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Numero do processo: 13768.000106/2009-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.003
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem:
a) informe o resultado da análise da SRS apresentada para a finalidade de reinclusão no Simples do ano-calendário de 2004;
b) informe, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, se a referida SRS teve efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário discutido nos presentes autos;
c) esclareça, por meio de parecer conclusivo, se houve, à época dos fatos, algum óbice na recepção da declaração do Simples nos sistemas de controle da SRF que teria motivado o atraso na entrega da declaração do ano-calendário de 2004 nos moldes do relato feito pelo contribuinte;
d) forneça, ou intime o contribuinte a apresentar, certidão de objeto e pé ou cópia da sentença judicial com trânsito em julgado dos Embargos à Execução de ns. 2002.02.01.041228-5 e 2005.50.04.000722-9. Vencido o conselheiro Júlio Lima Souza Martins, que entendeu desnecessária a diligência.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: a) informe o resultado da análise da SRS apresentada para a finalidade de reinclusão no Simples do ano-calendário de 2004; b) informe, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, se a referida SRS teve efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário discutido nos presentes autos; c) esclareça, por meio de parecer conclusivo, se houve, à época dos fatos, algum óbice na recepção da declaração do Simples nos sistemas de controle da SRF que teria motivado o atraso na entrega da declaração do ano-calendário de 2004 nos moldes do relato feito pelo contribuinte; d) forneça, ou intime o contribuinte a apresentar, certidão de objeto e pé ou cópia da sentença judicial com trânsito em julgado dos Embargos à Execução de ns. 2002.02.01.041228-5 e 2005.50.04.000722-9. Vencido o conselheiro Júlio Lima Souza Martins, que entendeu desnecessária a diligência.
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Vencido o conselheiro Júlio Lima Souza Martins, que entendeu desnecessária a diligência. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13768.000106/2009-20 Resolução nº 1002-000.003 S1-C0T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar os fatos até este momento processual, adoto como relatório o texto produzido no acórdão de impugnação da DRJ1/RJ: "Versa o presente processo sobre o auto de infração de fl. 19, cientificado à interessada acima qualificada em 09/03/2009, por meio do qual é exigido da mesma a multa por atraso na entrega da sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica - DSPJ - Simples, do exercício de 2005, ano- calendário 2004, no valor de R$ 2.357,03. Inconformada, a interessada apresentou, em 27/03/2009, a impugnação de fls. 01/07, onde argüi a tempestividade e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, descreve a autuação e alega, em síntese: Que recebeu o comunicado do Ato Declaratório n° 210087 em 03/11/2000 e imediatamente fez a Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo Simples -SRS, mas mesmo assim o sistema não permitiu a transmissão da declaração em tempo e hora. Que, mesmo fora do prazo, apresentou espontaneamente a Declaração, antes de qualquer procedimento fiscal, estando, portanto, diante do instituto da denúncia espontânea albergada pelo art. 138 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional - CTN. Transcrevendo acórdãos e expondo sua opinião sobre o assunto, protesta contra a cobrança de multas nas denúncias espontâneas de entrega de Declarações e cumprimento de obrigações acessórias. Encerra pedindo seja determinada a suspensão da cobrança e seus efeitos e que seja julgado procedente o seu pleito, para declarar insubsistente o auto de infração, com as devidas baixas. Em complemento ao relatório da DRJ, aduzo que o contribuinte reitera que as cobranças de tributos relacionadas ao crédito tributário objeto deste processo estão sendo discutidas no bojo dos Embargos à Execução registrados sob os ns. 2002.02.01.041228-5 e 2005.50.04.000722-9, que tramitam na Justiça Federal." A DRJ-1/RJ negou provimento à impugnação, declarando, contudo, que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa, por força do inciso III do artigo 151 do CTN. Inconformado com a decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados à primeira Seção do CARF e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. É o Relatório. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13768.000106/2009-20 Resolução nº 1002-000.003 S1-C0T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva - Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Trata-se de recurso que contesta a exigência de multa por atraso na entrega de declaração do simples federal do ano-calendário de 2004 (e-fls. 21), na qual o contribuinte alega não ter conseguido apresentar a declaração no prazo legal por recusa dos sistemas de controle da SRF, em razão da existência de SRS - Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples - pendente de análise, conforme trecho extraído de seu recurso (in verbis): A Recorrente apresentou fora do prazo a Declaração Simplificada do exercício 2005, ano calendário 2004 no prazo, porque o sistema não permitiu, já que estava ela com pedido de reinclusão no SIMPLES pendente, desde 03/09/2000, consoante cópia do Comunicado do Ato Declaratório n. 210087 de 02/10/2000, já juntado. Como dito, a DRJ-1/RJ indeferiu o pleito do contribuinte, entretanto, declarou que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa, por força do inciso III do artigo 151 do CTN, supostamente em virtude da apresentação do solicitação administrativa que pleiteava a reinclusão do contribuinte no sistema simplificado, conforme excerto abaixo: Da suspensão da exigência do crédito tributário Cumpre destacar à interessada que o crédito tributário objeto do presente processo encontra-se suspenso, por força do inciso III, do art. 151 do CTN e do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972-Processo Administrativo Fiscal-PAF. Por outro lado, em consulta aos Embargos à Execução registrados sob o nº. 2005.50.04.000722-9 no sítio da Justiça Federal, verifico que ocorreu o trânsito em julgado da referida ação em 31/08/2015, conforme extrato seguinte: Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13768.000106/2009-20 Resolução nº 1002-000.003 S1-C0T2 Fl. 5 4 Considerando que não constam dos autos cópia do ato administrativo que decidiu sobre a SRS apresentada pelo Recorrente (e-fls. 15 a 20) - que teria justificado a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto deste processo- e, tampouco, qualquer documento indicativo do andamento e do resultado dos Embargos à Execução de ns. 2002.02.01.041228-5 e 2005.50.04.000722-9, opino pela baixa do processo em diligência e sobrestamento do feito, para o fim de que a Unidade de Origem: a) informe o resultado da análise da SRS apresentada para a finalidade de reinclusão no Simples do ano-calendário de 2004; b) informe, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, se a referida SRS teve efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário discutido nos presentes autos; c) esclareça, por meio de parecer conclusivo, se houve, à época dos fatos, algum óbice na recepção da declaração do Simples nos sistemas de controle da SRF que teria motivado o atraso na entrega da declaração do ano-calendário de 2004 nos moldes do relato feito pelo contribuinte; d) forneça, ou intime o contribuinte a apresentar, certidão de objeto e pé ou cópia da sentença judicial com trânsito em julgado dos Embargos à Execução de ns. 2002.02.01.041228-5 e 2005.50.04.000722-9. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como voto. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13768.000106/2009-20 Resolução nº 1002-000.003 S1-C0T2 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000099/2008-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 9202-006.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 99 /2 00 8- 49 Fl. 1923DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 230101.746, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito previdenciário lançado contra o contribuinte, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD nº 37.110.0275, no valor de R$ 2.214.127,25 (dois milhões, duzentos e quatorze mil, cento e vinte e sete reais e vinte e cinco centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado em 26/12/2007 de R$ 3.965.190,48 (três milhões, novecentos e sessenta e cinco mil, cento e noventa reais e quarenta e oito centavos) nas competências compreendidas entre 03/2000 e 09/2007. O presente lançamento engloba as contribuições sociais devidas e não recolhidas relativas à parcela a cargo da empresa, de quinze por cento, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, assim como pagamento a empresa prestadora de serviço, com cessão de mão de obra, sem os recolhimentos correspondentes à retenção de 11% (onze) sobre as notas fiscais de serviço. Conforme Relatório Fiscal (fls. 66 a 70), a associação notificada foi contratante dos serviços médicos e hospitalares da UNIMED VITÓRIA e UNIODONTO ES, e deixou de recolher a contribuição patronal a seu cargo, correspondente a 15% (quinze por cento) sobre a base de cálculo, apurada aplicandose o percentual de 30% (trinta por cento) sobre os valores brutos das notas fiscais e faturas, no caso dos serviços médicos, e 60%, no caso dos serviços odontológicos. O autuado apresentou impugnação às fls. 325/339. A 11ª Turma DRJ/RJOI, às fls. 1703 e ss., deu parcial provimento à impugnação, excluindo do débito os valores relativos às competências alcançadas pela decadência de que trata o art. 173, I, do CTN, e os valores lançados em duplicidade, na competência 09/2005. O Contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 1739 e ss., havendo também Recurso de Ofício. Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 15586.000099/200849 Acórdão n.º 9202006.630 CSRFT2 Fl. 10 3 A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1822/1827, PRELIMINARMENTE, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007 A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. CUSTEIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – COOPERATIVAS A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa. DECADÊNCIA – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. Considerase lançamento de ofício a contribuição incidente sobre o pagamento de verbas que a empresa não considerava como sendo base de cálculco da contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Às fls. 1770/1793, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: Decadência, em relação à natureza do lançamento de tributos, se por homologação ou ofício, em caso de ausência de recolhimento. A decisão recorrida sustentou que a recorrente teria deixado de efetuar o recolhimento de contribuição previdenciária patronal incidente sobre os valores brutos das notas fiscais e faturas (sujeitas a lançamento por homologação), de modo que, por conta disso, tratavase de lançamento de ofício, aplicandose assim o prazo decadencial previsto no art. 173 do Código Tributário Nacional. Nos paradigmas, as decisões tomadas foram diametralmente divergentes, na medida em que teriam prescrito que a mera ausência do recolhimento do imposto não constitui fato apto a ensejar a alteração da natureza do lançamento, de modo que, se o tributo é sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, como determina o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, às fls. 1831/1834, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso em relação às divergências arguidas, quanto a seguinte matéria: Decadência, em relação à natureza do lançamento de tributos, se por homologação ou ofício, em caso de ausência de recolhimento. Fl. 1925DF CARF MF 4 A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões às fls. 1836/1841, rebatendo com argumentos constantes da decisão recorrida, vez que pleiteou a manutenção do acórdão. O Contribuinte veio novamente aos autos, às fls. 1845 e ss., alegando que, conforme Recurso Extraordinário nº 595.838 RG/SP, restou pacificado pelo plenário do STF, em julgamento com repercussão geral reconhecida, o entendimento de que é inconstitucional o inciso IV do artigo 22 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.876/99. Requereu, assim, seja desconstituído o lançamento tributário à luz do entendimento do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22 da Lei n° 8.212/1991 com a redação dada pela Lei n° 9.876/99 , aplicandose ao caso sub examine as disposições contidas no inciso I do parágrafo único do artigo 62 da Portaria MF nº 256/09 e nos parágrafos 4° e 5° do artigo 19 da Lei n° 10.522/2002. Por fim, às fls. 1916 e ss., foi juntado cópia de Mandado de Segurança com a finalidade de cumprimento de decisão judicial, além de prestação de informações ao Juízo no prazo ali previsto. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito previdenciário lançado contra o contribuinte, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD nº 37.110.0275, no valor de R$ 2.214.127,25 (dois milhões, duzentos e quatorze mil, cento e vinte e sete reais e vinte e cinco centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado em 26/12/2007 de R$ 3.965.190,48 (três milhões, novecentos e sessenta e cinco mil, cento e noventa reais e quarenta e oito centavos) nas competências compreendidas entre 03/2000 e 09/2007. O presente lançamento engloba as contribuições sociais devidas e não recolhidas relativas à parcela a cargo da empresa, de quinze por cento, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, assim como pagamento a empresa prestadora de serviço, com cessão de mão de obra, sem os recolhimentos correspondentes à retenção de 11% (onze) sobre as notas fiscais de serviço. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à Decadência, em relação à natureza do lançamento de tributos, se por homologação ou ofício, em caso de ausência de recolhimento. Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 15586.000099/200849 Acórdão n.º 9202006.630 CSRFT2 Fl. 11 5 Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão necessário se faz que se observem outros requisitos. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, Fl. 1927DF CARF MF 6 portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Da análise dos autos verifico que se trata de prestação de serviços por meio de cooperativas cujo recolhimento sobre a nota fiscal ou fatura do serviço prestado não foi recolhido uma vez que o contribuinte não julgou que esta fosse devida. Para tais rubricas o recolhimento em folha não é capaz de demonstrar o início de pagamento. Ressalto contudo, que o auto de infração em análise trata de contribuição previdenciária relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, matéria esta cuja contribuição prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91, que restou julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595.838 RG/SP, questão esta que devera ser prestigiada no momento da execução do crédito. Diante do exposto voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para no mérito negarlhe provimento face a ausência de demonstração de prévio pagamento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1928DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.911663/2010-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ERRO MATERIAL APONTADO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE NOVA ANÁLISE PELA DRJ.
Não há vedação para que o contribuinte indique, após o despacho decisório que não homologou a compensação, erro material por ele identificado no que concerne à data de arrecadação do DARF indicado em sua DCOMP.
Com fulcro no disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, os autos deverão retornar à DRJ, para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3002-000.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto que rejeitou a preliminar suscitada, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRJ para análise da certeza e liquidez do crédito tributário alegado. Votaram pelas conclusões os conselheiros Larissa Nunes Girard e Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Erro material. Recorrente PARTAGE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ERRO MATERIAL APONTADO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE NOVA ANÁLISE PELA DRJ. Não há vedação para que o contribuinte indique, após o despacho decisório que não homologou a compensação, erro material por ele identificado no que concerne à data de arrecadação do DARF indicado em sua DCOMP. Com fulcro no disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, os autos deverão retornar à DRJ, para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto que rejeitou a preliminar suscitada, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRJ para análise da certeza e liquidez do crédito tributário alegado. Votaram pelas conclusões os conselheiros Larissa Nunes Girard e Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 16 63 /2 01 0- 27 Fl. 86DF CARF MF 2 Larissa Nunes Girard Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 36 dos autos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica, transmitida em 26 de abril de 2006, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 55.235,45, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), mediante Darf, em 15 de março de 2006, no valor de R$ 292.560,08, relativo ao período de apuração de fevereiro de 2005. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo – Derat SP pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 10, emitido em 10 de fevereiro de 2010, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, discriminado na Dcomp, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que se equivocou ao informar a data do pagamento do crédito como 15 de março de 2006, quando o correto era 15 de março de 2005. Solicita, assim, o cancelamento do Despacho Decisório para que sejam feitas as devidas correções na Dcomp. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a negativa de homologação (fls. 35/38), conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. ESPÉCIE DE PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. LIMITES DA APRECIAÇÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA No âmbito das compensações declaradas pelos contribuintes, a apreciação administrativa da regularidade do procedimento do contribuinte se limita à aferição da existência de crédito contra a Fazenda Nacional estritamente declarado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Como fundamento, consignou que, a contribuinte foi intimada, à folha 6, a conferir as informações prestadas na Dcomp, uma vez que o Darf não foi localizado e que no Termo de Intimação, a autoridade fiscal esclarece que, havendo erro no preenchimento, a contribuinte disporia de prazo para retificar a Declaração de Compensação. Ressalta, contudo, Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.911663/201027 Acórdão n.º 3002000.203 S3C0T2 Fl. 87 3 que não consta dos autos que a contribuinte tenha retificado a Dcomp, corrigindo a data do pagamento do crédito. Segue dispondo que: Se o contribuinte quiser ver modificada a informação relativa à origem do crédito declarado na Dcomp, deverá retificála antes de qualquer apreciação da compensação por parte das unidades da Receita Federal. Se assim não o fizer, terá sua compensação analisada nos estritos termos do que foi originariamente declarado, não lhe sendo lícito inovar, já em sede contenciosa, quanto às alegações e/ou fundamentos relativos à existência de seu crédito. Pois bem, assim firmado o limite da análise que se pode aqui fazer, há que dizer, de plano, que a compensação intentada pela contribuinte por meio da Dcomp objeto do presente processo não pode ser aqui homologada, pois a origem de seu possível crédito não é aquele constante do Darf informado na Dcomp. (Grifos apostos). O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 05/02/2014 (vide termo de ciência por decurso de prazo à fl. 40 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 19/02/2014, Recurso Voluntário (fls. 42/83), através do qual trouxe fundamentação jurídica bem mais robusta do que aquela apresentada em sua manifestação de inconformidade, no intuito de ter reconhecido o seu direito creditório, com a consequente homologação da compensação realizada. Em seu recurso, argumentou, inicialmente, que a decisão recorrida estaria equivocada, pois não faria sentido entender que os erros materiais somente poderiam ser corrigidos anteriormente ao despacho decisório. Repisou o argumento constante da sua manifestação de inconformidade no sentido de que, em que pese ter informado o período de apuração e vencimento correto do indébito tributário, equivocouse quanto à data de arrecadação do DARF. No intuito de comprovar o equívoco alegado, juntou aos autos, nesta oportunidade o comprovante de arrecadação (fl. 81), o qual estaria corretamente atrelado à DCTF do período (fl. 82), bem como a DCTF do período de apuração fevereiro/2016 (fl. 83), relativo ao período a que se refere o vencimento erroneamente informado na DCOMP, em que seria possível verificar que não possui qualquer relação com o pagamento ora discutido. Afirmou, com base no princípio da verdade material e nos artigos 142, 145 e 149 do CTN, que no caso de o lançamento ter se baseado em erro, omissão ou inexatidão, deve ser revisto. Sustenta, ainda, que não haveria que se falar em impossibilidade de correção do erro ou inexatidão cometido pela Recorrente na informação da data de arrecadação da guia DARF informada no PER/DCOMP, especialmente porque não traz qualquer modificação acerca da origem ou natureza do indébito tributário. Segue dispondo que, acaso se supere o argumento acima, o débito exigido em razão da não homologação da compensação não seria devido, em razão da impossibilidade de cobrança de estimativas após o encerramento do respectivo ano calendário. Esclarece que o PER/DCOMP em questão pretendeu compensar débito a título de estimativa de IRPJ referente ao período de apuração de abril/2016. Apresentou, então, pedido subsidiário no sentido de que seja reconhecida a impossibilidade de cobrança da estimativa após encerrado o anocalendário. Ao final, requereu, ainda, a realização de diligência e/ou perícia técnica, em atenção ao princípio da verdade material. Fl. 88DF CARF MF 4 Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De início, defendeu o contribuinte em seu Recurso Voluntário que o erro relativo à data do pagamento do DARF poderia ser revisto em observância ao princípio da verdade material e ao disposto nos artigos 142, 145 e 149 do CTN. Pediu, então, o provimento integral do seu Recurso Voluntário, para fins de reconhecer o crédito tributário de COFINS relativo ao período de fevereiro/2005, homologandose a compensação declarada. Entendo que assiste parcial razão ao contribuinte em seu pleito. Consoante restou devidamente descrito acima, a DRJ, em sua decisão, não chegou a se debruçar acerca da liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado, por ter adotado a premissa de que não seria admitida a análise de erros que não tivessem sido corrigidos pelo contribuinte anteriormente ao despacho decisório. Por essa razão, não chegou a analisar o mérito da contenda, relativo à existência ou não do crédito tributário alegado. Ao me debruçar acerca da premissa adotada na decisão recorrida, entendo ter a DRJ se equivocado em seus fundamentos. Isso porque, a legislação pátria não impõe qualquer impedimento para que o contribuinte traga, após o despacho decisório, informações acerca de eventual erro/equívoco constante da sua DCOMP apresentada, em especial no que tange à informação atinente ao DARF indicado na declaração apresentada. A negativa através de despacho eletrônico se justifica, em razão da não identificação do DARF. Contudo, uma vez apontado pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade o erro material detectado pelo mesmo quando do preenchimento da DCOMP, tal falha há de ser averiguada, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. O entendimento da DRJ, portanto, que negou a homologação da compensação tão somente sob o fundamento da impossibilidade de análise de informações que não constaram da DCOMP originalmente enviada, não possui respaldo legal. Tanto que o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, ao analisar tema análogo, discorreu sobre a possibilidade de apresentação de DCTF retificadora após o despacho decisório, caso em que a correção da retificação realizada deverá ser verificada pela fiscalização. É o que se extrai da transcrição a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.911663/201027 Acórdão n.º 3002000.203 S3C0T2 Fl. 88 5 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Entendo que a lógica apresentada no referido Parecer COSIT se estende à situação aqui apreciada. Uma vez identificada e apontada pelo contribuinte, após o despacho decisório, a origem da inconsistência que legou à não homologação da sua DCOMP, a Fl. 90DF CARF MF 6 fiscalização deverá verificar se os argumentos apresentados pelo contribuinte procedem, e não se omitir de fazêlo sob o fundamento de que deveria ter apresentado o pleito corretamente deste a sua origem. Destaquese, inclusive, que, à primeira vista, o equívoco relatado (erro na informação da data de arrecadação da guia DARF) não traz qualquer modificação acerca da origem ou da natureza do débito tributário. Acontece que tal análise não chegou a ser realizada no caso concreto ora apreciado, seja pela DRF, que não chegou a receber a informação acerca do erro no que tange à data de arrecadação do DARF, seja pela DRJ, em razão do equivocada premissa adotada por tal instância de julgamento. Entendo ter a decisão recorrida, ao assim proceder, prejudicado o sujeito passivo, pois, tendo em vista a adoção de premissa equivocada (impossibilidade de análise de erro material detectado após a transmissão da DCOMP), deixou de apreciar o mérito da contenda. E, uma vez constatada tal falha, tornase imperativa a sua correção, com amparo no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. De outro norte, entendo que não seria possível à presente instância de julgamento, ao superar a referida premissa, julgar o mérito da contenda, sob pena de supressão de instância. Sendo assim, tornase imperativo o retorno dos autos à DRJ, inclusive em observância ao princípio da verdade material, para que esta analise a certeza e liquidez do crédito tributário em testilha. Por oportuno, trazse a seguir, acórdãos deste Conselho Administrativo Fiscal, prolatados em casos análogos ao presente: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de erro material do preenchimento da DIPJ com base nos valores recolhidos a título de débito de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada consignados em DARF. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. (Acórdão nº 1803 002.575 de 04/03/2015). *** NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão. (Acórdão nº 3803002.683 de 22/03/2012). Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.911663/201027 Acórdão n.º 3002000.203 S3C0T2 Fl. 89 7 Com fulcro nos fundamentos acima expostos, entendo que deve ser acatado o argumento preliminar do contribuinte de que a decisão recorrida incorreu em erro ao não apreciar os argumentos trazidos pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Como consequência, há de ser dado parcial provimento ao recurso voluntário interposto, tão somente para fins de reconhecer o direito do contribuinte de ter analisado o erro material relativo à data do DARF. Uma vez superada a premissa equivocadamente adotada na decisão recorrida, considerando que a existência do crédito tributário em comento não chegou a ser analisada pela instância anterior, entendo que os autos deverão ser devolvidos à DRJ, para que esta analise a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, evitando assim supressão de instância. Diante do entendimento acima apresentado, tornase despicienda a análise do pedido alternativo apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário acerca da necessidade de conversão do julgamento em diligência e/ou designação de perícia técnica. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de, com fulcro no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, acatar a preliminar de erro suscitada pelo contribuinte e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, tão somente para fins de reconhecer a possibilidade de análise de erros materiais apontados pelo contribuinte após o despacho que não homologou o pedido de compensação, e, por consequência, determinar o retorno dos autos à DRJ, para que profira nova decisão, em que seja analisada a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001711/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/07/2008 a 23/07/2009
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3301-004.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 17 11 /2 01 0- 04 Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10950.001711/201004 Acórdão n.º 3301004.707 S3C3T1 Fl. 1.276 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1216 a 1219) interposto pelo Contribuinte, em 22 de maio de 2014, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 16 56.272 (fls. 1200 a 1205), de 19 de março de 2014, proferido pela 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJ/SP1 – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação (fls. 329 a 349) e não a conhecer no que toca à classificação fiscal dos produtos importados por concomitância na via judicial. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Contra a interessa foram lançados Imposto sobre a Importação II, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, COFINS, PIS, multa regulamentar de um por cento sobre o valor aduaneiro por classificação incorreta e multas por falta de recolhimento de II, de IPI, de COFINS e de PIS no prazo regulamentar, totalizando R$ 4.633.483,09, dos quais teve ciência em 14/04/2010, tendo esses lançamentos ocorrido em função de a fiscalização entender como correta a NCM 8471.80.00 para os aparelhos Nvidia GE Force. A importadora submeteu a despacho as mercadorias por ela descritas nas declarações de importação elencadas nos autos de infração lavrados pela fiscalização como “Nvidia GE Force”, classificando as com a NCM 8473.30.43. A interessada impugnou os lançamentos em maio de 2010, alegando ser correta a classificação fiscal 8473.30.43 para os produtos importados, não ser possível autuação com base em consulta de terceiros, mudança de critério jurídico e multa confiscatória, Posteriormente, em 04/03/2013, apresentou Pedido Administrativo para informar sobre sentença judicial transitada em julgado que reconheceu a classificação 8473.30.43 para os produtos “Nvidia GE Force”. Atendose aos documentos apresentados pela interessada, os quais constam dos autos, notamos que ela pleiteou, em 08/2010, que o Judiciário declarasse que as GPU´s Nvidia GE Force fossem desembaraçadas pela NCM 8473.30.43, conseguindo antecipação de tutela em 04/08/2010 através da Ação Ordinária nº 500198121.2010.404.7003/ PR. A União teve apelação negada em 11/09/2012, quando foi mantida a sentença para a classificação das GPU´s Nvidia GE Force pela NCM 8473.30.43. A interessada pleiteia administrativamente o cancelamento de todos os autos de infração. Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 10950.001711/201004 Acórdão n.º 3301004.707 S3C3T1 Fl. 1.277 3 Tendo em vista a negativa do Acórdão da 24ª Turma da DRJ/SP1 o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1656.272 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser admitido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/07/2008 a 23/07/2009 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação judicial Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Atentese que na decisão recorrida julgouse a impugnação improcedente e não conhecêla, por concomitância no tocante a classificação fiscal dos produtos importados, visto que a classificação estava sendo discutida nos autos da Ação Ordinária nº 500198121.2010.404.7003/PR. No que tange à concomitância não há dissenso entre o Contribuinte e a decisão da DRJ. Vejase o que aponta o Contribuinte no seu recurso em que reforça os argumentos já expostos quando da impugnação (fls.1217): Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10950.001711/201004 Acórdão n.º 3301004.707 S3C3T1 Fl. 1.278 4 Continua o Contribuinte, no sentido de que entende que se concedida a concomitância, não tem razão a administração fiscal em manter a multa e os juros de mora. Observese trechos abaixo (fls. 1218): Diante do pedido feito pelo Contribuinte e da decisão da DRJ no sentido da existência da concomitância, com a correta aplicação da Súmula CARF nº1, a questão do lançamento dos tributos, que no entender da administração fiscal era devido, bem como a multa por classificação incorreta e os juros de mora, entendese que são próprias da atividade vinculada da administração e, com base no art. 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários ou de dispensa ou redução de penalidades. Assim, a questão do lançamento dos tributos devidos, a multa correspondente e os juros de mora, estão afeitos a discussão principal envolvendo a classificação fiscal de bens Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 10950.001711/201004 Acórdão n.º 3301004.707 S3C3T1 Fl. 1.279 5 importados, e esta, já foi objeto de decisão judicial. Com isso posto, votase no sentido de não conhecer do recurso voluntário do Contribuinte. Valcir Gassen Relator Fl. 1279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908207/2009-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 12/11/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 12/11/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente CLINICA PRÓVIDA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 12/11/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 82 07 /2 00 9- 16 Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10983.908207/200916 Acórdão n.º 3002000.129 S3C0T2 Fl. 38 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP 01242.93953.200606.1.3.040601, transmitido em 20/06/2006, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 05), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada da decisão em 29/06/2009, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 13/07/2009 (fl. 02/03), na qual informou que foi retificada a DCTF, referente 4° Trimestre/2004, e entregue em 30/06/2009, com as devidas correções dos débitos do PIS, objetivando comprovar o seu direito creditório. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou apenas cópia da DCTF retificadora à sua Manifestação de inconformidade. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis DRJ/FNS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 . COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 33/35), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que, de acordo com o art. 170 do Código Tributário Nacional c/c Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10983.908207/200916 Acórdão n.º 3002000.129 S3C0T2 Fl. 39 3 o art. 34 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, não haveria vedação legal ao procedimento realizado pela ora recorrente e, assim, devendo ser pressuposta sua validade. Ademais, a recorrente assevera que as leis tributárias somente têm o condão de determinar a forma de sua tributação, porém, sem jamais interferir em sua própria natureza jurídica, a ponto de restringir ou atingir o patrimônio do contribuinte para pagamento de débitos, que não são por ele devido. A recorrente não apresenta mais nenhum documento. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. Assim, desde logo, refuto os argumentos jurídicos apresentados pela recorrente. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10983.908207/200916 Acórdão n.º 3002000.129 S3C0T2 Fl. 40 4 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10983.908207/200916 Acórdão n.º 3002000.129 S3C0T2 Fl. 41 5 No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e, para comproválo, limitouse a juntar cópia da DCTF retificadora, transmitida após a ciência do Despacho Decisório. Dessa forma, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Por isso, entendo que a decisão atacada foi correta. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 41DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729691/2014-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do Fato Gerador: 01/01/2015
SIMPLES. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EXCLUSÃO.
Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples Nacional quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal.
Excluído do Simples Nacional por existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, tem-se o prazo de trinta dias para regularização e permanência da pessoa jurídica como optante do Regime Especial, na forma do artigo 31, § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Ultrapassado o mencionado prazo de regularização, consuma-se, em definitivo, a exclusão.
Comprovado que a recorrente parcelou o débito que deu origem à exclusão do Simples, suspendendo a sua exigibilidade, porém o fazendo após o prazo de regularização, mantém-se a exclusão, porém fica aberta a possibilidade de requerer nova inclusão, atendidos os requisitos legais a serem aferidos em momento e procedimento próprio.
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.204
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do Fato Gerador: 01/01/2015 SIMPLES. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EXCLUSÃO. Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples Nacional quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal. Excluído do Simples Nacional por existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, tem-se o prazo de trinta dias para regularização e permanência da pessoa jurídica como optante do Regime Especial, na forma do artigo 31, § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Ultrapassado o mencionado prazo de regularização, consuma-se, em definitivo, a exclusão. Comprovado que a recorrente parcelou o débito que deu origem à exclusão do Simples, suspendendo a sua exigibilidade, porém o fazendo após o prazo de regularização, mantém-se a exclusão, porém fica aberta a possibilidade de requerer nova inclusão, atendidos os requisitos legais a serem aferidos em momento e procedimento próprio. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio
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EXISTÊNCIA DE DÉBITOS SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EXCLUSÃO. Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples Nacional quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal. Excluído do Simples Nacional por existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, temse o prazo de trinta dias para regularização e permanência da pessoa jurídica como optante do Regime Especial, na forma do artigo 31, § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Ultrapassado o mencionado prazo de regularização, consumase, em definitivo, a exclusão. Comprovado que a recorrente parcelou o débito que deu origem à exclusão do Simples, suspendendo a sua exigibilidade, porém o fazendo após o prazo de regularização, mantémse a exclusão, porém fica aberta a possibilidade de requerer nova inclusão, atendidos os requisitos legais a serem aferidos em momento e procedimento próprio. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 96 91 /2 01 4- 12 Fl. 77DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 52) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 42/45), proferida em sessão de 24/08/2016, consubstanciada no Acórdão n.º 0960.646, da 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação (efl. 2) que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF n.º 960922, de 2014, que excluiu a contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, com efeitos a partir de 1.º de janeiro de 2015, aplicouse o art. 17, inciso V, da Lei Complementar n.º 123, de 2006, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 DÉBITO. EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VEDAÇÃO. É vedada a permanência no SIMPLES NACIONAL de microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal cuja exigibilidade não esteja suspensa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio O ADE/DRF n.º 960922, de 2014, sumariou, em síntese, que a contribuinte estava excluída do Simples Nacional em virtude de possuir débitos deste Regime Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e débitos nãoprevidenciários na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com exigibilidade não suspensa (Períodos de Apuração 02/2013 e 03/2014), aplicandose o disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar n.º 123, de 2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. No mesmo ato foi informado que poderia se tornar sem efeitos a exclusão, caso a totalidade dos débitos fossem regularizados no prazo de trinta dias. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11080.729691/201412 Acórdão n.º 1002000.204 S1C0T2 Fl. 78 3 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, tendo alegado, em suma, que os débitos apontados estavam todos devidamente quitados, conforme Documentos de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) que instruíam à manifestação. Ao final da impugnação requereu o cancelamento da ADE/DRF n.º 960922, de 2014. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ. No recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, diferentemente dos fatos alegados na impugnação, a recorrente informou que o débito existente na PGFN havia sido pago e, por isso, extinto em 16/05/2016, e que os débitos decorrentes das Guias do Simples Nacional e Previdência Social estavam sendo objeto de solicitações de parcelamento. Pediu, nessa esteira, a manutenção do contribuinte no SIMPLES e o cancelamento do ato de exclusão. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário apresentase tempestivo (efls. 49 e 52 – ciência do acórdão em 05/10/2016 e protocolo do recurso em 20/10/2016), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, apesar de tratar de exclusão do Simples Nacional, por existência de débito com exigibilidade não suspensa, o crédito tributário não é exigido nestes autos, a vinculação a ele é indireta e não há vinculação entre os processos, para fins do art. 6.º, § 1.º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples Nacional, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. No mérito, não assiste razão a recorrente. Aliás, a matéria ventilada no recurso voluntário, em tese, estaria alcançada pela preclusão, haja vista ser estranha àquela circunscrita pela contribuinte em sua impugnação. Todavia, por se tratar de matéria decorrente de fato novo, um alegado parcelamento posterior, inclusive com juntada de documentos inexistentes à época do protocolo tempestivo da manifestação contra o ADE/DRF nº 960922, de 2014, entendo aplicável o disposto no artigo 16, § 4º, alínea "b", do Decreto nº 70.235/72, para admitir o debate. Pois bem. No primeiro momento, ao impugnar o ADE, a contribuinte negou a existência dos débitos, informando têlos pago, conforme DAS que instruíam à manifestação. No entanto, como a documentação não apresentava idoneidade suficiente Fl. 79DF CARF MF 4 para provar a quitação dos débitos, a DRJ afastou a tese de pagamento, reconhecendo a existência de débitos, o que justificava a exclusão do regime diferenciado. Já no recurso voluntário, como acima explicitado, a recorrente apresentou fatos novos, defendendo o cancelamento da ADE em função de quitação superveniente dos débitos perante a PGFN e do pedido de parcelamento daqueles débitos existentes perante a Previdência Social. Todavia, o pagamento e/ou parcelamento superveniente, feito intempestivamente, não justifica o cancelamento desse. É que ultrapassado o prazo de trinta dias, consolidase, em definitivo, a exclusão, sem prejuízo de poder haver a postulação de novo ato de inclusão, embora deva ser tratado como um ato autônomo e independente a ser considerado em momento e procedimento próprio. Em casos tais, nos quais o contribuinte promove o pagamento ou parcela os débitos que ensejaram a exclusão em momento posterior à lavratura do ADE, a exclusão mantém sua higidez, não havendo que se falar no seu cancelamento, pois o ato foi legal. Nada impede, todavia, que o contribuinte seja reintegrado ao regime especial, devendo fazêlo na via competente, não cabendo ao presente Egrégio Conselho referida conduta. Nessa esteira, cito o acórdão nº 1301000.853, da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária deste Conselho Administrativo, proferido na sessão de 15 de março de 2012, cuja ementa ficou assim sintetizada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário:2010 SIMPLES. DÉBITO SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NO MOMENTO DA EXCLUSÃO. POSTERIOR PARCELAMENTO E CONSEQUENTE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. MANTIDO O ATO DE EXCLUSÃO E AFIRMADA A POSSIBILIDADE DE NOVA INCLUSÃO NO SIMPLES. Comprovado que a recorrente parcelou o débito que deu origem à exclusão do SIMPLES, suspendendo a sua exigibilidade, de rigor manterse a exclusão para o período em que se constatou a existência de débito sem suspensão da exigibilidade e assentarse a possibilidade de nova inclusão a partir do parcelamento. Com efeito, à luz da documentação constante nos autos e conforme afirmativas da contribuinte em sua própria impugnação, resta demonstrado que o sujeito passivo, por ocasião de sua exclusão, na forma do ADE em referência, de fato se encontrava com débitos sem exigibilidade suspensa, circunstância que resulta na correta exclusão, para os fins do inciso V do art. 17, inciso I do art. 29, inciso II do caput e § 2.º do art. 30 todos da Lei Complementar n.º 123, de 2006. Por fim, os fundamentos levantados pelo recorrente não são capazes de infirmar as razões de decidir da DRJ, que sequer são rebatidos a contento no recurso voluntário, pelo que não merece reparos a decisão vergastada. Efetivamente, o recurso voluntário não estabeleceu qualquer dialeticidade no que diz respeito a decisão recorrida para objetivar refutála. De fato, o Recurso Voluntário não enfrenta as razões de decidir da decisão a quo. A motivação da decisão da DRJ não foi desconstituída. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11080.729691/201412 Acórdão n.º 1002000.204 S1C0T2 Fl. 79 5 Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Registro, todavia, a possibilidade de nova inclusão na sistemática do SIMPLES a partir da suspensão da exigibilidade dos débitos, embora o assunto deva ser tratado por meio próprio. Nestes autos cabe exercer o controle de legalidade do ADE e não vejo reparos no ato administrativo, pelo que a exclusão se consumou a tempo e modo, sendo ato juridicamente perfeito, aplicouse adequadamente o direito para o fato observado naquele momento. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.724407/2011-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PESSOA FÍSICA QUE EXERCE ATIVIDADE ECONÔMICA POR CONTA PRÓPRIA. PROFISSÃO REGULAMENTADA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. MÚLTIPLAS FONTES PAGADORAS. DEVER DE GUARDA DOS DOCUMENTOS PELA FONTE. LEI DAS LICITAÇÕES. NORMA GERAL QUE NÃO AFASTA A NORMA ESPECÍFICA DE CUSTEIO. CONSELHEIROS TUTELARES. REGIME PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE PROVAS.
1. As pessoas físicas que exercem, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não, são seguradas obrigatórias da previdência social.
2. O contribuinte individual que auferir remunerações no mês em montante superior ao limite máximo do salário-de-contribuição deverá informar o fato à fonte pagadora, mediante apresentação de documento.
3. A fonte pagadora deverá manter arquivada, à disposição da RFB, a respectiva documentação comprobatória.
4. O art. 71 da Lei 8666/93 é uma disposição geral que não dispensa as obrigações específicas contidas na Lei 8212/91, seja no que atina à quota patronal, seja no que atina à quota do segurado.
5. O recorrente não provou que os conselheiros tutelares que enumerou estariam sob um regime próprio. Quer dizer, caso fosse possível acatar as suas alegações, o sujeito passivo deveria demonstrar quem seriam os conselheiros tutelares e também a existência de regime previdenciário próprio.
Numero da decisão: 2402-006.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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PESSOA FÍSICA QUE EXERCE ATIVIDADE ECONÔMICA POR CONTA PRÓPRIA. PROFISSÃO REGULAMENTADA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. MÚLTIPLAS FONTES PAGADORAS. DEVER DE GUARDA DOS DOCUMENTOS PELA FONTE. LEI DAS LICITAÇÕES. NORMA GERAL QUE NÃO AFASTA A NORMA ESPECÍFICA DE CUSTEIO. CONSELHEIROS TUTELARES. REGIME PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE PROVAS. 1. As pessoas físicas que exercem, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não, são seguradas obrigatórias da previdência social. 2. O contribuinte individual que auferir remunerações no mês em montante superior ao limite máximo do saláriodecontribuição deverá informar o fato à fonte pagadora, mediante apresentação de documento. 3. A fonte pagadora deverá manter arquivada, à disposição da RFB, a respectiva documentação comprobatória. 4. O art. 71 da Lei 8666/93 é uma disposição geral que não dispensa as obrigações específicas contidas na Lei 8212/91, seja no que atina à quota patronal, seja no que atina à quota do segurado. 5. O recorrente não provou que os conselheiros tutelares que enumerou estariam sob um regime próprio. Quer dizer, caso fosse possível acatar as suas alegações, o sujeito passivo deveria demonstrar quem seriam os conselheiros tutelares e também a existência de regime previdenciário próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 44 07 /2 01 1- 09 Fl. 120DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13888.724407/201109 Acórdão n.º 2402006.124 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AI) em face do sujeito passivo: (a) AI 37.349.2448, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, parte patronal, inclusive o adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; (b) AI 37.349.2456, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, parte dos segurados. Os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas/creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais no período de 01/2007 a 12/2008. Esses pagamentos foram declarados em DIRF, código 0588 – Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício, sem a correspondente declaração em GFIP. A partir de 06/2007, a alíquota RAT foi alterada de 1% para 2%, em razão da nova redação dada ao Anexo V do Decreto 3048/99 pelo Decreto 6042/07, mas o sujeito passivo continuou utilizando o percentual de 1%. Haja vista que a MP 449/08, convertida na Lei 11941/09, introduziu modificações na penalidade a ser aplicada para a de falta de recolhimento e para a falta de declaração ou declaração inexata, a autoridade lançadora, após proceder, por competência, às comparações devidas, aplicou a multa de 75% para todas as competências, por ser a mais benéfica ao sujeito passivo. O contribuinte apresentou impugnação alegando basicamente o seguinte: a) o presente processo deve ser apensado ao Processo nº 13.888.724.438/201151, ante a existência de conexão entre ambos; b) os valores pagos a Ana Cristina Barranco e João Luiz Melikardi são relativos aos aluguéis de imóvel, e não a contraprestação de serviços prestados, conforme demonstram os documentos constante do processo. Portanto, indevida a retenção; c) os pagamentos efetuados a Arnaldo Annicchino Nacaratto referemse a serviços médicos de ultrasonografia contratados mediante procedimento licitatório. Ainda que fosse devida a retenção, referido profissional já contribui sobre o valor do teto, pois também exerce a função de vereador junto a Câmara Municipal de CapivariSP; d) os pagamentos efetuados a Aurora Alves de Souza, João Lino de Oliveira, Mário César Franco Júnior, Jadeilma Soares dos Santos e Fátima Fl. 122DF CARF MF 4 Aparecida Rodrigues Scarso referemse à remuneração de conselheiros tutelares, que tem o seu regime diferenciado, através da legislação própria, que não prevê os recolhimentos exigidos em questão, conforme demonstra a Lei Municipal nº 2.545/2009; e) os pagamentos efetuados a Luiz Carlos Chiarini são relativos a honorários advocatícios, contratados mediante procedimento licitatório, e os efetuados a Lourenço Corsi são relativos a serviços de orientação técnica na área de engenharia civil. Em ambos os casos, tratase de contratação de serviços com exercício de profissão regulamentada e executados pessoalmente. Portanto, indevida a retenção; f) a retenção sobre os valores pagos a Luiz Carlos Forti, relativos a serviços de informática, é indevida, pois ele já contribui sobre o teto, já que trabalha na PUC –Pontifícia Universidade Católica de Campinas; g) a retenção sobre os valores pagos a Emerson Dal Fabro, relativos a serviços de lavagem de veículos do Município, é indevida, pois ele já contribui sobre o teto; h) em relação aos serviços prestados mediante regular procedimento licitatório, o próprio artigo 71 da Lei nº 8.666 estabelece que o contratado é o responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato; i) todas as prestações de serviços foram realizadas por profissional com profissão regulamentada, o que torna indevida a exigência; j) é indevida a inclusão no auto de infração, de todos os pagamentos constantes das planilhas em anexo, relativas aos exercícios de 2007 a 2010, uma vez que não se constituem em base de cálculo de contribuição social; k) eventuais omissões ocorridas quando da prestação de informações previdenciárias ao Fisco não se deram por máfé, e sim pela falha do sistema de informática implantando, ou pelo simples descuido ou desconhecimento do servidor encarregado de prestar as informações; l) requer o acolhimento da defesa apresentada para que os autos de infração sejam cancelados e determinado o arquivamento do processo, ou ainda, para que sejam retificados, com a exclusão dos valores que neles foram incluídos indevidamente. A este processo encontrase apensado o processo nº 13.888.724.438/201151. A impugnação foi julgada parcialmente procedente, conforme decisão assim ementada: CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RETENÇÃO DOS 11%. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13888.724407/201109 Acórdão n.º 2402006.124 S2C4T2 Fl. 4 5 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRATO COM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RETENÇÃO DOS 11%. DEVIDA. A responsabilidade do contratado pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais decorrentes da execução do contrato, prevista na Lei das Licitações e Contratos Públicos, não elide a obrigação da empresa contratante de efetuar a retenção de 11% sobre o valor pago ao contribuinte individual, prevista no artigo 4º da Lei nº 10.666/2003. Aquela é relativa à contribuição devida pela empresa, enquanto esta é relativa à contribuição devida pelo segurado contribuinte individual. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. MEMBRO DE CONSELHO TUTELAR. Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de contribuinte individual, o membro do conselho tutelar de que trata o art. 132 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, quando remunerado. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PROFISSÃO REGULAMENTADA. RETENÇÃO DOS 11%. DEVIDA. A dispensa da contratante de efetuar retenção quando o serviço for prestado por profissional com profissão regulamentada é relativa aos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, conforme previsto no artigo 120 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, diversa, portanto, da retenção prevista no artigo 4º da Lei nº 10.666/2003. Aquela é relativa à contribuição devida pela empresa, enquanto esta é relativa à contribuição devida pelo segurado contribuinte individual. (como no original) O montante exonerado não desafiou a interposição de recurso de ofício. Intimada da decisão em 30/05/2012, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 27/06/2012, no qual apenas reafirmou os fundamentos de sua impugnação. O julgamento do feito foi convertido em diligência. Isso porque, no processo em apenso, igualmente se converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal verificasse se houve impugnação específica para os lançamentos efetuados em seu bojo. Conforme se vê às fls. 115/118 deste PAF, o contribuinte foi intimado para prestar esclarecimentos, mas não se manifestou. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 No mérito Resumidamente, o sujeito passivo defende a inexigibilidade das contribuições argumentando (a) que elas não incidiriam sobre profissões regulamentadas; (b) que determinadas retenções seriam indevidas, porque os profissionais já teriam efetuado os recolhimentos sobre o teto; (c) que, para os profissionais contratados mediante licitação, a responsabilidade seria dos próprios prestadores; (d) que os conselheiros tutelares que enumerou estariam sob um regime próprio; e (e) que teria havido a inclusão indevida de valores na base de cálculo dos lançamentos. Equivocouse o contribuinte. Na dicção do inc. V do art. 12 da Lei 8212/91, são segurados obrigatórios da previdência social, como contribuintes individuais, as pessoas físicas que exercem, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não. O fato de a profissão ser regida por uma legislação própria, a exemplo dos advogados, contabilistas, médicos, psicólogos, etc, não afasta a circunstância de a referida profissão ser exercida por uma pessoa física, por conta própria, sujeitandose, portanto, ao comando legal previdenciário, mesmo porque as diferentes regulamentações cuidam mais de aspectos técnicos, disciplinares, orgânicos, etc, e não dos seus efeitos previdenciários. Por outro lado, a eventual existência de múltiplas fontes pagadoras e de recolhimentos das contribuições da parte do segurado por montante igual ou superior ao limite máximo não é ignorada pela legislação. O contribuinte individual que auferir remunerações no mês em montante superior ao limite máximo do saláriodecontribuição deverá informar o fato à fonte pagadora, mediante apresentação de documento. A fonte pagadora deverá manter arquivada, à disposição da RFB, a respectiva documentação comprobatória, como demonstra o § 6º abaixo reproduzido. Art. 67. O contribuinte individual que prestar serviços a mais de uma empresa ou, concomitantemente, exercer atividade como segurado empregado, empregado doméstico ou trabalhador avulso, quando o total das remunerações recebidas no mês for superior ao limite máximo do saláriodecontribuição deverá, para efeito de controle do limite, informar o fato à empresa em que isto ocorrer, mediante a apresentação: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13888.724407/201109 Acórdão n.º 2402006.124 S2C4T2 Fl. 5 7 I do comprovante de pagamento ou declaração previstos no § 1º do art. 64, quando for o caso; II do comprovante de pagamento previsto no inciso V do art. 47, quando for o caso. § 1º O contribuinte individual que no mês teve contribuição descontada sobre o limite máximo do saláriodecontribuição, em uma ou mais empresas, deverá comprovar o fato às demais para as quais prestar serviços, mediante apresentação de um dos documentos previstos nos incisos I e II do caput. § 2º Quando a prestação de serviços ocorrer de forma regular a pelo menos uma empresa, da qual o segurado como contribuinte individual, empregado ou trabalhador avulso receba, mês a mês, remuneração igual ou superior ao limite máximo do saláriode contribuição, a declaração prevista no inciso I do caput, poderá abranger um período dentro do exercício, desde que identificadas todas as competências a que se referir, e, quando for o caso, daquela ou daquelas empresas que efetuarão o desconto até o limite máximo do saláriodecontribuição, devendo a referida declaração ser renovada ao término do período nela indicado ou ao término do exercício em curso, o que ocorrer primeiro. § 3º O segurado contribuinte individual é responsável pela declaração prestada na forma do inciso I do caput e, na hipótese de, por qualquer razão, deixar de receber a remuneração declarada ou receber remuneração inferior à informada na declaração, deverá recolher a contribuição incidente sobre a soma das remunerações recebidas das outras empresas sobre as quais não houve o desconto em face da declaração por ele prestada, observados os limites mínimo e máximo do saláriode contribuição e as alíquotas definidas no art. 65. § 4º A contribuição complementar prevista no § 3º, observadas as disposições do art. 65, será de: I 11% (onze por cento) sobre a diferença entre o saláriode contribuição efetivamente declarado em GFIP, somadas todas as fontes pagadoras no mês, e o saláriodecontribuição sobre o qual o segurado sofreu desconto; ou II 20% (vinte por cento) quando a diferença de remuneração provém de serviços prestados a outras fontes pagadoras que não contribuem com a cota patronal, por dispensa legal ou por isenção. § 5º O contribuinte individual deverá manter sob sua guarda cópia das declarações que emitir na forma prevista neste artigo juntamente com os comprovantes de pagamento, para fins de apresentação ao INSS ou à RFB, quando solicitado. § 6º A empresa deverá manter arquivadas, à disposição da RFB, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, cópias dos comprovantes de pagamento ou a declaração apresentada Fl. 126DF CARF MF 8 pelo contribuinte individual, para fins de apresentação ao INSS ou à RFB, quando solicitado. Logo, em não havendo prova, por parte do sujeito passivo, de que os profissionais tenham efetuado o recolhimento das contribuições, parte do segurado, pelo teto, não há como acolher o recurso nesse particular. De outro vértice, o art. 71 da Lei 8666/93 é uma disposição geral que não dispensa as obrigações específicas contidas na Lei 8212/91, seja no que atina à quota patronal, seja no que atina à quota do segurado (vide art. 30 da Lei 8212/91 e art. 4º da Lei 10666/03). Ainda, o recorrente não provou que os conselheiros tutelares que enumerou estariam sob um regime próprio. Quer dizer, caso fosse possível acatar as suas alegações, o sujeito passivo deveria demonstrar quem seriam os conselheiros tutelares e também a existência de regime previdenciário próprio. Por fim, o sujeito passivo fez uma mera alegação genérica de que teria havido a inclusão indevida de valores na base de cálculo dos lançamentos. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932260/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli); ausentes justificadamente Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: 04845811391 - CPF não encontrado.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli); ausentes justificadamente Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado 1 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp, transmitidas, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para compensação de débitos. O crédito provém do recolhimento em 28/12/2006, de R$ 287.190,30 de 248401 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal, do mês 11/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 32 26 0/ 20 09 -5 0 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10980.932260/200950 Resolução nº 1201000.421 S1C2T1 Fl. 3 2 2. O Despacho Decisório DD não homologou a compensação declarada porque: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. E exige o total de débitos não compensados, com juros e multa de mora. 4. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA emitiu o Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006 PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. PGTO INDEVIDO OU A MAIOR. PARCELA ESTIMATIVA IRPJ. NECESSIDADE DE DEDUÇÃO COM O DEVIDO NO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU COMPOR O SALDO NEGATIVO. VIGÊNCIA IN SRF 600/2005. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. 5. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. 6. Assevera que a DIPJ e DCTF comprovam o pagamento a maior da estimativa mensal; que a aplicação da IN SRF nº 600, de 2005, não tem sido recepcionada nas instâncias superiores de julgamento. 7. Descreve que, tanto as pessoas jurídicas como as pessoas físicas fazem a consolidação da renda auferida durante o ano para, conforme determinações legais, fazer o cálculo do ajuste anual do imposto devido ou imposto a ser restituído e compensado; que, para facilitar a gestão desses tributos, inclusive beneficiando o fluxo de caixa das empresas e do próprio Governo Federal, foi criada a sistemática de recolhimento antecipado do IRPJ e da CSLL, no regime de estimativas mensais pelo qual as Pessoas Jurídicas ficaram obrigadas a ANTECIPAR mensalmente valores de Imposto de Renda/ CSLL; e, uma vez apuradas e pagas as estimativas mensais, caso no final do período o imposto devido seja inferior ao recolhido mensalmente, o contribuinte poderá utilizar esse valor pago a maior na forma de "saldo negativo" do imposto/contribuição; e se o contribuinte recolher um valor a maior do que a estimativa apurada, é certo que esse pagamento será indevido, podendo o valor excedente ser restituído ao contribuinte. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.932260/200950 Resolução nº 1201000.421 S1C2T1 Fl. 4 3 8. Frisa que o pagamento indevido não está condicionado ao período de apuração anual, mas decorre do pagamento do imposto em valor superior ao efetivamente apurado para determinada estimativa. 9. Argumenta que, como esses pagamentos a maior não foram utilizados para a compensação das estimativas subsequentes e nem para a composição do saldo negativo do período, é líquido e certo o direito da Recorrente em utilizálos na compensação de outros tributos. 10. Aponta ilegalidade da IN SRF nº 600, de 2005, dado que, conforme comando inserto no art. 165 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributaria aplicável; da mesma forma, o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, garante a restituição de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, cujo recolhimento tenha se mostrado superior ao exigível. 11. Transcreve Acórdãos do CARF e de DRJ em apoio à sua tese. 12. Reportase à IN SRF nº 900, de 2008, que veio corrigir o cenário, permitindo a compensação de pagamentos indevidos e não a condicionando ao uso dos valores na composição do saldo negativo, pois suprimiu o art. 10 da IN anterior; as autoridades administrativas passaram a decidir pela aplicação retroativa da IN SRF nº 900, de 2008. 2 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.417, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10980.934190/200974, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório requerido no presente processo tem como origem o DARF recolhido em 28/12/2006 , relativo ao 248401 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal, no valor de R$ 287.190,30. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.417): "2.1 LOTE. 13. O processo nº 10980.934190/200974, foi elaborado visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos nos demais processos do Lote; são eles, conforme pesquisa no sistema eprocesso: 10980.932255/200947 10980.932260/200950 10980.932256/200991 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.932260/200950 Resolução nº 1201000.421 S1C2T1 Fl. 5 4 10980.932258/200981 10980.934191/200919 10980.932263/200993 10980.934189/200940 14. Verificouse que tanto os despachos decisórios como os Acórdãos DRJ destes processos que compõem o lote são de teor idêntico. 2.2 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. VALOR INDEVIDO OU A MAIOR. 15. A IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determinava que: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. 16. O art supra foi suprimido pela IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005. 17. E a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19 de 5 de dezembro de 2011, explicitou que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005.A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10980.932260/200950 Resolução nº 1201000.421 S1C2T1 Fl. 6 5 originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa.Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 18. Na sessão realizada em 10/12/2012, foi aprovada pela Primeira Turma da CSRF a Súmula CARF nº 84: Súmula Acórdãos paradigma Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 1101 00.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. 19. Reproduzse a seguir excertos do Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009, um dos que foram paradigma para a Súmula: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerente ao pedido de compensação formulada pelo contribuinte, inclusive no que se refere a correção das retificações de declaração e ao eventual aproveitamento do citado credito ao final do ano calendário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) No caso, entendo não ser possível homologar, desde já, a compensação declarada pelo Contribuinte, urna vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a da restituibilidade (ou não) da estimativa recolhida a maior . Tendo em vista que o Recorrente em um primeiro momento calculou em R$ 4.668.087,16 o valor de sua obrigação de antecipar a CSLL, no mês de junho de 2002 e, depois, informou que, por novo cálculo, referido valor seria de R$ 2.559.397,53, entendo que os referidos valores devem ser confirmados ou infirmados pela Fiscalização, para, somente após, haver a homologação do pleito do Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10980.932260/200950 Resolução nº 1201000.421 S1C2T1 Fl. 7 6 conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerentes ao pedido de Compensação formulado pelo Contribuinte, no que se refere à correção das retificações de declaração e ao (eventual) aproveitamento do citado credito no ajuste do anocalendário. (Grifouse.) 20. À vista do exposto, evidenciase pacificada a questão quanto à possibilidade de restituição/compensação de valor recolhido indevidamente ou a maior de estimativas mensal. 2.3 DIREITO CREDITÓRIO. 21. O valor requerido se refere a estimativa mensal informada no processo nº [...] como tendo sido recolhida em [...], via DARF, no valor total de [...], mas cujo comprovante de arrecadação não consta do processo, e tampouco foi objeto de verificação/confirmação. O contribuinte anexou a Ficha 11 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário e a ficha de totalização dos tributos e contribuições apurados no mês, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referentes à estimativa em pauta, ambas retificadoras. As datas de transmissão de todas as peças do processo são: a. PER/Dcomp [...]; b. DIPJ retificadora [...]; c. DCTF retificadora [...]; d. ciência do despacho decisório [...], portanto as declarações supra foram espontâneas. 22. Sobre declarações retificadoras, determina a IN SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1º A retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. (...) § 2º A declaração retificadora referida neste artigo: I terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF No 094, de 24 de dezembro de 1999; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Art. 2º A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais DCTF, deverá Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10980.932260/200950 Resolução nº 1201000.421 S1C2T1 Fl. 8 7 apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. Art. 3º Quando a retificação da declaração apresentar imposto maior que o da declaração retificada, a diferença apurada será devida com os acréscimos correspondentes. Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. 23. Consoante a IN SRF nº 166, de 1999, as declarações retificadoras substituem integralmente as originais, produzindo os mesmos efeitos; verificase que foram espontâneas, pois entregues antes da ciência do despacho decisório. 24. Porém, em se tratando do reconhecimento de direito creditório, e como a discussão se ateve ao direito ou não ao crédito referente a estimativa recolhida a maior ou indevidamente, verificase que não houve em momento algum a análise visando confirmar o direito creditório requerido. 25. Consta da DIPJ [...], da qual a Ficha [...], foi anexada, que a forma de determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução; eis que neste caso, na apuração da estimativa de cada mês, se deduz os valores de IRPJ /CSLL, respectivamente, devidos nos meses anteriores do mesmo ano, assim como os valores de IRPJ/CSLL, respectivamente, retidos na fonte. 26. Verificase no sistema eprocesso que constam para relatar 8 (oito) processos do contribuinte distribuídos para esta Turma, que requerem créditos de estimativas de recolhimento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, dos anoscalendário 2006 e 2005. 27. É necessário que sejam analisados todos os PER/Dcomp destes processos (sendo que pode haver ainda outros processos de teor análogo distribuídos a outras Turmas do CARF ou ainda nas DRJ's), que tratem dos mesmos créditos ou não, mas que sejam referentes a estes anoscalendário. 28. Há necessidade que: a. se confirmem os recolhimentos das estimativas que o contribuinte considera recolhidas a maior ou indevidamente, sendo que parte delas pode ter sido objeto de compensações (verificase que em algumas partes de DCTF anexadas nos processos do lote consta que o pagamento se deu mediante "Outras compensações", sem informar o PER/Dcomp onde tal compensação teria sido declarada), que devem ser verificadas; b. se refaçam as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; c. consta da DIPJ que a determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, cabe portanto Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10980.932260/200950 Resolução nº 1201000.421 S1C2T1 Fl. 9 8 verificar ao menos por amostragem, se os dados da DIPJ efetivamente se baseiam em Balanços/Balancetes constantes da contabilidade do contribuinte; d. se verifique se eventuais saldos negativos anuais resultantes já não teriam sido objeto de Per/Dcomp; e. emitir Parecer acerca do pedido constante do PER/Dcomp em epígrafe, informando se e qual o valor do recolhimento indevido ou a maior da estimativa efetivamente recolhida ou compensada caracteriza crédito de recolhimento indevido ou a maior, passivel de ser reconhecido para compensação, em que a data do direito creditório deva ser computada a partir da respectiva data do recolhimento. f. cientificar o contribuinte, facultandolhe a apresentação de contestação. 3. Conclusão. Voto pela realização da diligência descrita no voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721226/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 31/12/2004, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 31/07/2007
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 31/12/2004, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 31/07/2007
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Semíramis de Oliveira Duro (Relatora), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini acompanhou a divergência pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Redator designado.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 31/12/2004, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 31/07/2007 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2003 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 31/12/2004, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 31/07/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso voluntário negado.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 31/12/2004, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 31/07/2007 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 31/12/2004, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 31/07/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 12 26 /2 00 7- 01 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 283 2 Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Semíramis de Oliveira Duro (Relatora), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini acompanhou a divergência pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho – Redator designado. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, por bem descrever os fatos: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 08 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins nos períodos de 01/06/2003 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 31/12/2004, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 31/07/2007, exigindo selhe contribuição de R$187.201,81, multa de ofício de R$140.401,28 e juros de mora de R$55.105,44, perfazendo o total de R$382.708,53. Igualmente foi lavrado auto de infração de fls.22 em virtude da falta de recolhimento do PIS, exigindo a contribuição de R$ 55.668,84, multa de ofício de R$ 41.751,44 e juros de mora de R$ 21.229,23, perfazendo um total de R$ 118.649,51. O enquadramento legal encontrase a fls. 10/11 e 104. Cientificada em 08/12/2007, a interessada apresentou em 04/12/2008 a impugnação de fls. 152/165 e 113/114, na qual alegou: 1. É cediço ser a atividade do ente estatal norteada pelos princípios e garantias constitucionais. Neste passo, se observa imprescindível à deferência ao famigerado princípio da segurança jurídica, posto que consagra o "mínimo de previsibilidade necessária que o estado de Direito deve oferecer a todo cidadão, a respeito de quais são as normas de convivência que ele deve observar e com base nas quais pode travar relações jurídicas válidas e eficazes". 2. Ocorre que, conforme evidenciado no Termo de Encerramento do aludido auto de infração, as supostas irregularidades constatadas no cumprimento das obrigações tributárias foram levadas a efeito mediante Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 284 3 procedimento de amostragem, pelo qual se verifica apenas de forma aleatória alguns documentos e livros da empresa autuada. Procedendose, pois, a autuação que não traduz a realidade contributiva do ora requerente, resultando em mera presunção relativa de rendimentos, pelo que afrontou de todo a garantia constitucional da segurança jurídica. 3. O princípio da segurança jurídica se reveste de verdadeiro consectário da dignidade da pessoa humana e da estabilidade nas relações sociais, sendo inadmissível que o direito do contribuinte flutue ao sabor de interpretações jurídicas variáveis. Nesse sentido, assevera Celso Antônio Bandeira de Mello: "A estabilidade da decisão administrativa é uma qualidade do agir administrativo, que os princípios da Administração Pública impõem" Desta forma, se mostra inconteste que, em havendo a possibilidade de se verificar os rendimentos da empresa por seus livros e documentos todos estes devem ser examinados, de forma a concluir de forma exaustiva pelo real faturamento da empresa fiscalizada. Ora, o procedimento de amostragem se mostra completamente desarrazoado haja vista conferir apenas uma probabilidade de rendimentos, verdadeira presunção relativa, a qual, no presente caso, não denota a realidade contributiva da empresa referida. 4. Desta forma, por tudo quanto exposto, se mostra, extreme de dúvidas, a ausência de observância à supra aludida garantia constitucional, qual seja a famigerada segurança jurídica, o que inquina de nulidade absoluta o auto de infração guerreado. 5. Quanto ao mérito da autuação, a ora Impugnante tem incluído indevidamente na base de cálculo das referidas contribuições valores a título de ICMS, pelo que sempre efetuou o pagamento a maior do Pis e da Cofins. 6. Neste passo, considerandose como base de cálculo das contribuições o "faturamento", os valores relativos ao ICMS devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS, vez que as mesmas não podem incidir sobre valores não recebidos, sem qualquer expressão econômica. 7. Como a Impetrante sempre efetuou indevidamente o recolhimento da Cofins e do Pis a maior, ou seja, considerando os valores das inadimplências na base de cálculo, possui a mesma, o direito de proceder à compensação de seus créditos tributários oriundos do recolhimento equivocado das referidas contribuições, com seus débitos vincendos de demais tributos arrecadados pela Secretaria da Receita Federal. 8. Ressaltese ainda que o conceito de faturamento diz respeito aos valores que efetivamente ingressaram nos cofres da empresa, de forma que não se pode entender como faturamento operação que não resultou em repercussão patrimonial. 9. É necessário que haja identidade entre o fato jurídico da base de cálculo e o fato jurídico tributário, sendo este o antecedente e aquele o consequente da norma que, conjugado à alíquota, representará o critério material do tributo. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 285 4 10. Assim, a base de cálculo das contribuições jamais poderá englobar valores não recebidos, que não ingressaram nos cofres da contribuinte, já que os tributos incidem sobre o faturamento ou a receita, sob pena de desvirtuar a estrutura fenomênica da exação. 11.Desta forma, com base no conceito de faturamento, se revela de todo inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo do Pis e da Cofins. 12. É que, como já afirmado, nos moldes da Lei Complementar n° 70/91 e 07/70 instituidoras respectivamente da Cofins e do Pis, as contribuições incidem sobre o faturamento mensal pela venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. 13. Ou seja, apenas pela interpretação literal dos referidos regulamentos se verifica que o ICMS não é abrangido pelo conceito de faturamento, afinal nenhum agente econômico fatura imposto. O valor do ICMS só configura uma entrada de dinheiro e não receita da empresa, e mais representa uma receita do Estado, por isso, o valor do imposto é registrado em livros para fim contábilfiscal. 14. No entanto, em 30 de novembro de 1998, foi publicada no Diário Oficial da União a Lei Ordinária n° 9.718, que, entre outras providências, alargou a base de cálculo das referidas contribuições fazendoas incidir sobre a receita bruta. 15.Entretanto tal Lei não encontra respaldo na ordem constitucional vigente, vez que não possui legitimidade para proceder às alterações na base de cálculo das contribuições. Aliás, mesmo em se considerando a base de cálculo como a receita bruta, ainda assim deverá ser excluído o ICMS, afinal não pode o tributo ser considerado "receita da empresa". 16. Ultrapassada a controvérsia acerca dos conceitos de receita e faturamento, e quer se considere a base de cálculo das contribuições como "faturamento", quer se considere como "receita", os valores relativos ao ICMS devem ser excluídos quando da apuração do PIS e da COFINS, já que não constituem venda de mercadorias ou serviços, tampouco receita da empresa. 17. Neste passo, se verifica que a jurisprudência tem assentado entendimento no sentido de repelir o englobamento de parcelas que não constituem efetivamente faturamento, na base de cálculo das contribuições. 18. É que, são as Leis Complementares n° 70/91 e a 07/70 que disciplinam a base de cálculo para a cobrança da COFINS e do PIS sobre o faturamento mensal, fixando o campo de incidência dado pelo art. 195, I, da Carta Magna. Desse modo, não pode uma Lei Ordinária alterar Lei Complementar quiçá para ampliar a incidência da base de cálculo das contribuições, conforme determina o art. 146, III, "a" e "b", da Constituição Federal a lei complementar é essencial. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 286 5 19. Ademais, ainda há mais um vício insanável de que padece a Lei 9.718/98, é a falta de suporte constitucional para fixação da nova base de cálculo. Ora, quando da edição da Lei Ordinária n° 9.718, 28/11/1998, o art. 195 da Constituição Federal, que autoriza a instituição desse tipo de contribuição, somente admitia a cobrança de contribuição social sobre a folha de salários, sobre o faturamento e sobre o lucro. Portanto, a Lei n° 9.718 pretendeu fazer incidir a contribuição sobre a totalidade das receitas em evidente afronta ao mandamento constitucional, vigente à época. 20. Observese, entretanto, que apenas 20 dias após a publicação da Lei, é que foi editada Emenda Constitucional n° 20/98, que alterou a constituição, e deu suporte constitucional ao alargamento da base de cálculo. 21. O Poder Constituinte identifica, dentre todos os atos, fatos e situações jurídicas possíveis, aquelas em que há produção de riqueza para sobre elas instituir tributos. Sendo assim, a consequência lógica desta premissa é que apenas a riqueza produzida por estes atos, fatos ou situações jurídicas pode servir de base de cálculo para a incidência de tributos. 22. A inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS infringe ainda a Constituição no que atine aos princípios da legalidade, da capacidade contributiva e da isonomia. 23. O princípio da legalidade dispõe que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei. (art. 5°, II, da CF/88). Constituise, assim, na mais importante das limitações ao poder de tributar. 24. Segundo o art. 150, inciso III, da CF de 1988 é vedado a exigência ou aumento de tributo sem lei que o estabeleça. No entanto, nos moldes postos à lide, se verifica que a cobrança do PIS e da Cofins sobre o faturamento, com a indevida inclusão dos valores a título de ICMS, acaba originando uma exigência tributária sem fundamento na lei. 25. Desta forma, em atenção ao princípio da igualdade, tributária art. 150, inciso II, da CF/88, as situações jurídicas que configuram a inclusão dos valores a título de ICMS devem receber o mesmo tratamento jurídico que a legislação impõe aos casos de exclusão do IPI do conceito de faturamento, pois em ambas as situações fica caracterizada a receita do ente competente para tais exações, situação em que efetivamente a empresa, embora tenha emitido a fatura com o valor total, nenhuma receita aufere. 26. Da mesma forma, ao incluir o ICMS na base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, o legislador afrontou a Constituição, pois conferiu tratamento desigual aos contribuintes que recolhem ICMS, em detrimento daqueles que não contribuem, seja devido às hipóteses de não incidência, isenção ou alíquota zero. 27.Acrescentese: a Carta Magna em seu art. 145, § 1° garantiu a pessoalidade dos impostos através do princípio da capacidade contributiva: Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 287 6 28. Por fim, cumpre ainda assinalar que o julgador, ao interpretar qualquer norma deve se atentar aos conceitos legais e ao sistema de princípios garantidos constitucionalmente. 29. Assim, pelos fundamentos alhures esposados, se verifica indubitavelmente razoável o direito da Impugnante não computar para fins de incidência do PIS e da Cofins, as receitas que não ingressaram como faturamento da empresa porque não configuram receita para mesma, e sim para o Estado. 30. É certo que a Constituição Federal autoriza, no art. 150, § 7°, com a redação que lhe foi dada pela Emenda Constitucional 03, de 17/03/1993, o chamado fato gerador presumido. Contudo, o mesmo dispositivo constitucional assegura a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. 31. Diante do exposto, pede a Impugnante, preliminarmente, seja declarada a nulidade do Auto de Infração em tela, com fulcro nos arts. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, procedendose consequentemente à extinção do processo administrativo instaurado com esta impugnação. 32.Todavia, por cautela e em honra do princípio da eventualidade, caso por absurdo não se reconheça à ofensa ao princípio da segurança jurídica e não se declare a nulidade do Auto atacado, requer seja, no mérito, declarada insubsistente a infração apontada pelo ilustre auditor fiscal da Fazenda, com esteio nas razões de fato e de Direito acima esposadas. De forma a excluir do montante os valores relativos ao ICMS indevidamente incluído na base de cálculo. A 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II, no Acórdão nº 1324.186, julgou procedente o lançamento, com decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2003 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 31/12/2004, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 31/07/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, podendo ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2004 a 30/06/2004, 01/07/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 31/12/2004, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 31/07/2007 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 288 7 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo do PIS, podendo ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2003 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/08/2004, 01/11/2004 a 31/12/2004, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/01/2006 a 31/07/2007 INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. AMOSTRAGEM O processo de amostragem utilizado no lançamento de ofício restringese apenas à verificação prévia de recolhimentos da contribuição, tendo o lançamento sido efetuado com base nos Livros Fiscais em confronto com os valores declarados em DCTF da empresa autuada. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de sua impugnação. Ao final, requer a declaração de nulidade do auto de infração, ou a reforma da decisão de piso para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e Cofins. A Resolução n° 3403000326 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária sobrestou o julgamento do recurso até que fossem julgados o RE nº 574.706 e a ADC nº 18. O atual RICARF não traz a previsão de sobrestamento para se aguardar decisões definitivas do STF, motivo pelo qual o presente processo veio a julgamento nesta oportunidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 289 8 Preliminar Alega a Recorrente a nulidade do auto de infração, em decorrência da análise parcial dos documentos fiscais e contábeis da empresa, uma vez que a autoridade utilizou amostragem. Assim, para a empresa, o exame de ínfima parte dos livros fiscais implica em tributação com base em presunção de seus rendimentos. Entende, por conseguinte, ter havido cerceamento de defesa. Concordo com os termos da decisão de piso (Art. 50, § 1°, da Lei n° 9.784/1999), que consignou: A contribuinte questiona o expediente de verificação por amostragem no cumprimento das obrigações tributárias relativas ao PIS e à COFINS, entendendo que os elementos verdadeiros que estavam à disposição da autoridade lançadora, foram desconsiderados no lançamento, restando desrespeitado o caráter vinculado do procedimento fiscal. No entanto, isso não aconteceu. A amostragem foi utilizada, apenas como primeira ação do fisco para verificar possível inadimplência da contribuinte quanto à contribuição em pauta, mas, a partir da constatação dessa inadimplência, passou a autoridade lançadora aos fatos reais, inclusive intimado a interessa a apresentar uma séria de documentos, incluindo Livro Razão e Livro de Apuração de ISS, sendo elaborados os demonstrativos de apuração da contribuição, integrantes da autuação. De fato, no auto de infração restou clara a análise dos documentos fiscais e contábeis da Recorrente: Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 290 9 Ademais, não houve violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos art. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, e com isso, não há no auto de infração quaisquer vícios prejudiciais, não há falarse, portanto, em nulidade do lançamento. Mérito Insurgese a Recorrente quanto à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Entendo que lhe assiste razão, uma vez que o RE n° 574.706PR – RG deve obrigatoriamente ser aplicado ao caso em questão. Explico. Sobre essa matéria, já tive a oportunidade de me manifestar em publicação acadêmica, na Revista de Direito Tributário Contemporâneo, Ano 3, nº 11, MarAbr/2018, Editora Thomson Reuters (ISSN 25254626). No RE n° 574.706PR RG, discutiuse a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, por ser faturamento o somatório da receita obtida com a venda de mercadorias ou a prestação de serviços. Com isso, o ICMS não se coaduna com esse conceito. É sabido que o STF reconheceu a repercussão geral da matéria em 16/05/2008. Foi dado provimento ao recurso extraordinário, cujo acórdão foi publicado em 02/10/2017. A repercussão geral fixou a tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS”. Transcrevese a ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando‐se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota‐se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando‐se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo‐ se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 291 10 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. No acórdão, não houve modulação de efeitos. Por isso, em seguida, foram interpostos os embargos de declaração pela Fazenda Nacional, em 19/10/2017. Entretanto, até a data do julgamento deste processo, não houve qualquer manifestação do STF quanto à modulação. Ressalto que, segundo o art. 14 do Novo CPC/15, a norma processual se aplica imediatamente aos processos em curso: Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada. Por outro lado, os Embargos de Declaração não têm efeito suspensivo: Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso. Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por decisão do relator, se da imediata produção de seus efeitos houver risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, e ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso. Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. § 1o A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação. Observase que o Poder Judiciário tem aplicado imediatamente o entendimento do STF, como se observa nos julgados abaixo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B DO CPC/1973. RE 574.796/PR. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS. APELAÇÃO PROVIDA. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 292 11 1. Instado o incidente de retratação em face do v. acórdão recorrido, em observância ao entendimento consolidado pelo C. Supremo Tribunal Federal no julgamento do mérito do Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida RE n° 574.796/PR. 2. O Plenário do E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.796/PR, publicado em 02.10.2017, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, firmou entendimento no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". 3. Efetuado o juízo de retratação, nos termos do artigo 543B, § 3º, do CPC/1973, para dar provimento à apelação da impetrante. (TRF 3, Apel. 002047195.1993.4.03.6100, DJ 21/12/2017) CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LITISPENDÊNCIA NÃO COFIGURADA. SENTENÇA ANULADA. JULGAMENTO DO MÉRITO. ART. 1013, § 3º, DO NCPC. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO INDEVIDA. REPERCUSSÃO GERAL. STF. (1). 1. Verificase a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada, existindo entre elas identidade de partes, causa de pedir e pedido. Não identificada a tríplice identidade, porque diferentes os pedidos, a litispendência não pode ser invocada como justa causa para extinção do feito sem resolução do mérito. 2. Anulada a sentença e encontrandose a relação processual devidamente formada, inexistindo necessidade de produção de outras provas e não vislumbrando qualquer prejuízo ou cerceamento de defesa de qualquer das partes, é possível a apreciação do mérito, nesta instância recursal, nos termos do disposto no art. 1013, § 3º, do CPC/2015. 3. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário 574.706 pela sistemática da repercussão geral, firmou a tese de "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS". (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 15/03/2017). 4. Especificamente em relação à Lei 12.973/2014 se encontra consolidado o entendimento no sentido de a ampliação do conceito do faturamento não alterou o conceito de base de cálculo sobre a qual incide o PIS e a COFINS, tanto mais diante da consolidada a jurisprudência da Suprema Corte, a quem cabe o exame definitivo da matéria constitucional, no sentido da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes. 5. Apelação provida, para anular a sentença e, prosseguindo no julgamento, nos termos do art. 1013, § 3º, do CPC/2015, julgar procedente o pedido. (TRF 1, Apel. 001138906.2017.4.01.3400/DF, DJ 01/12/2017). Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 293 12 Quanto à aplicação dessa decisão em sede de processo administrativo, dispõe o § 2º, do art. 62 do RICARF, o seguinte: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Venho sustentando que, para fins de interpretação do § 2° do art. 62 do RICARF, negar a aplicação da decisão do RE n° 574.706 RG, com base no REsp n° 1.144.469/PR (julgado como recurso repetitivo e já transitado em julgado), é uma falácia. É uma falácia, porquanto o próprio STJ já alterou seu posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, em virtude da decisão do STF, como se observa nas decisões citadas abaixo: AgInt no RECURSO ESPECIAL Nº 1.355.713 – SC, DJ 24/08/2017 PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. ICMS. INTEGRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II – O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 674.706/PR, em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria em exame, concluiu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. III – Esta Corte realinhou o posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS. IV – A Agravante não apresenta argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. V – Agravo Interno improvido. AgInt no AgRg no AgRg no Ag, em RESp 430.921 – SP, DJ 07/11/2017 TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 294 13 RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou seu posicionamento anterior, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo 1.144.469/PR, em que este Relator ficou vencido quanto à matéria, ocasião em que a 1a. Seção entendeu pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS (Rel. p/acórdão o Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.12.2016, julgado nos moldes do art. 543C do CPC). 2. Contudo, na sessão do dia 15.3.2017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido. AgInt nos EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1063262/SC, DJ 24/08/2017 TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. O ICMS INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. MANUTENÇÃO DAS SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. RESP 1.144.469/PR, REL. MIN. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, REL. P/ ACÓRDÃO O MIN. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJE 2.12.2016, JULGADO SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR) EM SENTIDO CONTRÁRIO. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA PROVIDO PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO AO AGRAVO. 1. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou seu posicionamento anterior, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo 1.144.469/PR, em que este Relator ficou vencido quanto à matéria, ocasião em que a 1a. Seção entendeu pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS (Rel. p/acórdão o Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.12.2016, julgado nos moldes do art. 543C do CPC). 2. Contudo, na sessão do dia 15.3.2017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora a Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da seguridade social. 3. O REsp. 1.144.469/PR tratou, ainda, da incidência do ICMS no PIS/COFINS repassados a terceiro, verificase que neste ponto não há divergência quanto à matéria (item 12 da ementa REsp. 1.144.469/PR, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, 1a. Seção, DJe 2.12.2016). Assim, não assiste razão à parte agravante quanto a este ponto. 4. Agravo Interno da empresa provido para dar parcial provimento ao Agravo e reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS/COFINS. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 295 14 (AgInt nos EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1063262/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/04/2017, DJe 19/04/2017). Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, deve ser imediatamente aplicado. Defendo que tal situação se coaduna com a condição de “decisão definitiva de mérito”, para fins de aplicação do art. 62, § 2° do RICARF. Por fim, aponto que, recentemente, o STJ se manifestou no sentido da obrigatoriedade da aplicação do decisum, independentemente do trânsito em julgado (AgInt no Agravo em Recurso Especial nº 282.685 – CE, DJ 27/02/2018): TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido. Em suma, entendo que a aplicação do RE n° 574.706 é obrigatória, motivo pelo qual o recurso voluntário deve ser provido. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Voto Vencedor Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 296 15 Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Redator Com a devido vênia, divirjo do excelente voto da Relatora, pelas razões expostas a seguir. Sobre o tema da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 297 16 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10580.721226/200701 Acórdão n.º 3301004.355 S3C3T1 Fl. 298 17 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Fl. 298DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.903070/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de PER/DCOMP com demonstrativo de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, referente ao período de apuração de dezembro de 2009. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando sua decisão na alocação integral do pagamento a outros débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 03 07 0/ 20 13 -3 1 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10120.903070/201331 Resolução nº 1201000.359 S1C2T1 Fl. 3 2 Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que diante da não homologação, foi verificado que a empresa cometeu erro material ao declarar na DCTF um débito fictício, solicitando que seja, assim, processada e homologada a PER/DCOMP inicialmente apresentada, uma vez que, a empresa não deve ser apenada por esse equívoco formal que não desnatura a compensação realizada. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento em primeira instância e, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente face à ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação. A DRJ/RPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: A não homologação da compensação decorreu da inexistência do crédito utilizado, pois o valor recolhido correspondeu ao débito expresso na DCTF que se achava ativa na data em que o despacho decisório foi emitido. Estando o pagamento integralmente alocado, não havia saldo disponível para suportar a extinção do crédito tributário pretendida pelo contribuinte. A partir da ciência do contribuinte do despacho decisório que negou a compensação requerida, deixa de existir a espontaneidade e a retificação da DCTF somente será válida caso esteja acompanhada de elementos de prova suficientes para o convencimento da autoridade fiscal quanto ao erro praticado no documento retificado, conforme disposto no artigo 9º, §§ 1º e 2º, da Instrução Normativa RFB nº 974/2009. De acordo com o §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caberia ao contribuinte não só a juntada das declarações retificadoras, mas também a apresentação de outros elementos, tais como cópias de livros contábeis e fiscais com os lançamentos dos valores apropriados na apuração, capazes de demonstrar o propalado erro cometido no preenchimento da declaração original. Ao invés disso, o contribuinte limitouse a indicar o erro cometido na DCTF com base no balancete, o que não é suficiente para a comprovação do alegado erro praticado pelo sujeito passivo. Cientificada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) houve recolhimento a maior de IRPJ referente ao mês de dezembro de 2009; (ii) o erro no preenchimento da DCTF acabou por refletirse no valor a maior constante do DARF; (iii) a partir da análise da DIPJ, LALUR e balancete de verificação é possível observar o valor do IRPJ apurado no mês de dezembro de 2009. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10120.903070/201331 Resolução nº 1201000.359 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.339, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10120.903043/201369, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de abril de 2007 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do período de apuração de dezembro de 2009. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.339), adequandoa ao caso concreto: "[...] Conforme visto, a recorrente trouxe aos autos documentação robusta no que tange à apuração do IRPJ devido no mês em referência. No entanto, [...], há que se proceder à verificação quanto à liquidez e certeza do crédito, no que se refere aos demais períodos não incluídos nos presentes autos, considerandose, mutatis mutandis, o contido nas conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10120.903070/201331 Resolução nº 1201000.359 S1C2T1 Fl. 5 4 Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; b) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de estimativa de IRPJ do anocalendário em questão, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 349DF CARF MF
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