes a conta n° 55.2569. 60. Os cheques de números 14675 e 20798 nos valores respectivamente de R$ 2.000,00 e R$ 3.000,00, são nominais ao contador Sr. João Carlos Kleinpaul Vieira. II. DOS TRABALHOS DESENVOLVIDOS: 61. Durante os trabalhos de fiscalização desenvolvidos junto ao contribuinte, diversas situações nos apresentaram, conforme passamos a expor: 62. Segundo declarações do funcionário da Secretaria Estadual e do "procurador" Sr. Eliézer Magalhães Ferreira a empresa teve sede na cidade de Teixeiras. 63. O Sr. Eliézer declarou que foi contratado pelo Sr. Heráclito Pacheco na função de conferente de café da empresa Teixeira Comércio de Café Ltda, em Teixeiras/MG, não obstante, toda a movimentação de café ser feita na cidade de Matipó. 64. Essa situação fica evidenciada visto que todas as notas fiscais de entradas e saídas, emitidas pela empresa no período de 2007 a 2009, constam que o café dava entrada diretamente no Armazéns Gerais São João Ltda., na cidade de Matipó, fato confirmado pelo senhor João Batista Gardingo, sócio do Armazéns Gerais São João Ltda, ou seja, o café comercializado pela fiscalizada era depositado e beneficiado em seus Armazéns. [...] 67. Na Fazenda Santa Maria endereço do Armazéns G. São João Ltda funciona também a empresa Cafeeira São João Ltda cujo sócio responsável é o Sr. João Batista Gardingo. Observa se que o café comercializado pela Cafeeira não transita pelos Armazéns São João Ltda. Alias esta empresa apresentou declarações incompatíveis com quem exerce a atividade cafeeira No ano calendário de 2007 a receita declarada é menor que R$ 40.000,00 anuais, enquanto nos anos calendário de 2009 e 2011 apresentou declarações pelo lucro presumido ZERADAS e nos anos calendário de 2008 e 2010 encontrase OMISSA. 68. O transporte do café comercializado pela Teixeiras era, em sua grande maioria, feito pela TRANSPORTADORA GAIVOTA LTDA, também de propriedade do Sr.João Gardingo, conforme comprovam as notas fiscais emitidas. 69. Estranhamente o Sr. João Batista Gardingo declarou inicialmente não se lembrar do nome de nenhuma pessoa ligada à Teixeiras Comércio de Café Ltda., conforme Termo de Constatação lavrado em 16/04/2012, muito embora tenha sido a principal cliente da empresa Armazéns Gerais São João Ltda Fl. 10268DF CARF MF 8 (estocagem e beneficiamento) e o transporte realizado por outra empresa do mesmo grupo. 70. Posteriormente, em 18/05/2012, o Sr. João Batista Gardingo declara que o Sr. Eliézer Magalhães Ferreira compareceu pessoalmente às dependências dos ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. Informa também que nunca manteve nenhuma tratativa com o Sr.Heráclito Pacheco 71. Segundo documentação advinda de outra ação fiscal em posse da Receita Federal o Sr. João Batista Gardingo e o Sr. Heráclito Pacheco não só se conheciam como tinham relações comerciais É o que se depreende dos esclarecimentos prestados pelo suposto sócioadministrador da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO que vinculou o funcionamento desta empresa com o Sr. HERACLITO PACHECO e o GRUPO GARDINGO: "Há alguns anos atrás o Sr, SEBASTIÃO FERNANDES BARBOSA foi contactado pelo Sr. HERACLITO PACHECO, para que seu nome fosse utilizado como sócio de uma empresa. Em consideração ao Sr. HERACLITO PACHECO ele emprestou o seu nome como sócio gerente da empresa Comercial Agrícola Carvalho. Nessa empresa ele apenas emprestava o nome como "laranja", não exercendo a administração de fato. Ele afirma não ter ganhado nada para entrar como laranja da empresa. Ele apenas entrou em consideração ao Sr.HERACLITO PACHECO. (..) Ele sabe que o Sr. HERÁCLITO PACHECO tem um relacionamento próximo com o Sr. JOÃO GARDINGO e com os irmãos GARDINGO. 72. A Receita Bruta declarada pela Teixeiras Comércio de Café Ltda. ao fisco estadual em 2007 foi de R$164.987.612,51, em 2008 de R$ 116.983.657,11 e 2009 de R$126.315.640,68. 73. A movimentação financeira em 2007 foi de R$145.541.804,20, em 2008 de R$152.999.422,62 e em 2009 de R$ 104.213.336,00. 74. As declarações do contador da fiscalizada demonstram seu total comprometimento com o esquema de sonegação da qual é parte, quiçá um dos mentores. 75. Segundo o contador da empresa Sr. João Carlos Kleimpaul Vieira quem o contratou foi o Sr. Eliézer Magalhães Ferreira. Disse não conhecer os sócios mas foi testemunha nas alterações contratuais da empresa e a declaração do dito "sócio" foi transmitida de seu escritório. 76. O Sr. João Carlos Kleimpaul Vieira afirma também não ter recebido honorários quando, na verdade, localizamos cheques nominais a ele mencionados, inclusive, nos referidos recibos. 77. Os "sócios" localizados pelo fisco, constantes do contrato social e alterações, não sabiam de sua participação societária e não exerceram nenhuma atividade na empresa, e principalmente, não possuíam condições econômicofinanceiras, como fica evidenciado pelas funções realmente exercidas por eles, bem como pela remuneração percebida. Fl. 10269DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 6 9 78. Fica evidente a intenção do contador Sr. João Carlos Kleimpaul Vieira de ocultar a ligação da fiscalizada com a empresa ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA ao rasurar no momento da entrega o número do telefone do ARMAZÉNS constante do recibo de honorários isso sem citar as declarações carentes de fidedignidade. [...] 82. O contribuinte não efetuou nenhum recolhimento a título de tributo/contribuição nos últimos 05 anos. 83. O contribuinte não apresentou nenhuma DCTF. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS Tendo em vista os fatos apurados e narrados neste Termo indicamos como sujeito passivo solidário a empresa ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA, CNPJ n° 22.394.696/000382, cujo responsável é o Sr. João Batista Gardingo 84. Um fato relevante é a comprovação de que os sócios constantes do contrato social e alterações posteriores, não sabiam que eram sócios e não exerceram nenhuma atividade na empresa, são conhecidos no jargão popular como "testade ferro" ou "laranjas". A empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda tem em seu quadro societário pessoas que não possuem capacidade econômicafinanceira e padrão de vida totalmente incompatíveis com a propriedade, de fato, de uma empresa com a movimentação financeira superior a R$ 450.000.000,00 (quatrocentos e cinqüenta milhões de reais ) no período de 2007 a 2009. 85. Não possui estrutura física condizente com a atividade que exerceu, visto que o mínimo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de áreas de armazenagem além de estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café, NECESSIDADE ESTA SUPRIDA PELA EMPRESA ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. 86. O café adquirido pela fiscalizada em sua maior parte tem origem em produtores rurais (pessoas físicas) 87. Estranhase o fato das empresas adquirentes (grandes empresas) não identificarem o representante da fiscalizada com o qual relacionavam, considerando o volume das operações efetuadas. 88. Outro fato relevante é que em todas as notas fiscais de entrada e vendas, emitidas pela empresa no período de 2007 a 2009, indica como local de entrada e saída das mercadorias o estabelecimento Armazéns Gerais São João Ltda. ou seja, o café comercializado pela fiscalizada era depositado e beneficiado em seus Armazéns. O transporte do café em sua Fl. 10270DF CARF MF 10 maioria foi feito pela TRANSPORTADORA GAIVOTA LTDA" também de propriedade do Sr.João Gardingo. [...] 94. Fica evidente que este procedimento vem se repetindo : Depois da ação fiscal na COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO a movimentação passou para TEIXEIRAS COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA. que desde novembro de 2009 está inativa. Em agosto de 2009 é constituída outra empresa a GIRA MUNDO COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA atualmente em fiscalização. 95. Em geral, essas empresas apresentam algumas características em comum. A saber: · não possuem estrutura física condizente com as atividades que dizem exercer, visto que o mínimo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de áreas de armazenagem além de estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café; · os endereços que fornecem como sendo o de sua sede não passam de simples "portas de garagem" · seus sócios, quando encontrados, não possuem capacidade econômica financeira para serem proprietários de empresa deste porte. Muitas vezes não possuem sequer qualificação profissional e/ou intelectual para tal; · incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, normalmente acompanhado de situação de omissão contumaz. Quando apresentam as declarações exigidas pela legislação o fazem de forma fraudulenta muitas delas declaram não estar em atividade ou apresentam todos os quadros zerados. Resumindo, são empresas constituídas com um duplo objetivo: não pagar os tributos devidos e de ocultar os verdadeiros donos, beneficiando diretamente as grandes empresas do ramo cafeeiro. Portanto, tendo restado caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), na autuação efetuada na empresa TEIXEIRAS COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, constará ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA, CNPJ 22.394.696/000382 como sujeito passivo solidário. [...] Com a ciência das autuações apenas o sujeito passivo solidário apresentou impugnação (fls. 2.290/2.310). Argumenta, em resumo: (i) que a imputação da responsabilidade solidária não é cabível em face da ausência de motivação e de "interesse comum"; Fl. 10271DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 7 11 (ii) que a cobrança formulada está fundada em meras presunções, não tendo o fisco demonstrado o vínculo da solidariedade nessa situação particular; (iii) que possuía apenas relação comercial com a empresa Teixeiras; e (iv) que as milhares de notas fiscais juntadas comprovam a prestação de serviços para várias outras empresas, além da Teixeiras. Subsidiariamente, pede que a multa qualificada seja afastada em face da ausência de dolo e por ensejar confisco. Em sessão de 30 de setembro de 2013, a Delegacia de Julgamento, por unanimidade de votos, decidiu pela improcedência da impugnação do responsável solidário, com a manutenção integral dos montantes lançados. A ementa da decisão de piso (cf. fls. 2558/2573) foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008, 2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas outra pessoa jurídica que dela se utilizara como meio de fugir da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário, a empresa beneficiada, nos termos do art. 124, I, do CTN. PRECLUSÃO. O não questionamento pela contribuinte, no prazo legal, de matéria, leva à consolidação administrativa desta parte, tornando preclusa a matéria na esfera administrativa. Com a ciência da decisão, o sujeito passivo solidário interpôs recurso voluntário “incompleto” (fls. 3713/3731) muito provavelmente por erro de digitalização, que parece ter interrompido a sequência de folhas , acrescido de milhares de notas fiscais. Tal fato levou a este Conselho emitir Resolução (fls. 10216/10228), determinando a baixa em diligência para saneamento. Tal providência foi acatada, tendo sido nova minuta do recurso voluntário anexada às fls. 10232/10252 para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 10272DF CARF MF 12 Encontramse presentes no recurso voluntário os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido e apreciado. Fundamento legal da responsabilidade solidária Primeiramente, convém frisar que, embora a fiscalização não tenha indicado expressamente o inciso I do artigo 124 quando da conclusão do item destinado a fundamentar a sujeição passiva solidária, em diversas passagens o relatório deixa claro que ela incluiu a Recorrente no pólo passivo em face de caracterizar o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, como prescreve tal dispositivo. A própria Recorrente, aliás, bem assim compreendeu, afinal teceu várias considerações que, no seu entender, afastariam essa caracterização. Não há razão à Recorrente, portanto, quanto à alegação de que o fisco não motivou adequadamente o fundamento legal. Contexto da fiscalização Em relação ao mérito da procedência ou não da responsabilidade solidária nesse caso concreto, é importante ter em mente a cronologia dos fatos já fiscalizados e que ensejaram a solidariedade da Recorrente. A empresa ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA., ora Recorrente, tem como sócios (vide fls. 2.315 e seguintes) os Senhores João Batista Gardingo, administrador, Sebastião Gardingo e Antonio Fabio Gardingo, pessoas que pertencem ao “Grupo Gardingo”. Com base nas informações constantes do presente processo, foi possível verificar que a Recorrente foi incluída como solidária ao menos em 5 (cinco) Autos de Infração, autuações estas que possuem muita semelhante com o caso ora analisado. Em linhas gerais, o Armazém teria sido contratado por empresas constituídas por “laranjas”, que possuíram pouca duração (as empresas eram encerradas em até dois ou três anos após sua constituição) e sonegavam tributos federais. Mais precisamente, a Recorrente foi incluída nos Autos de Infração que geraram os seguintes processos administrativos: 1) 10630.720364/200811 (devedor principal: Comercial Agrícola Carvalho Ltda. Anos calendários de 2003 e 2004); 2) 10630.720851/200956 (devedor principal: Comercial Ponto Forte Ltda. – Anos calendários de 2005 e 2006); 3) 10640.723667/201244 – (devedor principal: Teixeiras Comércio de Café Ltda. – ME – Ano calendário de 2007); 4) 10640.722325/201398 – (devedor principal: Teixeiras Comércio de Café Ltda. – ME – Anos calendários de 2008 e 2009); e Fl. 10273DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 8 13 5) 10640.720128/201415 – (devedor principal: Gira Mundo Comércio e Exportação Ltda. – Anos calendários de 2009, 2010 e 2011). Precedentes Dois desses 5 (cinco) processos já foram julgados e serão objeto de alguns esclarecimentos a seguir expostos. Dos outros três, dois deles (incluindo o presente) foram encaminhados para a minha relatoria. 1) Processo nº 10630.720364/200811 (devedor principal: Comercial Agrícola Carvalho Ltda. Anos calendários de 2003 e 2004) Por unanimidade de votos, o recurso da Recorrente foi negado, uma vez que os Conselheiros Julgadores entenderam correta a atribuição de responsabilidade solidária, merecendo destaques as seguintes passagens do voto condutor: “[...] Nesse contexto, destacase que há no processo elementos probantes da responsabilidade dos impugnantes. Tanto que a fiscalização entendeu que as condutas do responsável caracterizam, em tese, crime contra a ordem tributária, nos termos dos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/1990. Em diversos itens do Relatório de Auditoria Fiscal é comprovada a participação dos defendentes (sócios da empresas: Armazéns Gerais São João, Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda. E Cafeeira São João Ltda.) nos negócios desenvolvidos pela Comercial Agrícola Carvalho, como reais donos dos recursos financeiros transitados na conta da fiscalizada perante as instituições bancárias (Bradesco/Agência Realeza e Banco do Brasil), durante o período fiscalizado. O procurador da autuada, detentor de plenos poderes de administração, era pessoa de confiança do grupo Gardingo, realizando serviços bancários para a empresa Armazéns Gerais São João, e seus donos. Além disso, os responsabilizados, João Batista Gardingo, Sebastião Gardingo e Carlos Henrique Gardingo foram beneficiários de várias transferências bancárias feitas pela fiscalizada, para suas contas pessoais. Destacamse, abaixo, os itens daquele Relatório: [...] As robustas provas dos autos comprovam que os impugnantes valeramse de um expediente conhecido na linguagem coloquial como “utilização de laranjas” ou interposição de pessoas. Nas folhas 48/69 consta o relato da fiscalização, bem como a indicação das provas coletadas pela fiscalização. O objetivo deste tipo de expediente é sempre o de excluir a figura do responsável no caso de sistemática sonegação fiscal. O Fl. 10274DF CARF MF 14 expediente de sonegação fiscal está comprovado por se tratarem de ocultação de receita recebida, combinada com a falta de recolhimento dos tributos devidos, no que não se admite a forma culposa, mas, sim, a presença do dolo. [...] A documentação juntada aos autos evidencia que a situação que constituiu o fato gerador dos tributos lançados consubstanciou se nos negócios realizados pela Comercial Agrícola Carvalho Ltda., com a participação direta ou indireta dos defendentes arrolados como contribuintes solidários. Conforme bem observado pelos fiscais autuantes: “sem a participação do GRUPO GARDINGO, a fiscalizada e seus supostos sócios não teriam condições de garantir o pagamento aos produtores de café e nem de realizar a grande quantidade de operações de compra e venda de café. Os supostos sócios não tinham o mínimo conhecimento das operações da empresa, mas mesmo assim a empresa em seu nome faturou mais de R$ 200.000.000,00 (duzentos milhões de reais) em 2003 e 2004”. [...] Assim, não resta dúvida que a responsabilidade pelo total dos créditos tributários é devida pelos responsáveis apontados, haja vista, que a empresa em questão era constituída por “laranjas” e os verdadeiros donos eram as pessoas (físicas e jurídicas) apontadas pela fiscalização. (Acórdão nº 1103.000.449). 2) 10630.720851/200956 (devedor principal: Comercial Ponto Forte Ltda. – Anos calendários de 2005 e 2006) Neste caso, o recurso apresentado pela empresa Armazéns Gerais São João foi julgado procedente por maioria de votos, afastando a solidariedade da Recorrente. Não obstante, para o deslinde da questão ora discutida, vale transcrever alguns trechos do voto vencido do relator (Acórdão nº 1401001.181): “[...] Com base nos elementos constantes dos autos, o colegiado julgador a quo considerou amplamente comprovado que a pessoa jurídica autuada (Comercial Agrícola Ponto Forte), na realidade, foi constituída com o único propósito de omitir receitas tributáveis auferidas por diversas pessoas físicas e jurídicas ligadas ao Grupo Gardingo. [... Concordo inteiramente com as conclusões do acórdão de piso no tocante à responsabilidade solidária das pessoas jurídicas arroladas e também das pessoas físicas que eram sócios administradores do grupo Gardingo. [...]”. Fl. 10275DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 9 15 O voto vencedor, porém, divergiu desse entendimento, sob a alegação de que a autuação não teria apresentado motivação adequada para aplicar a solidariedade. Vejamse algumas passagens do voto: “[...] Observase que o auto de infração, após minucioso trabalho de fiscalização da autoridade fazendária, inclui como sujeitos passivos 14 pessoas, naturais e jurídicas, sem ao menos individualizar os motivos, ou apontar os fatos que ensejam a responsabilidade de cada um deles quanto ao crédito tributário lançado. Não se pode fazer responsabilização por atacado, devendo cada um dos responsáveis tributários pelo crédito apurado, de modo que somente é possível verificar um extenso rol de pessoas, cujos nomes surgiram, de alguma forma, no curso da fiscalização. [...]” Solidariedade por interesse comum – considerações gerais O que se discute no presente caso, conforme visto, é a aplicação ou não da responsabilidade solidária da Recorrente por interesse comum, na linha do que predica o artigo 124, I, do CTN, verbis: “Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Notase, a partir desse dispositivo legal, que a solidariedade quanto à obrigação tributária principal é regida por uma norma própria que tem no núcleo de seu antecedente a existência de interesse comum das partes na situação jurídica que corresponde ao fato gerador tributário. Tendo isso em vista, a análise da procedência ou não do Termo de Sujeição Passiva Solidária depende da precisa delimitação do sentido jurídico da expressão “interesse comum”. Isto é importante porque o referido instituto jurídico não raramente é utilizado no “modo piloto automático” e como forma de buscar exercer um subjetivo “bom senso”, atropelando seus limites normativos. E como se verifica, a solidariedade foi tratada no Código Tributário Nacional de forma autônoma, ou seja, segregada do capítulo da responsabilidade tributária. No âmbito da responsabilidade tributária, terceiros são chamados a responder pela obrigação tributária, sempre que verificadas as condições postas pela legislação. Já a responsabilidade solidária, fundamentada no artigo 124, I, do CTN, não se dirige a terceiros, isto é, pessoas estranhas à relação jurídica que dá ensejo à obrigação tributária. Pelo contrário, a norma construída a partir do dispositivo legal em questão se dirige às pessoas que efetivamente participam do nascimento da obrigação de cunho tributário. Fl. 10276DF CARF MF 16 Não custa lembrar que a redação do inciso I do artigo 124 é clara ao prescrever serem solidárias as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. É indispensável, portanto, para fins da correta aplicação da responsabilidade prevista no artigo 124, I, que as pessoas solidárias tenham participação no fato que constitui a hipótese de incidência tributária. Essa afirmação inclusive está em sintonia com o Código Civil, que estabelece que há solidariedade quando, na mesma obrigação, concorre mais de um credor ou mais de um devedor, cada um com direito à dívida toda ou obrigação em relação a ela (artigo 264). As partes coobrigadas, contudo, devem participar de uma única relação jurídica, da qual em um dos polos apenas figuram as duas partes. Tratase de um pressuposto normativo que não admite restrições. Como já se posicionou o STJ: [...] 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação (STJ REsp nº 884.845 – SC). Nesse sentido ensina Misabel Abreu Machado Derzi: A solidariedade não é forma de eleição de responsável tributário. A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade. [...]. A solidariedade não é, assim, forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o pólo passivo. (in BALEEIRO, ALIOMAR. Direito Tributário Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense. 11ª edição. P. 729). A fim de clarear mais a questão, é interessante verificar como a doutrina e a jurisprudência têm contornado a noção de indivisibilidade da obrigação tributária solidária. Nesses termos, dizse que a obrigação tributária é indivisível (ou solidária), quando duas ou mais pessoas ocupam, em razão do mesmo fato e ao mesmo tempo, a condição de contribuinte. Segundo leciona Paulo de Barros Carvalho: Fl. 10277DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 10 17 "o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva. 8ª ed. 1996. P. 220). Após citar esse mesmo trecho doutrinário, o STJ já assinalou que: [...] em matéria tributária, a presunção de solidariedade opera inversamente àquela do direito civil, no sentido de que sempre que, numa mesma relação jurídica, houver duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuinte, cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida, perfazendose o instituto da solidariedade passiva. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (STJ, REsp nº 859.616 – RS, Relator Min. Luiz Fux, publicado em 15/10/2007 destacado) Nesse sentido também já se pronunciou o CARF: A autoridade fiscal ao autuar com fundamento nesse artigo está identificando uma relação obrigacional tributária que vincula o ente tributante, como sujeito ativo, e dois ou mais sujeitos, como sujeitos passivos solidários. Quando isso acontece o sujeito passivo é integrante da relação jurídicotributária desde o seu nascimento, ou seja, a obrigação já nasce apresentando dois ou mais sujeitos passivos igualmente responsáveis pelo adimplemento da obrigação. A vinculação do sujeito passivo ao ente tributante pode se dar nos termos do inciso I ou II. Se a solidariedade decorre do inciso I do art 124, os sujeitos figuram no polo passivo da obrigacã̧o tributária como devedores originários (contribuintes), pois possuem relação pessoal e direta com o fato gerador. (Acórdão nº 2201002.393. Sessão de 13/05/2014). Fl. 10278DF CARF MF 18 A responsabilidade solidária, pois, constitui meio de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que compõem o polo passivo desde a origem da obrigação. Assim, por exemplo, ocorre com coproprietários de mercadorias que, vendidas, sujeitamse ao ICMS. Neste caso, existe a solidariedade, pois ambos estão no mesmo polo da relação (são vendedores). Na hipótese, porém, de faltar esta equivalência caso do usuário final que compra mercadoria com preço abaixo do mercado , não há que se falar em interesse jurídico e, conseqüentemente, imputar a responsabilidade por interesse comum. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. Também a utilização da responsabilidade solidária como espécie de “sanção” a determinada pessoa que teria “contribuído” com dada operação ou estrutura não é cabível do ponto de vista jurídico. É imprescindível existir, para que seja imputada a responsabilidade solidária, a participação efetiva do sujeito qualificado como solidário na ocorrência do fato gerador. Há diversas decisões no CARF nesse sentido. A título ilustrativo, transcrevo a ementa e o trecho do voto de dois julgados: SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A solidariedade tributária prevista no art. 124, I do CTN se justifica quando as partes realizam conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, caracterizando interesse comum. A simples existência de interesse econômico das partes em determinada situação não caracteriza o interesse comum para fins da solidariedade tributária prevista no art. 124, I do CTN, pois as partes podem estar interessadas economicamente no fato, mas em posições divergentes. (Acórdão 2201002.39. Sessão de 13/05/2014). "A partir daí, temos que, para a materialização da solidariedade tributária com escopo no artigo 124, I, do CTN, é preciso existir interesse comum entre os obrigados solidários. (...) Também importa ressaltar que, esse interesse comum deve ser entendido como um interesse jurídico, não sendo relevantes para gerar a solidariedade tributária os interesses de ordem econômica, moral ou social. Em suma, esse interesse comum, entendido como interesse jurídico, se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo polo da relação jurídica que consistiu o fato gerador do tributo. (...) Nesse contexto, o interesse financeiro de um terceiro em relação à prática de um fato gerador tributário por parte da pessoa jurídica não faz dele um obrigado solidário pelos tributos. A prática de atos jurídicos que são também fatos geradores de tributos interessam apenas economicamente aos sócios administradores das pessoas jurídicas e, não havendo interesse Fl. 10279DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 11 19 jurídico, não deve haver a imputação de responsabilidade solidária". (Acórdão 1402001.351. Sessão de 09/04/13). Nessa linha de raciocínio, forçoso concluir que o interesse comum de que trata o artigo 124, inciso I, do CTN é sempre jurídico, não devendo ser confundido com “interesse econômico”, “sanção”, “meio de justiça” etc. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. Pelo contrário, é imprescindível a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária. O ônus da prova acerca do interesse comum é do fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, que determina que compete privativamente à autoridade administrativa identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Compete à fiscalização, portanto, a tarefa de reunir elementos probatórios acerca do interesse comum, podendo se valer, no cumprimento deste ônus, de todos os meios de prova admitidos no Direito. Os julgados do CARF abaixo caminharam nesse mesmo sentido. Vejase: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. PESSOA FÍSICA. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Inexiste a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN, quando não são carreados aos autos elementos que consubstanciem a prova concreta de que a pessoa física apontada como responsável tributária tenha se beneficiado de uma confusão patrimonial estabelecida com a empresa contribuinte capaz de caracterizar o interesse comum. (Acórdão nº 1102001.086. Sessão de 09/04/2014). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA LAVANDERIA ÁGUA PURA . Nada impede que o mesmo espaço seja utilizado por mais de uma pessoa jurídica para desenvolver a mesma atividade. Basta que haja devido controle das atividades praticadas por uma e outra, sob pena de confusão de atividades que desemboca na confusão patrimonial. É o que se dá no caso vertente. Presença de interesse comum entre a contribuinte e a Lavanderia Água Pura Ltda. (que possui os mesmos sócios), na situação que constitui fato gerador dos tributos. Responsabilização solidária imposta que não merece reparos (Acórdão 110300.188. DOU 18/05/2010). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOGERENTE. Evidenciada infração de lei, o administrador da sociedade Fl. 10280DF CARF MF 20 responde com seu patrimônio pessoal pelo crédito tributário, solidariamente com a contribuinte. SÓCIAS PESSOA JURÍDICA. Incapazes de exercer gerência, as pessoas jurídicas sócias da contribuinte somente podem ser responsabilizadas se demonstrada confusão patrimonial hábil a caracterizar interesse comum na situação que constitui o fato gerador. (Acórdão nº 1302001.841. Data de publicação: 15/04/2016). SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE SÓCIOS DE FATO E PESSOA JURÍDICA AUTUADA. Constatado que os proprietários de fato da autuada não constam em seu quadro societário, aliado à confusão patrimonial entre esses e a pessoa jurídica autuada, implica reconhecer o interesse comum a que alude o art. 124, I, do CTN, implicando a imputação de responsabilidade tributária aos titulares de fato da pessoa jurídica. (Acórdão nº 1402002.257. DOU 22/08/2016) Destacamse dessas decisões, ademais, a noção correlata entre interesse comum e confusão patrimonial. Nestes termos, quando restar caracterizada a confusão patrimonial entre os dois ou mais sujeitos, cabível a aplicação da responsabilidade solidária. A expressão “confusão patrimonial” é inerente a teoria da desconsideração da personalidade jurídica do direito provado. Assim dispõe o artigo 50 do Código Civil: “em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. Como o próprio nome revela, confundir consiste no ato ou efeito de enganar, de iludir, enfim, aparentar ser. Na prática, ocorre a confusão patrimonial quando não é possível uma segregação clara entre as atividades profissionais ou empresarias exercidas por mais de um sujeito. Tal fenômeno costuma se revelar quando os negócios dos sócios se confundem com os da pessoa jurídica; quando há abuso dentro de um mesmo grupo econômico; quando as partes se valem de pessoas interpostas etc. De acordo com Luiz Carlos de Andrade Júnior: “a confusão patrimonial caracterizase pela impossibilidade de distinguir se o uso e a disposição de determinados bens dãose pela sociedade ou pelos seus membros; ou, melhor dizendo, se o patrimônio é empregado de modo a satisfazer interesses de uma ou de outros. Configurase, por exemplo, quando a sociedade utiliza imóveis pertencentes aos sócios, emprega veículos destes para o desempenho de suas atividades operacionais ou paga Fl. 10281DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 12 21 suas contas pessoais. A confusão patrimonial pode, ademais, relacionarse a uma situação de controle, especialmente nos grupos econômicos de subordinação, em que as sociedades controladas perdem grande parte de sua autonomia de gestão empresarial em razão da atuação “soberana” da sociedade holding”. (A simulação no direito civil. São Paulo: Malheiros. 2016. P. 209) A existência ou não de confusão patrimonial depende de cada situação fática, mas é possível identificar alguns indícios comuns que podem levar a esta constatação. São eles, sem prejuízos de eventuais outros: a capacidade dos sócios; a coincidência de administradores e/ou procuradores; gestão única do negócio; semelhança de atividades; identidade de endereço; empregados comuns; estrutura operacional dependente; incapacidade econômica; benefício financeiro; e impacto da carga tributária. Apenas com a reunião de indícios precisos e convergentes, capazes de provar a confusão patrimonial como um todo, é que estaremos no campo do interesse comum, em seu sentido jurídico e, consequentemente, da responsabilidade solidária. Delineadas as premissas para a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I do CTN, passo, adiante, a analisar o caso concreto. Da análise de “interesse comum” no caso concreto A partir das constatações fiscais e demais documentos anexados aos autos, restaram evidenciados, dentre outros fatos, que: (i) a empresa fiscalizada (devedora principal) não possui endereço próprio; não tem telefone; não tem endereço eletrônico; não apresentou DCTF no período autuado e declarou estar inativa, mesmo tendo declarado ao fisco estadual o faturamento no período da ordem de R$ 400.000.000,00 (quatrocentos milhões de reais); Fl. 10282DF CARF MF 22 (ii) os sócios constantes do Contrato Social da fiscalizada (devedora principal) não exerceram nenhuma atividade habitual na empresa compatível com esta qualificação, trabalhavam em local distante e não possuem capacidade econômica técnica e financeira compatível com os referidos recursos movimentados, figurando na estrutura como verdadeiros “laranjas”; (iii) o contador da fiscalizada teve a intenção de esconder o verdadeiro cliente, afirmando, inicialmente, que desconhecia os sócios da empresa fiscalizada, mesmo tendo sido comprovada a prestação de serviços e ter assinado algumas vias do Contrato Social como testemunha. Em momento posterior, afirma conhecer o Sr. Ezequiel (um dos supostos sócios e também procurador junto às instituições financeiras Cooperativa de Crédito da Zona da Mata de Minas Gerais – SICCOB e Banco do Brasil) e que realmente lhe prestou alguns serviços, como a elaboração da declaração de imposto de renda. Declarou, ainda, que o Sr. Heráclito teria sido seu cliente. Nesta ocasião, foram retidos “recibos de honorários” por serviços prestados à empresa fiscalizada. No momento da entrega de tais recibos, eles foram rasurados pelo contador, sendo que, após perícia da Polícia Federal, foi verificado que a rasura teria encoberto o número de telefone da Recorrente e os pagamentos ocorreram por cheques emitidos em nome da fiscalizada; (iv) o Sr. Eliezer, após ter sido encontrado, declarou que foi contratado pelo Sr. Heráclito Pacheco, pessoa de confiança do Sr. João Gardingo. Disse também que assinou vários documentos bancários quando o Sr. Heráclito estava ausente e desconhecia que figurava como procurador ou sócio; (v) O Sr. Fábio da Silva (outro suposto sócio), cunhado do Sr. Eliezer, declarou que nunca soube deste cargo; (vi) o Sr. Antônio Carlos de Souza (que também teria figurado como “sócio”) também declarou desconhecer esta informação e que assinou alguns documentos a pedido do Sr. Heráclito; (vii) o Sr. João Gardingo declarou inicialmente não se lembrar de nenhum nome de pessoas da fiscalizada, muito embora tenha sido seu “principal cliente” à época dos fatos. Em momento posterior, porém, afirma que tratou esporadicamente com o Sr. Eliezer por telefone e facsímile; (viii) as notas fiscais de entradas/saídas emitidas pela fiscalizada indicam que o beneficiamento e a comercialização do café sempre ocorreu na sede da Recorrente; (ix) o endereço da Recorrente é o mesmo de outra empresa que comercializaria café, também de propriedade do "grupo Gardingo", a Cafeeira São João. O café desta empresa, porém, não transitou pelos Armazéns São João Ltda, sendo que o contribuinte declarou receita, em 2007, em montante inferior a R$40.000,00 (quarenta mil reais), enquanto nos anos de 2009 e 2011 apresentou renda zerada e nos anos de 2008 e 2010 sequer apresentou declaração de IRPJ. Não consta, aliás, registro de empregados naquele empresa do grupo Gardingo; (x) todo o transporte do café foi feito pela “Transportadora Gaivota Ltda.”, também de propriedade do Sr. João Gardingo; e (xi) o contato indicado nas fichas cadastrais das instituições financeiras era do ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. (Recorrente), inexistindo nome e endereço de pessoas vinculadas nos Contratos Sociais da empresa fiscalizada. Fl. 10283DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 13 23 Todos esses elementos levaram as autoridades julgadoras de primeira instância a chegarem a seguinte conclusão: “Dessa forma, observase que há um modo operante recorrente, ou seja, criase uma empresa por interposta pessoas, não se paga nada, e em seguida se abre outra, fechando a anterior. Todas estas empresas transacionavam com a ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA., pois, na realidade, não passavam de empresas de fachada da própria. [...] Assim, não resta dúvida que a responsabilidade solidária pelo total dos créditos tributários é da ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. apenas para esta não pagar os tributos.” Como se nota, a fiscalização e a decisão de piso concluíram que a Recorrente participou ativamente na estrutura que gerou o não recolhimento dos tributos federais sobre as receitas auferidas com a venda de café que foi beneficiado e estocado na sua sede. A meu ver tal conclusão foi embasada em uma fiscalização digna de aplausos e que conseguiu reunir diversos indícios que, uma vez analisados em conjunto, são capazes de provar o acerto quanto à aplicação da responsabilidade solidária em relação à Recorrente. Os elementos probatórios produzidos pelo fisco, ao contrário do quanto alega a Recorrente, não constituem meras presunções simples incapazes de fazer prova. Pelo contrário, foram apurados diversos indícios contundentes que, somados, permitem ao presente Julgador criar uma convicção segura de que a Recorrente participou ativamente na venda do café cujas receitas foram sonegadas. Segundo Fabiana Del Padre Tomé: É corrente a distinção entre indício e prova em função do grau de convicção que o fato provado acarrete no julgador: seria prova quando levar à certeza, e indício se dele decorrer mera possibilidade. Só haverá certeza sobre a veracidade ou não de um fato, porém, se sua ocorrência for necessária ou impossível. Em todas as demais hipóteses, estaremos sempre diante de meras probabilidades, cuja força varia conforme o número de indícios favoráveis e contrários, firmandose, em nome da segurança jurídica, uma “certeza no direito”. A decisão do julgador é que determinará se ocorreu ou não determinado fato e essa será a verdade jurídica. Por tal razão, conclui Francesco Carnelutti que a certeza é também alcançada pelas presunções estabelecidas a partir de indícios: “se com certeza se designa a satisfação do juiz acerca do grau de verossimilitude, não cabe negar que se obtém inclusive com as fontes de presunção, posto que, se não a obtivesse, não poderia jamais considerar provado o juiz um fato por meio de presunções”; Até mesmo porque, como vimos em tópicos antecedentes, toda prova é indiciária, levando ao estabelecimento da verdade por meio de raciocínio Fl. 10284DF CARF MF 24 presuntivo. (A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses. 2005. P. 138) Com efeito, nos casos que envolvem dolo, fraude ou simulação, a constituição de prova é tarefa complexa e de árdua produção, afinal as partes buscam intencionalmente esconder a verdadeira causa e finalidade do seu comportamento negocial. É justamente em cenários como o presente que devemos nos socorrer às provas ditas indiretas, figuras estas que, aliás, são admitidas no ordenamento jurídico como meio probatório hábil e idôneo e que cada vez mais ganham espaço no direito tributário brasileiro. A meu ver não é mais possível negar que a comprovação de situações que envolvem empresas interpostas e/ou sócios “laranjas”, por exemplo, onde o que se busca é justamente a ocultação da verdadeira parte ou operação, requer e prescinde da utilização de indícios e presunções, que são provas admitidas no Direito. Sobre o tema, precisas são as palavras de Fábio Piovesan Bozza: Por se tratar de prova indireta, a conclusão sobre a existência do fato principal desconhecido, a partir de indício, estará sujeita a diferentes graus de crença. Se o fato desconhecido pode ter multiplicidade de causa, ou ser causa de muitos efeitos, o indício isolado perde a força e impede o emprego da presunção. Por isso, o quadro de indícios deve ser: · preciso: o fato controvertido deve ter ligação direta com o fato conhecido, podendo dele extrair consequências claras e efetivamente possíveis, a ponto de rechaçar outras possíveis soluções; · grave: resultante de uma forte probabilidade e capacidade de induzir à persuasão. · harmônico: com os indícios concordantes entre si e não contraditórios, os quais convergem para a mesma solução, de modo a aumentar o grau de confirmação lógica sobre uma dada ilação. O que precisa ficar claro, nesse contexto, é que apenas a conjugação de indícios coerentes, precisos e que se convergem para uma presunção que gere confiança para o convencimento é que caracteriza a prova em favor do fisco. (Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo: Quartier Latin. 2015. P. 191/193) Nesse sentido também caminha a jurisprudência administrativa deste E. Conselho, conforme atestam as ementas abaixo: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. (Acórdão nº 10423.293. DOU 30/10/2008). Fl. 10285DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 14 25 PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. É o caso dos autos em resta patente a interposição de pessoa jurídica inexistente de fato. (Acórdão nº 10709.175. DOU 18/02/2009) ÔNUS DA PROVA INDÍCIOS CONVERGENTES O encargo de trazer prova aos autos é do contribuinte quando o Fisco reúne vários fatos conhecidos que representam indícios, os quais, reunidos e coordenados por processo lógico, resultam no fato até então desconhecido e considerado como omissão de receitas. (Acórdão nº 10807.991. DOU 01/12/2014) Nesse estado de coisas, entendo que, diante do conjunto de indícios colhidos nas fiscalizações que ensejaram a responsabilidade solidária da Recorrente, nenhum reparo cabe à decisão recorrida. Senão, vejamos: Os sócios das empresas fiscalizadas foram contratados por pessoa de confiança do grupo Gardingo, mais precisamente com o aval do sócio administrador da Recorrente. Foi demonstrado que são pessoas humildes que jamais demonstraram possuir capacidade técnica para ocupar tal posição, ou seja, verdadeiros “laranjas”. Há identidade quanto ao contador responsável pelas “empresas” fiscalizadas, que notoriamente buscou esconder o sócio de fato. O próprio recibo de honorários, pago em nome da empresa pela fiscalizada, indica o número de telefone da Recorrente. Também o contador tentou esconder esta informação, mas a perícia da Polícia Federal conseguiu apurar tal fato. Todos os fornecedores da devedora principal, mesmo intimados, permaneceram silentes na identificação dos sócios da empresa Teixeiras. As fichas cadastrais mantidas pela fiscalizada junto às instituições financeiras vinculam a Recorrente como responsável, sendo que as assinaturas dos “sócios laranjas” são diferentes daquelas constantes dos Contratos Sociais. Há exemplos de pagamentos feitos pela fiscalizada em favor de pessoas da família Gardingo. O transporte do café foi feito por empresa pertencente ao grupo Gardingo. A estrutura operacional que sustenta o negócio foi provida pela Recorrente, cuja sede sempre serviu de base para beneficiamento e estocagem do café comercializado em nome da empresa de fachada. A confortável logística proposta pela Recorrente no negócio, a propósito, fazia com que a empresa fiscalizada não precisasse mover uma palha para que tão elevado volume de café entrasse e saísse no seu armazém. Fl. 10286DF CARF MF 26 O endereço da Recorrente, aliás, é o mesmo de outra empresa do grupo, cuja atividade também seria a comercialização de café (mesma atividade da fiscalizada), mas que estranhamente não teve operação e nem funcionário no período autuado. Nesse contexto, não se pode perder de vista que mudamse as empresas “de fachada”, mas os Armazéns Gerais São João, Recorrente, sempre está presente na operação, figurando como verdadeiro “braço direito”, ou melhor, como "manda chuva" do negócio. Sem a participação da Recorrente na estrutura que provocou o ilícito, a operação de venda de café ruiria... Ora, todos esses indícios somados, a meu ver, constituem prova cabal da ocorrência de confusão patrimonial entre a Recorrente e a empresa fiscalizada, em todos os seus aspectos: administrativo, financeiro e operacional. Administrativo porque restou comprovado que os supostos sócios de direito da empresa fiscalizada estão subordinados ao sócio administrador da Recorrente. Financeiro porque restou demonstrado que o responsável de fato perante as instituições financeiros foi a Recorrente. E operacional porque todo o café foi beneficiado, estocado e vendido nas suas dependências. Os argumentos pontuais e os documentos contidos no recurso voluntário, a meu ver, não são aptos a afastar a caracterização de interesse comum e não se sustentam diante do detalhado trabalho fiscal. Olhando o filme, e não a foto, resta patente a caracterização de interesse comum. Ainda que a Recorrente tenha juntado exemplos de notas fiscais que demonstram que ela possuiria relação comercial também com outras empresas, a meu ver estes documentos não são suficientes para contrapor os diversos indícios apurados pela autoridade fiscal autuante. A relação estritamente comercial que alega a Recorrente existir com a empresa fiscalizada, segundo penso, é apenas aparente (simulada) e que buscou tão somente esconder a verdadeira operação por ela praticada na estrutura analisada. E nem se diga que o fato da fiscalização não ter incluído as demais pessoas envolvidas no negócio afastaria a responsabilização da Recorrente por incerteza e insegurança, afinal, como se sabe, não existe benefício de ordem na solidariedade em comento. Com base, então, no conjunto probatório trazido aos autos pela autoridade autuante, considero correta a aplicação da responsabilidade solidária por interesse comum, nos termos do artigo 124, I, do CTN. Multa qualificada De acordo com o quanto exposto no item anterior, a meu ver restou demonstrado que a presença da Recorrente na estrutura que sonegou tributos federais foi essencial. Sem ela o negócio, tal como delineado, não vingaria. Também foi comprovado que houve prática, de forma reiterada, de omissão de receita tributável ao fisco federal. Declaravamse os valores ao fisco estadual, mas, ao fisco federal, nada se pagava. Fl. 10287DF CARF MF Processo nº 10640.722325/201398 Acórdão n.º 1201001.760 S1C2T1 Fl. 15 27 Tal procedimento, a meu ver, caracteriza conduta dolosa de tentar lesar o fisco, razão pela qual correta a qualificação da multa, como prescreve o artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/96 na redação vigente à época. Esse dispositivo, como se sabe, determina que o percentual de multa de 75% será duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73, por sua vez, prescrevem que: Artigo 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Artigo 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Artigo 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Segundo penso, as partes arroladas como responsáveis nos Autos de Infração em debate agiram dolosamente quando buscaram impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador (receitas provenientes das vendas de café) por parte do fisco federal. Tal conduta é passível de enquadramento nos artigos 71, I e II, assim como no artigo 73, razão pela qual considero correta a qualificação da multa de ofício. Efeito confiscatório da multa O argumento acerca da caracterização do efeito confiscatório da multa qualificada de 150% envolve a análise de diversos princípios veiculados pela Constituição, encontrandose óbice na Súmula do CARF abaixo. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante a existência de lei que estipulou o percentual de 150%, descabe à autoridade fiscal deixar de aplicála, tendo em vista a vinculação do ato do lançamento. Fl. 10288DF CARF MF 28 Conclusão Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR LHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 10289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928479/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.
Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Aguardando nova decisão.
Numero da decisão: 3402-004.380
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 79 /2 00 9- 61 Fl. 702DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.278 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que houve erro no preenchimento da DCTF e que esse erro já foi resolvido por meio de uma declaração retificadora. Nesta linha, afirma que possui direito à restituição de tributos, gerado por pagamentos indevidos e que as comprovações destes indébitos encontramse espelhadas nas retificações feitas nas DCTF. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a restituição de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Que a simples entrega de DCTF retificadora sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado. Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Por fim assevera que...também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, cujo teor, em síntese é o que se segue: Fl. 703DF CARF MF Processo nº 11080.928479/200961 Acórdão n.º 3402004.380 S3C4T2 Fl. 112 3 A Recorrente identificou em sua contabilidade que parte de suas receitas decorriam de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo de duração superior a um ano ( contratos de Compra e Venda de Energia Elétrica), receitas estas que estão submetidas sistemática de cobrança cumulativa do pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, por força do que dispõe o artigo 10, inciso XI, alínea b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, vinha a Recorrente considerando como fato gerador da COFINS a efetiva emissão do documento fiscal, ocorrida sempre no primeiro dia do mês subsequente ao reconhecimento de suas receitas, reconhecimento este efetuado por competência. Considerando que o fato gerador não é a emissão física do documento representativo da receita, mas sim o seu reconhecimento quando de sua efetiva realização contábil (reconhecimento por competência), a Recorrente corrigiu também este equivoco, antecipando em um mês, para fins de cálculo retificador, as receitas anteriormente consideradas na base de cálculo das contribuições. Dessa forma, a Recorrente, verificando os equívocos por ela cometidos quando da apuração da COFINS, procedeu a retificação de seu cálculo, submetendo as receitas decorrentes de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, anteriormente consideradas no regime não cumulativo da Cofins, ao regime cumulativo desse tributo, e considerando tais receitas como auferidas no mês anterior a emissão do documento fiscal. Em razão da diferença entre os valores e a alíquota aplicada da COFINS cumulativa (3%) para a alíquota da COFINS nãocumulativa (7,6%), resultou uma diferença a crédito para Recorrente. Essas são as razões jurídicas que embasam o pedido do recorrente. Com essas causas de pedir recursais, requer a procedência de seu pedido para fins de: a) Homologar integralmente a compensação apresentada nos autos; ou b) Determinar a realização de diligência; ou ainda c) Anular a decisão da DRJ Em julgamento datado de 31 de agosto de 2011 (Resolução n. 3402000.278 6), a 2ª Turma da 4ª Câmara por expressamente entender equivocado o procedimento adotado pela DRF e a solução dada pela DRJ, além de ponderar que os documentos trazidos aos autos podem sugerir a mutação de regime de apuração da exação e erro na aplicação do regime de competência determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique: Fl. 704DF CARF MF 4 a) Quais foram os contratos de compra e venda de energia elétrica firmados antes de 31/10/2003 e qual a receita auferida na execução destes contratos; b) Se todos os contratos firmados antes de 31/10/2003 tinham prazo de vigência superior a 1 (um) ano; c) Se o preço foi predeterminado; d) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste periódico ou não; e) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico/financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; f) Se houve reajuste de preço, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 12 do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; e g) Se houve equívoco na apuração da exação quando da apuração da base de cálculo da exação pelo regime de competência. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 566 a 577, concluindo que, apesar de não terem sido apresentados alguns documentos requeridos à Recorrente, localizou os pagamentos em questão no sistema da Receita Federal. Suas considerações conclusivas foram que: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas auferidas no mês de setembro de 2005, no total de R$ 4.889.638,25, na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CERCEEE, de 11/11/2002, foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime nãocumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 14%, 12%, 14%, 12% e 31%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Por sua vez, a Recorrente foi intimada do resultado da diligência, apresentando manifestação de fls 579 a 602, pela qual reforça que a própria autoridade fiscalizadora confirmou suas alegações de defesa e requer, novamente, o provimento de seu recurso voluntário, pois, no seu entendimento: Fl. 705DF CARF MF Processo nº 11080.928479/200961 Acórdão n.º 3402004.380 S3C4T2 Fl. 113 5 i) a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes dos preços dos Contratos foram superiores aos custo de produção da Requerente ii) da impossibilidade de retirar dos contratos firmados pela Requerente a característica de serem a preço predeterminado, uma vez que o mero reajuste de preço não seria condição suficiente para descaracterizar o preço predeterminado, conforme dispõe o artigo 3º, §3º da IN 658/2006 (o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado) iii) Contrato CERCEED, foi celebrado para harmonizar o conceito de valor de referência (VR) com o conceito de valor normativo (VN), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, Nota Técnica 23/2003). Assim, os reajustes promovido configuram mera alteração nominal no preço. Não configurariam, dessarte, reajuste do preço contratado, mas sim mera recomposição do valor da moeda. iv) Sobre os Contratos CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CER PA/2002 209 e CERPI/2002 210, lembra quea Lei n. 10.833/2003 não definiu o que seria “preço predeterminado”. Assim, por força do que determina o artigo 109 do CTN, deve ser observado o artigo 487 do Código Civil e, por conseguinte, convalidado que as partes podem contratar preço em função de índices, desde que estes sejam suscetíveis de determinação. Ou seja, a existência de cláusula que preveja índice determinado de reajuste de preço não retira sua característica de contato de preço (pre)determinado; v) o artigo 109 da Lei n. 11.196/2005, com aplicação retroativa a 1º de novembro de 2003 (cf artigo 106, inciso I do CTN, por tratarse de lei meramente interpretativa), esclareceu que o reajuste de preço não pode ser considerado para fins de descaracterização de preço predeterminado a que se refere o artigo 10, inciso XI, alíneas “b” e “c” da Lei n. 10.833/2003. Ademais, o artigo 109 da Lei 11.196/2005, conjuntamente lido com o artigo 27, parágrafo único 1º, incido II da Lei n. 9.069/1995, levam à conclusão de que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índica que reflita a variação ponderado dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado. O IGMP constitui índice que reflete adequadamente a evolução dos preços das atividades produtivas, portanto enquadrandose nos dispositivos anteriormente citados, exatamente como expôs a Nota Técnica n. 224/2006 SFF/ANEEL e o Ofício n. 1.431/2006SFF/ANEEL vi) subsidiariamente, a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes pelo IGPM superaram o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção. Posteriormente, a Recorrente apresentou laudo formulado por auditoria independente a respeito da composição do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos, razão pela qual, em 26 de maio de 2017, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifeste acerca do documento apresentado pela Recorrente, medida imperativa para submeter a documentação ao 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Fl. 706DF CARF MF 6 contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. A manifestação da PFN veio ao processo em fls 633 a 647, no seguinte sentido: Concluise, portanto, à vista dos argumentos acima expostos, que, de todo modo, o pleito do contribuinte deve ser rechaçado: a) seja para encampar a conclusão exarada pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos, ou seja, de que o fato de o contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de convalidar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois a existência do indébito só se aperfeiçoou depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional). Nesse contexto, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF; b) seja para, não acatado o posicionamento acima, diante da análise da PER/DCOMP com base na DCTF retificada após proferido despachodecisório que não homologou a compensação (cuja possibilidade se admite apenas para argumentar), determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificar a liquidez, certeza, suficiência e legalidade da compensação pleiteada, de forma a apreciar os argumentos e elementos probatórios coligidos ao feito pelo interessado, dando concretude aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sem suprimir instâncias. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente reconhecidos por este Conselho, de modo que passo a apreciação do mérito. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de pedido de restituição, tem como arcabouço jurídico a questão do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos pela Recorrente e sua implicação quanto à (não)cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse tipo de processo discutese a capacidade do índice de correção aplicado aos contratos de longo prazo alterar o preço predeterminado dos mesmos, e foi nesse sentido que caminhou a defesa da Recorrente depois do julgamento a quo, no intuito de demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 11080.928479/200961 Acórdão n.º 3402004.380 S3C4T2 Fl. 114 7 Todavia, tal questão de fundo não pode ser objeto de análise neste momento processual. Isto porque o despacho decisório (fls 7) resumiu a não homologação do crédito ao fato de que " a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Daí que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte limitouse a, em uma lauda, informar que "comprova a existência do crédito compensado através de retificação da DCTF do período." Por conseguinte, o julgamento da DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade por entender que a retificação ou o cancelamento, para fins de comprovação do direito creditório, só poderiam ser adotados pela empresa em uma situação de espontaneidade, nunca após o despacho decisório. Assim, a lide foi demarcada unicamente com relação a este ponto, e não com relação a qualquer outra qualidade do crédito, decorrente de indébito tributário, pleiteado. Pois bem. Com relação aos efeitos da DCTF retificadora, o artigo 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001,2 dispôs que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da original. Disciplinando tal regra, a Instrução Normativa n. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos e cujo regramento foi sistematicamente reproduzido nos atos normativos que lhe sucederam , em seu artigo 11, colocava que: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou 2 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 708DF CARF MF 8 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No presente caso, o procedimento eletrônico de não homologação referiuse à PERD/COMP e à não localização de créditos suficientes. Ocorre que, como determinam as normas acima transcritas, somente não seriam admitidas para alterar o crédito declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Ou seja, mesmo após de proferido o despacho decisório, como aqui ocorreu, é possível que a DCTF retificadora tenha seus plenos efeitos de substituir a original. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Assim, a DCTF retificadora apresentada in casu tem o condão de alterar a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, o que naturalmente leva à necessidade de o crédito pleiteado pela ora Recorrente ser analisado pela autoridade fiscal de origem com base nessa nova informação, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que poderia ser denegada a compensação. É nesse sentido que tem decidido a pacífica jurisprudência do CARF, como se depreende das ementas dos Acórdãos colacionadas abaixo: Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. (Acórdão 3201 001.237) Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.” CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 330201.727) Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 11080.928479/200961 Acórdão n.º 3402004.380 S3C4T2 Fl. 115 9 A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão (Acórdão 380302.683) Ocorre que em razão dos procedimentos adotados especificamente no bojo deste processo administrativo, a providência que deve ser tomada é outra. Explico. Repisando o histórico processual, vemos que o Relator que me precedeu entendeu por bem baixar o processo em diligência, o que culminou na análise pela autoridade fiscal de origem sobre a certeza e liquidez dos créditos em discussão (fls 566 a 577). Ou seja, foi já suprida tal necessidade de averiguação pela DRF in casu. Igualmente foi satisfeito o direito da Contribuinte de apresentar nova Manifestação de inconformidade (fls 579 a 602), com relação às considerações trazidas pela autoridade fiscal. Assim, não houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa até então, de modo que mandar que estes atos fossem refeitos significaria desproposita afronta à eficiência e à celeridade processual. Entretanto, esses novos contornos da lide não foram apreciados pela DRJ, já que foram diretamente enviados a este Conselho após o cumprimento da citada diligência. Essa situação não pode ser convalidada no processo administrativo fiscal, sob pena supressão de instância e ofensa ao duplo grau de jurisdição administrativa. Afinal, a ausência de análise do caso pela DRJ nesse contexto ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria (contrato por preço prédeterminado, sua correção monetária e implicações no regime de apuração da COFINS) por este Conselho, estaríamos atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. É por essa razão que, uma vez superada a questão da DCTF retificadora, os créditos pleiteados já tendo sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, os autos devem agora ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo administrativo, dado ao princípio do formalismo moderado que impera nesta seara. 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 710DF CARF MF 10 Saliento que não se trata de nulidade do Acórdão a quo, que julgou a lide conforme apresentada naquele momento processual. Dessarte, não é o caso de aplicação do artigo 59 do Decreto 70.235/72, mas sim de dar cumprimento ao artigo 60 do mesmo diploma normativo,4 determina que irregularidades verificadas no processo devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Dispositivo Diante do exposto, voto por i) dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente quanto ao direito de se valer da DCTF retificadora para o pleito dos créditos; ii) determinar a remessa dos autos para a DRJ de Porto Alegre, para que nova decisão seja proferida, levando em consideração agora os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls 566 a 577) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (579 a 602), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 4 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 711DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.002066/2008-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA
Os tributos cuja constituição do crédito foi atribuída legalmente ao sujeito passivo (lançamento por homologação), sujeitam-se ao prazo decadencial pevisto no artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional, havendo seu deslocamento para o artigo 173, I, desse código na hipótese de dolo, fraude ou simulação ou quando o sujeito não dá acesso ao fisco, mormente pelo pagamento, aplicando-se o precedente do STJ.
Numero da decisão: 9101-002.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 20 66 /2 00 8- 19 Fl. 1373DF CARF MF 2 Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão n. 110300.378 (Efls. 1290 ss.), proferido pela 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, que negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência com relação aos fatos geradores ocorridos até 18.08.2003, por entender aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação o artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional, independentemente de pagamento. O Auto de Infração (Efls. 250 ss.) foi lavrado em 19/08/2008 para a cobrança de IRRF relativo a fatos geradores de 01/2002 a 12/2004 em função da falta de recolhimento do IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, com a imposição de juros e multa proporcional. Insurgindose contra a autuação, a recorrida apresentou Impugnação Administrativa (Efls. 885 ss.) defendendo a sua nulidade em função da impossibilidade de (a) um segundo exame em relação ao mesmo exercício sem ordem escrita do Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal e (b) duplicidade de lançamento. No mérito, alegou também (c) a decadência relativa ao período de janeiro/2002 a agosto/2003, (d) a apresentação dos comprovants de pagamentos considerados feitos a beneficiários não identificados nos autos do processo administrativo n. 18471.001364/200719, (e) confiscatoridade da multa e (f) ilegalidade da taxa Selic. O posicionamento da Administração Tributária, no entanto, foi parcialmente mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (Efls. 1174 ss.), em decisão assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE EM RAZÃO DE AUSÊNCIA DE ORDEM ESCRITA PARA REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO A alteração do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, determinada por ato do Delegado da Receita Federal, tendo por objetivo a correção de inexatidões materiais no lançamento original, supre a exigência de ordem escrita para reexame de período já fiscalizado, a que se refere o art. 906 do RIR/99. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE EM RAZÃO DE DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Não configura duplicidade de lançamento a lavratura de auto de infração complementar para fins de correção de inexatidões materiais no lançamento original. Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 18471.002066/200819 Acórdão n.º 9101002.873 CSRFT1 Fl. 1.374 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IREI. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO RECOLHIMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. O imposto de renda retido na fonte segue o regime dos tributos lançados por homologação. Uma vez efetuado o recolhimento do imposto pela fonte pagadora, tem a Fazenda cinco anos para lançar eventuais diferenças, contandose o prazo decadencial a partir da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do I CTN). lnexistindo, todavia, o recolhimento, não ha simplesmente o que homologar; neste caso, o prazo decadencial só começará a correr a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN). IRRF. AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. DIFERENÇAS DECORRENTES DE ERRO NO REAJUSTAMENTO DA BASE TRIBUTÁVEL. Verificada a existência de incorreção no lançamento original do IRRF, motivada pelo reajustamento a menor do rendimento tributável, é lícito à autoridade fiscal lavrar auto de infração complementar para exigir as diferenças de imposto devidas. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A aplicação da multa de oficio de 75%, nas hipótese de falta de recolhimento de tributo ou de declaração inexata, está prevista expressamente no art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/1996. Ao julgador administrative não cabe discutir a constitucionalidade de leis ou atos normativos validamente inseridos no ordenamento juridico. A apreciação de questões desta natureza constitui matéria reservada ao Poder Judiciário. TAXA SELIC. QUESTIONAMENTO DE SUA UTILIZAÇÃO PARA EFEITOS DE CÁLCULO DOS JUROS DE MORA DE DÉBITOS FISCAIS. A utilização da taxa Selic, para efeitos de atualização de débitos tributários, está prevista expressamente no art. 61, § 3', da Lei n° 9.430/1996. À autoridade administrative não é dado questionar o fundamento ontológico da referida taxa, mas tão somente aplicála, na forma prevista em lei. Lançamento Procedente em Parte. Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da Turma, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado: a) por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade levantadas pela Interessada; b) por maioria, ACOLHER a argüição de decadência, apenas em relação aos Fl. 1375DF CARF MF 4 fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002, e JULGAR PROCEDENTE, EM PARTE, o lançamento, REDUZINDO o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte para o montante de R$ 2.905.127,79 (dois milhões, novecentos e cinco mil, cento e vinte e sete reais e setenta e nove centavos), sobre o qual serão aplicados multa de oficio, no percentual de 75%, e juros de mora, nos termos da legislação vigente. Vencida a julgadora Andréa Duck Simadtob, Presidente da Turma, que REJEITOU a argüição de decadência. (…)” Em face dessa decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (Efl. 1212 ss.) tratando da necessidade de (a) ordem escrita para nova fiscalização, (b) reconhecimento da decadência relativa aos fatos geradores de janeiro a agosto de 2003, (c) exclusão dos valores admitidos no processo n. 18471.001364/200719, e novamente da (d) ilegalidade da taxa Selic. Como adiantado, o Acórdão n. 110300.378 (Efls. 1290 ss.), proferido pela 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência com relação aos fatos geradores ocorridos até 18.08.2003, aplicandose o artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional, independentemnete de pagamento, com a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. IRRF. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO E SEM IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Não logrando o sujeito passivo identificar a destinação e os beneficiários dos saques efetuados em sua contacorrente bancária, é de se manter a exigência do Imposto de Renda na Fonte. TAXA DE JUROS. SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, á. Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 18471.002066/200819 Acórdão n.º 9101002.873 CSRFT1 Fl. 1.375 5 provimento ao recurso de oficio e, quanto ao recurso voluntário, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, por maioria, DAR provimento parcial para reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 18/08/2003, vencido o Cons. Mário Sérgio Fernandes Barroso (Relator). O Cons. Aloysio José Percinio da Silva foi designado para redigir o voto vencedor. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Hugo Correa Sotero (vicepresidente). ALOYSIO JOSÉ PERCNIO DA SILVA — Presidente e Redator Designado. MÁRIO SERGIO FERNANDES BARROSO — Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigeo Takata, Gervásio Nicolau Recktenvald, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (suplente convocada) e Aloysio José Percinio da Silva (Presidente). A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (Efls. 1304 ss.) sustentando que, não havendo pagamento, a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário em questão regerseia pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, devendose reformar a decisão a quo que considerou que a decadência alcançaria até agosto de 2003. O Recurso Especial foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade (Efls. 1314 ss.) e, cientificada (Efls. 1327 a 1333 ss.), a contribuinte não recorreu ou apresentou contrarrazões ao recurso da Fazenda Nacional. Por fim, informase a existência de despacho de encaminhamento (Efl. 1372) comunicamento a transferência dos débitos em situação devedora para o processo n. 18470.720870/201601, conforme termo de transferência às folhas 1.334 a 1.338. Passase, então, à apreciação do recurso. Voto Conselheira DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Relatora PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. Consta na efl. 1303 recebimento do processo pela PGFN em 21.08.2012, com juntada do recurso especial em Fl. 1377DF CARF MF 6 05.10.2012 (Efl. 1313), portanto, aplicandose o artigo 79 do Regimento Interno do CARF, considerase o presente recurso tempestivo. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (ii) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Pois bem, voltandose ao caso concreto, observase que o acórdão recorrido decidiu que, independentemente de pagamento ou apresentacão de declaração, o IRRF se trataria de tributo sujeito a lançamento por homologação e, portanto, ao prazo quinquenal de decadência do artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional, deslocado para o artigo 173, I, do CTN, somente na hipótese de dolo, fraude ou simulação. Por sua vez, no intuito de afastar a decisão a quo, que seguindo esse racional declarou a decadência do direito de constuição dos créditos tributários até agosto de 2003, a Fazenda Nacional sustenta que, não havendo o pagamento do imposto, aplicase o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, no lugar do seu artigo 150, parágrafo 4o, na linha que seguiram os paradigmas apresentados. Nesse sentido, identificase divergência no tocante à relevância do pagamento ou declaração para aplicação do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN, com o consequente deslocamento do termo de início do prazo para o artigo 173, I, do código. Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 18471.002066/200819 Acórdão n.º 9101002.873 CSRFT1 Fl. 1.376 7 Por essas razões, VOTASE POR CONHECER o recurso especial. MÉRITO Considerando a divergência identificada, delimitase que seu objeto referese à relevância da existência de pagamento ou declaração para a aplicação do artigo 150, parágrafo 4o., e consequente deslocamento do prazo para o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, tendo como suporte fáctico lançamento de ofício cientificado ao contribuinte em 19.08.2008 para a cobrança de IRRF em função da falta de recolhimento sobre pagamentos a beneficiários não identificados, relativo a fatos geradores de 01/2002 a 12/2004. Com efeito, considerase que o impropriamente chamado “lançamento por homologação”, porque lançamento é atividade priativa de autoridade administrativa nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, referese às situações em que a lei transfere ao sujeito passivo o ato de constituição do crédito tributário – ato este que se difere e é pressuposto lógico e cronológico do pagamento. Assim se compreende que, ocorrido o fato gerador de um tributo sujeito ao lançamento por homologação, em regra, fluiria o prazo decadencial de cinco anos para o lançamento de ofício pela fazenda caso não constituído o crédito pelo sujeito passivo ou, não havendo apenas o pagamento, surgiria a possibilidade direta de cobrança. Na realidade, não se vislumbra propriamente que o fisco estaria homologando um pagamento, sobretudo como pressuposto para se considerar constituído o crédito e aplicável então o artigo 150, parágrafo 4o. do Código Tributáro Nacional; o contrário: o que interessa, sim, é a verificação de sua constituição, para se definir se se inicia o prazo decadencial do seu direito de fazêlo. Noutras palavras, na linha adotada, o prazo que se opera não é para a referida homologação, ainda que tácita; mas de decadência do direito do fisco de proceder ao lançamento de ofício, na hipótese de o contribuinte não realizar a atividade de constituição que lhe atibuiu aprioristicamente a lei. Daí se entender a indiferença, nesse ponto, do pagamento para a aplicação do prazo decadencial do art. 150, mas apenas a necessidade de possibilidade do conhecimento do fisco do fato gerador e sua compatibilização com o artigo 173, I , que deslocaria o prazo para o primeiro dia do exercício seguinte, somente no caso de dolo, Fl. 1379DF CARF MF 8 fraude ou simulação, conforme disposição final do parágrafo 4o. do mencionado artigo 150. Nesse sentido e de forma objetiva, considerandose que o IRRF é tributo sujeito ao “lançamento por homologação”, aplicase o artigo 150, parágrafo 4o, do CTN, independentemente da existência de pagamento, porque o que se mostra relevante, na leitura que se faz dessa espécie, é a sua natureza e a possibilidade de constatação da constituição do crédito pelo contribuinte, o que muitas vezes pode se dar pelo próprio pagamento ou com a apresentação de declaração. Essa é a leitura que se faz do precedento do STJ na sistemática do recurso repetitivo no Recurso Especial n. 973.733/SC, de 12.08.2009, abaixo transcrito, que se torna de aplicação obrigatória por força do artigo 62 do Regimento Interno do CARF: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÁO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, sç 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.I42/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3' ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o 'primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 18471.002066/200819 Acórdão n.º 9101002.873 CSRFT1 Fl. 1.377 9 lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, ,sç 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3" ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amara, "Direito Tributário Brasileiro", 10" ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3" ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (I) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEC:4'0 do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr.Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram coin o Sr. Ministro Relator.” Desse modo, na medida em que o lançamento de ofício foi cientificado ao contribuinte em 19.08.2008, relativo a fatos geradores de 01/2002 a 12/2004, com a aplicação do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, e não se vendo no caso concreto seja o pagamento, ou a apresentação das devidas declarações que pudessem dar acesso ao fisco ao conhecimento do fato gerador, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial, reformandose a decisão a quo e mantendose o crédito tributário. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 1381DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001481/2006-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS
FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL.
Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n 9.069, de 1995, considera se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.
Numero da decisão: 1801-000.445
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n 9.069, de 1995, considera- se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. Fl. 562DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Relatório A Recorrente acima identificada formalizou em 26/09/2006, fls. 01/03, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) no valor de R$1.083.683,03 destinado ao Fundo de Investimento da Amazônia (FINAM) correspondentes à aplicação do percentual global de 18% (dezoito por cento) do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado com base no lucro real constante na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao ano-calendário de 2003, fls. 38/88. No Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais consta, fl. 03: 11 - CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS (ART. 60 DA LEI 9069/95). Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 292/295, as informações em referência foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido ao argumento de que a Recorrente não apresentou a comprovação de regularidade fiscal, de acordo com o art. 60 da Lei n 9.069, de 29 de junho de 1995. Acrescenta 12 - Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, convém verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados o CADIN/SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/ PGFN, e perante o Fundo de Garantia. 13 - A aludida consulta indica que a interessada está em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 274 a 280 deste processo, relatório SINCOR, indicando que constam débitos da interessada em cobrança final no SIEF, e débitos inscritos em Divida Ativa da União, ali especificados, fatos estes que a impedem de comprovar quitação de tributos e contribuições federais, [...] Cientificada em 05/09/2008 (sexta-feira), fl. 298, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 07/10/2008, fls. 301/309, argumentando em síntese que comprova sua regularidade fiscal. Interpreta a legislação de regência citando entendimentos jurisprudenciais em seu favor. Conclui 43 - Diante de todo o exposto, e por tudo mais que nos autos consta, a Recorrente requer seja dado provimento ao presente recurso, deferindo-se integralmente a opção pelo incentivo fiscal manifestado quando da entrega da DIPJ 2004 - ano-calendário 2003, ratificada por intermédio do PERC datado de 26/09/2006, tendo em vista que, conforme restou demonstrado, à época da opção a Recorrente encontrava-se em situação plenamente regular. Termos em que, Pede e espera deferimento Fl. 563DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001481/2006-21 Acórdão n.º 1801-00.445 S1-TE01 Fl. 547 3 Está registrado como resultado do Acórdão da 10ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 16-21.981, de 29/06/2009, fls. 492/498: “Solicitação Indeferida”. Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 INCENTIVO FISCAL. FINAM. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. Notificada em 13/07/2009, fl. 500, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11/08/2009, fls. 508/521, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui Por todo o exposto e por tudo mais que dos autos consta, requer seja dado provimento ao presente recurso, deferindo-se integralmente à opção pelo incentivo fiscal manifestado quando da entrega da DIPJ 2004 (ano-calendário 2003), tendo em vista que, conforme restou demonstrado, à época da opção a Recorrente detinha plena regularidade fiscal, conforme documentalmente provado por intermédio da juntada de certidões de regularidade fiscal perante, a Secretaria da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional, plenamente válidas quando da opção da Recorrente ao FINAM. Por fim, manifesta a Recorrente sua intenção de realizar sustentação oral quando do julgamento do presente recurso. Pede Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Requerente pleiteia fazer sustentação oral. O Anexo II da Portaria n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, fixa: Fl. 564DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 Art. 55. A pauta da reunião indicará: I - dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II - para cada processo: a) o nome do relator; b) os números do processo e do recurso; e c) os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; e III - nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. [...] Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, sucessivamente: I - ao relator, para leitura do relatório; II - ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; Neste sentido, tem cabimento que a pauta da sessão de julgamento dos processos no CARF seja publicada no DOU. Também há possibilidade jurídica de que a Recorrente ou seu representante legal faça sustentação oral durante o julgamento do recurso voluntário, desde que observados os demais requisitos. A Recorrente afirma que se encontra em situação fiscal regular. O litígio versa sobre o PERC formalizado pela Recorrente com o escopo de usufruir do benefício fiscal relativo ao FINAM. Seu pleito foi indeferido sob o fundamento primordial de que a Recorrente estava em situação irregular. Sobre a matéria, o Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), prevê: Art.592. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste Capítulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 609, 611 e 613 (Decreto-Lei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 1º). [...] Art.601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613) na declaração de rendimentos ou no curso do ano-calendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222), apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º). Fl. 565DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001481/2006-21 Acórdão n.º 1801-00.445 S1-TE01 Fl. 548 5 §1º A opção, no curso do ano-calendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §1º): I - dezoito por cento para o FINOR e FINAM e vinte e cinco por cento para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; [...] §2º No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §2º). [...] Art.614. Não podem se beneficiar da dedução dos incentivos de que trata este Capítulo: [...] VI - as pessoas jurídicas com registro no Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor público federal - CADIN (Medida Provisória nº 1.770-46, de 11 de março de 1999, arts. 6º, inciso II, e 7º). Parágrafo único.A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei nº 9.069, de 1995, art. 60). Art.615. A empresa em mora contumaz relativamente a salários não poderá ser favorecida com qualquer benefício de natureza fiscal, tributária ou financeira, por parte de órgãos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ou de que estes participem (Decreto-Lei nº 368, de 19 de dezembro de 1968, art. 2º). [...] Art.617. A empresa que transgredir as normas da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, além das outras sanções previstas, sujeitar-se-á, nas condições em que dispuser o regulamento, à revisão de incentivos fiscais de tratamento tributário especial (Lei nº 8.212, de 1991, art. 95, §2º). Cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n 37, que é de adoção obrigatória (art. 72 da Portaria MF n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF), e que assim determina: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Fl. 566DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 29/11/2010): Nº Recurso 157232 Número do Processo 16327.002423/2002-91 Turma 8ª Turma Especial Contribuinte BANCO ITAUCARD S/A Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 09/12/2008 Relator(a) José de Oliveira Ferraz Corrêa Nº Acórdão 198-00079 Tributo / Matéria IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para AFASTAR o óbice da regularidade fiscal e DETERMINAR o retorno dos autos a unidade de origem para apreciação da composição dos valores que não foram admitidos como incentivos. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ - ANO-CALENDÁRIO: 1998 - INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso. Preliminar Afastada. Recurso Voluntário Provido. [...] Nº Recurso 155796 Número do Processo 13805.001786/98-82 Turma 8ª Câmara Contribuinte BANCO ALFA DE INVESTIMENTO S.A. Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 19/12/2008 Relator(a) Orlando José Gonçalves Bueno Nº Acórdão 108- 09808 Tributo / Matéria Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1996 INCENTIVOS FISCAIS - PERC - REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no Fl. 567DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001481/2006-21 Acórdão n.º 1801-00.445 S1-TE01 Fl. 549 7 momento do despacho denegatório do seu pleito. - É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso Voluntário Provido. A falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível à Recorrente fazê-lo em qualquer fase do processo. Assim, com vistas ao gozo do benefício fiscal, bem como com base no entendimento jurisprudencial pacificado desta segunda instância de julgamento, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n 9.069, de 1995, considera-se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeitos de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Verifica-se que constam nos autos as seguintes cópias: - Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais emitida pela Secretaria da Receita Federal com validade até 13/10/2004, fl. 530; e, - Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos à Dívida Ativa da União emitida pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional emitida em 18/05/2004, fls. 531/532. - Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros (fonte: http://www010.dataprev.gov.br/cws/contexto/cnd/cnd.html, acesso em 06/12/2010): MINISTÉRIO DA FAZENDA Secretaria da Receita Federal do Brasil CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA DE DÉBITOS RELATIVOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E ÀS DE TERCEIROS Nº 039992010-21100010 Nome: ALFA ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A. CNPJ: 46.570.800/0001-49 Ressalvado o direito de a Fazenda Nacional cobrar e inscrever quaisquer dívidas de responsabilidade do sujeito passivo acima identificado que vierem a ser apuradas, é certificado que constam em seu nome, nesta data, débitos com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). Esta certidão, emitida em nome da matriz e válida para todas as suas filiais, refere-se exclusivamente às contribuições previdenciárias e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive às inscritas em Dívida Ativa da União (DAU), não abrangendo os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e as demais inscrições em DAU, administradas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), objeto de Certidão Conjunta PGFN/RFB. Conforme disposto nos arts. 205 e 206 do CTN, este documento tem os mesmos efeitos da certidão negativa. Esta certidão é válida para Fl. 568DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 as finalidades previstas no art. 47 da Lei nº 8.212, de 24 de Julho de 1991, exceto para: - averbação de obra de construção civil no Registro de Imóveis; - redução de capital social, transferência de controle de cotas de sociedade limitada, cisão total ou parcial, fusão, incorporação, ou transformação de entidade ou de sociedade empresária ou simples; - baixa de firma individual ou de empresário, conforme definido pelo art.931 da Lei nº. 10.406, de 10 de Janeiro de 2002 - Código Civil, extinção de de entidade ou sociedade empresária ou simples. A aceitação desta certidão está condicionada à finalidade para a qual foi emitida e à verificação de sua autenticidade na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Certidão emitida com base na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 20 de Janeiro de 2010. Emitida em 26/08/2010. Válida até 22/02/2011. Certidão emitida gratuitamente.Atenção:qualquer rasura ou emenda invalidará este documento. Por conseguinte, cabe razão à Recorrente, uma vez constam nos autos a regularidade fiscal no curso do processo mediante um conjunto probatório robusto. Em face do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 569DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001481/2006-21 Acórdão n.º 1801-00.445 S1-TE01 Fl. 550 9 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 26 de janeiro de 2011. _____________________________ Moema Nogueira de Souza – Secretário da Câmara Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 570DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 10 Fl. 571DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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